A tragédia social gerada pela democracia
por , terça-feira, 1 de abril de 2014

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434664759_WolfSheep_xlarge.jpegA democracia pode até ter começado com o grande ideal para conceder poder às pessoas; porém, depois de 150 anos de prática, os resultados estão aí e eles não são positivos.  Está mais do que claro que a democracia está mais para um arranjo tirânico do que para uma força libertadora.  As democracias ocidentais estão seguindo o mesmo caminho já percorrido pelos países socialistas e, como era inevitável, se tornaram estagnadas, corruptas, opressoras e burocratizadas.  Isto não aconteceu porque o ideal democrático foi subvertido, mas sim, e ao contrário, porque esta é exatamente a natureza inerente ao ideal democrático.  Trata-se de uma natureza coletivista.

Se você quer saber como a democracia realmente funciona, considere este exemplo. George Papandreou, o político grego socialista, ganhou as eleições em seu país em 2009, com um slogan simples: "Há dinheiro!" Seus oponentes conservadores haviam reduzido os salários dos funcionários públicos e outras despesas públicas.  Papandreou disse que isso não era necessário. "Lefta yparchoun" era seu grito de guerra — há dinheiro.  Ele ganhou as eleições sem problemas.  Na realidade, não havia dinheiro nenhum, é claro — ou melhor, o dinheiro teve de ser fornecido pelos pagadores de impostos de outros países da União Europeia.  Mas, na democracia, a maioria está sempre certa e, quando tal maioria descobre que pode, por meio do voto, confiscar a riqueza alheia para si própria, ela inevitavelmente fará isso. Esperar que não o faça seria ingenuidade.

O que o exemplo grego mostra também é que as pessoas em uma democracia naturalmente se voltam para o estado para que este cuide delas.  Governo democrático significa ser governado pelo estado.  Como resultado, as pessoas irão sempre fazer exigências ao estado.  Elas irão se tornar cada vez mais dependentes do governo, para resolver seus problemas e orientar suas vidas. Qualquer problema que elas encontrem, elas esperarão que o governo os corrija.  Obesidade, abuso de drogas, desemprego, falta de professores ou enfermeiros, uma queda no número de visitas a museus, o que seja — o estado está lá para fazer algo que resolva isso.

Aconteça o que acontecer — um incêndio em um teatro, um acidente de avião, uma briga de bar —, elas esperam que o governo vá atrás dos culpados e garanta que nada semelhante aconteça novamente.  Se as pessoas estão desempregadas, elas esperam que o governo 'crie empregos'.  Se os preços da gasolina sobem, elas querem que o governo faça algo sobre isso.  No Youtube, há um vídeo de uma entrevista com uma mulher que acabou de ouvir um discurso do presidente Obama.  Quase chorando de alegria e emoção, ela exclama: "Eu não mais terei de me preocupar com o pagamento da gasolina para o meu carro ou da minha hipoteca". Esse é o tipo de mentalidade que a democracia cria.

E os políticos estão sempre dispostos a fornecer o que as pessoas exigem deles.  Eles são como o homem daquele provérbio: para quem tem apenas um martelo, tudo se parece com um prego.  Para cada problema da sociedade, eles se veem como os únicos capazes de solucionar esses problemas.  Afinal, é para isso que foram eleitos. Eles prometem que irão 'criar empregos', reduzir as taxas de juros, aumentar o poder de compra das pessoas, fazer com que a aquisição de casas seja acessível até para os mais pobres, melhorar a educação, construir parques infantis e campos desportivos para os nossos filhos, se certificar de que todos os produtos e locais de trabalho são seguros, fornecer serviços de saúde de qualidade e acessíveis para todos, acabar com os engarrafamentos, varrer a criminalidade das ruas, livrar os bairros de vandalismo, defender os interesses 'nacionais' perante o resto do mundo, promover a emancipação e lutar contra a discriminação em todos os lugares, verificar se os alimentos são seguros e se a água é limpa, 'salvar o clima', tornar o país o mais limpo, o mais verde e o mais inovador do mundo e banir a fome da face da terra.

Eles irão realizar todos os nossos sonhos e exigências, cuidar de nós desde o berço até o túmulo, e se certificar de que estamos felizes e contentes desde o início da manhã até o final da noite — e, claro, farão tudo isso sem elevar os gastos e ainda reduzindo impostos.

Tais são os sonhos que constituem a democracia.

Os pecados da democracia

Obviamente, a verdade é que isto simplesmente não tem como funcionar.  O governo não pode alcançar tudo isso.  No final, os políticos sempre irão fazer as únicas coisas que eles realmente sabem fazer:

1. Desperdiçar enormes quantias de dinheiro em problemas que são ou insolúveis ou transitórios;

2. Criar novas leis e regulações;

3. Criar comissões para supervisionar a implantação das suas leis.

Não há realmente nada mais que eles possam fazer, como políticos.  Eles não podem sequer pagar as contas de suas atividades, cuja fatura é enviada para os pagadores de impostos.

É possível ver as consequências desse sistema ao seu redor, diariamente:

Burocracia

A democracia gerou, em todo o mundo, um enorme inchaço burocrático.  A burocracia nos cerca e reina sobre nossas vidas com um poder cada vez mais arbitrário. Dado que tal aparato burocrático é ele próprio o governo, ele é capaz de assegurar que seus integrantes estejam bem protegidos contra as duras realidades econômicas que o resto de nós enfrenta.

Nenhuma burocracia jamais vai à falência; os próprios burocratas não podem ser demitidos e eles raramente entram em conflito com a lei, uma vez que eles são a lei.  Ao mesmo tempo em que gozam de impunidade, eles jogam um enorme fardo sobre o resto de nós, com as suas regras e regulamentos.  A abertura de novas empresas é impedida e desestimulada por uma imensidão de leis e de custos burocráticos que lhes são impostas.  Empresas já existentes também sofrem sob o peso da burocracia.  Os custos burocráticos para se empreender — por menor que seja o empreendimento — são aviltantes. 

Os pobres e os que têm menos educação são os que mais sofrem com esse sistema.  Em primeiro lugar porque o custo adicional gerado pela burocracia encarece sobremaneira o valor final de qualquer empreendimento, fazendo com que o uso de uma mão-de-obra pouco produtiva seja muito custoso.  O resultado é um achatamento salarial.  Em segundo, porque os pobres também têm de arcar com o financiamento do aparato burocrático, e isso se dá por meio de encargos sociais e trabalhistas que encarecem o valor final do seu salário.  O resultado é um novo achatamento salarial.  E terceiro, porque é muito difícil para eles estabelecerem o seu próprio negócio, uma vez que eles não têm como enfrentar a selva burocrática; pobre não pode se dar ao luxo de gastar dinheiro com propina.

Parasitismo

Além dos burocratas, funcionários públicos e políticos, há um outro grupo de pessoas que se safa muito bem no sistema democrático: aquelas pessoas que comandam empresas e instituições que devem sua existência à generosidade do governo ou a privilégios especiais.  Pense nos gestores de grandes empresas nacionais que são protegidas pelo governo contra a concorrência, tanto por meio de tarifas de importação quanto por agências reguladoras que cartelizam o mercado e impedem a entrada de empresas concorrentes.  Pense naqueles setores industriais e agrícolas recebedores de fartos subsídios.  Pense nos grandes bancos e nas grandes instituições financeiras que são protegidas pelo Banco Central.

E há também as organizações sociais — sindicatos, movimentos raciais e sexuais, instituições culturais, a televisão pública, as agências assistenciais, os grupos ambientais e assim por diante — que recebem dinheiro diretamente do governo.  Muitas das pessoas que comandam tais organizações não apenas têm empregos lucrativos e estáveis, como também possuem ligações íntimas com a burocracia estatal e com políticos, algo que garante vários privilégios e muito poder a estas organizações.  Esta é uma forma de parasitismo institucionalizado, com a cumplicidade de nosso sistema democrático.

Megalomania

Frustrado por sua incapacidade de realmente mudar a sociedade, o governo lança regularmente megaprojetos para ajudar a recuperar um setor industrial decadente ou para servir a um outro propósito nobre. Invariavelmente, essas ações só aumentam os problemas e elas sempre custam muito mais do que o planejado.

Pense nas reformas educacionais, na reforma da saúde, nos projetos de infraestruturas e seus vários elefantes brancos da energia (o programa de etanol nos EUA e os projetos de energia eólica costeira na Europa são bons exemplos que mostram que a incompetência estatal independe da riqueza da nação).  As guerras também podem ser vistas como 'projetos públicos', realizados pelo governo para desviar a atenção de problemas internos, angariar apoio público, criar empregos para as classes desprivilegiadas e enormes lucros diretos para empresas favorecidas, as quais, por sua vez, patrocinam as campanhas eleitorais dos políticos e lhes oferecem empregos quando eles saem da vida pública. (Nem é preciso dizer que os políticos nunca lutam nas guerras que eles iniciam.)

Assistencialismo

Os políticos, que são eleitos para combater a pobreza e a desigualdade, naturalmente sentem que é seu dever sagrado continuar a introduzir novos programas sociais (e novos impostos para pagá-los).  Isso serve não só aos seus próprios interesses, mas também aos interesses dos burocratas responsáveis pela execução dos programas. O estado assistencialista ocupa hoje uma parte substancial dos gastos do governo, na maioria dos países democráticos.  

Na Grã-Bretanha, o governo gasta um terço de seu orçamento com o estado assistencialista.  Na Itália e na França, esse número se aproxima de 40%.  Muitas organizações sociais (sindicatos, fundos de pensão de estatais, agências governamentais de emprego) têm interesse em preservar e expandir o estado assistencialista.  Típico da maneira como o governo democrático funciona, o estado não oferece nenhuma opção e não celebra contratos com os seus cidadãos. Todo mundo é obrigado a arcar com os enormes gastos do seguro-desemprego e pagar elevadas taxas para a Previdência Social, mas ninguém sabe os benefícios que terá no futuro.  O dinheiro que tiveram de entregar ao governo já foi gasto.  O inevitável colapso da Previdência Social que se aproxima é o exemplo mais notório desse tipo de libertinagem.  

E sempre tenha em mente que o assistencialismo não serve apenas os 'desprivilegiados'. Uma enorme fatia de 'assistência' vai para os ricos — por exemplo, para os bancos que foram socorridos com montantes na ordem de US$700 bilhões (depois de os executivos terem se auto-premiado com bônus consideráveis), para as grandes empresas que vivenciam dificuldades e que o governo decretou serem "grandes demais para falir" e, é claro, para toda a sorte de funcionários públicos, que se aposentam com valores magnânimos.

Comportamento antissocial e crime

O estado assistencialista democrático estimula a irresponsabilidade e o comportamento antissocial.  Em uma sociedade livre, as pessoas que se comportam mal, que não conseguem manter as suas promessas ou que agem sem preocupação com os outros, perdem a ajuda de amigos, da vizinhança e da família.  No entanto, no atual arranjo, nosso estado assistencialista lhes diz: se ninguém mais quer ajudá-lo mais, nós ajudamos!

Assim, pessoas imprudentes e imediatistas são recompensadas por comportamentos antissociais.  Como elas estão acostumadas que o governo lhes forneça tudo de que elas necessitam, elas desenvolvem a mentalidade dos aproveitadores, daqueles que não querem trabalhar para o seu próprio sustento.  Para piorar a situação, legislações trabalhistas rígidas (assim como leis anti-discriminação) tornam difícil para os empregadores se livrarem de funcionários incompetentes.  Da mesma forma, os regulamentos governamentais tornam quase impossível expulsar alunos ou despedir professores que se comportam mal ou têm mau desempenho.

Em programas públicos de habitação, é muito difícil despejar alguém que seja um incômodo para os vizinhos.  Os grupos que se comportam mal em centros de acolhimento noturnos não podem ter a entrada recusada por causa de leis anti-discriminação.  Para agravar ainda mais, o governo muitas vezes cria programas assistenciais para grupos antissociais, como vândalos.  Na Inglaterra, por exemplo, há programas de assistência para hooligans.  Desta forma, a delinquência é recompensada e encorajada.

Mediocridade e padrões mais baixos

Em qualquer sociedade, a maioria tende a ser constituída pelos mais pobres e não pelos membros mais bem sucedidos e competentes.  Sendo assim, em uma democracia, há inevitavelmente uma pressão sobre os políticos para redistribuírem riqueza — para tirar dos ricos e dar aos pobres.  Desta forma, o sucesso empreendedorial e a excelência são punidos por impostos progressivos.  Logo, na democracia, é de se esperar que haja um emburrecimento da população e uma diminuição de normas gerais de cultura e etiqueta.  Onde a maioria reina, a mediocridade torna-se a norma.

Cultura do descontentamento

Em uma democracia, as divergências privadas estão continuamente se transformando em conflitos sociais.  Isso ocorre porque o estado interfere em todas as relações pessoais e sociais.  Tudo o que acontece de errado em algum lugar, desde uma escola pública mal gerenciada a um tumulto local, logo se transforma em um problema nacional (ou mesmo internacional) para o qual os políticos têm de encontrar uma solução.  Todo mundo se sente impelido e encorajado a impor sua visão do mundo sobre os outros. Grupos que se sentem injustiçados organizam bloqueios, protestos ou fazem greve. Isso cria um sentimento geral de frustração e descontentamento.

Visão de curto prazo

Em uma democracia, o incentivo principal dos políticos é o desejo de serem reeleitos.  Portanto, seu horizonte temporal dificilmente vai além das próximas eleições.  Além disso, políticos eleitos democraticamente trabalham com recursos que não são deles e que estão apenas temporariamente à sua disposição.  Eles estão apenas gastando o dinheiro dos outros.  Isso significa que eles não têm que ter cuidado com o que fazem e nem têm de pensar no futuro.  Por estas razões, políticas de curto prazo e imediatistas prevalecem em uma democracia.

Um ex-ministro holandês dos Assuntos Sociais disse certa vez que "os líderes políticos deveriam governar como se não houvesse mais eleições.  Dessa forma, eles seriam capazes de tomar a visão de longo prazo das coisas". Mas isso é exatamente o que eles não podem fazer, é claro.  Como o autor americano Fareed Zakaria disse em uma entrevista: "Eu acho que estamos diante de uma crise real no mundo ocidental. O que você vê é a incapacidade fundamental em toda a sociedade ocidental de fazer uma coisa, que é a de impor algum tipo de sofrimento de curto prazo para ganhos em longo prazo. Sempre que um governo tenta propor algum tipo de sofrimento de curto prazo, há uma revolta.  E a revolta é quase sempre bem sucedida".

Como as pessoas são encorajadas a se comportar como aproveitadores em uma democracia, e como os políticos se comportam mais como inquilinos do que os proprietários de imóveis, pois eles estão apenas temporariamente no cargo, este resultado não deve surpreender ninguém. Alguém que aluga ou arrenda alguma coisa possui muito menos incentivos para ter cuidado e pensar no longo prazo do que um genuíno proprietário.

Por que tudo continua piorando

Teoricamente, as pessoas poderiam votar por um sistema diferente, menos burocrático e menos desperdiçador. Na prática, isso não é provável que aconteça, já que existem muitas pessoas que têm um grande interesse em preservar o sistema.  E como o governo lentamente cresce, esse grupo cresce com ele.

Como o grande economista austríaco Ludwig von Mises apontou, a burocracia, em particular, resiste com unhas e dentes a qualquer tipo de mudança. "O burocrata não é apenas um empregado do governo", escreveu Mises, 

Ele é, sob uma constituição democrática, ao mesmo tempo, um eleitor e, como tal, uma parte do soberano, seu empregador.  Ele está em uma posição peculiar: ele é o empregador e o empregado. E seu interesse pecuniário, como funcionário, está acima de seu interesse como empregador, já que ele recebe muito mais dos recursos públicos do que contribui para eles. Esta dupla relação se torna mais importante à medida que o número de pessoas na folha de pagamento do governo aumenta.  O burocrata, como eleitor, está mais ansioso em obter um aumento do que em manter o orçamento equilibrado. Sua principal preocupação é fazer inchar a folha de pagamento.

O economista Milton Friedman descreveu quatro maneiras de se gastar dinheiro.  A primeira é quando você gasta o seu dinheiro com você mesmo.  Nesse caso, você tem um incentivo para buscar qualidade e gastar o dinheiro de forma eficiente.  Este é o modo como, geralmente, o dinheiro é gasto no setor privado.  A segunda maneira é gastar o seu dinheiro com outra pessoa — por exemplo, quando você compra jantar para alguém.  Nesse caso, você certamente se preocupa com a quantidade de dinheiro que você gasta, mas está menos interessado na qualidade.  A terceira maneira é quando você gasta o dinheiro de outra pessoa consigo mesmo, como quando você almoça à custa de sua empresa.  Nesse caso, você terá pouco incentivo para ser frugal, mas você vai se esforçar para escolher o melhor almoço.  A quarta maneira é quando você gasta o dinheiro de alguém com outra pessoa.  Nesse caso, você não tem motivos para se preocupar com a qualidade e nem com o custo.  Esta é a maneira como, geralmente, o governo gasta o dinheiro dos impostos.

Os políticos raramente são responsabilizados pelas medidas que implementam e que acabam sendo prejudiciais no longo prazo.  Eles recebem elogios por suas boas intenções e pelos resultados iniciais positivos de seus programas.  As consequências negativas, que surgem no longo prazo (por exemplo, dívidas que precisam ser reembolsadas), serão da responsabilidade de seus sucessores.  Por outro lado, os políticos têm pouco incentivo para executarem programas que gerem resultados somente depois que eles já deixaram o cargo, pois tais resultados serão creditados aos futuros líderes.

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Adquira o livro
Assim, os governos democráticos, invariavelmente, gastam mais dinheiro do que recebem.  Eles resolvem esse problema aumentando impostos ou, ainda melhor — uma vez que as pessoas que têm de lhes pagar não ficarão nada satisfeitas —, tomando empréstimos ou simplesmente imprimindo o dinheiro. (Note que eles tendem a contrair empréstimos junto a seus bancos favoritos, os quais posteriormente serão resgatados pelo governo, caso tenham problemas).  Eles raramente cortam seu próprio orçamento. Quando eles falam em 'cortar', isso normalmente significa um crescimento mais lento dos gastos.

Imprimir dinheiro, é claro, leva à inflação, o que implica uma redução constante no valor da poupança das pessoas e no seu poder de compra.  Pedir dinheiro emprestado faz com que a dívida nacional aumente e, consequentemente, deixe para a geração futura o pagamento dos juros. Atualmente, as dívidas públicas de quase todas as democracias do mundo se tornaram tão altas, que é improvável que venham a ser quitadas algum dia.  O que é pior é que algumas instituições, como fundos de pensão, compraram maciçamente essa dívida pública, sob a suposição de que este seria um bom investimento de longo prazo.  Isso é uma piada cruel.  Muitas pessoas nunca irão receber a pensão com que contavam porque o dinheiro que colocaram em seus fundos de pensão já foi desperdiçado.

No entanto, apesar de todos esses problemas que a democracia nos traz, continuamos a esperar e a acreditar que, após as próximas eleições, tudo vai mudar.  Isso nos deixa presos em um círculo vicioso: o sistema não entrega o que promete, as pessoas se tornam frustradas, os políticos fazem cada vez mais promessas, as expectativas ficam ainda maiores, assim como os inevitáveis desapontamentos.  E tudo se reinicia.  Em uma democracia, os cidadãos são como alcoólatras que precisam beber cada vez mais para ficarem embriagados, resultando em uma ressaca ainda maior.  Em vez de concluírem que devem ficar longe do álcool, eles querem ainda mais. Eles esqueceram completamente de como cuidar de si mesmos e abrindo mão da responsabilidade própria e do comando de suas próprias vidas.

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O artigo acima foi extraído do livro Além da Democracia, à venda no IMB.


Frank Karsten & Karel Beckman 

escreveram uma nova e fulminante análise libertária sobre a democracia.  No livro Além da Democracia, eles mostram, em termos simples e por meio de 13 mitos, o que há de errado com o sistema democrático e por que a democracia é fundamentalmente oposta à liberdade.  O livro mostra também uma alternativa: uma sociedade baseada totalmente na liberdade individual e em relações sociais voluntárias.

Frank Karsten é fundador do Mises Instituut Nederland. Ele aparece regularmente em público para falar sobre a crescente interferência do estado na vida dos cidadãos. www.mises.nl.

Karel Beckman é escritor e jornalista. Ele é o editor chefe do website European Energy Review. Antes de assumir este cargo, ele trabalhou como jornalista no jornal financeiro holandês Financieele Dagblad. O seu website pessoal é www.charlieville.nl.




57 comentários
57 comentários
anônimo 11/04/2013 14:38:23

Ótimo, estávamos precisando mesmo de mais livros falando contra a democracia em português. Logo logo encomendo o meu.

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Pedro Ivo 11/04/2013 20:13:52

"Tais são os sonhos que constituem a democracia." - Delírios, surtos e pesadelos; não sonhos

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Vinicius Costa 11/04/2013 15:12:26

Qual a justificativa oficial dos governos sobre essas dívidas públicas? Os políticos falam como ela será paga ou não tocam no assunto?

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Leandro 11/04/2013 15:20:35

Fingem que não é com eles. Aliás, é difícil culpá-los por tal postura: quase ninguém na população faz ideia de como isso funciona. Todo mundo acha que o almoço, se não é grátis, será pago exclusivamente por terceiros.

Como a dívida do governo afeta as gerações futuras

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Vinicius Costa 11/04/2013 15:32:06

Mas isso nunca foi perguntado diretamente pra nenhum politico ou presidente do Banco Central de algum país?

Seria no mínimo interessante ver as respostas

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anônimo 11/04/2013 16:36:51

Provavelmente seria algo do tipo: "nós devemos para nós mesmos, não tem com o que se preocupar".

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Danielbg 11/04/2013 16:43:52

No livro do Ron Paul ele faz algumas perguntas para os presidentes do FED, dá pra ter uma ideia de como seriam as respostas aqui...

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edison 11/04/2013 15:42:34

Ainda com todos os defeitos apontados, melhor com a democracia do que sem ela. Uma sociedade baseada totalmente na liberdade individual seria o caos; ainda que todos os cidadãos fôssem cultos e politizados jamais haveria consenso sôbre o tema. No entanto,políticas de longo prazo só são possíveis em regimes autoritários. Sob o capitalismo considero bem sucedidas as ditaduras brasileira e chilena,como exemplo, e sob o comunismo/marxismo a tragédia é evidente.

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Anarcofóbico 11/04/2013 16:51:43

"Uma sociedade baseada totalmente na liberdade individual seria o caos"

Embora vc não trouxesse qualquer argumento relevante para justificar isso, concordo com vc! Sua lógica é bem racional e explicativa!

"jamais haveria consenso sôbre o tema"

Exato!! Por isso é bom colocar um grupo especial no governo que saiba muito mais do que o resto do povo! Eles sim podem guiar a nação a um crescimento impressionante, mesmo que aprovem leis com as quais ninguém concorde e não sirvam pra nada!

"políticas de longo prazo só são possíveis em regimes autoritários"

Você deve entender muito sobre economia! Exatamente o que penso! Só tem um pequeno detalhe, pois as políticas de curto prazo quase não acabam com a economia e criam um pequeno empecilho chamado inflação, mas, fora isso (e as bolhas, estouro, recessão, depreciação da moeda, etc.) só vejo coisas boas na política de curto prazo, ainda mais quando financiadas pelo Banco Central, que tem poder quase irrestrito sobre a criação de dinheiro.

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André Henrique 18/03/2016 23:53:36

Anarcofóbico,
Você deve ter a resposta... então como mudamos o Brasil? Como saímos desse sistema democrático podre e para "onde" vamos?
Abç

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Ale 11/04/2013 18:37:30

"jamais haveria consenso sôbre o tema"
Isso já ocorre hoje e isso é normal pois os indivíduos são únicos. No entanto, eles podem se unir em interesses comuns. O problema é que na democracia os interesses de um grupo podem ser sobrepostos aos interesses dos outros.

"No entanto,políticas de longo prazo só são possíveis em regimes autoritários"
Projetos de longo prazos são possíveis de serem construídas por indivíduos ou grupos visto que eles ganham esses projetos estáveis e duradouros.

Não é bom que se defenda ditaduras, pois elas atacam as liberdades individuais e ainda atentam contra a propriedade.
Ex.: Inflação e criação de estatais durante o governo militar.

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edison 13/04/2013 19:27:33

As "concessões" exageradas transformam-se em coveiras da própria democracia. O exemplo dos países subdesenvolvidos é bastante revelador: os políticos, a trôco de eleição, prometem validar legalmente qualquer coisa que atenda aos desejos egoísticos do rebanho votante, e tudo é válido para elegerem-se. Chega-se ao absurdo de justificar-se a atitude apoiando-se no "politicamente correto". Chegou-se a tentar passar na Câmara um projeto em que invasores de terras particulares são os legítimos donos, e o "invasor" é o proprietário legal, apesar de possuir escritura pública e registro em cartório. A legalização de invasões de áreas urbanas também é instigada por políticos,desde que a quantidade de votos justifique, e aos cidadãos pagadores de impostos resta pagarem o custo da infra-estrutura a ser realizada nessas áreas. Lastreados em leis, essas aberrações são terreno fértil para as pretensões de govêrnos autoritários de esquerda, que se instalam com o "voto" democrático. Os democratas fornecem a próprio corda com a qual serão enforcados.

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Roberval 11/04/2013 15:48:08

Muito bom o texto.
Tem um povo de direita por ai que precisa ler esse texto,e com urgencia.
O texto fala exatamente o que penso.
Quanto maior o estado,maior o tamanho do problema;para um pais e seu povo viver bem,tem que tirar o estado do jogo,privatizar tudo do governo e deixar as pessoas tomarem as decisões por conta própria sempre arcando com as consequências de uma ma decisão.Não precisamos de um estado para dizer o que é certo ou errado,afinal de contas,a verdade sempre vence,a justiça sempre prevalece e o que aqui se faz aqui se paga.

Responder
Jefferson 11/04/2013 15:54:01

"A democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras que têm sido tentadas de tempos em tempos."
(Sir Winston Churchill)

Responder
Marcio 11/04/2013 16:21:58

E tem gente que ainda trata a democracia como uma Deusa mitológica, intocável, ela resolverá todos os problemas.


Já vi petista dizer: "Calma, ainda temos pouco tempo vivendo na democracia, tudo vai melhorar, aliás, já estamos melhorando".


Até quando vão continuar com essa idolatria?

Responder
Camarada Friedman 11/04/2013 17:12:08

Muito bom, fiquei interessado no livro.

E o Democracy: The God That Failed ? Vão traduzir ?

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Diones Reis 11/04/2013 17:15:54

Este tipo de texto, não explicando o que seria uma opção a democracia, não poderia muito bem ser usado pra validar regimes piores ainda, como o Comunismo ou Socialismo?

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Thales 11/04/2013 17:28:35

Depende do nível de inteligência da pessoa. Os binários, aqueles que só raciocinam em termos de 8 ou 80, e que acham que as únicas opções são democracia e ditadura -- e, pior, que acham que estes irmãos siameses são extremos opostos --, realmente podem pensar isso. Mas estas são pessoas tacanhas e obtusas, sem nenhuma salvação.

Ademais, o texto deixa claro que é apenas o trecho de um livro. Se quiser conhecer a alternativa, terá de ler o livro.

Ou pelo menos dar uma boa lida nesta seção:

www.mises.org.br/Subject.aspx?id=11

Responder
Danielbg 11/04/2013 17:31:40

Talvez seja interessante vc ler o livro todo e ter uma ideia do posicionamento do autor, principalmente a parte III...

Responder
Diones Reis 11/04/2013 20:24:54

Obrigado pelas explicações e sugestões, e entendi a questão libertária proposta por mises.

O meu receio é que textos assim, sejam desvirtuados em algumas partes, para uso de pessoas que querem explicar regimes como os de Stalin ou Fidel.

É como fazem radicais islamicos, ao interpretatem o Alcorão de acordo com que pensam.

Responder
Eduardo 13/04/2013 14:45:26

"Este tipo de texto, não explicando o que seria uma opção a democracia, não poderia muito bem ser usado pra validar regimes piores ainda, como o Comunismo ou Socialismo?"

De fato, essa interpretação é possível.

Uma pessoa a favor de direitos de propriedade privada é contra a democracia: afinal, ou uma pessoa é a favor de direitos de propriedade privada, ou ela é a favor de que uma maioria possa votar pra tirar esses direitos.
No entanto, uma pessoa a favor de uma ditadura totalitária violenta contra a vontade popular também é contra a democracia.

O importante é notar que ser contra a democracia não é necessariamente ser a favor de uma ditadura. Existem outras opções aí.

Na verdade, a maioria das pessoas já é contra a democracia em várias áreas. Intuitivamente elas são contra a maioria decidir com quem irão se casar, ou qual roupa a população deve usar, ou qual comida a população deve comer, ou qual grupo de humanos deve ser executado. Elas assumem que essas coisas não estão sujeitas ao voto.

É uma pena que a maioria assuma que outras coisas estão sujeitas ao voto. Que a maioria tem o direito votar em quem vai decidir sob qual o salário mínimo as pessoas devem trabalhar, quais substâncias as pessoas não devem usar, quais empresas serão subsidiadas, enfim...

Basta notar que negar a democracia não é necessariamente aceitar uma ditadura.
Negar a democracia pode ser OU aceitar que a decisão individual e a propriedade privada são soberanas e não estão sujeitas ao voto, OU que a decisão individual e a propriedade privada serão violadas à força e contra a vontade popular.
Negar a democracia em algo apenas quer dizer que esse algo não deveria estar sujeito ao voto popular.


As pessoas realmente têm uma idéia muito deturpada de democracia, e a confundem com a liberdade em si.
Vide a frase comum: "somos democráticos, achamos que todos têm o direito de expressar sua opinião"
Ora, aceitar a opinião de todos não é democracia. Democracia é achar que a maioria pode votar pra meter porrada ou não em quem expressar uma determinada opinião.
Se a maioria decidir mandar pra guilhotina quem expressar certas opiniões, essa decisão é violenta e imoral, mas é democrática.


Cabe adicionar que muitos regimes totalitários e violentos sequer eram anti-democráticos. Basta ver que muitos deles foram aprovados pela maioria dos eleitores, ou mesmo pela maioria da população.

E também notar que muitos tiranos, muitos monarcas absolutistas, muitos reis, senhores feudais, enfim, não interferiam na liberdade de seus súditos como a maioria da população interfere hoje.
A maioria da população agindo sob a idéia de democracia está faminta pra retirar liberdades e impôr regulamentações nos seus semelhantes. Não dá pra dizer que dar poder pra população é equivalente a dar liberdade pra população.

Responder
Lourenço Brandt 01/04/2014 15:31:51

Primeira vez que sinto fata do facebook.
Cade o botão "like" ???

ÓTIMO comentário.

Parabéns.

Responder
Yonatan 21/04/2014 01:39:44

Excelente comentário, Eduardo!

Responder
Um Filósofo 11/04/2013 18:25:34

3 fortes razões pelas quais a democracia se faz necessária:

1 - A dicotomia entre autoritarismo e democracia é inevitável. A ausência de uma sempre levará à outra. Entretanto, confesso que todo governo democrático leva inevitavelmente ao autoritarismo burguês ou social, sendo a única variável de tal transformação a conscientização do povo. Se afetado por uma educação pública de qualidade e consciente de seu estado de opressão por parte dos ricos, as próprias pessoas realizarão a revolução e criarão uma ditadura do proletariado.
Logo, a democracia se faz ideal pois é um estado de transição imprescindível entre a ditadura burguesa e a ditadura do povo. É nele que as minorias ganham voz e que o povo luta por condições mais justas de viver.

2 - A proteção contra o capitalismo. Sendo o apoio ao povo necessário para a permanência do processo democrático, esse levará gradualmente à revolução do proletariado pois aparecerão condições educacionais comprometidas para com a conscientização do povo sobre a terrível exploração que sofrem. É neste estado em que o Brasil vive atualmente - sendo o controle da burguesia ainda grande porém rapidamente enfraquecendo em prol da causa trabalhadora enquanto a luta social toma escolas e universidades.
Em uma tirania, tal evolução gradual da consciência popular não ocorreria pois o governo apoiado pela burguesia rapidamente esmagaria os movimentos sociais. Sendo assim, é imprescindível que apareça um governo democrático para que o trabalhador de fato melhore gradualmente suas condições de vida.

3 - Aqueles que elaboram as leis as fazem servindo aos interesses de sua classe. Sob a democracia, não basta a burguesia outorgar seus valores reacionários contra a sociedade, é preciso que esses passem pela aprovação dos representantes do povo. É por tal motivo que a alienação possui papel crucial como método para a sobrevivência dos costumes conservadores. Porém, conforme a revolução progressista toma escolas e universidades e combate a cultura alienante, mais a legislação será realizada em prol do povo e as condições desse melhorarão. A cultura democrática permite o despertar de tal força revolucionária.

Conclusão:

A democracia matara Sócrates e desiludira Platão, o grande pensador do povo. Tal sacrifício se fez necessário para que o segundo idealizasse uma sociedade além do estado de alienação e ilusão imposto pela elite grega. Semelhanças com qualquer situação real não são mero sofisma acidental.
Como explicara Gramsci, cabe à democracia levar gradualmente o povo à sua própria revolução. O processo de recuperação do estado contra o domínio burguês levara séculos na Europa, porém, ao ser feito, trouxe um apogeu humano ao continente que ainda segue ameaçado pela mesma elite reacionária que teme perder seu poder sobre o continente definitivamente.
A democracia possui suas falhas, porém os homens do futuro, em sua glória igualitária, verão que no fim seu saldo fora positivo.

[Recomendo a leitura do autor Antonio Gramsci]

Responder
Gabriel 12/04/2013 12:45:34

Gramsci é o pensador da revolução, mas da revolução mascarada. Enganar, mentir, manipular o estado, fazer como o PT que se orgulha de ter transformado a máquina estatal em sua imagem e semelhança são pontos chaves para Gramsci. A democracia é condição sem a qual não pode haver revolução gramsciana.

Responder
Jose Roberto 12/04/2013 00:01:43

Devolver o trono para a familia imperial brasilera seria interessante.

Responder
P209 12/04/2013 05:01:00

O melhor artigo sobre democracia. Grande trabalho.

Responder
Angelo Viacava 12/04/2013 12:02:07

Quem vai fazer as ruas eu já sei. Só gostaria de saber os passos para libertar-se da democracia ou de qualquer outro sistema imposto. Fechar os olhos para a luz do sol não impede queimaduras no resto do corpo.

Medidas contra um sistema também seriam um sistema?

Deixar de existir a cadeira do poder sem que seja criada outra logo em seguida?

Muito bonito responder com ironias a dúvidas, mas na verdade não há resposta efetiva contra a democracia. Se tudo é keynesiano, tudo é imposto, o que há de tão diferente num mundo livre que ele não se auto-instala?

Mas instalar-se seria intervenção, dizem uns, aí já não é mais libertário?

Falsos profetas virão em nome do libertarianismo. Mas quem são os verdadeiros? Se qualquer gota de vinagre numa pipa de vinho estraga a pipa inteira, onde está o vinho puro do libertarianismo?

As leis serão criadas por quem? Por um ente privado ou por um colegiado de políticos ou escolhidos pela população, mas aí já é democracia de novo?

Querer a perfeição do sistema inabalável, a prova de políticos, não é cair na esparrela do comunismo, só que ao contrário?

Mas não é um sistema - respondem outros - se fosse não seria libertário.

A política não é a evolução de prestadores de serviços privados a um nível de extorsão, baseado em leis criadas por eles mesmos? Como impedir esta evolução, se houver?

Indivíduos preparados, fortes de caráter, moralmente firmes, resolve?

Aí vem aquela frase de efeito: "a resposta está dentro de cada um". Bonito até a primeira compra ou declaração de IR.

Responder
anônimo 12/04/2013 12:32:58

Não se instala por falta de terra, apenas isso.
Querer mudar o brasil convertendo as massas, não vai rolar.

Responder
Wagner 12/04/2013 12:52:15

"Quem vai fazer as ruas eu já sei. Só gostaria de saber os passos para libertar-se da democracia ou de qualquer outro sistema imposto. Fechar os olhos para a luz do sol não impede queimaduras no resto do corpo."

O governo só existe enquanto o povo paga a conta dos seus integrantes, tudo que é necessário para acabar com a democracia é nós pararmos de bancar esse sistema.

"Muito bonito responder com ironias a dúvidas, mas na verdade não há resposta efetiva contra a democracia. Se tudo é keynesiano, tudo é imposto, o que há de tão diferente num mundo livre que ele não se auto-instala?"

Ahn?

"Mas instalar-se seria intervenção, dizem uns, aí já não é mais libertário?"

Filosofia sem sentido?

"Falsos profetas virão em nome do libertarianismo. Mas quem são os verdadeiros? Se qualquer gota de vinagre numa pipa de vinho estraga a pipa inteira, onde está o vinho puro do libertarianismo?"

Existem até "libertários" que viram políticos para deixar o país mais livre, isso não faz sentido nenhum. Sempre que existe um grupo de pessoas com um interesse em comum vão existir parasitas que tentam se aproveitar desse grupo.

"As leis serão criadas por quem? Por um ente privado ou por um colegiado de políticos ou escolhidos pela população, mas aí já é democracia de novo?"

Por um grupo de pessoas que ESCOLHEM viver com aquelas leis e fazem um contrato criando um "condomínio" que segue tais regras. Por exemplo, se você não gosta de armas você vai viver em um lugar onde todos os moradores fizeram um contrato para não carregarem armas, mas ninguém tem o direito de impor essas regras sobre TODAS as pessoas.

"Querer a perfeição do sistema inabalável, a prova de políticos, não é cair na esparrela do comunismo, só que ao contrário?"

Ninguém nunca falou em perfeição... ser perfeito ou não é um conceito subjetivo. Pra mim perfeito pode ser pegar todo o dinheiro da nação e investir em esporte, pra você pode ser investir em educação, pro "Zé" perfeito é todo mundo morar na praia... sei lá.
A questão é a falta de moral do sistema atual. É imoral você forçar alguém a pagar as contas de outra pessoa; É imoral você tirar o meu dinheiro através de impostos pra dar pro Eike Batista através do BNDES; É imoral você tributar a empresa onde trabalho para bancar um diretor de cinema da Rede Globo que é amigo do ministro da cultura.

"A política não é a evolução de prestadores de serviços privados a um nível de extorsão, baseado em leis criadas por eles mesmos? Como impedir esta evolução, se houver?

Indivíduos preparados, fortes de caráter, moralmente firmes, resolve?"

Mesmo se fosse, o que isso quer dizer? "A não da pra resolver, deixa assim?" Seus argumentos são ridículos, parece uma filosofia de professor de ensino fundamental.

"Aí vem aquela frase de efeito: "a resposta está dentro de cada um". Bonito até a primeira compra ou declaração de IR."

Que mistureba de besteiras, não sei se você ta de sacanagem com esse texto, se quis dar uma de Jesus, falar em parábolas e acabou se enrolando ou se você tomou LSD antes de escrever essa bobeira.

Responder
Angelo Viacava 12/04/2013 18:55:23

Só faltou me chamar de pessimista, o argumento de ouro.

Responder
Bernardo 02/04/2014 14:58:17

Angelo, parabéns pelo comentário.
Está corretíssimo.
Um abraço.

Responder
Marcos Campos 23/04/2013 01:30:46

Eu gostei do texto mas não gostei do contexto.
Assim como o termo capitalismo é atacado injustamente, acredito que o termo democracia é atacado injustamente por superposição.

Realmente a "democracia de Estado", assim como o "capitalismo de Estado"
são os grandes encraves da evolução humana e sua prosperidade, mas daí
dizer que a democracia sem si não presta me leva a crer que algo de errado
paira sobre esses campos da liberdade. Será que estamos nos tornando
fundamentalistas?

Apesar de libertário feroz, eu acredito sim na crença da verdadeira democracia;
a democracia livre, o capitalismo livre. O que precisamos é ensinar o que verdadeiramente é democracia para o povo que não a compreende assim como não compreendem o que é o verdadeiro capitalismo.

A democracia é uma utopia da política (ou é o contrário)?
Quem precisa de utopia é a autocracia, não a democracia. As utopias
igualitárias e totalitárias querem – todas elas – reformar o homem porque
acham que o ser humano veio com uma espécie de "defeito de fábrica"
que deve ser consertado pelo Estado para que seja possível habitarmos a
cidade ideal. A democracia, que não precisa de utopia, não quer fazer
nada disso: quer, apenas, que o ser humano possa – aqui e agora – viver
em liberdade, como um ser político, como um interagente na comunidade
política.

Responder
Pobre Paulista 07/03/2014 12:13:10

Democracia = demos + kratos
demos = Povo
kratos = Poder

Democracia = Poder do Povo

Já deu pra sentir que isso não termina bem em cenário algum, né?

Responder
Thiago2 07/08/2014 18:07:56

No Brasil esse argumento não é verdadeiro a democracia aqui não é poder do povo mas sim dos políticos corruptos que se unem a empresários semelhantes

Responder
orion 24/04/2013 18:26:14

Político queima dinheiro (dos outros, of course) mas não queima votos.

Responder
Rhyan 01/04/2014 13:44:38

Esse livro não vai sair na biblioteca?

Responder
Fred 01/04/2014 16:01:30

O problema não é a democracia em si, e sim a urna das eleições ser a única possibilidade das pessoas que não concordaram com regras ditadas pela maioria tentarem mudar a situação em seu entorno.
Infelizmente, na questão política sempre se vê a centralização como a única solução viável, mas esse tipo de solução só interessa as pessoas que estão atrás desse poder centralizado para impor seus valores às outras pessoas, seja em beneficio próprio ou de seus apoiadores.
Imagine a situação que existam várias cidades-estado cada uma com seu sistema político-administrativo, onde o cidadão no lugar de querer mudar os valores do lugar onde mora, simplesmente faça as malas e se mude para a cidade-estado, dentro de seu próprio país, mais próxima que possua valores que sejam próximo aquilo que ele acredita.
Em todos os lugares que olhamos na natureza vemos diversidade e descentralização algo como natural.
Resumindo:
1. Centralização X Decentralização
2. Adoção de valores por imposição X consentimento
3. Expressão de opiniões através da urna X através do voto com os pés (pegando as malas e se mudando)

Responder
Rennan Alves 01/04/2014 19:05:21

Prezado Fred, acho que você está confundindo Democracia com Liberdade, que são coisas completamente distintas.

No seu próprio exemplo, o cidadão que faz as malas e decide partir não está exercendo democracia, está exercendo liberdade. Ele só estaria exercendo democracia se participasse da votação.

Vou citar um exemplo:

Em uma encruzilhada, um grupo de 5 pessoas precisa decidir entre ir à esquerda ou a direita. Deste grupo de 5, 3 pessoas decidem ir para a direita, enquanto 2 decidem ir para a esquerda.

Caso 1: As pessoas que decidem ir a direita vão para a direita, e as que decidem ir para a esquerda vão para a esquerda. Isso é liberdade.

Caso 2: As pessoas optam por uma votação para decidir o lado a prosseguir. O lado que tiver mais votos será o escolhido. Como 3 pessoas haviam decidido ir a direita e 2 a esquerda, logo, pelo critério da votação, todas vão para a direita, por mais que as 2 restantes não concordem. Isso é democracia.

Já dizia Aristóteles (e muitos outros pensadores, tanto atuais quanto antigos): Democracia é o governo de muitos.

Responder
Fred 01/04/2014 19:54:09

Exato. Não estava confundindo, devo ter me expressado de forma incorreta.
O ponto é ter liberdade em escolher um lugar cujos valores se aproximem dos seus. E não achar que o voto (democracia) deva ser a única solução para tudo a não ser que seus valores se alinhem a sempre seguir o rebanho em qualquer circunstância).
O problema da democracia é que as pessoas aceitam viver na Matrix, vivendo apenas a ilusão do real poder de escolha.

Responder
Fala Vini 01/04/2014 16:04:22

Realmente muito bom o artigo. Gostaria muito de um artigo subsequente apresentando alternativas 'a democracia. Isso faria o artigo mais completo e tiraria a sensacao de critica sem proposta ou solucao.

Democracia e uma m.. mas qual e a alternativa?

Responder
Fala Vini 03/04/2014 00:28:41

Muito Obrigado! Lerei os tres agora mesmo!

Responder
Gredson 01/04/2014 17:11:00

Muito gente ainda vai morrer e ser roubado por causa dessa tal democracia..

Responder
Felipe 01/04/2014 19:41:18

Alguma boa alma poderia indicar - me o artigo que trata da elevação de preços em uma catástrofe. Não me recordo se exatamente era esse o tema abordado, mas em linhas gerais tratava acerca dessa tema, isto é, da elevação de preços em um cenário da escassez de produtos. Tentei localiza-lo, mas não obtive êxito. Obrigado.

Responder
Guilherme 01/04/2014 20:16:03

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1458

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1248 (Não perca a resposta do Leandro ao comentário do leitor Cézar)

Responder
Felipe 01/04/2014 22:16:31

Guilherme, muito obrigado.

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 02/04/2014 17:55:56


Bom artigo.

Muitos confundem "democracia" com "república" ou com "demagogia".

A democracia por si só não basta, pois se degenera: ela só funciona se houver liberdade e responsabilidade (ou seja, respeito aos princípios do liberalismo e da subsidiariedade).

* * *

Responder
Bernardo 02/04/2014 18:48:57

O melhor texto de ciência política que já li na vida!
Frank Karsten & Karel Beckman estão pra esse assunto assim como Leandro Roque está para economia.
Concordo plenamente com as críticas à democracia, mas não imagino algo viável que seja menos ruim do que ela, o que é uma pena...
Gostaria de viver num mundo ideal, mas guardo isso para minhas horas de sono, caso contrário, não poderia reclamar dos revolucionários socialistas.
Mas também não sonho com um mundo sem estado. Acho que rapidamente alguns grupos se armariam e criariam um novo poder centralizado, no estilo miliciano das favelas cariocas.
Gostaria apenas de um estado menor. Muito menor.
Mas nada disso tira os méritos do texto.
Vale a pena divulgar.
Abs.

Responder
Andre Cavalcante 02/04/2014 19:47:48

Há várias alternativas sim.

A mais simples é uma "volta" a uma monarquia, mas sem os poderes absolutos do rei. O rei trata o país mais como uma propriedade do que na democracia representativa que nós temos. Dizem que seria menos pior uma monarquia que a democracia.

Outra seria um aprofundamento da democracia, gerando uma democracia participativa, em vez de representativa. Neste sentido, o presidente somente teria poderes executivos e todas as questões legislativas seriam geradas e votadas pelos cidadãos. Ambiguidades e interpretações seriam definidos pelo judiciário. Teríamos votações locais, regionais e nacionais. A base disso seria a internet, claro. Acho que seria uma alternativa muito melhor que a democracia que temos hoje.

Entretanto, a alternativa que mais gosto, no entanto, é o fim do estado-nação puro e duro e as leis e serviços judiciais serem providas pela iniciativa privada, assim como quaisquer outros serviços. As cidades seriam cidades-estados e o como ela seria organizada seria uma característica local (e que pode ser qualquer coisa).

Na boa, se perguntasse isso a 500 pessoas diferentes, provavelmente cê teria umas 500 respostas diferentes. Cada qual tem uma solução para resolver "todos os problemas do mundo". Só não se consegue é resolver os próprios problemas.

Abraços

Responder
Fred 06/04/2014 18:15:26

Mas aí que está a beleza da diversidade. Assegurada a condição de livre circulação das pessoas entre essas diversas soluções de sistemas políticos, cada um buscaria viver na cidade-estado que melhor se aproximasse aos seus valores e ideias. Isso sempre assumindo o cumprimento de dois princípios básicos: consentimento e livre circulação de pessoas.

Imagine 5570 cidades-estado em um único país? Com certeza existiria pelo menos uma cidade-estado cujo sistema político agradaria a cada tipo de pessoa que vive no país. E se com a vivência a pessoa mudar de ideia, basta fazer a mala para ir para a cidade-estado mais próxima que a satisfaça.

Responder
Jairo Pedro Lucas 02/04/2014 21:35:52

Ótimo artigo, e ainda usaram o símbolo da Sociedade Fabiana como ilustração.

Responder
Mauricio. 07/04/2014 23:46:21

Artigo interessante, muito interessante, do Ricardo Setti na Veja.com: veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/nossa-burocracia-e-tao-mastodontica-que-permite-que-haja-despachantes-milionarios.

Responder
Amarílio Adolfo da Silva de Souza 08/04/2014 22:24:10

Terrível! Mas, a pura realidade. Urgente que pessoas se conscientizem que não podem viver além de sua capacidade econômica e diminuir, progressivamente, o poder tributário do governo, além de uma racionalização(simplificação) dos processos do mesmo.

Responder
Yonatan 21/04/2014 01:41:19

Excelente artigo, o melhor que já li do IMB.

Responder
Elias 02/06/2014 22:57:12

Olá a todos.

Pode ser off topic, mas eu preciso de uma ajuda.

Estou a fim de adquirir alguns livros do IMB (o livro do qual foi extraído o artigo é um deles) para ler durante as férias e depois. Entretanto estou experimentando algumas dúvidas. Mais especificamente o formato (bolso, livro...) no qual são disponibilizados os livros abaixo (a pergunta é para saber quais devo adquirir na versão capa dura):

Além da Democracia
O Caminho da Servidão
A Ética da Liberdade
A Grande Depressão Americana
O Manifesto Libertário
Defendendo o Indefensável
Economia Numa Única Lição
Liberalismo
O Cálculo Econômico sob o Socialismo
Contra a Propriedade Intelectual

E outra pergunta: o IMB pretende disponibilizar para venda o "Economia e Liberdade - A Escola Austríaca e a Economia Brasileira" do professor Iorio?

Grato desde já pelas respostas.

Abraços!

Responder
Eduardo R., Rio 02/01/2016 05:02:50

Responder

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