Cambalache - a história do colapso econômico da Argentina
por , segunda-feira, 23 de novembro de 2015

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80197-manifestacion-argentina.jpgÀ exceção daquelas nações que adotaram o comunismo, é difícil encontrar um exemplo de país cuja economia tenha sido mais espetacularmente destruída pelo seu governo do que a Argentina.

No início do século XX, a Argentina era o 10º país mais rico do mundo em termos per capita.  Reza a lenda que, naquela época, a expressão "tão rico quanto um argentino" era comum e frequentemente utilizada por aristocratas britânicos que tentavam casar suas filhas com argentinos ricos.  Entre 1860 e 1930, o país enriqueceu acentuadamente em decorrência, entre outras coisas, da exploração das férteis terras dos pampas.  Os investimentos estrangeiros eram livres e diversificados, oriundos da França, da Alemanha, da Bélgica e, majoritariamente, da Grã-Bretanha.  Indústrias e ferrovias foram construídas com capital estrangeiro.  Os altos salários atraíram vários imigrantes, principalmente italianos, espanhóis, alemães e franceses.  Em 1899, após algumas décadas de instabilidade financeira e bancária, o país retornou ao padrão-ouro e, durante 14 anos, cresceu a uma taxa anual de 7,7%.

Durante as três primeiras décadas do século XX, a Argentina ultrapassou o Canadá e a Austrália não somente em termos de população, mas também em termos de renda total e renda per capita.  Nesta época, a famosa loja de departamentos Harrods, de Londres, abriu uma filial em Buenos Aires, sua única filial em todo o mundo

A partir de 1930, no entanto, a coisa começou a degringolar.  Em termos macroeconômicos, a Argentina era, até então, um dos mais estáveis e sólidos países do mundo.  Mas o advento da Grande Depressão nos EUA, que afetou seriamente o comércio mundial — e as exportações argentinas —, alterou este equilíbrio.  Instabilidades políticas levaram a um golpe militar em 1930.  De 1930 até os anos 1980, houve uma sequência de governos populistas e juntas militares que se revezavam no poder.  Estes sucessivos governos, capitaneados pelas teorias de Raúl Prebisch, adotaram uma série de políticas protecionistas e de substituição de importações com o objetivo de alcançar a quimera da 'autossuficiência', um devaneio que ainda hoje excita praticamente todos os desenvolvimentistas (muitos deles estão em Brasília). 

Oficialmente, esse experimento protecionista terminou em 1976, quando uma junta militar sob o comando de Jorge Rafael Videla decidiu abrir um pouco a economia.  Obviamente, acostumadas a décadas de protecionismo, várias indústrias argentinas sucumbiram perante a concorrência externa, o que fez com que o governo assumisse suas dívidas.  Em paralelo a este setor industrial ineficiente, os gastos governamentais em total descontrole (financiados pela simples impressão de dinheiro) e várias medidas populistas de aumentos salariais levaram a uma crônica inflação de preços, que chegou a 800% ao ano.

Alguns anos depois, em 1982, um cavalheiro chamado Leopoldo Galtieri teve a brilhante ideia de desviar a atenção dos problemas econômicos invadindo as ilhas Falkland (Las Malvinas para os argentinos), o que jogou o país em guerra contra os britânicos.  Tal esforço de guerra, além de vidas humanas, serviu apenas para aumentar o endividamento do governo argentino e, consequentemente, a inflação monetária para financiar este endividamento.  Humilhada pela derrota, a ditadura militar terminou em dezembro de 1983, com a eleição de Raúl Alfonsín.  Veja o histórico inflacionário deste último período militar (a menor inflação anual foi de 82%, em fevereiro de 1981).

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Gráfico 1: Taxa de inflação de preços anual, 1976-1983

Em decorrência desta escalada inflacionária, o governo Alfonsín criou, em junho de 1985, uma nova moeda, o austral (a primeira moeda argentina que não tinha o peso em seu nome).  Mas a criação da nova moeda — plano este, aliás, que serviu de inspiração ao Plano Cruzado — foi feita daquela maneira tipicamente heterodoxa: o governo simplesmente cortou zeros, congelou preços das tarifas públicas e da cesta básica, e controlou rigidamente os salários do setor privado.  No primeiro momento, exatamente como também ocorreu com o Plano Cruzado, os preços ficaram sob controle e a popularidade do governo disparou. 

Na melhor fase do plano, a inflação de preços ficou em "apenas" 50% ao ano.  Porém, e obviamente, o governo em momento algum abriu mão de continuar imprimindo dinheiro e, assim que os preços começaram a ser descongelados, tudo voltou a ser como era antes.  Para complicar, como o governo havia contraído várias dívidas perante o FMI, ele também recorria à impressão de austrais para comprar dólares. 

O resultado desta vez não foi apenas uma típica inflação latino-americana, mas sim uma hiperinflação que chegou a 200% ao mês (julho de 1989) e encerrou o ano totalizando 5.000%.  Quando os preços dos serviços de utilidade pública dispararam e os argentinos foram para as ruas saquear supermercados (maio e junho de 1989), Alfonsín renunciou.

Eis o resultado da inflação de preços deste período:

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Gráfico 2: taxa de inflação de preços anual, 1984-1989


A era Menem

Reformas

Eleito para assumir o poder dezembro de 1989, a posse de Carlos Menem foi antecipada para julho por causa da baderna em que estava o país.  Quando Menem assumiu a presidência, os gastos públicos estavam em 36% do PIB e o déficit orçamentário do governo era de 7,6% do PIB.

Em 17 de agosto de 1989, foi aprovada a Ley de Reforma del Estado, que deu a Menem a autoridade para efetuar várias reformas econômicas que ajudassem a acabar com a hiperinflação.  As principais reformas foram o descongelamento seguido da liberdade de preços, a abertura da economia ao comércio internacional, aos investimentos estrangeiros e ao fluxo de capitais, a reorganização do sistema tributário, a redução da burocracia e a privatização de várias estatais — a telefônica Entel, a companhia aérea Aerolíneas Argentinas, vários trechos rodoviários, vários canais de televisão, algumas redes ferroviárias, a petrolífera YPF (Yacimientos Petrolíferos Fiscales, cuja privatização só foi completada em 1999), e a empresa de gás natural Gas del Estado. 

Como de praxe, várias privatizações foram feitas às pressas — pois o governo estava desesperado por recursos —, o que gerou vários esquemas de favorecimento, irregularidades e corrupção. 

Após chegar ao insano valor anual de 20.000% em março de 1990, a inflação terminou o ano em 1.344%

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Gráfico 3: taxa de inflação de preços anual, 1990

Mas foi em abril de 1991 — sob o comando do ministro da economia Domingo Cavallo — que a principal e decisiva medida econômica foi adotada: a reforma monetária que culminaria na substituição do austral pelo peso.  Mas o peso não seria uma nova moeda qualquer: ele seria inflexivelmente igual a um dólar, valor este irrevogável e fixado por lei.  Esse regime monetário argentino passou a ser chamado de regime de conversibilidade.

O programa de conversibilidade foi implantado em duas etapas.  Na primeira etapa, em abril de 1991, o Banco Central argentino passou a funcionar como se fosse um Currency Board

Currency Board

Para o leigo, o termo soa esquisito, mas realmente não existe tradução definitiva para o português.  Alguns traduzem como Caixa de Conversão ou Agência de Conversão; outros traduzem como Conselho da Moeda.

Apesar da ausência de um termo nacional, um Currency Board é um dos arranjos monetários mais antigos e tradicionais do mundo, perdendo apenas para o padrão-ouro. Aliás, era comum que o país que adotasse o padrão-ouro o fizesse por meio de um Currency Board.  O Brasil operou um Currency Board no início do século XX, durante um de nossos efêmeros experimentos com o padrão-ouro.  O padrão-ouro da Argentina, que durou até 1929, também se deu sob um Currency Board. 

Hong Kong opera um Currency Board desde 1983.  Vários outros pequenos países utilizam exitosamente um Currency Board, entre eles Bulgária, Bósnia e Herzegovina, as Ilhas Fakland, Gibraltar e Santa Helena.  Estônia, Letônia e Lituânia operaram regimes semelhantes a um Currency Board até muito recentemente, quando resolveram adotar integralmente o euro.

O princípio de operação de um Currency Board é bastante simples e, quando obedecido ortodoxamente, muito eficaz.  O Currency Board é o arranjo que se implementa quando se quer adotar uma genuína "âncora cambial", o que faz com que a moeda de um país se torne um mero substituto de uma moeda estrangeira.  A única função de um Currency Board é trocar moeda nacional (que ele próprio emite) por moeda estrangeira, e vice versa, a uma taxa fixa

No caso específico da Argentina, o Banco Central convertido em Currency Board tinha a função de trocar, sem custo e sem demora, 1 peso por 1 dólar e 1 dólar por 1 peso. Para cada dólar que entrasse no país, o Currency Board emitiria um peso argentino em troca desse dólar.  A operação inversa ocorreria no caso de uma saída de dólar (peso argentino seria entregue ao Currency Board que, em troca, enviaria o dólar para o destinatário estrangeiro). 

Ao agir assim, a taxa de câmbio está irremediavelmente fixa.  Se você quisesse vender 1 dólar por um valor maior do que 1 peso para outra pessoa, esta preferiria simplesmente ir ao Currency Board e lá trocaria 1 peso por 1 dólar.  Ou seja, tal artifício é totalmente eficaz em realmente fixar a taxa de câmbio.

Neste sistema, como a moeda nacional está totalmente atrelada a uma moeda estrangeira, a variação da base monetária nacional se dá estritamente de acordo com o saldo do balanço de pagamentos (saldo da quantidade de moeda estrangeira que entra e sai da economia nacional). 

Em sua forma ortodoxa, este sistema não permite a existência de um Banco Central, pois não deve haver nenhuma política monetária.  Trata-se de um sistema monetário totalmente passivo, em que a base monetária do país varia estritamente de acordo com as reservas internacionais.

Sendo assim, dado que a base monetária do país não pode ser maior do que a quantidade de reservas internacionais (no caso argentino, o dólar), ela varia de acordo com a quantidade de moeda estrangeira que entra e sai da economia em decorrência das transações internacionais do país.  Quando há um superávit nas transações internacionais, a base monetária doméstica aumenta; quando há um déficit, diminui. 

Em tese, como a quantidade de dólares nas reservas internacionais é, por definição, igual ou superior à base monetária, é impossível haver qualquer ataque especulativo, pois seria impossível exaurir as reservas internacionais (a base monetária teria de ser toda mandada pra fora, algo por definição impossível).  Essa é a principal atratividade do sistema: ele dá segurança aos investidores estrangeiros, que deixam de temer uma súbita desvalorização da moeda nacional, o que causaria enorme prejuízo para eles quando fossem repatriar seus lucros.

Outra característica do Currency Board que ajuda a aumentar a confiança do investidor estrangeiro é o fato de que, ao contrário de um Banco Central convencional, um Currency Board não pode imprimir dinheiro à vontade; ele só imprime moeda nacional se receber um valor equivalente em moeda estrangeira.  Logo, um Currency Board não pode comprar ativos nacionais e nem títulos do governo; ele não faz política monetária.

Sendo assim, o governo não pode se financiar por meio da inflação monetária.  Isso obriga o governo a evitar déficits e a manter um orçamento equilibrado (caso contrário, ele terá de aumentar impostos ou se endividar, o que levaria a um aumento dos juros em toda a economia).

(Veja tudo sobre Currency Boards neste artigo.)

No entanto, ao mesmo tempo em que um Currency Board é extremamente eficaz quando implantando ortodoxamente, ele cobra severas punições quando seus pré-requisitos operacionais são desobedecidos.  E foi isso que a Argentina descobriu.

A reforma monetária

O primeiro passo da Argentina, portanto, foi fazer o seu Banco Central operar como se fosse um Currency Board.

No dia 1º abril de 1991, o Banco Central da Argentina fixou a taxa de câmbio no valor de 10.000 austrais por dólar (essa era a taxa de câmbio do dia).  A partir daí, comprometeu-se a operar sob os mesmos princípios de um Currency Board: ele iria emitir austrais estritamente de acordo com o ingresso de dólares.  Para cada dólar que entrasse no país e fosse para as reservas internacionais, 10.000 austrais seriam emitidos.  Para cada dólar que saísse, 10.000 austrais seriam recolhidos.  (Veja o vídeo do anúncio feito por Cavallo, a partir do minuto 7:37).

Simultaneamente, o dólar passou a ser aceito como moeda corrente.  Os argentinos agora tinham liberdade de transacionar livremente em dólares, e de livremente trocar austrais por dólares.  Na prática, havia duas moedas oficiais na Argentina. 

No dia 1º de janeiro de 1992, o austral foi abolido e em seu lugar entrou o peso conversível.  Cada 10.000 austrais foram convertidos em 1 peso, que valia exatamente 1 dólar.

Pronto, a reforma monetária estava completa.  De agora em diante, o Banco Central da Argentina se comprometia a trocar peso por dólar e dólar por peso a uma taxa de 1:1, sem restrições e sem demora.  Se os argentinos quisessem manter mais dólares do que pesos, eles simplesmente trocariam seus pesos por dólares.  Similarmente, se quisessem portar mais pesos, eles trocariam seus dólares por pesos.  O efeito dessa regra era garantir tanto aos residentes quanto aos investidores estrangeiros que não havia risco nenhum de se utilizar tanto uma moeda quanto outra.  Não haveria risco de uma desvalorização súbita. 

Os argentinos podiam manter contas bancárias tanto em peso quanto em dólares, e os bancos faziam empréstimos tanto em peso quanto em dólares.

As consequências iniciais

Inicialmente, tanto o Banco Central argentino quanto o governo seguiram à risca a ortodoxia.  O BC de fato imprimia dinheiro estritamente de acordo com a variação de reservas internacionais, e o governo — agora sem poder se utilizar da inflação monetária — reduziu drasticamente seus déficits.

A inflação de preços, que havia sido de 1.344% em 1990, caiu para 84% em 1991, para 17,5% em 1992, para 7,4% em 1993, para 3,9% em 1994, para 1,6% em 1995 e, de 1996 até o final de 2001, a média foi de praticamente 0%.

Para um país que havia se acostumado a ter uma inflação de preços média maior do que 250% de 1970 até 1990, e que havia vivenciado valores de até 20.000% em 1990, a queda de preços foi extremamente rápida.

Já o governo conseguiu baixar o gasto público de 35,6% do PIB em 1989 para 27% do PIB em 1995.  Igualmente, o déficit fiscal saiu de 7,6% do PIB em 1989 para 2,3% em 1990 e, de 1991 até o final de 1994, ficou próximo de 0%.

As reservas internacionais, por sua vez, que estavam 3,81 bilhões no final de 1989, foram para 17,93 bilhões ao final de 1994.

O principal efeito desta política de abolição da inflação e de redução do estado foi a perceptível queda nos índices de pobreza.  Em outubro de 1989, o percentual de pessoas abaixo da linha de pobreza em Buenos Aires e adjacências era de 47,3%.  Em maio de 1994, tal valor já havia caído para 16,1%.

A crise do México de dezembro de 1994

As coisas vinham muito bem para a Argentina desde abril de 1991.  A economia estava crescendo robustamente e os preços eram invejavelmente estáveis.

Só que, em dezembro de 1994, a economia do México — cujo Banco Central adotava um sistema de câmbio atrelado, no qual a cotação do câmbio era diariamente manipulada — sofreu um ataque especulativo.  O governo desvalorizou subitamente o peso mexicano.  Essa súbita desvalorização gerou pânico nos investidores ao redor de todo o mundo, os quais, temerosos de terem seus investimentos desvalorizados, começaram a retirar seus capitais dos países emergentes.  (Esse fenômeno ficou conhecido como Efeito Tequila, e teve repercussões nos países emergentes, especialmente no Brasil.)

A Argentina não ficou imune, e um volume substantivo de capital estrangeiro foi retirado do país.  Os gráficos abaixo ilustram perfeitamente este momento.  Observe a retração sofrida pela base monetária em 1995.  Essa retração ocorre justamente porque pesos estavam sendo trocados por dólares para ser enviados ao exterior. 

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Gráfico 4: evolução da base monetária, 04/1991—12/1995

No entanto, o M1 e o M2 se alteram muito pouco, quase nada.  Isso porque, como os bancos praticam reservas fracionárias e podem criar moeda do nada, uma retração da base monetária não significa necessariamente uma redução na quantidade de dinheiro na economia.  Embora as reservas fracionadas sejam previstas pelo Currency Board (que não se opõe a elas), tal prática pode gerar grandes distúrbios, pois quanto maior o volume de moeda sem lastro em reservas internacionais, maiores as chances de um ataque especulativo para se tentar desvalorizar o câmbio.

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Gráfico 5: evolução do M1 (papel-moeda em poder do público mais depósitos em conta-corrente), 04/1991—12/1995

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Gráfico 6: evolução do M2 (M1+depósitos a prazo), 04/1991—12/1995

Essa fuga de capitais gerou um acentuado aumento dos juros no mercado interbancário.

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Gráfico 7: juros do mercado interbancário, 1993-1995

O crédito encareceu.  O país entrou em recessão e o desemprego subiu.  A recessão diminuiu as receitas tributárias do governo; o aumento do desemprego aumentou os gastos sociais do governo.  A consequência inevitável desta redução na receita e deste aumento nos gastos foi que o governo voltou a apresentar déficits orçamentários.  E estes nunca mais voltariam a ser zero — o que significa que sua dívida não mais pararia de subir.

Anos 1996-1999: calmaria no início, pânico no fim

A economia permaneceu em recessão durante todo o ano de 1995, mas voltou a se recuperar em 1996.  O problema é que o desequilíbrio continuou vindo do estado.

Em janeiro de 1991, quando Cavallo assumiu o Ministério da Economia, a dívida pública era de US$61,4 bilhões.  Em dezembro de 1995, ela já estava em US$87 bilhões.  E em agosto de 1996, quando ele foi substituído por Roque Fernández, a dívida já estava em US$90,5 bilhões.  E terminaria aquele ano em US$97 bilhões.

O problema do endividamento é que, quanto maior a dívida, maior o volume gasto com juros.  E quanto mais se gasta com juros, maior é o déficit fiscal.  E quanto maior o déficit fiscal, maior é a emissão de títulos da dívida para cobrir o déficit, o que aumenta o endividamento e reinicia o ciclo vicioso.

Não obstante essa explosão do endividamento do governo, a economia seguia estável e com inflação zero.  Após o susto de 1995, as reservas internacionais já haviam voltado a subir.

No segundo semestre de 1997, ocorreu a crise asiática, um tsunami que gerou fuga de capitais ao redor do mundo e súbitas desvalorizações no baht tailandês, no novo dólar taiwanês, na rúpia indonésia, no ringgit malaio, no won sul-coreano, no peso filipino e no dólar cingapuriano.  O dólar de Hong Kong, que opera sob um Currency Board, conseguiu manter sua taxa de câmbio intacta.  A Argentina, nesta crise específica, sofreu pouco.

Em agosto de 1998, a situação começou a ficar ruim.  A Rússia entrou em crise financeira e o governo russo anunciou uma forte desvalorização do rublo seguida de uma moratória.  Adicionalmente, a retomada dos confrontos na Chechênia e o início de uma nova guerra entre os separatistas e o governo russo pioraram ainda mais o humor dos investidores estrangeiros, que ainda estavam abalados pela crise asiática.  Houve uma nova rodada de fuga de capitais.  Na Argentina, por causa desta fuga, os juros do mercado interbancário sobem e o crédito se torna mais restringido.  Como consequência, o país entra em recessão em setembro de 1998 e o desemprego aumenta.

A situação se agrava em 1999.  Com a forte depreciação do real e de várias outras moedas, as importações de produtos argentinos por estes países caem.  Não bastasse a queda nas exportações argentinas, os preços dos produtos primários também caem fortemente no mercado mundial.  Como consequência, o setor exportador argentino encolhe. 

(No entanto, ao contrário do que é dito, as importações de produtos estrangeiros pelos argentinos também diminuem, por causa da recessão.  Não foi um aumento nas importações, portanto, o que atrapalhou as empresas argentinas).

Para piorar, os gastos do governo continuam subindo e as receitas, por causa da recessão, se tornam menores que as de 1998.  A dívida pública vai adquirindo uma proporção de insustentabilidade, já em US$118 bilhões, o que dava 50% do PIB (era de 29,5% em 1993).  Os juros, por causa do endividamento do governo, continuam em ascensão, assim como o risco-país. 

Havia um temor de que o governo desvalorizasse a moeda para estimular as exportações e, com isso, melhorar a situação do setor exportador e, de quebra, melhorar as próprias receitas do governo.  Para conter essas especulações, Menem anunciou que tinha a intenção de dolarizar forçosamente toda a economia.  A dolarização seria uma maneira de aprofundar o regime de conversibilidade, e eliminaria totalmente as incertezas acerca do regime de câmbio fixo.  Houvesse uma dolarização, os ataques especulativos contra o peso seriam eliminados.

No entanto, não houve a dolarização.

Como 1999 era um ano de eleições presidenciais, todos os candidatos (Menem, Fernando De la Rúa e Eduardo Duhalde) se puseram a defender o atual regime cambial, jurando que não tocariam nele, justamente para evitar ataques especulativos.

Em dezembro de 1999, Fernando De la Rúa assume a presidência.  Após 10 anos no poder, Menem foi derrubado por causa da economia em recessão desde setembro 1998 e do desemprego em ascensão.

Com De la Rúa, a tragédia

Anatomia de um caos

No dia 1º de janeiro de 2000, o governo De la Rúa, por meio do novo Ministro da Economia, José Luis Machinea, anuncia um pacote fiscal de aumento de impostos.  Inicialmente, os impostos incidiriam sobre ganhos de capital. 

Em março de 2000, no entanto, o estouro da bolha tecnológica nos EUA (das empresas pontocom) gera nova fuga de capitais, e os juros do mercado interbancário voltam a subir.  Isso agrava a recessão, reduz as receitas previstas pelo governo e aumentam o déficit fiscal, dando sequência àquele antigo círculo vicioso: o aumento dos juros aumentava os gastos do governo com o serviço de sua dívida.  Quanto maior era esse gasto, maior se tornava o déficit fiscal, o que levava a um aumento do endividamento e a um novo aumento dos gastos com juros.

No final, o aumento previsto nas receitas não se concretiza, e elas terminam o ano de 2000 em um valor praticamente idêntico ao de dois anos atrás.

Tudo isso aumenta ainda mais as incertezas sobre a capacidade do país de continuar honrando suas dívidas (boa parte dela nas mãos de credores internacionais) e sobre sua intenção de continuar no regime de paridade cambial. 

Para piorar, em outubro de 2000, o vice-presidente Carlos Álvarez renuncia ao cargo dizendo não se conformar com o volume de corrupção que estava acontecendo dentro do governo.  Isso desencadeia uma crise institucional, abalando em definitivo a pouca confiança que ainda restava no regime.  Ainda em outubro, os próprios argentinos começaram a retirar seu dinheiro dos bancos, muitos deles mandando dólares para fora do país.  Naquele mês, 789 milhões de pesos/dólares foram retirados dos bancos.  Em novembro, mais de 1 bilhão.  Os juros do interbancário disparam.  A confiança havia ruído em definitivo.

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Gráfico 8: juros do mercado interbancário, 1998-2000

Para conter essa fuga, o FMI anuncia um pacote de empréstimos de US$40 bilhões para a Argentina repor suas reservas internacionais.  Em troca do pacote, o Fundo pedia corte de gastos e aumento de impostos.

Essa injeção de dólares conseguiu conter a fuga de depósitos, mas somente até março de 2001.  Logo no início daquele mês, no dia 2, o Ministro da Economia José Luis Machinea renuncia ao cargo. 

No dia 4, Ricardo López Murphy, economista formado pela Universidade de Chicago, é nomeado e imediatamente anuncia seu programa de ajuste fiscal, o qual seria o melhor de todos: não haveria aumento de impostos, mas sim um profundo corte de gastos de 2 bilhões de pesos, inclusive para as áreas de saúde e educação.  Haveria também várias privatizações, inclusive da Casa da Moeda.

Obviamente, o anúncio de medidas tão "drásticas" gerou forte reação popular.  Vários membros do governo, contrários à nomeação de López Murphy, renunciam em protesto às suas medidas.  Sem apoio, López Murphy renuncia ao cargo no dia 19 de março, apenas 15 dias após ter sido nomeado.

Toda essa baderna faz com que a fuga de depósitos bancários recomece, e agora com renovada intensidade: apenas em março, mais 5,5 bilhões de pesos/dólares são sacados dos bancos argentinos, até então a maior saída mensal de dinheiro do sistema bancário da história do país.

Em simultâneo a tudo isso, o governo determina, contrariamente a como seria um Currency Board tradicional, que o Banco Central poderia comprar títulos do governo e poderia fazer injeções de dinheiro no mercado interbancário. Isso vai totalmente contra ao funcionamento de um Currency Board, que não apenas não cria dinheiro para intervir no mercado interbancário, como também só pode ter como ativos títulos denominados na moeda-âncora, e nunca na moeda nacional.

Consequentemente, aumentam as especulações de que o regime de conversibilidade será abandonado e que o peso irá se desvalorizar subitamente.  Ato contínuo, a fuga de capital só aumenta.

Desesperado, Fernando De la Rúa oferece o cargo de Ministro da Economia a um velho conhecido dos argentinos: no dia 20 de março, Domingo Cavallo, que agora era considerado o único com alguma autoridade moral para reconduzir o país à tranquilidade econômica, assume o cargo que havia abandonado em agosto de 1996.

Sua primeira medida, anunciada em 21 de março: aumentar as tarifas de importação e impor uma alíquota sobre transações financeira. 

Mas foi no dia 17 de abril de 2001 que o regime de conversibilidade, o qual o próprio Cavallo havia ajudado a implantar, sofreu um duro golpe que abalou fortemente a sua credibilidade.  Cavallo enviou um projeto de lei ao Congresso para alterar a âncora do peso.  Em vez de apenas em dólar, a âncora agora seria em relação a uma cesta formada por dólar e euro, na proporção de 50% para cada.  Neste arranjo, o peso flutuaria dentro de uma banda definida pelo valor do dólar e do euro.  Se o euro estivesse valendo menos que o dólar (como estava na época), o peso se desvalorizaria até ficar em paridade com o euro.  Se o euro passasse a valer mais que o dólar, o peso voltaria a ficar em paridade com o dólar.  A intenção deste arranjo era o de sempre: estimular as exportações.  (Tal lei viria a ser promulgada em junho).

Ainda em abril, o presidente do Banco Central, Pedro Pou, formado em Chicago, que havia defendido a total dolarização da economia e que estava no cargo desde agosto de 1996, é substituído por Roque Maccarone, um sujeito tido como mais "flexível".

Em junho, o regime de conversibilidade é definitivamente abolido.  No dia 15, Cavallo anuncia que, a partir dali, o governo adotará um regime de câmbio preferencial para as exportações — o que na prática significava que agora o câmbio teria duas taxas paralelas.  No dia 25 de junho, é aprovada a lei que altera a âncora cambial para a cesta de dólar e euro.

Ambas essas medidas eram totalmente contrárias ao funcionamento de um regime de conversibilidade e à ortodoxia de um Currency Board.  As medidas de Cavallo deixaram óbvio que o governo estava totalmente propenso a alterar o regime de conversibilidade, algo que poderia ocorrer a qualquer momento.  Vale lembrar que, em 1999, quando também havia incerteza, o governo Menem havia tomado a decisão contrária: não apenas reafirmou a manutenção do regime de conversibilidade, como ainda "ameaçou" aprofundá-lo com a dolarização.  Aquela certeza transmitida fez com que não houvesse fuga de capitais e nem ataques especulativos.

Já Cavallo, com esse seu ataque arbitrário aos alicerces de regime de conversibilidade, acabou com a pequena confiança que o governo ainda usufruía.  A consequência desta intervenção de Cavallo foi restringir ainda mais o mercado de crédito.  As taxas de juros para empréstimos feitos em peso disparam, pois os bancos sabiam que a qualquer momento a moeda poderia ser desvalorizada.  Como consequência, tanto o governo federal quanto os governos das províncias deixam de conseguir novos financiamentos junto aos bancos, pois estes já pressentiam que seriam caloteados. 

Em julho, três agências de classificação de risco reduzem acentuadamente a classificação da Argentina.  O prêmio de risco se torna 13 pontos percentuais acima dos juros pagos pelos títulos americanos.  Os juros no mercado interbancário se aproximam de 50%.  O governo federal não mais consegue vender títulos de sua dívida no mercado internacional.

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Gráfico 9: juros do mercado interbancário, 01/1999 — 07/2001

Sem acesso ao mercado de crédito, Cavallo anuncia um plano de déficit zero, o qual não apenas inclui um aumento da alíquota sobre transações financeiras, como ainda estipula que, dali em diante, a arrecadação de cada mês será majoritariamente utilizada para os juros da dívida.  Apenas o que sobrar será utilizado para cobrir os gastos do governo.  Salários e pensões do setor público são reduzidos em 13%.  Funcionários públicos do alto escalão, que recebiam os maiores salários, passam a ser pagos apenas em notas promissórias.  As greves pipocam pelo país e a fuga de depósitos bancários não pára.

Em outubro, há eleições para o Congresso.  O partido de De la Rúa perde vários assentos e se torna minoria. 

Em novembro, o governo apresenta um plano para fazer um swap — leia-se, adiar o pagamento e renegociar os termos — da dívida do governo, que já estava em US$132 bilhões de dólares.  Temendo agora não apenas a desvalorização iminente, mas também o colapso do sistema bancário (se o governo desse o calote na dívida, os bancos detentores de seus títulos quebrariam), os argentinos fazem uma nova corrida bancária e batem um segundo recorde de saques bancários: quase 3 bilhões de dólares são retirados dos bancos, especialmente na última semana de novembro.  Como consequência dessa nova rodada de saques, a liquidez do sistema financeiro — que opera com reservas fracionadas — desaparece completamente, o que faz com que os juros do mercado interbancário disparem a níveis sem precedentes (em um determinado dia, as taxas do interbancário chegaram a 689%).  O governo, então, decide impor um limite ao valor máximo dos juros do interbancário.

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Gráfico 10: juros do mercado interbancário, 1996-2001

O colapso de dezembro de 2001

No dia 1º de dezembro, um sábado, Cavallo anuncia restrições a saques bancários e transferências para o exterior.  No dia 3, segunda-feira, o corralito entra em vigor.  Todas as contas bancárias são congeladas por 12 meses, permitindo o saque de apenas 250 pesos por semana.  A retirada de dólares é totalmente proibida.  Operações utilizando cheques e cartões de crédito e de débito podem ser feitas normalmente (pois elas não retiram dinheiro do sistema bancário, apenas transferem de um banco para o outro), mas a ausência de dinheiro físico nas ruas gera sérios e graves distúrbios.

136_1Argentina_Crisis07.jpgNo dia 5 de dezembro, o FMI anuncia que não mais irá emprestar dinheiro para a Argentina.  O risco país dispara.  Uma greve geral ocorre no dia 13 de dezembro.

Furiosos em decorrência do confisco bancário, que privou a população de seu próprio dinheiro, e com fome, os argentinos saem às ruas.  Entre os dias 16 e 18 de dezembro, ativistas e manifestantes desempregados exigem que os supermercados distribuam comida.  Perante a negativa, no dia 18 de dezembro vários supermercados e lojas de conveniência são saqueados em Buenos Aires e Rosário. 

No dia 19, nova onda de saques em toda a grande Buenos Aires.  Além de supermercados, bancos e empresas estrangeiras, normalmente americanas e europeias, são o alvo predileto.  Várias ruas de Buenos Aires são palco de incêndios.

Acuado, De la Rúa decreta estado de sítio em rede nacional (veja o vídeo) e avisa que a Polícia Federal, a Força de Segurança (Gendarmería Nacional Argentina) e a Prefectura Naval Argentina serão acionadas para conter a baderna.  Alheios às ameaças, os argentinos, logo após a transmissão do anúncio, marcham rumo à Casa Rosada para protestar batendo panelas.  Este cacerolazo ocorre simultaneamente em várias regiões do país, mostrando que a população desafiava abertamente o estado de sítio imposto pelo governo.  Na madrugada do dia 20 de dezembro, após uma manifestação frente à sua residência ser duramente reprimida, o ministro Domingo Cavallo renuncia ao cargo.

20_dic_2001.jpgJá na manhã do dia 20, os manifestantes se concentram na famosa Plaza de Mayo, não obstante a vigência do estado de sítio.  A Polícia Federal tenta violentamente controlar os protestos.  Algum tempo depois, outros grupos de manifestantes chegam e a situação sai totalmente do controle.  O mesmo cenário se repete em vários pontos do país.  Apenas na Plaza de Mayo, cinco pessoas morrem.

No final daquele dia, De la Rúa decide renunciar.  Como a Plaza de Mayo fica diretamente em frente à Casa Rosada, e os confrontos continuavam intensos, De la Rúa não pode sair da Casa Rosada de carro.  Tem de fugir de helicóptero.  A imprensa do mundo inteiro registra a humilhante cena

No final do dia, 34 pessoas haviam morrido em todo o país em decorrência dos confrontos.  O presidente interino do Senado, Ramón Puerta, assume a presidência interina do país até que o Congresso possa nomear um novo presidente.

Abaixo, uma boa compilação das cenas (Aviso: algumas são fortes)

O trágico ano de 2002

No dia 23 de dezembro de 2001, Adolfo Rodriguez Saá, governador da província de San Luis, é nomeado presidente.  Seu mandato seria transitório e deveria durar apenas 3 meses. 

Sua primeira medida é anunciar a moratória total da dívida externa.  Tal anúncio é feito sob uma chuva de aplausos no Congresso.  Não obstante, ele decepciona vários grupos de interesse ao anunciar que a âncora cambial seria mantida.  Embora houvesse anunciado que o dinheiro confiscado dos correntistas seria integralmente liberado, tal promessa não se concretiza.

Com apenas uma semana de governo, novos distúrbios e novos panelaços voltam a acontecer nas ruas de Buenos Aires.  Alguns manifestantes conseguem entrar no Congresso e ateiam fogo em algumas mobílias.  Sem apoio partidário e cercado de protestos, Saá renuncia no dia 30 de dezembro, tendo permanecido apenas uma semana no cargo.

No dia 2 de janeiro, assume a presidência Eduardo Duhalde, que havia disputado e perdido as eleições presidenciais de 1999.  Assim como Saá, em sua fala inaugural Duhalde garante que o corralito seria revogado e que todo o dinheiro seria integralmente devolvido à população.  "... van a ser respetadas las monedas en que fueron pactados originalmente los depósitos (...) el que depositó dólares recibirá dólares...el que depositó pesos recibirá pesos."

No entanto, não apenas o corralito não é revogado, como ainda é intensificado.

No dia 6 de janeiro, o regime de conversibilidade é oficialmente revogado.  As operações de conversão monetária de 1 peso para 1 dólar são abolidas.  É delegado ao Executivo o poder de estipular a taxa de câmbio do peso em relação ao dólar e de regulamentar novos regimes cambiais.

Com a abolição da âncora cambial, o valor do dólar dispara.  No mercado negro, dólares estão sendo precificados acima de 3 pesos.  Mas o governo opta por estabelecer, arbitrariamente, uma nova taxa de câmbio: 1,40 peso por dólar. 

Ao mesmo tempo, o governo emite outro decreto dizendo que todas as dívidas privadas, de pessoas físicas e jurídicas, estão de agora em diante 'pesificadas', só que à taxa de 1:1.  Inclusive dívidas em dólares junto ao sistema bancário.  Para salvar os bancos da bancarrota, uma consequência inevitável desta manipulação cambial, o governo assume parte dessa dívida.  Credores e poupadores são dizimados.

1322664968_1.jpgPara aumentar o ultraje, ocorre em fevereiro a pesificação de todos os depósitos em dólar.  Quem ainda possuía dólares depositados nos bancos vê seus dólares serem integralmente confiscados pelo governo, que converte todos os valores em peso à taxa oficial de 1,40 pesos por dólar.  Isso é chamado de corralón

Esta 'pesificação assimétrica', na qual as dívidas com o sistema bancário foram pesificadas na razão de 1:1 ao passo que os depósitos em moeda estrangeira foram convertidos na razão de 1,40 pesos por dólar, algo que beneficiava os bancos, foi uma medida que o próprio governo reconheceu como sendo um bônus dado aos bancos para compensar o calote gerado pela manipulação cambial acima descrita. 

Em março, o governo também pesifica toda a dívida pública nacional, provincial e municipal, à taxa de 1,40 peso por dólar.  Em seguida, ele deixa o câmbio flutuar de maneira um pouco mais livre.  Como consequência, o peso afunda.  Em junho, a cotação do dólar chega a quase 4 pesos.

11.png

Gráfico 11: evolução do valor do dólar em relação ao peso

Consequentemente, a inflação de preços, após quase uma década de estabilidade, vai a 40%. 

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Gráfico 12: taxa de inflação anual de preços, 2001-2002

A tragédia agora estava completa.  Os pobres estavam literalmente sem dinheiro.  A classe média não apenas estava com seu dinheiro preso nos bancos, como também este havia sido forçosamente desvalorizado.  Quem tinha depósitos em dólares — e, em 2001, a maioria dos depósitos bancários era em dólar (47 bilhões de dólares contra 18 bilhões de pesos) — viu sua poupança ser convertida em peso à taxa de 1,40 peso por dólar, sendo que o câmbio havia ido para quase 4 pesos.  Não bastasse a falta de dinheiro, a desvalorização cambial fez com que tudo encarecesse, gerando a inflação de 40%.  Todos os importados se tornaram virtualmente inacessíveis.  Pouco dinheiro e moeda sem nenhum poder de compra.

Inúmeras empresas faliram.  A qualidade de vida da população despencou.  Há relatos de que, na elegante Calle Florida, famílias de classe média, cuja poupança de toda uma vida havia sido confiscada pelo governo, abordavam turistas suplicando por dinheiro.  O desespero era grande porque até mesmo a compra de itens básicos, como leite, estava difícil.

Vários milhares de destituídos e desempregados se transformaram em cartoneros, catadores de papel.  Estatísticas afirmam que entre 30 e 40 mil pessoas passaram a revirar as ruas de Buenos Aires à procura do material.

Ainda mais impressionante foi a evolução — ou, mais apropriadamente, a involução — da porcentagem de pessoas abaixo da linha de pobreza na grande Buenos Aires.  Uma cifra que chegou a ser de 16,1% em maio de 1994 saltou para 54,3% em outubro de 2002, um valor ainda maior do que o do ano de 1989 (47,3%), quando o país vivia sob hiperinflação.  Em nível nacional, a pobreza chegou a 57,5% da população, a indigência a 27,5% e o desemprego a 21,5%, todos níveis recordes para o país.

Conclusão

Todo o desenrolar dos fatos deixa bem claro de quem é a culpa.  Qual entidade confisca o dinheiro das pessoas, aniquila toda a sua poupança e até mesmo estipula quantias máximas a serem utilizadas?  Qual entidade gera incertezas ao se mostrar incapaz de controlar seus gastos e de se adequar dentro de seu orçamento?

Enquanto o governo foi capaz de manter um orçamento equilibrado e de seguir ortodoxamente as regras do Currency Board, a qualidade de vida da população aumentou substantivamente.

A partir do momento em que o governo não mais conseguiu manter seu orçamento equilibrado (a partir de 1995) e passou a aumentar sua dívida de forma contínua, gerando incertezas quanto à capacidade de financiamento e aumentando a propensão a um calote, a confiança no sistema começou a desaparecer.  Não obstante, tudo poderia ter sido revertido caso o governo houvesse feito a dolarização da economia em 1999.  Neste cenário, seria por definição impossível uma desvalorização e uma fuga de capitais. 

Porém, não apenas não houve a dolarização, como ainda as poucas características de Currency Board que havia no Banco Central argentino foram sendo gradualmente eliminadas.  Ao determinar que o Banco Central poderia comprar títulos do governo e poderia fazer injeções de dinheiro no mercado interbancário — o que ia totalmente contra ao funcionamento de um Currency Board —, o governo argentino enviou um claro sinal aos investidores estrangeiros: "Não somos sérios e vamos desvalorizar a nossa moeda a qualquer momento".

Quando o ministro Cavallo deixou explícita sua intenção de alterar o regime cambial, o que na prática representou a abolição do regime de conversibilidade original, a confiança no sistema foi completamente aniquilada.  O colapso era questão de tempo.

corralito implantado pelo governo com o intuito de conter a sangria da fuga de capitais e o iminente colapso do sistema bancário foi o tiro de misericórdia. (O corralito só viria a ser abolido em dezembro de 2002, mas ainda manteria várias restrições sobre transações financeiras e aquisição de dólares).

No entanto, vale enfatizar o fato de que, não obstante o governo tenha destruído seu orçamento, elevado seus gastos, incorrido em vultosos déficits, se endividado e, no final, tenha adulterado os fundamentos básicos do Currency Board, tal sistema deu à Argentina, um país que há muito desconhecia o que era inflação baixa, um período de sete anos (1995-2001) de inflação praticamente nula, um atestado de sua qualidade.

Veja o gráfico da evolução anual da inflação de preços.  O gráfico começa em abril de 1992, um ano após a introdução do Currency Board.  Note que a âncora cambial é abolida em janeiro de 2002.

15.png

Gráfico 13: taxa de inflação anual, 04/1992—12/2002

Por fim, este gráfico da evolução do PIB em dólares desde 1970 é bastante significativo.  Ele mostra o que a estabilidade de preços em conjunto com uma moeda forte podem fazer a uma economia.  Mostra também o que acontece quando o governo resolve destruir este sistema.

16.png
 

Gráfico 14: PIB nominal em dólares, 1970-2009

Ao final de 2009, o PIB em dólares era praticamente o mesmo de 1998, o que significa que a economia levou 11 anos para voltar ao mesmo nível de onde estava durante a crise da Rússia.

E toda essa lambança feita pelo governo argentino levaria à ascensão do kirchnerismo, o qual intensificaria a bancarrota do país (ver aqui, aqui e aqui)

O tamanho do estrago que um governo é capaz de fazer em uma economia é algo que jamais deve ser subestimado.


Artigo originalmente publicado em 1º de abril de 2013.


Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


284 comentários
284 comentários
Dalton C. Rocha 01/04/2013 01:14:08

Os argentinos nunca esquecem e, nunca aprendem. Explicando:
1- Os argentinos nunca esquecem de colocarem em vigor medidas estatizantes, protecionistas, demagógicas e desastrosas.
2- Os argentinos nunca aprendem que medidas estatizantes, protecionistas, demagógicas e desastrosas não devem serem colocadas em lei.

Responder
mauricio barbosa 01/04/2013 05:49:10

Dalton C.Rocha os argentinos aprenderam a lição mas o governo manipulador via imprensa tem mania de falar que o povo tem memória curta,esses políticos são mesmo asquerosos e seus amigos(Amigos do rei)financiadores de campanha idem.

Responder
Sérgio 01/04/2013 11:30:45

O povo argentino não aprendeu nada. Me diga uma coisa: um povo que idolatra um fascista como o Perón que empobreceu seu país, um povo que deixa os Kirchner se transformar numa "dinastia política" porque suas políticas estatizantes tem apoio, aprendeu o que? O que entendí olhando pra história da Argentina e pra mentalidade de seu povo é que o povo argentino é tão ignorante e burro como o brasileiro...

Responder
mauricio barbosa 01/04/2013 16:59:40

Sérgio,o povo argentino assim bem como o brasileiro não é burro,mas sim desinformado, foi isto que eu quis dizer,portanto insultar o povo não adianta nada,meçe suas palavras antes de criticar,argumente e você convencerá muito mais pode acreditar nisso,pois aqui não é palanque político e nem estádio de futebol.

Responder
Mohamed Attcka Todomundo 01/04/2013 22:16:57

kkkkkkk. toda desgraça p/ argentino é pouco.

Responder
Francisco A. Lobo 03/04/2013 13:06:12

È o maldito populismo, com toda a sua irresponsabilidade, que novamente tomou conta de quase todo este triste continente que voltou a ser a velha América "Latrina".

Responder
Gustavo BNG 01/04/2013 01:46:53

Este poderia ser o segundo lema do IMB: O tamanho do estrago que um governo é capaz de fazer em uma economia é algo que jamais deve ser subestimado.

Responder
Cesar Massimo 01/04/2013 02:06:11

Lamentava eu:
"O brasileiro acredita no estado provedor."
Ao que meu amigo espanhol retrucou:
"O brasileiro acredita no estado provedor, o argentino tem certeza disso."

Responder
Bruno 24/07/2014 13:10:03

Um espanhol falando sobre economia? hmmm...

Responder
Cesar 24/07/2014 13:25:54

Um brasileiro (país de renda per capita baixa) criticando um espanhol (país de renda per capita alta) e achando que está em melhor posição para falar de economia? Hummm.....

P.S.: aliás, do jeito que a vaca foi pro brejo, brasileiro agora tem de ficar em silêncio e baixar a cabeça até quando o assunto for futebol.

Responder
Charles Hertz da Silva 01/04/2013 03:06:23

o que era pra ser o país mais rico da américa latina e um dos mais ricos do mundo, acabou se tornando mais um país desgraçado pelo próprio governo...

e tem gente que é contra o anarco-capitalismo que iria agir pelo livre mercado e não por decreto estatal na economia...

Responder
Rhyan 01/04/2013 05:54:31

Brilhante artigo!

Dúvida sobre o Currency Board: como entra e sai dinheiro (peso) da economia?

Responder
Leandro 01/04/2013 09:09:17

Rhyan, é o Currency Board quem imprime pesos.

Se dólares entram no país (seja por meio de exportações ou de investimentos estrangeiros), o Currency Board fica com esses dólares e imprime a quantidade de pesos equivalentes. Se dólares saem do país, o Curreny Board retira da economia os pesos equivalentes e envia para fora essa quantidade de dólares (os dólares estão em suas reservas). A base monetária tem de variar estritamente de acordo com o movimento de entrada e saída da moeda estrangeira.

Ou seja, quem imprime pesos e os coloca na economia é o Currency Board -- na Argentina, era exatamente o Banco Central quem funcionava como um Currency Board.

Grande abraço!

Responder
Rhyan 01/04/2013 09:52:08

Pode-se dizer que é como um padrão ouro, sendo o dólar fazendo papel de ouro.

Obrigado!

Responder
Allan 01/04/2013 11:40:10

Leandro, qual a razão de ficar fazendo essa troca?
Pq não se transaciona diretamente com o Dólar no país?

Responder
Leandro 01/04/2013 11:58:50

Allan, a explicação é técnica.

Segundo os proponentes do Currency Board, quando você passa a usar diretamente uma moeda estrangeira, você transfere para o país emissor da moeda todos os ganhos de senhoriagem. Já quando você tem um Currency Board -- e considerando-se o fato de que as reservas do Currency Board estão investidas em títulos americanos --, os ganhos de senhoriagem ficam com o próprio país.

Explicando melhor: o Currency Board aufere receitas com a aplicação de suas reservas em títulos americanos. E seus custos operacionais são a impressão de moeda nacional. Essa diferença entre receita e custos tende a ser substantiva, e é majoritariamente transferida para o governo nacional. O Currency Board, portanto, gera receitas para o governo nacional. Já a adoção direta de uma moeda estrangeira, não.

Responder
Allan 02/04/2013 11:30:57

Obrigado!
Agora sim...

Responder
Carlos Prado 04/02/2014 13:33:36

Quanto a esta troca, o currency board pode simplesmente dizer que trocará uma moeda própria por cada dólar ou antes de começar essa operação ele deve ter uma reserva para estabelecer esta taxa? Assim, por exemplo hoje o dólar está por volta de 2,5 reais. Pode o governo resolver colocar um currency board hoje e dizer que trocará 1 dólar por 2 reais?

Responder
Leandro 04/02/2014 13:47:37

Poder ele pode. Nada impede. Mesmo porque a pré-condição básica -- reservas internacionais em valor igual ou maior que a base monetária -- está mais do que atendida (são mais de US$ 370 bilhões em reservas contra uma base monetária de aproximadamente R$ 230 bilhões).

O único "problema" é que, ao adotar uma taxa tão claramente sobrevalorizada, haveria uma enorme conversão de reais em dólares seguida de um forte aumento das importações, das remissões de lucro e dos gastos no exterior. Tudo isso, por sua vez, geraria uma acentuada contração da oferta monetária (em reais) e um provavelmente forte aumento dos juros no mercado interbancário, o que fatalmente acarretaria uma grande recessão.

Responder
Hercules Padovani 01/04/2013 09:02:01

No BRASIL,a inflação real, paralela aos indices oficiais, está indexada ao salario minimo, que de 2003 a 2013 aumentou +- 210%, i.e., de R$200 para R$620. So para exemplificar, a coca-cola 2l na padaria era $1,90 e foi para R$6,40, e foi assim tb com centenas de produtos de auto consumo da nova classe media: arroz,feijao, gasolina, oleo, cigarro, cerveja, onibus, marmitex, cabelereiro, diarista, pao e outros. Desta forma, a inflacao real nos 10 anos de PT é 21% ao ano ou 1,75% ao mes. A bomba vai estourar quando o desemprego aumentar, a partir de 2016. Seria bom o ROQUE fazer uma analise mais profunda sobre este tema. Grato, abracos.

Responder
Dw 01/04/2013 17:51:20

Lembro-me muito bem que em meados de 2002 era possível comprar uma coca cola 2l geladinha em qualquer boteco por R$ 1,80 aqui na minha região, eu tinha apenas 15 anos.
Hoje o mesmo produto, dependendo do boteco, está na faixa R$ 7,00. Pergunto, aonde isso vai parar? O mais engraçado é que não vejo meu salário subir na mesma proporção, aliás o mesmo já não acompanha a inflação não-oficial há muito tempo.
Quando falo que sou contra aumento de salário mínimo, sou taxado de nazista, mesmo argumentando que quando este salário sobe, todos os produtos aumentam proporcionalmente mais em relação ao respectivo salário. Infelizmente o povo não lembra dessas coisas, tenho apenas 25 anos e sempre acompanhei o aumento dos produtos, em especial da coca cola, cujo a qual eu gosto muito. Em 2007, por necessidade, comecei a me interessar na compra de uma casa, entretanto, de lá para cá, os imóveis passaram por forte reajuste, indicando a existência de uma bolha imobiliária. Se antes não tinha condições de adquirir uma casa própria, agora então..
Pergunta ingênua, será que algum dia a coca cola voltará a custar apenas R$ 1,90?

Responder
Anarcofóbico 01/04/2013 18:20:14

Esqueceu de falar que os eletrônicos e outros produtos estão mais baratos! Com certeza a inflação dos demais preços tem tudo a ver com a ganância dos empresários que querem aumentar seus lucros!

Responder
Blue Eyes, Na Resistencia 01/04/2013 20:02:21

Eu não caio mais nessa, caro patrulhador... TODOS nós sabemos que quem cria inflação é o governo para financiar suas despesas que estão maiores que a arrecadação... os coitados dos empresarios levam a culpa porque é mais facil para esse governo corrupto tirar o seu da reta e colocar os empresarios como vilões para gente desavisada como tu não ferir seus sentimentos partidarios... acorda amigo... livre mercado não causa inflação pois é o mercado que dita o preço real e não o valor de face da moeda, esta sim, emitida pelo banco do governo sem o valor que deveria ter... isso é prova do governo corrupto que nos governa...

Responder
Dw 01/04/2013 20:08:30

Humm, depende, pois em meados do ano de 2000, meu pai comprou um televisor de 20 polegadas e na época era tecnologia de ponta e o mesmo pagou na tv cerca de R$ 450,00,
Lembro que existia as de 29 polegadas que eram o luxo da época e custavam cerca de 900,00. Ciente da inflação acumulada, hoje uma tv da samsung 3D led serie 7000 de 55 polegadas, que é quase o luxo da nossa época não creio sair por menos de R$ 6000,00. Comparando as de luxo em épocas distintas, não vejo que a atual tenha ficado mais em conta, mesmo considerando a inflação.

Responder
Ricardo 01/04/2013 20:20:26

Essa 3D led serie 7000 de 55 polegadas é importada, não é? Se for, agradeça ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio pelas tarifas de importação que encarecem o produto e salvam você da tentação consumista. O estado sempre quer o seu bem.

Responder
Anarcofobico 01/04/2013 21:04:47

As tarifas de importação são muito bem vindas! Elas favorecem a indústria nacional, muito avançada por sinal, que pode produzir produtos muito melhores, dado o avanço tecnológico que o Brasil possui, graças aos investimentos do nosso precioso governo!

Responder
Fabiano 02/04/2013 00:11:29

Meu camarada, o sarcasmo tem que ser mais sutil.
[ ]!

Responder
Anarcofobico 02/04/2013 19:46:50

Creio que aquilo que você interpela como sarcasmo se trata de uma falta de interpretação típica do PIG! Não digo que ainda chegamos no ponto de total avanço, mas nós podemos chegar lá! É importante que o governo tome partida para beneficiar a indústria interna que, com a devida regulação e fiscalização, poderá superar os produtos dos terroristas americanos! Creio que seria ainda mais propício que o governo quebrasse algumas patentes para produzir seus produtos que provavelmente irão superar os demais.

Responder
Blue Eyes, Na Resistencia 03/04/2013 07:34:13

Quebrar patentes é um modo bem inovador de garantir investimentos em C&T... rsrsrsrsr... que animal!!!... isso que é poder de raciocinio quadruplicante, se é que me entende... perfeito vindo de um soldado petista... é a arte do avesso como suprassumo de uma ideologia capenga e perversa... vamos quebrar a patente da coca-cola... isso nos dara autonomia na industria de refrigerantes... poderiamos até exportar para o mercado sulamericano... que tal PTcola... rsrsrsrsrsrsr... iria bombar... rsrsrsrsrsrsr...

Responder
Pedro Ivo 29/10/2013 17:49:00

Se os eletrônicos estão + baratos é porque houve [1] avanço tecnológico e [1.1] incremento de produtividade na cadeia produtiva dos eletrõnicos; e [2] não há regulação nesta área (se houvesse, seria como telefonia celular ou coleta de lixo: a vedação à concorrência tornaria o setor altamente ineciciente posto lucros estariam garantidos).

A propósito, três vivas para a ganância e autointeresse dos empresários: hippy hippy, uhha! hippy hippy, uhha! hippy hippy, uhha!

Responder
Hercules Padovani 03/04/2013 01:20:50

Dw
Pode ficar sossegado que a coca vai voltar 1,90 quando a inflacao chegar a 1000%, fato que no brasil se atinge com a maior facilidade, pois somos mestres nesta facanha. Aí o governo retira 3 zeros e tudo volta como dantes. Simples. Fique calmo, continue tomando coca gelada, para nao se estressar. Abracos.

Responder
Neto 01/04/2013 09:30:52

'Salários e pensões do setor público são reduzidos em 13%. Funcionários públicos do alto escalão, que recebiam os maiores salários, passam a ser pagos apenas em notas promissórias. '

Vai ser engraçado quando chegar a vez do brasil de fazer isso! A geração concurso público acha que está segura hahaha

Responder
Fabio 01/04/2013 19:36:04

'Salários e pensões do setor público são reduzidos em 13%. Funcionários públicos do alto escalão, que recebiam os maiores salários, passam a ser pagos apenas em notas promissórias. '

Vai ser engraçado quando chegar a vez do brasil de fazer isso! A geração concurso público acha que está segura hahaha

Eu ia me foder tambem,mais que eu iria rir,eu iria tambem.kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Responder
Pedro Ivo 29/10/2013 17:54:56

Alegria de escravo é ver a casa grande pegar fogo.

REALIDADE: ainda estaremos na senzala.

Responder
anônimo 01/04/2013 09:38:30

Quem foi o responsável pela cultura liberal deles antes do séc XX?

Responder
Leandro 01/04/2013 09:48:44

Desconheço alguma influência específica. O fato é que naquela época todo o mundo tinha uma mentalidade mais economicamente liberal. Ideias keynesianas, protecionistas e desenvolvimentistas eram totalmente desconhecidas. Marxismo era apenas uma curiosidade europeia entretida por alguns acadêmicos de Paris e Londres.

Responder
Pedro 01/04/2013 16:57:58

A constituição argentina de 1853 foi bastante inspirada pela constituição americana. Os direitos de propriedade eram bem protegidos e essa constituição, assim como a americana, atribuia um papel relativamente pequeno ao estado.

Daí o rapido desenvolvimento da Argentina a partir dessa época e seu rápido distanciamento das outras economias latinas que tiveram, a partir de então, uma escalada intervencionista.

Responder
Eduardo 29/10/2013 13:46:17

Engraçado que o maior responsável pela disseminação do socialismo econômico foi justamente os EUA pós 1929. Propagaram mais socialismo no mundo que os russos. Só mitigaram um pouco o erro nos anos 1980, mais pós 1992 voltaram à propaganda estatista com força total.

Responder
Pedro Ivo 29/10/2013 17:57:53

Pedro, você pode colocar fontes para estas informações? Algum artigo livro ou link? Seria útil.

Responder
Luiz Goerck 14/07/2015 13:25:07

Pedro Ivo,
https://es.m.wikipedia.org/wiki/Constituci%C3%B3n_argentina_de_1853

Responder
Felipe Rosa 01/04/2013 09:42:04

Que síntese fantastica Leandro!!! Imagino a trabalheira que um artigo desse deve ter te dado!! Completo e muito bem respaldado com dados e boa teoria austríaca. Esse é o tipo de artigo que eu considero uma bela forma de nos fazermos entender na academia.

Com tantas evidências empíricas associadas a constatações teóricas fica dificil o mainstream não ficar com uma pulga atrás da orelha sobre suas teorias econômicas.

Parabéns pelo esforço Leandro!! Esse artigo - pode ter certeza - circulará nos debates sobre desenvolvimento do Programa de Pós-graduação de Economia e Desenvolvimento aqui da UFSM no intuito de aprofundar a pesquisa sobre o tema e tentar alertar a academia sobre os malefícios do governo como instituição estabilizadora da economia(tarefa árdua essa eu confesso hehe).

Saudações liberais

Responder
Leandro 01/04/2013 09:48:23

Muito obrigado pelas palavras, Felipe. Grande abraço!

Responder
Pedro Ivo 02/04/2013 11:06:30

"Com tantas evidências empíricas associadas a constatações teóricas fica dificil o mainstream não ficar com uma pulga atrás da orelha sobre suas teorias econômicas." Infelizmente não Felipe Rosa. O mainstream é acadêmico, e acadêmico não vive de resultados.

Outrossim, a seção "economia brasileira" do IMB (da qual o Leandro é o principal autor, sem que passem impunes o Mueller, o Iorio, o Ulrich, o Branda e outros) está circulando impressa e encadernada aqui por Brasília. Já vi usada como alternativa à literatura base das diciplinas de economia brasileira entre alunos da Universidade Católica e UnB.

Responder
Sérgio 01/04/2013 11:07:14

"A culpa do colapso econômico da Argentina é das política neoliberais de Menem. O Menem privatizou toda a economia argentina, e olhem o que aconteceu. Depois veio o Kirchner com suas políticas estatizantes e salvou a Argentina da quebradeira. E na primeira década do século XX, a Argentina cresceu 8% ao ano, foi um dos países que mais cresceu na América Latina".

Agora, eu pergunto a vocês: quantas vezes vocês ouviram essa história? Cansei de ler isso. Aliás, ouví tantas vezes estas falácias (da mídia, do governo, dos esquerdistas) que cheguei a acreditar por um bom tempo nesta mentira. É a velha máxima de Goebells: "Uma mentira tantas vezes repetidas se torna verdade". Então, vamos acabar com este mito. Divulguem este texto. Vamos acabar com as mentiras esquerdistas.

Responder
Pedro Ivo 02/04/2013 11:08:40

Eu divulguei Sérgio: recebi um monte de slogans e palavras de ordem como resposta

Responder
Sérgio 01/04/2013 11:24:52

Ops, errei ao digitar: é Goebbels.

Só acrescento mas uma coisa. Na Argentina, o Perón é idolatrado, é a versao argentina do Getúlio Vargas. Todos o idolatram como o "pai dos pobres". Se esquecem que a Argentina já esteve entre os sete países mais ricos do mundo no início do século XX. Até alguns anos atrás, a Argentina tinha o maior IDH da América Latina. Agora, olhem como está a Argentina hj. O que será que provoucou a estagnação econômica e o empobrecimento da Argentina? Será que isso não está ligado às políticas estatizantes do Perón e agora dos Kirchner?

Responder
Pedro Ivo 29/10/2013 18:06:52

"Se esquecem que a Argentina já esteve entre os sete países mais ricos do mundo no início do século XX. "

Não somos incentivados a ler história. Se fossemos, dar-nos-íamos conta das contradições entre o que afirmam agora, o que foi dito antes, e como as coisas evoluiram de lá para cá.

Responder
Rodrigo 01/04/2013 11:48:12

Leandro,

Já que não apenas o governo, mas também os bancos tem a capacidade de criar dinheiro e como esta é a principal causa da inflação de preços, podemos dizer que o governo é o principal agente inflacionário, mas que ele não tem total controle do processo, correto?

obrigado!

Responder
Leandro 01/04/2013 12:03:46

Sim e não.

Em um arranjo de Currency Board ortodoxo, o governo não pode fazer nenhuma regulação bancária, nem mesmo de compulsório. Sendo assim, neste arranjo, a criação de dinheiro fica inteiramente por conta do sistema bancário.

Já no arranjo atualmente vigente, em que o BC regula totalmente os bancos, ele pode controlar a expansão monetária dos bancos determinando seu compulsório. No extremo, se ele quiser interromper a expansão monetária, basta ele -- além de não imprimir dinheiro -- impor um coeficiente de reserva de 100% para os depósitos à vista e estipular que os depósitos a prazo devem ter um prazo de maturação igual ou maior que o prazo do empréstimo.

Ou seja, no atual arranjo, o governo pode sim ter o controle do processo. Ele simplesmente não tem a intenção de usar.

Abraço!

Responder
Rodrigo 01/04/2013 12:34:58

Ok! E neste caso de expansão monetária igual a zero, não teríamos inflação -- simples assim? Ou a tendência seria até mesmo de deflação devido aos ganhos de produtividade e inovação?

Responder
Leandro 01/04/2013 12:48:11

Correto. A deflação de preços seria a tendência.

Responder
Pedro Ivo 05/08/2014 12:04:20

Leandro, você disse: Em um arranjo de Currency Board ortodoxo, o governo não pode fazer nenhuma regulação bancária, nem mesmo de compulsório. - Não entendi o porquê

Responder
Leandro 05/08/2014 12:12:02

Porque a função do Currency Board não é a de regular bancos, nem estipular reservas mínimas e nem especificar capital mínimo ou alavancagem máxima. A função do Currency Board é meramente a de trocar dinheiro. Ele é uma simples casa de câmbio. Ele não faz mais nada além disso.

Qualquer outra função que ele assuma que não seja a de simplesmente trocar moeda nacional por moeda estrangeira a um preço fixo faz com que ele deixe de ser um Currency Board e assuma características de Banco Central.

Agora, é óbvio que o governo pode fazer essas intervenções. Mas aí o arranjo de Currency Board fica condenado, e seu eventual colapso não deve ser atribuído a algum defeito inerente do sistema.

Responder
Pedro Ivo 05/08/2014 15:03:05

Um Currency Board pode ser uma "secretaria" do BC? O Currency Board funcionaria dentro de suas funções incontestes, e o BC se compromete a regular bancos, estipular reservas mínimas e especificar capital mínimo ou alavancagem máxima?

Pergunto porque [a] se o BC regular os bancos de modo a criar um ambiente temerário quanto às estipulações de reservas mínimas, capital mínimo e alavancagem máxima, esta claro para mim que o Currency Board não teria a servetia que se lho atribui; porém [b] se o BC regular os bancos de modo a criar um ambiente sólido (conservador, severo) quanto às estipulações de reservas mínimas, capital mínimo e alavancagem máxima, então [c] esta postura do BC, sendo refratária à inflação decorrente da moeda escriturária, somar-se-iria positivamente ao Currency Board?

Responder
Leandro 05/08/2014 18:04:10

Não. Um Banco Central é totalmente incompatível com um Currency Board. Um Currency Board serve justamente para cancelar os efeitos deletérios de um Banco Central, que são a proteção do setor bancário e a orquestração da expansão do crédito bancário. Ter um CB e um BC é como misturar água e óleo.

Responder
Pedro Ivo 05/08/2014 18:24:36

Graças pela resposta Leandro: agora ficou claro.

Responder
Anarcofóbico 01/04/2013 12:05:39

Não há como duvidar de que a culpa, como sempre, é da ganância dos empresários! Não fossem os banqueiros mandando no país, a Argentina continuaria seu rumo de prosperidade! O que faltou na argentina foi um maior controle estatal sobre os bancos e maior regulamentação. O Banco Central precisa ser fortalecido, pois só assim o sistema financeiro se tornará sólido.

Responder
charles 01/04/2013 17:15:18

tu só pode ser fake né? impossível um ser humano racional ter esse tipo de argumento...

Responder
Pedro Ivo 02/04/2013 11:12:15

O ser humano não é racional Charles: apenas tem potencial para tanto

Responder
Peronista 01/04/2013 12:55:23

Perdón, muchachos, pero el liberalismo es ignorancia.

El tipo elige ayudar a las ONG y "caridad" que se ocupan de los más necesitados. No señor, para? ayudar a los más necesitados la única herramienta viable es el Estado y ustedes le quieren quitar ese rol con sus onanismos liberales del siglo XIX. El capitalismo solo destruyó las economias de los países de 3º mundo.

Liberalismo es anti-industria y pro-britanico. Ignoram el deseo de los países de primero mundo por nuestra patagonia. Sin proteccíon del gobierno, toda nuestra industria va a ser eliminada por la globalización predatória.

Sin embargo, el estado lo hace debido a que posee dentro de un territorio el monopolia de la violencia física legítima y el robo legitimo (impuestos) como medio de dominacion benefícica al pueblo. El gobierno tiene todo lo derecho sobre su território, así como uno que tiene una hospedaria lo hace, por eso, los impuestos son más que legítimos. El major problema en la Argentina actual es las minorias oprimidas y los liberalismos no pueden hacer nada por ellas.

Vos eligisteis vender Argentina y Brazil a los gobiernos tiranicos de United Kingdom y los USA. Vos eligisteis ser como la capitalista España, una tragédia, que ha hecho el capitalismo por ella?

Yo eligo ser libre y tener my pueblo feliz y satisfecho. Viva la Argentina socialista. Un viva al trabajador argentino! Viva Perón!

Responder
Bruno 01/04/2013 14:53:54

Trocando Patagônia por Amazônia e España por Portugal, estaria perfeito para nós!

Responder
Bruno 02/04/2013 13:05:45

Peronista,

o texto deixa claro que o culpado de todas essas crises na Argentina é o governo. Assim como ocorre em todos os países da América latina dominados por socialistas. Perón foi mais um, senão o maior, responsável por afundar o país. Assim até parece que não leste o texto...

E por favor, explique por que a crise na Europa atinge justamente os países com os governos mais socialistas, como Espanha e França, em contraponto aos países mais capitalistas, e que ainda resistem, como Suíça e Alemanha.

Responder
Pedro Ivo 29/10/2013 18:22:41

E passados 7 meses, o peronista ainda não respondeu.

Grande surpresa! Umas 7 décadas atrás estas questões já eram postas e eles não respondiam.

Responder
Pedro Ivo 05/08/2014 12:08:50

E passados 16 meses, o peronista ainda não respondeu.

Grande surpresa! Umas 16 décadas atrás estas questões já eram postas e eles não respondiam.

Responder
Ali Baba 01/04/2013 12:58:32

@Rodrigo (e Leandro),

O sistema de reservas fracionárias é perverso, mas discordo que não possa funcionar sem um emprestador de última instância (um Banco Central) que imprima dinheiro. Acoplado a um Currency Board e desregulamentado (ou seja, operando no livre mercado), o sistema bancário sofreria com os saques, e os bancos mais endividados quebrariam, levando a bancarrota seus clientes que acreditaram nos "investimentos" de tal banco.

A questão é que o governo sempre se sente compelido a ajudar bancos moribundos. Se o governo não tivesse esse papel, o estrago é limitado e a economia se reorganiza com os bancos praticando reservas fracionárias menos lesivas.

O problema é que a massa de clientes que perderam o dinheiro com o banco são eleitores que não votam no governo que "deixou" que isso acontecesse. O resultado é o que sabemos. Se, no entanto, no momento da crise que levou ao Currency Board o governo tivesse "restartado" a política bancária e deixado bem claro que deixaria bancos quebrarem caso não fossem conservadores, esses bancos teriam sido mais cuidadosos.

O quanto isso é factível na democracia é uma questão em aberto (banqueiros sempre estão entre os principais financiadores de campanha, além dos governos recorrerem aos mesmos para financiar a máquina pública), mas eu acho (assim como quem pratica o achismo, adepto da achologia) que situações como o presidente fugindo de helicóptero da população seriam evitadas.

Leandro, se não pelos motivos atrelados à democracia, por que um sistema de reservas fracionárias associado a um Currency Board e uma política bancária rígida de deixar quebrar não poderia funcionar?

Responder
Leandro 01/04/2013 13:22:44

"Funcionar" é um termo um tanto flexível, principalmente quando atrelado ao termo "democracia".

Sob uma democracia, "funcionar" significa evitar o colapso sistêmico do sistema bancário. Neste caso, tal arranjo já demonstrou não "funcionar", e pelo óbvio motivo de que os bancos, por saberem que o governo irá socorrê-los, expandem a oferta monetária mais descuidadamente.

Por outro lado, um arranjo de Currency Board operando ortodoxamente (e com os bancos praticando reservas fracionárias) pode sim funcionar desde que os bancos tenham a certeza de que o governo em momento algum irá intervir para ajudá-los. Uma vez abolido este risco moral, a expansão monetária feita pelos bancos seria muito mais cautelosa, e a qualquer sinal de fuga de reservas, eles iriam contrair o crédito, subir os juros e voltar a atrair reservas. O sistema, neste caso, teria um ajuste automático.

Mas ele ainda assim seria totalmente dependente da confiança das pessoas. Mesmo que o governo de fato fosse laissez-faire, do tipo que todo tem a certeza de que não irá fazer estrago nenhum (algo bem implausível), uma simples redução das reservas já pode fazer com que as pessoas corram aos bancos para sacar seu dinheiro -- e elas serão ariscas justamente por não existir garantia alguma aos seus depósitos. O fato é que um sistema bancário de reservas fracionárias depende inteiramente da confiança de seus correntistas para "funcionar". Se essa confiança se esvair, um abraço.

Responder
Ali Baba 01/04/2013 14:33:39

@Leandro,

Sim, concordo que continua sendo baseado em confiança. Mas, na realidade, não pensei que tal sistema fosse um fim, mas um meio. Ultimamente tenho me interessado em estudar maneiras de transicionar uma economia keynesiana para uma economia austríaca e, na minha humilde opinião, essa transição econômica para um sistema de Currency Board, sem socorro a bancos poderia manter a reserva fracionária bancária por algum tempo até uma segunda transição para um padrão-ouro ou de base monetária fixa (como o Bitcoin et al).

Desculpe o comentário ter quase nada a ver com a crise argentina per se, mas vc escreveu sobre Currency Board justamente quando eu estava estudando o assunto :-)

Responder
Luciano 01/04/2013 13:06:34

Faltou apenas um detalhamento de como ocorreu o descontrole do gasto público a partir da crise da Rússia. Acho importante esse detalhamento para colocar um zoom no governo e mostrar quais as coisas cotidianas em que o governo se intromete de modo a endividar e destruir a economia.
O artigo está impecável, um link ou um apêndice para o detalhamento dos gastos públicos seria um bom complemento.
Alguém,por favor, traduza para o espanhol e mande para Argentina.

Parabéns Leandro.

Responder
Leandro 01/04/2013 13:24:29

Luciano, mas o detalhamento foi dado. E duas vezes. Houve fuga de capitais, o que fez com que os juros aumentassem. Tal aumento de juros fez com que os gastos do governo com o serviço da dívida aumentassem. Concomitantemente, o aumento dos juros gerou recessão, o que diminuiu as receitas. Esse aumento dos gastos e redução das receitas amplia o déficit, que tem de ser coberto com mais endividamento.

Dá uma conferida de novo, por gentileza. Terceiro parágrafo da seção "Anos 1996-1999: calmaria no início, pânico no fim" e segundo parágrafo da seção "Com De la Rúa, a tragédia - Anatomia de um caos".

Obrigado pelo elogio e grande abraço!

Responder
Luciano 01/04/2013 14:23:36

Leandro, se o governo tem superávit fiscal ele pode suprir uma perda de receitas repentina causada pelas consequências do aumento de juros, mas o governo sempre gasta muito e o aumento do serviço da dívida é consequência óbvia do endividamento.
Eu me referia simplesmente aos gastos cotidianos que fazem com que haja deficit fiscal, expondo finanças do país as consequências da fuga de capitais.
Funcionalismo púlico inchado, burocracia, assistencialismo, estatais, agências reguladoras, etc. São esses esses fatores da intervenção estatal aos quais me referia. Acho importante linkar isso ao artigo porque as pessoas continuam a defender o estatismo justamente por não serem capazes de fazer essa ligação quando expostas a explicações muito "financeiras" e acabam por exigir ainda mais intervenção estatal justamene por não identificarem que é essa intervenção que causa os problemas.
Espero ter sido mais claro desta vez.

Obrigado pela atenção.

Responder
Leandro 01/04/2013 14:50:11

Eu também gostaria de ter acesso à rubrica dos gastos detalhados daquela época (década de 1990). Se alguém tiver o tempo e a paciência para procurar, ficaria enormemente agradecido se pudessem colocar aqui o link.

Responder
Bernardo 01/04/2013 21:07:09

Faço minhas as palavras de todos que o parabenizaram pelo texto, mas, assim como o Luciano, senti que faltou alguma justificativa para a série de problemas ocorridos após a crise mexicana.
De acordo com o texto, os gastos públicos haviam sido reduzidos, o déficit fiscal, zerado e a economia estava crescendo. Quais fundamentos econômicos realmente se modificaram a ponto de tudo começar a se corroer? Quão forte foi essa recessão? A mentalidade do Governo mudou completamente a ponto de o endividamento e dos gastos públicos dispararem? Ou todas essas conquistas citadas deveram-se apenas à empolgação inicial da mudança conjuntural ocasionada pela conversibilidade e pelo controle da inflação, não passando de uma situação efêmera?
Sou um leitor recente do Mises e estou bastante empolgado, mas temo pelas consequências que podem decorrer de um contexto econômico liberal. Não que a Argentina de 1994 fosse um primor de economia liberal, mas como todos aqueles avanços ruíram em tão pouco tempo? É essa peça que parece estar fazendo falta no texto.
Grande abraço e, mais uma vez, parabéns.

Responder
Leandro 01/04/2013 21:29:39

Vamos lá, pela terceira vez.

"De acordo com o texto, os gastos públicos haviam sido reduzidos"

Em relação ao PIB. Não houve necessariamente uma redução nominal dos gastos (praticamente nenhum governo no mundo faz isso). O que houve é que o PIB cresceu muito mais do que os gastos aumentaram. O gráfico 16 dá uma boa ideia de como o PIB disparou. Os gastos públicos, pelo simples fato de não terem crescido tanto quanto esse aumento do PIB, caíram em relação ao PIB, mas não necessariamente foram cortados. É uma questão de matemática.

"Quais fundamentos econômicos realmente se modificaram a ponto de tudo começar a se corroer? Quão forte foi essa recessão?"

O gráfico do quão forte foi essa recessão de 1995 está ali na resposta ao leitor Rudson. Colo aqui de novo. A queda do PIB chegou a 5%.

Isso gerou aquele ciclo vicioso que vou repetir pela 4ª vez: primeiro houve fuga de capitais por causa da crise do México. Tal fuga fez com que os juros aumentassem. Tal aumento de juros fez com que os gastos do governo com o serviço da dívida aumentassem. Concomitantemente, o aumento dos juros gerou recessão, o que diminuiu as receitas. Esse aumento dos gastos e redução das receitas amplia o déficit, que tem de ser coberto com mais endividamento.

"A mentalidade do Governo mudou completamente a ponto de o endividamento e dos gastos públicos dispararem?"

Não, a mentalidade continuou a mesma. Os gastos públicos aumentaram pelo motivo que acabei de repetir acima (e certamente aumentaram também por causa dos gastos com seguro-desemprego, mas tais gastos são ínfimos se comparados ao serviço da dívida). Não consigo ser mais claro do que isso sem cair na monotonia e sem ser repetitivo.

Grande abraço e obrigado pelas palavras.

Responder
Renato Souza 01/04/2013 21:49:29

Leandro

Qual seria a resposta adequada do governo?
Parece que uma vez que foram atingidos pela crise externa, as opções ficaram muito restritas.
Posso concluir que o governo teria de ter reservas anteriores à crise? Isto teria evitado o pior? Exigir 100% de compulsório teria evitado a calamidade? Se o governo tivesse simplesmente adotado o padrão-ouro clássico, isso impediria a crise?

Eu tenho uma opinião particular, de que nenhum governo deveria jamais se endividar. É claro que há situações em que isso pode ser impossível. Se um inimigo externo atacar de repente, a compra de materiais bélicos para a defesa poderia fazer um governo se endividar, mesmo que ele praticasse uma política austera anteriormente. Mas fora uma situação dessas, não vejo porque as pessoas permitem que seus governos se endividem. Um governo sem dívidas não precisa temer aumento dos juros.

Lembro também da situação atual da Irlanda que não era um país perdulário, e sofreu bastante por causa de crises externas. Que política teria sido suficiente para impedir que a Irlanda ficasse nessa situação?

Responder
Leandro 01/04/2013 22:12:12

O problema principal da Irlanda é que, além de o governo ter se endividado para socorrer os bancos, o país está em prolongada deflação monetária, como ilustram os gráficos deste artigo.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1514

Quanto à Argentina, o problema começou com os gastos públicos, foi intensificado pelas interferências do governo no regime de conversibilidade, e culminou com o problema das reservas fracionadas. Mas a origem toda está na incapacidade de conter o gasto público. Se o governo mantivesse um déficit zero, o endividamento não aumentaria explosivamente como aumentou, e consequentemente não haveria fuga de capital pelo fato de os investidores estarem temendo um calote.

Em um regime de Currency Board ortodoxo, quando há fuga de capital, os juros bancários sobem. Esse aumento dos juros traria de volta novamente esse capital que fugiu, reequilibrando a situação. O problema é que esse reequilibro pode não ocorrer se houver um governo que gera incerteza, que ameaça desvalorizar a moeda e cuja dívida irá inevitavelmente levar a um calote. Não há regime de câmbio fixo que resista a essa incerteza de regime.

Responder
Renato Souza 02/04/2013 20:32:24

Leandro

Obrigado pela sua resposta.

Deduzi de tudo isso que o orçamento governamental deve ser necessariamente elástico, isto é, deve ser feito de tal forma que possa ser rapidamente comprimido em caso de crises. E a segurança social deve se basear em dinheiro previamente aplicado, e não na arrecadação futura. Desta forma, as pessoas teriam maios de se sustentar durante uma crise, sem que o orçamento governamental fique no vermelho.

Ouvi dizer que a Islandia não socorreu seus bancos, e por isso não enfrentou essa crise. Suponho que a Irlanda estaria em situação melhor se não tivesse socorrido seus bancos. E melhor ainda se não permitisse reservas fracionárias.

Responder
Leandro 02/04/2013 20:57:13

A Islândia deixou seus bancos quebrarem. A quebra dos bancos fez com que os ativos podres simplesmente fossem liquidados e que várias dívidas não fossem saldadas.

Bancos socorridos pelo governo atravancam o sistema financeiro, pois ninguém sabe exatamente quem é sólido e quem está insolvente, o que gera grande desconfiança no mercado interbancário e provoca um congelamento do crédito. Por outro lado, quando se permite que os bancos insolventes quebrem, ocorre uma depuração do sistema financeiro. Como somente os sólidos sobrevivem, isso faz com que o mercado interbancário rapidamente volte ao normal.

Acrescente a isso o fato de que os islandeses deram um calote parcial em seus credores internacionais, e você tem o cenário para uma rápida recuperação. É sustentável? Não sei. Depende de várias outras informações que não tenho.

Responder
Bernardo 02/04/2013 18:34:51

Valeu pela rápida resposta, Leandro, e obrigado pela paciência, uma virtude apostólica fundamental num cenário tão hostil e desafiador para os seguidores e defensores do liberalismo como o atual.
Assumo ainda estar com algumas dúvidas e acho isso muito bom. O interesse foi despertado. Lerei algumas fontes citadas no texto e em comentários.
Acho que meu erro foi ter entendido que o Estado havia se controlado, que idéias liberais haviam prevalecido e que, mesmo assim, a crise havia ocorrido.
Outro abraço. Bernardo.

Responder
Leonardo Couto 02/04/2013 23:14:27


Bernardo, se serve para lhe tranquilizar, estas crises não decorrem de um contexto econômico liberal. As ações que fazem um sistema bancário inteiro ser passível de crises como as sitadas no textos só podem ser mantidas em um contexto de blindagem estatal às forças de mercado. Só assim se mantém a prática das reservas fracionárias, o surgimento das bolhas econômicas, e a própria existência de dinheiro fiduciário.

Essa sucessão de crises advém do cenário econômico manipulado pelo estado. Como você pode conferir nos seguintes artigos, dentre tantos:

Expectativas e a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos
Reservas fracionadas geram ciclos?
Depressões econômicas: a causa e a cura
O que fazer em caso de quebras bancárias generalizadas?

A brilhante apresentação de slides presente neste artigo me fez entender o assunto dos ciclos econômicos de forma mais clara:
Os triângulos hayekianos e a estrutura do capital

Responder
Bernardo 03/04/2013 18:40:38

Muito obrigado a vc tb, Leonardo.
Tentarei ler o quanto antes os artigos que vc sugeriu. É que são tantos textos interessantes que eu ainda me perco.
Sei que, pelo pensamento liberal, a culpa do início da crise foi, obrigatoriamente, estatal, tanto que quis saber quão grande o déficit fiscal havia se tornado para a Argentina ir do "céu" ao inferno em tão pouco tempo. Ainda não consegui me aprofundar mais no assunto.
Entretanto, parece-me que, apesar da "boa" situação argentina em 1994, decorrente de reformas liberais, os capitais fugiram. Os juros aumentaram para tentar retê-los. Não conseguiram, geraram a recessão e fizeram com que o déficit disparasse.
Td bem, o governo deveria ter segurado ainda mais os gastos, mas os caras conseguiram ter déficit fiscal 0 por 3 anos, bem razoável, não?
Td bem, os bancos não deveriam ter poder de criar moeda. Mas, sejamos práticos, no longo prazo isso ainda será uma realidade.
Depois que os caras descambaram para a heterodoxia, as coisas ficam explicadas. Mas o que será que o governo fez de tão errado em 1995 e 1996?
Acho que é isso que ainda estou querendo entender...
Grande abraço.

Responder
Leandro 03/04/2013 19:05:49

"Entretanto, parece-me que, apesar da "boa" situação argentina em 1994, decorrente de reformas liberais, os capitais fugiram. Os juros aumentaram para tentar retê-los. Não conseguiram, geraram a recessão e fizeram com que o déficit disparasse."

Peraí, vamos com calma. Fuga de capitais é algo com que todo país em desenvolvimento tem de lidar. Afinal, o capital foge justamente pelo fato de o país ainda não ser desenvolvido -- isto é, ainda não ser rico o bastante para reter a confiança dos investidores. Capitais não fogem da Suíça, eles fogem da América Latina. Costumavam fugir também da Ásia, mas agora aquele continente já adquiriu a confiança dos investidores.

As coisas são assim mesmo. Após décadas de populismo, não haveria governo nenhum na Argentina capaz de fazer o país subitamente gozar de grande reputação e confiança. Logo, esta fuga de capital era uma inevitabilidade, ao menos em alguns momentos.

Juros aumentar para tentar retê-los é uma resposta automática e já prevista de um sistema bancário sob Currency Board. É chato? É. É indesejável? Ô! Gera recessão? Certamente. Mas fazer o quê? Um país não sai de décadas de baderna e vai ao paraíso em três anos.

Quanto ao déficit disparar, isso não aconteceu com a fuga de capitais de 1995, não. A tabela 2 deste link mostra isso. O déficit aumentou, sim, mas longe de ser algo incontrolável. Foi de apenas 1% do PIB em 1995. E 1996 e 1997 foram anos de robusto crescimento. O governo poderia ter usado estes anos de bonança para por o orçamento em ordem. Mas não quis. E ainda assim a coisa continuou gostosa.

O negócio só começou a balançar mesmo no final de 1998, quase quatro anos após o Efeito Tequila. Ou seja, o governo argentino teve 4 anos para arrumar a casa. Tempo demais. E mesmo depois disso, nada. Veja na primeira tabela deste link o aumento dos gastos em 1997. Aumentou muito mais do que o aumento da dívida, o que significa que o aumento dos gastos não se deveu apenas ao aumento da dívida (e seus encargos).

Não. O governo fez o certo só no início. Depois, quando a coisa já estava boa, ele relaxou. E em momento algum tentou voltar à austeridade do início. Depois do Efeito Tequila, ele ainda teve 4 anos até a crise da Rússia. Não fez nada porque não quis. A população pagou o preço.

Responder
Randalf 01/04/2013 13:07:06

"a economia do México — cujo Banco Central adotava um sistema cambial heterodoxo, no qual a cotação do câmbio era diariamente manipulada — sofreu um ataque especulativo".

Como funciona um sistema cambial heterodoxo? É o que os Bancos Centrais fazem hoje na América e na Europa?

Responder
Leandro 01/04/2013 13:28:20

Praticamente idêntico a como o Banco Central brasileiro manipulava o real no período de 1994-1998. A coisa funciona bem enquanto houver reservas internacionais. Quando as reservas encolhem, a coisa degringola. O que ocorreu no México em dezembro de 1994 foi o que ocorreu no Brasil em janeiro de 1999.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1294

Responder
anônimo 01/04/2013 13:08:57

Só uma dúvida Leandro. Em 2008, foi publicado aqui no Instituto Mises um texto do Lew Rockwell em que ele explica a crise argentina, em que ele diz:

"Muitos outros estavam ansiosos para jogar a culpa da crise argentina no currency board (conselho da moeda), um sistema que elimina a capacidade do banco central criar dinheiro além de suas reservas internacionais. O problema é que a Argentina nunca teve um verdadeiro currency board, apesar de toda a propaganda. Em 1991, o governo meramente fixou uma moeda sobrevalorizada, o peso, ao dólar. Entrementes, de 1991 a 1994, o banco central explodiu a oferta de peso, fazendo com que a média anual de crescimento fosse de 60 por cento (em um momento chegando a 140 por cento!). Logo em seguida, ele pisou no freio com força."

A minha pergunta é: a Argentina adotou ou não um verdadeiro Currency Board?

Responder
Leandro 01/04/2013 13:25:13

"Verdadeiro Currency Board" fica a cargo de cada um de seus proponentes. Alguns consideram que o Currency Board da Argentina foi bom até abril de 2001. Já outros, mais rigorosos, são críticos porque o Currency Board argentino ficou à cargo do Banco Central, o qual tinha, em última instância, o poder de regular as reservas bancárias e de imprimir dinheiro para dar liquidez aos bancos em momentos de crise, algo que um Currency Board ortodoxo é proibido de fazer.

Responder
Pedro Ivo 02/04/2013 13:22:44

Só por curiosidade Leandro: se você quisesse verificar este argumento do Rockwell, sobre a expansão monetária em pesos, você poderia fazê-lo ou a Cristina já mandou manipular também estas estatísticas?

Responder
Leandro 02/04/2013 13:42:07

Pedro, você se refere à oferta de pesos entre 1992 e 1994? Está lá nos gráficos 5 e 6, e também nos gráficos 13 e 14. Os números citados pelo Rockwell estão corretos, só não estou muito certo quanto à interpretação que ele deu. Não acho que tenha sido o BC quem aumentou esta oferta monetária. Dado que à época o BC funcionava como um Currency Board, ele apenas reagiu passivamente -- como tinha de ser -- à maciça entrada de dólares. No início de 1995, com a saída de dólares por causa da crise do México, o M1 e o M2 estancam.

Responder
Pedro Ivo 03/04/2013 12:03:38

Leandro, eu havia entendido, do artigo do Rockwell, que o BC não agira passivamente desde o início. Que emitiu pesos a mais que os dólares que entravam. Daí a dúvida. Mas os gráficos deixam bem claro mesmo, conforme você sugeriu

Responder
Leonardo Couto 16/09/2014 19:26:43


Então isso significaria que estes indivíduos mais rigorosos não consideram a experiência argentina como tendo um verdadeiro Currency Board, porque essa permanência do Banco Central exacerba a vulnerabilidade do calcanhar-de-aquiles do Currency Board - a expansão monetária via reservas fracionárias?

Acho que é por ai.

Responder
Erick V. 01/04/2013 14:28:38

Leandro, sua capacidade de prender a atenção do leitor, mesmo ao abordar assuntos técnicos, é impressionante. Isso sem falar, é óbvio, na profundidade da abordagem - sinto que só com esse artigo acabei de aprender mais do que com vários livros que comprei quando comecei a me interessar por economia.

Dito isso, sinto ter que lhe contar essa triste verdade, mas ao redigir artigos tão aprofundados e ao mesmo tempo didáticos você nada mais está fazendo do que contribuir para o colapso do setor produtivo da economia brasileira. Eu, por exemplo, deveria estar trabalhando agora, mas acabei de "perder" uma boa meia hora útil lendo e relendo seu texto, para não deixar escapar nenhum detalhe - e pretendo gastar mais algum tempo agora lendo os outros artigos do site a respeito da Argentina. Isso mesmo: o IMB é tão viciante que está me deixando com espírito de funça.

Responder
Leandro 01/04/2013 14:43:32

Obrigado pela espirituosidade do comentário, Erick. Grande abraço!

Responder
Lopes 01/04/2013 15:18:28

Uma obra prima de artigo, Leandro. Superior até mesmo às suas melhores análises periódicas da economia brasileira. Enviá-lo-ia a Joseph Salerno(O austríaco mais dedicado à experiência argentina, aparentemente) para que o mesmo o utilizasse em suas lições aos governos de terceiro mundo.

Como supramencionado pelo fidalgo Erick acima de mim, o artigo agarra brutalmente a atenção do leitor e, mesmo que esse perca o raciocínio em algumas passagens, o texto não deixa de fazer claro seu ponto principal em cada parágrafo: O quão destrutiva é a intervenção estatal e o quão restauradora pode ser sua ausência.

Apesar disso, o artigo funciona como um livro de terror. Arranca-nos o fôlego em momentos de tensão, desperta sentimentos depressivos pelo rápido declínio que os seguem e nutre nossas esperanças de uma Argentina mais saudável em breves momentos de alívio; rapidamente, interrompendo-os com inesperados imprevistos e soluções desastrosas. A elaboração da narrativa é, em potencial, um retrato prosopopeico da própria experiência do povo argentino, concedendo ao leitor a angústia da época.

Um de seus melhores - senão o melhor texto, Leandro. Está de parabéns. Porém, infelizmente, tal terrível história ainda tarda a ter fim. A recente experiência de congelamento de preços na Argentina e ataques autoritários de seus governantes herdeiros da linha peronista sinalizam para um século XXI de mais problemas que soluções.

Paz.

Responder
Leandro 01/04/2013 15:38:02

Prezado Lopes, o senhor é um poeta exagerado (não é o Cazuza; é melhor). Obrigado pelo reconhecimento. Este realmente foi de confecção trabalhosa. Grande abraço!

Responder
Didi 01/04/2013 15:31:09

Parafraseando o insigne Lair Ribeiro, o sucesso não vem por acaso! Portanto, sem critérios bem definidos a chance de insucesso aumenta. A matéria, ricamente elaborada, deixou patente as consequências do imediatismo intrínseco na maioria dos países latinos, via de regra, populações buscam gestores populistas para aliviar seus anseios, e tais gestores são muito similares as "cargas rápidas" dadas em baterias automotivas, funcionam bem apenas no curtíssimo prazo.

Responder
edison 01/04/2013 15:33:03

Os economistas são considerados "os profetas do passado",ou seja,que sabem ler o que já aconteceu. Pode-se fazer uma previsão sôbre o que aconteceria com um ataque ao dólar ou euro? O déficit americano é trilionário, o euro encontra problemas na Europa. A China está fortemente se protegendo com ouro. Como ficaria um Currency Board com tôdas as moedas instáveis? Tem algum Nostradamus habilitado na Economia que possa prever isso?

Responder
Leandro 01/04/2013 15:43:33

Ataque ao dólar? Ataque ao euro? Como seria isso? Moedas só são atacadas quando estão em um regime cambial aparentemente fixo, porém totalmente instável. Não há ataques sobre moedas que operam sob um câmbio oficialmente flutuante. O máximo que acontece é elas deixarem de ser demandadas. Isso pode acontecer com o dólar? Só se todos migrarem para o euro. E vice versa. O ouro seria uma alternativa, mas, por enquanto, por algum motivo insólito, os investidores ainda estão preferindo as moedas de papel.

Quanto a um Currency Board, um lastreado em ouro, por favor.

A Gold-based Currency Board, Please

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edison 01/04/2013 16:34:53

No comentário,claro que é um cenário improvável, não inclui o ouro no Currency Board,coisa impossível. Mas percebe-se uma tendência da China em adquirir o metal de forma lenta,porém segura,crescente e constante. Excelente análise a respeito da Argentina. Também outros artigos,além de Economia,excelentes. Êste site foi um achado e irei divulgar.

Responder
Mauricio 01/04/2013 22:43:38

Entendi o porque de nao ter um ataque ao dolar e ao euro mas essas moedas como todas as fiat currencies estao em um futuro proximo ou nao tao proximo em perigo de desabarem sobre si proprias,estou certo no meu raciocinio ?

Responder
Leandro 02/04/2013 09:42:49

É claro que isso pode vir a acontecer, mas, pelo menos em relação ao euro, não há a mínima indicação de que isso venha a ocorrer em um futuro próximo. O crescimento da quantidade de dinheiro na zona do euro está ocorrendo em níveis ínfimos.

www.tradingeconomics.com/charts/euro-area-money-supply-m2.png?s=emu%2cevolvmonsupm2&d1=20020101&d2=20130430

Durante toda a história humana, sempre que uma moeda foi abandonada, isso ocorreu por causa de uma hiperinflação. Desconheço caso de uma moeda forte que tenha sido abandonada voluntariamente por seus usuários. Enquanto o euro se mantiver forte, ele será demandado. Pelo menos em um futuro próximo, não há nenhum sinal de algum descontrole inflacionário na zona do euro. É muito mais fácil o real ir pro saco antes.

Responder
Pedro Ivo 02/04/2013 13:44:39

Mas Leandro, e estes socorros que a Europa tem feito a bancos e a estados? Isto não tem sido feito via expansão monetária? Não é o caso, como nos EUA, de o dinheiro estar mantido nos bancos em reserva, e ainda não ter transbordado para a economia?, mas quando for, o euro vai pro espaço?

Responder
Leandro 02/04/2013 14:14:19

O BCE está injetando dinheiro nos bancos europeus, mas os bancos foram tão afetados pelo estouro da bolha imobiliária europeia (o valor de seus ativos são muito menores do que os números dizem), que eles simplesmente não estão concedendo crédito. Bancos com problemas de balancetes não concedem crédito, como expliquei no artigo sobre a recessão europeia. A preocupação primordial deles é ajustar seus balancetes; depois, só depois, é que eles vão pensar em conceder crédito.

Ademais, com as novas regras de Basileia que estão vindo aí, que exigem dos bancos menos alavancagens e mais capital (algo que tende a reduzir a exposição a ativos de risco, como empréstimos), a tendência é que a expansão do crédito na Europa se mantenha contida por um bom período de tempo. A implementação paulatina dessas regulamentações irá impedir (aliás, kA está impedindo) que os bancos europeus e americanos expandam o crédito atualmente.

Por fim, eu mudei de ideia em relação à hipótese de hiperinflação. Sim, é verdade que o atual arranjo financeiro e monetário produz inflação contínua, porém não creio que ele possa levar à hiperinflação, e por um motivo muito simples: não é do interesse dos bancos gerarem hiperinflação.

Imagine que você seja um banqueiro. Você fez vários empréstimos. Você espera que todos esses empréstimos sejam quitados. Mais ainda: você espera que esses empréstimos sejam quitados com uma moeda que tenha poder de compra. Sendo assim, torna-se óbvio que, se você produzir uma hiperinflação, o maior prejudicado será você próprio: todos os seus empréstimos serão quitados com uma moeda cujo poder de compra não vale mais nada. Quando você concedeu o empréstimo, a moeda valia alguma coisa; quando você recebeu o pagamento do empréstimo, a moeda não valia mais nada. Consequentemente, seus ativos (empréstimos pendentes) perderão a maior parte do seu valor, seu balancete irá para o vermelho e você quebrará.

Adicionalmente, há também o fato de que banqueiros também querem se aposentar. Logo, eles também possuem investimentos em planos de previdência. Se gerarem uma hiperinflação, eles também serão duramente afetados. Sua poupança não mais valerá nada.

Não é à toa que, até o momento, todos os fenômenos de hiperinflação que o mundo vivenciou ocorreram em um arranjo em que o Banco Central imprimia dinheiro e o injetava diretamente na economia, sem depender do sistema bancário. Alemanha na década de 1920, Hungria no pós-guerra, Brasil, Peru, Bolívia e Argentina na década de 1980, Zimbábue recentemente -- tudo obra de um Banco Central que podia monetizar diretamente a dívida do governo.

Portanto, ficamos assim: o antigo arranjo financeiro, em que o BC podia jogar dinheiro diretamente na economia, tendia a gerar hiperinflações recorrentes. Já o atual arranjo financeiro, em que o BC depende do sistema bancário para que o dinheiro entre na economia, não tende a produzir hiperinflação, mas produz uma contínua e "moderada" inflação de preços (no Brasil, entre 4 e 10% ao ano). Produz também os ciclos econômicos, algo que o primeiro arranjo não gerava (ele já ia diretamente para a hiperinflação, destruindo a divisão do trabalho).

Conclusão: não vejo risco de hiperinflação de preços no atual arranjo, mas, ao menos aqui no braisl, sua poupança continuará sendo destruída a uma taxa de 5 a 10% ao ano. E isso é muito sério.

O cenário mundial mais provável é de estagflação, sendo que a inflação de preços, aos menos na zona do euro, não tende a chegar a dois dígitos. Nos EUA, tudo vai depender de quem será o próximo presidente do Fed em 2014. É ele quem vai herdar a encrenca.

Responder
Luciano A. 02/04/2013 15:35:09

E o pior é que existem pessoas que defendem exatamente isso, que o governo injete dinheiro diretamente na economia sem passar pelo setor bancário. Para eles isso resolveria todos os problemas econômicos, inclusive o custo da dívida pública.

Responder
Pedro Ivo 03/04/2013 12:14:56

Só para conferir se entendi LEandro: num panorama de contínua e "moderada" inflação de preços (entre 4 e 10% ao ano), com decorrentes ciclos econômicos, e com a poupança destruída a uma taxa de 5 a 10% ao ano, não há risco de hiperinflação. Mas poupança e capital continuam sendo destruídos: se não nos rompantes de uma hiperinflação, então com a gradualidade da chuva que cai fina mas faz transbordar os rios. E com isto gestam novos ciclos econômicos, cada um deles pior que o anterior, que provocarão, em seu devido tempo, a destruição sistêmica que a hiperinflação não provocou ao capital.

É isto?

Responder
Leandro 03/04/2013 13:18:43

"num panorama de contínua e "moderada" inflação de preços (entre 4 e 10% ao ano), com decorrentes ciclos econômicos, e com a poupança destruída a uma taxa de 5 a 10% ao ano, não há risco de hiperinflação."

Não sei se sua conclusão segue da premissa. O que eu quis dizer é que não há risco de hiperinflação por causa do interesse próprio do sistema bancário, e não pelo fato de estar havendo moderada inflação de preços.

O resto do que você escreveu está correto, mas vale a pena enfatizar que a destruição do capital ocorre porque recursos escassos foram imobilizados em empreendimentos que se revelaram insustentáveis, sem demanda.

Tenha a bondade de ler a seção "Conclusão" deste artigo.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1514

Grande abraço!

Responder
Pedro Ivo 03/04/2013 13:46:55

ok. Grato por sua atenção Leandro

Responder
andre 01/04/2013 16:30:36

Minha familia perdeu a poupança no confisco da Ze'lia. Vejo que pode acontecer de novo no brasil, e com o apoio da imprensa. Hora de tomar medidas de segurança.

Responder
Pesquisador paranóico 01/04/2013 17:28:05

Leandro levando-se em conta projetos secretos dos governos(Teoria da conspiração)eu posso desconfiar e supor que o fed juntamente com a cia podem estar fabricando essa crise global com o intuito de quebrar a europa visando fortalecer o dólar enquanto moeda de reserva internacional,o que você brilhantemente acha dessa hipótese.
Ou seja enfraquecendo o euro, e fazendo os ajustes necessários na economia interna o dólar volta a ganhar credibilidade internacinal enquanto moeda de reserva e o euro moribundo e fracassado deixa de ser o concorrente de peso que vinha sendo,aguardo ansiosamente a resposta e a análise de um mestre qual você é.

Responder
evandro 01/04/2013 17:32:25

Estava PENSANDO nos motivos que levariam um país a se tornar RICO... e acredito que as nações que atenderem a maior parte (senão todas) estas condições provavelmente conseguirá este ''status'' (o que será bom para sua população):

1) Ter riquezas naturais em abundancia (grandes áreas agricultáveis, petróleo, minérios, água doce em abundancia, etc).

2) Ter um ''capital'' industrial e infra-estrutura (estradas, portos) BEM desenvolvido... ou seja , quem é ''industrializado'' tem tudo para ''continuar'' rico (muitas nações colonizadoras ''aproveitaram'' essa fase para se tornar ricas em ''capital''.

3) Ter um ''capital'' ''cultural''... explico: uma nação que tenha indivíduos ''estudados'' tem maior chance de ter mão de obra qualificada... essa mão de obra é mais eficiente e produtiva... alem dessa riqueza ''intelectual'' , a ''memória'' de ''como fazer'' tambem é importante: é uma das razões que possibilitou a Alemanha arrasada no pós-guerra retomar sua industrialização e em ''poucos '' anos se reerguer.

4) Ter ''saída'' para o mar em seu território: isso facilita o escoamento da produção, além de possibilitar o surgimento de uma industria pesqueira marítima.

5) Ter um ambiente ''institucional'' favorável, com regras conhecidas por todos, poucas mudanças nas mesmas, respeito a propriedade privada, e legislação que favoreça o ambiente de negócios, alem de corrupção, inflação e dívida pública sob controle.

Essencialmente, acredito que essas são as principais ''causas'' de prosperidade de uma nação, se alguem se lembrar de mais algo, fique a vontade para acrescentar.

ps- Japão, principalmente no ''motivo 1'' e Suiça no ''motivo 4'' são exemplos de países que conseguiram o status de ''países ricos'' mesmo não tendo certas ''condições'' naturais, condições naturais estas que o Brasil tem e NÃO APROVEITA.

Responder
evandro 01/04/2013 17:45:40

Em relação ao motivo ''2'', é plenamente possível a uma nação ''colonizada'' desenvolver sua industria, vide Estados Unidos.

Responder
Rodrigo D. 01/04/2013 18:21:37

Eu acho que só a 5 já resolve.

Responder
Leandro 01/04/2013 18:33:11

A lista é muito boa, mas faltam alguns outros pontos. Na seção de comentários de um outro artigo, escrevi o seguinte:

A riqueza genuína só pode ser criada pela divisão do trabalho, pela poupança, pela acumulação de capital, pela capacidade intelectual da população (se a população for burra, a mão-de-obra terá de ser importada), pelo respeito à propriedade privada (o que implica baixa tributação), pela segurança institucional, pela desregulamentação econômica, pela moeda forte, pela ausência de inflação, pelo empreendedorismo da população, por leis confiáveis e estáveis, por um arcabouço jurídico sensato e independente etc.

Responder
evandro 01/04/2013 19:41:58

O Fator ''poupança'' realmente é muito importante para poder ''viabilizar'' novos investimentos, bem lembrado... e qdo eu disse que o Brasil não ''aproveita'' suas riquezas naturais, quis dizer que apesar de explorá-las e lucrar com isso, por incompetencia em outras áreas, não consegue se tornar um país ''rico''(já pensou se aqui fosse o Japão, com poucos recursos naturais, que DRAGA que estaríamos?)... o fator ''4'' talvez ajude um pouco a explicar porque Bolívia e Paraguai são os países mais pobres da América do Sul (são os unicos sem ''saída'' para o mar).

Responder
evandro 01/04/2013 20:20:37

Me esqueci de um fator que acho importante tambem: TURISMO... não sei qual o percentual que representa no PIB da França, por exemplo, mas acredito que toda análise economica sobre países como França e Italia deve levar em consideração o imenso volume de dinheiro despejado na economia por turistas de outros países (em virtude disso, acredito que toda análise que busque ''importar'' ''modelos'' economicos destes países deve ser relativizada, pois outros países provavelmente não teriam recursos provenientes do turismo como esses dois países citados , por exemplo (embora países como o Brasil possam desenvolver MUITO o turismo em seus países, buscando atrair turistas estrangeiros...

Responder
Rudson 01/04/2013 17:44:19

Leandro

Primeiramente, devo dizer que este artigo está excelente. Acredito que até hoje nunca li nada que chegasse perto desta análise da crise econômica argentina (na verdade, creio que isso se aplique a qualquer artigo seu no IMB: as melhores aulas de economia que alguém poderia ter). Parabéns mesmo!

Mas fiquei com uma dúvida. Em determinados momentos, o artigo diz que houve recessão em alguns anos na Argentina. No entanto, no último gráfico do artigo, que analisa o crescimento do PIB ao longo dos últimos 20 anos, não consegui encontrar esses períodos de recessão. A impressão que tive é que o crescimento foi contínuo durante todo o período. Eu entendi errado o gráfico? Ou isso se deve aos problemas intrínsecos ao conceito de PIB (que foram apontados em outros artigos aqui do site)?

Responder
Leandro 01/04/2013 18:25:39

Prezado Rudson, aquele gráfico é do PIB nominal em dólares. Já as estatísticas oficiais utilizam o PIB real, que é o valor nominal dividido por um deflator calculado pelo instituto de estatística. Veja aqui a variação do PIB real (trimestre sobre o mesmo trimestre do ano anterior).

www.tradingeconomics.com/charts/argentina-gdp-growth-annual.png?s=argqpyox&d1=19940101&d2=20021231

Embora a inflação de preços tenha sido zero nestes anos (1995-2001), o deflator não é zero porque seu cálculo é outro (assim como o deflator utilizado pelo IBGE também não é igual ao IPCA).

O gráfico do PIB nominal em dólar é interessante porque ele mostra como o país ficou parado durante duas décadas e repentinamente deu um salto.

Responder
Um Filósofo 01/04/2013 20:10:50

Bom artigo, prova sumária do dano causado pelo capitalismo ao projeto nacional argentino.
Menem, influenciado pela síndrome neoliberal obsessiva de seu tempo, fora convencido a um projeto de venda das riquezas nacionais, indo totalmente contra ao que era defendido pelos intelectuais argentinos: Uma nacionalização absoluta de todo o setor privado e a criação de uma economia subsistente, independente e forte.

Os problemas inflacionários da era pré-Menem, gerados graças aos interesses corporativos de empresários britânicos e americanos que almejavam depreciar ao máximo a moeda argentina para explorar seu governo através da dívida, deveriam ter sido solucionados através do puro abandono do uso da moeda e da adoção de uma economia baseada em recursos puramente.
Menem é culpado pelas vendas das riquezas da nação Argentina, pelos maus tratos aos pobres(A redução da pobreza foi uma jogada estatística arquitetada pelo FMI para propagandear o sistema neoliberal argentino) e pela eventual crise de fome do governo De La Rúa.

A Argentina é a prova do quão maléfica é a ausência da intervenção do governo no setor bancário. Ao adotar o neoliberalismo da Currency Board, o estado argentino simplesmente entregou sua economia à destruição. Não houve quem pudesse salvar as reservas fracionárias, os depósitos argentinos e nem o pobre e trabalhador povo de lá.

Culpar os gastos estatais pela situação terrível no fim do Século XX é absurdo, mesmo que seja real. Desejar um mundo sem o gasto social do governo é uma brutalidade.
O meio intelectual é o último reduto racional argentino, que luta contra o legado reacionário de Menem e guarda os pobres da América Latina.
veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/vasto-mundo/%E2%80%9Cintelectuais%E2%80%9D-argentinos-queriam-calar-vargas-llosa-agora-premiam-o-tirano-chavez-por-%E2%80%9Cdefender%E2%80%9D-uma-liberdade-que-ele-vive-ameacando/

"Aos argentinos fora oferecido o paraíso: Distante do dinheiro e da ganância capitalista. Ainda sim, lutaram por seu direito de viver no inferno." - Horácio Gonzales.

Responder
Leandro 01/04/2013 20:27:29

Boa, Filósofo. Sempre aguçadamente pândego. E vários noviços aqui ainda caem no golpe.

Responder
Anarcofobico 01/04/2013 21:10:35

Esse filósofo é um grande conhecedor de economia! Quem dera os miseanos fossem tão conhecedores! E há quem defenda a ausência de gasto estatal... absurdo!

Responder
Marlon 28/01/2015 13:38:14

E nessas horas que percebo que os keynesianos e socialistas deveriam estar em hospícios ou fazendo terapia, tem que muita sindrome de estocolmo estatal para cair nessa que a culpa é sempre de alguém, menos no partido que eu votei.

Responder
zanforlin 01/04/2013 22:05:59

Prezado Leandro:

Não consegui entender um pequeno ponto da sua explanação: como compatibilizar as virtudes do CURRENCY BOARD, instituido na Argentina, e as crises havidas em 1994 no México, 1997 na Ásia e 1998 na Rússia, referidas no artigo, e que acarretaram fuga de capitais. Entendi, acho que enganadamente, que a fuga de capitais "torpedeou" a atuação benéfica do CURRENCY BOARD e como a eclosão das crises independia de atuação da Argentina, poderia eu concluir a inevitabilidade do que sucedeu na Argentina, apesar do CURRENCY?

Grato.

Responder
Leandro 01/04/2013 22:28:14

Prezado Zanforlin,

Em um regime de Currency Board ortodoxo, quando há fuga de capital, os bancos perdem reserva e os juros bancários sobem. Esse aumento dos juros traria de volta novamente esse capital que fugiu, reequilibrando a situação. O problema é que esse reequilibro pode não ocorrer se houver um governo que gera incertezas, que ameaça desvalorizar a moeda e cuja dívida irá inevitavelmente levar a um calote. Essa incerteza gerada pelo governo não é uma falha de operação do Currency Board; ao contrário, é uma agressão a ele.

A pessoa pode discordar do Currency Board, pode achar que tal regime não é bom, que não é o ideal etc. Mas não é correto imputar a este sistema um defeito que não é seu, mas sim do governo, pois se trata de uma agressão externa feita por esta entidade.

Responder
YBS 01/04/2013 22:39:52

Para os comunas mais supersticiosos (afinal, é-se latino ou cético, jamais os dois), lembrem-se: jamais escrevam o nome de M*nem, pois dá azar!!! Sim, é costume argentino isso. E lendo esse artigo fiquei ainda mais abismado com essa excentricidade.

Falando sério agora, vale também verificar como a Argentina conseguiu a façanha de entrar com um PIB per capita SEIS VEZES maior que o do Brasil em 1980 e sair da década em 1989 com um PIB per capita menor! Tem de ser muito mágico. Sem dúvida, o país pacífico (em paz) ocidental mais decadente da história.

en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_past_and_future_GDP_%28nominal%29_per_capita

Responder
Pensador de esquerda 01/04/2013 22:54:58

Falando em governo e anarcocapitalismo, o Rodrigo Constantino de vocês deixou de ser anarco?

"Tampouco estou afirmando que todos os anarco-capitalistas são iguais. Claro que não! A defesa de tal ideologia é legítima, e eu mesmo flertei com ela no passado, e ainda tenho alguma simpatia pelos seus ideais – apesar de compreender que se trata de um sonho com viés um tanto utópico."

rodrigoconstantino.blogspot.com.br/2010/08/brincadeira-de-crianca-ou-partido-de.html/

Responder
anônimo 02/04/2013 02:20:10

Esse post não existe mais

Responder
Blue Eyes, Na Resistencia 02/04/2013 06:21:17

rsrsrsrssr... O RC é uma derivação da pretenção de defender uma classe que não precisa de enrustidos para sobreviver... qualquer um que defenda minimamente o estado interventor ainda esta amando o leviatã... ele é só um promoter de suas ambições midiaticas... o liberalismo é auto-explicavel na medida em que quem produz riqueza é a nação e não o estado... acho que o RC não sabe essa diferença, apesar de ser economista... rsrsrsrsrsrs... enquanto houver socialistas e demais sanguessugas do estado, o ideal liberal estara longinquo...

Responder
anônimo 02/04/2013 11:55:06

Então o ideal liberal vai estar longe pra sempre, socialistas e parasitas sempre vão existir.
O seasteading é a única conclusão lógica, ou isso ou achar uma terra onde os liberais possam viver em paz

Responder
Pensador de esquerda 02/04/2013 18:49:51

Existe sim. Deve ter ocorrido um erro no meu link azul. Basta copiar, então:

rodrigoconstantino.blogspot.com.br/2010/08/brincadeira-de-crianca-ou-partido-de.html

Responder
Pedro Ivo 03/04/2013 12:37:02

Só não entendi porque você acha que temos como (ou mesmo 'quê') explicar as posturas do RC.

Responder
Blue Eyes, Na Resistencia 05/04/2013 01:16:47

Boa Pedro!!!... matou a questão...

Responder
Filipe F. 02/04/2013 00:56:49

Como é prazeroso ler esses artigos!

Uma verdadeira aula !!

Parabens e forte abraço !!!

Responder
Leandro 02/04/2013 12:22:39

Obrigado pelas palavras, Filipe. Grande abraço!

Responder
Tiago Guimarães 02/04/2013 02:03:50

Parabéns pelo artigo, massa!
Percebi pelos gráficos que houve uma recuperação da economia na década passada. A que se deve isso tendo em vista que não parece ter havido uma mudança de direção no sentido liberal?
Abraços!

Responder
Leandro 02/04/2013 09:31:48

Nada de mais, apenas efeito da matemática. O PIB havia encolhido 66%, voltando aos mesmos níveis de 1990. Partindo de uma base tão pequena quanto essa, e considerando que a quantidade de riqueza acumulada até 2003 era maior que a quantidade de riqueza acumulada até 1990, apresentar altas taxas de crescimento é relativamente fácil. Qualquer aumento no consumo, no investimento e nas exportações elevará o PIB em mais de 5%, pois, repetindo, está-se partindo de uma base de cálculo muito pequena e, ao mesmo tempo, o país já possui mais capital acumulado, o que ajuda a acelerar o crescimento.

Mas o que interessa mesmo é a qualidade de vida (abundância de bens e serviços à disposição, a um preço baixo e de fácil acesso). E essa ainda não parece ter retornado ao nível de meados da década 1990.

Abraço!

Responder
Vitor Sousa 02/04/2013 11:02:14

"Vamos acabar com as mentiras esquerdistas."

Peguei esse comentário de algum amigo do tópico.

Séria ótimo um grupo de pessoas começarem a gravar uns videos no youtube, com português claro, acessivel, cheio de gráficos explicativos de desenhos (para o povão mesmo) e irem desmontando uma por uma as mentiras esquerdistas. Seria interessante uma das apresentadoras ser uma panicat bem gostosa hahaha pra chamar a atenção mesmo!

Imagina o efeito disso no longo prazo, se partirmos do princípio que esses videos ficarão on line ad eternum?

Imagina esse impacto na mente de crianças e adolescentes?

Quem mais aqui estudou revolução industrial com fotos de capitalistas com o formato de porcos devorando grandes porções de comidas e etc?

Crowd funding? Quem sabe... Eu participaria...

Responder
Vinicius Costa 02/04/2013 11:32:18

Estou aprendendo edição de videos justamente pra isso.

Como percebi, as pessoas que entram em contato com a EA geralmente ficam fanáticas e fazem de tudo para que outras pessoas conheçam também. Videos como esses iam ser fáceis para divulgar na internet.

Responder
Pedro Ivo 03/04/2013 13:43:47

Vitor SOusa, já tem bastante coisa assim no youtube, no Portal Libertarianismo. Dê uma olhada. E também no canal multimídia do IMB. Alguns dublados, outros legendados. Ajude a divulgar.

Mas não se anime demais. Você verá, na quantidade de exibições, que não adianta disponibilizar a informação sem o desejo de fazer uso. Não me lembro de uma só postagem com 2000 visualizações. Já Lady Gaga tem centenas de milhões de visualizações

Responder
Ryan 02/04/2013 13:45:44

Leandro,

Como sempre, artigo brilhante e fascinante, parabens!

Uma duvida - o Panama opera tambem sob um sistema de currency board? Pelo que sei, o pais nao possui um banco central, e o balboa esta ancorada ao dolar, que tambem circula como moeda oficial.

Grande abraco!

Responder
Leandro 02/04/2013 14:22:25

Não, o Panamá utiliza diretamente o dólar. Não há Banco Central nem Currency Board no Panamá. O Balboa circula apenas como moeda metálica para facilitar o troco. Não há cédulas de Balboa.

Sugiro este artigo Panamá:

Não há um Banco Central no Panamá

Grande abraço e obrigado!

Responder
Helio Beltrao 02/04/2013 14:27:25

Uma data crítica da crise argentina foi quando se alterou o lastro do currency board originalmente desenhado pela lei de convertibilidade. Até então o currency board deveria ter como ativos apenas títulos emitidos pelo tesouro americano. A partir de então, permitiu-se uma proporção (não me lembro exatamente, mas acho que 20%) de títulos emitidos pelo próprio tesouro argentino (e denominados em dólares). Não estou seguro de quando foi essa alteração, mas creio que no final de 1999 ou início de 2000.

Ora, como o lastro da base monetária em austrais foi deturpado, o currency board já não mais poderia funcionar como um genuíno currency board, que exige lastro independente em um ativo de altíssima qualidade. Fazia sentido ao detentor de austrais que os transformasse em dólares, já que agora um austral não tinha mais uma identidade de valor teórica similar a um dólar. O currency board foi condenado ao fracasso por conta desta medida.

Responder
edison 02/04/2013 17:00:56

Leandro, em um site traduzido do inglês para o português, um comentarista cita uma cifra astronômica de 1 quatrilhão e 400 bilhões de dólares em derivativos circulando pelo planeta (impagável), e também a impossibilidade das bôlsas de valôres tradicionais manterem-se seguras por muito tempo. As bôlsas são atrativas por prometerem,além de segurança,lucros aos acionistas. Se real, essas cifras de derivativos também não inflam artificialmente as ações tradicionais (em virtude de migração,em um dado momento, à procura de "solidez")? Não obstante os mecanismos que tentam encontrar um preço de equilíbrio para o valor "real" de uma ação, o "excesso" de lucro é um fator inflacionário bomba-relógio,(a menos que êsse excesso seja investido em bens de raíz como imóveis,provocando bôlhas e futuros desequilibrios ou desarranjos também nesse segmento).O "excesso" roda o mundo à procura de taxas de juros atraentes,sempre acumulando mais "excessos",e sempre reaplicando-os.Existe alguma possibilidade de um ataque em massa de "inflar/realizar lucros" acionários em grandes proporções? Existe algum estudo no site a respeito do quantum de derivativos existe rodando pelo planêta? Se falei bobagem a respeito,corrija. Gostaria de saber sua opinião. Grato.

Responder
Pedro Ivo 03/04/2013 18:30:28

Edson, você poderia postar este sítio em que leu isto? Fiquei interessado.

Responder
edison 04/04/2013 17:04:42

Pedro Ivo,o comentário daquêle site englobava em "derivativos" tôdas as emissões oriundas do sistema de emissão reserva fracionária. Como não levei a sério deixei de anotar o site na época que assisti. Porém comecei a notar que os países emergentes,apesar de pedir providências contra o "capital especulativo" não dizem,ou não sabem dizer,qual é o quantum considerado especulativo. Em reportagem de hoje 04/04/2013 no Fôlha/UOL Mercado, há um artigo sôbre os paraísos offshore e um dos especialistas nessa área,cita que há entre 21 e 32 trilhões de dólares "protegidos".

Responder
Pedro Ivo 04/04/2013 18:07:33

E estes 32 tri "protegidos" são algo além de dígitos?

Responder
edison 05/04/2013 17:28:03

As investigações sôbre o tema estão sendo feitas pela ICIJ (International Consortium of Investigative Journalist). O cálculo de 32 trilhões de dólares aproximadamente foi feito por James Henry, antigo economista chefe da consultoria McKinsey (USA). Tais valôres são resultado de análise de 2,5 milhões de arquivos,com segrêdos de 120 mil companhias e fundos offshore, e de algumas das pessoas mais ricas do planeta.

Responder
Antonio 02/04/2013 23:49:21

Caro Leandro,

O artigo está mto bom, inclusive com detalhes históricos impressionantes. No entanto, não foi citado que os gastos do governo saíram do controle pq o governo federal não tinha controle sobre os gastos das províncias, os quais aumentaram descontroladamente. Houvesse uma centralização do orçamento, o aumento geral de gastos do governo poderia ter sido melhor administrado. O Brasil não tem esse problema. Os Eua tb não têm controle sobre gastos dos estados e municípios. Por outro lado, a descentralização é positiva, pois estimula a concorrência entre entes subnacionais; entrentanto, os gastos costumam sair do controle. Deveriam estados e municípios serem proibidos de emitir títulos de dívida?

Responder
Leandro 03/04/2013 01:24:13

Prezado Antonio, em 2001, a dívida do governo federal era de US$132 bilhões e a dívida das províncias era de US$23 bilhões, o que significa que a dívida das províncias representava 14,8% da dívida pública total.

www.cato.org/sites/cato.org/files/articles/schuler-hanke011231.pdf

Embora não seja um valor desprezível, não há base para dizer que a culpa de tudo foi do gasto das províncias. O principal problema que solapou em definitivo toda a confiança no regime e desencadeou o colapso foi a adulteração dos fundamentos operacionais do Currency Board.

Respondendo à sua pergunta, eu sou totalmente a favor de uma lei de responsabilidade fiscal, e acho que tal lei teria ajudado a suavizar um pouco a intensidade da fuga de capitais. Porém, devo insistir: mesmo que as províncias operassem com déficit zero, a partir do momento que se alterou os fundamentos do Currency Board, tudo estava fadado à ruína.

Grande abraço!

Responder
Ewerton Alipio 03/04/2013 02:56:03

Análise irretocável.

Responder
Estudante de economia 03/04/2013 03:28:57

Caro Leandro,

A pergunta não tem ligação com o artigo, mas ficaria muito grato se você me respondesse:

Como um banco central faz para baixar a taxa de juros real a um ponto negativo? Eu quero entender como ele faz isso em termos técnicos, usando o mecanismo de compra de títulos para emitir moeda e baixar a taxa.

Responder
Leandro 03/04/2013 10:28:34

O Banco Central não controla a taxa de juros real; ele controla apenas a taxa básica de juros da economia.

Esta taxa básica é a taxa de juros que os bancos cobram (pagam) entre si no mercado interbancário para emprestar (tomar emprestado) dinheiro que possuem em suas reservas. É a chamada taxa do mercado interbancário, repetidas vezes mencionada ao longo deste artigo. O valor desta taxa é totalmente nominal.

Uma taxa real negativa significa simplesmente que a inflação de preços é maior que a taxa de juros nominal.

Por exemplo, se a SELIC for de 7% e inflação de preços for de 8%, pode-se dizer que os juros reais são negativos no valor de 1%.

Para ser mais acurado, o cálculo exato não é de subtração mas sim de divisão. Por exemplo, com SELIC de 7% e inflação de preços de 8%, tem-se:

[(1,07/1,08)-1]*100 = - 0,926%

Eis aí os juros reais negativos. Eles não estão no controle do banco central.

Abraço!

Responder
Rhyan 03/04/2013 10:21:43

Existe algum artigo ou estudo liberal sobre a economia durante o período de ditadura militar no Brasil?

Responder
Bezerra 03/04/2013 16:51:47

Muito bom texto. Ultimamente tenho tido curiosidade sobre a história econômica do Paraguai. Um amigo americano liberal (no sentido deles: esquerda) citou o Paraguai como exemplo de pais com baixa carga tributária e subdesenvolvido. Na hora não consegui argumentar com ele, pois de fato a carga tributária do Paraguai é apenas 10% do PIB. No entanto, este ano, fui a Foz do Iguaçu e constatei que a taxa de câmbio do Guarani (moeda paraguaia) é de mais 2.000 para cada real brasileiro. Será isso uma pista? Por lá, o governo apela mais pra inflação do que os impostos propriamente dito? Qual seria a causa do Paraguai ser um pais subdesenvolvido, já que em matéria de importação e exportação e carga tributária, o país parece muito liberal? Boa tarde a todos!

Responder
Leandro 03/04/2013 17:10:00

Explicado aqui:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=271

Carga tributária, por si só, está longe de ser determinante de desenvolvimento.

Responder
Roberval 03/04/2013 22:02:54

Bezerra

Eu conheço um amigo que o pai dele foi ao Paraguai abrir uma loja.
Pois bem.
Esses tempos eu fiquei com uma ideia fixa de me mudar para la,porem como não conheço nada la e só esse cara,resolvi conversar com o meu amigo que o pai dele esta la.
Ao contrario do que muita gente pensa,o Paraguai é sim um pais altamente burocrático e dominado pelo estatismo.
Por exemplo,se aqui vc quiser importar uma boa quantidade de mercadoria,vc tem que passar pela receita,pagar um caminhão de imposto,burocracia e etc,,porem,se o que vc importou tiver dentro da legalidade estatal,vc recebe integralmente tudo o que vc importou.
No Paraguai,ao contrario do que muita gente pensa, também tem fiscalização do que você esta importando,você paga bem menos impostos que no Brasil se não me engano é 10%)porem tem um detalhe;os próprios burocratas costumam desviar mercadorias no porto,ao contrario daqui,que,se você importou certo ou errado,o estado te da uma justificativa para proibir a importação e devolver a mesma ao pais estrangeiro,la,os burocratas somem com tudo o que você importou sem justificativa nenhuma,se você importou R$10 mil em mp3,você perde tudo,sem choro nem vela,ou então,se era para chegar por exemplo 1000 mp3,os próprios burocratas paraguaios abrem o contêiner e roubam 200 mp3 e você tem que ficar quieto.
Para abrir uma empresa dentro do Paraguai,você tem que ter costas quentes la dentro,pois os próprios paraguaios através do estado dificultam toda a sua vida,te roubam de tudo que é forma e dizem as mas linguás que até te matam com o aval dos burocratas se você começar a incomodar a concorrência com preços e qualidades melhores. Outra coisa que afasta o investidor de por exemplo,abrir uma industria dentro do Paraguai,mesmo com todos os impostos melhores que o nacional é também a burocracia paraguaia. No Paraguai é muito comum os burocratas inventarem taxas e pedirem suborno para liberarem documentação para a abertura de imposto,la,ao contrario daqui que o estatismo e o roubo é totalmente as claras e ainda tem algum controle,no Paraguai o roubo é tudo na surdina,não tem regras claras ao roubo,resumindo,abrir empresa no Paraguai sem costas quentes é um negocio de altíssimo risco.
O pai desse amigo conseguiu abrir sua loja porque conheceu uns brasiguaios la dentro e ele ajudou ele no inicio,e mesmo assim,devido ao altíssimo cartel la dentro,muito fornecedor do Chile(a maior parte das coisas do Paraguai ou vem da China ou do Chile) dificultam ao máximo as compras de Brasiguaios por causa do monopólio.Diz meu amigo que o Paraguaio não gosta de brasileiro e dificulta demais a vida do mesmo,esse meu amigo ficou um tempo la dentro e quase foi expulso por falta de um documento,se não me engano é a permission que o estado cobra mais de R$2000,00 para emitir o mesmo.
Outra coisa muito comum dentro do Paraguai é o suborno de brasileiros com carros com placa brasileira,la dentro os guardas paraguaios param qualquer carro brasileiro para cobrar propina para o mesmo seguir viagem,eles não querem nem saber,o esquerdista paraguaio faz vista grossa a carro paraguaio ilegal e o Brasileiro eles multam por qualquer besteira,outra coisa comum la dentro,é o seguinte,se o brasileiro com seu carro la dentro levar uma batida na traseira,ele é considerado culpado e tem que pagar o estrago no carro paraguaio,não existe um julgamento justo,o proprio estado julga um em detrimento de outro. Eu ja escutei até historia que até matam brasileiros la dentro e não acontece nada ao assasino.
Apesar de dizerem que la não tem muita oportunide de trabalho,pois o que manda la é o comercio,a mafia e o trafico de armas e drogas,eu ainda não descartei a possibilidade de morar la,mais quero ver se consigo algo que possa valer muito a pena para correr o risco e que seja honesto......

Responder
Bezerra 05/04/2013 14:04:38

Obrigado, Roberval.
Muito esclarecedor tudo o que você disse. A corrupção parece ser um grande empecilho para o desenvolvimento. Fiquei curioso a respeito do Paraguai por ter baixa carga tributária e baixos impostos sobre importação e exportação. Uma coisa que eu tenho notado, que as regiões mais desenvolvidas tem em comum é uma ética do trabalho. Nesses lugares acredita-se que é possível melhorar de vida trabalhando. Enquanto em outros lugares, uma parte considerável das pessoas preferem o caminho mais fácil, sem muito trabalho.

Responder
alex 03/04/2013 17:37:19

A primeira coisa que o BC argentino deveria fazer agora é botar a taxa de juros acima da expectativa de inflação. Algo como 35% a.a. É o remédio necessario.

Num mundo onde os dollares voam, a Argentina teve que ser muito irresponsável para não conseguir atrair dollares.

Responder
Antonio 03/04/2013 19:19:04

Caro Leandro,

Grato por explicação. Então a dívida representava coisa de 20% do total. No entanto, seria interessante ver a evolução. Se ela evolui rapidamente pode ter influído mais (por exemplo, de 5% para 20% do total). Fiz um trabalho sobre a crise Argentina em 2004, e citavam mto á época o descontrole dos gastos das províncias como fator principal da crise.

Estiveram discutindo anteriormente sobre os fatores conducentes ao desenvolvimento. Há um mês elaborei uma tabela examinando os 20 países com mais liberdade econômica (16 deles estão entre os 30 mais desenvolvidos; outros 3 entre os mais desenvolvidos de seu subcontinentes. Apenas Bahrein ficou de fora. Segue análise e tabela.

Elaborei essa tabela comparando liberdade econômica e IDH, e os resultados mostraram alta correlação entre as duas. Somente 4 dos 20 países mais livres não estão entre os 30 mais desenvolvidos. Entretanto, três dentre esses quatro estão entre os mais desenvolvidos em sua região/continente.

Veja abaixo a alta correlação entre liberdade econômica e índice de desenvolvimento humano. Pronto, não há mais o que discutir, para desenvolver um país, basta liberdade econômica, de preferência, acompanhada de liberdade civil. Há alguns outliers (pontos fora da curva), como Chile, Maurícios, Letônia e Bahrain, mas os três primeiros estão entre os mais desenvolvidos (maior IDH) nos seus respectivos subcontinentes/continentes/região (AL/África/ex-URSS). No caso da Noruega e Islândia, que são pouco livres, mas desenvolvidos,há a questão do petróleo e pescado (pouca liberdade, mas com muitos recursos naturais per capita).
Na última coluna, coloquei o ranking em liberdade econômica e em IDH, para que possamos ver o GAP de posição entre os dois.

Esses dados acabariam com debates sobre desenvolvimento, em que citam, com frequência, educação, pesquisa e desenvolvimento etc como motores do desenvolvimento. O relevante é que haja liberdade, e tudo mais acontece. Veja que os EUA no século XIX foram o maior exemplo de sociedade livre da história e também o maior exemplo de prosperidade da história da humanidade. Não havia educação pública, mas 97% da população era constituída de alfabetos funcionais! Para mim, não há mais dúvida sobre o que é importante para um país desenvolver-se. Veja que a Suécia, apesar de ter uma carga tributária acima de 50% do PIB, é o 18º mais livre. Ou seja, o Estado é grande, mas a parte que é privada tem muita liberdade econômica. O mesmo para a Dinamarca.

Na terceira coluna está a combinão entre ranking de liberdade e de IDH.

Por fim, notem que o Brasil é o 100º mais livre e o 85º de maior IDH.


Ranking de Liberdade Ec. Ranking IDH Liberdade - IDH
1 Hong Kong 89.31 Norway 0.943 1 - 13
2 Singapore 88.02 Australia 0.929 2 - 26
3 Australia 82.63 Netherlands 0.910 3 - 2
4 New Zealand 81.44 United States 0.910 4 - 5
5 Switzerland 81.05 New Zealand 0.908 5 - 11
6 Canada 79.46 Canada 0.908 6 - 6
7 Chile 79.07 Ireland 0.908 7 - 44
8 Mauritius 76.98 Liechtenstein 0.905 8 - 78
9 Denmark 76.19 Germany 0.905 9 - 16
10 United States 76.010 Sweden 0.904 10 - 4
11 Ireland 75.711 Switzerland 0.903 11 - 7
12 Bahrain 75.512 Japan 0.901 12 - 42
13 Estonia 75.313 Hong Kong 0.898 13 - 34
14 United Kingdom 74.814 Iceland 0.898 14 - 28
15 Luxembourg 74.215 South Korea 0.897 15 - 25
16 Finland 74.016 Denmark 0.895 16 -22
17 The Netherlands 73.517 Israel 0.888 17 - 3
18 Sweden 72.918 Belgium 0.886 18 - 10
19 Germany 72.819 Austria 0.885 19 - 9
20 Taiwan 72.720 France 0.884 20 - 24
100 Brazil 0.718 100 - 85

Sources: UNDP, November 2011 and Heritage Foundation, 2013 Index of Economic Freedom

Responder
Digo 05/04/2013 23:30:26

Enquanto isso, o Brasil insiste na panaceia da educação. Eu, vocês, todos nós, vamos entregar 10% do PIB para o governo colocar no falido e corrupto sistema educacional nacional. O pior é que vivemos num paîs de papagaios, onde alguém solta uma besteira e todo mundo fica repetindo. Gente que vai ajudar a pagar a conta fica dizendo que Japão investiu em educação quando uma simples pesquisa na internet mostra n fontes dizendo que esse país está lá nos últimos lugares em investimento nessa área em relação ao PIB. E sempre foi assim.

É curioso que, no quesito educação, o percentual investido em relação ao PIB parece não ter qualquer relação com o grau de desenvolvimento econômico. E dentre os 20 maiores investidores, só uns 20% são ricos.

Fontes:

data.worldbank.org/indicator/NY.ADJ.AEDU.GN.ZS
en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_spending_on_education_(%25_of_GDP)

Responder
anônimo 07/04/2013 11:16:19

educação, leia-se, cooptar essa classe inútil e obsoleta de professores pra fazerem propaganda do governo.

Responder
Um Filósofo 07/04/2013 14:40:36

Professores são a esperança e a alma de qualquer país. Cabe a eles preparar o futuro da defesa das causas sociais imprescindíveis para a existência da civilização. Desde os primórdios, ensinaram às elites políticas sobre sua importância para a existência da sociedade e tal conhecimento lhes deu enorme poder. Hoje, em tempos de democracia, cabe ao povo ser instruído a lutar por seus próprios direitos.

Por que crê que hoje a burguesia ainda domina o mundo? Não é por seu dinheiro ou sua perversão da política, mas simplesmente porque seus integrantes tiveram professores melhores e, por consequência, uma educação de qualidade.

A razão pelo qual o estado invade uma favela e desrespeita seus moradores enquanto não faz o mesmo em um condomínio de luxo é puramente porque os habitantes do segundo estão cientes de seus direitos. Conhecendo o texto presente na constituição e que tortura é algo inconstitucional, garanto que tal população excluída não sofreria qualquer tipo de humilhação física ou emocional por parte da polícia.

Enfim, concordo que é possível aprender sem um instrutor. Porém, lembrá-lo-ei que a maioria da população brasileira é composta por indivíduos sem qualquer tipo de educação ou inteligência, analfabetos de cultura; esses não criarão seus filhos para que sejam bons na escola, e é por tal motivo que o papel do professor é demonstrar às crianças dessas gentes o quão grande o mundo e o quão justo ele pode ser.

Aprendemos como sociedade que não é vantajoso estarmos cercados por pessoas sem educação básica ou conscientes do estado de opressão que vivem. Negar o papel do professor na construção de uma educação pública de qualidade não é, data máxima venia, inteligente.

Responder
Renato Souza 07/04/2013 15:29:23

Sim, os professores preparam o futuro da nação, é verdade. Com os professores que temos, isso me dá calafrios...

Responder
Roberval 07/04/2013 19:43:52

hahahahahhahahahahahahahahahahahaah lembra-lo-ei foi demais.
Juro que se não soubesse que vc é um palhaço nem perceberia esse seu discurso.
O final então esta imbativel.
Você pregando que todos tem que ter educação para saber o quanto esta sendo orpimido e não fazer nada.
Muito boa a ironia,é assim que funciona a esquerda,quero ser bom assim como vc quando crescer.

Responder
Renato Souza 08/04/2013 00:07:38

Prezado Filósofo


Às vezes penso que você, o Anarcofóbico, e outros personagens bem humorados que comentam aqui são escritores (ou escritor, não sei) do famoso blog Vanguarda Popular. Vocês são ótimos, parabéns pela sua perspicácia.

Responder
Jose Roberto Baschiera Junior 03/04/2013 20:07:17

A Argentina, em tese, continuaria bem se tivesse mantido o sistema da que funcionou até 1995 somado a uma espécie de "lei de responsabilidade fiscal" para todos os níveis de governo?

Responder
Leandro 03/04/2013 20:37:37

Sem dúvida nenhuma. Era exatamente como tinha de ser. Currency Board ortodoxo com déficit zero. Apenas essas duas coisas já fariam muito para controlar o governo. Não seria nenhum exagero dizer que ela poderia estar hoje melhor que o Chile -- é claro que, no final, tudo dependeria da capacidade da mão-de-obra da população.

Responder
Edmilson Fernandes 05/04/2013 12:45:30

Leandro, conheçi o site esta semana e estou maravilhado com a qualidade dos artigos, todos bem escritos e esclarecedores. Gostaria de ter um esclarecimento:
Analisando a equação que relaciona estoque de divida no ano corrente, estoque de divida no ano anterior, pagamento de juros e gastos correntes e arrecadação,o que um governo pode fazer:
-Para que a divida não cresça, isto é, para que o estoque de divida deste ano seja igual ao estoque de divida do ano anterior;
-Para reduzir o estoque de dívida deste ano;
-Para eliminar o estoque de divida deste ano, isto é, para pagar toda a dívida

desde ja agradesço!
abraço!

Responder
Leandro 05/04/2013 12:52:57

Prezado Edmilson,

1) Para que a dívida não cresça, o governo teria de praticar o déficit nominal zero -- isto todos os seus gastos, inclusive pagamento de juros da dívida, não poderiam ser maiores que as receitas. O governo não poderia ter nenhum déficit orçamentário.

2) Para reduzir o estoque da dívida ele teria de incorrer em um superávit nominal -- isto é, todos os seus gastos, inclusive pagamento de juros da dívida, teriam de ser menores que as receitas. Além de ser capaz de pagar suas despesas correntes e os juros da dívida, o governo ainda teria de ter dinheiro sobrando para as amortizações da dívida.

3) Impossível.

Há um artigo que versa sobre estes temas.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1094


Grande abraço e obrigado pelos elogios. Seja bem-vindo.

Responder
David Seraos 05/04/2013 22:57:28

Excelente artigo Leandro, muito bom!

Este artigo foi parar a um blog português, para "mostrar" qual poderia ser o resultado duma saída do Euro.

E a duvida que eu tenho é porque na zona Euro existe inflação numa altura em que deveria existir deflação, é só pelos arranjos do BCE é por outras coisas? Ou nesta altura é normal a inflação e eu é que estou a pensar mal?

Sim para muitas pessoas a deflação é um bicho papão, mas com os acontecimentos actuais (Portugal), não deveria ser isso a acontecer?

Cumprimentos e continuem com o excelente trabalho :)

Responder
Leandro 05/04/2013 23:16:18

Prezado David, eu realmente não vislumbro saída do euro. É economicamente impossível. Jesús Huerta de Soto explicou isso neste artigo. Não tem como criar uma moeda do nada. A única saída seria adotando-se o ouro como moeda, mas isso nenhum político quer.

Sobre deflação na zona do euro, escrevi este artigo mostrando que Grécia, Espanha e Irlanda estão em deflação monetária. Portugal também está, e relativamente acentuada. Já a zona do euro como um todo não está. Sendo assim, não faria sentido dizer que a zona do euro deveria estar em deflação.

Por outro lado, Grécia, Espanha, Portugal e Irlanda de fato deveriam estar vivenciando deflação de preços. E é justamente pelo fato de isso não estar acontecendo -- porque sindicatos não aceitam reduções salariais, e consequentemente empreendedores não reduzem seus preços --, que o desemprego está alto.

Não tem segredo: se há deflação monetária, então preços e salários têm de cair. Se eles não caem, então o volume de gastos será reduzido (menos dinheiro na economia e preços mais altos geram redução de gastos). A consequência inevitável é o aumento do desemprego.

Enquanto este desequilíbrio persistir, não haverá solução.

Grande abraço aí do outro lado do Atlântico.

Responder
David Seraos 08/04/2013 09:48:41

Obrigado Leandro pela excelente explicação.

Eu já tinha lido esses post da deflação monetária, o que me fazia confusão era a inflação de preços. Mas já entendi que se deve à não vontade de descer custos.

E sim na minha questão era Portugal individualmente, ou Irlanda ou Grécia e não a Zona Euro no seu conjunto.

Leandro acho que no fim da sua resposta explicou o problema que muitos politicos não percebem destes "ajustamentos".

Grande Abraço

Responder
Pedro Ivo 31/10/2013 12:44:03

"Não tem como criar uma moeda do nada. A única saída seria adotando-se o ouro como moeda, mas isso nenhum político quer."

Leandro, todo estado tem o monopólio da coerção. Mesmo com este, e com a obrigatoriedade de uma moeda circular num território, não dá para sair do euro?

Responder
Leandro 31/10/2013 13:13:58

Possível, é. Mas, além de insustentável, seria suicídio político.

Você teria de criar uma moeda fiduciária e impor seu uso por meio do porrete. Como essa moeda não teria valor nenhum -- afinal, foi criada sem nenhum lastro e apenas pela mera vontade de burocratas --, nenhum investidor estrangeiro seria louco de confiar nela. Ato contínuo, seu valor no mercado internacional tenderia a zero. Consequentemente, os habitantes deste país simplesmente não conseguiriam importar absolutamente nada. Dentro país, a demanda pela moeda também cairia a zero, gerando uma hiperinflação. Todos iriam querer se desfazer da moeda o mais rápido possível, comprando até capim.

Toda a divisão do trabalho entraria em colapso e a economia voltaria ao mais puro escambo.

É impossível criar uma moeda por mero capricho político. Ela tem de ter um lastro ou um histórico (o euro, por exemplo, foi baseado no marco alemão, e o BCE foi modelado de acordo com o Bundesbank). Sem isso, nada feito.

Responder
Mohamed Attcka Todomundo 31/10/2013 16:59:42

leandro, na frança tem akela Frente Nacional, criada pelo Jean-Marie Le Pen. hoje kem toca o bonde eh a filha do cara. eles prometem tirar a frança do euro [devem achar q 5 trilhoes em dividas eh uma amarra insuportavel p/ social democracia e kerem chegar a 10 ou 15. kkk]. vc ja leu sobre esses caras? eles tem algum plano embasado em alguma coisa além de delirios nacionalistas?

Responder
Leandro 31/10/2013 17:44:05

Delírios nacionalistas e populistas. Nada mais.

Responder
Allan 07/04/2013 03:19:02

Leandro,

você poderia mandar aquele link do BC que mostra a evolução dos agregados monetários que eu já vi vc postando algumas vezes? Procurei lá e não tive sucesso.
Tem algum também sobre a dívida bruta?

Valeu!

Responder
Lucas Amaro 14/06/2013 00:38:00

Leandro, você respondeu em um comentário neste artigo dizendo que há uma prolongada deflação monetária na Irlanda. Por que exatamente isso é ruim?

Responder
Leandro Rousselet 19/07/2013 21:01:01

Uma dúvida sobre o sistema de currency board: de acordo com o texto, num currency board o banco central é passivo na condução da política monetária e apenas troca a moeda nacional por dólares a uma taxa de câmbio fixa. Bom, o que acontece se as reservas internacionais mantidas pelo currency board estão na forma de títulos de um país estrangeiro (suponha Estados Unidos) os juros dos títulos em posse do currency boad disparam (suponha de 1 para 10%) e o valor das reservas se exaura? Nesse caso para manter o valor da base monetária o mesmo do valor das reservas internacionais o currency board teria ou que enxugar a base monetária (como ele poderia fazer isso?) ou desvalorizar o câmbio e destruir a reputação da moeda. Ou existe outra alternativa?
.
Obrigado desde já.

Responder
Leandro 19/07/2013 21:43:47

Prezado Rousselet, um Currency Board ortodoxo mantém reservas em torno de 110% da base monetária, justamente para evitar este tipo de problema que você, muito argutamente, percebeu.

Vale também ressaltar que, em que países de moeda historicamente forte, uma disparada de juros desta magnitude é bem rara. Ocorreu apenas uma vez, nos EUA, em 1980. Mas o país vivia um descontrole inflacionário e o dólar era bem menos sólido que o marco alemão e o franco suíço. Daí a importância de se saber escolher a moeda certa e, principalmente, o momento certo para se criar o Currency Board.

Por fim, vale ressaltar que um arranjo ideal seria um Currency Board privado, com sede jurídica na Suíça, o que garantiria sua total blindagem do governo. Tal Currency Board auferiria lucros por meio da diferença entre as receitas auferidas com os juros dos títulos estrangeiros e as despesas incorridas na fabricação e manutenção das moedas em circulação.

Grande abraço!

Responder
Danielbg 17/08/2013 17:59:35

Leandro, algumas perguntas:

1) Quem fiscalizaria e faria auditoria do Currency Board?

2) o governo brasileiro poderia, por exemplo, acabar com o BC e instituir um CB na proporção de 1:1, em relação ao dólar? Quais seriam as consequências prováveis?

3) a instituição do CB certamente faria o país entrar em recessão hj? Afinal, o governo não teria como manter seus gastos...

4) Pelo q entendi, uma solução provável para o Brasil seria, além do CB, o sistema bancário com 100% de reservas, o governo cortando gastos e diminuindo impostos, certo? De qualquer forma, haverá recessão no começo, algo totalmente impopular...

Responder
Leandro 17/08/2013 20:08:47

1) O melhor modelo é um Currency Board privado com sede na Suíça, submetido às leis da Suíça e completamente isolado das pressões políticos do país em que o Currency Board atua.

2) Na atual situação econômica, em que o dólar está R$2,40, impor a paridade de 1:1 seria o equivalente a uma sobrevalorização artificial do real. Seria algo extremamente eficaz para acabar com a inflação de preços, pois geraria uma forte deflação monetária (todo mundo correria para trocar reais por dólares, pois o dólar estaria uma pechincha). Mas seria algo extremamente recessivo.

A maneira correta de se determinar a taxa de câmbio a ser fixada é deixar o mercado de câmbio totalmente livre por um tempo -- a literatura diz que um mês já basta. Tão logo o real começar a apresentar estabilidade em relação ao dólar, esta deve ser a taxa escolhida. Uma vez escolhida a taxa de câmbio, o CB entraria em funcionamento e começaria a operar como especificado: emitindo reais estritamente de acordo com a variação do balanço de pagamentos, à taxa estipulada.

3) Entraria em recessão se a taxa de 1:1 fosse a escolhida, o que não faria sentido. Mas não haveria por que entrar em recessão caso o CB fosse instituído seguindo-se os passos acima. O governo teria sim como manter seus gastos: ele se endividaria ou aumentaria impostos. Se ele vai conseguir fazer isso ou não, é problema dos políticos e não do regime monetário.

4) Não entendi se você está sugerindo estes dois arranjos conjuntamente. Em todo caso, não pode ser, pois um CB ortodoxo não tem nenhuma autoridade sobre os bancos; logo, ele não pode impor um coeficiente de reservas. O CB é hoje apenas uma second best solution, a mais factível nos tempos atuais -- dado que o fim das reservas fracionárias não irá ocorrer.

Responder
Danielbg 18/08/2013 00:59:16

Leandro,

1) O governo brasileiro poderia exigir o repasse de parte da senhoriagem?

2) Só pra ver se eu entendi. Então o governo deveria deixar o câmbio flutuar sem qualquer interferência até que seja atingida a cotação estável que reflita o verdadeiro poder de compra do real em relação ao dólar? Daí, o CB trocaria X reais (da cotação atingida) por 1 dólar.

3) Já que a base monetária seria dependente do balanço de pagamentos e o governo não poderia aplicar mais políticas monetárias, não haveria mais inflação, já que não é interesse dos bancos diminuir o poder de compra da moeda, certo?

4) A inflação tem relação com a cotação do real em relação ao dólar? Pergunto isso, pq se os bancos de forma irracional passassem a ampliar a oferta monetária, como o CB suportaria o custo de trocar X reais por 1 dólar, se agora o poder de compra de X reais é 0,9 dólares? Nesse caso, com o câmbio fixo, ele sempre acompanhará o poder de compra do dólar, simples assim?

Me desculpe se embaralhei todos os conceitos e agradeço desde já a paciência, dedicação e eficiência nas respostas!

Responder
Leandro 18/08/2013 16:09:14

1) Nada impede que tal acordo fosse feito.

2) Correto. Para se ter câmbio fixo é necessário, paradoxalmente, deixá-lo flutuar plenamente.

3) Toda a inflação dar-se-ia de acordo com a expansão do crédito feita pelo sistema bancário, que continuaria operando com suas reservas fracionadas. A vantagem do Currency Board está no fato de que não há mais um Banco Central para proteger os bancos, coordenar a expansão do crédito e servir de emprestador de última instância. Isso, por si só, já tornaria os bancos bem mais ariscos.

Adicionalmente, como você próprio disse, nesse arranjo não é do interesse dos bancos gerar inflação. Bancos não querem fazer empréstimos para receber de volta um dinheiro com menor poder de compra. Para evitar isso, eles começariam a aumentar os juros de seus empréstimos, o que por si só já colocaria um freio na expansão do crédito.

4) Não entendi muito bem. O que posso dizer é que se os bancos expandirem o crédito de forma acentuada, vários investidores estrangeiros começarão a converter moeda eletrônica em dólares. Só que esta conversão de moeda eletrônica em dólares não é direta. Primeiro os bancos têm de converter a moeda eletrônica que eles criaram em cédulas de real que supostamente têm de estar em suas reservas; só então eles podem levar estas cédulas de real para o Currency Board fazer a troca de reais por dólares.

Repetindo com outras palavras: para converter moeda eletrônica em dólares, o Currency Board vai exigir que os bancos lhe devolvam as equivalentes cédulas de real que o CB imprimiu e que estão com os bancos -- afinal, o CB só fornece dólares se em troca receber as cédulas que ele criou e que estão em posse dos bancos e das pessoas; essa é a única função dele.

Conclusão: quem se estrepa são os bancos, e não o CB.

Responder
mauricio barbosa 17/08/2013 21:23:05

Leandro Roque o governo norte-americano se endivida a baixa taxa de juros e prazo alongado comparativamente com o governo brasileiro que se endivida a uma alta taxa de juros e prazo encurtado,porque esta realidade nossa é assim tão dispare da realidade norte-americana. Por acaso é preconceito dos investidores internacionais e usura dos investidores nacionais ou incompetência de nossos governantes que não sabem negociar termos mais justos ou é uma mistura de tudo isto?

Responder
Leandro 17/08/2013 22:35:52

Incompetência de nossos governantes, que, além de terem um passado caloteiro, não sabem nem controlar a inflação.

Aliás, os investidores estrangeiros estão sendo até bem bonzinhos. Até a semana passada, os títulos de 10 anos emitidos pelo governo brasileiro pagavam juros de 11%. Considerando-se que a inflação está próxima de 6,5%, e que o orçamento do governo está mais maquiado que Elke Maravilha -- pois o déficit orçamentário é bem maior do que o divulgado --, eles estão pedindo juros até bem camaradas.

Responder
Rhyan 19/08/2013 01:08:00

Leandro, já pensou em tentar publicar esse artigo no Mises Hispano?

Responder
Bernardo 31/10/2013 12:20:11

Leandro,
Lendo o razoavelmente interessante livro "Por que as nações fracassam", deparei-me novamente (antes tinha sido na escola) com a seguinte explicação para os problemas argentinos:
"Com a paridade, as importações cresceram muito e as exportações diminuíram, gerando grande endividamento externo, o que gerou a crise".
Evidentemente, seu artigo explica tudo com uma profundidade mil vezes maior, abordando inclusive esse ponto citado pelos autores do livro, mas fiquei com uma dúvida: num currency board com reservas fracionárias, as empresas podem se endividar fortemente para importar, destruindo as reservas e forçando o endividamente externo, o que eleva os gastos com juros da dívida.
Teria sido isso que fez os gastos públicos e o endividamento argentino dispararem?
Um currency board com reservas fracionárias pode funcionar?
Abs.

Responder
Leandro 31/10/2013 13:04:23

Não faz sentido.

No período 1990-2001, a quantidade de dinheiro que saiu do país por meio da conta-corrente (balança comercial e de serviços) foi menor do que a quantidade de dinheiro que entrou por meio da conta de capitais. Logo, não faz sentido dizer que as empresas se endividaram acentuadamente apenas para importar.

O que elevou os juros foi, como dito no artigo, o crescente endividamento do governo argentino. Esse aumento do endividamento -- causado por seguidos e crescentes déficits orçamentários -- criou um ciclo vicioso: déficits aumentavam o endividamento, o que aumentava os juros, o que gerava um aumento dos gastos do governo (pois agora ele tinha mais despesas com o serviço da dívida), o que levava a déficits ainda maiores, que aumentava o endividamento e por aí vai.

O grande endividado era o governo e não empresas importadoras.

Sobre um Currency Board funcionar com reservas fracionárias, todos os que estão operantes no mundo funcionam em um arranjo de reservas fracionárias. O que é determinante é o "risco moral", ou seja, qual o grau de proteção que o governo garante ao sistema. Quanto mais o governo deixar claro que irá socorrer os bancos em caso de lambança, mais insustentável será o sistema.

Responder
Bernardo 13/11/2013 13:23:00

Leandro,
Mas na conta de capitais não entram empréstimos também?
Logo, entrava mais dinheiro do que saía, mas parte do dinheiro que entrava era dívida, não? Sem a dívida, podia até ter um pequeno saldo na balança de pagamentos, mas com investimentos voláteis, né?
O seguinte não podia acontecer?:
- Empresas compravam dólares para importar, diminuindo as reservas;
- Dólar entrava na forma de investimentos e empréstimos (não apenas por déficit fiscal, até porque ele tinha diminuído bastante durante operíodo, mas para ter dólares para trocar pelos pesos dos importadores);
- aumento da dívida para manter as reservas para a paridade aumentava os juros pagos e gerava mais endividamento;
- ou seja, apesar de não gastar mais do que arrecadava, havia um gasto de manutenção de reservas, com constantes empréstimos e pagamento de juros;
- na hora que os capitais começaram a fugir muito (crise daqui, crise dali...), não teve jeito e a paridade sobrevalorizada cobrou todo o seu preço.
Devo ter errado, mas não sei onde. Ajude-me por favor!
E outra coisa, será que os currency boards de hoje, caso estejam com suas moedas sobrevalorizadas de mais, não sofrerão quando esse dinheiro barato que está rolando no mundo escassear?
Abs e obrigado.

Responder
Leandro 13/11/2013 13:53:31

Com um Currency Board, não é assim que funciona. Dado que a quantidade de moeda nacional é menor ou igual às reservas internacionais, e dado que as reservas internacionais são de livre conversão com a moeda nacional, não existe esse negócio de a empresa ter de atrair dólares do exterior para poder importar. Ela simplesmente troca sua moeda nacional por dólares. Nós brasileiros temos dificuldade para entender isso porque nunca vivenciamos uma situação em que podíamos ir a um banco e trocar reais por dólares livremente, sem ter de preencher formulários, sem ter de mostrar passagem aérea, e sem ter de pagar IOF. Mas é assim que funciona num Currency Board.

Ademais, o que pode acontecer no cenário acima é a empresa não ter moeda nacional suficiente e ter de se endividar (em pesos) para trocar por dólares. Mas isso não configura endividamento externo.

Por último, mesmo que as empresas de fato recorressem ao mercado internacional para conseguir dólares (e isso certamente ocorreu na fase final da crise), a manutenção da paridade evitava maiores sobressaltos.

A questão é que, segundo o livro que você citou, "Com a paridade, as importações cresceram muito e as exportações diminuíram, gerando grande endividamento externo, o que gerou a crise." Isso é nonsense. Quem realmente aumentou o endividamento externo foi o governo, e a crise não foi gerada pela dívida externa de empresas privadas. Ao contrário: várias empresas quebraram mais tarde justamente porque a desvalorização cambial de 75% (com o peso indo de 1 para 4 dólares) acoplada a uma disparada dos juros tornou suas dívidas impagáveis.

Responder
Juliano 31/10/2013 13:28:27

Bernardo,

Terminei esse livro ontem. :)

Minha opinião:
De forma geral, o livro é bacana, principalmente pelos paralelos históricos e a quantidade de situações retratadas, mas peca ao simplificar demais algumas situações. Além da descrição superficial feita da Argentina, como você bem mencionou, também achei muito fraca a abordagem do New Deal e, pior ainda, a apologia feita aos sucessos brasileiros, que fica como mais um exemplo de nação que conseguiu "quebrar o molde" (não sei qual foi a expressão usada na edição em português). Até gostaria de ver uma retratação tal qual a The Economist fez.

Ao definir as "instituições inclusivas" (novamente, tradução livre minha), ele usa termos vagos como "pluralismo", que é muito bonito na teoria mas muito difícil de se implementar ou até mesmo conseguir uma definição mais concreta. Parece um termo que ele usa como fulga para justificar os casos de sucesso históricos, tentando encaixar o caso nas ditas "instituições inclusivas". O próprio processo de democratização do Brasil é citado como tendo o PT como resultado desse pluralismo, uma grande festa dos "movimentos sociais".

Apesar disso, o livro é interessante pela quantidade de descrições de situações históricas e por provocar discussões.

Abraços,
Juliano

Responder
Bernardo 01/11/2013 16:30:04

Juliano,
Análise perfeita. Acabei o livro ontem e concordo perfeitamente.
Ele é interessante, traz casos bacanas, mas parece pecar mesmo ao definir alguns conceitos.
Parece racionalizar, com base na teoria, os sucessos e fracassos.
Só li o capítulo sobre o Brasil ontem (é o último na versão brasileira). Se fosse o primeiro, talvez nem teria continuado a ler o livro.
Diante disso, é possível que vários casos que consideramos interessantes estejam mal contados, simplesmente trabalhados para encaixarem com a teoria dos autores.
Abs.

Responder
Bezerra 31/10/2013 13:31:44

O que mais me surpreende na diferença histórica entre o congresso americano e o argentino/brasileiro é a preocupação do primeiro pelo equilíbrio orçamentário, enquanto nos segundos essa preocupação é totalmente ausente no passado e no presente. Para mim isso explica muito porque Brasil e Argentina sempre tiveram e terão moedas a longo prazo depreciadas frente ao dolar. Corrijam-me se eu estiver errado. Conservadores fiscais, como outros tipos de conservadores, são figuras inexistentes na política brasileira.

Responder
Mohamed Attcka Todomundo 31/10/2013 18:49:46

leandro, no texto vc diz "O corralito implantado pelo governo com o intuito de conter a sangria ilustrada nos dois gráficos acima foi apenas mais um exemplo prático da teoria de que um sistema bancário de reservas fracionárias sem um emprestador de última instância é uma impossibilidade. " -

mas nos comentários, em algum lugar, lembro d vc ter dito q um Corrency Board, se ortodoxo, funciona s/ poder de fazer politica monetaria. sua politica é passiva e + nada.

eh um calcanhar de aquiles isso da politica passiva? ou eh só o fato isolado das reservas fracionarias? ker dizer: se a politica só ñ for passiva quanto as reservas fracionarias (proibi-las), e for passiva em todo +, tudo bem?

Responder
Roberto Miglioli 07/01/2014 20:01:50

Fantástico artigo. Um dos melhores, mais elucidativos, técnico e bem-escritos textos que eu já tive o prazer de ler. Parabéns ao articulista, que revelou grande conhecimento sobre o assunto, fazendo-o parecer simples e de fácil compreensão. Assinei. Não vejo a hora de ler novos artigos. Grande abraço e um feliz 2014.

Responder
Leandro 07/01/2014 21:57:10

Prezado Roberto, muito obrigado pelas extremamente gentis palavras. Já há mais de 1.700 artigos aguardando a sua leitura.

Grande abraço!

Responder
Malcolm 20/01/2014 19:16:01

Caramba! O pessoal lá vem se esforçando bravamente, hein?

Argentina passa o Brasil e ocupa posto de maior carga tributária da AL

O Brasil perdeu o incômodo título de maior carga tributária da América Latina - mas continua com números ruins, na segunda posição. Os maiores pagadores de impostos da região agora são os argentinos. A fatia de impostos na economia argentina fechou o ano em 37,3% do PIB (produção de bens e serviços). No Brasil, o indicador ficou em 36,3% do PIB.

[...]

Em 2012, a carga tributária do país vizinho cresceu 2,6 pontos. Além de sofrer com uma das maiores inflações da América Latina, a Argentina também tem registrado forte aumento dos impostos e a carga tributária mais que dobrou nos últimos anos. Em 1990, o indicador estava em 16,1% do PIB e, desde então, subiu expressivos 21,2 pontos porcentuais, segundo a OCDE.

Responder
Hugo 27/02/2014 15:56:40

Leandro como você conseguiu converter o gráfico do câmbio de colunas para linha?

Responder
Leandro 27/02/2014 15:58:40

Basta diminuir a data inicial, colocando um ano menor.

Responder
Marcos 11/04/2014 13:59:43

Vendo esse artigo, concluo que o governo perdeu a oportunidade de fazer as reformas durante o período de popularidade. Houvesse proposto o corte de gastos públicos enquanto o povo estava festejando a diminuição da pobreza e da inflação, certamente teria conseguido. Foi deixar para tentar tomar essa atitude na crise e acabou não tendo força política para prosseguir.

É uma lição importante: o fator político é fundamental. Não se pode adiar certas medidas. Não dá para esperar o momento de crise para peitar certos interesses, porque aí o governo não terá força.

Também concluo que o neoliberalismo, enquanto uma mera receita de bolo descrita no Consenso de Washington, não chega aos pés do liberalismo clássico. Para mim é mais do que claro que faltou uma escola de pensamento econômico profunda e bem embasada para guiar os rumos da economia e política. Seguindo apenas fórmulas prontas e despidas de qualquer justificação científica e moral, a Argentina nunca se tornou um país de fato liberal, e sim um país intervencionista que tinha que tomar um "remédio amargo" contra a inflação. O povo continuou sendo estatista, e na hora apropriada impediu que as medidas corretas fossem adotadas. Não era um processo de conquista de liberdade econômica, e sim um incômodo que alguém tinham dito que ajudaria a economia a melhorar.

Que fique a lição: o "front" mais importante é o cultural. Não adianta transplantar fórmulas prontas, se não fazemos com que a própria população repense seus valores.


O pensamento estatista triunfou porque embora fizesse um mal até maior do que o neoliberalismo-gambiarra, já tinha conquistado a mente da população. Instintivamente, todos consideravam que a intervenção estatal era o certo a se fazer. Enquanto essa situação perdurar, não há política econômica liberal que sobreviva as crises, pois sempre será considerada um corpo estranho.

Responder
Henrique 19/05/2014 20:56:37

Gostaria de esclarecer uma dúvida: por que uma crise no México ou na Rússia causa fuga de capitais da Argentina?

---

Outra questão: diante do decrescimento da oferta monetária na argentina decorrente da fuga de capitais, qual seria então a medida mais sensata a ser tomada pelo governo? Permitir a recessão?

---

Por último: porque a dolarização da economia (se bem entendi, adotar o dólar como moeda oficial) seria mais benéfica do que o que foi feito?

Responder
Leandro 19/05/2014 22:06:23

1) Porque em momentos de turbulência em emergentes, o capital sai desses países e vai em busca de um porto seguro, normalmente o dólar e títulos do governo americano. Na crise do México e da Rússia ocorreu exatamente isso.

2) Correto. Entre uma recessão passageira e o total desmantelamento do Currency Board, que levou a uma profunda depressão, não creio haver muito espaço para dúvidas.

3) Porque uma dolarização não geraria a crise que a Argentina vivenciou. A dolarização aprofundaria o regime de conversibilidade, e eliminaria totalmente as incertezas acerca do regime de câmbio fixo.  Houvesse uma dolarização, os ataques especulativos contra o peso seriam eliminados (afinal, não haveria peso), não haveria fuga de capital (que ocorre quando a moeda nacioanl é maciçamente convertida em dólares para ser retirada do país) e, por conseguinte, não haveria desvalorização da moeda.

Responder
Henrique 20/05/2014 12:50:43

Leandro, muito obrigado pelos esclarecimentos, alguns pontos a mais:

1) Sobre os títulos do governo americano serem um porto seguro, chega a ser risível. Todo mundo sabe da absurda dívida que os EUA possuem, mas as agências internacionais continuam a dar classificação máxima para seus títulos. Quero só ver como vai ser se um dia os EUA pedirem a moratória.

No ritmo atual, alguns especialistas de lá apontam que o colapso se daria por volta de 2050. Como eu sou leigo, não sei avaliar esse tipo de previsão.

2) Então, no mundo atual (globalizado), recessões econômicas são inevitáveis, uma vez que uma crise do outro lado do mundo traz efeitos aqui, não importa quão sensatas sejam nossas políticas econômicas?

3) E no caso, essa dolarização seria apenas temporária (enquanto durasse a recessão) ou seria muito difícil retornar à moeda local depois?

Responder
Leandro 20/05/2014 14:11:09

2) Ciclos econômicos continuarão sendo uma constante enquanto o sistema bancário mantiver sua atual configuração, com os bancos podendo criar dinheiro do nada. Esse é justamente o tema mais abordado deste site. Veja aqui um artigo especificando uma reforma bancária.

3) É difícil sair de uma dolarização. Ninguém em sã consciência -- exceto talvez os alemães -- aceitaria trocar o dólar por uma nova moeda a ser emitida pelo governo. Pelo mesmo motivo, é praticamente impossível países como Portugal, Itália, Espanha e Grécia -- que possuem um amplo histórico de inflação monetária -- saírem do euro e adotarem uma moeda própria.

Esta impossibilidade foi explicada em detalhes neste artigo.

Responder
Henrique 20/05/2014 15:22:00

Hahaha, realmente, vocês estão preparados para TUDO neste site. Maravilha!

Não sei se cabe aqui, mas uma coisa que acho que deixa a desejar no IMB é a função de busca.

Sou da área de TI, e, ao que me parece, o mecanismo de busca de vocês usa uma estratégia meio arcaica, baseada apenas no conteúdo do artigo e quiçá na categoria.

O problema disso é que se eu quiser um artigo que fale sobre 'PIB', por exemplo, encontrarei CENTENAS de artigos, pois essa é uma palavra muito comum em economia. Se eu estiver procurando por um artigo específico, como aquele que aponta porque o PIB não é uma boa medida para apontar o progresso de um país, terei que percorrer aquela lista infindável de artigos e isso muitas vezes desestimula a maioria das pessoas.

O resultado disso é que você, Leandro, e os demais membros da equipe são obrigados a responder perguntas que seriam respondidas com a mera leitura de outro artigo, o que gera um certo desperdício de tempo e energia. Afinal, apesar de vocês serem os autores/tradutores dos artigos aqui presentes e terem uma ideia do que já foi tratado, é humanamente impossível se lembrar de tudo, o que leva vocês mesmos a gastar tempo em buscas.

Creio que o instituto tenha contratado profissionais da área para o desenvolvimento do site. Fica aí uma sugestão para evolução em uma eventual mudança.

Em termos de custo benefício, creio que utilizar a busca personalizada do Google traria maiores ganhos, já que é gratuita e o esforço necessário é mínimo. O próprio Google gasta milhões para aprimorar seu mecanismo de busca. Ele é muito bom em fazer correlação de termos e trazer os melhores resultados sempre primeiro (me diga qual foi a última vez que você precisou ir até a segunda página do Google para encontrar o que procurava).

Creio que assim o vasto conhecimento aqui existente ficaria mais acessível para pessoas como eu.

Responder
Leandro 22/05/2014 02:34:50

Ótima reportagem no Jornal Nacional sobre a lamentável situação argentina. A inflação monetária está tão grande, a quantidade de dinheiro circulando aumentou tanto, que o maior investimento dos empresários do país está sendo a compra de máquinas de contar dinheiro.

Deve ser isso que os desenvolvimentistas querem dizer com "estímulo monetário".

globotv.globo.com/rede-globo/jornal-nacional/t/edicoes/v/alta-inflacao-na-argentina-obriga-comerciantes-a-investir-em-maquinas-de-contar-dinheiro/3362077/

Responder
Típico Filósofo 22/05/2014 03:02:19

A demanda agregada foi estimulada!

Responder
Hugo 04/08/2014 19:50:21

Olá Leandro!

Qual seria o cenário mais provável se essa crise fiscal do governo no fim dos anos 90 e começo dos anos 2000 tivesse ocorrido em um ambiente formalmente dolarizado? haveria chances de ter fuga de depósitos bancários da Argentina?

Responder
Leandro 04/08/2014 20:04:29

A dolarização aprofundaria o regime de conversibilidade, e eliminaria totalmente as incertezas acerca do regime de câmbio fixo. Houvesse uma dolarização, os ataques especulativos contra o peso seriam eliminados (afinal, não haveria peso), não haveria fuga de capital (que ocorre quando a moeda nacional é maciçamente convertida em dólares para ser retirada do país) e, por conseguinte, não haveria desvalorização da moeda.

Responder
Hugo 17/09/2014 16:31:44

Leandro acabei de ver uma notícia e lembrei imediatamente de você:

www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/02/1406202-crise-argentina-pode-se-agravar-com-hiperinflacao-diz-domingo-cavallo.shtml

O trecho mais lamentável de todos:

"Cavallo, que comandou a Fazenda durante dois períodos, de 1991 a 1995, e em 2001, quando renunciou ao cargo um dia antes de o presidente Fernando De La Rúa fazer o mesmo, foi o responsável por atrelar o peso ao dólar em 1992, durante o governo de Carlos Menem. Essa conversibilidade é vista por muitos analistas como um dos maiores erros da política econômica argentina e como a responsável pelos problemas atuais do país."

Como explicar essa mania doente de culpar o currency board pelas presepadas do governo? Parece que nem Freud consegue explicar...

Responder
Felipe 21/10/2014 14:13:48

Leandro,
apesar dos excelente pontos positivos mostrado pelo o Currency board, como controle da inflação

O mesmo não se mostrou ineficaz em alguns pontos.

- O governo perde o controle sobre as reservas fracionárias, permitindo um colapso do sistema bancário

- E maior vulnerabilidade da economia em relação a eventos externos, como você mesmo citou no artigo, em cada ataque especulativo a economia argentina entrava em uma breve recessão

Responder
Leandro 21/10/2014 15:20:34

O Currency Board argentino, como o artigo demonstra, não era um Currency Board ortodoxo, de modo que suas eventuais falhas não podem ser atribuídas a um modelo que nem sequer foi implantado como deveria.

De um lado, sim, um CB ortodoxo dá plena liberdade para o setor bancário expandir o crédito via reservas fracionárias. No entanto -- e isso é importante --, o fato de os bancos saberem que não há um emprestador de última instância impõe severas restrições a qualquer ímpeto expansionista.

O fato de os bancos saberem que há o risco real e imediato de haver uma repentina fuga de capitais ou uma repentina corrida bancária já serve para conter qualquer comportamento expansionista mais temerário. Tal restrição não existe em um sistema bancário protegido por um Banco Central.

Sobre os ataques especulativos, eles ocorriam justamente porque os especuladores sabiam que o CB não era do tipo ortodoxo, o que o tornava vulnerável a ataques. De novo, isso não é culpa do CB, mas sim de sua implantação falha e incompleta.


P.S.: isso tudo já foi discutido, e muito, nos comentários acima. Estou apenas me repetindo aqui.

Responder
Felipe 21/10/2014 15:41:35

Entendi, obrigado.

Responder
Andre Sales 15/12/2014 05:16:25

Olá! Pelo que entendi da detalhada matéria foi que a crise argentina, iniciada em 1998, deveu-se primordialmente à conjunturas internacionais que geraram fuga de capitais do país, dentro desse sistema de CB. Assim, o início da quebra do sistema financeiro argentino não foi culpa direta do governo, ainda que a perpetuação dessa crise tenha vindo de uma ingerência posterior. Quais teriam sido, então, as medidas necessárias para que a Argentina se recuperasse dos golpes ao seu sistema financeiro-econômico, advindos de acontecimentos externos, a partir de 99?

Responder
Leandro 15/12/2014 09:34:58

Aí então eu devo sugerir a releitura com mais atenção.

O que disparou a crise e a tornou insustentável foi o descontrole das contas do governo.

Em janeiro de 1991, a dívida pública era de US$61,4 bilhões. Ao final de 1999, a dívida já estava em US$118 bilhões, o que dava 50% do PIB (era de 29,5% em 1993). E ao final de 2001, em US$ 132 bilhões. Os juros, por causa do endividamento do governo, dispararam, assim como o risco-país.

O problema do endividamento é que, quanto maior a dívida, maior o volume gasto com juros. E quanto mais se gasta com juros, maior é o déficit fiscal. E quanto maior o déficit fiscal, maior é a emissão de títulos da dívida para cobrir o déficit, o que aumenta o endividamento e reinicia o ciclo vicioso.

Responder
Yonatan Mozzini 31/12/2014 21:01:18

Leandro e leitores do IMB...

Após despropositamente folhear meu velho livro de Macroeconomia (de Oliver Blanchard, quinta edição, pg. 412, no box "O conselho monetário da Argentina") – já que estou de férias da faculdade e como gosto de macro – encontrei algo que eu não tinha lido quando eu fiz a disciplina, mas que agora me saltou aos olhos:

"A partir de 1999, contudo, o crescimento tornou-se negativo e a Argentina entrou em uma longa e profunda recessão. A recessão foi consequência do conselho monetário? Sim e não:
– Durante a segunda metade da década de 1990, o dólar apreciou continuamente em relação às outras principais moedas do mundo. Como estava atrelado ao dólar, o peso também apreciou. No final da década de 1990, o peso estava nitidamente sobrevalorizado, levando a uma diminuição da demanda por bens da Argentina, uma queda no produto e um aumento do deficit comercial;
– O conselho monetário tornou muito mais difícil combater a recessão. Taxas de juros menores e uma depreciação do peso teriam ajudado a economia a se recuperar; mas, sob o conselho monetário, essa não era uma opção."

[…]

"Isso significa que o conselho monetário foi uma má ideia? Os economistas ainda discordam:
– Alguns argumentam que a ideia foi boa, mas não foi longe o suficiente. A Argentina deveria simplesmente ter dolarizado, isto é, adotado o dólar como moeda e eliminado completamente o peso. Ao eliminar a moeda nacional, essa solução teria eliminado o risco de uma desvalorização. A lição, eles argumentam, é a de que mesmo um conselho monetário não proporciona um atrelamento suficientemente rígido para a taxa de câmbio. Somente a dolarização o faz.
– Outros (na verdade, muitos) argumentam que o conselho monetário pode ter sido uma boa ideia no início, mas não poderia ser mantido por tanto tempo. Uma vez controlada a inflação, a Argentina deveria ter mudado de um conselho monetário para um regime de taxa de câmbio flexível. O problema é que a Argentina manteve a paridade fixa com o dólar por tempo demais, até o ponto em que o peso estava sobrevalorizado e uma crise cambial era inevitável."

Responder
Leandro 02/01/2015 02:28:54

Dizer o quê? Todos os fatos estão errados.

"No final da década de 1990, o peso estava nitidamente sobrevalorizado, levando a uma diminuição da demanda por bens da Argentina, uma queda no produto e um aumento do deficit comercial;"

Falso. Não apenas não houve queda nas exportações, como houve superávit comercial em 2000 e 2001. Blanchard está simplesmente mentindo.

"O conselho monetário tornou muito mais difícil combater a recessão. Taxas de juros menores e uma depreciação do peso teriam ajudado a economia a se recuperar; mas, sob o conselho monetário, essa não era uma opção."

Vou desconsiderar a afirmação de que taxas de juros menores combatem recessão, algo já refutado na prática. (Será que o exemplo da Europa e dos EUA não são claros o bastante?)

No entanto, digo o seguinte: no final da década de 1990 (período de tempo escolhido pelo próprio Blanchard), as taxas de juros da Argentina eram semelhantes às americanas. E muito, mas muito, menores que as brasileiras.

Enquanto no Brasil, no início de 1999, a SELIC beirava os 45%, na Argentina os juros estavam em 5% na mesma época. Afirmar que era necessário reduzir mais, e que isso seria bom para a economia, é um mero sofisma.

Quanto a desvalorizar a moeda, ora, isso ocorreu em 2002. O dólar foi de um para quatro pesos. Desvalorização de 75%. E houve uma brutal recessão, com o PIB encolhendo dois dígitos. Além da recessão, houve um acentuado aumento no custo de vida, pois o poder de compra da moeda se esfacelou. A qualidade de vida das pessoas despencou, e quase 60% da população foi para baixo da linha da pobreza.

É essa a receita do senhor Blanchard? Eu passo.

"Alguns argumentam que a ideia foi boa, mas não foi longe o suficiente. A Argentina deveria simplesmente ter dolarizado, isto é, adotado o dólar como moeda e eliminado completamente o peso. Ao eliminar a moeda nacional, essa solução teria eliminado o risco de uma desvalorização."

Concordo.

"Outros (na verdade, muitos) argumentam que o conselho monetário pode ter sido uma boa ideia no início, mas não poderia ser mantido por tanto tempo. Uma vez controlada a inflação, a Argentina deveria ter mudado de um conselho monetário para um regime de taxa de câmbio flexível."

Não existe isso. Não é possível sair de um arranjo tipo Currency Board de maneira suave e sem sobressaltos. No exato instante em que o governo anuncia vai abolir o CB e flutuar o câmbio, a taxa de câmbio dispara, a moeda afunda, e a carestia destroça a população. Quem diz que o CB era um bom arranjo, mas deveria ter sido abolido antes, não entende o assunto.

Aliás, caramba, a própria Argentina é um exemplo rematado disso. Veja o que aconteceu com o peso e com a carestia no país desde que eles adotaram o câmbio flutuante. O peso foi para o esgoto e a qualidade de vida da população -- que era invejável para os padrões da América Latina em meados da década de 1990 -- piora ano após ano.

"O problema é que a Argentina manteve a paridade fixa com o dólar por tempo demais, até o ponto em que o peso estava sobrevalorizado e uma crise cambial era inevitável."

A crise cambial, como explicado no artigo, nada teve a ver com peso sobrevalorizado. Quem afirma isso ignora todos os detalhes da crise argentina, e está apenas querendo fazer panfletagem em prol do câmbio flexível, que é um verdadeiro fetiche entre economistas convencionais.

Responder
anônimo 02/01/2015 07:52:04

Do jeito que expandiram a oferta de M1...

Acho que a análise do Lew Rockwell está correta: aquilo não era um genuino Currency Board...

Responder
Leandro 02/01/2015 12:02:46

A questão nem é tão o M1 em si, mas a maneira como ele foi elevado.

Um Currency Board genuíno não detém ativos nacionais em seus balancetes. Ele não compra nem títulos do governo nacional, nem papeis de empresa, nem ações, nem nada.
No balancete de um CB genuíno, há apenas papeis estrangeiros de alta liquidez. Não há absolutamente nenhum ativo nacional.

E não há nenhum ativo nacional porque um CB não faz política monetária. Se ele comprasse um ativo nacional, ele estaria fazendo política monetária, pois estaria expandindo a oferta monetária (para comprar um ativo nacional, ele criaria um passivo, que seria a criação de dinheiro).

O Banco Central argentino começou, a partir de 1995, a comprar títulos do governo e a intervir no mercado interbancário, criando pesos sem nenhum lastro em dólar, em uma violação fragorosa do mais básico princípio de um Currency Board. Ou seja, ele voltou a ser um Banco Central como qualquer outro. Apenas mantinha a paridade cambial enquanto ainda tinha reservas.

Mas como ele próprio aumentava a oferta monetária indiscriminadamente, sem um lastro em dólares, é claro que haveria uma hora em que haveria um ataque especulativo (especuladores sempre sabem quando há algo insustentável), uma fuga de capitais, e o consequente abandono da âncora cambial.

Responder
Hugo 02/01/2015 15:56:26

Olá Leandro!

Você sabe dizer como foram os efeitos da abolição do currency board em junho de 2001 sobre a curva de juros argentina?

Responder
Leandro 03/01/2015 01:42:32

Também já procurei gráficos sobre os títulos de longo prazo da época e não achei. Se alguém souber, favor se manifestar.

Responder
Lucas 03/01/2015 00:16:39

Leandro, qual seria o cenário esperado para a Argentina caso Ricardo López Murphy tivesse obtido apoio para se manter à frente do Ministério da Economia e aplicar o seu plano anunciado (pelo menos até 2003, ano das eleições)?

Responder
Leandro 03/01/2015 01:47:08

É difícil vaticinar, pois toda a estrutura política da Argentina estava contaminada, o que gerou uma enorme incerteza para os investidores.

Quando Lopez foi chamado, a situação política do país já estava totalmente degringolada. Mas, se ele fosse bem sucedido em suas propostas, a economia certamente passaria por uma severa contração (reajuste) no curto prazo, e uma possível recuperação no longo prazo.

O corte de gastos e a redução do endividamento eram cruciais, pois eram essas coisas que assustavam os investidores estrangeiros. Uma vez restabelecida a confiança, tudo poderia voltar ao normal. Um bom exemplo prático é a Bulgária, cujo Currency Board adotado disciplinou os políticos locais e tornou a economia bastante sólida, um feito e tanto para um país que sempre teve uma economia avacalhada.

Mas caso Lopez fosse bem sucedido e o regime de conversibilidade houvesse sido mantido, certamente a Argentina estaria hoje em uma situação muito melhor. Seria a inveja da América Latina.

Responder
Hugo 13/02/2015 01:51:59

Leandro na época do currency board os bancos fizeram alguma política de compulsório entre eles ou foi tudo discricionário?

Responder
Leandro 13/02/2015 10:18:33

O Banco Central argentino, que apenas emulava um Currency Board no que diz respeito à taxa de câmbio, mantinha total controle sobre os bancos, estipulando inclusive seus compulsórios e fazendo políticas de mercado aberto para alterar a liquidez do interbancário.

Responder
Fabrício 08/03/2015 22:38:29

Existe algum artigo sobre como a estabilidade econômica do Chile foi obtida? Como ele saiu da hiperinflação, sem trocar a moeda, nem atrelar sua moeda ao dólar?

Responder
Teixeira 08/03/2015 22:55:01

Como não? O câmbio foi fixado de 1978 a 1982.

Responder
Fabrício 08/03/2015 23:15:51

E em 1983 a inflação fechou o ano em 23,1%... Que estabilidade hein! O Chile só passou a ter taxas de inflação consistentemente menores que 10% a partir de 1994. Aliás, entre janeiro de 1983 e outubro de 1994, a inflação nunca foi menor que 10%. E entre outubro de 1994 até hoje, nunca foi maior que 10%.

Responder
Teixeira 09/03/2015 00:27:33

O câmbio fixo foi abolido em junho de 1982. Em maio de 1982, a inflação acumulada em 12 meses foi de 3,7%, uma das menores do mundo à época (bem menor, inclusive que a da Alemanha). Aí os bacana acharam que já estava tudo beleza e decidiram flutuar o câmbio. Aí só se voltou a ver inflação civilizada em meados da década de 2000.

A grande sorte dos chilenos é que seu governo permite livre comércio. Isso ajuda a mitigar bastante os efeitos nefastos da inflação.

Responder
Rafael Junqueira 11/03/2015 20:21:37

Olá Leandro, parabéns pelo ótimo trabalho no artigo!

Descobri o site há alguns meses e venho acompanhando os ótimos textos quase que diariamente.

Após ler seu artigo fiquei com uma dúvida, talvez tenha sido falta de atenção, mas não entendi o motivo do governo argentino não ter dolarizado a economia. Poderia esclarecer?

Desde já agradeço!

Responder
Leandro 11/03/2015 20:32:06

Ninguém entendeu. Seria a solução mais simples e efetiva. O Equador fez isso em 2000, El Salvador fez isso em 2001, o Panamá fez isso no início do século XX. Caso tivesse feito isso, a Argentina estaria hoje melhor que o Chile.

A única explicação possível é o maldito nacionalismo. O governo sempre acredita que perderá popularidade caso substitua a moeda nacional por uma moeda estrangeira. Em 1993, havia a intenção de dolarizarem o Brasil, o que acabaria imediatamente com a hiperinflação. O senhor Itamar Franco, nacionalista declarado, não deixou.

Obrigado pelas palavras e grande abraço!

Responder
Leo 26/04/2015 18:10:00

O artigo é espetacular, sobretudo sob os pontos históricos e econômicos. Teria uma pergunta. A impressão é que hoje no Brasil corremos o risco de uma hiperinflação em um futuro não muito distante. Na opinião do autor, hoje, qual seria o melhor indexador de referência para o valor do Real? Seria o Ouro, o Dólar? Em outras palavras, a que atrelar o valor do Real a fim de conhecer seu verdadeiro poder de compra e para também estudar as possibilidades sobre o futuro do Real. Isto porque devido a tanta intervenção tresloucada sobre a moeda brasileira, fica difícil saber quanto vale um real, de fato. Recuso-me a aceitar os índices de inflação publicados pelo governo. São facilmente manipuláveis.

Responder
Hugo 03/05/2015 21:20:47

Leandro todos os países do leste europeu que usaram o currency board após o colapso soviético usaram o marco alemão como moeda âncora,ou algum usou o dólar?

Responder
Leandro 03/05/2015 23:29:26

Marco alemão.

Responder
Andre Cavalcante 04/05/2015 00:04:49

Leandro,

Só um exercício: para o Brasil, seria um Currency Board atrelado ao dólar a escolha mais óbvia?

Ainda no exercício: E se um estado brasileiro quisesse sair da federação (secessão), qual seria a melhor escolha, atrelar ao Real ou atrelar ao Dólar? Ou, de repente reverter tudo e atrelar o Currency Board a uma sesta de moedas/ou commodities, ou ainda, ao ouro?

Abraços

Responder
Leandro 04/05/2015 11:32:44

São boas perguntas.

Para o Brasil, creio que teria de ser atrelado ao dólar, pois o dólar ainda é a moeda internacional de troca, é nela que são cotadas todas as commodities, e não há nenhuma indicação de que a moeda esteja prestes a ser substituída no cenário internacional.

Quanto a um estado brasileiro secessionista, se for para atrelar ao real, não vejo por que deveria haver Currency Board. Tal estado poderia perfeita e simplesmente continuar utilizando o real. No entanto, se o objetivo é gerar confiança nos investidores estrangeiros e atrair um grande fluxo de capital externo, então um CB ancorado a uma moeda forte faria o serviço. Se fosse ancorado ao ouro, melhor ainda -- embora isso não fosse estritamente necessário. Uma simples ancoragem ao dólar, ao franco suíço ou à libra esterlina já seria um profundo avanço.

Responder
Kunkka 03/07/2015 23:28:58

Existe diferença entre atrelar a moeda ao dolar e fazer cambio fixo?

Responder
Leandro 04/07/2015 00:25:52

Sim.

Atrelar a moeda significa fazer o que o Banco Central do Brasil fez na primeira fase do real: permitir que a moeda flutue dentro de bandas estreitas. Desde a implantação do real, o câmbio nunca foi fixo; ele flutuava dentro de bandas pré-estabelecidas, as quais aumentavam ao longo do tempo.

Veja o gráfico:

www.tradingeconomics.com/embed/?s=usdbrl&d1=19950101&d2=19981231&h=300&w=600&ref=/brazil/currency

Já câmbio fixo é, como o próprio nome diz, um câmbio de valor imutável. Tal arranjo só é possível sob um Currency Board.

Responder
Kunkka 04/07/2015 02:17:56

Obrigado

Responder
Hugo 27/08/2015 02:17:53

Leandro analisando todo o histórico econômico de Brasil e Argentina,qual deles teve a economia mais atormentada pelas insanidades do governo?

Responder
Leandro 27/08/2015 02:28:15

Páreo duríssimo.

Mas creio que a Argentina ganha. Eles já foram o décimo país mais rico do mundo em termos per capita. Hoje são apenas motivo de chacota.

Nós também somos motivo de chacota, mas "pelo menos", e ao contrário dos argentinos, nunca fomos muito ricos em termos per capita.

Ou seja, a queda da Argentina foi muito maior.

Responder
Andre fernandes 08/11/2015 22:12:55

Leandro, excelente artigo!

Uma duvida: qual seria o passo a passo que o brasil teria que seguir para implementar o CB hoje? E quais os riscos envolvidos?

Alem disso, algum pais do porte do brasil ja adotou CB com sucesso? O tamanho do país pode influenciar no sucesso do projeto? E o tamanho da economia a ser usada de ancora?

Abraços
Andre

Responder
Leandro 08/11/2015 22:32:09

Tudo isso, em detalhes, aqui:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196

Obrigado pelas palavras e grande abraço!

Responder
Anônimo 09/11/2015 01:29:00

Concordo com o CB !

Seria melhor do que queimar 1 bilhão de dólares por dia no mercado de câmbio usando reservas internacionais.

O dólar iria cair, mas a credibilidade dos pagamentos do governo iriam cair junto.

Nesse momento, não vejo outra alternativa a não ser injetar um bilhão de dólares por dia no mercado de câmbio. As reservas internacionais podem durar dois anos, e teríamos tempo para analisar o CB.

Com o dólar caindo, seria possível reduzir juros para reativar a economia e teríamos menos superávit.

Isso tudo é muito difícil. Esse governo só anuncia porcarias. Nem Joaquim Levy ressucita esse difunto econômico.

Responder
Anônimo 09/11/2015 01:49:53

O governo está sem saída. Se não reduzirem o dólar, a Petrobrás vai quebrar ou será reduzida a pó.

A dívida da Petrobrás é de 100 bilhões de dólares. Eles não vão conseguir pagar isso e o governo não vai conseguir pagar tantos juros com o dólar desse jeito.

O Brasil não é a China. Nós não trabalhamos de domingo à domingo, comendo arroz com cachorro, escorpião, cobra e salada com insetos.

Responder
Anônimo 20/11/2015 21:55:02

Abaixo está um dos artigos mais estúpidos já escrito sobre a economia argentina:

br.reuters.com/article/worldNews/idBRKCN0T92MT20151120

Responder
Enrico 21/11/2015 02:13:45

Estão desesperados com a provável e quase irreversível queda do plano de poder deles na Argentina. O Macri nem é tão liberal assim, mas é um bom avanço.

Responder
Thiago Teixeira 24/11/2015 15:43:19

Que artigo ridículo!

Pra marcar as partes ruins, teriamos que destacar o artigo inteiro, mas dá para frisar o pior parágrafo:

"A Argentina encampou na década de 1990 um modelo neoliberal caracterizado pela paridade do peso com o dólar e privatizações, que culminou com uma crise econômica traumática que deu lugar a uma vertiginosa sucessão de cinco presidentes em 10 dias, a desvalorização do peso e um calote multimilionário de sua dívida."

Ah, Leandro,

Excelente!

Responder
Fabio Barreiros 23/11/2015 15:06:44

Desde o fascismo de Perón, socialistas moderados governam a Argentina. Vez ou outra, a lógica é quebrada por socialistas radicais, a exemplo do casalsinho amigo de Pablo Escobar. Eventualmente, a coisa desanda e alguém sério é eleito. Esse, passa a gerenciar a crise deixada pela esquerda ao invés de virar a mesa desde o primeiro dia. Resultado: viram a mesa dele.

Responder
Paulo Roberto 23/11/2015 15:07:31

Muito boa a explicação, mostra claramente como um governo pode acabar com todo o trabalho de uma vida de uma pessoa. Espero realmente que não só a Argentina mude esse pensamento como também toda a AL.

Responder
Anônimo 23/11/2015 15:14:32

Leia os comentários do vídeo do Saqueo. Todos culpando o "neoliberalismo" de Fernando de la Rua, sendo que ele fez parte justamente do rompimento fiscal do governo. Eu sinto pelo povo argentino mas minha raiva me manda dizer que há gente que não merece ser salva. Os estatistas fazem o que querem por lá, o país se arruína e eles aparecem do nada quando um vento de esperança bate, dizendo que tudo que fizeram foi um sonho ruim ou culpa da oposição.

A Argentina é um buraco negro de inteligência humana. Todo comentário crítico tem nível de propaganda eleitoral. Não serve nem como exemplo porque animal político não aprende. Lá, só não se despedaça a estupidez. Todo o senso comum morre antes de entrar na cabeça do povo.

Há um artigo aqui no IMB que fala que a história mais importante é escrita no coração das pessoas. Será que o coração dos intelectuais apodrece?

Responder
Partidário da Causa Operária 24/11/2015 03:28:57

Que vídeo do Saqueo?

Responder
Anônimo 24/11/2015 11:40:20

No artigo. O Argentinazo:

Responder
Rodrigo Pereira Herrmann 23/11/2015 16:28:40

Interessantíssimo seria uma análise da situação econômica da Rússia feita pelo Leandro Roque. Isso é muito pertinente pra se entender os acontecimento atuais e futuros no mundo, sobretudo os conflitos no oriente médio.

Responder
Matheus 23/11/2015 16:37:03

Percebi um fenômeno interessante ao analisar um dos links do artigo.

O indicador "Money market rate, pesos" sempre foi diferente do "Money market rate, dollars". E o indicador "Lending rate, pesos" sempre foi diferente do "Lending rate, dollars".

Portanto, os juros do interbancário e do mercado de crédito eram sensivelmente diferentes para as duas moedas, mesmo sendo ambas invariavelmente iguais. Seria este um erro de mercado?

Outro detalhe importante que percebi, foi que os argentinos, na época do Currency Board, podiam pedir empréstimos em bancos americanos para enviarem os dólares para a Argentina. Mas, obviamente, só fariam isso se os juros cobrados pelos bancos americanos fossem menores que os cobrados pelos bancos argentinos.

Responder
Leandro 23/11/2015 17:08:58

"os juros do interbancário e do mercado de crédito eram sensivelmente diferentes para as duas moedas, mesmo sendo ambas invariavelmente iguais. Seria este um erro de mercado?"

Muito pelo contrário, e foi explicado neste artigo.

Quando não se tem um Currency Board genuíno, mas sim um simulacro de Currency Board operado pelo Banco Central, os investidores e especuladores estrangeiros sabem que a moeda nacional pode ser desvalorizada a qualquer momento.

Consequentemente, os juros exigidos sobre as transações que envolvem a moeda nacional (que está sempre na iminência de ser subitamente desvalorizada) são maiores.

Quanto maior a discrepância dos juros, maior a descrença na manutenção da âncora cambial.

Responder
Alberto 23/11/2015 17:23:26

Leandro,

O ponto de inflexão da queda Argentina foi em 1995, com o governo intervindo no CB e somando-se à crise Mexicana?
Não entendi esse ponto 100%, o que a Argentina deveria ter feito (ou não feito) para ter sobrevivido?

Parabéns pelo artigo, sua escrita é muito viciante e boa de se ler. Já pensou em escrever um livro? Ou vários?

Abraço galera!

Responder
Leandro 24/11/2015 00:03:56

A inflexão começou justamente naquela que sempre foi a macula dos países latino-americanos: o desajuste do orçamento do governo (como explicado no artigo).

Outros países que adotaram uma versão mais ortodoxa de Currency Board, como Estônia e Bulgária, reduziram substantivamente suas dívidas. A Bulgária, por exemplo, reduziu sua dívida de 80% do PIB para apenas 30% do PIB. Já a Estônia foi ainda mais longe, fazendo com que sua dívida chegasse a meros 4% do PIB.

Um descontrole orçamentário, como o do governo argentino, ainda seria gerenciável se houvesse um Currency Board ortodoxo, que não gerasse desconfiança de uma desvalorização iminente. No entanto, como o Currency Board argentino era apenas um pseudo-CB -- pois nada mais era do que o próprio Banco Central imitando alguns mecanismos do CB --, não havia a confiança de que a paridade cambial seria imutável.

Quando não se tem um Currency Board genuíno, mas sim um simulacro de Currency Board operado pelo Banco Central, os investidores e especuladores estrangeiros sabem que a moeda nacional pode ser desvalorizada a qualquer momento.

Adicione a isso todas as heterodoxias inventadas pelo Banco Central argentino -- como a compra de títulos do governo (algo que um Currency Board não faz) e as contínuas injeções no mercado interbancário --, e está criado um arranjo propício para uma eventual desvalorização.

Consequentemente, os investidores exigiam juros cada vez maiores apenas para se proteger dessa iminente desvalorização.

Esse aumento dos juros, em simultâneo a déficits orçamentários crescentes -- os quais aumentavam a dívida bruta, e consequentemente os gastos do governo apenas com os juros dessa dívida -- levaram todo o arranjo para o vinagre.

Muito obrigado pelas palavras e grande abraço!

Responder
Fernando 23/11/2015 20:43:24

As fotos já dizem o que significa inflação.

Inflação resulta em caos social. Inflação gera greves e paralizações. Inflação gera processos judiciais entre empresas e sindicatos. Inflação gera mais inflação com os acordos coletivos. Inflação prejudica investimentos de longo prazo, porque os juros não dificultam acesso ao crédito. Inflação destrói a caderneta de poupança.

No dia primeiro de janeiro nós damos o primeiro salto inflacionário com reajuste do salário mínimo.

Está mais do que na hora de fazer o currency board ou inundar o mercado com dólares das reservas internacionais. Queimar as reservas seria ruim, mas é melhor do que inflação e juros altos.

A esquerda gosta mesmo é de caos social, gosta de sindicato enchendo o saco na porta de fábrica, gosta de greve de transporte que não permite que as pessoas trabalhem, gosta de black block na rua contra aumento de tarifa de ônibus, etc.

Enfim, a única forma de expandir o crédito sem gerar inflação é com dolarização. O povo tem direito de escolher de quem quer comprar e para quem quer vender.

Responder
Mad Max 23/11/2015 21:12:14

Aí moçada boa, vamo trolar la no participa.br

#PeloLivreMercadoDasTeles

www.participa.br/revisaodomodelo/outros-temas

Responder
Tannhauser 23/11/2015 23:28:40

Esse Macri parece que fará um bom governo. Começou propondo a saída da Venezuela do Mercosul, que nada mais é um blefe para que o Mercosul expulse a argentina. E o Paraguai está aí para provar que ser expulso do Mercosul é a melhor medida econômica que qualquer país pode adotar. O cara é o Kasparov da política.

Responder
vitor 24/11/2015 01:48:04

``No segundo semestre de 1997, ocorreu a crise asiática, um tsunami que gerou fuga de capitais ao redor do mundo e súbitas desvalorizações no baht tailandês, no novo dólar taiwanês, na rúpia indonésia, no ringgit malaio, no won sul-coreano, no peso filipino e no dólar cingapuriano. O dólar de Hong Kong, que opera sob um Currency Board, conseguiu manter sua taxa de câmbio intacta. A Argentina, nesta crise específica, sofreu pouco.``

Leandro, nesse outro artigo vc www.mises.org.br/Article.aspx?id=2059 nao diz q o dolar de singapura tbm operava no currency board baseado principalmente no dolar? como pode esse sedesvalorizar entao na crise de 1997?

Responder
Leandro 24/11/2015 04:03:32

Isso não foi dito no artigo que você linkou. Cingapura teve um Currency Board até 1973. A partir daí, o país adotou um regime de câmbio atrelado a uma cesta de moedas.

O arranjo de Cingapura começou como Currency Board, mas hoje não é mais. O Banco Central de Cingapura, além de não estipular juros nenhum, apenas controla a taxa de câmbio do dólar cingapuriano em relação a uma cesta formada pelas moedas dos principais parceiros comerciais do país. A composição dessa cesta de moedas não é divulgada e ninguém sabe qual o peso que cada moeda tem nesta cesta.

Ou seja, em vez de se preocupar com o valor dos juros, o BC de Cingapura se preocupa com a taxa de câmbio. É assim desde a década de 1970.

Esse regime de câmbio atrelado (a uma cesta de moedas) de Cingapura é provavelmente único no mundo, e o governo pode se dar a esse luxo porque a economia é altamente produtiva, há fartas reservas internacionais (decorrente, aliás, da alta produtividade da economia) e moeda é historicamente confiável (o que desestimula ataques especulativos típicos desse arranjo cambial).

Responder
Fernando 24/11/2015 10:47:27

Esse câmbio de Cingapura faz muito sentido. Ficar dependente apenas do dólar não é bom. Essa coisa de moeda desvalorizada parece coisa de gente que quer receber seus lucros pela metade. Na prática é isso. Moeda desvaloriza pda é a mesma coisa que receber epla metade. Ao invés de ter recessão por alta de juros contra a inflação, o país é forçado a competir com as importações e não sofre com escassez. Não adianta aumentar juros e manter a moeda desvalorizada. O câmbio sempre foi a melhor medida contra a inflação e alta nos juros.

Podemos imaginar o nordeste tendo uma moeda própria e desvalorizada em relação ao sudeste. Eles não teriam como comprar os produtos do sudeste e teriam que fabricar seus produtos. Mesmo vendendo mais para o sudeste, eles seriam extremamente prejudicados nas importações.

O ajuste fiscal é muito importante, mas sem a moeda valorizada o problema não será resolvido. Também temos sérios problemas de intervenção no mercado. Isso poderia ser resolvido colocando alternativas para quem quiser outros regimes, sem tirar os direitos de quem quer ser administrado pelo governo.

O Brasil é um país socialista. O máximo que nós podemos avançar, é ser um país desburocratizado, mas com bons benefícios sociais. Não podemos esquecer que a esquerda usa a força para defender as coisas e nós não queremos fazer as coisas, metendo a porrada em manifestantes.

Responder
Damiao 24/11/2015 11:35:24

Em resumo: seja com currency board ou não, sempre haverá problemas econômicos. Não tinha pra onde correr.

Responder
Cambalacho Brasileiro 24/11/2015 13:17:14

No caso do Brasil, eu não sei como alguém pode acreditar em ajuste fiscal com alta de juros e desvalorização do real.

A dívida pública já está em 2,65 trilhões. A Petrobrás deve 100 bilhões de dólares. A inflação já está nos 10%. Ou seja, eles estão fazendo tudo ao contrário.

A melhor saída emergencial seria vender as reservas internacionais e reduzir o máximo possível a dívida pública. A venda das reservas poderia reduzir 1 trilhão da dívida do tesouro. Isso é uma coisa óbvia. Ninguém faz poupança tendo 2,64 trilhões de em dívidas. Qualquer diretor de finanças seria demitido imediatamente se fizesse poupança e ao mesmo tempo pagasse alto nos juros de outras dívidas.

Essa injeção de dólares no Brasil iria reduzir a inflação e também reduzir os juros. Quando o dólar estiver barato novamente, eles podem refazer as reservas.

O governo pagou uma merreca nesses dólares das reservas. Eles compraram as reservas pagando menos de 2 reais por dólar e teriam um lucro enorme com a venda. Até um estagiário de economia já teria lucrado com a venda das reservas.

Os economistas do governo devem estar bebendo cachaça ou são bandidos.

Eu não estou defendendo nada muito diferente do que foi a estabilização da moeda.

Esse país está um cambalacho danado. Até na educação roubaram mais de 4 bilhões em licitações eletrônicas fraudulentas do ministério da educação.

Responder
Emerson Luis 24/11/2015 23:10:03


E pensar que foi na Argentina que Mises fez aquelas palestras...

* * *

Responder
anônimo 26/11/2015 13:17:29

leandro,

outro dia li um artigo falando sobre a crise grega, o artigo defendia a saida da grecia da zona do outro, adotando uma nova moeda mais desvalorizada, aumentando assim suas exportacoes e arrecadando dinheiro para pagar as contas.

O artigo chega a comentar tbm sobre o caso da Islândia, que segundo o artigo, apos os problemas de 2008 tirou vantagem da desvalorizacao da krona islandesa. Alem da islandia o artigo fala sobre o canada ter melhorado suas contas apos a desvalorizacao de sua moeda nos anos 90.

O que vc acha disso?

Responder
Leandro 26/11/2015 13:44:18

Quanto ao Canadá, não apenas sua moeda não foi desvalorizada na década de 1990, como, ao contrário, ela se valorizou. Pode conferir no gráfico abaixo.

postimg.org/image/gndmyw7zj/

Ao final da década de 1980, 1 grama de ouro custava 20 dólares canadenses. Ao final da década de 1990, o mesmo grama de ouro custava 12 dólares canadenses. Ou seja, a moeda canadense se valorizou nesse período.

A partir de 2005, aí sim a coisa degringolou.

No que mais, sempre utilize a razão. Qual é a lógica de dizer que a destruição da moeda melhora as contas do governo? Uma moeda destruída gera inflação de preços. E inflação de preços, no mínimo, gera incertezas e retração dos investimentos. Em vários casos, como no Brasil atual, gera também retração do consumo. Sendo assim, por favor me diga, como é que as contas do governo podem melhorar neste cenário?

Responder
Ronaldo 14/12/2015 20:08:44

www.noticiasagricolas.com.br/noticias/soja/166109-argentina-macri-reduz-retenciones-para-30-e-zera-para-demais-exportacoes-do-agro.html#.Vm8fokorIdU

Alguns me questionaram se isto levaria a um desabastecimento do mercado interno já que os produtores iriam preferir exportar, eu sinceramente não sei contra-argumentar, se alguém puder me orientar, agradeço.

Responder
Leandro 14/12/2015 21:18:30

Sim, irá. Por quê? Por causa do câmbio desvalorizado. Não estivesse o câmbio desvalorizado, isso não iria acontecer.

E por que o câmbio está desvalorizado? Por causa das políticas insanas do governo argentino, o real culpado por essa situação.

Esses desarranjos gerados por um câmbio desvalorizado foram abordados em detalhes neste artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2175

Responder
Ronaldo 15/12/2015 01:12:11

Leandro, obrigado pela resposta. Então basicamente eles vão ter que passar por isso mesmo...espero que o novo governo seja prudente e reverta isto.

Responder
Viking 22/12/2015 14:15:24

Senhores, peço-lhes ajuda:
ontem postei uma foto do Macri no meu facebook, com uma das obras de Mises. Um esquerdopata palhação veio comentar: "Mises é comédia!kkkkk". Posso simplesmente mandar tomar naquele orifício anal, ou vocês me indicam alguma outra resposta para dar com mais classe e deixar o bobão falando sozinho?

Responder
Anonimo. 22/12/2015 18:33:34

Nessas horas se lembre que vc não estará falando somente pra ele mas pra um monte de desavisados que podem vir a ler a conversa e que não sabem quem é Mises

Responder
Viking 22/12/2015 18:49:30

por isso pedi ajuda!
quero dar uma resposta-aula que seja entendida por leigos

Responder
Guido Mantega 22/12/2015 19:32:50

Amigo, não tem como responder a alguém que nem sequer apresentou uma crítica com fundamentos para dizer que ''Mises é comédia''.

Muito fácil pagar de inteligente dizendo que qualquer um é uma comédia. ''Newton é comédia'', ''Galileu é comédia'', ''Copérnico é comédia''. Viu só? Agora adiciona uma risadinha ''kkk'', ''haha'', ''rsrsrsrs'', ''auhsuaush'' e voilà: um comentário que vilipendia o autor sem apresentar argumentos para refuta-lo.

Quero ver depois refutar a Lei da Gravitação Universal, a teoria heliocentrista ou até mesmo o a impossibilidade do cálculo econômico sob o socialismo(sugiro indagar o sujeito se ele já conhece essa obra). Se tu queres realmente perder tempo com gente assim, é só perguntar o porque ele é ''comédia''. Provavelmente ele não vai responder ou vai dar uma resposta mais imbecil ainda.

Ultimamente tenho evitado participar de discussões para não me estressar(geralmente termina em xingamentos). Aqui é um dos poucos ambientes que eu tenho prazer de ler a parte dos comentários.

Responder
Anonimo. 22/12/2015 19:37:56

Sugestão:
Tão comédia que a refutação dele pro comunismo foi feita nos anos trinta, e continua de pe´até hoje, até hoje comunista nenhum veio com a solução pro problema do cálculo econômico no socialismo, só vem com rizadinha,kkk, ad hominem e lógica que é bom, nada
Fora isso a escola Austríaca de economia, da qual ele faz parte, foi a única capaz de explicar a crise de trinta, a crise de 2008, a do subprime e de explicar também lá em idos de 2011, quando estava tudo uma marravilha, como a economia brasileira iria degringolar.

E pra terminar esfregue nas ventas dele o velho 'Peter Schiff was right'
https://www.youtube.com/watch?v=Z0YTY5TWtmU

Responder
Viking 22/12/2015 22:41:51

muito obrigado a todos pela ajuda!

Responder
Vitor 06/01/2016 17:57:00

O Currency board não iria provocar um súbito aumento de importações,aumento da inflação devido ao aumento massivo do consumo, levando à recessão ? Não seria a mesma coisa que sobrevalorizar artificialmente uma moeda ? Imagina o BC fixando o Real/Dólar em 1:1 . O efeito não é o mesmo que no Currency Board ?
Não consigo entender a diferença , em termos de efeito.São mecanismos diferentes , eu sei disso , mas levaria a efeitos parecidos.Ou não ?

Eu não sei se foi aqui ou em alguma outra fonte, mas eu já li que não é qualquer País que consegue vincular a moeda nacional ao Dólar ou ao Euro sem entrar em colapso, pois o Dólar/Euro são moedas fortes e que seria loucura total vincular uma moeda fraca ( Real, Peso) com uma moeda forte.Inclusive eu tenho quase certeza ter lido um artigo (aqui mesmo) dizendo que âncora cambial é a pior cagada que um País pode fazer.
Porém, agora vocês afirmam que essa vinculação é positiva e trouxe benefícios reais.

Estou fazendo alguma confusão ?

Att

Responder
Leandro 06/01/2016 18:12:06

"O Currency board não iria provocar um súbito aumento de importações,aumento da inflação devido ao aumento massivo do consumo, levando à recessão"

Três contradições em uma só frase.

1) Se há aumento das importações, há maior concorrência para os produtos nacionais. Consequentemente, a inflação de preços cai e não aumenta.

2) Se há um aumento maciço do consumo, então não há recessão.

3) Se um aumento maciço do consumo gera inflação, esta é arrefecida pelo aumento das importações. Com a inflação sob controle, o consumo tende a aumentar, e não a cair. E consequentemente, a economia tende a crescer, e não a entrar em recessão.

Quanto às suas outras dúvidas, todas elas foram abrangentemente respondidas neste artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196

Responder
Vitor 14/02/2016 22:39:18

Ah , entendi agora.
Isso poderia ser feito agora no Brasil ou precisaria algum tipo de preparação ?
Nenhum partido politico pretende adotar o CB ou há esperança de algum politico propor essa medida ?

Att

Responder
Wesley 13/02/2016 01:47:08

Os detratores do CB geralmente citam a Argentina para mostrar que o sistema é ruim. Além do mais, acham que o sistema é atrasado. Nesse artigo esquerdista, o autor diz que o consenso de Washington sugeriu a países atrasados a usar um CB. Isso é verdade? Se for, eles ao menos ofereceram uma ótima sugestão. Além do mais, esse artigo mostra o ambiente desumano que é o meio universitário acadêmico do Brasil. Aí só prevalece a ideologia. O artigo citado fala inúmeras bobagens, uma delas é que o corte de gastos do governo que o CB submeteria geraria desemprego. Outra prevalente na américa latina é de que prejudicaria as exportações e geraria desemprego. Entre os que o rejeitam, como o Gustavo Franco utiliza o argumento nacionalista imbecil, de que seria abrir mão da soberania monetária.
Mas não seria mais fácil simplesmente adotar o uso do dólar e outras moedas estrangeiras ao invés de usar um CB? Além de não ter que acabar com o banco central e ter que mudar várias políticas monetárias, seria mais simples do que adotar um CB. Visto que o CB exige austeridade fiscal, algo que os latino americanos têm horror (o caso argentino ilustra isso bem), ele seria impraticável no Brasil, país de pessoas que têm a mentalidade sobre a economia mais atrasada do mundo.
Por que os políticos têm horror a liberação de moedas estrangeiras? Caso isso ocorresse, haveria um abandono do real, inviabilizando o governo se se financiar via inflação e dívida pública? Por que os investidores poderiam abrir mão dos títulos do Brasil. Ou é por simples motivos ufanistas? Já que os latinos americanos cultivam tudo o que tem de pior e atrasado ao nacionalismo.
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142002000100006

Responder
Hugo 17/08/2016 04:10:55

Leandro, existiria algum link que mostre a evolução do balancete do BACEN argentino na época do câmbio fixo para ver como evoluíram os montantes de reservas cambiais e base monetária?

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