Propostas para uma reforma bancária completa e estabilizadora

A crise financeira mundial vem explicitando a instabilidade do nosso atual sistema bancário, que opera sob reservas fracionárias.  Após o estouro da bolha imobiliária americana, vários bancos faliram nos EUA, o que levou o governo americano a utilizar dinheiro público para trazer alguma estabilidade ao setor.  Na Europa, a situação segue caótica.  Sempre que a situação parece estar se tranquilizando, surgem novas notícias de que algum grande banco de algum país está insolvente e necessitando de novos pacotes de socorro.  Caso tal pacote de socorro não seja concedido, o temor é o de que todo o sistema bancário do país pode se tornar insolvente — o que, por conseguinte, pode contaminar os bancos de todo o continente.

As causas das crises bancárias são as mesmas: os bancos detêm o privilégio de criar dinheiro do nada para conceder crédito para empresas e para pessoas físicas.  Durante o processo de expansão artificial do crédito — orquestrado pelo Banco Central em conjunto com o sistema bancário de reservas fracionárias —, uma bolha especulativa é desencadeada, dando início a uma fase de crescimento econômico que, nas palavras do próprio Alan Greenspan, pode ser caracterizada por uma "exuberância irracional". 

Esta fase da expansão creditícia provoca uma série de desequilíbrios e descoordenações na economia real, fazendo com que vários projetos e empreendimentos de longo prazo, que antes da expansão do crédito se mostravam desvantajosos, se tornem agora, por causa da queda dos juros, aparentemente (muito) lucrativos.  A expansão do crédito gera um aumento da quantidade de dinheiro na economia.  Como consequência, a renda nominal das pessoas aumenta, o que gera nos empreendedores a crença de que haverá demanda futura para seus investimentos de longo prazo.

No entanto, por causa desta inflação monetária, os preços dos bens e serviços na economia começam a subir, o que leva o Banco Central a subir os juros e os bancos a cobrarem mais caro por seus empréstimos.  No final deste ciclo, quando a expansão creditícia — que não pode se perpetuar para sempre — for desacelerada, a realidade virá à tona, o mercado inevitavelmente apontará os erros cometidos durante esta época de exuberância, e todos os empreendimentos que foram iniciados porque pareciam lucrativos revelar-se-ão excessivamente ambiciosos e acabarão sendo um grande desperdício. 

A redução da expansão do crédito faz com que a renda nominal dos consumidores, que até então era crescente, se estagne.  Como os preços ainda seguem crescendo, e como os consumidores estão mais endividados, sua capacidade de consumo estará afetada.  A demanda esperada para os investimentos não se concretiza. 

Vários bens de capital produzidos durante o período da euforia, bem como vários empreendimentos imobiliários, se tornam ociosos, revelando que sua produção foi um erro e um esbanjamento desnecessário (o que os fez ser distribuídos incorretamente no tempo e no espaço) porque os empreendedores se deixaram enganar pela abundância do crédito, pela facilidade de seus termos e pelos juros baixos estipulados pelas autoridades monetárias.

O resultado de tudo isso é que o padrão de vida dos consumidores não aumentou em nada.  Pelo contrário: os consumidores estão agora relativamente mais pobres em decorrência de todos estes investimentos errôneos e insustentáveis que foram empreendidos em decorrência da expansão artificial do crédito, investimentos estes que imobilizaram capital e recursos escassos para seus projetos, recursos estes que agora não mais estão disponíveis para serem utilizados em outros setores da economia.  No geral, a economia está agora com menos capital e menos recursos escassos disponíveis. 

Todos estes empreendimentos que foram iniciados porque pareciam lucrativos não teriam sido feitos caso não houvesse ocorrido uma expansão artificial do crédito.  Tais empreendimentos não foram financiados por um aumento na poupança real dos cidadãos.  Ninguém reduziu seu consumo para que recursos escassos fossem liberados para ser utilizados nestes empreendimentos.  Tudo foi possibilitado pela simples criação de dinheiro pelos bancos.  A criação de dinheiro pelo sistema bancário faz com que haja uma disputa por recursos: de um lado, consumidores aumentam seu consumo; de outro, empreendedores aumentam seus investimentos.  O resultado é que os preços e salários da economia aumentam.

Quando a expansão creditícia é interrompida e o processo de reajuste é estabelecido, as empresas que fizeram os investimentos errôneos entram em dificuldades financeiras.  Consequentemente, elas começam a ter dificuldades em quitar seus empréstimos tomados junto aos bancos.  Muitas dão o calote.  Isso faz com que os bancos sofram reduções no valor de seus ativos (empréstimos são ativos).  Caso se torne óbvio que um determinado banco está em dificuldades, seus correntistas podem querer sacar o dinheiro de suas contas, levando o banco imediatamente à falência.  A quebra de um banco pode gerar um efeito dominó, levando à queda de todo o sistema bancário.

A resposta a esse tipo de crise financeira e bancária sempre envolve um aumento da regulamentação estatal sobre os bancos, como um aumento das exigências de capital e da proibição de determinadas operações.  Mas tais medidas apenas atacam os sintomas, deixando impávida a raiz real do problema: a capacidade dos bancos, com o aval e com o incentivo do governo, de criar dinheiro do nada para expandir o crédito.

A reforma bancária

No capítulo 9 do meu livro Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos, apresento um detalhado processo de transição rumo à única ordem financeira que, sendo totalmente compatível com o sistema de livre iniciativa, pode eliminar as crises financeiras e as recessões econômicas que ciclicamente afetam as economias mundiais.  Tal proposta de reforma financeira internacional é, obviamente, extremamente relevante em nossa época atual, tendo em vista os recentes acontecimentos no sistema bancário europeu.  Como explico em detalhes ao longo dos nove capítulos do meu livro, qualquer reforma futura irá fracassar tão miseravelmente quanto as reformas passadas caso ela não ataque as raízes dos problemas atuais e seja baseada nos seguintes princípios:

1. Abolição da prática das reservas fracionárias e o restabelecimento de 100% de reservas para todos os depósitos em conta-corrente e demais depósitos que na prática funcionem como conta-corrente (como aqueles depósitos em poupança que podem ser movimentados por meio de cheque ou cartão de débito);

2. Abolição dos bancos centrais, que, além de serem intrinsecamente perniciosos por atuarem como uma agência de planejamento central, também estimulam e intensificam o risco moral ao funcionarem como emprestadores de última instância.  Adicionalmente, um banco central se torna imediatamente desnecessário caso o primeiro princípio seja aplicado; e

3. Desestatização do dinheiro, que atualmente nada mais é do que uma moeda fiduciária, sem nenhum lastro, emitida monopolisticamente pelo estado, sem nenhuma restrição.  Deve haver completa liberdade de escolha da moeda (a tendência é que o ouro seja a escolha predominante).

Esta reforma radical e definitiva marcaria essencialmente a culminação da queda do Muro de Berlim e do real socialismo, uma vez que ela significaria a aplicação dos mesmos princípios de liberalização e de propriedade privada àquela esfera — setor bancário e monetário — que até hoje é sinônimo de planejamento central (pois controlada pelos bancos "centrais"), de extremo intervencionismo (o governo estipula a taxas de juros e impõe todo um emaranhado de regulamentações ao setor), e de monopólio estatal (as leis de curso forçado, as quais impõem a aceitação obrigatória do papel-moeda fiduciário emitido pelo estado) — medidas com desastrosas consequências, como temos visto.

Devo enfatizar que o processo de transição — descrito detalhadamente em meu livro, e sintetizado na próxima seção — também permite, desde o início, a estabilização imediata do sistema bancário, impedindo o seu atual colapso e a inevitável contração monetária que ainda pode ocorrer se os bancos continuarem tendo seus empréstimos caloteados e se, em um ambiente de crescente perda de confiança no sistema bancário, os correntistas decidirem sacar um significativo volume de depósitos bancários.  Mais ainda: ele permite a total, ou quase total, abolição da dívida pública do país.

O que fazer

Este objetivo — a estabilização do sistema bancário —, o qual os governos ocidentais estão desesperadamente tentando alcançar por meio dos mais variados e pirotécnicos planos (que envolvem a compra maciça de ativos "tóxicos" em posse dos bancos, como hipotecas caloteadas; uma impossível garantia federal a todos os depósitos bancários; e até mesmo a total estatização do sistema bancário), poderia ser alcançado muito mais rapidamente e efetivamente, e de maneira muito menos danosa para a economia de mercado, se a primeira medida da minha proposta de reforma fosse imediatamente implantada: lastrear a quantidade total de depósitos bancários à vista (em conta-corrente e equivalentes) com dinheiro. 

Mais especificamente, o banco central imprimiria e daria aos bancos a quantidade de cédulas necessárias para lastrear 100% dos depósitos bancários.  Obviamente, essa impressão de dinheiro não seria de modo algum inflacionária, pois este novo dinheiro iria para os cofres dos bancos e ali permaneceria não com o intuito de ser emprestado, mas sim de satisfazer qualquer necessidade de saques, retiradas e transferências.

Concomitantemente, todos os outros ativos bancários (empréstimos pendentes, investimentos, títulos do governo etc.) nos balancetes dos bancos seriam transformados em quotas de fundos de investimento, cujo gerenciamento passaria então a ser a principal atividade dos bancos.

E quem serão os proprietários destas quotas destes fundos de investimento?  A proposta é que seus proprietários sejam aqueles que estão hoje em posse de títulos da dívida do governo.  A ideia é simples: os proprietários dos títulos do governo abririam mão deles e, em troca, receberiam quotas de valor correspondente nestes fundos de investimento.  Os títulos da dívida do governo seriam consequentemente cancelados.

Esta medida eliminaria, se não toda, ao menos uma grande parte da dívida pública do país, algo que beneficiaria todos os cidadãos, uma vez que dali em diante eles não mais teriam de pagar impostos para arcar com o serviço da dívida.  Adicionalmente, os atuais detentores destes títulos do governo não seriam afetados, pois a atual renda fixa que eles auferem com os títulos seria substituída por quotas que, desde o momento da reforma, já teriam um valor de mercado e uma taxa de retorno conhecidos.  No que mais, existem outros passivos governamentais (por exemplo, as pensões da Previdência Social) que também podem ser convertidos em títulos e consequentemente trocados por quotas nestes novos fundos de investimento, com efeitos econômicos altamente benéficos.

Teríamos então a seguinte situação:

a) Depósitos à vista (conta-corrente e outros que funcionem como conta-corrente) 100% lastreados por cédulas de dinheiro (sendo que esta porcentagem tem de ser mantida sob toda e qualquer circunstância);

b) Todos os outros ativos bancários transformados em fundos mútuos e gerenciados pelos bancos.  Títulos da dívida do governo que estavam em posse dos bancos são cancelados e abolidos de seus balancetes.

Deste ponto em diante, a atividade dos bancos consistiria em gerenciar os fundos de investimento criados com seus ativos.  Empréstimos seriam concedidos normalmente: um depositante compraria novas quotas nestes fundos (nada mais que um depósito a prazo) e o banco investiria este dinheiro, emprestando para empresas e pessoas físicas.  Durante o período do empréstimo, o emprestador obviamente não teria como utilizar seu dinheiro. Adicionalmente, os bancos continuariam incorrendo naquelas outras atividades legítimas que eles sempre praticaram, como transferências bancárias, pagamento de contas e demais serviços, podendo cobrar os correspondentes preços de mercado por estes serviços.

Deste ponto em diante, com os bancos operando com 100% de reservas, a expansão artificial do crédito iria desaparecer completamente.  Nesta etapa, o banco central estaria limitado a aumentar a oferta monetária em uma pequena porcentagem — sugere-se 2% ao ano, que é a taxa histórica do crescimento da oferta mundial de ouro —, sendo que este aumento seria utilizado para financiar uma fatia dos gastos do governo.  De forma alguma este dinheiro poderá ser usado para fazer operações de mercado aberto (ou seja, manipular os juros) ou para expandir o crédito. 

Estas reformas levariam à quase completa eliminação das crises financeiras e das recessões econômicas.  A partir deste estágio, o comportamento dos poupadores, consumidores e empreendedores no livre mercado estaria estreitamente coordenado pelas taxas de juros naturalmente formadas no mercado de poupança e empréstimo.

O estabelecimento de um sistema bancário com 100% de reservas é uma condição necessária para a abolição definitiva do banco central, que seria a etapa final.  Com efeito, tão logo o sistema bancário esteja subordinado aos mesmos princípios jurídicos que governam todos os outros empreendimentos (como a proibição de fraude e de falsificação de dinheiro, e o respeito à propriedade alheia), a completa liberdade bancária — com plena liberdade de entrada e de concorrência no setor — deve ser permitida, e o banco central deve ser abolido. 

A abolição do banco central exigirá que o atual dinheiro fiduciário, o qual apenas o banco central tem o poder de emitir, seja substituído por uma forma de dinheiro privado.  É impossível dar um salto no escuro e do nada estabelecer um padrão monetário artificial que não tenha surgido ao longo de um processo evolucionário.  Sendo assim, a nova forma de dinheiro provavelmente irá consistir naquele elemento que a humanidade historicamente sempre considerou como sendo dinheiro por excelência: o ouro.

(Como exatamente poderá ser feita esta transição do dinheiro de papel para o ouro é um outro debate, também coberto em meu livro).

Concluo esta seção com um importante alerta: naturalmente (e nunca é demais ser repetitivo), esta solução que proponho só é válida em um contexto de uma irrevogável decisão de se estabelecer um sistema bancário sujeito a 100% de reservas sobre depósitos à vista.  Qualquer uma das reformas mencionadas acima, caso adotada sem a prévia e resoluta convicção de se alterar o sistema bancário e financeiro da maneira sugerida, seria totalmente desastrosa: um sistema bancário que continuasse operando com reservas fracionárias (orquestrado por um banco central) iria gerar — em um efeito cascata, em decorrência do dinheiro criado para lastrear os depósitos — uma expansão inflacionária sem precedentes na história, uma que certamente poderia aniquilar todo o nosso sistema econômico.

Benefícios

Além da redução drástica da dívida pública (e, dependendo, da resolução do problema previdenciário), quais os benefícios de um sistema bancário com 100% de reservas, cuja moeda é o ouro?

1) Um sistema com 100% de reservas impossibilita crises bancárias.  Havendo 100% de reservas para seus depósitos à vista, não há como os bancos terem problemas de liquidez.  Correntistas podem sacar seu dinheiro no momento em que quiserem e na quantia que desejarem.  Os bancos não se tornarão insolventes em decorrência desses saques.

2) Este sistema impede a ocorrência de crises econômicas cíclicas.  O privilégio de operarem apenas com reservas parciais para seus depósitos permite que os bancos possam criar dinheiro do nada para conceder empréstimos.  Tais empréstimos não exigem nenhuma abstenção de consumo (poupança) por parte do depositante.  Cria-se o fenômeno do investimento sem a prévia poupança.  Esta expansão do crédito gera um aumento da quantidade de dinheiro na economia e leva a um crescimento econômico artificial, o qual inevitavelmente se reverte em recessão algum tempo depois.  Bancos operando com 100% de reservas tornam tal expansão creditícia impossível.

3) A abolição da prática das reservas fracionárias está em completa harmonia com o conceito de propriedade privada.  Mantendo reservas de 100%, os princípios tradicionais do direito de propriedade também são aplicados aos depósitos bancários.  Bancos não mais podem emprestar dinheiro cuja custódia lhes foi confiada.

4) O modelo de padrão-ouro proposto estimula um crescimento econômico estável e sustentável.  Prejuízos em decorrência de investimentos errôneos e insensatos podem ser evitados.  Com um crescimento médio anual de 2% na produção de ouro e de 3% na economia, os preços dos bens e serviços diminuíram aproximadamente 1% ao ano.  Isso levaria a aumentos salariais reais, dispensando a necessidade de tensas negociações sindicais.  As pessoas não mais teriam de perder tanto tempo pesquisando oportunidades de investimento no mercado financeiro para tentar proteger o poder de compra do seu dinheiro.  Apenas deixar seu dinheiro guardado já lhe permitiria usufruir um crescente aumento em seu poder de compra.

banner_associacao2.jpg5) Este sistema colocaria um fim nas especulações financeiras.  A criação de dinheiro pelos bancos permite que eles próprios, bem como seus contumazes tomadores de empréstimos, se enriqueçam facilmente.  A tentação em praticar atos fraudulentos e inescrupulosos é praticamente irresistível.  Os incentivos para se ser honesto, responsável, poupador, trabalhador e voltado para o longo prazo são rejeitados em prol da oportunidade de se enriquecer de modo rápido e fácil pela simples criação de dinheiro, prejudicando terceiros que terão seu poder de compra reduzido.

6) Um padrão-ouro com reservas de 100% é um poderoso limitador ao crescimento do estado.  Uma grande fatia dos gastos governamentais atuais é financiada diretamente pela criação de dinheiro.  O sistema bancário de reservas fracionárias, em conjunto com o banco central, cria dinheiro do nada e o empresta ao governo.  Se esta opção for abolida, o estado seria restringido e deixaria mais espaço para o setor privado. 

7) Este sistema proposto promove a paz.  Sem a capacidade de criar dinheiro do nada para financiar o esforço de guerra, algo que oculta de maneira eficaz os reais custos militares de conflitos contra populações, as guerras dos dois últimos séculos poderiam ter sido evitadas.  No mínimo, sua intensidade seria muito reduzida.

Em suma: este novo sistema bancário não apenas impediria injustiças e evitaria sofrimentos, como também permitiria um crescimento econômico constante, harmonioso e estável.

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Leia também:

Explicando a recessão europeia 

O sistema bancário brasileiro e seus detalhes quase nunca mencionados 

Por que o Banco Central é a raiz de todos os males


1 voto

SOBRE O AUTOR

Jesús Huerta de Soto
, professor de economia da Universidade Rey Juan Carlos, em Madri, é o principal economista austríaco da Espanha. Autor, tradutor, editor e professor, ele também é um dos mais ativos embaixadores do capitalismo libertário ao redor do mundo. Ele é o autor de A Escola Austríaca: Mercado e Criatividade Empresarial, Socialismo, cálculo econômico e função empresarial e da monumental obra Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos.



"ajustar as atividades produtivas de acordo com as mais urgentes demandas dos consumidores não pode ser redução de salário?"

Não. Ajustar as atividades produtivas de acordo com as mais urgentes demandas dos consumidores significa produzir e vender exatamente aquilo que o consumidor quer. Se o empreendedor vai pagar salário astronômico ou mínimo para a mão-de-obra, isso é totalmente irrelevante para o consumidor.

"o trabalho não é fator de produção (um dos)"

Sim.

"o trabalho é um recurso escasso?"

Mão-de-obra é, por definição, algo escasso. Por isso mesmo, sempre haverá mais demanda por mão-de-obra do que mão-de-obra efetivamente disponível.

Falta mão-de-obra para tanto emprego disponível.

Sendo assim, a taxa de desemprego sempre deveria ser zero e os salários dos empregados sempre tende ao aumento. E por que o desemprego não é zero?
Por causa disso.

"demanda pode ser "criada" pelo marketing?"

Desejo pode ser criado pelo marketing, não demanda. Demanda significa aquisição. Eu tenho desejo por uma mansão, por um helicóptero e por uma Ferrari, mas não tenho como demandá-los porque não tenho o poder aquisitivo para os três. E não há marketing que me faça demandar esses três itens. Resta-me apenas desejar.

"sobre o trabalho escravo, nem entrei no mérito e na discussão sobre quando havia mais lucro e riqueza. Mas, o trabalho escravo é um fato que ainda existe. Existe por interferência governamental ou porque tem muitos empresários gananciosos e que buscam o lucro a qualquer custo (humano inclusive)?"

Ué, ainda existe trabalho escravo? Não sabia. Ainda existem pessoas trabalhando sem salário, sob chicotadas, proibidas de pararem de trabalhar e proibidas de pedirem demissão? Não sabia. Manda aí um link, por favor.

Até onde sei, nenhum indivíduo sai escravizado de sua casa e é levado a contragosto para trabalhos compulsórios. Um indivíduo, por definição, encontra trabalho porque saiu à procura de trabalho. Sua intenção sempre é melhorar de vida. Ele faz isso porque quer; porque a situação atual (sem trabalho) não lhe é atraente. Se ele está disposto a "trabalhar muito" é porque ele acha que assim ficará em situação melhor do que aquela em que se encontrava até então.

A menos que você comprove que o indivíduo está sendo [u]obrigado[u] a trabalhar sob a ameaça de um chicote, sem a opção de sair do emprego quando quiser, tal escolha sempre será benéfica para ele.

E se ele se sujeita a condições que para nós parecem degradantes é porque, para ele, aquilo ainda é melhor do que a situação econômica em que ele se encontrava antes. Cabe a você provar que esse indivíduo foi seqüestrado, levado a um emprego e ali mantido em cativeiro, contra sua vontade, sendo proibido de parar de trabalhar. Caso isso não tenha acontecido, então a única conclusão empírica é que esse indivíduo ainda prefere seu atual trabalho (assalariado) ao desemprego.
Errado.

Na economia, conhecemos a causa de tudo, pois a ação humana, ao contrário do movimento das pedras, é motivada. Sendo assim, é possível construir a ciência econômica partindo de axiomas básicos -- como a existência incontestável da ação humana e as implicações lógicas da ação --, axiomas estes que são originalmente reconhecidos como verdadeiros.

Destes axiomas, podemos deduzir passo a passo várias leis que também são reconhecidas como incontestavelmente verdadeiras. E este conhecimento é absoluto, e não relativo, exatamente porque os axiomas originais já são conhecidos. Eis alguns exemplos:

• Sempre que duas pessoas, A e B, se envolvem em uma troca voluntária, ambas esperam se beneficiar desta troca. E elas devem ter ordens de preferência inversas para os bens e serviços trocados, de modo que A valoriza mais aquilo que ele recebe de B do que aquilo ele dá para B, e B avalia as mesmas coisas do modo contrário.

• Sempre que uma troca não é voluntária e ocorre em decorrência de uma coerção, uma parte se beneficia à custa da outra.

• Sempre que a oferta de um bem aumenta em uma unidade, contanto que cada unidade seja considerada idêntica em utilidade por uma pessoa, o valor imputado a esta unidade deve ser menor que o da unidade imediatamente anterior.

• Entre dois produtores, se A é mais eficiente do que B na produção de dois tipos de bens, eles ainda assim podem participar de uma divisão de trabalho mutuamente benéfica. Isto porque a produtividade física geral será maior se "A" se especializar na produção de um bem que ele possa produzir mais eficientemente, em vez de "A" e "B" produzirem ambos os bens autônoma e separadamente.

• Sempre que leis de salário mínimo forem impostas obrigando os salários a serem maiores do que os salários que vigorariam em um livre mercado, um desemprego involuntário será o resultado.

• Sempre que a quantidade de dinheiro na economia aumentar sem que a demanda por dinheiro também seja elevada, o poder de compra da moeda irá diminuir.

Por outro lado, não existem elementos simples ou "fatos da natureza" na ação humana; os eventos da história são fenômenos complexos, os quais não podem "testar" nada. Eles, por si sós, somente podem ser explicados se forem aplicadas várias teorias relevantes aos diferentes aspectos de um determinado "fato" complexo que está sendo analisado.

Por que a matemática é tão útil na física? Exatamente porque os próprios axiomas utilizados, bem como as leis deles deduzidas, são desconhecidos e, com efeito, sem significado. Seu significado é exclusivamente "operacional", uma vez que eles são significantes somente na medida em que podem explicar determinados fatos.

Por exemplo, a equação da lei da gravidade, por si só, não tem sentido nenhum; ela só adquire sentido quando nós humanos observamos determinados fatos que a lei pode explicar. Consequentemente, a matemática, que efetua operações dedutivas sobre símbolos por si só inexpressivos (sem significado), é perfeitamente apropriada para os métodos da física.

A ciência econômica, por outro lado, parte de um axioma que é conhecido e possui significado para todos nós: a ação humana. Dado que a ação humana, em si própria, possui significado (o que não quer dizer que ela sempre será avaliada como racional e correta), todas as leis deduzidas passo a passo da ação humana são significativas.

Esta é a resposta para aqueles críticos que exigiram que Mises utilizasse métodos da lógica matemática em vez da lógica verbal. Ora, se a lógica matemática tem de lidar com símbolos inexpressivos, então seu uso iria destituir a economia de todo o seu significado.

Por outro lado, a lógica verbal permite que toda e qualquer lei tenha sentido quando deduzida. As leis da economia já são conhecidas aprioristicamente como significativamente verdadeiras; elas não têm de recorrer a testes "operacionais" para adquirir significância. O máximo que a matemática pode fazer, portanto, é converter laboriosamente símbolos verbais em símbolos formais inexpressivos e, então, passo a passo, reconvertê-los em palavras.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1690
O melhor a fazer, no caso de dúvida, é perguntar a quem conseguiu sobreviver à Cuba, ou imigrou de certa forma. Conheci uma cubana que imigrou há alguns anos, formada em Teologia por lá. Ela contou, e parecia ter medo de falar ou vergonha, que muitos do que vivem em Cuba, necessitam dois empregos para conseguirem viver pelo menos dignamente. Como ela fazia. E quanto aos médicos tão bem falados na boca dos brasileiros, têm de ir de bicicleta para o trabalho e chegam com as mãos tremendo para realizar cirurgias.
O que me faz questionar como seria se o mundo todo fosse socialista e Cuba não tivesse sido isolada tantos anos pelo embargo econômico americano. E por esta mesma linha de pensamento me perguntou porque não olhamos para países como Zimbabwe. A solução não está na mudança drástica para o socialismo, mas em uma evolução gradual do capitalismo que minimize as diferenças tão abruptas que temos em nosso mundo. Será possível um hemisfério sul e norte com os mesmo índices de desenvolvimento humano ? Fico nessa dúvida.

Alguns fatos sobre Zimbabwe.
Desde 2000 encontra-se em uma profunda crise, além da hiperinflação, há um alto índice de desemprego, pobreza e uma crônica escassez de combustíveis, alimentos e moedas estrangeiras.

A hiperinflação vem destruindo a economia do país, arrasando com o sector produtivo. Uma medida governamental congelou os preços, causando desabastecimento, fortalecimento do mercado negro e prisão de comerciantes contrários à medida.[3]

Em Julho de 2007, foi lançada a cédula de 200 mil dólares zimbabweanos, que apesar do elevado valor de face, é capaz de comprar pouco mais do que um quilo de açúcar. No mercado paralelo, a moeda era cotada a 1 dólar americano.[2] Em maio de 2008, foi lançada a cédula de 500 milhões[4] e em julho do mesmo ano foram lançadas cédulas com valores a partir de 100 biliões de dólares zimbabweanos.

Houve uma reforma monetária que entrou em vigor em agosto deste mesmo ano, no entanto, a taxa inflacionária parece não ceder, havendo projeções de que haja a necessidade de nova reforma em breve.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Mohamed Attcka Todomundo  21/03/2013 12:56
    sempre q leio um artigo do Jesús Huerta de Soto penso sem culpa "encontrei jesus"
  • Ricardo Fernandes  21/03/2013 13:08
    A leitura deste artigo só me faz recordar a evolução social e económica do meu país, Portugal, nos últimos 20 anos...Não compreendo porque não se coloca um travão a toda esta ´´porcaria`` europeia e portuguesa neste caso...até quando vamos continuar afundar-nos!!!!!
  • Leandro  21/03/2013 13:38
    Portugal está vivenciando uma deflação monetária, consequência inevitável de um sistema bancário que fez empréstimos ruins, levou prejuízos e agora está tendo de contrair o crédito para se reestruturar.

    www.tradingeconomics.com/charts/portugal-money-supply-m2.png?s=portugalmonsupm2&d1=20020101&d2=20130331
  • Gustavo  11/06/2016 19:33
    Leandro, porque no caso do Brasil o M2 foi começar a cair só depois de metade de 2015? Sendo que a crise começou forte la pelo final de 2014.

    pt.tradingeconomics.com/brazil/money-supply-m2
  • Leandro  11/06/2016 20:45
    O M2 não está caindo (no acumulado de 12 meses) no Brasil, e nem teria como. O M2 engloba papel-moeda em poder do público e das empresas, todos os depósitos em conta-corrente, todos os depósitos em caderneta de poupança e todas as aplicações em CDBs, RDBs, LCIs, LCA, LCs etc. E todas estas últimas estão pagando juros de dois dígitos ao ano (o que significa que a estatística divulgada no M2 engloba esse ganho de juros, que é de aproximadamente 1% ao mês).

    Para que o M2 caísse, as pessoas teriam de sacar dinheiro dessas modalidades e depositá-lo em fundos de investimento (M3) ou comprar títulos públicos (M4). Mais ainda: esse dinheiro, tão logo fosse gasto, a pessoa ou empresa que o recebesse não poderia aplicálo em nenhum investimento englobado por M2.

    M2 em queda anual no Brasil seria um evento inusitado.

    O que começou a ocorrer a partir de 2014 -- veja o gráfico neste artigo (na seção A Nova Matriz Econômica) -- foi a forte desaceleração do crédito privado (que atualmente está em contração).
  • Gustavo  12/06/2016 18:10
    Eu me refiro ao seu comentário anterior sobre a deflação de Portugal. Se lá ocorre essa deflação, pelo motivo de bancos que estão contraindo a oferta, porque o mesmo não acontece aqui? Pelo que você me respondeu os bancos aqui estão fazendo a mesma coisa.

    Ainda não entendi o que impede o Brasil de sair de uma estagflação para um estágio de deflação.
  • Leandro  12/06/2016 20:44
    Porque em Portugal, assim como em toda a Europa, após o estouro da bolha imobiliária européia, vários calotes foram dados no sistema bancário. Consequentemente, os balancetes dos bancos ficaram dizimados (vários empréstimos feitos foram caloteados).

    Em termos contábeis, o valor dos ativos caiu, mas o valor dos passivos continuou o mesmo. Tecnicamente, os bancos ficaram descapitalizados.

    E bancos descapitalizados não concedem novos empréstimos. Consequentemente, para se recomporem, eles têm de exigir que os empréstimos pendentes sejam quitados. Isso causa uma deflação monetária. Há mais empréstimos sendo quitados do que concedidos.

    Toda essa situação européia foi explicada em detalhes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1514

    No Brasil, isso não ocorreu. Não houve calotes maciços. Quem mais se expôs foram os bancos estatais, mas esses têm juros subsidiados por nós e têm acesso livre ao Tesouro (ou seja, ao nosso dinheiro), podendo ser prontamente reapitalizados. São os pagadores de impostos brasileiros que bancam as prestações dos endinheirados que compram apartamento pela Caixa.

    No mais, e para completar, no Brasil o governo está incorrendo em vultosos déficits orçamentários. Déficits orçamentários, quando são financiados pelos bancos, geram criação de moeda. Isso é inflacionário.
  • Gustavo  13/06/2016 13:21
    Obrigado pelas respostas.

    Me permita um último questionamento. Por gentileza observe este gráfico:

    cdn.tradingeconomics.com/embed/?s=hkcpiy&v=201606072110n&d1=19160101&d2=20161231&type=type=line&title=false&url2=/hong-kong/consumer-price-index-cpi&h=300&w=600

    Fiz uma comparação entre o CPI e a taxa de inflação deles. Minha dúvida é a seguinte: porque que com um Currency Board criado em 1993, Hong Kong demorou tanto para obter deflação e estabilização de preços? Pelos gráficos isso começou só la por 1997. Por que existe esse hiato?

    Outra questão seria referente ao M2 deles. Se você olhar vem crescendo bastante por lá. Mas com um CB a oferta monetária não deveria ser perto de uma constante?
  • Leandro  13/06/2016 15:00
    "Minha dúvida é a seguinte: porque que com um Currency Board criado em 1993, Hong Kong demorou tanto para obter deflação e estabilização de preços? Pelos gráficos isso começou só la por 1997. Por que existe esse hiato?"

    Essa é fácil.

    Em primeiro lugar, vale ressaltar que o CB foi instalado em outubro de 1983 (e não 1993).

    E como estava o dólar em outubro de 1983? No valor mais forte de sua história. Pode conferir aqui.

    O que isso significa? Significa que, dali para frente, o único caminho possível para o dólar era o de se enfraquecer perante todas as outras moedas do mundo. E foi exatamente isso o que aconteceu. (Confira no link acima).

    Portanto, pode-se dizer que foi uma questão de timing. Quem ancora sua moeda ao dólar exatamente no momento em que o dólar em está máximo de sua força, muito provavelmente irá vivenciar uma inflação de preços maior que a prevista tão logo o dólar começar a perder força.

    E foi isso que aconteceu com Hong Kong: ancoraram-se ao dólar em outubro de 1983, e dali pra frente o dólar só fez cair.

    Aí, a partir 1996 até 2002, o dólar voltou a ficar forte. Consequentemente, a inflação de preços em Hong Kong desabou. De 2003 a 2011, o dólar volta a se enfraquecer. Consequentemente, a inflação de preços em HK volta a subir. De 2011 em diante -- e mais especificamente de meados 2014 em diante --, o dólar volta a ficar (muito) forte, e consequentemente a inflação de preços em HK desaba.

    Em um CB, a sua inflação de preços andará pari-passu de acordo com a força da moeda que você adota como âncora. Por isso, mais importante do que a escolha da moeda é data do estabelecimento do CB. Se você criar um CB num momento em que a moeda-âncora está no máximo da sua força, você muito provavelmente terá uma inflação de preços relativamente alta tão logo sua moeda-âncora começar a se desvalorizar.
    Por outro lado, se você houvesse criado um CB em julho de 2011 (quando o dólar estava nas mínimas históricas), você provavelmente estaria tendo deflação de preços hoje.

    "Outra questão seria referente ao M2 deles. Se você olhar vem crescendo bastante por lá. Mas com um CB a oferta monetária não deveria ser perto de uma constante?"

    Isso nunca foi dito. Nem neste site e nem muito menos na literatura. Sob um Currency Board, a base monetária varia de acordo com o fluxo de capital estrangeiro. Ponto. Só isso e nada mais do que isso. A evolução de M1, M2, M3 e M4 é livre. Não havendo compulsório, M1, M2, M3 e M4 podem se mover de maneira relativamente independente à base monetária.

    Já no caso específico de Hong Kong, não há mistério nenhum. Como o país é fortemente exportador, sua base monetária cresce continuamente (isso é lei num Currency Board). Com a base monetária crescendo continuamente, é claro que todos os Ms também subirão.
  • Gustavo  13/06/2016 15:31
    "Em primeiro lugar, vale ressaltar que o CB foi instalado em outubro de 1983 (e não 1993). "

    Ué, o Wikipedia ta viajando então https://en.wikipedia.org/wiki/Hong_Kong_Monetary_Authority

    De resto, muuuito obrigado pela explicação Leandro. Vai me ajudar muito com algumas coisas aqui hehe.

    Vc é o cara!
  • zanforlin  21/03/2013 14:42
    Às vezes uma indagação pode parecer idiota, e quem sabe seja mesmo...

    Mas, perdoem-me e vamos a ela: se bancos emprestam dinheiro que criam do nada, do vento, e, ao fim, geram bolhas, por que o calote dos que tomaram emprestado "dinheiro de vento" pode afetar a solidez de um banco e de um sistema bancário? Afinal é certo que o "nada nada gera" (ex nihilo nihil fit), logo, não receber de volta o "vento" emprestado tempestade não se cria...

    Grato.
  • Ricardo  21/03/2013 16:23
    Porque neste processo eles pedem dinheiro físico.

    Veja a resposta do Leandro ao leitor Joacir nos comentários deste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1514

    E aos leitors Marcelo Moreira e Pobre Paulista nos comentários deste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387
  • Wagner  21/03/2013 16:26
    Bancos são obrigados a ter uma reserva proporcional a quantidade de dinheiro emprestado. Se eles emprestam muito e não recebem de volta o banco precisa pegar emprestado dinheiro de outros bancos para manter esta reserva.
  • ilan  21/03/2013 14:54
    Leandro, ou qualquer pessoa que queira ajudar :

    Você poderia me informar, que linha econômica é hoje chamada de "Mainstream"?

    E quais são os principais modelos que eles utilizam, sob quais pressupostos basicos?

    Um abraço!
  • Lima  21/03/2013 16:47
    O chamado mainstream basicamente hoje são os famosos "New Keynesian", que resultou da síntese entre neokeynesianos e novos classicos. A menor parte do mainstream, ou nem mainstream mais é, são os "RBC" (real business cycles).

    Os modelos mainstream, ou, New Keynesian, grosso modo, consistem de :

    1) Uma curva IS forward looking, uma curva de Philips híbrida, uma regra de política monetária e uma paridade de taxa de juros

    2) Também os modelos DSGE (Dynamic Stochastic General Equilibrium) com rigidezes de preço.

    Enfim, basciamente são modelos microfundamentados em Equilibrio Geral, com regras de rigidezes, e muita, muita matemática.

  • Vinicius Costa  21/03/2013 15:31
    De tudo o que é falado aqui, na maioria das vezes o principal culpado é o sistema de reservas fracionárias. Enquanto ele existir, o governo continuará mandando na economia e ciclos econômicos vão continuar acontecendo.

    Qual a chance disso acabar? Acho difícil que uma medida seja tomada nessa direção, a não ser que não tenha outra saída (E nessa hora aparecerão várias)
  • zanforlin  21/03/2013 16:46
    Grato, Ricardo, resposta obtida.
  • Mercado de Milhas  21/03/2013 17:46
    Antes de fazer isso, tem que dar um calote de 90% em quem tem mais de 2 milhões de dólares no banco e tá beleza.

    Aí é só imprimir a quantidade exata pra abolir as reservas fracionadas e ficar subindo a quantidade de dinheiro em 4% (e não 2%) ao ano.

    Pronto! Chegamos ao paraíso! (ou próximo disso)
  • anônimo  21/03/2013 23:22
    Concordo. E a melhor maneira seria começar expropriando o seu dinheiro....
  • evandro  21/03/2013 18:34
    Postei no meu face um resumo do que li e entendi aqui sobre inflação, e reproduzo abaixo...o que voces acham?

    99,99% da população acha que a culpa da inflação é dos empresários... lamento, mas o grande culpado pela inflação é o governo, se alguem quiser saber, explico o porque... aliás, voce sabe o que é INFLAÇÃO?


    Vamos lá... INFLAÇÃO é o aumento na qtdo de DINHEIRO da economia,,, esse aumento na qtde de dinheiro é que leva ao aumento dos preços (inflação de preços)... e quem é o responsável pelo aumento de dinheiro na economia? O GOVERNO... só ele pode emitir, fabricar dinheiro sem lastro (uma reserva em ouro, por exemplo, igual ao valor emitido)... outra forma de injetar dinheiro na economia é através dos empréstimos bancarios, em que os bancos são autorizados pelo governo a emprestar um dinheiro que eles nao tem (por lei, os bancos só precisam ter uma fração do que emprestam como ''reserva'')... assim, os bancos ''criam '' dígitos eletronicos na conta de alguem e emprestam, mesmo não tendo todo o dinheiro ''em caixa'' para emprestar... assim, via fabricação de dinheiro na casa da moeda, ou via emprestimos bancarios com dígitos criados na conta de alguem, que se aumenta a quantidade de dinheiro na economia. A EXPLICAÇÃO DE COMO É QUE ISSO CAUSA A INFLAÇÃO VEM A SEGUIR.

    CONTINUANDO-assim, aumentando a qtde de dinheiro(inflacionando) na ECONOMIA, o governo faz com que ocorra inflação de preços, pois teremos mais dinheiro na economia para comprar a mesma qtde de produtos, assim se tinham 100.000 reais de dinheiro em toda economia economia para comprar um total de 100.000 produtos existentes na economia, o preço por produto seria 1 real por produto certo? Se o governo cria, via fabricação de dinheiro ou via emprestimo bancario (dígitos criados na conta de quem empresta, um dinheiro ''criado'', que não existe ''fisicamente'' (cédulas) mais 10.000 reias, teremos na economia 110.000 para comprar os mesmos 100.000 produtos, o que dá 1,10 por produto (10% de inflação)... ok?

    Se o governo não aumenta a qtde de dinheiro na economia e alguem quer subir o preço, ou não vai vender, ou alguem vai ter que abaixar, porque a qtde de dinheiro fixa na economia é FIXA... OU SEJA , 100.000 REAIS para comprar 100.000 produtos, a conta tem que fechar... Se alguem subir o preco e ninguem abaixar, alguma coisa ficará sem vender, pois não terá dinheiro suficiente na economia... ou seja, o próprio mercado fará os ajustes para que não tenha inflação... e pelo contrário, com a tecnologia melhorando o rendimento da produção, normalmente o que ocorrerá é que, sem mais emissão de dinheiro na economia, tenhamos os mesmos 100.000 reais comprando 103.000 , ou 105.000 produtos...cada vez melhorando a produção, teremos o efeito inverso: a DEFLAÇÃO (preços diminuindo), com o mesmo dinheiro comprando mais produtos ... ok?
  • saoPaulo  21/03/2013 23:41
    Evandro, talvez seja meu sono falando mais alto, mas achei meio longo. Na verdade começou bem, mas os dois últimos parágrafos ficaram meio confusos. Tenha em mente que, no Facebook, ninguém vai ler algo que se tenha que usar o scroll do mouse.

    Também faltou a parte principal! Inflação, na prática, funciona como um imposto sobre os mais pobres, gerando a tão odiada desigualdade de renda. E também leva à necessidade de planos de previdência onde, se o plano falir, você perde toda a economia da sua vida.

    Poderia mostrar a diferença entre riqueza e dinheiro e ironizar, perguntando por que o zimbábue não era o paraíso na Terra, já que lá, há algum tempo atrás, todos eram milionários.

    Pelo que eu me lembre, e tirando 90% da merda falada, o primeiro Zeigeist explica bem didaticamente como funciona o sistema de reservas fracionárias sem lastro.
  • evandro  21/03/2013 23:58
    Publiquei isto em um grupo de debates no face e em minha própria página... tenha sempre em mente que a princípio eu estava falando com pessoas bem leigas em economia (mais ainda que eu rsrs)... fica difícil ser mais sucinto do que isso e conseguir mesmo assim fazer com que as pessoas entendam o conceito... qto a explicar os malefícios da inflação, achei desnecessário, pois é praticamente unanimidade até entre leigos que ela é perniciosa... valeu? Abraço.
  • saoPaulo  22/03/2013 07:02
    Evandro, ahhhhh bom. Pensei que tinha publicado na sua time line =P

    Sendo assim, acho que dá pra passar a ideia. Para maior detalhes, poderia explicar o mecanismo de aumento de preços: o dinheiro extra vai causar uma maior demanda por bens, o que causará o aumanto do preço destes.

    "qto a explicar os malefícios da inflação, achei desnecessário, pois é praticamente unanimidade até entre leigos que ela é perniciosa..."

    Discordo completamente. A maioria das pessoas é unânime quanto à perniciosidade da inflação por causa de seus efeitos práticos: constante aumento dos preços. Elas não fazem a mínima ideia de que inflação é imposto. Muito menos que a inflação prejudica muito mais os mais pobres em benefício aos ricos escolhidos pelo governo. E este é o tipo de informação que poderia nos ganhar alguns cérebros =)
  • Alexandre M. R. Filho  21/03/2013 19:45
    Leandro,

    Não é uma contradição defender um sistema bancário livre e, ao mesmo tempo, um sistema com 100% de reservas?

    Afinal, um sistema bancário livre não deveria permitir que um banqueiro fracionasse suas reservas e tentasse, dessa forma, vencer seus concorrente?

    Obrigado!
  • Wagner  21/03/2013 20:56
    Como que um banco vai fracionar reservas sem criar dinheiro falso?

    Pra emprestar dinheiro você tem que ter este dinheiro antes. Reservas fracionárias não tem nada a ver com liberdade, é um crime.
  • Paulo  21/03/2013 21:13
    E quem vai apurar e punir o crime de criar dinheiro falso? (Uma pergunta que já foi feita quando os primeiros banqueiros tinham a liberdade de agir conforme o conceito individualista de liberdade!)
  • Leandro  21/03/2013 23:23
    Há várias maneiras.

    Empresas privadas podem fazer auditorias autônomas nos bancos. Um banco pode denunciar o concorrente que estiver praticando fraude, visando a tomar seus clientes. Os próprios correntistas podem se organizar em ligas para fiscalizar seus próprios bancos. Há várias outras possibilidades que dá até preguiça de escrever.

    Arrogância é achar que, só porque você não consegue imaginar nada, todo o mercado também não conseguirá.
  • Danielbg  22/03/2013 01:50
    Há inúmeras possibilidades!! Eu adoraria esse arranjo, bastaria criar uma espécie de "banco central privado" que seria responsável por estabelecer suas regras de controle, auditorias e certificação de outros bancos privados. Aí cada cidadão é livre pra escolher um banco certificado e um banco não certificado!! O BCP com certeza prezará por sua reputação... O mercado é imteligente, as pessoas darão um jeito!
  • Leandro  21/03/2013 21:09
    Alexandre, isso nos remete àquele velho e interminável debate sobre a moralidade das reservas fracionárias, sobre elas serem fraude ou não, um desrespeito à propriedade privada ou não.

    Pessoalmente, sou agnóstico neste quesito, e procuro analisar a coisa de um ponto de vista estritamente econômico.

    Sou extremamente favorável ao free banking e o vejo como um passo enorme rumo à direção correta. Mas tal arranjo não eliminaria os ciclos e nem evitaria problemas bancários. Uma versão um tanto deturpada e um tanto intervencionista de free banking vigorou nos EUA de 1870 a 1913. Embora tenha sido uma época de prosperidade sem precedentes nos EUA, ainda assim ocorreram problemas bancários e pânicos financeiros, como o de 1907, que foi o que levou à criação do Fed.

    Segundo Huerta de Soto explica em seu livro, todo sistema free banking depende, em última instância, da confiança dos correntistas para que o sistema se mantenha. E, ainda segundo de Soto, todo arranjo deste tipo inevitavelmente descamba na criação de um Banco Central.

    De minha parte, sou apenas um observador. Vale lembrar que o IMB fez uma defesa prática do free banking.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1178

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1274

    Abraço!
  • Alexandre M. R. Filho  21/03/2013 21:46
    Obrigado pela atenção, Leandro.

    É que eu apenas acho que se a gente defender que o sistema seja com reservas de 100%, então esse sistema não é livre.

    Eu já tinha lido o caso da câmara, mas vou ler de novo.

    Obrigado mais uma vez!
  • Wagner  21/03/2013 23:13
    Não existe como essa lógica dos senhores funcionar. Um banco é obrigado a ter o dinheiro antes de poder emprestar. Em um sistema justo o banco iria pegar o dinheiro do João e literalmente emprestar pro José, neste arranjo não existe como funcionar reservas fracionárias.
  • marcos  22/03/2013 01:00
    E se as pessoas fizeram as transações dentro dos próprios bancos (usando cartões de crédito por exemplo)? Não haveria a necessidade de dinheiro real, pode ser tudo dinheiro eletrônico criado pelo banco e trocado entre correntistas dentro do banco.
    O banco só precisa de dinheiro de verdade se a pessoa sacar o dinheiro ou transferir para outro banco.
    Não entendo como você pode dizer que esse sistema não pode existir.

    Na minha opinião um sistema bancário livre em que isso não é possível, não é um sistema bancário livre. Cada banco deve poder atuar da forma que desejar (e também arcar com as consequências de suas escolhas) e cada pessoa deve poder escolher o tipo de banco que achar melhor.
  • Leandro  22/03/2013 01:25
    Não confunda movimentação de dinheiro com criação de crédito. São coisas totalmente distintas.

    Sobre tamanho dos bancos, veja estes artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1407
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387
  • marcos  23/03/2013 21:17
    E quando o banco dá um empréstimo ele simplesmente não cria digitos eletrônicos na conta bancária do correntista?
    Ele só vai precisar desse dinheiro em um "formato real" em caso de saque ou transferência pra outro banco.
  • Andre  24/03/2013 13:08
    Os bancos poderiam oferecer depósitos à prazo, em que o depositante só poderia pegar o dinheiro de volta quando o prazo esgota-se e com juros.
    Assim os bancos só poderia emprestar o que está nos depósitos à prazo.
  • marcos  24/03/2013 19:34
    Mas meu ponto é: Alguém vai obrigá-lo a fazer isso?
    Se sim, isso não é um sistema bancário livre.
    Se não, ainda existirão bancos usando reservas fracionárias. Vai caber ao consumidor escolher qual o tipo de banco que quer colocar seu dinheiro.
  • Paulo  21/03/2013 20:34
    Aonde está o "espírito-animal" do homem, para o bem ou para o mal, o medo e a coragem, nesta formulação?

    E lógico, para os "benefícios" 4 e 5, sugiro ao Jesús, descer na terra e fazer um novo milagre! Aliás, convenhamos, como colocar em "benefícios" algumas condições ex-ante para que este sistema mandrake funcione? É um tipo de tautologia sistêmica? Um moto-contínuo econômico?

    Outras questões:

    Em que espaço-tempo o padrão-ouro arrancaria tanto metal das entranhas da terra? Será que há tecnologia, capacidade de investimento e principalmente, racionalidade ecológica para sair cavando buraco pelas terras dos pólos norte e sul?
    E lógico, esta ação "coordenada" sobre os bancos, em conformidade com a "livre iniciativa", "simples" como roubar balinha de criança, exigiria somente uma, como colocar?, hiper-mega-intervenção coercitiva planetária para evitar que "O mercado" aja como "O mercado". Diria Garrincha: Tem que combinar com os russos e com os chineses, não é?

    Diriam alguns: SOMOS RACIONAIS E A EFICIÊNCIA, A EFICÁCIA E A EFETIVIDADE ADVINDAS DO MERCADO, NÃO FOSSE O ESTADO, REINARIAM!

    Pois é! Este mesmo ser tomado como "racional puro" na "ciência" de muitos economistas libertários, destituído de sua deidade e moralidade por Nietzsche, de sua consciência objetiva por Freud, de seus sistemas herméticos por Bertalanffy, de sua simplicidade por Morin, sinto informar, não existe!

    Hayek e Cia, deveriam ter na cabeça que a humanidade, ao se libertar do padrão ouro, libertou também um poder fictício muito maior do que a própria abstração de valorar o ouro pela escassez, sendo o motor desta exuberância irracional, mas real. Foi bom? Foi ruim? Se esbaldou com sua inconsequência? Fazer o quê!?
  • Leandro  21/03/2013 22:24
    "E lógico, para os "benefícios" 4 e 5, sugiro ao Jesús, descer na terra e fazer um novo milagre! Aliás, convenhamos, como colocar em "benefícios" algumas condições ex-ante para que este sistema mandrake funcione? É um tipo de tautologia sistêmica? Um moto-contínuo econômico?"

    O fato de que o ouro cresce a uma taxa de 2% ao ano é um algo empírico observado ao longo do último século. Aliás, o valor desta taxa de modo algum é uma condição ex-ante para o funcionamento do sistema. Há um artigo inteiro sobre isso.

    O mesmo pode ser dito sobre especulações financeiras. Foi exatamente o fenômeno da desvalorização contínua da moeda gerou um agigantamento do setor financeiro -- pois as pessoas, afinal, têm de adotar alguma medida para proteger o poder de compra da sua poupança --, criando justamente aquilo que os críticos do capitalismo chamam de "financeirização" da economia, arranjo em que os mercados financeiros adquirem importância central, deixando o setor produtivo, que é quem genuinamente gera riqueza, em segundo plano.

    Logo, o fim desta financeirização não é "condição ex-ante"; é, ao contrário, uma consequência inevitável da introdução deste arranjo.

    Tentou fazer ironia com algo do qual você não tem o mais mínimo domínio básico.

    "Em que espaço-tempo o padrão-ouro arrancaria tanto metal das entranhas da terra? Será que há tecnologia, capacidade de investimento e principalmente, racionalidade ecológica para sair cavando buraco pelas terras dos pólos norte e sul? E lógico, esta ação "coordenada" sobre os bancos, em conformidade com a "livre iniciativa", "simples" como roubar balinha de criança, exigiria somente uma, como colocar?, hiper-mega-intervenção coercitiva planetária para evitar que "O mercado" aja como "O mercado". Diria Garrincha: Tem que combinar com os russos e com os chineses, não é?"

    Todas estas perguntas sarcásticas, típica de quem não tem nem mesmo um conhecimento básico de teoria econômica, também são abordadas em detalhes neste artigo.

    Antes de fazer ironias (arte em que você é apenas amador), certifique-se de ao menos dominar o assunto em questão. Caso contrário, a plateia estará rindo de você e não com você.
  • Paulo  22/03/2013 00:51
    "O fato de que o ouro cresce a uma taxa de 2% ao ano é um algo empírico observado ao longo do último século. Aliás, o valor desta taxa de modo algum é uma condição ex-ante para o funcionamento do sistema. Há um artigo inteiro sobre isso."

    Poderia crescer a 5% ou outra taxa qualquer, mas evidentemente, ela não cresce de forma equitativa (entre nações ou regiões), nem de forma harmônica com outra variável qualquer, como a taxa de crescimento populacional, e muito menos, por ser um produto mineral, de forma infinita. (Já estou vendo Portugal, Espanha e Inglaterra reconstruindo as suas naves e partirem em busca de um novo Eldorado.)
    Mas explorando imaginativamente (gosto de provocar risos nas pessoas :>)), vamos admitir que exista ouro para o Chipre, por exemplo, tocar a proposição de Jésus. Acho que eles, o Chipre, não o possuem em suas reservas numa monta necessária, não tenho certeza. OK, eles estão no Euro e ação deveria ser em grupo, pelo BCE. Para efeito didático, vamos imaginar que eles abandonem o pacto e partam, com extrema coragem empreendedora, nesta jornada sozinhos. O que você acha que aconteceria com a cotação do ouro quando "O mercado" sentisse que há uma oportunidade para faturar alto na troca? E "O Mercado" iria pedir o que em troca? Uma nota promissória? Enxergou o ex-ante?

    Mas assim mesmo, se fosse possível que a procura "insana" por ouro não afetasse sua cotação e afetasse a transição de forma desestabilizante, é sério que alguém aqui acha que essa proposta "heterodoxa" seria aceita ou implementada por algum grupo político governante, destes que estão aí, de qualquer linha ideológica? Posto isso, quem foi mais sarcástico? Eu ou Jésus?

    Depois que Nixon criou a virtualidade do lastro, queimaram a ponte do caminho de volta.
  • Leandro  22/03/2013 01:43
    "Poderia crescer a 5% ou outra taxa qualquer, mas evidentemente, ela não cresce de forma equitativa (entre nações ou regiões), nem de forma harmônica com outra variável qualquer, como a taxa de crescimento populacional, e muito menos, por ser um produto mineral, de forma infinita."

    Você acabou de citar um defeito congênito das moedas de papel. Aliás, moedas fiduciárias são muito piores neste quesito: elas são criadas e entregues diretamente ao governo ou a pessoas que já possuem alto poder aquisitivo, gerando uma redistribuição de riqueza dos pobres para os ricos (entenda este processo aqui).

    Ou seja, o que você teme ocorrer no padrão-ouro já ocorre de modo ainda mais intenso no padrão fiduciário.

    De resto, não há de modo algum a imposição do ouro. A reforma sugerida foi a bancária. Qualquer país é livre para escolher a moeda que quiser.

    "Acho que eles, o Chipre, não o possuem em suas reservas numa monta necessária, não tenho certeza. OK, eles estão no Euro e ação deveria ser em grupo, pelo BCE. Para efeito didático, vamos imaginar que eles abandonem o pacto e partam, com extrema coragem empreendedora, nesta jornada sozinhos. O que você acha que aconteceria com a cotação do ouro quando "O mercado" sentisse que há uma oportunidade para faturar alto na troca? E "O Mercado" iria pedir o que em troca? Uma nota promissória? Enxergou o ex-ante?"

    Não entendi. Você está dizendo que se o Chipre saísse do euro e adotasse o ouro como moeda, isso faria com que a cotação do ouro disparasse? Por quê? Não sei se você sabe, mas a cotação diária do ouro no mercado precifica exatamente essas coisas. O Bundesbank pediu para repatriar seu ouro. China e Índia seguem comprando furiosamente. Nada de o preço disparar. As coisas não funcionam da maneira tão simples quanto você supõe.

    "Mas assim mesmo, se fosse possível que a procura "insana" por ouro não afetasse sua cotação e afetasse a transição de forma desestabilizante"

    Não leu o artigo sugerido duas vezes na última postagem. Aí fica difícil.

    "é sério que alguém aqui acha que essa proposta "heterodoxa" seria aceita ou implementada por algum grupo político governante, destes que estão aí, de qualquer linha ideológica? Posto isso, quem foi mais sarcástico? Eu ou Jésus?"

    Então o seu problema não é com a teoria. Ao contrário, aliás. Você sacou que a teoria procede e que ela, justamente por amarrar o governo, seria prontamente rechaçada pelos burocratas. Parabéns.
  • anônimo  21/03/2013 21:16
    Meu Deus, vou enviar um e-mail pra Dilma já!
  • leandro  21/03/2013 21:32
    Leandro, :

    Você poderia me informar, que linha econômica é hoje chamada de "Mainstream"?

    E quais são os principais modelos que eles utilizam, sob quais pressupostos basicos?

    Um abraço!
  • Leandro  21/03/2013 22:06
    Os manuais utilizados são neokeynesianos. Mas os professores são majoritariamente pós-keynesianos, marxistas e keynesianos ortodoxos. Alguns professores -- ínfima minoria -- são chicaguistas e adeptos da teoria escolha pública.

    Ou seja, você tem a teoria errada sendo ensinada por gente que não acredita nela porque é adepta de outras teorias tão ou mais erradas quanto.

    Aqui há um rápido apanhado dessas correntes keynesianas:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=666

    O resto, deixo para outros leitores, pois a lista é extensa
  • Rhyan  22/03/2013 00:38
    Por que é tão necessário esse crescimento de 2% a.a. simulando o ouro? Sem nenhum crescimento não seria melhor?
  • Leandro  22/03/2013 01:31
    É difícil um sistema monetário em que não haja nenhum crescimento da oferta monetária.

    Se o dinheiro for um metal, seu crescimento será inevitável. Se for uma moeda de papel, também. E por um simples motivo: exportações. O sujeito exporta e recebe dólares. Se o sistema monetário for livre, haverá aumento da oferta de dólares no país exportador.

    Curiosamente, a única forma de a oferta monetária ser extremamente rígida seria proibindo toda e qualquer moeda, exceto a oficial, de circular no país.
  • Rhyan  22/03/2013 01:40
    Talvez por isso eu consiga imaginar melhor um padrão ouro mundial ao invés de um padrão ouro singular isolado.

    Esses 2% tem alguma relação direta com a balança comercial?
  • Leandro  22/03/2013 01:47
    Está ligado à taxa de mineração. Ouro minerado será naturalmente exportado em troca de bens e serviços, fazendo com que a taxa de mineração seja aproximadamente igual à taxa de aumento deste ouro pelo mundo.
  • alex  22/03/2013 03:08
    Por que dizer que o BC "imprime dinheiro"? Sendo que ele só abaixa a taxa de juros, o que é demandado de moeda vem depois
  • Leandro  22/03/2013 06:39
    E como você acha que o Banco Central altera a SELIC? Aliás, você sabe como a SELIC é formada?

    A taxa SELIC nada mais é do que a taxa de juros que os bancos cobram (pagam) entre si no mercado interbancário para emprestar (tomar emprestado) dinheiro que possuem em suas reservas.  Os bancos recorrem a essas operações interbancárias diariamente, pois, ao final de cada dia, precisam manter um determinado volume de dinheiro em suas reservas.  (Esse volume é o equivalente a uma determinada porcentagem do total de suas contas-correntes, e é determinado pelo Banco Central.)

    As reservas bancárias, portanto, são fundos que os bancos são obrigados -- tanto por lei quanto por necessidade -- a manter disponíveis na forma depósitos à vista junto ao Banco Central. 

    Quando o Banco Central decide reduzir a SELIC, ele cria dinheiro eletronicamente e, com esse dinheiro criado do nada, compra títulos públicos que estão em posse do sistema bancário.  O dinheiro eletrônico vai então para as reservas que os bancos mantêm depositadas junto ao Banco Central (os depósitos compulsórios).

    Logo, uma redução na SELIC significa que o Banco Central está injetando dinheiro nas reservas do sistema bancário a uma velocidade maior do que antes. (Inversamente, um aumento da SELIC significa que o BC está injetando dinheiro nas reservas bancárias a uma taxa menor do que antes).

    Com mais dinheiro nas reservas, menos bancos se veem na necessidade de pedir dinheiro emprestado no interbancário (ou do público em geral via CDBs, por exemplo), e mais bancos se veem com reservas acima do nível estipulado pelo Banco Central.  É essa mudança nas condições de oferta e demanda de reservas bancárias que altera a taxa de juros no mercado interbancário.  E essa taxa de juros é justamente a SELIC. 

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=344
  • alex  22/03/2013 17:56
    E o que há de tão horrível nisso? Muito pior seria ter que dar crédito 100% lastreado em reserva.. Acho que o crescimento capitalista dos últimos tempos nem teriam ocorrido.
  • Breno  22/03/2013 19:25
    Claro, pois é a criação deliberada de dígitos eletrônicos o que gera riqueza e milagrosamente faz as coisas surgirem. Né?

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1542
  • anônimo  22/03/2013 19:33
    Diga se não é a coisa mais escrota da terra: uma galera ixpearta escreve uns numerozinhos e pronto, é dinheiro! E nosotros otários que temos que trabalhar pra conseguir aquilo.
  • Paulo  22/03/2013 11:36
    "Não sei se você sabe, mas a cotação diária do ouro no mercado precifica exatamente essas coisas. O Bundesbank pediu para repatriar seu ouro. China e Índia seguem comprando furiosamente. Nada de o preço disparar. As coisas não funcionam da maneira tão simples quanto você supõe."

    Não sabia (acabei de me inteirar em www.mises.org.br/Article.aspx?id=1509 ), em parte! Só que repatriar é uma coisa, comprar é outra. E para mim, ficou claro no texto que houve um certo cuidado estratégico para não ouriçar o mercado nesta situação e um frisson do "consultor econômico sênior" para que a coisa descolasse para cima na cotação. Interessante também é que ele reconhece o poder da demanda/oferta na influência do preço:

    "quando todos eles fizeram esforços de maneira concertada para desmonetizar o ouro, algo que só podia ser feito por meio da venda efetiva de grandes quantidades de ouro. "

    Complementando o artigo e clareando a sua colocação, é fato que a Índia sempre foi um grande comprador de ouro, mas mais por motivos culturais e descolados desta possível onda de compra e sem grande afetação na cotação do ouro. E a China? Bem, a China é até o momento, ironicamente, um enigma ao pensamento econômico. Temo até que vire um padrão a ser emulado por políticos por aí, por motivos nada liberais.

    "Então o seu problema não é com a teoria. Ao contrário, aliás. Você sacou que a teoria procede e que ela, justamente por amarrar o governo, seria prontamente rechaçada pelos burocratas. Parabéns."

    Eu não tenho problema nenhum com as teorias macroeconômicas. São os teóricos delas é que tem um probleminha com a falseabilidade do "ser humano".

    ---off topic---

    Sugestão: Seria interessante colocar o livro HIERARQUIA: EXPLORAÇÕES NA MATRIX REALMENTE EXISTENTE, do Augusto de Franco, na biblioteca do mises.org.br. É instigante e expande a visão dos desafios de libertários, abordando a gênese da hierarquia de nossas instituições. Está em domínio público como convém e creio que ele não faria objeções ideológicas. Segue o link: https://www.facebook.com/LivroHierarquiaMatrix/info
  • Daniel Alves  22/03/2013 19:05
    Nos últimos meses tenho lido e aprendido muito sobre economia, principalmente aqui no IMB. Confesso que, talvez por ter sido, por muito tempo (muito tempo...? Muuuuito tempo. Rs...), um analfabeto no assunto, o senso comum sempre me levava a crer nas ideias keynesianas, mas graças ao IMB (e a E.A. é claro!), tenho refletido melhor... Sejam sinceros: não é mais fácil um leigo acreditar nos argumentos do estado de bem estar social à acreditar no livre mercado? Ao menos é o que aponta minhas poucas experiências em debates com colegas. E foi exatamente por conta de um destes debates que eu resolvi escrever este comentário que, na verdade, é mais uma das várias dúvidas que insistem em resistir mesmo após tantos artigos lidos... Penso que devo reler os artigos e prestar mais atenção... Perdoem este ser em transformação! Mas a confusão é a seguinte: Estava pensando no porquê de tantos economistas de formação serem intervencionistas... Isso mesmo, ECONOMISTAS, não leigos como eu. Então comecei a esquadrinhar em minha mente, procurando pelo possível raciocínio que justificaria esta tendência dos intelectuais em teorias econômicas em debandarem para o lado oposto aos missenianos , aliás, se existe algum empecilho ainda que me impeça de gritar, SOU ANTI-KEYNESIANOS! É esta tara dos economistas por este estado intervencionista (calma... Falo da maioria!). Imaginei a seguinte situação hipotética (nem tão hipotética assim, né...?): Pedro resolve criar um banco, como manda a lei, ele deixará apenas 28% dos depósitos no BC. João resolve depositar R$ 100,00 no Pedro-bank, e viver do juro (vixe! Relevem...). Maria pega R$ 78,00 emprestado do Pedro-bank para abrir uma empresa (de novo... Por favor, tenham mais paciência). Depois de um tempo a empresa de Maria afere lucros e ela paga o empréstimo. Resultado final: João, Pedro e Maria saíram ganhando... Este deve ser o pensamento Keynesiano, certo? Onde está o erro? Grato!
  • anônimo  22/03/2013 19:23
    O problema é que se o Pedro quisesse o dinheiro dele de volta ele não teria, ele só achava que estava guardado no banco mas não estava
  • Breno  22/03/2013 19:30
    Erro nenhum, pois no seu exemplo João em momento algum usou o seu dinheiro. Ou seja, o crédito que Maria usou adveio da poupança real de João. O banco na prática não criou meios fiduciários.
  • mauricio barbosa  23/03/2013 03:10
    Breno você está analisando o caso de um banco isolado,agora você se esqueceu de que um banco isolado não cria moeda do nada,mas sim os bancos em conjunto,ou seja o efeito multiplicador da moeda e a expansão do crédito é gerado desta forma ,pelos bancos veja bem os bancos sendo que o banco central dá o suporte injetando dinheiro para tentar estabiliza-lo mas como o risco moral é tentador eles entram na farra do crédito fácil pois sabem que o banco central vai socorre-lo em último caso.
  • ANDRE LUIS  23/03/2013 01:18

    Entendo que não se fale muito aqui no IMB sobre o destino de todo o dinheiro criado do nada, além de seu desperdício em investimentos errôneos, afinal este é um site de economia, não de análise política.

    A concentração da propriedade de bancos e grandes empresas nas mãos de poucos conglomerados é um fenômeno nem tão recente. Ignorar a atuação destes agentes em conjunto, seus planos já nem tão secretos e sua estratégia de ação resulta numa falsa análise de conjuntura, que pode sim levar a erros graves, principalmente em caso de se levar a termo uma proposta como a do prof Jesus.

    Não quero entrar fundo neste assunto, apenas deixar algo a ser refletido pelos demais leitores. Suponhamos que tal concentração de poder e dinheiro por meio do comando (formal ou informal) de bancos privados, bancos centrais, governos, empresas petrolíferas, telecomunicações e etc esteja formando uma elite com poder jamais testemunhado antes na história, e este reduzido grupo esteja formulando há décadas estratégias para aumentar o seu poder, com sucesso absoluto. Tudo isso ocorrendo fora do alcance do mundo acadêmico e da mídia, e com implicações além de econômicas, culturais, políticas e militares.


    A questão é: Será que alguém poderia se arriscar a fazer análises precisas de conjuntura, sem levar em conta este fenômeno?













  • Vítor Jó  23/03/2013 06:59
    Uma boa forma de um país crescer sem poupança é tomando emprestado. Acho que as reservas são realmente muito pequenas, mas 100%? Empréstimos diretos, então? Ter-se-ia um crescimento muito lento, penso. E em todo o mundo. Isso se crescesse... Sou ainda novo na área, se puderem me dar mais otimismo quanto a isso, ficarei grato.

    Obrigado
  • Daniel Alves  23/03/2013 11:18
    ops...! Foi mesmo... Esqueci de acrescentar a criação de dinheiro do nada como já, várias vezes, mencionado, especialmente por Leandro, no artigo sobre a SELIC. Vamos lá então: Digamos que o dinheiro do investimento de Maria foi parar no banco de outro personagem, Rafael(Rafa-BANK). logo, ele deposita R$ 22,00 no BC e empresta 56(R$ 78,00 - 28% = 56; e, 78-56=22) para Lucas, que também investe em uma padaria que, mais tarde, obtém lucro e paga o empréstimo... Uff! Pronto, está feito o dinheiro do nada. Minha real dúvida é: Não seria os economistas(os não austríacos) a favor de tal sistema por que ele possibilita, suponho, que pessoas desprovidas de capital, mas com interesse e força de vontade, possa abrir um negócio? E isso não é produção de riqueza?
  • Daniel Alves  23/03/2013 11:30
    pronto...! A dúvida de Vítor Jó é muito semelhante a minha. Acho que eu enrolei demais...
  • Daniel Alves  25/03/2013 17:13
    Aah, acho que entendi... Baseando-se em outros arigos penso que o argumento será: Os EUA dos anos de padrão ouro e ausência de BC é um ótimo exemplo de que o crescimento sem moeda fidunciária (empréstimo a 100%) não é pequeno; Os ciclos econômicos com períodos de recessões demostra os riscos de operar com dinheiro sem lastro; (...) Alguém poderia corrigir isso, ou, acrescentar mais alguma motivo? obrigado!
  • Vitor Jo  26/03/2013 03:13
    Também aguardo mais comentários esclarecedores sobre o tema.

    =)
  • Leandro  26/03/2013 04:04
    Daniel e Vitor,

    Criar dinheiro do nada não é sinônimo de criação de riqueza. Um banco criar dígitos eletrônicos que lhe permitam abrir uma padaria sem dúvida será algo bom para você, mas será ruim para todas as outras pessoas não diretamente envolvidas neste esquema.

    Para elas, haverá menos recursos disponíveis, pois você, em decorrência do "privilégio" de ter recebido dinheiro falsificado antes de todo o resto da população, se apropriou destes recursos.

    O fato de você ter se apropriado destes recursos em decorrência desta simples criação de dinheiro faz com que os preços destes recursos aumentem para todas as outras pessoas. Você se beneficiou, todo o resto perdeu. Você ganhou poder de compra, todo o resto perdeu.

    É claro que, tomando-se apenas um exemplo isolado, esse processo de criação de dinheiro não parece ser grandes coisas. No entanto, generalize esta ocorrência para toda a economia e você terá um arranjo em que as pessoas utilizam dinheiro falsificado para se apropriar de recursos escassos, prejudicando todas as outras pessoas que não fazem uso deste esquema. Para estas, sobrará apenas preços mais altos.

    Em uma economia "normal", você só pega emprestado o dinheiro daquela pessoa que voluntariamente abriu mão dele, isto é, daquela pessoa que está genuinamente poupando, que decidiu passar algum tempo sem gastar seu dinheiro. Neste processo, não há criação de dinheiro e não há privilégios. Você consome aquilo que outra pessoa voluntariamente abriu mão de consumir. Neste arranjo, não há como haver aumento generalizado de preços. Neste arranjo, há uma coordenação na economia. Se há mais pessoas poupando, os juros caem e os empreendimentos são feitos. Se há poucas pessoas poupando, os juros sobem, o que torna mais atrativa a poupança, voltando ao primeiro estágio.

    Desnecessário dizer que todo este processo de criação de dinheiro está no cerne dos ciclos econômicos, como explicam os mais de 500 artigos deste site sobre o assunto.

    Vejam também estes artigos:

    Economistas de fato acreditam que é possível conseguir algo em troca de nada

    Juros, preferência temporal e ciclos econômicos

    O sistema bancário brasileiro e seus detalhes quase nunca mencionados

    Explicando a recessão europeia
  • evandro  26/03/2013 22:41
    Tenho uma duvida ... qto é a porcentagem que os bancos brasileiros tem que manter em relação ao dinheiro emprestado, no atual modelo de reservas fracionarias? E essa ''reserva'' é mantida onde, nos cofres do banco ou no Bacen? Essas reservas são ''intocáveis''? Dinheiro na conta corrente conta como ''reserva''? O que mais conta? Já li num artigo aqui, mas nao entendi direito, se puderem me responder estas perguntas da maneira mais simples possível agradeço... grato.
  • Leandro  26/03/2013 23:00
    "qto é a porcentagem que os bancos brasileiros tem que manter em relação ao dinheiro emprestado, no atual modelo de reservas fracionarias?"

    Não é em relação ao dinheiro emprestado, mas sim em relação ao dinheiro depositado.

    Eis os valores:

    Depósitos em conta-corrente: 44%

    Depósitos em poupança: 20%

    Depósitos a prazo: 20%

    Além disso, há uma modalidade chamada "exigibilidade adicional" que utiliza uma fórmula complicada que pega todos esses três depósitos, faz uma ponderação e, no final, coloca mais 11% sobre depósitos a prazo e 10% sobre depósitos em poupança.

    Nos últimos dois anos, o BACEN mexeu quase que a cada dois meses nesta última modalidade.


    "E essa ''reserva'' é mantida onde, nos cofres do banco ou no Bacen?"

    Em ambos. Os bancos podem escolher o arranjo que preferirem. Eles tendem a deixar a maior parte no BACEN, pois lá rende juros.

    "Essas reservas são ''intocáveis''?"

    Não entendi.

    "Dinheiro na conta corrente conta como ''reserva''?"

    Não. Dinheiro na conta-corrente é um depósito como qualquer outro. Como explicado acima, dinheiro na conta-corrente está sujeito a um compulsório de 44%.
  • evandro  27/03/2013 00:01
    Só mais uma pergunta, pode parecer idiota, mas p que eu não tenha duvida: supondo que eu deposite 100 reais na caderneta de poupança de determinado banco, o banco teria que manter como ''reserva'' 20 reais e poderia emprestar os outros 80 reais, para outras pessoas ok? Supondo, só p facilitar o raciocínio, que eu fosse o unico depositante deste banco, ele não poderia emprestar mais que os 80 reais para ninguem, correto, ou ele pode ''criar'' mais digitos na conta de alguem alem destes 80 reais? grato.
  • Leandro  27/03/2013 00:33
    Ele poderia emprestar os $80 para qualquer pessoa que fosse ao banco e pedisse empréstimo. A pessoa não necessariamente tem de ser correntista do banco.

    O que interessa é que, no final do dia, é necessário haver uma reserva de pelo menos $20 lastreando seu depósito em poupança de $100.

    Observe que, se o banco não emprestar nada para ninguém, de modo que há apenas a sua conta ali, ele estará operando com 100% de reservas.
  • evandro  27/03/2013 11:22
    Minha duvida é se nesse caso ele pode emprestar mais que os 80 reais... pelo que entendi o maximo que ele teria nessa situação para ''oferecer'' como emprestimo são os 80 reais... ele não poderá emprestar mais que isso via criação de dígitos... ok... estou certo agora? Quero ter clareza disso para poder debater...grato.
  • Leandro  27/03/2013 11:44
    Correto.
  • evandro  27/03/2013 13:49
    Entendi o conceito agora acredito...é por aqui? A ''expansão'' então para ocorrer ''alem disso'' via criação de dígitos, sem considerarmos o aumento da poupança, considerando apenas o aumento da oferta de crédito, teria que se dar com os bancos ofertando mais crédito e esse dinheiro que os correntistas tomassem emprestado indo parar posteriormente nos bancos, que entre eles fariam os ajustes, via pagto da taxa SELIC, assim possibilitaria, mesmo sem o aumento da poupança dos cidadãos, um aumento das reservas fracionárias dos bancos, possibilitando assim com esse processo, aumentar a expansão do credito INDEFINIDAMENTE, mesmo sem aumento na taxa de poupança dos brasileiros, correto?
  • evandro  27/03/2013 22:25
    alguem pode responder minha ultima pergunta?
  • Giancarlo  28/03/2013 00:05
    Olá Evandro,

    Não compreendi perfeitamente tua pergunta, mas creio que este vídeo te auxilie. É só ativar as legendas.

    www.youtube.com/watch?v=5oioHx_-OyA

    Abraço.
  • evandro  28/03/2013 11:49
    thanks...e se alguem puder explicar aqui, agradeço tambem...
  • Leandro  28/03/2013 12:27
    Não é indefinidamente. O Banco Central tem de estar injetando dinheiro para que possa ser indefinidamente. Sem injetar dinheiro no sistema, haverá um momento em $1 estará lastreando trilhões, e aí qualquer saque bancário poderá aniquiliar todo o sistema.

    Esse artigo explica isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387
  • Blah  28/03/2013 12:57
    haverá um momento em $1 estará lastreando trilhões, e aí qualquer saque bancário poderá aniquiliar todo o sistema.

    Adendo: eu achei curiosa aquela estatísticas relativa à alavancagem dos bancos estatais no Brasil. Mais de 20x, corrijam-me se eu estiver errado. Isso quer dizer que uma desvalorização de 5% nos seus ativos já é suficiente para quebrar o banco, correto?
  • Leandro  28/03/2013 13:28
    Correto.
  • Rhyan  28/03/2013 15:33
    Num sistema de reservas cheias não há necessidade de compulsório para poupança, certo?

    Não seria definido o tempo de empréstimo com os juros? P.e.: empresto $500 ao banco por x anos.
  • Leandro  28/03/2013 15:51
    Não é necessário desde que a poupança não se comporte como um depósito à vista, isto é, um depósito que você pode movimentar via cheque ou cartão de débito. As poupanças atuais no Brasil permitem tal movimentação.

    Quanto aos juros, essa é uma das opções. Cada banco -- você poderia abrir um banco -- faz a política que achar mais atraente.
  • Vitor Jo  30/03/2013 21:31
    Muito legal os comentários aqui e todo o debate.

    Valeu, pessoal.
  • Lucas   08/03/2014 23:59
    Após essa reforma não existiria mais a "taxa básica de juros" e o "mercado interbancário" tal como é tido atualmente, também deixaria de existir?
  • Leandro  09/03/2014 00:34
    Nada impede que o mercado interbancário -- bem como a taxa de juros nele vigente -- continue existindo. Por exemplo, caso um banco restituísse um depósito a prazo antes do seu tempo de maturação (por algum motivo inesperado), ele provavelmente teria de vender ativos para outros bancos para conseguir esse dinheiro da restituição.
  • Henrique  21/05/2014 14:43
    Sobre o sistema bancário suíço, naquele país o compulsório é de apenas 2%.

    (1) O que impede os bancos suíços de criarem dinheiro a rodo é apenas a prudência?

    Me recordo de ter lido uma explicação do porquê o compulsório brasileiro ser tão alto, justificado pela baixa concorrência no setor bancário.

    (2) Qual a relação entre a taxa do compulsório e o grau de concorrência do setor?

    Grato.

  • Leandro  21/05/2014 15:01
    "O que impede os bancos suíços de criarem dinheiro a rodo é apenas a prudência?"

    Também. Mas, principalmente, o desejo da população de se endividar. Se a população não quer pegar muitos empréstimos (ou seja, se endividar excessivamente), não há como os bancos criarem dinheiro a rodo.

    O mesmo raciocínio é válido para o governo: se ele não incorrer em volumosos déficits orçamentários, os bancos não irão criar dinheiro para emprestar para ele

    "Qual a relação entre a taxa do compulsório e o grau de concorrência do setor?"

    Em teria, quanto menor o número de bancos, mais seguro é para eles criarem dinheiro. Isso foi explicado em detalhes aqui e aqui.

    No entanto, vale dizer que o compulsório é um instrumento que, na prática, já se revelou pra lá de inócuo. Tanto é que as principais economias do mundo ou já o aboliram ou o reduziram a valores ínfimos. Na Austrália, na Nova Zelândia, no Canadá, no Reino Unido e na Suécia, ele foi abolido. Na zona do euro, ele é de 1%. Na Suíça, ele é de 2,50%. Veja a lista aqui.

    Explicar por que o compulsório tornou-se inócuo exigiria um artigo à parte, mas é suficiente dizer que eles foram anulados pela própria existência dos Bancos Centrais. A partir do momento em que existe um Banco Central fixando uma taxa de juros e estando disposto a oferecer aos bancos a quantia necessária de reservas para evitar que estes juros subam, a quantidade de reservas compulsórias perde a importância. Afinal, a função do compulsório é justamente restringir os bancos. Porém, tal restrição levaria ou a um aumento dos juros ou a um congelamento geral do crédito. E nenhum BC quer isso. Na prática, portanto, os próprios BCs anulavam a efetividade do compulsório.

    Se você for fluente em inglês, essa monografia do Banco da Inglaterra explica bem por que o compulsório se tornou inócuo.
  • Henrique  02/07/2014 13:35
    "A redução da expansão do crédito faz com que a renda nominal dos consumidores, que até então era crescente, se estagne. Como os preços ainda seguem crescendo, e como os consumidores estão mais endividados, sua capacidade de consumo estará afetada."

    Isso me lembrou um questionamento que me fiz há certo tempo, mas não encontrei uma resposta.

    Existe alguma explicação mais formal sobre esse atraso temporal que ocorre entre a expansão crescente de crédito e o aumento no nível de preços e -- vice-versa -- o arrefecimento desse ritmo, enquanto os preços ainda crescem até que se estabilizam e (raramente) comecem a cair? Ou tudo isso é explicado pelo simples fato de que leva um tempo até que as pessoas compreendam os sinais (distorcidos) da economia?

    Em tempo, é garantido que uma expansão creditícia artificial fatalmente gerará aumento de preços em algum momento?

    Grato.
  • Fernando  05/11/2014 13:07
    Esse artigo foi recomendado pelo Leandro na seção de comentários desse outro artigo como o melhor artigo sobre reforma da previdência. Mas eu falhei como seria feita tal reforma de acordo com o que foi proposto no artigo.

    Se alguém puder jogar uma luz nesse assunto, fico grato.
  • Igor de Souza Yabiku  08/11/2014 23:26
    Deixa eu ver se entendi:

    1 - Então, um modo de reduzir a dívida interna tupiniquim seria lastrear em 100% os depósitos bancários em concomitância com a abolição do sistema de reservas fracionárias e transformar os títulos do governo em fundos de investimento (em bancos privados) para quem neles investiu (nos títulos do governo), cancelando assim parte da dívida do governo com pessoas e empresas que a ele emprestaram ou nele investiram seu precioso dinheirinho?

    2 - Visto que os bancos privados agora teriam liquidez poderiam também as pensões da previdência serem transformadas em fundos de investimento, desonerando ainda mais a parcela produtiva da população?
  • Daniel  07/06/2015 02:28
    Tenho uma dúvida sobre como o governo injetaria esses 2% de ouro na economia, se ele não pode expandir por meio de dividas, ele simplesmente "gastaria" esse ouro?

    Não sei se fui claro, o governo atual expande a base monetária por meio dos bancos e criando títulos certo? Sem essas ferramentas ele apenas criaria esses 2%?

    Obrigado.
  • Alves  07/06/2015 14:34
    Não é o governo que vai "injetar ouro", mas sim o mercado privado. O ouro é extraído da terra e, historicamente, isso ocorre a uma taxa de 2% ao ano.

    Só isso.
  • Daniel  08/06/2015 17:28
    Entendi Alves, muito obrigado!
  • Thiago Teixeira  17/10/2015 18:51
    Leandro, desculpa por desenterrar o artigo.

    Gostaria de compará-lo como sua proposta de cambio fixo para o Brasil.
    Bem, creio que sua proposta de cambio fixo de fato seja a mais adequada para o Brasil. E vários outros países bagunçados.
    Para os que tem relativo sucesso com o cambio flutuante, e são ortodoxos na conducao da base monetária, essa reforma do de Soto seria melhor. Para os EUA, é a única possível.

    Num cenário em que os EUA seguissem à risca essa transiçao, mesmo que parassem na fase de ausencia de reservas fracionarias mas mantendo o Fed, e este orquestrando a expansao monetaria continua de 2%aa, já seria uma grande bênção; aí o dólar poderia se tornar a âncora mundial, a âncora de todas as moedas do mundo; obviamente, isso dependeria de uma tremenda confiança no Fed.

    (Uma curiosidade: se algumas moedas fixassem sua taxa de expansão, e se essa taxa fosse a mesma, em pouco tempo o cambio ficaria naturalmente fixo, não? Mas ainda seriam guardadas algumas diferenças com a adoção do currency board)

    Li aqui em outro artigo que quem mais se aproximou desse modelo foi o Japão, com o Yene, né?
    E o Euro, como tem se comportado?

    Bem, eu me sentasse na cadeira de presidente do BACEN, e tivesse autonomia, e o Brasil tivesse perpectiva de responsabilidade política contínua (quanto "ses"...), o melhor arranjo para a moeda fiduciária seria um regulamento rígido, contemplando o modelo do de Soto. Haveria valorização contínua em relação a todas as moedas mundiais! Seria interessantíssimo liberar as outras moedas para circularem aqui.

    Ah, mais uma questão: qual a importancia das reservas cambiais para um país que adota o cambio flutuante, e só faz política monetária? Elas seriam totalmente desnecessárias se as moedas estrangeiras fossem de livre circulacao no país, não?
  • Thales  25/11/2015 12:16
    Mas a produção de ouro, tem como aumentar? é um recurso escasso, ele não dura pra sempre. E se as reservas de ouro acabassem, como seria sustentado o crescimento econômico? Se há X ouro no mundo disponível, como crescer?
  • Pobre Paulista  12/06/2016 20:55
    Ué, a moeda irá se fortalecer, criando demanda para novas moedas. Nada demais.
  • Guerra  05/07/2016 21:09
    Bom dia senhores.
    Estudo economia como autodidata há algum tempo e gostaria de saber a opinião de vocês acerca de algumas ideias sobre um novo modelo bancário que tenho e que vou tentar explicar utilizando esta proposta do autor Jesús Huerta de Soto como base. Vamos considerar em princípio que uma eventual reforma bancária seria parte de uma reforma completa no Estado (política, tributária, previdenciária, trabalhista, etc...) e sua discussão tornaria este texto demasiadamente extenso. Minhas considerações serão baseadas nos três tópicos propostos pelo autor com ênfase nos bancos, e destacando apenas algumas de suas implicações. São elas:
    1. "Abolição da prática das reservas fracionárias e o restabelecimento de 100% de reservas para todos os depósitos em conta-corrente e demais depósitos que na prática funcionem como conta-corrente (como aqueles depósitos em poupança que podem ser movimentados por meio de cheque ou cartão de débito);": Concordo com o autor, pelas próprias explicações da escola austríaca sobre os efeitos da criação de dinheiro sem lastro.
    2. "Abolição dos bancos centrais, que, além de serem intrinsecamente perniciosos por atuarem como uma agência de planejamento central, também estimulam e intensificam o risco moral ao funcionarem como emprestadores de última instância. Adicionalmente, um banco central se torna imediatamente desnecessário caso o primeiro princípio seja aplicado; e": Um novo banco central teria as atribuições de criar a moeda, cujo destino seria o Tesouro Nacional e não a rede bancária como no modelo atual; e somada à arrecadação de tributos, esta criação seria responsável por prover os recursos financeiros para o Estado (fazendo aqui parte da reforma tributária); e partindo-se do princípio de que todo dinheiro deve ter lastro (para não ser inflacionário), sua criação poderia ser feita parte com lastro de commodities metálicas recicláveis (incluindo o ouro) – demandando alteração no atual código de águas e minas, e parte através da transação externa, que tentarei explicar no tópico seguinte; e, se parte do dinheiro será gerado através de transação externa, um banco central é necessário, admitindo-se, claro, que todos aceitam o padrão monetário atual (no caso, o Real) como meio de pagamento no país.
    3. "Desestatização do dinheiro, que atualmente nada mais é do que uma moeda fiduciária, sem nenhum lastro, emitida monopolisticamente pelo estado, sem nenhuma restrição. Deve haver completa liberdade de escolha da moeda (a tendência é que o ouro seja a escolha predominante).": Sobre a criação de moeda através da transação externa mencionada no tópico anterior, esta poderia ser feita de duas maneiras:
    a) No caso de acordos bilaterais de comércio, seria criada uma caixa de conversão (algo parecido com o modelo adotado no Convênio de Taubaté de 1906) para cada moeda a qual o país tem negócios e com a paridade cambial entre as moedas seguindo as regras de mercado. Por exemplo, vamos admitir que em um determinado instante de tempo, a paridade cambial USD x Real esteja 1 x 4 (um dólar valendo 4 reais) e que uma empresa do Brasil vendeu R$ 10.000,00 para um cliente nos Estados Unidos; a criação do dinheiro seria feita da seguinte maneira: o agente bancário nos USA retira da conta do cliente USD 2.500,00 (correspondente aos R$ 10.000,00 da transação) e envia ao banco central americano informando os dados do banco de destino; o banco central americano envia este valor ao tesouro americano e informa ao banco central do Brasil o banco de destino e o valor da transação; o banco central do Brasil cria R$ 10.000,00 que será creditado na conta corrente de destino e o mesmo valor é criado e enviado ao tesouro nacional do Brasil. Neste caso o comprador americano possui um bem no valor de USD 2.500,00 e o tesouro americano tem o mesmo valor (lastro), sem haver alteração na base monetária do país; e o vendedor brasileiro recebe os R$ 10.000,00 e colabora com o aumento da riqueza do país no valor correspondente.
    b) Uma segunda opção (penso que a melhor) seria a adoção da moeda única proposta por Keynes em Bretton Woods, que funcionaria como objeto conversor de moedas e referência de preço internacional para as commodities. Um pouco diferente do exemplo da caixa de conversão, as paridades cambiais seriam em relação à unidade (a moeda única); no caso do exemplo acima, se imaginarmos que neste mesmo instante de tempo um dólar estiver valendo uma unidade de moeda única, na paridade cambial da caixa de conversão o valor de R$ 1,00 será correspondente a 0,25 unidades da moeda única.
    Da adoção de um dos exemplos acima se pode esperar o fim das crises na balança de pagamento (pois na prática toda moeda será conversível, com a riqueza sendo gerada no padrão monetário de cada país); e se parte da receita do Estado é feita através da geração de dinheiro da transação externa, é possível zerar as tarifas de importação e exportação, melhorando o comércio entre as nações (que pode ser também uma maneira de mostrar a validade da teoria das vantagens comparativas de David Ricardo). O trabalho entre os bancos centrais dos países e o banco central mundial (como propôs Keynes) seria apenas chancelar as transações externas e gerar parte do dinheiro através destas , que podendo ser feitas eletronicamente, pois a tecnologia permite. Assim, o Estado também não determinaria taxas de juros (também seriam feitas pelas regras do mercado) podendo-se afirmar que este modelo bancário seria 100% austríaco.
    Qual é a opinião de vocês sobre esta ideia? Conseguiram entender o raciocínio? Seria factível?
    Obrigado a todos.



  • Murdoch  02/12/2016 00:50
    Uma dúvida:

    "A proposta é que seus proprietários sejam aqueles que estão hoje em posse de títulos da dívida do governo. A ideia é simples: os proprietários dos títulos do governo abririam mão deles e, em troca, receberiam quotas de valor correspondente nestes fundos de investimento. Os títulos da dívida do governo seriam consequentemente cancelados."

    E se eles não abrirem a mão dos títulos governamentais para ter quotas no fundo de investimento?





  • Acácio  02/12/2016 01:01
    Ué, aí eles teriam em mãos algo que não valeria absolutamente nada.

    A proposta é exatamente cancelar os títulos sem prejudicar seus detentores. Se o cidadão -- por algum motivo irracional -- quiser se apegar aos papéis do governo (que não valem mais nada), que o faça. Mas ficará com algo cujo valor é zero.

    É o equivalente ao sujeito que, durante a troca das pesetas espanholas pelo euro, não quis abrir mão das pesetas em troca do euro. Ficou com algo sem valor nenhum.
  • Murdoch  02/12/2016 13:32
    Mas para esse plano se concretizar, eles teriam que abrir mão dos títulos e assim a dívida seria cancelada, sem os detentores abrirem mão dos títulos não tem como cancelar a dívida.
    E alguns detentores obviamente não vão aceitar os termos, já que o investimento nos títulos é uma forma mais segura de investir.
  • Ricardo  02/12/2016 14:03
    Acho que você não entendeu ainda. Vou reescrever o que você disse, utilizando que algo que aconteceu de fato no Brasil:

    "Mas para o Plano Real se concretizar, os brasileiros teriam de abrir mão dos cruzeiros reais (moeda anterior ao real) para que eles fossem abolidos. Se os brasileiros não abrissem mão de seus cruzeiros reais em troca de reais, o cruzeiro real continuaria valendo até hoje

    E alguns detentores de cruzeiros reais obviamente não vão aceitar os termos, já que deter cruzeiros reais é uma forma mais segura de garantir sua riqueza."

    Percebeu o problema?

    Os títulos públicos serão cancelados. Seus detentores adquirirão cotas em fundos de investimento com o mesmo valor. Não perderão nada.

    Eles perderão, aí sim, se quiserem ficar em posse de títulos públicos que não mais valerão nada. E dado que eles não mais valerão nada, não faz sentido dizer que eles são "uma forma mais segura de investir".
  • Murdoch  02/12/2016 14:57
    Ricardo, consegui compreender o raciocínio.
    "Os títulos públicos serão cancelados. Seus detentores adquirirão cotas em fundos de investimento com o mesmo valor. Não perderão nada. "

    Eu sei disso, mas a questão era sobre o risco de investimento dos fundos, diversos investidores preferem investir em títulos do que renda fixa ou fundos de investimento, por isso haveria certamente resistência.

    Mas obrigado pela resposta.


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