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Sobre o assalto cipriota

Até o último fim de semana, a abordagem básica da União Europeia para socorrer países endividados era repassar a eles dinheiro que os tornasse capazes de honrar o pagamento de suas dívidas e de outras despesas correntes, dentre elas os maciços programas de bem-estar social de sua população.  Em troca deste dinheiro, ficava estipulado que o governo reduzisse algumas despesas e aumentasse impostos.  Adicionalmente, pedia-se àqueles que haviam comprado títulos da dívida do governo que sofressem algumas perdas.

Porém, com o Chipre, as coisas tomaram um rumo distinto.  Para evitar ter de cortar gastos e aumentar impostos, o presidente do Chipre anunciou que o governo iria simplesmente expropriar o dinheiro que seus cidadãos haviam depositado nos bancos daquele país.  Aqueles que tivessem depósitos acima de €100.000 teriam 10% do seu dinheiro confiscado.  Aqueles com depósitos menores que €100.000 teriam aproximadamente 7% do seu dinheiro confiscado.

Embora tal medida ainda tenha de ser aprovada pelo parlamento do Chipre, a decisão de implantá-la foi tomada por burocratas da zona do euro em uma reunião fechada.  Caso o governo cipriota recuse esta proposta, a zona do euro não irá fornecer um pacote de €10 bilhões para socorrer os insolventes bancos do Chipre.

Os bancos do Chipre se tornaram insolventes após os líderes da zona do euro terem decidido que os títulos da dívida grega seriam "reestruturados" — leia-se "parcialmente caloteados".  Como os bancos do Chipre haviam comprado vários destes títulos, eles tiveram perdas substanciais.

A história está sendo amplamente coberta pela mídia mundial, e por um bom motivo.  Os eurocratas sempre disseram que as contas bancárias eram sacrossantas.  Eles sempre prometeram que não tocariam nelas.  Com o anúncio desta medida a ser adotada no Chipre, os eurocratas estão dizendo "nós mentimos".  No entanto, estes mesmos eurocratas estão assegurando a todos os correntistas da zona do euro que isso não acontecerá novamente, que se trata de uma medida excepcional, a ser implementada uma única vez.  "Confiem em nós".

Os relatos são de que o presidente do Chipre, na reunião de domingo, implorou ao parlamento do país para que implantasse as taxas.  O mais curioso é que, durante sua campanha eleitoral, ele havia prometido aos eleitores que jamais, em hipótese alguma, iria tributar suas contas bancárias.  E ele reforçou este compromisso em seu discurso de posse: "Não será tolerada absolutamente nenhuma referência a tributação de depósitos ou calote parcial na dívida".  Para se certificar de que havia sido perfeitamente claro, ele acrescentou: "Este assunto nem sequer está em discussão".

Tradução: sempre que um político promete enfaticamente que não fará algo, tenha a certeza de que esse algo já está em fase final de planejamento.

Os rumores de que este plano estava sendo analisado nos corredores do quartel-general da União Europeia já circulavam na imprensa havia mais de um mês.  Os correntistas cipriotas poderiam ter transferido seus euros para bancos alemães.  Eles poderiam ter sacado seu dinheiro.  Mas o presidente havia dito que as contas bancárias eram sacrossantas.  E as massas acreditaram.  E ficaram quietas. 

É isso o que acontece quando você deixa seu bom senso de lado e aceita as promessas de políticos.

O parlamento cipriota decidirá a respeito das taxas na tarde desta terça-feira.  Se o parlamento recusar, o presidente será um pato manco pelo resto de seu mandato.

O governo fechou os bancos para impedir que os correntistas movimentassem suas contas e sacassem dinheiro.  A imprensa se refere a esta medida como um "feriado" bancário.

Caso o governo do Chipre postergue a imposição destes tributos, está claro o que qualquer cipriota racional deveria fazer: ligar para seu banco e transferir seus euros para um banco alemão assim que o "feriado" bancário acabar.

O governo pode abrir os bancos sem ainda ter aprovado os impostos.  Boom!  Haverá uma corrida bancária.  Para evitar isso, ele terá de manter os bancos fechados.  Mas isso irá paralisar a economia, podendo gerar uma depressão.  Ou ele pode aprovar os impostos e só então abrir os bancos.  Ainda assim, a tendência é que haja uma corrida bancária.  "Engane-me uma vez, que vergonha para você.  Engane-me duas vezes, que vergonha para mim." 

Os eurocratas que, em conjunto com o FMI, criaram este plano durante o fim de semana certamente sabiam que ele desencadearia uma corrida bancária.  Se eles não previram isso, então eles são economicamente ignaros.  Será que eles creem que o rebanho ficará quieto uma segunda vez, pacificamente esperando ser tosado?  É difícil de acreditar.

Mas eles também não imaginavam que o governo fosse postergar a implantação dos impostos.

Minha opinião: creio que tudo isso é deliberado.  Eles sabiam que toda essa reação, com ameaça de corrida bancária e tudo mais, iria ocorrer.  Os eurocratas estão enviando um recado para todos os outros políticos dos PIIGS: "Salvem vocês os seus próprios bancos.  Caso contrário, preparem-se para uma corrida bancária igual à do Chipre".  O objetivo deles é justamente gerar uma corrida bancária no Chipre.  Eles querem enviar uma mensagem para todos os outros governos da zona do euro que estão acomodados e tranquilos, operando sob a pressuposição de que a zona do euro irá sempre socorrer suas dívidas ou socorrer seus bancos.  Não irá.  Não tem como.  Ela não tem o dinheiro.  Os eleitores dos países mais solventes não permitirão que seus respectivos governos transfiram seu dinheiro para o governo dos países mais pródigos.

Os eurocratas escolheram o Chipre para servir de exemplo porque se trata de uma ínfima nação insular, responsável por apenas 0,2% do PIB europeu.  Se os bancos do Chipre quebrarem, e daí?  Se seus políticos resolverem sair da zona do euro, e daí?  Uma crise bancária no Chipre é exatamente o que os banqueiros do norte precisam para enviar um recado: "Não haverá mais tolerância.  Coloquem suas contas em ordem.  Cuidem de seus bancos".  Isso irá assustar os políticos mediterrâneos.

No entanto, é uma medida bastante arriscada.  Ela pode ter o efeito colateral de deixar os correntistas da zona do euro ainda mais assustados que seus políticos.  Isso pode desencadear corridas bancárias na Espanha, na Itália e em Portugal.  Se eu tivesse dinheiro nos bancos de qualquer um destes países, transferiria para um banco alemão.

Mohammed El-Erian, CEO da Pimco, o maior fundo de investimentos do mundo voltado para títulos governamentais, disse o seguinte: "Na Europa, esta ocorrência pode perfeitamente solapar o até então tranquilo comportamento dos correntistas e dos credores em outras vulneráveis economias europeias — em particular na Grécia, na Itália, em Portugal e na Espanha.  Não obstante as repetidas garantias dadas por burocratas europeus de que o caso do Chipre é 'excepcional' e de que as medidas adotadas são 'singulares', as políticas criadas neste fim de semana aumentaram o prêmio de risco sobre os títulos das dívidas destes países".

Foi um ato de desespero dos burocratas da zona do euro.  Eles estão arriscando fomentar uma corrida bancária na Itália e na Espanha.  Aqueles correntistas que não quiserem ser tratados como os cipriotas têm apenas uma saída: transferir seu dinheiro para bancos alemães.

Os burocratas da zona do euro têm de estar realmente muito desesperados para anunciar uma política tributária sobre contas bancárias que não pode ser impingida pela zona do euro, mas apenas pelos governos nacionais.  Se um determinado governo deixar claro que irá obedecer, as corridas bancárias serão inevitáveis.  Se ele disser que não irá obedecer, ainda assim pode haver corridas bancárias.  Apenas se o sujeito for muito frio e confiar plenamente em seu governo é que ele deixará seu dinheiro no banco de seu país em vez de transferi-lo para um banco alemão.

Tudo isso mostra quão desesperados estão os líderes da zona do euro.  Eles fingem que tudo está calmo.  Eles pretendem que o sistema não está ruindo.  E então eles fazem um anúncio que é racional apenas sob a hipótese de que a situação fiscal e bancária dos países europeus está em frangalhos.  O estado de bem-estar social europeu está com seus dias contados.


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autor

Gary North
, ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. Visite seu website

  • anônimo  19/03/2013 12:57
    Porque tem que ser um banco alemão? Porque não serve um na Suíça?
  • Leandro  19/03/2013 13:12
    Porque a Suíça não está na zona do euro e nem faz parte da União Europeia.

    Abrir conta em banco suíço não é tão simples assim. Não é qualquer cidadão com acesso à internet que pode fazer isso.
  • Leo  19/03/2013 13:38
    Leandro,

    Quais indicadores devemos analisar para saber se um pais esta proximo de nao poder honrar suas dividas? Somente o "Debt to GDP" e suficiente?
  • Leandro  19/03/2013 14:23
    Nenhum país jamais quitará suas dívidas. Isso tem de ficar claro. Todos os países se esforçam para continuar apenas rolando suas dívidas e pagando os juros em dia, que é o que já basta para manter os investidores satisfeitos. (Sugiro este artigo.)

    Entendido isso, a pergunta sobre quando um país começará a ter dificuldades para manter este serviço da dívida é justamente a pergunta que tira o sono de todos os investidores.

    Países com banco central próprio podem, em última instância, recorrer à inflação monetária para pagar os juros. Isso terá efeito apenas temporário, ajudando as contas apenas naquele ano -- você não pode inflacionar para sempre para pagar os juros, pois os próprios subirão em decorrência desta inflação --, mas será o suficiente para os investidores recuperarem seu dinheiro e deixarem de investir ali por um bom tempo.

    Já naqueles países que não têm banco central próprio, como os da zona do euro, as coisas são mais delicadas. Ou eles colocam seu orçamento em dia, ou eles imploram por pacotes de socorro de outros países, ou eles negociam um calote da dívida. Os investidores sempre apostam nas opções 1 e 2, e quase nunca na 3. E, de fato, as opções 1 e 2 são as que sempre ocorrem.

    Até hoje ninguém descobriu um indicador que sinalize com acurácia quando os calotes começarão. Se tal indicador existisse, ninguém teria se surpreendido com a Grécia. Essa é a resposta.
  • Julio dos Santos  19/03/2013 14:59
    Poxa Leandro, eu acreditei no Lula quando ele disse que o Brasil tinha quitado a dívida e agora era credor.
  • Leandro  19/03/2013 15:27
    Isso nunca esteve sequer perto de ocorrer.

    Clique aqui:

    https://www3.bcb.gov.br/sgspub/localizarseries/localizarSeries.do?method=prepararTelaLocalizarSeries

    No canto esquerdo, onde está escrito "Por código", digite 3564. Selecione o quadrado e clique em "acrescentar séries" e logo em seguida em "Consultar séries".

    Depois em "visualizar valores".
  • Leandro  19/03/2013 15:32
    Adendo: ao clicar no link acima, provavelmente dará erro. Quando isso ocorrer, acrescente ":" (dois pontos) após o https.
  • Mohamed Attcka Todomundo  20/03/2013 17:49
    leandro, uma sugestao; vc podia escrever um artigo didatico sobre o sitio do BC; como navegar nele. ja aprendi a navegar muito la por causa dos seus artigos anteriores, mas ainda tem muita coisa nebulosa. vc criaria topicos sobre como usalo. seria maneiro
  • Marcio  19/03/2013 15:49
    Isso é usado como plataforma política pelos petistas.
  • Mauro  19/03/2013 16:17
    E o fato de terem passado incólumes mostra bem a qualidade da oposição.
  • André  19/03/2013 16:19
    Nunca acredite no governo.

    No trading economica o valor mostrado é maior do que o do BC:
    www.tradingeconomics.com/brazil/government-external-debt

    O que cada um desses índices mede afinal?
  • Leandro  19/03/2013 16:30
    Essa é a dívida externa total, que inclui também a dívida externa de empresas privadas.


    P.S.: Fiquei curioso como aquele termo "government" foi parar no link, dado que o original é este:

    www.tradingeconomics.com/brazil/external-debt
  • Andre  19/03/2013 16:42
    Na lista de indicadores do Trading Economics para o Brasil tem um indicador
    com o nome "GOVERNMENT EXTERNAL DEBT".

    Mas o gráfico desse indicador é exatamente igual ao do indicador "EXTERNAL DEBT".

    Não sei porque isso...
  • Mercado de Milhas  19/03/2013 16:43
    Leandro, massa o gráfico. Teria o da dívida interna também ?
  • Ricardo  19/03/2013 18:26
    Repita o mesmo procedimento, mas agora digitando 2213.
  • Tiago RC  19/03/2013 17:55
    Leandro, a Suíça está na zona SEPA, então transferir dinheiro pra lá (e usar diariamente uma conta lá) não deve ser muito mais difícil do que uma conta na Alemanha. Ah, e se não me engano os bancos suíços permitem que você mantenha uma conta em euro, nem precisa converter pra franco suíço.

    A grande diferença é que, se você usar uma conta na Suíça, pode-se preparar para no mínimo cair na "malha fina" todo ano. O fisco vai, no mínimo, te encher muito o saco. E um leve erro da tua parte pode custar caro.
  • Leandro  19/03/2013 18:35
    De acordo com este link da Wikipédia, há uma exceção justamente para a Suíça.

    "There is a misconception that all credit transfers in the SEPA are free to the consumer, either by plan rules or national transposition of the Payments Services Directives. There is another misconception that the European Parliament mandated that a bank must charge the same amount for SEPA credit transfers (which may be cross-border) as it charges for domestic credit transfers in euros.

    However, the European Parliament mandated that a bank charge the same amount for international euro transfers within the European Economic Area as it charges for domestic credit transfers in euros. The European Economic Area is different from the SEPA area; the most significant difference is the inclusion of Switzerland in SEPA but not the EEA."

    Ou seja, pelo que entendi, um grego pode movimentar sua conta em um banco grego ou em um banco alemão pelo mesmo preço. Mas se sua conta estiver em um banco suíço o preço é outro.
  • Helio  19/03/2013 13:10
    Recomendo este artigo do Detlev que o Ulrich me chamou atenção - clique aqui
  • Tiago RC  19/03/2013 18:17
    O Detlev tem bons argumentos mesmo. Mas eu ainda acho que o que está sendo feito é injusto. Deixei um comentário no blog dele explicando meu ponto.
  • Eduardo  19/03/2013 22:24
    Concordo com o Detlev. As críticas a esse acordo estão ignorando o essencial. Para mim, são uma bela demonstração de como a esmagadora maioria do povo e da mídia são ignorantes. (Apesar disso, muito bom o artigo, ao especular que a UE quer assustar os países)

    Os bancos já estão quebrados, o dinheiro dos depositantes não existe. Não há como garantir todos os depósitos. Estão retratando a UE (e principalmente a Alemanha) como malvada, mas na verdade, ela irá aportar dinheiro nos bancos quebrados, o que reduzirá o tamanho da perda total para o sistema bancário do Chipre, e, para seus depositantes. A troika está simplesmente dizendo: ajudaremos, se vocês se sacrificarem também. Ou será que o Chipre deveria merecer empréstimos para cobrir tudo, sem fazer esforço algum?

    Então, a escolha verdadeira é, ou se deixa os bancos quebrarem e muitos perderão tudo, ou se socializa as perdas e todos perdem algo.

    Eu preferiria deixar o mercado fazer seu trabalho, evitando a opção socialista. Não socorrendo ninguém, sobrariam apenas os (poucos) bancos responsáveis e seus depositantes. É claro que seria o caos, mas no longo prazo seria melhor.
  • Leandro  19/03/2013 23:16
    A análise do Detlev é correta, mas ele deixou de especificar alguns pontos.

    1) Tecnicamente, todo e qualquer banco que opera com reservas fracionadas é insolvente. Não há diferença entre um banco cipriota e o Itaú, por exemplo. Se alguém espalhar hoje um boato bem orquestrado contra o Itaú, de modo que amanhã todos os clientes deste banco corram para sacar seu dinheiro (aliás, nem precisam ir fisicamente a nenhuma agência; podem transferir eletronicamente o dinheiro para o Bradesco, por exemplo), o banco irá imediatamente à falência, pois não possui reservas para cobrir seus depósitos. (Caso operasse sem reservas fracionárias, não haveria nenhum problema deste tipo).

    Sendo assim, um sistema bancário de reservas fracionárias depende exclusivamente da confiança para funcionar. Dado que os bancos operam tecnicamente insolventes (pois nunca têm dinheiro para honrar seus compromissos), a confiança é tudo. Se a confiança for mantida, o sistema funciona. Se ela for quebrada, o sistema vai pro saco.

    Quem quebrou a confiança foram justamente os burocratas da União Europeia. Sendo assim, eles devem ser responsabilizados pelas perdas dos correntistas. Eles e os banqueiros, que deram dinheiro pra Grécia. Logo, o leitor Tiago RC está totalmente correto no que escreveu no blog do Detlev: os bancos quebram e seus ativos passam para os correntistas. (Esse processo foi detalhado neste artigo).

    Do jeito que foi proposto, os banqueiros saem ilesos com seus lucros, e os correntistas sofrem as perdas. Isso é indefensável.

    2) Vale lembrar que aqueles clientes que mais deram dinheiro para os bancos -- e que consequentemente mais deram lucro para os bancos -- serão os mais prejudicados, pois é sobre eles que recairá a maior alíquota tributária. Isso é injusto e imoral.

    3) Mesmo que tal medida funcionasse -- o que não irá acontecer, pois já foi rejeitada pelo Parlamento do Chipre --, ela seria meramente paliativa. O sistema de reservas fracionárias permaneceria intacto. O problema seria apenas postergado.

    Minha opinião é que, sendo alemão, o Detlev já está tão de saco cheio de ver o governo de seu país dando dinheiro a rodo pra sustentar outros países, que ele compreensivelmente apoiou uma medida que, pela primeira vez, transfere o fardo estes outros países. Se eu fosse ele teria agido da mesma forma.
  • Mercado de Milhas  20/03/2013 17:28
    Não sabia que Keynes havia dito (ou sugerido) acabar com os rentistas. Concordo!

    Gosto muito da solução de salvar os pequenos poupadores e deixar os grandes afundarem.

  • Aline  19/03/2013 14:11
    Esse plano de usar o Chipre para mandar um recado para os governos da europa meridional, me faz pensar que os burocratas da zona do euro enlouqueceram. Estão brincando de roleta russa. lol
  • Mohamed Attcka Todomundo  20/03/2013 17:46
    ñ. tao brincando de roleta grega
  • Eduardo  19/03/2013 14:29
    "Os rumores de que este plano estava sendo analisado nos corredores do quartel-general da União Europeia já circulavam na imprensa havia mais de um mês. Os correntistas cipriotas poderiam ter transferido seus euros para bancos alemães. Eles poderiam ter sacado seu dinheiro. Mas o presidente havia dito que as contas bancárias eram sacrossantas. E as massas acreditaram. E ficaram quietas."

    Gostei muito desse trecho.

    Enquanto isso, vários desses trouxas servindo de cabeças baixas a tudo que seus líderes mandam ainda costumam falar que se preocupar com esses abusos é coisa de paranóicos lunáticos e blablabla.

    Me lembra o atual debate sobre armas nos EUA. Uma boa parte da população está aceitando os argumentos de políticos de que a violência e o crescimento do poder do estado pra confiscar armas privadas é apenas pela segurança da população. Que serão só rifles, e não armas menores. Que não existe qualquer outro motivo além da segurança do público, e quem não acredita nisso é um paranóico lunático.

  • Vitor Sousa  19/03/2013 14:56
    Li no valor econômico que a Máfia Russa está em problemas, por que boa parte desses depósitos em Chipre pertencem à máfia russa.

    Bem, eu acho que a Máfia Russa não está com problemas. Está com problemas quem fez isso a Máfia russa.
  • Victor Biasi Silva  19/03/2013 15:48
    Interessante a ideia de que o calote foi pra dar um exemplo, isso ainda não tinha me passado a cabeça. Mas o que me surpreende foi o comentário que o Leandro disse "Nenhum país jamais quitará suas dívidas. Isso tem de ficar claro. Todos os países se esforçam para continuar apenas rolando suas dívidas e pagando os juros em dia, que é o que já basta para manter os investidores satisfeitos" Isso mostra muito como existe diferenças nessas contas para uma conta de uma empresa privada. Nela seria suicidio fazer tal coisa (segurar dívidas por muito tempo quando representam muito da arrecadação), pois iria ficar muito sujeito a risco, e embora alavancasse as contas, o risco iria ser alto demais.
  • Alberto Dias  19/03/2013 16:17

    Dennis Gartman: "Todos sabem que a maioria dos depósitos no Chipro são russos. E são de oficiais do governo russo, de empresários russo e da máfia russa. E você não se mete com a máfia russa", destaca. Os russos estariam entre os correntistas que receberiam um "imposto" compulsório de cerca de 10%, efetivamente um confisco.

    "As pessoas ao redor do mundo não sequestram dinheiro deles, já que se você o fizer, os russos vão lidar contigo de uma forma muito eficiente e feia. É uma ideia lunática por parte das autoridades, ou seja quem for que tenha pensado nisso", afirma. Sequestrar dinheiro russo, afirma, é pisar no pé deles. "Alguém vai pagar por isso, eu acho que é muito estúpido", afirma.
  • Tiago RC  19/03/2013 18:00
    Meanwhile, Bitcoin iPhone App Downloads Soar in Spain.

    E o preço cruzou hoje mesmo a barreira de 50 dólares: bitcoincharts.com/
  • Intelectuais de Bem  19/03/2013 18:32
    Absurdo culpar o estado de bem-estar social pela situação de crise vivida.

    O liberalismo se assemelha à uma doença. Procura penetrar no tecido social através de suas falhas mais óbvias e, a partir daí, tenta contaminar todo o corpo, partes saudáveis inclusive. Finge que todo o organismo está podre e passa a vender os direitos do povo à educação e à saúde. Toma o papel dos compromissos que o estado possui com a população e lucra brutalmente sobre suas necessidades.

    Obviamente é fácil entender o quanto são abusivas algumas salvaguardas do chamado Welfare State, mas em TODOS os casos em que procurou-se acabar com abusos (que, de resto, devem mesmo ser combatidos) a tesoura ganhou vida própria e passou a ficar viciada em cortes e mais cortes. Eu quase cairia no papo dos economistas-filósofos de direita, não fosse pelo detalhe deles se referirem aos recentes gastos públicos europeus como culpados keynesianos de toda a crise nos PIIGS. Oras, se até eu sei que todo esse dinheiro vem sendo bombeado para salvar títulos públicos(e grandes investidores privados, obviamente) que perderam valor justamente por seguirem a lógica predatória de Wall Street, eles também deveriam saber, ou ao menos não fingirem que não sabem.

    O welfare state levou a comunidade européia ao seu ápice histórico e transformou o continente, em especial a França, em um paraíso da vida intelectual. O bem-estar social é uma conquista do povo e imprescindível para um futuro próspero. Fácil culpar a legislação trabalhista, as altíssimas cargas tributárias, as inúmeras regulações estatais e as proteções diversas do estado ao povo como a causa dos males que assolam o bloco europeu, como o desemprego. Difícil é ver os culpados óbvios: A globalização predatória, o neoliberalismo, o consumismo e a propaganda agressiva.

    Fontes: Carta Capital, Le Mond, Fórum-Social Global, Seminários de Sociologia e Geografia da USP, Milton Santos e Cristovam Buarque.
  • Julio dos Santos  19/03/2013 18:51
    Sei que "Intelectuais de Bem" é um fake, mas se estivesse assinado pelo nome de Caio Blinder, eu acreditaria na hora!
  • Luciano  19/03/2013 18:53
    "Fontes: Carta Capital, Le Mond, Fórum-Social Global, Seminários de Sociologia e Geografia da USP, Milton Santos e Cristovam Buarque."

    Só mesmo essa gente pra conseguir falar tanta besteira.
  • Isaias  25/03/2013 14:12
    O Cristovam conseguiu enganar muita gente com seu discurso. Mas, a prática foi diferente. Quando ele governou o DF só fez besteira. Não conseguiu fazer o sucessor porque foi incompetente. É como o estado de bem-estar socialista.
  • Tiago RC  19/03/2013 18:38
  • Jose Roberto Baschiera Junior  19/03/2013 19:13
    Agora esperar os bancos reabrirem para ver a reação dos correntistas.
  • Enrique Nuesch  19/03/2013 19:37
    os correntistas vão fazer o que nós teríamos feito aqui se o Collor tivesse submetido a sua medida ao congresso antes de adotá-la e esta tivesse sido rejeitada num primeiro momento: correr pro banco e rapar as contas.

    agora os bancos estão duplamente ferrados lá, pois não têm condições de honrar os valores que os correntistas comuns têm em suas contas.
  • Mercado de Milhas  19/03/2013 20:34
    Rapaz, a coisa vai feder..

    Calote é a única opção. Acho que existe um troço de garantia de depósitos, para salvar quem tem pouco... 100 mil euros acho..

    Quem tinha zilhões lá agora tem 100 mil euros. hauhauhauhaha

    Q beleza!
  • Zara  19/03/2013 20:02
    E será que mesmo eles tendo votado contra, apenas o fato de terem colocado a possibilidade de fazer isso não pode gerar uma corrida aos bancos quando estes reabrirem?
  • Julio Heitor  19/03/2013 22:20
    Alguém tem a informação sobre o tamanho da dívida bruta do Brasil em 2012 e qual a taxa de crescimento anual da mesma?
  • Vinicius Costa  19/03/2013 23:06
    Isso não seria um perigo pro sistema de reservas fracionárias dos bancos? O que pode acontecer se muita gente tirar o dinheiro de lá agora?
  • Roberto  19/03/2013 23:17
    Os bancos irão pro espaço e várias pessoas ficarão sem dinheiro nenhum.
  • anônimo  21/03/2013 10:26
    E depois? Sai um governo populista e entra outro? Essa seria a hora perfeita pra alguém falar das idéias libertárias, mas não tem ninguém
  • Marc...  19/03/2013 21:01
    www.zerohedge.com/news/2013-03-19/former-cyprus-central-bank-head-slams-blackmailing-european-leaders
    In a brief 30-second clip during a Bloomberg TV interview, none other than Anthanasios Orphanides, the former Central Bank of Cyprus Governor, explains the terrible reality of what just happened in Europe: "What we have seen in the last few days is a very serious blunder by the European governments that are essentially blackmailing the government of Cyprus to confiscate the money that belongs rightfully to the depositors in the banking system in Cyprus." He then concludes quite clearly, "It is not clear how this can affect in a positive manner the European project going forward." The Cypriot then goes on to explain how the EU is making a mockery of the idea of a banking union...


    Mexer com o Chipre é mexer com a máfia russa, alerta Dennis Gartman
    "As pessoas ao redor do mundo não sequestram dinheiro deles, já que se você o fizer, os russos vão lidar contigo de uma forma muito eficiente e feia. É uma ideia lunática por parte das autoridades, ou seja quem for que tenha pensado nisso", afirma. Sequestrar dinheiro russo, afirma, é pisar no pé deles. "Alguém vai pagar por isso, eu acho que é muito estúpido", afirma.
  • Dw  20/03/2013 11:02
    Prezados, após ler vários artigos aqui neste sítio, me vejo diante do inevitável questionamento:
    Em quem votar neste país? Pelo que vi, independente do partido, todos são da esquerda, todos os candidados a presidente socialistas, não resta ninguém..
    Pior, vai falar qualquer coisa do tipo como valorização do real x enriquecimento da população, todos caem de pau nesta teoria. Se algum candidato a presidente, por exemplo, em sua campanha, tiver argumentos muito próximo do liberalismo, não convencerá a ignorane nação e consequentemente nunca chegará ao poder.
    Agora o mais difícil, como convencer o país de que não precisamos de estado? Mesmo pra quem estuda, parece algo difícil de imaginar, imagina pra quem não conquece nada a respeito. Outro ponto, leis trabalhistas, se comentar com algum trabalhador, que talvez ele tenha direitos demais, corre-se o risco de levar um soco.
    A minha conclusão é que talvez uma minoria de políticos tenham alguma filosofia liberal, porém, alguns termos do liberalismo não são demagogicamente aceitáveis pela esmagadora maioria da população, o candidato abre mão das suas premissas iniciais e começa a pregar sobre aumento de vagas nos hospitais, mais creches gratuitas, menos impostos, punição para corruptos, justaente para ludibriar o povo, pois ele sabe que é isso que o povo gosta e isso que manterá o mesmo no poder.
  • Andre  20/03/2013 12:28
    Dw, o que você pode fazer é espalhar as idéias libertárias. Sempre que houver uma oportunidade.
    Tanto do ponto de vista utilitarista (econômico) quanto do ponto de vista moral.
    Então se um dia a maioria da população concordar com tais idéias a mudança virá.
    Enquanto a maioria das pessoas ficar acreditando que roubar de uns pra dar pra outros e usar coerção contra inocentes é algo que traz melhorias não haverão melhorias.

    Quando encontrar socialistas e comunistas fanáticos no caminho não tente mudar a cabeça deles. É perda de tempo, que poderia ser usado tentando convencer pessoas normais. Fanáticos só podem mudar se eles mesmos quiserem.
    Eles negam a realidade mesmo estando na cara deles. É inútil argumentar.

    O que pode ser feito é explicar pras pessoas comuns, aquelas que apenas "acham" que algumas idéias socialistas são boas por não terem pensado muito à respeito, que na verdade elas são ruins tanto com relação aos resultados quanto à moral.
    Pessoas comuns podem ser convencidas, fanáticos não.

    Enquanto isso fique atento e preparado. Pois o perigo é constante.
  • Marcus Benites  20/03/2013 21:17
    O problema desse tipo de esquerdista é que o convencimento não passa por uma questão de lógica. É um problema de caráter mesmo. Eles acham legítimo matar, roubar, impedir a liberdade. Não há convencimento possível, pois os parâmetros morais são outros. É um tipo de gente que não liga para os fatos, tampouco para o sofrimento das pessoas. Só vale a própria ideologia e há que fazê-la prevalecer a qualquer custo. É, sim, perda de tempo buscar o diálogo com eles, afinal não dá certo duas pessoas conversarem e só uma estar sendo honesta. Há que evitá-los, simplesmente, até porque são tão poucos e não têm qualquer poder, que seria, realmente, um erro de foco da nossa parte. Os que dominam o mundo e o empobrecem, e tiram sua liberdade, são os esquerdistas mais leves, aqueles que até fingem que não são esquerdistas. São os "progressistas", cheios de ecologismos, multiculturalismos, intervencionismo... Eles estão no poder e estão acabando com as sociedades. Os mais radicais? Deixemo-los com os Stalins e Che Guevaras deles. Eles até resolveram promover os "ancaps" a seus inimigos principais, mas nos nivelaríamos por baixo caso aceitássemos a condição e não combateríamos o que deve ser, de fato, combatido.
  • Marcio  20/03/2013 22:35
    Realmente, Marcus. Você tem razão. Não dá pra iniciar uma discussão com uma pesssoa que diz que Mao Tsé-Tung era um sujeito apenas duvidoso. Isso mesmo. Mao para alguns era apenas um sujeito duvidoso. Isso porque não querem dizer que ele era um crápula completo.

    Stalin então, nem se fala. Já ouvi alguns dizerem que ele destruiu o Socialismo soviético, como se aquele sistema não fosse auto-destrutivo.
  • Wagner  20/03/2013 14:10
    Isto me lembra uma coisa que o TJ Kincaid falou, foi algo na linha de:
    "O nosso sistema de governo está tão comprometido que eu prefiro acreditar que os políticos são inteligentes mas mentem para serem eleitos do que acreditar que eles realmente acham que as besteiras que falam são verdade"

    Pena que não é assim, repetiram tantas vezes a mesma mentira que ele, e o povo, passaram a acreditar nela.


  • Dw  20/03/2013 15:59
    Legal as respostas, enquanto tentamos difundir as ideias libertárias, temos neste período, que tentar escolher um candidato menos pior para comandar o país.. Esta tarefa é difícil..
  • Andre Cavalcante  20/03/2013 18:45
    Atualmente voto um voto de protesto: NULO.
  • Marc...  22/03/2013 00:58
    Ao contrário do senso comum, quem vota é que não pode reclamar
    mises.org.br/Article.aspx?id=1425

    Para começo de conversa, se eu não aceito a existência de algo (no caso, esta própria instituição chamada 'governo'), qual seria a lógica de eu participar de um ato que implica meu consentimento para com sua existência? Qual é a lógica de eu participar de um ato que serve apenas para chancelar minha aprovação à existência deste esquema? Mais ainda: qual seria a lógica de eu fazer tudo isso e ainda reclamar da existência deste algo que desprezo?

    Se você se associa a alguma coisa ou passa a lidar diretamente com ela, então passa a existir um entendimento tácito de que você aceitou suas condições. Torna-se subentendido que você chancelou sua existência.
  • Marcos  20/03/2013 18:29
    Bom ver um país razoavelmente decente. Alguém aí consegue imaginar o parlamento brasileiro fazendo o que o cipriota fez? Alguém imagina a população se revoltando?

    Obviamente, aqui o assalto ganharia por unanimidade, tanto no parlamento quanto no STF.

    Se os bancos vão quebrar, então que quebrem. É um risco que o correntista assume ao ter relações com aquela instituição. É mais justo do que a expropriação pura e simples.

    Embora os efeitos de não intervir pareçam piores a curto prazo, as incertezas de relação às regras e a impunidade para os agentes que causaram os estragos (os bancos que seriam salvos) criariam um clima de negligência aos riscos e desconfiança em relação ao sistema financeiro. Regras de justiça universais e a autoregulação funcionam melhor a longo prazo.
  • Wagner  20/03/2013 19:12
    Como o Peter Schiff disse, se for pra roubar pelo menos faça do jeito "honesto", vai la e mete o dinheiro na mão do povo como o Chipre fez. O governo brasileiro iria fazer como o americano, inflacionar a moeda até a bomba estourar, ou seja, roubar do jeito "desonesto".
    No fim as duas técnicas dão o mesmo resultado, o governo rouba a população que fica mais pobre, mas a segunda o povão não se da conta até ser muito tarde.
  • Wagner  20/03/2013 20:22
    *mete a mão no dinheiro do povo
  • Leandro  20/03/2013 20:24
    Bancos do Chipre ficarão fechados até pelo menos terça-feira que vem (26/03).

    worldnews.nbcnews.com/_news/2013/03/20/17384301-cyprus-banks-to-remain-shut-until-tuesday-amid-bailout-crisis?lite

    Até lá, os burocratas se reúnem para decidir como irão limpar a população.
  • Diogo  20/03/2013 20:54
    A "falta de confiança" foi instaurada... Acho que não importa mais se vão taxar ou não as contas, vai haver uma corrida bancária assim que os bancos abrirem...

  • Vinicius P.  20/03/2013 21:39
    Se abrirem...
  • Ari Pereira  20/03/2013 21:22
    Danke!
    A comunidade bancária alemã agradece pela confiança depositada... :)

    Ari
  • Arion Dias  21/03/2013 01:26
    Todos os dias, quando me sinto sozinho no mundo das idéias, visito o mises brasil.

    Muito obrigado por me darem a certeza que não estou louco quando me sinto prisioneiro ou escravizado.
  • Julio dos Santos  22/03/2013 01:45
    Concordo plenamente contigo Arion! Depois de mais de um ano lendo diariamente os artigos do IMB, de forma gratuita, eu o retribui me associando! Seu eu fosse precificar tudo que eu já recebi do instituto até hoje, o valor passaria bastante do equivalente à 1g de ouro.
    É muito bom poder pagar algo livre e sem imposição! Gostaria de poder pagar o meu conselho profissional desta forma, a minha contribuição sindical e todas outras associações que o estado me obriga a pertencer.
  • Breno  21/03/2013 16:54
    Pau já está quebrando nas ruas do Chipre.

    www.zerohedge.com/news/2013-03-21/cyp-riots-begin
  • Tiago RC  22/03/2013 08:32
    40%

    Esses políticos se consideram imortais ou o quê? Se eles realmente arrancarem 40% das contas bancárias, e for verdade que uma boa parte delas pertence a mafiosos russos... sei não, não me parece nada prudente isso.

  • Diogo  22/03/2013 11:32
    Ironia, nome do "governador" do Central Bank do Chipre, PANICOS Demetriades.

  • anônimo  23/03/2013 14:34
    g1.globo.com/economia/noticia/2013/03/parlamento-cipriota-adota-plano-de-reestruturacao-dos-bancos-1.html
  • anônimo  18/10/2013 15:55
    Não sabia muito bem onde postar esse comentário, então escolhi um dos artigos de Chipre já que seria algo parecido:

    The International Monetary Fund Lays The Groundwork For Global Wealth Confiscation

    Perturbador. E, em paralelo, vemos os EUA criando um controle de capital disfarçado:
    The Worst Law Most Americans Have Never Heard Of
    IT IS TIME: Move Your Money Out of the US Banking System

    E claro, só por precaução, o Department of Homeland Security está comprando milhares de tanques de guerra e mais de um bilhão de balas expansivas. Detalhe: o DHS atua dentro dos EUA.
    1.6 Billion Rounds Of Ammo For Homeland Security? It's Time For A National Conversation

    É paranoia da minha parte ou a coisa está ficando ameaçadora nos países "desenvolvidos"?


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