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Qual o benefício de exportar mais do que importar?


Guido Mantega cumprindo sua função: atender ao lobby dos exportadores, espoliando o poder de compra do resto da população brasileira
Ao longo dos últimos 300 anos, o senso comum reinante entre os economistas convencionais, a mídia e os leigos é o de que um país estará em melhor situação se ele exportar mais bens e serviços do que ele importa.  A crença dominante é a de que, se um país é um exportador líquido, então este país é uma verdadeira usina de prosperidade.

É por isso que, segundo este raciocínio, a China é considerada por esses economistas e seus seguidores na mídia uma potência econômica.  O país é competitivo por causa de sua capacidade de exportar muitos bens para outros países.  Porém, para fazer isso, há uma contrapartida: a China inevitavelmente tem de aceitar notas promissórias dos estrangeiros. 

Quando um país exporta bens, o que ele recebe em troca são meros dígitos eletrônicos contabilizados em moeda estrangeira — atualmente, o dólar.  Como o dólar não é moeda corrente na esmagadora maioria das nações do globo, o que um país exportador recebe, na realidade, é um título da dívida do governo americano.  Os dólares digitais que este país recebe em decorrência de suas exportações são reinvestidos nos EUA, na aquisição de títulos do governo americano.  No balancete do Banco Central, esta aquisição de títulos do governo é contabilizada como "reservas internacionais".

O que realmente ocorre é o seguinte: indivíduos que trabalham no ramo da exportação estão dispostos a aceitar notas promissórias, ou outros tipos de ativos baseados em dígitos eletrônicos, em troca de bens físicos.  O exportador recebe dinheiro eletrônico — no caso, dólares americanos — em sua conta bancária.  Para ele, estes dólares têm valor.  Se não tivesse, ele não teria exportado os bens.  Ele pode trocar estes dólares por sua moeda doméstica (no caso, ele vende dólares ao seu banco, que irá creditar sua conta-corrente com moeda nacional) ou ele pode manter estes dólares no exterior, depositado em um banco estrangeiro.  Talvez ele prefira comprar ações ou outros ativos estrangeiros que são vendidos em dólares.  A questão é que esse exportador está disposto a aceitar notas promissórias — no caso, promessas digitais — em troca de seus bens reais.  Esta é o único princípio por trás da exportação.

Os EUA são o exemplo clássico de um país que importa muito mais bens do que exporta.  No entanto, os EUA também são considerados uma potência econômica.  Por quê?  Porque estrangeiros estão sempre dispostos a investir no país.  O problema é que o investimento favorito é a compra de títulos emitidos pelo Tesouro americano.  Embora alguns investidores estrangeiros comprem estes títulos, quem os compra em sua esmagadora maioria são os bancos centrais estrangeiros.  Os bancos centrais estrangeiros compram títulos do governo americano porque seus respectivos governos querem manter suas moedas nacionais depreciadas em relação ao dólar, de modo a aumentar as exportações para os EUA.  Em outras palavras, o governo chinês é a real fonte do poderio exportador daquela nação, pois é ele quem manipula o mercado de câmbio para favorecer suas indústrias exportadoras.

Utilizar o poder estatal para subsidiar uma pequena porcentagem da população doméstica (os exportadores, cujo lobby é poderoso em qualquer nação do mundo) ao mesmo tempo em que se prejudica a esmagadora maioria da população (os consumidores, que não têm lobby em nenhuma nação do mundo) é a norma atual em todas as grandes economias do globo.  E a retórica utilizada também é a mesma: beneficiar alguns poucos em detrimento de todo o resto é algo que se faz em nome do fortalecimento da nação. 

O argumento, como em todas as promessas governamentais, é totalmente falacioso.

O que fortalece a população de um país é ter uma moeda previsível.  Isso faz com que os prognósticos de investimento sejam mais fáceis.  A preocupação das pessoas com relação às flutuações do valor da moeda é reduzida.  Mas é impossível obter uma moeda previsível em termos internacionais, pois os governos dos outros países estão continuamente manipulando suas moedas, quase sempre por meio da expansão da oferta monetária.  Em outras palavras, todos os bancos centrais estrangeiros inflacionam.  Sendo assim, uma moeda doméstica cuja oferta seja constante irá se apreciar continuamente em relação às moedas estrangeiras.  Isso significa que seu poder de compra irá aumentar continuamente.  Não haverá taxas de câmbio estáveis entre os países.

Se o Banco Central de um determinado país estivesse operando sob um padrão-ouro genuíno, ele não poderia inflacionar desmedidamente a moeda deste país.  O mesmo valeria para seu sistema bancário de reservas fracionárias.  Qualquer banco que expandisse o crédito enfrentaria uma corrida em seu estoque de moedas de ouro.  Suas reservas de ouro iriam se exaurir rapidamente.  Portanto, o temor de uma corrida bancária, na qual os correntistas apresentam seu dinheiro digital e exigem restituição em moedas de ouro, restringiria a expansão da oferta monetária.  Isso significa que a moeda deste país irá se apreciar em relação a todas as moedas estrangeiras que não estão restringidas por tal ameaça.  Isso significa que os cidadãos que residem na nação sob o padrão-ouro poderiam importar bens estrangeiros a preços decrescentes.  A cada ano as importações estariam mais baratas.  Como consumidores, estes cidadãos seriam beneficiadas e seu padrão de vida aumentaria a cada ano.

Supondo que estas pessoas estão produzindo bens de valor, o que significa que elas estão adquirindo uma moeda denominada em ouro, seu patrimônio líquido está aumentando continuamente.  Por quê?  Porque, com a mesma quantidade de dinheiro, elas podem comprar quantidades cada vez maiores de bens importados.  Elas estão vivenciando aquilo que todos nós adoramos vivenciar: preços cada vez menores para os bens e serviços que desejamos comprar.

Dado que há uma quantidade muito maior de pessoas voltadas para o mercado doméstico do que para as exportações, uma política de moeda estável iria beneficiar aquelas pessoas que são mais produtivas, mais economicamente eficientes e que melhor atendem às demandas da população.  Estas conseguiriam obter um fluxo contínuo da moeda doméstica.  Seu custo de vida cairia ano após ano, de forma consistente, porque os bancos centrais estrangeiros estão inflacionando suas respectivas moedas.  O valor daquelas moedas em relação à moeda estável deste país cairia continuamente.

Logo, uma moeda estável traria um grande benefício para aqueles consumidores que vivem sob este padrão-ouro.  E estes consumidores formam a esmagadora maioria dos consumidores de um país.  Apenas uma relativamente pequena porcentagem dos empreendedores e trabalhadores de uma nação está no setor exportador da economia.  É por isso que a desvalorização da moeda nacional é um subsídio apenas para uma minoria de empresários e trabalhadores.  A vasta maioria dos residentes desta nação é prejudicada.  Ela é obrigada a pagar mais caro por bens importados por causa da política de seu Banco Central de inflacionar a oferta monetária a fim de manter a moeda nacional desvalorizada perante as outras moedas. 

Ao depreciarem sua própria moeda, os planejadores monetários estão prejudicando os interesses da grande maioria dos cidadãos desta nação.  O subsídio beneficia apenas uma minoria.  O fato de haver uma enorme quantidade de pessoas na maioria permite que sua riqueza seja espoliada por meio da inflação da oferta monetária, permitindo ao setor exportador ganhar receitas acima das de mercado ao exportar seus bens.  Uma minoria não pode subsidiar uma maioria.  Sempre tem de ser ao contrário.

Portanto, uma economia com uma moeda estável irá beneficiar a grande maioria de seus cidadãos, os quais poderão comprar a preços continuamente mais baixos.  Essa verdade econômica irrita os defensores do mercantilismo.  Eles dizem que tal política é maléfica.  Eles estão convencidos de que ter um Banco Central depreciando continuamente a moeda como forma de subsidiar o setor exportador é algo extremamente benéfico para uma nação, e que a reduzida quantidade de bens e serviços que estarão disponíveis para os consumidores domésticos (tanto em decorrência das menores importações quanto pelo fato de mais produtos domésticos estarem sendo exportados) é algo sem nenhuma importância.

Os defensores do mercantilismo jamais discutem a realidade econômica desta redistribuição de riqueza.  Eles jamais apontam para aquela incontestável realidade: que a esmagadora maioria dos cidadãos é obrigada a arcar com perdas econômicas, principalmente quando se leva em conta os ganhos que obteriam caso pudessem adquirir bens estrangeiros a preços cada vez menores.

A vasta maioria dos cidadãos de qualquer país não faz a mais mínima ideia da relação entre expansão monetária e redução das importações.  Eles não entendem que estão sendo prejudicados pela política de depreciação monetária feita pelo seu governo.  Se eles entendessem de economia, iriam imediatamente exigir um padrão-ouro puro, e iriam prontamente se beneficiar do crescente valor internacional de sua moeda nacional.  Como iriam se beneficiar?  Podendo comprar uma quantia cada vez maior de bens estrangeiros a preços cada vez menores.

Infelizmente, são tão poucas as pessoas que entendem de lógica econômica, que este subsídio coercivamente extraído de uma maioria para uma minoria não é visto como um programa de transferência de riqueza dos mais pobres (consumidores comuns) para os mais ricos (barões do setor exportador).  Sempre que o governo de um país adota o mercantilismo — algo que ocorre a aproximadamente 100% do tempo —, ele o faz sabendo que praticamente ninguém compreende que aquela política prejudica a vasta maioria dos cidadãos e beneficia apenas uma minoria que está no setor exportador da economia.  Mais ainda: ele o faz sabendo inclusive que contará com o resoluto apoio da mídia e dos desinformados de plantão, que acreditam que um "setor exportador subsidiado fortalece a economia do país".

O mundo está hoje adotando políticas de depreciação monetária competitiva.  Se um país deprecia sua moeda, o outro quer depreciar mais. "Tudo pelos exportadores!" Isso irá prejudicar severamente a vasta maioria dos cidadãos de todas as nações.  Eles não poderão usufruir o benefício de ter uma moeda doméstica forte, algo que os permitiria importar mais bens estrangeiros.  Eles seriam capazes de adquirir os bens e serviços que quisessem, a preços continuamente declinantes, caso sua moeda nacional fosse baseada em um padrão-ouro.  Caso desfrutassem de plena conversibilidade em ouro — isto é, caso pudessem ir a um banco para trocar dinheiro digital por moedas de ouro —, eles vivenciariam um padrão de vida crescente.  Mas como eles não entendem de economia, eles aceitam (e até aplaudem) as políticas mercantilistas de seu governo.  Eles aceitam que sua moeda seja depreciada e seu padrão de vida seja reduzido.  Eles aceitam ser roubados em prol da boa vida dos exportadores.  Eles gostam de ver seus bens sendo enviados para estrangeiros a troco de nada (apenas os exportadores ficam com as notas promissórias).

É lamentável que a maioria das pessoas não entenda de economia.  Para os exportadores, no entanto, que se beneficiam deste assalto ao poder de compra da população, essa ignorância econômica de seus compatriotas é uma dádiva.  Dado que é impossível ganhar algo a troco de nada, o que ocorre é que um pequeno grupo de exportadores ganha muito e, em troca, o restante das massas fica com preços crescentes para quase todos os bens e serviços da economia.  E ainda bate palma.

 

Não deixe de ler todos os nossos artigos sobre protecionismo


1 voto

autor

Gary North
, ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. Visite seu website

  • Pobre paulista  04/02/2013 12:49
    Ou seja, todos os países exportam incopetência...
  • Diones Reis  04/02/2013 14:33
    Se possível, gostaria que pudessem fazer um comentário da atual política econômica japonesa, que tem planos de depreciar o Iene, e mais uma vez está indo para o caminho keynesiano de "gastança para girar a economia."

    Lembro que no ano passado, teve um artigo aqui no Mises, que falava muito bem do Iene. E atualmente?
  • Leandro  04/02/2013 14:45
    O Japão nunca abandonou o "caminho keynesiano" da gastança, e esse sempre foi o grande empecilho à sua economia. Seu Banco Central, no entanto, desde a década de 1990, sempre operou de forma decente.

    Tanto a política fiscal quanto a política monetária japonesas foram explicadas nos três artigos abaixo:

    Por que não houve inflação de preços no Japão?

    Notícias deflacionárias (e interessantíssimas) sobre o Japão

    A política monetária do Japão e a força do iene

    A eleição do atual primeiro-ministro infelizmente bagunçou as coisas, pois o gênio está fazendo de tudo pare destruir o grande patrimônio dos japoneses, que é o de ter um poder de compra crescente.

    Essa guinada na política monetária japonesa foi alertada no artigo abaixo, bem como foi fornecida uma nova dica de investimento:

    A surpreendente postura do Banco Central de Cingapura
  • Pedro  04/02/2013 19:05

    Dinheiro ou crédito entesourado, que não se gasta, não é riqueza, mas apenas pretensa potência.

    Uma comparação é alguém produzir alguns bens em sua empresa e vende-los aos demais, recebendo destes varios cheques. Porém, resolve que não vai descontar tais cheques porque não deseja comprar nada de ninguém e com isso dar seus créditos (obtidos com o fornecimento de seus produtos) a estranhos, imaginando que possuir créditos contra outros é riqueza.
    Claro q no caso de um pais, as facilidades para exportação permite que haja venda de bens e serviços produzidos, recebendo-se moeda estrageira que é usada no exterior ou mesmo trocada por moeda local ou bens e serviços. Ocorre que a exportação sem uma efetiva contrapartida de uma troca, apenas mantém assalariados empregados, porém estes assalariados apenas dividirão os bens e serviços disponiveis, já que aquilo que produzem e exportam não fica disponivel para consumo local e nem mesmo é remunerado com a contrapartida da importação. Ou seja, obtém-se credito contra produção, pretendendo-se acumular credito sem investi-los em consuo ou produção. É estúpido produzir e fornecer produção a outros sem deles consumir coiwsa alguma. É uma estuopidez que apenas faz dividir o MESMO produto no mercado local por uma maior quantidade de produtores onde uma parte nada coloca direta ou indiretamente a disposição dos consumidores locais.
  • Cesar Massimo  05/02/2013 00:24
    Permaneço com o seguinte questionamento:
    Existe um retardo entre uma ação que desequilibra a economia e as contramedidas dos agentes livres que restabelecem o equilíbrio. Este retardo será tanto maior quanto mais regulamentado o país.
    Caso a moeda nacional se valorize de forma rápida e expressiva, em um primeiro momento ocorrerá uma elevação imediata nas importações e uma queda imediata nas exportações. Por outro lado, os bens de capital importados também ficarão mais baratos, as empresas nacionais poderão adquiri-los e o aumento na produtividade tornará os produtos nacionais competitivos novamente, reequilibrando a situação.
    Mas isto leva um tempo. Comparando de forma grosseira, na engenharia a inércia explica este retardo entre a ação e seu resultado. Em economia não sei com é tratado.
    Então, até qe este equilíbrio ocorra, haverá redução nos empregos nas empresas afetadas pelos produtos importados concorrentes e fechamento de empresas? Abrir e fechar uma empresa tem um custo fixo que não é recuperável imediatamente. Como a Escola Austríaca vê esta situação?
    Obrigado.
  • Leandro  05/02/2013 00:45
    "Existe um retardo entre uma ação que desequilibra a economia e as contramedidas dos agentes livres que restabelecem o equilíbrio. Este retardo será tanto maior quanto mais regulamentado o país."

    Perfeito.

    "Caso a moeda nacional se valorize de forma rápida e expressiva,"

    Impossível. Isso não ocorrerá caso a oferta monetária seja estabilizada, que é o que preconiza o artigo. Permita-me citar um trecho de outro artigo, com as devidas adaptações:

    O que determina o poder de compra de uma moeda não é apenas a sua oferta, mas também a demanda por esta moeda.

    Se o Banco Central brasileiro interrompesse por completo a expansão monetária, de modo que a quantidade de reais na economia se tornasse fixa, tal medida, por si só, não seria nenhuma garantia de que a nossa taxa de câmbio iria se apreciar "de forma rápida e expressiva." Tudo iria depender da demanda (nacional e mundial) por reais. A demanda por moeda pode ser entendida como 'a procura por moeda para se realizar transações econômicas'. Quanto maior o crescimento de uma economia, maior tende a ser a demanda por sua moeda. Ou seja: a demanda por uma moeda tende a ser proporcional ao crescimento da economia daquele país.

    Em outras palavras: se o Banco Central brasileiro interrompesse a expansão do crédito no país, que hoje apresenta um crescimento em torno de 18% ao ano, a economia entraria em profunda recessão. Estando em recessão, a demanda (nacional e mundial) por reais deixaria de aumentar (poderia até cair). E isso, por si só, impediria qualquer apreciação no valor do real no mercado internacional. O real não iria se valorizar "de forma rápida e expressiva".

    Um exemplo prático desta teoria pôde ser observado no Brasil em 2003. Naquele ano, com a inflação de preços (IPCA) chegando aos 17%, o Banco Central subiu os juros e fez com que a expansão de crédito caísse de 13% para 3% ao ano, uma das menores da história do real (ver o quarto gráfico deste artigo). Isso, no entanto, fez com que o câmbio fosse de 3,70 reais por dólar para apenas 2,80 reais por dólar, sendo que, no primeiro semestre de 2004, o real já havia se desvalorizado novamente para mais 3 reais por dólar. Ou seja, a abrupta interrupção da expansão creditícia daquele ano, longe de gerar uma forte valorização do real, gerou apenas recessão.

    "em um primeiro momento ocorrerá uma elevação imediata nas importações e uma queda imediata nas exportações."

    Não necessariamente, e pelo motivo explicado acima.

    "Por outro lado, os bens de capital importados também ficarão mais baratos, as empresas nacionais poderão adquiri-los e o aumento na produtividade tornará os produtos nacionais competitivos novamente, reequilibrando a situação."

    Quando a recessão já tiver terminando e o câmbio estiver começando a se apreciar, correto.

    [/i]"Mas isto leva um tempo." [/i]

    Sim.

    "Então, até qe este equilíbrio ocorra, haverá redução nos empregos nas empresas afetadas pelos produtos importados concorrentes e fechamento de empresas? Abrir e fechar uma empresa tem um custo fixo que não é recuperável imediatamente. Como a Escola Austríaca vê esta situação?"

    Em qualquer situação, a abertura da economia irá acabar com aqueles empregos nas indústrias menos competitivas. E isso é positivo. Ao contrário do que o senso comum apregoa, a função de uma economia capitalista não é gerar empregos. A função de uma economia capitalista é aumentar o padrão de vida as pessoas. Empregos em indústrias ineficientes nada mais são do que um desperdício de recursos escassos. Essa mão-de-obra poderia estar sendo mais bem aproveitada no setor de serviços, e o maquinário imobilizado nessa indústria ineficiente seria mais bem aproveitado em outras linhas de produção. David Ricardo e sua teoria das vantagens comparativas já havia explicado isso ainda no século XVIII.

    Mesmo que o sujeito seja demitido do setor industrial e vá para o setor de serviços em troca de um salário nominal menor, no longo prazo, por causa da contínua valorização cambial, seu padrão de vida estará maior. Ele terá acesso a bens importados e de qualidade a preços cada vez menores. É essa facilidade de acesso a uma grande oferta de bens e serviços de qualidade que define um padrão de vida.
  • Martin  05/02/2013 14:45
    Bom dia,

    Agora vejo vocês estão tocando num assunto sobre qual penso há decadas e ainda não consegui esclarecer. Como diz o Gary North, é absurdo o que a gente lê nos jornais todo dia de que é necessário depreciar a moeda para obter prosperidade e blá blá blá. Isso sempre suspeitei e tive confirmado ao começar a ler sobre teoria econômica. Mas há uma outra coisa que falta no análise do Gary North:

    Vamos primeiro supor que (1) todos os outros países (os inflacionários) tem inflação pura. Ou seja, que os preços de todos os bens aumentam exatamente em proporção à oferta de suas moedas. Suponha também que (2) não há mudanças na demanda por nenhuma moeda. Neste caso, não acontece o que Gary North está dizendo. Nós (que usamos moeda não-inflácionária) não vamos poder comprar mais produtos estrangeiros mesmo que as moedas estrangeiras caem em relação às nossas.

    Ou seja, todos os "efeitos" da política monetária têm que resultar na falha das hipóteses (1) ou (2) ou ambos. E é isso que nunca vejo explicado em nenhum discurso sobre o assunto. Na minha imaginação, a hipótese (1) vale "no longo prazo" e portanto não seria possível aumentar as exportações com política inflacionária por longos períodos. Deveria apenas ser possível fazer "choques" até o momento que os preços dentro do país inflacionário começam a acompanhar o aumento de quantidade de moeda. Está certo isso? Sobre a hipótese (2) não sei exatamente o que dizer. Será que o país não inflacionário irá receber mais investimentos? Não está claro pra mim. Parece para mim que a demanda de moeda poderia depender da MUDANÇA NA TAXA DE EXPANSÃO MONETÁRIA mais do que a taxa em si mesmo. Ou seja, as coisas acontecem quando se muda política monetária mas uma política fixa é mais ou menos tão boa quanto a outra. Ou estou viajando?
  • Leandro  05/02/2013 15:11
    Suas duas hipóteses são totalmente implausíveis. A hipótese (1), em específico, é impossível de acontecer no atual sistema monetário e bancário. Os preços dos bens e serviços não sobem igualmente e nem muito menos simultaneamente. Tampouco eles variam na mesma direção. No momento, aqui no Brasil, enquanto o arroz sobe 37% ao ano e passagem aérea sobe 26%, aparelhos celulares apresentam deflação de preços. E essa discrepância é assim em todo o mundo.

    Quanto à demanda por moeda, ela tende a variar de acordo com a expectativa de inflação. Maior a expectativa, menor a demanda por dinheiro.

    Ou seja, não faria nenhum sentido conjecturar hipóteses para este seu cenário, pois ele é totalmente impossível. Mesmo em um padrão-ouro puro, no mais estrito arranjo defendido pelos austríacos, os preços dos bens e serviços variariam de forma distinta.
  • Martin  06/02/2013 00:50

    Perdão, eu uso hipótese no sentido de um matemático, onde significa algo que se supõe para tirar uma conclusão lógica. Ou seja, a hipótese não é nada que você acredita. Estava fazendo a mesma coisa que Mises faz quando fala da economia estacionária ou "evenly rotating economy".

    O que eu tento fazer é dizer que tem algo errado em dizer "eu vou depreciar minha moeda, logo irei poder exportar mais". Isso vale certamente desde que preços dentro do pais que está inflacionando não aumentam. Mas todos nós sabemos que a tendência de longo prazo é que façam justamente isso. Quando isso acontece, as pessoa que trabalham em indústrias exportadoras também vão ter que aumentar seus preços para poderem manter a mesma renda real. E aí não é mais óbvio que eles ganharam algo com a depreciação.

    Ou seja, supor inflação pura é uma ferramenta para entender que a lógica dos argumentos que nos sempre ouvimos sobre política monetária (inclusive o do Gary North) estão incompletos. No caso das hipóteses (1) e (2), por exemplo, eles estão furados. Uma explicação dos efeitos das políticas monetárias precisa portanto ser mais sutil. Preços não vão reagir imediatamente ao aumento da moeda, mas também não vão ficar para sempre parados. Mas quando o jornal fala que país A está depreciando sua moeda para exportar mais, ele está implicitamente supondo que os preços nominais dentro do país A (em particular aqueles que serão exportados) se mantém constantes. E isso também não é uma "hipótese" (no sentido comum) nada plausível. Entendeu agora o que eu quis dizer?
  • Martin  06/02/2013 01:21
    Vou ser mais claro ainda com um exemplo. Aqui embaixo, o autor "neodesenvolvimento" diz que "Moeda forte gera excesso de importações e desequilibrio externo sério". Se ele for minimamente sensato ele está querendo dizer algo do tipo "forte em relação ao que era antes" ou algo assim. Ele NÃO pode quer dizer que o valor de câmbio em termos absolutos pode invluenciar algo. Se dois países forem situados em mundos paralelos, identicos em tudo exceto que país Á usa uma moeda representando um grama de ouro e país B usa uma que representa um milligrama de ouro as relações de comércio exterior destes países em seus respective muntos são exatamente as mesmas, apesar de um país ter uma moeda 1000 vezes mais "forte" que o outro. São países idênticos com história econômica idêntica, todos os preços em B são 1000 vezes mais alto, todos os câmbios são 1000 vezes mais altos e todas as pessoas em posse das moedas tem 1000 vezes mais dinheiro em B que em A.

    É a mesma história com países que cortam zeros em suas moedas.

    Ou seja, tem uma hipótese implícita no raciocínio do "neodesenvolvimentista", pois pensa em forte/fraca COM OS MESMOS PREÇOS. Mas as mesmas políticas que efetuam o valor cambial também acabam efetuando os preços dentro do seu país. É por isso que não tenho certeza de que estes análises são corretos.
  • Helio Angelo Junior  04/02/2013 14:48
    Excelente artigo, depois que descobri o site Mises, vejo as opiniões de economistas e pensadores que buscam uma justiça social, pois sempre gostei das Ciências Econômicas, apesar de não ser economista, mas o Brasil teve o Mário Henrique Simonsen, que não era economista de formação, assim como eu, agora eu posso compreender os verdadeiros fenômenos econômicos e suas manipulações por governos inescrupulosos e incompetentes.
  • N.E.N.D.  05/02/2013 01:41
    TUDO QUE TEM O NOME "SOCIAL TEM O CHEIRO PODRE DO GOVERNO E DA ALIENAÇÃO!!!
  • Neodesenvolvimentismo  04/02/2013 15:43
    Defendo juro baixo e cambio fixo desvalorizado para estimular as exportações e impulsionar a indústria, que é fundamental para o desenvolvimento.
  • Thames  04/02/2013 16:04
    Sua frase está incompleta. Permita-me completá-la:

    Defendo juro baixo e câmbio fixo desvalorizado para estimular as exportações e impulsionar a indústria, que é fundamental para o desenvolvimento da conta bancária dos barões do setor.
  • Neodesenvolvimentismo  04/02/2013 16:12
    Moeda forte gera excesso de importações e desequilibrio externo sério, o que só países com moeda conversivel podem se dar ao luxo de ter. Além disso gera desindustrializaçao, precarização do emprego e desemprego.
  • Thames  04/02/2013 17:15
    Suíça, Alemanha, Japão, Cingapura, Liechtenstein sempre tiveram moedas fortes e sempre foram nações exportadoras. Pela sua lógica, era para elas estarem sofrendo de forte desindustrialização, precarização do emprego e desemprego. Por que isso não ocorreu?
  • Tiago Moraes  04/02/2013 17:41
    É mesmo? Então me explique o caso da Alemanha, que foi a nação que mais exportou na segunda metade do século XX, tendo a frente o Marco alemão, a moeda mais forte da europa e uma das mais fortes do mundo no mesmo período. No aguardo...
  • Felipe  05/02/2013 00:49
    Boa, Huahauhauha!!! Não poderia ter escolhido nome melhor para trollar o povo!
  • Libertário  04/02/2013 16:34
    Ainda incompleto, Thames.

    Defendo juro baixo porque desconheço o "Bonfire" de capital e recursos equivocadamente alocados e câmbio desvalorizado para destruir o poder de compra de todos em prol da exportação.
  • Fabiano  04/02/2013 16:54
    A ignorância realmente é uma dádiva! Quanto mais artigos leio aqui, maior a vontade de estripar pseudo-economistas e intelectuais.
  • Rui Alberto  04/02/2013 16:54
    Acho interessante termos uma moeda valorizada, mas hoje a maioria das pessoas considera que as exportações proporcionam empregos. Este é o motivo alegado para desvalorizar a moeda. Como ficam os empregos? Aumentando o número de desempregados como vamos comprar os produtos estrangeiros? Ou a perda de empregos não seria significativa o bastante para compensar os benefícios da moeda valorizada?
  • Leandro  04/02/2013 17:14
    Isso já foi exaustivamente discutido em nossos artigos sobre protecionismo, especialmente nestes:

    A filosofia da miséria e o novo nacional-desenvolvimentismo do governo brasileiro

    Os empregos e as importações

    Descubra se você é um protecionista mercantilista

    Uma moeda forte poderia trazer desvantagens para os brasileiros?

    Não vou ficar repetindo para sempre as mesmas coisas em todas as seções de comentários de artigos deste tema.
  • Wagner  04/02/2013 17:20
    Acredito que ocorreria a perda de emprego nos setores exportadores, no entanto todo o resto da população pagaria menos por produtos de maior qualidade. Esta economia possibilitaria a criação de poupança que acaba gerando investimentos. Estes investimentos criariam empregos que não necessitam de dinheiro roubado pelo governo para funcionar.

    É a mesma coisa com as montadoras do ABC Paulista. Para garantir o emprego de alguns apertadores de parafuso superfaturados o governo se deita com as montadoras. O resultado é que a população paga fortunas por veículos de baixa qualidade (dinheiro que poderia ser investido em novas empresas) e em troca mantemos o emprego de meia dúzia. Enquanto isso poderíamos importar carros de altíssima qualidade com preço muito menor se não fosse a intervenção estatal.
  • Guilherme  04/02/2013 17:42
    Eu entendo e concordo com tudo que foi dito neste artigo, mas ainda tenho uma dúvida. Como um país que exporta pouco e importa muito paga por esta importação? Se eu não exporto, não recebo, por exemplo, dólares por meus produtos, se não tenho dólares, como vou pagar pela importação dos itens que desejo? Para eu simplesmente comprar dólares, sem vender nada em troca, é preciso que alguém esteja interessado em investir na moeda local. Não levaria muito tempo até a moeda local ganhar "prestígio" e ser vista como bom investimento? Neste meio tempo, como faria para obter dólares? Esta não seria por exemplo a atual situação da Argentina? Que não tem dólares, queda nas exportações e ninguém acredita que o peso argentino tenha algum valor?

    Obrigado!
  • Leandro  04/02/2013 18:00
  • mauricio barbosa  04/02/2013 18:02
    Rui Alberto continue pesquisando aqui no Instituto Mises Brasil,você não irá se arrepender isso eu posso te garantir,afinal o estado é um manipulador de informações e aqui tudo isso é desmascarado pois,apesar da(des)constituição ser um arremedo de leis eles acertaram ao garantir a liberdade de expressão.Portanto desfrute dessa liberdade ainda que parcial.
    Lembrando que o Instituto Mises Brasil desmascara o estado com argumentos sólidos,o xingamento fica nos comentários.Um longo abraço.
  • R. Domini  04/02/2013 18:03
    Uma curiosidade:
    Se algum economista do mises fosse convidado (ideia pouco provável) para ministro da economia (para dar uma melhorada atual no cenário) alguém aceitaria esse desafio?
    Sei que o ideal seria a extinção do BC brasileiro, mas o que poderia ser feito a curto ou médio prazo para dar mostras práticas de que conceitos liberais são o melhor caminho para qualquer economia (a exemplo do que fez Ludwig Erhard na economia alemã dos anos 40)?
  • Leandro  04/02/2013 18:46
    Qual o escopo da ação? O que posso e o que não posso fazer?

    Já há um plano (bem moderado) para o que fazer em 4 anos de governo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=285
  • Robson  04/02/2013 18:11
    olá, estou sempre acompanhando os artigos postados, estudo economia por hobby, por favor se puderem me esclareçam uma dúvida. As desculpas que vejo pelo no jornal para a desvalorização da moeda é o incentivo a exportação, no caso das importações superarem as exportações, as reservas de dólar do país ficam comprometidas (lembram do início do plano real?), quais as reais consequências desta saída de moeda estrangeira do país e se justifica o que o governo anda fazendo para manter as reservas, obrigado
  • Leandro  04/02/2013 18:19
    As reservas internacionais estão hoje em um nível maior do que as contas-correntes e a contas-poupança. Isso significa que mesmo se todos esses reais fossem convertidos em dólares e fossem exportados, ainda sobrariam dólares.

    Crise no balanço de pagamentos e escassez de reservas internacionais é um problema que acomete apenas países de câmbio fixo com moeda sobrevalorizada -- exatamente como ocorreu com a Argentina, que tinha a paridade cambial (1 peso valia 1 dólar), mas continuou expandindo desmedidamente a oferta de pesos. Se a taxa de câmbio é fixa mas você expande a oferta monetária, então a renda nominal das pessoas aumenta. Isso se traduz em maiores importações e consequentemente em esgotamento das reservas internacionais.

    Em país de câmbio flexível, a quantidade de reservas internacionais não é problema algum. O governo acumula reservas apenas para subsidiar os exportadores.

    Artigo recomendado:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1294
  • Gil  04/02/2013 19:06
    Com US 4.035 bi de déficit em janeiro/13, e os brasileiros torrando no exterior, CCOMO que as reservas cambiais continuam aumentando? Empréstimos ou investimentos?
  • Leandro  04/02/2013 19:39
    Leia o item II.

    www.bcb.gov.br/?ECOIMPEXT
  • Juliano Camargo  04/02/2013 23:32
    O Brasil mais uma vez INOVA ao praticar o mercantilismo sem ao menos ter uma pauta de produtos industrializados para vender lá fora... Nossa moeda é depreciada não para ajudar a vender alguma coisa lá fora, mas simplesmente para manter os brasileiros longe dos produtos dos outros.
  • Antonio  05/02/2013 00:22
    Caros,

    Faltou o artigo citar que, ao se economizar dinheiro pagando por importado mais barato, essa economia pode ser gasta com outros produtos (o que estimularia outros setores econômicos), ou poderia ser canalizada para investimentos (antes inviabilizados por falta de poupança), o que tb estimularia outros setores da economia, gerando emprego e mais renda. Por outro lado, empresas podem importar insumos mais baratos e baixar seus custos de produção, podendo competir melhor tanto no mercado doméstico quanto no exterior. A Embraer é um exemplo que ilustra bem este último fato. Importa mais da metade de seus insumos (ainda que com câmbio desfavorável) e consegue fabricar um produto competitivo internacionalmente (agora já está começando a competir com a Boeing e Airbus), mesmo com alto custo Brasil.


    Alguns poderiam achar que a agricultura nossa seria prejudicada, mas creio que nem ela, pois hoje nossas máquinas agrícolas (maior determinante da produtividade) custam três vezes mais do que nos EUA. Além disso, teria a competitividade gerada pela importação de vários outros insumos mais baratos (fertilizantes, sementes etc).

    Esse é, portanto, o caminho.

  • anônimo  05/02/2013 10:54
    Fazendo uma analogia com uma família, ou com um indivíduo
    Exportar mais do que importar não seria a mesma coisa de ganhar mais e gastar menos?
    Ou seja economizar?
  • Leandro  05/02/2013 11:22
    Não. O arranjo é totalmente diferente. Não faz sentido a comparação. Uma coisa é uma família; outra coisa é uma nação e seu pequeno grupo privilegiados, os exportadores. Os benefícios em cada caso são distintos.

    Uma família que ganha mais do que gasta está poupando para o seu futuro, algo que lhe permitirá uma maior qualidade de vida.

    Já um país que manda para fora o que produz e recebe em troca pedaços de papel que ficarão nas mãos apenas de um ínfimo grupo de privilegiados (os exportadores) não está de modo algum aumentando o padrão de vida de sua população. Pelo contrário: está diminuindo. A oferta de bens aqui dentro está caindo, seus preços estão subindo e não se pode importar nada de fora. Década de 1980.

    Se as importações fossem liberadas e o governo deixasse o câmbio apreciar, aí sim as exportações gerariam contrapartidas benéficas para a população. Porém, o atual arranjo, em que todas as benesses ficam com os exportadores e o restante da população fica apenas com a fatura, não tem nada de positivo para os cidadãos.
  • Giovani  05/02/2013 18:38
    Não foi comentado que, além de todos prejuízos de uma moeda desvalorizada para a população, ainda existe a dita 'renúncia fiscal' na qual, para favorecer exportadores, as isenções de impostos e juros subsidiados, são práticas.
    Assim, além dos benefícios financeiros diretos, existe a engenharia contábil.Sim, são verdadeiros engenheiros e arquitetos trabalhando para não pagar impostos. Aproveitando o gancho, abro para discussão para os amigos deste site, uma questão: alguém sabe o porquê do arranjo tributário, feito para a indústria automobilística, entre Brasil e Argentina ? Exemplo: Um motor diesel fabricado em Canoas (Porto Alegre)viaja até a Argentina e ingressa com direito a todos diferimentos, isenções, créditos, pelo preço de 1/3 do valor nacional. Lá é montado em uma camioneta e retorna ao Brasil. Aqui a camioneta é vendida por preço 50% superior à Argentina. Sei que o lucro destas montadoras é assombroso aqui no país da(os) Banana. Mesmo assim o setor ainda é beneficiado com redução de IPI. Este assunto é para se aprofundar. Por conta de ditas exportações fictícias, este e outros setores, estão fazendo uma farra ( nunca vista antes na história deste país) .
  • Rene  05/02/2013 11:54
    Não exatamente. A única vantagem real de exportar é conseguir divisas que serão usadas para importar bens e serviços. Não existe outra utilidade, visto que os bens estão saindo do país, tornando-os mais escassos para a população local. Se você exporta bens que possuem alta oferta e importa bens escassos, a população sai ganhando.

    Imagine que você tenha uma padaria e que a família toda trabalha nela. Neste contexto, você vende os pães para adquirir "divisas" que serão usadas para comprar outros produtos que a sua padaria não produz, como é o caso de roupas.

    Agora, teríamos um problema se a padaria não for eficiente o suficiente, de maneira que, por causa do forno sucateado que gasta muito mais gás que o necessário, a má localização da padaria, bem como problemas de administração, fazem com que o pão saia do forno com um custo acima do preço de mercado. Em um arranjo normal, a padaria fecharia e os integrantes da família iriam procurar outros meios para arranjar as divisas, como arranjar um emprego ou mudar de ramo. Poderiam talvez comprar um forno novo, ou eliminar desperdícios.

    Mas imagine que o dono da padaria resolve adotar medidas protecionistas para reduzir artificialmente o preço do pão. O salário pago à família é reduzido, abaixo dos valores de mercado. Se você resolve comprar algum bem fora da padaria, como um camiseta nova, precisa pagar ao dono da padaria um "ágio" ao entrar com a camiseta nova. E se você comprar algum bem que possa concorrer com os bens que são produzidos na padaria, como um sonho vendido por um daqueles carros com alto falantes, você precisa deixar com o dono da padaria uma porcentagem muito maior sobre o valor do sonho. E você não tem a opção de mudar de emprego.

    Neste contexto, não tem como dizer que o padrão de vida da família está aumentando. Os pães seguem sendo vendidos, mas boa parte dos custos de produção são arcados pela família. É isso que o governo faz. Quando coloca impostos protecionistas em bens importados e desvaloriza a moeda, o que está fazendo na prática é dividindo com a população os custos de produção dos bens exportados. Você está ajudando uma fábrica chinesa a adquirir aço a um preço menor do que o produtor de aço brasileiro consegue produzir, arcando literalmente com uma parte destes custos.
  • Antonio  05/02/2013 21:19
    Giovani,

    Também quero entender melhor pq carros aqui são tão mais caros, mesmo depois de tirar impostos aqui e lá fora. Então, a componente maior que explicaria essa diferença não é tributária. A FGV já fez estudo, mostrando que concessionárias e montadoras têm lucros mto altos aqui, especialmente por causa de uma tal lei Ferrari, a qual impede maior concorrência, principalmente entre concessionárias. No entanto, não sei qual a racionalidade dessa lei, nem em que consiste. Alguém sabe explicar? Imagina qtos outros setores poderiam ser estimulados com gastos economizados na compra de carros! Vendem-se quase quatro milhões de veículos novos por ano no Brasil. Supondo-se que seus preços poderiam ser a metade do que são, e que têm preço médio de R$ 50 mil, poderíamos então economizar R$ 100 bilhões por ano na compra de carros. Isso representaria coisa de 2,3% do PIB, mais do que o investimento público. Vejam só o potencial, quantos outros setores não poderiam florescer no país com esse dinheiro!
  • anônimo  14/02/2013 11:58
    Antonio, a engenharia contábil dos fabricantes é o grande motivo da usura nos preços nacionais. Os concessionários, que tem na Lei Fernando Ferrari uma salva-guarda contra a força da ANFAVEA, não são os vilões de estória.
    Os culpados somos nós,na medida que não fazemos nada e não nos mobilizamos para nada.
    A coisa é tão escancarada que já presenciei várias cegonheiras levando carros da Citroen, Peugeot, Renault, sem nenhuma identificação do modelos deles. Na Argentina, colocam o adesivo do modelo, tapetes e calotas, e retorna ao Brasil com preço 100% maior. É isto que acontece no Brasil. Não precisa competência industrial, apenas um 'jeitinho' contábil resulta em lucros usurários para estes. O tal MERCOSUL, foi a maior furada para nossa economia, pois além de prejudicar quem produz honestamente aqui, beneficia de forma criminosa o setor automobilístico.
  • Dalton C. Rocha  06/02/2013 00:15
    Hoje, o dolar no oficial deu R$1,98. Uma calamidade para quem exporta. Exportação cria desenvolvimento e empregos no setor privado.
  • Mauro  06/02/2013 08:23
    Realmente, uma calamidade. Vamos todos morrer de inanição!
  • Tiago Moraes  06/02/2013 18:45
    A tese de que nações ricas são mais ou tanto quanto protecionaistas em relação às nações emergentes é um engodo. As nações emergentes tributam muito mais as importações que as nações desenvolvidas, é só pesquisarem sobre impostos e sobretaxações a importados em diversos países para se constatar isso. A carga tributária brasileira sobre importados é 6x maior que a americana e 2x maior que a europeia por exemplo.
  • eduardo  07/02/2013 00:43
    A estabilidade do valor da nossa moeda e a desvalorização das demais devido ao aumento de oferta, seria excelente para nos (consumidores) pois teríamos bons produtos importados por preços muito acessíveis, mas isso não acarretaria em um enfraquecimento da industria nacional como um todo devido a preferencia por produtos importados graças aos seus preços muito mais atraentes? Fazendo com que as nossas industrias parassem de atender o mercado interno e também o mercado externo pois os nossos preços no exterior se elevariam devido ao cambio manipulado dos outros países, assim perdendo competitividade lá fora.
    O pais iria sofrer com um grande desemprego devido a queda de produção das nossas industrias, de modo que essa estabilidade no cambio não tenha nenhum resultado positivo no médio e longo prazo.

    Peço desculpas por qualquer erro de interpretação, sou estudante e tenho muito oque aprender ainda. Espero ansiosamente a resposta. Grato

  • Leandro  07/02/2013 07:08
    Em qualquer situação, a abertura da economia irá acabar com aqueles empregos nas indústrias menos competitivas. E isso é positivo. Ao contrário do que o senso comum apregoa, a função de uma economia capitalista não é gerar empregos. A função de uma economia capitalista é aumentar o padrão de vida as pessoas. Empregos em indústrias ineficientes nada mais são do que um desperdício de recursos escassos. Essa mão-de-obra poderia estar sendo mais bem aproveitada no setor de serviços, e o maquinário imobilizado nessa indústria ineficiente seria mais bem aproveitado em outras linhas de produção. David Ricardo e sua teoria das vantagens comparativas já havia explicado isso ainda no século XVIII.

    Ademais, mesmo que o sujeito seja demitido do setor industrial e vá para o setor de serviços em troca de um salário nominal menor, no longo prazo, por causa da contínua valorização cambial, seu padrão de vida estará maior. Ele terá acesso a bens importados e de qualidade a preços cada vez menores. É essa facilidade de acesso a uma grande oferta de bens e serviços de qualidade que define um padrão de vida.

    Como bem colocou o leitor Wagner acima, ocorreria a perda de emprego nos setores exportadores, no entanto todo o resto da população pagaria menos por produtos de maior qualidade. Esta economia possibilitaria a criação de poupança que acaba gerando investimentos. Estes investimentos criariam empregos que não necessitam de dinheiro roubado pelo governo para funcionar.

    É a mesma coisa com as montadoras do ABC Paulista. Para garantir o emprego de alguns apertadores de parafuso superfaturados o governo se deita com as montadoras. O resultado é que a população paga fortunas por veículos de baixa qualidade (dinheiro que poderia ser investido em novas empresas) e em troca mantemos o emprego de meia dúzia. Enquanto isso, poderíamos importar carros de altíssima qualidade com preço muito menor se não fosse a intervenção estatal.

    A filosofia da miséria e o novo nacional-desenvolvimentismo do governo brasileiro

    Uma moeda forte poderia trazer desvantagens para os brasileiros?

    Os empregos e as importações

    Descubra se você é um protecionista mercantilista
  • anônimo  20/03/2013 07:15
    Primeiro que não tem como o cara aumentar o padrão de vida estando desempregado. Claro que você vai arguemntar que os empregos migrarão para o setor de serviços. Mas o setor de serviços não produz nada, ele apenas consome. O setor produtivo mesmo são a indústria e a agricultura. Como você mesmo disse outro dia: antes do consumo e da distribuição dos bens vem a produção de bens. Então se só consome e não aumenta a produção, o padrão de vida com o tempo declinará.
  • Roberto  20/03/2013 09:44
    Como o padrão de vida declinará se ele está importando bens baratos e de qualidade? O padrão de vida cairá se ele for proibido de importar. Ou se o governo desvalorizar a moeda e encarecer as importações. Aí sim a coisa degringola.
  • anônimo  20/03/2013 09:55
    'Como o padrão de vida declinará se ele está importando bens baratos e de qualidade?'

    Porque ele não tem dinheiro pra comprar.Porque a fábrica que ele trabalhava não pôde competir e ele faliu
  • Mauro  20/03/2013 15:22
    Por que ele não terá dinheiro pra comprar?! Todos os empregos da economia sumiram? O sujeito não sabe fazer mais nada?

    Mesmo que tal insensatez ocorresse em relação a ele, todas as outras pessoas estariam em melhor situação. Se fosse para escolher, é muito mais preferível dar um seguro-desemprego para esse sujeito e liberar o resto da economia, do que travar tudo só por causa dele.
  • anônimo  20/03/2013 09:50
    'Mas o setor de serviços não produz nada, ele apenas consome.'

    Não faz sentido, se não produz nada então pra que as pessoas pagam por ele? Todo mundo gosta de jogar dinheiro fora?
  • Gunnar  29/02/2016 10:41
    "Mas o setor de serviços não produz nada, ele apenas consome. " Li tres vezes e nao entendi. Quer dizer que uma pequena ilha caribenha que nada tenha a oferecer alem do turismo de verao mais requisitado no mundo nao poderia empregar 100% de sua mao-de-obra num absurdamente lucrativo setor de turismo e importar 100% dos bens de consumo (e tbm infraestrutura para o setor de turismo) usando os dolares que entram em profusao?
  • Eduardo R., Rio  14/02/2013 00:00
    Ubiratan Iorio escreveu um adendo ao artigo de Gary North.

  • Lopes  20/03/2013 11:54
    Excelente adição do professor Iorio. Expande a vida útil do artigo(Que já é longa) ainda mais e o esclarece perfeitamente.
  • Eduardo Pimenta  14/02/2013 10:47
    Além do lobby das exportadoras, eu acho que os nossos governantes têm interesse em reduzir as importações e aumentar as exportações com a finalidade de elevar o PIB. Parece ser mais uma manobra política, eles querem que o governo seja lembrado pelas boas estatísticas, muitas vezes manipuladas, em vez de ser lembrado pela melhoria real do bem estar da população.
    Depois vão apontar e dizer: "Olha como o governo é competente! Inflação relativamente baixa, crescimento continuo, dívida pública em queda, taxa de desemprego de primeiro mundo, conta de energia elétrica reduzida, copa do mundo, salário mínimo em níveis recordes, etc. etc. O PIB só deixou a desejar por causa da crise econômica mundial e da China roubando nosso mercado exportador, mas vamos baixar ainda mais os juros para incentivar a rolagem das dívidas pessoais e aumentar o consumo".
    Enfim, muitas notícias que a gente lê por aí parecem boa a primeira lida, mas tem tanta malandragem por trás. Quem não consegue ver aplaude. =)

    Abraços.
  • Alessandra Carvalho  20/03/2013 01:30
    Adorei ler todos as explanações, enriquecem e esclarecem de uma forma clara e objetiva. Sou formada em Administração e leve tendência a economia. Serei assídua nos debates.Um abraço a todos
  • Economista  20/03/2013 07:01
    O benefício é óbvio, você está produzindo mais para si do que dependendo do comércio dos outros. Ademais, há mais divisas.
  • Roberto  20/03/2013 09:43
    Como é que você "está produzindo mais para si" se você está exportando essa produção? E divisas você pode conseguir com investimento estrangeiro. Muito melhor.
  • Antonio  07/10/2015 13:29
    Por favor, se um páis deprecia sua moeda para exportar, exporta mais, ajuda exportadores e prejudica toda uma população. Ok! Contudo, como um páis que não exporte muito, mantenha sua moeda valorizada e comprando tudo de outros países, com o tempo passando, já que não exportará muita coisa ter dinheiro novo, ou riqueza?
  • Carlos  07/10/2015 14:45
    Por meio de investimentos estrangeiros diretos, investimento estrangeiro no mercado financeiro e em portfolio (aquisição de debêntures, ações), investimento estrangeiro em título do governo, turistas estrangeiros, e absolutamente qualquer outro tipo de influxo de capital estrangeiro.

    O que torna um país excepcionalmente atraente para investidores internacionais e assegura o fluxo de investimentos estrangeiros, o que consequentemente garante as importações necessárias para o país, é a garantia de respeito à propriedade privada e aos contratos

    Ou seja, um país pode perfeitamente obter as divisas estrangeiras de que necessita sem precisar para isso ter grandes indústrias exportadoras -- o que não quer dizer, obviamente, que ele pode se dar ao luxo de não exportar nada; aliás, com a divisão internacional do trabalho, é impossível que um país não se especialize em ao menos um tipo de produto exportável, tendo uma grande vantagem comparativa em relação ao resto do mundo.

    Nesse cenário, tais indústrias poderiam perfeitamente se voltar para a demanda nacional. E como a população agora possui uma poupança maior -- justamente por estar gastando bem menos em suas importações, em decorrência de sua moeda forte -- haverá mais demanda para esses produtos que deixaram de ser exportados, de modo que eles poderão ser consumidos pelos nativos (a um preço menor do que seria caso fossem exportados, obviamente).
  • Thiago Teixeira  29/02/2016 14:46
    Tenho dificuldade para entender uma economia importadora líquida operando um currency board.

    Vi em outra seção de comentários o Leandro explicando que a escassez de moeda no mercado interno naturalmente leva a elevação de taxas de juros, o que atrai investidores externos e tende a equilibrar tanto a balança como a própria taxa de juros.

    É por aí mesmo?
    Há algum país que seja exemplo dessa situação.

    (países importadores sob currency board há vários, né?)
  • Rousseff  29/02/2016 14:49
    Bulgária.
  • Thiago Teixeira  01/03/2016 01:33
    Ops - partidos EXPORTADORES sob CB há vários, né?

    E valeu, Roussef.
  • Fernando  15/12/2016 10:49
    Algum artigo ou teoria falando como se dá o padrão de vida dos suíços, sendo que eles não fabricam carros, não fazem nada de muito impactante economicamente e tem um padrão de vida altíssimo? Baixa emissão de francos não pode ser a única explicação para isso. Se vendem chocolate e alguns instrumentos de precisão, como podem ter um padrão tão alto de vida?
    Enfim, aprendi aqui (eu acho que é assim rsrsrs) que vc troca sua mão de obra por outros bens e serviços, tudo através da especialização, mas o que permite a eles dirigirem carros excelentes e ter um padrão tão alto de vida vendendo queijo, chocolate e instrumentos de precisão??
  • Andre  15/12/2016 11:40
    Abandone essa mentalidade metalista caro, a Suíça faz comércio e bastante, exporta mais que o Brasil inteiro olhe aí a pauta exportadora suíça:

    atlas.media.mit.edu/en/profile/country/che/

    22% é ouro, como conseguem isso sem ter minas de ouro? Pois bem, compram de quem minera e revende refinado para quem quer comprar produto de primeira linha.

    Este livre é um manual de investimentos, mas nos primeiros capítulos explica breve e precisamente como a Suíça se tornou o que é:

    www.monitorinvestimentos.com.br/download/Os%20Axiomas%20de%20Zurique.pdf

    "Observando isto, os suíços concluíram que a maneira sensata de levar a vida não é fugindo aos riscos, mas
    expondo-se deliberadamente a eles. É entrar no jogo. Apostar. Mas não à maneira irracional da larva. Ao
    contrário: apostar com cautela e deliberação; apostar de maneira tal que grandes ganhos sejam mais prováveis
    que grandes perdas - apostar e ganhar"
  • Fernando  15/12/2016 12:08
    Hans/André, Muito obrigado pela gentileza, abraços.


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