Explicando a recessão europeia

O economista americano Steve Hanke, professor de economia aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, EUA, considerado uma sumidade em assuntos monetários (foi ele quem acabou com todas as hiperinflações das ex-repúblicas soviéticas no Leste Europeu, da Bósnia e da Argentina), cunhou uma frase da qual todo cidadão comum jamais deveria se esquecer.  Hanke a rotulou de 'regra dos 95%': "noventa e cinco por cento de tudo que é escrito sobre economia ou está errado ou é irrelevante."

Tal regra é perfeitamente aplicável para as análises feitas sobre o atual estado das economias europeias.  Segundo os especialistas, o problema está na tal 'austeridade', a qual estaria sendo imposta a todo o continente pelos malvados alemães por motivos puramente sádicos, e estaria sacrificando os pobres gregos, espanhóis e portugueses.  Culpar a austeridade é uma postura que gera aplauso fácil porque significa condenar cortes nos sagrados programas assistencialistas europeus, os quais todos os economistas convencionais sonham ver serem adotados universalmente em todos os países do Ocidente — adoção essa que requereria a supervisão destes economistas, é claro.

Muito embora a "austeridade" europeia esteja sendo feita não por meio exclusivo da redução de gastos, mas sim por uma combinação entre redução de gastos e elevação de impostos — e, como mostrou Philipp Bagus, os déficits orçamentários continuaram intocados —, ela não é a causa precípua da prolongada recessão do continente.

Qual é então o problema? 

Como tudo começou

Durante a década de 2000, os países europeus, e mais acentuadamente Espanha, Portugal, Grécia e Irlanda, vivenciaram tão explicitamente todas as etapas de um ciclo econômico descrito pela Escola Austríaca, que tal exemplo deveria doravante figurar em todos os escritos sobre o tema ciclos econômicos.  O ciclo econômico vivenciado por estes quatro países está sendo tão completo, que é difícil imaginar algum outro exemplo prático que melhor ilustre aquilo que é descrito pela teoria austríaca.

A crise econômica e financeira europeia começou da mesma maneira que se iniciam todos os ciclos econômicos: por um processo de enorme expansão do crédito orquestrado pelo Banco Central Europeu em conjunto com o sistema bancário de reservas fracionárias dos quatro países citados.  Tal processo de expansão do crédito consiste meramente em um processo de criação de dinheiro do nada.  E é assim em todo o mundo atual. 

Sempre que uma empresa ou um indivíduo qualquer vão a um banco e pedem um empréstimo, o banco cria do nada dinheiro eletrônico na conta-corrente deste tomador de empréstimo.  O dinheiro não foi retirado de nenhuma outra conta.  Ele simplesmente foi criado.  O bancário apertou algumas teclas no computador e dígitos eletrônicos surgiram na conta-corrente do mutuário.  É assim que o dinheiro entra na economia no sistema monetário atual e é assim que a quantidade de dinheiro em uma economia aumenta.  O sistema bancário destes países europeus, atuando sob a proteção e estímulo do Banco Central Europeu, literalmente criou bilhões de euros para serem emprestados para empreendedores e consumidores.

Veja a evolução do crédito na Espanha, de janeiro de 2002 (ano da introdução do euro) até janeiro de 2009, ano do início da crise.

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Observe que o crédito concedido mais do que triplicou em apenas 7 anos, indo de 600 bilhões de euros para mais de 1,8 trilhão de euros.

Todo este processo de concessão de crédito gerou quase que o mesmo efeito na oferta monetária do país, que neste mesmo período saiu de 400 bilhões para 1 trilhão.[1]

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O mesmo fenômeno ocorreu na Irlanda.  O crédito triplicou...

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... e a oferta monetária duplicou.

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E, finalmente, na Grécia.  O crédito mais que dobrou...

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... assim como a oferta monetária.

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Qual foi a consequência de toda esta expansão creditícia e monetária?

Empreendedores, ao tomarem como empréstimo este dinheiro criado do nada pelo sistema bancário, passaram a investir naqueles projetos que mais estavam sob demanda.  Nos casos específicos da Espanha e da Irlanda, no setor imobiliário.  Os consumidores destes países, por sua vez, estavam recorrendo aos bancos justamente para obter financiamento para comprar imóveis.  Esta súbita demanda por imóveis foi possibilitada pelo fato de que a expansão creditícia feita pelo sistema bancário de reservas fracionárias e orquestrada pelo Banco Central Europeu gerou uma forte queda nos juros.

Uma expansão creditícia e monetária é sempre um fenômeno extremamente perigoso porque funciona como uma droga.  Quando o dinheiro recém-criado é injetado na economia pelos bancos, todo o sistema econômico passa a reagir de maneira expansionista.  As pessoas ficam animadas.  Empreendedores recebem financiamento barato para praticamente qualquer investimento que queiram fazer, não importa o quão irracional tal investimento seria em outras circunstâncias.  Ao mesmo tempo, trabalhadores e sindicatos percebem que a demanda por seus serviços aumentou, pois há mais dinheiro na economia.  Bens de consumo também passam a ser demandados com mais intensidade.  A renda das pessoas cresce anualmente.  Todo mundo fica feliz, principalmente porque tal arranjo faz parecer ser possível aumentar a riqueza sem qualquer sacrifício na forma de poupança e trabalho duro.  Forma-se uma bolha. 

Este aparente ciclo virtuoso da nova economia ludibria todos os agentes econômicos: investidores estão muito contentes ao verem que suas ações crescem diariamente; as indústrias de bens de consumo conseguem vender tudo que põem no mercado e a preços crescentes; restaurantes estão sempre cheios e com longas listas de espera apenas para arrumarem uma mesa; trabalhadores e seus sindicatos veem o quão desesperadoramente empresários estão demandando seus serviços em um ambiente de pleno emprego, aumentos salariais e (nos países mais ricos) imigração; líderes políticos se beneficiam daquilo que parece ser uma economia excepcionalmente boa, a qual eles venderão ao eleitorado como resultado direto de sua liderança e de suas boas políticas econômicas; burocratas responsáveis pelo orçamento do governo ficam impressionados ao descobrir que, a cada ano, a receita está aumentando em cifras de dois dígitos.

Porém, tal arranjo não pode durar.  Há um enorme descoordenação entre o comportamento dos consumidores e dos investidores.  Os consumidores seguem consumindo sem a necessidade de poupar, pois a quantidade de dinheiro na economia aumenta continuamente, o que torna desnecessário qualquer abstenção do consumo.  E os investidores seguem aumentando seus investimentos, os quais são totalmente financiados pela criação artificial de dinheiro virtual feita pelos bancos e não pela poupança genuína dos cidadãos.  Tal arranjo é completamente instável.  Trata-se apenas de uma ilusão de que todos podem obter o que quiserem sem qualquer sacrifício prévio.

Com o tempo, tamanha demanda gerada pela criação de dinheiro leva a um inevitável aumento dos preços.  Ato contínuo, o Banco Central eleva a taxa básica de juros da economia e os bancos, além de reduzirem o volume de empréstimos concedidos, também começam a cobrar juros maiores.  Afinal, se os bancos não aumentassem os juros cobrados, eles simplesmente receberiam — no momento da quitação do empréstimo — um dinheiro com um poder de compra menor do que o que esperavam receber quando concederam o empréstimo.

Essa nova postura dos bancos leva a uma redução da taxa de crescimento da quantidade de dinheiro na economia.  E tal redução na taxa de crescimento da oferta monetária é exatamente o que põe um fim na euforia e gera o início da recessão.

A recessão

Durante a fase da expansão econômica artificial, os indivíduos intensificaram seu endividamento para poder consumir, na crença de que a expansão do crédito continuaria farta e que sua renda futura continuaria aumentando, o que facilitaria a quitação destas dívidas.  Já as empresas embarcaram em investimentos de longo prazo levadas tanto pela redução artificial dos juros criada pela expansão do crédito (o que faz com que os investimentos se tornassem mais financeiramente viáveis) quanto pela expectativa de que o aumento futuro da renda possibilitaria o consumo dos produtos criados pelos seus investimentos.

No entanto, a redução da expansão monetária — que não pode se perpetuar para sempre — traz a realidade à tona.  O aumento esperado da renda não se concretiza, o que faz com que as dívidas se tornem mais difíceis de serem quitadas.  Isso faz com que todos aqueles investimentos que foram estimulados pela expansão artificial do crédito entrem em colapso, pois nunca houve uma demanda genuína por eles.  Como os consumidores estão mais endividados e o nível geral de preços da economia aumentou — mas a oferta monetária se estabilizou —, a demanda cai (não cairia caso os investimentos houvessem sido financiados por poupança genuína, isto é, pela real abstenção do consumo dos indivíduos). 

Todos aqueles empreendimentos que até então pareciam lucrativos — como o setor imobiliário — se revelam um grande desperdício. A realidade é que simplesmente não havia demanda para tais projetos, pois tudo era baseado numa ilusão de prosperidade, aditivada pela expansão monetária e do crédito.

Até aqui, a narração acima em nada se distingue do atual momento brasileiro.  A mecânica inicial de um ciclo econômico, seja no Brasil, seja na Europa ou nos EUA, é a mesma, variando apenas qual será o setor que receberá a maior parte dos investimentos estimulados pelo crédito fácil.  O que tornou a recessão europeia especialmente dolorosa foi o que aconteceu com seu sistema bancário.

O que ocorreu na Europa — especialmente na Espanha e na Irlanda — é que o processo de expansão creditícia foi direcionado majoritariamente para o setor imobiliário.  E em gigantesca escala.  A bolha imobiliária espanhola foi muito maior que a americana — ao ponto de existirem hoje na Espanha, segundo Jesús Huerta de Soto, mais de um milhão de casas vazias, o que representa um incalculável desperdício de recursos escassos.

Sendo assim, quando a expansão creditícia foi interrompida e os juros foram elevados, não apenas a demanda por imóveis foi estancada, como também, e principalmente, as pessoas que estavam pagando hipotecas simplesmente começaram a dar o calote nos bancos.  Como as construtoras que haviam tomado empréstimos também não mais estavam conseguindo vender seus imóveis, elas também começar a dar calote nos bancos.  Acrescente a isso o aumento no desemprego em decorrência do mecanismo explicado acima, e você terá um ideia de quão volumosos foram os calotes nos bancos.

Ato contínuo, os bancos perceberam que seus empréstimos imobiliários — tanto para construtoras quanto para pessoas físicas — não mais seriam quitados aos valores originalmente esperados.  Como os empréstimos fazem parte do ativo dos bancos, a consequência é que os ativos bancários passaram a valer muito menos do que imaginavam. 

Essa queda no valor dos ativos gerou um enorme problema nos balancetes dos bancos: o valor dos ativos despencou, mas o valor dos passivos (todos os depósitos de seus clientes) permaneceu o mesmo.  Em termos contábeis, se há uma forte redução nos ativos e os passivos permanecem os mesmo, então há uma redução no patrimônio líquido (capital).  Os bancos se tornaram insolventes

Quando um banco se torna contabilmente insolvente, ele pode fazer duas coisas: ou ele aumenta seus ativos (sem que tenha de aumentar seus passivos), ou ele reduz seus passivos. 

Aumentar ativos em um cenário de recessão é praticamente impossível.  Ele teria de vender papeis em troca de dinheiro para aumentar suas reservas.  Porém, além de as pessoas não estarem em condições de comprar papeis dos bancos, o próprio ato desesperado de venda de papeis já forçaria para baixo os preços dos mesmos, pois tal medida deixaria explícita a péssima situação do banco.  O valor de seus ativos poderia cair ainda mais. 

Logo, a única solução plausível foi reduzir os passivos.  E como os bancos reduzem passivos?  Deixando de conceder empréstimos.  Cobrando empréstimos pendentes (cuja quitação aumenta seus ativos), e não concedendo novos empréstimos.  Essa era a única maneira de sanear seus balancetes.

E a consequência desta postura está perfeitamente ilustrada nos gráficos abaixo. 

Na Espanha, o volume de crédito concedido está em queda.

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Assim como a oferta monetária, que está apresentando deflação.

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O mesmo é válido para a Irlanda.

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E é ainda mais intenso para a Grécia, cujo volume de crédito e oferta monetária recuaram para níveis de sete anos atrás.

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A encrenca

Olhando o gráfico, fica fácil entender por que a situação grega é tão calamitosa.  Além da inevitável contração do crédito, que por si só reduz a quantidade de dinheiro na economia, também está havendo uma fuga de euros daquele país para os bancos alemães, mais seguros.  Espanha e Irlanda também vivenciam o mesmo problema, embora com intensidade um pouco menor.

Enquanto o mundo vivia seu período glorioso de expansão monetária (2003-2008), o governo grego aproveitou essa bonança para aumentar os gastos, inchar o funcionalismo e a folha de pagamento.  E fez tudo isso sem precisar aumentar impostos.  Como foi possível?  Como o crédito vinha de fora, e era abundante e barato, o governo percebeu que era mais vantajoso se endividar (em vez de tributar) para aumentar os gastos — e, depois, apenas rolar a dívida, pagando juros bastante camaradas. 

É lógico que tal arranjo grego seria insustentável no longo prazo, mesmo que os juros continuassem baixos.  É como se você fosse a um restaurante e, em vez de pagar a conta inteira, pagasse só a metade, e prometesse pagar o resto e mais juros no dia seguinte.  Porém, quando chegasse o dia seguinte, você faria um acordo com o dono do restaurante e, novamente, pagaria apenas a metade da conta daquele dia e empurraria todo o resto acumulado para o dia seguinte.  E assim você iria fazendo todos os dias.  Quando chegasse o fim do mês, o dono, desconfiado de que você iria dar o calote, simplesmente lhe apresentaria a conta total, com principal e juros acumulados, e exigiria o pagamento, não dando chances para mais rolamentos de dívida.  É aí que você teria o infarto.

No caso da Grécia, a crise financeira internacional, com a contração do crédito, acelerou esse processo de cobrança da dívida — logo, os juros exigidos para a rolagem da dívida subiram.  A farra grega acabou e, temerosos de um calote, as pessoas começaram retirar seu dinheiro do país, o que deixou os bancos em situação extremamente delicada.

Em um cenário de deflação monetária como esse que está acometendo estes países, a última coisa que os governos deveriam pensar em fazer seria aumentar impostos.  Mas foi exatamente isso que os governos desses três países fizeram e prometem continuar fazendo.  Não é à toa que a cada trimestre a imprensa noticia com fanfarra que o PIB destes países segue encolhendo.  Óbvio.  Deflação monetária com aumento de impostos é um coquetel mortífero.  Dado que há uma grande rigidez nos preços e nos salários nestes países (se os sindicatos não aceitam reduções salariais, os empresários não irão reduzir preços, pois seus balancetes iriam para o vermelho total), o resultado inevitável é uma disparada no desemprego.

Veja a evolução do desemprego em cada país clicando em seus respectivos nomes:  Espanha, Irlanda, Grécia.

Para complicar ainda mais a situação, há a imposição de Basileia III, que exige o aumento do capital dos bancos.  Como explicado, na atual situação, a única maneira de os bancos aumentarem seu capital é cobrando a quitação de empréstimos pendentes, restringindo a concessão de novos empréstimos e contraindo ainda mais a oferta monetária.  Para Espanha e Grécia, que possuem economias amarradas, sindicatos fortes, altos impostos, e uma alta quantidade de regulamentações, esta nova rodada de deflação, a qual dificilmente será acompanhada de uma redução de preços e salários, poderá ser fatal para o desemprego.  A Irlanda, por ter uma economia mais dinâmica, tem mais chances de sofrer menos. 

Conclusão

Todo processo de expansão creditícia, cedo ou tarde, se transforma em um processo de restrição ou contração do crédito.  A intensidade da recessão tende a ser proporcional à intensidade da exuberância econômica que o país vivenciou.

Durante uma recessão, os consumidores estão mais pobres do que antes justamente por causa de todos os investimentos errôneos e insustentáveis que foram empreendidos em decorrência da expansão artificial do crédito, investimentos estes que imobilizaram capital e recursos escassos para seus projetos, recursos estes que agora não mais estão disponíveis para serem utilizados em outros setores da economia.  No geral, a economia está agora com menos capital e menos recursos escassos disponíveis.  Na Espanha, como dito, há hoje um milhão de casas vazias, sem compradores.  Capitais e recursos escassos foram desperdiçados na construção destes imóveis, capitais e recursos que poderiam estar hoje sendo aplicados em outros setores da economia espanhola.

Adicionalmente, é fácil entender por que o atual problema destas economias não é de 'demanda'.  Crises e recessões não são um problema de demanda.  Crises e recessões são causadas por investimentos errôneos e insustentáveis — em decorrência da expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros —, para os quais nunca houve demanda legítima.  Não se trata de um problema de demanda agregada, mas sim de um problema de capital que foi desviado para aplicações que não eram genuinamente demandadas pelo público.

Sendo assim, de nada adianta os governos — e principalmente os malvados alemães — incorrerem em déficits, aumentar os gastos e o Banco Central Europeu imprimir mais dinheiro, imaginando que tudo magicamente seria resolvido.  O fato é que recursos escassos foram aplicados em investimentos para os quais não havia demanda. Este capital se encontra agora destruído (ou com um valor extremamente reduzido).  A recessão nada mais é do que o período de reajuste desta estrutura de produção que foi distorcida pela expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros.

Portanto, para acabar com uma recessão, é preciso fazer com que este capital mal investido seja liquidado e que os investimentos sejam voltados para áreas em que haja genuína demanda dos consumidores.  O governo fazer políticas que estimulem a demanda agregada, de modo a não permitir que haja essa reestruturação do capital, irá apenas prolongar a recessão.  O governo elevar impostos e incorrer em déficits irá apenas retirar poupança do setor privado, justamente em um momento em que ele mais necessita dela. 

É exatamente isso que os governos europeus estão fazendo, e é exatamente isso que está prolongando a recessão.   A culpa não é dos alemães, que foram bastante frugais nos últimos treze anos.



[1] O motivo de toda a criação de crédito não se traduzir em idêntica expansão da oferta monetária se deve a dois fatos:

1) Importações.  Na zona do euro, parte desse dinheiro é exportada para outros países em troca de bens importados.

2) Recapitalização dos bancos.  Quando um banco quer aumentar seu capital, ele vende um papel.  A pessoa ou empresa que comprar este papel irá transferir dinheiro da sua conta-corrente para este banco.  O banco pegará este dinheiro (totalmente eletrônico) e irá contabilizá-lo como 'reservas bancárias', que é um ativo em seu balancete.  Ao final do processo, houve uma redução da quantidade de dinheiro na economia e um aumento das reservas bancárias, que é um dinheiro que não está na economia.  Exatamente o mesmo procedimento ocorre quando um banco vende dólares em sua carteira para algum cliente.  Ou seja, embora bancos criem dinheiro concedendo crédito, eles também destroem dinheiro quando vendem algum papel para se recapitalizar.

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Leia também: Como ocorreu a crise financeira americana


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SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


Quem inventou essa tese de que não existe déficit foi uma pesquisadora chamada Denise Gentil. Segundo ela, o déficit da previdência é forjado.

www.adunicentro.org.br/noticias/ler/1676/em-tese-de-doutorado-pesquisadora-denuncia-a-farsa-da-crise-da-previdencia-social-no-brasil-forjada-pelo-governo-com-apoio-da-imprensa

Só que essa mulher nem sabe separar rubricas. Ela mistura a receita da Previdência com a receita da Seguridade Social (que abrange Saúde, Assistência Social e Previdência) e então conclui que está tudo certo.

Nesta outra entrevista dela, ela diz isso:

"O cálculo do resultado previdenciário leva em consideração apenas a receita de contribuição ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) que incide sobre a folha de pagamento, diminuindo dessa receita o valor dos benefícios pagos aos trabalhadores. O resultado dá em déficit."

Certo. Esse é o cálculo da previdência. Receitas da Previdência menos gastos com a Previdência dão déficit, como ela própria admite. Ponto final.

Mas aí ela complementa:

"Essa, no entanto, é uma equação simplificadora da questão. Há outras fontes de receita da Previdência que não são computadas nesse cálculo, como a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e a receita de concursos de prognósticos. Isso está expressamente garantido no artigo 195 da Constituição e acintosamente não é levado em consideração."

Ou seja, o argumento dela é o de que as receitas para saúde e assistência social devem ser destinadas para a Previdência, pois aí haverá superávit.

Ora, isso é um estratagema e tanto. Por esse recurso, absolutamente nenhuma rubrica do governo apresenta déficit, pois basta retirar o dinheiro de outras áreas para cobri-la. Sensacional.

A quantidade de gênios que o Brasil produz é assustadora.

Não deixa de ser curioso que nem o próprio governo petista -- em tese, o mais interessado no assunto -- encampou a tese dessa desmiolada.

De resto, o problema da previdência é totalmente demográfico. E contra a demografia e a matemática ninguém pode fazer nada.

Quando a Previdência foi criada, havia 15 trabalhadores trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado. Daqui a duas décadas será 1,5 trabalhador trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.

Ou seja, a conta não fecha e não tem solução. O problema é demográfico e matemático. Não é econômico. E não há ideologia ou manobra econômica que corrija isso.
Não existe déficit da previdência! Para justificar uma reforma que visa somente a tungar e sugar o trabalhador, o governo usa o seguinte estratagema: De um lado, pega uma das receitas, que é a contribuição ao INSS; do outro, o total do gasto com benefícios (pensão, aposentadoria e auxílios). Aí dá déficit! Só que a Constituição Federal estabelece, no artigo 194, que, junto com a saúde e a assistência social, a previdência é parte de um sistema de seguridade social, que conta com um orçamento próprio. Na receita, devem ser incluídas não apenas as contribuições previdenciárias mas também os recursos provenientes da Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição sobre o Financiamento da Seguridade Social (CSLL) e do PIS-Pasep. Aí temos a real situação: Superávit! Talvez você esteja supondo que o dinheiro que sobrou no orçamento da seguridade social mas faltou no da previdência tenha sido usado nas outras duas áreas a que, constitucionalmente, ele se destina. Mas, mesmo com os gastos com saúde e assistência, ainda assim temos saldo positivo. E como esse saldo se transforma em déficit? É que antes de destinar o dinheiro para essas áreas, o governo desvia 20% do total arrecadado com as contribuições sociais, por meio da DRU, para pagar dívidas, segurar o câmbio etc. Fora as renúncias e sonegações fiscais. Portanto, essa conversa de déficit é uma falácia pra empurrar goela abaixo do trabalhador uma "reforma" que tire ainda mais o seu dinheiro e o force a trabalhar por mais tempo.
As causas da Grande Depressão? Intervencionismo na veia.

Herbert Hoover
aumentou os gastos do governo federal em 43% em um único ano: o orçamento do governo, que havia sido de US$ 3 bilhões em 1930, saltou para US$ 4,3 bilhões em 1931. Já em junho de 1932, Hoover aumentou todas as alíquotas do imposto de renda, com a maior alíquota saltando de 25% para 63% (e Roosevelt, posteriormente, a elevaria para 82%).

A Grande Depressão, na verdade, não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários (exatamente como havia feito na depressão de 1921, que foi ainda mais intensa, mas que durou menos de um ano justamente porque o governo permitiu que o mercado se ajustasse).

Porém, o governo fez exatamente o contrário: além de aumentar impostos e gastos, ele também implantou políticas de controle de preços, controle de salários, aumento de tarifas de importação (que chegou ao maior nível da história), aumento do déficit e estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.

Com todo esse cenário de incertezas criadas pelo governo, não havia nenhum clima para investimentos. E o fato é que um simples crash da bolsa de valores -- algo que chegou a ocorrer com uma intensidade ainda maior em 1987 -- foi amplificado pelas políticas intervencionistas e totalitárias do governo, gerando uma depressão que durou 15 anos e que só foi resolvida quando o governo encolheu, exatamente o contrário do que Keynes manda.

As políticas keynesianas simplesmente amplificaram a recessão, transformando uma queda de bolsa em uma prolongada Depressão.



Crise financeira de 2008? Keynesianismo na veia. Todos os detalhes neste artigo específico:

Como ocorreu a crise financeira de 2008


Seu amigo é apenas um típico keynesiano: repete os mesmos chavões que eu ouvia da minha professora da oitava série.


Sobre o governo estimular a economia, tenho apenas duas palavras: governo Dilma.

O legado humanitário de Dilma - seu governo foi um destruidor de mitos que atormentam a humanidade
Prezados,
Boa noite.
Por gentileza, ajudem-me a argumentar com um amigo estatista. Desejos novos pontos de vista, pois estou cansado de ser repetitivo com ele. Por favor, sejam educados para que eu possa enviar os comentários. Sem que às vezes é difícil. Desde já agradeço. Segue o comentário:
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" Quanto ao texto, o importante é perceber que sem as medidas formuladas por keynes a alternativa seria o mercado livre, o capitalismo sem a intervenção estatal. Nesse caso, o que os defensores desse modelo não mencionam é que o capitalismo dessa forma tende à concentração esmagadora de capital, o que se levado às ultimas consequências irá destruir a própria sociedade. "O capitalismo tem o germe da própria destruição ", já disse Marx. Os capitalistas do livre mercado focam no discurso que eles geram a riqueza, mas a riqueza é sempre gerada socialmente. Como ja falei uma vez, um grande empresário não coloca sozinho suas empresas para funcionar, precisa de outras pessoas, que também, portanto, geram riqueza. Para evitar que a concentração da riqueza gerada fique nas mãos apenas dos proprietários, o Estado deve existir assegurando direitos que tentem minimizar essa distorção e distribua as riquezas socialmente geradas para todos. Isso não é comunismo, apenas capitalismo regulado, que tenha vies social. Estado Social de Direito que surgiu na segunda metade do século passado como resultado do fracasso do Estado Liberal em gerar bem estar para todos. Para que o Estado consiga isso tem que tributar. O Estado não gera riqueza, concordo. Mas o capitalismo liberal, por outro lado, gera a distorção de concentrar a riqueza gerada socialmente nas mãos de poucos. Essa concentração do capitalismo liberal gera as crises (a recessão é uma delas). O capitalismo ao longo do século 20 produziu muitas crises, a grande depressão da decada de 30 foi a principal delas. A ultima grande foi a de 2007/2008. O Estado, portanto, intervém para corrigir a distorção, injetando dinheiro. Esse dinheiro, obviamente, ele nao produziu, retirou dos tributos e do seu endividamento sim. Quando a economia melhorar o Estado pode ser mais austero com suas contas para a divida nao decolar em excesso e poder se endividir novamente numa nova crise, injetando dinheiro na economia pra superar a recessao e assim o ciclo segue. A divida do estado é hoje um instrumento de gestão da macroeconomia. Um instrumento sem o qual nao se conseque corrigir as distorções geradas da economia liberal. Basta perceber que todos os países mais ricos hoje tem as maiores dividas. Respondendo a pergunta do texto: o dinheiro vem mesmo dos agentes econômicos que produzem a riqueza, da qual o Estado tira uma parcela pelos tributos, com toda a legitimidade. E utiliza tal riqueza para assegurar direitos sociais e reverter crises. E o faz tambem para salvar a propria economia, que entraria em colapso sem a injeção de dinheiro do Estado (que o Estado tributou). Veja o que os EUA fizeram na crise de 2008. Procure ler sobre o "relaxamento quantitativo", que foi a injeção de 80bilhoes de dolares mensalmente pelo governo americano para salvar a economia mundial do colapso, numa crise gerada pelo mercado sem regulação financeira.

Veja esse texto do FMI, onde o proprio FMI reconhece que medidas d austeridade nao geram desenvolvimento e, portanto, reconhece a necessidade do gasto publico. (
www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2016/06/ostry.htm )

Esse artigo do Paul krugman sobre a austeridade, defendendo também o gasto publico:
https://www.theguardian.com/business/ng-interactive/2015/apr/29/the-austerity-delusion .
"
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E aí pessoal, já viram isso? (off-topic, mas ainda assim interessante):


Ancine lança edital de R$ 10 milhões para games


Agora vai... por quê os "jênios" do Bananão não tiveram esta ideia antes? E o BNDES vai participar também! Era tudo o que faltava para o braziul se tornar uma "potênfia" mundial no desenvolvimento de games.

Em breve estaremos competindo par-a-par com os grandes players deste mercado. Aliás, seremos muito MAIORES do que eles próprios ousaram imaginar para si mesmos. Que "horgulio" enorme de ser brazilêro...

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Djalma  31/01/2013 10:38
    Ótimo artigo!
  • antonio  08/11/2013 05:01
    Parabéns por nos trazer essa informação, mas pelo que percebo tudo sempre é orquestrado com objetivos escusos, levar vantagem ao criar desgraça elevando seus recursos as custas do povo. Assisti recentemente um filme francês LE CAPITAL,na net, exatamente sobre esse assunto, e o presidente do banco, após negociar com os financistas maiores (acionistas)negociou a demissão de 10 mil, pedindo 3 mil euros por cabeça. todos concordaram e ele ganhou 30 milhões numa tacada e se gabou ao final dizendo ser o Robin Hood dos ricos! "roubando do povo para dar aos ricos".
    Para mim quando de dá um crédito a alguém física ou jurídica, na realidade se dá um Débito, pois o crédito é do banco. Desisti de pensar numa alternativa coletiva... tem que ser individual, cada um informando e se informando, elevar a consciência para sempre fazer o certo, mesmo que as tentações sejam forte. Primeira aula não subornar nem aceitar suborno, pagar as multas e recorrer a justiça, ser o mais integro possível pois para ganhar não precisa alguém perder, não confiar nas publicidades vantajosa, das manchetes maravilhosas, tudo é manipulação de massa, quanto maior alcance da mídia maior sua utilização para manobrar-nos. Ser do contra não engolindo o prato feito é a vantagem, tudo é mentira desde que me prove o contrário...
    Desculpe meu desabafo, amigos, mas é a única forma de expressar o que vejo e sinto, compartilha-lo com vocês.
    Obrigado abraços.
  • Fabio  31/01/2013 10:47
    Parabéns Leandro, excelente artigo.

    Será que no Brasil já estamos nos aproximando do final da fase de expansão de crédito? Ou já estamos no final? Ou sempre estivemos no final (rsrsrsrs)?

  • Leandro  31/01/2013 14:33
    Acho que estamos nos aproximando da final. Como os preços seguem em alta, seria necessário um volume crescente de crédito -- isto é, o crédito teria de ser concedido a taxas aceleradas.

    Entretanto, como o endividamento já está alto, tal aumento no volume de crédito pode não se concretizar.

    Aguardemos qual será a mágica.

    Obrigado pelo elogio. Grande abraço!
  • Mohamed Attcka Todomundo  01/02/2013 16:53
    leandro, ajguns dizem q a recessao colocou preços internacionais em baixa, o q pucha p/ baixo a inflaçao. isto dá uma margem maior pro governo dilma/mantega reflacionar a economia via expansao de credito e monetaria? (ou ao menos uma margem, comparativamente, maior que os europeus tenham?)
  • Giovani  16/08/2014 17:23
    Existe alguma possibilidade de haver:

    1) Desregulamentação das leis trabalhistas?
    2) Enxugamento da máquina estatal?

    Ambas as medidas para que seja possível o ajuste durante uma provável recessão.
  • Bright  31/01/2013 11:02
    É impressionante como os burocratas não aprendem com os próprios erros. A economia pode estar indo para o buraco, a água está batendo na bunda, mas os imbecis não deixam de aumentar gastos, impostos, e não deixam os salários cairem.

    Soma-se a isso uma população burra, que não se interessa por assuntos econômicos, e que procura culpados onde eles não existem. Quem são os culpados? Ora, é lógico que são os empresários capitalistas malvados! São eles que, em um momento de desespero como esse, demitem funcionários e aumentam preços! É a ganância que está levando todo mundo para o abismo!
  • Rafael Franca  31/01/2013 11:43
    Bright, eles não precisam aprender com os próprios erros, eles não pagam a conta e somente sugam. Criam dificuldade para vender facilidade. E ainda tem gente batendo palma quando o Paul Krugman fala que devemos ser mais irresponsáveis
  • Leonardo Faccioni  31/01/2013 12:04
    Quando se trata do Estado contemporâneo, em todos os erros há um percentual notável de premeditação e cálculo. É dizer, os burocratas sabem, sim, e muito bem o que estão fazendo. Em dito sentido, a União Europeia é um estrondoso sucesso.
  • Mauricio Pierre Rodrigues  22/07/2016 00:39
    O Empresário é o que mais trabalha que paga mais Impostos e o que pensa no caminho da Empresa e do trabalhador,se ele demite muita vzs é porque caiu a Demanda e diminuí as vendas ai não tem como pagar o empregado ou o colaborador,vc pelo jeito é empregado e Sindicalista, Precisa se informar melhor sobre Empreendedorismo, vai ter sua Empresa num País que mais cria Impostos e mais Impostos suga as Empresas Brasileiras sem dar retorno,quanto a Logística e segurança e sim Pedágios e um monte Burocracia.
  • Gustavo  31/01/2013 11:30
    Prezado Leandro,
    Poderia publicar um artigo similar a este explicando a crise argentina?
    Obrigado.
  • Mauro  31/01/2013 11:39
    Já os há aos montes:

    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=27
  • Juliano  31/01/2013 11:44
    Pra variar, excelente artigo.
  • Christiano  31/01/2013 12:59
    Parabens pelo excelente artigo.

    Como é prazeroso ler um artigo sobre um assunto tão falado e não ter dificuldade de entender, ler e ver com clareza e com precisão algo que está acontecendo, sem as falacias dos Keynesianos.

    Como o TACE é preciso, parece até um olhar no futuro...o que me preocupa é o caminho do Brasil, que está seguindo o mesmo caminhos que os paises descrito nesse texto.



    Abraço !
  • Pobre paulista  31/01/2013 13:41
    Nessas horas eu me pergunto:

    O que Paul Krugman diria ao ler esse artigo?
  • Thales  31/01/2013 13:49
    Ele diria que o problema pode ser facilmente resolvido quebrando vidraças, cavando buracos e construindo bases interplanetárias para se combater invasões alienígenas. E quem não concorda com isso não tem sensibilidade social.
  • Tory  31/01/2013 13:57
    Não esquecendo que um novo ataque terrorista que mate 3000 pessoas terá um "lado positivo" para o PK, na mesma toada.
  • Vitor Grando  31/01/2013 16:03
    Amigos, perdoem minha ignorância, mas pelo que eu tenho entendido disso tudo a crise se dá quando a oferta de crédito diminui e os juros aumentam, correto? Por que os bancos não podem simplesmente continuar ofertando crédito?

    Sei que a pergunta é tola, mas não entendo de Economia.
  • Tory  31/01/2013 16:25
    "É como se você fosse a um restaurante e, em vez de pagar a conta inteira, pagasse só a metade, e prometesse pagar o resto e mais juros no dia seguinte. Porém, quando chegasse o dia seguinte, você faria um acordo com o dono do restaurante e, novamente, pagaria apenas a metade da conta daquele dia e empurraria todo o resto acumulado para o dia seguinte. E assim você iria fazendo todos os dias. Quando chegasse o fim do mês, o dono, desconfiado de que você iria dar o calote, simplesmente lhe apresentaria a conta total, com principal e juros acumulados, e exigiria o pagamento, não dando chances para mais rolamentos de dívida."

    O banco é o restaurante.
  • Leandro  31/01/2013 16:39
    Vitor, como explicado no artigo, a expansão do crédito gera aumento de preços. Chega-se a um ponto em que os bancos terão necessariamente de subir os juros dos seus empréstimos, pois se eles não aumentarem os juros cobrados, eles simplesmente receberão -- no momento da quitação do empréstimo -- um dinheiro com um poder de compra menor do que o que esperavam receber quando concederam o empréstimo.

    Caso a expansão do crédito continuasse eternamente, haveria hiperinflação e destruição total da moeda.
  • Vinicius Costa  01/02/2013 13:16
    Os bancos também param de oferecer crédito barato porque não existe mais pessoas interessadas nesses créditos, já que muitas já estão endividadas
  • anônimo  06/02/2013 02:49
    Mas que diabos é o tal crédito e como ele é expandido (na Europa, aqui ou EUA)? Obrigado.
  • Leandro  06/02/2013 08:26
  • Misão  31/01/2013 18:33
    O dinheiro é jogado na economia.
    O número de bens não aumenta na mesma velocidade.
    Logo o dinheiro desvaloriza (existe relativamente mais dinheiro em relação aos bens disponíveis).
    O dinheiro desvaloriza = preços aumentam.
    Com esse aumento de preços, VULGARMENTE, conhecido como inflação, os bancos tem que aumentar os juros, do contrário ele estar perdendo dinheiro.
    Ex. Empresta 100 por um ano
    "inflação": 6%
    Juros 7,5 %:
    no final do ano, com o pagamento 107,50

    Agora considere o seguinte:
    empréstimo 100
    "inflação": 8%
    Juros: 5 %
    recebe no final 105
    Perdeu 3 pela inflação. Era melhor ter investido em algo que pelo menos pague a inflação.

    Bem, é a maneira como vejo!

    A pergunta não é tola

  • Jardel   12/06/2015 18:16
    Prezados, gostaria que tirassem uma dúvida sobre este trecho do texto:

    "Afinal, se os bancos não aumentassem os juros cobrados, eles simplesmente receberiam — no momento da quitação do empréstimo — um dinheiro com um poder de compra menor do que o que esperavam receber quando concederam o empréstimo."

    Isso só vale no caso de contratos com juros pós-fixados ou atrelados à inflação, certo? Ou o aumento de juros seriam refletidos somente nos novos empréstimos?

    Excelente texto! Muito elucidativo.



  • Leandro  12/06/2015 18:21
    Tanto nos pós-fixados dos empréstimos já concedidos quanto nos pré-fixados dos novos empréstimos.

    Vale lembrar que bancos concedem novos empréstimos diariamente, então esse reajuste seria instantâneo.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Eduardo Jr  31/01/2013 17:55
    Considero o instrumental analítico da Escola Austríaca excelente. Minha única ressalva é que a premissa básica dessa Escola, a de que os cidadãos cronologicamente adultos, o são também do ponto de vista de maturidade, de capacidade de assumir responsabilidade pelos próprios atos, principalmente de reconhecer SEUS erros de avaliação, SUAS expectativas irrealistas quanto ao futuro. Em um regime político onde os ocupantes de cargos públicos precisam de votos para se elegerem, não tem como fazer o que é certo economicamente. Não enquanto a massa de eleitores for composta por adolescentes mimados travestidos de cidadãos adultos.
    Abraços
    E
  • Ricardo  31/01/2013 18:14
    "Minha única ressalva é que a premissa básica dessa Escola, a de que os cidadãos cronologicamente adultos, o são também do ponto de vista de maturidade, de capacidade de assumir responsabilidade pelos próprios atos, principalmente de reconhecer SEUS erros de avaliação, SUAS expectativas irrealistas quanto ao futuro."

    Isso não é Escola Austríaca. Isso é filosofia libertária.
  • anônimo  31/01/2013 18:22
    Nada como a liberdade e aprender com os próprios erros pra ganhar maturidade.
  • João Hornburg  31/01/2013 18:15
    Leandro,

    Fiquei intrigado com esse parágrafo:
    "Em um cenário de deflação monetária como esse que está acometendo estes países, a última coisa que os governos deveriam pensar em fazer seria aumentar impostos. Mas foi exatamente isso que os governos desses três países fizeram e prometem continuar fazendo. Não é à toa que a cada trimestre a imprensa noticia com fanfarra que o PIB destes países segue encolhendo. Óbvio. Deflação com aumento de impostos é um coquetel mortífero."

    Qual seria a ação correta? Corte de impostos e corte ainda maior de gastos do governo?
  • Leandro  31/01/2013 18:32
    Correto. A idéia básica é evitar ao máximo de tomar a poupança e a riqueza da população. Em um momento de recessão, o que o governo deve fazer é se abster ao máximo de confiscar recursos de empreendedores, poupadores e consumidores.

    mises.org.br/Article.aspx?id=1465
  • Felipe Xavier   31/01/2013 19:46
    Leandro,

    Acabo de ler esse hoje www.economist.com/news/leaders/21571136-politicians-both-right-and-left-could-learn-nordic-countries-next-supermodel

    Você acredita que, de alguma forma, esse "novo modelo" é possível de ser implementado em outros países, ou o sucesso dos países nórdicos deve-se exclusivamente a razões já explicadas anteriormente (desregulamentação, flexibilidade nas leis trabalhistas, enriquecimento prévio, etc..)

    Abraço
  • Leandro  31/01/2013 20:03
    Lerei e responderei depois. Estou em trânsito agora e ficar digitando pelo celular é uma tormenta. Ficarei "fora do ar" por algum tempo a partir de agora.

    Abraços!
  • Gabriel  31/01/2013 20:09
    Uma aula de economia esse artigo, simplesmente perfeito, muito bem explicado. Quando começar minha faculdade vou imprimir uns artigos do IMB como esse e entregar para meus colegas de classe.
  • Alexandre M. R. Filho  31/01/2013 20:41
    Cara, a TACE é tão simples e tão esclarecedora.

    Parabéns ao pessoal do IMB que naõ se cansa de explicá-la. Eu mesmo fico puto quando converso com as pessoas e elas não entendem...
  • Pedro  31/01/2013 21:04
    O que ocorre com este "ciclo" é o mesmo que sedá com as famosas "correntes da felicidade". A "lógica" que possuem é uma falácia, uma falsa lógica, pois que não é capaz de se perpetuar. Muitos são os fatores que contribuem para que preços não explodam imediatamente, entre eles investidores em "cassinos financeiros" que não usufruem de seus lucros. Como alguém que sempre empresta o principal e depois continua emprestando para "aumentar seus lucros". Certamente qdo quiser efetivamente usar o seu principal e o juros irá descobrir que tal não existe, o tomador não possui o montante. Ou seja, os "grandes lucros auferidos" são mera fantasia. Assim descobrirá que so "ganhará" indefinidamente se nunca gastar ...bem impostos foram arrecadados de lucros fantasiosos.

    ha investimentos que sob exagerada demanda natural ou artifical (inflada por politicagens) atraem capitais e o excesso de produção faz cair o preço e lucro. Com bens de produção longa a possibilidade de grande esterilização de capital é grande pela superprodução e o investimento ocioso. Ou seja, criar facilidades em setores apenas direciona a eles um excesso de capital que irá faltar para outros, chegando a desequilibrar a economia em geral. Isso ocorre na agricultura regularmente e por vezes produtores se revoltam com seus encalhes qdo apostam hoje no que vão vender amanhã.
    Com o credito só poderia resolver a continuidade através de mais crédito, se emprestadores jamais quisessem recebe-los, mas isso acabaria por incorrer na elevação de preços e necessáriamente os emprestadores subiriam os juros e nisso mais teriam que emprestar e o resultado seria inflação de preços constante e ascendente. Esse filme foi perfeitamente visto no brasil com os ultimos governos militares a partir do Gal nacional-socialista E. Geisel (gastadores e tomadores de emprestimos para pagar emprestimos). Não geraram bem estar mas apenas uma inflação de preços crescente e juros idem, que dificultavam o calculo dos preços e emperravam a economia. ...mas os donos do Poder se lambuzavam explorando a população via imposto inflacionário, transferindo renda de quem produzia e einvestia para os apaniguados e parasitas de toda sorte. Assim se foi construindo a simpatia pelo socialismo e o nacionalismo idiota do fantasioso "patrimônio público" cujo público dele não usufrui. Assim a simpatia e a defesa do Estado totalitário foi sendo comprada, inclusive com sinecuras estatais, verbas e isenções para artistas e midiaticos em geral. A distribuição de privilégios a setores foi o que tornou o Estado simpático aos faladores profissionais que "fazem a cabeça" da massa ansiosa por idiotices fáceis de "entender" e repetir papagaiosamente se exibindo moral e tecnicamente "antenado", chique no úrtimu.
    Vide o falatório sobre "educação" e criminalidade, bem como de carencia e criminalidade. Em décadas passada (40, 50, 60), por exemplo, o grau de instrução era muitissimo inferior, bem como o nivel de satisfação de necessidades efetivamente basicas (geladeira, calçados e etc.) era também muitissimo menor e mesmo assim a criminalidade era incompáravel na gravidade e na crueldade atual. Mas os palhaços continuam repetindo que banditismo decorre de falata de escolaridade e renda...
  • Ghi  01/02/2013 01:01
    Parabéns pelo ótimo artigo.
    Gostaria de saber por que a economia do Brasil não entrou em recessão em 1994 depois que a Hiperinflação foi interrompida. Não seria preciso um período para purgar os maus investimentos?
  • Leandro  01/02/2013 01:37
    Exatamente pelo fato de a economia já ter entrado no estágio da hiperinflação. Quando uma economia entra em hiperinflação, a divisão do trabalho é aniquilada e toda a estrutura de produção é encurtada. A economia perde todas as sua características complexas. Não há investimentos voltados para o longo prazo. Tudo é feito visando a um horizonte temporal extremamente curto.

    Neste cenário, a troca de moeda -- com a adoção de uma moeda mais forte -- acaba gerando o efeito de restaurar a divisão do trabalho, estimular o consumo e o PIB. E foi exatamente o que ocorreu com a introdução do real.

    Adicionalmente, vale lembrar que a URV já vinha funcionando desde fevereiro de 1994, de modo que não houve nenhum susto e nenhuma surpresa quando da troca de moeda.
  • oneide teixeira  01/02/2013 01:08
    Explicando a recessão europeia, por Leandro Roque
    Enviado por luisnassif, qui, 31/01/2013 - 20:48
    Por aliancaliberal
    Do Instituto Ludwig von Mises Brasil

    Explicando a recessão europeia

    Leandro Roque

    Site de esquerda replicando conteúdo.
  • anônimo  01/02/2013 08:54
    qual site?
  • oneide teixeira  01/02/2013 11:11
    www.advivo.com.br/blog/luisnassif/explicando-a-recessao-europeia-por-leandro-roque#comment-1251062
  • Arthur Dias  01/02/2013 11:13
    No site do Luis Nassif, um dos grandes pulhas do jornalismo "quase" oficial. Muito estranho ver um artigo sério por lá.

    Mas confesso que ao ler os comentários lá me deixou em depressão. Neguinho dizendo que o Leandro não soube interpretar os gráficos, que Mises era besteirol fundamentalista, que o Leandro é escritor de ficcção científica, que estava dizendo que a culpa é dos trabalhadores. Chegaram até a dizer que a teoria liberal se baseia na teoria marxista de capital fictício. Como faz?
  • Fabiano  01/02/2013 13:51
    Não faz. Os caras são uns losers de mente fechada que provavelmente já levaram surra por aqui e não tem coragem de voltar para apanhar mais.
  • TL  01/02/2013 10:44
    Leandro, parabéns pelo excelente trabalho!

    No blog do Luis Nassif você também pode conferir o artigo do Leandro.





  • Diogo  01/02/2013 11:20
    TL,

    Esse site ai é dos amiguinhos do nosso querido Filósofo... Quanto comentário ridículo...
  • anônimo  01/02/2013 11:51
    Muito comentário sem noção, mas alguns tem um fundo de verdade
    Como o que diz 'blablabla...pegue suas besteiras e SUMA. obs: só estou imitando o que vocês fazem no seu site'
    E por aqui tem isso mesmo. Basta olhar pros comentários do Fernando Chioca.
  • Ali Baba  01/02/2013 14:59
    Pior é eu tentando ajudar a iluminação daqueles oligofrênicos. Não sei por que perco meu tempo...
  • anônimo  01/02/2013 15:36
    E eu, tentando mostrar a luz no fórum do búfalo...
    Não sei quanto tempo ainda vou aguentar a companhia de funça e de concurseiro
  • Arthur M M  01/02/2013 15:43
    Ali Baba, isso quando o próprio site não censura os comentários.

    É só dar uma olhada nesse artigo, também do Leandro, e que foi publicado lá www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-ciclo-economico-no-brasil-por-leandro-roque. Hoje eu mandei um comentário, falando sobre a situação atual do Brasil (1 % de crescimento e 5,6% de inflação), comentando que o Leandro acertou na trave e "talz". Nem foi publicado.

    Eles infelizmente continuam com a ideia de que o estado é a solução, mas nenhum é intelectual o suficiente para demonstrar o porque e nem como os diversos problemas, por nós já conhecidos, podem ser sanados pelo estado.
  • oneide teixeira  01/02/2013 18:25
    Nada deve ser deixado sem resposta. Eu frequentemente comento e consigo colocar algum texto mises la ,com meu pouco conhecimento.
    Levando em conta, ate que o Nassif não censura.
  • Marcus Benites  01/02/2013 20:03
    Na verdade nem é uma ideia que eles tenham e defendam... A coisa é pior que isso. É interesse pessoal mesmo, financeiro. Esse senhor citado já foi demitido de jornal por exigir grana de político. Depois disso, passou a ser crítico contumaz do partido em questão e bajulador do PT. A coisa é mais nojenta do que uma simples questão ideológica. Ele não publica o que vocês postam porque, simplesmente, está certo e ele não conseguiria refutar, tampouco manter os "negócios" (digamos assim) dele, que dependem de verba pública dada pelo partido do poder.
  • Ali Baba  08/02/2013 12:05
    Respondi ao Django no site do Nassif: www.advivo.com.br/node/1261282 Eu sei que não devia, mas mesmo assim não resisti...
  • Leandro  08/02/2013 12:29
    Você é meu novo herói, Ali Babá. Muito obrigado pela paciência.

    De resto, eu juro que não entendo o que leva uma pessoa a ficar nervosa e sair despejando xingamentos sobre alguém que se limitou apenas a fazer uma análise (com teoria, dados e fatos) sobre o que está acontecendo na economia de outro continente. Por que tamanha miséria intelectual e, principalmente, emocional?

    Tipo, eu até entendo um sujeito subir nas tamancas quando falam mal, por exemplo, do PT. Sendo ele dependente financeiramente do partido, ele está vendo seu sustento em risco. Agora, sair xingando alguém que fez uma mera análise econômica do momento europeu?! Mais ainda: uma análise completamente técnica e sem ideologias? Nem a praxeologia explica esse comportamento ilógico e ignóbil.

    Grande abraço!
  • Ali Baba  08/02/2013 12:50
    Aí vamos ter de recorrer a outro austríaco. Freud diria que Django tem uma fixação na fase anal. (Eu acho, não estudei direito psicologia :-) )
  • anônimo  08/02/2013 13:22
    Simples, Leandro. A análise feita, ainda que sobre um lugar distante, se mostra certeira o suficiente - e para muitos é um problema essa translucidez - para ele perceber que você pode vir a representar um risco real, aqui mesmo, para todas as regalias que ele dispõe enquanto parte do parasitismo, oficial ou não. Em outras palavras, direta ou indiretamente, eles estão incomodados. Continue, por favor, com o grande trabalho.
  • anônimo  08/02/2013 13:30
    Complementando: a praxeologia explica sim. Ela nunca nos dexia na mão. hehe
  • Arthur Dias  08/02/2013 13:47
    Faço minhas as palavras do Leandro.
    Ali Baba, você agora é meu herói, junto com o próprio Leandro também.
    Você respondeu magistralmente, e acho que fez muito bem. O tal do Django não vai nem prestar atenção, mas talvez alguém com a cabeça mais aberta que leia a discussão venha parar aqui e seja mais um a escolher a "pílula vermelha"!
    Muito bom!
  • AR  09/02/2013 18:11
    Tenho que reforçar as palavras do Arthur Dias:
    Admiro a capacidade e a paciência do Leandro e deste Ali Baba em dialogar, com tanta clareza e propriedade, frente a arrogância com que tantos estadistas se manifestam.
    Envio-lhes meus cumprimentos!
  • Eduardo Bellani  08/02/2013 13:01
    O tal do Django não consegue nem diferenciar economia austríaca e libertarianismo?
    tsc tsc.
  • Juliano  01/02/2013 12:02
    "pois nunca houve uma demanda genuína por eles"

    Não sou da área de economia e esse tipo de conceito foi um problema quando comecei a ter acesso aos textos do site. Com freqüência a gente vê a frase acima, que parece inconsistente quando pensamos: "mas é claro que tem demanda, tem um monte de gente querendo casa". Existem vários textos que colocam também a questão de que demanda não precisa ser estimulada, pois é infinita. Se é infinita, como é que não tem demanda?

    Na mídia tradicional, é comum ver uma confusão parecida, dizendo que não temos problemas de bolha imobiliária pois aqui ainda temos déficit de moradias. Demanda é normalmente entendida como vontade/necessidade por um serviço. Isso nós temos de sobra, em qualquer lugar.

    Pra mim, levou um tempo pra separar as coisas. A demanda que não existe nesses caso não é a falta de vontade, mas a falta de condições de um arranjo econômico que permita satisfazer essa demanda. As pessoas deveriam ter aberto mão de outras coisas (poupança) para satisfazer essa demanda, fato que não ocorreu. Aí surge o desarranjo. O que não existia não era falta da demanda (entendida como vontade/necessidade), mas falta desse arranjo de poupança que permitiria a satisfação daquela necessidade.

    Abraços,
    Juliano
  • Bernardo F  06/02/2013 01:49
    Juliano, o The Penguin Dictionary of Economics apresenta a seguinte definição para "demanda":

    the desire for a particular good or service SUPPORTED by the possession of the necessary means of exchange to effect ownership.

    A palavra "supported" denota que não basta ter desejo ou vontade de ter um determinado bem para que isso configure "demanda". Afinal, todos os editores e leitores deste site (e de todos os sites do mundo!!) gostariam de ter uma Ferrari; contudo, por definição, isso não significa que a demanda por Ferraris seja elevada.
    Abraço!

  • Juliano  06/02/2013 12:12
    Olá Bernardo,

    Pois é, a definição do dicionário que vc passou está perfeita. Só levantei a bola porque o conceito é normalmente usado como sinônimo de vontade.

    Pelo Michaelis, por exemplo:
    "Quantum de determinado produto ou serviço que uma coletividade está necessitando e procurando, ou que, por previsões, se avalia que ela necessitará e procurará em certa data"
    michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=demanda

    Ou em artigos:
    "Minha demanda tende ao infinito. Se não desfruto de tais bens materiais, isso se deve à falta de recursos, não de demanda"
    rodrigoconstantino.blogspot.com/2012/03/demanda-agregada.html

    "O que é mais curioso: como dito, a demanda por trabalho é infinita e a oferta de mão-de-obra é limitada."
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=411


    Ou seja... a definição é confusa. Seguindo essa linha de demanda = vontade, não faria sentido dizer que "não existe demanda legítima" para moradias, por exemplo. Cansamos de ver essa explicação nos jornais justificando o porquê não existe uma bolha imobiliária no Brasil, já que aqui nós temos muitas pessoas ainda sem casa.

    A definição que vc passou é mais completa e dá sentido à "ausência de demanda legítima" mencionada no texto. Só fiz questão de mencionar a confusão pois foi algo que demorei pra aprender.

    Abraços,
    Juliano
  • Giovani  16/08/2014 19:01
    Excelente! Também tinha a mesma dúvida. Ficava intrigado, pois, afim de contas, como poderia haver bolha imobiliária sendo que existem milhões de pessoas demandando por "casa própria"?!

    A resposta é essa mesmo: demanda não significa apenas ter vontade/necessidade por um bem, e sim ter as condições (por exemplo, econômicas) para satisfazer tal vontade/necessidade.
  • Trevor Reznik  01/02/2013 12:57
    Sensacional, sensacional! Excelente artigo, muito didático e interessante. Parabéns mesmo, Sr. Roque.
  • Leandro  01/02/2013 15:56
    Obrigado, Trevor. Grande abraço!
  • Leonardo Veloso  01/02/2013 15:07
    Olá Leandro! Ótimo artigo. Parabéns!
    Sou engenheiro mas tenho um grande interesse em assuntos econômicos.
    Assim que terminei de ler o seu texto fiquei curioso para comparar os mesmos gráficos da Espanha com os da Australia, país onde moro atualmente.
    De 2002 até hoje a quantidade de crédito também triplicou (de 600 bi para 1.8 trilhões de dólares). Mas o "Money Supply" subiu apenas de 160 para 260 bilhões. Percebi que não há dados disponíveis para o "Money Supply M2" para a Austrália no site www.tradingeconomics.com, por isso utilizei o M1.
    Você acha que esse aparente descolamento do crédito com o M1 pode ter ocorrido pelo fato de a Austrália ser muito dependente de importações (maquinário para a mineração por exemplo) ou existe alguma outra forma de expandir o crédito "de maneira saudável" sem que haja expansão monetária?
    Analisando também outros indicadores (retail sales yoy, housing index, debt to gdp, government spending, government budget, gdp growth rate, etc) a situacao da Australia parece ser muito mais saudável do que a espanhola ao longo da decada de 2000. Apesar da aparente expansão monetária. Se você pudesse fazer algum comentário sobre a sua percepção da economia australiana e se você acha que há a possibilidade de termos um problema parecido por aqui eu agradeceria.
    Um abraço!
    Leonardo
  • Leandro  01/02/2013 16:03
    Prezado Leonardo, pela definição de oferta monetária do BC australiano, o melhor indicador para a Austrália seria o M3.

    en.wikipedia.org/wiki/Money_supply#Australia

    Observe no site Trading Economics que a expansão do M3 está bem pari passu com a expansão do crédito. E, de fato, a expansão foi forte. Não será nenhuma surpresa caso haja uma recessão na Austrália tão logo essa expansão seja arrefecida.

    Abraços!
  • anônimo  01/02/2013 21:22
    Putz, será que não tem lugar nenhum no mundo que esteja fazendo tudo certo?
    Sem inflar o crédito?
  • Leonardo Veloso  01/02/2013 22:53
    Ola anonimo!
    Lembro de ter lido um artigo por aqui falando sobre singapore. Parece que la eles nao entraram na corrida de desvalorizacao cambial, ou seja, nao estao imprimindo papel. Com isso a moeda deles tem se valorizado a cada dia.
  • Um Filósofo  02/02/2013 13:27
    O gasto estatal europeu NÃO DEVE ser contido. Pelo bem da humanidade, o Welfare State deve prevalecer sobre as futilidades do capitalismo.

    A França, por exemplo, ao colocar 75% de impostos sobre a alta burguesia, continua alimentando nosso sonho. Desta Terra individualista que é o Brasil, onde insistimos em sobrepor os mais fúteis direitos individuais dos ricos sobre a necessidade dos pobres, sofremos de péssima saúde, educação e outros serviços que devem ser concedidos pelo estado.

    Não compreendo o motivo de haver resistência contra a justiça social por ela "invadir" direitos individuais. A melhor comparação seria a de um agente do governo que vai à sua casa limpar focos de mosquito da dengue. Ele viola sua propriedade, porém traz um bem maior a todos os integrantes de uma comunidade.

    Minha recomendação seria que os estados europeus seguissem firmes do bem-estar social através de mais impostos aos ricos, endividamento e, caso ambos antes citados não puderem ser realizados, impressão monetária, controle de preços e, em casos extremos; estatização de todos os meios de produção e propriedade privada. Que seja criada uma sociedade livre da tragédia irrealista que é o dinheiro.

    Simpatizo com alguns membros da comunidade, mas tamanha insistência em um modelo falido e brutal como o liberalismo me enoja.
  • Aline  02/02/2013 19:48
    Leandro, vc devia escrever um artigo sobre a dificuldade da economia brasileira de retomar um nível mais alto de crescimento.
  • Thames  02/02/2013 20:18
  • Matheus  04/02/2013 03:08
    Parabéns Leandro!
    O artigo não só está genial como de costume mas também está muito didático!!! Dá tranquilamente para leigos (como um aluno de ensino médio de uma escola anticapitalista doutrinadora, o meu caso) entenderem perfeitamente!
    Estou muito empolgado com a escola austríaca e tenho certeza de que vou fazer economia!
  • Leandro  04/02/2013 08:45
    Obrigado pelas palavras, Matheus.

    Caso sua opção por economia seja definitiva, então se me resta desejar-lhe boa sorte e, principalmente, muita força de vontade. Você vai precisar.

    Abraço!
  • JOACIR JOAO GAVA  04/02/2013 13:11
    LEANDRO.

    MEU CONHECIMENTO SOBRE ECONOMIA É SUPERFICIAL.

    NAO ENTENDI NO TEXTO O SEGUINTE : " Sempre que uma empresa ou um indivíduo qualquer vão a um banco e pedem um empréstimo, o banco cria do nada dinheiro eletrônico na conta-corrente deste tomador de empréstimo. O dinheiro não foi retirado de nenhuma outra conta. Ele simplesmente foi criado. O bancário apertou algumas teclas no computador e dígitos eletrônicos surgiram na conta-corrente do mutuário. É assim que o dinheiro entra na economia no sistema monetário atual e é assim que a quantidade de dinheiro em uma economia aumenta. O sistema bancário destes países europeus, atuando sob a proteção e estímulo do Banco Central Europeu, literalmente criou bilhões de euros para serem emprestados para empreendedores e consumidores."

    PERGUNTO: 1-SE O DINHEIRO NÃO FOI RETIRADO DE NENHUMA OUTRA CONTA. ELE SIMPLESMENTE FOI CRIADO. ENTAO PORQUE O BANCO TERÁ PROBLEMAS SE HOUVER INADIMPLENCIA OU INFLAÇÃO E O RETORNO É MENOR DO QUE O QUE FOI EMPRESTADO? 2 - SE ELE FOI SIMPLESMENTE CRIADO O BANCO NAO DEVE NADA PARA NINGUEM, SE NAO RECEBER TODO OU SIMPLESMESTE NAO RECEBER PORQUE O BANCO TERÁ PREJUIZO?
  • Leandro  04/02/2013 13:54
    "SE O DINHEIRO NÃO FOI RETIRADO DE NENHUMA OUTRA CONTA. ELE SIMPLESMENTE FOI CRIADO. ENTAO PORQUE O BANCO TERÁ PROBLEMAS SE HOUVER INADIMPLENCIA OU INFLAÇÃO E O RETORNO É MENOR DO QUE O QUE FOI EMPRESTADO?"

    Quando o Bradesco cria dinheiro para conceder um empréstimo para João -- e quando este dinheiro criado é utilizado por João para pagar um sujeito que é correntista do Itaú --, o Bradesco perde reservas bancárias. O dinheiro vai para o Itaú. O Bradesco perdeu dinheiro para o Itaú.

    Se João der o calote, o Bradesco fica descapitalizado. Como suas reservas são um ativo, e como ele perdeu reservas, esta redução no ativo gera um balancete vermelho. O banco pode se tornar insolvente, sofrer uma corrida bancária e ter de ser liquidado.

    "SE ELE FOI SIMPLESMENTE CRIADO O BANCO NAO DEVE NADA PARA NINGUEM, SE NAO RECEBER TODO OU SIMPLESMESTE NAO RECEBER PORQUE O BANCO TERÁ PREJUIZO?"

    Como expliquei acima, o banco teria perdido reservas e seu patrimônio líquido estaria menor, o que acarretaria todos os problemas explicados.

    Sim, o banco cria dinheiro eletrônico do nada, mas esse dinheiro eletrônico sempre acaba na conta de alguém, e o banco deste alguém irá exigir a restituição em espécie (processo esse que é chamado de compensação bancária).

    Sugiro a leitura deste artigo, que se concentra exclusivamente no setor bancário.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387
  • Lucas Amaro  04/02/2013 23:15
    "E como os bancos reduzem passivos? Deixando de conceder empréstimos. Cobrando empréstimos pendentes (cuja quitação aumenta seus ativos), e não concedendo novos empréstimos. Essa era a única maneira de sanear seus balancetes."

    Leandro, por que um empréstimo concedido por um banco se configura como um passivo? Tenho para mim que o passivo é constituído por uma obrigação a pagar, e nunca um direito a receber, o que um empréstimo concedido aparenta ser. Segundo essa ideia, aumentar os empréstimos aumentaria o ativo - seriam contas a receber - e não o passivo.
  • Leandro  04/02/2013 23:46
    Empréstimo é um ativo. Mas toda a criação de um ativo gera um passivo. Isso é regra contábil.

    No exato momento em que o Itaú empresta $100 para João, ele cria $100 na conta-corrente de João. Os ativos do Itaú (empréstimos) aumentam $100. Mas seu passivo (conta-corrente) também aumenta $100.

    Ato contínuo, João saca esse dinheiro e o gasta. O dinheiro, suponhamos, vai parar na conta de Pedro, que é cliente do Bradesco. O Bradesco irá exigir que o Itaú lhe transfira este dinheiro.

    Sendo assim, o balancete do Itaú agora ficou da seguinte maneira: redução de $100 em suas reservas bancárias (que é um ativo) e redução de $100 na conta-corrente. Há apenas a rubrica "ativos a receber", constando $100+juros.

    Observe que, neste momento, o Itaú está com menos reservas bancárias (que é um ativo) do que antes do empréstimo. Seu único ativo é a promessa de que alguém, em alguma data, irá lhe pagar (o que pode não acontecer, pois pode haver calote). Isso não melhora em nada a sua situação presente.

    A única coisa que interessa ao banco neste momento de dificuldade é cobrar a quitação de empréstimos (o que aumentaria suas reservas bancárias). Ou reduzir ao máximo suas contas-correntes, que é um passivo. Mas como ele não pode simplesmente sair cancelando contas-correntes de seus clientes, a única opção que lhe resta é cobrar a quitação de empréstimos para elevar suas reservas bancárias. Sair concedendo ainda mais empréstimos, o que o levaria a perder reservas bancárias (ativo), seria extremamente temerário.

    Todo este raciocínio fica mais claro se você tomar o setor bancário como um todo, no qual toda e qualquer criação de empréstimo de um banco vira imediatamente conta-corrente de outro banco, e toda e qualquer quitação de empréstimo gera necessariamente uma redução no total de contas-correntes.

    Isso foi explicado em detalhes excruciantes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387
  • EDUARDO  05/02/2013 12:39
    Leandro, eu enviei uma pergunta mais acho que nao foi ..... rsrs
    Sou poupador, nao tenho dividas, tenho 70 mil na poupança. SOU MUITO CONSERVADOR....
    Como faço para proteger meu rico dinheirinho?
    Preciso comprar um imovel (sem pressa), mas só vou comprar a vista (pois nao entro em financimento) e só depois que a bolha imobiliaria estourar (acho que no maximo 2015 teremos bons preços), mas tenho medo da inflação comer meu dinheiro.
    Dá um dica por favor...
  • Leandro  05/02/2013 12:53
    Prezado Eduardo, por questões estatutárias, não podemos dar dicas de investimento. Mas nada impede que outros leitores se manifestem aqui e compartilhem com você suas respectivas dicas e prognósticos. Aguardemos.

    P.S.: De minha parte, posso apenas dizer que agora ainda não é hora de comprar imóveis. Espere um pouco mais.
  • EDUARDO  05/02/2013 14:08
    sim, vou esperar... uma porque meu dinheiro nao é suficiente para a compra de imoveis, outra pq os preços estao absurdos e vao baixar em breve.
    Só tenho medo de que minhas economias sejam deterioradas pela inflação, essa é minha preocupação pois só Deus sabe o trabalho que deu para juntar... e ultimamente só ouvimos falar em inflação....
    Apenas responda: Sou leigo em economia, mas entendi no seu artigo que há uma pressão inflacionaria devido ao excesso de credito, uma vez que for fechada a torneira do credito a pressão inflacionaria vai acabar, podendo haver até deflação. É isso? Se for meu dinheiro teoricamente estaria protegido na poupança?

  • anônimo  05/02/2013 18:16
    A poupança rende juros que são inferiores à inflação real. Portanto, seu capital irá perder poder de compra.
  • EDUARDO  05/02/2013 19:13
    deixa ele lá na poupança quietinho.... rsrs

    Minha pergunta é: Após o estouro da bolha de credito vai haver aumento de juros, isso é falto!
    Acontecendo isso qual é a tendencia da inflação? subir, cair, estagnar? pelo que entendi no artigo é que pode haver deflação, certo?
  • Leandro  05/02/2013 19:45
    "Sou leigo em economia, mas entendi no seu artigo que há uma pressão inflacionaria devido ao excesso de credito, uma vez que for fechada a torneira do credito a pressão inflacionaria vai acabar, podendo haver até deflação. É isso? Se for meu dinheiro teoricamente estaria protegido na poupança?"

    A deflação (tanto monetária quanto a de preços) é rara. Ela ocorrerá apenas se os bancos tiverem feito um volume enorme de empréstimos insolventes. E mesmo assim o Banco Central pode impedir a deflação ao simplesmente comprar os ativos destes bancos.

    Está havendo deflação monetária nos países citados no artigo principalmente porque, como eles todos pertencem a uma mesma zona monetária, euros estão saindo destes países e indo para bancos alemães.

    Dinheiro na poupança é sempre prudente -- até que surja um novo Collor.

    "Após o estouro da bolha de credito vai haver aumento de juros, isso é falto!"

    Não é fato, não. Não há motivo algum para os juros subirem. Isso não ocorreu nem nos EUA e nem na zona do euro. Bancos centrais podem imprimir dinheiro para evitar qualquer aumento de juros. Adicionalmente, em um cenário de bolha estourada e recessão, a demanda por crédito tende a cair bastante, o que também é algo que reduz os juros.

    Em suma, não há motivo algum para crer que os juros subirão em um cenário de recessão.

    "Acontecendo isso qual é a tendencia da inflação? subir, cair, estagnar? pelo que entendi no artigo é que pode haver deflação, certo?"

    No Brasil, é sempre prudente apostar em estagflação: economia estagnada com inflação alta (qualquer coisa entre 5% e 12%). Em 2003 foi assim.
  • anônimo  05/02/2013 14:10
    Eduardo, clique aqui para uma sugestão mais conservadora, e aqui e aqui para sugestões mais arrojadas.
  • Hueber  06/02/2013 02:29
    Leandro, apesar de ser leigo no assunto, fiquei muito interessado no livro "Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos" do de Soto. Será que é muito cedo pra ler ele? É pesado demais para um novato? Desde já agradeço se responder.

    PS: Excelente artigo. Parabéns!
  • Leandro  06/02/2013 08:25
    Para um novato. é um pouquinho pesado sim, Hueber. Sugiro ler antes todos os nossos artigos sobre o sistema financeiro. Uma vez feito isso, você estará bem mais preparado para essa empreitada.

    Grande abraço!
  • Vitor Hoher Nunes  06/02/2013 11:35
    Leandro,

    Salvo engano, lembro de te ver dizendo em algum artigo que o "Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos" estava com problemas de tradução, adaptação ou algo assim. Que ele seria revisado e por isso não estava publicado na biblioteca do Mises. Isso procede? Existe alguma perspectiva para a revisão?

    Obrigado e parabéns pelo trabalho!
  • Leandro  06/02/2013 12:41
    Correto. Tanto é que não mais o estamos vendendo no site. No entanto, alguns exemplares "vazaram" (antes de os erros serem detectados) e estão à venda em algumas poucas livrarias. Essa é uma das possibilidades de ele ser lido atualmente. Outra possibilidade, é claro, está na leitura do original em inglês.

    Ainda não há previsões para o relançamento.

    Grande abraço!
  • TL  06/02/2013 14:44
    Leandro,

    a versão do livro "Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos" que está no site do mises é a nova ou a velha?
  • Leandro  06/02/2013 14:55
    Fui informado de que já é a revisada. Nem sabia que ela já estava pronta e já à venda...
  • Bernardo F  07/02/2013 11:10
    Outra possibilidade é ler o original em espanhol: acesse www.jesushuertadesoto.com/madre2.htm e clique em "dinero", no canto superior esquerdo da tela.
    Abs!
  • Renan  10/02/2013 00:25
    Leandro, pensei em um argumento contra esta crítica de que os empresários aprendem e passam a evitar investimentos insustentáveis.

    Se o juros baixou artificialmente, é porque dinheiro criado pelo banco central entrou nos bancos e estes expandiram o crédito. Se os bancos expandiram o crédito, muitos tomaram crédito. Muitos foram levados pela onda. Mesmo que, depois que o juros tenha baixado artificialmente, todos os empresários passem a estar cientes da ilusão contábil e passem a usar um cálculo conservador, levando em conta as taxas de juros anteriores, ou uma média de longo prazo, eles sofrerão da mesma forma, pois uma quantidade adicional de empresários seguirá em frente com seus investimentos. Esta quantidade adicional é precisamente aqueles empresários que tomaram o crédito sem lastro antes dele baratear. Mesmo admitindo que a outra parte dos investidores seja cautelosa, não há razão para crer que ela investirá menos que investiria caso o crédito não estivesse artificialmente barato. Empresários não podem se dar ao luxo de sair do mercado. Sendo conservadores, eles investirão na mesma intensidade que investiriam antes do crédito artificialmente barato. Ou seja, os investimentos ocorrem em uma quantidade maior do que seria caso o crédito não fosse artificialmente barateado. Então, o tal cabo de guerra, a disputa por bens de capital e mão de obra, inevitavelmente acontecerá, e, mais sedo ou mais tarde, seus efeitos revelarão a inviabilidade de tais investimentos.

    O que que você acha? A não ser que o juros despenque de uma vez assim que o banco central injetar dinheiro nos bancos.

    A mesma crítica que motivou o meu argumento poderia ser dirigida contra ele?

  • Leandro  15/02/2013 23:13
    Prezado Renan, a questão é que, mesmo que você seja um empreendedor totalmente ciente da teoria dos ciclos econômicos, você não poderá se dar ao luxo de ficar de fora da farra permitida pela expansão do crédito. Você sabe que a coisa vai dar errado, mas mesmo assim terá de participar, pois, caso fique de fora, você será demolido pelos seus concorrentes, perderá fatia de mercado, perderá receitas e poderá quebrar antes deles.

    Ou seja, durante uma expansão creditícia, aquele empreendedor que se reprimir e não embarcar na euforia simplesmente irá perder uma importante fatia de mercado. Logo, mesmo os empreendedores mais comedidos e totalmente versados na teoria austríaca acabam sendo obrigados a entrar na farra. Se não o fizerem, seus concorrentes agradecerão, tomarão seus clientes e, com isso, poderão até tirá-lo do mercado antes da recessão. Você simplesmente não pode se dar ao luxo de correr este risco.

    Esta é a nocividade de uma expansão creditícia. Ela inevitavelmente pune os prudentes, de um jeito ou de outro.

    Fora isso, você também nada pode fazer contra a subida dos preços, pois existe apenas uma moeda, ela é monopólio do estado e sua aceitação é obrigatória. Simplesmente não há para onde correr. Empreendedores prudentes serão punidos por sua frugalidade e contenção. Este sistema monetário praticamente obriga os sensatos a se juntarem aos desatinados.
  • anônimo  16/02/2013 03:31
    Leandro, isso tudo é muito desesperador
    Então empresa nenhuma num seastead vai conseguir prosperar? Porque qualquer coisa que faça, sempre vai haver um concorrente em alguma parte do mundo beneficiado por um monte de crédito, do seu governo.Coisa que num seastead ou num território livre não vai ter
    Não sei se fui claro
  • axel  11/02/2013 06:37
    Se os Austriacos admitem que bancos, na vida real, operam criando dinheiro "do nada", porque a fixação com poupança, se o investimento pode ser criado "out of thin air" sem a poupança equivalente ex-ante..e sim ex-post
    abraço
  • Leandro  11/02/2013 09:33
    Ué, mas é justamente esse processo de criação de dinheiro do nada, que visa a funcionar como um simulacro de poupança (e que serve apenas para falsificar o cálculo empreendedorial e distorcer o sistema de lucros e prejuízos), que é condenado pelos austríacos por gerar descoordenação.

    Entenda uma coisa: poupança não é criação de dinheiro para ser emprestado. Poupança é abstenção de consumo. Para uma pessoa utilizar um recurso escasso em um empreendimento, este recurso escasso tem de ter sido poupado (isto é, não ter sido consumido) por outra pessoa. Se você cria dinheiro, investidores e consumidores passam a disputar os mesmos recursos escassos, os preços sobem, os custos idem, vários empreendimentos se revelam insustentáveis, e toda a descoordenação econômica surge daí.

    Isso é o básico do básico da teoria dos ciclos econômicos. Seu espanto prova que você desconhece por completo tal mecanismo.
  • axel  11/02/2013 15:04
    Não to falando o que é ideal ou não, mas sim como ocorre na vida real..
    numa economia sem governo (C+I+X-M), poupança é pib - consumo

    ou seja poupança = investimento + balanço em conta corrente (poupança externa)

    I=S por definição, sendo o dinheiro criado por "flatulencias dos banqueiros" sem ser poupado ou não
  • Thales  12/02/2013 17:19
    "numa economia sem governo (C+I+X-M), poupança é pib - consumo"

    Errado. Você desconsiderou as importações. Se um país está importando, então ele não está poupando (não interessa o que o resto do mundo está fazendo, mas sim este país).

    "Não to falando o que é ideal ou não, mas sim como ocorre na vida real.."

    Ah, é? Então na vida real não há governo? Há economias sem governo? Gênio...

    "ou seja poupança = investimento + balanço em conta corrente (poupança externa)"

    Esqueceu de subtrair o consumo. E, de novo, não interessa o que ocorre nos outros países (balanço de pagamentos), mas sim no país em análise.

    "I=S por definição, sendo o dinheiro criado por "flatulencias dos banqueiros" sem ser poupado ou não"

    Você não provou isso. Se a intenção era utilizar as errôneas etapas acima para se chegar a essa conclusão, então você fracassou miseravelmente. Non sense total.
  • axel  12/02/2013 19:39
    Thales

    meu deus... enfim vou tentar desenhar pra voces da igrejinha austriaca

    Mesmo que banqueiros possam criar depositos a partir de suas flatulencias, nao muda o fato que investimento tem que ser igual a poupanca (que por sua vez eh a soma da poupanca domestica e poupanca externa).

    Basta saber o minimo de contabilidade nacional a nivel de graduacao para entender isso.

    Poupança doméstica é igual ao PIB menos consumo, o que é a mesma coisa que dizer que poupança doméstica é igual a investimento menos o deficit em conta corrente, ou que poupança doméstica é igual a investimento menos a poupança externa. Então mudando a poupança externa para o outro lado da equação, temos investimento igual a poupança (doméstica+externa).

    É, portanto, impossível por definição que investimento seja diferente de poupança (doméstica+externa). Não tem antes, nem depois. Isso vale em todos os momentos. É um sistema de entrada dupla, assim como é impossível que o ativo de uma firma seja diferente do seu passivo mais patrimônio líquido.

  • Leandro  12/02/2013 20:50
    "nao muda o fato que investimento tem que ser igual a poupanca (que por sua vez eh a soma da poupanca domestica e poupanca externa). [....] É, portanto, impossível por definição que investimento seja diferente de poupança (doméstica+externa). Não tem antes, nem depois. Isso vale em todos os momentos."

    Não se esqueça de falar isso para os pós-keynesianos. Eles juram que esse negócio de poupar para investir é uma besteira enorme, dado que o banco central detém o poder de criar dinheiro do nada para propiciar os investimentos. Não precisa crer em mim, não. Pergunte para um pós-keynesiano se é necessário haver poupança para propiciar o investimento. Ele vai rir da sua cara, e vai dizer que esse negócio de ter de poupar é démodé. A invenção dos bancos centrais já aposentou este comportamento arcaico...

    De resto, tudo o que você disse, embora seja correto em termos puramente contábeis, não é aplicável na prática do mundo moderno, justamente por causa das criações de dinheiro feitas pelos bancos centrais e, principalmente, pelo modo como o PIB é calculado (o qual não faz nenhum sentido).

    Recomendo este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=629


    P.S.: até agora não entendi qual é o seu ponto.
  • TL  12/02/2013 22:06
    Leandro e Axel.

    Ao analisar os comentários do Axel, eu acredito que ele queira provar que poupança (entesouramento bancário) e expansão do crédito (via sistema de reservas fracionárias) são a mesma coisa (investimento).

    Conforme essa interpretação, não existe distinção entre os dois, elas seriam a mesma coisa e portanto teriam os mesmos efeitos no sistema econômico.

    É procedente minha interpretação Axel?
  • Leandro  12/02/2013 22:16
    "eu acredito que ele queira provar que poupança (entesouramento bancário) e expansão do crédito (via sistema de reservas fracionárias) são a mesma coisa (investimento). [...] elas seriam a mesma coisa e portanto teriam os mesmos efeitos no sistema econômico."

    Se a ideia foi essa, então ela está mais errada ainda.
  • Tombão  12/02/2013 22:37
    Axel, vou abrir a próxima reunião do copom com a sua brilhante defesa, da utilidade dos serviços prestados por mim juntamente com os 4500 funcionários do banco central.
    Nesse carnaval, a minha poupança gerou muita Flatulência que foi devidamente armazenada e contabilizada, estou disposto a trocar esse ativo por um apartamento ou carro que vc eventualmente possua, o meu endereço de contato é Setor Bancário Sul: (SBS) Quadra 3 Bloco B - Ed. Sede Brasília - DF. É de patriotas como vc que o brasil precisa, não desista!
  • gero  12/02/2013 22:09
    Leandro

    se I=S sempre, mas admitindo moeda endógena (criada do nada), contabilmente não é o investimento que determina a poupança ex-post? O dinheiro é criado, e investido.. depois que se é contabilizada a poupança através do calculo PIB-consumo. Ou seja os modelos neoclassicos estão errados pois dinheiro faz a diferença, e (se não me engano, sou aluno de graduação ainda) os modelos neoclassicos utilizam loanable funds como premissa.

    Mesmo que algum neoclassico esteja usando credito em modelos, a crise demonstra que a abissal maioria não os utiliza

    Então a idéia de alguns pos-keynesianos (sraffianos) de que investimento determina poupança, e que demanda efetiva determina investimento faz algum sentido empirico sim

    não confundir neokeynesiano (esse axel ai em cima) com pos-keynesianos.
  • Leandro  12/02/2013 22:20
    "se I=S sempre, mas admitindo moeda endógena (criada do nada), contabilmente não é o investimento que determina a poupança ex-post? O dinheiro é criado, e investido.. depois que se é contabilizada a poupança através do calculo PIB-consumo."

    Não faz nenhum sentido isso. Poupança é abstenção de consumo. Ponto. Criar dinheiro do nada e contabilizar este dinheiro na conta de alguém não é poupança. Você pode dizer que houve aumento da renda nominal, mas não houve poupança. Alguém gastou esse dinheiro recém-criado, alguém consumiu algo. Isso é o oposto de poupança. Criação de dinheiro não gera poupança, gera consumo (mesmo que o dinheiro seja "investido" na criação de um bem de capital, está havendo o consumo de um recurso escasso para se criar este bem de capital).
  • gero  13/02/2013 00:48
    Leandro

    siiimmm cara, mas investimento não é contabilizado como consumo

    dinheiro criado -> se for investido (S = I - POUPANÇA EXTERNA) I aumenta, S aumenta, caso esse investimento não seja importado
  • TL  15/02/2013 21:46
    Prezado Gero, essa discussão é muito interessante! Faço em sequência minha contribuição.

    "siiimmm cara, mas investimento não é contabilizado como consumo"

    É exatamente essa a diferença do entendimento dos austríacos sobre poupança.

    No caso de alguém investir esse dinheiro recém criado, esse investidor utilizará bens escassos (fatores de produção) que não mais estarão disponíveis para outras pessoas, portanto está consumindo fatores de produção e investindo.

    Agora, quando alguém ao invés de comprar bens de capital ou de consumo, entesoura o dinheiro, ele não estará utilizando bens escassos (os bens estarão disponíveis para que outros possam comprá-los. Isso diminui a competição pelos mesmos bens escassos).

    Por isso os Austríacos chamam poupança de abstenção do consumo.

    Gero, seu raciocínio tem como premissa um mundo de plena abundância (onde fatores de produção seriam tão abundantes quanto o ar na atmosfera). Nesse mundo, ao utilizar dinheiro recém criado, você não impediria outras pessoas de utilizar os mesmos fatores de produção, pois os fatores de produção seriam amplamente abundantes. Por definição, sequer existiria competição por esses fatores de produção [exatamente como a relação dos animais e ar na atmosfera].

    Entretanto, nós vivemos num mundo de escassez. Ao aumentar a quantidade de dinheiro na economia (através de reservas fracionárias ou mesmo falsificação), você somente fomenta a competição pelo uso dos bens escassos e redistribui o poder de compra da moeda.
  • evandro  04/04/2013 18:07
    Desculpe minha ignorancia, mas o que é exatamente o m2, o que é exatamenteo aumento da oferta monetaria, que no caso citado caiu nos países em crise?
  • Leandro  04/04/2013 18:28
    M2 = papel-moeda em poder do público + depósitos em conta-corrente + depósitos em caderneta de poupança + depósitos a prazo.

    Oferta monetária é a quantidade de dinheiro que existe na economia -- ou seja, o M2. M2 é a oferta monetária.
  • Eliel  16/05/2013 23:32
    A espiral TACE volta-se para o centro de onde partiu: França.

    Allons enfants de la Patrie
    Le jour de gloire est arrivé !

    Mises, voilá !
  • anônimo  03/08/2013 18:08
    Qual foi a influência da divida publica na crise europeia e na crise americana?
  • Ismar  05/08/2013 03:53
    excelente artigo, muito esclarecedor. Vc, Leandro, e o Ali Babá viraram meus ídolos, ele pelo massacre na argumentação com o lunático do Django lá no Advivo, e vc pelo artigo tão bem redigido que até eu, que não entendo muito de economia, entendi. Abraços.
  • Caio Pontes  08/08/2013 20:12
    Leandro, neste trecho:

    "Deflação monetária com aumento de impostos é um coquetel mortífero. Dado que há uma grande rigidez nos preços e nos salários nestes países (se os sindicatos não aceitam reduções salariais, os empresários não irão reduzir preços, pois seus balancetes iriam para o vermelho total), o resultado inevitável é uma disparada no desemprego."

    Não consegui compreender claramente a relação entre o "coquetel mortífero" o desemprego. Se puder explicar melhor, eu agradeceria. Muito obrigado desde já.
  • Leandro  08/08/2013 21:31
    Prezado Caio, não sei se conseguirei ser mais claro, mas imagine uma economia em que a quantidade de dinheiro está diminuindo. Neste cenário, várias pessoas estarão recebendo um salário menor do que antes. Simultaneamente, imagine que os preços estejam aumentando. Você tem uma combinação de salários em queda e preços em alta. Isso significa que a renda real destas pessoas está caindo. Salário menor e preços maiores resultam em redução da renda real.

    Até aqui tudo certo?

    Agora, acrescente a esta mistura aumento de impostos. Ou seja, além de um salário menor e de preços maiores, o governo agora está mordendo uma fatia maior da sua já reduzida renda. Sua renda real foi afetada duplamente.

    Esse é o cenário dos PIIGS. Renda real menor e mais imposto mordendo essa já afetada renda.

    A consequência? Menos consumo, menos produção, mais desemprego.
  • Caio Pontes  09/08/2013 15:26
    Ok, perfeito. Obrigado
  • Hugo  22/09/2013 02:51
    Mas um artigo fantástico desse site,simplesmente admirável! Parabéns!

    São sites como esse que nos fazem tomar gosto pelo estudo da economia!
  • anônimo  24/09/2013 13:26
    Para compreender os ciclos econômicos, o livro de Jesus de Soto é didático ou muito complicado?
  • Leandro  24/09/2013 14:02
    Didático. Mas exige concentração.
  • anônimo  05/11/2013 19:57
    Como a escola de Chicago explicaria a atual crise e a crise de 29?
  • Leandro  05/11/2013 20:10
    A crise de 1929 foi culpa, segundo eles, do Fed, pois este não expandiu a oferta monetária suficientemente.

    Sobre a crise atual, desconheço a posição oficial deles.
  • Mohamed Attcka Todomundo  25/11/2013 01:52
    A Europa dos Euros Esbanjados

  • JBALL  05/03/2014 03:50
    Leandro, segundo esse mesmo site, TRADINGECONOMICS: Vi que quase todos os países grandes efetuaram um aumento tanto no M2 como nos Loans to Private Sector no mesmo período que os PIGS. Só que nem todos estão se afundando; inclusive, Suiça, Austrália, Canadá e Nova Zelândia que quase não sofreram com a crise americana/euro, efetuaram expansão de crédito e oferta monetária também.
  • Leandro  05/03/2014 10:28
    Absolutamente todos os países efetuam expansão do crédito. Esta é a natureza inerente ao sistema de reservas fracionárias. E toda expansão do crédito inevitavelmente sofre uma desacelerada, que é quando ocorre a recessão. E o grau e a profundidade da recessão dependerão de (1) quão errôneos foram os investimentos e (2) do volume total de calotes nos empréstimos, o que afetará completamente a solvência do sistema bancário. Ambos foram extremamente altos nos PIIGS.
  • Hugo  09/03/2014 03:17
    Boa noite Leandro!

    Pensando sobre a baixa dos juros americanos e europeus após a crise,seria correto dizer que essas baixas foram inócuas pelo fato de a injeção de reservas bancárias terem no máximo compensado os créditos perdidos nos ativos dos bancos por causa dos calotes?
  • Leandro  09/03/2014 15:23
    Também. Mas há outros elementos igualmente importantes:

    1) endividamento das famílias e das empresas;

    2) menor confiança do setor bancário;

    3) imposição de regras de Basiléia mais rígidas, as quais, ao obrigarem os bancos a reduzir sua alavancagem, necessariamente faz com que eles tenham de contrair sua carteira de crédito.
  • patricio  07/07/2014 01:40
    Se os bancos criam dinheiro do nada, eles não podem desaparecer com os passivos também do nada? O nível de alavancagem que eles trabalham não permite isto?


  • Leandro  07/07/2014 11:38
    Os passivos dos bancos são, em sua maioria, formados pelo dinheiro em depósitos em conta-corrente, em conta-poupança, a prazo e em outros fundos de investimento.

    Logo, o banco "cancelar um passivo" significaria ele zerar essas contas e sumir com o dinheiro da população.

    Acho que ninguém quer isso....
  • Giovani  16/08/2014 21:00
    Uma pergunta tosca de um novato:

    A criação de dinheiro do nada é uma exclusividade de bancos?? Ou uma rede de lojas também pode criar dígitos do nada?

    Exemplo: o Zé da Borracharia foi até as Casas China e teve um crédito de R$ 5.000,00 aprovados. Isso não seria "criar dinheiro do nada" ??
  • Leandro  17/08/2014 06:47
    Somente os bancos usufruem este privilégio, o qual lhes é concedido pelo estado. Qualquer outra pessoa ou empresa que tentar fazer o mesmo será perseguida (e encarcerada, no caso de pessoa física, ou fechada, no caso de pessoa jurídica) pelo estado.
  • Giovani  17/08/2014 14:27
    Leandro, muito obrigado pela resposta.

    Mas perdoe-me, ainda não está claro pra mim a questão de quando uma loja oferece crédito ao cliente, isso não seria também "criar digitos do nada"?

    O cliente leva o CPF e RG e comprovante de residência e renda, após análise ele tem um crédito de 5 mil aprovados, e sai da loja com TV, geladeira, smartfone, etc. Isso não é considerado "criar dinheiro do nada"?

    Qual a diferença entre ele ter ido ao banco e ter um crédito de 5 mil aprovados ou ter ido numa loja e ter esse mesmo crédito de 5 mil aprovados?
  • Leandro  17/08/2014 21:09
    Acho que o Giovani está falando de lojas -- como Casas Bahia, Magazine Luiza, C&A e algumas concessionárias -- que também possuem finaceiras para seus clientes. A financeira faz a intermediação entre o banco e o cliente da loja.

    Ou seja: o banco concede o crédito para a financeira, que então o repassa ao cliente. A financeira dá ao banco a garantia de que irá pagar o empréstimo independentemete de o cliente dar calote as parcelas (e essa garantia permite que os juros cobrados pelo banco sejam baixos). Se o cliente der o calote, a financeira paga ao banco e então tem de se resolver com o cliente. Por outro lado, se o cliente pagar direitinho para a financeira, a financeira recebe principal e juros do cliente, quita o empréstimo junto ao banco, e fica com o lucro (que é a diferença entre os juros cobrados pelo banco à financeira e os juros cobrados pela financeira ao cliente).

    Sem a financeira dando garantia a este arranjo, o cliente não conseguiria junto ao banco um empréstimo por juros razoáveis.

    Em todo esse arranjo, a única entidade que criou dinheiro foi o banco.
  • Giovani  18/08/2014 00:01
    Leandro e Pobre Paulista, agradeço muitíssimo as explicações, clareou, digamos, 90% das minhas dúvidas, entretanto ainda continuo com algumas.

    Leandro, mencionaste perfeitamente a relação de redes de lojas grandes, as quais possuem financeiras mediando as transações. Porém existem também redes menores que oferecem crédito (crediario) próprio ao cliente, estas estariam "criando dinheiro do nada" ou não?

    Empresas que oferecem crédito próprio além das formas tradicionais de pagamento (dinheiro ou cartão) conseguem alavancar muito mais as vendas em relação a outras do mesmo porte e ramo que não oferecem essa modalidade de pagamento. Essa vantagem se dá por assumirem o risco de oferecer crédito próprio aos clientes, que na minha opinião é criar dígitos do nada. Isso talvez corrobore com a contribuição do Pobre Paulista que deu como exemplo a emissão de um cheque. Nada me impede de passar um cheque sem fundo, mas por ser ilegal, posteriormente poderei me incomodar. Assim como nada impede uma empresa pequena de oferecer crédito próprio (criando digitos do nada), certo?

  • Pobre Paulista  17/08/2014 18:37
    Giovani,

    Em geral quando você vê isso por aí, na realidade existe uma bandeira de cartão de crédito por trás disso, essas sim podem criar este dinheiro do nada.

    Falando estritamente, você também pode criar dinheiro do nada quando emite um cheque sem fundo por exemplo. No entanto, tão logo alguém tente depositar este cheque você estará em encrenca, e apenas você mesmo (e eventualmente o portador do cheque).

    Já no caso dos bancos, se todos quiserem sacar seus depósitos simultaneamente, o sistema financeiro entrará em colapso. Os bancos emitem "cheques sem fundo" (que são empréstimos sem 100% de lastro), mas se algo der errado, todos pagam a conta.
  • anônimo  17/08/2014 21:43
    Pra ele não foi, porque ele vai ter que pagar tudo de volta, com juros.Quando um banco cria dinheiro do nada, é tudo dele.
  • Luis Marta  04/09/2014 23:12
    Olá Leandro,

    Muito bom o seu artigo! Explicação fabulosa.

    Pode dizer-me, por favor, por que a expansão do crédito conduz a uma redução na taxa de juros?

    "Como os consumidores estão mais endividados… a demanda cai (não cairia caso os investimentos houvessem sido financiados por poupança genuína, isto é, pela real abstenção do consumo dos indivíduos)."

    Por que a demanda não cairia se os investimentos tivessem sido financiados por poupança genuína?

    "Portanto, para acabar com uma recessão, é preciso fazer com que este capital mal investido seja liquidado."

    Como é que seria a liquidação e reestruturação do capital mal investido?

    Desde já, agradeço.
  • Leandro  05/09/2014 11:04
    Na verdade, a relação é inversa: o Banco Central reduz os juros (nesse processo, ele injeta mais reservas no sistema bancário) e isso faz com que os bancos, agora em posse de uma maior quantidade de reservas, possam conceder mais crédito cobrando taxas de juros menores.

    "Como os consumidores estão mais endividados… a demanda cai (não cairia caso os investimentos houvessem sido financiados por poupança genuína, isto é, pela real abstenção do consumo dos indivíduos)."

    Por que a demanda não cairia se os investimentos tivessem sido financiados por poupança genuína?


    Se houvesse poupança genuína, as pessoas não estariam consumindo ao mesmo tempo em que as empresas estão investindo. Para que as empresas pudessem investir, as pessoas teriam de deixar de consumir, pois as empresas estariam utilizando o dinheiro emprestado pelas pessoas.

    Sendo assim, tão logo os investimentos estivessem finalizados, as pessoas (por não terem consumido nesse período) teriam agora dinheiro para gastar e assim consumir os produtos desse investimento.

    Uma outra maneira de raciocinar o mesmo problema é: se houvesse poupança genuína, o endividamento de empresas e pessoas seria menor (só se endivida quem não possui fundos próprios). Consequentemente, com um endividamento menor, a dívida não seria um fardo sobre o orçamento de empresas e pessoas. Assim, os gastos em consumo e em novos investimentos não seriam severamente afetados.

    "Portanto, para acabar com uma recessão, é preciso fazer com que este capital mal investido seja liquidado."

    Como é que seria a liquidação e reestruturação do capital mal investido?


    Sua incorporadora construiu prédios residenciais cujos apartamentos não foram comprados. Você destruiu o capital de sua empresa (sua obra teve vários custos mas não teve receita) e destruiu também recursos escassos (cimento, vergalhões, tijolos, ladrilhos, concreto armado, encanamento etc.), os quais estão imobilizados em algo que ninguém quer utilizar -- ao menos não aos preços que você está cobrando.

    Seu balancete está no vermelho e, enquanto ele não voltar ao azul, você não irá investir. Enquanto você não retirar do seu balancete este peso morto, você não terá capacidade de fazer novos investimentos, e consequentemente a economia não irá andar.

    Liquidar e reestruturar esse capital mal investido significa que, em vez de ficar com ele ocioso, empatando seus balancetes (à espera que os pacotes de estímulo do governo consertem a situação), você deve vender o que conseguir aos preços que oferecerem, assumir seu prejuízo, e cortar as despesas possíveis para então voltar ao azul.

    Somente quando você voltar ao azul é que você terá capacidade de fazer novos investimentos.

    Os empreendedores que se dispuserem a comprar esses seus imóveis (capital mal investido) certamente saberão fazer um uso melhor deles (caso contrário, eles não estariam comprando de você).
  • anônimo  13/10/2014 23:04
    Leandro, compreendo a linha de raciocínio da escola austríaca e penso que ela consegue demonstrar de fato como o mercado funciona, além das consequências quando se intervém nele.

    Compreendo também como o método keynesiano de intervenção estatal e expansão de credito pode criar bolhas e trazendo graves recessões.

    A partir disso levanto algumas questões:

    Sem a expansão do crédito e alavancagem bancaria, seria possível crescimentos econômicos tão acelerados como visto no ultimo século?

    Os governantes, sabendo dessa maquina de fazer dinheiro e crescimento econômico, não seria utópico pensar que os mesmos não aproveitariam desse mecanismo? Se com a expansão monetária e estimulo ao consumo se consegue bons resultados socioeconômicos, só um besta não iria se utilizar dessa estratégia.

    Mas ok, fizeram a cagada agora a conta chegou, e aí?
    Se todo esse crescimento veio da expansão de crédito em cima de dívidas que aumentam a cada dia, como essa conta será paga a partir de uma austeridade brusca?
    Se a fonte de toda essa riqueza é cortada, a receita e capacidade de gerar riqueza se torna desproporcional a divida deixada. Por exemplo, o sujeito ganhava 100 mil e devia 5 milhões e pagava só de juros a.m 50 mil. De repente ele perdeu o emprego e sua renda passou para 1 mil. Qual a possibilidade desse sujeito um dia conseguir quitar ao menos uma parcela da dívida?

    Na situação acima, nunca, penso que no caso de austeridade total, aconteceria algo semelhante, certo?

    Se a dívida foi contraída em cima de crédito fictício, como ela poderá ser paga a partir de um crédito real?

    Pra mim, a solução mais realista e partindo de que o indivíduo prefere aproveitar do presente em detrimento do futuro, é a do maluco do Krugman, aumentar ainda mais a expansão do credito indefinidamente, deixando a conta para o futuro. Ainda que pareça absurda é a alternativa que todos preferem, além disso enquanto a bolha vai se formando, sobra tempo para descobrir saídas para o caos eminente.

    Gostaria muito de ser refutado nessa minha análise, me ajude!







  • Leandro  14/10/2014 04:25
    "Sem a expansão do crédito e alavancagem bancaria, seria possível crescimentos econômicos tão acelerados como visto no ultimo século?"

    Não. Não haveria esses surtos de crescimento seguidos de períodos de contração (os quais destroem capital). Haveria um crescimento moderado, porém contínuo. Tudo dependeria do quanto o governo atrapalhasse.

    "Os governantes, sabendo dessa maquina de fazer dinheiro e crescimento econômico, não seria utópico pensar que os mesmos não aproveitariam desse mecanismo?"

    Eles já se aproveitam hoje. E muito.

    "Se todo esse crescimento veio da expansão de crédito em cima de dívidas que aumentam a cada dia, como essa conta será paga a partir de uma austeridade brusca?"

    Bom, em primeiro lugar, não está havendo austeridade nenhuma. Veja nos dois artigos abaixo:

    O mito da austeridade europeia

    Os três tipos de austeridade

    Já em relação a como essa dívida será paga, essa é a grande questão que ninguém ainda equacionou. E nem irá equacionar, pois o atual arranjo monetário e bancário foi feito justamente para tornar as pessoas escravas do endividamento (com o estímulo dos governos).

    No século XIV, havia o ano do jubileu da dívida, que era quando as dívidas eram perdoadas e zeradas. Nos séculos seguintes, o mundo viveu sob um padrão-ouro, no qual as dívidas eram naturalmente pequenas e sempre eram quitadas.

    Com a abolição do padrão-ouro e a adoção do atual modelo de papel-moeda fiduciária (que só foi implantado totalmente em 1971), o crescimento por endividamento passou a ser a norma. Haverá um ponto além do qual será impossível ir. Se alguns países já chegaram a esse ponto ainda não dá para saber, mas é fato que haverá um limite de endividamento para o sistema.

    Para resolvê-lo será necessário criar uma nova espécie de jubileu da dívida.

    "Pra mim, a solução mais realista e partindo de que o indivíduo prefere aproveitar do presente em detrimento do futuro, é a do maluco do Krugman, aumentar ainda mais a expansão do credito indefinidamente, deixando a conta para o futuro."

    Aí você tem de explicar como ocorrerá essa mágica. Como os bancos continuarão emprestando indefinidamente para pessoas que já estão extremamente endividadas, que já estão dando calote, e que não têm a mais mínima capacidade de quitar suas dívidas?

    Por que eles agiriam tão irracionalmente a esse ponto?

    Não faz sentido.

    "Ainda que pareça absurda é a alternativa que todos preferem,"

    Repito: Por que os bancos agiriam tão insensatamente assim? Você tem de combinar com eles.

    "Gostaria muito de ser refutado nessa minha análise, me ajude!"

    Eis aí a refutação: você tem de explicar como iria convencer os bancos a continuar emprestando indefinidamente para pessoas que já estão extremamente endividadas, que já estão dando calote, e que não têm a mais mínima capacidade de quitar suas dívidas.

    Isso seria suicídio financeiro para os bancos.
  • anônimo  14/10/2014 23:00
    Concordo com tudo que você falou Leandro, mas ainda ficou algumas questões
    Se ainda não há como mensurar a maneira e a consequência de tentar pagar essa divida, não seria ousado demais aplicar austeridade para resolver o problema? É ilógico pensar que um governante irá tomar uma medida dessa sem mesmo saber o resultado e a que prazo, é claro que o povo caçaria a cabeça desse cara.

    Pelo que entendi não há como pagar uma dívida criada por capital fictício a partir de capital real, com lastro, ou seja, terá que haver calote total. Mesmo com o calote total, a economia já se sustenta por dinheiro emprestado e sem essa fonte a economia desmorona e como a escola austríaca mostra, empresas e empregos criados em cima dessa fonte ilusória desaparecem. Em números isso daria o que, 50% de desemprego? Numa situação dessa não seria de se esperar um colapso social de miséria, violência e caos? Esse é um cenário possível ou está longe disso?

    Entendo que nenhum banco é louco de continuar emprestando pra quem não pode pagar, mas a ideia de injetar dinheiro não é exatamente trazer uma solvência temporária para continuar o ciclo?

    Uma outra reflexão minha é o seguinte, pensando nas regras de mercado.
    Ainda que essa expansão monetária seja fictícia, ao aumentar essa oferta você de fato aquece o mercado, que irá gerar uma demanda e uma natural oferta pra ela, já que ao mesmo tempo que o consumidor aumenta seu poder de compra as empresas tem credito fácil para investir na produção. Aumento na demanda e produção resulta em mais empresas concorrendo e gerando empregos que irá aumentar ainda mais o dinheiro circulante. O resultado desse comercio e concorrência irá estimular a criação de novas tecnologias, que por sua vez irá melhorar a qualidade e diminuir o preço, além de estimular as pessoas a estudarem e se especializarem contribuindo para o aumento da produtividade.

    Por outro lado o estado passa a arrecadar mais aumentando sua capacidade de manter a sociedade funcionando e ajudando os que não conseguiram se inserir.
    Basicamente tudo que nós, defensores do livre comercio, prometemos no modelo de estado mínimo e nos vangloriamos do capitalismo ser o único capaz de proporcionar tamanho crescimento.
    Pois bem, infelizmente esse maravilhoso crescimento não teve lastro e a conta terá que ser paga e por isso pergunto:

    Será que todo o beneficio advindo desse crescimento, principalmente os de conhecimento e tecnológicos, não seria suficiente para compensar a crise futura? E sabendo da crise futura, e aqui entra a importância da escola austríaca, e nossa capacidade humana de evolução, criação e adaptação e superação das adversidades, enquanto o prazo não se extingue poderíamos descobrir maneiras de evitar, ou mesmo amenizar essa recessão obrigatória?
  • Leandro  15/10/2014 16:55
    "Se ainda não há como mensurar a maneira e a consequência de tentar pagar essa divida, não seria ousado demais aplicar austeridade para resolver o problema?"

    Não está havendo austeridade nenhuma, como dito e demonstrado. Logo, a insistência nessa questão não faz nenhum sentido.

    Está havendo, isso sim, aumento de impostos, algo que é letal para uma recessão. De novo: se isso for desconsiderado, não há nem debate.

    "É ilógico pensar que um governante irá tomar uma medida dessa sem mesmo saber o resultado e a que prazo, é claro que o povo caçaria a cabeça desse cara."

    Quer coisa mais ilógica do que aumentar impostos em uma recessão? Pois é, foi o que fizeram.

    "Mesmo com o calote total, a economia já se sustenta por dinheiro emprestado e sem essa fonte a economia desmorona e como a escola austríaca mostra, empresas e empregos criados em cima dessa fonte ilusória desaparecem. [...] Entendo que nenhum banco é louco de continuar emprestando pra quem não pode pagar, mas a ideia de injetar dinheiro não é exatamente trazer uma solvência temporária para continuar o ciclo?"

    Há sim uma solução: uma reforma bancária completa, a qual não apenas solucionaria a questão de insolvência, como ainda, de quebra, resolveria o problema de previdência.

    Ela foi detalhada neste artigo:

    Propostas para uma reforma bancária completa e estabilizadora

    Não vejo outra solução. (E isso também terá de ocorrer no Brasil futuramente).

    "Uma outra reflexão minha é o seguinte, pensando nas regras de mercado.
    Ainda que essa expansão monetária seja fictícia, ao aumentar essa oferta você de fato aquece o mercado, que irá gerar uma demanda [...]"


    Já pulou a parte essencial e incontornável: como fazer uma expansão monetária -- que nada mais é do que uma expansão de dívida -- se o endividamento já está alto e nenhum banco vai querer se arriscar emprestando ainda mais para futuros caloteiros?

    Essa não é uma questão trivial, e não se pode ignorá-la. E, enquanto ela não for solucionada, nada do que você disse até o final de sua postagem irá acontecer.

    "Pois bem, infelizmente esse maravilhoso crescimento não teve lastro e a conta terá que ser paga e por isso pergunto: será que todo o beneficio advindo desse crescimento, principalmente os de conhecimento e tecnológicos, não seria suficiente para compensar a crise futura?"

    Isso já seria um juízo de valor, e não é função de um economista fazê-lo. A única função de um economista é explicar como as coisas funcionam, o que está acontecendo, e o que acontecerá caso determinada política seja implantada. Ponto.

    Agora, especular se uma política é desejável ou não, se ela é moral ou não, já está fora do escopo da atividade de um economista. Isso seria fazer um juízo de valor, e juízo de valor é da área da filosofia e da sociologia.

    Grande abraço!
  • anônimo  16/10/2014 16:34
    Eu sei que não há austeridade, mas precisamos trabalhar dentro da proporcionalidade, se a aceleração da dívida e gastos públicos diminuíram é sinal que houve uma mudança de comportamento no sentido da austeridade. Mas pelo que você falou isso não é verdade, então o que seria uma austeridade de fato?

    Pelo que entendi seria arrecadar mais do que gasta, o problema é que a arrecadação é consequência da movimentação econômica que é sustentada por dívida, certo? Ou seja, no momento que cortar o endividamento, a produção cai e a arrecadação também.
    Num dos artigos é citado o exemplo do João abrindo um restaurante e que com a austeridade ele gastaria menos em impostos e a mão de obra seria mais barata e assim ele poderia ter lucro, o problema é que não haverá numero suficiente de clientes pois há menos pessoas com dinheiro disponível para gastar.

    Eu já li a maioria dos artigos mas isso não está ficando claro, qual será o resultado da uma austeridade total, em % de desemprego e o resultado social disso, como violência, miséria, etc. Como as pessoas conseguiriam, estudar, comprar remédios ou atendimento em hospitais se o emprego é escasso e não há serviços públicos pois os gastos foram cortados? Por tudo que aprendi aqui esse seria um péssimo cenário para retomada de crescimento.

    È preciso ter uma resposta próxima para esses números, caso contrario irá contradizer outra máxima que aprendi aqui, " somos individualistas e reagimos aos nossos próprios interesses".
    Se a conclusão de que a austeridade irá gerar um desemprego enorme e décadas para se recompor, nenhum de nós aceitaria essa medida sem coerção total do próprio estado, que significa, greve geral, quebra quebra, prisões sem fim, fuzilamento, etc. O problema é que isso também aumentaria os gastos do estado que não tem dinheiro e não pode pagar policiais nem manter presídios.

    Nesse caos não há como empreender e nem há condições para um livre mercado funcionar, e com isso a teoria, não tem aplicação pratica e por isso seria necessário adaptações ou então configuraria uma utopia como o comunismo, no papel é lindo mas na prática impossível.

    Quanto a evolução tecnológica e conhecimento, discordo que isso seria fazer juízo de valor, por tudo que li aqui, quando empresas ganham dinheiro e existe concorrência isso estimula o desenvolvimento de produtos melhores e mais baratos, satisfazendo os consumidores além de sobrar recurso que será alocado para outro fim. Do mesmo modo, aprendi aqui que conhecimento e qualificação melhora a produtividade, contribuindo para melhores serviços e salários e que a liberdade para o mercado agir assim contribuiria para a prosperidade. Deduzir e tirar conclusões dos cenários, penso que seja função do economista e nesse caso aqui proponho uma análise de vantagens comparativas entre dois cenários.

    O calculo econômico não é moral, porém a aplicação dele ao interferir na moral social irá alterar o resultado econômico, logo a moral tem fazer parte dos cálculos.
    Por exemplo, no Brasil, voto no PSDB pois penso que ele, ao buscar medidas de contenção de gastos, aumento da produtividade isso estimularia a economia contribuindo para a diminuição do desemprego e aumento dos salários. Se isso não ocorrer em curto prazo de nada adianta e o povo e oposição irá tirar ele do governo e os socialistas voltarão com mais força.

    E pelo que estou vendo aqui não há como esperar a melhora desses índices a partir da austeridade já que, mesmo sabendo que irá explodir lá na frente, crescimento com expansão monetária é muito mais fácil e cômodo do que com produção de riqueza real.


    o ponto chave do meus questionamentos é:

    Somos individualistas e queremos resolver nossas necessidades agora, que se exploda as gerações futuras, elas que se virem com seus problemas. Eu penso assim da mesma maneira que o governante do presente, ele precisa de cumprir as promessas que o elegeu caso contrário ele não irá conseguir se manter no poder.
    Criar soluções que desconsidere como as as coisas acontecem é sonhar com o mundo ideal utópico, precisamos descobrir soluções as quais possam ser aplicas e aceitas.

    A escola austríaca tem uma solução para resolver a crise e que por ir contra a natureza individualista humana, só será aplicada via coerção, a mesma que a escola culpa pelas mazelas.

  • Leandro  16/10/2014 17:02
    "Somos individualistas e queremos resolver nossas necessidades agora, que se exploda as gerações futuras, elas que se virem com seus problemas. Eu penso assim da mesma maneira que o governante do presente"

    Isso não tem nada a ver com individualismo, mas sim com imediatismo.

    Se você pensa apenas no presente e ignora totalmente o futuro, então você está no lugar errado, meu chapa. Você é keynesiano. Keynesianos utilizam esse mesmo, e tosco, argumento para defender os déficits orçamentários do estado: no longo prazo, estaremos todos mortos (e não seremos nós que termos de pagar a dívida).

    Quem é imediatista e pensa apenas no curto prazo, ignorando totalmente os efeitos de longo prazo de suas medidas imediatistas, menos um economista sensato.

    Sinto muito, mas você está no lugar errado.

    Abraço.
  • anônimo  17/10/2014 00:45
    Leandro, penso que são dúvidas importantes e por mais que pesquise não encontro respostas satisfatórias e o único site que vejo explicações mais profundas é aqui.

    Não defendo ideologias e acredito no liberalismo pois penso que é o melhor modelo e mais justo de conseguir prosperidade pra todos, se eu perceber que não é vou buscar outras alternativas.

    A minha preocupação toda é precisamente com as eleições agora e isso está me tirando o sono.
    Se o Aécio ganhar e aplicar medidas de austeridade, combate a inflação, diminuição dos gastos públicos, diminuição dos impostos. Qual será o cenário para os próximos anos?

    É possível, mesmo com essas medidas, diminuir a pobreza, desemprego e ter aumento real de salários?

    Não consigo ver essa possibilidade, o problema é que defendo isso ha quase 15 anos e não estou mais conseguindo sustentar esse argumento pois não encontro mais intelectuais que me deem suporte.

    Você me entendeu mal no comentário, na verdade não é que eu pense assim, mas é como nós agimos naturalmente, a minha questão é se não seria utópico pensar que governantes agiriam de maneira diferente quando eles tem em mãos possibilidades mais eficientes naquele momento. Ou melhor, não seria utópico pensar em austeridade enquanto existir o poder do multiplicador bancário? É como pensar que um sujeito que ganha 5 mil de mesada, irá largar dela para trabalhar 8h dia e ganhar 3 mil.

    `Por exemplo, quais países no mundo conseguem arrecadar mais do que gastam e qual estagio de desenvolvimento eles se encontram?


    Obrigado



  • Leandro  17/10/2014 12:22
    "Se o Aécio ganhar e aplicar medidas de austeridade, combate a inflação, diminuição dos gastos públicos, diminuição dos impostos. Qual será o cenário para os próximos anos?"

    O cenário é que você está vivendo em um mundo de fantasias.

    Se a sua preocupação é essa, pode dormir tranquilíssimo.

    Primeiro porque ele não irá ganhar. O brasileiro médio gosta de ver um semelhante na presidência, e não alguém tido como eloquente, elitista e articulado; o brasileiro médio se identifica muito mais com figuras mais esculhambadas, como Dilma (que não consegue formular uma única frase e que não tem a mais mínima clareza de raciocínio), do que com Aécio, que ao menos sabe formular frases e que utiliza um vernáculo mais complexo.

    Segundo porque, mesmo se houvesse um milagre e ele ganhasse, ele não faria nada disso que você está dizendo. Nenhum governo na história da democracia mundial reduziu gastos. No máximo, eles diminuem o ritmo de crescimento dos gastos.

    Reduzir impostos? Nem em sonho. No máximo, uma redução temporal em alguma alíquota de IPI, devidamente compensada por um aumento em outra alíquota, como o IOF.

    No que mais, não entendi como combater a inflação seria ruim. Por essa lógica, Sarney teria um argumento imbatível. "Brasileiros e brasileiras, qualquer candidato que prometa reduzir a inflação de seus atuais 80% ao mês para 7% ao ano é um fanático que irá levar o país para o buraco! Não votem nele jamais! Reelejam-me, pois sou a garantia de estabilidade!"

    Adicionalmente, por que essa ojeriza a uma redução na inflação? Ficamos tão burros assim? Se inflação baixa fosse uma coisa ruim, a Suíça -- país cuja carestia historicamente não ultrapassa os 2% ao ano -- seria uma terra devastada.

    Por fim, o atual governo está conseguindo a façanha de incorrer em um déficit primário (antes só déficit nominal e superávit primário; agora evoluímos e já temos déficit primário). Voltar ao que era antes seria "austeridade"? Por favor....

    O nível do debate no Brasil está latrinário.
  • anônimo  18/10/2014 14:38
    Leandro, mas ele está na frente nas pesquisas.
  • Ali Baba  24/10/2014 09:39
    Não está mais... Leandro com a bola de cristal bem calibrada...
  • Andre  27/10/2014 18:35
    "Primeiro porque ele não irá ganhar. O brasileiro médio gosta de ver um semelhante na presidência, e não alguém tido como eloquente, elitista e articulado; o brasileiro médio se identifica muito mais com figuras mais esculhambadas, como Dilma (que não consegue formular uma única frase e que não tem a mais mínima clareza de raciocínio), do que com Aécio, que ao menos sabe formular frases e que utiliza um vernáculo mais complexo.".

    Melhor previsão que eu li!!!
    E agora confirmada!
  • Daniel   09/03/2015 17:02
    "O brasileiro médio se identifica muito mais com figuras mais esculhambadas, como Dilma (que não consegue formular uma única frase e que não tem a mais mínima clareza de raciocínio").

    Se isso fosse regra então FHC não seria eleito, nem reeleito. Ou o FHC tbm é uma figura esculhambada? E o Aécio perdeu, mas com pouca diferença, então não acredito que tenha sido esse o motivo. Mesmo com todos os problemas do atual governo a maioria dos brasileiros "médios" ainda prefere continuar com o PT do que voltar para um governo do PSDB que fez muito menos por eles, esse é o motivo. Não tem nada a ver com eloquência ou clareza de raciocínio, até porque esse não é o caso do Aécio. E por que será que Aécio perdeu em Minas então? O próprio povo de lá que já havia votado nele duas vezes e agora o rejeitou. Agora os mineiros preferem alguém menos articulado? É só por isso? Por favor, né? Até estava achando interessante os textos desse Leandro, mas depois e ler isso não dá pra levá-lo a sério.
  • Fraga  09/03/2015 17:58
    "Se isso fosse regra então FHC não seria eleito, nem reeleito. Ou o FHC tbm é uma figura esculhambada?"

    Ué, e olhando em retrospecto, FHC é regra ou exceção?

    Dá só uma olhada nas figuras que já elegemos: Jânio Quadros, Brizola, Collor, Garotinho, Maluf, Tarso Genro, Olívio Dutra, Pezão, Renan, Lindbergh, Pimentel, Lula, Dilma, Jaques Wagner, Roberto Requião, Tiririca, Romário etc.

    Comparado a esse time, FHC é regra ou exceção? Você próprio já deu a resposta, ainda que indiretamente.

    "E o Aécio perdeu, mas com pouca diferença, então não acredito que tenha sido esse o motivo."

    E daí? Isso não muda o fato de que a maioria preferiu uma figura esculhambada. Agora, se o único consolo é que foi uma "maioria pequena", então ok.

    "Mesmo com todos os problemas do atual governo a maioria dos brasileiros "médios" ainda prefere continuar com o PT do que voltar para um governo do PSDB que fez muito menos por eles, esse é o motivo."

    Gozado. Míseros 4 meses após a reeleição, o governo vem colhendo recordes históricos de desaprovação. Como você explica isso? Será que o povo, outrora tão onisciente na hora de escolher "aqueles que fizeram muito por ele", repentinamente mudou de ideia, e de maneira tão radical? Ou será que ele simplesmente confessou que foi enganado? Ou então confessou que fez merda? Não entendi.

    "Não tem nada a ver com eloquência ou clareza de raciocínio, até porque esse não é o caso do Aécio."

    Ué, mas a alegação foi justamente oposta: o povo gosta é de quem mal sabe falar e se expressar com clareza. E, embora longe de ser um Cícero, Aécio ao menos consegue se fazer entender (além de ter alguma finesse). E isso já é bastante ofensivo para o povão.

    "E por que será que Aécio perdeu em Minas então? O próprio povo de lá que já havia votado nele duas vezes e agora o rejeitou. Agora os mineiros preferem alguém menos articulado? É só por isso? Por favor, né?"

    E desde quando mineiros são a palmatória do mundo? Desde quando mineiros são os seres mais esclarecidos do Brasil? Que argumento é esse de que, se fulano não obteve mais de 50% em uma dada região geográfica, então ele é péssimo? Eu, hein?

    Por essa sua mesma lógica, podemos então dizer que Lula e o PT, nascidos em criados no ABC paulista e estrondosamente repudiados ali nas últimas eleições, são comprovadamente péssimos, pois quem os conhece não os compra. Concorda? Se não, você é incoerente.

    "Até estava achando interessante os textos desse Leandro, mas depois e ler isso não dá pra levá-lo a sério."

    Não é por mim. O único que tem a perder, e muito, será você e tão-somente você.

    No que mais, como diria o poeta T.S. Elliot, a humanidade simplesmente não consegue aguentar uma dose muito grande de realidade. Ou, como diria o meme da internet, "A liberdade dos outros acaba onde começam meus sentimentos".
  • Felipe Cristiano  24/10/2014 00:27
    O (pretenso) défice habitacional brasileiro ajudaria a amenizar as consequencias da recessao, pois os recursos ali direcionados, ainda que mal empregados, pelo menos teriam mercado, diferentemente do caso da Espanha?
  • Leandro  24/10/2014 04:31
    Esse argumento do déficit habitacional é esquisito. Em primeiro lugar, "déficit habitacional", ao contrário do que o termo infere, não se refere a pessoas sem teto (parcela diminuta da população), mas sim a pessoas que não moram em imóveis próprios financiados ou comprados.

    E aí começa a encrenca.

    Sim, há vários moradores de favela doidos para ter um apartamento próprio. E há várias pessoas morando de aluguel ansiosas por uma casa própria. Porém, nem todos os favelados trocariam seus barracos por apartamentos. O motivo é simples: na situação atual, eles não pagam prestações, não pagam condomínio, não pagam taxas, e muitas vezes não pagam nem energia elétrica, água, TV a cabo etc., pois fazem "gatos".

    A consequência é que muitos acabam gastando com carros e com outros luxos que não poderiam usufruir caso pagassem prestações de financiamento de imóveis.

    Raciocínio semelhante se aplica àquelas pessoas que vivem de aluguel: há quem prefira pagar aluguel a se endividar em um financiamento de 30 anos, o qual só terminaria de ser pago já no final da vida. Li recentemente que, na Suíça, mais de 60% da população vive em imóveis alugados.

    De resto, há sim muita demanda por imóveis. Porém, falta agora combinar os preços. Essa grande demanda -- pensando exclusivamente em termos de déficit habitacional -- só será satisfeita se estes imóveis forem vendidos a preços que caibam dentro do orçamento de favelados e de moradores de aluguel.

    Curiosamente, ninguém faz este raciocínio.

    E, se os preços dos imóveis realmente caíssem ao ponto de satisfazer tal demanda -- algo que definitivamente não está no plano das construtoras --, então elas teriam um enorme prejuízo. Consequentemente, não conseguiria quitar seus financiamentos bancários. Consequentemente, os bancos teriam enormes prejuízos. Consequentemente, o capital destes bancos seria reduzido. Consequentemente, estes bancos teriam de pedir a quitação antecipada de vários outros empréstimos pendentes e restringir a concessão de outros empréstimos. Consequentemente, haveria uma brutal recessão na economia.

    O governo interviria antes, fazendo de tudo para impedir que os preços dos imóveis caíssem -- e acho que isso responde à sua pergunta.


    P.S.: para completar, vale ressaltar que a maioria dos empreendimentos imobiliários feita no Brasil foi direcionada para pessoas de mais alta renda. Sendo assim, falta alguém explicar como é que sair construindo vários apartamentos de luxo vai equacionar esse desequilíbrio. Favelado ou inquilino vai comprar cobertura em Ipanema? No Morumbi? Nos Jardins? No Moinhos de Vento? Desde quando sair construindo imóveis de luxo resolve o problema do déficit habitacional?


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