A fraude chamada 'estado'

Murray Rothbard certa vez descreveu o estado como uma gangue de ladrões em larga escala. E se você observar bem verá que há um vasto esforço de propaganda feito pelo estado e por aqueles em sua folha de pagamento — ou por aqueles que gostariam de estar em sua folha de pagamento — para nos convencer de que é perfeitamente legítimo que uma organização essencialmente parasítica viva à nossa custa mantendo um alto padrão de vida, que ela nos mate (com sua polícia despreparada), que ela nos roube com seus impostos, que ela nos convoque compulsoriamente para o serviço militar e que ela controle totalmente nosso modo de vida.

A motivação fundamental daqueles que defendem o estado é saber que, uma vez na máquina pública, eles terão acesso a gordos salários, empregos estáveis e uma aposentadoria integral. Aqueles que estão fora do serviço público defendem o estado por saber que ele lhes dará vantagens em qualquer barganha sindical. Além desses cidadãos, há também empresários que defendem o estado. Estes estão pensando em subsídios e garantias governamentais, em contratos polpudos para obras públicas, em protecionismo, em regulações que afastem a concorrência, e no uso geral do governo para alimentar seus amigos e enfraquecer seus concorrentes. O estado, para eles, é garantia de riqueza.

Em todo e qualquer lugar, o estado sempre se resume a ganhar à custa de outros. Não houve qualquer avanço nessa realidade. Podemos mudar as definições e alegar que, porque votamos, estamos nos governando a nós mesmos. Mas isso não altera a essência do problema moral do estado: tudo que ele tem, ele adquire através do roubo. Nem um centavo do seu orçamento bilionário (trilionário, no caso dos EUA) é adquirido em trocas voluntárias.

Governos dilatados dividem a sociedade em duas castas: aqueles que dão compulsoriamente seu dinheiro para o estado e aqueles que ganham dinheiro do estado. Para manter o sistema funcionando, aqueles que dão têm de ser numericamente muito superiores àqueles que recebem. Foi assim nos primórdios do estado-nação e ainda o é atualmente. A existência de eleições não altera em nada a essência dessa operação.

Nos EUA, quando lemos os documentos escritos pelos pais fundadores, notamos uma grande preocupação em relação a facções. Por facções, os fundadores se referiam a grupos de pessoas em guerra entre si para decidir quem iria ter controle sobre o bolso da população. A solução para esse problema não foi abolir diferenças de opinião, mas, sim, manter o governo em um tamanho mínimo, de forma que as vantagens de se ganhar o poder fossem pequenas. Você limita o poder de uma facção limitando o tamanho do governo. Todos os mecanismos criados pelos pais fundadores — a separação de poderes, o colégio eleitoral, a Declaração de Direitos — foram instituídos como meios de se atingir esse objetivo.

Mas como foi que toda a distorção ocorreu? Como foi que os seres humanos permitiram que o estado atual existisse? Como passamos a permitir que ele nos governe dessa maneira despótica? E por que há alguns que o amam e até mesmo se inclinam perante ele, tomados por um sentimento quase religioso em relação a ele?

Bem, se você pensar no argumento central a favor do estado verá que é muito fácil perceber um erro fundamental na sua concepção; e verá que é realmente um milagre que o estado tenha surgido. O argumento a favor da existência do estado é simplesmente este: há escassez de recursos no mundo, e por causa dessa escassez há a possibilidades de conflitos entre diferentes grupos de pessoas. O que fazer com esses conflitos que podem surgir? Como garantir a paz entre as pessoas?

A proposta feita por estatistas, desde Thomas Hobbes até o presente, é a que segue: como há conflitos constantes ocorrendo, os contratos feitos entre vários indivíduos não serão suficientes. Por isso, precisamos de um tomador de decisão supremo que seja capaz de decidir quem está certo e quem está errado em cada caso de conflito. E esse tomador de decisão supremo em um dado território, essa instituição que tem o monopólio da decisão em um dado território, é definido como sendo o estado.

A falácia dessa argumentação se torna aparente quando você percebe que, se existe uma instituição que tenha o monopólio da tomada suprema de decisões para todos os casos de conflito, então consequentemente essa instituição também vai definir quem está certo e quem está errado em casos de conflito nos quais essa mesma instituição esteja envolvida. Ou seja, ela não é apenas uma instituição que decide quem está certo ou errado em conflitos que eu tenha com terceiros, mas ela também é a instituição que vai decidir quem está certo ou errado em casos em que ela própria está envolvida em conflitos com outros.

Uma vez que você percebe isso, então se torna imediatamente claro que tal instituição pode por si mesma provocar conflitos para, então, decidir a seu favor quem está certo e quem está errado. Isso pode ser exemplificado particularmente por instituições como o Supremo Tribunal Federal. Se um indivíduo tiver algum conflito com uma entidade governamental, o tomador supremo da decisão — aquele que vai decidir se quem está certo é o estado ou o indivíduo — será o Supremo Tribunal, que nada mais é do que o núcleo da mesma instituição com a qual esse indivíduo está em conflito. Assim, é claro, será fácil prever qual será o resultado da arbitração desse conflito: o estado está certo e o indivíduo que o acusa está errado.

Essa é a receita para se aumentar continuamente o poder dessa instituição: provocar conflitos para, então, decidir a favor de si mesma, e depois dizer ao povo que reclama do estado o quanto eles devem pagar por esses julgamentos feitos pelo próprio estado. É fácil, então, perceber a falácia fundamental presente na construção de uma instituição como o estado.

E como temos visto uma aparentemente irrefreável expansão do poder do estado em absolutamente todos os países do mundo, é válido perguntar: há alguma esperança? O estado é de fato uma instituição tão poderosa contra a qual nada pode ser feito? Há alguma maneira de se opor a ele?

A primeira coisa a ser feita para se opor ao estado deve ser, é claro, compreender a sua natureza íntima. Por exemplo, é curioso que economistas, em todas as outras áreas da economia, se oponham a monopólios e sejam a favor da concorrência. (Eles se opõem a monopólios porque, do ponto de vista do consumidor, monopolistas são instituições que produzem a custos mais altos do que o custo mínimo e entregam um produto mais caro e cuja qualidade é menor do que seria em um ambiente concorrencial. Eles consideram a concorrência como algo bom para o consumidor porque empresas concorrentes estão constantemente se esforçando para diminuir seus custos de produção para poder passar esses custos mais baixos em forma de preços menores aos consumidores e, assim, superarem suas concorrentes. Além, é claro, de terem de produzir produtos com a maior qualidade possível sob estas circunstâncias). Entretanto, quando se trata da questão mais importante para a vida a humana — a saber, a proteção da vida e da propriedade — quase todos os economistas são a favor de haver um monopolista fornecendo esses serviços. Eles parecem imaginar que o argumento da concorrência não mais é válido. Eles parecem não entender que um monopólio desses serviços vai requerer gastos muito maiores e, da mesma maneira, a qualidade do produto — nesse caso lei, ordem e justiça — será menor.

Portanto, para iniciar qualquer tipo de recuo do estado temos de compreender claramente sua natureza íntima de monopolista e discernir os efeitos negativos que monopólios têm sobre todos os estratos da vida, particularmente na área da lei e da ordem. O que podemos desejar, na melhor das hipóteses — caso não consigamos abolir o estado —, é que o número de estados concorrenciais seja grande o suficiente. Um grande número de estados não permite que cada estado em particular aumente facilmente os impostos e as regulamentações porque as pessoas iriam, nesse caso, "votar com seus pés", isto é, iriam mudar de estados (mudar de país). A situação mais perigosa concebível é aquela em que um governo mundial iria impor os mesmos impostos e as mesmas regulamentações em uma escala mundial, acabando com todos os incentivos para que as pessoas se mudem de um país para outro, pois a estrutura dos impostos e das regulamentações seria a mesma em todos os lugares.

Por outro lado, imagine uma situação em que houvesse dezenas de milhares de Suíças, Liechtensteins, Mônacos, Hong Kongs e Cingapuras. Nesse caso, ainda que cada estado quisesse aumentar impostos e regulamentações, eles simplesmente não lograriam êxito porque haveria repercussões imediatas — ou seja, as pessoas iriam se mudar das localizações menos favoráveis para aquelas mais favoráveis.

Quando pensamos em pensadores como Étienne de La Boétie, Hume, Mises, Rothbard etc., vemos que todos eles diziam que, por mais inexpugnável que o estado pareça, com todos os seus exércitos, com seu vasto número de empregados e com seu vasto aparelho de propaganda, ele na verdade é vulnerável porque, sendo o estado uma minoria que vive parasiticamente à custa de uma maioria, ele depende do consentimento do governado. Mesmo os estados mais poderosos — como, por exemplo, aqueles que vimos na URSS, no Irã sob o xá, e na Índia sob domínio britânico — podem se esfacelar. E essa ainda é uma esperança.

Novamente, a idéia é a seguinte: o presidente pode dar uma ordem, mas a ordem tem de ser aceita e executada por um general; o general pode dar uma ordem, mas a ordem tem de ser executada pelo tenente; o tenente pode dar a ordem, mas a ordem tem de ser executada em última instância pelos soldados, que são aqueles que terão de atirar. E se eles não atirarem, então tudo aquilo que o presidente — ou o supremo comandante — ordena passa a não ter qualquer efeito. Assim, o estado somente pode efetuar suas políticas se as pessoas lhe derem seu consentimento voluntário. Elas podem não concordar com tudo que o estado faça e/ou ordene que outros façam, mas, enquanto elas colaborarem, serão obviamente da opinião de que o estado é uma instituição necessária, e os pequenos erros que esta instituição cometa são apenas o preço necessário a ser pago para se manter a excelência do que quer que ela produza. Quando essa ilusão desaparecer, quando as pessoas entenderem que o estado nada mais é do que uma instituição parasítica, quando elas não mais obedecerem às ordens emitidas por essa instituição, todos os poderes estatais, mesmo o do mais poderoso déspota, desaparecerão imediatamente.

Mas para que isso seja possível, primeiro é necessário que as pessoas desenvolvam aquilo que podemos chamar de 'consciência de classe', não no sentido marxista — que diz que há um conflito entre patrões e empregados —, mas no sentido de um conflito de classes que opõe, de um lado, os regentes estatais, ou a classe dominante, e do outro lado, aqueles que estão sob o domínio do estado. Portanto, o estado tem de ser visto como um explorador, uma instituição parasítica. Só quando tivermos desenvolvido uma consciência de classe desse tipo é que haverá a esperança de que o estado, justamente por causa da difusão geral desse conceito, possa entrar em colapso.

Finalmente, o ponto de vista de Hobbes é interessante. Uma das coisas que mais ameaça o estado é o humor e a risada. O estado presume que você deve respeitá-lo, que você deve levá-lo muito a sério. Hobbes dizia que era algo muito perigoso o fato de as pessoas rirem do governo. Portanto, tente sempre seguir a seguinte regra: ria e zombe do governo o máximo possível.

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SOBRE O AUTOR

Hans-Hermann Hoppe
é um membro sênior do Ludwig von Mises Institute, fundador e presidente da Property and Freedom Society e co-editor do periódico Review of Austrian Economics. Ele recebeu seu Ph.D e fez seu pós-doutorado na Goethe University em Frankfurt, Alemanha. Ele é o autor, entre outros trabalhos, de Uma Teoria sobre Socialismo e Capitalismo e The Economics and Ethics of Private Property.




Ué, dê a notícia completa: o números gerais subiram simplesmente por causa de algumas poucas cidades, que vivenciaram um pico nos homicídios.

Quais cidades? Baltimore, Chicago, Cleveland, Houston, Milwaukee, Nashville, e Washington.

"Half of the entire increase in big-city homicides was concentrated in just seven municipalities — Baltimore, Chicago, Cleveland, Houston, Milwaukee, Nashville, and Washington.

And only in Baltimore was the spike in homicides sharp enough to return the city to a historically high murder rate. While Charm City suffered a historic high of 55 homicides per 100,000 residents in 2015, for the seven cities collectively that figure was 21. Which is significantly lower than it was throughout the 1990s.

Meanwhile, 70 large cities saw their murder rates hold steady in 2015, while 5 saw them fall."

Enquanto isso, segundo suas mesmas estatísticas, New Hampshire, Idaho, e Vermont, estados com as leis mais liberais sobre armas, possuem as mais baixas taxas de criminalidade. O mesmo, aliás, vale para os estados do meio-oeste.

Todos os gráficos foram compilados aqui:

https://mises.org/blog/handful-cities-are-driving-increase-murder-rates

Por fim, aquela estatística que um sedizente estatístico como você não tem o direito de ignorar: a taxa de homicídios nos EUA desabou 50% nos últimos 20 anos, "coincidentemente" ao mesmo tempo em que a posse de armas disparou.

www.pewresearch.org/fact-tank/2015/10/21/gun-homicides-steady-after-decline-in-90s-suicide-rate-edges-up/
Bem, a falta de manutenção, sendo esta a geradora do acidente é crime, independentemente do risco assumido pelo consumidor. O risco não exclui a responsabilidade da empresa, tanto penal como civil. Não por existir um contrato implícito, mas por existir um contrato explícito de que o avião te levaria de A para B.

A morte do consumidor só pode ser imputada a ele se no contrato ele assumiu tal risco. Se tal risco não estava previsto no contrato, não é possível responsabilizá-lo. Se estava previsto, cabe ao consumidor escolher um meio com risco menor.

Creio que entendi o seu ponto sobre "coisas implícitas". A falha que vejo nesse ponto de vista é que essas coisas não são implícitas, elas são explícitas, tanto que você, eu ou qualquer pessoa consegue perceber que essas "coisas" estão ali, pois elas representam a finalidade do empreendimento. Por exemplo, no caso da boate, quando a boate me permite entrar em seu interior mediante pagamento (contrato), está explícito que posso utilizar o local, sendo também explícito que tal lugar não é destinado a matar pessoas. Isso não é implícito, isso está escancarado. A publicidade da boate, como qualquer outra, apela para momentos de diversão e prazer e isso é algo explícito. Se vou a um restaurante, vou para me alimentar bem, isso não está implícito, está explícito. Essa é a finalidade do restaurante. Agora, se o dono do restaurante, modifica essa regra explícita e agride, implicitamente, a integridade física de alguém, deverá ser responsabilizado, civil e/ou penalmente, a depender do dano causado.

Sobre o ponto: entendo que é um valor subjetivo. Se desejo abrir uma farmácia o ponto pode ser interessante. Se quero abrir uma padaria, pode ser que o ponto não seja mais interessante. Aqui entra o conceito de utilidade marginal. Pede quem tem, paga quem quer e pode.

Abçs
Dinheiro monopolístico "de verdade" não pode ser criado do nada nem lastreado em outra coisa criada do nada (dívida), pois haverá sempre o nefasto flagelo do moral hazard de para quem e em que quantidade irá o financeiro mais recentemente parido do vento em moto-perpétuo pelo "dono do morro", o que exclui daquela categoria de sound money tanto o "dinheiro de banco central" (seu passivo em fiat money no padrão atual predominante) como também os meios de pgto criados pelos bancos comerciais, cujas reservas no caso americano a propósito só se encontram em níveis elevados recordes (porém ainda assim bem inferiores aos demais agregados monetários frequentemente empregados como se fossem depósitos à vista mas dispensados de recolhimentos compulsórios, apesar de causadores dos "busts") justamente porque foram prontamente recompostas pelo emprestador de última instância via QE's (e agora c/ "hell"icopter$ ?!) após o estouro da bolha creditícia imobiliária de 2008 por ele anteriormente permitida e estimulada como saída p/ o estouro da bolha predecessora em 2000 das "ponto.com" por ele anteriormente permitida e estimulada como saída p/...
Ou seja, é a eterna festa do "wash, rinse, repeat" da qual só participam permanentemente os integrantes da cabala bancária e uma ínfima parte da sociedade que consegue se aproveitar do super-privilégio de criação de moeda outorgado e garantido pelo estado (!) exclusivamente àquele cartel, sendo imediatamente criminalizado e preso como "falsificador" atentando contra a "economia popular" todo sujeito que resolver entrar na farra produzindo seu próprio "bilhete de ingresso" num fundo de quintal qualquer ! :-(

Se o governo não impôr o curso de nenhuma moeda oficial, aceitando passivamente a livre circulação de todo tipo de meios de troca na economia, rapidamente surgirão dezenas de formas de dinheiro c/ oferta controlada naturalmente pelo próprio mercado selecionando voluntariamente as melhores em detrimento das mais abundantes, configurando não um problema (conforme prega o zeitgeist keynesiano perma-inflacionista do último século) mas sim um excelente acontecimento a deflação de preços decorrente de eventual (e, neste arranjo, desejada) escassez monetária.

Vejo como o maior perigo essa racionalização do status-quo vacilando em condená-lo sumariamente e denunciá-lo como a verdadeira estrutura imoral que é.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Fernando  03/08/2009 17:19
    Para bom cumprimento da regra exposta pelo Sr. Hoppe, recomendo o sítio conhecido como "Lulalol".
  • Erik Frederico Alves Cenaqui  21/08/2010 10:58
    Destaco o seguinte trecho do texto:\r
    \r
    "Ou seja, ela não é apenas uma instituição que decide quem está certo ou errado em conflitos que eu tenha com terceiros, mas ela também é a instituição que vai decidir quem está certo ou errado em casos em que ela própria está envolvida em conflitos com outros.\r
    \r
    Uma vez que você percebe isso, então se torna imediatamente claro que tal instituição pode por si mesma provocar conflitos para, então, decidir a seu favor quem está certo e quem está errado."\r
    \r
    Desafio qualquer estatista/petralha que faz vigilia na internet a contestar com argumentos as idéias acima expostas.\r
    \r
    Abraços\r
    \r
  • oneide345  21/08/2010 19:12

    retira do do lulalol(boa recomendação fernando)
    "Possivelmente, a China esteja em condições tão boas quanto o Brasil, mas a China também tem outras vantagens, que eu acho desvantagens. Lá um partido pode muito. Lá, quando um partido decide, acontece. Aqui nós temos que ouvir muitas coisas. Aqui nós temos um Congresso livre, aqui nós temos imprensa livre, aqui nós temos sindicatos livres, além das outras coisas que nós criamos para criar dificuldades para nós mesmos".
    LULA entregando um crachá de trabalhador
  • JOAQUIM DA CUNHA LEME  08/03/2013 12:59
    TEMOS SINDICATOS LIVRE MAS SEMPRE ATRELADOS A DETERMINADOS PARTIDOS OU AO GOVERNO
  • anônimo  22/08/2010 01:48
    "há também empresários que defendem o estado. Estes estão pensando em subsídios e garantias governamentais, contratos polpudos para obras públicas e no uso geral do governo para alimentar seus amigos e enfraquecer seus concorrentes."

    Há empresários, e muitos. Mas sempre houve, e eles gostam, sempre gostaram de receberem isenções fiscais, empréstimos a juros reduzidos, tarifas protecionistas. O que seria da Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha, França...ufa,a lista é longa.

    Deixemos o ar fétido da realidade falar com nossa criança esperança: de acordo com Ulysses S. Grant, 'décimo oitavo Presidente dos Estados Unidos, entre 1868 e 1876', "Por séculos a Inglaterra contou com o PROTECIONISMO, levando-o a extremos e obtendo resultados SATISFATÓRIOS com ele. Não existem dúvidas de que a ESTE SISTEMA QUE ELE DEVE SUA FORÇA ATUAL. Após dois séculos, a Inglaterra ACHOU CONVENIENTE adotar o LIVRE-COMÉRCIO (agora o coração do Sr. Esperança dá saltos de alegria), porque pensa que o protecionismo NÃO TEM MAIS NADA A OFERECER. Muito bem, então, senhores, o conhecimento que tenho de meu país leva-me a acreditar que dentro de dois séculos, quando a América EXTRAIR TUDO O QUE PODE DO PROTECIONISMO, ELA TAMBÉM ADOTARÁ O LIVRE-COMÉRCIO." Citado em Andre G. Frank, no livro Acumulação dependente e subdesenvolvimento: repensando a teoria da dependência. Páginas 128-129, Editora brasiliense, 1980, São paulo, 1 ed.

    Bem, talvez os patriarcas estejam se remexendo em seus túmulos com esta declaração.


    "Pois a política inglesa do livre-comércio baseava-se na vantagem do desenvolvimento capitalista e na superioridade técnica e econômica da indústria inglesa daí resultante. Trata-se tão somente de uma política econômica que deve tornar possível o sistema do livre-comércio, ao propiciar o desenvolvimento de uma indústria nacional para o qual o sistema do livre-comércio é o mais apropriado." Rudolf Hilferding, O capital financeiro, Edição Os pensadores, Editora Abril, São Paulo, 1985. Páginas 284 e 286.

    A existência de um estado mínimo não depende da vontade, desejo ou de uma idéia fixa, mas muito mais dos interesses econômicos do(s) grupo(s) que domina o Estado. O estado mínimo, e sua política do livre-comércio, só foram utilizados na medida em que este sistema beneficiava os interesses de certos grupos que compõem e mandam no Estado. De nada adianta argumentar por um estado mínimo se as condições objetivas do sistema não permitem. Na realidade, a ideia de um estado mínimo, embora seja bonita em palavras, na prática nunca aconteceu. Todo e qualquer estado, em momentos de crise, deve salvar bancos ou empresas. Isso independe de estado mínimo, forte, moderado. Quando o bolso de algum capitalista está em questão, o estado nunca é mínimo, e sim máximo. Pronto em atender,sanear suas finanças e dar comidinha na boca.
    O estado mínimo é uma quimera. Ideia formulada e sistematizada ao tempo de Ricardo, quando a os empresários ingleses necessitavam de embasamento teórico para aplicar suas políticas de livre-comércio e derrubar os últimos resquícios do mercantilismo. Nosso Sr. Esperança deveria ter algumas noções de história econômica para saber como surge uma ideia, em que contexto ela surge e a que interesses serve.
  • CR  22/08/2010 09:32
    Perfeita a abordagem, incontestável. Ninguém precisa se preocupar com o Estado. Ele existe ao natural, per se. As nações indígenas não se constituiam em estados? Mas vou até além, se me permite a ousadia: sequer a justiça pode ser considerada "serviço", posto que mera projeção, sempre metafísica. Como disse e bem frisou, naquelas cidades-estado não há necessidade de justiça. Ninguém se mete a besta.
    Estado e Justiça perfizeram os remos pelos quais o carma chegou no pé da Itália, de muda para a corte do Tirano de Siracusa:
    "Quer se suceda que governem com a lei ou sem a lei, sobre súditos voluntários ou forçados; quer que purguem o estado, para bem deste, matando ou deportando alguns de seus cidadãos... enquanto procederem de acordo com a ciência e a justiça e preservarem o estado, tornando-o melhor do que era, esta forma de governo pode ser descrita como a única que é certa." Platão, cit. Pereira, J. C, R., Epistemologia e Liberalismo - Uma Introdução a Filosofia de Karl R. Popper: 116
  • anônimo  22/08/2010 19:32
    Qual a diferença entre subsídio e isenção fiscal?
  • Cadu  28/03/2016 20:31
    subsidio é uma verba destinada a uma determinada empresa, artista (lei rouanet), verba pra ong e etc (com o dinheiro alheio, o subisidio estatal). isençao fiscal é dar o privelegio de alguem ou empresa nao ser roubado, ou seja nao pagar impostos.. Ninguem deveria pagar imposto, pois como diz o texto é imoral e é um roubo
  • Leandro  22/08/2010 21:44
    Anônimo, via de regra, subsídio é um dinheiro que o governo dá diretamente para grupos de interesse. Já isenção fiscal é, como o próprio nome diz, um tributo que o governo deixa de cobrar.

    Nesse caso, o governo está simplesmente retirando do caminho um obstáculo que sequer deveria estar lá, pra começar.

    Há uma grande diferença entre subsídio e isenção fiscal. O primeiro deve ser sempre condenado (pois é feito com dinheiro alheio); já o segundo deve sempre ser louvado, estimulado e estendido para todos os setores.
  • anônimo  23/08/2010 00:03
    Então o problema do subsídio é que ocorre com dinheiro já tornado público, certo?
    E é possível que seja mal investido, graças à tradição corrupta do "dinheiro de ninguém", mesmo pelos que pagam muito mais ao Estado do que recebem?
  • aila nogueira  21/10/2010 17:39
    O governo diz que é preciso criar subsidios para o pais crescer. Se isso é verdade, então porque não acabam com a farra do dinheiro público e trabalharem de verdade para que o pais cresca de fato?
  •   28/02/2012 10:36
    O "amor" pela existência de governos e a busca infinita por um governo "bom" seria a maior Síndrome de Estocolmo já vista?
  • Leandro  28/02/2012 10:49
    É bem por aí. Mas é preciso entender também que, se por um lado há pessoas prejudicadas pelo estado, por outro há pessoas que são enormemente beneficiadas por ele. E, no atual arranjo, não é exagero algum dizer que a diferença em números entre estes dois grupos nunca esteva tão pequena.

    Estas pessoas beneficiadas pelo estado (que vão desde os pobres sob assistencialismo até os empresários magnatas que têm polpudos contratos com o estado, passando por toda sorte de funcionários públicos), obviamente, irão às últimas para justificar e defender o estado e suas medidas.
  • Emerson Luis, um Psicologo  23/07/2014 21:41


    "...imagine uma situação em que houvesse dezenas de milhares de Suíças, Liechtensteins, Mônacos, Hong Kongs e Cingapuras"

    Seria incrível. E pensar que aprendemos a nos orgulhar de sermos um país gigante!

    * * *


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