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Por que nos tornamos tão ricos? Aparentemente, ninguém sabe

No final de março, darei uma palestra no Mises Institute a respeito deste tópico: "Por que somos tão ricos?"  Considero esta a mais importante pergunta histórica que pode, de maneira concebível, ser respondida por meio de um apelo a evidências que sejam aceitáveis para historiadores.

O mundo no qual vivemos hoje é irreconhecível quando comparado ao mundo de 1800.  Praticamente nada permaneceu igual.  Esta evolução foi resultado de uma taxa de crescimento contínua de 2,5% ao ano, de 1800 a 1930, e de 2% ao ano desde 1950.  Isso mostra o que pode ser alcançado quando, para utilizar uma linguagem matemática, atingimos uma "taxa de capitalização composta" de crescimento.  Ninguém sabe ao certo como foi que conseguimos chegar a um arranjo que permite essa taxa de capitalização composta de crescimento.  Exatamente por isso esta é uma pergunta tão crucial.

Uma resposta que já foi aventada, mas que ainda não foi comprovada, é a da professora Deirdre McCloskey, que sugeriu que houve uma mudança na atitude das pessoas em relação ao empreendedorismo e ao sucesso empresarial na Holanda do século XVII.  O argumento soa plausível, mas enquanto o terceiro volume do livro da Dra. McCloskey sobre a cultura burguesa não for publicado (ver o primeiro e o segundo), este argumento será meramente uma sugestão.

Ao longo de toda a história humana, de tempos em tempos, um grupo que até então não usufruía nenhuma vantagem específica sobre nenhum outro grupo repentinamente dá um salto para a frente e passa a se sobressair em relação a todos os demais.  Ninguém sabe por que isso acontece ou como isso acontece.  Mas o fato é que acontece.

Peguemos o exemplo da Holanda.  Era um país minúsculo que foi totalmente criado pela engenharia.  Por se situarem abaixo do nível do mar, os holandeses criaram diques para barrar o Mar do Norte e manter suas terras secas.  O país literalmente cresceu à custa do oceano.  Não conheço nenhum outro país que tenha feito isso em toda a história humana.  Em 1568, os protestantes se revoltaram contra o controle espanhol do país.  Este conflito, a Guerra dos Oitenta Anos, durou mais de uma geração.  Os líderes desta revolta eram majoritariamente calvinistas.  O calvinismo se difundiu pela cultura holandesa no início do século XVII.  Esta foi a grande mudança cultural que ocorreu durante todo este período.  De acordo com McCloskey, houve uma mudança de atitude em relação ao empreendedorismo e à riqueza em geral.

Ao mesmo tempo, houve uma quase-revolução na pintura.  Os pintores holandeses se tornaram famosos por toda a Europa.  E então houve uma expansão do império marítimo holandês.  Os holandeses se espalharam por todo o globo.  Eles estabeleceram um enorme enclave na América do Norte, na região em que hoje está a cidade de Nova York.  Naquela época, a cidade era chamada de Nova Amsterdã.  O império holandês se espalhou também para a costa oeste da Índia e depois para a Indonésia.  Os britânicos e os holandeses travaram uma guerra em meados do século XVII, quando ambas as nações eram lideradas por calvinistas.  Foi uma guerra para delimitar impérios.

No final do século XVII, a Escócia era conhecida apenas pelos rigores de seu clima, por sua paisagem e por sua teologia calvinista.  A produção de algodão vinha ocorrendo há séculos, mas a Escócia continuava sendo um país atrasado.  E então, sem nenhum aviso, os escoceses começaram a dominar o pensamento europeu.  Adam Smith chegou atrasado nesse processo.  Antes dele houve Francis Hutcheson.  Houve Lord Kames na área do direito.  Houve o poderoso intelecto de David Hume.  Houve Adam Ferguson na teoria social.  O pensamento social nas ilhas britânicas e na América do Norte passou ter uma orientação crescentemente escocesa.

E então, no século XIX, os escoceses começaram a dominar a indústria.  Começou com James Watt e sua máquina a vapor.  Isso foi expandido, nos anos 1820, para uma nova invenção: as ferrovias com locomotivas a vapor.  E então vieram as estradas macadamizadas, assim chamadas em homenagem ao engenheiro escocês John Loudon McAdam.  Depois surgiram as ceifadeiras, criadas por Cyrus McCormick, e as siderúrgicas, criadas por Andrew Carnegie.  Ambos eram escoceses que viviam nos EUA.  Há um excelente livro sobre este processo, escrito por Arthur Herman: How the Scots Invented the Modern World: The True Story of How Western Europe's Poorest Nation Created Our World & Everything in It.

Mais tarde, no início do século XX, os escoceses foram substituídos pelos judeus.  Estamos vivendo, como disse um livro recente, no século dos judeus.  Nas áreas da ciência, da matemática, da teoria econômica, do entretenimento, do investimento e aparentemente de tudo o mais, exceto na agricultura, os judeus se tornaram dominantes.  Sua influência é totalmente desproporcional à sua quantidade.

O problema é que parece não haver nenhuma explicação consistente para essas idas e vindas das pessoas.  No caso dos holandeses e dos escoceses, havia de início uma forte dedicação ao calvinismo, mas isso só foi gerar efeitos econômicos muito tempo depois.  No caso da Escócia, foram escoceses secularizados que fizeram as grandes contribuições, e não os calvinistas.  Um fenômeno similar ocorreu entre os judeus.  O processo de liberalização do judaísmo ocorreu no início do século XIX.  Os judeus que fizeram grandes contribuições foram judeus seculares.  Calvinistas ortodoxos e judeus ortodoxos parecem não possuir nenhuma vantagem específica sobre as outras culturas.  Até hoje não encontrei nenhuma explicação para esta sequência: ortodoxia, secularização, sucesso.  Mas ela claramente existe, e existe fortemente entre os holandeses, os escoceses, e os judeus.

De certa forma, a Coréia do Sul é outro exemplo.  O presbiterianismo tem sido muito forte na Coréia do Sul, tendo começado no início do século XX.  Tal religião tem sido uma influência por lá, mas é difícil saber qual exatamente tem sido essa influência.  Em 1950, a Coréia do Sul era uma nação extremamente pobre, quase tão pobre quanto uma colônia na África subsaariana.  Hoje, a Coréia do Sul é uma das nações mais ricas do mundo.  Similarmente, a China também passou por esse tipo de transformação.  Mao primeiro transformou os chineses em comunistas ortodoxos, e então tentou reestruturar toda a ordem social em termos do marxismo-leninismo.  No entanto, quando Deng Xiaoping liberalizou a agricultura, em 1978, isso gerou uma completa transformação da economia chinesa.  A China se tornou o país continental com o mais acelerado e duradouro crescimento da história do homem.  Ela era miserável sob a velha ideologia; quando a ideologia foi removida, a taxa de crescimento disparou.

Estes são apenas palpites daquilo que creio ser uma teoria de causalidade econômica.  Creio que tem algo a ver com a autodisciplina e com uma orientação mais voltada para o longo prazo, características associadas a uma ideologia revolucionária.  O calvinismo era uma ideologia assim.  O comunismo também era uma ideologia assim.  Ambas alteraram a visão das pessoas em relação a Deus, ao homem, às leis, às causalidades, e ao futuro.  Foi assim com o calvinismo; foi assim com o comunismo.  E então, quando a ideologia foi abandonada, a visão de mundo continuou a influenciar o comportamento das pessoas.  A doutrina a respeito de Deus muda, mas a doutrina a respeito do homem ser um desbravador e a doutrina da orientação para o longo prazo permaneceram praticamente a mesma todo esse tempo.  O otimismo associado ao triunfo do reino na história, seja o reino de Deus ou o reino do homem, era assumido pela geração que se seguia ao colapso da ideologia mais velha.  O otimismo era conservado e o comprometimento para com a construção do reino era mantido, mas o objetivo final foi alterado: em vez de paraíso na terra, crescimento incessante a taxas compostas.  Tal tipo de crescimento cria aquilo que teria sido considerado pelos fundadores das velhas ideologias como sendo o paraíso econômico na terra.

Os homens têm de acreditar que aquilo que eles fazem como indivíduos irá fazer alguma diferença no futuro.  Eles têm de acreditar que deixarão algum legado.  Eles têm de acreditar em alguma forma de crescimento a taxas compostas.  Se eles não acreditarem nisso, então o incentivo para se construir um futuro melhor é mínimo.  A filosofia passa a ser: coma, beba e seja feliz, pois amanhã estaremos mortos.  Isso sempre leva à estagnação.

Se o Ocidente conseguirá manter seu alto crescimento econômico em face dos desafios impostos pela Ásia é uma das principais perguntas da atualidade.  Na Europa Ocidental, parece ter havido uma perda de esperança no futuro.  Esse pessimismo ainda não se difundiu pelos EUA, algo que permite ao país manter uma tremenda vantagem.  Mas o otimismo é óbvio na China.  Isso tem produzido níveis de comprometimento e entrega nunca antes vistos na história chinesa.  Os cidadãos de lá realmente acreditam que podem enriquecer, e então passam a trabalhar visando a este fim.  Isso gera um extraordinário incentivo para a poupança, para o empreendedorismo, para o trabalho duro, e para o desenvolvimento de novos produtos.  A visão de mundo dos cidadãos chineses mais jovens não é a mesma da de seus pais quando estes tinham a mesma idade.  Isso fez uma enorme diferença na China.

Não estou convencido de que o sistema educacional do Ocidente ainda mantém aquele velho otimismo que era tão comum décadas atrás.  Creio que aquele otimismo está desaparecendo.  Isso terá repercussões de longo prazo, majoritariamente negativas, na ordem social ocidental.  Ainda há muito otimismo remanescente, mas ele tem de ser alimentado pela geração mais velha, de modo que a geração mais nova se sinta estimulada e impelida a se comprometer e a se entregar.

Se essa mentalidade definhar, o século do Ocidente irá finalmente chegar ao fim.


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autor

Gary North
, ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. Visite seu website

  • amauri  24/01/2013 11:50
    Bom dia!
    Interessante esquema ortodoxia, secularização e sucesso. Vemos a religião politica atualmente dominando a mentalidade nas escolas. Será que o sucesso continuará?
    abs
  • Fred  24/01/2013 11:55
    Sobre o texto, vide "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo" de Max Weber.
  • Max  24/01/2013 11:57
    Fred, essa teoria do Weber já foi abordada aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1026
  • Tory  24/01/2013 12:00
    Só não entendi o entusiasmo com a China. Os empreendedores lá são todos apontados por um partido e, até onde sei, não escolhem livremente no que empreender, e trabalham num estado com constantes econômicas bastante controladas. Gerar um crescimento constante nesse ambiente indicaria uma presciência tamanha do PC chinês, não?
  • Ricardo  24/01/2013 12:06
    Não se está falando de empreendedores, mas sim de disposição para o trabalho. E essa frase "Os empreendedores lá são todos apontados por um partido e, até onde sei, não escolhem livremente no que empreender" não é verdadeira, pois é extremamente generalizada. (Aliás, você acha que os grandes empresários do Brasil não investem sob ordens do governo?)

    O protecionismo e o "trabalho escravo" dos chineses
  • Cesar  24/01/2013 23:48
    Tory
    Fiz alguns negócios na China e conheço alguns chineses, mas não sou um entendido em China.

    (Os empreendedores lá são todos apontados por um partido e, até onde sei, não escolhem livremente no que empreender)
    Acho que não é 100% assim. Atualmente o partido só comanda o que é estratégico (banco, armas, tecnologia, aeroespacial, ..). O restante é privado. Compram, vendem, fundam, crecem e quebram empresas.
    Foram nesses setores livres que o país floresceu.
    O setor de cerâmica era um atraso só. Quando veio a liberdade de empreender no ramo as estatais faliram / fecharam e em 20 ou 30 anos a China tornou-se o maior produtor mundial no segmento; verticalmente, de matérias primas a máquinas sofisticadas para o setor.

    Por outro lado, muitos empreendedores bem sucedidos vendem a empresa na bolsa e emigram por receio, já que o humor do partido pode virar contra ele. Então como irão sustentar o crescimento no longo prazo perdendo empreendedores competentes? O partido sabe disso e estuda como fazer para ampliar a segurança e a liberdade sem perder o controle. Tarefa difícil! Concordo com você.

    Espero ter contribuído.
  • Renato Souza  24/01/2013 14:32
    Costumo gostar muito de Gary North, mas acho que ele errou feio desta vez.

    Em primeiro lugar, ele procura explicação comum para fenômenos claramente diferentes. No caso dos escoceses e judeus, ele focou na capacidade de inovação e desenvolvimento do conhecimento. Ora, o que acontece na China tem muito mais a ver com disposição para trabalhar, empreender, e ganhar dinheiro, não com inovação. É um fenômeno bastante diferente. E sua explicação mais simples está no extremo oriente. Os chineses compartilham isso com muitos outros povos da região. Parece mais um dom que estava bloqueado, e que agora foi liberado. No caso da China, bloqueado pelo comunismo, no caso dos outros países, bloqueado pela falta de inovação científica e tecnológica. Tão logo o desenvolvimento científico e tecnológico mundial alcançou um ritmo de desenvolvimento muito grande E RÁPIDA DIVULGAÇÃO, aqUeles países que permitiram o livre comércio e o emprendimento deslancharam. São paises com impostos mais baixos, menos regras burocráticas, maior liberdade comercial.

    Também acho diferente o que aconteceu entre judeus e escoceses. Primeiro, há diferenças entre o que é considerado "secular" em cada caso. O judaismo ortodoxo, até como reflexo de séculos de perseguição, impõe um certo isolacionismo. Você vê judeus ortodoxos trabalhando como comerciantes, mas não os vê trabalhando como empregados. Nunca vi um cursando uma universidade. Quando se dedicam mais aos estudos, são sempre estudos religiosos. Não seria de se esperar que estivessem envovidos em inovações técnicas e científicas. Judeus "seculares" neste caso, quer dizer não ortodoxos. Podem ser irreligiosos, ou não.

    Calvinistas "seculares" parece ter um sentido bastante diferente. Em muitos casos, pode significar apenas não pertencente ao clero. Se Adam Smith estivesse vivo hoje, vivendo como viveu, ninguém o chamaria de "secular", no sentido em que se usa hoje, de "sem religião". Possivelmente o mesmo se aplica à maioria dos escoceses citados.

    No caso dos chineses, a explicação de seu atual desenvolvimento parece abranger muito mais que a China, e a citação da antiga doutrina marxista parece ociosa.

    Grandes explosões de inventividade, em áreas determinadas do conhecimento, surgiram concentradamente em vários outros países, em épocas específicas. Creio que o fenômeno exige explicação de âmbito mais geral.
  • Ricardo  24/01/2013 17:13
    Renato Souza, você realmente leu o artigo?

    "Ora, o que acontece na China tem muito mais a ver com disposição para trabalhar, empreender, e ganhar dinheiro, não com inovação."

    Do artigo: Mas o otimismo é óbvio na China. Isso tem produzido níveis de comprometimento e entrega nunca antes vistos na história chinesa. Os cidadãos de lá realmente acreditam que podem enriquecer, e então passam a trabalhar visando a este fim. Isso gera um extraordinário incentivo para a poupança, para o empreendedorismo, para o trabalho duro, e para o desenvolvimento de novos produtos.

    "[A China] era miserável sob a velha ideologia; quando a ideologia foi removida, a taxa de crescimento disparou."

    Do artigo: Ela era miserável sob a velha ideologia; quando a ideologia foi removida, a taxa de crescimento disparou. No caso da China, bloqueado pelo comunismo, no caso dos outros países, bloqueado pela falta de inovação científica e tecnológica.

    "Costumo gostar muito de Gary North, mas acho que ele errou feio desta vez."

    Errou por quê? Veja o título do artigo: Aparentemente, ninguém sabe

    "Creio que o fenômeno exige explicação de âmbito mais geral."

    Do artigo: Estes são apenas palpites daquilo que creio ser uma teoria de causalidade econômica.

    A ânsia que as pessoas têm em sair criticando e dando vereditos sem ao menos incorrerem em um mínimo trabalho de leitura cuidadosa e interpretação é uma característica cada vez mais universal (gostou dessa minha explicação de âmbito mais geral?)
  • Renato Souza  25/01/2013 14:38
    Ricardo

    Desculpa a todos, se a minha crÍtica foi apressada.

    É claro que eu notei que o autor não atribui uma particular inventividade ao chineses, ele em nenhum momento diz isso. Ele fala dedicação ao trabalho, fé nos resultados do trabalho e disciplina. O que é estranho é que ele tenha agrupado o fenômeno atual do empreendedorismo chines com os anteriores fenômenos da inventividade e pensamento escoceses e da liderança judaica nas ciências e cultura. Não vi essa ligação que ele faz. Notei também que ele fala apenas como de uma hipótese a ser investigada, e não como um conhecimento sólido. Mas a mim não pareceu ma hipótese razoável (o que é de se estranhar, porque os artigos desse autor costumam ser particularmente inteligentes e sensatos).

    Também estranhei bastante o fato de, tendo ele unificado, na sua hipótese, fenômenos tão díspares, de épocas diferentes, distantes entre sí, e em condições ideológicas, históricas, econômicas e sociais totalmente diferentes, citou o emprendedorismo chinês sem citar o empreendedorismo dos povos no entorno, fenômenos da mesma natureza, da mesma época, da mesma região, e em condições sociais e históricas relativamente semelhantes. Segundo a minha humilde percepção, deixou de buscar as explicações mais simples, em prol de uma mais complexa. Dentro do critério da Navalha de Occan, não me parece razoável.
  • Ricardo  25/01/2013 17:58
    É estranho que você tenha interpretado isso. O autor fala claramente em uma mudança de postura e atitude para com certas coisas. Fala de um otimismo que é assumido pela geração posterior ao colapso de uma ideologia mais velha. Isso é uma hipótese completamente plausível. É exatamente a mudança de postura que permite poupança, acumulação de capital, trabalho duro, investimentos sensatos, aumento do preparo, respeito à propriedade etc. E isso que gera enriquecimento.

    E você ainda não citou nenhuma teoria.
  • Renato Souza  26/01/2013 00:47
    Ricardo

    Não citei nenhuma teoria, mesmo porque não me julgo em condições de fornecer hipóteses alternativas. Mas noto algumas coisas:

    Este é a primeira vez que vejo um autor fornecer uma hipótese para especificamente o empreendedorismo chinês, desvinculada do empreendedorismo do extremo oriente em geral. Inusitado.

    Você disse: "O autor fala claramente em uma mudança de postura e atitude para com certas coisas. Fala de um otimismo que é assumido pela geração posterior ao colapso de uma ideologia mais velha. Isso é uma hipótese completamente plausível. É exatamente a mudança de postura que permite poupança, acumulação de capital, trabalho duro, investimentos sensatos, aumento do preparo, respeito à propriedade etc.". Bom o autor não disse exatamente isso. Ele fala justamente de algo que é preservado com mudanças, isto é, apenas parte é deixado de lado. Para começar, o marxismo chinês não entrou exatamente em colapso. O Partido precisa que algo do marxismo esteja presente, como justificativa para o seu domínio sobre a sociedade. Marxismo é ensinado nas escolas chinesas, e enrolam os estudantes com justificativas mentirosas para dizer que, apesar do marxismo (e do maoismo em particular) ser correto, eles devem ser bons capitalistas. Como uma mentira dessas cola eu não sei. Mas a continuidade do poder do Partido prova que essa tática de sobrevivência está funcionando.

    O caso dos judeus é bastante diferente "poupança, acumulação de capital, trabalho duro, investimentos sensatos, aumento do preparo, respeito à propriedade etc". Parece, em grande parte, a atitude dos judeus quando todos eles eram 'todos' ortodoxos. A grande mudança dos judeus não ortocoxos foi uma maior integração na sociedade (milênios de perseguição os tornaram meio arredios). Essa maior integração permitiu a sua entrada nas universidades, e o resto é conhecido. Mas o judaísmo ortodoxo não tinha se tornado uma ideologia morta, apenas aconteceu que parte dos judeus o abandonou.

    No caso dos presbiterianos calvinistas, novamente temos uma ideologia que não estava morta (e ainda não está), pelo contrário, na época citada estava ainda em expansão. "Calvinistas seculares" é uma expressão que pode ter muitos significados, e provavelmente teria significados diferentes para vários dos exemplos citados pelo autor.

    Não digo que a idéia do autor não possa, em parte, ser uma explicação útil. O ponto central parece ser que tanto judeus quanto presbiterianos trouxeram em parte algo da disciplina religiosa para suas atividades seculares, mesmo depois de terem se tornado seculares (como já fiz minha crítia ao uso um tanto amplo da palavra "secular", não o comentarei mais). Tem seu sentido, mas alguém poderia citar outros (muitos) casos em que pessoas originárias de uma certa disciplina religiosa não utilizam essa disciplina para se tornarem altamente inventivos nas suas atividade seculares. E deixo de lado os chineses, porque nesse caso a explicação não me convenceu.
  • Tory  24/01/2013 14:39
    Ricardo, eu concordo plenamente com você, e estou afirmando o mesmo sobre as grandes fortunas da China. Meu espanto é que alguém com discernimento para não acreditar nos números da equipe econômica brasileira acredite nos chineses.

    Entendo que a disposição para o trabalho dos chineses faça toda a diferença na produtividade nacional deles, só não acredito que essa produtividade vá se traduzir em crescimento constante, mas vá encher os bolsos dos membros do partido.
  • Tiago Moraes  24/01/2013 14:48
    Eu sou um pessimista convicto, o Ocidente se abraçou com força a uma ideologia que prega o trabalho como um sacrifício análogo a escravidão e que as pessoas não precisam dele para ter acesso ao necessário para sobreviverem, pois suas necessidades vitais seriam supostamente um direito inalienável e por tanto, de gratuidade a ser oferecida pelo Estado. Schumpeter acreditava que o Socialismo triunfaria frente ao capitalismo, porém, diferentemente dos socialistas, que viam isso como a redenção da humaninade, Schumpeter via esse triunfo como o prelúdio da destruição da humanidade.
  • anônimo  24/01/2013 15:11
    Se o seasteading não der certo vai ser isso mesmo.
  • Deilton  24/01/2013 20:42
    O que é "seasteading"?

    Já vi está palavra outras vezes aqui no mises. O que significa?
  • Paulinho   25/01/2013 13:20
    lmgtfy.com/?q=seasteading
  • anônimo  25/01/2013 15:30
    O problema é o inglês né
    www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=47
  • Um Filósofo  24/01/2013 14:52
    Creio que o senhor Gary North nunca leu Caio Prado Jr, Antônio Cândido ou Milton Santos; por isso, serei gentil em minha refutação e peço que o enviem cópias das obras de tais grandes pensadores ao autor, pois receio que são leituras imprescindíveis. Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro uma coisa:

    "Não há riqueza de uns sem a exploração de outros."

    A razão pela qual ocorreu uma explosão de "crescimento" durante o fim do século XIX e o decorrer do 20 foi o acúmulo de capitais gerados pelo comércio de escravos durante toda a era do pré-capitalismo. Isso enriqueceu as burguesias holandesa e inglesa, permitindo que iniciassem sua industrialização após a mecanização do campo(Que expulsou os trabalhadores da agricultura e os forçou a trabalhar nas cidades).

    Começava, então, a superexploração do proletariado. Ela duraria até 1929 quando a primeira potência reconheceu o sofrimento dos trabalhadores e ofereceu um salário mínimo que os permitia consumir. Apesar de os pobres terem sido incluídos no mercado, o capitalismo perdeu força e passou a ser dependente da exploração dos moradores de países pobres na África e América do Sul.

    Entretanto, o grande trunfo do capitalismo moderno e o único motivo pelo qual "nós somos ricos hoje" foi a China. Atualmente, toda nossa "riqueza" é produto da superexploração dos trabalhadores chineses pela burguesia internacional. Entretanto, desnecessário dizer que tal exploração não mais será possível quando o governo chinês recuperar os valores revolucionários e erguer a bandeira do povo novamente.

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    Outro ponto que gostaria de discutir é a tal da riqueza tal exaltada pelo senhor North. Pergunto-vos: Qual a grande virtude em ir ao super mercado, olhar uma fileira com centenas de opções e escolher uma? Por mais que tal belo espetáculo de "liberdade de escolha" vos fascine, devo alertá-los que o excesso de opções apenas estressa o homem e o induz a agir de forma irresponsável.

    Não consigo sentir prazer ao consumir um produto quando sei que a esmagadora maioria dos consumidores brasileiros os fazem por serem alienados pela burguesia ao invés de serem consumidores racionais como eu sou. Eric Fromm já dizia que o homem não foi feito para ser livre e isso é um fato que até mesmo os senhores devem assumir. Se a liberdade é ter responsabilidade por seus atos(Sendo que quase todos os indivíduos são educados pela sociedade para serem consumistas irresponsáveis e a identificação das consequências de nossas ações é, quase sempre, impossível), pode-se dizer que ela é uma brutalidade.

    O homem que governa outro homem abusando de suas emoções e tentações é tão monstro quanto aquele que o escraviza diretamente. Essa "riqueza" que o senhor North exalta é a escravidão à qual foram submetidas as pessoas.
  • anônimo  24/01/2013 15:03
    Quanto à China, existe um fundo de verdade não é? Porque eles mesmos não ficam com toda a riqueza que criam
  • Camarada Friedman  24/01/2013 15:17
    HAHAHAHAHAH :)


    Os artigos do North são bons. O último artigo sobre o controle de armas do grande idiota Obama é um dos melhores.

    Obama é uma das melhores coisas que aconteceu para o libertarianismo.
  • Fernando  24/01/2013 15:27
    Desculpe, depois de ler a citação: "Não há riqueza de uns sem a exploração de outros." Eu fiquei maravilhado, perdi o folego e não consegui ler o resto.

    Meus parabéns.
  • Rafael Evangelista  24/01/2013 20:52
    Haha, comigo aconteceu a mesma coisa.
  • Renato  24/01/2013 15:29
    Cala boca burro! Seu comunista-uspiano!
    Você repete como um papagaio adestrado as "idéias" dos comunistas brasileiros das décadas de 50 e 60.
    Caio Prado Jr, Antônio Cândido ou Milton Santos são desprezíveis, o tempo se encarrega de joga-los na lata de lixo da história.
  • Renato Souza  26/01/2013 01:25
    É um bom exercício.

    Vamos derrubar a primeira alecação:
    "Não há riqueza de uns sem a exploração de outros."

    Afirmação desmentida facilmente pela aritimética e por um pouquinho de conhecimento da geografia humana. Houve um sensivel aumento da riqueza, na maior parte do mundo. Mas essa riqueza não aumentou de forma igual. Durante muitas décadas, grande parte do mundo era socialista, e grande parte seguia em regime de mercado semi-livre (capitalistas, digamos assim). E uma terceira parte (terceiro mundo), embora não fosse nem socialista nem capitalista, tinha relações com ambos os lados.

    O que vimos acontecer? Paises socialistas permaneceram pobres. Desafiavam os paises capitalistas militarmente (e mesmo isso revelou-se depois, em parte, um blef), mas economicamente eram um fracasso. Esse fracasso de décadas resultou na implosão do sistema. Os paises capitalistas produziam muito mais riquezas que os socialistas.

    Para justificar seu fracasso, os socialistas afirmavam que a riqueza dos países capitalistas provinha da "exploração dos países do terceiro mundo". Nada mais errado, e é fácil de provar:

    1. Muitos do paises do terceiro mundo tendiam mais para o lado dos socialistas que para o lado dos capitalistas.

    2. Alguns paises do terceiro mundo adotaram um forma mais "radical" de capitalismo, e enriqueceram tanto que se tornaram paises altamente desenvolvidos. Não tinham nenhum poder militar para poderem "roubar" os outros países do terceiro mundo.

    3. Esta mata a pau: Na média, paises capitalistas mais paises do terceiro mundo, cresciam muito mais que os paises socialistas. Se a explicação da maior produção de riqueza dos paises capitalistas fosse a "exploração" do terceiro mundo, os paises do terceiro mundo deveriam crescer muito que os paises socialistas, para que a média de capitalistas mais terceiro mundo fosse igual à produção de riqueza dos socialistas. Mas mesmo o terceiro mundo crescia mais que o bloco socialista, e a média dos dois blocos era muito superior à do bloco socialista.

    Conclusão: só quem não sabe nada de matemática pode ser um marxista "honesto".

    Segunda conclusão: Se mais paises do terceiro mundo tivessem adotado o capitalismo "radical", o também teriam se tornado países ricos.
  • Arthur M M  28/01/2013 17:45
    Um Filósofo,

    "Não há riqueza de uns sem a exploração de outros."

    Claro, o fato de eu procurar um galho no meio do mato com específicas propriedades, alguns cipós e procurar na terra algumas minhocas para pescar um peixe faz de mim um escravocrata, um ladrão, um burguês ávido por lucro !

    "A razão pela qual ocorreu uma explosão de "crescimento" durante o fim do século XIX e o decorrer do 20 foi o acúmulo de capitais gerados pelo comércio de escravos durante toda a era do pré-capitalismo. Isso enriqueceu as burguesias holandesa e inglesa, permitindo que iniciassem sua industrialização após a mecanização do campo(Que expulsou os trabalhadores da agricultura e os forçou a trabalhar nas cidades)."

    Mais uma vez a prova da necessidade da existência de uma instituição que legisle, execute e julgue cai por terra. Tanto a realeza britânica, holandesa e a prióri das realezas africanas, as quais já escravizavam os povos africanos, e os negociavam com os povos europeus nos mostram que instituições absolutas não são o melhor caminho. Estes povos europeus podem até ter enriquecido por meio de escravos (e aqui temos um ponto pacífico, pois também somos contra a escravidão), porém, isso não explica como outras nações se tornaram ricas e também se industrializaram, como os povos germânicos e escandinavos. E mais uma vez, como nosso outro colega, este também quer relegar os povos ao trabalho da coleta e da agricultura, estinguindo-se a divisão do trabalho. Cada um de nós vamos trabalhar/plantar para sobreviver.

    "Começava, então, a superexploração do proletariado. Ela duraria até 1929 quando a primeira potência reconheceu o sofrimento dos trabalhadores e ofereceu um salário mínimo que os permitia consumir. Apesar de os pobres terem sido incluídos no mercado, o capitalismo perdeu força e passou a ser dependente da exploração dos moradores de países pobres na África e América do Sul."

    Ufa, ainda bem que surgiu a URSS. Para nos mandar colher madeira na sibéria. Isso sim que era trabalho digno. Para ensinar aos ucranianos participantes da holodomor que a fome era um parasita incalcado em suas almas pelos temíveis burgueses. E mais, não precisava se preocupar com salários, já que a "Terra Mãe" dava tudo o que precisavam.
    Você já ouviu falar de mercantilismo ? Do governo, em coação com os grandes empresários, trabalhando em conluiu para que ouvesse o hoje conhecido superávit primário. Que para isso é necessário criar tarifas alfandegárias aos produtos importados, a qual por sua vez eleva os preços locais pela alta demanda e baixa oferta, e que isso torna os salários reais mais baixos, tolhendo do povo seu poder de compra, diminuindo dessa forma a riqueza geral do povo. Com certeza o capitalismo perdeu força, não vivemos nele há décadas. Hoje, como Mises nos explicou, vivemos na batuta do intervencionismo, da criação do salário mínimo ( o qual hoje em dia está jogando ao desemprego milhões de pessoas em Portugal, Espanha e Grécia ), das regulamentações ( a não ser que você tenha dinheiro suficiente para bancar as burocracias envolvidas, ou tenha conhecidos o suficiente no governo você não poderá participar das grandes licitações de telefonia, energia, petróleo, gás e etc; aqueles recursos que são fortemente demandados hoje e que estão nas mãos dos governos). Sobre os moradores de países pobres na África e América do Sul, bem, não estamos no capitalismo laissez-faire, portanto nem irei comentar.

    "Entretanto, o grande trunfo do capitalismo moderno e o único motivo pelo qual "nós somos ricos hoje" foi a China. Atualmente, toda nossa "riqueza" é produto da superexploração dos trabalhadores chineses pela burguesia internacional. Entretanto, desnecessário dizer que tal exploração não mais será possível quando o governo chinês recuperar os valores revolucionários e erguer a bandeira do povo novamente."

    O cara defende que a China volte a levantar as bandeiras que um dia tornaram os comunistas conhecidos como "comedores de criancinhas." Época em que alguns chineses do campo foram obrigados, para continuarem a viver, trocar seus filhos pelos filhos dos outros e comê-los. Imagine o nível de riqueza (de produções, ciência, tecnologia, alimentos para ficar em alguns pontos) que teria a humanidade hoje se não fossem os governos totalitários. Os chineses só estão tendo que trabalhar/"serem explorados de forma voraz pelos mafiosos burgueses" para recuperar as riquezas um dia destruídas pelos que se acham donos da verdade, o governo chinês. E digo mais, para os Keynesianos essa deve ter sido a "obra prima" do desenvolvimento econômico mundial, quebra-se a janela para que adtivemos a econômia. Os chineses hoje trabalham como os coreanos trabalharam no século 20, e vemos a riqueza gerada por eles hoje. Até o Brasil, que continua um país agrário, ficou mais rico. Afinal, podemos comprar produtos tecnológicos (celulares, tablets e etc) ou não (sapatos, roupas e etc) de forma muito mais barata do que se fossemos produzir aqui (graças ao nosso "amiguissimo" governo, que nos protege de tal "exploração").

    "Outro ponto que gostaria de discutir é a tal da riqueza tal exaltada pelo senhor North. Pergunto-vos: Qual a grande virtude em ir ao super mercado, olhar uma fileira com centenas de opções e escolher uma? Por mais que tal belo espetáculo de "liberdade de escolha" vos fascine, devo alertá-los que o excesso de opções apenas estressa o homem e o induz a agir de forma irresponsável.

    Não consigo sentir prazer ao consumir um produto quando sei que a esmagadora maioria dos consumidores brasileiros os fazem por serem alienados pela burguesia ao invés de serem consumidores racionais como eu sou. Eric Fromm já dizia que o homem não foi feito para ser livre e isso é um fato que até mesmo os senhores devem assumir. Se a liberdade é ter responsabilidade por seus atos(Sendo que quase todos os indivíduos são educados pela sociedade para serem consumistas irresponsáveis e a identificação das consequências de nossas ações é, quase sempre, impossível), pode-se dizer que ela é uma brutalidade.

    O homem que governa outro homem abusando de suas emoções e tentações é tão monstro quanto aquele que o escraviza diretamente. Essa "riqueza" que o senhor North exalta é a escravidão à qual foram submetidas as pessoas."

    Aqui o nosso colega nos mostra o quanto está sendo sarcástico e satirico (chegando a ser sádico) em seus comentários. Um adendo a alienação ao consumismo e a irresponsabilidade gerada pelos burgueses à população (utilizando-se das emoções mais viz e pueriz) devo lembrar que nossas a grande maioria das crianças do Brasil passam 12 anos, 180 dias por ano, 4 horas por dia (no mínimo) de suas vidas em escolas do governo. Quais serão as alienações perpretadas pelo tal ?
  • Um pensador de esquerda  24/01/2013 15:02
    "Por que nos tornamos tão ricos?"
    Pergunta cínica. A resposta é a ganância humana sem fim, que precisa ser domada por um Estado mais regulamentador. O perigo do capitalismo selvagem ronda nossa sociedade, como um tigre querendo devorar nossas crianças e mulheres na roda louca do culto ao dinheiro.

    Hoje milhões de crianças no mundo irão dormir nas ruas, e nenhuma cubana.
  • Arthur M M  24/01/2013 17:47
    O qual é pago com a ajuda financeira externa dos países capitalistas gananciosos. huahuuhauha.
  • anônimo  24/01/2013 15:10
    Qual a grande força da China? Indústria?
    Então a onda de impressoras 3d vai matar ela. Já tem gente imprimindo até células!
    www.wired.com/design/2013/01/diy-bio-printer/
  • Vinicius Costa  24/01/2013 17:00
    Essa é uma pergunta com infinitas respostas, sendo muitas delas verdadeiras. Uma delas que eu considero muito importante que o autor não citou no texto foi a distribuição natural dos meios de produção decorrente da Revolução Industrial.

    Antes dela, os proprietários de terras eram também donos de quase todos meios de produção, já que naquela época os produtos eram todos agrícolas e artesanais. Com a Revolução, novos meios de produção foram criados e como consequência novas pessoas tiverem acesso a elas.

    O que acho engraçado é que a verdadeira revolução que foi capaz de distribuir os meios de produção é justamente aquela geralmente culpada pelos autores de outras revoluções que buscavam esse objetivo.
  • amauri  24/01/2013 17:47
    Boa tarde!
    Alguem pode me dizer qual foi o elogia que Mises fez ao facismo?abs
  • Um pensador de esquerda  24/01/2013 18:12
    Esta questão sempre me vem à mente quando alguém compara o "Bolsa Família" com o "Pão e Circo". Mas explico já, já.
    (Não gosto de ser exibido nem de humilhar ninguém, mas às vezes tenho que me gambar de minha cultura histórico-social)
    ______________
    Respondendo:

    A tecnologia ou, melhor dizendo, o constante avanço tecnológico, de certa forma, aumenta drasticamente a desigualdade social, ainda mais nos países chamados subdesenvolvidos, como é o nosso caso.

    Negar isso é querer por em xeque uma das proposições mais polêmicas do Marx, aquela da chamada "queda tendencial da taxa de lucro".

    Mas, para responder melhor, vou voltar à Roma Antiga…

    Na Roma escravista a mão de obra responsável pela produção era a escrava. O sistema produtivo era fundamentado na díade proprietário-escravo. Quem não pertencia a nenhuma destas classes ficava de fora.

    A população de homens livres que não eram proprietários (e por isso estava fora do Sistema) não parava de crescer e as revoltas ficavam cada vez mais iminentes. A política do Pão e do Circo foi criada para estes que ficavam de "fora" do sistema.

    O "bolsa-família", pelo bem ou pelo mal, é completamente diferente. O constante desenvolvimento tecnológico (e aqui estamos chegando na questão de fato), ao mesmo tempo em que não deixa cair a taxa de lucro do patrão, "expulsa" o trabalhador do sistema. O dinheiro do Bolsa-Família vai para esse trabalhador – eventual pagador de impostos –, enquanto ele fica na "fila".

    Temos assim que enquanto no primeiro caso o "beneficiado" estava fora do sistema, no segundo caso o beneficiado foi expulso.

    Explico melhor a questão da tecnologia...

    É aquilo que se convencionou, a partir de Marx, chamar de "mais valia".

    A taxa de lucro do patrão tende a cair. Para que isso não aconteça, já que não se pode mexer muito nas horas de trabalho, ele melhora a tecnologia. Um exemplo.
    Uma fábrica de fios tinha 30 trabalhadores. Tais funcionários utilizavam uma máquina que produzia determinado produto em determinado tempo. Porém, o dono do negócio busca uma tecnologia melhor que produzirá quase o mesmo número de produto no mesmo número de tempo. Porém (e aqui temos a resposta que procuramos), ao invés de trinta funcionários, precisará apenas de três. E penso que isso pode sim ser chamado de "aumento drástico das desigualdades sociais".

    Estes três trabalhadores são aqueles que continuaram se especializando. Os outros 27, mesmo os que também procuraram se especializar, não tiveram a mesma sorte dos outros… Para eles, o "bolsa família" até que possam voltar para o matadouro, ops, para o "mercado".

    É por isso que nossos avós, só com a 4ª série, já conseguiam um trabalho e se aposentavam nele. E é por isso que daqui algum tempo nem os que tiverem diploma de doutor estarão garantidos.

    __________

    Com esta pequena aula de sociologia histórica, espero não ter dado um nó na cabecinha de vocês, e muitos aqui irão dormir chorando por ter encontrado um pensador de esquerda irrefutável.
  • Tiago Moraes  25/01/2013 18:42
    "A tecnologia ou, melhor dizendo, o constante avanço tecnológico, de certa forma, aumenta drasticamente a desigualdade social, ainda mais nos países chamados subdesenvolvidos, como é o nosso caso.

    Não existe nenhum dado estatístico que referende isso, não há correlação alguma entre tecnologia e desemprego, se caso houvesse, a humanidade já teria entrado em colapso, visto que na época da primeira revolução industrial, na media, 1/4 da PEA era desempregada na Europa, atualmente é preciso uma hecatombe econômica para que o desemprego em um país chegue a 10%. O que as estatísticas mostram, é que a tecnologia modifica o mercado de trabalho estruturalmente, promovendo deslocamentos da força de trabalho para outros setores ou para novos empregos criados pela própria expansão tecnológica.

    Negar isso é querer por em xeque uma das proposições mais polêmicas do Marx, aquela da chamada "queda tendencial da taxa de lucro".

    Eu não só nego como afirmo que a propensão de queda nas taxas de lucro é uma ridicularidade, uma distorção da tendência decrescente dos retornos de capital elaborada por David Ricardo. O lucro tende a cair em uma condição específica, quando a estrutura de capital permanece intacta e a concorrência em um mercado aumenta mantendo a primeira condição em ceteris paribus (condição essa que não existe no mundo real). Marx parece não ter entendido a afirmação de Ricardo e a tratou como se o mesmo supusesse que a participação do capital na produção fosse árida, sendo o lucro por tanto, o resultado do emprego de força de trabalho. As taxas de lucro entre diferentes firmas, seriam nessa proposição, determinadas pela diferença da participação de força de trabalho em razão do capital, na composição orgânica das firmas, porém o próprio Marx afirma que no mundo real as taxas de lucro variam de forma totalmente desconexa deste princípio que ele inventou e distorceu de Ricardo e o que ele faz? Recorre a uma ridicularidade, afirmando que sua teoria está certa, o mundo é que está errado, distorcendo essa regra por conta da concorrência capitalista, que tenderia a igualar as taxas de lucro a revelia das composições orgânicas de capital.

    Mas, para responder melhor, vou voltar à Roma Antiga…

    Na Roma escravista a mão de obra responsável pela produção era a escrava. O sistema produtivo era fundamentado na díade proprietário-escravo. Quem não pertencia a nenhuma destas classes ficava de fora.

    A população de homens livres que não eram proprietários (e por isso estava fora do Sistema) não parava de crescer e as revoltas ficavam cada vez mais iminentes. A política do Pão e do Circo foi criada para estes que ficavam de "fora" do sistema.


    Isso aí você deve ter lido em algum livro de história do ensino médio escrito pelo Cláudio Vicentino. Essa tese que a base da mão-de-obra em Roma era escravocrata é uma interpretação genérica da atividade produtiva romana, até porque, o escravagismo seria incapaz de proporcionar as inovações produtivas e o engenho da civilização romana no desenvolvimento de sua economia, prova disso é a estagnação no desenvolvimento das monoculturas brasileiras, mesmo em pleno século XIX, por causa do escravagismo. O problema da cidade de Roma, que os Imperadores resolveram com o "pão-e-circo" é fácil de elucidar, imagine uma cidade de 1,2 milhão de habitantes na antiguidade, sem o saneamento e a organização urbana das cidades de hoje, se atualmente isso já é um caos popular em termos de instabilidades civis, imagine naquela época...

    O "bolsa-família", pelo bem ou pelo mal, é completamente diferente. O constante desenvolvimento tecnológico (e aqui estamos chegando na questão de fato), ao mesmo tempo em que não deixa cair a taxa de lucro do patrão, "expulsa" o trabalhador do sistema. O dinheiro do Bolsa-Família vai para esse trabalhador – eventual pagador de impostos –, enquanto ele fica na "fila".

    Agora você distorce o que Marx escreveu, ele nunca disse que a tecnologia aumenta as taxas de lucro da firma, pelo contrário, ela diminuiria essas taxas de lucro, por isso é que Marx afirmava que o capitalismo ruiria de seu próprio progresso e por isso ele foi viver na Inglaterra, berço da Revolução Industrial e onde ele acreditava que o comunismo eclodiria. Depositar menos de R$ 200 na conta de uma pessoa não irá introduzi-la no sistema, você sequer sabe como de fato esse dinheiro é gasto e isso faz muita diferença, do contrário, porque então o governo não deposita R$ 1 milhão na conta de cada um dos 190 milhões de brasileiros? 190 milhões é pouco mais de 11% do que a União arrecada, que tal? A função do Bolsa-Família é apenas comprar votos, quem disse isso foi o próprio Lula, quando era da oposição e quando o FHC lançou o Bolsa-Escola, em palavras dele; "o pobre pensa mais com a barriga do que com a cabeça, dar-lhes dinheiro é o mesmo que colocar um cabresto neles!"

    "Temos assim que enquanto no primeiro caso o "beneficiado" estava fora do sistema, no segundo caso o beneficiado foi expulso."

    Programas de transferência de renda não promovem inclusão, da mesma forma que um pai que paga mesada ao filho não o fará deixar de ser mimado. O cara não tem emprego, não tem qualificação profissional, a única coisa que ainda o impele ao menos a considerar a possibilidade de sair do buraco é justamente o fato dele enxergar o trabalho como única solução, o bolsa-família rompe este paradigma e sinaliza uma nova oportunidade ao pobre, foder a esposa dele, encher a casa de filhos e viver de pensão federal a vida inteira!

    Explico melhor a questão da tecnologia...

    É aquilo que se convencionou, a partir de Marx, chamar de "mais valia".


    Mais-valia é supostamente o resultado obtido pelo trabalho adicional dispendido em horas, após o dispêndio necessário para cobrir o salário do trabalhador, também em horas, essa é a sua definição em termos absolutos, a tecnologia somente explica o que ele chama de mais-valia relativa, onde se obteria mais mercadorias nas horas adicionais de trabalho dispendido.

    A taxa de lucro do patrão tende a cair. Para que isso não aconteça, já que não se pode mexer muito nas horas de trabalho, ele melhora a tecnologia. Um exemplo.
    Uma fábrica de fios tinha 30 trabalhadores. Tais funcionários utilizavam uma máquina que produzia determinado produto em determinado tempo. Porém, o dono do negócio busca uma tecnologia melhor que produzirá quase o mesmo número de produto no mesmo número de tempo. Porém (e aqui temos a resposta que procuramos), ao invés de trinta funcionários, precisará apenas de três. E penso que isso pode sim ser chamado de "aumento drástico das desigualdades sociais".


    Então porque em pouco mais de 150 anos, em três revoluções industriais, as taxas médias de desemprego apenas caíram? Tecnologia não promove desemprego e nem tão pouco desigualdade social seu pulha, pelo contrário, os países mais ricos do mundo são justamente àqueles cuja força de trabalho tem os mais altos índices de produtividade e produtividade se aumenta pela razão do capital acumulado por habitante, isso é um fato científico, corroborado por qualquer estatística. O teu erro é supor que a desenvolvimento tecnológico não altera o mercado de trabalho estruturalmente, apenas quantitativamente. Ao diminuir a quantidade de emprego de pessoas em uma função (que é o que a tecnologia de fato faz) cria-se uma margem para o aumento da divisão social do trabalho, o que da origem na novas profissões e especializações, a quantidade de bens e serviços, por tanto, aumentaria junto com a produtividade, não há desemprego, somente realocação da força de trabalho em função das mudanças dinâmicas no mercado de trabalho que a tecnologia proporciona.

    É por isso que nossos avós, só com a 4ª série, já conseguiam um trabalho e se aposentavam nele. E é por isso que daqui algum tempo nem os que tiverem diploma de doutor estarão garantidos.

    Nossos avós tinham padrão de vida inferior, mal conheceram os avós deles pois os mesmos morriam na casa dos 40/50 anos, hoje já é comum crianças conviverem com bisavós, uma comparação totalmente descabida, as taxas de desemprego eram muito maiores antigamente, o Brasil hoje tem níveis de desemprego muito mais baixos que a época dos nossos avós e isso se deve a atividade empreendedorial dos brasileiros. Além disso, no tempo dos nossos avós, empresas não pagavam tantos impostos quanto hoje, os problemas eram outros...

    __________

    Com esta pequena aula de sociologia histórica, espero não ter dado um nó na cabecinha de vocês, e muitos aqui irão dormir chorando por ter encontrado um pensador de esquerda irrefutável.

    Não, você só passou vergonha mesmo, relaxe...só mais um adendo, estude mais sobre o que você vai falar, porque meu amigo, nem de Marx você entende alguma coisa!
  • Renato Souza  28/01/2013 14:40
    Tiago
    Sua resposta foi muito boa, mas tenho de fazer um pequeno reparo:

    "Nossos avós tinham padrão de vida inferior, mal conheceram os avós deles pois os mesmos morriam na casa dos 40/50 anos, hoje já é comum crianças conviverem com bisavós, uma comparação totalmente descabida, as taxas de desemprego eram muito maiores antigamente, o Brasil hoje tem níveis de desemprego muito mais baixos que a época dos nossos avós e isso se deve a atividade empreendedorial dos brasileiros."

    Aparentemente você comenteu um erro que muitos cometem, confundindo espectativa média de vida com a idade de morte da maioria das pessoas. O tempo de vida médio é muito influenciado por elementos que estão muito fora da média. Mas são raros os elemntos que estão muito acima da média. Pessoas que vivem 120 anos são (e eram) raríssimas, e com 140 anos são virtualmente impossíveis de encontrar.

    Mas o que acontece no lado esquerdo da curva? Em tempos passados, a mortalidade infantil era imensa. Há ainda, mas era muito mais acentuado, um fenômeno de uma faixa de idade bem no início da vida, onde havia particularmente mais pessoas morrendo. Essa imensa mortalidade infantil tinha um peso estatístico muito grande, tanto pela sua proporção como pelo fato de estar muito longe da média. Esse é, de longe, o mais importante fator que fazia o tempo de vida médio, em tempos passados ser bastante inferior ao atual.

    É claro que a maior capacidade de tratamento de doentes e feridos adultos tem sua influência, mas a diminuição da mortalidade infantil é estatísticamente mais importante.

    A conclusão é que, tomada uma certa pessoa, a 80 anos atrás, que já havia passado da infância, a espectativa de vida dela era menor que a de uma pessoa atual da mesma idade, mas não imensamente menor.
  • frolstty  22/01/2016 23:18
    Só um detalhe:

    "porque então o governo não deposita R$ 1 milhão na conta de cada um dos 190 milhões de brasileiros? 190 milhões é pouco mais de 11% do que a União arrecada, que tal?"

    Esse "erro" foi o mesmo que a repórter (Band?) fez: 190 milhões x 1 milhão = 190 trilhões :)

  • Kleiton  24/01/2013 18:33
    Prezado "pensador de esquerda":

    Tem um erro básico na tua análise quando tu dizes "ao invés de trinta funcionários, precisará apenas de três. E penso que isso pode sim ser chamado de'aumento drástico das desigualdades sociais' (...) os outros 27, mesmo os que também procuraram se especializar, não tiveram a mesma sorte dos outros".

    - Em primeiro lugar, o mercado tende a escolher menos por "sorte" e mais por talento, ao contrário do que acontece na grande maioria dos órgãos estatais. Assim, a tendência é que os 3 restantes sejam os mais COMPETENTES, e não os mais SORTUDOS;

    - Em segundo lugar, recorro a Bastiat: quando tu olhas só pro que tu VÊS, tu ignora (conscientemente ou não) aquilo que tu NÃO VÊS. Esses 27, embora tenham ficado sem emprego no momento T, se tornam mão de obra potencial para OUTRAS ATIVIDADES no momento T+1. Ou seja: a indústria de fios não perde produção, ao mesmo tempo em que outras indústrias poderão contratar nova mão de obra para produzir mais. No fim, temos mais produtos disponíveis, o que tende a puxar os preços para baixo, o que é bom - veja só - inclusive para os trabalhadores cujo salário é mais baixo.

    Mas de um "pensador" de esquerda, é natural que só venham pensamentos (pré-concebidos) também de esquerda. Uma pena.
  • Gustavo  28/01/2013 10:38
    "...se tornam mão de obra potencial para OUTRAS ATIVIDADES no momento T+1."
    Muito cuidado, em algumas sociedades, acima dos 40 anos, a pessoa não consegue emprego.
  • Andre Cavalcante  28/01/2013 13:11
    Por quê?
  • Kleiton  24/01/2013 18:43
    Olhando melhor os comentários do "filósofo" e do "pensador", concluo que é praticamente impossível manter uma discussão racional. O "pensador" se diz "irrefutável" com um argumento que só faz sentido dentro da ótica de esquerda batida e rebatida nas faculdades de humanas país afora. Sob um ponto de vista racional, não faz nenhum sentido.

    Essa história de riqueza de uns x exploração de outros é um negócio tão antiquado quanto errôneo.

    Chega a dar um desânimo.

  • Lucas Silva  25/01/2013 12:00
    Eles são trolls, fica de boa que é puro sarcasmo.
  • Renato Souza  25/01/2013 13:24
    Particularmente o "típico filósofo" parece ser um cara bastante inteligente. Ele mimetiza extremamente bem os loucos cacoetes mentais dos "melhores" professores universitários marxistas. Às vezes penso que esse cara é do famoso blog cômico "Vanguarda Popular", de estilo um pouco mais escrachado, mas igualmente inteligente.

    Já me ocorreu que outros personagens fakes que comentam aqui sejam escritos pelo mesmo cara, mimetizando personalidades e cacoetes um pouco diferentes. Mas se for isso, o cara é gênio.
  • anônimo  25/01/2013 16:18
    O pior é que por mais absurdo que ele chegue, os esquerdistas reais são piores
    Lembro do tempo do terremoto no Haiti, teve gente que disse que foi culpa dos EUA com o HAARP.
    Um MOVIMENTO NAS PLACAS TECTÔNICAS foi culpa dos EUA.
    (facepalm)
  • Gustavo  28/01/2013 10:49
    Kleiton,
    Sim, é difícil manter uma discussão.
    As raposas não administram bem os galinheiros sob a ótica dos hervíboros.
    Porque sempre aparecem interesses pessoais.
  • J. Rodrigues  24/01/2013 19:41
    Filósofo, estou impressionado. Cara, tu és d+! Tu além da lucidez e inteligência dedicas um amor à humanidade como ninguém neste mundo cruel. Se tu te candidatares a Rei do Mundo eu serei teu apóstolo. Largo tudo e te sigo fazendo campanha dia e noite para ti. Conta comigo, cara!
  • Renato Souza  24/01/2013 20:08
    Totalmente fora do assunto, mas acho revelador:

    O colunista da veja, Reinaldo de Azevedo, escreveu uma série de artigos no seu blog, criticando uma ONG chamada "Alana", que busca coibir a publicidade infantil. Para escrever o último artigo, ele teve a curiosidade de pesquisar quem eram os diretores dessa entidade.

    veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/ainda-as-criancas-e-os-anuncios-na-televisao-meus-leitores-continuam-pesquisando/#comment-2450918

    É isso aí, são capitalistas de mentirinha, os tais banqueiros, socios dos nossos governantes no crime da falsificação de dinheiro.
  • B_Diniz  24/01/2013 22:27
    Off topic:

    Esse cara tem COJONES:

    www.youtube.com/watch?v=8cFAlD1DERg

    Em relação ao crescimento da China (PIBs astronomicos durante muito tempo) eu já vi algo disso estar sendo forjado durante, muitos aqui já viram o probelam da bolha imobiliária lá, não?

    www.youtube.com/watch?v=rW2wZYkhWYA

    Será que não houve alguma relação com a idústria?

    Já fui cliente de forncedores chineses (telecom) e eles estão muito aquém de produtos de qualidade americanos ou europeus e pra dizer que esses também não são lá essas coisas, os produtos chineses ao meu ver servem pra dar uma boa maquiada em um projeto político por exemplo. Você até compra um celular xing-ling por causa de dinheiro mas depois enjoa daquele produto e no primeiro dinheiro que entra vc compra algo descente, é mais ou menos isso que acontece. E nunca mais quer saber de xing-lings.




  • Neto  28/01/2013 11:14
    Cojones nada, foi só um mal entendido, duvido que ele tivesse coragem de atacar o feminismo de verdade.
    Fora que isso daí é um funça, coisa mais fácil do mundo viver do roubo do dinheiro dos outros.
  • Marcos  25/01/2013 00:35
    Olá, não sei muito sobre a escola austríaca, mas o pouco que sei ja é o suficiente para apoiá-lá, no entanto, isso tem causado muitas discussões com alguns amigos meus marxistas ou keynesianos, e eu gostaria que vocês, especialistas no liberalismo, me ajudassem dizendo argumentos irrefutáveis contra o socialismo para que eu posso quem sabe provar para eles a terrível verdade deste sistema de preguiçosos estadistas. Também gostaria que alguem simplificasse para mim o livro "O calculo econômico do socialismo", de Mises, pois o li mas não compreendi totalmente suas idéias. Grato por tudo.
  • Gustavo BNG  25/01/2013 05:11
    Se quiser algo resumido (~20 minutos de leitura), sugiro que mostre aos seus amigos este artigo, A Escola Austríaca e a Refutação Cabal do Socialismo: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1386
  • Leandro  25/01/2013 05:44
    Prezado Marcos, eis um resumo do argumento da impossibilidade econômica do socialismo:

    "A propriedade comunal dos meios de produção (por exemplo, das fábricas) impede a existência de mercados para bens de capital (por exemplo, máquinas). Se não há propriedade privada dos meios de produção, não há um genuíno mercado entre eles. Se não há um mercado entre eles, é impossível haver a formação de preços legítimos. Se não há preços, é impossível fazer qualquer cálculo de preços. E sem esse cálculo de preços, é impossível haver qualquer racionalidade econômica -- o que significa que uma economia planejada é, paradoxalmente, impossível de ser planejada.

    Sem preços, não há cálculo de lucros e prejuízos, e consequentemente não há como direcionar o uso de bens da capital para atender às mais urgentes demandas dos consumidores da maneira menos dispendiosa possível.

    Em contraste, a propriedade privada sobre o capital e a liberdade de trocas resultam na formação de preços (bem como salários e juros), os quais refletem as preferências dos consumidores e permitem que o capital seja direcionado para as aplicações mais urgentes, ao mesmo tempo em que o julgamento empreendedorial tem de lidar constantemente com as contínuas mudanças nos desejos dos consumidores.

    O socialismo, um sistema que na prática requer um estado totalitário, não é uma opção viável ao capitalismo. Qualquer passo rumo ao socialismo é um passo rumo à irracionalidade econômica."


    Caso queira um argumento complementar, que diz que é impossível um comitê central (que é o que todo socialista defende) coletar todas as informações necessárias para gerir uma economia, recomendo este excelente artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1430

    Abraço!
  • anônimo  25/01/2013 07:53
    Alguém poderia responder qual a diferença entre Presbiterianismo e Puritanismo?
  • Renato Souza  25/01/2013 11:54
    Presbiterionismo se refere a uma denominação cristã, com uma estrutura interna, que tem uma forma de governo específica. Os fiéis de cada igreja escolhem representantes, os quais escolhem seus ministros, dentre um quadro de aprovados teologicamente previamente por um conselho das igrejas da região. O conselho interno de cada igreja, eleito pelos fiéis, tem poder para indicar e destituir tanto os ministros quanto os administradores leigos (tesoureiro, secretários, professores). Alguns cargos são votados diretamente pela congregação (todos os fiéis), inclusive a comissão de exame de contas. Não lembro se todos os detalhes são assim, mas é mais ou menos isso (tenho um amigo pessoal que é ministro presbiteriano, e já estive visitando a igreja dele umas quatro ou cinco vezes). A iIgreja Presbiteriana é calvinista em sua constituição, sua doutrina oficial é calvinista, embora muitos presbiterianos atuais não sejam exatamente calvinistas.

    Puritanismo não é uma estrutura eclesiástica, mas um movimento, uma forma de pensamento teológico, de sentimento religioso e de prática religiosa, que foi bastante prevalencente entre muitos cristãos presbiterianos ingleses na época da formação das colônias americanas, particularmente os presbitarianos. Por isso pode-se dizer, A GROSSO MODO, que as colônias foram formadas por pessoas que eram calvinistas, presbiterianas e puritanas. Há uma grande quantidade de livros escritos pelos puritanos, que podem mostrar a quem quiser conhecer, as principais ênfases de seu pensamento, principalmente em inglês (imagino que alguns titulos tenham sido traduzidos para o português). Não vou entrar na descrição do pensamento puritano porque eu não o conheço, visto que nunca li nenhum livro escrito por eles. De qualquer forma, é uma forma de pensamento bastante ampla, com um enorme número autores diferentes, de diferentes lugares e durante um período longo, não é de forma alguma uma escola de pensamento monolítica. "Puritanos" é um apelido dado a eles por pessoas fora do movimento. Suponho que tenham sido os anglicanos que os apelidaram assim.

    Talvez a mais visível contribuição cultural dos puritanos tenha sido a a fundação de todas as mais antigas e tradicionais universidades americanas.

    Em tempos mais antigos, de um modo geral, a distribuição do povo entre as denominações protestantes correspondia mais ou menos à distribuição social. Freqüentemente, presbiterianos e anglicanos eram os mais cultos e também eram os mais prósperos. Metodistas eram a maioria da população. E batistas costumavam ser os mais pobres e ignorantes. Isso a grosso modo. Você poderia encontrar batistas que eram ricos e cultos e presbiterianos que eram ignorantes e miseráveis.
  • anônimo  25/01/2013 15:08
    Renato Souza, esta é a pura verdade sobre o presbiterianismo. Eu sou presbiteriano e calvinista. Existe uma inverdade em alguns estudiosos de fora do calvinismo que diz que o sucesso econômico é um sinal da predestinação. Uma grande mentira. Deus escolhe a ricos e pobres. Agora é interessante ver que os melhores países para se viver são de origem calvinista. Acho que Gary North deveria ter falado também sobre a Genebra calvinista.
    Para quem quiser saber mais sobre Joao Calvino e economia eu recomendo:
    O pensamento econômico e social de Calvino www.editoraculturacrista.com.br/produtos.asp?codigo=250

    e os seguintes artigos do site swissinfo.ch
    www.swissinfo.ch/por/arquivo/Genebra_ignora_a_atualidade_de_Calvino.html?cid=867160

    www.swissinfo.ch/por/cultura/O_impacto_de_Calvino_em_Genebra_e_alem.html?cid=867252.
  • Renato Souza  25/01/2013 16:56
    Prezado anônimo

    Nao sou calvinista, mas realmente noto certa coincidência entre a cultura calvinista e prosperidade, ananlisando diversos países.

    No caso americano, até seria possivel explicar essa diferenciação dentro da sociedade, por outros mecanismos. A legislação e a cultura americana original enfatizavam o trabalho duro e a moderação. Sendo os presbiterianos e anglicanos os primeiros a chegar (e os metodistas nem existiam nessa época), houve um natural enriquecimento pelo lento acúmulo de capital da famílias (construção de casas, infraestrutura, fábricas, crescimento das lojas, melhoria de terras). Creio que a riqueza relativa desso grupo talvez posse se explicar por esse fator. Também sendo eles as famílias mais tradicionais, ricas e antigas do país, eram zelosos pela cultura, consideravam-se o esteio da educação e do conhecimento. Digamos assim, agiam como irmãos mais velhos em relação a imigrantes mais recentes e pessoas desencaminhadas. Eles eram os tutores, deveriam levar o país à excelência. Suas universidades, que se tornaram famosas mundialmente, eram também seminários, e as pessoas que não mostravam cultura e conhecimento suficientes para serem adimitos em teologia, talvez fossem adimitidas em medicina, menos dificil, embora muito longe de ser fácil.

    O metodistas, por causa da própria ênfase de seu fundador, ao mesmo tempo que visavam evangelizar as pessoas mais pobres e marginalizadas, focavam muito no estudo. Os pregadores de Wesley eram ao mesmo tempo gente simples e gente que estava aprendendo cada vez mais. Nenhum deles havia passado por uma faculdade ou seminário, mas Wesley fez questão de traduzir clássicos do latim e grego para o inglês, para que eles pudessem ter alguma educação. Com o tempo, esse ímpeto de buscar os mais pobres para encaminha-los desapareceu do metodismo. Se tornou uma igreja das classes médias.

    Depois dos metodistas, foram os batistas que tomaram para sí a misssão de buscar os mais pobres, mas sua mensagem era menos completa. Também tiveram algum cuidado com a educação, construíndo escolas, mas certamente não com a enfase dos outros dois grupos. Certamente tiveram alguma responsabilidade pela melhoria da cultura dos escravos recém libertados, mas essa melhoria foi mais lenta do que seria desejável.

    Depois vieram os pentecostais, focados também nos mais pobres, e no início, sem foco nenhum na educação.

    Então vieram os esquerdistas, também focados nos mais pobres, mas sempre dizendo: Fiquem assim mesmo seus idiotas, não se esforcem, nem melhorem sua cultura, porque isso nos dá poder. Acreditem que tudo de mal que lhes acontecer é culpa de outras pessoas, pratiquem o auto-vitimismo, e vocês serão nosso ariete para destruir a sociedade e criar outra segundo a nossa vontade.

    Finalmente vieram os neo-pentencostais, também focados nos mais pobres, dizendo: Não são só as pessoas que devem tudo a vocês, Deus também é devedor de vocês.

    Quanto ao católicismo, inicialmente era só uma peculiaridade de miseráveis imigrantes irlandeses, italianos e latino-americanos, muitos deles na marginalidade. Mas esses imigrantes se adaptaram, se desenvolveram, enriqueceram, contribuiram. Seus padres construiram escolas e hospitais, educaram as pessoas. Eventualmente, quando as igrejas protestantes ficaram tão carcomidas pelo marxismo, pelo marxismo-cultural, pela egolatria, e pela nova-era, que se tornaram em grande parte disfuncionais, o catolicismo (que também estava tomado de todos esse males, mas talvez um pouco menos) acabou servindo como esteio para atrasar um pouco a transformação do país numa ditadura socialista. Mas já é a vigésima tercerira hora...

    PS: Se dentro dos EUA os batistas tiveram menos valor na promoção da melhoria social, em muitos outros países seus missionários fizeram grande diferença na implantação de escolas e hospitais, coisas que aquelas populações nunca tinham visto.
  • Sérgio  26/01/2013 04:25
    Os homens têm de acreditar que aquilo que eles fazem como indivíduos irá fazer alguma diferença no futuro. Eles têm de acreditar que deixarão algum legado. Eles têm de acreditar em alguma forma de crescimento a taxas compostas. Se eles não acreditarem nisso, então o incentivo para se construir um futuro melhor é mínimo. A filosofia passa a ser: coma, beba e seja feliz, pois amanhã estaremos mortos. Isso sempre leva à estagnação.

    Eis a importância de famílias estruturadas. Infelizmente, a geração moderna segue a filosofia do "coma, beba e seja feliz". Pois hoje em dia, não há incentivos para formar uma base social sólida, ou seja, não há incentivos para o homem formar família e construir um patrimônio que será ampliado pelos herdeiros. Por que o cara vai casar e formar família, ter uma visão de futuro e deixar um legado para seus descendentes continuarem e ampliarem, se pode muito bem ganhar o suficiente para passar a vida na libertinagem? É o que ocorre hoje.
  • Renato Souza  26/01/2013 13:06
    Um dos motivos pelo qual os homens, principalemente na Europa e EUA, tem fugido de constituir família, é o fato de que, cada vez mais, seus direitos não são reconhecidos em caso de separação. Um homem pode se tornar extremamente pobre através de casamento + divórcio. É claro que é do interesse dos engenheiros sociais criar o máximo de atrito de desentendimento entre as famílias, porque a família é considerada um concorrente para o poder do estado. O estado se torna o "marido" das mulheres separadas e o "pai" de seus filhos, cabendo ao ex-marido apenas o dever de pagar dinheiro mensalmente à sua ex-mulher, pelo resto da vida.
  • anônimo  26/01/2013 23:35
    Só pra esclarecer uma dúvida. Dizem que para um país enriquecer, é preciso haver liberdade econômica. A Irlândia Medieval dos Brehon e a Islândia Medieval foram semi-libertárias. O que torna possível concluir que tinham mais liberdade econômica. Então, por que estes aíses não ficaram ricos? Pois os Reinos mais ricos daquele período foram o Império Bizantino e o Reino Franco (Paris era considerada a Nova Atenas), ou seja, tinham muito mais intervenção estatal do que a Irlanda e a Islândia. Como se explica isso?
  • Renato Souza  27/01/2013 13:27
    O Império Bizantino era muito mais antigo que todos os países europeus. E a França era um dos mais antigos países europeus. Islândia e Irlanda eram relativamente recentes nessa época. Islândia havia sido povoada recentemente, e Irlanda, durante muito tempo, havia um país distante (portanto com menos comércio e menos intercâmbio de informações) e com métodos de produção antiquados.

    Adam Smith faz uma clara distinção entre os tipos de sociedade, e a gradação na produção de riquezas:

    1. Sociedades de caçadores (e coletores). Produzem pouquíssimos recursos por área e por pessoa. Portanto, são "países" pouco habitados, com pouca produção total de riqueza, e baixa produtividade. Todo o trabalho é feito apenas para produzir os bens mais básicos;

    2. Sociedades de pecuaristas (no sentido antigo, de criação extensiva, geralmente acompanhadas de pequenas roças de subsistência). Maior produção de alimentos por área, o que resulta em poder se alimentar muit mais gente. Além disso, nem toda a população tem de se dedicar à produção de bens básicos, porque a produção por pessoa é maior (maior produtividade). Logo, parte da população de dedicará à produção de novos bens e serviços, o que tornará a sociedade mais rica;

    3. Sociedades com produção de alimentos por meio da agrícultura (eu acrescentaria, com criação de gado intensiva ou semi-intensiva). Grande produção de alimentos por area e por trabalhador. Grande parte da população se dedica à produção de outros bens e serviços. Grande potencial de riqueza.

    Além dessa gradação, existe a gradação na melhoria dos métodos, melhoramento das terras, melhoramento das indústrias, melhoria da infra-estrutura, melhoria da educação. Note-se que em tempos antigos, essa gradação exigia, às vezes, séculos. Sociedades que saíram mais cedo dos métodos menos produtivos, são potencialmente mais ricas. É claro que outros fatores podem prejudicar o enriquecimento: revoluções, guerras, catástrofes naturais, governantes altamente prejudiciais. Vemos aqui na América Latina, dois países que estavam entre os mais desenvolvidos do mundo, no início do século XX, e hoje são paísinhos de terceiro mundo: Cuba e Argentina. Tivessem continuado seu desenvolvimento normal, hoje seriam mais ricos que a Suiça ou a Coréia do Sul (que era um país muito pobre há algumas décadas, mas enriqueceu rapidamente importando métodos e capitais, cobrando impostos relativamente baixos, não adotando uma burocracia asfixiante, e permitindo o amplo comércio).
  • Daniel  27/01/2013 12:01
    Tiago Moraes, poderia me explicar como você fez essa conta? Pois se eu dividir um trilhão de impostos por duzentos milhões de habitantes(arredondando) terei cinco mil reais para cada pessoa e não um milhão como dissera. Abraço!
  • Arthur M M  28/01/2013 13:49
    Bom, a princípio eu não ia responder nada.
    Mas num segundo momento, achei melhor responder, para que os próximos colegas que

    cheguem a esse site no futuro consigam visualizar as "sandices" socialistas

    existentes, e ver alguns simples argumentos que refutam as ditas. Estas são minhas palavras, construídas com o conhecimento aqui aprendido.

    "A tecnologia ou, melhor dizendo, o constante avanço tecnológico, de certa forma,

    aumenta drasticamente a desigualdade social, ainda mais nos países chamados

    subdesenvolvidos, como é o nosso caso."

    Claro, no passado os Ricos (nobres, reis, condes, burgueses e assim por diante)

    dispunham de cavalos e carroças para se locomover a grandes distâncias (a tecnologia

    da época), e os pobres miseráveis contavam com as próprias pernas. Hoje, com o advento

    dos automóveis, trens, aviões, navios e afins quase tudo mundo pode se locomover a

    grandes distâncias sem muito custo. A tecnologia tornou melhor a vida de ambos,

    diminuindo custos.

    "Negar isso é querer por em xeque uma das proposições mais polêmicas do Marx, aquela

    da chamada "queda tendencial da taxa de lucro"."

    Não sei o que é essa "Queda tendencial da taxa de lucro", mas se alguém acha que

    tecnologia se colhe de árvores, ou pesca-se, com certeza este está muito enganado.

    Tecnologia se cria, é necessário recursos, financeiros, humanos e materiais. E

    precisa dar lucro (entenda-se como lucro estar melhor com a nova tecnologia do que

    antes). E nesse processo aquelas empresas que tiverem melhores tecnologias (pois

    pouparam, diminuindo ainda mais o lucro, restrigiram o consumo hoje e investiram para

    consumir no futuro ) sobreviverão, poderão vender a tecnologia para outras, e até

    mesmo mudar de ramo, deixando aquele ramo que dá menos lucro (diminuindo a

    concorrência) para vender somente a sua tecnologia (serviços) para suas antigas

    concorrentes. Empreendedores não se deixarão falir (assim como nós, pessoas,

    procuramos o melhor para nós), eles simplesmente vão para outro ramo. Ou alguém por

    acaso acha ruim a disputa da AMD e INTEL e a diminuição de preços dos computadores e

    afins ?

    "Na Roma escravista a mão de obra responsável pela produção era a escrava. O sistema

    produtivo era fundamentado na díade proprietário-escravo. Quem não pertencia a nenhuma

    destas classes ficava de fora.

    A população de homens livres que não eram proprietários (e por isso estava fora do

    Sistema) não parava de crescer e as revoltas ficavam cada vez mais iminentes. A

    política do Pão e do Circo foi criada para estes que ficavam de "fora" do sistema."

    Pois é justamente por esse motivo que muitos pensadores são a favor do anarco-

    capitalismo. Revoltas que aconteceram porque alguns grupos de pessoas estavam no

    poder, utilizando a máquina estatal para usufruto dos mesmos (qualquer semelhança com

    hoje é mera coincidência). Por isso que é necessário a manutenção da execução do

    mercado, pois dessa forma ninguém ficará em posição de criar regras e favorecer a si

    próprio, ou aos seus "amigos".

    "O "bolsa-família", pelo bem ou pelo mal, é completamente diferente. O constante

    desenvolvimento tecnológico (e aqui estamos chegando na questão de fato), ao mesmo

    tempo em que não deixa cair a taxa de lucro do patrão, "expulsa" o trabalhador do

    sistema. O dinheiro do Bolsa-Família vai para esse trabalhador – eventual pagador de

    impostos –, enquanto ele fica na "fila".

    Temos assim que enquanto no primeiro caso o "beneficiado" estava fora do sistema, no

    segundo caso o beneficiado foi expulso. "

    Mais uma vez o problema é a tecnologia. Na verdade os socialistas querem que todos

    voltemos a plantar, pescar e caçar; ao invés, nem isso, pois para plantar, pescar e

    caçar é necessário conhecimento e técnicas, enfim, de tecnologia. Na verdade devemos

    todos voltar a viver da coleta. Daí sim, seremos felizes, iguais e inclusos. Nosso

    colega se esquece de dizer que máquina precisa de manutenção (e quanto mais avançada a

    máquina, mais manutenção, ver carros e aviões), e para manutenção ser feita é

    necessário conhecimento (que precisa ser produzido e repassado), recursos materiais

    (peças sobresalentes) e recursos humanos, as quais não aparecem do nada. Logo

    percebe-se que quanto mais necessidade de maquinário, mais necessidade de insumos para

    a produção, e de mais trabalhadores que produzirão esses insumos. No final, os

    salários nominais tornar-se-ão menores, porém, os salários reais aumentar-se-ão, pela

    maior oferta de bens possibilitados pela utilização de maquinários (ou alguém ainda

    tece fio de algodão com a roca ?).

    "A taxa de lucro do patrão tende a cair. Para que isso não aconteça, já que não se

    pode mexer muito nas horas de trabalho, ele melhora a tecnologia. Um exemplo.
    Uma fábrica de fios tinha 30 trabalhadores. Tais funcionários utilizavam uma máquina

    que produzia determinado produto em determinado tempo. Porém, o dono do negócio busca

    uma tecnologia melhor que produzirá quase o mesmo número de produto no mesmo número de

    tempo. Porém (e aqui temos a resposta que procuramos), ao invés de trinta

    funcionários, precisará apenas de três. E penso que isso pode sim ser chamado de

    "aumento drástico das desigualdades sociais".

    Estes três trabalhadores são aqueles que continuaram se especializando. Os outros 27,

    mesmo os que também procuraram se especializar, não tiveram a mesma sorte dos outros…

    Para eles, o "bolsa família" até que possam voltar para o matadouro, ops, para o

    "mercado"."

    Outra vez, o colega se esquece que nada surge do nada. Da onde veio essa tecnologia e

    a produção dos insumos ? Porém, muitos irão dizer o seguinte. Se colocarmos máquinas

    nas empresas que produzem insumos, daí sim, teremos desempregados. Mas o que vale para

    a fábrica dos 30 trabalhadores também vale para a fábrica dos insumos. Por fim,

    podemos deduzir que a mecanização da produção acarreta em mais bens no mercado e/ou

    preços mais baixos (a médio/longo prazo), todos saem ganhando. Pois os produtos finais

    ficarão realmente mais baratos.

    "É por isso que nossos avós, só com a 4ª série, já conseguiam um trabalho e se

    aposentavam nele. E é por isso que daqui algum tempo nem os que tiverem diploma de

    doutor estarão garantidos."

    Exatamente caro socialista. Nossos avós eram obrigados a trabalhar já na quarta série,

    pois os salários reais eram baixos pois a produtividade era baixa, e isso impossibilita os operários a pouparem, ou

    investirem nos filhos (na nossa realidade, a expoliação do governo era/é tanta que não

    os permitia isso, além do fato do governo não oferecer aquilo que propunha, a escola, a saúde e a segurança). Mas na medida em que foi-se desenvolvendo a tecnologia, aumentou-se a produtividade e os salários reais.
  • Paulo Henrique  31/07/2016 22:59
    O que a professora diz ali tem muito sentido.

    Qualquer conservador diz o mesmo que ela . Mas eles veem isso como algo bom. A classe dos cavaleiros, dos nobres, etc, eram vistas como muito mais nobre. Os comerciantes, que viviam ao redor dos castelos, eram desonrados.

    www.gazetadopovo.com.br/opiniao/colunistas/carlos-ramalhete/ olharbr.com.br/artigo.asp?id=173
    ''''Acima dos escravos, a classe universalmente considerada inferior às principais e muitas vezes apontada como parasita delas é a dos artesãos. Os artesãos são protegidos pelos guerreiros, alimentados pelos lavradores e beneficiados pelos estudos dos clérigos, sem nada devolver à sociedade de forma direta. Afinal, os artesãos nada criam e nada preservam: ao contrário, seu ofício é o da transformação, numa espécie de prestidigitação que parece sempre esvaziar os bolsos dos circundantes e encher os seus. O artesão pega o couro da vaca que o lavrador criou e faz dele sapatos, por exemplo, que revende ao lavrador por um preço muitas vezes superior ao de toda a peça de couro. Do mesmo modo, para o artesão faz sentido viver aos pés dos muros do castelo dos guerreiros, para por eles ser protegido em caso de necessidade.



    stas aglomerações de artesãos e comerciantes ao redor dos castelos chamavam-se, no Medievo, ''burgos''; seus habitantes eram os ''burgueses''. São estes, os burgueses, que tomaram o poder nas Revoluções do final do Século XVIII, e é a eles que pertence a sociedade que ora soçobra. A raridade desta vem de ela ser a primeira sociedade de tão grande monta em que uma classe normalmente percebida como inferior não apenas se tornou a classe superior, mas pôde, por isso, organizar em redor de seus próprios valores (de curto prazo, dadas as próprias condições burguesas, que fazem com que simplesmente não haja interesse pelo longo prazo, que dirá pelo Eterno) todo o edifício social. Já existiram sociedades em que artesãos e comerciantes tiveram grande importância, como as fenícias e cartaginesas, além de algumas sociedades do Extremo Oriente, mas esta posição normalmente vinha acompanhada de uma importância proporcional ou maior dada naquelas aos guerreiros e nestas aos clérigos.''''

    O que o ramalhete diz coincide com a conclusão da mulher que diz que o empreendedor era desonrado . São duas pessoas que nunca conversaram, e com visões de mundo diferentes. Mas ambas concordam com a ideia que o comerciante, artesão, eram menos ''honrados'' na idade média. A diferença, é que um vê isso como bom, o outro como ruim.

    É hora dos liberais começarem a apontar como a igreja e a religião foram fatores de atraso para a liberdade econômica, apesar de nela ter nascido escolásticos espanhóis e austríacos.

    O capitalismo é incompatível com a estrutura medieval que esse pessoal sonha que retorne.

  • anônimo  01/08/2016 09:12
    'O capitalismo é incompatível com a estrutura medieval que esse pessoal sonha que retorne. '
    Falácia do espantalho...
    Se vc quer debater com 'esse pessoal' melhor subir um pouco esse seu nível.


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