Sem o dinheiro, não há nem civilização e nem progresso

Este artigo foi extraído do livro "O que o governo fez com o nosso dinheiro", futuro lançamento do IMB

 

O surgimento do dinheiro

Como surgiu o dinheiro?  É claro que Robinson Crusoé, sozinho em sua ilha, não necessitava de nenhum dinheiro.  Ele não poderia comer moedas de ouro.  Tampouco Crusoé e Sexta-Feira, ao trocarem entre si peixe por madeira, tinham de se preocupar com dinheiro.  Porém, quando a sociedade se expande e passa a ser formada por várias famílias, o cenário se torna propício para o surgimento do dinheiro.

Para explicar a função do dinheiro, temos de retroceder no tempo e perguntar: por que, afinal, os homens fazem transações econômicas?  Por que eles trocam bens entre si?  A troca é a base essencial de nossa vida econômica.  Sem trocas, não haveria uma economia real e, praticamente, não haveria sociedade.  Quando uma troca é voluntária, ela claramente ocorre porque ambas as partes esperam se beneficiar dessa transação.  Uma troca é um acordo entre A e B no qual A transfere seus bens ou seus serviços para B, e B por sua vez transfere seus bens ou seus serviços para A.  Obviamente, ambos, por definição, esperam se beneficiar dessa troca, pois cada um valoriza mais aquilo que está recebendo do que aquilo do qual abriu mão.  Não fosse assim, não haveria uma troca voluntária.

Quando, por exemplo, Robinson Crusoé troca um peixe por um pedaço de madeira, ele dá mais valor à madeira que está "comprando" do que ao peixe que está "vendendo", ao passo que para Sexta-Feira, ao contrário, dá mais valor ao peixe do que à madeira.  De Aristóteles a Marx, o homem erroneamente tem acreditado que uma troca denota algum tipo de igualdade de valor — que se um barril de peixes é trocado por dez toras de madeira, então há uma espécie de igualdade secreta entre tais coisas.  A verdade, no entanto, é que a troca só ocorreu porque cada uma das partes valorou os dois produtos de maneira distinta.

Por que a propensão a transacionar é algo tão universal na humanidade?  Fundamentalmente, por causa da grande variedade existente na natureza: a variedade que há nos homens e a variedade e a diversidade da localização dos recursos naturais.  Cada homem possui um conjunto diferente de habilidades e aptidões específicas, e cada pedaço de terra possui suas características próprias, suas riquezas únicas.  É desta variedade — um fato externo e natural — que surge a troca: o trigo produzido em uma localidade geográfica é trocado pelo ferro produzido em outra localidade geográfica; um indivíduo fornece seus serviços médicos em troca do prazer de ouvir uma música tocada em um violino por outro indivíduo. 

A especialização permite que cada indivíduo aprimore suas melhores habilidades, e permite que cada região geográfica desenvolva seus próprios recursos particulares.  Se ninguém pudesse transacionar, se cada indivíduo fosse forçado a ser totalmente autossuficiente, a maioria de nós obviamente morreria de fome, e o restante mal conseguiria se manter vivo.  A troca é a força vital não só da economia, mas da própria civilização.

Escambo

No entanto, esse processo de troca direta de bens e serviços úteis dificilmente seria capaz de manter uma economia acima de seu nível mais primitivo.  Tal troca direta — ou escambo — dificilmente é melhor do que a pura e simples autossuficiência. Por quê?  Em primeiro lugar, está claro que tal arranjo permite somente uma quantidade muito pequena de produção.  Se João contrata alguns trabalhadores para construir uma casa, com o que ele lhes pagará?  Com partes da casa?  Com os materiais de construção que não forem utilizados? 

Os dois problemas básicos deste arranjo são a "indivisibilidade" e a ausência daquilo que chamamos de "coincidência de desejos".  Assim, se o senhor Silva tem um arado que ele gostaria de trocar por várias coisas diferentes — por exemplo, ovos, pães e uma muda de roupas —, como ela faria isso?  Como ele dividiria seu arado e daria uma parte para um agricultor e a outra parte para um alfaiate?  Mesmo para os casos em que os bens são divisíveis, é geralmente impossível que dois indivíduos dispostos a transacionar se encontrem no momento exato.  Se A possui um suprimento de ovos para vender e B possui um par de sapatos, como ambos podem transacionar se A quer um terno?  Imaginem, então, a penosa situação de um professor de economia: ele terá de encontrar um produtor de ovos que queira comprar algumas aulas de economia em troca de seus ovos! 

Obviamente, é impossível haver qualquer tipo de economia civilizada sob um arranjo formado exclusivamente por trocas diretas.

Trocas indiretas

Felizmente, o homem descobriu, em seu infindável processo de tentativa e erro, um arranjo que permitiu que a economia crescesse de forma contínua: a troca indireta.  Em uma troca indireta, você vende seu produto não em troca daquele bem que você realmente deseja, mas sim em troca de um outro bem que você, futuramente, poderá trocar pelo bem que você realmente deseja.  À primeira vista parece uma operação canhestra e circular.  Mas a realidade é que foi exatamente este maravilhoso arranjo o que permitiu — e que segue permitindo — o desenvolvimento da civilização.

Considere o caso de A, o agricultor, que quer comprar os sapatos feitos por B.  Dado que B não quer ovos, A terá de descobrir o que B realmente quer — digamos que seja manteiga.  O indivíduo A, então, troca seus ovos pela manteiga de C, e então vende a manteiga para B em troca dos sapatos.  O indivíduo A irá comprar a manteiga não porque a deseja diretamente, mas sim porque isso o permitirá adquirir os sapatos.  Similarmente, o senhor Silva, o dono do arado, venderá seu arado por uma mercadoria que ele possa com mais facilidade dividir e vender — por exemplo, manteiga.  Ato contínuo, ele trocará partes de manteiga por ovos, pães, roupas etc. 

Em ambos os casos, a superioridade da manteiga — razão pela qual existe uma demanda extra por ela, que vai além do seu mero consumo — está em sua maior comerciabilidade, ou seja, em sua maior facilidade de ser trocada, de ser vendida, de ser comercializada.

Se um bem é mais comerciável do que outro — se todos os indivíduos estão confiantes de que tal bem será vendido com mais facilidade —, então ele terá uma grande demanda, pois ele será usado como um meio de troca.  Ele será o meio pelo qual um especialista poderá trocar seu produto pelos bens de outros especialistas.

Assim como há uma grande variedade de habilidades e recursos na natureza, também há uma grande variedade na comerciabilidade dos bens existentes.  Alguns bens são mais demandados que outros, alguns são plenamente divisíveis em unidades menores sem que haja perda de valor, alguns são mais duráveis, e outros são mais transportáveis por longas distâncias. Todas essas vantagens aumentam a comerciabilidade de um bem.  Sendo assim, em cada sociedade, os bens mais comerciáveis serão, com o tempo, escolhidos para representar a função de meio de troca.  À medida que sua utilização como meio de troca vai se tornando mais ampla, a demanda por eles aumenta, e, consequentemente, eles se tornam cada vez mais comerciáveis.  O resultado é uma espiral que se auto-reforça: mais comerciabilidade amplia o uso do bem como meio de troca, o que por sua vez aumenta ainda mais sua comerciabilidade, reiniciando o ciclo.  No final, apenas uma ou duas mercadorias serão utilizadas como meios gerais de troca — em praticamente todas as trocas.  Tais mercadorias são chamadas de dinheiro.

Ao longo da história, diferentes bens foram utilizados como meios de troca: tabaco, na Virgínia colonial; açúcar, nas Índias Ocidentais; sal, na Etiópia (na época, Abissínia); gado, na Grécia antiga; pregos, na Escócia; cobre, no Antigo Egito; além de grãos, rosários, chá, conchas e anzóis.  Ao longo dos séculos, duas mercadorias, o ouro e a prata, foram espontaneamente escolhidas como dinheiro na livre concorrência do mercado, desalojando todas as outras mercadorias desta função.  Tanto o ouro quanto a prata são altamente comerciáveis, são muito demandados como ornamento, e se sobressaem em todas as outras qualidades necessárias.  Em épocas recentes, a prata, por ser relativamente mais abundante que o ouro, se mostrou mais útil para trocas de menor valor, ao passo que o ouro foi mais utilizado para transações de maior valor.  De qualquer maneira, o importante é que, independentemente do motivo, o livre mercado escolheu o ouro e a prata como a mais eficiente forma de dinheiro.

Este processo — a evolução cumulativa de um meio de troca no livre mercado — é a única maneira pela qual o dinheiro pode surgir e ser estabelecido.  O dinheiro não pode se originar de nenhuma outra maneira: mesmo que as pessoas repentinamente decidam criar dinheiro utilizando materiais inúteis, ou o governo decrete que determinados pedaços de papel agora são "dinheiro", nada disso pode funcionar se o bem estipulado não possuir um histórico como meio de troca

Toda e qualquer demanda por dinheiro ocorre porque as pessoas podem utilizar aquele bem para calcular preços.  Incorporado na demanda pelo dinheiro está o conhecimento dos preços do passado imediato.  Ao contrário dos bens diretamente utilizados pelos consumidores e pelos empreendedores, a mercadoria a ser utilizada como dinheiro tem de apresentar um histórico de expressão de valores na forma de preços.  Antes de tal produto ser definido como dinheiro, ele tem de possuir um passado no qual ele foi utilizado como definidor de preços.  É sobre este histórico que a demanda será baseada. 

Porém, a única maneira pela qual isso pode acontecer é começando por uma mercadoria que foi utilizada quando a economia ainda operava sob escambo.  Ato contínuo, a essa demanda anterior pelo seu uso direto (por exemplo, no caso do ouro, para ornamentos), é acrescentada a demanda para ele passar a ser utilizado como um meio de troca.[1] 

Portanto, o governo é completamente impotente para criar um dinheiro do nada, utilizando um material sem passado algum como meio de troca; o dinheiro só pode surgir e evoluir pelo processo de livre mercado.

O que nos leva, então, à verdade mais importante de toda essa nossa argumentação a respeito do dinheiro: o dinheiro é uma mercadoria.  Aprender essa simples lição é uma das tarefas mais importantes do mundo.  Com enorme frequência, as pessoas falam de dinheiro como se fosse algo muito acima ou muito abaixo dessa realidade.  O dinheiro não é uma abstrata unidade de conta, perfeitamente separável de um bem concreto; não é um objeto inútil que só presta para trocas; não é um "título de reivindicação" sobre os bens produzidos pela sociedade; não é uma garantia de um nível fixo de preços.  O dinheiro é simplesmente uma mercadoria. 

O dinheiro difere das demais mercadorias por ser demandado majoritariamente como um meio de troca.  Mas, excetuando-se isso, o dinheiro é uma mercadoria — e, como todas as mercadorias, ele possui um estoque real e é demandado por pessoas que querem comprá-lo, que querem portá-lo etc.  Como todas as mercadorias, seu "preço" — em termos de outros bens — é determinado pela interação entre sua oferta total, ou estoque, e sua demanda total por pessoas que querem comprá-lo e guardá-lo. (As pessoas "compram" dinheiro ao venderem seus bens e serviços, e "vendem" dinheiro ao comprarem bens e serviços).

Os benefícios do dinheiro

O surgimento do dinheiro foi uma grande dádiva para a humanidade. Sem o dinheiro — sem um meio geral de troca — seria impossível haver uma genuína especialização, uma genuína divisão do trabalho.  Consequentemente, seria impossível a economia avançar para além de seu nível mais simples e primitivo. Com o dinheiro, todos os problemas de indivisibilidade e da "coincidência de desejos", que atormentavam a sociedade baseada no escambo, são eliminados.  Agora, João pode contratar trabalhadores e pagá-los em... dinheiro.  O senhor Silva pode vender seu arado por unidades de... dinheiro.

O dinheiro-mercadoria é divisível em pequenas unidades, e é aceito generalizadamente por todos.  Sendo assim, todos os bens e serviços são vendidos por dinheiro, e esse dinheiro é então utilizado para comprar outros bens e serviços que as pessoas desejam.  Por causa do dinheiro, é possível se criar uma complexa "estrutura de produção" formada por fatores de produção como bens de capital, mão-de-obra e terra.  Todos estes fatores são combinados de modo a aprimorar o processo produtivo em cada estágio da cadeia de produção.  E todos estes fatores são pagos em dinheiro.

A criação do dinheiro traz outro grande benefício.  Uma vez que todas as trocas são feitas em dinheiro, todas as 'taxas de câmbio' ou 'razões de troca' são expressos em valores monetários, de modo que as pessoas agora podem comparar o valor de mercado de cada bem em relação aos demais.  Se um aparelho de televisão é trocável por três onças de ouro, e um automóvel é trocável por sessenta onças de ouro, então nota-se que um automóvel "vale", no mercado, vinte aparelhos de televisão.  Tais 'taxas de câmbio' ou 'razões de troca' são os preços, e o dinheiro-mercadoria serve como um denominador comum para todos os preços. 

É o estabelecimento de preços monetários no mercado o que permite o desenvolvimento de uma economia civilizada, pois somente os preços permitem ao empreendedor fazer o cálculo econômico.  Podendo fazer o cálculo econômico, os empreendedores podem avaliar o quão corretamente estão satisfazendo as demandas dos consumidores; eles podem avaliar como os preços de venda de seus produtos se comportam em relação aos preços que têm de pagar pelos fatores de produção (seus "custos").  Dado que todos esses preços são expressos em termos monetários, os empreendedores podem determinar se estão auferindo lucros ou sofrendo prejuízos.  São esses cálculos que guiam os empreendedores, os trabalhadores e os proprietários de terra e de bens de capital em sua busca pela renda monetária no mercado.  Somente esses cálculos permitem que recursos escassos sejam alocados para seu uso mais produtivo — para aqueles investimentos que irão satisfazer da melhor forma possível a demanda dos consumidores.

Praticamente todos os manuais de economia dizem que o dinheiro possui várias funções: ser um meio de troca, ser uma unidade de conta (ou um "mensurador de valores"), ser uma "reserva de valor" etc.  No entanto, já deve estar claro que todas essas funções são simplesmente corolários da única grande função do dinheiro: ser um meio de troca.  Por sempre ter sido um meio geral de troca, o ouro é a mercadoria mais comerciável.  Ele pode ser estocado para servir como meio de troca tanto no futuro quanto no presente, e historicamente todos os preços sempre foram expressos em termos de ouro.[2]  Por sempre ter sido uma mercadoria utilizada como meio para todas as trocas, o ouro sempre serviu como unidade de conta tanto para os preços do presente quanto para os preços esperados no futuro. 

É importante entender que o dinheiro só pode ser visto como uma unidade de conta ou como um título de reivindicação sobre bens a partir do momento em que ele passa a servir como um meio de troca.  É de sua função como meio de troca que derivam todas as outras suas características, como ser unidade de conta e reserva de valor.

Civilizações só existem e o mundo só se desenvolve quando existe o dinheiro.



[1] Sobre a origem do dinheiro, cf. Carl Menger, Principles of Economics, Glencoe: Free Press, 1950, p. 257-71; Ludwig von Mises, The Theory of Money and Credit, New Haven: Yale University Press, 1951, p. 97-123.

[2] O dinheiro não "mensura" preços ou valores.  O dinheiro é um denominador comum para a expressão de preços e valores. Em suma, os preços são expressos em dinheiro, mas são por ele mensurados.


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SOBRE O AUTOR

Murray N. Rothbard
(1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.



Henrique Zucatelli
Bom dia
Sei que ter capital, fundos, poupança é importante mas:
Será que os consumidores quererão os meus produtos e serviços.
Se ninguém se interessar em comprar meus produto ou serviço que eu estou vendendo?
Se surgir uma oportunidade de negócios vou perder?
Meus concorrentes oferecerem melhores produtos e serviços que eu vou ter que aprimorar meus produtos ou serviços senão vou pra falência.
Isso estou vendo do lado do produtor, fornecedor de produtos e serviços.
Do lado do consumidor:
Será que preciso desse produto ou serviço?
Se preciso vou pagar a vista ou a prazo?
Caso eu compre à vista vou ter de poupar para adquirir o produto ou serviço que quero.
Caso eu compre à prazo vou ter de calcular quanto do meu ganho posso desprender para gastar.
Qual é melhor comprar a prazos curtos ou longos?
E finamente o que não se deve fazer:
Vou tomar empréstimo para comprar bens de consumo.
Vou compra itens no cartão de débito\crédito mesmo que não tenha fundos para cobrir o mesmo.
Vou Tomar empréstimo para pagar o cartão.
Isso do lado do consumidor.
Do lado do produtor\finacista e fornecedor de serviços:
Vou produzir itens em grande quantidade, mesmo que não consiga vender tudo.
Vou me associar a políticos para que tenha venda cativa de produtos e serviços para o governo cobrando acima do mercado e oferecendo produtos e serviços ruis
Vou toma empréstimo do governo para especular a compra e venda de empresas, mesmo que não entenda o que elas produzem ou serviço que elas oferecem.
Criarei lobis junto ao governo para que os meus interesses sejam atendidos.
Se falir terei AMIGOS no governo e me dá uma mãozinha.

O item 4 é contraditório com o item 10.
O professor Mueller tem uma visão um tanto equivocada com respeito à lógica.
Tanto a lógica aristotélica, quanto a lógica simbólica, incluindo a teoria dos conjuntos, são sistemas de ordenação argumentativa orientados na direção dedutiva nos quais a inferência está ligada necessariamente às premissas.
Para que o valor seja logicamente subjetivo, temos que incluir o valor campo dos objetos predicados por subjetivo.
Ora, vejam:
Para que isso ocorra, temos de recorrer às definições desses termos, pensando no método geométrico, as definições deveriam anteceder às teses, não estar incluídas nelas. Se ocorrer essa inversão lógica, o argumento é falacioso, chamada de Petição de Princípio (vide ORGANON - Aristóteles; COPY - Manual de Lógica; pesquisem sobre método geométrico)
Além disso, para que não haja inconsistência entre os itens 4 e 8 o trabalho deveria ter sido definido, tal como o valor o foi, como subjetivo. Senão o item 8 cria uma ambiguidade na passagem (por si só) que, do ponto de vista lógico, é um condicionante. Sem tal definição, o valor parece ter uma parte subjetiva e outra objetiva e, pior ainda, somente o condicionante do valor parece ser subjetivo. Se o trabalho não for caracterizado como subjetivo, o valor é efetivado objetivamente e, portanto, é objetivo.

Uma reordenação não viciada desses itens deve começar supondo o item 4, isto é, ser uma hipótese (eliminação do item 10). Posteriormente, definir o trabalho ou, por extensão ampliativa, incluir o trabalho no item 4.
"Se "4" e o trabalho for subjetivo, então "1""2""3""5""6""7""8""9""

Outro problema, mais grave, é usar o termo subjetivo e, por extensão, objetivo como predicados lógicos, i. é., características de coisas. A distinção entre subjetivo e objetivo é maior, isto é, anterior no processo de conhecimento, do que aquilo sobre o qual a lógica trata: as relações entre enunciados. Digamos, em termos mais simples, subjetivo não é uma característica de coisas, mas de afirmações, frases (vide POPPER - Lógica da Pesquisa Científica; RUSSELL & WHITEHEAD - Principia Mathematica; TARSKI - A Concepção Semântica da Verdade). Para incluir subjetivo e objetivo no vocabulário é necessário realizar uma metalinguagem que, por definição, exigirá a suspensão e a revalidação das definições. Dizer o por que tais definições devem ser aceitas.

A tentativa de criar leis em uma ciência que sejam a priori não funcionou nem na Física (vide KANT - Crítica da Razão Pura), mesmo na matemática (vide o embate entre FREGE e HILBERT) a tentativa foi, em parte, frustrada. Esse tipo de posição, chamada de Fundacionista, é uma visão, sinto informar, ultrapassada. A exigência de indicações empíricas e construções não totalizantes é regra fundamental para alcançar qualquer teoria saudável no pensamento científico atual.

PS. Desculpem-me o tecnicismo, não tenho o hábito de escrever para leigos. Devo melhorar nesse aspecto.
Bom dia Vladimir, como vai?

Que bom que começou a entender o começo da história. Agora falta a outra metade.

Não tem como prevermos a inovação. Pode parecer pleonasmo, mas inovar é fazer o novo, algo que ninguém fez até hoje. E isso pode dar certo (ou não). Claro que quando pensamos em inovações sempre vem a mente exemplos de sucesso como Apple, Microsoft, Ford e outros. Mas nos esquecemos que estes foram os vencedores. Em seus respectivos momentos, existiram dezenas (ou até centenas) de concorrentes brigando para saber quem iria se perpetuar, e a maioria caiu no caminho, foi absorvida ou simplesmente esquecida.

Se quiser entender mais como funcionam todos esses sentimentos de um grande inventor nos primórdios de sua carreira, recomendo que leia um livro muito bom (meu de cabeceira) do próprio Henry Ford- Os princípios da prosperidade . Tenho um exemplar da primeira edição, com o autógrafo do tradutor, ninguém menos que Monteiro Lobato. É um tesouro que guardo com muito carinho.

Voltando ao assunto, como toda inovação é nova (!), precisará de uma dose maciça de confiança de quem produz, aliado ao fato de que são recursos direcionados a esse projeto, com pouca ou nenhuma certeza de que irá dar certo. Repito à exaustão: quando olhamos invenções consagradas damos um valor a elas que não existia na época.

Justamente por esse princípio, é necessária a existência de poupança para financiar esses projetos. Sem poupança, sem inovação, por melhor que seja a ideia. Se tiver interesse nesse assunto, recomendo um ótimo livro de Peter Schiff - Como a economia cresce, e por que ela quebra .

Inclusive está a venda aqui no IMB:
www.mises.org.br/Product.aspx?id=55 .

Para finalizar, é melhor entender um pouco mais sobre como funciona o socialismo, e porque ele está sempre fadado ao fracasso. Como bem ilustra a Venezuela, os defensores do socialismo desconhecem uma lei básica da economia

Um grande abraço, e ótima semana para ti.










"só consigo comprar um IPhone por 'apenas' R$ 2000,00 porque ele é produzido aos milhões. Caso grande parte da população deixasse de comprar IPhone essa economia seria menos efetiva e com certeza cada IPhone custaria mais para ser produzido. Exemplo canônico: quase ninguém compra uma Ferrari e isso não faz ela ser mais barata, muito pelo contrário, ela seria muito mais barata se todo mundo comprasse uma: seria produzida na China e se chamaria Jac. :D"

Existem duas maneiras de um produto baratear, isto é produzir em larga escala com preços reduzidos ou produzir em larga escala com preços reduzidos e não houver demanda para tal produção, isso significa que pessoas estão se abstendo do consumo ou estão em crise. Portanto, as pessoas que pouparam ontem, hoje podem estar consumindo Iphones e ferraris ou investindo em bens de capital e assim aumentando ainda mais a abundância dos produtos.
Essa situação da demanda aconteceu recentemente com o consumo reduzindo e os preços acompanhando essa redução do consumo praticando menores preços.

"Além da economia de escala existe outro fator que você desconsiderou, as indústrias de bens não são facilmente reconfiguradas para produzir bens para as quais não foram inicialmente projetadas."

Para produzir bens tem que haver capital e o último advém de poupança. Contudo, para haver poupança para a população, os impostos sempre terão que ser baixos e isso possibilitaria empresas de várias partes do mundo vir produzir aqui pelas novas medidas do governo. As indústrias vindas do exterior automaticamente estaria trazendo seu conhecimento e técnicas para tal trabalho, isso significa que o país poderá produzir bens que não eram bons. Essa situação ocorreu na Coreia do Sul, Hong Kong, Taiwan, Japão e Singapura.
Coreia do Sul não tinha LG, SAMSUNG e Hyundai, e em pouco tempo pelos investimentos estrangeiros obteve conhecimento necessário para produzir o que não sabiam, produtos de alta tecnologia e carros.
Hong Kong seria tecnologia.
Taiwan idem de Hong Kong.
Japão acho que seria o setor automobilístico.
Singapura seria produtos de alta tecnologia.
Até tempo atrás não eram bons no que fazem hoje, e em pouco tempo conseguiram a façanha de realizarem tal ato.


ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Neto  19/01/2013 12:23
    Pois é, me lembro demais de ter citado exatamente esse capítulo várias vezes no artigo sobre o bitcoin. Parecia que o Rothbard tinha uma bola de cristal

    'Porém, a única maneira pela qual isso pode acontecer é começando por uma mercadoria que foi utilizada quando a economia ainda operava sob escambo. O dinheiro não pode se originar de nenhuma outra maneira: mesmo que as pessoas repentinamente decidam criar dinheiro utilizando materiais inúteis, ou o governo decrete que determinados pedaços de papel agora são "dinheiro", nada disso pode funcionar se o bem estipulado não possuir um histórico como meio de troca. '


  • Gustavo  19/01/2013 12:23
    Muito bom....
    Como tudo que é belo: deixa o complexo, simples
    Arquivei para um dia ensinar aos meus filhos
  • Neto  19/01/2013 12:36
    Não seria melhor deixar como no original 'dinheiro é uma commodity' do que 'dinheiro é uma mercadoria'? Um carro é uma mercadoria, e não tem esse sentido que a palavra commodity tem, de se referir a bens sem muita diferenciação
  • N.E.N.D.  19/01/2013 14:59
    Prova que os direitontos, assim como os esquerdopatas odeiam o libertarianismo:

    "Para Cibele, a Arena vem suprir a vacância de uma representação de direita em um contexto de pragmatismo ideológico. "Eu diria que, entre os que estão por aí, não existe partido de direita. Existem centristas, um tanto governistas, na sua maior parte social-democratas (como o PSDB) ou liberais (como era o PFL, hoje Democratas, e o PP). O perfil do nosso partido não é focado no liberalismo. Como programa, a gente não defende o Estado mínimo nem o Estado máximo, porque o Estado máximo seria implantar uma ditadura aos moldes comunistas e marxistas, e o Estado mínimo seria simplesmente criar um anarquismo", ela pondera, exaltando a moderação como virtude própria do conservador."

    noticias.terra.com.br/brasil/politica/estudante-lidera-movimento-para-refundar-partido-do-regime-militar,29581cc32a55b310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html
  • Um Filósofo  19/01/2013 15:16
    O dinheiro é a mais lamentável invenção da história humana. Ele é dívida e escravidão. Por que?

    Quando o governo toma dinheiro emprestado da Reserva Federal, ou quando uma pessoa faz um crédito num banco, quase sempre deve ser devolvido com pesados juro .Por outras palavras, quase todos os dólares que existem um dia terão que ser devolvidos a um banco com o pagamento de juros embutidos. Porém, se todo o dinheiro é emprestado do Banco Central, e expandido pelos bancos comerciais através de empréstimos, somente o que chamamos de "principal" está sendo criado na existência de dinheiro.Então, onde está o dinheiro para cobrir os juros que são cobrados? Em lugar nenhum. Não existe. As ramificações disso são inacreditáveis, pois a quantia de dinheiro devida aos bancos sempre será maior que a quantidade de dinheiro em circulação. É por isso que a inflação é uma constante na economia,pois o dinheiro novo é sempre necessário para ajudar a cobrir o défice embutido no sistema causado pela necessidade de se pagar juros. Isso também significa que, matematicamente, a insolvência e as falências são literalmente partes do sistema. E será sempre a parte mais pobre da sociedade que sofrerá com isso. Uma analogia seria a dança das cadeiras:quando a música pára, sempre sobra alguém de fora. A ideia é essa. As riquezas verdadeiras são invariavelmente transferidas das pessoas para os bancos,pois se não copnseguir pagar sua hipoteca, a sua propriedade será tomada. Isso é particularmente revoltante quando percebe não só que a insolvência é inevitável devido à prática de reservas fraccionadas,mas também porque o dinheiro que o banco lhe emprestou nem chegou a existir legalmente.

    Pense nisso: o dinheiro é criado a partir de dívidas. O que as pessoas fazem quando possuem dívidas? Buscam empregos para poder pagá-las. Mas se o dinheiro só pode ser criado a partir de empréstimos, como vai a sociedade algum dia libertar-se das dívidas? Não pode, e essa é a questão. E é o medo da perca de bens, junto com a luta para se manter com dívidas perpétuas e inflação como parte do sistema, compostos pela característica inevitável da escassez da oferta de dinheiro, criado pelos juros e que nunca poderão ser pagos que mantém o escravo do salário na linha correndo sem sair do mesmo lugar como milhões de outros. Efetivamente, fortalecendo um império que só beneficia a elite no topo da pirâmide. No fim das contas, para quem você realmente trabalha? Para os bancos! O dinheiro é criado no banco e acaba invariavelmente de retorno ao banco. Eles são os verdadeiros senhores, junto com as corporações e governos que apoiam. A escravidão física exige alojamento e comida para os trabalhadores. A escravidão econômica exige que as pessoas consigam a sua própria casa e comida. Esse é um dos engodos mais engenhosos para manipulação social jamais criados. E na sua essência está em guerra invisível contra a população. A dívida é a arma usada para conquistar e escravizar sociedades, e os juros são sua munição principal. Enquanto a maioria de nós circula sem saber dessa realidade, os bancos, associados aos governos e corporações continuaram a aperfeiçoar e expandir suas tácticas de guerra econômica.

    Ou seja, se desejarmos uma sociedade cuja administração central for baseada em uma visão realista dos recursos e do que fazer com eles, não deverá haver dinheiro ou determinação espontânea da alocação de recursos, pois os indivíduos que habitam e realizam trocas constantemente no mercado não fazem a menor idéia de como gerí-lo. Apenas uma instituição central será capaz de fazê-lo sempre voltada ao bem comum á longo prazo. O mercado é imediatista e apenas sobrevive enquanto os homens aceitarem serem escravos uns dos outros na satisfação dos desejos mútuos, o que é uma terrível brutalidade, pois o povo é constantemente alienado para rejeitar as brilhantes contribuição culturais de artistas e escritores; sendo eles dependentes da aprovação de um povo manipulado pelos ricos, jamais poderão viver de sua arte e seu trabalho jamais evoluirá a civilização. E ainda ouço críticas quando defendo que o Estado financie pensadores com o dinheiro daqueles que apreciariam sua arte se não fossem alienados pela mídia.

    Apoiar tal arranjo, ainda mais vindo do senhor Rothbard, é uma brutalidade. Se quisermos evoluir como sociedade, as trocas voluntárias e o dinheiro precisam deixar de existir.
  • Augusto  19/01/2013 16:04
    Leia o artigo. Sua critica nao faz o menor sentido no contexto.
  • Kleber  19/01/2013 17:24
    Um Filósofo,

    Você disse:

    Se quisermos evoluir como sociedade, as trocas voluntárias e o dinheiro precisam deixar de existir.

    Rothbard disse:

    Foram as trocas voluntárias e o dinheiro que nos permitiram evoluir como sociedade.

    Você quer dizer:

    Se os ovos estão chocos (podres) então matemos as galinhas.

    Rothbard quer dizer:

    Sem as galinhas não teríamos ovo algum, nem os chocos nem aqueles usados em omeletes, bolos, ou comidos fritos ou cozidos.

    O problema é que você só está olhando o ovo choco, e concluindo que o problema é galinha, sem levar em conta que o problema pode ser o dono do galinheiro.

    Retire do seu argumento, a existência do banco central que possibilita o esquema de reservas fracionárias, e a criação pelo governo de papel com desenhos de tinta e a coerção sobre a população do uso compulsório e exclusivo desses papéis como dinheiro, e você verá que o seu argumento se esfacelará completamente.


  • anônimo  19/01/2013 18:38
    Nenhum esquerdista entenderia lhufas sobre o dinheiro como dívida, você além de se superar está superando todos os níveis que um esquerdista jamais vai chegar.
  • pensador barato  19/01/2013 19:04
    kkkkkkkkkkkk!Quanta bobagem escrita por este filósofo de araque,deixa o padeiro de sua esquina parar de fazer pão,ai sim eu quero ver você apelar para os burrocratas de Brasília socorrerem-no.Sendo que o rei filósofo só na cabeça de Platão,ele era a favor da escravidão,mas,quando sentiu no lombo o gosto da escravidão,mudou de idéia.
  • Fernando Ulrich  19/01/2013 19:53
    Este filósofo não é esquerdista. É adepto da ideologia nazista e, pela linguagem, deve ter lido alguns livros ou panfletos do economista do Nazismo Gottfried Feder.

    O filósofo afirma que "os indivíduos que habitam e realizam trocas constantemente no mercado não fazem a menor idéia de como gerí-lo. Apenas uma instituição central será capaz de fazê-lo sempre voltada ao bem comum á longo prazo.", o que me intriga, pois fico imaginando quais seriam os indivíduos encarregados por essa tal instituição central. Anjos? Marcianos? Pelo jeito há alguma outra categoria de indivíduo a qual tem plena consciência e capacidade de saber como gerir os recursos.
  • Um Filósofo  19/01/2013 20:31
    Senhor Ulrich, sua pergunta vem sendo respondida desde Platão. Indivíduos de alma irascível, como militares(Aqueles que assumiram o poder nazista), não governarão em prol do bem comum mas para a satisfação de seu prazer belicoso. Indivíduos de alma concupiscente, sendo suscetíveis aos prazeres mundanos e incapazes de deter suas tentações, governarão para atender seus prazeres imediatos ao invés de servir ao bem comum(Lembrando que tais indivíduos são os atuais gerentes do mercado, como consumidores e produtores).

    Já indivíduos de alma magnânima, capazes de observar o que há além do material, resistir aos impulsos e governar em busca do bem comum, os Filósofos; são aqueles que devem gerir a sociedade e seus recursos, pois apenas eles são capazes de governar para todos e por prazo indefinido. Na ausência dos mesmos, um aparato de análise científica da economia e das capacidades humanas deve ser colocado em questão para gerenciar o mundo visando a eficiência máxima, o fim do desperdício e a igualdade(Tentativa que infelizmente falhou durante o Socialismo Real graças à má gerência dos soviéticos).
    Tal aparato científico de manutenção da economia, se colocado em ação hoje, seria decidido por um super-computador capaz de alocar os recursos para o bem-estar de todos à longo prazo.

    Filósofos, diferentes de "Anjos" e "Marcianos", são indivíduos reais que compreendem o "Tratado das Grandes Virtudes" e dominam as tentações mundanas. Espero que tenha esclarecido eventuais dúvidas sobre como deve ser a gerência da sociedade.

    _____________________________________________________________________________________
    Típico Filósofo/Um Filósofo é um personagem satírico criado em 2012 por um grande fã da metodologia austríaca e visitante constante do Instituto Mises Brasil. Suas postagens visam apenas mencionar alguns dos absurdos das "soluções" estatistas ditas por professores de filosofia e esquerdistas genéricos das escolas e universidades ocidentais, tratando de oferecer a outros usuários uma fonte humorística ou simples desafios intelectuais sobre o conhecimento obtido no próprio tópico ou no site.
    Qualquer semelhança do Filósofo com algum esquerdista conhecido NÃO é mera coincidência.
  • Fabio  19/01/2013 22:39
    Hehehehe.

    Eu caí na pegadinha deste Filósofo.
  • anônimo  20/01/2013 02:35
    Nazista é esquerdista. O Mises deixou bem claro isso: tanto nazistas, quantos esquerdistas defendem as mesmas políticas. O comentarista que comenta e escreve nesta há tempos, deveria saber disso.
  • Bright  20/01/2013 14:25
    Me mato de rir com as postagens do Filósofo. E ainda tem gente que cai nas ironias dele.
  • Renato Souza  20/01/2013 15:17
    As pessoas caem porque as piadas sobre o que pensam os esquerdistas parecem muito com o pensamento REAL dos esquerdistas.

    Outro dia o Reinaldo de Azevedo postou um artigo do excelente site satírico "Vanguarda Popular", e chamou a atenção para o fato desse artigo satírico parecer muito com os verdadeiros comunicados co PCdoB. Pois bem, alguns comentaristas desavisados do blog do Reinaldo confundiram as coisas, e publicaram comentários criticando o pessoal do VP supondo que era a sério.

    Resumo da ópera: idéias de comunistas parecem palhaçada.

    Mas seus resultados são tragédias.
  • Daniel  19/01/2013 15:43
    Olá pessoal, sou novíssimo no site. Tenho acompanhado alguns dos diversos artigos que aqui foram postados. Também li e aprendi muito com os debates que se formaram nos comentários. Por isso gostaria de agradecer a equipe que forma o IMB e todos que , através de comentário, distribuem todo esse conhecimento. Obrigado!
    Aproveitando a passagem, ficaria muito grato se alguém me indicasse um livro ou artigo(de preferência um artigo, visto que estes do IMB são bem didáticos) que me explique melhor como funciona esse negócio de "criação de dinheiro do nada por parte do Bacen" já citado por aqui. Novamente, obrigado!
  • Patrick de Lima Lopes  19/01/2013 16:07
    Olá, Daniel. Bem-vindo.

    Aqui estão alguns artigos que podem ajudá-lo a compreender o Bitcoin:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1362

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1486
  • maurício barbosa  19/01/2013 19:44
    A ordem espontânea não resolve todos os problemas,mas com certeza o setor privado é muito mais eficiente na alocação dos recursos,Mises acertou na mosca ao demonstrar que o teste de lucro\prejúizo do Mercado é infálivel,ou seja o estado é um peso morto em nossas costas,pois qual de nós quando procuramos emprego o nível de exigências é altìssimo tudo por conta dessa legislação trabalhista hipertrofiada,enquanto o governo faz lambança com nosso dinheiro,até quando meu DEUS seremos enganados e empurrados por este sistema corrompido e falido para nós e lucrativo para os poderosos.
  • Um pensador de esquerda  19/01/2013 19:49
    Como poderia dizer Arnaldo Jabor, este é um site fachista ("fascista" com sotaque carioca) visa somente o individualismo, a grana, a posse irresponsável de armas de fogo. Querem acabar com a América, e de quebra, o resto do mundo. O destino deu-nos Obama pela segunda vez. Aquele negro belo, de mãos santas, está desfazendo muitas cag@adas daqueles republicanos boçais, que encontram em sites fachistas como o Mises, retrógados analfabetos em economia básica, que ainda acreditam no livre mercado selvagem de uma América arcaica do século 19. Keynes e a crise de 1929 os enterrou há décadas, mas ainda estão por aí, assustando a tudo e a todos em incansáveis e histéricas criticas estúpidas contra a social-democracia.
  • pensador barato  20/01/2013 16:56
    Um pensador de esquerda alienado ou mal-intencionado ou as duas coisas juntas em que mundo você vive camarada deve ser no mundo do faz de conta,acorda para a realidade e vá estudar economia,e não me venha com estas lorotas de que existe uma classe de homens iluminados que irão governar o mundo com justiça e paz,tal classe não existe,moro em uma cidade pequena onde as pessoas não ganham salário minímo e nem tem carteira assinada,ninguém morreu de fome por causa disso,o governo é um trapalhão,a prefeitura não cumpre a lei trabalhista ou seja não precisamos de governo.
  • Lucas Silva  21/01/2013 12:58
    É só um troll, like típico filósofo só que com o português ruim. ;)
  • Sérgio  20/01/2013 02:33
    Como se a civilização e o progresso girassem só em torno de dinheiro. propriedade, família, cultura, moral, etc. nada disso importa, né? Só dinheiro.
  • Renato Souza  20/01/2013 13:37
    Não foi isso que entendi do artigo.
  • anônimo  20/01/2013 14:33
    Sérgio, pense bem, uma coisa é falar: sem A não existe B
    Outra é falar que essa afirmação implica que B não tem importância.
    Coisa que ninguém disse.
  • mauricio barbosa  20/01/2013 13:48
    Sérgio,não é uma questão financeira,é uma questão de alocar recursos de forma eficiente e lucrativa para ambos os lados,para seu governo apesar da faculdade ser povoada de professores despreparados e até mesmo alienado e dos livros textos estarem recheados de teorias mainstream,mesmo assim todos reconhecem que o livre-comércio é benéfico para as nações,nós libertários acrescentamos livre-mercado onde cada produtor e cada consumidor livremente estabelecem o melhor acordo,esse papo de hipossuficiência é verdade em parte,pois as pessoas não são coitadinhas,são apenas desinformadas,portanto quando elas passam a ter acesso a informação automaticamente deixam de ser alienadas,é tudo muito simples,deixa de preconceito,ora ninguém precisa de faculdade para ser comerciante ou empresário(até mesmo político,essa classe abjeta e nojenta)e ai eu te pergunto a questão é só financeira.(Claro que não!)
    OBS: Faculdade só é importante em parte,ela só será preciosa quando o leque de matérias puder ser selecionada pelo aluno no tempo e no espaço,de acordo com suas necessidades e aliando teoria e prática livremente sem as amarras atuais onde o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende,um verdadeiro faz de conta,posso te dizer que aprendo economia muito mais nos artigos de Mises do que vi na faculdade, instituição falida.
  • mauricio barbosa  20/01/2013 14:10
    Leandro gostaria imensamente que a equipe IMB fizesse um artigo único ou vários abordando as demonstrações contábeis do Banco central de forma didática com dados reais ou dados fictícios e com riqueza de detalhes(marca registrada do IMB)de maneira a ficar claro o modus operandi dessa instituição nefasta para o mercado e mais ainda para nossas poupanças.
    Sei que é uma tarefa complicada,mas ela se tornaria referência no site para tirar dúvidas sobre política monetária na prática.Pois nos livros-textos da academia tal assunto é abordado superficialmente e até mesmo de forma confusa,como o objetivo do site é desmistificar as ciências econômicas,acredito ser fundamental destrinchar ao máximo como funciona esta merda de instituição.
  • cochise  20/01/2013 14:56
    'Porém, a única maneira pela qual isso pode acontecer é começando por uma mercadoria que foi utilizada quando a economia ainda operava sob escambo"

    O cigarro tem esse papel no sistema prisional...
  • B_Diniz  20/01/2013 17:47
    Srs.

    Se só houvesse ouro como moeda de troca, ou papel moeda no padrão ouro, seria possível ainda haver inflação?

    Att
  • anônimo  20/01/2013 20:48
    É só ver qual era a inflação no tempo que os EUA usavam o padrão ouro
  • amauri  21/01/2013 10:55
    Bom dia!
    A economia americana volta a polarizar um novo aumento no teto da divida. Parece que eles tem a certeza de que o desenvolvimento econômico vai ocorrer logo. Existem alguns que começam a dizer de um possível default full-blown. O atual presidente Obama, quando senador nao criticou aumento no teto da vivida? abs
  • Daniel  21/01/2013 14:45
    Fiquei curioso... E qual era a inflação no tempo que os EUA usavam o padrão ouro?
  • Leandro  21/01/2013 15:00
    Clique aqui:

    www.measuringworth.com/inflation/

    No quadro à direita, selecione apenas U.S., e digite 1865 para "Initial Year" e 1913 para "ending year". Além das taxas anuais, note que a deflação média anual foi de 1%

    Isso significa que um bem que custava US$100 em 1865, custava US$ 60,80 em 1913.
  • Sérgio  21/01/2013 15:41
    Eu ia indicar este site.
  • anônimo  22/01/2013 23:22
    A propósito, Leandro. Você tem números sobre as poupanças dos americanos no período pós-Guerra Civil (digamos, 1866-1900)? Tem os números sobre a fração da renda economizada pelos cidadãos americanos na época do padrão ouro?
  • Leandro  23/01/2013 00:17
    Desconheço que elas existam. Estatísticas desse tipo não eram comuns naquela época. Se alguém tiver, gostaria de ver.
  • Daniel  21/01/2013 18:19
    Obrigado, Leandro! Só para ver se entendi: esse período(1865-1913) representa a época em que os EUA utilizaram o padrão-ouro, correto? No mesmo site eu coloquei também a data de 1913 à 2012, a inflação foi de 3,25%, então esse aumento inflacionário é devido o intervencionismo do FED, certo? Obrigado!
  • Leandro  21/01/2013 20:54
    Correto. Utilizando a mesmo métrica, aquilo que custava US$100 em 1913, hoje custa US$1.740.

    Ou, o que dá no mesmo, US$100 dólares de 1913 hoje valem apenas US$4,27.

    E isso porque o Fed foi criado para "estabilizar" o dólar.
  • Felipe  21/01/2013 20:11
    Vagando pelos cantões do velho orkut, encontro um tópico sobre Miseis; eis que me deparo com tamanha pérola:

    www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=795788&tid=5832376498425625522&na=3&npn=2&nid=795788-5832376498425625522-5834847882705950624
  • anônimo  21/01/2013 20:12
    Expliquem uma coisa, quando teve padrão-ouro sem interferência de governo? Já existiu? Porque os reinos nacionais já cunhavam as moedas e até Roma... Houve algum momento em que realmente não teve?
  • Daniel  22/01/2013 12:26
    Certo, Leandro, estou compreendendo! Mas, e se pensarmos pelo lado otimista, quero dizer, e se esse aumento de dinheiro na economia fosse com o intuito de estimular o crescimento. Por exemplo: a grande oferta de crédito no setor imobiliário tem estimulado a construção civil. Indo direto ao ponto, quero dizer que, pelo que entendi até agora, a ideia libertária promove crescimento lento(falta de estímulo), e, a intervencionista promove crescimento pontuado(ciclos), não?
    Nota: a pergunta faz parte do meu processo de entendimento, por favor, não entendam como crítica!
  • Leandro  22/01/2013 16:50
    Prezado Daniel, a riqueza real não pode ser aumentada por meio da simples criação de dinheiro e de crédito. Aumentar a quantidade de pedaços de papel na economia (ou de dígitos eletrônicos) não torna uma sociedade mais rica; não aumenta a quantidade de recursos escassos disponíveis, não aumenta a quantidade de materiais para a construção de bens de capital e bens de serviços.

    A riqueza genuína só pode ser criada pela divisão do trabalho, pela poupança, pela acumulação de capital, pela capacidade intelectual da população (se a população for burra, a mão-de-obra terá de ser importada), pelo respeito à propriedade privada (o que implica baixa tributação), pela segurança institucional, pela desregulamentação econômica, pela moeda forte, pela ausência de inflação, pelo empreendedorismo da população, por leis confiáveis e estáveis, por um arcabouço jurídico sensato e independente etc.

    Criar dinheiro e sair concedendo crédito é uma medida que estimula o consumismo imediato e que gera investimentos que, embora pareçam rentáveis, assim que eles ficam prontos revelar-se-ão insustentáveis. Com o tempo, os preços sobem generalizadamente, a expansão do crédito é reduzida, e todos esses investimentos que foram estimulados pela expansão artificial do crédito entram em colapso, pois nunca houve uma demanda genuína por eles. Como os consumidores estão mais endividados e o nível geral de preços da economia aumentou, a demanda irá cair. Aí começa a recessão.

    No final, houve apenas desperdício de recursos escassos e destruição de capital.

    Embora aumentos na quantidade de dinheiro não façam a economia crescer, eles de fato alteram a estrutura da mesma; embora variações na oferta monetária não produzam impacto no crescimento agregado da economia, elas certamente afetam a maneira como os recursos da economia são alocados e distribuídos. Ou seja, as variações da oferta monetária determinam como será a estrutura produtiva da economia, mas não o nível da produção. Variações na oferta monetária sempre serão benéficas apenas para o governo e para suas empresas favoritas -- como o setor bancário e os grandes industriais amigos do rei --, que são os primeiros a receber o novo dinheiro criado.
  • Renato Souza  22/01/2013 20:58
    Daniel

    Você disse: "Indo direto ao ponto, quero dizer que, pelo que entendi até agora, a ideia libertária promove crescimento lento(falta de estímulo), e, a intervencionista promove crescimento pontuado(ciclos), não?"

    Errado. O crescimento com "estímulos monetários" é cheio de percalços e crises, que os keynesianos espertamente atribuem ao mercado. É "pontuado" como você falou.

    Mas o crescimento proposto pela EA não é lento. Veja que as inovações tecnológicas conseguem, apesar de todo o peso morto do governo (60% da economia, em muitos países) produzir certo crescimento. Como seria então esse crescimento sem essas amarras?

    O século XIX foi um século de extremo crescimento econômico, em muitos países, e não existia inflação, ou outros truques keynesianos para "estimular" a economia. Quando os governos e bancos inventaram a inflação do papel-moeda, eles não estavam iludidos sobre a natureza dela. Eles sabiam que a estabilidade havia aumentado imensamente a prosperidadede seus países. Os motivos, na mente deles, eram claros: Os banqueiros queriam ganhar mais dinheiro, e os governantes haviam se envolvido em guerras que não podiam pagar, e tinham medo de aumentar imensamente os impostos (não é medida popular). Portanto resolveram cobrar o imposto inflacionário, que os trouxas não percebem. Poderiam obter os ganhos de um imposto, mas seriam os comerciantes e produtores que seriam criticados, e não eles, os governantes.

    Isso tudo era claro para os que estavam no topo. Então surgiram, depois da cagada feita, intelectuais para jogar a sujeira para debaixo do tapete, e transformaram um desastre chamado inflação em "boa política monetária". O mais famoso desses farsantes foi Keynes. Uma vez que a mentira "pegou", os governantes acharam ótimo e disseram uns para os outros "Rapaz, esse Keynes é ótimo. Agora podemos cobrar o imposto inflacionário impunemente, e todos dirão que somos benfeitores estimulando a economia".
  • Daniel  23/01/2013 13:39
    Leandro e Renato Souza, obrigado! Noto que tenho que estudar muito ainda, pois vários são os pré-requisitos para compreender a amplitude de suas respostas. Prezado Leandro, sem querer abusar de sua boa vontade, você poderia ter só mais um pouco de paciência e explicar a parte da "demanda genuína" e "desperdícios de recursos escassos", dentro do seguinte contexto?
    Moro em uma pequena cidade do interior do Ceará. Aqui a renda das pessoas é basicamente resultante da agropecuária, aposentadoria, comércio e salários da prefeitura. Muitas pessoas não possuíam residências, viviam de aluguel. Mas com os incentivos ao crédito imobiliário a maioria conseguiu a casa própria. Detalhe: aqueles que já tinham casa, agora têm duas e alugaram, melhorando assim a renda dos mesmos.enfim, ao que parece, a demanda, embora não existisse antes, passou a existir(isso é ruim?). E os recursos escassos não foram desperdiçados, mas estão lá, digo, aqui, em forma de moradia. E, embora os preços em geral tenham subido,tornando-as pessoas devedoras, algumas resolveram esse problema diminuindo seu padrão de vida até que as contas fossem pagas(forma estimulada de poupança).
    Grato!
  • Leandro  23/01/2013 14:04
    Prezado Daniel, há várias considerações.

    1) Note que você mesmo já deu parte da resposta. Você disse que, antes, as pessoas "viviam de aluguel". Hoje, após o crédito, elas possuem casa própria, mas "os preços gerais subiram", "as pessoas se tornaram devedoras", e várias "diminuíram seu padrão de vida" para pagar dívidas. Isso é bom?

    Observe que de fato não há almoço grátis. Trocaram aluguel por endividamento, preços mais altos e redução do padrão de vida. Tudo isso porque alguém enfiou na cabeça delas que morar de aluguel é menos digno do que ter casa própria, algo que tende a gerar mais gastos do que apenas ser inquilino.

    (Apenas uma consideração em paralelo: reduzir o padrão de vida porque está endividado não é exatamente uma "forma estimulada de poupança". Normalmente, você poupa para ter mais renda no futuro; neste seu exemplo, as pessoas foram forçadas a poupar apenas para pagar dívidas. A diferença é grande. A renda futura delas não aumentou por causa dessa poupança. Se você poupa para pagar uma dívida para comigo, não está havendo redução do consumo. O dinheiro que você deixou de gastar está vindo para mim, e eu o gastarei. Ou seja, o nível de consumo não necessariamente foi reduzido. Alguém continua consumindo os recursos disponíveis no mercado.)

    2) É inegável que há ganhadores com a expansão do crédito. Isso nunca foi questionado. E, como você bem disse, "aqueles que já tinham casa, agora têm duas e alugaram, melhorando assim a renda dos mesmos." Exatamente como explica a teoria. Expansão do crédito sempre ajuda os mais bem posicionados. Os mais pobres ficam apenas com mais dívidas e com menor poder de compra por causa do aumento generalizado dos preços.

    3) Sim, expansão do crédito cria uma demanda que antes não existia. Isso também está no cerne da teoria. E é também o problema: criar demanda é fácil; difícil é criar a oferta. Daí a inflação de preços. Demanda nunca foi problema para a humanidade. A demanda, por definição, é infinita. Você sempre terá desejos a serem realizados, por mais supérfluos que sejam. O problema é gerar a oferta. O problema na economia sempre foi a produção.

    4) Por último, vale a lição de Bastiat. Na economia, mais importante do que aquilo que se vê, é aquilo que não se vê. O que você viu foram algumas pessoas da sua cidade comprando casas. O que você não viu foram as pessoas de outras cidades que não foram beneficiadas por essa expansão inflacionária do crédito e que, exatamente por isso, hoje não mais podem comprar suas casas porque os preços gerais de tudo (principalmente material de construção e mão-de-obra) subiram.

    Esse artigo dá uma boa idéia dessa teoria:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1378

    Grande abraço e obrigado pelo relato.
  • evandro  23/01/2013 14:40
    Leandro, mas as pessoas que estão pagando seus financiamentos agora estão sim ''garantindo'' , de certa forma, uma renda adicional para o futuro, haja visto que no futuro não terão gastos com aluguel,o que não seria possível caso não tivessem realizado tais financiamentos... ressalto que em muitos financiamentos o valor da prestação tende a ser igual ao do aluguel, o que quer dizer que no ''presente'' não haverá alterações... planos como o minha casa minha vida inclusive ''amortizam'' uma pequena parte da dívida em alguns casos... o unico ''investimento'' necessário na compra de uma casa para pessoas de baixa renda é uma pequena entrada... como eu disse, nesses casos as parcelas sempre tendem a ter valores semelhantes ao aluguel...concorda?
  • Leandro  23/01/2013 15:11
    "mas as pessoas que estão pagando seus financiamentos agora estão sim ''garantindo'' , de certa forma, uma renda adicional para o futuro, haja visto que no futuro não terão gastos com aluguel,o que não seria possível caso não tivessem realizado tais financiamentos..."

    Pagar dívida agora não "garante" renda adicional no futuro. Pagar dívida simplesmente remove um fardo. Dívida quitada não é acréscimo de renda. Ademais, vale dizer que, no exemplo analisado, não se está quitando dívida, mas sim pagando seus encargos.

    Também vale ressaltar que cada caso é um caso. Você trocar um aluguel de R$800 por uma dívida de R$200.000 a ser paga em 30 anos a prestações de R$800 é um bom negócio? Isso é subjetivo, e não é minha função dar vereditos. Há vários outros custos inerentes a se ter uma casa própria que devem entrar na conta. Digo apenas que endividar-se a longo prazo é extremamente arriscado. Uma perda de emprego ou uma simples redução de sua renda já desestabiliza tudo. E com banco não tem conversa: se você deixa de pagar suas prestações, seus bens podem ser arrestados, sua conta pode ser bloqueada e, em última instância, sua casa pode ser tomada. Vivendo de aluguel, por outro lado, além de não estar endividado e não ter o nome sujo, você ainda pode negociar com o proprietário do imóvel, fazendo algum acordo camarada.

    Peter Schiff, por exemplo, sempre fala que viveu grande parte de sua vida apenas morando de aluguel, mesmo quando já era milionário. Era muito mais negócio do que comprar imóvel. Enriqueceu assim.

    "ressalto que em muitos financiamentos o valor da prestação tende a ser igual ao do aluguel, o que quer dizer que no ''presente'' não haverá alterações... planos como o minha casa minha vida inclusive ''amortizam'' uma pequena parte da dívida em alguns casos..."

    Para que haja tal amortização, outras pessoas estão pagando por isso. E são justamente aquelas que não são beneficiadas pelo plano, como explicado na resposta ao Daniel. Não há almoço grátis; há apenas almoço subsidiado. A conta sempre acaba com alguém. E normalmente com os de baixa renda e que nada têm a ver com isso.

    "o unico ''investimento'' necessário na compra de uma casa para pessoas de baixa renda é uma pequena entrada... como eu disse, nesses casos as parcelas sempre tendem a ter valores semelhantes ao aluguel...concorda?"

    Repito o que disse acima.

  • evandro  23/01/2013 15:34
    Permita-me só esclarecer um ponto Leandro: voce esta dando uma justificativa contraria ao aluguel pensando ''macro'', ou seja, no bem de toda população...mas pensando ''micro'', ou seja, apenas no bem-estar do próprio indivíduo que fez o financiamento, nas condições que eu citei, tende a ser um bom negócio, pois caso ele não faça o financiamento , não fará diferença no ''macro'' que poderá impactar ele ou outrem (haja visto que a casa dele é uma em um milhão que devem ser feitas, por exemplo)... e ele garante sim uma renda adicional para o futuro (o aluguel que nao terá que pagar)... e se não me engano, caso não consiga honrar suas prestações, neste hipotético caso ele não teria praticamente nada a perder alem da pequena entrada, haja visto que a prestação era de valor semelhante ao aluguel... portanto...pensando unicamente no bem-estar do indivíduo, discordo de voce, e acredito ser uma boa para ele tal financiamento, nestas condições que citei (não se esqueça, estou pensando ''micro'', ou seja, se ele não fizer o financiamento nem ele e nem ninguem serão ''impactados'' benéficamente com isso do ponto de vista ''macro'' prático, haja visto que nas atuais regras milhões de pessoas irão fazer o financiamento do mesmo jeito...estou pensando apenas no bem-estar do indivíduo, em eme aproveitar da melhor maneira possível as oportunidades do mercado, quer qualquer um de nós concordemos ou não. Abraço Leandro
  • Leandro  23/01/2013 16:23
    "voce esta dando uma justificativa contraria ao aluguel pensando ''macro'', ou seja, no bem de toda população"

    De modo algum. Toda a análise foi baseada no indivíduo. Desde a contração de uma dívida até o risco da perda do emprego ou de uma redução da renda, passando pelo problema de se estar com pendências junto a bancos, tudo foi analisado pensando no indivíduos.

    A macro só entrou na última consideração, quando falei dos efeitos sobre terceiros.

    P.S.: se o sujeito não honrar as prestações, não é só o pagamento de entrada que ele terá perdido. Ele poderá perder também a própria casa, que será arrestada pelo banco.
  • evandro  23/01/2013 16:31
    De modo pratico caso tenha o bem confiscado ele perderá só a entrada, haja visto qua as prestações que ele pagou são iguais ao aluguel que ele pagaria neste caso hipotético... mas não se esqueça de um detalhe: caso ele honreas prestações de 800 reais ao final dos 30 anos do seu exemplo ele tera um patrimonio de 200 mil reais... e se ele não fizesse o financiamento e continuasse pagando aluguel de 800 reais ao final dos 30 anos ele não teria patrimonio nenhum...
  • Mauro  23/01/2013 17:06
    "De modo pratico caso tenha o bem confiscado ele perderá só a entrada, haja visto qua as prestações que ele pagou são iguais ao aluguel que ele pagaria neste caso hipotético... "

    E aí o sujeito vai pra debaixo da ponte? Como é que fica?
  • evandro  23/01/2013 17:53
    ''E aí o sujeito vai pra debaixo da ponte? Como é que fica?''

    Mauro, voce não viu que no exemplo citado pelo Leandro o valor do financiamento é igual ao valor que ele pagaria de aluguel? Portanto se não tivesse o dinheiro para pagar o financiamento, provavelmente tambem não teria dinheiro para pagar o aluguel, indo morar debaixo da ponte nos dois casos... a menos que ''usasse'' a pequena entrada do financiamento como reserva no caso do aluguel... mas para contrabalancear este argumento do valor da entrada que ele ainda teria caso não tivesse feito o financiamento e que poderia custear o aluguel por uns poucos meses , não se esqueça do que afirmei: a vantagem do financiamento nesse caso hipotético do leandro é que ''caso ele honre as prestações de 800 reais ao final dos 30 anos do exemplo do leandro ele tera um patrimonio de 200 mil reais... e se ele não fizesse o financiamento e continuasse pagando aluguel de 800 reais ao final dos 30 anos ele não teria patrimonio nenhum...'' pense nisso! Abraço
  • evandro  23/01/2013 18:08
    caso consiga financiar 90% do valor do imóvel de 200 mil do exemplo do leandro, no pior cenario ele perderá cerca de 20 mil reias caso não honre os pagamentos mensais de 800 reais... e no melhor cenario ele ao final de 30 anos pagando os 800 reais mensais tera um patrimonio de 200 mil reias... caso ele ficasse por 30 anos pagando 800 reais de aluguel, nenhum destes dois cenarios seria possível... ou seja, no financiamento o maior prejuízo ''liquido ''possivel em relação ao aluguel é 20 mil reais (talvez uma mixaria a mais que isso, graças a algumas taxas) e o melhor cenario possível dá um lucro líquido de 200 mil em relação ao aluguel...meu calculo é simples, pode excluir alguma variável, mas demonstra que quem acreditar que consiga honrar as parcelas, o financiamento é um ótimo negócio, no modelo acima proposto... (e não podemos nos esquecer da possibilidade que eu acredito existir em alguns casos de o individuo que fez o financiamento ''repassar'' o seu financiamento para outro, se ver que não conseguirá honrar mais as parcelas, diminuindo assim o seu prejuízo, que reafirmo, neste modelo simplificado, sera de 20 mil mais algumas taxas no maximo...
  • Mauro  23/01/2013 18:43
    Não estou conseguindo entender seu objetivo, Evandro. Você está querendo mostrar que um indivíduo receber benesses, subsídios e empréstimos facilitados pelo governo federal, tudo à custa do resto da população e com grande risco para o sistema bancário, será algo bom para este indivíduo? Ora, mas não há nenhuma dúvida quanto a isso. Não é necessário escrever nenhum tratado. Pode perguntar diretamente para o senhor Eike Batista, que ele irá explicar com grande prazer o quanto isso é bom para ele. Ou pergunte para um funça que recebe R$50 mil por mês. Certamente é uma delícia para ele. Quem recebe casa (quase) de graça também fica bem, embora haja os riscos apontados pelo Leandro, que não são pequenos.

    A questão realmente desafiadora é saber explicar as consequências deste comportamento para o resto da população e para a economia. Falar que um indivíduo que recebe bens subsidiados está em melhor situação é algo desnecessário.
  • Eduardo  23/01/2013 19:02
    Evandro, financiar imóvel só é melhor do que alugar se o preço do imóvel subir bem ao longo do financiamento. O exemplo dado não existe. No mundo real, para um mesmo imóvel, a parcela do financiamento será sempre maior do que o aluguel.

    Rápida pesquisa na internet:

    A menor taxa de juros possível para imóveis não populares é de 8,3% aa (na CEF para servidores públicos, imóvel acima de R$ 500 mil), ou 0,67% ao mês. Já o aluguel é de cerca de 0,3% ao mês (fonte: www.valor.com.br/valor-investe/o-consultor-financeiro/2560260/discutindo-relacao-entre-preco-e-aluguel).

    Para um imóvel de 500 mil, a parcela seria de R$ 3.350 e o aluguel de R$ 1.500. Então, a conta que você tem que fazer é se essa diferença, acumulada e investida ao longo do prazo do financiamento, valerá mais ou menos do que o imóvel comprado.

    abs
  • evandro  23/01/2013 21:01
    Eduardo, na verdade eu estava usando o hipotético exemplo do leandro em um comentario acima do meu (reproduzo aqui)''Também vale ressaltar que cada caso é um caso. Você trocar um aluguel de R$800 por uma dívida de R$200.000 a ser paga em 30 anos a prestações de R$800 é um bom negócio?''... mas se vc notar o meu exemplo é mais próximo do ''mundo real'' em meu primeiro comentario (reproduzo aqui):''planos como o minha casa minha vida inclusive ''amortizam'' uma pequena parte da dívida em alguns casos... o unico ''investimento'' necessário na compra de uma casa para pessoas de baixa renda é uma pequena entrada... como eu disse, nesses casos as parcelas sempre tendem a ter valores semelhantes ao aluguel...concorda'' ... no financiamento pelo minha casa minha vida, os juros são de menos de 5 % ao mes se não me engano, e acredito ser perfeitamente possível em uma casa popular nova ,no valor de cerca de 80.000 reais o indivíduo conseguir uma prestação parecida com o valor de um aluguel de uma casa semelhante (nova)... não fiz a simulação no site da caixa...mas acredito que a difernça entre a parcela do financiamento e o valor do aluguel nestas condições seja bem pequena. Abraço
  • Renato Souza  23/01/2013 21:11
    Eu concordo com o Evandro.

    Em primeiro lugar, risco sempre há, qualquer que seja a solução.

    Em segundo lugar, o fato das prestações dos financiamentos serem maiores que o aluguel não significa que é melhor pagar aluguel. A diferença que você paga a mais freqüentemente é justificada pelo patrimonio formado.

    De uma maneira geral, imóveis maiores e mais caros tem aluguéis proporcionalmente (ao preço) menores que os imóveis mais baratos. Além disso, os compradores de imóveis maiores freqüentemente tem oportunidades de negócios mais rentáveis que os compradores de imóveis mais baratos. Por tudo isso, é comum que seja mais vantajoso para o possivel comprador de um imóvel caro, permanecer pagando aluguel. E é comum que seja vantajoso, para o possivel comprador do imóvel barato, efetivar a compra. E comprar num lugar que tende a se valorizar costuma ser bastante bom.

    Talvez o medo de alguns dos financiamentos e das construções próprias seja causado por certas "histórias de terror" que muitos de nós já ouvimos. Penso que o segredo é dar passos menores que as pernas. Comprar ou construir não a casa dos sonhos, mas aquela que pode ser paga sem desespero. Buscar preferenciamento os financiamentos mais curtos, e procurar quita-los antes do prazo. O seu imóvel é investimento, não precisa ser onde você vai morar.

    No caso da crise americana, a principal característica foi o incentivo, por parte de legisladores populistas, para que as pessoas comprassem imóveis "no limite" de suas possibilidades. Os bancos foram coagidos a fazer empréstimos de risco, e repassaram esses riscos a terceiros, através de fraudes. Com certeza, muitas pessoas que perderam uma casa de quatro dormitórios, e foram morar em trailers, poderiam perfeitamente estar morando até hoje numa casa de três dormitórios, se tivessem se recusado a dar um passo maior que a perna.

    Aqui no Brasil, é comum ver casais construindo a casa dos sonhos, que acaba se tornando um pesadelo de dívidas, muitas vezes destruindo a família. Sonhos são bons, mas não deveriam ser inimigos da racionalidade. Quem compra ou constrói abaixo do seu limite, tem condições de fazer investimentos paralelos e conseguir alguma proteção contra eventuais crises. Mas cada um sabe onde aperta o calo. No meu caso, já tive de operar no limite, e acabou tendo bom resultado.

    Começar a trabalhar cedo pode dar uma imensa oportunidade aos jovens para acumular algum capital e, quem sabe, comprar um imóvel antes de ter que arcar com todas as responsabilidades do auto-sustento. Começando a vida adulta com esse handcap, melhores oportunidades podem aparecer.
  • Renato Souza  23/01/2013 15:19
    Daniel

    Responderei usando o pensamento de Bastiat: Julque pelo que você vê e também pelo que vocênão vê.

    Você vê o financiamento de imóveis a juros baratos.

    O que você não vê? Boa parte desse financiamento é originado em criação de dinheiro novo (inflação monetária). É uma das características da inflação monetária privilegiar alguns em detrimento de outros. Tomadores de empréstimos baratos são beneficiários da inflação monetária. Quem são os prejudicados? Toda a sociedade, que pagará a mais pelos produtos. Mas o benéfício é atribuido ao governo (os juros baratos). O prejuizo, quase ninguém percebe que é o outro lado da moeda.

    Essa inflação causa diminuição da riqueza, perda de empregos, dificuldade em aumento da produção, mas seus efeitos são invisívels, porque distribuidos.

    Em parte esses empréstimos baratos podem ser custeados por aporte de recursos do tesouro. Impostos altos geram muitos dos mesmos efeitos que a inflação. Para proteger a indústria nacional da concorrência dos estrangeiros, que pagam bem menos impostos, aumentam os impostos de importação, tornando os produtos mais caros ainda. Podem ser recursos repassados pelo BNDES, do fundo de garantia. Menor rendimento do fundo de garantia. Podem ser recursos retirados da previdência. Maior buraco no rombo dela. Podem ser recursos custeados por empréstimos (ou pela rolagem de empréstimos, deixando de pagar o juros e aumentando a dívida). Recursos retirados de nossos filhos.

    Agora pense, se em vez de "oferecer" empréstimos a juros baratos, o governo deixasse de causar todos esses males. Todos teriam mais riquezas, haveria mais poupança, e os imóveis poderia ser construídos ou comprados a juros NATURALMENTE mais baratos.

    Imagine um habitante da Coréia do Norte. Seu governo é o mais opressivo do mundo, e o povo come grama literalmente. Possivelmente, muitos habitantes daquele país, que nasceram depois de implantado o comunismo, não tem a menor idéia do que é viver em libertada. Na mente daquelas pessoas, o governo é seu benfeitor, porque na sua miséria, o pouco que tem é "dado" pelo governo. Ele é considerado o "supridor". Ele é o grande carcereiro, mas se você disser a muitos habitantes daquele país que o governo desaparecerá no dia seguinte, ficarão desesperados, porque na sua visão, o governo é o produtor e doador do alimento, das roupas, das casas, de tudo. Eles veem o que o governo "dá" mas não veem o que deixou de existir para que aquele governo genocida possa se manter.

    Eles não consideram o que não veem.
  • Arthur M M  23/01/2013 19:10
    Evandro, é como o Leandro falou que o Bastiat falou: "Na economia, mais importante do que aquilo que se vê, é aquilo que não se vê. O que você viu foram algumas pessoas da sua cidade comprando casas. O que você não viu foram as pessoas de outras cidades que não foram beneficiadas por essa expansão inflacionária do crédito e que, exatamente por isso, hoje não mais podem comprar suas casas porque os preços gerais de tudo (principalmente material de construção e mão-de-obra) subiram."

    Pense que, ao invés do financiamento imobiliário fosse o financiamento industrial. As empresas que chegassem primeiro receberiam o dinheiro sem o efeito da inflação alastrado pela economia, enquanto que as empresas que recebessem por último e as que não recebessem teriam que conviver com esse efeito já instalado.

    Além disso, o resto da sociedade teria de pagar a mais por essa inflação, pessoas que não tem nenhuma ligação com esse aumento do crédito. Sem contar a forma como esse crédito foi criado (no caso do minha casa minha vida, dinheiro público), o qual a sociedade inteira terá de pagar por meio de impostos ou inflação.

    Enfim, a família estaria em melhor situação porque o resto da sociedade arcou com essa melhora. Não houve almoço grátis.
  • Daniel  24/01/2013 13:37
    Bom , pessoal, pelo que entendi houve uma ramificação do assunto inicial. Em meu comentário (sobre os imóveis)questionei sobre o possível benefício gerado pelo intervencionismo, naquele exemplo... E isso foi muito bem respondido, principalmente, quando Leandro, Renato Souza e também Arthur M M, resgataram o pensamento de Bastiat. Evandro, ao que entendi, defendeu que é mais vantajoso e benéfico pagar as prestações da casa à aluguel(corrija-me se estiver errado), o que é outro assunto. Quanto a mim estou satisfeito com as respostas dadas(pelo menos por enquanto...).
    Outra coisa pessoal, normalmente as explicações que encontro sobre o que levou a crise de 29 foi o liberalismo, e, a solução para tal crise: o keynesianismo. Aposto que tem um artigo aqui sobre esse assunto, alguém poderia me indicar?
  • anônimo  24/01/2013 13:57
  • anônimo  20/08/2013 18:25
    A moeda de troca, portanto, é a base do progresso da civilização. Contudo, o padrão ouro, pela sua estabilidade, é sempre melhor que o papel moeda.

    Mas uma pergunta: um país que possui ouro e prata em seus territórios estaria mais avançado (pois assim poderia instituir um padrão ouro) do que um país que não possui?
  • anônimo  19/12/2014 17:24


    Alguem pode me explicar esse trecho do ação humana? O que significa demanda industrial da moeda? Ela nao é só um meio de troca?

    "Assim sendo, a demanda por um meio de troca compõe-se de duas demandas parciais: a demanda dos que pretendem usá-lo para consumo ou produção e a dos que desejam usá-lo como um meio de troca.[10] No que concerne à moeda metálica moderna, fala-se da demanda industrial e da demanda monetária. O valor de troca (o poder aquisitivo) de um meio de troca é o resultado do efeito acumulado dessas duas demandas parciais."


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