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Como os keynesianos sequestraram o helicóptero de Milton Friedman

Milton Friedman, além de um grande debatedor, era um sujeito extremamente sagaz.  Eu o conheci.  Eu gostava dele.  Mas ele não diferia em nada de outras pessoas perspicazes.  Quando ele se apegava a uma ideia conceitualmente errada, ele se tornava perigoso.

Meu professor de apologética no seminário foi Cornelius Van Til.  A apologética é a defesa filosófica da fé cristã.  Van Til era tão perspicaz quanto Friedman.  Ele possuía um grande conjunto de metáforas em seu arsenal retórico.  A minha favorita era a metáfora da serra circular.  Ele dizia o seguinte: "Você pode ter a mais afiada das serras circulares; mas se você a utilizar em um ângulo errado, ela jamais fará um corte certeiro."

No campo da teoria monetária, Milton Friedman era uma serra circular posicionada em um ângulo torto.  Jamais cortava corretamente.

Friedman descrevia a distribuição da moeda fiduciária em termos de uma metáfora: um helicóptero cheio de papel-moeda saía jogando dinheiro para a população logo abaixo.  Ele utilizou essa metáfora em um capítulo intitulado "O Mistério do Dinheiro".  Trata-se do capítulo 2 de seu livro de 1994, Money Mischief.  Seu objetivo neste capítulo era mostrar que dinheiro gratuito jogado dos céus, de maneira contínua, aumentaria os preços.  Ele introduziu a metáfora na página 29.

O que a metáfora não mostra é exatamente aquilo que a teoria monetária da Escola Austríaca enfatiza: este dinheiro recém-criado é introduzido em pontos específicos da economia.  Ele não entra uniformemente em todos os setores da economia.  O Banco Central cria dinheiro do nada e utiliza este dinheiro para comprar títulos em posse do sistema bancário.  Os bancos, por conseguinte, utilizam este dinheiro para conceder empréstimos.  É assim que o dinheiro entra em circulação

Um dos primeiros clientes a receber este dinheiro é o governo federal, que está sempre incorrendo em déficits — e, logo, está sempre pedindo empréstimos.  O governo federal recebe este dinheiro antes de todo mundo e o gasta.  Aquelas pessoas e empresas que consequentemente recebem este dinheiro são privilegiadas, pois podem gastá-lo antes de todas as outras pessoas, quando os preços ainda não subiram.  Ao gastar esse dinheiro, os preços começam a subir.  Mas, como é possível notar, os preços não sobem uniformemente.  E, caso a produção da economia esteja aumentando, os preços podem até nem mesmo subir.  Mas o que está sempre subindo são os gastos do governo.  Este fato — e não os efeitos da criação de dinheiro sobre o nível geral de preços — deve ser o cerne de qualquer análise correta sobre o Banco Central e seu poder de criar dinheiro do nada.  Tal fato é discutido unicamente pelos economistas seguidores da Escola Austríaca.

Friedman nunca admitiu que este processo de gastos sequenciais fosse relevante.  Ele, assim como seu mentor intelectual Irving Fisher, conscientemente rejeitou a abordagem analítica austríaca.  Qual é essa abordagem?  A mesma do roteiro do filme Todos os Homens do Presidente: "Siga o dinheiro".

Irving Fisher publicou seu livro sobre teoria monetária em 1911.  Ludwig von Mises o refutou com seu livro de 1912, The Theory of Money and Credit.  Fisher nunca respondeu explicitamente a Mises.  Mas seus respectivos discípulos travaram várias batalhas.  Murray Rothbard repetidas vezes criticou Friedman em relação a este mesmo ponto.  Friedman jamais respondeu explicitamente a Rothbard.

Friedman sempre disse preferir a precificação feita pelo livre mercado.  Mas sempre houve esta reluzente exceção: a precificação do dinheiro.  Sua metáfora do helicóptero se tornou uma poderosa ferramenta retórica para persuadir outras pessoas em relação aos seus argumentos contra a precificação da moeda feita pelo livre mercado.  Ele passou toda a sua carreira tentando solapar a ideia de um livre mercado no âmbito monetário (moedas de ouro) e de um sistema de preços baseado nele.  Ele se tornou uma figura pública com seu livro de 1961, Capitalismo e Liberdade.  O capítulo 3 é todo sobre dinheiro.  Ele já começa o capítulo com uma rejeição do padrão-ouro puro, baseado no uso de moedas de ouro.

Os keynesianos pilotam o helicóptero

Desde o início, os keynesianos adoraram a metáfora friedmaniana do helicóptero cheio de dinheiro de papel.  Por quê?  Porque esta metáfora retratava o Banco Central como uma ofertante de bens gratuitos.  Os keynesianos compreenderam aquilo que os economistas austríacos já sabiam: havendo um Banco Central sempre pronto para comprar títulos dos bancos, o governo federal torna-se capaz de vender seus títulos para o sistema bancário a juros menores do conseguiria sem um Banco Central.  Isso permite ao governo gastar mais dinheiro do que o total que arrecada por meio de impostos e de empréstimos junto ao setor privado. 

Eis aqui uma lei básica da economia: tudo o mais constante, quando o preço de um bem diminui, uma maior quantia é demandada.  Dinheiro fiduciário emitido por um Banco Central permite ao governo adquirir mais poder e influência sobre toda a economia.  Dinheiro fiduciário criado pelo Banco Central é um grande subsídio ao governo federal.

Keynesianos acreditam que o governo pode e deve aumentar seus gastos — isto é, sua aquisição de bens e serviços.  Friedman sempre disse que o governo não deveria poder fazer isso com muito frequência — e que, quando o fizesse, que fosse de maneira eficiente (por exemplo, por meio da emissão de vouchers para a educação).  Mas Friedman ignorou o óbvio: o poder de criar dinheiro fiduciário reduz os custos do endividamento do governo.  O governo poderá se endividar a juros cada vez menores.  Isso significa que o Banco Central fornece poder e influência para o governo a um custo muito baixo.  O governo irá sempre demandar mais dinheiro a juros cada vez mais artificialmente baixos, pois isso amplia o âmbito e o alcance das operações do governo.

Este foi o cerne do erro analítico de Friedman, que durou toda a sua vida.  E esse erro caiu como uma luva para os keynesianos.  Eles hoje sabem perfeitamente qual é o maior benefício de existir um Banco Central: a instituição fornece dinheiro extra e quase gratuito para o governo incrementar seus gastos.

Friedman tentou reduzir a ênfase dada a esse aspecto do arranjo.  Ele passou a promover a ideia de uma inflação monetária constante, com a oferta monetária crescendo a uma taxa anual fixa, em torno de 3 a 5% ao ano.  Segundo ele, essa seria uma forma de manter o "motor" da economia funcionando suavemente.  Para Friedman, o lubrificante necessário para a economia — metáfora minha, e não dele — era o dinheiro.  Ele realmente acreditava que o dinheiro poderia ser ofertado pelo Banco Central a custo zero.

Ele adquiriu sua reputação por meio de um livro escrito a quatro mãos, A Monetary History of the United States (1963).  Nele, Friedman e Anna Schwartz culpam o Federal Reserve pela Grande Depressão.  Por quê?  Porque o Banco Central americano não inflacionou o bastante para socorrer 9.000 bancos e com isso interromper a contração do M1.  Os bancos quebraram e o M1 entrou em deflação.  Para os keynesianos, essa teoria foi um maná ideológico caído dos céus.  Essa foi a ideologia anticapitalista gratuitamente jogada por Friedman de um helicóptero: culpar um banco central por não ter produzido uma inflação de preços adequada e por não ter inflacionado a moeda o necessário para permitir um aumento dos gastos do governo.

Friedman, portanto, acreditava em um almoço grátis nesta área da economia.  Essa sua teoria deu o tom a todas as suas análises econômicas.  Foi ela também que lhe garantiu o Prêmio Nobel. 

E ele estava completamente equivocado.

Superando a deflação de preços

Os 9.000 bancos quebraram porque o seguro federal sobre depósitos (Federal Deposit Insurance Corporation, de 1934) ainda não havia sido criado.  Os correntistas tiraram seu dinheiro dos bancos e não o redepositaram.  Isso levou à falência de milhares de bancos, o que criou uma deflação monetária.  O processo de reservas fracionárias foi implodido.

Durante este período, o Fed inflacionou a base monetária com o intuito de impedir este fenômeno, ao contrário dos relatos de Friedman e Schwartz.  O que aconteceu é que, de 1931 a 1933, os correntistas americanos frustraram os planos do Fed.  Um gráfico produzido pela sucursal do Fed de St. Louis deveria para sempre silenciar aqueles economistas que creem que Friedman e Schwartz provaram a "complacência" do Fed.  Mas não irá, é claro.  A história contada por Friedman e Schwartz é conveniente demais para ser utilizada como ferramenta de pressão para novas rodadas de inflação monetária.  Friedman e Schwartz escreveram o livro mais importante da história a favor da inflação monetária, pois os meios acadêmicos acreditam universalmente nele.  A única seção do livro que sempre é citada pelos economistas convencionais é a seção sobre as ações do Fed no início dos anos 1930.  A história é analítica e historicamente mentirosa.  Eis aqui os fatos.

Friedman ignorou o que deveria ser discutido: a política adotada pelo Federal Reserve, de 1926 a 1929.  Foi isso que o livro de Murray Rothbard, também publicado em 1963, discutiu: A Grande Depressão Americana.

Em sua seção sobre jogar dinheiro do helicóptero, Friedman não discutiu nem governo e nem tributação, mas os keynesianos já haviam entendido tudo.  Em última instância, dado que os Bancos Centrais compram os títulos da dívida do governo, a expansão monetária feita pelo Banco Central resulta em um aumento dos gastos do governo sem que seja necessário um aumento da tributação.  Esta é a grande implicação de posição de Friedman.  E os keynesianos adoraram.  (Em 1963, os keynesianos simbolicamente convidaram Friedman para entrar no establishment acadêmico profissional por causa de seu livro.  Antes disso, ele era um pária.) 

E a inescapável implicação dessa posição — a expansão do tamanho do estado por meio da inflação monetária — foi explicada claramente por Murray Rothbard em seu livro What Has Government Done to Our Money?:

A invenção do dinheiro, embora uma bênção para a espécie humana, também abriu um caminho mais sutil para a expropriação governamental.  No livre mercado, a moeda pode ser adquirida de duas formas: ou o indivíduo produz e vende bens e serviços desejados por terceiros, ou ele se dedica à mineração de ouro (um negócio tão lucrativo como outro qualquer, no longo prazo).  Mas se o governo descobrir maneiras de se envolver em falsificação — na criação de nova moeda do nada —, então ele poderá, rapidamente, produzir o próprio dinheiro sem ter o trabalho de vender serviços ou garimpar ouro.  Ele poderá, então, se apropriar maliciosamente de recursos e quase sem ser notado, sem suscitar as hostilidades desencadeadas pela tributação.  De fato, a falsificação gera, nas próprias vítimas, a feliz ilusão de incomparável prosperidade.

É evidente que a falsificação não é senão outro nome para a inflação — as duas criam novo "dinheiro" que não é ouro ou prata, e ambas funcionam do mesmo modo.  E agora vemos por que os governos são inerentemente inflacionários: porque a inflação é um meio poderoso e sutil para o governo adquirir recursos do público, uma forma de tributação indolor e bem mais perigosa.

O que se vê e o que não se vê

Em 1850, Frédéric Bastiat nos alertou a, sempre que fossemos fazer uma análise econômica, prestarmos atenção às coisas que não víamos.  Ele utilizou a metáfora da vidraça quebrada e os gastos que tal acontecimento gera.  Temos de pensar no que está acontecendo ao longo de todo o processo, ele disse.  A vidraça quebrada altera o padrão de gastos.  Ela reduz investimentos em bens e serviços que eram de alta prioridade antes de a vidraça ser quebrada e aumenta os gastos na nova prioridade: reparar a vidraça quebrada.  O homem cuja vidraça foi quebrada sofreu uma perda.  Logo, disse Bastiat, não pode ser válido um argumento que afirma que os gastos com o conserto de vidraça produzem um benefício pessoal líquido para o sujeito.  Sendo assim, se não houve um benefício pessoal líquido, também não pode ter havido um benefício social líquido.  Este é o âmago de sua análise.

Aplicando este mesmo princípio a um helicóptero que joga dinheiro lá de cima, a alteração no padrão de gastos que tal fenômeno gera — do setor privado para o setor estatal — não pode, ipso facto, ser tida como geradora de um benefício social líquido.  Ao contrário, ela tem de ser considerada como geradora de uma perda social líquida.

Friedman nunca falou nada a respeito disso.  Ele sempre dizia que havia algum tipo de regra jurídica teoricamente válida que poderia ser aplicada pelo governo para proibir este uso indevido do helicóptero, isto é, para impedir a expansão dos gastos do governo para além do que (1) os pagadores de impostos estão dispostos a aceitar e (2) os emprestadores privados estão dispostos a financiar a juros baixos.  Tal raciocínio implicava ser confiável colocar raposas para tomar conta do galinheiro. (Todos nós adoramos metáforas, não?)  A ideia era ilógica desde sua criação, e, ainda assim, este homem brilhante jamais se dispôs a encarar abertamente sua total absurdidade.

De 1963 até sua morte em 2006, Friedman jamais publicou a seguinte mensagem:

Os keynesianos utilizaram inapropriadamente minha tese sobre a Grande Depressão.  Eles defenderam uma expansão monetária empreendida pelo Banco Central e pelo sistema bancário com o intuito de contrabalançar uma deflação de preços e uma depressão econômica.  Eu também.  Eles culparam o Fed, 1930-33, por não ter inflacionado o bastante.  Este foi exatamente o meu argumento, e a Dra. Schwartz forneceu várias estatísticas para provar.  Mas eu não me responsabilizo de forma alguma pela expansão dos gastos governamentais ocorrida desde 1933.  Nada.  Nem um fiapo.  Minhas mãos estão limpas.

Os keynesianos defendem mais gastos governamentais.  Eu não.  Sim, é verdade que, dado que o Banco Central expande a base monetária ao comprar títulos do Tesouro em posse do sistema bancário, isso necessariamente estimula o aumento dos gastos do governo.  Mas isso não é culpa minha.  O Banco Central poderia igualmente, e com a mesma facilidade, comprar títulos emitidos por empresas.  Eu nunca recomendei isso, e simplesmente não é justo utilizar a minha teoria e as evidências históricas fornecidas pela Dra. Schwartz para justificar uma expansão governamental.  Repudio toda e qualquer responsabilidade por qualquer expansão ocorrida nos governos federais.

Ele deveria ou ter publicamente adotado esta obviamente implausível linha de raciocínio, ou ter admitido que ele e Schwartz eram culpados da acusação.  Mas ele nunca o fez.

Conclusão

A metáfora do helicóptero distribuindo dinheiro de papel serve aos propósitos dos keynesianos e dos monetaristas.  Mas ela não é uma metáfora correta.  Tampouco ela é relevante para o real processo da inflação monetária.

A metáfora correta seria a de um homem carregando uma grande valise de dinheiro.  Este "homem da valise" atua como agente da máfia.  Ele carrega em sua valise várias cédulas de dinheiro para subornar políticos corruptos.

A máfia seria o sistema bancário de reservas fracionárias, que nada mais é do que um cartel protegido pelo Banco Central.  E o Banco Central seria, portanto, o homem da valise.  Ele suborna os políticos: compra títulos do Tesouro com dinheiro criado do nada (o mesmo que falsificação).

Milton Friedman foi o agente operacional que fornecia a teoria que respaldava o homem da valise dos grandes bancos comerciais: sua função era a de passar a ideia de que era possível reformar o Banco Central.  Ele subornou os porta-vozes dos políticos, os keynesianos, com a moeda na qual estes negociam: fórmulas matemáticas e várias notas de rodapé.  Ele foi saudado como um desbravador econômico pelos keynesianos por causa deste seu crucial serviço ideológico.

Em contraste, Rothbard e Mises, por terem defendido que um padrão-ouro puro faria o serviço de precificação de livre mercado sem qualquer tipo de intervenção econômica, passaram toda a sua carreira como profetas, gritando sozinhos na imensidão do deserto.


Veja também:

Por que o Banco Central é a raiz de todos os males

Depressão com deflação ou depressão com hiperinflação - a escolha da Europa e dos EUA


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autor

Gary North
é Ph.D. em história, ex-membro adjunto do Mises Institute, e autor de vários livros sobre economia, ética, história e cristianismo. Visite seu website

  • Henrique  14/01/2013 14:04
    Já cansei de ouvir estatistas e keynesianos (pleonasmo!) citando Friedman como contra-argumento, como se tivessem achado a galinha dos ovos de ouro (também sei usar metáforas, yey!). Que preguiça...
  • Patrick de Lima Lopes  14/01/2013 14:26
    Excelente artigo.
  • Bruno  14/01/2013 15:15
    "não pode ser válido um argumento que afirma que os gastos com o conserto de vidraça produzem um benefício pessoal líquido para o vendedor."

    Alguém poderia me explicar o porque não? eu não entendi muito bem essa parte.
  • Fabrício   14/01/2013 15:24
    Como assim? Se eu quebro a janela da sua casa e você tem de gastar dinheiro para substituí-la, por que isso haveria de ser benéfico pra você?!

    E leia também o link recomendado neste mesmo parágrafo em que você leu isso (palavras em azul sao links, para os novatos na internet).
  • Marc...  14/01/2013 15:42
    Para mim essa frase não se refere àquele que teve a janela quebrada, se refere ao vendedor, àquele que consertaria a janela e aparentemente seria beneficiado pois teria seus serviços demandados.

    Nesse caso não se pode afirmar que o vendedor teve ganhos, pois a estrutura da economia foi alterada com esse gasto, recursos foram utilizados nesse reparo que poderiam ter sido utilizados em outros desejos humanos que no fim melhorariam a satisfação do próprio vendedor.
    É como se ele se tornasse um escravo, que trabalha mas não tem ganho de valor com seu trabalho, apesar de receber o pagamento.

    Talvez fique mais fácil se imaginar caso não precisássemos mais reparar vidros pois inventamos um vidro inquebrável, esse vendedor perderia seu emprego, mas não é algo ruim ou que traz perda a sociedade, ele talvez trabalharia construindo equipamento médicos, teríamos assim ganho em toda sociedade, inclusive do antigo vendedor de vidraça.

    Indico ler o artigo mencionado no texto. www.mises.org.br/Article.aspx?id=1202
    E o próprio livro. www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=54
  • Bruno  14/01/2013 15:42
    Obrigado eu já li o artigo em azul, e refletindo cheguei a conclusão que estava equivocado.
  • Eduardo Pimenta  14/01/2013 15:36
    Oi, Bruno. Acho que seu mau entendimento se deve ao fato de ainda não ter lido o texto do Bastiat.
    Realmente, o artigo não foi muito claro em explicar as ideias por traz da vidraça quebrada. Acho que só quem já leu a metáfora entendeu perfeitamente o argumento. Você pode lê-la:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1202

    Bom proveito. É curtinha, simples, mas profunda. :)
  • TL  14/01/2013 15:56
    Prezado Bruno, acredito que você detectou um erro de redação ou tradução.

    "... não pode ser válido um argumento que afirma que os gastos com o conserto de vidraça produzem um benefício pessoal líquido para o vendedor."

    Não ficou claro no parágrafo se a palavra vendedor se referia [/b]ao homem que teve a janela quebrada[/b] ou ao vendedor de janelas.

    O vendedor de janelas teve um benefício líquido pessoal, entretanto o homem da janela quebrada apenas teve seu capital destruído. Por quê?

    Exatamente por causa da parte que não se vê. Se a janela não tivesse sido quebrada, o homem poderia ter a janela e um terno (por exemplo). A perda da janela foi uma destruição de capital.

    No âmbito global, houve uma subtração de riqueza, pois uma quantia de capital foi utilizada para obter uma mesma quantidade de bens.
  • Leandro  14/01/2013 16:39
    O "vendedor" refere-se ao sujeito que teve sua vidraça quebrada -- o qual. na história de Bastiat. é um comerciante ou um burguês.

    Mas como de fato o termo acaba levando a um duplo sentido, ele foi agora alterado para uma maior clarificação. (Sim, o vidraceiro ganha dinheiro com a quebra do vidro, mas é igualmente uma vítima da não produção de todos os outros produtos.)
  • Rafael  14/01/2013 15:17
    Uau, artigo polêmico e cheio de teorias.

    Gostei!

    Mas confesso que me falta base para absorver tudo isso!
  • Mercado de Milhas  14/01/2013 15:34
    Primeiro, a metáfora do helicóptero é totalmente distinta da criação de dinheiro pelo BC e bancos via reservas fracionárias.

    O dinheiro entraria na economia sem escolhidos, já que dependeria de quem tivesse pego mais do dinheiro que "caiu no chão".

    Não é que ninguém desafiou Friedman, a questão é que ele detonava quem tentasse. O cara era foda.

    Segundo, os misenianos (é assim que escreve?) tem que parar com essa mania de achar que dinheiro é ouro. Dinheiro não é ouro. O melhor dinheiro que pode existir é o que existe hoje, bits trafegando de um lado pra outro. Ou seja, custo praticamente zero de transação.

    Gastar recursos procurando um metal quase inútil não me parece aumentar o bem estar de uma nação.

    E, a solução já foi dada pelo Miltão. Expansão monetária fixa. Como? Eu sugerira um depósito simples de valor igual na conta de cada habitante do país.

    Economista gênio depois de Sir. Adam Smith, só conheço Friedman. :-D
  • Leandro  14/01/2013 16:56
    "Primeiro, a metáfora do helicóptero é totalmente distinta da criação de dinheiro pelo BC e bancos via reservas fracionárias."

    Concordo. Mas o Friedman não. E o seu dileto aluno, Ben Bernanke, também não concorda com a gente, tanto é que ele classicamente já se referiu a este efeito helicóptero quando o Fed injeta dinheiro na economia. Ambos realmente acham que o dinheiro vai entrar uniformemente, "beneficiando igualmente a todos".

    Mas, em todo caso, parabéns! Considere-se em um nível de conhecimento monetário superior ao do "foda".
  • Blah  14/01/2013 17:12
    Gastar recursos procurando um metal quase inútil não me parece aumentar o bem estar de uma nação.

    Falácia do espantalho. Quem disse que o objetivo do "metal quase inútil" é aumentar o bem estar de uma nação? O objetivo é evitar que essa nação fique à mercê de burocratas e políticos. Se você ainda quer acreditar que políticos vão simplesmente pensar só no bem-estar geral da população e não vão usar a impressora de dinheiro em benefício próprio, tudo bem. Quem sou eu para questionar a fé religiosa fanática que alguns têm em burocratas? É uma religião ainda pior, porque seus seguidores realmente acreditam estar sendo plenamente racionais...
  • Tory  14/01/2013 19:55
    Mercado, esse maravilhoso dinheiro com custo desprezível de transação também tem o mesmo custo desprezível de reprodução. E aí, vão controlar o aumento da oferta como? Ou isso não é importante pros "fodas"?

    Outra coisa, de quanto seria esse depósito simples, idealmente, em R$ de hoje?
  • Mercado de Milhas  14/01/2013 20:14
    O estado mínimo tem algumas tarefas, entre elas a de não deixar criar dinheiro do nada, exceto os 3% fixos.

    O valor do depósito que cada um receberia seria os 3% de aumento da base monetária / número de habitantes.

  • Tory  15/01/2013 15:57
    Esse estado mínimo dos "fodas" precisa ser bem bondoso, né? Quase um deus. Quase não se beneficia da inflação, divide o dinheiro recém-impresso entre os habitantes...
  • Marc...  14/01/2013 15:48
    Keynesianos sequestrando helicópteros?

    Normal para quem já é ladrão através do aviltamento da moeda, que defende o estado, impostos, regulações, tecnocracia, engenharia social, monopólio...
  • bernardo  14/01/2013 16:09
    "Os correntistas tiraram seu dinheiro dos bancos e não o redepositaram. Isso levou à falência de milhares de bancos, o que criou uma deflação monetária. O processo de reservas fracionárias foi implodido."

    Uma pergunta: porque os correntistas resolveram tirar o dinheiro e n redepositar? Teve algum trigger que levou a isso? E a deflação não foi criada pelo proprio FED ao aumentar as taxas de juros?
  • Leandro  14/01/2013 16:46
    Porque alguns bancos mais alavancados quebraram em decorrência do crash da bolsa. Isso assustou as pessoas, que então correram em massa para retirar seu dinheiro dos outros bancos. Como o sistema trabalha com reservas fracionárias, todo o sistema entrou em colapso. Não teve nada a ver com a política monetária do Fed -- mesmo porque ele não podia imprimir ouro para dar para os correntistas.

    Logo depois disso, Roosevelt simplesmente proibiu toda e qualquer posse de ouro pelos americanos, proibição essa que durou até a decada de 1970.

    Para um relato completo das quebras bancárias:

    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=76
  • Miqueias  14/01/2013 21:09
    Leandro,


    Minhas perguntas provavelmente vão ser idiotas, mas vou faze-las: se os bancos não usassem reservas fracionadas eles não teriam falido, certo? E é possível um banco sobreviver sem usar reservas fracionadas, se seus concorrentes usarem tal recurso?
  • Leandro  14/01/2013 21:23
    1) Correto (e seriam empreendimentos muito menos lucrativos também).

    2) Impossível. Se a sua concorrência pratica reservas fracionadas e o governo a protege e a incentiva a fazer isso, você ficar de fora deste arranjo significa perder clientes e importantes fatias de mercado. É um negócio em que não dá para operar honesta e sensatamente.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387
  • bernardo  15/01/2013 02:52
    Leandro, mas seria certo dizer, que o crash da bolsa foi causado pela diminuiçao da expansao monetaria do fed? Nao tem aquela historia dos eua estarem desvalorizando a moeda pra libra inglesa voltar a ter valor?
  • Leandro  15/01/2013 11:28
    Correto. Todo crash começa com a interrupção da expansão monetária.

    Sobre tudo ter sido uma tentativa para manter a libra valorizada, também há fatos que comprovam essa teoria, e eles foram cobertos no livro do Rothbard.

    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=76
  • jose carlos zanrforlin  14/01/2013 18:01
    Senhores:

    Por que a inflação é quase uma forma (adocicada) de tributação, quase imperceptível de transferência de recursos da classe produtiva para o governo (processo esse que quase ninguém endende, segundo o próprio Keynes)?

    Vejam a citação do texto:

    "É evidente que a falsificação não é senão outro nome para a inflação — as duas criam novo "dinheiro" que não é ouro ou prata, e ambas funcionam do mesmo modo. E agora vemos por que os governos são inerentemente inflacionários: porque a inflação é um meio poderoso e sutil para o governo adquirir recursos do público, uma forma de tributação indolor e bem mais perigosa."

    Como se dá essa transferência?

    Desde já, grato.
  • Leandro  14/01/2013 18:19
    Aquela pessoa que é a primeira a receber o dinheiro recém-criado terá o seu poder de compra aumentado (ela possui mais dinheiro, mas os preços ainda não se alteraram). Esse seu aumento do poder de compra lhe permite adquirir bens e serviços antes de todo o resto da população. Mais ainda: permite adquirir estes bens e serviços sem nada ter produzido; sem nada oferecer em troca.

    Se você possui uma impressora de dinheiro na sua casa (como o governo), você pode adquirir o que quiser sem ter de oferecer nada em troca. Você não precisa trabalhar, você não precisa produzir. Você simplesmente troca pedaços de papel por bens tangíveis. Ao fazer isso, você está se apropriando de recursos escassos da sociedade sem nada ter produzido para dar em troca. Você desviou recursos para si próprio e não deu nada em troca. Você se apossou de recursos que caso contrário estariam disponíveis para o setor produtivo.

    Quanto à inflação ser uma forma de tributação, isso ocorre porque a inflação monetária causa um aumento dos preços (lembre-se: 'inflação', por definição, significa aumento da quantidade de dinheiro na economia. Aumento de preços é a consequência da inflação). Tal aumento de preços é como um tributo. A quantidade de produtos é a mesma, mas todos estão mais caros.

    Artigos sobre isso:

    Sobre a não neutralidade da moeda

    Inflação não é um aumento generalizado nos preços

    Trabalho, emprego, poupança e capital
  • Tiago  14/01/2013 18:26
    Olá, gostaria que alguém me explicasse qual é a visão austríaca/neoliberal sobre as causas e soluções das crises de 1929 e 2008. Obrigado.
  • Leandro  14/01/2013 18:57
    A visão neoliberal não existe. Ninguém tem visão de nada nesta ideologia esquisita e contraditória. A única visão deles é tornar o estado mais eficiente e mais dinâmico na regulação da economia.

    Já a explicação austríaca está na expansão da oferta monetária e na redução artificial dos juros feita pelo Banco Central em conjunto com o sistema bancário de reservas fracionárias. Tal expansão do crédito é o que gera bolhas e vários investimentos insustentáveis, para os quais não há legítima demanda.

    Toda expansão creditícia artificial desencadeia, em sua fase inicial, uma bolha especulativa que pode ser caracterizada por uma "exuberância irracional". Esta fase da expansão creditícia provoca uma série de desequilíbrios e descoordenações na economia real, fazendo com que vários projetos e empreendimentos de longo prazo que antes da expansão do crédito se mostravam desvantajosos se tornem agora, por causa da queda dos juros e da expansão do crédito, aparentemente (muito) lucrativos.

    Os indivíduos intensificam seu endividamento para poder consumir, na crença de que a expansão do crédito continuará farta e que sua renda futura continuará aumentando, o que facilitaria a quitação destas dívidas. Já as empresas embarcam em investimentos de longo prazo levadas tanto pela redução artificial dos juros criada pela expansão monetária do Banco Central (o que faz com que os investimentos se tornem mais financeiramente viáveis) quanto pela expectativa de que o aumento futuro da renda possibilitaria o consumo dos produtos criados pelos seus investimentos.

    Mas tudo chega ao fim. No final deste ciclo, quando a expansão creditícia -- que não pode se perpetuar para sempre -- for interrompida, o mercado inevitavelmente irá impor o desejo dos consumidores, e todos estes empreendimentos que até então pareciam lucrativos revelar-se-ão um grande desperdício. A realidade é que simplesmente não havia demanda para tais projetos, pois tudo era baseado numa ilusão de prosperidade, aditivada pela expansão monetária e do crédito. A interrupção da expansão do crédito revela consumidores mais endividados, sendo que sua renda não aumentou como se previa inicialmente.

    Vários bens de capital produzidos durante o período da euforia se tornam ociosos, revelando que sua produção foi um erro e um esbanjamento desnecessário (o que os fez ser distribuídos incorretamente no tempo e no espaço) porque os empreendedores se deixaram enganar pela abundância do crédito, pela facilidade de seus termos e pelos juros baixos estipulados pelas autoridades monetárias.

    Os consumidores estão agora relativamente mais pobres em decorrência de todos estes investimentos errôneos e insustentáveis que foram empreendidos em decorrência da expansão artificial do crédito, investimentos estes que imobilizaram capital e recursos escassos para seus projetos, recursos estes que agora não mais estão disponíveis para serem utilizados em outros setores da economia. No geral, a economia está agora com menos capital e menos recursos escassos disponíveis. Na Espanha, por exemplo, há hoje um milhão de casas vazias, sem compradores. Capitais e recursos escassos foram desperdiçados na construção destes imóveis, capitais e recursos que poderiam estar hoje sendo aplicados em outros setores da economia espanhola.

    O que mais há no site são artigos sobre isso.

    Algumas amostras:

    A teoria austríaca dos ciclos econômicos e as causas da Grande Depressão

    Viena e Chicago e suas divergências sobre moeda, inflação e a Grande Depressão

    A bolha imobiliária em 4 etapas

    Fraude - por que houve esta grande recessão
  • jose carlos zanrforlin  14/01/2013 19:02
    Grato, Leandro.

    A propósito, enviei-lhe artigo (cerca de 13 laudas)sobre não-transferência de propriedade do depósito à vista para o banco, pela ótica jurídica. Entretanto, já recevi de volta inúmeros "mail delivery system". O artigo menciona, inclusive, artigo de sua autoria. Caso se interesse em ler, diga-me, por favor, como lhe enviar o artigo.
    Grato mais uma vez.
    jcz
  • Davi  15/01/2013 01:17
    Gosto muito do Friedman, menos é claro da parte monetária, ele era um ótimo debatedor e orador, mas realmente ele atrapalhou muito dando corta para os keynesianos. Pelo menos seu filho e neto puxaram a melhor parte do seu pensamento.
  • Kleber  15/01/2013 11:25
    É verdade! Talvez só conhecemos Friedman porque ele foi usado pelo Estado e pelos Keynesianos. Seu ponto de vista, apesar de comportar o liberalismo clássico e a defesa do Estado mínimo, não defendia um Estado mínimo o suficiente, suas ações como economista foram desastrosas para o liberalismo justamente por isso, como a ideia de tributação de imposto de renda na fonte que tornaram o Estado mais eficiente nesta tarefa, ele acreditava no Estado, e também acreditava no livre mercado, enfim Estado e livre mercado juntos, parece ser a definição de socialismo.

    Mas Mises também acreditava no Estado, mas no caso dele os limites para ação do Estado se restringiam à defesa da propriedade e do livre mercado apenas, então essa certamente é a causa do ostracismo de Mises.

    Foi ele que saiu histérico de uma reunião com outros liberais clássicos que incluiam a presença de Friedman e Hayek, acusando todos de serem socialistas.

    Diferente de grande parte dos libertários, eu ainda acho que Mises estava certo, pois a única alternativa existente para um libertário se reduz ao campo teórico e é muito perigosa quando avaliada na prática, acho que algumas ideias anarcocapitalistas são completamente esdruxúlas e extravagantes, acho muito pouco provável a instituição de agências privadas de segurança em substituição à presença completa do Estado. Isso inevitalmente descambaria para o domínio do crime organizado, guerrilhas, anarquia e caos completos, levando a um estado de completa insegurança da sociedade.

  • Eduardo Bellani  15/01/2013 17:03
    Me parece que o Roderick Long já respondeu a suas objeções faz tempo. O que significa que faltou você pesquisar mais.

    www.lewrockwell.com/long/long11.html
  • Kleber  16/01/2013 14:14
    Eduardo,

    Em algum momento, durante o qual, eu lia o artigo indicado por você me senti como Neo ao tomar à pílula vermelha e sair da Matrix, mas refletindo melhor, subjuguei minhas emoções pela razão, e concluí que o artigo, nada mais faz do que evidenciar que as críticas direcionadas ao anarcocapitalismo não são resolvidas pela democracia, e o pior, são ilusoriamente garantidas por ela, sendo que na prática essas são ainda mais potencializadas pela democracia do que pelo anarcocapitalismo, no mínimo, o artigo me convenceu que o anarcocapitalismo é uma alternativa mais satisfatória do que a democracia, preciso pensar mais à respeito, mas se eu ainda não escolhi qual pílula tomar, é somente porque ainda tenho esperanças que possa existir uma pílula verde como alternativa entre a vermelha e a azul, mas você tem razão, eu ainda não pesquisei o suficiente.

    De qualquer forma tornei-me mais simpático ao pensamento anarcocapitalista e o artigo me instigou a pesquisar mais sobre o tema.

    O que tenho consciência é que me encontro em um processo de cura, estou me tratando de toda lavagem cerebral por qual passei nos momentos de infância e adolescência onde o sistema educacional do governo me fez enxergá-lo como uma conquista da humanidade, visão essa reforçada pela mídia quando me tornei adulto.

    Obrigado pelo acesso à informação, ela foi muito valiosa para mim.
  • Eduardo Bellani  16/01/2013 18:45
    O processo de cura é difícil, imagino que uma grande parcela dos frequentadores deste sítio conseguem simpatizar com você. Eu com certeza consigo. É bastante coisa pra desconstruir, e um pouco frustrante você se perceber manipulado. O consolo é saber que você está mais próximo da verdade, seja ela o que for.

    Continue na caminhada.
  • anônimo  16/01/2013 20:55
    Eu penso assim, anarcocapitalismo é algo que já existe mas só pros ricos, os muito ricos que podem escolher qual país do mundo eles querem morar. Então do ponto de vista deles existe competição de governos, pra eles é ótimo, nosotros míseros mortais que nos ferramos
  • anônimo  17/01/2013 09:19
    Será? Será que um escravo que pode escolher seu feitor/açoitador é livre?
  • anônimo  17/01/2013 09:59
    Uma vez respondendo a um leitor, alguém aqui falou algo assim:
    Liberdade não é imaginar um mundo onde tudo é perfeito e querer viver lá, liberdade é poder escolher entre as opções possíveis
  • Bezerra  17/01/2013 12:10
    Se ele pode escolher, logo ele não é escravo, exceto se ele escolher e for obrigado a continuar com ele para sempre.

    É interessante como socialistas insistem em comparar as relações de trabalho capitalistas com as relações escravagistas. As relações de trabalho escravagistas assemelham-se mais as relações de trabalho sob o estado socialista do que a uma economia livre. Nos países comunistas, há um único empregador, por isso há liberdade nesses países é impossível. Curiosamente, o direito de greve nesses países é violentamente suprimido. Lá você não pode fugir de um patrão opressor para outro menos opressor, ou vender picolé na praia por conta própria, pois nesses países o estado é senhor de todas as almas e corpos e não admite nenhuma concorrência, nem um humilde ambulante tentando sobreviver vendendo picolé é admitido. Os socialistas deviam lavar a boca para falar de liberdade!
  • Eduardo Bellani  18/01/2013 03:30
    Kleber

    Pensei que ao invés de lhe responder apenas com platitudes, poderia lhe ajudar na sua pesquisa com recomendações de livros. Os dois melhores que eu conheço sobre organização social são:


    Boundaries of Order: Private Property as a Social System - Butler Shaffer

    Economics and Ethics of Private Property: Studies in Political Economy and Philosophy, The - Hans-Hermann Hoppe

    Abraços
  • Kleber  18/01/2013 11:21
    Obrigado Eduardo!

    Já baixei os livros sugeridos, e estou ávido para lê-los.

    Ontem li o artigo "The Stateless Equilibrium" de Predrag Rajsic no site do Mises Institute americano.

    No artigo Rajsic comenta que mesmo Rothbard, considerado por muitos o defensor da doutrina da sociedade sem estado, cedeu ao dizer que "não poderia haver garantia absoluta que uma sociedade puramente de mercado não cairia nas garras do crime organizado", aí Rajsic desenvolveu o artigo argumentando que apesar de não haver essas garantias ele acreditava em boas razões para que resultados como caos, tirania dos ricos sobre os pobres ou mesmo criminalidade organizada na ausência do Estado eram pouco prováveis.

    Eu li o artigo de maneira superficial, mas irei lê-lo com mais calma, mas achei muito interessante.

    Eu semprei gostei do estilo do Hoppe em seus artigos que li no IMB, e sempre pensei em estudá-lo com mais profundidade, mas meu preconceito com o anarcocapitalismo sempre me afastou dele, quando na verdade, este preconceito deveria ter sido motivo para que eu me aproximasse, então definitivamente sua indicação é muito bem vinda.

    Novamente, obrigado pelas sugestões.

    Abraços.
  • Em defesa de Milton Friedman  15/01/2013 03:18
    Vi o gráfico apresentado pelo vice presidente do Federal Reserve Bank of St. Louis, e o que ele mostra corrobora o dito por Milton Friedman. Entre 1929-33 (fase da grande depressão) a base monetária ficou praticamente estagnada, enquanto o estoque monetário caiu de forma severa. Resultado: recessão violenta no período 1930-33, com desemprego saltando de 3,2% para quase 25%. A partir dai começou uma reversão do quadro monetário, que entrou numa fase de expansionismo. Por causa disso a economia parou de se contrair e entrou em expansão. O New Deal, que foi de 1933 a 1937, contribuiu bastante para essa recuperação parcial. Em 1938, portanto, já pós New Deal, houve recessão. Mas a partir de 1939 até o fim da segunda guerra houve um crescimento fabuloso por causa do forte aumento do gasto total.

    A lição que podemos tirar desse período da histórica econômica é que o estado deve injetar grande volume de liquidez em momentos que o sistema bancário está em vias de colapsar, e conjuntamente o tesouro deve elevar bastante seus gastos. Essa combinação de política monetária e fiscal visa reverter a queda da demanda agregada, e combater os prejuízos no emprego e PIB.

    Nessa crise os EUA agiram rápido, porque, felizmente, aprenderam com a grande depressão. Resultados dessa vez: o desemprego subiu a no máximo 10%, contra quase 25% da fase 1929-33; só houve um ano de recessão que foi 2009, quando o PIB caiu 2,7%, contra vários anos de recessão da outra fase, sendo que o PIB caiu mais de 10% em 1932.

    Conclusão, essa crise que tinha tudo para ser muito pior do que a grande depressão, devido a presença e complexidade muito maior do sistema de capitais atual e sua profunda ligação com o sistema bancário, ao contrário do que havia antes, foi e está sendo, no entanto, muito mais amena.
  • Leandro  15/01/2013 12:07
    "Entre 1929-33 (fase da grande depressão) a base monetária ficou praticamente estagnada, enquanto o estoque monetário caiu de forma severa. Resultado: recessão violenta no período 1930-33, com desemprego saltando de 3,2% para quase 25%."

    Até aqui, correto. Deflação monetária de fato gera recessão violenta caso preços e salários não sejam reajustados para baixo. Como isso não ocorreu nos EUA, a depressão foi forte nesse período. Prossigamos.

    "A partir dai começou uma reversão do quadro monetário, que entrou numa fase de expansionismo."

    Aqui você deu um salto olímpico. O que gerou esta súbita reversão no quadro monetário? Por que repentinamente a quantidade de dinheiro não apenas parou de cair, como também começou a subir fortemente? Você acha que foi apenas a expansão da base monetária que permitiu isso? Mas tal expansão já vinha ocorrendo. O que aconteceu em 1933 que gerou essa forte reversão?

    A resposta está no artigo, mas você certamente leu com pressa: a criação do FDIC, o seguro federal para depósitos, algo que até então não existia. O governo chegou e disse: doravante vamos garantir cada centavo dos senhores que está depositado nos bancos. Não se preocupem. Ato contínuo, as pessoas não apenas pararam de sacar seu dinheiro dos bancos, como também voltaram a depositá-lo.

    Em um sistema de reservas fracionárias, sistema este em que bancos operam tecnicamente insolventes (pois nunca têm dinheiro para honrar seus compromissos), a confiança é tudo. Se a confiança é restabelecida, o sistema funciona.

    Ou seja, não teve nada a ver com a expansão da base monetária feita pelo Fed.

    "Por causa disso a economia parou de se contrair e entrou em expansão."

    Após 4 anos de PIB negativo, era inevitável que o PIB voltasse a subir em algum momento. Isso é matemática pura. E se a quantidade de dinheiro aumentou, os gastos aumentaram. Isso é positivo para o cálculo do PIB (o que não significa, como já explicado em vários artigos aqui, que genuína riqueza esteja sendo criada).

    "O New Deal, que foi de 1933 a 1937, contribuiu bastante para essa recuperação parcial."

    O New Deal começou em 1930, com Hoover. Roosevelt simplesmente deu continuidade. O histórico do New Deal é abismal. Em 1937, o desemprego estava tão alto quanto em 1932. Mesmo keynesianos ortodoxos hoje já reconhecem o fracasso do New Deal, que nada mais foi do que um conjunto de políticas de controle de preços, controle de salários, arregimentação sindical, cartel de empresários incentivados pelo governo a não reduzirem seus preços, aumento das tarifas de importação, aumento de impostos, aumento de gastos e aumento dos déficits.

    Vários artigos detalhando políticas do New Deal e suas consequências.

    "Em 1938, portanto, já pós New Deal, houve recessão. Mas a partir de 1939 até o fim da segunda guerra houve um crescimento fabuloso por causa do forte aumento do gasto total."

    Até 1938, a recessão nunca deixou de existir. Este "crescimento fabuloso" está apenas em sua imaginação. Toda a economia foi voltada para o esforço de guerra. Indústrias foram obrigadas a produzir o que o governo queria. Em vez de produzirem alimentos e bens de consumo, produziram tanques de guerra, metralhadoras, granadas e outros aparatos bélicos. A escassez era geral e só foi suportada porque a população apoiava a guerra. Se isso é qualidade de vida e "crescimento fabuloso", você vai gostar de viver na Coréia do Norte.

    Apenas em 1946, quando o governo cortou dois terços de seus gastos é que a economia voltou a crescer.

    "A lição que podemos tirar desse período da histórica econômica é que o estado deve injetar grande volume de liquidez em momentos que o sistema bancário está em vias de colapsar, e conjuntamente o tesouro deve elevar bastante seus gastos. Essa combinação de política monetária e fiscal visa reverter a queda da demanda agregada, e combater os prejuízos no emprego e PIB."

    Há tanto erro nessa sua constatação que é difícil até escolher por onde começar.

    Primeiro, crises e recessões não são causadas por uma misteriosa queda na demanda agregada. Crise e recessões são causadas por investimentos errôneos e insustentáveis -- pela expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros --, para os quais nunca houve demanda legítima. Não se trata de um problema de demanda agregada, mas sim de um problema de capital desviado para aplicações que não são genuinamente demandadas pelo público.

    A causa de uma recessão não é demanda agregada, mas sim a destruição de capital. Recursos escassos foram aplicados em investimentos para as quais não havia demanda. Quando esta falta de demanda se torna patente, o valor destes investimentos cai, e os empreendedores que fizeram tais investimentos se descobrem com um capital valendo bem menos do que imaginavam valer. Aí então começa a recessão, que nada mais é do que o período de reajuste desta estrutura de produção que foi distorcida pela expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros.

    Portanto, para acabar com uma recessão, é preciso fazer com que este capital mal investido seja liquidado e que os investimentos sejam voltados para áreas em que haja genuína demanda dos consumidores. O governo fazer políticas que estimulem a demanda agregada, de modo a não permitir que haja essa reestruturação do capital, irá apenas prolongar a recessão. Exatamente como está ocorrendo agora.

    Outra coisa, você pode defender o quanto quiser este arranjo que você diz defender, mas dê nome aos bois. Você está dizendo que o governo deve sempre intervir para ajudar banqueiros falidos e para tomar o dinheiro da população para redistribuí-lo às suas empresas favoritas. É exatamente isso o que está acontecendo. Agora, como isso pode acabar com recessões e estimular criação de riqueza é uma mágica que me escapa.

    Tomar dinheiro de uns e dar para outros e achar que está enriquecendo todo mundo é o equivalente a usar um balde para tirar água da parte funda da piscina, jogar na parte rasa e achar que isso vai fazer com que o nível geral da água suba.

    "Nessa crise os EUA agiram rápido, porque, felizmente, aprenderam com a grande depressão. Resultados dessa vez: o desemprego subiu a no máximo 10%, contra quase 25% da fase 1929-33; só houve um ano de recessão que foi 2009, quando o PIB caiu 2,7%, contra vários anos de recessão da outra fase, sendo que o PIB caiu mais de 10% em 1932."

    Informe-se melhor. Utilizando as mesmas mensurações usadas durante a Grande Depressão, o desemprego hoje é tão grande quanto naquela época.

    www.shadowstats.com/alternate_data/unemployment-charts

    "Conclusão, essa crise que tinha tudo para ser muito pior do que a grande depressão, devido a presença e complexidade muito maior do sistema de capitais atual e sua profunda ligação com o sistema bancário, ao contrário do que havia antes, foi e está sendo, no entanto, muito mais amena."

    Só é mais amena porque a sociedade americana (e o mundo) é hoje muito mais rica do que naquela época. Como há mais capital acumulado, é mais fácil suportar momentos de penúria, e há mais riqueza para o governo confiscar, redistribuir e exaurir. Essa é a diferença. Mas o capital não é infinito, e se ele continuar sendo exaurido a uma velocidade maior do que é criado, nada impede que aquelas condições voltem (mas isso está muito longe de ocorrer).

    Conclusão: deixe de ideologia e passe a estudar a ciência econômica seriamente. Ficar repetindo chavões de oitava série não lhe dá gabarito intelectual nenhum.
  • Patrick de Lima Lopes  15/01/2013 15:28
    Brilhantíssima resposta do Leandro.
    Dadas mais 4 horas para mim, poderia ter concebido em minha humildade uma réplica ao defensor que fosse 1/4 da sua.
    Seus esforços não foram em vão. Admito que aprendi mais neste comentário seu que em vários artigos. Congratulações.
  • Cedric  16/01/2013 03:58
    Parabéns pela resposta.
  • Em defesa de Milton Friedman  16/01/2013 16:45
    Outro exemplo que contraria a teoria austríaca é a recuperação veloz alcançada pela economia nazista. Hitler subiu ao poder em 1933. Seu governo produziu uma forte expansão monetária e do gasto, que levou a recuperação plena da economia alemã e de forma rápida. O desemprego que chegara a mais de 40% baixou para nível de pleno emprego.
  • Leandro  16/01/2013 17:26
    "Outro exemplo"? E qual foi o primeiro? Para utilizar o pronome "outro" com o significado de "semelhante" ou "mais um", é necessário ter havido antes algum exemplo efetivo. E você fracassou na sua primeira tentativa.

    Quanto à economia de Hitler, mais uma prova de sua tara por dirigismo. A economia alemã vivia em constante racionamento pois estava totalmente voltada para o esforço de guerra. A população alemã vivia em estado de privação e não em estado de fartura. A qualidade de vida era baixa.

    Os nazistas praticaram controle de preços, controle de salários e arregimentaram toda a produção. A propriedade dos meios de produção continuou em mãos privadas, mas era o governo quem decidia o que deveria ser produzido, em qual quantidade, por quais métodos, e a quem tais produtos seriam distribuídos, bem como quais preços seriam cobrados, quais salários seriam pagos, e quais dividendos ou outras rendas seria permitido ao proprietário privado nominal receber. A economia produzia o que o ditador queria, e não o que a população demandava.

    O desemprego era baixo? Sim, mas de que adiantava? Qual a vantagem de você ter um emprego mas não ter liberdade de usufruir os frutos de seu trabalho? Qual a vantagem de ter um emprego se você não tem liberdade de consumo? Qual a vantagem de ter um emprego se você não tem poder de compra? Você trabalha mas não pode consumir nem se divertir. Isso é escravidão. Coréia do Norte (e a URSS) também tem (tinham) pleno emprego. Mas não há (havia) qualidade de vida nenhuma. De novo: escravidão.

    Deixe de ideologia totalitária e vá estudar ciência econômica genuína. Adquira conhecimento científico e não se rebaixe a este patético papel de ficar regurgitando surradas gírias panfletárias.

    Por que o nazismo era socialismo e por que o socialismo é totalitário

    Hitler era um keynesiano
  • Marcos Correa  15/01/2013 13:09
    O que o BC faz com os títulos do governo após adquiri-los dos bancos?
  • Leandro  15/01/2013 13:26
    1) Continua coletando juros normalmente (pago com nossos impostos).

    2) Utiliza esses títulos em operações de mercado aberto, vendendo-os aos bancos para reduzir alguma eventual liquidez no mercado interbancário (liquidez essa que reduziria os juros para baixo da SELIC estipulada).

    3) Quando os títulos vencem, eles simplesmente são rolados -- isto é, o Tesouro emite outro título de igual valor, mas com outra data de vencimento, e o entrega ao BC. O BC em troca imprime dinheiro e dá ao Tesouro.

    Resumindo: os títulos públicos que estão em posse do Banco Central (os quais o BC comprou do sistema bancário imprimindo dinheiro) continuam coletando juros normalmente, juros estes pagos por nós. Parte desta receita com juros é utilizada para financiar as operações do Banco Central. O que sobra é remetido ao Tesouro.

    Portanto, além dos impostos e dos juros ao bancos, também pagamos juros ao próprio governo. Mas dá pra contar nos dedos quem realmente sabe disso.

    E quando os títulos públicos que estão em posse do Banco Central vencem, eles são simplesmente rolados -- no caso, o BC pode "comprar diretamente títulos emitidos pela União para refinanciar a dívida mobiliária federal que estiver vencendo na sua carteira." (Isso está escrito na Lei de Responsabilidade Fiscal, nos artigos 35 e 39).

    P.S.: mensalmente, a imprensa publica notícias do tipo "o resultado fiscal do governo central (Tesouro, Previdência e Banco Central) foi de tantos bilhões". Observe que eles indicam se o BC teve lucro ou prejuízo. Tal contabilidade se refere justamente a este fato de o BC coletar dinheiro de juros. (Veja aqui um exemplo aleatório de 2011. O fato de o BC ter tido prejuízo significa justamente que o volume que ele repassou ao Tesouro foi superior ao que ele precisava reter para custear suas operações).
  • Mercado de Milhas  16/01/2013 17:42
    3) Quando os títulos vencem, eles simplesmente são rolados -- isto é, o Tesouro emite outro título de igual valor, mas com outra data de vencimento, e o entrega ao BC. O BC em troca imprime dinheiro e dá ao Tesouro.

    Se os títulos venceram, então o tesouro paga o principal de volta ao BC que acaba recomprando os mesmo títulos de prazo mais longo, correto ? Então não há criação de dinheiro aí, há ?
  • Leandro  16/01/2013 17:50
    O Tesouro nunca paga o principal ao BC. Quando o título vence, ele é rolado utilizando o mecanismo explicado.
  • Roberto Flores  15/01/2013 16:35
    O artigo é excelente mas quero fazer uma observação de um não economista. Sempre soube ( me corrijam se estiver errado) que o keynesianismo seria seguir uma política contra-cíclica. Nos momentos de crescimento econômico deveria haver um superávit fiscal ( nominal e não o tal primário que na verdade é déficit). E isso eu nunca percebi em nenhum dos países ocidentais ( talvez a Noruega, não sei) . Se houvesse o dito acúmulo de recursos ,ou seja, uma poupança, poderíamos gastar em investimentos e gastos nos momentos de queda do PIB. O que vejo são déficits crônicos por anos a fio, e aumento do déficit nos momentos de queda do pib, gerando dívidas imensas e impagáveis. Então o que estamos vendo é só uma face do keynasianismo ! Acredito que Keynes não aprovaria as políticas atuais dos neo-keynesianos ( que sempre gastam e nunca poupam)

    Abraço
  • Eduardo Pimenta  17/01/2013 13:27
    Olá Roberto Flores, eu não sou nenhum perito em economia, mas vou tentar esclarecer a suas dúvidas no que for possível. =)

    Você está certo, é mais ou menos isso que Keynes pregava. Na crise de 1929, ele enxergou um problema com a desconfiança do consumidor que reduzia a demanda e gerava mais desemprego em um ciclo vicioso. Então, ele propôs que o governo interviesse em momentos de crise, estimulando a economia com investimentos até que as pessoas voltassem a consumir.
    Muitos países estão seguindo essa proposta (e.g. Brasil, França e Estados Unidos) para combater a crise de 2008 e seus efeitos. Outros dizem estar fazendo políticas de austeridade (e.g. Alemanha e outros países europeus), porém, conforme você apontou esses países estão tendo déficits fiscais; tem até um artigo nesse site sobre isso: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1472

    Enquanto a épocas de alta atividade econômica, há vários artigos no site a respeito dos ciclos econômicos. O problema não é a falta de poupança do governo, mas o governo estar interferindo continuamente, seja se apropriando da produção, seja gastando os excedentes.
    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=5

    Finalmente, a diferença entre o resultado primário e nominal é que o segundo leva em consideração o efeito da correção monetária e cambial. É possível que os dois resultados sejam superavitários, ou deficitários ou até um de jeito e o outro de outro. Tem ainda o resultado operacional que considera apenas o resultado do ano presente, excluindo o efeito da inflação, câmbio e juros da dívida passada. =)

    Abraços. ^^
  • Luciano  16/01/2013 01:03
    Já leio os textos do Mises Brasil há algum tempo, e é incrível coo existem pessoas que ainda conseguem defender as insanidades keynesianas. Qualquer pessoas com o mínimo de bom senso rejeitaria essa teoria como um demônio rejeita água benta.

    Porém, sempre tive uma dúvida acerca da demanda agregada. Li uma vez que ela é a soma de todos os bens criados na economia, mas achei essa explicação muito sem sentido.

    O que seria a demanda agregada e como ela age dentro da economia? E, no caso de uma economia ANCAP, a demanda agregada ainda teria espaço no cenário econômico?
  • Leandro  16/01/2013 01:39
    Demanda agregada não é a soma de todos os bens criados na economia. Demanda agregada é justamente isso que o nome indica: a demanda total por bens e serviços em uma economia ao nível vigente de preços.

    É o total de bens e serviços efetivamente adquiridos a seus atuais níveis de preço.

    Logo, quando se fala em estimular a demanda, está-se falando em estimular meramente consumo. Curiosamente, keynesianos parecem ainda não ter se atentado para uma completa obviedade: "demanda" sempre existiu e sempre vai existir. Dado que vivemos em um mundo de escassez, a demanda geral sempre será, por definição, infinita. Sempre estaremos querendo mais, seja bens de luxo, seja bens indispensáveis à sobrevivência. Logo, não faz o menor sentido ficar querendo estimular aquilo que já é infinito. O que essa gente não percebeu é que os problemas da economia advêm do lado da oferta, da produção, da poupança. Esta, sim, é complicada e não pode ser simplesmente estimulada de acordo com meros caprichos e ordens burocráticas.
  • Occam's Razor  16/01/2013 02:50
    No caso o estímulo seria uma forma de aumentar a demanda agregada, certo? Se uma pessoa recebe um real de crédito que não foi poupado por outra, a segunda pessoa não deixou de consumir para que a primeira pudesse usar esse real. Crédito não lastreado em poupança aumentaria a demanda agregada.
    Já quando o empréstimo for pago a demanda agregada volta ao seu valor inicial, pois o indivíduo não pode mais gastar o salário + crédito ao mesmo tempo.
    Tudo isso supondo que os agentes econômicos não mudem sua predisposição a gastar seus proventos.
    Não sei se estou cometendo algum deslize no raciocínio ...
  • Luciano  16/01/2013 04:01
    Obrigado pela resposta, Leandro.

    Semana passada postei um artigo do Mises na internet que fala sobre o padrão-ouro e a morte da moeda de papel. Um conhecido meu comentou que só loucos e ''sonhadores'' acreditariam na volta do padrão-ouro, uma vez que a moeda fiduciária abre mais possibilidades de investimentos e produção na economia. Daí eu perguntei: "mas como pode haver produção ou investimentos sem haver poupança? Me explique como, por exemplo, você pode pensar em investir em ações sem antes poupar algum dinheiro". O cara veio com a pachorra de dizer que governos não podem ser geridos como a nossa casa, pois eles contraem dívidas "consigo mesmo".

    Eu fico pensando: ou keynesianos são esquizofrênicos ou acham que devem à sua própria sombra.
  • Frederico  19/01/2013 05:12
    Leandro,

    A escola austríaca defende o fim dos BCs e a volta do padrão ouro.
    Entendo que a impressão de dinheiro sem lastro, financia gastos irresponsáveis,aumenta a presença indevida do estado na economia, além de gerar uma expansão artificial do crédito.
    Mas e a volta do padrão ouro? Não geraria um empobrecimento geral devido a escassez do bem? Se por um lado a expansão indevida é um problema, o encarecimento/escassez do dinheiro também não será?

    Sou um adepto da filosofia austríaca e gostaria de entender melhor essa questão, por favor, corrija-me caso esteja errado em alguma observação acima

    Grato
  • TL  19/01/2013 13:56
    Prezado Frederico, acredito que posso ajudá-lo.

    "Mas e a volta do padrão ouro? Não geraria um empobrecimento geral devido a escassez do bem?"

    Você está preocupado com a quantidade de moeda no mercado. No mercado, o preço das mercadorias se ajustam a quantidade de moeda. Inclusive, é por isso que os preços aumentam quando a quantidade de moeda aumenta (ex.: sistema de reservas fracionárias).

    Lembre que algumas moedas atuais (dólar, libras esterlinas, . . . ) eram apenas títulos para um quantidade x de ouro. Ao invés de você carregar o ouro físico, você apenas carregava o título. O ouro estava armazenado num banco e o proprietário do título era o proprietária do ouro. O portador do título poderia a qualquer momento ir no banco e resgatar o ouro físico.

    Se você estudar a história do dólar e libra, por exemplo, descobrirá que o nome significa uma quantidade de peso. Então, a quantidade de títulos no mercado não é importante, o que importa é o poder de compra desses títulos.

    No caso da moeda se valorizar muito e haver dificuldade na troca do título por bens de baixo valor, nada impediria ao banco emitir títulos referentes a uma menor quantidade de ouro. Também poderia existir outra moeda como meio de troca para valores menores, por exemplo a prata.

    Em resumo: o empobrecimento ou enriquecimento não depende da escassez ou não do meio de troca, mas sim do que se pode comprar com esse meio de troca. Claro, alterações na quantidade desse meio de troca (tanto para mais quanto para menos) somente transferirão riqueza de um grupo para outro, entretanto a quantidade de bens/serviços continuam igual.

    Para maiores detalhes, recomendo o seguinte artigo:

    Qual deve ser a quantidade certa de dinheiro em uma economia?

    Sobre a quantidade de dinheiro necessária para uma economia
  • TL  19/01/2013 16:06
    Um link da mensagem anterior está incorreto. Por favor, utilizar esse:

    Qual deve ser a quantidade certa de dinheiro em uma economia?
  • Renato Souza  20/01/2013 13:34
    Frederico

    Tentarei dar meu pitaco.

    A quantidade de moeda presente na economia é totalmente irrelevante, desde que seja RELATIVAMENTE ESTÁVEL. Se houvessesm dez vezes mais reais (em notas e fiduciários) na economia brasileira, simplesmente cada bem custaria dez vezes mais (em reais) e isso não seria problema nenhum. Inclusive a relação na relação de troca com outras moedas, o real valeria um décimo do que vale hoje. Que efeito isso teria na economia real? Com uma tonelada de soja você compraria a mesma quantidade de bens ou serviços, sejam nacionais, sejam importados. Então, isso não teria efeito na economia real. Se houvesse um décimo da quantidade de reais, também não haveria problema nenhum, e todos os preços seriam um décimo do que são, e o real valeria dez vezes o que vale em relação às outras moedas. Essa análise é válida supondo que tudo o mais fosse constante, isto é, que não houvesse nem mais nem menos interferência e distorção por parte do governo.

    Note que o iene, por exemplo, tem um valor baixíssimo em relação a outras moedas, mas isso não que dizer que seja FRACO. O sistema monetário funciona bem para qualquer relação, desde que seja razoavelmente estável. As relações verdadeiras são as relações de VALORES entre os bens e serviços, atribuidos pelo mercado. Moedas são apenas maneiras de contabilizar isso. Dizer quer o bem A vale 10 unidades de moeda e o bem B vale 20 unidades de moeda, é o mesmo que dizer que o bem B vale duas vezes o bem A. Se você dissesse que o bem A vale 500 unidades de moeda e o bem B vale 1000 unidades de moeda, daria na mesma.

    Agora a rápida e contínua variação da quantidade de moeda, isso é péssimo, porque ao fazer os preços se alterarem continuamente, varia alguns depois dos outros, e não todos de uma vez (inclusive o preço da própria moeda) fazendo com que seja transferida renda entre os agentes econômicos. Em particular, transfere renda da maioria da sociedade para um grupo de agentes privilegiados: governo, bancos, investidores financeiros e tomadores de empréstimos a juros baixos. Certamente é uma grave distorção da função da moeda esse efeito de transferir renda para certos agentes, empobrecendo a maioria.

    Outra interferência indevida no sistema de preços ocorre quando o governo impõe um cambio artificial, o que também transfere renda entre agentes econômicos.
  • Frederico  20/01/2013 11:12
    Obrigado TL.

    Muito bem explicado. Artigo tb é excelente, como td por aqui.



  • Frederico  21/01/2013 17:28
    Obrigado Renato.



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