O que deu errado no Brasil em 2012 e o que está por vir
O artigo a seguir foi extraído do um boletim informativo mensal escrito para a empresa VOGA.

 

De acordo com as mais recentes estimativas, a economia brasileira deve apresentar um crescimento do PIB de não mais do que 1% em 2012.  Os números recentemente divulgados para o terceiro trimestre surpreenderam negativamente o governo, o qual, segundo as palavras do próprio ministro Guido Mantega, havia previsto um crescimento anualizado de 2% — e tudo isso apenas três dias antes de o IBGE divulgar seus dados. 

Com efeito, o pavoroso histórico de Mantega em prognosticar os números da economia solapou sua credibilidade a tal ponto, que a revista britânica The Economist abandonou seu notório entusiasmo em relação ao Brasil e sugeriu a Dilma que demitisse Mantega de seu cargo na Fazenda.

Dado que os prognósticos para o PIB de 2013 também foram revisados para baixo, é de se pensar: o que houve com a famosa "decolagem" da economia brasileira celebrada pela própria The Economist na capa de sua edição de 12 de novembro de 2009?  Por que a economia brasileira teve um ano tão ruim?

theeconomistbraziltakes.jpgAlguns argumentam que a culpada de tudo é a crise financeira mundial.  Mas, se é assim, então como é que outras economias emergentes estão crescendo muito mais rápido que o Brasil?  Similarmente, poderíamos argumentar que o acentuado crescimento da economia brasileira em 2010 deveu-se a uma pujante economia global, certo?  Seria a atual situação culpa da China e seu mais vagaroso crescimento?  Muito difícil e ilógico, pois o superávit comercial do Brasil em relação à China é de apenas 0,6% do PIB.  Logo, ao contrário do que se imagina, as dificuldades brasileiras não devem ser procuradas no exterior.  Os problemas brasileiros são domésticos.  E Brasília está no epicentro desta situação aflitiva.

A julgar a quantidade e a frequência de novas medidas anunciadas pelo governo em 2012, um estrangeiro imaginaria que o Brasil está enfrentando uma severa crise.  O governo concedeu vários incentivos fiscais para seus setores favoritos, os impostos sobre empréstimos estrangeiros foram meticulosamente manipulados, o Banco Central interveio seguidamente no mercado de câmbio, a taxa oficial de inflação — o IPCA — foi manipulada por meio de alterações nas alíquotas de impostos que incidem sobre vários produtos, os preços vigentes em vários setores sofreram interferência estatal, a dívida e o déficit público foram "controlados" por meio de criativos mecanismos contábeis, os bancos públicos foram obrigados a expandir o crédito para satisfazer interesses políticos, as importações foram restringidas, as exportações foram subsidiadas, empresas estatais e privadas operaram sob ordens diretas da Fazenda (Petrobras e Vale, para ficar nas principais), e, finalmente, as tarifas de energia elétrica foram reduzidas por decreto.  Todas essas medidas representam apenas um vislumbre da hiperatividade exercida pelo atual governo brasileiro sobre a economia.

Uma das principais consequências de toda esta interferência estatal na economia é a incerteza que ela gera.  Investir nesse cenário requer não apenas uma ótima dose de julgamento empreendedorial, mas também de percepção política, de modo que um empreendedor deve estar plenamente apto a adivinhar o que o governo fará a seguir.  Não deveria ser nenhuma surpresa, portanto, a estagnação da economia, uma vez que o investimento é uma das principais variáveis que derrubou o PIB do terceiro trimestre. 

A persistente inflação de preços

No artigo de maio, havíamos dito que havia uma grande chance de o Banco Central conseguir atingir a meta do IPCA (4,50%) ao final deste ano.  Hoje está claro que essa previsão foi incorreta. 

O problema é que subestimamos completamente a capacidade do Banco Central de inflacionar a oferta monetária.  Embora a expansão do crédito esteja arrefecendo, a impressora sob o comando do senhor Alexandre Tombini está operando em alta rotação.  Literalmente.  Desde maio de 2012, a quantidade de papel-moeda em poder do público vem crescendo firmemente a uma taxa anual superior a 10%.  Nos últimos 15 anos, a média de crescimento desta variável foi de 15%.  Poucos bancos centrais no mundo conseguem igualar este recorde.

E o que os números oficiais nos dizem?  Uma semana após o IBGE ter publicado os desanimadores números do PIB, o IPCA de novembro foi divulgado: 0,60%, o que totalizou um aumento de 5,53% nos últimos 12 meses.  Outra grande frustração para o governo.

Talvez o maior perigo em potencial trazido pela atual tendência inflacionária esteja na chamada Lei de Goodhart — assim nomeada em homenagem a Charles Goodhart, ex-assessor do Banco Central da Inglaterra —, a qual diz que uma vez que um indicador social ou econômico adquire status de meta de política econômica, ele perde o conteúdo informativo que outrora o qualificara a servir como meta.  Em outras palavras, tão logo um indicador é escolhido para mensurar a eficácia de políticas sociais e econômicas, ele irá perder todas as informações significativas que ele fornece, pois o governo irá manipulá-lo como mais lhe aprouver.

Boa parte das reduções de impostos adotadas este ano afeta diretamente o IPCA.  O mesmo vale para o preço da eletricidade, que possui um peso considerável no índice de inflação oficial.  Adicionalmente, e nada surpreendentemente, o senhor Mantega já começou a questionar o IBGE a respeito de seus números para o PIB.  De fato, parece que Charles Goodhart tinha razão.

Com a taxa SELIC permanecendo em 7,25% por um bom período de tempo, e com os agregados monetários (base monetária e M1) crescendo aproximadamente 10% ao ano, será necessária muita engenhosidade para trazer o IPCA para mais perto de sua meta de 4,50% em 2013.

Taxa de juros, crédito e bancos públicos

Sei que a questão do crédito bancário já foi abordada extensivamente em outros artigos, mas como o governo simplesmente não consegue deixar se intrometer neste setor, é impossível evitar comentar o quão equivocada é esta política e o quão perigosa ela pode ser para a saúda da economia, pública e privada.  Em abril, chamamos atenção para a reestatização do crédito que estava sendo implementada.  Desde então, tal tendência não foi revertida.  Muito pelo contrário: dada a perseverança do governo em pressionar os bancos estatais a oferecerem empréstimos baratos e abundantes, a quantidade de crédito sob controle estatal será rapidamente a metade do crédito total no país.  Adeus "economia de mercado".

O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal estão adquirindo novas fatias de mercado, especialmente no ramo de empréstimos ao consumidor, ao passo que os bancos privados seguem relutantes em se curvar às exigências do governo e reduzir ainda mais seus spreads.  Enquanto os empréstimos dos bancos privados para os consumidores cresceram 6% em 12 meses, os bancos estatais aumentaram seus empréstimos em quase 30% durante este mesmo período.

Ainda em meados do ano passado, antecipamos que o BB e a CEF necessitariam, mais cedo do que os analistas imaginavam, de uma injeção de capital do governo, caso contrário sua alavancagem e seu índice de Basileia piorariam.  Em setembro, o Tesouro anunciou que ambas as instituições ganhariam R$8 e R$13 bilhões respectivamente, em capital híbrido cujos termos "seriam decididos pelo Ministro da Fazenda em uma data posterior".

Não obstante, mesmo com todas estas medidas extraordinárias para aumentar os empréstimos e reduzir os spreads, esta fonte de (insustentável) crescimento está atualmente exaurida.  As famílias brasileiras estão fortemente endividadas.  Graças aos pequenos prazos concedidos aos empréstimos e às altas taxas de juros cobradas, os brasileiros comprometem mais de 20% de sua renda disponível para o serviço de suas dívidas, praticamente o dobro da média americana.  Isso explica parcialmente por que o crédito vem crescendo a um ritmo mais moderado, não obstante todos os esforços do governo; a demanda por empréstimos não pode ser estimulada magicamente.  Portanto, do lado da demanda, o governo parece incapaz de reativar o PIB.

E quanto ao lado da oferta?  Pode o investimento fazer o PIB crescer, como fez em 2010?  Sim, isso é possível, mas à custa de uma alocação de capital totalmente errônea e insustentável, descolada da genuína demanda — mais especificamente, à custa de investimentos ruins.  Vamos explicar.

Durante a última década, houve três momentos em que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu a uma taxa muito mais alta do que a de sua média de 5,4% ao longo dessa mesma década: em 2007, quando chegou ao seu até então pico de 13,9%; em 2008, quando foi de 13,6%; e finalmente em 2010, quando chegou a incríveis 21,3%.  Esta foi a primeira vez desde a introdução do real em que a FBCF aumentou mais de 20% — resultado direto das taxas de juros historicamente baixas e da generosa caridade do BNDES para com as grandes empresas.  Em outras palavras, uma precificação errada do capital estimulou uma profusão de investimentos no Brasil.

Na maioria dos países, as taxas de concessão de crédito tendem a andar em simultâneo com o crescimento nominal do PIB.  "A maneira de entender isso", escreveu Jim Walker, fundador e presidente da Asianomics Ltd., "é que a taxa de crescimento do PIB (renda) deve ser suficiente para sustentar o serviço da dívida.  Ela é também um sinal para os produtores: o capital não é gratuito".

Gillem Tulloch, analista da Forensic Asia, empresa irmã da Asianomics, explica que "uma taxa de juros livre de risco é geralmente similar à taxa de crescimento nominal do PIB, o qual é um bom substituto para a taxa de crescimento dos lucros".  Assim, em economias em que "há menos repressão financeira", conclui Tulloch, "o crescimento nominal do PIB e a taxa de juros livre de risco geralmente são similares".

No Brasil, um bom mensurador para o custo do capital é a taxa do CDI (Certificados de Depósito Interbancário — taxa de juros para empréstimos interbancários, os quais são lastreados por títulos do Tesouro).  Durante a maior parte da década, as taxas do CDI se mantiveram bem acima do crescimento nominal do PIB (gráfico 1), o que implicava um alto custo para o capital.  O pequeno prazo de maturação da dívida pública (gráfico 2) e as altas expectativas inflacionárias certamente contribuíram para este fenômeno.

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Gráfico 1


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Gráfico 2

O que os anos de 2007, 2008 e 2010 têm em comum é que, durante a maior parte deste período, as taxas do CDI foram menores que a taxa de crescimento nominal do PIB (gráfico 1), o que sugere que o capital estava precificado abaixo do seu real valor de mercado.  O pequeno boom econômico daqueles anos produziu a consequente estagnação de 2011 e 2012.

Portanto, considerando-se a tépida atividade econômica, pergunta-se: como exatamente o governo está tentando fazer o investimento voltar à sua trajetória de crescimento?  Exato, você acertou.  Estimulando novas rodadas de crédito abundante e barato.  Precificar o capital a um valor abaixo do de mercado é a política oficial do governo.   

O grande elefante na loja de porcelana

Já mencionamos a injeção de capital no BB e na CEF.  Agora temos de abordar o grande elefante na loja de porcelana: o BNDES.  Desde 2009, como parte do anticíclico Programa para a Sustentação do Investimento (PSI), o Tesouro transferiu quantias colossais de dinheiro para o banco de desenvolvimento.  De início, tudo seria apenas temporário.  No entanto, a cada ano, o programa foi sendo prolongado.  Em 2013, já é esperado que o BNDES irá receber mais R$100 bilhões do governo.  Isso não é mixaria.  Atualmente, os empréstimos concedidos pelo BNDES representam um quinto do crédito total no país.  E o que é ainda mais perturbador é o fato de que o Tesouro Nacional tem sido a principal fonte de financiamento para o BNDES, e suas concessões de crédito têm sido direcionadas majoritariamente para as indústrias favoritas do governo, empresas grandes que não teriam dificuldades para obter crédito no mercado.

Para intensificar os problemas, o capital está sendo precificado a valores cada vez menores.  Em 2013, a taxa de juros para os empréstimos subsidiados estará entre 3 e 5%, em termos nominais.  Isso significa taxas de juros reais negativas.  Ou seja, o governo está basicamente pagando as grandes empresas para que elas peguem dinheiro emprestado.  Outros programas federais constitucionalmente obrigatórios estão oferecendo empréstimos a uma inacreditável taxa de 2,5%.  Em suma, o capital é realmente gratuito — quando concedido pelo governo, é claro.

Voltando à nossa pergunta sobre o PIB, pode o investimento fazer com que ele cresça a uma taxa maior em 2013?  É claro que pode.  Mas com o capital sendo concedido a custo quase zero, investimentos errôneos e insustentáveis serão a consequência natural.  Algumas empresas serão claramente beneficiadas, talvez setores inteiros; mas isso não pode fazer com que toda a economia fique mais rica.  Portanto, embora o investimento privado possa aumentar em 2013, isso ocorrerá à custa de menores investimentos em conjunto com a liquidação de investimentos ruins em um período posterior.  É impossível precificar erroneamente o capital e ao mesmo tempo evitar as necessárias correções na estrutura de produção da economia. 

Infelizmente, as consequências de longo prazo destas políticas não serão limitadas ao setor privado: as finanças públicas do Brasil dificilmente passarão incólumes.

A situação fiscal do governo, ao contrário das alegações, não está nada em ordem

A tendência é bastante clara: a dívida líquida do Brasil em relação ao PIB tem estado em declínio ao longo dos anos.  Guido Mantega e sua equipe não se cansam de ostentar os números (gráfico 3).  Mas o que eles nunca mencionam são os créditos concedidos pelo Tesouro ao BNDES e a outros bancos estatais, que chegam a quase R$400 bilhões, praticamente 25% do total da dívida líquida.  Quando se leva estes números em consideração, a dívida líquida em relação ao PIB sobe de 35,2% para 44,1%. 

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Gráfico 3

No entanto, alguns podem argumentar que, dado que tais empréstimos são um ativo do governo, seria perfeitamente justificável levá-los em consideração no cálculo.  Certo? 

Errado.

Além do custo fiscal trazido pelas taxas caridosamente subsidiadas pelo Tesouro, o BNDES pega dinheiro emprestado do governo (o Tesouro emite títulos para conseguir este dinheiro) a um período médio de amortização de mais de 30 anos.  Não, não houve nenhum erro de digitação aí.  São realmente trinta longos anos.  Paralelamente, a dívida pública possui um prazo médio de duração de quatro anos. Consequentemente, o governo tem de refinanciar esses R$400 bilhões a cada quatro anos para poder dar continuidade às extravagâncias do BNDES, e ele tem de repetir este processo mais sete vezes antes de o banco de desenvolvimento começar a devolver ao Tesouro seus primeiros centavos.

O BNDES certamente já deixou sua marca na história do sistema bancário mundial.  Ele alcançou o nirvana almejado por qualquer banqueiro: toma empréstimos a prazos extremamente longos, concede empréstimos de maturação bastante curta, e, em todo este processo, aufere altos lucros oriundos de um spread positivo.

Do lado do Tesouro, embora a dívida líquida apresente trajetória declinante, a dívida bruta segue crescente, e já chegou aos 60% do PIB.  Mas ninguém do governo se incomoda com este coeficiente.  Tudo o que importa é que a dívida líquida está visivelmente em um caminho cintilante.  Para entender melhor a absurdidade desta métrica, considere isso: caso o Tesouro transferisse R$1,5 trilhão para o BNDES, a dívida líquida do Brasil em relação ao PIB iria instantaneamente cair para zero.  Esperemos que o senhor Mantega jamais leve este exemplo hipotético a sério.

Por outro lado, há um quesito que ele poderia levar bastante a sério: a meta do superávit primário (gráfico 4), o qual, diga-se de passagem, também vem apresentando um declínio contínuo.  Só que, neste caso, isso não é um bom sinal.  Desde a introdução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o governo astutamente aprovou uma legislação que o permite "descontar" os investimentos do PAC do cálculo do superávit primário sempre que se tornar claro que a meta não será alcançada.  Em 2012, mesmo após ter recorrido a este subterfúgio, o Tesouro dificilmente irá alcançar a meta de 3% de superávit primário em relação ao PIB.  Por sorte, a acentuada redução da taxa SELIC está aliviando o custo dos juros sobre a dívida pública, fazendo com que o déficit nominal em relação ao PIB se mantenha relativamente estável em 3%.

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Gráfico 4

No entanto, o verdadeiro déficit jamais é mencionado.  Quando levamos em conta a necessidade de se refinanciar a dívida, isto é, a dívida que deve ser rolada em um dado período, o déficit real sobe para estonteantes 18,2% do PIB, um nível apenas ligeiramente menor do que aquele que levou os PIIGS ao seu calvário (para mais detalhes sobre este processo, ver este artigo).  Ao contrário destes problemáticos países europeus, o Brasil já paga uma alta taxa de juros sobre sua dívida, o que o permite rolar com mais facilidade suas obrigações vincendas.  Pelo menos por ora.

Mas como os atuais incentivos fiscais irão impactar as finanças do governo nos anos vindouros?  Nem mesmo o governo se arrisca a dizer.  Não nos entenda mal, somos sempre a favor de uma redução na carga tributária.  No entanto, não da maneira improvisada como ela foi feita neste ano.  Ademais, reduzir as receitas do Tesouro sem uma concomitante redução nos gastos é uma política extremamente perigosa.

O que ainda está por vir

Há uma outra tendência preocupante que poucos economistas estão abordando: a acumulação de empréstimos feitos por bancos estatais para entidades federais e estaduais, bem como para governos estaduais.

Uma fonte fundamental para a inflação monetária dos anos 1980 e 1990, os hoje extintos bancos estaduais regionais tinham de ser constantemente socorridos pelo Banco Central em decorrência de seus temerários empréstimos para os governos estaduais e para suas respectivas estatais, operação esta que equivalia a criar dinheiro e desperdiçá-lo.  Com enorme frequência, tal operação significava emprestar para seu próprio acionista — os respectivos estados.

Com as reformas estruturais dos anos 1990, estes bancos foram ou liquidados ou privatizados, e a quantidade de empréstimos que podiam ser tomados por governos estaduais foi limitada pela Lei de Responsabilidade Fiscal, reduzindo essa questionável prática a um mínimo.  Mas isso já mudou.  Tendo crescido a uma taxa de 50% em relação ao ano passado, já há um total R$100 bilhões concedidos via empréstimos ao setor público.  Há algum banco privado bancando este risco?  Duvidoso.  Para ser mais exato, bancos estatais são responsáveis por nada menos que 98% do dinheiro emprestado ao setor público.

E tem mais.  Guido Mantega recentemente aprovou um aumento da tolerância fiscal para a maioria dos estados, permitindo que eles pegassem mais empréstimos e aumentassem o investimento público.  Trata-se de uma clara violação da Lei de Responsabilidade Fiscal.  Consegue ouvir os passos do elefante?  Consegue ouvir as porcelanas sendo destroçadas?  Não há mais necessidades de os estados recorrerem ao setor privado; o BNDES irá financiar a farra creditícia.

Podemos agora finalmente responder à pergunta sobre se o investimento irá elevar o PIB do próximo ano.  Francamente, cremos que sim.  Tanto o investimento privado quanto o público tende a crescer.  O primeiro devido à sub-precificação do capital; o último em decorrência da nova e confortável relação com os bancos estatais.  No entanto, a qualidade destes investimentos é uma questão totalmente à parte.

Para onde estamos indo

A menos que ocorra uma súbita e acentuada alteração de rota, a economia brasileira não está indo para um caminho de desenvolvimento sólido.  Falando mais claramente, o governo está se intrometendo em tudo.  As reformas macroeconômicas feitas com a introdução do Plano Real foram as mínimas necessárias para permitir algum desenvolvimento econômico.  Agora já voltou a ficar claro que existem muitos gargalos.  O custo Brasil não pode ser resolvido por meio de microgerenciamentos da economia.  Adicionalmente, ao suprimir o mecanismo de preços em vários setores, desde eletricidade até petróleo, passando por telecomunicações, o governo está apenas provocando escassez quando tudo o que ele mais quer é abundância.

Certamente não é nossa crença que a estabilidade macroeconômica e o crescimento do PIB brasileiros observados ao longo dos últimos 15 anos se devem majoritariamente a um boom no setor de commodities, liderado pela China.  Para surfar a onda gerada por um boom nas commodities, nossa prancha de surfe tem de estar em bom estado.  Foram precisamente as reformas estruturais feitas nos anos 1990 e no início da década de 2000 que garantiram um sólido fundamento para a estabilidade, a qual, no final, permitiu que o país se beneficiasse de uma economia global em franco crescimento.

No entanto, desde o advento da presidência de Lula, nenhuma reforma estrutural foi feita.  E não há nenhuma reforma estrutural na agenda do atual governo.  Com o risco de soarmos repetitivos, insistimos que as reformas macro — legislação trabalhista, tributária, previdenciária etc. — são essenciais para garantir um crescimento econômico sólido e sustentável.

Considerando a visão de mundo de Dilma e de seu partido, em conjunto com suas aparamente altas taxas de aprovação, é de se temer que Guido Mantega e sua equipe econômica continuem insistindo nestas políticas fracassadas.  Lentamente, porém resolutamente, o PT está solapando os fundamentos da estabilidade econômica implementados durante o governo FHC.

Não obstante, o Ministro da Fazenda prometeu manter sua postura keynesiana, e dar continuidade à política de fornecer mais estímulos à economia.  O que ele parece não entender é que tudo o que a economia mais precisa é da remoção dos desincentivos ao investimento, e não de mais intervenções para tentar remediar as fracassadas intervenções passadas.

Se seu investimento só é viável com empréstimos concedidos a juros de 2,5%, e sob generosas condições, então seu investimento não é viável em termos normais.  E se ele não é viável, é porque ou não há demanda para seus produtos ou a carga tributária faz com que ele não seja lucrativo.  Se a carga tributária é a culpada, então está claro por que o investimento não é tão alto quanto o governo gostaria que fosse.  Tornar empreendedores viciados em crédito barato e farto não irá curar essa indisposição.  Tampouco seria uma solução racional fazer o governo empreender faustosos investimentos públicos.  Tal medida representaria apenas o desperdício de recursos escassos e a alocação errônea e insustentável de capital.  Falando nisso, a um ano e meio do início da Copa do Mundo de 2014 e com várias obras de infraestrutura ainda com considerável atraso, 2013 promete ser um ano repleto de devassidão com o dinheiro dos pagadores de impostos.

Muitos podem dizer que esta visão é "pessimista".  Mas não é.  Se o governo alega que irá reduzir as tarifas de eletricidade e ao mesmo tempo fazer com que a energia seja abundante por meio da imposição de controle de preços, deveríamos nos ajoelhar e rezar pedindo para que "desta vez funcione"?  Ou você entende as consequências das políticas públicas e passa a agir correspondentemente, ou você ingenuamente se entrega à esperança de que, por algum motivo inaudito, o resultado desta vez será diferente.

Mas ainda é possível permanecer otimista em relação a qualquer setor que ainda não tenha sido tocado pelo governo.  O desafio, no entanto, é descobrir qual seria esse oásis econômico no Brasil.

 

Veja também: A economia brasileira - um resumo de final de ano


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SOBRE O AUTOR

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 


Todos esses, mas majoritariamente pelo último.

E isso é algo que as pessoas ignoram.

O principal chamariz da Chin é sua moeda, que, ao contrário do que afirma a imprensa, está em constante valorização em relação às outras. E desde 1995.

Isso mesmo: a China, o grande ímã de indústrias estrangeiras, opera com um câmbio semi-fixo desde 1995: ora o renminbi se valoriza em relação ao dólar, ora se mantém fixo.
Veja o gráfico.

(Foi só em 2014 que eles deram um cavalo-de-pau na política cambial e, pela primeira vez desde 1995, desvalorizaram o renminbi em relação ao dólar. Não coincidentemente, a economia desacelerou fortemente desde então.)

Com uma moeda em constante valorização, quem produzir na China e remeter os lucros para a matriz no exterior ganhará duplamente: alem dos lucros, ganhará também com a apreciação da moeda chinesa (a qual poderá comprar muito mais dólares quando a empresa estrangeira for remeter dólares para sua matriz).

Moeda forte, portanto, é chamariz para o estabelecimento de indústrias estrangeiras

Por isso o IMB insiste tanto nessa questão da moeda. Moeda forte é a chave de tudo. Não existe economia forte com moeda fraca, em contínua desvalorização em relação às outras.

Além da moeda, o governo "comunista" da China também fornece várias incentivos fiscais. E também é bem "frugal" em sua coleta de impostos: a alíquota máxima do IRPJ é de 25%, bem menor que a da esmagadora maioria dos países ocidentais, que têm de sustentar seu estado de bem-estar social.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Rafael Franca  28/12/2012 13:30
    Artigos sobre a realidade brasileira são os melhores do Mises para mim!!
  • Filipe F.  28/12/2012 14:00
    Excelente artigo! Bastante claro e colocando os links dos artigos ao longo do tempo.

    Parabéns!!
  • Tiago Bezerra  28/12/2012 15:22
    Meus parabéns, artigo excelente. Sempre muito bom ter uma visão austriaca sobre a realidade econômica brasileira.
  • Fabio  28/12/2012 15:45
    Prezados,

    Concordo que o Livre Mercado seja a melhor solução para economia, contudo existem certos serviços que poderiam ter concorrência limitada ou prejudicada em função do próprio meio de distribuição. Veja o exemplo do fornecimento de água encanada, ou esgotamento sanitário e eletricidade. Imagina que tivéssemos 3 fornecedoras de água numa cidade. Para mim, consumidor, seria ótimo, pois poderia me beneficiar de um preço mais justo e melhores serviços. Mas imagina o caos que seria nas ruas para implantar toda uma nova rede de distribuição de água? Mesmo valendo para eletricidade. Como Mises veria este tipo de serviço?

  • Leandro  28/12/2012 16:46
  • Fabio  28/12/2012 17:51
    Obrigado Leandro.
    Li o artigo, mas fico imaginando como isso se daria na prática.
    Em Santa Catarina temos a CASAN que monopoliza o fornecimento de água, pelo menos na minha região, Florianópolis. Digamos que o governo saísse da CASAN (que é uma empresa mista) e não mais regulasse o setor de águas no estado. Segundo sua teoria, essa desregulamentação colocaria a CASAN na situação "perigosa" de entrada de um novo concorrente. Isso evitaria dela majorar os preços sem critérios. Contudo, penso eu, que a CASAN sabe que o alto investimento para fazer todo um novo sistema de abastecimento é uma barreira a entrada de um novo concorrente, e isso permitiria que ela, pelo menos no início (alguns anos) pudesse operar com preços majorados, fazer caixa e depois com a entrada do concorrente fazer algum tipo de prática desleal de mercado, como um dumping, por exemplo, "matando" a concorrente.
  • Leandro  28/12/2012 18:31
    Não sei se entendi bem, Fabio. Você está dizendo que está preocupado com a hipótese de um dia o governo adotar um genuíno livre mercado no setor de fornecimento de água? Relaxa, meu velho. Não há a mais mínima hipótese de acontecer tamanho avanço no Brasil em um prazo de tempo humanamente suportável. Faria mais sentido você dizer que está preocupado com a hipótese de um dia tirarem do ar o Zorra Total.
  • Fabio  28/12/2012 19:44
    Leandro,

    Na verdade eu apenas gostaria de imaginar como se daria, caso o governo se retirasse das concessões de segmentos fortemente monopolizados, ou com barreiras de investimento muito elevadas para entrada de novos concorrentes. A preocupação seria se algum ente privado que se aproveitasse da sua condição poderia dominar este mercado, nem que fosse temporário. Enfim.

    Mas, quer dizer que você considera o livre mercado algo utópico no Brasil?
    Não devemos, nós cidadãos, almejarmos um ambiente assim? Devemos nos resignar com a condição de sermos fantoches nas mãos de burocratas? Não podemos fazer nada, melhorar nada? Qual a visão do IMB para o Brasil?

    Acho que o que o IMB faz é algo muito importante. Eu tomei contato com os conceitos econômicos da Escola Austríaca. Conseguiu tornar as minhas idéias mais claras e varrer da minha mente o conceito da "virtude" da ideologia comunista. Fez-me abrir os olhos quanto às atitudes intervencionistas dos governos, disfarçadas de boas intenções, mas com consequências desastrosas (para não dizer perversas). Enfim, tornou-me um defensor do livre mercado, não de modo ideológico, mas convencido de que é a melhor solução para os problemas econômicos e sociais. Enfim, o IMB tem um papel muito importante em educar-nos. Em nos tornar cidadãos mais críticos e conscientes. Pode ter certeza que o IMB faz não fica no vazio.
  • Lucas Silva  28/12/2012 19:23
    Fábio,

    É natural que se ela aumentar o preço de uma forma não antes vista, o consumo de água fornecida vai cair, mesmo sem um concorrente. Isso é lei básica de economia (oferta/demanda). É óbvio que precisamos de água, mas pense bem, imagine que é mais barato comprar água mineral que água da torneira, ou o preço é parecido. Ou mesmo assim, uma empresa que abastece caixas d'água, vende água mais barato que a fornecedora gananciosa que você citou. Enfim, o mercado tem vários mecanismos de adaptação, tenha certeza que se o preço for aumentado a ponto de reduzir o consumo algum empreendedor vai fornecer uma solução.

    Abraços.
  • Fabio  28/12/2012 19:53
    Sim faz sentido.
    Pelo visto seria até perda de tempo tentar prever o que aconteceria numa situação dessas. O mercado livre seria muito dinâmico e várias condições poderiam mudar o rumo para o qual ele iria seguir.
  • Pedro  28/12/2012 20:37
    E o que vc me diz do serviço de coleta de esgoto? Como ia ficar?
  • Ricardo  28/12/2012 21:16
    Explicado no artigo linkado pelo Leandro.
  • Lucas Silva  28/12/2012 19:27
    Fábio, dumping não é prática desleal de mercado, é apenas uma estratégia usada por algumas empresas. Quem sai ganhando é o consumidor (menores preços). Pense no seguinte cenário ilustrado por alguns anti-liberais: "É injusto que eu tenha um mercadinho e abra do lado do mercadão e este faça dumping para me tirar do caminho." Ora, se você trabalha só com preço e quer competir com uma grande empresa, o problema não é a deslealdade da outra empresa maior e sim a sua incompetência como empreendedor, que não soube dar um diferencial aquém de preço. Afinal de contas, empresário algum gosta de dar um "market-share" tranquilamente para outro, certo?
  • Jaison  29/12/2012 04:59
    Olá Fabio

    As vezes a "solução" vem do próprio estado, aqui em joinville também éramos atendidos pela casam
    Ouve um desintendimento político "joinville é a maior cidade do estado" "o preço praticado é absurdo" "a qualidade do serviço é baixa"
    Que o prefeito anterior acabou criando a "águas de joinville" uma empresa similar a casan
  • Típico Filósofo  28/12/2012 20:10
    Não apenas assino abaixo do questionamento do Fábio como também adiciono:

    Água, assim como alimentação, saúde, lazer, energia, educação, trabalho, vestimenta e transporte são setores essenciais para a sobrevivência humana e por isso cabe ao estado fornecê-los de forma gratuita e de qualidade.

    É simplesmente imoral um indivíduo possuir melhor educação, energia, lazer, trabalho, vestimenta, alimentação, transporte, saúde ou água; que outros. O livre mercado não deve surgir como solução aos problemas da concessão estatal, pois, como o Fábio colocou magistralmente, ele apenas cria um sistema predatório e desigual na distribuição dos recursos naturais.

    Se o mercado fosse colocado para a administração de tais recursos essenciais para a vida humana, teríamos apenas serviços a preços absurdos e de péssima qualidade. Esse é o grande problema da busca pelo lucro.
  • Leandro  28/12/2012 20:23
    Ei, Típico Filósofo, maneire um pouco mais na ironia, senão alguns acabarão não sacando e incorrerão na tragédia de não levar sua genialidade a sério.

    Continuo fã.
  • Fabio  28/12/2012 21:10
    Realmente, nessa o Sr. Filósofo acima me pegou. Juro que ele defendia o estatismo. Nào tinha sacado a ironia. kkkk
  • Felipe de Lima  29/12/2012 02:33
    Realmente, até já enganou meu amigo Lucas, que escreveu um de seus comentários, mas como o Leandro disse, você é "O cara"!XD

    Stálin teria muito orgulho de você, e te daria uma morte rápida, para que você não o substituísse no poder...rsrs! =P
  • Henrique  30/12/2012 14:56
    O Típico Filósofo se aproveita bem da Lei de Poe para enganar os incautos.
  • Bernardo Santoro  28/12/2012 15:53
    Fantástico. Me dá vontade de ir embora daqui definitivamente. Não que o resto do mundo seja uma maravilha, mas aqui o governo exagera.
  • Leandro Levlavi  28/12/2012 16:57
    Bernardo, posso ajudar na sua tarefa com esses dados:

    sexta-feira, 28 de dezembro de 2012(Un)Doing Business: como atrapalhar as empresas e dificultar negocios; adivinhe quem e' o campeao...
    Enfim, essa também é covardia: perguntar onde é mais difícil fazer negócios, ganhar dinheiro, viver em paz com sua humilde pequena empresa. Claro que é neste nosso paisinho difícil, neste nosso planetinha que cada vez fica mais integrado e mais market-friendly.

    Os 10 países onde MENOS HORAS se dedicou, num ano, ao esforço de se manter em ordem com o órgão arrecadador de tributos. Ou seja, não se trata de pagar menos impostos, mas do tempo dispendido com a burocracia do setor, em 2011.

    1. Maldivas: 0 horas
    2. Emirados Árabes Unidos: 12 horas
    3. Bahrein: 36 horas
    4. Qatar: 36 horas
    5. Bahamas: 58 horas
    6. Luxemburgo: 59 horas
    7. Omã: 62 horas
    8. Suíça: 63 horas
    9. Irlanda: 76 horas
    10.Seicheles: 76 horas

    Os 10 países onde MAIS HORAS se trabalhou em um ano para declarar impostos em 2011:

    1. Brasil: 2.600 horas ( é mais que o dobro do 2º colocado! )
    2. Bolívia: 1.080 horas
    3. Vietnã: 941 horas
    4. Nigéria: 938 horas
    5. Venezuela: 864 horas
    6. Bielorrússia: 798 horas
    7. Chade: 732 horas
    8. Mauritânia: 696 horas
    9. Senegal: 666 horas
    10.Ucrânia: 657 horas

    Fonte: Banco Mundial (Doing Business 2011)
    Fonte Secundária: www.diplomatizzando.blogspot.com.br
  • Adriano  28/12/2012 17:50
    Excelente artigo. Pensando fora da caixa Tupiniquim. Parabéns muito explicativo o texto.
  • anônimo  28/12/2012 17:50
    O setor da economia que ficou intocado pelo governo brasileiro é...rufem os tambores...a indústria de jogos e aplicativos pra i-coisas
  • Revisitando a História  28/12/2012 18:00
    Oi, quando eu era criança, aprendi na escola que em um determinado momento do Brasil empresários queimaram café.
    Aí a professora na época falava como que a ambição era tamanha, algo como: "Os empresários preferiram queimar o café do que dar aos pobres".
    Eu pensava: "Isso não faz o mínimo de sentido...".
    Só que mais tarde descobri que quem comprava o café era o governo com a desculpa de proteger os produtores de café.
    Se eu carrego essa mensagem da professora até os dias de hoje, eu fico imaginando como que é o pensamento dos outros alunos e da população em geral sobre o livre mercado.

    E parece que o negócio de "queimar", continua acontecendo até os dias atuais.

    Obrigado pelos artigos esclarecedores!!!
  • Quem revisitou a história  28/12/2012 18:20
    A conversa do café é absurda e difundida em classe a todo tempo.

    A explicação comum é que Vargas utilizava dinheiro público para comprar o café e em seguida o queimava. Pois, de alguma forma, o ato de queimar o café manteria seu preço estável, sem queda. Seguindo o mesmo raciocínio, se marcianos eliminassem suas rochas, as rochas terrestres receberiam mais valor.

    Não faz o menor sentido. A verdade é que a promessa de lucro garantido concedida pelo governo federal pós-convênio de Taubaté gerou aproximadamente 50 anos de desajustes econômicos(Má alocação de recursos e capital). O pior de tudo é que, ao perguntar a um professor de história do ensino médio sobre a medida de Vargas de continuar com a malandragem, o professor o defendeu: Um desemprego absurdo seria gerado caso ele deixasse o mercado funcionar.

    Pasmo fico com a falta de conhecimento econômico com o típico intelectual brasileiro. Uma conversa de 5 minutos sobre livre-mercado com o típico formando paulista é o maior motivo pelo qual "educação" não salvará o Brasil.
  • Rodrigo Afonso  07/01/2013 09:16
    Verdade !
    estou na universidade e vejo mais burro que gente que pensa.

    Para mim inteligencia é o individuo que possui a logica como formador de opinião e base para qualquer função.

    A maioria dos universitários são de dedicados decoradores de livros e teoremas. e como tal vomitam sua formação marxista por onde quer que vão.




  • anônimo  07/01/2013 10:52
    Ético não é, mas que faz um pouco de sentido faz. Com o governo comprando e queimando, o preço pras outras pessoas ia continuar alto não ia?
    Essa analogia com as pedras não sei se tem muito a ver, café é uma coisa que as pessoas realmente querem...
  • Típico Filósofo  28/12/2012 18:00
    Que nada. A solução para o Brasil é 25% do PIB para educação.

    A bolha imobiliária decorrente da especulação neo-liberal trazida pela globalização de livre-mercado foi puramente produzida pela ganância e a fome por lucros. O capitalismo, por definição, é cíclico.

    Respeito o senhor Fernando Ulrich pois reconheço que é um pensador da burguesia, logo, possuirá ideias contra impostos e contra a regulação estatal. O que ele esquece é que a injusta carga tributária brasileira é excelente para o pobre, pois ele é o único que utiliza os serviços fornecidos pelo Estado; enquanto para o rico, é uma diminuição pequena de seus lucros, o que os fazem querer ter seus impostos apenas para si.
    A regulação estatal é mais que necessária, pois o estado necessita SIM impedir que a ganância e o egoísmo dos capitalistas paguem salários de fome aos trabalhadores e vendam produtos de péssima qualidade. A única coisa que nos impede de encontrar uma pedra no saco de feijão é o estado.

    Data máxima venia, senhor Ulrich, mas apenas a educação salva. Se sua preocupação é a baixa produtividade da mão-de-obra brasileira, basta educação. Se sua preocupação é a má qualidade dos serviços estatais, basta educação. Se sua preocupação é a destruição de florestas e rios, basta educação para proteger-nos da ganância globalizada.

    Basta olhar os países europeus. Altíssima carga tributária, porém serviços públicos de qualidade a todos(Incluindo à burguesia). Como conseguir isso? Educação.

    Invista mais em nós, os professores e filósofos. Garanto que terá o Brasil que querem em duas gerações, como diria Paulo Freire ou Eric From.
  • Rafael  28/12/2012 19:29
    Comunista detected!
  • Fabio  28/12/2012 20:08
    Sr. Filósofo,

    Com todo respeito, acredito que o IMB, no que diz respeito às relações econômicas, tem nos instruído muito melhor que muita faculdade por aí. E o que é melhor sem cobrar nada por isso.

    Do que vc coloca no seu texto percebe-se que nem se deu ao trabalho de ler nenhum artigo publicado no IMB, que não entende os conceitos mais básicos da Escola Austríaca de Economia. O Capitalismo que se vê no mundo atualmente, incluíndo-se aí EUA, Europa e Brasil, nada tem a ver com livre mercado. Está mais para corporativismo descarado. Grandes corporações protegidas pelo Estado são tão danosas quanto o Estado agigantado.

    Impostos são recursos retirados do mercado (a força) para manter algo ineficiente funcionando. Ou seja, é destruição de valor. Consequentemente empobrecimento geral.
  • Victor Cezar  28/12/2012 23:14
    Fabio, muito pelo contrário, ele está em TODOS os posts recentes do IMB! hahaha Relaxa, é só ironia. Muito boa por sinal! Sr. Filósofo, sempre rio com as besteiras que você escreve, obrigado por me lembrar que tem muito idiota que realmente acredita nisso.
  • Fabio  29/12/2012 12:45
    Pois é, eu fui alertado pelo Leandro.
    Não consegui captar a ironia do post. Logo eu que costumo ser sarcástico.
    Vou ficar mais atento a este tipo de pegadinha.
  • Eduardo Pimenta  29/12/2012 11:17
    Típico Filósofo, eu adoro os seus comentários. Acho que você tem um estilo de escrever parecido com o do Arnaldo Jabor, aí acabo lendo na "voz" dele, hehe. Muito bem escritos e convincentes, se o Leandro não tivesse mencionado que era ironia, teria passado despercebido de tanta sutileza hahaha. Parabéns. :)
  • Países desenvolvidos?  29/12/2012 13:07
    Gostaria de saber porque esse argumento de que nos países desenvolvidos o sistema público é de qualidade é bastante empregada, e gostaria de indicações de artigos que falem sobre isso.

    Obrigado!
  • Leandro  29/12/2012 14:25
    É apenas a enésima edição da Lei de Goebbels e do fato hoje já sumariamente comprovado de que uma mentira repetida à exaustão e sem nenhuma demonstração acaba se tornando uma verdade inatacável.

    Canadá, Suécia e Inglaterra, todos países ricos, possuem um sistema estatal de saúde vergonhoso. E não poderia ser diferente. Não interessa se o país é rico ou pobre. O fato é que serviços de saúde estatais, pela simples lógica econômica, não podem manter boa qualidade por muito tempo. É uma impossibilidade econômica. E a explicação para o porquê disso está no artigo abaixo.

    Como Mises explicaria a realidade do SUS?

    Sobre o sistema de saúde canadense:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=349

    O sueco:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1115

    O britânico:
    www.nytimes.com/2006/02/16/international/europe/16cancer.html?_r=1&oref=slogin

    Aliás, no Reino Unido, a medicina estatal já chegou à sua perfeição: bebês doentes estão sofrendo eutanásia compulsória.

    Sem recursos (que inesperado!), os hospitais do NHS (National Health Service) estão simplesmente cortando a alimentação deles, que são deixados à míngua até morrerem.

    Estatistas -- que são obcecados com controle populacional -- até salivam quando leem coisas assim.

    www.dailymail.co.uk/news/article-2240075/Now-sick-babies-death-pathway-Doctors-haunting-testimony-reveals-children-end-life-plan.html


    E, obviamente, o cubano:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=350
  • Austriaco Principiante  11/01/2013 18:42
    Fabio,

    li os artigos que você citou sobre a situação do sistema de saude no canada e na suecia. Eu comecei a me interessar pela escola austriaca a pouco e por isso ainda não consigo ter argumentos suficientes para refutar a situação da escandinávia. Toda vez que estou conversando sobre liberalismo, vem a tona a situação da suiça e da suécia e eu aparentemente tenho que admitir que o modelo estatista deu certo por lá. Existem outras informações como a situação do sistema de saúde deles que não é mencionada?

    O correto seria então dizer que esses países conseguiram se desenvolver apesar do alto peso do Estado? Se isso for verdade quais medidas contribuiram para que esses países atingissem os primeiros lugares no ranking de IDH?

    Sugestões de sites, jornais e outros artigos são bem vindas. Posso está sendo paranóico, mas tenho a impressão que a impressa em geral simplesmente repete essa propaganda esquerdista.
  • Leandro  11/01/2013 19:26
    Ufa! Essa pergunta ainda não havia sido feita essa semana. Tava até começando a ficar preocupado. (Prezado Austríaco Principiante, isso é uma piada interna. Essa pergunta sobre os escandinavos é a mais feita da história desse site; não se passa uma semana sem que um novato chegue aqui fazendo exatamente essa pergunta: tanto é que já tenho até uma resposta pronta. Vai abaixo).

    Os países escandinavos primeiro enriqueceram (o fato de não terem participado de nenhuma guerra ajudou bastante) e só depois adotaram um estado assistencialista. E com um detalhe inevitável: após essa adoção, a criação de riqueza estagnou (como foi relatado aqui e aqui).

    Outra coisa pouco mencionada é o alto nível de desregulamentação das economias escandinavas. Na Dinamarca, por exemplo, você demora no máximo 6 dias para abrir um negócio (contra mais de 130 no Brasil); as tarifas de importação estão na casa de 1,3%, na média (7,9% no Brasil); o imposto de renda de pessoa jurídica é de 25% (34% no Brasil); o investimento estrangeiro é liberado (no Brasil, é cheio de restrições); os direitos de propriedade são absolutos (no Brasil, grupos terroristas invadem fazendas e a justiça os convida para um cafezinho); e, horror dos horrores, o mercado de trabalho é extremamente desregulamentado. Não apenas pode-se contratar sem burocracias, como também é possível demitir sem qualquer justificativa e sem qualquer custo. E tudo com o apoio dos sindicatos, pois eles sabem que tal política reduz o desemprego. Estrovengas como a CLT (inventada por Mussolini e rapidamente copiada por Getulio Vargas) nunca seriam levadas a sério por ali.

    Isso tudo fomenta a acumulação de capital, a qual tem de ser muito alta para alimentar todo o consumo de capital feito pelo governo. É sim possível uma sociedade ter uma alta carga tributária e continuar enriquecendo, mas sua população tem de ser altamente poupadora e incrivelmente produtiva, e a economia tem de ser altamente desregulamentada. Ele precisa acumular capital a uma taxa maior do que o consumo feito pelo governo. Caso a acumulação de capital consiga ser maior do que o consumo de capital feito pelo governo, a sociedade pode enriquecer.

    Não é necessário ter um QI elevado para constatar o que aconteceria caso o Brasil adotasse uma carga tributária escandinava (muito embora já estejamos muito perto).

    Impostos e estado pesado, por definição, não fomentam a acumulação de capital. Eles destroem.

    Abraços!
  • Victor Cezar  11/01/2013 20:51
    De longe a resposta mais dada do IMB também! :p
  • anônimo  12/01/2013 12:19
    deviam fazer um FAQ
  • Lucas Amaro  14/01/2013 22:17
    Já tem um artigo que vale por um FAQ. O Renatão que o diga...
  • anônimo  24/01/2013 08:55
    Não é a mesma coisa, um FAQ podia funcionar como um wiki, com todo mundo melhorando as respostas e acrescentando mais perguntas
  • Pedro  28/12/2012 18:09
    Eu não sou tão pessimista acerca do futuro da economia brasileira quanto o autor desse artigo. Ela está fraca hoje do lado da demanda por causa da falta de investimento, e o governo tem se esforçado para eleva-lo, inclusive adotando medidas caras a ideologia do seu partido, mas necessárias. É o caso do PAC das concessões. São 133 bilhões de reais no que no tempo do FHC era chamado de privatização pelos petistas. E o governo estuda mais concessões. Mais importante ainda é o novo patamar da selic que vai fazer o mercado de capitais crescer muito no financiamento do setor produtivo.
  • Leandro Levlavi  28/12/2012 18:28
    Keynesian detected
  • Detector  29/12/2012 04:05
    Dica para detectar keynesianos: Se tiver a palavra 'demanda', a chance é de 98%.

    HAHAHAHAHAHA
  • Leandro Levlavi  29/12/2012 15:51
    Demanda; Investimento; Incentivo; etc...
  • Leandro  28/12/2012 18:28
    Como assim "um problema de demanda", Pedro? Keynesianos parecem ainda não ter se atentado para uma completa obviedade: "demanda" sempre existiu e sempre vai existir. Dado que vivemos em um mundo de escassez, a demanda geral sempre será, por definição, infinita. Sempre estaremos querendo mais, seja bens de luxo, seja bens indispensáveis à sobrevivência. Logo, não faz o menor sentido ficar querendo estimular aquilo que já é infinito.

    O que o pessoal não aprende é que os problemas da economia advêm do lado da oferta, da produção, da poupança. Esta, sim, é complicada e não pode ser simplesmente estimulada de acordo com meros caprichos e ordens burocráticas.
  • Pedro  28/12/2012 18:45
    Eu quis dizer que se vc analisar a economia brasileira pela ótica da demanda, vai ver que o problema está no investimento. Se o investimento se recuperar bem no ano que vem, o crescimento será bom. Aliás, a nossa economia vai depender cada vez mais do desempenho dos investimentos, pois o consumo das famílias tende a crescer a taxas menores e isso terá de ser substituido por mais investimento se não o crescimento vai pro brejo. É investimento em saneamento, eletricidade, telecomunicações, petróleo e gás, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, metrô, habitação, saúde e educação, etc. Chegou a hora do investimento, se não não haverá crescimento.
  • Pedro  28/12/2012 19:09
    Acho que será mais ou menos equacionada a questão do investimento. Por isso sou um pouco otimista.
  • Blah  28/12/2012 19:19
    Se o investimento se recuperar bem no ano que vem, o crescimento será bom.

    E você ainda está esperando os tais investimentos? Sério? Depois de anos ouvindo a mesma ladainha?

    É investimento em saneamento, eletricidade, telecomunicações, petróleo e gás, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, metrô, habitação, saúde e educação, etc. Chegou a hora do investimento, se não não haverá crescimento.

    Claro, porque esse tipo de política desenvolvimentista baseada em dívidas deixou como legado a maravilhosa década de 80 para a gente.
  • Lucas Silva  28/12/2012 19:41
    Vamos seguir a sua lógica:

    O governo investe tudo isso que você diz, fica com déficit grande.

    Para solucionar ele pode:

    Imprimir papel moeda, inflacionar nossa economia mais ainda. Ou seja, diminuir o poder de compra da população e empobrecê-la mais

    Aumentar os impostos, provavelmente dos mais ricos e das empresas, que é o perfil do Brasil, reduzir ainda mais empreendimentos e empobrecer ainda mais o país.

    De qualquer forma, esses investimentos vão só piorar a economia.

    Uma política de austeridade seria muito melhor.

    Bem né, esses gastos do governo aumentam o PIB . *IRONIA*

    Abraços.
  • Pedro  28/12/2012 20:01
    Ora, o governo não deve nem pode realizar todos esses investimentos sozinho. É para ele atrair ao máximo o capital privado.
  • Pedro  28/12/2012 20:18
    Por exemplo, na área de petróleo e gás, o governo pode fazer concessões de campos de petróleo e passar parte da responsabilidade de investir e produzir para empresas privadas, fazendo a extração crescer mais rápido, até porque a petrobras é mais lenta.
  • Marcus Benites  29/12/2012 00:48
    Ou seja: o governo pode ajudar não atuando e deixando a iniciativa privada livre para atuar. Interessante. Então "dependemos" do governo para nos desenvolver, e o governo faz isso ao não participar. Muito bem. É mais ou menos o que o site tenta demonstrar diuturnamente. Parabéns. Faltou só a conclusão óbvia, mas eu o ajudei a subir o último degrau. De nada e disponha.
  • Luís  29/12/2012 08:37
    Pedro, acho que você esta sendo sincero e não esta trolando. Por isso vou tentar lhe ajudar.

    O próprio autor explicou o que você falou. Acho que você não prestou atenção direito, ou apenas não esta familiarizado com a EA e por isso passou batido por este parágrafo:

    "Voltando à nossa pergunta sobre o PIB, pode o investimento fazer com que ele cresça a uma taxa maior em 2013? É claro que pode. Mas com o capital sendo concedido a custo quase zero, investimentos errôneos e insustentáveis serão a consequência natural. Algumas empresas serão claramente beneficiadas, talvez setores inteiros; mas isso não pode fazer com que toda a economia fique mais rica. Portanto, embora o investimento privado possa aumentar em 2013, isso ocorrerá à custa de menores investimentos em conjunto com a liquidação de investimentos ruins em um período posterior. É impossível precificar erroneamente o capital e ao mesmo tempo evitar as necessárias correções na estrutura de produção da economia.

    Infelizmente, as consequências de longo prazo destas políticas não serão limitadas ao setor privado: as finanças públicas do Brasil dificilmente passarão incólumes."

    E este:

    "Podemos agora finalmente responder à pergunta sobre se o investimento irá elevar o PIB do próximo ano. Francamente, cremos que sim. Tanto o investimento privado quanto o público tende a crescer. O primeiro devido à sub-precificação do capital; o último em decorrência da nova e confortável relação com os bancos estatais. No entanto, a qualidade destes investimentos é uma questão totalmente à parte."


    Estou partindo do pressuposto que você não conhece a EA, por isso tentarei lhe mostrar porque não concordamos com a sua visão. (caso fale bobagem me corrijam)


    Austríacos consideram que apenas o sistema de preços pode definir se um investimento é ou não saudável. Altas taxas de lucros em determinado setor fará com que mais investimento vá para aquele setor. O que acontece quando o governo se mete neste setor?

    1- Se ele impedir investimentos logo teremos aumento de preços e escassez deste produto;
    2- Se ele incentivar este setor os preços irão cair e teremos abundancia.

    Você esta defendendo o segundo ponto. O problema com este ponto é que esse investimento é artificial, ele nunca deveria ter sido feito. Enquanto o governo estiver incentivando estará tudo beleza, mas no momento em que ele parar de incentivar, todos aqueles investimentos se mostrarão errôneos. As empresas que investiram irão perceber que seus investimentos não eram tão bons assim. A atual crise americana no setor imobiliário mostra isso claramente. Mas porque o governo não continua incentivando estes investimentos indefinidamente? Bem, sempre que o governo faz isso ele acaba alocando investimentos de forma errada no mercado. Se o governo faz isso uma unica vez em um setor muito específico é provável que isso não será o fim do mundo. Mas se ele recorrer a este expediente sempre, os investimentos não mais representarão os anseios dos consumidores, mas sim os anseios do governo. Se lembra do filme 1984? A produção vivia crescendo, mas os protagonistas estão desesperados atras de uma simples lamina de barbear.(Sempre me perguntei como George Orwel poderia saber disso em 1948!!!!)


    Resumindo, se o governo gerenciar os investimentos (mesmo se os investimentos feitos forem privados) isso irá gerar maus investimentos, que mais cedo ou mais tarde deverão ser descartados. Existe um excelente artigo explicando isso de uma forma muito simples. Para visualisá-lo clique aqui. Caso ache o texto demasiadamente longo, você pode ler apenas o texto abaixo do subtítulo : Um modelo de consumo de capital baseado em sushis. Somente este subitem já é mais do que suficiente para explicar a ideia de forma muito clara.
  • Pedro  29/12/2012 14:46
    O que eu defendo é o seguinte: se o mercado tem interesse num projeto importante para o desenvolvimento, ele deve ser deixado para o mercado, se não o estado deve agir para torna-lo possível.

    Há muitos investimentos que não passam pelo crivo do mercado, mas que tem um grande potencial multiplicador de riqueza. É o caso dos investimentos feitos na infra-estrutura do centro-oeste brasileiro. Aquela região era isolada. Hoje tem uma forte geração de riqueza baseada no agronegócio. Mas a região só se transformou no que é hoje por causa duma visão estratégica do estado há décadas atrás que buscou a integração regional e investiu em infra-estrutura para tal. Se fosse deixar por conta do investidor privado, aquela região ainda estava sem produzir nada e o Brasil com balança comercial deficitária, dado que o saldo comercial brasileiro vem do agronegócio e a região é fortíssima nele.

    Existem muitas regiões no Brasil que tem alto potencial produtivo, mas que não o desenvolvem por falta de logística adequada para escolar a produção. São áreas que com boa infra-estrutura ficam altamente competitivas e tornam-se exportadoras. Mas o mercado não tem interesse em provê-las de tal logística. Cabe ao estado usar recursos públicos para essas regiões progredirem. E depois de crescerem muito o próprio mercado vai acabar tendo interesse em investir na infra-estrutura delas, que passou a ser economicamente viável.

    Em resumo o estado e mercado devem atuar como parceiros. Esse é o segredo do sucesso econômico de todas as nações ricas.
  • Leandro  29/12/2012 15:09
    Prezado Pedro, este raciocínio não faz sentido. Você está dizendo que investimentos que são viáveis no longo prazo não serão feitos hoje. Ora, por que não? É exatamente assim que empreendedores ganham dinheiro: prevendo acuradamente quais investimentos serão lucrativos no longo prazo.

    Se o desenvolvimento do Centro-Oeste foi essa bonança toda que você diz ter sido, então certamente empreendedores mais perspicazes teriam notado esta chance e lucrado em cima disso. Dizer que isso não ocorreria significa dizer que empreendedores odeiam lucros. Você realmente acha que, não fosse Kubitschek, aquela região estaria deserta até hoje?

    Ademais, dizer que o estado "acertou" ao tomar dinheiro dos cidadãos e direcioná-lo para determinados investimentos significa dizer que o estado deve ter carta branca para direcionar dinheiro para qualquer setor da economia que ele julgar viável. Só que, dado que o governo não é guiado pelo sistema de lucros e prejuízos, ele não tem jamais como saber se qualquer "investimento" foi ou será acertado; para o estado, tudo é um jogo de adivinhação. Se o investimento dará "certo" ou "errado" vai depender totalmente do acaso. E, no final, dizer que deu "certo", como você fez, é uma questão de mera subjetividade -- afinal, como dito, não há um sistema de lucros e prejuízos para definir o quão acertado foi o investimento. Você, ao dizer que foi "correto" o governo fazer estradas para o Centro-Oeste, está ignorando todos os outros investimentos que deixaram de ser feitos em decorrência disso.

    No final, tudo isso é um ótima desculpa para o estado torrar à vontade o dinheiro dos pagadores de impostos -- os quais, no final, ainda aplaudirão o esbulho e os privilégios concedidos a terceiros.

    "Existem muitas regiões no Brasil que tem alto potencial produtivo, mas que não o desenvolvem por falta de logística adequada para escolar a produção."

    Você está dizendo, muito corretamente, que ninguém faz investimentos de longo prazo justamente porque o governo cria várias inseguranças jurídicas, tributárias, monetárias e reguladoras. Perfeito.

    Aí, logo em seguida, qual a sua solução para corrigir este descalabro? Dar ao governo a liberdade de fazer aqueles investimentos que ele julgar adequados. Faz alguma lógica econômica isso? Garantir ao monopolista a continuidade de seus privilégios?

    Por que não defender a total destributação e desregulamentação dos investimentos? Por que não defender a abolição das expansões monetárias? Aí, sim, eu lhe garanto que haveria segurança jurídica para investimentos de longo prazo.

    Dois artigos sobre isso para você:

    Como as obras públicas subtraem riqueza da população

    O problema dos subsídios aos investimentos públicos
  • Pedro  29/12/2012 15:52
    Vc acha que o mercado vai construir uma ferrovia, que é o ideal, para ligar uma região isolada, mas de alto potencial agropecuário, ao litoral para escoar a produção tanto para o mercado interno quanto externo? Uma ferrovia desse porte custa alguns bilhões.
    Nesse caso cabe ao estado investir. Ele investe alguns bilhões de dólares e o retorno são dezenas de bilhões de dólares, sendo parte na forma receita de exportação, sem falar nos empregos gerados e receita tributária.
  • Ricardo  29/12/2012 17:50
    Entendi. Você não apenas voltou a afirmar que empresários odeiam lucro ("quem vai construir uma ferrovia em um local com alto potencial de retorno?!"), como ainda defende que o estado deve espoliar todo o país para beneficiar alguns produtores locais.

    Isso tem um nome: corporativismo. Tem também outro nome, mais popular: fascismo.

    Qual dos dois epítetos você prefere?

  • Pedro  29/12/2012 19:01
    Não disse que empresários odeiam lucro. Só expus uma determinada situação em que o mercado se mostra falho. Nesses caos o estado deve agir para preencher a lacuna do mercado.
  • Leandro  29/12/2012 19:48
    Prezado Pedro, quem definiu que isso é uma "falha de mercado"?

    Por definição, sempre que uma "falha de mercado" é descoberta, seu descobridor possui em mãos uma oportunidade única de lucrar horrores. Não existe "falha de mercado" que passe despercebida por empreendedores, mas que seja captada por burocratas. Você, novamente, está dizendo que empresários odeiam lucro e que burocratas são seres clarividentes e altamente capazes de perceber demandas não atendidas. Que mundo é esse seu?

    Você mesmo, ao perceber que no seu bairro há uma demanda por um bom restaurante ou por uma boa padaria -- e tal demanda ainda não foi suprida --, poderá colher altíssimos lucros caso convença o banco a lhe financiar ou seus amigos a fazerem um investimento conjunto nesse empreendimento. A única coisa que pode impedir você de fazer isso são as regulamentações estatais, a burocracia e os impostos. Mas aí, neste caso, é óbvio que não mais se trata de uma "falha de mercado", mas sim de excesso de intervencionismo estatal.

    Seja menos arrogante e pare de achar que você, sozinho, possui mais e melhores informações a respeito da economia do que milhões de pessoas que de fato lidam diariamente com as condições de mercado.
  • Tiago Moraes  30/12/2012 06:46
    O Pedro acha que o empresário brasileiro pode, quando bem entender, sair por aí construindo estradas e ferrovias e que se não o faz, é por má vontade. Amigo, procure se informar sobre a nossa Legislação a respeito do uso do solo. Você só pode acusar a iniciativa privada de ser indisposta a algo, quando a mesma não investir em um setor onde realmente haja potencial de retorno e não exista nenhum entrave burocrático do Estado no processo.

    Se ao invés de um monopólio estatal na oferta de infra-estrutura Logística, existisse uma legislação eficiente a respeito do uso do solo e que concedesse liberdade aos empreendedores privados, então meu amigo, lhe garanto que teríamos estradas e ferrovias de primeiro mundo cortando todo o Centro-Oeste, ao invés de algumas poucas Br's em situação iraquiana que você chama de "bençãos" do Estado.

    No Brasil, a iniciativa privada não tem liberdade para atuar em infra-estrutura de transportes e energia, no máximo ela só pode atuar como parceira do Estado, em projetos que o próprio Estado pré-definiu.
  • Marcus Benites  29/12/2012 17:03
    Pedro: não há oportunidade econômica boa e viável que o setor privado deixa escapar... Ele não quer justamente ganhar dinheiro? Por que deixaria de fazê-lo, pois? Já se a coisa não é economicamente viável, nem o setor privado nem o governo deveriam encará-la, uma vez que ela gerará pobreza e não riqueza.

    O que não dá é para culpar o setor privado por "não ter feito algo" em um contexto absolutamente regulado e sem qualquer segurança para o investidor, ou seja, um contexto de intervencionismo.

    Governos, ao contrário do que você pensa, não suprem demandas (o capitalista faria isso naturalmente, afinal ele quer ganhar dinheiro), mas apenas impedem que outros as supram, tendo o monopólio disso (fornecendo serviço ruim e caro) e posando, para o público mais ingênuo, como aquele que fez o que nenhum outro faria...
  • nelson  03/01/2013 14:01
    Olá pessoal, gostei muito das discussões sobre o livre mercado.
    Tem uma situação que ficou martelando na minha cabeça, todos os recursos são finitos, portanto como é que a economia pode ser para todos, se pensarmos em economia centralizada? Porque a economia liberal está tão em crise, quem pode explicar-me ? A economia tem leis matmáticas e leis aleatórias ? Ou será que funciona a teoria do caos para a economia ? Obrigado a todos.
  • Leandro  03/01/2013 14:26
    "todos os recursos são finitos, portanto como é que a economia pode ser para todos, se pensarmos em economia centralizada?"

    Exato, se a economia for centralizada, haverá escassez generalizada de recursos.

    Dado que, como você bem colocou, todos os recursos são finitos, a única maneira possível de alocar esses escassos recursos com eficiência e permitindo que eles cheguem ao máximo possível de pessoas é descentralizando ao máximo a tomada de decisões e permitindo que o livre sistema de preços faça o serviço de apontar quais recursos estão mais escassos (eles seriam os mais caros) e quais estão mais abundantes (eles seriam os mais baratos), e que o sistema de lucros e prejuízos mostre quais setores estão mais carentes de investimentos (nestes, os lucros são maiores) e quais estão com excesso de investimentos (nestes, os lucros são menores).

    Não há alternativa superior a esta. Qualquer outra alternativa envolveria burocratas decidindo quem deve alocar o quê, onde e para quem.

    É impossível que tal órgão planejador -- encarregado de exercer a coerção para coordenar a sociedade -- obtenha todas as informações de que necessita para fornecer um conteúdo coordenador às suas ordens. Este é o grande paradoxo do socialismo, e o seu maior problema. O planejador da economia necessita receber um fluxo ininterrupto e crescente de informação, de conhecimento e de dados para que seu impacto coercivo -- a organização da sociedade -- tenha algum êxito. Mas é obviamente impossível uma mente ou mesmo várias mentes obterem e processarem todas as informações que estão dispersas na economia. As interações diárias entre milhões de indivíduos produzem uma multiplicidade de informações que são impossíveis de serem apreendidas e processadas por apenas um seleto grupo de seres humanos.

    Para entender melhor este fenômeno, sugiro este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1430


    "Porque a economia liberal está tão em crise, quem pode explicar-me ?"

    Desconheço uma economia genuinamente liberal está em crise. No entanto, conheço inúmeras economias intervencionistas que estão em crise profunda e, futuramente, terão de passar por profundas reformas caso queiram voltar a crescer.

    Para entender as diferenças essências entre liberalismo e intervencionismo, recomendo este artigo, o qual lhe ajudará a reconhecer de pronto se uma determinada economia é liberal ou intervencionista.

    As diferenças essenciais entre uma genuína economia de livre mercado e uma economia intervencionista

    Abraços!
  • Patrick de Lima Lopes  03/01/2013 14:36
    "Olá pessoal, gostei muito das discussões sobre o livre mercado.
    Tem uma situação que ficou martelando na minha cabeça, todos os recursos são finitos, portanto como é que a economia pode ser para todos, se pensarmos em economia centralizada? Porque a economia liberal está tão em crise, quem pode explicar-me ? A economia tem leis matmáticas e leis aleatórias ? Ou será que funciona a teoria do caos para a economia ? Obrigado a todos."

    Bem-vindo, Nelson. Você deve ser novo por aqui.

    A respeito da finitude dos recursos, é um fato. E é exatamente pelo fato de os recursos serem escassos que você desejará um sistema de preços existentes.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1404

    A respeito da "economia liberal estar tão em crise", ela não está. Quem está em crise é a economia intervencionista keynesiana, de planejamento central. Qualquer intervenção gera pobreza e destruição de riqueza.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1450

    As leis da economia não são necessariamente aleatórias. O agente humano é presente em todas e ele sempre agirá para aumentar sua satisfação. O aparelho matemático não é apoiado pela Escola Austríaca assim como a nomenclatura da economia como uma ciência exata.
  • Cesar  28/12/2012 18:40
    Caro Fernando,
    Parabens por mais esta excelente contribuição e mais uma aula da melhor ciencia econômica. Apenas nao entendi o seguinte: 2013 será esperada uma inflação maior ainda?
    Tambem nao entendi de que maneira o governo pode realizar a proeza do crescimento do PIB via oferta monetária, o EUA oferta cada vez mais dolares e a economia ainda agoniza, poderia me explicar melhor?
    Parabens!
  • Frederico  28/12/2012 21:05
    Cesar,
    maior oferta monetária = dinheiro mais barato/crédito mais barato = investimentos ficam mais atrativos artificialmente
  • Cedric  03/01/2013 14:42
    Outra coisa também, o PIB é nominal, ou seja mais dinheiro = mais pib, ainda que não resulte em mais bens e serviços desejados.
  • Solange Alves  28/12/2012 21:16
    EStive na Europa recentemente, e fiquei muito triste .... temos tudo, tudo mesmo para sermos melhores ... talvez só falte o comprometimento de todos, especialmente de nossos governantes em primeiro preparar o solo, depois plantar, fazer o acompanhamento para depois colher...

    As medidas comentadas neste artigo ve ao encontro do que tenho percebido. Vamos, finalmente acabar com o Brasil, a sangria e o desgoverno estão chegando ao limite de se esperar uma recuperação...

    Precisamos, com urgeencia, de políticos e governantes que tenham interesse no País, e mais ainda, precisamos de um povo que se preocupe com o futuro...

    Se Deus é Brasileiro, está na hora de intervir.
  • anônimo  28/12/2012 21:40
    Não se espelhe na europa, eles também fazem muitas besteiras
  • Solange Alves  29/12/2012 00:25
    Não me espelhei nos politicos da Europa, mas na infraestrutura
    Porcaria tem em qualquer lugar, mas estamos entre os primeiros lugares....
    Comparei os rios Tiete e Pinheiros com o Sena, as ferrovias e trens da Italia. A limpeza de Firenze. A beleza de Sorento e da Costa Amalfi ... a tudo que temos aqui, e o que temos??? BNDES emprestando bilhoes pras empresas OX do Eike, que só perdem na bolsa, pura especulação, pura maracutaia...lixo favelões e muita especulação...
    E o rico fica mais rico e o pobre mais pobre e pior nem se dá conta que está penhorando o futuro com o cédito farto.
    As construtoras envolvidas em escandalos e mais escandalos de manipulação da bolsa, vide as 2 diretorias da PDG, vide GAFISA com divida liquida de 106% do PL ....
    Não confio em mais nada....
  • Victor Cezar  29/12/2012 01:31
    "as ferrovias e trens da Italia."
    E olha que você comparou com a Itália, imagina com uma Suíça ou até Alemanha! hahaha
  • Danilo  29/12/2012 17:00
    Hehehe... sou obrigado a concordar.
  • Renato Souza  30/12/2012 11:56
    Nosso sistema político, econômico e social espelha nossa mentalidade. Nossas filhos são ensinados todo dia, do jardim da infância à pós-graduação, que nada podem fazer por si mesmos, que devem apenas cobrar soluções dos governantes. Ensinam aos alunos o oposto do principio da subsidiaridade. Este princípio afirma que não devemos buscar (ou construir) nenhuma instância superior, se esta não for mais apta para resolver as questões do que a instância mais básica. Pois ensinam aos alunos que eles devem buscar "soluções" no governo federal, para questões nas quais este não deveria nem se meter. Ora, a instância mais básica que existe é o indivíduo, e naquilo que ele puder resolver por conta própria, a responsabilidade é só sua. As seguintes instências mais básicas são a família nuclear, a família extendida, o círculo de amigos e vizinhos, a rede de contatos pessoais e comerciais, os investidores e parceiros a quem tem acesso, as associações voluntárias formadas segundo interesses, idéias, objetivos sociais, objetivos religiosos, etc. Depois de esgotadas estas instâncias, só então se busca o governo municipal, mas este considerado como um grande administrador de condomínio, e não como dono da vida das pessoas. Em poucos casos, a questão iria para o governo estadual (novamente considerado como uma associação de condomínios, e não dono da vida das pessoas). Só quando houvesse ofensa verdadeira aos direitos fundamentais (e não a falsos difeitos tirados da cartola) se deveria recorrer ao sistema judicial. Se todos agissem assim, as atribuições do governo federal iriam diminuir até este se tornar o que deveria ser desde o princípío: Uma associação de entes federados, livres e auto-responsáveis. As "questões" nacionais, que são na maioria falsas questões, resultantes da não aplicação do princípio da subsidiaridade, definhariam até ter seu real tamanho. E cada pessoa perceberia como as soluções estão, na verdade, perto de cada um de nós.

    Um país correto passa por uma educação correta. Nos países do extremo oriente, as pessoas aprendem na escola que devem ser pró-ativas, no que diz respeito à sua própria vida, e não ficarem inertes, reclamando "soluções" do governo, cujo maior poder é coagir outras pessoas a darem ao reclamante aquilo que ele deseja. Para cada "problema resolvido" o governo usualmente cria muitos outros, pela agressão aos direitos daqueles que não se organizam politicamente, nem fazem pose de vítimas. Isso só pode acabar nesse descalabro que vemos.
  • Gustavo  31/12/2012 00:13
    Coincido com Renato Souza. Em relacao ao ensinamento, estou fazendo uma posgraduacao na PUC-Parana, e tivemos uma materia muito mal dada. Quando dois alunos fomos reclamar, o coordenador do curso nao acreditou em nos. Um terceiro disse-me: "Who cares?". O restante dos alunos nem falou. E assim vai o Brasil, "empurrando com a barriga".
  • Juno  28/12/2012 22:39
    Será que o bust está mais perto do que longe?
  • Rhyan  29/12/2012 08:48
    Muito bom! Também adoro esses artigos com análises da situação atual, não só do Brasil.

    É muito comum o governo (BNDES ou BC) pagar juros pra ele mesmo (Tesouro Nacional)?
  • Bright  29/12/2012 10:50
    Conversei hoje com uma empresária, que me relatou a enorme dificuldade que estão tendo para contratar gente. Os vagabundos estão tudo dependendo de bolsa esmola, e, por isso, não querem mais saber de trabalhar.

    Ela também falou algo que eu já estava esperando para 2013: o estouro da bolha imobiliária brasileira. A construção civil já está no limite. Os imóveis financiados pelo Minha Casa Minha Dívida também.
  • Felipe  29/12/2012 16:05
    Daqui a pouco inverterão as coisas: O trabalhador será considerado cúmplice do estado burguês; um vagabundo reacionário, e o bolsista esmola será considerado o revolucionário heróico que recusa a se juntar ao sistema capitalista, sendo assim um grande exemplo para a massa operária.


    Se eu produzisse uma dissertação desse tipo para um doutorado na Unicamp ou federal seria considerado o doutorado da década, com certeza.
  • Felipe de Lima  29/12/2012 16:50
    Olá amigos! Eu gostaria de trazer um pequeno entretenimento para vo^ces, inclusive para o Leandro, de como certos esquerdistas fanáticos são hilários!

    Peço para que todos vejam os comentários deste vídeo no youtube:

    https://www.youtube.com/watch?v=FN0F6Fibpg4

    E gostaria de ter a opinão de voces sobre aquele cara....XD
  • Ale  29/12/2012 16:50
    Leandro

    O Artigo está perfeito, mas só faltou falar do a Bolha imobiliária brasileira. De fato já ouço diversos relatos que o mercado imobiliário literalmente travou.

    Abraços
  • Leandro  29/12/2012 17:55
    Prezado Ale, o artigo não é meu.

    Sobre a bolha imobiliária, creio que já falei tudo o que tinha para falar sobre ele em meus outros artigos, sendo o último este aqui.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1347

    Não há nada a acrescentar ao que escrevi nele, exceto ressaltar que tudo vem ocorrendo dentro do previsto.

    Abraços!
  • Pedro  29/12/2012 19:06
    Estouro de bolha imobiliária implica queda vertiginosa dos preços dos imóveis, certo? Como isso vai acontecer no Brasil se nenhum proprietário aceita baixar o preço? O brasileiro fica com a casa até morrer, mas não baixa. A casa aqui é vista quase como uma coisa sagrada. Preço de imóvel nesse país é altamente inelástico pra cair e altamente elástico pra subir.
  • Leandro  29/12/2012 19:47
    Não, não implica necessariamente queda vertiginosa. Tudo depende da intensidade da bolha. No Brasil, ainda foi algo um tanto suave.

    Leia o artigo linkado.

    Os preços dos imóveis já caíram, mas este é um fato que está sendo muito astutamente ocultado. Por exemplo, em vez de dizer que não mais estão conseguindo vender por aqueles preços que haviam imaginado ser possível, as construtoras preferem dizer que estão "fazendo ofertas" ou "oferecendo descontos e promoções". Mas não existe desconto em um mercado genuinamente aquecido. Existe apenas queda de preço.

    Quando o crédito para o setor estava fluindo aceleradamente, começando em 2008 e se consolidando em 2010, várias construtoras se animaram com as perspectivas de lucro fácil, se endividaram e foram lançar projetos. Agora, no entanto, com a desaceleração do crédito para a aquisição de imóveis, tais perspectivas de lucros não mais estão se concretizando, e várias construtoras estão enfrentando dificuldades em seus balancetes. As cotações das ações de algumas empresas imobiliárias listadas na Bovespa estão próximas de suas mínimas históricas (Rossi Residencial, PDG Realty, Brookfield e Gafisa.)

    Quanto àqueles que não quiserem baixar os seus, é simples: não venderão. A menos, é claro, que a oferta de otários que todos os dias saem às ruas continue crescente no Brasil. Aí, de fato, há uma chance.
  • Felipe de Lima  29/12/2012 19:56
    Falando sobre essa questão dos imóveis Leandro, eu estou pensando qual seria o melhor momento para se investir na aquisição de um imóvel (mais para morar mesmo...). Acha que vale a pena esperar mais uns 2 anos, 3, para começar a investir nisso?Ou, como diria o nosso amado Doutor Honoris, Sr. Tiririca, "pior que tá não fica? XD
  • Marcos  29/12/2012 20:34
    Meu pitaco: ainda é cedo. A coisa vai degringolar mesmo (para os vendedores) é a partir de meados do ano que vem. Ainda estamos no último suspiro dos preços altos e os proprietários ainda estão vivendo de histórico e não de realidade.
  • Renato Souza  14/01/2013 23:56
    Demorar 1 ou 2 anos para vender (pelo preço pedido inicialmente) é igual a abaixar o preço, porque a inflação já comeu parte dele. Só que é pior para o vendedor, porque se tivesse abaixado o preço antes, teria investido esse dinheiro durante esse tempo. Mas o brasileiro, em geral, não percebe isso.

    Estou quase fechando a venda de um apto meu e talvez ainda dê tempo de investir no setor, e ganhar algum antes do estouro da bolha.
  • Marcos  29/12/2012 16:58
    O pior não é ver que a coisa está desandando. O problema maior é saber que os responsáveis por estas políticas não fazem a menor idéia disso. Só conseguem enxergar um ou dois indicadores negativos e para combate-los recorrem a mais intervenção, endividamento e controle de preços.

    Uma outra informação relevante: o governo retirou dinheiro da Petrobras e "investiu" no BNDES. Além de termos mais manipulação de juros e estímulo a bolhas teremos menor performance de produção em médio e longo prazo no setor petrolífero, o que aumentará muito a pressão por aumento de preços. Acredito que quando a Petrobras não aguentar mais o sacrifício a inflação crescerá a níveis bem maiores, estimulada pelo aumento dos combustíveis.
  • Julio   29/12/2012 22:49
    Leandro, sem dogma o que acha de manter o cambio fixo,icentivar a inflação trazendo a taxa de juro a 0,sobre taxar importações para aumentar o preço de produtos,desta maneira trazendo a inflação para 30% ao ano,partindo desse ponto o governo vai pegando emprestimos do exterior na casa de 200 bilhões de dolares ao ano ,que ira se pagar automaticamente com taxa de inflação de 30% e cambio fixo,esses 200 bilhões injetados diretos na economia em forma de obras publicas ira girar na economia na forma de empregos,que por si mesmo realizar consumo.

    Refute essa formula crescimento economico,sendo que eu sei as implicância do cambio fixo e da inflação.
  • Leandro  29/12/2012 23:42
    De fato, é irrefutável. Aliás, no Brasil atual, com esse seu conhecimento econômico triunfante, você corre o risco de ganhar um cargo vitalício no Ministério da Fazenda.
  • Anônimo  30/12/2012 00:52
    Este aí já pode ser o Ministro da Fazenda do Típico Filósofo.

    Vai haver um lindo milagre econômico seguido de inflação inercial e teremos Sarney Parte II - A Missão. Um filme que não poderá dizer que capital não foi destruído durante a realização.

    Quando haver crescimento, não haverá mais Brasil.
  • Marcos  30/12/2012 01:47
    Eu me pergunto se ele realmente estava falando sério...
  • Felipe de Lima  29/12/2012 23:48
    Só pode tá de brincadeira né?hahaha
  • Feliz Ano novo  30/12/2012 11:48
    Julio,

    Voce está criando mais moeda progressivamente, iniciando um ciclo econômico e destruindo a economia via inflação dificultando todos pagamentos de renda fixa, contratos, cálculo economico, e para deixar o câmbio fixo você irá aumentar os impostos de importação em taxas progressivas, manipulando artificialmente os preços dos produtos extrangeiros, e fechando cada vez mais a economia. Ao mesmo tempo você faz um empréstimo em dólares, e seu sistema que vc criou atrapalhará você a usar esses dólares, e para isso você terá que aumentar os impostos para os outros a taxas mais altas ainda.
    A economia se destruindo fará com que o cambio tenha que ser mais forçado ainda!!!
    Os impostos progressivos chegarão a um limite em que não adiantará mais forçar por meio de impostos.
    Se o sistema por implantando de uma hora para outra, você destruirá a economia de quem esperava uma estabilidade.
    Inúmeros especuladores pelo mundo perceberão seu sistema e tentarão apostar contra ele tornando ainda mais difícil, você terá que controlar o sistema financeiro nacional.

    Ou seja, é óbvio que somente um maluco ou um economista com doutorado na usp faria isso.
  • Ivan Eugenio da Cunha  07/01/2013 04:18
    Por que o pessoal nunca desconfia (pelo menos) que nada esteja errado no raciocínio quando encontra o moto perpetuo econômico?
  • Dilma   30/12/2012 01:16
    A economia brasileira é um exemplo de descentralização para os demais países do mundo, nos últimos anos, segundo constata uma pesquisa da Brookings Institution, com sede em Washington. Segundo o estudo "o Produto Interno Bruto (PIB) per capita cresceu pelo menos 33% em todas as 13 regiões metropolitanas, mas em quatro (Grande Vitória, Recife, Curitiba e Baixada Santista) a expansão superou os 50%". De acordo com o pesquisador sênior da instituição, Jill Wilson, os dados comparam a situação do Brasil entre 1990 e 2012. Wilson acrescenta que, apesar das mudanças dos últimos anos, a economia brasileira ainda é altamente concentrada no litoral.

    – Apenas duas regiões (Manaus e Brasília) não estão na costa – observa.

    Segundo o pesquisador, o Brasil alcançou, definitivamente, o status de potência econômica mundial.

    – Ao longo das últimas três décadas, uma série de líderes políticos adotou medidas para estabilizar o país e fundar as bases para uma economia nova e dinâmica – disse.

    Mas nem tudo está resolvido, acrescenta o pesquisador. Ele percebe que o país ainda precisa avançar, sobretudo, quanto ao PIB per capita.

    – A maioria das regiões metropolitanas brasileiras tem uma renda per capita inferior à das regiões metropolitanas de países desenvolvidos, com exceção de Brasília – assinala.

    Para o especialista, os dados comparativos precisam de uma análise mais cuidadosa.

    – O PIB per capita da região metropolitana de São Paulo, por exemplo, é próximo ao de Portugal e supera o da região metropolitana do Porto. No entanto, equivale a apenas três quartos do PIB per capita de Lisboa – compara.

    Com base no estudo, Wilson aponta dois pontos importantes. O primeiro é que a pesquisa confirma a perda de espaço da indústria de manufatura na economia brasileira.

    – A participação desse segmento no PIB nacional caiu de 20% em 1990 para 16% em 2012 – afirma, após observar que segmentos como agricultura, mineração, hotéis, serviços financeiros e serviços de informação ganharam mais espaço.

    Outro ponto, segundo o pesquisador, refere-se aos movimentos migratórios e imigratórios. Como indicativo, ele cita a Baixada Santista, onde a fatia da População Economicamente Ativa (PEA) que nasceu fora do Estado de São Paulo passou de 14% em 1990 para 25% em 2012. A região é uma das mais promissoras do ponto de vista econômico devido às descobertas do pré-sal. Já a região metropolitana de Belo Horizonte reduziu, no mesmo período, a participação dos não nascidos em Minas Gerais na PEA: de 14% para 5,8%.

    Wilson também observa que na Grande Vitória houve o registro da maior taxa de emigração no censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): ao todo, 5,7 em cada mil habitantes deixaram a localidade. Ele lembra, ainda, que 30% desses emigrantes foram para Portugal, outros 30% para os Estados Unidos e 13% se mudaram para a Itália.

    De acordo com o estudo, o Brasil concentra 13 das 300 principais regiões metropolitanas do mundo, segundo a Brookings Institution, uma entidade sem fins lucrativos com sede em Washington cuja missão é a realização de pesquisas independentes. O estudo, apoiado pelo banco norte-americano JP Morgan Chase, foi produzido para os investidores, que precisam tomar suas decisões ao abrir ou ampliar negócios no país.
  • Adriano  30/12/2012 16:40
    Boa Tarde, Sou estudante de Engenharia e sempre leio os artigos.
    Já estou estudando a escola austríaca, mais ou menos por 1 ano.

    Acho o debate bem qualificado. queria parabenizar os autores e aqueles que propagam as idéias de Mises. Quando li o livro, "cálculo econômico sob o Socialismo" tive uma clareza intelectual e ideológica. Busquei informações, li artigos, de ambas as partes...passando por Marx e seus "discípulos" até chegar aos Keynesianos, e finalmente confrontá-los com A escola Austríaca. Claro que essa fase de pesquisa e aprendizado é constante e estou constantemente lendo mais sobre Mises. Interessante é perceber que nessa minha pequena e inicial trajetória não fui dominado pelo discurso ideológico, classista e sensacionalista, porém fui conscientemente aderindo as idéias de Mises pelo simples fato de abordar o livre mercado de forma racional, inteligente e próspera.

    Faço questão de expor minha opinião e parabenizar por esse um ano de leitura e pesquisa sobre Mises.

    Agora, retornando ao debate, gostaria que fosse comentado qual seria a relação e controle que o BIS(Bank for International Settlements)[www.bis.org/index.htm]
    realiza sobre os bancos centrais no mundo. Os bancos centrais aderem as decisões do BIS ou tem alguma relativa autonomia nas decisões? claro, no caso brasileiro vemos cada vez mais essa relação simbiótica entre Governo e BC, porém queria saber quais níveis de decisão e poder que esse banco dos bancos centrais exerce hoje.

    Seria o BIS a quem deveríamos atacar? ou são apenas um comitê que debate e promove artigos de orientação monetária? Estava lendo um artigo publicado pelo BIS a respeitos do risco recente da expansão do crédito?

    Desde já, peço desculpas pelos comentários rasos, mas estou entusiasmado para aprender mais e mais...

    Bom Final de ano a todos amigos e amigas que acompanham as publicações do Instituto Mises Brasil.


  • José Ricardo das Chagas Monteiro  31/12/2012 10:11
    Saudações, não entendi dessa vez, o próprio Instituto Mises desmerece o termo PIB, e eis o autor oferece o dito cujo termo à comparação.Realmente há contradição, não? Em nada desqualifica o artigo, aliás, de ótima qualidade, com a leitura abstrativa consegui tirar bom proveito.
    Com a palavra o Instituto Mises.
    Abraços.
  • Leandro  31/12/2012 10:56
    Eu não falo pelo autor, mas sim apenas por mim: também discordo de abordagens que utilizem sistematicamente mensuradores como PIB e desemprego (como também acho contraproducente ficar analisando um governo exclusivamente por resultados de PIB e de desemprego).

    Além de estes dois indicadores serem pouco confiáveis, ainda há o agravante, no caso do PIB, de que este pode ser artificialmente estimulado por meio de gastos do governo. Se o governo imprimir dinheiro e gastá-lo, o PIB será aditivado, ao passo que a inflação de preços só será sentida a partir do ano seguinte (de modo que o PIB real para o ano vigente será impressionante). Embora o resultado no longo prazo seja danoso, o que importa é que o curto prazo garantirá a fácil reeleição dos políticos no poder. Bom exemplo disso foi o Brasil em 2010, ano de forte inflação monetária e de aumento nos gastos do governo, o que se refletiu em um portentoso PIB para aquele ano à custa do total desajuste que vivemos atualmente.

    Ademais, como bem mostram estes dois artigos (aqui e aqui), é perfeitamente possível a economia estar crescendo e o PIB apontar um número ruim, como é também perfeitamente possível a economia estar empobrecendo e o PIB apontar um número bom. Do PIB só salva a mensuração do investimento ocorrido, e mesmo assim tal indicador deve ser visto com uma certa desconfiança, dado que leva em conta todos os "investimentos" do governo (que nada mais são do que desperdício de capital para atender a interesses políticos).

    Em minha opinião, variáveis como inflação de preços (a tendência dos vários índices), produtividade, taxa de câmbio (no caso, o governo está fazendo com ela), tendência da arrecadação de impostos e variação do poder de compra da moeda são indicadores mais confiáveis da saúde de uma economia.
  • Jose Ricardo das Chagas Monteiro  31/12/2012 11:07
    Saudações, sinto-me respondido, grato, espero que outros comentadores tenham se atentado à comparação.
    Gostaria de desejar um bom ano a todos vocês.
  • Fernando Ulrich  31/12/2012 16:26
    Caro José,

    Entendo sua pergunta e concordo com as colocações do Leandro. Devido ao curto espaço que tenho nesse artigo, não foi meu objetivo discorrer sobre o problema do PIB, já o fiz em outros artigos e quem segue meus escritos sabe minha opinião sobre o tema.

    Tendo em conta todas as deficiências do indicador, não o considero completamente inútil, especialmente para comparações entre países, temporal, e de grandezas (por exemplo, dívida / PIB, déficit, etc.).

    Como o Leandro abordou, uma economia pode estar crescendo e o PIB não "demonstrar" isso e o oposto também. Foi justamente esse ponto que procurei trazer no artigo; apesar do grande crescimento do PIB em 2010, ele veio à custa de um investimento errôneo que na verdade nos empobrece, pois significa uma má alocação de recursos, possivelmente um desperdício.

    Ademais, busquei focar justamente na questão do investimento, algo que o governo está tentando reativar a qualquer custo, mesmo que isso não seja bom para a economia, ainda que possa turbinar o temeroso PIB. Essa foi exatamente minha conclusão. Analisando a forma como o governo enxerga a economia e o PIB, fazendo a leitura de suas ações e como o investimento parece ser a forma pela qual o governo quer "bombar" o PIB, acredito que poderemos ter um crescimento do indicador; mas o vejo como algo temerário para o futuro, pois teremos os clássicos malinvestments¸tanto no investimento privado quanto no público (que por definição é sempre ineficiente e, potencialmente, um total desperdício).

    Note que usei o PIB nominal, e não o real, para comparar com o custo do capital e inferir a potencialidade da errônea precificação do capital, e não para concluir que o crescimento verificado foi benéfico para a economia. O PIB nominal é um indicador mais próximo do crescimento dos agregados monetários e, ao usá-lo, fujo do "deflator do PIB", o qual usa índices de preços que também são indicadores com muitas deficiências e pormenores.

    Antes de se usar qualquer indicador (PIB e índices de inflação) é imprescindível dominá-lo; entender profundamente como é calculado e ter a exata noção dos fenômenos que impactam tal estatística. Portanto, como economista, emprego os indicadores e estatísticas (governamentais ou não) para decifrar a forma como o governo enxerga a economia e, mais importante ainda, prever como esse mesmo governo atuará no campo das políticas públicas e como isso afetará nossa vida. Tendo em mente todas essas ressalvas, a análise dessas métricas pode ser bastante frutífera; no entanto, jamais devem ser usadas para descobrir leis econômicas e relações de causa e efeito. Isso deixamos para os economistas do mainstream.
  • Jose Ricardo das Chagas Monteiro  31/12/2012 17:35
    Saudações, Fernando, grato pela atenção, e penso ter entendido tua resposta.Devido ser uma área que há pouco tempo estudo ainda não possuo alguns basilares que compõem e justificam muitos artigos, cujo em questão parece moldurado.
  • Pedro  03/01/2013 11:52
    Hahaha, li uma noticia da Folha hoje e encontrei isso:

    "Um dos grandes mistérios de 2012 é por que a economia não reagiu ao caminhão de estímulos do governo", diz Armando Castelar, da FGV."

    www1.folha.uol.com.br/mercado/1209277-pib-dos-tres-primeiros-anos-de-dilma-sera-o-menor-da-regiao.shtml


    Esses economistas keynesianos estão mais perdidos do que cegos em um tiroteio. E o pior é que eles dão a entender que é a realidade que está errada e não a teoria deles...
  • Antonio Castagnoli  07/01/2013 01:34
    "A economia sou eu" - Guido Mantega, em sua imaginação fértil antes de dormir pensando no que fazer para a economia brasileira.
  • Ivan Eugênio da Cunha  07/01/2013 02:24
    Muito esclarecedor o artigo. Venho acompanhando alguns artigos do IMB e gosto quando falam do andamento de nossa economia (devo dizer, alias, que aprendi e aprendo economia aqui, com os artigos e livros). Parabéns a todos.
  • anônimo  08/01/2013 18:02
    E sobre esse papo agora que o governo tá fazendo propaganda de que o preço de eletricidade vai diminuir? Alguém explica?
  • Gustavo Sauer  09/01/2013 00:56
    Coincidentemente o final do artigo toca nesse ponto. O governo promete que vai reduzir o preço das tarifas ao mesmo tempo que vai fazer com que a energia seja abundante. O resultado já estamos vendo: alta possibilidade de novo apagão elétrico.

    O gabinete soviético de energia falhou em seu planejamento. Quem diria!
  • anônimo  09/01/2013 15:38
    Concordo, Gustavo. Mas como o governo pode simplesmente ordenar que as tarifas diminuam? Isso não é controle de preços? Afinal a distribuição às vezes passa por empresas não-públicas...
  • Gustavo Sauer  09/01/2013 17:10
    Sim. É controle de preços. O resultado é sempre o mesmo: racionamento.
  • anônimo  09/01/2013 17:27
    Como pode ser natural que uma presidente diga a empresas o quanto cobrar?!
  • Ricardo S.  09/01/2013 18:03
    Os burocratas determinam a taxa de juros, a cotação do dólar, o salário mínimo, o preço dos produtos importados, do combustível, da energia elétrica, da água, das tarifas telefônicas, do transporte, táxis, quem pode demitir, quem pode e quem não pode exercer determinada profissão, ou seja, quase toda economia depende de um carimbo estatal. Bem vindo ao socialismo!
  • TL  09/01/2013 17:49
    Caro anônimo [09/01/2013 15:38:29].

    O setor elétrico brasileiro foi totalmente capturado pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) [ou melhor, nunca saiu da esfera estatal]. Umas das poucas exceções é a comercialização de energia na geração. Os geradores podem determinar com certa liberdade o preço de venda (no mercado à vista [SPOT], existe um limite máximo para o preço do MW médio). Não pensem que é um mercado livre, bem ao contrário, é altamente regulado.

    Ressalto ainda que a hidro-geração de Energia Elétrica (EE) funciona por concessão. Portanto a propriedade é do estado e a operação/manutenção dos ativos podem ser realizados por agentes privados. Não podemos esquecer da infinidade de empresas públicas nesse setor.

    Na Transmissão de EE, cada Função Transmissão (por exemplo: transformadores, linhas de transmissão, banco de capacitores,...) tem uma receita Receita Anual Permitida (RAP). Esse é o valor máximo que o agente ganhará anualmente para operar a Função Transmissão. O reajuste da RAP é definido por burocratas e regulamentações (metas de disponibilidade, Resoluções Normativas, ...). Os preços são totalmente tabelados. Não existe mercado nem propriedade privada, tudo pertence e é controlado pelo estado.

    Na Distribuição de EE, os preços aos consumidores cativos (pequenos consumidores) são definidos pela ANEEL. Os consumidores livres (grandes indústrias) podem fazer contratos bilaterais, portanto não precisam necessariamente comprar EE da concessionária da região geográfica [o monopolista]. (Só por curiosidade: nesse caso, a distribuidora somente cobra pela utilização de sua infraestrutura. Uma coisa é a infraestrutura e outra é a EE – é um pouco complicado porque a EE é produto e serviço ao mesmo tempo).
  • Thales  10/01/2013 18:55
    Saudações Fernado. Ao ver o BNDES financiando a juros subsidiados (leia-se: pagos pelo contribuinte) grandes empresas selecionadas tendenciosamente que tem acesso ao mercado de capitais, como dito no artigo, fico a imaginar que este banco de fomento é apenas um instrumento para permitir que o Estado e seus apadrinhados criem monopólios financiados com impostos e protegidos pela coerção regulatória e barreiras de entrada burocráticas. "Crony capitalism" é um termo em inglês adequado para tal sistema, não havendo em português uma expressão cabível. Pergunto a você: a existência do BNDES ou instituições estatais semelhantes taz realmente algum benefício ao desenvolvimento do país a longo prazo?
  • Felipe de Lima Pereira  23/01/2013 19:26
    O termo em portugues poderia ser o próprio corporativismo/facismo.... =D
  • Mauricio  03/02/2013 02:07
    Vocês viram este artigo da revista Época? Somos obrigados a sustentar 675 estatais ineficientes, incompetentes e corruptas.

    revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI240676-15223,00-ESTADO+LTDA.html
  • Occam's Razor  06/02/2013 18:58
    O que vocês acham dessa notícia aqui economia.uol.com.br/noticias/redacao/2013/02/05/governo-estuda-cortar-todos-os-impostos-da-cesta-basica-diz-dilma.htm ? Outra forma de distorcer os índices de inflação de preços?
  • David  08/02/2013 00:08
    Olá Fernando e equipe, primeiramente parabéns pelo artigo, muito bom! E os meus parabéns ao site também...Descobri há poucos dias o site, por indicação de um amigo, e já estou viciado nele!

    Bom, sobre a redução nas contas de energia, achei este vídeo publicado em Setembro de 2012 e fiquei me perguntando se realmente é verídico e gostaria de saber a opnião de vocês, desde já agradeço!

    https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Kp7GuIOXXqI
  • David  19/02/2013 03:41
    ?
  • anônimo  20/02/2013 14:11
    Tudo indica que sim. Não me lembro de ter visto nenhuma contestação, apenas uma operação abafa por parte do governo e de seus defensores.
  • amauri  28/02/2013 12:31
    Bom dia!
    Mas o governo é bom de retorica ou sabe que muitos embarcam no que dizem.
    "Em 2009, o PSDB soltou uma nota em que afirmava: "o Palácio do Planalto promove uma gastança…". Em qualquer dicionário, gastança significa excesso de gastos, desperdício. A afirmação feita na nota somente tem utilidade midiática, mas não é útil para a produção de análises e discussões sérias em torno da temática das finanças públicas brasileiras.
    A dívida pública deixada para o presidente Lula era superior a 60% do PIB. O déficit público nominal era de 4,4% do PIB. Esses são os números referentes a dezembro de 2002, o último mês de Fernando Henrique Cardoso na presidência.
    .


    De forma ideal, a administração das contas públicas deve sempre buscar a redução de dívidas e déficits. Deve-se buscar contas públicas mais sólidas. A motivação para a busca desta solidez não está no campo da moral, da ética, da religião ou do saber popular que diz "não se deve gastar mais do que se ganha".
    A motivação está no aprendizado da Economia. Aprendemos que o orçamento é um instrumento de combate ao desaquecimento econômico, ao desemprego e à falta de infraestrutura. Contudo, o orçamento somente poderá ser utilizado para cumprir estas funções se houver capacidade de gasto. E, para tanto, é necessário solidez e robustez orçamentárias.
    A ideia é simples: folgas orçamentárias devem ser alcançadas para que possam ser utilizadas quando a economia estiver prestes a provocar problemas sociais, tais como o desemprego e a redução de bem-estar. Portanto, a solidez das contas públicas não é um fim em si mesma, mas sim um meio para a manutenção do crescimento econômico, do pleno emprego e do bem-estar.
    A contabilidade fiscal feita pela equipe econômica do governo do presidente Lula mostrou como essas ideias podem ser postas em prática. Houve melhora substancial das contas públicas que resultaram da boa administração durante o processo de aceleração das taxas de crescimento. O presidente Lula entregou à presidenta Dilma uma dívida que representava 39,2% do PIB. Ao final de 2012, a dívida foi reduzida ainda mais: 35,1% do PIB. O presidente Lula entregou para a sucessora um orçamento com déficit de 2,5% do PIB. Ao final de 2012, este número foi mantido.
    Foi essa administração fiscal exitosa que deu ao presidente Lula autoridade política e solidez orçamentária para enfrentar a crise de 2009, evitando que tivéssemos uma profunda recessão e uma elevação drástica do desemprego. No ano de 2009, a relação dívida/PIB aumentou para 42,1% e o déficit público nominal foi elevado de 2% para 3,3% do PIB. Em compensação, naquele ano de crise, foram criados mais de 1,7 milhão de empregos formais e o desemprego subiu apenas de 7,9%, em 2008, para 8,1%, em 2009.

    Em paralelo à consolidação fiscal, os governos dos presidentes Lula e Dilma promoveram ampliação dos gastos na área social. A área social engloba: educação, previdência, seguro desemprego, saúde, assistência social etc. O investimento social per capita cresceu 32% em termos reais entre 1995 e 2002. De 2003 a 2010, cresceu mais que 70%. Cabe ser destacado que mesmo diante da fase mais aguda da crise financeira internacional de 2008-9 os investimentos sociais não foram contidos – a partir de 2009, houve inclusive uma injeção adicional de recursos nessa área.
    Os números não são refutáveis. São estatísticas oficiais organizadas por milhares de técnicos competentes. O Estado brasileiro está consolidado em termos de responsabilidade com a geração de estatísticas. No Brasil, não há maquiagem ou ocultação de dados. Portanto, temos elementos para fazer análises consistentes das finanças públicas que dispensam a utilização de termos midiáticos jogados ao ar: gastança! Nos últimos dez anos não houve gastança, houve organização fiscal. Houve também aumento significativo de gastos na área social. Essa é a radiográfica precisa dos números.
    João Sicsú é professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi diretor de Políticas e Estudos Macroeconômicos do IPEA entre 2007 e 2011"
  • Joao  29/09/2013 16:35
    Comecei a digitar esse texto mas algo deu errado e nao sei se meu comentario foi enviado ou nao..

    O que esta errado no Brasil esta ligado ao poder do Estado...
     
    Isso tudo esta ligado a quem tem direito de voto..a mera existência de eleições não garante uma sociedade justa...o Estado, entenda se Governo, tem poder de vida e morte sobre nos então quem elege o Governo e também estipula regras para os demais componentes do Estado tem que ser as pessoas que pagam os custos desse mesmo estado..
     
     
    Por isso mesmo que insisto na equação do voto qualificado...vota. Se quizer, quem paga contas do governo...
     
     
    Dinheiro x (pago ao governo - recebido do governo) - Benefícios recebidos do governo > zero
     
    Fora dessa equação no mínimo 5 anos sem votar..
     
    Reparou que nessa regra pais de alunos de escola particular que não são func publico votam???
     
    Imagine se a classe media baixa que se mata para pagar as mensalidades do Colegio Bandeirantes vai votar leis malucas raciais na USP....
     
    Nessa equação nenhum func do legislativo, judiciário e executivo vota...NUNCA..eles são suspeitos pq tem conflito de interesse..eh mto facil um juiz querer aumento de salário, pago com os impostos do coitado que limpa as fezes dele...
     
    Garanto que os humildes que terão o privilégio de votar saberão pagar bons salarios para os professores cuidarem dos seu filhos, mas JAMAIS darão automóveis a deputados...
     
     
    A tese eh extremamente antipática mas foi o q que garantiu a maravilhosa constituição Jeffersoniana que criou a nação mais poderosa do mundo...  naquela época para votar a pessoa tinha que provar que podia sustentar seus próprios filhos...ou seja perto de 15% da pop adulta das colônias americanas votava
     
    Enfim..
     
    Ludwig Von Mises era um sábio...O ESTADO EH O NOSSO INIMIGO E TEM QUE SER MINIMO..deve somente cuidar da proteção a vida, (matando bandidos), a liberdade ( ir e vir, opinião/imprensa) e a propriedade..( o que obtive por meios lícitos eh meu e ninguém tira..nunca..nem pra fazer estrada..)
     
    Faz parte de defender a propriedade punir com rigor os que cometem fraude, such as vender remédio falso, fazer propaganda enganosa, vender e não entregar...coisas do tipo ..
     
    As leis foram inventadas para proteger o cidadão do REI  ( leia se estado..) e não o contrario  
     
     
    Supondo que tenho razão, agora como se consegue isso não sei.....
     
    Mas tenho certeza que nossos filhos e netos farao uma guerra civil horrível para se livrar da opressão do Estado e seu roubo via impostos
     


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