A economia brasileira - um resumo de final de ano
por , sábado, 22 de dezembro de 2012

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DILMA_1-1-232x300.jpgO frenesi intervencionista

O ano de 2012 certamente já tem seu lugar garantido na história econômica brasileira: foi o ano em que o governo mais exacerbou suas intervenções na economia.

Sim, é verdade que a economia brasileira da década de 1980 e da primeira metade da década de 1990, com seus congelamentos de preços, monopólios estatais e hiperinflação, era muito mais estatizada e bem menos livre que a atual.  Porém, mesmo naquela época, havia uma tendência de adoção de medidas de desestatização.  Se, de um lado, o governo congelava preços e hiperinflacionava a moeda, de outro, ele reduzia tarifas de importação, extinguia reservas de mercado e privatizava estatais deficitárias.  Se o governo se intrometia demais em alguns campos, em outros ele dava sinais de que iria se retirar.

Em 2012, só houve notícias ruins.  O estado se agigantou em todos os setores da economia.  Mesmo a única notícia aparentemente positiva — a redução do IPI dos automóveis — veio acompanhada 1) de um aumento sanguinário das tarifas de importação e do IPI para automóveis estrangeiros, fazendo com que seu a carga tributária total sobre eles chegue a soviéticos 340%; 2) da imposição de quotas para a importação de automóveis do México, 3) da proibição de demissões por parte das montadoras, e finalmente 4) da ideia ainda não descartada de que o governo iria supervisionar os balancetes das montadoras, estipulando um teto para suas margens de lucro.

Qual foi a consequência de tamanho protecionismo e intervencionismo no setor automotivo?  Com a palavra, a própria beneficiada: "a ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) calcula uma queda de 1,5% na produção neste ano ante 2011. Esta será a primeira queda na produção desde 2002."

Ou seja, ocorreu exatamente o oposto do intencionado pelo governo, que era aumentar a produção e o emprego. 

Com efeito, o mesmo fenômeno pôde ser observado em todo o setor industrial.  Incontáveis medidas intervencionistas e protecionistas foram colocadas em prática, como os seguidos recordes de apreensão de bagagens em aeroportos, o aumento do PIS/COFINS sobre produtos importados, os sucessivos recordes de arrecadação com o imposto de importação contra 'o importado barato', os desembolsos recordes do BNDES para as grandes empresas, a exigência de uma enorme fatia de conteúdo nacional para as produções industriais de todos os tipos, a proteção explícita aos setores têxtil, de calçados, de brinquedos, de artefatos de madeira, de palha, de cortiça, de vime e material trançado e transformados de plástico, além do aumento da taxa de importação sobre lâmpadas e sapatos chineses, pneus, batata, tijolos, vidros, vários tipos de máquinas, reatores para lâmpadas ou tubos de descarga, vagões de carga, disjuntores, cordas e cabos, móveis, triciclos, patinetes, bonecos, trens elétricos, quebra-cabeças, produtos lácteos (leite integral, leite parcialmente desnatado e queijo muçarela) e pêssegos (sério!). 

Adicionalmente, o câmbio em 2012 foi substancialmente desvalorizado em relação a 2011 (de R$1,60/US$ para R$2,10/US$).

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Gráfico 1: taxa de câmbio real/dólar; Fonte: Banco Central

Pela lógica dos intervencionistas, tamanha desvalorização cambial em conjunto com toda aquela cornucópia de medidas protecionistas deveria ter colocado a indústria em estado de extrema pujança.  E o que houve?  Tanto a produção industrial quanto o emprego na indústria caíram em relação ao ano passado.

Óbvio: desvalorizar a moeda e encarecer importações serve apenas para reduzir o poder de compra da população, que agora terá de gastar mais dinheiro com produtos de menor qualidade, e consequentemente terá menos dinheiro para gastar em outros bens e serviços.  Isso é um ataque direto ao padrão de vida.  Uma população com menos poder de compra não ativa indústria nenhuma.

O que vimos em 2012 foi mais um exemplo da arrogância fatal de burocratas e planejadores que juram saber exatamente como os indivíduos irão reagir em decorrência de suas intervenções no mercado.  Para eles, empreendedores e consumidores padecem do condicionamento clássico do cão de Pavlov: estão sempre prontos a agir estritamente de acordo com estímulos recebidos do governo.  Porém, quando o plano dá errado e tudo sai exatamente ao contrário do planejado, em vez de humildemente reconhecerem o erro e reverterem suas intervenções, eles simplesmente dizem, com toda a arrogância, que o que fizeram foi certo mas insuficiente, de modo que mais estímulos se fazem necessários.

Curiosamente, nas últimas recessões brasileiras, em 2003 e em 2009, o governo não saiu baixando pacotes e nem recorreu a medidas intervencionistas mais proeminentes.  Em 2003, ele seguiu a cartilha clássica: elevou juros e congelou os gastos.  Adicionalmente, não tentou controlar preços e nem privilegiar nenhuma indústria.  Também não recorreu ao protecionismo.  Por não ter atrapalhado e nem ter gerado incertezas, a economia se recuperou em um ano.  Em 2009, embora tenha havido um pouco mais intervenção do que em 2003, o governo não interveio no câmbio e nem recorreu a políticas protecionistas.  Principalmente, ele permitiu que preços e salários se ajustassem para baixo.  Isso, novamente, permitiu uma rápida recuperação.

O atual governo Dilma, o qual reinstituiu a figura do czar da economia — Guido Mantega é, ao mesmo tempo, Ministro da Fazenda, presidente do Banco Central, ministro do Planejamento e ministro do Desenvolvimento — já é, sem rivais, o mais intervencionista desde a criação do real.  Ela conseguiu a façanha de fazer seu antecessor parecer um moderado.

E não há muitos indícios de que isso será revertido no curto prazo.  Uma das possíveis próximas tragédias desse intervencionismo já está se desenhando no setor elétrico.  Aguardemos.

A estagnação econômica

A principal debilidade da economia brasileira é que ela não se baseia em poupança e nem em investimento, mas sim no fomento ao consumismo puro e simples.  Para o iluminado que comanda a Fazenda, se você estourar o seu cartão de crédito e depois pedir empréstimo no banco para cobrir o rombo em sua fatura e voltar a consumir ainda mais, você está estimulando a economia.

Todo o modelo de crescimento se baseia na expansão do crédito.  E tal modelo possui óbvias limitações.  A mais visível delas é o aumento do endividamento.  Se o governo estimula as pessoas a se endividarem para consumir, não é de se espantar que cheguemos a um momento em que tanto o nível de endividamento quanto os gastos das famílias com o serviço de suas dívidas (pagar juros e amortização) seja intolerável.  De acordo com as últimas estatísticas, o endividamento das famílias (linha azul) é de quase 45% da renda nacional, e os gastos das famílias para cumprirem o serviço de suas dívidas (linha vermelha) é de 22,5% de sua renda.

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Gráfico 2: endividamento das famílias e gastos com serviço da dívida; Fonte: Banco Central

A título de comparação, como é possível ver no gráfico deste artigo, esta mesma variável (linha vermelha) para os americanos é de 11%.

Em um cenário destes, resta óbvio que adicionais estímulos ao consumo não apenas são ineficazes em termos de crescimento econômico, como também são extremamente perigosos.

E esse endividamento explica boa parte da atual estagnação econômica.

Explicando a mecânica da estagnação

Para entender a estagnação, é necessário analisar o que está acontecendo com aquela variável que representa a metade de toda e qualquer transação econômica: o dinheiro.  Dado que o dinheiro é o elo entre todas as atividades econômicas, qualquer alteração na quantidade de dinheiro — e, principalmente, na taxa de crescimento da quantidade de dinheiro — irá inevitavelmente provocar movimentos generalizados em uma economia.  Todo e qualquer ciclo econômico é causado por variações na quantidade de dinheiro na economia.

Portanto, para entender os ciclos de expansão e recessão de uma economia, para entender por que há períodos de crescimento econômico seguidos de períodos de estagnação/recessão, é necessário estudarmos as variações no meio geral de troca, que é o dinheiro.

No atual sistema monetário e bancário, o Banco Central controla a base monetária do país.  Porém, a quantidade de dinheiro produzida pelo Banco Central é insignificante se comparada à quantidade de dinheiro eletrônico que o sistema bancário cria por meio da expansão do crédito através de seu sistema de reservas fracionadas.  Sempre que uma empresa ou um indivíduo qualquer vão a um banco e pedem um empréstimo, o banco cria do nada dinheiro eletrônico na conta-corrente deste tomador de empréstimo.  O dinheiro não foi retirado de nenhuma outra conta.  Ele simplesmente foi criado ex nihilo.  O bancário apertou algumas teclas no computador e dígitos eletrônicos surgiram na conta-corrente do mutuário.  É assim que o dinheiro entra na economia no sistema monetário atual e é assim que a quantidade de dinheiro em uma economia aumenta. (Todo este processo foi explicado em detalhes neste artigo, de modo que, pelo bem da brevidade, ele não será repetido aqui).

Embora toda a concessão de crédito represente criação de dinheiro, existe também a operação inversa, que é a destruição deste dinheiro que entrou na economia.  Por exemplo, quando um banco quer aumentar seu capital, ele vende um papel.  A pessoa ou empresa que comprar este papel irá transferir dinheiro da sua conta-corrente para este banco.  O banco pegará este dinheiro (totalmente eletrônico) e irá contabilizá-lo como 'reservas bancárias', que é um ativo em seu balancete.  Ao final do processo, houve uma redução da quantidade de dinheiro na economia e um aumento das reservas bancárias, que é um dinheiro que não está na economia.  Exatamente o mesmo procedimento ocorre quando um banco vende dólares em sua carteira para algum cliente ou mesmo quando ele toma empréstimos junto a corretoras, distribuidoras, sociedades de arrendamento mercantil e fundos de investimento financeiro.

Fiz essa digressão técnica apenas para explicar por que a quantidade de dinheiro na economia não é idêntica à quantidade de crédito criada pelo setor bancário.  Embora bancos criem dinheiro concedendo crédito, eles também destroem dinheiro quando vendem algum papel para se recapitalizar.

Entendido isso, o gráfico a seguir mostra a evolução da quantidade total de dinheiro na economia.  Trata-se de papel-moeda em posse de indivíduos e empresas, mais o total de dinheiro eletrônico em conta-corrente, em poupança, em depósitos a prazo e em outros depósitos no sistema bancário.  Em suma, o gráfico mostra todo o dinheiro que foi criado via concessão de crédito, e já descontado de todo o dinheiro que foi retirado da economia.  Trata-se de um bom indicador para saber se o ritmo da concessão de crédito está maior, igual ou menor do que o ritmo da retirada de dinheiro da economia, o que, por sua vez, indicaria uma maior cautela dos bancos.

(Infelizmente as duas variáveis não são fornecidas já somadas, de modo que tal operação aritmética será feita no segundo gráfico).

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Gráfico 3: papel-moeda em poder do público mais depósitos em conta-corrente (moeda) mais depósitos em poupança, depósitos a prazo e outros depósitos em bancos (quase-moeda); Fonte: Banco Central

Abaixo, a soma das duas variáveis acima, desde janeiro de 2009, ano da última recessão.  Observe que a partir de meados de 2009, começa a haver uma aceleração do crescimento da quantidade de moeda na economia.  Tal aceleração se intensifica em 2010.  Essa foi a época do crescimento econômico forte, porém artificial.  Em 2011, começa a haver uma desaceleração.  Em 2012, o crescimento monetário praticamente se estanca no segundo semestre.

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Gráfico 4: crescimento da quantidade total de moeda na economia; Fonte: Banco Central

No Brasil, desde 2009, os indivíduos intensificaram seu endividamento (ver gráfico 2) para poder consumir, na crença de que a expansão do crédito continuaria farta e que sua renda futura continuaria aumentando, o que facilitaria a quitação destas dívidas.  Já as empresas embarcaram em investimentos de longo prazo levadas tanto pela redução artificial dos juros criada pela expansão monetária do Banco Central (o que fez com que os investimentos se tornassem mais financeiramente viáveis) quanto pela expectativa de que o aumento futuro da renda possibilitaria o consumo dos produtos criados pelos seus investimentos. 

No entanto, tão logo o endividamento foi aumentando, a demanda por mais empréstimos foi se arrefecendo e o modelo de expansão do crédito foi se esgotando.  Consequentemente, a taxa de crescimento da quantidade de dinheiro na economia brasileira começou a desacelerar.  Isso fez com que os projetos das empresas, das indústrias e dos indivíduos se comprovassem irrealizáveis.  No caso dos indivíduos, esta redução na taxa de crescimento da oferta monetária fez com que suas rendas não aumentassem como haviam previsto ainda no ápice do boom econômico, o que tornou suas dívidas difíceis de serem quitadas.  No caso das empresas, tal redução faz com que suas receitas futuras não fossem as previstas (vide o caso das indústrias e, mais recentemente, da Gol e de empresas do setor imobiliário), ao mesmo tempo em que seus custos (com mão-de-obra e bens de capital) seguiram crescendo em decorrência da inflação passada.

Vale ressaltar que não são reduções forçadas nos juros que irão resolver esse problema.  Reduções nos juros estimulam consumismo, mas não estimulam mais poupança, que é justamente do que endividados necessitam. 

Caso não haja reversão da tendência acima, o ano de 2013 promete dificuldades. 

Para mais detalhes e mais dados sobre o mecanismo de expansão do crédito no Brasil e seu efeito direito sobre vários indicadores da economia brasileira, sugere-se este artigo.

O maior problema do Brasil para o longo prazo

Enquanto a imprensa se ocupa em alardear os previsíveis e desimportantes números do PIB (para entender por que o PIB nada diz de concreto ver aqui, aqui, aqui e aqui), fatores realmente importantes e decisivos estão sendo ignorados. 

Por exemplo, a destruição do poder de compra da moeda em conjunto com as proibitivas tarifas de importação.  Temos hoje uma moeda continuamente inflacionada e desvalorizada em relação às outras moedas, o que encarece sobremaneira as importações de bens de capital e bens de consumo.  Além de a unidade monetária comprar cada vez menos, o governo ainda impõe tarifas de importação para encarecer ainda mais as compras do exterior.  Ou seja, ao mesmo tempo em que encarece as coisas aqui dentro, o governo proíbe a população de comprar barato do exterior.

A consequência desse fechamento das fronteiras?  Coube ao Financial Times nos mostrar.  O gráfico abaixo ilustra a produtividade de alguns países em relação aos EUA.

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Gráfico 5: produtividade da mão-de-obra em de vários países em relação à mão-de-obra americana

Observe que a produtividade dos trabalhadores brasileiros não apenas está em queda livre, como é a única que vem caindo década após década.  Um trabalhador brasileiro médio tem apenas 20% da produtividade de um americano.  No ano de 1980 (atenção, ano; e não década), ele tinha 30% da produtividade.  (Deve-se levar em conta que toda a década de 1970 foi de estagflação para os EUA, sendo aquela a sua década perdida; daí o salto brasileiro observado entre 1970 e 1980.  Já em 1990, após a década perdida de 1980 para o Brasil, as coisas voltaram a ser como antes).

Por que essa queda contínua?  Meu palpite: porque além de termos uma mão-de-obra pouco instruída, as tarifas protecionistas impostas pelo governo encareceram ainda mais a importação de bens de capital, justamente o que poderia aumentar nossa produtividade no curto prazo.  Alexandre Schwartsman comentou isso recentemente:

Desde o terceiro trimestre de 2011 os preços em dólares dos bens de capital importados recuaram 1%, mas a depreciação da moeda, 24% no período, implicou uma elevação de 23% no preço em reais destes bens (19% descontada a inflação).

Esta não é, provavelmente, a única causa da queda do investimento, mas é difícil comprar a ideia que um aumento desta magnitude no preço dos bens de capital não representa um impacto negativo na decisão de investir...

Com uma mão-de-obra mal instruída e pouco produtiva, dificultar o acesso a bens de capital seria a última coisa que qualquer ser racional defenderia.  Mas estamos falando do governo, que opera em outra dimensão de inteligência.

O padrão de vida de um país é determinado pela abundância de bens e serviços.  Quanto maior a quantidade de bens e serviços ofertados, e quanto maior a diversidade dessa oferta, maior será o padrão de vida da população.  Por exemplo, quanto maior a oferta de alimentos, quanto maior a variedade de restaurantes e de supermercados, de serviços de saúde e de educação, de bens como vestuário, materiais de construção, eletroeletrônicos e livros, de pontos comerciais, de shoppings, de cinemas etc., maior tende a ser a qualidade de vida da população. 

Porém, a quantidade e a diversidade não bastam.  A facilidade de acesso a estes bens e serviços — no caso, quão caros eles são — também é essencial.  Por isso, é de suprema importância termos uma moeda forte.

12273_493509127356490_2092759000_n.jpgNo Brasil, além de a qualidade dos serviços no geral ser ruim, a quantidade e a variedade de bens de consumo é muito baixa, pois além de o governo dificultar ao máximo as importações, nossa desvalorizada moeda não tem poder de compra em relação às principais moedas do mundo.  E não bastasse a pouca oferta e a pequena variedade de bens e serviços, o acesso a eles é caro, justamente porque o governo destrói continuamente o poder de compra da moeda.

Portanto, eis a realidade atual do Brasil: qualidade da mão-de-obra em queda livre, quantidade e variedade de bens e serviços bastante insatisfatória, e acesso a eles cada vez mais caro.  Em vez de facilitar a aquisição de bens de capital, o que poderia remediar a questão da baixa produtividade e da qualidade dos bens e serviços, o governo dificulta o acesso, tanto por meio de tarifas quanto por desvalorizações cambiais.  E, para piorar, não há absolutamente nenhuma tendência de melhora na qualidade da mão-de-obra.  Esse é o nosso padrão de vida

Mais ainda: a julgar pelas políticas adotadas pelo atual governo no que tange a protecionismo, câmbio e inflação, não há nenhuma indicação de que isso irá mudar no futuro próximo. 

Isso sim será definitivo para o futuro do país — e não o acréscimo de meros dígitos artificiais ao PIB.


Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


149 comentários
149 comentários
Tiago RC 21/12/2012 10:39:20

Ótimo texto como sempre, Leandro.

O que é pior é que não acho que o Brasil seja uma exceção. Digo, o Brasil continua medíocre como sempre, mas esse aumento de intervenção estatal recente é mundial. Aqui na França, e na Europa em geral, a coisa não vai nada bem. Você deve ter ouvido falar sobre o êxodo fiscal que começa a ocorrer na França. Mesmo a Suíça, menina dos olhos de muitos liberais, parece ter lentamente aumentado o poder do governo central, além de ter abandonado a responsabilidade monetária ao decidir atrelar o franco ao euro.

E mesmo num nível mundial, os EUA e a UE estão cada vez mais aumentando seus controles. Já ouviu falar do FATCA? Em resumo, ele permitirá ao governo dos EUA por ex. de obter informações bancárias sobre qualquer um de seus súditos, independente do país em que esteja a conta. E é praticamente impossível para um banco de não implementar as regras, pois todos os bancos que a implementam seriam proibidos de transacionar com esse banco que não implementa, e todos os bancos de um país que assina o acordo são obrigados a implementar se não me engano. Na prática os EUA acabam tendo jurisdição mundial, devido ao forte sistema de rede dos sistema financeiro. Na prática é impossível para um banco ficar de fora, mesmo que esteja num país que não assina o acordo.

Enfim, os estados parecem estar ficando desesperados por controle. Resta saber se é porque estão definhando, como diz Jeffrey Tucker, ou se é apenas mais uma etapa rumo ao "Admirável Mundo Novo".

Aproveitando que já estou aqui, vou fazer esse comentário eu mesmo porque senão algum detrator do site vai fazê-lo de qualquer maneira: no texto você critica o PIB. Mas essa estatística de produtividade é baseada no PIB, dividido pelo número de empregados. Será que não cabe uma nota ou algo dizendo porque nesse caso faz sentido usar o PIB?
Eu não diria que o PIB é 100% inútil como estatística, mas com certeza é pretensiosa e perigosa, principalmente se observada apenas no curto prazo. Nesse gráfico de produtividade, a análise vai de 1950 até hoje, não é curto prazo.

Abraços,
Tiago.

Responder
Leandro 21/12/2012 11:01:24

Obrigado pelos pontos, Tiago. Bom, por pior que a Europa esteja, os europeus ao menos têm (ainda) uma moeda com poder de compra e usufruem invejável (para os padrões brasileiros) liberdade de importação. Como escrevi em outro artigo, é preferível ser desempregado em Madri a um trabalhador comum no Brasil:você ganha mais, tem mais poder de compra e ainda tem muito mais liberdade de compra. Aqui no Brasil, você chega ao aeroporto e os burocratas da Receita querem fiscalizar até seus orifícios íntimos. Tudo em nome da "indústria nacional".

Quanto ao PIB, a questão é a seguinte: a metodologia do cálculo é ruim, mas é praticamente a mesma para todos os países. Sendo assim, acaba surgindo um padrão entre todos eles. É igual taxa de desemprego: a metodologia do cálculo pode ser branda, mas se ela se mantiver a mesma por vários anos, acaba sendo possível estipular uma tendência. Você terá sempre os números errados para o desemprego, mas a tendência de queda ou de alta acaba sendo corretamente captada. O mesmo, aliás, é válido para cálculo de inflação. É brando, mas é possível captar a tendência.

De minha parte, confio muito mais em meu feeling do que em estatísticas. E digo sem nenhuma hesitação que a qualidade de tudo no Brasil se deteriorou, e muito rapidamente. Não há um só setor cuja mão-de-obra seja hoje mais qualificada do que há uma década. O meu palpite é que, como o governo tornou irresistível ir para o setor público, as melhores mentes foram sugadas para a burocracia, deixando as piores para o setor produtivo -- o qual, por ser sobretaxado e altamente regulado, não tem como fazer o milagre de aumentar seus salários e atrair de volta os melhores cérebros. Se esse círculo vicioso não for interrompido, o país não tem futuro.

Mas, por motivos óbvios, utilizar o feeling como argumento não seria muito convincente, né? Daí eu ter recorrido a métodos numéricos que são mais do agrado do mainstream. Já que eles gostam de PIB, que aceitem as próprias estatísticas.

Grande abraço!

Responder
Mohamed Attcka Todomundo 21/12/2012 16:46:36

pra que se preocupar com economia? o mundo acaba hoje, 21-12-12. FELIZ FIM DO MUNDO

mas se não acabar boas festas, porque de bom, com a dilma no poder, só as festas mesmo.

Responder
samuelborgesdossantos 25/12/2012 03:11:58

Tiago. há um engano de V parte a respeito da Suiça. A SUIÇA NÃO ENTROU NO EURO. Houve plesbescito e a população votou NÃO. Sabiamente por sinal. Suiça é hoje um dos safe haven para o Euro, para o qual existe a expectativa de DESAPARECER! Hoje a taxa SF to Euro is 1.25

Responder
Tiago RC 27/12/2012 16:17:15

A Suíça não entrou no euro, mas o BNS atrelou o franco ao euro.

A única forma do BNS manter esse piso para o preço do euro é imprimir francos suíços para comprar euros a cada momento que o preço do euro ameaçar descer abaixo de 1,20 CHF.
Ou seja, o franco suíço adentrou o universo das moedas inflacionárias, como provavelmente fará o iene em breve.

Parece que o dólar cingapuriano ainda mantém alguma credibilidade, mas bom, eu não botaria muita fé na durabilidade disso.

Responder
Pedro Alberto 03/01/2015 20:10:14

Vamos ter um artigo desse para 2014 tambem? seria legal saber a opinião.

Responder
Eduardo Pimenta 21/12/2012 10:58:00

Excelente artigo. Muito bem escrito e elucidador.
Leando, você teria sugestões para mudar esse rumo? Ou será que teremos que esperar por um `desastre´ para que nossos governantes mudem radicalmente de postura?

Abraços.

Responder
Leandro 21/12/2012 11:12:02

A solução é simples, porém fictícia no mundo atual: dar liberdade às pessoas. Liberdade de investimento, liberdade de transação, liberdade de consumo e, principalmente, liberdade monetária (você deve ser livre para utilizar a moeda que quiser).

Tão importante quanto tudo acima: o governo deve permitir a liquidação de empresas e investimentos insolventes, parar de tentar controlar preços e salários (impedindo que ambos caiam), parar de querer gerenciar os balancetes das empresas, parar de subsidiar seus empresários favoritos à custa dos pequenos, parar de espoliar a riqueza das pessoas por meio de seus impostos, e parar de proibir as pessoas de empreender por meio de suas regulamentações.

A liberdade funciona, embora nem sempre da maneira como todo mundo quer. O que nunca funcionou em lugar nenhum do mundo de maneira satisfatória para todas as pessoas foi o autoritarismo, o dirigismo e o intervencionismo.

Grande abraço e obrigado pelas palavras.

Responder
anônimo 21/12/2012 19:50:04

Liberdade seria ótimo, mas vamos ser realistas que os governos não vão dar.
Então qual a saída?

Responder
Leandro 21/12/2012 20:00:19

Então não há saída. Salvo a ocorrência de milagres.

Responder
Rene 21/12/2012 11:06:30

Muito bom o artigo, apesar de trazer notícias muito ruins.

Parabenizo o Leandro e o IMB pelo fato deste site ser uma das poucas fontes confiáveis em termos de economia no Brasil, onde a grande mídia é completamente servil em relação aos mandos e desmandos do governo e as universidades estão impregnadas de keynesianos e marxistas. Apesar das dificuldades que todos enfrentaremos, desejo a vocês um excelente ano de 2013 e vida longa ao IMB. E que este site se consolide como o maior portal de estudos econômicos na língua portuguesa.

Responder
Leandro 21/12/2012 11:11:39

Obrigado pelas palavras, Rene. Grande abraço!

Responder
Eduardo 21/12/2012 11:07:12

Sensacional, parabéns! Continue assim.

Responder
Andre Oliva 21/12/2012 11:24:38

Leandro, texto magistral. Aplausos.

Responder
amauri 21/12/2012 12:36:42

Bom dia Leandro!
É fácil entender a verdade (realidade) quando é descoberta. O difícil é descobri-la.
E como tem brasileiros que ainda nao descobriram.
abs

Responder
anônimo 21/12/2012 12:41:25

Leandro em 1976 eu estudava de manha e trabalhava a tarde. Meu vencimento era meio salario minino (era office boy). Neste tempo, com meio salario minimo, eu comprava uma calca e camisa (nao camiseta, de manga longa) da moda e ainda me sobrava metade do meu salario. É este tipo de comparacao que é interessante fazer como os eleitores baba ovo do governo. abs

Responder
Hernandez Vedovatto 23/12/2012 19:01:57

Fico intrigado com essa sua comparação. Não me parece real.
Se compararmos um corcel custava NCr$ 12985,00 (quatroo rodas maio/2012) em janeiro de 1969 enquanto o salario minimo NCR$ 129,60 (www.debit.com.br). Atualizando o valor do carro, R$ 68242,00, e todos sabemos que o salario minimo hj é R$ 622,00 e um HB20 +- R$ 30.000,00.
Comprar um HB20 hoje custa 50 SM. Comprar um Corcel em 69 custava 100 SM.

Um saco de cimento em 2002 custava R$ 10,58 na industria. Hoje custa R$ 13,28. SM em 2002 era R$ 200,00.

Gasolina em 1995 era R$ 0,58. Hoje é R$ 2,89. :< !!!!!


É inegável que algumas coisas melhoraram. Não quer dizer que não pudessem ser muito melhores. Mas sua comparação da roupa, é melhor mudar de loja, que estão te roubando!!!

Responder
amauri 24/12/2012 19:14:02

Voce deve ser jovem, o Corcel quando foi lançado era classificado como sendo de luxo, não era popular. Na industria automobilística, como outros itens industriais, pelo maior produtividade o custo caiu. O fusca que era mais popular, uma família que ganhasse 5 salários mínimos em 1972, comprava-o em 12 parcelas, pagava aluguel de uma casa de 2 dormitórios, na Lapa, com asfalto na rua, produtos alimentícios, roupas, e sem dividas acumuladas. roupa e alimentos pagava-se a vista. Hoje daria para comprar um fiat uno básico, em 12 prestações. E o resto todo o pagamento em dinheiro e a vista. ps. Esta família eu conheço, digo que viviam muito melhor que a maioria das famílias brasileiras com 5 salários mínimos família. Em relacao ao roupa, o exemplo que citei foi de roupas de marca. Seu exemplo é como se alguem naquela epoca comia pecanha e agora come bofe.

Responder
Hernandez Vedovatto 27/12/2012 17:21:39

Nem tão jovem assim. Nasci em 1976. Porém nada que uma boa pesquisa não resolva.

É inegável a melhoria industrial e etc... Porém lamento te informar que não adianta ganhar muito dinheiro, se não é possível comprar nada (seu dinheiro não vale nada). No Zimbabue em 2007 foi lançada um nota de 200 mil dólares que era equivalente a 1 dólar americano e tinha poder de compra de 1kg de açúcar aproximadamente. Então o que importa é o que você pode comprar com seu dinheiro.

O seu Corcel era dos mais baratos em 1969 valendo 12985, um Volkswagen 1600 custava 14945, um Volswagen Seda 10384, um Opala standard 4cil 14990 e Opala luxo 6cil 19470, um galaxie (esse sim de luxo) 29911 (isso mesmo, mais que 2 corcel que você considera de luxo), um LTD hidramático com ar 39340.

Considerando o preço do fusca 10384 e o salario minimo 129,60, precisaríamos de 80 meses. Mesmo ganhando os 5 SM não dava pra comprar em 12 parcelas. Hoje, um UNO Economy está R$ 21360,00 e com o SM em R$ 622,00 (678 daqui 4 dias) temos 31 SM. Dessa forma um trabalhador que ganha menos de 3 SM por mês pode comprar nas 12 parcelas sugeridas por você.

Não sei em que país você viveu, mas me lembro da década de 80 onde meu pai era Auditor da antiga Perdigão, atual BRF, e ganhava mais de 10 SM e minha mãe era professora do estado de SC, onde ganhava um pouco mais de 1 SM. Meu pai tinha um Passat 1978, morávamos de aluguel e lá pelo dia 20 torcíamos pra chegar dia 05 porque o dinheiro evaporava. Brinquedo pra mim e pro meu irmão somente em época de Natal ou dia da criança. Refrigerante? Somente nos domingos. Chocolate? Natal e páscoa. E não éramos massoquistas não, simplesmente não dava pra comprar.

Então meu amigo, essa sua família fazia mágica.

Outra coisa, para argumentar, utilize dados concretos e não apenas impressões e chutes. Dê exemplos e não achismos.

Obs: Escreve-se picanha e bife e não pecanha e bofe.

Responder
Juliano 21/12/2012 12:46:55

O Leandro consegue a façanha de continuar se superando. Os artigos estão cada vez melhores!

Só lamento muito mesmo que esse tipo de texto não tenha uma chamada nas capas dos principais jornais do país e fique restrito a um nicho. Comparar esse tipo de texto com o que a gente vê nos cadernos de economia faz qualquer um acreditar nos Maias.

Responder
Leandro 21/12/2012 12:58:28

Obrigado, Juliano. Mas não é bem assim. Apenas utilizo as ideias ensinadas por grandes mestres. Subo em seus ombros e uso o que suas sabedorias. Sou um copião da inteligência alheia. Apenas isso.

Obrigado pelas palavras e grande abraço!

Responder
Neto 21/12/2012 13:13:46

'Uma das possíveis próximas tragédias desse intervencionismo já está se desenhando no setor elétrico. Aguardemos.'

Leandro, o governo ter liberado a geração de energia elétrica pras pessoas, não seria uma medida que aliviaria isso? Pelo que entendi basta comprar uma turbina eólica, ou painel solar, que a energia que vc gerar vai vir descontada na sua conta

Responder
Leandro 21/12/2012 13:25:14

Neto, não estou a par desta notícia. Você tem mais detalhes?

Responder
Tory 21/12/2012 15:10:00

Leandro, a notícia é esta aqui:

www2.planalto.gov.br/imprensa/noticias-de-governo/consumidores-que-instalaram-sistemas-proprios-de-geracao-de-energia-ja-podem-solicitar-compensacao-das-distribuidoras/view

Quando li fiquei em dúvida em relação ao tempo de amortização do investimento para quem quiser aderir. Quanta energia excedente um painel solar pode gerar para contrabalançar o custo de instalação do medidor e a conexão com a rede?

Responder
Leandro 21/12/2012 15:26:26

É uma medida aparentemente boa (faltam mais detalhes para se chegar a uma conclusão), muito embora este mecanismo de "solicitar, das distribuidoras, a adesão ao sistema de compensação de energia" seja um tanto obscuro e permita várias ramificações e arbitrariedades. Como a coisa ficou só para março de 2013, vou aguardar mais detalhes.

Responder
maria 22/12/2012 17:54:53

Está tudo explicado na Resolução 482 da ANEEL, www.aneel.gov.br/cedoc/ren2012482.pdf

Vale a pena devido à tributação que é muito alta, principalmente o ICMS.

Mais esclarecimentos foram prestados na audiência pública, no dia 29/05, Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados.
www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/INDUSTRIA-E-COMERCIO/418557-GERACAO-DE-ENERGIA-DE-PEQUENO-PORTE-E-TEMA-DE-AUDIENCIA.html

www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cmads/audiencias-publicas/audiencias-publicas

Responder
renato 27/12/2012 19:50:07

a viabilidade da geração distribuída era alcançada graças à possível isenção dos tributos. porém já existem sinalizações internas no setor de que a tributação ocorrerá, não será uma liquidação direta do consumido pelo gerado.

então todo estudo e discussão servirá para criar uma resolução que regulamenta algo inviável. com a tributação, apenas algumas áreas específicas (resorts no litoral) trarão condições capazes de dar viabilidade.

ou seja, isso não faz nem cosquinha perto do monte de merda que o governo fez com o setor!!!

Responder
Pedro Valadares 21/12/2012 13:27:26

Leandro, a questão do setor elétrico tem ainda outro agravante, depois de forçar as concessionárias a aceitar uma renovação desfavorável, o governo disse que vai aportar de R$2 a RS3 bilhões para garantir uma "redução" de 20% na conta de luz. Ou seja, vai se endividar, retirar dinheiro da economia, para dar esse "desconto".

Outro ponto surreal é o que o governo fez com a Petrobrás. Obrigou a empresa a comprar e capacitar fornecedores locais, o que fez sua produtividade despencar, aumentando a necessidade de importação de petróleo. Porém, com o dólar caro, os custos da petroleira aumentam, para finalizar a destruição, eles congelaram o preço da gasolina.

Diante desse cenário, só posso concluir que esse governo quer destruir o Brasil.

Responder
Fabiano 21/12/2012 20:54:13

E a PLR, Óhhh...

Responder
maria 22/12/2012 18:16:28

Ninguém foi obrigado a assinar contratos desvantajosos para as empresas. CEMIG, CESP, COPEL e CELESC não optaram pela prorrogação, o que representou 60% da energia que poderia ser renovada.

Uma análise da apropriação do investimento do setor elétrico é feita no artigo:
https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/11/18/a-verdadeira-face-da-mp-579

Responder
Peterson Mota 21/12/2012 13:42:56

Meu caro Leandro!

Porque não estou nem um pouco assustado com tudo que está descrito no seu artigo? Quem acompanha o IMB e sua série sobra a economia brasileira já sabe de tudo isso que ta acontecendo, mas além disso sabe o por que!

Escrever um artigo cristalino como esse, sem citar um dado percentual do PIB, é só mais uma prova de que a economia austríaca existe para as pessoas. Qualquer uma que tenha desembarcado aqui hoje e ler este artigo, certamente não sentirá falta dessa coisa ridiculamente obsessiva que se tornou o tal PIB no Brasil.

Ainda ontem o JN mostrou a série de previsões do tal ministro múltiplo. É patético...Mas é ainda pior, pois sabemos que a grande maioria dos brasileiros não se dá conta do que está acontecendo.

Eu fiz minha parte divulgando o artigo para pessoas produtivas.

Reitero aqui meus parabéns a você e à toda a equipe IMB.

Bebo dessa água todos os dias e me mantenho lúcido...prefiro sentir a dor desta realidade, do que ser um ébrio e ficar entorpecido com o conto de fadas do controle do estado!

Peterson

Responder
Leandro 21/12/2012 14:20:54

Obrigado pelas palavras, Peterson. Abração!

Responder
Cesar 21/12/2012 13:46:56

Leandro,
Parabens por mais um excelente artigo, o que o mantém na liderança quando o assunto é artigo bom e responsável.
Apenas uma pequena dúvida, em relacao ao gráfico 4 faria alguma diferença utilizar os meios fiduciários?
Quando voce fala " caso nao haja reversão da tendencia acima, o ano de 2013 promete dificuldades", você afirma que caso nao ocorra uma expansao do crédito ou do M1 a economia ficará estagnada?

Responder
Leandro 21/12/2012 14:16:05

Aquele cálculo que eu costumava utilizar para os meios fiduciários perderam um pouco do apelo porque o Banco Central, mais especificamente ano passado e este ano, alterou seguidamente o compulsório, tanto dos depósitos à vista quanto dos depósitos a prazo. Isso provocou várias migrações de dinheiro que estava contabilizado nas reservas bancárias (que, por definição, são as reservas para os depósitos em conta-corrente) para as reservas dos depósitos em poupança e dos depósitos a prazo. Consequentemente, os valores numéricos para aquele cálculo passaram a flutuar muito, fazendo com que eles perdessem a eficácia que tinham para prever o comportamento futuro da inflação.

Em suma, o cálculo é bom, mas desde que o Banco Central não fique mudando as regras o tempo todo (o Fed e o BCE não fazem isso). Para o caso específico do Brasil, utilize ou a expansão do crédito (terceiro e quarto gráficos deste artigo) ou o método deste artigo.

Quanto à sua última pergunta, a resposta é sim. No atual sistema econômico e monetário, em que as coisas funcionam apenas na base da expansão do crédito e do contínuo aumento da quantidade de dinheiro, a economia só apresenta crescimento e contínuas quedas no desemprego se tal indicador for crescente (pois quaase ninguém trabalha com redução de preços e sindicatos não permitem reduções nos salários).

Grande abraço!

Responder
Henrique 21/12/2012 14:01:00

O que vocês não entendem é que o governo do PT salvou o Brasil do fim do mundo previsto para 21 de dezembro de 2012 fazendo o país retornar à década de 60.

Brincadeiras à parte, parabéns por mais um ótimo artigo.

Responder
Fabio 21/12/2012 14:05:47

Muito bom seu texto Leandro.
Eu só estou com uma duvida.
Vc não acredita que o ano que vem e o ano de 2014 possa ser muito bom para o Brasil por causa da copa?
Pois veja minha analize.
O Brasil tem se estagnado ano a ano,eu senti o baque mesmo foi no final de 2011 que o movimento no comercio caiu absurdamente e começou a melhorar em março depois do carnaval,até se estagnar de novo no fim de 2012 coincidentemente apos as greves dos correios e bancos,que agora virou costume ano apos anos.No meio desse vai e vem,o governo tem inventado estimulos para injetar dinheiro na economia,o que se percebe uma melhora no comercio e em geral.
Com essas observação em mãos,acredito eu que em 2013 ira ser um ano muito bom para o brasileiro.
por que?
Com a copa chegando por ai,o governo ira começar a fazer um monte de obra para a copa,vai começar a chegar estrangeiros investindo um monte no Brasil por causa da copa e etc.
2014 por ser um ano de copa do mundo e eleições,acredito eu que sera um ano muito bom.
2015 ja sera um ano mais anemico,mais parecido com esse,mais ainda sera bom,pois tem as olimpiadas de 2016,mais estrangeiros investidno e gastando aqui.
2016 sera o ano da olimpíada e eleições municipais e sera bom tambem.
Resumindo:
Acho que os problemas do Brasil e de sua economia começarão a piorar e ficar critico do ano 2018 em diante.
Sera que estou certo? O que vc acha?

Responder
Leandro 21/12/2012 14:20:04

Fabio, tudo vai depender da leniência do Banco Central para com a inflação. Vale lembrar que inflação monetária é ótima para o comércio. Um perfeito exemplo prático disso pôde ser observado no natal de 1989, auge da hiperinflação (mais de 50% ao mês). Os shoppings bombavam muito mais do que hoje. Óbvio: com a moeda perdendo valor diariamente, a única opção das pessoas era correr às compras e trocar papel em contínua desvalorização por produtos.

Portanto, se o governo quiser tolerar inflação, o PIB pode crescer. Mas sem nenhuma qualidade de vida para ninguém, como em 1989.


Responder
Vicente 21/12/2012 14:40:06

Só uma consideração. O IBGE divulgou mais uma vez a nada confiável taxa de desemprego para novembro, 4,9%, a menor para o mês de novembro desde que a série começou. Isso é preocupante porque com um crescimento pífio da economia e uma taxa de desemprego cada vez menor, essa queda de produtividade do trabalhador brasileiro deve se acentuar. Mais lamentável ainda é a pressão de grupos empresariais para desvalorizar ainda mais o Real. Nesse cenário, nosso poder de compra e consequentemente nosso padrão de vida pode cair ainda mais.

Responder
Leandro 21/12/2012 14:49:20

Já comentado aqui.

E não foi a menor da história para um mês de novembro porque a de novembro do ano passado foi mais baixa (20,5%).

É óbvio, aliás, que nem o governo acredita nessa taxa. Se ele acreditasse, ele não estaria desesperado para "fazer subir o PIB". Afinal, para qualquer governo intervencionista, a única coisa que vale é o desemprego. Não estão nem aí para qualidade de vida e poder de compra da moeda. Vale só o desemprego.

Responder
Victor Cezar 21/12/2012 14:59:29

Excelente apanhado para fechar com chave de ouro este ano bizarro. Feliz Natal e Ano Novo para você, Leandro. Obrigado pelas contribuições. Que o IMB venha ainda melhor em 2013!

Responder
Henrique 21/12/2012 16:11:12

Pessoal, vocês leram um manifesto apresentado por uma equipe de economistas da Unicamp contra a diminuição do welfare state na Europa?
Eis o artigo:
www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N30206
Gostaria de saber, de acordo com a Escola Austríaca, quais são os erros dos autores do texto (o que me parece ser a posição da grande maioria dos economistas)

Valeu!

Responder
Leandro 21/12/2012 17:28:58

Tentei ler mas a formatação está ilegível. Ademais, ler manifesto de intelectuais da Unicamp defendendo mais poder para o estado, mais tributação, mais gastos, mais regulamentação e mais privilégios (mas tudo cuidadosamente adornado no linguajar da "justiça social" e do "amor transbordante aos mais desvalidos") não é exatamente o tipo de coisa que quero para o meu natal.

Mas o espaço está aberto para quem quiser se aventura.

Responder
Henrique 21/12/2012 23:48:08

"Ou o Brasil acaba com os economistas da Unicamp ou os economistas da Unicamp acabam com o Brasil" Roberto Campos neles.

Responder
Leandro Lev Lavi 22/12/2012 00:09:44

Não só da Unicamp. Agora tem os da FACAMP, que são bem mais arrogantes. Estudei lá, sei como é. Uma faculdade criada por: Liana Aureliano, João Manuel Cardoso de Mello e Luiz Gonzaga Beluzzo... o Beluzzo, é o único com quem se pode dialogar, mesmo sendo um mix de marxista com keynesianismo.

Responder
Juliano 21/12/2012 18:09:29

Chega a ser cômico.

[i]A dolorosa experiência de duas grandes guerras e da depressão pós 1929, nos ensinou que deveríamos limitar e controlar as livres forças do mercado[i]

Ou seja, as guerras são a prova de que mercados desregulado não podem existir! É claro que precisamos do Estado para evitar guerras, que são a conseqüência natural da troca voluntária de bens.

Responder
Victor Cezar 21/12/2012 18:33:06

Como era de se esperar deles, passam 80% do texto apelando para falácias emocionais. Mal demonstram argumentos - e, mesmo quando o fazem, eles são bem pouco consistentes.

Responder
Giancarlo 21/12/2012 18:48:55

Henrique,

Esse manifesto é nojento e imoral. A mesma ladainha de sempre:

"Mesmo porque, o bem estar de um só é possível quando os demais à sua volta encontram-se na mesma situação." Igualitarismo ridículo.

"A autonomia do indivíduo significa a liberdade de se auto-realizar. Algo impensável para o homem que precisa preocupar-se cotidianamente com sua sobrevivência física e material." -- Típico vagabundo que acredita que pessoas produtivas devem doar parte do seus ganhos para sustentá-lo. Possivelmente bolsista ou funça.

"Os direitos garantidos pelo Estado não deveriam ser apenas individuais, mas também coletivos. Vale dizer: sociais. Dessa maneira, ao mesmo tempo em que o direito à saúde, à previdência, à habitação, à assistência, à educação e ao trabalho eram universalizados, milhares de empregos públicos de médicos, enfermeiras, professores e tantos outros eram criados. " -- Economicamente ignorantes, aqui no site tem vários artigos explicando didaticamente que não é simplesmente o desejo que faz as coisas surgirem do nada. Tem um artigo muito bom que mostra a cadeia de produção do presunto, se alguém lembrar link aí


Bom, o resto nem merece menção. É um lixo que defende o roubo e a mediocridade.

Responder
Patrick de Lima Lopes 23/12/2012 16:12:53

"A dolorosa experiência de duas grandes guerras e da depressão pós 1929, nos ensinou que deveríamos limitar e controlar as livres forças do mercado."

É claro. A crise de 29 não foi causada pelo início de uma expansão de crédito do FED em 1924 com o auxílio do Bank of England para retomar o ritmo de "crescimento" de antes da crise de 21 e desvalorizar o dólar em relação ao real de volta ao padrão pré-primeira guerra. E é claro que a depressão que ocorreu após essa não foi causada pelas intervenções estatais desastradas de Hoover e Roosevelt.

As duas grandes guerras?! Menos ainda! É claro que foi o mercado que declarou guerra, recrutou os nacionalistas para lutar, construiu as trincheiras, destruiu as terras do vizinho e causou incontável caos e sofrimento! Hitler, Stalin e Winhelm II eram capitalistas sem igual! Do tipo que nem mesmo tolera se quer um escritório de agência reguladora em seu território.

Sinceramente, pessoas que realmente defendem absurdos como esse são o melhor motivo para que um diga que educação definitivamente não é a solução para o Brasil. Imagine se todos pensassem como eles...

Responder
Fabio 21/12/2012 16:16:49

Leandro

Pelo que voc~e fala aqui,e pelo que eu andei lendo no misses esses tempos,a economia do Brasil em 1989 da epoca do Sarney ja foi bem mais regulada e o estado era bem mais forte que hoje,estou certo?
Você acha possivel que nosso pais entre em um comunismo igual a Venezuela e cuba ou vc acredita que o pior dos cenarios de nosso pais é uma hiper inflação?

Responder
Leandro 21/12/2012 17:25:15

Nenhum dos dois. Hiperinflação não é bom negócio nem para o governo nem para os bancos (seus empréstimos seriam quitados com dinheiro que não valeria nada, o que seria desastroso para seus balancetes). Quanto a uma venezuelização, não vejo muito apoio popular para isso, mas posso estar errado. Entre os dois, esta última é a mais provável.

O cenário mais provável é de estagflação branda. Vale lembrar que de janeiro de 2010 a novembro de 2012, a inflação acumulada pelo IGP-M está em 25%. 25% em apenas três anos não é coisa de país que quer ser sério.

Responder
Pedro R 22/12/2012 01:03:34

Leandro,

Muito obrigado pelo artigo e pelo trabalho em esclarecer conceitos econômicos que eram grandes mistérios para mim. Mudei muitas ideias que tinha ao tomar conhecimento da Escola Austríaca de Economia.
Na sua opinião, o que ocorrerá nos EUA? Peter Schiff fala que é grande o risco de calote ou, num pior cenário, de hiperinflação. Li você comentar sobre estagflação algumas vezes. O que é estagflação?

Obrigado, mais uma vez

Responder
Leandro 22/12/2012 10:22:59

Todos os governos do mundo, exceto aqueles que praticamente não têm dívidas, como o da Estônia e o do Chile (dívidas de 6,10% e 11,20% em relação ao PIB, respectivamente) darão o calote em suas dívidas. É só uma questão de tempo. É contábil e economicamente impossível não darem.

Aqui no Brasil, por exemplo, quem é jovem e paga INSS está fazendo caridade para o governo. Ele não verá esse dinheiro quando aposentar -- ao menos não no valor em que foi prometido hoje.

Por fim, estagflação é uma mistura de estagnação econômica com inflação de preços. EUA na década de 1970 e Brasil na década de 1980 são dois bons exemplos.

Responder
Eduardo 23/12/2012 16:24:24

Caro Leandro,
sempre q leio algum comentario ruim sobre a contribuição ao INSS sinto q deveria parar de contribuir. Sou autônomo e pago mensalmente há 5 anos. Vc acha q eu deveria pagar somente minha previdência privada?

Responder
anônimo 23/12/2012 17:54:14

Leandro, e o que vai acontecer DEPOIS do calote?

Responder
Marcos 12/04/2013 05:04:21

Leandro, podes explicar mais sobre a furada que é pagar o INSS. Sou jovem e minha mãe vive insistindo para eu começar a pagar, devido aos seguros que ele cobre e tal. Se me explicares, posso tentar convencê-la mostrando por que é certo que eu sairia prejudicado. Agradeço!

Responder
Leandro 12/04/2013 14:33:09

Prezado Marcos, não é bem minha intenção sair palpitando sobre o que as pessoas devem fazer com seu dinheiro, se devem ou não aplicar em determinado esquema.

Porém, no que tange à Previdência Social, aquilo nada mais é do que um esquema Ponzi. O dinheiro que você dá ao INSS hoje é imediatamente gasto com quem já está aposentado. Ao contrário do que muitos pensam, seu dinheiro não é aplicado em lugar nenhum; ele é gasto.

Ainda assim, tal arranjo será duradouro enquanto a quantidade de pessoas colocando dinheiro nele for maior do que a quantidade de pessoas retirando seu dinheiro dele. Em termos práticos, isso significa que a quantidade de pessoas na ativa, contribuindo para o INSS, tem de ser muito maior do que a quantidade de pessoas aposentadas, que recebem dinheiro do INSS. Enquanto este arranjo durar, o esquema se mantém.

O problema é que, por causa da acentuada mudança demográfica que vem ocorrendo no Brasil, com taxas de fecundidade em forte declínio, chegará um momento em que a quantidade de trabalhadores será relativamente pequena em relação à quantidade de aposentados. Aí a matemática não vai mais fechar.

Note que isso nem é questão de ideologia; é questão de contabilidade. Se há 10 trabalhadores contribuindo para sustentar 1 aposentado, a situação é tranquila e este aposentado viverá confortavelmente. Porém, se houver apenas 2 trabalhadores para sustentar 1 aposentado, aí a situação fica desesperadora. Ou esses 2 trabalhadores terão de ser tributados ainda mais pesadamente para sustentar o aposentado, ou o aposentado simplesmente receberá menos (bem menos) do que lhe foi prometido.

Sendo assim, para você se aposentar daqui a várias décadas e receber tudo o que lhe foi prometido hoje pelo INSS, a mão-de-obra jovem do futuro terá de ser ou muito numerosa (uma impossibilidade biológica, por causa das atuais taxas de fecundidade) ou excessivamente tributada (algo que não é duradouro).

Para piorar a situação, vale lembrar que o Brasil ainda é um país majoritariamente jovem por causa da explosão demográfica das décadas de 1960, 70 e 80 (ou seja, tem farta mão-de-obra ativa para sustentar poucos aposentados) e as contas da Previdência já não estão fechando. Imagine então quando ficarmos mais velhos.

Haverá um calote.

Eis um bom artigo sobre isso:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=993

Abraços!

Responder
anônimo 12/04/2013 15:13:22

Tem de se pensar numa reforma da previdência brasileira, pois ela é um bomba relógio e vai explodir a qualquer momento. Se o número de pessoas com 65 anos ou mais chegar a 10% da populaçao brasileira, a previdência já não dá conta.

O Instituto Mises tem uma proposta para reformar a previdência?

Responder
Leandro 12/04/2013 15:20:19

Uma reforma da Previdência, para ser completa e de modo a evitar uma quebra de contrato, vai depender de uma reforma do sistema bancário. Concordamos com a proposta apresentada neste artigo, que mata dois coelhos com um só tiro de estilingue.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1553

Responder
André Caniné 21/12/2012 16:45:47

Ótimo artigo!

Pior de tudo é assistir a globo news, jornal nacional e outros programas fazendo reportagens sobre como os alimentos são os vilões da inflação, que a culpa da estagnação brsileira é da crise internacional... enfim, é impossível assistir programas de economia na tv sem ter vontade de evacuar.

Responder
anônimo 21/12/2012 18:08:56

Feliz fim do mundo pra vcs

Responder
Antonio Chiocca 21/12/2012 19:00:43

Leandro, uma verdadeira aula, parabéns

Responder
Rodrigo Otavio Moraes 21/12/2012 19:44:57

Ainda vou ler o artigo, mas vi a arte que o acompanha, e tenho de dizer. O Artista foi bondoso ao conceder tais pernas à Dilma.

kkk


Piadas à parte, conhecer o mises.org.br foi uma das melhores coisas do ano. Obrigado a todos.

Responder
anônimo 21/12/2012 19:46:28

O que é que explica essa alta produtividade brasileira nos anos oitenta?
É impressionante o gráfico...como o Brasil é uniforme, tirando os anos oitenta
Engraçado, e todo mundo chama de época perdida

Responder
Leandro 21/12/2012 19:59:12

Você certamente não leu o que está escrito imediatamente abaixo do gráfico. Não se trata da década de 1980, mas sim do ano de 1980. Para entender o que ocorreu na década de 1980 veja a produtividade do ano 1990. E tá escrito lá a explicação para o aumento ocorrida na década de 1970.

E algumas pessoas ainda reclamam que meus artigos são longos, muito detalhados e muito mastigados. Se assim já há gente que não entende o básico, imagina se fossem curtos e resumidos? Ia ter gente se perdendo já no título...

Responder
anônimo 21/12/2012 20:40:48

Leandro, o que aconteceria se uma quantidade enorme no Brasil decidisse não mais pagar impostos? Isso é muito arriscado? Estou perguntando pq acredito que esse seja o caminho.

Responder
Leandro 21/12/2012 21:00:29

Os pequenos iriam pra cadeia. Os grandes dariam um jeitinho e no final pagariam alguma multa. No final, o governo ganharia.

O problema atual, já falei aqui inúmeras vezes, é a existência de um Banco Central imprimindo dinheiro e possibilitando o sistema bancário criar dinheiro a rodo. Havendo essa expansão monetária contínua, muita gente não está nem sente que está pagando impostos, pois há a sensação de aumento contínuo da renda.

Se o Banco Central for rigorosamente restringindo -- veja que nem falo em abolir, mas sim restringir com vigor --, de modo que a quantidade de dinheiro na economia passe a crescer a taxas mínimas, aí sim as pessoas começarão a sentir o verdadeiro peso dos impostos e, finalmente, poderão se rebelar e exigir drásticas mudanças.

No atual cenário, caso as pessoas de fato se rebelassem e parassem de pagar impostos, o governo não teria problema nenhum em continuar operando: o BC simplesmente imprimiria o dinheiro para tal, e os burocratas e a polícia perseguiriam sem nenhuma dificuldade os sonegadores.

Havendo um Banco Central, parar de pagar impostos não gera nenhum efeito duradouro sobre a besta: ela se alimenta de dinheiro criado do nada, e ainda colocaria a culpa pela inflação nos sonegadores (não duvide disso).

A luta é outra: primeiro lidamos com o Banco Central. Depois, só depois, é possível fazer as outras coisas.

Responder
Felipe 21/12/2012 21:17:36

Por isso, para matar a besta deveriam criar uma moeda paralela à do BC. A expansão monetária jogaria o valor do real pro lixo e todos migrariam para a moeda paralela. Não é verdade? E se for, Leandro, o que ocorreria se os brasileiros, de pouco em pouco começassem a comprar alguma moeda estrangeira relativamente forte, em quantias significativas?

Responder
Leandro 21/12/2012 21:35:23

É um bom modelo e eu certamente o defendo. O que ocorreria é que, tudo o mais constante, o real iria se desvalorizar fortemente e o governo acabaria sendo forçado a migrar para a moeda mais demandada. O governo obviamente não iria sumir, mas ao menos ele seria obrigado a se enquadrar na realidade desta nova moeda, cuja emissão estaria totalmente fora de seu controle.

A única opção para ele não fazer essa migração para a outra moeda seria o BC se restringir e passar a gerenciar a moeda de forma menos inflacionária. Qualquer dos dois resultados seria melhor que o atual.

Abraço!

Responder
Andre Cavalcante 22/12/2012 15:46:18

Parabéns Leandro pelo texto. Este é o capítulo de encerramento do livro? Creio que sim pois aí já faz uma análise do ano e uma pequena projeção para o ano que se inicia.

Só uma questão sobre esse negócio da outra moeda: como seria viável para os brasileiros operarem com outra moeda? Pelo que vejo, primeiro o Real é imposto (de curso forçado), depois, digamos, se passássemos a comprar dólares e o comércio a aceitá-los bastaria o BC inflacionar ainda mais o real para deixar quase inacessível o acesso a moeda externa. E, ainda mais, não vejo ninguém querendo, no comércio, receber dólares no lugar de reais...

Responder
Leandro 22/12/2012 23:41:18

Caro André, a questão da moeda é interessante. Em primeiro lugar, confesso não saber se é realmente verdade que os comerciante não aceitam dólares ou euros. Nunca tentei. No entanto, não seria de se estranhar caso não aceitassem. Afinal, as pessoas demandam moeda com dois objetivos: adquirir bens e serviços no futuro próximo e guardar-se contra incertezas. Se a pessoa sabe -- ou pelo menos crê -- que outras pessoas podem não aceitar dólares ou euro, então elas também não irão aceitar dólares ou euro. E como elas sabem que o governo não impinge o cumprimento de contratos celebrados em outras moedas, elas se tornam naturalmente mais reticentes em utilizar essa moeda.

É por isso que, caso surja uma moeda paralela, é imperativo -- sempre em minha opinião -- que esta esteja lastreada por um ativo tangível, confiável e bem visto por todos, um ativo que torne esta moeda totalmente protegida contra desvalorizações, o que faria com que as pessoas inevitavelmente recorressem a ela como forma de proteger suas poupanças.

(Muito embora, na Suíça, euro e franco suíço circulem lado a lado, sendo o euro aceito em todos os estabelecimentos comerciais).

Quanto ao livro, não atormentemos a humanidade com tais prospectos.

Forte abraço!

Responder
samuelborgesdossantos 25/12/2012 17:02:58

Na Suíça se aceitam Euros. Imediatamente convertidos em SF. Somente aplicações especulativas de curto prazo permanecem em Euros. A Suíça sempre se pôs nesta posição em relação aos outros países. Tomei consciência disso ao visitar minha irmã, cidadã Suíça, em Genebra. As esquinas das ruas estavam todas ocupadas por bancos ou "gérant de fortune"... Embora falem francês os suíços franceses são "pied à terre" Não esquecer tb que Genebra foi a cidade de jean Calvin.

Responder
Henrique 21/12/2012 21:03:46

Gostaria de mandar esta mensagem para parabenizar todos os organizadores e colaboradores deste site!

Gostei tanto que cheguei a pensar em fazer uma segunda faculdade, de economia. Mas desisti porque percebi que não estudaria nada do que vejo aqui.

Estou no último ano do curso de Administração e por aqui já vejo coisas improdutivas por causa da interferência estatal. Certa vez perguntei ao meu coordenador de curso porque tinha informática na grade e ele me respondeu que o curso tinha que ter um determinado número de matérias para atender a exigência de X horas/aula de curso elaborada pelo Ministério da Educação. Ou seja, poderia ser feita uma grade de matérias mais enxuta para tornar o curso mais econômico e produtivo, mas não pode ser assim porque um burocrata do Ministério da Educação determinou que o bacharelado tem que ter o número XYZ de horas, independentemente de que matéria você vai estudar.

Além do desperdício de tempo por eu ter tido que estudar biologia durante 3 anos no ensino médio, matéria que não me serviu para nada, nem para minha vida pessoal como para a profissão que escolhi, para depois esquecer tudo! Olho as apostilas do meu irmão e já não me lembro de mais nada! A única matéria realmente útil, inglês, era a que tinha a carga horária mais baixa!

Para finalizar, um conhecido meu, de poucos recursos, não conseguiu montar uma pequena confecção de calçados no fundo de sua casa porque assim não conseguiria obter a bendita inscrição estadual para começar a trabalhar, pois os burocratas diziam que o endereço da firma não poderia ser o de sua casa.
Resultado: meu amigo teve que alugar um imóvel comercial e arcar com custos que não precisaria caso o Estado não o atrapalhasse. Um exemplo da ação do Estado dificultando a vida dos pequenos empreendedores.

Dito isto, gostaria de sanar uma dúvida com os amigos do IMB. Se compararmos as economias, por exemplo, de Canadá vs Estados Unidos e países do norte da Europa vs países do sul da Europa, veremos que os primeiros têm uma carga tributária mais alta e mais gastos com o welfare-state, mas estão em situação econômica melhor que a destes outros países citados, que possuem carga tributária menor e menos gastos em proporção ao PIB. O que explica isto? Meus dados estão certos?

Obrigado e vamos levar essas ideias adiante!








Responder
Leandro 21/12/2012 21:33:54

Não acho que Espanha, Portugal, Itália e Grécia tenham uma carga tributária menor que Canadá, Alemanha. A dos EUA certamente é a menor de todas. Em termos de gastos assistencialistas, ninguém bate a Grécia. Na Espanha, o seguro-desemprego é de mil euros, um dos mais altos da Europa. Mais alto que o da Alemanha, por exemplo.

Mas mesmo que a carga tributária destes países fosse menor, isso não teria grande importância na explicação da crise. A explicação da crise está nos ciclos econômicos, no estouro da bolha imobiliária na Espanha e na Irlanda, nos empréstimos fartos e baratos para investimentos insolventes em todos esses países, principalmente na Grécia.

Recessões são causadas investimentos errôneos e insustentáveis -- pela expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros --, para os quais nunca houve demanda legítima. Trata-se de um problema de capital desviado para aplicações que não são genuinamente demandadas pelo público.

A causa de uma recessão é a destruição deste capital. Recursos escassos foram aplicados em investimentos para as quais não havia demanda. Quando esta falta de demanda se torna patente, o valor destes investimentos cai, e os empreendedores que fizeram tais investimentos se descobrem com um capital valendo bem menos do que imaginavam valer. Aí então começa a recessão, que nada mais é do que o período de reajuste desta estrutura de produção que foi distorcida pela expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros.

Carga tributária e gastos do governo prolongam crises, mas a causa é outra. Está na moeda.

Para saber tudo sobre isso, não há material melhor do que este documentário:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1427

Grande abraço e obrigado pelas palavras.

Responder
tiago 21/12/2012 21:25:23

Sensacional, parabéns! melhor artigo sobre a economia brasileira do ano !!!

Responder
Danto 21/12/2012 22:43:48

Como é calculado a produtividade da mão de obra?

Responder
Bruno 21/12/2012 22:51:03

PIB por pessoa empregada

Responder
Danto 21/12/2012 22:57:22

Quer dizer que se o desemprego explodir no Brasil, a produtividade da sua mão de obra vai aumentar muito? Por outro lado a queda do desemprego tende a fazê-la baixar?

Responder
Bruno 21/12/2012 23:28:37

Se você conseguir a mágica de manter o mesmo PIB com muito menos gente trabalhando e produzindo, então sim, sua produtividade disparou. Já que você sabe como manter a mesma produção após uma explosão no desemprego, repasse essa dica pros PIGS, eles estão precisando. Aliás, pô, dá essa dica pros EUA também. Eles fariam miséria.

E, por outro lado, se o PIB se mantém constante mesmo com uma quantidade maior de pessoas trabalhando e produzindo, então resta óbvio que a produtividade desta gente é uma titica.

É notável a dificuldade das pessoas em entender conceitos básicos de economia. Impressionante mesmo.

Responder
Marco Aurélio 21/12/2012 23:33:36

Danto, você nao percebeu que é exatamente este seu segundo exemplo que está acontecendo? Desemprego em níveis historicamente baixos e PIB parado. Ou seja, produtividade lá embaixo.

Responder
Danto 21/12/2012 23:35:13

Se a produtividade da mão de obra é calculada dessa forma, então ela é baixa no Brasil
por falta de empresas que gerem receitas altas relativamente aos recursos empregados na produção, ou visto de outra forma, por excesso de empresas muito ineficientes, via de regra informais, que não conseguem relativamente boas receitas, logo não adicionam muito valor ao PIB.

Então o que precisa acontecer para aumentar substancialmente a produtividade da força de trabalho brasileira é uma onda de investimento das empresas mais eficientes, "roubando" mão de obra das empresas menos eficientes. Isso significa menor número de empresas informais e maior presença das grandes empresas.

Responder
Pedro 21/12/2012 23:44:10

E, por outro lado, se o PIB se mantém constante mesmo com uma quantidade maior de pessoas trabalhando e produzindo, então resta óbvio que a produtividade desta gente é uma titica.

Então a queda da produtividade do trabalho não é necessariamente algo ruim? Pode ser até bom, indicativo de aumento da renda da população? Na outra mão, uma aumento por ser algo ruim, indicativo de mais desemprego e menos renda?

Responder
Bruno 21/12/2012 23:56:24

Não, nada a ver. Você está com o fetiche do emprego. Produtividade sempre é bom e sempre permite um aumento da renda. Desemprego baixo nem sempre é bom, pois não é indicativo de nada. Copio aqui um trecho de outro artigo do Leandro que aborda esse tema, cuja leitura recomendo fortemente:

Também implícito no raciocínio do leitor está a noção de que uma economia saudável é aquela que possui baixas taxas de desemprego.  Outro erro.  Baixas taxas de desemprego é algo que pode ser atingido da noite para o dia: basta colocar os desempregados para cavar buracos.  Ou aumentar as contratações do setor público.  Reza a lenda que a URSS tinha desemprego zero.  Não duvido.  Dizem o mesmo de Cuba.  Não duvido.  Mas de que adianta você ter um emprego se você não pode consumir nada com o seu salário?  De que adianta você trabalhar e ganhar em troca um salário que não lhe dá nenhum poder de compra?  De que adianta você trabalhar e não poder adquirir nada, pois o governo cria empecilhos?  É a isso que uma sociedade deve aspirar? 

Ter um trabalho mas não poder usufruir os frutos do seu trabalho é escravidão.  Por isso comunismo é escravidão.  Você trabalha e não pode usufruir os frutos do seu labor.  Por que defender isso?

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1441

Responder
Felipe 22/12/2012 02:13:33

Concordo. Parece-me razoável a hipótese de que uma economia de muitos empregados seja menos produtiva do que uma economia com maior desemprego, especialmente para países emergentes. Taxa de desemprego baixa significa que muitos trabalhadores desqualificados - geralmente a mão de obra mais abundante - estão trabalhando. Esses trabalhadores, justamente pela pouca qualificação, puxam para baixo a média de produtividade do país. Além disso, se olharmos a tendência brasileira de produtividade essa hipótese parece ser válida pois o "crescimento" brasileiro nas últimas décadas se deu apenas devido a expansão do crédito e ao consumo, com menção honrosa para o setor imobiliário, automobilístico e de eletrônicos. Houve pouca poupança e o investimento nos meios de produção foram ridículos, por isso creio que a tendência de queda na produtividade brasileira continue.

Alguém me corrija caso tenha falado besteira. :)

Responder
Vinicius Costa 22/12/2012 01:31:55

Mais triste do que ler esse texto, é saber que essa economia é vendida por aí como neoliberal.

Esse ano estudei para os vestibulares e tive que decorar essa mentira, que pelo jeito também faz parte dos meios acadêmicos. É rir pra não chorar

Responder
anônimo 22/12/2012 09:23:49

Falam isso no ensino médio JUSTAMENTE por causa do meio acadêmico

Responder
Lucas 22/12/2012 02:47:33

Leandro, ainda não consegui ler o artigo por completo.

Mas destaco uma parte do início do texto: "...e finalmente 4) da ideia ainda não descartada de que o governo iria supervisionar os balancetes das montadoras, estipulando um teto para suas margens de lucro."

Ainda me considero um leigo na Economia Austríaca (um absurdo para quem cursa Ciências Econômicas, mas em todo meu curso não foi dita uma palavra sequer a respeito de Mises, Hayek e companhia.) mas um de meus receios quanto ao liberalismo, é a falta de controle de preços.

Um exemplo para isto, é que se não fosse o governo abaixando os juros cobrados por seus bancos, o preço do serviço do setor bancário no Brasil, nunca cairia. Outro bom exemplo é exatamente o setor automobilístico, que possui no Brasil as maiores taxas de lucro do mundo. E não vejo como a lucratividade das montadoras diminuir sem uma ação governamental.

PS: Leandro, como disse ni meu comentário sou praticamente leigo na EA, mas tenho muita vontade de obter mais conhecimento sobre esta escola que considero fantástica. Quais livros você recomenda para uma iniciação nos ensinamentos da Escola Austríaca?

Abraços,

Lucas Machado

Responder
Leandro 22/12/2012 09:48:48

Prezado Lucas, de fato, ainda há muita leitura lhe esperando.

O sistema de preços e o mecanismo de lucros e prejuízos são a bússola de toda e qualquer economia de mercado. Se você adultera os preços, a economia entra em colapso (vide nosso artigo de quinta-feira sobre o Plano Cruzado). Se você mexe nos lucros, nenhuma empresa investe, pois não terá mais capital acumulado. As consequências serão nefastas para toda a economia.

Se você quer reduzir lucros e ainda assim beneficiar os consumidores, você tem obrigatória e inevitavelmente de defender a livre concorrência e a liberdade de empreendedorismo. No caso das montadoras, você tem de defender a liberdade irrestrita de importação de automóveis, sem tarifas e sem IPI espoliador.

No caso dos bancos, sempre é bom lembrar, que se trata de um dos setores mais regulados da economia. O setor bancário é um setor totalmente cartelizado e controlado por uma agência reguladora estatal: o Banco Central.

O Banco Central existe justamente para proteger os bancos, ajudá-los a expandir o crédito de maneira harmoniosa e sem sustos e riscos de descoordenação, e impedir que novos concorrentes se instalem. É o Banco Central quem decide quem pode entrar no mercado bancário, é ele quem estipula as regras, e é ele quem fica ali de guarda, pronto para salvar os bancos que fizerem besteira e se tornarem insolventes.

Isso é livre iniciativa? É competição? Deve haver mais livre concorrência no setor petrolífero e postal do que no setor bancário.

Só uma solução, portanto, para quem quer reduzir preços e lucros de maneira harmoniosa e propícia a uma maior eficiência: livre concorrência, livre empreendedorismo, abolição da burocracia e das regulamentações.

Artigos indispensáveis para você:

A natureza econômica dos lucros e dos prejuízos

Condenar o lucro é defender o retrocesso da humanidade

As diferenças essenciais entre uma genuína economia de livre mercado e uma economia intervencionista

O Brasil no caminho da servidão - e conduzido por um animador de circo

Abraços!

Responder
Bright 22/12/2012 10:48:26

Prevejo o estouro da bolha imobiliária em 2013. O que vai ter de pedreiro desempregado não está no gibi.

Responder
Fabio 22/12/2012 12:26:11

Acho que não em 2013 Bright,mais depois de 2016 quem sabe.

Responder
Edson 22/12/2012 13:17:51

Leandro, parabéns pelo artigo.
Ficou muito bem escrito e bastante didático.

Eu assino uma newsletter sobre o mercado de ouro, e a mais recente tem um trecho que diz o seguinte

"International Monetary Fund data published yesterday show Brazil added 14.7 tonnes to its gold reserves last month, the third month running it has bought gold. Brazil has doubled its gold holdings since August, while Russia also added gold last month.

The doubts about the Dollar are growing – and the fiscal cliff nonsense in Washington is doing little to dispel them."


Tu saberia me dizer o porquê de o Brasil dobrar as reservas de ouro em um período tão curto? Será que nosso amado governo também já caiu na real e crê no colapso do dólar? E por que isso não é noticiado?

Muito obrigado

Responder
Leandro 22/12/2012 13:41:20

Comentamos isso na seção de comentários deste artigo. Clique no link acima, vá para os comentários, digite "Ctrl F" e escreva "onças troy". Você será levado diretamente ao ponto.

Não tenho ideia da intenção, mas, como explicado no link acima, a atual quantidade é ínfima. Em 1998 era quase nove vezes maior do que a atual.

Abraços e obrigado pelas palavras!

Responder
Marcos 22/12/2012 17:51:26

Recentemente ouvi palestras de vários integrantes do governo. Eu me impressionei com a fé cega dessas pessoas no estatismo. Havia gente dizendo que já foi "provado" que o governo deve mesmo intervir na economia, que achar que o governo não deve se meter é "coisa do passado", entre outras sandices. Tudo isso me reforçar algo que eu já sabia: equanto este grupo estiver no poder é completamente impossível a situação melhorar. Quando eles virem o barco afundando vão continuar repetindo os erros em escalas cada vez maiores. Seja por ideologia, teimosia ou simples falta de capacidade, não possuem o discernimento para procurar por uma verdadeira resposta.

Provavelmente veremos novos (e brilhantes) artigos do Leandro no futuro, nos informando sobre dados cada vez mais sombrios.

Responder
maria 22/12/2012 22:32:12

Se for liberada a importação haverá importação de veículos ou de robôs que constroem veículos? A indústria vai baixar o preço do aço, da energia, vai ter menos IPI, o ICMS vai zerar, a mão de obra já está pronta para operar os robôs?
Se liberar a importação de veículo, tudo o mais constante, o negócio é virar revendedor. Coisa que já ocorre em outros setores.

Responder
Leandro 22/12/2012 23:32:11

"Se for liberada a importação haverá importação de veículos ou de robôs que constroem veículos?"

De ambos, sempre dependendo do nicho. Quem quer produzir carro popular para os mais pobres vai importar robôs. Quem quiser revender Porsche e BMW vai importar Porsche e BMW. Não é muito complicado. O que complica é quando alguém fica querendo ser mais esperto que o mercado e acaba caindo em tentações totalitárias, como querer decidir o que pode e o que não pode ser importado.

"A indústria vai baixar o preço do aço, da energia, vai ter menos IPI, o ICMS vai zerar, a mão de obra já está pronta para operar os robôs?"

Perguntas desconexas e sem sentido. Pra começar, não é a indústria que estabelece o preço da energia. E nem do IPI. E nem do ICMS. Quanto ao preço do aço, a concorrência estrangeira dará conta do recado. Quanto à mão-de-obra saber operar robôs, não entendi o seu ponto. Se ela não ainda não sabe, isso significa que não se pode importar? Ou significa que, na sua opinião, ela é incapaz de aprender? Por que tanta arrogância?

"Se liberar a importação de veículo, tudo o mais constante, o negócio é virar revendedor. Coisa que já ocorre em outros setores."

Não. Exatamente como expliquei em minha primeira resposta acima. De novo, você está com comportamento arrogante, jurando saber de antemão o que irá acontecer no mercado. Exatamente a mesma postura dos burocratas do governo criticados no artigo. Mais humildade, por gentileza.

Responder
maria 24/12/2012 04:45:30

É preciso reconhecer que há muito entulho a ser retirado. Já existe um arcabouço tarifário montado. Com uma canetada se resolve a importação; e o resto? O resto, até por inércia, continua. Do jeito que a estrutura está montada, ou seja, tudo o mais constante, liberar importação significa revender. Isso já acontece. Não estou assumindo, estou constatando.
Intervenção gera intervenção. O ponto a que chegamos é o resultado de várias intervenções. Como sair de maneira ordenada é uma questão de capacidade gerencial.

Responder
Randalf 23/12/2012 00:28:34

Queria fazer só uma pergunta, se alguém quiser responder. O que respondem aos palhaços que dizem 'O Estado somos nós' ?!

Responder
Anônimo 23/12/2012 01:07:32

Se o estado fosse eu, cometeria suicídio. Seria o maior favor já feito pela humanidade.

Responder
anônimo 23/12/2012 03:12:09

Segue a dica do Olavo de Carvalho, mande um "vai tomar no..."

Simples

Responder
Neto 23/12/2012 10:42:07

Uma vez o Rodrigo Constantino disse: O estado sou eu? Então me diga aí onde está a minha parte das ações que eu quero vender

Responder
void 23/12/2012 16:17:24

O estado é o verdadeiro 1%. SEMPRE FOI.

Responder
Engenheiro Anti-Cartorios 23/12/2012 00:35:16

Excelente artigo, como sempre neste site.

E pra comemorar em grande estilo o fim do ano, a Dirma mandou a Petrossauro implementar em todos os seus contratos de projetos por administração de mão de obra a obrigatoriedade de que todos os funcionários envolvidos sejam contratados com carteira assinada, e graças a isso, estou sendo gentilmente convidado pela minha empresa - para a qual presto serviços como Pessoa Jurídica desde 2006 - a aceitar assinar a estúpida carteira de trabalho com um valor equivalente a aprox. 70% da minha Nota Fiscal. Com isso, calculando as equivalências, passarei a ganhar *a metade* do valor líquido que recebia!!!!!! (obs.: eu já tinha um acordo de cavalheiros, funcionando perfeitamente, para receber 13o. e tirar 1 mês de férias).

Desse modo, a Dirma e o petê podem ficar orgulhosos de terem aumentado o número de carteiras assinadas, "diminuindo o dizimprêgu" e aumentando a base de contribuintes (trouxas) para o falido iêniéssiéssi.

Obviamente que todos os engenheiros e projetistas sêniors envolvidos neste projetos da PB, que antes conseguiam um ganho razoável como PJ, estão passando pela mesma situação, sendo forçados a virarem escravos do petê ganhando a metade...

Ou então, todos os caras mais experientes vão sair desses projetos em massa e procurar trabalho como PJ nas empresas que aceitam esta modalidade de contratação (ex. os contratos do tipo EPC - engenharia, suprimento e construção), que *ainda* não têm essa exigência ridícula.

Enfim, mais uma vez o intervencionismo estatal e a sede insaciável do partidão pelo nosso dinheiro está forçando milhares de profissionais de alto nível a se sujeitarem a condições absurdas para poderem sobreviver.

Maldito intervencionismo!!!!!

Desejo um péssimo ano novo a todos esses malditos burocratas!!!!

[desculpem o desabafo] e aproveito para desejar boas festas e um excelente ano novo para todos os amantes da liberdade individual e do livre mercado que fazem deste site um oásis de vida inteligente no meio da burrice marxóide que dominou o braziiiuuuu!!!

Responder
Carlos 23/12/2012 02:00:47

E o que eu simples consumidor e assalariado posso fazer para o meu dinheiro valer mais e sofrer menos com as intervenções do governo?

E o que minha mãe que ganha dinheiro alugando seus imóveis pode fazer?

Responder
Patrick de Lima Lopes 23/12/2012 16:15:33

Não sou conselheiro de finanças, mas há um artigo que pode ajudá-lo e lá você poderá fazer perguntas mais detalhadas.

P/ seu dinheiro:
www.mises.org.br/Article.aspx?id=1075

Esteja livre para perguntar mais sobre como sobreviver à crise no artigo acima.

Responder
maria da conceição villela 25/12/2012 20:07:02

Estava procurando algo sobre a melhoria da produtividade no setor público (sou servidora pública federal)e achei o site. Li o artigo sobre a brutal carga tributária e este que comento. Apesar de tratar sobre economia e mostrar gráficos, é muito claro e de fácil compreensão, mesmo por quem tem pouco contato com o tema. Exprime EXATAMENTE o que penso da politica econômica do atual governo. Penso que Dilma vai acabar com os ganhos trazidos pelo plano real e quando este governo desastrado acabar não vai restar pedra sobre pedra. Será que ninguem percebe que a inflação disparou e que a população já não está dando conta das dívidas?

Responder
Fabio 26/12/2012 20:34:31

Estava procurando algo sobre a melhoria da produtividade no setor público (sou servidora pública federal)e achei o site...........................(continua)

clapclapclap finalmente uma servidora publica com bom senso.

Responder
Eduardo 27/12/2012 14:47:22

Muito engraçado o blog do FT, acho que vai bem aqui:

blogs.ft.com/beyond-brics/2012/12/24/roussolph-the-red-nosed-reindeer/#axzz2GFZHstq7

Responder
Fábio 27/12/2012 15:05:43

Saindo um pouco do escopo do artigo, mas não pude resistir. Assistindo a este debate (www.youtube.com/watch?v=xxnn-lPglz4) entre Ciro Gomes e Rodrigo Constantino, o político faz um desafio, perguntando onde eficientemente cortar gastos públicos, e mandando uma premissa que eu tento, com dificuldades, refutar com o meu (parco) conhecimento em economia: "a carga tributária no brasil é alta por causa do serviço da dívida pública".

Desculpem-me a ignorância, mas a premissa é verdadeira? Pensei aqui inúmeras maneiras de cortar gastos públicos (diminuição da corrupção, fim das obras faraônicas, corte generalizado de cargos em ministérios e gabinetes, diminuição do salário aviltantemente alto de funcionários dos três poderes, especialmente do alto escalão), mas sinceramente não sei como refutar esse argumento da dívida pública - até mesmo porque não sei, com clareza, como ela se dá.

Abraços e parabéns pelos artigos.

Responder
Leandro 27/12/2012 15:14:41

Correto. Levando-se em conta tudo que o governo gasta apenas com a dívida -- gastos com juros, encargos, amortizações e mais refinanciamentos --, o percentual em relação à receita é pavoroso. Pelas últimas estatísticas que vi, excluindo-se o refinanciamento, mais de 30% do orçamento é dedicado apenas ao serviço da dívida pública.

Consequentemente, o governo tem de endividar ainda mais apenas para pagar os juros e amortizar a dívida anterior. É um buraco negro.

No entanto, juro que não entendo a azáfama que a esquerda faz em relação a isso. Afinal, todo esse gasto com dívida é consequência direta do keynesianismo que nos domina. Nunca entendi essa reclamação. O pessoal quer que o governo gaste em tudo, mas não quer aguentar as consequências dessa gastança: maior endividamento, maiores juros, maiores gastos com juros, amortização e refinanciamento.

Não entendo como é possível alguém de cara limpa criticar gastos com juros e amortização e ao mesmo tempo afirmar que o governo deveria gastar mais em vez de menos. Afinal, foi para gastar mais, e não menos, que se fez a dívida pública.

Qual é a desse pessoal?

Responder
Juliano 27/12/2012 15:20:06

"Não entendo como é possível alguém de cara limpa criticar gastos com juros e amortização e ao mesmo tempo afirmar que o governo deveria gastar mais em vez de menos."

E desde quando argumentos da esquerda precisam ter lógica? A idéia é sempre a de que, se alguém emprestou, é porque tinha demais. Quando novos financiamentos ficarem difíceis, é só culpar o capitalismo. Fazer a relação entre causa e efeito nunca foi o forte deles.

Responder
Fabio 27/12/2012 16:17:57

Obrigado pela resposta, Leandro. Se o argumento do político está correto, não carece refutar, e Constantino perdeu o debate do vídeo porque não soube respondê-lo propriamente.

Por um momento fiquei tentado a pensar que, já que a dívida pública é insolvente e seu serviço é o que mais onera o orçamento governamental, então não adianta querer diminuir gastos públicos. No entanto, é lógico admitir que, se o governo gasta menos, deve menos e, assim, o serviço de sua dívida diminui. Ainda que essa diminuição não chegue ao bilhão a que Ciro Gomes se refere no vídeo, é impossível que qualquer pessoa de bom senso não veja vantagens no governo gastar menos com obras monumentais, corrupção, apadrinhamentos, pletora de benefícios para o alto funcionalismo público e superlotação de gabinetes com "aspones".

Que aconteceria se houvesse perdão de pelo menos parte da dívida pública do país? Investidores do Tesouro Direto quebrariam, por exemplo?

Abraços e obrigado.

Responder
gladston do rego lages neto 28/12/2012 10:40:54

O artigo traduz com fidelidade o que vem ocorrendo em nosso País. A rota terá que ser mudada o quanto antes. Aumento do salário mínimo, do endividamento familiar e do consumo, sem elevação da produtividade e do investimento, aliada à redução da carga tributária e da intervenção governamental na economia, nos levará ao passado, condenando-nos a sermos eternamente o país do futuro.

Responder
Augusto 28/12/2012 13:21:11

Podemos atribuir essa queda de produtividade por trabalhador em relação aos EUA a um aumento do número de funcionários públicos?

Isso faz sentido, mas eu desconheço os dados. O Brasil nunca teve um número de funcionários públicos baixo, e eu não sei se cresceu ou diminuiu proporcionalmente a população economicamente ativa desde 1980.

Alguém sabe me dizer?

Responder
Leandro 28/12/2012 13:31:29

Indiretamente, sim. Como o governo tornou irresistível ir para o setor público -- onde os salários são mais altos, as mordomias idem, trabalha-se pouco e há estabilidade --, as melhores mentes foram sugadas para a burocracia, deixando as piores para o setor produtivo.

E, para agravar a situação, ainda há a própria distorção causada pelo governo: a pesada carga tributária sobre as empresas e sobre a folha de pagamento, em conjunto com o câmbio desvalorizado, impede não apenas aumentos salariais como também torna praticamente impossível as empresas se modernizarem e, com isso, possibilitar algum aumento da produtividade. E com os enormes e tentadores salários no serviço público, é natural que os melhores cérebros sejam atraídos para o setor parasitário da economia, o que ajuda a diminuir ainda mais a produtividade do setor privado.

Sobretaxado e altamente regulado, o setor privado não tem como fazer o milagre de aumentar seus salários e atrair de volta os melhores cérebros.

Hoje, parece que o pessoal trabalha no setor privado apenas como um intermédio para se chegar ao serviço público. As pessoas estão ali cumprindo tabela: ao mesmo tempo em que fingem trabalhar, ficam lendo apostila para concursos públicos. Já presenciei este fenômeno várias vezes.

Estamos em um círculo vicioso que, se não for quebrado, condenará o país a uma nova década de estagnação.

Responder
Rodrigo 28/12/2012 14:10:12

Quase todos os meus funcionários estão estudando para algum concurso. É impressionante. Fico pensando no desperdício de potencial, ter pessoas brilhantes amarradas à burocracia estatal.

Isso sem mencionar a perda de produtividade enquanto estudam, pois esse esforço praticamente não tem aplicabilidade no mundo real. Serve apenas para uma prova. Se eles estudassem com tanto afinco engenharia, física, química ou qualquer coisa relacionada ao mundo real, (me desculpem, mas não consigo ver a finalidade de alguém saber o estatuto do funcionalismo público, com o grau de profundidade exigido sem ser um advogado que atua na área)seríamos uma potência científica.

Enfim, pode ser que no futuro, esse roubo de cérebros e dedicação que o governo cometeu, nos custe mais caro que toda essa confusão macroeconômica.

No mais, parabéns Leandro, acredito que uma das melhores coisas que aconteceu comigo esse ano, foi conhecer o seu site. Tenho muito que aprender, mas fico feliz em perceber que a minha filosofia de vida não é exclusiva.

Abraços,

Responder
Adriano 28/12/2012 17:43:00

Olá Leandro!

Parabéns pelo artigo. Acabei de descobri o site. Um oasis de pensamentos inteligentes.

Porém quero fazer um contraponto na questão dos servidores públicos. Sou servidor público federal e trabalho em uma Agência Reguladora.

Quero falar a respeito do seguinte ponto que postou:

..." Como o governo tornou irresistível ir para o setor público -- onde os salários são mais altos, as mordomias idem, trabalha-se pouco e há estabilidade --, as melhores mentes foram sugadas para a burocracia, deixando as piores para o setor produtivo."

Bom tenho certo que há muitos casos absurdos no funcionalismo federal, sem dúvidas. Porém não se pode colocar todos em um cesta só.
Desde o governo FHC foram suprimidos mais de 50 "mordomias" dos servidores e atualmente existe diversos quadros de servidores que causam distorções. Por exemplo: um servidor que entrou na decada de 80, por causa dos penduricarios acumulado hoje tem um remuneração maior, ao contrario daqueles que entraram pos anos 2000, é por isso que tem ascensorista e motorista ganhando valores absurdos, como se vê no Congresso Nacional.

É necessário separar o joio do trigo. Estabilidade por exemplo, é um garantia e não um privílegio e deveria ser apenas para aqueles que trabalham em área fim, como por exemplo: fiscalização, regulação, policiamento etc...N

Não dá para desejar um serviço público eficaz e de qualidade se não tivermos servidores comprometidos e bem qualificados. O fato das melhores cabeças estarem indo para o Serviço Pùblico não é argumento válido, visto que sua lógica então o Estado teria que ser um lugar para os menos qualificados??? Nâo mesmo.

Concordo que o Estado esta inchado, mas não de concursados e sim de "cumpanheiros", na base da indicação apadrinhada em cargos de Livre nomeação. Está pesado por criarem tantos Ministérios inúteis e criação de empresas e órgãos desncessários, tudo para agradar o "apoio político".

Outra coisa a estabelidade existente hoje não é absoluta, pois depois das reformas do final da dec 90, há possibilidade de atrelamento a produtividade, basta regulamentar, o que está inclusive em discussão a anos no Congresso.

O interessante é que o modelo implantado no plano Real esta indo ladeira abaixo, inclusive com as Agencias Reguladoras, que foram criadas para justamente refrear o poder estatal e permitir a atração de investimentos privados. Atualmente as Agencias estao aparelhadas pelo "cumpanheiros" que acabaram por se tornar ineficientes, foram sabotadas pelo PT.

Na agencia onde trabalho é chamada de Agencia enxuga gelo, pois a intervenção política foi de tão desastrada e burra que paralisou a Agência, infelizmente. Temos muitos profissionais altamente qualificados e que estão desanimados, pois acreditaram que perteceriam um setor público de excelência para alavancar o crescimento do País.

O que o governto dos Ptralhas só sabem fazer é criar cargos de livre nomeação sem concurso, isso sim um absurdo e que é um cancer no serviço público, por desmerecer a meritocracia e abrir um avenida para corrupção que ladram os cofres e aumentam o peso do Estado, que precisa aumentar a intervenção/impostos para recompor o ralo.

Se o Governo dos Ptralhas quiesem diminuir o gasto público, poderiam extinguir o cargo de livre nomeação do Estado Brasileiro (Só no Governo Federal passam dos 25 mil!!!), reduzir o número de ministérios, priorizar a regulação por meio das Agencias, com blindamento de ingerências políticas, pois as Agências Reguladoras podem ser exutas e eficazes se nao houver intervenção política (esta foi a tônica de sua criação).

O Estado Brasileiro precisa de menos políticos, pra que tantos vereadores? em cidade minusculas??? que ganham os tubos!!. Qual a necessidade de tantos Ministérios, senão para colocar a "cumpanheirada" burra e sem qualificação.

Muito dos nossos problemas no setor Publico e por tabela na Economia, que causa um aumento de custos, está no nosso sistema político, que é um odioso Presidencialismo de Coalisaão, onde se vende cargos públicos em troca de apoio politico e todo mundo da Banania tolera.
Trocar apoio politico por cargo publico = corrupção = aumento do Estado ineficiente/pesado e burro.

Desculpe se sai um pouco do tema aí mas é uma reflexão. Os servidores públicos concursados não são culpados pelo inchaço do Estado, quem causa o inchaço são os Políticos por meio da barganha corrupta de cargos de livre nomeação, um cancer que precisar ser estirpardo do Estado Brasileiro.

Para mim, é necessário também uma reforma profunda educacional, priorizando-se de um lado o empreendorismo, ensinar o Brasilieiro a inteligência financeira, a qualificação técnica de excelência para agregação de valor de produtos e serviços. Não dá mais para sermos o Pais das commodites.

Por fim se devemos ter um mercado capitalista devemos ter do outro lado um Estado regulador moderado, por meio de Agências independentes/inteligentes que possam criar condições de competividade e livre mercado, com o corpo de servidores qualificados e bem remunerados para a melhor prestação de serviços.OK

Abraços

Adriano



Responder
Malthus 28/12/2012 18:25:10

Olá, Adriano. De fato, é fácil notar que você descobriu o site muito recentemente. Além de defender os interesses de sua classe de funcionários públicos, você ainda solta pérolas como "o livre mercado deve ser controlado por agências reguladoras". Você mais do que ninguém deveria saber que são justamente as agências reguladoras que aniquilam o livre mercado, pois são elas que cartelizam o mercado em prol de algumas empresas favoritas do governo e impedem a entrada de concorrência estrangeira.

Interessante o seu conceito: para existir um livre mercado, caracterizado pela livre concorrência e pela livre entrada de novos empreendedores, é necessário haver agências estatais determinando preços e estipulando quem pode e quem não pode entrar.

Dicas de leitura:

Sobre as privatizações (Parte 1)

Sobre as privatizações (final)

A Guatemala e seu exemplo de privatização

Celular ilimitado por R$30/mês - saiba como aqui

Aeroportos + governo = caos

Legislações antitruste e agências reguladoras não podem existir em uma sociedade livre

Regulamentações brasileiras garantem a prosperidade dos vigaristas

A urgente necessidade de se desestatizar os Correios

Regulamentações, desespero e o estado

As diferenças essenciais entre uma genuína economia de livre mercado e uma economia intervencionista

Por último, uma dica: você diz que o problema são os políticos e não vocês burocratas reguladores do mercado. Falso. Como você lerá num dos artigos linkados acima, não é a classe política quem comanda as coisas. Políticos vêm e vão. A classe política é apenas o verniz do estado; é apenas a sua face pública. Ela não é o estado propriamente dito. Quem de fato comanda o estado, quem estipula as leis e as impinge, é a permanente estrutura burocrática que comanda o estado, estrutura esta formada por pessoas imunes a eleições. São estes, os burocratas e os reguladores, que compõem o verdadeiro aparato controlador do governo.

Responder
Servidor Federal 04/01/2013 20:43:27

Amigo Adriano,

Eu também sou servidor público federal e vou lhe dizer o que penso.
Trabalho numa superintendência federal de um ministério. Aqui poucos servidores ganham menos de 10 mil por mês. Boa parte ganha mais de 20 mil. Os servidores administrativos são minoria e são os que ganham menos, mas ganham muito acima do que ganhariam se estivessem exercendo a mesma função no mercado.
Esse é o segundo órgão em que trabalho. E não é diferente do 1°, a não ser o meu salário que é mais de 3 vezes o que eu ganhava antes.
Já estagiei em empresa privada de ponta. Empresa que levava a sério a qualidade na gestão.
Posso te afirmar com toda certeza que, se todos aqui trabalhassem no mesmo ritmo dos que trabalham em empresa privadas que concorrem no mercado, nós só precisariamos manter 10% do quadro atual.
Posso contar nos dedos da mão quem realmente trabalha sério.
Mas vc sabe o que é pior? É que mesmo estes que trabalham, neste grupo eu me incluo, não estão acrescentando em nada a sociedade. Se analisarmos bem o que órgão faz, ele nem precisaria existir, assim como as agência reguladoras.
Pra que precisamos da ANATEL?
Mesmo que ela funcionasse bem (ela não funciona), sua existência é dispensável. O que precisamos no setor de telefonia (não só nesse) é de liberdade de atuação das empresas. Liberdade para novos entrantes no mercado. A concorrência, e somente ela, é capaz de garantir a qualidade dos serviços no longo prazo.
Bom ao lhe dizer que "A concorrência, e somente ela, é capaz de garantir a qualidade dos serviços no longo prazo", vc já pode deduzir o pq os serviços públicos não têm qualidade. Não temos concorrentes. Não nos preocupamos com custo.
Aí vc me pergunta, pq vc está no serviço público então?
Eu passei no meu primeiro concurso quando tinha 20 anos. Eu não conhecia o Mises, estudava numa universidade pública, cheio de marxistas. Acreditava num estado grande, interventor, responsável por fazer justiça social.
Hoje penso diferente. Enquanto meus colegas pensam em se aposentar aqui, eu penso que um dia, espero não muito distante, eu poderei sair.
É díficil, afinal, como empreender num país com alta carga tributária, instabilidade monetária e política, enorme burocracia e onde o empresário é visto como vilão, explorador e desumano?

Responder
anônimo 04/01/2013 21:02:44

resposta: seasteading

Responder
Felix 03/01/2013 22:00:12

Amigos,
Desculpem importunar por aqui com um questionamento paralelo.
Teria aqui no site algum artigo ou algo sobre o crescimento/desenvolvimento brasileiro nos governos militares?
confesso que já andei bastante por aqui e não ví nada específico.
Gostaria de entender aquele período sob a perspectiva austríaca, pois não confio em mais nada que falam por aí
Obrigado,

Responder
anônimo 07/01/2013 03:23:45

Os produtos que outros países produzem são por vezes mais baratos do que os produtos nacionais, nós vivemos no Brasil, país dos altos impostos e das leis trabalhistas, para esse país concorrer comercialmente com a China é praticamente impossível, visto que na China os funcionários recebem uma fração do que os trabalhadores ocidentais recebem pelo mesmo trabalho.
Assim, grande parte dos produtos nacionais acabam perdendo espaço para os produtos internacionais, na prática, isso se resume às fábricas brasileiras sendo sumariamente fechadas, tomo como exemplo a fábrica de brinquedos infantis Estrela, essa empresa já teve seus momentos de glória (sendo que hoje ela está começando a se reerguer, uma das causas desse crescimento se deve à criação de sobretaxas às importações vindas do Sudeste Asiático). Enfim, a fábrica Estrela quase que caiu por causa do mercado Chinês durante os anos 90, e hoje só está conseguindo se manter por causa de leis protecionistas brasileiras e estrangeiras.
Mas esse fato não é apenas da fábrica Estrela, e muito menos apenas com a China, isso é com o mercado global, numa economia globalizada, porém com governos nacionais, o resultado é de que: ou o país deve ser superior tecnologicamente; ou o país deve criar leis que impedem os produtos estrangeiros de derrubarem os seus.
Mas isso fere a ideia do neoliberalismo, isso é fato, as leis protecionistas são medidas que visam apenas a soberania nacional.
Se o Brasil reduzisse as taxas de imposto e tudo o mais para os produtos estrangeiros, o resultado disso é o colapso do mercado de trabalho brasileiro, pensar que isso não ocorre é inocência, o Brasil não é um país industrializado, não adianta exigir isso do dia pra noite, pois o Brasil está décadas atrasado tecnologicamente e intelectualmente falando (faculdades de baixo nível).

Enfim, aqui está cheio de liberais aqui, que defendem doutrinariamente a liberação total da economia, visto isso, gostaria de ver a opinião de vocês a respeito disso, pois não adianta concordar sem nem analisar a situação, com isso eu quero dizer pra ser realista, os outros países continuam do mesmo jeito, mas o que fazer com o Brasil?
Essa é a questão: o Brasil deve acabar com todas essas leis ou impostos protecionistas e dar uma de Rambo contra o mercado global; ou o Brasil deve continuar com os impostos altos visando a soberania nacional?
Se escolher a primeira opção, então você não está nem aí para o Brasil, visto que o que aconteceria não é o fortalecimento da indústria brasileira, e sim o fortalecimento dos produtos estrangeiros, eu estou usando a China como exemplo porque a estratégia dela já é bem conhecida, eles fabricaram por décadas produtos baratos, fizeram o mercado global se tornar dependentes deles e num futuro próximo, terão o domínio não apenas das bugigangas, mas sim da tecnologia. Abrir a economia do modo que os anarquistas liberais pensam é uma medida que visa apenas o mercado global, é excluir o mercado nacional. A não ser que o anarcoliberalista em questão queira acabar com os direitos dos trabalhadores, o único modo do Brasil conseguir fazer isso é afrouxando as leis dos trabalhadores e aumentando e formar mão de obra realmente especializada.
Se escolheu a segunda opção, então você está concordando com os altos impostos que o país possui.
O governo que interferir na economia o faz por motivos de soberania nacional, já os anarcoliberalistas o fazem por pensarem doutrinologicamente, pra eles o que importa é o livre mercado e o fim dos impostos.

Enfim, falei demais, falei tudo o que penso, pra resumir, a questão é essa:
"o Brasil deve acabar com todas essas leis ou impostos protecionistas e dar uma de Rambo contra o mercado global; ou o Brasil deve continuar com os impostos altos visando a soberania nacional?"

Responder
Randalf 07/01/2013 09:14:55

O Brasil (assim como qualquer outro país) deveria acabar com qualquer medida proteccionista. Passo a explicar: Um país não trabalha por trabalhar, mas pelo que é produzido. Ora, se o Brasil for menos competitivo em determinado sector (falou dos brinquedos), então deve abandonar esse sector e concentrar-se nos sectores mais produtivos. A mão-de-obra é um recurso e que deve ser utilizado o mais eficientemente possível, logo, se está a ser mal utilizado em fábricas de brinquedos, deve ser alocado para fábricas ou empreendimentos que sejam mais eficientes no Brasil.
Um país beneficia se se concentrar na produção de bens que consigam produzir mais eficientemente e troque com outros países pelos bens dos outros (mais eficientes).
Por exemplo: se o Brasil é mais eficiente a produzir café do que a China, e a China é mais eficiente a produzir brinquedos, então é preferível que o Brasil se concentre em produzir café e a China brinquedos, e depois troquem. A especialização do trabalho é uma enorme vantagem da sociedade.
Além disso, como Bastiat bem disse: 'Se bens pararem de cruzar as fronteiras, os exércitos o farão'. Criar relações de cooperação (livre troca) é uma boa forma de se evitar conflitos.

Responder
Leandro 07/01/2013 11:45:29

Anônimo, eis um resumo do seu argumento:

1) A indústria nacional não é necessariamente ineficiente;

2) ela apenas é oprimida pelo governo, que a sobrecarrega de impostos;

3) portanto, precisamos de um governo ainda maior, ainda mais intrusivo e impondo uma carga tributária ainda maior sobre os bens de consumo adquiridos por todos os cidadãos, pois isso irá, miraculosamente, retirar o fardo do governo de sobre as indústrias.

Faz sentido?


A seguir, quatro artigos essenciais para você entender mais a fundo essa questão:

Descubra se você é um protecionista mercantilista

A filosofia da miséria e o novo nacional-desenvolvimentismo do governo brasileiro

Uma moeda forte poderia trazer desvantagens para os brasileiros?

O protecionismo pode elevar os salários?

Responder
david 07/01/2013 15:50:04

Leandro, boa tarde.

Você que é um estudioso da economia brasileira e já demonstrou interesse em publicar uma análise austríaca das políticas econômicas da história do país, teria alguma dica de boas obras sobre o contexto econômico do período entre o final do império e o estado novo? Tenho visto muitas referências à obra "a ordem do progresso", de Marcelo de Paiva Abreu, mas não sei se elas são acuradas.

grato,

Responder
André Luiz S. C. Ramos 10/01/2013 20:57:52

Olhem o texto que foi publicado hoje no Valor, de autoria de um professor de Harvard.

www.valor.com.br/opiniao/2964376/o-desafio-mercantilista-atual

O DESAFIO MERCANTILISTA ATUAL
Por Dani Rodrik

A história da economia é, em larga medida, uma briga entre duas escolas opostas de pensamento, o "liberalismo" e o "mercantilismo". O liberalismo econômico, com sua ênfase na iniciativa privada e no livre mercado, é hoje a doutrina dominante. Mas a sua vitória intelectual nos cegou para o grande apelo - e frequente sucesso - de práticas mercantilistas. Na verdade, o mercantilismo continua vivo e bem, e seu contínuo conflito com o liberalismo provavelmente será a força que influenciará o futuro da economia mundial.

Atualmente, o mercantilismo é normalmente desconsiderado, taxado de conjunto arcaico e errôneo de ideias sobre política econômica. Em seu auge, os mercantilistas defendiam algumas noções muito estranhas - a principal delas: a visão segundo a qual a política nacional deveria ser norteada pelo acúmulo de metais preciosos - ouro e prata.

"A Riqueza das Nações", o tratado de Adam Smith de 1776, demoliu magistralmente muitas dessas ideias. Em especial, Smith mostrou que dinheiro não deve ser confundido com riqueza. Em suas palavras, "a riqueza de um país consiste não apenas em seu ouro e sua prata, mas em suas terras, casas e bens de consumo de todo tipo".

Mas é mais preciso pensar o mercantilismo como uma forma diferente de organizar a relação entre o Estado e a economia - uma visão não menos importante hoje do que no século XVIII. Teóricos mercantilistas como Thomas Mun eram, na realidade, grandes defensores do capitalismo, apenas propunham um modelo diferente do liberalismo.

O modelo liberal vê o Estado como necessariamente predatório e o setor privado como focado apenas em maximização de lucros, sem quaisquer preocupações de caráter social. Por isso, o modelo liberal defende uma separação rigorosa entre o Estado e o setor privado. O mercantilismo, por outro lado, oferece uma visão corporativista segundo a qual o Estado e as empresas privadas são aliadas e cooperam na busca de objetivos comuns, como o crescimento econômico doméstico ou o poder nacional.

O modelo mercantilista pode ser criticado como sendo capitalismo de Estado ou de compadrio. Mas quando funciona, como tão frequentemente na Ásia, o modelo de "colaboração governo-empresa" ou "Estado incentivador do setor privado" rapidamente acumula elogios entusiásticos. Economias menos desenvolvidas não deixaram de notar que o mercantilismo pode ser seu amigo. Mesmo no Reino Unido, o liberalismo clássico chegou apenas em meados do século XIX - ou seja, depois que o país já havia se tornado a potência industrial dominante do mundo.

Uma segunda diferença entre os dois modelos reside em quais interesses são privilegiados: os do consumidor ou os do produtor? Para os liberais, os consumidores devem reinar. O objetivo último da política econômica é aumentar o potencial de consumo das famílias, o que exige dar a elas livre acesso a bens e serviços os mais baratos possíveis.

Os mercantilistas, em contraste, enfatizam o lado produtivo da economia. Para eles, uma economia sólida requer sólida estrutura de produção. E o consumo precisa se basear em elevados níveis de emprego e salários adequados.

Esses modelos distintos têm implicações previsíveis para as políticas econômicas internacionais. A lógica da abordagem liberal é que os benefícios econômicos do comércio surgem das importações: quanto mais baratas as importações, melhor, mesmo que o resultado seja um déficit comercial. Para os mercantilistas, porém, o comércio é um meio de apoiar a produção nacional e o emprego, e preferem estimular as exportações, e não as importações.

A China é hoje o principal porta-bandeira do mercantilismo, embora os líderes chineses nunca o admitam - o termo ainda é muito estigmatizado. Grande parte do milagre econômico chinês é produto de um governo ativista que tem apoiado, estimulado e subsidiado abertamente produtores industriais - tanto nacionais como estrangeiros.

Embora a China tenha eliminado gradualmente muitos de seus subsídios explícitos à exportação, como condição de aderir à Organização Mundial do Comércio (OMC), o sistema de apoio ao mercantilismo persiste. Em especial, o governo administrou a taxa de câmbio para manter a lucratividade dos fabricantes, o que produziu um superávit comercial de considerável dimensão (que, recentemente, encolheu, mas em grande parte como resultado de uma desaceleração econômica). Além disso, as empresas focadas em exportações continuam a beneficiar-se de uma série de incentivos fiscais.

Da perspectiva liberal, esses subsídios à exportação empobrecem os consumidores chineses, beneficiando os consumidores no resto do mundo. Um recente estudo dos economistas Fabrice DeFever e Alejandro Riaño, da Universidade de Nottingham, estima as "perdas", para a China, em cerca de 3% da renda chinesa, e os ganhos, para o resto do mundo, em torno de 1% da renda mundial. Da perspectiva mercantilista, porém, esses são simplesmente os custos de construção de uma economia moderna e da preparação do palco para prosperidade no longo prazo.

Como mostra o exemplo dos subsídios à exportação, os dois modelos podem coexistir harmoniosamente na economia mundial. Os liberais deveriam ficar felizes por terem seu consumo subsidiado pelo mercantilistas.

Com efeito, essa, em resumo, é a história das últimas seis décadas: uma sucessão de países asiáticos conseguiram crescer a passos largos mediante a aplicação de diferentes variantes de mercantilismo. Os governos dos países ricos, em larga medida, mantiveram uma atitude indiferente, enquanto o Japão, a Coreia do Sul, Taiwan e a China protegeram seus mercados domésticos, apropriaram-se de "propriedade intelectual", subsidiaram seus produtores e administraram seus câmbios.

Chegamos agora ao fim dessa feliz coexistência. O modelo liberal é hoje duramente questionado devido ao crescimento da desigualdade e à situação da classe média no Ocidente, juntamente com a crise financeira produzida pela desregulamentação. As perspectivas de crescimento das economias americana e europeia no médio prazo vão de moderadas a sombrias. O desemprego continuará a ser uma grande dor de cabeça e motivo de preocupação para as autoridades econômicas. Assim, as pressões mercantilistas provavelmente se intensificarão nos países avançados.

Em consequência, o novo ambiente econômico produzirá mais tensão do que acomodação entre países que trilham os caminhos liberal e mercantilista. Isso também poderá renovar os dormentes debates sobre o tipo de capitalismo que produz maior prosperidade. (Tradução de Sergio Blum)

Dani Rodrik, professor de Economia Política Internacional na Universidade de Harvard, é autor de "The Globalization Paradox: Democracy and the Future of the World Economy (O paradoxo da globalização: a democracia e o futuro da economia mundial).. Copyright: Project Syndicate, 2012.

www.project-syndicate.org

Responder
Leandro 10/01/2013 21:08:26

Gostei. É a primeira vez que vejo um desenvolvimentista -- o Dani Rodrik é queridíssimo dessa turma -- se assumindo explicitamente como mercantilista.

Ainda mais surpreendente foi ele ter afirmado a verdade: que o mercantilismo é ótimo para as empresas protegidas pelo governo e péssimo para os consumidores (ou seja, para a população em geral). Mais ainda: não apenas falou isso claramente, como ainda disse que é assim mesmo que tem de ser. Bonança e mansidão para os poderosos, trabalho duro e moeda fraca para a plebe. E, para coroar, falou que isso é bom porque é assim na China, em Taiwan, na Coréia e no Japão.

Prefiro ser desempregado em Madri com um seguro-desemprego de 1.000 euros mensais. Certamente meu padrão de vida será muito maior que o de um chinês ou taiwanês comum -- Coréia e Japão estão em outra categoria, pois possuem uma economia que passou por vários investimentos vultosos durante várias décadas, e cuja população é trabalhadora e avessa a esmolas.

Esses desenvolvimentistas creem em fórmulas fáceis e em um mundo de magia: eles genuinamente acham que se dificultarem o comércio e protegerem alguns barões, magicamente toda a população irá enriquecer. Do nada.

Uma criança de 10 anos certamente possui mais noções básicas de economia do que algumas sumidades da academia.

Responder
Miqueias 18/01/2013 16:08:36

"Chegamos agora ao fim dessa feliz coexistência. O modelo liberal é hoje duramente questionado devido ao crescimento da desigualdade e à situação da classe média no Ocidente, juntamente com a crise financeira produzida pela desregulamentação. As perspectivas de crescimento das economias americana e europeia no médio prazo vão de moderadas a sombrias. O desemprego continuará a ser uma grande dor de cabeça e motivo de preocupação para as autoridades econômicas. Assim, as pressões mercantilistas provavelmente se intensificarão nos países avançados."

É muito irritante ler isso, principalmente quando é escrito por pessoas que dizem entender de economia. A vontade é xingar a mãe do cara e manda-lo para à lugar onde sol nunca brilha.

Ora, se "o desemprego continuará a ser uma grande dor de cabeça e motivo de preocupação para as autoridades econômicas", então podemos desconfiar que o problema não é o liberalismo econômico. Eu nunca vi nenhum Economista Austríaco, por exemplo, dizendo que devem existir autoridades econômicas.

Responder
Virgiliol 17/01/2013 14:43:53

Leandro,

Você viu estes artigos:
www.imil.org.br/destaque/o-discreto-charme-fracasso/
www.valor.com.br/opiniao/2966122/estagnacao-e-heranca-maldita
Abraços
Virgílio

Responder
Patrick de Lima Lopes 17/01/2013 15:32:29

Leandro, veja esta pérola:

www.redebrasilatual.com.br/temas/economia/2013/01/bancarios-criticam-fim-do-corte-de-juros-no-pais

"O presidente da Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Carlos Cordeiro, criticou a timidez do Banco Central. "Foi desperdiçada uma boa oportunidade para retomar o caminho da redução da Selic e, com isso, forçar uma queda maior dos juros e dos spreads dos bancos, a fim de baratear o crédito e incentivar o emprego, o desenvolvimento e a distribuição de renda", afirmou Cordeiro. "Apesar das quedas da Selic em 2012, os bancos brasileiros ainda continuam praticando juros e spreads que permanecem entre os mais altos do mundo, travando a produção e o consumo, freando o crescimento econômico do país"."

Pergunto-me se esse indivíduo chamado "Carlos Cordeiro" realmente acredita no que diz ou ele é apenas um "Típico Economista Iludido".

Responder
Andre Cavalcante 17/01/2013 16:59:05

Arrisco-me a dizer que é apenas mais um economista iludido, saído das faculdades de economia do Brasil afora, encharcado com o estatismo e, apesar do título, sabe muito pouco de economia. Caso contrário, é desonestidade pura e interesse particular no que está a sugerir.

Responder
Leonardo Veloso 03/02/2013 03:46:48

E o pior é que o desastre vai ser muito maior do que na europa. Enquanto na Espanha a expansão monetária foi de 3x na decada de 2000, o Brasil expandiu 6x. Na Espanha o crédito para o setor privado foi maior que a expansão monetária, ou seja, o aumento da quantidade de papel moeda em circulação foi puxada somente pelo aumento do crédito. No Brasil, para piorar, a expansão monetária foi maior que a expansão do crédito. O que me leva a crer que o governo simplesmente imprimiu moeda através do Banco Central e comprou títulos da dívida pública que estavam nas maos dos bancos privados. A inflação no Brasil tem sido bem maior que o crescimento do PIB (e olha que os dados do governo paracem ser todos maquiados). A dívida do governo com relação ao PIB é 66%. Isso mesmo, 66%. Aqui na Austrália a oposição não para de encher o saco porque a dívida está em 23%. É!!! A marolinha do Mantega vai fazer um grande estrago quando chegar!!

Responder
Jose Roberto Baschiera Junior 22/02/2013 02:21:34

Leandro

Agora o BC cortou a taxa de redesconto, agora é SELIC + 1% ano ano... Qual efeito isso pode causar na prática?

Responder
Leandro 22/02/2013 15:01:03

Meu palpite é que há alguns bancos passando aperto. Alguns balancetes devem estar ruins por causa da alta inadimplência, de modo que o BC resolveu facilitar a situação abrindo essa janela de liquidez para não afetar a continuidade da expansão do crédito.

Sim, o BB e CEF anunciaram lucros recordes, mas ambos em 2012 receberam diretamente dinheiro do Tesouro para capitalizá-los e estimulá-los a conceder empréstimos para pessoas sem nenhum histórico creditício. Isso foi semelhante ao que aconteceu nos EUA, com a diferença de que lá, em vez de dinheiro público, havia uma lei que obrigava os bancos a emprestar para pessoas caloteiras. Ter lucro recorde recebendo R$20 bilhões do Tesouro (R$ 8,1 bilhões para o BB e R$ 12 bilhões para a CEF.)

Não dá pra saber, por enquanto, qual será a consequência. Não sei se os bancos irão, por causa disso, expandir seus empréstimos para pessoas sem bom histórico apenas para, quando elas derem o calote, os bancos recorrerem à janela de redesconto. Não sei se isso seria inteligente.

Responder
bernardo 22/02/2013 03:15:53

Acho que facilita diminuir a SELIC agora, o BC entra como concorrente na hora de emprestar titulos para os bancos, talvez de pra manter a selic no patamar atual, imprimindo menos dinheiro.

Responder
Leandro 22/02/2013 15:19:05

Bernando, só uma correção. Por meio da janela de redesconto, o BC não "empresta títulos para os bancos". Ele empresta dinheiro, o qual deve ser retornado ao BC em uma determinada data e a um determinado juro.

A diferença entre a janela de redesconto e as operações de mercado aberto é clara: no mercado aberto, o BC cria dinheiro para comprar títulos públicos em posse dos bancos. Nesse processo, o dinheiro fica com os bancos. O dinheiro passa a ser dos bancos. Eles não têm de devolver esse dinheiro e não têm de pagar juros sobre ele. Já na janela de redesconto, raramente utilizada no Brasil, o BC empresta dinheiro temporariamente aos bancos, os quais têm de devolver esse dinheiro com juros.

(Um adendo técnico: temporariamente, mais especificamente em dezembro, para as festas de fim, em que há uma necessidade temporária de mais liquidez -- por causa do 13º e afins --, o BACEN faz algo chamado "Operações Compromissadas" ou "Acordos de Recompra". Neste caso, por meio do mercado aberto, o BC cria dinheiro e compra títulos dos bancos, mas os bancos têm a obrigação de devolver este dinheiro em uma data posterior. Ou seja, funciona como uma janela de redesconto, mas sem os mesmos juros mais punitivos desta)

Por fim, vale dizer que, dentre os grandes bancos centrais, apenas o Fed e o BACEN utilizam as operações de mercado aberto como ferramenta principal para se alcançar as metas para a taxa básica de juros. O BCE, o BC suíço, o japonês e o australiano estipulam os juros por meio da janela de redesconto, que é um mecanismo mais punitivo para os bancos. Mercado aberto é dar dinheiro de graça para os bancos. Janela de redesconto é empréstimo. Como aqui os economistas só leem literatura americana, eles adotaram o Fed e suas operações de mercado aberto como modelo a ser seguido.

Para detalhes sobre o funcionamento do Banco Central Europeu, veja este artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1204

Responder
anônimo 21/11/2013 20:11:17

Leandro, vai fazer um artigo desse esse ano também? Muito bom !

Responder
anônimo 2 30/11/2013 11:02:42

Também gostaria que tivesse.

Responder
Fabio 30/11/2013 18:02:29

Leandro. Quando é que sai um artigo desse ano??? Estamos anciosos.

Responder
luis 12/02/2014 21:37:57

Caro Leandro,

vi varios artigos com o mesmo comentário
" tarifas protecionistas impostas pelo governo encareceram ainda mais a importação de bens de capital"
Nunca vêm acompanhados pelos dados das tarifas. Daria para ser mais preciso?

Responder
Lucas Henrique 12/09/2014 14:38:47

Muito bom Leandro.
Nossa esse artigo é de 2012, parece que é de 2014.

Nenhum dos pessimistas de plantão vai falar contra o Índice, como falam contra o Ibope, IBGE, BC, ou o que seja, quando apontam algo contrário às suas previsões de fim-do-mundo?

Responder
Iago 04/01/2015 04:35:13

Parabéns pelo artigo Leandro,

Já passou 2 anos e a economia do Brasil a cada dia continua ainda mais preocupante.

Responder
Alex Monteiro 28/01/2015 03:26:33

Fantástico...

Excelente conteúdo, foi escrito com maestria em 2012, e ta tudo se cumprindo em 2015.... Parabens...

Responder
Thamiris França 17/04/2015 06:07:37

Que blog fantástico! Estou amando navegar e abrir minha mente para politica.

Responder
Mateus 29/04/2015 16:06:08

Tudo Verdade! Excelente artigo... Esse mundo da política merece um pouco de atenção!

Responder
Daniel 06/06/2015 21:32:59

Artigo bastante esclarecedor, meus parabéns!

Responder
Jose Ailton 10/11/2015 12:24:04

Este artigo merece uns mil parabéns pela a excelente qualidade, realmente este blog é um diferencial, já ganhou mais um seguidor!

Responder
Trader Esportivo 18/01/2016 14:05:56

Leandro, é incrível como o tempo passa e as coisas continuam na mesma. Da pra ter alguma esperança de que as coisas vão melhorar?

Responder
Bruno Silva 16/04/2016 02:57:46

Será que algum dia isso irá acabar ? uma pergunta de milhares de brasileiros...

Responder

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