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O mito da austeridade europeia

Vários políticos e comentaristas, como Paul Krugman, alegam que o problema atual da Europa é a austeridade.  Mais especificamente, alegam que os gastos dos governos europeus estão insuficientes. 

O argumento padrão é o seguinte: em decorrência das reduções nos gastos governamentais, a demanda na economia torna-se insuficiente.  Isso leva a um aumento no desemprego.  O desemprego piora a situação porque gera uma queda ainda maior na demanda agregada, o que por sua vez provoca uma queda nas receitas governamentais e um consequente aumento em seus déficits orçamentários.  Ato contínuo, os governos europeus, pressionados pela infatigável Alemanha, aprofundam seus cortes de gastos, reduzindo novamente a demanda agregada da economia ao demitir funcionários públicos e cortar gastos assistencialistas.  Isso, por sua vez, reduz ainda mais a demanda agregada, gerando uma infindável espiral baixista de desemprego e miséria. 

O que pode ser feito para se sair desta espiral?  A resposta dada pelos comentaristas é simplesmente a de acabar com a austeridade, turbinando os gastos governamentais para elevar a demanda agregada.  Paul Krugman chegou até mesmo a argumentar em prol de uma organização planetária contra uma invasão de alienígenas, o que induziria os governos a gastarem mais.  E por aí vão as bizarrices.  Mas esse raciocínio procede?

Em primeiro lugar, será que há realmente alguma austeridade na zona do euro?  Um indivíduo só pode ser considerado austero se ele poupa, isto é, se ele gasta menos do que ganha.  E a realidade é que não existe absolutamente nenhum país na zona do euro que seja austero.  Todos eles gastam mais do que arrecadam de receitas.

Com efeito, os déficits orçamentários dos governos da zona do euro estão extremamente altos, em níveis insustentáveis, como pode ser visto no gráfico abaixo, o qual retrata os déficits de cada governo em porcentagem de seu PIB.  Note que os números para 2012 são aqueles desejados por cada governo.

Figure1.png

Os números absolutos para os déficits — em bilhões de euros — são ainda mais impressionantes.

Figure2.png

Outro bom retrato da austeridade é comparar os gastos dos governos às suas respectivas receitas (o quão maior é o gasto público em relação à receita, em termos percentuais).

Figure3.png

Imagine que um conhecido seu tenha gastado, em 2008, 12% a mais do ganhou; em 2009, 31% a mais; em 2010, 25% a mais; e, em 2011, 26% a mais.  Você diria que essa pessoa é austera?  Você diria que esse comportamento é sustentável?  Pois é exatamente isso o que o governo da Espanha tem feito.  E ele vem se mostrando incapaz de mudar de postura.  Perversamente, os comentaristas da mídia estão dizendo que é justamente essa "austeridade" a responsável pelo encolhimento da economia espanhola e pelo seu alto desemprego.

Infelizmente, austeridade é uma condição necessária para a recuperação da Espanha, da zona do euro, e de qualquer outra economia em recessão.  A redução dos gastos do governo faz com que recursos reais — que até então haviam sido absorvidos pelo estado — sejam liberados e consequentemente disponibilizados para o setor privado.  A redução dos gastos do governo faz com que novos projetos de investimento se tornem lucrativos e impede os antigos de irem à falência.

Considere o seguinte exemplo.  João quer abrir um restaurante.  Ele faz alguns cálculos.  Ele estima que as receitas do restaurante serão de $10.000 por mês.  Já os custos estimados são os seguintes: $4.000 de aluguel do espaço; $1.000 de conta de luz, água, gás e telefone; $2.000 pela comida; e $4.000 para os salários.  Com as receitas estimadas em $10.000 e os custos estimados em 11.000, João não irá começar seu empreendimento.

Agora, suponhamos que o governo se torne mais austero, ou seja, ele efetivamente reduza seus gastos.  Suponhamos que o governo extinga algumas agências reguladoras e alguns ministérios, e venda os prédios dessas burocracias no mercado.  Como consequência, haverá uma tendência de queda nos preços dos imóveis e dos alugueis.  O mesmo ocorrerá com os salários.  Os burocratas demitidos sairão à procura de empregos no setor privado, e essa maior oferta de mão-de-obra exercerá uma pressão baixista sobre os salários.  Adicionalmente, as agências e os ministérios abolidos não mais estarão consumindo energia e demais serviços de utilidade pública, o que gerará uma tendência de queda no preço destes serviços.  João poderá agora alugar um espaço para seu restaurante no local onde funcionava uma destas burocracias por $3.000, dado que os alugueis estão barateando.  Suas contas de luz, água, telefone, gás etc. caem para $500, e os burocratas demitidos poderão ser contratados para lavar pratos e servir mesas por $3.000.  Agora, com as receitas estimadas em $10.000 e os custos em $8.500, o lucro esperado será de $1.500, e João poderá iniciar seu empreendimento.

Dado que o governo reduziu seus gastos, ele poderá reduzir também seus impostos, medida essa que poderá elevar o lucro líquido final de João (que agora tem de pagar um imposto de renda menor).  Graças à austeridade, o governo foi capaz também de reduzir seu déficit.  Aquele dinheiro que até então era emprestado ao governo para financiar seu déficit poderá agora ser emprestado para João para que ele faça seu investimento inicial: transformar as antigas instalações burocráticas em um restaurante.  Com efeito, um dos principais problemas de países como a Espanha é que a poupança real dos cidadãos está sendo utilizada pelo sistema bancário não para financiar empreendimentos privados, mas sim para financiar o governo.  Empréstimos estão praticamente indisponíveis para empresas privadas porque os bancos utilizam seus fundos para comprar títulos do governo a fim de financiar o déficit público.

No final, tudo se resume à seguinte questão: quem deve determinar o que deve ser produzido e como?  O governo, que usa recursos alheios para proveito próprio (como expandir a burocracia por meio de agências reguladoras, ministérios, programas assistencialistas, guerras etc.), ou empreendedores em um ambiente concorrencial, batalhando entre si para satisfazer os desejos dos consumidores com produtos cada vez melhores e mais baratos (como João, que agora utiliza em seu restaurante parte dos recursos anteriormente imobilizados no aparato estatal)?

Se você crê que a segunda opção é a melhor, então a austeridade é o caminho certo.  Mais austeridade e menos gastos governamentais significam menos recursos para o setor público (menos burocracia, menos agências reguladoras, menos ministérios) e mais recursos para o setor privado, que os utiliza para satisfazer os desejos dos consumidores (mais restaurantes).  Austeridade é a solução para os problemas da Europa e dos EUA, uma vez que ela estimula o crescimento sólido e reduz os déficits governamentais.

Um PIB menor?

Mas não seria verdade que, ao menos temporariamente, a austeridade reduz o PIB e joga a atividade econômica em uma espiral descendente?

Infelizmente, o PIB é um número bastante enganador.  O PIB nada mais é do que o valor de mercado de todos os bens finais e serviços produzidos em um país dentro de um dado período. 

Há dois motivos por que um PIB menor nem sempre é um mau sinal.

O primeiro motivo está relacionado à questão dos gastos governamentais.  Imagine um burocrata do governo que emite alvarás de funcionamento.  Quando ele nega a autorização para um determinado empreendimento, quanta riqueza foi destruída?  Como calcular?  Seria por meio das receitas esperadas desse empreendimento ou por meio de seus lucros esperados?  E se o burocrata involuntariamente tiver impedido o surgimento de uma inovação que poderia evitar o desperdício de inúmeros recursos escassos para a economia?  É difícil dizer qual o tamanho da destruição de riqueza provocada pelo burocrata.  Poderíamos simplesmente, e arbitrariamente, pegar seu salário anual de $120.000 e subtraí-lo da produção privada da economia.  O PIB seria menor.

No entanto — está sentado? —, o exato oposto ocorre na prática.  Os gastos governamentais contam positivamente para o PIB.  O salário do burocrata — e sua atividade destruidora de riqueza — eleva o PIB em $120.000.  Isso significa que, se a agência reguladora desse burocrata for fechada e ele for demitido, então o imediato efeito dessa austeridade será uma redução de $120.000 no PIB.  No entanto, essa redução no PIB é um ótimo sinal para a produção privada e para a satisfação dos desejos dos consumidores.

Segundo, se a estrutura de produção se encontra distorcida após um período de crescimento econômico aditivado pela expansão artificial do crédito, a reestruturação da economia também irá gerar uma queda temporária no PIB.  Com efeito, o PIB só poderia ser mantido se a estrutura de produção permanecesse inalterada.  Mas a permanência dessa estrutura distorcida e artificial representaria um consumo de riqueza, e não uma produção.

Se a Espanha ou os EUA tivessem continuado utilizando a mesma estrutura de produção vigente durante seus anos de crescimento, eles teriam continuado construindo a quantidade de imóveis que construíram em 2007.  Vários recursos escassos teriam sido desperdiçados nesses projetos, mais empresas estariam falidas no futuro e haveria menos capital disponível na economia.  A reestruturação de uma economia que foi artificialmente distorcida pelo crédito farto e barato direcionado ao setor imobiliário requer justamente um período de encolhimento do setor imobiliário.  Mais especificamente, tal setor terá de fazer um menor uso dos fatores de produção, liberando mão-de-obra e capital para outros setores.  E estes fatores de produção devem ser transferidos para aqueles setores onde eles estão sendo demandados com mais urgência pelos consumidores. 

A reestruturação não é instantânea; ela é organizada e conduzida por empreendedores em um processo dinâmico e competitivo que é incômodo, fatigante e que leva tempo.  Durante esse período de transição, quando os empregos naqueles setores artificialmente inchados da economia estão sendo destruídos, o PIB tende a cair.  Essa queda no PIB é apenas um sinal de que a necessária reestruturação da economia já está ocorrendo.  A alternativa seria continuar produzindo a mesma quantidade de imóveis produzida em 2007.  Se o PIB não caísse acentuadamente, isso significaria que a expansão econômica destruidora de riqueza estaria continuando exatamente como estava nos anos 2005—2007.

Conclusão

A austeridade do governo é uma condição necessária para a prosperidade privada e para uma rápida recuperação econômica.  O problema da Europa (e dos EUA) não é o excesso, mas sim a escassez de austeridade — ou melhor, a sua completa ausência.  Uma queda no PIB pode ser um indicador de que a necessária e saudável reestruturação da economia já está ocorrendo.

 

Leia também:

Os quatro tipos de austeridade - por que o governo cortar gastos é positivo para a economia 

Por que o PIB é uma ficção


0 votos

autor

Philipp Bagus

é professor adjunto da Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro A Tragédia do Euro.  Veja seu website.


Tradução de Leandro Roque

  • Cesar  03/12/2012 07:20
    Excelente artigo. O lamentável é que somos bombardeados com informacoes mascaradas da midia que tenta convencer a todos que a crise social que explode na Espanha e Grécia é decorrente da ausencia de gasto do governo. Parabens Prof Bagus.
    Em tempo, qual a fonte dos dados que o professor utiliza?
  • Daniel  03/12/2012 07:24
    Excelente artigo!

    "João poderá agora alugar um espaço para seu restaurante no local onde funcionava uma destas burocracias por $3.000, dado que os alugueis estão barateando. Suas contas de luz, água, telefone, gás etc. caem para $500, e os burocratas demitidos poderão ser contratados para lavar pratos e servir mesas por $3.000"

    Quem sabe um dia isso aconteça! Burocratas fazendo algo útil.


    Semana passada ouvimos a noticia que os parlamentares estavam votando mais um aumento para eles. O que iria custar $1 bilhão aos cofres públicos. Outra notícia é que os mesmos políticos de brasília não estao pagando imposto nos seus 14o e 15o salários.

    Esse país precisa acordar. Estou quase fugindo.

    Daniel - 02/12/2012
    Impostometro de hoje: R$ 1.385.988.006.092,59 (Aumentando R$ 47 mil / segundo)
  • ZiDenis  03/12/2012 08:51
    Considerando o exemplo do artigo em que "João quer abrir um restaurante", em razão da referida reestruturação da economia (queda do PIB, queda dos salários, desemprego), a queda no custo para iniciar o empreendimento também não seria acompanhada de uma queda na receita esperada?
  • Leandro  03/12/2012 09:09
    Tudo vai depender de quem é a sua clientela (ou seja, para qual mercado ele quer direcionar o restaurante) e qual será a política tributária do governo. Se ele cortar impostos, o poder de compra da população aumenta. Vale dizer que os salários afetados são majoritariamente aqueles vigentes em serviços mais simples. Não há motivos para quedas salariais nos empregos tradicionalmente mais bem remunerados. Se estes profissionais formarem a base da clientela do restaurante -- e considerando o maior poder de compra gerado pelos cortes de impostos --, os lucros podem até ser maiores do que os estimados.
  • ZiDenis  05/12/2012 09:35
    Obg pelo esclarecimento.
  • Henrique Mareze  03/12/2012 09:07
    O Leandro Roque, no artigo ''Os quatro tipos de austeridade - por que o governo cortar gastos é positivo para a economia'' (www.mises.org.br/Article.aspx?id=1465) diz que a Europa está cortando gastos:



    ''Tendo estes conceitos em mente, há quatro maneiras de se fazer austeridade:

    1) Aumentar impostos e cortar gastos;

    2) Aumentar impostos e manter gastos inalterados e;

    3) Manter impostos inalterados e cortar gastos;

    4) Reduzir impostos, e cortar gastos em uma intensidade maior do que o corte de impostos;

    A primeira é a que gera uma recessão mais intensa. De um lado, o corte de gastos debilita aquelas empresas que dependem do governo, o que é bom; mas, de outro, o aumento de impostos confisca ainda mais capital da sociedade, mais especificamente do setor produtivo, que é justamente quem absorveria a mão-de-obra demitida das empresas que faliram em decorrência dos cortes de gastos do governo. Você tem, portanto, o pior dos dois mundos. Aumento do desemprego, população com menor poder de compra, e setor privado sem capital para contratar. É isso que a Europa está fazendo.''

    Será isso ou eu entendi errado?
  • Leandro  03/12/2012 09:14
    Entendeu correto, muito embora eu jamais tenha dito (e tampouco o presente artigo tenha negado) que "a Europa está cortando gastos."
  • Mercado de Milhas  03/12/2012 09:22
    Disse sim!

    "É isso que a Europa está fazendo."
  • Leandro  03/12/2012 09:40
    A zona do euro como um todo não está: www.tradingeconomics.com/charts/euro-area-government-spending.png?s=emu13cougovspe&d1=20020101&d2=20121231

    Mas os PIIGS estão (e era a eles que eu me referia quando disse "Europa", muito embora esse de fato seja um erro conceitual injustificável), só que seus déficits continuam extremamente elevados, como foi o objetivo do artigo apontar (o artigo jamais nega que esteja havendo cortes de gastos) -- e isso segue absorvendo poupança do setor privado.
  • Rodrigo Polo Pires  04/12/2012 03:42
    Se li corretamente a Espanha esta cortando gastos por nao ter quem a financie para poder continuar gastando. O presente artigo parte do principio de que para ser austero nao se pode gastar mais do que o ganho. De certa forma o Leandro fez uma classificacao dos tipos de austeridade e seus possiveis efeitos e aqui apresentam-se graficos que mostram que a Europa continua a gastar mais do que arrecada e que a crise se deve a isso e nao o contrario. Esta dificil para a maioria admitir que o Estado fracassou e que sempre ira fracassar. Quero deixar claro que maioria para mim sao os empresarios, funcionarios e todos os que dependem das benesses governamentais e nao veem outra saida senao as tetas do governo e a expoliacao pura e simples.
  • Dalton C. Rocha  03/12/2012 09:51
    Todos os governos europeus devem extinguir todos os subsídios agrícolas e o salário- desemprego e expulsar, todas as pessoas cuja religião seja hostil à democracia. Só que não farão nada disto e seguirão em crise econômica.
  • Camarada Friedman  03/12/2012 12:33
    Eu me solidarizo com o seu repúdio ao "multiculturalismo"(codename for: integração Islâmica). Mas acho a maioria dos leitores desse site são hostis ah democracia também.
  • Atylla  03/12/2012 13:10
    Aposentadoria vai consumir 46% do PIB a partir de 2030:

    oglobo.globo.com/pais/aposentadoria-vai-consumir-46-do-pib-partir-de-2030-6902120

    Como Falava Margaret Tatcher " O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros"
    ou do setor produtivo.
  • Orlando Lero  03/12/2012 16:02
    Pessoal, há algum fórum onde se discute as teorias e propostas da Escola Austríaca?
    Sinto muita falta de um local para discutir minhas dúvidas em maior profundidade.

    abs

  • Gabriel  03/12/2012 16:54
    Tem um grupo no facebook, mas lá é meio parado também.
  • Rafael  03/12/2012 18:17
    Em português eu não conheço, mas em inglês tem o fórum do FDA e do Mises.org:

    board.freedomainradio.com/forums/240.aspx

    mises.org/community/forums/
  • pedro   03/12/2012 18:27
    Existe, a faculdade. Porém por aqui voce vai escutar que faculdade publica só ensina mentira.
  • Luis Almeida  03/12/2012 20:31
    Frase incompleta. Permita-me corrigi-la:

    "Por aqui, você vai escutar a verdade: que os cursos de humanas das faculdades públicas e privadas, cujos currículos são integralmente controlados pelo Ministério da Educação, só ensinam bobagens, mentiras e inutilidades. Nada que você vai aprender nelas será útil para transformar você em um ser humano produtivo".
  • Rhyan  04/12/2012 20:54
    O grupo Liberalismo do Facebook é bem movimentado.

    https://www.facebook.com/groups/liberalismo/
  • Brasileiro produz abaixo da média mundial  03/12/2012 17:26
    03/10/2011 - 10h45
    Brasileiro produz abaixo da média mundial

    Publicidade

    MARIANA SCHREIBER
    DE SÃO PAULO

    A produtividade do trabalhador brasileiro está abaixo da média mundial e tem evoluído em ritmo bem menor do a que a dos trabalhadores de outros países emergentes.

    Um brasileiro produziu no ano passado, em média, um quinto da riqueza gerada por um americano, um terço da de um sul-coreano e cerca da metade da de um argentino, calcula a consultoria americana Conference Board.

    De 2005 a 2010, a produtividade do brasileiro cresceu em média 2,1% ao ano, taxa inferior as de China (9,8%), Índia (5,8%) e Rússia (3,2%).

    Segundo economistas, isso ajuda a explicar a perda de competitividade do produto brasileiro e o aumento da inflação no país. Na medida em que a remuneração cresce mais rápido que a produtividade, produtos e serviços tendem a ficar mais caros.

    Dados do departamento de estatísticas do trabalho dos EUA mostram que os salários na indústria cresceram, de 2002 a 2008, 174% no Brasil e 133% na China.

    Mas lá isso foi compensado pelo aumento da produtividade, diz o economista da UnB (Universidade de Brasília) Jorge Arbache: "O aumento do salário não é uma coisa ruim, mas, se a produtividade não acompanha, vira um problema".

    O ranking elaborado neste ano pelo Conference Board com 114 países mostra que o brasileiro está na 68ª posição em produtividade. Segundo o levantamento, o brasileiro produziu em 2010 20,6% da riqueza gerada por um americano, enquanto a média mundial foi de 26,1%.

    A consultoria mede a produtividade do trabalhador dividindo o PIB (Produto Interno Bruto) de cada país por sua força de trabalho.

    Para o professor do Insper Naercio Menezes, a precariedade do ensino é o principal fator que explica a baixa produtividade do brasileiro. Além disso, ele aponta a falta de inovação das empresas, que investem pouco na criação de novas tecnologias.

    Entre os fatores que limitam a inovação, aponta, estão o excesso de burocracia e a precariedade da infraestrutura, que acabam sugando tempo e dinheiro que poderiam ser gastos em pesquisa.

    "A inovação permite produzir mais com o mesmo número de trabalhadores. Enquanto a China solicitou 13.337 patentes em 2010, o Brasil pediu apenas 442. Isso mostra como inovamos pouco", observa Menezes.

    Segundo o Conference Board, a produtividade do chinês é ainda menor que a do brasileiro. Isso ocorre porque metade dos chineses vive no campo, setor pouco produtivo no país, diz Arbache.

    "A produtividade do trabalhador industrial chinês é maior que a do brasileiro. Isso porque nos últimos anos a indústria chinesa migrou de setores pouco produtivos, como têxtil, para a produção de automóveis e chips", disse.

    www1.folha.uol.com.br/poder/984686-brasileiro-produz-abaixo-da-media-mundial.shtml
  • Ismael M Santos  03/12/2012 18:48
    Leandro, o que vai acontecer com estas lojinhas de crédito consignado que não param de abrir pelas cidades brasileiras?
    Tenho observado aqui na região oeste do paraná quase uma ploriferação deste segmento. Por exemplo, se fali uma videolocadora que não consegue competir com o Netflix e vendedores de filmes nas ruas, imediatamente ja abre uma loja pra oferecer crédito consignado, créditos à aposentados e pensionistas.
    Então pergunto, o que vão acontecer com elas e o que poderão causar no comércio da região daqui a um tempo?
  • Leandro  03/12/2012 20:23
    O que vai acontecer com elas? Elas vão se dar bem. Crédito consignado é uma negociata e tanto. Você empresta dinheiro para João e, em troca, adquire o direito de se apossar de uma fatia do salário de João ainda na fonte. Você se torna quase que a Receita Federal. Seu risco é praticamente nulo (por isso os juros são baixos nessa modalidade de empréstimo).

    Quem se endivida nessa modalidade e não possui renda para saldar suas dívidas é que se estrepa. O dinheiro dela será confiscado sem chance de negociação. Não é à toa que, como você disse, essa modalidade de crédito vem surgindo a cada esquina. O negócio é dinheiro garantido para o emprestador.
  • Rafael Fernandes  04/12/2012 14:27
    Marx na sua mensagem do comite central a liga dos comunistas, ensina sua estrategia decomo destruir a sociedade burguesa reivindicando cada vez mais impostos e depois o estado da mesma forma. O objetivo é sobrecarregar o estado parae depois exigir sua bancearrota. Todas essas mrentiras r elacionadas a austeridade, economiea verde ou justiça social não tem nada de inocentes e é tudo feito de caso pensado. Todas essas mentiras são exatamente para impedir que estado faça seu serviço e gerar o caos. Todos menos esquerdistas e fucionarios publicos entendem a necessidade de medidas de austeridade mas estes é claro so se importam com seus beneficios mesmo que não haja recursos. Quem ainda não viu leia se tiver oportunidade esse texto que é um dos capitulos do volume 3 da revista Karl Marx - coleção guias de filosofia da editora ESCALA. A onda de tumultos na europa e de crimes na america latina tem muito mais hraaver c politicagem de esquerda do que c economia. O estudo atento da obra de marx em paralelo com nossos estudos nos dará uma compreenção ampla da origem de todas essas crises oportunistas onde os inocentes sofrem e o mentirosos enriqUECEM. Vamos continuar agindo, mas quanto mais compreenção melhor. Boa sorte amigos. A sociedade ja rejeitou o comunismo, menos os intelectuais e politicos vigaristas, pois essa ideologia é sua fonte de controle da sociedade.
  • anônimo  04/12/2012 16:09
    e você fumou o que mesmo?
  • Filipa  05/01/2013 19:18
    yeehh! Demais amigo.
  • Eduardo Bellani  04/12/2012 14:48
    Os austríacos não estão com nada, bom mesmo é ser o homem do ano!

    /sarcasm

    Como não tem um fórum aqui, coloquei isso nesses comentários. É uma boa piada.
  • Rodrigo Makarios  04/12/2012 15:31
    O Leandro já deixou claro em outra ocasião qual a única coisa boa feita por este cidadão:

  • Patrick de Lima Lopes  04/12/2012 17:03
    Coisa boa? Talvez.

    Infelizmente, a obsessão com bancos é hereditária...

    "Marina, filha de Mantega, acusada de lobby no BB"

    www.brasil247.com/pt/247/poder/44143/
  • amauri  05/12/2012 08:57
    Boa tarde Leandro!
    O Brasil tambem tem deficit orçamentário? Tem algum grafico para ver?
    abs
  • Leandro  05/12/2012 10:16
    Tem. Sempre teve. Mas a imprensa quase nada fala porque aceitou o engodo do conceito primário (como "superávit primário") criado pelo FMI, sendo que todo o resto do mundo divulga seu conceito nominal. O Brasil tem superávit primário e déficit nominal.

    (A diferença entre eles é que o primário não leva em conta o pagamento de juros. Quando você inclui o pagamento de juros, o governo passa a incorrer em déficit nominal. Nesse cenário, obviamente, não está havendo um superávit efetivo nas contas. Nenhum país sério divulga apenas seus resultados primários, mas sim os nominais.)

    O Banco Central divulga gráficos sobre as contas públicas brasileiras desde novembro de 2002. Infelizmente não há links diretos para os gráficos, pois você tem de montá-los por conta própria.

    Posso adiantar que o maior valor acumulado em 12 meses foi de 6% do PIB, em 2003. já o menor valor foi de 1,3%, no segundo semestre de 2008. Atualmente, o déficit nominal está em 2,72% do PIB. Chegou a 4,4% em 2009, 3,25% em 2010 e 2% em 2011.

    O Brasil sempre incorreu em déficits nominais. Não temos superávit nominal.
  • amauri  05/12/2012 10:32
    Leandro, em comparação com outros países é baixo nao é?
    Assim, qual é a causa que mais preocupa em termos de macro economia o Brasil?
  • Leandro  05/12/2012 10:49
    É baixo em relação aos PIIGS e aos EUA, que usufruem a moeda universal de troca. De resto, é alto.

    E os problemas são esses delineados aqui.

    O principal problema do país? A moeda fraca, a previdência, o aumento contínuo das regulações estatais, o crescente tamanho do governo, a inflação de preços que nunca mais ficou abaixo sequer da meta de 4,5%, a infraestrutura, o setor elétrico, os portos, os aeroportos e a programação da TV aberta.
  • Tiago Bezerra  05/12/2012 11:04
    Eu sempre fiquei com um pé atras com esse tal de superavit "primário". É verdade que o superavit primário diminui a dívida pública?
  • Leandro  05/12/2012 11:16
    Não. Superávit primário é economia feita exclusivamente para pagar os juros da dívida. Só que os juros da dívida sempre são maiores que o superávit primário.

    Conclusão: você poupa $100 para pagar juros de $120. Ou seja, você ainda terá de pegar mais $20 emprestados apenas para pagar juros. Sua dívida bruta aumentou.

    E é exatamente isso que ocorre com a dívida brasileira.
  • Tiago Bezerra  05/12/2012 11:51
    Eu pensei que diminuisse, pois acreditava que, por exemplo: Se eu tivesse que pagar em 2012 uma dívida de $1.000, sendo essa dívida composta de $600 do principal e $400 de juros, e tivesse dispónível apenas $800 para efetuar o pagamento, eu pagaria o principal por inteiro, no entanto, o juros eu só pagaria a metade, continuando com uma dívida de $200. Comparando esta dívida com a inicial, $1.000, pode-se ver que ela é menor.

    Com a sua resposta, eu conclui que o superavit primário além de não incluir o juros, também não inclui a parcela do principal. É isso?
  • Leandro  05/12/2012 12:09
    Não, não é assim que funciona o pagamento de um título. Se você (o governo) emite um título hoje, você primeiro passa meses (ou anos) pagando apenas os juros. Por último, e só na data de vencimento, é que você paga o principal. Você não tem a opção de "pagar só a metade dos juros". Tampouco você paga antes o principal e só depois paga os juros. Primeiro você paga todos os juros; só depois você quita o principal.

    Logo, você faz superávit primário para pagar os juros. Mas como o superávit não é o suficiente -- e você realmente tem de pagar os juros; não tem essa de pagar só a metade --, então você tem de emitir outro título apenas para pagar os juros de um título. Sua dívida aumenta.

    Recomendo este artigo para entender os vários tipos de títulos, e este para um exemplo mais popular do conceito de superávit primário.
  • Tiago Bezerra  06/12/2012 05:09
    Valeu, Leandro. Antes mesmo de você enviar-me a resposta, eu lembrei da contabilidade de uma empresa, onde há a demonstração de resultado do exercício(DRE) e o balanço patrimonial (BP). No primeiro se contabiliza as receitas e despesas para determinar o lucro, o juros é registrado como uma depesa. O BP registra tudo que a empresa possui (ativo) e deve (passivo), o principal dum empréstimo está no passivo. Quando há o pagamento de uma dívida, o seu juros é contabilizado no DRE e o seu principal é amortizado no BP, subtraindo do passivo seu valor e o mesmo valor também é subtraido do ativo (normalmente a conta caixa).

    Você está certo. O resultado primário é inútil, mais uma enganação do governo, que a mídia aceita.

  • Samir Jorge  18/06/2013 12:46
    "O Poder do Mito". O mito habita o nosso cotidiano. Assim como o paradoxo do chamado cientificismo. Como as evidências mitológicas estão expressas no cientificismo dos pensadores e economistas profissionais.

    Parabenizo o site pelo uso de uma linguagem natural consignada nos artigos. Assim a informação está disponível para todos.

    Atenciosamente,


    (a) - Samir Jorge.
  • Ricardo  09/09/2013 13:27
    E aí me vem um cara falando as maiores crises do século XX foram causadas pela austeridade: www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/09/1338354-austeridade-nao-funciona-e-so-protege-os-ricos-diz-autor.shtml


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