Duas diferenças fundamentais entre as ciências naturais e as ciências sociais
por , quinta-feira, 29 de novembro de 2012

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natural_sciences (2).jpgQuais são as diferenças essenciais, do ponto de vista metodológico, entre as ciências naturais e as ciências sociais?  A primeira e mais direta resposta pode soar estranha e difícil de acreditar, mas é a mais perfeita definição da diferença entre ambas: as ciências naturais estudam fenômenos relativamente simples e fáceis.  Já as ciências da ação humana estudam fenômenos relativamente complexos.  Ou, ainda mais apropriado, fenômenos extremamente complexos.

Logo, em termos mais práticos, o que distingue um praticante das ciências naturais — como um químico, um físico, um biólogo, um médico — de um economista é o fato de que o químico, o físico, o biólogo e o médico estudam fenômenos simples e fáceis, em termos relativos, ao passo que estudiosos das ciências sociais lidam com fenômenos de extrema complexidade.

É isso mesmo?  Procede dizer que, por exemplo, físicos que estudam assuntos aparentemente herméticos e esotéricos, como mecânica quântica, gravitação quântica, teoria quântica de campos, buraco negro, termodinâmica de buracos negros, quantum de energia, fótons, magnetismo, cargas elétricas, mecanismo de Higgs etc. executam uma tarefa mais fácil do que a daqueles que se propõem a estudar a sociedade, algo que aparentemente todo e qualquer político e burocrata está sempre fazendo?  O que pode haver de difícil em determinar se se deve subir o salário mínimo, aumentar impostos, reduzir impostos, intensificar regulamentações, diminuir regulamentações, desburocratizar, expandir a oferta monetária, reduzir juros, elevar juros, aumentar subsídios, cortar subsídios etc.?  Tal tarefa certamente não deve exigir o mesmo intelecto exigido de um físico, que, para ser um bom físico, tem de se entregar a vários anos de intensos e pesados estudos.  Certo?

Apesar das aparências, a realidade é exatamente contrária.  Digo mais: são tão complexos os fenômenos estudados pelas ciências sociais, que quase ninguém os entende de fato.  E isso, paradoxalmente, faz com que eles pareçam simples e irresistíveis demais para não se dar palpites a respeito.  É justamente por isso que todos os ignorantes se atrevem a pontificar com desenvoltura e segurança sobre assuntos aparentemente simples, mas genuinamente complexos, dos quais não possuem os mais básicos conhecimentos a respeito.  Quanto mais aparentemente simples um assunto, maior a gama de ignaros que ele atrai.

Ninguém se atreve a palpitar resolutamente sobre fissão nuclear sem ser um especialista doutorado em física atômica.  Tampouco é comum ver um leigo perorando profundamente sobre as reações de um organismo em decorrência de uma quimioterapia.  No entanto, todas as pessoas falam com total pretensão e afetação sobre o que deve ser feito a respeito de salários, previdência social, relações trabalhistas, regulamentações, juros, impostos, tarifas de importação, bancos centrais, ajuda aos pobres etc., desconsiderando que os fenômenos sociais são extremamente mais complexos e completamente mais imprevisíveis do que os do mundo da física, da astronomia, da química ou da medicina.

Justamente por serem mais complexos, somos capazes de entender apenas uma mínima fração deles.  E é exatamente por isso, por entenderem tão pouco, que a imensa maioria das pessoas se atreve a dar palpites sobre o assunto.  É difícil ser genuinamente consciente da complexidade daquilo que se ignora totalmente.

Os fenômenos do mundo da economia são extremamente mais complicados que os do mundo das ciências naturais porque o grau de complexidade conceitual e categórico é infinitamente maior.  Ao passo que na física você pode isolar variáveis e trabalhar com constantes, nas ciências sociais são sete bilhões de seres humanos interagindo entre si de forma espontânea, imprevisível e criativa.  Cada interação humana cria um conhecimento que antes simplesmente não existia.  Nenhum átomo, nenhum elétron, nenhuma supernova é capaz de ter ideias, de criar, de descobrir, de compor sinfonias, de projetar novos modelos de televisão ou de carros, de conceber novos sistemas operacionais para computadores etc.

Hayek sempre dizia que, de longe, a ordem mais complexa do universo é o processo da ordem espontânea de um mercado.  E o grande paradoxo, nunca é demais repetir, é que, quanto menos o ser humano realmente entende a respeito desse complexo processo espontâneo, mais ele se julga apto a parolar sobre um assunto do qual absolutamente nada sabe ou entende.  Dependendo dos poderes que um indivíduo ou um conjunto de indivíduos possua, sua intromissão nesta ordem espontânea pode trazer danos irreversíveis.  No extremo, pode destruir toda uma civilização.  Uma única regulamentação, um único tributo, um único processo burocrático pode impedir que um determinado ser humano venha a interagir de forma criativa com outro ser humano, e, como consequência desse impedimento, deixem de pôr em prática uma ideia empreendedorial.  É impossível quantificar quantas coisas benéficas à humanidade não foram criadas por causa de intromissões engendradas por cientistas sociais nas interações empreendedoriais humanas.

Uma segunda diferença entre as ciências naturais e as ciências sociais é que o objeto de estudo das ciências naturais são as coisas, as matérias, as substâncias: uma pedra, um mineral, uma planta, uma vesícula biliar.  Já o objeto de investigação ou estudo das ciências humanas não são coisas, mas sim ideias — as ideias que os seres humanos têm a respeito de seus objetivos e dos meios com os quais alcançar esses seus objetivos.  Esta é uma diferença essencial entre o mundo da ciência natural e o mundo da ciência social.  Nas ciências naturais, seus profissionais estão sempre fazendo experimentos em laboratório, observando e analisando como reagem coisas externas a nós; nas ciências sociais, investigamos as ideias que outros indivíduos têm, investigamos como agem e o que fazem — ou seja, investigamos seus objetivos e os meios utilizados para alcançarem estes objetivos.

Em seu livro The Counter Revolution of Science, Hayek fornece o seguinte exemplo: um cosmético, como um creme de rosto, não é um cosmético por causa de seu composto químico (os elementos descritos em seu rótulo); ele é um cosmético porque determinados seres humanos, homens e mulheres, acreditam que esse creme que passam em seu rosto todas as noites possui uma utilidade — acreditam que fará bem à sua pele, revigorando-a para o dia seguinte, reduzindo as rugas etc.  O creme pode muito bem não ter eficácia nenhuma, mas não importa; basta que um indivíduo acredite que o creme lhe trará um benefício para que aquele composto de produtos químicos passa a ser visto como um cosmético.  Em termos econômicos, esse cosmético não é classificado de acordo com seu composto químico, mas sim de acordo com a ideia que outros têm a respeito dele; de acordo com a maneira como elas acreditam que esse cosmético irá servir para elas alcançarem um determinado fim.

O cosmético, portanto, é um meio para se alcançar um objetivo (uma pele revigorada).  Como todo meio, ele possui a sua utilidade.  A utilidade é a valoração subjetiva que um indivíduo dá a um meio em função do valor (também subjetivo) do fim que ele pode alcançar com aquele meio.

Um exemplo que particularmente gosto de fornecer, pois ilustra esse princípio à perfeição — e que virou curiosidade no YouTube —, é um vídeo em que rasgo uma cédula de 10 euros. 

Quem vê uma pessoa rasgando uma cédula de dinheiro fica compungida não pelo composto de celulose e tinta que foi rasgado, mas sim por inevitavelmente pensar em tudo aquilo que aquele pedaço de papel poderia lhe propiciar.  Isso significa que aquela cédula é um meio para se adquirir coisas de valor; é um meio para se alcançar múltiplos fins.  Como todo meio, ela também possui uma utilidade

Para muitas pessoas, esta utilidade é extremamente alta, pois aquela cédula é um meio necessário para que consigam se alimentar, se locomover ou mesmo para se divertir indo ao cinema.  A destruição de uma cédula de dinheiro gera pesar em muitas pessoas justamente pelas ideias que elas têm a respeito dos desejos que poderiam ser satisfeitos com aquela cédula.  Ao rasgar uma cédula de papel, destruí algo que a outra pessoa faz falta.

As pessoas concedem uma categoria econômica à cédula não em função de seu composto de celulose e tinta, mas sim em função das ideias que podem satisfazer com aquela cédula, dos fins que podem alcançar com aquela cédula.  A cédula, portanto, é um meio e seu valor é subjetivamente determinado por um indivíduo de acordo com o contexto de sua ação.

Conclusão

A ciência econômica, que é a ciência da ação humana, lida com as ideias que outros seres humanos possuem a respeito do que fazem, do que querem alcançar, e dos meios que utilizam para tal.  Já as ciências naturais lidam com coisa externas às relações e ações humanas.  Embora esta última tenha a fama de ser hermética e inalcançável para a maioria dos mortais, é a primeira que realmente não pode de maneira alguma ser confiada a leigos, aventureiros, ou idealistas.  O estrago pode ser irreversível para toda uma civilização.


Jesús Huerta de Soto , professor de economia da Universidade Rey Juan Carlos, em Madri, é o principal economista austríaco da Espanha. Autor, tradutor, editor e professor, ele também é um dos mais ativos embaixadores do capitalismo libertário ao redor do mundo. Ele é o autor de A Escola Austríaca: Mercado e Criatividade Empresarial, Socialismo, cálculo econômico e função empresarial e da monumental obra Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos.



82 comentários
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Ziemann 29/11/2012 05:08:23

Da mesma forma que você fala que é fácil ignorar a complexidade das "ciências" sociais é fácil ignorar (por falta de conhecimento) a complexidade MUITO maior da física. Na economia você precisa levar em consideração causas e efeitos que você ve e pode avaliar, obviamente várias coisas são imprevisíveis, mas pelo menos depois que você faz um experimento (aumentar o salário) você consegue ver o resultado.
Adoro o IMB mas comparar decisões econômicas com conhecimentos de multiversos, teoria de cordas, matéria escura, wormholes etc é ridículo e mostra a falta de conhecimento que vocês tem sobre o assunto.

Tudo bem falar que Economia é mais complicado que algo simples na física como a Gravidade de Newton (que está errada), mas não passa disso. As abstrações que um físico tem que fazer para chegar em teorias como a das cordas é simplesmente impressionante. Comparar Mises que é um mestre da economia por exemplo com Stephen Hawking é até uma piada de mal gosto...

Responder
Luis Almeida 29/11/2012 05:33:05

"Da mesma forma que você fala que é fácil ignorar a complexidade das "ciências" sociais é fácil ignorar (por falta de conhecimento) a complexidade MUITO maior da física."

Pronto, totalmente previsível. Não sei o que é pior hoje em dia: a delicadeza das pessoas (todo mundo se ofende com uma facilidade que seria inacreditável décadas atrás) ou sua incapacidade de entender coisas básicas. Prezado Ziemann, o artigo repetidas vezes afirma que a física é "muito difícil, hermética e esotérica". Em momento algum o artigo discorda que ela seja complexa. O senhor deve ser muito bom em física, mas pelo visto ainda não domina a básica ciência da interpretação de texto. E olha que o autor do artigo fez questão de ser repetitivo em vários pontos, hein? Ainda assim, pelo visto, o senhor não entendeu...

"Na economia você precisa levar em consideração causas e efeitos que você ve e pode avaliar, obviamente várias coisas são imprevisíveis, mas pelo menos depois que você faz um experimento (aumentar o salário) você consegue ver o resultado."

Ah, é? Simples assim? Tipo, um governo declara controle de preços e fecha as fronteiras. Em conseqeência disso, a população morre de fome. Depois do morticínio, os burocratas simplesmente viram uns para os outros e dizem: "Oops! Acho que falhou..."

Simples, né? Afinal, "você consegue ver o resultado". Não houve estrago nenhum...

"Adoro o IMB mas comparar decisões econômicas com conhecimentos de multiversos, teoria de cordas, matéria escura, wormholes etc é ridículo e mostra a falta de conhecimento que vocês tem sobre o assunto."

A única coisa ridícula aqui, novamente, é a sua total incapacidade de interpretar textos totalmente básicos e mastigados. A sua conclusão no parágrafo anterior -- dizer ser possível ver o resultado após uma política governamental ser implementada -- mostra bem a sua incrível dificuldade com a ciência econômica. Já que é possível, diga-me: qual o total de riqueza que deixou de ser criada pelas intervenções governamentais? Qual seria hoje a expectativa de vida da população sem essas intervenções? Se você "consegue ver o resultado", não terá dificuldade alguma em responder isso.

Outra coisa, um economista ignorante palpitar sobre teoria das cordas, matéria escura e wormholes não traz risco nenhum ao bem-estar de uma civilização. Já um físico que vire burocrata estatal e, movido pelo "amor ao povo", saia impondo medidas econômicas insensatas causará um estrago que pode ser irremediável para vários seres humanos. Entendeu esse conceito de "complexidade"?


"Tudo bem falar que Economia é mais complicado que algo simples na física como a Gravidade de Newton (que está errada), mas não passa disso."

Pelo menos para você, passou disso sim. Você mostrou não dominar conceitos extremamente básicos de economia (já eu conheço economistas que dominam conceitos extremamente básicos de física).

"As abstrações que um físico tem que fazer para chegar em teorias como a das cordas é simplesmente impressionante."

Sem dúvida. O artigo nega isso? E as abstrações que um economista tem de fazer para entender por que o congelamento do preço do leite pode levar a uma escassez de vacas também exige. É mais difícil que a teoria das cordas? Não. Uma interpretação errada sobre o congelamento de preços gera mais estrago que uma interpretação errada sobre a teoria das cordas? Deixo a resposta com você.

"Comparar Mises que é um mestre da economia por exemplo com Stephen Hawking é até uma piada de mal gosto..."

A piada de mau gosto aqui é você, que encerrou esse show de ignorância fazendo uma comparação absolutamente nada a ver. Quem foi melhor: Pelé ou Kasparov?

Responder
Rodrigo 29/11/2012 08:02:32

Luis Almeida,\r
\r
" o artigo repetidas vezes afirma que a física é "muito difícil, hermética e esotérica".\r
\r
O artigo não diz isso.\r
Leia novamente.\r
\r
Quanto à gravidade de Newton: Insuficiente para uma série de casos... incompleta... Enfim... chame como quiser...\r
\r
Gostei muito do artigo. Como todos publicados aqui, excelentes!

Responder
Luís 29/11/2012 08:28:59

É isso mesmo?  Procede dizer que, por exemplo, físicos que estudam assuntos aparentemente herméticos e esotéricos, como mecânica quântica, gravitação quântica, teoria quântica de campos, buraco negro, termodinâmica de buracos negros, quantum de energia, fótons, magnetismo, cargas elétricas, mecanismo de Higgs etc. executam uma tarefa mais fácil do que a daqueles que se propõem a estudar a sociedade, algo que aparentemente todo e qualquer político e burocrata está sempre fazendo?

Diz ou não diz?

Responder
anônimo 11/12/2012 02:40:04

APARENTEMENTE herméticos e esotéricos

Responder
Rodrigo Makarios 29/11/2012 08:05:30

"É justamente por isso que todos os ignorantes se atrevem a pontificar com desenvoltura e segurança sobre assuntos aparentemente simples, mas genuinamente complexos, dos quais não possuem os mais básicos conhecimentos a respeito."\r
\r
"...todas as pessoas falam com total pretensão e afetação sobre o que deve ser feito a respeito de salários, previdência social, relações trabalhistas, regulamentações, juros, impostos, tarifas de importação, bancos centrais, ajuda aos pobres, etc..."\r
\r
O comentário do Ziemann demonstra cabalmente a veracidade dos trechos acima.

Responder
Mateus 10/12/2012 19:06:00

Eu aqui como graduando em física estava pensando a mesma coisa. O cara lê o texto mas não consegue ver o real sentido dele. Quer apenas se focar no aspecto secundário dele (que é a comparação entre as ciências exatas e as sociais) para tentar compor alguma crítica que seja. É apenas uma comparação simplista que nunca visou realmente responder à questão. Até porque creio ela sem resposta. O problema é que a complexidade da Física é muito mais perceptível do que complexidades de ordem social ou histórica. Daí a ilusão das pessoas nas exatas que as ciências humanas são mais simples. Mas não é bem por aí. De toda forma, debater isso é como ficar debatendo quem tem o pinto maior. É simplesmente banal...

Responder
Fernando Cardoso 05/07/2013 15:18:04

Antes de tudo concordo com Ziemann, e aliás gostei de ele ter metido entre parêntesis a palavra "ciências" sociais; 1º ponto: para o autor que criou o texto descaracterizando as ciências naturais ou exactas como quiserem chamar) em relação ás sociais é preciso entender que qualquer camponês sabe opinar, e muitas das vezes com razão, acerca de politicas socias e quiçá a respeito de sociedade, mas esse mesmo camponês já não sabe opinar em questões de fisica, quimica, ou até mesmo biologia, porque note-se que enquanto toda a gente sabe que a sociedade está em constante evolução e essa parafernália de "tretas" todas e é sempre trivial e previsivel, nas ciencias naturais o que hoje é verdade amanhâ poderá ser mentira, hoje pode-se formular uma teoria que amanhã seja substituida por uma melhor; 2º ponto: vide no youtube a opinião sábia do fisico richard feynmann a respeito de tal matéria : ciencias sociais x naturais; 4º ponto: de facto e pegando no exemplo da física ou quimica, quem foi que disse que os fenómenos que ela estuda são básicos, então eu gostaria que o autor do texto me explicasse a teoria das onze cordas, me explicasse detalhadamente o que é mesmo a gravidade qual é a força estranha que a produz, que conseguisse provar se de facto ainda existe antimatéria suficiente no espaço sideral algures para causar destuição total, qual é o fim do cosmos, e se tem fim. 5º ponto: reparem que enquanto as ditas "ciencias sociais" estudam a sociedade e sendo ela algo palpavel e observável, no mundo da física e quimica podem-se muitas vezes gerar visões erradas de determinadas experiências, porque estã-se a lidar com o cosmos algo que só os astronautas conseguem apreciar, átomos e subparticulas, algo que não é visivel a olho nu, e nem palpavel.
6º e ultimo ponto: Lanço aqui a pergunta para o autor Jesus Herta de Soto e para todos aqueles que apoiam a superioridade das ciencias sociais:
Quais foram as grandes contribuições das ciencias socias para a humanidade em relação ás ciências naturais ou exactas? Esses ignorantes das tretas sociais com a língua aguçada como uma vibora dir-me-ão que a bomba at´mica foi uma tragédia ao passo que eu pergunto: então e a radioterapia? Certamente já salvou mais gente do que aquela que matou em hiroshima e nagasaqui.
Para rematar defendo acérrimamente as ciências naturais(apesar de eu estar na licenciatura de serviço social, mas pretendo a seguir ser bioquimico ou quimico), porque sem elas pessoas continuariam ignorantes e a morrerem de doenças e existiria estagnação da humanidade, em contrapartida sem ciências sociais talvez o mundo fosse um lugar menos corrupto, injusto, invejoso e ganancioso.

Responder
Andre Cavalcante 05/07/2013 21:49:51

Caro Fernando,

Acho que você não entendeu o texto...

Responder
Fernando Cardoso 08/07/2013 13:10:43

Sr. André Cavalcante,
Eu pessoalmente estou convicto de que entendi o texto,porventura posso estar ofuscado e não estar a ver o real sentido do texto, e nele está bem explicito o ponto em que o autor afirma claramente que os fenómenos estudados pelas ciências sociais são mais complexos do que os estudados pelas ciências naturais, e é esse ponto que eu ataco com o meu texto produzido e publicado.

Responder
André Luiz S. C. Ramos 29/11/2012 06:33:25

O artigo é excelente, como todos do professor Huerta de Soto, mas quando eu estava mais empolgado com a leitura, ele acabou. O tema é tão fascinante que eu fiquei esperando mais.

Responder
Gabriel Miranda 29/11/2012 12:04:58

André, já leu o A Pretensão do Conhecimento, do Hayek? Tem a ver com o tema. Muito bom!

Responder
anônimo 29/11/2012 06:38:27

Outro dia assisti de novo aquele filme 'Contato'
Da primeira vez que vi tinha achado que era só um filme de ficção científica com um pouco de realismo, mas vendo de novo agora dá pra notar o tanto de ideologia que tem nele
-O empresário que ajuda a mulher é um cara escroto que tem crise de consciência e quer devolver o que 'sugou' da sociedade
-Os cientistas que fazem pesquisas inúteis são os heróis
-Quem financia tudo é praticamente o 'vilão' da história, o retardado egoísta que quase não quer dar dinheiro pra uma coisa tão fantástica e maravilhosa como é a ciência do sexo das baratas
-Pesquisas inúteis são uma coisa boa porque é delas que vai sair a nave espacial que vai te levar pro outro lado do universo.
-O cara que sugere procurar algo mais pé no chão é mostrado como o safado que vai querer ficar com o mérito da nave espacial depois

...e por aí vai.
Eu acho que o objetivo do livro no final era esse, incentivar as massas a dar dinheiro pros cientistas, ou justificar quando o governo faz isso por eles.

Responder
Pedro Ivo 29/11/2012 09:29:40

Concordo com você anônimo. E o livro é ainda mais estatista, intervencionista e incentivador da "engenharia social" que o filme, pois no filme estas coisas são todas insinuadas, e no livro é explícito.

Não me entendam mal: é um gran livro estética e literariamente falando. Um de meus favoritos, aliás. Foi fundamental em minha formação, e tive sorte de lê-lo ainda jovem que eu era: poupou-me de muitos erros, e me abriu para muitas experiências gratificantes; tornou-me cético (no sentido de desconfiado e crítico) e me manteve de olhos bem abertos para as crendices e inconsistências dos discursos e crenças alheias (e para os meus próprios inclusive, porque fazer uma crítica e não se incluir dentro dela é a maior fraude que se pode cometer).

É extremamente bem escrito: trama envolvente; personagens caracterizados com riqueza psicológica de detalhes quanto às suas inclinações, motivações e personalidades; e um livro muito honesto: o autor não se esconde atrás de uma pseudo-objetividade ou pseudo-distanciamento (como fazem os jornalistas e documentaristas) da questão. Ele defende explicita, sincera e fundamentadamente suas teses (parte destas teses é equivocada, mas ele as funda o melhor que pode, que conhece).

Por ex., o autor, Carl Sagan, era ateu e um precursor do neoateísmo, que Richard Dawkins e outros propõem hoje em dia (grosso modo, neoateísmo é mostrar que religião/misticismo é um apêndice evolutivo da cognição humana. A capacidade humana de aprender/memorizar, e depois antecipar, predizer, descrever, imaginar e explicar, permite uma narrativamente progressivamente mais verossimilhante acerca da realidade; mas também a toda sorte de ficções, e a religião, como qualquer crença não-justificada – i. é, sem evidência –, é uma destas ficções. E um dos vários problemas , segundo os neoateus, que isto implica, é que crenças não-justificadas são uma irracionalidade, e toda irracionalidade tem conseqüências imprevistas e imprevisíveis a longo prazo). No livro há um pregador cristão (não me lembro seu nome agora. No filme este pregador e a cientista protagonista da estória tornam-se amantes. No livro são um misto de rivais e aliados, amigos por fim) que é o arquétipo daquilo que o Sagan não gosta na vida real: um místico e dogmático. Todavia, a caracterização psicológica deste personagem é riquíssima. E ele é parte central da trama, dando a ela muito de sua liga, pois é um desencadeador de muitos conflitos, e mediador de tantos outros. É um homem inteligente e integro, tanto que conquista a confiança até de quem seja seu opositor. Sua fé é honesta. É alguém que se guia por princípios, não por politicalha e sede de poder (e em contrapartida há na trama outro pregador que é o exato oposto, e sua participação é modestíssima). E a caracterização de suas inclinações, motivações e personalidade são abrangentes, convincentes e envolventes, além de indispensáveis para a trama, pois o livro é um gran exercício de psicologia social acerca do enfrentamento, pela humanidade, de uma situação crítica e monumental, e de como este enfrentamento se dá pela dicotomia fé/razão, tanto pelas pessoas mais próximas do poder, como pela massa.

Talvez por ser um livro tão integro quanto em certas passagens equivocado, seja tão bom esteticamente, e tão perigoso civilizacionalmente. É um livro que incita o questionamento, o ceticismo e a crítica, e noutros pontos cai na inocência da pretensão de conhecimento e do planejamento central, e num internacionalismo inocente (como se democracia, quanto mais democracia planetária, tornasse todas as pessoas representadas em seus interesses; ao invés de ser o que realmente é: coerção em magnitude jamais vista). Cai na pueridade de considerar a ciência pura inocente e casta, e à aplicada como maliciosa. A academia, em sua busca por conhecimento, nobre, e o empresariado, em sua busca por lucro, ambíguo moralmente (a despeito de que retrata, ainda, e muito bem, dentro da academia, a luta por poder, prestígio e proeminência).

Todavia, no filme estes parcialismos são ressaltados porque Hollywood tem o péssimo hábito de caracterizar mocinhos e bandidos de modo mui maniqueísta porque é mais fácil para o público digerir (já melhoraram muito em relação à 16 anos atrás quando este filme foi feito, mas ainda são meio rasteiros neste ponto). No livro isto fica menos patente porque todos os personagens são complexos: são caracterizados exaustivamente quanto às suas motivações, anseios, personalidades e reações às circunstâncias. Permanece, ao fim, a tese inocente de Sagan de um desejo por justiça, paz, pureza, nobreza e altruísmo, por democracia e pelo fim do jogo de interesses na política e pela prevalência dos interesses da humanidade (e digo "inocente" porque os meios que ele defende para atingir estes fins, são a meu ver totalmente despropositados, infundados, interventores, pretensiosos, e de uma gigantesca ignorância e ingenuidade quanto aos processos societários que ele descreve – esteticamente, contudo, descreve-os magistralmente. Todavia, comungo dos ideais de Sagan quanto a um mundo mais pacífico e nobre, mas tendo certeza que se os atinge é com liberdade, descentralização, separação entre política e economia, ética do egoísmo e da busca pelos próprios interesses, ordem espontânea, repulsa ao planejamento central e à engenharia social e rechaço ao internacionalismo e democracia – anarquia, enfim). Mas como ele caracteriza a todos seus personagens com maestria literária, e com honestidade intelectual (pois mostra a todos, tanto aos virtuosos quanto aos canalhas e ambivalentes, como seres humanos completos, com aspirações e razoes para terem se tornado quem são; e dá a todos eles e suas virtudes e desvirtudes papel na trama), o livro é menos parcial, ainda que a tese final do autor seja parcial.

De todo modo, é um livro (mas não ao filme, que é mui ruim, e uma caricatura do livro) que recomendo, particularmente aos adolescentes. Dêem-no aos seus filhos e sobrinhos! Vai engendrar boas discussões á mesa de jantar.

Responder
Tiago RC 29/11/2012 06:42:12

Seu Jesús foi particularmente infeliz na escolha das palavras desse texto.

Eu acredito entender a mensagem, a ideia de que pessoas que não entendem nada de economia dando palpites sobre o assunto tende a ser catastrófico. Concordo plenamente.

Mas dizer que ciências naturais estudam fenômenos simples e fáceis, em relação às ciências sociais? Por favor. Desafio um economista que acredita nisso a entender como se faz o mapeamento de uma cadeia de DNA, do aspecto biológico ao computacional, e ver se realmente é mais fácil de entender do que os efeitos negativos de um salário mínimo.
Já li bastante sobre economia aqui no IMB e considero ter uma noção acima da média geral. Também já li um pouco sobre física. Não sou profissional em nenhum dos dois campos. Confesso que tive mais facilidade para entender como a expansão monetária pode levar a ciclos econômicos do que entender como diabos a luz pode ter velocidade constante independente do referencial - na verdade, isso ainda não entra na minha cabeça direito.

Qualquer campo de estudo pode ser "fácil" ou "difícil", "simples" ou "complexo". Tudo depende de quão mais fundo você pretende mergulhar nos estudos.

O que talvez o autor queira ter dito é que ciências naturais tem um menor nível de abstração que ciências sociais.
Física é a ciência natural com menor nível de abstração. Estuda as reações e regras fundamentais do universo. A química já trabalha com maior abstração, estudando moléculas etc. A biologia, muito mais abstrata: está longe das reações atômicas, das regras fundamentais, trabalhando com estruturas bem maiores, como um organismo. Não dá pra tentar precisar todas as reações atômicas que acontecem num órgão humano como o o coração por ex. Para estudá-lo, é necessário abstrair detalhes.
Quando se trata de ciências sociais então, a agregação de reações fundamentais é tão absurdamente grande que um nível muito maior de abstração é necessário. Tão maior, que o próprio método científico tem que mudar: o empiricismo não serve mais.

Pela maneira como ele escreveu esse texto, soou como uma esnobação com relação às ciências naturais. Não ficou bom. O que é uma pena, pois a mensagem que ele tenta passar é importante. A ignorância geral sobre economia - que eu atribuo em parte ao controle estatal sobre a educação - é algo grave.

Responder
Ricardo 29/11/2012 06:49:43

Tiago RC disse:

"Quando se trata de ciências sociais então, a agregação de reações fundamentais é tão absurdamente grande que um nível muito maior de abstração é necessário. Tão maior, que o próprio método científico tem que mudar: o empiricismo não serve mais."

Jesús disse:

"Os fenômenos do mundo da economia são extremamente mais complicados que os do mundo das ciências naturais porque o grau de complexidade conceitual e categórico é infinitamente maior. Ao passo que na física você pode isolar variáveis e trabalhar com constantes, nas ciências sociais são sete bilhões de seres humanos interagindo entre si de forma espontânea, imprevisível e criativa. Cada interação humana cria um conhecimento que antes simplesmente não existia. Nenhum átomo, nenhum elétron, nenhuma supernova é capaz de ter ideias, de criar, de descobrir, de compor sinfonias, de projetar novos modelos de televisão ou de carros, de conceber novos sistemas operacionais para computadores etc."

Ou seja, Tiago entendeu direitinho o texto, mas, estranhamente, disse que não é bem assim...

Responder
Tiago RC 29/11/2012 07:02:00

Como eu disse no meu comentário, eu acredito ter entendido a mensagem, mas não gostei de como foi passada. Particularmente o uso da palavra "fácil". Pra começar, esse adjetivo não se aplica a "fenômenos", que é o que ele fez no texto. Um fenômeno por si só não pode ser fácil ou difícil. Sua compreensão, sim.
Logo, a conclusão mais imediata é que ele afirma que estudar fenômenos naturais é necessariamente mais fácil que estudar ciências sociais. O que obviamente não é sempre verdade.

Responder
Sim 29/11/2012 09:42:29

Claro que é mais fácil estudar fenômenos naturais, são repetíveis, facilmente admnistráveis, convergentes.

Fenômenos sociais são impossíveis de repetição, são divergentes, e baseado em conjecturas.

Por esse motivo estudar Ciências Sociais é MUITO mais difícil, se fosse fácil bastaria hoje mesmo você entrar na bolsa de valores e ficar milionario.

Responder
Ricardo 29/11/2012 06:51:30

Ziemann diz: "Tudo bem falar que Economia é mais complicado que algo simples na física como a Gravidade de Newton (que está errada), mas não passa disso"

A Gravidade de Newton está errada?!

Responder
Luis Almeida 29/11/2012 06:56:03

Se o Ziemann diz que sim, eu não duvido. Mas esse é exatamente o ponto: o Ziemann discordar de Newton não faz diferença nenhuma para a humanidade. Ninguém é afetado por isso. Já Obama discordar de Mises e concordar com Krugman é algo que faz com que toda a humanidade sofra as consequências.

Responder
Ricardo S. 29/11/2012 07:57:33

Luis Almeida,

A mecânica newtoniana, a rigor, está errada, pois não leva em conta os efeitos relativísticos que Einstein vislumbrou. No entando, para aplicações práticas do nosso dia-a-dia, onde se trabalha velocidades muito menores do que a da luz (v < 0,1*c), uma conta feita utilizando a mecânica newtoniana terá, digamos, um erro de 0,00001%, o que, convenhamos, ninguém vai sentir falta.

Por outro lado, se você aplicar a mecânica newtoniana ao movimento de planetas, por exemplo, seus resultados estarão muito distantes da realidade.

Acho que foi isso que o Ziemann quis dizer.

Responder
Luis Almeida 29/11/2012 08:01:17

Perfeito, Ricardo S. Reforça ainda mais o que eu disse: os cientistas não têm consenso quanto a isso, e isso não afeta ninguém. Bom para eles. Já economistas que nada entendem sobre juros, inflação e expansão do crédito seguem arrebentando economias e as vidas de várias pessoas.

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Andre Cavalcante 29/11/2012 20:37:33

"Perfeito, Ricardo S. Reforça ainda mais o que eu disse: os cientistas não têm consenso quanto a isso, e isso não afeta ninguém".

Da próxima vez que você subir ou descer de um elevador em um prédio de 10 ou 20 andares (ou maior), pense que é uma construção com a base praticamente igual ao topo, que foi construído em alguns meses ou poucos anos (no pior dos cenários, cenários estes que mais dependem da economia do que da técnica) e tudo isso por causa das leis de Newton (gravitação, inclusive). Se isso não afeta a ninguém? Bom, deixamos de construir pirâmides e arcos de pedra após o Newton. Todo engenheiro no mundo todo, usa essas mesma base para fazer o seu trabalho. Se isso não é ter consenso, já não sei mais o que seria. Se isso afeta a sua vida? Creio que sim, e muito. A minha, pelo menos, é afetada todos os dias quando entro em um elevador e me pego pensando no que seria a humanidade sem as leis de Newton...

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Luis Almeida 30/11/2012 02:55:33

Ué, Andre, não é para mim que você tem de falar isso, não. É para o Ziemann ali. Ele disse que Newton está errado. Você diz que ele está certo. E eu digo que, independentemente de quem esteja com a razão, as coisas funcionam e o mundo não é prejudicado pela opinião divergente entre vocês dois cientistas naturais (exatamente o que entendi do artigo).

Já o mesmo não ocorre para assuntos econômicos, nos quais uma opinião errada colocada em prática gera muita miséria, atraso e até democídio.

Entendeu o ponto? Você é um leitor sólido, sensato e bem acima da média dos demais. Assustei-me com essa sua confusão. Mas tenho certeza de que foi um lapso passageiro.

Saudações!

Responder
Andre Cavalcante 30/11/2012 04:33:01

Puts,

Só estamos esquecendo que não existe certo ou errado em ciência! Qualquer uma, natural ou social! Certo ou errado é de ordem MORAL!

Ciência procura as relações de causa e efeito através da razão. Como esta evolui com o tempo e há várias formas de se entender um fenômeno qualquer, então haverá várias teorias que explicam tal fenômeno.

Qualquer teoria, natural ou social, é apenas isso: TEORIA. "Nem todos os exemplos do mundo podem me dizer que eu estou certo, mas apenas UM pode me dizer que eu estou errado!" - Einstein.

Quando você diz que a sua teoria é "certa" e aquela é "errada" (e olha que aqui vai uma discussão do que é ter certeza de algo!) você sai do campo da ciência e entra na religião (assumindo aqui religião como a aceitação dogmática de algo), pois está fazendo um juízo de valor, portanto, subjetivo e, portanto, de cunho pessoal.

Quando um keynesiano diz que o governo deve gastar mais porque isso é "melhor" para a sociedade, ele está errado não porque sua teoria é infundada (para ele não o é), mas porque, em fazendo um juízo de valor, deixa de tomar uma decisão com base na ciência e passa a tomar decisão com base em valores pessoais (como se os valores deles valessem para mim).

A ciência, por definição, não faz esse juízo de valor. Eu e você fazemos!

Entenderam?!

Aceito a EA de economia hoje, não porque ela é a "sacrossanta verdade", mas porque ela condiz melhor com a minha razão, explica melhor certos fenômenos econômicos, para MIM é a mais lógica, etc. Tudo pessoal!

Responder
Luis Almeida 30/11/2012 05:03:11

Isso é relativismo. Como você muito corretamente disse, "Ciência procura as relações de causa e efeito através da razão". E é exatamente com base nisso que você pode definir se uma teoria é certa ou errada. Ela é certa se ela consegue explicar logicamente uma sequência de eventos.

"Quando você diz que a sua teoria é "certa" e aquela é "errada" (e olha que aqui vai uma discussão do que é ter certeza de algo!) você sai do campo da ciência e entra na religião (assumindo aqui religião como a aceitação dogmática de algo), pois está fazendo um juízo de valor, portanto, subjetivo e, portanto, de cunho pessoal."

De modo algum! Juízo de valor é dizer se algo é moral, ético, bom para a humanidade e afins. Certo ou errado é dizer se tal raciocínio procede ou não. "2 mais 2 são quatro". Isso é algo certo. "2 + 2 são 6", isso algo errado. Não há juízo de valor nenhum nisso.

Responder
Randalf 30/11/2012 01:33:21

Há consenso generalizado na comunidade científica que a Teoria de Gravitação de Newton está incompleta. Se perguntar a qualquer físico, nenhum lhe dirá que a teoria da gravidade de newton é completa. E quando se diz que 'está errada', é um termo inadequado, pois o que se deveria dizer é 'está incompleta'.

Responder
Rhyan 29/11/2012 07:35:41

Dizer que está errada é meio complicado, mas foi bem substituida pelas teorias da relatividade. Que também não são completas e falham quando voltamos próximos ao Big Bang. A física precisa de uma nova teoria, e por isso físicos sonham com uma teoria que explique tudo, que junte as 4 forças fundamentais da natureza numa única equação. Seja a teoria das cordas ou a teoria-M, essa é a busca atual de muitos físicos.

Responder
Felipe 06/12/2012 14:36:55

Para um engenheiro ela está certa, para um astrônomo ela está errada. =)

Vale frisar, contudo, que não existe modelo fechado em física. A representação matemática exata de fenômenos naturais - "em certos domínios" - sequer pode servir como prova de que tal fenômeno é determinístico.

Mas o nobre professor têm razão. Veja o avanço da física, química e biologia nos últimos cem anos e comparemos com a evolução das ciências sociais, onde teorias do século retrasado ainda cantam como seria em nossas universidades.

Responder
Fernando Cardoso 05/07/2013 15:26:09

Sr. Ricardo é claro que a teroria de newton está errada, porque existe sim gravidade, mas a sua acção é diferente da preconizada por newton, tente ler Einstein.

Responder
anônimo 29/11/2012 06:55:37

'como diabos a luz pode ter velocidade constante independente do referencial'

Se você está numa nave quase na vel da luz e liga a lanterna, a velocidade daquela luz vai ser constante pra você.O espaço e o tempo são distorcidos dependendo da sua velocidade.

Responder
Tiago Bezerra 29/11/2012 07:58:44

Na minha humilde opinião, o pessoal das ciências naturais não precisa ficar ofendido com o artigo, pois na verdade a complexidade das ciências sociais deve-se a fato que elas são subjetivas ao ponto que as ciências naturais ser objetivas. Vou mais além, ciências humanas como história é literatura, nunca podendo ser chamada de ciência. Muitas ciências sociais não poderiam ser chamadas de ciências, pois muitas vezes seus pesquisadores não tem como objetivo descobrir a verdade, mas sim, favorecer grupos ou pessoas.

Responder
Mark 29/11/2012 10:48:27

Acredito que a comparação entre as ciências naturais e sociais foi mal feita. A pesquisa nas ciências naturais é completamente diferente das ciências sociais. Em matemática (minha área), qualquer afirmação tem que ser provada e a demonstração aceita por vários matemáticos para ser aceita. É um trabalho longo e exige muita abstração. Isso também ocorre na física teórica. Porém, não vejo isso acontecendo nas ciências sociais, onde teorias são criadas e extintas rapidamente. Quando estudei economia, diversas variáveis eram tomadas como constantes para que pudéssemos verificar o efeito em uma variável dependente, e isso é experimento controlado (e hermético).
Talvez tivesse sido melhor para o autor expor a importância da responsabilidade no estudo das ciências sociais sem atacar ou diminuir a importância e a complexidade das ciências naturais.

Responder
Leandro 29/11/2012 10:55:57

"Quando estudei economia, diversas variáveis eram tomadas como constantes para que pudéssemos verificar o efeito em uma variável dependente, e isso é experimento controlado (e hermético)."

Taí o problema. Ensinaram a você uma farsa. Lamento informar que você perdeu seu tempo nesse curso. Não lhe ensinaram economia real, ensinaram apenas um simulacro matemático com um pseudo-traje econômico.

Tendo sido ensinado errado, é claro que fica difícil você saber o que é a real economia e qual a maneira correta de estudá-la. Pergunta: seu professor mencionou os termos "ação humana", "criatividade empreendedorial", "alocação de recursos escassos", "comportamento humano" e "eficiência dinâmica"? Pois é. Sinto lhe dizer que você não aprendeu nada de útil. Apenas foi ensinado que é possível matematizar o comportamento humano, isolá-lo em várias variáveis e daí sair fazendo experimento. Isso não tem absolutamente nada a ver com economia. Exija seu dinheiro de volta, já que não podem lhe devolver o tempo que roubaram de sua vida. Se a universidade for pública, exija mudanças curriculares (mas faça isso sentado, ou até mesmo deitado).

Responder
Mercado de Milhas 29/11/2012 11:54:21

É isso aí, não se pode analisar separadamente. Por exemplo, quando se imprime dinheiro do nada, isso só gera inflação se não houver capacidade produtiva disponível. Se houver, beleza.

Responder
Leandro 29/11/2012 12:08:37

Negativo, gera inflação do mesmo jeito. Não havendo alteração na demanda, os preços cairiam não fosse essa inflação monetária. Mesmo uma inflação de preços de 0% também pode ser interpretada como aumento de preços caso seja possível provar que haveria queda de preços não fosse a inflação monetária ocorrida.

Responder
anônimo 29/11/2012 21:52:33

"Se houver, beleza."

Ah claro. Se você imprime dinheiro e a produção aumentar beleza.
A não-neutralidade monetária não tem importancia, o roubo não tem importância, beleza!!

Responder
Mark 29/11/2012 12:47:50

Leandro,

Você focou em apenas um ponto do meu comentário. Realmente estudei outra teoria econômica, que não é a adotada aqui. Se é a correta ou não, ninguém pode afirmar. Esse é o motivo que vejo na impossibilidade de comparar as duas ciências. Nas naturais temos uma teoria que passou por diversas comprovações ou então foi a mais aceita. O que não ocorre nas ciências sociais. Foi esse o meu comentário acima, não podemos comparar níveis de complexidade ou dificuldade em duas ciências tão diferentes.

Responder
Leandro 29/11/2012 13:21:22

"Se é a correta ou não, ninguém pode afirmar."

Como assim ninguém pode afirmar? É claro que se pode afirmar. Eu afirmo para você: não existe esse negócio de que a teoria econômica "depende do ponto de vista; cada caso é um caso; leis econômicas que funcionam em um lugar não funcionam em outro lugar etc." A teoria econômica verdadeira é uma só. O resto é embromação motivada ou por ideologia ou por vaidades acadêmicas (competição de produção de papers).

Nada relativismos aqui.

"Nas naturais temos uma teoria que passou por diversas comprovações ou então foi a mais aceita. O que não ocorre nas ciências sociais."

Você, sem perceber, acabou de comprovar o ponto do artigo. Simplicidade versus complexidade. As naturais já estão repletas de comprovações, o que não ocorre nas ciências sociais (econômicas). Perfeito.

"não podemos comparar níveis de complexidade ou dificuldade em duas ciências tão diferentes"

Depende do objetivo. Se você tem o objetivo de interferir nas relações espontâneas e voluntárias de 7 bilhões de pessoas e achar que daí pode derivar fórmulas matemáticas e concluir com exatidão em qual nível devem estar variáveis como carga tributária, juros, gastos governamentais, inflação, expansão do crédito etc -- bom, garanto-lhe que não há ciência mais difícil do que essa. Chega a exigir dons divinos. Eu, de minha parte, já me confesso totalmente incapaz para essa tarefa. Por outro lado, eu era até bem bom em física...

Como perfeitamente resumiu um leitor ali em cima, se a ciência econômica fosse fácil, bastaria hoje mesmo você entrar na bolsa de valores e ficar milionário.

Responder
Mark 30/11/2012 06:16:27

"Como assim ninguém pode afirmar? É claro que se pode afirmar. Eu afirmo para você: não existe esse negócio de que a teoria econômica "depende do ponto de vista; cada caso é um caso; leis econômicas que funcionam em um lugar não funcionam em outro lugar etc." A teoria econômica verdadeira é uma só. O resto é embromação motivada ou por ideologia ou por vaidades acadêmicas (competição de produção de papers)."

Se a teoria econômica verdadeira é uma só, então ela não é teoria, é uma verdade. E esse tipo de afirmação não cabe a um cientista.


"Você, sem perceber, acabou de comprovar o ponto do artigo. Simplicidade versus complexidade. As naturais já estão repletas de comprovações, o que não ocorre nas ciências sociais (econômicas). Perfeito."

As naturais estão repletas de comprovações porque essas são obrigatórias para uma teoria ser aceita. Logo, não existe teoria sem comprovação ou demonstração aceita pela comunidade científica. O que não ocorre nas ciências sociais, pois como é amplamente dito nos meios científicos, as teorias das ciências sociais parecem nascer "em mesas de bares". Não possuem demonstrações ou comprovações formais.


"Depende do objetivo. Se você tem o objetivo de interferir nas relações espontâneas e voluntárias de 7 bilhões de pessoas e achar que daí pode derivar fórmulas matemáticas e concluir com exatidão em qual nível devem estar variáveis como carga tributária, juros, gastos governamentais, inflação, expansão do crédito etc -- bom, garanto-lhe que não há ciência mais difícil do que essa. Chega a exigir dons divinos. Eu, de minha parte, já me confesso totalmente incapaz para essa tarefa. Por outro lado, eu era até bem bom em física..."

Nem em ciências naturais você consegue equacionar tantas variáveis. O que dizer de concluir com exatidão.

Responder
Leandro 30/11/2012 07:00:09

É porque a ciência econômica não é uma teoria, mas sim uma 'lógica'. A ciência econômica é apenas um ramo da praxeologia (a 'lógica da ação'), ciência esta que estuda a lógica da ação humana. Não sei o quão novato você é neste site, mas sugiro que leia os artigos sobre praxeologia para entender melhor essa questão.

A ciência econômica explica fenômenos e diz o que um indivíduo I deve fazer para alcançar o objetivo O utilizando o meio M. A ciência econômica não está interessada nas motivações deste indivíduo; sua função é apenas descrever e sugerir.

Só isso.

Responder
Randalf 30/11/2012 01:47:51

Matemática não é uma ciência. E 'prova' em matemática e em física são coisas completamente diferentes. Em ciência, as leis são implementadas pela natureza e nós, humanos, tentamos entendê-las. Em matemática, pelo contrário, são os matemáticos a implementar as próprias leis e as provas seguem das 'regras' que os matemáticos escolhem.

A grande diferença entre os dois tipos de ciências, é que nas naturais, o cientista pode variar uma variável e olhar para duas experiências (controladas) e dizer qual a diferença, em resultado, entre as duas experiências. Em ciências naturais, isto não é possível. Simplesmente há apenas uma experiência, e portanto, não se pode saber a diferença de que um determinado factor teve num dado momento. Não pode dizer no final, 'segundo os resultados, uma diferença de uma determinado factor provocou uma tal diferença no resultado final'. Isto não pode ser dito, já que não tem comparação possível, visto que a experiência é só uma. Vai comparar com quê?!

Cumprimentos.

Responder
Mark 30/11/2012 06:02:10

Randalf,

Pelo seu comentário posso inferir que você não é um cientista. Afirmar que matemática não é ciência, e que os matemáticos implementam as próprias leis e as demonstrações seguem apenas as regras que nós escolhemos, é de uma falta de conhecimento absurda do que é ciência.
Como exemplo, hoje você consegue utilizar um computador porque um matemático francês conseguiu resolver problemas com equações diofantinas, o que é a base da computação. Isso não é criado do nada, mas sim equacionar um fenômeno.


Responder
Randalf 30/11/2012 11:11:19

Uma coisa é usar a matemática como ferramenta para o mundo que nos rodeia. Outra totalmente diferente é dizer que 'a matemática' é uma ciência. Sou cientista sim, físico por sinal. Vamos lá analisar então se matemática é ou não é ciência:

Em ciência, o cientista pretende conhecer as leis que governam a natureza. Nada mais, se a natureza diz que algo funciona assim, nós apenas temos de aceitar, pois é mesmo isso que fazemos. Pelo contrário, em matemática, os matemáticos criam axiomas, axiomas esses que simplesmente são os matemáticos que criam e não dependem em nenhuma forma da natureza ou como ela funciona. (Repare que em física existem os postulados, mas se através dos postulados se chegar a provar algo que não é compatível com a natureza, os postulados têm de ser revistos) Isto não acontece em matemática. Em matemática, os axiomas não dependem da natureza, dependem apenas do matemático. Eles criam as próprias regras como começo e partem daí. De novo, sem qualquer ligação à natureza.

Matemática é ciência no sentido leigo da palavra, mas não no sentido científico. Matemática não faz uso do método científica, não existe experimentação em matemática. Entendeu?!

Cumprimentos.

Responder
Daniel Marchi 29/11/2012 12:20:54

O prof. De Soto sempre traz em seus artigos, de forma brilhante, questões essenciais relacionadas às ciências econômicas. De antemão peço desculpas se minha contribuição a este debate ficar um tanto confusa. Entendo que as ciências sociais, especialmente a Economia, são incomparavelmente mais complexas que qualquer ciência natural. Vejam o desdobramento científico da contribuição de Bastiat.

"Na esfera econômica, um ato, um hábito, uma instituição, uma lei não geram somente um efeito, mas uma série de efeitos. Dentre esses, só o primeiro é imediato. Manifesta-se simultaneamente com a sua causa. É visível. Os outros só aparecem depois e não são visíveis. Podemo-nos dar por felizes se conseguirmos prevê-los. Entre um bom e um mau economista existe uma diferença: um se detém no efeito que se vê; o outro leva em conta tanto o efeito que se vê quanto aqueles que se devem prever. E essa diferença é enorme, pois o que acontece quase sempre é que, quando a consequência imediata é favorável, as consequências posteriores são funestas e vice-versa." [Bastiat, O que se vê e o que não se vê]

Nas ciências naturais muitos dos eventos são controláveis, reproduzíveis em laboratórios. O conhecimento gerado pelos experimentos pode ser representados por dados tabuláveis, que por sua vez são adequados para a previsão de eventos futuros. As ciências naturais, grosseiramente falando, lida com aquilo que se vê.

Em Economia a coisa muda completamente de figura. Conforme muito bem alertado por Bastiat, fenômenos importantes ou são invisíveis ou só aparecem muito tempo depois de uma determinada ação. Criatividade empresarial, valoração subjetiva, concorrência potencial, efeitos gerados pelos fechamento de mercado, são invisíveis e impossíveis de serem captados por dados.

Os adeptos da econometria ignoram isso. Insistem em utilizar métodos das ciências naturais no reino das ciências naturais. Entendem que comportamentos humanos podem ser previstos por meio de relações objetivas e estáveis entre variáveis observáveis. Como Mises sempre enfatizou, no campo da ação humana não existem constantes; ademais, somos "guiados" por valorações subjetivas, ideias e incentivos impossíveis de serem representados por dados objetivos. Nessa linha, os métodos das ciências naturais utilizados no domínio das ciências sociais não padecem de imperfeição e limitações. Eles são inaplicáveis. Insistir neles constitui um grave erro intelectual.

Em O Uso do Conhecimento na sociedade, Hayek nos alerta:

"Um dos motivos para a crescente incapacidade dos economistas de atentarem para as constantes pequenas mudanças que compõem o todo da atividade econômica é provavelmente que eles estão cada vez mais preocupados com dados estatísticos, que passam uma imagem muito mais estável da economia do que os pequenos movimentos diários. No entanto, a relativa estabilidade dos grandes dados estatísticos não pode ser explicada – como os estatísticos freqüentemente querem fazer crer – pelas "leis dos grandes números" ou pela mútua compensação de pequenas mudanças aleatórias. O número dos elementos com que eles lidam não é grande o suficiente para que essas forças acidentais produzam estabilidade. O continuo fluxo de bens e serviços é mantido por ajustes deliberados e constantes, por novas decisões tomadas diariamente à luz de circunstâncias que eram desconhecidas até o dia anterior, pela decisão de B de entrar em cena quando A deixa de executar o seu papel." [F. A. Hayek, O Uso do Conhecimento na Sociedade]

Para finalizar, quando os "austríacos" falam da complexidade das ciências sociais eles não estão se referindo, toscamente, ao tempo de estudo necessário para se compreender determinados problemas. Complexidade diz respeito fundamentalmente à quantidade de variáveis (observáveis ou não) envolvidas nos problemas. A implementação de legislações trabalhistas restritivas na China pode afetar o preço do cafezinho que você toma na esquina. De novo nas palavras de Hayek:

"O que nos leva à questão crucial: a diferença entre a Ciência Econômica e as Ciências Físicas. Ao contrário das ciências físicas, na ciência econômica — e em outras disciplinas que lidam com fenômenos essencialmente complexos — os aspectos dos eventos a serem estudados, e sobre os quais podemos coletar dados quantitativos, são necessariamente limitados. Além disso, esse número necessariamente limitado de aspectos quantitativos pode não incluir aqueles aspectos mais importantes. Nas ciências físicas geralmente se supõe, provavelmente com boas razões, que qualquer fator importante na determinação dos eventos observados é ele próprio diretamente observável e mensurável. Já no estudo de fenômenos essencialmente complexos — tais como o mercado, que depende das ações de vários indivíduos —, todas as circunstâncias que irão determinar o resultado de um processo dificilmente serão totalmente conhecidas ou mesmo mensuráveis. (…) Assim, ao passo que nas ciências físicas o pesquisador é capaz de mensurar, com base em uma teoria aparentemente evidente, aquilo que ele julga ser importante, nas ciências sociais frequentemente só se dá importância àquilo que por ventura possa ser mensurado. Esse modo de pensar é algumas vezes levado ao ponto em que se exige que nossas teorias sejam formuladas de uma maneira que leve em conta apenas grandezas mensuráveis." [F. A. Hayek, A pretensão do conhecimento]

Diante de tudo isso, com a experiência de uma graduação em Economia mainstream hardcore nas costas, entendo que o uso dos métodos das ciências naturais só aprofundará a crise por qual passa a ciência econômica. Os "austríacos", desde Menger, sempre alertaram a comunidade acadêmica sobre isso. O retorno ao apriorismo e à praxeologia é fundamental.

Responder
Luis Almeida 29/11/2012 13:07:06

Infelizmente o Daniel Marchi vem muito pouco aqui na seção de comentários nos agraciar com seus insights precisos e preciosos. Deveria vir mais. Suas contribuições são sempre primorosas.

Responder
Fernando Ulrich 29/11/2012 13:23:09

Que nostalgia! Eu estava nessa aula que aparece no artigo!
Além de dominar a ciência econômica, Huerta de Soto é um excelente professor e incrível orador.
Quem tiver a oportunidade, recomendo que faça o mestrado de Escola Austríaca do de Soto. Experiência única!

Responder
Jose 29/11/2012 14:28:28

É importante observar que a ciência econômica não pode se descolar da realidade empírica, necessita sempre da corroboração desta, senão vira uma atividade estéril, de meras especulações intelectuais.

Responder
Daniel 30/11/2012 05:16:32

Nada mais aderente à realidade da ação humana que a praxeologia. O empirismo pode levar à conclusões estapafúrdias.

Responder
Adriano 29/11/2012 14:36:22

Uma coisa deve ser deixada clara,

Complexo não significa dificuldade. Seu real significa está associado a "tecer junto", ou seja, fazer relações. Como o modo de pensar mecanicista ainda impera, este conceito é associado à dificuldade, principalmente no ocidente.

Em sendo assim, a Física, por exemplo, é mais complexa do que a Economia, caso contrário deve haver mais seres humanos na Terra do que Fótons, Elétrons, Átomos etc.
Dotar a Economia de maior dificuldade analítica devido a subjetividade das ações humanas não comprova o fato de ela ser mais difícil de analisar/investigar/compreender uma vez que, por exemplo, as micropartículas em dissipação não possuem comportamento linear, como comprovado já no inicio do séc. que se findou.

Será que um peixe, por exemplo, no caso da biologia, assim como os humanos, não tomam decisões? Quanto a nós seres humanos já sabemos muita coisa sobre os fatores e circunstâncias que nos levam a certos fins, e quanto aos animais?

Compartilho das idéias e teorias do IMB e reconheço a enorme dificuldade encontrada pela Economia devido ao objeto de estudo que ela ousadamente se propões a investigar mais que a comparação aqui foi infeliz!

Responder
Luis 29/11/2012 17:45:54

"Será que um peixe, por exemplo, no caso da biologia, assim como os humanos, não tomam decisões? Quanto a nós seres humanos já sabemos muita coisa sobre os fatores e circunstâncias que nos levam a certos fins, e quanto aos animais?"

A tomada de decisão de um peixe afeta o mundo? Um peixe possui criatividade empreendedorial? Vários peixes interagindo produzem conhecimento para o mundo? Várias girafas? Vários bucéfalos?

Caramba, é cada postagem bizarra que surgiu aqui! E pior: feita por gente que jura ser inteligente só porque lida com as ciências naturais!

De quem foi a comparação infeliz, Adriano?

Responder
Adriano 29/11/2012 20:05:57

Caríssimo Luiz...

vc está correto, eu estou errado. Perdoe-me fui infeliz na minha comparação. Imagina só comparar um peixe (objeto de estudos das ciências naturais) com um ser humano (objeto de estudo das ciências humanas/sociais...). Mais uma vez, desculpe a minha ignorância.


Um bom final de semana

Adriano

Responder
Samuel 29/11/2012 14:42:58

Eu sou físico, e economista. E é algo que me deixa extremamente desconcertado a afirmação de que as coisas na física são "fáceis ou exotéricas". Jamais! Um exemplo é que a pergunta aparentemente fácil da física sobre o porquê de uma massa atrair outra quantidade de massa nunca ter sido respondida. A física é a ciência mais fundamental de todas, e possui problemas extremante complexos para a compreenção humana. Assim como a "ciência" econômica. O que as diferencia é algo simples: "A capacidade de ajustar modelos que sejam reprodutíveis". Isso não tem a ver com facilidade ou complexidade. Aliás o termo "sistema complexo" nasceu na física! Enquanto uma ciência tenta responder como se deu a origem do universo. A outra tenta prever, modelar ou enquadrar o comportamento dos agentes econômicos. Na verdade a economia funciona como a física estatística, tudo pode ser mensurado, entretanto com uma margem de precisão, olhando sempre para o comportamento médio. O fato é que os fenômenos de natureza econômica são estremamente voláteis e não podem ser controlados dentro de um laboratório. Logo a maioria dos modelos desde os mais complicados até os mais simples são muito ruins para prever o comportamento dos agentes. Precisa-se assumir uma série de simplificaçãoes para que se possa extrair alguma informação, que na maioria da vezes é inútil!


Em resumo, é cada macaco no seu galho!

Responder
Leonardo Couto 29/11/2012 18:09:54

Na verdade a economia funciona como a física estatística, tudo pode ser mensurado, entretanto com uma margem de precisão, olhando sempre para o comportamento médio.

Você se refere nesta passagem - de forma correta até - à "economia" acadêmica convencional. Quando se fala sobre a economia científica - e real -, a qual a Escola Austríaca desenvolve, não se pode considerar valor quantitativo algum, dado que seria mera arbitragem.

Funcionamento econômico pode ser previsível qualitativamente, mas de forma alguma em termos quantitativos. Ademais, qualquer "economista" que se aventure a quantizar a economia - geralmente utilizando-se de uma abordagem empirista -, estará trabalhando no escuro, dado que isso equivale a (tentar) quantizar escolhas.

Não existe unidade para a ação humana.

Grande abraço.

Responder
Randalf 29/11/2012 18:28:51

Errado Leonardo. Física Estatística prevê o que vai acontecer e o erro associado. O mesmo não ocorrer em economia. A diferença é que em física estatística, pode-se isolar a experiência, ao passo que em economia não.

Randalf

Responder
Leonardo Couto 29/11/2012 19:27:13


Na verdade, o primeiro parágrafo se referia a um trecho do comentário a que respondi. Não acho que economia seja como física estatística.
Mas me desculpe, acho que aspas serão bem-vindas junto com o itálico em um próximo comentário meu, ele sozinho às vezes passa despercebido mesmo.

Abraços.

Responder
Randalf 30/11/2012 00:53:52

Samuel, acho que o senhor não percebe a diferença entre 'complexo' de 'difícil'. Vou tentar exemplificar. Um átomo é mais complexo do que o núcleo atómico. No entanto, como físico que é, saberá que é bastante mais fácil compreender o átomo do que o núcleo. 'Uma massa atrair outra massa', é uma questão bastante simples, no entanto, bastante difícil. Entende?!..

Em economia, você não tem como demonstrar o que quer que seja experimentalmente. Pois não consegue 'isolar a experiência'. Percebe? Logo, tem de basear a sua análise de forma axiomática. E esse é um problema bastante grande. Porque razão é que dois economistas depois de explicarem uma dada crise (de forma diferente) e depois dessa crise passar, eles ainda continuam a defender a sua explicação?! A questão é que não tem um modo de verificar.

Cumprimentos.

Responder
Samuel 30/11/2012 11:43:57

De fato! Concordo com você Randalf. Na verdade eu faço parte de um grupo que crê que podemos criar os tais modelos matemáticos e empríricos. Mas eu reconheço que a maioria deles é um lixo. Creio que a partir do comportamento médio podemos de alguma forma fazer suposições em nível macro. Isso envidentemente é o contrário do que foi dito no artigo. Considero sim que a incerteza no sentido extrito é algo muito sério na ciência econômia, mas creio que a correta interpretação de algumas restrições nas quais os agentes econômicos se deparam, pode ser usada com a finalidade de direcionar algumas das nossas decisões (contendo uma certo grau de confiabilidade). Aliás (in)confiabilidade essa associada a fenômenos de natureza imprevisível, de forma que talvez seja possívelapenas explicar parte das variações. Aparte o aspecto estatístico ou econométrico, existem outras abordagens como a "dinâmica de sistemas" que são extremante úteis na percepção dos sitemas complexos, dependendo apenas do modelo visualizado pelo analista. Acho que eventos extritamente determinísticos (aí está o grande lance) são praticamente impossíveis de se prever em economia. Talvez seja essa a definição que o Jesús dá ao conceito de difícil, que ao meu ver está corretíssima. Mas eu particularmente creio que é possível simular e testar os possíveis efeitos de uma "experiência econômica" com base nos sinais que por exemplo o planejamento central por parte do governo nos dá, asim como seus efeitos sobre os ciclos econômicos, etc. O problema (e é o que as vezes não é tolerado), é saber qual a magnitude do erro que eu estou comentendo. Neste caso a perfeição aqui é mera utopia!

Responder
Dalton C. Rocha 29/11/2012 15:31:19

O site www.laprensa.com.ar/399440-Finlandia-encabeza-un-ranking-educativo%3b-Argentina-lo-cierra.note.aspx informa que de 40 países, a educação no Brasil está em 39º lugar, à frente só da Indonésia. Deu nisto, se colocar filosofia, sociologia,etc. num curriculum já inchado. Deu nisto se colocar o os métodos de marxistas como Paulo Freire nas escolas. Por sinal, no site www.youtube.com/watch?v=-Mlc68kAuA8 , Olavo de Carvalho pede, com plena razão que Paulo Freire, seja declarado o Patrono da Educação Brasileira. Sobre as cotas raciais na universidade brasileira, outra coisa imposta pelas esquerdas, no site www.tribunadaimprensa.com.br/?p=53540 tem um curto artigo meu tratando delas. Há mais de cem anos que as fundações americanas Ford, Kellogg, Rockfeller,etc. vem sustentando financeiramente o racismo , às vezes sob outros nomes (eugenismo, maltusianismo, etc.). Quanto à ligação de marxistas com racismo, não é novidade nenhuma. O próprio Karl Marx era um racista (e satanista ) declarado. E mais, o satanista e racista Karl Marx era também, um apoiador da escravidão. Confira neste site: www.nacaomestica.org/MarxMFP.htm

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Andre Cavalcante 29/11/2012 21:08:24

Estou meio dividido em relação ao artigo.

Por um lado, gostei muito do tema: de fato, muitos falam sobre tudo em termos econômicos e poucos entendem do que falam. Depois de um tempo lendo os artigos do IMB, a gente percebe que a imprensa e os políticos (justamente os que influenciam e tomam as decisões!) são cegos conduzindo cegos...

Por outro lado, a comparação com as ditas ciências naturais (e já comentei isso aqui antes) é um tanto complicada. Me pareceu justamente que faltou base sobre a metodologia das ciências naturais nos exemplos e comparações do de Soto, justamente o que ele critica em relação à economia e demais ciências sociais.

Por exemplo: o uso de termos como fácil e difícil não devem ser aplicados à fenômenos, mas ao que você sabe os mesmos (ao entendimento).

Da mesma forma, o termo complexidade tem várias nuances.

Se usar no sentido da complexidade física, os fenômenos naturais são muito mais complexos que os humanos, justamente porque os fenômenos humanos são apenas iterações daqueles outros ditos naturais.

Se usar no sentido da formação de padrões (Shalizi) então as sociedades humanas são apenas um subconjunto dos problemas estudados e, de novo, os fenômenos naturais seriam mais complexos, sendo os fenômenos humanos apenas um subconjunto daqueles.

Por outro lado, se se pensar em complexidade como a quantidade de relacionamentos entre as partes que formam um sistema, em um só êmbolo termodinâmico há trilhões de interação realizadas por trilhões de entidades (átomos) que formam o gás, interações essas que seguem movimentos absolutamente aleatórios e, de novo, a complexidade de um simples êmbolo é maior que a complexidade de todos os 7 bilhões de humanos.

Outro exemplo: as iterações ecológicas são tão ou mais complexas que as iterações humanas, se tomarmos o sentido de complexidade o resultado das iterações: somente de insetos há milhares de espécies dos quais dependem todos os ecossistemas terrestres e, em última análise, a sobrevivência do humano.

Ainda outro exemplo: a interação entre a radiação solar e os oceanos é o que, em última análise, define o clima. Apesar de todas as técnicas mais avançadas, nem começamos a entender o que é isso. Se assumirmos que um sistema é complexo devido ao fato de que diferentes condições inicias, apesar de bem próximas, geram resultados muito diferentes (portanto, não previsíveis), então o estudo do clima é mais complexo.

Mas, no sentido de complexo como de complicado de entender e de grande impacto, realmente as ciências sociais são campeãs e, talvez, a economia, a pior delas, no quesito impacto (ao menos psicológico).

O problema que vejo é que o texto tá muito forçado e pouco científico, até porque de Soto não definiu os termos qualitativos que usou, deixando pra cada qual a sua interpretação, o que torna o texto um faca com dois gumes - serve tanto para se defender quanto para se atacar o autor.

Resumo: gostei muito do artigo (acredito que entendi a visão dele) e, como sempre, o IMB nos trás novas ideias, mas não gostei da maneira que o de Soto usou, desta vez.

Abraços

Responder
Leandro 30/11/2012 03:05:05

Caro André, você disse que:

"Por outro lado, se se pensar em complexidade como a quantidade de relacionamentos entre as partes que formam um sistema, em um só êmbolo termodinâmico há trilhões de interação realizadas por trilhões de entidades (átomos) que formam o gás, interações essas que seguem movimentos absolutamente aleatórios e, de novo, a complexidade de um simples êmbolo é maior que a complexidade de todos os 7 bilhões de humanos."

As interações dos átomos são aleatórias, é verdade, mas o resultado final, não. Em condições normais de temperatura e pressão, você sabe exatamente qual será o resultado final dessa interação. Não há como você fazer dois experimentos idênticos, sob as mesmas condições de laboratório, e os resultados serem totalmente diferentes.

Já o mesmo não pode ser dito da interação de sete bilhões de seres humanos, que se relacionam de forma espontânea, imprevisível, criativa e empreendedorial. Cada interação humana cria um conhecimento que antes simplesmente não existia. Cada interação produz resultados diferentes, e na mesma sociedade. Algo que a interação de átomos não faz.

Sendo eu um quase-engenheiro (saí do curso no nono período), confesso não entender por que alguns aqui se recusam a aceitar essa diferenciação entre seres humanos e átomos.

Grande abraço!

Responder
Randalf 30/11/2012 03:40:21

Caro Leandro, eu de algum modo percebo a pergunta do André. Será que o Leandro não consegue prever (com algum erro) a quantidade de comida que amanhã se comerá no mundo inteiro, sabendo a quantidade de comida que se comeu hoje?! .. Previsões não deixam de ser legítimas apenas porque as pessoas têm vontades próprias.

Será que uma cantina (quanto maior melhor) não poderá fazer previsões sobre o número de pessoas que irão almoçar num determinado dia?! Será que não se pode fazer previsões sobre o número de carros que num determinado dia passarão numa auto-estrada?!

Penso que previsões são perfeitamente legítimas. Os seres humanos seguem padrões, não fazem aquilo que lhes apetece indiscriminadamente. Por exemplo, sabe-se que os humanos comem todos os dias, logo é possível saber quanta comida se comerá (contando que o número de pessoas é bastante grande, e com algum erro). Sabe-se que as pessoas vão normalmente para o trabalho, logo é possível fazer algum tipo de previsão sobre o número de carros numa auto-estrada. E muitos outros exemplos.

Acho que o Leandro faz das 'previsões' algo completamente desadequado, quando não o é.

Claro que prever catástrofes é bastante difícil (rebentar de bolhas, colapso de moedas), e o mesmo acontece nas ciências naturais (um meteorito, um sismo, as complicações são as mesmas). Mas fazer certas previsões 'correntes' não é ilegítimo. E claro, falo de previsões ilustrativas e não previsões para manipular (como os governos fazem ou querem fazer). Mas é apenas a minha opinião.

Randalf

Responder
Leandro 30/11/2012 04:56:28

"Penso que previsões são perfeitamente legítimas. Os seres humanos seguem padrões, não fazem aquilo que lhes apetece indiscriminadamente. Por exemplo, sabe-se que os humanos comem todos os dias, logo é possível saber quanta comida se comerá (contando que o número de pessoas é bastante grande, e com algum erro). Sabe-se que as pessoas vão normalmente para o trabalho, logo é possível fazer algum tipo de previsão sobre o número de carros numa auto-estrada. E muitos outros exemplos."

Sim, mas seres humanos estimam. Eles não acertam com acurácia. Uma determinada pessoa pode até ter esse dom, mas ela será exceção. Se os seres humanos fossem capazes de estimar com acurácia, não haveria absolutamente nenhum desperdício de recursos no planeta. Nenhum restaurante jamais teria de guardar restos de comida. Nem mesmo seria necessário estocar. O sistema de preços de mercado serve justamente para reduzir o desperdício a um mínimo possível, mas não é capaz de evitá-lo por completo.

Já as ciências naturais, ao realizarem experimentos de laboratório, são capazes de estimar com enorme acurácia o resultado final dos experimentos.

Coloque 5 pessoas estranhas numa sala hermeticamente fechada, saia de lá, espere 2 horas e depois entre. Você não terá a mínima ideia do que verá e nem de como elas estarão interagindo. Você pode apenas chutar, mas não dizer com um nível mínimo de incerteza como elas estarão interagindo. Não sabe se elas estarão brigando ou praticando orgia. Agora expanda isso para um universo de 7 bilhões de pessoas e você entenderá a encrenca.

Um empreendedor chinês viaja para o Tibete a fim de interagir com um empreendedor local. Se a coisa der certo, ambos poderão criar algo que revolucionará a tecnologia. Se der errado e o nacionalismo falar mais alto, a coisa pode desandar em crise diplomática. Ninguém pode prever com antecedência. Já em um experimento de laboratório, consigo estimar com enorme acurácia qual será a reação dos átomos.

Responder
Randalf 30/11/2012 10:56:57

Ah, já percebi a diferença. O Leandro define 'previsão' como algo tipo astrologia, enquanto estimação como uma descrição mais ou menos precisa da realidade futura. Não defino no mesmo sentido. Previsão para mim vem sempre com uma margem de erro associada.

O Leandro pensa que quantas mais pessoas, maior o problema estatístico, mas é precisamente o contrário. Em estatística, quanto mais diluído estiver cada elemento individual, mais precisa se torna a previsão, contanto claro que se saiba o que se está a fazer.

E eu digo-lhe mais. Se colocar 5 planetas (iguais à Terra), num sistema para eles interagirem (segundo a gravidade), o Leandro não tem forma de saber o que acontecerá passado um determinado tempo. O mesmo acontece para as pessoas num quarto, é claro. Isso chama-se teoria do caos (não é o livro de Bob Murphy).

Cumprimentos.

Responder
Leandro 30/11/2012 11:08:06

"Em estatística, quanto mais diluído estiver cada elemento individual, mais precisa se torna a previsão, contanto claro que se saiba o que se está a fazer."

Ué, então o que você está esperando para encher as burras de dinheiro? Milhões e milhões de pessoas interagem diariamente no Forex, que é o mercado de câmbio mundial (mais de 4 trilhões de dólares são movimentados por dia). Dado que, por confissão própria, é mais fácil fazer uma previsão neste cenário do que prever o movimento dos planetas, então mãos à obra. Alavanque sua posição de acordo com a taxa de câmbio que você julga que será a vigente para daqui a exatamente um ano. Se você não fizer isso, é porque odeia dinheiro. Ou porque realmente descobriu suas limitações.

Responder
Randalf 30/11/2012 11:24:15

E o Leandro não quer prever a física (estatística) do Sol? .. A questão é que é preciso entender como as coisas funcionam antes de tentar prever. Se o Leandro não souber física estatística, como irá prever o que quer que seja das interações entre partículas no Sol?!.. O mesmo acontece com a estatística das pessoas. É preciso entender como as coisas funcionam para fazer previsões. E eu nunca disse que era fácil, repare. Além disso, eu não entendo profundamente as interações das pessoas, logo não tenho conhecimentos para fazer previsões em economia. Entende o que quero dizer?

Randalf

Responder
Andre Cavalcante 30/11/2012 04:15:04

Olá Leandro,

Mais uma vez: tomando como complexidade o número de iterações...

Então, consegui um exemplo que mostra que a "complexidade" de que fala o texto não é essa! A chave tu colocaste aí: são iterações que criam uma informação nova, algo que não existia antes e passou a existir (aqui se poderia decidir se isso é possível ou não, se a informação também é conservada ou não, mas creio que não seja o local mais adequado). Neste cenário, complexidade seria não somente a quantidade, mas a qualidade de informação gerada (procure por Shalizi e Papadimitriou no google scholar sobre a complexidade como informação)

Obs.: temperatura e pressão são consequência e não causa das iterações atômicas, portanto é falsa a frase (tão comum, infelizmente!) de que em dada temperatura e pressão, tais e tais coisas ocorrem; o certo seria: em função de tais e tais coisas, a temperatura será tal e a pressão será tal.

De resto, gostei muito do texto, só achei que faltou ele definir melhor os termos qualitativos que usa.

Abraços

Responder
Leandro 30/11/2012 04:24:37

Não consegui entender muito bem o que você quis dizer com seu primeiro longo parágrafo (me deu a impressão de estar concordando com o que falei). Quanto à questão da temperatura e pressão, eu obviamente me referia à temperatura e à pressão atmosférica do laboratório. É claro que a temperatura e a pressão do gás dentro do êmbolo serão afetadas após o experimento.

Abraços!

Responder
Andre Cavalcante 30/11/2012 10:22:39


"(me deu a impressão de estar concordando com o que falei)"

Sim, e estava. Disse que concordei com o artigo: acredito que qualquer ciência social é mais complexa (e bem mais até) que as ciências naturais, dado o seu objeto de pesquisa. Aqui me refiro a complexidade não somente como a quantidade das iterações entre as partes (no caso humanos) mas, e principalmente, da qualidade dessas interações, as quais geram informações novas. Tanto é que referi-me a este tipo como complicado, e não somente complexo. O meu ponto sempre foi que o de Soto deveria ter deixado mais explícitos o que ele quis dizer com fácil e difícil, complexo e simples.

PS: creio que escrevi muitas ideias, que apesar de se completarem, mereciam não somente um longo parágrafo mas algo mais legível. Obrigado pelo toque.

PS2: creio que o Randalf também não entendeu, afinal não falei em nenhum momento em previsões (exceto na questão do clima, mas ali era só um exemplo de uma definição para complexidade e de sistema complexo).

Abraços

Responder
Bright 30/11/2012 03:33:39

Eu concordo com o artigo. Ciências naturais são fixas, previsíveis e nos dá a falsa impressão de que tudo (até mesmo o mercado e as interações sociais) é previsível.

O ser humano tem horror ao imprevisível, ao incontrolável e à incerteza. Acho que este é o motivo principal de a teoria austríaca não ser largamente aceita no mundo.

Responder
Ademar 30/11/2012 05:35:41

Discussão estéril. Ambas são importantes. A evolução de uma depende da outra. Exemplo: sem estabilidade econômica não se produz ciências naturais de qualidade. As pesquisas econômicas de alto nível são realizadas muito mais rapidaemnte com o auxílio de computadores. Ambas são importantes. A comparação do tipo "quem é mais importante" é infantil.

Responder
Wladimir Caetano de Sousa 30/11/2012 05:44:13

Causa-me espanto a incapacidade intelectual daqueles que se prestam a comentarem o texto criticando o argumento do professor, especialmente os advindos das ciências naturais, postos em evidência em seus próprios discursos. Sou formando em engenharia civil, e não me senti ofendido ou injustiçado pela dedução dele. Pelo contrário, concordei já na primeira tese desenvolvida, em que reitera a complexidade da ação humana.

Infelizmente, é da natureza do brasileiro ler um texto e não se ater propriamente ao que foi dito, mas entender pelo que acredita - baseado em sua concepção idiossincrática das coisas, logo pré concebida ou pré conceituada - que o redator da obra quereria expor. Lê-se com intenções puramente lúdicas: gostei ou não gostei, ponto. Será que não repararam ao menos que os termos polemizados estão escritos em Itálico? Todos os que estão em concordância com de Soto compreendem a complexidade que há em esferas do conhecimento das coisas naturais. As próprias ciências da Terra são um exemplo claro, com questões que exercem profunda influência nas ciências sociais, tais como geologia ou meteorologia, que mesmo se tratando de estudos científicos naturais, não são exatos, carregando em si um conjunto de variáveis e microssistemas dinâmicos envolvidos no todo dinâmico que são incontáveis.

Devo elogiar os moderadores e mantenedores do site que se mostram solidários em refutarem tais comentários da forma mais educada e racional possível, mas a mim causa profunda angústia saber que o analfabetismo funcional se consolidou no Brasil com estrondoso sucesso. O indivíduo consegue transformar palavras em sons, mas não em ideias ou novas ideias.

Responder
anônimo 30/11/2012 08:45:48

Quem fala que ciências naturais são fixas e previsíveis ainda não estudou nada de física quântica

Responder
Ronaldo Quinto 30/11/2012 09:59:30

Pessoal do IMB,
Parabéns pelo excelente texto.
Dados os questionamentos, da próxima vez, tentem testar em laboratório alguns fenômenos sociais e naturais, e meçam quais são mais complicados...ops...vai ser difícil colocar 9 bilhões de pessoas em um laboratório!
Abr,

Responder
Osaba Bin Laden ainda vivo 02/12/2012 12:45:39

O Jesus Soto comentou sobre a questão do valor dos bens como uma projeção da utilidade sobre o bem, você pode indicar artigos que reforcem essa ideia?

Obrigado!!

Responder
Mauricio Augusto 12/12/2012 18:11:23

bom, eu nao sou estudioso de nenhuma área mas acredito que as ciencias humanas sao mais subjetivas, o que torna mais difícil ter alguma previsao. As ciencias naturais sao mais concretas, o que a priori dá a impressao de ser menos complexa.

Responder
Eric Ferro 27/06/2013 15:31:20

Não me atrevi nem sequer ao mero término de uma leitura tão estupendamente ultrajante não só as ciências naturais, como a todas as áreas que o conhecimento humano foi capaz de produzir ao longo de milênios.Primeiro, julgando pelo fato de estarmos tratando a suposta "diferença de complexidade" entre diferentes áreas do conhecimento, já se mostra pela própria mãe de todo o conhecimento do universo, a absoluta e transcendente lógica algo completamente falacioso, pois se tratando de estabelecer tais níveis estaríamos tratando uma questão de dimensão apriorística, pois seria a única forma real de se determinar em termos de necessidade a "diferença de complexidade" entre diferentes áreas do conhecimento, dessa forma pela própria lógica em si, é concluído que não existem diferenças padronizadas em determinadas áreas do conhecimento em relação a outros, mas sim uma gama absolutamente relativa de níveis em relação de um a outro, assim um varredor de rua pode ser mais complexo que um tão intelectualizado economista, quiçá as habilidades extraordinárias do varredor de rua superem os cálculos e análises complexos do economista tão aclamado pelo autor deste texto absurdo.

Responder
Andre Cavalcante 05/07/2013 22:05:41

O pessoal que costuma vir ao site já deve ter topado com um ou dois comentários meus "metendo o pau em autores" que fazem certas comparações entre ciências naturais e sociais, em particular dando exemplos de conceitos aplicados em ciências naturais que são, no mínimo, uma particularidade e não refletem necessariamente aquela ciência...

É é por isso que posso dizer aqui sem ser piegas: o De Soto acertou em cheio!: o grande problema com as ciências ditas sociais é que elas estão entregues a gente que não sabe nada nem sobre a natureza, muito menos sobre gente. Já repararam que a turma "foge" do vestibular para matemática, engenharia e afins, mas um curso de direito, de economia e afins, bomba?! E a procura é justamente por aqueles que "não são tão bons para fazer física"...

Uma nota sobre complexidade: vários cientistas naturais já estão se debruçando sobre sistemas complexos e tirando grandes lições - que os "cientistas humanos" tomem cuidado, senão até o que eles parecem que possuem, vai lhes ser tirado pela evolução mesma das coisa.

A propósito da natureza ser simples - perfeito! E simplicidade aqui não significa ter que estudar muito para realizar as abstrações necessárias ao estudo das coisas, como parecem que esqueceram alguns em seus comentários acima. O simples está pelo fato de o objeto de pesquisa ser algo externo ao ser humano e, em princípio, "sem vontade própria", ou seja, segue leis que podem ser sim estudadas sistematicamente.

A complexidade da economia, do direito, da sociologia, da psicologia, da filosofia etc., está em que o seu objeto de pesquisa é o próprio ser humano, ou como disse o De Soto, nas ideias que eles fazem sobre si mesmo e os outros. Quem aqui pode ter certeza de seu próprio pensamento? E, filosofando (kkk) um pouquinho: Q. Qual a coisa mais difícil para o ser humano? R. Conhecer-se a si mesmo.

Abraços

Responder
Anônimo 05/07/2013 22:15:08

"Conhecer-se a si mesmo" deve ser mui complexo. Afinal, é redundância.

Costumo afirmar que a maior dificuldade ao homem é a humildade. É extremamente complexo porém ao mesmo tempo, aliviador; reconhecer que ao ver um indivíduo tomando uma decisão, jamais saberei que decisões ele decidira por não tomar para que essa fosse sua escolha.

É preciso uma vida para reconhecer o qual pouco sabemos sobre outros e que se mal consigo conhecer meu vizinho, como planejar sua vida em prol de quaisquer causas?

Responder
Leandro 05/07/2013 23:04:41

"Conhecer-se a si mesmo" é um pleonasmo estilístico ou enfático. De modo algum caracteriza erro gramatical.

Responder
Marcelo 11/02/2014 23:14:14

Acho que não dá para ter um ponto de vista correto sobre nenhum dos assuntos. O autor do texto defende a tese de que nas ciências humanas existe uma verdade que mesmo não sendo a absoluta é a mais ''correta''. Isso não é verdade. Não se pode jamais padronizar ou dizer que as ciências humanas tem um ponto de vista correto, até porque seriam baseados em que ? Enfim, as pessoas falam mais das ciências humanas porque isso faz mais parte do dia dia delas. Se você puxar conversa com alguém sobre física alguma coisa sairá, só que com conhecimentos muito mais rudimentares do que uma discussão sobre política. É questão da vivência. O texto peca porque tenta impor um padrão para o conhecimento das ciências humanas e desvaloriza o conhecimento intuitivo, o que nem nas ciências exatas é desvalorizado.

Texto provavelmente escrito por alguém que estuda algo na área de humanas e quis vender seu peixe. Mas é apenas a sua opinião, assim como esse comentário representa a minha.

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