Quer saber tudo sobre a Grande Depressão americana? Leia mais este lançamento do IMB

O Instituto Ludwig von Mises Brasil tem a honra e o orgulho de apresentar aquela que é a mais completa obra sobre os eventos que levaram ao crash da Bolsa de Valores de Nova York em 1929 e à subsequente Grande Depressão americana.

Um relato completo tanto das medidas criadas pelo Federal Reserve, o Banco Central americano, que levaram à bolha de ações e ao seu inevitável estouro, quanto de todas as medidas intervencionistas engendradas pelo governo de Herbert Hoover, que não apenas serviram de prólogo ao New Deal como também levaram ao desnecessário prolongamento da depressão. 

Ludwig von Mises certa vez disse que "A história só ensina àqueles que sabem como interpretá-la com base em teorias corretas".  É isso que Murray N. Rothbard faz neste livro.  Utilizando a teoria austríaca — a única dotada da metodologia capaz de explicar solidamente fatos econômicos históricos —, ele faz uma análise precisa dos acontecimentos que levaram à Grande Depressão e que fizeram com que ela se estendesse por mais de uma década.

Ao contrário do senso comum ensinado nas escolas e universidades, uma queda no valor das ações na bolsa (que foi o que aconteceu em 1929) por si só não gera depressão.  Em 1987, por exemplo, a bolsa americana caiu 15% em dois dias e não houve depressão.   O crash da bolsa de Nova York em outubro de 1929 teve suas origens na expansão do crédito feita pelo Federal Reserve em concerto com o sistema bancário de reservas fracionárias ao longo de toda a década de 1920.  Tal expansão gerou um boom sem precedentes no mercado de ações, levando a uma euforia especulativa generalizada.  Quando a expansão do crédito foi interrompida em decorrência de pressões inflacionárias, a euforia foi abruptamente interrompida, e deu-se início ao processo de correção.

A Grande Depressão de 1929 começou com quebras bancárias que ocorreram porque o Fed parou repentinamente de expandir a oferta monetária. Os bancos — que praticavam reservas fracionárias — começaram a restringir empréstimos e a pedir a quitação de empréstimos pendentes.  As pessoas se assustaram com a situação e correram para sacar seu dinheiro dos bancos.  Por causa das reservas fracionárias, isso gerou uma série de falências bancárias.  Essas falências bancárias geraram uma forte contração na oferta monetária — consequentemente, uma recessão.  Tal recessão não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários, de modo que estes se adequassem à nova realidade da oferta monetária.  Porém, o governo fez exatamente o contrário: ele implementou políticas de controle de preços, controle de salários, aumento de tarifas de importação, aumento de impostos, aumento de gastos, aumento do déficit e estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.

Resultado: a recessão foi prolongada por 15 anos.

Entender a Grande Depressão não é apenas uma curiosidade histórica, mas uma necessidade para todos aqueles que desejam não repetir os erros do passado e que almejam um mundo mais próspero e pacífico.  Entender as reais causas da Grande Depressão americana é entender que o caminho para um cenário de maior estabilidade e de maior facilidade para a criação de riquezas é um cenário no qual não pode haver nenhum envolvimento entre estado e moeda, e nem entre estado e economia.

É nossa esperança que, com os ensinamentos aqui dispostos, possamos finalmente aprender com a história.  E aprender com a história significa descartar as teorias falhas e não mais repetir os erros que nos levaram e ainda levam a sofrer com os piores efeitos dos ciclos econômicos.

A seguir, a introdução à obra feita pelo renomado historiador britânico Paul Johnson.

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A história da Grande Depressão revisada

O colapso de Wall Street de setembro e outubro de 1929 e a Grande Depressão que se seguiu estão entre os mais importantes acontecimentos do século XX.  Eles possibilitaram a Segunda Guerra Mundial, ainda que não a tivessem tornado inevitável — e, ao minar a confiança na eficácia do mercado e do sistema capitalista, ajudaram a explicar por que o comunismo soviético, sistema absurdamente ineficiente e assassino, sobreviveu por tanto tempo.  Com efeito, seria possível afirmar que as derradeiras consequências emocionais e intelectuais da Grande Depressão só foram finalmente apagadas da mente da humanidade no fim da década de 1980, quando a alternativa coletivista soviética desfez-se em ruínas sem esperança, e o mundo inteiro aceitou que não havia substituto para o mercado.

Diante da importância desses acontecimentos, a incapacidade dos historiadores de explicar sua magnitude ou duração é um dos grandes mistérios da historiografia moderna.  A queda de Wall Street em si não foi extraordinária de modo algum, para começar.  Com a ajuda da inflação criada pelos banqueiros e pelo governo federal, a economia dos Estados Unidos vinha crescendo rapidamente desde o último declínio em 1920. Assim, já era hora, e mais do que hora, de um ajuste.  De fato, a economia já havia parado de crescer em junho, e era inevitável que essa mudança na economia real se refletisse na bolsa de valores.

A alta do mercado havia efetivamente terminado em 3 de setembro de 1929, imediatamente após os operadores mais argutos terem voltado das férias e olhado atentamente os números que estavam por baixo.  As altas posteriores não foram mais do que soluços numa tendência de queda contínua.  Na segunda-feira, 21 de outubro, pela primeira vez, a fita do teleimpressor não conseguiu mais acompanhar as notícias das quedas.  Os pedidos de cobertura de posição haviam começado a ser feitos por telegrama no sábado anterior, e no começo da semana os especuladores começaram a perceber que poderiam perder suas economias e até suas casas.  Na quinta, 24 de outubro, as ações sofreram uma queda vertical, porque ninguém comprava: os especuladores não tinham mais o que vender e não conseguiam fazer a cobertura adicional. Então veio a Terça-Feira Negra, 29 de outubro, e a primeira venda de ações fortes para tentar conseguir a liquidez de que se precisava tão desesperadamente.

Até aí tudo era explicável e poderia ter sido previsto com facilidade.  Esse ajuste específico da bolsa de valores estava fadado a ser drástico por causa da especulação sem precedentes que as regras de Wall Street permitiam naquele momento.  Em 1929, 1.548.707 clientes tinham contas nas 29 bolsas de valores americanas.  Numa população de 120 milhões de pessoas, quase 30 milhões de famílias tinham uma associação ativa com a bolsa, e um milhão de investidores poderiam ser considerados especuladores.  Além disso, desses, quase dois terços, ou 600 mil, estavam negociando na conta margem — isso é, estavam operando com fundos que não possuíam ou que não tinham como obter com facilidade.

O risco desse crescimento nas operações na conta margem foi agravado pela rápida expansão de fundos de investimento que marcou a última fase da alta do mercado.  As ações costumavam ser valoradas em dez vezes o valor dos rendimentos.  Com o grande volume de operações na conta margem, os rendimentos das ações, de apenas 1% ou 2%, eram muito inferiores aos juros de 8% ou 10% dos empréstimos usados para comprá-las.  Isso significava que quaisquer lucros vinham exclusivamente de ganhos de capital. Assim, a Radio Corporation of America, que jamais havia pago qualquer dividendo, subiu de 85 para 410 pontos em 1928. Em 1929, algumas ações estavam sendo vendidas a 50 vezes o valor dos rendimentos.

Um boom do mercado baseado integralmente em ganhos de capital não passa de um esquema de pirâmide.  Ao fim de 1928, os novos fundos de investimento estavam chegado ao mercado à razão de um por dia, e praticamente todos seguiam o arquétipo de pirâmides invertidas.  Eles apresentavam "alta alavancagem" — um termo novo em 1929 — graças a seus investimentos supostamente perspicazes, e garantiram um crescimento fenomenal à bolsa de valores com uma base muito pequena de crescimento real. Por exemplo, a United Founders Corporation havia sido criada por um indivíduo falido com um investimento de apenas US$ 500, e em 1929 seus recursos nominais declarados, que determinavam o preço de suas ações, já estavam em US$ 686.165.000,00.  Uma outra empresa de investimentos tinha um valor de mercado de mais de um bilhão de dólares, mas seu principal ativo era uma companhia de luz que em 1921 valia apenas US$ 6 milhões. Esses fundos malucos, cujos ativos eram quase inteiramente compostos de papéis dúbios, deram ao boom uma superestrutura adicional de pura especulação; e, quando o mercado quebrou, a "alta alavancagem" funcionou ao contrário.

Por isso, o despertar do sonho tinha necessariamente de ser doloroso, e não surpreende que, ao fim do dia 24 de outubro, onze homens conhecidos de Wall Street haviam cometido suicídio.  O pânico imediato arrefeceu em 13 de novembro, quando o índice de pontos já havia caído de 452 para 224.  Foi um grande ajuste, mas é preciso lembrar que, em dezembro de 1928, o índice estava em 245, somente 21 pontos a mais.  Os declínios na bolsa de valores e nos empreendimentos possuem propósitos econômicos essenciais.  Eles têm de ser agudos, mas não necessariamente longos, porque se ajustam sozinhos. Tudo o que eles demandam do governo, da comunidade empresarial e do público é paciência.  A profunda recessão de 1920 foi corrigida em apenas um ano. Não havia razão para a recessão de 1929 ter demorado mais, porque a economia americana era fundamentalmente sólida. Se o governo permitisse que a recessão se ajustasse sozinha, como teria ocorrido ao fim de 1930, considerando as recessões anteriores, a confiança teria retornado e a queda mundial não precisaria jamais ter ocorrido.

Em vez disso, o mercado de ações se tornou um motor de destruição, levando a nação inteira à ruína e, em sua crista, o mundo.  Em 8 de julho de 1932, o índice de tendências da indústria do New York Times[1] havia caído de 224, ao fim do pânico inicial, para 58. A U.S. Steel, a maior e mais eficiente siderúrgica do mundo, que estava em 262 pontos antes de o mercado quebrar em 1929, estava agora em apenas 22.  A General Motors, que já era um dos grupos industriais de maior sucesso e mais bem geridos do mundo, havia caído de 73 para 8.  Essas quedas calamitosas foram gradualmente refletidas na economia real.  A produção da indústria, que estava em 114 em agosto de 1929, estava em 54 em março de 1933, uma queda de mais da metade, enquanto os bens duráveis caíram 77%, quase quatro quintos.  O setor de construção caiu de US$ 8,7 bilhões em 1929 para US$ 1,4 bilhão em 1933.

No mesmo período, o desemprego cresceu de meros 3,2% para 24,9% em 1933, e 26,7% no ano seguinte. Houve um momento em que 34 milhões de homens, mulheres e crianças não possuíam renda nenhuma, e essa cifra excluía as famílias rurais, que também sofreram um golpe duríssimo. As rendas urbanas desabaram, escolas e universidades fecharam ou faliram, e a subnutrição subiu 20%, algo que nunca havia acontecido antes na história dos Estados Unidos — nem nas épocas difíceis dos assentamentos dos colonos.

Esse padrão se repetiu por todo o mundo industrial.  Foi a pior crise da história humana, e a mais prolongada.  De fato, não houve recuperação natural.  A França, por exemplo, só recuperou um nível de produção industrial semelhante ao de 1929 na metade da década de 1950. A economia mundial só voltou a se aquecer em decorrências dos preparativos para guerra.  A primeira grande economia a se revitalizar foi a alemã, que, com o advento do regime nazista de Hitler em janeiro de 1933, iniciou imediatamente um programa de rearmamento.  Em um ano havia pleno emprego na Alemanha. Nenhuma das outras economias teve a mesma sorte. A Grã-Bretanha começou a rearmar-se em 1937, e a partir desse momento o desemprego caiu gradualmente, apesar de ainda estar em níveis historicamente altos quando a guerra estourou em 3 de setembro de 1939.  Essa foi a data em que Wall Street, contando com lucrativas vendas de armas e a entrada dos Estados Unidos na guerra, finalmente retornou aos preços de 1929.

Trata-se de uma história horrenda, e não acho que historiador algum a tenha explicado satisfatoriamente.  Por que foi tão profunda?  Por que durou tanto?  Até hoje não sabemos efetivamente.  Mas o autor que, em minha opinião, chegou mais perto de oferecer uma análise satisfatória foi Murray N. Rothbard em A grande depressão americana.  Por meio século, a explicação convencional e ortodoxa, dada por John Maynard Keynes e seus seguidores, era a de que o capitalismo era incapaz de salvar-se de si próprio, e que o governo não fez o suficiente para salvar um sistema de mercado intelectualmente falido das consequências de seus próprios disparates.  Essa análise foi parecendo cada vez menos convincente à medida que os anos passavam, sobretudo porque o próprio keynesianismo foi se tornando desacreditado.

Nesse ínterim, Rothbard produziu, em 1963, sua própria explicação, que virou do avesso a explicação convencional.  Ele defendia que a severidade do crash de Wall Street não foi devida à licenciosidade irrestrita de um sistema capitalista bandido, mas à insistência do governo em manter artificialmente o boom expandindo o crédito de maneira inflacionária.  As ações continuaram a cair e a economia real entrou em queda livre não porque o governo interferiu pouco, mas porque interferiu demais.  Rothbard foi o primeiro a afirmar, nesse contexto, que o espírito dos tempos na década de 1920, e ainda mais na de 1930, era o de que o governo deveria planejar, intrometer-se, mandar e exortar.  Era a ressaca da Primeira Guerra Mundial, e o presidente Hoover — que havia adquirido fama no mundo inteiro durante a guerra gerenciando programas de assistência, e depois ocupou importantes posições na área econômica ao longo dos anos 1920, até instalar-se na própria Casa Branca em 1929 — era um planejador intrometido, mandão e exortador.

O único departamento do governo federal americano que cresceu constantemente em cifras e em poder durante a década de 1920 foi o de Hoover, e ele constantemente instava os presidentes Harding e Coolidge a assumir um papel mais ativo no gerenciamento da economia.  Coolidge, um verdadeiro minimalista em termos de governo, havia reclamado: "Por seis anos esse homem veio me dar conselhos que eu não pedi — todos péssimos."  Quando Hoover finalmente assumiu a Casa Branca, ele seguiu seu próprio conselho, e fez dela um motor de interferência, primeiro injetando mais crédito numa economia já superaquecida e, depois, quando a bolha estourou, fazendo tudo que podia para organizar operações governamentais de resgate.

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Graças às intuições de Rothbard, agora vemos que o período Hoover-Roosevelt foi na verdade um continuum, que a maioria das "inovações" do New Deal foram na verdade expansões ou intensificações das soluções de Hoover, ou pseudossoluções, e que o governo de Franklin Delano Roosevelt distinguiu-se do de Herbert Hoover em apenas dois aspectos relevantes — teve infinitamente mais sucesso em cuidar de suas relações públicas, e esbanjou muito mais dinheiro dos pagadores de impostos.  E, segundo os argumentos de Rothbard, o efeito líquido do continuum Hoover-Roosevelt de políticas públicas foi o de piorar a crise e prolongá-la quase até o fim da década de 1930.  A Grande Depressão foi uma falha do estado hiperativo, não do capitalismo.

Não estragarei o prazer do leitor me aprofundando ainda mais nos argumentos de Rothbard.  Seu livro é um tour de force intelectual, por consistir, do começo ao fim, na sustentação de uma tese, a qual é apresentada com lógica implacável, exemplos abundantes e grande eloquência.  Conheço poucos livros que tornem tão vívido o mundo da história econômica, e que contenham tantas lições convincentes, válidas ainda hoje. O livro é também uma rica mina de conhecimentos misteriosos e interessantes, e insto os leitores a explorar suas notas de rodapé, que contêm muitas citações deliciosas dos grandes e dos tolos daqueles dias de três quartos de século atrás.  Não surpreende que o livro esteja chegando a mais uma edição.  Ele superou bem a prova do tempo, até mesmo com certa graça, e sinto-me honrado por ter sido convidado a apresentá-lo a uma nova geração de leitores.

 

Paul Johnson

1999

 

Para aquecer, leia todo o nosso material sobre a Grande Depressão

 


[1] N. do T.: "New York Times industrials" no original. Trata-se de um índice feito pelo jornal com 25 ações para verificar tendências na indústria americana.


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SOBRE O AUTOR

Paul Johnson
, nascido a 2 de novembro de 1928, em Manchester, Inglaterra, é jornalista, historiador e autor de livros e discursos.  Foi educado na escola jesuíta independente Stonyhurst College e no Magdalen College, Oxford, onde um de seus tutores foi o historiador A.J.P. Taylor.  Seus livros mais famosos são História dos Judeus; Tempos Modernos: o mundo dos anos 20 aos 80; História Ilustrada do Antigo Egito; História do Cristianismo; A History of American People; A History of the English People; The Birth of the Modern.



A meu ver, essa "desregulamentação" estatal sobre a terceirização não passa de uma intervenção, de feição "liberal", que não implicará nos efeitos desejados e previstos.

Basicamente, pelo que eu entendi, a intenção do governo é gerar mais empregos que de fato paguem salários realmente vinculados à riqueza produzida pelo empregado. Com isso, busca se mover a economia, através de poupanças, maior capital do empregador para investimento e consumo real dos empregados. Desse modo, o Estado pode arrecadar mais, pois, na análise de Smith que é complementanda pelo autor do artigo, a especialização (terceirização) gera riqueza e prosperidade. Fugindo, portanto, do ideal keynesiano de que quanto maior o consumo de quem produz maior o progresso, negligenciando a possível artificialidade dessa troca.

Minha objeção consiste em afirmar que a regulamentação do modo que foi feita não é benéfica para o Estado, logo, como tudo no Brasil, querendo ou não, está ligado à esse ente, não torna se benéfica ao indivíduo.

Primeiro, pelo fato de que, as empresas que contratam outras empresas terceirizadas podem ter um elo empregatício direito com os empregados dessa última. Nessa perspectiva, caso uma terceirizada, receba os repasses do contratante, porém não esteja pagando os benéfícios/ salários dos seus empregados em dia, sob alegações diversas, iniciará se um processo judicial entre a empresa contratada e o contrante para solucionar esse caso, haja vista que é do interesse do terceirizado receber o que lhe é devido. Consequentemente, o tempo depreendido, os custos humanos e financeiros são extremamente onerosos para a empresa contratante, de modo que, sua produtividade e poder de concorrencia no mercado é reduzida. Ou seja, a continuidade do desrespeito aos contratos firmados e a morosidade da Justiça, práticas comuns no país, muitas vezes, anulam a ação estatal que visa gerar mais empregos e melhorar a produtividade das empresas. O que afeta principalmente os empreeendedores com um capital menor e que operam em mercados menos regulados. Logo, busca se intervir para corrigir um problema, sendo que o corolário dessa nova intervenção é exaurido por uma ação feita anteriormente

Outro ponto pouco abordado por vocês é que as terceirizações beneficiam também os empresários oriundos de reservas de mercado. Logo, uma ação estatal que, a posteriori privilegia os amigos dos políticos, não pode implicar nas consequências previstas a priori. Isso porque, a possibilidade contratação de terceirizados a partir de salários menores do que de fato seriam em um contexto natural/equilibrado torna se muito mais viável para os corporativistias, pelo simples fato de que seus acordos com agências e orgãos públicos influenciam também nas decisões judiciárias que envolvem a sua empresa e a empresa terceirizada. Desse modo, o megaempresário contrata a empresa terceirizada e estabelece um acordo onde há um repasse menor da grande empresa para a terceirizada e, na sequência, apenas uma parte muito pequena, não correspondente ao valor gerado, desse repasse para a empresa terceirizada é convertida em salários para os terceirizados, onde a empresa terceirizada acaba lucrando mais, ao ter menos gastos. Portanto, um terceirizado que trabalha para uma empresas monopolística (no sentido austríaco) possui maiores chances de ser ludibriado e não lhe resta muitas opções de mudança de nicho, haja vista que infelizmente inúmeros setores do mercado brasileiro sofrem regulação e intervenção constante do governo.

No mais, ótimo artigo.
Gustavo, os Dinamarqueses podem usufruir desse tipo de assistencialismo, justamente porque o mercado deles é produtivo.

O mercado deles é produtivo como consequência da LIBERDADE DO MESMO, como o próprio artigo aponta.

Lá não existe salario mínimo, o imposto sobre o consumo é baixo, assim como o imposto sob pessoa jurídica.
No máximo, o imposto de renda é alto, mas eles tem uma moeda forte e estável, um lugar livre pra se empreender e contratar alguém(não existe nem salário minimo lá!).

Defender o modelo Dinamarques na situação Brasileira demonstra toda a ignorância básica em economia, nosso mercado fechado produz pouco pra aguentar um estado desse tamanho. Ainda sim, o estado da Dinamarca é menor que o Brasileiro, nunca ouvi falar sobre lá ter quase 40 ministérios, nunca ouvi falar lá sobre a existência de Agencias Reguladoras em todos os setores do Mercado, nunca ouvi falar lá sobre a existência de centenas de estatais!

E mais, a crise Sueca dos anos 80 justamente explica isso, o Welfare explodindo nessa época acabou ''sufocando'' o mercado, deixando-os em uma crise enorme de déficits astronomicos.
Qual foi a solução?

Austeridade e Livre-Mercado, na década de 90 a suécia voltou a crescer fortemente, uma reforma radical de corte de gastos e liberdade de mercado, no fim das década de 80 e começo da 90, permitiu que a Suécia saísse da crise causada pelo Welfare.

Mas por fim, você acha justo tirar o dinheiro das pessoas a força pra sustentar tudo isso para os que não querem trabalhar?

Antes de qualquer boa consequência, analise a ética e a moral.
É como querer defender o homicídio, dizendo que isso amenizara a escassez na terra no futuro. Não interessa, homicídio de inocentes é errado, é irrelevante as boas ou ruins consequências que o crime pode trazer.

E mais, Noruega já esta retirando dinheiro do seu fundo, mais uma vez veremos mais uma crise em alguns escandinavos, o peso do estado não dura muito, por mais produtivo que um mercado seja. É economicamente impossível, a empiria da ciência economica prova isso!

O texto apenas demonstra que o sistema capitalista, ainda mais a forma liberal, é totalmente ineficiente.

Senão vejamos,

1: hoje já não é proibido nenhuma empresa ter seus laboratórios e certificados de qualidade internos ou externos, inclusive no Brasil existe a certificação "Certified Humane Brasil é o representante na América do Sul da Humane Farm Animal Care (HFAC), a principal organização internacional sem fins lucrativos de certificação voltada para a melhoria da vida das criações animais na produção de alimentos, do nascimento até o abate"; (não necessita liberalismo para isso), inclusive a Korin agropecuária é certificada por essa empresa, entre tantas outras.

2: Não é proibido nenhuma instituição avaliar a qualidade dos produtos e denunciar caso seja de péssima abaixo do esperado; (não necessita liberalismo para isso também)

3: No liberalismo estas mesmas instituições que avaliariam a qualidade ou emitiriam certificados poderiam ser construídas justamente para os objetivos do bloco gigante de algum ramo, como por exemplo carne, tendo esse poder eles também teriam o poder de patrocinar jornais e revistas para desmentir qualquer empresa de certificados privados concorrente e pronto, num mundo globalizado quem não aparece não é visto. O lucro dos grandes blocos estaria garantido... num capitalismo sem regulação estatal quem iria impedir isso? Da mesma forma que a "Certificadora" do grande grupo poderia difamar as carnes de um grupo concorrente.

claro, se não existissem grupos, talvez até funcionaria, porém pq não criar grupos para ter maior vulto de recursos para maior propaganda e maior lucro? Justamente. Apenas prova objetivo maior - lucro - é o motor para irregularidades, seja de agente público ou privado.

aguardando respostas...

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • abelard0  26/11/2012 05:55
    Excelente!!
    Só uma pergunta que foge um pouco desse assunto. Vocês teriam algum artigo que mostre as causa da bolha da internet?
    Obrigado
  • Patrick de Lima Lopes  26/11/2012 06:08
    Em algumas horas comprarei o meu.

    O excelente artigo de Hans-Sennholz sobre a Grande Depressão também a aborda excelentemente:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=376
  • Guilherme Marinho  26/11/2012 06:15
    Sensacional!\r
    Parabéns ao IMB e todos os envolvidos!\r
    \r
    Já li alguns trechos desse livro na versão original e refuta qualquer "argumento perdido" usado pelos keynesianos para defender a intervenção estatal na economia.\r
    \r
    Leitura necessária.
  • PESCADOR  26/11/2012 06:27
    Vou comprar! Não posso ficar sem esse livro. Muito obrigado.
  • Cristiano  26/11/2012 06:55
    Ufa, qdo estava ficando desesperado sem opção de presentes de natal!
    Providencial lançamento.
  • Tiago Bezerra  26/11/2012 07:00
    Para mim todas as argumentações keynesianas sobre o crash de 1929 cairam por terra, mas ainda faltava uma que nunca entendi. Segundo os historiadores, Hoover era um liberal que não interviu na economia, esperando que a economia se ajustasse sozinha. No entanto com as palavras de Paul Jonhson, parece que a história não é bem assim. Estou ansioso para ler o livro de Rothbard para me desintoxicar de todas as mentiras intervencionista de vez.
  • Leandro  26/11/2012 07:21
    Nem precisa esperar pelo livro. Como dito no link ao final do artigo, temos tudo sobre a Grande Depressão e sobre as políticas de Hoover. Recomendo estes artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=272
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=878
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=880
  • Mercado de Milhas  26/11/2012 09:13
    Milton Friedman já explicou tudo sobre a depressão de 29

    www.fee.org/the_freeman/detail/the-great-depression-according-to-milton-friedman/

  • Leandro  26/11/2012 09:45
    Sim, explicou. Explicou tudo errado. Para ele, o problema foi que o Fed fez muito pouco, quando ele deveria ter inflacionado ainda mais. Friedman e a Escola de Chicago não possuem teoria de ciclos econômicos. Para eles, se o Banco Central estiver se mantendo dentro das metas de inflação, então está tudo ótimo. Curiosamente, o Fed da década de 1920 manteve a inflação de preços estritamente rígida -- o que, de acordo com a teoria de Chicago, seria suficiente para manter a economia em crescimento sólido e sustentável.

    Viena e Chicago e suas divergências sobre moeda, inflação e a Grande Depressão

    Friedman era excelente em várias coisas, exceto em teoria monetária. Justamente por isso, ele dedicava a esse assunto 90% de seus escritos. Para coroar, legou ao mundo um grande sucessor: Ben Bernanke. Certamente está se revirando no túmulo.
  • Tiago Bezerra  26/11/2012 14:36
    Obrigado, Leandro. Eu sou novato por aqui, comecei recentemente a explorar o site. Eu tenho uma sugestão para o pessoal da escola austriaca no Brasil: escrever uma seção na página do wikipedia sobre a Grande Depressão do ponto de vista da escola austriaca, citando como fonte esse site. Além de atenuar as mentiras que foi escrito, abriria a possibilidade de muitos descobrirem esse site.
  • mcmoraes  26/11/2012 07:36
    Caras, vocês são demais!
  • Rhyan  26/11/2012 08:40
    Só da pra comprar pela Loja Singular, e não pelo PagUol?
  • Gabriel  26/11/2012 09:58
    "A primeira grande economia a se revitalizar foi a alemã, que, com o advento do regime nazista de Hitler em janeiro de 1933, iniciou imediatamente um programa de rearmamento. "

    Mas no "reinado" nazista a economia não era toda centralizada? Como a Alemanha conseguiu sair da crise rápido? E a Republica de Weimar foi depois de 29 com aquela inflação absurda?
  • Leandro  26/11/2012 10:09
    "Mas no "reinado" nazista a economia não era toda centralizada?"

    Sim. Preços e salários eram estritamente controlados e ninguém tinha liberdade nem de empreender e nem de consumir.

    "Como a Alemanha conseguiu sair da crise rápido?"

    Não saiu da crise. Ela simplesmente criou um gigantesco programa de obras públicas no qual o emprego não apenas era praticamente compulsório, como também os trabalhadores não tinham liberdade de consumo e nem poder de compra. Como o desemprego caiu bastante (e não poderia ser diferente), criou-se a sensação de que tudo estava bem. Mas a realidade é que você tinha a obrigação de trabalhar e não pedir nada em troca. Também era assim na URSS e ainda é assim na Coréia do Norte e em Cuba. Você trabalhar e não poder usufruir os frutos do seu trabalho é, em minha opinião, escravidão. Prefiro ser desempregado e viver de seguro-desemprego em Madri.

    Hitler era um keynesiano


    "E a Republica de Weimar foi depois de 29 com aquela inflação absurda?"

    Exato. Consequência direta desse modelo de planejamento central. Isso foi explicado em detalhes neste artigo.

    Como se deu o milagre econômico alemão do pós-guerra
  • Vinicius Costa  26/11/2012 10:03
    Só uma dúvida: Como funcionava o padrão-ouro antes da Grande Depressão de 1929?
  • Leandro  26/11/2012 10:10
    Padrão ouro-câmbio, explicado em detalhes aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=258
  • Rodrigo Viana  26/11/2012 13:02
    America's Great Depression traduzido? uhuuuuuu! o/
  • Bongo  26/11/2012 13:30
    Muito bom, vou comprar!

    Vcs vão disponibilizar pra download na sessão biblioteca ? Queria dar uma olhada antes de fazer a compra.
  • Bongo  26/11/2012 13:31
    Nem precisa responder, acabei de ver o livro la! Valeu :)
  • axel  26/11/2012 14:42
    Olá, gostaria de saber qual a proposta Austriaca para economias defasadas e para a distribuição de renda? sou estudante da ufrj no segundo periodo e queria saber as visões plurais da economia
  • Leandro  26/11/2012 15:16
    A proposta para economias defasadas é simples, porém trabalhosa.

    Uma economia pobre tem, obviamente, de criar riqueza. E o que cria riqueza? Divisão do trabalho, poupança, acumulação de capital, capacidade intelectual da população (se a população for burra, a mão-de-obra terá de ser importada), respeito à propriedade privada (o que implica baixa tributação), segurança institucional, desregulamentação econômica, moeda forte, ausência de inflação, empreendedorismo da população, leis confiáveis e estáveis, arcabouço jurídico sensato e independente, governo respeitador da liberdade etc.

    Se um país quiser criar riqueza, ele tem de obedecer a todos estes requisitos. Se, por outro lado, o país que quiser continuar pobre, basta ele desrespeitar apenas alguns destes requisitos. Ser pobre é fácil. Enriquecer é que dá trabalho.

    A economia pobre que souber obedecer a estes requisitos terá o mesmo destino de Hong Kong e Cingapura, que eram favelas a céu aberto na década de 1960 e hoje possuem renda per capita maior que a americana.

    Veja aquia evolução do PIB per capita de Hong Kong (de US$3.080 em 1960 para US$37.352 em 2011

    E veja aqui a evolução do PIB per capita de Cingapura (de US$2.252 em 1960 para US$ 33.530 em 2011).

    Tá bom para você?


    Quanto à distribuição de renda, há apenas uma maneira de se fazer isso: criando riqueza, liberalizando o mercado de trabalho, desburocratizando e dando plena liberdade para que todos aqueles que quiserem trabalhar duro e/ou empreender possam fazê-lo sem tributações coercivas. A melhor maneira de distribuir riqueza é permitindo que cada indivíduo possa enriquecer livremente por meio do trabalho e do empreendedorismo. E para que a riqueza seja criada, cada indivíduo tem de ter a liberdade de acumular a sua própria. Isso, por si só, já seria divisão de riqueza.


    Artigos recomendados (os quais você deve ler com muita atenção e interesse):

    Sociedades pobres e sociedades ricas - o que faz a diferença

    O que explica a pobreza em uma economia formada por pessoas laboriosas?

    A pobreza é fácil de ser explicada

    Alguns conselhos para aqueles que genuinamente querem ajudar os pobres

    Todo o seu conforto você deve ao capitalismo e aos ricos
  • Patrick de Lima Lopes  26/11/2012 16:11
    Impressionante resposta, Leandro.

    Impressiono-me sempre com as réplicas que você faz. Na realidade, sinto-me até desencorajado. Havia escrito uma réplica semelhante ao Axel e quando vi a sua, não tive opção além de apagá-la para terminar não poluindo a sala com texto repetitivo.

    O máximo que eu poderia adicionar ao seu excelente comentário(Que fala por três artigos) é que a tal economia defasada não fosse contrária ao investimento estrangeiro, que por sua vez traria tecnologia(Bens de capital, essenciais) e aumentaria a competição no mercado de trabalho. Também pediria que tal economia defasada não buscasse riqueza através do protecionismo, pois o mesmo termina sendo uma ameaça ao acúmulo de capital(Devido ao aumento dos preços dos bens de capital, vide a situação dos insumos da pecuária no Brasil) e ao padrão de vida da população(Que seria diminuído graças ao aumento dos custos. O que também retardaria a formação da poupança).

    Abraço. Espero ter adicionado ao menos um pouco à resposta.
  • Leandro  26/11/2012 16:27
    Obrigado, Patrick. Mas, da próxima vez, nada de apagar. Seu acréscimo ficou muito bom.

    Abraços!
  • BSJ  26/11/2012 15:15
    O democrata Roosevelt prolongou a intervenção iniciada pelo republicano Hoover, assim como Obama intensificou gastos públicos para sanar o boom artificial surgido no governo Bush. O Bush, que não é santo, ficou com fama de super-vilão; e Obama, que não é herói, é visto como pobre vítima que pegou uma "herança maldita" de uma suposta crise do liberalismo no governo anterior.
    Ou seja, os democratas (sempre mostrados pela mídia como o lado bonzinho dos americanos) Roosevelt e Obama poderiam entrar para a História (assim como o republicano Warren Harding) acabando com as crises simplesmente...não se intrometendo na economia!

    Pensando bem, se Roosevelt e Obama tivessem agido da forma correta, não seriam "heróis". Pois as crises de 1929 e 2008 teriam sido apenas "marolinhas". Afinal, heróis só são lembrados por grandes feitos. Que o diga Warren Harding e a esquecida crise de 1920.
  • Renato Souza  26/11/2012 15:53
    Essa visão equivocada sobre o passado não é simplesmente ignorância. É resultado de mentiras ditas e repetidas continuamente. É impossível acreditar que gente como Paul Krugmam, por exemplo, não saiba o que realmente aconteceu, mesmo porque há imensa fartura de dados sobre aquele período. Eles sabem a verdade, mas a "ética" esquerdista manda mentir, escrever hagiografias sobre esquerdistas famosos, e demonizar os não esquerdistas, para convencer as pessoas...

    Outro ponto importante é que os conservadores devem ser mais espertos na hora de escolher seus representantes. "Conservadores" que não tem conceitos firmes sobre economia (pois "aprenderam" economia com professores marxistas ou keynesianos) aplicarão parte da receita esquerdista, os resultados serão ruins, e a imprensa culpará a "liberdade dos mercados". Então virá um esquerdista e aprofundará a receita esquerdista (desta vez com o apoio dos truques e manipulações da imprensa) e aproveitará para demolir os princípios da igualdade perante a lei.

    Caso houvessem dezenas de milhões de pessoas aprendendo os conceitos corretos sobre economia (e a narrativa histórica verdadeira) haveriam políticos que sabem o que estão fazendo, e conduziriam os negócios públicos de acordo com a realidade. Isso acontece no sudeste asiático, onde, em vários países, os políticos entendem que devem evitar grandes interferências na economia, e não consideram que são "construtores" de seus países. Eles entendem que a sociedade constrói o país, e acreditam no governo mínimo (como acreditavam a maioria dos antigos presidentes americanos).
  • Patrick de Lima Lopes  26/11/2012 16:22
    Bem, esperamos que um dia algo parecido ocorra.
    Mas, infelizmente, todos sabemos que as chances são ínfimas. A democracia é, de fato, uma porta de entrada ao keynesianismo e ao assistencialismo.
    Todas as características que compõem o política moderna são gentilmente atendidas pela proposta de um planejamento central com todo direito à expansões de crédito(Afinal, o estado precisa pedir empréstimos sem que o preço do crédito suba) e ciclos econômicos. O maior mal do regime democrático é o imediatismo. O segundo maior mal é o populismo.

    Bem, este artigo explica muito melhor que eu jamais seria capaz de fazer:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1287

    Passar bem.
  • Renato Souza  27/11/2012 07:47
    Note que, embora realmente seja uma porte de entrada, muitas sociedades não entram por ela. Há vários países democráticos, principalmente na Ásia, que não tem estados fortemente assistencialistas.\r
    \r
    Sinceramente, a mim parece que o fator principal para a formação de um estado fortemente assistencialista é a cultura do povo. Os povos da América Latina e da África, e os áraves, parecem particularmente atraídos pelo assistencialismo. Os povos do extremo oriente parecem ser os menos atraídos. Um exemplo de povo que rejeita fortemente o assistencialismo é o suiço.\r
    \r
    Segundo penso, é muito mais uma questão de guerra cultural do que de regime político. Os americanos, durante muito tempo rejeitavam o assistencialismo. Então vieram pessoas com idéias erradas sobre o funcionamento da economia, dizendo que a prosperidade era fruto de "estímulos" estatais. Os resultados foram o intervencionismo e o assistencialismo. Se essas idéias erradas tivessem sido obstadas, pelo ensino das idéias corretas (e de exemplos históricos que as evidenciam), o intervencionismo e o assistencialismo não teriam se instalado (ou teriam sido logo debelados).\r
    \r
    Isto é uma luta diária. Eu, por exemplo, acreditava nas explicações padrão sobre a Grande Depressão, o Plano Marshal, a queda do Império Romano. E olhe que não tenho simpatia pelo esquerdismo, simplesmente eu nunca tinha visto explicações fora do mainstream. Saber como os fatos realmente se deram é importantíssimo, muda a mentalidade das pessoas.
  • axel  26/11/2012 16:14
    Leandro

    obrigado, portanto tenho algumas indagações sobre a teoria de voces :

    porque voces se consideram heterodoxos (pelo menos é isso que esta no wikipedia) sendo que as teorias austriacas se parecem muito a tradiçao neoclassica;marginalista. ou seja, se baseiam na lei de say, competição perfeita, pleno emprego sempre, etc etc, que com todo respeito são muito mais irrealistas. ou estou errado?
  • Leandro  26/11/2012 16:28
    Está errado.

    Primeiro que a classificação de "heterodoxos" foi dada por seguidores de Chicago e adeptos da microeconomia neoclássica.

    Segundo que, esses sim, acreditam na teoria da concorrência perfeita. Austríacos não apenas sabem que isso não existe, como ainda dizem que seus adeptos estão à esquerda de Marx. Por isso nos chamam de heterodoxos.

    Quanto à possibilidade do pleno emprego, há um artigo inteiro sobre isso.

    E, apenas para não deixar dúvidas, certifique-se de que você realmente conhece a Lei de Say, ou se aprendeu errado da boca de um keynesiano.

    Abraços.
  • HHott  26/11/2012 17:15
    Show de bola, o IMB ta de parabéns, sempre surpreendendo!
  • axel  26/11/2012 17:15
    Eu discordo um pouco, por exemplo a teoria de ciclo economico austriaca não me parece particularmente diferente do mainstream, e é fundamentalmente Wickselliana. Hayek acreditava que flutuações eram causados por choques monetarios, e que equilibrio era baseado em ajuste da taxa monetaria para uma taxa "natural".
  • Leandro  27/11/2012 02:33
    Estudo teoria dos ciclos econômicos há vários anos e nunca ouvi falar de equilíbrio "baseado em ajuste da taxa monetária para uma taxa "natural". Não tenho ideia do que se trata.
  • axel  27/11/2012 10:18
    Nunca ouviu falar de Hayek falando em "taxa natural"? Poxa cara, leia sobre o debate sraffa vs. hayek

    e sobre a lei de say, eu não to falando em opinião, eu colei o texto onde o autor escreve "oferta(venda)" como sinonimos
  • Leandro  27/11/2012 10:29
    Eu conheço (e muito) a "taxa natural de juros". Nunca ouvi falar em "taxa natural monetária". Duvido que exista algo assim. (Desnecessário dizer que dinheiro nada tem a ver com juros, dado que juros existem até mesmo em uma economia de escambo.)

    Quanto ao "oferta (venda)", o termo entre parênteses foi colocado justamente para enfatizar que não está havendo apenas uma oferta, mas sim uma venda. Ofertar, você pode ofertar o que quiser. A questão é vender. No caso da Lei de Say, a oferta (no sentido de venda consumada) gera a demanda por outros bens e serviços.

    Ficou mais claro agora?
  • axel  26/11/2012 17:53
    Outra coisa, o artigo que você enviou da "lei de say" que keynes supostamente distorceu diz :

    "Em suma, eis a Lei de Say: a oferta (venda) de X cria a demanda por (pela compra de) Y."

    ora, ele acaba de afirmar que oferta=venda.. ou seja

  • Leandro  27/11/2012 02:34
    Não, ele não afirma isso. Ou você não leu direito, ou leu apressado, ou simplesmente não soube interpretar. Não faz nenhum sentido dizer que oferta = venda. (Se você ofertar suas roupas de baixo, conseguirá vendê-las a um determinado preço?)

    Deixe-me resumir a Lei de Say para você, de modo que não haverá como não entendê-la.

    A Lei de Say, antes de tudo, diz respeito à quantidade de dinheiro na economia. Ela diz que você não pode aprimorar as condições econômicas simplesmente aumentando a quantidade de dinheiro na economia; quando os negócios não estão indo bem, não é porque não há dinheiro suficiente.

    O que Say tinha em mente, o que ele disse quando criticou a doutrina de que deveria haver mais dinheiro na economia, era que tudo o que alguém produz representa, ao mesmo tempo, uma demanda por outras coisas. Se há mais sapatos produzidos, esses sapatos serão oferecidos no mercado em troca de outros bens. A expressão "a oferta cria demanda" significa que o fator produção é essencial. Expressada mais acuradamente, ele estava dizendo que "a produção cria consumo", ou, ainda melhor, que "a oferta de cada produtor cria sua demanda pelas ofertas de outros produtores". Dessa forma, um equilíbrio entre oferta e demanda sempre existirá em termos agregados (embora Say reconheça que pode haver escassez e fartura em relação a produtos específicos).

    Ou seja, para que uma pessoa possa demandar algo, ela antes precisa ter produzido algo. E é exatamente por ter produzido algo, que esse produtor terá agora uma demanda por outros bens e serviços -- e isso elevaria a oferta de bens e serviços para toda a economia, reduzindo os preços.

    Agora não há mais desculpas para não entendê-la.
  • anônimo  06/12/2012 23:06
    Em suma, ele quis dizer que as coisas devem ser produzidas para serem consumidas...
  • amauri  27/11/2012 03:32
    Bom dia Leandro!
    Li recentemente que não se pode confiar em um fatalismo economico, achando que a falência do estado, a ser causada pelos esquerdistas, "nos levará a um futuro em que o livre mercado de novo vai se estabelecer". Se a direita não agir, pode ser exatamente o oposto: a falência dos estados, por causa do assistencialismo esquerdista, pode ser o pretexto que eles estão procurando para implementar um governo totalitário.

    Ao invés de uma luz no fim do túnel, a falência do estado pode ser a consolidação do sucesso absoluto do projeto esquerdista. Achei coerente, e voce? abs
  • Leandro  27/11/2012 04:06
    Concordo. Por isso não se pode jamais interromper o esforço na divulgação de ideias. É por meio da batalha de ideias que as melhorias virão. Caso ocorra a falência do estado e não haja um conjunto de ideias de ampla aceitação e pronto para substituí-lo, as medidas totalitárias prevalecerão.
  • axel  27/11/2012 12:32
    Leandro

    Sim taxa natural de juros, isso que eu tava querendo dizer, o que é beem wickselliano e não vejo porque distanciar a escola austriaca da marginalista (sendo que os austriacos estão na "margem" da marginalista, dado a sua relevancia)

    "Ou seja, para que uma pessoa possa demandar algo, ela antes precisa ter produzido algo"

    ??? eu nunca produzi nada mas demando varias coisas
  • Leandro  27/11/2012 12:52
    Ai, ai, ai... Esse é o problema de dar respostas concisas partindo do princípio de que o interlocutor já domina o básico da ciência econômica.

    Prezado Axel, leia novamente a minha frase e veja que eu disse algo sobre a quantidade de dinheiro na economia.

    Sim, você adquire bens sem produzir nada, mas você só o faz porque seus pais (ou algum tutor) lhe dão dinheiro. Da mesma forma, um indivíduo só pode demandar algo sem antes ter produzido nada caso crie dinheiro do nada. Quando a demanda surge em decorrência de um aumento da oferta monetária, a pessoa não precisa produzir nada para poder demandar algo; ela simplesmente utiliza o dinheiro recém-criado e já aumenta o seu consumo. Mas isso não é livre mercado, e não é a esse arranjo que Say se referia.

    Adicionalmente, nesse caso em que você aumenta sua demanda ao simplesmente criar dinheiro do nada, esse seu aumento de demanda não fará com que os produtos surjam automaticamente. Se os recursos para produzir esses produtos não tiverem sido previamente poupados, eles terão de ser retirados de outros lugares da economia, o que provocará aumento de preços. No extremo, poderá não haver recursos poupados em lugar nenhum da economia, de modo que a oferta ficará inviável -- ou os preços subirão.

    Ou seja, não basta haver demanda. Demanda não é garantia de surgimento de bens. Antes de mais nada, é preciso haver poupança, que é o que possibilita a produção de bens. É a esse arranjo que Say se referia. Agora, se a sua demanda advém do aumento da quantidade de dinheiro na economia -- de modo que você passa a poder demandar sem nada produzir --, você irá apenas provocar um aumento de preços.


    Sobre os marginalistas, recomendo estes artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1299
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=35
  • axel  27/11/2012 14:27
    Ai, ai, ai... Esse é o problema de dar respostas concisas partindo do princípio de que o interlocutor já domina o básico da ciência econômica.

    por que voce tem que subir o tom assim?

    "Adicionalmente, nesse caso em que você aumenta sua demanda ao simplesmente criar dinheiro do nada, esse seu aumento de demanda não fará com que os produtos surjam automaticamente. Se os recursos para produzir esses produtos não tiverem sido previamente poupados, eles terão de ser retirados de outros lugares da economia, o que provocará aumento de preços. No extremo, poderá não haver recursos poupados em lugar nenhum da economia, de modo que a oferta ficará inviável -- ou os preços subirão. "

    isso seria verdade se os produtores não produzissem com base a uma previsão de demanda agregada, o que mantem o nivel de produção e emprego quando nao ha pleno emprego (isso é o mundo real pq ja estagiei e conversei com quem contratava nessa industria).
  • Leandro  27/11/2012 14:49
    O tom é imutável: paciência plena. Sou conhecido por isso.

    "isso seria verdade se os produtores não produzissem com base a uma previsão de demanda agregada"

    Não entendi em absoluto qual a ligação dessa sua frase com o enunciado acima, ou em que esta frase refuta o enunciado acima (o qual jamais põe em dúvida que empreendedores estão sempre estimando qual será a demanda futura. Óbvio, é assim que eles obtêm lucros). Você por acaso está dizendo que imprimir dinheiro faz com que bens de capital surjam do nada e, consequentemente, faça aumentar a oferta de bens de consumo na economia?
  • Marcos Campos  04/12/2012 11:03
    Vendo o Leandro e o Axel debaterem, lembrei de uma passagem;

    "Dois homens vem andando em uma rua, cada um com um pão na sacola. Os 2 se cruzam no caminho e decidem trocar os pães, e cada um vai embora com um pão.
    Dois homens vem andando em uma rua, cada um com uma idéia. Os 2 se cruzam no caminho e decidem trocar ideias, e cada um vai embora com 2 ideias."

    Espero que o o Sr. Axel esteja apenas passando por um momento de efeito colateral, após a quimioterapia austríaca, assim como eu mesmo já passei.

    Assim como você Sr. Axel, nós também somos pessoas boas, que estuda muito e luta dia após dia para buscar uma nova perspectiva econômica para nosso país.

    Pois o que aprendemos e vivemos hoje, não deu e nunca vai dar certo, porque não mudar?

    Dê uma chance à si mesmo.

    Abraços
  • romario  11/12/2012 06:44
    esse livro é o mesmo que esta disponível da biblioteca no link abaixo?

    mises.org.br/Ebook.aspx?id=76

    vou comprar o livro de qualquer jeito, estou formando uma biblioteca aqui na minha casa.
  • anônimo  11/12/2012 08:18
    Correto. Todos os livros vendidos pelo site são também disponibilizados gratuitamente. Se não algum livro não estiver disponibilizado é porque a lei dos direitos autorais proibiu.
  • romario  11/12/2012 11:16
    essa atitude do IMB é simplesmente louvável, conhecimento só gera mais conhecimento se for repassado, vou comprar o meu assim que o cartão virar o mês.
  • oneide teixeira  20/01/2013 21:27
    Um fator que não é levado em conta frequentemente sobre a grande depressão.
    Nos EUA no fim da década de 1920, os estados do meio oeste americano passaram por uma severa seca(Dust Bowl). Não que ela seja a causa mais um agravante que deve ser levado em conta quando se fala da grande depressão.
    ..........

    "O dia de repente se tornou noite, era como uma parede escura no horizonte ocultando o sol. E de uma hora para outra tudo ficou escuro e coberto de poeira".

    No início da década de 30 um fenômeno climático de proporções catastróficas atingiu as grandes pradarias no coração dos Estados Unidos. As chamadas Nevascas Negras (Black Blizzards) eram de fato tempestades de areia colossais que espalharam o caos e o desespero por onde passaram.

    As Nevascas atingiram com maior intensidade a região centro oeste dos Estados Unidos, mas seus efeitos puderam ser sentidos até a Costa Leste. A área ocupada pelos Estados mais afetados passou a ser conhecida como Dust Bowl (bacia de poeira), eram eles o norte do Texas, Oklahoma, Novo Mexico, Colorado e Kansas.
    mundotentacular.blogspot.com.br/2010/07/nevasca-negra-tempestades-de-areia.html


  • anônimo  10/09/2015 17:16
    Pesquisando sobre o PIB americano nos anos 30, achei este gráfico.

    Fica bem claro que a partir de 34 o PIB americano volta a subir (com uma queda apenas em 38). O que, aparentemente, converge com a tese de que o New deal recuperou os EUA.

    E como então explicar a afirmação do texto: " a recessão foi prolongada por 15 anos."
  • Leandro  10/09/2015 17:51
    Em agosto de 2004, em um artigo acadêmico publicado no Journal of Political Economy (detalhe: o JPE é tido como o periódico acadêmico mais importante do mundo econômico) intitulado "New Deal Policies and the Persistence of the Great Depression: A General Equilibrium Analysis", os economistas Harold L. Cole e Lee E. Ohanian, ambos da UCLA, afirmam que:

    "O produto interno bruto real por adulto, que estava 39 por cento abaixo da média histórica no auge da Depressão em 1933, permaneceu 27 por cento abaixo dessa mesma média histórica em 1939. [...] De maneira similar, as horas de trabalho na iniciativa privada estavam 27 por cento abaixo da média em 1933 e permaneceram 21 por cento abaixo da média em 1939".

    Isso não deveria ser nenhuma surpresa para qualquer um que tenha estudado a realidade da Grande Depressão, já que as estatísticas do U.S. Census Bureau mostram que a taxa oficial de desemprego ainda era de 17,2 por cento em 1939, não obstante os sete anos de "salvação econômica" implementados pela administração Roosevelt (a taxa de desemprego normal, antes da Depressão, era de aproximadamente 3 por cento).

    O PIB per capita era menor em 1939 do que em 1929 ($847 vs. $857), bem como os gastos pessoais em consumo ($67,6 bilhões vs. $78,9 bilhões), tudo de acordo com os dados do Census Bureau. O investimento privado líquido no período de 1930-1940 foi negativo, de -$3,1 bilhões.

    Aliás, segundo este seu próprio gráfico, o PIB nominal de 1938 foi igual ao de 1929. Considerando-se todo o (grande) crescimento populacional ocorrido nesta época, não é necessário ser um gênio matemático para concluir que o PIB per capita -- que é um indicador mais acurado da real situação econômica -- de 1938 estava muito abaixo do de 1929.

    Como você deixou passar essa?

    Outra coisa, se a economia realmente tivesse se recuperado tão rápido quanto você diz, por que os próprios economistas defensores do New Deal se referem àquele período como "Grande Depressão"?

    O fato é que a Grande Depressão, na verdade, não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários (exatamente como havia feito na depressão de 1921, que foi ainda mais intensa, mas que durou menos de um ano justamente porque o governo permitiu que o mercado se ajustasse).

    Porém, o governo fez exatamente o contrário: ele implementou políticas de controle de preços, controle de salários, aumento de tarifas de importação (que chegou ao maior nível da história), aumento de impostos (o imposto de renda foi de 25% para 82%, bem leve...), aumento de gastos, aumento do déficit e estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.

    Eis a lógica: o governo fez de tudo para impedir a recuperação da economia.

    Um simples crash da bolsa de valores – algo que chegou a ocorrer com uma intensidade ainda maior em 1987 – foi amplificado pelas políticas intervencionistas e totalitárias do governo, gerando uma depressão que durou 15 anos e que só foi resolvida quando o governo encolheu.


    Estude mais, e não se deixe contaminar pela ideologia. Ainda estou à espera de uma única teoria plausível que explique como é que uma economia operando sob rígidos controles e decretos estatais pode gerar resultados melhores do que uma economia operando livremente de acordo com as interações voluntárias dos indivíduos. Só queria uma teoria sobre isso. Só uma.

  • anônimo  17/09/2015 12:25
    Vale sempre lembrar, para aqueles que dizem que 29 foi uma crise liberal, que até o ex-presidente do FED já admitiu que o FED foi responsável pela crise de 1929.
  • Gabriel  28/11/2015 11:52
    Leandro, como se deu o crédito à Europa através do Plano Marshall? foi poupança genuína ou simplesmente impressão de dinheiro? Se foi simplesmente impressão, não deveria ter gerado outra crise? Abraço.
  • Leandro  28/11/2015 13:40
    Majoritariamente dinheiro tributado dos americanos.

    E um dos maiores entusiastas do Plano Marshall foi o setor exportador americano. Óbvio. O governo americano mandava dólares para os países europeus e estes utilizavam esses dólares para adquirir produtos exportados pelos americanos. No final, tudo não passou de um enorme esquema de subsídio a empresas americanas com o dinheiro dos pagadores de impostos americanos, travestido de ajuda internacional.
  • J. Ferreira  22/01/2016 20:58
    Leandro.

    Estudo Serviço social na UFMA. 4 anos e meio é o período de duração do Curso que se diz de alto nível Crítico. Passei 4 anos ouvindo discursos de esquerda e só de uns tempos para cá estou lendo sobre isso. E não foi por indicação de nenhum professor do qual definem como sendo "de ideologia liberal" (do qual nem sequer temos contato), mas por mera desconfiança própria que há uns dois anos venho tendo de tanto escutar e ter que ler sobre o venerado Karl Marx e seus fiéis interpretes.

    Não sei dos Outros cursos, mas vejo que nas áreas de Serviço Social, Sociologia, Filosofia, Pedagogia e até mesmo Direito, o que se vê é a formação de militantes, de verdadeiros robôs que não sabem o que significa obter conhecimento, mas sim reproduzir discursos doutrinários... Me atrasei na formatura e estou me formando agora, sendo obrigada a elaborar um Trabalho de conclusão de Curso que deve seguir à risca a linha marxista (e foi exatamente por isso que me atrasei ao perceber que denunciar uma sociedade com as características que se observa no livre mercado em favor de um futuro obviamente socialista - digo obviamente porque eles não admitem se tratar de socialismo, mas alegam defender uma sociedade igualitária (Vai entender!) - não tinha muita lógica) está longe de um raciocínio sensato.

    Desde quando entrei na Universidade sempre defendi que deveriam nos propor não a reprodução de um discurso contra ou favor de qualquer ideologia, mas que nos levasse a prática do dissenso. Ou seja, de conhecer o outro lado da moeda. Pois, para eu falar do liberalismo, eu só diria o que aprendi a partir da visão de professores e autores marxistas (e via de regra, a conclusão geral seria que o liberalismo é do "mal", anti-igualitário, explorador, culpado pela miséria de muitos e etc...) Pois, na nossa rotina diária de estudos não tínhamos sequer indicações as obras clássicas do próprio Marx (a maioria são interpretações de autores marxistas que o representam como verdadeiro mestre dos saberes) e muito menos seriamos apresentados aos autores liberais e a qualquer um que se contrapõe criticamente ao marxismo (precocemente julgados como participantes da ideologia dominante) mesmo porque, se tivéssemos feito isso, nossos professores correriam o risco de muitos (que não se inclinam a militância política, muito menos de esquerda) chegassem a conclusão do qual cheguei: de que, pelo menos até agora, a história, o conhecimento verdadeiramente crítico e o padrão econômico de países que adotaram o Livre Comércio, comprovam que, se este não é o melhor, consiste então na opção mais considerável para a sociedade.

    Gostaria que o senhor me indicasse algumas leituras pra quem esta conhecendo o Mises agora obrigado!


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