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A surpreendente postura do Banco Central de Cingapura

Anualmente, o instituto conservador Heritage Foundation publica um ranking de todas as nações do mundo de acordo com seu próprio critério de liberdade econômica.  Em 2012, a nação #1 foi Hong Kong.  A nação #2 foi Cingapura.  Ambas têm sido #1 e #2 desde que o relatório começou a ser divulgado no início de 1995.

Ambas são nações integralmente voltadas para o comércio.  Elas possuem apenas um único recurso natural: sua população.  O resto é tudo importado.  A ética do trabalho é robusta nas duas economias.

O que costuma surpreender as pessoas é a nação que vem em terceiro: a Austrália.  A sexta posição ficou com o Canadá.  Os EUA estão em décimo.  [O Brasil é o 99º].  O ranking completo está aqui.

Antes da turbulência da crise de 2008/2009, um dólar de Cingapura comprava 80 ienes japoneses.  Após o tumulto e uma subsequente desvalorização perante o iene, o dólar de Cingapura voltou a se valorizar e atingiu seu pico em relação ao iene no início de 2010.  Ali, um dólar de Cingapura comprava 69 ienes.  Depois, ele voltou a cair em relação ao iene, chegando ao mais baixo nível no final de 2011, quando um dólar cingapuriano comprava menos de 60 ienes.  No início de 2012, ele voltou a se valorizar.  Lá pelo meio do ano, caiu de novo.  Desde então, o dólar de Cingapura vem lentamente, porém de maneira contínua, se valorizando em relação ao iene japonês.

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Eu vinha esperando pela confirmação desse fenômeno há um bom tempo.  Explico.

A economia de Cingapura desacelerou este ano.  Não está nem perto de entrar em recessão, mas não há dúvidas de que as coisas desaceleraram por lá.  No entanto, o dólar de Cingapura valorizou-se tanto em relação ao dólar americano quanto, no segundo semestre, em relação ao iene.

O Banco Central do Japão (BoJ), como comentei recentemente, anunciou que iria inflacionar o iene para conter sua forte valorização.  Trata-se de uma medida puramente mercantilista: tentar desvalorizar a moeda para estimular as exportações das grandes empresas japonesas.  O BoJ terá de ser bastante ativista para impedir que o iene se valorize.  Mas ele já decidiu que o fará.  As exportações japonesas estão diminuindo.  A recessão na Europa está afetando o Japão.

O Federal Reserve, por sua vez, também anunciou que iria embarcar em um programa de expansão ilimitada da base monetária.  Porém, ao contrário do que vem dizendo a mídia financeira, ele ainda não implementou esta política, a qual ele anunciou dois meses atrás.  Não tenho dúvidas de que ele irá intensificar suas compras de títulos.  Mas ele ainda não começou a fazer isso.

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Mas eis o que me chamou a atenção.  O Banco Central de Cingapura está se recusando a expandir a base monetária.  Ele não quer desvalorizar a sua moeda.  Capital do mundo todo está fluindo para Cingapura, aumentando a demanda pela moeda local, mas o Banco Central de lá não quer fazer nada para impedir a valorização de sua moeda.  O Wall Street Journal publicou isso em meados de outubro:

A pequena e extremamente aberta economia de Cingapura foi uma das primeiras a serem atingidas pela onda de liquidez que está sendo derramada sobre a economia global à medida que os grandes bancos centrais vão intensificando suas políticas expansionistas para estimular suas economias.  As autoridades monetárias de Cingapura estão especialmente preocupadas com a hipótese de que esse dinheiro especulativo irá aumentar ainda mais os já elevados preços dos imóveis.

"O dinheiro que está sendo impresso pelos bancos centrais de todo o mundo irá eventualmente acabar sendo direcionado para portos seguros, e Cingapura é um dos principais beneficiários deste fluxo", disse Bhaskar Laxinarayan, chefe de investimentos da Pictet Wealth Management, que possui US$377 bilhões em ativos em sua carteira global.

É justamente a falta de resistência da autoridade monetária de Cingapura para contrabalançar este fluxo de capital o que tem me espantado.  Essa política de "negligência salutar" está valorizando o dólar de Cingapura.  Isso, por sua vez, reduz as exportações do país.  E Cingapura é uma nação exportadora.  Era de se esperar uma reação mercantilista do governo.  Mas não houve nenhum.  O artigo iniciou com este relato:

O Banco Central de Cingapura surpreendeu os mercados na sexta-feira ao afirmar que não iria afrouxar sua política monetária, pois preocupações com a inflação de preços em um cenário de mercado de trabalho apertado e preços dos imóveis em alta são mais importantes do que uma inesperadamente forte desaceleração econômica.

De fato, foi legítima esta surpresa.  Não é o que os bancos centrais asiáticos costumam fazer: deixar suas moedas se valorizar.

Eu vinha esperando por algo que testasse a determinação do Banco Central de Cingapura havia dois anos.  E os eventos de 2012 propiciaram 3 testes de uma só vez: (1) uma economia morosa, (2) exportações em queda, e (3) valorização constante da moeda.  Se o Banco Central não se comovesse com isso, então é porque ele de fato levava a sério sua atribuição de estabilidade de preços.  E ele realmente parece inflexível: nada de política contracíclica de inflação monetária.

E a coisa vai além disso.  A ata de outubro do Banco Central, que publica duas atas por ano, faz uma lista de 11 políticas definitivas.  Eis a conclusão:

A Autoridade Monetária de Cingapura (MAS) irá, portanto, manter a atual política de modesta, porém gradual, apreciação da banda cambial da moeda.  Não haverá mudança nem na curva e nem na amplitude da banda cambial, tampouco no nível no qual ela está centrada.  Esta postura política é avaliada como sendo a mais apropriada para conter as pressões inflacionárias e para manter a economia no caminho de reestruturação para o crescimento sustentável.  A MAS irá continuar atenta às ocorrências econômicas e financeiras internacionais bem como ao seu impacto na economia de Cingapura (p. vi).

Ou seja, o Banco Central quer que a moeda aprecie.  Isso é anti-mercantilista.  É uma postura rara entre os bancos centrais de todo o mundo, mas especialmente na Ásia.  O Banco Central de Cingapura não está disposto a expandir a base monetária como forma de desvalorizar a moeda e estimular as exportações, mesmo diante de uma desaceleração econômica mundial e de uma redução doméstica das exportações em seu país.

Eu vinha esperando pelas condições para testar essa determinação.  Creio que tais condições já se apresentaram.

Por causa disso, estou mudando minha recomendação em relação ao iene.  Continuo acreditando que o iene seja uma moeda confiável e continuo acreditando que ela possui uma economia doméstica grande o bastante para vir a se tornar uma substituta parcial do dólar americano como moeda internacional de reserva.  (Não haverá nenhuma moeda que faça isso).  Mas o Banco Central do Japão ainda está comprometido com uma política mercantilista de estímulo às exportações por meio da expansão de sua base monetária e da (tentativa de) redução do valor internacional do iene.

Não estou dizendo que o BoJ irá inflacionar desmesuradamente.  Já expliquei aqui que não há hipótese de ele fazer isso.  O iene ainda é visto como um porto seguro.  Mas o BoJ está ativamente lutando contra isso.  Ele não está permitindo a valorização do iene.  Em contraste, o Banco Central de Cingapura deixou claro que quer que sua moeda se aprecie pelo menos marginalmente.

Portanto, estou agora recomendando a investidores que querem proteger sua poupança e que querem manter em suas carteiras alguma moeda internacional a comprar dólares de Cingapura em vez do iene.  Você pode fazer isso pelo Everbank.  O fundo de moedas MerkFund's Asian já possui 24% investido no dólar de Cingapura. 

Eis o histórico cambial de Cingapura em relação ao dólar americano (dólares de Cingapura necessários para se comprar 1 dólar americano):

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E o histórico da taxa de inflação de Cingapura acumulada em 12 meses.  Dá pra entender a atual preocupação de seu Banco Central e sua postura inflexível em relação a não querer desvalorizar a moeda:

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1 voto

autor

Gary North
, ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. Visite seu website

  • Deilton  20/11/2012 05:00
    Uma dúvida. Se a inflação é causada pela expansão monetária e consequente expansão creditícia, pq a inflação é tão alta em cingapura?
  • Leandro  20/11/2012 05:14
    Porque a expansão do crédito e a consequente expansão dos agregados monetários seguem crescendo. Relembrando: o BC controla diretamente apenas a base monetária; ele não controla diretamente a criação de dinheiro que os bancos fazem por meio das reservas fracionárias.

    Eis aqui a evolução do M2 de Cingapura.

    E aqui a evolução do crédito.

    Veja a ligeira "engasgada" no crescimento do crédito no início de 2012. Creio que isso deve ter sido um dos causadores do atual arrefecimento da economia de lá.


    P.S.: apenas uma correção técnica em sua frase: o certo é "expansão creditícia e consequente expansão monetária". Os bancos primeiro criam crédito do nada, e só então é que surge o dinheiro fiduciário, como explicado aqui.
  • Renato Souza  20/11/2012 16:29
    Então um governo que tem realmente preocupação em evitar a inflação deveria proibir que os bancos trabalhem com reservas fracionárias? Ou deveria extinguir o BC e deixar que os bancos se entendam com os seus clientes? Ou a lei deveria obrigar os bancos a exporem o fato de que trabalham com reservas fracionárias?

    Fiquei pensando. Se determinado pais tiver todo o seu dinheiro lastreado em ouro, como poderia haver inflação, independentemnte do que os bancos façam? Um banco poderia ficar inadimplente, mas todo o dinheiro seria conversível em ouro pelo governo, logo todo o dinheiro seria um certificado de propriedade de ouro. A única forma dos preços subirem em relação a tal dinheiro seria subirem em relação ao ouro. Mas depósitos bancários continuariam não sendo confiáveis, porque você poderia não conseguir trocar seu depósito bancário por dinheiro, se houvesse uma corrida aos bancos.
  • Leandro  20/11/2012 17:05
    Correto em tudo. Só que nenhum destes arranjos é bom para o governo, que perderia sua fonte fácil de financiamento de déficits.
  • Erick V.  20/11/2012 05:44
    Utilidade pública: há no Brasil alguma casa de câmbio que trabalhe com dólar de Cingapura em espécie? Dando uma fuçada rápida no Google não achei nenhuma...
  • Leandro  20/11/2012 06:01
    Duvido muito. Nossa moeda não é conversível. Moeda desvalorizada não possui muitos demandantes. Por que um cingapuriano viria aqui e deixaria seus dólares e levaria reais? Aqui, aliás, é difícil encontrar até franco suíço. Você encontra, é claro, mas é muito comum ter de agendar sua visita à casa de câmbio com vários dias de antecedência, para que ela possa pedir para a matriz enviar as (poucas) cédulas que possui.
  • Erick V.  20/11/2012 06:30
    É verdade, esse problema com o franco suíço já aconteceu comigo. Como era para viagem e não podia esperar uma semana, tive que levar euros no lugar...

    Obrigado!
  • Pedro Ivo  21/11/2012 04:22
    No Brasil só há mercado de atacado de moedas em dólar. Para investir em outras moedas, até via fundos de investimento, é dificílimo e extrememente especializado

  • Conservador  20/11/2012 08:41
    A inflação em Cingapura tem estado alta mesmo para os padrões do mundo desenvolvido. É por isso que o BC deles está deixando a moeda se valorizar. Como a EA explica essa alta da inflação?
  • Luis Almeida  20/11/2012 09:09
    Já foi respondido pelo Leandro logo no segundo comentário, com direito a gráficos e tudo. Prezados, tenham a bondade de se atentar a estes detalhes para não poluir muito a seção de comentários, tornando-a repetitiva.
  • Gomes  20/11/2012 09:18
    O BC de Cingapura mostrou ao mercado que aceitará uma valorização da moeda, e provocou um certo ataque especulativo a favor da divisa nacional por investidores buscando proteção e ganhos. Isso porque o discurso que a autoridade monetária apresenta em relação ao câmbio influencia bastante o humor e a disposição do mercado quanto a moeda e pode provocar ataques especulativos contra ou a favor dela. O nosso BC, por exemplo, ao dizer ao mercado que não aceitaria um real muito valorizado afugentou muitos especuladores que estavam valorizando o real.

    Eu particularmente acho que o BC brasileiro está certo em não querer uma moeda muito valorizada, pois é uma pedra no sapato do crescimento e do emprego. Essa é uma das minhas principais discordâncias com a Escola Austríaca, apesar de que concordo em muitos pontos com esta e acho que ela tem importantes contribuições a dar ao pesamento econômico. Pra mim o câmbio deve ser fixo e desvalorizado para estimular as exportações e proteger a indústria nacional de importados. Sem indústria, a meu ver, o Brasil estaria perdido.
  • Leandro  20/11/2012 09:51
    O que um país ganha ao exportar os bens que produz? Se você exporta, você está reduzindo a oferta de bens no mercado interno. A população não ganha nada com isso. ao contrário: fica em pior situação.

    Em tese, um país só exporta para poder adquirir divisas estrangeiras com as quais poderá importar bens e serviços. Mas se você exporta e é proibido de importar, qual a vantagem? Só há perdas. A oferta de bens na economia fica reduzida em troca de papel pintado que não pode ser utilizado.

    Quem defende moeda desvalorizada defende população sem poder de compra nenhum. Isso é escravidão. As pessoas trabalham e ganham em troca um dinheiro que não lhe permite poder de compra algum. Pior: além de a moeda já não comprar nada, o governo ainda coloca tarifas de importação, para aumentar ainda mais a miséria. E tudo isso para proteger incompetentes cujos produtos vagabundos não teriam demanda caso tivessem de concorrer com asiáticos de alta qualidade.

    Há um artigo inteiro sobre essa estupidez.

    Uma moeda forte poderia trazer desvantagens para os brasileiros?


    Espero que ao menos você seja coerente: peça redução no seu salário. Quem defende moeda desvalorizada, defende poder de compra reduzido. Defende que a população não possa comprar nada de fora; só de dentro. Igual a um miliciano de favela, que obriga as pessoas a comprarem apenas as coisas produzidas por seus comparsas. Isso que você defende é elitismo puro e duro: bonança para os poucos e miséria para todo o resto.
  • Gomes  20/11/2012 10:07
    A moeda forte acaba geralmente fragilizando a estrutura produtiva da economia. Então traz um enriquecimento que na maioria da vezes não é sustentável.
  • Leandro  20/11/2012 10:36
    Como é que uma moeda com alto poder de compra fragiliza a estrutura produtiva da economia? E como é que uma moeda sem poder de compra fortalece a estrutura produtiva da economia? Que inversão é essa?

    Por essa lógica incrível, o Brasil deveria ter uma economia avançadíssima durante seus 15 anos de hiperinflação ao passo que Suíça e Alemanha, que sempre tiveram moedas fortes, deveriam ter economias pra lá de capengas, com uma estrutura produtiva "fragilizada". É isso que andam ensinando nas universidades?
  • Gomes  20/11/2012 11:16
    Como é que uma moeda com alto poder de compra fragiliza a estrutura produtiva da economia? E como é que uma moeda sem poder de compra fortalece a estrutura produtiva da economia?

    Uma moeda forte tira competitividade do setor industrial, e pode mesmo destruí-lo. Se destrói este, torna as exportações e a economia dependentes dos ciclos internacionais de cotações das matérias-primas. E mais, a quebra da indústria diminui o nível tecnológico da estrutura produtiva, pois esse setor emprega mais tecnologia. E também diminui o nível de emprego e a qualidade deles.
  • Leandro  20/11/2012 11:41
    "Uma moeda forte tira competitividade do setor industrial, e pode mesmo destruí-lo."

    Ignorou completamente os exemplos que eu citei, que contradizem totalmente essa teoria furada. Alemanha e Suíça (e Japão também, não se esqueça) sempre tiveram moeda forte, sempre tiveram economia aberta e seu setor industrial sempre foi extremamente forte e competitivo. Sua teoria já se esfarelou aí.

    "Se destrói este, torna as exportações e a economia dependentes dos ciclos internacionais de cotações das matérias-primas."

    Não entendi a lógica. O que tem a ver quebra de indústria com cotação das matérias primas? Exportação de soja, laranja e minério de ferro não é afetada pelo fato de alguma indústria ter falido por causa de "importações baratas"

    "E mais, a quebra da indústria diminui o nível tecnológico da estrutura produtiva, pois esse setor emprega mais tecnologia. E também diminui o nível de emprego e a qualidade deles."

    Nonsense e contradição. Se o "problema" são as importações baratas, então as indústrias podem muito bem utilizar o câmbio favorável para importar bens de capital altamente tecnológicos, o que aumentaria a produtividade da indústria, aumentaria seu nível tecnológico e consequentemente devolveria sua supostamente perdida competitividade.

    Argumentos protecionistas não duram dois segundos mediante um embate lógico.
  • Joao D  22/11/2012 08:59
    Voce realmente quer acabar com a industria nacional né?
    Existe diferença entre Japão, Alemanha e Brasil, não acredito que to tendo que explicar isso. Somos um país em processo de catching up, ai voce quer comparar a competitividade da nossa industria com a deles e vai tudo pro belelléu assim como aconteceu na Zona do euro e na paridade peso-dollar, etc etc. A desvalorização do cambio é sim uma otima ferramenta para a industria nacional.

    Fiquei pasmo com o sua afirmação de que "exportação é ruim pois produtos que deveriam estar no mercado interno estão indo pra fora". Primeiro que voce tem que aprender que produtores produzem tendo em conta a demanda agregada, da qual EXPORTAÇÃO é uma ENORME fatia. Se eles não podem exportar a produção cai de forma meteorica, deprimindo o emprego e o setor. Nem vou citar o fato de que exportações são muito importantes para adquirir divisas, que são CRUCIAIS para as compras de certas maquinas que fazem ser possiveis grandes investimentos no país aumentando a competitividade, para quem sabe, um dia termos industrias do nivel dos países centrais ja estabelecidos. (Por favor não utilize o argumento de que "MEU DEUS, ENTÃO É MELHOR TER O DOLAR BARATO PARA COMPRAR TAIS MAQUINAS" ta, e vai usar essas maquinas em QUE industrias nacionais? Se metade não vai ter como investir ja que não tem DEMANDA alguma graças ao proprio dolar barato?

  • Leandro  22/11/2012 10:01
    "Voce realmente quer acabar com a industria nacional né?"

    Eu? Minhas pretensões (e poderes) não chegam a tanto. Mas eu posso lhe garantir que o governo, involuntariamente, quer.

    O que acaba com a indústria nacional, prezado João, não é a minha liberdade de comprar um iPad nos EUA, mas sim

    1) a carga tributária -- IRPJ de 15%, mais uma sobretaxa de 10% sobre o lucro que ultrapassa um determinado valor, mais CSLL de 9%, mais PIS de 1,65%, e mais COFINS de 7,6%;

    2) a inflação monetária -- que, ao aumentar artificialmente os lucros das empresas, faz com que o volume de impostos que elas têm de pagar aumente na mesma proporção, o que exaure seus recursos. Simultaneamente, a inflação monetária também encarece os preços dos bens de capital (máquinas) e das peças de reposição do maquinário. Ao final, a empresa, além de ter menos recursos (os quais foram confiscados pelos impostos), tem de adquirir bens de capital e peças de reposição a preços maiores, o que significa que houve uma redução na sua capacidade de investimento. A inflação, portanto, gera um consumo de capital das empresas.

    3) a burocracia;

    4) as regulamentações restritivas;

    5) os encargos trabalhistas e sociais;

    6) os sindicatos.

    "Existe diferença entre Japão, Alemanha e Brasil, não acredito que to tendo que explicar isso. Somos um país em processo de catching up, ai voce quer comparar a competitividade da nossa industria com a deles e vai tudo pro belelléu[...]"

    Traduzindo: somos incompetentes, frouxos e pobres-coitados. Logo, para ganharmos competitividade e nos tornarmos alemães, temos de ser protegidos e tratados como incompetentes, frouxos e pobres-coitados. Lógica interessante.

    Segundo você, se tivermos de concorrer, trabalhar duro e apresentar produtos bons e eficientes (o tal do "catching uo"), vamos apanhar (provavelmente por não termos capacidade nem intelectual e nem produtiva, e muito menos disposição para o trabalho duro). Logo, a melhor coisa a fazer é nos fecharmos covardemente e desvalorizar a moeda. Se formos para o mano a mano, isto "iria acabar com a indústria nacional". Genial.

    "Primeiro que voce tem que aprender que produtores produzem tendo em conta a demanda agregada, da qual EXPORTAÇÃO é uma ENORME fatia. Se eles não podem exportar a produção cai de forma meteorica, deprimindo o emprego e o setor."

    Ué, e quem os está proibindo de exportar? Eu é que não sou. Podem exportar o quanto quiserem. Serei a última pessoa a criar barreiras. Juro. A única coisa que estou pedindo, coitado de mim, é que o governo pare de destruir o poder de compra da moeda. Em um ano, o dólar foi de R$1,54 para R$2,10. As tarifas de importação foram para 35% e a Alfândega está despindo pessoas nos aeroportos para se certificar de que elas não estão comprando roupas em Miami. O país está praticamente fechado e, não obstante, a indústria continua em queda. A população inteira tem de ser espoliada e aceitar uma moeda que não compra nada apenas para que alguns barões da indústria possam continuar vendendo barato para o exterior? Quando é que você vai acordar para as reais causas da desindustrialização (citadas logo ali em cima)?

    "Nem vou citar o fato de que exportações são muito importantes para adquirir divisas, que são CRUCIAIS para as compras de certas maquinas que fazem ser possiveis grandes investimentos no país aumentando a competitividade, para quem sabe, um dia termos industrias do nivel dos países centrais ja estabelecidos."

    Fale isso para o governo, que instituiu tarifas de importação de dois dígitos para a importação de máquinas. O objetivo é voltarmos à década de 1980, com a substituição de importações. Você, pelo visto, nunca ouviu uma só declaração de Guido Mantega a respeito disso. Acorda de novo!

    "ta, e vai usar essas maquinas em QUE industrias nacionais?"

    Não há máquinas importadas. Além do câmbio depreciado, há as tarifas de importação. Acorda pra vida, João.
  • Marcos Campos  20/11/2012 14:27
    Gomes!
    Seja bem vindo à realidade.
  • Kondde  26/12/2012 19:42
    Leandro,

    Eu não tenho dúvidas de que esse pessoal que quer promover a moeda fraca para "ganhar nas exportações" não viveu a época da tão famigerada reserva de mercado.
  • Gabriel  20/11/2012 10:48
    Mas vamos supor então que o BC de um país deixasse a moeda valorizar bastante e tirasse grande parte dos impostos sobre produtos estrangeiros, muitas industrias nacionais iam quebrar e etc., mas eu sei que ia ser melhor pra população no geral. Mas vamos supor que se a economia tinha 100 industrias e agora tem 10 como ela vai se manter? Sempre importando de outros países? Ia se tornar um país mais focado no setor de serviços do que de industrias é isso?

  • Leandro  20/11/2012 11:26
    Iriam quebrar apenas as ineficientes, cujos produtos vagabundos ninguém quer comprar voluntariamente. Ora, indústria ineficiente não tem que ser mantida e nem protegida. Indústria ineficiente é, por definição, dissipadora de recursos escassos. A quebra destas indústrias liberaria estes recursos escassos, os quais seriam finalmente direcionados para usos mais produtivos em outros setores da economia. Uma vez falida, suas instalações seriam vendidas e ganhariam nova administração, a qual poderia agora fazer com que o maquinário disponível fosse voltado para a produção de coisas mais em linha com a genuína demanda dos consumidores.

    Já as indústrias realmente importantes -- por definição, competentes -- não teriam o que temer.

    Aliás, já que o assunto é Brasil, não entendo esta tara com "indústria de exportação". Até parece que exportamos muito produto industrial. O grosso de nossas exportações é agrícola e mineral. Exportamos soja, laranja, café e minério de ferro. Em termos de indústria, exportamos aviões da Embraer (que não apenas não correm risco nenhum com a importação de tecidos e sapatos asiáticos, como seria beneficiada com a importação mais barata de materiais para a eletrônica embarcada dos aviões), carros para a Argentina (a preços mais baratos que qualquer eventual importação de carros europeus) e aço para os EUA. Por que as importações acabariam com tudo isso?

    Os barões da FIESP inventaram uma lorota para proteger seu mercado interno e a imprensa caiu no engodo, e segue caninamente a pauta da FIESP. E o pior: várias pessoas que deveriam saber melhor continuam até hoje repetindo essa bobagem.

    Sobre desindustrialização e o que fazer com a mão-de-obra, sugiro:

    A filosofia da miséria e o novo nacional-desenvolvimentismo do governo brasileiro

    E também toda a seção exclusiva sobre o assunto:

    www.mises.cc/Subject.aspx?id=44
  • Gomes  20/11/2012 17:34
    Vc quer que o governo brasileiro fique de braços cruzados e deixe a nossa indústria ser submetida de forma genuína a concorrência externa, sendo que os governos de outros países não fazem isso, ao contrário, subsidiam muito suas indústrias? Livre mercado só para a indústria brasileira?
  • Leandro  20/11/2012 18:00
    Eu quero que o governo pare de subtrair meu poder de compra (ou seja, que ele pare de aviltar a moeda) e quero que ele devolva a minha liberdade de poder comprar um produto estrangeiro sem ter de pagar arrego para a máfia (isto é, sem tarifas de importação de soviéticos 35%).

    Você se opõe a isso? Por quê? Você defende que apontem uma arma para a minha cabeça e digam que eu só posso comprar os produtos feitos pelos protegidos do governo e utilizando uma moeda que não tem poder de compra nenhum? Por que você é imoral assim?

    Ademais, se você diz que essa minha simples liberdade vai causar a falência de toda a indústria nacional, então é porque tal indústria não tem nada de decente e útil para oferecer. Isso foi um ato falho ou uma confissão explícita?


    P.S.: sua lacrimosa afetação de emoção não me comove nem infimamente.
  • Renato Souza  20/11/2012 18:51
    Gomes

    Vamos supor que você esteja certo, e que certo grau de protecionismo seja necessário num mumdo protecionista. A primeira pergunta que você teria de fazer é quanto protecionismo seria realmente necessário. É evidente que muitos paises são menos protecionistas que o Brasil, e também é fato conhecido que esses países tem indicadores econômicos (renda per capita, por exemplo) e sociais (nivel de educação, por exemplo) melhores que o Brasil. Também é fato conhecido que eles sairam da pobreza e alcançaram um nível de riqueza muito maior que o nosso sendo muito menos protecionistas. Isso teria de leva-lo a concluir (mesmo dentro da sua hipótese de que algum protecionismo é necessário) que o governo brasileiro está exagerando fortemente no protecionismo.

    Então mude o enfoque. E se o protecionismo for prejudicial à economia. O fato de muitos paises terem melhorado amplamente sua situação econômica em relação a outros países, e de terem feito isso com baixíssimo protecionismo, e o fato de nenhum pais ter melhorado grandemente sua posição relativa enquanto praticava um politica particularmente mais protecionista que os outros, parece indicar que o alto grau de protecionismo pode ser uma causa de mal desempenho econômico e que baixo grau de protecionismo pode ser uma causa de bom desempenho econômico.

    Faça agora uma experiência mental. Imagine você voltando no tempo umas quatro ou cinco décadas, e tentando convencer os governantes de pobres paises asiáticos a adotarem uma política de alto grau de protecionismo. Imagine agora que você teve sucesso, e que esses governantes acreditaram em você, imagine seus países senguindo essa política por décadas. Será que esses países, seguindo as suas recomendações, teriam alcançado o nível econômico que sabemos que alcançaram?
  • Kondde  26/12/2012 19:52
    Gomes,

    Convém lembrar que toda industria nacional junta não produz um único parafuso genuinamente brasileiro. Eles querem protencionismo mas na hora de escolherem seus insumos e bens de produção vão atrás do mais barato mesmo, não importando se daqui ou de fora. Preterindo-se da tão famigerada industria nacional.

  • anônimo  20/11/2012 14:31
    Pela lógica do Gomes, o Reino Unido deve estar na mais abjeta miséria. É o pais mais pobre do mundo, com a mais alta taxa de desemprego, pois a sua moeda, a libra, sempre apresentou o mais alto valor agregado. Por outro, o Zimbabwe deve estar uma maravilha, pois desvaloriza a moeda há tempo.
  • anônimo  20/11/2012 15:11
    Aliás, vejam como a indústria britânica está perdendo a competitividade:

    "Recordes no número de empregos criados no setor indústrial britânica, conforme a exportações sobem, foi revelado ontem.

    E em um dia encorajador para a economia, uma série de empresas relataram outra boa notícia, em particular sobre imóveis e vendas de carros."
    www.thesun.co.uk/sol/homepage/news/money/3441164/Jobs-created-in-UKs-manufacturing-sector-as-exports-soar.html

    As exportações de automóveis do Reino Unido batem recorde.
    www.thesun.co.uk/sol/homepage/news/money/4192774/Car-exports-race-to-record.html

    Grã Bretanha produz agora mais carros do que a Alemanha
    www.dailymail.co.uk/news/article-2210199/Britain-producing-MORE-cars-Germany-How-UK-car-production-capital-Europe.html
  • jfontes  22/11/2012 17:59
    Mas o Zimbabwe é um exemplo de sucesso da política inflacionária. É o pais com o maior número de milionários do planeta. Lá, 1 milhão é "troco de pinga".
  • Andre Cavalcante  20/11/2012 10:59
    Caro Leandro,

    "Defende que a população não possa comprar nada de fora; só de dentro. Igual a um miliciano de favela, que obriga as pessoas a comprarem apenas as coisas produzidas por seus comparsas."

    E fico me perguntando: o governo é o quê? Milícia no âmbito nacional!
  • Kondde  26/12/2012 19:46
    E vc não percebeu isso ainda?
  • Carlos Prado  09/01/2014 23:29
    A maioria dos países querem exportar e desvalorizar sua moeda. O Brasil o faz, mas seus compradores também o fazem. Assim esta corrida por inflação infinita acaba não ajudando a exportação, pois as conversões de câmbio podem não variar tanto. E mais, mesmo inflacionando nossa moeda ela pode ficar mais cara em relação a de nossos compradores se eles desvalorizarem mais ainda. Então esta corrida por inflação infinita apenas prejudica a população. Se os produtos não forem exportados estes ainda podem ser comprados pela própria população.

    Está certo este meu raciocínio?
  • Marcio Silva  20/11/2012 09:55
    Eu imagino que a alta taxa de poupança de Cingapura é o que possibilita a valorização da moeda, que na verdade não deixa de ser uma saída inteligente para um país que importa tudo o que consome e exporta máquinas e equipamentos baseados em inovações de alta tecnologia, que tem uma margem de lucro muito maior do que os produtos que já não são mais inovadores, como no caso dos produtos exportados pela China e que por isso podem ainda ser muito lucrativos mesmo com uma redução nas margens.
    Ainda haverá uma compensação nas importações pois se os exportadores de matéria-prima estão desvalorizando suas moedas então os custos de produção e mesmo da construção civil de Cingapura cairão.
    Tudo isso sem empobrecer a população com a emissão de papel moeda.
  • Marcos  20/11/2012 11:29
    "o BC controla diretamente apenas a base monetária; ele não controla diretamente a criação de dinheiro que os bancos fazem por meio das reservas fracionárias."

    E esta criação por meio das reservas fracionárias é limitada de alguma forma pela base monetária? Como se dá essa relação? A propósito: então os bancos comerciais, através das reservas fracionárias, conseguem influir na taxa cambial, até certo ponto?
  • Leandro  20/11/2012 11:46
    "E esta criação por meio das reservas fracionárias é limitada de alguma forma pela base monetária?"

    Apenas se a base monetária for rígida e os depósitos compulsórios seguirem inalterados. Se o BC alterar o compulsório ou expandir a base monetária -- algo que ele faz ao simplesmente tentar manter a taxa de juros (a SELIC) dentro da meta --, a criação de crédito está solta.

    "Como se dá essa relação?"

    Explicada em detalhes completos neste artigo.

    "então os bancos comerciais, através das reservas fracionárias, conseguem influir na taxa cambial, até certo ponto?"

    Correto.
  • João Ribeiro  20/11/2012 12:08
    Caro Leandro,

    Sabendo da valorização da moeda e caso a Singapura necessitasse de estimular a sua economia o passo natural seria então baixar impostos e desburocratizar para tornar ainda mais atrativo futuros investimentos.

    Mas ao mesmo tempo não se cria aqui um problema de excessiva abertura e dependência ao exterior?

    Melhores cumprimentos.
  • Leandro  20/11/2012 15:14
    Não entendi. Cingapura importa de tudo, até água. Por que a desvalorização de sua moeda seria boa? Por que o empobrecimento da população seria bom pra economia? Eles são um pouquinho mais inteligentes que nós -- que aplaudimos todos os saques no nosso poder de compra feitos pelo nosso governo -- e sabem que poder de compra forte e inflação baixa é mais importante do que espoliar toda a população para subsidiar alguns setores privilegiados.

    Quanto a estimular a economia, é incrível como ainda possa existir quem acredite nessa farsa mesmo depois do fracasso absoluto de todas as medidas de estímulo criadas mundo afora. Recessões não devem ser evitadas, mas sim abraçadas. Uma recessão nada mais é do que um processo de correção. A estrutura de produção da economia foi alterada pela expansão artificial do crédito e apenas uma recessão pode corrigir essa distorção e levá-lá de volta a um arranjo mais em linha com a real preferência dos consumidores. Quer que uma recessão passe rápido? Permita que preços e salários sejam totalmente flexíveis e possam ir rapidamente para seus valores corretos. Quanto mais você interferir neste processo, mais irá retardar a recuperação da economia. Eis aí uma genuína política de estímulo.
  • anônimo  20/11/2012 16:10
    Singapura não importa tudo. Singapura tem indústrias biotecnóligica e eletrônica fortes. Eles exportam produtos eletrônicos e biotecnológicos, inclusive tem grandes empresas na área de tecnologia como a Creative Technology. O problema é se a economia fica como a de Macau, que é quase toda baseada em cassinos, não exporta, não gera divisas. Mas até o que eu sei, Macau tem uma política monetária mais frouxa, o desmascara os argumentos inflacionistas.
  • Leandro  20/11/2012 16:52
    Repito: importam tudo, até água. Não têm recursos naturais nenhum. O fato de o país possuir indústrias biotecnológicas e eletrônica fortes não é substituto para o fato de que eles importam tudo -- a menos que os cingapurianos se alimentem de circuitos eletrônicos e utilizem a biotecnologia para fabricar carros, perróleo e matérias-primas para a construção civil. Aliás, essas indústrias biotecnológicas e eletrônicas não eram para ter sido desfruídas pelas importações e pela moeda forte? Tem leitores aqui que juram que sim.

    Quanto a Macau, não faz sentido dizer que sua política monetária é expansionista uma vez que eles sequer possuem um banco central. Macau possui um Currency Board, que nada mais é do que uma agência de conversão cuja única função é trocar patacas por dólares de Hong Kong a uma taxa de câmbio fixa. Se a quantidade de moeda está aumentando em Macau, isso significa que está entrando mais divisas estrangeiras do que saindo (efeito idêntico ao que ocorre quando Santa Catarina possui superávit comercial com o Rio Grande do Sul). O Currency Board é totalmente passivo. Ele não faz política monetária.
  • João Ribeiro  20/11/2012 16:18
    Caro Leandro,

    Creio que não entendeu direito a minha pergunta. Irei reformular.

    Na atual política económica da Singapura (que eu considero positiva) não está ao mesmo tempo a ser criado problema de excessiva abertura e dependência ao exterior? Como pode a Singapura escapar a um cenário de crise internacional?
  • Leandro  20/11/2012 17:02
    Sigo sem entender. Crise global tende a reduzir a demanda por bens. Consequentemente, o preço das commodities cai. Para um país totalmente dependente de importações, tal redução de preços é positiva. Quanto às exportações, terão também de reduzir seus preços caso queiram vender seus estoques.

    Esqueça essa idéia de vida fácil para sempre. Haverá percalços continuamente. Uma hora é necessário apertar o cinto, fazer concessões e ter lucros menores. Isso não é o fim do mundo. Em tal situação, as coisas serão menos penosas caso se tenha uma moeda com algum poder e compra.
  • Italo  20/11/2012 12:22
    Eu olhei a taxa M0 para Cingapura e parece-me que ela é expansionista como, por exemplo, a brasileira. Estou enganado?
  • Ricardo  20/11/2012 14:45
    M0 não é base monetária, mas apenas as cédulas e moedas metálicas de uma economia (para ser a BM teria de ter as reservas bancárias também). O M0 de todos os países está sempre em crescimento. Não há exceções. O que vai variar é apenas a taxa de crescimento.

    E não seria surpresa alguma que o BC de Cingapura tenha sido expansionista até agora. É só ver a alta expansão do crédito e da inflação de preços desde 2010. Vai que foi por isso que ficaram assustados e decidiram acordar pra realidade, anunciando que irão mudar sua postura.
  • Marcos  20/11/2012 13:12
    Obrigado pelas respostas! Lerei o artigo com atenção.
  • Jah  20/11/2012 18:39
    O que o pessoal do mises diz sobre isso?

    www1.folha.uol.com.br/mundo/1187431-conheca-a-cidade-espanhola-que-virou-um-oasis-em-meio-a-crise-europeia.shtml

    Sistema comunista funcionando.
  • Leandro  20/11/2012 19:26
    Nada de mais. E nem nada de novo. Isso aí é tipo uma comunidade amish (com 2.700 pessoas não pode ser uma cidade), na qual as pessoas subsistem e trabalham apenas para se alimentar. O padrão de vida, para mim, é precário. Note o semblante das pessoas e veja se há conforto ali. Tem gente que nem tem dente (certamente não deve ter dentista na comunidade). O local é parecido com o interior do Piauí. O trabalho agrícola mostrado é totalmente precário e pouco produtivo (não há nenhuma máquina no campo). Tudo o que eles conseguem fazer na cooperativa é transformar a colheita (pimenta, azeitona e alcachofra) em azeite. Isso é vida do século XIX. Mas não discuto que há quem goste de viver assim.

    E quem gosta de trabalhar muito sem poder usufruir os frutos do trabalho -- isso é, trabalhar duro de sol a sol mas viver sem conforto nenhum e sem usufruir da tecnologia moderna -- está livre para ir para lá. Libertários são totalmente favoráveis a esses arranjos voluntários e são contra qualquer tipo de proibição estatal a esses arranjos.

    Agora, dizer que quem vive ali sob aquelas condições de trabalho precárias está melhor que um desempregado que vive na bela Salamanca com um seguro-desemprego de mil euros e que tem acesso a todos os tipos de conforto e mordomia, bom, aí já é forçar bastante. Isso aí é desejo de retornar às condições de vida do século XIX. Bom proveito pra quem quer. Eu preferiria ser desempregado em Madri. A qualidade de vida é muito mais alta.

    De resto, taxa de desemprego baixa não significa nada. De que adianta trabalhar e não poder melhorar seu padrão de vida? Para mim, isso é escravidão.

    Por fim, quanto a isso aí ser um "sistema comunista funcionando", queria saber onde eles compraram aqueles equipamentos para a cooperativa. Não parecem ter sido feito por eles. Nessas horas, recorreram à velha troca capitalista.
  • anônimo  27/01/2017 04:46
    E sobre a comunidade Auroville na Índia?

    www.bbc.com/portuguese/internacional-38635168?ocid=socialflow_facebook
  • Fabio  20/11/2012 20:15
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk esses eleitores do PT realmente tem um alto indice de sabuguice cronica.
    2700 pessoas vivendo em uma cidade não é nada.
    Isso sem contar que com certeza nem todos vivem com os tais 1200 euros,disso eu tenho certeza sem assistir o video...
  • Bright  21/11/2012 02:37
    Qual é a perspectiva de crescimento desse pessoal?

    Resposta: (cri, cri, cri....)
  • saoPaulo  21/11/2012 14:10
    Resposta: Eles nao precisam crescer pois jah produzem tudo que necessitam. Esse negocio de ter que crescer eh coisa de capitalista ganancioso que soh estimula a inveja no coracao dos puros...
    Seguindo este brilhante raciocinio, me pergunto por que todos os comunistas que pensam assim nao se mudam para tais comunidades... Creio que deva ser dificil convencer quem trabalha de verdade a ir junto pra sustenta-los.
  • Renato Souza  21/11/2012 18:56
    Mas assim não tem graça. Esse pessoal está voluntáriamente abrindo mão de muitos confortos e benefícios. Isso não agrada um marxista. O gostoso (para eles) é obrigar as pessoas a viverem assim.
  • Andre Cavalcante  22/11/2012 05:37
    Cadê aquele carinha que disse que em sociedade comunista as pessoas recebem de acordo com a produtividade? Por que é que, no exemplo do vídeo, TODOS recebem €1200,00? TODOS tem a mesma produtividade?

    Imagino a produtividade daquela mulher que parece ter filhos (e deve se dedicar a eles) comparada a produtividade do jovem e comparada a produtividade daquele senhor septuagenário. Porque que aquele moço DEVE ganhar a mesma coisa? Outra incoerência: para quem eles vendem a produção deles? Pro resto da Espanha, claro. Só isso, basta ver que uma comunidade comunista é possível em um mundo capitalista, mas o inverso não é verdeiro. Só em um sociedade capitalista é que há possibilidade de arranjos desse tipo prosperarem, porque haverá mercado para quem esse pessoal possa vender seus produtos e viver conforme eles queiram viver. Da mesma forma somente em uma sociedade capitalista eles teriam com que gastar seu salário, afora comida.

    Algumas outras questões a se pensar: E o excesso de produção (ou preço), o que passar de 2.700*0,6 (tô descontando crianças e gente muito velha)*€1200,00 ~ €2.000.000,00? Para quem vai? Para a conta da cooperativa em um banco, para este especular com o dinheiro? Pra de baixo do colchão (com a inflação, nada vale depois de um tempo)? Fica com alguém (jé nem TODOS ganhariam €1200,00) ou é redistribuído (então TODOS ganhariam mais)? E em caso de prejuízo, as pessoas recebem menos?

  • Fernando Marques   21/11/2012 06:26
    Muito pertinente todos os comentários, porém em se tratando de economia é preciso sermos cautelosos nas afirmações, defender suas ideias sem um "manto ideológico".

    Parabéns ao Leandro pelas respotas claras e objetivas na elucidação dos questionamentos feitos por todos.

    Aos que não entenderam o que ele explica, me veio uma lembrança da filósofa Ayn Rand numa entrevista que pode ser vista aqui:

    https://www.youtube.com/watch?v=OvhCvF4NQzo&feature=channel&list=UL

    Ela diz bem em cima do 5:00 min: "Estude economia" rsrsrsrs

    Vale a pena assistir os 03 videos.

    Abs.
  • anônimo  21/11/2012 09:31
    Leandro,

    I) Quais setores tendem a se beneficiar com os QEs dos Bancos Centrais?

    II) E ainda, pode novos QEs inflar ainda mais mercados já saturados? Qual limite para isso?
  • Leandro  21/11/2012 12:58
    I) O setor bancário em primeiro lugar. Em segundo, aqueles para onde o dinheiro recém-criado primeiro fluir. Pode ser a bolsa, o mercado de commodities, o ouro e até mesmo o setor imobiliário de algum país.

    II) Não sei qual a sua definição de mercado saturado. Estímulos monetários reativam economias apenas se os preços e salários delas já tiverem caído. A economia volta a crescer até o próximo colapso. Isso aconteceu no Brasil na recessão de 2009, quando preços e salários caíram, e a estrutura da economia passou por um ligeiro processo de correção. A subsequente expansão do crédito permitiu o robusto crescimento de 2010/2011, mas seu efeito já se esgotou. Um estímulo monetário maciço para uma economia que ainda não se reestruturou, como a brasileira atualmente, geraria apenas inflação de preços e queda na qualidade de vida.

    Mas reafirmo o que disse o artigo: o tal QE ainda não está acontecendo nos EUA. E nem na Europa. Basta ver a desgraça que está a taxa de câmbio aqui no Brasil. Daqui a pouco o peso argentino periga valer mais que o real, para o gáudio de Guido Mantega (não haveria um jeito de inventar aposentadoria para essa criatura inominável?)
  • Brant  21/11/2012 10:44
    Gomes aka rafagomes e Jah

    Dois ateus esquerdistas famosos por postar baboseira socialista no fórum Uol.
    Fico até comovido com a paciência e o estômago do Leandro de responder as pífias e arrogantes afirmações de 2 moleques que mal entraram na faculdade e já estão devidamente doutrinados.

    Mas sempre é bom responder essas figurinhas, você não vai conseguir convencê-los de que eles estão errados (isto é impossível devido ao avançado nível de lavagem cerebral que sofreram) mas isto é irrelevante e não é o objetivo. O que realmente importa é que pessoas de boa fé e com honestidade intelectual que certamente leem regularmente os artigos do mises vão tirar bom proveito de argumentos como os do Leandro que são embasados em fatos e não em lixo ideológico e propaganda governamental.
  • Marcos Campos  21/11/2012 12:38
    Brant

    A paciência do Leandro e de outros companheiros aqui do Fórum, foi o que possibilitou a minha permanência e purificação. Não fosse o cortejo e elegância elucidadora destes jovens, eu teria desistido de abandonar as doutrinas aprendidas nas escolas, mídias e faculdade.

    Do que adianta você ficar menosprezando e depreciando aqueles que vem aqui cheios de dúvidas e resquícios de uma forte lavagem cerebral? Seja paciênte também e utilize argumentos que desperte nesses pobres indivíduos iludidos, um panorama jamais visto antes, para que criem sozinhos, seus dilemas, insights e ações.

    Como vamos ser uma verdade atraente, se agir-mos como os petralhas, cuspindo naqueles que são contrários?

    Abraços
  • Filosofo comum  19/06/2014 04:30
    Graças ao Leandro também propôs-me maior conhecimento, devido a calma dele de esclarecer mellhor nossas duvdas.
  • Fernando Marques  21/11/2012 13:02
    Concordo Brant.

    Infelizmente a doutrinação é muito forte e começa desde cedo e vai até a universidade.

    Eu "raxava o bico" kkk quando um professor meu de Macroeconomia tentando explicar os "mais modernos" modelos de equilibrio, onde ele dizia: "o capital é constante" kkk

    Aí... em um outro dia na mesma aula, ele justificava a intervenção governamental alegando: "o capital é instável e só por isso já se justifica a intervenção de um governo" kkk

    Qta contradição e falácia!!! kkk

    Horrível é ficar dentro de uma sala de aula e sendo o único austríaco, ser considerado um alienigena... kkkkk enqto que a massa idolatra Keynes e (argh) Marx.

    Como dizia Rothbard: "Marx tinha algo de bom, pelo menos ele não era Keynesiano... kkkk e vice e versa.

    Pior cego é aquele que não quer enxergar!

    abs


  • Brant  21/11/2012 16:05
    Marcos

    Primeiro, não estou depreciando nem menosprezando ninguém.
    Segundo, eles não estão cheios de dúvidas, se vc conhecesse esta dupla saberia que eles não tem outra intenção se não a de trollar e causar discórdia, não dá pra debater sério com esse tipo de gente, já estão com o discurso viciado. É como diz a Bíblia, não se deve jogar pérolas aos porcos.

    No mais sou adepto do que o Olavo disse em uma das suas edições do trueoutspeak, você não pode vencer um esquerdista, você pode apenas destruí-lo.

    Até.
  • Marcos Campos  22/11/2012 16:27
    Brant

    Então meu caro estamos fadados ao fracasso, se sua intenção é realmente destruí-los ao invés de convence-los no ardor da claridade.

    Deixe-os no fórum !!!

    A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar. Sun Tzu
  • Carlos  21/11/2012 20:27
    Falando nos amish, eles levam um estilo de vida em libertários na minha opinião já que eles são anarquistas(não gostam das ações de governo), não votam, não servem aos exércitos, evitam pagar impostos e o principal não são um peso para o seguro social americano, eles defendem a propriedade privada e as trocas voluntárias entre os cidadãos. Gostaria de saber a opinião de vocês do site sobre eles, e algumas tendências deles anarcocapitalistas e se até poderia ser feito algum artigo.

    Um vídeo no youtube sobre eles

    https://www.youtube.com/watch?v=HtNXvE_rLoE
  • anônimo  22/11/2012 00:25
    O que Cingapura produz? ouvi de um professor de economia (marxista) que Cingapura so é rica por que os ricos adoram ir especular por lá, é paraiso fiscal, Cingapura vive de especulação e nao de produção. Até onde isso é mentira e o que existe de verdade?
  • Leandro  22/11/2012 01:19
    Produz quase tudo que diz respeito a tecnologia, ciência, eletrônica, química, máquinas, metalurgia, borracha, construção e reparação de navios, serviços financeiros, bebidas, refino de petróleo etc.

    Além de ser um dos centros industriais mais importantes do mundo, é lá onde está a sede de empresas como MobileOne, MediaCorp, Singapore Airlines, StarHub, DBS Bank Limited, a Flextronics e a Creative Technology Limited.

    E também tem de importar tudo, desde alimentos e água até matéria-prima e energia.

    Ou seja, é o modelo que contradiz na prática tudo o que ideólogos desenvolvimentistas dizem sobre uma economia (que ela tem de ser fechada e protegida contra importações para ser rica.)

    No mais, esse seu professor, inadvertidamente, simplesmente afirmou que seria possível um país enriquecer (e muito) apenas por meio da especulação. Isso contradiz o que pregam os desenvolvimentistas, que dizem que especulação só gera miséria, e que o que enriquece é substituição de importações. (Correção ao seu professor: Cingapura não é classificada como paraíso fiscal).

    Dica: saia da universidade e mantenha a sanidade do seu cérebro.
  • anônimo  29/11/2012 04:04
    Mas entao por que é uma ditadura?
  • Heisenberg  01/12/2012 20:27
    Singapura é uma democracia com um partido que é tão bom que ganha há décadas. O modelo de gestão é conservador. Apenas um representante da oposição já foi eleito por uma determinada província, mas era tão lixo que hoje vive como um mendigo.
  • Nando  23/11/2012 10:37
    Anônimo, em caso de dúvidas quanto ao que um país produz, ou como anda sua economia, procure sempre o site da CIA. É a maneira mais fácil de ter um panorama geral e minimamente confiável.
    https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/sn.html

    Abs
  • Lengler  03/12/2012 12:26
    Só para deixar claro uma coisa. A discussão sobre a moeda ser forçosamente depreciada OU apreciada leva ao mesmo caminho. Distorção e ineficiência. Vide o exemplo Argentino na década de 90.
    Uma economia se desindustrializa por diversas razoes e definitivamente o cambio deve exercer pouca influência. Eu digo DEVE, pois quando há muita intervenção, certamente há diversas outras intervenções mais grotescas em outras áreas. Vide a discussão de tributos no Brasil. Nunca fiz uma análise econométrica a respeito, logo não posso afirmar com maior propriedade.
    A Argentina, com cambio artificialmente sobrevalorizado, detonou sua indústria. A Alemanha, com um medo do tamanho do universo de qualquer resquício inflacionário, teve cambio sobrevalorizado e até pouco tempo era a maior economia exportadora do mundo.
    O Japão, por sua vez, (e a China agora), começaram com moedas bastante desvalorizadas, SACRIFICANDO o poder de compra da população. Hoje, de acordo com o estágio de cada uma, vem tendo suas moedas sendo cada vez mais valorizadas.
    Tem muita coisa por trás do fortalecimento ou não de um setor da economia. O cambio não dá a resposta sozinho.
  • Leandro  03/12/2012 12:38
    "A Argentina, com cambio artificialmente sobrevalorizado, detonou sua indústria. A Alemanha, com um medo do tamanho do universo de qualquer resquício inflacionário, teve cambio sobrevalorizado e até pouco tempo era a maior economia exportadora do mundo."

    Por isso é imprescindível levar em consideração a produtividade da mão-de-obra e a qualidade do produto fabricado. Ninguém aprimora o produto fabricado e a produtividade da mão-de-obra restringindo importações e depreciando o câmbio. A Argentina se estrepou porque seus produtos industriais não tinham demanda. Eram ruins (cite algum produto industrializado argentino altamente demandado pelo mundo todo). Hoje, o peso vale US$0,20 -- desvalorização de 80% de 2001 --, e não se vê -- ao contrário do que prega a teoria desenvolvimentista -- nenhum empuxo à indústria argentina.
  • Joao D  04/12/2012 23:35
    Leandro, compare a taxa de industrialização da Argentina ha 10,15 anos atras com hoje. Alias, a Argentina cresceu 7% (!!!!) ao ano em media, desde que eles aplicam um capitalismo de estado a partir dos kirschner, em especial a cristina.
  • Leandro  05/12/2012 03:22
    O gráfico da produção industrial argentina está aqui. E aqui, em termos de comparação, está o do Chile. Mais robusto, sólido e consistente.

    E aqui está o do Brasil. (Não muito diferente que o da Argentina; talvez até melhor).

    E aqui está o de Cingapura (só pra judiar), que, como mostra o artigo, não parece estar muito preocupada com seu câmbio.

    (Não que eu ache que seja importante tal comparativo, pois o padrão de vida é muito mais importante do que saber se uma indústria de tecido está produzindo mais ou menos panos. Mas já que você pediu...)

    E aqui está a destruição do poder de compra do peso argentino. Módicos 238% em dez anos. (Sempre lembrando que este número é subestimado, pois o governo confessadamente manipula suas estatísticas. O número real deve ser o dobro disso).

    Quem não está no setor industrial argentino, protegido pelo governo, ou tem de guardar sua poupança em moeda estrangeira (ilegal no feudo dos Kirchner) ou morre de fome.

    Você dizia algo?
  • Marcio  20/01/2013 17:40
    Sei que esse meu comentário destoa muito do assunto principal do artigo, mas alguns dias atrás li o seguinte texto:

    "Singapura se desenvolveu exatamente porque teve um Estado forte, com o partido PAP e Lee Kuan Yew no poder. A Coréia do Sul também se desenvolveu assim, com Estado forte do General Park. Eles abriram o país para investimentos, mas o Estado que orientava e dava? o norte de onde investir, o que fabricar, altas tarifas protecionistas etc. Tinha até mesmo Planos Quinquenais (sim, parecido com dos Estados socialistas!). Enfim, o Estado que desenvolveu esses países. Isso é história, não se pode negar."


    Gostaria de saber dos caros colegas do IMB se essas informações são verídicas ou não, ainda sou um novato por aqui, mas desde já elogio o maravilhoso trabalho que fazem.
  • Leandro  20/01/2013 21:02
    Isso é mais um dos infinitos tipos de conversa fiada às quais os intelectuais acadêmicos adeptos do mercantilismo recorrem.

    Não é verdade dizer que a "Coréia do Sul era pobre e aí foram adotadas políticas intervencionistas e aí ela enriqueceu". Mesmo porque isso é econômica e logicamente impossível. O que o general Park fez foi adotar uma política extremamente favorável ao investimento estrangeiro (óbvio, pois a Coréia não tinha capital), principalmente de japoneses (com quem ele reatou relações diplomáticas) e americanos. Não fossem esses investimentos estrangeiros, o país continuaria estagnado.

    Os japoneses investiram pesadamente em infraestrutura, em indústrias de transformação e em tecnologia, o que fez com que a economia coreana se tornasse uma economia altamente intensiva em capital e voltada para a exportação. Esse fator, aliado à alta educação, disciplina e alta disposição para trabalhar (características inerentemente asiáticas), permitiu a rápida prosperidade da Coréia.

    Era economicamente impossível a Coréia enriquecer por meio de intervencionismo simplesmente porque não havia capital nenhum no país. Intervencionismo é algo possível apenas em países ricos, que já têm capital acumulado e que, por isso, podem se dar ao luxo de consumi-lo em políticas populistas. Já países pobres não têm essa moleza (por isso o intervencionismo explícito em países como Bolívia e Venezuela apenas pioram as coisas).

    Vale lembrar que a Coréia do Sul no início da década de 1960 era mais pobre do que a Coréia do Norte. E mesmo assim os japoneses investiram lá. E deu no que deu.

    Já Cingapura, em termos econômicos, sempre figurou entre os três países mais livres do mundo. E, como se nota no artigo acima, o BC de lá sequer segue a tendência mundial de depreciação contínua da moeda. Mas isso é coisa que acadêmico desenvolvimentista jamais irá discutir.
  • Marcio  20/01/2013 21:13
    Obrigado pelo esclarecimento, Leandro. Vocês do IMB fazem um trabalho excelente.


    Abraços!
  • Estudante alienado  30/01/2013 21:05
    Leandro sempre achei que a america latina é pobre devido ao imperialismo americano.Aquele papo de que a america latina é quintal dos ianques e o extremo oriente a excessão da china foi favorecido pelos americanos com vistas a freiar os soviéticos e chineses a época de mao tsé-tung .Até onde isso é verdade ou delírio dos esquerdistas ou adéptos de teorias conspiratórias.
  • Andre Cavalcante  31/01/2013 00:05
    Estratégia dos esquerdistas que queriam o poder por aqui, a fim de implantar a sua agenda: colocar a culpa nos outros pelas consequências das aç?s que toma.

    A América era pobre porque aqui, desde os tempos da colonização, vive um grupo um tanto numeroso de pessoas que vive a custa dos demais, sem produzir nada, apenas consumindo recursos. Esses são os verdadeiros exploradores. Hoje, esse pessoal tá no governo e nas empresas amigas que recebem gordos financiamentos do BNDS com prazos absurdos (até 10 anos, em alguns casos), com carência e tudo o mais, e uma taxa de juros menor que a inflação de preços. Assim

    Outras coisas que ajudam a pobreza do continente: falta de educação, falta de visão empreendedora, leis absurdas, regulações de países ricos, como se a gente tivesse dinheiro para arcar com todos os custos dessas regulações, e, principalmente, a inflação causada pelos governos e bancos centrais, que é uma transferência de renda do pobre para o rico, justamente para pagar a esbórnia daquele grupo acima citado.
  • Renato Souza  31/01/2013 02:43
    Estudante

    Isso não pode ser verdade. Os dois países da América Latina que mais cedo chegaram a um grande nível de desenvolvimento econômico e social foram Cuba e Argentina, nas prímeira décadas do século XX. Pois bem, esses dois países destruiram de dentro para fora suas próprias economias, e destroçaram suas próprias sociedades, pela opressão de um partido. Quem fez isso? As "elites culturais" anti-americanas autóctnes. Isso prova que a verdade é o contrário do que ensinam na escola.
  • Maurício.  05/02/2013 02:58
    Pelo que eu observei nos links do final do artigo (https://www.everbank.com/personal/singapore-dollar.aspx e www.merkfunds.com/fund/macf), a tendência discutida neste artigo se inverteu, ou seja, o dólar de Cingapura de desvalorizou em relação ao dólar americano nos últimos meses e o fundo Merk baixou o percentual de papéis em dólar de Cingapura de 24% para cerca de 9% do portfólio. Vocês tem alguma informação mais atual sobre isso?
  • Leandro  05/02/2013 08:07
  • David Seraos  12/02/2013 23:00
    Pessoal porque países tão "livres" como Singapura e Hong Kong tem moeda fiduciária e não moeda lastrada em ouro, por exemplo

    Esta é a minha grande dúvida, pois supostamente são paises quem tem governos exuntos e não tem programas assistencialistas, logo não precisam de criar déficits, correcto? Se sim porque continuam a utilizar a farsa da moeda fiduciária em vez de terem uma moeda "séria" (séria para os académicos austriacos)

    Outra pergunta, acima disseram que Macau não tem Banco Central, tão não tem moeda própria?

    Cumprimentos e continuam o excelente trabalho
  • Leandro  12/02/2013 23:07
    Ora, porque são políticos que estão no comando. E nenhum político irá voluntariamente amarrar suas próprias mãos (que é o que um padrão-ouro faz). Sim, os políticos de lá são mais liberais do que a média mundial, mas também não são bobos. Controlar a moeda é controlar a economia. Incorrer em déficits sem ter de pagar juros punitivos é algo sagrado para qualquer político que se preze, tanto nas Américas quanto na Ásia.

    Macau utiliza um Currency Board, o qual é lastreado em moeda de Hong Kong. E Hong Kong, por sua vez, também utiliza um Currency Board, o qual é lastreado no dólar americano.
  • David Seraos  13/02/2013 11:29
    Obrigado Leandro. Pois são politicos e querem deixar sempre a porta aberta para quando precisarem.

    Podia explicar-me um bocado mais sobre isso de Currency Board, sendo assim Macau está dependente da moeda de Hong Kong e Hong Kong está dependente da moeda a que está lastreada (que deverá ser o dolar não?). É mais ou menos isto?

    Abraço
  • Leandro  13/02/2013 12:39
    Quando um país adota um Currency Board, ele está utilizando um regime de câmbio genuinamente fixo.

    Um Currency Board ortodoxo nada mais é do que uma agência de conversão, uma casa de câmbio. Neste sistema, a moeda de um país se torne um mero substituto de uma moeda estrangeira.

    A moeda nacional é totalmente atrelada a uma moeda estrangeira (por exemplo, X reais são equivalentes a 1 dólar, sempre), e a variação da base monetária do país se dá de acordo com o saldo do balanço de pagamentos (saldo da quantidade de moeda estrangeira que entra e sai da economia nacional). Cada dólar que entra é convertido em reais a uma taxa fixa e imutável, de modo que a base monetária da economia varia estritamente de acordo com o balanço de pagamentos. Um Currency Board, ao contrário do Banco Central, não faz política monetária nenhuma, e nem regula os bancos. Ele simplesmente troca moeda.

    Assim, quando há um superávit nas transações internacionais, a quantidade de moeda doméstica aumenta; quando há um déficit, diminui.

    O Currency Board está em vigor em Hong Kong desde 1983, quando o país adotou o dólar americano como âncora cambial. Modelos um tanto deturpados de Currency Boards também existem na Lituânia, na Bulgária (sendo que a moeda âncora é o euro), em Macau (dólar de Hong Kong), na Bósnia (euro) e em vários outros pequenos países. Existia também na Estônia, quando a moeda do país era lastreada no euro. Hoje, o euro já é a moeda oficial do país.

    Observe que, neste sistema, a oferta monetária de um país varia da mesma maneira que a oferta monetária de Minas Gerais varia quando seus habitantes transacionam, por exemplo, com os habitantes de Goiás. O país que adota o Currency Board passa a funcionar como se fosse um estado do país emissor da moeda utilizada como âncora pelo Currency Board -- por exemplo, Hong Kong funciona como se fosse mais um estado americano; Estônia, Bulgária e Lituânia funcionam como se fizessem parte da zona do euro.

    Suponhamos que em 1994 o Brasil tivesse adotado um Currency Board seguindo a paridade R$ 1 = US$ 1. Neste caso, partindo-se do princípio de que a quantidade de dólares em posse do Currency Board fosse igual ou maior do que a quantidade de reais em circulação (tal princípio é pré-requisito indispensável para o bom funcionamento do sistema), o Currency Board estabeleceria que sempre trocaria, sem custo e sem demora, 1 real por 1 dólar e 1 dólar por real. Ao determinar isso, a taxa de câmbio estaria "fixa" em 1 real pra 1 dólar.

    (Se você quisesse vender 1 dólar por um valor maior do que 1 real para outra pessoa, esta preferiria simplesmente ir ao Currency Board e lá trocar 1 real por 1 dólar. Ou seja, tal artifício é totalmente eficaz em realmente fixar a taxa de câmbio. E como a quantidade de dólares é, por definição, superior à quantidade de reais, é impossível haver qualquer ataque especulativo.)

    O único problema do Currency Board é que, em última instância, ele ainda utiliza uma moeda fiduciária criada por outro banco central. E este teria de ser parcimonioso em sua emissão. Na década de 1990, o dólar era a única opção para o Brasil. Se tivéssemos adotado um Currency Board naquela época, embora seja difícil imaginar como estaríamos hoje, é certo que, em termos de inflação de preços, estaríamos melhor, e em termos de investimentos estrangeiros, muito melhor.

    Abraços!
  • David Seraos  13/02/2013 14:45
    Qual a diferença entre Portugal que tem o Euro como moeda e a Dinamarca que tem a coroa dinamarquesa lastreada em Euros ou a Estónia antes quando tinha a sua moeda lastreada em Euros e agora que entrou no Euro.
    Não difere, pois ambos são "estados" do Euro, ou difere?

    E Hong Kong tem Banco Central? Supostamente não, pois não pode imprimir mais dolares de Hong Kong, senão esta moeda dessa de ser lastreada pelo dólar ou estou a misturar isto tudo?

    Abraço
  • Leandro  13/02/2013 15:04
    A Dinamarca possui um Banco Central próprio, o qual tenta manter a coroa em um valor constante em relação ao euro, mas este valor varia. Veja aqui o gráfico (na parte superior do gráfico, em "Date Range", clique em "All" para ver a evolução completa da taxa de câmbio).

    Estônia e Portugal hoje estão na mesma situação: ambos utilizam o euro. Antes de utilizar o euro, a Estônia tinha a base monetária de seu país 100% lastreada em euro. Hoje, todas as contas eletrônicas também já estão em euro. O país faz efetivamente parte da zona do euro.

    Hong Kong possui uma autoridade monetária (www.hkma.gov.hk/eng/index.shtml), e muitas vezes ela atua como se fosse um Banco Central (injetando liquidez no sistema bancário em momentos de crise, como aconteceu em 1997), o que viola as regras de funcionamento de um Currency Board ortodoxo. No entanto, Hong Kong continua sendo o mais próximo que se pode chegar de um Currency Board ortodoxo. Quem imprime as cédulas do dólar de Hong Kong são três entidades privadas.
  • anônimo  12/02/2013 23:46
    O Panama também não tem Banco Central.
  • Valente L  15/01/2014 17:51
    Bolha em Cingapura??

    www.forbes.com/sites/jessecolombo/2014/01/13/why-singapores-economy-is-heading-for-an-iceland-style-meltdown/

    Interessante a análise.

    Aguçou minha curiosidade sobre a economia desta ilha.

  • Tiago RC  17/01/2014 01:23
    Os profissionais aqui do IMB viram o seguinte artigo? Têm alguma opinião a respeito?

    Why Singapore's Economy Is Heading For An Iceland-Style Meltdown

    Obrigado
  • Leandro  17/01/2014 03:20
    Veredito complicado.

    O crédito não está crescendo exponencialmente (foi exponencial apenas entre 2010 e 2011), a dívida da população ainda não está alta (70% do PIB não é alarmante, ainda mais com os juros baixos como estão) e os preços dos imóveis estão apenas um pouco mais altos do que estavam em 1996 (no Brasil, o crescimento foi substancialmente maior e em um período de tempo bem menor).

    Falar que vai ser como a Islândia é meio forçado. A menos, é claro, que os dados estejam errados.
  • Valente L  17/01/2014 10:17
    Como a Islandia, acho que foi mais marketing no titulo.

    Ele mostra uma serie de dados interessantes a respeito da formaçao da bolha.

    Quanto ao preço dos imoveis, o artigo mostra um gráfico sobre a variaçao dos preços e, realmente, estao pouco mais altos que em 96, mas mostra também que o preço dos imóveis despencaram em 98 e se mantiveram em baixa até 2007, e em 2010 até 2012 deram uma subida considerável.

    A indústria civil também vem crescendo muito, se aproveitando da situaçao.

    Acredito que tenha uma bolha, sim, mas nao acho, por enquanto, que esta em niveis 'destruidores'. Nao acredito que o estouro destruiria o sistema financeiro de cingapura como foi na islandia, de forma alguma.
  • Gustavo  06/07/2016 22:14
    Leandro, de acordo com o Steve Hanke os Currency Boards idealmente deveriam ter suas sedes na Suíça.

    Te faço três perguntas:

    1 - Porque a Suíça em particular? Na literatura do Hanke não encontrei uma linha em que ele explique o porquê desse país específico. Por que não Alemanha, ou sei lá, Islândia?

    2 - Existe atualmente algum país com um Currency Board genuinamente independente de autoridades monetárias?

    3 - O que exatamente fazem essas "autoridades monetárias"? Afinal com um CB teoricamente não existe nem taxa de compulsório, nem taxa básica de juros, nem open market e etc. Ou seja, se eles não podem fazer o que BCs de verdade fazem, qual o sentido de eles existirem?

    Me parece que CBs aos moldes de Cingapura e Hong Kong ainda são muito frágeis devido ao fato de o governo possuir certo nível de ingerência sobre eles.
  • Auxiliar  06/07/2016 22:23
    Tudo isso e muito mais foi abordado em excruciantes detalhes neste artigo, que é o mais completo sobre o tema em língua portuguesa.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196


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