clube   |   doar   |   idiomas
A política monetária do Japão e a força do iene

Nos últimos meses, o Banco Central do Japão ampliou seu programa de compra de títulos da dívida, inclusive títulos do Tesouro americano.  Mas para se ter uma melhor ideia do que antecedeu este programa, vejamos alguns gráficos publicados pela sucursal do Federal Reserve em St. Louis.  Eles podem ser encontrados aqui.

Primeiro, há o gráfico da base monetária.  Cada barra do gráfico abaixo mostra a taxa de crescimento da base monetária para um trimestre em relação ao mesmo trimestre do ano anterior — ou seja, o crescimento anual.  O gráfico da base monetária mostra exatamente qual a política monetária adotada por um banco central.

10207a.gif

O próximo gráfico é o do M1 (papel-moeda em poder do público + depósitos à vista).

10207b.gif

E então há o gráfico do M2 (M1 + depósitos a prazo).  É a ele que economistas recorrem quando querem adivinhar qual será o efeito da política monetária sobre os preços dos bens de consumo.  O M2 é um melhor prognosticador do comportamento dos preços futuros do que o M1.

10207c.gif

O Banco Central do Japão anunciou, em setembro passado, que iria aumentar o ritmo de compra dos títulos da dívida do governo japonês.  Por que isso foi necessário?  Não foi porque o governo japonês não consegue vender sua dívida.

O presidente do Banco Central do Japão, Masaaki Shirakawa, foi bastante claro em um discurso proferido este mês.  Ele está apenas seguindo ordens do governo.  O governo japonês é mercantilista.  Ele teme a valorização do iene.

No que diz respeito a intervenções no mercado de câmbio, na Suíça, o Banco Central suíço tem o poder de intervir quando e se quiser.  Já no Japão, o governo — e não o Banco Central — é obrigado por lei a conduzir tais intervenções.  O Banco Central do Japão está ciente dos efeitos que uma rápida apreciação do iene pode ter sobre a economia do Japão e sobre as perspectivas de inflação, e conduz sua política monetária em conformidade a estas perspectivas.  Preocupações em relação a estes efeitos gerados pelo comportamento da taxa de câmbio foram um dos fatores que influenciaram as várias decisões do Banco Central de afrouxar um pouco mais sua política monetária.

No entanto, tudo o que ouvimos da mídia financeira é o seu alarido espalhafatoso a respeito da crescente relação dívida/PIB do Japão.

Então por que o iene não pára se valorizar?  Por que ele está se valorizando há décadas?

O trecho a seguir é de uma reportagem da Bloomberg.

"Os Bancos Centrais querendo ou não, o fato é que há uma competição ao redor do mundo para ver quem afrouxa mais a sua política monetária", disse Izuru Kato, economista-chefe da Totan Research Co., em Tóquio, e um dos analistas que prevê mais afrouxamento.  [O presidente do Banco Central japonês] Shirakawa não quer ser visto como "relutante em participar da corrida" porque o risco de uma valorização do iene irá prejudicar a economia, disse Kato.

A valorização do iene levou a moeda japonesa ao seu valor mais alto dos últimos sete meses, chegando a 77,13 ienes por dólar no dia 13 de setembro, após o Fed anunciar seu plano de uma terceira rodada de afrouxamento quantitativo.

"Estamos preocupados com um aumento na velocidade da apreciação do iene, e nossa sensação de crise está se intensificando", disse Akio Toyoda, presidente da Associação de Fabricantes de Automóveis e executivo-chefe da Toyota, no dia 14 de setembro.  "Esperamos sinceramente que o governo e o Banco Central possam cooperar à risca e agir rapidamente para corrigir este valor historicamente forte do iene".

O mercantilismo governa o Japão.  O mercantilismo governa quase todos os países do mundo.  Nenhuma novidade aí.

E então vem a pérola.  A imprensa diz que chegará o dia — muito em breve — em que o mundo não mais irá comprar títulos do Japão.  Como é que é?  O Japão detém US$1,1 trilhão em títulos americanos.  Se há um país que está na iminência de perder compradores para seus títulos, esse país é os EUA.

Se o Japão entrasse em uma crise e não mais fosse capaz de importar petróleo (o país não produz uma gota) por não estar conseguindo exportar seus bens, ele simplesmente iria abrir o cofre — mais especificamente, iria vender os títulos americanos e utilizar os dólares para continuar importando.  Vejamos: se houver uma enorme despejo de títulos de uma nação no mercado (o que, consequentemente, leva a um despejo da moeda desta nação no mercado) e um correspondente aumento na demanda pela moeda da nação que está despejando estes títulos, qual moeda você preferiria ter?

Qual nação irá sofrer uma fuga de investidores?  A nação que está despejando títulos estrangeiros no mercado para arrecadar dinheiro ou a nação cujos títulos estão sendo despejados?

Isso é tão óbvio que somente colunistas especialistas em economia não conseguem entender.

Ano após ano, sempre digo aos meus leitores assinantes que o iene é uma boa alternativa ao dólar americano.  Ano após ano, sou perguntado por que defendo o iene.  Sempre recebo esta pergunta de assinantes que ainda não compraram iene e seguem tentando buscar conforto para esta atitude.  Este artigo é a minha mais recente tentativa de explicar minha posição.

Quantos ienes um dólar comprava em janeiro de 1985?  Aproximadamente 250.  O dólar era forte.  Quantos ienes um dólar comprava em janeiro de 2002?  Aproximadamente 135.  O dólar ainda era forte, mas já se notava uma tendência de queda.  Quantos ienes um dólar compra hoje?  Menos de 80.

japan-currency.png

http://www.tradingeconomics.com/japan/currency

Veja também o comportamento da inflação de preços no Japão durante este mesmo período.

japan-inflation-cpi.png

Nenhuma outra nação industrializada possui esta estabilidade de preços.

Mas as perguntas sobre o Japão continuarão.  "Mas Dr. North, acabei de ler na mídia que..." Sim, e algum suposto especialista no iene escreveu essencialmente a mesma coisa em 2002.

Esqueça a relação dívida/PIB do Japão.  O Japão não tem um Bernanke no comando de seu Banco Central.

O Japão dará o calote em sua dívida e em suas obrigações para com seus aposentados e idosos?  Sim.  Todos os países eventualmente farão isso.  O Japão dará o calote antes do governo americano?  Duvido muito.  Até hoje, nenhum governo foi mais rigoroso no pagamento de suas dívidas do que o governo japonês.  Ele pagou até mesmo os títulos que emitiu para financiar seu esforço de guerra.

Assim como hoje está havendo uma competição entre os países nas políticas de inflação monetária e desvalorização da moeda, cada um se esforçando ao máximo para não ficar para trás, haverá futuramente uma competição de calotes, cada um se esforçando ao máximo para não ficar na frente.  Entre confiar nos títulos do Japão e confiar nos títulos de qualquer outra nação, confio mais nos títulos do Japão.  E também em sua moeda.

 

Leia também:

Por que não houve inflação de preços no Japão? 

Notícias deflacionárias (e interessantíssimas) sobre o Japão 


1 voto

autor

Gary North
é Ph.D. em história, ex-membro adjunto do Mises Institute, e autor de vários livros sobre economia, ética, história e cristianismo. Visite seu website

  • Gabriel  06/11/2012 07:29
    Algo que eu não entendo muito bem essa é ideia da valorização da moeda x exportadoras.

    Pois bem, se o Japão deixasse sua moeda valorizar ia ser ótimo para os habitantes do japão, pois esses teriam um maior poder de compra em relação as moedas do mundo certo? Eles poderiam importar diversos produtos e adquirir melhores bens com preços mais baratos, mas ao mesmo tempo a moeda valorizada atrapalha as empresas que exportam produtos certo? E supondo uma economia que seja bem forte na parte de exportação, a valorização da moeda não iria prejudicá-la?

    Não sei se esse é o caso do Japão, mas se fosse, uma moeda forte não iria prejudicar esse setor da economia? E um país com um setor exportador forte não é bom? Ou essa é uma ideia mercantilista que de tanto propaganda eu ainda acredito?
  • Leandro  06/11/2012 07:48
    Moeda forte, como explicado aqui, é bom para toda a população de um país, pois lhe garante amplo poder de compra. Moeda forte só é ruim para mercantilistas que querem ter lucros fáceis ganhando mais com a exportação de produtos ruins (se os produtos fossem genuinamente bons, não se preocupariam a com a taxa de câmbio).

    Ademais, como demonstram os exemplos práticos da Alemanha sob o marco alemão, da Suíça e do próprio Japão dos últimos 30 anos, não apenas o padrão de vida da população do país aumenta (moeda forte, preços estáveis, viagens baratas, fartas importações de eletrônicos), como também, e principalmente, suas exportações, ao contrário do que imaginam desenvolvimentistas, também aumentam.

    Isto é fácil de entender: moeda forte gera preços domésticos baixos, o que torna os produtos nacionais extremamente atraentes no mercado internacional. Se, por um lado, a moeda está valorizada no mercado de câmbio, por outro, os preços dos produtos deste país estão bastante atraentes no mercado internacional (vide o caso japonês, cujos produtos estão quase sempre em deflação de preços). A taxa de câmbio representa apenas uma parcela do custo total de importação que um estrangeiro deve pagar; ainda mais importante é o custo genuíno deste bem em sua moeda original.

    Estes três países citados possuem as moedas mais fortes do mundo (no caso da Alemanha, ainda o marco alemão) e são nações amplamente exportadoras.

    Adicionalmente, os investimentos estrangeiros no país também tenderiam a explodir, justamente por causa da garantia de retorno em moeda forte.

    Logo, não há absolutamente nenhum ponto negativo em se ter uma moeda forte. Ao contrário: toda a população se beneficia de um maior padrão de vida.
  • Gabriel  06/11/2012 08:06
    Isto é fácil de entender: moeda forte gera preços domésticos baixos, o que torna os produtos nacionais extremamente atraentes no mercado internacional.

    Não entendi muito bem essa parte, da moeda forte gerar preços domésticos baixos. Seria como se os produtos ficassem cada vez mais baratos?
  • Leandro  06/11/2012 08:16
    Sim. É só olhar o último gráfico deste artigo, que mostra o comportamento da inflação de preços no Japão.
  • Paulo  13/06/2013 15:06
    Desculpa a ignorância. A queda de preço é só para os produtos importados e derivados desses, ou também para produto 100% nacional?
  • Edson Carvalho  06/11/2012 08:21
    E por isso que depois de viver no Japao 22 anos, e agora no Brasil, apesar de ter raizes la. Mando meu dinheiro para acumular em YENES.Nada de dolares e Euro, muito menos real.\r
    E sempre falei, mas ninguem acreditava.
  • Pedro Ivo  06/11/2012 09:32
    Via de regra, as pessoas só acreditam na experiência direta com um assunto. Se requer teoria para entender, rompe-se o conforto complacente da sensação de harmonia com os próprios valores e prioridades. Se estes valores forem mera autoindulgência, desprovidos de amparo objetivo, estas pessoas estão naufragas e não sabem, e quando a desgraça se consubstanciar, não saberão o que as atingiu e aceitarão o próximo esquema populista e autoritário que as oferecer proteção contra si mesmas (para o ignorante, a própria liberdade é um ônus) e consolo.
  • Marcos Campos  06/11/2012 08:30
    Números e demonstranções invejáveis que gostaria um dia ver com a legenda BRASIL.
    Confio nos japoneses e acredito que em breve eles não mais dependerão do petróleo, e quando isso acontecer, o mundo (USA) se verá numa encruzilhada.

    Vamos Brasil! Para de dormir no ponto.
  • Pedro Ivo  06/11/2012 09:34
    Por que o Japão não mais dependerá de petróleo?
  • Adao  06/11/2012 08:31
    Não entendi, Leandro.
    A parte dos produtos importados ficarem baratos internamente tudo bem, mas a parte dos produtos nacionais ficarem atraentes internacionalmente não consigo entender.

  • Leandro  06/11/2012 09:09
    Qual a complicação? Em países onde a expansão monetária é baixa (o M2 cresce entre 2 e 3% no Japão), os preços caem. E os preços caem porque a produtividade cresce mais que o aumento da oferta monetária. Preços em queda fazem com que os produtos fiquem mais baratos (duh!) tanto para os japoneses quanto para os países que importam produtos japoneses.

    Ainda tá complicado ou facilitou?
  • Pedro Ivo  06/11/2012 09:44
    Leandro, faltou explicar pro Adão porque o preço dos produtos caem quando o aumento da oferta monetária é baixo.

    esquematicamente Adão: [1] digamos que um país produziu 100 produtos em um ano, e que sua base monetária é 100 coroas (chamei de coroa só por comodidade). [2] Logo, há 100 coroas perseguindo 100 produtos [3] No ano seguinte o país produziu 105 produtos e a base monetária foi de 102 coroas. Logo [3.1] se há mais produtos, há menos escassez, e os produtos tendem a ficar mais baratos; e [3.2] há menos coroas que produtos. Daí, menos dinheiro perseguindo + produtos significa que o valor do dinheiro aumentou. Com cada unidade de dinheiro obtém-se mais produtos (que de qualquer forma já estavam com preços em queda porque havia mais produtos, logo menos escassez).

    Dito assim parece simplório, eu sei. Mas pense numa maior magnitude de bens, trocas e serviços, e você verá que isto é representativo do que tende a ocorrer numa economia real.
  • Rhyan  06/11/2012 10:21
    Acrescentando que o oposto também é verdade. Quando um país inflaciona sua moeda, seus produtos vão ficar mais caros para exportação por causa da inflação.

    Só não sei dizer o timing exato desse mecanismo.
  • Davi  06/11/2012 16:51
    Pedro Ivo, eu já ouvi milhares de explicacao sobre a influencia da oferta monetaria sobre a inflacao, mas a sua superou pela clareza. Parabens
  • Jeferson  09/11/2012 06:58
    Faço minhas as palavras de Davi. Parabéns pela profundeza de simplicidade a que submeteu nossa querida dragoa inflação. Talvez assim as pessoas comecem a entender porque o ¥ consegue façanhas de deflacionar em até 2% ao ano.
  • Pedro C Branco  06/11/2012 09:18
    Boa tarde,

    Gostaria que, se possível, alguém me dissipasse algumas dúvidas:

    1. Qual a percentagem de Dívida Pública japoesa é detida pelo Banco Central do Japão?

    2. Apenas quando, por via da emissão de titulos da dívida por parte do governo, acontece uma injecção de liquidez (dinheiro) na economia, poderá ocorrer inflacção? Se, em lugar de se proceder uma impressão de yenes por parte do Banco Central, os titulos forem vendidos no mercado, ai não existe o perigo de inflacção?
  • Leandro  06/11/2012 10:04
    A informação da quantidade de títulos em posse do BOJ está aqui. Se tiver paciência, dê uma olhada na seção de estatísticas deles.

    2) Em tese, se o governo vender sua dívida exclusivamente para pessoas físicas, não haveria criação de dinheiro. O dinheiro seria transferido da conta-corrente do João para a conta do Tesouro. No entanto, no atual arranjo monetário e bancário, não é isso que ocorre. Quando o Tesouro emite títulos, quem compra esses títulos são os bancos. E como os bancos compram títulos? Criando dinheiro (eletrônico) do nada. É assim que eles operam em um sistema de reservas fracionárias. Por isso, no atual arranjo, todo déficit governamental é, por definição, inflacionário.
  • Rhyan  06/11/2012 10:27
    Qual a vantagem dos bancos em vender títulos ao BC?
  • Leandro  06/11/2012 10:36
    Ganham reservas bancárias imediatas, sobre as quais podem expandir o crédito em um múltiplo de pelo menos 5 (cada R$1.000 podem virar pelo menos R$5.000) e cobrar juros sobre este dinheiro criado do nada. Uma mamata.
  • Mercado de Milhas  06/11/2012 10:55
    Mas o pessoal aqui não diz que todo FIAT money é ruim ? Porque comprar yenes seria melhor do que dólares ? O exército americano é muito mais poderoso.

  • Renato Souza  06/11/2012 14:28
    Bom, talvez justamente por causa do poder do exercito americano, que é uma das fontes de gasto do governo americano. Mas parece que o novo sistema "publico" de saúde criado por Obama sera uma escoadouro de dinheiro ainda maior.\r
    \r
    Mas apenas pense o seguinte. Quem ficou dois ou três meses com dolares na mão, geralmente perdeu dinheiro. Se fossem ienes, provavelmente não teria perdido.
  • Blah  07/11/2012 02:19
    Você parece não se cansar de fazer uma papelão por aqui... Vou mostrar como a sua "argumentação" é ridícula:

    1) Há leis nos EUA e no Japão que o obrigam a comer cocô de cavalo todos os dias.
    2) Cocô de cavalo é nojento, fede e tem um gosto horrível.
    3) Nos EUA, você precisa comer 100 gramas de cocô de cavalo por dia.
    4) No Japão, você precisa comer 10 gramas de cocô de cavalo por ano.
    5) Eu afirmo que nesse ponto é melhor viver no Japão
    6) O Mercado de Milhas nos brinda com um comentário assim: "Ué, mas você não acabou de falar que cocô de cavalo é nojento, fede, tem um gosto horrível?"

  • Renato  11/11/2012 04:04
    Blah

    Além de mal-educado, você é tolo. Quem não tem dinheiro para administrar, é livre para não se preocupar com essas questões. Alguém que administra um grande patrímônio, como um fundo de pensão (que em muitos países são realmente privados) tem de escolher quais aplicações são melhores, e em quais países se pode aplicar. É evidente que se um país tem uma moeda que está sendo fortemente anflacionada (mesmo que neste momento não haja um formte aumento generalizado de preços), isso deve ser levado em conta. O fato de não estar havendo forte expansão da base monetária num determinado país, é um indício (entre outros, é claro) de menos perigo nos investimentos nesse país.
  • Hay  11/11/2012 10:01
    Não entendi o que seu comentário tem a ver com o que eu escrevi. O Mercado de Milhas vive fazendo um papelão por aqui, e dessa fez mais um. Ele não parece ter a capacidade de compreender que, se alguém acha que o fiat money é algo ruim, provavelmente vai defender quem imprime menos dinheiro.
  • Renato Souza  11/11/2012 14:10
    Hay

    Mil perdões, aparentemente quem errou fui eu. Foi você que escreveu o comentário com o nome "Blah"? A ordem com a qual os comentários saem aqui às vezes me deixa confuso. Parecia que era uma resposta ao meu comentário e dessa forma não parecia fazer muito sentido. Até cheguei a pensar se valia realmente a pena ser respondido. Novamente, mil perdões.
  • Adao  07/11/2012 03:13
    Obrigado
    Leandro, esclareceu totalmente a dúvida. Estou apreendendo cada vez mais a respeito da economia no mises.
    Ainda sou um iniciante na entendiment da economia, mas confesso que já consegui acumular um grande conhecimento na area de economia. Mas porque essa matéria não é ensinada nos cursos de ensino médio. Conhecimento econômico.
  • Bernardo Fachini  07/11/2012 05:11
    Leandro, qual é mesmo o conceito de "base monetária" (2° parágrafo)? Eu sei que já respondeste a essa dúvida zilhões de vezes, mas não lembro onde...
    A propósito, sugiro que vocês criem um glossário onde seriam definidos os termos e expressões mais recorrentes no site cujo significado é técnico e preciso e não se encontra satisfatoriamente em dicionários comuns. Exemplos desses termos e expressões seriam "capital", "base monetária", "M1", "encaixe". Aí, quando a palavra aparece num texto, ela já viria linkada com o glossário.
    E vcs poupariam tempo ao não precisarem responder às perguntas sobre conceitos básicos.
    Grande abraço.
  • Leandro  07/11/2012 05:28
    Base monetária é todo o dinheiro físico existente na economia (cédulas e moedas metálicas) mais os depósitos (eletrônicos) que os bancos mantêm junto ao Banco Central a título de compulsório. Tais depósitos são também chamados de reservas bancárias.

    Grande abraço!
  • Daniel V  12/11/2012 20:30
    Irresponsável esse call.
    Em ultima instancia existe um desequilíbrio fiscal que levara, invariavelmente, à monetização de boa parte da dívida. Dominância fiscal.
    E outra implicação lógica é que se M2 cresceu pouco nos últimos anos, necessariamente o estoque de crédito p/ o setor privado e produtivo deve ter caído, ja q o estoque de crédito p/ setor público foi significativo > 0. Isso = no CAPEX e perda de produtividade no futuro.
    Ver > www.zerohedge.com/sites/default/files/images/user5/imageroot/2012/05/Debt%20to%20Revenue_1.jpg

    www.esri.cao.go.jp/en/sna/data/sokuhou/files/2012/qe123/gdemenuea.html

    www.zerohedge.com/sites/default/files/images/user5/imageroot/2012/02/Japan%20Profit%20Margins.jpg

  • Leandro  12/11/2012 21:00
    Você certamente não leu a parte final do artigo, em que é dito explicitamente que haverá calote -- só que depois dos outros países.

    Ademais, esqueça essa bobagem de "monetização de boa parte da dívida". Primeiro, porque é impossível "monetizar" uma dívida de maneira significativa. Uma hiperinflação monetária dura, historicamente, uma média de três a seis meses, ao passo que a esmagadora maioria das dívidas dos países tem duração mínima de um ano a 10 anos. Ou seja, uma hiperinflação não liquida quase nada de sua dívida. É impossível você começar a hiperinflacionar hoje com o intuito de sair resgatando títulos que só vencem daqui a vários anos. Seria total imbecilidade destruir completamente sua moeda apenas para tentar quitar uma fatia ínfima de sua dívida.

    Um calote é muito mais simples e menos destruidor para a população, que acabará apoiando (é preferível um governo caloteiro a um governo que aniquila a poupança dos cidadãos.)
  • Daniel V  12/11/2012 20:37
    Entendo q vc provavelmente argumentará q desse modo, pelo menos, não esta ocorrendo um malinvestiment. Mas não esta acontecendo investimentos at all. Crowding Out total
  • Daniel V  13/11/2012 05:56
    Calma Leandro, acho q vc está fazendo confusão. Duração do easing e duration do bond não possuem nenhuma relação. E não é necessário nenhuma hiperinflação para monetizar uma dívida. Basta que dM2>dDebt.
    E sabemos q a opção mais fácil p/ um governo fudido é a seignoriage à calote/ aperto fiscal.
  • Leandro  13/11/2012 07:40
    Não, eu não. Mas você certamente está. Volto a repetir: é impossível um governo quitar suas dívidas recorrendo à hiperinflação. Uma hiperinflação dura alguns meses ou poucos anos (até a moeda ser completamente destruída e ninguém mais aceitá-la) e, durante esse tempo, não há como o governo comprar os seus títulos de volta. Há títulos que vencem só daqui a 5 anos, e outros que vencem daqui a 10 anos. Tudo o que uma hiperinflação pode fazer é facilitar ao governo o pagamento dos juros sobre seus títulos, mas ela nada pode fazer para ajudar a quitar todos eles.

    Veja o Brasil. Tivemos alta inflação de 1988 a 1993 (a hiperinflação de fato durou de outubro de 1989 a março de 1990). Durante esse período, o máximo que o governo conseguiu fazer, e durante apenas alguns meses, foi zerar o déficit nominal. A dívida mesmo permaneceu incólume.

    Já Alemanha de 1948 deu calote generalizado em suas dívidas.

    Quem diz que governo pode realisticamente quitar suas dívidas com inflação monetária deve explicar como exatamente ele pode fazer isso.
  • Daniel V  19/11/2012 11:21
    Leandro,
    Não é preciso uma hiperinflação p/ haver seignoriage.
    A restrição orçamentária de um gov. é dada por:

    Gt+Bt-1*Rt = d[B t,t-1] + Tt + d [M0 t,t-1] + CPI * Bt-1

    onde G é gasto gov, Bt é a dívida em t, R é a alicota nominal de juros, d[] é variação temporal, T é imposto.

    Sumarizando, a condição necessária p/ dívida diminuir é, ceteris paribus:

    superavit primário > Juros real*Estoque dívida - dM0

    Portanto, não é necessário hiperinflação p/ financiar um governo. Basta juros real baixo.

    Me surpreende ver vc defender a posição contrária a esta.


  • Leandro  19/11/2012 16:02
    "Portanto, não é necessário hiperinflação p/ financiar um governo. Basta juros real baixo."

    Você, subitamente, mudou todo o foco. Estávamos falando sobre a possibilidade de o governo recorrer a uma hiperinflação para quitar todas as suas dívidas. Falei que era impossível e expliquei por quê. Agora, você está falando de o governo poder financiar seus déficits via juros baixos. Ora, isso é outro assunto totalmente diferente, e é exatamente para isso que foi criado o Banco Central: para permitir um contínuo financiamento dos déficits do governo a juros baixos.

    Defina-se: ou você fala de hiperinflação para quitar todas as dívidas do governo (impossível) ou você fala sobre Banco Central criando dinheiro para financiar déficits do governo (que não só é o que ocorre, como tal arranjo é semanalmente criticando neste site).
  • Mauricio  20/11/2012 08:30
    Leandro entendi e concordo que é impossível "monetizar" uma dívida de maneira significativa mas a respeito de inflacao alta ,hiperinflacao,alias eles la nos Estados Unidos e Europa consideram que ja seria hiperinflacao 30% ao ano de aumento de precos.O que eu gostaria de saber e' da possibilidade desse montante de trilhoes de dolares que foram injetados nos USA e resto do mundo nos ultimos 4 anos comecarem a circular no mercado via reservas fracionarias nao teria um impacto muito forte no aumento dos precos.Sera que se quando isso acontecer o Fed e outros bancos centrais vao subir drasticamente os juros como fez o Paul Volcker.Pelo que li de artigos do Gary North ele nao acredita nessa possibilidade enquanto outros como John Williams acredita.
  • Leandro  20/11/2012 09:10
    Maurício, eu mudei de ideia em relação a essa hipótese. Hiperinflação não é do interesse nem dos bancos nem do governo. A economia ficaria tão desarranjada que o lucro fácil deles estaria em risco. Por que eles iriam querer isso? Ademais, os novos regulamentos de Basiléia III, que já estão sendo implementados, irão reduzir a alavancagem dos bancos -- e é a implementação paulatina dessas regulamentações que está impedindo que os bancos europeus e americanos expandam o crédito atualmente.

    O cenário mais provável é de estagflação, sendo que a inflação de preços, aos menos na zona do euro, não chegaria a dois dígitos. Nos EUA, tudo vai depender de quem será o próximo presidente do Fed em 2014. É ele quem vai herdar a encrenca.
  • Mauricio  20/11/2012 15:02
    Leandro seria isso o que acontece:
    The rarely discussed fact is that they can't really pay off the debt by monetizing it. They are not printing money and then using that money to pay off the treasury bonds. They are printing money and using that money to buy more bonds, thereby increasing the debt.
    The way the system currently works, they can't actually pay off the debt by printing money. They only increase the debt.
    Os politicos vao tentar levar ate o limite de ruptura a situacao ,esses cortes que estao sendo feitos na Europa ja estao tendo grandes revoltas,eles nao vao conseguir e nem querem acabar com o sistema do bem estar falsamente construido nas ultimas decadas.
    O Gary North em um artigo disse que o ponto central do sistema e' a rolagem da divida.
    Vai chegar um momento que nao vai dar mais.
    O estouro da bolha dos titulos da divida soberana que o Peter Schiff anda falando,as outras bolhas sendo uma sombra palida perto dela.Comeca ai onde vai parar....
    Se essa bolha estourar em um futuro proximo nao tem cenario de inflacao ,estagnacao,recessao,tem caos pelo menos por um tempo.
    Existe um debate forte mesmo entre os austriacos sobre essas possibildades de calote,hiperinflacao,depressao,etc.
    Estou cada vez mais preocupado desde a crise de 2008 quando descobri o instituto Mises nos Estados Unidos,o Lew Rockwell e varios outros e acabei encontrando o Mises Brasil.
    Preocupado com todos esses cenarios e possibilidades de guerras.
  • Leandro  20/11/2012 15:09
    É bem por aí. A questão da dívida não tem solução. Haverá calotes. A questão é ver como irão reagir os caloteados.
  • MrCitan  10/12/2012 04:35
    Ao ler o artigo, eu estava até pensando em investir no iene, mas ao ler esta reportagem, não sei se isto é uma boa alternativa.
    O que aconteceria ao Japão se isto fosse implantado?

    g1.globo.com/economia/noticia/2012/11/favorito-a-premie-do-japao-abe-defende-afrouxamento-ilimitado.html
  • Leandro  10/12/2012 09:00
    Prezado MrCitan, tenha a bondade de ler o artigo abaixo, o qual fala exatamente sobre isso:

    A surpreendente postura do Banco Central de Cingapura
  • Jose  11/12/2012 02:50
    O ex-primeiro-ministro do Japão Shinzo Abe, líder do principal partido de oposição, o Partido Liberal Democrático (PLD) defendeu nesta quinta-feira (15) que o Banco do Japão (BoJ) implemente um afrouxamento quantitativo ilimitado para atingir uma meta de inflação de 2% a 3% e disse que, se seu partido encabeçar o próximo governo, vai coordenar a política monetária em conjunto com o banco para reverter a valorização do iene e ajudar o país a sair da deflação.

    g1
  • Eduardo Bellani  23/01/2013 12:45
    Relevante, não apenas pelo ângulo econômico mas pela explícita crueldade dos burocratas:

    www.estadao.com.br/noticias/internacional,ministro-japones-causa-polemica-ao-dizer-que-idosos-devem-se-apressar-e-morrer,987487,0.htm

    Pode isso Arnaldo?
  • Ricardo S.  23/01/2013 13:35
    "Deus nos livre se você é forçado a viver quando quer morrer. Eu acordaria me sentindo cada vez pior sabendo que (meu tratamento) foi todo pago pelo governo"

    Ser ministro das finanças, uma função tão nobre para a sociedade, ao mesmo tempo que é obrigado a viver sob o fardo de ter seu salário pago pelo governo. É um genuíno altruísta, um Hércules da moralidade.



Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.