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Uma moeda forte poderia trazer desvantagens para os brasileiros?

Não é nenhum exagero dizer que não há uma semana em que não recebamos perguntas sobre "importações destruírem empregos", "real valorizado prejudicar a indústria nacional", "moeda desvalorizada ter suas vantagens", "protecionismo ter alguma importância estratégica" e todas as variáveis do tipo.  Não obstante todas as perguntas possíveis sobre protecionismo já terem sido respondidas por completo em nossos artigos sobre protecionismo, há alguns detalhes sobre o assunto que ainda não foram explorados a contento.  A maioria das vezes, as perguntas centram-se na questão das tarifas de importação.  Hoje, ela centrará na questão da valorização da moeda.

Um leitor nos envia a seguinte pergunta:

Boa noite,

Tenho uma dúvida de teoria econômica. Agradeço se puderem me esclarecer.

Qual seria a política cambial certa em um cenário de guerra cambial, onde todos os países competem desvalorizando suas moedas?  Por exemplo, o Brasil. Se nossa presidente, seguindo os ensinamentos da Escola Austríaca, cruzasse os braços e deixasse o mercado atuar, nossa economia estaria em uma situação melhor agora? Suponhamos que em vez de desvalorizar o real, como o BC está fazendo, ele deixasse a nossa moeda apreciar. Hoje, o real estaria valendo ouro e as importações, tanto as que são para consumo quanto as de insumos para a indústria, seriam impulsionadas como nunca antes, é verdade. Mas não aconteceria um processo de desindustrialização semelhante ao sofrido pelos EUA devido à política cambial chinesa? Neste caso, no final das contas, estaríamos em melhor ou pior situação?

Pode-se citar, como pontos positivos, um provável aumento de produtividade da indústria, em razão do crescimento das importações de insumos e bens de capital. Contudo, como confiar que esse aumento seria suficientemente grande para compensar — e este é o ponto negativo — a perda de competitividade dos preços dos nossos produtos? 

Por fim, uma moeda valorizada funcionaria como refúgio para os investidores (como o franco suíço até um tempo atrás), o que reduziria drasticamente os juros de captação e seria um estímulo para o governo se endividar mais.

Em resumo, a pergunta do leitor em nada difere das outras dezenas que já recebemos sobre o assunto.  Porém, esta é mais interessante porque permite um maior aprofundamento sobre uma questão muito pouco entendida pelos brasileiros, por total falta de experiência com o assunto: os benefícios de se ter uma moeda forte.

Primeiro, uma correção

Antes de responder diretamente às perguntas do leitor, é importante fazer uma correção técnica em seu raciocínio.  Em seu terceiro parágrafo, o leitor afirma que se o Banco Central brasileiro não estivesse imprimindo reais para desvalorizá-lo perante o dólar, o real hoje estaria substancialmente valorizado.  Esse raciocínio não é correto.

Sim, é verdade que o que determina a taxa de câmbio de uma moeda é o seu poder de compra.  Consequentemente, a moeda que for menos inflacionada tenderá a ter um poder de compra mais elevado em relação às outras moedas, e sua taxa de câmbio, por conseguinte, será a mais apreciada.  Porém — e esse é o 'grande lance' —, o que determina o poder de compra de uma moeda não é apenas a sua oferta, mas também a demanda por esta moeda.

Se o Banco Central brasileiro interrompesse por completo a expansão monetária, de modo que a quantidade de reais na economia se tornasse fixa, tal medida, por si só, não seria nenhuma garantia de que a nossa taxa de câmbio iria se apreciar e o real passaria a "valer ouro", como disse o leitor.  Tudo iria depender da demanda (nacional e mundial) por reais.  A demanda por moeda pode ser entendida como 'a procura por moeda para se realizar transações econômicas'.  Quanto maior o crescimento de uma economia, maior tende a ser a demanda por sua moeda.  Ou seja: a demanda por uma moeda tende a ser proporcional ao crescimento da economia daquele país. 

Em outras palavras: se o Banco Central brasileiro interrompesse a expansão do crédito no país, que hoje apresenta um crescimento em torno de 18% ao ano, a economia entraria em profunda recessão.  Estando em recessão, a demanda (nacional e mundial) por reais deixaria de aumentar (poderia até cair).  E isso, por si só, impediria qualquer apreciação no valor do real no mercado internacional.  O real não iria se valorizar, e a taxa de câmbio, ao contrário do que disse o leitor, não estaria "valendo ouro".

Um exemplo prático desta teoria pôde ser observado no Brasil em 2003.  Naquele ano, com a inflação de preços (IPCA) chegando aos 17%, o Banco Central subiu os juros e fez com que a expansão de crédito caísse de 13% para 3% ao ano, uma das menores da história do real (ver o quarto gráfico deste artigo).  Isso, no entanto, fez com que o câmbio fosse de 3,70 reais por dólar para apenas 2,80 reais por dólar, sendo que, no primeiro semestre de 2004, o real já havia se desvalorizado novamente para mais 3 reais por dólar.  Ou seja, a abrupta interrupção da expansão creditícia daquele ano, longe de gerar uma forte valorização do real, gerou apenas recessão.

Desde que o câmbio passou a ser flutuante, em 1999, o dólar só ficou abaixo de 1,70 real durante alguns meses de 2008 e de 2010/2011, justamente quando a economia estava crescendo às suas taxas mais vigorosas desde a introdução do real.

Esta explicação, por si só, já deveria servir para aplacar os temores do leitor e de todos os outros que, como ele, temem a "ininterrupta valorização" do real perante o dólar e a consequente "aniquilação da indústria nacional".  Ao contrário do senso comum, é muito difícil manter uma moeda permanentemente forte.  É necessário saber combinar baixa expansão do crédito com contínuo crescimento econômico.  Até hoje, apenas os suíços e os alemães souberam fazer isso por várias décadas (ambos os países, aliás, fortes exportadores, "apesar de" sua moeda forte).

1º resposta

Implícito em todo o raciocínio do leitor está a noção de que desvalorizar o câmbio — ou seja, inflacionar a moeda — é uma medida benéfica para a indústria e neutra para o resto da população.  Nada mais falso.  O que o leitor não disse explicitamente, mas deixou claro nas entrelinhas, é que medidas inflacionárias podem ser boas para alguns e neutras para o restante da população, de modo a criar um genuíno "ganho social" para o país. 

Embora o setor industrial realmente se beneficie com a desvalorização do câmbio, este benefício se dá em detrimento do bem-estar de todo o resto da população do país, que não apenas tem de arcar com um custo de vida mais elevado em decorrência da inflação de preços gerada pela inflação monetária, como ainda fica privada de obter bens importados a preços acessíveis.  Como pode alguém defender a redução do poder de compra de vários em prol de bem-estar de alguns poucos?  Isso é elitismo puro e duro.

Vejam o que houve recentemente no Brasil, que adotou a medida de desvalorização cambial defendida pelo leitor.  Em julho de 2011, um dólar valia R$1,54.  Isso significa que um brasileiro que ganhava um salário de R$3.000 tinha um poder de compra de US$1.948.  Hoje, após a adoção das medidas defendidas pelo leitor, um dólar vale R$2,02.  Logo, um brasileiro que ganha R$3.000 viu seu poder de compra cair para US$1.485.  Para manter seu poder de compra inalterado, este brasileiro teria de ganhar hoje R$3.934.

Como pode esta abrupta redução no poder de compra da população brasileira ser defendida?  Como ela pode ser boa para a economia?  Como pode uma população estar em melhor situação se ela hoje possui mais dificuldades para adquirir bens estrangeiros?  Se um país quer ser uma potência, como ele irá conseguir isso reduzindo o poder de compra de sua população?  Todo esse raciocínio equivale a dizer simplesmente que dificultar o comércio é uma medida que cria riqueza para todos.

2ª resposta

Também implícito no raciocínio do leitor está a noção de que uma economia saudável é aquela que possui baixas taxas de desemprego.  Outro erro.  Baixas taxas de desemprego é algo que pode ser atingido da noite para o dia: basta colocar os desempregados para cavar buracos.  Ou aumentar as contratações do setor público.  Reza a lenda que a URSS tinha desemprego zero.  Não duvido.  Dizem o mesmo de Cuba.  Não duvido.  Mas de que adianta você ter um emprego se você não pode consumir nada com o seu salário?  De que adianta você trabalhar e ganhar em troca um salário que não lhe dá nenhum poder de compra?  De que adianta você trabalhar e não poder adquirir nada, pois o governo cria empecilhos?  É a isso que uma sociedade deve aspirar? 

Ter um trabalho mas não poder usufruir os frutos do seu trabalho é escravidão.  Por isso comunismo é escravidão.  Você trabalha e não pode usufruir os frutos do seu labor.  Por que defender isso?

Em termos de bem-estar, é preferível ser um desempregado alemão que ganha 800 euros de seguro-desemprego e que pode utilizar esta moeda (ainda) forte para adquirir bens estrangeiros a custos baixos, a ser um assalariado brasileiro que, com seus R$1.509 (rendimento médio real dos trabalhadores do setor privado com carteira assinada em 2011), tem hoje um poder de compra nominal de 576 euros, mas que, considerando todas as tarifas de importação, tem um poder de compra real muito abaixo disso. 

Pelo mesmo raciocínio, um desempregado espanhol ou português — que, com sua moeda forte, tem acesso a bens americanos e europeus a preços baixos — possui um padrão de vida mais elevado que o de um trabalhador médio brasileiro.  Como pode alguém defender esta política de escravidão de todos em prol do bem-estar de poucos (do setor industrial)?  

Uma sociedade formada por uma minoria exportadora e rica e por uma maioria que não tem poder de compra já existe: a China.  É para lá que os defensores do mercantilismo cambial querem nos levar.  Prefiro ser desempregado em Portugal.  O padrão de vida é muito maior.

Completando

Em outros artigos já foi explicado que o real empecilho à indústria nacional, longe de ser o câmbio, sempre foi a carga tributária, a inflação monetária, a burocracia, as regulamentações restritivas, a infraestrutura precária, os sindicatos e os encargos sociais e trabalhistas.  O câmbio é apenas o bode expiatório favorito dos incompetentes que querem transformar uma inocente variável na única culpada por todos os malefícios estruturais e arcaicos da nossa economia.  Portanto, aqueles que estão genuinamente preocupados com a indústria nacional deveriam parar de se preocupar com o câmbio e concentrar seus esforços em pressionar o governo a parar de oprimir o setor com todos os empecilhos acima listados.  Não queiram reduzir o poder de compra da população.  Isso é imoral.

Como não poderia deixar de ser, o leitor citou o fantasma da "desindustrialização americana", um mito criado pela mídia.  Mito?  Sim, mito.  Não houve desindustrialização; houve aumento de produtividade.  Não confiem em mim; olhem os dados e concluam.

manufacturing-employment.png

Embora o emprego na indústria americana (linha azul) tenha se reduzido, a produção industrial do país (que é o que realmente importa para a economia) seguiu crescendo. Isso se chama aumento de produtividade.

Após fazer terrorismo com a falaciosa situação industrial americana, o leitor faz a pergunta fulminante: "Neste caso, no final das contas, estaríamos em melhor ou pior situação?"

Não obstante o temor do leitor em relação ao câmbio não possuir fundamento, vamos supor aqui, para o bem do debate, que uma liga de alemães e suíços tomasse o controle do BACEN e passasse a impor sua filosofia monetária.  Imaginemos também que, como que por mágica, repentinamente o Brasil passasse a apresentar baixas taxas de expansão do crédito e sólidas taxas de crescimento econômico.  Em suma, o real passaria a se valorizar continuamente.  Vamos supor também que não haja nenhuma alteração no arcabouço tributário, regulador e estrutural da economia.  O Brasil passa a ter uma moeda valorizada mas sem ter uma economia competitiva (eu falei que era necessário uma mágica para isso acontecer).  Creio que era essa arranjo que o leitor tinha em mente. 

"Neste caso, no final das contas, estaríamos em melhor ou pior situação?"

Em melhor situação, sem a menor sombra de dúvida.  E, se você discorda, então, por coerência, você não apenas tem de recusar qualquer proposta de aumento salarial, como também tem de dizer que, quanto maior for o seu aumento salarial, pior será a sua situação — ou, o que dá no mesmo, dizer que quanto maior for a sua redução salarial, melhor será a sua situação.  Quem defende desvalorização cambial está defendendo a redução do poder de compra da população.  E defender redução no poder de compra é o mesmo que defender redução salarial.  É incoerência ser a favor de uma medida (desvalorização da moeda) e ser contra a outra (redução salarial).

Recentemente, passei uns dias na Europa.  Portugal, Áustria, Itália e Suíça.  Vou tirar Suíça e Áustria da equação porque sei que muitos irão protestar qualquer comparação destes países ao Brasil.  Vou me concentrar apenas em Portugal.  As notícias que chegam aqui é de que o país está à beira da catástrofe e que, em comparação, o Brasil é um paraíso.  Puro sensacionalismo.  Um trabalhador português, por causa de sua moeda forte, possui, por todos os motivos citados acima, um padrão de vida invejável para a classe média brasileira.  Ele tem acesso a produtos importados a preços baixos de todos os países do mundo.  Fartura de oferta é o que não lhe falta.  Acessórios que, para os brasileiros são de luxo, para um português são corriqueiros.  Questões culturais e morais à parte, um acesso mais fácil e mais barato a serviços e bens de consumo é justamente o que define o padrão de vida de uma sociedade.

Os carros que circulam corriqueiramente em Lisboa — oriundos majoritariamente da Alemanha, da França e da Itália — podem ser vistos apenas nos bairros mais chiques de São Paulo.  Um carro popular europeu possui como itens de série apetrechos que no Brasil são opcionais caríssimos.  No bairro do Chiado, você encontra comércio mais diversificado, mais elegante, mais vibrante e (muito) mais barato do que na Oscar Freire.  Fui à FNAC de Lisboa à procura do iPhone 5.  "Desculpe, mas está esgotado em todo o país.  A próxima leva chega semana que vem."  No Brasil, o iPhone 5 não se esgotou.  Ele simplesmente não chegou.  A rede El Corte Inglés, com oito andares de comércio de todos os tipos, faz qualquer shopping brasileiro parecer uma coleção de lojinhas de bairro (mas com preços que fariam um suíço repensar seu conceito de riqueza). 

Um país como o Brasil, que possui reduzida oferta de bens estrangeiros e preços estratosféricos, realmente está em melhor situação do que um país em situação contrária?  Se o Brasil fosse realmente invejável e a Europa estivesse realmente tão mal, não seriam os brasileiros que estariam invadindo Lisboa à procura de bens de consumo, mas sim o contrário.

Concluindo

Sim, uma moeda forte seria uma bênção para a população brasileira.  Ela representaria um aumento do poder de compra do trabalhador e, consequente, um aumento em seu padrão de vida.  Ela teria o mesmo efeito de um aumento salarial permanente.  Ela imediatamente daria aos brasileiros acesso barato a uma farta quantia de bens e serviços estrangeiros, aumentando enormemente nosso padrão de vida.  Os nacionalistas que hoje batem no peito para elogiar o Brasil e escarnecer a situação europeia certamente nunca saíram do país e não têm a mínima ideia da invejável qualidade de vida do cidadão médio nos países mais atrasados da Europa.

Mas uma moeda forte impõe certas disciplinas que, se não forem obedecidas e respeitadas, farão várias vítimas.  Por exemplo, dado que uma moeda forte não combina com uma expansão pródiga do crédito, esta ausência de inflação monetária não permitirá a continuidade de atividades econômicas artificiais, as quais só podem ser sustentadas justamente por meio de contínuas expansões monetárias.  Pense em um restaurante com música ao vivo tocada por uma banda barulhenta e desafinada.  Ninguém realmente quer ouvir aquilo, mas acaba, por educação, pagando o couvert.  O restaurante seria a atividade econômica sólida e a banda seria a atividade econômica artificial.  Em um ambiente de moeda forte, não manipulada, esta banda não teria emprego.  Seus integrantes teriam de procurar outras atividades mais produtivas.  Já em um ambiente de moeda fraca e inflacionada, haveria dinheiro para o couvert desta banda.  Mas o ônus viria na forma de pratos e bebidas mais caros para os clientes, bem como serviços mais relaxados e de menor qualidade.

Portugal e Espanha sempre possuíram moedas fracas (o escudo e a peseta, respectivamente).  A entrada no euro repentinamente lhes trouxe um poder de compra maior que o do franco suíço.  O padrão de vida de espanhóis e portugueses elevou-se substancialmente.  Hoje, não é do euro que eles querem sair.  Há apenas uma parcela improdutiva da sociedade — formada majoritariamente por sindicatos de funcionários públicos e privados — que está protestando contra privatizações e contra necessários cortes em seus salários.

Por isso, um país com moeda forte tem de ser produtivo, caso contrário haverá desempregados.  Não há espaço para empregos em atividades econômicas artificiais, para as quais não há genuína demanda.  Não há espaço para malabaristas de semáforo ou para flanelinhas ganharem dinheiro.  Ou eles procuram atividades produtivas, ou definham.  Da mesma forma, uma moeda forte não dá espaço para políticos e burocratas criarem medidas — como a expansão do crédito — que beneficiem grupos de interesse e determinadas camadas eleitorais. 

Quanto à constatação final do leitor, que diz que "uma moeda valorizada funcionaria como refúgio para os investidores (como o franco suíço até um tempo atrás), o que reduziria drasticamente os juros de captação e seria um estímulo para o governo se endividar mais," há um erro em sua conclusão final.  Dizer que uma economia funcionaria como refúgio para investidores e que isso reduziria os juros de captação está longe de representar um problema.  Dizer que isso seria um estímulo para o governo se endividar ainda mais é uma inversão da realidade.  É a moeda fraca que estimula o endividamento, e não a moeda forte.  O Brasil sempre teve moeda fraca, nunca parou de aumentar seu endividamento bruto (que é o que realmente conta) e nunca demonstrou qualquer preocupação quanto a isso.  Já os países do euro, moeda forte, estão sendo obrigados a apresentar medidas de redução de suas dívidas, algo impensável no Brasil. 

No mais, gostaria que o leitor me citasse quais os genuínos empecilhos que uma moeda fraca apresenta ao crescente endividamento estatal.  Não consigo pensar em nenhum.  Por último, mesmo que o raciocínio do leitor fosse correto, tal medida (aumento do endividamento) deveria ser imputada ao estado, aos seus políticos, aos seus burocratas e aos cidadãos que toleram tais desmandos, e não à moeda forte.

Como disse Jesús Huerta de Soto, uma moeda forte coíbe e limita as decisões arbitrárias de políticos e burocratas.  Ela disciplina o comportamento de todos os agentes que participam do processo democrático.  Ela promove hábitos morais de comportamento humano.  Em suma, ela restringe as mentiras e a demagogia, e facilita e amplia a transparência e a verdade nas relações sociais.  Nem mais e nem menos.

Por que não querer isso?


2 votos

autor

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Fabio Bastos  25/10/2012 03:42
    Brilhante texto. Estarei compartilhando via e-mail, facebook e até mesmo imprimindo e entregando diretamente aos amigos. Parabéns.
  • Leandro  25/10/2012 04:38
    Obrigado, Fabio. Grande abraço!
  • Felipe Monteiro  10/11/2015 13:06
    Impecável Leandro. Muito obrigado por mais um texto esclarecedor. Informações como essas que ajudariam o país a sair da ignorância.
  • Joao  25/10/2012 04:32
    Caro Leandro.

    Ótimo texto. Só discordo de voce em um ponto, quando se refere a desindustrialização americana. O grafico que mostra ganhos de produtividade faz muito sentido, so que não mostra uma coisa: esse ganho de produtividade so foi possível porque os americanos se focaram em tarefas que podem ser massivamente automatizadas, o que como voce bem sabe, não é possivel em todos os setores. Alguns setores precisam ser intensivos em mão de obra humana (como industria textil, industria de calçados), não existem maquinas que substituam as pessoas de maneira satisfatória.

    Isso causou que a mão de obra qualificada em alguns setores na economia americana simplesmente desaparecesse. Fora isso concordo com seu texto.

    Sugiro leitura do texto dailyreckoning.com/made-in-america-again/, é relevante ao assunto.

    Abraço
  • Leandro  25/10/2012 04:42
    Prezado João, não entendi bem seu ponto. Afinal, o que é mais importante: aumento de produtividade (mais bens produzidos e disponíveis na economia) ou ter mais gente tecendo pano e produzindo sapato? A mão-de-obra qualificada (uma noção bastante subjetiva, mas ok) não "desapareceu". Ela apenas foi liberada para ir para outros setores. Você pode considerar isso algo ruim; outros, algo bom. O juízo de valor é livre. O fato é que houve aumento da oferta de bens na economia (aumentou a produtividade), e isso eu considero positivo. Afinal, este é o objetivo de uma economia: aumentar a disponibilidade de bens e serviços, e não apenas ficar conservando empregos a todo custo.

    Quanto à mão-de-obra que foi deslocada, sugiro a leitura deste artigo, que lida exclusivamente com este assunto.

    Grande abraço e obrigado pelo elogio.
  • Joao  25/10/2012 04:56
    Meu ponto é: voce ter um grupo de pessoas qualificadas para uma tarefa leva 20, 30 anos. E muito desses grupos especializados nao existem mais nos EUA.

    Portanto se um dia alguem quiser voltar a fazer algo desse genero nos EUA, dificilmente irao encontrar porque não há gente capaz de fazer as tarefas.

  • Leandro  25/10/2012 05:11
    Atualmente, ninguém sabe montar um automóvel manualmente, sem o uso maciço de máquinas. No entanto, era assim que era feito no passado: pessoas altamente qualificadas montando automóveis em nível praticamente individual. Isso não existe mais por causa da automação e do aumento da produção. Isso é ruim? A qualidade de vida das pessoas aumentou ou diminuiu?

    No mais, esse conhecimento específico a que você se refere não é extinto; ele é deslocado de um país para o outro. E não há problema algum em se importar mão-de-obra preparada. Apenas o governo pode impedir isso. Sigo sem entender por que isso deveria ser um empecilho à modernização e ao aumento da produtividade.
  • Pedro Ivo  29/10/2012 09:12
    Caro João:

    a leitura que você recomendou do dailyreckoning.com/made-in-america-again/ é de fato excelente. Os artigos deste investidor são ótimos para quem gosta de acompanhar dados econômicos do dia a dia (e complementares às informações dos artigos do Jim Rogers e Peter Schiff). Recomendo aos d+ leitores.
  • Tiago RC  25/10/2012 06:35
    Ótimo texto, Leandro!

    Até hoje, apenas os suíços e os alemães souberam fazer isso por várias décadas

    O Japão não fez por várias décadas então?

    Logo, um brasileiro que ganha R$3.000 viu seu poder de compra cair para US$1.485.

    E não podemos esquecer que o poder de compra do dólar também caiu, ou seja, é pior ainda.
  • Leandro  25/10/2012 06:45
    O BC japonês é tão (ou mais) prudente quanto o suíço e o alemão (pré-euro), mas os japoneses não tiveram o mesmo sucesso de suíços e alemães em equacionar baixa expansão creditícia com sólido crescimento econômico. Culpa da política fiscal do governo japonês, que, ao incorrer em sucessivos déficits, elevou a dívida japonesa para mais de 100% do PIB, sugando a poupança dos japoneses e dificultando o direcionamento dela para o setor privado.
  • Pedro Valadares  25/10/2012 06:36
    Leandro, parabéns pelo artigo!

    Você poderia só me tirar uma dúvida? O BC para manter o câmbio em R$2,02 tem que comprar os dólares que o FED está imprimindo e que estão vindo parar aqui de alguma forma, certo?

    O BC imprime dinheiro para comprar esses dólares?

    Outra questão: O BC aplica as reservas de dólares em títulos da dívida americana? Se sim, isso significa que o BC tira dinheiro do cidadão pelas duas pontas: encarecendo as importações e destruindo o poder de compra via inflação.

    Ou seja, o BC retira dinheiro da economia brasileira e financia o governo americano.

    Estou correto? Ou estou fazendo confusão?

  • Leandro  25/10/2012 06:50
    O BACEN está hoje trabalhando com um câmbio semi-fixo. A banda inferior é o dólar a R$2 e a superior é o dólar a R$2,05. Para manter este valor, ele faz leilões de compra e venda de dólar. Para comprar dólares, ele cria reais e os entrega aos bancos -- apenas bancos (por meio de suas corretoras) podem fazer operações cambiais no Brasil.

    Quanto ao que o BC faz com os dólares (e com a população), você está absolutamente correto. E lembre-se: tudo isso tem o apoio da mídia e dos intelectuais acadêmicos.

    Abraços!
  • Pedro Valadares  25/10/2012 09:16
    Obrigado, Leandro!

    Realmente, a mídia apóia! Outro dia na Folha de S.Paulo tinha uma entrevista com o Luciano Coutinho exaltando o fato dele desvalorizar a moeda e levar o câmbio pra cima de R$2.
  • Aprendiz  31/05/2016 16:50
    "ele faz leilões de compra e venda de dólar. Para comprar dólares, ele cria reais e os entrega aos bancos -- apenas bancos (por meio de suas corretoras) podem fazer operações cambiais no Brasil."
    Leandro ou qualquer um que entenda, desculpe se forem questões muito idiotas

    Ele pode criar dinheiros assim do nada e entregar aos bancos para comprar dólares, isso não é um processo inflacionário?
    Eles usam esses dólares apenas pra manter reservas internacionais, bom essas reservas não custam muito pra ser mantidas?
    Interferem na taxa de câmbio pra ele ficar desvalorizado e assim exportarmos mais e a gente conseguir importar menos, fazendo assim mais dólares ficarem no país, estou correto?
    Isso não faz os preços do nosso país ficarem mais caros? afinal de contas teremos menos produtos disponíveis fazendo assim o preço aumentar não?

    "Outra questão: O BC aplica as reservas de dólares em títulos da dívida americana?"

    Isso gera algum beneficio pra nós?
    Me corrija se eu estiver enganado o BC comprando títulos da divida americana ele está financiando o deficit deles não? espero respostas obrigado desde já
  • Leandro  01/06/2016 00:51
    "[O Banco Central] pode criar dinheiros assim do nada e entregar aos bancos para comprar dólares, isso não é um processo inflacionário?"

    É exatamente isso o que o Banco Central faz. Aliás, todos os Bancos Centrais. Tanto para comprar dólares quanto para comprar títulos do Tesouro em posse do sistema bancário.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=344

    "Eles usam esses dólares apenas pra manter reservas internacionais, bom essas reservas não custam muito pra ser mantidas?"

    Custam a SELIC (14,25% ao ano) e rendem a taxa básica americana, que está entre 0,25 e 0,50% ao ano.

    "Interferem na taxa de câmbio pra ele ficar desvalorizado e assim exportarmos mais e a gente conseguir importar menos, fazendo assim mais dólares ficarem no país, estou correto?"

    A intenção é essa, mas nem isso acontece, pois desvalorização cambial, por si só, não promove exportações.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2378
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2394

    O que realmente acontece é que ficamos com uma moeda sem poder de compra, e com o padrão de vida lá embaixo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2175

    "Isso não faz os preços do nosso país ficarem mais caros? afinal de contas teremos menos produtos disponíveis fazendo assim o preço aumentar não?"

    Na mosca!

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2310
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2304

    "Me corrija se eu estiver enganado o BC comprando títulos da divida americana ele está financiando o deficit deles não?"

    Correto de novo.
  • Aprendiz  01/06/2016 04:22
    "É exatamente isso o que o Banco Central faz. Aliás, todos os Bancos Centrais. Tanto para comprar dólares quanto para comprar títulos do Tesouro em posse do sistema bancário."

    Esse processo por si gera inflação não?

    Li em alguns artigos que nós quando depositamos dinheiro, os bancos botam esse dinheiro em uma conta no Banco Central e assim podem aumentar as reservas fracionárias deles, certo?

    Esse processo por si gera inflação também não?

    Verdade que o Tesouro emite títulos da divida, os bancos compram e logo após isso o Banco Central compra botando dinheiro na conta dos bancos junto ao Banco Central?
    Fazendo assim o governo ter dinheiro para bancar os seus déficits correto? e só fazem isso pois tem uma lei que o Banco Central não pode financiar o tesouro, correto?

    Esse processo por si só gera inflação também não?
    Afinal se eu estiver correto lá em cima mais dinheiro na conta dos bancos junto ao Banco Central, mais eles podem expandir a oferta monetária e assim acaba mais dinheiro rolando, correto?
  • Leandro  02/06/2016 16:57
    "Esse processo por si gera inflação não?"

    Se o dinheiro sair das reservas do sistema bancário e entrar na economia via concessão de crédito, sim.

    "Li em alguns artigos que nós quando depositamos dinheiro, os bancos botam esse dinheiro em uma conta no Banco Central e assim podem aumentar as reservas fracionárias deles, certo? Esse processo por si gera inflação também não?"

    Sim. Artigo específico sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387

    "Verdade que o Tesouro emite títulos da divida, os bancos compram e logo após isso o Banco Central compra botando dinheiro na conta dos bancos junto ao Banco Central?
    Fazendo assim o governo ter dinheiro para bancar os seus déficits correto? e só fazem isso pois tem uma lei que o Banco Central não pode financiar o tesouro, correto?"


    Correto. Artigo sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1966

    "Esse processo por si só gera inflação também não? Afinal se eu estiver correto lá em cima mais dinheiro na conta dos bancos junto ao Banco Central, mais eles podem expandir a oferta monetária e assim acaba mais dinheiro rolando, correto?"

    Correto.
  • Fabio  25/10/2012 06:38
    Se eu fosse resumir esse texto, e todo esse discurso, eu diria que ele é um laborioso cálculo do custo de oportunidade das políticas suicidas de empobrecimento geral do Brasil. Os políticos estão empobrecendo todos para que todos sejam igualmente pobres, e não desigualmente ricos. Não é só uma imoralidade, é um problema cognitivo também.
  • Arthur M M  25/10/2012 07:17
    Viva la revolucion, camarada !
  • Arthur M M  25/10/2012 07:19
    Muito bom o texto. Eu ainda tinha dúvidas a esse respeito sobre a valorização da moeda. Mas agora não tenho mais dúvidas. Vou compartilha-lo com todos os meus conhecidos.
  • Inacio Mota  25/10/2012 07:17
    Brilhante!

    Só tenho um reparo a fazer:

    "Os nacionalistas que hoje batem no peito para elogiar o Brasil e escarnecer a situação europeia certamente nunca saíram do país e não têm a mínima ideia da invejável qualidade de vida do cidadão médio nos países mais atrasados da Europa."

    Não é verdade. Muitos desses nacionalistas viajam constantemente pela Europa e pelos EUA a passeio às custas dos impostos que o resto da população paga. O caso é que, para continuar nessa mamata, eles contam com a ignorância da maioria da população, que nunca saiu do país. Eis o por que eles "batem no peito para elogiar o Brasil e escarnecer a situação europeia".
  • Fellipe  25/10/2012 10:47
    Leandro,

    Parabéns pelo artigo. Merece e será compartilhado.

    Abs,
  • Rhyan  25/10/2012 12:57
    Parabéns pelo belo artigo, Leandro!

    Existe uma forma segura de diminuir o crédito até ele ser lastreado em poupança sem gerar recessão?

    Abraço!
  • Leandro  25/10/2012 17:08
    Rhyan, toda interrupção na expansão do crédito gera uma recessão. A intensidade da recessão será proporcional a quão intensa (duração e taxa de crescimento) foi a expansão do crédito -- além, é claro, de quanto o governo está disposto a permitir que a recessão se desenrole por completo, sem interferir no ajuste de preços e salários.

    Creio, sim, ser possível fazer uma reforma bancária que permita uma transição um pouco mais suave do crédito artificial para o crédito genuíno (lastreado em poupança) sem gerar recessão profunda, e foi sobre isso que falei em meu podcast. Mas como tal proposta não será implementada, então a resposta à sua pergunta é: no atual arranjo monetário e financeiro, não.

    Grande abraço e obrigado pelo elogio.
  • Gustavo Sauer  25/10/2012 14:50
    O texto aborda muito bem alguns pontos da mentalidade protecionista.

    Além dos pontos mencionados, outros pontos muito mencionados nesse debate são:

    - Deve existir protecionismo da indústria (mesmo que isso seja as custas de produtos mais caros) porque a indústria é "setor estratégico", "agrega valor" etc...
    É aquela velha mentalidade desenvolvimentista industrial do séc. 20. Muita gente vê a indústria como o único setor que "gera riqueza".


    - A mentalidade nacionalista do "nós contra eles". As pessoas tem a mania de enxergar o comércio internacional como uma disputa onde alguém perde e alguém ganha. Acreditam que um país só pode enriquecer se conseguir exportar sempre mais do que importa. Por isso elas apoiam essas medidas que estimulam a indústria "nacional". Veja que existe toda uma mentalidade socialista no cognitivo do povo que vê empresas de outras pessoas como parte de sua propriedade a ser defendida... É muito estranho isso.

  • Daniel  25/10/2012 16:39
    Se para importar um carro é necessário exportar uma quantidade x de laranja, a desvalorização da moeda faria com que fosse preciso exportar uma quantidade maior que x, ou seja, nós estaríamos voluntariamente aumentando o preço dos produtos que compramos do exterior.

    Consigo entender porque certos grupos defendem esse tipo de medida do governo, já que mesmo que a desvalorização destrua um pouco do poder de compra desses próprios grupos, o lucro conseguido às custas de todo o resto supera e muito essa perda.

    O que não consigo entender é porque vejo vários economistas mainstreams defenderem esse tipo de política tão evidentemente danosa.

    Por que do ponto de vista da teoria mainstream a desvalorização cambial é algo vantajoso?
  • Leandro  25/10/2012 17:09
    Porque ela estimula as exportações e, consequentemente, o emprego na indústria. Ao mesmo tempo, coíbe as importações e obriga você a consumir justamente os produtos da indústria nacional. Trata-se de uma política de agressão institucionalizada contra o cidadão comum, e que faz a alegria da FIESP e dos sindicatos.

    Democracia é isso: espoliar os fracos que não possuem representação organizada e agradar aos poderosos com conexões políticas, que fazem fartas doações de campanha.

    Abraços!
  • Leninmarquisson da Silva  28/10/2012 15:14
    Meu professor disse que o problema seriam os empregos. As pessoas sem terem empregos (e sem um welfare igual ao europeu, o que eu como libertário não posso defender) não teriam como comprar os produtos importados, por mais baratos que fossem.

    Por isso ele defendeu o protecionismo, e citou a Hyundai e outras empresas coreanas, dizendo que elas só se tornaram grandes por causa do protecionismo e que, depois de firmemente estabelecidas, foram competir num livre mercado.

    Tentei apontar o fato da quantidade de trabalho ser infinita, mas não fui bem sucedido. Prentencioso, ele disse "vocês são engenheiros de produção, para que vocês tenham emprego, é necessário que haja PRODUÇÃO" e a galera caiu na dele.

    Como eu posso refutar isso de uma maneira melhor?
  • Leandro  28/10/2012 16:54
    Seria improdutiva qualquer argumentação. Ele já deixou claro que defende o mercantilismo e os privilégios estatais às grandes empresas. E mercantilismo e protecionismo estatal são indiscutivelmente melhores aos lucros das grandes empresas do que a concorrência no livre mercado. É perda de tempo tentar convencer alguém que aufere lucros fáceis em decorrência do protecionismo estatal a competir no livre mercado. Produtores não gostam de concorrência; gostam de subsídios e protecionismo. Apenas parabenize-o por ser franco e ter a ousadia de defender o esbulho da renda dos mais pobres em prol dos lucros dos grandes empresários protegidos pelo governo. (Você também não irá conseguir convencer um funça que ganha 100 mil mensais -- como ocorre em alguns estados brasileiros -- a largar essa carreira e ir para o setor privado).

    De resto, se ele acha que a demanda por mão-de-obra não é infinita em um livre mercado, então ele aboliu a escassez, e realmente nada entende de economia.

    Grande abraço e parabéns pela coragem e pela paciência.
  • Um infeliz estudante  28/10/2012 16:59
    Simples.

    Amigo, seu professor é simplesmente genérico(Como mais da metade dos professores de universidade) e você possui o compromisso de não dar ouvidos a ele.

    Em primeiro lugar, se as pessoas são tão pobres que mesmo os produtos importados elas não poderão comprar(Sendo que esses são produzidos para possuírem maior qualidade e menores preços), muito menos ela conseguirão comprar os brasileiros(Que são inferiores e possuem preços maiores). O uso de bens de capital mais modernos no exterior aumenta a margem de redução de preços e torna o produto mais competitivo, SEMPRE. Olhe o setor automobilístico no Brasil e o compare com o de Hong Kong. Hong Kong não possui 1/10 do polo produtivo brasileiro, mas possui automóveis muito mais acessíveis e mais eficientes. Acredite, se você quer preços baixos, PROTECIONISMO é o que você não quer.

    Agora quanto aos empregos. Se seu professor crê que espoliar toda a população brasileira(Principalmente os mais humildes, que possuem menos poder aquisitivo) para empregar seus engenheiros de produção na forma de um desajuste econômico, ele precisa rever seus conceitos.

    Irei dar um exemplo simples: João mora no Brasil. Ele consome uma escova de dentes custando 8 reais. Em Hong Kong, um habitante compra uma escova de dentes um pouco melhor e pelo preço 3 reais. Se João fosse milionário, esses 5 reais que foram roubados dele não fariam a menor falta, entretanto, não é o caso; João é um indivíduo humilde e o fato de ter gasto tanto com essa escova irá impedi-lo de consumir outros bens que o tornariam mais rico. Esses 5 reais que nosso amigo jogou fora poderiam alimentar a economia e gerar empregos legítimos baseado naquilo que os consumidores realmente necessitam.

    Seu professor pode ser um bom engenheiro de "insira aqui mais um curso inventado para cartelizar um tipo de profissional para que ele precise de um diploma para fazer o que outros já fazem", entretanto, é um economista precário. Faltam conceitos de divisão de trabalho.
    ------------------------------
    Pessoalmente não gostei do que acabei de escrever, mas irei recomendá-lo alguns artigos muito úteis:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=589
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=585
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=64 (Se não puder ler qualquer outro artigo, esse deve ser sua prioridade.)
  • Leninmarquisson da Silva  01/11/2012 07:41
    Hum...certo. Creio que agora consigo elaborar melhor os argumentos, embora eles serão os mesmos. Valeu.
    Mas 2 coisas que valem esclarecer hohaoehoeh sem puxar sardinha pro meu lado; mas o professor é ECONOMISTA, não engenheiro de produção. Graças à Deus até hoje nunca conheci um engenheiro que acreditasse nas macaquisses keynesianas. Quase certo que é porque somos ensinados a eliminar desperdícios e tudo que não agregue VALOR ao cliente. Keynes só aparece nas aulas de economia, e some do chão de fábrica. Engenheiros keynesianos provavelmente faliriam qualquer empresa por excesso de retrabalho.

    E sobre o curso, não concordo completamente que tenha sido criado nesses moldes, muito embora será pra isso que acabará inclinando, como todo "profissional" incompetente que tenta defender suas reservas de mercado.
    Ele surgiu mais como resposta a falta de engenheiros menos especializados e mecanicistas e a administradores numericanalfabetos, ou mais precisamente para ter profissionais especializados no Sistema Toyota de Produção. Eu sinceramente acho que ao invés de "engenharia de produção" o curso deveria se chamar "consultoria em lean manufacturing".

    Mas enfim, só esclarecendo. Grande abraço e obrigado pelas dicas!
  • AMT  21/07/2015 04:04
    Ótimo seu comentário. Uma única escova de dentes nos faz pensar. Tal qual (erroneamente) a capacidade de catástrofes naturais gerarem riquezas para um país os gatos com produtos gerarem benefícios ao povo. Obrigado por sua contribuição. Embora eu é que esteja defasado na linha do tempo, o seu comentário permanece atual.
  • Curioso  26/10/2012 02:35
    Desculpe, mas minha formação não é em economia. Deixe-me ver se entendi. O governo imprime reais para desvalorizar a moeda? Mas o que ele faz com esse dinheiro impresso? Não entendi isso direito.
  • Leandro  26/10/2012 03:41
    Correto, Curioso. O governo constantemente está criando dinheiro. Varia apenas a intensidade com que ele faz isso. Em determinados momentos, ele o faz a taxas mais altas; em outros, a taxas mais baixas. Este dinheiro inicialmente vai para o setor bancário, e de lá ele entra na economia por meio de empréstimos.

    Há neste site inúmeros artigos sobre o assunto. Centrando-se mais na realidade brasileira, recomendo os seguintes:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=961
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1108 (Apenas a parte inicial do artigo)
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387
  • Curioso  26/10/2012 05:10
    Achei esse artigo que me ajudou pra caramba:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=597

    Acho que entendi, existem 2 formas de fazer a desvalorização, pelo de método expensão bancária e pelo método de compra de moeda e estocando.

    O interessante é que mudar artificialmente a taxa de juros tem um efeito parecido com o de mudar a taxa de câmbio. O mercado tende sempre a retornar ao patamar antigo e o governo tem que acelerar cada vez mais pois o mercado começa a antecipar.

    Eu inclusive comprei um livro do Paul Grugman antes de conhecer esse site, que havia explicações para as crises monetárias, mas eu não entendi nada. Acho que esse artigo do Sidney Richard Sylvestre é bastante acertado e simples.
  • Jeferson  26/10/2012 07:58
    Se você não entendeu nada do que o Paul Krugman escreveu, e entendeu bem artigos publicados no Mises, é sinal de você ainda possui sua sanidade mental e raciocínio lógico em boa forma! Hehehe... Continue lendo os artigos daqui e tudo o que parecia enrolado em teoria econômica (porque é propositalmente feito pra ser enrolado) vai ficar claro como água cristalina!

    Abraços!
  • Marcel  26/10/2012 06:45
    Olá Leandro,

    Você comentou no texto que, com a extinção da expansão do crédito, a alocação de recursos teria de ser otimizada, e o setor produtivo seria o maior beneficiado disso, conjuntamente com a população brasileira, a qual iria se beneficiar do poder de compra continuamente maior.

    No caso da expansão creditícia cessar, isso também implicaria na extinção desses ciclos econômicos gigantescos que ocorrem continuamente no mundo como, no caso, o que está acontecendo com os preços dos imóveis no Brasil, que estão simplesmente incompráveis. É isso mesmo? Sem a expansão, os ciclos seriam totalmente menores e menos devastadores dos que ocorrem hoje em dia?

    Muito obrigado.
  • Leandro  26/10/2012 06:53
    Correto. É justamente a expansão artificial do crédito, a qual ocorre por meio de uma operação conjunta entre o Banco Central e o sistema bancário, o que gera os ciclos de expansão e recessão econômica.

    Sugiro este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1347
  • mauricio barbosa  26/10/2012 11:39
    Em 2010 estive em Portugal e Espanha a passeio e pude constatar estes fatos,realmente tudo mais barato e acessível,relembrando o castelo de são jorge, o chiado,a alfama, a estada em fátima apesar de não ser católico,a estação de atocha e el corte inglês imperdível.
  • bernardo  26/10/2012 18:41
    E o caso japones, eles tem a moeda desvalorizada neh? Mas não me parece que é artificialmente, como se deu o caso deles?
  • Luis Almeida  26/10/2012 19:01
    Não, eles têm uma moeda forte, consequência de anos de uma política monetária austera.

    Por que não houve inflação de preços no Japão?

    Notícias deflacionárias (e interessantíssimas) sobre o Japão
  • bernardo  27/10/2012 21:36
    Não exatamente. Um dolar vale aproximadamente 80 ienes, ou seja, é uma moeda altamente desvalorizada, eles podem não desvalorizar mais e a moeda se mantem nesse patamar sem imprimir dinheiro, mas ainda é uma moeda desvalorizada, certo? Pelo jeito eles desvalorizaram fortemente a muito tempo atras e desde entao se manteve assim.
  • Leandro  28/10/2012 05:36
    O iene, que é uma das moedas mais antigas do mundo, perdeu grande parte de seu valor durante a Segunda Guerra Mundial. Depois do estouro da bolha imobiliária, em 1991, o Banco Central japonês tornou-se um dos mais rigorosos do mundo.

    O fato de um dólar comprar vários ienes não decorre de uma desvalorização atual, mas sim de uma antiga, ocorrida ainda no período da Segunda Guerra Mundial.

    Sugiro fortemente a leitura dos dois artigos linkados acima.
  • anônimo  28/10/2012 10:53
    Bem, 100 cents compram 80 ienes, que tal este ponto de vista?
  • Flávio  27/10/2012 20:52
    "Hoje, após a adoção das medidas defendidas pelo leitor, um dólar vale R$2,02. Logo, um brasileiro que ganha R$3.000 viu seu poder de compra cair para US$1.485. Para manter seu poder de compra inalterado, este brasileiro teria de ganhar hoje R$3.934."

    Por que assumir que os salários não vão aumentar junto com a inflação? Salário não é um preço como todos os outros?


  • Leandro  28/10/2012 05:33
    Os salários subiram 32% em um ano? Nem deputado...

    Ademais,

    1) os salários teriam de subir concomitantemente com a inflação, e isso não acontece;

    2) a inflação não ocorre de maneira uniforme na economia. O dinheiro recém-criado entra na economia em pontos específicos, e dali vai se espalhando. Aqueles setores que recebem o dinheiro recém-criado primeiro, verão seus preços aumentar primeiro. E aquelas pessoas que recebem o este dinheiro por último (normalmente os mais pobres), quando o recebem, já viram os preços de toda a economia subir. Sua renda real caiu. A inflação é um mecanismo de redistribuição de renda às avessas, dos mais pobres para os mais ricos.

    3) Mesmo que o impossível acontecesse, e as pessoas mantivessem sua renda de acordo com a inflação, ainda assim esta seria deletéria para a economia, por causa dos ciclos econômicos que ela produz.
  • Curioso  28/10/2012 07:42
    Oi, eu entendo porque uma inflação, faz o preço do moeda cair.
    Mas eu estava lendo em um livro que dizia que o preço da moeda subir Desencoraja a inflação.

    Foi usado exatamente o termo Desescoraja. Alguém sabe explicar isso?
  • Daniel Fraga  29/10/2012 23:18
    Ótimo texto Leandro. Poderia acrescentar ainda os benefícios de se desestatizar a moeda, quebrando o monopólio do governo sobre a mesma. Seria a melhor solução não depender de uma moeda só.
  • anônimo  08/11/2012 00:13
    Fraga vc diz isso por que ja viu isso acontecer de fato em algum lugar ou pais ou apenas tem fé nisso? Vc é um idealista? Vc é um utopico? Ou vc é cetico?
  • Pedro Valadares  08/11/2012 05:17
    Anônimo, a civilização viveu muito mais tempo sem controle estatal da moeda, do que com ele. O primeiro Banco Central, aparentemente foi da Inglaterra, que só surgiu em 1694. Ou seja, até esse período havia sim oferta descentralizada de dinheiro.
  • Juliano  26/11/2012 09:19
    Só um pouco mais do mesmo....\r
    \r
    \r
    www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?id=1322000\r
    \r
    O diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Ricardo Roriz Coelho, elogiou o esforço do governo para diminuir a apreciação do real ante o dólar. Ele ressaltou, porém que o patamar atual do câmbio, pouco inferior a R$ 2,10, ainda é insatisfatório para a produção industrial e para melhorar de forma expressiva a competitividade do setor.\r
    \r
    Dólar mais caro não afetará preços no Natal, diz comércio"Na minha opinião, o câmbio variando numa faixa entre R$ 2,30 e R$ 2,50 seria razoável e não seria inflacionário", apontou. Para Coelho, a mudança em pelo menos 20 centavos não causaria pressões fortes sobre os preços internos por dois motivos. Um dos fatores é que incentivaria as empresas nacionais a fabricar mais produtos para exportação. Outro elemento é que o mercado interno é grande e boa parte do consumo doméstico está sendo atendido pelas importações. "Portanto, há uma demanda grande da população que poderia ser atendida por mercadorias feitas aqui, gerando mais empregos", comentou.\r
    \r
    Na última sexta-feira (23), o ministro da Fazenda, Guido Mantega declarou que o câmbio acima de R$ 2,00 "veio para ficar", já que há cerca de 5 meses opera nesse nível.\r
    \r
    A Fiesp apresenta nesta segunda-feira o Índice Competitividade das Nações (IC-Fiesp), um ranking que identifica as principais restrições ao aumento da competitividade brasileira e busca experiências internacionais de sucesso que possam servir de exemplo ao País.\r
    \r
  • Leandro  26/11/2012 09:45
    Esse pessoal não vai sossegar nunca. O dólar já foi de R$1,54 para R$2,10, as tarifas de importação estão em dois dígitos (chegando a 35% em alguns casos, um nível soviético), as pessoas estão sendo praticamente despidas nos aeroportos (sob a acusação de estarem trazendo "muamba" que irá "prejudicar a indústria nacional" e seus produtos vagabundos), e ainda assim essa gente quer mais. Enquanto não estivermos comendo capim e acendendo fogueiras com cédulas de real, esses vagabundos não se darão por satisfeitos.

    Às vezes chego a pensar que essa turma da FIESP é mais nociva ao país do que sindicato de funcionários públicos. Funças querem tomar nosso dinheiro, mas pelo menos não se posicionam a favor da aniquilação do poder de compra da moeda. Já esses industrialistas querem porque querem fechar o país, nos proibir de comprar o que quisermos do exterior e ainda promover uma destruição forçada do poder de compra da nossa moeda. Estão se tornando um genuíno câncer para o nosso bem-estar, e devem passar a ser combatidos com igual fervor.
  • Davi  26/11/2012 10:01
    Perfeito, realmente os austriacos não tem rabo preso com ninguem, pode ser "capitalista" ou "proletariado", ambos serão criticados quando utilizarem da violência para "viver as custas dos outros".
  • cleber   26/11/2012 15:19
    Excelente o texto. E bem claro, e governo é o cancer de todos nossos males . parabéns
  • Maurício  27/11/2012 09:16
    Quando é que esse cara vai dar aula? Eu pagaria caro por um professor assim!
  • Marcelo  28/11/2012 17:32
    "Uma sociedade formada por uma minoria exportadora e rica e por uma maioria que não tem poder de compra já existe: a China."

    Obs: OK, mas isso é uma situação artificial na mesma medida que os EUA realmente "tem" o seu atual poder de compra, o que somente está sendo possível graças ao status de reserva de valor do dólar. Ou seja, livre para flutuar, o renminbi seria mais forte, beneficiando a maioria chinesa.


    "Como não poderia deixar de ser, o leitor citou o fantasma da "desindustrialização americana", um mito criado pela mídia."

    Se isso é um mito, então a que se referia o Peter Schiff nessa frase "Obama is pursuing, with unprecedented vigor, the same policies that have for decades undermined our industrial base and yoked us to an unsustainable consumer/credit driven economy..."? (www.lewrockwell.com/schiff/schiff57.1.html). Também em um de seus últimos livros ele diz "the loss of our industrial base".


    "É a moeda fraca que estimula o endividamento, e não a moeda forte."

    Não compreendi como a moeda fraca estimula o endividamento. A dívida americana foi construída em moeda forte. A do Reino Unido também (www.youtube.com/watch?v=8OMFv1bIeEY). O que estimula o endividamento, pelo que vejo, é o acesso fácil ao crédito combinado com políticas fiscais expansionistas, simplesmente.
  • Leandro  28/11/2012 18:40
    "OK, mas isso é uma situação artificial na mesma medida que os EUA realmente "tem" o seu atual poder de compra, o que somente está sendo possível graças ao status de reserva de valor do dólar. Ou seja, livre para flutuar, o renminbi seria mais forte, beneficiando a maioria chinesa."

    Não sei se o renminbi seria forte, pois é uma moeda inconversível e sem tradição. Pode ser, mas eu não apostaria. Quanto aos EUA e ao status de reserva de valor do dólar, ora, eu mesmo já disse isso em outros artigos.

    Desde o acordo de Bretton Woods, em 1944, o país foi agraciado com o privilégio de deter a moeda internacional de troca. O banco central americano imprime dólares e os manda para o exterior, e em troca os estrangeiros devolvem aos EUA produtos de todos os tipos. A coisa aparentemente vinha funcionando. Os dólares enviados ao exterior voltavam na forma de investimento em títulos do governo americano, e o ciclo se reiniciava -- algo que mais parecia um moto-perpétuo. Porém, veladamente, a base industrial americana foi perdendo importância. Claro: afinal, não fazia sentido o país produzir coisas se ele podia adquiri-las do exterior muito mais facilmente.

    O que nos leva ao seu próximo questionamento.


    "Se isso é um mito, então a que se referia o Peter Schiff nessa frase "Obama is pursuing, with unprecedented vigor, the same policies that have for decades undermined our industrial base and yoked us to an unsustainable consumer/credit driven economy..."? (www.lewrockwell.com/schiff/schiff57.1.html). Também em um de seus últimos livros ele diz "the loss of our industrial base"."

    O texto foi claro -- bom, eu pelo menos pensei ter sido -- ao dar ênfase na palavra produtividade. Em momento algum neguei que indústrias estão sendo fechadas nos EUA (acabei de reafirmar isso logo ali em cima). Mas isso não é desindustrialização. O fechamento de fábricas de máquinas de escrever foi desindustrialização? O fechamento de fábricas de carroças foi desindustrialização? O fechamento de fábricas de velas foi desindustrialização?

    Uma cidade tem 10 fábricas. Cinco fecham porque seus produtos estão obsoletos, pois os importados são melhores e mais baratos. Mas as cinco restantes se modernizam e aumentam sua produtividade. Houve desindustrialização? Você está com fetiche da instalação física; eu estou preocupado com produtividade e maior oferta de bens.

    Quanto à opinião do Schiff, ele está se referindo à mesma coisa que eu disse em outros artigos. O fechamento de indústrias nos EUA, além da questão do dólar ser a moeda internacional, teve também as seguintes causas: sindicatos agressivos que exigiam privilégios crescentes, aumento das regulamentações governamentais, carga tributária crescente, plantas e equipamentos envelhecidos, a cultura do bigger is better -- que gerava desperdício e não estimulava a conservação e a disciplina --, e um descaso para com a qualidade e o design de seus produtos -- que foi onde os japoneses fizeram a festa.

    Em momento algum -- e isso você omitiu --, Schiff fala que a culpa é dos chineses ou do câmbio deles.


    "Não compreendi como a moeda fraca estimula o endividamento. A dívida americana foi construída em moeda forte."

    Não procede. Em absoluto. Veja aqui o gráfico. Enquanto ainda estava sob resquícios do padrão-ouro, a dívida americana em relação ao PIB caiu. E acentuadamente. Depois que o país saiu totalmente do padrão-ouro, a coisa degringolou. Durante o governo Clinton, quando o dólar estava forte (pois os governos de vários países da América Latina (Brasil inclusive) e da Ásia utilizavam o dólar para combater sua inflação), voltou a cair. A partir de meados da década de 2000, com o dólar se enfraquecendo, ela disparou.

    Por que moeda fraca estimula endividamento? Simples. Moeda fraca é moeda inflacionada. Moeda inflacionada é ótima para pagar juros da dívida. O governo emite dívida hoje, inflaciona amanhã e paga sem problemas os juros a partir de depois de amanhã. Com moeda forte, pouco inflacionada, esse truque é bem mais difícil.


    "O que estimula o endividamento, pelo que vejo, é o acesso fácil ao crédito combinado com políticas fiscais expansionistas, simplesmente."

    Políticas fiscais expansionistas não se sustentam em um ambiente de moeda forte, não inflacionada. Os juros iriam às alturas, e o BC teria de imprimir para não deixar isso acontecer.
  • Marcelo  16/12/2012 19:17
    "Em momento algum -- e isso você omitiu --, Schiff fala que a culpa é dos chineses ou do câmbio deles."


    "De-pegging will force the hand of U.S. politicians toward pursuing realistic policies. The Chinese will come to their senses eventually because it is in their interest to do so. Meanwhile, the longer the peg is maintained, the more indebted we become, the more out of balance our economy grows, and the more our industrial base shrivels. In short, the longer they wait, the steeper our fall." ( www.lewrockwell.com/schiff/schiff59.1.html )

    Um país A, que passa anos praticamente apenas importando de B, tende a desvalorizar sua moeda nessa relação, dado que constantemente demanda a moeda de B. Numa relação comum entre moedas, esse efeito (valorização da moeda de B) seria contrabalançado, posteriormente, pelo movimento contrário - quando B viesse comprar produtos de A e demandasse a moeda de A.

    Mas isso é diferente na relação EUA-China. O segundo movimento - B comprando de A - não acontece; como sabemos, a China prefere acumular seus saldos na forma de títulos do governo americano. Então, seguindo a construção hipotética, se em vez de comprar produtos de A, B agora vende crédito para A (pois compra títulos da dívida de A - moeda de A, em outras palavras), que se endivida cada vez mais, até o dia em que os credores começam a duvidar que serão pagos. Quanto melhor for a reputação da economia de A, mais tempo, teoricamente, demora para este dia chegar. Daí que, no caso prático, manter a moeda artificialmente baixa na relação com uma economia do tamanho da norte-americana e com a reputação de ter a moeda internacional de troca, tende a formar o pior e mais durador dos cenários possíveis. Ter a moeda internacional de troca intensifica e agrava todos os efeitos que o Schiff descreveu.

    Se o país A estivesse se desindustrializando um pouco, devido ao efeito provocado por B (além do empurrãozinho da sua própria falta de competitividade, é claro), a relação com outros países, por outro lado, não seria afetada, e este país seria obrigado a manter os pés no chão. Mas os EUA sofrem com os efeitos nocivos do "privilégio" por diversas frentes, são muitos os países que fazem suas reservas em dólares. Assim, que, tendo sua moeda tal status e sendo uma economia tão grande, entendo que o cãmbio chinês é - repito, neste cenário peculiar - um combustível que intensifica e agrava os problemas dessa engrenagem insustentável. Contudo, eu não diria que a "culpa original" é dos chineses, porque, afinal, foram os EUA que aceitaram para o dólar o status absurdo de papel internacional de troca, e, como tu bem disse, o problema de competitividade é culpa do governo.



    A respeito da produtividade da economia americana, te sugiro este artigo:

    www.washingtonmonthly.com/magazine/january_february_2012/features/the_myth_of_american_productiv034576.php
    E aqui a entrevista do autor: www.c-spanvideo.org/program/303862-6

    Em linhas gerais, o autor, Michael Mandel, explica por que as estatísticas estão sendo mal feitas e não se pode confiar nelas. Há linhas de montagem sendo transferidas para o exterior mas aparecendo no cálculo de produtividade americano, ou seja, elas mostram uma redução no número de empregados combinada com um aumento do output - como se este fosse inteiramente americano. Produtos importados contabilizados como nacionais. O reflexo disso? Um déficit crescente na balança de pagamentos. É o que sugere o Schiff neste vídeo ( www.youtube.com/watch?v=3VyFWzc-cmg ), a partir de 20:55, ao comentar a respeito da estatística oficial - "I just don't buy it".


    Por último, e só para fins de precisão: são as políticas de enfraquecimento da moeda que estimulam o endividamento, não a moeda fraca em si.
  • Leandro  16/12/2012 21:51
    Quando li este trecho que você separou, achei bastante estranho, pois em nenhuma outra circunstância (e olha que eu o acompanho há muito tempo) havia visto o Schiff culpar a desindustrialização americana nos chineses. Isso ia de encontro a tudo que o Schiff já havia dito sobre o assunto. Mas aí cliquei no link e vi que você ignorou todo o resto:

    "While the peg certainly is responsible for much of the world's problems, its abandonment would cause severe hardship in the United States. In fact, for the U.S., de-pegging would cause the economic equivalent of cardiac arrest. Our economy is currently on life support provided by an endless flow of debt financing from China. These purchases are the means by which China maintains the relative value of its currency against the dollar. As the dollar comes under even more downward pressure, China's purchases must increase to keep the renminbi from rising. By maintaining the peg, China enables our politicians and citizens to continue spending more than they have and avoiding the hard choices necessary to restore our long-term economic health.

    Contrary to the conventional wisdom, when China drops the peg, the immediate benefits will flow to the Chinese, not to Americans. Yes, prices for Chinese goods will rise in the United States — but so will prices for domestic goods. As a corollary, the Chinese will see falling prices across the board. As anyone who has ever been shopping can explain, low prices are a good thing.

    In addition, credit will expand in China while it contracts here. When China abandons the peg, it will no longer need to swell its currency reserves by buying Treasuries or other dollar-denominated debt instruments. Other nations will no longer feel the pressure to keep their currencies from rising, so they too could throttle down on their onerous dollar purchases."

    Ou seja, é um contexto bem diferente daquele que você quis dar a entender. Ademais, esse artigo é de 2009. A partir de 2011 ele mudou sua retórica, e passou a fazer uma crítica muito mais realista: em vez de falar que "a China manipula sua moeda" (algo em que ele costumava insistir) passou a dizer, muito mais corretamente, que "A China adotou uma âncora ruim, o dólar".

    "Um país A, que passa anos praticamente apenas importando de B, tende a desvalorizar sua moeda nessa relação, dado que constantemente demanda a moeda de B."

    Não procede. Isso já foi explicado inúmeras vezes neste site: o que determina taxa de câmbio no longo prazo é a paridade do poder de compra das moedas. Para que houvesse uma alteração substancial entre a taxa de câmbio destes dois países, a importações teriam de acelerar anualmente. Apenas assim haveria uma alteração na demanda por moeda estrangeira. Se a balança comercial apenas se mantivesse deficitárias, mas num nível constante, não haveria motivo algum para a desvalorização da moeda de A em relação a B. O Canadá e a Suíça possuem uma balança comercial deficitária em relação ao Brasil. Pela sua lógica, era para o dólar canadense e o franco suíço estarem de graça em relação ao real. E não é isso que acontece.

    Quanto à relação cambial entre China e EUA, o que você ainda não conseguiu entender é que o Banco Central chinês funciona como se fosse um Currency Board, sistema em que o câmbio é estritamente fixo. Hong Kong também adota o mesmíssimo sistema, assim como várias países do Leste Europeu em relação ao euro. Criticar o sistema monetário chinês, mas não falar nada do de Hong Kong, ou do destes países do Leste Europeu não faz nenhum sentido. Por isso falei acima sobre o Schiff ter melhorado ao dizer que "A China adotou uma âncora ruim, o dólar" em vez de dizer que "A China manipula sua moeda". Currency Board não é manipulação de moeda. É substituição de moeda nacional por uma moeda estrangeira.

    Quanto a estatísticas sobre produtividade americana, cada um grite o que quiser. Mas é necessário respeitar a soberania do indivíduo. Se os americanos voluntariamente preferem comprar de fora a produzir em casa (porque é mais barato, por todos os motivos tributários, burocráticos e regulamentais que elenquei acima, e que não podem ser ignorados em nenhuma conversa sobre "desindustrialização"), então é porque creem que isso é melhor para eles. É arrogância alguém que está de fora dizer que sabe o que é melhor para 300 milhões de indivíduos.

    "são as políticas de enfraquecimento da moeda que estimulam o endividamento, não a moeda fraca em si."

    Não veja diferença, mas isso não vem ao caso. Você havia dito (em seu email que gerou este artigo) que moeda forte é o que estimula o endividamento. Não é. Vejo que ao menos mudou de ideia quanto a isso.

    Abraços!
  • Marcelo Torres  21/08/2013 10:16
    Há planos para um artigo explicando o atual momento do real?
  • Leandro  21/08/2013 10:34
    Amanhã.
  • Vitor Xavier  03/02/2014 23:54
    Leandro, gostaria de saber como ficaria a situação de pagamento da dívida pública.
  • Leandro  04/02/2014 01:30
    Sugere-se esta reforma bancária, a qual resolveria também a questão da dívida pública:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1553
  • Rafael  13/02/2014 21:58
    Supondo que a população do Brasil possua 300 reais sob sua posse, e 1 dólar = 3 reais. Então a população do Brasil possui 100 dólares disponíveis para compras internacionais (desconsiderando os impostos e outros empecilhos). Agora, suponhamos que a população do Reino Unido possua 10 libras sob sua posse, e 1 dólar = 0,2 libras. Então a população do Reino Unido possui 50 dólares disponíveis para compras internacionais.
    Sendo assim, mesmo com Reino Unido possuindo uma moeda mais valorizada, é a população brasileira que possui maior poder de compra internacional? Como mensurar a quantidade de dólares que podem ser extraídos de um país? Dividindo o agregado monetário M1 ( ou algum outro ) pela taxa de cambio? Ou o valor das reservas internacionais já é o máximo que poderá ser extraído (mesmo se a quantidade conversível de dinheiro dividida pela taxa de câmbio ultrapassar o valor das reservas)?
    Os efeitos em uma economia da valorização e desvalorização cambial de uma moeda dependem diretamente das taxas em que a respectiva moeda está sendo "criada" ou "destruída"? Se existirem 10 reais e 1 real = 0,5 dólar, o Brasil possui 5 dólares. Se 7 reais forem "destruídos", passam a existir 3 reais e sendo agora 1 real = 1 dólar, o câmbio foi valorizado mas Brasil possui agora apenas 3 dólares. Assim, não acredito que a valorização do real foi vantajosa. Por outro lado, se 90 reais forem criados, passam a existir 100 reais e sendo agora 1 real = 0,2 dólares, o câmbio foi desvalorizado mas o Brasil possui agora 20 dólares. Assim, não acredito que a desvalorização do real foi desvantajosa.
  • Ricardo  13/02/2014 22:34
    Meu, é cada figura exótica que despenca aqui...
  • Carlos Roberto  13/02/2014 22:49
    Cara, que exemplos mais estranhos são esses?

    Pra começo de conversa, quando dizemos que o dólar vale, por exemplo, R$2, não quer dizer que existe uma máquina que come reais e cospe dólares. Ter R$100 não significa que o Brasil teria U$50. Significa apenas que naquele momento o brasil inteiro teria R$100, e que as pessoas detentoras de dólares estariam dispostas a vender os mesmos a R$2 cada. Ou seja, talvez existam apenas 20 dólares em mãos de bancos/pessoas/casas de câmbio etc... Mas a oferta-demanda achou lugar comum no preço de R$2 para cada U$1. Se a oferta fica escassa, o preço sobe, se a demanda diminui, o preço cai.

    Não é destruindo dinheiro que se "combate" as taxas de câmbio (se é que taxas de câmbio tem que ser combatidas), e nem a inflação. O erro do povo é achar que dinheiro é sinônimo de riqueza. Dinheiro é uma mercadoria, cujo propósito é a troca. Você não come dinheiro, nem veste dinheiro, nem mora em uma casa de dinheiro.
  • Rafael  14/02/2014 00:08
    Agora estou sem idéias... Meu professor de macroeconomia passou um trabalho extra em que os alunos deveriam acessar o site IMB, ler os artigos e confrontar os ensinamentos da escola austríaca de forma que os economistas do site ficassem sem argumento levando assim à desmoralização do IMB. Segundo o meu professor o site de vocês é uma afronta a ordem econômica vigente, e os ensinamentos da escola austríaca caso sejam trazidos à realidade promoverão uma redução das possíveis funções de um economista.



  • Desafiado e desmoralizado  14/02/2014 00:18
    Legal. Boa sorte.

    Até hoje, o "maior desafio" já postado aqui não foi na área econômica, mas sim na filosófica. O desafio foi: em uma sociedade sem estado, quem iria proteger a população caso os dinossauros ressuscitassem?
  • anônimo  14/02/2014 01:23
    Hehehe... O Rafael pode fazer algo nessas linhas, tem o caso da invasão alienígena também. Já pensou se o filme Independece Day vira realidade e a gente não tem o Will Smith pra salvar o dia?
  • anônimo  14/02/2014 09:41
    Como é mesmo que se privatiza a camada de ozônio?
  • Rothbardsaur  14/02/2014 01:20
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1784
  • Felipe  14/02/2014 14:01
    Caro Rafael, poderia por gentileza nos deixar informados sobre os argumentos dos seus colegas de classe?

    Paul Krugman chegou a invocar a possibilidade de uma guerra intergalática para defender os gastos governamentais.
  • Pobre Paulista  15/02/2014 13:07
    Felipe, Fabiana e outros.

    Seguem algumas sugestões para o trabalho de vocês:

    * Numa sociedade sem estado, como um pequeno grupo de pessoas poderia extorquir dinheiro da população sem exigir nada em troca?

    * Numa sociedade onde o dinheiro é livre, como um grupo de pessoas poderia falsificar dinheiro para poder comprar coisas sem oferecer nada em troca?

    * Numa economia planejada, o que fazer se alguém que não é um planejador que têm uma boa ideia de produto e começa a lucrar com ele?

    Outra coisa, caso seja de interesse, vocês também podem fazer o contrário: Enviar uma lista de perguntas para seu professor marxista responder. Neste link existe uma série interessante. Caso ele consiga responder todas essas perguntas consistentemente, vocês poderão ter certeza que seu professor possui sólidos fundamentos econômicos. Caso contrário, recomendo que vocês simplesmente comprem seus diplomas, será mais barato, vocês perderão menos tempo da vida de vocês e no final das contas saberão o mesmo tanto.
  • Felipe  15/02/2014 15:16
    O trabalho é para o Rafael não para mim. oO
  • F A Hayek  15/02/2014 17:10
    "Segundo o meu professor o site de vocês é uma afronta a ordem econômica vigente, e os ensinamentos da escola austríaca caso sejam trazidos à realidade promoverão uma redução das possíveis funções de um economista."

    Quanto a isso nao tenha duvidas. Talvez este seja a motivacao por tras do trabalho: seu prof. tem medo de perder o emprego.
  • Felipe  15/02/2014 02:36
    Rafael, suas contas estão completamente erradas! Seja UM a unidade monetária, simplesmente manipular sua quantia não tem qualquer efeito sobre o poder de compra. Se você diminuir a quantia de UM ela vai se valorizar, se você expandir, ela vai se desvalorizar.

    Durante toda sua mágica manipulação monetária, o poder de compra total da população continuou o mesmo, seja com 10 reais, 5 reais ou 3 reais, o que mudou foi apenas seu valor em relação ao dólar.

    10UM => 1RS = 0,5USS = 10*0,5 = 5USS
    5UM => 1RS = 1USS = 5*1 = 5USS
    3UM => 1RS = 1,66USS 3*1,66 = 5USS

    Quando falo que não ensinam matemática direito na escola, falam que eu exagero.

    Seja um pouco mais humilde da próxima vez, não ache que um simples primeiro anista de uma federal qualquer é o supra sumo da ciência econômica só porque ouviu duas ou três frases de efeito de um professor marxista.

    Se não for um troll e estiver realmente interessado na genuína ciência econômica, seja bem vindo.
  • Fabiana  14/02/2014 00:48
    O meu colega foi extremamente incompetente em cumprir a proposta fornecida pelo professor. Mas, comigo, o socialismo tá na alma. Vocês capitalistas ensinam as crianças a comprarem Barbie, essas coisas que não servem para nada. Quando crescem, ficam vulgares. O segredo é a educação, temos que implementar a revolução cultural socialista nas escolas infantis. As crianças tem que parar de beber coca cola, pepsi, fanta e comer hambúrgueres de multi nacionais gordurosas. O CAPITALISMO AJUDA AS MULTI NACIONAIS FABRICANTES DE PRODUTOS GORDUROSOS. E AI? COMO A ESCOLA AUSTRÍACA PODE-SE DIZER BENÉFICA PARA O POVO? A Shania Twain lançou a musica de protesto mais bem fundamentada da história. Vamos dançar contra o capitalismo:

    www.youtube.com/watch?v=iEe3hBXZEyI
  • Ronaldo Quinto  14/02/2014 12:45
    Vcs socialistas adoram o Youtube, né mesmo?!? kkk
  • Felipe  14/02/2014 13:53
    IMB, vocês são muito maldosos em permitir um comentário desses. Poderiam evitar tornar a ignorância e imbecilidade da moça uma coisa pública, hehe...
  • anônimo  14/02/2014 17:22
    Mas são vocês socialistas que criaram o modelo educacional brasileiro. Por décadas, antes de sua revolução comunista-gramscista, meninas brincaram de Barbie e se tornaram boas mães, boas profissionais, boas artistas etc. São vocês que consideram o baile funk, esta putaria louca, uma expressão cultural. Vocês é que defendem a pederastia e a pedofilia. Vocês é que são a favor do infanticídio. Vocês é que são a favor do próprio homicídio e dos homicidas - aliás, genocidas também - e todo tipo de criminosos. São vocês a escoria da humanidade.
  • anônimo  14/02/2014 18:26
    Ahahaha....

    Socialistas/Comunistas são contra dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles, num pão com gergelim.

    Capitalistas são contra ditadores sanguinários e genocidas.

    Escolham seu lado.
  • Lopes  14/02/2014 18:55
    Esta história de todos são mentecaptos menos eu não devia sair da universidade. É uma esdrúxula exposição de presunção ao conhecimento que beira ao absurdo.

    Por que você compra qualquer coisa?

    Por que você acha que os outros compram coisas?

    Por que você presume a irracionalidade de outros?

    Você os impediria de comprar aquilo que você considera estúpido? (Ou seja, usaria de violência?)


    E sabe qual é o pior? Esta afirmação sobre o retardo mental dos outros nem é falsificável ou fornece direito de refutação ao acusado (já que ele convenientemente nunca está no grupinho de amigos de que maneira irracional repete o refrão). Paralelamente, eu poderia afirmar que a razão pela qual os outros consomem qualquer coisa é por influência da telepatia dos astecas marcianos. E sobre a parte da música em que ocorre a menção do uso do crédito para 'farrear', saiba que a metodologia austríaca que é empregada neste site é a maior crítica disto no mundo econômico.

    É uma jornada de humildade reconhecer que outros indivíduos são tão capazes quanto nós de decidir o que gostam, o que querem e o que fazer com seu dinheiro. Moldáveis sempre são os outros, nunca somos nós. Se uma criança vai até nós e diz que somos alienados(Um eufemismo de mentecapto) por passarmos o dia inteiro fazendo algo que não lhe é entendido ou apreciado, nós simplesmente dizemos que ele é um moleque arrogante e que irá crescer um dia. Se um intelectual o diz, resta-nos sentar e aplaudir; por algum motivo ele nos conhece melhor que nós (apesar de sempre falar de uma criatura abstrata incapaz de pensar ou ter vontades, para a alegria da tríplice acadêmica dos iluminados, desvalidos e desalmados).

    Sugiro o livro 'A Mentalidade Anti-Capitalista' de Ludwig von Mises.
  • anônimo  15/02/2014 09:22
    Dona, vc não sabe nem do que ta falando.Se tem uma escola econômica que é contra ao consumismo e aconselha a poupança é a escola austríaca
  • anônimo  15/02/2014 09:46
    Essa patricinha aí faz musiquinha contra o que ELA ACHA que é capitalismo, depois vai pra mansão dela que só existe por causa do capitalismo
    ESQUERDA CAVIAR.
  • Maycon  10/07/2014 14:55
    Prezada Fabiana,

    Uma pessoa só ama o comunismo quando vive em solo capitalista, gozando da liberdade e conforto que ele oferece. Portanto, se você é socialista de coração, mude-se pra Cuba ou Korea do Norte e viva intensamente este ideal.


    Abraço
  • Eduardo  14/02/2014 11:55
    Não Ditadora Fabiana, o capitalismo não ensina as pessoas a comprarem nada, nem Barbie nem comida gordurosa.

    O capitalismo ensina liberdade para as pessoas, para que elas, e tão somente elas (e não o estado ou um ditador) façam suas escolhas.

    São as pessoas que escolhem comprar Barbie, são as pessoas que escolhem comer comidas gordurosas, e o fazem porque gostam.

    Se alguém que compra Barbie acaba virando pessoa vulgar, é um problema dela e sua educação (que vem de casa), e não da Barbie ou da fabricante da Barbie.

    Não consigo entender é como alguém julga correto querer mandar e decidir as coisas pelas outras pessoas, quem dá a eles este direito?

    E como já disse outro colega do site: O pior é que isso ai vota!

    "O CAPITALISMO AJUDA AS MULTI NACIONAIS FABRICANTES DE PRODUTOS GORDUROSOS. E AI? COMO A ESCOLA AUSTRÍACA PODE-SE DIZER BENÉFICA PARA O POVO?"

    Caixa alta não faz sua afirmação estapafúrdia se tornar algo melhor, muito pelo contrário.

    O capitalismo não ajuda multinacionais fabricante de produtos gordurosos, quem ajuda é quem compra os produtos deles. E quem compra é porque gosta. E eu não me sinto no direito de dizer pra ele que ele está proibido de comer o que ele gosta, posso, no máximo, instruí-lo. A escolha é dele, não minha (ou do estado, do ditador, ou sua).

    A EA ensina/explica economia, não como fazer produtos gordurosos. Não entendi a ligação.




  • Professor Agnaldo  14/02/2014 19:40
    Não sei como resolver essa situação pois não era para de forma alguma meus alunos citarem o real motivo dos questionamentos. Cancelei o trabalho. Peço que vocês do IMB apaguem todos os comentários do Rafael e da Fabiana. E adverto-os: fiquem espertos, preservem os ganhos salariais da nossa classe. Nós economistas precisamos de um estado forte e um mercado bastante regulamentado para conseguirmos auferir grandes somas. Vocês são ingênuos, o livre mercado é muito menos propício ao trabalho de nós economistas.
    Tudo é uma questão de receber bem no final do mês. Infelizmente a melhor coisa que consegui com meu curso foi ser professor substitutivo numa universidade. Eu sei que o livre mercado é mais favorável a geração de riquezas, mas entendam: fazer parte de uma casta favorecida é uma benção!!!
    Não divulguem esse comentário e reformulem o site IMB. Quando eu leio IMB me dá vontade de chorar. Devemos fazer todos acreditar nos benefícios do mercado regulamentado e assim, acreditarão que nós economistas devemos ganhar muito bem.
  • anônimo  15/02/2014 00:38
    Ludistas, ludistas em todos os cantos!
  • anônimo  15/02/2014 10:04
    O Rei está nu! haha
    Cara...se isso não for fake, pense no que está fazendo, você quer que os outros sejam FORÇADOS a sustentar uma categoria da qual você faz parte. Pense nisso quando você estiver bem velhinho, perto de morrer e se lembre: esse é seu karma.
  • Henrique  20/05/2014 13:46
    Portugal e Espanha sempre possuíram moedas fracas (o escudo e a peseta, respectivamente). A entrada no euro repentinamente lhes trouxe um poder de compra maior que o do franco suíço.

    Então fui enganado todo esse tempo por artigos e professores dizendo que o Euro foi a causa da crise nos PIIGS?

    Mas esse artigo me deixou curioso: como a população japonesa pode ter uma qualidade de vida tão boa ou melhor que a europeia se o Yene é tão desvalorizado?
  • Leandro  20/05/2014 14:05
    Sobre a moeda do Japão, respondi isso pra você ainda ontem:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1601&comments=true#ac87891

    A moeda do Japão é forte; sua cédulas possuem um alto valor nominal (o que passa a errônea impressão de que é desvalorizada) por causa de uma forte inflação ocorrida na Segunda Guerra Mundial. A moeda do Chile apresenta a mesma característica, pois vivenciou uma hiperinflação na década de 1970. Ambas não foram trocadas desde então, ao contrário da moeda brasileira.
  • Henrique  26/06/2014 13:56
    Leandro, cá estou novamente lendo esse artigo (de uma forma ou de outra sempre acado sendo redirecionado para artigos que já li anteriormente ao ler a seções de comentários).

    Sobre este ponto:

    "Em outras palavras: se o Banco Central brasileiro interrompesse a expansão do crédito no país, que hoje apresenta um crescimento em torno de 18% ao ano, a economia entraria em profunda recessão."

    Gostaria de entender melhor esse processo. Segue minha "análise", gostaria que você (ou alguém) me corrigisse caso eu esteja falando alguma besteira:

    Entendo que congelando o M1 de imediato provocaria uma disparada nos juros em decorrência da escassez monetária, o que desestimularia a atividade econômica, uma vez que as pessoas tenderão a poupar seu dinheiro... (>>>> recessão <<<<)

    Entretanto, obviamente que com o M1 congelado, os juros galopantes seriam impagáveis, isso leva os juros a adquirirem valores mais brandos (provavelmente, até menores que os valores atuais). Com juros menores, o "entesouramento" de dinheiro acaba e o dinheiro passa a fluir pela economia, iniciando a recuperação da economia.

    O tempo de duração dessa fase de ajuste é diretamente proporcional ao esforço do governo em combatê-lo (keynesianos gonna keynesiar).

    ---

    Agora fica uma dúvida:

    Nesse meio tempo, supondo que os juros batam na casa dos 60% (um chute sem nenhuma pretensão de acuracidade), o que acontece com os (poucos) contratos fechados nesse período? Eles terão obrigatoriamente que ser cumpridos? Obviamente seria burrice pegar um empréstimo nessas condições, mas haveria os que certamente o fariam por falta de conhecimento econômico...

    Certamente, que se o cenário em questão se desse no Brasil, o governo daria um jeito de permitir que essas pessoas dessem o calote, afinal, os pobres coitados foram "ludibriados pelo mercado".

    ---

    Tentando relacionar esse assunto com o nosso maravilhoso sistema bancário, como se daria a relação das reservas fracionárias com um M1 fixo? É possível que ambos coexistam?

    ---

    Por último, mas não menos importante, gostaria de salientar a grande epifania que está sendo a descoberta da Escola Austríaca. Quanto mais eu leio e aprendo, mais convencido estou de que de fato vivemos na Matrix. Por sorte (ou não), escolhi a pílula vermelha.

    Acho que ainda é cedo pra dizer se é sério ou só fogo de palha, mas estou até cogitando mudar o rumo da minha carreira (que está só começando) da engenharia/TI para a economia. Não sei estaria um passo maior que a perna, afinal, tudo o que aprendi na faculdade foi a economia ceteris paribus e algumas noções de análise de investimentos...
  • Racional Total  26/06/2014 16:40
    Acho que ainda é cedo pra dizer se é sério ou só fogo de palha, mas estou até cogitando mudar o rumo da minha carreira (que está só começando) da engenharia/TI para a economia.

    Não faça isso em hipótese alguma!
  • Leandro  27/06/2014 13:34
    "Em outras palavras: se o Banco Central brasileiro interrompesse a expansão do crédito no país, que hoje apresenta um crescimento em torno de 18% ao ano, a economia entraria em profunda recessão."

    Gostaria de entender melhor esse processo.


    Um aumento da quantidade de dinheiro na economia, gerado pela criação de crédito bancário, aumenta a demanda por consumo, por mão-de-obra e estimula investimentos. Ele faz com que, no primeiro momento, haja uma grande sensação de prosperidade. A renda nominal aumenta, os investimentos aumentam, o consumo aumenta e o desemprego cai.

    Consequentemente, a expansão do crédito faz aumentar a demanda por mão-de-obra em todos os setores da economia, desde indústria e construção civil até os setores de serviço, varejista e comércio em geral. Todos passam a requerer mais mão-de-obra e mais recursos por causa do aumento generalizado da demanda gerada pela expansão do crédito.

    Essa disputa por mão-de-obra e por recursos leva ao encarecimento de ambos. E isso estimula os números do PIB, do emprego, da renda e da inflação de preços.

    Mas, para se manter esta taxa de "crescimento econômico", é necessário que a expansão do crédito ocorra a uma taxa crescente. Somente um aumento contínuo do crédito, ou seja, somente uma aceleração do crédito permite que os empreendedores de todos os setores mantenham ou aumentem sua força de trabalho e mantenham ou aumentem seus estoques e suas aquisições de bens de capital a serem utilizados em novos investimentos.

    Somente uma expansão crescente do crédito permite aos empreendedores continuarem adquirindo mão-de-obra, bens de capital e acumulando estoques, uma vez que esta mesma mão-de-obra e estes mesmos bens de capital estão sendo demandados por todos os setores da economia, justamente em decorrência do aquecimento gerado pela expansão do crédito.

    Isso gera uma queda no desemprego e um aumento nos preços e nos salários, o que leva à necessidade de expandir ainda mais rapidamente o crédito para que seja possível manter este ciclo. Com o tempo, obviamente, toda esta expansão do crédito irá levar tanto a um aumento do endividamento quanto a um acentuado aumento nos preços, o que fará com que o Banco Central suba os juros para "esfriar" essa atividade econômica. Caso a expansão do crédito seja reduzida — e vale dizer que não é necessário que haja contração do crédito; basta apenas que ele passe a crescer a taxas menores —, todo este arranjo "virtuoso" (na realidade, totalmente artificial) se arrefece.

    Essa é a explicação realista. Qualquer outra que envolva congelamento de M1 ou coisas semelhantes envolve um cenário totalmente irrealista e que jamais será adotado. Sendo assim, não perca muito tempo com tais elucubrações.

    "Nesse meio tempo, supondo que os juros batam na casa dos 60% (um chute sem nenhuma pretensão de acuracidade), o que acontece com os (poucos) contratos fechados nesse período? Eles terão obrigatoriamente que ser cumpridos?"

    Contratos podem ser renegociados, desde que haja consenso entre as partes envolvidas. Não há nada de errado nisso. Aliás, isso ocorreu no Brasil em 2003, quando a SELIC foi de 18 para 26,5% e a economia entrou em recessão no primeiro semestre. Vários empresários que estavam com estoques caros e sem conseguir vendê-los tiveram de renegociar seus contratos com seus fornecedores. A vida seguiu.

    "Tentando relacionar esse assunto com o nosso maravilhoso sistema bancário, como se daria a relação das reservas fracionárias com um M1 fixo? É possível que ambos coexistam?"

    M1 fixo (bem como M2, M3 e M4 também fixos) significa que os bancos não estão criando dinheiro, o que, por sua vez, significa que, deste ponto em diante, a prática de reservas fracionárias está abolida.
  • Filos  29/06/2014 20:15
    Parabéns Leandro, como sempre muito bem didatico.
  • Henrique  02/07/2014 13:20
    Grato, Leandro.

    Como sempre, muito didático e paciente com os leigos como eu.

    Saudações.
  • Ali Baba  27/06/2014 10:59
    @Racional Total 26/06/2014 16:40:14

    "Acho que ainda é cedo pra dizer se é sério ou só fogo de palha, mas estou até cogitando mudar o rumo da minha carreira (que está só começando) da engenharia/TI para a economia."

    Não faça isso em hipótese alguma!


    +1

    A economia que você aprenderá nada tem a ver com a economia de verdade. Não faça isso!
  • Henrique  27/06/2014 15:02
    Tenho ciência disso, Ali Baba... Infelizmente, no mundo keynesiano em que vivemos, não escaparei dos agregados monetários e do estímulo à demanda agregada. Entretanto, com o conhecimento proporcionado pela escola austríaca, creio eu que teria certa vantagem em identificar as ciladas do mercado financeiro antes do mainstream...
  • Ali Baba  27/06/2014 15:41
    @Henrique 27/06/2014 15:02:24

    Tenho ciência disso, Ali Baba... Infelizmente, no mundo keynesiano em que vivemos, não escaparei dos agregados monetários e do estímulo à demanda agregada. Entretanto, com o conhecimento proporcionado pela escola austríaca, creio eu que teria certa vantagem em identificar as ciladas do mercado financeiro antes do mainstream...

    Pode ser. Mas também pode ser que você seja seduzido pelo lado negro da força.
  • Henrique  27/06/2014 22:16
    Duvido muito, já escolhi a pílula vermelha... Agora não tem volta mais...
  • Maycon  10/07/2014 14:39
    Prezado Leandro, comentando seu último parágrafo...

    "Como disse Jesús Huerta de Soto, uma moeda forte coíbe e limita as decisões arbitrárias de políticos e burocratas. Ela disciplina o comportamento de todos os agentes que participam do processo democrático. Ela promove hábitos morais de comportamento humano. Em suma, ela restringe as mentiras e a demagogia, e facilita e amplia a transparência e a verdade nas relações sociais. Nem mais e nem menos.

    Por que não querer isso?"


    Este fato não é apenas um acidente de percurso, ou um simples desvario dessa manada de economistas que defendem a desvalorização da moeda.... Todas estas gerações Keynesianas que estão sendo formadas, são apenas geradas para servirem ao estado totalitário, mesmo que de forma inconsciente. O pensamento de Keynes é completamente invertido, assim como é toda a mentalidade revolucionária. Eles subverteram a realidade histórica, e assim o fazem em todos os âmbitos que a realidade abarca.

    Logo, a meu ver, a linha keynesiana de economia, foi concebida unicamente para servir como ferramenta na subversão dos conceitos clássicos da economia, invertendo seus valores de forma a contribuir para o estabelecimento do comunismo no mundo.

    Portanto, não é apenas um acidente de percurso, ou apenas um desvario por parte deles esta inversão de suas interpretações, mas é algo completamente normal na mentalidade que eles adotaram por ideologia. Não é a toa que a linha de Keynes conspira contra a liberdade humana, ao mesmo tempo que transfere ao Estado todo o poder.


    Ótimo artigo Leandro! Deus te abençoe.
  • Maycon  11/07/2014 12:26
    Ótimo texto! Valeu pela dica!
  • Jailton Filho  24/10/2014 15:51
    Queria poder mostrar meus aplausos. foi muito esclarecedor. obrigado pela dedicação no texto, muito instrutivo.
    No decorrer fui percebendo que minha mente estava contaminada com certas idéias que foram totalmente destruídas de forma simples e racional.

    abraço, continua nessa que esse povo tem que acordar.
  • Yonatan Mozzini  31/12/2014 02:31
    Leandro e equipe IMB, parabéns pelo artigo!

    Já que estou aqui, e como é meu costume, apenas gostaria de compartilhar um resumo de uma postagem minha num grupo de economia do face, sobre as vantagens e desvantagens de uma moeda forte.

    Vantagens de uma moeda forte:

    • Sendo a moeda não apenas um mero meio de trocas, ela também é um bem. Ser detentor de uma moeda forte é ser detentor um bem caro e apreciado;
    • Facilita o direto acesso ao consumo, que é o objetivo primário da economia;
    • Permite um poder de compra maior de bens estrangeiros em relação aos bens domésticos, tanto em quantidade como, provavelmente, em variedade;
    • Fornece maior segurança aos especuladores e investidores;
    • Promove baixa inflação, o que propicia um ambiente estável e mais previsível a investimentos de longo prazo;
    • Por estar ligada à baixa inflação, promove diminuição da desigualdade de renda;
    • Incentiva maior especialização de produção, encarecendo bens exportáveis e barateando bens importáveis, o que irá proporcionar maiores vantagens comparativas;
    • Permite maior concorrência em determinados bens, e ao mesmo tempo, promove maior cooperação entre os países, visto que o volume de transações internacionais tende a elevar-se devido à especialização;
    • Permite que atividades econômicas obsoletas e ineficientes desapareçam e deem lugar a bens com mais apurada demanda;
    • Incentiva governos a equilibrarem o orçamento, controlando seus gastos e limitando sua expansão;
    • Incentiva maior liberdade no mercado de trabalho e, consequentemente, alocação mais rápida deste recurso escasso;
    • Promove maior austeridade monetária, limitando o surgimento e a duração de políticas públicas geradoras de bolhas, ciclos econômicos e flutuações econômicas, em geral.
    • Diminui o poder de barganha de cartéis e de agentes econômicos oligopolistas (como ruralistas, industriais, sindicatos e lobistas e exportadores em geral), promovendo, deste modo, maior poder de barganha e bem-estar ao consumidor.

    Desvantagens de uma moeda forte:
    • Desconheço.
  • Leandro  31/12/2014 13:04
    Perfeito, Yonatan. Como já dizia Mises, ter uma moeda forte, respeitada e com poder de compra (como o real entre julho de 1994 a dezembro de 1998) deveria ser um direito assegurado pela constituição.

    Aqui no Brasil, o mais apavorante é que os iluminados que estão no governo são explícitos ao dizerem que estão trabalhando para desvalorizar o real, encarecer as importações e, com isso, ajudar os barões do setor exportador e da FIESP. Ao que tudo indica, esses burocratas nem sequer cogitam a hipótese de que esses grandes barões preferem deixar seus dólares no exterior, coletando os rendimentos de lá (vide, por exemplo, a disparada do Dow Jones), em vez de trazer esses dólares pra cá e convertê-los em uma moeda que já virou lixo.

    A população está sendo sacrificada e vendo seu poder de compra ir para o lixo apenas para que essa gente continue especulando (e ganhando muito dinheiro) no Dow Jones.

    Em minha humilde opinião, ter uma moeda forte deveria ser o objetivo mais premente de qualquer governo, muito acima do tal "combate à corrupção". Aliás, moeda forte é ainda mais importante do que uma eventual desregulamentação da economia. De nada adianta ter uma economia desregulamentada se a moeda utilizada não vale nada. Você acaba igual à Somália.
  • Sydney  31/12/2014 14:52
    E qual é a forma mais eficiente de valorizar uma moeda fiduciária? Despejar as reservas internacionais no mercado de câmbio e elevar a taxa básica de juros? É teoricamente possível valorizar uma moeda fiduciária sem limites virtuais para isto? Assim como é possível fazer maxidesvalorizações, é possível fazer maxivalorizações? Por exemplo, fazer 1 dólar valer apenas 0,01 centavo de real.

    Sabemos que a melhor opção monetária é a adoção de uma moeda-commodity, mas isso só poderá ocorrer quando e se o sistema bancário de reservas fracionárias entrar em colapso. Talvez este dia nunca chegue, visto que os Banco Centrais tem o poder de criar dinheiro do nada e socorrer qualquer banco que esteja na iminência de falir.

  • Leandro  31/12/2014 16:01
    Currency Board. Esse arranjo garante conversibilidade imediata a qualquer moeda.

    Outra opção seria copiar o Banco Central de Cingapura, que desde 1981 já percebeu que o arranjo de determinar juros era uma furada, e passou a ter como única meta apreciar continuamente o dólar de Cingapura em relação às principais moedas do mundo. Resultado: de 1981 a 2002 (escolhi essa data porque foi quando o marco alemão deixou de existir), o dólar de Cingapura foi a moeda que menos se desvalorizou no mundo.

    Esse arranjo seria ainda melhor que um Currency Board, mas só funciona se o país tiver uma mão-de-obra produtiva e criadora de produtos de qualidade e demandados pelo mundo inteiro.
  • Yonatan Mozzini  04/01/2015 00:38
    "Em minha humilde opinião, ter uma moeda forte deveria ser o objetivo mais premente de qualquer governo, muito acima do tal "combate à corrupção". Aliás, moeda forte é ainda mais importante do que uma eventual desregulamentação da economia. De nada adianta ter uma economia desregulamentada se a moeda utilizada não vale nada. Você acaba igual à Somália."

    Concordo plenamente, Leandro.

    Por curiosidade, eu fui investigar como está o Equador, país vizinho nosso que resolveu banir de vez a moeda (ultradesvalorizada) nacional — o sucre — e adotar diretamente o dólar americano. Os resultados são impressionantes em todos os setores da economia. O poder de compra deles agora é constantemente preservado na moeda das transações mundiais. Caso o dólar se valorize — como é a tendência conjuntural —, o poder de compra deles também aumentará; não há chances de entrar um doido no ministério da economia e banco central dizendo: "precisamos depreciar nossa moeda para aumentar a competitividade da indústria".
    A propósito, a indústria tem obtido um salto incrível de produtividade. O PIB per capita ppc do país aumentou cerca 50% em 14 anos. A taxa de juros caiu pra um dígito. A taxa de inflação é invejável ao Brasil. Os salários subiram de pouco mais de 100 dólares quando da adoção do dólar pra mais de 470 dólares no período (dado que o PIB aumentou bem menos que isso, isso sugere que houve redução da desigualdade econômica). A dívida pública reduziu de 80 para 20% do PIB. A balança comercial e a conta corrente têm estado ora superavitárias, ora deficitárias; numa média, eu diria levemente deficitária a balança comercial e levemente superavitária a conta corrente (que inclui balança comercial e de serviços). Mas de qualquer modo, isso indica que os equatorianos estão consumindo bens estrangeiros em quantidade muito maior, e adquirindo mais capital para suas indústrias. A taxa de desemprego vem decaindo ao longo dos anos, ficando em apenas um dígito nos últimos seis anos (ano passado foi a menor taxa, 5%)

    No entanto, o governo deles parece ser altamente intervencionista. No índice de liberdade econômica da Heritage, eles estão no grupo das economias "reprimidas", o grupo mais inferior da lista. Não é a toa que o fluxo de capitais para lá ainda é bem baixo; caso houvesse maior liberdade de investimentos, o fluxo seria muito maior. Os direitos de propriedade lá ainda são muito baixos (bem piores que no Brasil), e o governo ainda é altamente corrupto (também pior que no Brasil). De modo geral, eles ainda tem uma economia bastante amarrada pelo Estado.

    Uns tempos atrás eu estava lendo um conteúdo da faculdade, de um escritor mexicano de viés totalmente esquerdista, Arturo Guillén R., a respeito dos modelos de desenvolvimento que a América Latina adotou no século XX, e o autor elogiou o desempenho do Equador, mas sequer foi capaz de citar que isso se deveu à estabilidade e ao poder de compra do dólar. Eis a fala dele:

    "A diferentes ritmos, y atendiendo a especifidades nacionales, Brasil, Argentina, Venezuela, Uruguay, Bolívia, y más recientemente Ecuador, son ejemplos vívidos de que el ascenso al gobierno de partidos y movimientos progresistas crea las condiciones para la construcción de proyectos alternativos. Pero al mismo tiempo esos procesos nos muestram que el ascenso al gobierno no basta y que se requiere de voluntad política y de deshacerse de dogmas para desmontar el andamiaje del neoliberalismo."

    E ele continua, até dando pitacos sobre Brasil e Argentina:

    "Argentina abandonó la camisa de fuerza de la convertibilidad cambiária, comenzó a aplicar políticas monetárias flexibles e repudió la deuda externa com acreedores privados, lo que le ha posibilitado alancanzar tasas de crecimiento cercanas a 10% durante quatro años consecutivos. Brasil, em el extremo opuesto, y sin desconocer la importancia de los cambios positivos que ha logrado el gobierno de Lula sobre todo em materia de politica externa y en la promoción y defensa de los países del sur, se ha aferrado en mantener políticas monetárias y cambiárias restritivas, que se han traducido en tasas muy lentas de crecimiento económico."

    Já que estou aqui, vou escrever tudo o que ele disse, até o final do capítulo.

    "Pareciera que América Latina logra salir del estrecho cauce marcado por el posconsenso de Washington y el capital financiero internacional y se decide a encontrar un camino alternativo. Todo parece indicar, como señaló el presidente argentino Kirchner, que la "noche negra" del neoliberalismo va quedando atrás y que América Latina, en palavras del nuevo presidente Rafael Correa, experimenta un "cambio de época". Sólo México, Colombia y algunos regímenes centroamericanos y caribenhos se mantienen en la via neoliberal, pero ¿por quanto tiempo? En todo caso, el desenlace, como siempre, se encuentra más em el terreno de la política que de la economía."

    Pode parecer um saco ler isso, mas pra mim que fiz a disciplina 'Economia Brasileira Contemporânea' e tive que fazer um resumo pra apresentar 'fue mucho peor' ... rsrs
    Ah, e ele "esqueceu" de citar o Chile em todo o capítulo, já que lá o neoliberalismo também foi um verdadeiro desastre.
  • Renato  24/02/2015 16:07
    "Também implícito no raciocínio do leitor está a noção de que uma economia saudável é aquela que possui baixas taxas de desemprego. Outro erro. Baixas taxas de desemprego é algo que pode ser atingido da noite para o dia: basta colocar os desempregados para cavar buracos."

    Boa tarde, Leandro! Poderia me explicar melhor a questão do emprego numa economia de livre-mercado? Por exemplo, a questão dele ser infinito. Há artigos que desenvolvem esta questão mais profundamente?

    Outra questão: Onde encontro artigos explicando dívida externa?



  • Guilherme  24/02/2015 17:02
  • Yonatan Mozzini  22/07/2015 13:35
    Leandro, equipe IMB e leitores, descobri algo interessante, que provavelmente vocês já saibam, mas mesmo assim vale a pena compartilhar aqui: os bons termos de troca do Brasil estão completamente relacionados à moeda forte, ou seja, quanto mais valorizada a nossa moeda, mais saímos ganhando no comércio internacional em relação a outros países:

    www.tradingeconomics.com/charts/brazil-currency.png?s=usdbrl&d1=19930101&d2=20151231&URL2=/brazil/terms-of-trade&title=false

    Eu acredito o motivo disso seja o fato de que talvez o Brasil possua como pauta de exportação produtos que possuem uma relativa inelasticidade-preço da demanda e porque usufrua algum poder de mercado, pelo menos como oligopolista. Ou seja, por sermos os grandes exportadores mundiais de café, cana-de-açúcar, cacau e carnes (para Europa, China e Estados Unidos) e exportadores regionais de industrializados (para nossos vizinhos latino-americanos)-- e, consequentemente, definidores de preços --, quando ocorre uma valorização do real, estamos usufruindo poder de mercado: nossas receitas (em reais e dólares) das exportações não diminuem -- pelo menos, não muito -- enquanto que os nossos custos de importações (em reais) caem significativamente, apesar de serem os mesmos quando cotados em dólares.

    Conclusão: além de todas as outras vantagens citadas neste artigo, adotar uma moeda forte traria significativos ganhos de comércio internacional ao Brasil simplesmente por encarecer nossos bens exportáveis (e baratear os bens importáveis), pelo fato de usufruirmos poder de mercado sobre certos bens exportáveis, que é exatamente o contrário do que os cepalinos davam a entender.

    O que vocês acham?
  • Leandro  22/07/2015 16:10
    Ótima constatação, Yonatan. Mais uma nos anais do intervencionismo/cepalismo.
  • Mário Xicato  05/07/2016 13:59
    Caro Editor Leandro,

    Muito grato pelo seu artigo esclarecedor. Porém, se partimos do pressuposto que o dólar é uma das moedas fortes a nível mundial, porque é que os EUA é um dos paises desenvolvidos e industrializados, mais endividados do mundo!
    Obrigado,
  • Leandro  05/07/2016 15:04
    Isso é básico.

    Em primeiro lugar, tanto a empiria quanto a teoria mostram que é exatamente nos países de moeda fraca que as dívidas são baixas. Óbvio. Com o dinheiro sendo impresso a rodo pelo governo, este não precisa se endividar (e também ninguém empresta para ele). Consequentemente, o governo se financia simplesmente imprimindo ainda mais dinheiro.

    Pesquise e veja quão baixo era o endividamento do governo brasileiro na década de 1980.

    Igualmente, com a oferta monetária em explosivo crescimento, as pessoas -- principalmente as mais ricas -- conseguem quitar suas dívidas facilmente. Você pega emprestado $ 1.000 hoje a uma taxa de juros de 500% ao ano. No entanto, a oferta monetária cresce 1.000% ao ano. Você não tem dificuldade nenhuma em rapidamente quitar seu empréstimo. Mais ainda: nenhum banco faz empréstimo de longo prazo (o que faz com que as dívidas sejam rapidamente quitadas.).

    No entanto, e ainda mais importante, é o fato de que pobres não têm acesso a crédito em um cenário inflacionário. Apenas ricos. (Veja se no Brasil de Sarney algum pobre conseguia empréstimo). Logo, com apenas os ricos podendo pegar empréstimo, é claro que o endividamento geral da população será baixo.

    Em suma: quanto mais inflacionária a moeda, menos gente está qualificada para pegar crédito, e mais facilmente (para os ricos) os empréstimos são quitados. O ditado que diz que inflação é boa para os ricos e para devedores, e péssima para os pobres e para os poupadores, é um dos mais acertados da economia.


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