Por que austríacos lecionam em universidades públicas

[Nota: Os três autores são Doutores em Economia: o Prof. Mueller pela Universidade de Erlangen-Nürnberg, na Alemanha, o Prof. Barbieri pela Universidade do Estado de São Paulo, em São Paulo e o Prof. Iorio pela Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro. São sem dúvida os três acadêmicos austríacos mais conhecidos no Brasil e lecionam, respectivamente, na Universidade Federal de Sergipe (Aracaju), na USP (Ribeirão Preto) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro — UERJ (Rio de Janeiro).]

Com crescente frequência ouvimos jovens estudantes, a maioria dos quais aparentemente entusiastas da filosofia política do libertarianismo, expressarem a opinião de que os autores deste artigo não seriam intelectualmente honestos, pois ao mesmo tempo em que defendem a causa da liberdade, estão na folha de pagamentos do estado. Sendo assim, teriam eles base moral para a sua pregação?

O que nos levou a escrever este texto não foi tanto a "acusação" dirigida às nossas pessoas — um argumento ad hominem não merece muita atenção — mas sim a preocupação que temos com um perigo associado aos rumos tomados na batalha pela liberdade. Observamos cada vez mais pessoas que se dizem liberais manifestando opiniões convictas sobre assuntos políticos e econômicos sem que essas opiniões sejam acompanhadas pelo estudo dos debates relevantes. Essa tendência, em nossa opinião, é a antítese do liberalismo e merece ser discutida.

Nutrimos a convicção de que o liberalismo depende de sólida compreensão das teorias econômicas, políticas e filosóficas que o embasam. Como disse Mises, "O liberalismo não tem flor ou cor como símbolo partidário, nem canções ou ídolos, nem símbolos ou slogans. Tem a substância e os argumentos." O poder desses argumentos também depende, de forma crucial, do estudo das teorias contrárias, na medida em que estas trazem à tona aspectos da realidade que não consideramos no nosso modelo original.

Pois bem, achar que os ensinamentos da Escola Austríaca de Economia se submetem às doutrinas políticas do libertarianismo revela preocupante falta de familiaridade com os autores dessa escola. Em primeiro lugar, os economistas austríacos sempre enfatizaram que as teorias econômicas constituem conhecimento científico, independente dos julgamentos de valor de seus proponentes. Um economista austríaco examinaria o mérito dos argumentos empregados e não a motivação de quem o formulou. É melhor que essa última prática seja deixada com os socialistas e os marxistas, especialistas no assunto.

Em segundo lugar, se para sermos considerados economistas austríacos "legítimos" não devemos ser funcionários públicos, então o exame da história dessa escola revelará que provavelmente nenhum economista se qualifica! Carl Menger, seu fundador, era professor da Universidade de Viena, recebendo na prestigiosa instituição pública um salário bem elevado. Além de funcionário público, era tutor do príncipe herdeiro do Império austro-húngaro. Eugen von Böhm-Bawerk, por sua vez, foi ministro das finanças por duas vezes, assim como seu cunhado, Friedrich von Wieser, foi ministro do comércio do mesmo império. Ambos trabalharam em universidades públicas: todos foram funcionários públicos. Mises, professor não assalariado da mesma universidade, seguramente aceitaria o cargo, caso este fosse obtido. Todos eles trabalharam em comissões governamentais que influenciaram as políticas públicas. Se considerarmos as gerações seguintes, dificilmente encontraremos economistas que trabalharam exclusivamente em instituições isentas de qualquer verba pública, de forma que dificilmente teríamos um economista austríaco "legítimo".

Em terceiro lugar, a leitura dos austríacos revela que não existe na escola uma doutrina econômica, filosófica ou política unânime, mas sim grande riqueza de opiniões. A maioria dos economistas austríacos era de liberais clássicos, postura política que não implica em absoluto a rejeição de toda atividade que envolva ação estatal. E mesmo se tomarmos a doutrina política do libertarianismo, tal como defendida por Rothbard e seus seguidores, não necessariamente deveríamos ter, em um mundo intervencionista, a defesa da tese de que todo contato profissional com o estado devesse ser recusado.

Vamos supor agora que todos os austríacos sejam anarquistas (o que não corresponde à verdade). Como eles deveriam se portar em uma sociedade altamente intervencionista? Deveriam eles necessariamente abandonar suas missões como professores e pesquisadores, a menos que tenham fontes alternativas de sustento? Essa seria uma escolha pessoal possível. Seria a alternativa uma hipocrisia? O caso de dizer uma coisa e fazer outra? Vejamos.

O leitor deve se perguntar se o fato de que os três únicos economistas acadêmicos austríacos atuando no país trabalham em universidades públicas seria ou não uma coincidência. Poder-se-ia argumentar que, em um mundo liberal ideal, com separação entre educação e estado, o volume de riqueza seria tal que existiriam indivíduos ricos o bastante para que tivéssemos especialistas em cada campo do conhecimento humano, incluindo aquelas áreas menos demandadas, como literatura húngara, história da Mesopotâmia, musicologia do shakuhachi (a flauta japonesa de bambu) e...economistas especializados em  preservar o conhecimento sobre a importância da propriedade privada e liberdade para o futuro da humanidade!

Em uma sociedade intervencionista, porém, algo como "economista austríaco" não é demandado: as poucas faculdades privadas que contratam pesquisadores se interessam por macroeconomistas tradicionais e especialistas em finanças. Nas públicas, apesar da predominância das teorias econômicas intervencionistas, ainda existe liberdade acadêmica: podemos dominar o conhecimento de teorias rivais, passar em concursos públicos, participar dos debates e propor nossas ideias. No sistema atual, poderíamos apenas dar (muitas) aulas em faculdades privadas, sem fazer pesquisa.

Embora existam concursos específicos para Macroeconomia, Microeconomia, Economia Industrial etc., não existem concursos para disciplinas austríacas. Isto não acontece apenas no Brasil: em todo o mundo, a Escola Austríaca é minoritária, embora seja a mais antiga, mas também é a que mais vem crescendo, tudo levando a crer que tal crescimento deverá não apenas se manter, mas também se acentuar nos próximos anos. Nosso papel nesse ambiente de crescimento é muito importante! Será que devemos nos abster de participar do debate em que quase toda a pesquisa acadêmica é realizada?  Infelizmente, somos apenas três mosqueteiros dentro da estrutura do estado, mas se amanhã formos quatro, cinco, dez, cem, mil, será muito melhor para a sociedade!

Adicionalmente, ao optar por defender uma teoria econômica liberal, fizemos consideráveis sacrifícios pessoais. Como nosso trabalho é julgado pelos pares (geralmente economistas keynesianos ou marxistas), o reconhecimento na academia é muito mais difícil se defendemos ideais liberais. Além disso, o custo de oportunidade salarial do economista não é pequeno, mas, em vez de ganhar dinheiro no mercado financeiro, ou em outros campos, optamos pela sala de aula, em nome da perseguição de um ideal, da busca de um horizonte melhor para todos — ensinar os valores econômicos, o extraordinário cabedal de conhecimentos dos quais a civilização depende. Como observou Mises no último parágrafo de sua monumental obra Ação Humana, "cabe aos homens decidirem se preferem usar adequadamente esse rico acervo de conhecimento que lhes foi legado ou se preferem deixá-lo de lado. Mas, se não conseguirem usá-lo da melhor maneira possível ou se menosprezarem os seus ensinamentos e as suas advertências, não estarão invalidando a ciência econômica; estarão aniquilando a sociedade e a raça humana".

Cabe perfeitamente, então, a seguinte pergunta: dado que a escolha por carreira universitária implica significativos custos de oportunidade, que sacrifícios ou renúncias pela causa liberal os que nos criticam por lecionarmos em universidades públicas fizeram ou estão dispostos a fazer?

Há vários outros argumentos em nosso favor. Um deles é que em nosso país, infelizmente, as universidades privadas também estão sob o controle do estado, de modo que, sob esse ponto de vista, não faz diferença, na prática, se você é empregado de uma empresa privada ou de universidade pública. Talvez a única diferença seja a de que, na segunda hipótese, como você ingressou na universidade pública por concurso, não poderão demití-lo. Além disso, as atividades de um professor de uma universidade pública não se limitam à universidade, já que muitos podem trabalhar em outras instituições (de ensino ou não), podem manter sites e blogs e podem dedicar-se, por exemplo, ao Instituto Mises.

Um artigo bastante interessante sobre a ingerência do estado na educação e, em especial, no ensino superior é A quem as universidade públicas estão servindo? Nele, o Professor José Maria Alves da Silva, economista (não austríaco) da Universidade de Viçosa, mostra as distorções que tal interferência tem gerado na qualidade do ensino e na produção acadêmica. Que tal pinçarmos dois parágrafos desse interessante artigo?

Em contraste com as atividades produtivas agrícolas e industriais, ou nas áreas de segurança, saúde, transporte e energia, os "inputs" e "outputs" mais essenciais da "função de produção acadêmica" envolvem coisas intangíveis como pensamentos e ideias científicas, políticas ou artística.

Podem-se somar quantidades de diplomas concedidos ou de artigos publicados em revistas indexadas, mas não os conteúdos dos diplomados e das publicações. Além disso, atividades como as filosóficas e científicas são caracterizadas por períodos de gestação longos e variáveis, incompatíveis com os objetivos imediatistas subjacentes à ação dos órgãos avaliadores.

O estado tem o controle sobre o sistema, porque as pessoas precisam de diplomas para conseguir um emprego. Mesmo se você se formar em uma universidade privada, a conferição de seu diploma terá que passar obrigatoriamente pelo crivo dos burocratas do Ministério da Educação. No mundo atual, para sermos bem diretos, alguém pode aprender muito mais no Google e no Youtube do que se frequentar algumas universidades (públicas e privadas).

Em nova autobiografia de Arnold Schwarzenegger, Total Recall, ele faz um relato fascinante de uma reunião com Milton e Rose Friedman. É verdade que Friedman nunca foi um austríaco, mas também é verdade que foi um grande defensor da economia de mercado.  Vejamos o que relata Schwarzenegger: "Uma das coisas fascinantes que Friedman me disse foi que ele trabalhou para o governo durante o New Deal, programa do presidente Franklin D. Rossevelt na década de 1930 para a recuperação econômica e reforma social. Não houve outros trabalhos, disse ele. Foi um salva-vidas." Nesse caso então, segundo nossos críticos, Milton Friedman também não teria sido intelectualmente honesto...

A teoria econômica austríaca é uma ciência, não uma ideologia. Este fato inquestionável nos autoriza a trabalhar em qualquer instituição, privada ou pública, onde haja lugar para a investigação econômica. E, como qualquer empreendimento científico que não é ideológico deve também ter em conta as teorias opostas, os economistas austríacos, como economistas em um sentido científico, devem ser capazes de coabitar intelectualmente com quaisquer outros, inclusive marxistas e keynesianos, que devem realmente receber a sua oposição em termos de conhecimentos científicos, pela sede de conhecimento. De fato, parte significativa de tudo que escreveram os economistas austríacos consistiu em críticas das teorias rivais, criticas essas baseadas na atenta leitura dessas teorias. O isolamento autoimposto até que se chegasse a um puro mundo liberal seria inadequado para todos os envolvidos na discussão acadêmica. 

Como economistas austríacos somos a favor de uma metodologia e teoria específica, que está em concorrência com paradigmas alternativos. Podemos ter convicção de que temos as melhores ferramentas, mas a nossa tarefa é principalmente a de tentar convencer os de um paradigma diferente.  Assim funciona o processo acadêmico no que tem de melhor, o livre intercâmbio de ideias, o mercado competitivo de ideias onde os produtos às vezes ruins vendem mais do que os melhores, porque as pessoas não têm os recursos intelectuais para convencer as demais. Por exemplo, a McDonald tem um maior volume de negócios do que um restaurante três estrelas em Paris. Bons vinhos são apenas para alguns. Refeições requintadas são apenas para aqueles que podem pagar. Na área de ideias é a capacidade intelectual e também o tempo que contam. Seguindo com a nossa analogia, vemos que, para a maioria dos estudantes, a economia austríaca é "muito cara". Temos que trabalhar para torná-la mais acessível, sem diluir sua substância. Esse é o nosso desafio e é melhor enfrentá-lo entre os nossos colegas (que não são inimigos), que têm pontos de vista diferentes.

mises_Hay2.jpgComo observações finais, lembramos que, quando atuamos em uma universidade, seja pública ou privada, abrimos oportunidade para publicar e atuar em outros caminhos acadêmicos — assim, uma "posição" em uma universidade pública serve como "launching pad" ou rampa de lançamento. E sabemos que é muito difícil algum professor, especialmente em países como o Brasil, em que jamais se cultivou essa tradição, ser "reconhecido" como "Privatgelehrter" (estudioso independente).

Vale também mencionarmos uma ironia: Marx queria ser professor de uma universidade pública, mas, como não o conseguiu, acabou sendo mantido por Engels, um capitalista. Isso decerto levaria nossos críticos a afirmarem que o autor de O capital era também intelectualmente desonesto, já que criticava o capitalismo ao mesmo tempo em que era sustentado pelo que tanto atacava...


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SOBRE O AUTOR

Antony Mueller, Fabio Barbieri e Ubiratan Jorge Iorio

Antony Mueller, nascido na Alemanha, é economista e atualmente mora em Aracaju, onde leciona na Universidade Federal de Sergipe.  É acadêmico adjunto do Mises Institute e diretor acadêmico do Instituto Ludwig von Mises Brasil. É o fundador do Continental Economics Institute.
Fabio Barbieri é mestre e doutor pela Universidade de São Paulo.  Atualmente, é professor da USP na FEA de Ribeirão Preto.
Ubiratan Jorge Iorio é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Visite seu website.


Henrique Zucatelli
Bom dia
Sei que ter capital, fundos, poupança é importante mas:
Será que os consumidores quererão os meus produtos e serviços.
Se ninguém se interessar em comprar meus produto ou serviço que eu estou vendendo?
Se surgir uma oportunidade de negócios vou perder?
Meus concorrentes oferecerem melhores produtos e serviços que eu vou ter que aprimorar meus produtos ou serviços senão vou pra falência.
Isso estou vendo do lado do produtor, fornecedor de produtos e serviços.
Do lado do consumidor:
Será que preciso desse produto ou serviço?
Se preciso vou pagar a vista ou a prazo?
Caso eu compre à vista vou ter de poupar para adquirir o produto ou serviço que quero.
Caso eu compre à prazo vou ter de calcular quanto do meu ganho posso desprender para gastar.
Qual é melhor comprar a prazos curtos ou longos?
E finamente o que não se deve fazer:
Vou tomar empréstimo para comprar bens de consumo.
Vou compra itens no cartão de débito\crédito mesmo que não tenha fundos para cobrir o mesmo.
Vou Tomar empréstimo para pagar o cartão.
Isso do lado do consumidor.
Do lado do produtor\finacista e fornecedor de serviços:
Vou produzir itens em grande quantidade, mesmo que não consiga vender tudo.
Vou me associar a políticos para que tenha venda cativa de produtos e serviços para o governo cobrando acima do mercado e oferecendo produtos e serviços ruis
Vou toma empréstimo do governo para especular a compra e venda de empresas, mesmo que não entenda o que elas produzem ou serviço que elas oferecem.
Criarei lobis junto ao governo para que os meus interesses sejam atendidos.
Se falir terei AMIGOS no governo e me dá uma mãozinha.

O item 4 é contraditório com o item 10.
O professor Mueller tem uma visão um tanto equivocada com respeito à lógica.
Tanto a lógica aristotélica, quanto a lógica simbólica, incluindo a teoria dos conjuntos, são sistemas de ordenação argumentativa orientados na direção dedutiva nos quais a inferência está ligada necessariamente às premissas.
Para que o valor seja logicamente subjetivo, temos que incluir o valor campo dos objetos predicados por subjetivo.
Ora, vejam:
Para que isso ocorra, temos de recorrer às definições desses termos, pensando no método geométrico, as definições deveriam anteceder às teses, não estar incluídas nelas. Se ocorrer essa inversão lógica, o argumento é falacioso, chamada de Petição de Princípio (vide ORGANON - Aristóteles; COPY - Manual de Lógica; pesquisem sobre método geométrico)
Além disso, para que não haja inconsistência entre os itens 4 e 8 o trabalho deveria ter sido definido, tal como o valor o foi, como subjetivo. Senão o item 8 cria uma ambiguidade na passagem (por si só) que, do ponto de vista lógico, é um condicionante. Sem tal definição, o valor parece ter uma parte subjetiva e outra objetiva e, pior ainda, somente o condicionante do valor parece ser subjetivo. Se o trabalho não for caracterizado como subjetivo, o valor é efetivado objetivamente e, portanto, é objetivo.

Uma reordenação não viciada desses itens deve começar supondo o item 4, isto é, ser uma hipótese (eliminação do item 10). Posteriormente, definir o trabalho ou, por extensão ampliativa, incluir o trabalho no item 4.
"Se "4" e o trabalho for subjetivo, então "1""2""3""5""6""7""8""9""

Outro problema, mais grave, é usar o termo subjetivo e, por extensão, objetivo como predicados lógicos, i. é., características de coisas. A distinção entre subjetivo e objetivo é maior, isto é, anterior no processo de conhecimento, do que aquilo sobre o qual a lógica trata: as relações entre enunciados. Digamos, em termos mais simples, subjetivo não é uma característica de coisas, mas de afirmações, frases (vide POPPER - Lógica da Pesquisa Científica; RUSSELL & WHITEHEAD - Principia Mathematica; TARSKI - A Concepção Semântica da Verdade). Para incluir subjetivo e objetivo no vocabulário é necessário realizar uma metalinguagem que, por definição, exigirá a suspensão e a revalidação das definições. Dizer o por que tais definições devem ser aceitas.

A tentativa de criar leis em uma ciência que sejam a priori não funcionou nem na Física (vide KANT - Crítica da Razão Pura), mesmo na matemática (vide o embate entre FREGE e HILBERT) a tentativa foi, em parte, frustrada. Esse tipo de posição, chamada de Fundacionista, é uma visão, sinto informar, ultrapassada. A exigência de indicações empíricas e construções não totalizantes é regra fundamental para alcançar qualquer teoria saudável no pensamento científico atual.

PS. Desculpem-me o tecnicismo, não tenho o hábito de escrever para leigos. Devo melhorar nesse aspecto.
Bom dia Vladimir, como vai?

Que bom que começou a entender o começo da história. Agora falta a outra metade.

Não tem como prevermos a inovação. Pode parecer pleonasmo, mas inovar é fazer o novo, algo que ninguém fez até hoje. E isso pode dar certo (ou não). Claro que quando pensamos em inovações sempre vem a mente exemplos de sucesso como Apple, Microsoft, Ford e outros. Mas nos esquecemos que estes foram os vencedores. Em seus respectivos momentos, existiram dezenas (ou até centenas) de concorrentes brigando para saber quem iria se perpetuar, e a maioria caiu no caminho, foi absorvida ou simplesmente esquecida.

Se quiser entender mais como funcionam todos esses sentimentos de um grande inventor nos primórdios de sua carreira, recomendo que leia um livro muito bom (meu de cabeceira) do próprio Henry Ford- Os princípios da prosperidade . Tenho um exemplar da primeira edição, com o autógrafo do tradutor, ninguém menos que Monteiro Lobato. É um tesouro que guardo com muito carinho.

Voltando ao assunto, como toda inovação é nova (!), precisará de uma dose maciça de confiança de quem produz, aliado ao fato de que são recursos direcionados a esse projeto, com pouca ou nenhuma certeza de que irá dar certo. Repito à exaustão: quando olhamos invenções consagradas damos um valor a elas que não existia na época.

Justamente por esse princípio, é necessária a existência de poupança para financiar esses projetos. Sem poupança, sem inovação, por melhor que seja a ideia. Se tiver interesse nesse assunto, recomendo um ótimo livro de Peter Schiff - Como a economia cresce, e por que ela quebra .

Inclusive está a venda aqui no IMB:
www.mises.org.br/Product.aspx?id=55 .

Para finalizar, é melhor entender um pouco mais sobre como funciona o socialismo, e porque ele está sempre fadado ao fracasso. Como bem ilustra a Venezuela, os defensores do socialismo desconhecem uma lei básica da economia

Um grande abraço, e ótima semana para ti.










"só consigo comprar um IPhone por 'apenas' R$ 2000,00 porque ele é produzido aos milhões. Caso grande parte da população deixasse de comprar IPhone essa economia seria menos efetiva e com certeza cada IPhone custaria mais para ser produzido. Exemplo canônico: quase ninguém compra uma Ferrari e isso não faz ela ser mais barata, muito pelo contrário, ela seria muito mais barata se todo mundo comprasse uma: seria produzida na China e se chamaria Jac. :D"

Existem duas maneiras de um produto baratear, isto é produzir em larga escala com preços reduzidos ou produzir em larga escala com preços reduzidos e não houver demanda para tal produção, isso significa que pessoas estão se abstendo do consumo ou estão em crise. Portanto, as pessoas que pouparam ontem, hoje podem estar consumindo Iphones e ferraris ou investindo em bens de capital e assim aumentando ainda mais a abundância dos produtos.
Essa situação da demanda aconteceu recentemente com o consumo reduzindo e os preços acompanhando essa redução do consumo praticando menores preços.

"Além da economia de escala existe outro fator que você desconsiderou, as indústrias de bens não são facilmente reconfiguradas para produzir bens para as quais não foram inicialmente projetadas."

Para produzir bens tem que haver capital e o último advém de poupança. Contudo, para haver poupança para a população, os impostos sempre terão que ser baixos e isso possibilitaria empresas de várias partes do mundo vir produzir aqui pelas novas medidas do governo. As indústrias vindas do exterior automaticamente estaria trazendo seu conhecimento e técnicas para tal trabalho, isso significa que o país poderá produzir bens que não eram bons. Essa situação ocorreu na Coreia do Sul, Hong Kong, Taiwan, Japão e Singapura.
Coreia do Sul não tinha LG, SAMSUNG e Hyundai, e em pouco tempo pelos investimentos estrangeiros obteve conhecimento necessário para produzir o que não sabiam, produtos de alta tecnologia e carros.
Hong Kong seria tecnologia.
Taiwan idem de Hong Kong.
Japão acho que seria o setor automobilístico.
Singapura seria produtos de alta tecnologia.
Até tempo atrás não eram bons no que fazem hoje, e em pouco tempo conseguiram a façanha de realizarem tal ato.


ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Neto  17/10/2012 23:12
    'E mesmo se tomarmos a doutrina política do libertarianismo, tal como defendida por Rothbard e seus seguidores, não necessariamente deveríamos ter, em um mundo intervencionista, a defesa da tese de que todo contato profissional com o estado devesse ser recusado.'

    Isso me deixa com paz na consciência.Afinal o contato com o governo é uma questão de sobrevivência, ainda mais pro aluno!
  • Pedro Ivo  18/10/2012 08:56
    No artigoOs libertários e o estado Rothbard aborda outros aspectos deste tema.
  • israel  17/10/2012 23:43
    Quando o sujeito decide ingressar no serviço público é suscitado o direito individual cujo direito de escolha é imanente à liberdade individual,consequentemente ele é remunerado.neste caso há uma prestação de serviço onde o servidor abarca seu labor no primado da educação onde é algo que pode ser açambarcado por todos,a demérito de outros bens de consumo que por sua escassez não seja possível.
    em linhas gerais,o fato de existir instituicões públicas não significa ter de extingui-la,do ponto de vista liberal.a coisa privada deve ser plena quando não existir necessidade duma intervenção pública,no que tange educação pode haver pública ou privada,desde quando este não implique naquele e,vice e versa.
  • Gustavo BNG  18/10/2012 01:56
    Touché!
  • Rodrigo DSP  18/10/2012 04:16
    Parabéns aos professores Antony Mueller, Fabio Barbieri e Ubiratan Jorge Iorio pela defesa de ideias liberais em ambiente tão hostil a elas! Já era profundo admirador dos três pelos seus trabalhos aqui no Mises e no OrdemLivre, e agora ler um artigo assinado pelos três foi realmente um prazer. Não sou economista de formação, mas cada vez mais me interesso por essa nobre e importante ciência.
  • Eduardo Bellani  18/10/2012 05:51
    Relevante pra discussão, a opinião do Rothbard:

    www.lewrockwell.com/rothbard/rothbard63.html
  • Klauber Cristofen Pires  18/10/2012 06:11
    Imaginemos o absurdo a que chegaríamos se levássemos o argumento da coerência aos últimos limites: um cidadão cubano jamais estaria legitimado a assumir uma posição austríaca!

    Como Analista Tributário da Receita Federal, compreendo muito bem a situação dos professores Iorio, Mueller e Barbieri.

    Ressalto que, também além de mim, diversos outros servidores públicos são austríacos ou pelo menos, defensores do livre mercado e mínimo intervencionismo, como os embaixadores Meira Penna e Paulo Roberto de Almeida; O auditor-fiscal Mario Fortes, e tantos outros mais.

    De minha parte, declaro que já fiz imensos sacrifícios pessoais em prol da defesa da doutrina do liberalismo austríaco. Por exemplo, investi muito tempo e dinheiro que poderiam ter sido usados para alavancar meu cargo na estrutura do serviço público.

    Portanto, a aqueles que nos criticam, além de perguntar o que têm eles mesmos feito, eu ainda responderia: vocês prefeririam um marxista em nosso lugar?
  • Anônimo por motivos óbvios  18/10/2012 10:55
    além de perguntar o que têm eles mesmos feito

    Pessoalmente, eu tento educar outras pessoas e vender meu serviço para pessoas que não são forçadas a me pagar, gerando riqueza tanto pra mim quanto para a outra pessoa. E você?

    vocês prefeririam um marxista em nosso lugar?

    Falso dilema ao meu ver.

    Eu preferia ninguém no seu lugar, e certamente um libertário (não um austríaco, pois economia austríaca é ortogonal a ética libertária) não assumiria um cargo na receita federal, órgão chave para o roubo sistemático do suor alheio.

    O fato de você e de alguns de seus comparsas de quadrilha acreditarem ou não no em algum grau do livre mercado não os inocenta do crime que cometem.
  • Augusto  18/10/2012 11:08
    "O fato de você e de alguns de seus comparsas de quadrilha acreditarem ou não no em algum grau do livre mercado não os inocenta do crime que cometem".

    PERFEITO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
  • anônimo  18/10/2012 11:46
    Perfeito x2!
    O bolso mostra o que a boca esconde!
    Blá, blá, blá, se vc recebe do estado mais do que ele lhe rouba vc faz parte da engrenagem.
  • Artur Fernando  18/10/2012 12:39
    Se você escolhe B ao invés de A, não é sacrifício. Fazer algo por escolha, convicção e pra ser mais feliz não implica sacrifício. As pessoas falam de sacrifício querendo o que, afinal, palmas e reconhecimentos de virtuosidade? Fazer algo sem sentir-se traído ou incomodado não é sacrifício, ainda mais quando feito para obter o reconhecimento alheio da ação como se sacrifício fosse...
  • Augusto  18/10/2012 13:23
    "Se você escolhe B ao invés de A, não é sacrifício".

    Perfeito 2!!!!
  • Pedro Ivo  18/10/2012 14:28
    Klauber Cristofen, o Roberto Chiocca citou, logo mais abaixo, este trecho de um artigo do Rothbard. Foi como se tirasse as palavras de minha boca.

    "...é vital distinguir entre dois tipos de atividades estatais: (a) aquelas atividades que seriam perfeitamente legítimas se executadas por empresas privadas no mercado; e (b) aquelas atividades que são imorais e criminosas per se, e que seriam ilícitas em uma sociedade libertária. Essa última não pode ser realizada por libertários em hipótese alguma. Assim, um libertário não pode ser: diretor ou guarda de campo de concentração, funcionário da Receita Federal, funcionário do exército encarregado de efetuar o alistamento militar obrigatório, ou um controlador/regulador da sociedade ou da economia, em qualquer instância.

    ...
    Parece-me, portanto, que os critérios, os fundamentos que devemos observar para sermos morais e racionais em um mundo gerido pelo estado é: (1) trabalhar e agitar o melhor que pudermos pela causa da liberdade; (2) se estivermos trabalhando na matriz, devemos recusar qualquer tentativa de acréscimo ao estatismo vigente; e (3) recusarmo-nos terminantemente a participar em atividades estatais que sejam imorais e criminosas per se."


    Ainda que Rothbard tenha dito isto especificamente acerca de libertários, e que o artigo de Mueller, Iorio e Barbieri faça a distinção entre libertarianismo e liberalismo, com todo respeito Klauber Cristofen, e sem querer te ofender, permita-me te fazer uma provocação: aquilo que os professores Mueller, Iorio e Barbieri citaram em defesa da própria atividade não se aplica a você. Corrija-me se estou equivocado, mas enquanto eles são educadores, você está numa estrutura de coerção não-pacífica, não-voluntária e não-contratual (ao contrário de uma firma de segurança, ou mesmo de um condomínio quanto às suas regras sobre quem pode ou não circular dentro de seus muros: são coerções, mas contratuais. Não extrapolam a propriedade dos contratantes). Deste modo me parece pouco importar você seja austríaco, marxista, monetarista, etc.. O ponto central é você trabalhar numa estrutura criminosa em si.

    Ao enfermeiro e médico que trabalhe na Receita como enfermeiro e médico, este critério não se aplica (tal qual sobre os enfermeiros e médicos que serviram durante a guerra em exércitos genocidas não repousa quaisquer sombras. Eles cuidavam de feridos e salvavam vidas, ainda que para estas vidas serem desperdiçadas logo a seguir: o trabalho deles era reduzir a escassez fundamental do tempo com que a mortalidade nos aflige. O que fazer a seguir deste tempo é com cada um. Ao profissional de saúde só cabe dar-nos seus melhores votos acerca do que faremos de nossas vidas; não diretivas e axiologias). Digo o mesmo sobre os faxineiros, copeiros, contínuos, mecânicos de automóvel, técnicos que reparam computadores, ou bibliotecários que trabalham na Receita: eles não estão violentando ninguém.

    Em minha opinião o que você faz na Receita é o tipo de tarefa que se os cidadãos se recusassem universalmente a fazer, não existiria. Nós deveríamos nos recusar a ocupar cargos, realizar tarefas, concorrer a colocações que sejam imorais per se; que sejam a iniciação de violência, e não o repúdio e o basta a esta.

    Klauber Cristofen, você ecoou a pergunta dos professores Mueller, Iorio e Barbieri "o que aqueles que nos cobram coerência por estarmos na folha de pagamento do estado tem a citar que fizeram pela liberdade?". Estes professores podem responder, além do que já citaram, que educam para a liberdade. O trabalho deles tem vinculo direto com atividades promovedoras de uma sociedade aberta (uma sociedade que se defende da violência; não a inicia. Que respeita as minorias simplesmente não fazendo repousar sobre elas exigências dos critérios da maioria. Que não obsta o livre comércio, o porte de armas, e outras demandas liberalistas. Creio o trabalho destes professores fomente isto). O seu tem vinculo direto com espoliação. Você não pode responder que soma à liberdade. Já às pessoas questionadas acerca do que fazem pela liberdade, se forem carpinteiras, podem responder que são carpinteiras; se forem balconistas, podem responder que são balconistas. Qualquer atividade de mercado já é um bem per se, como a atividade fim da Receita ou da ANVISA são um mal per se.

    Enfatizo: quaisquer atividades de mercado são um bem em si, posto pacíficas e voluntárias: envolvem servir para ser servido. Trabalhar no livre mercado é algo que a pessoa faz pela liberdade, simplesmente porque tudo que ela tem decorre de algo que deu em troca. Só consumiu porque antes produziu; só foi servida porque serviu. Uma pessoa que trabalhe num livre mercado e na vida particular seja um pequeno tirano protótipo de Che Guevara está vivendo de modo cindido, esquizofrênico. Em sua atividade profissional promove a liberdade; em sua vida pessoal promove (ou tenta) a escravidão. Os elogios à sua vida pública não se estendem ao indivíduo que ele é. As criticas à sua vida pessoal não são factíveis em seu cotidiano profissional. Sim, é estranho dissociar a vida de uma pessoa em compartimentos estanques; se alguém puder me oferecer procedimento mais consistente terei prazer em adotá-lo.

    Caso eu esteja sendo injusto ou parcial Klauber Cristofen, corrija-me, por favor! Talvez, por ex., seu cargo na Receita não seja de operador da espoliação. Neste caso, tudo que escrevi até aqui não foi senão uma pocilga de injustiças, e mereço ser rechaçado superlativamente. Se for o caso, não tenha pudores em me passar um carão.

    Outrossim, tudo que escrevi até aqui aplica-se àqueles que operacionalizam atividades ilegítimas (aquelas que inexistiriam num livre mercado), e invoco, em minha defesa, que se não é o caso de sua atividade Klauber Cristofen, ainda sim é o caso de seus colegas, e creio que devamos sim dizer que há tarefas que se os cidadãos se recusarem universalmente a fazer, desaparecerão: no caso, a atividade fim da Receita. Logo, o que escrevi até aqui, se foi uma injustiça ao Klauber Cristofen, peço desculpas a ele e a todos os leitores. Mas creio se aplique à atividade fim da Receita, uma instituição que todos deveríamos obstar. E um 1º passo pode ser não demandar integrarmos seus quadros (como não devemos demandar integrar um grupo mafioso).

    Mas, supondo que o que escrevi até aqui tenha algum mérito, nem que seja apenas o de criticar as ações daqueles que dentro do estado operacionalizam as injustiças, desejo dar um exemplo a respeito do que chamei "os cidadãos repudiarem e obstarem a iniciação de violência recusando-se a realizar as operações ilegítimas do estado". Falarei rapidamente sobre um caso dentro das forças armadas de Israel. Sobre ela repousam todas as sombras da desconfiança e ilegitimidade que se possam listar. Ela não se limitou a rechaçar ataques a existência de uma população judia no Oriente Médio: eles iniciaram ou foram coniventes com toda sorte de violência injustificável. Logo, ser das forças armadas israelenses é um dilema moral em si. Mas de uns 15 anos para cá um grupo de militares israelenses tem se recusado (e ido para a prisão por isto) a participar de operações que mantenham a Palestina sob ocupação (defendem a autonomia deste estado e o fim da presença militar estrangeira em seu território). Eles também tem se recusado a participar de operações de demolição às residências de palestinos dentro de Jerusalém (e cidadãos judeus estão alternando-se em residir com estes palestinos para salvar-lhes as propriedades). Ou seja, estes militares aceitam praticar violência em defesa da existência e segurança de Israel, mas não para criminalizar a existência de populações não-judias na Palestina e em Israel. Isto, claro, não soluciona todos os dilemas morais de seu trabalho, mas é uma ação corajosa e consciente neste rumo. Mostra que pessoas dentro de uma organização criminosa podem selecionar entre as condutas indispensáveis (defesa) e as imorais (violentar, espoliar, coagir); e trás a esperança de que, se um número suficiente de pessoas repudiar certos atos, chagar-se-á à massa crítica que lhe porá fim. É isto que reivindico como ação coerente com o liberalismo: não desempenhar atividades incoerentes com a liberdade. Nem de capo da máfia, nem de cobrador de impostos, nem de demolir casas de palestinos para usar os terrenos para construir casas para judeus.

    Talvez a conduta destes militares seja um esforço vão, no sentido de que exércitos estatais sejam inerentemente imorais, levando seus esforços a serem uma ilha incapaz de sustentar coerência, visto cercada por um oceano de perversão. Neste caso, esta ilha soçobrará, mas em virtude, inclusive, deste procedimento virtuoso destes militares e cidadãos em resistirem ao mal, o que mantém válido seus esforços.

    Logo, atividades como a de professores que educam para a liberdade, ou de membros de organizações criminosas que selecionam entre os atos de violência que estas cometem (os para defesa e não para pilhagem), somam rumo à liberdade. Não me parece seja seu caso Klauber Cristofen.

    Gostaria, por fim, de seu comentário a respeito do que eu disse sobre sua atividade Klauber Cristofen. E de todo modo, esteja eu coberto de razão ou não no que disse, sei que é um assunto delicado. Por isto reitero minha intenção de iniciar um debate construtivo, afinal, estando você na boca do leão, creio seja construtivo colocar os dilemas abstratos dos liberalistas e libertários ao seu caso, que é concreto. Entenda que a provocação que te coloco (e a todos os leitores) é conceitual, e não um ataque a você.

    PS! Quero fazer notar ainda que não desempenhar atividades incoerentes com a liberdade é mais que ideologia. Embora o austroliberalismo seja uma ciência, logo impermeável a julgamentos de valor, suponho que as consequências do axioma da ação humana decorram na não-arbitrária exigência de não se agir contra a autopropriedade e demais propriedades de alguém, conforme descrito no capítulo II de "Uma Teoria sobre Socialismo e Capitalismo" de Hoppe, em razão de todas as contradições incontornáveis (descritas aqui) que isto geraria à própria ordem liberal e ao laissez faire (dentre elas não-sacralidade dos contratos, da propriedade e da vida das pessoas). Ou eu estou enganado e minha exigência de " não desempenhar atividades incoerentes com a liberdade" é um julgamento de valor meu, insustentável dentro da teoria liberalista enquanto ciência? Peço em particular aos professores Mueller, Iorio e Barbieri uma resposta a este questionamento, mas espero a pergunta interesse a todos e suscite um debate generalizado.

    (Aliás, "Uma Teoria sobre Socialismo e Capitalismo" foi traduzido por Klauber Cristofen Pires, e isto pode citado em seu favor, legitimamente, como ação pela causa da liberdade, mas não como esquiva às objeções que levantei à sua atividade na Receita, caso ele seja operador da pilhagem. Mas não é por isto que abri este "PS!", e sim para levantar a pergunta que fiz sobre o axioma da ação humana ter ou não implicações sobre o que podermos fazer, caso defensores de uma sociedade livre. Todavia, prevendo alguém possa evocar o fato de a tradução do livro ser responsabilidade da pessoa a quem questionei, achei relevante distinguir uma ação coerente com a liberdade, de outra inconsistente à mesma, deixando claro que elas não se comunicam. I. é: aquilo que se faz de correto não anula o ilegítimo)
  • Celi  30/10/2012 11:34
    Pedro Ivo,\r
    \r
    quanto aos austríacos lecionarem em universidades públicas, concordo com o artigo em muitos pontos.\r
    Creio que a divulgação dos conhecimentos da escola austríaca nas universidades é também um ótimo argumento, pois marxistas e keynesianos (imensa maioria dos professores universitários) não o fazem e nunca o farão (e, se um dia o fizerem, certamente deturparão muitos conceitos). Caso me permitam uma "analogia cristã", Cristo também andava entre pecadores para lhes ensinar a distinguir o que era/é pecado do que não era/é.\r
    \r
    Porém, não acho que esse dilema moral de onde um libertário pode trabalhar seja assim tão simples...\r
    \r
    Tenho dúvidas quanto ao trecho do artigo do Rothbard (que diz que aquelas atividades que seriam perfeitamente legítimas se executadas por empresas privadas no mercado poderiam ser exercidas por um libertário). \r
    \r
    Imagine, o caso de um motorista (ou segurança, secretário, etc e até médico, enfermeiro) do Senado, por exemplo. Todas essas atividades são legítimas se executadas em empresas privadas, mas, para executarem essas atividades junto ao Senado, as pessoas ganham muito mais do que ganhariam se as executassem para as empresas privadas. \r
    Desse modo, muitos profissionais que já teriam mudado de atividade (para buscar algo mais lucrativo ou mais realizador, ou por falta de vocação) continuam lá, recebendo mais do que o seu serviço vale no mercado, sendo pagos com dinheiro "roubado" (impostos) e, em muitos casos, "parasitando", trabalhando menos do que se estivessem a serviço de uma empresa privada. Isso seria ou não imoral??\r
    OBS 1: isso vale para médicos e outros profissionais da saúde também, pois também existem médicos que mudam de profissão, ex: atriz Zezé Polessa; e na saúde pública existem casos de profissionais que faltam e assinam sua folha de ponto normalmente e/ou de médicos que mandam estudantes de medicina para o plantão em seu lugar. Existem maus profissionais em todas as áreas!!! \r
    \r
    Expandindo a dúvida para outras áreas: empresas que fornecem livros e merenda para escolas públicas, empresas que fornecem instrumentos, equipamentos e medicamentos para hospitais públicos, e qualquer outra empresa que venda algo para o estado. Se o dinheiro do pagamento é fruto de "roubo" (impostos), seria ou não imoral fornecer o serviço para esses estabelecimentos?? \r
    Se alguém rouba um banco, quer comprar um carro e o vendedor do carro sabe que o dinheiro é roubado, seria ou não imoral vender o carro e receber dinheiro sabidamente roubado??\r
    \r
    Se a resposta para todas essas perguntas for: Sim, é imoral! No Brasil de hoje (não estou supondo um futuro Brasil menos intervencionista), tendo em vista a capilaridade do estado nos níveis federal, estadual e municipal, creio que poucas pessoas podem se dar ao luxo de dizer que não estão sendo imorais...
  • Pedro Ivo  31/10/2012 08:18
    Celi:

    Vi ontem sua postagem, mas só estou podendo responder agora. Desculpe a demora. Espero que você veja esta postagem.

    Selecionei esta parte de sua postagem: "Porém, não acho que esse dilema moral de onde um libertário pode trabalhar seja assim tão simples... - Tenho dúvidas quanto ao trecho do artigo do Rothbard (que diz que aquelas atividades que seriam perfeitamente legítimas se executadas por empresas privadas no mercado poderiam ser exercidas por um libertário). - Imagine, o caso de um motorista (ou segurança, secretário, etc e até médico, enfermeiro) do Senado, por exemplo. Todas essas atividades são legítimas se executadas em empresas privadas, mas, para executarem essas atividades junto ao Senado, as pessoas ganham muito mais do que ganhariam se as executassem para as empresas privadas. "

    Concordo com tudo que você diz. O dilema é bem profundo. Mas veja, como diz no mesmo artigo Rothbard, se adotarmos uma postura mais radical que esta por ele sugerida, não poderíamos sequer andar nas ruas, públicas que são e resultado de espoliação. Pense como isto seria isolacionista: não recorrer à polícia se minha casa for assaltada, não ir ao posto de saúde renovar minhas vacinas, ou, para quem mora em Brasília, como eu, pular num precipício, pois a cidade é toda resultado de intervencionismo.

    Simplesmente não dá. Ainda o dilema seja + profundo, eu não posso revogar a realidade. É como se na época da escravidão eu não pudesse comer o milho que o escravo plantou.

    Você diz ainda: "Expandindo a dúvida para outras áreas: empresas que fornecem livros e merenda para escolas públicas, empresas que fornecem instrumentos, equipamentos e medicamentos para hospitais públicos, e qualquer outra empresa que venda algo para o estado. Se o dinheiro do pagamento é fruto de "roubo" (impostos), seria ou não imoral fornecer o serviço para esses estabelecimentos??"

    Não. Não seria. Ou é imoral um corretor atender a um funcionário público, ou uma padaria vender a um deputado, ou um dentista ter um cliente militar? Lembre-se ainda que toda esta espoliação é feita sob a justificativa de nos "fornecer serviços públicos". Quando você acessa qualquer destes serviços, ou atende àqueles que lá trabalham, ou fornece suprimentos a estas instituições (honestamente: sem suborno ou negociata), você está simplesmente usufruindo da esmola que em contrapartida te dão. Depois de toda a fraude, tem estes restos. Nem aos restos tenho direito?!!!!!!! É imoral usufruir da pequena parcela que nos sobra?!!!!!!! Do mínimo retorno que nos dão?!!!!!!!

    Penso ser o 'X' questão o seguinte: o mundo é dado (e nosso mundo é estatista). Nenhuma narrativa que eu faça sobre ele pode muda-lo, salvo guarde alguma relação com o mesmo, e o isolacionismo é o modo mais rápido de perder qualquer ligação com a realidade (e portanto, perder qualquer chance de agir sobre ela).
  • Patrick de Lima Lopes  18/10/2012 06:14
    Excelente artigo, Iorio! Queria que você fosse meu professor. Moro no RJ, se um dia o senhor for dar uma palestra ou iniciar algum curso que seja aberto àqueles que não cursam economia, seria muito bom anunciar aqui no IMB.

    Ubiratan, naquele trecho:

    "Um economista austríaco examinaria o mérito dos argumentos empregados e não a motivação de quem o formulou. É melhor que essa última prática seja deixada com os socialistas e os marxistas, especialistas no assunto."

    Nós não teríamos agido como os marxistas naquele artigo do Rothbard em que ele falava sobre a vida pessoal de Marx, incluindo o fato de ele ser sustentado e de escrever poemas um tanto... Polêmicos?
  • Marcos Campos  18/10/2012 07:08
    Também trabalho o Estado como estagiário, tanto federal quanto estadual e não vejo empecilho algum, muito menos hipocresia.

    Aqui de dentro do dragão tenho a oportunidade de aprender como funciona toda essa engrenagem arcaica, mas necessária por hora para sobrevivência minha e de muitos.

    Enquanto aqui trabalho, o faço de forma libertária, eliminando o máximo de burocracia possível, problematizando com meus companheiros de seção alguns pontos de vista.

    Tenho certeza que estou espalhando muitas sementes libertárias e com o tempo a maioria irá germinar, ou permitir que outras germinem.
  • Zeca  18/10/2012 07:22
    Seja em universidades públicas ou privadas, entendo que os economistas austríacos têm a missão essencial de disseminar seus ensinamentos. E nada melhor do que abarcar também alunos matriculados em instituições de ensino do Estado.
  • Joel Pinheiro  18/10/2012 07:32
    Parabéns pelo artigo!

    Lança um debate pra lá de necessário no meio liberal brasileiro!
  • Roberto Chiocca  18/10/2012 08:38
    Na verdade a crítica que sofrem não é por serem austriacos, e sim por que algumas pessoas confundem "ser austriaco" com "ser libertário", ser austriaco é apenas seguir um método, é possivel ser austriaco se ser um nazista, interventor, socialista democratico ou microssocialista, depende dos fins pretendidos, por isso mesmo seria completamente sem sentido existir um think tank somente austriaco.
    A critica deve vir por eles serem além de austriacos, libertários (i.e. contra a iniciação de agressão) e mesmo assim não se importarem em receber o dinheiro produto do roubo, mas esta questão Rothbard já respondeu brilhantemente aqui. Ressalto um trecho que resume bem:
    "...é vital distinguir entre dois tipos de atividades estatais: (a) aquelas atividades que seriam perfeitamente legítimas se executadas por empresas privadas no mercado; e (b) aquelas atividades que são imorais e criminosas per se, e que seriam ilícitas em uma sociedade libertária. Essa última não pode ser realizada por libertários em hipótese alguma. Assim, um libertário não pode ser: diretor ou guarda de campo de concentração, funcionário da Receita Federal, funcionário do exército encarregado de efetuar o alistamento militar obrigatório, ou um controlador/regulador da sociedade ou da economia, em qualquer instância.
    ...
    Parece-me, portanto, que os critérios, os fundamentos que devemos observar para sermos morais e racionais em um mundo gerido pelo estado é: (1) trabalhar e agitar o melhor que pudermos pela causa da liberdade; (2) se estivermos trabalhando na matriz, devemos recusar qualquer tentativa de acréscimo ao estatismo vigente; e (3) recusarmo-nos terminantemente a participar em atividades estatais que sejam imorais e criminosas per se."


  • Fernando Chiocca  18/10/2012 08:43
    Exato.. E o caso do Klauber, que não é libertário, seria bem diferente do de professores de universidades públicas.

    Ser professor de universidade pública é apenas receber o que foi tirado a força de outros.

    Já trabalhar ativamente para executar a espoliação alheia é diferente. Envolve a participação ativa e pessoal na agressão.

    É aquilo que Rothbard chamou de realmente inadimissível para um libertário, que, por exemplo, jamais poderia ser guarda de campo de concentração. (que como o Roberto destacou, ser libertário é diferente de austríaco. Economista austríaco pode ser qualquer coisa, de policial da gestapo, assassino e estuprador, a comunista e planejador economico central. Mas podemos dizer que 99% dos austríacos são libertários anarco-capitalistas também.)

    Esta é uma discussão diferente da proposta aqui. O artigo dos professores fala mais de economia austríaca e quase nada de libertários, que é onde residiria a polêmica. Dificilmente há problema entre Escola Austríaca e atitudes profissionais pessoais. Já com libertarianismo é diferente.
  • Augusto  18/10/2012 09:09
    É porque o foco do Mises Brasil não é a teoria econômica austríaca per se, mas a doutrina anarco-capitalista. Tanto que a gente quase não vê nada aqui da EA mainstream e a maioria dos textos são de anarco-capitalistas como seguidores de Rothbard e Hoppe.

    Aí o pessoal acaba confundindo as coisas.
  • Rodrigo Viana  18/10/2012 11:02
    Augusto

    Você não está 100% correto mas também não está 100% errado. Prova disso é a quase ausência de Hayek aqui. Principalmente quando o assunto sai da esfera econômica e vai pra outros campos como a política.
  • Augusto  18/10/2012 13:26
    Quase a ausência de tudo, infelizmente, o foco aqui ainda é quase que exclusivamente anarco-capitalista, excluindo a maior parte dos autores da EA.
  • Fernando Chiocca  18/10/2012 11:44
    É porque o foco do Mises Brasil não é a teoria econômica austríaca per se, mas a doutrina anarco-capitalista. Tanto que a gente quase não vê nada aqui da EA mainstream e a maioria dos textos são de anarco-capitalistas como seguidores de Rothbard e Hoppe.

    Falou outra besteira Augusto.
    Se isso fosse verdade, divulgaríamos textos de anarcocapitalistas como o David Friedman.
    Mas o foco do IMB é sim a teoria econômica austríaca. David Friedman é um economista que se utiliza de uma pseuda ciência econômica, positivista e fundamentalmente errada.

    E o outro foco do Mises Brasil é defender a liberdade e a propriedade, por isso autores como Hayek, que quando saem da economia atacam esses valores, defendendo a democracia socialista, ficam de fora. Nem poderia deixar de ser diferente.

    E ess aparte de não diivulgarmos "EA mainstream" foi hilária.


  • Celi  30/10/2012 11:52
    Sinceramente, como comentei lá em cima (no comentário do Pedro Ivo), não acho o artigo do Rothbard tão brilhante e convincente assim.\r
    \r
    Apenas receber o fruto do roubo pode parecer ser "menos pior" do que participar do roubo para alguns, mas não seria também imoral???\r
    Se alguém rouba um banco, quer comprar um carro e o vendedor do carro sabe que o dinheiro é roubado, não seria imoral vender o carro e receber dinheiro sabidamente roubado??\r
    \r
    Não acho que esse dilema moral libertário seja tão simples de se resolver para alguém que vive em um país tão intervencionista, onde o estado não é mínimo (como citou o André Cavalcante). \r
  • Augusto  18/10/2012 09:05
    Essa resposta do Rothbard é uma desculpa para si próprio.

    Ora, um professor que ENSINA À FORÇA O CONTEÚDO QUE QUER à sociedade nunca seria algo legítimo no mercado.

    Um "cobrador" poderia existir no mercado, para coletar cobranças como condomínio. A diferença é que na Receita Federal isso é feito À FORÇA.

    Ou seja, em ambos os casos a moralidade deixa de existir por conta da COERÇÃO, e não por causa da atividade em si, seja lecionar ou de aferir uma dívida e cobrá-la.
  • Roberto Chiocca  18/10/2012 09:45
    Augusto,
    como assim não vê nada de "manistream"(??) austriaco por aqui? Praticamente 99% dos artigos que publicamos são austriacos, Rothbard e Hoppe são dois dos maiores economistas austriacos que já pisaram nesta terra. Mesmo não sendo obrigatório um austriaco ser libertário, eu acho que não sê-lo sendo austriaco denota uma psicopatia grave, um desejo pela destruição, morte, miséria não é coisa de gente normal.

    Augusto,
    o professor ensina à força? tipo ele vai na rua aponta uma arma na cabeça de umas pessoas, as força a entrarem na sala e começa a falar, e ai de quem ele pegar sem prestar atenção, é bala, é isso?
  • Augusto  18/10/2012 10:48
    Um professor do ESTADO presta seus serviços de maneira COERCITIVA para MIM, pois EU tenho que pagá-lo MESMO SE EU NÃO QUISER que ele dê aulas.

    Obviamente que as aulas não tem que ser para mim mesmo, pois pago o serviço à força mesmo que seja prestado à outra pessoa - e é pior ainda, pois nem usufruo das aulas.

    O seu "raciocínio" é logicamente falso. Pelo seu "raciocínio", quase nenhum serviço público seria prestado à força, pois quase nenhum servidor sai por aí com uma arma na cintura obrigando os outros a receberem diretamente seu serviço.
  • Lucas  18/10/2012 12:04
    Concordo com a idéia central. Onde dizem "(2) se estivermos trabalhando na matriz, devemos recusar qualquer tentativa de acréscimo ao estatismo vigente;" Ora, qualquer funcionário público é um ônus ao pagador de impostos, que é obrigado em última instancia a sustentar tudo isso a força e sob a pena de confisco e prisão.
    Eu como pagador líquido de impostos (pago muito mais do que recebo do estado = setor privado) sou contra todos funças, não a nível pessoal, é claro, mas a sua mera existencia na função exercida já é um problema!
    Acho que fica mais claro e simples se a gente só pegar os salários, por exemplo. Fica fácil ver porque qualquer professor de qualquer escola e de qualquer nível prefere ir para uma universidade federal a vender seu trabalho a mercado.
    Esse texto hoje foi um mea culpa né.
  • Leninmarquisson da Silva  19/10/2012 22:29
    Hum...O professor não. Mas o Estado coage os pais a coagirem os filhos à irem à escola, para não serem presos por "abandono intelectual" ou sei lá. Prestar atenção ou não é outra questão.

    O Augusto está parcialmente certo quando fala que o professor do Estado presta seus serviços de maneira coerciva. Ele executa o serviço coercivo, mas não é o agente coersor. Certamente "professor" é uma profissão que existiria num livre mercado, mas com que perfil? E em qual quantidade?

    Não dá pra saber ao certo. O Estado força as crianças à escola, e demanda forçada = escassez de professores. Então contratam qualquer porcaria, como eu que sou aluno de engenharia de produção e fui dar aula de geografia...(e o pior é que falaram que fui melhor que os "profissionais").

    No final das contas, creio que é tudo aquilo que o Rothbard falou, e um pouco de carater utilitarista/prático e devo dizer...vingança?
    Aceitar ou não o cargo não vai impedir o assalto. As pessoas não dão valor algum se não aceitarmos esses cargos porque pra elas isso é idiotice, já que elas não acham o assalto estatal imoral. Uma colega estatista (beneficiária do PROUNI) disse "Você!??! Coitado dos alunos, estão ferrados". Eu disse "Pois é, mas lembre-se que quem me escolheu foi o Estado que você tanto adora".

    Então achei ser melhor ocupar o cargo, aproveitar a chance para promover o ensino da liberdade, fazer o meu melhor e receber o dinheiro dos estatistas (dos libertários também, ok, mas eles são minoria).

    Acho que o que o Klauber falou é válido, mas por outras razões. Já imaginou que legal um libertário fiscal da receita facilitando a sonegação das pessoas normais e caindo em cima das empresas lobbystas, que defendem os impostos? E até mesmo dos funças, pode parecer que não teria efeito prático já que o salário deles vem do roubo, mas eles ficam putíssimos quando veem os descontos nos seus holerites. Provam do próprio veneno.

    "Socialismo no cu dos outros é refresco".

    Deveríamos tirar do nosso e por no deles; ou perceberiam como estão errados e mudariam, ou morreriam de inveja e ódio e tentariam nos expulsar. Em ambos os casos, eles teriam o que merecem.


  • gustavo sauer  18/10/2012 09:42
    Acho que Rothbard estava errado quando citou as áreas que um libertário não pode trabalhar para manter sua coerência.

    Acredito que a única área em que o libertário não pode trabalhar de forma alguma é na policia estatal (civil, estadual, federal, militar etc). É essa força armada que sustenta a agressão estatal. São esses que seguram as armas e obrigam efetivamente as pessoas a seguirem a coerção estatal. São esses que fazem com que libertários continuem pagando impostos.

    Afinal, qual a diferença de um despacho de um funcionário da receita e o mesmo despacho feito por um cidadão comum? A diferença é que a polícia irá garantir que a exigência do funcionário da receita seja cumprida! O simples fato de alguém pedir algo num pedaço de papel não é uma agressão.

    Alguém concorda?
  • Fernando Chiocca  18/10/2012 10:47
    Acho que você que está errado gustavo sauer.

    Você acha que as consequências das ações de uma pessoa não importam? Sério?

    A ação de um professor tem como consequência (se ele tiver sucesso na empreitada) o aprendizado de um aluno.

    A ação de um funcionário da receita tem como consequência a espoliação, o roubo, a violência, mesmo se a ação dele for "apenas" preencher ou carimbar papelada.
    O trabalho deles(que, diga-se de passagem, ninguém os forçou a aceitar) está atrelado ao mal, por mais que eles considerem que apenas estejam desempenhando uma função burocrática entediante, sem machucar ninguém.
    Eles levantam de suas camas todos os dias e se dirigem (navamente, voluntariamente) a sede física de uma instituição criminosa para colaborar com ela na depredação da propriedade alheia.
    Se você discorda disso, vai começar a dizer que o motorista de um sequestro também não é um criminos porque afinal ele só dirigiu o carro. A força armada que sustentou a agressão, a pessoa que segurou as armas e obrigou efetivamente a pessoa a seguirem a coerção do sequestro foi só o sequestrador que apontou a arma pro sequestrado... Não dá pra sustentar essa posição né...

  • Augusto  18/10/2012 11:00
    Fernando, sua comparação é logicamente errada.

    Se você contratar um contador para apurar uma dívida que alguém "alegadamente" tem com você, este serviço é perfeitamente moral.

    Suponha que a dívida que você queria cobrar, no final das contas, não era procedente. Isso não invalida o trabalho do contador.

    O contador, neste caso, é o análogo ao auditor da receita.

    A mesma coisa com o professor. Se você contratar alguém para dar aula para outra pessoa, este serviço é perfeitamente moral.

    Suponha que a outra pessoa não necessite do serviço. Isso não invalida o trabalho do professor, pois você pagou.

    Agora, a situação MUDA completamente de figura se ao invés de você gastar o seu dinheiro em ambas as atividade, você FORÇAR os outros a pagar pelos serviços. É isso o que torna imoral, A COERÇÃO, e não a natureza da atividade...
  • Fernando Chiocca  18/10/2012 11:19
    Augusto

    Um professor do ESTADO presta seus serviços de maneira COERCITIVA para MIM, pois EU tenho que pagá-lo MESMO SE EU NÃO QUISER que ele dê aulas.


    Não tem nada de COERCITIVO no serviço do professor. Nem remotamente coercitivo.
    Você tem que paga-lo, mas não é ele quem está te coagindo em nenhum sentido para obrigar você a pagá-lo.
    Quem está fazendo isso são outras pessoas como os policiais, soldados e funcionários da receita.

    O seu "raciocínio" é logicamente falso. Pelo seu "raciocínio", quase nenhum serviço público seria prestado à força, pois quase nenhum servidor sai por aí com uma arma na cintura obrigando os outros a receberem diretamente seu serviço.

    Isso mesmo. Quase nenhum serviço publico é prestado à força.
    Eles são financiados à força, mas uma coisa é coletar ou é receber o que foi coletado.
    O "serviço" de coleta desempenhado por funcionários da recieita, oficiais de justiça, soldados, esse sim é coercitivo. Dar aula ou varrer a rua, não, mesmo que sejam pagos com o fruto de coerção.

    Fernando, sua comparação é logicamente errada.

    Se você contratar um contador para apurar uma dívida que alguém "alegadamente" tem com você, este serviço é perfeitamente moral.

    Suponha que a dívida que você queria cobrar, no final das contas, não era procedente. Isso não invalida o trabalho do contador.

    O contador, neste caso, é o análogo ao auditor da receita.


    A mesma coisa se você contratar um motorista pra ir "buscar uma pessoa na porta de uma casa e a levar para um sítio". Este serviço é perfeitamente moral.

    Agora suponha que o passageiro, no final das contas, entrou no carro coagido por uma arma, e o sítio era o cativeiro.

    Pronto, analogia reestabelecida.

    A mesma coisa com o professor. Se você contratar alguém para dar aula para outra pessoa, este serviço é perfeitamente moral.

    Suponha que a outra pessoa não necessite do serviço. Isso não invalida o trabalho do professor, pois você pagou.

    Agora, a situação MUDA completamente de figura se ao invés de você gastar o seu dinheiro em ambas as atividade, você FORÇAR os outros a pagar pelos serviços. É isso o que torna imoral, A COERÇÃO, e não a natureza da atividade...


    Correto, a COERÇÃO é o que torna imoral. Já estabeleci acima a diferença entre ser professor e receber o dinheiro fruto de coerção e ir coagir pessoalmente a vítima a entregar o dinheiro.

    Uma coisa é ser um capanga da máfia que vai coletar a "taxa de proteção" dos comerciantes locais.
    Outra coisa é dar aula para o filho do mafioso ou vender uma fruta pro capanga.
  • Rodrigo  19/10/2012 11:21
    E se você sabe que a pessoa que você está vendendo a fruta é um capanga que recebe o salário dele roubando e sequestrando as pessoas. Receber este dinheiro não é de certa forma ser conivente com o que é praticado? Ou fazer vista grossa?
  • Fernando Chiocca  19/10/2012 12:07
    conivente

    1 - que ou quem, sabendo de algo negativo a ser praticado por outrem, não faz nada para impedi-lo, embora pudesse fazê-lo; complacente, condescendente, transigente
    2 - que ou quem é cúmplice; que ou quem se conluiou


    Então não, aceitar o dinheiro de um ladrão não te torna conivente com o roubo que ele praticou.

    Mas, de fato, é uma questão moral com relevância.
    Mas existe uma diferença entre o roubo praticado por um ladrão privado e o roubo dos impostos estatais.
    Quando um ladrão de rua rouba uma vítima, a vítima vai atrás e tenta reaver o que é dela.
    Já com os impostos é diferente. As pessoas consentem com o roubo e nem reclamam. Os únicos que não consentem são os anarcocapitalista, ou seja, são os únicos que são verdadeiramente roubados.

    Talvez uma mudança só seja alcançada quando um grande número de pessoas se recusar a ter qualquer tipo de envolvimento com qualquer membro do estado.
    Ou seja, elas devem ter s mesmas atitudes que já tem quando sabem que algo é roubado ou que a pessoa é um ladrão privado.
  • Rodrigo  19/10/2012 13:13
    Ok, não podemos usar a palavra conivente. Mas ainda assim me parece no mínimo estranho. Eu condeno o roubo mas aceito seu dinheiro...Se eu realmente condeno o roubo não deveria moralmente aceitar o dinheiro vindo dele.
    É similar a questão que fiz abaixo, Rothbard diz que as atividades do tipo a podem ser feitas por um libertário já ser funcionário da Receita não. Eu posso receber o dinheiro roubado, mas não posso roubar. Mas se não tivesse alguém roubando da onde viria o salário? Não sei, me parece uma defesa estranha.
    Concordo que é uma questão muito complexa e que nos dias de hoje é difícil fugir de atividades longe do estado (especialmente no Brasil). Mas ainda assim me parece estranho ser contra o roubo mas a favor de receber seu dinheiro. Uma posição mais coerente seria defender o estado mínimo, ou seja, defender que em alguns casos (como educação por exemplo) receber impostos é legítimo para outros não. Neste caso, pelo menos haveria uma coerência no raciocínio. Ou seja, eu trabalho nas atividades do item a, mas ao mesmo tempo considero legítimo o dinheiro que recebo, não considero sua origem imoral (ou ilegal).

    Acho que a maioria das pessoas reclama dos impostos mas ao mesmo tempo defende um estado paternalista, isto de fato não faz o menor sentido.
  • Fernando Chiocca  19/10/2012 14:53
    Você ao menos leu o artigo linkado do Rothbard?
    Está achando estranho isso?
    Já se deu conta do mundo em que vivemos? Nessa sociedade doente que legitima o roubo institucionalizado?
    Se tem alguém que pode ser considerado não conivente com nada disso, são os libertários.. mas não podemos parar de viver por conta disso.
    A maioria pode "reclamar dos impostos", mas tirando os anarcocapitalistas, elas são a favor da existência deles, e, na relidade, nem tem o direito de reclamar por conta disso.
    No artigo Rothbard fala sobre, por exemplo, ruas públicas serem pagas com dinheiro roubado. O que faremos, não saímos de casa? Leia lá.
  • Celi  30/10/2012 12:09
    E se a vítima tiver medo do ladrão e não for atrás (exemplo: o ladrão sabe onde vc mora e pode se vingar depois), então tudo bem?? Acho que receber o fruto de um roubo (conhecendo a origem) nunca é algo moral.
  • Gabriel  18/10/2012 10:50
    Boa tarde,

    Acompanho a apenas um ano esse site. Me identifiquei com a Teoria Austríaca. Tento levar mais pessoas a tentar entender os conceitos e benefícios para toda a sociedade.

    Mas confesso que fiquei confuso com esse artigo e os comentários.

    Resumidamente o que entendi é que os que trabalham para o Estado e defendem a Escola Austríaca estão se sacrificando, pois se a Escola Austríaca se sobressair é possível que essas pessoas percam seu sustento e tenham que buscar outras alternativas.

    Se eu estivesse numa posição dessas, confesso que viveria num conflito diário. Acho até que teria dificuldades para dormir.

    Foi o primeiro artigo com seus respectivos comentários que eu li em um ano, que me deixou confuso.

    Sem contar que esse tipo de discussão é um prato cheio para qualquer socialista ou marxista.

    - Trabalho para o Estado, mas defendo o livre mercado!

    Desculpe, mas isso não soa bem para os meus ouvidos de leigo e pessoa comum.

    Acho que com esse artigo e comentários, vocês conseguiram colocar um ponto de interrogação no que entendi de livre mercado.

    Terei que reler muita coisa para fortalecer minhas crenças

    Gabriel.
  • Roberto Chiocca  18/10/2012 11:36
    Gabriel, você não entendeu, a escola austriaca não prega o fim do estado e da coerção, quem faz juizo de valor e propõe meios, escolhe fins é o libertarianismo, uma filosofia politica e não a escola austriaca de economia, que é uma ciência.

    Augusto,
    eu já pensei como você, mas se você se recusar a "receber" qualquer coisa do estado, no atual cenário, você não vive, como bem exemplificou Rothbard ele mesmo trabalhava numa universidade privada cuja a qualq ele foi depois descobrir que mais da metade da renda dela vinha de dinheiro roubado dos individuos, recomendo:
    Libertarian Punishment Theory: Working for, and Donating to, the State

  • Augusto  18/10/2012 10:50
    Exato.

    A diferença entre os serviços é a COERÇÃO!

    Um professor do estado é tão coercitivo quanto um batedor de carimbos da receita. O que caracteriza a imoralidade de ambos é a coerção.

    Essa diferença que o Rothbard fez foi um subterfúgio para não o acusarem de incoerente.

  • Rafael França  18/10/2012 14:04
    Eu vi o comentário do Gabriel, e lembrei de algo que volta e meia falo com os meus amigos: Funcionários e Servidores Públicos, e beneficiários de programas de assistência não deveriam ter o direito de votar, uma vez que existe um claro conflito de interesses; um funcionário de uma repartição X nunca votaria em um candidato que como projeto de governo extinguir a repartição X, uma vez que eliminaria seu sustento. Não digo isso apenas no âmbito liberal-libertário, mas mesmo no estado intervencionista que vivemos, moralmente esses cidadãos não deveriam ter o direto de votar.
  • Celi  30/10/2012 12:04
    Concordo com seu comentário e achei o do Leninmarquisson da Silva hilário, rsrsrs.\r
  • Celi  30/10/2012 12:15
    Opsss, quiz dizer que concordo com o comentário do gustavo sauer (que perguntou se alguém concordava com ele).
  • Rodrigo  19/10/2012 10:26
    Me parece estranho não poder ser funcionário da receita federal e ao mesmo tempo poder trabalhar nas atividades do item a. Como seriam remunerados os funcionários do item a, se não existisse receita federal?

    Abs
  • Rodrigo Fernandes  18/10/2012 09:33
    Fugindo do assunto, vejam que interessante:

    www.google.com.br/trends/explore#q=%22ludwig%20von%20mises%22&geo=BR&cmpt=q

    Este gráfico mostra as buscas por "ludwig von mises" no Brasil durante os últimos anos.
  • oneide teixeira  19/10/2012 06:06
    Coloca "Worldwide" e vai ver pq tem que ter mais estratégia.
  • Artur Fernando  18/10/2012 10:26
    A integridade não consiste em ignorar a realidade de modo que te leve a um comportamento autodestrutivo. O verdadeiro teste de integridade (da qual a honestidade é somente parte) será aplicado no momento em que for possível passar o trator em instituições que pela ciência econômica austríaca, são prejudiciais a resolução dos problemas econômicos que ela desnuda.
    Eu, como advogado, conheci a escola austríaca e a doutrina liberal clássica, por seus próprios fundamentos e não sob lentes esquerdistas, apenas no final da Graduação. Não vou jogar 05 anos da minha fora para não interagir com as estruturas estatais. Pelo contrário, utilizei o novo conhecimento para direcionar minha carreira a uma atuação pela defesa do patrimônio, dos investimentos e da livre iniciativa das pessoas físicas e jurídicas em relação ao Poder.
  • André Luiz S. C. Ramos  18/10/2012 10:56
    Eu falei sobre isso na Conferência Nacional do EPL: www.youtube.com/watch?v=LZxbMov5tBo\r
    \r
    Mas eu falei como um libertário, e não como um economista austríaco, já que nem economista sou. Não vejo problema em um economista austríaco trabalhar numa universidade pública ou numa entidade pública qualquer. Mas se esse economista austríaco for também um libertário...\r
    \r
    Antes eu até discutia e tentava argumentar em meu favor, mas hoje quando alguém me critica por ser funcionário público e libertário ao mesmo tempo, eu faço uma coisa bem simples: fico calado.
  • Augusto  18/10/2012 11:02
    Roberto Chiocca disse:

    "Mesmo não sendo obrigatório um austriaco ser libertário, eu acho que não sê-lo sendo austriaco denota uma psicopatia grave, um desejo pela destruição, morte, miséria não é coisa de gente normal."

    Ou seja,

    Ou os professores são anarquistas, ou ele acabou de chamar os três professores deste artigo de psicopatas anormais!
  • Roberto Chiocca  18/10/2012 11:40
    Os três são libertários, jamais cometeria tamanha gafe
  • Renato  18/10/2012 14:51
    A respeito dos supostos psicopatas austríacos, é de se notar que os antigos austríacos mais antigos (inclusive o próprio Mises) não eram anarco-capitalistas. Certamente não creio creio que eram psicopatas.\r
    \r
    Eu particularmente já me considerei um social-democrata, eventualmente passeis a me considerar um liberal clássico, e hoje pendo mais para a minarquia, conforme fui lendo e compreendendo melhor os ensinamentos de Mises. Mas certamente não creio na anarquia, e a bem da verdade, muitas das respostas dos anarco-capitalistas me ajudaram a rejeitar o conceito de sociedade sem governo. Li muitas das respostas aos questionamentos a esse conceito, e algumas questões me parecem terem sido respondidas a contento, mas outras tiveram respostas não me satizfizeram. Então não posso defender uma idéia que julgo de aplicação impossivel, ou extremamente improvavel. Além disso, não é um caminho sem riscos: um fracasso (ou grave mal funcionamento) de uma eventual tentativa de constituir uma sociedade anarquista daria um trunfo imenso aos socialistas. O fracasso de uma ideologia (anarco-capitalismo) seria desonestamente usado como "prova" contra uma idéia sensata e racional (EA). Então, porque eu arriscaria o que é bom, em prol do que julgo impossível ou disfuncional?\r
    \r
    Há um motivo adicional para minha desconfiança em relação ao anarco-capitalismo. Muitos dos seus defensores defendem conceitos históricos que julgo totalmente errados. Acreditam que governos surgiram como máfias que passaram a controlar as pessoas. Ocorre que eu entendo os governos como um desenvolvimento e hipertrofia das antigas chefias monopolísticas tribais, que foram um fenômeno virtualmente universal, e portanto, com toda probabilidade, algo natural ao ser humano. Veja que o entendimento desse ponto gera uma divergência enorme na resposta ao fenômeno dos govenros atuais. Quem acredita que eles são apenas máfias, em princípio totalmente desnecessários, lutara pela sua eliminação. Quem acredita que eles são uma hipertrofia dos governos primitivos (chefias monopolísticas tribais) lutará contra essa hipertrofia.\r
    \r
    Não sei o que cada um pensa, mas suponho que isso muitos daqueles que são austríacos, mas não anarquistas, dariam respostas semelhantes às minhas.
  • Neto  21/10/2012 15:49
    Renato, eu me julgo ancap, e não discordo em nada do que você falou quanto à origem dos governos nas sociedades primitivas
    Pode até ser uma coisa na natureza humana mesmo, mas e dai? O que era necessário num líder primitivo não é a mesma coisa que é importante hoje.Uma hora o homem tem que evoluir.

  • Celi  30/10/2012 12:24
    Neto, uma dúvida, se os líderes tribais já surgiram como uma evolução, a anarquia não seria um retrocesso??
  • Renato  30/10/2012 14:52
    Quem disse que líderes tribais surgiram como uma evolução? Talvez, onde quer que humanos vivessem em grupos, ouvessem líderes.
  • Renato  30/10/2012 15:21
    Neto\r
    \r
    Creio que isso muda muita coisa. Não nego que existe a possibilidade teórica de que o ser humano possa vir a se organizar totalmente sem chefias monopolísticas. Mas uma compreensão melhor de como foi o passado influirá de forma importante na análise que se faz do presente.\r
    \r
    Vejamos um caso importante. Uma determinada tribo tinha chefes monopolísticos (tão comum comu uma pessoa ter cinco dedos em cada mão). Eventualmente se fixou em vilas, também com chefes monopolísticos. Então, as necessidades de defesa passam a exigir muralhas, porque o aumento da complexidade da sociedade produziu mais riqueza, que incita a mais ataques de outros povos. As muralhas tornam o monopólio da liderança ainda mais difícil de ser evitado. Como num condomínio, as muralhas são de todos, inevitavelmente, e decisões sobre elas não são simplesmente questões entre particulares. E o que for feito quanto a elas, terá de ser aceito por todos. Se você quiser ter seu sistema de defesa particular, sua única opção é o exílio, ficando longe de sua família e amigos. Tal governo já tem então as características essenciais de um estado. Note que foram as exigências da situação, e não simplesmente a vaídade dos chefes monopolísticos, que provocaram um aumento do escopo do governo, e portanto um aumento do nível de coerção (parelalamente, líderes vaidosos devem ter usado a situação para aumentar artificialmente, ainda mais, o escopo de suas lideranças).\r
    \r
    Um ponto central a ser observado é que a mudança de uma sociedade menos complexa para uma mais complexa aumentou o escopo do governo, e isso aconteceu, pelo menos em parte, naturalmente, não pelo planejamento de alguém.\r
    \r
    Bom, a aposta do libertários parece ser que, a partir de agora, é mais fácil evitar a liderança monopolística do que foi no passado, sendo a nossa sociedade mais complexa. Essa aposta vai contra o registro histórico, que mostrou um aumento do escopo do governo com o aumento da complexidade da sociedade. A mim, que olho de longe, parece que a chefia monopolística era mais dificil de ser evitada por sociedades antigas mais complexas do que pelas mais simples. Aparentemente, a idéia dos liberais clássicos (e dos primeiros austríacos) era podar dos poderes governamentais, exceto aqueles que eles não viam como evitar. A história parece favorecer essa visão da inevitabilidade (ou quase) de algum poder governamental.\r
    \r
    Noto que a narrativa que fiz contradiz a compreensão que muitos libertários parecem ter da história, a qual me pareceu algo assim "eramos livres, mas então surgiram gangs chamadas governos, que nos escravizaram, e agora basta simplesmente lutar contra essas gangs e vence-las, e seremos livres novamente".
  • Andre Cavalcante  31/10/2012 11:43
    Renato,

    "Creio que isso muda muita coisa. Não nego que existe a possibilidade teórica de que o ser humano possa vir a se organizar totalmente sem chefias monopolísticas."

    Isso já aconteceu. Sociedades formadas a partir e com base em clãs não tem uma chefia monopolística, mas vários chefes (os das clãs).

    "Mas uma compreensão melhor de como foi o passado influirá de forma importante na análise que se faz do presente."

    Ok.


    "Vejamos um caso importante. Uma determinada tribo tinha chefes monopolísticos (tão comum como uma pessoa ter cinco dedos em cada mão)."

    Só faltou dizer que tais chefes eram acordados com todos da tribo. Não havia imposição de tal e, principalmente, não havia roubo da tribo para a manutenção do chefe, o qual caçava igualmente como os demais da tribo.

    "Eventualmente se fixou em vilas, também com chefes monopolísticos."

    Pois é. Aí você dá um salto de uns 500 anos em um parágrafo, como se isso acontecesse assim, de repente. Não, as vilas foram se formando a medida que várias clãs passaram a conviver próximas umas das outras. O chefe monopolista surgiria depois, por uma questão de segurança.

    "Então, as necessidades de defesa passam a exigir muralhas, porque o aumento da complexidade da sociedade produziu mais riqueza, que incita a mais ataques de outros povos. As muralhas tornam o monopólio da liderança ainda mais difícil de ser evitado."

    Aí você parte do pressuposto que o cara que assumiu a função de segurança o fez de bom grado e sem nenhum tipo de intensão. Não, não é assim que o ser humano funciona. Para se tornar um chefe monopolista, em qualquer lugar, ele tem que ter apoio de todos (se não, da maioria) e deve convencer que somente ele pode realizar tal objetivo, a segurança, em detrimento de todos os outros.

    "Como num condomínio, as muralhas são de todos, inevitavelmente, e decisões sobre elas não são simplesmente questões entre particulares. E o que for feito quanto a elas, terá de ser aceito por todos."

    Não, em um condomínio, as decisões são tomadas pela maioria - a reunião de condomínio é soberana, com poderes inclusive de destituir o síndico ou cancelar o contrato com uma eventual administradora. De qualquer forma, há uma distância grande entre um condomínio (síndico) e uma cidade (leia-se prefeitura). A imposição do prefeito é total, a do síndico, nem tanto, porque o seu poder é limitado. No caso da primeiras cidades, coube a alguém que, se adonando do "poder", passou a ser o chefe da segurança, depois o "prefeito" até eventualmente o "senhor" (dono do burgo ou feudo).

    "Se você quiser ter seu sistema de defesa particular, sua única opção é o exílio, ficando longe de sua família e amigos. Tal governo já tem então as características essenciais de um estado."

    "Note que foram as exigências da situação, e não simplesmente a vaídade dos chefes monopolísticos, que provocaram um aumento do escopo do governo, e portanto um aumento do nível de coerção (parelalamente, líderes vaidosos devem ter usado a situação para aumentar artificialmente, ainda mais, o escopo de suas lideranças)."

    Mais uma vez você faz um salto histórico de séculos em um parágrafo. A exigência da situação não aconteceu em um dia, ou mesmo em um ano. Até porque, para se construir uma fortificação qualquer leva tempo, recursos, os quais tem de vir das pessoas que moram lá dentro. E sim, foi a vaidade, o orgulho e o egoísmo de alguns que fizeram centralizar nele (o melhor para aquela função, segundo ele mesmo, e que os outros acreditaram), que o fizeram um chefe monopolístico naquele lugar. É um processo "natural" apenas no sentido que as organizações humanas tendem a ter chefes monopolistas justamente porque a vaidade de alguns convence o restante.

    "Um ponto central a ser observado é que a mudança de uma sociedade menos complexa para uma mais complexa aumentou o escopo do governo, e isso aconteceu, pelo menos em parte, naturalmente, não pelo planejamento de alguém."

    Errado. Sem planejamento, sem uma pessoa que assuma para si o papel de salvador da cidade, nunca ela teria um governo chefiado por aquela pessoa. As pessoas agem por convicções, interesses e vaidades próprias.

    "Bom, a aposta do libertários parece ser que, a partir de agora, é mais fácil evitar a liderança monopolística do que foi no passado, sendo a nossa sociedade mais complexa."

    Sim, e isso é facilmente demonstrado. Somente a auto-organização é capaz de lidar com sistemas mais complexos. Todo sistema centralizado SEMPRE tem um limite de sua capacidade de processar informações. Quanto mais complexo o sistema, mais difícil se torna controlá-lo de forma centralizada. Isso é matemática, é uma lei da natureza. NADA que você possa justificar historicamente pode abalar tal lei.

    "Essa aposta vai contra o registro histórico, que mostrou um aumento do escopo do governo com o aumento da complexidade da sociedade."

    A mesma resposta acima. De fato é o aumento da complexidade da sociedade humana, fruto da divisão do trabalho, que torna mais viável um contexto anárquico, e cada vez menos, um governo centralizado. Aliás, historicamente quanto mais centralizada foram as decisões, mais dificuldades a sociedade teve em se manter, vide o experimento comunista na URSS.

    "A mim, que olho de longe, parece que a chefia monopolística era mais dificil de ser evitada por sociedades antigas mais complexas do que pelas mais simples."

    Sim, justamente porque as sociedades mais simples, portanto mais descentralizadas são mais facilmente gerenciadas de forma comum (tal como um pequeno condomínio), de forma que era difícil o surgimento de um monopolista coercivo. Era precismo modificar isso, concentrando as pessoas nas cidades e convencendo-as da necessidade de um chefe monopolista coercivo. Esse é o jeito centralizado de fazer as coisas. Com a divisão do trabalho de nossa época, a existência de mais de uma centena de países é uma mostra que a descentralização hoje está voltando, principalmente decorrente da complexidade atual.

    "Noto que a narrativa que fiz contradiz a compreensão que muitos libertários parecem ter da história, a qual me pareceu algo assim "eramos livres, mas então surgiram gangs chamadas governos, que nos escravizaram, e agora basta simplesmente lutar contra essas gangs e vence-las, e seremos livres novamente".

    Não sei se para todos os libertários, mas por mim, a liberdade é inerente à consciência da criatura. Ela somente pode ser verdadeiramente livre, a partir do conhecimento (da visão integral) das coisas ao seu redor. Devemos lutar contra a coerção, não contra empreendedores e líderes, que muitas vezes podem ser únicos em determinada época (sem contudo ser monopolista, desde que a entrada de outros líderes seja facilitada). Se os gaúchos quiserem se desligar do Brasil, porque não? É esse o espírito.
  • Renato Souza  06/11/2012 14:22
    André\r
    \r
    Passo a assinar Renato Souza, porque notei a presença e outro Renato comentando em outro artigo.\r
    \r
    "Isso já aconteceu. Sociedades formadas a partir e com base em clãs não tem uma chefia monopolística, mas vários chefes (os das clãs)."\r
    \r
    Até onde percebo, nas sociedades onde existem clãs, só muda a escala, não a questão. A não ser que as pessoas mudem facilmente de um clã para outro sem serem obrigadas e ficarem longe de suas famílias, o que me parece improvável.\r
    \r
    "Só faltou dizer que tais chefes eram acordados com todos da tribo. Não havia imposição de tal e, principalmente, não havia roubo da tribo para a manutenção do chefe, o qual caçava igualmente como os demais da tribo."\r
    \r
    A unanimidade é sempre improvável. O que acontece é que aqueles que não concordam muito com a escolha de um novo chefe preferem não bater o pé contra, desde que o achem pelo menos razoável, para não ficarem contra a maioria da tribo. Isso chama-se política. O fato de não haverem impostos não muda o fato da chefia ser monopolística.\r
    \r
    "Pois é. Aí você dá um salto de uns 500 anos em um parágrafo, como se isso acontecesse assim, de repente. Não, as vilas foram se formando a medida que várias clãs passaram a conviver próximas umas das outras. O chefe monopolista surgiria depois, por uma questão de segurança."\r
    \r
    Isto é uma caixa de comentários. É claro que resumi. Quanto a formação de vilas, suponho que sua formação variou de povo para povo. Mesmo porque não eram todos os povos que se organizavam em clãs.\r
    \r
    "Aí você parte do pressuposto que o cara que assumiu a função de segurança o fez de bom grado e sem nenhum tipo de intensão. Não, não é assim que o ser humano funciona. Para se tornar um chefe monopolista, em qualquer lugar, ele tem que ter apoio de todos (se não, da maioria) e deve convencer que somente ele pode realizar tal objetivo, a segurança, em detrimento de todos os outros."\r
    \r
    Não André, as vilas ja tinham chefias únicas. Não é questão de convencer, simplesmente a chefia única do agrupamento sedentário se mantém na cidade. E por chefia única não quero dizer que um só governasse. Ainda que o governo fosse por democracia direta, sem impostos e sem decisões absurdas, ainda assim não há uma chefia alternativa.\r
    \r
    "Não, em um condomínio, as decisões são tomadas pela maioria - a reunião de condomínio é soberana, com poderes inclusive de destituir o síndico ou cancelar o contrato com uma eventual administradora. De qualquer forma, há uma distância grande entre um condomínio (síndico) e uma cidade (leia-se prefeitura). A imposição do prefeito é total, a do síndico, nem tanto, porque o seu poder é limitado. No caso da primeiras cidades, coube a alguém que, se adonando do "poder", passou a ser o chefe da segurança, depois o "prefeito" até eventualmente o "senhor" (dono do burgo ou feudo)."\r
    \r
    Não é verdade que o poder do chefe da cidade, seja qual for a seu título, seja necessariamente sem limites. Cada povo teve a sua história. Em certos povos, o rei era eleito. Em outros, um conselho de anciãos governava. Em outros, se exercia a democracia direta. Em outros, governava um tirano. Mas a forma do governo é irrelevante para o ponto que eu quero ressaltar. Independentemente da forma do governo, quem ficar numa posição minoritária, ou se conforma, ou sai. O fato dos líderes poderem ser destituídos não muda isso.\r
    \r
    "Mais uma vez você faz um salto histórico de séculos em um parágrafo. A exigência da situação não aconteceu em um dia, ou mesmo em um ano. Até porque, para se construir uma fortificação qualquer leva tempo, recursos, os quais tem de vir das pessoas que moram lá dentro. E sim, foi a vaidade, o orgulho e o egoísmo de alguns que fizeram centralizar nele (o melhor para aquela função, segundo ele mesmo, e que os outros acreditaram), que o fizeram um chefe monopolístico naquele lugar. É um processo "natural" apenas no sentido que as organizações humanas tendem a ter chefes monopolistas justamente porque a vaidade de alguns convence o restante."\r
    \r
    Bom, é claro que saltei. Como disse, isso aqui é uma caixa de comentários. Mas isso não muda nada da essência do que estou dizendo. Você bate na tecla da centralização em uma pessoa, mas eu considero isso totalmente irrelevante para o ponto que estou colocando. Mesmo que seja uma democracia direta, onde todos tenham voz, não deixa de ser um governo monopolístico.\r
    \r
    "Errado. Sem planejamento, sem uma pessoa que assuma para si o papel de salvador da cidade, nunca ela teria um governo chefiado por aquela pessoa. As pessoas agem por convicções, interesses e vaidades próprias."\r
    \r
    Novamente, você imagina que estou discutindo a centralização do poder em uma pessoa. Estou discutindo a formação do governo, o que é muito diferente.\r
    \r
    "Sim, e isso é facilmente demonstrado. Somente a auto-organização é capaz de lidar com sistemas mais complexos. Todo sistema centralizado SEMPRE tem um limite de sua capacidade de processar informações. Quanto mais complexo o sistema, mais difícil se torna controlá-lo de forma centralizada. Isso é matemática, é uma lei da natureza. NADA que você possa justificar historicamente pode abalar tal lei."\r
    \r
    Nisso eu concordo com você. Há limite para o tamanho de uma unidade política, acima da qual ela se torna disfuncional. Mas eu não falei em aumento da centralização, falei em aumento do escopo de atuação do governo. \r
    \r
    "A mesma resposta acima. De fato é o aumento da complexidade da sociedade humana, fruto da divisão do trabalho, que torna mais viável um contexto anárquico, e cada vez menos, um governo centralizado. Aliás, historicamente quanto mais centralizada foram as decisões, mais dificuldades a sociedade teve em se manter, vide o experimento comunista na URSS."\r
    \r
    Novamente você atribui a mim a defesa de um governo centralizado. Por mim, suponho que mesmo cidades de tamanho limitado, governadas por anciãos ou por democracia direta, seriam melhores que os grandes estados nacionais.\r
    \r
    "Sim, justamente porque as sociedades mais simples, portanto mais descentralizadas são mais facilmente gerenciadas de forma comum (tal como um pequeno condomínio), de forma que era difícil o surgimento de um monopolista coercivo. Era precismo modificar isso, concentrando as pessoas nas cidades e convencendo-as da necessidade de um chefe monopolista coercivo. Esse é o jeito centralizado de fazer as coisas. Com a divisão do trabalho de nossa época, a existência de mais de uma centena de países é uma mostra que a descentralização hoje está voltando, principalmente decorrente da complexidade atual."\r
    \r
    Todo gerenciamento comum é coercivo. Já participei de muitas reuniões de condomínio, e isso é evidente. Você atribui a formação das cidades a um intenção malevola de controle por parte de alguns. Ocorre que a história mostra claramente que o crescimento das vilas formando cidades cada vez maiores advém de fatores econômicos, principalmente. Houve quem fundasse cidades, mas grande parte delas simplesmente se desenvolveu naturalmente a partir de vilas.\r
    \r
    "Não sei se para todos os libertários, mas por mim, a liberdade é inerente à consciência da criatura. Ela somente pode ser verdadeiramente livre, a partir do conhecimento (da visão integral) das coisas ao seu redor. Devemos lutar contra a coerção, não contra empreendedores e líderes, que muitas vezes podem ser únicos em determinada época (sem contudo ser monopolista, desde que a entrada de outros líderes seja facilitada). Se os gaúchos quiserem se desligar do Brasil, porque não? É esse o espírito."\r
    \r
    Secessão é um direito. Mas isso não muda nada do que eu disse.\r
  • Andre Cavalcante  07/11/2012 14:30
    Olá Renato,

    Acho que entendi o seu ponto. Você chama de governo qualquer tipo de liderança estabelecida em uma determinada área. A questão do monopólio é uma segunda característica na tua definição de governo. Seria assim: governo é toda e qualquer organização na qual um líder ou alguns líderes tomam as decisões em uma determinada região. E, para você, este é monopolista, porque não divide a decisão com mais ninguém ou não há alternativa de poder para quem seja subordinado. Estou certo?

    Aí que a gente tem enfoques diferentes. Para mim um governo é caracterizado necessariamente pelo monopólio da força em um determinado território, independente do líder do governo mudar ou não. Por ser o monopólio da força, há coerção sempre e independente da vontade dos súditos, então o governo é mantido pela coerção dos súditos - e para mim esta é uma diferença fundamental, o governo está necessariamente associado a retirada de bens de uns para a manutenção de outros. Então, para se ter um governo, não basta que eu escolha quem será o meu líder, mas que haja coerção do líder para baixo, e recursos de baixo para o líder, o que efetivamente não ocorre em uma família, ou clã, ou tribo bem primitiva, mas ocorre em tribos mais complexas, vilas e cidades.

    O problema que vejo em sua definição (se estou a entender corretamente) é que, no caso do Brasil, efetivamente não há monopólio para os líderes (teoricamente eles mudam a cada 4 anos), ou seja, eles efetivamente entram em concorrência uns com os outros. Entretanto, vejo que se trata de um sistema que, independente dos líderes, mantém a coerção.

    Quando citei os clãs é que é uma organização um pouco maior que uma família (e.g. é uma família estendida). Neste contexto, o líder do clã é também o "governante", mas note que não há aqui a retirada de bens dos súditos para o governo, pois, de fato, o próprio trabalho do líder é revertido para o clã - ele trabalha tanto quanto os outros. E isso, creio, é bem diferente de uma vila que, em geral, recebe gente externa à família dominante (não raro os donos da terra) e há, de fato, um direcionamento de recursos (coercitivamente) dos súditos para o governante.

    Fora esta visão, de resto estamos falando as mesmas coisas.

    Abraços
  • Laudelino  18/10/2012 11:29
    Creio que exista uma explicação muito mais simples.

    Independentemente da sua intenção, ideologia, religião e o que mais... a melhor estratégia de vitória é a gramsciniana "Ocupação de espaços"...
    Se você não estiver alí, seu inimigo estará e você irá perder.
    Isso por sí só justifica quem quer que seja em qualquer lugar... desde a universidade até a Receita federal (Um herói !)
  • Pedro  19/10/2012 18:17
    Perfeito, essa é uma estratégia de guerra inclusive.

    Criticamos tanto o estado e as pessoas que o compõe, mas como vamos mudá-lo sem, de certa forma, ter alguém que tem nossa ideologia lá dentro? Odiamos políticos, mas como pretendemos mudar o estado sem entrar na política, sem termos prefeitos, deputados e senadores libertários?

    Alguém ainda pode argumentar que podemos mudar as coisas mudando a mente das pessoas através de sites como o Mises Brasil, mas e se o estado resolver censurar o site, assim como já censura absurdamente os meios de comunicação? E aí como é que fica? E quando o estado controla uma quantidade enorme de escolas e universidades? Não é melhor, do ponto de vista estratégico e de difusão das idéias termos professores libertários nas escolas públicas?

    Até para o simples compartilhamento de informações a coisa fica dificil se deixarmos o monopólio do uso legal da força ser ocupado apenas por não libertários porque libertários seriam chamados de hipócritas ao fazerem parte do estado.
  • Digo  18/10/2012 13:05
    Eu diria inclusive que os libertários deveriam entrar na política. Concorrer a cargos públicos. Fazer propaganda política para instruir a população e desmontar a burocracia de dentro do sistema.

    Repito que não adianta querer bater de frente nem ser radical. É bom lembrar que não foi a Guerrilha do Araguaia que chegou ao poder, mas o Lulinha Paz e Amor. Os libertários deveriam adotar as mesmas estratégias.

    Nem entro na questão do anarco-capitalismo e sua aversão ao estado. Mas mesmo esta posição teria a ganhar, não só por poder retirar do estado aquelas atividades que são executadas melhor por entes privados em outros países, mas também na possibilidade de defender a criação de zonas econômicas especiais anárquicas que poderiam servir de experimentos para apontar o caminho (ou mesmo revelar o anarco-capitalismo como uma impossibilidade prática).

    Tudo bem que uns e outros se percam pelo caminho, mas pelo menos as ideias seriam difundidas com muito mais eficiência. E aposto que a população brasileira as receberia com considerável entusiasmo.
  • oneide teixeira  18/10/2012 13:33
    Esta coreto um austriaco ser professor ou trabalhar no estado?

    Sim, esta correto.

    Especialmente se for uma estratégia de mudança cultural em nossa sociedade.
    E este o "furo" da escola austriaca falta uma estratégia de conquista, nisto os marxistas estão anos luz a frente.

    A estratégia marxista é deixar os liberais falando em economia e redução de impostos,e ficar focado nisso enquanto eles dominam as mentes dos jovens do nosso país, dominando imprensa, estado e cultura.

    Libertarianismo não é somente economia e também cultura,politica, moral, ética.

    Quem vai fazer a revolução cultural libertária?

    Quem é o nosso Antonio Gramsci?



  • Camarada Friedman  21/10/2012 12:59
    Nada do que essa gente faz trás bons resultados, nisso ae temos vantagens...

    Todas as políticas de igualdade salarial de sexos dão em merda, veja nos EUA... a galera ta contratando menos mulher com medo de tomar processo.
    Todas as políticas de Affirmative Action dão em merda, procura pelo Sowell ele detalhou tim tim por tim tim... da até dó.
    Posso citar o exemplo do salário mínimo(federal) aqui no Brasil, que cria discrepâncias retardadas entre o trabalhador nordestino(mais pobre) e o paulista.

    Qualquer mané entende isso, rapidinho. A gente tem que desmistificar e isso é fácil. Precisamos de mais pessoas... pq em questão de armas, com certeza... não tem pra ninguém.

    É só chamar essa gente pro debate, filmar... e descer a lenha.

    Quem viu o debate do petista com o filho do Plinio contra os 2 liberais no you tube ? TODOS os comentários foram a favor dos liberais, até esquerdistas sentiram vergonha. Aquilo la foi um bom exemplo... e gostaria de ver mais e mais daquilo acontecendo.
  • Rodrigo DSP  23/10/2012 08:16
    Gostaria de ver esse debate. Tem como postar o link?
  • Dênis  29/10/2012 19:34
    Aqui o link:\r
    www.youtube.com/watch?v=GiVEgnM12TY&feature=BFa&list=UUjVRckboC97Lzu1EE2ceT5w&hd=1
  • Getulio Malveira  18/10/2012 13:58
    "um argumento ad hominem não merece muita atenção".

    Pronto. Isso já seria suficiente para encerra esse debate, mas infelizmente há os que não conseguem amadurecer intelectualmente; há os que continuam a ser marxistas (com toda a bobagem sobre ideologia, classes sociais e etc), mesmo repudiando Marx; há os que precisam recorrer à intolerância para esconder sua fragilidade intelectual.

    Se devemos agradecer ao IMB pela divulgação da EA, muito mais o deveríamos fazer àqueles que a cultivam na academia brasileira.

    Parabéns aos professores Iorio, Barbiere e Müller. Sou grande admirador de vosso trabalho!
  • Michel  18/10/2012 15:38
    Tinha escrito um comentário mais elaborado mais cedo, mas infelizmente ao clicar no botão 'enviar comentário' o site passava por um período de "queda", então perdi a resposta. Agora vou fazer um comentário mais sucinto, por tópicos:

    -É verdade que vivemos num mundo intervencionista, mas é diferente ser obrigado a pagar por um serviço estatal e eventualmente utilizá-lo, e.g, ruas, e receber um salário do estado, a não ser que me proponham que funcionários públicos pagam o próprio salário. Trabalhadores do estado pagam impostos como todos os outros, mas retiram mais do que dão. Desnecessário dizer que esse dinheiro é roubado.

    -É verdade que um adepto à economia austríaca não necessariamente é libertário (o que me parece estranho, mas entendo o ponto). A questão é, vocês não são libertários? Pessoalmente não respeito a posição dos senhores, meu princípio nuclear é o da não-agressão, e não achei seus argumentos muito convincentes.

    -Concordo que pode-se aprender muito mais no YouTube ou em outros lugares na internet do que em uma universidade, pública ou privada. E isso está acontecendo cada vez mais hoje em dia, a internet é um veículo poderoso. Uma humilde sugestão à vocês seria manter um canal no YouTube, por exemplo, dando vídeo-aulas e outras palestras. Quem sabe mudar para um emprego na iniciativa privada?

    -Acho que podem entender meu ceticismo: se o que vocês pregam se concretizar, vocês não receberam mais salários. Eu não acho impossível seus princípios serem mais fortes que os incentivos monetários, mas acho que podem entender quando as pessoas, imediatamente, acham isso estranho. Me arrisco a dizer que essa inconsistência não faz muito pelo avanço da escola austríaca e da liberdade.

    -Sobre o argumento final falando de Marx: então, Marx era inconsistente. Isso não é uma grande novidade para nós, não é? Ele ainda era gastão! (fonte: mises.org/daily/6179/Marxs-Path-to-Communism). Isso não justifica inconsistência por parte de vocês, mesmo que alguns de seus críticos sejam marxistas.
  • Augusto  18/10/2012 15:43
    Roberto Chiocca disse:

    "Os três são libertários, jamais cometeria tamanha gafe"

    Gostaria de saber dos professores se a afirmação procede: os senhores são anarquistas?

  • Ubiratan Iorio  18/10/2012 15:50
    O foco do IMB é a Escola Austríaca de Economia. Como o IMB é formado por indivíduos, é claro que entre nós há desde quem defende o anarco-capitalismo até os austríacos da tradicionais, entre os quais me incluo. Quem ler meus artigos aqui, verá que menciono Mises e Hayek frequentemente e também Roger Garrison, que é detestado pelos mais puristas. Citei também, embora menos vezes, Rothbard. E que, se não me falha a memória, não citei Hoppe nenhuma vez, embora haja pessoas do IMB que o colocam em primeiro plano. Como Diretor Acadêmico do IMB, posso afirmar que não somos anarco-capitalistas nem "tradicionalistas", somos simplesmente austríacos. E isso significa por si só uma grande diversidade. Diversidade que temos que respeitar, já que, aginal, a principal bandeira que defendemos é a da liberdade.
  • LAUDELINO  18/10/2012 17:39
    Ocupar todos os espaços possíveis é o segredo para a vitória !
    Estamos vivendo uma guerra ideológica e cultural... a camarilha vermelha está do outro lado, babando, cheia de recursos e sentada em todos os pontos estratégicos engordando sem ser incomodada.
    Nosso exército do lado de cá, os contrários, sejam eles liberais, conservadores, austríacos ou qualquer outra combinação, é provido de muitas personalidades, culturas e vocações diferentes.
    Precisamos concentrar nossas vocações contra nossos inimigos...

    alguns são soldados, vão pro pau se preciso..
    alguns são cavalarianos, a frente da tropa reconhece terreno e protege da emboscada...
    alguns são artilheiros, conseguem de longe tiros certeiros...
    alguns são intendentes, especializados em suprir...
    outros são de comunicações, sustentam as estruturas de tecnologia...

    Eles só vencem quando trabalham juntos...


    Se empenhar em tentar derrubar os argumentos uns dos outros é uma baita perda de tempo.

    "Nada é mais inútil do que fazer perfeitamente algo que não deveria ser feito - Peter Drucker"

    O inimigo cercou sua casa e você debate com seus irmãos. O vencedor ganha o troféu pescotapa! Perdeu Playboy !

    Temos que focar nossas forças no inimigo... eu apesar de recente aqui tenho algumas questões vicerais contra os libertários... são conceitos que estão impregnados até a medula e não serão mudados sem a destruição e a reconstrução do meu ser... sabe o que faço? NADA, não discuto esses temas com libertários... mudo de assunto! Não espero que ninguém seja como eu! Seria chato também !

    MANTER O FOCO NO INIMIGO... combatê-lo de frente e colocar todas suas forças nisso, não porque você o odeie, mas porque ama o que está atrás... (parafraseando Chesterton)
  • Digo  18/10/2012 20:59
    Laudelino, não poderia concordar mais contigo. Esse "purismo" só deixa os libertários no gueto. Libertários deveriam estar discutindo essas questões no Congresso, na Câmara dos Deputados, no horário político obrigatório, na televisão.

    É coercivo, é com dinheiro tomado de outros à força, é com oligopólio criado com concessão estatal? É sim, mas e daí? Na sociedade atual, todos os meios de tomada de decisão e quase todos os principais meios de comunicação estão tomados pelo estado. Desistir de participar nesses meios, aproveitando o pouco de liberdade de expressão que nos resta, é suicídio. Não vejo como hipocrisia alguma um candidato libertário ocupar um horário de propaganda política obrigatório e pregar sua própria extinção ou um congressista libertário usar seu tempo na Voz do Brasil para dizer que esta deveria ser extinta.

    Olha o exemplo do Ron Paul no Estados Unidos. Onde está nosso Ron Paul?
  • Laudelino  19/10/2012 09:15
    Obrigado pelo comentário Digo.

    Não conheço muitos políticos. Recentemente reve um que usou artigos do mises contra o BACEN. O Ricardo Salles em SP, do endireita Brasil não conseguiu.
  • PESCADOR  19/10/2012 07:25
    Concordo totalmente contigo, caro Laudelino.
    Uma vez escrevi na comunidade do LIBER no orkut - a maior, que o Fernando criou, não a oficial, com menos participantes - mais ou menos isso que você escreveu, que estamos em guerra e precisamos agir contra os inimigos da liberdade. O pessoal não gostou muito e me esculhambou por eu usar uma linguagem "militarizada". Mas é isso aí mesmo. A estratégia granscista deles caminha fortemente e nós não temos nem um partido disputando eleições, nem um jornalzinho, uma revista mensal, algo mais concreto. Não recrimino os 3 professores austríacos trabalhando em Universidades públicas, se puderem realmente ensinar EA para os alunos. Afinal de contas, se eles não estivessem lá, seriam outros 3 professores keynesianos/marxistas divulgando teorias furadas e contra a liberdade. Hoje são 3 austríacos dando aula lá, espero que sejam 30 daqui a alguns anos.
  • Laudelino  19/10/2012 09:16
    Obrigado pelo comentário PESCADOR.
  • Daniel  18/10/2012 19:34
    Concordo, Prof.

    Mas você viu o comentário do Roberto?

    Ele basicamente disse que quem segue a EA e não é anarquista tem problema mental.

    Este tipo de pluralismo da EA que você diz defender não é o que vemos aqui no dia-a-dia do instituto....

    Abraços,

    Daniel
  • Fernando Chiocca  18/10/2012 20:44
    Daniel, você não sabe ler ou é algum outro problema que você tem?

    Onde que o Roberto sequer usou a palavra "anarquista"???

    O que ele disse com todas as letras foi "libertário", e, de fato, os 3 professores em questão são libertários.
    Acho que o Mueller e o Barbieri são contra qualquer tipo de estado (última vez que conversei sobre isso com o Mueller, ele se dizia ortocapitalista. O Barbieri eu não tenho certeza, mas acho que é anarco mesmo). E o Bira seria aquilo que é chamado de libertário minarquista, ou seja, acredita na necessidade de algum estado ainda.

    E agora indo mais longe e dizendo coisas que não foram ditas, eu só conheço 2 economistas austríacos que atualmente defendem algum tipo de estado, o Bira e o o George Reisman, que é randiano.

    Todos os outros que eu conheço, até onde sei, são contra a existência de um monopolista agressor, i.e., o estado. E isso inclui 100% dos acadêmicos do Mises Institute, e também todos os outros ligados a outras instituições.

    E eu acredito que tem algo errado com eles sim (óbvio, pois se eu achasse que os outros é que estavam certos e eu é que estava errado, eu me juntaria instantaneamente aos outros), já que não existe nenhum argumento em defesa da existência do estado que se sustente, e isso pode ser demonstrado a qualquer momento no curso de uma argumentação, e se sustentar em opiniões de gente como Mises e Hayek que não estão entre nós não adianta nada. (alias, se for se sustentar por Hayek, adiantaria para ser um social democrata)


    E você Daniel, qual a sua justificativa para defender a agressão de um inocente?




  • Luciano  19/10/2012 07:01
    Fernando,

    Desculpe-me pela ignorância. O que seria um ortocapitalista?

    Desde já, obrigado pela atenção
  • Fernando Chiocca  19/10/2012 07:15
    Isso você teria que perguntar pra ele, pois, se eu consegui entender o que é, eu me julgo incapaz de explicar. Só entendi que é também contra a existência de um estado.
  • Ubiratan Iorio  18/10/2012 15:56
    Continuando, eis os objetivos do IMB:



    I - promover os ensinamentos da escola econômica conhecida como Escola Austríaca;

    II - restaurar o crucial papel da teoria, tanto nas ciências econômicas quanto nas ciências sociais, em contraposição ao empirismo;

    III - defender a economia de mercado, a propriedade privada, e a paz nas relações interpessoais, e opor-se às intervenções estatais nos mercados e na sociedade.
  • Daniel Fraga  18/10/2012 16:01
    É como o Adolfo Sachsida que é pesquisador no IPEA falou no podcast do Bruno: o bom é ter pessoas como ele no governo, ao contrário de ter socialistas e coletivistas. O mesmo se aplica para libertários em cargos públicos.

    Eu mesmo fui criticado por indicar candidatos libertários nas eleições, mas é muito melhor termos libertários em cargos públicos do que os demais que causariam um grande estrago. No mínimo, é uma política de redução de danos e uma das formas de se infiltrar no estado para a partir dele reduzí-lo ou mudá-lo.
  • Davi  18/10/2012 18:05
    Parabéns aos três mosqueteiros. Vcs estão fazendo um ótimo trabalho e espero que no futuro tenhamos trezentos mosqueteiros. Sou funça também e busco contribui com a liberdade em meu ambiente de trabalho, familia e comunidade. Agradeço de coração todo o esforço que vcs estão fazendo.
    Sobre as criticas, bem como defensores da liberdade cabe a nós "aceitar" a existência de opiniões contrárias, mas não concordar. Neste ponto, penso como o Sachsida, melhor um liberal lá que eu keynesiano ou marxista (apesar de achar que estariamos melhor se não existisse lá).
    Por fim, como o Prof. Barbieri disse em um podcast, estudar escola austríaca tem um grande bônus e um grande ônus, o bônus é estudar o que há de mais interessante em economia, o ônus é sofrer com preconceito no meio acadêmico (os funças têm um ônus a mais, ser considero hipócrita dentro da sua própria escola). Mas não se pode estressar muito, já que carregar fardos pesados é da tradição da escola.

  • Matheus  19/10/2012 10:38
    Sem comparação ser um professor universitário "espalhando a mensagem" austríaca e um funcionário da Receita Federal. O que vale pros primeiros não vale para o último. Klauber, o senhor é um fanfarrão tentando se colocar no mesmo grupo dos professores.
  • Digo  20/10/2012 22:46
    Ah, radicais...

    enquanto vocês desqualificam gente por trabalhar na Receita Federal, os esquerdistas assumem vagas nas federações de indústria, espalham sua doutrina na chamada "imprensa burguesa" e convertem mentes em universidades particulares. Tudo isso sem o menor pudor. Se os esquerdistas fossem se comportar como vocês, os EUA e, principalmente, a Argentina, jamais estariam onde estão hoje.
  • Hugo  20/10/2012 11:22
    Deixa eu ver se entendi a questão que o Rotubard falou. Então é moral eu ser funcionário publico em profissões como professor ou medico, mas é imoral eu ser um funcionário da Receita ou da Anatel, é isso?
  • Neto  20/10/2012 12:40
    Pelo que entendi não é moral, é menos ruim
  • Rodrigo  21/10/2012 07:42
    Respeito acima de tudo!
  • Marcelo  21/10/2012 15:20
    "E o outro foco do Mises Brasil é defender a liberdade e a propriedade, por isso autores como Hayek, que quando saem da economia atacam esses valores, defendendo a democracia socialista, ficam de fora. Nem poderia deixar de ser diferente."


    Sou ignorante em Hayek. Alguém, por favor, poderia me dizer onde ele defende isso? Ou, num ato de caridade intelectual, resumir a visão do Hayek aqui? :)


    E só uma observação sobre a discussão: aceitando-se a existência do estado (como o próprio Mises aceita), por que seria imoral ser funcionário da Receita? Ora, se existe Estado, ele precisa de dinheiro e alguém tem que recolher os impostos. Se a existência do Estado não é imoral, imposto não é um roubo em si; embora possar tornar-se, eventualmente, se excessivo.
  • Fernando Chiocca  21/10/2012 17:21
    Aqui tem um resumo: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1124

    E só uma observação sobre a discussão: aceitando-se a existência do estado (como o próprio Mises aceita)

    Mises "aceita" de uma maneira bem peculiar (quasi-anarquista): Mises on Secession

    por que seria imoral ser funcionário da Receita? Ora, se existe Estado, ele precisa de dinheiro e alguém tem que recolher os impostos. Se a existência do Estado não é imoral, imposto não é um roubo em si; embora possar tornar-se, eventualmente, se excessivo.

    Cof cof cof..

    COmo é que é?

    Roubar um palito de fósforo ou 1 centavo não é roubo.. 2, 3, 50 centavos também não.. talvez roubar 3 reais também não seja.. mas roubar 100 reais.. ahhh, ai esse roubo é roubo!

    Vê-se que você tem certa dificuldade com definições.

    E a sua briga com o dicionário vai ser dura.

    Primeiro não é pela quantidade ou intensidade que se define um ato.

    Segundo que não importa o que se aceite como moral ou imoral. Roubo é a tomada a força do que pertence a outra pessoa. Essa é a mesma definição de imposto. Imposto é roubo.
  • Marcelo  22/10/2012 07:23
    Mises, no Ação Humana, defende a existência do estado para a proteção contra uma agressão externa e ameaças de tomada violenta da propriedade de alguns indivíduos por outros. Partindo daí, quem manteria esse estado? Ele sugere que seja por doação então?

    Grato pelos artigos. Vou ler.
  • Joao  21/10/2012 16:34
    Basicamente: é errado tirar de uns pra dar pros outros a força, mas não receber o que é tirado de uns a força. Nonsense.

    Ou então: é errado receber o que é tirado de alguém a força, a não ser que seja conveniente pra mim (???).

    O argumento de que é necessário pra "espalhar a teoria austriaca por aí, pro bem de todos" é igual ao argumento de qualquer estatista pra qualquer coisa ("é necessário educar as pessoas a serem altruístas, por isso temos que pegar o dinheiro de geral pra fazer isso", "é necessário acabar com as diferenças entre homens e mulheres, por isso é necessário pegar o dinheiro de geral pra isso", "é necessário (insira aqui sua causa favorita), por isso temos que tirar o dinheiro de geral e gastar").
  • Augusto  22/10/2012 07:10
    PERFEITO!
  • Neto  22/10/2012 07:20
    Os fins não justificam os meios né?

    Mas acho que o negócio aqui não é espalhar a mensagem mas sobreviver; como o Roberto disse num mundo intervencionista se você for boicotar o governo em tudo você não vive.

    E entre as formas de colaborar com o monstro, umas são menos ruins que outras
  • Thyago  22/10/2012 06:10
    Mises não desenvolveu alguma atividade de conselheiro na política econômica da Suécia durante certo tempo?
  • Marcos  22/10/2012 16:55
    Artigo perfeito. Enquanto os radicais espumam de raiva por qualquer afronta a seu purismo, os esquerdistas dominam cada vez mais as universidades, a mídia, a administração pública, etc... Aconselho quem não concordou com o artigo a estudar com afinco a estratégia da esquerda brasileira nos últimos 40 anos. Procurem sobre autores comunistas, em especial Gramsci. Então talvez vocês entendam porque abdicar da ocupação de espaços não é uma questão de honra pessoal e sim um suicídio.

    A esquerda amargou uma grande derrota e mesmo sob uma ditadura soube crescer e ocupar espaços a ponto de até alguns anos atrás ser considerada praticamente unanimidade nos meios acadêmicos e culturais. Como resultado temos cada vez menos liberdade. E a situação continuará piorando, a não ser que algo seja feito.

    Então a pergunta é: vamos fazer algo ou esperar sentados até que medidas como aquelas constantes no PNDH sejam implementadas? Que ninguém seja ingênuo de achar que apenas com um blog ou com um debate de internet vai conseguir mudar alguma coisa.

    Acredito que aquela analogia entre arrecadação do estado e o roubo é extremamente infeliz. Nada me parece ter criado maior radicalismo do que ela. Seria bom se fosse entendida apenas como uma provocação, e não levada ao pé da letra.
  • Tory  23/10/2012 03:55
    Marcos, diga então o que é a lei do imposto de 75% sobre os rendimentos acima de 1 milhão de euros instituída pela França, senão roubo? Sem prestar um serviço a mais, com a desculpa de equilibrar o orçamento, um grupo de pessoas foi escolhido para ter sua propriedade "subtraída". E, aqui, a CPMF, que seria usada para gastos com saúde? E os impostos que pago para custear hospitais que não funcionam, escolas que não ensinam e polícia que não prende?

    A existência de serviços estatais pressupõe o roubo institucionalizado, mal justificado como sendo para custear serviços de interesse universal. É menos ruim quando os serviços realmente funcionam, mas isso não deixa de qualificá-los como roubo.
  • Marcos  23/10/2012 12:39
    Tory, este imposto que você citou tem caráter confiscatório. Não passa de uma expropriação direta mal disfarçada de lei tributária. Pela lei isso seria proibido, ao menos no direito brasileiro. Não se pode retirar todo o proveito da propriedade através de impostos, por isso estes teriam um limite. Ou seja, nem precisa ser seguidor da Escola Austríaca para considerar o fato injusto. Até mesmo o direito atual, que é fortemente influenciado pelo estatismo, condenaria tal arranjo. Claro que para todos nós, liberais em várias gradações, seria ainda mais perverso.

    Além disso,não quis dizer que o imposto é eticamente aceitável. Só disse que não é a mesma coisa que o roubo. Sempre fui mais inclinado em considerar como uma associação compulsória. Afinal, teoricamente o dinheiro dos nossos impostos serviria para nos garantir certos serviços providos por uma pessoa jurídica sustentada pelos "associados". Claro que na prática isso não acontece corretamente, por uma série de motivos estudados pela EA. Atualmente, os esquerdistas possuem uma visão de estado que realmente o aproxima da figura do roubo, pois o objetivo estatal seria retirar algo a força de alguém para distribuir para outra pessoa. Mas não é o único modo de se entender o estado.

    Considero o imposto sim um mal. Se é um mal necessário ou não é outra questão. Tendo a acreditar na primeira opção, pois sou cético em relação a viabilidade uma sociedade anarquista em grande escala. Claro que se algum dia isso for tentado e os resultados forem melhores do que uma sociedade com estado ficarei feliz em mudar de opinião.
  • Neto  23/10/2012 02:40
    'Only an adherence to non-compromising intellectual radicalism will help us achieve our goal. An adherence to pragmatism and gradualism will not. '
    Lew Rockwell
    lewrockwell.com/orig13/fagerstrom1.1.1.html
  • Fabio Bastos  23/10/2012 03:19
    Amigos

    Dizer que um defensor da escola Austríaca não pode trabalhar em uma Estatal ou diretamente para o Estado, seria o mesmo que afirmar que um defensor do Comunismo, em um país capitalista, não possa trabalha em uma empresa privada.

    Imagine um professor em Cuba, onde não existe escolas privadas, e que seja simpatizante de Mises e de outros Austríacos, não teria outra alternativa a não ser trabalhar para o Estado, embora seja contra o regime Autoritário cubano.

    Eu particularmente trabalho em uma estatal do Setor Elétrico, entrei via concurso público e defendo a privatização de todas as empresas do setor elétrico. ESTOU DEFENDENDO ALGO QUE CONTRARIA O MEU PRÓPRIO INTERESSE PESSOAL em favor de um ponto de vista que acredito que será melhor para a nação. Ser libertário trabalhando no setor privado é fÁcil pois não atinge nenhum interesse pessoal seu.

    Não podemos esquecer que nos dividimos entre ANARCO-CAPITALISTAS e MINARQUISTAS, este último prega a existência mínima do estado. Estado este que será mantido através da arrecadação Mínima de Impostos (algo entre 3% - 6%). Por esse motivo um Auditor fiscal da Receita, pode ser um libertário do ponto de vista Minarquista.

    Nós libertários somos poucos e se ficarmos guerreando internamente (Anarco-capitalistas x Minarquistas) estamos condenados ao fracasso.
  • Celi  30/10/2012 13:01
    Fabio Bastos, seu comentário foi brilhante!!
  • Eduardo Bellani  30/10/2012 14:08
    Primeiro:

    Libertários no meu entendimento não querem tomar o poder. Querem a
    dissolução do mesmo. Isso só se dá com esclarecimento popular e
    deslegitimação do estado democrático de direito

    Segundo:

    Minarquismo é um absurdo contraditório. O libertário não é a favor de
    pequenas gangues vs grandes gangues de criminosos.


    Terceiro:

    Participar de crime, seja ele pra uma gangue grande ou pequena não lhe
    torna mais ou menos inocente.
  • Observador  01/11/2012 11:33
    Muita religião.
  • Observador  01/11/2012 11:29
    Tudo parece uma intensa batalha "religiosa". Acredito que qualquer simpatizante neófito da abordagem científica da Escola Austríaca se sentirá bastante desmotivado com a leitura da maioria dos comentários feitos sobre o artigo acima. Tem-se a sensação de que tudo não passa de uma guerra ideológica, cheia de julgamentos de valor. Isso não é ciência, isso não é Economia, isso não é Praxeologia.
  • Halison Junior Lunardi  23/10/2012 06:46
    Caros, lembrem-se de Hayek: "entre o idealista dedicado e o fanático, muitas vezes há um pequeno passo." - Grande artigo professores...

    abs


  • André. Cavalcante   23/10/2012 14:40
    Sinceramente acho uma perda de tempo uma discussão como essa. Se ao menos tivéssemos um governo mínimo, ainda teria algum sentido, o que está longe da realidade.
  • anônimo  26/10/2012 04:49
    As vezes essa briguinha parece com a história de uma criança mimada que quer o pacote inteiro de chocolate, e os pais só querem dar um, e ela sai chorando e falando que se for assim não quer nada.

    Já um adulto sabe que se for pra vida só querendo 8 ou 80, ele se ferra
  • Ivan Lima  31/10/2012 08:30
    Considero um desserviço à genial obra miseana, imprescindível à civilização, esse estardalhaço em torno do anarco-capitalismo, algo que por si só enuncia uma base contraditória tão gritante como socialismo e liberdade, uma vez que que capitalismo é organização, harmonia. Quanto as tentativas de agressões contra o Klauber Pires por ser funcionário público é próprio da confusa mentalidade expressada pelos discípulos do anarquismo, que ainda que se diga capitalista, nada mais é do que a evocação e apologia da barbárie ainda que revestida de charme dourado de algo que se pretende filosófico. O estado está inchado pelas doutrinas coletivistas e desvirtuado da sua verdadeira e primordial função que é garantir a segurança dos indivíduos para o livre funcionamento do mercado, do capitalismo. Demonizar quem é funcionário público para mim passa da conta. Amigo Klauber, grande abraço.
  • Ano Nomi Nú  04/11/2012 10:09
    Trocaram o Lexotan por esse artigo...pra se sentirem melhor...valeu pela tentativa; mas não colou.

    Um pergunta: O que vem (veio) primeiro? Ser professor universitário ou ser austríaco? Poderia incluir "libertário" tb, já que comentaram acima...Por simpatia ao pensamento liberal,estudaram mais, excelente!...e eis que se deram conta, no que estavam metidos...hihihi

    Boas ideias sem a ação é mera pregação...e pregar é fácil, facílimo...fazer é o "x".

    Observar a incoerência entre fala e atuação não é se valer de recursos falaciosos, mas reconhecer que não servem como exemplo sobre aquilo que se quer fazer acreditar.

    Apesar não serem responsáveis diretamente pelo espólio que estupra a sociedade, recebem grana derivada deste método, mesmo que exista boa intenção do "pagador", os meios para que este possa dispor do salários, não é legítimo. E aquele que recebe tendo consciência disso, está feita a situação para se refletir hehehe
  • Neto  06/11/2012 02:20
    Da forma como eu imagino um governo mínimo, na prática uma justiça privada seria um governo mínimo.
    E não teria monopólio de nada pq qualquer um quando terminasse o contrato com ela poderia contratar outra ou criar seu próprio 'governo'

    Hoje os funças ganham muito, mas imaginem se aparecesse um milhão de novos governos na terra e quem não gosta desse país de m**** tivesse pra onde ir; a vida do governo brasileiro ia ficar muito ruim por causa dessa #competição#

    Pra mim essa discussão minarco x anarco é sem sentido.A diferença entre minarco e anarco é uma questão semântica.
    Quando Mises fala em governo, um minarco entenderia governo mínimo e um anarco entenderia justiça privada com poder de criar leis e resolver conflitos

    Mas ainda prefiro me chamar minarquista, esse rótulo 'A narquista' dá a entender ausência total de poder

    Estamos todos no mesmo barco.

  • Neto  06/11/2012 07:32
    Aliais, pensando bem até o sistema do Mises na prática seria uma 'anarquia' capitalista
    Se todo mundo tem o direito à secessão, é óbvio que quem sair ou vai virar súdito de outro reino OU vai criar seu próprio reino
    Nego fala que Mises 'não foi às últimas consequências no seu próprio sistema'.
    Ora, foi sim, só não quis chamar de anarquia.
    E ele ta certo, se vc pega a raiz da palavra anarquia, a=sem, arquia=poder, controle,
    então esse é um rótulo muito ruim pra descrever como o sistema seria
  • Leonardo Neves  09/11/2012 10:42
    Ótimo artigo dos professores. Atesto, como discente em um programa de mestrado em economia em uma universidade PÚBLICA, a absoluta convergência entre os princípios morais e científicos concernentes ao arcabouço teórico libertário e a atividade laboral na burocracia estatal.
    Lendo alguns comentários sobre esta publicação, me preocupa a forma como alguns libertários entendem esta doutrina. Não trata-se de uma RELIGIÃO!!! Neste ponto diferenciamo-nos fortemente dos conservadores, que atribuem uma moral religiosa na substância de sua teoria moral cotidiana. analogamente, os marxistas, ateístas em sua "natureza", cambiam entre o Deus imaterial, que roga o paraíso no pós-vida, e o "Deus" material, que constrói seu paraíso na terra. Ora, nos cabe, enquanto defensores da liberdade individual e de mercado, entender tal distinção fundamental: NÃO TEMOS BANDEIRAS, TEMOS CONSTRUÇÕES TEÓRICAS!
    O fato de ocupar uma função na burocracia estatal não significa incongruência com os valores libertários. Um professor, estudante ou burocrata, vende sua força de trabalho, a ser paga POR PARTE da espoliação estatal sobre os indivíduos, gerando um output a sociedade, seja este, conhecimento ou um ativo físico. Se este indivíduo PRODUZ, ele participa na nobre atividade de melhorar as relações produtivas e sociais da sociedade.
    Ademais, cada vez me convenço da necessidade de ocuparmos o coração do estado: apenas a racionalização das ações estatais podem, de fato, promover uma reordenação de suas atribuições. Se alguém nega-se a ser funcionário da Receita Federal, esta não deixará de ser instrumento do estupro fiscal que promove. O MERCADO PROVERÁ MÃO-DE-OBRA, PORVENTURA MENOS CAPAZ A BEM INTENCIONANDA, A OCUPAR A OCUPAR TAL FUNÇÃO. Destarte, assumir a responsabilidade em reduzir a letargia estatal é uma atividade nobre a ser operada por um libertário.
    Por fim, a respeito do comentário, embora antigo, de Roberto Chiacco, sinto falta de Hayek no IMB. Embora concorde, parcialmente, com o argumento deferido, no que tange a suas idiossincrasias no campo da filosofia política, acredito que seu pensamento pode "apimentar" consideravelmente o debate aqui promovido.
  • Danilo C. S.  13/11/2013 15:21
    Artigo bem escrito, entretanto com meias verdades:

    "Marx queria ser professor de uma universidade pública, mas, como não o conseguiu..."

    A ironia, destacada pelo autor, revela apenas parte da história para réplica aos Marxistas que criticam os Austríacos por trabalharem em instituições estatais. O destacado não revela que Marx teria sido não nomeado por razões políticas devido suas ideias hegelianas. O que pede-se é que sejam coerentes.
  • Moderador  13/11/2013 16:48
    Prezado Danilo, tenha a hombridade de postar a frase inteira, em vez de editá-la com o baixo intuito de caluniar.

    "Marx queria ser professor de uma universidade pública, mas, como não o conseguiu [acréscimo meu: não interessa por qual motivo], acabou sendo mantido por Engels, um capitalista. Isso decerto levaria nossos críticos a afirmarem que o autor de O Capital era também intelectualmente desonesto, já que criticava o capitalismo ao mesmo tempo em que era sustentado pelo que tanto atacava..."

    A parte importante da frase é a sua conclusão, que você malandramente editou. O que esperamos de sua futura participação é que seja intelectualmente honesto.
  • Danilo C. S.  13/11/2013 19:12
    Moderador, em momento algum meu objetivo foi caluniar ou desmentir o complemento da oração que afirma que Marx era sustentado por um burguês, capitalista. Apenas ressaltei que a verdade apresentada é parcial, sendo evidenciado somente o que interessa e que aparentemente demonstra certo fim de pregação, incoerente com a ideia de que os austríacos são cientistas sem carregar bandeiras.

    OBS.: Sua resposta ao meu comentário, ao contrario da minha falta de hombridade como o senhor aponta, desmascara o teu relativo estreitamento em relação ao assunto principalmente no momento que usa parêntesis: "[acréscimo meu: não interessa por qual motivo]". Fiz o recorte do texto, porque não convém postar a frase inteira de um artigo que é para ser lido na integra.

    Passar bem.
  • Moderador  13/11/2013 19:33
    "Moderador, em momento algum meu objetivo foi caluniar ou desmentir o complemento da oração que afirma que Marx era sustentado por um burguês, capitalista."

    Não. O objetivo foi suprimir o complemento da oração, que era o principal, e se concentrar no "termo acessório da oração", que funciona como um "diga-se de passagem" e que nem de longe era o assunto do parágrafo. Vá se fazer de ingênuo em outros sites que estão implorando por leitores. Aqui não.

    "Apenas ressaltei que a verdade apresentada é parcial, sendo evidenciado somente o que interessa e que aparentemente demonstra certo fim de pregação, incoerente com a ideia de que os austríacos são cientistas sem carregar bandeiras."

    Por que a verdade é parcial? Para começar, o termo acessório de uma oração não tem o objetivo de apresentar narrações detalhadas. Para isso seria necessário todo um parágrafo. Repetindo: o termo acessório é quase que um aposto, cujo único objetivo é introduzir um "diga-se de passagem".

    No que mais, essa sua informação sobre Marx apenas demonstra o quão fraco e frouxo ele era. Mises também foi intelectualmente perseguido e jamais conseguiu um cargo de professor acadêmico assalariado (nem na Áustria e nem nos EUA). Nem por isso ele desistiu de tudo e passou a viver à custa de algum amigo rico e burguês.

    "Sua resposta ao meu comentário, ao contrario da minha falta de hombridade como o senhor aponta, desmascara o teu relativo estreitamento em relação ao assunto principalmente no momento que usa parêntesis: "[acréscimo meu: não interessa por qual motivo]"."

    Por quê? Fazer um acréscimo entre colchetes, deixando claro que este acréscimo é exclusivamente meu, é uma postura correta e intelectualmente válida. Por que isso configuraria meu "relativo estreitamento em relação ao assunto"? Você adora frases de efeito; o problema é que elas nunca se conectam.

    "Fiz o recorte do texto, porque não convém postar a frase inteira de um artigo que é para ser lido na integra."

    Pra cima de mim, não. Conheço muito bem esse truque. Lido com isso há anos. A intenção ao fazer isso é manipular aquelas pessoas que não leram o texto e que porventura leiam os comentários antes de ler o texto. O objetivo é fazer com que elas se deixem guiar por comentários maliciosos de terceiros. E devo admitir que essa estratégia é extremamente eficaz. Na internet, isso ocorre diariamente.

    "Passar bem."

    Com essa diversão toda, é impossível eu não ficar bem. E desejo o mesmo pra você.
  • Emerson Luis, um Psicologo  03/06/2014 16:52

    Um liberal pode ser funcionário público?

    Depende (A) do cargo e condições e (B) de quais são suas convicções especificamente.

    * * *
  • Weber  07/01/2015 01:15
    Achei as colocações dos professores muito boas!

    Não sou libertário mas considero Rothbard um grande economista. Nesse artigo ele diz:

    "[...] Nos últimos anos foram desenvolvidas novas disciplinas matemáticas e estatísticas cujas pretensões eram ajudar os empreendedores a tomar decisões concretas. Não é o objetivo aqui estipular se tais pretensões são válidas ou não; o objetivo é dizer que tais disciplinas não podem jamais fazer parte da ciência econômica, mas sim de um tipo de tecnologia de gerenciamento. O economista, nunca é demais repetir, não é um tecnólogo comercial.

    Portanto, o papel do economista em uma sociedade livre é puramente educacional.[...]"

    Claro e objetivo não acham? Um economista austríaco numa universidade pública é algo justificável pois estaria cumprindo o verdadeiro papel dele. Incoerência pessoal (se é que isso existe) seria um austríaco trabalhando como "tecnólogo comercial", nas palavras do Rothbard.
    O amigo Klauber Pires propôs o seguinte dilema: é preferível que uma vaga para professor seja preenchida por um marxista ou um austríaco? Bem, dependendo da resposta, considero tal questão discutível.

    Obrigado.
  • Professor  07/01/2015 19:28
    Olá a todos,

    "O amigo Klauber Pires propôs o seguinte dilema: é preferível que uma vaga para professor seja preenchida por um marxista ou um austríaco?"

    Não há dilema nenhum. A escola austríaca não faz nenhum juízo de valor quanto a questão de se trabalhar ou não para o governo. Então, é sim, possível a um austríaco dar aulas em uma escola pública sem nenhum tipo de dilema moral.

    Esse "dilema" somente aparece nos indivíduos que já se iniciaram no Libertarianismo e já sabem o significado da não existência do estado/governo. O Libertarianismo faz juízo de valor: ora, fazer parte de um estado é está dentro da máquina (mesmo que em profissões com professor, médico, policial, etc., que existem naturalmente no meio privado) que esbulha o restante da população e, de um jeito ou de outro, faz parte do processo de agigantamento do estado. Se negar a não entrar no estado é uma forma de não deixá-lo maior que já está. Se todos fizessem isso, o estado colapsaria por si mesmo a medida que os atuais funcionários fossem aposentando/morrendo...

    Agora, esse "dilema" só se parece assim porque muitos ainda não compreenderam a essência do estado. E ela não está nas eleições, nem no presidente, nem mesmo nos parasíticos deputados e juízes, mas na máquina de funcionários, os quais existem para fazer a própria máquina funcionar. Como um moto contínuo não pode existir na natureza, uma entrada de capital para a manutenção de tudo isso é sempre necessária, e ela somente pode vir a partir dos demais membros da sociedade, que não fazem parte do governo, gerando-se então duas classes de profissionais, os mantenedores e os parasitas. Sob esse ponto de vista, qualquer função pública deve ser combatida e os libertários não devem se envolver com elas.

    No entanto, há uma outra forma de ver as coisas: não devemos combater o estado per si, mas essa superestrutura.

    Uma das formas é fornecer trabalhos na iniciativa privada que remunerem tanto quanto no governo, o que faz com que a procura por concursos públicos seja revestida na procura por processos de admissão na iniciativa privada.

    Outra forma é fomentar o empreendedorismo.

    Outra ainda é na educação das massas, e isso inclui a educação dentro da própria máquina. É por isso que são justificados partidos liberais e a existência de professores, médicos, policiais etc. (profissões que são lícitas na iniciativa privada), mesmo liberais, no governo. O principal, segundo essa visão, é que o indivíduo liberte a sua mente da necessidade do estado, até porque o estado - pelo menos aquilo que concebemos hoje como estado e sua filosofia de estado de bem estar social - vai cair, com o tempo, porque é economicamente inviável, segundo a EA.

    Claro que profissões no centro do poder e que estão diretamente ligadas ao esbulho da população, que são moralmente inaceitáveis na iniciativa privada, também o seriam na máquina pública, não devendo o liberal/libertário, em hipótese alguma, se envolver com elas.

    Todavia, tais formas de luta são muito árduas porque o próprio estado, na sua sanha devoradora, faz um tudo para evitar esses mecanismos que poderiam levá-lo ao esvaziamento.

  • anônimo  23/04/2015 15:11
    Vejo que essa discussão tem vários aspectos que deixam de ser considerados quando o pessoal anarcocapitalista mais radical faz a analogia do serviço público com o assalto à mão armada.
    Enquanto é válido apontar as semelhanças entre as duas situações para provar um ponto, não ver as diferenças leva a aberrações como o Stefan Molyneux dizendo que você deve cortar relações com amigos e familiares que continuam defendendo a existência de um estado porque é o mesmo que defender que alguém aponte uma arma para sua cabeça.

    Imagine que eu seja um assaltante. Saio pela rua, acho minha vítima e a abordo apontando uma arma para sua cabeça e ordenando que me entregue seus pertences. Se eu, durante o assalto, mudar de ideia, dizendo que percebi que o que eu estava fazendo era errado, a vítima achará isso bom. Devido à mudança na minhas ações a vítima não mais perderá seus bens e não mais teme que eu realize alguma violência contra ela.

    Agora, digamos que eu seja um auditor da receita. Durante meu expediente, percebo que impostos ferem o PNA, vou até o setor de RH e peço demissão. Nenhuma das minhas "vítimas" (pagadores de impostos) reconhecerá essa ação como positiva.
    Explique para uma pessoa qualquer que você deixou um emprego que paga muito bem para ficar desempregado porque todo estado é uma agressão, imposto é roubo, fere o PNA... vão achar que você é um otário ou um maluco.

    A grande diferença é que em um assalto há alguém que quer assaltar e alguém que não quer ser assaltado, já no serviço público há pessoas querendo receber para prestar um serviço e pessoas querendo que este serviço seja prestado.
    Pergunte a qualquer pessoa "normal" sobre os problemas do país o que você vai ouvir é que o estado tem que investir mais em educação, em saúde, em esporte, em cultura... que tem que ter uma lei para regular isso ou aquilo, que tem fiscalizar mais alguma coisa, que o estado tem que gerar mais empregos e redistribuir mais renda e que não se pode privatizar "o que é nosso".
    Não é o funcionário público espoliando uma população que resiste, mas sim a própria população gerando o fundamento para essa espoliação ao esperar que tudo seja feito pelo estado.

    Então, você tem um país onde mesmo quem é "de direita" é socialista e há uma grande discrepância entre a remuneração e as vantagens nos empregos oferecidos no setor público e no setor privado. Acho difícil esperar que as pessoas optem por uma remuneração bem mais baixa, ou mesmo por ficar desempregadas, para receber tapinhas nas costas em algum forum de internet libertário. É exigir um sacrifício individual que não vai beneficiar ninguém (além do próximo concursado que estava na fila para ser chamado) e que não será nem ao menos reconhecido como algo bom nos valores vigentes em nossa sociedade.
  • anônimo  23/04/2015 17:41
    Concordo, quem de fato for libertário e se sinta com a consciencia pesada por fazer parte da maquina publica, que saia por conta própria e por si, não por algum reconhecimento exterior. Deve-se analisar individualmente o que te trará mas beneficios, considerando que os beneficios são subjetivos o mesmo ponto de partida levará q diferentes outputs dependendo de cada indivíduo.
    E estenderia até a mais, se deve fazer isso para qualquer ação, e não espere uma aceitação, sempre existirá quem discorde de você. O importante é ter o maximo de informaçoes sobre as consequencias e externalidades dos seus atos, pra não acabar plantando abacaxis e depois querer colher maças.
  • Zaratustra  23/04/2015 20:05
    É claro que em termos práticos nada mudará se um funcionário público resolver sair do seu emprego, mas a questão é apenas da consciência de cada um. Pois se você sabe que sua renda advém da expropriação, então ficando no emprego você estará sendo conivente com isso.

    Se é uma pessoa com princípios então alinhe suas ações com eles, caso contrário estará apenas se tornando uma aberração.
  • anônimo  23/04/2015 21:28
    Zaratustra, o ponto é: até onde uma renda que advém da expropriação é imoral se a sociedade como um todo pede para ser expropriada diariamente?
    Pessoas com uma mentalidade anarcocapitalista no Brasil são quantas? 100? 200? 1000? Num país onde 200 milhões esperam um estado gigante que cuide de tudo.
  • Zaratustra  24/04/2015 12:31
    Primeiro não existe isso de "sociedade como um todo", sociedade se quer existe.
    O que existe são indivíduos e famílias.

    Dentro do território brasileiro existem um monte de indivíduos que não concordam com o que pagam, e que de certo, se lhe fosse dado a opção não pagariam, como eu.

    Além disso, digo que a maioria dos brasileiros não entendem como funciona o sistema que vivem, são como escravos que viveram a vida inteira na senzala, e o fato do escravo não saber onde vive e ainda louvar seu mestre não tira a imoralidade da escravidão.
  • anônimo  24/04/2015 15:57
    A sociedade existe na forma das relações entre as diversas pessoas que interagem entre si. Essas relações se manifestam através dos costumes, códigos morais e leis que são amplamente aceitos.

    Uma coisa é você ter uma opinião que diverge da amplamente aceita (como eu também tenho), outra é não reconhecer qual é a opinião amplamente aceita e como ela afeta de maneira concreta seu dia a dia.

    Há a tendência observável por aqui de que a mamata do governo fique ainda melhor, de que as grandes empresas que fecham com o governo se garantam ainda mais no corporativismo e de que a vida do autônomo, do pequeno empresário e de seus empregados fique cada vez mais difícil. Então acho complicado exigir desse pessoal do último grupo que não procure alternativas dentro do que o mundo real está lhes apresentando.

    O fato de um número tão grande de pessoas atualmente estarem dispostas a abandonar suas áreas de formação ou fecharem seus negócios para fazer algum trabalho burocrático sem sentido me diz mais contra o nosso sistema de governo atual do que contra o caráter dessas pessoas individualmente.


  • anônimo  24/04/2015 22:28

    "Daqui a quatro anos:

    1) Suas liberdades civis estarão menores.

    2) A quantidade de impostos que você pagará será maior.

    3) A economia estará ainda mais regulada.

    4) O estado estará ainda mais envolvido em empreendimentos.

    5)Quem estiver no setor público estará rindo à toa.

    6) Quem for empreendedor e tiver contratos com o governo ou tiver funcionários públicos como o grosso de sua clientela também estará ótimo.

    7) Quem for empreendedor autônomo, do tipo que não recebe favores do governo, mas que já está em um mercado maduro, seguirá escorchado e tendo de sustentar todo o trem da alegria acima.

    8) E, finalmente, quem for empregado do setor privado (exceto bancos) ficará exclusivamente com o ônus de tudo. Não estará morrendo de fome, mas dificilmente sairá do lugar. "

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=821

    Esse artigo é de 2010 e essas previsões continuam válidas para os próximos anos.


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