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A suicida política monetária do Irã

Não há nenhuma necessidade de um ataque aéreo contra o Irã para debilitar o país.  O próprio governo iraniano já está fazendo voluntariamente este serviço para Israel.

O seguinte relato foi feito pelo professor Dr. Steve Hanke.

Desde que os EUA e a União Europeia promulgaram as primeiras sanções contra o Irã em 2010, o valor do rial, a moeda iraniana, despencou, impondo incalculáveis angústia e sofrimento ao povo iraniano.  Quando uma moeda entra em colapso, pode ter a certeza de que vários outros indicadores econômicos também estão se movendo para uma direção negativa.  Com efeito, utilizando dados recentes do câmbio paralelo do Irã, estimo que a inflação mensal do país atingiu 69,6%.  Com uma inflação mensal neste nível (acima de 50%), o Irã está indubitavelmente vivenciando uma hiperinflação.

Quando o presidente Obama assinou o Comprehensive Iran Sanctions, Accountability, and Divestment Act, em julho de 2010, a taxa de câmbio oficial entre o dólar e o rial era muito próxima à do mercado paralelo.  Porém, como mostra o gráfico abaixo, desde então, as taxas de câmbio oficial e de mercado paralelo passaram a divergir crescentemente.  Esta desvalorização do rial acelerou-se no mês passado, quando os iranianos vivenciaram uma dramática queda de 9,65% no valor do rial durante apenas um fim de semana (8 a 10 de setembro de 2012).  Depois, a queda livre continuou intensa.  No dia 2 de outubro de 2012, a taxa de câmbio no mercado paralelo chegou a 35.000 riais por dólar — uma taxa que reflete um declínio de 65% no rial perante o dólar desde julho de 2010.

(A linha contínua denota a taxa de câmbio oficial; a linha pontilhada, o câmbio no mercado paralelo.  Só em 2012, o rial se desvalorizou de 15.000 riais por dólar para 35.000 riais por dólar)

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A espiral de morte do rial está aniquilando o poder de compra da moeda.  Como consequência, o Irã está hoje vivenciando um aumento devastador em seus preços — hiperinflação.

O que o Irã está realmente nos fornecendo é um exemplo clássico de política governamental suicida.  Está fornecendo também uma lição que provavelmente não será aprendida pela vasta maioria dos jornalistas e comentaristas econômicos.

Todos os jornalistas estão partindo do pressuposto de que as causas da hiperinflação são as sanções impostas ao Irã (Ver aqui e aqui).  Isso é economicamente incorreto.  As sanções impostas ao Irã reduziram a oferta de bens importados pelo Irã.  Sendo assim, se a demanda permanecer a mesma, os preços destes bens no mercado iraniano irão aumentar substancialmente.  Porém, quando preços aumentam substancialmente, a quantidade demandada cai.  É exatamente essa a função dos preços: eles estimulam a alocação mais eficiente de recursos escassos.  Preços mais elevados restringem a compra de determinados bens.

Quando os preços de bens importados aumentam e consequentemente forçam mudanças orçamentárias na vida das pessoas, elas passam a ter de decidir se continuarão ou não comprando estes bens importados.  Se elas decidirem não continuar comprando o mesmo tanto de bens importados que compravam antes, elas irão ou ficar sem eles ou comprar substitutos domésticos para estes bens.  Muito provavelmente elas optarão por uma combinação de ambos.

Embora a redução nas importações tenha de fato um efeito sobre o preço dos bens importados — no caso, seu encarecimento no mercado interno do país importador —, o dinheiro extra direcionado para a compra destes bens importados (que agora estão mais caros) tende a diminuir a quantidade de dinheiro que será gasto em bens domésticos ou em outros bens importados que não estão sofrendo restrições.  Ou seja, as pessoas são forçadas a fazer alterações em seus orçamentos.  É exatamente isso que você faz na sua família.  Se algo que você compra rotineiramente começa a encarecer, você irá ou comprar menos deste bem ou passará a comprar menos de outros itens.  Mas esta alteração na demanda não provoca uma inflação generalizada de preços.  O único fator que pode causar uma alta generalizada e contínua nos preços de toda a economia — especialmente uma alta hiperinflacionária — é a contínua criação de volumosas quantias de dinheiro pelo Banco Central do país, dinheiro este que o governo, ou outros tomadores de empréstimos, gastam e colocam em circulação.

Está havendo uma hiperinflação no Irã porque o Irã é um estado assistencialista.  O governo iraniano é o dono de todas as reservas petrolíferas do país.  Logo, quando ele vende petróleo, é ele quem recebe o dinheiro.  O governo sempre utiliza o dinheiro para projetos assistencialistas ou para projetos militares.  Isso, aliás, é verdadeiro para todos os países autossuficientes e exportadores de petróleo.  Dado que o petróleo é propriedade exclusiva do governo, o aumento da receita oriunda da venda de petróleo expande as operações governamentais.  É por isso que países exportadores de petróleo são estados assistencialistas.  A vasta maioria da população se torna dependente dos gastos assistencialistas do estado.

Dado que quem controla este gasto é o governo, sua reputação fica em risco quando a continuidade destes gastos é ameaçada.  E foi isso que aconteceu.  Os EUA cortaram o acesso do Irã aos mercados de crédito — na prática, prometeram cortar relações comerciais com os países que negociassem com o Banco Central do Irã —, o que significa que ficou mais caro para o Irã exportar seu petróleo.  Como consequência desta queda na exportação de petróleo, o governo iraniano tornou-se o maior perdedor, pois sua fonte majoritária de receita secou.

Como o governo iraniano, por questões estratégicas, não pode admitir que foi o principal perdedor em decorrência das restrições à venda de petróleo, ele se recusa a reduzir seus gastos, não obstante o fato de suas receitas terem despencado.  O governo iraniano não irá admitir que sua tentativa de criar um maciço estado assistencialista — que beneficia uma grande quantidade de eleitores — não deu certo.  Logo, o governo recorreu à única opção que tinha: imprimir dinheiro, manter os gastos assistencialistas e dar a impressão de que tudo continuava como antes. 

Mises jamais se cansou de explicar que, sempre que há inflação monetária, a taxa de câmbio é a primeira variável a se alterar.  A brusca queda do rial no mercado paralelo mostra que a taxa de inflação monetária tornou-se galopante, especialmente desde o início de 2012.  A prova de que o governo optou pela destruição da moeda está no gráfico acima.  As sanções começaram em julho de 2010, mas foi apenas em setembro de 2012 que o câmbio realmente mergulhou.  Isso é consequência pura de inflação monetária.  Mas, obviamente, os políticos jamais irão admitir que suas políticas são as responsáveis pela inflação de preços.

Não há a menor dúvida de que os Estados Unidos estão usando de coerção contra o governo iraniano.  Porém, em termos econômicos, o governo iraniano poderia ter adotado uma resposta completamente diferente.  O governo poderia ter simplesmente cortado os gastos assistencialistas.  Ele poderia cancelar os projetos que vem subsidiando há décadas.  Mas ele não fará isso.  Seria admitir derrota política.  Logo, em vez de acusar o golpe, o governo ordenou ao Banco Central que acelerasse a criação de dinheiro e aumentasse as compras de títulos do governo.  O governo então utilizou esse dinheiro para continuar subsidiando seus programas.

É isso que os governos sempre fazem.  Mas, em algum momento, eles têm de interromper a expansão da oferta monetária.  Neste ponto, há uma enorme onda de calotes e inadimplência.  No caso do Irã, o governo decidiu não parar com a expansão monetária.  Ele inevitavelmente terá de fazê-lo em algum momento, mas o fato é que ele já permitiu que a inflação saísse de seu controle e se tornasse uma hiperinflação.  A inflação, sempre e em todo lugar, é uma política de governo.

Culpar as sanções pela hiperinflação é economicamente ignaro.  As sanções inquestionavelmente reduziram a riqueza do Irã, mas a maneira como esta redução de riqueza foi distribuída foi uma decisão política.  E a decisão política foi a de destruir a moeda, destruindo principalmente o poder de compra das pessoas que vivem de renda fixa.  Tal política fez com que o sofrimento imposto pelas sanções ficasse ainda pior.  Ao destruir a unidade monetária do país, o governo e o Banco Central iraniano passaram a atuar em conjunto para arruinar o sistema de preços, desta forma destruindo todas as informações sobre alocação de recursos transmitidas pelo sistema de preços.  Esta forma de inflação destrói qualquer pessoa ou empresa que tenha emprestado dinheiro a uma taxa de juros fixa.  Ela aniquila os investidores capitalistas.

O governo do Irã está literalmente destruindo a economia iraniana.  Isso é o que todos os estados assistencialistas são obrigados a fazer a partir de determinado momento.  A menos que o país abandone suas políticas assistencialistas, os políticos irão recorrer ao aumento contínuo da inflação monetária como forma de manter o estado assistencialista operante.  Mas, em algum momento, tal política tem de ser revertida.  Ela será revertida ou pela estabilização da moeda (a interrupção da inflação) — o que provoca uma depressão — ou pela destruição da moeda após um período de hiperinflação.

Não há dúvidas de que isso tornou mais difícil para o governo iraniano produzir uma bomba nuclear — supondo que o governo realmente esteja tentando construir uma, algo sobre o qual não há provas conclusivas.  A inflação irá desorganizar e abalar a oferta de recursos de alta tecnologia.  A divisão do trabalho se torna imprevisível quando o sistema monetário é distorcido pela inflação. 

Paradoxalmente, os políticos iranianos e seu estado assistencialista tornaram-se os maiores aliados de Israel.


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autor

Gary North
, ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. Visite seu website

  • Pedro Bernardes  08/10/2012 05:16
    Me pergunto se essa hiperinflação irá resultar na criação de uma nova moeda, algo semelhante ao plano real.
  • Andre Cavalcante  08/10/2012 06:24
    Lembra como era no Brasil em 80 e 90? Pois a mesma coisa parece que está acontecendo por lá. Aqui tivemos uma enxurrada de moedas, cada uma mais precária que a outra.

    Fazer um "plano real" no Irã é admitir a supremacia econômica americana (lembre-se que o real é lastreado em dólares). Qual a possibilidade disso acontecer?

  • Neto  08/10/2012 06:16
    Se o governo cortasse o assistencialismo ia sobrar dinheiro pro povo mas e daí? Eles não iam poder comprar coisas do resto do mundo com esse boicote
    E pra mim um boicote sem motivo é tão ruim quanto iniciar agressão sem motivo

    E depois,nem se eles fossem mesmo fazer a bomba isso seria motivo, um monte de países tem a bomba, porque é que o Irã não pode? A resposta é o preconceito.


  • Pedro  08/10/2012 07:39
    Eles seriam obrigados a se virar para criar riqueza.

    Criando riqueza, ficariam ricos.

    E sobre a bomba nuclear... Eu não sou contra proibir país nenhum de fazer armas. Agora, se um país mal consegue pagar as contas, que diabos quer investir em armamento caro???
  • Átila  08/10/2012 07:53
    O Irã é signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Por mais injusto que esse tratado possa ser, o Irã optou por fazer parte dele. Logo, ele está legalmente proibido de possuir esse tipo de armamento e não permitir a inspeção de suas instalações nucleares é uma violação de suas obrigações internacionais.
  • Rafael Franca  08/10/2012 13:03
    Neto, existem países não alinhados de onde poderiam comprar. Se eles se preocupassem com seu povo; o irã é um país que antenas parabólicas são proibidas, para que os habitantes não captem tvs da europa ou do extremo oriente....
  • Adão  08/10/2012 06:22
    Essa história já é conhecida. O governo não reduz os gastos
    bolsa família;
    cargos de confiança;
    assistencialismo;
    gastos desnecessários;
    Ajuda para Cuba; Bolívia; Venezuela e tudo mais.

    Temos gastos; o governo simplesmente imprimi dinheiro; como se fosse uma mina de ouro. Criamos riqueza do nada; papel com tinta vale ouro.

    O Irã está indo para o penhasco. O pior de tudo que este país poderá arrumar uma guerra
    para disfarçar essa situação e o povo vai sofrer, alimentação cara, gasolina cara e ainda terá que morrer para defender um governo tirânico.

  • Adao  08/10/2012 06:37
    Um país como Irã que simplesmente ameaça de destruir outro país com bomba atômica. Um estado deve cuidar da sua população não impor sofrimentos ao povo; fazer o povo comer grama para ter bombas. O que povo do irã ganha com essa política.

    O que o governo do irã vai fazer com bombas atômicas, misses de longo alcance. Vai lançar um programa espacial, vai irrigar o deserto. Até o império persa era melhor do que esse governo. Até os gregos admiravam o império persa.

    Esse governo para se manter no poder, coloca o povo de joelhos. Mas logo vai começar a culpar os EUA, igual faz Cuba(tudo é culpa do bloqueio, até a doença do Fidel Castro).

    Tudo é culpa dos EUA, esses ditadores só fazem isso, acabam com o país e coloca a culpa no EUA. No Brasil é coisa é igual. Esse incompetente do Guido Mantega com a Dilma estão levando o país no caminho certo do descontrole inflacionário.

    Dinheiro fácil, juros baixos-> resultado; inflação, desemprego, e tudo mais.



  • Israel TL  08/10/2012 07:27
    Alguém duvida que as sanções foram impostas contando já com a atitude do governo iraniano, como mostra o artigo?

    Isso é o curioso: os países endividados e assistencialistas que impõem as sanções econômicas já imaginam que a única atitude do governo alvo será imprimir mais dinheiro. Será que pensam assim por esperteza ou porque eles mesmos não conhecem outra forma de resolver esse problema?
  • anônimo  08/10/2012 08:31
    Israel, acredito que seja desconhecimento dos efeitos da expansão do crédito mais o conhecimento de que o monopólio do dinheiro é um ótimo instrumento para consolidação do poder.

    Não podemos esquecer que a Escola Austríaca de Economia não é mainstream, além dessa escola não ser popular nos círculos políticos.
  • Leandro  08/10/2012 14:03
    Ainda dentro deste raciocínio, circulou uma notícia -- obviamente não confirmada -- de que a CIA e o Mossad também estariam imprimindo vastas quantias de riais para acelerar a desestabilização do regime. Ué, mas segundo nossos economistas, isso não seria um "estímulo" para a economia iraniana?
  • Renato  09/10/2012 09:33
    Leando\r
    \r
    \r
    Não é possivel saber se é verdade, talvez seja apenas o governo iraniano tirando o corpo fora, atribuindo a terceiros o mal que está fazendo contra o próprio país. Com certeza a capacidade de estrangeiros para inflacionar os meios de pagamento no Irã é muito menor que a capacidade do próprio governo iraniano. Donde se entende que, mesmo se for verdade, seu efeito será muito menor que o da expansão monetária de origem doméstica.\r
    \r
    Mas, supondo que seja verdade, apenas como exercício teórico, podemos concluir:\r
    \r
    1. Israel está sendo coerente. O aumento de preços ao consumidor, ao longo dos anos, tem decrescido constantemente em Isrel, desde a década de 80 (quando havia hiperinflação). Logo, os israelenses desejam para os seus inimigos, o que não desejam para sí.\r
    \r
    2. Os EUA estão sendo incoerentes. O mesmo que fazem para prejudicar a economia de um inimigo, fazem contra sí mesmos. Se o boato for verdadeiro, então, segundo o critério da própria CIA, o FED é um inimigo interno tentando destruir a economia americana. Situação interessante...\r
    \r
    3. O Irã, por muito tempo, tem imprimido dólares falsos (imagino que ainda o faça). É claro que sua intenção não era gerar inflação (certamente sua produção de dolares iranianos seria desprezivel em relação a toda a base monetária americana) mas apenas ganhar algum dinheiro com falsificação. Considerando que os aiatolás estão preocupados consigo mesmos, são coerentes. Roubaram imprimindo grana dos outros, roubam imprimindo a grana de seu próprio país.
  • Alexandre  08/10/2012 08:29
    O que o Irã irá fazer quando a crise ficar ainda pior será vender tecnologia para a criação de bombas nucleares, isso se não vender as proprias bombas.
    Não tardará para países como Venezuela começarem a ter suas proprias bombas e projetos nucleares.
    Quanto ao povo ficar mais pobre e a divisão do trabalho ficar dificultada isso faz pouca diferença, é até melhor, pobre não tem condições de causar uma revolução ou mudar os governantes, se estas politicas continuarem o regime ficará cada vez mais forte, a quantidade de armas nucleres em circulação aumentará, e todos sarião perdendo.
    Se é para impedir que o Irã tenha armas nucleares é mais conveniente atacar logo o país.
  • Leninmarquisson da Silva  09/10/2012 18:27
    O Rand Paul, filho do Ron Paul, já vinha alertando sobre isso e foi o único voto contra numa votação sobre não me lembro o que involvendo militares americanos e o Irã...

    Enfim, a próxima guerra será lá.
  • Thyago  08/10/2012 08:40
    Que ótimo artigo...
    Não sabia dessa situação do Irã...
  • Pedro Ivo  08/10/2012 09:34
    Leandro, 2 perguntas:

    [1] o BC iraniano está criando uma bolha nalgum setor da economia, ou fazendo "inflação simples"?

    [2] caso seja inflação simples, isto os impede de levar adiante o programa nuclear? (tenha este programa quais fins tenha) Afinal, na déc. 1990 o BC brasileiro imprimiu dinheiro a rodo para comprar os dólares que permitiram lastrear o Real em 1994. Eles podem fazer o mesmo com certos setores do estado, redistribuindo a riqueza da população para o estado pela inflação?
  • Leandro  08/10/2012 13:25
    1) Imagino que seja inflação simples, dado que tal dinheiro não parece estar entrando na economia por meio do mercado de créditos, mas sim diretamente via gastos do governo. Em um país como o Irã, com uma religião que proíbe a usura e com um governo que comanda tudo, difícil imaginar que eles delegariam ao sistema bancário a função de jogar dinheiro na economia.

    2) É possível, mas não é uma política duradoura. O governo precisaria imprimir quantidades cada vez maiores de riais para comprar dólares e com isso continuar importando a tecnologia estrangeira. O rial acabaria virando pó e isso geraria enormes convulsões sociais. E imagino que os aiatolás não queiram isso.
  • Luciano A.  08/10/2012 21:45
    Isso significa que no Irã os juros são proibidos? Qual a consequência disso para a economia iraniana?

    Nos outros países muçulmanos isso também acontece?
  • Leandro  08/10/2012 22:09
    Oficialmente não há juros, mas na prática há aquilo que eles chamam de 'juros provisionais': os tomadores de empréstimos devem pagar taxas que "reflitam os lucros ou os prejuízos que tiveram". O mesmo é válido para a relação entre os bancos e os juros que eles pagam aos seus correntistas.

    Ou seja, o que realmente ocorre é que eles apenas mudam o nome: em vez de falar 'juros', eles falam 'taxas' sobre lucros.

    Quem já estudou o sistema afirma que os bancos cobram juros sim, mas é uma quantia fixa pré-determinado pelo Banco Central ao menos uma vez por ano. Tal quantia é determinada de acordo com uma taxa de juros aprovada pelo Banco Central. Outro detalhe é que os colaterais utilizados nos empréstimos são sempre de alto valor, o que cobre qualquer eventual perda para o emprestador.

    Caso seu inglês seja bom, recomendo este (curto) verbete da Wikipédia, que faz uma boa síntese de tudo:

    en.wikipedia.org/wiki/Central_Bank_of_the_Islamic_Republic_of_Iran#Islamic_banking
  • Adao  08/10/2012 09:46
    Excelente artigo sobre o pais, Irã.

    Um aula de economia na prática, uma lição para todos os governantes.
    No Brasil a ignorãncia econômica é a nota do momento. Só temos que rezar.
    A nossa sorte que ainda temos uma agricultura e com todos os desmandos governamentais.
    Codigo Florestal,ONGs internacionais. Esse setor salva o Brasi, produz comida barata para o brasileiro e ainda ajuda alimentar o mundo.
    Quando a comida ficar cara na mesa do brasileiro e a inflação disparar a culpa será dos EUA.
    É sempre assim, se o plano deu certo o governo é a sabedoria encarnada, se deu errado
    a culpa é dos EUA.

  • Dalton C. Rocha  08/10/2012 10:50
    Como todo brasileiro que viveu antes do Plano Real de 1994, eu tenho pós-doutorado em inflação. De 1980 a 1994, os preços no Brasil subiram mais de um bilhão de vezes. Note que nasci em 8 de setembro de 1970 e vivi plenamente o período.
    Quem destruiu regime militares, tanto no Brasil, como na Argentina, não foi a luta das esquerdas ou mesmo a busca por liberdades.
    O que destruiu os regimes militares da América Latina foi a inflação, produto por sua vez, de crenças econômicas esquerdistas dos militares latino americanos, no poder. Na Argentina, os militares chegaram a terem fábricas de vinho, hotéis e linhas aéreas estatais. Afora o Chile de Pinochet, mais os três primeiros governos militares no Brasil(até o Médici) o estatatismo idem seus irmãos siameses: empreguismo, inflacionismo, populismo, anti-americanismo, fechamento econômico, etc. foi geral nos regimes militares latino-americano.
    Aqui no Brasil, no governo Sarney, a inflação era uma hiperinflação de 100% ao mês e os juros de 200% ao mês. Na época se proibia as importações de tudo, desde escovas de dentes até carros, passando por computadores.
    Esta inflação iraniana está sendo arrasadora. E é uma boa coisa, para o mundo como um todo.
    Tal e qual a Síria, o Irã é uma amálgama de povos vivendo sob uma cleptocracia (governo de ladrões), anti-semita e se dizendo teocrática. As máfias dos aiatolás falam de Alá, mas pensam nas contas numeradas na Suiça e nos paraísos fiscais.
    Os aiatolás acharam fácil executar mulheres que fazem sexo sem estarem casadas com o parceiro mas, como gestores em áreas econômicas, sociais, educacionais, etc. foram piores em tudo que o finado Xá, que eles depuseram no período 1978-1979.
    Não ficarei em nada surpreso e menos ainda, infeliz, se a atual situação econômica do Irã degenerar, em guerra civil, contra o regime dos aiatolás.
    Aqui no Brasil, o finado Otávio Gouveia de Bulhões disse:"Quando se sentem com medo, os cães ganem. E os governos emitem."
  • Ruy  08/10/2012 16:05
    Inflação não é um fenômeno necessariamente monetário. Existe muitas possíveis causas para ela. A monetária é uma delas.
  • Leandro  08/10/2012 18:25
    E qual seria a outra? Como seria possível haver um aumento contínuo e generalizado de preços em toda a economia caso a oferta monetária fosse fixa? Como seria possível que os preços de todos os bens e serviços aumentassem diariamente com a quantidade de dinheiro na economia constante?

    O básico sobre a inflação
  • Erik Frederico Alves Cenaqui  08/10/2012 17:00
    Interessante o artigo.

    Não imaginava que o Irã estivesse com inflação alta.

    Ainda bem que Israel vai se manter de pé, comO eu sempre torço.

    Abraços



  • Eduardo  09/10/2012 11:26
    Seria bastante oportuno que o Irã pusesse fim ao monopólio da emissão. Mas extremamente improvável. Ou uma privatização da exploração de petróleo. Igualmente improvável.

    Uma saída, não ideal, mas útil e não tão flagrantemente incompatível com a desastrosa política econômica iraniana, seria lastrear o rial num commodity, digamos, o petróleo. O Irã tem um exemplo para fazê-lo, a meros 15 km de distância de sua fronteira: O Kuwait.

    Mas insistem no erro. Insistem no estatismo. Estabelecem as mais insidiosas medidas contra a propriedade privada, com as mesmas esperanças (e resultados) dos estruturalistas latino-americanos.

    É uma pena. O Irã tem muito potencial. Mas tem aiatolás segurando-lhe as pernas. E intervencionistas e socialistas brincando de sanção econômica. A resposta poderia ser "azar o deles", mas não é, pela própria intervenção interna.
  • Gustavo  09/10/2012 13:21
    Ola.. gostaria de saber:
    até que ponto, no caso do Irã, é possível continuar com a expansão monetária??
    Qual seria seu ponto de equilíbrio e se esse ponto, se é que existe, já não foi ultrapassado??


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