Como se deu o milagre econômico alemão do pós-guerra
por , sábado, 9 de maio de 2015

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ludwig-erhard-wohlst-1.jpgEm 1945, o último bastião da resistência nazista na Alemanha entrou em colapso, o III Reich deixou de existir e o país ficou sob o controle militar dos Aliados.  Mesmo antes desta rendição final, os Aliados já haviam se dado conta de que um de seus problemas mais graves seria o que fazer com a economia alemã. 

Durante a Segunda Conferência de Quebec, em setembro de 1944, tanto Franklin Roosevelt quanto Winston Churchill concordaram em criar um programa para "eliminar as indústrias bélicas do vale do Ruhr e do Sarre... visando a converter a Alemanha em um país primariamente agrícola e de caráter bucólico."  Isso passou a ser conhecido como o Plano Morgenthau, em homenagem ao Secretário do Tesouro americano Henry Morgenthau, o mais fervoroso defensor de tal ideia.

A própria ideia de transformar um país altamente industrializado e densamente habitado como a Alemanha em uma nação de camponeses rústicos já era em si absurda.  Mais tarde, o próprio Roosevelt viria a admitir que "ele não tinha ideia de como ele havia levado isso a sério; que ele evidentemente não havia pensado muito em tudo aquilo."[1]

Infelizmente, mesmo após a rejeição do Plano Morgenthau, em decorrência de uma forte reação crítica do público e da imprensa, a ideia de se desindustrializar a Alemanha permaneceu fazendo parte da plataforma dos Aliados.

Na Conferência de Potsdam, em julho de 1945, a questão da economia da Alemanha surgiu novamente.  Ficou decidido que a capacidade industrial alemã seria limitada a 50-55% do seu nível de 1938, ou a aproximadamente 65% daquele de 1936.  Algum tempo depois, esse nível foi elevado para 100% do nível de 1936 nas zonas sob ocupação americana e britânica (Bizona); porém, enquanto isso, a capacidade produtiva alemã era de apenas 60% daquela de 1936, e a produção vigente era de apenas 39% daquela de 1936.[2]

A inflação reprimida

A economia alemã continuou definhando ao longo de 1946 e 1947, incapaz de começar a apresentar qualquer sinal de recuperação.  Pudera: os Aliados haviam mantido intacto praticamente todo o sistema de controle econômico dos nazistas.  Isso porque eles não chegavam a nenhum acordo sobre o que fazer com a economia e, por conseguinte, optaram por manter o status quo até onde pudessem.  No final, provou-se impossível conciliar os objetivos do Ocidente com os da União Soviética, o que resultou na divisão da Alemanha na Alemanha Ocidental e na Alemanha Oriental. 

Após esta divisão, a principal razão para manter os controles sobre a economia era a inflação monetária: a quantidade de dinheiro na economia, no sentido amplo, havia aumentado seis vezes entre 1936 e 1947, de menos de 50 bilhões de reichsmark para algo em torno de 300 bilhões (70 bilhões em cédulas, 100 bilhões em conta-corrente e 125 bilhões em contas de poupança).[3]  Em decorrência desta contínua inflação monetária, o marco havia se tornado virtualmente sem valor.

As autoridades ocidentais esperavam que, se os controles fossem mantidos, com preços e salários rigidamente congelados, a economia continuaria funcionando.[4]

Este curioso fenômeno de controle direto sobre todos os preços e salários, em conjunto com uma rápida inflação monetária, passou a ser conhecido como inflação reprimida.  Infelizmente, ao se combinar os efeitos nocivos tanto da inflação monetária quanto do planejamento estatal, o resultado final é muito pior do que seria com apenas um deles.  Há uma distorção dupla sobre a oferta e a demanda: além das distorções normais provocadas pelo planejamento estatal e pela inflação monetária, a estrutura de preços deixa de refletir as mudanças no valor do dinheiro causadas pela inflação monetária.  Isso leva a uma queda acentuada na produção; a escassez torna-se inevitável.  O resultado final e inevitável é a regressão à economia de escambo.  E foi exatamente isso o que ocorreu na Alemanha.[5]

As empresas que desejassem continuar operando tinham de contratar especialistas chamados "compensadores".  A função deles era conseguir trocar o que a empresa havia fabricado por aquilo de que ela necessitava.  Consequentemente, tal processo era muito longo e confuso, dado que várias transações intermediárias tinham de ser feitas com grande frequência.  O resultado era um enorme desperdício em tempo e gastos indiretos para se obter coisas que, antes, poderiam ser conseguidas quase que imediatamente.

Desnecessário dizer que isso deixou a já deprimida economia alemã terrivelmente emperrada. 

Não demorou muito para que os trabalhadores e empregados em geral também insistissem em ser pagos em mercadorias.  Ato contínuo, eles trocavam as mercadorias que recebiam por aquelas coisas de que necessitavam.  Uma consequência adicional era que os trabalhadores não mais tinham qualquer incentivo para trabalhar mais e ganhar mais dinheiro: como havia racionamento, todos trabalhavam apenas o necessário para comprar os poucos e racionados bens que podiam obter a cada semana a preços estipulados artificialmente.  Por lei, era necessário ter um emprego para se obter as papeletas de racionamento; sendo assim, os trabalhadores adquiriram o hábito de ir trabalhar apenas três ou quatro dias por semana.  Seu tempo livre adicional passou a ser gasto em trabalhos de jardinagem, na confecção de artigos para escambo ou atuando diretamente no mercado negro, bem mais lucrativo.

A reforma monetária

Finalmente este pseudomercado entrou em colapso.  Como notou um observador, a economia alemã "estava organizada de tal forma que o interesse próprio dos indivíduos e das empresas era estritamente oposto ao interesse comum.  Trabalhar em um emprego regular era a menos lucrativa das ocupações, e a mera sobrevivência dependia de se saber aproveitar as brechas da lei.  Já em meados de 1948, a economia havia atingido um estado de total paralisia que resultou na quase inanição de uma grande fatia da população".[6]

Mas, felizmente para a Alemanha, um cavalheiro chamado Ludwig Erhard, que havia sido discípulo de Wilhelm Roepke — sendo que este havia sido discípulo de Ludwig von Mises —, foi nomeado Diretor da Administração Econômica Bizonal.  Erhard era um inflexível e vigoroso adepto do livre mercado, e estava disposto a dar a ele uma chance.  No auge da crise, em junho de 1948, ele propôs um ousado e extenso plano para restaurar a economia, um plano que combinava uma radical reforma monetária em conjunto com uma completa abolição dos controles econômicos.

A reforma monetária estava marcada para ocorrer nas zonas britânicas e americanas no dia 20 de junho de 1948.  O cerne deste programa seria uma redução da oferta monetária em incríveis 90% seguida da emissão de um novo marco alemão, o deutsche-mark, que manteria seu valor e que não mais seria inflacionado até perder totalmente seu valor.  Os detalhes da reforma monetária são um tanto intrincados e estão fora do escopo deste artigo.  Basta dizer que todos os reichsmark foram trocados por novos deutsche-marks a uma taxa de 10 para 1, sendo que a quantia máxima de deutsche-marks a ser impressa foi estipulada em 10 bilhões.

Adicionalmente, os depósitos bancários em nome de instituições públicas — do governo militar, dos estados e suas subdivisões, da empresa ferroviária estatizada, e dos Correios — foram invalidados sumariamente.  Da mesma forma, todas as obrigações assumidas anteriormente pelo Reich, bem como todos os seus depósitos interbancários, também foram invalidados.  Uma reserva em dinheiro e algum estoque de capital foram concedidos a todas as instituições financeiras, fornecendo desta forma os ativos necessários para lastrear os novos passivos destas instituições.

Além desta reforma monetária, o vasto emaranhado de controles estatais sobre a economia também tinha de ser abolido para que a reforma monetária pudesse funcionar.  Nos bastidores, isso não era algo fácil de ser feito, pois a Alemanha ainda estava sob ocupação militar, e virtualmente tudo o que os alemães quisessem fazer tinha de ter a prévia aprovação dos Aliados.  Uma dificuldade adicional estava no fato de que, na Grã-Bretanha, o primeiro governo socialista acabava de ser eleito e, como consequência, os britânicos já estavam tentando difundir suas políticas socialistas também para a zona de ocupação.[7]

Os Aliados observaram a reforma econômica com grande ansiedade, dúvida e apreensão.  Com efeito, o general Lucius D. Clay, nomeado pelos Aliados como diretor de política econômica, enviou um ríspido memorando para Ludwig Erhard alertando-o de que os controles econômicos do governo militar não poderiam ser alterados sem uma prévia permissão.  A corajosa resposta do professor Erhard merece ser repetida continuamente até o fim dos tempos: "Eu não alterei seus controles; eu os aboli".[8]

Como o próprio Erhard viria a dizer mais tarde: "Foi estritamente especificado pelas autoridades britânicas e americanas que seria necessário obter permissão para que qualquer mudança de preços pudesse ser feita.  Parece que os Aliados jamais haviam imaginado que alguém pudesse ter a ideia não de alterar os controles de preços, mas de simplesmente removê-los".[9]

E foi exatamente isso o que Erhard fez, e de uma só vez ele desatrelou toda a economia alemã. 

O livre mercado em ação

À medida que a data da implementação destas reformas se aproximava, o país ia se tornando mais apreensivo, e a crise econômica parecia piorar continuamente.  Ao mesmo tempo, os críticos socialistas se animavam e elevavam os gritos de condenação ao plano.

No dia 19 de junho, um sábado, a maioria das lojas estava vazia.  No dia 21 de junho, segunda-feira, como num passe de mágica, as lojas estavam novamente abastecidas. Dois franceses, Jacques Rueff e Andre Piettre, registraram de forma teatral este milagre ocorrido da noite para o dia:

O mercado negro de repente desapareceu. As vitrines das lojas amanheceram cheias de bens, as chaminés das fábricas voltaram a soltar fumaça intensamente, e as ruas fervilhavam de caminhões de carga.  Por todos os cantos, o barulho das construções substituiu o silêncio sombrio dos escombros. Se a recuperação foi uma surpresa grande, sua rapidez foi uma surpresa ainda maior.  Em todos os setores da economia, a vida foi retomada assim que os relógios badalaram as primeiras horas do dia da reforma.  Apenas uma testemunha ocular pode oferecer um relato acurado do súbito efeito que a reforma monetária teve sobre o tamanho dos estoques e sobre a variedade e riqueza dos bens à mostra.  As lojas se encheram de bens da noite para o dia; as fábricas voltaram a trabalhar a toda.  Na véspera da reforma monetária, os alemães perambulavam sem rumo pelas cidades à procura de alguns itens comestíveis adicionais.  Um dia depois, eles não pensavam em mais nada a não ser em produzi-los.  Num dia, a apatia era nítida em suas faces; no outro, toda a nação olhava esperançosa para o futuro.[10]

Como o próprio Erhard viria a observar este fenômeno: "Antes da reforma monetária, nossa economia era como um campo de prisioneiros de guerra; os reclusos eram mantidos vivos em parte pelos Aliados.... Imediatamente após a reforma, as cercas, barreiras e muralhas desabaram com estonteante velocidade tão logo o campo de prisioneiros ganhou uma nova e confiável moeda".[11]

Os resultados rapidamente comprovaram a sagacidade de ambas as reformas, a monetária e a de liberação geral dos preços e salários.  A tabela a seguir, por exemplo, mostra que, entre junho e dezembro de 1948, houve um aumento de 53% da produção naquelas áreas contempladas pelas reformas:

Índice de Produção (1936 = 100)[12]

Abril

53

Setembro

70

Maio

47

Outubro

74

Junho

51

Novembro

75

Julho

61

Dezembro

78

Agosto

65

 

 

Já em 1949, o índice de produção encerrou em 143% daquele de 1948.  Ao longo das duas décadas seguintes, a Alemanha continuou a ter uma das maiores taxas de crescimento do mundo.

Economia keynesiana

É óbvio que, perante estes resultados, vários economistas rapidamente se apressaram em querer atribuir os créditos do sucesso às suas ideologias favoritas.  Aqueles que não queriam dar nenhum crédito às políticas de livre mercado de Erhard prontamente começaram a oferecer suas próprias explicações para a fenomenal recuperação da Alemanha.  Uma explicação que se tornou bastante popular foi a de que a Alemanha utilizou princípios keynesianos em sua recuperação.[13]  Essa proposição já foi completamente demolida em outras obras,[14] mas continua sendo difundida porque economistas keynesianos são invejosos do fato de que nenhuma das notáveis recuperações ocorridas no pós-guerra realmente utilizou qualquer tipo de economia keynesiana.  Ao contrário: todas se basearam universalmente nos princípios do livre mercado.  Como observou o professor de Harvard, Gottfried von Haberler:

Em todos os países industriais desenvolvidos, as políticas de recuperação econômica, de estabilização e de crescimento foram muito mais bem-sucedidas após a Segunda Guerra Mundial do que após a primeira.  Porém, é difícil atribuir este fenômeno à difusão do pensamento keynesiano.  Nenhum dos economistas e nenhum dos estadistas que foram amplamente responsáveis pelos variados milagres econômicos do pós-guerra pode ser chamado de keynesiano: nem Camille Gutt na Bélgica, nem Luigi Einaudi na Itália, nem Ludwig Erhard na Alemanha, nem Reinhard Kamitz na Áustria, nem Jacques Rueff na França.  O maior milagre econômico de todos, o japonês, parece ter sido realizado sob governantes e estadistas japoneses bastantes conservadores, com o auxílio de conselheiros americanos ultraconservadores.  Aos numerosos keynesianos e marxo-keynesianos restou apenas observar o fenômeno, em impotente oposição.[15]

O que podemos concluir do episódio alemão? 

Primeiro, é necessário entender que qualquer interferência realizada por burocratas e planejadores estatais sobre o sistema de preços irá inevitavelmente distorcer o sistema de produção, gerando um arranjo menos satisfatório do que aquele que existiria caso não houvesse nenhum interferência. 

Segundo, não há na história econômica nenhum exemplo mais pungente de uma "política de pleno emprego" que tenha funcionado melhor que a alemã — não houve nenhum planejamento federal, não houve política industrial, não houve modelos computadorizados para a economia, não havia um exército de burocratas dando palpites e ditando ordens, não houve inflação monetária com intuito de 'estimular a economia', e não houve políticas keynesianas.  Foi justamente a ausência de todos estes componentes que infestam as economias intervencionistas atuais o que tornou possível o renascimento econômico alemão. 

Terceiro, o episódio alemão demonstra que uma deflação monetária, desde que ocorra em um ambiente com total liberdade de preços e salários, pode ser algo economicamente benéfico, sem necessariamente criar uma depressão — pelo menos no caso de uma economia que havia sido praticamente destruída pela imposição de controles de preços e salários.  A deflação restaurou a fé na nova moeda, uma vez que ela foi acompanhada da volta dos preços flexíveis e da abolição de todos os controles sobre a economia.  O processo de trocas indiretas intermediadas pelo uso do dinheiro pôde avançar firmemente, pondo um fim à economia baseada no escambo, à sua inerentemente baixa divisão do trabalho e aos seus mercados extremamente limitados e manietados.

As reformas de livre mercado de Ludwig Erhard restauraram a liberdade dos mercados na Alemanha e, com isso, libertaram as inexoráveis leis da ação humana.  Foi a livre concorrência baseada na propriedade privada o que deu novas esperanças e permitiu o surgimento de um fenômeno econômico que surpreendeu o mundo e se tornou conhecido como "o milagre da recuperação alemã".

Infelizmente, Erhard tinha uma vantagem política que o mundo atual não mais usufrui.  Ele teve a liberdade de abolir os controles que haviam sido impostos pelos Aliados; ao fazer isso, ele ganhou o apoio político da população alemã.  No entanto, os controles haviam sido criados originalmente pelos nazistas; os Aliados apenas os estenderam por mais três anos após a Alemanha ter se rendido.  É mais fácil abolir controles estatais criados por um exército de ocupação estrangeiro do que abolir todo um sistema de regulação que políticos nativos e eleitos democraticamente criaram em nome do "interesse público".  É politicamente muito mais difícil efetuar ações econômicas corretas e sensatas quando, nas imortais palavras de Pogo Possum, "Conhecemos o inimigo e ele somos nós".



[1] Henry L. Stimson and McGeorge Bundy, On Active Service in Peace and War (New York: Harper & Bros., 1948), 581.

[2] Ludwig Erhard, Prosperity Through Competition  (New York: Frederick A. Praeger, 1958), 10?11.

[3] Karl-Heinrich Hansmeyer und Rolf Caesar, "Kriegswirtschaft und Inflation (1936?1948)," in Währung und Wirtschaft, 418.

[4] Ver Nicholas Balabkins, Germany Under Direct Controls (New Brunswick, NJ: Rutgers University Press, 1964); Henry Hazlitt, "The German Paralysis," Newsweek (21 de abril, 1947), 82; John Davenport, "New Chance in Germany," Fortune  (Outubro de 1949), 73.

[5] Wilhelm Roepke, "Repressed Inflation," Kyklos, vol. 1 (1974), fasc. 3, 242?53.

[6] F. A. Lutz, "The German Currency Reform and the Revival of the German Economy," Economica (Maio, 1949): 122.

[7] Citado in Erhard, Prosperity, 12

[8] Volkmar Muthesius, Augenzeuge von drei Inflationen (Frankfurt am Main), 1973,

111.

[9] Erhard, Prosperity, 14

[10] Citado in Erhard, Prosperity, 13; ver também Jacques Rueff, The Age of Inflation (Chicago: Henry Regnery, Gateway Edition, 1964), 86?105

[11] Ludwig Erhard, Germany's Comeback in the World Market (New York: Macmillan, 1954), 21.

[12] Lutz, "German Currency Reform," 132.

[13] Walter Heller, "The Role of Fiscal-Monetary Policy in German Economic Recovery," American Economic Review (Maio, 1950): 533?47.

[14] Egon Sohmen, "Competition and Growth: The Lesson of West Germany," American Economic Review (Dezembro, 1959): 986?1003.

[15] Robert Lekachman, ed., Keynes' General Theory: Report of Three Decades (New York: St. Martin's Press, 1964), 295.


Hans F. Sennholz  (1922-2007) foi o primeiro aluno Ph.D de Mises nos Estados Unidos.  Ele lecionou economia no Grove City College, de 1956 a 1992, tendo sido contratado assim que chegou.  Após ter se aposentado, tornou-se presidente da Foundation for Economic Education, 1992-1997.  Foi um scholar adjunto do Mises Institute e, em outubro de 2004, ganhou prêmio Gary G. Schlarbaum por sua defesa vitalícia da liberdade.

Tradução de Leandro Roque


84 comentários
84 comentários
Daniel J. 26/09/2012 06:32:18

Muito interessante esse caso. Fico pasmo em como as demonstrações da aplicação dos ensinamentos da Escola Austríaca são transparentes e inegáveis.\r
E me causa arrepios o apelo midiático das políticas intervencionistas. Cada vez mais todos querem direito a tudo, mas ninguem quer pagar a conta. E nisso, o livre-mercado é sempre impedido de prosperar, ao contrário dessa história. Excelente artigo!

Responder
Andre Cavalcante 26/09/2012 06:58:31

Fantástico,

Esse questionamento final é de pensar... Na Alemanha pós-nazista, havia um clamor para "se fazer alguma coisa". No caso atual, no Brasil, como mostrar que poderíamos estar melhores do que estamos, principalmente quando de fato o Brasil melhorou um pouco na última década?

Também um exercício de pensamento interessante: como seria uma transição (viável) no Brasil para um verdadeiro livre mercado?

Abraços

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Paulo Kogos 26/09/2012 07:15:15

excelente artigo

Hoje estava tendo uma aula mainstream de História Econômica e o tema era a Primeira Guerra Mundial e o tratado de Versailles, com consequências gravíssimas (incluindo a própria Segunda Guerra Mundial).

Parece que o welfare state e o keynesianismo foram algumas das consequencias ruins da guerra.

segundo o professor, a grande depressão foi causada por um excesso de produção americano sem o mercado consumidor alemão pra consumir, mas obviamente isto não passa numa análise sob a luz das leis econômicas

fiz uma pesquisa rapida no Mises.org e achei algo legal
Segundo o economista francês Etienne Mantoux, as teorias economicas keynesianas já estavam furadas no seu livro "Economic Consequences of the Peace", e todas as previsões que ele fez no ambito econômico estavam errado.

O que eu acho que aconteceu é que o poder do Estado foi aumentando juntamente com a abrangencia e sanguinolência das guerras.
O Estado como instituição no ocidente foi o único que saiu ganhando da Primeira Guerra Mundial.

A grande depressão foi uma consequencia logica da intervenção do Estado na economia. Finalmente o keynesianismo agravou a crise pós crash da bolsa, e isto acirrou os ânimos dos extremistas políticos que colocaram a culpa no capitalismo (igualzinho o obama e a crise de 2008 hoje, portanto tomemos cuidado)

Os keynesianos erraram tbm ao afirmar que o fim da 2a guerra traria depressão econômica.

Concluimos que existem algumas coisas que andam juntas

keynesianismo, socialistmo, poder do Estado, guerra, politicagem, sofrimento, escassez e mentiras de um lado

livre mercado, capitalismo, liberdade, paz, empreendedorismo, felicidade, prosperidade e lógica do outro

simples assim

Responder
Luis 27/09/2012 09:39:58

Que professor horrível, hein?!

Responder
Patrick de Lima Lopes 26/11/2012 11:30:14

Que professor ruim o seu...²
O pior é que ele está sendo pago pela população para falar tais coisas.

Responder
gil 26/09/2012 08:41:53

vocês do instituto mises poderiam fazer uma série de artigos sobre a recuperação do pós-guerra.
E também sobre o período da economia brasileira antes de 1930.Acho que seria bem interessante.

Responder
andrade 26/09/2012 09:09:19

Gente, tem um video muito bom que tenta explicar tudo de onde começou a deriva financeira e monetária que levou à atual crise.
É um video que passou estes dias no canal da tv Suiça, a RTS, e se chama : "Noire Finance"
Para quem entende francês... boa visualisação.
Detalhe, o video só estará disponivél no site da RTS durante mais 5 dias, depois sai do ar.
Abraços

Responder
Digo 26/09/2012 12:27:19

É preciso lembrar e relembrar essas histórias. Repetir e levá-las a todos. O libertarianismo tem tantos exemplos de sucesso no pós-guerra (Alemanha, Japão, Hong Kong, Dubai mais recentemente) que fica difícil entender como foi ficar marginalizado dessa maneira.

Também é preciso enfatizar os fracassos intervencionistas. O keynesianismo jogou o mundo na bagunça atual. O poder de criar dinheiro do nada, sem lastro, foi o que jogou o Brasil na hiperinflação da década de 80.

Os objetivos libertários também são nobres e bastante comuns àqueles pregados por esquerdistas. Os esquerdistas querem a melhoria da vida de todos e mais chances para os pobres e necessitados. Os libertários também. Os esquerdistas dizem ter horror ao latifúndio e ao "grande capital concentrado nas mãos de poucos" (algo só possível com proteção estatal). Os libertários também. Os esquerdistas querem igualdade via redistribuição de renda forçada por lei. Os libertários não defendem a igualdade e a distribuição de renda do mesmo modo que os esquerdistas, mas querem impedir que o estado crie mais desigualdade artificial através da inflação, que causa uma distribuição de renda ao contrário, dos mais pobres para os mais ricos.

No entanto, embora os objetivos possam ser condizentes, os métodos são completamente diferentes, assim como os resultados. Políticas esquerdistas, estatizantes, fazem com que haja um decréscimo na capacidade produtiva de seus países. Suas políticas empobrecem e fazem com que o povo tente fugir para algum lugar melhor; já as políticas libertárias, anti-estatizantes, aprimoram as relações de trabalho, dão lugar à inovação e melhoram tanto a qualidade de vida que estrangeiros querem vir e produzir no país que as adota.

É preciso repetir isso sempre.

Responder
Paulo Kogos 26/09/2012 14:37:19

gostei do seu comentário mas discordo de uma coisa
os esquerdistas não querem liberdade nem combate à pobreza

eles se norteiam por inveja aos bem-sucedidos e desejam virar a classe dominante num sistema socialista

Responder
Digo 26/09/2012 15:15:34

Falei dos objetivos pregados por eles. Aquela retórica que atrai as pessoas comuns.

A inveja também faz parte da retórica, afrai algumas pessoas, mas nisso os libertários certamente são diferentes. E a inveja não deve fazer parte do discurso.

Responder
Digo 26/09/2012 15:31:24

Gostaria de complementar meu raciocínio: os esquerdistas, em sua maioria, não são maus. Eles estão apenas enganados quanto aos resultados das políticas por eles pregadas. Um ou outro tem objetivos torpes, mas a grande maioria quer mesmo coisas boas.

Esses são os que tem de ser fisgados. Eles acreditam no esquerdismo porque só veem como alternativa um estatismo com todas as vantagens para grandes empresas e nenhuma para o trabalhador e o pequeno empresário. Experimente contar a seus parentes e amigos esquerdistas como a Alemanha tem, até hoje, salários altos e bom padrão de vida mes o sem política de salário mínimo para ver a surpresa. É ignorância, não malvadeza.

Responder
Renato 26/09/2012 16:48:23

Penso que muitos esquerdistas são enganados pelo mal que há neles mesmos. Eles adoram pensar bem de si mesmos, e isso os cega. Considere essa possibilidade: A ideologia esquerdista permite que eles se considerem pessoas superiores às outras, e não necessitam serem realmente melhores que as outras pessoas para pensarem assim. Se o sujeito for um calhorda que vive prejudicando os outros, mas for "útil" à "causa", até mesmo ele se sente superior moralmente e intelectualmente àqueles que não são esquerdistas. Mesmo aqueles que não são desonestos e cafajestes tem esse mal dentro de sí, a soberba

Responder
Digo 26/09/2012 18:03:00

Creio que isso seja mais comum entre os políticos que mais abraçam as causas esquerdistas (infelizmente a grande maioria) e intelectuais. Os que realmente entendem da ideologia são sim, na maioria, maus. Defino maus aqui como tendo desprezo pelas outras pessoas. Na população em geral, que cai no canto dessas sereias, isso não ocorre.

Simplificadamente, para mim um exemplo disso é o fato de que, embora a população brasileira seja majoritariamente conservadora em relação aos costumes sociais (reprova o roubo, condena o aborto, etc), ela apoia os esquerdistas porque estes defendem os "pobres e oprimidos" contra os "ricos capitalistas opressores", pela falta de alguém para lhes explicar melhor como funciona o sistema atual e como funcionam outros sistemas. E vão votar em partidos de esquerda por não ter um representante real.

É bom lembrar que a população em geral, em todo lugar do mundo, não é sofisticada. As pessoas não são dadas a pensar profundamente sobre qualquer causa que seja, se orientando mais por costumes e por aquilo que seus líderes religiosos dizem do que qualquer outra coisa. Também cabe lembrar que, embora o brasileiro tenha uma certa admiração por tudo que é estrangeiro, por alguma percepção de que é melhor. Essa população tem que ser conquistada com exemplos simples. Eu acredito que até pelo fato da maior parte do povo brasileiro ser conservadora, mostrar que o liberalismo econômico (não vou dizer aqui libertarianismo) é que está a favor dos pobres trabalhadores e pequenos comerciantes não é tarefa tão difícil.

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Emerson Eduardo Rodrigues Setim 03/10/2013 00:55:57

Com certeza o tema inveja deve fazer parte da discussão, porque do contrário estariamos escondendo o vetor principal que move um esquerdista à ser esquerdista.
Ele sabe que não tem méritos, logo inveja o empreendedor, inveja aquele que busca a meritocracia por puro comodismo e por saber que é um grande parasita.

Responder
Patrick de L. Lopes 03/10/2013 01:47:24

Haha, excelente, Emerson.

Faltaria apenas o Filósofo vir defender o funcionalismo público e nosso dever social de sermos obrigados a financiar seus textos "revolucionários" e peças artísticas "conscientes". Afinal, segundo ele, todo engenheiro foi seduzido pelo dinheiro ao optar por um curso que lhe permitiu ser justamente provido pela utilidade gerada à sociedade ao invés de haver estudado em algum departamento "socialmente aprovado".

Responder
JCSeixas 26/09/2012 13:37:11

Artigo muito interessante sobre tema que eu ainda desconhecia, apesar de já ter lido muito sobre a Alemanha, no Século XX, especialmente quanto a 2a Guerra Mundial. As lições se aplicam facilmente ao que vemos aqui, no Brasil, hoje. Parece que muitos se esquecem de que não há riqueza sem que tenha sido produzida pelo trabalho, que foi o que aconteceu naquele país. Simples assim...

Responder
Jônatas Alves 26/09/2012 16:29:46

Leandro, tenho uma dúvida sobre as bases teóricas do Milagre Alemão: associa-se o Milagre à "escola" do Ordoliberalismo e a figura de Wilhelm Roepke a ela. Você tem alguma opnião sobre o modo como eles tratararam a questão da necessidade de um Banco Central? Não tenho nenhuma intenção de minorar os trabalhos de Ludwig Erhard e a sua grande "condução" (ou liberalização) da economia alemã, mas ao contrário dos Keynesianos, o pessoal ordolibreal tem uma seriedade bem grande e não me parece que eles estivessem querendoo defender o agigantamento do estado.

Responder
Leandro 26/09/2012 16:59:52

Quase nada sei especificamente sobre Ordoliberalismo. Do básico que sei, ele pouco se diferencia do neoliberalismo tradicional: o estado é responsável por manter um ambiente jurídico estável e confiável, que dê segurança aos investidores e garanta a estabilidade das instituições (esses lugares-comuns típicos). Dizem também que o estado deve estimular a concorrência e coibir os monopólios, mas eu não sei quais as medidas específicas que eles propõem para isso. (Agências reguladoras ou liberdade de entrada no mercado?) Por fim, o estado também deve manter uma rede social mínima para garantir a sobrevivência dos menos capazes. Perdi alguma coisa?

Enfim, não estou qualificado para palpitar sobre este assunto.

Quanto ao Banco Central alemão, não há controvérsias: ele sempre existiu e sempre manteve o monopólio da moeda; porém, após a Segunda Guerra, foi o BC autônomo mais conservador (isto é, menos expansionista) do mundo, mais até do que o suíço.

Abraços!

Responder
Digo 26/09/2012 18:07:10

Eu me lembro de alguma coisa que li sobre isso. Não era Mises que tinha lamentado o fato dos ordoliberais e seu social market - que entre outras coisas diziam que os empreendedores não ficariam desmotivados com altos impostos - haviam ficado com o crédito do milagre alemão (nenhum milagre segundo o próprio Mises, já que o crescimento seria a consequência natural da liberação da economia)? Me corrijam se eu estiver errado.

Responder
Andre Cavalcante 27/09/2012 07:08:12

Por nada não Leandro, dado o gigantismo do estado brasileiro, ficaria muito feliz se por essas bandas fossem mais divulgadas essas ideias. Se não é de todo bom, ao menos não é tão ruim como o que se vive hoje (sei, sei, os anarco-capitalistas não gostam muito desse meio termo - ou é ou não é - eis a questão!)

Abraços

Responder
amauri 27/09/2012 03:37:31

Bom dia Leandro!
No link abaio está um grafico do ministerio do fazenda, mostrando que a divida publica caiu quase a metada desde 2002. Foi isto mesmo? grato e abracos.
Amauri
Link: www.secom.gov.br/sobre-a-secom/acoes-e-programas/comunicacao-publica/em-questao/edicoes-anteriores/setembro-2012/boletim-1624-26.09/divida-publica-cai-0-5-em-agosto/image/image_view_fullscreen

Responder
Leandro 27/09/2012 05:29:30

Não, isso é safadeza, como já foi explicado 378 vezes neste site. Vamos para a 379º:

Em dezembro de 2011, a dívida total do governo federal era de R$2,535 trilhões. O PIB de 2011 foi de R$4,143 trilhões, o que dá uma relação dívida bruta/PIB de 61%. É essa a relação que interessa; é essa a relação com que todos os países trabalham.

Mas o governo brasileiro, que sabe que tem uma mídia subserviente, divulga a relação dívida líquida/PIB, cujo valor é menor (por volta de 35%) e facilmente manipulável.

A dívida líquida apresenta tendência de queda porque o governo está recorrendo à engenhosa medida de expandir o gasto por meio dos bancos públicos, medida essa que neutraliza a dívida líquida ao mesmo tempo em que aumenta a dívida bruta. Ou seja, o PT descobriu como ludibriar alguns investidores mais desatentos: utilizando principalmente o BNDES para "investir" e distribuir dinheiro para os amigos.

Funciona assim: o BNDES, numa política corporativista tipicamente mussoliniana, concede empréstimos subsidiados para grandes empresas com boas conexões políticas. Só que a maneira como o BNDES levanta os recursos que irá emprestar é bastante, digamos, heterodoxa. O exemplo simplificado a seguir vai ajudar a entender:

O Tesouro vende títulos públicos para o sistema bancário e arrecada, digamos, R$ 100, com a promessa de pagar aos bancos R$ 7,50 daqui a um ano (juros de 7,5% ao ano, atual valor da SELIC). Ele transfere esses R$ 100 para o BNDES, que irá emprestá-los para suas empresas favoritas cobrando módicos 5,5% ao ano (valor da TJLP). No final do ano, o BNDES repassará uma parte ao Tesouro como dividendo (por exemplo, R$ 5).

No final, esses R$ 5 entram no cômputo do governo como uma receita primária, ao mesmo tempo em que os R$ 7,50, por serem pagamento de juros, não entram na conta do superávit primário! Percebeu a safadeza? No cômputo final, houve uma piora fiscal de R$ 2,50, porém, no balanço divulgado pelo governo, houve uma melhora de R$ 5 no saldo primário!

O senhor Mantega descobriu o moto-perpétuo: quanto mais ele se endivida, melhor fica a sua situação fiscal! É por isso que a dívida líquida aparece estável (ou com tendência de queda), mas a dívida bruta já está acima dos 60%, o que coloca o Brasil como o terceiro país com a maior dívida bruta entre os emergentes, atrás apenas da Índia e da Hungria.

Responder
Renan 02/02/2013 20:01:29

Leandro, então o governo rola para frente os 2,5%. É isso?

Responder
Thames 02/02/2013 20:24:22

Se estes 2,5% for o deficit nominal, então este será o valor em que a dívida se elevará. O tesouro benderá títulos no valor equivalente para cobrir este déficit.

Responder
Renan 03/02/2013 13:32:38

É porque eu sempre ouvi dizer que o governo rola para frente o principal, não o juros. E estes 2,5% são parte do juros de 7,5%. No exemplo citado pelo Leandro, o tesouro vendo títulos aos bancos prometendo pagar um juros de 7,5% ao ano, repassa o dinheiro recebido ao BNDES, que por sua vês empresta para empresas favoritas a uma taxa de 5,5% ao ano. O BNDES devolve para o tesouro somente 5% do juros arrecadado, de modo que o tesouro só consegue pagar 5% dos 7,5% prometidos aos bancos. Ou seja, o tesouro tem que rolar para frente parte do juros prometido. Se o principal prometido aos bancos é repassado para o BNDES que por sua vês o empresta para suas empresas favoritas, depois que estas empresas quitarem a dívida o BNDES terá condições de devolver o principal para o tesouro, que por sua vez quitará este principal devido aos bancos. Então, me parece que o que é rolado para frente é parte do juros, e não o principal. Estou certo? Grato.

Responder
Leandro 04/02/2013 09:00:53

"É porque eu sempre ouvi dizer que o governo rola para frente o principal, não o juros."

Correto. Para pagar juros, ele lança títulos. Ou seja, ele se endivida para pagar juros.

"E estes 2,5% são parte do juros de 7,5%. No exemplo citado pelo Leandro, o tesouro vendo títulos aos bancos prometendo pagar um juros de 7,5% ao ano, repassa o dinheiro recebido ao BNDES, que por sua vês empresta para empresas favoritas a uma taxa de 5,5% ao ano. O BNDES devolve para o tesouro somente 5% do juros arrecadado, de modo que o tesouro só consegue pagar 5% dos 7,5% prometidos aos bancos."

Esses 5% (na verdade, R$ 5) foi um valor meramente ilustrativo. Não é regra. Muitas vezes, o BNDES sequer repassa dividendos para o Tesouro. O que ocorre é que o Tesouro se endivida e repassa o dinheiro para o BNDES. Como o BNDES "investe" esse dinheiro, o governo o contabiliza na rubrica 'ativos a receber', e tal montante não entra, portanto, no cálculo da dívida líquida -- muito embora a dívida bruta tenha piorado.

"Ou seja, o tesouro tem que rolar para frente parte do juros prometido. Se o principal prometido aos bancos é repassado para o BNDES que por sua vês o empresta para suas empresas favoritas, depois que estas empresas quitarem a dívida o BNDES terá condições de devolver o principal para o tesouro, que por sua vez quitará este principal devido aos bancos."

A dívida junto ao BNDES só é quitada daqui a 30 anos. Em termos práticos, o Tesouro jamais reavê este dinheiro.

"Então, me parece que o que é rolado para frente é parte do juros, e não o principal. Estou certo? Grato."

Na prática, toda a dívida é rolada. Ou seja, cada vez que uma empresa recebe subsídios do BNDES -- partindo-se do princípio de que os subsídios vieram de um endividamento do Tesouro --, está ocorrendo aumento da dívida e inflação monetária (como já explicado aqui inúmeras vezes, quando o Tesouro emite títulos, quem compra esses títulos é o sistema bancário. E ele faz isso criando dinheiro do nada).

Responder
Renan 05/02/2013 23:48:48

Grato pela resposta, Leandro.

Responder
Hugo 27/03/2014 16:50:04

O que também é ridículo nessa questão da dívida líquida é que um crédito realizável em 30 anos é tido como compensador de um passivo com prazo de realização muito menor.

Responder
Hasno 10/05/2015 01:13:45

Perdão pela ignorância, mas fiquei com uma dúvida: muitos sites e educadores financeiros profissionais divulgam que títulos públicos (TD) e outros papéis são melhores opções do que a tradicional poupança em termos de rentabilidade e recomendam uma espécie de variação nos investimentos para a composição do patrimônio, sempre objetivando os ganhos com os juros compostos. Pergunto se uma pessoa física que busque a tal da independência financeira, que sonhe até mesmo em parar de trabalhar, ao investir no tesouro direto ou qualquer outra coisa que tenha a mão do governo/estado, estaria ela contribuindo para a própria inflação que precisa considerar em seus cálculos, como forma de preservar seu poder de compra no futuro?

Responder
Antonio Carlos 27/09/2012 08:25:36

A interferência estatal no controle da economia, através dos tempos não tem nos dados
bons exemplos. a principal intervenção estatal deveria ser nas condições digo, na infraestrutura, gerando boas condições para produção e escoamento.

Responder
Silva 27/09/2012 10:00:42

Poxa, tinha feito um comentário um pouco grande e na hora de enviar deu erro no site. Desisto! Deixa para outra hora, mas queria conversar um pouquinho com Leandro e outros dispostos a me ajudar :(.

Responder
Gustavo BNG 27/09/2012 23:40:17

Salve os comentários num bloco de notas antes de enviar. Sempre faço isso, pois é simples e rápido. (Aliás, também já perdi um comentário grande!)

Responder
Hernandez Vedovatto 28/09/2012 03:54:34

Caríssimos!!

O que vcs me dizem sobre o plano Marshall dos americanos pra Europa da 2a. guerra, visto que o gráfico no link anexo, traz um valor razoável de dinheiro que os americanos "doaram" (emprestaram) aos alemães.

pt.wikipedia.org/wiki/Plano_Marshall

Alem disso, os gregos agora estão querendo o perdão da divida deles, assim como eles perdoaram a divida dos alemães após a segunda guerra.

Essa ajudinha financeira e o perdão das dividas não foi um dos motivos principais da retomada alemã?

Apenas pra complicar um pouco e acalorar a discussão, que por sinal, muito promissora!! kkk

Abraco

Responder
Leandro 28/09/2012 05:59:09

O plano Marshall é um daqueles mitos econômicos que ainda perduram no imaginário popular por causa da ignorância acerca de questões básicas de economia.

Pra começar, e isso é empiricamente verificável, os países que receberam mais auxílios do Plano Marshall (Grã-Bretanha, Suécia e Grécia) foram os que tiveram as menores taxas de crescimento entre 1947 e 1955, ao passo que aqueles que receberam menos dinheiro (Alemanha, Áustria e Itália) foram os que mais cresceram.

Isso é óbvio: auxílios externos desobrigam os governos a incorrerem em orçamentos equilibrados. Auxílios externos estimulam a gastança governamental e a consequente depredação do capital da economia. Os gastos governamentais privam a população de obter bens escassos (os quais são apropriados pelos burocratas do governo), impedindo que a população tenha uma maior qualidade de vida.

Ademais, o auxílio do Plano Marshall à Alemanha representou uma ínfima porcentagem do PIB daquele país (dizer que a recuperação econômica alemã se deu por causa de um auxílio minúsculo em relação ao PIB é algo economicamente risível). Adicionalmente, o dinheiro que a Alemanha Ocidental teve de pagar em termos de reparações de guerra mais do que contrabalançou a ajuda do Plano Marshall. A Alemanha Ocidental recebeu serviços de defesa militar dos EUA e da Inglaterra, mas teve de pagar taxas substanciais por estes serviços.

Quanto à Grécia dar o calote em sua dívida, ora, isso é exatamente o que defendemos. Governo que dá calote perde todo o crédito e acaba sendo obrigado a se virar com um orçamento próprio, sem poder recorrer a empréstimos estrangeiros.

Responder
Jackson 29/07/2013 12:29:41

Perdão, caro Leandro, mas tenho que discordar.

Dizer que o Plano Marshall fez algum mal aos países europeus é uma bobagem.

Pra começar, de onde provém esta informação de que a Alemanha é um dos países que menos receberam ajuda do Plano Marshall? Segundo o wikipédia, a Alemanha foi o país que mais recebeu ajuda do Plano Marshall:

pt.wikipedia.org/wiki/Plano_Marshall#Ajuda_financeira_recebida


E daonde provém a informaçõ de que Suécia e a Gréci foram os que mais receberam? O Plano Marshall foi um Plano de Reconstrução, e a Suécia nem participou da Segunda Guerra (e nem da Primeira). Então, não deve ter sido entre o que mais receberam ajuda.

Ademais, o Plano Marshall foi muito mais do que apenas ajuda monetária. Houve ajuda de logística, transferência de tecnologia e abertura comercial na Europa ocidental, tudo por causa da ajuda americana do Plano Marshall. Teve vários outros auxílios.

As transnacionais americanas invadiram o mercado europeu sedentas para explorar o novo mercado consumidor. Só aí os efeitos para a economia daqueles países Europeus já é imenso.

Sem Plano Marshall jamais haveria ajuda por ponte aérea até Berlim ocidental, não haveriam nem aviões, nem suplementos para levar, pois era tudo americano. Berlim teria teria caído nas garras dos commies.

Em suma, os efeitos positivos de tal Plano para a economia européia vão muito mais além do que a mera ajuda financeira direta.

Outra coisa, não adianta vc comparar benefício com crescimento econômico, até porque não se tem como saber qual seria o crescimento sem o benefício. Vc diz que a Suécia e a Grécia foram os que mais receberam (o que discordo, pois a Suécia não participou de nenhuma guerra e o Plano Mrshall era um plano de reconstrução). Mas vamos supor que seja verdade, como vc poderia afirmar que sem o benefício não teria havido uma retração violenta nesses países?

Os países que você citou (Alemanha, ústria e Itália) que tiveram maior taxa, são justamente os que perderam a guerra e estavam totalmente destruídos…. ou seja, meio óbvio que a taxa de crescimento teria que ser maior nesses países, pois na época eles eram os mais arrasados economicamente pela guerra. Pra quem ta na merda qualquer ajuda já é de grande valia.

Dizer que o Plano Marshall prejudicou ou não ajudou em nada os países europeus equivale a dizer que você tirar um mendigo pobre da rua, levá-lo pra dormir na sua casa, fazer um churrasco pro cara, matricular o cara em um curso profissionalizante e depois ainda dar uma boa grana pra ele se sustentar até que possa terminar o curso e arranjar um emprego, nõ ajuda em nada.

O que você poderia argumentar é que os efeitos do Plano Marshall foram muito mais positivos devido à abertura econômica, transferência de tecnologia e elevação do saldo comercial do que a mera ajuda monetária. Aí tudo bem. Agora dizer que o Plano Marshall não ajudou em nada é forçar a barra.

Responder
Leandro 29/07/2013 13:05:23

Prezado Jackson, sobre o tamanho do auxílio, você está olhando apenas os valores absolutos, quando o certo seria -- e eu deixei isso claro -- comparar estes valores aos respectivos PIBs de cada país. Faça isso.

Sobre o Plano Marshall em si, o que ele fez foi inchar os setores estatais dos países recipientes, pois um dos pré-requisitos impostos para se receber o auxílio era o de destinar estes fundos a obras públicas e a outros projetos governamentais.

Por fim, os países que receberam os maiores valores em relação ao tamanho de suas economias, como Grécia e Áustria, só começaram a se recuperar quando a ajuda terminou, ao passo que países como Alemanha, França e Itália já estavam se recuperando antes de receberem qualquer centavo dos fundos do Plano Marshall.

Leituras recomendadas:

mises.org/daily/1374/
mises.org/freemarket_detail.aspx?control=120
https://mises.org/daily/5922/Will-Foreign-Loans-Make-Us-Rich

Responder
Jackson 31/07/2013 21:48:19

Prezado Leandro.

Perdão, mas vc não respondeu aos meus questionamentos, apenas repetiu o que já tinha dito anteriormente.

Como eu disse, a relação incentivo/crescimento que você aponta não prova nada.

Muito desses incentivos foram dados em bens e serviços, de forma que foram computados os valores desse bens e serviços. Se considerarmos, por exemplo, que junto com esses bens e serviços houve uma transferência de tecnologia, então a Alemanha e a França receberam muito mais transferência tecnológica do que a Grécia e a Suécia, pois ai toma relevância o valor BRUTO do benefício, e não o relativo que tu leva em conta. E o valor dessas tecnologia é inestimável.

Aliás, um dos maiores defeitos que eu noto nos economistas é sempre levar mais em conta os valores relativos e se esquecer que, em muitos casos, o valor bruto é muito mais importante do que o relativo ao se fazer uma analise. Depois não entendem porque contadores e administradores dão melhores empresários.


Li os três artigos que você citou e nenhum deles fala a respeito dos pontos levantados.

Lí também outras fontes, como esta notícia do Washington Post. Leia a notícia e veja o exemplo da Faber-Castell:

"With practiced ease, a worker slices open the cardboard box, pulls out the hand-size panels of California cedar and stacks them at the head of the assembly line.

In just a few minutes, the thin blocks make their way down what is known in the factory as Pencil Street, where they are swiftly grooved, inlaid with graphite cores, covered, cut and shaped into some of the 1.2 million pencils that roll out of Faber-Castell's factory here each year. The California cedar is the key; no other wood does so well for quality pencils.

Ludwig Lihl, 76, a retiree who first came to work at Faber-Castell GmbH & Co. in 1950, knows why this company was able to begin importing cedar from Stockton, Calif., after World War II.

'It would not have been possible without the Marshall Plan,' he said."


O valor da madeira computado no benefício pode ter sido pequeno, mas o valor intrínseco da tecnologia embutido nesse tipo de madeira específico foi inestimável para a Faber-Castell se tornar uma firma líder no seu setor no mundo todo até hoje.

E tem mais:

"In the four years of the Marshall Plan, from 1948 to 1951, industrial production in Europe rose 36 percent. Much of this doubtless would have happened without American aid, which accounted for a fraction of total European investment. But scholars say it would not have happened so fast, or been shaped the way it was.

The shape was determined in part by a massive injection of American management and technological know-how. Although the labor force in most European countries was well trained and educated, two world wars had left production capabilities where they had been in 1910. In addition to furnishing factories with machines, the Marshall Plan sent delegations of thousands of European business people and labor union representatives to myriad companies in the United States to learn the American ways of modernization, management and productivity."



Veja que o Plano Marshall foi MUITO MAIS do que uma mera ajuda financeira.

Portanto, ao fazer apenas o cálculo benefício/crescimento vc desconsidera milhões de fatores, alguns deles que eu já citei no meu comentário.

Portanto, dizer que o Plano Marshall não ajudou os países europeus somente com base no valor calculado do benefício é ridículo.

Responder
Leandro 01/08/2013 02:56:04

Prezado Jackson, repetir discursos oficiais e citar como fonte impositiva uma reportagem de um órgão oficial do regime (que é como o Washington Post sempre foi conhecido) não é análise econômica sensata.

Ao dizer que o Plano Marshall não funcionou como dizem seus defensores, recorro tanto à teoria econômica quanto a uma comparação empírica de números. Já você utiliza uma matéria de jornal que diz que um sujeito conseguiu emprego na Faber Castell... Se isso para você é prova definitiva da eficácia de um plano econômico, paro por aqui.

Aliás, veja este trecho da reportagem que você utiliza e observe o nível da análise:

In the four years of the Marshall Plan, from 1948 to 1951, industrial production in Europe rose 36 percent. Much of this doubtless would have happened without American aid, which accounted for a fraction of total European investment. But scholars say it would not have happened so fast, or been shaped the way it was.

Ou seja: ao mesmo tempo em que o repórter admite que a produção teria aumentado sem o Plano Marshall -- "o qual representou apenas uma fração de todo o investimento europeu" --, ele diz que acadêmicos afirmam que a produção não teria aumentado tanto sem a ajuda estrangeira. Ora, qual a tese que sustenta esse contrafatual? Isso é pura achismo. Não é assim que se faz análise econômica.

Farei apenas três considerações:

1) É o óbvio ululante que determinados setores se beneficiaram da ajuda externa. Essa é a essência de qualquer tipo de ajuda governamental (tanto em nível nacional quanto internacional). Sempre haverá um setor específico beneficiado à custa de todo o resto. Este site é pródigo em artigos que explicam e ilustram esse fenômeno. Mas tal fenômeno de modo algum significa melhoria econômica. Significa apenas conchavo, compadrio e favorecimento. Que você entenda isso como prova acachapante de que um pacote de auxílio é "bom para toda a economia" mostra bem que você ainda não dominou o básico da análise da ciência econômica.

2) Um dos maiores entusiastas do Plano Marshall foi o setor exportador americano. Óbvio. O governo americano mandava dólares para os países europeus e estes utilizavam esses dólares para adquirir produtos exportados pelos americanos. No final, tudo não passou de um enorme esquema de subsídio a empresas americanas, com o dinheiro dos pagadores de impostos americanos, travestido de ajuda internacional. Há uma volumosa literatura a respeito.

3) Se ajudas internacionais fossem economicamente benéficas, África e Haiti seriam, na mais tolerante das hipóteses, economias relativamente desenvolvidas.

Utilizando seu próprio linguajar, sua maneira de fazer análises econômicas é ridícula.

Grande abraço!

Responder
Felipe 28/09/2012 07:06:49

Não houve perdão das dívidas. O que você acha que aconteceu com a Prússia Oriental, Pomerânia e a Silésia? Qual o nome de Konigsberg hoje? Além disso, apenas os EUA confiscaram o equivalente a USS 100 bi em patentes alemãs. A infraestrutura da Alemanha Oriental e do resto da Alemanha Oriental foi completamente pilhado pela URSS. Centenas de linhas ferroviárias foram transportadas para a URSS, de modo que até a Polônia ficou a ver navios.\r
\r
Então, não houve "perdão"...

Responder
Lucas 30/09/2012 16:55:29

Alguem poderia me passar o link do artigo do Mises que trata do "milagre economico do Japão pós-guerra", procurei algo a respeito no google mas só achei um artigo do Wikipédia com forte pregação ideologica keynesiana e saudosismo estatal. Gostaria de ver a visão e etendimento do Mises BR sore o acontecimento assim como este da Alemaha pós-guerra.

Responder
Hernandez Vedovatto 01/10/2012 03:48:47

E quanto a expansão monetária da pós-guerra? Temos algum registro/fonte que sirva pra comparações com outros países?
Eu acredito que o país com maior crescimento após a segunda guerra, seja a alemanha, visto que sofreram sanções além de totalmente arrasada, e não os EUA, que pilharam e se aproveitaram da situação pra dar um impulso em sua economia.
Eu pergunto isso, porque somente falar, fica muito vago, mas com referências a coisa fica muito real e fácil de defender.


Responder
Leandro 01/10/2012 20:36:27

Existem fontes sim: os bancos centrais de cada país.

É só entrar no site de cada um deles e baixar os dados. Desconheço um site que compile os dados monetários detalhados de todos os países. Se alguém souber de algum, tenha a enorme bondade de nos avisar.

Responder
Eduardo R., Rio 06/03/2013 21:28:01

Um excerto da obra "The Economics of Success", do ex-Chanceler da República Federal da Alemanha, Ludwig Erhard, publicado em 1963. Nesse texto, Erhard pretende fazer uma distinção entre "uma economia de mercado com livre ajustamento de nível de preços e uma economia autoritária com controlos estatais".

Responder
anônimo 20/06/2013 16:58:43

Quais as causas do milagre economico italiano?

Responder
anônimo 01/07/2013 00:45:22

No livro "economia em uma única lição" o autor cita, na página 33, o milagre economico alemão. agora eu pergunto: como, se o livro foi publicado em 1946 e não houve modificação para edições posteriores, a não ser no capitulo "controle de aluguéis" e o milágre começou em 1948? O autor previu o feito?

Responder
Ricardo 01/07/2013 12:50:40

Prezado anônimo, o livro possui 8 edições, sendo a última de 1961. Parece que você pulou a leitura do prefácio. Tenha a bondade:

www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=68

Responder
anônimo 20/08/2013 03:09:00

Na Alemanha pós guerra não foi adotado o "Ordoliberalismo", que seria uma terceira-via?

Responder
Guilherme 20/08/2013 06:20:38

Já foi debatido aqui mesmo nesta seção de comentários deste artigo. Procure. (Veja a pergunta do leitor Jônatas Alves e a resposta do Leandro).

Responder
anônimo 20/08/2013 10:14:56

Mais uma desvantagem de não ter um fórum mesmo, em vez de tentar usar a seção de comentários pra simular um

Responder
anônimo 23/08/2013 00:43:40

A Alemanha desta época era mais livre economicamente que a Alemanha atual?

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 08/07/2014 14:05:58


A Alemanha pós-guerra lembra o Brasil de hoje. A inflação brasileira só não é maior por causa dos preços controlados pelo governo, como a gasolina. Mas a inflação real é maior do que a oficial. O Brasil também precisa de uma boa dose de liberalismo econômico.

* * *

Responder
Rafael Bastos 08/07/2014 16:47:04

Engraçado, mas países como Alemanha, Itália, Finlândia e seus vizinhos do lado de fora da cortina de ferro mesmo estando completamente destruídos se enriqueceram no pós guerra, da mesma maneira que a Coreia do Sul, Japão e Taiwan se recuperam e se desenvolveram após a 2°GM e a guerra da Coreia. Desenvolvimento este que não se repetiu em outros locais do mundo, com alguma exceção.

E Coincidentemente todas essas nações estavam muito próximas da China Comunista e da União Soviética além de estarem alinhados aos EUA. E analisando alguns mapas, notei que os países que citei formam uma espécie de "linha de contenção" envolta da URSS e RPC.

O que me faz pensar que o livre mercado talvez não seja o único responsável pelo enriquecimento de nações como a Alemanha e Japão, e que fatores políticos e principalmente militares tenham contribuído de sobremaneira para que isso ocorresse.

Responder
Guilherme 08/07/2014 17:31:47

Rafael, você acabou de criar uma ótima e nova teoria econômica: o que desenvolve um país é a sua proximidade com a Rússia e/ou com a China.

Vai ver que é por isso que as Filipinas, a Tailândia, o Camboja, o Laos, a Ucrânia, a Bielorrússia, a Mongólia, a Macedónia e vários outros países que se enquadram nessa descrição também se tornaram potências indomáveis e invejáveis....

Responder
Rafael Isaacs 09/07/2014 00:32:01

Os Eua investiram pesado na Alemanha depois da guerra.

Responder
Newton 09/07/2014 00:56:01

Isso já foi amplamente debatido aqui mesmo nesta seção de comentários. Veja ali em cima o debate entre o Leandro e o Jackson.

Responder
Felipe 09/05/2015 21:37:53

Os EUA investiram 15 bilhões de dólares (cotação atual) na Alemanha com o plano Marshall, enquanto a destruição da guerra evaporou com 19% de todos os bens alemães o que dá, atualmente, em dólares, algo em torno de 650* bilhões.

Ou seja o plano Marshall recuperou a grande soma de 2,3% de toda destruição causada na Alemanha.

Fonte: vk.com/away.php?to=http%3A%2F%2Fwww2.warwick.ac.uk%2Ffac%2Fsoc%2Feconomics%2Fstaff%2Fmharrison%2Fpublic%2Fww2overview1998.pdf

*Inflação média anual de 3,6% dada ao dólar e inflação total de 970% de 1951 a 2015

Responder
André 08/07/2014 19:19:49

Quais são as explicações pra Alemanha nazista ter sido tão prospera? alguém tem alguma sugestão de literatura?

Responder
Leandro 08/07/2014 22:31:19

Que prosperidade?! Toda a economia estava voltada para o esforço de guerra, com racionamentos, controle de preços e salários, e toda a estrutura produtiva voltada para a construção de tanques e artilharia pesada.

O único número "impressionante" (para os leigos) e que é utilizado como base para essa afirmação de prosperidade foi o desemprego baixo. Mas esse baixo desemprego foi totalmente artificial: com toda a economia voltada para a guerra, todas as pessoas tinham emprego (muitos deles compulsórios) na indústria bélica. Só que tais empregos não acrescentavam nada para o bem-estar da população.

Responder
Rodrigo Lopes Lourenço 09/07/2014 01:13:31

André,
Desculpe-me, mas prosperidade econômica da Alemanha entre 1933 e 1939 é falsa crença disseminada por nacionais-socialistas.
No Youtube, há um discurso do próprio hitler (com legendas em inglês), pronunciado no Reichtag em 30 de janeiro de 1937 (quando se comemorava, portanto, quatro anos da ascensão do nacional-socialismo), em que ele expressamente admitiu haver racionamento.

www.youtube.com/watch?v=mg-v_zMEXZo

Aliás, o discurso é recheado de pérolas socialistas, as quais mereceriam tradução a fim de provar-se o vínculo entre hitler e o socialismo.

Além disso, um ano antes, em 17 de janeiro de 1936, göbbels, o ministro da propaganda do nacional-socialismo publicamente, reconhecendo que havia escassez de alimentos na Alemanha, disse que o importante eram canhões.

Responder
Keynesiano Rafael 11/05/2015 00:14:09

O video é privado

Responder
Osmar Neves 09/07/2014 05:39:05

E agora os alemães irão competir e prosperar também no mercado do funk:


https://www.youtube.com/watch?v=_ZI2i2btO_0

Responder
Rafael Bastos 09/07/2014 14:12:27

Não estou criando teorias econômicas novas, o sr. é que deveria interpretar melhor o que escrevi. Só acredito que o debate deveria ter um aspecto maior do que aquele meramente econômico, como a discussão a cerca do Plano Marshal que foi deveras interessante.

Responder
Jean Cherem 10/07/2014 01:13:50

Estou pensando em como a intervenção do governo aqui causou problemas, principalmente no setor imobiliário. Nosso custo de vida está pesado por causa do populismo econômico do governo e vamos pagar por cada centavo que ele joga fora na intervenção. Se não fosse pelo PT, o mercado imobiliário teria preços reais e não esta especulação. Ainda usam a Caixa para financiar os lucros das construtoras.

Responder
Jean Cherem 11/07/2014 10:33:38

Eu já tinha lido este texto. Pena que o eleitor não verifica estas coisas. O que faz sucesso é site com piada. O Canal do Otário atá fala muita coisa, mas não é o mesmo que ler um bom texto.

Responder
João Girardi 22/07/2014 19:17:45

Lendo este artigo, creio que se há uma única conclusão que se pode chegar, é essa:
O Brasil tem salvação.

Responder
Diogo Francis Ferreira Lima 29/07/2014 16:58:12

Liberdade significa responsabilidade. É por isso que nossos presidenciáveis tem medo dela.

Responder
Filosofo comum 06/08/2014 14:25:28

[OFF-TOPIC]

Tem diferença entre a escola de Friburgo(Ordoliberalismo)com a escola de Chicago?... Me Parecem que as duas são favores do livre mercado, mas exigem do estado algumas intervenções para corrigir a imperfeição dos livre-mercado

Responder
Enrico 10/05/2015 00:11:06

A escola de Friburgo defende que haja um Estado assegurando direitos de propriedade e contrato, existindo uma economia livre. Até aí, os austríacos minarquistas concordam.

Entretanto, eles defendem leis antitruste, um banco central independente e incentivos estatais (isenções e subsídios) ao crescimento. Até aí, os neoliberais de Chicago concordam, ainda que não inteiramente com a parte de incentivos.

O que os diferencia na verdade é que eles defendem um welfare state. Nada têm contra saúde, educação, previdência e demais serviços estatais. A Escola de Chicago concorda com um welfare state, mas como forma transitória (sic) e indiretamente, através de vouchers e do Imposto de Renda Negativo.

A pessoa que talvez mais simbolizou o ordoliberalismo foi o Bismark. Ainda que não houvesse sido formada a escola de Friburgo, ele foi uma das principais influências.

Eles merecem todas as nossas críticas pelas medidas estatistas, mas é preciso reconhecer o incomensurável mérito deles em evitar o socialismo mais profundo e garantir o progresso econômico alemão dentro de um livre mercado, enquanto grande parte do mundo vivia o totalitarismo e graves crises econômicas.

No fim, são pragmáticos. Melhores do que qualquer um que já tenda ocupado a presidência da República Tupiniquim.

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Lopes 09/05/2015 17:30:26

Um dos parágrafos mais bonitos que já li sobre economia:

"O mercado negro de repente desapareceu. As vitrines das lojas amanheceram cheias de bens, as chaminés das fábricas voltaram a soltar fumaça intensamente, e as ruas fervilhavam de caminhões de carga. Por todos os cantos, o barulho das construções substituiu o silêncio sombrio dos escombros. Se a recuperação foi uma surpresa grande, sua rapidez foi uma surpresa ainda maior. Em todos os setores da economia, a vida foi retomada assim que os relógios badalaram as primeiras horas do dia da reforma. Apenas uma testemunha ocular pode oferecer um relato acurado do súbito efeito que a reforma monetária teve sobre o tamanho dos estoques e sobre a variedade e riqueza dos bens à mostra. As lojas se encheram de bens da noite para o dia; as fábricas voltaram a trabalhar a toda. Na véspera da reforma monetária, os alemães perambulavam sem rumo pelas cidades à procura de alguns itens comestíveis adicionais. Um dia depois, eles não pensavam em mais nada a não ser em produzi-los. Num dia, a apatia era nítida em suas faces; no outro, toda a nação olhava esperançosa para o futuro."

Responder
Henrique Zucatelli 10/05/2015 14:10:41

Sinto o Brasil de uma maneira muito parecida. Os industriais se sentem prostrados. Os trabalhadores não fazem mais do que a obrigação.

É essa sensação que explica o que vivemos hoje: somos prisioneiros do Estado, da corrupção, do controle de preços, e além, do controle de mentes e vontades.

Responder
Hudson 10/05/2015 10:55:04

Eu sei que a "escola de campinas" é constantemente massacrada pelos articulistas do portal, mas existe algum artigo aqui que trata exclusivamente de derrubar o pensamento cepalista/estruturalista da CEPAL/Campinas/USP?

Caso não haja, sugiro este tema.

Responder
Fernando 10/05/2015 15:20:28

Acho fácil entender que controle de preços só prejudica a economia.

O Brasil ainda possui controle de preços de telefone, energia, planos de saúde, água, etc. Quem vai trabalhar e produzir para ganhar migalhas, já que o governo proíbe a concorrência nessas áreas ? Existem algumas situações que é difícil não ter controle de preços, como em uma estrada, pois não dá para colocar concorrência entre as pistas e faixas da estrada. Seria necessário ter outra estrada para ter concorrência.

Algumas medida urgentes para o Brasil seria a redução de impostos para 20% do PIB, retirar qualquer controle de preços, liberar o uso de moedas como dólar e euro, privatizar todas as estradas, portos e aeroportos, reduzir a dívida pública bruta para 30% do PIB, etc.

Esse Alexandre Tombini do banco central está derrubando a economia. O cara sobe juros, fazendo o governo pagar 20 bilhões a mais de juros da dívida por ano. Ou seja, pra que ajuste fiscal se o cara sobe juros e faz a gente pagar 20 bilhões a mais na dívida ?

Além disso, essa carga tributária é para destruir as empresas. ou o empresário é idiota ou vira sonegador. Essa carga de impostos é desumana. Quem trabalha direito e paga os impostos só é prejudicado, pois a concorrência não vai pagar as malditas taxas.

Ninguém pode proibir as pessoas de trabalhar ! Controle de preços e moeda é regime totalitário !

Responder
Amarílio Adolfo da Silva de Souza 10/05/2015 17:16:56

Isso é mais uma prova(como tantas outras) das coisas maravilhosas que ocorrem quando não existem governos interferindo na iniciativa privada. Como seria bom se o brasil seguisse o exemplo da Alemanha, diminuindo o papel do estado na economia e na vida das pessoas, se limitando a oferecer apenas a Segurança e Saúde.

Responder
David 11/05/2015 03:02:18

Eu acho que o melhor jeito de ver qual sistema econômico funciona melhor é pegar uma população que tenha a mesma cultura, renda financeira e capacidade de trabalho, dividi-la em duas e implantar um sistema econômico diferente em cada uma delas.

O sistema que se sair melhor é o que tem mais chances de dar certo em qualquer outro lugar do mundo. Pois após fazermos o teste, podemos tirar todas as variáveis que podem atrapalhar na conclusão do que faz um determinado lugar ser desenvolvido.

Responder
JoaoB 12/05/2015 22:21:43

Leiam...brilhante..wunderbar...


E isso que faz falta no mundo de hoje..especialmente no Brasil...liberdade e eliminacao de burocracia....

Exemplo pessoal......Como ia ficar 2 semanas fora do Brazil fiz uma procuracao simples..demorou uns 10 minutos...um imbecil func de cartorio fez um copy and paste, mudou os nomes das pessoas e pronto..custou 141 reais

Um medico da Unimed recebe 70 reais numa consulta
Vamso aumentar o salrio dos medicos ou eliminar os cartorios????

Pra que isso? Procuracao? Basta escrever um texto de proprio punho e pronto..se alguem duvidar do texto que pague os custos de um exame de grafia, inclusive danos morais por duvidar da palavra do outro,

Relembro as sabias palavras dele

Alexis de Tocqueville (1805-1859)

"A sociedade desenvolverá um novo tipo de servidão que cobre toda sua
superfície com uma rede de regras complicadas onde as mentes mais
originais e as mais enérgicas pessoas não conseguem penetrar.

Esse Estado não tiraniza, mas comprime, enerva e estupidifica um povo até
que a Nação seja reduzida a um rebanho de animais tímidos e
diligentes, dos quais o governo é o Pastor"


A atual classe politica esta criando esse bando de animais timidos...mas eles nao sao timidos e farao uma guerra civil extremamente sangrenta....

Existe alguma alternativa???

Coitados dos nossos netos ....sorte dos que estao saindo do Pais..

Responder
anônimo 13/05/2015 10:20:01

Guardadas as proporções isso acontece no mundo todo.O seasteading é a única solução.

Responder
Gabriel 25/06/2016 17:19:27

Alguém sabe de alguma obra ou artigo que fale especificamente da reforma monetária alemã no pós-guerra? Porque o artigo disse que pela complexidade não era o caso de aprofundar especificamente nesse ponto, só que eu me interessei bastante e gostaria de entender melhor como isso se deu.

Responder
Gustavo 20/07/2016 05:15:47

Como explicar a situação da economia americana no pós-segunda guerra?

Afinal de contas, os gastos públicos no período de guerra foram enormes, e praticamente se emendou com a Grande Depressão. De acordo com a teoria austríaca, o final da década de 1940 nos EUA não deveria ter sido de forte recessão?

Até onde eu sei, os americanos foram encontrar crises inflacionárias só da década de 1960 pra frente. Esse hiato entre 1945 e o final da década de 50 não parecem ser explicados claramente.

Aliás, procurei artigos aqui do IMB sobre esse assunto, mas não encontrei nenhum. Se alguém souber de algo que possa responder minha pergunta, favor mandar os links.

Responder
Souza 20/07/2016 11:27:34

"Como explicar a situação da economia americana no pós-segunda guerra?"

Explicado exatamente aqui:

Um governo em dieta - quando os gastos realmente foram cortados

"Afinal de contas, os gastos públicos no período de guerra foram enormes, e praticamente se emendou com a Grande Depressão."

E logo após a guerra foram genuinamente cortados. E em termos nominais. E foram cortados em mais do que 50%. Uma pancada. Exatamente o contrário do que recomenda a teoria keynesiana.

E foi aí que a economia americana disparou. Ver link acima.

"De acordo com a teoria austríaca, o final da década de 1940 nos EUA não deveria ter sido de forte recessão?"

Frase errada. Eis a frase correta: de acordo com a teoria keynesiana, o final da década de 1940, com os profundos cortes de gastos do governo americano, deveria ter sido de profunda recessão. Porém, exatamente como explica a teoria austríaca, foram de forte crescimento.

"Até onde eu sei, os americanos foram encontrar crises inflacionárias só da década de 1960 pra frente. Esse hiato entre 1945 e o final da década de 50 não parecem ser explicados claramente."

Claramente explicado.

"Aliás, procurei artigos aqui do IMB sobre esse assunto, mas não encontrei nenhum. Se alguém souber de algo que possa responder minha pergunta, favor mandar os links."

Era só procurar melhor.

Abraços.

Responder
Friddi 19/08/2016 11:34:16

Vale a pena de mencionar duas coisas adicionais que estão diversificando um pouco o cenário descrito aqui:
1o Boa parte do dinheiro que entrou na Alemanha durante os anos 50 foi o dibheiro roubado (dos judeus, dos paises ocupados etc) e que foi "estacionado" em países neutros no fim da guerra (Espanha, Portugal, Argentina etc pp.).

2o O plano Morgenthau poderia ter ajudado caso que Alemanha não teria perdido seus territorios no leste (o que é hoje parte de Polonia e Russia; Silesia, Prussia leste e Oeste).

Responder
Marcelo Lucio 29/08/2016 16:41:24

Deem uma olhada no artigo do Milagre Economico Alemão no Wikipedia. Pouco esquerdista ? https://pt.wikipedia.org/wiki/Wirtschaftswunder

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