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Dez lições de economia - Quarta lição: o que são os mercados e como são determinados os preços

Para definir os mercados, vamos utilizar as palavras do Prof. Ludwig von Mises, uma definição simples, completa, abrangente e magistral, como praticamente tudo o que Mises escreveu e ensinou. A grandeza dessa definição está em sua simplicidade, o que mostra que a economia é algo simples, quando temos a humildade para reconhecer isso, atributo que só gigantes como Mises costumam possuir.

A economia de mercado é o sistema social baseado na divisão do trabalho e na propriedade privada dos meios de produção. Todos agem por conta própria; mas as ações de cada um procuram satisfazer tanto as suas próprias necessidades como também as necessidades de outras pessoas. Ao agir, todos servem seus concidadãos. Por outro lado, todos são por eles servidos.  Cada um é ao mesmo tempo um meio e um fim; um fim último em si mesmo e um meio para que outras pessoas possam atingir seus próprios fins.

Este sistema é guiado pelo mercado. O mercado orienta as atividades dos indivíduos por caminhos que possibilitam melhor servir as necessidades de seus semelhantes.  Não há, no funcionamento do mercado, nem compulsão nem coerção.  O estado, o aparato social de coerção e compulsão, não interfere nas atividades dos cidadãos, as quais são dirigidas pelo mercado.  O estado utiliza o seu poder exclusivamente com o propósito de evitar que as pessoas empreendam ações lesivas à preservação e ao funcionamento da economia de mercado.  Protege a vida, a saúde e a propriedade do indivíduo contra a agressão violenta ou fraudulenta por parte de malfeitores internos e de inimigos externos.  Assim, o estado se limita a criar e a preservar o ambiente onde a economia de mercado pode funcionar em segurança.

Prossegue o Professor Mises:

O mercado não é um local, uma coisa, uma entidade coletiva. O mercado é um processo, impulsionado pela interação das ações dos vários indivíduos que cooperam sob o regime da divisão do trabalho.  As forças que determinam a — sempre variável — situação do mercado são os julgamentos de valor dos indivíduos e suas ações baseadas nesses julgamentos de valor.  A situação do mercado em um determinado momento é a estrutura de preços, isto é, o conjunto de relações de troca estabelecido pela interação daqueles que estão desejosos de vender com aqueles que estão desejosos de comprar.  Não há nada, em relação ao mercado, que não seja humano, que seja místico.  O processo de mercado resulta exclusivamente das ações humanas.  Todo fenômeno de mercado pode ser rastreado até as escolhas específicas feitas pelos membros da sociedade de mercado.

O processo de mercado é o ajustamento das ações individuais dos vários membros da sociedade aos requisitos da cooperação mútua.  Os preços de mercado informam aos produtores o que produzir como produzir e em que quantidade.  O mercado é o ponto focal para onde convergem e de onde se irradiam as atividades dos indivíduos.

Se você, depois desses quatro parágrafos, ainda não entendeu o que são os mercados, então é porque não os leu com atenção. Nesse caso, releia antes de prosseguir.

Bem, você está agora preparado para tentar responder a uma importante questão: o que determina o valor de um bem ou serviço no mercado?

Serão os custos para produzir esse bem ou serviço? Não, porque uma pessoa pode ter que incorrer em altíssimos custos para produzir alguma coisa, mas se os consumidores não quiserem comprar essa coisa (na linguagem dos economistas, se eles não demandarem essa coisa), seu preço e seu valor será zero.

Bom, se não são os custos, então não serão as horas de trabalho gastas para produzir o bem ou serviço? Também não, pelo mesmo motivo! Você pode ter um trabalho incrível para produzir algum bem, mas se ninguém quiser comprar esse bem, ele não terá valor.

Puxa vida, se não são os custos e nem o trabalho, então será o valor moral? É claro que não, basta observar que há bens e serviços que nada têm de morais e que têm valores muito altos no mercado, porque sua demanda é grande.

Então é o valor estético? Também não e pelo mesmíssimo motivo! Um ingresso para uma partida de futebol pode custar mais caro do que uma entrada para assistir a um concerto para fagote, oboé e flauta de Vivaldi, por exemplo.

Ai, ai, ai, então é o valor técnico? Nada disso, Mané, muitos inventores não ganharam um centavo com suas invenções, mas elas deixaram muitas pessoas ricas.

Será então a escassez? Pode parecer que sim, mas também não é. A escassez depende da demanda, ela não é uma quantidade aritmética específica do bem. Em minha casa tenho um desenho, um só, que fiz há alguns anos e, no entanto, ele não tem valor, porque ninguém vai querer comprar um desenho feito por mim.

Se não é a escassez, então é a utilidade? Você está chegando lá, mas ainda não é essa a resposta! A utilidade não significa nada no mercado se não estiver relacionada com a demanda. Há coisas muito úteis, mas que não têm valor, como o ar que respiramos; um velho livro de Economia pode ter um valor muito elevado para mim, mas para outras pessoas ele pode não valer nada. Como você já pode notar, do ponto de vista do mercado, o que importa não é a utilidade objetiva, mas sim a utilidade subjetiva, aquela que é estimada pessoalmente, por cada indivíduo.

Valorar algum bem ou serviço no mercado significa escolher entre esse bem ou serviço e bens e serviços alternativos. Quando fazemos as escolhas, isto é, quando agimos, o fazemos achando que aquela escolha, ou aquela ação vai nos proporcionar satisfação maior do que a satisfação que os outros bens e serviços proporcionariam. Mas, como nossas escolhas são individuais e subjetivas, como o nosso conhecimento não é perfeito e, ainda, como nossas ações se dão no decorrer do tempo e este tende a incorporar novos conhecimentos, corrermos sempre o risco de cometer erros.

Chegamos, então, à resposta que procurávamos: o valor depende de uma combinação da utilidade com a escassez, ou, na linguagem dos economistas, ele depende da utilidade marginal, entendida como a satisfação proporcionada pela última unidade de um dado bem, em um dado momento do tempo.

Por exemplo, se você oferecer, às três horas da tarde, uma bandeja cheia de copos com água para alguém que está morrendo de sede, essa pessoa vai dar ao primeiro copo um valor maior do que ao segundo, a este um valor maior do que ao terceiro, a este um valor maior do que ao quarto e assim sucessivamente. Supondo que essa pessoa beba, às três horas da tarde, seis copos seguidos e rejeite o sétimo, podemos dizer que o valor do sétimo copo, às três da tarde, era zero. Mas se perguntarmos à mesma pessoa, cinco horas depois, diante da mesma bandeja, se ela quer beber água e ela responder afirmativamente, então o valor daquele sétimo copo (que agora será o primeiro) já será positivo e maior do que o valor do oitavo (que, agora, passa a ser o segundo), o valor do oitavo será maior do que o do nono (que, agora, será o terceiro) e assim sucessivamente.

Vemos, assim, que o valor depende de uma combinação entre utilidade e escassez, combinação sintetizada pelo conceito de utilidade marginal, que foi descoberto em 1871 por Carl Menger, o fundador da Escola Austríaca e por William Stanley Jevons e Leon Walras. Por que aquele primeiro copo com água tinha um valor maior do que os valores dos copos seguintes naquele momento do tempo (três da tarde)? Ora, porque era escasso, já que aquela pessoa estava morrendo de sede, e também porque tinha muita utilidade. Mas, naquele ponto do tempo, cada copo a mais que era bebido tinha uma utilidade (marginal, na margem, daquela unidade adicional) menor do que a do anterior. Percebeu agora?

E o que dizer dos preços? Há certos conceitos — como o de preço — que pensamos dominar, mas que, a rigor, conhecemos apenas superficialmente. O que vêm a ser preços? Em sua essência, são o resultado da ação de indivíduos e de grupos de indivíduos que, agindo intuitivamente em seu próprio interesse, fazem suas escolhas econômicas, como já observamos, na suposição de que sejam, a priori, as melhores dentre todas as possíveis, dados seu estado de conhecimento e suas motivações em cada momento específico do tempo. Por isso, todos os preços que conhecemos são preços passados, meros fatos da história econômica. Ao falarmos de preços atuais, está implícito que estamos supondo — mesmo inconscientemente — que os preços do futuro imediato não serão diferentes daqueles do passado recente. E tudo o que dizemos sobre preços futuros não passa de simples inferência, de nossa visão particular sobre eventos que ainda são incertos. Preços, portanto, resultam da ação humana, das escolhas interativas de milhões de indivíduos no mercado, ao longo do tempo e em condições de incerteza e, por isso, só podemos concebê-los como tal quando são determinados livremente por essa interação.

Quando o governo intervém no processo de mercado determinando qualquer preço, na verdade o que está fixando não é um preço genuíno, mas um pseudopreço, que não espelha o valor verdadeiro do respectivo bem ou serviço. Isso ocorre com o Fed controlando a taxa de juros americana, com o Partido Comunista impondo por mais de setenta anos a mesma tarifa para o metrô de Moscou, com os congelamentos dos anos 80 e início dos anos 90 no Brasil ou com a Petrobras fixando artificialmente o preço da gasolina e outros derivados de petróleo. Cedo ou tarde, a realidade acaba vindo à tona e punindo a mentira, o castigo se dando sob a forma de ausência de coordenação econômica, inflação, desemprego e ciclos econômicos. Estes ensinamentos dos economistas austríacos, simples e de uma lógica irrepreensível, têm sido negligenciados  exatamente porque são simples e conduzem os economistas a uma postura humilde em relação ao seu próprio conhecimento, o que os leva a ver o intervencionismo como uma prática de "engenharia social", sempre equivocada e perniciosa.

 

Sugestões de leitura:

Iorio, Ubiratan J. Ação, tempo e conhecimento: a Escola Austríaca de Economia, Instituto Mises Brasil, 2011, São Paulo, cap.  2

Mises. L., Ação humana, caps. XV e XVI

Mises, L., O que realmente é o mercado

Rockwell, Lew, O prodígio que é o mercado

Block, Walter., Mercado versus estado

 

Sugestões para reflexão e debate:

1. Por que dizemos que os mercados orientam as pessoas a melhor atenderem as necessidades de seus semelhantes?

2. O que vem a ser o processo de mercado?

3. Comente: "o valor depende da utilidade marginal, uma combinação da utilidade com a escassez".

4. Por que o valor subjetivo se altera conforme o tempo passa?

5. Por que todos os preços que conhecemos são preços passados?


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autor

Ubiratan Jorge Iorio
é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Visite seu website.

  • Neto  24/09/2012 06:36
    1 Porque pelos preços elas sabem o que as outras pessoas estão querendo mais
    2 A ação junta de vendedores e compradores negociando e se ajudando mutuamente
    3 Se é útil mas abundante, não faz sentido cobrar caro por aquilo, já que o cara vai comprar mais barato na loja vizinha.Se é abundante mas inútil, quem é que quer algo inútil?
    4 Porque as pessoas e as necessidades mudam
    5 Porque nenhum vendedor pode adivinhar quantas pessoas vão querer o que ele vende no futuro, o preço se ajusta ao passado
  • PESCADOR  24/09/2012 07:33
    Das quatro lições publicadas até agora, essa foi a melhor. Simples, didático, fácil de entender. Sinto que essas 10 lições do Professor Iorio vão dar uma boa "vitaminada" nos estudos da EA de quem frequenta este site, principalmente para quem está começando.
  • SergioRR  24/09/2012 10:19
    Estudei economia em 2 universidades, sendo uma delas federal, e juro que apesar de saber o conceito de utilidade marginal, nunca tinha me dado conta, da simplicidade por traz deste conceito: utilidade e escassez. O exemplo do copo d'agua é clássico, mas quase nunca é destacado que utilidade marginal é a utilidade subjetiva mais a escassez.

    Obrigado Prof. Ubiratan e IMB.
  • Blah  24/09/2012 10:55
    É curioso como o ambiente acadêmico de economia transforma a base conceitual da economia, que deveria ser algo simples, em uma maçaroca teórica que confunde tanto a cabeça das pessoas que elas acabam acreditando porque têm medo de se acharem burras.
  • Rene  24/09/2012 13:16
    Igual àquela história do rei cuja roupa só as pessoas inteligentes podiam ver, fazendo com que todos ignorassem o fato de que o rei estava nu a fim de parecer inteligente aos demais.
  • hugoalmeida  24/09/2012 10:21
    O artigo é muito bom.
    E o que acontece quando tudo for abundante,independentemente de ser útil ou inútil?
    Hoje temos o exemplo da internet não existe stock físico (falando de conteudos digitais), o preço deveria tender para zero. No entanto os operadores estabelecem o preço segundo a concorrência , muitas vezes fazendo cartelização.
  • Pedro Clemente Pereira Neto  24/09/2012 11:43
    E qual o preço de um download "ilegal"? Zero. O Sistema de Direitos autorais só existe via coerção do estado.
  • Pedro Valadares  24/09/2012 18:07
    Hugo, mas você está generalizando o conteúdo. Não é tudo a mesma coisa não. Por exemplo, se o IMB resolvesse cobrar pelo conteúdo dele, eu pagaria, mesmo existindo outros sites provedores de conteúdo gratuito.

    Continua havendo a variável utilidade. Contudo, se aparecesse outro site oferecendo conteúdo similar ao do IMB de graça, eu deixaria de pagar o Instituto e passaria a consumir de graça, pois a informação deixaria de ser tão escassa.
  • luciano  08/02/2014 01:16
    No exemplo sobre o IMB, mesmo o conteúdo dele sendo replicável quantas vezes for necessário, há uma escassez indireta, pois o Instituto correria o risco de terminar suas atividades (não pode acontecer!) sem esse pagamento.
  • Mercado de Milhas  24/09/2012 12:33
    O problema dessa análise e, consequentemente da EA, é que ela é muito genérica. Embora correta, necessidades são diferentes.

    Você não ter o que comer e querer um rango é diferente de você querer ter uma ferrari.

    Se existem pessoas passando fome, o estado pode agir de forma a aumentar a demanda por alimentos, direcionando o mercado a produzir alimentos de forma suficiente para toda população.

    Uma política de renda mínima, por exemplo, seria a ideal, na minha opinião. Uma espécie de bolsa família, só que por pessoa.

    Se não me engano, Friedman ou Hayek tinham uma idéia dessas.





  • anônimo  24/09/2012 13:33
    O estado é necessário para elevar a demanda por alimentos?! Quer dizer que você só fica com fome quando Dilma te estimula? Sem o estado não haverá demanda por comida?! Putz...

    Realmente, a EA é excessivamente genérica...
  • Marcus Benites  24/09/2012 13:59
    Errado. Se "existem pessoas passando fome" o estado não "pode agir". Na verdade, ele "já agiu".
  • Digo  24/09/2012 14:12
    Hayek dizia. E por isso foi até chamado de socialista por Mises. Eu diria até que Hayek foi até um dos mentores do estado de bem-estar social europeu. No mínimo, deu chancela. E olha a situação em que aquele continente se encontra hoje.

    Tenho uma proposta melhor: deixe as pessoas o mais livre possível numa sociedade onde impera o princípio de não-agressão e deixe que aqueles que ficaram para trás sejam cuidados por instituições voluntárias (igreja, fundações de assistência, pessoas privadas, o que quer que seja).

    É curioso que o estado de bem estar social tenha literalmente quebrado a Europa e transformado o sistema de impostos num confisco institucionalizado. Também é curioso que regimes que pregavam a irmandade entre os homens (ou pelo menos aqueles da própria etnia) tenham se apressado para livrar a sociedade de indivíduos deficientes, enquanto estes encontram local de trabalho e tratamento em sociedades mais livres.
  • Mercado de Milhas  26/09/2012 05:02
    Pois é.. Hayek foi prêmio Nobel... e Mises ? rsrs..


  • anônimo  26/09/2012 05:34
    Pois é.. Hayek foi prêmio Nobel... e Krugman também. rsrs

    P.S.: Hayek não merecia tamanho desrespeito assim. Já Mises se safou dessa.
  • Pedro Valadares  24/09/2012 18:14
    A questão dessa sua ideia de renda mínima é: quem paga? Outro problema. Você apóia isso e se eu não apoiar? Serei obrigado a contribuir também?

    Não tem como. A ação estatal sempre vai ser autoritária e generalizante.
  • Mercado de Milhas  26/09/2012 05:54
    Ue, a parte que tem muito paga a conta.
  • Renato  25/09/2012 03:37
    Errado\r
    \r
    A produção agrícola no regime de livre mercado (ou em regime de mercado semi-livre) é sempre muito maior que nos regimes socialistas. Com as atuais técnicas, a produção tem sido tal que é mais que o suficiente para abastecer a população. Pessoas passam fome por não terem renda, e não por não existir comida. Logo, são as causas dessa falta de renda que devem ser examinadas.\r
    \r
    Por séculos, a orfandade, a viuvez, e a perda dos filhos, eram problemas graves. A medicina não tinha os instrumentos de hoje, haviam mais guerras, e muitos pais e mães morriam cedo. Crianças pequenas não são capazes de produzir renda para sustentar-se, nem tem capacidade para cuidar de si mesmas, de modo que outras pessoas teriam de produzir renda e sustentar as crianças. Pessoas idosas que ficassem sem os filhos teriam dificuldades em se sustentar também. Mulheres que tivessem passado grande parte da sua vida cuidando dos filhos, uma vez viuvas, teriam dificuldades em encontrar uma ocupação que lhe desse renda suficiente, considerando que as opções de trabalho eram bem mais restritas.\r
    \r
    Hoje, muito menos pessoas morrem cedo (o que é demonstrado pela alta expectativa de vida). Os grupos de pessoas sem renda suficiente são principalmente:\r
    \r
    1. Bebados;\r
    2. Drogados;\r
    3. Filhos de drogados;\r
    4. Loucos;\r
    5. Crianças que, por causas diversas, fugiram de suas casas, ou outras pessoas em situação difícil e não cuidadas pela família;\r
    6. Pessoas que sofreram algum revés: homens que foram expulsos de casa na separação, ou que perderam seus empregos e não conseguiram outro, mulheres que ficaram sem família na sua velhice, etc.\r
    \r
    No caso 6, o problema é claramente a falta de pujança da economia para absorver a mão-de-obra. Essa falta de pujança é causada por quatro fatores.\r
    \r
    1. Impostos altos;\r
    2. Leis e normas burocráticas e asfixiantes, pioradas por um burocracia lenta e irracional.\r
    3. Rigidez e corporativismo do mercado de trabalho;\r
    4. Corrupção ou injustiça do aparelho estatal e da justiça.\r
    5. O pior de todos: Inflação monetária, que desorganiza a cadeia produtiva, destrói o cálculo econômico e ainda por cima rouba recursos da população o os entrega ao governo e banqueiros.\r
    \r
    A solução desses problemas que prejudicam gravemente a economia passa pela diminuição do estado, e não pelo seu aumento.\r
    \r
    O problema daquelas pessoas vai muito além da falta de renda. Pelo menos nos cinco primeiros casos de pessoas sem renda, a simples entrega de dinheiro, ou produtos e serviços, não seria capaz de livrar essas pessoas dessa situação.
  • Vagner  25/09/2012 07:14
    Sensacional seus argumentos. Meus parabéns.
  • Digo  24/09/2012 13:21
    hugoalmeida, mesmo na internet, com bens digitais, há escassez. Basta ver o tamanho do bilionário mercado de webhosting. Capacidade de processamento, capacidade de armazenagem e banda são todos recursos escassos cujos custos devem ser cobertos por quem for disponibilizar downloads. Sem contar os custos do autor: tempo, custo do laptop, custo da própria banda e por aí vai.

    Fornecedor estabelecer preço baseado na concorrência, sem um acordo ou um conluio entre eles, não é cartelização. A internet, creio eu, é um dos meios menos propícios a esse tipo de ação, já que a entrada é livre e a concorrência é nada menos que global. Na verdade, cartelização de verdade só é possível com restrições estatais à entrada de concorrentes.

    Por fim, Pedro, vejo como roubo se disponibilizo um software ou conteúdo protegidos por DRM e alguém explicitamente gasta seu tempo "trabalhando" para quebrá-la, mesmo que seja para distribuir para terceiros. Qual a diferença conceitual para alguém que usa um pé de cabra para quebrar uma porta e roubar um comércio?
  • Andre Cavalcante  24/09/2012 16:09
    Caro Digo,

    Você diz: "hugoalmeida, mesmo na internet, com bens digitais, há escassez. Basta ver o tamanho do bilionário mercado de webhosting. Capacidade de processamento, capacidade de armazenagem e banda são todos recursos escassos cujos custos devem ser cobertos por quem for disponibilizar downloads. Sem contar os custos do autor: tempo, custo do laptop, custo da própria banda e por aí vai."

    Você acha que capacidade de processamento, capacidade de armazenagem e largura de banda são "bens digitais"? Todas essas coisas, no meu entender, são físicas (analógicas, se preferir), portanto escassas. Agora, um software .exe ou .bin ou um livro em pdf não são bens escassos, no sentido que não há limites para a sua cópia (claro há um limite físico imposto pela infra-estrutura, mas esse limite não é intrínseco ao conteúdo digital, como os pães em uma padaria, em que eu consumo um pão e então sobra um pão a menos na padaria a ser vendido). Tanto é verdade que não há escassez que o custo da cópia tende a zero, sendo que a cada cópia, o original permanece intacto (é como se eu comprasse um pão e, por milagre de Cristo, o pão não se esgotasse)!

    Por outro lado, o acesso à internet, no Brasil, é cartelizado, no sentido que apenas 6 dúzia de empresas fazem o provimento para o usuário (não se iluda com aquele monte de pequenas empresas que nada mais são que terceirizadas das grandes - elas apenas fornecem um serviço que adquirem das grandes, com um desconto que o usuário final não tem), sendo que o miolo da rede é feito por menos ainda (lembro-me somente da Embratel, Telefônica e Oi).

    Um conteúdo com DRM é uma aberração: para eu ver o conteúdo, tenho que ter a chave, correto? Então uma vez que tenho uma chave válida, o conteúdo está destravado e, portanto, passa a ter a qualidade de qualquer outro conteúdo da internet. E, ao contrário do que você fala, é muito fácil derrubar o DRM: basta criar uma máquina virtual, instalar o software que reproduz com DRM e colocar a máquina no estado de gravação do desktop: a medida que vai sendo reproduzido (legalmente), vou gravando o conteúdo. Se isso é trabalhoso? Dois cliques de mouse, para o ambiente em que os softwares estejam instalados, e uns 30 minutos para instalar os respectivos softwares (todos eles gratuitos, diga-se de passagem). O teu único custo é com a chave DRM original. Depois de gravado no disco torna-se infinitamente copiável. Ou seja, você pode facilmente copiar um conteúdo de DRM sem "quebrar" qualquer coisa, ou seja, sem cometer fraude ou roubo, principalmente porque você não mexe no original. Novamente: cópia não é roubo.

  • Digo  24/09/2012 18:33
    André, quando falei da não cartelização não me referi ao acesso à internet no Brasil, que é claramente cartelizada. A conversa era sobre bens digitais, como você mesmo disse: pdf, bin, etc. Embora o preço de games, livros, etc, sigam um certo padrão, não há como dizer que existe cartel na internet para a venda deste conteúdo. Creio que nós dois concordamos quanto a este ponto, não?

    Você diz: "Você acha que capacidade de processamento, capacidade de armazenagem e largura de banda são "bens digitais"?"

    Eu digo: não são bens digitais, assim como motosserras e carretas não são madeira. Eles são o capital que possibilita a disponibilização dos bens digitais, sem os quais estes não estariam disponíveis.

    Você diz: "Tanto é verdade que não há escassez que o custo da cópia tende a zero, sendo que a cada cópia, o original permanece intacto (é como se eu comprasse um pão e, por milagre de Cristo, o pão não se esgotasse)!"

    E eu digo: a cópia é perfeita e exata, mas seu custo não tende a zero. A resposta remete à anterior: é necessário capital para armazenar cada cópia. E isso se reflete numa bilionária e sempre inovadora indústria de discos rígidos, pen drives, san disks, etc., que está sempre investindo para aumentar a velocidade ou capacidade de armazenamento a custos cada vez menores. O fato de ser muito barato não quer dizer necessariamente que não há escassez.

    Você diz que conteúdo DRM é aberração, é fácil de quebrar, etc. E eu digo que roubar maçãs duma mercearia que coloca o produto do lado de fora da porta também é fácil. Roubo é roubo.

    A questão aqui é que existe um contrato entre o fornecedor de software e aquele que o adquiriu. Se a limitação às cópias no contrato não te agradam, você deve procurar outra alternativa. O DRM é meramente uma chave para dificultar que terceiros violem o contrato. Assim como portas e fechaduras em casas e prédios, elas podem ser violadas por quem tenha conhecimento e audácia para tanto. Não há aberração. O que cabe ressaltar aqui é que se você se deu ao "trabalho" de quebrar um DRM e disponibilizar o donwload para qualquer pessoa, mesmo que esse "trabalho" se resuma a dois cliques de mouse, você violou o contrato com quem te vendeu o software ou conteúdo.
  • hugoalmeida  25/09/2012 07:28
    Quando me refiro ao que aconteceria se tudo fosse abundante, refiro-me a retirar o custo homem/hora de tudo ou quase tudo o que é produzido, automatizando tudo o que fosse possível.

    Não deveríamos caminhar para a gratuitidade nessas condições?

    Não conheço (pode ser ignorância minha) nenhuma teoria económica que tenha realizado esse exercicio, uma vez que este cenário não era possível na altura que as mentes mais brilhantes conjecturaram as teorias económicas conhecidas.

    O que diria o Prof. Ludwig von Misesdeste cenário?
  • Leandro  25/09/2012 08:07
    Ele diria o que sempre disse: que é impossível abolir a escassesz, por mais tecnológica e avançada que seja a economia. Máquinas ultramodernas não alteram a realidade de que vivemos em um mundo de escassez, um mundo em que os recursos têm de ser trabalhados e transformados, um mundo em que as coisas não surgem do nada e nem caem do céu. E mesmo máquinas ultramodernas necessitam de reparos, e estes só podem ser feitos por humanos.

    Recomendo a parte inicial destes dois artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=487

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1131
  • Neto  25/09/2012 09:08
    Hugo, essa é a mesma conversa do pessoal do movimento zeitgeist
    Vamos botar os pés no chão, não dá pra automatizar tudo, se for pra sonhar é melhor sonhar logo com tudo caindo do céu.
  • hugoalmeida  25/09/2012 10:02
    É certo que o planeta é finito, mas escasso é que não é bem.

    Podemos e temos a capacidade de diminuir em muito a escassez.

    Não têm de ser humanos a reparar tudo e onde for precisa a mão do homem não é precisa na quantidade em que hoje é necessária.

    Caso não tenham reparado, já estamos a fazer isso. Primeiro fizemos no sector primário, depois no sector secundário e agora no sector terciário.

    Eu costumo dizer que o meu trabalho é despedir pessoas, pois torno obsoletas as funções das pessoas e as substituo por um programa informático que não custa o mesmo.
    Estamos todos a trabalhar para isso, para sermos mais eficientes, optimizando processos.Estamos a trabalhar para despedir pessoas.

    Impossível era ir à Lua, andar de avião, comunicar em tempo real com alguém do outro lado do mundo, falar ao telemóvel...hoje isso é banal.

    Sonhar foi sempre o que levou o Homem para a frente, impossível foi sempre a palavra que nos prendeu.
  • Neto  25/09/2012 11:30
    Ah, você cria um programa que aumenta a produtividade e sai falando que seu trabalho é despedir pessoas...que definição horrível
  • Digo  25/09/2012 14:08
    Teu trabalho não é despedir pessoas. Teu trabalho é aumentar a produtividade delas. Como efeito colateral você libera as pessoas de trabalhos repetitivos/maçantes/perigosos para empregos mais produtivos. Só os ludistas se apegam às práticas e técnicas antigas (logo, aos empregos antigos).

    Se tivéssemos mesmo um ambiente genuinamente livre, essa transição certamente seria muito menos traumática do que é hoje. Basta olhar para os EUA do século XIX/começo do século XX. Eles mecanizaram a agricultura, mandaram o homem do campo para a cidade, substituíram os cavalos e carruagens por automóveis, inventaram maneiras mais rápidas e menos dispendiosas de construir casas e prédios e o resultado foi uma explosão de produtividade, sem favelização e, literalmente, com o enriquecimento de todos, principalmente dos mais pobres. Pouca gente ficou para trás.

    Já no Brasil tivemos favelas e um clamor por algo chamado "educação", seja lá o que queiram esses socialistas dizer com isso.
  • hugoalmeida  26/09/2012 01:56
    As pessoas que estavam na agricultura depois da mecanização foram para a indústria, as que estavam na indústria quando a mesma foi automatizada foram para os serviços, a pergunta é:

    - O que acontece às pessoas quando os serviços forem na sua maioria automatizados?
    (E garanto-vos que eles estão a ser automatizados.)
  • Blah  26/09/2012 04:01
    Se as tarefas forem quase todas automatizadas, certamente aparecerão outras demandas que antes não existiam. Exemplo: ter uma geladeira era um luxo há algumas décadas. Hoje em dia, é uma necessidades básica.
  • Antonio  24/09/2012 16:22
    Esta lição foi boa, mas a primeira foi melhor (atacou o problema da excessiva regulamentação desnecessária, o mal maior do Brasil)... Esta, no entanto, ajuda a entender a base da teoria dos ciclos econômicos: os juros são um preço (do capital), tal como salários, e como tal, se manipulados, geram distorções (desabastecimento - se artificialmente baixos, ou super-oferta de capital - se artificialmente altos).
  • Carlos Eduardo  24/09/2012 17:49
    A abordagem do Prof. Ubiratan é, como sempre, impecável. Explica de maneira clara e simples o que se pode chamar de "valor" como resultado de utilidade subjetivas e os resultados do planejamento central coercitivo sobre as decisões pessoais e subjetivas do "agente homem". Bravo!
  • Gustavo  24/09/2012 18:32
    Prof. Ubiratan explica de maneira realmente inteligível. Parabéns!
  • Neto  25/09/2012 03:31
    Prof Ubiratan trabalha na UERJ? Como é que pode?
  • pensador barato  25/09/2012 11:26
    Neto libertário no campo das idéias,na prática muda de figura pois temos filhos para criar e aliás quem não quer servir o leviatã,legal,mas quem quiser servir esse é um direito natural de cada um,só não vale dizer que irá transformar o leviatã em cordeiro ai vai mentir lá na China.
  • Ze  25/09/2012 05:30
    Pô, até dever de casa agora? :-)

    Brincadeira, claro... Muito boa a aula...
  • José Ricardo das Chagas Monteiro  25/09/2012 10:14
    Saudações, amigos do "site", domingo, dia 23, o programa Canal Livre apresentou uma entrevista com o agrônomo Evaristo E.Miranda, o assunto foi sobre uso do solo brasileiro, sem entrar no assunto político o agrônomo mostrou o quadro tragicômico da ocupação nacional, na entrevista há comentários tremendamente abrangentes - escassez,área indígenas,dependência estrangeira da produção brasileira,código florestal, tecnologia,ONGs - , penso que todos deveriam ter acesso à entrevista disponível no sítio da Rede Bandeirantes de Televisão, tremendamente aconselhável, dentro do tempo disponível do programa foi excelente.
    Abraços, como sói acontecer o professor Ubiratan dá um show de didática, aliás, toda a equipe IMB.
  • Luciano A.  26/09/2012 15:48
    Se eu estiver certo a teoria da utilidade marginal também é capaz de explicar o lucro na revenda de produtos. Se eu comprar um bem em um supermercado e, ao invés de consumi-lo, revende-lo, em uma outra circunstância, para outras pessoas que atribuem maior valor à ele, conseguirei auferir lucro nesse processo.

    Como os defensores de teoria do valor-trabalho e da mais-valia explicariam isso? A quantidade ou tempo de trabalho usada na produção do produto é a mais mesmo nas duas situações (compra e revenda), mas o valor mudou de acordo com as características da demanda em cada situação.

    Alguém poderia confirmar se este raciocínio esta correto?

  • Rhyan  18/11/2012 02:00
    A teoria do valor-subjetivo e a teoria da utilidade marginal decrescente é a mesma coisa?
  • Ricardo  18/11/2012 02:43
    A teoria da utilidade marginal decorre da subjetividade do indivíduo. Ela só existe por causa de sua subjetividade.
  • Higor Monteiro  26/12/2012 20:47
    Muito bom professor iorio.
    Tenho 16 anos e já está fixado na mente que irei fazer faculdade de economia, mas muito do que vejo aqui é críticas sobre a forma de ensino na maioria das faculdades de economia, e comecei a entender o porquê. Muitas das faculdades de economia que pesquisei infelizmente dão muito destaque a matemática e acabam não dando o merecido destaque a ciência humana envolvida na economia, além do ensino não ser muito imparcial, não mostrar os dois lados da moeda, entretanto tive a sorte de acidentalmente descobrir este site e ouvir uma segunda opinião, uma opinião fortemente baseada na ação humana.
    Porém sei que hoje o diploma pesa muito, as vezes mais do que o próprio conhecimento, então vejo a necessidade de fazer a faculdade. De qualquer forma, sei que terei sempre ótimas fontes de estudo aqui no site.

    Não me considero uma idealista austríaco, até porque sei pouquíssimas coisas, mas é até agora a escola econômica que mais atribuí um grande valor subjetivo(he)!

    continuarei aprendendo.
  • anônimo  28/08/2013 14:52
    Vocês tem algum outro exemplo de como a teoria do valor-trabalho está errada, que compare o que seria o valor segundo essa teoria e o valor subjetivo, além do exemplo do cavar buracos?
  • Malthus  28/08/2013 15:08
    Água e diamante.

    Estudante-bolsista que vende gabarito de prova para aluno desesperado.

    Gente que compra ingresso de cambista.

    Otário que paga caro para ir a boates e terminar a noite deprimido.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1368
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1606


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