Dez lições de economia austríaca - Segunda lição: o que é economia, escassez, escolhas e valor

Todos nós temos objetivos a alcançar em nossas vidas, desde os mais simples, como comprar um sorvete na esquina, até os mais importantes, como a escolha de nossa profissão. Para alcançar esses objetivos ou fins, todos nós dispomos de meios e passamos boa parte de nosso tempo tentando descobrir a melhor maneira de utilizarmos esses meios para atingir nossos fins. A economia, então, procura lidar com esses fins e meios da melhor forma possível.

Vamos a um exemplo: suponha que você disponha de certa quantidade de dinheiro e que esse seja o seu único meio. Suponha também que você, em determinado dia, tenha dois objetivos ou fins, por exemplo, comprar um novo aparelho celular e passar o próximo fim de semana em outra cidade. Para completar, admita que o montante de dinheiro que você dispõe seja suficiente apenas para realizar um desses fins: comprar o celular ou viajar no final da semana. Nesse caso, você terá que fazer uma escolha: ou um ou outro! Geralmente, fazemos as nossas escolhas verificando qual das alternativas nos dará maior satisfação em determinado momento do tempo, que é aquele momento em que a escolha é feita. A essa satisfação proporcionada pela posse ou uso de um bem os economistas chamam de utilidade.

Ao fazermos a escolha, estaremos fazendo uma valoração, ou seja, atribuindo um determinado valor a cada uma das opções e escolhendo aquela que tiver o maior valor. Essa valoração é subjetiva, depende de nossos gostos e preferências, embora seja também influenciada pelos preços das alternativas e pelo próprio momento da escolha. Suponha que o seu time acaba de ganhar o campeonato brasileiro de futebol e que você está saindo do estádio; nesse momento, o valor que você atribui a uma bandeira do seu time é muito maior do que o será, por exemplo, três semanas depois.  Entendeu?

Exemplificando novamente: para um pianista, o valor subjetivo de um bom piano é maior do que o valor que uma pessoa que não gosta de música atribui a esse piano, embora o preço desse piano seja o mesmo para ambos. Agora, se o pianista vai comprar ou não o piano isso vai depender dos meios de que dispõe (dinheiro, espaço em casa para colocar o instrumento), das alternativas ou escolhas que precisar fazer (por exemplo, já que os meios são escassos, ele poderá ter que escolher entre comprar o piano ou reformar a cozinha de sua casa). Ficou claro?

Este exemplo é uma boa pista para você compreender a diferença entre preço e valor. Suponha que sua escolha tenha sido, no primeiro exemplo, comprar o novo celular. Ao fazer a compra na loja, você pagou um preço pelo aparelho, mas levou para a sua casa um valor! Deu para entender? O preço é aquilo que você paga por algum produto que você deseja comprar e o valor é a satisfação que você acha que aquele produto vai proporcionar a você, caso o compre. Essa satisfação ou valor, então, é diferente do preço e varia de pessoa para pessoa, como vimos no exemplo do piano; no do celular, há pessoas que não vivem sem um celular, mas há também pessoas que o utilizam muito pouco ou, mesmo, nem o utilizam. O preço de um determinado aparelho é o mesmo para ambas, mas é claro que seu valor será muito maior para a primeira pessoa do que para a segunda, o que significa que a primeira estará disposta a pagar um preço maior para ter o celular do que a segunda. No caso extremo desta última achar que não precisa de um aparelho celular, ela não estará disposta a pagar nem um centavo por um.

Ao nos decidirmos por uma das alternativas, estaremos agindo, realizando uma ação. Toda escolha, portanto, envolve uma ação correspondente. A economia nada mais é do que o estudo da ação humana, ou seja, ela estuda as escolhas que os indivíduos fazem, considerando que os meios ou recursos de que dispõem nunca são suficientes para satisfazerem todos os fins. Esse último fato é conhecido como escassez, ou seja, os meios sempre vão ser escassos quando comparados aos fins, o que significa, em outras palavras, dizer que não poderemos jamais realizar todos os nossos desejos, porque somos limitados pelos meios de que dispomos. A economia nos ensina as melhores formas de lidarmos com a escassez.

Observe que quanto mais as economias se desenvolvem, mais meios ou recursos surgem; mas acontece que os fins também aumentam, de maneira que o problema da escassez permanece. Não podemos escapar dele. Pense no seguinte: hoje, temos muito mais meios do que nossos avós tinham, mas temos também muito mais fins, muito mais necessidades, do que eles tinham há 80 ou 100 anos atrás. Assim, mesmo que ganhemos muito mais do que nossos avós ganhavam, temos fins ou necessidades que eles não tinham, como, por exemplo, TV a cabo, internet banda larga, geladeira elétrica, carro etc. Da mesma forma, embora nossos avós ganhassem muito mais do que os avós deles, suas necessidades eram também maiores do que as de seus avós, que não precisavam ter despesas com luz elétrica, telefone, rádio etc.

O que estamos querendo enfatizar é que o problema da escassez sempre existiu — desde a mais remota antiguidade —, existe e vai continuar existindo, mesmo com a multiplicação extraordinária dos meios e recursos que o capitalismo provocou. Aqui cabe um pequeno parêntesis: você deve ter ouvido de alguns professores de História cobras e lagartos a respeito do capitalismo, mas a verdade histórica (que eles omitem sempre) é que foi exatamente o capitalismo, por meio da promoção da capacidade empreendedora de algumas pessoas, que arrancou da pobreza extrema milhões de pessoas, desde a Revolução Industrial, e que deu oportunidade a que essas pessoas progredissem na vida, de acordo com sua vontade de trabalhar, sua capacidade, sua inteligência e também de sua sorte.

O socialismo, sistema que eles tentam enfiar nas cabeças de vocês como sendo o paraíso na terra, onde quer que tenha sido implantado, só gerou pobreza, uma pobreza distribuída por toda a população. Nesse sistema, que atenta contra a dignidade da pessoa humana porque trata as pessoas como simples objetos (semelhantes aos cupins, formigas e abelhas a que nos referimos na aula anterior), as escolhas dos indivíduos ficam bastante limitadas, porque é o estado que impõe a si mesmo o poder para fazer a maioria das escolhas, desde a escolha de que produtos devem ser produzidos, em que quantidades devem ser produzidas, como serão produzidas e para quem serão produzidas.

Nesses arremedos de organização econômica, os meios são apropriados pelo estado e resta aos indivíduos apenas escolher, quando muito, entre as alternativas que o quadro lhes coloca à disposição. Nesses sistemas, a rigor, não podemos falar em preços, mas em pseudopreços, porque preços verdadeiros requerem mercados onde sejam determinados; os mercados, por sua vez, requerem propriedade privada dos meios de produção.

Ora, como esses sistemas não adotam a propriedade privada, neles não pode haver mercados propriamente ditos e, sendo assim, não podem existir preços verdadeiros, ou seja, preços determinados por vendedores e compradores por livre e espontânea vontade. Como não há preços, esses sistemas se guiam às cegas, porque neles é impossível para o governo fazer cálculos econômicos corretamente. Esse é o conhecido problema do cálculo econômico no socialismo, que levou Mises, um grande economista austríaco, por volta de 1920, a afirmar categoricamente que a União Soviética possuía uma economia que se guiava às cegas e que poderia durar seis ou sete décadas, ao fim das quais iria desaparecer, ruir como um castelo de cartas, como de fato aconteceu. O que valeu para a União Soviética vale para qualquer economia que adotar o sistema socialista. Duram algum tempo, mas seu destino é a destruição. Você deseja isso para o Brasil?

Como vemos, as liberdades individuais ficam bastante restringidas nos sistemas socialistas e mais ainda quando os mandachuvas desses sistemas decidem acabar com a propriedade privada dos meios de produção, como fizeram na União Soviética, Cuba, Coreia do Norte, Vietnã do Norte, durante muitos anos na China (que vem gradualmente restabelecendo os direitos de propriedade) e outros infelizes países.

No exemplo dado, os meios são monetários (dinheiro), mas nem todos os meios ou recursos são monetários. Suponha que o seu fim seja o de se inscrever em um concurso que exija uma taxa de inscrição de 70 reais e diploma do segundo grau completo. Nesse caso, supondo que você possua os 70 reais e que tenha o diploma exigido, estes serão os dois meios exigidos para que você realize o seu fim, que é o de se inscrever no concurso.

Temos, portanto, alguns conceitos fundamentais com que lida a economia: meios ou recursos, fins, escassez, utilidade, escolhas e valor. Se você entendeu cada um deles, está pronto para entender também os assuntos de que a economia trata.

A definição de economia mais conhecida é a que diz que ela é a ciência que estuda como utilizar recursos — que são sempre escassos — para alcançar fins alternativos. Note que em economia temos os fins e os meios para que alcancemos os fins, mas que a economia como ciência deve se preocupar essencialmente com os meios. É uma ciência de meios, em que os fins não são determinados por autoridades ou por burocratas, mas pelos consumidores: dado que estes sinalizaram que a economia deve, por exemplo, produzir 80 milhões de pares de sapatos por ano, os economistas se preocupam em como os meios ou recursos devem ser utilizados para que esse fim seja alcançado.

Os principais problemas que a economia procura solucionar são o quê produzir, quanto produzir e como produzir e as respostas mais adequadas a essas questões, como veremos nas aulas seguintes, só podem ser encontradas nos mercados, que é onde as ações(escolhas) livres de compradores e vendedores se encontram de forma voluntária.

Por enquanto, o que vimos até aqui é suficiente.

 

Sugestões de leitura:

Rockwell, L., Por que a economia austríaca importa

Mises, L, O que realmente é o mercado

Reisman, G, A teoria marxista da exploração e a realidade

Garcia, A., A Escola Austríaca e a refutação cabal do socialismo

Soto, Jesus H, Empreendedorismo, eficiência dinâmica e ética

 

Sugestões para reflexão e debate:

1. O que são fins e meios?

2. Em que consiste o problema da escassez e qual a sua importância para a economia?

3. Comente: "preço é uma coisa; valor é outra".

4. Por que as economias socialistas apresentam um grave problema de cálculo econômico?

5. Por que os mercados respondem melhor às questões básicas da economia (o que produzir, quanto produzir e como produzir) do que os planejadores do governo?


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SOBRE O AUTOR

Ubiratan Jorge Iorio
é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Visite seu website.


OFF-TOPPIC: pessoal do IMB, seria possível vocês redigirem um artigo refutando as teorias conspiratórias sobre o Nióbio que abundam desde a época do Enéias? Quinta-feira o Instituto Liberal reiniciou o debate, e seria ótimo se vocês dessem continuidade. Eis o que comentei no website do IL, é o que resumidamente penso do assunto:

"Se há indícios concretos ou, ao menos, motivos para crer que as empresas autorizadas pelo Estado brasileiro a retirarem do solo e comercializarem este metal estão cometendo fraudes de qualquer natureza, em conluio com grupos estrangeiros ou não, a solução é, em se confirmando as irregularidades, rescindir os contratos de permissão em vigor e abrir este mercado para mais empresas interessadas no empreendimento - seja lá de onde elas forem. A que oferecer a melhor barganha leva as jazidas - e paga impostos sobre tudo o que produzir. Elevar o preço na marra? Claro, abusar desta condição de quase monopolista pode funcionar no começo, mas no médio prazo surgirão alternativas de melhor custo-benefício para atender a demanda daqueles insatisfeitos com a situação. Deixar de vender o Nióbio como comodittie e agregar valor ao mineral em nossa indústria da transformação? Seria ótimo, se nosso parque industrial não estivesse parado no tempo desde meados do século passado. Só falta criarem a estatal NIOBRÁS no Brasil, que dará origem ao escândalo do NIOBRÃO. O brasileiro não aprende mesmo: sempre achando que vai encontrar um bilhete premiado no chão e poderá passar o resto da vida bebendo e sambando."
"Tal afirmação nunca foi feita. Em ponto nenhum do artigo. E nem em nenhum outro artigo"

Não me refiro à uma frase ou texto escrito nos artigos do IMB. Estou questionando a percepção daqueles que defendem esse modelo de afrouxamento da terceirização proposto pelo governo, pois essa discussão toda é parte da realidade em que estamos vivenciando. Aliás, não creio que esse artigo seja uma mera exposição teórico-dissertativa acerca do que seria e quais os benefícios de uma terceirização segundo os liberais, muito menos um texto desvinculado da conjectura atual, como você transparece para quem lê. Logo, minha indagação é pertinente, ainda que, o que questiono, não esteja explicitamente escrito no artigo.

Em relação ao artigo linkado, em momento algum vi algo a mostra que abordasse diretamente o problema terceirização-corporativismo privado que eu levantei acima. O que mais se aproxima seria esse trecho:
"Em primeiro lugar, a ideia de que custos menores para empresas é algo ruim. Além do fato de que custos baixos permitem maior acúmulo de capital — o que possibilita mais investimentos e mais contratações —, falta explicar como que custos de contratação menores podem ser ruins para pessoas à procura de emprego."
Sim, não há problema algum em um empresário tentar reduzir seus custos para se adequar a concorrência e auferir maiores lucros. O entrave se encontra, como eu falei, no empresário monopolista que não possui um fator invísivel para motivá-lo à otimizar sua produção. A mão visível do Estado garante que seu produto inevitavelmente será consumido e, com isso, seu lucro será certeiro. Por conseguinte, não há a preocupação constante deste em inovar, melhorar a qualidade, aumentar a produtividade da sua mão de obra. Nesse sentido, a terceirização beneficia esse empresário, justamente por rebaixar seus custos com contratados (temporários ou não) à niveis abaixos daquilo que os empregados produzem, sabendo se que eles estão confortáveis em relação aos processos trabalhistas que enfrentarão (ajudinha estatal). Bem como, estagna ou retarda as inovações, tendo em vista que sua produção atual será adquirida pelos consumidores à um preço "monopolístico" durante um tempo maior que o de uma concorrência que existiria num livre mercado. Ademais, seu produto foi feito empregando mão-de-obra com um ônus muito abaixo daquilo que ela de fato produz. Desse modo, a margem de lucro é gigantesca, sendo que esse lucro pode sim ser revertido em capital para futuras melhoras, o que, na minha opinião, não aflinge ou preocupa de modo algum uma empresa monopolista, pois esta pode facilmente pegar crédito subsidiado de bancos estatais, ou ser empreendido em outros investimentos pessoais e, na minha percepção, fúteis e de pouco potencial de gerar valor no futuro.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Paulo Kogos  10/09/2012 07:00
    REFLEXÃO E DEBATE

    1) fins são coisas como acabar com o Estado
    meios são coisas como esse site aqui

    2) O problema da escassez consiste em falta de munição pra acabar com políticos

    3) Preço: o quanto vc paga em uma espingarda de matar político
    Valor: o quão bem vc se sente depois de matar um político

    4) Porque se eles são socialistas eles são burros e burro não sabe fazer conta

    5) Porque planejadores do governo não entendem nada sobre produção, uma vez que não produzem nada
  • Neto  10/09/2012 09:38
    haha gostei dessas respostas mas...
    4 e 5: eles são burros mesmo, mas nem um Einstein poderia fazer essas contas.É impossível fazer o cálculo econômico no socialismo.
  • Victor Gabriel  10/09/2012 07:06
    Prof Ubiratan,

    Parabéns pelo texto! Tratou assuntos tão abstratos com uma didática fantástica.

    Sobre as reflexões:

    1 - O texto discute muito bem, para mim não restam dúvidas. Esta deixo para os filósofos de plantão.

    2 - O problema da escassez tem a importância de direcionar cada agente econômico a um sistema de custo benefício, escolhendo qual o bem que tem a maior utilidade no momento, ou utilidade em relação a outro bem. Somente assim, com a decisão na mão do indivíduo, teríamos um sistema mais justo, pois um planejador central, não pode ser onisciente. O primeiro erro fatal do socialismo, desconsiderar a escassez e querer resolver um problema de planejamento central que 'a priori' necessita de onisciência.

    3 - Outro erro fatal "teoria da mais valia" considerar esta igualdade e associar o valor apenas ao trabalho. Sério mesmo, acho que, ou teoria do valor subjetivo e da utilidade marginal são muito abstratas para aos "professores de história" ou eles fingem não entender, por pura ideologia ou fanatismo. Uma pequena observação do comportamento humano em situações de decisão já mostra a diferença gritante entre preço e valor, quem nunca discutiu com um amigo sobre qual carro vale a pena comprar? Não é possível que o raciocínio era - Um operário do ABC, filiado ao PT, trabalhou X horas neste carro, então o "valor" deve ser X, e ponto final. Uma pessoa pagaria sem reclamar R$ 1000,00 para assistir um concerto no teatro municipal enquanto outra não assistiria nem se fosse gratuito.

    4 - O problema é assumir que tem todas as informações sem um sistema de propriedade privada que determina o preço e pior, parte de uma "teoria do valor-trabalho" totalmente desconectada com a realidade, que ainda desconsidera os fatores temporais no cálculo.

    5 - Por que os mercados estão baseados nas trocas feitas por indivíduos, somente eles saberiam como "racionar" os seus meios para obter os seus objetivos. O processo de interação é motivados por inúmeros fatores, objetivos e subjetivos, que o governo não tem a capacidade de calcular quais são estes fatores a cada instante de tempo. Mesmo assumindo que burocratas seriam pessoas infinitamente boas e bem intencionadas, o que não pode-se assumir como verdade pois o poder tende a corromper, um planejamento central fracassaria, pois " intenções = Resultados " não é uma equação do mundo real.

    Grato pela aula.






  • Montana  10/09/2012 08:05
    Eu gosto de ler os artigos daqui porque eles explicam tudo direitinho. Por que vocês não constroem uma faculdade aqui no Brasil?
  • Patrick de Lima Lopes  10/09/2012 12:31
    Porque nosso magnífico governo impõe regulações e mais regulações, impostos e mais impostos, ainda mais regulações e ainda mais impostos.

    Sem falar que todo o conhecimento que uma faculdade de economia austríaca poderia dar já está disponível de forma gratuita na internet. Apesar de que seria um excelente negócio pagar pelo conhecimento que o Instituto nos oferece por nada além da nossa atenção.
  • Rafael Franca  11/09/2012 08:41
    Sem contar que as graduações teriam que ser aprovadas pelo MEC e seus burocratas, incapazes ou sem vontade de entender uma simples linha do que é dito...
  • Jeferson  11/09/2012 11:53
    Eu tenho uma proposta melhor: criar um fórum de discussão sobre os temas aqui veiculados. Ia ser uma maneira excelente de fomentar a discussão e desenvolver o aprendizado e, porque não, o conhecimento dos interessados em saber mais sobre teoria econômica, doutrina libertária e outros temas que o IMB se interessa em divulgar.

    Minha idéia original era o de propor a criação de um fórum para fazer uma espécie de "Grupo de Conjuntura Austríaca", com o objetivo de desenvolver nos "estudantes" do instituto habilidades de análise de conjuntura econômica à luz das teorias austríacas, mas acho que é possível realizar um projeto bem mais ambicioso a um custo bem menor.

    A idéia está lançada!

    Abraços!
  • Neto  11/09/2012 12:30
    Também seria bom pra fazer amigos e falar sobre outros assuntos
  • Breno  10/09/2012 08:23
    Legal o texto! Concordo com a "premissa" de que o socialismo sai mais caro, mas que de qualquer forma vamos precisar de um BOM capitalista para conseguir todo esse dinheiro! (Risos!)
  • Patrick de Lima Lopes  10/09/2012 10:28
    Maravilhoso artigo, Iorio! Com certeza os professores da UERJ de economia estão muito melhor amparados que os professores da Unicamp. Enquanto lá eles recebem aulas de economia do Plínio de Arruda Sampaio Jr, aqui em nossa humilde terra tupinambá o mestre é o grande Ubiratan.
    Agora a respeito das reflexões:
    ===============================
    1. O que são fins e meios?
    Meios apenas existem em função do fim pois se não houver objetivo, não há meio, há apenas o recurso. Se eu não gastar 2 horas do meu dia para estudar para a prova do dia seguinte, eu tenho apenas um recurso(Fator tempo), mas se eu decidir estudar, meu recurso tornar-se-á um meio para atingir meu fim(Estar preparado para a prova).

    --------------------------------------
    2. Em que consiste o problema da escassez e qual a sua importância para a economia?

    A escassez surge do fato de os fins sempre serem superiores aos meios. Outro raciocínio com o fator tempo: Um dia dura 24 horas. Neste período, posso fazer milhões de coisas. Irei optar por fazer aquelas que valorizo mais(Dormir, consultar o Mises Brasil, estudar, tocar piano, trabalhar, etc.).
    A definição de escassez no jogo econômico é fascinante. Posso ter em meu domínio 1 milhão de unidades de fator tempo, entretanto, ainda terei escassez pois todo este tempo ainda é ínfimo comparado às infinitas formas de gastá-lo.

    "Ou seja, a escassez é criada em função do fins.
    Os fins são criados em função do valor subjetivo.(Irei escolher as que são mais importantes para mim).
    Logo, a escassez é criada pelo valor subjetivo."

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    3. Comente: "preço é uma coisa; valor é outra".

    Internet para acessar o Mises Brasil. 70 reais.
    Mouse. 25 reais. (Maldito protecionismo)
    Monitor. 300 reais.
    Ler um excelente artigo sobre a ausência de racionalidade no cientificismo socialista. Não tem preço.

    Para quase tudo existe preço. Para estas e todas as outras existe valor subjetivo.

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    4. Por que as economias socialistas apresentam um grave problema de cálculo econômico?

    Nas palavras de Yuri Maltsev, "porém, a efetiva implementação do socialismo mostrou a total validade da análise de Mises. O socialismo tentou substituir bilhões de decisões individuais feitas por consumidores soberanos no mercado por um "planejamento econômico racional" feito por uma comissão de iluminados investida do poder de determinar tudo o que seria produzido e consumido, e quando, como e por quem se daria a produção e o consumo. Isso gerou escassez generalizada, fome e frustração em massa. Quando o governo soviético decidiu determinar 22 milhões de preços, 460.000 salários e mais de 90 milhões de funções para os 110 milhões de funcionários do governo, o caos e a escassez foram o inevitável resultado. O estado socialista destruiu a ética inerente ao trabalho, privou as pessoas da oportunidade e da iniciativa de empreender, e difundiu amplamente uma mentalidade assistencialista."

    Em outras palavras: Porque elas são socialistas.

    --------------------------------------
    5. Por que os mercados respondem melhor às questões básicas da economia (o que produzir, quanto produzir e como produzir) do que os planejadores do governo?

    Pois são indivíduos os verdadeiros produtores. Eles oferecem seus serviços e bens partindo da premissa de que os bens obtidos serão de valor subjetivo superior ao que foi gasto.

    Esta relação permite que o produtor de bananas especialize-se em produzir bananas já que este pode trocar sua produção com o produtor de maçãs(Que por sua vez valoriza bananas mais que maçãs), processo que cria prosperidade e eleva o padrão de vida de ambos.

    Apenas indivíduos são capazes de determinar racionalmente a própria vida baseados naquilo que valorizam mais. Nenhum planejador jamais será capaz de decidir por milhões de pessoas.

    Ou seja, se os planejadores decidissem o que comemos, comeríamos lixo.
  • Edson Carvalho  10/09/2012 15:41
    Excelente artigo, embora eu ache que a Escola Austriaca, tem tudo a ver com a filosofia de Osho, exceto quanto a propiedade e competicao.Vejam a definicao de Preco e valor, que ele explica em um programa de televisao nos EUA, onde um reporter de televisao,tenta ridicularizar Osho, perguntando a ele porque ele vendia felicidade, e porque vender em vez de dar gratis. Ainda penso que se unir Osho com o IMB estaremos completo. Logo depois foi preso, supostamente envenenado ,expulso e perseguido pelos EUA no mundo inteiro, sem poder aterrisar em nenhum pais, exceto no propio. Assange que se cuide.
    Siga o link para ver a reportagem.
    www.youtube.com/watch?v=igY11uFMqhk
    Abracos e parabens pelo artigo.
  • Marcelo  10/09/2012 16:15
    Duvida: Se o capitalista deseja explorar e o livre mercado o impede. por que o capitalista ama tanto o livre mercado?
  • Leandro  10/09/2012 16:43
    Qual o país que você conhece cujos capitalistas são a favor do livre mercado e da livre concorrência? Quero me mudar pra lá amanhã.

    Nenhum empresário gosta de concorrência. Todos gostam de proteção e privilégio. Só defende a livre concorrência aquele capitalista que está entre os que foram banidos do mercado pelo governo para favorecer outros capitalistas. Tão logo este capitalista entrar no mercado, esteja certo de que ele não mais defenderá a livre concorrência.

    Livre concorrência é bom para o cidadão comum, e não para os barões.

    Mesmo entre os históricos capitalistas do EUA -- Rockefeller, Carnegie etc. -- todos abominavam a livre concorrência. "A concorrência é um pecado", dizia Rockefeller.
  • Ubiratan Iorio  10/09/2012 18:52

    Leandro,, completando sua corretíssima resposta: os capitalistas adoram o capitalismo de estado, porque só nesse sistema podem ganhar sem atender bem aos consumidores! Capitalistas não são necessariamente empreendedores, detestam correr riscos e adoram o BNDES, cujos corredores conhecem como ninguém, às nossas custas...
  • Patrick de Lima Lopes  10/09/2012 19:40
    Ubiratan, aproveitando sua visita, quais são suas expectativas dos projetos de cidade privada de Honduras?

    noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI6142144-EI8140,00-Projeto+de+cidade+privada+gera+polemica+em+Honduras.html

    Acredita que o estado irá abrir mão de seu domínio e permitir que a liberdade econômica predomine como em Hong Kong?
  • Victor Gabriel  11/09/2012 12:51
    Já estou vendo estas cidades prosperando se e somente se a liberdade econômica for total. Quando elas em menos de 50 anos estiverem com o PIB per capita igual o da Cingapura ou Hong Kong, será divertido ver a 'nata' de socialistas recalcados acusando que as cidades ficaram ricas por que "exploraram" os vizinhos, ou que e fome na África é culpa desta " paródia do estado" que enriqueceu por causa "da violação da soberania nacional e dos direitos humanos de cada Estado com a população de seu território". É pagar para ver!
  • Pedro Valadares  10/09/2012 20:09
    Bingo!
  • Ubiratan Iorio  11/09/2012 04:26
    Caros Patrick e Pedro, essa experiência de Honduras mostra que nem tido está perdido. Resistências sempre vão existir, mas estou otimista. Vamos esperar pra ver.
  • Patrick de Lima Lopes  01/10/2012 14:39
    O mais interessante é a reação dos institutos internacionais(Vinculados à ONU). Já é o esperado que uma organização com tal nome seja uma das principais vozes do estatismo.

    Confio em Honduras. Há dois anos livraram-se CONSTITUCIONALMENTE de um presidente populista e corrupto(Quando "nosso" país vergonhosamente o abrigou em sua embaixada)e agora pretendem dar um passo inédito nas terras tropicais.

    Infelizmente, vivemos em um continente amaldiçoado pela adesão das piores ideias europeias. Estatismo de Napoleão, positivismo de Comte, socialismo científico de Marx e fascismo de Mussolini ainda são fantasmas que assombram esses trópicos.

    O que está sendo feito em Honduras poderia ser uma solução perfeita ao Brasil. Qualquer mudança no país precisaria passar por cima da constituição e democraticamente é virtualmente impossível. Talvez cercar uma pequena área na costa e tentar de novo um projeto fracassado de 500 anos seja nossa única saída além de sonhar com uma reforma.
  • Rodrigo Bitencourt  17/09/2012 17:04
    Quero agradecer ao Professor Ubiratan por sua iniciativa e pela paixão que emprega a favor da disseminação da Escola Austríaca.
    Aqui vão minhas considerações sobre as questões sugeridas (desculpem a extensão excessiva, não sei se justificada pelo conteúdo - caso esteja falando besteira, por favor podem corrigir):

    1) Dado que estamos vivos, temos necessidades - desde as mais básicas que garantem a nossa sobrevivência até aquelas suscitadas pela natureza racional de nosso ser - com a Arte no extremo, no limite de nossa capacidade de imaginar. Tais necessidades são os fins, que são sempre infinitos. Para atender aos nossos fins dispomos de recursos, que são os meios.

    2) Todos temos necessidades, os fins, e essas necessidades são infinitas. Porém, os meios que dispomos para atender a esses fins são finitos, escassos. Isso gera um problema - precisamos fazer escolhas sobre quais os fins mais importantes e quais as melhores maneiras de utilizarmos os meios que dispomos. É precisamente sobre esse problema central que gira a ciência econômica: como melhor utilizar os meios para determinados fins.

    3) No mundo de escassez que vivemos, toda ação demanda escolhas e essas escolhas são determinadas pela satisfação que esperamos alcançar ao agirmos de determinada maneira em vez de outra. A essa satisfação que atribuímos a determinado bem chamamos de utilidade. Quanto maior a utilidade de um bem, maior seu valor. Entretanto, o valor depende de cada indivíduo, é subjetivo e pode variar grandemente de acordo com a cultura, sociedade, classe social - o valor varia inclusive para o mesmo indivíduo ao longo do tempo (um bem no presente tem mais valor que o mesmo bem no futuro). Ao contrário, o preço é um dado objetivo e é o mesmo para todos os indivíduos. Quanto maior o valor atribuído a um produto, maior será o preço que o indivíduo estará disposto a pagar. Para ocorrer a troca, em um mercado livre, o valor que o indivíduo dá a determindado produto deverá ser maior que seu preço - na outra mão, o vendedor acredita que o preço cobrado pelo produto é maior que seu valor. Por isso, no livre mercado, ambos saem ganhando.

    4) Nas economias socialistas, um agente central (o partido, um comitê, o estado..) monopoliza e concentra a decisão sobre quais os fins que devem ser buscados e como devem ser utilizados os meios para alcançar tais fins. Além disso, num sistema socialista puro, a propriedade privada é abolida e todos os meios de produção pertencem ao estado. Como consequencia, não há mais preços e torna-se impossível qualquer cálculo econômico o que leva a decisões equivocadas sobre a melhore maneira de alocar os recusros. Os palnejadores centrais agem às cegas e o colapso do sistema é questão de tempo.

    5) A ação humana é particular a cada um e intransferível. Toda vez que um indivíduo age e escolhe está o fazendo em acordo àquilo que acredita ser o melhor, de acordo com as informações e conhecimentos que tem à sua disposição. Essas informações são exclusivas de cada indivíduo e isso é verdade para todos os outros indivíduos que agem no mercado. Portanto, o conhecimento é disperso e variável - muda constantemente, pois cada ação influencia as outras ações. Somente no livre mercado essa miríade de informações pode ser expressa - através dos preços, que são a melhor fonte de informação para a atividade econômica.

    Abraço!
  • Neto  11/10/2012 10:20
    Ok, alguém me corrija se eu estiver falando alguma coisa errada DE ACORDO COM ESSE ARTIGO

    Quando uma coisa tem valor subjetivo significa que esse valor é importante como MEIO pra se chegar a um FIM, certo?

    Por ex, o valor de um livro de biologia pra um estudante de medicina é maior do que um de cálculo porque existe um problema no mundo real que esse livro ajuda a resolver e o outro não resolve, ou seja, o valor é subjetivo mas NÃO é uma convenção, correto?

    Outro ex, o do pianista.Um piano pra esse cara vale mais do que sei lá, uma guitarra, isso porque ele gosta do som do piano, ou seja existe um FIM no mundo real que é a geração daquelas ondas sonoras reais que ele gosta, o valor vem dessa função real, certo?O valor subjetivo vem da COMPARAÇÃO entre a capacidade da guitarra e a do piano de fazer o som que ele gosta, e de concluir que o do piano é melhor!

    Não faria o menor sentido se ele chegasse pra uma pedra e pensasse: '-ah, eu vou dar a essa pedra o mesmo valor que eu dou a um piano.'. A pedra não faz nada! Foi uma escolha, uma convenção, um dia ele nota que a pedra não faz som nenhum e ele ficou esperando de besta!

    (A exceção é quando um objeto tem valor sentimental, certo, mas pro ponto que eu quero chegar isso não tem muita importância, já que nesse caso todo mundo sabe que aquele valor só existe pra aquela pessoa, ou no máximo pra aquela família, e ninguém vai querer se livrar daquele objeto.)

    Então, NESSE CONTEXTO, é uma grande besteira quando os bitcoinzistas ficam repetindo feito um papagaio 'todo valor é subjetivo todo valor é subjetivo' porque o que eles fazem, é uma convenção! O valor é subjetivo em relação a um FIM do mundo real mas o bitcoin deles não chega em fim nenhum! É só uma pedra que o cara quer vender pro outro falando 'isso aqui vale o mesmo que um violino'

    obs: gostaria de saber a opinião de outros que estudam a escola austríaca, a dos religiosos bitcoinzistas eu já estou careca de saber e não me interessa.




  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  14/04/2014 21:56
    O Campeão Brasileiro de Futebol de 2014 será a Sociedade Esportiva Palmeiras. Verdão!


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