O que realmente é o mercado
por , quinta-feira, 8 de agosto de 2013

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comercio.jpgAs características da economia de mercado

A economia de mercado é o sistema social baseado na divisão do trabalho e na propriedade privada dos meios de produção.  Todos agem por conta própria; mas as ações de cada um procuram satisfazer tanto as suas próprias necessidades como também as necessidades de outras pessoas.  Ao agir, todos servem seus concidadãos.  Por outro lado, todos são por eles servidos.  Cada um é ao mesmo tempo um meio e um fim; um fim último em si mesmo e um meio para que outras pessoas possam atingir seus próprios fins.

Este sistema é guiado pelo mercado.  O mercado orienta as atividades dos indivíduos por caminhos que possibilitam melhor servir as necessidades de seus semelhantes.  Não há, no funcionamento do mercado, nem compulsão nem coerção.  O estado, o aparato social de coerção e compulsão, não interfere nas atividades dos cidadãos, as quais são dirigidas pelo mercado.  O estado utiliza o seu poder exclusivamente com o propósito de evitar que as pessoas empreendam ações lesivas à preservação e ao funcionamento da economia de mercado.  Protege a vida, a saúde e a propriedade do indivíduo contra a agressão violenta ou fraudulenta por parte de malfeitores internos e de inimigos externos.  Assim, o estado se limita a criar e a preservar o ambiente onde a economia de mercado pode funcionar em segurança.

slogan marxista "produção anárquica" retrata corretamente essa estrutura social como um sistema econômico que não é dirigido por um ditador, um czar da produção que pode atribuir a cada um uma tarefa e obrigá-lo a obedecer a esse comando.  Todos os homens são livres; ninguém tem de se submeter a um déspota.  O indivíduo, por vontade própria, se integra num sistema de cooperação.  O mercado o orienta e lhe indica a melhor maneira de promover o seu próprio bem estar, bem como o das demais pessoas.  O mercado comanda tudo; por si só coloca em ordem todo o sistema social, dando-lhe sentido e significado.

O mercado não é um local, uma coisa, uma entidade coletiva.  O mercado é um processo, impulsionado pela interação das ações dos vários indivíduos que cooperam sob o regime da divisão do trabalho.  As forças que determinam a — sempre variável — situação do mercado são os julgamentos de valor dos indivíduos e suas ações baseadas nesses julgamentos de valor.  A situação do mercado em um determinado momento é a estrutura de preços, isto é, o conjunto de relações de troca estabelecido pela interação daqueles que estão desejosos de vender com aqueles que estão desejosos de comprar.  Não há nada, em relação ao mercado, que não seja humano, que seja místico.  O processo de mercado resulta exclusivamente das ações humanas.  Todo fenômeno de mercado pode ser rastreado até as escolhas específicas feitas pelos membros da sociedade de mercado.

O processo de mercado é o ajustamento das ações individuais dos vários membros da sociedade aos requisitos da cooperação mútua.  Os preços de mercado informam aos produtores o que produzir como produzir e em que quantidade.  O mercado é o ponto focal para onde convergem e de onde se irradiam as atividades dos indivíduos.

A economia de mercado deve ser estritamente diferenciada do segundo sistema imaginável — embora não realizável — de cooperação social sob um regime de divisão de trabalho: o sistema de propriedade governamental ou social dos meios de produção. Esse segundo sistema é comumente chamado de socialismo, comunismo, economia planificada ou capitalismo de estado.  A economia de mercado e a economia socialista (ou o capitalismo de estado) são mutuamente excludentes.  Não há mistura possível ou imaginável dos dois sistemas; não há algo que se possa chamar de economia mista, um sistema que seria parcialmente socialista.  A produção ou é dirigida pelo mercado, ou o é por decretos de um czar da produção, ou de um comitê de czares da produção.

Nada que seja, de alguma forma, relacionado com o funcionamento do mercado pode, no sentido praxeológico ou econômico do termo, ser chamado de socialismo. A noção de socialismo, tal como é concebida e definida por todos os socialistas, implica a ausência de um mercado para os fatores de produção e a ausência de preços para esses fatores.  A "socialização" de instalações industriais, comerciais e agrícolas — isto é, a transferência de sua propriedade de privada para pública — é um método de conduzir pouco a pouco ao socialismo. 

É um passo na direção do socialismo, mas não é em si mesmo o socialismo. (Marx e os marxistas ortodoxos negaram claramente a possibilidade dessa aproximação gradual para o socialismo. Segundo suas doutrinas, a evolução do capitalismo atingirá inevitavelmente um estágio no qual, de um só golpe, ele se transformaria em socialismo).

As empresas públicas operadas pelo governo, bem como a economia da Rússia Soviética, pelo simples fato de comprarem e venderem em mercados, estão conectadas ao sistema capitalista.  Dão testemunho dessa conexão ao utilizarem a moeda em seus cálculos.  Assim, fazem uso dos métodos intelectuais do sistema capitalista que fanaticamente condenam.

Isto porque o cálculo econômico é a base intelectual da economia de mercado.  Os objetivos perseguidos pela ação em qualquer sistema baseado na divisão do trabalho não podem ser alcançados sem o cálculo econômico.  A economia de mercado calcula em termos de preços em moeda.  Ser capaz de efetuar tal cálculo foi determinante na sua evolução e condiciona seu funcionamento nos dias de hoje.  A economia de mercado é uma realidade porque é capaz de calcular.

Capitalismo

Todas as civilizações, até os dias de hoje, foram baseadas na propriedade privada dos meios de produção.  No passado, civilização e propriedade privada sempre andaram juntas.

Aqueles que sustentam que a economia é uma ciência experimental, e apesar disso recomendam o controle estatal dos meios de produção, se contradizem lamentavelmente. Se pudéssemos extrair algum ensinamento da experiência histórica, este seria o de que a propriedade privada está inextricavelmente ligada à civilização. Não há nenhuma experiência que mostre que o socialismo poderia proporcionar um padrão de vida tão elevado quanto o que é proporcionado pelo capitalismo.

O sistema de economia de mercado nunca chegou a ser tentado de forma completa e pura.  Mas, na civilização ocidental, desde a Idade Média, de um modo geral, prevaleceu uma tendência no sentido de abolir as instituições que obstruíam o funcionamento da economia de mercado.  O constante progresso dessa tendência permitiu o crescimento populacional e a elevação do padrão de vida das massas a um nível sem precedente e até então inimaginável. O cidadão médio desfruta hoje de comodidades que fariam inveja a Cresus, Crasso, aos Médici e a Luís XIV.

Os problemas suscitados pela crítica socialista e intervencionista à economia de mercado são puramente de ordem econômica e só podem ser tratados por uma análise profunda da ação humana e de todos os sistemas imagináveis de cooperação social. O problema psicológico, em decorrência do qual as pessoas desprezam e menoscabam o capitalismo e chamam de "capitalista" tudo o que lhes desagrada, e de "socialista" tudo o que lhes agrada, é um problema que diz respeito à história e deve ser deixado a cargo dos historiadores.  

Os defensores do totalitarismo consideram o "capitalismo" um mal tenebroso, uma doença terrível que se abateu sobre a humanidade. Aos olhos de Marx, o capitalismo era um estágio inevitável da evolução do gênero humano, mas, ainda assim, o pior dos males; felizmente a salvação estava iminente e livraria o homem definitivamente deste desastre. Na opinião de outras pessoas, teria sido possível evitar o capitalismo se ao menos os homens fossem mais virtuosos ou mais habilidosos na escolha de políticas econômicas.

Todas essas lucubrações têm um traço comum.  Consideram o capitalismo como um fenômeno ocidental que poderia ser eliminado sem alterar condições que são essenciais ao pensamento e à ação do homem civilizado.  Como elas não se preocupam com o problema do cálculo econômico, não chegam a perceber as consequências que seriam produzidas pela abolição desse cálculo.  Não chegam a se dar conta de que o homem socialista, para cujo planejamento a aritmética não terá nenhuma utilidade, seria, na sua mentalidade e no seu modo de pensar, inteiramente diferente dos nossos contemporâneos.  Ao lidar com o socialismo, não devemos subestimar essa transformação mental, mesmo se estivéssemos dispostos a suportar silenciosamente as desastrosas consequências que adviriam para o bem estar material da humanidade.

A economia de mercado é um modo de agir, fruto da ação do homem sob a divisão do trabalho. Todavia, isto não significa que seja algo acidental ou artificial, algo que possa ser substituído por outro modo de agir qualquer. A economia de mercado é o produto de um longo processo evolucionário. É o resultado dos esforços do homem para ajustar sua ação, da melhor maneira possível, às condições dadas de um meio ambiente que ele não pode modificar.  É, por assim dizer, a estratégia cuja aplicação permitiu ao homem progredir triunfalmente do estado selvagem à civilização.

Muitos autores raciocinam da seguinte forma: o capitalismo foi o sistema econômico que possibilitou as realizações maravilhosas dos últimos duzentos anos; portanto, está liquidado porque o que foi benéfico no passado não pode continuar sendo benéfico nos nosso tempo nem no futuro.  Tal raciocínio está em contradição flagrante com os princípios do conhecimento experimental.  Não é necessário, a essa altura, retornar novamente à questão de saber se a ciência da ação humana pode ou não adotar os métodos experimentais das ciências naturais.  Mesmo se fosse possível responder afirmativamente a esta questão, seria absurdo questionar como esses experimentalistas o fazem ao inverso. A ciência experimental argumenta que, se foi válido no passado, será válido também no futuro. Não tem cabimento afirmar o contrário: se foi válido no passado, não o será no futuro.

A economia não é, evidentemente, um ramo da história ou de qualquer outra ciência histórica.  É a teoria de toda ação humana, a ciência geral das imutáveis categorias da ação e do seu funcionamento em quaisquer condições imagináveis sob as quais o homem age.  Por assim ser, constitui a ferramenta mental indispensável para lidar com os problemas históricos e etnográficos.  Um historiador ou um etnógrafo que, no seu trabalho, não aproveita da melhor maneira possível todos os ensinamentos da economia, está trabalhando mal.  Na realidade, ele não aborda o objeto de sua pesquisa sem estar influenciado por aquilo que despreza como teoria.  Está, em cada instante de sua coleta de fatos pretensamente puros, quando os ordena e deles extrai conclusões, guiado por remanescentes confusos e deturpados de doutrinas econômicas perfunctórias, construídas desleixadamente ao longo dos séculos que precederam a elaboração de uma ciência econômica; ciência econômica esta que refutou de forma definitiva aquelas doutrinas superficiais.

Não são os economistas, e sim os seus críticos, que carecem de "senso histórico" e ignoram o fator evolução.  Os economistas sempre tiveram consciência do fato de que a economia de mercado é o produto de um longo processo histórico que começou quando a raça humana emergiu dos grupos de outros primatas.  Os defensores do que erroneamente é chamado de "historicismo" pretendem desfazer os efeitos das mudanças evolucionárias.  A seu ver, tudo aquilo cuja existência não possa ser rastreada até um passado remoto, ou não possa ter sua origem identificada nos costumes de alguma tribo primitiva da Polinésia, é artificial, ou mesmo decadente.  Consideram como prova de inutilidade e podridão de uma instituição o fato de ela ser desconhecida para os selvagens.  Marx e Engels, e os professores alemães da Escola Historicista, exultaram quando tomaram conhecimento de que a propriedade privada é "apenas" um fenômeno histórico. Para eles, esta era a prova de que os seus planos socialistas eram realizáveis.

O gênio criador está em contradição com os seus contemporâneos. Enquanto pioneiro das coisas novas e das quais nunca se ouviu falar, ele está em conflito com a aceitação cega de critérios e valores tradicionais.  A seu ver, a rotina de um cidadão normal, do homem médio e comum, não passa de uma estupidez.  Para ele, "burguês" é sinônimo de imbecilidade.  Os artistas frustrados que se satisfazem em imitar os maneirismos do gênio, a fim de esquecer e de dissimular sua própria impotência, adotam essa terminologia.  Esses boêmios chamam tudo o que lhes desagrada de "burguês".  Desde que Marx tornou o termo "capitalista" equivalente a "burguês", estas palavras são empregadas como sinônimas. Nos vocabulários de todas as línguas as palavras "capitalistas" e "burgueses" significam hoje tudo o que há de vergonhoso, degradante e infame.  Por outro lado, chamam tudo aquilo de que gostam ou que prezam de "socialista".  O esquema de raciocínio é o seguinte: um homem, arbitrariamente, chama de "capitalista" tudo o que lhe desagrada e depois deduz dessa designação que aquilo que lhe desagrada é mau.

Esta confusão semântica vai ainda mais longe.  Sismondi, os apologistas românticos da Idade Média, todos os autores socialistas, a Escola Historicista prussiana e os Institucionalistas americanos ensinaram que o capitalismo é um sistema injusto de exploração que sacrifica os interesses vitais da maioria da população em benefício exclusivo de um pequeno grupo de aproveitadores.  Nenhum homem decente pode defender esse sistema "insensato".  Os economistas que sustentam que o capitalismo é benéfico não apenas a um pequeno grupo, mas a todas as pessoas, são "sicofantas da burguesia".  Ou são obtusos demais para perceber a realidade, ou então são apologistas vendidos aos interesses egoístas da classe dos exploradores.

O capitalismo, no entender desses inimigos da liberdade e da economia de mercado, significa a política econômica defendida pelas grandes empresas e pelos milionários. Diante do fato de que alguns — certamente não todos — capitalistas e empresários ricos, nos dias de hoje, são favoráveis a medidas que restringem o livre comércio e a livre concorrência, e que resultam em monopólio, os críticos dizem: o capitalismo contemporâneo defende o protecionismo, os cartéis e a abolição da competição.  E ainda acrescentam que, em um certo período do passado, o capitalismo inglês era favorável ao comércio livre, tanto no mercado interno como nas relações internacionais.  Isto ocorria porque, naquela época, os interesses de classe da burguesia inglesa eram mais bem atendidos por essa política.  Entretanto, as condições mudaram e, hoje, o capitalismo, isto é, a doutrina defendida pelos exploradores, é favorável a outra política.

Essa tese deforma grosseiramente tanto a teoria econômica como os fatos históricos. Houve e sempre haverá pessoas cujos interesses próprios exigem proteção para situações já estabelecidas, e que esperam obter vantagens de medidas que restringem a concorrência.  Empresários envelhecidos e cansados, bem como os herdeiros decadentes de pessoas que foram bem sucedidas no passado, não gostam de empreendedores novos e ágeis que ameaçam a sua riqueza e posição social eminente.  Seu desejo de tornar rígidas as condições econômicas e de impedir o progresso pode ou não ser realizado, dependendo do clima da opinião pública.

A estrutura ideológica do século XIX, influenciada pelo prestígio dos ensinamentos dos economistas liberais, tornava inúteis esses desejos.  Quando os melhoramentos tecnológicos da era do liberalismo revolucionaram os métodos tradicionais de produção, transporte e comércio, aqueles cujos interesses estabelecidos foram atingidos não pediram proteção porque teria sido inútil.  Mas, hoje, impedir um homem eficiente de competir com um menos eficiente é considerada uma tarefa legítima do governo.  A opinião pública simpatiza com as solicitações de grupos poderosos para impedir o progresso.  Não é de estranhar que, em tal ambiente, empresários menos eficientes busquem proteção contra concorrentes mais eficientes.

Seria correto descrever este estado de coisas da seguinte forma: hoje, muitos ou alguns setores empresariais não são mais liberais; não defendem uma autêntica economia de mercado, mas, ao contrário, solicitam ao governo medidas intervencionistas. Mas é inteiramente errado dizer que o significado do conceito de capitalismo mudou e que o atual capitalismo ou "capitalismo tardio" — como é chamado pelos marxistas — seja caracterizado por políticas restritivas que visem a proteger interesses constituídos de assalariados, agricultores, lojistas, artesãos e também, às vezes, de capitalistas e empresários.  O conceito de capitalismo, como conceito econômico, é imutável; se tem algum significado, significa economia de mercado.

Se aquiescermos em usar uma terminologia diferente, ficaremos privados das ferramentas semânticas próprias para lidar adequadamente com os problemas da história contemporânea e das políticas econômicas.  Essa nomenclatura defeituosa só se torna compreensível quando percebemos que os pseudoeconomistas e os políticos que a utilizam querem evitar que as pessoas saibam o que é realmente a economia de mercado.  Querem que as pessoas acreditem que todas as medidas repulsivas de intervenção estatal são provocadas pelo "capitalismo".


Ludwig von Mises  foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico.  Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política.  Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico.  Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".



47 comentários
47 comentários
Cristiano 03/09/2012 07:15:07

Infelizmente esse artigo não será veiulado em nenhum jornal de grande circulação. Causaria uma revolução.

Responder
Pedro Ivo 03/09/2012 07:42:01

É uma boa ideia Cristiano: mandá-lo a jornais e revistas.

Eu vou fazê-lo. Se + leitores o fizerem, quem sabe dá certo.

Fica como solicitação aos demais leitores.

Responder
Neto 03/09/2012 14:30:24

Não é veiculado porque a linha editorial desses jornais nunca deixaria passar um artigo desses.

Responder
pensador barato 03/09/2012 07:47:37

Mises brilhante mesmo com o passar dos anos mostrando que o ser humano não evolui igual a tecnologia ou seja a barbárie existe mesmo nos dias de hoje devido a esse monopólio da coerção e da violência chamado estado que é sempre capturado por homens maus e ladrões de plantão.

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amauri 03/09/2012 09:14:23

Bom dia!
É certo ou errado dizer que o mercantilismo é uma forma primitiva de capitalismo? abs

Responder
Joel Pinheiro 03/09/2012 10:20:22

Caro, "mercantilismo" é o nome dado a um conjunto de doutrinas e teorias econômicas (por exemplo, a necessidade de se ter uma "balança comercial positiva", ou de estimular a demanda por meio da entrada de mais dinheiro, etc.). Muitos governos em séculos passados, levados por doutrinas mercantilistas, implementaram diversas medidas desastradas em seus países.

Já "capitalismo" é o nome dado ao modo como o mercado funciona: pessoas trocam, poupam, investem, etc.

As pessoas sempre viveram e transacionaram. Onde existem seres humanos, lá haverá um mercado (a não ser que vivam em total isolamento um do outro); o Estado pode criar mais ou menos intervenções e restrições ao funcionamento do mercado. Na Hong Kong atual, o nível de intervenção é baixo. Na URSS de Stalin, o nível de intervenção era altíssimo.

A ideia de que a história econômica da humanidade é uma sequência de "sistemas econômicos" - feudalismo, mercantilismo, capitalismo (dividido em várias "fases") e socialismo - que se sucedem uns aos outros é uma tese marxista. E uma tese marxista falsa. O que muda são as ideias dos homens, e mais particularmente dos governantes, acerca de como funciona o mercado e como interferir com seu funcionamento. O mercado em si funciona, desde sempre, pelos mesmos princípios e leis que a ciência econômica descobre.

Responder
Davi 03/09/2012 13:16:54

Muito boa a sua idéia. O mercado sempre foi o mesmo, o mesmo modelo e regras, o que mudou no tempo foi a forma de intervenção

Responder
Renato 03/09/2012 14:34:40

Amauri\r
\r
O livre mercado (que Marx chamou de capitalismo) não é uma ideologia mas o comportamento econômico usual das pessoas quando não acontece nem a violencia ou fraude, nem a coerção estatal. Portanto não pode ser algo recente, pelo contrário, é o mais antigo e duradouro comportamento econômico.\r
\r
Veja por exemplo um antigo habitante das regiões árticas, trocando, com seus vizinhos mais ao sul, peles por madeira. Ele é um ser econômico livre, que produziu riqueza sem ser coagido por outros, e está trocando livremente seus bens. O preço é formado pelo próprio mercado (isto, é cada uma sabe por experiência qual tem sido a cotação da madeira em relação às peles, e essa cotação é formada pelas abundâncias relativas e pelas necessidades relativas). Isso é livre mercado (ou capitalismo).\r
\r
Muito mais tarde na história humana, os principes passaram a intervir no mercado, dando monopolios a certas pessoas, impedindo ou prejudicando a exportação ou importação, impondo dificuldades à entrada de pessoas no mercado, etc. Isto se chama mercantilismo (que é bsstante semelhante (economicamente) ao fascismo, nazismo, social-democracia e keynesianismo). Logo, a "história econômica" contada por Marx está simplesmente errada.\r
\r
Note que Adam Smith, ao descrever o mercado, descreveu algo que ele via. Ele comparou o mercado mais livre, dos bens comuns, com o mercado mais distorcido, dos bens "protegidos" pelo governo, e chegou à conclusão de que o primeiro funcionava melhor e era mais útil ao povo do que o segundo. Veja que o capitalismo (mercado livre, ou quase livre) e o mercantilismo (mercado fortemente distorcido) coexistiam.

Responder
amauri 03/09/2012 12:00:16

Boa tarde Joel Pinheiro!
Grato pela resposta, e que indago:
Uma estatal que saiba como funciona o mercado e nao use de seu poder para se manter e ou se impor, poderia ser produtiva e lucrativa?
abs

Responder
Leandro 03/09/2012 12:21:10

Uma empresa que não usa de coerção para se manter ou se impor não pode ser uma estatal. Por definição, toda empresa estatal depende da coerção para sobreviver.

Uma empresa ser gerida pelo governo significa apenas que ela opera sem precisar se sujeitar ao mecanismo de lucros e prejuízos. Todos os déficits operacionais serão cobertos pelo Tesouro, que vai utilizar o dinheiro confiscado via impostos dos desafortunados cidadãos. Uma estatal não precisa de incentivos, pois não sofre concorrência financeira -- seus fundos, oriundos do Tesouro, não infinitos.

Uma empresa que não é gerida privadamente, que não está sujeita a uma concorrência direta, nunca terá de enfrentar riscos genuínos e nunca terá de lidar com a possibilidade de prejuízos reais. Logo, é como se ela operasse fora do mercado, em uma dimensão paralela.

E há também a questão política. A gerência governamental está sempre subordinada a ineficiências criadas por conchavos políticos, a esquemas de propina em licitações, a loteamentos de cargos para apadrinhados políticos e a monumentais desvios de verba -- afinal, como dito, uma estatal não busca o lucro, não precisa se submeter ao mecanismo de lucros e prejuízos do mercado, não tem concorrência e não deve transparência a ninguém. Seu orçamento está diretamente ligado tanto ao poder coercitivo do estado para arrecadar impostos quanto ao seu poder de imprimir dinheiro.

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Giovani 10/08/2013 01:04:29

Exato, Leandro. O grande exemplo disso, aqui no Brasil, chama-se Petrobrás. Os cidadãos deveriam saber que ela mantém mais de 270 (sim, eu disse 270 !!) "parcerias" ou participações (que interessante !) minoritárias em outras empresas. Ou seja, entra com o dinheiro e não tem gestão sobre elas. A maioria destas aquisições, senão todas, foram feitas por criminosos interesses particulares de políticos e funcionários da Petrobrás. Nunca para o bem da empresa. Espero em breve ver sua privatização.

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eduardo 03/09/2012 12:53:13

Seria muito bom se hoje os críticos do capitalismo dissessem "o capitalismo contemporâneo defende o protecionismo, os cartéis e a abolição da competição" e lutassem contra isso!

Responder
Frank 03/09/2012 18:52:33

O mercado hoje é como um buraco negro de alcance global. Sua força gravitacional não deixa escapar nada. Tudo suga, tudo assimila. Sendo assim, ele, o mercado, é o grande ator atual. Os demais entes foram reduzidos a mera condição serviente. Em troca da servidão, a promessa da felicidade a partir do consumo desenfreado. Mas a dominação não se dá pela força, senão pela produção de toda subjetividade e das idéias. A razão critica foi aniquilada,e junto a possibilidade de oposição. Só restou a razão instrumental, necessária a medições, classificações e ao cálculo. A racionaldiade instrumental foi poupada por ser útil ao mercado, que depende dela para fazer funcionar a ciência, esta também meramente instrumental, uma vez que sem a razão critica, só resta o formalismo da adequação dos meios aos fins, só sobra a função de instrumento. Quanto aos fins, na falta da possibiidade da critica, eles não podem ser discutidos. Eles são dados, dados pelo mercado. Por fim o homem, acritico, sob o jugo de todo o aparato mercadológico, vive em meio a impossibildiade de qualquer autonomia e liberdade, embora acredite ser livre. Mas ele é livre apenas para escolher entre as marcas e produtos dispostos nas gôndolas dos supermercados e vitrines dos shoppings, isso, claro, se não for um miserável excluido do acesso ao consumo.

Responder
Renato 04/09/2012 09:17:38

Frnk\r
\r
Ainda há uma esperança. Fuja rápido para Cuba. Ou melhor ainda, para a Coreia do Norte.\r
\r
Qaunto a isso que você chama de mercado,não é mercado, mas o sistema semi-socialista (pode chamar de keynesianismo, fascismo, social-democracia, etc), dirigido por socialistas e seus amigos globalistas. Eles preferiam o socialismo puro (que é o capitalismo de estado), mas como este não se sustenta sobre suas próprias pernas, adotaram uma solução mista.\r
\r
Mas não se preocupe, tão logo chegarem à conclusão de que não há nenhum lugar da Terra fora de sua órbita, talvez apliquem novamnete o socialismo puro. Grande parte da população ira morrer de fome, mas isso não tornará o regime instável, porque não haverá lugar algum para onde as pessoas possam fugir. O mundo será então uma grande Coréia do Norte. Felizmente haverão funcionários "corruptos" do governo, promovendo atividades capitalistas por baixo dos panos (como sempre ocorreu na URSS e China), o que impedirá a humanidade de se extinguir. O socialismo é o sonho dos verdes, que gostariam de aniquilar a maior parte da humanidade.

Responder
Jose Roberto Baschiera Junior 04/09/2012 10:01:48

Eita. Agora fiquei confuso. Falou, falou, enrolou tanto contra o mercado e o consumo e disse no final que "se não for um miserável excluido do acesso ao consumo". Esse excluído do acesso ao consumo não seria uma pessoa superior, livre e feliz?

Responder
Neto 04/09/2012 10:26:44

Esse aí tem uma grande carreira acadêmica

Responder
Fred 04/09/2012 11:01:43

"Por fim o homem, acritico, sob o jugo de todo o aparato mercadológico, vive em meio a impossibildiade de qualquer autonomia e liberdade, embora acredite ser livre"

Gostei desta parte. É com base nisso aí que se prega o controle da vida das pessoas.
Ou seja:

- Você não será livre enquanto tiver que fazer escolhas, a verdadeira liberdade consiste em um mundo livre de escolhas.

Cresça intelectualmente, rapaz!

Responder
Nilo BP 08/08/2013 16:15:52

Se a liberdade de escolher o que consumir e onde trabalhar não é liberdade, o que é liberdade? Poder consumir sem trabalhar? Poder viver sem consumir? Ou sem se preocupar com o efeito de suas ações sobre os outros? Ou seja, o ser humano não é livre até se transformar em um espírito onisciente e onipotente?

Eu entendo a frustração cósmica de ter que participar de um jogo chamado "vida" que você não pediu para jogar, mas é ridículo achar que existe alguma organização social mágica capaz de elevar o ser humano a outro plano de existência. Se a sua "crítica" ao capitalismo é de não ser um paraíso na Terra, então está corretíssima, mas totalmente irrelevante.

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 08/08/2013 19:46:32

O capitalismo autêntico é baseado na poupança: eu produzo 10, gasto 9 e poupo e invisto 1 (números hipotéticos para exemplo).

Em contraste, consumismo consiste no esbanjamento e endividamento: eu produzo 10, gasto 11 e faço dívida para pagar o 1 a mais com juros. O consumismo é promovido por governos que interferem no livre andamento da economia para aumentar a arrecadação, pois quanto mais as pessoas consomem, mas impostos elas pagam.

* * *

Responder
Patrick de Lima Lopes 04/09/2012 08:13:31

Moral da história:
O mercado é as pessoas.
É a concessão de serviços desejados por outros indivíduos para que seja gerado o ganho mútuo.

Responder
Julio dos Santos 08/08/2013 15:03:20

Que belo artigo! Mais educativo que meses sentado numa falculdade.

Responder
Julio Heitor 08/08/2013 15:10:07

Logo no início do texto Mises afirma que o estado teria como responsabilidade garantir o bom funcionamento da economia de mercado, impedindo que indivíduos com má fé trouxessem distúrbios ao mercado.

Bom, minha dúvida é a seguinte: qual a definição de estado que Mises estava pensando quando afirmou isso?

Abraços!

Responder
Leandro 08/08/2013 15:57:03

Dado que o estado existe, dado que ele detém o monopólio da violência, e dado ele vive torrando o nosso saco, nos espoliando e confiscando o nosso dinheiro, então que ao menos ele fiscalize o cumprimento dos contratos e puna as fraudes.

É isso o que Mises está dizendo.

Vale lembrar também que, segundo o próprio Mises:

Governo é, em última instância, o emprego de homens armados, de policiais, guardas, soldados e carrascos. A característica essencial do governo é a de impingir os seus decretos por meio do espancamento, do encarceramento e do assassinato. Quem pede maior intervenção estatal está, em última análise, pedindo mais coerção e menos liberdade.

Responder
Julio Heitor 08/08/2013 16:38:12

Obrigado Leandro!

Responder
mogisenio 08/08/2013 18:16:55


TEXTO DO AUTOR: A economia de mercado é o sistema social baseado na divisão do trabalho e na propriedade privada dos meios de produção. Todos agem por conta própria; mas as ações de cada um procuram satisfazer tanto as suas próprias necessidades como também as necessidades de outras pessoas. Ao agir, todos servem seus concidadãos. Por outro lado, todos são por eles servidos. Cada um é ao mesmo tempo um meio e um fim; um fim último em si mesmo e um meio para que outras pessoas possam atingir seus próprios fins.

MEUS COMENTÁRIOS:

Olá pessoal,
Antes de expor meu comentário gostaria de levantar as seguintes premissas:

1)Nós, seres humanos, vivemos neste planeta.

2)Nós, seres humanos racionais que habitamos este planeta, chegamos até aqui num constante processo de "altos e baixos" no que diz respeito à nossa evolução econômica e social.

3)Somos seres gregários, mas diferentemente dos demais, geramos conflito.


4)Não parece haver como negar a ocorrência de atos e fatos passados (hominais e naturais) ainda que não concordemos com eles. Hodiernamente contudo, quanto aos atos e fatos anteriores ao nosso nascimento, apenas somos capazes de interpretá-los. O resultado destas interpretações, necessariamente, sofre impacto de aspectos cumulativos e atuais e, por isso mesmo, distintos daqueles que ocorreram no momento(contexto) passado.

5)Nenhum humano racional deseja o pior,(em sentido universal) embora se saiba da existência de inúmeros "piores" ao longo de nossa história econômica e social. Ex.: vulcões, terremotos, conflitos entre , cidadãos ou concidadãos, guerras, terrorismo, bombas atômicas etc.

6)Todos os seres humanos nascem, consomem e morrem.

Baseando-se nisso tenho a dizer-lhes o seguinte:

Quanto ao conceito da economia de mercado estamos concordando que ela veio se evoluindo ao longo da história.

Todavia, discorda-se que o agir humano esteja, necessariamente, servindo concidadãos. Nem tão pouco cidadãos de outro lugar do planeta. O agir só pode servir a você próprio. Já a consequência do ato, esta sim, pode alcançar o "servir ao outro".

Lado outro, a economia de mercado não passa de um "instrumento"- in casu econômico - para se alcançar um resultado racional, previamente planejado e almejado. Senão vejamos.

Para simplificar o pensamento trago aqui o diagrama " fluxo de renda numa economia" que em linhas gerais apresenta o modelo microeconômico. Infelizmente, não se consegue inserí-lo aqui, razão pela qual, peço-lhes para o resgatarem de seus respectivos estudos econômicos. ( de um lado as famílias vendendo fatores e comprando bens e serviços e de outro as "empresas" comprando fatores e vendendo bens e serviços). Ambas remuneradas de acordo com a transação realizada.

O objetivo de trazer este diagrama foi o de apenas ilustrar as perguntas que se seguem. Estejam à vontade para apresentarem outro diagrama, se necessário.

1ª pergunta:

Se a economia de mercado é o sistema social baseado na divisão do trabalho e na propriedade privada dos meios de produção, por que e como, só algumas famílias( a minoria - FATO) detêm os fatores de produção, "Capital e Terra" (clássicos) e outras famílias( a maioria - FATO) só detêm apenas o trabalho?

Ou ainda: qual seria o diagrama anterior a este?


Especificamente, tratando agora do "nosso" território apelidado de Brasil, queiram por gentileza explicarem ( interpretarem ) o momento passado que ilustra o INÍCIO do fomento via recursos ( fatores de produção) para a negociação junto ao "instrumento" ( economia de mercado).


2ª pergunta:

Porque a remuneração do Trabalho é , notoriamente, inferior ao dos outros fatores, quer seja esta nominal ou real?


Se o "instrumento" economia de mercado serve como sistema social, porque naturalmente e racionalmente não se remunera todos os fatores com o mesmo valor?

Ou ainda, porque não se elimina os ineficientes, ineficazes – para qualquer família como o Trabalho? ( minha tese em outro comentário seria a de se acabar com este fator)

Notas finais:

Estes meus argumentos iniciais não são exaustivos, daí as perguntas formuladas para que possamos prosseguir no debate.

A ideia central não é de atacar o sistema capitalista. Muito menos a de apoiar o comunismo ou o socialismo.

Todavia, não se nega em tese e a priori a possibilidade da existência dos dois sistemas.

Saudações

Responder
Gustavo BNG 08/08/2013 19:42:29

Todavia, não se nega em tese e a priori a possibilidade da existência dos dois sistemas.

O artigo "A Escola Austríaca e a refutação cabal do socialismo" mostra a impossibilidade de funcionamento de uma economia centralizada: mises.org.br/Article.aspx?id=1386

Responder
mogisenio 08/08/2013 20:13:02

Olá Gustavo BNG

o artigo não nega o socialismo, a saber:


"O fracasso do socialismo como princípio de ordenamento social é hoje evidente para qualquer pessoa sensata e informada — o que exclui, é claro, os socialistas."

Note bem, ele exclui os socialistas.

Saudações

Responder
Aldenir 10/08/2013 13:55:26

É porque a refutação se encontra aqui na verdade mises.org.br/Article.aspx?id=1141

Basicamente, se você não precisa mais de dinheiro (comunismo), você não precisará de mercado, se não tem mercado, não tem um sistema de lucro ou prejuízo. Se não tem um sistema de lucro ou prejuízo, você não consegue estabelecer uma forma eficiente de alocação dos recursos escassos sem um meio de computação efetivo. É uma refutação básica, que perdura por mais de 90 anos e reconhecida até pela galera do Zeingeist, afinal, eles possuem o algoritimo do cálculo racional socialista :D (não sei vocês do IMB, mas eu sempre acho esse argumento mais a favor do que contra o Mises. Afinal, se eles "possuem" o algoritimo, apesar de nunca mostrarem, então é o reconhecimento de uma vertente socialista de que a refutação sempre existiu, é válida e não solucionada). Não duvidaria que se a lei de Moore perdurar por mais algumas décadas, talvez alguém bole um método computacional para tal, mas a refutação está ai.

Mudando de assunto, e respondendo a primeira pergunta:

um grande problema da sua argumentação é partir de verdades errôneas, onde você constatou que a maioria dos bens estão sempre na mão de uma minoria de famílias? A não ser que você considerou famílias como as atuais (e não as clássicas oriundas da aristocracia e outras coisas do gênero). Tem um trabalho que fiz (https://docs.google.com/document/d/1z1QAVS3L6G3FxrqwXBkOpHEZ8NeB4l7tgxZhAyv9A6E/edit) junto com um amigo e que mostra que 66% dos 100 mais ricos construiram sua fortuna do 0 até o que eles possuem apenas na sua vida. O restante ou aconteceu isso no caso dos seus pais ou avós. Apenas um vem de uma família classicamente abastada. Ou seja, isso mostra que a mobilidade social no mundo (na verdade pelo menos entre os 100 mais ricos) é extrema. Se alguém algum dia fizer essa lista para cada década, verá, acredito eu, uma mudança significativa.

Agora se você considerou que os bens "correm" para as mãos de uns poucos, isso também seria normal, se eles conseguiram isso por capacidade (e não desonestidade), significa apenas que ele é centenas de vezes milhares do que você. Neste caso, ele merece ganhar centenas de vezes mais que você. Simples assim. Se pegássemos todo o dinheiro/capital/terras do mundo e distribuirmos tudo igualmente, garanto que em alguns anos voltaríamos a situação atual. Com um pequeno grupo mais capaz detendo a maior parte dos bens.

Sobre a segunda pergunta, acho melhor o pessoal que entende responder, mas acredito que o trabalho vale o quanto o empregador e o empregado chegaram a conclusão que vale. Simples assim. O empregador quer gerar um determinado bem, as pessoas que comprarão o bem decidirão com ele quanto vale esse bem, com isso ele verificará com trabalhadores o valor da mão de obra dos mesmos a fim de que ele tenha lucro na produção desse bem. Se ele não chegar em um consenso, ou com trabalhadores ou com consumidores ele simplesmente não fará o bem, ou fará e terá prejuízo.

Responder
mogisenio 10/08/2013 19:23:04

Obrigado pela resposta caro Aldenir

Todavia , você não considerou as 6 premissas anteriores. ( foram 6, mas poderiam ser mais, e não foram exaustivas)

Você disse:

"Basicamente, se você não precisa mais de dinheiro (comunismo), você não precisará de mercado, se não tem mercado, não tem um sistema de lucro ou prejuízo. Se não tem um sistema de lucro ou prejuízo, você não consegue estabelecer forma eficiente de alocação dos recursos escassos sem um meio de computação efetivo"

Eu lhe digo:

Dinheiro parece ter sido um bem que servia de padrão de troca. Mas evoluiu. Criou independência. Hoje serve pra mais coisas. Aliás, tem incrivelmente um fim em si mesmo. Propaga-se. Cria, do nada, um valor em si mesmo.

Eis um problema do agir humano que corrompe ou ultrapassa o fim útil de algo criado por ele mesmo.

Não é culpa do dinheiro. A culpa é nossa mesmo. Quem age é o humano.

Concordo, podemos não precisar de dinheiro, nem de sistema de lucro ou de prejuízo.

Mesmo sem estes , creio que poderíamos estabelecer uma ou várias outras formas não eficientes, não eficazes, não efetivas em busca do melhor( do devir).

O termos utilizados por você estão atrelados economicamente ao modelo capitalista e minha ideia não, necessariamente, foi a de festejar ou combater qualquer modelo.

Não me parece nem de longe razoável acreditar que chegamos ao fim de nossa inteligência de tal forma que não poderíamos inventar outros sistemas.

Não parti de verdades errôneas, mesmo porque, a rigor, não há verdades. E note bem, essa minha ultima frase só pode ser falsa. Assim como esta e assim sucessivamente. Portanto, seria bom caminharmos "no mundo" do razoável.

Note, você não considerou as premissas anteriores( 1 a 6) o que prejudicou a sua exposição.

Por exemplo, essa semana o Japão relembrou a tragédia da bomba atômica. Essa bomba pelo que sabemos , de fato, explodiu. Quais seriam os motivos que levaram a essa e a outras terríveis explosões?

Tal fato não parece ter sido algo bom. Portanto, note bem, o homem é um ser gregário porém gera conflitos. ( releia a premissa)

Sistema de preços é apenas mais uma forma de evitar conflitos. Mas não é a única. Tanto que não evita guerras. E a ideia( o sentimento universal) é evitar guerras. Ou melhor, propagar a paz. Compreende?

Quando você retornou ao passado, também não considerou uma de minhas premissas. Ora, façamos qualquer trabalho. Se vamos falar do passado só podemos dizer algo hoje, de acordo com o preconceito já contido. Não há como escapar disso, a não ser baseando-se em fatos, sobretudo, os de grande proporção. Porém, mesmo com estes fatos corremos o risco de darmos a eles uma interpretação equivocada. Todavia, mesmo essa razão equivocada pode conter equívocos, pois, para negarmos alguma coisa , necessariamente, teremos de conhecer a "não coisa", exaustivamente. De novo, melhor seguirmos no caminho do razoável.

Todos nós nascemos, consumimos e vamos morrer. Essa sim, parece ser um premissa, digamos, mais exaustiva.

E você não merece nada!

Você , não merece, você necessita de "coisas" para viver. Essas coisas, lhe serão DOADAS, dadas, sem qualquer sistema de preços, enquanto você for um incapaz.

Alguns, por diversas razões, perpetuam-se na incapacidade. Razoável supor que não desejam isso.

Mas, prestemos atenção num dado: sob pena de extinção da raça humana, se não devemos igualar os "capazes"( socialismo) creio ser razoável igualar, em certa medida, os incapazes (você, sua mãe, eu, a minha, quando crianças.)

Somos racionais distintos e muitas vezes superiores aos irracionais. Façamos valer esta condição.

Sobre a segunda pergunta, v. parte de termos questionáveis: empregador e empregado, lucro, prejuízo, consumidor etc.

Não precisa dizer muito para assegurar-lhe que o trabalho está muito além destes institutos . O trabalho, segundo os economistas, é tido como fator de produção que é vendido e comprado. Substancialmente e materialmente desdobra-se em várias modalidades as quais nem sempre são econômicas.

Aliás, em alguns casos até combatidas por alguns economistas. Todavia, festejados por outros.

Mais um conflito que requer uma razoável solução.

Os termos empregador e empregado encerram apenas uma modalidade laboral. Há outras.

Portanto, caro colega, com o devido respeito, creio seja a simplificação prejudicial ao debate.

Modelos econômicos e ESTADO, entre outros, são "entes" criados pela falível racionalidade humana. Além disso, supõe-se que a razão humana parece não ter limites.

Portanto, em homenagem a ela vamos adiante.

Saudações




Responder
Renato Souza 11/08/2013 14:15:34

Mogisenio

Você disse:

"Dinheiro parece ter sido um bem que servia de padrão de troca. Mas evoluiu. Criou independência. Hoje serve pra mais coisas. Aliás, tem incrivelmente um fim em si mesmo. Propaga-se. Cria, do nada, um valor em si mesmo.

Eis um problema do agir humano que corrompe ou ultrapassa o fim útil de algo criado por ele mesmo."

Sim, isso acontece, mas não se chama livre mercado, se chama hipertrofia do sistema financeiro, que é causada pelas políticas keynnesianas (intervencionistas). Passe um mês lendo este site, e descobrirá que todos os austríacos opõem-se fortemente às políticas intervencionistas de Keynnes. Logo, isso não é argumento contra o livre-mercado.

Você confunde também as coisas ao supor que o mercado é um sistema econômico planejado ou inventado por alguém. Mercado, no sentido econômico, é simplesmente a atuação econômica normal das pessoas quando elas não são obstadas pela coerção e violência. Adam Smith escreveu numa época que os marxistas descrevem como sendo de mercantilismo. Entretanto ele descreveu o mercado e o comparou com o sistema mercantilista. Como? Ora, o mercado livre (ou razoavelmente livre) acontecia paralelamente ao mercado sob intervenção (mercantilista). Isso porque o governo não impunha intervenção sobre a economia inteira, somente em parte dos itens haviam monopólios, proibições de importação ou exportação, taxas diferenciadas, favorecimento. Quanto a outros itens, havia muito mais liberdade. Ele comparou ambos, e chegou a conclusão de que o mercado livre era mais produtivo, mais justo, mais racional, e principalmente era livre.

Igualmente, lendo relatos históricos de todas as épocas, vê-se claramente o mercado acontecendo. Os príncipes geralmente eram intervencionistas, mas não tinham condições de intervir em tudo. Nas partes da economia que eles não reprimiam, o mercado acontecia.

Esse é um ponto fundamental: Só a repressão suprime (pelo menos em parte) o mercado. Porquê? Porquê ele é a expressão da atuação econômica livre do homem.

Numa situação de pouca produção, e pouca variedade de bens econômicos, o mercado pode não acontecer, ou acontecer de forma incipiente. Numa sociedade tribal, todos os homens são capazes de produzir armas feitas de pau, pedra e fibras. Todos são capazes de construir abrigos, plantar mandioca, etc. Geralmente, as trocas de bens econômicos são muito poucas. Mas quando há mais variedade de bens econômicos sendo produzidos, as pessoas julgam que é desvantajoso tentar produzir tudo. Preferem se dedicar a algumas atividades e trocar todo excesso produzido, por produtos produzidos por outras pessoas. Nada, a não ser a repressão, impedirá pessoas ou grupos de pessoas associadas, de trocarem livremente bens que eles mesmos produziram, e dessas trocas nascerão naturalmente os preços. Pelo simples fato das pessoas serem livres, elas terão a faculdade de vender os produtos de seu trabalho ou seu próprio trabalho. Se elas não tiverem esse poder sobre seu próprio trabalho, então elas são por definição escravos, porque outras pessoas tem poder sobre o seu trabalho.

Note que o associativismo civil e o sistema de cooperativa não estão fora do mercado. Se as pessoas não são coagidas a permanecer numa cooperativa, mas continuam livras para sair e usar seu trabalho de outra forma, então a cooperativa é um elemento de mercado. Ela não pode impor pela força seus termos de troca, mas tem de aceitar preços livremente acordados.

O oposto da liberdade é o socialismo. Outras pessoas serão donos do trabalho e da vida dos trabalhadores. Normalmente ele não poderá sair (há guardas armados impedindo que ele vá embora), outras pessoas decidirão em que ele deve trabalhar, outras pessoas decidirão qual o preço das coisas.

Responder
mogisenio 11/08/2013 18:50:00

Caro Renato, obrigado pelo retorno.

Vamos lá.

Você disse:

Sim, isso acontece, mas não se chama livre mercado, se chama hipertrofia do sistema financeiro, que é causada pelas políticas keynnesianas (intervencionistas)

Eu lhe digo:

Estamos de acordo. Keynes existiu. Keynes e seu modelo macroeconômico.
Se o seu estudo é péssimo ou ótimo, dependerá de quem fala. E o mainstream parece defender as ideias dele . Vocês aqui, já sei, querem distância delas.

Mesmo sendo o pior dos mundos, a política fiscal existe. A monetária, à Friedman idem).

Então note bem, não há como "negar" Keynes.
Há como contrariar os pensamentos dele. Nisso concordamos, o que não quer dizer que concordarei com as suas convicções ou com as ideias sugeridas. Note bem, não estou defendendo Keynes, compreendeu-me?

Nós humanos, através de nosso "agir" chegamos até aqui. Mesmo após o sub prime. Compreende?

Tivemos outras figuras ilustres como Hume, Smith, Ricardo, Menger, Say, Mises, Keynes, Friedman, Galbraith, Hayek e seu parceiro de nobel Mrydal (sueco hein!), entre vários outros. São inúmeras figuras ilustres. Concordando ali, discordando lá, etc.
Eis, mais uma vez, a essência conflitiva do ser humano, embora gregário.

Existe o importantíssimo estudo microeconômico. Existe outro, não menos importante estudo, que é o macroeconômico.

Alguns defendem um modelo outros não. Note: somos, essencialmente gregários e geradores de conflito. Penso que o importante, o essencial, é encontrar um meio para se evitar conflitos ou mitigá-los. Eis a questão. "sistema de preços é apenas um deles.

Você disse:

Passe um mês lendo este site, e descobrirá que todos os austríacos opõem-se fortemente às políticas intervencionistas de Keynnes. Logo, isso não é argumento contra o livre-mercado.

Eu lhe digo:

Eu sei disso.

E não precisaria passar nem mais um minuto para percebê-lo. Mesmo porque já li vários textos aqui expostos. Até vídeo aula tive oportunidade de assistir. O sítio tem um excelente conteúdo, boas traduções etc. Levo em consideração tudo que aprendi aqui. Em suma, posso lhe dizer que pessoalmente concordo com algumas opiniões aqui publicadas. Com outras não.

De qualquer forma meu caro, já li vários, mais vários outros textos, sobre economia e sobre diversos outros temas. Já dá pra ter uma convicção formada.( o que não quer dizer imutável).

Eu disse, logo de início, que não pretendia festejar ou combater qualquer modelo.

Neste sentido, procuro debater o tema sem tentar defender uma opinião como sendo a única correta. Aliás, opiniões para mim, não passam de opiniões.

Eu não confundi nada. Para ser um pouco mais claro, digo-lhe( de forma muitíssimo simples) que os seres vivos e os recursos naturais foram - de alguma forma ainda misteriosa - criados ( digamos assim) por algum outro "ser", compreende? .O resto é ação humana sobre o ambiente para dele viver e sobreviver.

Bem, esta é a minha conclusão até o momento. Se você me provar que o mercado deriva de alguma outra coisa diferente do "agir" humano, posso até levar em consideração a sua afirmação categórica kantiana.

Eis mais uma parte de seu comentário:

Você confunde também as coisas ao supor que o mercado é um sistema econômico planejado ou inventado por alguém. Mercado, no sentido econômico, é simplesmente a atuação econômica normal das pessoas quando elas não são obstadas pela coerção e violência.

Devo lhe dizer:

Pessoas? O que são pessoas se não mais um instituto? Somos pessoas hoje. Já fomos outra coisa. Uns, como nós, chegaram a ser semoventes.

Coerção? Sim, existe na base Estatal. Eu gosto disso? Não, eu pessoalmente não gosto disso. Aliás, quem talvez goste disso são os que direta ou indiretamente se beneficiam dele.

Mas, de novo, somos gregários e geradores de CONFLITO. Eis uma ponto de partida.
Alguns registros históricos nos informam que muito, mas muito antes do Estado, tínhamos outros modelos antropologicamente instituídos.

Numa parte do planeta, parece ter ocorrido o patriarcado e o matriarcado, com fulcro no jus naturalismo etc.

Não estou aqui querendo dizer que isso foi bom ou ruim. Estou lhe dizendo que, por algum motivo, o próprio homem ( sentido lato) resolveu criar outras formas. Pode ter errado ou acertado. Mas, inegavelmente, chegou ao momento atual, com alguma contribuído do "Estado moderno" , mais ou menos instituído pelos pensamentos de Hobbes, Maquiavel, Rousseau, Montesquieu, com aprimoramentos ou não dos iluministas.
Note bem , meu caro, não se trata de opinião.

E esse Estado, que já não é moderno coisa nenhuma, parece enfrentar forte crise no presente momento.

Você:

(...)Note que o associativismo civil e o sistema de cooperativa não estão fora do mercado. Se as pessoas não são coagidas a permanecer numa cooperativa, mas continuam livras para sair e usar seu trabalho de outra forma, então a cooperativa é um elemento de mercado. Ela não pode impor pela força seus termos de troca, mas tem de aceitar preços livremente acordados.

E eu:

Sim, a cooperativa atua no mercado. Eu não estou negando o mercado. Seria uma imbecilidade de minha parte ao menos tentar negar o mercado.

Todavia, a ideia de associação e cooperação não se prende apenas ao mercado. São, de novo, institutos "criados" pelo homem e para o homem. Mais uma forma de se evitar conflitos ( de se evitar coerção ou coação de um ser sobre o outro). Notou bem o que acabei de lhe dizer?

Agora você:

O oposto da liberdade é o socialismo.

E eu:

De novo meu caro, não perca o seu tempo tentando me dizer o que é socialismo ou capitalismo, ou liberdade. Não estou aqui a festejar ou a atacar qualquer um deles.

Ademais, prefiro debater o tema bem longe deste antagonismo infrutífero entre Smith e Marx.
Poderíamos chegar numa família Marxista ( burguesa-liberal ) e numa família Smithiana( social e democrata, pai e filho funcionários públicos). Deixemos de lado isso dai.

Minha proposta inicial está muito além desta rasa discussão.

De qualquer forma, agradeço-lhe pelo comentário.

Saudaçoes

Responder
Emerson Luís, um Psicólogo 08/08/2013 19:40:33

Capitalizou o meu conhecimento!

* * *

Responder
Sociólogo 08/08/2013 21:21:08

Mercado é uma instituição de trapaça e exploração, sempre, sempre alguém tentando tirar proveito de outro, sempre se trata de duas pessoas negociando para tentar extrair da outra mais do que vai dar. O lucro é o resultado dessa trapaça; se quem "vende" ou "compra" for honesto e sincero, não há lucro.

Responder
Renato Souza 11/08/2013 14:33:31

Mercado não é uma instituição. Mercado é um processo que acontece quando as pessoas não são escravos.

Responder
Renato Souza 11/08/2013 15:23:46

Se o número de acidentes for determinante para proibir armas de fogo, porque não proibiríamos também, escadas, banheiras, serras, alpinismo, futebol, hipismo, mergulho, bicicletas, motocicletas, etc? Estranho as pessoas estarem preocupadas apenas com acidentes com armas de fogo, que matam muito menos pessoas do que outros tipos de acidentes. A vida é perigosa, para morrer basta estar vivo, e muitos acidentes são causados em atividades que tem como única finalidade a diversão. Mas toda gente percebe que tais atividades não devem ser proibidas, isso tornaria o mundo horrível e o ser humano morreria por dentro. A proibição deveria ser a exceção não a regra, se almejamos uma sociedade livre. Mas por motivos "incompreenssíveis" a proibição de armas, que causam muito poucos acidentes, está no topo da lista das proibições almejadas, e outros objetos que causam muito mais acidentes, sofrimento, mortes, aleijamentos, não são nem cogitados de serem proibidos. Fica a nítida impressão de que alguns opositores das armas tem outros motivos não confessados.

Armas não são um elemento desimportante. Elas tem funções sociais importantíssimas:

1. Coíbem a criminalidade. A proibição de armas na Inglaterra teve um efeito devastador na sociedade, incentivando a violência.

2. Inibem a violência contra os mais fracos, uma vez que igualam o fraco ao forte.

3. Preparam a população contra ataques de forças externas.

4. Inibem ou dificultam muitíssimo a implantação de sistemas totalitários (segundo a opinião dos próprios tiranos que implantaram sistemas totalitários).

Finalmente devo dizer que acidentes com armas de fogo são mais evitáveis do que com muitos outros objetos. É relativamente simples a uma pessoa responsável e preparada, impedir que crianças tenham acesso às suas armas, e também e usa-las com segurança, de modo a evitar acidentes. Há procedimentos simples a serem seguidos, que, uma vez cumpridos, tornam o acidente quase impossível. Outros objetos de uso comum são muito menos seguros contra acidentes. Por mais cuidado que se tenha, é bem mais difícil evitar acidentes graves e até mesmo fatais com coisas comuns como esmerilhadeiras, tratores, automóveis, escadas, pisos molhados ou gelados, praias, patins, aparelhos de mergulho, banheiras, serras, navios, trens, motocicletas, etc. No caso dos automóveis, o número e a gravidade dos acidentes se tornou tão grande, que os fabricante, em vez de focarem apenas em equipamentos que previnem acidentes (como pneus melhores e freios ABS) tiveram de introduzir também equipamentos que minoram os danos em caso de acidentes como cintos e air-bags, e chassis monoblocos.

Noto que mesmo nos países onde armas são muito comuns, a quantidade de gente morta ou ferida acidentalmente com armas é muito inferior aos acidentes com outras causas. Mas a maioria dos proibicionistas em relação a armas, dão pouquíssima atenção a outras fontes de acidentes. Fico tentando imaginar porque essa obsessão em proibir armas...

Responder
Renato Souza 11/08/2013 16:06:09

Desculpem

Comentário no lugar errado...

Responder
Lincoln 09/08/2013 15:37:50

E aquela história que contam que, se liberar o mercado, a vida seria fragilizada pelo lucro? Por exemplo, o incentivo à guerra para se vender muitas armas.

Responder
Ataulfo Alves 09/08/2013 15:48:11

Até onde se sabe, quem faz guerra e sai demandando armas para homicídio em massa é o estado. E estado demandando coisas nada tem a ver com livre mercado, uma vez que o estado nada produz para dar em troca, e todo o seu dinheiro foi confiscado de trabalhadores e produtores genuínos.

Responder
Eliel 10/08/2013 12:43:49

Exato caro Ataulfo Alves.
Quando os primeiros europeus chegaram ao litoral da África Oriental encontraram sociedades com mercados desenvolvidos. De início houve trocas comerciais pacíficas. Entretanto, outros povos contatados recusaram-se a trocar ouro, prata e pedras preciosas em forma de joias por quinquilharias europeias como pentes, espelhos, penicos,cintos de castidade, perucas, etc.

Resultado, início de conflitos promovidos pelos estados europeus após relatórios do orgulho ferido de seus vaidosos "heróis" exploradores a caminho das índias.
A partir daí começou a desgraça da escravidão de nossos irmãos negros pela "civilização" branca europeia. Sim, o estado europeu sabia o que era melhor para os negros, e para o resto do mundo.

O Japão também teve seu primeiro contato com,digamos assim,o estado europeu por volta dessa mesma época. A diferença, no meu entender,era que os japoneses também sabiam fazer guerra, ainda mais com temíveis guerreiros portadores de espadas de aço, os Samurais.

Para maiores detalhes a respeito do entendimento da história africana e dos conflitos gerados pelos estados europeus dominadores, e que infelizmente é herança em forma dos atuais estados africanos, deixo referencia:

África Oriental
Coleção Nações do Mundo.
Em particular pagina 50.

Responder
anônimo 10/08/2013 13:20:33

É muita ingenuidade achar que 'orgulho ferido' é motivo de guerra.
E é bem mais conveniente do que admitir que eram os próprios negros africanos que escravizavam e vendiam outros negros.
Aliais já faziam isso antes do primeiro europeu pisar lá, mas como sempre, é o europeu o culpado de tudo.
TODOS os povos, todas as culturas primitivas tiveram escravidão.Mas só alguns ficam usando isso até hoje como desculpa para serem sustentados por esmolas estatais.

Responder
Renato Souza 11/08/2013 19:41:52

Sim, os europeus escravizaram negros.

Mas o seu texto transmite a falsa ideia de que a escravidão de negros começou nessa época. Tanto os próprios negros como os povos de língua árabe praticavam a escravidão em escala enorme.

Responder
thiago santos carvalho 10/08/2013 14:33:10

kkkkkkkkkkkk agora diz isso a um socialista, eles ainda acham que capitalismo é sistema político

Responder
Ali Baba 14/08/2013 12:39:43

@Cristiano,

Detesto desfazer os sonhos de companheiros libertários. Publicar esse artigo em qualquer jornal não vai causar revolução. Não vai sequer ser lido por uma grande parcela da população... ou mesmo uma pequena parcela da população. Um artigo como esse publicado em qualquer jornal é como pérolas aos porcos. Vai simplesmente desaparecer ao lado das notícias do seu time favorito.

Responder
Mauricio. 03/09/2013 11:38:07

Pessoal, hoje saiu esta notícia na mídia: Nokia vende negócio de celular para Microsoft por US$7,2 bi (fonte: exame.abril.com.br/negocios/aquisicoes-fusoes/noticias/nokia-vende-negocio-de-celular-para-microsoft-por-us-7-2-bi). Achei interessante postar aqui, pois é a prova cabal de que o mercado - e somente ele - faz a inovação acontecer. A Nokia tinha uma posição muito confortável 10 anos atrás. Mas foi superada pelo Google e pela Apple. E teve que ser vendida.

Responder
Pobre Paulista 03/09/2013 11:52:24

Pois é.

A Nokia é dona da Trolltech, que desenvolve o framework QT, que é base do KDE.

Portanto em breve teremos o Microsoft KDE rodando nas distros Linux por aí...

Responder
Eliseu 17/09/2013 13:42:26

COM CERTEZA o mercado não é isso:

Anatel apresenta o Sistema de Negociação de Ofertas de Atacado

www.anatel.gov.br/Portal/exibirPortalNoticias.do?acao=carregaNoticia&codigo=30678

A Anatel apresenta em Brasília, nesta terça-feira, 17, às 16h, o Sistema de Negociação de Ofertas de Atacado (SNOA), plataforma de intermediação da negociação de produtos de atacado ofertados pelos grupos detentores de Poder de Mercado Significativo (PMS).

Responder
Anônimo 17/09/2013 13:56:08

Só faltou Mussolini vir a este encontro. Pasmo fico com o quão estatizadas as telecomunicações estão ficando.

Responder

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