A Escola Austríaca e a refutação cabal do socialismo
por , segunda-feira, 20 de agosto de 2012

versão para impressão


Rational Economic Man.jpgIntrodução

O fracasso do socialismo como princípio de ordenamento social é hoje evidente para qualquer pessoa sensata e informada — o que exclui, é claro, os socialistas.  Estes, porém, insistem que o malogro coletivista foi um mero acidente histórico, que a teoria é fundamentalmente correta e que pode funcionar no futuro, se presentes as condições apropriadas.  Tentarei demonstrar nesse texto, recorrendo na medida das minhas limitações aos ensinamentos da escola austríaca de economia, que absolutamente não é esse o caso, que a teoria econômica (para não falar dos fundamentos filosóficos, éticos, sociológicos e políticos!) do socialismo é insustentável em seus próprios termos, e que ipso facto os resultados calamitosos constatados pela experiência histórica são, e sempre serão, uma consequência inevitável de uma ordem (rectius: desordem!) socialista.  Não é preciso enfatizar a importância de se ter plena consciência da natureza perniciosa dessa corrente política e de suas funestas implicações, uma vez que em nosso país um poderoso movimento totalitário está muito próximo de tomar o poder.

O erro dos clássicos

O núcleo do pensamento econômico socialista está na concepção do valor como decorrente do volume de trabalho necessário para a produção das mercadorias, e isso não só em Marx como também em outros teóricos como Rodbertus, Proudhon etc.  Essa teoria do valor constitui a premissa elementar da qual a mais-valia e a exploração são deduzidas.

Marx, como se sabe, não inventou a teoria do valor-trabalho. Ela foi exposta bem antes por Adam Smith e David Ricardo e, dada a autoridade desses mestres, ganhou foros de ortodoxia. É difícil entender como esses dois pensadores notáveis, cujas descobertas foram realmente magníficas, puderam fracassar tão cabalmente justamente na questão crucial do valor. Talvez por causa dos avanços das ciências naturais, que estavam revelando propriedades antes insuspeitadas nas coisas, eles imaginaram que era mais "científico" considerar o valor também como um atributo da coisa.

Vários pensadores antes de Smith já tinham tido o insight correto: o valor das coisas depende da avaliação subjetiva de sua utilidade. O valor está na mente dos homens. Hoje se sabe que os filósofos escolásticos e os primeiros economistas franceses, Cantillon e Turgot, haviam concebido uma teoria econômica superior em muitos pontos a dos clássicos britânicos, sobretudo quanto ao valor. Smith e Ricardo, porém, puseram a economia na pista errada com uma teoria do valor falaciosa e, nesse aspecto, causaram um grave retrocesso no pensamento econômico.

Mas não por muito tempo. Enquanto Marx e outros pensadores socialistas faziam da teoria objetiva do valor a pedra fundamental de sua doutrina, diversos estudiosos já haviam constatado o desacerto dessa teoria e, independentemente, buscavam alternativas. Em todo caso, não seria exagero afirmar que Marx foi um economista clássico ortodoxo e que seus mestres, Ricardo em especial, podem ser considerados os fundadores honorários involuntários do socialismo "científico".  Por ironia, o "revolucionário" Marx foi um conservador extremado em teoria econômica, enquanto que os economistas "burgueses" austríacos empreenderam uma verdadeira revolução nesse campo científico.

A redescoberta da subjetividade do valor

Vários economistas, entre eles o austríaco Carl Menger, chegaram basicamente à mesma conclusão que seus esquecidos antecessores pré-clássicos: o valor é subjetivo.  A teoria subjetiva do valor — ou teoria da utilidade marginal — resolve o problema satisfatoriamente, sem deixar lacunas.  O valor nada tem a ver com a quantidade de trabalho empregada na produção da coisa, mas depende de sua utilidade para a satisfação de um propósito de uma determinada pessoa.  A utilidade decresce à medida que mais unidades de um dado bem são adquiridas, posto que a primeira unidade é empregada na função mais urgente segundo a escala de valores de cada um, a segunda unidade exerce a função imediatamente menos urgente etc.

Para um sujeito que já tem uma televisão, por exemplo, ter outra já não tem a mesma urgência — dito de outra forma, as TVs são idênticas, exigiram a mesma quantidade de trabalho na sua produção, mas não têm o mesmo valor.  Cada indivíduo tem uma escala de valores diferente, e o que é valioso para um pode não valer nada para outro. Até para o mesmo indivíduo a utilidade — e daí o valor — de um determinado bem varia no tempo.

Isto posto, é fácil verificar que os preços refletem a interação entre ofertantes e demandantes, cada um com sua respectiva escala de valores. Compradores e vendedores potenciais expressam suas preferências no mercado, condicionadas por suas valorações pessoais e intransferíveis, e dessa interação surge uma razão de troca, um preço, que vai variando para igualar oferta e procura ao longo do tempo, de modo que em um determinado instante todos os que valoram o que querem adquirir (no caso a TV) mais do que o que se propõem a dar em troca (no caso um preço monetário x) conseguem comprar o produto.

O fabricante de TVs, segundo Marx, primeiro fabrica o produto e da quantidade de trabalho por unidade sai o valor e, consequentemente o preço. Isso é precisamente o inverso do processo real.  Na verdade, o fabricante inicialmente faz uma estimativa de um certo preço que ele espera que atraia compradores e esgote o estoque — compradores que valorem mais a TV do que o dinheiro correspondente ao preço.  Em seguida, ele calcula o custo de produção aos preços correntes e, se for suficientemente inferior à receita final prevista, aí sim ele contrata e combina os fatores de produção para obter o produto.  Não é pois o trabalho ou de modo geral o custo de produção que determina o valor e o preço.  É justamente o contrário: o preço projetado determina o custo de produção.

O emaranhado de falácias marxistas

Visando definir o valor com mais rigor do que Ricardo e levar a teoria às suas últimas consequências lógicas, Marx acaba demonstrando involuntariamente a invalidade das proposições pertinentes.  Como seus antecessores, Marx distingue entre valor de uso e valor de troca.  Para ele, as trocas só ocorrem quando coincide a quantidade de trabalho empregada no que se dá e no que se recebe.  Só há troca, pois, nos termos marxistas, quando há coincidência de valor, que por sua vez é função do volume de trabalho despendido.  Ocorre que essa linha de raciocínio logo esbarra em um obstáculo insuperável: o trabalho é heterogêneo. Na ausência de homegeneidade, não há como tomar o trabalho como unidade de conta e medida de valor. Marx tenta superar o problema com os conceitos de trabalho "simples" e trabalho "complexo", fixando uma proporção entre eles, mas falha totalmente. Como os preços flutuam, Marx decreta que essas variações são ilusórias; o real é um certo "preço médio" que equivale ao valor, que equivale ao volume de trabalho despendido na produção do bem.

Ao procurar fugir da rede de falácias que vai tecendo, Marx incorre em uma óbvia petição de princípio que até hoje engana os ingênuos: a medida do valor seria a quantidade de trabalho "socialmente necessário" para a produção de determinada mercadoria.  Ora, só podemos saber o que é "socialmente necessário" investigando o que leva os indivíduos que compõem uma sociedade a valorar uma coisa o suficiente para que sua fabricação seja "socialmente necessária".  Por que são produzidos mais CDs de axé do que de música clássica?  Por que o pagode é mais "socialmente necessário" do que a música erudita?  Porque há muito mais gente que gosta de pagode do que os que preferem música erudita.  

Fica claro que o que foi dado como provado, que o valor depende da quantidade de trabalho "socialmente necessário", é precisamente o que se necessita provar.  O que é "socialmente necessário"?  É aquilo que os indivíduos desejam.  Sendo assim, é evidente que temos que procurar o valor das coisas nas preferências individuais, não no custo de produção.  Ademais, o trabalho não é o único fator de produção. Marx evidentemente sabe que o trabalho sem o fator terra — os recursos naturais — é inútil e vice-versa.  Ele assevera que só o trabalho humano cria valor, pois a natureza é passiva.

Mas se o trabalho isolado é incapaz de criar valor, o que nos impede de afirmar que o valor depende da quantidade de recursos naturais "socialmente necessários" à produção disso ou daquilo?  E, como toda produção demanda tempo, por que não pode ser o valor definido como a quantidade de tempo "socialmente necessário" para a fabricação de uma mercadoria? Nessa ordem de idéias, mais lógico seria conceber o valor como função da quantidade de trabalho, terra, tempo e capital "socialmente necessários" para a produção de um bem. No fim das contas, é isso mesmo que Marx faz no vol. III de O Capital, relacionando o valor ao custo de produção, contradizendo sua própria concepção do valor-trabalho exposta no vol. I.

Para a teoria subjetiva, todavia, não há mistério e não há exceções: o "valor de troca" não é função do trabalho ou do custo de produção, e jamais pressupõe igualdade de valor.  Se eu dou tanto valor ao que me proponho a trocar quanto ao que me é oferecido, simplesmente não troco. Só há troca quando os valores são diferentes, quando cada parte quer mais o que recebe do que o que dá.  O contrato de trabalho não foge à regra. Cada contratante valora mais o que recebe do que o que dá, logo não há exploração.  De fato, provando-se a falsidade da teoria do valor-trabalho, invalida-se inexoravelmente a exploração e a mais valia, e todo o edifício teórico deduzido dessa teoria desaba como um prédio de Sergio Naya.

Ademais, baseando-se na "lei de ferro dos salários", segundo a qual sempre que a remuneração do trabalho subisse acima do nível de subsistência os "proletários" aumentariam a sua prole, trazendo os salários de volta para o nível de subsistência original, Marx assegurou que o capitalismo engendrava a miserabilização crescente do proletariado. Trata-se de uma tese contraditória em seus próprios termos, vez que se a tendência fosse a de que a remuneração do trabalho permanecesse estagnada num patamar de miséria não haveria uma miserabilização "crescente", e sim uma "miserabilidade constante".

Na verdade, o padrão de vida dos trabalhadores não cessou de aumentar nos países capitalistas avançados, o que é o resultado natural da liberdade individual de maximizar a utilidade — o valor — nas trocas livres, voluntárias e mutuamente benéficas travadas no que se chama economia de mercado.  A consequente acumulação de capital investido per capita em grau maior do que o aumento demográfico da força de trabalho torna o trabalho cada vez mais escasso em relação ao capital — e os salários reais cada vez mais altos.  

Marx, como é comum entre os intelectuais, odiava a divisão do trabalho.  Mas foi o aprofundamento da divisão do trabalho que permitiu o aumento da produtividade do trabalho e o consequente aumento do poder aquisitivo real dos salários.  O "alienado" operário que aperta parafusos na linha de montagem é recompensado pelo fato de que a produtividade do seu trabalho é tal que lhe permite adquirir produtos antes sequer existentes e ter um padrão de vida muito superior ao artesão autônomo do passado que controlava todo o processo de produção.

Marx acreditava que a livre concorrência levaria a uma superconcentração do capital. Na verdade, a concorrência força sem parar a redução de custos e preços, resultando em uma melhor utilização de recursos escassos e os liberando para emprego em novas linhas de produção.  Marx não distinguiu o capitalista do empreendedor.  Na realidade, capitalista é todo aquele que consome menos do que produz — que poupa.  Hoje, nos países civilizados, os trabalhadores são capitalistas e suas poupanças reunidas em grandes fundos de pensão e investimentos capitalizam empresas no mundo todo. O empreendedor é todo aquele que vislumbra um desequilíbrio entre a valoração corrente de custos e preços futuros de um produto qualquer, e enxerga nele uma oportunidade de oferecer aos consumidores coisas que eles valoram mais do que o seu custo de produção.  A figura do empreendedor é insubstituível — o estado não pode exercer esse papel.  Isso os comunistas (e não apenas os comunistas!) puderam verificar na prática, para sua tristeza.

No sistema de Marx, como vimos, as trocas pressupõem igualdade de valor entre os bens negociados. Acontece que, como demonstrado acima, as trocas pressupõem precisamente o contrário: desigualdade de valor.  Ou não há troca alguma.  Assim, se a realidade se comportasse como na teoria de Marx, não haveria trocas. Na realidade, ninguém trabalharia sequer para si mesmo, posto que tal atividade envolve uma substituição de um estado atual considerado pelo agente como insatisfatório por um estado futuro reputado como mais satisfatório.  Quer dizer, até o trabalho autônomo envolve uma troca e valores desiguais. O mundo de Marx seria povoado por seres autárquicos, autísticos e estáticos.  Um mundo morto.  Não admira que os regimes socialistas sofram invariavelmente de uma tendência para a completa estagnação e paralisia da atividade econômica.

A lei da preferência temporal

Outra descoberta fundamental, feita por um discípulo de Carl Menger chamado Eugen von Bohm-Bawerk, relaciona-se com a influência do tempo no processo produtivo.  Ele percebeu uma categoria universal da ação humana: as pessoas dão mais valor a um bem no presente do que o mesmo bem no futuro, posto que o tempo é escasso, e logo é um bem econômico.  Os indivíduos ao agirem elegem determinados fins e quanto mais cedo puderem alcançá-los, melhor.

Partindo desse axioma, ele obteve a explicação definitiva do fenômeno do juro, e mais, que o juro nas operações de crédito financeiras é um caso especial de um fenômeno geral.  A produção demanda tempo; do início da produção até a venda do produto há uma demora, sem falar no risco de o produto não ser vendido. Ocorre que ninguém quer esperar até que a venda ocorra para receber sua parte no total — isso se a venda realmente acontecer, e o preço for recompensador.  Os proprietários dos fatores de produção — os trabalhadores, os proprietários do espaço alugado, os fornecedores de insumos, os donos dos bens de capital — querem receber logo sua parte sem partilhar dos riscos.  Dito de outra forma, eles preferem bens presentes a bens futuros. Mas os bens presentes sofrem um desconto.  Daí receberem menos agora do que receberiam no futuro.  Ficam livres do risco, que é assumido pelo empreendedor e pelos poupadores que lhe outorgaram seus recursos.

A parcela que um determinado trabalhador agrega ao produto final — o valor do produto marginal, como dizem os economistas — pode ou não ser remunerado integralmente. Há frequentemente casos em que o trabalhador recebe mais do que produziu, quando o preço não cobre os custos, o que não tem explicação pela teoria marxista. O capitalista paga a mais-valia ao proletário!  O que é certo é que na economia de mercado há forças operando incessantemente para igualar o salário ao valor do produto marginal. Tanto o lucro quanto o prejuízo são sinais de desequilíbrio. Os prejuízos significam que os compradores não valoram um determinado bem mais do que o dispêndio mínimo corrente para produzi-lo.  Os trabalhadores estão recebendo mais do que o seu trabalho produz.  O empresário tem que reduzir custos para reduzir o preço do seu produto, ou quebra.  

O lucro significa que os consumidores valoram um dado bem a um dado preço mais do que o custo de produzi-lo. Os trabalhadores estão recebendo menos do que o valor do produto marginal.  Isso quer dizer que os compradores querem mais desse produto.  O retorno alto atrai a concorrência, o que aumenta a demanda por fatores de produção — trabalho incluso — e faz cair o preço pelo aumento da oferta do produto.  A taxa de lucro baixa e os salários tendem a igualar o valor do produto marginal, descontada a taxa social de preferência temporal — o juro.

Marx nunca compreendeu — ou não quis compreender — que o empreendedor é um preposto dos consumidores e que são estes quem determinam indiretamente o nível de remuneração dos fatores de produção — salários inclusos.  A tarefa dos empreendedores é satisfazer os caprichos dos consumidores.  Nessa função ele deve assumir riscos pois o futuro é sempre incerto.  Nota-se, pois, o absurdo da condenação da produção "para o lucro" pelos marxistas vulgares e sua veneração pela produção "para o uso".  Sucede que toda produção sempre tem por fim o consumo, i.e., o uso. A produção não é um fim em si mesmo, e sim um meio para se alcançar um fim: o consumo. O lucro e as perdas monetários são sinais fundamentais que orientam os empresários a organizar eficientemente a produção de modo a satisfazer os usos mais urgentemente desejados pelos usuários (pressupondo-se a ausência de privilégios concedidos pelo governo aos produtores em detrimento dos consumidores, tais como tarifas, monopólios, subsídios, licenças etc).

A lei da preferência temporal exerce um papel determinante no processo produtivo.  Se todos os proprietários de fatores (os empregados donos de sua força de trabalho, os fornecedores de insumos, o proprietário do espaço onde a fábrica ou loja se situa, os capitalistas) decidissem partilhar do risco e aguardar até a efetiva venda do produto final total para então dividirem pro rata a receita total, todos eles seriam empreendedores. Como, porém, o ser humano prefere o mesmo bem agora ao futuro (que é sempre incerto), surge a necessidade social de que um indivíduo, ou grupo de indivíduos reunidos (empresa), exerça essa função empreendedorial, que é absolutamente indispensável para o progresso da sociedade.

O empreendedor, assim, paga agora aos proprietários de fatores com bens presentes em troca de receber os mesmos bens (dinheiro) no futuro, correndo o risco de não receber. Esse desconto dos bens presentes em termos de bens futuros, como já assinalado, é o que se chama de juro.

A impossibilidade do cálculo econômico no socialismo

Tendo demonstrado satisfatoriamente que a crítica marxista ao capitalismo é inteiramente equivocada, resta empreender por nosso turno a crítica ao sistema socialista, conforme idealizado por Marx, seus sucessores e outras correntes socialistas. Esse sistema exige a propriedade pública dos meios de produção — terra, trabalho e capital — e o consequente planejamento central de todas as atividades econômicas.

A primeira objeção que vem à mente é a questão dos incentivos: quem planeja e quem obedece às ordens do planejador ou planejadores?  Quem determina o padrão de remuneração dos serviços e que padrão é esse?  Numa sociedade que se presume igualitária, a remuneração deve ser igual para todos os tipos de trabalho?  Nesse caso, o neurocirurgião terá o mesmo incentivo para exercer suas funções que o lixeiro?  Segundo os marxistas, cada um contribui para a coletividade segundo as suas possibilidades e recebe de um fundo comum segundo suas necessidades. Já é possível até aqui imaginar a complexidade do problema.

Pois um discípulo de Bohm-Bawerk, Ludwig von Mises, foi mais além, atingindo a raiz do problema do socialismo, que é ainda mais profunda do que a complicação dos incentivos permite vislumbrar.  Mises descobriu que a atividade econômica em uma economia complexa depende de um cálculo prévio que leve em conta os preços monetários dos fatores de produção. Impossível esse cálculo, impossível a atividade econômica.

Ocorre que, em uma sociedade socialista pura, todos os fatores de produção pertencem a um único dono: o estado. Sem propriedade privada, os fatores de produção não são trocados e, logo, não têm preço.  A escassez relativa dos fatores de produção e seus usos alternativos fica oculta e o planejador central inexoravelmente é levado a agir às cegas. Mises admitiu, para argumentar, que a questão dos incentivos não apresentasse nenhum obstáculo, que todos se empenhassem diligentemente em suas tarefas.  Ou seja, postula-se que a natureza humana seja aquela que os teóricos socialistas quiserem que ela seja, não o que ela de fato é.  Mesmo assim, na ausência de preços para os fatores de produção, o cálculo econômico é impossível e a atividade econômica se torna caótica, vez que não se pode discernir entre os vários tipos de combinação de fatores aquele que é o mais econômico.

Dado um determinado estado de conhecimento tecnológico, sempre existem inúmeras maneiras de se empreender um projeto econômico qualquer, digamos uma siderúrgica, mas somente se a escassez relativa dos fatores de produção for expressa em preços monetários será possível escolher dentre as soluções técnicas possíveis aquela que é mais econômica, ou seja, a que representa os menores custos em relação ao preço futuro do produto final, e só assim será possível avaliar ex ante se o projeto sequer é economicamente viável no momento.

Como nada disso é a priori possível em uma sociedade socialista, todos os empreendimentos tocados pelo estado não passam de um gigantesco desperdício de recursos que mais cedo ou mais tarde leva ao colapso econômico. A experiência comunista comprovou tudo isso, muito embora não tenha nunca existido uma sociedade socialista realmente pura.  A URSS podia usar o sistema de preços do mundo capitalista como referência e copiar seus métodos de produção, e um florescente e gigantesco mercado negro supria até certo ponto as monumentais falhas do planejamento estatal. Mesmo assim, a economia soviética sempre foi um caos.  Funcionou por algum tempo graças ao uso sistemático do terror como "incentivo".  Mas o terror não pode durar para sempre.  Quando arrefeceu, foi-se o incentivo e a economia comunista anquilosou rapidamente e morreu.

A natureza dispersa do conhecimento

A crítica de Mises publicada em 1920 causou consternação na intelligentsia socialista. Ao menos o desafio foi levado a sério e muitas respostas foram aventadas.  Nos anos 1930, alguns economistas socialistas (Oskar Lange, Abba Lerner) formularam a teoria do "socialismo de mercado", baseada nas idéias do economista do século XIX Léon Walras, que concebeu um método de equações matemáticas capazes de permitir a compreensão do estado geral de equilíbrio de uma economia.  Tudo o que se fazia necessário, pois, era outorgar certa autonomia aos gerentes das unidades produtivas de modo que igualassem o preço do produto ao custo marginal para que o comunismo funcionasse tão bem como o capitalismo.

Muitos economistas liberais eminentes, como Joseph Schumpeter e Frank Knight, aceitaram a validade dessa solução e se convenceram de que não havia obstáculos econômicos ao socialismo.  Ainda outro economista austríaco, contudo, Friedrich Hayek, discípulo de Mises, desenvolveu certos aspectos implícitos na análise de seu mestre para refutar a "solução" socialista.  O esquema walrasiano padece de um defeito fatal: é estático.  O conhecimento técnico, os recursos e as informações são considerados dados no sistema.  Hayek argumentou que o conhecimento é disperso na sociedade e a sua utilização racional é levada a efeito por cada indivíduo traçando seus próprios planos segundo circunstâncias personalíssimas e intransferíveis.  O mercado coordena esses planos espontaneamente, sobretudo por intermédio do sistema de preços, de forma muito mais racional e útil do que um planejamento central poderia esperar fazer. O planejamento central implica a supressão dos planos individuais.  Os indivíduos tornam-se instrumentos do planejador central, mas esse não pode ter jamais a esperança de coordenar a produção racionalmente. O estado de equilíbrio é uma quimera que não tem lugar no mundo real, dinâmico por natureza, e o conhecimento, as oportunidades e a informação nunca estão "dados". Ao contrário, estão sendo incessantemente criados e ampliados através das iniciativa individuais e suas interações.

Mesmo assim, Mises e Hayek foram tidos como refutados e relegados ao ostracismo pela comunidade dos economistas.  Mises morreu esquecido em 1973, mas Hayek viveu o suficiente para rir por último quando o comunismo soçobrou e todas as análises de ambos se revelaram certas.  Ele morreu em 1992, após testemunhar a queda do Muro de Berlim e o colapso soviético.

Conclusão

Provar que na economia de mercado não existe mais-valia nem exploração, todavia, não é o mesmo que dizer que a exploração não existe.  Existe.  Ela ocorre quando somos forçados a dar alguma coisa em troca de nada, como no caso dos tributos recolhidos pelo estado.  O estado é a máquina perfeita de exploração.  E o marxismo, por conferir um poder absoluto ao estado, é o veículo insuperável da exploração sistematizada.

A doutrina socialista por ser intrinsecamente falsa leva inevitavelmente a uma perversão e inversão do sentido das palavras, como notou Orwell — por ironia ele mesmo um socialista convicto.  Liberdade é escravidão e escravidão é liberdade; democracia é ditadura e ditadura é democracia; cooperação voluntária é coerção e coerção é cooperação voluntária.  O estado socialista é dono de tudo, o que traduz a triste realidade de que os que comandam o governo são os senhores implacáveis, os proprietários absolutos dos comandados.  Socialismo é mais do que uma restauração da escravidão; é seu aperfeiçoamento e culminância.

Vale lembrar ainda que a análise acima vale para qualquer espécie de socialismo, seja o comunismo (socialismo de classe), nazismo (socialismo de raça) ou fascismo (socialismo de nação).

Tudo o que foi exposto aqui é conhecido há décadas.  Contudo, pouca gente sabe pois a intelligentsia de esquerda bloqueia a sua divulgação.  É uma vergonha, pois uma das tarefas principais dos intelectuais — os que se dedicam ao estudo das idéias — deveria ser justamente a de esclarecer a sociedade a respeito das idéias certas a serem adotadas para o bem comum, e advertir do perigo de se aceitar teorias erradas.  Mas não é isso que acontece, infelizmente.

Parece que os intelectuais sofrem de uma propensão irreprimível para o socialismo, certamente porque nele vislumbram a chance de empalmar o poder absoluto em causa própria.  Em termos marxistas, o próprio marxismo não passa de ideologia, a falsa consciência, que uma classe — a intelligentsia — difunde em função de seus próprios interesses. Essas falsas idéias se propagam e iludem — alienam — as futuras vítimas da classe "revolucionária".  É um dever inadiável de todo cidadão consciente denunciar esse esquema podre, desmascarar a falácia socialista e esclarecer a opinião pública na medida de suas possibilidades.

_____________________________________

Leituras indispensáveis que complementam o artigo acima (obrigatórias para aqueles que adoram vir aqui insultar):

Mises contra Marx

O cálculo econômico sob o socialismo

O que é realmente o socialismo e qual o seu maior problema


Alceu Garcia é o pseudônimo de um cidadão que, cercado de esquerdistas por todos os lados, e já conhecendo o tratamento que eles dão a quem ouse contrariá-los no local de trabalho, tem bons motivos para desejar permanecer incógnito.



74 comentários
74 comentários
anônimo 20/08/2012 05:45:48

Simplesmente Magistral!!!!

Um texto simples, objetivo e direto.

Parabéns pelo artigo, foi feito um ótimo trabalho.

Responder
Angelo T. 20/08/2012 05:47:56

Li esse texto há uns 10 anos atrás. Foi um dos responsáveis por despertar meu interesse no assunto.

Responder
Carlos Mendes 12/03/2014 01:45:40

A "Refutação", evidenciada no final do século passado pelo esgotamento de argumentos positivos a arbitrarem defesa favorável à manutenção do regime, fê-lo desabar na pátria que o colocou em prática, permanecendo com esse sistema político-econômico-administrativo tão somente os pequenos países cujas liberdades cidadãs, pela insignificante parcela populacional, foram tolhidas pela força ao exercício da liberdade política. Cito as pequenas Cuba e Venezuela; a insignificante Bolívia e, desapontado, o Chile, do que se valem, agora via gramascismo, os socialista do PT, para estruturar essa falida hegemonia.
Aqui na América do Sul deram causa a isto, - com exceção do mineiro Juscelino e do notável Castelo Branco - estes, assassinados para que alguns tiranetes colocassem novamente aqui no Brasil uma nova ditadura de direita, como sempre aqui existiu,

Deixaram-nos sem estudo superior de qualidade, que ocorreu somente com uns poucos cidadãos privilegiados. Tão dramático é isto, que calculo uma insignificante minoria entendendo a situação política acima descrita em tão poucas linhas.

Ao meu ver, há uma trágica contradição a emergir de nossas urnas (infelizmente eletrônicas), onde o concordar com tudo injeta na política brasileira falsas premissas da boa política republicana/democrática.

Responder
Sol Moras Segabinaze 20/08/2012 07:31:06

GRANDE Alceu Garcia.

Responder
Jônatas Mand 20/08/2012 09:31:19

Também li os textos do Alceu há muito tempo! Vida longa!

Responder
Carlos Eduardo 20/08/2012 10:31:50

Que eu me lembre, nunca tinha lido um texto desse autor. Mas o artigo é espetacular. Simples, claro, didático e eficiente.

Responder
Andre Cavalcante 20/08/2012 10:53:19


Adorei!

"Vale lembrar ainda que a análise acima vale para qualquer espécie de socialismo, seja o comunismo (socialismo de classe), nazismo (socialismo de raça) ou fascismo (socialismo de nação)"

Faltou só completar: Movimento Zeitgeist (socialismo tecnicista).

Cadê o povo do Zeitgeist agora pra falar que aquilo é possível?!

Responder
Filipe F. 20/08/2012 12:33:54

Excelente artigo !!

Responder
K. Lincoln 20/08/2012 12:46:43

Clássico do Alceu Garcia. Pra quem quiser outros dele: escolaaustriacadf.blogspot.com.br/2011/07/trilogia-alceu-garcia.html

"A teoria econômica de Lord Keynes e a ideologia triunfante do nosso tempo", em particular, é um monumento.

Responder
Bernardo Emerick 20/08/2012 13:38:24

Por onde anda o Alceu?

Responder
Douglas Becker 17/04/2013 01:34:39

Também gostaria de saber por anda o grande Alceu Garcia, uma das muitas coisas essenciais apresentadas pelo Olavo de Carvalho ao Brasil.

Responder
gilmar 20/08/2012 16:02:57

só na América latina ainda tem comunista.Nem em Pequim tem nenhum mais.

Responder
Fred 20/08/2012 16:18:13

Fantástico, bem didático.

Para ser impresso e distribuído na primeira aula das cadeiras de introdução à econômia e introdução às ciências sociais.

Responder
Roger 20/08/2012 16:27:58

Muito foda!

Responder
Antonio 20/08/2012 18:12:08

Excelente! O melhor artigo que já li... Irretocável... Pena, nada disso ser divulgado na universidade... Aí estão todos os elementos para mostrar ao socialista mínimamente racional que socialismo é escravidão, é miséria, escuridão...

Responder
Gustavo BNG 20/08/2012 21:45:42

Este artigo é o melhor já publicado pelo IMB! Supera até mesmo o artigo sobre fascismo publicado há um mês.

Responder
André 21/08/2012 05:02:33

Não sou economista, mas psicólogo de formação que teve na universidade toneladas de análises marxistas sobre exploração, alienação, etc. Não é difícil perceber que o marxismo de tornou desde o princípio uma arma ideológica para que seus soldados avancem para a tomada de poder (seja ele macro - uma nação - ou micro - a direção de alguma instituição com viés esquerdista). Percebe-se que o cerne da teoria marxista está na crítica ao capitalismo referente à exploração do trabalhador, calcada na teoria da mais-valia. Na universidade jamais ensinaram algo diferente disso e esse texto resumiu didaticamente o engodo da teoria da mais-valia baseada somente no valor-trabalho. Parabéns ao pseudônimo Alceu Garcia, quem sabe futuramente muitos outros possam divulgar mais suas ideias apesar do patrulhamento ideológico!

Responder
Eliel 21/08/2012 05:56:54

Quantas contradições, quantas confusões ... É isto que resultou da tal dialética do marx-xiismo? A vaidade e o orgulho a excitar o intelecto transvia a Alma.
A propósito, é de Marx a idéia de que a religião é o ópio do povo?
Marx era ateu?
Nada contra os ateus mas não seria o ateísmo mais propício à moral resultante do socialismo e daí suas consequencias éticas ? Por exemplo, o terror citado no texto.

P.S.: imperdível a leitura de " Um Marxista Coerente" presente na obra do Rodrigo Constantino, Economia do Indivíduo: o legado da Escola Austríaca.

Responder
Gilberto Dorneles da Rocha 22/08/2012 05:31:49

Marxismo leva a conclusão de ateísmo, mas ateísmo não leva a conclusão de marxismo. Porque isso? Porque para marxistas, o estado é deus, o estado que dá justiça social, e com o estado teremos o paraíso na terra, logo, não precisamos da promessa do paraíso divino.

Mas ateísmo não gera marxismo, uma vez que você não é obrigado a preencher a "lacuna" de deus com o estado, você só não acredita em ambos.

Dizer que ateus tem que ser marxistas porque as opções são só Deus ou o Estado é uma falsa dicotomia, e é obrigar a pessoa a escolher entre algo, se eu disser que não acredito em nenhum dos dois, você vai me obrigar a escolher um?

Responder
Glean Morett 28/11/2012 08:05:47

Para se chegar a tão equivocado entendimento, se faz necessário jamais ter lido uma única linha da filosofia de Ayn Rand, o objetivismo, sem contar os secularistas fundadores dos EUA.
Ayn Rand, um dos maiores nomes da Filosofia, atéia convicta, recebeu tal elogio de ninguém menos que Ludwig Von Mises.

Prezada Sra. Rand:

Eu não sou um crítico profissional e não me sinto capaz de julgar os méritos desse livro. Portanto, eu não quero retê-la aqui com a informação que gostei muito de ler A Revolta de Atlas e que fiquei extremamente admirado com a magistral maneira como a senhora construiu o enredo.

Porém, A Revolta de Atlas não é simplesmente uma novela. É também (e principalmente) uma análise persuasiva dos males que assolam nossa sociedade, uma rejeição embasada da ideologia dos nossos pretensos "intelectuais" e um impiedoso desmascaramento da insinceridade das políticas adotadas pelos governantes e políticos.

É uma exposição devastadora dos "canibais da moral", dos "gigolôs da ciência" e da "tagarelice acadêmica" desses criadores da "revolução anti-industrial". A senhora teve a coragem de dizer para as massas aquilo que nenhum político jamais teve: vocês não seriam nada sem os capitalistas, e todas as melhorias nas suas condições de vida, tudo aquilo que vocês simplesmente assumem como coisa corriqueira, como fato consumado, vocês devem unicamente aos esforços de homens que são melhores do que vocês.

Se isto é arrogância, como muitos de seus críticos disseram, ainda assim é a verdade que precisava ser dita nesta era de assistencialismo estatal.

Eu sinceramente lhe congratulo e aguardo com grande expectativa seu próximo livro.

Ludwig von Mises


Original em Inglês: mises.org/journals/jls/21_4/21_4_3.pdf

Responder
JOSUELITO BRITTO 21/08/2012 13:08:57

Excelente análise Alceu. Dou-lhe razão em permanecer na sombra. Estamos cercados de intelectuais e intelectualoides místicos, que acreditam em soluções mágicas e não querem dar duro, estudar, trabalhar, difundir a verdade. Mas, infelizmente, temos que ser cautelosos. Arrisco um palpite: voce talvez seja funci da Petrobras. Continue a nos brindar com suas reflexões. Aprendemos muito ao lê-lo.

Responder
bettomorais 22/08/2012 06:23:44

Se entendi pelos comentários realizados que o texto não é recente. Mas ele é brilhante e didático.
Trago a todos a minha opinião, que no paragrafo: "Vale lembrar ainda que a análise acima vale para qualquer espécie de socialismo, seja o comunismo (socialismo de classe), nazismo (socialismo de raça) ou fascismo (socialismo de nação)." faltou o modelo econômico atual o "Capitalismo de Estado" que é uma forma de capitalismo que sempre tende a corrupção, a ineficiência e a ineficácia. Ou seja, vejo esse modelo econômico como um socialismo em sua essência e finalidade, mas que esta muito bem maquiado como um capitalismo de mercado e de democracia.

Responder
Rafael Fernandes 18/10/2012 16:03:33

Esse é o sistema do Brasil. Um tremendo capitalismo de Estado, que potencializa como pode e propositadamente a economia de merdado, se elege por meio dos baderneiros mas depois eles mesmos batem mais que a burguesia nos baderneiros e enfim, confiscam ao maximo a produção, pois somos suficientemente ignorantes para aceitarmos a extorsão. As pessoas ao inves de exigir algo, tentam levar vantagem num jogo de espertesas em que uns vão presos, outros são confiscados e outros se enchem de poder. O capitalismo de Estado é a inevitavel tendencia do MUNDO ATUAL. BRASIL E CHINA são exemplos perfeitos de CAPITALISMOS DE ESTADO

Responder
Erik Frederico Alves Cenaqui 22/08/2012 14:26:09

Excelente texto!

Eu continuo achando incrível como a Escola Austríaca e a Filosofia Libertária descrevem o Mercado e o estado de forma técnica.

Também acho incrível a forma totalmente técnica como o socialismo é refutado pela Escola Austríaca.

Muito bom mesmo.

Abraços

Responder
Eliel 23/08/2012 02:27:52

Valeu Gilberto pelo esclarecimento.
Abraços.

Responder
André Poffo 23/08/2012 13:44:58

As perguntas que faltam ser respondidas pelo artigo são: (1) Se o socialismo é tão ruim economicamente falando, como durou tanto tempo? (72 anos) e (2) por que os socialistas dizem que nunca houve socialismo de verdade na União Soviética?

Responder
Leandro 23/08/2012 14:06:07

A URSS não era, nem nunca foi, uma economia 100% estatizada. Isso, por si só, já é capaz de garantir alguma sobrevida para um regime quase-socialista.

Quatro coisas possibilitaram o regime soviético durar tanto tempo:

1) primeiro os investimentos estrangeiros, ainda na época de Lênin; depois, a ajuda externa americana, o que possibilitava ao regime importar alimentos e artigos de primeira necessidade;

2) a Segunda Guerra Mundial, que lhe garantiu várias colônias no Leste Europeu;

3) a ocupação e a exploração destes países satélites do Leste Europeu, que foram os principais supridores de capital para a Rússia;

4) hoje, especula-se que o mercado negro (privado) sempre representou de 40 a 50% de toda a economia soviética. Não fosse esse mercado negro, não haveria sequer como comprar gasolina na URSS. E é exatamente a existência desse mercado negro o que explica o súbito aparecimento de vários milionários russos tão logo o comunismo acabou. Esses milionários eram exatamente pessoas que se enriqueceram com a prática desse mercado negro durante o comunismo. De certa forma, eles foram os genuínos salvadores da população soviética.

Já na década de 1980, com o capital exaurido, os soviéticos tiveram desesperadamente de invadir o Afeganistão. Eles não apenas nem mais falavam em corrida armamentista, como chegavam ao ponto de fazer suas marchas militares com mísseis de papelão.

Socialismo pode durar no curto prazo, mas é impossível durar no longo prazo. Mises já havia explicado isso em 1920. O problema é que existem vários intelectuais que, em 2012, ainda não conseguem entender algo que um homem descobriu sozinho há quase 100 anos.

Responder
V. 14/09/2012 16:19:10

Parabéns pela publicação do texto do Alceu Garcia. São fantásticos. O IMB poderia agora publicar o artigo sobre Keynes, que é disparado o melhor. Abraços e continuem o excelente trabalho.

Responder
ADEMIR NEVES 24/09/2012 14:09:08

Esse texto me remete aos meus primeiros de escola, quando li pela primeira vez uma fábua chamada "O REFORMADOR DO MUNDO". INFELIZMENTE, ESQUECI O NOME DO AUTOR. Sempre teremos os reformadores do mundo de plantão.

Responder
Gabriela Alves 20/10/2012 13:08:07

Excelente artigo. Não se atribui valor objetivo a tudo... justamente pelo fato de as coisas poderem ser vistas de vários modos, ou seja, pontos diversos de visão. O que é coerente é justamente o subjetivo, saber dividir coisas, situações etc.

Responder
Flávio 24/02/2013 21:09:26

Dúvida sobre o cálculo econômico

Se os fatores de produção fossem importados (pelo estado), não haveria livre formação de preços para esses fatores e, portanto, o cálculo econômico não seria viável?

Responder
Malthus 24/02/2013 23:15:40

O problema seria como conseguir importar. Um país sem mercado interno não teria moeda forte. Consequentemente, não seria capaz de importar nada. E aí essa sua teoria não funcionaria. Cuba é um ótimo exemplo disso. Depende de petróleo da Venezuela e dos dólares do turismo e dos expatriados.

Já a Rússia conseguia importar bens por dois motivos: ela exportava petróleo e ela recebia ajuda externa, principalmente dos americanos. Adicionalmente, ela precificava seus bens no mercado interno tomando por base o preço deles em outros mercados. O comitê central utilizava um catálogo de precificação. O primeiro mecanismo -- petróleo e ajuda externa -- funcionou por um bom tempo. O segundo fracassou e a escassez resultante levou à queda do regime.

Responder
anônimo 22/08/2013 23:02:32

Farei uma pergunta que para vocês possa parecer idiota, já que entendo pouco de economia, descobri a Escola Austríaca há pouco tempo e estou tentando observar todos os lados da moeda

Com relação à pergunta feita acima, não poderia Cuba, importando os fatores de capitais, ir aos poucos se desenvolvendo? Digo, começam importando alguns fatores e aumentando a produtividade, bem como melhorando o sistema de cálculo econômico com os fatores precificados, fortalecendo a economia, até chegar um momento em que a economia é forte o suficiente para importar todos os fatores.

Obrigado.

Responder
Leandro 22/08/2013 23:37:36

Anônimo, não sei se você percebeu, mas este sistema que você acabou de descrever (livre importação de fatores de produção, livre precificação dos fatores, cálculo econômico, aumento da produtividade) é um sistema de livre mercado. Ele só funciona se houver propriedade privada dos meios de produção, algo que não ocorre se o estado for o dono dos fatores de produção.

Adicionalmente, vale lembrar que o governo cubano faz importações. Ele utiliza dólares (dólares enviados pelos exilados, dólares obtidos com a exportação de charutos, dólares do turismo) para importar seus bens essenciais. E vale lembrar que Cuba pode comercializar com todos os países do mundo, exceto com empresas americanas (o que deve ser uma benção, pois a esquerda vive vituperando o livre comércio e o imperialismo americano).

No entanto, obviamente, a coisa não funciona muito bem.

Recomendo este artigo, que é o que explica da maneira mais completa a ideia acima:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1141

Responder
anônimo 18/09/2013 15:42:42

E se o planejamento central visa manter o mesmo cálculo de custos e alocação de recursos utilizados pelo privado? Ou: se estabelece um regime de controle de preços sem a possibilidade do empresário abandonar o ramo ou reduzir os custos?

Responder
Thames 18/09/2013 16:26:19

Nonsense total essa sua idéia. Não apenas é uma impossibilidade prática, como também não faz nenhum sentido em termos de teoria.

Responder
Tory 18/09/2013 16:32:55

Cara, releia seu parágrafo e, se não se chamar Dilma Rousseff, morra de vergonha.

O cálculo econômico é possível no capitalismo EXATAMENTE porque não há um planejamento central. Ele é impossível em qualquer outro regime lunático que você tenha na cabeça precisamente porque a frase anterior é verdadeira. Não vou nem comentar sobre o resto do seu parágrafo porque teria que chamá-lo de fascista e você iria espernear.

São pessoas assim que comprovam a eficiência do método Paulo Freire...

Responder
Gustavo BNG 18/09/2013 17:54:15

Traduzindo: "E se escravizarmos o empresário?

Responder
anonimo 30/09/2013 04:42:25

Como seria a segurança Não pública? No caso da não existência de um estado, segurança privada? Como seria o pagamento pelo serviço? Como cada cidadão pagaria?

Responder
adao.smit 21/12/2013 03:16:12

alguem tem fontes sobre o exposto. Ex. O trecho.citado no
capital III. Ou sobre o comentário de Leandro. Seria importante pra
solidificar os argumentos. Grato

Responder
Leandro 21/12/2013 11:59:42

Sobre o volume III do Capital, veja o capítulo 3, seção 16, do livro do Bohm-Bawerk

www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=33

Sobre meus comentários, não sei qual deles tem qualquer aspecto de controvérsia. A NEP é um fato histórico e amplamente divulgado (até mesmo no Ensino Fundamental), assim como a colonização do Leste Europeu e sua consequente exploração pela Rússia foram coisas óbvias (daí a revolta de todos os habitantes destas colônias contra Moscou).

Quanto à questão do mercado negro, sua sustentação da economia soviética e sua subsequente criação de milionários, isso advém da praxeologia e da lógica econômica. Não fosse o mercado negro, não haveria uma economia minimamente funcional. E as pessoas que ganharam dinheiro (sempre dólares) neste mercado negro durante mais de 70 anos estavam ricas quando o comunismo acabou. De resto, é só conhecer o básico da história da Máfia Russa para entender como este mercado negro operava.

Responder
Renato Souza 23/01/2014 16:48:05

Prezados senhores diretores do IMB

Recentemente, na caixa de comentário de um determinado blog, acompanhei uma discussão a respeito da qualificação do nazismo. A dona do blog afirmou que Mises classificava o nazismo como uma espécie de socialismo, enquanto outros afirmaram que ele nunca disse isso.

Estou informado de que a analise que Mises fez do funcionamento do sistema socialista marxista aplica-se também ao nazismo, que também é um sistema de planejamento central. Eu pretendo argumentar nesse sentido naquele blog, mas gostaria de saber se o próprio Mises alguma vez afirmou explicitamente que o nazismo é um tipo de socialismo. Não pretendo fazer afirmações que não sejam historicamente verdadeiras.

Responder
Senhores diretores do IMB 23/01/2014 17:23:14

O que os nazistas copiaram de Marx

E há todo um livro de Mises sobre o nazismo:

Omnipotent Government:
The Rise of the Total State and Total War

Responder
Renato Souza 27/01/2014 03:10:14

Gratíssimo

Responder
Eduardo Bellani 23/01/2014 18:59:07

Outra recomendação

The Vampire Economy

Responder
anônimo 02/02/2014 06:27:28

Algumas considerações:

"O retorno alto atrai a concorrência, o que aumenta a demanda por fatores de produção"
me fala qual a concorrência do windows ou sobre o maravilhoso sistema de patentes.

"Se todos os proprietários de fatores (os empregados donos de sua força de trabalho, os fornecedores de insumos, o proprietário do espaço onde a fábrica ou loja se situa, os capitalistas) decidissem partilhar do risco e aguardar até a efetiva venda do produto final total para então dividirem pro rata a receita total, todos eles seriam empreendedores. "

na pratica funciona, chama-se: crowdfunding


Nesse caso, o neurocirurgião terá o mesmo incentivo para exercer suas funções que o lixeiro?

blog.daniduc.net/2009/09/14/da-relacao-direta-entre-ter-de-limpar-seu-banheiro-voce-mesmo-e-poder-abrir-sem-medo-um-mac-book-no-onibus/

"só assim será possível avaliar ex ante se o projeto sequer é economicamente viável no momento. "
porque seria inviável econômicamente se quem financia tudo é o estado? não seria uma questão econômica e sim de tempo/recursos, não haveria desperdicio de dinheiro se as coisas fossem pensadas pra economizar tempo/recurso, economizar dinheiro seria consequência.

Responder
Malthus 03/02/2014 11:18:45

"me fala qual a concorrência do windows ou sobre o maravilhoso sistema de patentes."

O Windows tem a Apple e seu OS X 2, o Linux e o Unix. Quanto a patentes, são monopólios concedidos pelo estado. O exato oposto do livre mercado. Este site é pródigo em críticas ao sistema de patentes. Era só ter procurado.

"na pratica funciona, chama-se: crowdfunding. Nesse caso, o neurocirurgião terá o mesmo incentivo para exercer suas funções que o lixeiro?"

Exato. Você acabou de fornecer um exemplo prático de por que este arranjo não funciona. Para entender melhor esta questão crucial, sugiro ler apenas p terço inicial deste artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=979

"porque seria inviável econômicamente se quem financia tudo é o estado? não seria uma questão econômica e sim de tempo/recursos, não haveria desperdicio de dinheiro se as coisas fossem pensadas pra economizar tempo/recurso, economizar dinheiro seria consequência."

Oi? Quer dizer então que se o estado sair financiando tudo, desde coleta de lixos à gerência de prostíbulos, passando por construção de imóveis e de shoppings, não apenas não haveria nenhum problema de desperdício e nem de má alocação de recursos, como também haveria uma grande economia de dinheiro? Você acabou de dizer que, se abolirmos o sistema de preços e o sistema de lucros e prejuízos, a fartura e a eficiência serão as consequências. Em qual dimensão você vive?

Mas eu tenho boas notícias para você: esse arranjo que você defende é implementado integralmente em um país deste mundo: a Coréia do Norte. Com a exceção, é claro, de que lá eles não perdem muito tempo com coisas supérfluas, como shoppings e prostíbulos.


Artigos para você:

A natureza econômica dos lucros e dos prejuízos

Condenar o lucro é defender o retrocesso da humanidade

A função social e moral dos lucros

Responder
anônimo 25/02/2014 17:38:41

Uma dúvida: o valor nao vem apenas do trabalho,ok. Mas e a produçao, nao vem exclusivamente do trabalho?

Responder
Guilherme 25/02/2014 18:32:56

Não. Vem da poupança e da acumulação de capital. Sem essas duas coisas, não há trabalho capaz de gerar produção volumosa e de qualidade.

Responder
Lucas Favaro 01/09/2014 03:55:57

Texto impecável. Um dos melhores que já li na vida.

Só tenho uma dúvida meio inócua: qual a diferença (caso haja) entre meios de produção e fatores de produção? Alguém sabe?

Responder
Leandro 01/09/2014 04:33:54

Meios de produção se referem a todos os instrumentos não-humanos utilizados em um processo de produção, como matéria-prima, maquinários, ferramentas, instalações industriais, infraestrutura etc.

Já os fatores de produção consideram tudo, inclusive o capital humano (dentre o qual, a qualidade do empreendedor e da mão-de-obra).

Responder
mathias 01/09/2014 13:48:18

"...Ademais, o trabalho não é o único fator de produção. Marx evidentemente sabe que o trabalho sem o fator terra — os recursos naturais — é inútil e vice-versa. Ele assevera que só o trabalho humano cria valor, pois a natureza é passiva."

Que distorção !!!

Marx diz que o valor da força de trabalho é relativo ao tempo de trabalho aplicado à produção de dada mercadoria. Ou seja, a própria força de trabalho é uma mercadoria, produzindo mais valor do que seu custo de reprodução e manutenção.Sendo assim, fonte do lucro capitalista.

Como tirar mais-valia da terra ?

Com relação ao valor do CD de funk ou de música erudita, eu pergunto: o custo para produzir muda conforme o gosto de ouvinte ? Pelo contrário, talvez pelo CD de música erudita ser produzido em menor escala, e contar com mais qualidade instrumental e técnica, tenha um custo maior !

Responder
Andrade 01/09/2014 14:08:14

A abordagem marginalista e subjetiva do valor do trabalho é interessante, e consegue agregar inclusive, reparando as distorções, a abordagem clássica que considera o valor como decorrente dos custos de produção (não só o fator trabalho, como prioriza Marx).

Porém, essa abordagem não considera um pequeno detalhe nas relações de troca entre empregados e empregadores: o poder dos empregadores. As condições sociais impostas pelo capitalismo (exército reserva de mão de obra) "obrigam" o trabalhador a aceitar determinado valor, mesmo que esse valor lhe garante meramente a subsistência. Embora, o valor gerado seja maior, permanecendo o caráter de exploração.

Ora, a economia é uma ciência social, e portanto, não deve desconsiderar as relações sociais !

Responder
Gutierrez 01/09/2014 14:14:32

Não obrigam, não.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1241

Responder
Andrade 01/09/2014 14:23:07

A possibilidade alguém morrer de fome (em uma sociedade que gira em torno do capital) não é uma forma de pressão ?

Responder
Gutierrez 01/09/2014 14:38:15

Não.

Um esfomeado pode ser considerado uma pessoa livre?


Já isso ocorre no socialismo, onde o cidadão nem sequer consegue encontrar comida e acaba sendo obrigado a recorrer ao canibalismo e comer seus próprios filhos.

Responder
Gilberto Dorneles da Rocha 01/09/2014 15:48:16

Só eu que acho engraçado socialista falando que pessoas podem morrer de fome no capitalismo quando holodomor ocorreu justamente na união soviética? E que nas gulags eles forçavam a trabalhar o dia inteiro e racionavam comida? Ou, melhor ainda, que em cuba até hoje as pessoas só comem o que o governo dá a elas e são obrigadas a aguentar a fome?

Responder
Andrade 01/09/2014 19:38:25

E desde quando o socialismo abordado na teoria marxista foi implementado em algum país ?

Responder
Bonifácio 01/09/2014 20:18:08

No Camboja do Khmer Vermelho (em que aboliram até mesmo o uso do dinheiro), na China da Mao, na Ucrânia e na Coréia do Norte.

O resultado: no Camboja, um terço da população do país foi dizimada. Na China, 150 milhões de pessoas. Na Ucrânia as pessoas se comiam vivas, e na Coréia do Norte, além dos homicídios, a população tem uma estatura 30 centímetros menor do que seus conterrâneos do sul.

Foi bonitinho.

Responder
Gilberto Dorneles da Rocha 01/09/2014 20:39:08

Todas as tentativas foram para abordar esse socialismo marxista. Obviamente, não funcionou, natureza humana não desligou como marx preveu, e como consequência houveram genocídios, tudo na busca de criar o paraíso na terra. É aquela ideia de que a utopia justifica os meios.

Responder
Andrade 02/09/2014 10:59:01

Nenhum país implantou o socialismo científico de Marx. Mesmo porque isso demanda as condições históricas e estruturais adequadas para tal, como por exemplo, a consciência de classe.
Além disso, qualquer estudioso sério das ideias marxistas sabe que o Estado Comunista é, na verdade, um não-estado. Uma sociedade sem classes. Estados fortes são incompatíveis com os ideais marxistas, portanto.

Responder
Leandro 02/09/2014 13:43:32

Alguém aqui leu Marx e não entendeu nada. Ou talvez nem tenha lido.

Ao dizer que "Estados fortes são incompatíveis com os ideais marxistas", você demonstra que não entendeu nada de Marx.

A teoria defendida por Marx era sem pé nem cabeça. Ele dizia que, para abolir o estado, era necessário antes maximizá-lo. A ideia era que, quando tudo fosse do estado, não haveria mais um estado como entidade distinta da sociedade; se tudo se tornasse propriedade do estado, então não haveria mais um estado propriamente dito, pois sociedade e estado teriam virado a mesma coisa, uma só entidade - e, assim, todos estariam livres do estado.

Um raciocínio maravilhoso, realmente. E você acreditou ser possível isso. Ou seja: se algum indivíduo dominar completamente tudo o que pertence a você, dominando inclusive seu corpo e seus pensamentos, então você estará completamente livre, pois não mais terá qualquer noção de liberdade -- afinal, é exatamente a ausência de qualquer noção de liberdade que o fará se sentir livre. Sensacional.

Portanto, você deixou claro que realmente acredita na teoria marxista de que maximizar o estado gera a sua abolição e, consequentemente, sua liberdade. Quem realmente vê alguma lógica nessa teoria marxista simplesmente não tem suas sinapses funcionando normalmente. Aliás, qualquer um que acredite que Marx defendia a abolição do estado está na realidade acreditando na lógica da teoria acima.

Responder
Urlan Salgado de Barros 01/11/2014 05:38:08

Pow, Leandro, pega leve com o cara. Ele até pediu para sair! hehehe

Brincadeiras à parte, excelente o texto. Já está guardado aqui para futuras pesquisas quando eu precisar refutar algum marxista de apartamento.

Um grande abraço e continuem com este grande trabalho.

Urlan

Responder
Jarzembowski 23/01/2015 10:36:21

Tanto é que os anarquistas clássicos eram críticos ferrenhos do marxismo, e desprezavam a possibilidade de uma sociedade marxista, onde o poder politico e econômico fossem unificados nas mãos da cúpula do partido revolucionário pudesse evoluir pra uma sociedade sem Estado.

Moreover, it is unlikely that such a centralised system could become stateless and classless in actuality. As Bakunin argued, in the Marxist state "there will be no privileged class. Everybody will be equal, not only from the judicial and political but also from the economic standpoint. This is the promise at any rate . . . So there will be no more class, but a government, and, please note, an extremely complicated government which, not content with governing and administering the masses politically . . . will also administer them economically, by taking over the production and fair sharing of wealth, agriculture, the establishment and development of factories, the organisation and control of trade, and lastly the injection of capital into production by a single banker, the State."
Such a system would be, in reality, "the reign of the scientific mind, the most aristocratic, despotic, arrogant and contemptuous of all regimes" based on "a new class, a new hierarchy of real or bogus learning, and the world will be divided into a dominant, science-based minority and a vast, ignorant majority."
[Michael Bakunin: Selected Writings, p. 266]

Responder
anônimo 22/01/2015 17:09:29

O Mises diversas vezes fala que o socialismo russo utilizava os preços do mercado internacional pra driblar o problema do cálculo econômico. Por que, então, o socialismo seria inviável pela ótica do cálculo econômico? Se isso é facilmente "driblável", bastando ajustar-se ao mercado internacional, não vejo porque isso seria um argumento válido contra o socialismo,

Responder
Antônimo 22/01/2015 18:22:19

Duh! Se o socialismo precisa recorrer a uma característica do capitalismo para sobreviver, então isso significa que o socialismo puro, por definição, é inviável. E se não houvesse uma economia capitalista a ser emulada? Como ficaria o arranjo socialista?

O capitalismo puro não precisa do socialismo; já o socialismo puro não sobrevive sem recorrer ao capitalismo.

Outra coisa: esse truque utilizado pela URSS ajudava a precificar os bens de consumo, mas não ajudava a precificar os bens de capital. E a precificação dos bens de capital é que é a chave insustentabilidade da economia socialista.

A propriedade comunal dos meios de produção (por exemplo, das fábricas) impede a existência de mercados para bens de capital (por exemplo, máquinas). Se não há propriedade privada sobre os meios de produção, não há um genuíno mercado entre eles. Se não há um mercado entre eles, é impossível haver a formação de preços legítimos. Se não há preços, é impossível fazer qualquer cálculo de preços. E sem esse cálculo de preços, é impossível haver qualquer racionalidade econômica — o que significa que uma economia planejada é, paradoxalmente, impossível de ser planejada.

Sem preços, não há cálculo de lucros e prejuízos, e consequentemente não há como direcionar o uso de bens da capital para atender às mais urgentes demandas dos consumidores da maneira menos dispendiosa possível.

Em contraste, a propriedade privada sobre o capital e a liberdade de trocas resultam na formação de preços (bem como salários e juros), os quais refletem as preferências dos consumidores e permitem que o capital seja direcionado para as aplicações mais urgentes, ao mesmo tempo em que o julgamento empreendedorial tem de lidar constantemente com as contínuas mudanças nos desejos dos consumidores.

O socialismo, um sistema que na prática requer um estado totalitário, não é uma opção viável ao capitalismo. Qualquer passo rumo ao socialismo é um passo rumo à irracionalidade econômica.

Responder
anônimo 01/06/2015 12:31:17

'o socialismo russo utilizava os preços do mercado internacional pra driblar o problema do cálculo econômico'

Tentar eles tentavam, mas quem disse que isso resolvia?

Responder
Renato Souza 09/05/2016 12:50:44

O anônimo não entendeu nada.

Simplesmente usar os preços internacionais não resolve.

1. a ineficiência típica das empresas estatais continua.
2. os preços internacionais podem balizar alguma coisa, mas não tudo. Uma economia moderna é composta de milhões de preços diferentes (inclusive de serviços e mão de obra) que são ajustados continuamente pela demanda e pela oferta, que são fenômenos locais. Numa economia de mercado, cada ato de compra privilegia uma determinada cadeia produtiva, composta de talvez milhares de decisões de agentes econômicos, que se entrelaça com muitas outras cadeias produtivas, e tudo isso, embora tenha influência grande de preços internacionais (porque fatores de produção e produtos atravessam as fronteiras) é em grande parte um fenômeno mais influenciado por fatores locais. Os preços não seriam exatamente os mesmos no mundo inteiro, por haver uma demora no espalhamento dos efeitos, e por haver custos no deslocamento de fatores de produção, bens e serviços. Assim, o balizamento por preços internacionais, embora traga algum alívio (impede que os 'planejadores centrais' fiquem totalmente cegos) está longe de ser o suficiente para ajustar as demandas e ofertas. Para isso, as demandas reais dos consumidores finais, e de todos os consumidores intermediários teriam de ser transmitidas efetivamente a cada etapa anterior das cadeias produtivas. Isso é por natureza impossível sem liberdade econômica. E foi demonstrado na prática: Embora os planejadores dos países comunistas usassem o balizamento dos preços internacionais, o descompasso entre ofertas e demandas era imenso, demonstrando empiricamente que o mero balizamento por preços internacionais era amplamente insuficiente para ajustar as cadeias produtivas.
3. Como um colega já falou, mesmo que fosse possível, apenas provaria a dependência do socialismo em relação ao capitalismo.

Responder
Brasil 01/06/2015 00:20:48

Queria saber o que vocês acham sobre a obra Economic Theory of the Leisure Class de Nikolai Bukharin, que supostamente refuta Menger, Bawerk e a utilidade marginal.

Um socialista mandou em uma discussão um texto parecido com esse: www.midiaindependente.org/pt/red/2010/06/472510.shtml

Sinceramente, não entendi nada. Se alguem tiver alguma coisa a dizer sobre esse tal de Bukharin...

Responder
Carlos Eduardo 25/04/2016 00:30:37

Comunismo x Capitalismo? Socialismo x Liberalismo? O real problema não está em nenhum destes sistemas, que jamais chegaram a existir por completo, ao menos como seus idealizadores imaginaram na teoria. Chegou a hora de falar do sistema que assola a economia em escala mundial. Um sistema que herdou o pior dos dois mundos. E é nesse sistema em que vivemos hoje. Bem vindos ao Neoliberalismo.



outraspalavras.net/capa/para-compreender-o-neoliberalismo-alem-dos-cliches/

Responder
Marcos Rocha 25/04/2016 00:59:12

Passo.

Um resumo mais honesto, e ao mesmo tempo mais completo, sobre o que é neoliberalismo (mistura de social-democracia, keynesianismo e alguma liberdade de mercado em termos estritamente microeconômico) já foi resumida aqui:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=920
www.mises.org.br/Article.aspx?id=1775

Responder
Rennan Alves 25/04/2016 02:23:17

Repasso.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=835

Responder
Fabio Nogueira Leite 06/05/2016 16:28:08

Existe este artigo traduzido para o inglês?

Responder

Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
  Nome
  Email   (também utilizado para o Avatar, crie o seu em www.gravatar.com)
  Website
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.







Multimídia   
  Podcast Mises Brasil
        por Bruno Garschagen - 06/01/2019
  Conferência de Escola Austríaca 2014
        por Diversos - 23/10/2014
  Fraude - Explicando a grande recessão
        por Equipe IMB - 31/10/2012
veja mais...



Instituto Ludwig von Mises Brasil



contato@mises.org.br      formulário de contato           Google+
Desenvolvido por Ativata Software