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Condenar o lucro é defender o retrocesso da humanidade

A economia e a abolição dos lucros

Aqueles que desdenham o lucro empreendedorial afirmando que ele é "imerecido" estão na realidade dizendo que tal lucro foi injustamente deduzido ou dos trabalhadores ou dos consumidores ou de ambos.  Tal é a ideia por trás do suposto "direito a todo o produto do trabalho" e da doutrina marxista da exploração.  Pode-se dizer que a maioria dos governos — se não todos — e a imensa maioria de nossos conterrâneos endossam esta opinião, embora alguns sejam generosos o bastante para consentir com a sugestão de que uma pequena fração dos lucros deveria de fato ficar com os "exploradores".

É inútil discutir a adequação de preceitos éticos.  Estes são derivados da intuição; eles são arbitrários e subjetivos.  Não há nenhum padrão objetivo disponível por meio do qual preceitos éticos possam ser julgados.  Objetivos finais são escolhidos de acordo com o juízo de valor de um indivíduo.  Eles não podem ser determinados por investigações científicas e raciocínio lógico.  Se um homem diz, "Isto é o que estou objetivando e pouco me importam as consequências de minha conduta e nem preço que terei de pagar para alcançar minha meta", ninguém está em posição de oferecer nenhum argumento contra ele.  Mas a questão é se realmente é verdade que este indivíduo esteja disposto a pagar qualquer preço pela consecução de seu objetivo estipulado.  Se esta última pergunta for respondida na negativa, então, aí sim, torna-se possível fazer um exame do assunto em questão.

Se realmente existissem pessoas genuinamente preparadas para tolerar todas as reais consequências da abolição dos lucros, estando elas perfeitamente conscientes do quão perniciosas seriam estas consequências, então não seria possível a ciência econômica lidar com este problema.  Mas não é isso o que ocorre.  Aqueles que querem abolir os lucros estão na realidade guiados pela ideia de que este confisco elevaria o bem-estar material de todos os não-empreendedores.  Em sua visão de mundo, a abolição dos lucros não é um objetivo final, mas sim um meio de se alcançar um objetivo específico — no caso, o enriquecimento dos não-empreendedores. 

Se este objetivo pode realmente ser alcançado pelo emprego deste meio e se o emprego deste meio irá gerar outros efeitos que podem, para algumas ou para todas as pessoas, parecer mais indesejáveis do que as condições vigentes antes do emprego destes meios — estas sim são questões que a ciência econômica de fato pode examinar.

As consequências da abolição dos lucros

A ideia de que a abolição dos lucros seria algo benéfico para os consumidores parte do pressuposto de que o empreendedor deveria ser obrigado a vender seus bens e serviços a preços que não excedam os custos de produção incorridos.  Porém, se isso acontecer, se os preços de fato ficarem abaixo de seu preço potencial de mercado — isto é, abaixo do preço que permita auferir lucros —, a oferta disponível de bens e serviços não mais será suficiente para atender a toda a demanda.  Todas aquelas pessoas que querem comprar determinados bens e serviços aos novos preços não mais encontrarão oferta, pois não mais será economicamente racional para os empreendedores ofertarem tais bens e serviços.  O mercado se tornará paralisado pela fixação de preços.  Ele estará incapacitado de alocar produtos aos consumidores.  Consequentemente, um sistema de racionamento terá de ser adotado. 

A ideia de se confiscar o lucro dos empreendedores em benefício dos empregados não tem como objetivo a real abolição dos lucros.  Seu objetivo verdadeiro é tirar os lucros das mãos dos empreendedores e entregá-los para seus empregados.  Sob tal esquema, eventuais prejuízos incorridos recairiam integralmente sobre o empreendedor, ao passo que todos os lucros iriam para os empregados. 

A ciência econômica explica que o efeito deste arranjo muito provavelmente seria o de fazer com que os prejuízos aumentassem e os lucros encolhessem; porém, mesmo que isso não ocorresse, o fato é que, sob tal arranjo, por definição, a maior fatia dos lucros não seria poupada e nem seria reinvestida na empresa, mas sim iria para os empregados, os quais iriam gastar em consumo.  Consequentemente, não haveria capital disponível para a expansão da empresa, para a criação de novos ramos de produção e para a transferência de capital daqueles setores que — de acordo com a demanda dos consumidores — devem encolher para aqueles que devem ser expandidos.  Afinal, seria contra os interesses daqueles que estão empregados em uma determinada empresa ou em um determinado setor desta empresa restringir o capital ali empregado para transferir uma parte para outra empresa ou outro setor.

Se tal esquema houvesse sido adotado no início do século XX, todas as inovações alcançadas neste período teriam sido impossíveis.  Se, em prol do debate, ignorássemos qualquer referência à questão da acumulação de capital, ainda assim teríamos de consentir que entregar os lucros para os empregados irá inevitavelmente resultar em rigidez da atual estrutura de produção, o que irá obstruir e impossibilitar qualquer ajuste, aperfeiçoamento e progresso.

Com efeito, tal esquema transferiria a propriedade do capital investido nas empresas para as mãos dos empregados.  Isto seria equivalente à criação de um sindicalismo revolucionário e iria gerar todos os efeitos do sindicalismo, um sistema que nenhum autor ou reformista já teve a coragem de advogar abertamente.

Uma terceira solução apresentada é confiscar todos os lucros obtidos pelos empreendedores e transferi-los para o estado.  Um imposto de 100% sobre os lucros cumpriria este objetivo.  O que tal medida acarretaria seria transformar o estado no real proprietário de todas as indústrias e empresas, e os empreendedores — aqueles que aceitassem esta situação e continuassem empreendendo — em desleixados e desinteressados administradores destas indústrias e empresas.  Eles não mais estariam sujeitos à supremacia dos consumidores, pois não mais estariam interessados em agradá-los.  Para que se esforçar se você não poderá reter os frutos do seu esforço?  Eles se tornariam meras pessoas com o poder de fazer o que quiser com a estrutura de produção de suas indústrias e empresas, pois não mais teriam de se preocupar com as consequências desta sua negligência. 

As políticas de todos os governos da atualidade que não adotaram o socialismo completo recorrem a todos estes três esquemas conjuntamente.  Os governos confiscam, por meio de várias medidas de controle de preços e de regulamentações, uma fatia dos lucros potenciais, supostamente para beneficiar os consumidores.  Eles defendem os esforços dos sindicatos em arrancar, sob o princípio da "capacidade de pagamento" e da "determinação dos salários", uma fatia cada vez maior dos lucros dos empreendedores.  E por último mas não menos importante, eles estão decididos a confiscar, por meio de um imposto de renda progressivo, de impostos sobre a receita total e de "contribuições" sobre o lucro, uma fatia cada vez maior dos lucros para destiná-los ao financiamento da burocracia estatal.  É facilmente comprovável que, caso estas políticas continuem se intensificando, elas lograrão, em última instância, abolir completamente os lucros empreendedoriais.  Ou elas são interrompidas e arrefecidas, ou não mais haverá uma economia capitalista no futuro.

Na prática, o efeito conjunto da aplicação destas políticas já está hoje gerando caos.  O efeito final será a completa implementação do socialismo em decorrência da simples perseguição ao ato de empreender.  O capitalismo não pode sobreviver à abolição dos lucros.  É o sistema de lucros e prejuízos o que força os capitalistas a empregarem seu capital da melhor maneira possível com intuito de satisfazer os consumidores.  São os lucros obtidos por meio da decisão voluntária de consumidores em adquirir determinados bens e serviços o que possibilita a continuidade da oferta destes bens e serviços aos consumidores.  É o sistema de lucros e prejuízos o que gera excelência na conduta daqueles empreendimentos que estão mais bem capacitados para satisfazer o público.  Se os lucros forem abolidos, o resultado será o caos.

Os argumentos contra os lucros

Todos os motivos apresentados em favor de uma política que combata os lucros são decorrentes de uma interpretação totalmente equivocada do funcionamento de uma economia de mercado.  Os magnatas são muito poderosos, muito ricos e muito grandes.  Eles abusam de seu poder para o enriquecimento próprio.  Eles são déspotas irresponsáveis.  O tamanho de uma empresa é proporcional à sua perversidade.  Não há motivos que justifiquem alguns homens ganharem bilhões enquanto outros são muito pobres.  A riqueza de poucos é a causa da pobreza das massas. Etc.

Cada palavra destas veementes acusações é falsa.  Por uma questão de lógica, é impossível aplicar estes adjetivos a empresas e empreendedores que concorrem entre si em uma economia de mercado livre e desobstruída, na qual não há regulamentações estatais protegendo determinadas empresas e não há privilégios concedidos pelo governo.  Em economias amarradas por intervenções governamentais, nas quais os governos escolhem vencedores e perdedores, tais adjetivos de fato podem ser aplicados, mas, neste caso, e obviamente, não se trata de uma feição do capitalismo mas sim do intervencionismo estatal. 

Em uma economia de livre mercado, empreendedores simplesmente não têm como ser "déspotas irresponsáveis".  É justamente sua necessidade de auferir lucros e evitar prejuízos o que dá aos consumidores um firme controle sobre os empreendedores, forçando-os a atender aos desejos de consumo das pessoas.  No livre mercado, sem privilégios e proteções estatais, o que torna uma empresa grande e rica é justamente o seu sucesso em atender satisfatoriamente as demandas dos compradores.  Se os serviços de uma grande empresa se tornassem piores do que os de sua concorrente menor, não demoraria muito para que ela fosse reduzida à pequenez.  O único agente que pode impedir que uma empresa grande e ruim definhe e perca espaço no mercado é o governo e seus subsídios e regulamentações protecionistas.

Da mesma maneira, no livre mercado, os esforços de um empreendedor em aumentar seus lucros e enriquecer não prejudicam ninguém.  Para ser um real empreendedor, um indivíduo tem apenas uma tarefa: se esforçar para obter o máximo lucro possível.  Lucros altos são a evidência de um bom serviço prestado perante os consumidores.  Ao se esforçar para aumentar seus lucros, um empreendedor inevitavelmente terá de melhorar seus serviços prestados.  Caso contrário, qualquer melhora será efêmera.  Prejuízos, por outro lado, são a evidência de que erros graves foram cometidos, e de que houve falhas em se efetuar satisfatoriamente as tarefas que cabem especificamente a um empreendedor.

Neste cenário de livre concorrência, a riqueza de empreendedores bem-sucedidos não é a causa da pobreza de nenhuma outra pessoa; a riqueza destes é apenas a consequência do fato de que os consumidores estão mais bem servidos do que estariam na ausência dos esforços empreendedoriais destas pessoas.  O padrão de vida do cidadão comum é maior justamente naqueles países que possuem o maior número de empreendedores ricos.  Países que possuem poucos empreendedores ricos possuem um maior número de miseráveis.  É do total interesse material de todas as pessoas que o controle dos meios de produção esteja concentrado nas mãos daqueles indivíduos que sabem como utilizá-los da maneira mais eficiente possível.

Se a atual política de perseguir e confiscar a riqueza dos milionários houvesse sido implementada no início do século XX, tanto o crescimento das indústrias quanto a produção de bens de consumo de todos os tipos não teria ocorrido.  Automóveis, aviões, geladeiras, telefones, rádios, televisores, aparelhos elétricos e eletrônicos, eletrodomésticos e centenas de outras inovações menos espetaculares mas ainda mais úteis não teriam se tornado corriqueiras no mundo atual.

O assalariado médio, o operário comum, acredita que para manter funcionando a atual estrutura de produção, para aprimorar e aumentar a produção, não é necessário mais do que a comparativamente simples rotina de trabalho atribuída a ele.  Ele não percebe que o mero trabalho exaustivo e rotineiro não é o suficiente.  Sua diligência e habilidade seriam qualidades totalmente vãs caso não houvesse um empreendedor presciente para direcioná-las para o seu mais importante objetivo e caso não houvesse capital acumulado pelos capitalistas para auxiliar nesta tarefa.

A pior ameaça para a prosperidade, para a civilização e para o bem-estar material dos assalariados é justamente a incapacidade de líderes sindicais, de sindicalistas em geral e das camadas menos inteligentes dos próprios trabalhadores de entender e apreciar o papel dos empreendedores e capitalistas na produção.  Esta falta de discernimento foi classicamente demonstrada nos escritos de Lênin. 

De acordo com a visão de mundo de Lênin, além do trabalho manual do operariado e dos projetos dos engenheiros, todo o necessário para a produção é simplesmente "o controle da produção e da repartição", uma tarefa que pode ser facilmente cumprida por "operários armados".  E ele faz uma importante ressalva: "É preciso não confundir a questão do controle e do recenseamento com a questão do pessoal técnico, engenheiros, agrônomos etc.: esses senhores trabalham, hoje, sob as ordens dos capitalistas; trabalharão melhor ainda sob as ordens dos operários armados". 

Adicionalmente, "essas operações de recenseamento e de controle já foram simplificadas ao máximo pelo capitalismo, que as reduziu às extraordinariamente simples operações de fiscalização, inscrição e emissão de recibos, algo que qualquer pessoa que saiba ler, escrever e fazer as quatro operações de aritmética pode fazer".[1]

Nenhum comentário adicional é necessário.

 

A natureza econômica dos lucros e dos prejuízos 

Todo o seu conforto você deve ao capitalismo e aos ricos 

Por que todos deveriam ser a favor de se diminuir impostos para os "ricos"

 



[1] Lênin, O Estado e a Revolução, 1917, capítulo 5, seção 4.

 

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autor

Ludwig von Mises
foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico.  Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política.  Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico.  Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".


  • Marcos Campos  15/08/2012 11:50
    Texto muito inspirador. Gostaria de saber de vocês, o que acham do Desafio Sebrae, eu participo do mesmo, onde o lucro é primordial. Minha equipe ficou em 1° lugar na primeira fase do concurso.

    Na última rodada achamos o equilibrio economico e alcançamos uma venda de R$1 milhão em polpa de frutas no mercado atacadista. Trata-se de um simulador bem real, mas apenas um simulador, que incentiva o surgimento de novos empreendedores.

    Entender a sazonalidade e equilibra-la com estrategia de marketing e estoque foram ao meu ver o diferencial.

    Eu acredito que o GF dá um tiro no pé com o SEBRAE. Eles mesmo caem em contradição.

    RANKING FASE 1
    Chave
    Legenda: verde: Equipe classificada amarelo: Equipe em repescagem vermelho: Equipe desclassificada

    DS027F25 - AVANTE - RJ
    5ª Rodada - 91,72120579 Acumulado - 97,5 Pontos Rodada (R$1 milhão em receita de vendas)

    4ª Rodada - 88,20179793 Acumulado - 88,75 Pontos Rodada

    3ª Rodada - 87,66594637 Acumulado - 94,25 Pontos Rodada

    2ª Rodada - 73,33333333 Acumulado - 73,33333333 Pontos Rodada

    1ª Rodada - 0 Acumulado - 0 Pontos Rodada

    DS027132 - FILHO DA FRUTA - RJ
    5ª Rodada - 86,18617797 Acumulado - 86 Pontos Rodada

    4ª Rodada - 86,2995643 Acumulado - 85,25 Pontos Rodada

    3ª Rodada - 87,32548286 Acumulado - 86,25 Pontos Rodada

    2ª Rodada - 89,66666666 Acumulado - 89,66666666 Pontos Rodada

    1ª Rodada - 0 Acumulado - 0 Pontos Rodada

    DS02AEFF - DELIRIUM - RJ
    5ª Rodada - 78,91295677 Acumulado - 80,5 Pontos Rodada

    4ª Rodada - 77,94641389 Acumulado - 83,25 Pontos Rodada

    3ª Rodada - 72,76231289 Acumulado - 72,5 Pontos Rodada

    2ª Rodada - 73,33333333 Acumulado - 73,33333333 Pontos Rodada

    1ª Rodada - 0 Acumulado - 0 Pontos Rodada

    DS033121 - ABSOLUT - RJ
    5ª Rodada - 70,20134629 Acumulado - 66,25 Pontos Rodada

    4ª Rodada - 72,60779975 Acumulado - 64,25 Pontos Rodada

    3ª Rodada - 80,77730566 Acumulado - 77 Pontos Rodada

    2ª Rodada - 89 Acumulado - 89 Pontos Rodada

    1ª Rodada - 0 Acumulado - 0 Pontos Rodada

    DS023459 - MIXFRUIT - RJ
    5ª Rodada - 68,71449918 Acumulado - 65,75 Pontos Rodada

    4ª Rodada - 70,51994187 Acumulado - 74,5 Pontos Rodada

    3ª Rodada - 66,62955094 Acumulado - 66 Pontos Rodada

    2ª Rodada - 68 Acumulado - 68 Pontos Rodada

    1ª Rodada - 0 Acumulado - 0 Pontos Rodada

    DS02CFDA - NATURALIS - RJ
    2ª Rodada - 75,33333333 Acumulado - 75,33333333 Pontos Rodada

    1ª Rodada - 0 Acumulado - 0 Pontos Rodada

    DS027EF3 - GAARD - RJ
    2ª Rodada - 64,66666666 Acumulado - 64,66666666 Pontos Rodada

    1ª Rodada - 0 Acumulado - 0 Pontos Rodada

    DS0367DD - LIKEABOSS - RJ
    1ª Rodada - 0 Acumulado - 0 Pontos Rodada
  • Cristiano  15/08/2012 12:58
    Ou é lucro ou prejuizo, não há uma terceira alternativa. Quem luta contra lucros está lutando a favor de prejuizos.
  • anônimo  16/08/2012 03:09
    Quando vejo que foi o Mises que escreveu já sei que é coisa boa! hahahah Obrigado!
  • Andre  16/08/2012 03:57
    Pessoal, entrei num debate com minha ex-professora na UNESP, mas estou sem tempo de coletar os dados.
    alguém poderia me ajudar? Leandro?

    vejam a discussão:
    postei este link para provocar:
    www.libertarianismo.org/index.php/academia/15-artigos/1136-cinco-fatos-que-irritarao-o-seu-professor-de-economia-keynesiano

    seguem as respostas:
    P--> muito fraquinha essa provocação aos keynesianos! qualquer um dos meus alunos é capaz de responder à altura!

    eu-->Boa ideia. Coloca numa prova para eles rebaterem. Eu gostaria muito de ver as respostas.

    P--> ?1 - a depressão de 1920-21 não foi precedida de uma crise financeira global, portanto não é comparável com a da década de 1930
    2 - em 1946 todo o continente europeu e não apenas ele requeria esforço de reconstrução; seria surpreendente se houvesse desemprego!
    3 - não conheço o estudo, mas parece que ele está restrito a um estado dos EUA; o argumento é puramente ideológico
    4 - A teoria keynesiana NÃO diz que os salários são rigidos para baixo em qualquer circunstância; além disso, o que ela diz é que redução de salários não gera emprego.
    5 - Keynes escreveu a Teoria Geral para tratar dos problemas da década de 1930, desemprego e deflação;

    Eu-->?1- Ambas se formaram devido à elevação da oferta monetária, e ambas "estouraram" quando a oferta monetária cessou a expansão. A diferença foi que na Grande Crise o governo se pôs como salvador da pátria, congelou preços, salários e expandiu gastos. Como os maus investimentos que foram feitos na época do boom não foram desfeitos, demorou muito mais para a crise passar. Isto me lembra a dupla Obama/Bernanke, que estão debatendo até hoje decidindo se imprimem mais 300 ou 500 bilhões de dólares.... 2- Foi o que o proeminente keynesiano previu. Mas os fatos foram contra a teoria. Aqui tem um economista que costuma acertar as previsões: www.youtube.com/watch?v=8lpSnECTKW8 www.youtube.com/watch?v=DC2WGbj-X8E (sequência de vários vídeos) 3- Também não conheço o estudo, mas faz todo o sentido para mim: se o governo gasta algum recurso, é porque tomou de alguém antes. Como diria Bastiat: O que nunca se viu, não se verá jamais e não se pode nem ao menos conceber é que o governo devolva ao povo mais do que ele tomou. 4- Como foi que os EUA foram de uma colônia à maior economia do mundo durante o século XIX? Foi intervenção estatal (capitalismo de estado) ou o livre mercado? O interessante é que houve deflação no final do século XIX, assim como recentemente com TVs de plasma, Ipads, computadores, e isso não impediu os investimentos 5- Mais uma vez os fatos estão teimando em ir contra a teoria.

    P--> ??????????
    1 - o governo congelou preços e salários????????????
    2 - se a previsão de um keynesiano não se comprovou isto quer dizer que TODA a contribuição de Keynes está errada? e o Irving Fisher (que é tudo menos um keynesiano), que deu uma declaração na véspera da quebra da bolsa em 1929 dizendo que a economia norte-americana era sólida? isso depõe contra TUDO que ele escreveu?
    3 - não, o governo não precisa "tomar" de ninguém para gastar - a não ser que faça questão de ter orçamento equilibrado, que é justamente o que um governo não deve perseguir em periodos de crise!
    4 - só o livre mercado explica a evolução da economia norte-americana? é tão simples assim? quem nos dera!
    5 - qual teoria não comprova os fatos? a keynesiana não tinha como objetivo explicar desemprego com deflação; seu argumento equivale a cobrar de um cardiologista que ele dê o diagnóstico correto de um ortopedista (ou vice-versa).

    adendo: deflação não tem NENHUMA relação com a redução de preços de bens cuja tecnologia já está madura o suficiente para que a produção em massa possa ser feita a custos médios menores....
    ----------------------------------------------
    Preciso de alguns dados para fundamentar a resposta. as respostas para a 2 e 3 já estão se formando na minha cabeça, mas preciso de uma ajudinha nas outras, especialmente na 1. Se alguém tiver o texto de alguma lei promulgada na época, ou manchete de jornal, ou dados mesmo de algum livro (America´s great Depression?) por favor me ajudem. Vamos ver se a convenço a ensinar um pouco de Austríacos por lá
  • Leandro  16/08/2012 04:12
    Prezado André, artigos completos sobre a Grande Depressão é o que mais temos. Mas posso resumir os eventos. Antes, é preciso deixar claro que uma queda do valor das ações na bolsa (que foi o que aconteceu em 1929) por si só não gera depressão. Em 1987, a bolsa americana caiu 15% em dois dias e não houve depressão.

    A Grande Depressão de 1929 começou com quebras bancárias que ocorreram porque o Fed parou repentinamente de expandir a oferta monetária. Os bancos -- que praticavam reservas fracionárias -- começaram a restringir empréstimos e a pedir a quitação de empréstimos pendentes. As pessoas ficaram assustadas e correram para sacar seu dinheiro dos bancos. Por causa das reservas fracionárias, isso gerou uma série de falências bancárias.

    Essas falências bancárias geraram uma forte contração na oferta monetária -- consequentemente, uma recessão. Tal recessão não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários, de modo que se estes adequassem à nova realidade da oferta monetária. Porém, o governo fez exatamente o contrário. O que houve durante a Grande Depressão foi que o governo americano implementou políticas de controle de preços, controle de salários, aumento de tarifas de importação, aumento de impostos, aumento de gastos, aumento do déficit e estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.

    (Estes fatos não são controversos. Qualquer keynesiano que tenha estudado a Grande Depressão os reconhece.)

    Resultado: a recessão foi prolongada por 15 anos.

    Ora, alie um cenário de redução da oferta monetária (por causa da quebra dos bancos que operavam com reservas fracionárias) com rigidez de preços (estipulada pelo governo) e é claro que vai haver uma profunda recessão. Mas o problema não estava na oferta monetária e sim na falta de liberdade de preços, a qual foi proibida pelo governo.

    Tivessem os preços podido se reajustar para baixo, como ocorreu durante a Grande Depressão de 1921, a Grande Recessão não duraria nem dois anos.

    Sugiro, novamente, nosso acervo sobre a Grande Depressão:

    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=37

    Abraços!
  • Tiago Moraes  16/08/2012 18:59
    André, segue minhas respostas à sua professora:

    P--> ?1 - a depressão de 1920-21 não foi precedida de uma crise financeira global, portanto não é comparável com a da década de 1930

    Esse argumento não faz sentido, até porque se Keynes de fato considerasse a aplicação de diferentes soluções para crises estruturalmente diferentes, ele não teria chamado a sua obra magna de TEORIA GERAL. Por tanto, a questão aqui tratasse de como o governo reagiu diante de duas crises, a de 20-21 e a de 29. Na primeira ele adotou uma postura liquidacionista e totalmente oposta ao recomendado na Teoria Geral, na segunda adotou uma uma política fiscal expansionista e intervencionista recomendada pelo keynesianismo, o resultado final; a primeira crise durou 18 meses, a segunda durou entre 15 a 20 anos.

    2 - em 1946 todo o continente europeu e não apenas ele requeria esforço de reconstrução; seria surpreendente se houvesse desemprego!

    A professora não entendeu a colocação do artigo, segundo Samuelson, a o fim da guerra marcaria a quebra do paradgima keynesiano, visto que o esforço americano para se manter e custear a II Guerra o levou a implementação de políticas keynesianas de déficit's fiscais como estimulo à produção do país. Só que após a guerra, o governo cortou gastos para reequilibrar o orçamento, cedendo espaço a iniciativa privada, então ao contrário do que o Samuelson conjecturou, tendo por base os fundamentos da teoria keynesiana, nada do que ele prognosticou aconteceu.

    3 - não conheço o estudo, mas parece que ele está restrito a um estado dos EUA; o argumento é puramente ideológico

    Não conhece o estudo mas não vê problema em adjetivá-lo com uma falácia ad hominen.


    4 - A teoria keynesiana NÃO diz que os salários são rigidos para baixo em qualquer circunstância; além disso, o que ela diz é que redução de salários não gera emprego.

    De fato, acredito que tenha sido um erro na tradução, o que a Keynes diz é que a política das firmas, em períodos de crise, de diminuir os salários nominais da força de trabalho como forma de recuperar as margens de retorno perdidas, não reconduziria a economia a uma situação de equilíbrio geral, visto que (no ponto de vista de Keynes) essa ação provocaria uma queda no consumo agregado que seria a força motriz que impulsiona a atividade econômica.

    5 - Keynes escreveu a Teoria Geral para tratar dos problemas da década de 1930, desemprego e deflação;

    Novamente a sua professora erra, Keynes escreveu a Teoria GERAL, em contra ponto a teoria neoclássica, que segundo ele só seria aplicável a casos específicos e improváveis de ocorrer, por tanto, ao limitar a teoria de Keynes a um determinado período, a professora está negando justamente o caráter geral da teoria que tanto quer defender.

    1 - o governo congelou preços e salários????????????

    Congelou sim. Roosevelt, seguindo orientações keynesianas, buscou eliminar qualquer mecanismo que coibisse estímulos a demanda agregada, entre elas, o natural processo de corte de empregos e salários que as empresas americanas fariam. Roosevelt aumentou o poder dos Sindicatos e rechaçou reduções salariais dos trabalhadores.

    2 - se a previsão de um keynesiano não se comprovou isto quer dizer que TODA a contribuição de Keynes está errada? e o Irving Fisher (que é tudo menos um keynesiano), que deu uma declaração na véspera da quebra da bolsa em 1929 dizendo que a economia norte-americana era sólida? isso depõe contra TUDO que ele escreveu?

    Sim, se você constrói uma teoria, essa teoria está alicerçada em fundamentos que se supõe serem verdadeiros, mas quando estes fundamentos são continuamente refutados por eventos reais e concretos, toda a teoria alicerçada nestes fundamentos desmorona em consequência. A única forma continuar sustentando essa teoria é negar a realidade e a invalidade dos seus fundamentos.

    3 - não, o governo não precisa "tomar" de ninguém para gastar - a não ser que faça questão de ter orçamento equilibrado, que é justamente o que um governo não deve perseguir em periodos de crise!

    É mesmo?? eu gostaria que essa professora nos citasse um único exemplo de nação que entrou ou se perpetuou em uma crise econômica, por manter o orçamento equilibrado. Na verdade, se tem uma coisa que nações em crise tem em comum é justamente o desequilíbrio no orçamento, ou vai insinuar que Portugal, Grécia, Estados Unidos, Espanha ou França tinham orçamentos equilibrados antes da crise?

    Quanto a questão de não precisar tomar recursos da sociedade, ora, o Estado tem condições de obter recursos do além? Porque as três fontes de obtenção de recursos pelo Estado (Impostos, Emissão de debêntures ou criação de moeda escritural) são formas de confiscar diretamente a renda da sociedade.

    4 - só o livre mercado explica a evolução da economia norte-americana? é tão simples assim? quem nos dera!

    O próprio conceito de livre-mercado já evoca a complexidade, o que seria o fator real da riqueza e prosperidade de qualquer sociedade senão o esforço dela própria? Simples (e idiota diga-se de passagem) é achar que o progresso da humanidade é definido exogenamente por políticas formuladas por uma centena de pretensos "iluminados".

    5 - qual teoria não comprova os fatos? a keynesiana não tinha como objetivo explicar desemprego com deflação; seu argumento equivale a cobrar de um cardiologista que ele dê o diagnóstico correto de um ortopedista (ou vice-versa).

    Ein?????????????!!!!!!!!!!!!!!

    A Teoria Keynesiana não explicava a existência de um ambiente com deflação e desemprego por um motivo simples; os desdobramentos da teoria keynesiana, a partir de seus fundamentos, negavam categoricamente a possibilidade de ocorrer a estagflação. Se eu construo uma teoria onde o meu conceito de ótimo é o pleno emprego como consequência de uma expansão continua da demanda e para alcança-lo eu preciso eliminar o gargalo entre renda e consumo e investimento e poupança. Eu apresento então, como política anti-cíclica, uma política de deficit fiscal visando eliminar o subconsumo e uma política INFLACIONISTA como alternativa a cobrir o queda do investimento e aumento da poupança. Ou seja, eu estaria afirmando que a inflação e a causa intrínseca o aumento do consumo e consequentemente para a expansão da atividade econômica, sendo por tanto, impossível que em uma situação de INFLAÇÃO, a atividade econômica recue ao ponto de haver um ciclo recessivo. Meu Deus, é mesmo professora? Nem valeria a pena responder, um docente que diz que desemprego e deflação estariam fora do contexto de uma teoria macroeconômica que preza pela busca do pleno emprego é literalmente um(a) LOUCO(A).

    adendo: deflação não tem NENHUMA relação com a redução de preços de bens cuja tecnologia já está madura o suficiente para que a produção em massa possa ser feita a custos médios menores....

    Desencana, deflação é apenas quando a variação quantitativa da oferta monetária é inferior a variação da atividade produtiva, de forma tal que haja uma tendência de queda no nível geral de preços.
  • Caneta de Prata  16/08/2012 05:28
    "3 - não, o governo não precisa "tomar" de ninguém para gastar!"

    Dado que ela sabe que inflação monetária é sim tomar $ usando a força, ela só pode estar se referindo a empréstimos. Dado também que empréstimos significam diminuir necessariamente o consumo futuro para financiar o presente, é engraçadíssimo ler o desdém anti-humano desta pessoa contra as CRIANÇAS, ao tratar quem vai pagar a conta como "NINGUÉM". Isso, claro, assumindo que não seja patologicamente burra - o que não pode ser descartado.
  • Andre  16/08/2012 05:53
    POis é, às vezes fico com esta dúvida também. Mas acho que se a pessoa passa a vida inteira ensinando que 2+2=5, ela é capaz de dizer que a realidade está errada por não se enquadrar à teoria...
  • Andre  16/08/2012 05:50
    Leandro, obrigado pela ajuda!\r
    confesso que ainda não li todos os textos, mas eles vão me fornecer "munição" mais que suficiente. No entanto, não vejo uma boa referência para "políticas salariais de Hoover". Quais foram estas medidas, especificamente? como ele conseguiu pressionar os industriais a elevar os salários?
  • Adriano  09/09/2012 06:16
    Bom dia, pessoal! Já acompanho o site de vocês há três anos. E posso dizer que sempre fui um libertário por natureza. Quero contribuir com os comentários dizendo o seguinte: é impossível ser um capitalista de sucesso (honestamente) sem ser um socialista no início de seu empreendimento. Coisa que um socialista não entende. Explico: o empreendedor além de investir grande parte de seu capital em um negócio que não sabe se vai dar certo! Paga primeiro os empregados e os três governos sem saber se sobrará um salário para ele; trabalha 12 horas por dia; muito pouco fica com a sua família; tem como principal motor, o sonho de que o negócio prospere, muito mais que o próprio lucro líquido, que quando ocorre é novamente reenvistido na empresa. Hoje em dia este lucro é cada vez menor, portanto tem que ser um cerne para suportar os esforços deste sonho!!\r
    Um abç, e agradeço pela oportunidade!!


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