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Dez motivos por que a Escola Austríaca é melhor que as escolas convencionais

1. Economistas austríacos têm como prioridade assegurar que os teoremas que eles formulam sejam derivados de axiomas autoevidentes e sejam construídos de acordo com as regras específicas da dedução lógica.  Tais considerações são, na melhor das hipóteses, de importância secundária para seus colegas das escolas convencionais.

2. Economistas austríacos têm como prioridade garantir que as hipóteses sobre as quais baseiam seus teoremas sejam perfeitamente realistas — isto é, sejam correspondentes à realidade do mundo que conhecemos.  Já os economistas adeptos das escolas convencionais, por outro lado, admitem que suas hipóteses são baseadas em suposições deliberadamente falsas.

3. Economistas austríacos têm como prioridade garantir que os teoremas que eles formulam elucidem ligações causais exatas entre os fenômenos econômicos estudados.  Eles não simplesmente pressupõem de maneira deliberada a existência ou a importância de teoremas.  Tampouco definem seus teoremas recorrendo à noção, inspirada na física, de determinação mútua.

4. O histórico de previsões proféticas dos economistas austríacos é incomparavelmente superior ao de seus colegas das escolas convencionais.  A seguir, os casos mais famosos.

Austríacos vs. Convencionais, Ontem e Hoje

Convencionais, 16/10/1929: "As ações atingiram aquilo que parece ser um patamar estável e permanentemente alto." — Irving Fisher, célebre economista neoclássico

Austríacos, 02/1929: "A euforia acabará e haverá um colapso daqui a alguns meses." — Friedrich von Hayek, Instituto Austríaco de Pesquisa Econômica

 

Convencionais, 20/10/2005: "Os preços dos imóveis subiram aproximadamente 25% ao longo dos últimos dois anos.  Embora a atividade especulativa tenha aumentado em algumas áreas, tais aumentos de preços em nível nacional refletem majoritariamente nossos robustos fundamentos econômicos, dentre eles um robusto crescimento no emprego e na renda, baixas taxas de juros sobre empréstimos hipotecários, taxas estáveis de formação de famílias, e fatores que limitam o aumento da oferta de imóveis em algumas áreas." — Ben Shalom Bernanke, futuro presidente do Fed, o Banco Central americano

Austríacos, 06/04/2004: "O aumento ocorrido na inflação de preços não deveria ter sido nenhuma surpresa, dado que o Fed aumentou a oferta monetária em 25% durante o período 2001—2003. (...) Considerando-se o incentivo governamental a práticas negligentes e frouxas de concessão de empréstimos para a aquisição de imóveis, os preços dos imóveis poderão despencar no futuro, o que gerará grandes falências.  Consequentemente, empresas financeiras — inclusive as grandes empresas hipotecárias protegidas pelo governo, Fannie Mae e Freddie Mac —, poderão ter de ser socorridas com o dinheiro dos pagadores de impostos." — Mark Thornton, Mises Institute

 

Austríacos vs. Keynesianos, Comparação das Previsões

Keynesianos, 1989: "A economia soviética é a prova cabal de que, contrariamente àquilo em que muitos céticos haviam prematuramente acreditado, uma economia planificada socialista pode não apenas funcionar, como também prosperar." — Paul Samuelson, keynesiano ganhador do Prêmio Nobel

Austríacos, 1920: "Pode-se antecipar qual será a natureza da futura sociedade socialista.  Haverá centenas de milhares de fábricas em operação.  Poucas estarão produzindo bens prontos para seu uso final; na maioria dos casos, o que será manufaturado serão bens inacabados e bens de produção. (...) No entanto, neste ininterrupto, monótono e repetitivo processo, a administração estará sem quaisquer meios de avaliar a eficácia de sua produção. (...) Assim, em lugar de haver um método "anárquico" de produção, todos os recursos estarão entregues à produção irracional de maquinarias despropositais.  As engrenagens iriam girar, mas sem efeito algum." — Ludwig von Mises, "O cálculo econômico sob o socialismo"

 

Keynesianos, 02/08/2002: "Para combater esta recessão, o Fed [tem de estimular] os gastos dos consumidores para contrabalançar o moribundo investimento das empresas.  E para fazer isso (...) Alan Greenspan tem de criar uma bolha imobiliária para substituir a bolha da Nasdaq." — Paul Krugman, outro keynesiano ganhador do Prêmio Nobel

Austríacos, 31/12/2006: "Os preços dos imóveis hoje são completamente insustentáveis. Eles foram elevados a estes valores artificiais por causa de uma combinação entre hipotecas de valores ajustáveis e artificialmente baixos, compras especulativas e uma total ausência de qualquer tipo de padrão para empréstimos. E o que vai acontecer em 2007 é que muitas destas hipotecas artificialmente baixas serão reajustadas para cima. Você verá tanto o governo quanto os emprestadores re-impondo padrões de empréstimos mais rigorosos e apertando o crédito. E várias pessoas que hoje estão comprando imóveis para especular passarão a vender. Com isso, os preços elevadíssimos dos imóveis irão despencar abruptamente." — Peter Schiff, presidente da Euro Pacific Capital 

 

Keynesianos, 10/02/2010: "A Grécia formulou um equilíbrio bem cuidadosamente ponderado entre coesão social e reestruturação econômica." — Joseph Stiglitz, mais um outro keynesiano ganhador do Prêmio Nobel

Austríacos, 11/02/2010: "Ao passo que os aumentos de impostos irão causar novos problemas para os gregos, outros problemas ainda continuam sem ser atacados: tudo indica que o enorme setor público não será substancialmente reduzido; e os salários em geral permanecem pouco competitivos devido aos fortes sindicatos. (...) O futuro do euro é obscuro porque há fortes incentivos para um comportamento fiscal negligente, não apenas da Grécia mas também de todos os outros países." — Philipp Bagus, autor de "A Tragédia do Euro"

5. Os teoremas e conclusões da Escola Austríaca são perfeitamente compreensíveis para qualquer leigo inteligente.  O mesmo não pode ser dito das convolutas e confusas equações matemáticas das escolas convencionais.

6. No que diz respeito à abordagem sobre a metodologia e os objetivos das teorias econômicas, os economistas austríacos podem reivindicar com muito mais justiça do que seus colegas convencionais o título de herdeiros e sucessores dos economistas clássicos, como Smith, Hume, Say e Bastiat.

7. Economistas austríacos nunca se cansam de enfatizar o caráter estritamente livre de juízo de valor de sua disciplina.  Assim, ao contrário de seus colegas convencionais, eles jamais pressupõem que seja justificável a existência de qualquer instituição cuja origem seja não-voluntária e fora do mercado.  Adicionalmente, os austríacos jamais fazem quaisquer "recomendações de políticas públicas" baseadas nestas pressuposições injustificáveis.  Ao contrário, eles utilizam suas análises científicas para investigar as origens e os efeitos lógicos de vários processos e fenômenos econômicos.  E eles abordam estes fenômenos econômicos como eles realmente são, e não como gostariam que fossem.

8.  Ao identificarem o conceito da 'preferência demonstrada' como sendo o princípio básico da análise econômica, os austríacos conseguem evitar as armadilhas gêmeas do psicologismo e do comportamentalismo (doutrina segundo a qual o comportamento é a base da psicologia).  Já seus colegas convencionais não conseguem escapar destas armadilhas, e, ao abordá-las, não possuem uma maneira proba e metodologicamente robusta de fazê-lo.

9.  A Escola Austríaca rejeita a hiper-especialização acadêmica e profissional da ciência econômica, desta forma enfatizando a natureza holística e integrada desta ciência.  Nas palavras de F.A. Hayek, "o cientista que é somente um cientista pode ainda assim ser um cientista de primeira qualidade e um membro extremamente valioso da sociedade.  Mas ninguém pode ser um grande economista sendo apenas um economista — e devo admitir que estou tentado a dizer que o economista que seja apenas um economista tende a ser tornar uma perturbação da ordem, quando não um perigo real."

10. Economistas austríacos não podem buscar refúgio no porto seguro do niilismo epistemológico quando a lógica de seus argumentos se revela errônea.  Já os economistas convencionais, por outro lado, quando os fatos não correspondem às suas hipóteses, podem sempre alegar que "desta vez, as coisas são diferentes; o mundo mudou".  Tal postura é uma implicação direta do fato de que qualquer arranjo de dados empíricos suficientemente complexos é compatível com um número de interpretações empíricas (mas não lógicas) mutuamente excludentes.

 

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autor

Jakub Bozydar Wisniewski
é filósofo graduado pela Universidade de Cambridge. Atualmente trabalha em seu PhD, experimentalmente voltado para a teoria dos bens públicos de acordo com a Escola Austríaca de Economia, na Queen Mary, University of London.  Já publicou artigos em, dentre outros, The Libertarian Papers, The Quarterly Journal of Austrian Economics e LewRockwell.com

  • Breno  11/08/2012 05:52
    As visões de mundo entre a escola autríaca e keyneseanas estão corretas. A verdade, me parece, que cada uma dessas escolas seguem o curso das soberanias as quais estão vinculadas. O que diria o Principe Eduard, esposo da Raínha Vitória ou o Arquiduque Francisco-Ferdinando aos investidores de seus países, que eles quebraram para justificar o prejuízo de seus súditos mais nece$$ários. E, que o tesouro não os ressarcissará como de costume, por razões que fogem ao controle.
    O conflito ideológico das 2 escolas tem razões economicas, que, por sua vez, nenhuma das duas criam soluções mágicas de uma hora para a outra. Dinheiro nos dias atuais é acima de tudo uma "unidade de confiança" por mais que um país ou organização tente justificar o valor de uma determinada promissória, por um dos caminhos nesse blog indicado, nada mudará o fato de que a desconfiança pode ser maior - dilema do prisioneiro.
    Na década de 1990, se fizeram vários acordos e entendimentos, que construíram o mundo global que temos hoje, numa tentativa de acomodar mudanças estruturais sobretudo no setor de telecomunicações e informática. As finanças sobretudo se tornaram um mundo a parte. O livre mercado, entretanto, foi violado em vários dos seus pressupostos numa tentativa fulgás de controlar a margem de prejuízo das empresas. No entando, como o que realmente determina a riqueza de um país é o que ele produz, onde as vantagens comparativas aparecem como um multiplicador dessa riquesa, da mesma forma que as desvantegens, é perceptível que muitas economias periféricas e empresas do globo não consigam ingressar nesse ambiente keyneseano e muito mais difícil, ainda, no autríaco: imagine que riscos um soberano deveria assumir para tomar decisões dentro de parâmetros tão radicais!
  • Getulio Malveira  11/08/2012 06:23
    Breno, uma aula gratuita de lógica elementar: proposições contrárias ou contraditórias não podem estar corretas ao mesmo tempo. Se uma proposição austríaca contraria uma proposição keynesiana sobre algum ponto, uma delas deve ser verdadeira ou ambas devem ser falsas, mas nunca ambas poderão ser verdadeiras; se uma proposição austríaca contradiz uma proposição keynesiana, uma delas deve necessariamente ser verdadeira e a outra deve necessariamente ser falsa.

    Uma dica: estude seriamente as teorias de ambas as escolas, pense, e tire suas próprias conclusões, mas não tente conciliá-las, pois isso não é logicamente possível.
  • Caio Marcio Rodrigues  11/08/2012 08:18
    Pessoalmente, por observação própria durante minha vida nos últimos 70 anos, eu acredito na abordagem da escola austríaca, aceito e defendo seus princípios e métodos. No entanto, sinto nos seus defensores, um certo e desnecessário revanchismo nervoso contra os keynesianos. Essa postura pode, de certa forma, revelar alguma fragilidade doutrinária da qual, estou certo, estamos livres. Assim sendo, a bem da aceitação da nossa escola, creio que uma simples correção de forma na argumentação revelaria a maturidade real dos argumentos dos austrieconomistas: trata-se colocar todo o discurso na forma estritamente afirmativa. É simples: removam o vocábulo "não" de seu discurso e, de preferência coloquem o argumento numa forma de tal modo convincente, que dispense os superlativos. E é saudável usar esse estilo tanto na defesa quanto no ataque. Se não acreditam nisso, mas se ainda assim me concedem o benefício da dúvida, façam uma pequena experiência. Por favor, depois me contem o resultado? Gosto de revalidar sempre as minhas convicções. Agradeço antecipadamente.
  • Marcos Campos  12/08/2012 10:28
    Assinado em baixo. Até eu tenho revisto a maneira como me coloco em um debate ou discussão com um keynesiano e ou estatista, visto que é difícil não se deixar levar pelo fundamentalismo inconsciente. É preciso dar espaço para o outro refletir e não ter pressa de provar seus pensamentos fundamentados na EA, caso contrário não seremos muito diferentes dos outros.
  • Jeferson  12/08/2012 19:11
    Mais um pra assinar em baixo. Aliás, ultimamente tenho chegado à conclusão de que um botequim é um péssimo lugar pra se explicar o funcionamento da economia à luz das teorias austríacas. E por "botequim" quero dizer qualquer ambiente informal de conversa. Sempre que tento explicar as coisas, ou as pessoas interrompem a argumentação com seus argumentos emocionais, quebrando o raciocínio dos demais interlocutores com o típico sentimentalismo socialista/keynesiano, ou eu vejo que preciso de muito tempo pra construir passo-a-passo o raciocínio necessário pra se chegar às conclusões austríacas, e mesmo em círculos de pessoas pré-dispostas a esse tipo de debate, tenho tido dificuldade em ser compreendido. Outro dia tentei explicar a TACE pra um pessoal que trabalha comigo durante o almoço, e depois do pessoal ficar com cara de lua o tempo todo, mudaram de assunto antes de eu conseguir construir o raciocínio.

    Isso acontece só comigo, ou é assim com mais alguém?

    Abraços.
  • Caio Marcio Rodrigues  13/08/2012 04:34
    Sim, Jefferson. É típico. E a causa é a formação que as escolas atualmente dão às pessoas: agir emocionalmente - o racional fica para a pos-graduação. Eu chamo esse tipo de gente que se põe com "cara de luar prateado bucólico" de excedente populacional. São as tentativas malsucedidas da Mãe Natureza. Nada a fazer, a não ser mudar a audiência. Certas coisas se ensina quando o indivíduo é criança - depois, é como o pau que nasce torto.
  • Getulio Malveira  11/08/2012 05:53
    Excelente. Creio que essas dez razões se resumem em: os austríacos fazem ciência com seriedade.
  • Neto  11/08/2012 08:26
    Qual é exatamente o problema com o comportamentalismo?
  • Renato  11/08/2012 11:15
    Vi comportamentalistas que pensam que o pensamento não e existe. E querendo convencer outros a pensarem que o pensamento não existe. Do meu ponto de vista, quem diaz que pensa isso é maluco ou mal intencionado.

    Do ponto de vista prático, os "luminares" do comportamentalismo amavam de paixão os regimes totalitários. Skinner era um lambe-botas do maior genocida de todos os tempos, Mao. Então, desprezar os comportamentalistas será sempre útil.

    Mas o que o comportamentalismo e o psicologismo tem a ver com economia? Um economista pode cair no erro do comportamentalismo (só vejo o comportamento, portanto só o comportamento exite) ou do psicologismo (supor que existe uma "ciência" capaz de desvendar os mistérios da mente humana). Os austríacos estudam a ação humana sem cair em nenhum desses dois erros.
  • Marcos Campos  12/08/2012 10:44
    Eu ainda estou terminando de ler a obra de Mises "Ação Humana", mas já li bastante os trabalhos e teorias de David Rock com base na neurologia, e você não acha que esta indo rápido de mais com suas afirmações?
    Esta certo que a Neurologia não é absoluta e nem tão pouco vá desvendar "todos" os mistérios da mente humana, mas vem fazendo avanços significativos.
    Você esta afirmando que a ação humana é perfeita e livre de erros em absoluto? Ou a ação humana é um todo das partes que você chama de erros? Poderia me da uma luz deste seu posicionamento?!
  • Tiago Moraes  13/08/2012 12:42
    Calma lá amigão, primeiramente a Neurologia não é a mesma coisa que a Psicologia, na verdade aquela tem sido uma das principais instituições a refutar ideias consolidadas nesta. E dizer que o estudo da ação humana, por parte da praxeologia misesiana rompe com o paradigma do comportamentalismo e da psicologia não tem nada a ver com supô-la uma perfeição, interpretação de texto não faz mal a ninguém não fera!!

    A questão é que a ação humana em Mises é um estudo dos meios para atingir dados fins, sem nenhum tipo de elucubração a respeito das motivações psicológicas e particulares que impelem os indivíduos a executarem tais ações (apenas admiti-se que elas existam). Primeiro porque isso não faz sentido para uma análise econômica e segundo porque tentar versar sobre a psique alheia não será nada além de especulação presunçosa.
  • Marcos Campos  14/08/2012 11:14
    Tiago Moraes, é isso neh? Acho que tem uns 3 Tiagos aqui.

    Gostei muito de sua crítica construtiva e o fundamento.

    Obrigado por me ajudar, na minha desintoxicação, para min que estou aqui com vocês a pouco mais de 7 meses, é bem difícil esquecer tudo que "não aprendi";rsrsrs....para de fato aprender algo real.

    Obrigado mesmo pela elegância
  • Renato  14/08/2012 15:31
    Tiago\r
    \r
    Grato por ter respondido muito bem.\r
    Eu diria que a simples tentativa de entender a psiquê alheia não chega a ser presunção, desde que se reconheça que há enormes limitações para essa tentativa. Considero que a psicologia é, por natureza, mais uma arte que uma ciência. É válido tentar estudar a mente, seja através da abordagem quimica-biológica, seja através do estudo estatístico do comportamento, seja através da introspecção. É evidente que a abordagem neurológica obtém resultados mais firmes, por ser intrinsicamente mais científica, mas seu escopo também é limitado.\r
    \r
    Suponho que o problema tanto do comportamentalismo como da psicanálise (e outras vertentes), não foi o que eles tentaram fazer, mas a extrema arrogância dos partidários dessas escolas, que julgaram saber imensamente mais do que realmente sabiam.
  • Camarada Friedman  11/08/2012 08:56
    Ótimo artigo, faz tempo que eu procuro uma comparação entre previsões austríacas e keynesianas.

    Essa do Paul Samuelson eu conheci pelo Woods... hahaha mas que panaca.
  • Zeca  11/08/2012 17:33
    Gosto e aprecio a escola austríaca. Posso até não concordar integralmente com ela, mas é a única que tem coerência e é descompromissada.
  • Licurgo  11/08/2012 20:50
    A principal diferença entre a EA e as demais escolas é que estas estão sempre pedindo um voto de confiança a seus seguidores, enquanto a EA opta pela persuasão racional e voluntária. Tendo chegado ao IMB após a recuperação mental promovida por Mrs. Rand, ao ler os artigos e livros da EA, tomo sempre por baliza um trecho de Atlas Shrugged:

    "Não gosto de gente que fala ou pensa em termos de ganhar a confiança dos outros. Quem age honestamente não precisa da confiança prévia dos outros, apenas de sua percepção racional. Quem quer ter este tipo de carta branca tem intenções desonestas, quer o admita, quer não."

    Sobre o que se chamou de revanchismo nervoso contra os amantes de Keynes, acho que não deve ser exatamente tranquilizador indicar por anos a fio as inconsistências de suas caras teoria e ainda assim vê-las renovadas a cada geração, com doses maiores de veneno a toda nova e "definitiva" experimentação. Como eles fazem questão de esquecer seus erros, é preciso que alguém faça a memória dos casos, o que obriga à confrontação do passado com o presente, coisa que se toma, usual e erroneamente, como indelicadeza e virulência.

    Mesmo assim, das arenas das ideias, o IMB é sem dúvidas a mais respeitosa, tolerante e irritantemente paciente com os neófitos e opositores de que já participei. Aos que se dedicam a mantê-lo, ainda que irrelevante, meu sincero agradecimento.
  • Patrick de Lima Lopes  12/08/2012 09:25
    Excelentíssimo artigo.
    Entretanto, gostaria que a sessão de "previsões esotéricas" fosse mais longa, estava tão divertido...
    Uma ótima ideia seria elaborar um artigo com as previsões econômicas mais interessantes das escolas marxista, histórica, keynesiana e austríaca; seria um grande artigo de comédia.
  • Charles  12/08/2012 16:48
    De certo modo, aprecio a mensagem de Licurgo. Respeito a posição de Caio Marcio e toda sua experiência ao longo de 70 anos, mas retirar o "não" do discurso seria algo semelhante a uma técnica de neurolingüística, no intuito de remover supostas crenças limitadoras de nossa psique. Pode até funcionar em certos círculos (sobretudo em grandes massas), mas dizer que "se você muda, o mundo mudará com você" é algo meio fantasioso, não? Como dizia o sambista, "a realidade é dura, mas é aí que se cura".
  • Rene  13/08/2012 04:18
    Nas comparações entre autores, a mais gritante foi a comparação entre o Paul Samuelson e o Ludwing von Mises. Só 69 anos de diferença entre eles.
  • Christiano  13/08/2012 06:34
    Caros, eu não tenho dúvida que a EAC tem as melhores bases economicas para explicar tais situações...\r
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    Aproveitando uma das previsões citadas:\r
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    "Austríacos, 06/04/2004: "O aumento ocorrido na inflação de preços não deveria ter sido nenhuma surpresa, dado que o Fed aumentou a oferta monetária em 25% durante o período 2001—2003. (...) Considerando-se o incentivo governamental a práticas negligentes e frouxas de concessão de empréstimos para a aquisição de imóveis, os preços dos imóveis poderão despencar no futuro, o que gerará grandes falências. Consequentemente, empresas financeiras — inclusive as grandes empresas hipotecárias protegidas pelo governo, Fannie Mae e Freddie Mac —, poderão ter de ser socorridas com o dinheiro dos pagadores de impostos." — Mark Thornton, Mises Institute"\r
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    Hoje temos a informação que no Brasil a inflação dos preços dos imoveis cresceram mais que 60% e a oferta monetaria em um periodo de 3 anos foram de aproximadamente 30%, tais informações em analises considerando cetaris paribus, podemos citar que o Brasil se encaminha para uma crise parecida com ao dos EUA ? \r
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  • Andre Cavalcante  13/08/2012 08:12
    Como a dos EUA, não. Apesar de tudo, os nossos bancos estão menos insolventes que os deles. Também na nossa economia, porque mais fechada, a inflação de preços segue rapidamente a inflação monetária, o que faz com que as bolhas não cresçam tanto. Outra coisa é que o BACEN já começou um processo de manutenção do dólar na casa de R$2,00~R$2,05 e parece que vai manter isso por um bom tempo, o que sinaliza aos mercados uma melhor previsibilidade quanto ao câmbio, o que deixa a questão das importações e exportações mais ou menos previsíveis e evita fuga de dólares. Do ponto de vista do governo, ainda não estouramos a dívida (estamos no caminha ainda) de forma que ele ainda tem margem de manobra para socorrer diretamente os bancos, cujas dívidas, também não crescem a mesma proporção que nos EUA.

    Procure este artigo para maiores esclarecimentos.

    Abraços
  • PESCADOR  13/08/2012 10:30
    A Escola Austríaca é como astronomia, enquanto as outras são como astrologia. Depois de alguns anos estudando e lendo sobre Escola Austríaca no IMB, qualquer artigo/comentário keynesiano que leio - ou vejo na TV - soa como um horóscopo: bizarro, tosco e engraçado.
  • Antonio Galdiano  13/08/2012 12:11
    "Economistas austríacos nunca se cansam de enfatizar o caráter estritamente livre de juízo de valor de sua disciplina. Assim, ao contrário de seus colegas convencionais, eles jamais pressupõem que seja justificável a existência de qualquer instituição cuja origem seja não-voluntária e fora do mercado."\r
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    Com relação à citação acima, não concordo. Acredito que a parte "eles jamais pressupõem que seja justificável a existência de qualquer instituição cuja origem seja não-voluntária e fora do mercado" não seja exatamente verdade. Digo isso pois o entendimento de que instituições de origem não-voluntária é apenas uma boa opinião (a qual eu concordo integralmente) e constitui um dos pilares da moral que pratico. Mas eu não vejo isso como "livre de juízo de valor", e nesse sentido, não entendo que a escolha dessa moral que pratico como uma escolha cientificamente inquestionável, e sim subjetivamente superior às outras concebíveis.\r
    Inclusive, cheguei a essa conclusão depois de ler o texto mais recente publicado nesse site de Walter Willians.\r
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    Bom, eu leio textos da EA a menos tempo que muitos de vocês, então qualquer contraposição explicativa sobre essa interação economia/moral será bem vinda!\r
  • amauri  13/08/2012 12:15
    Boa tarde Leandro!
    Um keynesiano me fez esta pergunta:
    "Uma pergunta para abusar (um pouco) de sua boa vontade: se a escola Austríaca é tão boa, porque nunca foi aplicada, ou melhor, devidamente executada? Seria falta de boa vontade, conspiração ou intangibilidade?"
    Existem vários motivos, mas qual o principal motivo?
    abs
  • Leandro  13/08/2012 12:47
    A escola austríaca jamais será aceita por políticos porque ela diz exatamente tudo aquilo que político, burocrata e acadêmico nenhum quer ouvir. O governo gastar muito é ruim para a economia; imprimir dinheiro é péssimo para economia; déficits orçamentários devem ser abolidos; inchar a máquina estatal, dando emprego para burocratas, é ruinoso para a economia; regulamentações atravancam o crescimento econômico.

    Já a mescla ideológica atual diz: "Ei, gastar muito é bom para a economia; imprimir dinheiro é ótimo para economia; déficits são perfeitos para a economia; inchar a máquina estatal, dando emprego para burocratas, é maravilhoso para a economia; regulamentações, se feitas por keynesianos, são supimpa e geram muito crescimento econômico. Ah, sim, e austeridade é péssimo. Ignorem economistas insensíveis que sugerem isso. Apenas gastem os tubos e se endividem ao máximo. O paraíso é aqui, e o Jardim do Éden, onde não há escassez, pode ser perfeitamente replicado pela impressora de dinheiro."

    Qual político resiste a isso?

    Aliás, conhecendo-se a volúpia do ser humano por poder e controle sobre a vida alheia, seria genuinamente um milagre caso as ideias austríacas prevalecessem no mundo atual.

    Quanto ao resto da sua pergunta, recomendo este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=729

    Abraços!
  • amauri  13/08/2012 12:47
    Pelo pensamento Austríaco, ficaria por parte de empresas a regulação do mercado, e uma vez que todas teriam interesses em comum, como prosperidade e perpetuação, elas se respeitariam. Em relação ao consumidor (ou melhor, demandante), não haveria ações próximas de cartéis, dada que o bem estar do mercado consumidor é vital para a manutenção das empresas. Oras, é sabido que existe capitalismo predatório e existem órgãos reguladores exatamente por que empresas não conseguem seguir esses princípios.
  • amauri  13/08/2012 13:29
    Sobre o artigo que você indicou, o autor faz referência que os países europeus listados passaram por este momento entre o final do século 19 e o começo do século 20. Somente se esquece da maravilha que era a jornada de mais de 14 horas trabalhadas e o quanto vivia um homem na época (dizer que foi avanço da medicina seria pedante). Mesmo ressaltando que só houve uma proximidade com o modelo, ele esquece que muitos países passam por monarquias ou do regime de impostos. Pior ainda, confunde Chicago com Austríaca no caso do Chile (liberdade na batuta do Pinochet é uma piada de péssimo gosto!). Eu aproximo estes países mais aos moldes de Chicago do que Austríaco ainda sim, dada a ainda intervenção do Estado, que é inegável nos países listados. Da listaria, manteria com certa miopia, Países Baixos e os países do leste Asiático, mas como disse, com miopia.abs
  • Anderson  07/10/2015 22:15
    Gostaria de parabenizar o instituto Mises, após rompimento com a esquerda fico feliz em iniciar os passos da liberdade pela Escola Austríaca.


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