O protecionismo e o "trabalho escravo" dos chineses
por , terça-feira, 7 de agosto de 2012

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work.jpg"Nossos trabalhadores e nosso mercado de trabalho têm de ser protegidos contra a mão-de-obra escrava chinesa e seus produtos baratos!"

Há quantas décadas se ouve esta justificativa em prol da imposição de tarifas de importação?

De todas as críticas ao livre comércio, esta não apenas é a mais ignara, como também é a menos defensável em termos puramente empíricos.  Em primeiro lugar, tal crítica pressupõe que os governos, ao longo da história, sempre impuseram tarifas ou outras restrições contra bens produzidos por trabalhadores escravos.  Mas o que a história nos ensina, muito pelo contrário, é que os governos praticamente nunca impuseram tarifas ou restrições sobre importações de bens produzidos por trabalho escravo.  Por quê?  Porque as principais exportações de sociedades baseadas no trabalho escravo são matérias-primas, produtos de baixo valor agregado. 

Em outras palavras, o argumento apresentado não bate com os fatos.  A pessoa que recorre a tal argumento nunca se deu ao trabalho básico de analisar os fatos.  Ela está simplesmente repetindo, por puro automatismo, um argumento que parece bonito e moral, mas que na realidade é simplório, sem sentido e obtuso.

Permita-me sintetizar o raciocínio que está por trás deste argumento.  Se destituirmos este argumento de toda a indignação moral que ele finge afetar — a qual é completamente falsa —, eis as pressuposições econômicas que sustentam a defesa de tarifas de importação:

"Sabemos que o trabalho escravo é altamente produtivo.  A livre iniciativa não é capaz de competir com o trabalho escravo.  E impossível um sociedade livre competir, de igual para igual, com uma sociedade de escravos.  O planejamento central feito por uma sociedade de escravos é simplesmente muito produtivo e eficiente demais.  Nenhum trabalhador de uma nação capitalista é capaz de defender a si próprio e o seu emprego utilizando sua própria produtividade econômica.  Ele necessita de funcionários públicos nas fronteiras do país, com armas e distintivos, fiscalizando e proibindo a importação de bens produzidos por escravos.

"Qualquer pessoa que argumente que o sistema de livre mercado é muito produtivo e totalmente capaz de competir com o trabalho escravo é um completo ignorante.  Tal pessoa realmente não possui ciência da enorme produtividade do trabalho escravo.  Ela também é igualmente ignorante quanto à patética produtividade do livre mercado.

"Sociedades baseadas no trabalho escravo são altamente produtivas.  Se você quiser que alguém se torne um exímio artesão, ou um produtor altamente eficiente de bens e serviços especializados, ou um excepcional projetista de produtos de tecnologia de ponta, não há maneira mais eficiente de fazer isso do que forçá-lo a trabalhar sob a mira de uma arma, ameaçando matá-lo de fome caso se recuse a trabalhar exaustivamente.

"A enorme produtividade do trabalho escravo representa uma ameaça tão grande às pessoas de paz do resto do mundo, que é imperativo fazer com que políticos enviem funcionários públicos com armas e distintivos para proibir a importação de bens que foram produzidos por hordas de trabalhadores escravos.  Se isso não for feito, os trabalhadores pateticamente ineficientes que vivem sob um regime de capitalismo de livre mercado verão seus salários definharem em decorrência da incomparável produtividade do trabalho escravo.

Este argumento soa ridículo?  É claro que sim.  Trata-se de um implícito ataque à eficácia das instituições do livre mercado.  Trata-se de um implícito ataque à produtividade de trabalhadores que hoje usufruem e se beneficiam do enorme investimento de capital que foi feito no Ocidente ao longo dos últimos dois séculos.  Tal argumento está simplesmente afirmando que o trabalho escravo é produtivo e que o trabalho livre e altamente capitalizado é improdutivo.  Tão ilógico, irracional e absurdo é este argumento, que ninguém tem a coragem de dizê-lo clara e abertamente.  A pessoa ou não entende as reais implicações de seu argumento — que trabalhadores em sociedades livres têm de ser protegidos contra bens produzidos por mão-de-obra escrava — ou ela realmente acredita que sociedades escravagistas são enormemente produtivas, e que sociedades livres simplesmente não são capazes de competir com elas.

O argumento beira o burlesco.  Ele também é deliberadamente enganoso.  A pessoa que recorre a este argumento jamais fornece qualquer evidência estatística de que os bens produzidos por trabalhadores escravos estão sendo avidamente comprados por consumidores que vivem em sociedades livres.  A pessoa não é capaz de apontar quais produtos são produzidos por mão-de-obra escrava.  Tampouco ela é capaz de mostrar que estes produtos dominam uma significativa fatia do mercado em sociedades de livre mercado.

Yugo.jpgNa maioria dos casos, a pessoa não é nem capaz de mencionar um único produto que tenha sido produzido por trabalho escravo e do qual alguém já tenha ouvido falar.  Considerando-se que a Iugoslávia era uma sociedade comunista, e que portanto se baseava no trabalho coercivo, seu mais famoso bem produzido se transformou em uma das maiores chacotas da história da produção automobilística: o Yugo.

Matérias-primas

Os únicos casos de importações oriundas de sociedades escravagistas que podem ser utilizados como exemplos de bens que penetraram os mercados ocidentais são as matérias-primas, especialmente o petróleo.  O valor destas exportações das sociedades escravagistas se deve quase que inteiramente ao valor econômico imputado pelos consumidores ocidentais a estas matérias-primas.  O componente mão-de-obra destas exportações é insignificante.  Trabalhadores coagidos são capazes de extrair minerais e outras matérias-primas da terra.  Trata-se de um trabalho rudimentar e não sofisticado.  A produção destas indústrias extrativas que utilizam trabalho escravo seria muito maior caso os planejadores permitissem o capitalismo de livre mercado; porém, o alto valor das matérias-prima contrabalança o baixo valor e a baixa qualidade da mão-de-obra utilizada para extraí-las.

Raramente ouvimos falar de alguma sociedade que tenha imposto tarifas ou outras restrições sobre a importação de minerais industriais ou de matérias-primas. (As tarifas americanas sobre o açúcar são uma horrenda exceção).  Nunca ouvimos falar de restrições sobre a importação de petróleo estrangeiro.  Portanto, o argumento de que os trabalhadores ocidentais têm de ser protegidos contra o trabalho escravo estrangeiro é um fato negado pela explícita e desimpedida importação de minerais e de outras matérias-primas, os quais são utilizados por trabalhadores destes países importadores para produzir bens valiosos.  Estes trabalhadores se tornam os beneficiários das matérias-primas e do petróleo importados.  Logo, o único possível exemplo da veracidade deste clichê protecionista nunca é de fato confirmado na prática.

Quando você voltar a ouvir este argumento, peça para o protecionista citar quais são as cinco nações que compõem o grosso do comércio internacional de seu país.  Primeiro, ele não terá ideia de quais são as cinco nações que majoritariamente comercializam com seu país.  Segundo, assim que você mostrar a ele quais são estas cinco nações, peça a ele para identificar qual destas nações depende do trabalho escravo para produzir os bens e serviços que ela exporta.  Tão logo ele vir a lista, ele ficará engasgado e não encontrará uma resposta.  As nações que detêm um grande volume de comércio internacional (exportação e importação) são aquelas que comercializam com outras nações que possuem livre mobilidade de mão-de-obra, mercados de capitais bastante desenvolvidos, sofisticadas instituições de pesquisa, e uma alta produtividade decorrente do uso intensivo de capital.  Nenhuma destas características é encontrada em uma sociedade que faz uso de trabalho escravo.

Em suma, o argumento é ilógico e absurdo tanto em termos de teoria econômica quanto em termos de fatos empíricos.  Nenhuma nação que utiliza trabalho escravo encontra mercados no Ocidente para seus produtos manufaturados.  Seus produtos são vagabundos e fajutos demais para penetrar de maneira significativa nos mercados do Ocidente.

A China

Quase sempre, o defensor de tarifas sobre a importação de bens produzidos por trabalho escravo irá utilizar o exemplo da China.  Este certamente é um dos argumentos mais ignaros e parvos da história do pensamento econômico.

Durante o período em que a China estava sob o domínio do camarada Mao, o país praticamente não fazia parte do comércio internacional.  O país não tinha produtos capazes de encontrar mercados no Ocidente.  Os chineses mal conseguiam se alimentar.  Em algumas épocas, eles de fato não se alimentavam.  O país não tinha nada de valor para exportar.  Não tinha reservas internacionais.  Não tinha algo que nem remotamente se assemelhasse a uma produção industrial em larga escala.  Era uma nação à beira do quarto mundo.  A única coisa que o país conseguia produzir em larga escala era armamento.  Ele não exportava nada para o Ocidente.

Hoje, após um grande período de sucessivas liberalizações econômicas, a China se tornou um grande concorrente nos mercados ocidentais.  Seus trabalhadores podem se mover e se mudar para onde quiserem.  Estamos testemunhando a maior migração da história da humanidade, da pobreza rural para a vida urbana de classe média.  Centenas de milhões de pessoas saíram da zona rural e se mudaram para as grandes cidades.  Isto não é trabalho escravo; isto é trabalho livre. 

Não há restrições governamentais à movimentação dos trabalhadores.  Eles têm liberdade de decidir para onde querem ir e onde querem trabalhar.  Há muito poucas leis e restrições governamentais sobre a contratação destes trabalhadores.  Não há praticamente nenhum sistema de seguridade social imposto pelo estado.  O mercado de trabalho chinês é amplamente mais livre do que os mercados de trabalho do Ocidente, que são repletos de leis trabalhistas, de regulamentações, de onerosos encargos sociais e trabalhistas e de sindicatos que gozam do explícito apoio dos governos — o que significa que eles não apenas têm o direito legal de conclamar greves e interromper o funcionamento dos meios de produção das empresas, sem que os donos nada possam fazer, como também podem determinar quais empregados podem e quais não podem ser contratados pelas empresas.  Apenas os trabalhadores sindicalizados podem.

Alie tudo isso a uma crescente carga tributária, e você terá os motivos por que as indústrias ocidentais estão tendo tantas dificuldades para concorrer com os trabalhadores chineses.

Os trabalhadores chineses são livres para trocar de emprego, e os empregadores chineses podem legalmente contratar quem eles quiserem.  Sob estas condições, os trabalhadores do Ocidente estão mais próximos da escravidão do que os trabalhadores chineses.  Na Europa, por exemplo, os trabalhadores que não são sindicalizados acabam sendo, na prática, forçados a procurar apenas aqueles empregos menos desejados, pois os sindicatos, por gozarem do apoio de seus governos, conseguem restringir o mercado de trabalho apenas para seus membros, deixando de fora os não sindicalizados.  Os sindicatos utilizam o governo para enviar burocratas com armas e distintivos às empresas com o intuito de proibir os empregadores de contratar trabalhadores não sindicalizados.  Isto não é livre mercado; isto é um mercado manipulado pelo estado.

Portanto, da próxima vez que você ouvir alguém argumentando que os trabalhadores do seu país têm de ser protegidos contra bens estrangeiros produzidos por trabalho escravo, mostre a ele que o motivo de os trabalhadores ocidentais quererem proteção é porque eles é que são a mão-de-obra escrava.  Eles sentem que está cada vez mais difícil competir com trabalhadores que vivem em uma nação que honra os princípios da livre mobilidade de mão-de-obra e dos contratos voluntários entre empregados e empregadores. 

A China é uma concorrente feroz e ardorosa não porque é uma sociedade que possui trabalho escravo, mas sim porque está concorrendo com trabalhadores que vivem em um regime cujos mercados de trabalho são amplamente controlados por seus governos.

 

Leia também:

Descubra se você é um protecionista mercantilista 

A filosofia da miséria e o novo nacional-desenvolvimentismo do governo brasileiro 

Os empregos e as importações 

A terceira revolução industrial


Gary North , ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. Visite seu website


55 comentários
55 comentários
Gustavo Sauer 07/08/2012 05:21:12

É fácil prever que os estatistas não vão aceitar os argumentos do prof. North. Vão insistir no argumento da escravidão usando o exemplo chinês. Vão dizer que o trabalhador chinês não tem o "direito" a greve, férias, décimo, indenização, licença saúde, maternidade etc etc etc. Como eles não possuem nenhum desses "direitos" consagrados pelo ocidente, eles estão sendo "enganados" e servindo como mão de obra "escrava".

Responder
anônimo 07/08/2012 05:22:26

"Seus trabalhadores podem se mover e se mudar para onde quiserem."

Não é verdade, existem restrições para a migração dentro da China. Hoje em dia é preciso de autorização. O volume enorme de pessoas deixando a área rural fez o governo tomar essa posição.

Responder
Nil Soares 07/08/2012 05:25:04


Vejam como o governo brasileiro quer controlar o mercado de trabalho. Leiam á noticia :Mantega não vai aceitar demissões na GM
Ministro da Fazenda disse que "não vai tolerar o descumprimento do acordo de não demissão nos setores beneficiados pela redução do IPI"

Uma empresa multinacional quer demitir trabalhadores que não necessita mais( Será que a empresa é obrigada a continuar gastando muito dinheiro com empregados sem serventia ?),por ser inviável a produção de mais veiculos. Aí um manda-chuva do governo diz que não vai aceitar essas demissões.

O meu medo é que como essa noticia está sendo visto pelo mundo todo. As empresas do mundo todo receiem de investir e contratar trabalhadores no Brasil.

Vai que certa hora que precisem despedir esses trabalhadores por não necessitarem mais deles. Aí ! Aparece um manda-chuva do Governo dizendo furioso: QUE NÂO VAI ACEITAR DEMISSÔES !

Tem muita gente apoiando o Governo neste caso. Mas ! Para mim esse Mantega só está garantindo o emprego na "marra" de uma classe privilegiada de trabalhadores como os metalúrgicos,o próprio Lula foi metalurgico.
No entanto os trabalhadores mais simples vão se lascar ,pois uma enorme desconfiança e temor de contratar trabalhadores no Brasil foi criada.

Pegunto ao Leandro será que estou certo em meus temores ?

Responder
Marcos Campos 07/08/2012 08:40:11

Ainda existe metalúrgico no setor automobilistico?

Responder
mcmoraes 07/08/2012 05:53:42

Aqui vai mais uma evidência da exploração escravagista na Índia LOL!!!

Stanford University opens multimillion-dollar center in Beijing

Responder
Eduardo 07/08/2012 07:31:51

É como eu estava discutindo esses dias, se a China tivesse diversos encargos trabalhistas, diversas leis como salario minimo, jornada de trabalho e etc, o que iria acontecer é muito simples. Desemprego em massa desses chineses.
O Chines que hoje pode se alimentar e comprar algum bem não poderia nem mais fazer isso. Resultado disso seria uma grande miséria.

O grande problema é que as pessoas comparam as coisas de maneira completamente errada. Comparam a vida de um americano(que apesar de todos os entraves do governo é uma boa vida devido a quantidade de capital nesse pais) com a vida de um Chines. Você não pode querer que o chines tenha exatamente o mesmo padrão de vida do americano da noite pro dia, pois sao paises completamente diferentes. Temos que comparar o padrão de vida do chines HOJE, com o do chines antes dessa grande revolução capitalista.

É como dizem se a vida no campo fosse melhor que a vida nas fabricas os chineses simplesmente nao estariam na fabrica mas continuariam no campo.

Responder
Rogério 07/08/2012 07:33:33

Olá, tenho uma dúvida quanto ao livre mercado e aos salários atuantes no mesmo.
È o seguinte, até onde eu sei, apesar da mão-de-obra-livre que ocorre na China, a baixa remuneração por hora trabalhada, mesmo na produção de manufaturas é algo predominante naquele país, o que também ajuda a baratear os custos. Se o mundo vivesse numa concorrência perfeita, sem intervenção do governo, nao ocorreria um " leilão " entre os empregadores em uma economia onde houvesse um certo desemprego ( apesar deste ser muito baixo no livre comércio)na tentativa de garantir uma vaga de emprego? Desemprego esse ( talvez) sustentado pelos próprios empresário para garantir um barateamento da mão-de-obra?

Responder
Tiago 07/08/2012 09:03:23

Eu acho que sim, Campos
Lei da oferta e procura,né?
Por isso eu sou a favor da existência de um salario minimo

Responder
Juliano 07/08/2012 09:26:24

Olá Rogério,\r
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Não entendi tua pergunta.\r
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"È o seguinte, até onde eu sei, apesar da mão-de-obra-livre que ocorre na China, a baixa remuneração por hora trabalhada, mesmo na produção de manufaturas é algo predominante naquele país, o que também ajuda a baratear os custos. "\r
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Sim. A remuneração é baixa porque é mais difícil produzir na China, mas isso tem se tornado cada vez menos verdade. Conforme os Chineses vão se tornando mais produtivos, seus salários começam a subir naturalmente. \r
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"Se o mundo vivesse numa concorrência perfeita, sem intervenção do governo, nao ocorreria um leilão entre os empregadores em uma economia onde houvesse um certo desemprego ( apesar deste ser muito baixo no livre comércio)na tentativa de garantir uma vaga de emprego? Desemprego esse ( talvez) sustentado pelos próprios empresário para garantir um barateamento da mão-de-obra?"\r
\r
Já existe um leilão por empregados. Você não prefere trabalhar para quem te der melhores condições?\r
\r
Desemprego sustentado por empresários? Desemprego é alguém querer trabalhar em alguma coisa e não ter alguém querendo contratá-lo para aquela função. Aí pode ter várias causas: ambos, empregado e empregador, não chegam a um acordo em relação a preço. Ou ainda, pode ser que não tenha demanda para aquele tipo de trabalho, daí a melhor saída é procurar outra área pra atuar.\r
\r
Relações comerciais são simplesmente uma relação de troca, da mesma forma que um produto. Se eu tiver um monte de sorvetes pra vender em uma cidade fria, vou ficar com produtos encalhados no estoque. Não dá pra forçar alguém a comprá-los. O mesmo vai ocorrer se eu estiver cobrando muito. Cabe aos agentes econômicos se ajustarem às necessidades e recursos de cada região.\r
\r
Abraços,\r
Juliano

Responder
Leandro 07/08/2012 10:40:44

Prezado Rogério, neste seu mundo descrito, sem intervenções, a acumulação de capital seria enorme. Consequentemente, a produtividade dos trabalhadores seria muito maior. Aumento de produtividade por trabalhador já é, por si só, um fenômeno que leva a aumentos salariais. Adicionalmente, sem nenhum intervencionismo, haveria demanda para todo e qualquer tipo de serviço, de modo que o desemprego tenderia a zero. E esta tendência de desemprego a zero faria, por si só, com que fosse impossível "empresários baratearem a mão-de-obra".

Sugiro a leitura dos dois artigos abaixo, que explicam detalhadamente todo este processo:

Trabalho, emprego, poupança e capital

A irrelevância da necessidade do trabalhador e da ganância do empregador na determinação do salário

Abraços!

Responder
Camarada Friedman 07/08/2012 07:51:31

Ótimo artigo, me fez lembrar do melhor episódio do John Stossel:



Responder
Pedro 07/08/2012 08:18:37

Qual seria a solução na perspectiva do livre-mercado para o não-uso de trabalho escravo, seguindo o princípio da não agressão?

Responder
Jose Roberto Baschiera Junior 07/08/2012 08:41:41

Propriedade privada.

Responder
Marcos Campos 07/08/2012 08:47:07

Mas eu não consigo entender até onde esse consumismo vai...até onde pode chegar com ou sem livre mercado...O que vamos fazer com esses 3 fatores;

Obsolescência Programada: é aquela onde o fabricante, bem sacana, desenvolve um produto para que quebre depois de um certo tempo de uso. Exemplos já comprovados: impressoras e lâmpadas (veja o documentário ao final do post).

Obsolescência Percebida: essa tem como maior culpada a Propaganda. Pois, nesse caso, sentimos a necessidade de comprar um novo produto, mesmo que o nosso produto atual atenda a todas as nossas necessidades fundamentais. Esse é o caso dos smartphones onde o fabricantes inovam muito pouco e fazem barulho na mídia reinventando a roda.

Obsolescência Funcional: essa aqui pode ser legítima ou induzida. Ou seja, é legítima quando uma tecnologia é descoberta e você decide por comprar um produto mais moderno. E julgo induzida para o caso dos computadores que avançam de forma que as peças novas não sejam compatíveis com as antigas e você tenha sempre que comprar um computador novo.

Responder
Juliano 07/08/2012 09:30:11

Obsolescência Programada: se você consegue produzir alguma coisa que dure mais e custe a mesma coisa, tem uma mina de ouro nas mãos. Coloque o produto no mercado e ninguém vai querer produtos que custem a mesma coisa e estraguem.\r
\r
Obsolescência Percebida: o que há de errado em convencer pessoas a comprar o teu produto? Se ninguém foi forçado a nada, palmas para o fornecedor.\r
\r
Obsolescência Funcional: que bom que temos isso! É o outro nome do progresso.\r
\r
Abraços,\r
Juliano

Responder
Marcos Campos 07/08/2012 11:59:21

Não vejo em suas palavras nada de diferente do que já existe hoje, imagino os Brics consumindo iguais Americanos e sinto medo do que vai restar para filhos e netos.

Não se trata de Marx, zeitgeist e o escambal a quatro, trata-se de futuro sem recursos e LIXO
www.youtube.com/watch?v=femennb256E&feature=colike

Responder
Camarada Friedman 07/08/2012 09:49:24

Zeitgeist ? Ou seja... cyber-marxismo. Ideia maravilhosa, eles levam em conta o problema do calculo racional no socialismo a solução é Cyber-Stalin.

Isso é antigo rapa: en.wikipedia.org/wiki/Project_Cybersyn

Responder
Marcos Campos 07/08/2012 11:45:28

Marx? Zeitgeist? Não entendi...

Responder
Angelo Viacava 07/08/2012 17:15:39

Marcos Campos:

Eu assisto a todas as propagandas de automóveis, mas resolvi por vontade própria ficar com o meu usadinho que me leva igual a um zero, aonde eu queira ir. Sou aficcionado por carros, mas separo minha vida financeira de meus desejos de consumo. Decido, por minha vontade, não comprar algo que não caiba em meu orçamento e pronto.

Tivemos uma máquina de lavar roupas daquelas que "duravam pra sempre". Foi consertada tantas vezes quanto a nova que a substituiu. Por vinte anos, se fizesse um cálculo honesto, talvez desse pra ter comprado talvez duas ou três máquinas novas. Mas nos afeiçoamos às coisas de maneira irracional, o que é bem humano, e gera grandes prejuízos sem que os notemos.

E o meu computador de 1994, um 486 com 4MB de RAM até funcionaria hoje em dia. Muito bom pra jogar paciência, fazer texto com formatações ridículas, nem modem de linha discada tinha, pois nem internet havia. São as nossas necessidades de realização, não as pressões do mundo, que nos fazem optar, e não sermos coagidos, a consumir algo que bem nos aprouver. Vive a tua liberdade sem culpas.

Responder
Marcos Campos 07/08/2012 19:28:31

É isso meu caro, falou bem e muito elegantemente.

Responder
Paulo 07/08/2012 09:51:29

Mas por que a China tem nota baixa na questão de "Labor Freedom" no Ranking de Liberdade do Heritage???

Responder
Leandro 07/08/2012 10:53:28

Não sei a metodologia do Heritage e pouco ligo para o que dizem (não dá pra levar a sério um instituto que desconsidera por completo a política monetária de um país em seus relatórios). Porém, pelo que li deles, as regulamentações restritivas foram relaxadas em 2008, e as que restaram não são de fato impingidas.

Adicionalmente, em termos da pontuação deste quesito, a China está bem melhor do que França, Espanha, e muito melhor do que Itália e Portugal. E é exatamente este o ponto do texto.

Portanto, seu espanto e seus três pontos de interrogação seriam desnecessários caso você realmente pesquisasse sobre o que fala.

Abraços!

Responder
Jose Roberto Baschiera Junior 07/08/2012 11:24:21

What Are the Major Aspects of Chinese Labor Law?

blogs.law.uiowa.edu/ebook/uicifd-ebook/what-are-relevant-issues-concerning-chinese-labor-and-employment-law

Responder
Camarada Friedman 07/08/2012 11:36:14

Leandro,

Vale lembrar que a Heritage tira pontos de economias que não respeitam propriedade intelectual. Eles tiram pontos no quesito Property Rights, ou seja, propriedade intelectual = property rights.

Exemplo: www.heritage.org/index/country/turkey

Property rights are generally enforced, but the courts are overburdened and slow, and judges are not well trained for commercial cases. The judiciary is subject to government influence. The intellectual property rights regime has improved, but infringement remains high.

Responder
Rhyan 08/08/2012 12:17:13

Não entendi, Leandro. E o Monerary Freedom? O Japão é o primeiro.

Responder
Leandro 08/08/2012 12:40:41

Rhyan, o "monetary freedom" do Heritage mensura apenas a taxa de inflação de preços. Isso é perigosíssimo, pois, durante algum tempo -- especialmente em países de economia muito aberta --, a inflação monetária pode ser muito alta e a inflação de preços pode ser bem baixa, levando a Heritage a dizer que está tudo perfeito.

Ou seja, pode estar havendo a formação de bolhas e de investimentos insustentáveis, mas tal fato pode não estar sendo percebido. Foi exatamente isso o que aconteceu nos EUA e na Europa em meados da década de 2000.

Pior ainda: pelo critério da Heritage, estas bolhas podem até ser estimuladas (pois, se a inflação de preços está baixa, isso que significa que a política monetária está supimpa).

Em suma, a Heritage não analisa a evolução do crédito nem dos agregados monetários. E isso é essencial.

Abraços!

Responder
Rhyan 08/08/2012 14:26:36

Entendi, Leandro! O Fraser comente o mesmo erro? Eu já disse que falta um ranking austríaco de liberdade econômica, ia ser demais.

Valeu, abraço!

Responder
Tiago Moraes 07/08/2012 09:53:48

Obsolescência Programada: é aquela onde o fabricante, bem sacana, desenvolve um produto para que quebre depois de um certo tempo de uso. Exemplos já comprovados: impressoras e lâmpadas (veja o documentário ao final do post).

Isso é lenda urbana. Não existe obsolescência programada. O que de fato ocorre é a redução média da vida útil de determinado bens, mas isso tem explicação racional. Primeiro é a busca do fabricante em reduzir custos e massificar as vendas, sem este processo, bens de alto valor agregado ficariam restritos às famílias mais abastardas da sociedade. O segundo ponto é a concorrência, não é muito inteligente se investir no desenvolvimento de um bem de alta durabilidade se dentro do seu prazo de validade, os concorrentes lançarem produtos mais sofisticados que terminarão por fazer com que o fabricante perca seus clientes. Exemplo; porque a 10 anos atrás uma empresa de eletro-eletrônicos investiria em televisores de tubo de imagem com durabilidade de 10, 15 ou 20 anos se hoje ninguém mais compra esse tipo de televisor?? O fabricante que fizesse essa opção já teria falido!

Obsolescência Percebida: essa tem como maior culpada a Propaganda. Pois, nesse caso, sentimos a necessidade de comprar um novo produto, mesmo que o nosso produto atual atenda a todas as nossas necessidades fundamentais. Esse é o caso dos smartphones onde o fabricantes inovam muito pouco e fazem barulho na mídia reinventando a roda.

E daí cara? A propaganda não coage você e nem ninguém a nada e tem uma um problema desgraçado em sua afirmação. Nenhuma empresa no mundo, ao lançar um novo produto, vai induzir o cliente a abandonar o antigo, isso porque a substituição ocorre de forma progressiva e ela precisa pulverizar todos os estoques do produto antigo antes de massificar o novo, fora que enquanto a economia de escala em produzir e vender um bem defasado for alta, o fabricante continuará vendendo e anunciando o produto defasado mesmo que o novo já esteja sendo comercializado. Eu nunca vi a Apple fazendo propaganda onde induz os donos de Iphone 1, 2 e 3 a jogá-los fora para comprar a quarta versão. Enquanto o rendimento de escala das versões antigas for lucrativa, eles vão continuar anunciando e vendendo alegremente os produtos mais antigos, até porque leva tempo para o fabricante viabilizar a redução de custos na produção dos produtos mais novos, de forma que a priori eles ainda custam caro e ficam restrito as categorias mais altas da sociedade.

Obsolescência Funcional: essa aqui pode ser legítima ou induzida. Ou seja, é legítima quando uma tecnologia é descoberta e você decide por comprar um produto mais moderno. E julgo induzida para o caso dos computadores que avançam de forma que as peças novas não sejam compatíveis com as antigas e você tenha sempre que comprar um computador novo.

Cara, é raro uma empresa fabricar vários itens diferentes que se configuram como bens complementares, na sociedade atual, os fabricantes se especializam e produzir componentes distintos. Então, não é tão simples assim desenvolver produtos que se encaixam em outros, é preciso que diferentes fabricantes e fornecedores negociem uma eventual padronização que seja economicamente rentável a todos os envolvidos. Se um pente de memória RAM DDR 4 Encaixa em uma placa-mãe, é porque o fabricante da memória negociou com o fabricante da placa e com o fabricante dos slot's, a padronização destes componentes. Não há nada de deliberadamente maldoso para com os consumidores aqui, mas tal fenômeno existe e é das raras vezes que ocorre, é por artimanha do estado, que obriga várias empresas a aderirem a um determinado padrão, para atender as necessidades de alguma empresa de empresário lobista que subornou parlamentares para fazer isso. Um exemplo disso foi a mudança do padrão nas tomadas brasileiras, impostas pelo estado e sem nenhuma justificativa plausível, algo que beneficiou alguns grupos empresariais seletos.

Conclusão: Você parece ter copiado algum texto dos malucos do Zeitgeist.

Responder
Camarada Friedman 07/08/2012 10:15:04

"Conclusão: Você parece ter copiado algum texto dos malucos do Zeitgeist."

HAHAHAHAHAH :D!

Muito bom, Tiago. Parabéns.
Conheço vários Zeitgeisters, não tem como explicar economia pra essa galera. O mais interessante é que eles AFIRMAM ter resolvido o problema do calculo racional no socialismo.

Tem um debate entre o Molyneux e mais uns 3 Zeitgeisters sobre isso ae. Dois deles afirmam ter O ALGORITMO. hahahahahaha...

Responder
Marcos Campos 08/08/2012 08:26:34

Apesar do deboche do Camarada Friedman, que põe palavras na boca dos outros inconsequentemente...eu não ligo, pois estou acostumado á isso, da mesma forma de que quando falo sobre Mises e a EA, as pessoas fazem as mesmas coisas que alguns de vocês fazem aqui.....

Quanto á Thiago, valeu mesmo cara, foi de grande ajuda, pois faço ADM, e estou fazendo um trabalho para o Prof. de Sistema de Informações, sobre o assunto, e gostaria de levar para o debate em turma várias perspectivas, até porque serão indivíduos com opniões individuas e particulares sobre o assunto, algumas delas parecerão Zeitgeist, outras Mises, outras Marx, outras nada....completamente natural...e o debate alinha, lapida de certa forma cada um desses indivíduos....

Sim eu copiei e joguei esse texto aqui...é como jogar carne as feras para ver seus comportamentos, admito até que tenho feito isso mais vezes, e em 80% das vezes fui apedrejado, alguns poucos são elegantes e veem de coração aberto para dialogar sem soberba. Isso também faz parte de outro trabalho que estou fazendo para MTBI e debater em sala de aula, como administrar as personalidades humanas dentro de uma empresa.

Peço desculpas a todos se não fui claro, transparente e ou dissimulado.

Abraços

Ah! Estou no terceiro livro da biblioteca aqui do fórum...excelentes complementares para aprendizagem.

Responder
Juliano 07/08/2012 09:56:34

Tem alguns pontos no texto que não fazem sentido na nossa realidade (Brasil).\r
\r
"Porque as principais exportações de sociedades baseadas no trabalho escravo são matérias-primas, produtos de baixo valor agregado. "\r
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Normalmente esse discurso é usado no Brasil para produtos industrializados e agrícolas. Como o Brasil é um grande exportador de commodities, normalmente a concorrência nessa área nunca foi um grande problema. Ouço o argumento da mão de obra escrava justamente nos produtos industrializados, para proteger "nossos trabalhadores".\r
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"Raramente ouvimos falar de alguma sociedade que tenha imposto tarifas ou outras restrições sobre a importação de minerais industriais ou de matérias-primas".\r
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Pelo contexto, ele está citando commodities, mas são justamente essas as restrições que o Brasil mais luta contra na OMC. Barreiras contra o suco de laranja são outros exemplos, além dos notórios subsídios agrícolas muito presentes nos EUA e Europa.\r
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"Não há restrições governamentais à movimentação dos trabalhadores. Eles têm liberdade de decidir para onde querem ir e onde querem trabalhar. Há muito poucas leis e restrições governamentais sobre a contratação destes trabalhadores. Não há praticamente nenhum sistema de seguridade social imposto pelo estado."\r
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Não conheço muito a realidade da China, mas estou longe de considerá-la um modelo de livre comércio. Lembro de ter ouvido sobre um alto controle sobre migração e não devemos esquecer que falamos de um país oficialmente comunista. Não duvido que o governo por lá se alie a empresários para explorar a camada pobre da sociedade agindo como bem queira. Fico com a impressão de agirmos com uma certa ingenuidade ao atribuirmos essas "qualidades" ao modelo chinês. Eles não podem decidir por conta própria nem quantos filhos vão ter.\r
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A China permitiu que grandes empresas começassem a se estabelecer por lá, tem um histórico de poucas exigências trabalhistas e consegue manter um custo de mão de obra baixo, mas isso não faz de ninguém um liberal. \r
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Não estou defendendo mecanismos de proteção contra produtos chineses, principalmente mantidos pelo Estado. Só também defendo que a gente tome cuidado ao tratar o crescimento chinês como um milagre do livre mercado pois não é bem essa a verdade. A realidade é muito complexa e a China é uma das maiores ditaduras do planeta, se não for a maior.\r
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Abraços,\r
Juliano

Responder
Leandro 07/08/2012 10:34:20

Prezado Juliano, não entendi seu ponto e também não entendi sua afirmação sobre a realidade do texto ser outra. A realidade é idêntica para qualquer país que diga estar se "protegendo" contra a China.

Sim, todos os países dizem que querem impor tarifas de importação para proteger seu setor industrial contra os produtos chineses. E a "justificativa" para isso é que os chineses são trabalhadores escravos e seus produtos são baratos. Esse "argumento" é o mesmo tanto nos EUA quanto na Europa quanto no Brasil. E exatamente isso que o texto ironiza.

Logo, não entendi você dizer que "Normalmente esse discurso é usado no Brasil para produtos industrializados e agrícolas". Ora, é exatamente disso que o texto fala: proteger o setor industrial.

Quanto aos subsídios agrícolas nos EUA, a justificativa dos americanos não é o "trabalho escravo" dos brasileiros, mas sim o velho protecionismo de sempre, a "necessidade" de se impulsionar a agricultura nacional. Ou seja, o contexto nesse caso é outro; não é o assunto do presente texto.

Quanto a fazer elogios ao modelo chinês, ao menos neste site, tenho certeza de que você jamais os viu. E tampouco este texto o faz. Portanto, pediria mais cuidado ao fazer estas ilações. O texto apenas diz que as coisas no Ocidente estão degrigolando velozmente, ao passo que os chineses, ainda que capengando, estão adotando medidas bem mais liberais do que nós.

Abraços.

Responder
Juliano 07/08/2012 11:18:34

Oi Leandro,\r
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"Raramente ouvimos falar de alguma sociedade que tenha imposto tarifas ou outras restrições sobre a importação de minerais industriais ou de matérias-primas."\r
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Esse raramente não soou bem. É bem comum ouvirmos de medidas protecionistas contra produtos agrícolas brasileiros, também usando a história de usar mão de obra escrava (cana de açúcar é um caso bem famoso), além dos conhecidos argumentos ambientais. Pode ser apenas um problema de percepção da minha parte.\r
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"Quanto a fazer elogios ao modelo chinês, ao menos neste site, tenho certeza de que você jamais os viu. E tampouco este texto o faz. Portanto, pediria mais cuidado ao fazer estas ilações. O texto apenas diz que as coisas no Ocidente estão degrigolando velozmente, ao passo que os chineses, ainda que capengando, estão adotando medidas bem mais liberais do que nós."\r
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Fiquei com a impressão que a parte que aborda a liberdade dos trabalhadores chineses ficou um pouco otimista demais. Além da questão da liberdade de movimentação de pessoas, que não parece existir, a gente sabe muito pouco sobre a liberdade que eles têm de se organizar ou trocar de emprego. O pêndulo parece estar muito do lado dos empresários, que têm amplo apoio governamental pra fazer o que quiser. Só fiz a observação porque eu sempre me policio na hora de usar a China como exemplo. É um pouco parecido com Cuba, que se orgulha de "exportar médicos", quando na verdade os obriga a ficar trancados em uma sala atendendo para depois retornar à ilha presídio. Ao mesmo tempo que eles têm um sistema de medicina bem mais enxuto e abrangente, exercem um controle absurdo sobre as pessoas que trabalham por lá.\r
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Apesar de ter sido crítico nas minhas colocações, o texto é muito bom e super atual.\r
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Abraços,\r
Juliano

Responder
Leandro 07/08/2012 11:22:26

Juliano, produtos agrícolas não são 'minerais industriais' ou 'matérias-primas' para a indústria. Acho que essa foi a sua confusão.

Quanto a China, apenas repito o que falei acima.

Abraços!

Responder
Everybody lies 07/08/2012 10:23:05

Obsolescência Percebida: Ao meu ver o que é difícil nessa é que você será tratado com chacotas caso apareça por aí com, por exemplo, um celular que é visivelmente antigo mas que atenda suas necessidades. Algumas pessoas tentam se auto-afirmar (seja lá o que isso signifique) com a posse desses itens modernos (mesmo que apenas na aparência). As empresas tentam incentivar isso, pois é lucrativo para elas. Entretanto isso só funciona porque os consumidores assim o desejam. Infelizmente, para você, a situação não tem solução. Você precisa aguentar a "humilhação" e preservar seu dinheiro ao não adquirir um bem que seria inútil para você ou ceder e comprar o bem e parar com a chacotas. Mesmo argumento vale para "carro do ano", dentre outros. A tal "ditadura dos consumidores" se revela novamente nessa situação, mas não existe uma forma não-ditatorial de impedir isso.
Argumentos semelhantes podem ser elaborados em relação as outras obsolescências. Elas existem porque os consumidores as apoiam. O fato de você desejar algo que quase ninguém deseja acaba acaba sendo ruim para você? Sim, mas o mercado é isso aí.

Responder
Patrick de Lima Lopes 07/08/2012 15:23:12

Se um indivíduo vai à minha casa e ostenta o celular novo dele, não farei nada além de estar contente por sua aquisição. Por mais que crianças tenham a tendência a invejar os brinquedos de outras, adultos necessitam reconhecer que desde que o aparelho fora comprado honestamente através do trabalho/investimento do visitante, não há nenhuma razão para impor as formas com que o bem será utilizado.
Ao compararmos a suposta violência simbólica imposta pelas "novidades" tecnológicas, pouco esta será quando comparada ao preconceito sofrido por grupos minoritários da sociedade como homossexuais, consumidores de drogas e ateus.
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Da violência simbólica e dos valores morais do ocidente.

Nossa cultura ocidental possui uma forte tendência à humildade material por questões históricas, sociais e religiosas que não farei menção aqui. Em outras palavras, qualquer ato que possa vir a demonstrar-se uma ostentação de riqueza é imediatamente identificado negativamente. Ou seja, embora defende-se a existência de algum tipo de preconceito voltado contra a "falta da aquisição", o mesmo ocorre no sentido inverso.

Voltando ao exemplo do meu amigo que ostenta o novo celular, iremos verificar que enquanto ele orgulha-se da sua aquisição, muitos daqueles que o fitam tenderão a adotar imediatamente sentimentos morais que reprovam suas ações.

Um outro grande exemplo é a comunidade dos Amish. Os Amish consideram a aquisição a fonte do orgulho e por isso recusam-se em adotá-la. Porém, ao fazer isso, eles criam um outro tipo de orgulho que opera no exato sentido inverso da reação supracitada, ou seja, orgulham-se da não-aquisição.
(Ambos os "orgulhos" também podem ser lidos como valores).

(Eu mencionaria Nietzsche pois sua metáfora do "Forte e do Fraco" e termos mencionados em "Assim Falou Zaratustra" como a "Pregação da Morte" tratam destes temas morais com precisão térmica. Entretanto, creio que ele não é muito popular nesta comunidade).

Por mais que um Amish reprove o fato de eu ter um computador e eu(hipoteticamente) reprove o fato de ele não ter um chuveiro, nós reconhecemos que cabe a nós mesmos determinar o que fazemos com o fruto do nosso trabalho. Se eu encontrá-lo na rua e mostrá-lo o quão incrível é meu novo "Iphone1000GSxGalaxySuper", ele simplesmente irá reconhecer que eu tenho o direito de ser idiota.
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Admito que em partes, compreendo o que meu amigo Amish sentiu. Pois apenas alguns dias antes um certo indivíduo veio à minha mesa e mostrou seu "Ipad GigaAlphaMegaSuperStar" e não pude deixar de pensar sobre o quão desnecessário é ter um destes. Contentei-me com meu outro produto pois este satisfaz minhas necessidades por custos que a mim são agradáveis. Mas noto que meu vizinho não gosta dos nossos "Iobjetos", ele prefere os "XYZobjetos" e estes agradam a outros tipos de preferências.

E é POR ISSO que existe um mercado tão vasto. Indivíduos que são adeptos de preferências/valores/fetiches diferentes irão consumir outro tipo de bem pois estes procuram finalidades diferentes. Talvez meu vizinho queira apenas demonstrar o quão legal é o celular caríssimo que ele comprou e a filha dela esteja sempre vestindo preto porque é integrante de alguma cultura gótica.
Quanto a mim? Prefiro os baixos custos pois apenas busco um instrumento de comunicação. Não quero vestir-me como gótico ou gastar muito dinheiro com aquisições. Para cada um de nós, há milhares de opções que buscam agradar às nossas demandas tão diferentes e esquizofrênicas.
E é para isso que existe o mercado. Sim, o mercado é isso aí.
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P.S: Desculpe se não fui direto o suficiente.

Responder
Everybody lies 07/08/2012 17:11:40

Concordo com tudo. Em algumas situações podemos ter a impressão de que certas empresas (considerando aqui as que não tem a proteção do estado) estão elaborando estratégias para prejudicar os consumidores, mas na grande maioria das vezes isso é falso. Temos essa impressão devido ao fato de algumas características que consideramos importantes terem sido negligenciadas pelo produtor (ou outras que consideramos irrelevantes terem sido levadas em conta), mas isso deve-se a impossibilidade que esse tem de agradar a todos. Os que ficam com as impressões negativas mencionadas apenas fazem parte de um grupo mais restrito dentro do universo de compradores.
E o argumento inverso foi interessante. O "preconceito" pode surgir na direção oposta também. Mostra-se tanto para os que consomem avidamente quanto para os que são mais moderados. Cada um deve decidir o que fazer com o fruto de seu trabalho, aceitar que sempre existirão preconceitos e defender suas escolhas, pois adquirir um bem apenas para não ser criticado é atitude de uma pessoa que é menos livre do que poderia ser.
Resumindo: as obsolescências citadas existem, antes de serem incentivadas pelas empresas (e elas tem todo direito de fazer isso) elas surgem pelas preferências de alguns consumidores e nada no âmbito legal deve ser feito para impedi-las.
Entretanto, considero uma atitude totalmente aceitável a divulgação da existência desses fatores, não com o objetivo de demonizar as empresas (pois não estão forçando ninguém a nada), mas com a intenção de fazer os consumidores entenderem melhor a dinâmica do mercado onde estão inseridos. Nada de ruim em manter as pessoas informadas, não? Basta não tentar fazer cabeças rolarem. Influenciar sem agredir é válido para os dois lados. E nesse caso é inclusive bom para a poupança, certo?

Responder
Patrick de Lima Lopes 07/08/2012 19:06:51

Em primeiro lugar, todo aparelho possui uma vida útil que jamais pode ser medida com precisão. Esta tal de "obsolescência programada" é uma espécie de lenda urbana, como foi revelado exaustivamente nos comentários dos meus colegas austríacos.

Aqui está a resposta do Tiago: (Irei manter a resposta dele porque está tarde aqui, desculpe. Estou tendo mais foco na obsolescência funcional)

"Isso é lenda urbana. Não existe obsolescência programada. O que de fato ocorre é a redução média da vida útil de determinado bens, mas isso tem explicação racional. Primeiro é a busca do fabricante em reduzir custos e massificar as vendas, sem este processo, bens de alto valor agregado ficariam restritos às famílias mais abastardas da sociedade. O segundo ponto é a concorrência, não é muito inteligente se investir no desenvolvimento de um bem de alta durabilidade se dentro do seu prazo de validade, os concorrentes lançarem produtos mais sofisticados que terminarão por fazer com que o fabricante perca seus clientes. Exemplo; porque a 10 anos atrás uma empresa de eletro-eletrônicos investiria em televisores de tubo de imagem com durabilidade de 10, 15 ou 20 anos se hoje ninguém mais compra esse tipo de televisor?? O fabricante que fizesse essa opção já teria falido!"

(Meu velho Super-Nintendo é quase tão velho quanto eu e funciona perfeitamente. Todo o equipamento dele é completamente operacional com perfeição)

Agora, e quanto ao "desperdício" de recursos escassos?

O argumento que raramente é explorado pelos defensores da obsolescência "programada" devido à pouca pesquisa que fazem a respeito da retórica do "A história das coisas".
Vamos tomar a "Obsolescência Programada" como um fato. O "desperdício" de recursos escassos que ocorre com os objetos que são supostamente feitos para quebrar não deveria ser o maior problema?
Acontece que há algo incrível sobre o lixo: Ele é mais barato que a própria matéria prima em si. É perfeitamente possível a utilização destes recursos escassos e esta já acontece, mesmo em países como o Brasil. Um bom exemplo era Gramacho, no Rio, por exemplo, onde empresas pagavam coletores de materiais recicláveis para recuperar recursos úteis.
Todo o setor do reaproveitamento vem crescendo nos últimos anos. Este não cresce porque seus integrantes querem "salvar a mãe Terra", cresce porque é lucrativo.

E se um recurso "acabar"?

Na década de 50, o consumo do cobre era essencial para formar linhas de telefone. Consequência: O preço do cobre disparou e já falava-se sobre como o mundo ia cair em uma crise mundial.
Com a disparada do preço do cobre, rapidamente tecnologias secundárias foram sendo desenvolvidas e colocadas em prática por empresas privadas para que pudessem diminuir seus gastos com a matéria prima.
Consequência: Uso da fibra óptica. Hoje é possível ter quase 0 de gastos com linhas de transmissão simplesmente porque eles não existem mais.
O mesmo acontece atualmente no setor energético e no setor dos combustíveis. Na Europa, onde há uma carência energética muito grande, a tecnologia de geração de energia por métodos alternativos vem sendo um dos "trending topics" da região Estas empresas não estão desenvolvendo novas tecnologias porque amam o planeta, mas sim porque buscam lucros. E para obter tais lucros, eles precisam fazer com que tais bens tenham preços acessíveis e qualidade adequada para que agradem ao consumidor.
(Apesar de a questão real ser extremamente mais complexa pois há fortes implicações estais na experiência européia).
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Já falamos sobre a obsolescência perceptiva. Exaustivamente.
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'' funcional.

Sim, eu também queria que meu Super Nintendo rodasse filmes em Blu-Ray. Mas infelizmente, a empresa que o fez(Parceira da burguesia japonesa/máfia) o programou especialmente para que ele não pudesse ser adaptado a rodar filmes em HD.
É uma pena, concordo. E o pior é que é apenas uma peça muito pequena que falta em meu Super Nintendo para que ele tenha a potência de um computador da NASA. Triste, não?
(Perdoe-me. Não pude perder a piada)

(Antes de ler o próximo texto, tome em mente que não sou o maior especialista neste assunto. Eu era marxista, passei a ser do "Zeitgeist Movement" e agora estou aprendendo economia. Recomendo que, em caso de dúvidas, tente solucioná-las pergunto ao Leandro ou ao Fernando Chiocca.)

Bem, comprei uma placa de vídeo recentemente. Uma Radeon HD 5870, ela foi lançada ao mercado em 2009 e era considerada a mais poderosa placa da época.

Quando eu a comprei, seu preço já estava menor. (Nos padrões brasileiros; ou seja, custava o suficiente para alimentar uma aldeia da Etiópia). Estas empresas que supostamente criam produtos que necessitam que o computador seja completamente renovado não estão mirando pelo consumidor imediato.

Por duas razões:
Primeiro porque a tecnologia da computação não anda de forma uniforme. Se a ATI criar uma mega placa gráfica não significa que a Intel criará uma mega placa mãe para sustentar a ATI. (Levando em questão que não há nenhuma aliança entre ambas).

Segundo, raramente um produto QUALQUER é lançado apenas ao consumidor imediato. Ainda hoje vejo gente comprando a Radeon HD 5870 pois seu preço tende a diminuir conforme a demanda agregada a ele volta-se a produtos mais recentes. E a fabricação desta placa ainda não cessou, continua firme e forte; apesar de as placas atuais serem mais poderosas.

Outro fator que precisa ser comentado é que as preferências dos consumidores são completamente diferentes. Eu utilizo meu computador para jogos, então desejo uma máquina com uma determinada eficiência gráfica. João, meu vizinho, é designer gráfico, ele também precisa de uma máquina poderosa mas com maior prioridade pois seu trabalho depende disto(Enquanto o computador é um mero bem para mim, é capital para o João).

Já a Joana, esposa do João, utiliza o computador para pagar contas e ficar no Facebook. Ela não precisa de nenhuma máquina da NASA, por isso é até mais vantagem que ela compre um modelo de Notebook que já está por aí desde a era jurássica. Apesar de ser antigo, ele atende as necessidades da consumidora de forma extremamente eficiente.
(Apenas um lembrete: Se nesta altura do campeonato você não souber o que gera o valor de um determinado bem de consumo ou serviço, recomendo que leia as "6 lições" de Mises e comece do 0)
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Minhas recomendações são:
Cuidado com a retórica do "A História das Coisas". Eu recomendo um vídeo do Lee Doren, do canal howtheworldworks: (Em inglês)
www.youtube.com/watch?v=c5uJgG05xUY
Ele, liberal austríaco(creio), faz uma crítica integral do vídeo. Eu nunca cheguei a assistir à crítica, mas sou fã do canal e sempre o recomendo. Agora, se você não sabe inglês, infelizmente só poderá encontrar ajuda aqui.

A melhor coisa que eu poderia fazer seria traduzir este vídeo e publicar em meu canal, com certeza eu obteria muitas visualizações ao agradar um mercado que quer aprender economia mas que infelizmente não sabe inglês... Uma pena é que não sei usar o software de tradução. (Uma rápida passagem para refletir em relação à divisão de trabalho)

Qualquer pergunta, pode fazer. Não sou especialista ainda, mas tentarei responder.

Responder
Luis Almeida 07/08/2012 11:45:00

Sempre é válido também relembrar este artigo do Schiff:

A China "comunista" e a América "capitalista"

Responder
Joao Ribeiro 07/08/2012 12:13:29

Leandro,

Uma questão!

Sobre a moeda chinesa (altamente protecionista e artificial pelo seu baixo valor). É justo fazer mercado livre nestas condições?

A minha maior dúvida sobre a China é essa.

Abraço

Responder
Leandro 07/08/2012 12:42:12

Prezado João, esta questão do câmbio chinês é outra lenda urbana.

Dizer que a moeda chinesa é "artificial" faz tanto sentido quanto dizer que o franco suíço é artificial (afinal, hoje o franco suíço está atrelado ao euro).

O fato é que o Banco Central chinês vem há muito tempo operando, na prática, como um currency board, isto é, uma mera agência de conversão que troca dólares por iuanes a uma taxa fixa. Isso significa que, quanto mais o país exporta, mais dólares fluem para lá, e mais iuanes são criados tendo estes dólares como lastro. É exatamente assim que funcionaria a economia de um país sob um padrão-ouro, por exemplo. E é exatamente isso o que ocorre quando Minas Gerais exporta mais para a Bahia: aumenta a quantidade de dinheiro em MG.

Existe uma grande diferença entre um país que deliberadamente compra moeda estrangeira para desvalorizar sua moeda (como faz o Brasil), e um país que permite que o livre fluxo de dinheiro estrangeiro para seu país (como faz a China ou países que adotam currency boards) expanda a moeda local.

Neste sistema, a oferta monetária de um país varia da mesma maneira que a oferta monetária de Minas Gerais varia quando seus habitantes transacionam com os habitantes de Goiás. O país que adota o Currency Board passa a funcionar como se fosse um estado do país emissor da moeda utilizada como âncora pelo Currency Board -- por exemplo, além da China, Hong Kong funciona como se fosse mais um estado americano; Estônia, Bulgária e Lituânia funcionam como se fizessem parte da zona do euro.

Se hoje estivéssemos em um regime de padrão-ouro, as reservas em ouro da China estariam crescendo talvez até mais rápido que no sistema atual. Como a China produz cada vez mais, e na média há um consumo menor do que sua produção, o ouro fluiria para a China. E a quantidade de dinheiro na China cresceria em consequência disso, não por "manipulação", mas sim por fatos do mundo real.

Logo, dizer que a China está causando distúrbios na economia global por causa do iuane "artificialmente desvalorizado" não faz nenhum sentido. Causando distúrbios como? A capacidade exportadora e de poupança dos chineses tem como consequência um fluxo de moeda para a China vindo dos outros países, inclusive EUA. Afinal, se coletivamente os chineses poupam mais do que consomem, alguém no resto do mundo está comprando seus produtos, e é inevitável que a moeda flua para a China. Os americanos, por outro lado, escolheram (coletivamente) consumir mais do que produzir. E há, por enquanto, financiadores deste comportamento. Isso não é um distúrbio. E se for, ele é originado nos EUA, e não na China. Quem consome mais que produz terá que pagar a conta no futuro. Quem produz mais do que consome coleta juros e dividendos sobre esta sua poupança, e portanto não possui problema.

O regime chinês, portanto, tem se comportado como um virtual currency board, e nos momentos em que não se comportou assim, foi porque valorizou o iuane, como mostrado no gráfico deste artigo. O que acontece na China é exatamente o que acontece entre estados brasileiros que fazem transações comerciais entre si, e é o que ocorreria a um país exportador caso o mundo estivesse sob um padrão-ouro.

Abraços!

Responder
Andre Cavalcante 07/08/2012 20:30:27

Leandro,

Deixe-me fazer umas questões: pelo que cê colocou, seria uma boa o Brasil adotar uma política semelhante, isto é, seria melhor termos um câmbio fixo a, digamos, R$2,00 o dólar e o BACEN ficar somente trocando reais por dólares e vice-versa? Parece-me que sim porque o Brasil também é um exportador (ao menos de commodities). Que outros impactos seriam sentidos na nossa economia? Uma política como essa também estabilizaria (exceto pela questão da produtividade, é claro) as relações com a China? Há alguma possibilidade de o governo adotar algo semelhante?

Abraços.

Responder
Leandro 08/08/2012 04:07:53

Prezado André, "seria uma boa" é algo bastante subjetivo. Uma política de âncora cambial é extremamente desejável para um país que possua um banco central avacalhado e que por isso sofre de grande inflação de preços. Por exemplo, a população da Venezuela e da Argentina ganharia com isso. Por outro lado, caso a Suíça, a Austrália ou o Canadá fizessem isso, sua população perderia, pois seus bancos centrais são menos inflacionistas que o Fed.

O Brasil fez algo muito semelhante a isso na primeira fase do plano real, sendo que a parte final deste artigo se encarregou de elencar as vantagens de se abolir completamente uma moeda nacional mal administrada em prol de uma moeda estrangeira mais bem administrada.

No caso do Brasil atual, primeiro teríamos de chegar a uma taxa de câmbio "estável" para só então definirmos o valor da conversão, o qual estaria fixo dali pra frente. Mas o problema é que tal processo abre muito espaço para arbitrariedades. Logo, em vez de taxa de câmbio fixa, ainda é muito melhor adotar outra moeda, como dito no parágrafo anterior. Quanto mais longe nossos políticos estiverem do controle da moeda, melhor.

Quanto às suas últimas perguntas, a resposta de cada uma delas vai depender de quem é a pessoa, se é exportadora ou consumidora. Os interesses são bem divergentes. E sobre a última pergunta, isso já é meio o que o governo está fazendo atualmente: mantendo o dólar entre R$2 e R$2,05.

Abraços!

Responder
Alexander Jarosch 07/08/2012 19:23:29

Entro em contato direto com diversos fornecedores chineses. Eles trabalham das 9:00 às 18:00 com 1 hora de almoço. Essa idéia de que lá tem trabalho escravo é ultrapassada e uma tremenda desculpa esfarrapada.

Responder
Tiago Moraes 08/08/2012 08:18:44

Verdade, a única diferença efetiva na jornada de trabalho deles é que a folga é uma vez na semana, o pessoal lá faz rodízio para alternar os trabalhos nos Sábados e Domingos. Na China, o mercado funciona em horário comercial durante todos os 7 dias da semana. Eles também quase não tem feriados, se eu não me engano são apenas dois, o Ano Novo chinês, cujas comemorações duram em torno de uma semana e o dia da revolução maoísta. Outra lenda urbana que muito se comenta sobre a China são os salários, meu pai esteve na feira industrial de Guangzou e pelo que passaram para ele, a média salarial do trabalhador industrial e urbano chinês é muito próxima da brasileira. A Renda per capita da China é baixa por causa do pessoal que vive na zona rural e que puxa o índice para baixo, mas se só considerassem as cidades, a renda média dos chineses seria equiparável aos dos outros Bric's. O que torna a China competitiva são os poucos impostos é a baixa burocracia, que pode ser ainda mais atenuada mediante o suborno dos servidores, prática muito comum por lá. A infra-estrutura para escoamento de produção deles é, em certas ocasiões, até superior ao dos países desenvolvidos.

Responder
eduardo 08/08/2012 12:09:55

Tiago,\r
\r
nunca vi a comparação que você citou, então fui atrás dos dados sobre as rendas per capita das regiões chinesas e do brasil, corrigidos pelo poder de paridade de compra (ppp). \r
\r
Sobre a china, achei aqui:\r
www.economist.com/content/all_parities_china\r
\r
Para o brasil, achei apenas o valor para o país, que era de $11.273:\r
www.indexmundi.com/brazil/gdp_per_capita_(ppp).html\r
\r
A renda do brasil está abaixo da observada nas seguintes províncias chinesas:\r
\r
Province GDP/person Population\r
Shangai 22.983,00 23M\r
Beijing 20.841,00 20M\r
Tianjin 19.284,00 13M\r
Jinagsu 13.714,00 78M\r
Inner Mongolia 13.108,00 24M\r
Zhejiang 12.876,00 54M\r
guangdong 12.074,00 104M\r
\r
Essas regiões somadas correspondiam em 2010 a uns 45% do pib em ppp da china. E a renda média da china era de 7.544. Claramente, os "escravos" estão ganhando bem.

Responder
Camarada Friedman 08/08/2012 09:25:10

Existe alguma democracia que liberalizou a economia tanto quanto os chineses ? Perto dos chineses eu só consigo por o nome de outras ditaduras: Vietnã, Chile...

Responder
Juliano 08/08/2012 12:08:35

Como é que vc vai liberalizar alguma coisa em democracias? Dá pra imaginar um candidato que defenda vender empresas públicas, vender universidades, dimunuir os repasses para o SUS?\r
\r
Por mais bem intencionado que o cara seja, tem muita gente dependente do status quo. Se o cara pagou 100 mil por uma licença de taxi, é óbvio que ele vai ficar incomodado com a idéia de que isso saia "de graça". A categoria se organiza e começa a fazer pressão, lutando pelos direitos dos taxistas.\r
\r
O mesmo vale pra qualquer grupo que dependa de alguma amarra criada pelo governo. Apesar de gerar benefícios para um monte de gente, a liberação nunca rende votos. Ninguém ganha eleição dizendo que não vai resolver um problema, que vai deixar as pessoas resolverem isso por conta própria.\r
\r
Esse é também um dos motivos pelo qual o Estado só cresce. Quando o governo decide aumentar os investimentos em uma área ele não consegue diminuir em outras. O custo político de qualquer diminuição é sempre muito alto. Assim, a conta só sobe.\r
\r

Responder
Camarada Friedman 08/08/2012 12:31:51

É exatamente esse meu ponto. Eu andei dando uma pesquisada aqui e no mises.org e só encontrei duas liberações(leves) pela via democrática Inglaterra e Nova Zelândia.

Isso é desesperador... O que fazer ?

Responder
Juliano 08/08/2012 12:49:38

E em ambos os casos isso só aconteceu porque o governo entra em colapso em alguma área, abrindo espaço para alternativas. Foi o que aconteceu também por aqui com o governo FHC. A gente ficou convivendo com uma inflação absurda por anos a fio até que o governo conseguisse o apoio político necessário pra diminuir um pouco. E nada sem muita luta a com um altíssimo custo político. O PSDB ganhou a fama de entreguista por essa fase e tenta até hoje se livrar dela.\r
\r
Normalmente alguma área econômica se estrangula dentro do próprio Estado tornando a sua privatização a única alternativa. Não consigo ver muita saída fora disso.\r
\r
Os próprios EUA só conseguiram criar um Estado enxuto porque criaram um país totalmente novo. O mesmo aconteceu com Canada e Austrália. Na Inglaterra e Alemanha, por exemplo, foi a descentralização política que sempre limitou o tamanho do governo central, não exatamente um ideal liberal.

Responder
Camarada Friedman 08/08/2012 13:04:17

Sim, eles só liberam quando não da mais pra enganar e mesmo assim saem como vilões. É quase impossível ganhar do esquadrão de zumbis que saem da universidade pública, e a demagogia dos políticos, então ?

Sou totalmente cético, vou morrer e não vou ver a liberdade.

Responder
anônimo 08/08/2012 17:14:10

kkkkkkkkkk 1 exemplo , um TORNEIRO CNC nos EUA chega a ganhar 4 mil dólares por més , o mesmo Torneiro CNC na CHINA ganha 300 dólares por mês, como se abre o mercado totalmente dos EUA para a CHINA, seria a falência dos EUA na hora.
O serviço SEMI-Escravo na China se refere aos míseros salários pagos na china para o POVO Trabalhador.

Responder
Leandro 08/08/2012 17:57:25

Entendi, anônimo. Segundo esta sua nova lógica, quanto maiores forem os preços dos bens e serviços, mais rica será a sociedade. Quanto menores, mais pobre. Se os americanos, em vez de pagarem US$4.000 pelos serviços de um torneiro, começarem a pagar US$300 (algo que não tem a mínima chance de ocorrer, mas vamos supor que sim), então toda a sociedade estará mais pobre. Mas aí fica a pergunta: o que ocorrerá com os US$ 3.700 que estão sendo poupados? Serão utilizados em lareiras ou serão investidos ou consumidos em outras áreas da economia? Pois é.

Adicionalmente, segundo esta sua primorosa lógica, se amanhã os preços dos bens e serviços triplicarem aqui no Brasil, a sociedade estará três vezes mais rica. Se os preços caírem, todo mundo estará mais pobre. Certo? É exatamente isso que você está inferindo.

Se você for coerente, terá doravante de começar a doar pelo menos metade de seu ordenando mensal. Fazendo isso -- ou seja, aumentando suas despesas --, você estará magicamente mais rico. Palavras suas.

Abraços!

P.S.: agora, caso realmente esteja a fim de aprender mais coisas, recomendo este artigo, que explica com mais detalhes por que este seu cenário não ocorreria.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1131

Responder
Anonimo 11/08/2012 09:57:47

resistir.info/brasil/benayon_16jul12.html


Por Adriano Benayon [*]

1. A desindustrialização do Brasil ($Real) não tem sido explicada adequadamente, sequer pelos economistas menos vinculados à ideologia das corporações transnacionais.

2. Em entrevista à BBC (13/07/2012), Gabriel Palma, professor da Universidade de Cambridge, Inglaterra, lembrou que, em 1980, a produção industrial no Brasil superava a do conjunto formado por China, Índia, Coreia do Sul, Malásia e Tailândia e que, em 2010, já não representava senão 10% do total produzido nesses países.

A emissão de moeda para subsidiar a indústria.
A inflação foi absorvida pela alta nos preços dos produtos.
O fim da inflação leva o fim da indústria.

A emissão de crédito para subsidiar a indústria.
O crédito será absorvido pela alta nos preços
O fim do crédito leva o fim da indústria

Responder
Paulo 01/12/2012 22:42:44

Significado de Escravo

adj. e s.m. Que ou quem está sob o poder absoluto de um senhor que o aprisionou ou o comprou.
Que ou quem está na dependência de outro.
Que ou quem é presa de um sentimento, de um princípio: escravo do dever.

Alguém tem duvida que a mao de obra chinesa é totalmente escrava?
Um povo que nao tem direito a buscar conhecimento nao é escravo?
Um povo que nao pode ter Google senão aprende demais e começa a pensar nao é escravo?

É tão obvio a estratégia da China e ninguém faz nada?

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