A natureza econômica dos lucros e dos prejuízos
O surgimento dos lucros e dos prejuízos

Em um sistema capitalista de organização econômica, os empreendedores determinam como serão os processos de produção.  Porém, nesta tarefa, caso haja livre concorrência e uma genuína liberdade de entrada no mercado, eles sempre estarão total e incondicionalmente sujeitos à soberania do público consumidor. 

Aqueles empreendedores que se mostrarem incapazes de produzir, da melhor e mais barata maneira possível, os bens e serviços que os consumidores estão demandando com mais urgência, sofrerão prejuízos e serão, em última instância, eliminados de sua posição empreendedorial.  Outros empreendedores que tenham maior capacidade administrativa e que saibam melhor como servir aos consumidores substituirão estes que fracassaram.

Se não houvesse incertezas no mundo, se a economia fosse um arranjo uniforme e homogêneo, e se todas as pessoas fossem capazes de antecipar corretamente o estado futuro do mercado, os empreendedores não teriam lucros e nem sofreriam prejuízos.  Eles apenas comprariam seus fatores de produção a preços que, já no instante da compra, refletiriam completamente os preços futuros dos bens por eles produzidos.  Neste arranjo, simplesmente não haveria espaço nem para lucros nem para prejuízos.

O que possibilita o surgimento do lucro é a ação empreendedorial em um ambiente de incerteza.  Um empreendedor, por natureza, tem de estar sempre estimando quais serão os preços futuros dos bens e serviços por ele produzidos.  Ao estimar os preços futuros, ele irá analisar os preços atuais dos fatores de produção necessários para produzir estes bens e serviços futuros.  Caso ele avalie que os preços dos fatores de produção estão baixos em relação aos possíveis preços futuros de seus bens e serviços produzidos, ele irá adquirir estes fatores de produção.  Caso sua estimação se revele correta, ele auferirá lucros.

Portanto, o que permite o surgimento do lucro é o fato de que aquele empreendedor que estima quais serão os preços futuros de alguns bens e serviços de maneira mais acurada que seus concorrentes irá comprar fatores de produção a preços que, do ponto de vista do estado futuro do mercado, estão hoje muito baixos.  Consequentemente, os custos totais de produção — incluindo os juros pagos sobre o capital investido — serão menores que a receita total que o empreendedor irá receber pelo seu produto final.  Esta diferença é o lucro empreendedorial.

Por outro lado, o empreendedor que estimar erroneamente os preços futuros dos bens e serviços irá comprar fatores de produção a preços que, do ponto de vista do estado futuro do mercado, estão hoje muito altos.  Seu custo total de produção excederá a receita total que ele irá receber pelo seu produto final.  Esta diferença é o prejuízo empreendedorial.

Assim, lucros e prejuízos são gerados pelo sucesso ou pelo fracasso de se ajustar as atividades produtivas de acordo com as mais urgentes demandas dos consumidores.  Tão logo este ajuste correto seja alcançado, lucros e prejuízos desaparecem.  Os preços dos fatores de produção chegam a um nível em que os custos totais de produção coincidem com o preço do produto final.  Lucros e prejuízos são fenômenos que só existem constantemente porque a economia está sempre em contínua mudança, o que faz com que recorrentemente surjam novas discrepâncias entre os preços dos fatores de produção e os preços dos bens e produtos por eles produzidos, e consequentemente haja a necessidade de novos ajustes.

A função do empreendedor

A função essencial do empreendedorismo é descobrir em quais mercados estão ocorrendo estas discrepâncias entre os preços atuais dos fatores de produção e os preços futuros dos bens e produtos por eles produzidos.  Uma vez descoberto este mercado, o empreendedor organizará os fatores de produção (mão-de-obra e bens de capital), produzirá os bens e serviços demandados pelos consumidores e auferirá lucros.

Muitas vezes, esta discrepância de preços poderá ser decorrente do fato de que novos métodos tecnológicos ainda não foram empregados em seu máximo potencial, de modo que a demanda dos consumidores ainda não foi satisfeita da melhor forma possível.  Mas não necessariamente será sempre assim.  Mudanças na economia, especialmente na demanda dos consumidores, podem exigir ajustes que nada têm a ver com aprimoramentos e inovações tecnológicas.  O empreendedor que simplesmente aumenta a produção de um bem ao acrescentar um novo equipamento às suas atuais instalações, sem fazer nenhuma mudança em seu método tecnológico de produção, continua sendo tanto empreendedor quanto aquele indivíduo que inaugura um novo método de produção.

A atividade de um empreendedor não é a de meramente experimentar novos métodos tecnológicos, mas sim a de selecionar, entre vários métodos tecnologicamente exequíveis, aqueles mais aptos a suprir os consumidores — da maneira mais barata possível — com os bens e serviços que eles estão demandando com mais urgência.  Se um novo método tecnológico será ou não capaz de efetuar este propósito, isso é algo que será provisoriamente decidido pelo empreendedor e, finalmente, pela conduta do público consumidor.  A questão não é se um novo método deve ser considerado uma solução mais "elegante" para um problema tecnológico; é se, sob determinadas condições econômicas, ele é o melhor método possível para se suprir os consumidores da maneira mais barata alcançável.

As atividades do empreendedor consistem em tomar decisões.  Ele determina com que propósito os fatores de produção devem ser empregados.  Quaisquer outros atos que ele porventura efetue são meramente secundários à sua função empreendedorial.  E é isso que os leigos não parecem entender.  Eles confundem atividades empreendedoriais com a condução das questões administrativas e tecnológicas de uma empresa.  Para eles, os reais empreendedores não são os acionistas, os fornecedores do capital, os organizadores e os especuladores, mas sim os empregados contratados pela empresa.  Os primeiros seriam apenas parasitas ociosos que embolsam os lucros e os dividendos.

Sim, é indiscutível que é possível alguém produzir sem ter de trabalhar manualmente.  Mas é impossível produzir sem ter bens de capital, que são os fatores de produção que foram produzidos anteriormente em outros processos produtivos de outras empresas.  Estes bens de capital são escassos — isto é, eles não são suficientes para se produzir todas as coisas que um empreendedor gostaria de produzir.  Daí surge o problema econômico: empregá-los de tal maneira que eles produzam somente aqueles bens que satisfaçam as mais urgentes demandas dos consumidores.  Nenhum bem pode deixar de ser produzido apenas porque os fatores necessários para sua produção estavam sendo utilizados — desperdiçados — na produção de outros bens para os quais a demanda do público era menos intensa.

Em um arranjo capitalista, é a função do empreendedor determinar o modo como se dará a alocação de capital entre os vários ramos da produção.  Em um arranjo socialista, tal função passa a ser do estado, o aparato social da coerção e da opressão.  Porém, como demonstrado em outra ocasião, em uma economia socialista não há nenhum método de cálculo econômico.  E, sendo impossível o cálculo econômico, a junta socialista não tem como saber como deve se dar a alocação de capital.

Há uma simples regra prática para se distinguir empreendedores de não-empreendedores.  Os empreendedores são aqueles sobre quem recai a incidência de prejuízos sobre o capital empregado.  Economistas amadores costumam confundir lucros com determinados tipos de receitas.  Mas é impossível não ser capaz de distinguir prejuízos sobre o capital empregado.

A democracia do mercado

Os consumidores, ao optarem por comprar ou por se abster de comprar, estão elegendo aqueles empreendedores que eles, os consumidores, consideram ser os que mais bem satisfazem suas necessidades.  Trata-se de um plebiscito que acontece diariamente.  Os consumidores determinam quem permanece na ativa e quem vai à falência, quem deve gerenciar o capital e quem não deve, e quanto cada empreendedor deve lucrar.

Como ocorre em todos os atos de escolha, a decisão dos consumidores é feita com base na experiência; sendo assim, tal ato sempre e necessariamente se refere ao passado.  Não há experiência quanto ao futuro.  A urna do mercado exalta aqueles que, no passado imediato, mais bem serviram aos consumidores.  No entanto, a escolha não é inalterável e pode ser diariamente corrigida.  Os eleitos que desapontarem o eleitorado são rapidamente rebaixados de posto.

Cada voto concedido pelos consumidores acrescenta muito pouco à esfera de ação do eleito.  Para ascender aos níveis mais altos do empreendedorismo, ele tem de receber um grande número de votos, repetidos continuamente durante um longo período de tempo, apresentando uma prolongada série de feitos bem-sucedidos.  Ele tem de passar por um novo julgamento a cada dia, submetendo-se continuamente a uma reeleição, por assim dizer.

Empreendedores não são nem perfeitos e nem bons, em qualquer sentido metafísico.  Eles devem sua posição exclusivamente ao fato de que são os mais bem capacitados para a consecução das funções que as outras pessoas incumbiram a eles.  Eles auferem lucros não porque são espertos ao desempenhar suas tarefas, mas porque são mais espertos, ou menos canhestros, do que as outras pessoas.  Eles não são infalíveis e frequentemente cometem erros graves.  Mas eles são menos sujeitos a erros e trapalhadas do que as outras pessoas.  Ninguém pode reclamar dos erros de um empreendedor apenas dizendo que outros deveriam estar no lugar dele.  Se o descontente sabe melhor como a tarefa deve ser feita, então por que ele próprio não preenche este nicho de mercado e se aproveita desta grande oportunidade de lucros? 

Em uma economia cujo mercado não seja sabotado pela interferência do governo e de suas agências reguladoras que utilizam de violência para bloquear a concorrência, a entrada no ramo empreendedorial é aberta para todos.  Aqueles que sabem como se aproveitar de qualquer oportunidade de negócios sempre irão encontrar o capital necessário.  O mercado está sempre repleto de capitalistas ansiosos para encontrar maneiras mais proveitosas de empregar seus recursos e à procura de pessoas com ideias engenhosas, com cuja parceria eles podem efetuar os mais lucrativos projetos.

As pessoas frequentemente não conseguem perceber esta característica inerente ao capitalismo porque elas não entendem o significado e os efeitos da escassez de capital.  A tarefa do empreendedor é selecionar, dentre uma variedade de projetos tecnologicamente exequíveis, aqueles que irão satisfazer as mais urgentes das ainda não satisfeitas necessidades do público.  Aqueles projetos para cuja consecução não há capital suficiente não devem ser realizados.  O mercado está sempre abarrotado de visionários que querem empreender esquemas impraticáveis e inexequíveis.  São estes sonhadores que sempre reclamam da cegueira e da insensibilidade daqueles capitalistas que não são tolos o bastante para financiar suas fantasias.  É claro que investidores frequentemente cometem erros na escolha de seus investimentos.  Mas estas falhas consistem justamente no fato de terem preferido um projeto insustentável a um outro que teria satisfeito as mais urgentes necessidades do público consumidor.

Um empreendedor aufere lucros ao servir satisfatoriamente os consumidores e não ao fazer aquilo que sonhadores desapegados da realidade gostariam que ele fizesse.

A função social dos lucros e dos prejuízos

Lucros nunca são um fenômeno normal e corriqueiro.  Eles surgem onde há uma discrepância entre o uso atual dos fatores de produção e o uso possível destes fatores de modo a fazer com que o material e os recursos mentais disponíveis satisfaçam da melhor maneira possível os desejos do público.  Lucros são a recompensa para aqueles empreendedores que descobrem esta discrepância; e eles desaparecem tão logo a discrepância seja totalmente removida.  Na imaginária construção de uma economia uniforme e homogênea, onde inexiste a incerteza, não há lucros.  A soma dos preços dos fatores de produção, levando-se em consideração a preferência temporal das pessoas, coincida com o preço do produto final.

Quanto maior forem as discrepâncias antecedentes, maiores serão os lucros auferidos pela sua remoção.  As discrepâncias podem muitas vezes ser consideradas excessivas.  Mas é inapropriado aplicar o epíteto "excessivo" aos lucros.

As pessoas dizem que há 'lucros excessivos' quando analisam os lucros auferidos ao capital empregado no empreendimento, e mensuram o lucro como porcentagem deste capital.  Este método advém do costumeiro procedimento aplicado a sociedades e corporações para se especificar a atribuição de quotas do lucro total para os sócios ou acionistas.  Estes homens contribuíram de diversas maneiras para a realização do projeto e irão dividir entre si os lucros e os prejuízos proporcionalmente à contribuição de cada um.

Porém, o que cria lucros e prejuízos não é o capital empregado.  Ao contrário do que pensava Marx, o capital não "gera lucro".  Bens de capital são objetos sem vida que, por si sós, não realizam nada.  Se eles forem utilizados de acordo com uma boa ideia, haverá lucros.  Se eles forem utilizados de acordo com uma ideia equivocada, haverá prejuízos ou, na melhor das hipóteses, não haverá lucros.  É a decisão empreendedorial o que cria tanto lucros quanto prejuízos.  É dos atos mentais, da mente do empreendedor, que os lucros se originam, essencialmente.  O lucro é um produto da mente, do sucesso de se saber antecipar o estado futuro do mercado.  É um fenômeno espiritual e intelectual.

Condenar qualquer lucro como sendo 'excessivo' pode levar a situações tão absurdas quanto aplaudir uma empresa que, outrora muito lucrativa, passou a desperdiçar capital e a produzir ineficientemente a custos mais altos.  Esta redução na eficiência e, consequentemente, nos lucros logrou apenas fazer com que os cidadãos fossem privados de todas as vantagens que poderiam usufruir caso os bens de capital desperdiçados por esta empresa fossem disponibilizados para a produção de outros produtos.

Ao repreender alguns lucros como sendo 'excessivos' e consequentemente penalizar empreendedores eficientes com uma elevação de impostos para "compensar" os altos lucros, a sociedade está prejudicando a si própria.  Tributar lucros é o equivalente a tributar quem se mostrou bem-sucedido em servir ao público. 

O único objetivo de toda e qualquer atividade produtiva é empregar o menor número possível de fatores de produção de tal modo que eles produzam a maior quantidade possível de bens.  Quanto menor a quantidade de insumos necessária para a produção de um bem, maior será a quantidade de fatores de produção — escassos por natureza — disponível para ser empregada na manufatura de outros bens.  No entanto, e ironicamente, quanto mais um empreendedor se mostra bem-sucedido nesta difícil tarefa, mais ele é difamado e mais a sociedade exige que ele seja tributado mais rigorosamente.  Aumentar os custos por unidade produzida — ou seja, aumentar o desperdício — passou a ser exaltado como uma virtude.

A mais espantosa manifestação desta total incapacidade de compreender o objetivo da produção e a natureza e a função dos lucros e prejuízos pode ser vista na popular superstição de que o lucro é apenas um valor adicionado aos custos de produção (fenômeno conhecido como markup), com seu valor dependendo exclusivamente do arbítrio do vendedor.  É exatamente esta crença que está por trás de todos os programas estatais de controle de preços ou de especificação de margens de lucros [até o início dos anos 1990, os supermercados brasileiros tinham sua margem de lucro tabelada pelo governo; e, atualmente, algumas concessionárias de rodovias também são proibidas de ultrapassar um determinado valor em sua margem de lucro].

Todas as pessoas, empreendedoras e não-empreendedoras, olham com desconfiança para qualquer lucro auferido por terceiros.  A inveja é um defeito e uma fraqueza comum aos homens.  As pessoas são avessas a aceitar o fato de que elas próprias poderiam ter auferido estes lucros caso tivessem demonstrado a mesma iniciativa, a mesma presciência e o mesmo julgamento dos empreendedores bem-sucedidos.  Seu ressentimento é tanto mais violento quanto mais elas estão subconscientemente cientes deste fato.

Não existiriam lucros se não houvesse um ímpeto do público em adquirir os bens e serviços oferecidos pelo empreendedor bem-sucedido.  Porém, as mesmas pessoas que se esforçam para adquirir estes bens e serviços são aquelas que vilipendiam os empreendedores e dizem que seus lucros são abusivos e imerecidos.

A opinião pública tolera os lucros apenas se eles não excederem o salário pago a um empregado.  Todo o excedente é caluniado como sendo injusto.  O objetivo da tributação é, de acordo com o princípio de 'tributar quem ganha mais', exatamente o de confiscar este excedente.  Não levam em conta que, sem lucros, não há investimentos futuros, o que levará a uma escassez de bens e serviços e, no final, a uma redução do padrão de vida de todos.

Uma das principais funções dos lucros é direcionar o controle do capital para aqueles que sabem como empregá-lo da melhor maneira possível para satisfazer o público.  Empreendedores que sofrem seguidos prejuízos vão à falência e, consequentemente, liberam capital e recursos para serem utilizados por empreendedores mais bem sucedidos.  Empreendedores que obtêm seguidos lucros se tornam mais capazes de obter capital e recursos de empreendedores menos eficientes, que estão desperdiçando estes recursos escassos.

Quanto mais lucros um empreendedor obtém, maior será sua riqueza, mais influente ele será na condução de seus empreendimentos.  Lucros e prejuízos são os instrumentos por meio dos quais os consumidores passam o controle das atividades produtivas para as mãos daqueles mais capacitados para servi-los.  Qualquer medida que seja tomada para se restringir ou confiscar os lucros irá debilitar esta função de mercado que eles exercem.  A máquina econômica se tornará, do ponto de vista do público consumidor, menos eficiente e menos ágil em suas respostas.

O invejoso homem mediano imagina que os lucros dos empreendedores são totalmente gastos em consumo próprio, de maneira hedonista.  Uma parte, de fato, é consumida.  Porém, só irão alcançar riqueza e influência no âmbito dos negócios aqueles empreendedores que consumirem apenas uma fração de suas receitas e reinvestirem a grande fatia restante em suas empresas.  O que faz com que pequenas empresas se tornem grandes não é o seu gasto, mas sim sua poupança e sua acumulação de capital.

 

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SOBRE O AUTOR

Ludwig von Mises
foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico.  Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política.  Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico.  Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".



-"O estado é o legitimo dono das universidades públicas, quer vc goste ou não..."
O estado não é dono LEGÍTIMO de porra nenhuma! Legitimidade não é resultado de tinta sobre papel e com timbre oficial.

-"Sim, que modelam seus cursos de acordo com o que o MEC exige, e aceita matrícula de alunos de acordo com o que o FIES exige. Bastante "particular" isso, não é mesmo?"
Infelizmente, em se tratando da realidade do bananistão, universidades particulares são meras "prestadoras de serviços de ensino" ao estado, tendo em vista que são OBRIGADAS a se adequarem às regras do MEC.

-"A propósito, qualquer regra é esdrúxula. Estamos falando de um bem escasso sendo ofertado a custo zero, a única decisão racional seria cobrar pelo curso e deixar quem pode pagar que entre. Fora disso, nenhum critério tem o menor sentido. Nem o de notas."
Errado! O fato de ser racional cobrar pelo curso, não significa que a Universidade deveria deixar entrar qualquer um. Até poderia, mas fico imaginando HARVARD adotar essa linha de pensamento: perderia o prestígio num piscar de olhos e, junto com o prestígio, TODAS AS DOAÇÕES QUE A MANTÉM! A regra, nesse caso, existe como uma maneira de TENTAR assegurar o VALOR reconhecido em HARVARD: a qualidade e capacidade dos seus egressos, que vão gerar MAIS VALOR. Evidentemente, num lugar como o "Bostil", nada impediria você de criar uma faculdade, atendendo somente ao MÍMINO do MÍNIMO dos requisitos do MEC em termos de carga horária, duração do curso e necessidade de ser ou não presencial, sem vestibular ainda por cima e sem FIES (vestibular não é obrigatório para faculdades particulares. É exigência editalícia para as públicas, porque são PÚBLICAS!). Mas as perguntas que não se calam: haveria público para dar valor a este empreendimento e por quanto tempo? Quantos estariam dispostos a pagar os "tubos" por um "diproma" que eles mesmos sabem ser mixuruca, ainda mais face à cultura "bacharelística" do país? Não custa nada lembrar que o que gera riqueza é INOVAÇÃO e aferir e/ou melhorar a capacidade de inovação de um ser humano ANTES de se ter o PRODUTO da INOVAÇÃO é uma tarefa fortemente RELACIONADA com a EDUCAÇÃO, ainda que haja exemplos de inovadores em qualquer educação FORMAL.
Pessoal,estou em duvida sobre uma polemica nos contratos.Assunto meio OFF,mas aproveitando o espaço,gostaria de levantar essa questão para saber a visão de cada um.

O proprietário de um barco ou navio,pode expulsar um individuo de sua propriedade no meio do oceano?

O proprietário de um avião,pode expulsar um individuo de sua propriedade no meio do céu?

O proprietário de um motor-home,pode expulsar um individuo de sua propriedade no meio de uma floresta?

O contrato aqui como fica?O proprietário deve responder penalmente caso expulse o indivíduo nos casos citados acima?

Se eu contrato um barco,para realizar um passeio e o barco pega fogo,eu acredito que o consumidor detêm responsabilidade própria de verificar se havia seguro ou clausulas contratuais como garantia contra acidentes,ou seja,ele assume o risco de contratar tal serviço.Porem ate onde vai a quebra de contrato e a legitimidade de um processo penal?(resposta judicial)
Acontece que,se o indivíduo quebra o contrato ou a regra da dessa embarcação em alto mar,é ou não é legitimo o proprietário expulsa-lo em pleno oceano?Entendo que neste caso,o contrato poderia ter uma clausula dispondo sobre as consequências de eventuais quebras de regras,fazendo assim o consumidor esta consciente e livre para decidir.
O problema é quando há contratos meio ''implícitos'',como um serviço de balsa ou até mesmo uma casa noturna.Ao usufruir de tais serviços,você não assina um contrato ao pé da letra,é implícito de que a balsa não vai afundar,assim como é implícito que a casa noturna não ira incendiar ou desmoronar.Entendem?

Como eu faço direito e tenho somente 20 anos,ainda estou na longa caminhada de estudos,principalmente por gostar dessa parte de defesa da propriedade privada(contratos),por isso acompanho o IMB e defendo a liberdade sempre.Mas como eu disse,poucos anos de vida me obrigam a correr atrás do que ainda não deu tempo de aprender ou refletir.

Outra questão parecida é sobre invasão de propriedade indireta e oculta.
Por exemplo:

Eu tenho uma empresa de fornecimento de energia,que operam com cataventos.
Certo dia,um empresario resolveu construir algo que consequentemente muda a direção e o ritmo dos ventos,afetando assim a minha produção de energia com cataventos.Imagine que o empresario vizinho construiu um Castelo,uma muralha,um prédio...Qualquer coisa física com magnitude suficiente para influenciar na corrente de ventos que passam pela minha propriedade.
Como fica essa situação?Ouve uma invasão ou agressão a minha propriedade?
De cara é fácil dizer que sim,mas imagina o empresario vizinho,ele também teve seu direito de propriedade violado,já que o mesmo ficou completamente limitado a construir em sua propriedade,devido ao vizinho.Ele comprou a propriedade mas não pode construir o que bem entender devido ao vizinho e seus cataventos.
O mesmo vale para diversos exemplos como,poluição.Já li o artigo que saiu essa semana sobre libertarianismo e poluição,estou de completo acordo e compreendo.
Se eu forneço o serviço de abastecimento de aguá,que depende quase exclusivamente das chuvas,e alguns indivíduos desmantaram as florestas próximas que eram responsáveis pela regulação dessas chuvas.Houve uma violação na minha propriedade indiretamente,mas ao mesmo tempo os vizinhos que comprarem essas propriedades florestais,terão que manter as arvores lá pro resto da vida!?!Houve uma limitação no direito de propriedade deles também,pois terão que manter a floresta em sua propriedade para não influenciar na minha propriedade.Entendem?

Por enquanto é isso,de vez em quando tenho essas questões martelando na minha cabeça pedindo por respostas.Hoje foi sobre isso,tive um tempo e comentei aqui.Já já apareço com outras polemicas rs rs...

Grande Abraço!
Bruno Feliciano.




ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Matheus Speck  03/08/2012 05:13
    Texto de excepcional acurácia, como é de praxe em Mises...
  • Henrique  03/08/2012 07:53
    Mises sempre simples e eloquente, os dois últimos parágrafos sozinhos já refutam qualquer justificativa de espólio que o estado pratica.

    Esse texto é trecho de qual obra?

    Abraço.
  • Henrique P.  04/08/2012 09:29
    Ontem tive uma aula sobre o estatuto da cidade e dentre tantos absurdos tinha alguns que se repetiam: "combater o lucro da especulação imobiliária", "empresários malignos que só buscam lucros", "o pobre é quem mais perde"... enfim, foram tantos absurdos e o mais engraçado e triste foi toda a sala concordando.
    Até que eu cansei de ouvir absurdos e comecei a questionar tudo e dar outro ponto de vista. Fiquei impressionado como todos me olhavam mas não conseguiam entender o que eu estava dizendo.
    A discussão foi longa onde eu sempre busquei explicar de forma clara os porques e como funciona o mercado, as empresas, o estado. Mas isso foi até o ponto da professora dizer: "a exploração do empregador", nisso eu não aguentei e dei risada. Confesso que ainda sim expliquei e dei exemplos de professores em um livre mercado onde ela ficou pensativa e respondeu "prefiro não comentar" onde encerramos a discussão.
    Enfim, agradeço cada vez mais a todos os responsáveis por disponibilizar esses materiais sobre a EA, porque até a alguns meses atrás eu era igual a essa professora e meus companheiros de sala, o que é triste, porque quando a professora falou "exploração do empregador", eu me lembrei dos meus 17 anos quando li pela primeira vez o manifesto do partido comunista e fazia parte da UNE.
    Novamente, agradeço a todos por esse trabalho.
  • Carlos Eduardo  04/08/2012 13:57
    Hahaha, entendo completamente essa sua situação. Faço curso de Licenciatura em História e até agora (estou começando o 4o semestre) havia tido a inacreditável sorte de não ter um só professor marxista (de fato, alguns professores já tinham sido, hoje não são mais e agora atacam veementemente o método histórico marxista e a "história das lutas de classe"). Minhas aulas retornaram agora e já percebi que tenho 2 professoras que, se não são marxistas no sentido estrito do termo, ao menos parecem concordar em seu desprezo pelo livre mercado (ou, pelo menos, aquilo que acham que é uma "economia livre", muitas vezes usando espantalhos pra criar essa definição) e sua adoração ao intervencionismo e ao estado-babá, usando termos como "exploração do neoliberalismo", etc... Será que realmente vale a pena discutir com essa gente? Parece que usamos línguas diferentes. A gente fala de economia, utilizamos um discurso baseado na razão e em teorias econômicas comprovadas pela experiência histórica, e eles nada mais querem além de adotar o proselitismo, o ódio irracional e seu juízo de valor de modo a interpretar a História a bel-prazer, sem levar em conta as bases documentais e as atribuições básicas do historiador. No meu caso, pelo menos, de estudante de História, acho uma perda de tempo discutir com essa gente. Percebo que várias pessoas contam situações parecidas aqui no site, que quando discute com um professor ou colega marxista, parece que estão falando uma língua diferente. Óbvio, são formas absurdamente diferentes de discurso. Mas talvez no seu caso você tenha melhor sorte e os outros estejam mais dispostos a ouvir. Grande abraço!
  • Breno  04/08/2012 19:42
    Nada contra as ideias defendidas pelo texto e nem muito menos a favor. O propósito que ora me deixa intrigado é o fato de acharmos que alguma ideologia de mercado assumirá o papel de resolver ou esclarecer os fenômenos que perpassam na economia ou na política. Outro, "a melhor maneira possível" é uma máxima, que me parece abrir um leque quase infinito de possibilidades, se você for adepto da economia de livre mercado, ou até mesmo do uso da força!
    Após alguns anos acompanhando a economia, sobretudo a brasileira, quase chego a me convencer (prefiro ainda me contrariar), que muitos dos problemas ligados as irregularidades do mercado, má distribuição de renda, desequilibrios de mercados e outros, que melhor traduzem estes fenômenos, não são problemas economicos na origem. Pegando gancho no comentário anterior, ao analisarmos nossa história o tipo de economia que se desenvolve aqui e em boa parte do mundo, nada tem haver com mercado financeiro ou bolsa de valores, mas com toda certeza, tem haver com lucro e prejuízo, num conceito mais simplificado. Os desdobramentos do lucro e prejuízo como acúmulo de capital, prosperidade e poder sempre serão problemas e resultam em descontentamento social e muitas vezes em sequelas políticas. Talvez, esse seja um conflito eterno, que aqueles contra a economia de mercado tentam justificar, as assimetrias que resultam desse sistema. Por outro lado, a história também prova que todas as vezes em que o livre mercado foi a abolido a prosperidade também o foi.
  • Gustavo  05/08/2012 11:45
    Os desdobramentos do lucro e prejuízo como acúmulo de capital, prosperidade e poder sempre serão problemas

    Artigo de dois (!) dias atrás, "A natureza econômica dos lucros e dos prejuízos": mises.org.br/Article.aspx?id=1374
  • Itamar Gines Pereira  06/08/2012 09:09
    Olá pessoal! eu não entendi a oração em negrito dentro do parágrafo detacado do texto. Se alguém puder, me esclareça! Abraço!\r
    \r
    "Assim, lucros e prejuízos são gerados pelo sucesso ou pelo fracasso de se ajustar as atividades produtivas de acordo com as mais urgentes demandas dos consumidores.Tão logo este ajuste correto seja alcançado, lucros e prejuízos desaparecem. Os preços dos fatores de produção chegam a um nível em que os custos totais de produção coincidem com o preço do produto final".\r
  • Leandro  06/08/2012 09:33
    Prezado Itamar, lucros ocorrem quando empreendedores percebem que há fatores de produção sendo subutilizados ou utilizados de maneira pouco eficiente. Estes empreendedores constatam que é possível utilizar estes fatores em outros processos produtivos. Mais ainda: eles percebem que é possível utilizar estes fatores aos seus preços vigentes, o qual eles julgam estarem baixos, em processos produtivos que irão gerar produtos mais demandados e mais caros.

    Aplicar fatores de produção baratos em processos produtivos que geram produtos mais demandados e mais caros: esta é a fonte dos lucros.

    O que irá ocorrer quando não mais houver esta discrepância entre preços dos fatores e preços dos produtos finais? Não haverá mais lucros, que é exatamente o que diz o trecho em negrito.

    Mas tal situação, por definição, só pode ocorrer em um mundo em que não há incertezas e o futuro é totalmente conhecido.

    Abraços!
  • Itamar Gines Pereira  06/08/2012 10:19
    Valeu Leandro! esclareceu a minha dúvida!\r
    Abraço!
  • Roberto  10/10/2013 22:16
    Tributar o lucro por um lado é um contrassenso, pois penaliza-se o sucesso. Mas, por outro lado, cobra-se de quem "pode pagar", devido ao lucro. Em uma sociedade onde há impostos, qual seria a alternativa para a base de incidência dos tributos?
  • Lucas Favaro  21/08/2014 20:53
    Lendo esse texto me veio um insight que eu achei interessante e gostaria de compartilhá-lo:

    Na natureza, a luta pela melhor utilização possível da energia é o que gera a luta entre os seres vivos e causa a evolução deles. Seres que "percebem" que determinada quota de energia está sendo mal aproveitada e que eles têm capacidade de aproveitá-la de uma forma melhor tomam aquele nicho pra eles. Um exemplo claro disso é o ganso, que originalmente vivia no ar (não o ganso propriamente, mas suas espécies progenitoras) e hoje algumas espécies de ganso não conseguem nem voar. A energia que o ganso hoje utiliza não estava inicialmente, antes dele tomar o seu nicho, sendo bem utilizada e o ganso tratou de fazê-lo, e o resultado disso é que hoje há um animal inicialmente adaptado para viver no ar mas que, aos poucos, está voltando a ter adaptações para a vida terrestre, como as patas espalmadas.


    Análogo a isso, no mercado a vontade das pessoas é como se fosse a energia disponível na Terra e os empreendedores são como os seres vivos: O empreendedor que melhor conseguir satisfazer as vontades, desejos, necessidades das pessoas é quem se sobressairá aos demais. A energia disponível na Terra é quase infinita, e há uma forma imensamente variada em obtê-la e é por isso que a vida é imensamente variada em sua forma, em que há desde fungos que se dispõe de energia radioativa até seres que obtiveram um aumento no tamanho do cérebro e número de neurônios de forma a ter a capacidade cognitiva de criar ferramentas para matar suas presas e obter sua energia, isto é, seres humanos. Da mesma forma, a vontade das pessoas também é quase infinita, e é por isso que existe essa quantidade imensa de produtos que dispomos e é por isso que a atividade empreendedorial nunca vai acabar, bem como a evolução das espécies.


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