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Pânico na Europa e o efeito dominó

É a primeira vez em minha carreira que vejo o establishment internacional, algumas vezes chamado de Nova Ordem Mundial, tendo de lidar com uma crise tão grande que sua própria sobrevivência está em risco.  Pela primeira vez, essa gente está assustada.

Não há muitos deles.  Em seu livro Superclass, o autor David Rothkopf estima que haja por volta de apenas 6.000 pessoas no topo da pirâmide do poder mundial.  São majoritariamente homens, e pelo menos um terço deles frequentou as mais prestigiosas universidades americanas.  Os outros frequentaram universidades europeias de comparável qualidade.

A crise na Europa está claramente além de qualquer coisa que esta atual geração da elite governante já vivenciou.  Na última vez que algo parecido a isso desafiou o establishment europeu, a coisa descambou na Segunda Guerra Mundial.

Durante todo o período do pós-guerra, os EUA foram a força dominante no Ocidente.  O governo americano, por meio do Plano Marshall, assinou os cheques que mantiveram os governos europeus solventes, bem como financiou grande parte da OTAN, o sistema de defesa que havia sido criado para conter a expansão da União Soviética.

Mas os EUA hoje não mais estão em posição de socorrer ninguém.  O país tem um enorme déficit comercial e seu governo federal está incorrendo em um trilionário déficit orçamentário.  A Europa já percebeu que, do ponto de vista econômico, terá agora de se virar por conta própria.  Se existem soluções para a crise econômica europeia, tais soluções terão de ser concebidas dentro da zona do euro.

Bancos em risco

Hoje, todo o sistema bancário europeu está em risco.  Os bancos, além de estarem altamente alavancados, investiram maciçamente em títulos emitidos por governos que hoje estão tecnicamente insolventes.  Não há nenhuma possibilidade de estes títulos serem quitados algum dia.  Eles não foram concebidos para ser quitados.  Eles foram concebidos para manter os pagadores de impostos de todos os países europeus em estado de permanente servidão em relação ao sistema bancário.

No entanto, em uma completa e inesperada reviravolta, os bancos se encontram hoje cada vez mais dependentes dos governos.  Os governos são hoje os emprestadores de penúltima instância para os bancos comerciais.  O banco central, é claro, é o emprestador de última instância.  Só que, até o momento, o Banco Central Europeu vem assumindo uma posição neutra.  Ele não quer tomar nenhuma medida para socorrer Grécia, Espanha ou Itália.

Os governos dos PIIGS, que venderam títulos da sua dívida para os bancos dos países ricos da Europa, estão tecnicamente insolventes.  Quando a Grécia der o calote — e ela fará isso —, alguns bancos dos países ricos da Europa terão enormes prejuízos.  Quando a Espanha der o calote — e ela fará isso —, os prejuízos serão ainda maiores.  Quando a Itália der o calote — e ela fará isso —, todo o sistema bancário europeu entrará em colapso. 

Apenas duas coisas podem hoje salvar o sistema bancário europeu: o Banco Central Europeu, que tem o poder de criar dinheiro do nada, e os pagadores de impostos da Alemanha, cujos líderes nacionais são resolutos em seu desejo de expandir o poder da zona do euro por toda a Europa.  Estes políticos estão dispostos a utilizar o dinheiro dos cidadãos alemães com o intuito de ampliar esta consolidação.

Uma corrente de dívidas

O problema é que os governos dos países ricos da Europa não têm dinheiro para servir de emprestadores à Grécia, à Espanha e à Itália.  Estes três países estão hoje tomando dinheiro emprestado a juros até então nunca vistos na Europa em períodos de paz.  A esperança atual é que os governos dos países ricos intervenham e emprestem dinheiro para o governo grego.  O problema é que todos os governos dos países ricos também estão tendo de lidar com a responsabilidade adicional de ser os emprestadores de penúltima instância para os grandes bancos comerciais dentro de suas próprias fronteiras.

Quem irá emprestar dinheiro para os governos dos países ricos da Europa para que estes socorram os governos do sul da Europa?  Quais emprestadores acham que isso seria uma boa ideia?  Às taxas de juros atuais, não muitos.  É por isso que os juros subirão.  Porém, quando as taxas de juros de longo prazo subirem, tal fenômeno irá reduzir o valor presente de todos os títulos em posse dos emprestadores.

Portanto, de um lado, os investidores terão de arrumar dinheiro para emprestar para os governos, e os governos necessitam deste dinheiro para recapitalizar os bancos dentro de suas fronteiras.  Isso nos leva ao próximo problema: para os emprestadores emprestarem dinheiro para um governo, eles têm de tirar esse dinheiro de suas contas bancárias.  O que irá acontecer se seus bancos quebrarem?  Quem irá emprestar dinheiro para os governos?

Sendo assim, nesta corrente de dívidas, de dinheiro fiduciário e crédito, o Banco Central Europeu é o emprestador de última instância.  Ele é o emprestador de última instância porque possui a autoridade legal de criar dinheiro do nada.  Ele pode comprar títulos emitidos pelos governos e pode também emprestar dinheiro aos bancos para que os bancos subsequentemente comprem títulos dos governos.

Ajuste de contas

Todo o sistema político que conhecemos como União Europeia é dependente de um sistema bancário de reservas fracionárias que se expandiu de forma exagerada e que hoje enfrenta um juízo final.  Na realidade, enfrenta dois juízos finais.

Primeiro, haverá um juízo final nos PIIGS quando os correntistas sacarem seu dinheiro.  O segundo juízo final será imposto pelos governos insolventes que já tomaram emprestado centenas de bilhões de euros dos bancos.

A iminência de uma corrida bancária ameaça a capacidade do governo grego de continuar tomando dinheiro emprestado de qualquer pessoa ou entidade.  O governo grego depende do sistema bancário grego para coletar impostos.  Se o sistema bancário grego quebrar, o governo grego quebra.

Neste arranjo, somente o Banco Central Europeu possui a autoridade para salvar o sistema.  Qualquer outra potencial fonte de euros depende em última instância da solvência do sistema bancário europeu.  Se o sistema bancário europeu quebrar, não haverá emprestadores.  E são exatamente os bancos que estão em risco atualmente.

É por isso que todo e qualquer sistema bancário de reservas fracionárias depende, em última instância, do monopólio concedido pelo governo a um banco central.  O banco central é, acima de tudo, o garantidor da solvência dos grandes bancos.  O banco central é o agente econômico dos grandes bancos comerciais.  Estes estão hoje na iminência de quebrar.  O alto escalão destes bancos não possui nenhum conhecimento básico de economia.  Eles emprestaram dinheiro para os PIIGS.

Neste cenário, a única maneira de salvar o sistema é se arriscando a destruí-lo.  A única maneira de salvar o euro é se arriscando a destruí-lo.  E é assim porque há apenas duas maneiras de se salvar os grandes bancos comerciais.  A primeira maneira é pela hiperinflação.  Isso irá permitir que os bancos mantenham suas portas abertas.  Um acentuado aumento da quantidade de dinheiro na economia fará com que os tomadores de empréstimo consigam quitar suas dívidas vendendo um punhado de ativos, o que lhes dará dinheiro suficiente para quitar seus empréstimos.  Mas tudo isso será feito com euros que já não valerão nada.

A segunda maneira de salvar os bancos, que é a que o Banco Central Europeu está tentando fazer, é evitando a hiperinflação mas inflacionando a oferta monetária somente até um ponto que permita que os maiores bancos possam ser salvos.  Isso ocorreria por meio de empréstimos a juros baixos concedidos aos bancos pelo Banco Central Europeu.  Os bancos, por sua vez, para serem capazes de quitar este empréstimo recebido, terão de emprestar este dinheiro a juros maiores — mas será difícil encontrar tomadores de empréstimo ainda solventes e será difícil encontrar muitas pessoas dispostas a se endividar.

Se o Banco Central Europeu adotar esta segunda abordagem, isso irá levar o continente a uma depressão.  O BCE inflacionou.  Os bancos comerciais emprestaram dinheiro para governos insolventes.  Estes governos irão dar o calote caso haja uma recessão.  Porém, caso se negue a inflacionar ainda mais a oferta monetária, o Banco Central Europeu produzirá uma recessão.  Não há saída.  O boom que o BCE gerou na Europa durante os anos de Greenspan na presidência do Fed estourou nos bancos europeus, exatamente como o boom nos EUA estourou nos bancos americanos.

Não há uma agência governamental responsável por garantir os depósitos do sistema bancário europeu.  Não há nenhum governo que possua os ativos ou a autoridade legal para emprestar para um ou para todos os governos da região.  Não há um sistema fiscal comum, o que significa que todos os governos podem incorrer em vultosos déficits orçamentários.  Sendo assim, em tempos normais, os governos estão em constante concorrência entre si para conseguir dinheiro emprestado para financiar seus déficits.

Portanto, o sistema foi forçado até seu limite.  Os poucos emprestadores remanescentes que ainda possuem capital e que ainda têm dinheiro suficiente em seus bancos para emprestar para governos insolventes estão hoje se recusando a conceder estes empréstimos.  É por isso que a Espanha está pagando 7,5% para convencer os emprestadores a lhe darem dinheiro.  Emprestadores que caírem nessa irão terminar como os tolos que emprestaram dinheiro para o governo grego antes de 2010.  Eles verão o valor de seus papeis ser dizimado quando os juros espanhóis subirem para os dois dígitos, o que ocorrerá a menos que o Banco Central Europeu intervenha, imprima dinheiro e empreste para o governo espanhol.

Não há dispositivo de proteção

Os líderes do establishment europeu nunca tiveram de lidar com uma crise em escala semelhante a esta.  Eles falam incessantemente sobre a necessidade de se criar dispositivos de proteção.

Mas que tipo de dispositivo de proteção seria capaz de impedir que o calote de um governo se torne um calote de outro governo?  Que dispositivo de proteção pode haver para um grande banco multinacional que acabou de perder metade do valor dos títulos que havia comprado a uma taxa de juros de 3%, agora que os juros foram para 7,5%?  Sempre que a taxa de juros dobra, o valor de mercado dos títulos cai 50%, no mínimo.

Não há dispositivo de proteção.  O sistema financeiro europeu é todo interligado pelo euro.  Todo mundo utiliza a mesma moeda em 17 países.  Todo mundo depende do mesmo Banco Central, e este banco não está exercendo liderança.  O presidente do banco segue dizendo que os governos têm de lidar com os problemas e assumir responsabilidades.  Sempre que ele diz isso, lembro-me de que Ben Bernanke continuamente diz a mesma coisa ao Congresso americano.

Os presidentes dos dois maiores bancos centrais do mundo estão reclamando que os políticos têm de assumir a responsabilidade pela resolução da crise.  Mas isso é exatamente o que os políticos não querem fazer.  Os políticos sempre entenderam que o banco central os socorreria em caso de crise, simplesmente criando dinheiro e comprando os títulos da dívida de seus governos.  Esta sempre foi a justificativa pública para a existência de bancos centrais.

Mas os políticos parecem cegos quanto ao real motivo da existência de bancos centrais, a saber: socorrer os grandes bancos comerciais sob sua jurisdição.  E o Banco Central Europeu tem de lidar com um enorme problema: ele tem sob sua jurisdição os maiores bancos de todos os países da zona do euro.  Ele tem de intervir para salvar qualquer grande banco sob sua jurisdição, pois, se não o fizer, haverá corridas bancárias naquele país.

Uma corrida bancária

Correntistas europeus podem ir até seus bancos e transferir seu dinheiro para um banco que esteja em outro país.  Normalmente, eles transferem para um banco alemão.  Legalmente, o banco recebedor pode se recusar a aceitar este novo depósito; mas qual banco ousaria não aceitar novos depósitos?  Qualquer banco que dissesse não mais estar aceitando depósitos de algum outro banco iria enviar para a mídia um sinal de que este outro banco está no limiar da insolvência.  E isso é a última coisa que qualquer banco de um país rico da Europa quer fazer com qualquer banco da Grécia, da Espanha ou da Itália.

O Banco Central Europeu está sentado sobre um barril de pólvora.  O estopim já foi aceso.  Este estopim está conectado ao sistema bancário grego.  Se o sistema bancário grego explodir — o que, na prática, significa implodir —, tal fenômeno irá acender outro estopim.  O outro estopim leva à Espanha.  Posso estar errado.  Pode haver dois estopins, um levando à Espanha e o outro, à Itália.

Não há dispositivo de proteção.  O único dispositivo de proteção seria os bancos dos países ricos se recusarem a aceitar novos depósitos de pessoas que estão fechando suas contas em bancos do sul da Europa.  Mas se as corridas bancárias na Grécia não forem interrompidas, o governo grego irá dar o calote em sua dívida e irá sair da zona do euro.  Ele não terá escolha.  Se seus bancos estão quebrados, como ele conseguirá financiar sua dívida?  Como ele irá coletar impostos?

Já dá pra ver o que está em jogo aqui.  Uma corrida bancária em pequena escala vem ocorrendo há pelo menos um ano na Grécia, e ela agora ameaça se tornar uma corrida bancária em escala total.  Os bancos dos países ricos podem legalmente se recusar a aceitar novos depósitos em euro dos correntistas que estão saindo da Grécia.  Mas todos eles teriam de fazer isso de uma só vez.  Se apenas um ou dois grandes bancos dos países ricos se recusarem a aceitar novos depósitos de gregos, isto irá enviar um sinal para todos os outros gregos: "É melhor vocês tirarem seu dinheiro dos bancos, e rápido!  Coloque-o em um banco de um país rico antes que eles comecem a recusar novos depósitos".  A corrida bancária irá se intensificar.

Como nem todos os bancos estão sob as mesmas leis bancárias, e como nenhuma agência reguladora pode lhes dizer o que fazer, a Europa possui um sistema no qual os correntistas dos PIIGS podem livremente gerar maciças corridas bancárias contra os bancos de seus próprios países, deixando-os na lona.

Não há dispositivo de proteção contra isso.  As corridas bancárias já começaram na Grécia.  Bancos fora da zona do euro podem se recusar a aceitar novos depósitos, mas os bancos dentro da zona do euro não podem fazer isso sem ameaçar a solvência de todo o sistema bancário.  Adicionalmente, se eles não criarem um dispositivo de proteção, a quebra de bancos da Grécia, da Espanha e da Itália levará seus respectivos governos à insolvência.  E isso, por sua vez, gerará volumosos prejuízos para os bancos dos países ricos da Europa.  Tudo está interligado.

Você não encontra uma discussão aprofundada sobre isso na grande mídia, e por uma boa razão: a grande mídia teme ser acusada de provocar uma corrida bancária na Grécia.  Todo mundo sabe que uma corrida bancária grega já começou, mas isso não é notícia de capa nos jornais.  Certamente não é uma história a ser coberta nos jornais televisivos.  Nenhuma grande rede de televisão irá falar sobre a corrida bancária grega enquanto esta ainda não estiver em seu estágio terminal.

Logo, as pessoas que gerenciam a nova ordem europeia apenas jazem quietas, impotentes e completamente dependentes das decisões tomadas pelos correntistas dos bancos gregos.  A qualquer momento, uma onda de pânico pode se espalhar por toda a Grécia, e um grande número de correntistas irá fazer fila em frente aos bancos para retirar seu dinheiro.  Se eles sacarem dinheiro vivo, isso irá quebrar o banco local, o qual terá de vender ativos para comprar moeda do Banco Central Europeu a fim de entregar o dinheiro para seus correntistas.  Este tipo de corrida bancária é ruim para um determinado banco, mas tende a não gerar grandes efeitos sobre todo o sistema bancário porque estas pessoas irão inevitavelmente gastarem o dinheiro que sacaram; e, ao fazerem isso, as empresas que receberem este dinheiro irão redepositá-lo em seus bancos.  Sendo assim, uma corrida bancária com o objetivo de sacar dinheiro vivo não representa uma enorme ameaça para o sistema bancário grego como um todo.

No entanto, pode também haver uma corrida bancária na forma de transferência eletrônica de dinheiro para fora do país.  E é justamente esta ameaça que todos os bancos gregos estão enfrentando atualmente.  Neste caso, quando os euros saem do sistema bancário grego, eles não voltam a ser depositados no sistema bancário grego.  Eles vão para o sistema bancário de outro país.

Estamos testemunhando hoje o colapso do sistema bancário grego.  A menos que o Banco Central Europeu intervenha novamente, não haverá um sistema bancário grego até o final deste ano.  Todos os bancos estarão quebrados.

E não há nada que os eurocratas possam fazer a este respeito.  A única agência que tem o poder de interromper todo este processo é o Banco Central Europeu, que pode fazer o que quiser.  Em última instância, ele pode emprestar dinheiro aos bancos gregos aceitando em troca qualquer colateral que estes oferecerem — no caso, majoritariamente títulos emitidos pelo governo grego.

Conclusão

Angela Merkel pode espernear, gritar e se contorcer até ficar azul.  O fato é que, em última instância, ela não tem poder algum sobre o Banco Central Europeu.  Em última instância, nenhum político tem poder sobre a instituição.  E nenhum político quer realmente ter poder sobre o BCE.  E por que não?  Porque tal político inevitavelmente seria o responsável por arrumar o dinheiro que o BCE supostamente iria imprimir, mas foi impedido por este político.

É por isso que o BCE irá inflacionar.  O presidente da instituição pode falar o quanto quiser sobre a necessidade de políticos assumirem suas responsabilidades e sustentarem o atual arranjo do euro; porém, no final, ele será o sustentáculo do sistema.  Ele é o sujeito que detém o controle da impressora de dinheiro.  Ele é a única pessoa, junto com seus colegas, que está em posição de manter o sistema solvente.

Não há dispositivo de proteção.  Há apenas a capacidade do Banco Central Europeu de imprimir dinheiro e de emprestá-lo para os bancos comerciais ou diretamente para os governos.  Não importa quais são as regras ou regulamentos vigentes que supostamente proíbem isso.  A coisa terá de ser feita.

No meio de um incêndio, ninguém no poder irá apontar o dedo para o Banco Central Europeu quando este intervir com o intuito de socorrer um governo que esteja prestes a dar o calote em suas dívidas.  O motivo é claro, ou ao menos para mim parece claro: nenhum político quer ser o responsável por arrumar o dinheiro necessário para socorrer os grandes bancos de seu país — todos os quais estão ameaçados de insolvência por causa dos calotes dos governos da Grécia e da Espanha —, pois isto irá produzir um efeito dominó causado por todos os governos dos PIIGS.


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autor

Gary North
, ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. Visite seu website

  • Andre Cavalcante  24/07/2012 08:30
    Olá,

    Deixe-me ver se entendi: começou uma corrida bancária na Grécia. Os correntistas estão sacando euros dos bancos, mas esses saques não são a principal preocupação porque eles viram consumos e acabam voltando aos bancos gregos. Mas alguns correntistas já começaram a retirar o seu dinheiro, via TEF, para um banco estrangeiro, provavelmente na Alemanha. Isso sim seria ruim, porque retira fundos da Grécia e deixa os bancos gregos mais insolventes ainda. Por que os bancos alemães não deveriam receber esses novos depósitos? Isso não melhoraria o seu próprio balancete? Por que isso é uma forma de contaminação?

    Entendo que se os bancos gregos quebrarem eles não vão saldar as suas dívidas com outros bancos, que então se tornam insolventes. A mesma coisa com governos que "quebrem" (deixem de pagar os seus empréstimos), os bancos que fizeram os empréstimos se tornam insolventes, que gera uma reação em cadeia. Mas ainda não entendi essa dos depósitos.

    Abraços.
  • Leandro  24/07/2012 08:42
    O artigo explica. Ao mesmo tempo em que é bom para qualquer banco receber novos depósitos, no caso do euro, um banco alemão receber depósitos de gregos significa que o sistema bancário grego estará sob pressão. E uma quebra do sistema bancário grego levaria também o sistema bancário alemão, pois todos utilizam a mesma moeda e operam sob reservas fracionadas.. Sendo assim, os bancos alemães ficam numa situação de perder-perder. Ou eles recusam os depósitos ou eles os aceitam e quebram o sistema bancário grego. E vão junto.

    Abraços!
  • Marcos Campos  24/07/2012 08:30
    Estamos a beira de uma III Guerra Mundial? A corrida armamentista já esta em andamento a alguns anos, trilhões estão sendo gastos em armamento, demosntrando ainda mais, uma irracionalidade impagavel dos políticos....demora tanto assim para o ser humano evoluir? Talvez nem aconteça a guerra das armas, mas concerteza a a revolução da nova sociedade global que esta para emergir, sem as algemas do MONETARISMO....Adeus dinheiro....
  • Fernando  24/07/2012 13:42
    Meu santo, volta pros videos do Zeitgeist. Aproveita e pergunta pro Jacque Fresco (ele pode mesmo ser um gênio e inventor tecnológico brilhante, mas sobre economia...) o que ele pretende fazer com as pessoas que não concordarem com os "principios básicos da resource based economy".
  • Marcos Campos  25/07/2012 08:28
    Senti uma pontinha de fundamentalismo econômico heim.
    Quanto as pessoas que não aderissem ao sistema de recursos, acredtio que ainda assim haveria espaço para liberdade individual, você poderia se juntar com os seus e montar uma cidade baseada em economia de CONCORRENCIA e LUCRO, nenhum problema amigo. RESPEITO sua posição individual. Abraços
  • bettomorais  24/07/2012 08:44
    Brilhante.

    Só faltou dizer quando será a data/DIA do crash-grego, o primeiro país a QUEBRAR.

    Texto completo e ate complexo, mais fácil e didático.

    Parabéns ao autor.

  • bettomorais  24/07/2012 08:55
    O autor do texto ECONÔMICO, descreve a psicologia da falta de confiança em sistema econômico baseado em gasto e endividamento publico.

    Por favor, nunca fale em consumo neste contexto. A crise é de CONFIANÇA, as pessoas/investidores estão procurando ter SEGURANÇA e não perder o que ganharão(valor $).
  • Tiago Moraes  25/07/2012 08:34
    Rodou, rodou e nada disse.

    Meu filho, ações econômicas são, a priori, definidas pelo comportamento psicológico dos agentes. Então, uma crise "de confiança" fatalmente se torna uma crise econômica, são duas faces de uma mesma moeda. E MEU DEUS, que merda é essa:

    as pessoas/investidores estão procurando ter SEGURANÇA e não perder o que ganharão(valor $).

    ??????????????????????????????????????????????????

    Os agentes econômicos procuram segurança para que senão para não perder dinheiro????
  • Pipe  24/07/2012 10:01
    Não se preocupem, a União Europeia já achou uma solução para os problemas: ela vai investigar a fixação de preços para drives de DVD. Isso porque, é claro, todos estamos indo à falência por pagar 50 a 60 reais por um gravador de DVD. Realmente, que cartelização horrorosa do setor!
  • Rafael Franca  24/07/2012 10:06
    O mais engraçado é a que esgoto moral e ético o ser humano chegou, uma vez que é comprovado que um estado de bem estar social com o tempo vai quebrar, e mesmo assim os protestos são por mais funcionários públicos, mais proteções, mais, mais, mais estado...
  • Giancarlo  24/07/2012 10:12
    Excelente.

    Claro e pragmático. Valeu pela tradução pessoal.
  • Pedro Ivo  24/07/2012 11:27
    "O estopim já foi aceso. Este estopim está conectado ao sistema bancário grego. Se o sistema bancário grego explodir — o que, na prática, significa implodir —, tal fenômeno irá acender outro estopim. O outro estopim leva à Espanha. Posso estar errado. Pode haver dois estopins, um levando à Espanha e o outro, à Itália".

    eu aposto que há 4 estopins: um p/ Espanha, outro p/ Itália, o terceiro p/ a França e o quarto p/ a Hungria.

    A Hungria escapa de ser citada porque o acrônimo PIIGS fica melhor que PHIIGS (é legal chamar aos latinos-cucarachas de porcos. Quem se privaria deste prazer só por precisão e acuracia? hehehehe).

    Qual dos 4 pavios vai queimar + depressa depois da Grécia eu não sei. Todo mundo diz que é o espanhol, mas vai que seja o francês.

    O circo vai pegar fogo, e tem babaca no centro do picadeiro batendo palmas.
  • amauri  24/07/2012 12:45
    Boa tarde!
    Para salvar a Zona do Euro mais impressão? Mais Keynes? É isto?
    abs
  • Leandro  24/07/2012 13:12
    De modo algum, Amauri. Como o artigo deixa claro, esta solução keynesiana irá gerar hiperinflação, destruindo a moeda. A solução prática, mas dolorosa, é um calote seguido do um total redimensionamento do setor bancário, como explicitado neste artigo.

    Abraços!
  • Hans  24/07/2012 12:51
    Uma questão: dado que o sistema bancário europeu é integrado de tal forma que é normal para um cidadão de um país ter e movimentar contas em bancos de outros, uma quebra *lenta e gradual* dos bancos gregos seria tão ruim assim?

    Digo, os correntistas transferem seu dinheiro, aplicações, etc. para bancos alemães e continuam vivendo normalmente com isso (para o cidadão comum: sacando, depositando, usando seus cartões de crédito/débito). Os bancos grego quebram, mas não causam um efeito cascata porque a sociedade aprendeu a viver sem eles. Esse é um cenário possível?
  • Leandro  24/07/2012 13:13
    Não, não é possível. Os bancos alemães detêm títulos gregos. Se os bancos gregos quebram, o governo grego simplesmente não tem como arrecadar impostos para pagar juros aos bancos alemães. Resultado: os bancos alemães sofrem enormes perdas.

    Da mesma maneira, como os bancos alemães podem ter ativos que estão no passivo de bancos gregos, uma quebra dos bancos gregos provocam o mesmo resultado acima.

    Em termos contábeis, o lado dos ativos sofre uma brusca redução, o que obrigará uma redução no lado dos passivos. Isso significa restringir novos empréstimos e requisitar a quitação antecipada de empréstimos pendentes, pois agora seu capital sofreu uma redução. Haverá uma deflação monetária.

    Pense no sistema bancário europeu como um gigantesco esquema de reservas fracionárias. Em um sistema de reservas fracionárias, quando um banco quebra, todo o sistema bancário torna-se imediatamente insolvente, pois, como é da natureza das reservas fracionárias, um banco cria dinheiro do nada, colocando em circulação mais dinheiro do que de fato existe em suas reservas. Logo, uma quebra bancária provocaria um sumiço no dinheiro, reduzindo o capital de todos os outros bancos.

    Para uma solução, veja minha resposta acima ao leitor Amauri.

    Abraços!
  • bettomorais  25/07/2012 09:05
    Leandro,

    Perfeita explicação. Já que todo o sistema bancário Europeu esta interligado, a falta de confiança do poupador/investidor no sub-sistema bancário Grego irá por tabela desestabilização no sub-sistema bancário Alemão. Gerando uma assim uma crise sistêmica bancaria em todos os seus sub-sistemas.

    O autor do texto indica que alguns economistas vêem que a impressão de dinheiro é a solução para a questão bancaria, mas não é. Já que as explicações do Leandro são corretas.
  • Rodrigo  24/07/2012 13:21
    "Em seu livro Superclass, o autor David Rothkopf estima que haja por volta de apenas 6.000 pessoas no topo da pirâmide do poder mundial."

    como será que pessoas como o David Rothkopf chegam a esses números fantásticos?

    ================

    fora essa estatística do começo(que eu considero totalmente sem importância), achei o artigo perfeito, a lógica é perfeita.

  • Frederico Alvares  24/07/2012 13:21
    Instituo Mises, sou um bacharelando do curso de Direito e aprendi muito com esse site. Digo que estou tendo uma graduação em economia, tendo em vista que leio, no mínimo, uns dois artigos por dia e para isso contríbuo financeiramente também com o Instituto com parte da minha bolsa de estágio. Estava conversando em uma reunião de família com um primo economista que faz mestrado na Unb e em uma discussão no jantar de família, posso dizer com autoridade, mostrei a incoerência das ideias keynesianas desse meu primo, mesmo não sendo um economista, tenho um acarboço sólido. Eis a prova da pretensão do conhecimento dos economistas que Hayek tanto afirmava. Muito obrigado por mais esse texto esclarecedor e continuem esse trabalho, pois vocês me tiraram do "Caminho da Servidão" que um estudante de Universidade Pública já estava começando a trilhar. Esse Instituto tem feito o seu principal papel que é colocar os alunos contra os seus mestres esquerdistas atrasados e contra o esse Estado que regula tudo e não nos deixa promover o real crescimento de nosso Mundo. Muito obrigado de todo o coração.
  • Leandro  24/07/2012 13:27
    Prezado Frederico, ficamos extremamente gratos pelo seu reconhecimento e, principalmente, pelo seu esforço financeiro. São depoimentos como o seu que fazem com que todo o nosso trabalho -- sob incessante ataque de tiranos e odiadores da liberdade -- valha a pena.

    Grande abraço e obrigado por tudo!
  • Antonio  24/07/2012 16:12
    No início do texto, foi colocado que a Europa está num beco sem saída. Se o BCE emprestar para os bancos, esses terão de emprestar a juros mais altos para repagar, e não há quem pegue exceto os governos, que darão calote caso haja recessão. Portanto, os bancos colapsarão e junto toda a Europa. No final, disse que a única saída é o BCE emprestar para os bancos gregos. Não hã uma contradição, pois esses bancos iriam ter de emprestar para o governo, que daria calote, de acordo com o que foi colocado inicialmente? \r
    \r
    A outra solução colocada mais no início foi destruir a moeda, com o BCE criando dinheiro, valorizando em termos nominais ativos dos endividados e permitindo-lhes pagar suas dívidas. No entanto, isso geraria inflação e destruição da moeda. Não ficou claro p/ mim que isso seria uma solução para crise.
  • Leandro  24/07/2012 16:29
    Prezado Antônio, você ficou confuso simplesmente porque citou duas políticas idênticas como se fossem diferentes. Além da opção do empréstimo do BCE aos bancos, o BCE também pode comprar diretamente títulos do governo em posse tanto dos bancos quanto dos próprios governos. Este último mecanismo, como o autor ressaltou no final, é proibido. Mas acabará sendo feito.

    Gentileza ler minhas respostas aos leitores Amauri e Hans, bem como o link indicado.

    Abraços!
  • bernardo  24/07/2012 20:40
    Gostaria de entender porque quando os juros de um titulo da divida aumentam, o valor dos titulos antigos que já foram emitidos diminuem.
  • Leandro  25/07/2012 03:13
    Porque se trata de um mesmo produto em um mesmo mercado, Bernardo.

    Por exemplo, imagine que você detenha títulos e quer vendê-los a um determinado preço. Porém, suponha que o Tesouro passa a emitir esses mesmos títulos a preços menores que os seus (logo, a juros maiores). Sendo assim, de quem você acha que as pessoas preferirão comprar: de você, que vende a preços altos, ou do Tesouro, que vende a preços baixos?

    Elas irão logicamente preferir comprar do Tesouro (que paga juros maiores) do que comprar de você, que está exigindo preços maiores (juros menores). Sendo assim, você também terá de reduzir os preços dos seus títulos. Por que eu iria comprar de você se posso comprar mais barato do Tesouro? Logo, o valor de seus títulos caíram.

    Essa mesma lógica se aplica, por exemplo, ao mercado de câmbio. Se o Banco Central anunciar hoje que está vendendo dólares a R$1,70 para qualquer pessoa, você simplesmente não conseguirá encontrar trouxas para quem vender seus dólares a R$2,05 (valor atual do câmbio). Todo mundo vai comprar do BC. Logo, ou você reduz o preço dos seus dólares ou não venderá pra ninguém.

    É desta forma que o governo manipula os preços de seus ativos.

    Abraços!
  • Jose Roberto Baschiera Junior  25/07/2012 05:09
    Mas as taxas de juros não tem o valor dos juros pré-fixadas. Sendo que na maturação o governo deve pagar aqueles juros estabelecidos?
  • Leandro  25/07/2012 05:19
    Sim. Mas isso não gera o efeito que você está imaginando.

    Para a maioria dos títulos, quem os compra sabe exatamente o quanto irá receber do governo até o vencimento. Logo, alterações nos juros não afetam a renda desta pessoa, mas afetam o valor do título caso a pessoa queira vendê-lo antes de sua maturação.

    Um aumento dos juros provoca uma perda de riqueza para os proprietários desses títulos -- afinal, o preço de seus ativos caiu. Porém, não houve uma perda de renda, já que os juros são pré-fixados e pagos pelo Tesouro. Se você comprar esses papeis, você terá com eles um rendimento maior do que terão aquelas pessoas que já os possuíam antes da alteração dos juros (afinal, os juros pagos pelo Tesouro são constantes, mas você comprou o papel por um preço menor). Se você não vender esses papeis, sua renda não será afetada, embora sua riqueza tenha, sim, diminuído.

    Isso tudo foi explicado aqui.

    Abraços!
  • bernardo  25/07/2012 12:33
    Lançando um exemplo então pra ve se eu entendi:

    Eu compro um titulo que daqui a 1 ano vai me pagar 1000 reais. Eu paguei 900 reais nele, ou seja 11,11% de juros é o que ele vai me dar. Se por acaso o tesouro começa a lançar titulos com juros maiores, consequentemente preços menores, eu vo ter que diminuir o preço do meu titulo pra que as pessoas possam comprar ele. Diminuo pra 800 por exemplo, ou seja agora ele da 25% de juros pra pessoa que comprar ele. Se eu vender, eu perco dinheiro, se eu manter eu não perco, vo receber 1000 do mesmo modo. Então porque os Bancos perdem dinheiro, porque eles simplesmente não podem esperar o titulo expirar e receber o dinheiro? Eles só vão de fato perder dinheiro se eles venderem o titulo antes de ele expirar.
  • Leandro  25/07/2012 13:09
    Bernardo, ninguém falou que o banco perde dinheiro. Eu inclusive fui bem explícito ao diferenciar entre perda de renda e perda de riqueza. Por favor, não confunda estes conceitos.

    No caso específico dos bancos, o que acontecerá é uma reavaliação dos ativos. A perda de valor dos títulos faz com que, contabilmente, o valor da sua coluna de ativos (títulos do governo são ativos para os bancos) seja diminuído. Se isso ocorrer em larga escala, ocorrerão os problemas citados: os bancos terão de reduzir seus passivos, desencadeando uma grande contração do crédito.

    Abraços.
  • bernardo  25/07/2012 17:40
    Axo que saquei, eventualmente se muitas pessoas quiserem tirar o dinheiro do banco, o banco vai ter que acabar vendendo esses titulos pra dar o dinhero pra essas pessoas, ou seja, serão obrigados a vender a um preço menor. Outra coisa, os titulos do governo podem ser contabilizados como parte do deposito compulsório?
  • Rhyan  25/07/2012 18:14
    Mas todos os títulos do governo americano são pré-fixados, Leandro?
  • Pedro Ivo  26/07/2012 05:04
    Não Rhyan. Hà títulos estadunidenses cujo juro acompanha o equivalente deles à nossa SELIC.
  • André Caniné  25/07/2012 06:01
    Mais um artigo brilhante do Gary North. Impressionante como esses globalistas da Nova ordem mundial são completamente analfabetos em economia.
  • william  25/07/2012 06:47
    Não sou nenhum entendido de Economia, mas estava pensando, uma possível solução seria o BC imprimir mais euros na economia, dando solvência ao sistema, é claro que isso levaria a uma grande desvalorização do euro, mas esse é o ponto, quando o euro estiver mais desvalorizado, ficará mais fácil para os países em pior situação voltarem para suas moedas antigas, não haverá uma diferença tão grande no valor para saldarem suas dívidas. O que acham?

    Outra dúvida, porque o BC não regulamenta os depósitos de moradores de um país em outro, se sabe que isso terá consequências negativas?
  • Leandro  25/07/2012 07:03
    Imprimir dinheiro salva os bancos mas penaliza severamente a população, principalmente os mais pobres e aqueles dependentes de renda fixa, como aposentados e pensionistas. Trata-se de um gigantesco esquema de redistribuição de renda às avessas, dos pobres para os bancos. Além do fato de que tal política seria uma premiação dos incapazes, gente que geriu mal os negócios mas foi premiada com um resgate estatal à custa do resto da população.

    Quanto à sua teoria de que tal situação seria mais propícia à volta das moedas nacionais, isso não faz nenhum sentido. O que você está propondo é destruir a economia destes países por meio de uma inflação tão severa que a população passaria a aceitar qualquer coisa. Isso é perigosíssimo. Quem garante que não haverá revoluções e chacinas neste seu cenário? A coisa pode ficar completamente fora de controle. Quando as pessoas perdem tudo o que tem e ficam sem nada a perder, elas perdem a cabeça.

    Ademais, não faz nenhum sentido essa ideia de que é preciso desvalorizar uma moeda para se retornar à moeda antiga. A dificuldade de se sair de uma moeda fiduciária e adotar outra moeda fiduciária é tecnicamente a mesma, independentemente do quão carcomida pela inflação esteja a moeda original.

    Quanto à sua ideia de proibir depósitos de estrangeiros, isso é algo que vai contra um dos principais fundamentos da União Europeia, que é a livre mobilidade de capital. Sem ela, não há nem moeda única.

    Abraços!
  • Joao Ribeiro  25/07/2012 09:31
    Leandro, para si qual seria agora a melhor solução para enfrentar este problema da crise?


    Hoje temos esta notícia que pode ser bastante interessante no evoluir da crise do €:

    Deputado do partido de Merkel diz que Grécia pode ser alvo de nova reestruturação de dívida.



    www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=570159


    Um abraço.
  • Leandro  25/07/2012 10:22
    João, A solução prática, mas dolorosa, é um calote seguido do um total redimensionamento do setor bancário, como explicitado neste artigo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=946

    Abraços!
  • EUDES  25/07/2012 13:48
    Leandro, um calote verdadeiro ou uma "renegociação", por assim dizer, unilateral da dívida ?
  • Leandro  25/07/2012 14:48
    Eudes, o que for mais factível. O que importa é retirar dos ombros dos cidadãos e dos empreendedores todo o fardo de uma dívida que foi contraída pelo estado e seus políticos.

    Os membros produtivos da sociedade não têm por que arcar com impostos cujas receitas serão remetidas a bancos estrangeiros. Da mesma forma, os membros produtivos da sociedade não são os responsáveis por dívidas contraídas por políticos em benefício deles próprios e do funcionalismo público.

    Sugiro este artigo que lida exclusivamente com este tema.

    Abraços!
  • EUDES  26/07/2012 05:57
    Obrigado pela resposta, Leandro.

    Abraços!
  • Eduardo Bellani  26/07/2012 08:09
    Leandro, não sabia mais onde publicar, então peguei esse comentário seu.

    Você viu o novo fidcão[1]? O pessoal do IMB pretende fazer alguma análise a
    respeito? Me parece um tópico extremamente relevante.


    [1] brazilianbubble.com/beware-brazil-here-comes-the-fidcao/
  • Pedro Ivo  26/07/2012 05:17
    Caro Joao Ribeiro. A Grécia já foi alvo de reestruturação da dívida. Lembra, meses atrás, daquela troca dos títulos gregos por outros cujo valor de face era 46,7% dos anteriores? Pois é. Funcionou? Não. Mas por que não? Porque após a reestruturação da dívida o estado grego ainda tinha despesas maiores que receitas (não só com as dívidas, mas com toda a estrutura institucional do estado). É por isto que o Leandro Augusto recomendou o artigo O que fazer em caso de quebras bancárias generalizadas?. Nele se mostra que isto é uma situação de falência, e que não adianta reestruturar a dívida de um falido, pois ele se tornou incapaz de gerar receita para pagá-la. Ele não é produtivo o suficiente para sustentar o nível de gastos com que se comprometeu. Aquilo que é capaz de produzir é inferior ao fluxo de receita de que precisa para pagar suas dívidas. Isto é válido para indivíduos, empresas ou estados. Foi à falência?!... pois isto significa que quem pediu emprestado + do que pode pagar errou, e perdeu tudo o que tinha. Mas quem emprestou + do que o devedor podia pagar também errou, e perdeu o que emprestou. Paciência
  • Deilton  25/07/2012 09:55
    Se realmente ocorresse um colapso na europa, quais as consequências para o Brasil? Será que nosso sistema financeiro seria afetado? As ações com certeza.
    Esse colapso não seria também uma oportunidade para investir-mos nossas poupanças, afinal é nas crises que aparecem as oportunidades. Já dizia o barão Rothschild: "quando houver sangue nas ruas, adquira os bens".
  • Pedro Ivo  26/07/2012 05:30
    Caro Deilton. Quem dera fosse assim tão fácil. Um colapso na Europa significa os cidadãos de lá vendendo seus "ativos vencedores" para cobrir seus prejuízos. As propriedades que eles tiverem na América do Sul e do Norte, e na Ásia, serão (em boa parte) liquidadas. Isto redimensionará os valores dos bens de todos. logo, ser coerente com o que disse o barão Rothschild: "quando houver sangue nas ruas, adquira os bens", significa que você protegeu seu patrimônio. Mas nunca se sabe com exatidão, durante um colapso, quem será vencedor ou derrotado. Você protege seu patrimônio obtendo certos ativos e propriedades, mas e se, durante a depreciação, for você o perdedor?! lembre-se que preços são relativos: durante o boom, uns apreciam-se + do que outros; e na recessão, uns depreciam-se + do que outros.

    Mas claro, se você conseguir assegurar seu patrimônio frente ao pandemônio que virá, meus parabéns: você poderá adquirir os "ativos vencedores" dos perdedores à preço de liquidação, pois eles estarão se desfazendo do que tem de bom para pagar os prejuízos que tiveram na outra ponta. Em 2001, quando a Argentina quebrou, antiquários do mundo inteiro se aproveitaram do momento para obter obras de arte, jóias, selos e moedas raras, etc., a preços lucrativos. Sei disso por depoimentos de amigos argentinos que precisaram se desfazer de bens de família. Eis um ex. concreto do que está por vir.
  • Arthur M M  25/07/2012 18:32
    Enfim. A coisa está muito feia na Europa. Espero (infelizmente eu só espero pois sei que irá acontecer) que esse tipo de coisa não aconteça no Brasil.

    PS.: Não sei o que é mais fantástico nesse site, os artigos muito bem escritos e de fácil entendimento. Nos mostrando a real face da economia; ou o Leandro, que está sempre tirando nossas dúvidas em relação a economia. Valeu Leandro.
  • Pedro Ivo  26/07/2012 05:34
    é o Leandro, pois é ele quem traduz os artigos, além de tirar as dúvidas
  • Eliel  27/07/2012 05:46
    Recomendo a leitura do livro "A Tragédia do Euro", de P.Bagus.
    Sabiam que o euro é o marco alemão?
    Resultado dos planos políticos ( e não economicos ) da França invejosa socialista.
    É o preço que a Alemanha pagou para se reunificar.
    Agora a França colhe o que plantou: a tragédia dos comuns para toda a zona do euro.
    E que zona!
  • Lúcio  27/07/2012 11:33
    No grito

    "Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), é o grande motor dos mercados pelo segundo dia consecutivo. O primeiro impulso aos ativos globais foi dado na véspera, quando Draghi afirmou que fará o necessário para defender a moeda única. O segundo impulso foi deflagrado há pouco com a possibilidade de o BCE vir a reduzir juro e adicionalmente lançar novas operações de refinanciamento de longo prazo e mais compras de bônus.

    Os mercados reagem com euforia a uma reportagem da Bloomberg afirmando que Draghi está trabalhando nessas ações. Aqui, o mercado acompanha o ritmo internacional e o Ibovespa dispara 5%.

    © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico."
  • Andre Cavalcante  27/07/2012 22:33
    kkkkk.

    "© 2000 ? 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico."

    É de se ri esse tipo de nota, não?! www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=29
  • bernardo  27/07/2012 15:07
    Incrivel como os Bancos e investidores em geral se iludem fácil, é só falar que o Draghi ta planejando algo que eles acham que tudo irá se resolver mágicamente...isso mostra que pouquissimas pessoas no mundo tem entendimento de economia de verdade.
    O BCE ta comprando titulos da espanha a 2 dias, o juros caiu de 7,4 pra 6,76, duvido muito que essa queda é natural do mercado, com certeza eh o BCE intervindo.
  • Pedro Ivo  28/07/2012 07:05
    "Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), é o grande motor dos mercados pelo segundo dia consecutivo. O primeiro impulso aos ativos globais foi dado na véspera, quando Draghi afirmou que fará o necessário para defender a moeda única. O segundo impulso foi deflagrado há pouco com a possibilidade de o BCE vir a reduzir juro e adicionalmente lançar novas operações de refinanciamento de longo prazo e mais compras de bônus. - Os mercados reagem com euforia a uma reportagem da Bloomberg afirmando que Draghi está trabalhando nessas ações. Aqui, o mercado acompanha o ritmo internacional e o Ibovespa dispara 5%. "

    Estão reflacionando um mercado que está só a capa do Batman e estes otários respondem positivamente!...

    É mesmo o cumulo!!!!!!! o bernardo tem razão quando diz que quase nada nem ninguém conhece de economia no mundo. Simplesmente não há fundamentos econômicos no mundo p/ sustentar o nível de consumo e investimento que eles querem porque não há estoque de capital suficiente para isto, e reflacionar a economia com emissão de moeda, dívidas e títulos não vai criar do nada este estoque de capital posto reflacionar apenas aumenta a oferta de liquidez, não de bens a demandar por esta liquidez.

    estes '''''''economistas''''''' (entre muitas aspas), burrocratas (sem aspas e com 2 'Rs'mesmo), eurocratas e investidores são mesmo, e não + que isto, um bando de galinhas: levam no cú e saem por aí cantando.
  • Antonio  29/07/2012 12:17
    Sei não... acho que agora é tudo uma questão de tempo, apenas... pode levar meses ou até alguns anos, mas creio que o "pior cenário" vai acontecer... e creio que o mundo inteiro será duramente atingido...
  • Neto  12/10/2012 11:50
    Se o nobel foi pra união europeia o negócio deve estar mais podre do que a gente imagina
  • Ricardson  25/10/2012 08:00
    \r
    Caro Leandro,\r
    \r
    Em artigo publicado pela The Economist, em 30 de junho de 2012, há a recomendação para os bancos centrais ouvirem os acadêmicos. Ao mesmo tempo informa que o Banco Central Europeu deve cortar taxas e começar a flexibilização quantitativa. Assim como, Banco da Inglaterra e do Fed deveriam começar empregando ferramentas mais convencionais para afrouxar as condições monetárias. Poderia informar se essas recomendações foram atendidas, durante o período de julho a setembro de 2012? Em caso negativo, quais foram as ações adotadas por eles?
  • Leandro  25/10/2012 08:08
    Sim, o Fed adotou a operação QEn, comentada aqui por Peter Schiff. Já o BCE adotou algo aparentemente semelhante, mas a Alemanha conseguiu injetar algumas medidas mais austeras no processo, as quais foram comentadas detalhadamente neste artigo.

    Abraços!
  • Mohamed Attcka Todomundo  24/11/2013 21:54
    Quando a Europa salva os Bancos, quem paga?



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