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Como pensar igual ao estado

Você já observou a existência de um padrão ao lidar com qualquer aspecto do governo em praticamente qualquer nível?  Sim, todos nós já.  Sempre há uma mesma mentalidade em cena.  A seguir, a minha tentativa de enquadrá-la e identificar suas principais características.

A experiência nos mostra que, se algo tem tudo para dar totalmente errado, fazer você perder tempo, aborrecê-lo, atacar sua dignidade e, no fim, se comprovar totalmente inútil e ineficiente em realizar o que havia sido proposto, então há uma ótima chance de esse algo envolver o governo.

A sociedade que está fora do âmbito estatal possui forças corretivas em constante funcionamento.  As coisas não são perfeitas, é claro, mas ela geralmente sempre está se esforçando para aprimorar.  Porém, com o estado, tudo parece estar encravado em um padrão de fracasso total.  Ao lidarmos com serviços estatais, o que vemos é incapacidade e incompetência em todos os níveis.  Na melhor das hipóteses, o governo faz coisas ignaras; na pior, faz coisas indescritivelmente horríveis.

Apenas pense nas coisas que você tem de tolerar resignadamente quando lida com operações estatais, seja nas repartições públicas, seja nos aeroportos, seja com os Correios, seja com a Polícia Federal, seja com a Alfândega, seja com o DETRAN, seja com a Receita Federal.  Pense também nas estultícias que você tem de tolerar para cumprir todos os ditames impostos pelos ministérios do Trabalho, da Saúde, dos Transportes e da Cultura, para não mencionar em todo o inferno gerado pelas leis e regulamentações impostas pelas agências reguladoras, cuja única função é tolher a livre iniciativa dos cidadãos e restringir o mercado em prol de poucas empresas favorecidas, sempre em detrimento de nós consumidores.

Eis a questão.  A característica distintiva do estado é a sua arrogância, a presunção de estar sempre no controle de tudo, e a maneira como ele utiliza a força para exercer esse controle.  Porém, este não é todo o problema com o estatismo.  Tal característica leva a várias outras feições que fazem parte daquilo que podemos chamar de 'maneira estatista de pensar'.  Tudo se resume a um estilo de comportamento permitido pelo poder absoluto, o que significa a total ausência de qualquer restrição ou de medidas corretivas.

O mercado e a ordem voluntária possuem embutidos em si estruturas que impedem que os vícios e a inerente estupidez humana dominem o sistema.  O mesmo não é válido para o governo.  O governo constrói ao redor de si várias muralhas protetoras que proíbem o ingresso de medidas que manteriam ideias totalitárias e estúpidas totalmente acuadas.

Portanto, quais são as características desta maneira estatista de pensar, a qual parece ser generalizada nas instituições governamentais?  Baseando-me em minhas influências habituais (Nock, Mises, Rothbard, Hayek), vejamos como você também pode pensar como se fosse o estado.

1. Presuma que todas as coisas importantes e valiosas já são conhecidas.  Isso inclui os objetivos e as maneiras de se atingir este objetivo.  O estado apenas pressupõe que a sociedade deveria funcionar de uma certa maneira e então imagina um formato predeterminado para ela.  E ele sabe disso com absoluta certeza.  Não há nenhum processo, nenhum desenrolar que gere resultados inesperados.  O estado está tão certo de qual deve ser a meta a ser alcançada pela ordem social, que ele nunca tem de explicar ou justificar sua percepção.

Ele sabe a correta distribuição de renda entre as classes, o número exato de empresas que cada área da economia deve ter, o tamanho que cada uma pode ter, o preço correto de cada bem e serviço, o que você pode ingerir, o que é justo e o que é injusto.  Ele sabe quando a economia está crescendo muito e quando está crescendo pouco.  Ele sabe quais indústrias devem receber subsídios, quais devem ser protegidas para sempre e quais devem estar sujeitas à concorrência.  Ele sabe o que é bom para você e o que não é.

Como não há incertezas na mente estatista, não há por que se esforçar, buscar descobertas ou ter imaginação, coisas que só se revelam ao longo do tempo por meio de processos de tentativa e erro.  Não há necessidade de escutar, aprender e se adaptar.  O estado jamais duvida possuir os meios para se alcançar tais objetivos.  Apenas desejá-los já basta para que eles ocorram.  Sua onisciência é acompanhada da onipotência.

É por isso que não há arrogância no mundo igual à arrogância estatal.  Por outro lado, qualquer indivíduo ou instituição também pode adotar este lamentável hábito mental: administradores, pais, familiares, clérigos, profissionais liberais e trabalhadores assalariados.  No entanto, fora do estado e das muralhas de proteção que ele constrói ao redor de si, a realidade sempre revida e pune.  A realidade é incerteza, mudança, surpresa, inovação, adaptação.  Os mercados dão vida a estas forças, ao passo que o estado, de forma absoluta e por total necessidade, as esmaga.

2. Presuma que o caminho para a vitória deve ser pavimentado pela coerção.  Esta característica da mentalidade estatista é explícita em todo e qualquer grande programa estatal de alcance nacional.  Discordar é ser a favor do atraso.  Desnecessário dizer que nunca há nada de errado com os planos e políticas estatais.  A única coisa que pode afetá-los e atrapalhar os resultados são aqueles indivíduos e empresas insolentes que se atrevem a não mostrar o devido respeito aos planos dos burocratas e à inquestionável autoridade destes.  Sendo assim, só há uma forma de fazer com que todos ajam da maneira esperada: mostrando aos inferiores quem é que manda.

Todas as agências e ministérios estatais pensam assim.  Sem exceção.  A coisa vale tanto para a economia quanto para hábitos pessoais.  Se algo é ruim, como utilizar drogas ou beber, então a solução parece óbvia: aumentar as penalidades para os infratores.  Nenhuma punição jamais será excessiva.  Quanto mais dura for a punição, maior será o desestímulo aos novos infratores — ou assim crê o estado.  Da mesma maneira, nunca haverá autoritarismo o bastante, nunca haverá um suficiente número de burocratas encarregados de fazer as pessoas obedecerem ao estado.  Se o governo determina que as empresas devem contratar indivíduos de determinadas características, ou que elas não podem demitir sob certas circunstâncias, as punições para os dissidentes devem ser severas.

Mas será que este caminho pode gerar consequências inesperadas?  Podem estas imposições fazer com que os problemas piorem e criem reações adversas, revoltas e mercados negros?  Será que a aspereza pode acabar estimulando mais pessoas a se juntarem às fileiras dos rebeldes, desestimulando assim a manutenção das leis?  Na maneira estatista de pensar, nada disso é possível.  Leis e regulamentações são a voz dos deuses, ponto.  E o deus estatal nunca está errado.  Certamente, este deus nunca, sob hipótese alguma, admite qualquer erro.

3. Presuma que todas as discordâncias ao governo equivalem a "torcer contra o país" e ser antipatriótico.  Este ponto advém diretamente dos dois acima.  Dado que você sabe de tudo e sabe que absolutamente tudo é possível por meio da força e da coerção, então resta óbvio que, caso alguém ouse questionar ou — pior ainda — criticar suas políticas, tal pessoa só pode ser uma inimiga do estado, do progresso e dos desvalidos.

Você é contra políticas industriais?  Então você é um inimigo do bem-estar da nação.  Você é contra medidas autoritárias que visam exclusivamente à "segurança" da população?  Então você claramente é um encrenqueiro que quer apenas chamar a atenção e desafiar as autoridades legítimas.

Você tem dúvidas quanto à eficácia das políticas de confisco e subsequente redistribuição da riqueza alheia?  Acha que políticas de interação forçada, como quotas, podem gerar consequências adversas?  Então é óbvio que você faz parte do problema e não da solução.

Na mentalidade estatista, existem somente dois modelos possíveis de cidadãos bons e decentes: o servo e o bajulador.  Se você não se enquadra em nenhuma destas duas categorias, então você ou é um rebelde que deve ficar sob estrita vigilância ou é um traidor que tem de ser esmagado pelas forças justas e apaziguadoras do estado.

Para o estado, existe apenas um caminho a ser seguido.  Para ele, todas as coisas funcionam bem porque apenas uma vontade prepondera sobre todos os humanos.  Com efeito, é exatamente assim que pensa qualquer pessoa que raciocina como o estado.  Se não houver um ditador, a sociedade certamente entrará em colapso, e o caos e a brutalidade reinarão supremos.

O estado é incapaz de conceber uma verdade sobre a sociedade, aquela que a velha tradição liberal revelou: a sociedade funciona exatamente porque ela não pode ser governada por uma vontade suprema.  É o conhecimento descentralizado, disperso entre vários indivíduos, o que cria a ordem no mundo.  É a multiplicidade de planos, todos coordenados por meio de instituições, o que cria esta organizada ordem social que possibilita a existência da civilização, e que a permite se desenvolver e progredir de maneiras sempre inesperadas.  A sociedade não precisa de dirigentes.

4. Presuma que o mundo material vale mais do que ideias.  De novo, isso advém dos três pontos acima.  A característica distintiva do estado é o seu controle sobre a propriedade física.  Ele controla todo o espaço dentro daquelas linhas do mapa chamadas de fronteira.  Dentro deste espaço, o estado e seus homens armados confiscam a riqueza de seus súditos.  Dentro deste espaço, a vontade do estado deve reinar suprema, sempre com a devida punição aos dissidentes.

Seu amor às questões físicas é tão intenso, que em todas as cidades o estado constrói enormes e imponentes prédios para seus burocratas, além de imponentes monumentos que glorificam a si próprio.  Ele se refestela em teorias que giram primordialmente em torno de coisas físicas.

Ele depende da propaganda e da manipulação cultural, mas tais empreitadas nem sempre são bem-sucedidas.  O estado não pode controlar as mentes humanas.  Estas são e sempre serão exclusivamente nossas.  Até mesmo em campos de concentração os prisioneiros são livres para pensar o que quiserem.  Todos nós somos, se assim o desejarmos.  Sempre.  É por isso que o estado odeia a mente humana e tudo o que ela produz.  A mente humana e todo o mundo das ideias estão, em última instância, fora do seu alcance.

Ainda mais incrível é o fato de que todo o mundo físico construído pelo homem começou com ideias.  Da mesma maneira, as ideias que hoje seguimos são o presságio do mundo de amanhã.  E é exatamente por isso que a maneira estatista de pensar se sente apavorada ao se defrontar com indivíduos de ideias próprias, indivíduos livres, indivíduos que não fazem concessão aos modismos politicamente corretos em voga.  E é por causa desse pavor que o estado não consegue pensar visando ao longo prazo.

5. Oponha-se a toda e qualquer mudança não autorizada de planos.  Isto é consequência dos quatro pontos acima.  A meta a ser alcançada pela ordem social já é sabida pelo estado.  Ela pode ser alcançada pela imposição e pela supressão de dissidentes e pela destruição de ideias novas.  A mentalidade estatista não admite surpresas.  Portanto, o melhor a se fazer é se certificar de que não ocorra nenhuma mudança que não esteja prevista no modelo.

Pensar como o estado, portanto, significa deleitar-se no conteúdo de tudo aquilo que foi imposto no passado e que continua existindo até hoje.  Se algo sempre foi uma lei, então é inquestionável que continue sendo uma lei.  Se algo sempre foi impingido à força, então deve continuar sendo assim para sempre.  Sempre olhe para trás e mantenha toda a sua estrutura arcaica (ou uma versão mítica dela), e nunca para frente, imaginando como as coisas poderiam ser.  O estado ama a sua própria história: seus líderes, suas guerras, suas lendas e suas imposições.

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Leis estatais
Esta propensão para o atraso é algo profundamente arraigado no estado.  O grosso de suas leis e regulamentações diariamente impingidas à sociedade nada tem a ver com os atuais políticos (contrariamente ao que prometem as eleições).  Elas datam de décadas ou até mesmo séculos atrás.  Leis não desaparecem dos livros.  Elas apenas recebem acréscimos e vão se acumulando, como aqueles anéis no tronco de uma árvore.  Reforçar o que já existe e colocar esparadrapos no que é necessário é muito mais importante para o estado do que admitir e reverter seus erros do passado.

Tão arraigada é esta ideia que, leis recém-criadas, caso tenham um prazo de validade, já vêm com uma cláusula que explicita as condições para seu futuro prolongamento, e esta cláusula normalmente é adicionada apenas para comprar votos. E, praticamente sem exceção, quando a data da expiração chega, a lei a renovada.  Quando, por algum milagre, uma política ruim, que nunca sequer deveria ter sido criada, é abolida, trata-se de um evento grandioso.  Os súditos comemoram o fim de algo cuja criação não teria sido tolerada por nenhum ser realmente livre.  Pense na significância épica do fim da escravidão ou da lei seca.  Estas são exceções que apenas confirmam a regra.

 

Esta última feição do pensamento estatista é a mais mortal para a civilização.  Mudanças são a fonte da vida e do desenvolvimento de uma sociedade.  Com o tempo, surgem novas pessoas, novas ideias, novos gostos, novas preferências, novos estilos de vida, novas tecnologias.  A humanidade tem uma propensão a querer aprimoramentos, e isso requer jogar fora tudo o que é antigo, ruim e que não presta.  Já o estado utiliza todo o seu poder para sustentar e reforçar o passado, e, para isso, invoca uma batalha diária contra o progresso.

Se você de fato compreende as características acima citadas, então você de maneira alguma se surpreende com todos os aborrecimentos, frustrações e chateações impostas diariamente por reguladores, burocratas e políticos.  O estado possui um distúrbio de personalidade, distúrbio este oriundo de seu status monopolista e de suas táticas coercitivas.  Este distúrbio não é exclusivo do estado.  Você provavelmente reconhece ao menos alguns destes traços em algumas pessoas que você conhece.  Você pode até mesmo reconhecê-los em você próprio.

É ótimo atacar e criticar burocratas, mas também há alguns motivos para termos pena deles, bem como de todas as pessoas cujas vidas dependem da máquina estatal.  A diferença entre nós e o estado é que, quando estes distúrbios de personalidade surgem, nós somos capazes de mudá-los, e temos todos os incentivos para fazermos isso.  Já o estado, por sua vez, não apenas os mantém como também os incorpora em definitivo, mesmo depois de eles já terem se tornado completamente irrelevantes para qualquer coisa que seja importante.

E assim termina a lição sobre como pensar como o estado.  Trata-se de uma receita garantida para ser um completo fracassado na vida.

 

1 voto


  • Augusto  21/07/2012 05:26
    Vou dar um exemplo da burrice burocratica governamental: ha alguns anos eu tirei minha carteira de motorista no exterior. Apesar de ter feito isso em um pais super-desenvolvido, com leis bem rigidas, etc., o governo brasileiro nao reconhece aquela carteira e entao eu tenho que fazer o processo todo de novo, com o Detran do Rio de Janeiro.\r
    \r
    Entao eu sigo os passos: \r
    \r
    1) eu pago uma taxa no banco. Ou seja, eu ainda nao recebi nenhum servico, mas ja vou gastar dinheiro. So tem um banco autorizado a receber esse pagamento - eu nao posso ir no banco da esquina, tenho que ir no outro que fica mais longe. Se eu perder o comprovante de pagamento, tenho que pedir uma segunda via - so posso imaginar que o banco nao avise ao Detran que eu paguei a taxa, apesar de eu ter me identificado com nome e CPF na hora de fazer o pagamento;\r
    \r
    2) Eu agendo um horario no Detran para o Detran conferir minha documentacao e fazer meu cadastro. Obviamente, eu so posso fazer isso em pessoa, e o Detran so funciona em horario comercial - como eu trabalho bem longe do centro, eu perco 3 horas de trabalho. Legal: um dos documentos que o Detran confere eh a minha identidade: que foi emitida pelo proprio Detran! Depois eu tenho que comprovar que eu moro na cidade - para que? Eu nao sei. So posso imaginar que seja para evitar que as pessoas saiam cacando o Detran "mais facil de passar na prova" - ou seja, o Detran me impoe uma burocracia para remediar sua propria incapacidade de manter um padrao identico de servico em suas agencias. Finalmente, eu tenho que deixar impressoes digitais, fazer uma assinatura digitallizada e tirar uma foto - sendo que tudo isso o Detran ja havia coletado, ha menos de dois anos, quando eu fui tirar minha carteira de identidade!\r
    \r
    3) Eu recebo do Detran um papel (que eles me advertem: nao pode ser perdido!!!) indicando o nome de uma clinica para a qual devo ligar para agendar o exame medico. Eu ligo para a clinica. Nao posso fazer o agendamento por telefone. So em pessoa. Como eu trabalho longe, etc., mais 3 horas perdidas - para agendar o exame! Depois, serao mais 3 horas perdidas para fazer o exame.\r
    \r
    Depois, vamos ver o que vai acontecer, mas estou desconfiado que nao vai ficar mais facil...\r
    \r
    Eu so posso imaginar que essa burocracia toda exista para manter um monte de empregados desnecessarios... e para atormentar a vida das pessoas.\r
    \r
    (nem vou entrar na discussao de que o estado nao deveria ter nenhum poder de decidir se eu posso ou nao dirigir, porque isso ja eh outra historia...)
  • Patrick de Lima Lopes  21/07/2012 06:26
    É pior do que eu pensava.
    É por isso que as bicicletas estão vendendo tão bem! Haha.
    Sua história lembrou-me da ala inferno da divina comédia.
    De verdade, agora estou com medo de tirar uma nova carteira. Você acabou de reviver em mim o ódio que sinto pelo Detran e por sua pseudo-eficiência.
    Próxima vez que o estado decidir multar-me por não ter o código que ele mesmo é semi-incapaz de oferecer-me, vou perguntar ao guarda se o trabalho dele não se incomodaria caso este passasse 8 horas ausente.
    Ótimo post, Augusto. Eu não sei nem se publico isso na área de pérolas da justiça ou na área das incoerências da justiça.
  • Miguel  23/07/2012 06:47
    Eu também já tinha pensado em alguma correlação entre a burocracia envolvida com carros e o boom das bicicletas. Vamos aproveitar enquanto é tempo: noticias.r7.com/videos/cidades-do-interior-paulista-exigem-emplacamento-de-bicicletas/idmedia/4e3c431992bb0235c6b820c9.html
  • Marcos Campos  23/07/2012 10:15
    Exatamente disto que eu ia comentar, de que em breve eles darão um jeito de regulamentar as bicicletas eletricas....infelizes...
  • Patrick de Lima Lopes  03/08/2012 20:34
    Miguel, creio que existe uma relação direta entre o uso de bicicletas e o zoneamento euclidiano das cidades.
    É uma longa história de amor entre o governo e sua ânsia por planejar uma cidade eficiente através da institucionalização de um centro da cidade.
    Um "centro comercial", quando não há intervenção estatal, tendo a estar em constante crescimento e movimento a ponto onde tanto os bairros ditos comerciais e seus parentes ditos residenciais tornam-se uma mistura homogênea.
    Mas Patrick, o que é que isso significa?
    (1) Significa que a cidade estará em constante movimento. Ou seja, não veremos hordas de pessoas nas grandes avenidas e um deserto de trevas após as 8 horas. Conversando com uma chinesa, ela relatou-me seu espanto ao notar a velocidade com que o vazio supramencionado surge.
    (2) Quando não ocorre a heterogeneidade dos conjuntos urbanos, as distâncias TENDEM a serem menores entre o morador e seu local de trabalho. Isto significa que a bicicleta torna-se uma opção vitoriosa pelos seguintes fatores: É mais barata, é facilmente adaptável e é eficiente.
    E o zoneamento planejado, o que gera?
    (1) Um sistema de trânsito determinado por burocratas. Condenado a ser ineficiente por essência.
    (2) Dificulta a expansão das edificações comerciais. Ou seja, a área do centro da cidade tem o preço de seus imóveis elevados a absurdos. Isto leva investidores a tentarem a sorte nas zonas mais voltados aos domicílios. O problema é que o fato de estas empresas estarem estabelecendo-se em um sistema de trânsito que foi planejado em função de outra área urbana gera terríveis incoerências. Os resultados são as catástrofes urbanas que todos nós conhecemos.
    -----------
    Criei este raciocínio baseado em minhas observações da paisagem urbana da cidade de Niterói, RJ. Ela enquadra-se perfeitamente neste raciocínio assim como vários outros ninhos de caos por todo o país.

    Nossa conclusão é simples:
    "O bem que o governo cria é limitado e o mal é infinito" - Rothbard.
    O planejamento urbano baseado em áreas especializadas, embora tenha tido a intenção de tornar o sistema mais eficiente, acabara por criar o efeito oposto.
    Agora, como reverteremos o cenário? Simples, não o faremos; é impossível solucionar planejamento com planejamento pois o espectro urbano está em constante mudança.
    Não espero uma solução ágil, mas o mercado adapta-se; já vejo habitantes do interior das zonas domiciliares locomoverem-se às empresas "exo-centro-da-cidade" com bicicletas. Mas aqueles do outro lado do centro, grupo onde estou incluído, terão de tolerar o caos e o custo do planejamento por tempo indeterminado.
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    Desculpe se não fui claro, está de madrugada.
  • Anderson Nunes  09/10/2014 15:10
    Caro Augusto.

    Não sei como funciona no DETRAN-RJ, porém no DETRAN-MT onde eu trabalho os procedimentos não são como os dito por você.

    Aqui se você tem uma CNH emitida em outro país e quer utiliza-lá aqui no Brasil, basta somente você pedir reconhecimento de CNH que no caso precisa de alguns documentos para saber se realmente ela é verdadeira.

    Para tando você precisaria tirar cópias de seus documentos pessoais, realizar a tradução da CNH na embaixada representativa do país e trazer 6 comprovantes de endereço anterior a emissão da sua CNH - comprovando que realmente você morou no país que expediu a sua CNH - existem muitas pessoas que vão até o Paraguai somente para tirar a CNH.

    Aqui todo esse processo demora em torno de 05 dias - dependendo dos documentos que você obtiver - e após deverá fazer novo exame de vista e tirar nova foto, haja vista que as Leis de trânsito são diferentes em cada país.

    Acredito que o DETRAN-RJ deve estar montando outro tipo de processo de CNH pra você e não realizando o reconhecimento de CNH que é o mais correto.

  • Gustavo Ramos  10/10/2014 19:03
    Me aponte uma área de atuação do governo, e eu te mostro como ela é ineficaz e ineficiente. Essa parece ser a única regra para a qual inexiste exceção.
  • Erick  21/07/2012 07:37
    Augusto, você ainda não viu nada...

    Moro em Curitiba e, pelo que já ouvi falar, o Detran daqui é um dos piores do Brasil. Após toda a burocracia para tirar foto, passar digital, taxa disso, taxa daquilo, cheguei ao fatídico momento de marcar o "exame psicotécnico". O funcionário encarregado dessa tarefa me informa que eu posso decidir a hora OU a clínica em que seria feito o tal teste... mas não os dois.

    Isso mesmo: o agendamento de exames no Detran/PR se baseia no Princípio da Incerteza de Heisenberg.

    Como aqui a coisa também tem que ser feita em horário comercial, decidi arriscar e marcar o exame o mais cedo que pudesse (7:30 da manhã), para tentar perder o mínimo possível de horas úteis do meu dia (bem que o Detran podia me indenizar por elas...). Adivinhem só? Me mandam para uma clínica do outro lado da cidade, a mais ou menos uma hora de carro daqui – sendo que, obviamente, carro era algo de que eu não dispunha no momento... (pra que é que eu estava fazendo o teste mesmo?)

    Parte do exame consistia em uma redação, com tema determinado (leia-se: inventado na hora) pelo "psicólogo" que estava fiscalizando a prova. Calhou-me ter que produzir um texto intitulado "As piores coisas que já fiz". Como já estava completamente puto da cara por ter que atravessar a cidade de ônibus e pela demora burocrática da tal clínica, resolvi trollar de vez o negócio e escrever que, aos 12 anos, peguei escondido o carro do meu pai para brincar de Carmageddon com velhinhas saindo da igreja.

    Sim, passei.
  • Augusto  21/07/2012 07:55
    "Isso mesmo: o agendamento de exames no Detran/PR se baseia no Princípio da Incerteza de Heisenberg."\r
    \r
    \r
    F.A.N.T.A.S.T.I.C.O.
  • Ricardo Spredemann  21/07/2012 09:29
    A analogia ao princípio da incerteza de Heisenberg mereceu um "Curti!". Tá aí uma sugestão para IMB, adicionar a opção "Curtir" e também "Não curti" aos comentários.
    .
    Voltando à vaca fria. Ter o monopólio da emissão de CNH's dá esse tipo de vantagem: você pode se lixar pras necessidades dos seus clientes.
  • Hueber  23/07/2012 21:15
    Na boa cara, se isso fosse Facebook, eu curtia teu comentário...


    "Isso mesmo: o agendamento de exames no Detran/PR se baseia no Princípio da Incerteza de Heisenberg"


    Muito bom!
  • Ademir  02/08/2012 20:57
    Teoria da Tncerteza de Heisenberg fez eu soltar gargalhadas aqui
  • Anderson Nunes  09/10/2014 15:18
    kkkkkkkkkkkkkkkk

    Só o DETRAN-PR para me fazer rir mesmo. Bom, no DETRAN-MT onde trabalho o teste psicotécnico é feito na hora e fica ao lado do bloco da habilitação. A prova é aquele conhecido teste de ficar riscado puzinhos na vertical e quando o avaliador manda mudar começa-se a escrever na horizontal.

    Pior que ainda tem gente que consegue reprovar em provas assim e mais bizarro ainda é que tem gente que ainda reclama do DETRAN-MT. Pelo visto as coisas aqui são diferentes...

    kkkkk
  • Carlos Eduardo  21/07/2012 09:28
    Na minha opinião, um artigo definitivo pra se acabar com o mito de "basta votar nas pessoas certas que tudo melhora". Tucker gênio.
  • Heisenberg  21/07/2012 11:57
    Legal meu nome sendo citado por aqui.

    Pra complementar, em São Paulo, o que se diz nos corredores do mercado negro é que com R$ 1500,00 em dinheiro à vista (mais sua foto) sua CNH chega no seu endereço em uma semana. Pelo menos há uma opção. O problema é o estado criar leis e dificuldades que forçam os funcionários e os cidadãos e se tornarem criminosos ao tentarem superar as armadilhas da ineficiência estatal.
  • Carlos Andrew  21/07/2012 15:45
    Você estão achando ruim? Venham ver como é no Rio Grande do Sul. CNH AB por menos de 1700 reais nem em sonho. Uma semana de aulas teóricas, mais uma de aulas práticas e você tem o direito a fazer o teste para ter a carteira provisória por um ano. Adivinha o que acontece se você rodar? Paga pra fazer de novo!

    E se perder a carteira provisória: se ralou! Paga tudo de novo!
  • mcmoraes  21/07/2012 16:07
    Tucker gênio. [2]
  • Guilherme  21/07/2012 18:18
    Detran???! Quais foram as adaptações ao se passar do inglês para o português?
  • Luis Almeida  22/07/2012 02:53
    Guilherme, pelo visto, você nunca ouviu falar no Department of Motor Vehicles dos EUA. Voce deve ser daqueles que acha que a burocracia brasileira é original e é capaz de ter ideias próprias. Não, meu amigo. Tudo de ruim que existe aqui, copiamos dos gringos.
  • Patrick de Lima Lopes  23/07/2012 06:10
    Alguém teria algum artigo sobre administração dos sistemas de trânsito na conjuntura liberal?
    Ando fazendo uma pesquisa e apenas encontrei o "Houston, a lenda do urbanismo de mercado".
  • Augusto  23/07/2012 06:21
    Hoje entao eu fui agendar o exame no Centro Clinico. Perdendo 3 horas de trabalho nessa brincadeira.\r
    \r
    Chego la, me perguntam idade e endereco, conferem minha identidade... Legal. A atendente (ou agora devemos dizer atendenta?) me diz, "Tem vaga no dia 1 de agosto, as 10h".\r
    \r
    E eu respondo: "Olha, pode ser qualquer dia, pode ate ser depois, mas eu preciso que seja no ultimo horario."\r
    \r
    Ela: "Nao tem outro horario, so tem esse horario. Eh sempre as 10h, porque eh feito em grupo. Leva quatro horas, de 10h as 14h".\r
    \r
    Eu: "Mas... o exame medico eh feito em grupo??"\r
    \r
    Ela: "A gente forma um grupo. So nesse horario. Se nao puder ser nesse dia, vai ser outro dia, mas no mesmo horario"\r
    \r
    Eu: "Antes de 1 de agosto nao tem outro grupo?"\r
    \r
    Ela: "Nao, so 1 de agosto"\r
    \r
    Eu: ... :-(\r
    \r
    (e eu aposto que, se o medico faltar, eles simplesmente vao mandar a gente voltar outro dia no mesmo horario)
  • Marcio Estanqueiro  23/07/2012 06:32
    Não Luis Almeida, vc está equivocado.
    Morei nos EUA 10anos e para tirar a "drivers licence" é muuuito fácil.
    A burocracia não se compara nem de longe com o DETRAN no Brasil.
    Lá é fácil e rápido.
  • Luis Almeida  23/07/2012 06:45
    Não entendi. Por que você está me falando isso? Eu por acaso disse que tirar carteira nos EUA é tão burocrático quanto no Brasil?

    Mencionei o DMV simplesmente porque o leitor Guilherme estranhou bastante o fato de haver um DETRAN americano.
  • Hay  23/07/2012 07:27
    Isso aí é mais ou menos como falar para quem detesta Jiló: "poxa, mas é melhor comer Jiló do que ter que comer cocô de rinoceronte!".
  • Gabriel Miranda  23/07/2012 10:52
    Falando em Detran, precisei renovar a minha CNH porque fazia cinco anos desde a última renovação. A justificativa para tal procedimento, além da arrecadação de taxas -- é claro --, é que o estado precisa se certificar de que o motorista está com as vistas em dia. Logo me pergunto: por que cinco anos e não dois ou dez? Vai saber. Só sei que tive de fazer o exame. Burocratas estatais não devem se perguntar por que os indivíduos preocupam-se com o exame de vista para outros fins que não sejam dirigir. Vai ver que não estudamos, trabalhamos, praticamos esportes, essas coisas que exigem de qualquer uma visão acurada. Só vamos nos preocupar em ir ao oftalmologista para cumprir as obrigações impostas pela legislação...

    Exame feito na clínica indicada pelo Detran, dirijo-me a uma empresa que tira fotos 3x4 e vou para a delegacia. Lá chegando, sou informado de que o Detran não aceita fotos 3x4 cuja cor da camisa seja igual à da parede. Motivo? Vai saber. Resultado? Tive de tirar novas fotos. Tudo isso em horário de expediente, porque o Detran da minha cidade não funciona no horário de almoço.

    Mas essa história não começou aqui.

    Entre maio e setembro do ano passado, o Detran estava de greve e, por isso, não pude fazer a renovação da minha carteira. Como precisei viajar, fui com a carteira vencida e tive a infelicidade de ser parado em uma blitz na rodovia. O policial-burocrata quis saber do fato que a minha renovação da CNH não havia sido feita devido à greve dos funcionários do Detran? Não. Ele mesmo aceitou um exame de vista que eu andava na carteira para demonstrar que estava com a visão em dia? Também não. Desfecho da incompetência estatal: multa para o meu bolso e carro apreendido.
  • Sérgio  23/07/2012 13:46
    Muito bom o artigo. Só do final onde diz que tudo o que é antigo, é ruim, e tudo o que é novo é bom. E foi exatamente o Estado que destruiu os valores tradicionais antigos... Eu diria que o Estado muda o que é bom, e conserva o que é ruim...
  • Arion Dias  24/07/2012 00:02
    "Isso mesmo: o agendamento de exames no Detran/PR se baseia no Princípio da Incerteza de Heisenberg."

    Curti também.
  • Tiago Moraes  24/07/2012 16:46
    Pessoal, aproveitando o papo sobre Detran:

    Em virtude da enorme burocracia que envolve a renovação da CNH, eu nunca tive tempo em fazê-lo, minha Carteira venceu e 2010. A questão é que rolou um viral na internet, dizendo que o Contran havia aprovado "na calada da noite" uma norma que determinava o cancelamento da CNH caso ela não fosse renovada em 30 dias após o vencimento, isso é verdade? Quer dizer então que eu não posso mais simplesmente comprar o laudo médico e refazer o exame de aptidão para renovar minha CNH, terei que refazer todo o processo novamente??

    OBS: Eu li uma coluna de um certo blogueiro, em que ele afirmava que esse viral era falso, enfim, essa informação do cancelamento da CNH não renovada após 30 dias é verdadeiro?
  • Augusto  24/07/2012 17:28
    Isso eh falso. Nao existe. Eh mito. Pelo menos em relacao a esse ponto, pode ficar tranquilo.
  • Waldemar nestor de Araujo Filho  25/07/2012 14:49
    Devemos deixar claro uma coisa em relação ao Estado, embora o temos como ente abstrato, e abstratamente dele falamos, temos que ter cristalino que ele possui uma identidade que o torna personalíssimo, qual seja, "Estado é quem nele está". Portanto, o Estado são eles que o tripulam e manipulam, e isto é identificá-lo(s). A pertinência desta identificação ajuda esclarecer quem lhe escraviza, fazendo perceber que somos escravos do Estado por sermos escravos de pessoas certas e determinadas, "as que são Estado por nele estarem, concursados ou eletivos." Não há lei que dele brota que não tenha saído da mente de um ser individualizado. Eles são o Estado. Desta forma identificado, poderemos lidar/combater melhor pessoas que fazem o Estado. Acaso o diretor do Ciretram/Detran não é Estado? O diretor do DNIT não é? o professor universitário não é?
    todos eles são o Estado. Lembrando, "Estado é quem nele está."

  • mauricio barbosa  04/08/2012 06:22
    Waldemar Nestor de Araujo Filho, do jeito que você fala me parece que basta votar certo que estará resolvido o problema,se for isso você está equivocado e sendo ingênuo,pois esse papo de votar certo é antigo e até hoje não vi mudanças nenhuma,olhe os hospitais,as universidades,a polícia,a urbanização das cidades,o caos no transito e o transporte público caro e ineficiente para os assalariados,bem vou ficar só com esta lista de reclamações para não estender mais o assunto e espero que você reflita e repense seus conceitos,afinal nós podemos mudar de idéia basta acreditar e observar as coisas materiais como elas são ou deveriam ser para o bem de todos.Um abraço e aguardo sua réplica.
  • Pedro  02/08/2012 18:53
    Apenas discordo do final. Nao dá pra determinar se você vai ser um fracassado só porque pensa de forma estatal,
    Até porque isso vai contra a lógica da incerteza.. Um amigo meu eh extremamente fascista e legalista, mas está se dando
    muito bem com a empresa dele. Um empreendedor exemplar.
  • Ricardo  02/08/2012 18:56
    Não sei muito bem o que seria legalista e nem qual seria seu conceito de fascista, mas se ele é um empreendedor exemplar, então, por definição, ele não tem como pensar igual ao estado.
  • Gustavo  02/08/2012 18:59
    se ele é um empreendedor exemplar, então, por definição, ele não tem como pensar igual ao estado

    Isto é uma verdade absoluta.
  • Renato  03/08/2012 19:32
    Pedro

    Por favor, explique o que é, no seu conceito, "legalista" e "fascista".

    Segundo tudo o que lí, fascismo é uma doutrinha coletivista que defende que tudo seja subordinado ao estado, inclusive as empresas e sindicatos, que nada mais são, na visão fascista, que agentes do estado. É basicamente o pensamento da maioria das pessoas (embora elas não percebam que são fascistas). Portanto, pessoas que acreditam que o poder do estado deve ser limitado, não podem ser fascistas.

    Há é claro as pessoas que fingem querer limitar o poder do estado, mas agem assim apenas quando o seu partido não está no poder. Assim agem os marxistas das diversas linhas, fingem opors-e à "opressão do estado" (chamam inclusive de opressivas as ações dos agentes do estado contra o assassinato, o roubo, o estupro, etc). Mas quando estão no poder, julgam que ninguém pode opor-se às suas próprias ações.

    Atualmente, a imensa maioria dos marxistas derivou para o fascismo, isto é, não pregam necessariamente a estatização total dos meios de produção, mas apenas que os empresários sejam "franqueados" do estado. Como queria Hitler, estatizaram os empresários e assim não precisam estatizar as empresas.
  • Hay  04/08/2012 06:45
    Há é claro as pessoas que fingem querer limitar o poder do estado

    Especialmente em assuntos que lhes dizem respeito, é claro. Quando é algo para beneficiá-los, eles já querem que o estado se intrometa.
  • Marcos Campos  18/08/2012 08:39
    Achei esse vídeo muito inerente ao artigo.
    Melhor forma de uma mensagem ser assimilada pelo cérebro é utilizando o maior número possível dos sentidos humanos.

    www.youtube.com/watch?v=Xf0zu3BKegk&feature=share
  • Leandro  30/08/2012 17:15
    Excelente (e revoltante) vídeo flgrando o preparo e a educação dos funças do INSS.

    Não sei o que é mais apavorante: saber que esses parasitas desqualificados ganham de salário R$7 mil de dinheiro roubado do povo ou saber que há gente que jura que a economia estaria melhor caso burocratas como esses estivessem no comando de tudo.

    Imagine ir a um restaurante com atendentes assim? Imagina cada empresa da economia operando como esta repartição pública?


  • Fabiano  09/10/2014 15:32
    E esse tronco aí é para empalar o povo, né?
  • Felipe  09/10/2014 18:23
    Tudo bem, eu já sei quanto o estado é horrivel, é pessimo em tudo e viola nossa liberdade mas há uma perguntas que não consigo resolver:


    - Quem irá julga um conflito entre duas parte? exemplo: duas pessoas estão brigando por uma posse, e ai suponhamos que contrate um empresa para julgar o caso certo? Dai uma das parte se nega a aceita o veredito, e ai?

  • Homem Azul  09/10/2014 21:29
    NADA MUDARÁ. Agora, voltem ao trabalho!
  • anônimo  09/10/2014 22:25
    09/10/2014 12h55 - Atualizado em 09/10/2014 16h03
    Red Bull vai pagar US$ 13 milhões por propaganda enganosa nos EUA
    Autor de ação afirma que bebida não tem efeito mencionado no rótulo.
    Milhões de consumidores norte-americanos podem ser reembolsados.


    Do G1, em São Paulo

    A marca de energéticos Red Bull aceitou pagar R$ 13 milhões aos consumidores norte-americanos para encerrar uma ação coletiva por propaganda enganosa.

    O acordo pode beneficiar milhões de clientes que compraram o energético nos últimos dez anos. Eles terão direito a ser reembolsados em US$ 10 ou a receber duas latinhas em casa.

    A ação coletiva se deve à promessa de aumento de velocidade, desempenho, concentração e reação dos consumidores após a ingestão da bebida. A campanha veiculada na televisão, rádio, internet e mídias sociais garante que "Red Bull dá asas".

    No entanto, o autor da representação contra empresa, Benjamin Careathers, alegou que a fabricante engana os consumidores sobre a superioridade de seus produtos. Careathers afirma também que a bebida não tem mais eficiência que um copo de café, como é informado nas propagandas.

    Procurada pelo G1, a Red Bull Brasil ressaltou que a ação se aplica apenas para consumidores norte-americanos.

    "A empresa propôs um acordo neste processo para evitar os custos imprevisíveis de uma disputa judicial nos Estados Unidos. O marketing da Red Bull sempre foi divertido, verdadeiro e preciso", justificou a empresa.


    g1.globo.com/economia/midia-e-marketing/noticia/2014/10/red-bull-vai-pagar-us-13-milhoes-por-propaganda-enganosa-nos-eua.html
  • Pedro  10/10/2014 14:23
    O texto menciona as dificuldades em se lidar com o DETRAN, a Polícia, a Receita Federal, etc. Concordo com tudo que foi dito sobre a burocracia estatal.

    O argumento central do texto é que se esses serviços fossem privados, seriam melhores. Façamos o experimento de analisar como lidam com o cliente alguns serviços privados: operadoras de TV a cabo, de telefonia celular, dos bancos, seguradoras, planos de saúde.

    O meu resultado desse experimento é que são serviços também muito ruins, apesar de existir alguma concorrência em todos os setores citados.

    Assim sendo, eu chego à conclusão de que o problema dos serviços reside em algum outro lugar além da dicotomia estatal/privado.
  • Aleixo  10/10/2014 15:07
    Errado. Em todos esses setores -- em absolutamente todos eles -- há a mão pesada do estado.

    Você por acaso não conhece a função das agências reguladoras? As operadoras de telefonia, por exemplo, são ineficientes justamente porque estão protegidas pela ANATEL, que fechou o setor à concorrência estrangeira e criou uma genuína reserva de mercado, de modo que as empresas não estão submetidas a uma genuína livre concorrência.

    A internet funciona mal no Brasil? Concordo plenamente. Trata-se de um setor -- telefonia e TV a cabo -- que o estado controla e regula totalmente.

    A postura correta é a de pedir o fim da mamata dessas empresas e exigir a completa liberalização do mercado, com a total abertura do setor para a vinda de toda e qualquer empresa estrangeira, o que aniquilaria as atuais empresas ineficientes e protegidas.

    Quem cria e protege cartéis, oligopólios e monopólios é e sempre foi o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (agências reguladoras), seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

    Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, postos de gasolina, planos de saúde etc.).

    E quando não era assim, o que ocorria? Quando o governo não tinha ainda poderes para se intrometer, havia formação de cartel entre os poderosos? Havia "exploração"? Não. O que ocorria era isso.

    Monopólio e livre mercado - uma antítese

    Outros artigos obrigatórios para você sair deste perigoso autoengano:

    Sobre as privatizações (Parte 1)

    Sobre as privatizações (final)

    Celular ilimitado por R$30/mês - saiba como aqui

    Regulações protegem os regulados e prejudicam os consumidores

    Tributação X Regulamentação - O que é pior?

    Aeroportos + governo = caos

    Regulamentações brasileiras garantem a prosperidade dos vigaristas

    A Guatemala e seu exemplo de privatização

    As parcerias público-privadas - a porta de entrada para o socialismo

    Seria o liberalismo uma ideologia a serviço de empresários?

    Sobre as reformas "neoliberais" na América Latina e por que elas fracassaram

    Grandes empresas odeiam o livre mercado
  • Marcos  10/10/2014 15:17
    Pedro, complementando a resposta do Aleixo, vale dizer que, m teoria, agências reguladoras existem para proteger o consumidor. Na prática, elas protegem as empresas dos consumidores.

    Por um lado, as agências reguladoras estipulam preços e especificam os serviços que as empresas reguladas devem ofertar. Por outro, elas protegem as empresas reguladas ao restringir a entrada de novas empresas neste mercado.

    No final, agências reguladoras nada mais são do que um aparato burocrático que tem a missão de cartelizar os setores regulados — formados pelas empresas favoritas do governo —, determinando quem pode e quem não pode entrar no mercado, e especificando quais serviços as empresas escolhidas podem ou não ofertar, impedindo desta maneira que haja qualquer "perigo" de livre concorrência.

    Não queira dar mais poderes justamente a quem está lhe ferrando; defenda a abolição das regulamentações e a total e irrestrita abertura do mercado à vinda de empresas de todas as partes do mundo. É isso, e só isso, o que irá melhorar os serviços.
  • gabriel  10/10/2014 15:34
    Acrescento tambem referente a telefonia, mesmo com toda regulamentaçao estatal de hoje, pode-se comparar com a epoca que era totalmente estatizado.
    Repito mesmo sendo pessimo justamente por toda a regulamentaçao, retirar o cobtrole TOTAL das maos do estado como era a poucas decadas ja configurou uma melhora consideravel
  • Anderson Nunes  10/10/2014 15:34
    E como funciona os casos da JBS? AMBEV? e UNIMED? Pão de Açúcar? Carrefour que compra empresas menores ou até se fundem para criar monopólios e grandes oligopólios? (caso da Sadia com a Perdigão).

    Com certeza o Estado é um concentrador de monopólio, no entanto a iniciativa privada também é.

    Até na feira onde eu compro todos os domingos, onde não existe influencia do estado diretamente existe o monopólio do garapeiro e do vendedor de bijuterias, aliás isso ocorre em diversos ramos da economia...as chamadas falhas de mercado.
  • Guilherme  10/10/2014 15:40
    Já ouviu falar em BNDES e seus juros subsidiados pelos próprios pagadores de impostos? Já ouviu falar que é justamente o BNDES e seus empréstimos subsidiados que estão promovendo essas fusões e essa concentração de mercado?

    Inacreditavelmente -- e como que para comprovar na prática o que eu disse logo abaixo -- o IMB publicou um artigo sobre isso ainda na semana passada!

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1946
  • Anderson Nunes  10/10/2014 15:59
    Sim, já sim.

    No entanto o BNDES não obriga nenhuma empresa a ir lá pegar dinheiro emprestado para se fundir e criar monopólios.

    Volto a repetir, o governo de certa forma estimula sim o monopólio, no entanto não conheço nenhuma empresa "santa" que não queira um mercado oligopolizado.

    Falhas de mercado, simplesmente falhas de mercado.
  • Guilherme  10/10/2014 16:35
    E quem está defendendo grandes empresas, cidadão? Pelo visto, você é novo neste site. Aqui, ninguém venera grandes empresários. Muito pelo contrário, aliás. Há artigos totalmente cáusticos sobre eles (como o artigo indicado acima, que você não leu).

    O que se defende aqui não é o empresariado, mas sim a livre concorrência. Esse site não é pro-business mas sim pro-market. Há uma diferença enorme entre ser pró-empresas e pró-mercado.

    Se há uma entidade estatal oferecendo subsídios, é claro que haverá empresários fazendo fila para mamar. Aliás, seria até burrice abrir mão disso, pois, se você não mamar, seu concorrente irá, e aí você vai pro saco.

    Pessoas pró-mercado defendem o fim do BNDES; pessoas pró-governo e pró-empresas defendem o arranjo exatamente como ele está.

    Essa é a diferença.

    P.S.: dizer que governo oferecer juros subsidiados a seus empresários favoritos -- e com isso distorcer todo o mercado -- configura uma "falha de mercado" é o ápice da ignorância. Ou da desfaçatez. Não há terceira hipótese.
  • Anderson Nunes  10/10/2014 20:45
    Não meu caro Guilherme, eu não sou novo aqui, acompanho algumas publicações e comento as que acho realmente pertinente.

    No entanto as réplicas aqui geralmente são agressivas por parte dos comentaristas, pois muitos não aceitam que pessoas pensem diferentes deles e as vezes se esquecem que ainda vivemos em uma democracia de opiniões.

    Não julgaria o ápice da ignorância o fato de o BNDES oferecer dinheiro a quem quiser pegar emprestado porque essa é a função de um banco meu nobre. Banco não quer saber se você é empresário monopolista, oligopolista, microempreendedor, economia mista, etc. Ele só quer saber se você atende os requisitos da linha de crédito e tem poder de pagamento para tal empréstimo. Ninguém é obrigado a pegar dinheiro em banco.

    Mas você disse algo interessante: Seria tolice um empresário não pegar dinheiro emprestado se o banco está com juros atrativos, se caso ele não fizer isso o seu concorrente o fará. Se ambos pensarem dessa forma, então aqui aplicamos a teria dos jogos de Nash e com isso podemos ter ou um pay-off onde ninguém ganha ou ninguém perde ou que saber fazer estratégias e cooperarem poderão sair ganhando, dependendo das estratégias.

    No entanto, aceitando a premissa de que se o BNDES está oferecendo crédito de forma atrativa e os empresários estão aceitando tal crédito, então pressupõe que o governo está estimulando a concorrência ao invés de criar monopólios. (algo que não acho viável, porém é o que se configura).

    Você disse que aqui ninguém venera grandes empresário, me desculpe, mas não é o que parece. O debate começou com a colocação do Marcos sobre as falhas de grandes oligopólios como o setor de telefonia, comunicações, TV a cabo, etc. Todos sairão em defesa dessas empresas alegando que os serviços de má qualidade prestadas por elas é culpa do governo. Se isso não é defender grandes empresário, então eu não sei o que é.

    O problema da intervenção não é de hoje. Acredito que a intervenção realizada pelo governo brasileiro é burra e ineficiente, porém em governos que sabe e conhecem de seus mercados e economia elas se mostraram viáveis (EUA, Alemanha e Coréia do Sul são exemplos).

    Acredito que o problema não reside na intervenção na forma como se intervém. Aliás, a intervenção faz parte da nossa vida em vários ramos não só na economia. Se você é pai é só olhar como você educou seu filho e verá que existe intervenção, mas se você é filho repare como seu pai criou você...aí você perceberá.

    Abraços!

  • Guilherme  10/10/2014 21:03
    "No entanto as réplicas aqui geralmente são agressivas por parte dos comentaristas, pois muitos não aceitam que pessoas pensem diferentes deles e as vezes se esquecem que ainda vivemos em uma democracia de opiniões."

    Vai ver que é porque nêgo chega aqui falando bobagem e se achando o dono da verdade sem nem ao menos se dar ao trabalho de entender a teoria que está sendo discutida. Isso é incrivelmente cansativo e frustrante. Eu não entro em sites de medicina fazendo afirmações arrogantes. Eu entro fazendo perguntas humildes.

    Posso lhe garantir que qualquer pessoa que chegue aqui na humildade, perguntando em vez de afirmando, é muito bem tratado. Estou cansado de ver isso.

    "Não julgaria o ápice da ignorância o fato de o BNDES oferecer dinheiro a quem quiser pegar emprestado porque essa é a função de um banco meu nobre."

    Hein?! Quem falou que o BNDES oferecer dinheiro é o "ápice da ignorância"?!

    Eu disse que o ápice da ignorância é dizer que governo oferecer juros subsidiados a seus empresários favoritos -- e com isso distorcer todo o mercado -- configura uma "falha de mercado".

    Isso sim é o ápice da ignorância.

    Entendeu agora o motivo das patadas? Você, em duas frases, já distorceu completamente o que foi dito. Como tratar bem uma pessoa mal intencionada assim?

    "Banco não quer saber se você é empresário monopolista, oligopolista, microempreendedor, economia mista, etc. Ele só quer saber se você atende os requisitos da linha de crédito e tem poder de pagamento para tal empréstimo. Ninguém é obrigado a pegar dinheiro em banco."

    E daí? Quem é que nega isso?

    "Mas você disse algo interessante: Seria tolice um empresário não pegar dinheiro emprestado se o banco está com juros atrativos, se caso ele não fizer isso o seu concorrente o fará."

    Que bom que você concorda.

    "Se ambos pensarem dessa forma, então aqui aplicamos a teria dos jogos de Nash e com isso podemos ter ou um pay-off onde ninguém ganha ou ninguém perde ou que saber fazer estratégias e cooperarem poderão sair ganhando, dependendo das estratégias."

    Ah, é? E o coitado do microempresário cujos impostos financiam o BNDES? Ele não perde nada? O dono da padaria subsidiou os lucros de Eike Batista e você vem falar que ele não perdeu nada?

    Tá vendo?

    "No entanto, aceitando a premissa de que se o BNDES está oferecendo crédito de forma atrativa e os empresários estão aceitando tal crédito, então pressupõe que o governo está estimulando a concorrência ao invés de criar monopólios. (algo que não acho viável, porém é o que se configura)."

    Jesus!!!

    O governo está privilegiando as grandes empresas com o dinheiro confiscado das pequenas empresas. As grandes se consolidam à custa das pequenas.

    E você vem dizer que isso é "estimular a concorrência" e "acabar com monopólios"?!

    Tá vendo de novo o motivo da impaciência?

    "Você disse que aqui ninguém venera grandes empresário, me desculpe, mas não é o que parece. O debate começou com a colocação do Marcos sobre as falhas de grandes oligopólios como o setor de telefonia, comunicações, TV a cabo, etc. Todos sairão em defesa dessas empresas alegando que os serviços de má qualidade prestadas por elas é culpa do governo. Se isso não é defender grandes empresário, então eu não sei o que é."

    Jesus, Maria e José! Agora eu comprovei que você realmente não sabe ler.

    A acusação foi dirigida exatamente para as grandes empresas. Elas se aproveitam do fato de serem protegidas pelo governo para oferecerem serviços ruins. Elas defendem esse arranjo justamente porque é bom para elas, que assim podem oferecer serviços relaxados.

    Onde isso configura uma defesa das grandes empresas?

    Você disse que acompanha o site, o que é uma mentira fragorosa. Se realmente acompanhasse, já teria lido ao menos um dos mais de cem artigos que falam especificamente sobre esse assunto. Vou recomendar apenas três que já bastam:

    Celular ilimitado por R$30/mês - saiba como aqui

    Regulações protegem os regulados e prejudicam os consumidores

    Os reais beneficiados por um capitalismo regulado


    Entendeu agora o motivo da impaciência? Ninguém aqui é monge.
  • Pobre Paulista  11/10/2014 18:58
    Eu ia deixar quieto mas vamos lá...

    "No entanto as réplicas aqui geralmente são agressivas por parte dos comentaristas, pois muitos não aceitam que pessoas pensem diferentes deles e as vezes se esquecem que ainda vivemos em uma democracia de opiniões."

    Você veio até aqui, colocou sua opinião e foi refutado. Isso não é "democrático" o suficiente para você? Ou só é democracia quando todos concordam com o que você diz? Parabéns, você acabou de desmascarar o real sentido da "democracia" na prática.

    Agora recomendo que você experimente ir, por exemplo, na página vermelha (não postarei o link para não dar audiência), ou até mesmo na sessão de comentários da revista carta capital, e tente postar algo que não é de acordo com a linhagem deles. Aí você vai ver o que é essa sua tal "democracia".

    Ademais, não estou aqui tentando defender a democracia, estou apenas mostrando que esse discursinho babaca de "vivemos uma democracia de opiniões" é só uma forma de se esquivar de dar uma resposta lógica e coerente. É um argumento do tipo "Ah mas vocês PRECISAM respeitar minha opinião", sem ao menos se preocupar se ela faz sentido ou não.

    Não, meu caro. Aqui ninguém respeita a falta de lógica, ninguém respeita falácias e argumentos vazios e sem sentido. Suas proposições, apesar de aparentemente bem intencionadas, foram todas refutadas e desmascaradas, e você ao invés de reconhecer a não sustentação da sua argumentação, partiu para o apelo emocional, achando que alguém teria pena ou compaixão de você. E ficou tristinho.

    E para finalizar, este site é propriedade do IMB e este sim tem o direito legítimo de aceitar ou negar que determinados posts sejam publicados. Felizmente o Instituto defende que o debate é construtivo e permite que algumas aberrações muito piores que a sua sejam publicadas, algo que você nunca verá em outros sites. Em outras palavras, o Instituto não tem obrigação nenhuma de ser "democrático", apesar de ser.

  • rudson  10/10/2014 18:58
    Uma empresa querer ser a maior no mercado e tomar todos os consumidores pra si é algo natural. Num sistema de livre mercado isso é até bom: para que a empresa possa conseguir isso, ela precisa ser capaz de atender aos desejos mais prementes dos consumidores da forma mais eficaz possível.

    Se uma empresa atingir uma situação de quase monopólio por ter atendido a demanda de forma mais economica e eficaz que seus concorrentes nacionais (e internacionais), então esse monopólio é a situação mais benéfica pra sociedade. Tentar derrubar ele pra garantir a entrada de empresas menos eficientes só vai piorar a situação de todos os consumidores.

    Se essa empresa, depois de atingir o quase monopólio, resolver se utilizar deste "poder" de mercado para aumentar preços e/ou piorar a qualidade dos seus serviços, ela estará abrindo margem para outros competidores ávidos por lucros entrem no mercado e satisfaçam a demanda de forma melhor. Num sistema de livre-mercado, a empresa que atingir o monopólio e passar a querer se utilizar desse "poder" estará solapando as bases de seu próprio sucesso e estará fadada ao fracasso.

    No livre mercado, portanto, o monopólio não é uma falha, é apenas uma situação em que uma empresa sozinha pode atender a demanda muito melhor que qualquer competidor. É uma situação benéfica.

    Somente quando uma empresa se utiliza do lobby político para dificultar a entrada de concorrentes (seja por regulamentações excessivas, proibições, acesso a fontes de financiamentos especiais) é que existirá um monopólio ruim. Nesse caso não é a competência da empresa em atender a demanda que será recompensada e sim sua competência em fazer lobby e receber favores políticos. Aqui sim a empresa vai poder aumentar seus preços e piorar os produtos, já que nenhum competidor poderá surgir.

    Tu citou a situação de monopólio do vendedor de bijuterias na feira dos domingos da tua cidade. Cabe, a luz do que foi dito até agora, questionar: como essa situação de monopólio surgiu? é porque o cara que vende bijuterias o faz a preços mais baixos que qualquer concorrente, logo ninguém se aventura a enfrentar ele? se for isso, a entrada de novos vendedores, com auxílio do estado, vai piorar a sua situação e a de todos os consumidores do local, que terão que pagar mais caro.
    Mas se ele for monopolista pq não é permitida a entrada de outros vendedores nesse ramo na feira (considerando que essas feiras municipais dependem de autorização da prefeitura, é uma situação bem possível)? Bem, aí está um monopólio que deve ser combatido por piorar a situação dos consumidores. No entanto, ele somente é ruim por causa da intervenção do estado.

    Resumindo: todo empresario deseja se tornar monopolista, ter todos os consumidores para si. Se ele conseguir isso num livre-mercado por derrotar a concorrência ao oferecer produtos melhores a preços mais baixos, essa "falha de mercado" será boa, pois trará a melhor situação possível aos consumidores. Se ele conseguir por causa de auxílio estatal, estaremos diante de um monopólio ruim que não deriva de nenhuma "falha de mercado".
  • Anderson Nunes  10/10/2014 20:31
    Então Rudson, bela explanação.

    Concordo contigo em algumas partes e discordo em outras.

    Concordo contigo que em certos aspectos e ramos da economia os monopólios são de certa forma criados pelo mercado a as vezes podem aparecer naturalmente como foi o caso da microsoft.

    No entanto se estudarmos o longo prazo veremos que o monopólio não é benéfico. Quando o monopolista nasce naturalmente como no caso da microsoft a entrada a novos empresários é quase que impossível e quando isso acontece é com produtos muito além do preço de mercado ou até de forma gratuita como no caso do Linux. Mesmo assim, além do monopolista sofrer com questões de pirataria ele se mantém pelo simples fato de seus consumidores só possuir a opção de comprar de sua empresa bem como também dele ser o formador de preços.

    No caso do vendedor de bijuterias, ele se enquadra no seu segundo exemplo, ou seja, ele detém o mercado impedindo a entrada de novos comerciantes e também praticando preços bem abaixo do mercado quando algum suposto corrente aparece. Assim que esse suposto concorrente aparece e volta a aumentar os preços muito acima do preço de mercado para recuperar as perdas ocorridas anteriormente. Isso até a microeconomia prova.

    Se você é economista já deve ter assistido a série "Gigantes da Indústria", nela os grandes monopolistas do passado são a prova de que os monopólios são maléficos no longo prazo. A competição por lucros acaba ficando em segundo plano. Se o governo norte americano não tivesse intervido e desmantelado o monopolio de David Rockfeller hoje não não teríamos um oligopolio do petroleo (Shell, ESSO, Mobil, Texaco e entre outras) seriam somente o Rei Rockfeller ditando o preço do petróleo ao bel prazer.

    O problema na minha opnião não é a intervenção governamental, mas sim a forma como ela é feita.


  • Tio Patinhas  10/10/2014 23:02
    Mas já pensou que no caso do vendedor de bijuterias, logo na primeira vez que ele diminui o preço, na verdade ele se descapitaliza e abre a oportunidade para que vários outros entrem no mercado e o expulsem?

    E em relação a essa série (tem um livro que é bem melhor, Os Magnatas, Charles R. Morris), graças a Rockfeller que o combustível atingiu um padrão de qualidade (inclusive o nome da companhia era Standard Oil), o que faz com que as pessoas parassem de exterminar as baleias (acho que ele salvou mais baleias do que todos os grupos ambientalistas juntos...).

    A ação do governo o acusou de diminuir os preços para quebrar concorrentes (tipo o vendedor de bijuteria), mas o historiador John McGee, não encontrou um único caso dessa prática. Muitos historiadores afirmam que houve perseguição por parte do governo, pois os executivos da Standard se portavam nos tribunais desprezando o próprio governo.

    E quando o governo começou a divisão, a companhia já estava perdendo terreno, os historiadores chamam esse período da cia. de "fadiga administrativa", sendo que quando o governo finalmente resolveu dividir, a empresa não possuía 90% do mercado, mas sim 65% e em queda.


    Outro ponto importante é que a ação do governo americano apenas o tornou mais rico, pois quando ocorreu a liquidação, as empresas divididas, tiveram seus valores de mercado multiplicados várias vezes. Sendo Rockfeller o maior acionista em cada uma delas, ele aumentou sua riqueza em níveis nunca antes vistos.

    Então se especula que sem a presença do governo no fim da empresa, Rockfeller não teria ganho o que ganhou.Até pq a Shell já existia e havia acabado de descobrir campos excelentes nas chamadas Índias Orientais e possuía a tecnologia dos petroleiros oceânicos. isso sem contar os campos na Rússia (recém descobertos) e outras empresas como Gulf, Texaco, Sun e Union, muito mais eficientes.

    Obrigado.

  • Ronaldo  11/10/2014 01:39
    Anderson, boa noite(em meu horário)

    Sobre o caso da Microsoft, veja que engraçado.

    Na epoca, década de 70 e 80, quem mandava no mercado de computadores? XEROX e IBM, com foco em computadores corporativos...

    Graças a uns malucos chamados Steve Wozniak, Steve Jobs, Bill Gates Paul Allen, tudo um bando de jovens sem dinheiro nenhum, apenas ideias e inteligência.

    E vemos hoje o resultado de reviravoltas e reviravoltas. o que á IBM e Xerox perto da Apple e Micro$oft ?

    Pergunto se fosse um governo altamente regulado, burocratico e protegido se Apple e Microsoft conseguiriam nascer e derrubarem o conceito que IBM e Xerox mantinha.
  • Guilherme  10/10/2014 15:11
    O IMB publica de dois a três artigos por semana falando sobre setores regulados por agências reguladoras e sobre como isso beneficia as grandes empresas que atuam neste setor.

    Devo confessar que achava que a insistência nesses artigos fosse desnecessária, pois jurava que as pessoas já eram bem informadas o bastante a esse respeito.

    No entanto, vejo o quão enganado eu estava. Não se passa uma única semana sem que alguém venha aqui repetir as mesmíssimas coisas sobre empresas telefônicas e de TV a cabo que não funcionam direito, e sobre como isso requer (ainda mais) atuação do estado.

    É impressionante como nós não conseguimos avançar neste país.
  • anônimo  10/10/2014 15:30
    Engraçado q para analise vc pegou justamente os setores mais regulados pelo estado e menos 'privado' de todos.
    Que tal fazer ao menos uma comparacao mais justa e pegar algum setor que tenha menor intervençao estatal e portanto mais privado realmente? Compare por exemplo o setor de tecnologia com estes citados e tente ser frio na analise e volte para comentar os resultados
  • Som  11/10/2014 02:59
    Anderson Nunes,

    Se não existem investidores interessados em entrar em um mercado, então isso significa que o governo deve obrigar a população a investir naquele setor? Veja bem, isso não soa esquisito a você?
    Praticamente você está dizendo que um governo, ou você, pode dizer coisas como:
    "Anderson Nunes, na minha opinião, você deveria tirar seu dinheiro da poupança e colocar em bitcoins."
    Você não acharia isso ridículo? Então podemos ir mais além:
    "Anderson Nunes, na minha opinião, você deveria tirar seu dinheiro da poupança e colocar em bijuterias"
    Percebeu agora? Ainda não?
    Então vamos a outro exemplo. Imagine que você é um grande estudioso de relatórios financeiros. O melhor analista financeiro do mundo. Vários bancos te enxergam como o número 1 em análise de investimentos, e te consideram único. Eles pagariam salários de 800 000 dólares por ano a você.
    Agora imagine que eu vendo isso diga:
    "Olhe lá, o Anderson Nunes é um monopolista, ele é único no mundo e pratica altos preços."
    Você acharia isso um comentário imbecil, concorda?
    Então por que não considera a intervenção estatal, da mesma maneira? Entendeu agora?
  • Emerson Luis, um Psicologo  19/10/2014 15:49

    O pior é que muitos indivíduos realmente pensam como o Estado, gerando ineficiência e sofrimento para si mesmos e para os outros em suas famílias, empresas e outras organizações.

    * * *


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