Ouro ou Bitcoin - o que virá no futuro?

No atual arranjo monetário em que vivemos, um fato já deve estar claro para até mesmo o mais casual dos observadores: bancos não são entidades capitalistas.  Em seu atual formato, eles pouco têm a ver com o livre mercado e não possuem lugar nele. 

Bancos estão constantemente oscilando entre duas posições: em um momento, eles nada mais são do que um protetorado do estado, em desesperada necessidade de apoio das impressoras do Banco Central ou de ilimitados financiamentos advindos dos impostos dos cidadãos, sem os quais o sistema financeiro entraria em colapso total; em outro momento, eles são uma conveniente ferramenta para políticas estatais, sendo amplamente alimentados pelos bancos centrais com fartas reservas bancárias, as quais eles irão utilizar para expandir o crédito artificialmente e, com isso, sustentar aqueles setores que o governo julgar mais adequado politicamente, como o industrial e o da construção civil.  Adicionalmente, o crescimento econômico artificial gerado por esta expansão monetária será sempre politicamente positiva.

Portanto, os bancos ora vivem do assistencialismo, ora são meras e convenientes ferramentas para as políticas econômicas dos planejadores centrais.  Em ambos os casos, não podem ser considerados empresas capitalistas.  Adicionalmente, outra excrescência do atual sistema financeiro, como veremos mais abaixo, é que os bancos representam custos e despesas indiretas para as pessoas que transacionam no mercado — um paradoxo, dado que o livre mercado está sempre tentando cortar ao máximo custos e despesas.  Os custos representados pelos bancos não existiriam em um livre mercado e só se sustentam hoje em decorrência da intervenção estatal no setor e do monopólio estatal da moeda.  Sem ambos, tais custos, assim como o atual sistema bancário, tenderiam a desaparecer.  Esta é a lógica inerente ao livre mercado: cortar custos desnecessários.

Bancos centrais e o atual sistema bancário que opera o papel-moeda fiduciário monopolizado pelo estado são uma mancha no sistema capitalista.

Para que o capitalismo funcione harmoniosamente, tais excrescências terão, em última instância, de desaparecer.  Creio que a lógica básica do capitalismo nos levará a esta direção.  Pessoalmente, creio que tentar "reformar" o atual sistema é uma perda de tempo e de energia.  Vamos reformar o sistema trocando-o por algo melhor.  Adotemos um sistema monetário genuinamente de mercado.

Quando e como exatamente o atual sistema irá acabar, ninguém sabe.  Mas creio que já estamos em seus estágios finais.  Ao longo de toda a história da humanidade, sistemas monetários baseados em moedas de papel de curso forçado nunca duraram muito tempo.  Ao redor do mundo, todos os grandes bancos centrais estabeleceram políticas de juros baixíssimos e estão inchando seus balancetes na desesperada tentativa de evitar que seus sistemas bancários se contraiam e entrem em colapso.  Se você acha que tudo isso é apenas temporário e que tudo voltará suavemente ao normal tão logo as economias "se recuperem", você provavelmente está tomando alguns remédios bem fortes, ou tem passado muito tempo dando ouvidos a economistas convencionais que, em sua maioria, são muito bem pagos para servir de apologistas do atual sistema.

O futuro do dinheiro

Frequentemente me perguntam, em minhas palestras, o que virá depois que o atual arranjo financeiro entrar em colapso.  Voltaremos ao escambo?  Não.  Obviamente, uma economia capitalista moderna necessita de um sistema monetário sólido e plenamente operante.  Minha esperança é que, das cinzas do atual sistema, um novo arranjo monetário surgirá, e este será inteiramente privado — e não gerido pelos governos em conluio com o sistema bancário, aliança esta que vai contra tudo que o livre mercado representa.

Ninguém pode dizer como será exatamente este novo sistema.  Seu formato e suas características serão em última instância definidas pelo mercado.  Nesta área, como em outras, são poucos os limites para a inventividade e genialidade humana.  Porém, de antemão, já podemos imaginar alguns pontos conceituais a respeito deste sistema.

Um padrão-ouro privado...

Sistemas monetários de livre mercado, nos quais a oferta monetária está completamente fora de qualquer ingerência política, tendem a ser sistemas nos quais o dinheiro seja uma commodity cuja oferta seja limitada e razoavelmente inelástica.  Parece improvável que um mercado completamente livre concederia a qualquer entidade privada o direito de produzir dinheiro (de papel ou eletrônico) a seu bel-prazer e sem limites.  O atual sistema é atípico justamente neste quesito e, por isso, tal arranjo evidentemente não representa uma solução de livre mercado.  Tampouco pode ser duradouro.

Os candidatos óbvios, portanto, são o ouro e a prata, ambos os quais funcionaram naturalmente como dinheiro durante milhares de anos.  É perfeitamente possível visualizar um moderno sistema em cujo centro estão empresas privadas que oferecem armazenamento de ouro e prata, provavelmente em uma variedade de jurisdições (Zurique, Londres, Hong Kong, Vancouver, São Paulo).  Ao redor destes centros de metais monetários armazenados, floresceria um sistema financeiro que utilizaria a última palavra em tecnologia de informação e de pagamento para facilitar uma segura, tranquila e barata transferência de propriedade deste dinheiro entre aqueles que voluntariamente optarem por participar deste sistema.  Sim, haveria cartões de crédito, transferências eletrônicas, e pagamentos via internet ou telefones celulares.  Não haveria, no entanto, reuniões de comitês de política monetária, nem presidentes de bancos centrais escrevendo cartas explicativas para ministros da fazenda, e nem muito menos qualquer tipo de política monetária.

Estas empresas que armazenam ouro e prata seriam bancos?  Bem, elas poderiam se transformar em bancos.  Com efeito, foi assim que nosso atual sistema bancário começou a se formar.  Mas há importantes diferenças sobre as quais falarei mais abaixo.  Em todo caso, este seria um sistema monetário sólido, internacional, privado e apolítico.  Seria definitivamente um sistema monetário capitalista.

... ou o Bitcoin

Outra solução seria um dinheiro privado virtual, como o Bitcoin.

O Bitcoin é um dinheiro intangível criado na internet.  É um software.  O Bitcoin pode ser imaginado como sendo uma commodity criptográfica.  Trata-se de uma moeda criada digitalmente, completamente descentralizada, que existe somente no ciberespaço.  Ela é produzida e gerida pelos computadores conectados à rede mundial, os quais formam a rede Bitcoin.  Trata-se de um sistema de pagamento peer-to-peer que permite que as transações sejam assinadas digitalmente.  O Bitcoin não possui um emissor centralizado e não há nenhuma autoridade central controlando o processo.

Supostamente, as transações feitas em Bitcoin não podem ser rastreadas e as contas de seus usuários não podem ser congeladas.  O sistema não pode ser fechado ou destruído.  (E meus parcos conhecimentos de tecnologia informática e criptografia não me permitem julgar nenhuma destas afirmações.)

De acordo com seus criadores, a base monetária se expande de maneira limitada e controlada, sendo programada no software da Bitcoin.  Porém, tal expansão é totalmente previsível e conhecida antecipadamente pelo público usuário, o que significa que tal inflação não pode ser manipulada para alterar a distribuição de renda entre os usuários.  A todo e qualquer momento, qualquer usuário pode saber não apenas quantos Bitcoins ele possui, como também quantos Bitcoins existem no total.  Ainda de acordo com os criadores, somente 21 milhões de unidades de dinheiro podem ser criadas, o que significa que, após certo ponto, a quantidade de dinheiro torna-se fixa.

O processo de criação de Bitcoin é chamado de "mineração" (opa!), e é conduzido por computadores ligados à rede Bitcoin.  Pelo que entendi, a mineração de Bitcoins exige uma considerável energia computacional, e tudo foi programado para ser exatamente assim, para que a oferta de Bitcoins aumente de maneira bastante moderada ao longo do tempo até chegar a um limite — os 21 milhões de unidades determinadas pelo algoritmo — a partir do qual a oferta de Bitcoin torna-se fixa.  É claro que, assim como ocorre com o ouro ou com o dinheiro de papel, a maioria das pessoas que utiliza o Bitcoin nunca se envolve na "mineração" do produto, mas adquire o produto ao transacionar bens e serviços com outras pessoas.

Portanto, a criação de dinheiro Bitcoin é totalmente privada, mas nem de longe é algo sem custos.  Tampouco é ilimitada.  Bitcoin é dinheiro sólido.  Sua oferta é inelástica e não está sob o controle de qualquer autoridade emissora.  Trata-se de um 'dinheiro' internacional e genuinamente capitalista — é claro, estou partindo do princípio de que o público esteja disposto a utilizá-lo como dinheiro.

Mas há, naturalmente, várias perguntas a respeito do Bitcoin que não podem ser abordadas neste artigo: Ele é seguro?  Pode o algoritmo ser alterado ou corrompido, de modo a se possibilitar a falsificação?  As "carteiras" virtuais nas quais os Bitcoins são armazenados são confiáveis? 

Estas são perguntas para especialistas em segurança computacional ou criptógrafos, e eu não sou nenhum dos dois.  Meu argumento é conceitual.  Meu objetivo não é analisar o Bitcoin como tal, mas sim especular as consequências de uma moeda-commodity virtual, a qual considero factível em princípio e simplesmente assumo — pelo bem do argumento — ser uma solução.  Se ela realmente irá vingar, não posso dizer.  Novamente, quem irá decidir isso é o mercado.

Há, no entanto, uma questão para o economista.  Pode o Bitcoin se tornar amplamente aceito como dinheiro?  Isso não contradiria o teorema da regressão de Mises, que afirma que é impossível qualquer tipo de dinheiro surgir já sendo um imediato meio de troca; que um bem só pode alcançar o status de meio de troca se, antes de ser utilizado como dinheiro, ele já tiver obtido algum valor como mercadoria; que, qualquer que seja a moeda, ela tem antes de ter tido algum uso como mercadoria para só então passar a funcionar como dinheiro?

Meu contra-argumento é o seguinte: a analogia do Bitcoin deve ser feita com as cédulas de papel, que surgiram não como uma mercadoria, mas como um meio de pagamento — no caso, um título de reivindicação sobre o dinheiro metálico da época.  Cédulas de papel foram inicialmente utilizadas como sendo uma maneira mais conveniente de se transferir a propriedade do ouro ou da prata.  Tão logo estas cédulas começaram a circular e se tornaram amplamente aceitas como meio de troca, o ouro que as lastreava pôde ser abandonado sem que isso afetasse a circulação das cédulas e sua aceitação como dinheiro.  Elas já haviam se tornado dinheiro por si mesmas.

Similarmente, o Bitcoin pode ser imaginado, inicialmente, como uma tecnologia de pagamento, uma maneira barata e conveniente de se transferir títulos de propriedade sobre o dinheiro de papel estatal (o Bitcoin pode atualmente ser trocado por dinheiro de papel em várias transações).  Porém, dado que a oferta de Bitcoin é restrita ao passo que a oferta de papel-moeda estatal segue crescendo constantemente, o valor de troca do Bitcoin está fadado a aumentar.  E, em algum ponto, o Bitcoin poderá começar a ser transacionado como dinheiro genuíno.

Um sistema monetário baseado em um dinheiro sólido, internacional e apolítico, seja na forma de Bitcoin ou de um sistema de ouro privado, seria um sistema genuinamente capitalista, um sistema que facilitaria as transações livres e voluntárias entre indivíduos e empresas dentro e além das fronteiras, um sistema estável e fora do controle de políticos.  Ele traria várias vantagens para o usuário deste dinheiro e deixaria muito pouco espaço para os bancos em seus formatos atuais, o que serve para mostrar como os bancos se tornaram meras criaturas do atual sistema monetário estatal, com todas as suas inconsistências.

Bancos lucram com a criação de dinheiro

Os bancos atuais operam com reservas fracionadas, o que significa que eles se apossam dos depósitos de seus correntistas — depósitos estes que supostamente têm de estar seguros e serem líquidos —, pagam juros para os correntistas e utilizam estes depósitos para financiar empréstimos que são ilíquidos e arriscados, os quais, em troca, pagam aos bancos altos juros.  Por meio deste processo de reservas fracionadas, a mesma quantidade de dinheiro físico torna-se simultaneamente disponível para duas ou mais pessoas distintas.  Na prática, os bancos simplesmente criam dinheiro eletrônico (chamado de "moeda escritural") do nada, emprestam este dinheiro para terceiros e cobram juros sobre isso.  Por meio desta prática, os bancos expandem a quantidade de dinheiro na economia.  Eles se tornam criadores de dinheiro — uma atividade, obviamente, bastante lucrativa.  Mas tal atividade, como inquestionavelmente já demonstraram Mises, Hayek e toda a Escola Austríaca de economia, não apenas é arriscado para os bancos, como também é desestabilizador para toda a economia.  Ele gera os ciclos econômicos.

Não se pode negar que os bancos poderiam praticar reservas fracionadas mesmo se a moeda utilizada fosse o ouro ou o Bitcoin.  No entanto, na ausência de um Banco Central injetando dinheiro continuamente no sistema bancário, funcionando como um emprestador de última instância e assim sustentando todo o esquema, a amplitude de um sistema bancário de reservas fracionárias seria bastante limitada.  Para os bancos, seria extremamente perigoso reduzir a quantidade de dinheiro em seus cofres, pois isso aumentaria o risco de uma corrida bancária.  Banqueiros não confiam uns nos outros, e estão sempre ávidos para quebrar seus concorrentes e assumir sua fatia de mercado.  Sem um banco central coordenando todo o esquema e continuamente injetando dinheiro nas reservas bancárias, nenhum banco estaria seguro para expandir o crédito artificialmente.  Os bancos estariam constantemente fazendo intrigas, estimulando os correntistas de outros bancos a sacarem seu dinheiro para levá-los à falência.  Neste arranjo, não haveria espaço para reservas fracionadas.  Ao menos, não da maneira vultosa como ocorre hoje.

Sob um sistema monetário sólido (ouro ou Bitcoin), mesmo se os bancos quisessem criar um banco central para funcionar como emprestador de última instância, tal entidade não teria como criar do nada mais reservas de ouro ou mais reservas de Bitcoin.  Logo, seria impossível um fornecimento ilimitado de dinheiro aos bancos, ao contrário do que fazem os bancos centrais atuais.

É particularmente improvável que um sistema bancário de reservas fracionárias se desenvolva em uma economia que utilize o Bitcoin, dado que não haveria a necessidade de serviços de depósito e armazenagem, e nem de serviços que envolvam a transferência da matéria bruta (ouro ou cédulas de papel) de um lugar para o outro.  O usuário do Bitcoin possui uma conta similar à sua conta de email.  É ele quem a gerencia e é ele quem controla seus depósitos.  E o Bitcoin é um dinheiro prontamente utilizável para qualquer transação, em qualquer lugar do mundo, via internet.  Ele dispensa o sistema bancário como intermediário, tornando-o obsoleto.  O usuário do Bitcoin controla diretamente sua conta e seu dinheiro.  Ele pode acessar seus Bitcoins de qualquer lugar, até mesmo por meio de um cartão SIM em seu smartphone.

O enorme inchaço do sistema bancário de reservas fracionárias foi possibilitado pelas dificuldades de se fazer transações seguras de longa distância com ouro ou com cédulas de papel.  Tal dificuldade criou um forte incentivo para se colocar dinheiro físico nos bancos.  E, uma vez que o dinheiro físico foi para os bancos, ele se transformou em "reservas" prontas para ser utilizadas na concessão de crédito para terceiros, bem como ser transformadas em novos ativos bancários.

Direcionar poupança genuína para investimentos é uma intermediação não só extremamente importante, como também essencial para que qualquer economia possa crescer.  Mas o que o sistema bancário de reservas fracionárias faz é totalmente diferente.  Tal sistema pratica a criação de dinheiro e a consequente expansão de crédito sem que tenha havido qualquer poupança real e voluntária.  Isso cria severas distorções na estrutura da economia.  Um sistema bancário de reservas fracionárias não apenas não é necessário, como também representa uma fonte de desestabilização.  Sob o padrão-ouro, ele criou os ciclos econômicos.  Sob o atual sistema de papel-moeda fiduciário, com bancos centrais funcionando como emprestadores de última instância, ele criou os super-ciclos, arranjo este que está hoje em seu doloroso estágio final.

Bancos lucram com o monopólio das transações financeiras

Recentemente, ao fazer alguns arranjos para uma viagem para a África, tive de lidar diretamente com as operadoras de turismo local — algo que, hoje, pode ser feito de modo fácil e barato via internet, email ou Skype.  No entanto, na hora de fazer o pagamento para as operadoras africanas, tive de passar por um processo que não mudou quase nada desde a década de 1950.  Tal processo envolvia não apenas bancos africanos e britânicos (onde moro), mas também bancos em Nova York, que fazem as compensações dos cartões de crédito.  Isso tomou tempo e, é claro, custou mais dinheiro na forma de taxas adicionais.

Agora imagine se pudéssemos utilizar ouro ou Bitcoin.  O pagamento teria sido tão fácil e rápido quanto todas as comunicações vai email que precederam a transação.  Não haveria taxas de câmbio, e as taxas de serviço seriam pequenas (no caso do ouro) ou nulas (no caso do Bitcoin).

Passo exatamente pelo mesmo problema quando, da minha própria casa, faço palestras pela internet.  A tecnologia me permite ser visualizado por pessoas de todos os cantos do mundo, sempre de maneira barata, rápida e conveniente.  No entanto, na hora de receber meu pagamento, toda a transação percorre o mesmo caminho — passando por bancos em Nova York —, leva tempo para o dinheiro cair na minha conta, custos adicionais são cobrados e, no final, sou pago em uma moeda que não posso utilizar diretamente em meu país.

Bancos lucram com o nacionalismo monetário

No futuro, os historiadores econômicos certamente irão rir de nós por termos aceitado viver sob um estranho, ilógico e ineficiente arranjo de vários e distintos papeis-moeda locais — e por termos ingenuamente acreditado que isso representava o ápice do capitalismo moderno.  Hoje, cada governo quer ter sua própria moeda de papel, seu próprio banco central e gerir sua própria política monetária (é claro, com uma moeda fiduciária perfeitamente elástica).  Isto naturalmente representa um grande impedimento para o comércio internacional e para o livre fluxo de capital.

Se recebo um pagamento de uma pessoa que mora em outro país e quero utilizar esse dinheiro em meu país, tenho de fazer o câmbio da moeda.  E só posso fazer isso se encontrar alguém disposto a aceitar me dar moeda nacional em troca desta moeda estrangeira.  Tudo isso graças ao monopólio estatal da moeda e, principalmente, às leis de curso forçado. A existência de várias moedas distintas necessariamente reintroduz um aspecto de escambo parcial no comércio.  A melhor, mais eficiente e mais capitalista solução seria o uso do mesmo meio de troca em todo o globo.  O padrão-ouro era um sistema monetário muito superior também neste aspecto.  Sair do padrão-ouro internacional para adotar um sistema de várias moedas de papel gerenciadas pelo estado foi um enorme regresso econômico.

Cem anos atrás, você podia pegar um trem de Londres a Moscou e utilizar o mesmo dinheiro (moedas de ouro) em toda a sua viagem.  Não havia necessidade de trocar de dinheiro em nenhum momento.  (Aliás, diga-se de passagem, você nem precisava de passaporte).

A noção de que a 'economia nacional' necessita de uma 'moeda nacional' sempre foi uma ficção, embora bastante lucrativa para os bancos que detêm as concessões das casas de câmbio.  Igualmente fictícia é a ideia de que a economia funciona melhor se a oferta monetária, as taxas de juros e as taxas de câmbio forem cuidadosamente manipuladas por burocratas locais (ficção esta que é altamente rentável para vários economistas que vivem desse sistema).  No mundo atual, cada vez mais globalizado, tais ficções são totalmente insustentáveis.  O capitalismo transcende fronteiras, e o que ele necessita para prosperar é simplesmente de uma moeda sólida, apolítica e internacional.  Um dinheiro que seja uma ferramenta adequada para a cooperação e para a interação humana voluntária, e não simplesmente uma ferramenta para manobras políticas.

Os bancos se beneficiam deste atual segregação monetária.  Eles lucram com as inúmeras operações cambiais que ocorrem diariamente.  Já as empresas não-financeiras que operam internacionalmente são inevitavelmente forçadas a especular nos mercados de câmbio ou a pagar por custosas estratégias de hedge para se proteger de variações cambiais (de novo, pagando para os bancos).

Conclusão

Resta claro que o tamanho, o modelo de negócios, as fontes de lucratividade e os problemas do sistema bancário atual estão intimamente ligados ao atual e totalmente elástico sistema monetário de dinheiro de papel.  Mesmo que tal sistema fosse duradouro — o que certamente não é —, as forças do capitalismo, a contínua busca por soluções melhores, mais eficientes e mais duráveis, em conjunto com o progresso tecnológico, gerariam enormes pressões de mercado sobre a atual indústria bancária.  E isso terá de ocorrer nos anos vindouros.

Dado que o atual sistema financeiro não é o resultado de forças de mercado, dado que um sistema de moedas estatais totalmente elásticas não é necessário, dado que ele é sub-ótimo, ineficiente, instável e insustentável, não há por que duvidar que um dia ele irá acabar.  Os bancos atuais são meros dinossauros paraestatais, ligados até a alma à burocracia e à politicagem.  Estruturas inchadas e dependentes da criação de dinheiro e de subsídios estatais para sua sobrevivência.  Já estão maduros para cair.

A morte do sistema de dinheiro de papel irá oferecer grandes oportunidades para uma nova estirpe de empreendedores monetários.  Neste aspecto, posso visualizar empresas armazenando ouro, empresas tecnológicas oferecendo serviços de transação financeira, empresas fornecedoras de serviços de Bitcoin e empresas voltadas para o gerenciamento de ativos.  Se algumas dessas unirem forças, as oportunidades serão enormes.  O mundo está pronto para um sistema monetário alternativo, desestatizado e baseado na livre concorrência.  Quando o atual sistema entrar em colapso sob o peso de suas próprias inconsistências, quem for um bom empreendedor estará pronto para oferecer algo como substituto.

A atual economia baseada em papel-moeda estatal e fiduciário está pronta para uma schumpeteriana 'destruição criativa'.  Esteja sempre alerta para as oportunidades.

Enquanto isso, a destruição do papel-moeda prossegue.


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SOBRE O AUTOR

Detlev Schlichter
é formado em administração e economia.  Trabalhou 19 anos no mercado financeiro, como corretor de derivativos e, mais tarde, como gerente de portfolio.  Nesse meio tempo, conheceu a Escola Austríaca de Economia e, desde então, dedicou seus últimos 20 anos ao estudo autônomo da mesma.  Foi apenas após conhecer a Escola Austríaca que ele percebeu o quão mais profundas e satisfatórias eram as teorias austríacas para explicar os fenômenos econômicos que ele observava diariamente em seu trabalho.  Visite seu website.

Tradução de Leandro Roque




"uma proposta legislativa que congele os gastos públicos por 20 anos."

Esse aí é de uma ignorância ímpar.

Querido Henrique, os gastos não serão congelados. Os gastos crescerão à mesma taxa da inflação do ano anterior. A menos que a inflação passe a ser zero, não haverá nenhum congelamento de gastos.

Outra coisa: os gastos com educação, saúde e assistência social poderão continuar aumentando aceleradamente, sem nenhum teto, desde que os gastos em outras áreas sejam contidos ou reduzidos.

Isso será um ótimo teste para ver o quanto os progressistas realmente amam os pobres. Se quiserem que mais dinheiro seja direcionado à educação, à saúde e à assistência social, então menos dinheiro terá de ser direcionado ao cinema, ao teatro, aos sindicatos, a grupos invasores de terra e, principalmente, aos salários dos políticos (descobriremos a verdadeira consciência social dos políticos de esquerda).

Se quiserem mais dinheiro para educação, saúde e assistência social, então terão de pressionar o governo a reduzir os concursos públicos e os salários nababescos na burocracia estatal. Terão de pressionar o governo a fechar emissoras estatais de televisão. Terão de pedir para o governo parar de injetar dinheiro em blogs progressistas.

Terão de pedir por um amplo enxugamento da máquina pública. Terão de ser extremamente vigilantes em relação à corrupção, impedindo superfaturamentos em obras contratadas por empresas estatais.

Terão de exigir a redução do número de políticos. Terão de exigir a abolição de várias agências reguladoras custosas. Terão de exigir menores gastos com a Justiça do Trabalho, que é o mais esbanjador dos órgãos do Judiciário.

Acima de tudo, terão de pedir para que o estado pare de administrar correios, petróleo, eletricidade, aeroportos, portos e estradas, deixando tais áreas a cargo da livre iniciativa e da livre concorrência.

De bônus, para que tenham um pouco de diversão, terão também de pedir para que o estado pare de gastar dinheiro com anúncios publicitários na grande mídia (impressa e televisiva) e em times de futebol. E que pare de conceder subsídios a grandes empresários e pecuaristas.

Se os progressistas não se engajarem nestas atividades, então é porque seu amor aos pobres era de mentirinha, e eles sempre estiveram, desde o início, preocupados apenas em manter seus próprios benefícios.

Com a PEC, o dinheiro que vai para a Lei Rouanet, para a CUT, para o MST e para o alto escalão do funcionalismo público passará a concorrer com o dinheiro do Bolsa-Família, do Minha Casa Minha Vida, da Previdência Social e do SUS.

Vamos ver quão sérios são os progressistas em seu amor aos desvalidos. Veremos o real valor de sua consciência social.

Pela primeira vez, incrivelmente, os burocratas do governo perceberam que o dinheiro extraído pelo governo da sociedade não é infinito.

A tímida PEC 241 possui falhas, mas é um passo no rumo certo - e suas virtudes apavoram a esquerda

"Gostaria de abordar aqui, como causa da crise e do desajuste das contas do governo, o vertiginoso aumentos dos juros ocorrido nos últimos anos"

Ignorância econômica atroz.

Ao contrário do que muitos acreditam, o governo gasta menos com juros quando estes estão subindo.

Sim, é isso mesmo: quando os juros estão subindo, há menos despesas com juros.

E a explicação é simples: quando os juros estão subindo, os preços dos títulos públicos estão caindo. Com os preços caindo, há menos resgates de títulos. Consequentemente, há menos gastos do Tesouro com a dívida.

Não precisa confiar em mim, não. Pode ir direto à fonte. Esta planilha do Tesouro mostra os gastos com amortização da dívida. Eles caem em anos de juros em ascensão e diminuem em anos de juros em queda.

Eis os gastos do Tesouro com amortização da dívida a partir de 2011:

2011 (ano em que os juros foram de 10,75% para 12,50%): R$ 97.6 bilhões

2012 (ano em que os juros caíram para 7,25%, o menor valor da história): R$ 319.9 bilhões (sim, o valor é esse mesmo)

2013 (ano em que subiram de 7,25% para 10%): R$ 117.7 bilhões

2014 (ano em que subiram para 11,75%): R$ 190.7 bilhões

2015 (ano em que os juros subiram para 14,25%): R$ 181.9 bilhões

Conclusão: o ano em que o governo mais gastou -- e muito! -- com a amortização da dívida foi 2012, justamente o ano em que a SELIC chegou ao menor nível da história.

Vá se educar em vez de ficar falando besteiras em público.

Quanto ao nível dos juros em si, durante todo o primeiro mandato do governo Lula eles foram muito maiores do que os atuais. E, ainda assim, houve crescimento e investimentos.

Quando o cenário é estável, confiável e propício, juros não impedem investimentos. Quando o cenário é instável e turbulento, juros não estimulam investimentos.

No mais, a subida dos juros foi uma mera conseqüência inevitável das políticas econômicas heterodoxas de dona Dilma.

"Nada disso precisava ocorrer caso o governo continuasse com sua política de contenção de preços, como o da gasolina e da energia elétrica"

Putz, e eu perdendo meu tempo escrevendo isso tudo achando que o sujeito era sério...

Por fim, quer saber por que os juros são altos no Brasil? Você só precisa ler esses dados aqui.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Getulio Malveira  19/07/2012 07:41
    "Quando o atual sistema entrar em colapso sob o peso de suas próprias inconsistências"


    Profetizar é sempre algo bastante difícil e temerário, mas principalmente quando se trata do futuro. Pessoalmente, eu não depositaria minhas esperanças em teorias de catástrofe, contradições inerentes e revoluções inevitáveis.
  • Leandro  19/07/2012 07:49
    Concordo em tese. Mas quando levamos em conta que nenhum sistema de papel -- com a exceção do dólar, que é a moeda de troca, mas apenas há 41 anos -- durou muito tempo, a coisa muda de aspecto.

    Veja o Brasil, por exemplo. Quantas vezes nossas moedas se desintegraram? Quantas vezes os bancos -- principalmente BB e CEF -- foram socorridos?

    O real, nossa mais recente moeda, tem só 18 anos, e a inflação acumulada neste período só não provoca revolta porque o rebanho é passivo. Porém, à medida que as informações vão se difundindo, que a população vai ganhando uma certa cultura e que a tecnologia vai desbravando novos caminhos, a exigência das pessoas se torna maior. No futuro, não será tão fácil quanto é hoje as pessoas aceitarem todos os desmandos monetários do governo.

    Mas isso também não quer dizer que a coisa virá já no ano que vem. Pode sim levar algumas décadas.
  • Juliano  19/07/2012 08:28
    Alguns pontos:\r
    \r
    1 - governos sempre têm muitas áreas pra arranjar medidas paliativas. Trocas de moedas, renegociação de dívidas, ... Existem correções, mas são sempre feitas com o objetivo de manter o status-quo. São os grupos de interesse que dirigem as mudanças, não dá pra esperar nada muito diferente. Como por aqui: privatizaram, mas mantiveram o controle nas mãos dos fundos de pensão das estatais + estado. Tudo cercado por um monopólio.\r
    \r
    2 - A população nunca tem capacidade para relacionar causa e conseqüência. Inflação é culpa dos empresários que aumentam os preços, dívida pública é culpa do mercado financeiro global, serviços pobres em órgãos do Estado é falta de dinheiro. Se for muito complicado, basta colocar a culpa nos especuladores e no capitalismo. Isso sempre direciona a solução para as mãos dos governos, que ganham ainda mais poderes.\r
    \r
    Se tem uma coisa que os governos sabem fazer muito bem é se manter no poder. A história os ensinou a evitar grandes confrontos e demonstrações de autoritarismo. Cozinhar o sapo aos poucos tem se mostrado muito mais eficiente e seguro.
  • Getulio Malveira  19/07/2012 09:07
    Ou pode levar séculos ou mesmo nunca ocorrer, Leandro. E no entanto, em todo caso, suas premissas ainda estariam corretas: O dados históricos interpretados sob a teoria austríaca da moeda indicam uma propensão do "sistema de papel" a se desintegrar, mas isso não significa que um colapso de fato ocorrerá. Isso depende, como você bem observou de uma mudança em larga escala da atitude das pessoas em relação ao governo, mas também, devo acrescentar, do poder e determinação dos governos em manterem sua prerrogativa de criar dinheiro -- que constitui o maior poder do estado, como você mesmo bem afirmou na sua entrevista ao Bruno Garschagen.

    Concordo que tudo o que o Schlichter disse é possível, mas não transformaria essa expectativa racional em uma certeza absoluta, o que, na minha pouco autorizada opinião, pode, inclusive, ir de encontro a certos aspectos fundamentais da epistemologia austríaca sobre a capacidade preditiva das teorias econômicas.
  • anônimo  07/04/2013 11:19
    'No futuro, não será tão fácil quanto é hoje as pessoas aceitarem todos os desmandos monetários do governo.'

    Leandro, você está sonhando.No futuro vai ser pior ainda, mal começamos a ver gerações inteiras sendo criadas dependendo do estado babá.Não tem a menor chance do PT largar o poder, ou do assistencialismo diminuir, ou do povo deixar de querer ganhar as coisas sem trabalhar.
  • Bruno  02/11/2013 14:10
    Percebeu que você está sendo tão utópico e/ou alarmista quanto o Leandro?
  • anônimo  05/11/2013 20:18
    É possível ser utópico e alarmista ao mesmo tempo?
  • Peterson Mota  19/07/2012 07:43
    Excelente artigo! Revelou o que eu já imaginava, que ouro e Bitcoin irão concorrer entre si e outras moedas privadas que vão surgir no futuro! E tudo será uma questão da aceitação de cada uma delas. Eletronicamente falando, o Bitcoin é muito mais simples. Mas vejo no futuro empresas que guardam ouro e emitem certificados de depósitos divisíveis eletronicamente, de modo que tais certificados podem ser como ouro eletrônico.

    Mas como qualquer moeda, o ponto chave será a confiança e a valoração do seu poder de compra ao longo dos anos.
  • Vagner  19/07/2012 07:56
    Leandro, você poderia comentar em outro artigo, sobre a atual ação da Anatel. Acho que os maiores prejudicados serão os próprios consumidores.
  • Leandro  19/07/2012 08:17
    Prezado Vagner, até amanhã sairá artigo sobre isso. No entanto, chamo a atenção para o fato de que já temos quatro artigos sobre o assunto.

    Para entender por que a telefonia no Brasil é ruim:

    mises.org.br/Article.aspx?id=637
    mises.org.br/Article.aspx?id=646

    Para saber qual seria a solução extremamente simples, rápida e sem nenhum custo:

    mises.org.br/Article.aspx?id=1160

    Para entender o que se passa na Anatel:

    mises.org.br/Article.aspx?id=739
    mises.org.br/Article.aspx?id=890

    Abraços!


  • Vagner  19/07/2012 09:32
    Obrigado Leandro. irei fazer a leitura de todos.
  • PESCADOR  19/07/2012 08:04
    Seria ótimo ter moedas privadas competindo, sem um Banco Central interferindo. Mas as forças estatais dificilmente aceitariam esse tipo de arranjo. De qualquer forma, torço para que o otimismo do autor desse artigo prevaleça. E eu adoraria estar vivo para gastar - e poupar - uns bitcoins.
  • Mohamed Attcka Todomundo  04/03/2013 12:54
    já Prevaleceu. a empresa do Peter Schiff (europacific bank) tem depositos e pagamentos em ouro (e em varias moedas estrangeiras: concorrencia entre moedas). e se entendi bem, dá p/ usar titulos, açoes e futuros como modo de pagamento. tem tudo nesta palestra do IMB: "A economia norte-americana: motor do crescimento global ou apenas um peso morto?" ; e a transcriçao ta no meu blog: zoonnaa.blogspot.com.br/2013/02/economia-norte-americana-apenas-um-peso.html

    o schiff explica q por operar fora de jurisdiçao dos EUA ele pode criar serviços financeiros diferenciados. no Panamá tb dá p/ negiciar com varias moedas(Não há um Banco Central no Panamá) então deve ter jeito de fazer coisas parecidas com q o schiff tá fazendo

    de um jeito ou de outro, a barca fiduciaria tá naufragando




  • João   19/07/2012 12:15
    Leandro, \r
    \r
    Por que o mises Brasil não aceita doações em Bitcoins?\r
    www.mises.org.br/donate.aspx
  • Djalma  19/07/2012 14:30
    Uma dúvida: seria sustentável a adoção do padrão-ouro por um país isolado ou por um grupo pequeno de países (com o resto do mundo continuando no sistema atual)? Quais seriam as consequências desse arranjo?
  • Pedro Ivo  27/07/2012 04:27
    Caro Djalma:

    sua pergunta pode ser respondida pela leitura deste artigo: O que um país deve fazer para substituir o dólar como moeda de reserva mundial.

    Resumidamente, se alguém adotar um padrão ouro, a tendência é que sua moeda se torne cada vez + valiosa e útil, pois: [1] será uma guarda de valor, deflacionária, com sua utilidade marginal avançando ano após ano, refletindo os ganhos de produtividade de seus usuários; [2] permitirá um cálculo econômico + preciso, insujeito ás manipulações inflacionárias e conseguentes redistribuições de renda da população ao estado; [3] os países que a adotam serão cada vez mais utilizados como jurisdição para contratos. Isto já acontece hoje com a Suíça, Mônaco, Bahamas, Luxemburgo, etc.; mas no caso dos adotantes de padrão ouro, sua jurisdição será adotada para guarda-de-contratos não por ser um paraíso fiscal, mas porque tem uma moeda que se valoriza com o tempo, permitindo um cálculo econômico acurado (claro, se além de tudo o lugar for um paraíso fiscal, vão ser ainda + requisitados). Por ex., imagine empresas estadunidenses negociando nesta moeda commoditie, dentro dos EUA. Elas farão seus cálculos em ouro, mas tem de assinar os contratos em dólar. Elas se resguardam em ouro, mas precisam fazer atualizações contábeis em dólar (custo adicional às transações, na forma de despesas e incertezas). Se elas fizerem o contrato na jurisdição sob padrão-ouro, e transacionarem lá dentro, em ouro, as incertezas do dólar desaparecem.

    seria + ou - isto
  • Thiago Martins  19/07/2012 14:54
    "que existe somente no ciberespaço"... Errado!

    Bitcoins fízicos fora do cyberespaço:

    https://www.casascius.com/

    Você também pode imprimir "como backup", os seus próprios Bitcoins... "Tirando-os" do cyberespaço. E também podem fazer transferências offline com o cliente Armory.
  • Nyappy!  19/07/2012 16:12
    Ele está certo, bitcoins só existem no cyberespaço.

    Por mais que você possa tirar os dados referentes ao bitcoin e jogá-los em um pedaço de papel ou em um pendrive, eles sempre estarão dependentes da internet para que se possa verificar a validade desses bitcoins. Não, não dá para fazer uma transação segura offline.

    A única maneira que eu vejo de o bitcoin ser usado com total segurança seria por meio de cartões de débito onde as pessoas escolheriam se teriam uma conta em um banco para segurar os bitcoins, guardar os bitcoins nos próprios cartões que seriam seguros com uma senha ou até mesmo um híbrido dos dois.
  • Breno Almeida  19/07/2012 18:38
    É possivel fazer transações off-line de bitcoin. Porém para isso é necessário que exista confiança no selo que armazena a chave. Se as pessoas confiarem que o selo não foi violado/falsificado e que a chave está intacta. Então as pessoas poderiam circular o selo físicos como se estivesem circulando bitcoins digitais. Do mesmo modo que cartões pre-pago de celular podem ser usados como dinheiro vivo se as pessoas acreditarem que o cartão é original e que o código está intacto.

    O problema do bitcoin fisico é o custo de 25%(pela casascius)e sempre que você decide depositar o bitcoin fisico na sua conta virtual a moeda fisica é destruida e o selo violado fazendo com que você tenha que comprar outra moeda fisica quando vai fazer o saque pagando mais 25%.

    E é interessante lembrar que cartões de debito envolvem intermediarios para funcionar. A maneira realmente segura seria armazenar as chaves no seu celular e usar a internet do mesmo para realizar a transação. Desse modo não existe intermediário o seu celular é o seu banco.
  • Peao  19/07/2012 20:09
    Sobre essa questão há possibilidades interessantes surgindo:

    blog.bitinstant.com/blog/2012/6/19/our-discovery-in-vienna-the-bitcoin-card.html

    E até mesmo aqui no Brasil:

    https://www.bitcointoyou.com/cartaobitcoin/Form/Home.aspx
  • Pedro Ivo  27/07/2012 04:44
    além do celular e da internet, certamente surgirão outros processadores portáteis para armazenar sua moeda criptografada. Internet e celular tem certas vulnerabilidades (por ex.,o governo dos EUA intima o Google judicialmente a fornecer a movimentação de emails de pessoas que estejam sob investigação. As intimações e investigações correm sob segredo. Cada um só sabe que teve seus emails lidos após ser processado judicialmente. Lembrando que lá, há a justiça estadual e a federal. Se você está sob investigação federal, tem bem menos garantias processuais de privacidade - bem como de impedimentos legais à capacidade do estado de te investigar- que na justiça estadual).

    Logo, um computador de pulso (estou especulando. Não sei se isto existe, mas é como eu tentaria solucionar), num relógio, joia ou bracelete, poderia ser meu processador-de-transações.
  • Tiago RC  20/07/2012 03:21
    "Não, não dá para fazer uma transação segura offline."

    Muito generalista essa sua afirmação. Não concordo. É possível fazer transações offline com um grau de segurança suficiente para muitos casos.
    Se você conhece seu cliente, aceitar uma transação offline é como aceitar um cheque, por exemplo.
    E com dispositivos como o bitcoincard ou o Ellet (ainda não disponíveis), o nível de segurança de uma transação offline pode ficar bem maior.
  • Pedro Ivo  27/07/2012 04:08
    prezado(a) Nyappy:

    outra forma segura de transações é por chave criptográfica entre celulares. Veja bem: você vai à minha loja e quer pagar o produto em bitcoins. Você os transfere do seu celular para o meu, tal qual podemos fazer com outras informações hoje em dia. Basta que ambos aceitemos transacionar assim
  • Rodrigo Bicalho  19/07/2012 19:01
    Eu tenho receios do BitCoin Justamente em razão da segurança digital.

    Ja teve ataques de Hackers no sistema que fez o preço de câmbio da BitCoin com o dolar despencar de US$17 para US$ 0,01


    È um arranjo interessante, mas justamente por não ter um lastro real, você corre o risco de seu dinheiro virar pó em razão de fatores como ataque hacker.
    A grande vantagem é os Bitcoins serem uma moeda intrinsicamentedeflacionária ( a longo prazo pelo menos), ou seja, o seu dinheiro vai valer cada vez mais.

    Se o sistema comprovar sua eficácia contra problemas de segurança, pode ser uma alternativa interessante de investimento.
  • Peao  19/07/2012 19:32
    Os problemas de segurança que você citou não são intrínsecos ao sistema Bitcoin, mas sim de sites de cambio mal estruturados.
  • Tiago RC  20/07/2012 03:13
    "Ja teve ataques de Hackers no sistema que fez o preço de câmbio da BitCoin com o dolar despencar de US$17 para US$ 0,01"

    Isso é falso. A rede Bitcoin nunca sofreu nenhum ataque, muito menos um capaz de despencar o preço em instantes.
    Imagino que você esteja se confundindo com notícias mal-escritas sobre uma casa de câmbio que foi hackeada, e enquanto estava no controle, o hacker bagunçou as coisas por lá. O preço nessa casa de câmbio de fato foi a quase zero, mas foi justamente porque o hacker queria poder roubar o máximo possível e o sistema da casa tinha uma trava baseada no montante diário transferido, cotado em USD. Ele manipulou o preço na casa de câmbio para poder enganar essa trava e roubar mais.
    Nas outras casas de câmbio o preço continuou "normal".

    A propósito, esse tipo de coisa acontece nos mercados tradicionais também: www.wired.com/threatlevel/2010/03/manipulated-stock-prices/
  • Pedro Ivo  27/07/2012 05:19
    "Ja teve ataques de Hackers no sistema que fez o preço de câmbio da BitCoin com o dolar despencar de US$17 para US$ 0,01"

    por favor, você poderia linkar o sítio em que encontrou esta informação?
  • Paulo Sergio  27/07/2012 06:31
    www.quora.com/How-can-Bitcoin-be-hacked

    Do criador do bitcoin:
    "The system is secure as long as honest nodes collectively control more CPU power than any cooperating group of attacker nodes."
  • Tiago RC  27/07/2012 06:51
    Já comentei sobre o que um "ataque >50%" pode fazer em resposta ao comentário do André Cavalcante, logo abaixo:

    "O que um atacante com mais poder de cálculo do que a rede honesta pode fazer é gastar a mesma moeda (que ele precisaria possuir legitimamente antes) mais de uma vez.
    Outra coisa que um "ataque >50%" pode fazer, que eu acho mais grave - porém não daria nenhum retorno financeiro ao atacante - é "congelar" a rede, impedindo as pessoas de transacionarem. Há medidas paliativas que poderiam combater um ataque dessa ordem, caso ele dure muito. (se durar pouco tudo volta ao normal depois).

    Você tem razão sobre o poder de cálculo da rede. Hoje, não há nenhum computador ou cluster de computadores conhecido com a mesma capacidade. Seria de fato um investimento de múltiplos milhões para tentar superá-la."
  • Paulo Sergio  27/07/2012 07:56
    Um investimento que os governos poderiam arcar
    E no caso, o interesse deles não seria lucrar com a rede, só bagunçar mesmo
  • Tiago RC  27/07/2012 08:53
    Tá. Só que há várias implicações nisso. Pra começar, seria um ataque a cidadãos de todas as outras jurisdições, que detenham bitcoins. Um governo iniciando tal coisa unilateralmente poderia ter problemas diplomáticos.

    E, como disse, há medidas paliativas para tentar se defender, se necessário. Há também discussões interessantes sobre como esse risco poderia ser consideravelmente reduzido.

    Acho mais provável que, se um governo de fato estiver incomodado com a tecnologia e quiser bani-la, ele fará como governos costumam fazer: proibir o uso.
  • Catarinense  27/07/2012 09:10
    Pior: pode regulamentar. Obrigar que toda transação passe por um sistema, digamos, da CVM, que monitoraria as transações, julgaria se são licitas ou não, bloquearia as suspeitas, faria toda a comunicação com a receita para coletar os impostos, e obrigaria os provedores a comunicar atividades suspeitas, como tentar negociar fora deste sistema ou usar sistemas de criptografia para tentar mascarar a atividade.
  • Tiago RC  27/07/2012 09:19
    Ele não poderia monitorar todas as transações, é um protocolo mundial.
    Mas poderia, por exemplo, obrigar todo comerciante a só usar contas declaradas, que o governo conhece e pode monitorar tudo que entra e sai. Eventualmente enviar fiscais disfarçados para tentar comprar algo desses comerciantes e ver se a conta usada para recebimento é declarada ou não.
    Seria muito ruim, mas acho proibir o uso por completo seria pior ainda. E bom, ainda assim, seria uma moeda livre de inflação. Hoje o sistema bancário é tudo isso que descrevi, e sobre uma moeda inflacionária...
  • Catarinense  27/07/2012 10:59
    Os provedores de acesso têm a capacidade de monitorar o tipo de tráfego, não? Estou meio desatualizado, saí desta área faz algum tempo, mas lembro que mesmo redes do tipo TOR deixam traços de seu uso e permitem que o provedor veja quem está acessando a rede, mesmo que seja impossível saber efetivamente o quê está sendo trasmitidos. Penso que bastaria uma proibição do uso deste tipo de rede para conseguir a capacidade de centralizar as transações. E medidas como vinculação de IP e códigos MAC a um usuário (RG/CPF), ou mesmo a exigência de códigos do tipo "identidade Digital" para acessar a rede serviriam para fechar o cerco dos "dissidentes". Depois disso, penso que só com ligação direta a satélites "piratas", para escapar deste cerco. \r
    \r
    Uma simples proibição poderia deixar muitas bechas para serem exploradas, penso que uma efetiva regulamentação demandaria a criação de todo este aparato de vigilância. \r
    \r
    Quanto a existência ou não de inflação, não posso opinar, não tenho conhecimento suficiente sobre os detalhes técnicos, mas em matéria de controle sobre a população, imagino que a facilidade de marginalizar os "criminosos" e excluir os membros indesejados da sociedade, além de monitorar a atividade dos sonegadores, seria bastante grande. Penso que enquanto mantiverem o uso de uma moeda física, mesmo que de papel, dá pra ir levando, mas se partirem para um sistema completamente digital, a coisa pode ficar complicada...
  • Pedro Ivo  27/07/2012 11:43
    conforme eu disse anteriormente: "além do celular e da internet, certamente surgirão outros processadores portáteis para armazenar sua moeda criptografada. Internet e celular tem certas vulnerabilidades (por ex.,o governo dos EUA intima o Google judicialmente a fornecer a movimentação de emails de pessoas que estejam sob investigação. As intimações e investigações correm sob segredo. Cada um só sabe que teve seus emails lidos após ser processado judicialmente. Lembrando que lá, há a justiça estadual e a federal. Se você está sob investigação federal, tem bem menos garantias processuais de privacidade - bem como de impedimentos legais à capacidade do estado de te investigar- que na justiça estadual). Logo, um computador de pulso (estou especulando. Não sei se isto existe, mas é como eu tentaria solucionar), num relógio, joia ou bracelete, poderia ser meu processador-de-transações."

    Notem que nos EUA traficantes estão usando como moeda em suas transações um sabão líquido cujo código de barras não pode ser rastreado (ou que não usa código de barras). Se quisermos transacionar com Bitcoins e formos discretos no modo, não dá para impedir. Se alguém transfere à outrem, digitalmente ou de outra forma, uma chave criptográfica que dá acesso a seus Bitcoins, vão coibir como? Ou se alguém aceita um vidro de sabão líquido como pagamento, vão proibir como?

    O Bitcoin é como o email: tirará do estado o monopólio da moeda como lhe foi tirado o monopólio da correspondência.
  • Catarinense  27/07/2012 12:05
    Bom ponto, não tinha pensado por este lado. Poderíamos ter "carteiras" eletrônicas desligadas de qualquer rede transmitindo via IR ou BT, ou outra tecnologia semelhante, para efetuar as transações de maneira anônima, desde que estas carteiras não contenham alguma identificação do dono, senão a transação poderia ficar registrada em algum dos lados da transação. Mas eu imagino se algo como o número de MAC não se faz necessário para identificar o dispositivo que funciona como carteira para o funcionamento de um sistema de comunicação entre dois dispositivos/carteiras. Neste caso, o rastreamento se tornaria possível por outros meios para vincular aquela carteira a um indivíduo. Seria muito semelhante a um cartão de crédito, não?
  • Pedro Ivo  30/07/2012 06:55
    no fim da déc. 1990 testaram em Portugal um cartão recarregável, que funcionava para pagamentos, onde houvesse um drive para conectá-lo. Você o recarregava com dinheiro. Era parecido com recargas de celular pré-pago hoje em dia. Era o que eu tinha em mente. Ou por celular ou por cartão. Logo, é um cartão de débito.
  • Mohamed Attcka Todomundo  04/03/2013 13:37
    sobre as preocupaçoes q a galera manifestou sobre ataques digitais por hackers e da cooperaçao deles com estados, tem esses documentarios:

    Especialista afirma que a guerra cibernética já começou
    Ciberguerilha - A Arte da Guerra Virtual
    Hacker Herois ou Criminosos
    Hackers Criminosos e Anjos

    e tem esses sobre a historia da internet q sao legais
    A Verdadeira Historia da Internet - 01 episodio 02, 03 e 04





  • Mohamed Attcka Todomundo  04/03/2013 13:26
    um jeito de mascarar a atividade eh ñ usar meios digitais pq sao rastreaveis. dizem q a al-qaeda ficou fora do radar ñ mandando emails, mas se comunicando por jeitos analogicos, como cartas, ou por celulares ñ rastreaveis (o celular usa a rede, mas ñ tem codigos de identificaçao. tinha q ser usado poucas vezes, tlv uma só).

    parece lombra, eu sei. voltar p/ idade da pedra. mas oq tô sugerindo eh q nem tudo tem q ser high-tec. eh o lance da segmentaçao: se tiver meios analogicos (ñ rastreaveis digitalmente) de fazer transaçoes, uma parte delas sera assim. acho q o lance eh dar opçoes; segmentar o mercado p/ dar jeitos diferentes das pessoas operarem de acordo c/ a conveniencia.

    Nakele filme, código da Vinci, tem uma cena em q vão na suíça e tem q digitar um código num cofre p/ acessar uns valores. So podia assim, pessoalmente. devem ter umas coisas assim por ai. então vc negociaria na forma de códigos de acesso, e as transações ñ teriam rastro digital. Seria como antigamente: cheques, assinaturas, ordens de pagamento (e dá p/ fazer tudo usando computadores, mas desconectados de uma rede como a internet, p/ ñ deixar rastro. O computador eh só p/ usar a capacidade de processamento p/ assegurar trocas seguras. Pensa: computadores fazem leitura de digitais, iris, geometria facial, dinâmica da empunhadura de uma caneta ao fazer uma assinatura. Tudo isso já existe. então vc gera códigos c/ essas coisas e emite uma ordem de pagamento validada por este código, e nada disso tem rastro digital pq ñ ta na rede mundial de computadores).

    Os caras q trabalham c/ isso entendem da coisa. Agente fica aki especulando, e eles já tem coisas prontas bem + legais.
  • Andre Cavalcante  20/07/2012 02:35
    Rodrigo,

    As suas dúvidas sobre Bitcoins são muito básicas: uma boa leitura nos sites sobre bitcoin e você se livrará delas.

    O problema da queda que tu mencionaste aconteceu somente no MtGox que é uma casa de câmbio. Foi ela que foi hackeada e o valor caiu por causa do ataque. O mesmo poderia acontecer em um site de banco tradicional.

    Note que é o mesmo problema que o autor deste artigo comenta sobre a necessidade de casas de câmbio quando não se tem uma moeda internacional única.

    Sobre a questão do lastro, por definição, a bitcoin é uma moeda fiduciária, isto é, sua existência e manutenção vai depender do uso, isto é, da confiança de quem usa. Lembrar que moedas como o dólar ou o euro também não tem lastro em nada. O real, ao contrário, e por causa da pouca confiança, tem lastro em dólares.

    O sistema em si é seguro. O próprio criador mostrou o único possível ataque bem sucedido à rede: necessitaria de um poder computacional maior que o da própria rede para criar dinheiro (bitcoins válidos) do nada, o que simplesmente não compensa: a rede bitcoin é hoje, de longe, a que tem maior poder computacional distribuído, maior até que a rede do SETI, o que exigiria uma máquina de vários milhões de dólares para conseguir somente alguns milhares de bitcoins.
  • Tiago RC  20/07/2012 07:50
    "O próprio criador mostrou o único possível ataque bem sucedido à rede: necessitaria de um poder computacional maior que o da própria rede para criar dinheiro (bitcoins válidos) do nada"

    Ninguém pode criar mais bitcoins do que o predeterminado, pouco importa quanto poder de cálculo tenha. Essa regra não dá pra quebrar.

    O que um atacante com mais poder de cálculo do que a rede honesta pode fazer é gastar a mesma moeda (que ele precisaria possuir legitimamente antes) mais de uma vez.
    Outra coisa que um "ataque >50%" pode fazer, que eu acho mais grave - porém não daria nenhum retorno financeiro ao atacante - é "congelar" a rede, impedindo as pessoas de transacionarem. Há medidas paliativas que poderiam combater um ataque dessa ordem, caso ele dure muito. (se durar pouco tudo volta ao normal depois).

    Você tem razão sobre o poder de cálculo da rede. Hoje, não há nenhum computador ou cluster de computadores conhecido com a mesma capacidade. Seria de fato um investimento de múltiplos milhões para tentar superá-la.
  • Mohamed Attcka Todomundo  04/03/2013 13:51
    uma duvida pro Andre Cavalcante e pro Tuago RC, q parecem ta informados sobre oq kero: vcs disseram q a capacidade de processamento da rede bitcoin é a maior q existe: pq? sei q o SETI pediu q as pessoas cedessem voluntariamente uma pequena parte da memoria de seus computadores p/ processar informaçoes de radiotelescopios. a rede bitcoin faz algo semelhante?
  • Andre Cavalcante  04/03/2013 19:32
    A rede bitcoin, segundo a Bitcoin Watch, está a processar a uma taxa de 396.26 petaflops (hoje).

    Segundo a wikipedia, o maior computador do mundo (em termos de capacidade) é Titan, que opera a 27.11 petaflops (de pico), o que é bem abaixo da rede bitcoin.

    Somente por comparação com outras redes, o SETI, operou, em dezembro de 2012, com 802 teraflops (um recorde para redes de pesquisa). 1 petaflop = 1000 teraflops. Toda a rede BOINC (que inclui o SETI) hoje está operando a 8.9 petaflops, conforme o seu site: BOINCstats/BAM!
  • Eliel  20/07/2012 02:54
    O bitcoin pode ser uma nova ordem expontanea a despertar lenta mas persistente.
    Lembra muito o conceito de bonus-hora explicado no livro "Nosso Lar" da literatura espírita.
  • Tiago RC  20/07/2012 03:01
    Fico contente de ver esse artigo traduzido aqui. :-)

    Apenas alguns comentários sobre essas afirmações:
    "Supostamente, as transações feitas em Bitcoin não podem ser rastreadas e as contas de seus usuários não podem ser congeladas. O sistema não pode ser fechado ou destruído."

    - Quanto a rastreabilidade, não é bem assim. Na realidade, as transações são perfeitamente rastreáveis. As transações são públicas. Sempre que uma "conta" A ("endereço", no jargão Bitcoin) envia bitcoins a uma conta B, todo mundo pode ver essa transação entre A e B. A grande questão é saber a quem pertencem essas contas A e B. Você pode facilmente criar quantas "contas" quiser - não há necessidade de memorizar seus números, como no sistema bancário tradicional. A recomendação é justamente que se crie uma conta para cada novo pagamento que for receber. "Contas descartáveis", de uma certa maneira. Também existem técnicas para se camuflar o rastro das bitcoins, para os mais preocupados. ;-)

    - Quanto a fechar ou destruir o sistema, bom, sem estuprar a Internet, de fato não dá. Mas um governo disposto a implementar um controle à la China, e ao mesmo tempo disposto a bloquear a rede Bitcoin, poderia causar um estrago considerável, provavelmente relegando a tecnologia apenas àqueles com conhecimento técnico suficiente para driblar esse governo autoritário.
    Uma forma mais "típica de governos" de tentar "fechar" o sistema seria simplesmente declarar seu uso proibido. Nesse cenário, nenhum comerciante poderia aceitar pagamentos em bitcoins "às claras". Mas provavelmente a tecnologia continuaria a ser usada no mercado informal.

    - E finalmente, sobre congelar uma conta, é de fato extremamente difícil. Precisariam de muito mais do que simples marteladas de um juiz. ;-)
  • anônimo  20/07/2012 15:44
    Sobre este artigo que achei fascinante:

    epocanegocios.globo.com/Revista/Common/1,,EMI157258-16353,00.html

    A melhor forma de escapar de impostos é fazer trocas, deixando o dinheiro apenas para o essencial. Acabei de trocar um LCD antiga que tinha por um microondas moderno. Já troquei carro, moto e até móveis.

    As pessoas tinham que ser mais incentivadas a fazer trocas justas e evitando ter que pagar impostos absurdos ao governo.
  • Eduardo Marques  22/07/2012 12:37
    Será que eu posso trocar ouro por outras coisas? rsrs
  • anônimo  26/07/2012 11:16
    E títulos de posse de ouro, será que posso trocar por bens que me interessem?
  • Dalton C. Rocha  20/07/2012 16:39
    Odeio dizer isto, mas o padrão-ouro morreu. E quem o matou, foram as duas guerras mundiais. Não dá para voltar a ele, assim como não há como voltar a termos o Império Britânico, a URSS, etc.
  • william  20/07/2012 19:03
    Lamento dizer isso, mas o padrão monetário sem lastro está morrendo, o mundo inteiro está penando por suas consequências, economistas e políticos do mundo todo estão desesperados sem saber mais o que fazer.
  • eduardo  20/07/2012 18:23
    só uma duvida à respeito dos bitcoins/economia.

    21 Milhoes de bitcoins não é muito pouco?
  • Breno Almeida  20/07/2012 20:39
    O Bitcoin é divídido a oitava casa decimal e por isso existem pouco mais de 2 quadrilhões de bitcoins (2,099,999,997,690,000)

    Por exemplo se o valor de 1 BTC passar a ser 100 dolares para representar uma transação de 1 dolar bastaria negociar 0,01 BTC. Então o protocolo se ajustaria cortando os zeros a esquerda. E você enxergaria uma unidade de Bitcoin não como sendo 0,01 mas simplesmente 1 BTC.
  • Andre Cavalcante  20/07/2012 20:44
    Essa é outra questão prá lá de frequente e um leitura no verbete sobre bitcoin na wikipedia e não haveria necessidade da questão.

    Mas vamos lá. O bitcoin permite a divisão de sua unidade em até 8 casas decimais, o que dá 2.1 × 10^15 ou 21 quatrilhões de unidades, ou seja, os 21 milhões de bitcoins dão conta com sobra do PIB do mundo atual (70,6 trilhões de dólares) com precisão de centésimos.

    Abraços
  • anônimo  30/11/2013 22:24
    Mas e se chegar um momento em que a deflação fizer com que estas casas decimais sejam insuficientes, o que acontece?
  • anônimo  01/12/2013 22:54
    8 casas decimais é bastante coisa. Para que não mais sejam suficientes, Bitcoin teria que se tornar uma importantíssima moeda no cenário mundial, talvez a principal. Cada bitcoin, hoje custando em torno de $900, teria que custar mais de um milhão de dólares (no valor atual do dólar). Isso não aconteceria sem que Bitcoin tirasse poder de compra de outras moedas de forma significativa. Se um dia chegar a esse ponto, acho que já poderíamos dizer que os bancos centrais "perderam".

    Mas enfim, respondendo a tua pergunta, se isso acontecer, é possível evoluir o protocolo e adicionar mais precisão.
  • anônimo  02/12/2013 03:18
    Então é possível alterar o funcionamento da rede BitCoin? Ou isto depende apenas do software usado como carteira?
  • anônimo  02/12/2013 15:12
    Não dá pra mudar o funcionamento do protocolo sem o consentimento dos usuários. Mas com o consentimento, com certeza é possível. Para que funcione, todo mundo tem que atualizar o software. Na prática é como ter que convencer todo mundo a migrar para um novo sistema Bitcoin. Por isso que só evoluções onde há amplo consenso poderiam passar sem dificuldades. Se um dia um satoshi (nome dado à unidade mínima reconhecida pelo protocolo hoje) se tornar uma unidade de valor muito alta, não seria difícil formar um consenso para evoluir esse detalhe em particular. Por que alguém continuaria usando o velho Bitcoin, que não seria mais suficientemente divisível? Qual a vantagem?

    Claro que uma tal mudança teria que ser sincronizada com meses de antecedência para que todo mundo tenha tempo de atualizar o software. Se muitos não se adaptarem, ocorreria um fork, com aqueles usando o protocolo velho não reconhecendo as mensagens enviadas pelos que migraram.
  • Pobre Paulista  02/12/2013 10:51
    Anon, me perdoe mas acho que vc disse besteira. Não dá para alterar o protocolo do bitcoin. Acredito que o mais provável de acontecer nesse cenário é uma segunda moeda com menor valor aparecer como moeda complementar (como LiteCoin, por exemplo).
  • Luís Almeida  20/07/2012 19:00
    Por que seria?   O que gera crescimento econômico é trabalho, produção, poupança e investimento -- e isso independe da quantidade de dinheiro na economia. O que nos torna ricos é a abundância de bens, e o que limita essa abundância é a escassez de recursos -- a saber, terra, capital e trabalho.  Simplesmente aumentar a quantidade de dinheiro não vai fazer com que esses bens surjam do nada; não vai fazer com que haja empregos para trabalhar recursos inexistentes.  O dinheiro é apenas um meio de troca que facilita as transações indiretas.  Uma maior quantidade vai apenas diluir os preços e redistribuir a renda em prol daqueles que obtiveram essa nova quantidade antes dos outros.  Não existe uma quantidade ótima a ser perseguida; qualquer quantidade servirá, no longo prazo.
  • Marcos Campos  24/07/2012 13:02
    Eu ainda sou novato em economia, mas fico com um latente zunido na cabeça á respeito do porque necessitamos de dinheiro.
    Números mostram que se as industrias do mundo inteiro quisessem, teriam suas produções automatizadas em 75%, logo de inicio, e apos alguns poucos anos, automação total, e isso também vale para o setor de serviços...então onde e em trabalhariamos para ter nossas necessidades básicas correspondidas?
    Na minha visão, chegariamos no ideal de produção global humanizada, onde as maquinas fariam tudo, a palavra LUCRO ( o mal do mundo ) deixaria de existir.
    Pode parecer utopia mas eu acredito no Projeto Venus, e vou viver apartir de agora á lutar por isto. Mas eu só cheguei a esta conclusão apos acompanhar, aprender e apreciar este maravilhoso site, e continuarei a vir aqui sempre, por ter excelentes reflecções a despeito dos valores humanos.

    www.youtube.com/?watch?v=p7Tdcx5fP6k&feature=rel?mfu


  • Leandro  24/07/2012 13:25
    Prezado Marcos, agradecemos o elogio, mas este seu raciocínio mostra que você ainda não absorveu o mais básico da teoria economia. Dinheiro é um meio de troca que permite a formação de preços em uma unidade comum a toda a sociedade. E o sistema de preços permite o cálculo de custos, de lucros e prejuízos, que é exatamente o sistema que permite que o capital seja direcionado para as aplicações mais urgentes e mais demandadas pelos consumidores.

    Sem o dinheiro, é impossível fazer cálculo econômico. E sem cálculo econômico, qualquer produção é impossível -- principalmente, no seu caso, a produção de máquinas milagrosas que acabarão com a escassez. Sem dinheiro, não há uma maneira de produzir estas máquinas de maneira racional. Haverá desperdício de recursos e pouquíssimas máquinas milagrosas serão produzidas. Pior ainda: não haverá peças de reposição para estas máquinas (pois elas simplesmente não terão sido produzidas; não há preços e não há lucros), o que fará com que sua durabilidade seja curtíssima.

    O seu sistema não passa de uma versão moderna e ilusória de socialismo utópico, que jurava ser possível acabar com a escassez pela simples vontade humana. Para um artigo completo sobre por que este sistema não tem como funcionar, por mais competentes que sejam os gerentes deste sistema, recomendo este artigo.

    Grande abraço!
  • Marcos Campos  25/07/2012 08:22
    Caro Leandro
    Obrigado pela pronta resposta, e gostaria de lhe dizer que o projeto venus nada tem com "ISMOS", isto só serve para sistemas políticos, aqui o sistema é de recursos, aconselho a dar uma boa analisada nos videos antes de refutar. Sou grande admirador seu e de outros aqui no site. Acredito que o sistema de recursos não é pra amanhã, antes vira uma economia mais saudável, nos moldes da mostrada no artigo acima, depois sim com uma melhor evolução coletiva global, viria o sistema de recursos em que as pessoas não precisam trabalhar para adquirir suas necessidades como moradia e alimentação...temos tecnologia suficiente para gerenciar maquinas e peças de reposição de forma interativa e coercitiva...nesse futuro não existirá nenhum " ismo" e sim prosperidade...fico um pouco triste por você não querer enxergar algo novo, já que propõe sempre isto aqui no site. =((
  • Leandro  25/07/2012 08:36
    Prezado Marcos, se vocês descobriram uma maneira de criar um sistema "em que as pessoas não precisam trabalhar para adquirir suas necessidades como moradia e alimentação", esteja certo de que eu serei a última pessoa a atrapalhar estes planos. Mas ainda preciso ver para crer, pois tal arranjo vai contra toda a lógica da escassez.

    Você diz ter "tecnologia suficiente para gerenciar maquinas e peças de reposição de forma interativa e coercitiva." Não sei se aquele "coercitiva" ali do final foi um ato falho, uma confissão ou um simples erro de digitação. Logo, não o levarei a sério. Mas digo apenas que, sempre que alguém fez promessas de "prosperidade sem trabalho e sem escassez", a coisa terminou justamente em miséria, escassez, trabalho forçado e carnificina.

    Prefiro aguardar seus progressos, mas não prenderei a respiração esperando pelos resultados.

    Grande abraço!
  • Marcos Campos  25/07/2012 10:11
    ." Não sei se aquele "coercitiva" ali do final foi um ato falho"..Sim percebi o erro do uso do termo depois de apertar enviar....rs

    Eu nao sou um fundamentalista do projeto venus, e não sei se funcionaria 100%, também não sei se um mundo sem governos seja possível, um capitalismo global e livre seja possivel....é por isso mesmo que admiro todas as intenções, tanto as deste site como as de Zeitgeist e outros que pesquiso e analiso na rede, a idéia é absorver, analisar e utilizar parte desses pensamentos.
    A escassez esta no LUCRO no meu ponto de vista, não falta alimentos no mundo, não existe falta de lugares e recursos para se ter uma casa sustentavel e conectada....o que existe é o LUCRO. Posso estar equivocado, mas preciso aprender na marra neh. rs
  • Jeferson  27/11/2013 17:45
    Não existe falta de alimentos no mundo, o que existe é falta de viabilidade de levá-los, ainda frescos, dos locais em que eles "sobram" para os locais em que eles faltam.

    Óbvio que o que dita essas duas variáveis em itálico (viabilidade e sobra) é o sistema de preços. Ninguém vai trabalhar de graça, gastar os próprios veículos (caminhões e aviões ou navios) e o próprio combustível pra levar excedente de grãos do Brasil pra África, por exemplo. Ou do Centro Oeste para o Norte do país, pensando mais com o pé no chão.

    Por quê? Por que existem outros usos que eles podem dar ao seus veículos e combustíveis, e esses usos são melhores para os donos desses meios de produção. Ao mesmo tempo, o que houver de "sobra" da produção agrícola vai servir para pressionar os preços de alimentos pra baixo, visando equilibrar a demanda e a oferta, porque há um custo em se manter alimentos armazenados.

    Isso é só um exemplo do mundo complexo em que vivemos. Quando se insere todos os problemas que existem, e a quantidade limitada de recursos que podem se tornar soluções para eles, fica mais fácil entender o porquê isso tudo não passa de um sonho.

    Por outro lado, eu concordo que se o mundo fosse livre dos fardos trazido pelo estado, seria questão de tempo até os bens e serviços que todos precisam (roupa, moradia, etc.) se tornarem tão baratos que as pessoas quase não precisariam trabalhar para tê-los.

    Eu não vi o vídeo, e não consegui encontrar material escrito que explicasse detalhadamente o projeto Vênus, e também não tenho coragem de jogar algumas das minhas horas escassas fora conversando com um ativista pra obter informações, mas me parece eles acertaram em uma única coisa: precisa de uma evolução tecnológica imensa em relação a hoje em dia para atingir o objetivo deles.

    Porém, mesmo num mundo 100% automatizado (incluindo a extração dos materiais, a fabricação e a manutenção das máquinas) em que as máquinas fossem responsáveis por todo o trabalho "braçal", as pessoas ainda seriam responsáveis pelo trabalho intelectual que necessário tanto pra promover a evolução das máquinas, para que elas se mantenham capazes de acompanhar a crescente demanda por bens e serviços (que cresce minimamente com a população), quanto pra suprir demandas por bens e serviços que hoje não temos, quanto praquelas que são produto puro da criatividade humana, como as diversas formas de geração de beleza e diferenciação que hoje já existem, e seriam ainda mais fortes num futuro em que todas as necessidades básicas das pessoas sejam atendidas.
  • Hay  25/07/2012 09:00
    viria o sistema de recursos em que as pessoas não precisam trabalhar para adquirir suas necessidades como moradia e alimentação

    Sim, através do trabalho de máquinas. O problema dessa teoria é que ela ainda precisa respolver os seguintes problemas:

    1) Como serão as máquinas? Até agora, só vi muita, muita viagem de LSD. Parece até que as máquinas surgirão do nada e trabalharão sem precisar de manutenção, etc, etc.
    2) Quem produzirá as máquinas? A resposta comum é a mais preguiçosa possível: voluntários. Claro, porque voluntários trabalharão a torto e a direito para produzir máquinas para que outras pessoas possam se ocupar somente com o entretenimento.
    3) Qual será a alocação das máquinas? Será de acordo com as vontades das pessoas? Se sim, qual a fórmula mágica para ler as mentes de todas as pessoas ao mesmo tempo e decidir a melhor solução?
    4) Quem fará a manutenção das máquinas? Qual será o incentivo para que as pessoas queiram trabalhar para manter as máquinas, já que, teoricamente, o objetivo do sistema é que as pessoas não precisem trabalhar?

    Isso para mim parece mais uma espécie de neo-escravatura de robôs e construtores de robôs.
  • Marcos Campos  25/07/2012 11:44
    Hay
    Boa tarde

    Eu não iria responder seu post somente por essa passagem:
    "Até agora, só vi muita, muita viagem de LSD."
    Eu poderia té rir disto, mas eu não sou drogado amigo, e esse é um ambiente de respeito mútuo, acredito eu, mesmo o senso liberdade sendo o jargão. Passado esta falta de elegancia, vamos as suas perguntas;

    Do ponto de vista do sucesso do projeto lhe digo que NÃO tenho respostas para suas perguntas, pois não sou clarividente.

    Do ponto de vista de participante desse excepicional fórum, estou em dúvida se você lê todos os artigos, e se o faz, esta sabendo interpreta-los? Pois tudo que me faz acreditar em muito, no projeto venus, consigo fundamentar simplismente pelos conhecimentos adquiridos aqui, para uma sociedade realmente livre, justa.

    Vou dar uma Cnfusio e me meter a besta de responder suas perguntas com o que me vier na mente, vamos lá, meu caro;

    1) Como serão as máquinas? Até agora, só vi muita, muita viagem de LSD. Parece até que as máquinas surgirão do nada e trabalharão sem precisar de manutenção, etc, etc.
    R. Acredito que "talvez" nunca na sua vida tenha entrado em uma fábrica automatizada (o que empregaria 100 pessoas numa linha de produção manual, 10 pessoas dão cont) ou qualquer outra.

    2) Quem produzirá as máquinas? A resposta comum é a mais preguiçosa possível: voluntários. Claro, porque voluntários trabalharão a torto e a direito para produzir máquinas para que outras pessoas possam se ocupar somente com o entretenimento.
    R. Essa resposta está no âmago do seu ser, pois eu me voluntariaria de pronto, em dedicar algumas horas do meu mês ou trimestre ou semestre ou anual (já que seria enorme a lista de voluntários) para nunca mais ter de "trabalhar" (para outros ou para mim) para sobreviver, pois...VIVER...é bem melhor.

    3) Qual será a alocação das máquinas? Será de acordo com as vontades das pessoas? Se sim, qual a fórmula mágica para ler as mentes de todas as pessoas ao mesmo tempo e decidir a melhor solução?
    R. Realmente não acredito que você, pessoa INTERATIVA, não saiba o significado de Interação, bolha de idéias, rede, etc...as pessoa serão livres para irem ao centro de interação, pesquisa e observação dos meios e recursos locais e globais."Alocação das máquinas?".....>>> á principio vejo que as máquinas continuariam por um tempo necessitando de atençao técnica humana, porém com a maior liberdade social, mental e intelectual, rapidamente atingiriamos níveis de tecnológias jamais possivéis num mundo onde construir armas de destruição em massa, seja vista por muitos como avanço tecnológico.

    4) Quem fará a manutenção das máquinas? Qual será o incentivo para que as pessoas queiram trabalhar para manter as máquinas, já que, teoricamente, o objetivo do sistema é que as pessoas não precisem trabalhar?
    R. Máquinas farão manuntenção de outras, extremamente possível, para quem acompanha os avanços em robôtica em todo o mundo. Pessoas não farão esforços físicos com essas atividades, serão apenas supervisores voluntários (pessoas que tivessem seus talentos preservados e desenvolvidos individualmente sem rótulos de profissão).

    Para concluir, seria eu, meio tolo de propósito, em afirma que você nunca viu nenhum vídeo de 3 hrs de Zeitgeist, e portanto atira pedras antes mesmo de tentar enteder e ou conhecer outras perspectivas. Espero que eu esteja muito errado a despeito disto.

    Abraços
  • Hay  26/07/2012 03:54
    Eu poderia té rir disto, mas eu não sou drogado amigo, e esse é um ambiente de respeito mútuo, acredito eu, mesmo o senso liberdade sendo o jargão. Passado esta falta de elegancia, vamos as suas perguntas;

    Não sei por que você se sentiu ofendido com o termo "viagem de LSD". É um termo comum, que denota visões delirantes. Nada a ver com ser drogado.

    Do ponto de vista do sucesso do projeto lhe digo que NÃO tenho respostas para suas perguntas, pois não sou clarividente.

    Esse é justamente o problema. As respostas não existem. Só existe uma visão genérica de que robôs farão tudo, uma super-hiper-máquina controlará tudo e todos viveremos felizes sem trabalhar.

    Do ponto de vista de participante desse excepicional fórum, estou em dúvida se você lê todos os artigos, e se o faz, esta sabendo interpreta-los? Pois tudo que me faz acreditar em muito, no projeto venus, consigo fundamentar simplismente pelos conhecimentos adquiridos aqui, para uma sociedade realmente livre, justa.

    Eu até acredito que seja algo factível, apesar de que a ideia de acabar com o dinheiro é estapafúrdia, pois sem dinheiro, como seria feito o cálculo econômico? Tenho certeza de que robôs no futuro farão boa parte do serviço por nós. A ideia do super-computador que tudo saberá e tudo controlará é, na minha opinião, a verdadeira viagem de LSD.


    R. Acredito que "talvez" nunca na sua vida tenha entrado em uma fábrica automatizada (o que empregaria 100 pessoas numa linha de produção manual, 10 pessoas dão cont) ou qualquer outra.

    Repito: essas fábricas não brotam do chão. É preciso muito conhecimento técnico e muita administração de recursos para isso. Lembre-se de que o robô depende de uma quantidade gigantesca de componentes e procedimentos. Desde o mineração e preparação de aço, silício, etc, até a produção de CPUs. E tudo isso depende de uma absurdamente complexa rede de interação entre várias etapas de produção de vários tipos diferentes de indústria.

    R. Essa resposta está no âmago do seu ser, pois eu me voluntariaria de pronto, em dedicar algumas horas do meu mês ou trimestre ou semestre ou anual (já que seria enorme a lista de voluntários) para nunca mais ter de "trabalhar" (para outros ou para mim) para sobreviver, pois...VIVER...é bem melhor.

    Primeiro: O que há de tão ruim em trabalhar? É com o trabalho que as pessoas evoluem.
    Segundo: Se as pessoas não trabalharão, mas simplesmente viverão, como é que haverá pessoas com conhecimentos suficientes para serem voluntárias em alguma coisa?

    R. Realmente não acredito que você, pessoa INTERATIVA, não saiba o significado de Interação, bolha de idéias, rede, etc...as pessoa serão livres para irem ao centro de interação, pesquisa e observação dos meios e recursos locais e globais.

    Você menospreza grandemente a complexidade envolvida no uso e na alocação de recursos. Parece até que basta ir a um centro onde tudo será feito e pronto.

    "porém com a maior liberdade social, mental e intelectual, rapidamente atingiriamos níveis de tecnológias jamais possivéis num mundo onde construir armas de destruição em massa, seja vista por muitos como avanço tecnológico.

    Não duvido disso, mas não acho que chegaremos a um ponto em que ninguém precisará fazer nada e os robôs trabalharão inteiramente sozinhos. Se chegarmos a esse ponto, aí a ideia de robôs que se revoltam contra seus criadores não será coisa de filme de ficção científica: será uma possibilidade real.

    R. Máquinas farão manuntenção de outras, extremamente possível, para quem acompanha os avanços em robôtica em todo o mundo. Pessoas não farão esforços físicos com essas atividades, serão apenas supervisores voluntários (pessoas que tivessem seus talentos preservados e desenvolvidos individualmente sem rótulos de profissão).

    Perceba como nada disso é factível sequer em um longo prazo e as ideias são totalmente vagas. "Voluntários" farão os serviços, "uma super-máquina" calculará a alocação de recursos, "um centro de interação" será usado para pesquisas.

    Para concluir, seria eu, meio tolo de propósito, em afirma que você nunca viu nenhum vídeo de 3 hrs de Zeitgeist, e portanto atira pedras antes mesmo de tentar enteder e ou conhecer outras perspectivas. Espero que eu esteja muito errado a despeito disto.

    Eu até tentei ver um vídeo inteiro, mas as ideias são desprovidas de nexo e a coisa começa a degringolar quando se coloca toda a culpa no dinheiro. Não dá pra levar a sério.
  • Marcos Campos  26/07/2012 06:13
    Hey

    Entendo perfeitamente seu ponto de vista defensivo ao dinheiro, lucro, competição, ECONOMIA.
    Meu cérebro também faz isso quando meu porto seguro é ameaçado, completamente natural na neurologia este fenômeno.

    Trabalho a ser feito sempre existirá, se é isso que você queria ler. Mas dentro da sua cegueira, não sei se você percebeu, que quando falo em trabalho, estou desvinculando o mesmo de lucro; as pessoas não iam levantar da cama para ir trabalhar em troca de capital que permita que elas sobrevivam no sistema monetário...e isso é muito chato...isso não é viver e muito menos evoluir...

    O mais intrigante é que você me ataca. Não se preocupe, se algum dia daqui a 100 anos isso vier acontecer, as capacitâncias da Escola Austríaca de Economia, serão largamente utilizadas, só não usara mais o termo "LUCRO", a essência "ECONOMIA" sempre existirá para a distribuição. O dinheiro é o mau do mundo.
  • Hay  27/07/2012 11:27
    Meu cérebro também faz isso quando meu porto seguro é ameaçado, completamente natural na neurologia este fenômeno.

    Meu porto seguro? Sei não, eu não me sinto seguro quando penso que o sistema monetário que conhecemos está prestes a ruir e que o estado não é o mágico de Oz que pode gerar prosperidade com uma varinha de condão e uma impressora de dinheiro. Acredite, eu me sentiria muito mais seguro se eu acreditasse que "basta ter vontade política".

    não sei se você percebeu, que quando falo em trabalho, estou desvinculando o mesmo de lucro; as pessoas não iam levantar da cama para ir trabalhar em troca de capital que permita que elas sobrevivam no sistema monetário...e isso é muito chato...isso não é viver e muito menos evoluir...

    O seu problema é vincular trabalho com sistema monetário, como se de uma hora para outra o dinheiro tivesse sido criado do nada e as pessoas passassem a ser escravizadas. Dinheiro é um meio de troca. Antes do dinheiro, as pessoas trocavam mercadorias. Isso, obviamente, tem um sério inconveniente: ambos os lados precisam desejar fazer essa troca. Aí é que entra o dinheiro. O sistema monetário atual, com moeda de curso forçado e com o estado sendo dono da "impressora de dinheiro", não é criação do capitalismo.

    O mais intrigante é que você me ataca. Não se preocupe, se algum dia daqui a 100 anos isso vier acontecer, as capacitâncias da Escola Austríaca de Economia, serão largamente utilizadas, só não usara mais o termo "LUCRO", a essência "ECONOMIA" sempre existirá para a distribuição. O dinheiro é o mau do mundo.

    Eu não o ataco, ataco suas ideias. O lucro não é o problema, nunca foi. Recomendo que você dê uma pincelada a respeito no conceito de utilidade marginal. O dinheiro, como eu já disse, não é o mal do mundo. Isso não faz nenhum sentido. Sempre existirá alguma espécie de dinheiro, porque é uma necessidade básica do ser humano ter algo com que realizar trocas. Ou então viveríamos à base do escambo novamente.
  • Marcos Campos  31/07/2012 22:29
    Esse nosso debate não vai dar em nada, pois você não sede de sua posição econômica e eu não sedo minha posição científica.

    Aliais, eu sedo, pois gosto dos ideais libertários.
    Mas para min também faz sentido as ideias do projeto venus, mesmo que seja utopia.


    Abraços
    Foi um prazer
  • Marcos Campos  26/07/2012 10:07
    Seu ceticismo esta em um nível tão elevado que o o lado esquerdo do seu cerebro esta engessado, então nem vou mais debater suas "afirmações". Vou focar nessa parte de seu pensamento; "Eu até tentei ver um vídeo inteiro, mas as ideias são desprovidas de nexo e a coisa começa a degringolar quando se coloca toda a culpa no dinheiro. Não dá pra levar a sério."

    A idéia de todos jogando o dinheiro que tem nas portas de todos os Bancos Centrais do mundo, não ficou muito clara para você, mas tente ver com outros olhos, tente ver como um sentimento de repúdia ao Estado e ao sistema monetário atual, e não como o abandono da cultura de mercado, pois isso nunca acabará, nem com todo o projeto implementado 100% com sucesso, trocas, negocios sempre existiram, so mudaram os fins.
    Esta moeda BitCoin seria perfeita fusão ao projeto, assim uniriamos os 2 sonhos, o meu e o seu.

    Não entendo porque você só ataca e não muda interage com idéias.
    Senão vou começar a desconfiar de que não esta entendendo as luzes deste fórum.

    Abraços
  • Hay  27/07/2012 11:32
    tente ver como um sentimento de repúdia ao Estado e ao sistema monetário atual, e não como o abandono da cultura de mercado, pois isso nunca acabará, nem com todo o projeto implementado 100% com sucesso, trocas, negocios sempre existiram, so mudaram os fins.
    Esta moeda BitCoin seria perfeita fusão ao projeto, assim uniriamos os 2 sonhos, o meu e o seu.


    Você não está simplesmente atacando "o sistema monetário atual". Você insiste na ideia de que o dinheiro é o mal do mundo, e que o lucro é ruim, etc, etc, etc. Ora, isso não faz sentido. Dinheiro é, repito mais uma vez, um meio de troca. O problema é que os governos forçam todo mundo a aceitar pedaços de papel pintado, gerados do nada (ou, pior, números que só existem em alguns servidores!). Em um sistema capitalista de verdade, os empreendedores têm lucros, mas também têm prejuízos. Se seu negócio der ceto, ganha dinheiro, se der errado, ele que se ferre e arque com os prejuízos. O que vemos atualmente é um modelo de "capitalismo sem riscos", com o estado sempre querendo salvar as empresas para "salvar os empregos" e "salvar a economia".
  • Marcos Campos  27/07/2012 12:57
    Oi Hay

    "Dinheiro é, repito mais uma vez, um meio de TROCA" --->>> Agora eu gostei

    Troca de produtos, troca de ideias, troca experiencias, troca de energias, TROCA!

    Dois homens veem caminhando numa rua em sentido contrario, cada um deles carrega 1 pão, se encontram e trocam os pães, vão embora cada um com 1 pão.

    Dois homens veem caminhando numa rua em sentido contrario, cada um deles carrega 1 idéias, se encotram e trocam idéia, vão embora cada um com 2 idéias.

    Obrigado pela chance do debate amigo! BFDS
  • anônimo  26/07/2012 13:00
    Eu só deixo de acreditar que a escassez é a regra quando ficar provado que a matéria no universo é infinita. Quando eu retirar algo de um lugar, olhar, e ele ainda estiver lá. Sem isso, é uma pena mas "abundância" será sempre uma palavra jogada ao vácuo a qual perseguiremos eternamente sem nunca alcançar em sua totalidade. Portanto, toda essa balela de Zeitgeist, para mim, não tem o menor sentido.
  • Marcos Campos