Propriedade privada significa preservação

Na cabeça da maioria dos ambientalistas, a mão pesada do estado é imprescindível para garantir a preservação da floresta e dos animais. A iniciativa privada não tem competência — o governo tem de intervir em qualquer propriedade, caso contrário todas as espécies do planeta serão caçadas até o aniquilamento ou o desenvolvimento humano irá devorar todos os habitats selvagens remanescentes, levando todas as espécies à total extinção.

No entanto, nas planícies sul-africanas, ocorre exatamente o oposto. Sentados na van que nos levava do aeroporto de Hoedspruit até a Reserva Selvagem Thornybush, não víamos nada mais do que quilômetros e quilômetros de savana africana delimitadas por cercas elétricas (e, em alguns locais, um macaco atravessando a estrada). Apesar de estarmos próximos ao Parque Nacional Kruger, administrado pelo governo, a região é dominada por reservas selvagens privadas, sendo o ecoturismo a principal atividade da economia local.

Não fossem essas reservas privadas, várias espécies já estariam extintas. Devido ao fato de que pessoas como as do nosso grupo estão dispostas a pagar para ver os "Cinco Grandes" e vários outros animais, as populações de vários deles estão prosperando e florescendo.

A experiência de se conhecer uma reserva selvagem, embora em grande medida dependa do acaso fortuito, está nas mãos da experiência e da perícia do homem. As acomodações, as refeições e o serviço da Reserva Thornybrush são de primeira classe. Mas você vai lá pelos animais: a experiência única de observar, muito de perto, na natureza selvagem, animais que você só havia visto em livros de fotografias ou aprisionados em zoológicos.

Chegamos à tarde, e nosso primeiro safári começaria após um pequeno lanche, ao cair do dia. Enquanto tomava uma limonada, um modesto jovem africâner me chamou pelo nome e se apresentou como Werner. Ele seria o nosso guia para os quatro safáris programados.

Para os não familiarizados, o guia parece ser apenas o motorista do veículo de safári, que leva até dez pessoas e mais um batedor empoleirado precariamente no capô. E isso já seria impressionante o bastante: ter de achar o caminho no labirinto de estradas de terra que se entrelaçam ao longo da reserva de 11.000 hectares. As estradas são estreitas, esburacadas e, em alguns casos, quase inexistentes, já que um aguaceiro ocorrido uns quinze dias antes, que durou 36 horas e derramou 430 milímetros de chuva, deixou muitos caminhos impraticáveis.

Porém, além de suas habilidades como motorista, Werner demonstrou ter um conhecimento enciclopédico da fauna e flora da reserva. Não apenas nomes, mas também hábitos de acasalamento, períodos de gestação, hábitos alimentares e sabe-se lá o que mais sobre os 147 mamíferos, 114 répteis, 507 aves, 49 peixes, 34 anfíbios, 970 gramíneas e 336 espécies de árvores que habitam a reserva particular.

Werner nos apresentou a Orlando, nosso batedor e parceiro de Werner na tarefa de tornar nossa aventura inesquecível. Orlando vem de um vilarejo próximo, para onde ele retorna por duas semanas para ficar com sua família sempre após seis semanas seguidas de trabalho.

Enquanto recarregava seu rifle Winchester .357, Werner nos alertou que os animais eram perigosos e nos advertiu a não nos levantarmos e nem colocarmos os braços para fora do veículo.

Werner se mantinha em constante comunicação via rádio com outros guias da reserva e, ao mesmo tempo, entabulava diálogos rápidos com Orlando em Fanigalore, um dialeto hibrido do inglês com o bantu, utilizado nas minas sul-africanas, e que permite que trabalhadores de várias partes da África possam se comunicar.

Embora seja bastante comum avistar antílopes e gnus, os "Cinco Grandes" são bem mais esquivos, de modo que os guias têm de manter contato frequente uns com os outros via rádio, trocando dicas caso sejam avistadas pegadas frescas ou os próprios animais. Os guias têm permissão para sair da estrada apenas para localizar um dos "Cinco Grandes".

Durante nossa primeira incursão, o que mais vimos foram aranhas do gênero Nephila, que levam cerca de uma semana para tecer uma intrincada teia dourada de um arbusto a outro, cruzando a estrada. Werner nos garantiu que essa "aranha do globo dourado" é inofensiva, mas a perspectiva de ter o rosto envolvido por aquela teia grudenta e ter aranhas caminhando pelo corpo ao entardecer não era das mais sedutoras.

BlackRhino.jpgApós destruirmos o trabalho de várias Nephila, o braço direito de Orlando ergueu-se repentinamente e Werner pisou nos freios, surpreendendo um rinoceronte negro macho, o qual, junto com uma fêmea, tomava um banho de lama ao anoitecer (ver foto).

Em nossos outros safáris, ainda veríamos tanto o rinoceronte negro quanto o branco, animais enormes cujos chifres são muito apreciados na China e no Vietnam por razões medicinais.  De acordo com a BBC, "o preço do chifre de rinoceronte no mercado negro está atualmente em torno de 35 mil libras (55 mil dólares) o quilo".

A África do Sul abriga cerca de 70 a 80 por cento da população mundial de rinocerontes; e, sendo o comércio anual de seu chifre um negócio multibilionário, no ano passado 450 deles foram mortos por caçadores ilegais no país.

Reservas naturais privadas fazem todo o possível para afugentar os caçadores. Afinal, sendo parte dos "Cinco Grandes", rinocerontes são raros e sua reposição é de alto custo. Mas no Parque Nacional Kruger, administrado pelo governo, quatro guias foram presos recentemente por envolvimento em operações ilegais de caça a rinocerontes.

"Estou particularmente triste por descobrir que alguns dos nossos tenham abusado tão insensivelmente da confiança e da fé que depositamos neles", disse David Mabunda, diretor do SANParks (South African National Parks, órgão estatal que administra os 19 parques nacionais sul-africanos, que cobrem 3% do território do país).

O Sr. Mabunda pode até estar triste, mas, como esclareceu Walter Block: "Como todos os funcionários públicos de qualquer lugar do mundo, essas pessoas podem ser bem intencionadas, mas não têm nenhum incentivo financeiro real para assegurar a perpetuação dessas espécies [de animais]".[1]

O Professor Block demonstra que os governos são incapazes de evitar a caça clandestina, e funcionários públicos de baixo escalão são suscetíveis ao suborno e à corrupção.

A legalização do comércio de chifres de rinoceronte está sendo debatida na África do Sul, mas entidades ambientalistas como o WWF (World Wildlife Fund) são veementemente contra a ideia. "Nós entendemos a necessidade de se adotar novas medidas de combate ao comércio de chifres de rinoceronte, mas somos contra a noção de que legalizá-lo seja a solução", disse Morne du Plessis, do WWF sul-africano.

"Como podemos controlar o comércio legal de chifres se não conseguimos controlar nem mesmo o comércio ilegal? Há muitos elementos desconhecidos nisso tudo para que possamos sequer começar a pensar nessa direção", diz o Sr. du Plessis.

Este não é um debate novo.  Walter Block escreveu, há mais de 20 anos, que países habitados por rinocerontes praticamente impedem que fazendeiros domestiquem estes animais com o objetivo do lucro. Em vez de permitir tal medida, os burocratas se ocupam de "entoar platitudes a respeito da importância de se evitar a caça dos animais".[2]

Libere a comercialização de chifres e as fazendas de rinocerontes surgirão aos montes — e, ao mesmo tempo, a quantidade de rinocerontes aumentará acentuadamente. Por exemplo, o programa 60 Minutes relatou recentemente como muitas espécies de animais africanos estão se multiplicando e prosperando em reservas particulares de caça no Texas.

Ir a uma reserva selvagem é uma oportunidade que não deve ser desperdiçada com longas horas de sono. Todos recebem um chamado para acordar às cinco da madrugada, e os guias gostam de iniciar os safáris matinais às cinco e meia. O ar da manhã era fresco na medida certa, aguçando nossa expectativa de avistar mais alguns dos "Cinco Grandes".

Muito próximo ao alojamento principal do Thornybrush existe uma pista de pouso, e logo da cara avistamos duas leoas descansando ao lado do pavimento, curtindo o ar fresco da manhã. Werner levou o nosso veículo até bem perto das leoas, mas elas apenas se espreguiçaram, sem demonstrar preocupação nem interesse.

Durante os dois safáris daquele dia, nós de fato vimos todos os "Cinco Grandes": leão, búfalo africano, elefante africano, rinoceronte e leopardo (o mais tímido deles). A expressão "Cinco Grandes" refere-se ao fato de eles serem os animais mais difíceis de serem caçados por um homem a pé.

Estes animais grandes e poderosos parecem mansos quando vistos de dentro do veículo. Mas eles nunca deixam de ser selvagens e imprevisíveis. E caso tivéssemos nos esquecido disso, uma mamba-preta de 2,5 metros que avistamos deslizando através da estrada nos faria lembrar na mesma hora.  É a cobra mais cumprida, mais rápida e mais venenosa do mundo — e agressiva ao extremo.  Adicionalmente, toda noite após o jantar, um membro da equipe do Thornybrush nos acompanhava até nossas cabanas, já que hóspedes desacompanhados em reservas selvagens já haviam sido vítimas de leopardos.

Werner e Orlando já haviam conseguido nos mostrar quase tudo o que poderíamos querer ver em um safári fotográfico. No que mais, quando um membro de nosso grupo fez algumas perguntas astronômicas ao voltarmos para o alojamento debaixo de um tapete de estrelas, Werner parou o veículo, puxou uma caneta laser e transformou-se em Galileu.

Ainda tínhamos mais um safári a cumprir e ainda não havíamos avistado um leão macho. Dissemos a Werner e Orlando que a missão deles seria encontrar o rei das selvas. Não foi rápido e, ao contrário das outras vezes, parecíamos andar em círculos. Deparamo-nos com um casal de rinocerontes brancos. Interessante, mas não eram leões. Girafas. Nada...

Werner e seu parceiro estavam levando a sério a missão leonina. Nosso guia recebeu uma dica de rastros avistados por outro veículo, e Orlando estava certo de que havia um leão por perto.

Orlando ordenou que Werner parasse o carro.  Ele saltou do veículo e entrou nos arbustos. E então nós ouvimos — como se estivéssemos sentados na primeira fila no início de um filme da MGM.  Orlando voltou correndo para o carro e pulou de volta para seu posto. Werner começou a deslocar o carro para dentro dos arbustos, em direção ao rugido.

Leopard.jpgTrês leoas e um leão olhavam atentamente para o topo de uma árvore. Lá estava um leopardo com um filhote de antílope recém-abatido (ver foto). Leopardos e leões podem ser gatos, mas não são camaradas. São competidores ferozes e o leopardo estava em clara desvantagem.

Werner achou que o leopardo esperaria os leões desistirem. Leões não são bons escaladores de árvores.  Mas o leopardo ficou nervoso.  Não sei se por causa dos leões ou por nossa causa. De repente, o leopardo saltou da árvore onde estava — 5 a 6 metros de altura — e correu em direção à árvore bem a nossa frente, com os leões em feroz perseguição.  Ficamos estupefatos.  Werner rapidamente deu a ré.

Novamente o leopardo saltou e correu para uma outra árvore, fugindo dos leões. Werner estava preocupado que estivéssemos colocando o leopardo em perigo. Ele manobrou o carro e nos colocou atrás da árvore onde o leopardo havia deixado o antílope morto em um galho.

Logo as leoas voltaram, e uma delas se aventurou a subir e recuperar a presa. O felino de 150 quilos conseguiu subir o tronco principal, as garras rasgando a casca da árvore. Então as coisas se complicaram. O antílope estava pendurado fora do alcance da leoa. O felino cuidadosamente ajustou seu peso, tentando se equilibrar em um galho que oferecesse estabilidade suficiente para ela se esticar e agarrar a presa.

Finalmente, ela conseguiu e o antílope estava seguro em sua boca.  Mas agora vinha a parte difícil.  Ao passo que leopardos têm punhos e tornozelos adaptados para a escalada de árvores, os tornozelos dos leões escorregam para os lados, devido ao elevado peso do animal.

Nesse meio tempo, as outras duas leoas esperavam calmamente embaixo da árvore, esperando para recolher o antílope. A leoa segurou a presa, escorregando desajeitadamente pelo tronco da árvore. Com a presa segura e em terra firme, ela carregou o antílope para a sombra de um arbusto. E o rei das selvas logo apareceu para se juntar à fêmea.

É justamente pela chance de poder assistir a esse tipo de drama que turistas pagam, e é o mercado e a propriedade privada que tornam tudo isso possível, ao mesmo tempo em que geram os incentivos para se preservar e revitalizar aquelas espécies antes ameaçadas de extinção. Como o Professor Block deixa claro, "não há qualquer conflito intrínseco entre o mercado e o meio ambiente".

As boas intenções governamentais nada fizeram de efetivo para proteger a vida selvagem ameaçada.  Somente a propriedade privada, o livre mercado e o sistema de preços podem proteger essas criaturas majestosas, permitindo que as futuras gerações possam se maravilhar com elas e curti-las.



[1] Walter Block, "Environmental Problemas, Private Property Rights Solutions", Economics and the Environment: A Reconciliation, Fraser Institute (1990).

[2] Ibid.


Tradução de Rodrigo Makarios


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SOBRE O AUTOR

Douglas French
é o diretor do Ludwig von Mises Institute do Canadá. Já foi o presidente do Mises Institute americano, editor sênior do Laissez Faire Club, e autor do livro Early Speculative Bubbles & Increases in the Money Supply.  Doutorou-se em economia na Universidade de Las Vegas sob a orientação de Murray Rothbard e tendo Hans-Hermann Hoppe em sua banca de avaliação.


OFF-TOPPIC: pessoal do IMB, seria possível vocês redigirem um artigo refutando as teorias conspiratórias sobre o Nióbio que abundam desde a época do Enéias? Quinta-feira o Instituto Liberal reiniciou o debate, e seria ótimo se vocês dessem continuidade. Eis o que comentei no website do IL, é o que resumidamente penso do assunto:

"Se há indícios concretos ou, ao menos, motivos para crer que as empresas autorizadas pelo Estado brasileiro a retirarem do solo e comercializarem este metal estão cometendo fraudes de qualquer natureza, em conluio com grupos estrangeiros ou não, a solução é, em se confirmando as irregularidades, rescindir os contratos de permissão em vigor e abrir este mercado para mais empresas interessadas no empreendimento - seja lá de onde elas forem. A que oferecer a melhor barganha leva as jazidas - e paga impostos sobre tudo o que produzir. Elevar o preço na marra? Claro, abusar desta condição de quase monopolista pode funcionar no começo, mas no médio prazo surgirão alternativas de melhor custo-benefício para atender a demanda daqueles insatisfeitos com a situação. Deixar de vender o Nióbio como comodittie e agregar valor ao mineral em nossa indústria da transformação? Seria ótimo, se nosso parque industrial não estivesse parado no tempo desde meados do século passado. Só falta criarem a estatal NIOBRÁS no Brasil, que dará origem ao escândalo do NIOBRÃO. O brasileiro não aprende mesmo: sempre achando que vai encontrar um bilhete premiado no chão e poderá passar o resto da vida bebendo e sambando."
"Tal afirmação nunca foi feita. Em ponto nenhum do artigo. E nem em nenhum outro artigo"

Não me refiro à uma frase ou texto escrito nos artigos do IMB. Estou questionando a percepção daqueles que defendem esse modelo de afrouxamento da terceirização proposto pelo governo, pois essa discussão toda é parte da realidade em que estamos vivenciando. Aliás, não creio que esse artigo seja uma mera exposição teórico-dissertativa acerca do que seria e quais os benefícios de uma terceirização segundo os liberais, muito menos um texto desvinculado da conjectura atual, como você transparece para quem lê. Logo, minha indagação é pertinente, ainda que, o que questiono, não esteja explicitamente escrito no artigo.

Em relação ao artigo linkado, em momento algum vi algo a mostra que abordasse diretamente o problema terceirização-corporativismo privado que eu levantei acima. O que mais se aproxima seria esse trecho:
"Em primeiro lugar, a ideia de que custos menores para empresas é algo ruim. Além do fato de que custos baixos permitem maior acúmulo de capital — o que possibilita mais investimentos e mais contratações —, falta explicar como que custos de contratação menores podem ser ruins para pessoas à procura de emprego."
Sim, não há problema algum em um empresário tentar reduzir seus custos para se adequar a concorrência e auferir maiores lucros. O entrave se encontra, como eu falei, no empresário monopolista que não possui um fator invísivel para motivá-lo à otimizar sua produção. A mão visível do Estado garante que seu produto inevitavelmente será consumido e, com isso, seu lucro será certeiro. Por conseguinte, não há a preocupação constante deste em inovar, melhorar a qualidade, aumentar a produtividade da sua mão de obra. Nesse sentido, a terceirização beneficia esse empresário, justamente por rebaixar seus custos com contratados (temporários ou não) à niveis abaixos daquilo que os empregados produzem, sabendo se que eles estão confortáveis em relação aos processos trabalhistas que enfrentarão (ajudinha estatal). Bem como, estagna ou retarda as inovações, tendo em vista que sua produção atual será adquirida pelos consumidores à um preço "monopolístico" durante um tempo maior que o de uma concorrência que existiria num livre mercado. Ademais, seu produto foi feito empregando mão-de-obra com um ônus muito abaixo daquilo que ela de fato produz. Desse modo, a margem de lucro é gigantesca, sendo que esse lucro pode sim ser revertido em capital para futuras melhoras, o que, na minha opinião, não aflinge ou preocupa de modo algum uma empresa monopolista, pois esta pode facilmente pegar crédito subsidiado de bancos estatais, ou ser empreendido em outros investimentos pessoais e, na minha percepção, fúteis e de pouco potencial de gerar valor no futuro.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Gabriel Moraes  18/07/2012 07:22
    Cade o governo pra fazer justiça social e devolver o antílope do leopardo???

    Muito bom o texto, o que vcs me sugerem para entender como funciona a taxa de juros, li um pouco mas ainda sinto que não entendi.
  • Getulio Malveira  18/07/2012 07:37
    Outro bom texto para ser lido pelos ambientalistas e que mostra que é possível ser ambientalista sem ser estatista.
  • Mary  18/07/2012 10:57
    ser ambientalista sem ser estatista?
    o que é o ambiente além de uma forma de recursos para gerar o lucro, eles não preservariam com a intenção de salvar o ambiente e sim de poder usufruir dele cada vez mais.
  • Leandro  18/07/2012 11:07
    Não, Mary, se você quer realmente aumentar o número de árvores e proteger os animais, defenda o capitalismo e a propriedade privada. Quando se é dono da sua própria terra, há vários incentivos econômicos para se cuidar muito bem desta sua terra. Sua preocupação é com a produtividade de longo prazo. Assim, o proprietário de uma floresta, por exemplo, irá permitir que uma madeireira ceife apenas um número limitado de árvores, pois ele não apenas terá de replantar todas as que foram ceifadas, como também terá de deixar um número suficiente para a colheita do próximo ano. Se não fizer isso, quebrará e passará fome.

    Já com o governo sendo dono das florestas, a terra é de ninguém, e as madeireiras, por exemplo, fazem exatamente o que querem. Você e sua ideologia são os aliados favoritos das malvadas-grandes-corporações-que-só-querem-saber-de-destruir-o-ambiente.
  • Mary  18/07/2012 11:21
    Eu não tenho ideologia nenhuma só acho contraditório conciliar produtividade com preservação.
  • Leandro  18/07/2012 11:26
    Certo, e por que seria contraditório? Mostre como seria o seu sistema produtivo (estou supondo que você não quer que voltemos à era das cavernas) e explique por que ele seria superior.
  • Patrick de Lima Lopes  18/07/2012 11:36
    Mary, imagine que você tem um campo com muitas árvores.
    Estas árvores são excelentes pontos para a extração de madeira e você deseja obter algum dinheiro através deste campo.
    O que seria mais viável para você neste caso?
    1) Explorar tudo e obter um lucro grande de uma vez só, terminando em um terreno inútil depois.
    2) Explorar de forma sustentável para que você possa obter lucros consideráveis também pelos próximos anos.
    Não há nenhuma "bondade em relação ao planeta" no esquema de preservação, pois a meta daquele que utiliza a extração com "replantação" é garantir lucros em curto, médio e longo prazos. Quando ocorre uma propriedade pública, surge o problema dos comuns: Por que eu não vou destruir a floresta se outro vai destruir por mim?
    Se ocorre a propriedade estatal, surge a corrupção, a burocratização das licenças para empresas de extração de madeira e nenhum compromisso para com os médio e longo prazos.
    É um raciocínio simples e incrível, de verdade.
  • Mary  18/07/2012 11:42
    A sustentabilidade é só a máscara que muitas empresas usam que se adequa mais a frase " os fins justifica os meios"
  • Danielbg  18/07/2012 14:07
    Patrick, me tira uma dúvida. Nesse contexto analisou-se o aspecto econômico da propriedade e utilização das espécies desmatadas no sistema de produção. E quanto à preservação de espécies (árvores) em extinção não aproveitáveis no arranjo produtivo? Ficaria a cargo de reservas privadas, que se mantêm com lucros auferidos pela atividade turística, a defesa de tais espécies? Como saber se haveria particulares dispostos a tal empreendimento?
  • Luis Almeida  18/07/2012 14:13
    Como saber se haveria? Apenas com o livre mercado e com o livre sistema de preços.

    E se ainda assim não houvesse ninguém disposto a conservar uma árvore? Paciência. Cabe a você o ônus de demonstrar a irrefragável importância de se manter tais árvores de pé, bem como demonstrar de maneira cabal que este seria o primeiro caso na história do mundo de extinção de um tipo de árvore.

    Sim, pois, caso ficasse comprovado que milhares de outras árvores semelhantes já foram extintas, então isso comprovaria que o mundo continuou girando muito bem sem tais árvores, mostrando, no final, que esta sua ânsia de conservar árvores de maneira compulsória nada mais é do que um fetiche. E fetiches não devem ser sobrepostos à propriedade privada.
  • Danielbg  18/07/2012 14:23
    Gostei muito da resposta, Luis!

    Com efeito, é o retrato atual: fetiches sobrepostos à propriedade privada.
  • Patrick de Lima Lopes  18/07/2012 19:50
    A resposta do Luís foi adequada.
    Desculpe, Daniel, estou muito cansado agora para dar minha própria resposta. Para responder ao seu questionamento eu não poderia simplesmente escrever qualquer coisa e ir dormir.
    Existe um artigo que é uma base (grande) vital para entendermos a questão ambiental sob o ponto de vista austríaco:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1177
    Provavelmente você já leu, mas sempre é bom mencioná-lo. Escrito pelo próprio Murray Rothbard, ele é uma base essencial para começarmos qualquer debate sobre a questão ambiental.
    Desculpe novamente por não ter respondido seu questionamento.
  • Henrique  18/07/2012 12:22
    "eles não preservariam com a intenção de salvar o ambiente e sim de poder usufruir dele cada vez mais."

    Parece que ela está mais preocupada em impedir o lucro do que em preservar a natureza. Qual é o problema em usufruir cada vez mais do meio ambiente Mary? Só vira um problema quando ninguém tem a propriedade de um espaço, aí não tem incentivo nenhum mesmo de preservar...
  • Mary  18/07/2012 12:53
    você não precisa ter propriedade privada para respeitar o ambiente, isso parte da sua consciência. Se eles obtvesse o lucro de forma que não orpimissem ao ambiente e aos individuos, não haveria problema algum.
  • Patrick de Lima Lopes  18/07/2012 20:03
    Mary, imagine um batalhão de policiais em um cenário de intensa corrupção, impunidade e onde o salário é extremamente baixo. (Em outras palavras, Polícia Militar do RJ).
    Este batalhão recebe um carregamento pesado de alimentos direcionados a ajudar as vítimas de enchentes.
    Neste cenário, ocorre um dos problemas da "Teoria dos Jogos" e do "Problema dos Comuns". Existe o policial que é corrupto e vive bem e o policial que não é corrupto e vive mal. Como não há nenhum ganho objetivo em não ser corrupto, o policial que não faz parte da sujeira pensa o seguinte:
    - Se eu não roubar, outro irá roubar em meu lugar e minha resistência terá sido inútil.
    Concordo que o problema dos comuns não irá eximir o policial das implicações morais da corrupção, mas ainda sim não há ganho objetivo ou estímulo para NÃO PARTICIPAR da roubalheira.
    Na propriedade pública, ocorre a mesma coisa:
    Um terreno baldio é deixado no meio de um bairro. Alguns habitantes decidem jogar lixo neste e logo surge o cenário acima mencionado: Não há nenhum ganho objetivo em não depositar dejetos naquele local se outros farão caso você não fizer.
    ----
    Citei estes dois exemplos MUITO COMUNS para demonstrar como é inviável depender da boa vontade dos indivíduos para que haja a preservação de uma propriedade pública.
    Espero que tenha sido claro. Existem várias metáforas que ensinam isto, um ótimo exemplo é a história do vinhedo.
  • Mary  18/07/2012 11:35
    seria contraditório por que onde há exploração sempre há um lesado, e eu parto do princípio que não precisamos ser adeptos de uma ideologia para ter uma mente crítica, e penso que se as pessoas fossem mais solidarias atingiriamos o bem comum, e acho que a competição é somente incentivada para fazer de nós jogadores enquanto quem possui o maior poder dÊ a cartada final.
  • Andre Cavalcante  18/07/2012 16:05
    Mary,

    Bom que você usou o termo jogadores.

    Jhon Nash mostrou que há vários tipos de jogos, onde alguns a soma não é zero. Por exemplo: no jogo de Xadrez um ganha o outro perde, mas pode dar empate (são as regras do jogo, e é um típico jogo chamado de jogo de soma zero). Já na economia e, em geral, nas ações humanas, há arranjos em que todos ganham, não necessariamente ganham a mesma coisa, ou ganham a maior recompensa (são jogos de soma não zero). A livre iniciativa insere um arranjo de um jogo de soma não zero. O arranjo do comunismo é claramente um arranjo de jogo de soma zero (quem está no estado ganha e o restante do povo perde).

    Bom também que você tenha usado o termo solidariedade. A solidariedade é justamente a capacidade do ser humano em buscar e ajudar outros porque ambos se beneficiam com tal arranjo. Assim, se quiser verdadeira solidariedade, retire o estado da equação e deixe que as pessoas se unam como queiram, através de seus gostos, pendores, ideologias, o que for, onde tal arranjo (um jogo de soma não zero) será benéficos a todos.

    Você só errou em caracterizar o relacionamento humano como um jogo de soma zero. Não é: um pai ama o seu filho e o filho ama o seu pai - todos ganham. Um vendedor vende um produto e um consumidor o compra porque quer - todos ganham. Poderiam ganhar mais sendo efetivamente egoístas, mas geralmente isso gera violência. Então, o melhor para o "bem comum" é que todos ganhem um "pouco menos" (não necessariamente a mesma coisa), mas que todos ganhem: assim um industrial que fica milionário vendendo coisas que as pessoas precisam para viver melhor é mais solidário que um governo que rouba de um lado para dar dinheiro a pessoas pobres e depois toma de volta o dinheiro na forma de impostos sobre o que aquelas pessoas que receberam o dinheiro compram.

    Do ponto de vista ambiental, se todos os lugares efetivamente tivessem um dono (que, por definição trabalha em sua propriedade), é claro que a natureza seria melhor preservada neste contexto. Aliás: o que impede essas tais ONGs de proteção ambiental, de levantarem dinheiro, comprarem extensas áreas da amazônia ou outros locais de interesse e lá implantarem os seus projetos de conservação? Te respondo: fazendo isso elas efetivamente protegeriam a natureza, mas o que querem é fazer parte do governo e ficar mamando em suas tetas, ou seja, eles não tem interesse nenhum em preservar, mas usam tal ideologia como trampolim político.

    Abraços.
  • Gabriel Moraes  18/07/2012 16:05
    "e eu parto do princípio que não precisamos ser adeptos de uma ideologia para ter uma mente crítica" -ideologia

    "seria contraditório por que onde há exploração sempre há um lesado" -ideologia

    "e penso que se as pessoas fossem mais solidarias atingiriamos o bem comum" -ideologia

    "e acho que a competição é somente incentivada para fazer de nós jogadores enquanto quem possui o maior poder dÊ a cartada final" -ideologia

  • Edimar Pacheco Estevam  18/07/2012 17:40
    Mary, quer salvar o máximo da fauna e da flora do planeta que você puder? Torne-se uma libertária, defenda a propriedade privada e quem sabe um dia você poderá comprar milhares de hectares de florestas. A floresta será sua e ninguém poderá mexer em uma única folha de sua floresta sem a sua explícita permissão. Quer um arranjo melhor do esse?
  • Bruno Vieira  18/07/2012 19:59
    Ninguém poderá mexer, até que venha o estado desapropriar ou os terroristas protegidos do Governo, MST, confiscar as terras alheias.
  • Heisenberg  19/07/2012 09:55
    Acho que essa tal de Mary está só tentando aparecer e criar polêmica, o famoso Troll. Pelos argumentos utilizados, dá pra ver que não passa de uma adolescente que frequenta meios esquerditas de playboys rebeldes sem causa. Na verdade, deve tratar-se de um muleque.
    Como não sou membro do grupo de escritores/respondedores do site, posso falar a verdade sem ficar tentando agradar. Alguém que responde a tudo com o argumento de que se todos fosse mais conscientes não precisaria de mercado, competição etc, não passa de uma criança utópica pronta para adotar a ideologia esquerdista centralizante. E os marmanjos aqui ficam tentando agradá-la pra ver se a conquistam. Mary, procure um melhor ciclo de amizades, ouça menos seus professores de colégio, cresça e estude para fazer uma boa faculdade não esquerdista
  • Rene  19/07/2012 10:17
    Também fiquei admirado com a paciência do pessoal com esse trol.
  • Felipe  28/07/2012 10:35
    A Mary simplismente mostrou o ponto de vista pura e simplismente e várias pessoas responderam de maneira clara e sensata. Ela está defendendo as ideias dela como nós estamos defendendo as nossas.

    Já que nós confiamos no nosso modelo de organização da sociedade e que para implementá-lo precisamos de mais pessoas pensando como nós, não acho muito sensato chamarmos uma potencial liberalista de "adolescente que frequenta meios esquerditas de playboys rebeldes sem causa".

    Ela esteve disposta a ler o texto, expor suas ideias, ler os comentários de nosssos colegas e nós, por vontade própria, estamos mostrando nosso poto de vista. É uma troca voluntária de ideias. Sou só eu que vejo um livre-mercado intelectual aqui?
  • anônimo  18/07/2012 13:52
    Fenomenal esse artigo, novidade pra mim. Parabéns!
  • Klauber Cristofen Pires  19/07/2012 09:03
    O termo "economia" é praticamente um sinônimo para "preservação"!

    Em quê consiste a economia? Em produzir algo com a menor quantidade possível de recursos e dar-lhe a melhor utilização possível.

    Costumo dizer: se você quer ser "ambientalmente" eficiente, então torne-se "economicamente" eficiente.

  • Bruno  19/07/2012 10:53
    Excelente artigo, me fez lembrar o "Se você gosta da natureza, privatize-a".
  • Carlos  29/07/2012 18:17
    Muito bom o artigo!
    Se nosso governo passasse à iniciativa privada a responsabilidade como a citada no texto, de pronto eliminaria dois problemas: a degradação da natureza e, de quebra, em consequência, esses ambientalistas abilolados. A natureza seria eficientemente preservada de forma sustentável (eles odeiam essa palavra)e, em assim sendo, os loucos perderiam o motivo de seus desarranjos. Simples assim!
  • Henrique Mareze  16/09/2012 13:18
    Gostaria de fazer esse passeio.
  • Randalf  22/01/2013 03:48
    Eu tenho uma dúvida, e gostaria que ma tirassem, se fosse possível.
    Em relação à propriedade privada, como se trataria a propriedade que se move entre territórios? Dou o exemplo por exemplo de lobos que vivem numa dada região. Essa região pertence a diversos proprietários e portanto está dividida. A questão é: de quem são os lobos? ... E o mesmo se passa por exemplo em relação a peixes, outros animais, água dos rios (será que o proprietário de um pedaço do rio poderia explorar a água toda?).

    Obrigado,
    Randalf
  • anônimo  22/01/2013 10:12
    Essa pergunta vai ser muito importante pro seasteading
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  21/03/2015 15:44
    Os governos não podem ter todo esse poder sobre o povo. Simplesmente isso.


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