Observações sobre as causas do declínio da civilização romana

A compreensão dos efeitos da intervenção do governo sobre os preços de mercado permite-nos entender as causas econômicas de um evento histórico da maior importância: o declínio da civilização romana.

Não é necessário especificar se a organização econômica do Império Romano poderia ou não ser qualificada como capitalista.  O que interessa é que não há dúvida de que o Império Romano no século II, o período dos Antoninos — os "bons imperadores" —, havia alcançado um alto grau de divisão do trabalho e de comércio interregional.  Diversos centros metropolitanos, um número considerável de cidades médias e inúmeras pequenas cidades eram as sedes de uma civilização refinada.  

Os habitantes dessas aglomerações urbanas eram plenamente supridos de alimentos e matérias-primas, não apenas pelos distritos rurais vizinhos, mas também pelas províncias distantes.  Uma parte destes suprimentos fluía para as regiões urbanas como renda de ricos proprietários de terras que residiam nas cidades.  Mas parte considerável era comprada da população rural que, em troca, recebia os produtos fabricados pelos moradores das cidades.

Havia um comércio intenso entre as várias regiões do império.  Não apenas nas indústrias de transformação, mas também na agricultura, havia uma tendência cada vez maior à especialização.  As várias partes do império já não eram mais economicamente autossuficientes; haviam-se tornado interdependentes.

O que provocou a queda do império e a ruína de sua civilização não foram as invasões bárbaras, mas sim a desintegração dessa interdependência econômica.  Os agressores externos simplesmente se aproveitaram de uma oportunidade que lhes foi oferecida pelo enfraquecimento interno do império.  De um ponto de vista militar, as tribos que invadiram o império nos séculos IV e V não eram superiores aos exércitos que as legiões haviam derrotado facilmente algum tempo antes.  Mas o império havia mudado; sua estrutura econômica e social tornara-se medieval.

A liberdade que Roma concedia ao comércio interno e externo sempre foi limitada.  Em relação ao comércio de cereais e outros gêneros de primeira necessidade, era ainda mais limitada do que em relação às demais mercadorias.  Era considerado injusto e imoral pedir pelo trigo, azeite e vinho — gêneros de primeira necessidade daquele tempo — preços maiores do que os habituais, e as autoridades municipais rapidamente reprimiam o que considerassem especulação.  Impedia-se assim o desenvolvimento de um eficiente comércio atacadista dessas mercadorias.

A política da annona,[1] que era equivalente à estatização ou municipalização do comércio de cereais, pretendia corrigir essa falha; mas seus efeitos foram bastante insatisfatórios.  Os cereais se tornaram escassos nas aglomerações urbanas e os agricultores se queixavam de que o cultivo não era remunerador. 

A interferência das autoridades impedia que a oferta se ajustasse a uma crescente demanda.

A hora da verdade chegou quando os imperadores, diante dos distúrbios políticos dos séculos III e IV, resolveram recorrer à degradação da moeda.  A combinação de uma política de preços congelados com a deterioração da moeda provocou a completa paralisação tanto da produção quanto do comércio dos gêneros de primeira necessidade, e desintegrou a organização econômica da sociedade.  Quanto mais eficaz era o tabelamento de preços imposto pelas autoridades, maior o desespero das massas urbanas que não tinham onde comprar alimentos.

O comércio de grãos e de outros gêneros de primeira necessidade desapareceu por completo.

Para não morrer de fome, as pessoas fugiam da cidade para o campo e tentavam produzir, para si mesmas, cereais, azeite, vinho e o de que mais necessitassem.  Por outro lado, os grandes proprietários rurais reduziram a produção de excedentes agrícolas e passaram a produzir nos seus domínios — as vilas — os produtos artesanais de que necessitavam.  A agricultura em larga escala, já seriamente comprometida pela ineficiência do trabalho escravo, tornava-se completamente inviável pela falta de preços compensadores.

Os proprietários rurais não conseguiam mais vender nas cidades; os artesãos urbanos perdiam a sua clientela.  Para atender às suas necessidades, os proprietários rurais passaram a contratar diretamente os artesãos para trabalharem em suas vilas. Abandonaram a agricultura em larga escala e se converteram em meros recebedores de rendas de seus arrendatários e meeiros.  Esses coloni eram escravos alforriados ou proletários urbanos que voltavam para o campo.

As grandes propriedades rurais foram tornando-se cada vez mais autárquicas.  As cidades, o comércio interno e externo, as manufaturas urbanas deixaram de exercer a sua função econômica.  A Itália e as províncias retornaram a um estágio mais atrasado da divisão social do trabalho.  A estrutura econômica da antiga civilização, que havia alcançado um nível tão alto, retrocedeu ao que hoje é conhecido como a organização feudal típica da Idade Média.

Os imperadores se alarmaram com essa evolução que solapava o seu poder militar e financeiro.  Mas reagiram de maneira infrutífera, sem atingir a raiz do mal.  A compulsão e coerção a que recorreram não podiam reverter a tendência de desintegração social que, ao contrário, era causada precisamente pelo excesso de compulsão e coerção.

Nenhum romano tinha consciência do fato de que o processo era provocado pela interferência do governo nos preços e pela deterioração da moeda.  Em vão os imperadores promulgaram leis contra os moradores que relicta, civitate rus habitare maluerit[2] (abandonavam a cidade, preferindo viver no campo).

O sistema da leiturgia — serviços públicos que deviam ser prestados pelos cidadãos ricos — apenas acelerou ainda mais o retrocesso da divisão do trabalho.  As leis que dispunham sobre as obrigações especiais dos armadores, os navicularii, não conseguiram sustar o declínio da navegação, da mesma maneira que as leis relativas aos cereais não conseguiram impedir a escassez de produtos agrícolas nas cidades.

A maravilhosa civilização da Antiguidade desapareceu por não ter sabido ajustar o seu código moral e o seu sistema legal às exigências da economia de mercado.  Uma ordem social está fadada a desaparecer se as ações necessárias ao seu bom funcionamento são rejeitadas pelos padrões morais, são consideradas ilegais pelas leis do país e são punidas pelos juízes e pela polícia.

O Império Romano se esfacelou por ter ignorado o liberalismo e o sistema de livre iniciativa.  O intervencionismo e o seu corolário político, o governo autoritário, destruíram o poderoso império, da mesma forma que necessariamente desintegrarão e destruirão, sempre, qualquer entidade social.



[1] Annona — política adotada pelo Império Romano, e que consistia em distribuir gratuitamente cereais para a população pobre das cidades.

[2] Corpus Juris Civilis, 1, un. C.X. 37

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SOBRE O AUTOR

Ludwig von Mises
foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico.  Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política.  Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico.  Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".



Ambos trazem cenários e fatos possíveis, plausíveis. Todavia, meu entendimento pessoal é de que o Estado tende a ver fortalecido seu desígnio de maior controle. Maior significando mais amplo, intenso e profundo. O maior volume de dados não é, de modo algum, limitante para uma ação controladora. Antes, a facilita! E a razão disso o próprio North expõe: a evolução tecnológica. Na minha pré-adolescência o sumo da capacidade de processamento e memória estava em um DGT-100, suplantado em seguida pela capacidade de uma mera calculadora científica Dismac. Os muitíssimos Tera serão coisa pouca para as tecnologias que estão por vir, algumas das quais já existem no estado prototípico. É bem possível que a tecnologia também seja utilizada para dar proteção às pessoas, mas a tecnologia, ou ao menos o seu uso mais legal, sempre estará do lado do Estado ou de quem terá o poder de controlar a pessoa comum. Ademais, penso ser uma visão ingênua a de que a versão futura de aplicativos, empresas de TI e Zuckerbergs da vida venham a nos salvar de alguma coisa, vez que eles mesmos hoje já servem ativamente ao controle estatal sobre os indivíduos. Pior, hoje já servem ao policiamento das ideias e a projetos de controle social. Quem conhece uma coisa simples como marketing digital sabe que se pode ter perfeita ideia dos hábitos e padrões de uma quantidade incalculável de pessoas. Um amigo me disse querer viver centenas de anos para poder testemunhar como se daria esse embate entre as forças da liberdade e as da servidão. Ainda que eu aprecie uma boa e justa luta, não tenho a mesma veleidade. A história mostra que não há motivo especial algum para imaginar que a liberdade prevaleça inconteste ou que sobrepuje, campeã, os que a tolhem.
Jeff, imagino que esteja começando a descobrir a Escola Austríaca, essa dádiva deixada por Mises ainda pouco divulgada pelo senso comum.

Vou ser lúdico ao extremo, para que entenda as diferenças entre desigualdade e injustiça - essa sim, combatida pelos austríacos. Adiante:

- Em economia, existem dois tipos de desigualdade de renda, a seguir:

1- Desigualdade espontânea: Essa, como o nome pressupõe, é causada pelo enriquecimento do agente por meios próprios. Um exemplo bem comum seria um sujeito que começa a vida poupando uma parte de sua renda, e com essa poupança ano a ano investe em imóveis, comprando barato, reformando e alugando, ou vendendo por um preço mais alto. O lucro realizado é reinvestido em mais negócios. Se ele souber enxergar as distorções no mercado e fizer o correto, provavelmente ele estará muito mais rico que a maioria de seus pares após algumas décadas.

Seu enriquecimento não faz mal a ninguém, aliás muito pelo contrário: é graças a sua poupança que pessoas podem alugar um imóvel sem ter de compra-lo, ou mesmo comprar um imóvel ou compra-lo sem ter de se preocupar em comprar terreno, construir, etc. Paralelamente mas não menos importante, seu investimento gera empregos diretos e indiretos, seja na obra em si, seja para os fabricantes de insumos para construção, além dos mais indiretos, como corretagem de imóveis, serviço cartorial etc.

Ou seja, essa desigualdade é BOA. Ela gera riqueza a todos, independente para onde se olhe. É a alquimia de Flamel se fazendo presente em nossas vidas, transformando chumbo em ouro a olho nu.

2- Desigualdade provocada: Ao contrário da primeira, esta só pode acontecer quando o Estado interfere na economia, gerando distorções que enriquecem alguns e empobrecem a maioria, e vou citar os exemplos mais fáceis para que enxergue bem:

Barreiras econômicas: Quando se proíbe ou taxa a importação de bens e serviços, o privilégio a certas empresas é certo. E todo privilégio acarreta na obrigatoriedade do consumo, e com isso, a reserva de mercado traz crescimento absurdo a certas empresas, em detrimento do consumidor, que é obrigado a pagar mais caro por produtos e serviços pífios. Os setores mais consagrados são:
- Telefonia
- Segurança
- Medicamentos

Serviços e obras estatais: Ao passo que o Estado extorque o cidadão com impostos e taxas, ele monopoliza quantias absurdas de capital para realizar obras ao gosto de seus governantes. Nesse meio são escolhidas empresas alinhadas com o Estado, conseguindo concessões e direitos a fornecimento com preços altos e qualidade pífia. O resultado? Enriquecimento compulsório de poucos, em detrimento de muitos.

Cargos públicos: Se o valor dos salários e a métrica de manutenção dos empregos no livre mercado é o lucro, para o Estado vale o corporativismo e a ideologia. Contrata-se sem necessidade, paga-se mais do que se deve, criam-se empregos por pura força eleitoral. Este movimento injusto gera além de desigualdade, mais pobreza a maioria, pois tais postos são pagos com o dinheiro surrupiado de quem gera riqueza.

Câmbio: pouco se fala a respeito no senso comum, mas uma das formas mais objetivas de gerar desigualdade em um país é enfraquecendo a moeda, pois uma minoria exportadora enriquece vendendo barato ao exterior em detrimento da grande maioria, que perde poder de compra, logo empobrece.

Conclusão: enquanto a desigualdade espontânea é justa e depende somente de quem poupa, investe e toma as decisões corretas, carregando implicitamente riqueza a todos, a desigualdade provocada pelo Estado é injusta, pois proíbe pessoas não alinhadas prosperadas, e protege aqueles que estão ao lado do Estado, mantendo castas eternas.

Abraços,

Não, Xiba. Continua sendo pirâmide do mesmo jeito.
(...)
Eis o fato irrevogável: contra a demografia e a matemática, ninguém pode fazer nada.


O colega começou discordando de mim, mas no final me pareceu que não. :-)

Vejamos, em uma sociedade em que alguém precise de $10/mês para atender suas necessidades, bastam 10 trabalhadores contribuindo com $1. Essa sociedade sobrevive assim e, após 1.000.000 anos, (ignorando inflação) continuarão sendo preciso 10 trabalhadores contribuindo $1, porque haverá sempre novas pessoas entrando no mercado contribuinte, e outras deixando de precisar de assistência (i.e. morrendo).

Ora, mas se só há 2 trabalhadores para cada 1 aposentado nesta sociedade (exemplo seu, arredondado pra facilitar), então a contribuição terá que ser de $5/trabalhador. E enquanto os números não mudar, sobrevimentos assim por mais 1.000.000 anos.

Matemática, certo?

Agora... Em sua resposta você ignorou completamente o fator tempo de contribuição/expectativa de vida, e ele é fundamental para se equilibrar qualquer previdência.

Exemplificando, em um sistema de 40 anos de contribuição e 20 anos de expectativa de vida, em média 1 só trabalhador contribui para 2 beneficiários.

(Existem outros fatores que criam mais complexidade, como por exemplo valor contribuído x renda, mas vamos ignorá-los de propósito agora para facilitar nossa vida.)

Bom, isto posto, os números do IBGE contêm basicamente este fator ignorado. Porém, os números do IBGE não vão diminuir pra sempre. Eles não tendem a zero, mas a 1, porque não é factível que a população ativa seja menor que a não-ativa, a não ser em casos de guerras, catástrofes, etc.

Ora, partindo da premissa de que em um futuro infinito nosso IBGE vai calcular um relação ativos/inativos = 1, neste ponto cada trabalhador (num regime de 40 anos de contribuição e 20 anos de expectativa de vida) tem que contribuir com 50% do salário para se haver uma previdência estável.

Ou seja, no extremo teórico, a previdência é financeiramente sustentável (ainda que extremamente sacrificante para o contribuinte.)

A título de curiosidade, se os 1,43 do IBGE se confirmarem em 2060, pela matemática a contribuição por trabalhador terá de ser de "apenas" 28% do salário. Ainda um absurdo, mas devo lembrar que hoje a alíquota de autônomos, dentre outras categorias, é de 20%.

Veja: em nenhum momento quis colocar que é fácil ou até factível se criar um sistema justo aqui no Brasil. Meu único objetivo foi contribuir pra discussão mostrando que previdência é matemática e estatística, e que aplicando os cálculos certos é fácil ver que ela pode ser um sistema financeiramente sustentável, ainda que instável e/ou injusto.

E sistema financeiramente sustentável, por definição, não é uma pirâmide (vide texto da Wikipédia, citado no artigo).

Não representa. O próprio Rothbard explicou que, se existisse um botão que destruísse o Estado imediatamente, ele o apertaria já; mas este botão infelizmente não existe, então temos que ir lutando para reduzi-lo na medida do possível (ou pelo menos conter seu crescimento), mas advertiu que existem formas de fazê-lo coerentes com a ética liberal e existem formas incoerentes.

Rothbard explicou que nem toda isenção ou redução de impostos promove o liberalismo e a diminuição do Estado, então temos que prestar atenção a COMO uma determinada isenção ou redução de impostos será feita para não corrermos o risco de promover sem querer o crescimento do Estado pensando que estamos promovendo sua redução.

PS: Percebi certa dificuldade de comunicação entre os colegas, então vou dar um toque de psicologia cognitiva/programação neurolinguística:

"Juízo de Realidade": Afirmação reconhecendo que algo existe (ou que não existe), sem entrar do mérito disso ser bom ou ruim, certo ou errado, melhor ou pior, importante ou sem importância, etc.

"Juízo de Valor": Afirmação de que algo deve/deveria existir porque é/seria bom, ou certo, ou melhor, ou importante, etc. (ou que não deve/não deveria existir pelos motivos inversos), sem que a afirmação queira dizer que este algo de fato existe (ou que não existe).

Exemplos:

JR: "Mulheres devem evitar andar sozinhas e desarmadas em locais isolados e desconhecidos à noite"

JV: "Não diga às mulheres para evitar o estupro, diga aos estupradores para não estuprar"

Notem como a aparente incompatibilidade entre estas duas afirmações desaparece quando percebemos que elas pertencem a categorias diferentes de afirmativas e não são mutuamente excludentes, mas sim complementares. O mesmo ocorre com grande parte do debate minarquistas x anarcocapitalistas.

* * *
Qual o padrão de vida em Auroville? A população tem acesso a uma grande variedade de bens e serviços? Se a pessoa ficar doente, ela tem pronto acesso a serviços médicos? Há escolas? Há universidades?

Isso meio que me lembra a experiência da cidade espanhola de Marinaleda, que passou a ser venerada pela esquerda como "exemplo de coletivismo que deu certo".

Primeiro,
assista ao vídeo. É rapidinho.

Assistiu? Então vamos lá.

Em primeiro lugar, você deve ter visto que se trata de um arranjo que não tem nada de novo ou original. É como se fosse uma comunidade amish (com 2.700 pessoas não pode ser uma cidade), na qual as pessoas subsistem e trabalham apenas para se alimentar.

Ali, como relatou a reportagem, há pleno emprego. Qualquer pessoa que quer trabalhar encontra trabalho.

Só que o padrão de vida ali é extremamente precário. Note o semblante das pessoas e veja se há algum conforto ali. Tem gente ali que nem tem dente (certamente não deve ter dentista na comunidade). O local é parecido com o interior do Piauí. O trabalho agrícola mostrado é totalmente precário e pouco produtivo. Não há nenhuma máquina no campo (ou seja, não há a "temida" acumulação de capital). Tudo o que eles conseguem fazer na cooperativa é transformar a colheita (pimenta, azeitona e alcachofra) em azeite. Isso é vida do século XIX. Isso é algo que pode ser classificado como "imune à crise"?

A veneração a este arranjo é a prova suprema de como as pessoas perderam completamente o senso de proporção. Não discuto que há quem goste de viver assim, e defendo totalmente a liberdade destas pessoas de fazerem isso. Mas dizer que aquela pobreza maranhense é um oásis invejável é de uma imbecilidade econômica grotesca.

Ademais, qualquer pessoa que goste de trabalhar muito sem poder usufruir os frutos do trabalho -- isso é, trabalhar duro de sol a sol mas viver sem conforto nenhum e sem usufruir da tecnologia moderna -- é adepta da escravidão voluntária. Nada contra; só uma constatação.

Mas dizer que quem vive ali sob aquelas condições de trabalho precárias está "bem" e que tal arranjo é um "oásis a ser imitado", bom, aí já é forçar bastante. Isso aí é desejo de retornar às condições de vida do século XIX. Bom proveito pra quem quer. Eu preferiria ser desempregado em Madri. A qualidade de vida é muito mais alta.
Isso segundo a Oxfam, esse portento da imparcialidade. Pergunta: você por acaso conhece a metodologia utilizada por essa Oxfam?

Segundo a bizarra metodologia da Oxfam -- que diz que 8 pessoas têm mais dinheiro do que metade da população mundial --, se você tirar um real do bolso e der para seu sobrinho de dez anos, ele vai ter uma riqueza maior do que "2 bilhões de pessoas somadas".

Sim, seu sobrinho instantaneamente passa a ser um magnata com mais riqueza que bilhões de pessoas juntas.

Como isso é possível? Porque a metodologia considera apenas a riqueza "líquida" (ou seja: patrimônio menos dívidas) das pessoas. E 2 bilhões de pessoas, tendo dívida, têm riqueza negativa.

Segundo essa metodologia, alguém que se formou em Harvard, vive num apartamento de cobertura em Nova York e ganha 100 mil dólares por ano mas tem 250 mil dólares em dívidas estudantis é mais pobre do que um camponês indiano que tem uma bicicleta, vive com um dólar por dia e não tem dívida.

Não importa se o cara de Harvard gasta centenas de dólares tomando McCallahan's 18 anos todas as vezes em que sai para a balada. Para a Oxfam, ele é mais pobre que o camponês indiano.

Ainda segundo esta metodologia, quando você compra um jatinho, você se torna imediatamente mais pobre. Como? Você acaba de assumir uma dívida de 25 milhões de dólares (incluindo juros) e adquiriu um patrimônio de valor de mercado de uns 20 milhões de dólares. Logo, você está 5 milhões de dólares mais pobre.

Para a Oxfam, quem viaja de jatinho usando financiamento é mais pobre do que quem viaja de ônibus pagando à vista.


Dica: não seja apenas mais um desavisado repetindo chavões ignorantes.

Classificar o "Relatório da Desigualdade" da Oxfam de farsa seria pouco
Esse debate precisa de uma comprovação de tal relação:

www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/11/1836839-commodities-pressionam-petrobras-e-vale-e-ibovespa-cai-3-dolar-sobe.shtml

oglobo.globo.com/economia/com-commodities-em-alta-bolsa-ganha-092-dolar-cai-043-20265162

extra.globo.com/noticias/economia/dolar-cai-abaixo-de-r325-com-recuperacao-de-commodities-japao-19834792.html

www.valor.com.br/financas/4530505/alta-de-commodities-impulsiona-bovespa-e-dolar-cai-para-r-355

https://economia.terra.com.br/dolar-cai-mais-de-1-com-valorizacao-de-commodities-e-fluxo,e48105674452ef52d0892d0a457891d2u3jzcvnm.html

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2016/08/02/dolar-cai-abaixo-de-r325-com-recuperacao-de-commodities-e-japao.htm

www.jornaldepiracicaba.com.br/economia_negocios/2016/11/commodities_pressionam_petrobras_e_vale_e_bolsa_cai_3_d_lar_sobe

https://www.poderjuridico.com.br/ibovespa-ganha-forcas-com-commodities-e-com-dados-dos-eua-dolar-cai-e-encosta-nos-r-320/

m.folha.uol.com.br/mercado/2016/09/1812849-commodities-derrubam-mercados-bolsa-cai-3-e-dolar-sobe-a-r-330.shtml

https://massanews.com/blogs/agronegocio/eugenio-stefanelo/precos-das-commodities-aumentam-em-outubro-e-dolar-cai-vDkl5.html

www.fiorde.com.br/wordpress/blog/bolsa-sobe-092-com-commodities-e-expectativa-de-aprovacao-de-pec-dolar-cai/

portalcm7.com/negocios/bovespa-sobe-2-5-e-d-lar-cai-1-com-salto-das-commodities/

www.aviculturaindustrial.com.br/imprensa/dolar-cai-commodities-sobem/20100615-105531-O832

www.referenciagr.com.br/china-e-commodities-animam-mercados-bolsa-sobe-4-e-dolar-cai/

www.arenadopavini.com.br/acoes-na-arena/com-commodities-em-alta-ibovespa-ganha-180-dolar-cai-r-255

www.istoedinheiro.com.br/commodities-incentivam-apetite-por-risco-e-dolar-fecha-em-queda/

https://economia.uol.com.br/noticias/valor-online/2013/12/10/dados-da-china-beneficiam-moedas-atreladas-a-commodities-e-dolar-cai.htm

www.valor.com.br/financas/4354060/dolar-sobe-194-puxado-por-cenario-politico-e-queda-de-commodities

exame.abril.com.br/mercados/dolar-abre-em-leve-queda-apos-japao-aprovar-medidas/

www.arenadopavini.com.br/acoes-na-arena/ibovespa-sobe-15-com-cenario-externo-e-commodities-em-alta-dolar-cai-para-r-392

g1.globo.com/economia/noticia/2011/05/derrocada-das-commodities-e-alta-do-dolar-pautaram-a-quinta-feira.html

https://economia.terra.com.br/panorama-dolar-sobe-commodities-e-bolsas-caem,50ae95246a40b310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

exame.abril.com.br/mercados/panorama2-acoes-commodities-sobem-e-dolar-cai-na-vespera-do-fed/

https://economia.uol.com.br/ultnot/2008/08/22/ult29u62955.jhtm

economia.estadao.com.br/noticias/geral,dolar-fraco-sustenta-commodities-imp-,709088

economia.estadao.com.br/noticias/geral,queda-do-dolar-ajuda-alta-de-commodities-diz-meirelles,206267

https://noticias.bol.uol.com.br/economia/2007/02/14/bolsa-quebra-3-recordes-num-dia-e-sobe-177-dolar-cai-abaixo-de-r-210.jhtm

Existem notícias de 2007 a 2017, todas com essa relação entre o dólar e commodities, é claro que existe exceções como o dólar caindo e o apenas o petróleo subindo ou do café, mas não postei por ser "simplista" demais. Veja que sempre tentam dar outras explicações sobre esse fenômeno.

Mas agora a parte que mais me agradou nessa pequisa foi exatamente isso:
https://tradingcafe.wordpress.com/2011/02/03/correlacao-entre-precos-de-commodities-e-a-moeda-de-cotacao/
economia.estadao.com.br/noticias/geral,dolar-fraco-sustenta-commodities-imp-,709088
economia.estadao.com.br/noticias/geral,commodities-caem-com-alta-do-dolar,528831
https://tradingcafe.wordpress.com/2011/02/23/o-dolar-enfraquece-udo-que-e-cotado-em-dolar-sobe-de-preco-petroleo-e-ouro-em-alta/
www.planetaforex.pt/relaciones_economicas_entre_divisas/


Embora alguns deles tentaram dar outras explicações sobre essa relação de dólar e commodities, enfim...
Juros não controlam inflação? Vou só deixar esse gráfico aqui, que mostra a variação da SELIC e dos preços livres mensurados pelo IPCA (os preços que são controlados pelo governo, de fato e obviamente, são imunes à SELIC).

s4.postimg.org/f5pq6k64d/cewolf.png

Observe que, quanto mais a SELIC (linha vermelha) cai, maiores vão se tornando o nível dos preços livres (linha azul).

Observe, mais especificamente, a queda ocorrida na linha vermelha de 01/2006 a 06/2013. E veja o que ocorre com a linha azul neste mesmo período.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • EUDES  03/07/2012 07:06
    No caso do império romano ocidental, como é que se deu a deterioração da moeda?
  • LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA  03/07/2012 13:07
    Eudes, esta deterioração se deu pela diminuição contínua do teor de metais preciosos nas moedas, onde os imperadores ordenavam que se subtraisse metais nobres, como ouro e prata, por menos nobres, como bronze e cobre, mas com o MESMO VALOR DE FACE. Já no Brasil, a malandragem, durante muito tempo, com planos econômicos, para tentar escamotear o imposto inflacionário, foi o de cortar zeros e mudar o nome da moeda.
  • EUDES  03/07/2012 13:58
    Obrigado pela resposta,Lívio.
  • Jose Roberto Baschiera Junior  03/07/2012 07:08
    Pelo visto, a maioria das quedas de grandes impérios começou com a moeda.
  • Gustavo Sauer  03/07/2012 07:24
    A moeda é a parte mais importante da economia. Esta presente em toda as transaçoes e é o que nos distingue das sociedades atrasadas de escambo.
  • LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA  03/07/2012 07:18
    Só a genialidade de Mises para, em poucas linhas, explicar as raízes do colapso do Império Romano, que historiadores, economistas e outros especialistas vem tentando explicar há seculos, sem um diagnóstico definitivo. A causa mais consensual apontada até hoje foi a invasão das tribos barbáras. Mas isto não foi uma causa mas consequência de um processo evidente de enfraquecimento da civilização romana, como é bem observado neste artigo. Alguns autores chegaram a apontar, pasmem, o mosquito da dengue como um dos grandes causadores do colapso do poderoso império, em decorrência do sistema ineficiente de saneamento. Outros apontam pestes, quebras de safras. Nietzche chegou a responsabilizar o cristianismo, por supostamente enfraquecer a disposição de luta das legiões romanas. Na verdade, se houve um arrefecimento do moral dos legionários romanos, isso também foi consequência do estado de entropia e de dissolução econômica, política e social do império.

    Mises, do alto de sua impressionante sabedoria e inteligência, aponta em uma palavra a verdadeira causa deste fenômeno: intervencionismo. Por essas e outras considero Mises o maior economista de todos os tempos. Genialidade é isso: simplificar e sintetizar de forma impressionantemente esclarecedora um fenômeno complexo.
  • Renato  03/07/2012 08:55
    Um texto realmente excelente. Abriu minha mente para esta questão.\r
    \r
    Mas devo dizer que não é a simplicidade que o faz genial, mas a verdade. Muitas pessoas tem respostas simples e erradas para as mais diversas questões. Mas este texto analisa o problema em foco sem forçar os argumentos, sem distorcer a história, sem tentar levar o leitor a crer em coisas improváveis.\r
    \r
    É interessante notar que os romanos não tinham a menor idéia do que estava os destruíndo. Só muitos séculos depois Adam Smith começaria a explicar como funciona o mercado. Quanto mais os imperadores romanos percebiam a doença de sua sociedade, mais tomavam o veneno, pensando que fosse remédio. Seu autoritarismo doentio e sua demagogia empolada teriam conseqüências que eles nunca imaginariam.
  • Jose Ricardo das C.Monteiro  03/07/2012 09:21
    Saudações, Renato, a primeira escola científica econômica foi a Escola Fisiocrata,Quesnay (médico de Luiz XV), escola que influenciou poderosamente Adam Smith, e como disse em outro comentário, muita calma nessa hora.
    Observar,ler várias fontes e ponderar fazem que o indivíduo possa ter juízo de valor,é isso.
    Abraços.
  • Otavio Ziglia  03/07/2012 09:24
    Pelo que li de um texto do Rothbard, as explicações sobre como funcionava o mercado - mesmo as explicações liberais - são bem anteriores a Adam Smith. Me corrijam se eu estiver errado.
  • Hay  03/07/2012 09:46
    [link=www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=218]Este capítulo[link] do livro A Escola Austriáca, de Jesús Huerta de Solo, fala a respeito dos precursores da Escola Austríaca.
  • Renato  03/07/2012 14:39
    Grato aos colegas pelas informações.\r
    \r
    Eu não sou economista, nunca lí os economistas mais antigos, com exceção de Adam Smith, do qual tenho em casa uma edição resumida em português. Pretendo me inteirar melhor.
  • Filipe Nava  03/07/2012 13:29
    Livio, de fato a questão da depreciação da moeda e do intervencionismo parece ter sido uma das principais causas da gradativa decadência do império romano, mas não devemos nos ater á uma linha de raciocínio histórica apenas, para analisarmos e sintetizarmos os motivos que levaram um grandioso império á ruína quase total.

    A disciplina de História se modificou e evoluiu bastante desde os tempos de Mises e outros economistas de seu tempo. Apesar de tudo isto, hoje, pelo menos nos meios acadêmicos, é praticamente obrigatório a especialização em uma área da História, o que acarreta em uma séria dificuldade de alunos de graduação se aprofundarem em questões mais integrais de grandes processos históricos (como é o caso da queda do império romano). Um dos maiores problemas quando se analisam tais processos, e disto eu tenho experiência, é uma quase inexistente estudo de motivos econômicos para certos acontecimentos. Quando ocorre de o historiador mediano se utilizar da histórica econômica, é para sustentar alguma afirmação marxista ou socialista, o que é lamentável, pois nega qualquer outra metodologia de análise histórica no campo econômico.

    Concluindo, o artigo em muito me auxilia e a outros muitos historiadores que se interessam ou trabalhem com o tema Império Romano. Nunca havia ouvido de minha professora de história antiga (e tive muitas aulas com ela sobre Roma) esta razão econômica de derrocada do Império Romano. Me auxiliou muito este artigo, tanto para refletir certo processo histórico em sua integralidade como para me esclarecer, sob novas perspectivas metodológicas, fatos históricos (que o site mises.org.br tem me ajudado bastante). Mas como havia citado, não podemos restringir a história a certos campos disciplinares ou certas metodologias. Você certamente poderá encontrar diversos outros autores que tem ótimo embasamento e fontes para teorias diferentes das da escola austríaca para a derrocada de Roma. Mas certamente todas são muito importantes para contribuir com uma melhor visão de certo momento histórico.
  • Leandro  03/07/2012 13:38
    Prezado Filipe, todas as sociedades que entram em decadência o fazem por motivos econômicos. Sociedades pujantes não definham; elas podem, no máximo, perder sua antiga moralidade e recato, mas, enquanto a economia permanecer robusta, não há motivos para uma sociedade se desintegrar. Sociedades só se esfacelam por motivos econômicos.

    Quem quer que esteja em busca de explicações para a queda da civilização romana, mas ignore por completo os fatores econômicos da época, estará apenas construindo um conto de fadas.

    Grande abraço!
  • Renato  03/07/2012 14:33
    Leandro\r
    \r
    Quanto a Roma, o fator econômico parece realmente ter sido preponderante. Mas gostaria de contra-argumentar, pois você fez uma afirmação de âmbito universal.\r
    \r
    Certamente uma sociedade pode entrar em colapso por fatores totalmente externos. Uma invasão por um inimigo, que destrua fortemente grande parte da população, a maior parte dos meios de produção, e grande parte dos registros escritos, pode levar uma sociedade a um colapso. Você dirá que a destruição dos meios de produção foi o fator preponderante, mas é importante analisar a causa dessa destruição.\r
    \r
    Um país próspero pode entrar em decadência por motivos primariamente culturais e morais, pois a destruição de uma cultura de confiança será um grave entrave ao funcionamento do mercado. Vemos que foi a cultura de liberdade e responsabilidade que tornou possivel um mercado tão aberto nos EUA. E as grandes restrições ao funcionamento do mercado que aconteceram no último século, tiveram também razões culturais.\r
    \r
    Note que o ambiente político de culto ao imperador, e demagogia sem fim, tornou possivel a adoção de medidas tão restritivas ao funcionamente normal de economia. Não digo que uma coisa levou à outra, mas digo que uma coisa tornou a outra possível, e até provável.\r
    \r
    Veja que a causa primeira da má condução da política econômica normalmente é uma cultura doente. Portanto, o campo real de batalha é a cultura, e a economia seguirá.
  • Leandro  03/07/2012 14:48
    "Certamente uma sociedade pode entrar em colapso por fatores totalmente externos. Uma invasão por um inimigo, que destrua fortemente grande parte da população, a maior parte dos meios de produção, e grande parte dos registros escritos, pode levar uma sociedade a um colapso."

    Isso só acontece em uma sociedade já debilitada economicamente. Sociedades ricas e pujantes não são atacadas e dominadas.

    "Um país próspero pode entrar em decadência por motivos primariamente culturais e morais, pois a destruição de uma cultura de confiança será um grave entrave ao funcionamento do mercado. [...] Veja que a causa primeira da má condução da política econômica normalmente é uma cultura doente."

    Ok, mas aí você confirmou o que eu disse. No final, o que será decisivo será a economia. Agora, se a economia degringolou por causa de medidas governamentais ou se foi por causa de uma deterioração da cultura da população, isso é algo secundário. A causa última será econômica. E a função do economista não é dar conselhos morais, mas apenas explicar como as coisas funcionam.

    Abraços!
  • anônimo  03/07/2012 17:06
    "Sociedades pujantes não definham; elas podem, no máximo, perder sua antiga moralidade e recato" - Mas aí é q começa a decadência de uma sociedade, caro Lenadro... se perde os valores morais e tradicional como racato, família... acabou. Pois a família é a base de toda a sociedade...
  • Renato  05/07/2012 14:24
    Leandro\r
    \r
    Eu havia respondido o seu comentário, mas minha resposta não foi publicada. Acho que meu comentário se perdeu por engano.\r
    \r
    De qualquer forma, o cerne da minha resposta é: O universo não é deterministico. Há várias situações pelas quais um pais livre e de economia pujante pode ser derrotado por outro de economia planejada, e portanto mais fraca. A diferença de tamanho dos países e população pesa bastante, entre outros fatores.\r
    \r
    Abraços
  • Filipe Nava  06/07/2012 21:30
    concordo com todo o resto que você citou Leandro, mas devo discordar de sua seguinte afirmação:

    "Isso só acontece em uma sociedade já debilitada economicamente. Sociedades ricas e pujantes não são atacadas e dominadas."

    Aí que está o problema de se generalizar processos históricos segundo uma determinada "lei" ou "teoria-base". Certamente que grande parte das nações que entraram em decadência ou foram conquistadas sofreram desta causa por não possuirem meios materiais suficientes para se protegerem ou se reerguerem, mas nem sempre.

    Um exemplo próximo á época histórica do Império romano foi o Egito ptolomaico. Pouquíssimo antes de ser conquistado o Egito desfrutava de uma prosperidade econômica invejada por todo o oriente próximo romano. Eram os principais fornecedores de cereais á Roma, dentre outros produtos, e não passavam (pelo que estudei) por algum problema econômico sério. Bastou a armada de Marco Antônio e Cleópatra serem derrotadas (e estes morrerem para não sofrerem julgamento) por Otávio, para que este, por medida unânime, declarasse o fim do Egito ptolomaico (como reino independente) e o transformasse em província, tornando-se posteriormente quase uma propriedade particular do imperador. (Se eu estiver errado me corrijam, mas segundo o que estudei a queda deste reino nada teve a ver com fatores econômicos).
  • Luis Almeida  06/07/2012 22:00
    Desculpe, mas estudou onde? Em que material? Eu não sou nenhum especialista em Egito, mas essa versão dos fatos é esquisitíssima. Assim, do nada, tudo desabou? Um sujeito chegou e tomou tudo por decreto? Sem nenhuma resistência?

    Se foi isso mesmo, então eu garanto que a população ou estava totalmente insatisfeita com seus governantes -- a ponto de aceitar alegremente um déspota estrangeiro --, ou estava empobrecida e sem condições de resistir, o que apenas confirma essa teoria.
  • Johnny Jonathan  06/07/2012 22:41
    Bom, sei lá, não sei exatamente qual é seu o ponto, mas... neste caso acho que houve uma fusão dos estados determinadas por quem perdeu a guerra. Digo, o Egito continuava existindo como província, mas não como nação independente.
    É como uma Ucrânia dominada pela URSS. Eles existia dentro da URSS, assim como a Russia, só não era independente.

    É com dizer que não existe a Bahia porque ela estar filiada ao Brasil, ou um exemplo melhor, como dizer que não existe a Califórnia porque esta estar federada aos EUA.

    Repito, não sei exatamente qual foi o seu ponto, mas...

    A frase do Leandro diz:

    "Isso só acontece em uma sociedade já debilitada economicamente. Sociedades ricas e pujantes não são atacadas e dominadas."

    Creio eu, e assim entendi, que está relacionada a Sociedade, e não ao estado que domina essa sociedade. Hoje em dia o estado da Espanha domina a região da Catalunha. Nem por isso a sociedade ou civilização catalã deixou de existir.
  • Filipe Nava  07/07/2012 18:24
    Jonny, em parte concordo com o que você escreveu. Eu acabei me focando no conceito de nação do que de fato no conceito de sociedade, porém mais uma vez devo discordar da frase do Leandro (a citada por mim e por você).
    Há sim sociedades que "desaparecem" (porque na realidade traços dela ainda sobrevivem) sem necessariamente terem passado por uma decadência econômica logo antes de serem atacadas ou conquistadas. Temos exemplos bem claros aqui mesmo na América, com tribos nativo americanas sendo atacadas, exterminadas e quase totalmente destruídas, sendo que elas viviam com uma economia farta e autosuficiente (as trocas comerciais entre tribos eram bastante comum). Há também o império Asteca, que foi destruído pela aliança de Cortéz com tribos hostis ao domínio Asteca. Mais uma vez a queda e o vasto extermínio de um dos mais fascinantes impérios da América pré-colombiana se deu por sua suscetibilidade à doenças desconhecidas aos indígenas e pela estratégia de Córtez (que historicamente fez o ocidente pensar que foi a superioridade tecnológica dos espanhóis que derrotou o exército asteca; o que é irreal, visto que os espanhóis estavam em um número insignificante perante os milhares de astecas)
    Se eu interpretei errôneamente a frase do Leandro mais uma vez me corrijam.
  • Leandro  07/07/2012 18:52
    Sim, entendeu tudo errado, Filipe. Aliás, deu até um aspecto inadvertidamente cômico. Eu estou falando de sociedades economicamente ricas e pujantes e você cita sociedades indígenas, que são tecnologicamente atrasadas e sem nenhuma infra-estrutura, como exemplo de "sociedades pujantes" que foram destruídas por invasores (os quais, diga-se de passagem, eram infinitamente mais ricos). Não dá, né?

    Se seus exemplos práticos são estes -- isto é, sociedades atrasadas sendo derrotadas por invasores muito mais ricos --, então realmente minha teoria está mais do que certa.

    Grande abraço!
  • historiador  07/07/2012 22:22
    Leandro, o que o Filipe quis dizer. Vc disse: "Sociedades pujantes não definham". O que o Filipe quis explicar é que não basta uma sociedade ser pujante, o problema não é apenas econômica. Uma sociedae pode definhar por motivos políticos (a política pode estar muito podre, seus políticos muito corruptos), por motivos culturais (como a desagragação da família...) Experiências mostram que sociedades pujantes podem definhar. Outro exemplo na época da própria civilização romana, o Reino da Macedônia: era uma sociedade pujante na época (acho que a mais pujante na época). Bastou a cavalaria de Perseu ser derrotada pelo Exército de Lúcio Emílio Paulo "Macedônico" na Batalha de Pidna, e o Reino definhou.
  • Renato  08/07/2012 08:14
    Leandro

    Baixo nível de desenvolvimento econômico é diferente de decadência econômica. Voltando ao que Adam Smith explicou, as tribos indígenas que habitam os atuais EUA e Canadá viviam no estágio mais atrasado, que era a sociedade de caçadores. Considerando que é muito pequena a quantidade de pessoas que podem ser supridas dessa forma, a densidade populacional era pequena. Num patamar acima, vem a sociedade de pastores, com densidade demográfica muito maior. Acima desta vem a sociedade agricola, com maior densidade demográfica. E, acrescentaria eu, acima desta vem a sociedade com técnicas avançadas de agricultura (a atual sociedade ocidental) que pode produzir comida para uma quantidade imensa de pessoas. Auqeles índios foram dizimados por serem atrasados, e não por serem decadentes.

    Quanto as sociedades indíginas mais avançadas tecnicamente, creio que seu ponto fraco era a extrema centralização. Está provado hoje que os espanhois jamais teriam conseguido destruir tão facilmente o império inca se não não tivessem catalizado o ódio dos seus vizinhos, que eram constantemente atacados e escravizados pelos incas. Civilizações americanas anteriores a Colombo podem ter sido destruídas justamente por esse motivo. O incidente da chegada dos espanhois provavelmente apenas apressou o processo. Sendo essas civilizações absurdamente centralizadas, eram mais fáceis de serem destruídas. E uma vez que a coerção do poder central deixasse de existir e parasse de obrigar os agricultores a sustentar as cidades, essas definhavam. Eram imperios fadados a sucumbir, e não me entristeço nenhum pouco com isso (embora a violência da queda em si seja triste, bem como a perda de informação que a acompanha).

    Mas pensemos em exemplos atuais. No pós guerra, o Japão, a Coréia do Sul e Taiwam teriam facilmente sido submetidos à URSS e China se os EUA não os tivessem garantido. Eram sociedades muito mais pujantes economicamente que aqueles gigantes, mas a geografia e demografia jogaria contra elas.
  • Ambrosio  06/07/2012 15:15
    Então os germânicos eram mais pujantes do q os romanos??? Explique melhor...
  • Jose Roberto Baschiera Junior  03/07/2012 07:50
    Na wikipedia existe um artigo básico sobre isso. Jamais menciona que essas desvalorizações prejudicaram o império.

    "As moedas romanas, em circulação durante a maior parte da República e do Império Romano do Ocidente, incluíam o áureo (aureus, em latim), de ouro; o denário (denarius), de prata; o sestércio (sestertius), de bronze; o dupôndio (dupondius), de bronze; e o asse (as), de cobre. Estas denominações foram utilizadas de meados do século II a.C. até meados do século III d.C."

    "Durante o século III d.C., o denário foi substituído pelo denário duplo, também conhecido como antoniniano (antoninianus)..."

    pt.wikipedia.org/wiki/Moeda_da_Roma_Antiga

    E um artigo interessante sobre esse antoninianus:

    "... equivalente a dois denários. Inicialmente cunhada em prata, sua progressiva desvalorização fez com que emissões posteriores passassem a ser em bronze."

    "O conteúdo de metal precioso nas moedas romanas variou ao longo da história, geralmente para baixo. O mesmo ocorreu com o valor corrente da moeda."

    pt.wikipedia.org/wiki/Antoniniano
  • José Ricardo das C.Monteiro  03/07/2012 07:55
    Saudações,Lívio,muita calma nessa hora, Mises dá uma,de várias, das possíveis causasdo declínio da civilização romana.A estrutura econômica faz parte,em qualquer época, de uma das bases da sociedade, ou seja, Mises percebeu o lado econômico,senão mais um, daquele declínio.Historiadores renomados apontam infinitas possibilidades para o referido declínio, inclusive há um filósofo-historiador brasileiro chamado Mario Ferreira dos Santos que comenta vários aspectos, o colega deveria procurar saber. Posso citar mais alguns autores e obras que irão atualizar e engrandecer teu conhecimento.
    Abraços.
  • Jose Roberto Baschiera Junior  03/07/2012 08:09
    Seria interessante colocar um link para esse artigo:

    mises.org.br/Article.aspx?id=772
  • PESCADOR  03/07/2012 09:36
    E o dólar indo para o beleléu... Será que estaremos vivos para ver o completo fim do Império Americano?
  • Lucas  03/07/2012 12:15
    Exatamente! Pelo menos eu vejo isto. Observe que a história sempre se repete, só mudam os nomes, datas e locais. O grande império estadinudense que começou livre hoje é terrivelmente intervencionista. A moeda passou a ser sistematicamente desvalorizada e desde a década de 70 acelerou o passo. Veja que sempre demoram vários anos este processo, porém historicamente hoje está bem mais veloz. Talvez pelo fato de que atingimos o ápice do controle estatal sobre as moedas: a moeda fiduciária.
    Reparem em todos os impérios da história humana. Todos seguiram o mesmo caminho.
    A China me chama mto atenção em evidenciar esse ciclo: outrora um grande império, declinou e recentemente saiu das suas trevas medievais socialistas para justamente conforme aumenta a liberdade economica (com produção e comércio) voltar ao status de grande potencia economica. Ainda bem aquém do que poderá chegar mas estamos no inicio desse processo.
  • Jose Roberto  03/07/2012 12:26
    "O grande império americano"*
  • Samuel  03/07/2012 14:06
    Pelo menos eles sentiram o gosto do topo. Já o Brasil tá indo pro saco de novo antes de chegar lá... se bem que esse raciocínio é coletivista demais.
  • LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA  03/07/2012 10:07
    Saudações José Ricardo. Que causas para o declínio do Império Romano o Mário Ferreira dos Santos aponta? Pergunto isso pois tenho algum conhecimento sobre o filósofo.

    Grato
  • Jose Ricardo das C.Monteiro  03/07/2012 11:22
    Saudações, prezado Lívio, em Filosofia e História da Cultura volumes 1 e 2, Mário Ferreira dos Santos indica que as invasões dos bárbaros foi o principal motivo do declínio da civilização romana.Faz coro com Mário, o historiador A.Toynbee,Um Estudo da História.Interessante notar que ambos citam sobre a inflação criada pelos imperadores,gerando o colapso econômico.
    Parece que não existem mais as invasões dos bárbaros, o mesmo não podemos dizer do caráter dos imperadores.
    Abraços.
  • LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA  03/07/2012 14:29
    Prezado José Ricardo, a explicação das invasões bárbaras como fator decisivo para a queda do Império Romano é a mais citada por historiadores, a mais difundida. Nessa explicação, não vejo nenhuma novidade em Mário Ferreira dos Santos ou Arnold Toynbee. Simplesmente repetiram outros estudiosos, quanto a essa questão, sendo um dos mais conhecidos Edward Gibbon, em sua História do Declínio e Queda do Império Romano, publicada em 1763.

    Pensei que haveria alguma contribuição de Mário Ferreira quanto a esta questão, mas pelo visto ele apenas repetiu outros autores.

    Concordo com Mises quando diz que as invasões bárbaras foram consequência, e não causa da derrocada da civilização romana. O intervencionismo, representado pelas regulamentações estúpidas na área econômica, adotado por imperadores como Diocleciano levaram o Império Romano ao colapso. Entre outras "maravilhas", Diocleciano tabelou e congelou o preço de bens, serviços e salários, proibindo, sob pena de morte, qualquer reajuste de preços. Vai ver que os nossos economistas heterodoxos se inspiraram neste imperador para elaborar seus "geniais" planos econômicos como o Cruzado. Outra medida adotada por Diocleciano foi proibir as pessoas de mudarem de profissão.

    Saudações fraternas.
  • José Ricardo das Chagas Monteiro  04/07/2012 04:32
    Saudações, Lívio, sim, há, vários aspectos nos livros em referência, geográficos,éticos e religiosos, mas pela razoabilidade demonstrada por ti, assim como teu horizonte,entendo e dou-me por satisfeito.
    Caminhamos, sorte e abraços.
  • Alfeu Rabelo Neto  05/07/2012 17:29
    Um professor meu chegou a falar da inflação, mas culpou a escassez de escravos pela alto nos preços. Creio que isso aumentaria apenas o preço de produtos intensivos em mão-de-obra escrava, enquanto que o resto cairia de preço (podendo desaparecer). Não haveria inflação generalizada.
  • anônimo  03/07/2012 13:59
    Uma das causas da destruição do Império Romano tb foi a degradação moral e a destruição da família, como está ocorrendo hoje com o gramscismo no Ocidente. Os romanos só queriam saber de bacanais. Nenhuma civilização se mantém assim. Então os germanos, que segundo Tácito tinham uma família mais estruturada, cresceram e derrotaram o Império Romano já combalido pelos bacanais.
  • EUDES  03/07/2012 16:43
    Os impostos elevados também contribuíram, e muito, para a tragédia econômica no império romano. Diante do furor arrecadatório do Estado, e procurando alívio, muitas pessoas fugiram para o campo e se uniram aos grandes proprietários de terras.

    Os impostos elevados e o intervencionismo estrangularam a economia e prejudicaram o comércio. Assim, foi instalada a cultura da autossuficiência. Indubitavelmente, isso foi o princípio do feudalismo.

    Para espanto dos libertários inimigos das religiões, já havia lido algo parecido com esse artigo em um (vejam só!) comentário bíblico!

    Intervencionismo e impostos elevados são a fórmula perfeita para o desastre. Se o intervencionismo traz à existência grandes privilégios, como, por exemplo, grandes monopólios, a fórmula passa a ser mais que perfeita.

    Pena que o Brasil não aprende com a história! Por isso mesmo, nosso país está longe de um padrão de vida mais elevado.
  • Johnny Jonathan  03/07/2012 18:11
    Acho que intervencionismo é pior do que impostos. O imposto poderia ser alto, mas se não houvesse excesso de regulamentação, é bem provável a pressão popular fizesse o império ser substituído por outro, ou um governante chegasse ao poder por influencia dos que não queria pagar tanto imposto.
    O intervencionismo gerou o colapso da forma de vida do império, as leis que eram injustas fizeram as pessoas quererem fugir delas, e logo, aconteceu a idade média.

    Não sei se o contrário, super regulamentação mas imposto baixo, teria conseguido fazer o império continuar firme e forte.
  • EUDES  04/07/2012 08:29
    Um cipoal de regulamentações e baixos impostos teriam apenas adiado a tragédia econômica e o fim do império. Nesse caso, haveria um declínio mais lento, porém firme, da economia. O Estado vive às custas da sociedade e quando esta empobrece, aquele também fica fragilizado.
  • Johnny Jonathan  04/07/2012 10:35
    Pelo o que eu sei, que é quase nada, só o que li aqui, o imposto é o destruidor de riqueza. Mesmo com o imposto atual no Brasil (e ainda tem regulamentação, incrível), a produção é ainda maior que a destruição.
    Já a regulamentação desestimula a produção.

    Ou seja, regulamentação em excesso, diminui a produção em si, e impostos "só" destroem a riqueza, mas se a produção for maior que a riqueza, não há um "grande problema" (é sim um) a economia vai "só" ficar estagnada.

    O pior dos mundo foi exatamente o que aconteceu com o império, além de ter uma produção baixíssima, a mínima produção que tinha era usada pra destruição de riqueza.

    Não sei se isso tudo se atribui a Roma, já que eles não eram capitalistas, mas acho que tem a ver.

    Se houvesse produção acima da destruição da riqueza é provável que eles continuassem por um bom tempo. Mas também acho que não, tem que se saber o motivo das regulamentações e tal se eram inevitáveis pra o que eles sabiam de economia ou não. Enfim.
  • EUDES  04/07/2012 12:05
    O que estimula a produção é a possibilidade de lucro; os impostos diminuem as margens e as chances de lucro. Portanto, os impostos desestimulam a produção. Quanto menor o lucro e/ou quanto maior a possibilidade de prejuízo, menor a produção.
  • Johnny Jonathan  04/07/2012 12:49
    Entendi, é verdade, valeu!
  • Lucas  05/07/2012 10:26
    Só faria um adendo: com baixos impostos mesmo havendo uma miríade de regulamentações seria impossível para o estado ser tão invasivo. Sem o poder economico para atuar amplamente, não teria como intervir fortemente na vida das pessoas. Pense no Brasil mesmo com as mesmas leis (ou até com mais) só que com caixa governamental bem mais baixo. As "leis que não pegam" seriam a regra neste caso. Não haveria um numero tão grande de fiscais nem estrutura para vigiar tão fortemente o cidadão. Creio eu, né. Quer dizer, pensamendo melhor já vimos este filme, o resultado é: hiperinflação.
  • Johnny Jonathan  05/07/2012 12:45
    Realmente, não tinha olhado pra esse lado.
    Imposto baixo ou alto não fez muito diferença. Já que os dois faria o império ruir.

    As guerras de antigamente também tinha o viés econômico também. A mão de obra escrava era ganhada através de guerras, ou se o país concordasse em fazer parte de Roma, passava a pagar imposto pro império. Essa guerras custavam dinheiro tanto a execução quanto a manutenção. Apesar da nova renda, as regulamentações fizeram a produção baixar, o que foi insuficiente pra manter todo aquele aparato imperial.
    Pelo menos isso é o que eu lembro de história. haha

    Aliás, tem a ver com o tópicozinho aqui rs:
    Tributação X Regulamentação - O que é pior?



  • Thyago  04/07/2012 06:26
    Texto muito bom do Mises...

    Certamente isso não foi me ensinado no ensino básico. Os textos que remetem a história, do Mises, sempre são maravilhosos. Continuem publicando.
  • Rafael  04/07/2012 07:37
    Não é estranho que o Estado tenha sido mais forte que o Mercado na hora de congelar os preços, de uma forma ou de outra os preços iam acabar subindo, não?
  • Blu  04/07/2012 07:58
    Não é nada estranho, afinal, o estado tem o monopólio do poder e da justiça, ainda mais nesse tal "estado de direito democrático representativo". Na verdade, isso é uma prova de que o tal livre mercado não gera monstros horríveis que dominam todo o planeta e criam Godzillas para nos escravizar.
    O congelamento de preços não faz absolutamente nenhum sentido do ponto de vista econômico, e por isso mesmo não dura muito tempo, pois seus resultados são catastróficos. Afinal, se o governo transforma dinheiro em papel de parede, como é que os preços não vão subir? Essa subida nos preços é uma consequência lógica, não algo orquestrado por grandes corporações e grupos de capitalistas do mal.
  • Guilherme Marinho  04/07/2012 12:56
    Mises genial!\r
    Uma dúvida:\r
    Por acaso esse escrito foi retirado do livro Teoria e História?
  • anônimo  04/07/2012 16:45
    Esse escrito foi retirado do capítulo XXX de Ação Humana.
  • anônimo  04/07/2012 14:17
    Leandro, o questionamento sobre a degradação dos valores morais e tradicionais é importante. A destruição pode sim acabar com a liberdade econômica. Por exemplo, um país que hoje é exemplo pros libertários: a Nova Zelândia. Lá, como a promiscuidade está em alta (há pesquisar que dizem que as mulheres de Nova Zelândia são as mais promíscuas do mundo) e a família tradicional foi destruída, o que o governo tá fazendo? Subsidiando anticoncepcionais às mulheres, distribuindo pílulas, pra evitar gravidezes, porque lá as meninas estão perdendo a virgindade cada vez mais cedo. Então, veja como a degradação da família influi nos gastos do Estado.

    noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5774359-EI17616,00-Nova+Zelandia+dara+anticoncepcionais+as+mulheres+com+subsidios.html

    Vc acha q uma civilização como esta vai durar mto tempo, só porque é uma sociedade "pujante"???
  • Johnny Jonathan  05/07/2012 13:35
    Eu acho.

    A sua causa e feito ta turva.

    O problema não ta na "promiscuidade", mas no subsidio. O governo vai poder manter ele até isso não afetar a economia de uma forma drástica.... logo, no fim o problema é sempre econômico, é ele que traz a ruína de uma civilização. A causa desse problema econômico pode ser diverso, e aliás, a degradação de valores poderia muito bem não afetar a economia, é possível.

    Essa exemplo, mostra mais o porque que um estado mínimo sempre vai se transformar, aos poucos, em estado máximo.

    Enquanto alguns acham que ele serve pra justiça, outros acham que ele serve pra dar anti-concepcional de graça. No fim, a democracia vai fazer ele servir pra tudo, com todo mundo que pode pagar fazendo lobby pra puxar a sardinha pro seu lado.

    Claro que lá isso vai demorar um tanto quanto acontecer, mas....
  • anônimo  05/07/2012 16:06
    ""O problema não ta na "promiscuidade"" - Tá na promiscuidade sim. Tem como este ambiente se manter sem ajuda estatal? Se as neozelandesas ñ fossem tão promíscuas, estes programas governamentais ñ seriam necessários. Logo este ambiente ñ se mantém sem subsídio estatal...
  • Johnny Jonathan  06/07/2012 18:03
    "Logo este ambiente ñ se mantém sem subsídio estatal..." Exatamente, você matou a charada. Essa frase defini tudo.

    O governo gerá a promiscuidade, e não a promiscuidade gerá o governo. Por isso que digo que o problema ta no governo, e não na promiscuidade.

    Ela, a promiscuidade, existiria em um mundo sem governo, mas não seria estimulada por ele.

    Quem ta desvirtuando os valores é o governo, não só na promiscuidade (não sou lá tanto moralista, mas entendo protesto) que é um problema menor a meu ver, mas em quase tudo.
    As pessoas estão aceitando roubos, agressões e assassinatos em massa como se fossem atos heroicos. Da pra ver que, se as pessoas estão aceitando isso, elas aceitariam perfeitamente um mundo promiscuo e achariam e modelo mais "moral" a ser adotado.

    Enfim, se os conservadores querem preserva a "moral e os bons costumes", acabar com o governo é sempre a melhor saída.
    Não tenham medo, em um mundo sem o monopólio do estado, a moral mais lógica irá prevalecer, ao invés da mais popular.
  • anônimo  06/07/2012 19:42
    "sem o monopólio do estado, a moral mais lógica irá prevalecer". As coisas ñ são tão simples assim. A moral e os valores tradicionais prevalecem mais em países como o Irã e a Índia, onde o monopólio estatal é maior. Na Nova Zelândia, onde o monopólio estatal é menor (é um dos países com mais liberdade econômica), a devassidão tomou conta... Pra vc ver q as coisas ñ são tão simples assim...
  • Johnny Jonathan  08/07/2012 13:35
    Bom, eu não acho os valores fundamentalistas desses países algo lógico.
    Sou contra o fundamentalismo tanto quanto do relativismo.
    Mas vamos lá.

    Eu creio que é "simples" assim.

    Hoje isso ainda não acontece, mas imagine que nesses dois países haja alguém tipo de revolução ou mudança politica que permita mais liberdade. Até ai tudo bem... só que alguns acadêmicos e intelectuais irão demonizar o sistema antigo, e irão acusar alguns valores tradicionais como culpados. Pergunto: mas será mesmo que são?

    Enquanto os intelectuais poderem só protestar, tudo bem, acho que poucas pessoas iriam abandonar a sua cultura. O problema é quando elas tomam conta do sistema público (prejudicando a criação das crianças), das tv -- que são licenciadas governo - e assim vai... em poucos anos haverão milhares de leis limitando cada vez mais a pratica da cultura tradicional.

    Ou seja, sem o governo, a destruição de valores não teria sido tão drástica quanto sem ele. Porque apesar do país ficar mais livre, o governo adotou como padrão relativismo contra o fundamentalismo , ou seja, sofisma puro, não há lógica nessa liberdade cultural.

    O que eu digo é que, no mesmo passo que um estado pode manter uma cultura por muito tempo, esse mesmo estado pode destruí-la no mesmo passo. Ele é um poderoso aliado que a qualquer momento pode se virar contra você. Não há iluminados no poder, há só populismo barato...
    pode-se afirmar que enquanto houver militância isso não vai acontecer, mas o problema estar nas próximas gerações, que sempre nasceram mais influenciadas pelo relativismo obrigatório (esse vai ficando aos poucos assim).

    Esquerdista tem como inimigo os "exploradores". Até aí estão certos, só que eles atacam os "exploradores" (não são) errados: a propriedade privada. Os exploradores corretos é quem se beneficia fortemente pelo governo em detrimento de uma grande maioria que não se beneficia com isso. Ou seja, atacam o inimigo errado. O inimigo deles é o estado, mas a sede pelo poder fazem eles quererem destruir os proprietários.

    Conservadores fazem o mesmo, veem a destruição de valores como problema. Mas a invés de atacar quem permitir e ainda potencializa essa degradação, o estado, simplesmente só ataca quem descumpri os valores tradicionais. A sede pelo poder faz eles quererem fazer do imoral ilegal.

    Ou seja, a politica através dos anos vem sendo exatamente isso, uma guerra pelo poder que no fim só tira a liberdade de todos nós.

    Isso me lembra o Anel do poder de Mordor em Senhor dos Anéis. Recomendo a leitura, ou ver o filme.


    Sem o estado, ao meu ver, não há exploração, e muito menos degradação de valores. O problema é que ambos lados não conseguem enxergar isso.

    Tenho a crença de que liberdade (e não a libertinagem atual) é sempre o caminho. Mas hoje em dia ninguém quer se responsabilizar pode nada.

    Gostei da nossa conversa aqui. Abraços.
  • anônimo  09/07/2012 05:50
    Fundamentalistas? O citado Irã é fundamentalista islâmico. Mas a Índia citada é um Estado LAICO e mesmo assim prevalece a moral mais lógica e acultura tradicional, e o monopólio do Estado, tanto na economia como na cultura, é maior.

    Por outro lado, na Nova Zelândia, onde o Estado é um dos menores do mundo, está nessa devassidão. E quem é que está demonizando a cultura tradicinal na Nova Zelândia? Os intelectuais, vocês respondem. Mas vocês que os usam da educação pública para difundir suas ideologias e demonizar as ideologia oposta (neste caso, os intelectuais usam educação para doutrinar as crianças e os jovens contra a cultura tradicional). Mas de que forma é feito na Nova Zelândia? De acordo com um artigo publicado aqui no IMB, na NZ sequer existe um Ministério da Educação como aqui no Brasil:

    "Com uma visão diferenciada sobre a função do governo, a Nova Zelândia eliminou todo o Ministério da Educação. Cada escola passou a ser administrada por um conselho de gestores eleitos pelos pais das crianças daquela escola, e por ninguém mais. Sob esse novo método, cada escola passou a receber dinheiro de acordo com o número de estudantes matriculados nela, sem impor condições especiais. Todas as escolas foram convertidas a esse sistema no mesmo dia. Escolas privadas passaram a ser financiadas da mesma maneira. Repentinamente os professores perceberam que, se eles perdessem alunos, perdiam o financiamento; e se eles perdessem o financiamento, perderiam seus empregos. O nível educacional da Nova Zelândia, que até então era 15% inferior ao de seus pares internacionais, tornou-se 15% superior."

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=692

    Eu não como é feito o financiamento citada: se são os pais que financiam contribuindo com uma quantia ou se é o governo neozelandês. Mas o que se pode observa é que a presença do Estado é menor (como em todas as áreas, a presença do Estado é menor)... Então se as coisas fossem tão simples assim (como você ainda reafirma), a moral mais lógica e a cultura tradicional prevaleceria na Nova Zelândia onde a intervenção estatal é bem menor, e não na Índia onde o monopólio do Estado é muito maior (sem comparação)...
  • Johnny Jonathan  06/07/2012 18:12
    Tava pensando aqui... seria bom ter no IMB categorias sobre assuntos específicos.

    Tem essaSeção anarcocapitalismo aqui e...

    Não sei se tem outras, mas seções sobre História do mundo, do Brasil ou Teorias da lei, economia, macro e micro etc, seriam muito interessante, principalmente se estiverem mais a vista.

    Se tiver, e eu ainda não achei, me desculpe o incomodo desde já.
  • Luis Almeida  06/07/2012 18:15
    Página principal do site. Role até o final. Está lá, "Artigos por assunto", bem visível.
  • Johnny Jonathan  06/07/2012 18:27
    Agradeço pela ajuda, Luis.
  • Rud  05/09/2014 18:55
    olá pessoal...excelente texto do Mises...é logico que as razões econômicas citadas por Mises teve lá sua importância para a queda de Roma....mas muitos aqui se esquecem de algo fundamental : Roma se destacou também por ser um império militar, expansionista....ou seja, a cada vitoria militar e nova conquista, mais escravos, mais riguezas eram espoliadas em prol de Roma e afluiam para lá....tal riqueza era distribuida entre os romanos proporcionalmente ao estamento social de cada....Assim por muiiittoooo tempo, enquanto a maquina de guerra romana encontrava espaço para expandir seu império tudo era céu de brigadeiro....a economia funcionava relativamente bem....mas o modelo começou a se esgotar quando as conquistas já não ocorriam com a mesma frequência de antes....isto é , menos escravos, menor riqueza afluindo, etc foram sentidas pelos romanos...junto a isso somou -se um periodo de péssimas administrações que não souberam fazer a gestão desta nova realidade econômica de escassas novas conquistas....Mises pode ter entrado justamente aqui , ou seja, péssima administração = maior intervencionismo estatal desastroso culminando com a invasão dos barbaros.... isso não se deu da noite para o dia, foi um processo de centenas de anos....sintetizando temos : expansão militar - riqueza - auge desse modelo....inicio do esgotamento do modelo expansionista militar - riqueza declinante - pessima administração ( como Mises explica ) - declinio e fim de Roma.... desculpem-me pelo longo texto....tentei ser o menos pedante possivel...
  • corsario90  16/07/2015 02:59
    Meio fora de tópico mas.....
    Sou um iniciado em EA, mas vendo a China nesse estado, dólar indo pro brejo, poderiam me indicar algum lugar seguro para comprar metais e guardá-lo seguramente aqui no Brasil ou comprar no exterior?
    BB, ouro só escritural.
    Tou querendo abrir um negócio com carros em sociedade com multinacional, mas tou vendo e lendo tanta burrada econômica que fico com muito receio...
    Sei que investimento é algo muito pessoal e que ninguém pode indicar qual o melhor caminho. Mas como quero empreender e ainda acredito, sobra o receio...

    Algúem pode me dar uma luz? Espero a correção mundial?

    O IMB é o melhor site desse País!! Leio muita coisa tb no Mises Institute e Bastiat institute. Muito bom!!
    Abraços aos amigos!! Além das aulas do Leandro, aprendo muito com os comentários da galera aqui.

    Forte Abraço a todos!!!!


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