O que a medicina soviética nos ensina

Em 1918, a União Soviética se tornou o primeiro país a prometer saúde pública universal "do berço ao túmulo", a qual seria alcançada por meio da completa socialização da medicina.  O "direito à saúde" se tornou um "direito constitucional" dos cidadãos soviéticos.

As proclamadas vantagens deste sistema seriam a "redução dos custos" e a eliminação dos "desperdícios" gerados por "paralelismos e duplicações desnecessárias" — isto é, pela concorrência.

Tal sistema teve várias décadas para funcionar e apresentar resultados, mas a apatia generalizada e a baixa qualidade dos serviços paralisaram o sistema de saúde.  No auge do experimento socialista, as instituições de saúde na Rússia estavam pelo menos cem anos atrasadas em relação ao nível médio das americanas.  Mais do que isso, a imundície, os maus odores, os gatos sujos vagando pelos corredores, a equipe médica constantemente embriagada, e a falta de sabão e de vários outros produtos de limpeza contribuíram para a sensação generalizada de desesperança e frustração que paralisou o sistema.  De acordo com estimativas oficiais russas, 78% de todas as vítimas de AIDS na Rússia contraíram o vírus em hospitais públicos, através de agulhas infectadas ou de sangue contaminado.

A irresponsabilidade, expressa pelo ditado popular russo "Eles fingem que nos pagam e nós fingimos que trabalhamos", resultou em uma qualidade de serviços pavorosa, corrupção generalizada, e perdas de vidas em escala pandêmica.  Um amigo meu, hoje famoso neurocirurgião na Rússia, recebia um salário mensal de 150 rublos — um terço do salário médio de um motorista de ônibus.

Se quisessem receber um mínimo de atenção de médicos e enfermeiros, os pacientes tinham de pagar propinas. Eu mesmo testemunhei o caso de um paciente "não pagante" que morreu tentando chegar ao banheiro no final de um longo corredor, após uma cirurgia cerebral.  Anestesia geralmente "não estava disponível" em casos de abortos ou de pequenas cirurgias de ouvido, nariz, garganta ou pele.  O medicamento era utilizado como um poderoso meio de extorsão por burocratas (que também eram médicos) inescrupulosos.

Para melhorar as estatísticas relativas ao número de óbitos dentro do sistema, pacientes eram rotineiramente empurrados porta afora antes de darem o último suspiro, o que fazia com que seus cadáveres não entrassem nas estatísticas oficiais de mortos em decorrência da baixa qualidade dos serviços médicos.

Tendo sido eu um representante (deputado) na região de Moscou entre 1987 e 1989, recebi muitas reclamações sobre negligências criminosas, subornos recebidos por apparatchiks encarregados da saúde, equipes de ambulância completamente embriagadas, e intoxicações alimentares em hospitais e creches. Lembro-me do caso de uma menina de 14 anos do meu distrito que morreu em decorrência de uma nefrite aguda em um hospital de Moscou.  Ela morreu porque um médico decidiu que era melhor economizar "preciosos" filmes de raios X (que eram importados pelos soviéticos para serem usados como moeda forte) do que rever seu diagnóstico inicial. Caso o raio X fosse feito, ele teria desmentido o diagnóstico inicial de dor neuropática.

Em vez disso, ele tratou a adolescente com compressas quentes, o que a matou quase que instantaneamente. Não havia assistência jurídica para os pais e avós da jovem.  Por definição, um sistema estatal universal de saúde não pode permitir esse tipo de assistência jurídica.  Os avós da garota não suportaram a perda e morreram em seis meses.  O médico não recebeu sequer uma advertência oficial.

Nada surpreendentemente, burocratas do estado e membros do Partido Comunista, ainda em 1921 (três anos após a socialização da saúde feita por Lênin), perceberam que o sistema de saúde igualitário era bom apenas para os interesses pessoais dos fornecedores, administradores e responsáveis pelos racionamentos — e nunca para os cidadãos usuários do sistema.

Consequentemente, como em todos os países de saúde socializada, um sistema de dois níveis foi criado: um para a plebe e outro, com um nível de serviço completamente diferente, para os burocratas e seus assistentes intelectuais. Na União Soviética, era algo bastante comum que, enquanto operários e camponeses morriam nos hospitais públicos, os remédios e equipamentos que poderiam salvar suas vidas estivessem ociosos nos hospitais da nomenklatura.

No final do experimento socialista, o índice oficial de mortalidade infantil da Rússia era 2,5 vezes maior do que o dos Estados Unidos e cinco vezes maior que o do Japão. O índice de 24,5 mortos por 1.000 nascidos vivos foi recentemente questionado por vários deputados do parlamento russo, que alegam ser na verdade sete vezes maior que o americano. Isso faria o índice de mortalidade na Rússia ser de 55, comparado a um índice de 8,1 mortos por 1.000 nascidos vivos nos Estados Unidos.

Dito isso, devo deixar bem claro que os Estados Unidos possuem um dos maiores índices de mortalidade entre o mundo industrializado apenas porque contabilizam todas as crianças mortas, inclusive bebês prematuros, que é quando a maior parte das fatalidades ocorre.

A maioria dos países não contabiliza mortes de prematuros.  Alguns países não contabilizam nenhuma morte ocorrida nas primeiras 72 horas de vida.  Outros nem sequer contabilizam qualquer morte ocorrida nas primeiras duas semanas de vida.  Em Cuba, que se gaba de apresentar um índice de mortalidade muito baixo, as crianças são registradas somente após vários meses de vida, o que faz com que todas as mortes de crianças ocorridas nos primeiros meses de vida fiquem de fora das estatísticas oficiais.

Nas áreas rurais do Caracalpaquistão, de Sakha, da Chechênia, da Calmúquia e da Inguchétia, a mortalidade infantil chega quase a 100 por 1.000 nascidos vivos, colocando essas regiões no mesmo nível de Angola, Chade e Bangladesh.  Dezenas de milhares de crianças morrem de gripe todos os anos, e a proporção de crianças morrendo de pneumonia e tuberculose segue crescendo.  O raquitismo, doença causada por falta de vitamina D, e ausente no resto do mundo moderno, segue impavidamente matando muitos jovens.

Danos uterinos já estão alastrados graças aos 7,3 abortos que uma mulher russa efetua durante sua idade fértil, em média.  Levando-se em conta que muitas mulheres não efetuam aborto algum, a média de 7,3 significa que há muitas mulheres fazendo 12 ou mais abortos durante sua vida.

Ainda hoje, de acordo com o Comitê Estatístico do Estado, a expectativa média de vida do homem russo é de menos de 59 anos — 58 anos e 11 meses — enquanto a expectativa média de vida da mulher russa é de 72 anos.  A média combinada é de 65 anos e três meses.[1] Em comparação, a média de vida do homem nos Estados Unidos é de 73 anos, e a da mulher é de 79 anos.  Nos Estados Unidos, a expectativa média de vida de toda a população atingiu um recorde inédito de 77,5 anos, contra apenas 49,2 anos há apenas um século.  A expectativa de vida da população russa no nascimento é 12 anos menor.[2]

Após 70 anos de socialismo, 57% de todos os hospitais russos não possuíam água quente encanada, e 36% dos hospitais localizados em áreas rurais da Rússia não contavam com água encanada ou rede de esgoto de qualquer tipo.  Não é extraordinário como aquele governo socialista, enquanto desenvolvia armas sofisticadas e participava da corrida espacial, ignorava completamente as necessidades mais básicas de sobrevivência de seus cidadãos?

A pavorosa qualidade de serviços não é uma característica exclusiva da "brutal" Rússia ou de outras nações do Leste Europeu: ela é resultado direto do monopólio governamental sobre a saúde e pode acontecer em qualquer país.  Na "civilizada" Inglaterra, por exemplo, a fila de espera para cirurgias é de aproximadamente 800.000 pessoas, em uma população de 55 milhões.  Não há equipamentos de última geração na maior parte dos hospitais britânicos.  Na Inglaterra, apenas 10% dos gastos em saúde advêm de fontes privadas.

A Grã-Bretanha foi pioneira no desenvolvimento de tecnologia para diálise renal, mas, mesmo assim, o país possui uma das menores taxas de diálise no mundo. A Brookings Institution (não exatamente uma defensora do livre mercado) constatou que, a cada ano, 7.000 britânicos necessitando de próteses de quadril, entre 4.000 e 20.000 necessitando de cirurgias de pontes de safena, e algo entre 10.000 e 15.000 necessitando de quimioterapia para câncer, têm atendimento médico negado pelo estado.

Discriminação por idade é particularmente evidente em qualquer sistema de saúde gerido pelo estado ou fortemente regulado. Na Rússia, pacientes com mais de 60 anos são considerados parasitas inúteis, e aqueles com mais de 70 têm até os mais básicos tratamentos de saúde negados.

No Reino Unido, no tratamento de falência renal crônica, aqueles com 55 anos de idade têm o tratamento negado em 35% dos centros de diálise.  Para os paciente de 65 anos ou mais, 45% têm o tratamento negado, ao passo que pacientes de 75 anos raramente recebem qualquer tipo de assistência médica nesses centros.

No Canadá, para "melhor" gerenciar o acesso a tratamentos médicos, o governo divide a população em três faixas etárias: abaixo de 45 anos, entre 45 e 65, e acima de 65 anos. Nem é preciso dizer que o primeiro grupo, que pode ser chamado de "pagadores ativos de impostos", recebe tratamento prioritário.

Defensores da medicina socializada, principalmente nos Estados Unidos, utilizam táticas soviéticas de propaganda para alcançar seus objetivos.  Michael Moore é um dos mais importantes e eficazes propagandistas socialistas na América.  Em seu filme Sicko [no Brasil, S. O. S. Saúde], ele compara de forma desfavorável e injusta o atendimento a pacientes idosos sofrendo de doenças complexas e incuráveis nos Estados Unidos ao atendimento rotineiro a mulheres jovens em trabalho de parto na França e no Canadá.  Houvesse ele feito ao contrário — ou seja, comparar o tratamento a mulheres jovens tendo bebês nos EUA ao tratamento a pacientes idosos com doenças complexas e incuráveis em sistemas de saúde socializados —, o filme seria igual, exceto pelo fato de que, nos EUA, o sistema de saúde pareceria ideal, ao passo que no Reino Unido, na França e no Canadá pareceria primitivo e selvagem.

Neste momento, nos Estados Unidos, os cidadãos estão sendo doutrinados a aceitar a discriminação dos idosos no sistema de saúde. Ezekiel Emanuel é diretor do Departamento de Bioética Clínica no Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos e um dos arquitetos do plano de reforma da saúde do Presidente Obama.  Ezekiel Emanuel escreveu que os serviços de saúde não devem ser garantidos a

indivíduos que estão irreversivelmente impedidos de ser ou de se tornar cidadãos ativos. Um exemplo óbvio é não garantir serviços de saúde a pacientes sofrendo de demência.[3]

Outro perturbador artigo, coescrito por Emanuel, apareceu no periódico médico The Lancet, em janeiro de 2009. Os autores escrevem que

ao contrário da alocação [de recursos de saúde] baseada em sexo ou raça, a alocação baseada em idade não é discriminação odiosa; cada pessoa passa por diferentes fases da vida, em vez de se manter em uma única idade.  Mesmo que pessoas com 25 anos tenham prioridade sobre pessoas com 65 anos, todos que têm 65 anos hoje já tiveram 25 algum dia.  Tratar pessoas com 65 anos de idade de modo diferente por causa de estereótipos ou mentiras seria discriminatório; tratá-las diferentemente porque elas já tiveram mais anos de vida não é.[4]

Toda medicina socializada inevitavelmente cria uma burocracia governamental maciça — igual às das escolas públicas, e com a mesma qualidade — e, no final, impõe controles de preços que inevitavelmente causarão escassez e baixa qualidade de serviços.  Os recursos são racionados não com base em preços, que inexistem em um sistema estatizado, mas sim com base em considerações políticas, corrupção ou nepotismo.  A saúde torna-se totalmente gerenciada por burocratas estatais.  Ela passa a funcionar como os Correios.

Em um sistema de saúde socializado, só é possível economizar custos pressionando-se os fornecedores ou recusando atendimento aos doentes — não há outra forma de economizar.  Os mesmos argumentos foram utilizados para defender a cultura de algodão no sul dos Estados Unidos antes da Guerra Civil.  A escravidão certamente "reduzia os custos" de mão-de-obra, "eliminava o desperdício" da negociação de salários, e evitava "paralelismos e duplicações desnecessárias".

Uma das causas dos altos custos médicos nos Estados Unidos está no fato de que os profissionais de saúde de lá têm os mais altos níveis de remuneração do mundo.  Outra causa dos altos custos do sistema de saúde americano é a existência de regulamentações governamentais sobre o setor, as quais impedem que a concorrência diminua os custos. Regulamentos como os certificates of need [literalmente 'certificados de necessidade', documentos emitidos por agências reguladoras estatais e exigidos para a construção de novos hospitais. Foram criados com o objetivo de se evitar o excesso de hospitais em determinada região], licenciamentos, e outras restrições à disponibilidade dos serviços de saúde impedem a concorrência e, consequentemente, resultam em maiores preços e menor oferta de serviços.

Sistemas socializados de medicina nunca elevaram o padrão geral de saúde ou de qualidade de vida em lugar algum. Na verdade, tanto a lógica analítica como as evidências empíricas apontam para a direção oposta. Mas o lúgubre fracasso da medicina socializada em elevar a saúde e a longevidade da população jamais afetou o charme que ela exerce sobre políticos, burocratas e seus assistentes intelectuais, todos em constante e insaciável busca por poder absoluto e controle total.

A maioria dos países escravizados pelo império soviético abandonou seu sistema totalmente estatal e recorreu à privatização, assegurando a necessária concorrência no sistema de saúde.  Outros países, inclusive várias social-democracias europeias, pretendem privatizar o sistema de saúde no longo prazo e descentralizar a fiscalização médica.  A propriedade privada de hospitais e de outras unidades de saúde é vista como um fator determinante e crítico para um sistema novo, mais eficiente e mais humano.

 

Para uma análise da saúde estatal no Brasil, veja Como Mises explicaria a realidade do SUS?



[1] "Russian Life Expectancy on Downward Trend" (St. Petersburg Times, 17 de janeiro de 2003).

[2] CRS Report for Congress: "Life Expectancy in the United States." Atualizado em 16 de agosto de 2006, Laura B. Shrestha, Order Code RL32792.

[3] Foster Friess, "Can You Believe Denying Health Care to People with Dementia Is Being Considered?" (14 de julho de 2009). Ver também Ezekiel J. Emanuel, "Where Civic Republicanism and Deliberative Democracy Meet" (The Hastings Center Report, vol. 26, no. 6).

[4] Govind Persad, Alan Wertheimer, and Ezekiel J. Emanuel, "Principles for Allocation of Scarce Medical Interventions" (The Lancet, vol. 373, issue 9661).


Tradução de Rodrigo Makarios


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SOBRE O AUTOR

Yuri N. Maltsev
é membro sênior do Mises Institute e foi um dos economistas da equipe de reforma econômica de Mikhail Gorbachev antes de desertar para os Estados Unidos.  Foi o editor de Requiem for Marx e leciona economia no Carthage College.




"parece-me improvável ser coincidência os produtores do metal em questão [ouro] também terem abruptamente reduzido sobremaneira sua mineração e refino na década de 70 e de forma ainda mais intensa do que a supostamente levada a cabo pela OPEP [...]"

Exato! Este é o ponto. Quem afirma que o petróleo encareceu na década de 1970 por causa de uma suposta escassez de oferta tem também de explicar por que o ouro (e outras commodities) se encareceu ainda mais intensamente. Houve restrição na oferta de ouro?

Assim como não houve redução da oferta de ouro (cujo preço explodiu em dólar) também não houve redução da oferta de petróleo (cujo preço explodiu em dólar).

O problema, repito, nunca foi de oferta de commodities, mas sim de fraqueza das moedas -- recém desacopladas do ouro (pela primeira vez na história do mundo) e, logo, sem gozar de nenhuma confiança dos agentes econômicos.

Igualmente, por que o petróleo barateou (junto com o ouro) nas décadas de 1980 e 1990, quando a demanda por ele foi muito mais intensa do que na década de 1970? Por que ele encareceu em 2010 e 2011, em plena recessão mundial? E por que barateou em 2014 e 2015, quando as economias estavam mais fortes que em 2010 e 2011?

O dinheiro representa a metade de toda e qualquer transação econômica. Logo, quem ignora a questão da força da moeda está simplesmente ignorando metade de toda e qualquer transação econômica efetuada. Difícil fazer uma análise econômica sensata quando se ignora metade do que ocorre em uma transação econômica.

"ao menos em tese, não seria possível ocorrer uma elevação do índice "DXY" durante algum tempo simultaneamente a uma alta nas cotações em USD de algumas commodities, configurando uma situação de inflação de preços global generalizada onde a moeda america seria nesta hipótese "a garota menos feia do baile"

Sim, em tese seria possível. Só que, ainda assim, haveria um indicador que deixaria explícito o que está acontecendo: o preço do ouro.

Se o dólar estiver se fortalecendo em relação a todas as outras moedas, mas estiver sendo inflacionado (só que menos inflacionado que as outras moedas), o preço do ouro irá subir.

Mas este seu cenário só seria possível se todas as outras moedas estivessem sendo fortemente desvalorizadas. Enquanto houver franco suíço, iene e alemães na zona do euro, difícil isso acontecer.

Abraços.
Saudações, Leandro.

Teus comentários me remeteram a
uma recente troca de posts que tive no MI !
A propósito, uma análise da relação entre ouro e petróleo talvez pudesse reforçar nosso argumento em comum. Afinal, parece-me improvável ser coincidência os produtores do metal em questão também terem abruptamente reduzido sobremaneira sua mineração e refino na década de 70 e de forma ainda mais intensa do que a supostamente levada a cabo pela OPEP, caso a explicação p/ o fortalecimento do primeiro em relação ao segundo (i.e. cruede mais barato em Au) também se baseasse no suposto "choque de oferta" ao qual frequentemente se atribuem praticamente todos os episódios de encarecimento do petróleo em US$...

Sobre o "desafio": "Sigo no aguardo de um único exemplo prático de dólar forte e commodities caras. E de dólar fraco e commodities baratas, pergunto: ao menos em tese, não seria possível ocorrer uma elevação (ainda que improvável, inclusive na atual conjuntura) do índice "DXY" (dólar em relação às moedas mais líquidas do mundo) durante algum tempo simultaneamente a uma alta nas cotações em USD de algumas commodities, configurando uma situação de inflação de preços global generalizada onde a moeda america seria nesta hipótese "a garota menos feia do baile" (de ForEx) ?

Att.
Prezado Paulo, obrigado pelo comentário, o qual nada alterou a constatação: o preço das commodities é cotado em dólar; consequentemente, a força do dólar é crucial para determinar o preço das commodities. Impossível haver commodities caras com dólar forte. Impossível haver commodities baratas com dólar fraco.

Perceba que seus próprios exemplos comprovam isso: você diz que a produção americana de petróleo atingiu o pico em 1972, e dali em diante só caiu. Então, por essa lógica era para o preço do petróleo ter explodido nas década de 1980 e 1990. Não só a oferta americana era menor (segundo você próprio), como também várias economia ex-comunistas estavam adotando uma economia de mercado, implicando forte aumento da demanda por petróleo. Por que então o preço do barril não explodiu (ao contrário, caiu fortemente)?

Simples: porque de 1982 a 2004 foi um período de dólar mundialmente forte.

"Período 1973/74: É consenso da indústria mundial de petróleo que a subida abrupta dos preços em 1973/74 deveu-se ao embargo árabe realizado pela OPEP[...]"

Nada posso fazer quanto a esse "consenso", exceto dizer que ele é economicamente falacioso. O preço do barril (em dólares) subiu durante toda a década de 1970 (e não apenas no período 1973-74). O barril só começou a cair a partir de 1982, "coincidentemente" quando o dólar começou a se fortalecer.

Será que foi a OPEP quem encareceu o petróleo de 1972 a 1982? Se sim, por que então em 1982 ela reverteu o curso? Mais ainda: se ela é assim tão poderosa para determinar o preço do barril do petróleo, por que ela nada fez de 1982 a 2004, que foi quando o barril voltou a disparar ("coincidentemente", de novo, quando o dólar voltou a enfraquecer)?

E por que de 2004 a 2012 (dólar fraco) o petróleo disparou? E por que desabou de 2013 a meados de 2016 (dólar forte)? E por que voltou a subir agora (dólar enfraquecendo)?

Sigo no aguardo de um único exemplo prático de dólar forte e commodities caras. E de dólar fraco e commodities baratas.

Se alguém apresentar esse exemplo, toda a teoria econômica está refutada.
Boa tarde Bruno., tudo tranquilo?

Advogados de uma maneira geral tem duas frentes: ou são interlocutores mediante a resolução de conflitos, ou analistas para evitar conflitos. Basicamente são especialistas em detalhes jurídicos, sendo obrigatório o talento nato em retórica, para expor a parte de seu cliente de forma objetiva, lírica e eloquente na mediação, e muita disciplina acadêmica para assimilar todos os enlaces dos códigos a que se propõe atuar.

Sob a batuta do Estado, apenas formados em direito (e aqui no Brasil postulantes ao exame da OAB) podem representar pessoas e empresas nas demandas da Lei. Basicamente, 90% dos advogados no Brasil são decoradores de Lei, tendo parco saber jurídico para analisar de forma contundente demandas mais complexas.

Já em um país libertário, basta a pessoa ter um grande saber jurídico, oratória razoável e ser um bom jogador de xadrez que pode advogar tranquilamente, podendo também adquirir títulos e certificados mediante associações privadas, com o único propósito de destacar aqueles que realmente tem o que é necessário para ser advogado para quem quiser contrata-lo.

Quanto a sua questão, seja pelo monopólio do Estado ou em um país livre, o advogado não propriamente cria riqueza, mas impede que a mesma seja perdida por um descuido na assinatura de um contrato, ou mesmo a ruína causada por uma ex mulher gananciosa. Na assinatura de contratos é como uma companhia de seguros, pois ao analisar os detalhes mitiga os riscos apontando erros e pegadinhas. Por outro lado, se for atuar em uma demanda já existente, seria mais ou menos como o corpo de bombeiros, para apagar o incêndio o mais rápido possível, antes que o fogo consuma tudo.

Prezado Leandro

Aprecio muito seus artigos e comentários, postados aqui no Instituto Mises. Inclusive, suas respostas a indagações minhas sempre primaram pela cordialidade e análise ponderada. E, em relação ao seu comentário acima, não discordo quanto à correlação existente entre uma commoditie e a moeda em que ela é comercializada.

No entanto, se me permite, gostaria de discordar parcialmente do seus comentários acima sobre a causa e efeito nos preços dos mercados do petróleo, a partir do chamado Choque Nixon (1971). Entre outras medidas, ele cancelou unilateralmente a conversão do dólar em ouro. Baseei meus comentários em inúmeros autores, que usamos na indústria, não para fins políticos, mas para nosso negócio (tenho 38 anos de indústria do petróleo).

Para melhor acompanhar meus comentários, é interessante analisar os mesmos acompanhado de dois gráficos:

1) Preço do petróleo entre 1986 e 2015, fonte: BP Global:
www.bp.com/en/global/corporate/energy-economics/statistical-review-of-world-energy/oil/oil-prices.html

2) Produção e importação de óleo cru nos EUA: //en.wikipedia.org/wiki/Petroleum_in_the_United_States#/media/File:US_Crude_Oil_Production_and_Imports.svg

Vou colocar os eventos em ordem cronológica, com meus comentários após aspas de seus comentários, as vezes com ... :

SEU COMENTÁRIO: Igualmente, a acentuada e abrupta desvalorização do dólar na década de 1970 ... : não era o petróleo que estava ficando escasso; eram as moedas, recém-desacopladas do ouro, que perdiam poder de compra aceleradamente.

MEU COMENTÁRIO:
- A indústria do petróleo nunca correlacionou a culpa do aumento dos preços do petróleo na década de 1970 como sendo por causa de escassez do produto.

- Ano de 1972: A produção total Americana atinge o pico, próximo a uma média diária de nove milhões de barris por dia (bpd) e, a partir deste ponto, entra num declínio acentuado e contínuo, só interrompido em meados dos anos 2000, por conta do crescimento estratosférico da produção americana está ligado ao boom do "shale oil" americano (óleo de folhelho).

- Período 1973/74: É consenso da indústria mundial de petróleo que a subida abrupta dos preços em 1973/74 deveu-se ao embargo árabe realizado pela OPEP contra os países que apoiavam Israel na Guerra do Yom Kippur. Entre o início e o fim do embargo os preços tinham subido de US$ 3/barril (US$ 14 hoje) para US$ 12/barril (US$ 58 hoje).

SEU COMENTÁRIO: Tanto é que, nas décadas de 1980 e 90, o barril do petróleo despencou (dólar forte).

MEU COMENTÁRIO: Período 1985-1999:

- Em 1986 a Arábia Saudita resolveu recuperar sua participação no mercado global (market share) aumentando sua produção média diária de 3,8 milhões bpd em 1985 para mais que 10 milhões bpd em 1986. As reservas sauditas são tão grandes que ela sempre pôde se dar o luxo de "fechar ou abrir torneiras" para controlar demanda e oferta. Mas, atualmente isto está começando a ser modificado.

- 1988: Com o fim da Guerra Irã-Iraque, ambos voltaram a aumentar substancialmente a produção média diária.

SEU COMENTÁRIO: O boom das commodities (principalmente minério e petróleo) na década de 2000 foi "auxiliado" pelo enfraquecimento do dólar.

MEU COMENTÁRIO: Principais eventos para o aumento quase contínuo dos preços na década de 2000:

- Final dos anos 1990 e início dos anos 2000: Crescimento das economias Americana e Mundial.

- Pós 11/01/01 e invasão do Iraque: crescente preocupação quanto a estabilidade da produção do Oriente Médio.

- Segunda metade da década: Combinação de produção declinante mundial com o aumento acelerado e contínuo da demanda asiática pelo produto, especialmente China.

A causa da produção mundial declinante está relacionada à enorme expansão da produção OPEP na década anterior e que inibiu o investimento da indústria em exploração (pesquisa para descoberta de novas jazidas). Para quem não é da área, investimentos em exploração de petróleo tem retorno de médio a longo prazo.

SEU COMENTÁRIO: a recente queda a partir de 2012 (dólar forte).

MEU COMENTÁRIO: A partir de 2014 a queda dos preços está ligada a dois grandes eventos:

- Aumento substantivo da produção nos EUA e na Rússia, sendo que em 2015 a produção Americana atingiu o mais alto nível em mais de 100 anos, com os EUA voltando a serem os maiores produtores mundiais após mais de 50 anos (Figura a seguir)

- O crescimento estratosférico da produção americana está ligado ao boom do "shale oil" americano (óleo de folhelho), com o avanço tecnológico do fraturamento hidráulico (hydraulic fracturing, or fracking), ela começou a ser utilizada com progressivo sucesso em reservatórios não convencionais como o shale oil. Com isto, nunca os estoques americanos estiveram tão altos. E, aqui o básico da economia de Adam Smith: oferta maior que demanda gera queda nos preços.

Saudações, Paulo









Não, Xiba. Continua sendo pirâmide do mesmo jeito.

Essa questão da Previdência brasileira é um assunto bastante interessante pelo seguinte motivo: talvez seja a única área da economia que não está aberta a opiniões ideológicas.

Não importa se você é de esquerda ou de direita; liberal, libertário ou intervencionista. Também pouco importa se você acredita que a Previdência atual seja superavitária (como alguns acreditam). O que importa é que o modelo dela é insustentável. E é insustentável por uma questão puramente demográfica.

E contra a realidade demográfica não há nada que a ideologia possa fazer.

Comecemos pelo básico.

Ao contrário do que muitos ainda pensam, o dinheiro que você dá ao INSS não é investido em fundo no qual ele fica rendendo juros. Tal dinheiro é diretamente repassado a uma pessoa que está aposentada. Não se trata, portanto, de um sistema de capitalização, mas sim de um sistema de repartição: o trabalhador de hoje paga a aposentadoria de um aposentado para que, no futuro, quando esse trabalhador se aposentar, outro trabalhador que estiver entrando no mercado de trabalho pague sua aposentadoria.

Ou seja, não há investimento nenhum. Há apenas repasses de uma fatia da população para outra.

Por motivos óbvios, esse tipo de esquema só pode durar enquanto a fatia trabalhadora for muito maior que a fatia aposentada. Tão logo a quantidade de aposentados começar a crescer mais rapidamente que a fatia de trabalhadores, o esquema irá ruir.

Portanto, todo o arranjo depende inteiramente do comportamento demográfico da população. A qualidade da gestão do INSS é o de menos. Mesmo que a Previdência fosse gerida por anjos probos, sagazes e imaculados, ainda assim ela seria insustentável no longo prazo caso a demografia não cooperasse.

E, no Brasil, ela já não está cooperando. Segundo os dados do IBGE, em 2013, havia 5,5 pessoas com idade entra 20 e 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos. Em 2060, a se manter o ritmo projetado de crescimento demográfico, teremos 1,43 pessoa com idade entre 20 a 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos.

Ou seja, a menos que a idade mínima de aposentadoria seja continuamente elevada, não haverá nem sequer duas pessoas trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.

Aí fica a pergunta: como é que você soluciona isso? Qual seria uma política factível "de esquerda" ou "de direita" que possa sobrepujar a realidade demográfica e a contabilidade?

Havendo 10 trabalhadores sendo tributados para sustentar 1 aposentado, a situação deste aposentado será tranquila e ele viverá confortavelmente. Porém, havendo apenas 2 trabalhadores para sustentar 1 aposentado, a situação fica desesperadora. Ou esses 2 trabalhadores terão de ser tributados ainda mais pesadamente para sustentar o aposentado, ou o aposentado simplesmente receberá menos (bem menos) do que lhe foi prometido.

Portanto, para quem irá se aposentar daqui a várias décadas e quer receber tudo o que lhe foi prometido hoje pelo INSS, a mão-de-obra jovem do futuro terá de ser ou muito numerosa (uma impossibilidade biológica, por causa das atuais taxas de fecundidade) ou excessivamente tributada (algo que não é duradouro).

Eis o fato irrevogável: contra a demografia e a matemática, ninguém pode fazer nada.

A não ser mudar totalmente o sistema.

Uma proposta para uma reforma definitiva da Previdência

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Giancarlo Giacomelli  28/06/2012 06:38
    Parabéns pessoal! Mais um brilhante e esclarecedor artigo selecionado.

  • Cândido Leonel Teixeira Rezende  28/06/2012 07:16
    "Em um sistema de saúde socializado, só é possível economizar custos pressionando-se os fornecedores ou recusando atendimento aos doentes — não há outra forma de economizar."

    É interessante notar que isso fica subentendido pra qualquer pessoa, mas elas insistem em dizer que existe pouco investimento por parte do governo em relação à saúde.
  • Fabio  04/08/2012 10:20
    Verdade amigão,concordo com vc plenamente. Esses tempos eu estava ruim de saude e fui em um hospital particular pelo plano,resultado,tive que esperar 4 horas para ser atendido;agora pense comigo,e se eu tivesse com uma doença grave,como iria acontecer/ e os hospitais publicos então,com certeza devia estar bem pior,nem fui conferir.
    Agora se todos os hospitais fossem privatizados e todos pagassem,nem que seja um pouco atraves de planos de saude ou seguros saudes,e aqueles que não pagassem,simplesmente não receberiam tratamento de saudê,ou receberiam o básico do básico em caso de vida e morte,todos iriam pagar planos de saude,e com isso giraria bem mais dinheiro na economia e nossa saude seria excelente..
  • Juliano  28/06/2012 07:32
    Outra causa não mencionada para os altos custos nos EUA é o simples fato de colocar o Estado como comprador e financiador. Um fornecedor que precisa vender para pessoas físicas precisa praticar preços razoáveis. Não há nenhum sentido em cobrar um valor que pessoas não podem pagar.\r
    \r
    Quando o governo entra na jogada, ele diz: pode deixar que eu ajudo a pagar. Isso, obviamente, joga os preços para cima. Vira uma guerra entre fornecedores para se colocar na lista de "compras subsidiadas" e elimina a necessidade de modernização e barateamento. \r
  • Hay  28/06/2012 08:26
    Poucas pessoas percebem o problema que você citou. A maioria não consegue conceber essas ideias porque elas estão ocupadas demais tentando parecer boazinhas e preocupadas com o social. Elas parecem imaginar que, ao fazer um longo discurso a respeito de como o social deve ser levado em conta, de como o estado tem uma função social, os problemas econômicos práticos deixarão de existir. Só que a realidade insiste em mostrar suas garras e dilacerar os discursos socialistas em geral. É por isso que é quase impossível argumentar com socialistas. Quando você destroi as bases econômicas de seus sistemas - provando, então, que seus sistemas na prática nunca funcionarão em nenhum lugar do mundo - eles se refugiam em estudos de casos semelhantes a:
    - "Mas e se o estado não fornecer , o que fazer?" - Traduzindo: "Já que tudo sempre funcionou assim, é porque nunca funcionaria de nenhuma outra maneira".
    - "Mas os custos da iriam explodir!". Traduzindo: "Eu já revoguei as leis econômicas e não quero pensar mais nisso".
  • LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA  28/06/2012 07:36
    Excelente artigo. No caso do Brasil, houve um certo presidente que, se referindo ao SUS, disse estar beirando a perfeição. Ele, obviamente, sabia que isso não era verdade. Mas, onde demagogia, charlatanismo e populismo se misturam, a verdade é expulsa.
  • Yochanan Ben Efraym  28/06/2012 08:46
    Excelente artigo. Creio que ele é bem pertinente para os seguidores de Che Guevara!!
  • amauri  28/06/2012 09:14
    Boa tarde!
    A Suprema Corte americana acabou de 'legalizar' o plano na area de saude do Obama. O que vai mudar a saude nos EUA?
    abs
  • Blu  28/06/2012 09:47
    O Wikipedia em inglês tem um extenso texto sobre o Obamacare, ou Patient Protection and Affordable Care Act (PPACA). É um projeto ambicioso, e seus defensores juram de pés juntos que ele simplesmente tenta racionalizar e universalizar o acesso à saúde, e que não é deficitário. Se você acompanhar o cronograma, a coisa é tão surreal que chega a ser engraçada. O Wikipedia já é suficiente para você rir da cara de quem acha que o Obamacare tem como funcionar:

    - O cronograma de longo prazo considera que a situação dos EUA vai melhorar e magicamente a economia vai voltar a funcionar muito bem.
    - Há muitas passagens bonitas mas irreais. Por exemplo, fala-se em uma reforma para pagar aos médicos de acordo com a qualidade do serviço. Tente imaginar burocratas tentando definir qualidade de serviço, e agora tente imaginar políticos no meio dos burocratas. Você consegue ver algo bom saindo disso?
    - O dinheiro para pagar tudo isso virá de taxas baseadas na renda das pessoas - um "seguro-saúde". Isso é óbvio, já que o governo não poderia tirar dinheiro do nada. Porém, considerando que o custo da saúde tem aumentado muito, não há como ver isso funcionando. Aliás, ele já é deficitário atualmente.
    - O planejamento do orçamento é simplesmente uma enganação. Todos os "cortes" nos déficits previstos têm sido, na prática, cortes nos aumentos de déficits. Ou seja, o orçamento não diminui, só aumenta menos.

    Porém, como as pessoas odeiam falar sobre essa coisa chamada chamada economia e têm um horror inominável ao cálculo econômico, imaginando, provavelmente, que basta odiá-lo para que ele deixe de existir, o Obamacare deixa de se passar como o absurdo que é. Afinal, se é "em prol do coletivo", a lógica econômica, aliás, até a lógica elementar pode ser deixada de lado. Isso porque vivemos em um mundo onde basta fazer discursos bonitos a respeito do social para que os recursos passem a ser aplicados de forma melhor, em um passe de mágica. Se não funcionar... culpe os políticos e peça para que mais leis sejam aprovadas e mais poder seja dado aos políticos.
  • Veron  02/12/2015 16:30
    A Wikipédia é o retrato perfeito da porcaria que é a elite intelectual atual. Condena moderadamente os experimentos socialistas do passado, mas quer repeti-los sob outros nomes como "social-democracia" e "progressismo" achando que o resultado será diferente.

    A maioria dos intelectuais queridinhos da mídia e do sistema educacional são mentirosos, desonestos e demagogos.
    Os caras simplesmente não aprendem nem mesmo com suas ideias postas em prática.
  • Julio dos Santos  28/06/2012 10:13
    Bravo!\r
    Corrigindo a propaganda comunista:\r
    "Saúde pública universal: APROXIMANDO o berço do túmulo"
  • celi  31/07/2012 11:40
    Eliel, muito boa sua adaptação!
  • Bernardo  28/06/2012 10:39
    Estamos cada vez mais perto do socialismo pleno, não duvido nada que em coisa de 20 anos, grande parte dos países do mundo será oficialmente socialista,
  • Alan Denadary  28/06/2012 12:30
    Socialista? Duvido muito. Até mesmo os esquerdistas sabem que isso não funciona.

    Socialismo mesmo, só no discurso. Na prática, tudo não passa de corporativismo e dos brabos!
  • Renato  03/07/2012 15:42
    Por isso eles geralmente não propõem um sistema socialista puro, mas um sistema facista, em que o estado controla os empresários, para servir aos interesses do partido.
  • Eliel  28/06/2012 10:54
    "Saúde pública universal: APROXIMANDO o berço do túmulo"\r
    Legal. Resume o assunto tratado aqui.
  • anônimo  29/06/2012 06:55
    Amén
  • BSJ  28/06/2012 11:21
    Tenho uma curiosidade: o sistema de planos de saúde privado no Brasil é igual ou pior do que nos EUA?
  • Victor   28/06/2012 13:22
    Pelo o que eu conheço, acho pior. Existe uma gama de opções, preços e serviços de qualidade inimaginável disso nos EUA. Mas há quem discorde, imagino.
  • Leandro  28/06/2012 14:22
    O sistema americano é bem mais intervencionista que o brasileiro. Aqui, você ao menos tem a opção de comprar ou não um plano de saúde, e você pode escolher de qual empresa comprar. Adicionalmente, nenhum patrão tem a obrigação de fornecer plano de saúde para seus empregados. E, o que é mais importante, aqui no Brasil você ainda consegue, com plano de saúde, consultas médicas privadas decentes.

    Nos EUA, além de os patrões serem obrigados a pagar os planos de saúde de seus empregados, são eles, os patrões, que decidem de qual empresa comprar. O empregado usuário não tem voz. Uma consulta médica lá -- e eu sei disso por experiência própria -- é uma porcaria. O médico lhe atende em pé e não passa mais do que dois minutos com você.

    Agora com a aprovação do Obamacare, absolutamente todas as pessoas são obrigadas a comprar planos de saúde. Quem não comprar, será multado. Maravilhas da terra da liberdade, não?

    Não bastasse tudo isso, uma seguradora de um estado não pode fornecer seus serviços em outros estados. Logo, a concorrência interestadual é proibida. Tudo isso em um ambiente em que o setor médico é fortemente cartelizado pelas entidades de classe.

    Ou seja, há um mercado de seguros-saúde extremamente regulado, uma oferta limitada de serviços de saúde e uma demanda crescente por esses serviços. O que isso acarretou? Discrepâncias inimagináveis. Para um simples exame de sangue, por exemplo, chega-se a cobrar 600 dólares! Como são as seguradoras que pagam, os usuários não estavam nem aí. Da mesma forma, era comum as pessoas utilizarem seu seguro-saúde para pagar coisas triviais, como engessamento de braço e até mesmo injeções contra a gripe (que podiam ser vendidas no Wal-Mart por meros 20 dólares). Coisas que podiam perfeitamente ser bancadas à parte, passaram a ser pagas pelas seguradoras.

    Não havia mais a disciplina imposta pelo mercado. Ninguém se preocupava com preços, afinal as seguradoras estavam pagando tudo. A consequência inevitável dessa esbórnia foi o aumento explosivo dos custos dos planos de saúde, exatamente a maior queixa dos americanos.

    (Se a seguradora do seu carro passasse a pagar sua gasolina e todas as suas manutenções de rotina, o que você acha que iria acontecer com preço do seu seguro?)

    Portanto, o butim ficou dividido da seguinte maneira:

    1) As seguradoras auferiram lucros exorbitantes. Afinal, a concorrência era proibida e as regulamentações estatais dificultavam o surgimento de seguradoras de pequeno porte. As grandes dominaram e tiveram a liberdade de jogar seus preços na estratosfera.

    2) Como podiam cobrar os preços que bem entendiam - afinal, as seguradoras pagavam tudo -, os médicos e as associações de profissionais da saúde também faturaram. Como não havia livre concorrência e não havia qualquer disciplina sobre os preços (este vídeo de seis minutos mostra que era impossível um americano pagar à parte por qualquer tipo de consulta), esse cartel medicinal enriqueceu facilmente.

    3) Se as seguradoras e os médicos ganharam em um mercado regulado, então é óbvio que o consumidor médio foi quem saiu perdendo, pois tinha de arcar com preços cada vez maiores por seus seguros.
  • Juliano  28/06/2012 14:30
    A idéia de adquirir um seguro é justamente se prevenir de algo muito caro, mas com chances remotas. Ninguém compra seguro de carro para usá-lo. O exemplo de não usar seguro de carro pra pagar combustível é perfeito.\r
    \r
    As "seguradoras" de saúde viraram meros intermediários. São usadas pra qualquer fim, são cheias de restrições e tem um mercado cativo. Como esperar que isso dê certo?
  • Lucas Amaro  29/06/2012 15:58
    "Nos EUA, além de os patrões serem obrigados a pagar os planos de saúde de seus empregados, são eles, os patrões, que decidem de qual empresa comprar. O empregado usuário não tem voz. Uma consulta médica lá -- e eu sei disso por experiência própria -- é uma porcaria. O médico lhe atende em pé e não passa mais do que dois minutos com você.

    Agora com a aprovação do Obamacare, absolutamente todas as pessoas são obrigadas a comprar planos de saúde. Quem não comprar, será multado. Maravilhas da terra da liberdade, não?"

    Antes, os patrões eram que pagavam os planos de saúde dos empregados. Agora, todas as pessoas são obrigadas a comprar. No caso dos empregadores a situação mudou ou foi apenas para os usuários? Os empregadores seguem pagando obrigatoriamente os planos dos empregados? Além disso, antes era obrigatório que um empregador pagasse um plano para o empregado, mesmo se ele ao ser contratado não tivesse um (no caso, um "direito trabalhista")?
  • Leandro  29/06/2012 17:01
    Não, os patrões sempre dividiram o pagamento com os empregados. O patrão pagava parte do seguro-saúde de seu empregado, e o empregado pagava a outra parte. Falha minha ao não acentuar isto.

    Mas antes, pelo fato de não ser obrigatório todo mundo ter plano de saúde, havia espaço para a negociação entre patrões e empregados. Mas agora, como a aquisição é obrigatória para todos, não tem conversa. O patrão tem de pagar, mesmo que nem ele nem o empregado queiram. O suspense agora fica por conta de qual será o novo valor.
  • Lucas Amaro  29/06/2012 17:37
    Vai funcionar quase que como uma "contribuição" pro sindicato, em que você é inserido mesmo contra a própria vontade, que maravilha. Uma pena um país como os EUA, que já teve um passado mais belo, passar cada vez mais por coisas com cara de Brasil e América Latina no geral.
  • Rickd  28/06/2012 12:01
    Tudo dentro do Socialismo é proposital, isso é ja era esperado e é exatamente o que todo socialista quer da sociedade: a pobreza extrema, a corrupção e sujeira espalhada por todos os cantos.

    O Socialismo é uma doença mental.
  • Maycon  19/05/2014 17:00
    Concordo plenamente com você. Isso me lembra de Lula falando que está tudo ótimo com o SUS.... Para um brasileiro falar isso numa entrevista difundida no mundo inteiro, é por que ele só pode ser um psicopata... Não há outra explicação.
  • Steve Ling  28/06/2012 12:40
    Eu falo com vários colegas que pelo que ele se propõe o SUS funciona muito bem.\r
    O povo quer atendimento de Einstein e Sírio Libanes de graça. \r
    Um agravante que nínguem fala: Enquanto a gestão do sistema de saúde estiver a cargo de médicos a categoria vai continuar a trabalhar muito pouco.
  • Igor  28/06/2012 22:42
    Caro Steve Ling ,

    O ponto que você levantou sobre a gestão da saúde é muito pertinente. Médico estudou para exercer medicina, não pra tocar recursos de hospital. Chamem um economista, um adminstrador qualquer outro profissional. Isso parece ser muito lógico, embora pouco praticado.

    Por outro lado, acho que você se engana ao dizer que a classe trabalha pouco. Em média os médicos tem que trabalhar 2,3x mais do que um engenheiro para ganhar 1,7x a mais. Bom, o cara ganha muito bem, mas tem que ralar muito para isso. Fora a questão dos planos de saúde pagarem quantias absurdamente baixas por qualquer procedimento médico. Uma consulta chegou a ser tabelada em R$27,00. Você já parou para pensar que uma manicure cobra R$30,00 para "fazer pé e mão"

    O pior de tudo é que as pessoas acreditam que o médico é realmente um ser quase angelical que deveria trabalhar pelo bem-estar do povo única e exclusivamente por uma coisa que todo mundo gosta de chamar de vocação. Taí, mais uma vez, a questão econômica sendo desprezada...
  • amauri  28/06/2012 14:19
    Segundo Thomas Sowell os democratas americanos, ou o Obama, não está implementando o socialismo e sim o fascismo.
  • Leandro  28/06/2012 14:25
    É fascismo porque se trata de uma lei em que as grandes seguradoras são beneficiadas -- afinal, todo cidadão será obrigado a comprar plano de saúde. Se não comprar, será multado.

    Não há conluio mais explícito entre governo e grandes empresas do que esse. Comparado a isso, empréstimo subsidiado do BNDES se torna política austera.
  • Victor  28/06/2012 15:31
    Algumas dúvidas me surgiram em relação a aplicação do liberalismo econômico e a completa ausência de intervenção e desregulamentação estatal na economia. Não há dúvidas de que o sistema liberal é o mais indicado para o desenvolvimento da área econômica, os diversos artigos expostos aqui site comprova o fato com maestria, e refuta quaisquer teorias de que o socialismo proporciona uma melhor qualidade de vida pra população em geral. Agora, proponho-lhes a solucionar o seguite problema: como ficaria a questão ambiental na região amazônica, já que empresas de diversos setores exploram as riquezas minerais, madeira, entre outros recursos, se aproveitam do espaço para cultivar seus negócios agropecuários e agrònomos, esses empresários estão somente em busca do luvro não estão ?? Não vejo outra solução para questão a não ser a implantação de leis proibindo as práticas, para isso é necessário ao menos uma regulamentação na área por parte do estado, estou enganado ?? Que soluções a escola austríaca teria para resolver os problemas citados ??
  • Leandro  28/06/2012 15:46
    Prezado Victor, o que achei interessante em sua pergunta foi o seu preâmbulo: você começou dando a entender que faria uma pergunta totalmente desafiadora e praticamente insolúvel, quando, no final, perguntou algo totalmente básico e sem nenhum potencial gerador de conflito. Aliás, a resposta para esta pergunta é compartilhada não apenas pelo pessoal da Escola de Chicago mas também por qualquer microeconomista minimamente decente da PUC-RJ e da FGV.

    A solução? Propriedade privada, é claro. Imagine que você seja o dono de uma parte da Amazônia. Você está interessado no lucro. Para ter lucro contínuo, você tem de pensar no longo prazo. Como fazer com que uma atividade ecológica lhe traga lucro no longo prazo? Falando mais especificamente, como garantir que a exploração da sua área da Amazônia lhe traga lucros de longo prazo?

    A resposta é óbvia: você terá total interesse em garantir que a exploração seja "sustentável". Para isso, você não apenas cobrará das madeireiras (coisa que o governo, dono da Amazônia, não faz atualmente), como também cuidará para que elas não façam derrubadas de árvores atabalhoadamente. Com parte dessa receita, você irá continuamente replantar árvores e cuidar do terreno, garantindo que sempre haja árvores a ser derrubadas e que elas sempre sejam replantadas.

    Quando uma empresa é dona de sua própria terra, ela possui vários incentivos para cuidar muito bem daquela terra. Sua preocupação é com a produtividade de longo prazo. Assim, ela vai ceifar apenas um número limitado de árvores, pois não apenas terá de replantar todas as que ceifou, como também terá de deixar um número suficiente para a colheita do próximo ano.

    Todo o desmatamento que existe atualmente tenderia a zero.

    A resposta, portanto, é exatamente a mesma para qualquer setor da economia: propriedade privada e preços. E preços não podem existir sem propriedade privada.

    Grande abraço!

    P.S.: sugestão de artigo: www.mises.org.br/Article.aspx?id=89
  • Victor  28/06/2012 16:43
    Sob uma perspectiva econômica realmente isso faz todo sentido. Porém, a questão é mais delicada e não envolve apenas fatores econômicos, há também a questão biológica, pois o que está em jogo é toda uma variedade de espécies de árvores e plantas que futuramente, uma espécie ainda não catalogada e conhecida pelo homem pode vir a ser matéria-prima de algum medicamento capaz de salvar milhares, talvez milhões de vidas. A atividade de explorar as árvores da região, mesmo que o contingente de árvores desmatadas seja replantado para dar continuidade aos lucros, contribui pro desaparecimento dessas espécies vegetais, consequentemente afetando a biodiversidade da floresta. O desmatamento não se reduziria a zero, o que acontece é que essa árvores derrubadas seriam replantadas com o fim de continuar a atividade de extração da empresa. A meu ver, nas áreas digamos "virgens" (intactas), a atividade de empresas ligadas a exploração de madeira deveria ser completamente abolida. É bastante ingênuo, achar que esses proprietários de terra estão comprometidos com o salvamento dessas espécies, pois eles terão de abrir mão de lucros, há um trade-off aí, e entre a opção de optar pela "causa" ambientalista, ou lucrar, não tenho dúvidas de que o propritário optará pelos lucros.
  • Leandro  28/06/2012 16:55
    "[...] há também a questão biológica, pois o que está em jogo é toda uma variedade de espécies de árvores e plantas que futuramente, uma espécie ainda não catalogada e conhecida pelo homem pode vir a ser matéria-prima de algum medicamento capaz de salvar milhares, talvez milhões de vidas."

    Observe o tamanho desta ilação e a consequência direta dela: o ambiente não pode ser explorado para o bem-estar humano porque pode ser que, quem sabe, daqui a alguns séculos, surgirá uma espécie de árvore milagrosa que salvará "milhões de vidas".

    Ora, aplicando-se rigorosamente este seu raciocínio, simplesmente não haverá "milhões de vidas" a serem salvas no futuro, pois a humanidade será reduzida substancialmente pela total falta de recursos, os quais não mais podem ser explorados em decorrência desta suposição de que surgirá uma árvore milagrosa no futuro...
  • Victor  28/06/2012 20:19
    Só não concordo muito com essa idéia de que a toda a natureza deve se reduzir a fonte de matéria-prima para obtenção de bens de consumo... acho um desrespeito para com a natureza. Mas suas respostas foram excelentes assim como o artigo indicado, obrigado pela atençao. abrs
  • Gustavo  28/06/2012 20:25
    Victor, o manejo florestal mais economicamente viável é o sustentável, no qual há fracionamento territorial da exploração da área. Isto se deve ao inventário florestal e à racionalidade na abertura de estradas, o que elimina boa parte dos custos. De quebra, os animais sempre têm um local para sobreviverem na área em questão.
    E não pense que o manejo convencional é o fim do mundo. Nele, há derrubada de mais árvores e construção de maior área de estradas, mas a vegetação regenera rapidamente, pois o desmatamento não é total, havendo sempre "ilhas" de vegetação. Estas "ilhas" produzem uma enormidade de sementes (essenciais à regeneração) e abrigam os animais.
    Se você tiver dúvida quanto à queimada... isso aí é prática de pecuarista, não de madeireiro. Até porque qualquer madeireiro quer que a área explorada regenere!
    Não interprete este comentário como uma defesa de leis ambientais (nenhuma!), mas como uma explanação de por que é irracional a ideia de que, com mais respeito ao direito de propriedade, "o mundo vai acabar" (sic).
  • Rodnei  10/06/2013 00:43

    Por incrível que pareça, meu velho pai com suas inúmeras histórias me mostrou, mesmo sem saber ou ser adepto do libertarianismo, como o mercado livre e as empresas privadas são infinitamente mais eficientes, até mesmo na questão ambiental.

    Conta ele que, em meados das décadas de 50/60, em Santa Catarina (não lembro a cidade), prestava serviços como motorista para a Celulose Irani, grande empresa americana fabricante de papel. Esta possuía uma propriedade imensa, onde plantava pinheiros (sua matéria prima) e mantinha uma linda cidade para os seus funcionários, com uma estrutura invejável. Tanto funcionários quanto prestadores de serviço eram muito bem remunerados e que dispunham de ótima qualidade de vida, ser funcionário da Celulose era motivo de inveja. Diziam que a empresa tinha árvores suficientes para 100 anos de exploração.
    Bom, alguns políticos acharam que a empresa tinha terras demais e resolveram desapropriar e estatizar tudo. Em menos de 5 anos não havia um único pinheiro em pé, árvore hoje ameaçada de extinção.

    Leandro, me responda mais uma dúvida.
    Num livre mercado, se uma empresa situada próximo à cabeceira de um rio e proprietária deste trecho do mesmo despeja seu lixo e polui o rio, prejudicando os proprietários de terras no mesmo rio mais abaixo, ou então resolve desviar no curso do rio no trecho em sua propriedade, secando tudo dali pra baixo. A empresa poluidora estaria no seu direito (o trecho do rio é seu), mas os proprietários rio abaixo seriam muito prejudicados. Como um problema destes é resolvido?
  • Anonimo  28/06/2012 15:34
    Dizem que as melhorias na Saúde, Saneamento e outros elevam a expectativa de vida do Brasileiro, não é mesmo, este pensamento é o que diz o governo quando precisa fazer com que a população de menor poder aquisitivo pague a conta, aumentando a idade para aposentadoria, mas quando olhamos para um plano de saúde particular, observamos o contrário, quanto mais velho a pessoa, mais caro será sua dívida com a medicina, não existe o ganho na expectativa de vida.
  • Artur  28/06/2012 20:52
    Os esquerdistas geralmente argumentam que a medicina em Cuba é excelente. \r
    Eu tendo a duvidar disso mas não tenho informações suficientes pra julgar.\r
    Alguém tem mais informações sobre o assunto?\r
    \r
    abraços
  • Leandro  29/06/2012 05:35
    Prezado Artur, era só você ter clicado sobre a expressão "Em Cuba" e você seria levado a um artigo sobre isso.

    Veja também estes vídeos:

    www.youtube.com/watch?v=pKkk8rGFB8o
    www.youtube.com/watch?v=25_RgM1jHeo&eurl
    www.youtube.com/watch?v=N6Ve9wA1cpc&feature=related
    www.youtube.com/watch?v=MK3AnxSgdxA

    Abraços!
  • Patrick de Lima Lopes  29/06/2012 05:42
    Leandro, outro argumento interessante é o da mortalidade infantil, que está presente nesta artigo.
    Segundo o autor, Cuba possui uma mortalidade infantil baixa apenas porque registra os nascidos muitos meses após o nascimento.
    Eu estou pensando em escrever um ensaio sobre o "Mito do sucesso cubano", alguém precisa enfrentar a doutrinação do absurdo que os historiadores recebem nas universidades brasileiras.
  • Patrick de Lima Lopes  29/06/2012 05:56
    Na Alemanha, as pessoas são OBRIGADAS pelo estado a comprarem planos de saúde.
    Indo a um hospital público lá, logo veremos que uma construção grande, escura, vazia e muito rápida.
    (Sei que o estado não possui o direito de forçar o consumidor a comprar qualquer tipo de produto.)
    Eu gostaria de lançar um questionamento que eu tenho toda certeza que é inválido, porém gostaria de saber suas opiniões:
    Em um sistema, o estado cria uma lei do tipo "Obamacare", que força os trabalhadores a terem planos de saúde. Naturalmente, um plano de saúde X paga pouco ao serviço médico e o doutor(a) possui todo o direito de NEGAR receber um cliente que utiliza o plano de saúde X. Em reação à pouca aceitação dada ao plano de saúde X, o cliente decide trocá-lo por um plano de saúde Y devido ao fato deste receber uma aceitação maior pelos médicos.
    Sabendo que o mercado de planos de saúde está bombando neste sistema, o cliente do plano de saúde Y poderá encontrar-se com vários outros planos de saúde(W,Z,V,M,N...)que competem entre si buscando preços menores ao cliente e pagamentos maiores aos médicos.
    Sei que meu raciocínio está incorreto, porém isto não traria melhores recompensas aos médicos(Devido ao pagamento maior), aos clientes(Devido ao preço menor do plano) e às empresas(Devido à expansão rápida do mercado consumidor)?
    Obs: Sei que o sistema acima não é nada democrático e é no mínimo tirânico.
  • Adler  29/06/2012 06:49
    O símbolo utilizado na gravura representa o comércio. O símbolo da medicina tem somente uma serpente.
  • Leandro  29/06/2012 07:04
    Não. O símbolo é esse mesmo.
  • Deivis  01/07/2012 07:56
    O símbolo com as asas é utilizado no Brasil para designar a área da saúde, mas erroneamente designa a medicina. O erro é comum, e eu sempre acabo devolvendo produtos com o símbolo do comerciante Hermes...

    usuarios.cultura.com.br/jmrezende/Simbolo.htm
  • Dalton C. Rocha  03/07/2012 19:20
    O problema é que até para americano, a saúde tava custando muito caro. Tem o livro escrito po Lee Yacoca, que tem quase trinta anos de escrito, em que ele, chairman da Chrysler revelou que a despesa número um da Chrysler era com fornecedor de serviços da saúde para os empregados daquela empresa, não com aço ou algum fornecedor específico de autopeças. Lee Yacoca escreveu no livro dele:"Os fornecedores de serviços de saúde estão acabando conosco". Tinha pedicuro ganhando US$30 mil por mês da Chrysler; isto é mais que físico formado no MIT ganha. Em termos per capita, os Estados Unidos gastam mais do dobro com saúde, que os japoneses, mas vivem menos que eles.
    Obama quer melhorar as coisas, inclusive para as empresas.
    Que o digam a GM, Ford a Chrysler. Foram todas à matroca, pelos gastos com saúde.
    *********************
    Qunato à Amazônia, ecologia é eugenia pintada de verde. Eugenia ou ecologia são fraudes, racismo e preconceitos.
  • Julio dos Santos  03/07/2012 19:53
    Hã??? Obama quer melhorar as coisas?? Me explique como isto vai fazer diminuir o custo de saúde para a população? Como o estado pode ser mais eficiente que a iniciativa privada? Talvez melhore o bolso da GM, Ford. Isso é fascismo meu amigo!!!
  • Dalton C. Rocha  11/07/2012 18:47
    Sr. Julio dos Santos: Um sujeito, neste mesmo site escreveu as palavras abaixo copiadas:
    "Leandro 28/6/2012 14:22:42

    O sistema americano é bem mais intervencionista que o brasileiro. Aqui, você ao menos tem a opção de comprar ou não um plano de saúde, e você pode escolher de qual empresa comprar. Adicionalmente, nenhum patrão tem a obrigação de fornecer plano de saúde para seus empregados. E, o que é mais importante, aqui no Brasil você ainda consegue, com plano de saúde, consultas médicas privadas decentes.

    Nos EUA, além de os patrões serem obrigados a pagar os planos de saúde de seus empregados, são eles, os patrões, que decidem de qual empresa comprar. O empregado usuário não tem voz. Uma consulta médica lá -- e eu sei disso por experiência própria -- é uma porcaria. O médico lhe atende em pé e não passa mais do que dois minutos com você.

    Agora com a aprovação do Obamacare, absolutamente todas as pessoas são obrigadas a comprar planos de saúde. Quem não comprar, será multado. Maravilhas da terra da liberdade, não?

    Não bastasse tudo isso, uma seguradora de um estado não pode fornecer seus serviços em outros estados. Logo, a concorrência interestadual é proibida. Tudo isso em um ambiente em que o setor médico é fortemente cartelizado pelas entidades de classe.

    Ou seja, há um mercado de seguros-saúde extremamente regulado, uma oferta limitada de serviços de saúde e uma demanda crescente por esses serviços. O que isso acarretou? Discrepâncias inimagináveis. Para um simples exame de sangue, por exemplo, chega-se a cobrar 600 dólares! Como são as seguradoras que pagam, os usuários não estavam nem aí. Da mesma forma, era comum as pessoas utilizarem seu seguro-saúde para pagar coisas triviais, como engessamento de braço e até mesmo injeções contra a gripe (que podiam ser vendidas no Wal-Mart por meros 20 dólares). Coisas que podiam perfeitamente ser bancadas à parte, passaram a ser pagas pelas seguradoras.

    Não havia mais a disciplina imposta pelo mercado. Ninguém se preocupava com preços, afinal as seguradoras estavam pagando tudo. A consequência inevitável dessa esbórnia foi o aumento explosivo dos custos dos planos de saúde, exatamente a maior queixa dos americanos.

    (Se a seguradora do seu carro passasse a pagar sua gasolina e todas as suas manutenções de rotina, o que você acha que iria acontecer com preço do seu seguro?)

    Portanto, o butim ficou dividido da seguinte maneira:

    1) As seguradoras auferiram lucros exorbitantes. Afinal, a concorrência era proibida e as regulamentações estatais dificultavam o surgimento de seguradoras de pequeno porte. As grandes dominaram e tiveram a liberdade de jogar seus preços na estratosfera.

    2) Como podiam cobrar os preços que bem entendiam - afinal, as seguradoras pagavam tudo -, os médicos e as associações de profissionais da saúde também faturaram. Como não havia livre concorrência e não havia qualquer disciplina sobre os preços (este vídeo de seis minutos mostra que era impossível um americano pagar à parte por qualquer tipo de consulta), esse cartel medicinal enriqueceu facilmente.

    3) Se as seguradoras e os médicos ganharam em um mercado regulado, então é óbvio que o consumidor médio foi quem saiu perdendo, pois tinha de arcar com preços cada vez maiores por seus seguros."
  • anônimo  14/07/2012 05:49
    Lamentável Dalton, o texto do Leandro não responde nenhuma pergunta minha. O Leandro apenas citou que a situação dos caras está muito ruim, mas não disse em nenhum momento que vai melhorar com esta lei do Obama.
  • Julio dos Santos  31/07/2012 18:03
    Hum, saiu anônimo, mas fui eu que citei isto.
  • Leandro  14/07/2012 07:33
    Exato. Vai piorar. E muito.
  • celi  31/07/2012 11:43
    Ops, corrigindo os créditos..., Julio dos Santos, muito boa sua adaptação!
  • Luciano  02/02/2013 02:55
    Estou tentando convencer uma pessoa da ineficiência da medicina socializada, mas infelizmente não consigo achar dados além do Mises ( ela não aceita os artigos do Mises como fonte --')

    Gostaria de saber onde o autor conseguiu os dados sobre o NHS e o sistema canadense. Alguém pode ajudar.

    Aliás, o artigo é ótimo. Claro e eficaz, como sempre.

    Abraços
  • Mauro  02/02/2013 11:43
    Use os argumentos contidos neste artigo:

    mises.org.br/Article.aspx?id=923

    Depois, mande esta notícia, que é uma ilustração prática perfeita da teoria descrita pelo artigo:

    veja.abril.com.br/noticia/saude/hospital-federal-tem-fila-quilometrica-para-marcar-consulta

    Depois, mande esta notícia sobre o sistema de saúde britânico, no qual bebês são exterminados compulsoriamente:

    www.dailymail.co.uk/news/article-2240075/Now-sick-babies-death-pathway-Doctors-haunting-testimony-reveals-children-end-life-plan.html

    Se quiser, complemente com estes os artigos do site sobre o sistema canadense e sueco. Clique na seção, no pé da pagina principal do site.
  • Ricardo  23/05/2013 23:44
    Sobre o sistema de saúde pública soviético, há também um livro do médico britânico Arthur Newsholme, intitulado "Red Medicine"*, no qual ele discorre sobre a medicina soviética e outros aspectos da vida no país. Ele tinha ido para a URSS em 1932 fazer uma inspeção no sistema de saúde soviético, de modo que sua pesquisa serviu como base para a criação de políticas de saúde pública mais eficientes no ocidente.


    mamayev-kurgan.blogspot.com/2010/10/uniao-sovietica-1932-o-dia-dia-no-pais.html
  • Flora  02/12/2015 16:00
    Tomar a ideologia soviética como modelo de gestão é o mesmo que usar o PT como modelo de ética. Ambos se prevalecem das mesmas ferramentas, como o aparelhamento do estado por exemplo, para subverter a ordem públicas.

    O problema é que esses comunistas esquecem que o dinheiro não é infinito.
  • Fauna  02/12/2015 16:33
    "esses comunistas esquecem que o dinheiro não é infinito."

    Os comunistas sabem muito bem disso, quem não sabe é o povão e os estudantes de humanas.
  • Vitaminas  30/05/2016 21:35
    Uma forma de recusar o atendimentos aos doentes não seria como o exorbitante preço de convênio proposto no Brasil para os idosos, claro que o plano de saúde não está aí para fazer "boas ações", porém parece que tenta dificultar a utilização destes que mais precisam de um médico, não seria possível uma fórmula para proporcionar uma saúde digna a estes, como exemplo algum meio de conseguir colocar na cabeça destes que uma vida com visita regular ao médico visando a prevenção de problemas de saúde, bons hábitos e qualidade de vida proporcionará uma velhice mais saudável.
  • Bruno Felix  24/01/2017 13:08
    Ótimo artigo, informações muito valiosas. Parabéns
  • Marcos Nunes  24/01/2017 13:11
    Muito bom o texto, estava procurando exatamente algo relacionado a este assunto.


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