Como Franklin Roosevelt piorou a Depressão

Franklin Delano Roosevelt "realmente nos tirou da Depressão", disse o líder republicano Newt Gingrich a um grupo de republicanos após as eleições parlamentares de 1994, e isso faz de FDR "a maior figura do século XX". Como retórica política, seria mais provável que a declaração acima tivesse vindo de alguém que não apóia a economia de mercado. Afinal, o New Deal representou a maior expansão do poder do governo federal em tempos de paz em todo o século XX. Mais ainda, a visão de Gingrich de que FDR salvou os EUA da Depressão é indefensável; as políticas de Roosevelt prolongaram e aprofundaram a depressão.

Não há duvidas de que Roosevelt mudou as feições do governo americano - para pior. Muitas das reformas da década de 1930 permanecem entranhadas nas políticas atuais: distribuição arbitrária de terras, subvenção de preços e controles de mercado para a agricultura, ampla regulação de títulos privados, intromissão federal sobre as relações entre sindicatos e empregadores, governo fazendo empréstimos e atividades seguradoras, o salário mínimo, seguro-desemprego nacional, Previdência Social e pagamentos assistencialistas, produção e venda de energia elétrica pelo governo federal, papel-moeda de curso forçado - a lista é infindável.

A revolução de Roosevelt começou já com seu discurso de inauguração, que não deixou dúvidas sobre suas intenções de se aproveitar e se apoderar do momento para proveito próprio. Sempre lembrado por sua evidentemente falsa declaração de que "a única coisa da qual devemos ter medo é o próprio medo", Roosevelt também, nesse discurso, já clamava por extraordinários poderes governamentais que ele considerava emergenciais.

No dia seguinte à posse de FDR, ele emitiu uma proclamação na qual convocava o Congresso para uma sessão extraordinária. Antes que essa sessão ocorresse, ele decretou um feriado bancário nacional - uma atitude que ele se recusou a endossar quando Hoover a havia sugerido apenas três dias antes.

Invocando o decreto Trading with the Enemy[1], de 1917, Roosevelt declarou que "todas as transações bancárias deveriam ser suspensas". Os bancos só poderiam reabrir após uma minuciosa inspeção seguida de uma aprovação do governo, um procedimento que se arrastava por meses. Essa ação intensificou no público a sensação de crise e permitiu que Roosevelt ignorasse as tradicionais restrições sobre o poder do governo central.

Roosevelt e seus assessores econômicos entenderam a Depressão de maneira completamente equivocada, invertendo as relações de causa e efeito. Eles não entenderam que os preços haviam caído por causa da Depressão; eles acreditavam que a Depressão era o resultado da queda dos preços. Assim sendo, o remédio óbvio - pensaram eles - seria aumentar os preços, o que eles decidiram fazer através da criação artificial de escassez em vários setores da economia. Consequentemente, um compêndio de políticas malucas foi surgindo com o intuito de curar a Depressão através da redução da produção. O esquema era tão evidentemente auto-destrutivo que é difícil crer que alguém acreditava piamente que ele iria funcionar.

A aplicação mais idiota da teoria tinha a ver com o preço do ouro. Começando com o feriado bancário e prosseguindo até um maciço programa de compra de ouro, Roosevelt abandonou o padrão-ouro, que é a base fundamental para se restringir a inflação e o crescimento estatal. Ele nacionalizou o estoque monetário de ouro, proibiu sua posse privada (exceto para jóias, para uso científico e industrial, e para pagamentos externos), e anulou todos os contratos - públicos ou privados, antigos ou futuros - que demandavam pagamento em ouro.

Além de ser um roubo simples e direto, o confisco do ouro não funcionou. Seu preço aumentou de $20,67 para $35 por onça, um aumento de 69%, mas o nível dos preços domésticos aumentou apenas 7% entre 1933 e 1934; e até o final da década o nível de preços sequer chegou a aumentar. A desvalorização provocada por FDR levou a retaliações por parte dos outros países, sufocando ainda mais o comércio internacional, intensificando a depressão nas economias ao redor do mundo.

Após ter aleijado o sistema bancário e destruído o padrão-ouro, Roosevelt voltou-se para a agricultura. Trabalhando com o politicamente influente Farm Bureau[2] e com a gangue de Bernard Baruch[3], Roosevelt decretou o Agricultural Adjustment Act, em 1933. Ele estipulava controles sobre a produção e sobre o tamanho das terras, restringia acordos até então feitos livremente no mercado e regulamentava licenças para produtores e negociantes com o objetivo de "eliminar práticas e custos injustos"; autorizava novos empréstimos governamentais, taxava processadores de commodities agrícolas e recompensava agricultores que reduzissem a produção.

O objetivo era aumentar os preços das commodities agrícolas até que eles atingissem um nível de "paridade" muito maior. Os milhões que mal podiam alimentar e vestir suas famílias devem ser perdoados por questionarem a nobreza de um programa planejado para tornar os alimentos e os produtos têxteis mais caros. Apesar de essa ter sido chamada de "medida de emergência", nenhum presidente americano desde então resolveu declarar que a emergência está findada.

A indústria foi praticamente nacionalizada pelo decreto National Industrial Recovery Act, assinado por Roosevelt em 1933. Como a maioria das legislações do New Deal, esse decreto foi o resultado de um acordo conciliatório entre vários grupos de interesses: empresários querendo preços mais altos e mais barreiras à concorrência, sindicalistas buscando proteção e patrocínio governamental, assistentes sociais querendo controlar as condições de trabalho e proibir o trabalho infantil, e os habituais proponentes de gastos maciços em obras públicas.

A legislação permitiu que o presidente Roosevelt tivesse a autoridade para licenciar empresas ou controlar importações com o intuito de atingir objetivos vagamente definidos pelo decreto. Todas as indústrias tinham de seguir normas de "concorrência justa". Essas normas continham cláusulas que determinavam as horas máximas de trabalho, o salário mínimo e as condições "decentes" de trabalho. Toda a política se baseava na dúbia noção de que tudo o que o país mais precisava eram cartéis, preços altos, menos trabalho e custos trabalhistas exorbitantes.

Para administrar esse decreto, Roosevelt criou a National Recovery Administration e indicou o General Hugh Johnson, um amigo íntimo de Baruch e um ex-recrutador militar, como diretor. Johnson adotou o famoso emblema da "Águia Azul" e obrigou todos os estabelecimentos a exibi-lo, bem como a aceitar as leis e regulamentos da NRA. Havia desfiles, cartazes, pôsteres, outdoors, bottons e anúncios de rádio, todos feitos para silenciar aqueles que questionavam as políticas adotadas. Desde a Primeira Guerra Mundial não havia nada parecido com essa efusão de publicidade espalhafatosa e coerção. Diminuir preços foi considerado "trapaça", algo equivalente a uma traição. Toda essa política foi reforçada por um vasto sistema de agentes e informantes.

No final, a NRA aprovou 557 leis básicas e 189 suplementares, cobrindo quase 95% de todos os empregados industriais. Grandes empresários controlavam a criação e a execução dos documentos. Eles geralmente almejavam suprimir a concorrência. Figurando proeminentemente nesse empenho estavam quesitos como preços mínimos aceitáveis, conluio de preços oligopolísticos, padronização de produtos e serviços, e notificação antecipada de intenção de se alterar preços. Tendo ganho o comprometimento do governo em pacificar a concorrência, os magnatas simplesmente se puseram a desfrutar de um sossego lucrativo.

Mas o entusiasmo inicial se evaporou quando a NRA não cumpriu sua promessa, e por razões óbvias. Mesmo seus apoiadores do mundo corporativo começaram a se opor aos maciços controles governamentais que ela requeria. Já em 1935, quando a Suprema Corte invalidou todo o empreendimento, a maioria dos defensores da NRA já tinha perdido o ânimo com a empreitada.

Ao revogar a NRA, o juiz da Suprema Corte Evans Hughes escreveu que "condições extraordinárias não criam ou ampliam poderes constitucionais". O Congresso "não pode delegar poder legislativo ao Presidente de modo que ele tenha irrestrita liberdade de ação para criar quaisquer leis que pense ser necessárias".

Apesar dessa decisão judicial, o "método NRA" não desapareceu por completo. Uma enxurrada de decretos intervencionistas surgiu logo após sua extinção. Por exemplo, a lógica econômica da NRA reapareceu no National Labor Relations Act, de 1935, restabelecendo privilégios sindicais, e no Fair Labor Standards Act, de 1938, estipulando regulamentações para salários e horas de trabalho. O Bituminous Coal Act, de 1937, reinstalou leis típicas da NRA para a indústria carvoeira, incluindo congelamento de preços. A Works Progress Administration transformou o governo no empregador de última instância. Utilizando o Connally Act, de 1935, Roosevelt cartelizou a indústria petrolífera. No fim, é claro, a Suprema Corte acabou mudando de idéia e se integrou ao jeito Roosevelt de pensar.

Mesmo depois de tudo isso, a grande promessa do fim do sofrimento nunca se concretizou. À medida que o setor estatal foi drenando o setor privado, controlando-o em detalhes alarmantemente minuciosos, a economia foi chafurdando na depressão. O impacto conjunto das intervenções de Herbert Hoover e de Roosevelt sobre a economia foi fatal, pois o governo em momento algum deixou o mercado se corrigir a si próprio. Longe de ter tirado os EUA da Depressão, FDR não só a prolongou como também a aprofundou, levando um sofrimento desnecessário para milhões.

Ainda mais trágico é o duradouro legado de Roosevelt. O comprometimento que tanto as massas como as elites tinham com o individualismo, o livre mercado e um governo limitado sofreu um golpe súbito na década de 1930, golpe do qual o país ainda tem que se recuperar por completo. A teoria da economia mista, na qual o estado controla a economia de mercado, ainda é a ideologia dominante que sustenta todas as políticas governamentais. Em lugar da velha crença na liberdade, temos hoje uma tolerância maior com - e até mesmo uma demanda por - esquemas coletivistas que prometem seguridade social, proteção contra os rigores da concorrência de mercado e alguma coisa em troca de nada.

"Nunca é possível estudar Franklin Delano Roosevelt em excesso", disse Gingrich. Mas se estudarmos FDR com reverência, a lição que aprenderemos será essa: o governo é um meio imensamente útil para quem quiser atingir suas aspirações particulares, e recorrer a esse reservatório de benefícios potencialmente apropriáveis é perfeitamente legítimo.

Uma coisa que devemos definitivamente temer é o político que acredita nisso.

_______________________________

[1] Lei federal para restringir o comércio dos EUA com países que lhes são hostis. Essa lei dá ao presidente americano o poder para supervisionar ou restringir todas as transações comerciais entre os EUA e países inimigos em tempos de guerra. [N. do T.]

[2] Organização lobista que representa os agricultores e fazendeiros dos EUA. [N. do T.]

[3] Bernard Baruch foi um financista, especulador da bolsa, ocupante de cargos públicos e conselheiro presidencial. Foi após ter obtido sucesso nos negócios que ele se tornou o mentor de presidentes democratas - como Woodrow Wilson, além do próprio Roosevelt - para assuntos econômicos. Foi um dos criadores da idéia de que, durante uma guerra, o estado deve controlar todos os aspectos da economia, e pouco espaço deve ser dado à iniciativa privada. [N. do T.]

 

0 votos

SOBRE O AUTOR

Robert Higgs
um scholar adjunto do Mises Institute, é o diretor de pesquisa do Independent Institute.

Tradução de Leandro Roque


Quem inventou essa tese de que não existe déficit foi uma pesquisadora chamada Denise Gentil. Segundo ela, o déficit da previdência é forjado.

www.adunicentro.org.br/noticias/ler/1676/em-tese-de-doutorado-pesquisadora-denuncia-a-farsa-da-crise-da-previdencia-social-no-brasil-forjada-pelo-governo-com-apoio-da-imprensa

Só que essa mulher nem sabe separar rubricas. Ela mistura a receita da Previdência com a receita da Seguridade Social (que abrange Saúde, Assistência Social e Previdência) e então conclui que está tudo certo.

Nesta outra entrevista dela, ela diz isso:

"O cálculo do resultado previdenciário leva em consideração apenas a receita de contribuição ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) que incide sobre a folha de pagamento, diminuindo dessa receita o valor dos benefícios pagos aos trabalhadores. O resultado dá em déficit."

Certo. Esse é o cálculo da previdência. Receitas da Previdência menos gastos com a Previdência dão déficit, como ela própria admite. Ponto final.

Mas aí ela complementa:

"Essa, no entanto, é uma equação simplificadora da questão. Há outras fontes de receita da Previdência que não são computadas nesse cálculo, como a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e a receita de concursos de prognósticos. Isso está expressamente garantido no artigo 195 da Constituição e acintosamente não é levado em consideração."

Ou seja, o argumento dela é o de que as receitas para saúde e assistência social devem ser destinadas para a Previdência, pois aí haverá superávit.

Ora, isso é um estratagema e tanto. Por esse recurso, absolutamente nenhuma rubrica do governo apresenta déficit, pois basta retirar o dinheiro de outras áreas para cobri-la. Sensacional.

A quantidade de gênios que o Brasil produz é assustadora.

Não deixa de ser curioso que nem o próprio governo petista -- em tese, o mais interessado no assunto -- encampou a tese dessa desmiolada.

De resto, o problema da previdência é totalmente demográfico. E contra a demografia e a matemática ninguém pode fazer nada.

Quando a Previdência foi criada, havia 15 trabalhadores trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado. Daqui a duas décadas será 1,5 trabalhador trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.

Ou seja, a conta não fecha e não tem solução. O problema é demográfico e matemático. Não é econômico. E não há ideologia ou manobra econômica que corrija isso.
Não existe déficit da previdência! Para justificar uma reforma que visa somente a tungar e sugar o trabalhador, o governo usa o seguinte estratagema: De um lado, pega uma das receitas, que é a contribuição ao INSS; do outro, o total do gasto com benefícios (pensão, aposentadoria e auxílios). Aí dá déficit! Só que a Constituição Federal estabelece, no artigo 194, que, junto com a saúde e a assistência social, a previdência é parte de um sistema de seguridade social, que conta com um orçamento próprio. Na receita, devem ser incluídas não apenas as contribuições previdenciárias mas também os recursos provenientes da Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição sobre o Financiamento da Seguridade Social (CSLL) e do PIS-Pasep. Aí temos a real situação: Superávit! Talvez você esteja supondo que o dinheiro que sobrou no orçamento da seguridade social mas faltou no da previdência tenha sido usado nas outras duas áreas a que, constitucionalmente, ele se destina. Mas, mesmo com os gastos com saúde e assistência, ainda assim temos saldo positivo. E como esse saldo se transforma em déficit? É que antes de destinar o dinheiro para essas áreas, o governo desvia 20% do total arrecadado com as contribuições sociais, por meio da DRU, para pagar dívidas, segurar o câmbio etc. Fora as renúncias e sonegações fiscais. Portanto, essa conversa de déficit é uma falácia pra empurrar goela abaixo do trabalhador uma "reforma" que tire ainda mais o seu dinheiro e o force a trabalhar por mais tempo.
As causas da Grande Depressão? Intervencionismo na veia.

Herbert Hoover
aumentou os gastos do governo federal em 43% em um único ano: o orçamento do governo, que havia sido de US$ 3 bilhões em 1930, saltou para US$ 4,3 bilhões em 1931. Já em junho de 1932, Hoover aumentou todas as alíquotas do imposto de renda, com a maior alíquota saltando de 25% para 63% (e Roosevelt, posteriormente, a elevaria para 82%).

A Grande Depressão, na verdade, não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários (exatamente como havia feito na depressão de 1921, que foi ainda mais intensa, mas que durou menos de um ano justamente porque o governo permitiu que o mercado se ajustasse).

Porém, o governo fez exatamente o contrário: além de aumentar impostos e gastos, ele também implantou políticas de controle de preços, controle de salários, aumento de tarifas de importação (que chegou ao maior nível da história), aumento do déficit e estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.

Com todo esse cenário de incertezas criadas pelo governo, não havia nenhum clima para investimentos. E o fato é que um simples crash da bolsa de valores -- algo que chegou a ocorrer com uma intensidade ainda maior em 1987 -- foi amplificado pelas políticas intervencionistas e totalitárias do governo, gerando uma depressão que durou 15 anos e que só foi resolvida quando o governo encolheu, exatamente o contrário do que Keynes manda.

As políticas keynesianas simplesmente amplificaram a recessão, transformando uma queda de bolsa em uma prolongada Depressão.



Crise financeira de 2008? Keynesianismo na veia. Todos os detalhes neste artigo específico:

Como ocorreu a crise financeira de 2008


Seu amigo é apenas um típico keynesiano: repete os mesmos chavões que eu ouvia da minha professora da oitava série.


Sobre o governo estimular a economia, tenho apenas duas palavras: governo Dilma.

O legado humanitário de Dilma - seu governo foi um destruidor de mitos que atormentam a humanidade
Prezados,
Boa noite.
Por gentileza, ajudem-me a argumentar com um amigo estatista. Desejos novos pontos de vista, pois estou cansado de ser repetitivo com ele. Por favor, sejam educados para que eu possa enviar os comentários. Sem que às vezes é difícil. Desde já agradeço. Segue o comentário:
------------------------------------
" Quanto ao texto, o importante é perceber que sem as medidas formuladas por keynes a alternativa seria o mercado livre, o capitalismo sem a intervenção estatal. Nesse caso, o que os defensores desse modelo não mencionam é que o capitalismo dessa forma tende à concentração esmagadora de capital, o que se levado às ultimas consequências irá destruir a própria sociedade. "O capitalismo tem o germe da própria destruição ", já disse Marx. Os capitalistas do livre mercado focam no discurso que eles geram a riqueza, mas a riqueza é sempre gerada socialmente. Como ja falei uma vez, um grande empresário não coloca sozinho suas empresas para funcionar, precisa de outras pessoas, que também, portanto, geram riqueza. Para evitar que a concentração da riqueza gerada fique nas mãos apenas dos proprietários, o Estado deve existir assegurando direitos que tentem minimizar essa distorção e distribua as riquezas socialmente geradas para todos. Isso não é comunismo, apenas capitalismo regulado, que tenha vies social. Estado Social de Direito que surgiu na segunda metade do século passado como resultado do fracasso do Estado Liberal em gerar bem estar para todos. Para que o Estado consiga isso tem que tributar. O Estado não gera riqueza, concordo. Mas o capitalismo liberal, por outro lado, gera a distorção de concentrar a riqueza gerada socialmente nas mãos de poucos. Essa concentração do capitalismo liberal gera as crises (a recessão é uma delas). O capitalismo ao longo do século 20 produziu muitas crises, a grande depressão da decada de 30 foi a principal delas. A ultima grande foi a de 2007/2008. O Estado, portanto, intervém para corrigir a distorção, injetando dinheiro. Esse dinheiro, obviamente, ele nao produziu, retirou dos tributos e do seu endividamento sim. Quando a economia melhorar o Estado pode ser mais austero com suas contas para a divida nao decolar em excesso e poder se endividir novamente numa nova crise, injetando dinheiro na economia pra superar a recessao e assim o ciclo segue. A divida do estado é hoje um instrumento de gestão da macroeconomia. Um instrumento sem o qual nao se conseque corrigir as distorções geradas da economia liberal. Basta perceber que todos os países mais ricos hoje tem as maiores dividas. Respondendo a pergunta do texto: o dinheiro vem mesmo dos agentes econômicos que produzem a riqueza, da qual o Estado tira uma parcela pelos tributos, com toda a legitimidade. E utiliza tal riqueza para assegurar direitos sociais e reverter crises. E o faz tambem para salvar a propria economia, que entraria em colapso sem a injeção de dinheiro do Estado (que o Estado tributou). Veja o que os EUA fizeram na crise de 2008. Procure ler sobre o "relaxamento quantitativo", que foi a injeção de 80bilhoes de dolares mensalmente pelo governo americano para salvar a economia mundial do colapso, numa crise gerada pelo mercado sem regulação financeira.

Veja esse texto do FMI, onde o proprio FMI reconhece que medidas d austeridade nao geram desenvolvimento e, portanto, reconhece a necessidade do gasto publico. (
www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2016/06/ostry.htm )

Esse artigo do Paul krugman sobre a austeridade, defendendo também o gasto publico:
https://www.theguardian.com/business/ng-interactive/2015/apr/29/the-austerity-delusion .
"
---------------------------------------------


E aí pessoal, já viram isso? (off-topic, mas ainda assim interessante):


Ancine lança edital de R$ 10 milhões para games


Agora vai... por quê os "jênios" do Bananão não tiveram esta ideia antes? E o BNDES vai participar também! Era tudo o que faltava para o braziul se tornar uma "potênfia" mundial no desenvolvimento de games.

Em breve estaremos competindo par-a-par com os grandes players deste mercado. Aliás, seremos muito MAIORES do que eles próprios ousaram imaginar para si mesmos. Que "horgulio" enorme de ser brazilêro...

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Alexandre Melchior  10/04/2012 20:39
    Obrigado mais uma vez, Leandro!

    Hoje, o professor disse que não dá pra dizer que o governo piorou a crise em 1929 porque ele interferiu pouco na economia.

    Depois, ele disse que a crise de 1920 não era mundial e a de 1929 era. Ou seja, não daria pra comparar as ações do governo em ambas.

    Por isso que eu digo: nada como visitar o IMB depois das aulas! hahahahah
  • Leandro  10/04/2012 20:53
  • Cristiano  10/04/2012 20:55
    Alexandre Melchior,
    Você estuda Economia em qual universidade?
    Fiquei com curiosidade!
  • Alexandre Melchior  10/04/2012 22:23
    Na Unesc, em Criciúma-SC. Nenhum professor conhece a EA e não há nada que se ensine relacionado a ela.

    Mas o coordenador do curso é meu bróder e eu vou dar uma agitada lá.

    O professor em questão é gente boa. Mas é keynesiano de carteirinha. Publica artigos pela AKB e tudo mais...
  • Gil  12/05/2012 14:42
    Pior que ter professores keynesianos é ter professores marxistas como os meus!Aí é que a coisa F*** de vez.
  • Miguel  10/04/2012 21:54
    Dizer que Franklin Roosevelt é "a maior figura do século XX" soa ridículo quando lembra-se de Sir Winston Churchill
  • helena marques  11/04/2012 08:17
    Vejo que os nazis continuam a fazer propaganda. Mesmo sem o louco do Goeblees.
  • Catarinense  11/04/2012 10:15
    Helena, se importa de compartilhar seu raciocínio?
  • Paulo Sergio  13/05/2012 14:13
    Se alguém não gosta do Churchil deve ser um nazista, ora
    Isso me lembra a definição de racista: racista é qq um que vença um esquerdista numa argumentação.
  • Pedro Ivo  12/05/2012 20:01
    Verdade. Agora eles tem uma tal de União Européia no lugar do ministério da propaganda.
  • Augusto  11/04/2012 02:38
    Otimo artigo. Para ficar melhor, precisava de uma segunda parte explicando como a economia americana saiu da depressao.
  • Kadur Albornoz da Rosa  13/05/2012 13:39
    Sobre a mudança da Suprema Corte de ser contra o New Deal para o ponto de ser a favor:
    Diversas leis do New Deak foram declaradas inconstitucionais nos primeiros dois anos do mandado de Roosevelt, logo no início do New Deal. Neste período, o Roosevelt não conseguiu nomear ninguém para a Suprema Corte. No entanto, em seu segundo mandato, ele conseguiu emplacar 4 ministros na Suprema Corte, o que fez com que o jogo mudasse de lado, ele remodelou a ideologia da Corte para tornar seus atos absurdos como se constitucionais fossem.

    Outro episódio que demonstra o quão autoritário ele era:
    A lei que determina o número de Justices (ministros) na Suprema Corte é uma lei ordinária. Quando as políticas do New Deal começaram a ser derrubadas na Suprema Corte, o Roosevelt chamou os 11 justices da época e disse que, se eles não parassem de derrubar as políticas do New Deal, ele iria reformar a lei ordinária que define o número de justices na Suprema Corte e "fazer constitucional aquilo que ele quisesse". E este sujeito ainda é considerado um herói.
  • Mohamed Attcka Todomundo  13/05/2012 19:21
    e os ministros da suprema corte eram covardes! eles poderiam ter desafiado o 'rei'.

    q tivesse mudado a lei! q o deixassem! q ficasse claro ser um 'golpe de estado branco'! mas eram tão apegados aos seus 'carguinhos' e às honras q este 'poderzinho' conferia!...

    são como todos estes baba-ovos das cortes! ñ passavam de um bando de carreiristas! Se houvessem tido a coragem de enfrentar o 'rei' teriam feito algo de grande e bom; mas preferiram terem seus ovos babados por todos q ficam admirados com uma toga de bosta.

    na epoca Roosevelt era detestado por alguns segmentos da sociedade. ate planejaram um golpe de estado. se tivessem-no deixado dar este golpe de estado de reduzir os juizes da suprema corte, quem sabe se ñ teriam feito o mesmo contra ele.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  25/06/2013 22:21
    Um tirano apenas.
  • Emerson Luis, um Psicologo  04/12/2013 13:25

    Roosevelt é como o Lula: é considerado um herói por supostamente ter resolvido problemas que na realidade ele mesmo criou ou piorou.

    * * *
  • Thiago Augusto  13/07/2015 20:26
    Acabei de copiar o link para chutar uns keynesianos... Heheheeh
  • RichardD  23/09/2015 13:22
    Roosevelt é uma das maiores mentira da história
  • Ricardo  07/12/2015 20:36
    Claro, a depressão piorou muito a partir dos anos 30. Acho até que os EUA perderam a guerra pros Nazistas. Cada um, viu...
  • Leandro  07/12/2015 22:28
    Piorou, e piorou sensivelmente.

    Um simples crash da bolsa de valores – algo que chegou a ocorrer com uma intensidade ainda maior em 1987, quando a bolsa americana despencou 22% em um único dia, uma queda muito maior que a de outubro de 1929, e nada aconteceu -- foi amplificado pelas políticas intervencionistas e totalitárias do governo, gerando uma depressão que durou 15 anos e que só foi resolvida quando o governo encolheu.

    A Grande Depressão, na verdade, não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários (exatamente como havia feito na depressão de 1921, que foi ainda mais intensa, mas que durou menos de um ano justamente porque o governo permitiu que o mercado se ajustasse).

    Porém, o governo fez exatamente o contrário: além de aumentar impostos e gastos, ele também implantou políticas de controle de preços, controle de salários, aumento de tarifas de importação (que chegou ao maior nível da história), aumento do déficit e estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.

    Herbert Hoover aumentou os gastos do governo federal em 43% em um único ano: o orçamento do governo, que havia sido de US$ 3 bilhões em 1930, saltou para US$ 4,3 bilhões em 1931. Já em junho de 1932, Hoover aumentou todas as alíquotas do imposto de renda, com a maior alíquota saltando de 25% para 63% (e Roosevelt, posteriormente, a elevaria para 82%).

    Eis a lógica: o governo fez de tudo para impedir a recuperação da economia.

    Quanto ao nazismo, esse seria derrotado pela própria economia. O modelo que eles adotaram era totalmente insustentável.
  • O (Futuro) Presidiário de 9 Dedos  08/12/2015 01:24
    Inclui na conta de besteiras dele o salário mínimo. Foi um golpe doloroso especialmente para o pobre, sem ensino, sem capital e que vivia em região de gente também igual. Ferrou muita gente e só agravou a economia, especialmente no interior do país entre os negros na época.
  • Thiago Teixeira  08/12/2015 03:42
    Valeu, Leandro. Tava procurando esse artigo do primeiro link, em outra fonte li sobre a coalizao conservadora,
    Mas muito menos completo que aqui no Mises.

    Vc eh f$:&(&!
  • Rodrigo  31/08/2016 20:02
    Gosto muito das premissas aqui apresentadas, mas não consigo entendê-las plenamente. Estou no último ano do Ensino Médio e cursarei História. Acho extremamente importante o trabalho da Escola Austríaca e gostaria de saber como posso melhorar o meu entendimento dessas premissas.
  • Auxiliar  31/08/2016 21:53
    Permita-me resumir para você:

    A Grande Depressão, na verdade, não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários. Isso foi exatamente o que foi feito, por exemplo, na depressão de 1921, que foi ainda mais intensa, mas que durou menos de um ano justamente porque o governo permitiu que o mercado se ajustasse. Por isso, hoje ninguém se lembra dela).

    Já na crise de 1929, o que o governo americano fez tudo exatamente o contrário: além de aumentar impostos e gastos, ele também implantou políticas de controle de preços, controle de salários, aumento de tarifas de importação (que chegou ao maior nível da história), aumento do déficit e estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.

    Herbert Hoover aumentou os gastos do governo federal em 43% em um único ano: o orçamento do governo, que havia sido de US$ 3 bilhões em 1930, saltou para US$ 4,3 bilhões em 1931. Já em junho de 1932, Hoover aumentou todas as alíquotas do imposto de renda, com a maior alíquota saltando de 25% para 63%.

    Roosevelt, posteriormente, a elevaria para módicos 82%.

    Quer saber tudo sobre a Grande Depressão americana? Leia mais este lançamento do IMB

    A Grande Depressão - uma análise das causas e consequências

    O New Deal ridicularizado (novamente)

    Rothbard, Friedman e a Grande Depressão - quem afinal estava certo?


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.