Como Franklin Roosevelt piorou a Depressão

Franklin Delano Roosevelt "realmente nos tirou da Depressão", disse o líder republicano Newt Gingrich a um grupo de republicanos após as eleições parlamentares de 1994, e isso faz de FDR "a maior figura do século XX". Como retórica política, seria mais provável que a declaração acima tivesse vindo de alguém que não apóia a economia de mercado. Afinal, o New Deal representou a maior expansão do poder do governo federal em tempos de paz em todo o século XX. Mais ainda, a visão de Gingrich de que FDR salvou os EUA da Depressão é indefensável; as políticas de Roosevelt prolongaram e aprofundaram a depressão.

Não há duvidas de que Roosevelt mudou as feições do governo americano - para pior. Muitas das reformas da década de 1930 permanecem entranhadas nas políticas atuais: distribuição arbitrária de terras, subvenção de preços e controles de mercado para a agricultura, ampla regulação de títulos privados, intromissão federal sobre as relações entre sindicatos e empregadores, governo fazendo empréstimos e atividades seguradoras, o salário mínimo, seguro-desemprego nacional, Previdência Social e pagamentos assistencialistas, produção e venda de energia elétrica pelo governo federal, papel-moeda de curso forçado - a lista é infindável.

A revolução de Roosevelt começou já com seu discurso de inauguração, que não deixou dúvidas sobre suas intenções de se aproveitar e se apoderar do momento para proveito próprio. Sempre lembrado por sua evidentemente falsa declaração de que "a única coisa da qual devemos ter medo é o próprio medo", Roosevelt também, nesse discurso, já clamava por extraordinários poderes governamentais que ele considerava emergenciais.

No dia seguinte à posse de FDR, ele emitiu uma proclamação na qual convocava o Congresso para uma sessão extraordinária. Antes que essa sessão ocorresse, ele decretou um feriado bancário nacional - uma atitude que ele se recusou a endossar quando Hoover a havia sugerido apenas três dias antes.

Invocando o decreto Trading with the Enemy[1], de 1917, Roosevelt declarou que "todas as transações bancárias deveriam ser suspensas". Os bancos só poderiam reabrir após uma minuciosa inspeção seguida de uma aprovação do governo, um procedimento que se arrastava por meses. Essa ação intensificou no público a sensação de crise e permitiu que Roosevelt ignorasse as tradicionais restrições sobre o poder do governo central.

Roosevelt e seus assessores econômicos entenderam a Depressão de maneira completamente equivocada, invertendo as relações de causa e efeito. Eles não entenderam que os preços haviam caído por causa da Depressão; eles acreditavam que a Depressão era o resultado da queda dos preços. Assim sendo, o remédio óbvio - pensaram eles - seria aumentar os preços, o que eles decidiram fazer através da criação artificial de escassez em vários setores da economia. Consequentemente, um compêndio de políticas malucas foi surgindo com o intuito de curar a Depressão através da redução da produção. O esquema era tão evidentemente auto-destrutivo que é difícil crer que alguém acreditava piamente que ele iria funcionar.

A aplicação mais idiota da teoria tinha a ver com o preço do ouro. Começando com o feriado bancário e prosseguindo até um maciço programa de compra de ouro, Roosevelt abandonou o padrão-ouro, que é a base fundamental para se restringir a inflação e o crescimento estatal. Ele nacionalizou o estoque monetário de ouro, proibiu sua posse privada (exceto para jóias, para uso científico e industrial, e para pagamentos externos), e anulou todos os contratos - públicos ou privados, antigos ou futuros - que demandavam pagamento em ouro.

Além de ser um roubo simples e direto, o confisco do ouro não funcionou. Seu preço aumentou de $20,67 para $35 por onça, um aumento de 69%, mas o nível dos preços domésticos aumentou apenas 7% entre 1933 e 1934; e até o final da década o nível de preços sequer chegou a aumentar. A desvalorização provocada por FDR levou a retaliações por parte dos outros países, sufocando ainda mais o comércio internacional, intensificando a depressão nas economias ao redor do mundo.

Após ter aleijado o sistema bancário e destruído o padrão-ouro, Roosevelt voltou-se para a agricultura. Trabalhando com o politicamente influente Farm Bureau[2] e com a gangue de Bernard Baruch[3], Roosevelt decretou o Agricultural Adjustment Act, em 1933. Ele estipulava controles sobre a produção e sobre o tamanho das terras, restringia acordos até então feitos livremente no mercado e regulamentava licenças para produtores e negociantes com o objetivo de "eliminar práticas e custos injustos"; autorizava novos empréstimos governamentais, taxava processadores de commodities agrícolas e recompensava agricultores que reduzissem a produção.

O objetivo era aumentar os preços das commodities agrícolas até que eles atingissem um nível de "paridade" muito maior. Os milhões que mal podiam alimentar e vestir suas famílias devem ser perdoados por questionarem a nobreza de um programa planejado para tornar os alimentos e os produtos têxteis mais caros. Apesar de essa ter sido chamada de "medida de emergência", nenhum presidente americano desde então resolveu declarar que a emergência está findada.

A indústria foi praticamente nacionalizada pelo decreto National Industrial Recovery Act, assinado por Roosevelt em 1933. Como a maioria das legislações do New Deal, esse decreto foi o resultado de um acordo conciliatório entre vários grupos de interesses: empresários querendo preços mais altos e mais barreiras à concorrência, sindicalistas buscando proteção e patrocínio governamental, assistentes sociais querendo controlar as condições de trabalho e proibir o trabalho infantil, e os habituais proponentes de gastos maciços em obras públicas.

A legislação permitiu que o presidente Roosevelt tivesse a autoridade para licenciar empresas ou controlar importações com o intuito de atingir objetivos vagamente definidos pelo decreto. Todas as indústrias tinham de seguir normas de "concorrência justa". Essas normas continham cláusulas que determinavam as horas máximas de trabalho, o salário mínimo e as condições "decentes" de trabalho. Toda a política se baseava na dúbia noção de que tudo o que o país mais precisava eram cartéis, preços altos, menos trabalho e custos trabalhistas exorbitantes.

Para administrar esse decreto, Roosevelt criou a National Recovery Administration e indicou o General Hugh Johnson, um amigo íntimo de Baruch e um ex-recrutador militar, como diretor. Johnson adotou o famoso emblema da "Águia Azul" e obrigou todos os estabelecimentos a exibi-lo, bem como a aceitar as leis e regulamentos da NRA. Havia desfiles, cartazes, pôsteres, outdoors, bottons e anúncios de rádio, todos feitos para silenciar aqueles que questionavam as políticas adotadas. Desde a Primeira Guerra Mundial não havia nada parecido com essa efusão de publicidade espalhafatosa e coerção. Diminuir preços foi considerado "trapaça", algo equivalente a uma traição. Toda essa política foi reforçada por um vasto sistema de agentes e informantes.

No final, a NRA aprovou 557 leis básicas e 189 suplementares, cobrindo quase 95% de todos os empregados industriais. Grandes empresários controlavam a criação e a execução dos documentos. Eles geralmente almejavam suprimir a concorrência. Figurando proeminentemente nesse empenho estavam quesitos como preços mínimos aceitáveis, conluio de preços oligopolísticos, padronização de produtos e serviços, e notificação antecipada de intenção de se alterar preços. Tendo ganho o comprometimento do governo em pacificar a concorrência, os magnatas simplesmente se puseram a desfrutar de um sossego lucrativo.

Mas o entusiasmo inicial se evaporou quando a NRA não cumpriu sua promessa, e por razões óbvias. Mesmo seus apoiadores do mundo corporativo começaram a se opor aos maciços controles governamentais que ela requeria. Já em 1935, quando a Suprema Corte invalidou todo o empreendimento, a maioria dos defensores da NRA já tinha perdido o ânimo com a empreitada.

Ao revogar a NRA, o juiz da Suprema Corte Evans Hughes escreveu que "condições extraordinárias não criam ou ampliam poderes constitucionais". O Congresso "não pode delegar poder legislativo ao Presidente de modo que ele tenha irrestrita liberdade de ação para criar quaisquer leis que pense ser necessárias".

Apesar dessa decisão judicial, o "método NRA" não desapareceu por completo. Uma enxurrada de decretos intervencionistas surgiu logo após sua extinção. Por exemplo, a lógica econômica da NRA reapareceu no National Labor Relations Act, de 1935, restabelecendo privilégios sindicais, e no Fair Labor Standards Act, de 1938, estipulando regulamentações para salários e horas de trabalho. O Bituminous Coal Act, de 1937, reinstalou leis típicas da NRA para a indústria carvoeira, incluindo congelamento de preços. A Works Progress Administration transformou o governo no empregador de última instância. Utilizando o Connally Act, de 1935, Roosevelt cartelizou a indústria petrolífera. No fim, é claro, a Suprema Corte acabou mudando de idéia e se integrou ao jeito Roosevelt de pensar.

Mesmo depois de tudo isso, a grande promessa do fim do sofrimento nunca se concretizou. À medida que o setor estatal foi drenando o setor privado, controlando-o em detalhes alarmantemente minuciosos, a economia foi chafurdando na depressão. O impacto conjunto das intervenções de Herbert Hoover e de Roosevelt sobre a economia foi fatal, pois o governo em momento algum deixou o mercado se corrigir a si próprio. Longe de ter tirado os EUA da Depressão, FDR não só a prolongou como também a aprofundou, levando um sofrimento desnecessário para milhões.

Ainda mais trágico é o duradouro legado de Roosevelt. O comprometimento que tanto as massas como as elites tinham com o individualismo, o livre mercado e um governo limitado sofreu um golpe súbito na década de 1930, golpe do qual o país ainda tem que se recuperar por completo. A teoria da economia mista, na qual o estado controla a economia de mercado, ainda é a ideologia dominante que sustenta todas as políticas governamentais. Em lugar da velha crença na liberdade, temos hoje uma tolerância maior com - e até mesmo uma demanda por - esquemas coletivistas que prometem seguridade social, proteção contra os rigores da concorrência de mercado e alguma coisa em troca de nada.

"Nunca é possível estudar Franklin Delano Roosevelt em excesso", disse Gingrich. Mas se estudarmos FDR com reverência, a lição que aprenderemos será essa: o governo é um meio imensamente útil para quem quiser atingir suas aspirações particulares, e recorrer a esse reservatório de benefícios potencialmente apropriáveis é perfeitamente legítimo.

Uma coisa que devemos definitivamente temer é o político que acredita nisso.

_______________________________

[1] Lei federal para restringir o comércio dos EUA com países que lhes são hostis. Essa lei dá ao presidente americano o poder para supervisionar ou restringir todas as transações comerciais entre os EUA e países inimigos em tempos de guerra. [N. do T.]

[2] Organização lobista que representa os agricultores e fazendeiros dos EUA. [N. do T.]

[3] Bernard Baruch foi um financista, especulador da bolsa, ocupante de cargos públicos e conselheiro presidencial. Foi após ter obtido sucesso nos negócios que ele se tornou o mentor de presidentes democratas - como Woodrow Wilson, além do próprio Roosevelt - para assuntos econômicos. Foi um dos criadores da idéia de que, durante uma guerra, o estado deve controlar todos os aspectos da economia, e pouco espaço deve ser dado à iniciativa privada. [N. do T.]

 

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SOBRE O AUTOR

Robert Higgs
um scholar adjunto do Mises Institute, é o diretor de pesquisa do Independent Institute.

Tradução de Leandro Roque


Pessoal,estou em duvida sobre uma polemica nos contratos.Assunto meio OFF,mas aproveitando o espaço,gostaria de levantar essa questão para saber a visão de cada um.

O proprietário de um barco ou navio,pode expulsar um individuo de sua propriedade no meio do oceano?

O proprietário de um avião,pode expulsar um individuo de sua propriedade no meio do céu?

O proprietário de um motor-home,pode expulsar um individuo de sua propriedade no meio de uma floresta?

O contrato aqui como fica?O proprietário deve responder penalmente caso expulse o indivíduo nos casos citados acima?

Se eu contrato um barco,para realizar um passeio e o barco pega fogo,eu acredito que o consumidor detêm responsabilidade própria de verificar se havia seguro ou clausulas contratuais como garantia contra acidentes,ou seja,ele assume o risco de contratar tal serviço.Porem ate onde vai a quebra de contrato e a legitimidade de um processo penal?(resposta judicial)
Acontece que,se o indivíduo quebra o contrato ou a regra da dessa embarcação em alto mar,é ou não é legitimo o proprietário expulsa-lo em pleno oceano?Entendo que neste caso,o contrato poderia ter uma clausula dispondo sobre as consequências de eventuais quebras de regras,fazendo assim o consumidor esta consciente e livre para decidir.
O problema é quando há contratos meio ''implícitos'',como um serviço de balsa ou até mesmo uma casa noturna.Ao usufruir de tais serviços,você não assina um contrato ao pé da letra,é implícito de que a balsa não vai afundar,assim como é implícito que a casa noturna não ira incendiar ou desmoronar.Entendem?

Como eu faço direito e tenho somente 20 anos,ainda estou na longa caminhada de estudos,principalmente por gostar dessa parte de defesa da propriedade privada(contratos),por isso acompanho o IMB e defendo a liberdade sempre.Mas como eu disse,poucos anos de vida me obrigam a correr atrás do que ainda não deu tempo de aprender ou refletir.

Outra questão parecida é sobre invasão de propriedade indireta e oculta.
Por exemplo:

Eu tenho uma empresa de fornecimento de energia,que operam com cataventos.
Certo dia,um empresario resolveu construir algo que consequentemente muda a direção e o ritmo dos ventos,afetando assim a minha produção de energia com cataventos.Imagine que o empresario vizinho construiu um Castelo,uma muralha,um prédio...Qualquer coisa física com magnitude suficiente para influenciar na corrente de ventos que passam pela minha propriedade.
Como fica essa situação?Ouve uma invasão ou agressão a minha propriedade?
De cara é fácil dizer que sim,mas imagina o empresario vizinho,ele também teve seu direito de propriedade violado,já que o mesmo ficou completamente limitado a construir em sua propriedade,devido ao vizinho.Ele comprou a propriedade mas não pode construir o que bem entender devido ao vizinho e seus cataventos.
O mesmo vale para diversos exemplos como,poluição.Já li o artigo que saiu essa semana sobre libertarianismo e poluição,estou de completo acordo e compreendo.
Se eu forneço o serviço de abastecimento de aguá,que depende quase exclusivamente das chuvas,e alguns indivíduos desmantaram as florestas próximas que eram responsáveis pela regulação dessas chuvas.Houve uma violação na minha propriedade indiretamente,mas ao mesmo tempo os vizinhos que comprarem essas propriedades florestais,terão que manter as arvores lá pro resto da vida!?!Houve uma limitação no direito de propriedade deles também,pois terão que manter a floresta em sua propriedade para não influenciar na minha propriedade.Entendem?

Por enquanto é isso,de vez em quando tenho essas questões martelando na minha cabeça pedindo por respostas.Hoje foi sobre isso,tive um tempo e comentei aqui.Já já apareço com outras polemicas rs rs...

Grande Abraço!
Bruno Feliciano.



A questão é que Mises não defendeu a secessão até o nível do indivíduo. Os problemas de ordem técnica que ele via eram os mesmos problemas da própria anarquia. Esses problemas, segundo ele, "tornam necessário que uma região seja governada como uma unidade administrativa e que o direito de autodeterminação se restrinja à vontade da maioria dos habitantes de áreas de tamanho suficiente, para conformar unidades territoriais na administração de um país." (Liberalismo, p. 129) Por isso a secessão deva ser tal que forme uma unidade administrativa independente, com um conjunto de pessoas que realmente seja capaz de formar uma "sociedade", e que seja feita por meio de um plebiscito:

"O direito à autodeterminação, no que se refere à questão de filiação a um estado, significa o seguinte, portanto: quando os habitantes de um determinado território (seja uma simples vila, todo um distrito, ou uma série de distritos adjacentes) fizeram saber, por meio de um plebiscito livremente conduzido, que não mais desejam permanecer ligados ao estado a que pertenciam na época, mas desejam formar um estado independente ou ligar-se a algum outro estado, seus anseios devem ser respeitados e cumpridos." Ludwig von Mises, Liberalismo – Segundo a Tradição Clássica, p. 128

O problema da anarquia é basicamente o mesmo da secessão individual. Imagine que qualquer um possa se separar do Estado, quando quiser. Uma pessoa que quebra as regras da sociedade, um criminoso, pode facilmente pedir secessão e não se ver sujeito à punição. E essa é a mesma situação que acontece na anarquia. Por isso há a necessidade de um governo monopolista, para Mises, já que o poder de uso da força ficaria a cargo da comunidade como um todo, e nenhum indivíduo específico poderia se dizer na autoridade de matar, roubar, etc, sem que receba a punição necessária:

"A fim de estabelecer e preservar a cooperação social e a civilização são necessárias medidas para impedir que indivíduos antissociais cometam atos que poderiam desfazer tudo o que o homem realizou desde que saiu das cavernas. Para preservar um estado de coisas onde haja proteção do indivíduo contra a ilimitada tirania dos mais fortes e mais hábeis, é necessária uma instituição que reprima a atividade antissocial. A paz — ausência de luta permanente de todos contra todos — só pode ser alcançada pelo estabelecimento de um sistema no qual o poder de recorrer à ação violenta é monopolizado por um aparato social de compulsão e coerção, e a aplicação deste poder em qualquer caso individual é regulada por um conjunto de regras — as leis feitas pelo homem, distintas tanto das leis da natureza como das leis da praxeologia. O que caracteriza um sistema social é a existência desse aparato, comumente chamado de governo."

Ludwig von Mises, Ação Humana, capítulo XV, "Liberdade"

Em razão justamente disso ele nunca defendeu a secessão individual. Na citação mesmo que ele fala que "deveria ser assim", se fosse possível, ele rejeita. Mas, "se fosse possível...",da mesma forma com a anarquia, e ele achava ambos impossíveis. E lembrando que Mises não defendia as coisas por moral, mas sim por utilidade, e nem a anarquia, nem a secessão individual eram úteis para ele. Segundo ele:

"Tudo o que sirva para preservar a ordem social é moral; tudo o que venha em detrimento dela é imoral. Do mesmo modo, quando concluímos que uma instituição é benéfica à sociedade, ninguém pode objetar que a considera imoral. É possível haver divergência de opinião entre considerar-se socialmente benéfica ou prejudicial uma determinada instituição. Mas, uma vez julgada benéfica, ninguém pode mais argumentar que, por alguma razão inexplicável, deva ser considerada imoral."

Ludwig von Mises, Liberalismo – Segundo a Tradição Clássica, p. 62
"Comprar produtos britânicos está mais barato, por causa da desvalorização da libra, e o ftse subiu porque está mais barato comprar ações na bolsa de Londres."

Ué, por essa lógica, no Brasil de Dilma em que o real foi pra privada, era para o Ibovespa ter disparado e para as exportações terem bombado. Afinal, nossos produtos ficaram baratinhos.

No entanto, ocorreu o exato oposto. Bolsa e exportações desabaram.

Por outro lado, no período 2003 a 2011, em que o real se fortaleceu acentuadamente, o Ibovespa disparou, assim como as exportações. Pela sua lógica, era para acontecer o oposto.

Aliás, também segundo esse raciocínio, era para a bolsa americana ter desabado e suas exportações terem despencado desde 2011. Afinal, para todo o mundo, o dólar encareceu bastante desde lá. No entanto, aconteceu o exato oposto.

A pessoa dizer que a bolsa reflete o câmbio e não a saúde financeira das empresas e da economia é uma abissal ignorância econômica.

Para entender por que exportações e saúde das empresas andam de acordo com a força da moeda, ver estes artigos:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2394
www.mises.org.br/Article.aspx?id=2378
www.mises.org.br/Article.aspx?id=2175

"Agora, bancos e empresas japonesas já estão pensando em tirar o time, os hate crimes aumentaram."

Então não tem lugar nenhum no mundo para onde elas irem. Em qualquer país há hate crimes.

"Como manter as multinacionais sem as mesmas vantagens? Como as universidades ficarão em recursos, uma vez que o dinheiro vem da UE?"

Você está terrivelmente desinformado. O Reino Unido é um pagador líquido para a União Européia: paga 136 milhões de libras por semana para a União Europeia. Repito: por semana.

Portanto, se a sua preocupação é com os "recursos das universidades", então aí sim é que você tem de ser um defensor do Brexit.
"Os interesses privados do livre mercado vão capturar o estado sempre, tenha ele o tamanho que for."

Belíssima contradição. Livre mercado, por definição, significa um mercado cuja entrada é livre. Não há impeditivos burocráticos, regulatórios e tarifários para os novos entrantes e, principalmente, não há privilégios estatais para os já estabelecidos.

Empresas capturarem o estado para impor barreiras à entrada de novos concorrentes e para garantirem privilégios a si próprias é o exato oposto de livre mercado. Isso é mercantilismo, protecionismo, cartorialismo e compadrio.

Seu começo já foi triunfal.

"Grandes grupos vão seguir sua trajetória de "sucesso" através de consolidações e aquisições, se tornando cada vez mais megacorporações mono ou oligopolistas, ditando as regras."

Se a entrada no mercado é livre, não há como existir oligopólios e monopólios.

Não é à toa que quem cria cartéis, oligopólios, monopólios e reservas de mercado, garantindo grandes concentrações financeiras, é e sempre foi exatamente o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, TV a cabo, internet, postos de gasolina etc.).

Artigos para você sair desse auto-engano:

Brasil versus Romênia - até quando nosso mercado de internet continuará fechado pelo governo?

A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa - ou: você é pró-mercado ou pró-empresa?

Grandes empresas odeiam o livre mercado

Romaria de grandes empresários a Brasília - capitalismo de estado explicitado

E você ainda diz que é o estado quem vai impedir a concentração do mercado, aquela concentração que ele próprio cria e protege?

Por outro lado, não há e nem nunca houve monopólios no livre mercado. Empiria pura. Pode conferir aqui:

Monopólio e livre mercado - uma antítese

O mito do monopólio natural

"Temos ai, a título de exemplo de livre mercado, o Uber, que através de concorrência desleal leva prejuízo a setores regulados como os taxistas e escraviza motoristas, impondo jornadas de trabalho de até 12 horas."

Sensacional!

Primeiro você reclama das corporações que utilizam o estado para conseguir uma reserva de mercado e, com isso, manter oligopólios e monopólios. Aí, logo em seguida, derrama lágrimas porque uma corporação que utiliza o estado para conseguir uma reserva de mercado (os taxistas) está sendo quebrada pelo livre mercado!

Fazia tempo que eu não via alguém se auto-refutar de maneira tão pirotécnica quanto você.

"Esse papo furado de que o mercado regula tudo é para iludir os tolos e facilitar a vida das megacorporações."

Tipo, o megacartel dos taxistas desafiados pela Uber e pela Lyft? As grandes redes hoteleiras, que agora estão sofrendo com o AirBnB, que permite que qualquer dona de casa concorra com grandes corporações globais do setor hoteleiro? Os grandes bancos, que agora sofrem a concorrência das FinTechs e de sites como o "Descola Aí" e o "Banca Club"? As grandes redes varejistas, agora desafiadas pelo OpenBazaar?

É...

"Me parece que os "libertários" são os cães de guarda ideológicos delas."

Já a realidade mostra que são idiotas inconscientes como você os verdadeiros defensores dos monopólios e oligopólios concedidos pelo estado, via regulamentações, às grandes empresas.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Alexandre Melchior  10/04/2012 20:39
    Obrigado mais uma vez, Leandro!

    Hoje, o professor disse que não dá pra dizer que o governo piorou a crise em 1929 porque ele interferiu pouco na economia.

    Depois, ele disse que a crise de 1920 não era mundial e a de 1929 era. Ou seja, não daria pra comparar as ações do governo em ambas.

    Por isso que eu digo: nada como visitar o IMB depois das aulas! hahahahah
  • Leandro  10/04/2012 20:53
  • Cristiano  10/04/2012 20:55
    Alexandre Melchior,
    Você estuda Economia em qual universidade?
    Fiquei com curiosidade!
  • Alexandre Melchior  10/04/2012 22:23
    Na Unesc, em Criciúma-SC. Nenhum professor conhece a EA e não há nada que se ensine relacionado a ela.

    Mas o coordenador do curso é meu bróder e eu vou dar uma agitada lá.

    O professor em questão é gente boa. Mas é keynesiano de carteirinha. Publica artigos pela AKB e tudo mais...
  • Gil  12/05/2012 14:42
    Pior que ter professores keynesianos é ter professores marxistas como os meus!Aí é que a coisa F*** de vez.
  • Miguel  10/04/2012 21:54
    Dizer que Franklin Roosevelt é "a maior figura do século XX" soa ridículo quando lembra-se de Sir Winston Churchill
  • helena marques  11/04/2012 08:17
    Vejo que os nazis continuam a fazer propaganda. Mesmo sem o louco do Goeblees.
  • Catarinense  11/04/2012 10:15
    Helena, se importa de compartilhar seu raciocínio?
  • Paulo Sergio  13/05/2012 14:13
    Se alguém não gosta do Churchil deve ser um nazista, ora
    Isso me lembra a definição de racista: racista é qq um que vença um esquerdista numa argumentação.
  • Pedro Ivo  12/05/2012 20:01
    Verdade. Agora eles tem uma tal de União Européia no lugar do ministério da propaganda.
  • Augusto  11/04/2012 02:38
    Otimo artigo. Para ficar melhor, precisava de uma segunda parte explicando como a economia americana saiu da depressao.
  • Kadur Albornoz da Rosa  13/05/2012 13:39
    Sobre a mudança da Suprema Corte de ser contra o New Deal para o ponto de ser a favor:
    Diversas leis do New Deak foram declaradas inconstitucionais nos primeiros dois anos do mandado de Roosevelt, logo no início do New Deal. Neste período, o Roosevelt não conseguiu nomear ninguém para a Suprema Corte. No entanto, em seu segundo mandato, ele conseguiu emplacar 4 ministros na Suprema Corte, o que fez com que o jogo mudasse de lado, ele remodelou a ideologia da Corte para tornar seus atos absurdos como se constitucionais fossem.

    Outro episódio que demonstra o quão autoritário ele era:
    A lei que determina o número de Justices (ministros) na Suprema Corte é uma lei ordinária. Quando as políticas do New Deal começaram a ser derrubadas na Suprema Corte, o Roosevelt chamou os 11 justices da época e disse que, se eles não parassem de derrubar as políticas do New Deal, ele iria reformar a lei ordinária que define o número de justices na Suprema Corte e "fazer constitucional aquilo que ele quisesse". E este sujeito ainda é considerado um herói.
  • Mohamed Attcka Todomundo  13/05/2012 19:21
    e os ministros da suprema corte eram covardes! eles poderiam ter desafiado o 'rei'.

    q tivesse mudado a lei! q o deixassem! q ficasse claro ser um 'golpe de estado branco'! mas eram tão apegados aos seus 'carguinhos' e às honras q este 'poderzinho' conferia!...

    são como todos estes baba-ovos das cortes! ñ passavam de um bando de carreiristas! Se houvessem tido a coragem de enfrentar o 'rei' teriam feito algo de grande e bom; mas preferiram terem seus ovos babados por todos q ficam admirados com uma toga de bosta.

    na epoca Roosevelt era detestado por alguns segmentos da sociedade. ate planejaram um golpe de estado. se tivessem-no deixado dar este golpe de estado de reduzir os juizes da suprema corte, quem sabe se ñ teriam feito o mesmo contra ele.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  25/06/2013 22:21
    Um tirano apenas.
  • Emerson Luis, um Psicologo  04/12/2013 13:25

    Roosevelt é como o Lula: é considerado um herói por supostamente ter resolvido problemas que na realidade ele mesmo criou ou piorou.

    * * *
  • Thiago Augusto  13/07/2015 20:26
    Acabei de copiar o link para chutar uns keynesianos... Heheheeh
  • RichardD  23/09/2015 13:22
    Roosevelt é uma das maiores mentira da história
  • Ricardo  07/12/2015 20:36
    Claro, a depressão piorou muito a partir dos anos 30. Acho até que os EUA perderam a guerra pros Nazistas. Cada um, viu...
  • Leandro  07/12/2015 22:28
    Piorou, e piorou sensivelmente.

    Um simples crash da bolsa de valores – algo que chegou a ocorrer com uma intensidade ainda maior em 1987, quando a bolsa americana despencou 22% em um único dia, uma queda muito maior que a de outubro de 1929, e nada aconteceu -- foi amplificado pelas políticas intervencionistas e totalitárias do governo, gerando uma depressão que durou 15 anos e que só foi resolvida quando o governo encolheu.

    A Grande Depressão, na verdade, não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários (exatamente como havia feito na depressão de 1921, que foi ainda mais intensa, mas que durou menos de um ano justamente porque o governo permitiu que o mercado se ajustasse).

    Porém, o governo fez exatamente o contrário: além de aumentar impostos e gastos, ele também implantou políticas de controle de preços, controle de salários, aumento de tarifas de importação (que chegou ao maior nível da história), aumento do déficit e estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.

    Herbert Hoover aumentou os gastos do governo federal em 43% em um único ano: o orçamento do governo, que havia sido de US$ 3 bilhões em 1930, saltou para US$ 4,3 bilhões em 1931. Já em junho de 1932, Hoover aumentou todas as alíquotas do imposto de renda, com a maior alíquota saltando de 25% para 63% (e Roosevelt, posteriormente, a elevaria para 82%).

    Eis a lógica: o governo fez de tudo para impedir a recuperação da economia.

    Quanto ao nazismo, esse seria derrotado pela própria economia. O modelo que eles adotaram era totalmente insustentável.
  • O (Futuro) Presidiário de 9 Dedos  08/12/2015 01:24
    Inclui na conta de besteiras dele o salário mínimo. Foi um golpe doloroso especialmente para o pobre, sem ensino, sem capital e que vivia em região de gente também igual. Ferrou muita gente e só agravou a economia, especialmente no interior do país entre os negros na época.
  • Thiago Teixeira  08/12/2015 03:42
    Valeu, Leandro. Tava procurando esse artigo do primeiro link, em outra fonte li sobre a coalizao conservadora,
    Mas muito menos completo que aqui no Mises.

    Vc eh f$:&(&!
  • Rodrigo  31/08/2016 20:02
    Gosto muito das premissas aqui apresentadas, mas não consigo entendê-las plenamente. Estou no último ano do Ensino Médio e cursarei História. Acho extremamente importante o trabalho da Escola Austríaca e gostaria de saber como posso melhorar o meu entendimento dessas premissas.
  • Auxiliar  31/08/2016 21:53
    Permita-me resumir para você:

    A Grande Depressão, na verdade, não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários. Isso foi exatamente o que foi feito, por exemplo, na depressão de 1921, que foi ainda mais intensa, mas que durou menos de um ano justamente porque o governo permitiu que o mercado se ajustasse. Por isso, hoje ninguém se lembra dela).

    Já na crise de 1929, o que o governo americano fez tudo exatamente o contrário: além de aumentar impostos e gastos, ele também implantou políticas de controle de preços, controle de salários, aumento de tarifas de importação (que chegou ao maior nível da história), aumento do déficit e estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.

    Herbert Hoover aumentou os gastos do governo federal em 43% em um único ano: o orçamento do governo, que havia sido de US$ 3 bilhões em 1930, saltou para US$ 4,3 bilhões em 1931. Já em junho de 1932, Hoover aumentou todas as alíquotas do imposto de renda, com a maior alíquota saltando de 25% para 63%.

    Roosevelt, posteriormente, a elevaria para módicos 82%.

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