O básico sobre a inflação

1. Inflação é um aumento na quantidade de dinheiro e de crédito criado em decorrência desta criação adicional de dinheiro.  A principal e mais visível consequência da inflação é a elevação dos preços.  Portanto, uma inflação de preços — atenção para o termo correto — é causada unicamente pelo aumento da quantidade de dinheiro na economia. 

2. A quantidade de dinheiro na economia é uma variável decorrente das políticas monetárias do governo — mais especificamente, de seu Banco Central.

3. Um dos principais motivos para a criação de mais dinheiro é a existência de um orçamento deficitário por parte do governo.  Orçamentos deficitários são gerados por gastos crescentes e extravagantes, os quais o governo é incapaz de cobrir utilizando exclusivamente suas receitas de impostos.  Gastos excessivos decorrem principalmente dos esforços do governo em redistribuir riqueza e renda para setores privilegiados — isto é, esforços para retirar recursos dos produtivos para sustentar os improdutivos de todas as classes.  Isto corrompe a ética e desestimula os incentivos trabalhistas tanto dos produtivos quanto dos improdutivos.

4. As causas da inflação de preços não são, como se diz frequentemente, "múltiplas e complexas"; elas são simplesmente a consequência inevitável de uma criação excessiva de dinheiro.  Não existe algo como "inflação gerada pelo aumento dos custos".  Se salários e outros custos trabalhistas ou de produção forem forçados para cima, mas não houver um aumento na quantidade de dinheiro na economia, e os produtores tentarem repassar estes aumentos aos consumidores elevando os preços de venda, a maioria deles irá apenas vender menos produtos.  O resultado será um menor nível de produção e a perda de empregos.  Custos maiores podem ser repassados para os preços somente quando os consumidores têm mais dinheiro para pagar por estes preços mais altos. 

5. Controles e congelamentos de preços não podem interromper ou arrefecer a inflação de preços.  Eles podem, no máximo, atrasar a sua manifestação.  Pior ainda: eles irão sempre desorganizar a economia.  Controles de preços simplesmente comprimem ou eliminam por completo as margens de lucro, desarranjam a estrutura de produção da economia, e geram gargalos e escassezes.  Todo e qualquer controle de preços e salários implantado pelo governo, ou até mesmo a sua "monitoração", é apenas uma tentativa de políticos de jogar a responsabilidade pela inflação sobre produtores e vendedores, e não em suas próprias políticas monetárias.

6. Uma prolongada inflação nunca "estimula" a economia.  Ao contrário, ela desequilibra e desorganiza a estrutura produtiva da economia, direcionando a produção e o emprego para investimentos que mais tarde revelar-se-ão insustentáveis, gerando prejuízos, desperdício de recursos escassos e maior desemprego.  O desemprego assim gerado permanecerá em níveis elevados enquanto o salário demandado estiver acima do real valor de mercado — seja por demandas sindicais, por leis de salário mínimo (que mantém adolescentes e mão-de-obra pouco qualificada fora do mercado de trabalho) ou por prolongados e generosos seguros-desemprego.

7. Para se evitar estragos irremediáveis, a noção de que expansões monetárias podem estimular permanentemente a economia deve ser irreversivelmente rejeitada.  Adicionalmente, o governo deve ser retirado por completo do controle da oferta monetária, deixando esta área a cargo das forças de mercado.  Por fim, o orçamento do governo deve ser equilibrado o mais rapidamente possível, e não de maneira gradualista e indolor.  O equilíbrio deve ser alcançado por meio de um acentuado corte de gastos, e não pelo aumento de uma carga tributária já extremamente elevada, que comprime salários e desestimula o trabalho árduo e a produção. 


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SOBRE O AUTOR

Henry Hazlitt

(1894-1993) foi um dos membros fundadores do Mises Institute. Ele foi um filósofo libertário, economista e jornalista do The Wall Street Journal, The New York Times, Newsweek e The American Mercury, entre outras publicações. Ele é mais conhecido pelo seu livro Economia em uma Única Lição.




Henrique Zucatelli
Bom dia
Sei que ter capital, fundos, poupança é importante mas:
Será que os consumidores quererão os meus produtos e serviços.
Se ninguém se interessar em comprar meus produto ou serviço que eu estou vendendo?
Se surgir uma oportunidade de negócios vou perder?
Meus concorrentes oferecerem melhores produtos e serviços que eu vou ter que aprimorar meus produtos ou serviços senão vou pra falência.
Isso estou vendo do lado do produtor, fornecedor de produtos e serviços.
Do lado do consumidor:
Será que preciso desse produto ou serviço?
Se preciso vou pagar a vista ou a prazo?
Caso eu compre à vista vou ter de poupar para adquirir o produto ou serviço que quero.
Caso eu compre à prazo vou ter de calcular quanto do meu ganho posso desprender para gastar.
Qual é melhor comprar a prazos curtos ou longos?
E finamente o que não se deve fazer:
Vou tomar empréstimo para comprar bens de consumo.
Vou compra itens no cartão de débito\crédito mesmo que não tenha fundos para cobrir o mesmo.
Vou Tomar empréstimo para pagar o cartão.
Isso do lado do consumidor.
Do lado do produtor\finacista e fornecedor de serviços:
Vou produzir itens em grande quantidade, mesmo que não consiga vender tudo.
Vou me associar a políticos para que tenha venda cativa de produtos e serviços para o governo cobrando acima do mercado e oferecendo produtos e serviços ruis
Vou toma empréstimo do governo para especular a compra e venda de empresas, mesmo que não entenda o que elas produzem ou serviço que elas oferecem.
Criarei lobis junto ao governo para que os meus interesses sejam atendidos.
Se falir terei AMIGOS no governo e me dá uma mãozinha.

O item 4 é contraditório com o item 10.
O professor Mueller tem uma visão um tanto equivocada com respeito à lógica.
Tanto a lógica aristotélica, quanto a lógica simbólica, incluindo a teoria dos conjuntos, são sistemas de ordenação argumentativa orientados na direção dedutiva nos quais a inferência está ligada necessariamente às premissas.
Para que o valor seja logicamente subjetivo, temos que incluir o valor campo dos objetos predicados por subjetivo.
Ora, vejam:
Para que isso ocorra, temos de recorrer às definições desses termos, pensando no método geométrico, as definições deveriam anteceder às teses, não estar incluídas nelas. Se ocorrer essa inversão lógica, o argumento é falacioso, chamada de Petição de Princípio (vide ORGANON - Aristóteles; COPY - Manual de Lógica; pesquisem sobre método geométrico)
Além disso, para que não haja inconsistência entre os itens 4 e 8 o trabalho deveria ter sido definido, tal como o valor o foi, como subjetivo. Senão o item 8 cria uma ambiguidade na passagem (por si só) que, do ponto de vista lógico, é um condicionante. Sem tal definição, o valor parece ter uma parte subjetiva e outra objetiva e, pior ainda, somente o condicionante do valor parece ser subjetivo. Se o trabalho não for caracterizado como subjetivo, o valor é efetivado objetivamente e, portanto, é objetivo.

Uma reordenação não viciada desses itens deve começar supondo o item 4, isto é, ser uma hipótese (eliminação do item 10). Posteriormente, definir o trabalho ou, por extensão ampliativa, incluir o trabalho no item 4.
"Se "4" e o trabalho for subjetivo, então "1""2""3""5""6""7""8""9""

Outro problema, mais grave, é usar o termo subjetivo e, por extensão, objetivo como predicados lógicos, i. é., características de coisas. A distinção entre subjetivo e objetivo é maior, isto é, anterior no processo de conhecimento, do que aquilo sobre o qual a lógica trata: as relações entre enunciados. Digamos, em termos mais simples, subjetivo não é uma característica de coisas, mas de afirmações, frases (vide POPPER - Lógica da Pesquisa Científica; RUSSELL & WHITEHEAD - Principia Mathematica; TARSKI - A Concepção Semântica da Verdade). Para incluir subjetivo e objetivo no vocabulário é necessário realizar uma metalinguagem que, por definição, exigirá a suspensão e a revalidação das definições. Dizer o por que tais definições devem ser aceitas.

A tentativa de criar leis em uma ciência que sejam a priori não funcionou nem na Física (vide KANT - Crítica da Razão Pura), mesmo na matemática (vide o embate entre FREGE e HILBERT) a tentativa foi, em parte, frustrada. Esse tipo de posição, chamada de Fundacionista, é uma visão, sinto informar, ultrapassada. A exigência de indicações empíricas e construções não totalizantes é regra fundamental para alcançar qualquer teoria saudável no pensamento científico atual.

PS. Desculpem-me o tecnicismo, não tenho o hábito de escrever para leigos. Devo melhorar nesse aspecto.
Bom dia Vladimir, como vai?

Que bom que começou a entender o começo da história. Agora falta a outra metade.

Não tem como prevermos a inovação. Pode parecer pleonasmo, mas inovar é fazer o novo, algo que ninguém fez até hoje. E isso pode dar certo (ou não). Claro que quando pensamos em inovações sempre vem a mente exemplos de sucesso como Apple, Microsoft, Ford e outros. Mas nos esquecemos que estes foram os vencedores. Em seus respectivos momentos, existiram dezenas (ou até centenas) de concorrentes brigando para saber quem iria se perpetuar, e a maioria caiu no caminho, foi absorvida ou simplesmente esquecida.

Se quiser entender mais como funcionam todos esses sentimentos de um grande inventor nos primórdios de sua carreira, recomendo que leia um livro muito bom (meu de cabeceira) do próprio Henry Ford- Os princípios da prosperidade . Tenho um exemplar da primeira edição, com o autógrafo do tradutor, ninguém menos que Monteiro Lobato. É um tesouro que guardo com muito carinho.

Voltando ao assunto, como toda inovação é nova (!), precisará de uma dose maciça de confiança de quem produz, aliado ao fato de que são recursos direcionados a esse projeto, com pouca ou nenhuma certeza de que irá dar certo. Repito à exaustão: quando olhamos invenções consagradas damos um valor a elas que não existia na época.

Justamente por esse princípio, é necessária a existência de poupança para financiar esses projetos. Sem poupança, sem inovação, por melhor que seja a ideia. Se tiver interesse nesse assunto, recomendo um ótimo livro de Peter Schiff - Como a economia cresce, e por que ela quebra .

Inclusive está a venda aqui no IMB:
www.mises.org.br/Product.aspx?id=55 .

Para finalizar, é melhor entender um pouco mais sobre como funciona o socialismo, e porque ele está sempre fadado ao fracasso. Como bem ilustra a Venezuela, os defensores do socialismo desconhecem uma lei básica da economia

Um grande abraço, e ótima semana para ti.










"só consigo comprar um IPhone por 'apenas' R$ 2000,00 porque ele é produzido aos milhões. Caso grande parte da população deixasse de comprar IPhone essa economia seria menos efetiva e com certeza cada IPhone custaria mais para ser produzido. Exemplo canônico: quase ninguém compra uma Ferrari e isso não faz ela ser mais barata, muito pelo contrário, ela seria muito mais barata se todo mundo comprasse uma: seria produzida na China e se chamaria Jac. :D"

Existem duas maneiras de um produto baratear, isto é produzir em larga escala com preços reduzidos ou produzir em larga escala com preços reduzidos e não houver demanda para tal produção, isso significa que pessoas estão se abstendo do consumo ou estão em crise. Portanto, as pessoas que pouparam ontem, hoje podem estar consumindo Iphones e ferraris ou investindo em bens de capital e assim aumentando ainda mais a abundância dos produtos.
Essa situação da demanda aconteceu recentemente com o consumo reduzindo e os preços acompanhando essa redução do consumo praticando menores preços.

"Além da economia de escala existe outro fator que você desconsiderou, as indústrias de bens não são facilmente reconfiguradas para produzir bens para as quais não foram inicialmente projetadas."

Para produzir bens tem que haver capital e o último advém de poupança. Contudo, para haver poupança para a população, os impostos sempre terão que ser baixos e isso possibilitaria empresas de várias partes do mundo vir produzir aqui pelas novas medidas do governo. As indústrias vindas do exterior automaticamente estaria trazendo seu conhecimento e técnicas para tal trabalho, isso significa que o país poderá produzir bens que não eram bons. Essa situação ocorreu na Coreia do Sul, Hong Kong, Taiwan, Japão e Singapura.
Coreia do Sul não tinha LG, SAMSUNG e Hyundai, e em pouco tempo pelos investimentos estrangeiros obteve conhecimento necessário para produzir o que não sabiam, produtos de alta tecnologia e carros.
Hong Kong seria tecnologia.
Taiwan idem de Hong Kong.
Japão acho que seria o setor automobilístico.
Singapura seria produtos de alta tecnologia.
Até tempo atrás não eram bons no que fazem hoje, e em pouco tempo conseguiram a façanha de realizarem tal ato.


ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Diego  02/05/2012 06:37
    Existe outro tipo de inflação além da inflação de preços?
  • Leandro  02/05/2012 06:47
    Diego, inflação, por definição é, aumento da quantidade de dinheiro na economia.

    Aumento de preços é simplesmente uma das consequências da inflação. No entanto, como o senso comum convencionou chamar de "inflação" o aumento de preços, utilizamos a expressão "inflação de preços" para enfatizarmos que estamos falando de aumento de preços.

    É incorreto chamar de "inflação" o fenômeno do aumento de preços. Inflação é aumento da quantidade de dinheiro.
  • Andre Cavalcante  02/05/2012 13:08
    Leandro,

    Fiquei numa dúvida... Por que o IBGE usa variações de preços de itens (ponderados) para o cálculo da inflação? Não seria, dado o conceito, de simplesmente contar o percentual de aumento/ou diminuição da quantidade de moeda (tipo variação do M1, como gostas de mostrar em teus artigos)?

    PS. Faço coro aos colegas. Não sei se um livro teu sobre economia austríaca aplicada ao Brasil teria grande venda, mas pelo menos a minha compra está garantida.

    Abraços
  • Leandro  02/05/2012 13:15
    Bom, porque a intenção do IBGE realmente é a de mensurar as variações de preços. O povo ( e o governo) não está interessado na variação da oferta monetária, mas sim na variação dos preços. Ocorre que o senso comum resolveu, incorretamente, chamar esta variação de preços de inflação.

    Paciência.

    Obrigado pelas palavras e abraço!
  • Antônio Galdiano  29/01/2013 17:32
    Uma observação:
    No texto consta "uma inflação de preços — atenção para o termo correto — é causada unicamente pelo aumento da quantidade de dinheiro na economia."

    E você disse "No entanto, como o senso comum convencionou chamar de "inflação" o aumento de preços, utilizamos a expressão "inflação de preços" para enfatizarmos que estamos falando de aumento de preços."

    Eu andei pensando sozinho e cheguei à seguinte conclusão, corrija-me se estiver errado:

    Os preços em uma economia de livre mercado podem subir em alguns casos específicos que seriam acréscimos ao caso de manipulação monetária

    Seriam:
    1)Mudanças nas preferências 1: Surgem produtos novos, com maior valor agregado, que substituam os antigos porém a um custo maior. Eu não sei como que os pesquisadores de inflação lidam com essa informação. O nível médio de preços na economia sobe.

    2)Mudanças nas preferências 2: Suponha que haja uma propaganda efetiva contra o consumo de pastéis de feira. Pode ser que o consumo desse produto seja substituido por outro alimento mais caro ou mais barato, o que influenciaria na inflação de preços.

    3)Mudanças nas preferências 3: Surge um produto inovador que não substitui nenhum outro, mas tem demanda. Porém se para esse consumo o consumidor passou a gastar mais ou menos por unidade consumida de outro produto, bom, isso também interfere no custo médio do produto. Também é uma questão que precisa ser tratada na metodologia da pesquisa.

    Em suma, mudanças na preferências também podem mudar (claro que o efeito para computo geral pode ser quase insignificante) o índice de preço pois as pessoas podem mudar as preferências de quantidade de produtos por qualidade de produtos, e vice versa.
  • Maurício Goncalves  02/05/2012 08:28
    Aproveitando a pergunta do Diego.

    Podemos dizer que aqueles outros conceitos de inflacao, como inflacao de custos, demanda e inercial é tudo balela de acordo com a ótica austríaca, certo?

    Abraço!

    Maurício
  • Anderson Titz  25/02/2016 13:11
    Esta definição é da Escola Austríaca é muito limitada, não considera efeitos psicológicos e sequer o giro do dinheiro.
    Não existe inflação de custos? Vocês leram David Ricardo e a Teoria da Terra.

    A Expansão Monetária sem sombra de dúvidas é a maior das causa de inflação, mas só ela não garante que haverá inflação, não se pode confundir uma das causa (expansão monetária) com seu efeito (aumento de preço/inflação)

    É óbvio que se houver toneladas de impressão de dinheiro as pessoas irão jogar praticamente tudo na economia já que não faz nenhum sentido para a maioria das pessoas poupar além do suficiente e ficar sem suas necessidades atendidas. Por outro lado uma expansão monetária pequena em dado momento pode ser o impulso necessário para aumentar o giro do dinheiro em uma economia sem demanda suficiente.
  • Edigar Torres  02/05/2012 06:44
    O autor do texto nasceu em 1894 e faleceu em 1993. Ainda que este artigo tenha sido escrito no ano do seu falecimento, permanece lógico, coerente, racional e atual, mesmo 20 anos depois.

    Simplesmente incontestável.
  • Miguel   02/05/2012 06:50
    O fim está próximo...

    www1.folha.uol.com.br/poder/1084082-para-ter-juros-de-1-mundo-dilma-quer-mudar-poupanca.shtml
  • Deilton  02/05/2012 12:50
    Talvez o objetivo do governo com essa medida seja tornar os títulos públicos mais atraentes, já que alguns cobrem inflação ainda pagam juros. Como há uma crença de que o títulos públicos tem risco zero, muita gente vai querer migrar da poupança para os títulos. No longo prazo, não acredito que essas medidas sejam suficientes para manterem os juros ao consumidor baixo.
  • Catarinense  03/05/2012 11:09
    BRASÍLIA, 3 Mai (Reuters) - A remuneração da caderneta de poupança será alterada toda vez que a taxa básica de juros Selic estiver abaixo de 8,5 por cento ao ano, segundo o esboço de uma medida provisória vista pela Reuters, que deve ser apresentada pela presidente Dilma Rousseff a líderes aliados nesta quinta-feira.\r
    \r
    Segundo o documento, quando Selic estiver abaixo de 8,5 por cento ao ano, a poupança será remunerada pela Taxa Referencial (TR) mais 70 por cento da Selic. Quando a taxa básica estiver igual ou acima deste patamar, a regra atual, de TR mais 0,5 por cento de juro ao mês, será mantida.\r
    \r
    A MP, que pode passar por pequenos ajustes depois das reuniões desta tarde, prevê que os depósitos feitos até sua entrada em vigor manterão a atual fórmula de remuneração.\r
    \r
    br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE84205H20120503\r
    \r
  • amauri  02/05/2012 07:27
    Bom dia Leandro!
    Estamos experimentando "o imperio das multas". Este dinheiro arrecadado pelo Estado não ajuda para que a inflação suba menos? abs
  • Deilton  02/05/2012 07:46
    Tem coisas que eu lei na internet que é foda. No blog do do ilustre Paulo Henrique Amorim (www.conversaafiada.com.br/economia/2012/05/02/bancos-nao-respondem-a-dilma-o-pig-esta-ai-pra-isso/):
    "Em resumo: os conservadores chamam de "populismo" tudo o que os governantes trabalhistas fazem em benefício do povo.

    Por exemplo: chamar os bancos privados na chincha, reestatizar a YPF argentina, ou a Transporte de Eletricidade da Bolívia."

    O pior é que muita gente acredita e segue as idéias dele. Acha que está correto a presidAnta reduzir os juros à força. Que está correta a atitude do Governo Argentino de reestatizar a YPF, que tudo isso é feito para o bem do povo.
    Estou começando a acreditar que estamos perto de um golpe de estado, que transformará esse país na nova experiência comunista. O pior é que a elite está vendida, nada fará para nos tirar desse triste caminho.
  • Rafael Franca  02/05/2012 09:47
    Pra que eles vão virar a mesa? Os estatistas controlam o poder público em diversos níveis, tem parte da mídia do lado deles, e conseguem empurrar goela a baixo qqr lei que queiram. Anúncio de cigarro, proibido. Cigarros de sabor, proibido. Comercial de cerveja com gente bebendo, proibido. Daqui a pouco até biscoito de chocolate já era. Eles deixam o mercado livre o suficiente para que produza riqueza suficiente para sustentá-los, e onde interessa os "amigos do rei" tem força de lei garantindo um mercado sem concorrência.
  • Deilton  02/05/2012 10:03
    O problema é que essa gente nunca está contente, vão querer sempre mais. Mais pilhagem, mais poder, mais impostos, mais assistencialismo, e quando tudo dar errado eles dizem que o culpado é o mercado.
  • Igor Eduardo  02/05/2012 17:15
    Deilton,

    Fui conferir a matéria que você indicou e fiquei assustado com a quantidade de comentários em apoio à Dilma!

    Estamos caminhando ladeira a baixo, em quinta marcha e pisando fundo.

    Abs.,

    Igor Eduardo
  • Pipe  02/05/2012 17:53
    Ih, com esse negócio de abaixar os juros o pessoal se tornou governista até o osso, inclusive quem ainda não era. O pessoal está tão eufórico com isso que chega a ser bizarro. Falta racionalidade nessas horas. Todo mundo vai embarcar na festa dos juros baixos e o Brasil-paraíso sustentando por dinheiro inexistente e dívidas galopantes. E esse será o povo que reclamará de novo dos governantes no futuro, quando a conta chegar.
  • Deilton  02/05/2012 19:58
    Tente comentar lá, fiz três comentários, tanto ao que o repórter disse, quanto aos comentários de outras pessoas. Advinha: só publicaram um. Tentei publicar uma reportagem da folha que mostrava que os bancos doaram milhões para a campanha do mula, eles não publicaram.
  • B_Diniz  18/01/2013 12:17
    o blogo do PHA não conta aquilo é um órgão público de mídia
  • Henrique  02/05/2012 07:59
    Será que os economistas no período da hiperinflação não sabiam de nada disso, ou eles eram simplesmente perversos brincando de engenharia social e frequentando a igreja keynesiana? Fico realmente intrigado por que estou quase formando em Ciências Econômicas e quase todo meu conhecimento de economia da vida real aprendi com a EAE, boa parte aqui no Instituto Mises, já perguntei sobre inflação para alguns professores e só obtive o mesmo nem nem heterodoxo. Muito provavelmente eles eram perversos E ignorantes mesmo.
  • Helena  02/05/2012 08:17
    Leandro,\r
    \r
    "O equil´brio deve ser alcançado por meio de um acentuado corte de gastos,e não pelo aumento de uma carga tributária já extremamente pesada"...\r
    Ou seja: tudo para cima do povo e nada pelo povo.E,assim,, quem mais faz sacri fícios,não alcança benefícios.Até quando?
  • Deilton  02/05/2012 09:28
    Se gastos públicos elevassem o bem estar estaríamos entre os mais ricos do mundo.
  • Lucas Amaro  02/05/2012 09:58
    Grécia, Espanha, França e derivados estão sentindo na pele isso. No passado, quando diversos países se endividaram, também sentiram.

    Todos tiveram que pagar a conta pelo bem-estar fictício, como se bastassem apenas canetadas do governo para todos melhorarem de vida.
  • Antonio Castagnoli  28/01/2013 10:09
    Em outro comentário mandei um site, mas o que eu realmente gostaria de mandar era este: (www.gti.net/mocolib1/prices/1907.html). Mais completo, também baseado em anuncios publicitários, e contém roupas, serviços, automóveis, imóveis e alimentos. É bastante interessante!
  • Fasuto Luiz  02/05/2012 08:33
    Texto simples e de facil compreensão, infelizmente num pais pobre educacionalmente, onde as informações são contraditórias, direcionadas e tendenciosas, agravado pelo fato da população não se preocupar e interessar-se com as decisões do Estado (Executivo e Legislativo), infelizmente, constata-se, só quando as consequências se tornam realidade, é que os cidadãos alcançam a gravidade da situação. Pelo que pude entender, o Estado Brasileiro, atual gestão, de iniciativa do Poder Executivo e Legislativo obrigam-se no curtíssimo espaço tempo implementar as reformas administrativas, políticas e tributárias, sob pena de dentro, no máx. 03 anos, alimentar-nos de inflação "galopante" e o alto índice de desempregados - O chamado "Custo Brasil" - Assim, eu entendo, O Brasil está numa "encruzilhada" enonômica. Até!
  • Rafa  02/05/2012 09:43
    Seria fantástico se vcs do IMB fizessem uma série "o básico sobre". Para leigos em Economia como eu, artigos como esse acertam na mosca. Concisão, clareza e inteligência.
    Já estava de queixo caído com os textos do Rothbard em teoria do estado (Senhor, perdoai o Dalmo de Abreu Dallari, pois ele não sabe o que escreve!).
  • Daniel F.  02/05/2012 12:32
    Concordo. As recentes medidas do governo clamam por um artigo do tipo "O básico sobre o crédito".
  • Adao J.Sabara  02/05/2012 10:30
    Está tudo tão claro neste país,
    Os nossos governantes estão se lixando para tudo isso, os trabalhadores e empresários ficam contentes com as migalhas que o governo joga da mesa.
    Cedo ou mais tarde a conta vai chegar, inflação, desemprego, previdência quebrada.

  • Eduardo  02/05/2012 12:49
    Simples e pratico, explicando o "monstro" que é a inflaçao em 5 minutos de leitura.

    Agora algo que vem me chamando a atençao, o que voces acham sobre essa pressao do governo para a queda nas taxas de juros? quais as consequencias que isso pode causar?
  • Leandro  02/05/2012 13:19
    Prezados Rafa, Daniel e Eduardo, tenham a bondade (e a paciência) de dar uma olhada na seção de comentários do artigo abaixo. Nela, foi comentado sobre esta recente decisão do governo sobre os juros:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1283
  • Eduardo  02/05/2012 17:01
    Concerteza vou olhar, muito obrigado
  • Carlos  02/05/2012 13:44
    Portanto, uma inflação de preços — atenção para o termo correto — é causada unicamente pelo aumento da quantidade de dinheiro na economia.

    Quanto monetarismo e dogmatismo! Há vários outros fatores que podem acarretar inflação como um choque de preços de commodities.
  • Leandro  02/05/2012 14:23
    Choque de preços de commodities pode gerar aumento de preços das commodities. Só. E, mesmo assim, algo temporário.

    Agora, para que este "choque" se propague para toda a economia, elevando os preços de tudo e de maneira permanente, é necessário que haja um contínuo aumento da quantidade de dinheiro na economia. Exatamente como ocorreu durante o "choque do petróleo" na década de 1970. Sem esta expansão monetária, é absolutamente impossível haver uma contínua e constante inflação de preços gerada unicamente por um "choque de commodities".
  • Vagner  03/05/2012 05:01
    A curva do aumento populacional é equivalente a curva de inflação?
  • Pedro  03/05/2012 14:29
    "Inflação é um aumento na quantidade de dinheiro e de crédito criado em decorrência desta criação adicional de dinheiro. A principal e mais visível consequência da inflação é a elevação dos preços."

    Ao trocas causa e consequência fica fácil falar o que você falou. Inflação é, por definição, uma variação no nível de preços. É a primeira vez que eu vejo alguém tentando contrapor isso. Em geral, os debates surgem com relação à causa da inflação. Você põe uma das causas possíveis (elevação da oferta de moeda) como a inflação propriamente dita. - Aqui devo concordar com o Carlos que isso é de um dogmatismo e monetarismo abusivo! -
  • Leandro  03/05/2012 14:46
    Lamento se você se sente mal com a definição correta de inflação, Pedro. Pode pesquisar nos melhores dicionários, principalmente nas edições mais antigas dos tradicionais. Inflação sempre foi definida como aumento da oferta monetária. E óbvio: durante a maior parte da história da humanidade, redução nos preços sempre foi a regra. Aumento de preços era coisa esporádica, um ponto fora da curva. Foi só a partir de meados do século XX que um aumento contínuo de preços se tornou algo totalmente rotineiro para a civilização. Daí ter absorvido o errôneo nome de inflação.

    E não se trata meramente de preciosismo semântico, não. É algo muito mais sério do que isso. Se você não define exatamente qual é o problema, você não tem a menor chance de resolvê-lo corretamente.

    Se inflação é "aumento de preços", então a solução para este problema não tem nada a ver com a quantidade de dinheiro na economia, mas sim com coibir o comportamento maldoso de empresários, que insistem em elevar seus preços sem nenhum motivo, levados apenas pela ganância. Se inflação é "aumento de preços", então a solução para este problema pode perfeitamente ser o congelamento de preços ou a imposição de um teto para os preços de qualquer bem. Sarney estava certo, portanto.

    Saber a diferença entre inflação e aumento de preços é tão importante quanto compreender corretamente as causas de uma doença. É a diferença entre saber o que causa todos os seus sintomas desta doença e o que deve ser feito para eliminar a fonte dos sintomas, versus tentar lidar diretamente com os sintomas.

    Definir inflação como aumento de preços é o mesmo que pensar que 'doença' significa um aumento da temperatura do corpo apontada pelo termômetro, o que implicaria que a solução seria simplesmente colocar o termômetro na geladeira.

    Entender corretamente o significado de inflação -- isto é, um aumento na quantidade de moeda -- permite entender que é plenamente possível haver inflação sem estar havendo aumento de preços e, consequentemente, saber todas as consequências em termos de investimentos insustentáveis que tal inflação pode causar. (Vide a recente bolha imobiliária americana -- os preços dos imóveis subiam mas os preços gerais da economia estavam totalmente abaixo dos 2% ao ano, o que levou os monetaristas e os keynesianos a crerem que estava tudo perfeito e sob controle).

    Portanto, não. É realmente fundamental saber a definição correta de inflação. Assim como o câncer pode existir sem apresentar nenhum sintoma aparente, a inflação também existe sem que esteja havendo aumento de preços -- e ela estará insidiosamente fazendo uma redistribuição de renda dos mais pobres para os mais ricos e gerando todo tipo de investimentos insustentáveis que mais tarde irão gerar uma recessão.

    Abraços!
  • Daniel  03/05/2012 19:23
    The term "inflation" originally referred to increases in the amount of money in circulation. - en.wikipedia.org/wiki/Inflation

    A palavra inflação é utilizada para significar um aumento no suprimento de dinheiro e a expansão monetária. - pt.wikipedia.org/wiki/Infla%C3%A7%C3%A3o

    Quem editou o sentido original foi o "mainstream", o uso coloquial e jornalístico do tema.
  • Anderson Titz  25/02/2016 12:58
    Esta definição não é a única para inflação:

    Veja no próprio Wikipedia e em outras diversas fontes:

    Inflação refere-se a um aumento no suprimento de dinheiro e a expansão monetária, o que é a causa do aumento de preços; alguns economistas (como os da Escola Austríaca) preferem este significado, em vez de definir inflação pelo aumento de preços.
  • Thyago  04/05/2012 11:14
    É engraçado como as coisas são... Esses economistas sempre buscando uma forma de complicar o simples...

    Se os preços são lastreados por moeda, como pode haver aumento de preços sem aumento de moeda?

    É como querer fazer uma pessoa engordar sem dar comida a ela...
  • Hueber  30/05/2012 18:39
    Cara, consigo "captar" o significado da inflação quando se trata de moedas metálicas, mas e quando é somente um dígito numa tela de computador? Não fica muito mais difícil perceber a inflação? Esse aumento de dinheiro "abstrato" me confunde muito ainda.
  • Ricardo  23/09/2012 17:58
    Eu tenho uma dúvida sobre o tópico 4:
    No tópico você disse que aumentos de salários e custos não são repassados para os preços, pois os consumidores não estão mais ricos, mas um aumento de salários não os faz mais ricos, fazendo com que um aumento dos preços gere lucro maior para os empresários? Mesmo que você considere que o aumento da renda dos trabalhadores sem aumento na produtividade(por meio de sindicalizações, legislações de salário mínimo, percepções inexatas dos empresários,etc) seria apenas uma distribuição de renda, dos empresários para os trabalhadores, teríamos um aumento geral do consumo, pois os empresários, que geralmente tem renda maior, tem uma propensão maior a poupar.Quem ganha muito poupa uma porcentagem maior da sua renda que quem ganha pouco. Não vou entrar no mérito se ele podia ou não, mas é sabido que a baixa renda não poupa, e poupança aumenta, de modo geral, com a renda. Essa tendência dos empresários a poupar, aliada às formas de aumento dos salários de maneira não produtiva não explicaria a inflação em uma economia sem políticas monetárias expansiva? Mesmo que de forma provisória, já que a poupança das pessoas de alta renda não é eterna e eventualmente se transforma em consumo.
  • Leandro  23/09/2012 23:13
    Ricardo, é necessário enfatizar o seguinte detalhe:

    Aumentos de salários e custos não são repassados para os preços se não houver um aumento na quantidade de dinheiro na economia. É isso que o artigo fala.

    Se houver um aumento generalizado de preços e salários em uma economia com oferta monetária constante, o que ocorrerá será uma diminuição do volume de gastos (a mesma quantidade de dinheiro agora está perseguindo mão-de-obra e bens mais caros). Ato contínuo, haverá um aumento do desemprego, o qual só será corrigido se houver uma redução de preços e salários.

    Em uma economia de oferta monetária constante, o aumento salarial se dá em termos reais: o salário nominal permanece constante, mas os preços dos bens e serviços caem continuamente. Empresários só terão lucro com o aumento da produtividade, o que os obrigará a fazer constantes investimentos. Já em um cenário de contínua inflação monetária, como o nosso, os lucros vêm automaticamente (em decorrência do fato de haver mais dinheiro no futuro do que no passado), não sendo necessários grandes esforços em investimento para se aumentar a produtividade. Por isso a inflação monetária gera um padrão de vida aquém daquele que poderíamos ter.

    Abraços!
  • Ricardo  24/09/2012 06:38
    A análise que eu tinha feito era de uma economia sem aumento na oferta monetária: o aumento não-produtivo de salários aumenta o consumo geral, pois os assalariados poupam uma porcentagem menor de suas rendas se comparados aos empresários. O aumento no consumo faz com que os empresários aumentem os preços. Os empresários podem ou não ter lucros maiores que a situação anterior a do aumento de salários, mas com certeza seu lucro será maior aumentando os preços, pois a demanda cresceu quando os menos poupadores ganharam mais renda. Nenhuma parte desse cenário exige aumento na quantidade de dinheiro para acontecer.
    Um aumento na demanda agregada deve vir de um aumento da renda ou uma diminuição da poupança. Um aumento na renda vem, geralmente, de um aumento na produtividade. Você ganha mais porque produz mais. Você demanda mais na mesma quantidade em que produziu mais. A demanda e oferta agregadas aumentaram na mesma quantidade. Sem problemas até aí. Lembrando que nenhuma parte da minha análise teve ou terá mudanças na oferta de moeda. Minha curiosidade fica nos aumentos não-produtivos de salários.
    Se pensarmos que o aumento artificial dos salários aumenta o desemprego, e, desse modo, a demanda não vai aumentar, teremos que enfrentar dois problemas: Esse aumento do desemprego pode ou não compensar o acréscimo de demanda dos salários maiores dos que continuaram empregados, o que, em caso negativo, levaria a inflação, e esse aumento do desemprego diminuiria a produção, elevando os preços.
    Depois de responder a essa questão eu gostaria de saber sobre diminuições de poupança independente de taxa de juros, como numa onda de otimismo espontânea geral, que aumentam o consumo, consequentemente, aumentam a demanda agregada, e aumentam os preços pois não há tempo de resposta da oferta com quantidade ofertada, e quando essa resposta vem, chega na forma de aumento maior da inflação, pois a diminuição da poupança aumenta a taxa de juros, que diminui os investimentos, e consequentemente a oferta, elevando ainda mais os preços. Essa explicação também não envolve aumento da oferta monetária. Pense que ela ocorreu num mundo com reservas bancárias totais também.
  • Leandro  24/09/2012 06:58
    Não é possível haver aumentos gerais nos salários nominais em um ambiente de oferta monetária fixa. Se isso ocorrer forçosamente -- via sindicatos coercivos --, o resultado será o desemprego. O aumento na renda de uns será compensado pela renda zero dos agora desempregados. Não dá para afirmar que haverá um aumento geral na renda da população neste cenário.

    Quanto ao aumento da inflação de preços em decorrência de uma súbita menor poupança, tal aumento será temporário porque insustentável. Haverá um momento em que a população terá de voltar à taxa de poupança anterior. Quando isso ocorrer, preços e salários cairão. Se não caírem, o volume de gastos será menor e o desemprego será maior. Não dá pra fazer mágica e nem muito menos driblar a realidade econômica.

    Grande abraço!
  • Blah  24/09/2012 07:16
    Um aumento na demanda agregada deve vir de um aumento da renda ou uma diminuição da poupança. Um aumento na renda vem, geralmente, de um aumento na produtividade.

    Um aumento na renda vem de um aumento na produtividade. Um aumento na produtividade deve vir de investimentos. Investimentos precisam de uma fonte de recursos. Essa fonte de recursos é a poupança. Porém, não há como consumir a poupança antes que ela exista, pois isso vai contra a própria definição de poupança. Logo, o aumento na produtividade depende de um nível de poupança. Esse nível de poupança tem flutuações. Quanto menos consumo e mais poupança, maior a quantidade de recursos disponíveis para investimentos. Isso atrai investimentos, que geram uma melhora na produtividade. Isso, claro, em um ambiente realmente livre. Em um ambiente no qual a disponibilidade de recursos costuma ser fortemente controlada pelo estado, não há necessariamente uma melhoria na produtividade, não nas demandas dos consumidores. O dinheiro é injetado em grandes empresas bem conectadas no governo (os "setores estratégicos").
  • amauri  18/01/2013 11:29
    Bom dia Leandro!
    O autor diz uma inflação prolongada é prejudicial. Isto significa que uma inflacao curta é benefica? abs
  • Leandro  18/01/2013 11:58
    A frase é "Uma prolongada inflação nunca "estimula" a economia".

    No curto prazo, a inflação monetária aditiva artificialmente alguns indicadores, como emprego e investimentos, exatamente como explicado pela teoria dos ciclos econômicos. O problema é que tal artificialidade resulta em capital mal investido e exaurido em investimentos para os quais não haverá genuína demanda.

    Mais pra frente, tudo isso revelar-se-á insustentável, que é quando começa a recessão. Em uma democracia, no entanto, esse poder da inflação no curto prazo é extremamente eficaz para garantir reeleições.
  • Arthur M M  18/01/2013 13:45
    Vide desemprego no seu menor nível.
    noticias.terra.com.br/brasil/desemprego-no-brasil-em-novembro-marca-seu-menor-nivel-em-2012,61696d44edcbb310VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

    Se, inflação a 10% (mises.org.br/Article.aspx?id=1492), Desemprego minímo e crescimento pífio, então "capital mal investido e exaurido em investimentos para os quais não haverá genuína demanda."
  • Andrce Canine  18/01/2013 11:40
    Ótimo artigo.

    Saindo um pouco do tema.. acho que esse aquido Thomas DiLorenzo merece uma tradução:
    mises.org/daily/6323/The-Founding-Fathers-of-Participatory-Fascism
  • pensador barato  18/01/2013 12:23
    Leandro eu gostaria de sugerir uma idéía,que tal vocês fazerem uma tabela confrontando a EAE e a escolas intervencionistas,abordando cada tema(inflação,juros ,moeda...) com riqueza de detalhes e bem resumida de forma a se ter um panorama da realidade e da teoria austríaca,certo será que tal tabela não esgotará o assunto mas dará uma cosmovisão da economia sob vários ângulos,de maneira que os iniciantes saberiam onde tirar as dúvidas de forma definitiva sem empobrecer o debate.
  • Leandro  18/01/2013 12:35
    Mas já temos um artigo incomparavelmente mais completo do que essa sugerida tabela:

    A posição das escolas austríaca, de Chicago, keynesiana e marxista em 17 questões econômicas
  • Patrick de Lima Lopes  18/01/2013 12:47
    Leandro, desculpe-me por pedir ajuda sem pesquisar antes, é que estou com pouco tempo; mas haveria algum artigo detalhado da EA sobre a estagflação americana da década de 70(Aquela que o mainstream afirma ter sido causada pela alta nos preços do petróleo)?
  • Leandro  18/01/2013 13:30
    Um artigo falando especificamente sobre a estagflação americana da década de 1970 ainda não temos. Mas você pode ver aqui um do próprio Fed mostrando a expansão monetária (total de dinheiro criado via expansão do crédito) ocorrida naquele período:

    research.stlouisfed.org/fredgraph.png?g=eFh
  • Jorge  18/01/2013 12:49
    As causas da inflação de preços não são, como se diz frequentemente, "múltiplas e complexas"; elas são simplesmente a consequência inevitável de uma criação excessiva de dinheiro.

    Criação excessiva de dinheiro não cria necessariamente inflação. A política atual do FED prova isso.

  • Leandro  18/01/2013 13:01
    Isso é desconhecimento total seu. Você está partindo da premissa Chicago-keynesiana de que a consequência da inflação monetária é apenas o aumento dos preços, quando o certo seria analisar como os preços seriam na ausência da inflação monetária.

    Se a oferta monetária fosse fixa, os preços tenderiam a cair -- e é essa queda em potencial que você está ignorando. Assim, para termos a exata noção do efeito de uma expansão monetária sobre os preços, temos antes de considerar qual seria a queda potencial nos preços caso essa expansão monetária não tivesse ocorrido.

    Para ficar mais claro: suponhamos que, em uma economia qualquer, na qual a oferta monetária fosse fixa, os preços no mercado caíssem naturalmente 5% ao ano. Agora, suponha que um banco central tenha sido criado e que, já no ano seguinte, ocorresse um aumento de 5% nos preços em relação ao ano anterior. Nesse cenário, os economistas diriam que a inflação foi de meros 5%. Mas isso estaria errado. A inflação não foi de meros 5%. Para sabermos a real inflação ocorrida, temos de comparar esse novo nível de preços com o nível que ocorreria caso não tivesse ocorrido uma expansão monetária -- isto é, caso o banco central não tivesse sido criado.

    Assim, tomemos como base o ano anterior à expansão monetária. O nível de preços seria 100 (apenas para facilitar os cálculos). No ano seguinte, caso tudo continuasse como antes -- isto é, com oferta monetária fixa -- haveria uma queda de 5% nos preços. Logo, o nível de preços seria de 95. Porém, como houve uma expansão monetária e os preços subiram 5%, o nível dos preços foi de 105.

    Qual a inflação real do período? Ora, se o nível de preços era para ser de 95, mas foi de 105, então a inflação real do período foi de 105/95 = 10,5%. Ou seja, nesse exemplo simples, a estatística oficial, ao declarar inflação de apenas 5%, declarou menos da metade da real inflação de preços ocorrida na economia.

    Portanto, sempre que você vir um IPCA indicando 6,5%, pense em como ele seria caso não tivesse havido expansão na quantidade de dinheiro na economia. Se a economia tiver produzido 5% a mais de bens e serviços, então o IPCA teria de ser de, por exemplo, -5%. A diferença entre -5% e 6,5% (106,5/95 = 12,1%) foi a real inflação de preços ocorrida.

    Traduzindo, jamais se deve ignorar os efeitos insidiosos da inflação. Analisar apenas índices de preços é algo um tanto afastado da realidade. Caso tenha ocorrido expansão monetária, mesmo que uma economia apresente 0% em algum índice de inflação, ainda assim houve inflação de preços -- haveria deflação na ausência dessa expansão.
  • anônimo  18/01/2013 13:10
    Intuitivamente isso faz todo o sentido, se a produtividade aumenta claro que os preços vão cair
    Putz, ter descoberto esse site foi uma das melhores coisas da minha vida.
    Realmente, é como se sentir fora da matrix
  • Anderson Titz  25/02/2016 13:37
    Infelizmente as pessoas não se comportam de maneira racional e este modelo não é válido, realmente são muitas as causas recomendo a leitura de Kahneman.
  • Tory  18/01/2013 13:31
  • Luiz Padilha  18/01/2013 14:43
    @Jorge,

    Hoje a definição de dicionário de "inflação" é a de um aumento no nível geral dos preços de uma economia. No entanto, o fato dessa definição ser a que está incluida nos dicionários mainstream só reflete a vitória que o keynesianismo teve sobre o bom senso.

    Quando o termo foi cunhado, ele se referia ao aumento na quantidade de moeda circulante. Veja essa citação do Federal Reserve Bulletin em, 1919: Inflation is the process of making addition to currencies not based on a commensurate increase in the production of goods.

    Essa citação só prova que, em algum momento na história, o Fed pensava como nós e a alteração na forma de pensar do Fed só reflete os conceitos dúbios e convolutos que o keynesianismo introduziu na economia. Como o autor ressaltou, o aumento da oferta monetária continua sendo inflação, mas se isso vai levar ou não a um aumento generalizado dos preços é outra história. Definir inflação por um de seus efeitos não faz nenhum sentido e apenas serve aos interesses de quem quer expropriar valor da população e meter a mão no seu bolso.

    Então, "Criação excessiva de dinheiro não cria necessariamente inflação. A política atual do FED prova isso" está errado pelo conceito de inflação que utilizamos: a criação excessiva de dinheiro é sinônimo de inflação. Se isso vai levar a um aumento generalizado de preços, é outra história.

    Artigo interessante: www.clevelandfed.org/Research/commentary/1997/1015.pdf
  • Christiano  18/01/2013 13:17
    Leandro,

    Bom Dia !

    Novamente me impreciono com a acuracia em que as teorias Austricas sobre economia conseguem explanar de forma coesa e eficiente minhas dúvidas.

    A unica dúvida que me surgiu é a seguinte: Se eu mensurar a variação de crescimento de M2 em um determinado periodo, esse resultado obtido teria que ser igual ou proximo da variação de preço medidos pelo IBGE ou outro orgão ? E queria saber se algum procedimento e ou medidas economicas podem interferir para menos a relação criação de M2 e inflação ? Exemplo: digamos que a variação de m2 em um determinado periodo foi de 2% e a inflação foi de 1%, essa diferença poderia ser justificada por por alguma medida economica ou indicador ( PIB ).

    Desde já agradeço pelas informações prestadas !

    E cade o seu livro no hall do mises ? :D

    Abraço !
  • Leandro  18/01/2013 13:45
    "Se eu mensurar a variação de crescimento de M2 em um determinado periodo, esse resultado obtido teria que ser igual ou proximo da variação de preço medidos pelo IBGE ou outro orgão ?"

    De modo algum. Não há nenhum motivo para que seja assim, tanto pelas razões que expliquei ao leitor Jorge quanto pelo fato de o M2 não representar acuradamente a quantidade de dinheiro existente na economia (há ali alguns títulos privados cuja aquisição não gera criação de moeda).

    "E queria saber se algum procedimento e ou medidas economicas podem interferir para menos a relação criação de M2 e inflação ? Exemplo: digamos que a variação de m2 em um determinado periodo foi de 2% e a inflação foi de 1%, essa diferença poderia ser justificada por por alguma medida economica ou indicador ( PIB )."

    Você pode tentar essa aproximação, mas eu não colocaria fé no resultado. Você está querendo matematizar o resultado de milhões de interações humanas voluntárias que ocorrem diariamente. Isso é impossível. O máximo que você pode fazer estabelecer relações de causa e consequência, mas jamais mensurar acuradamente estas relações.

    "E cade o seu livro no hall do mises ? :D"

    A minha lista de inimizades ainda não está tão grande assim a ponto de eu ameaçar o mundo com a publicação de um livro.

    Grande abraço!
  • amauri  18/01/2013 14:19
    Leandro, existe meios de fazermos uma pesquisa como o Peter Schiff para comparar os precos das decadas aqui no Brasil?
  • Leandro  18/01/2013 14:48
    Se você tiver acesso a arquivos históricos, bem como a registros sobre a evolução dos preços de vários bens cotidianos, mãos à obra.
  • Gustavo Sauer  18/01/2013 14:34
    "Portanto, uma inflação de preços — atenção para o termo correto — é causada unicamente pelo aumento da quantidade de dinheiro na economia."

    Acho que o autor cometeu um erro ao usar o termo "unicamente". Mesmo em uma economia com uma quantidade fixa de dinheiro, ainda é possível ocorrer aumento de preços generalizados por conta de alguma catástrofe natural.
  • Leandro  18/01/2013 14:48
    Não, não é possível. Não no longo prazo. Alguém sempre terá de ceder. Por exemplo, se um terremoto faz com que os preços dos alimentos, dos transportes e dos materiais de construção aumentem, os preços de outros bens e serviços, como lazer, boates, roupas elegantes, DVDs, livros, bonés, óculos escuros, TV a cabo, jantares em restaurantes chiques, teatro etc. terão de cair. Caso contrário, simplesmente não venderão nada.

    Ou seja, erro nenhum.
  • Ricardo S.  18/01/2013 15:07
    Leandro, e se uma determinada catástrofe destruir muitos bens de capital acarretando finalmente na redução da produtividade de determinado país. Nesse caso a oferta monetária permanecerá igual enquanto a oferta de bens e serviços diminuirá. Nesse caso haverá uma "inflação de preços", certo? Essa inflação será temporária, cessando quando um novo equilíbrio de preços for atingido, correto?
  • Leandro  18/01/2013 15:22
    Não tenho a mínima capacidade de prever como as pessoas se comportarão em um cenário de catástrofe generalizada (afetando os bens de capital de todo o país) como essa sua. Em tese, seu raciocínio está correto. É tudo o que posso dizer.
  • maurício barbosa  18/01/2013 18:24
    É isso ai Leandro,estes opositores de plantão sempre querendo fazer-nos entrar em contradição,ora se o estatismo é correto,porque raios esses políticos só dão bola fora e sempre a mesma desculpa de falta de verbas,falta disso,falta daquilo,menos falta de vergonha na cara.
    Gostaria de ver esses esquerdistas de merda,cobrando o cumprimento da lei de responsabilidade fiscal que em seu texto cobra prestação de contas com riqueza de detalhes,mostrando a origem e o destino do dinheiro ou seja tudo dentro dos princípios fundamentais da contabilidade,de maneira a não faltar nenhuma dado e dúvidas.
    Gostaria que eles se manifestassem concordando ou discordando com fundamento a respeito deste questionamento sem aquela desculpa de votar certo.
  • Gustavo Sauer  18/01/2013 19:11
    Desculpa, Leandro, acho que vou discordar de você mais uma vez.
    O preço é a relação entre dinheiro e produtos circulando. Mesmo que a quantidade de dinheiro seja fixa, pode ocorrer uma diminuição dos produtos circulando. Dei o exemplo de uma catástrofe natural. Uma praga ou uma guerra também poderiam ter o mesmo efeito.
    Se o autor tem interesse em ser filosoficamente rigoroso, ele deveria usar outro termo.
  • Leandro  18/01/2013 19:36
    Diminuição (permanente) de produtos é um exemplo que nada tem a ver com terremotos e catástrofes naturais. Por isso mesmo ele não foi incluído no raciocínio.

    Quando há uma catástrofe natural, os preços obviamente irão subir, mas isso será temporário -- tão logo a oferta de bens volte a níveis pré-catástrofe, a tendência é que os preços voltem a ser como eram antes (daí a diferenciação entre curto e longo prazo).

    Já neste seu exemplo de redução permanente da oferta de bens, aí de fato os preços subirão permanentemente. Resta agora imaginar uma situação realista em que haja uma redução permanente da oferta de bens em uma economia capitalista.
  • Gustavo Sauer  18/01/2013 19:58
    Se quer um exemplo histórico, posso citar a peste negra. Mas exemplos históricos ou probabilidade de eventos não são necessários para construção de uma teoria econômica.
  • Marcos  18/01/2013 21:04
    A peste negra ocorreu em uma época que não havia economia capitalista. Aliás, ela própria surgiu em decorrência de um colapso econômico (veja o artigo linkado). Isso -- economia capitalista -- foi o pressuposto do Leandro.
  • mauricio barbosa  20/01/2013 17:09
    Este Gustavo Sauer está de brincadeira,colega só um monopolista desalmado para fazer isso que você esta teorizando,no mundo sem estado não há lugar para monopolista visto o maior de todos ser o próprio estado,portanto em um mundo de livre-mercado segurar oferta é uma operação arriscada pois a concorrência engole sua clientela,filhinho.
    Experimente abrir uma firma e faça isso no seu bairro,depois compartilhe conosco o resultado.
  • Luiz Padilha  18/01/2013 14:54
    Apenas mais um link interessante: www.etymonline.com/index.php?term=inflation

    Etimologia do termo inflação em inglês: Monetary sense of "enlargement of prices" (originally by an increase in the amount of money in circulation) first recorded 1838 in American English.
  • Jovem Entusiasta de Hayek  18/01/2013 16:32
    Olá, sei que esse não é o artigo onde eu deveria escrever isso, mas nao sei onde posso tirar duvidas. Eu gostaria de que me fornecessem uma informação sobre a Obra de Eugenn Böhm Bawerk, Capital e Juro. Eu quero saber se a Teoria da Exploração do Socialismo-Comunismo, do mesmo autor, faz parte de "Capital e Juro" ou se trata de um livro a parte. Obrigado!
  • Leandro  18/01/2013 17:18
    Sim, faz parte. Capital e Juro possui três volumes, e A Teoria da Exploração do Socialismo-Comunismo está no primeiro volume, capítulo XII.

    Você pode ler esta último, na íntegra e de graça, aqui:

    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=33
  • Gil  18/01/2013 18:02
    Se inflação fosse só aumento de preços, o plano cruzado teria dado certo. Tinha até os ficais do sarney. Não durou 6 meses. Depois da farra foi uma ressaca.
  • Carlos Marcelo  18/01/2013 21:35
    Gostaria de saber qual a opinião austríaca sobre a "inflação estrutural" que a Cepal teorizou, se realmente haveria pressão de custos nos países em desenvolvimento. E também sobre a "de demanda" e "inercial". Se um governo contrai a emissão monetária, vocês concordam que levará alguns meses ou anos até estabilizar os preços?
  • Leandro  18/01/2013 22:21
    Teoria sem nenhum sentido. A inflação da década de 1980 foi toda devida à expansão monetária.

    Veja a evolução do M1 durante a década de 1980 (tendo em mente que em março de 1986 houve apenas corte de três zeros):

    https://www3.bcb.gov.br/sgspub/consultarvalores/consultarValoresSeries.do?method=consultarSeries&series=1824

    (Ao clicar no link acima, a página dará erro. Para corrigir isso, acrescente os dois pontos [ : ] após o HTTPS)

    O único momento em que uma inflação adquire um comportamento semelhante a algo "inercial" é quando a economia já está em hiperinflação e as pessoas dão como certo o fato de que a inflação continuará aumentando em um ritmo cada vez maior. Nesse ponto, as pessoas se preocupam apenas em se livrar da moeda o mais rápido possível, adquirindo qualquer tipo de produto.

    Nesse cenário, mesmo que você interrompa a expansão monetária, a demanda por moeda cai a praticamente zero e os preços disparam sem nenhum controle. A única solução passa a ser uma total reforma monetária, como fizeram com o Plano Real.

    Mas não foi isso o que ocorreu na década de 1980 e na primeira metade da década de 1990: a expansão monetária crescia a taxas parecidas com a aceleração de um Fórmula 1.
  • Tiago Moraes  19/01/2013 01:20
    Situação essa que perdurou por longos 15 anos, levando o Brasil a atingir o segundo mais longo período hiperinflacionário da história mundial. Um artigo de Giambiagi, sobre o colapso do Desenvolvimentismo, afirma que o principal motivo para a perpetuação da hiperinflação no Brasil era a força com que a Acadêmia, na época hegemonicamente Desenvolvimentista/Cepalina, tinha no establishment da política econômica brasileira e estes negavam com veemência que as causas do descontrole dos preços no Brasil, eram derivados da expansão dos meios de pagamento, construíam teses absurdas como essa de "choques estruturais na oferta" ou mesmo o bom e velho jargão marxista; "contradições de uma economia de mercado"...
  • Carlos Marcelo  19/01/2013 05:51
    Oi, gostei da informação, mas peguei um texto da Veja citando possíveis causas que até alguns meses atrás pareciam corretas, e que agora, começam a soar estranho:

    "São vários os fatores que causam inflação. Um dos mais importantes é a (a) aproximação entre oferta e demanda agregada. Em outras palavras, quando o consumo interno de um país fica muito perto de sua capacidade produtiva, os empresários podem ter incentivo para aumentar os preços.
    Outro processo muito comum é o (b) choque de oferta, que se dá quando algum imprevisto causa queda brusca no volume de produção de determinado bem. Trata-se de ocorrência relativamente comum no setor agrícola, pois, não raro, lavouras são afetadas por problemas climáticos. Contudo, tais declínios acentuados de produção tendem a ter efeito limitado sobre os índices gerais de preço, haja vista que o cálculo de sua variação dá-se sobre uma cesta muito grande de produtos.
    Há outros fatores, não menos relevantes, que influenciam o comportamento da inflação. Um deles é (c) a variação cambial. Uma eventual elevação súbita da cotação do dólar ante o real, como a que se viu em 1999, tem como efeito automático o encarecimento dos chamados produtos 'tradables', isto é, aqueles comercializáveis tanto interna quanto externamente. é que esses bens e serviços, justamente por essa característica, são cotados na moeda americana.
    Ainda no campo externo, um (d) fenômeno inflacionário que atinja diversos países tende a contaminar os preços domésticos. é o que se viu antes da crise financeira americana de 2008, quando as cotações das commodities agrícolas, minerais e energéticas subiam com vigor na esteira da pujante demanda internacional.
    Por fim, (e) a inflação passada também pode alimentar reajustes de preços no presente. Este processo, que atualmente se dá em nível muito menor que o verificado no período de hiperinflação, é chamado de indexação. A boa notícia é que este efeito restringe-se hoje aos chamados preços administrados - aqueles regulados por contratos que determinam a recomposição da inflação passada por meio de um índice de preço. Este é o caso de muitos serviços públicos, cadernetas de poupança e aluguéis."

    Enfim, só para confirmar, por que mesmo a escassez de matérias-primas(seja por problemas climáticos no setor agrícola ou por encarecimento do petróleo pela OPEP) não pode ser considerado inflação? Não existe inflação de demanda que não seja por aumento de moeda? E o câmbio? É que não quero deixar brechas.
  • Felipe  19/01/2013 13:37
    "São vários os fatores que causam inflação. Um dos mais importantes é a (a) aproximação entre oferta e demanda agregada. Em outras palavras, quando o consumo interno de um país fica muito perto de sua capacidade produtiva, os empresários podem ter incentivo para aumentar os preços."

    Groselha pura. Pegue a Alemanha e o Japão do pós guerra. Inflação extremamente baixa, embora a capacidade de produção desses países estivessem a full power a serviço da reconstrução pós-guerra.


    "Outro processo muito comum é o (b) choque de oferta, que se dá quando algum imprevisto causa queda brusca no volume de produção de determinado bem. Trata-se de ocorrência relativamente comum no setor agrícola, pois, não raro, lavouras são afetadas por problemas climáticos. Contudo, tais declínios acentuados de produção tendem a ter efeito limitado sobre os índices gerais de preço, haja vista que o cálculo de sua variação dá-se sobre uma cesta muito grande de produtos."

    Isso é lei da oferta e da demanda, que causa no máximo, momentânea inflação de preços e é setorial. Inflação genuína(que afete todos os bens de mercado) é causada unicamente por expansão da base monetária.


    "Há outros fatores, não menos relevantes, que influenciam o comportamento da inflação. Um deles é (c) a variação cambial. Uma eventual elevação súbita da cotação do dólar ante o real, como a que se viu em 1999, tem como efeito automático o encarecimento dos chamados produtos 'tradables', isto é, aqueles comercializáveis tanto interna quanto externamente. é que esses bens e serviços, justamente por essa característica, são cotados na moeda americana."

    Eu concordo, mas a variação de taxa cambial não deixa de ser uma "inflação indireta", falando a grosso modo, já que a variação da oferta monetária tem impacto direto sobre ela.


    "Por fim, (e) a inflação passada também pode alimentar reajustes de preços no presente. Este processo, que atualmente se dá em nível muito menor que o verificado no período de hiperinflação, é chamado de indexação. A boa notícia é que este efeito restringe-se hoje aos chamados preços administrados - aqueles regulados por contratos que determinam a recomposição da inflação passada por meio de um índice de preço. Este é o caso de muitos serviços públicos, cadernetas de poupança e aluguéis."

    Isso é uma consequência da inflação e não uma das causas.
  • Renato Souza  20/01/2013 15:41
    Carlos


    Muitos fatores podem afetar os preços DE FORMA PONTUAL.

    Mas note: como poderia haver uma contínua e geral elevação de preços sem um aumento dos meios de pagamento? Os meios de pagamento não se tornariam escassom em relação à sua demanda? Isso não elevaria o preço de mercado dos meios de pagamento? E que é essa elevação do preço dos meios de pagamento senão a deflação de preços? Então o aumento de preços num setor trás embutido dentro de si um mecanismo de realimentação negativa, um mecanismo de deflação para a economia em geral, que tende a equilibrar os efeitos.

    A única forma de isso não ocorrer é o aumento dos meios de pagamento.

    Recapitulando: Sem expansão da oferta monetária, aumentos pontuais ou mesmo setoriais de preços são totalmente possíveis. O contínuo aumento geral de preços não. Mesmo o impacto das manipulações no cambio são limitados, porque o governo consegue mante-lo defasado apenas dentro de certos limites. O contínuo e ilimitado crescimento da defasagem cambial não é possivel, porque tornaria os meios ilegais de tranferencia de bens e valores sempre e cada vez mais lucrativos (até o "infinito"), sabotando o esforço do governo. Portanto, embora o governo consiga manter o cambio continuamente defasado, a defasagem não pode crescer até o infinito. Ora, mas é o aumento da defasagem de cambio que pode causar a contínua e ilimitada elevação de preços. Se essa defasagem tem limites, seus efeitos sobre a inflação de preços são limitados no tempo. Isto é, depois de ter realizados seus efeitos sobre os preços, a defasagem de cambio não pode continuar aumenta-los. Então ela pode causar um aumento GERAL nos preços, mas não um aumento ilimitado no tempo.

    Ora, a única causa da inflação de preços que é ilimitada no tempo é a inflação monetária. Mas a inflação de preços é ilimitada no tempo. Logo, a inflação monetária é a única causa real da inflação de preços. As outras "causas" são apenas marolas temporárias.
  • Renato Souza  20/01/2013 18:53
    Carlos

    Outra causa citada para a inflação é a diminuição do nível de poupança. Veja que novamente é uma causa, por natureza, limitada no tempo. Imagine que o nível histórico de poupança num determinado país seja de 10% do PIB. Então ocorre um evento que faz esse nível abaixar para 5%. Durante o período em que ocorre diminuição do nível de poupança, realmente se gera um inflação de preços. Mas se o nível de poupança se estabilizar, deixa de ser uma causa de inflação. Se diminuir ainda mais, haverá cada vez menos poupança para ser queimada. Então a diminuição da poupança pode ser uma causa na variação tempórária da inflação de preços, mas só isos.

    Investimentos estrangeiros também tem suas limitações. Quem investiu vai querer recuperar seu dinheiro. Não aumentará infinitamente a quantidade real de capital investido. De qualquer forma mesmo que durante muito tempo haja um aumento de capital investio, a relação aumento do capital estrangeiro investido e capital total do país se tornará cada vez menor, a não ser que houvesse uma curva de crescimento exponencial e ilimitado, o que seria algo "bastante inusitado". Então, o efeito do capital estrangeiro investido sobre a inflação de preços, conforme a economia do país crescesse, seria cada vez menor.

    Agora vejamos se há qualquer espécie de limitação para a expansão monetária. Um determinado país tem uma moeda que chamaremos de "dinheiro". O governo começa a emitir moeda descontrooladamente, para custear o rombo de seu orçamento. Os preços também sobem descontroladamente. Logo, um pãozinho que custava centavos de "dinheiro" passa a custar dezenas, e depois centenas e depois milhares de "dineiros". Mesmo as mercadoras valendo tantos "dinheiros", não há escasses de moeda, justamente porque ela está sendo criada a um ritimo fenomenal. O governo cria notas de milhões, bilhões, trilhões de "dinheiros". Eventualmente isso deixa de ser prático, e o governo "troca" a moeda por outra chamada "dinheiro novo". ou melhor ainda, por outra chamada "engodo". Um "engodo" vale um bilhão de "dinheiros". Eventualmente o "engodo" também deixará de ser prática, e se criará outra moeda chamada "mentirinha" valendo um bilhão de "engodos".
    E o pior é que não há nada de estranho nessa história. Desde que os governos descobriram as delícias da inflação monetária, coisas parecidas aconteceram em dezenas de países. Antes que os governos criassem esse artifício, isso jamais acontecia. Nem teria como acontecer. Nenhuma unidade monetária jamais foi criada de forma que um chiclete valesse 1000 unidade monetárias. Como então chega-se ao ponto de um chiclete valer mil, um milhão, um bilhão, um trilhão de unidades monetáris (considere as sucessivas trocas de moeda e veja que não estou exagerando) sem que houvesse carência de moeda na economia? É claro que a sem inflação monetária isso seria impossivel. Logo, independentemente de qualquer outro fator, a quantidade de moeda na economia seria um limitante absoluto para a inflação geral de preços.
  • Bruno Lopes  20/01/2013 02:07
    "Inflação é um aumento na quantidade de dinheiro e de crédito criado em decorrência desta criação adicional de dinheiro".
    Mas se por algum motivo a sociedade produzir cada vez menos riqueza, o "pedaço de riqueza" dividido pra cada cédula e moeda seria menor, certo? Isso não seria um exemplo de "inflação natural de preços"(sem criação de dinheiro)?
  • Renato Souza  20/01/2013 13:43
    Não, Bruno, isso seria um exemplo de DEFLAÇÃO DE PREÇOS natual, isto é os bens ficariam mais baratos em relação ao dinheiro. É o que acontecia normalmente quando os governos ainda não haviam inventado a inflação. Sem interferência do governo, o normal é uma lenta e deflação de preços ocorrendo o tempo todo (a não ser durante eventos específicos, como secas, desastres, etc).
  • Fernando Soares  20/01/2013 16:11
    Renato Souza, acho q Bruno Lopes esta se referindo a situacao contraria, de inflacao devido a queda da produtividade. Mas dificilmente isso ocorreria numa economia capitalista.
  • Renato Souza  20/01/2013 17:15
    É verdade, agora percebi: Ele disse "cada vez MENOS riqueza".

    Bom, mas isso não é algo que ocorra naturalmente. A não ser que o ser humano se tornasse cada vez menos capaz. E que sua incapacidade aumentasse num rítimo maior que o aumento de produtibidade pela acumulação de capital. Não há registro disso ter acontecido na história da humanidade.
  • Bruno Lopes  20/01/2013 18:48
    Fernando, suponha um mundo onde a mobilidade de pessoas entre os países seja extremamente facilitada (pessoas podem morar onde quiserem). Nesse cenário, onde uma massa de pessoas pode emigrar de uma nação em pouco tempo (por algum motivo que não vem ao caso), não seria possível que várias economias sofressem inflação devido a queda de produtividade?
  • Anderson Titz  25/02/2016 13:33
    Aconteceu no Brasil nos últimos anos, baixa produtividade da mão de obra e aumento dos salários.
  • Bruno Lopes  20/01/2013 18:32
    Não entendi. Se a riqueza diminui (por algum motivo), mas o dinheiro continua o mesmo, como é possível os bens ficarem mais baratos?
  • Leandro  20/01/2013 21:06
    Primeiramente é necessário haver uma definição mais clara dos termos. Uma coisa é haver uma "redução da quantidade de bens e serviços de uma economia". Outra coisa é haver uma "redução na taxa de crescimento da quantidade de bens e serviços em uma economia".

    A primeira situação só ocorre se houver uma guerra que destroce o país ou um cataclismo que arrebente com fábricas, indústrias e infraestrutura. Nesse caso, sim, haverá inflação de preços (há uma mesma quantidade de dinheiro para uma menor quantidade de bens e serviços). Mas isso não ocorre em uma economia minimamente capitalista operando sem agressões externas e sem ataques de seres extraterrestres.

    Já a segunda situação é perfeitamente comum e não implica em inflação de preços (há uma mesma quantidade de dinheiro para uma quantidade crescente (embora a taxas mais lentas) de bens e serviços).
  • Renato Souza  22/01/2013 21:30
    A idéia do Bruno sobre os efeitos de uma imigração maciça me parece possível. Mas não é o que normalmente acontece. Geralmente o povo de um determinado país se oporá a que a imigração seja muito rápida. Se houvesse livre transito de pessoas, seria possivel imaginar que a população de alguns países dobrasse em um ano. Para os imigrantes, dependendo de como eram as condições no lugar de onde vieram, seria bom negócio, mesmo vivendo em condições bastante precárias no seu novo país.

    Mas evidentemente, embora um certo nível de imigração seja bom para os residentes anteriores, certamente que uma imigração desse nível não é. Então, porque eles o permitiriam? Porque os suiços, por exemplo, permitiriam que dezenas de milhões de pessoas extremamente pobres (e com condicionantes culturais que podem ser combustivel para a pobreza e a violência) viessem morar em seu país, todos ao mesmo tempo? Se eu fosse suiço, não gostaria disso. Uma situação dessa poderia gerar não apenas inflação, mas muitos outros problemas.

    Alguém dirá que isso seria insensibilidade dos suiços. Mas se levarmos em consideração que as maiores causas da continuidade da pobreza são de natureza cultural e política, a entrada repentina de uma população imensa não seria útil a longo prazo nem para os próprios imigrantes. Se eles se tornassem repentinamente maioria, sem terem tempo de se adaptar, transformariam a cultura e a politica de seu novo lar numa réplica de seu antigo país, e o levariam também à pobreza e à opressão.
  • anônimo  22/01/2013 21:55
    E porque é que você acha que gente como o Obama adora os imigrantes ilegais?
  • Renato Souza  23/01/2013 21:15
    É isso mesmo...
  • Daniel  20/01/2013 02:30
    Leandro você pode por favor indicar os artigos que explicam a diferença do impacto da entrada de dinheiro estrangeiro em uma economia na inflação de preços e nas taxas de juros.
  • Leandro  20/01/2013 21:21
    No atual sistema monetário e bancário, todo e qualquer dólar que entra no Brasil é imediatamente transformado em reais por meio da simples criação de dígitos eletrônicos pelo sistema bancário que compra estes dólares. Quando um exportador com conta no Bradesco recebe US$100, ele vende estes dólares para o Bradesco. O Bradesco, para pagar o exportador, cria reais do nada na conta do exportador. Mesmo que o Banco Central não compre dólares, o próprio sistema bancário se encarrega de comprá-los. E, ao fazer isso, ele cria reais. Toda entrada de dólares no Brasil é traduzida em criação de reais.

    Donde fica fácil perceber que um influxo de dólares pode gerar inflação de preços e queda dos juros. Daí a tara quase erótica do atual governo em obter crescentes superávits na balança comercial.
  • pensador barato  21/01/2013 11:23
    Como assim o Bradesco cria reais do nada.Afinal o sistema bancário só gerência dinheiro depositado ou você está querendo dizer que o Bradesco ao receber um cheque do Banco Central e com isso ter um saldo em reservas bancárias a maior equivale a mesma coisa de criar dinheiro do nada,seria isso que você argumentou?
    Desde já um abraço.
  • Leandro  21/01/2013 11:41
    Ele cria reais do nada. Ao aumentar seu ativo (dólares), ele também aumenta seu passivo (reais na conta-corrente de um cliente). Isso é lógica contábil. Tal processo geral foi descrito em detalhes neste artigo.
  • mauricio barbosa  21/01/2013 13:06
    Leandro,se eu que sou formado em economia faço confusão de conceitos devido a riqueza de detalhes que é a ciência econômica,imagine a massa de gente que não entende patavina nenhuma do assunto,longa vida ao IMB nesta tarefa àrdua de divulgar as idéias econômicas.
  • saoPaulo  20/01/2013 23:27
    Leandro ou outrem que se disponha a responder,

    em primeiro lugar, venho pedir que publiquem coisas mais desinteressantes! Explico: começo lendo um artigo, sigo pelos comentários, e vou me aprofundando com os links de artigos relacionados. Quando eu vejo, lá se foi um dia inteiro! Já não consigo mais conversar com as pessoas sobre política e economia e a cada artigo lido, minha vontade de voltar a viver no Brasil (ou em qualquer outra parte do mundo) só diminui! Vocês estão acabando com meu tempo livre! Por favor, parem! Alguém tem que passar uma lei pra resolver isso!

    Falando sério agora. Tenho algumas dúvidas:

    1) É correto afirmar que a distribuição de renda por impostos também gera inflações de preços pontuais?

    É certo que se o governo tira de A e dá para B, A tem que deixar de consumir X. Se B, com o dinheiro expropriado, agora passar a consumir X, a demanda por X continuará a mesma e X permanecerá com preço inalterado. Pelo menos foi o que entendi.

    Mas se B consumir Y, os níveis de preços de X e de Y serão alterados, gerando distorções. Correto?

    2) Agora, suponhamos duas ilhas que não comercializam entre si e onde im- e exportações são proibídas... Suponhamos que alguma entidade ache que a ilha C tem uma dívida histórica para com a ilha D, tendo que pagar uma indenização mensal para esta. Na prática, isso não geraria apenas inflação na ilha D? Se a economia dentro da ilha C fosse livre pra reajustar os preços, é possível que tal medida apenas gerasse uma deflação na ilha C?

    No caso de transferência de renda entre, digamos, o estado de São Paulo e o estado da Paraíba, e devido à distância continental entre os estados, o raciocínio acima não se aplicaria (mesmo que parcialmente)?

    3) No caso de vouchers para educação, o repasse de recursos para os beneficiados não geraria apenas aumento de preços das escolas, a longo prazo, gerando dependência de quem recebe o benefício e prejudicando (devido ao aumento de preços) quem por pouco não o recebe ?

    4) Uma inflação equivalente ao aumento de produtividade (caso fosse possível, e beneficiasse "igualmente" cada pessoa) não seria preferível por facilitar as previsões em investimentos futuros? Deflação contínua não geraria um incentivo perverso às pessoas guardarem em excesso seu dinheiro, o que por sua vez geraria mais deflação e aumentaria ainda mais este incentivo? Não sei, este mundo de deflação me é muito estranho. Até hoje minha mãe compra tudo a prazo porque acha que não vale a pena economizar e comprar à vista com desconto, por resquícios da época antes do Real...

    Bem, por enquanto é isso. Obrigado e continuem com o excelente trabalho.
  • Leandro  21/01/2013 12:00
    Prezado saoPaulo,

    1) "É correto afirmar que a distribuição de renda por impostos também gera inflações de preços pontuais?"

    Sim.

    "É certo que se o governo tira de A e dá para B, A tem que deixar de consumir X. Se B, com o dinheiro expropriado, agora passar a consumir X, a demanda por X continuará a mesma e X permanecerá com preço inalterado. Pelo menos foi o que entendi."

    É bem por aí.

    "Mas se B consumir Y, os níveis de preços de X e de Y serão alterados, gerando distorções. Correto?"

    Sim. Mas, tudo o mais constante, como agora há menos pessoas consumindo X, os preços deste bem tendem a cair. E os de Y, a subir.

    2) "Na prática, isso não geraria apenas inflação na ilha D?"

    Sim, pois estaria entrando dinheiro nela, aumentando sua oferta monetária.

    "Se a economia dentro da ilha C fosse livre pra reajustar os preços, é possível que tal medida apenas gerasse uma deflação na ilha C?"

    Sim, pois a oferta monetária de C está caindo. (Supondo, obviamente, que não há criação de dinheiro na ilha).

    "No caso de transferência de renda entre, digamos, o estado de São Paulo e o estado da Paraíba, e devido à distância continental entre os estados, o raciocínio acima não se aplicaria (mesmo que parcialmente)?"

    No mundo real não, pois há um Banco Central e um sistema bancário de reservas fracionárias continuamente injetando dinheiro na economia. Adicionalmente, o dinheiro que sai de São Paulo para a Paraíba tende a voltar quando a Paraíba "importa" bens e serviços de São Paulo.

    3) Corretíssimo.

    4) "Uma inflação equivalente ao aumento de produtividade (caso fosse possível, e beneficiasse "igualmente" cada pessoa) não seria preferível por facilitar as previsões em investimentos futuros?"

    Isso é subjetivo. Alguns prefeririam isso; outros prefeririam deflação. E outros, inflação contínua. Não há uma lei sólida quanto a isso. A única certeza é que é extremamente difícil manipular a oferta de monetária de forma a fazer com que ela aumente em ritmo idêntico ao aumento da produção.

    "Deflação contínua não geraria um incentivo perverso às pessoas guardarem em excesso seu dinheiro, o que por sua vez geraria mais deflação e aumentaria ainda mais este incentivo?"

    Esse é um raciocínio comum, mas completamente equivocado. Não apenas a teoria explica por que ele está errado, como também ele nunca se concretizou na prática.

    A teoria explica que há algo chamado "preferência temporal". O ser humano sempre irá preferir um bem hoje a este mesmo bem no futuro. Ele só irá abrir mão deste bem hoje se no futuro ele puder obter este mesmo bem com algumas vantagens a mais. Além de você não poder postergar sua demanda por alimentos, roupas, moradia e alguns outros bens, há também o fato de que você não necessariamente irá adiar sua aquisição de um bem hoje só porque ele estará mais barato daqui a três ou quatro anos. Por quê?

    Porque mesmo comprando-o hoje a um preço maior, você sabe que seu poder de compra será maior no futuro. E isso muda tudo. Mesmo sabendo que um carro estará $3.000 mais barato daqui a dois anos, você ainda assim irá comprá-lo hoje, pois sabe que daqui a dois anos seu dinheiro estará valendo mais. Não obstante seu gasto de hoje, você terá maior poder de compra para aquisições futuras. É justamente o fato de você saber que terá maior poder de compra no futuro o que não irá restringir seu consumo presente.

    Em termos práticos, houve contínua deflação de preços nos EUA na segunda metade do século XIX, após a Guerra Civil. Os preços caíram de 1865 a 1913 (data de criação do Fed). Não obstante essa deflação, esse foi o período de maior crescimento e enriquecimento da história americana.

    Adicionalmente, caso este seu raciocínio fosse válido, absolutamente nenhum produto eletrônico (que apresenta deflação ano após ano) jamais teria sido comprado na história da humanidade.

    "Até hoje minha mãe compra tudo a prazo porque acha que não vale a pena economizar e comprar à vista com desconto, por resquícios da época antes do Real..."

    Exato. A inflação estimula o consumismo e o endividamento, e desestimula a poupança e a frugalidade. Isso é perigosíssimo.

    Grande abraço e obrigado pelos fartos elogios.
  • saoPaulo  10/02/2013 19:40
    Leandro, obrigado pela resposta. Realmente, o caso dos EUA é um excelente exemplo.

    Quanto aos vouchers, não seria um contra-senso um liberal (libertário) defendê-los, ou ainda assim são uma melhor alternativa à educação estatal? Raciocínio semelhante não se aplicaria a todas as demais bolsas "alguma coisa"?

    Abraço.
  • Willian  21/01/2013 23:39
    "As causas da inflação de preços não são, como se diz frequentemente, "múltiplas e complexas"; elas são simplesmente a consequência inevitável de uma criação excessiva de dinheiro. Não existe algo como "inflação gerada pelo aumento dos custos". Se salários e outros custos trabalhistas ou de produção forem forçados para cima, mas não houver um aumento na quantidade de dinheiro na economia, e os produtores tentarem repassar estes aumentos aos consumidores elevando os preços de venda, a maioria deles irá apenas vender menos produtos. O resultado será um menor nível de produção e a perda de empregos. Custos maiores podem ser repassados para os preços somente quando os consumidores têm mais dinheiro para pagar por estes preços mais altos. "


    Eu não entendi este ponto! Alguém pode me explicar?
  • Mauro  21/01/2013 23:54
    Suponha uma economia extremamente simples, em que haja $100 em posse das pessoas e 100 peças de roupa. Cada peça de roupa custaria $1.

    Supondo que as roupas não podem desaparecer, a única maneira de os preços aumentarem é se houver um aumento da quantidade de dinheiro na economia.

    Se não houver um aumento na quantidade de dinheiro na economia, e os vendedores começarem a cobrar $2 por peça de roupa, várias peças não serão vendidas, acarretando nos fenômenos descritos acima.

    A única maneira de as roupas passarem a custar $2 é se houver impressão de dinheiro, de modo que a economia tenha agora $200.

    Esse cenário foi, obviamente, extremamente simplificado. Mas acho que deu para você entender o básico da ideia.
  • Luciano  22/01/2013 14:01
    Uma dúvida: quando os jornais noticiam que "o governo aumentou o salário mínimo ACIMA da inflação", eu sempre vi essa informação como sendo sem sentido. Afinal, se a inflação é o aumento da oferta monetária, como que pode haver um aumento de salário maior do que o aumento da criação de dinheiro? Como que esse aumento é definido?

    Ah, achei o texto ótimo, ideal para alguns jornalistas e outros "profissionais" que costumam distorcer o que não entendem.
  • Aline  22/01/2013 14:52
    É inflação no sentido convencional, ou seja, do aumento médio dos preços da economia medido pelo IPCA.
  • Deilton  23/01/2013 19:48
    Lendo os artigos do mises eu consigo entender o que está escrito, mas alguém pode me explicar o que quis dizer Dr Delfim Neto:

    "Inflação

    A taxa de inflação é como um "radiador" que dissipa o calor produzido pela inércia. Exemplificando sem exaurir:

    1º) Por todos os atritos naturalmente produzidos pela demora necessária para ajustar as demandas setoriais (choques de oferta, mudança de hábitos) com as respectivas ofertas;

    2º) Pela deficiência da infraestrutura;

    3º) Pelos obstáculos institucionais e políticos que retardam os ajustes da oferta dos insumos básicos;

    4º) Pelos exageros cometidos pelo poder incumbente quando perde o senso e se entrega ao voluntarismo populista, que ignora as restrições físicas impostas pelas identidades da contabilidade nacional;

    5º) Pelo próprio governo quando tenta proteger sua receita pela indexação automática de impostos, preços, tarifas ou salários da própria inflação que está criando;

    6º) Pelo estímulo ao crédito quando não há mais fatores de produção disponíveis em proporção adequada e a acumulação do deficit em conta-corrente não permite importá-los;

    7º) Quando os salários reais crescem acima da produtividade física do trabalho.

    A taxa de inflação é, portanto, um indicador duvidoso da demanda global. Ela é, simultaneamente, causa e efeito da redistribuição das rendas. No fundo, é a imagem invertida no espelho do nível de produtividade da economia que cresce à medida que se reduzem os mesmos "atritos" que a produzem.

    A redução da taxa de inflação brasileira --que, há oito anos, permanece em torno de 5,2% ao ano e que, como em todos os países com "metas inflacionárias" com bandas, namora o seu teto-- não é, obviamente, uma tarefa apenas do BC. É uma missão de todo o governo, que envolve o aumento da sua eficiência apoiada em reformas microeconômicas bem "focadas" que precisam do apoio da sociedade.

    Por exemplo, um mercado de trabalho bem organizado, que respeita os direitos constitucionais dos trabalhadores e onde a livre negociação salarial dentro da empresa (e não do setor), sob as vistas de uma comissão de fábrica eleita e com representatividade, pretere os efeitos legais acumulados pelo corporativismo ao longo dos anos, é poderoso instrumento para o aumento da "produtividade" do trabalho e, ao mesmo tempo, a redução dos atritos que se dissipam como pressões inflacionárias.

    Por outro lado, quando há um desajuste entre a disponibilidade da mão de obra e suas habilidades em relação às necessidades da economia, é extremamente custoso corrigi-lo cortando a demanda global pela política monetária. São necessárias medidas estruturais que aumentem a oferta e a qualidade da mão de obra: rápida educação profissional e imigração!"

    ANTONIO DELFIM NETTO escreve às quartas-feiras.
    contatodelfimnetto@terra.com.br
  • Thales  23/01/2013 20:06
    Madre mia! Esse pensamento rocambolesco, tortuoso e convoluto do Delfim é exatamente o que se ensina em escala industrial nos cursos de ciências econômicas. E nos cursos "sérios", vale ressaltar. Nos outros é só marxismo.
  • Cesar  28/01/2013 15:15
    Caro Leandro,
    Um tema muito instigante e que vem se tornando controverso. Lembro de um artigo do Mises, publicado inicialmente para a VOGA, no qual havia um grafico ilustrando a variacao da oferta monetária vis a vis o IPA, na ocasiao, a imagem que recordo era que havia uma certa defasagem em relacao a oferta monetaria e o IPA (algo normal) mas que as variacaoes da oferta monetaria antecipavam de fato o comportamento do IPA, porém, quando esta mesma relacao era comparada com a evoluão de precos de setores mais proximos do varejo, como é o caso do IPCA, esta relacao nao era tao direta e nao tao clara.
    1) A duvida e necessidade de entendimento que tenho é: Aquela relação IPA M1 foi apenas coincidencia e não necessariamente isso sempre ocorre?

    2) Qual o sentido de concentrar-mos nossa atencao na variacao da oferta monetária se ela é de pouca valia para informar sobre o comportamento geral dos preços?

    Grato pela disponibilidade
  • Leandro  29/01/2013 05:20
    César,

    1) Tal relação sempre ocorreu, mas isso não quer dizer que ela não irá mudar. Dado que o M1 contabiliza apenas depósitos em conta-corrente e não depósitos em poupança, e dado que os depósitos em poupança hoje funcionam cada vez mais como depósitos em conta-corrente (no sentido de que você pode emitir cheques e usar cartão de débito sobre eles), é bem possível que o M1 deixe de ser um indicador acurado no futuro próximo. Você terá, portanto, de utilizar M1 + depósitos em poupança.

    2) Novamente, tudo vai depender do que você considera oferta monetária. Se você pegar todo o dinheiro físico (cédulas mais moedas metálicas) existente na economia, mais todos os depósitos existentes na economia (conta-corrente, poupança e a prazo), e analisar a evolução deles, você terá uma boa ideia de qual está sendo as posturas dos bancos.

    Se essa oferta monetária total está em forte expansão, então isso significa que os bancos estão otimistas com o estado da economia. Se essa oferta monetária total está estagnada ou crescendo muito pouco, então os bancos estão pessimistas. Expliquei isso em detalhes no meu último artigo sobre a economia brasileira.

    Se a intenção é tentar prever o comportamento do IPCA, há dois métodos que eu sugeriria atualmente: a) analisar a variação M1+depósito em poupança; ou b) analisar toda a oferta monetária acima e acrescentar uma defasagem.

    Pessoalmente prefiro o primeiro método.

    Abraço!
  • Vinicius Costa  02/02/2013 19:37
    Onde posso achar uma lista com os produtos que compõem o IPCA atualmente?
  • Ricardo  09/02/2013 20:07
    Dúvida: protecionismo não gera inflação?
  • Ricardo  09/02/2013 20:13
    O que vocês acham desse comentário?

    "Existem muitos fatores que manipulam o processo inflacionário e que não precisam estar necessariamente ligados à emissão de moeda e crédito.

    Inflação de demanda e de custos são diretamente impactadas pelo tipo de mercado que há no país e pela exposição que se tem aos produtos estrangeiros. Há também o nível de manipulação que força sindical consegue exercer nesse mercado, mais um fator que independente da emissão de moeda.

    Existe a inflação de inércia, que são os contratos que preveem reajustes indexados aos níveis de inflação anteriores. São processos viciados que também não estão ligados à emissão de moeda diretamente.

    Existe a inflação estrutural, causada pelas disfunções de um processos qualquer que afete outros processos. Em sendo disfuncional, se torna MAIS CARO e afeta todos os outros.

    Como podemos ver, a inflação não está sempre ligada à emissão de moeda - embora sim, na maioria das vezes esteja."
  • Eleno  09/02/2013 21:13
    Nada disso, absolutamente nada disso, é possível sem expansão monetária. Sem expansão monetária, nada disso é possível.

    Apenas me responda uma coisa: se a quantidade de dinheiro hoje na economia fosse a mesma de 1 de julho de 1994, como seria possível que os preços de todos os bens da economia subissem continuamente (levando-se em conta todo o aumento ocorrido na produção, o que elevou a ofertade bens e serviços)?
  • Vinicius Costa  09/02/2013 23:48
    Isso é confundir efeito com causa.
  • Ricardo  09/02/2013 20:50
    E o que vocês podem dizer sobre a inflação no futebol? Jogares ganhando salários astronômicos que antigamente não ganhavam...o único motivo é a expansão monetária?
  • Vinicius Costa  11/02/2013 13:15
    Além disso, você pode colocar o Efeito Neymar e os investimentos pra Copa do Mundo como responsáveis.
    A maioria dos clubes já são falidos por natureza, mas quando essa bolha explodir imagino uma situação muito pior para eles.
  • Andre Canine  20/02/2013 11:52
    achadoseconomicos.blogosfera.uol.com.br/2013/02/07/inflacao-no-brasil-e-a-sexta-maior-da-america-latina/
  • André Canine  20/02/2013 12:00
    achadoseconomicos.blogosfera.uol.com.br/2013/02/20/volume-de-dolares-e-libras-no-mundo-mais-que-triplica-desde-a-crise/
  • Mateus Barbosa  20/02/2013 22:28
    Existe alguma estatística que prove que a o aumento geral dos preços está ligado à inflação?
  • Leandro  20/02/2013 22:41
    Como assim? Como tal estatística deveria ser? Aliás, como ela seria coletada, uma vez que os preços dos bens não variam uniformemente, mas sim com diferentes intensidades?
  • Mateus Barbosa  20/02/2013 23:29
    Acho que eu não expliquei direito, eu estou procurando por evidências de que o aumento geral dos preços é consequência da inflação.
    Tem alguma evidência empírica disso?
  • Leandro  20/02/2013 23:47
    Compare estes dados com estes. Clique em "Correção de valores" e escolha o IPCA.

    Depois (ou antes, tanto faz), veja minha resposta ao leitor Jorge mais lá em cima.
  • Patrick de Lima Lopes  20/02/2013 23:54
    Leandro, creio que o que ele quer é simplesmente observar alguns gráficos de aumento da base monetária próximos de alguns gráficos sobre o índice geral de preços.
    Devo lembrá-lo, Mateus, que, geralmente, há a tendência natural de uma moeda deflacionar. No caso da expansão de crédito de 24 que gerou a Grande Depressão, por exemplo, houve pouco aumento dos preços; porém os mesmos permaneceram estáveis, sendo que deveriam ter diminuído.

    Felizmente, há uma sessão inteira no IMB dedicada a discutir inflação:
    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=3

    Os artigos que mais gosto são:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1051 (Em respeito ao Leandro)
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=50 (Pouca relação com o tópico. Mas ajuda paraquedistas)
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=661 (Um caso prático. Você gostará.)

    Para aprofundamento, recomendo a lista por completo.
  • Leandro  21/02/2013 00:05
    Mas é preciso ter cuidado com o seguinte: a base monetária não é e nem nunca foi o melhor indicador para se prever a inflação de preços. Uma das variáveis dela mensura a quantidade de dinheiro parado no cofre dos bancos. E trata-se de uma variável significativa.

    Portanto, o M1 seria mais de acordo. E, considerando-se algumas recentes alterações bancárias, ao M1 deve ser acrescida a as contas-poupança.
  • João  25/02/2013 19:59
    Alguém poderia ilustrar para mim a situação dos juros, impostos e inflação? Ainda não tive aula de Economia.

    1- Se o governo reduzisse absurdamente os impostos, as pessoas teriam mais dinheiro e portanto iria aumentar a inflação dos preços??

    2- A inflação dos preços aumentar o salário dos funcionários de uma empresa?

    3- Se o governo baixa os juros. Isso é ruim para o poupador correto? Mas para as pessoas que tem menos dinheiro é melhor?



  • Leandro  25/02/2013 20:15
    "1- Se o governo reduzisse absurdamente os impostos, as pessoas teriam mais dinheiro e portanto iria aumentar a inflação dos preços?"

    Haveria um aumento da demanda por consumo por parte das pessoas, mas não haveria por que haver uma inflação generalizada de preços, dado que não houve aumento da quantidade de dinheiro na economia. O dinheiro que antes era gasto pelo governo será agora gasto pelas pessoas. Houve apenas uma troca de demandante: o governo passou a demandar menos (gastar menos) e as pessoas passaram a demandar mais (gastar mais).

    "2- A inflação dos preços aumentar o salário dos funcionários de uma empresa?"

    Dado que a inflação de preços é causada por um aumento da quantidade de dinheiro na economia, o fato de haver mais dinheiro na economia permite que haja aumentos nominais nos salários. Mas vale lembrar que, dado que os preços também estão aumentando, então esse aumento nominal não será um aumento real. No máximo, ele manterá o poder de compra destes trabalhadores. Se muito.


    "3- Se o governo baixa os juros. Isso é ruim para o poupador correto? Mas para as pessoas que tem menos dinheiro é melhor?"

    Para elas é ainda pior, dado que seu dinheiro aplicado não renderá nada. O que ocorrerá é que elas se endividarão mais facilmente e, no final, se tornarão inadimplentes. Exatamente como está ocorrendo no Brasil.
  • Joao  25/02/2013 20:29
    Muito bem explicado, Leandro.

    Uma última dúvida: Se o governo impulsiona queda de juros e aumento de crédito, gera inflação?

    Obrigado!
  • pedro  25/02/2013 20:34
    Peraí, como que alguem que consegue se manter vivo por 24hrs ainda acredita na teoria quantitativa da moeda?

    Sério, "inflação é causada pelo aumento da base monetaria (et al)" é algo que ficou tão pra traz quanto pos-keynesianismo e austrianismo e outras religiões.

    Mas voces saberiam disso se não tivessem preguiça de ler Sargent e Surico (ou se recusarem a ler qualquer coisa do mainstream porque contêm simbolos e equações)
  • Leandro  25/02/2013 20:42
    Concordo. Quem diz que inflação é causada pelo "aumento da base monetária" de fato está por fora. Afinal, dado que uma das variáveis da base monetária é a quantidade de dinheiro no cofre dos bancos, realmente não faz sentido nenhum dizer isso. E exatamente por isso tal frase nunca foi dita em artigo nenhum deste site.

    O que causa inflação de preços é o aumento da quantidade de dinheiro na economia, aumento este que se dá por meio da expansão do crédito (quando o sistema bancário cria dinheiro do nada para conceder empréstimos para pessoas e empresas). Sendo assim, o M1 acrescido das contas-poupança seria um indicador melhor.

    E você, Pedro, saberia disso se não tivesse preguiça de ler ao menos o artigo em questão. (Se o leu, e viu base monetária escrita em algum lugar, procure um psicanalista -- oftalmologista não cura delírios).

    Abraço!
  • Patrick de Lima Lopes  25/02/2013 20:52
    Cometi um erro infeliz quando mencionei base monetária ao invés de M1. Entretanto, acontece. Esse é o bom de ter o Leandro por aqui para impedir que qualquer gafe seja cometido em uma discussão do dia-a-dia sobre economia.
  • pedro  25/02/2013 21:30
    relação entre base monetária e preços no curto e médio prazo (em altas frequências) é em geral não-existente.

    Neste momento, posso dizer com um bocado de confiança que não deve existir um único banqueiro central no planeta Terra que acredite que pode controlar inflação controlando a base monetária.

    Agora, em geral não existe também uma conexão estável entre preços e outros agregados monetários. Também é bem complicado o controle de outros agregados monetários pelo banco central (M1, M2 etc).

    Por essas e outras, praticamente nenhum banco central no mundo escolhe controlar agregados monetários. Afinal, eles querem estabilidade de preços. A experiência e evidência empírica mostra que controlar a base monetária não é o método mais efetivo para atingir este objetivo.
  • Leandro  26/02/2013 01:47
    "Agora, em geral não existe também uma conexão estável entre preços e outros agregados monetários. Também é bem complicado o controle de outros agregados monetários pelo banco central (M1, M2 etc)."

    Que o controle dos agregados monetários pelo Banco Central seja um tanto difícil é algo indiscutível. Agora, simplesmente dizer que "não existe também uma conexão estável entre preços e outros agregados monetários" é algo não apenas incompleto, como totalmente enganoso. Para ver se existe tal relação, é metodologicamente incorreto apenas comparar a evolução de um agregado com a evolução dos preços. Você não pode ignorar o crescimento econômico real ocorrido no período.

    Explico.

    Se a oferta monetária fosse fixa, os preços tenderiam a cair -- e é essa queda em potencial que você está ignorando. Assim, para termos a exata noção do efeito de uma expansão monetária sobre os preços, temos antes de considerar qual seria a queda potencial nos preços caso essa expansão monetária não tivesse ocorrido.

    Para ficar mais claro: suponhamos que, em uma economia qualquer, na qual a oferta monetária fosse fixa, os preços no mercado caíssem naturalmente 5% ao ano. Agora, suponha que um banco central tenha sido criado e que, já no ano seguinte, ocorresse um aumento de 5% nos preços em relação ao ano anterior. Nesse cenário, os economistas diriam que a inflação foi de meros 5%. Mas isso estaria errado. A inflação não foi de meros 5%. Para sabermos a real inflação ocorrida, temos de comparar esse novo nível de preços com o nível que ocorreria caso não tivesse ocorrido uma expansão monetária -- isto é, caso o banco central não tivesse sido criado.

    Assim, tomemos como base o ano anterior à expansão monetária. O nível de preços seria 100 (apenas para facilitar os cálculos). No ano seguinte, caso tudo continuasse como antes -- isto é, com oferta monetária fixa -- haveria uma queda de 5% nos preços. Logo, o nível de preços seria de 95. Porém, como houve uma expansão monetária e os preços subiram 5%, o nível dos preços foi de 105.

    Qual a inflação real do período? Ora, se o nível de preços era para ser de 95, mas foi de 105, então a inflação real do período foi de 105/95 = 10,5%. Ou seja, nesse exemplo simples, a estatística oficial, ao declarar inflação de apenas 5%, declarou menos da metade da real inflação de preços ocorrida na economia.

    Portanto, sempre que você vir um IPCA indicando 6,5%, pense em como ele seria caso não tivesse havido expansão na quantidade de dinheiro na economia. Se a economia tiver produzido 5% a mais de bens e serviços, então o IPCA teria de ser de, por exemplo, -5%. A diferença entre -5% e 6,5% (106,5/95 = 12,1%) foi a real inflação de preços ocorrida.

    Traduzindo: jamais se deve ignorar os efeitos insidiosos da inflação. Analisar apenas índices de preços é algo um tanto afastado da realidade. Caso tenha ocorrido expansão monetária, mesmo que uma economia apresente 0% em algum índice de inflação, ainda assim houve inflação de preços -- haveria deflação na ausência dessa expansão.

    Quando houver algum trabalho acadêmico que faça essa devida correlação, tenha a bondade de nos informar.

    Abraço!
  • Gustavo BNG  27/02/2013 18:58
    Conheça a moeda menos valiosa do mundo
    O tiyin, centavo da moeda do Uzbequistão, que vale 0,001 de centavo de real, apesar de pouco usado, continua em circulação.
    g1.globo.com/mundo/noticia/2013/02/conheca-a-moeda-menos-valiosa-do-mundo.html
  • Joao  27/02/2013 22:16
    Alguém poderia me dar uma sugestão?

    Qual melhor investimento para fazer no meu caso? CDB? Renda Fixa? DI? LFT? Poupança? Ouro?

    Eu quero começar a juntar dinheiro agora entre 2013-2020 que é o prazo pra terminar a faculdade e estar ganhando um salário bom, para poder depois dar de entrada em um imóvel. Quero que o meu poder de compra seja igual ou maior do que era antes (ou seja, estar no positivo após subtrair a inflação dos anos sequentes). Lembrando que será depositado mensalmente uma quantia do meu salário.
  • Leandro  28/02/2013 00:59
    Pelo que entendi, você quer um investimento tradicional e conservador, sem pirotecnias.

    Normalmente, CDBs, Renda Fixa e DIs sempre foram interessantes. Porém, com a recente queda dos juros, e considerando o fato de que incide imposto de renda sobre estas aplicações, elas perderam muita atratividade. Todas perdem, por exemplo, para a poupança antiga (aplicações em poupança feita até o dia 3 de maio de 2012).

    O CDB tem liquidez diária, mas, como dito, incide IR. Renda Fixa e DI não têm liquidez diária. Já a poupança não apenas tem liquidez diária, como também não está sujeita a imposto de renda.

    Minha sugestão: coloque dinheiro na poupança e realmente poupe. Isso é, abstenha-se o máximo possível do consumo. Faça depósitos frequentes, e em períodos não maiores do que 30 dias. Um fenômeno matemático do qual pouca gente se dá conta, mas que é absolutamente essencial, é a questão do funcionamento da taxa de juros composta.

    Esse artigo espetacular, escrito por uma sumidade do mundo dos investimentos (Richard Russell), mostra como você pode usar uma renda fixa (como o rendimento da poupança) para ganhar dinheiro. A dica é começar cedo.

    Se uma pessoa começa a poupar aos 19 anos, depositando uma quantia fixa durante apenas 7 anos (isso é, até os 25 anos), e a partir daí parar de fazer depósitos e ficar apenas coletando juros, quando ele chegar aos 65 anos ele terá mais dinheiro do que um cara que fez o mesmo, só que a partir dos 26 anos, e que depositou dinheiro anualmente até os 65 anos!

    Ou seja, o 1ª cara, que depositou dinheiro durante apenas 7 anos, estará mais rico do que o outro cara que ficou depositando dinheiro durante 39 anos.

    Veja a tabela que você entenderá.

    ww1.dowtheoryletters.com/dtlol.nsf/htmlmedia/body_rich_man__poor_man.html


    P.S.: Sim, há sempre o risco, principalmente com o governo atual, de a inflação bater a poupança durante algum período. Mas, atualmente, a inflação está batendo quase tudo, exceto os investimentos mais arriscados.
  • Rodrigo D.  28/02/2013 01:55
    Só um comentário para não assustar os mais velhos. hahaha

    Mesmo com mais idade, dá para fazer algo assim tranquilamente. O importante é fazer o investimento sempre proporcional a renda. O que é muito frustrante. É triste perceber que tudo o que se economizava em um ano como estagiário, eu economizo em menos de 01 mês hoje em dia, mas fazer o que. É a vida.

    Por isso eu sugiro que na fase inicial da carreira ou da empresa ou do que for abstenha-se do consumo em favor de investimentos para aumentar a renda.

    Assim que a renda estiver confortavel começa o processo de capitalização.

    Se forem atentos, e corajosos, dá para acelerar muito o processo. Aconselho fortemente os investimentos em empresas. Dá trabalho, mas onde se consegue 250% em 02 anos?

    abraços e como sempre, Parabéns Leandro.
  • pedro  28/02/2013 15:41
    caro Leandro austriaco, voce :

    1 - Mostrou que NÃO conhece os estudos feitos. A maior parte dos estudos que falam da não-existência de relação estável entre agregados monetários e preços o fazem verificando a não-verificação da Teoria Quantitativa da Moeda, ou seja, verificando que a velocidade de circulação não é constante. Logo, o "ponto" de que não se leva em conta o produto, como diria o Padre Quevedo, "non ecziste".

    2 - A variável de interesse é o índice de preços, e não qualquer variável como "a variação de preços versus o contrafactual de um aumento de 0% na base monetária". Aliás, quando algum economista defende políticas expansionistas por temer efeitos adversos de uma deflação, está obviamente admitindo que as políticas expansionistas aumentam o preço em comparação com o "crescimento zero da base monetária". De novo, não ha sequer um ponto a discutir

    3 - Se voces querem expansão zero dos agregados monetários, as soluções dadas pelos austrianos (parte defende padrão-ouro com narrow banking, outra parte defende quase o oposto, que cada agente possa emitir moeda livremente) não assegurará nem de longe isso.
  • Leandro  28/02/2013 16:25
    Prezado Pedro,

    "Mostrou que NÃO conhece os estudos feitos."

    É justamente por estar bem a par destes estudos, que apontei seu grave erro metodológico. Se você quer comparar a alteração havida nos preços dos bens e serviços com a alteração dos agregados monetários, é imprescindível você levar em consideração a alteração na quantidade destes bens e serviços. Se você não fizer isso, você simplesmente estará abolindo a lei da oferta e da demanda.

    Se a oferta monetária aumenta, mas a quantidade de bens e serviços também aumenta na mesma proporção, então não há motivo algum para os preços destes bens e serviços aumentarem na mesma proporção do aumento da oferta monetária. Isso é tão básico que é realmente necessário ser um Ph.D. em economia para desconsiderar isto.

    E o fato de você desconsiderar isso mostra o seu real domínio da ciência econômica.

    "A maior parte dos estudos que falam da não-existência de relação estável entre agregados monetários e preços o fazem verificando a não-verificação da Teoria Quantitativa da Moeda, ou seja, verificando que a velocidade de circulação não é constante. Logo, o "ponto" de que não se leva em conta o produto, como diria o Padre Quevedo, "non ecziste"."

    CQD.

    Estão utilizando uma metodologia errada para verificar algo que nem sequer pode ser verificado por esta metodologia. A menos, é claro, que você ache que a equação MV = PQ realmente mensure a alteração na quantidade de bens e serviços de uma economia. Se você acha que sim, então realmente você deve ser professor emérito em alguma universidade (pela sua escrita convoluta e dificuldade de expressar claramente suas ideias, isso é bem provável).

    Por fim, que é "velocidade de circulação"? Isso é um conceito importado da física, o qual não faz sentido nenhum na economia. No entanto, fazendo uma concessão a este conceito errôneo, "velocidade de circulação"é algo que só se altera perceptivelmente em épocas de hiperinflação. De resto, a tal "velocidade" varia muito pouco.

    "A variável de interesse é o índice de preços,"

    Se é assim, então um congelamento de preços é de fato a melhor maneira de lidar com um aumento de preços.

    "e não qualquer variável como "a variação de preços versus o contrafactual de um aumento de 0% na base monetária"."

    Somente na seção de comentários do presente artigo, devo ter falado umas sete vezes que a base monetária não é indicativo nenhum para a inflação de preços, e expliquei por quê. Ao menos se dê ao trabalho de conhecer minha posição antes de criticá-la. Caso contrário, fica muito na cara seu despreparo.

    "Aliás, quando algum economista defende políticas expansionistas por temer efeitos adversos de uma deflação, está obviamente admitindo que as políticas expansionistas aumentam o preço em comparação com o "crescimento zero da base monetária". De novo, não ha sequer um ponto a discutir"

    Agora não entendi mais nada. Antes, você estava dizendo que aumento de preços não está relacionado em absoluto com alterações na quantidade de dinheiro. Agora, subitamente passou a dizer que os preços aumentarem em decorrência de um aumento na quantidade de dinheiro é um ponto em que não há o que discutir. Qual é a sua?


    "Se voces querem expansão zero dos agregados monetários, as soluções dadas pelos austrianos (parte defende padrão-ouro com narrow banking, outra parte defende quase o oposto, que cada agente possa emitir moeda livremente) não assegurará nem de longe isso."

    Em primeiro lugar, não tenho a mínima ideia do que seja "austriano". Logo, não estou em posição de comentar o que estes espécimes defendem.

    Segundo, dizer que "se a expansão dos agregados monetários for zero não haverá inflação de preços generalizada" não configura uma defesa irrestrita deste arranjo. Trata-se meramente de um estudo de caso para se defender uma teoria. Isso é um procedimento científico.

    Terceiro, dei uma entrevista dizendo defender um modelo de transição em que os agregados monetários crescessem 2% ao ano, e expliquei por que defendia esse arranjo. De novo, antes de me atacar, ao menos se dê ao trabalho de descobrir o que realmente defendo.

    Abraço!
  • Renê  29/03/2013 15:04
    Uma pequena dúvida:
    Aumentos de salários não poderiam gerar inflação, já que isso significaria mais dinheiro na economia?
  • Leandro  29/03/2013 15:17
    Por que seria "mais dinheiro na economia"? De onde o dinheiro está saindo?

    Só seria mais dinheiro na economia se de fato estivesse havendo impressão de dinheiro para possibilitar tal aumento. Fora isso, aumento de salário significa que dinheiro que antes ia para um lugar (investimento ou consumo do empregador) agora vai para outro lugar.

  • alex  29/03/2013 17:00
    Lógico que salarios aumentando acima da produtividade (quando se chega à NAIRU) geram inflação, de custos.
  • Renato Souza  02/04/2013 20:16
    Mas não será a inflação de custos um mito? Se não há aumento da quantidade de dinheiro na economia, como os preços podem subir generalizadamente? Aumentos em um setor não levariam à diminuição da oferta do dinheiro, e ao seu encarecimento? Então, não seriam os aumentos em um setor compensados pela diminuição em outros setores?

    Suponho que se a oferta de dinheiro não aumentar, não poderá haver aumentos generalizados de preços. Aqueles produtos cujos preços aumentarem, sofrerão diminuição da procura, e eventualmente a diminuição da produção. Agora, no mundo atual tem havido constante aumento da oferta de dinheiro, e ai o suposto aumento de salários eventualmente é corroído pela inflação.
  • Ricardo  02/04/2013 21:42
    Dúvida: dizem que o mais prejudicado da inflação é sempre o pobre. Contudo, se a expansão monetária decorre por causa do aumento do salário mínimo, por exemplo, para não haver desemprego, o pobre, nesse caso, não teria sido o mais beneficiado, a curto prazo, até os preços estabilizarem? Tendo em vista que foram eles que primeiramente tiveram acesso à oferta daquele dinheiro...
  • Leandro  02/04/2013 21:52
    Não, tá tudo errado e invertido. A expansão monetária não ocorre por causa de um aumento do salário mínimo. A expansão monetária nada tem a ver com salário mínio e não depende deste.

    E o pobre não é o primeiro a receber o dinheiro criado pela expansão monetária; ele é o último a recebê-lo. Por isso é ele quem mais se estrepa. Essa mecânica foi explicada em detalhes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=313
  • Ricardo  03/04/2013 00:55
    Leandro, não sei se eu fui claro

    Leia esse trecho do Mises:

    "Na Grã-Bretanha, a imposição de altos padrões salariais pelos sindicatos trabalhistas teve como consequência um desemprego prolongado, que durou anos a fio. Milhões de trabalhadores ficaram desempregados, os índices de produção caíram. Até os experts ficaram perplexos. Diante deste quadro, o governo inglês deu um passo que se lhe afigurou como uma medida de emergência indispensável: desvalorizou a moeda corrente do país. O poder de compra dos salários em dinheiro — em cuja manutenção os sindicatos tanto haviam insistido — deixou de ser o mesmo. Os salários reais, os salários em mercadorias, foram reduzidos. Agora, o trabalhador já não podia comprar o mesmo que antes, embora os padrões nominais dos salários tivessem permanecido os mesmos. Procurou-se, através da adoção dessa medida, promover o retorno dos padrões salariais reais aos níveis do mercado livre para que, consequentemente, tivesse lugar o desaparecimento do desemprego. Essa medida — a desvalorização — foi adotada por muitos outros países, como a França, os Países Baixos e a Bélgica. A Tchecoslováquia chegou a recorrer a ela duas vezes no período de um ano e meio. A desvalorização tornou-se um método sub-reptício, digamos assim, de frustrar o poder dos sindicatos. No entanto, como veremos, este método também não pode ser considerado verdadeiramente eficiente."

    Portanto, nesse caso, se o governo aumenta o salário mínimo, e em seguida, para evitar o desemprego, desvaloriza a moeda, o pobre (nesse caso, me refiro ao trabalhador que recebe um salário mínimo) não teria sido o primeiro a ter acesso aquele dinheiro, e desse modo, embora,por um curto prazo, o mais beneficiado pela inflação?
  • Leandro  03/04/2013 01:36
    Ricardo, você segue invertendo o raciocínio. Deixe-me ver se consigo se claro.

    Se, tudo o mais constante, o governo eleva o salário mínimo de uma economia, o que irá ocorrer é que parte do dinheiro que antes iria para outro lugar (investimentos ou até mesmo consumo do patrão) irá agora para o empregado. Note que não foi criado dinheiro nenhum. Houve apenas um remanejamento do dinheiro que já existia na economia. Sendo assim, não houve nada disso de "o pobre foi o primeiro a receber dinheiro recém-criado". Até este momento não houve criação de dinheiro.

    Ademais, diga-se de passagem, como bem explicou esse trecho que você colou, tal aumento no salário mínimo deixou vários desempregados, o que significa que uma boa fatia dos trabalhadores ficou em pior situação, sem dinheiro nenhum.

    Sendo assim, para mitigar esse efeito deletério, o governo imprime dinheiro justamente para que a inflação dilua esse novo valor salarial e volta a baratear o custo da contratação. A maneira como esse dinheiro é criado e entra na economia é com o Banco Central injetando dinheiro no sistema bancário, o qual, por sua vez, cria dinheiro por meio de empréstimos. Logo, os primeiros a receber este dinheiro recém-criado são aqueles que têm mais conexões com o setor bancário -- certamente não é o pobre.

    Os mais pobres são os últimos a receber esse dinheiro, e esse processo foi explicado no artigo linkado em minha resposta acima.

    Não houve em momento algum qualquer beneficio aos mais pobres nessa política de "aumento do salário mínimo seguido de inflação monetária visando a diluir o valor do novo salário mínimo."

    No final, os pobres na realidade ficaram em pior situação: alguns ficaram desempregados e os outros terão de lidar com preços maiores e com salários reais menores do que aqueles que vigoravam antes de todo esse processo.
  • alex  03/04/2013 06:52
    Na verdade a inflação é de custos mesmo. Não ha ações deliberadas do banco central relacionadas ao nivel de salarios ou diluiçao de sei la o que. Se o custo marginal aumenta e a produtividade fica constante o produtor aumenta o preço = inflação
  • Ricardo  03/04/2013 15:27
    Ficou mais claro, mas ainda segue uma dúvida:

    os efeitos da inflação sobre o pobre que teve o salário mínimo elevado não seriam nulos, pelo fato de seu salário ter sido artificialmente elevado anteriormente?

    Ou seja, o seu salário real, se comparado entre a época anterior ao aumento artificial do salário mínimo e a época posterior ao aumento adicionado a inflação, não continuaria o mesmo? E nesse curto período de tempo em que os preços não subiram proporcionalmente ele não teria se beneficiado?

    Obrigado.
  • Thales  03/04/2013 15:34
    Para aqueles que conseguiram manter seus empregos, sim.
  • Angelo Viacava  11/04/2013 10:50
    Buemba, buemba! Argentina chega ao fundo do poço e começa a cavar!
    AQUI
  • Lucas Alves  19/06/2013 03:27
    Dúvida: e se um aumento de preços for gerado por escassez de algum recuso básico? Por exemplo, se o petróleo se tornar escasso, o preço da gasolina subir e causar um aumento em todo o resto devido ao custo elevado do transporte de mercadorias, isso não geraria inflação?
  • Pobre Paulista  19/09/2013 16:52
    A galera está com dificuldades de entender conceitos básicos. Vamos lá.

    A única coisa que causa inflação é a impressora que fica na casa da moeda. Ela opera ao bel prazer do banco central. Para onde esse dinheiro impresso vai é irrelevante.

    Suponha que hoje existam por exemplo 1 trilhão de reais em dinheiro circulando na economia. Todas as mudanças de preço que ocorrerem são causadas simplesmente pelas mudanças na preferência dos consumidores. Tais mudanças de preços, sejam para cima ou para baixo, irão necessariamente fazer com que as pessoas realoquem seus gastos. Se num mês eu quiser gastar mais com cinema, eu terei que gastar menos com teatro.

    Se muitas pessoas decidirem ir ao cinema em detrimento ao teatro, é natural que o preço do cinema aumente e o preço do teatro diminua. Não houve "inflação do cinema". Não houve "repasse de aumento de custos". Houve apenas um aumento na demanda por cinema, e é natural que o preço aumente. Ao mesmo tempo houve uma redução na demanda por teatro, e é natural que o preço diminua. Portanto o aumento do preço do cinema é compensado pela redução do preço do teatro, e qualquer índice que se preze irá indicar que a inflação média de preços é nula nesse cenário.

    Repare que esse cenário cria um *sinal* para a economia: Cinema dá mais dinheiro que teatro. Isso irá atrair investidores e empreendedores a construir mais cinemas em detrimento de construir novos teatros. Isso porquê as pessoas *preferem* cinema a teatro, e o sistema de preços indicou isso. O resultado é uma maior concorrência entre cinemas, forçando-os a reduzir os *preços* para atrair mais clientes, ao mesmo tempo em que devem aumentar a qualidade de seus serviços para que os clientes não vão à outros cinemas. Já os teatros que sobraram ou irão fechar as portas, ou terão que aprimorar seus eventos, tentando garantir o pequeno filão de pessoas que ainda gostam. O resultado também é mais qualidade.

    Assim a economia flui naturalmente: O sistema de preços e lucros regula tudo automaticamente.

    Mas imagine agora que o governo acredite que "A indústria do teatro está em crise" e resolva "salvá-la" através de uma "política expansionista" (eufemismo para imprimir dinheiro), por exemplo, criando "vale-teatros", que poderiam ser trocados por dinheiro real pelos produtores. Ora, o resultado é mais dinheiro na economia para uma *mesma* oferta de cinemas e teatros. Portanto seus preços irão subir, o sistema de preços e lucros estará distorcido e os investidores não saberão o que as pessoas *realmente* querem, uma vez que o teatro é aparentemente tão lucrativo quanto o cinema. A consequência disso é menos cinema, que é o que as pessoas realmente queriam, mais teatros, que é a indústria protegida do governo nesse cenário, espetáculos ruins, pois não haverá concorrência nem compromisso com a qualidade devido ao dinheiro fácil, e mais inflação de preços, tornando tanto o cinema quanto o teatro menos acessíveis para os menos abastados.

    Também não há de se falar em "recurso básico". Num livre mercado, haveria livre concorrência não só de combustíveis como também de motores. Mas o mercado é regulado pelo governo para proteger a indústria automotiva e petrolífera. Portanto eles podem manipular o preço ao seu bel prazer, mas sem o aumento da oferta monetária, a única consequência deveria ser a redução de preços de vários outros bens e serviços, e novamente qualquer índice de preços que se preze deveria mostrar uma inflação nula nesse cenário.

    Portanto, a única causa da inflação de preços é a impressão de dinheiro. Não há outra maneira de uma subida generalizada de preços sem a introdução de "moeda nova" na economia.
  • Leonardo Couto  23/09/2013 15:19

    Lucas Alves, sugiro você ler este artigo: Choques de oferta e inflação
  • anônimo  23/09/2013 09:26
    Dúvida: controle de preços faz com que o empresário ou saia do mercado, ou reduza os custos, fazendo cair a qualidade do produto.e se tanto sair do mercado quanto reduzir os custos fosse proibido? O que aconteceria?
  • Malthus  23/09/2013 13:26
    Colapso total. Eles iriam ser obrigados a pagar para produzir. Custos altos e preços de venda congelados significam prejuízos. No extremo, sob este regime de escravidão, os prejuízos contínuos fariam com que todo o capital da economia fosse exaurido.
  • Pobre Paulista  23/09/2013 14:00
    Resumindo: Intervenção estatal causa destruição de capital.

    Na melhor das hipóteses, intervenção estatal não altera nada.

    O que nunca acontece mesmo é intervenção estatal gerar riqueza.
  • anônimo  24/09/2013 08:50
    Desculpe, mas eu ainda não entendi. Se os preços forem controlados mas estabelecidos acima dos preços de custos, e mantendo o mesmo arranjo de calculo dos custos anterior ao controle de preços, por que haveria de colapsar?
  • Malthus  24/09/2013 09:30
    Neste caso -- preços artificialmente estipulados acima do valor de mercado --, a demanda ficará aquém do potencial; no entanto, dependendo do bem, seus produtores obterão uma grande bonança. Esse arranjo, aliás, é bastante semelhante ao que ocorre nos setores da economia controlados por agências reguladoras.
  • gabriel  07/11/2014 21:59
    Porém esse cálculo aparentemente simples, colocar os preços acima do custo de produção em um dado momento e 'fixar', é extremamente mais complicado do que se imagina.

    Só seria simples assim se não existisse nenhum dinamismo no mundo, todas as coisas permanecessem exatamente iguais e todos tivessem exatamente as mesmas vontades para todo o sempre.
    Ocorre que esse arranjo é impraticável. Logo os custos de hoje não serão os mesmos de amanhã.

    Vamos colocar algumas simples variáveis para demonstrar essa mudança: criação de crédito(dinheiro) extra altera os custos de toda a cadeia de produção. Uma época de chuva ou seca, altera os custos/disponibilidade de diversos bens de produção básicos, como a própria alimentação humana altera os custos de vida. Uma simples mudança de vontade das pessoas por determinado bem ou serviço altera os 'preços de custo', já que agora alguns valem - subjetivamente - mais ou menos do que antes. E nada disso pode ser medido de maneira totalmente eficiente a priori.

    Fixar preços é simplesmente a pior coisa que se pode ocorrer, engessa todo o sistema de produção e se realmente levado a sério, as últimas consequências, o colapso da economia, fome e miséria são inevitáveis.
  • Luis Marta  29/07/2014 00:39
    Leandro, sabe dizer-me se algum dia o mises brasil vai traduzir o livro de Ludwig von Mises The Theory of Money and Credit?
  • Danilo Assad.  07/11/2014 16:31
    Perdoe-me pela minha ignorância acerca do tema,mas gostaria de saber se diminuindo a quantidade de dinheiro em circulação pode acarretar na diminuição dos preços ? E se essa dimunuição é realizada pelo banco central ou não.

  • anônimo  06/01/2015 22:35
    Quando deixamos o nosso dinheiro na conta de poupança e ele rende, por exemplo, 5% ao ano, e a inflação é de 6% ao ano, nós perdemos 1% ou esses juros vem com correção monetária?
  • Antônimo   06/01/2015 23:36
    Perde 1%. E no caso do FGTS é ainda pior, pois o rendimento nem chega a 4% ao ano. E o povo aplaude.
  • anônimo  04/06/2015 21:35
    Leandro, no artigo diz-se que a inflação só pode ser causada por um aumento na quantidade de moeda na economia. Porém, no caso de uma alta nos salários, o fato de a renda dos trabalhadores aumentar (por causa dos novos salários) não possibilitaria que as firmas aumentassem os preços sem vender menos? Afinal, os trabalhadores teriam mais dinheiro no bolso para gastar. E no caso de um choque negativo da oferta de um bem muito importante, como o petróleo, por exemplo, isso não causaria inflação? Digo isso porque nos livros de economia costuma-se ensinar que a inflação dos anos 70 nos Estados Unidos foi motivada principalmente pelo aumento nos preços do barril, causado pela redução da oferta global do combustível. Se vc puder esclarecer essa questão para mim.. Obrigado!
  • Leandro  05/06/2015 02:13
    É impossível haver aumentos generalizados de salários sem um concomitante aumento da quantidade de dinheiro na economia. É impossível todas as pessoas receberem aumentos salariais sem que a quantidade de dinheiro na economia tenha aumentado.

    Para que haja aumentos salariais generalizados, tem de ter havido aumentos generalizados nas receitas. E isso só ocorre se a quantidade de dinheiro na economia houver aumentado.

    Quanto ao suposto choque do petróleo, recentemente fiz um gráfico do preço do barril de petróleo em ouro, desde 1971. Incrivelmente estável.

    Toda aquela conversa sobre crise do petróleo na década de 1970 foi pura enganação de políticos: não era o petróleo que estava ficando escasso; eram as moedas, recém-desacopladas do ouro, que perdiam poder de compra aceleradamente.

    Tanto é que, nas décadas de 1980 e 90, o barril do petróleo despencou (dólar forte). E, na década de 2000, disparou (dólar fraco). E agora voltou a cair (dólar forte). A cotação do barril em ouro, no entanto, flutuou linearmente.

    Nunca houve crise na oferta de petróleo; a crise sempre esteve na moeda. Quando mensurado em termos de ouro, não se observa nenhum choque de petróleo. O choque foi no poder de compra da moeda.

    Isso foi debatido em detalhes neste artigo, e também na seção de comentários do próprio (inclusive com links para os gráficos da cotação do petróleo em ouro). 
  • anônimo  05/06/2015 13:21
    "Nunca houve crise na oferta de petróleo; a crise sempre esteve na moeda"

    Se isso fosse divulgado seria um choque para quase todos os historiadores, geógrafos e economistas do Brasil.

    Como é fácil desvendar grandes mentiras depois de entender a praxeologia.
  • anônimo  06/06/2015 09:05
    Humm... Entendi. Muito interessante mesmo sua explicação para a inflação da década de 70. É incrível que todos os livros de macroeconomia que eu já usei atribuam essa inflação à restrição da oferta mundial de petróleo pela OPEP etc. Muito obrigado!
  • anônimo  07/06/2015 23:34
    Leandro, me surgiu outra dúvida: eu entendi que a oferta de petróleo não variou realmente na década de 70, mas, se tivesse variado, isso teria algum impacto no nível de preços? Pergunto isso porque já vi alguns liberais dizendo, por exemplo, que grande parte da deflação que teve lugar nos EUA durante o século XIX se deveu a ganhos crescentes de produtividade da mão de obra, o que levou a uma maior oferta de bens e consequentemente a preços menores. Esse é um raciocínio correto? Obrigado
  • Leandro  08/06/2015 14:59
    Se a oferta de petróleo houvesse aumentado substantivamente, de modo que o preço do petróleo caísse, isso geraria uma redução de custos para as empresas. Ato contínuo, elas poderiam -- enfatizo: poderiam -- repassar essa redução de custos para os preços ou, o mais provável, utilizar seus maiores lucros (possibilitados pelos menores custos) para fazer novos investimentos.

    Como consequência, a economia estaria mais rica.

    Por outro lado, se a oferta caísse e o preço do petróleo subisse, os custos de produção de todas as empresas aumentariam.

    Só que aí a questão da oferta monetária entra em cena.

    Em um cenário hipotético em que a oferta monetária cresce pouco, seria difícil para as empresas repassar esse aumento de custos para os preços. Quanto mais elas repassarem, menos elas venderão.

    Por outro lado, se a oferta monetária cresce muito, as empresas não terão grandes dificuldades para repassar o aumento de custos para os preços, pois a expansão da oferta monetária gera um aumento nominal da renda, o que permite que as pessoas continuem comprando mesmo a preços maiores.

    Algo bastante semelhante ocorreu -- e está ocorrendo -- no Brasil: em 2011, o IPCA acumulado em 12 meses ultrapassou os 7% em setembro de 2011, mas ninguém reclamou muito, pois a oferta monetária estava crescendo. Hoje, o IPCA está em 8% e todo mundo está gemendo, pois a oferta monetária está crescendo pouco. Boa parte da atual carestia se deve ao reajuste das tarifas dos serviços de utilidade pública e à súbita depreciação da taxa de câmbio. Ou seja, os preços estão subindo sem um concomitante aumento da oferta monetária.

    Conclusão: se os custos caem, todo mundo se beneficia, e há fundos para novos investimentos. Se os custos sobem, estes só poderão se repassados para os preços se houver um concomitante aumento da oferta monetária -- e, na melhor das hipóteses, as empresas apenas manterão seus lucros; não haverá ganhos que possibilitem mais investimentos, como ocorreu no caso da redução dos custos.

    Se os custos subirem mas não houver expansão monetária (ou esta for menor que o aumento dos preços), então as empresas ficam sufocadas. Qualquer tentativa de aumento de preços gera redução na demanda. Suas margens de lucro fatalmente cairão.
  • Gabriel Medeiros  12/04/2016 05:06
    Leandro, como a inflação é medida por um indicador altamente manipulado e que mede apenas os preços de alguns bens e serviços não está correto afirmar que, dentro dessa realidade, exista inflação de custos?
  • Leandro  12/04/2016 11:51
    Sim, mas só é possível repassar inflação de custos quando há expansão monetária. Não houvesse expansão monetária (tal cenário é apenas um exercício teórico) não haveria como repassar eventuais aumentos de custos.
  • Gabriel Medeiros  12/04/2016 12:15
    Entendi, grato por responder. Se me permite eu lhe explorar mais uma vez... "Um aumento generalizado em todos os preços é um fenômeno monetário."
    O contrário é também verdadeiro? Ou seja, uma deflação só seria possível com a queda dos agregados monetários?
  • Leandro  12/04/2016 12:43
    Não. Se a oferta monetária for fixa (ou, em termos práticos, crescer muito pouco) mas a oferta de bens e serviços aumentar continuamente (em decorrência de técnicas que levem ao aumento da produtividade), a queda de preços será a norma.
  • Gabriel Medeiros  21/06/2016 09:53
    Leandro, te peço para que analise este cenário totalmente hipotético.

    1 - Uma economia onde só se produz pães - quantidade: 1000.

    2 - A quantidade de dinheiro também é 1000.

    3 - O preço de cada pão é de $1,00

    3 - O trigo usado para fazer o pão é todo importado: custo de 20 cents por pão.

    4 - A economia em questão sofre um choque externo com o aumento do preço do trigo, indo a 40 cents por pão.

    5 - Os produtores de pão repassam o aumento de custo para o preço, ficando o preço do pão em $ 1,20. Ou seja, há agora $1200 em preços para 1000 em dinheiro.

    6 - Os produtores não podem reduzir seus custos e portanto seus preços, sobrando apenas a falência em caso de queda nas vendas.

    Eis então que começa o ajuste, dando-se por queda de produção. Em um equilíbrio hipotético, a nova produção ficaria em aproximadamente 833 pães.

    Nesta situação, para evitar a queda de produção, não seria recomendado uma expansão monetária? Se a resposta for não, por quê? Abraço.
  • Leandro  21/06/2016 12:52
    Sim, e a expansão monetária ocorreria naturalmente em um arranjo de livre mercado. Empreendedores escavariam mais ouro (ou qualquer outra commodity que servisse como moeda). Estrangeiros trariam as moedas de seus respectivos países e estas circulariam livremente aqui.

    Vale ressaltar que essa ideia de base monetária congelada -- ou, no seu exemplo, oferta monetária congelada -- é um mero exercício teórico. Isso não apenas nunca foi feito em lugar nenhum do mundo, como também vai contra a liberdade e o livre mercado.

    Por exemplo, se a sua moeda é o ouro e uma mina de ouro é encontrada, escavada e o ouro é minerado e colocado em circulação, a base monetária aumentou. Para manter a base monetária congelada, você teria de proibir escavações de ouro.

    Já se você trabalha com livre concorrência de moedas, a simples chegada de uma nova moeda -- por exemplo, um cidadão com vem dos EUA com dólares no bolso -- está aumentando a base monetária e a oferta monetária.

    Logo, querer congelar a base monetária ou a oferta monetária é contra a própria liberdade. Você só consegue congelar a base monetária tendo um Banco Central com monopólio da emissão.

    Muito mais importante do que a quantidade de moeda é o preço dessa moeda em relação a uma commodity escassa (seu poder de compra).
  • Gabriel Medeiros  22/06/2016 02:43
    Obrigado por responder, Leandro. Mas então vamos para o mundo real onde há um crescimento praticamente constante da oferta monetária.
    Há um choque externo e os empresários começam a repassar os preços. Numa economia livre, o ajuste contra a queda das vendas se daria, em tese, por redução dos custos[salários], mas como hoje isso é praticamente impossível, o ajuste se dá por desemprego, queda de demanda e por tabela queda de produção. Neste cenário, não seria justificado um aumento da oferta monetária?
    Ou é melhor aceitar a recessão?
  • Leandro  22/06/2016 12:16
    Eis uma resposta de mundo real: no mundo real, a oferta monetária aumenta em decorrência de dois fenômenos:

    1) Pessoas e empresas pedem empréstimos bancários para investir e consumir; e

    2) o governo incorre em déficits orçamentários e vende títulos do Tesouro para o sistema bancário (que, amparado pelo Banco Central, cria dinheiro para comprar esse títulos).

    Muito bem.

    Os efeitos dos déficits orçamentários do governo sobre a recessão (eles retardam uma recessão) já foram explicados aqui, de modo que não é necessário repeti-los.

    Sendo assim, se a ideia é encurtar a recessão, a opção pelos déficits orçamentários não é inteligente.

    Sobra então a primeira opção. Mas, ora, por definição, se pessoas e empresas estão tomando empréstimos para investir e consumir, então elas estão confiantes na retomada do crescimento da economia (ninguém se endivida não tendo boas expectativas quanto ao futuro). Nesse caso, a questão da recessão já está resolvida.

    É de suprema importância entender que não faz sentido simplesmente dizer que se deve "aumentar a oferta monetária". Afinal, não existe como distribuir esse novo dinheiro igualitariamente. Sempre alguém irá recebê-lo primeiro que os demais e irá se beneficiar disso à custa dos demais.

    Portanto, a menos que o cara tenha um programa muito bem explicado sobre como fará a distribuição desse novo dinheiro de maneira ética e moral (eu mesmo já tentei e não consigo visualizar), ele está apenas jogando palavras ao vento.


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