A utilidade marginal decrescente é uma lei
por , terça-feira, 24 de abril de 2012

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3100.jpgPor que os diamantes, que são quase que meras bugigangas decorativas, são muito mais valiosos do que a água, uma substância sem a qual todos nós morreríamos?  A resposta para esta pergunta milenar é que o valor de um bem é determinado na margem.  Isto significa que não valoramos a categoria "diamantes" em relação à categoria "água"; não fazemos uma comparação direta entre ambos os produtos, que são distintos não apenas em sua composição, como também em suas finalidades.  O que realmente fazemos é valorar uma unidade a mais de diamante em relação a uma unidade a mais de água.  Este é o conceito de margem.

A água é um bem superabundante.  Diamantes não.  Este é um dos motivos por que um diamante é tão caro, ao passo que a água é financeiramente acessível a todos.  Isso também ilustra um importante ponto acerca de tomadas de decisões: em vez de "estabelecer prioridades" e enxergar as coisas como se fossem decisões do tipo 'tudo ou nada', devemos analisar as opções e estabelecer prioridades.

Um dos mais importantes princípios da economia é o de que as decisões são feitas na margem, e um dos principais problemas da economia clássica envolvia a origem do valor.  A lei da utilidade marginal decrescente é um dogma fundamental da economia, além de ser uma lei tão científica quanto a lei da gravidade (talvez seja até mais científica do que a lei da gravidade, pois ela pode ser deduzida de um axioma — o homem age — que é autoevidente e verdadeiro).  A utilidade marginal não é decrescente só porque assumimos ser; a lei da utilidade marginal é uma implicação do axioma da ação, e não meramente uma suposição ad hoc.

A "utilidade" que uma pessoa obtém ao consumir um bem ou ao incorrer em uma determinada atividade é mais bem entendida quando se imagina um conjunto de desejos que podem ser satisfeitos ao se empregar determinados meios.  (Utilidade não é um resultado matemático de uma função de consumo representada por um conjunto de números reais.) 

Seguindo esta definição, a "utilidade marginal" de se empregar uma unidade adicional de uma oferta homogênea de bens ou serviços deve ser entendida como o desejo adicional que pode ser satisfeito ao se empregar esta unidade marginal.  Do axioma fundamental da praxeologia — que diz que a ação humana é o uso de meios para se chegar aos fins desejados — podemos ver que a utilidade marginal de se empregar a unidade n é preferível à utilidade marginal de se empregar a unidade n+1.  Na linguagem da economia convencional, a utilidade marginal deve ser decrescente.

Assim, imagine um indivíduo, João, que tem uma esposa, uma filha, um cachorro e a seguinte escala de valores:

  1. Alimentar sua família com um bolo
  2. Alimentar sua filha com um ovo
  3. Alimentar sua esposa com um ovo
  4. Alimentar a si próprio com um ovo
  5. Alimentar seu cachorro com um ovo

Suponha que ele necessite de quatro ovos para fazer um bolo.  Com seu primeiro ovo, ele irá alimentar sua filha, pois ele prefere isto a todos os outros conjuntos de desejos que podem ser satisfeitos com apenas um ovo.  Com seu segundo ovo ele irá alimentar sua esposa, e com seu terceiro ovo ele irá alimentar a si próprio.

Agora, suponha que João compre um quarto ovo.  Isso nos leva a um possível falso juízo: o leitor mais desatento pode se sentir tentado a olhar para esta situação e exclamar, "Ahá!  Com o quarto ovo, João pode alimentar toda a sua família com o bolo, arranjo este que ele claramente prefere a alimentá-la apenas com ovos mexidos!  Portanto, é óbvio que a utilidade marginal do quarto ovo é maior que a utilidade marginal do terceiro ovo.  Logo, a utilidade marginal está aumentando!"

Mas esta linha de raciocínio ignora um ponto crucial: o quarto ovo só pode ser utilizado para fazer um bolo junto com os três primeiros ovos.  Dado que a "utilidade marginal" é um conceito que pode ser aplicado somente a unidades homogêneas de uma dada oferta, "um ovo" deixa de ser a unidade relevante da análise.  A homogeneidade das unidades é determinada pelo conjunto de desejos que podem ser satisfeitos com uma unidade de um bem; neste caso, a unidade relevante para a análise é "1 unidade = um arranjo de quatro ovos".  Assim, a escala de valores de João passa a ser

  1. Alimentar sua família com um bolo
  2. Alimentar sua família com ovos mexidos

Ele obviamente irá escolher alimentar sua família com um bolo.  E, caso ele obtenha um segundo conjunto de quatro ovos, fará os ovos mexidos.

O leitor astuto irá notar que a escala de valores listada acima foi elaborada de acordo com os desejos satisfeitos pela unidade marginal de um determinado bem, e não pelo bem em si.  Nosso herói João não preferia intrinsecamente o primeiro ovo ao segundo; ele preferia alimentar sua filha a alimentar sua esposa.  Se houvesse apenas um ovo disponível, ele teria de escolher entre fins concorrentes, e o fim que mais o satisfaz é alimentar sua filha.

Já deve estar evidente que a lei da utilidade marginal é merecedora deste exato status epistemológico: uma lei.  Como demonstrou Carl Menger, este teorema, que pode ser deduzido do axioma da ação, é mais do que apenas empiricamente demonstrável: ele é irrefutavelmente verdadeiro.

 

Veja também:

O que a lei da utilidade marginal decrescente pode nos ensinar?

A utilidade marginal não é nenhuma astronáutica


Art Carden é professor-assistente de economia e finanças no Rhode Island College em Memphis, Tenessee, além de ser membro adjunto do Independent Institute, localizado em Oakland, Califórnia. Seus papers podem ser encontrados na sua página no Social Science Research Network. Ele também escreve regularmente nos blogs Division of Labour e The Beacon.



32 comentários
32 comentários
Diego 24/04/2012 07:13:50

Simples e concisa como uma lei deve ser.

Responder
Fernando Chiocca 24/04/2012 10:46:50

A Navalha de Ockham corta fundo.

Responder
Filipe F. 24/04/2012 08:46:47

A E.A. tem essa característica de "humanizar" as leis economicas (o que toda teoria economica deveria fazer), muito diferente dos emaranhados de formulas matemáticas que não esclarece nada.

Responder
Andre 24/04/2012 09:53:35

A utilidade marginal é decrescente. No entanto como poderíamos mensurar através da geração de valor a utilidade de um bem? Não seria necessário esse bem ter um valor de troca antes como sugere a teoria do valor trabalho?

Responder
Leandro 24/04/2012 10:24:52

Andre, não muda nada, dado que o valor é subjetivo.

Vou dar um exemplo de utilidade marginal decrescente determinando o valor de um bem:

Se um indivíduo possui 5 carros idênticos, os quais satisfazem completamente todos os seus desejos, então o valor de cada carro será determinado pela importância que esse indivíduo atribui ao quinto carro que ele possui (no sentido de que há um ranking de preferências pelos carros, e supondo que o quinto carro é o menos importante para ele). Assim, se ele por exemplo perder esse quinto carro, o valor de um carro aumentaria de acordo com a satisfação que ele agora tira do quarto carro no seu ranking de importância.

Caso ele perdesse 4 carros, ficando com apenas um, o valor desse único carro restante aumentaria enormemente, e o indivíduo agora passaria a valorizá-lo de acordo com a importância que esse único carro tem para ele na satisfação de todos os seus afazeres diários.

Por outro lado, caso ele ganhasse num sorteio 100 carros iguais -- um número que excede em muito a hipótese inicial de que 5 carros o satisfazem completamente --, então a utilidade marginal e o valor de cada carro agora seria de zero, pois a satisfação de todos os seus desejos automobilísticos não dependeria da posse de um centésimo carro -- aliás, não dependeria nem mesmo de um sexto carro.

Portanto, o valor que um indivíduo atribui a uma unidade de uma determinada quantidade de bens é igual à importância que ele dá à satisfação da necessidade menos importante propiciada por essa unidade.

Outro exemplo:

Se você está com fome e tem várias cédulas de 5 reais, perder uma cédula não lhe fará diferença alguma. Por outro lado, se você, estando com a mesma fome de antes, porém tendo agora apenas uma cédula de 5 reais, perder essa cédula, isso pode significar a diferença entre comer e morrer de fome. Logo, sua utilidade marginal para a cédula de 5 reais é nula no primeiro caso e, no segundo caso, possui o valor de sua vida.


Ou seja, tanto no exemplo do carro quanto no exemplo da cédula, o valor de ambos os bens variou totalmente, sempre dependendo da situação. Logo, a utilidade marginal independe de um bem "ter um valor de troca previamente definido".

Abraços!

Responder
Marcos 24/04/2012 11:07:58

Neste caso como ficaria a condiçao do dinheiro? Eu valorizaria mais uma cédula de R$ 1,00 do que uma de R$10,00? Outra dúvida: Eu valorizaria mais ter 1 pneu sendo que preciso de 4 para poder ter um carro em condiçoes de uso?

Responder
Leandro 24/04/2012 11:18:21

Marcos, o texto deixa claro que a teoria se aplica para bens homogêneos e uniformes. Tudo o mais constante, uma cédula de R$1 não é a mesma coisa que uma cédula de R$10 -- logo, essa comparação não faz sentido.

Quanto aos pneus, trata-se de um exemplo idêntico ao exemplo do bolo, no qual você precisa de 4 ovos.

Da mesma maneira que "1 bolo = um arranjo de quatro ovos", "1 carro em condição de uso = um arranjo de quatro pneus". Ter apenas um, dois ou três pneus de nada adianta; você não formou a sua unidade.

Abraços.

Responder
Fernando Chiocca 24/04/2012 12:27:38

Responder
Robson Cota 24/04/2012 13:24:57

"Marcos, o texto deixa claro que a teoria se aplica para bens homogêneos e uniformes. Tudo o mais constante, uma cédula de R$1 não é a mesma coisa que uma cédula de R$10 -- logo, essa comparação não faz sentido."

Então, pelo que eu entendi, não dá pra comparar R$1 com R$10? A única coisa comparável com uma cédula de R$1 é outra cédula de R$1?

Acho que ele perguntou pensando numa situação assim: você tem uma cédula de R$1 e com ela você consegue satisfazer todos os desejos do momento. Se tivesse uma cédula de R$10 (ou 10 cédulas de R$1), você valoraria essa cédula da mesma forma que uma única cédula de R$1?

Responder
Leandro 24/04/2012 18:19:00

Robson, neste caso, o raciocínio é idêntico ao do exemplo dos carros.

Dado que uma cédula de R$ 1 satisfaz todas as suas necessidades, se você ganhar mais nove cédulas de R$ 1, o valor que você dará a cada uma delas equivale à importância que você dá à satisfação da necessidade menos importante propiciada pela última cédula adquirida.

Abraços!

Responder
Tiago Moraes 25/04/2012 08:22:16

Robson, a questão que o Leandro tentou explicar a vocês, é que a comparação não funciona dessa forma. Se você quer aplicar o conceito de utilidade marginal a moeda, você tem de tratar sobre "quantidades adicionais de unidades monetárias". Quanto maior for a renda de um indivíduo, menos importante será uma quantidade adicional unitária de moeda. Enfim, R$ 1,00 tem mais importância para alguém que ganha um salário mínimo, do que para alguém que ganha mais que um salário mínimo por exemplo, entendeu?

Responder
anônimo 24/04/2012 13:54:52

A comparação da água com o diamante combina com a teoria do valor-trabalho. Pense bem: a água ñ demanda mto trabalho para ser extraida, basta ser tratado, é abundante. A extração de diamantes ñ é coisa simples, pássa por processo de laidação e sua produção não surge da noite para o dia. Isso já foi respondido pelo próprio Marx:

"A mesma quantidade de trabalho extrai mais metal das minas ricas do que das minas pobres, etc. Os diamantes só raramente aparecem na camada superior da crosta terrestre; para encontrá-los, torna-se necessário, em média, um tempo considerável, de modo que representam muito trabalho num pequeno volume. É duvidoso que o ouro tenha alguma vez pago completamente o seu valor. Isto ainda é mais verdadeiro no caso dos diamantes. Segundo Eschwege, o produto total da exploração das minas de diamantes do Brasil, durante oitenta anos, não tinha ainda atingido em 1823 o preço do produto médio de um ano e meio das plantações de açúcar ou de café do mesmo país, embora representasse muito mais trabalho e, portanto, mais valor. Com minas mais ricas, a mesma quantidade de trabalho representaria uma maior quantidade de diamantes, cujo valor baixaria. Se se conseguisse transformar com pouco trabalho o carvão em diamante, o valor deste último desceria talvez abaixo do valor dos tijolos."

Responder
anônimo 25/04/2012 09:11:01

A comparação da água com o diamante combina com a teoria do valor-trabalho. Pense bem: a água ñ demanda mto trabalho para ser extraida, basta ser tratado, é abundante. A extração de diamantes ñ é coisa simples, pássa por processo de laidação e sua produção não surge da noite para o dia. Isso já foi respondido pelo próprio Marx:

Meu filho, se o valor de um bem fosse definido pelo trabalho incorporado em função do tempo socialmente necessário, que é o que diz a teoria do valor-trabalho, a diferença de preço entre os bens seria proporcional a diferença de tempo dispendido na produção deles, porém, isso não acontece. Outra coisa, a teoria não explica porque bens com mesmo custo de produção, ou o mesmo bem, sobre diferentes circunstâncias, terá seu valor monetário alterado...Pela lógica da teoria do valor-trabalho, um automóvel jamais poderia ter o preço de uma casa, na verdade, seu valor não deveria ser tão mais alto que um pacote de jujubas por exemplo...

Tome cuidado ao mencionar a teoria do valor-trabalho segundo Marx, porque os professores adoram falar das primeiras páginas de Das Kapital, difícil é tratar a segunda medade da obra, onde Marx admite copiosamente o quão a teoria do valor-trabalho é furada, recorrendo em seguida, a pura retórica ideológica para continuar defendendo-a.

Responder
Jáder Jucá 24/04/2012 19:03:40

É muito simples entender a teoria do valor utilidade.
Difícil é entender como tem professores na Universidade Federal do Ceará que até hoje falam
de valor trabalho e idolatram Marx com sua teoria furada.
Sinto vergonha em falar que na minha grade curricular tem 2 cadeiras obrigatórias de "Pensamento Econômico Marxista", fora outras disfarçadas.

Responder
Paulo Sergio 25/04/2012 02:51:45

'Difícil é entender como tem professores na Universidade Federal do Ceará que até hoje falam
de valor trabalho e idolatram Marx com sua teoria furada.'

Difícil? O dinheiro deles vem de onde?

Responder
anônimo 25/04/2012 04:02:34

Pelos poucos alunos e professores que conheci desta universidade já pude perceber que se trata de um dos lugares mais vermelhos do país. Com todo respeito a quem não é, claro. Talvez só perca pra Unicamp.

Responder
rickk 24/04/2012 20:13:51

eu acho que as duas teorias sao validas, a do marx ajuda a se formar um preco base e a teoria marginal muda este valor de acordo com a sua satisfação.
Mas creio que aqui nao acreditam na teoria do marx, gostaria de ver uma explicacao do porque.

Responder
Leandro 24/04/2012 20:51:30

Simplesmente porque o valor das coisas é totalmente subjetivo, rickk. Independe de qual tenha sido o trabalho "embutido" nela.

Valor-trabalho e valor subjetivo são coisas mutuamente excludentes. Passe um dia inteiro cavando um enorme buraco na sua rua. No dia seguinte, passe novamente todo o dia cobrindo-o. No terceiro, fique sentado ali com um chapéu na mão, esperando a contribuição das pessoas. Segundo a teoria do valor-trabalho, você será muito bem remunerado, pois fez algo extenuante, que exigiu uma enorme quantidade de trabalho.

Só que todo esse todo trabalho que você teve para cavar um enorme buraco terá um valor enorme apenas para você; para mim e para as outras pessoas, terá um valor zero.

Por fim, se você sair cavando buracos pelas ruas, Marx dirá que o valor desses buracos é enorme -- e que, logo, você deve exigir um preço muito alto por esse seu "serviço". No entanto, para os consumidores, que são quem em última instância determinam o valor final dos produtos, seu trabalho terá valor zero, e você morrerá de fome.

Abraços!

P.S.: o criador original da teoria do valor-trabalho foi Adam Smith, muito provavelmente influenciado por seu calvinismo, religião que dá ênfase no trabalho duro e exaustivo como sendo não apenas algo bom, mas também um grande bem em si mesmo, ao passo que o prazer oriundo do consumo é, na melhor das hipóteses, um mal necessário, um mero requisito para se dar continuidade ao trabalho e à produção.

Sugestão de artigo:

As raízes escolásticas da Escola Austríaca e o problema com Adam Smith

Responder
rickk 25/04/2012 10:03:33

Acho que na pratica essa teoria nao influencia os valores monetários das coisas. Se voce tem 5 carros vc nao vai vender um deles por um preço menor só pq ja esta satisfeito, vc vai vender de acordo com o que o mercado paga.xo a teoria do valor do trabalho falha mesmo, eu diria que ela só serve para casos onde obviamente existe uma utilidade extraida desse trabalho e mesmo assim eu nao diria valor do trabalho e sim custo do trabalho, afinal um produto nao pode valer menos que seu custo portanto o custo do trabalho influencia de alguma maneira no seu valor de mercado.

Responder
Hay 25/04/2012 11:03:27

Se voce tem 5 carros vc nao vai vender um deles por um preço menor só pq ja esta satisfeito, vc vai vender de acordo com o que o mercado paga.

Sim, porque esse valor de mercado é o resultado da utilidade marginal do carro para as outras pessoas. Agora, se todos tivessem 5 carros e estivessem satisfeitos, você teria que vender um dos carros por um preço menor se precisasse se livrar de um deles.

afinal um produto nao pode valer menos que seu custo portanto o custo do trabalho influencia de alguma maneira no seu valor de mercado.

Na verdade, é o inverso: o custo não pode ser maior do que o valor, que é subjetivo, Ou seja, para um determinado produto, você não pode gastar mais do que aquilo que as pessoas estão dispostas a pagar por esse mesmo produto. Quanto maior o custo, mais você precisa cobrar, e menos pessoas pagarão.

Responder
Tiago Moraes 26/04/2012 20:14:58

Rickk, eu já dei a explicação que a sua pessoa solicita, ao anônimo lá em cima...

A teoria do valor-trabalho diz que o valor de um bem seria determinado pelo tempo socialmente necessário para se produzi-lo, ou seja, o tempo médio que uma determinado mercado leva para produzir um dito bem.

Supondo que o custo da hora/trabalho em uma economia seja de R$ 10,00.

Um bem cujo tempo médio de fabricação por todo um mercado é de uma hora, terá o valor de R$ 10,00 dentro deste mesmo mercado, ao passo que um bem que tem um tempo médio de 2 horas para ser fabricado, terminará por custar R$ 20,00. Ou seja, temos aqui uma diferença de tempo de produção de 1:2, por tanto, a diferença de preço também será de 1:2, pois segundo a teoria do valor-trabalho, se o valor é determinado pelo mesmo, então a diferença de preço deve ser análoga a diferença de tempo em trabalho.

O problema dessa linha de raciocínio é que não existe correlação entre custo de produção e valor de mercado dos bens transacionados em uma economia de mercado, além disso, a teoria é obrigada a supor a existência de uma unidade invariável de valor, que serviria de parâmetro comparativo para se definir as diferenças de preços entre os bens, no exemplo que eu mencionei, seria o custo hora/trabalho, porém, mesmo em uma economia real, o valor da hora trabalhada varia de profissão para a profissão, de acordo com a oferta e demanda por profissionais no mercado de trabalho. Assim, quando a demanda por uma determinada profissão aumenta no mercado, é tendencioso que o valor da hora/trabalho daqueles que estão aptos a exercer a profissão, se eleve em relação a outras profissões. No final, concluímos que mesmo o "valor-trabalho" é determinado pela utilidade marginal.

A teoria do valor-trabalho não passa de um equívoco, onde tentou-se atribuir a uma das consequências da utilidade marginal, o fator causal do valor.

Responder
Rhyan 24/04/2012 20:33:34

Não entendi por que mais uma unidade de diamante é geralmente mais util que mais uma unidade de água.

Responder
Leandro 24/04/2012 21:00:17

O raciocínio não é este.

O que é dito é que uma unidade adicional de um bem (oriundo de uma oferta de bens homogêneos) terá para você um valor que equivale à importância que você dá à satisfação da necessidade menos importante propiciada por este bem adicional.

Um copo d'água a mais para quem já está plenamente saciado não tem valor algum. Um diamante a mais para um milionário ainda terá muito valor.

Por outro lado, imagine esta mesma situação para um indivíduo completamente perdido em um deserto inóspito. A valoração será totalmente inversa.

Deve-se sempre pensar em termos de valor subjetivo.

Recomendo ler o que escrevi acima para o Andre.

Abraços!

Responder
Rhyan 25/04/2012 00:38:52

Ok, mas o quê precede o quê? A lei da oferta e procura ou a lei da utilidade marginal decrescente? Ou é a mesma coisa?

Abraço!

Responder
Leandro 25/04/2012 04:46:25

A lei da utilidade marginal vale em toda e qualquer situação, inclusive para um indivíduo vivendo sozinho na mais plena abundância, como Adão sem Eva no Jardim do Éden. Nesta mesma situação, por outro lado, Adão não teria por que se preocupar com a lei da oferta e da demanda, que não existiria ali.

Fora este caso específico, não há absolutamente nenhum conflito entre ambas as leis, que existem paralelamente. E não faz sentido tentar imaginar qual delas é o ovo e qual é a galinha.

Responder
Leninmarquisson da Silva 26/04/2012 13:17:05

"E Deus fez para Adão uma esposa...e disse: faça-se a Demanda!"

Hhoaehoaehoaeho

Responder
Lucio 30/04/2012 18:23:25

Leandro, voce disse que a lei da utilidade marginal e a lei da oferta e procura sao como o ovo e a galinha. Eu humildemente discordo, na minha visao a lei da utilidade marginal e' quem gera a demanda por qualquer bem ou sevico. Nao ha demanda por algo que nao tem utilidade. Quanto maior a utilidade marginal de um bem ou servico para qualquer conjunto de individuos, maior sera a demanda por esse bem ou servico. Creio que elas nao coexistem paralelamente, mas sim entrelacadas.

Responder
anônimo 25/04/2012 11:25:03

Não sei o que é melhor, o artigo ou as explicações do Leandro.

Responder
Leo 26/04/2012 14:26:34

E a cocaína. Para mim, uma carreira é boa. Mas a segunda carreira é melhor ainda. A terceira então...fico fissurado. Diria que depois que já dei cheirei duas carreiras, a terceira vale mais que o dobro da primeira!

Responder
Fernando Chiocca 27/04/2012 10:30:30

E daí Leo?
A verdade praxeológica de que as primeiras unidades de carreira de cocaína serão alocadas nos usos mais valorizado por você, permanece.

Responder
Hatila 27/04/2012 06:21:13

faz todo sentido e lógica, pode ate se acrescentar que em um deserto a agua tem mais valor que o diamante, e essa ideia de valor, de trabalho agregado,não tem sentido, se eu cavar um buraco durante 30 anos esse buraco terá um auto valor mas se eu em uma primeira pazada achar uma pepita de ouro ela terá menos valor frente ao buraco cavado por 30 anos

Responder
Eliel 29/04/2012 13:11:26

Excelente texto. Pessoalmente acredito que a economia austríaca pode ser matematizada. Não a matematização mainstream. É uma hipótese. Pode ser que sim pode ser que não. Pode ser por exemplo algo tipo Sistemas Dinâmicos da Teoria do Caos com seus Atratores Estranhos incluindo o Princípio da Incerteza da Teoria Quântica. Já imaginaram uma fórmula, uma única equação para a Economia Austríaca? A partir dela deixarmos os economistas mainstream mais abobados ainda? Iriam combate-la, tentar refutá-la, tentar falsificá-la. Mas sendo poderosamente estruturada a partir do axioma da ação humana em seus fundamentos praxiológicos pode ser falsificável mas não falsificada, como cientificamente colocado por Popper. Espero não estar incorrendo em obstáculos epistemológicos como tem ensinado Bachelard.
Perdoem-me minha empolgação. Como físico de formação, autodidata em economia, estudioso de economia austríaca e seguidor deste site é nisso que trabalho, intelectualmente,nas horas vagas. Estas estão mais escassas pois agora descobri o excelente curso na seção multimídia "Curso de iniciação à Escola Austríaca de Economia".
Abraços.

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