A utilidade marginal decrescente é uma lei
Por que os diamantes, que são quase que meras bugigangas decorativas, são muito mais valiosos do que a água, uma substância sem a qual todos nós morreríamos?  A resposta para esta pergunta milenar é que o valor de um bem é determinado na margem.  Isto significa que não valoramos a categoria "diamantes" em relação à categoria "água"; não fazemos uma comparação direta entre ambos os produtos, que são distintos não apenas em sua composição, como também em suas finalidades.  O que realmente fazemos é valorar uma unidade a mais de diamante em relação a uma unidade a mais de água.  Este é o conceito de margem.

A água é um bem superabundante.  Diamantes não.  Este é um dos motivos por que um diamante é tão caro, ao passo que a água é financeiramente acessível a todos.  Isso também ilustra um importante ponto acerca de tomadas de decisões: em vez de "estabelecer prioridades" e enxergar as coisas como se fossem decisões do tipo 'tudo ou nada', devemos analisar as opções e estabelecer prioridades.

Um dos mais importantes princípios da economia é o de que as decisões são feitas na margem, e um dos principais problemas da economia clássica envolvia a origem do valor.  A lei da utilidade marginal decrescente é um dogma fundamental da economia, além de ser uma lei tão científica quanto a lei da gravidade (talvez seja até mais científica do que a lei da gravidade, pois ela pode ser deduzida de um axioma — o homem age — que é autoevidente e verdadeiro).  A utilidade marginal não é decrescente só porque assumimos ser; a lei da utilidade marginal é uma implicação do axioma da ação, e não meramente uma suposição ad hoc.

A "utilidade" que uma pessoa obtém ao consumir um bem ou ao incorrer em uma determinada atividade é mais bem entendida quando se imagina um conjunto de desejos que podem ser satisfeitos ao se empregar determinados meios.  (Utilidade não é um resultado matemático de uma função de consumo representada por um conjunto de números reais.) 

Seguindo esta definição, a "utilidade marginal" de se empregar uma unidade adicional de uma oferta homogênea de bens ou serviços deve ser entendida como o desejo adicional que pode ser satisfeito ao se empregar esta unidade marginal.  Do axioma fundamental da praxeologia — que diz que a ação humana é o uso de meios para se chegar aos fins desejados — podemos ver que a utilidade marginal de se empregar a unidade n é preferível à utilidade marginal de se empregar a unidade n+1.  Na linguagem da economia convencional, a utilidade marginal deve ser decrescente.

Assim, imagine um indivíduo, João, que tem uma esposa, uma filha, um cachorro e a seguinte escala de valores:

  1. Alimentar sua família com um bolo
  2. Alimentar sua filha com um ovo
  3. Alimentar sua esposa com um ovo
  4. Alimentar a si próprio com um ovo
  5. Alimentar seu cachorro com um ovo

Suponha que ele necessite de quatro ovos para fazer um bolo.  Com seu primeiro ovo, ele irá alimentar sua filha, pois ele prefere isto a todos os outros conjuntos de desejos que podem ser satisfeitos com apenas um ovo.  Com seu segundo ovo ele irá alimentar sua esposa, e com seu terceiro ovo ele irá alimentar a si próprio.

Agora, suponha que João compre um quarto ovo.  Isso nos leva a um possível falso juízo: o leitor mais desatento pode se sentir tentado a olhar para esta situação e exclamar, "Ahá!  Com o quarto ovo, João pode alimentar toda a sua família com o bolo, arranjo este que ele claramente prefere a alimentá-la apenas com ovos mexidos!  Portanto, é óbvio que a utilidade marginal do quarto ovo é maior que a utilidade marginal do terceiro ovo.  Logo, a utilidade marginal está aumentando!"

Mas esta linha de raciocínio ignora um ponto crucial: o quarto ovo só pode ser utilizado para fazer um bolo junto com os três primeiros ovos.  Dado que a "utilidade marginal" é um conceito que pode ser aplicado somente a unidades homogêneas de uma dada oferta, "um ovo" deixa de ser a unidade relevante da análise.  A homogeneidade das unidades é determinada pelo conjunto de desejos que podem ser satisfeitos com uma unidade de um bem; neste caso, a unidade relevante para a análise é "1 unidade = um arranjo de quatro ovos".  Assim, a escala de valores de João passa a ser

  1. Alimentar sua família com um bolo
  2. Alimentar sua família com ovos mexidos

Ele obviamente irá escolher alimentar sua família com um bolo.  E, caso ele obtenha um segundo conjunto de quatro ovos, fará os ovos mexidos.

O leitor astuto irá notar que a escala de valores listada acima foi elaborada de acordo com os desejos satisfeitos pela unidade marginal de um determinado bem, e não pelo bem em si.  Nosso herói João não preferia intrinsecamente o primeiro ovo ao segundo; ele preferia alimentar sua filha a alimentar sua esposa.  Se houvesse apenas um ovo disponível, ele teria de escolher entre fins concorrentes, e o fim que mais o satisfaz é alimentar sua filha.

Já deve estar evidente que a lei da utilidade marginal é merecedora deste exato status epistemológico: uma lei.  Como demonstrou Carl Menger, este teorema, que pode ser deduzido do axioma da ação, é mais do que apenas empiricamente demonstrável: ele é irrefutavelmente verdadeiro.

 

Veja também:

O que a lei da utilidade marginal decrescente pode nos ensinar?

A utilidade marginal não é nenhuma astronáutica


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SOBRE O AUTOR

Art Carden
é professor-assistente de economia e finanças no Rhode Island College em Memphis, Tenessee, além de ser membro adjunto do Independent Institute, localizado em Oakland, Califórnia. Seus papers podem ser encontrados na sua página no Social Science Research Network. Ele também escreve regularmente nos blogs Division of Labour e The Beacon.



Ué, se a Vale era essa barbada toda, então por que esse cara não está rico? As ações foram vendidas livremente na bolsa, o que significa que ele poderia comprá-las livremente. No mínimo, poderia formar uma sociedade com vários amigos, comprar as ações, e então ficar rico com sua valorização.

Por que não fez isso?

Dizer que a empresa se valorizou após a privatização e daí afirmar que ela foi vendida a preço de banana é impostura intelectual. Quem afirma isso não sabe como funciona mercado e nem conhece a diferença entre gerência estatal e privada. E tem também de explicar por que não enriqueceu, já que sabia perfeitamente que a empresa estava subvalorizada.

Aliás, o grupo liderado pelo Votorantim perdeu o leilão de privatização da Vale. Antônio Ermírio de Moraes perdeu a oportunidade do século de ficar podre de rico. Se era tão óbvio que a mineradora estava desvalorizada, por que cargas d'água o então homem mais rico do país não ofereceu mais pelas bananas?

Detalhes:

1) O governo detinha apenas 42% do capital votante. Ou seja, o que foi a leilão não foi a empresa inteira, mas apenas 42% do capital votante. A empresa inteira estava avaliada em aproximadamente US$ 8 bilhões, sendo que a fatia vendida valia US$3,34 bilhões.

2) O leilão se deu na bolsa de valores, a preço de mercado. Qualquer um poderia ter participado. Logo, o Armando está correto. Quem hoje esperneia que a venda foi barata tem a obrigação de explicar por que não participou da venda. Se a empresa estava "a preço de banana", então o sujeito tinha a certeza de que a empresa iria se valorizar enormemente no futuro. Por que não montaram um consórcio e compraram ações? Era dinheiro certo. Não fizeram isso por quê? Odeiam dinheiro?

3) À época, ninguém imaginava que haveria um súbito e intenso boom no preço global das commodities, o que elevou o preço do minério de ferro para a estratosfera e impulsionou fortemente o valor da Vale.

Portanto, quem diz que a Vale foi vendida a "preço de banana" revela, com toda a sinceridade, profunda ignorância econômica.
Economista da UNICAMP(com letras garrafais, por favor),

Se a Petrobrás, a IMBEL, Eletrobrás(Furnas), Copel... são empresas eficientes, por que o governo usa o protecionismo para coibir concorrentes(até mesmo internacionais)? E mais, por que subsidiam essas empresas se elas são tão eficientes?

Em uma economia liberal, nunca vamos saber se aquela empresa é realmente de fato eficiente como você afirma. Para sabermos se ela realmente é eficaz deveríamos defender o mercado livre. Você está se baseando apenas em lucros que a empresa teve ao longo dos anos, mas lucros as custas do povo que paga impostos, porque o BNDES injetou dinheiro ao longo da era petista, e lucro em cima do entrave de novos concorrentes que o nosso governo pratica ao longo desses anos.

"Dê uma passeada pelos nossos corredores e veja se tu não vais te arrepiar. Conceição Tavares, Belluzzo, Aloísio Mercadante, Márcio Pochmann, duvido achar uma outra faculdade que ostente colossos tão imponentes no mundo acadêmico. Isso sem falar dos nossos ''filhos adotados'' como o Bresser, Celso Furtado, João Sayad, entre outros. Ah, aqui foi a casa do Plano Real, só para lembrar."

Sem comentários. Parece uma piada.

"Paliativo é ficar brincando de elevar as taxas de juros ou de sobrevalorizar o câmbio."

Nós nunca brincamos de elevar as taxas de juros, pelo contrário, acreditamos que os juros é redigido pelo mercado, e não em uma canetada como os economistas da UNICAMP(letras garrafais, por favor) defendem.
Sobrevaloriza o câmbio? De novo. Parece uma piada.
Pesquisa sobre Currency Board e depois conversamos.

"No setor agrícola para amenizar a inflação de alimentos, no setor energético(que é o principal culpado por essa inflação tão alta), isso sim são medidas concretas."

Inflação de alimentos é aumento de preço localizado, como foi o caso do feijão e do tomate. A melhor medida para combater a carestia gerada essencialmente pelo governo, é reduzir os impostos e LIBERAR O MERCADO PARA A ENTRADA DE CONCORRENTES. Com a burocracia estatal que é formada para obter uma reserva de mercado, garante que os empresários que estão sob proteção do governo, possa praticar qualquer preço sem qualquer tipo de concorrência que faria com que ele perdesse fatia do mercado por uma outra empresa que com medidas eficientes pudesse reduzir o preço dos alimentos.
Por mais que abaixasse o imposto, ele poderia praticar qualquer tipo de preço sem ser incomodado. E essa redução do imposto, esse mesmo empresário teria lucros maiores que poderia ter sob a reserva de mercado.

Setor energético culpado pela inflação? É isso que estão ensinando na UNICAMP(com letras garrafais, por favor)?

Bem que o Roberto Campos avisou: "O Brasil acaba com os economistas da Unicamp, ou eles acabam com o Brasil.
Bastaram cinco anos de assessoria direta de economistas da Unicamp à Presidente Dilma Rousseff, para a previsão de Roberto Campos se tornar realidade: expansão monetária, corporocracia, expansão das obras públicas, expansão dos cargos e salários públicos, intervenção estatal em toda a economia, corrupção e protecionismo comercial.
Provavelmente nenhuma economista fez tão mal ao Brasil quanto Maria da Conceição Tavares, mas além dela podemos destacar, em tempos recentes, o mais nocivo professor do país: Luiz Gonzaga Belluzzo.
Belluzzo nunca acerta qualquer previsão econômica, e é obcecado por gastos públicos. Como principal conselheiro econômico de Dilma Rousseff, convenceu-a a enterrar a bem sucedida matriz econômica "meta de inflação/câmbio flutuante/responsabilidade fiscal" por uma matriz heterodoxa "juros baixos, câmbio desvalorizado e aumento de gastos públicos". Foi, sem dúvida, um responsável direto pelo caos econômico que vivemos.
Agora, repetindo o que Lula falou há dois meses, Belluzzo tem a desfaçatez de dizer que a crise econômica é culpa de um suposto ajuste fiscal que Joaquim Levy estaria fazendo. Segundo Belluzzo, precisamos gastar mais ainda para sair da crise."
https://www.institutoliberal.org.br/blog/previsao-de-roberto-campos-e-o-ajuste-que-nunca-aconteceu/

"Quer dizer que a empresa desde 1953 é referência nacional, mas por causa de um governo ruim ela vira ''um grande cabide de empregos''? Aliás, esse tipo de problema acontece na esfera privada também."

Cabide de emprego na esfera privada? Você desconhece qualquer atividade empresarial para falar tal bobagem, nunca um empresário faria da sua empresa um cabide de emprego, ele opera com sistema de lucro e prejuízo, ele não pode se dar ao luxo de encher a empresa de empregados ineficientes.
Palavras de um empresário.

"Não, apenas defendo que as nossas empresas não fiquem vulneráveis à imperialistas que jogam sujo contra nós. "

Eles jogam tão sujo, que em países no ranking de abertura comercial, a população paga pelo melhores produtos pelo menor preço. Parece que a UNICAMP(com letras garrafais, por favor), está doutrinando os seus alunos a ter sentimentos nacionalistas que acaba prejudicando justamente quem eles querem proteger: a população.

Obrigado por vir até aqui e comprovar que Roberto Campos sempre esteve certo tanto da UNICAMP(com letras garrafais, por favor) quanto na petrossauro.

Abraço Economista da UNICAMP(com letras garrafais, por favor)
Olá amigos, sou um estudante do ensino fundamental e eu tenho interesse em economia, tenho um irmão mais velho que acompanha o site e sempre me disse que esse era o melhor site para aprender sobre meu interesse. Portanto, gostaria de aprender mais sobre as questões abaixo:
Obs: Gostaria de respostas curtas para maximizar meu aprendizado de forma que eu não acumule muito conteúdo de primeira. Eu tenho um conhecimento prático e limitado sobre a economia, justamente pelos ensinamentos do meu irmão.
Vamos começar.

Questão 1) O que é inflação de demanda?

Questão 2) O que é demanda agregada?

Questão 3) Inflação é sempre decorrente de expansão de crédito?

Questão 4) O que é base monetária?

Questão 5) O que define a taxa de juros em um livre mercado?

Questão 6) Como é definido a taxa de juros atualmente no Brasil?

Questão 7) Aumento na taxa de juros é pelo "risco país"?

Questão 8) Como é determinado o câmbio?

Questão 9) Qual o melhor sistema de câmbio?

Questão 10) Li recentemente em um site que temos 19 montadoras no Brasil, não seria livre mercado(pelo menos no setor automotivo)? (Sei que temos monopólio de fabricante de peças)
Cade acusa Fiat, Ford e VW de monopólio em fabricação de peças

Questão 11) Temos candidatos a presidente que tem como um slogan sob a sua campanha "Abaixar os juros" por um decreto? Isso seria uma decisão ruim ou boa? Não há uma contradição pela questão 7? Dilma dizia que abaixaria os juros e acabou não ocorrendo, pelo contrário, ela aumentou? Por que seria diferente com esse candidato?

Questão 12) Por que abolir o CVM? Qualquer empresa poderia entrar na bolsa sem burocracia estatal, de modo que impulsionaremos nossa economia com as empresas estrangeiras que abririam capital na nossa bolsa? Seria uma medida que o micro-empresário poderia rivalizar com os mega-empresários?

Questão 13) Por que abolir a infraero?

Questão 14) Por que abolir ANVISA?

Questão 15) Qual o potencial do Brasil?

Questão 16) Nióbio ajudaria no nosso desenvolvimento?

Questão 17) Exportação x Importação? Qual o melhor? Por que balança comercial é importante para economistas?
Importação é produtos do estrangeiro que vieram ao Brasil para serem vendidos, mas até onde sei até chegar a loja esses produtos ainda não foram vendidos? Por que os ataques histéricos com essa balança se nem ao menos sabem se o produto foi vendido(até mesmo pelo preço pela taxa de importação)?

Questão 18) Na China existe o trabalho escravo? Encontrei essa matéria de chineses apanhando por mau desempenho no trabalho

Questão 19) Por que a China vai explodir economicamente? Todos dizem que vai ser a maior economia do mundo até 2050, vocês acreditam?

Questão 20) Pelo que obtive do meu irmão, a Índia está fazendo algumas reformas liberais, apesar de tímidas estão ajudando a economia a crescer? Índia não poderia passar a China com essas reformas?

Questão 21) Acumulação de capital x consumismo(explique seus conceitos e qual o mais importante em uma economia)?

Questão 22) O que gera recessão?

Questão 23) O que torna um país rico?

Questão 24) Existe algum limite de crescimento que um país possa se ter? Exemplo do Japão que é do território do MS(Mato Grosso do Sul) pudesse dobrar a sua economia?

Questão 25) Por que a Irlanda cresceu 26% em um ano? Milagre econômico ou livre mercado?

Questão 26) Por que os países de livre mercado são taxados de paraísos fiscais? Hong Kong, Cingapura, Panamá, Ilhas Cayman, Suíça, Luxemburgo e outros? Austrália e Nova Zelândia entrariam nesse conceito?

Questão 27) Por que o Brasil cresceu apenas 4% na média na década passada?

Questão 28) O renminbi poderá passar o dólar como a moeda de troca internacional?

Questão 29) Existe zona de livre comércio em Xangai?

Questão 30) Por que a China tem esse "poderoso" PIB? Como ela conseguiu o tal "milagre"?

Questão 31) Por que o estado mínimo não é necessário?

Questão 32) Forças Armadas estatal x Forças Armadas privada(Qual o melhor e por que)?

Questão 33) Por que a Africa é pobre?

Questão 34) Somália é anarcocapitalista?

Questão 35) Milton Friedman é importante nas matérias econômicas(o que podemos aprender com ele?)?

Questão 36) Mises foi o mais importante economista do século 20?

Questão 37) Keynes x Mises e Keynes x Milton Friedman(maiores diferenças entre eles)?

Questão 38) Keynes é comunista, socialista ou capitalista interventor?

Questão 39) O que causou a Grande Depressão?

Questão 40) Explique o conceito de ciclos econômicos?

Questão 41) Qual a contribuição da Escola Austríaca(EA) nas ciências econômicas?

Questão 42) Qual a posição da EA na colonização de planetas? Ouvi dizer que podemos praticar atividades econômicas nesses planetas com agricultura e mineração(depois da terraformação)?

Questão 43) Meio ambiente x livre mercado(Qual o papel do livre mercado na conservação do meio ambiente)?

Questão 44) Amazônia poderia se internacionalizada por não protegemos nosso patrimônio? Não é agressão internacional para com o nosso país? Estão atrás da preservação ou das riquezas que nós temos no território?

Questão 45) Zona franca de Manaus funciona(qual o papel dela na economia brasileira)?

Questão 46) Empregos se tornam obsoletos enquanto outros surgem, qual a visão dos leitores e dos autores sobre a mineração espacial, internet das coisas e viagem espacial?

Questão 47) Pobreza diminuindo com a expansão do capitalismo, até quando a pobreza absoluta poderá ser erradicada?

Questão 48) De acordo com a revista Veja, se toda a água do planeta fosse representada por 200 litros, 195 litros seria de água salgada. 5 litros seria de água doce, mas a maior parte da água doce está nas geleiras ou em depósitos subterrâneos de difícil acesso, a humanidade tem a sua disposição para consumo apenas o equivalente a 20 mililitros de água. Qual o papel da iniciativa privada nessa questão abordada? Existe o processo de dessalinização em alguns países, mas em mãos do estado. Pelo que eu pude estudar tem inventores que poderiam mudar radicalmente a forma dessa dessalinização tornando a água abundante. Por que o estado não deixa os empresários disponibilizarem essa água para a população?

Questão 49) Os que defendem o controle populacional tem como uma das formas de culparem o capitalismo por tal descontrole. Ma em um país capitalista essa questão é exatamente ao contrário. Por que esses mesmo defensores não defendem o capitalismo, já que se provou um "controle" populacional?

Questão 50) Culpam o capitalismo pela fome do mundo, mas em países capitalistas uma das doenças que mais matam é a obesidade. Não é uma contradição? São hipócritas ou aparentemente sem limites de burrice para denegrir o sistema capitalista?

Questão 51) Já leram o Livro Negro do Capitalismo? É realmente culpa do capitalismo ou ações governamentais que são os verdadeiros culpados? Se é culpa do capitalismo, como um dono de um restaurante em Ohio possa ser culpado pelas mortes no Iraque?

Abraços e em breve farei mais algumas perguntas.
"Concordo que a desigualdade econômica possa ser benéfica socialmente. Porém ainda há pessoas que nem 0,50 centavos tem para sobreviver"

Então a sua preocupação é com a pobreza absoluta e não com a pobreza relativa.

"e mesmo com as políticas assistencialistas do governo não os permitem colocar em condições de consumidores para que possam consumir os serviços ofertados e muitas vezes trabalha não da forma que gosta e sim porque precisa sobreviver."

Essa frase contradiz a primeira. Primeiro você disse que a pessoa não tem nem 1 centavo (0,50 centavo é menos que 1 centavo), e agora diz que ela trabalha naquilo que não gosta.

A pessoa trabalha e não tem nem 1 centavo? Caramba....

Qualquer catador de papel e malabarista de semáforo consegue tranquilamente uns 10 reais por dia.

"Levando em conta que as máquinas tomaram boa parte do trabalho humano"

Desde o século XVIII isso acontece. E novas e mais agradáveis formas de trabalho foram descobertas. E é isso o que continuará acontecendo.

Ou você tem a arrogância da achar que não há mais empregos a serem descobertos e que tudo o que poderia ser inventado já o foi?

"um meio de adaptação seria o "trabalho intelectual""

Não necessariamente. Há hoje vários trabalhos que não podem ser substituídos por máquinas e nem dependem de "trabalho intelectual". Esportes, por exemplo. Professor de ioga. Chef de cozinha. Operador de máquina.

"No entanto contamos com um governo que não oferece ensino público gratuito e outras estratégias para que possam lançar os menos favorecidos ao mercado de trabalho."

Ué, não sei de onde você está teclando, mas, aqui no Brasil, o que não falta é ensino público "gratuito". Do maternal à pós-graduação. E toda a grade curricular é controlada pelo governo. É uma bosta? É. Assim como tudo que o governo faz.

E as pessoas ainda querem mais governo?

"Como então poderia ser resolvida essa questão, preservando a desigualdade econômica mas que possam colocar todos em condições de consumo?"

Explicado no próprio artigo. Quanto maior a oferta de bens e serviços, menores serão os preços deles. Isso está acontecendo desde a década de 1970 nos países ricos. Os preços das coisas só caem. No Brasil isso também poderia acontecer,
mas o nosso governo não deixa.

Se a sua preocupação é com a pobreza absoluta, então você tem de defender medidas que aumentem a quantidade de bens e serviços oferecidos, de modo que os preços deles caiam a ponto de permitir que qualquer um tenha acesso a eles.
"será que o verdadeiro motivo de se combater a acumulação de riqueza (tirando a mera inveja) não seria pelo fato de conhecermos a velha cobiça e ganância que degenera o homem com excesso de poder?"

Deixe-me ver se entendi. Você está dizendo que para combater "a velha cobiça e ganância" temos de dar poderes a políticos e burocratas (que são os seres mais gananciosos e cobiçosos do planeta), os quais irão tomar o dinheiro dos outros e redistribuir este dinheiro entre si? É isso mesmo?

Faz muito sentido.

"O Estado Democrático não mínimo, para fazer frente ao poderio econômico, não seria o mal mínimo preventivo desta desconfiança da "singularidade" da acumulação dos recursos financeiro-econômicos?"

A empiria lhe refuta.

Quem cria cartéis, oligopólios, monopólios e reservas de mercado, garantindo grandes concentrações financeiras, é e sempre foi exatamente o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, TV a cabo, internet, postos de gasolina etc.).

Artigos para você sair desse auto-engano:

Brasil versus Romênia - até quando nosso mercado de internet continuará fechado pelo governo?

A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa - ou: você é pró-mercado ou pró-empresa?

Grandes empresas odeiam o livre mercado

Romaria de grandes empresários a Brasília - capitalismo de estado explicitado

E você ainda diz que é o estado quem vai impedir a concentração do mercado, aquela concentração que ele próprio cria e protege?

Por outro lado, não há e nem nunca houve monopólios no livre mercado. Empiria pura. Pode conferir aqui:

Monopólio e livre mercado - uma antítese

O mito do monopólio natural

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Diego  24/04/2012 07:13
    Simples e concisa como uma lei deve ser.
  • Fernando Chiocca  24/04/2012 10:46
    A Navalha de Ockham corta fundo.
  • Filipe F.  24/04/2012 08:46
    A E.A. tem essa característica de "humanizar" as leis economicas (o que toda teoria economica deveria fazer), muito diferente dos emaranhados de formulas matemáticas que não esclarece nada.

  • Andre  24/04/2012 09:53
    A utilidade marginal é decrescente. No entanto como poderíamos mensurar através da geração de valor a utilidade de um bem? Não seria necessário esse bem ter um valor de troca antes como sugere a teoria do valor trabalho?
  • Leandro  24/04/2012 10:24
    Andre, não muda nada, dado que o valor é subjetivo.

    Vou dar um exemplo de utilidade marginal decrescente determinando o valor de um bem:

    Se um indivíduo possui 5 carros idênticos, os quais satisfazem completamente todos os seus desejos, então o valor de cada carro será determinado pela importância que esse indivíduo atribui ao quinto carro que ele possui (no sentido de que há um ranking de preferências pelos carros, e supondo que o quinto carro é o menos importante para ele). Assim, se ele por exemplo perder esse quinto carro, o valor de um carro aumentaria de acordo com a satisfação que ele agora tira do quarto carro no seu ranking de importância.

    Caso ele perdesse 4 carros, ficando com apenas um, o valor desse único carro restante aumentaria enormemente, e o indivíduo agora passaria a valorizá-lo de acordo com a importância que esse único carro tem para ele na satisfação de todos os seus afazeres diários.

    Por outro lado, caso ele ganhasse num sorteio 100 carros iguais -- um número que excede em muito a hipótese inicial de que 5 carros o satisfazem completamente --, então a utilidade marginal e o valor de cada carro agora seria de zero, pois a satisfação de todos os seus desejos automobilísticos não dependeria da posse de um centésimo carro -- aliás, não dependeria nem mesmo de um sexto carro.

    Portanto, o valor que um indivíduo atribui a uma unidade de uma determinada quantidade de bens é igual à importância que ele dá à satisfação da necessidade menos importante propiciada por essa unidade.

    Outro exemplo:

    Se você está com fome e tem várias cédulas de 5 reais, perder uma cédula não lhe fará diferença alguma. Por outro lado, se você, estando com a mesma fome de antes, porém tendo agora apenas uma cédula de 5 reais, perder essa cédula, isso pode significar a diferença entre comer e morrer de fome. Logo, sua utilidade marginal para a cédula de 5 reais é nula no primeiro caso e, no segundo caso, possui o valor de sua vida.


    Ou seja, tanto no exemplo do carro quanto no exemplo da cédula, o valor de ambos os bens variou totalmente, sempre dependendo da situação. Logo, a utilidade marginal independe de um bem "ter um valor de troca previamente definido".

    Abraços!
  • Marcos  24/04/2012 11:07
    Neste caso como ficaria a condiçao do dinheiro? Eu valorizaria mais uma cédula de R$ 1,00 do que uma de R$10,00? Outra dúvida: Eu valorizaria mais ter 1 pneu sendo que preciso de 4 para poder ter um carro em condiçoes de uso?
  • Leandro  24/04/2012 11:18
    Marcos, o texto deixa claro que a teoria se aplica para bens homogêneos e uniformes. Tudo o mais constante, uma cédula de R$1 não é a mesma coisa que uma cédula de R$10 -- logo, essa comparação não faz sentido.

    Quanto aos pneus, trata-se de um exemplo idêntico ao exemplo do bolo, no qual você precisa de 4 ovos.

    Da mesma maneira que "1 bolo = um arranjo de quatro ovos", "1 carro em condição de uso = um arranjo de quatro pneus". Ter apenas um, dois ou três pneus de nada adianta; você não formou a sua unidade.

    Abraços.
  • Fernando Chiocca  24/04/2012 12:27
  • Robson Cota  24/04/2012 13:24
    "Marcos, o texto deixa claro que a teoria se aplica para bens homogêneos e uniformes. Tudo o mais constante, uma cédula de R$1 não é a mesma coisa que uma cédula de R$10 -- logo, essa comparação não faz sentido."

    Então, pelo que eu entendi, não dá pra comparar R$1 com R$10? A única coisa comparável com uma cédula de R$1 é outra cédula de R$1?

    Acho que ele perguntou pensando numa situação assim: você tem uma cédula de R$1 e com ela você consegue satisfazer todos os desejos do momento. Se tivesse uma cédula de R$10 (ou 10 cédulas de R$1), você valoraria essa cédula da mesma forma que uma única cédula de R$1?
  • Leandro  24/04/2012 18:19
    Robson, neste caso, o raciocínio é idêntico ao do exemplo dos carros.

    Dado que uma cédula de R$ 1 satisfaz todas as suas necessidades, se você ganhar mais nove cédulas de R$ 1, o valor que você dará a cada uma delas equivale à importância que você dá à satisfação da necessidade menos importante propiciada pela última cédula adquirida.

    Abraços!
  • Tiago Moraes  25/04/2012 08:22
    Robson, a questão que o Leandro tentou explicar a vocês, é que a comparação não funciona dessa forma. Se você quer aplicar o conceito de utilidade marginal a moeda, você tem de tratar sobre "quantidades adicionais de unidades monetárias". Quanto maior for a renda de um indivíduo, menos importante será uma quantidade adicional unitária de moeda. Enfim, R$ 1,00 tem mais importância para alguém que ganha um salário mínimo, do que para alguém que ganha mais que um salário mínimo por exemplo, entendeu?
  • anônimo  24/04/2012 13:54
    A comparação da água com o diamante combina com a teoria do valor-trabalho. Pense bem: a água ñ demanda mto trabalho para ser extraida, basta ser tratado, é abundante. A extração de diamantes ñ é coisa simples, pássa por processo de laidação e sua produção não surge da noite para o dia. Isso já foi respondido pelo próprio Marx:

    "A mesma quantidade de trabalho extrai mais metal das minas ricas do que das minas pobres, etc. Os diamantes só raramente aparecem na camada superior da crosta terrestre; para encontrá-los, torna-se necessário, em média, um tempo considerável, de modo que representam muito trabalho num pequeno volume. É duvidoso que o ouro tenha alguma vez pago completamente o seu valor. Isto ainda é mais verdadeiro no caso dos diamantes. Segundo Eschwege, o produto total da exploração das minas de diamantes do Brasil, durante oitenta anos, não tinha ainda atingido em 1823 o preço do produto médio de um ano e meio das plantações de açúcar ou de café do mesmo país, embora representasse muito mais trabalho e, portanto, mais valor. Com minas mais ricas, a mesma quantidade de trabalho representaria uma maior quantidade de diamantes, cujo valor baixaria. Se se conseguisse transformar com pouco trabalho o carvão em diamante, o valor deste último desceria talvez abaixo do valor dos tijolos."
  • anônimo  25/04/2012 09:11
    A comparação da água com o diamante combina com a teoria do valor-trabalho. Pense bem: a água ñ demanda mto trabalho para ser extraida, basta ser tratado, é abundante. A extração de diamantes ñ é coisa simples, pássa por processo de laidação e sua produção não surge da noite para o dia. Isso já foi respondido pelo próprio Marx:

    Meu filho, se o valor de um bem fosse definido pelo trabalho incorporado em função do tempo socialmente necessário, que é o que diz a teoria do valor-trabalho, a diferença de preço entre os bens seria proporcional a diferença de tempo dispendido na produção deles, porém, isso não acontece. Outra coisa, a teoria não explica porque bens com mesmo custo de produção, ou o mesmo bem, sobre diferentes circunstâncias, terá seu valor monetário alterado...Pela lógica da teoria do valor-trabalho, um automóvel jamais poderia ter o preço de uma casa, na verdade, seu valor não deveria ser tão mais alto que um pacote de jujubas por exemplo...

    Tome cuidado ao mencionar a teoria do valor-trabalho segundo Marx, porque os professores adoram falar das primeiras páginas de Das Kapital, difícil é tratar a segunda medade da obra, onde Marx admite copiosamente o quão a teoria do valor-trabalho é furada, recorrendo em seguida, a pura retórica ideológica para continuar defendendo-a.
  • Jáder Jucá  24/04/2012 19:03
    É muito simples entender a teoria do valor utilidade.
    Difícil é entender como tem professores na Universidade Federal do Ceará que até hoje falam
    de valor trabalho e idolatram Marx com sua teoria furada.
    Sinto vergonha em falar que na minha grade curricular tem 2 cadeiras obrigatórias de "Pensamento Econômico Marxista", fora outras disfarçadas.
  • Paulo Sergio  25/04/2012 02:51
    'Difícil é entender como tem professores na Universidade Federal do Ceará que até hoje falam
    de valor trabalho e idolatram Marx com sua teoria furada.'

    Difícil? O dinheiro deles vem de onde?
  • anônimo  25/04/2012 04:02
    Pelos poucos alunos e professores que conheci desta universidade já pude perceber que se trata de um dos lugares mais vermelhos do país. Com todo respeito a quem não é, claro. Talvez só perca pra Unicamp.
  • rickk  24/04/2012 20:13
    eu acho que as duas teorias sao validas, a do marx ajuda a se formar um preco base e a teoria marginal muda este valor de acordo com a sua satisfação.
    Mas creio que aqui nao acreditam na teoria do marx, gostaria de ver uma explicacao do porque.
  • Leandro  24/04/2012 20:51
    Simplesmente porque o valor das coisas é totalmente subjetivo, rickk. Independe de qual tenha sido o trabalho "embutido" nela.

    Valor-trabalho e valor subjetivo são coisas mutuamente excludentes. Passe um dia inteiro cavando um enorme buraco na sua rua. No dia seguinte, passe novamente todo o dia cobrindo-o. No terceiro, fique sentado ali com um chapéu na mão, esperando a contribuição das pessoas. Segundo a teoria do valor-trabalho, você será muito bem remunerado, pois fez algo extenuante, que exigiu uma enorme quantidade de trabalho.

    Só que todo esse todo trabalho que você teve para cavar um enorme buraco terá um valor enorme apenas para você; para mim e para as outras pessoas, terá um valor zero.

    Por fim, se você sair cavando buracos pelas ruas, Marx dirá que o valor desses buracos é enorme -- e que, logo, você deve exigir um preço muito alto por esse seu "serviço". No entanto, para os consumidores, que são quem em última instância determinam o valor final dos produtos, seu trabalho terá valor zero, e você morrerá de fome.

    Abraços!

    P.S.: o criador original da teoria do valor-trabalho foi Adam Smith, muito provavelmente influenciado por seu calvinismo, religião que dá ênfase no trabalho duro e exaustivo como sendo não apenas algo bom, mas também um grande bem em si mesmo, ao passo que o prazer oriundo do consumo é, na melhor das hipóteses, um mal necessário, um mero requisito para se dar continuidade ao trabalho e à produção.

    Sugestão de artigo:

    As raízes escolásticas da Escola Austríaca e o problema com Adam Smith
  • rickk  25/04/2012 10:03
    Acho que na pratica essa teoria nao influencia os valores monetários das coisas. Se voce tem 5 carros vc nao vai vender um deles por um preço menor só pq ja esta satisfeito, vc vai vender de acordo com o que o mercado paga.xo a teoria do valor do trabalho falha mesmo, eu diria que ela só serve para casos onde obviamente existe uma utilidade extraida desse trabalho e mesmo assim eu nao diria valor do trabalho e sim custo do trabalho, afinal um produto nao pode valer menos que seu custo portanto o custo do trabalho influencia de alguma maneira no seu valor de mercado.
  • Hay  25/04/2012 11:03
    Se voce tem 5 carros vc nao vai vender um deles por um preço menor só pq ja esta satisfeito, vc vai vender de acordo com o que o mercado paga.

    Sim, porque esse valor de mercado é o resultado da utilidade marginal do carro para as outras pessoas. Agora, se todos tivessem 5 carros e estivessem satisfeitos, você teria que vender um dos carros por um preço menor se precisasse se livrar de um deles.

    afinal um produto nao pode valer menos que seu custo portanto o custo do trabalho influencia de alguma maneira no seu valor de mercado.

    Na verdade, é o inverso: o custo não pode ser maior do que o valor, que é subjetivo, Ou seja, para um determinado produto, você não pode gastar mais do que aquilo que as pessoas estão dispostas a pagar por esse mesmo produto. Quanto maior o custo, mais você precisa cobrar, e menos pessoas pagarão.
  • O MESMO de SEMPRE  13/03/2016 10:37

    Caraca, Hay!

    Foi perfeito e breve na explicação.

    O valor do 5º carro para quem o possui é pequeno, mas se o dono vai vende-lo não o fará pelo valor que ele dá ao carro, mas pelo valor que acredita que os compradores darão.

    Na verdade quem produz algo para TROCAR (vender recebendo dinheiro para com esse dinheiro comprar outra coisa - já que o dinheiro em si não tem valor algum; só para colecionadores de cedulas) pode avaliar erroneamente o VALOR de MERCADO para seu produto.

    Exatamente por isso há empresas que vão a falência ao oferecerem bens ou serviços cuja demanda é dá ao produto umvalor inferior a seu custo.

    Em alguns casos é o CUSTO que determina a oferta, pois que poucas pessoas estão interessadas em adquirir o produto por um PREÇO superior ao seu CUSTO. Então, neste caso, o produtor DIMINUIRÁ a oferta a fim de conseguir um preço que cubra seus custos e proporcione algum LUCRO como REMUNERAÇÃO por seu trabalho de investir e produzir.

    É uma elevação de custos pode levar a uma redução das quantidades produzidas a fim de que o preço possa ser aumentado. Ou seja, uma inflação de custos produz uma inflação de preços sem aumentar o lucro.

    Não fosse assim e a emissão de moeda sem lastro tenderia a aumentar contínuamente a produção.
    Porém isso não acontece porque os bens e serviços NÃO SE TROCAM POR MOEDA e SIM UNS PELOS OUTROS ATRAVÉS DA MOEDA.

    OU SEJA: O aumento da quantidade de moeda não implica em maior lucro para a produção EXATAMENTE pelo fato de que QUEM CONSOME os bens e serviços produzidos é o emissor de moeda e este NÃO PRODUZ NADA DE UTIL para a economia.

    Resumindo, a emissão de moeda não cria riqueza que é o objetivo, O FIM, mas apenas aumenta a oferta dos MEIOS usados para realizar as TROCAS.

    Por exemplo:
    Aumentar a quantidade de lojas de roupas não aumenta, por si, a quantidade de roupas disponíveis.

    Isso faz com que a infçaão dos MEIOS de TROCA não PROPORCIONE IGUAL AUMENTO NAS QUANTIDADES de BENS e SERVIÇOS disponíveis. Logo o "aumento nos lucros" É NOMINAL e não real capacidade de consumo.
    Os "fabricantes" de moeda irão consumir MAIS NO MERCADO, PORTANTO sobrarão MENOS BENS E SERVIÇOS para serem consumidos POR QUEM OS PRODUZ para TROCAREM entre SI.
  • Tiago Moraes  26/04/2012 20:14
    Rickk, eu já dei a explicação que a sua pessoa solicita, ao anônimo lá em cima...

    A teoria do valor-trabalho diz que o valor de um bem seria determinado pelo tempo socialmente necessário para se produzi-lo, ou seja, o tempo médio que uma determinado mercado leva para produzir um dito bem.

    Supondo que o custo da hora/trabalho em uma economia seja de R$ 10,00.

    Um bem cujo tempo médio de fabricação por todo um mercado é de uma hora, terá o valor de R$ 10,00 dentro deste mesmo mercado, ao passo que um bem que tem um tempo médio de 2 horas para ser fabricado, terminará por custar R$ 20,00. Ou seja, temos aqui uma diferença de tempo de produção de 1:2, por tanto, a diferença de preço também será de 1:2, pois segundo a teoria do valor-trabalho, se o valor é determinado pelo mesmo, então a diferença de preço deve ser análoga a diferença de tempo em trabalho.

    O problema dessa linha de raciocínio é que não existe correlação entre custo de produção e valor de mercado dos bens transacionados em uma economia de mercado, além disso, a teoria é obrigada a supor a existência de uma unidade invariável de valor, que serviria de parâmetro comparativo para se definir as diferenças de preços entre os bens, no exemplo que eu mencionei, seria o custo hora/trabalho, porém, mesmo em uma economia real, o valor da hora trabalhada varia de profissão para a profissão, de acordo com a oferta e demanda por profissionais no mercado de trabalho. Assim, quando a demanda por uma determinada profissão aumenta no mercado, é tendencioso que o valor da hora/trabalho daqueles que estão aptos a exercer a profissão, se eleve em relação a outras profissões. No final, concluímos que mesmo o "valor-trabalho" é determinado pela utilidade marginal.

    A teoria do valor-trabalho não passa de um equívoco, onde tentou-se atribuir a uma das consequências da utilidade marginal, o fator causal do valor.
  • Rhyan  24/04/2012 20:33
    Não entendi por que mais uma unidade de diamante é geralmente mais util que mais uma unidade de água.
  • Leandro  24/04/2012 21:00
    O raciocínio não é este.

    O que é dito é que uma unidade adicional de um bem (oriundo de uma oferta de bens homogêneos) terá para você um valor que equivale à importância que você dá à satisfação da necessidade menos importante propiciada por este bem adicional.

    Um copo d'água a mais para quem já está plenamente saciado não tem valor algum. Um diamante a mais para um milionário ainda terá muito valor.

    Por outro lado, imagine esta mesma situação para um indivíduo completamente perdido em um deserto inóspito. A valoração será totalmente inversa.

    Deve-se sempre pensar em termos de valor subjetivo.

    Recomendo ler o que escrevi acima para o Andre.

    Abraços!
  • Rhyan  25/04/2012 00:38
    Ok, mas o quê precede o quê? A lei da oferta e procura ou a lei da utilidade marginal decrescente? Ou é a mesma coisa?

    Abraço!
  • Leandro  25/04/2012 04:46
    A lei da utilidade marginal vale em toda e qualquer situação, inclusive para um indivíduo vivendo sozinho na mais plena abundância, como Adão sem Eva no Jardim do Éden. Nesta mesma situação, por outro lado, Adão não teria por que se preocupar com a lei da oferta e da demanda, que não existiria ali.

    Fora este caso específico, não há absolutamente nenhum conflito entre ambas as leis, que existem paralelamente. E não faz sentido tentar imaginar qual delas é o ovo e qual é a galinha.
  • Leninmarquisson da Silva  26/04/2012 13:17
    "E Deus fez para Adão uma esposa...e disse: faça-se a Demanda!"

    Hhoaehoaehoaeho

  • Lucio  30/04/2012 18:23
    Leandro, voce disse que a lei da utilidade marginal e a lei da oferta e procura sao como o ovo e a galinha. Eu humildemente discordo, na minha visao a lei da utilidade marginal e' quem gera a demanda por qualquer bem ou sevico. Nao ha demanda por algo que nao tem utilidade. Quanto maior a utilidade marginal de um bem ou servico para qualquer conjunto de individuos, maior sera a demanda por esse bem ou servico. Creio que elas nao coexistem paralelamente, mas sim entrelacadas.

  • anônimo  25/04/2012 11:25
    Não sei o que é melhor, o artigo ou as explicações do Leandro.
  • Leo  26/04/2012 14:26
    E a cocaína. Para mim, uma carreira é boa. Mas a segunda carreira é melhor ainda. A terceira então...fico fissurado. Diria que depois que já dei cheirei duas carreiras, a terceira vale mais que o dobro da primeira!
  • Fernando Chiocca  27/04/2012 10:30
    E daí Leo?
    A verdade praxeológica de que as primeiras unidades de carreira de cocaína serão alocadas nos usos mais valorizado por você, permanece.
  • Hatila  27/04/2012 06:21
    faz todo sentido e lógica, pode ate se acrescentar que em um deserto a agua tem mais valor que o diamante, e essa ideia de valor, de trabalho agregado,não tem sentido, se eu cavar um buraco durante 30 anos esse buraco terá um auto valor mas se eu em uma primeira pazada achar uma pepita de ouro ela terá menos valor frente ao buraco cavado por 30 anos
  • Eliel  29/04/2012 13:11
    Excelente texto. Pessoalmente acredito que a economia austríaca pode ser matematizada. Não a matematização mainstream. É uma hipótese. Pode ser que sim pode ser que não. Pode ser por exemplo algo tipo Sistemas Dinâmicos da Teoria do Caos com seus Atratores Estranhos incluindo o Princípio da Incerteza da Teoria Quântica. Já imaginaram uma fórmula, uma única equação para a Economia Austríaca? A partir dela deixarmos os economistas mainstream mais abobados ainda? Iriam combate-la, tentar refutá-la, tentar falsificá-la. Mas sendo poderosamente estruturada a partir do axioma da ação humana em seus fundamentos praxiológicos pode ser falsificável mas não falsificada, como cientificamente colocado por Popper. Espero não estar incorrendo em obstáculos epistemológicos como tem ensinado Bachelard.
    Perdoem-me minha empolgação. Como físico de formação, autodidata em economia, estudioso de economia austríaca e seguidor deste site é nisso que trabalho, intelectualmente,nas horas vagas. Estas estão mais escassas pois agora descobri o excelente curso na seção multimídia "Curso de iniciação à Escola Austríaca de Economia".
    Abraços.
  • Emerson Luis  14/03/2016 10:30

    Conceitos complexos podem ser confirmados ou refutados com simples exemplos práticos.

    * * *


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