Não há um Banco Central no Panamá

Em nosso atual arranjo monetário pós-Bretton Woods, dominado por políticas monetárias inflacionistas conduzidas coordenadamente pelos principais bancos centrais mundiais, muitas pessoas normalmente simpáticas a todos os argumentos contrários à existência de bancos centrais ainda assim acreditam que a eliminação destas instituições centralizadoras é algo impraticável, um sonho utópico.

Para um exemplo prático e real de um sistema cuja política monetária é aquela escolhida pelo mercado, sem o comando de um banco central, não é preciso olhar para o passado; o exemplo existe atualmente na América Central, na República do Panamá, um país que, desde sua independência em 1903, não possui um banco central, e que, não obstante (ou por causa disso), usufrui um ambiente macroeconômico estável e bastante exitoso.

A ausência de um banco central no Panamá faz com que a oferta monetária do país seja completamente determinada pelo mercado.  Neste caso, o mercado do Panamá escolheu o dólar americano como sua moeda de fato.  Para comprar ou obter dólares, o país tem de produzir ou exportar bens e serviços; o governo não tem como criar dinheiro do nada.  Desta forma, o sistema é um tanto similar ao velho padrão-ouro.  Desde 1984, a inflação média anual tem sido de 1%.

A inflação de preços panamenha normalmente é de 1 a 3 pontos percentuais menor que a inflação americana; ela é causada majoritariamente pelo efeito gerado pelo Federal Reserve (o Banco Central americano) sobre os preços mundiais.  Este sistema conduzido pelo mercado criou um ambiente macroeconômico extremamente estável.  O Panamá é o único país da América Latina que nunca vivenciou um colapso financeiro ou uma crise monetária desde sua independência.

Inflação de preços ao consumidor no Panamá (Fonte: FMI)

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Assim como a maioria dos países das Américas, a moeda do Panamá no século XIX era baseada no ouro e na prata, com uma variedade de moedas metálicas de prata e cédulas de papel lastreadas em ouro em circulação.  O Peso Prata (do México) era a moeda que havia sido escolhida.  No entanto, por causa da ferrovia ístmica — a primeira ferrovia a ligar o Atlântico ao Pacífico —, que fora construída por uma empresa americana em 1855, o dólar americano também circulava parcialmente no país. 

O Panamá originalmente se tornou independente da Espanha em 1821, mas foi integrado à Grande Colômbia.  Sendo um país pequeno, ele não conseguiu se separar da Colômbia, como haviam conseguido a Venezuela e o Equador.  Em 1886, o governo colombiano publicou vários decretos forçando a aceitação de cédulas de papel produzidas pelo governo central.  A economia do Panamá, que era aberta e baseada no transporte e no comércio, claramente não tinha como se beneficiar deste arranjo imposto.  Um editorial do principal jornal do país, datado de 1886, declarou o seguinte:

Não há nenhum país no globo, certamente nenhum centro comercial, em que a introdução de uma moeda de papel irredimível e sem lastro traria consequências mais desastrosas que no Panamá.  Tudo o que nós consumimos é importado.  Não temos nenhum produto para ser exportado, de modo que a única coisa que podemos mandar para fora em troca de nossas importações é dinheiro.

Em 1903, o país se tornou independente, apoiado pelos EUA por causa do interesse americano na construção de um Canal atravessando o Panamá.  Os cidadãos do novo país, ainda receoso do experimento de 1886 com as cédulas de papel colombianas, decidiram incluir o artigo 114 na Constituição de 1904 dizendo que,

Nenhum dinheiro de papel será imposto como a moeda oficial da República.  Portanto, qualquer indivíduo pode rejeitar qualquer cédula que ele porventura considere indigna de confiança.

Com este artigo, qualquer moeda em circulação seria gerenciada pelo mercado e não seria de curso forçado.  No entanto, ainda em 1904, o governo do Panamá assinou um acordo monetário permitindo que o dólar americano se tornasse moeda corrente e fosse de curso forçado.  De início, os panamenhos não aceitaram o dólar; eles não confiavam na moeda americana, preferindo continuar utilizando o Peso Prata.  A Lei de Gresham, no entanto, se encarregou de tirar as moedas de prata de circulação.[1][2]

Em 1971, o governo aprovou uma lei abrindo e liberalizando o sistema bancário.  Não haveria nenhuma agência governamental supervisionando o setor, e nenhum imposto poderia ser cobrado sobre juros ou transações originadas no sistema financeiro.  O número de bancos pulou de 23 em 1970 para 125 em 1983, a maioria deles formada por bancos estrangeiros.  Esta lei bancária estimulou empréstimos internacionais e, em decorrência de o Panamá ter um sistema tributário restrito apenas ao seu território, os lucros obtidos com transações ou empréstimos feitos no exterior são isentos.

Isto, em conjunto com a presença de numerosos bancos estrangeiros, gerou uma total integração internacional do sistema.  Ao contrário de outros países da América Latina, o Panamá não possui controle de capitais.  Sendo assim, quando o capital internacional porventura decide inundar o sistema bancário panamenho, os bancos emprestam este excesso de capital aos mercados estrangeiros, evitando assim os corriqueiros desequilíbrios e a alta inflação que outros países vivenciam quando também recebem volumosos influxos de capital.

A política fiscal tem pouco espaço para manobras, dado que o Tesouro não pode contar com um Banco Central para monetizar seus déficits.  Sendo assim, a política fiscal não influencia a oferta monetária; se o governo tentar aumentar a quantidade de dinheiro na economia durante uma recessão vendendo títulos no mercado internacional e trazendo o dinheiro arrecadado para a economia panamenha, os bancos irão contrabalançar esta medida pegando este dinheiro adicional e o enviando para o estrangeiro na forma de empréstimos (que, como dito, não são tributáveis).  Logo, não haverá alterações significativas na oferta monetária.

Adicionalmente — e ao contrário do que ocorre nas economias cujos sistemas bancários são controlados por bancos centrais —, os bancos do Panamá não têm como combinar uma expansão coordenada da oferta monetária via reservas fracionárias, pois, como mencionado acima, o número de bancos é enorme, e a concorrência entre eles é forte.  Ademais, por não existir um banco central, não há como socorrer aqueles bancos que expandirem excessivamente o crédito sem terem uma quantidade minimamente segura de dinheiro guardado em seus cofres.  Pânicos e corridas bancárias, muito comuns no sistema bancário americano durante todo o século XIX, nunca ocorreram no Panamá.  As eventuais quebras bancárias que já ocorreram não se espalharam para outros bancos.  Vários bancos que passaram por problemas foram comprados — antes que ocorresse qualquer corrida bancária — por bancos maiores, atraídos pelos lucros possibilitados por esta obtenção de ativos a preços reduzidos.

Como não há seguros federais para depósitos bancários e nem um emprestador de última instância para socorrer os bancos, todo o sistema bancário tem de atuar de maneira bastante responsável.  Qualquer empréstimo ruim que resulte em calote será pago pelos acionistas do banco; ninguém irá socorrer os bancos que fizerem trapalhadas e entrarem em apuros.

No entanto, este sistema não é imune a ciclos econômicos — afinal, o sistema bancário ainda tem liberdade para expandir o crédito artificialmente via reservas fracionárias, o que gera períodos de euforia econômica que resultam em um acúmulo de investimentos insustentáveis.  Porém, o período de correção dos ciclos econômicos é muito mais eficiente no sistema panamenho.  Após o período de euforia gerado pela expansão artificial do crédito, o que gera um acúmulo de investimentos insustentáveis, os próprios bancos dão início ao processo de inevitável liquidação dos empréstimos ruins.  Como não há um banco central para intervir e prolongar a expansão artificial do crédito, a recessão começa sem nenhuma obstrução criada por políticas monetárias contracíclicas.  Os bancos simplesmente são forçados pelas próprias leis de mercado a criar a contração creditícia necessária para pôr fim à euforia e, com isso, corrigir os desequilíbrios gerados na estrutura de produção da economia — caso não o fizessem, sua própria solvência estaria em risco.  As recessões no Panamá geralmente resultam em inflação de preços praticamente nula, o que alivia o fardo dos consumidores e facilita o processo de recuperação ao reduzir os custos de produção.

O único fato que atrapalha os processos de correção é a lei do salário mínimo, que não permite a flexibilização para baixo dos salários, o que faz com que as recessões sejam mais longas do que o necessário.  Não obstante, as recessões ocorrem sem absolutamente nenhuma das terríveis consequências que os economistas keynesianos afirmam que haverá caso não seja adotada uma política monetária expansionista para amenizar a recessão. 

Portanto, aquelas pessoas que dizem que a abolição do banco central é algo utópico e impraticável devem apenas olhar para o ambiente macroeconômico do Panamá — o qual tem sido auspicioso há mais de 100 anos — para constatar que, de fato, a abolição não apenas é algo possível, como na realidade é algo extremamente benéfico.  Claramente, a ausência de uma moeda de papel controlada pelo governo nacional, a inexistência de um banco central, e uma inflação de preços desprezível estão funcionando muito bem neste pequeno país.  Quem pode argumentar que estas mesmas políticas não funcionariam em economias maiores?



[1] Carlos E. Ramirez, Monetary History of Panama, p. 5.

[2]lei de Gresham — em homenagem ao financista e comerciante inglês Thomas Gresham — diz que, a uma dada paridade cambial, o dinheiro ruim expulsa o dinheiro bom de circulação. Ou seja: em um sistema monetário em que há mais de uma moeda em circulação, a moeda de valor inerente mais baixo (uma moeda artificialmente valorizada) será a preferida para ser usada como moeda corrente, ao passo que a moeda de valor inerente mais alto (aquela que está artificialmente desvalorizada) será estocada para ser usada apenas em eventualidades ou contingências.


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SOBRE O AUTOR

David Saied
é mestre em política econômica pela Suffolk University, Boston, Massachusetts, e foi membro da Comissão de Valores Mobiliários da República do Panamá.




Ué, dê a notícia completa: o números gerais subiram simplesmente por causa de algumas poucas cidades, que vivenciaram um pico nos homicídios.

Quais cidades? Baltimore, Chicago, Cleveland, Houston, Milwaukee, Nashville, e Washington.

"Half of the entire increase in big-city homicides was concentrated in just seven municipalities — Baltimore, Chicago, Cleveland, Houston, Milwaukee, Nashville, and Washington.

And only in Baltimore was the spike in homicides sharp enough to return the city to a historically high murder rate. While Charm City suffered a historic high of 55 homicides per 100,000 residents in 2015, for the seven cities collectively that figure was 21. Which is significantly lower than it was throughout the 1990s.

Meanwhile, 70 large cities saw their murder rates hold steady in 2015, while 5 saw them fall."

Enquanto isso, segundo suas mesmas estatísticas, New Hampshire, Idaho, e Vermont, estados com as leis mais liberais sobre armas, possuem as mais baixas taxas de criminalidade. O mesmo, aliás, vale para os estados do meio-oeste.

Todos os gráficos foram compilados aqui:

https://mises.org/blog/handful-cities-are-driving-increase-murder-rates

Por fim, aquela estatística que um sedizente estatístico como você não tem o direito de ignorar: a taxa de homicídios nos EUA desabou 50% nos últimos 20 anos, "coincidentemente" ao mesmo tempo em que a posse de armas disparou.

www.pewresearch.org/fact-tank/2015/10/21/gun-homicides-steady-after-decline-in-90s-suicide-rate-edges-up/
Bem, a falta de manutenção, sendo esta a geradora do acidente é crime, independentemente do risco assumido pelo consumidor. O risco não exclui a responsabilidade da empresa, tanto penal como civil. Não por existir um contrato implícito, mas por existir um contrato explícito de que o avião te levaria de A para B.

A morte do consumidor só pode ser imputada a ele se no contrato ele assumiu tal risco. Se tal risco não estava previsto no contrato, não é possível responsabilizá-lo. Se estava previsto, cabe ao consumidor escolher um meio com risco menor.

Creio que entendi o seu ponto sobre "coisas implícitas". A falha que vejo nesse ponto de vista é que essas coisas não são implícitas, elas são explícitas, tanto que você, eu ou qualquer pessoa consegue perceber que essas "coisas" estão ali, pois elas representam a finalidade do empreendimento. Por exemplo, no caso da boate, quando a boate me permite entrar em seu interior mediante pagamento (contrato), está explícito que posso utilizar o local, sendo também explícito que tal lugar não é destinado a matar pessoas. Isso não é implícito, isso está escancarado. A publicidade da boate, como qualquer outra, apela para momentos de diversão e prazer e isso é algo explícito. Se vou a um restaurante, vou para me alimentar bem, isso não está implícito, está explícito. Essa é a finalidade do restaurante. Agora, se o dono do restaurante, modifica essa regra explícita e agride, implicitamente, a integridade física de alguém, deverá ser responsabilizado, civil e/ou penalmente, a depender do dano causado.

Sobre o ponto: entendo que é um valor subjetivo. Se desejo abrir uma farmácia o ponto pode ser interessante. Se quero abrir uma padaria, pode ser que o ponto não seja mais interessante. Aqui entra o conceito de utilidade marginal. Pede quem tem, paga quem quer e pode.

Abçs
Dinheiro monopolístico "de verdade" não pode ser criado do nada nem lastreado em outra coisa criada do nada (dívida), pois haverá sempre o nefasto flagelo do moral hazard de para quem e em que quantidade irá o financeiro mais recentemente parido do vento em moto-perpétuo pelo "dono do morro", o que exclui daquela categoria de sound money tanto o "dinheiro de banco central" (seu passivo em fiat money no padrão atual predominante) como também os meios de pgto criados pelos bancos comerciais, cujas reservas no caso americano a propósito só se encontram em níveis elevados recordes (porém ainda assim bem inferiores aos demais agregados monetários frequentemente empregados como se fossem depósitos à vista mas dispensados de recolhimentos compulsórios, apesar de causadores dos "busts") justamente porque foram prontamente recompostas pelo emprestador de última instância via QE's (e agora c/ "hell"icopter$ ?!) após o estouro da bolha creditícia imobiliária de 2008 por ele anteriormente permitida e estimulada como saída p/ o estouro da bolha predecessora em 2000 das "ponto.com" por ele anteriormente permitida e estimulada como saída p/...
Ou seja, é a eterna festa do "wash, rinse, repeat" da qual só participam permanentemente os integrantes da cabala bancária e uma ínfima parte da sociedade que consegue se aproveitar do super-privilégio de criação de moeda outorgado e garantido pelo estado (!) exclusivamente àquele cartel, sendo imediatamente criminalizado e preso como "falsificador" atentando contra a "economia popular" todo sujeito que resolver entrar na farra produzindo seu próprio "bilhete de ingresso" num fundo de quintal qualquer ! :-(

Se o governo não impôr o curso de nenhuma moeda oficial, aceitando passivamente a livre circulação de todo tipo de meios de troca na economia, rapidamente surgirão dezenas de formas de dinheiro c/ oferta controlada naturalmente pelo próprio mercado selecionando voluntariamente as melhores em detrimento das mais abundantes, configurando não um problema (conforme prega o zeitgeist keynesiano perma-inflacionista do último século) mas sim um excelente acontecimento a deflação de preços decorrente de eventual (e, neste arranjo, desejada) escassez monetária.

Vejo como o maior perigo essa racionalização do status-quo vacilando em condená-lo sumariamente e denunciá-lo como a verdadeira estrutura imoral que é.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Paulo Sergio  13/04/2012 03:11
    Se o dinheiro deles é o dolar americano como é que eles não tem inflação quando o Tio Sam resolve imprimir papel feito louco? Será pq o dinheiro que o Obama está imprimindo agora ainda n chegou nas mãos das pessoas?
  • Miguel  13/04/2012 12:21
    "A inflação de preços panamenha normalmente é de 1 a 3 pontos percentuais menor que a inflação americana; ela é causada majoritariamente pelo efeito gerado pelo Federal Reserve (o Banco Central americano) sobre os preços mundiais."
  • Felix  13/04/2012 04:29
    Dúvida...\r
    Como o Panamá usa a moeda americana ele não deveria estar sujeito à mesma inflação daquele país? Seus cidadãos não estariam pagando indiretamente pela farra do governo americano?
  • Efraym  13/04/2012 19:04
    Na verdade essa ultimas ações de expansões monetárias,não teve efeito muito grande sobre a inflação americana, pois esse dinheiro esta nas mãos de Wall Street, e na verdade o destino desse dinheiro tem sido a países com juros atrativos como Brasil, Europa, China, por isso o efeito inflacionário tem sido mais forte nesses lugares.
  • Jose Roberto  13/04/2012 04:37
    Muito interessante.

    www.indexmundi.com/panama/inflation_rate_(consumer_prices).html

    Nesse link podemos confirmar que a taxa de inflação panamenha ficou sempre próxima a 1% realmente. Porém, a partir de 2005 ela subiu bastante: 2,86%(2005), 2,46%(2006), 4,162%(2007), 8,759%(2008), 2,41%(2009) e 3,49%(2010). Pelo fato de eles comercializarem com Dolares, é fácil entender o porque dessa inflação toda.
    Mas ai podemos concluir outra coisa: Supondo que a taxa de inflação panamenha seja realmente sempre menor que a taxa de inflação americana, então os índices americanos estão realmente muito maquiados.
  • ReginaldoLyman  11/03/2013 18:49
    Não estão maquiados. Há diferenças entre a velocidade de circulação do dinheiro nos dois países.
  • Luiz Goerck  22/10/2014 15:30
    2008 foi o ano em que estourou a crise imobiliária americana, por isso a inflação mais alta em 2008.
  • Pedro Ivo  23/10/2014 16:40
    Como o dólar é a moeda corrente, também pode ser o fato de que nos anos em que a economia panamenha atraia + dólares haja + inflação. Numa economia dolarizada não há (suponho) modos de neutralizar a inflação quando há entrada de investimentos em dólares. Fosse no Brasil, os dólares sendo convertidos em reais, não estivesse acontecendo expansão monetária (ou fosse esta pequena), a tendencia seria deflação.
  • Antonio  13/04/2012 05:00
    Um bom artigo que deve ser lido pelos Bancos,Fiesp,CNI,Fiergs,FGV,Unicamp,Usp, etc.
  • anônimo  13/04/2012 05:21
    Não tem banco central mas tem uma moeda forçada, não seria melhor se além de não ter banco central não tivesse nenhuma imposição quanto a natureza da moeda?

    Obrigado
  • Leandro  13/04/2012 11:11
    Sem dúvida. Aí seria o ideal. Qualquer indivíduo ou empresa que quisesse criar sua própria moeda e fornecer serviços monetários ou bancários deveria ser livre para tal. Mas tudo sem absolutamente nenhuma proteção ou privilégio estatal.
  • Tiago RC  13/04/2012 05:29
    Talvez a taxa de inflação no Panamá seja menor do que a americana porque eles tenham um aumento de produtividade mais expressivo. (o aumento na quantidade de bens e serviços no Panamá é superior ao aumento nos EUA, logo os preços sobem menos)

    Mas é triste ver que um país sem banco central acaba na prática usando uma moeda tão ruim. Pô, não precisariam nem criar uma moeda decente, mas ao menos escolher uma fiat menos inflacionária, tipo o iene ou o franco suíço...

    Esperemos que esse recente aumento na inflação panamenha descrito por José Roberto os motive a procurar outras moedas. Mas uma tradição de um século não morre fácil...
  • Leandro  13/04/2012 11:21
    O problema é que o dólar, desde Bretton Woods, goza o privilégio de ser a moeda internacional de troca, o que significa que todas as exportações e importações são feitas em dólar. Logo, a escolha do dólar como moeda de reserva ou como moeda nacional se torna praticamente automática. Se escolhessem o franco suíço, por exemplo, teriam a trabalheira extra de trocar francos por dólares.

    Sobre a inflação de preços ser menor no Panamá do que nos EUA, há inúmeros fatores que explicam isso, entre eles a demanda por moeda nos dois países ser distinta (não há nenhum motivo para elas serem iguais) e o fato de que todo o dinheiro criado nos EUA não tem por que fluir integralmente e nem mesmo proporcionalmente para o Panamá. Além disso, há a questão explicada no artigo sobre os bancos enviarem parte desse dinheiro para o exterior na forma de empréstimos. Ou seja, apenas por uma grande coincidência a inflação de preços seria idêntica.
  • mauricio barbosa  13/04/2012 06:11
    Paulo Sérgio, custo de vida não varia na mesma magnitude em todas as regiões (ceteris paribus),dai o porquê da inflação panamenha está mais baixa do que no próprio EUA. Ok!Um abraço.
  • Paulo Sergio  13/04/2012 06:26
    Eu achava que inflação dependia só do governo, o que é que custo de vida tem a ver?
  • Tiago RC  13/04/2012 07:31
    Inflação monetária (o que os austríacos chamam de inflação), de fato depende principalmente do governo, embora outros participantes, como bancos, tenham alguma influência nos agregados monetários.

    Mas "inflação de preços", ou aumento de preços, que é provavelmente ao que se refere esse artigo, é um índice agregado de como diversos preços se comportaram. E isso normalmente depende não só da oferta/demanda de moeda, mas também da oferta/demanda dos bens e serviços usados para calcular o tal índice. Se no Panamá a oferta de bens e serviços usados para calcular a inflação de preços aumentar mais rápido que nos EUA, então a taxa será menor, mesmo usando a mesma moeda.
  • anônimo  13/04/2012 17:24
    O governo panamenho não tem controle sobre a oferta de moeda,logo ele não tem culpa da inflação local,o Leandro lembrou bem da estratégia dos bancos panamenhos de descarregar o excesso de dólares no mercado externo,comprando títulos públicos norte-americanos por exemplo. Quanto ao custo de vida ele varia de região para região e para seu governo o índice oficial de inflação do IBGE é pesquisado em todas as regiões metropolitanas do nosso pais, ou seja é uma média ponderada destas regiões,por isso nunca o panamá terá um índice de inflação igual o índice de inflação do EUA, são realidades diferentes.Ok! Um abraço.
  • anônimo  13/04/2012 17:26
    Este ultimo comentário e de maurício barbosa.
  • anônimo  13/04/2012 06:13
    obs:Este comentário sobre custo de vida e de mauricio barbosa.
  • Rafael  13/04/2012 06:55
    Pergunta ao autor.
    Como existiria sem se apoiar em uma moeda forte estrangeira?


    parabens pelo texto
  • anônimo  13/04/2012 07:07
    É necessário liquidar de vez com esta ideia ridícula de que "o estado é o motor do desenvolvimento" ou de que "o maior desafio dos políticos é a erradicação da pobreza".

    São ideias equivocadas assim que justificam a existência destas aberrações como bancos centrais e bancos públicos.
  • Eduardo Maal  13/04/2012 07:18
    O Panama tem inflacao, claro, mas muito menor que a Americana.

    Eu estive morando la alguns meses, acho que posso enumerar alguns motivos para isso:

    1. Embora voce use o dolar americano na hora de fazer compras, voce pode facilmente investir em outras moedas sem custo algum nos Bancos, caso voce sinta que o dolar esta depreciando. E eh muito facil, voce simplesmente diz que quer abrir uma conta em Euros, Dolares Canadenses, Libras, Yens...

    2. Eh muito facil no Panama investir em ouro, e ate comprar o metal nao eh tao dificil quanto em outros paises.

    3. Como o Panama eh um pais muito livre (em 5 dias voce pode abrir uma empresa la), essas injecoes de capital se aproveitam mais rapidamente. Uma das coisas que na minha opiniao deve aumentar muito a inflacao, eh a dificuldade em paises como Brasil em abrir novos negocios. Entao, ha uma demora entre a injecao de capital, levando a aumento do consumo, e o aumento da oferta.

    Bom, e finalmente, o Panamenho eh uma pessoa que odeia inflacao. Voce ve isso nos taxis. Uma vez, eu tive que quase brigar com um taxista para me levar, porque ele disse que preferia nao levar o cliente, do que dizer que ia ter que cobrar mais (do que os US$ 2 que os taxistas normalmente cobram!) devido ao transito, etc. Ele disse que os panamenhos nao aceitam aumentar a tarifa, e me mostrou. Ele parou mais adiante para buscar outra mulher que ia pro mesmo lugar que eu. Quando ela perguntou quanto ele cobraria, ele disse US$5. A mulher bateu no vidro, xingou o taxista, falou que ele era um abusador. Haha.

    Muito interessante o pais.
  • Mario Cunha  13/04/2012 09:52
    Tentador. Tem mulher bonita por lá?
  • Pedro Ivo  13/04/2012 11:51
    Tem mulher bonita em qualquer lugar Mario. Muitas estadunidenses inclusive se você prefere as loiras.

    Na República de Montenegro tem-se uma situação parecida com a do Panamá na ausência de banco central. Quando houve a dissolução da Iuguslávia, adotou-se o Marco até 1999, e depois o Euro. De início, Montenegro era um pais em conjunto com a Sérvia (Sérvia-Montenegro). Por fim se separaram. Mas não sei se o mercado bancário é tão livre quanto o panamenho, ou se o sistema tributário é tão liberal com lucros bancários. Seria legal um artigo sobre isto, caso alguém encontre algo para traduzir, ou saiba comentar sobre. è bom termos exemplos concretos para comparar.

  • Anonimo  13/04/2012 12:14
    Americanas*
  • LUIZ OLIVEIRA  13/04/2012 12:29
    "Ademais, por não existir um banco central, não há como socorrer aqueles bancos que expandirem excessivamente o crédito sem terem uma quantidade minimamente segura de dinheiro guardado em seus cofres. Pânicos e corridas bancárias, muito comuns no sistema bancário americano durante todo o século XIX, nunca ocorreram no Panamá."

    Leandro, ou outra pessoa habilitada pode explicar a ilação que o autor faz aqui sobre os EUA no século XIX, dando a entender que pânicos e corridas bancárias aconteciam lá porque não havia forte concorrência bancária? Não custa lembrar que o FED foi criado somente no início do século XX. Então por que essa ilação?
  • Leandro  13/04/2012 12:42
    Luiz, embora não houvesse um banco central, o setor bancário americano do século XIX era muito protegido principalmente pelos governos estaduais. Em todos os pânicos e corridas bancárias daquela época, os governos estaduais permitiam que os bancos continuassem operando, emprestando e cobrando juros sem terem de restituir os depósitos de seus correntistas em espécie. Em resumo, os bancos tinham o privilégio de operar sem terem de pagar suas obrigações. Havia também proibições a filiais bancárias interestaduais, algo que, em conjunto com um sistema de transporte ruim, impediu que os bancos prontamente exigissem que outros bancos mais distantes redimissem suas cédulas em ouro ou prata..

    Sim, a concorrência bancária não era robusta nos EUA. No Canadá, por exemplo, era muito melhor (aliás, o BC canadense só foi criado em meados da década de 1930, e o Canadá, ao contrário dos EUA, não vivenciou nenhuma Grande Depressão com inúmeras quebras bancárias).
  • LUIZ OLIVEIRA  13/04/2012 12:51
    Grato pela resposta Leandro! Não tinha conhecimento destes fatos.
  • Patrick de Lima Lopes Rocha  13/04/2012 16:28
    Durante o período do padrão do ouro, era comum o governo ter para si próprio imensas reservas do material cujo a finalidade era socorrer as instituições financeiras. Quando ocorria uma corrida aos bancos onde a instituição não possuía o lastro necessário, o estado enviava imediatamente o ouro necessário para lastrear os saques.
    Sou novo no Ludwig von Misses, mas espero haver respondido sua pergunta. Ainda estou aprendendo.
    Atualmente, a mesma ação é executada pelo governo que protege as reservas compulsórias de instituições financeiras através da injeção de dinheiro ou até mesmo de leis.
    Uma curiosidade: No Brasil, são comuns as leis que BUROCRATIZAM a quantidade de dinheiro que pode ser "sacado" pelos clientes, uma manobra extremamente sorrateira para desacelerar uma eventual corrida aos bancos.
  • anônimo  13/04/2012 13:10
    Existe planos do IMB de proferir palestras em Florianópolis-SC?
    Nós catarinenses ficaríamos muito agradecidos!

  • Andre Poffo  14/04/2012 10:53
    Isto aqui pode lhe interessar: www.estudantespelaliberdade.com.br/
  • Juliano  13/04/2012 14:09
    Interessante! Apesar da questão monetária, o índice de liberdade econômica é mediano (entre Paraguai e Costa Rica) e é o 89º PIB (entre Etiópica e Jordânia)\r
    \r
    Liberdade Econômica: www.globalpropertyguide.com/Latin-America/Panama/economic-freedom\r
  • Tiago RC  13/04/2012 15:13
    No PIB PPP per capita estão um pouco melhor colocados: en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_GDP_(PPP)_per_capita
  • Lucas  13/04/2012 14:27
    Já fui ver preço de passagens da Copa Airlines hehehe!
  • Lucas  13/04/2012 14:43
    Faltou dizer que o Panamá é um país pobre!
  • Leandro  13/04/2012 15:05
    Renda per capita maior que Brasil, África do Sul, Venezuela, Peru, Colômbia, Costa Rica, El Salvador etc. Na América Latina, só perde para México, Chile, Uruguai e Argentina (que já foi uma das cinco economias mais ricas do mundo).
  • Max  14/04/2012 04:56
    maior expectativa de vida, melhor idh, maior taxa de alfabetização se comparado ao Brasil também, hehe.
  • Carlos  13/04/2012 15:33
    No entanto, este sistema não é imune a ciclos econômicos — afinal, o sistema bancário ainda tem liberdade para expandir o crédito artificialmente via reservas fracionárias, o que gera períodos de euforia econômica que resultam em um acúmulo de investimentos insustentáveis.

    O sistema bancário panamenho demonstra que um sistema bancário livre não é capaz de banir a criação de moeda escritural e a expansão artificial do crédito, o grande sonho da EA que ela aponta como causa dos ciclos econômicos. Portanto é uma utopia que o livre mercado acabaria com a poupança forçada. Para isso só um rigido controle estatal, cuja chance de ocorrer é remotissima por razões óbvias. A EA precisa entender que existe o mercado ideal e o mercado possível. Entre um e outro existe um abismo intransponível, cuja a intervenção governamental acertada é capaz de diminuir um pouco. Aliás na vida tudo é assim. O ideal só existe enquanto concepção.
  • rickk  13/04/2012 20:06
    Por isso que se deve acabar com o sistema de reservas fracionarias.
  • marcio  14/04/2012 06:57
    E como fazer isso?
    Infelizmente não consigo ver outra forma que não seja com intervenção estatal.
  • Leandro  14/04/2012 07:33
    Basta pensar fora do quadrado. Empresas privadas voltadas para o supervisionamento do setor bancário podem perfeitamente fazer tal serviço. Aquelas que falharem -- isto é, darem boas avaliações para bancos fraudulentos -- perderiam clientes e estariam fora do mercado.

    Pode haver também a formação voluntária de "ligas antibancos", por meio das quais os consumidores avaliariam os bancos e divulgariam uma lista daqueles que estivessem incorrendo em fraudes.

    Pode também ser que a concorrência entre os bancos -- agora operando em ambiente com entrada totalmente livre -- fizesse com que um delatasse o outro com a intenção de roubar seus correntistas. Qualquer banco iria se esforçar ao máximo para evitar ser o alvo de denúncias de seus concorrentes, o que definitivamente abalaria sua reputação.

    Ou seja, há várias soluções de mercado possíveis. Basta apenas saber pensar fora do "statist" quo. Não há nenhum motivo lógico para dizer que apenas burocratas podem efetuar determinados serviços.
  • Juliano  14/04/2012 07:40
    Nem precisa ser tão fora do quadrado assim. Seguradoras funcionam exatamente dessa mesma forma, operam com estatísticas e devem manter os riscos sob controle.

    Se alguma for muito irresponsável e não conseguir arcar com suas responsabilidades, estará cometendo um crime. Os clientes têm todo direito de exigir reparação para os contratos não honrados.

    A diferença é que no caso dos bancos tem alguém que banca a irresponsabilidade.
  • montana  13/04/2012 16:32
    Hehehe! Meu Deus... comparar Panamá com outras economias é muito querer pesar a mão. Confesso que não sei qual é a régua dos libertários para medir o desenvolvimento de uma nação, tampouco o que seria a verdadeira economia para eles, mas de uma coisa eu tenho certeza: uma parte da sociedade para eles que se exploda de uma vez!. Ai como tá coçando a mão do dirigente daquele país pra ter mais din din e tentar fazer políticas públicas eficientes para que essa parte da sociedade panamenha não vá pro espaço... aff.
  • Leandro  13/04/2012 16:56
    Claro! Afinal, é só imprimir mais "din-din" e tudo se resolve! Não precisa produzir nem nada. É só criar dinheiro e todos os produtos surgirão por encanto e todas as "políticas sociais" serão possíveis e extremamente benéficas aos pobres. Exatamente como o Brasil fez na década de 1980, com estrondoso sucesso.

    Quem aqui realmente quer que uma parte da sociedade se exploda?
  • mauricio barbosa  13/04/2012 18:11
    Montana essa parte da sociedade já está explodida, vá em um hospital público e veja se aquilo é tratamento humanizado,não seja ingênuo,nós já estamos na merda e é muito melhor o mercado regular tudo, pois se alguém ficar insatisfeito você poderá socorre-lo com seus próprios recursos e nada impedirá que você tome esta iniciativa visto que a renda estará melhor distribuída estando sobrando em seu bolso. A realidade atual ao contrário a renda está concentrada nas mãos do estado e da minoria que o controla.Ok!Um abraço.
  • Paulo Sergio  13/04/2012 18:43
    'mas de uma coisa eu tenho certeza: uma parte da sociedade para eles que se exploda de uma vez!'

    Sim, os que defendem a escravidão, esses já vão tarde.
  • mauricio barbosa  13/04/2012 18:25
    Aviso aos críticos estes exemplos citados pela equipe do IMB tipo Somália,Panamá são exemplos imperfeitos daquilo que Mises e outros defendem com maestria.Portanto peguem leve pois o próprio Mises não prega mundo perfeito, mas sim o mundo ideal, o mundo de liberdade e prosperidade possível, sim possível pois somos capazes de nos governar-mos,não precisamos da tutela de ninguém.
  • Marcelo B Ferreira  13/04/2012 19:19
    PIB Brasil 1970: $ 42,3276 bilhões\r
    PIB Panamá 1970: $ 1,0163 bilhão\r
    razão Brasil / Panamá: 41,65\r
    \r
    \r
    PIB Brasil 2010: $ 2,0878 trilhões\r
    PIB Panamá 2010: $ 26,6888 bilhões\r
    razão Brasil / Panmá: 78,23\r
    \r
    \r
    Razão de mudança: 1,88 a favor do Brasil\r
    \r
    Diferença anual média no crescimento do PIB: 1,59% de crescimento mais rápido do PIB brasileiro em relação ao PIB Panamenho\r
    \r
    Se levarmos em conta a diferença de 0,38 % ao ano de crescimento demográfico superior do Panamá\r
    podemos até mesmo dizer\r
    \r
    que o PIB per capita brasileiro avançou a taxas médias 2% ao ano superiores ao Panamá\r
    \r
    Além disso, o brasil cresce mais rápido e de modo mais estável\r
    \r
    Nesses 40 anos comparados, o pior resultado de crescimento foi de -13,38% no Panamá de 1988 contra -4,39% no Brasil de 1981. o melhor resultado de crescimento foi de 13,98% do Brasil de 1973 contra 12,11% do Panamá de 2007\r
    \r
    \r
  • Luis Almeida  13/04/2012 21:29
    O único probleminha destes seus números é a realidade, essa chata. Numericamente, o PIB brasileiro da década de 1980 foi muito alto. Porém, só vivendo naquela época pra entender a tristeza que foi. E tem também o crescimento da década de 1970, totalmente artificial e baseado no endividamento.

    Este é o problema de se olhar números sem ter nenhuma base na teoria econômica sólida. Chega-se a conclusões totalmente sem nexo.
  • Andre Poffo  14/04/2012 10:58
    Há uma série de artigos neste site falando sobre o PIB e como ele é falacioso.
    No fim das contas o PIB não mede o desenvolvimento nem o crescimento econômico, no máximo é uma medida aproximadao do que foi transacionado na economia.
  • Rafael Franca  16/04/2012 05:39
    Marcelo, vc está comparando um país que é um istmo, entre a selva tropical mais inóspita com uma potência agrícola, com uma força de trabalho imensa, parque industrial complexo e maduro e reservas de petróleo e demais minérios? Jogue nesse meio a variação dos preços de commodities (sic?) e o PIB bomba. E a questão central não é o que é melhor ou pior, mas sim o que é certo. Imagine os conceito estatistas aplicados em tudo nessa vida: esportes todos terminariam empatados, o oscar iria para... TODOS.
  • Laudelino  16/04/2012 12:43
    Sobre a comparação Brasil/Panamá.

    PIB Brasil 1970: $ 42,3276 bilhões
    PIB Panamá 1970: $ 1,0163 bilhão
    razão Brasil / Panamá: 41,65


    PIB Brasil 2010: $ 2,0878 trilhões
    PIB Panamá 2010: $ 26,6888 bilhões
    razão Brasil / Panmá: 78,23


    Razão de mudança: 1,88 a favor do Brasil


    Seria muito mais interessante, comparar os dois a partir das Diretas. O período militar, embora imperfeito, foi muito superior aos governos civis que infelizmente estamos tendo que suportar... sacanagem com o Panamá.
  • Tiago Bezerra  01/12/2012 15:39
    Não dá para comparar o Panamá com o Brasil, pois durante o período em questão. O Panamá passou por grande convulsão política interna e conflito com os EUA. O que levou este a aplicar sanções sobre o Panamá, o que fez o PIB do país cair em 25% durante 1987-1989. Fonte: en.wikipedia.org/wiki/Panama
  • Bruno  13/04/2012 20:03
    O que acham das moedas paralelas que circulam no Brasil?
    Desculpem a ignorância, sou um neófito na EA e advogado sem formação em economia.

    vilamulher.terra.com.br/bancos-comunitarios-e-moedas-paralelas-5-1-38-158.html
    www.istoedinheiro.com.br/noticias/1718_MOEDAS+PARALELAS
  • Juliano  14/04/2012 05:49
    Política monetária não é tudo! Apesar não ter banco central, o Paraná não é nenhum paraíso de liberdade comercial. Estão abaixo (menos liberais) de México, Peru, Colombia...

    A falta de capacidade de financiar gastos públicos via política monetária os torna mais imunes à inflação e ciclos econômicos. Foi isso que o artigo tentou mostrar.
  • Cristiano  14/04/2012 06:50
    Juliano,
    Quem disse que o Panamá possui um grau de liberdade econômica menor que o Peru, Colômbia e México?
    Você está errado!
    Segundo o Fraser Institute, o Panamá é o segundo país mais liberal da América Latina apenas perdendo para o Chile. O Panamá está em vigésimo terceiro lugar no índice de liberdade econômica geral.
    Além de uma taxa de inflação bem reduzida, o Panamá ainda cresceu 6,3% no período de 2001/2010.
  • Andre Poffo  14/04/2012 11:00
    Segundo o Heritage o Panamá não está nem entre os 10 mais livres da américa latina. heritage.org/index/country/panama
  • Cristiano  14/04/2012 18:33
    André Poffo,
    Eu prefiro a metodologia do Fraser Institute ao invés da Heritage Foundation. A meu ver, a metodologia do Fraser Institute se aproxima mais do pensamento libertário do que a metodologia da Heritage.
    O professor Walter Block era um dos organizadores do relatório do Fraser quando ele era pesquisador por lá.
    Eu olhei os dados da Heritage a respeito do Panamá e achei muito estranho!
    Por exemplo, o Panamá é rankeado em octagésimo sexto lugar no sub-índice de liberdade no comércio internacional pela Heritage. Já o Fraser coloca o Panamá em quinto lugar nesse mesmo índice apenas atrás de Hong Kong, Cingapura, Eslováquia e Irlanda.
    Todos nós sabemos que o Panamá tem como sua principal força o comércio internacional graças ao canal do panamá.
  • Andre Poffo  15/04/2012 12:57
    Tens razão.
  • Andre Cavalcante  14/04/2012 05:52
    É preciso relativizar o exemplo.

    Pelo que percebo, a teoria austríaca parte de certos pontos e analisa variações de algumas variáveis (preferencialmente apenas uma) enquanto as outras estão constantes.

    O Panamá mostra que se pode ter um país e uma economia que não tenha Banco Central (a despeito dos que falam que é o Banco Central que salva a economia e a moeda). E só!

    A Guatemala mostra que é possível ter um sistema de telefonia decente e livre (a despeito dos que falam que o estado tem que regular tudo). E só!

    A Somália mostra que é possível algum desenvolvimento humano, mesmo diante da "anarquia" (no mal sentido do termo) e da guerra civil (a despeito dos que falam que as pessoas não tem capacidade de se autogovernar). E só!

    O real oeste americano no séc. XIX mostra que uma população armada é bem diferente do oeste pintado por Holywood (a despeito dos que querem banir as armas da população). E só!

    Hong Kong mostra que menos impostos e mais liberdade para as empresas aumenta a renda geral (a despeito dos que dizem que o governo engendra o desenvolvimento). E só!

    A Dinamarca mostra que é possível se viver com um sindicalismo forte mas não atrelado ao governo e que, por exemplo, salário mínimo é uma falácia (a despeito dos que pregam que sem a imposição estatal os trabalhadores iriam morrer de fome na mão de capitalistas malvados). E só!

    Se juntar tudo, temos o ideal. Mas a realidade é mais difícil que o ideal, então:

    O Panamá tem inflação baixa, mas o país vive basicamente da movimentação do canal e precisa melhorar em outras frentes.

    A Guatemala tem um bom serviço de telefonia, mas um péssimo de saúde, por exemplo.

    A Somália... bem é a Somália, alguém daqui gostaria de ir tomar uns tiros por lá?

    O oeste americano podia não ser tão violento como nos filmes, mas ainda assim era violento: os americanos que foram para lá, no séc. XIX, somente se impuseram expulsando os nativos (proprietários originais) das terras, muitas vezes com morte, fogo e balas.

    A Dinamarca tem salários altos (a despeito de não ter salário mínimo) mas tem uma das mais altas cargas tributárias da Europa.

    Hong Kong é mais livre, mas atualmente faz parte do estado comunista chinês, no qual a corrupção estatal já é lendária.

    E por aí vai...

    Então é preciso relativizar o exemplo, no sentido de somente ver nele a ponta do iceberg e, não o exemplo cabal (completo) da teoria austríaca.

    Abraços
  • Matheus Polli  14/04/2012 06:20
    Muito bom André, deu pra lembrar de vários artigos do site com seu comentário. Mas acho que o texto não quis ser o exemplo cabal da teoria austríaca - seria ingenuidade acreditar nisso.
  • Leonel  14/04/2012 08:23
    Corretíssimo. Bancos centrais não são os únicos bandidos da estória, apesar de serem facínoras terríveis.

    Quando pisei na Cidade do Panamá, e mesmo no interior, fiquei espantado como o país é bem mais desenvolvido que vizinhos como Honduras ou El Salvador. Mas, mesmo assim, ainda continua sendo uma republiquinha centro-americana: muita pobreza, muita violência, muita coisa feita nas coxas, etc.

    Vários panamenhos me afirmaram o óbvio, que a estabilidade da economia e a facilidade de realizar negócios garantiram o desenvolvimento relativamente melhor do país em relação ao restante da América Central. O país fornece uma ótima pista de como a ausência de um banco central é benéfica.

    Os mesmos panamenhos também acreditam que a mentalidade local é o que impede o país de ir mais adiante... E para falar a verdade, até hoje não conheci povo mais malandro, coletivista, afeito a apadrinhamentos e com visão de curto prazo do que os centro-americanos, panamenhos inclusos. Tenho certeza de que sem uma mudança cultural e institucional o país não irá mesmo muito longe.
  • Francisco Alfaro  14/04/2012 07:02
    Acho que poucos compreenderam o propósito do artigo. Não se quis dizer, aqui, que a ausência de Banco Central resolverá todos os problemas e será, sozinha, responsável pelo desenvolvimento de um país. Ainda existe uma série de coisas, no Panamá, que restringem o bom funcionamento dos mercados. Alguns desses, podem ser lidos aqui www.heritage.org/index/country/panama#limited-government.
    É claro que a inexistência de um BC confere grandes vantagens a um determinado país, mas a liberdade econômica possui um significado mais amplo. O que se quis demonstrar, com o artigo, é de que a inexistência de um Banco Central não leva a um caos econômico, pois o próprio mercado é capaz de dar conta da oferta de moeda.
  • Johel   14/04/2012 07:37
    Alguém poderia me explicar melhor o que o Eduardo Maal quis dizer nesse cometário dele que segue abaixo? Náo entendi! Obrigado!

    3. Como o Panama eh um pais muito livre (em 5 dias voce pode abrir uma empresa la), essas injecoes de capital se aproveitam mais rapidamente. Uma das coisas que na minha opiniao deve aumentar muito a inflacao, eh a dificuldade em paises como Brasil em abrir novos negocios. Entao, ha uma demora entre a injecao de capital, levando a aumento do consumo, e o aumento da oferta.
  • Pedro Ivo  14/04/2012 11:11
    Prezado Johel, è o seguinte:

    Para se abrir uma empresa (empreendedorismo), tem-se que fazer uso de poupança (abstenção de consumo): própria ou de outrem.

    Se o ambiente de negócios é desburocratizado, toda a poupança é usada para empreender (ex.: Panamá - 5 dias para abrir um negócio). Se o ambiente de negócios é 'burocratizado', parte da poupança é usada não para empreender, mas para derrotar a burocracia (ex.: Brasil - meses e meses para abrir um negócio). Logo, parte do capital foi desperdiçado com o 'atrito' artificialmente criado (regulações) para se permitir a utilização do capital.

    Ademais, se não há burocracia para abrir um negócio, além de 'tudo que não se desperdiça' ao empreender, havendo mais empreendimentos há mais concorrência, logo, mais produtividade e menores preços. Portanto menos inflação.

    Talvez você esteja confuso porque vê inflação como 'expansão monetária'. E está certo. Mas o termo 'inflação' também é usado como 'aumento de preços ao consumidor'.

    Aquilo que Eduardo Maal está dizendo que vai aumentar são os preços ao consumidor, por culpa da menor poupança, concorrência e produtividade do trabalho e do capital. Ele está afirmando que um ambiente regulamentado cria impedimentos à poupança ser aplicada, e à estrutura do capital tornar-se mais complexa e produtiva, o que, tudo o mais constante, provoca, a longo prazo, queda nos preços graças à redução da escassez.
  • Atylla  14/04/2012 12:54
    Inflação = aumento generalizado no valor dos preços. Determinados Bens podem ter os seus preços elevados pela demanda, mas não todos, sem que acha uma expansão da base monetária não correspondende a geração de bens e serviços.
  • Leandro  14/04/2012 13:03
    Inflação é, por definição, aumento da quantidade de dinheiro na economia. Aumento de preços é apenas uma das consequências da inflação.

    E isso não é meramente de uma questão de semântica. É algo muito mais sério. Se você não define exatamente qual é o problema, você não tem a menor chance de resolvê-lo corretamente.

    Se inflação é "aumento de preços", então a solução para este problema não tem nada a ver com a quantidade de dinheiro na economia, mas sim com coibir o comportamento maldoso de empresários, que insistem em elevar seus preços sem nenhum motivo, levados apenas pela ganância. Se inflação é "aumento de preços", então a solução para este problema pode perfeitamente ser o congelamento de preços ou a imposição de um teto para os preços de qualquer bem. Sarney estava certo, portanto.

    Saber a diferença entre inflação e aumento de preços é tão importante quanto compreender corretamente as causas de uma doença. É a diferença entre saber o que causa todos os seus sintomas desta doença e o que deve ser feito para eliminar a fonte dos sintomas, versus tentar lidar diretamente com os sintomas.

    Definir inflação como aumento de preços é o mesmo que pensar que 'doença' significa um aumento da temperatura do corpo apontada pelo termômetro, o que implicaria que a solução seria simplesmente colocar o termômetro na geladeira.

    Entender corretamente o significado de inflação -- isto é, um aumento na quantidade de moeda -- permite entender que é plenamente possível haver inflação sem estar havendo aumento de preços e, consequentemente, saber todas as consequências em termos de investimentos insustentáveis que tal inflação pode causar. (Vide a recente bolha imobiliária americana -- os preços dos imóveis subiam mas os preços gerais da economia estavam totalmente abaixo dos 2% ao ano, o que levou os monetaristas e os keynesianos a crerem que estava tudo perfeito e sob controle).

    Portanto, não. É realmente fundamental saber a definição correta de inflação. Assim como o câncer pode existir sem apresentar nenhum sintoma aparente, a inflação também existe sem que esteja havendo aumento de preços -- e ela estará insidiosamente fazendo uma redistribuição de renda dos mais pobres para os mais ricos e gerando todo tipo de investimentos insustentáveis que mais tarde irão gerar uma recessão.

    Abraços!
  • anônimo  14/04/2012 15:14
    Aumento da quantidade de dinheiro na economia não necessáriamente é prejudicial, se fosse assim o ideal seria diminuir a base monetária gerando uma deflação. O dinheiro deve estar associado a bens e serviços buscando um equilíbrio que evite os ciclos econômicos que concentram a renda.
  • Cedric  15/04/2012 14:26
    De onde você tirou que "se aumentar a oferta monetária é ruim, diminuí-la deveria ser bom"?
  • Atylla  14/04/2012 12:32
    O banco central é extremamente lucrativo para a classe que o controla. Gerando ciclos
    econômicos ( inflação e deflação).Essa classe conhece os ensinamentos da escola Austríaca mas nunca vão defendê-los,"Deixe-me emitir e controlar o dinheiro de uma nação e não me importa quem faz suas leis" Rothschild. Trabalhar para colocar bens e serviços em um mercado livre e arriscado! Não, obrigado ! eu tenho um banco central.
  • Eduardo  14/04/2012 16:53
    Excelente artigo, mostrando que a teoria, funciona perfeitamente na realidade, mesmo não sendo perfeitamente implantada
    Obvio que como já disseram, não podemos achar que só esse fator vai fazer uma economia prosperar ou não.

  • Mauricio  14/04/2012 17:21
    A Balboa, moeda do Panamá, não tem paridade fixa com o dolar?
    Para além disso, o Panamá não funciona como um protetorado dos EUA devido ao BIT (Tratado Bilateral de investimento) de 1982?

    Ow seja é um país ARTIFICIAL e financiado pelos EUA.
  • Leandro  14/04/2012 18:09
    O Panamá é tão "financiado" pelos EUA quanto o é Hong Kong, cuja moeda mantém uma paridade cambial com o dólar, variando de acordo com a variação do balanço de pagamentos (o que significa que a moeda de Hong Kong é um mero substituto para o dólar).

    Pelo mesmo raciocínio, Dinamarca, Bulgária, Lituânia, Andorra e Mônaco são meros "protetorados" de Frankfurt, pois utilizam o euro (Andorra e Mônaco, que não têm Banco Central) ou moedas que possuem paridade cambial com o euro (Bulgária, Lituânia e Dinamarca, as duas primeiras operando com um Currency Board).

    Liechtenstein, que não tem Banco Central e utiliza o franco suíço, é um mero protetorado de Zurique.

    Por fim, a Estônia, que tinha um Currency Board até 2010 -- o que significa que sua moeda era atrelada ao euro e variava de acordo com a variação do balanço de pagamento -- era também um protetorado de Frankfurt. Agora que a Estônia passou a utilizar o euro, então tornou-se ainda mais explicitamente um protetorado de Frankfurt. Entendeu?

    Ou seja, por esse seu mesmo raciocínio, todos os países supracitados são artificiais, inclusive a Dinamarca. Quem diria...
  • anônimo  29/09/2016 00:02
    Leandro, quais países não possuem BC? Quais países possuem Currency Board ou BC que emule um CB?
  • Leandro  29/09/2016 00:49
    Hong Kong opera um Currency Board desde 1983. Vários outros pequenos países utilizam exitosamente um Currency Board, entre eles Bulgária, Bósnia e Herzegovina, as Ilhas Fakland, Gibraltar e Santa Helena. Estônia, Letônia e Lituânia operaram regimes semelhantes a um Currency Board até muito recentemente, quando resolveram adotar integralmente o euro.

    O Panamá, como dito no artigo, não tem Banco Central.

    De restos, todos os países operam sob o jugo de um Banco Central.
  • mauricio barbosa  14/04/2012 18:27
    críticos de plantão arranjem argumentos melhores,parem com essa mania de dizer que os estados unidos manipulam o mundo a bel-prazer,acordem! Os políticos norte-americanos são farinha do mesmo saco que nem os nossos políticos,salvo as excessões é claro, pois não podemos ser levianos com os políticos bem intencionados apesar de serem rainhas da Inglaterra em todos os países, portanto são eles com suas idéias ultrapassadas que devem ser repreendidos e não o povo norte-americano.Ok!um abraço.
  • mauricio barbosa  16/04/2012 07:45
    Rafael França você falou tudo, nós temos que proclamar o que é certo ao invés de fazer comparações sem nexo, a maioria das comparações são arbitrárias e sem critério,um exemplo Bangladesh é um dos países mais pobres do mundo e a impressão que dá é que o país só tem miséria,casebres,favelas no entanto a capital Dhaca tem uma rede hoteleira de luxo que não fica devendo a nenhuma grande cidade do mundo e por ai vai.
  • mauricio barbosa  16/04/2012 08:12
    Marcelo B Ferreira ao comparar o pib do Brasil com o do Panamá, você foi infeliz nas conclusão,esses números não representam nada.
  • Francisco Pompeu  17/04/2012 07:04
    Caros amigos,
    Repasso comentários de um membro da diretoria de um banco sediado no Panamá:

    Chico,
    Há sim um seguro para depósitos de até $20mil, o atual governo passou também a emitir moeda de 1 Balboa, além daquelas de centavos e diz que também emitirá a de $5, gerando uma discussão sobre sua validade, uma vez que não tem "lastro" justamente pelo fato de não existir Banco Central.
    A inflação tem estado sob pressão (acima de 3,5%) e o nivel de gastos do governo nos últimos anos tem sido significativo, o que preocupa.
    Acho que a característica fundamental que possibilita a convivência do país com a inexistência de um banco central é a abertura do país ao exterior, a moeda é dólar mas você pode realizar transações em qualquer moeda, como também pode importar todo e qualquer produto do exterior.
    Realmente os bancos são os únicos "reguladores" do mercado, sob uma supervisão responsável da Superintendência de Bancos.
    Abraços.
  • Leandro  17/04/2012 09:21
    Estas informações não procedem. Para começar, de acordo com informações do próprio Panamá Bank Guide, "Panama has NO deposit insurance".

    Da mesma maneira, a última emissão do Balboa ocorreu em 1941. Hoje, as cédulas restantes circulam lado a lado com o dólar, na paridade de 1 para 1. Procurei informações sobre novas emissões de cédulas de Balboa e nada.

    Quanto à inflação de preços, ela foi alta em 2008 (8%), muito provavelmente por causa da crise, mas voltou a arrefecer nos anos seguintes (2,4% em 2009 e 3,5% em 2010). No Brasil, para estes mesmos três anos, o IPCA foi de 5,9%, 4,3% e 5,91%. Eu troco.

    No entanto, é bem possível que a coisa piore por lá, pois este é o destino do dólar sob o comando de Bernanke.

    No mais, favor não tentar sacar pra cima da gente.

    Abraços!
  • Flavio Dias  17/04/2012 19:24
    o panamá não tem banco central
    o panamá teve bom desempenho economico
    logo, o panama teve bom desempenho economico pq naum tem banco central


    lógica brilhante hein?!
    nenhum controle de nada, nenhuma outra variavel.....


    a australia tem banco central
    a australia tem excelente desempenho economico
    logo, a australia teve bom desempenho pq tem banco central?
    como q fica, meus caros austriacos misenianos?


  • Leandro  17/04/2012 19:48
    Meu caro Flávio, "a lógica brilhante" ou o "controle de alguma outra variável" devem ser debitados na conta daquelas pessoas que dizem que, sem um BC para manipular a oferta monetária, imprimindo dinheiro sempre que necessário, a economia ficaria em um estado de escambo. As recessões seriam profundas e prolongadas, e muitas vezes até mesmo seriam intermináveis.

    Segundo defensores da existência de um BC, dado que o dinheiro representa a metade de toda e qualquer transação econômica, é preciso existir uma entidade com o objetivo de fazer um ajuste fino nesta variável, manipulando sua oferta sempre que necessário. Sem tal entidade, argumentam eles, a economia entraria em colapso e, uma vez em recessão, jamais sairia dela. E o Panamá mostra que não é bem assim...

    E aí, como fica, meu caro intervencionista keynesiano e raivoso? Ah, volte para a sua toca, vai.

    Abraços!
  • Flávio Dias  18/04/2012 07:16
    todos que concordam com a existencia de um banco cntral são keynesianos?
    se for assim, eu sou keynesiano, Lucas, Prescott, Kydland, Sargent, Barro, Friedman (ele era de um banco central e não dos rumos do que o fed tomou).....infinitos economistas que definitivamente não se caracterizam como keynesianos concordam com a existencia de um banco central.....

    o problema meu caro analfabeto em economia não-austriaca, e é aqui que se dividem keynesianos de não keynesianos, é o tipo de configuração de um banco central....

    se tivesse prestado atenção no pouco de bom que a UFMG tem, vc teria aprendido que economistas monetaristas e novo-clássicos jamais concordariam com um banco central discricionario do tipo proposto pelos picaretas da UNICAMP....


    antes de argumentar com tanta veemencia que o banco central é a fonte de todo mal do universo, veja que muitos países ricos de hj tem funcionado com um banco central durante muito tempo. Australia, Alemanha, Holanda, Belgica, Suiça são exemplos de países que tem bancos centrais serios e tiveram excelente desempenho economico

    o panana não tem banco central, teve bom desempenho, mas não é rico e desenvolvido como nenhum dos países citados anteriormente. E ai, como fica?

    vcs austriacos do tipo mises são engraçados. vivem criticando o uso de dados e exemplos como forma de evidenciar determinadas teorias pq os dados refletem o resultado da ação humana e não a ação humana em si e todo aquele bla bla bla que todos nos conhecemos....mas quando veem um dado que corrobora suas teorias, não pensam duas vezes antes de escrever "Não há um banco central no panamá".

    um pouco mais de consistencia faria muito bem à escola austriaca....que, só pra constar, eu tenho certo apreço..... as evidencias mostram que um banco central serio não é impedimento ao crescimento........

    não me venha argumentar que eu não sei como seria a economia no caso da inexistencia do banco central, pois vc também não sabe e não pode dizer que as economias seriam muito mais ricas do que hj são se não tivessem um banco central....
  • Leandro  18/04/2012 09:00
    Em meio a esta logorreia de chavões e ataques -- que apenas comprovam que o sujeito desconsiderou tudo o que eu disse acima -- vou comentar apenas as partes mais indicativas de sua ignorância:

    1) "veja que muitos países ricos de hj tem funcionado com um banco central durante muito tempo. Australia, Alemanha, Holanda, Belgica, Suiça são exemplos de países que tem bancos centrais serios e tiveram excelente desempenho econômico"

    Alemanha, Holanda e Bélgica têm exatamente o mesmo Banco Central que Portugal, Espanha, Grécia, Itália, Irlanda. Por que deixou estes de fora de sua consideração?

    Quanto à Suíça e à Austrália, se você se der ao trabalho de pesquisar a expansão monetária destes dois países, verá que ela ocorre de maneira comedida (pelo menos foi assim até antes de 2008, que foi um divisor de águas), a uma taxa praticamente constante. Falo mais sobre isso no item 4.


    2) "o panana não tem banco central, teve bom desempenho, mas não é rico e desenvolvido como nenhum dos países citados anteriormente. E ai, como fica?"

    E daí? A riqueza de um país é determinada por inúmeros fatores, dentre eles a capacidade empreendedora de seu povo, seu grau de instrução, sua poupança e sua acumulação de capital. Desafio-lhe a apontar um só artigo nosso que diga que o que determina a riqueza de um país é exclusivamente seu banco central.

    Esta sua pergunta em tom de "desafio" é de uma ignorância avassaladora. Ou de um mau-caratismo ímpar.


    3) "vcs austriacos do tipo mises são engraçados. vivem criticando o uso de dados e exemplos como forma de evidenciar determinadas teorias [blá-blá-bla] .... mas quando veem um dado que corrobora suas teorias, não pensam duas vezes antes de escrever "Não há um banco central no panamá".

    Fosse você menos ignorante sobre aquilo que quer criticar, saberia que quando os austríacos dizem que uma economia funciona sem um banco central, eles o fazem aprioristicamente, baseando no individualismo metodológico e em uma análise causal-realista. Nenhuma teoria austríaca precisa de um exemplo prático para, só então, ser declarada correta.

    Você simplesmente inverteu as coisas. O fato de haver uma economia que funciona sem um banco central apenas corrobora uma teoria. A teoria não foi criada a partir deste fato. A teoria já existia antes deste fato e independe dele. O fato de haver um país que funciona sem um banco central não deu origem a uma teoria austríaca. Tal fato é apenas uma demonstração prática de uma teoria que já existia antes deste fato.

    Caso não existisse o Panamá, a teoria continuaria intacta. O Panamá é apenas um exemplo prático de uma teoria -- exemplo desnecessário para nós, que já sabíamos que tal teoria funcionaria, mas necessário para aquelas pessoas que "só acreditam vendo". Entendeu?

    4) "as evidencias mostram que um banco central serio não é impedimento ao crescimento......"

    Claro que não. E isso nunca foi dito aqui. É perfeitamente possível, por exemplo, haver uma cidade em que apenas os bandidos estão armados e, ainda assim, ela ser totalmente pacífica e ordeira. É improvável, mas não é impossível.

    Da mesma maneira, é sim perfeitamente possível haver um banco central inócuo, que não impeça o crescimento (por exemplo, sendo eu o presidente da instituição). Aliás, em meu podcast, detalhei um plano bastante moderado de transição no qual o BC ainda continuaria existindo (sob o meu comando, é claro) e seguindo a política monetária mais inócua possível, simulando um padrão-ouro. Sendo assim, é válido dizer que o BC não seria nenhum impedimento ao crescimento. Uma boa postura seria, por exemplo, aumentar a oferta monetária a uma taxa fixa de 2% ao ano, com o dinheiro entrando na economia de alguma maneira que não via mercado de crédito. Isso seria uma aproximação grosseira e artificial de um padrão-ouro, mas funcionaria.

    Ademais, nossas críticas ao BC nunca se limitaram a dizer que ele é um "impedimento ao crescimento". Mesmo porque tal crítica estaria, por si só, errada. Em todos os nossos artigos sobre ciclos econômicos somos enfáticos ao dizer que um BC estimula o crescimento econômico artificial, e que este é apenas um de seus malefícios. Como poderíamos ao mesmo tempo dizer que ele "estimula o crescimento" e "impede o crescimento"?

    A nossa crítica ao BC, em linhas gerais, é que ele promove a concentração de renda (ou a distribuição de renda dos pobres para os ricos, como queira), carteliza o setor bancário (em benefício dos bancos e à custa de toda a população), promove uma destruição contínua do poder de compra da moeda, e gera os ciclos econômicos, que destroem capital, riqueza e fazem com que, no longo prazo, a economia esteja menos rica do que poderia estar.

    Em momento algum dissemos que um BC "impede o crescimento". Dissemos, isso sim, que ele gera uma sequência de crescimentos desordenados (vôos de galinha) que destroem riqueza, geram uma alocação errônea e insustentável dos recursos e, no final, faz com que sejamos menos ricos do que poderíamos ser. Isso vale tanto para o Brasil quanto para a Alemanha e para o Zimbábue.

    E sim, tudo isto é determinado aprioristicamente, sem necessidade de nenhum exemplo prático para comprovar a validade de tal teoria. No entanto, não iremos nos furtar de apresentar estes exemplos práticos sempre que eles ocorrerem. Mesmo que isso lhe ofenda e lhe deixe sem chão. Você pode apenas se limitar a fazer beicinho e espernear um pouco.

    Grande abraço!
  • mauricio barbosa  19/04/2012 19:32
    Flávio Dias essa mania de ficar fazendo comparações é um resquício de nossa imprensa marrom que mais confunde,desorienta e deixa-nos preconceituosos achando que os países do chamado primeiro mundo é melhor do que nós e estamos condenados a ser inferiores para sempre,quando na realidade nunca fomos e nem seremos inferiores a eles,o que precisamo isso sim é ficar livre da tutela do estado e desses políticos podres e nojentos que insistem em nos robotizar,manipular,
    roubar e comprar a imprensa desviando-nos do foco que são as questões relevantes e sérias, igual é a manipulação da moeda, pois eles(os políticos)aumentam os gastos e corrompem (quase)todo mundo fazendo crédito com dinheiro do nada enriquecendo-se eles e seus amigos(Banqueiros,empreiteiros,etc...)tornandos-nos mais pobres e cada vez mais nos sentindo inferiores a outros povos,mistificando o assunto ao máximo,para depois fazermos comparações frias, fora da realidade por puro preconceito sutil implantado via imprensa e tudo isso com a boa ou a má fé dos jornalistas e seus editores-chefes.Ok um abraço e aguardo resposta.
  • William  19/04/2012 16:54
    Acho que vou me mudar para o Panamá, como disse o único político brasileiro sincero e inteligente: "Pior que tá não fica!"
  • Mr. Magoo  15/10/2014 23:00
    ..."Quanto à Suíça e à Austrália, se você se der ao trabalho de pesquisar a expansão monetária destes dois países, verá que ela ocorre de maneira comedida (pelo menos foi assim até antes de 2008, que foi um divisor de águas), a uma taxa praticamente constante."...

    Confirmando:
    www.tradingeconomics.com/charts/switzerland-money-supply-m0.png?s=switzerlanmonsupm0&d1=20000101&d2=20141231
  • Leandro  15/10/2014 23:14
    Isso é base monetária, cidadão. É um dinheiro que não adentrou a economia (está nas reservas dos bancos, e essas reservas estão depositadas no Banco Central).

    Se você quer realmente ver o ritmo de criação de dinheiro, você tem de ver a variável expansão do crédito. Eis [link=www.tradingeconomics.com/charts/switzerland-loans-to-private-sector.png?s=switzerlanloatoprise&d1=19850101&d2=20141231&type=line]aqui como ela está.

    P.S.: a base monetária da Suíça expandiu assim porque, em 2011, o BC suíço resolveu adotar uma política de câmbio atrelado ao euro. Ele decidiu que o euro não poderia custar mais do que 1,20 franco suíço. Ato contínuo, o BC suíço passou a comprar dos bancos tudo quanto é euro que entra na Suíça.

    Resultado: assim como nos EUA, os bancos suíços estão entupidos de reservas. Mas esse dinheiro não está na economia. Está depositado no BC suíço.
  • Régis Antônio Coimbra  03/05/2012 04:25
    É curioso como os "austríacos" - tão afeitos à análise objetiva ou formal dos fenômenos subjetivos relativos às escolhas individuais com efeitos coletivos - tendam a ignorar de modo incrivelmente solene os aspectos sociais e políticos. Suas modelagens sistematicamente evitam quantificações, como que se limitando a noções de proporção, de maior ou menor etc, o que considero aceitável, mas também ignoram na prática os fatores políticos que diretamente inviabilizam suas prescrições e tornam irrelevantes suas análises.

    Em tempo: tenho grande simpatia pela tal escola. Até comprei (no último Forum da Liberdade) e usei a camiseta do instituto Mises Brasil (ainda semana passada). Mais: calquei-me muito em Mises e um pouco em Hayek num trabalho de conclusão de uma especialização em Especialização Direito E Economia. No entanto esbarro sempre no alerta que conheço pela origem talvez não muito nobre (não o vejo muito citado) de Barry Eichengreen em "A globalização do capital" (o autor aceita a análise histórica e "monetária", mas atribui a análise política - acho que equivocadamente - a Polanyi): após 1870 o liberalismo colapsou pela ampliação da participação política das classes baixas ou populares, o que tornou inviável aos bancos centrais focar estritamente na moeda, os governos incorporando (por meio dos bancos centrais) o crescimento e pleno emprego como política indispensável para a sustentação (eleição, reeleição) política.

    Não precisa muitos cálculos para "predizer" o que teria maior risco de ocorrer com uma efetiva adesão do Brasil à estratégia atribuída ao Panamá. Primeiro, Itamar Franco não permitiria e Fernando Henrique não se teria eleito. Segundo... por que discutir o "segundo"?

    Uma forma mais suave de dolarizar a economia seria manter a paridade do real com o dólar, sujeita, claro, a pressões e apostas tanto monetárias quanto políticas. Isso a rigor não é uma hipótese, é também uma fase do plano Real, inclusive conforme análise do artigo. O fantasma explícito não é a dívida externa, é a balança de pagamentos. Os agentes efetivos escondidos sob tal fantasma são o enorme custo do estado brasileiro (comparado à sua economia) e o ainda maior poder de fogo dos especuladores (ou tomadores de risco, hehe...) globais (muitos locais...).

    Então, supondo que as análises "austríacas" estejam certas, suas predições são absurdas e a questão é: qual a efetiva pertinência de suas análises? Elas são elegantes precisamente porque ignoram o cipoal "político" e a pirotecnia "matemática". Mas consideram adequadamente o que a política e a modelagem econômico-matemática oferecem?
  • Leandro  03/05/2012 04:54
    Prezado Régis, dado que você parece não ter notado a sua dissonância cognitiva, permita-me explicitá-la aqui. Você diz que "uma forma mais suave de dolarizar a economia seria manter a paridade do real com o dólar, sujeita, claro, a pressões e apostas tanto monetárias quanto políticas. Isso a rigor não é uma hipótese, é também uma fase do plano Real, inclusive conforme análise do artigo."

    Ora, no Brasil, a paridade durou apenas um dia (sexta-feira, 1º de julho de 1994). Só. Já o que você está sugerindo, sem saber, seria a adoção de um regime de Currency Board, algo que, na prática, é uma dolarização total da economia. O problema com tal regime é que ele fica totalmente à mercê dos políticos, que podem alterá-lo quando bem quiserem. Sabe qual país adotou este regime de maneira bastante ortodoxa no início, mas que depois o sabotou por completo? A Argentina. Virou aquilo.

    Sendo assim, conte-me mais sobre a "efetiva pertinência de suas análises"... Quem aqui, afinal, está fazendo sugestões que parecem ser elegantes "precisamente porque ignoram o cipoal político"?

    Abraços!
  • mcmoraes  03/05/2012 05:43
    Se eu tivesse lido esse comentário do Régis Antônio Coimbra há alguns anos atrás, antes de eu conhecer a EA, eu teria pensado assim: "Esse cara disse que tem simpatia pela EA e faz tanta firula ao escrever que ele só pode saber do que ele está falando." :)
  • Paulo Sergio  03/05/2012 05:43
    Políticos são a escória da escória, dar atenção pro lixo é dar poder pra ele.
  • void  03/05/2012 06:04
    O velho truque de tentar desmoralizar e depois dizer que tem apreço. Oh wait... eu já vi algo parecido a isso antes em algum lugar... ah, claro, no exército! Tudo pra se posicionar como superior, pela doutrinação e a obediência, ahn?

    Aqui não!
  • Henrique Toledo  02/03/2014 19:20
    Toda a precaução dos bancos do Panamá gira em torno do dinheiro físico? Pois quando há transferência entre os bancos do Panamá ou transferências internacionais, deve haver dinheiro físico lastreado essas operações para evitar prejuízos aos acionistas? Exemplo: existe o banco A e o banco B no Panamá, num dia houve uma transferência de 100 dólares do banco A para o B ( e nenhuma transferência do B para o A), então o banco A precisa ter esses 100 dólares em dinheiro físico para remetê-lo ao banco B e assim efetivar a transferência? Nesse mesmo exemplo, se houvesse banco central, seria necessária apenas a transferência de dígitos eletrônicos da conta da reserva em excesso do banco A para o B? Mas como não há, o dinheiro físico precisa ser remetido? A grande diferença é essa?

  • Doutor  16/04/2014 14:06
    Dando uma rápida olhada nas informações sobre o Panamá, é possível ver que o país não está essas mil maravilhas que você diz:

    interwp.cepal.org/cepalstat/WEB_cepalstat/Perfil_nacional_economico.asp?Pais=PNM&idioma=e

    A inflação, por exemplo, de 2008 a 2012, teve uma média de 5,27% ao ano. O Brasil, no mesmo período, teve uma inflação média anual de 5,5%.

    O desemprego atualmente está baixo, mas a pouco tempo atrás apresentava números bem altos.

    O setor externo só apresenta déficits atrás de déficits, e a dívida do governo central como porcentagem do PIB então, nem se fala.

    O crescimento do PIB em média vem apresentado bons desempenhos realmente, mas isso não é algo tão surpreendente em economias fragilizadas que estão se desenvolvendo, basta ver o desempenho do PIB argentino na década do pós crise.

    Ou seja, esse me pareceu um artigo bem tendencioso, mostrando apenas um lado da moeda, inclusive com uma foto do país que faz aparentar ser um local de primeiro mundo na América Latina/Central.
  • Seagal  16/04/2014 14:30
    "Dando uma rápida olhada nas informações sobre o Panamá, é possível ver que o país não está essas mil maravilhas que você diz"

    Cite o trecho do artigo que fala em "mil maravilhas", por favor.

    "A inflação, por exemplo, de 2008 a 2012, teve uma média de 5,27% ao ano. O Brasil, no mesmo período, teve uma inflação média anual de 5,5%."

    A inflação foi alta por causa do grande influxo de dólares no país após a crise. Esse é o risco de se adotar o dólar como moeda corrente. No entanto, a inflação de preços atual está em 3,40%. Eu troco pela brasileira.

    "O desemprego atualmente está baixo, mas a pouco tempo atrás apresentava números bem altos."

    Está em 4%. No auge da crise, foi de 6,6% (no Brasil chegou a 9%). Não vejo nada de calamitoso aí.

    "O setor externo só apresenta déficits atrás de déficits, e a dívida do governo central como porcentagem do PIB então, nem se fala."

    Acho que você próprio não leu o seu link. O déficit na conta-corrente, de US$4,8 bilhões é menor do que o superávit na conta de capitais, que é de US$5,75 bilhões.

    Ou seja, o país tem superávit no balanço de pagamentos. Não apenas não há déficit externo, como na verdade há um grande superávit.

    Mais atenção na próxima.

    "O crescimento do PIB em média vem apresentado bons desempenhos realmente, mas isso não é algo tão surpreendente em economias fragilizadas que estão se desenvolvendo, basta ver o desempenho do PIB argentino na década do pós crise."

    A Argentina sofreu mergulho de quase 15% em 2002, o que explica seus posteriores PIBs mais altos. Já o Panamá não vivenciou nada nem sequer semelhante a isso. Portanto, não faz absolutamente nenhum sentido dizer que o PIB alto se deve a uma "economia fragilizada".

    Aliás, qual a fragilidade da economia do Panamá pós-Noriega? Aqui você tem de substanciar suas afirmações em vez de apenas sair cuspindo ideologia.

    "Ou seja, esse me pareceu um artigo bem tendencioso, mostrando apenas um lado da moeda, inclusive com uma foto do país que faz aparentar ser um local de primeiro mundo na América Latina/Central."

    Sugiro fortemente que você aprenda a ler dados básicos de economia para evitar auto-humilhações. De resto, em termos de qualidade de vida, o Panamá está no Top 5 da América Latina.

    internationalliving.com/countries/panama/live/
  • Vítor Höher Nunes  15/10/2014 18:03
    Leandro (ou qualquer um que puder ajudar), normalmente se fala que a dolarização de uma economia acaba incentivando uma maior disciplina fiscal, visto que o país não pode mais usar política monetária para imprimir dinheiro a fim de financiar sua dívida. Mesmo assim, o Panamá teve problemas fiscais durante quase todo período em que foi dolarizado, tendo sido socorrido pelo FMI por diversas vezes, só tendo melhorado sua situação a partir da década de 90, passando de uma dívida de quase 120% do PIB para perto de 40% atualmente. Minhas dúvidas são as seguintes:

    1- Por qual razão o FMI ficava bancando a farra de gastos panamenha por tantas vezes? Influência dos EUA? Por causa do canal?

    2- O que aconteceu para incentivar essa mudança a partir dos anos 90 para um panorama de maior responsabilidade fiscal?

    3- Li um paper (Edwards; Dollarization: Myths and Realities) onde o autor fala que o Panamá sofreu com crises bancárias em 88-89 devido à "fraqueza da posição financeira dos bancos privados e públicos", tendo 15 deles encerrado suas operações. Essa crise foi por conta sistema bancário e monetário em si, ou foi por conta das sanções dos EUA que ocorreram na mesma época? De fato houve crise bancária lá ou alguma outra coisa ocorreu?

    Muito obrigado pela ajuda!
    Abraços!!
  • Leandro  15/10/2014 18:48
    "Mesmo assim, o Panamá teve problemas fiscais durante quase todo período em que foi dolarizado, tendo sido socorrido pelo FMI por diversas vezes,"

    Isso aconteceu apenas na década de 1980, durante a ditadura de Manuel Noriega.

    "só tendo melhorado sua situação a partir da década de 90, passando de uma dívida de quase 120% do PIB para perto de 40% atualmente."

    Não é correto dizer que o país "só melhorou" na década de 1990. O correto é "o país voltou ao normal" na década de 1990, após a deposição de Noriega.

    "Por qual razão o FMI ficava bancando a farra de gastos panamenha por tantas vezes? Influência dos EUA? Por causa do canal?"

    É bem provável.

    "2- O que aconteceu para incentivar essa mudança a partir dos anos 90 para um panorama de maior responsabilidade fiscal?"

    A queda de Noriega.

    "3- Li um paper (Edwards; Dollarization: Myths and Realities) onde o autor fala que o Panamá sofreu com crises bancárias em 88-89 devido à "fraqueza da posição financeira dos bancos privados e públicos", tendo 15 deles encerrado suas operações. Essa crise foi por conta sistema bancário e monetário em si, ou foi por conta das sanções dos EUA que ocorreram na mesma época? De fato houve crise bancária lá ou alguma outra coisa ocorreu?"

    Sanções pesadas do governo americano.

    Em 1987, o governo dos EUA acusou Noriega de estar comando um narco-estado no Panamá. Ato contínuo, o governo americano congelou todos os ativos panamenhos nos EUA. E como o Panamá usava o dólar, o país acabou tendo de calotear o FMI. Essas sanções e esse confisco geraram, além de uma greve geral no país, o colapso do sistema bancário.

    Em dezembro de 1989, os EUA invadiram o Panamá (Operação Justa Causa) para capturar Noriega, que se entregou no início de janeiro de 1990. A invasão americana durou duas semanas e produziu 3.000 mortos, em sua maioria civis.

    Realmente, era difícil uma economia se sair bem nesse cenário.

    Tá tudo aqui
  • Vitor Hoher Nunes  15/10/2014 20:27
    Leandro, obrigado pela resposta e pelas informações! Fiquei em dúvida pois não consegui achar dados mais antigos do Panamá (só achei dados da dívida após 90) e o autor do artigo que citei, Sebastian Edwards, afirma que o Panamá tinha um histórico de indisciplina fiscal mais antigo, primeiro se financiando com empréstimos estrangeiros e a partir de 1965 com pacotes do FMI. Se tiver interesse, ele fala disso num artigo chamado "The IMF is Panama's Lender of First Resort".

    Na verdade a crítica dele era que, apesar da dolarização, enquanto existisse um FMI para financiar os governos, a tentação dos políticos de gastar mais e pedir posteriormente um pacote de auxílio externo seria grande, mesmo que a dolarização os deixem limitados pela ausência de política monetária.

    Abraços


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