Como a dívida do governo afeta as gerações futuras
Nota do IMB

Um dos efeitos mais diretos e imediatos da recente alteração da Lei de Diretrizes Orçamentárias — que, na prática, se traduz em déficits maiores — poderá ser observado na inflação de preços. 

Dado que os déficits no orçamento do governo (sejam eles primário ou nominal) são financiados pela emissão de títulos do Tesouro, e dado que esses títulos do Tesouro são majoritariamente comprados pelos bancos por meio da criação de dinheiro, temos que os déficits do governo são uma medida inerentemente inflacionária

Será difícil reduzir a atual inflação de preços se o governo não equilibrar seu orçamento.

No entanto, os déficits possuem outro efeito pernicioso, de cunho ético, e que é pouco discutido.  Uma vez que um déficit orçamentário gera um aumento da dívida pública, e dado que essa dívida pública terá de ser arcada pelas gerações futuras (via juros e amortizações), fica a pergunta: qual a moralidade de legar para as gerações futuras o fardo dessa dívida?

Um endividamento gera benefícios presentes, mas ônus futuros.  O governo, ao se endividar hoje e legar a fatura para as gerações futuras, está simplesmente beneficiando a si próprio e a seus grupos favoritos (funcionários públicos e grandes empresários ligados ao regime) à custa do bem-estar de toda uma geração futura (você próprio quando estiver mais velho, seus filhos e seus netos).

Qual é a moralidade desse arranjo?

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Paul Krugman e outros defensores do aumento dos gastos governamentais alegaram recentemente que comparar a dívida do governo à dívida de um indivíduo ou de uma empresa é errado. 

Ao contrário dos moralistas, que não querem aumentar as dívidas a serem pagas pelas gerações futuras, Krugman e seus aliados alegam que a dívida governamental per se não representa nenhum fardo para as gerações futuras como um todo.  Afinal, nossos descendentes irão "dever para eles próprios" — ao menos se desconsiderarmos a dívida externa, é claro.

Sendo assim, quaisquer impostos que forem aumentados ou criados para pagar o serviço desta dívida (juros e amortizações) irão simplesmente fluir para os bolsos daqueles cidadãos que estiverem de posse dos títulos da dívida.  Com isso, Krugman argumenta que a "dívida nacional" não é apenas um passivo, mas também um ativo.  Quanto maior a dívida, portanto, mais rico o país.

Um argumento que já seria o bastante para encerrar esta discussão é o fato de que, quanto maior a dívida, maiores os gastos do governo apenas com os juros desta dívida.  E maiores ainda serão os gastos para amortizar os títulos vincendos.  Isto faria com que uma enorme fatia dos impostos arrecadados fosse utilizada apenas para pagar encargos da dívida.  Tal situação equivaleria a uma maciça transferência de renda de pagadores de impostos para portadores de títulos.  Alguns iriam ganhar, outros iriam perder. 

Como sempre disse Murray Rothbard, a frase "nós devemos a nós mesmos" possui profundas implicações: tudo depende de se você faz parte do "nós" ou do "nós mesmos".

Mas há outros problemas também.  Um deles é que tal ponto de vista krugmaniano ignora o fato de que déficits do governo retiram recursos do setor produtivo, desviando-os para ineficientes gastos estatais.  Quando o governo incorre em déficits e emite títulos para financiar estes déficits, tais títulos, embora sejam comprados majoritariamente por bancos, também são comprados por empresas ou por indivíduos que, caso contrário, poderiam estar aplicando seu capital em investimentos produtivos. 

Empresas e indivíduos, que poderiam direcionar seu dinheiro para atividades mais produtivas, preferem direcioná-lo para a compra de títulos do governo, desta maneira privando a economia de um capital que poderia ser investido em atividades que aumentariam a oferta de bens e serviços em toda a economia.

Ou seja, quando o governo vende títulos, ele faz com que aquele dinheiro que de outra maneira estaria indo para investimentos privados seja canalizado para o financiamento da máquina burocrática.

Desta forma, déficits governamentais retiram recursos de investimentos privados e os desviam para gastos escolhidos de acordo com politicagem. 

Déficits, portanto, fazem com que as gerações futuras tenham à sua disposição uma menor oferta de tratores, escavadeiras, máquinas, ferramentas e outros equipamentos, reduzindo assim sua capacidade de produzir mais bens.  Consequentemente, estas futuras gerações estarão potencialmente mais pobres.

Além deste efeito negativo sobre o investimento físico em bens de capital, o economista James Buchanan demonstrou que há outra maneira de mostrar como os atuais déficits orçamentários de um governo podem empobrecer as gerações futuras.  Uma vez que entendemos que "a nação" é composta por diferentes indivíduos que surgem em vários pontos distintos do espaço e do tempo, que vivem durante períodos de tempo variáveis e não homogêneos, e então morrem, dizer que "nós devemos para nós mesmos" é uma completa falácia.

Repetindo, Buchanan aponta para um efeito que vai muito além do fato de que os déficits governamentais de hoje tendem a reduzir o investimento privado.  Mesmo se supuséssemos que todo o déficit governamental atual fosse pago por meio de uma redução no consumo privado — de modo que estaríamos deixando para as futuras gerações o mesmo estoque de bens de capital —, ainda assim nossos descendentes (como um todo) estariam em pior situação (relativamente mais pobres, ou menos ricos do que poderiam) em decorrência desta política de déficits.

Para entender como isto funciona, imagine que o governo atual — isto é, no ano de 2015 — anuncie que irá gastar $100 bilhões dando uma festa de arromba.  Tudo o mais constante, as pessoas vivas em 2015 irão adorar este surto maciço de consumo.  No entanto, se o governo impusesse tributos sobre as pessoas em 2015 para pagar por esta festa, elas certamente iriam se revoltar.  E nenhum governo quer isso.  Muito mais confortável é apenas emitir títulos da dívida, que serão voluntariamente comprados por algumas pessoas no presente, e jogar o fardo do pagamento dos juros e do principal para as gerações futuras.

Mais especificamente, suponha que o governo, em vez de elevar impostos, emita títulos que irão vencer daqui a cem anos, e os quais serão vendidos agora àquelas pessoas que oferecerem os melhores preços de compra. 

Supondo que os investidores confiem no governo e que a taxa de juros nominal de longo prazo seja acordada em 4,7%, o governo irá então emitir uma nota oficial com a seguinte declaração: "No ano de 2115, o governo irá fazer uma contagem de quantos pagadores de impostos existem no país.  Ato contínuo, o governo irá tributar cada um destes x cidadãos com um imposto per capita de $10 trilhões/x.  Esta receita tributária de $10 trilhões assim coletada será entregue a todas as pessoas que porventura estejam de posse deste pedaço de papel naquele momento."

O valor de $10 trilhões nada mais é do que $100 bilhões com juros de 4,7% ao ano durante cem anos. 

Neste exemplo, a dívida será quitada — juros e principal — de uma só vez em 2115.  Ou seja, o governo em 2015 irá levantar, via emissão de dívida, $100 bilhões — o valor presente descontado do pagamento de $10 trilhões que só irá ocorrer daqui a cem anos — e com isso pagar por sua festança.

Neste cenário, um leigo estaria correto em dizer que a atual geração fez a sua farra e jogou toda a conta para os infelizes cidadãos de 2115.  Os pagadores de impostos em 2115 terão de entregar $10 trilhões para alguns de seus concidadãos.  No entanto, esta observação ainda não encerra por completo a análise.

O motivo é que aquelas pessoas que em 2115 estiverem em posse dos títulos da dívida, e que portanto estarão recebendo os $10 trilhões, não irão receber este dinheiro de graça.  Ao contrário, tais pessoas compraram estes títulos alguns anos atrás e pagaram por eles o valor presente descontado de $10 trilhões.  Portanto, quando fazemos a contabilidade corretamente, entendemos que, além de os pagadores de impostos em 2115 serem claramente prejudicados (afinal, terão de pagar $10 trilhões em impostos), esta sua perda não se traduz em um ganho idêntico para os portadores dos títulos.  É por isso que esta geração como um todo estará mais pobre em decorrência da festança que as pessoas de 2015 deram.

Esta conclusão crítica merece ser enfatizada. 

Considere um indivíduo que está de posse de um dos títulos da dívida (cujo valor de face é de $1.000) em 2115.  Talvez esta pessoa tenha comprado este título de outra pessoa no ano anterior (em 2114) por $955.  Ao receber os $1.000, ela estará auferindo juros de 4,7%.  Os $1.000 que ele receber em 2115 não irão constituir um ganho líquido para esta pessoa, pois a maior fatia destes $1.000 — isto é, os $955 — será apenas a devolução do principal que ele pagou no ano anterior. 

O real benefício para esta pessoa em toda esta operação seria ela receber uma taxa de juros mais alta do que a que ele receberia caso emprestasse seus $955 para o setor privado.  Portanto, esta pessoa poderia considerar que toda esta operação de tributar-e-distribuir em 2115 lhe valeu, por exemplo, apenas $5.

É a este benefício líquido de $5 (aproximadamente) para o portador do título que os $1.000 em impostos coletados deve ser contrastado.  Em outras palavras, o pagador de impostos individual (responsável por um décimo-bilionésimo da fatura de $10 trilhões) ficará com $1.000 a menos, ao passo que o portador do título para quem o dinheiro é transferido irá ganhar apenas $5. 

Agora, se nos concentrarmos em um outro portador de título — por exemplo, alguém que tenha comprado o título no ano de 2085 —, então seu ganho seria maior do que $5, pois ele auferiu taxas de juros acima das de mercado por um período mais longo.  Ainda assim, a única maneira de uma perda de $1.000 para um pagador de impostos ser identicamente contrabalançada por um ganho de $1.000 para um portador de título seria se este portador houvesse adquirido o título gratuitamente.  Isto poderia acontecer com crianças que herdam títulos de seus pais.  Mas é só. 

Qualquer outra pessoa que utilize dinheiro próprio para adquirir uma fatia daquele enorme título de $10 trilhões não irá obter ganhos idênticos às perdas dos pagadores de impostos.  Seu ganho será muito menor.  Logo, o grupo "pessoas vivas em 2115" estará coletivamente mais pobre em decorrência deste esquema.

Por outro lado, consideremos a geração original, aquele que deu a festança.  Sim, houve investidores em 2015 que tiveram de reduzir seus gastos em um total de $100 bilhões em decorrência de terem comprado os títulos emitidos pelo governo.  Porém, à medida que o tempo foi passando, eles poderiam ter vendido seus títulos (um ativo financeiro) para investidores mais jovens, e utilizar os fundos assim conseguidos para financiar suas aposentadorias.  Assim, os investidores de 2015, se considerarmos sua renda vitalícia, de fato não perderam nada com este negócio, o qual foi totalmente voluntário para eles.

Para resumir: em 2015, várias pessoas vivas ganharam e ninguém perdeu, ao passo que, em 2115, as pessoas vivas sofreram perdas que sobrepujaram os ganhos totais.  E isto é verdade mesmo se considerando que, em 2115, "as pessoas deviam $10 trilhões para elas mesmas".

Déficits orçamentários nada mais são do que um enorme esquema de roubo que ocorre ao longo do tempo por meio do mercado financeiro e de títulos do governo.  Déficits orçamentários permitem que os cidadãos de hoje financiem benesses governamentais jogando a conta para gerações futuras, as quais não têm nenhum poder de influência nas decisões políticas atuais.


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SOBRE O AUTOR

Robert P. Murphy

é Ph.D em economia pela New York University, economista do Institute for Energy Research, um scholar adjunto do Mises Institute, membro docente da Mises University e autor do livro The Politically Incorrect Guide to Capitalism, além dos guias de estudo para as obras Ação Humana e Man, Economy, and State with Power and Market.  É também dono do blog Free Advice.




"No caso de justiça privada, com investigação privada, os custos deveriam ser pagos pelas partes envolvidas."

Errado. Poderiam também ser pagos por qualquer um que se voluntariasse a pagar em nome de terceiros. Seria, tenho certeza, o seu caso em relação ao catador de papelão.

"Suponhamos que um senhor que cata papelão (e outros recicláveis) na rua seja atropelado por um motorista bêbado que, depois de atropelar e matar o tal senhor, fugiu da cena sem prestar socorro e se escondeu rapidamente (para tentar continuar sua vida como se nada tivesse acontecido)."

Isso ocorre diariamente no arranjo estatal em que vivemos. E nunca o atropelador é punido.

Aliás, houve um caso em que uma adolescente e modelo foi atropelada em Belo Horizonte, num bairro chique. Ela ficou aleijada (teve a perna amputada) e a motorista embriagada teve apenas uma multa de R$ 1,5 mil.

www.em.com.br/app/noticia/gerais/2014/12/29/interna_gerais,603237/jovem-atingida-por-carro-na-raja-gabaglia-tem-perna-amputada.shtml

www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/04/20/interna_gerais,639299/a-superacao-de-paola.shtml

revistaglamour.globo.com/#/noticia/Na-Real/noticia/2015/11/modelo-que-perdeu-perna-posta-foto-de-biquini-e-recebe-elogios-dos-fas.html

Que bela justiça estatal!

Ou seja, o pior cenário que você vislumbra num ambiente anarcocapitalista já ocorre rotineiramente no arranjo de justiça estatal em que vivemos.

Já no caso do catador de papelão, haveria ao menos uma chance: você poderia começar uma campanha nas redes sociais para coletar o dinheiro necessário para processar é punir o motorista. Seria até fácil.Se hoje as pessoas arrecadam dinheiro até para abrir hamburgueria, certamente não faltariam doadores para ajudar nesta causa tão mais nobre.

Solução tem pra tudo; o que é realmente difícil é nêgo conseguir pensar fora da Matrix estatal a qual foi condicionado.
Aos que acompanham Instituto Mises Brasil:
Deixo aqui uma pergunta para reflexão dos que acompanham esta página. Para haver justiça, é necessário investigação.
No caso de justiça privada, com investigação privada, os custos deveriam ser pagos pelas partes envolvidas (e não por um Estado).
Suponhamos que um senhor que cata papelão (e outros recicláveis) na rua seja atropelado por um motorista bêbado que, depois de atropelar e matar o tal senhor, fugiu da cena sem prestar socorro e se escondeu rapidamente (para tentar continuar sua vida como se nada tivesse acontecido).
Suponhamos também que a vítima vivia em uma casa extremamente simples, sozinho (por ter abandonado o contato com a família há muitos anos), e que seus escassos bens fossem insuficientes para cobertura de gastos de investigação e justiça privadas.
Neste caso, para que a investigação descubra a autoria do crime e a sociedade possa vislumbrar a possibilidade de justiça, quem arcaria com os custos? Quem faria a opção pelo tribunal que poderia julgar a causa? Quem acompanharia a causa para que fosse devidamente solucionada?
Lembrando que o motorista irresponsável teria fugido e não deixado vestígios suficientes (à princípio) para ser encontrado e responsabilizado pelo ato.
A sociedade que consistisse em justiça e investigação privadas (com custos 100% privados) não se importaria com a elucidação e punição em casos como o descrito acima? Ficaria o motorista embriagado livre, mesmo tendo atentado contra a vida de outro?
Na suposição, usei como exemplo um catador de papelão, mas a análise serviria para qualquer possível vítima de injustiça que não dispusesse de recursos suficientes para cobrir os custos de investigação e justiça privadas.
O que acham?
É uma dúvida real. Gostaria de verificamos possíveis respostas com educação e respeito.
Grato!
Eu morei 5 anos em Paris. Lá, a educação é gratuíta, obrigatória, e vai de 7 da manhã ás 17:00, De segunda à sexta, menos na quarta-feira. Esse é o dia do "se vire" para os pais, quando eles têm que ficar com os filhos de uma forma ou de outra. Uns levam para o trabalho, outros deixam em creches, outros arrumam uma babá por um dia.

As crianças são obrigadas a decorar poesias. O vestibular é feito no final do segundo grau, pra avaliar o quanto aprenderam, e filosofia é obrigatória. As provas não são de múltipla escolha. São feitas na forma de redações com 4 folhas de papel almaço. Se chama Bacalaureat, ou BAC, como todos chamam.

E por isso os franceses arrumam emprego em qualquer lugar do mundo onde vão, em geral chegam no estrangeiro e criam a próprias empresas. //existe ensino profissionalizante em todos os níveis, os professores, assim como todos, fazem reciclagens e avaliações constantes. é um sistema mais complexo, criado por pessoas com muita cultura. Sem falar que os franceses leem mais de 20 livros por ano. Existe a divisão que existia antigamente no segundo grau, exatas, biomédicas, humanas, artes... Se houvesse mais estudos no Brasil, saberíamos estudar os sistemas de ensino mais adequados para nosso país, na situação que se encontra. Poderíamos copiar as técnicas de sucesso destes países, ou mesmo daqui, de escolas que trazem sucesso aos alunos. Mas quando o povo não tem estudo, e confunde cultura popular com cultura geral, esquizofrênicos delirantes como o Carlos Magno dos pobres fazem um impichement, e ditam regras toscas como suas mentes delirantes, pois acham que ao poder é algo que deve ser conquistado por conchavos de ordens discretas. Me refiro ao presidente em exercício, que é maçom.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • mauricio barbosa  29/03/2012 07:07
    David Ricardo foi o primeiro economista a salientar esse ponto e até hoje não aprendemos esta lição,realmente o cofecon tem levantado a bandeira de aplicar o ensino de educação financeira no ensino médio,vejo esta iniciativa com bons olhos apesar de ser um defensor ardoroso da extinção da escola publica,pois assim pelo menos estaria-se ensinando aos nossos jovens alguma coisa útil.
    Pena que é mais uma iniciativa que está só no papel.Mas,VIVA A CAUSA LIBERTÁRIA SEMPRE.
  • Pobre paulista  10/07/2013 17:47
    Discordo do "Não aprendemos a lição". É óbvio que os governantes, e até mesmo o Sr. Krungman, sabe disso. Só não ligam. Empurrar o problema para os outros é a atitude típica dos perdedores burocratas.
  • Gabriel  11/07/2013 11:55
    Sinceramente, não acho uma boa ideia. Imagine só, não é obrigado no Brasil educação financeira, entretanto eu que sempre estudei no colégio militar tinha entre as aulas de geografia alguma noção de economia... economia keynesiana. Os alunos ficavam extasiados ao aprenderem como a teoria keynesiana foi fundamental para salvaro capitalismo depois no crash em 29. Isso seria só uma repetição do que são as aulas de filosofia hoje em dia, puro ensinamento marxista. Seria completar a desgraça atual. Um adendo, procurando por "Keynes" na wikipedia.pt me deparei com o seguinte: "Em 1999, a revista Time nomeu Keynes como uma das cem pessoas mais influentes do século XX, dizendo que 'sua ideia radical de que os governos devem gastar o dinheiro que não têm pode ter salvado o capitalismo'."
    É por isso que não posso sequer cogitar aulas de economia padrão MEC
  • Alex sss Dornas  08/12/2014 17:41
    Boa tarde a todos.Seria realmente inteligente e libertador se todos ensinos,privado e público adotassem educação financeira com disciplina.
    Grato.
  • Andre Cavalcante  29/03/2012 08:17

    Parabéns novamente ao Leandro e equipe IMB pelos artigos. São fantásticos.

    Agora me passou pela cabeça o seguinte, e que alguém poderia comentar: "Se é verdade que as gerações futuras serão mais pobres, porque hoje as pessoas vivem melhor que a 100 anos, a despeito que o gasto do governo (e a dívida), em escala mundial, tem aumentado continuamente neste tempo? Já não era para estarmos todos pobres?"

    Tenho algumas ideias de como contrapor, mas vou aguardar os outros comentários...

    Abraços
  • Leandro  29/03/2012 08:26
    Apenas para deixar claro, o artigo não fala em "mais pobres" em termos absolutos, mas sim relativos -- o que significa que as pessoas estão menos ricas do que poderiam estar.

    Estamos melhores hoje do que estávamos há cem anos graças ao capitalismo, aos empreendedores, às invenções, ao comércio, à propriedade privada, à divisão do trabalho, à poupança de vários, aos investimentos, ao progresso tecnológico etc.

    E tudo isso apesar dos governos e suas depredações. Não fossem os déficits, os impostos e as regulamentações, por exemplo, estaríamos com um padrão de vida muito mais alto; haveria menos pobreza. O governo atrasa a velocidade do progresso; ele não a fomenta.

    Grande abraço e obrigado pelos elogios!
  • Andre Cavalcante  29/03/2012 12:53
    Yeh!

    Era mais ou menos o que pensava.

    Vou frisar bem e sempre: prosperamos apesar do governo e não por causa do governo.

    Valeu!
  • mauricio barbosa  29/03/2012 08:28
    Em tempo a educação financeira em sendo implantada,seria uma forma de conscientizar nossos jovens acerca da escola austríaca,o poder das idéias seria posto em prática com resultados satisfatórios no curto e no longo prazo essa também é a minha esperança como um economista admirador de MISES.
  • anônimo  29/03/2012 10:06
    Leandro,

    Estou começando um curso de economia para profissionais de outras áreas e ainda estou vendo sobre a parte histórica.

    Gostaria de entender em que grupo se encaixam os austríacos: ortodoxos ou heterodoxos? seriam monetaristas?

    Obrigado!

    Ps.: O professor é Keynesiano.
  • Leandro  29/03/2012 10:13
    Realistas.

    Somos os únicos a explicar como a economia realmente funciona. O resto é só besteirol ideológico e propaganda político-partidária.

    Abraços e boa sorte!
  • Daniel Marchi  29/03/2012 11:49
    A reflexão acerca do caráter realístico da EA pode parecer banal, mas é de extrema importância. Principalmente para os economistas (de)formados segundo o paradigma mainstream, como eu. O sincero aprofundamento nesse tema me fez rever tudo o que aprendi na universidade.

    Um dos pilares da EA é - se me permitem a ousadia – a não separação entre a economia do mundo real (ação humana ao longo do tempo) e a teoria econômica. Por mais surpreendente que seja, isso distingue a EA de todas as outras escolas de pensamento econômico.

    Tomemos os dois casos mais famosos. Os agregados keynesianos por si só já afastam essa escola da realidade. Não correspondência no mundo real para agregados homogêneos como "PIB", "Investimento" e "Nível de preços". A facilidade matemática que esses aglomerados permite acaba por mascarar o que mais importa: os agregados não existem e ignoram a ação humana no tempo.

    O outro caso diz respeito àquilo que se conhece como microeconomia neoclássica. Com o devido respeito, seus pressupostos não simplificam a realidade, mas criam uma inexistente e inumana. Produtos homogêneos, agentes (todos) tomadores de preço, perfeito acesso à informação e demais pressupostos afastam essa abordagem das experiências reais mínimas de cada ser humano que age nos mercados. Nesse contexto, a citação abaixo de Friedman acaba fazendo sentido! Nada pode ser descrito como verdadeiramente "real" no mundo neoclássico e o empiricismo resultante mais parece um arremedo.

    "A pergunta relevante a ser feita sobre as suposições de uma teoria não é se elas são descritivamente realistas, pois nunca serão, mas sim se elas representam uma aproximação suficientemente boa para o propósito em questão. E esta pergunta pode ser respondida somente ao se observar se a teoria funciona, o que significa observar se ela gera previsões suficientemente acuradas." (Milton Friedman, Essays in Positive Economics, 1953).

    Em suma, a resposta do Leandro ("Realistas.") não é uma afirmação de efeito ou escape para uma pergunta capciosa. A EA é realista porque seus fundamentos e suas conclusões dizem respeitos a fenômenos, sensações e ocorrências estritamente amarradas à realidade. Apenas reflitam sobre o axioma da ação humana, o processo de mercado, a heterogeneidade do capital, a não neutralidade da moeda e a dispersão do conhecimento, só para ficar nos pilares mais famosos. Em suma, a EA é a teoria econômica da ação humana no mundo real, gostem dele ou não. Assim é porque assim tem que ser! Qualquer coisa fora disso, no melhor dos casos, não passa elucubração estéril.
  • Diego Cardoso  30/03/2012 07:52
    O interessante é que nessa linha discussão, contrapondo à posição austríaca, o que Friedman e sua metodologia positivista defendem é justamente o irrealismo! Um método que pode, no máximo, apontar coincidências factuais, mas nunca derivar de forma confiável uma relação precisa de causalidade.

    E obrigado Leandro pela tradução desse artigo. É claríssimo na argumentação!
  • Marconi  08/12/2014 15:49
    Lamento informar, mas, embora a escola austríaca seja boa, ela falha num ponto crucial que é o entendimento do que é a taxa de juros.

    Para os austríacos, uma pessoa com mil laranjas preferiria consumir todas hoje do que uma por dia, por exemplo. Então, se ela empresta suas laranjas a juros, é porque ela está fazendo um sacrifício hoje para um ganho futuro.

    É claro que isso é uma tremenda bobagem. No entanto, muito do pensamento da escola austríaca é semelhante a de chicago, que é a verdadeira escola econômica.

  • Marcola  08/12/2014 17:07
    "uma pessoa com mil laranjas preferiria consumir todas hoje do que uma por dia, por exemplo. Então, se ela empresta suas laranjas a juros, é porque ela está fazendo um sacrifício hoje para um ganho futuro."

    Não, Zé Gotinha. Você confundiu duas teorias completamente distintas. Querer ter algo não é o mesmo que querer comer algo. Todo mundo quer ter comida, mas ninguém que quer ter comida quer comer toda a comida de uma só vez.

    Querer ter algo envolve o teorema da utilidade marginal. Querer comer algo envolve o teorema da saciação, algo que Mises foi extremamente cuidadoso em definir e em diferenciar.

    Inventar um espantalho para então bater neste espantalho e dizer que assim refutou uma teoria é postura de vigarista intelectual. Ou de um ignaro.

    Apenas ignaros (ou caluniadores) dizem que duas coisas completamente distintas são na verdade a mesma coisa.
  • Marconi  08/12/2014 17:33
    Então?! O que provei é que a explicação austríaca para taxa de juros (preferência temporal) é uma tremenda bobagem.

    Se cara tem um trilhão de dólares, laranjas, rosquinhas ou qualquer outra coisa, ele não empresta porque está preferindo um ganho futuro ao consumo presente. Ele empresta porque é a única coisa lógica a fazer. Simplesmente não dá pra ele consumir toda a fortuna no presente. Não é questão de preferência temporal. Pode ser pra mim, pra você.. mas, a medida que vamos subindo na pirâmide e chegando aos super-ricos, essa teoria se mostra furada.
  • Guilherme  09/12/2014 02:47
    "Se cara tem um trilhão de dólares, laranjas, rosquinhas ou qualquer outra coisa, ele não empresta porque está preferindo um ganho futuro ao consumo presente. Ele empresta porque é a única coisa lógica a fazer."

    Hein?! Se ele tem um trilhão de rosquinhas e decidir emprestar uma, ele provavelmente nem vai cobrar juros por esse empréstimo, pois uma unidade a menos em um universo de um trilhão não é nada. Isso é a teoria da utilidade marginal em sua forma mais pura.

    Já se ele decidir emprestar um trilhão de dólares, então ele irá cobrar juros, pois um trilhão de dólares hoje vale mais do que um trilhão de dólares daqui a alguns anos, quando o empréstimo for quitado. Logo, cobrar juros é a coisa lógica a ser feita.

    Aí eu pergunto: cadê a tão prometida refutação? Era isso? E você ainda assina seu nome? Devo confessar que isso realmente é ter coragem...
  • Blah  09/12/2014 14:25
    Se cara tem um trilhão de dólares, laranjas, rosquinhas ou qualquer outra coisa, ele não empresta porque está preferindo um ganho futuro ao consumo presente. Ele empresta porque é a única coisa lógica a fazer. Simplesmente não dá pra ele consumir toda a fortuna no presente. Não é questão de preferência temporal. Pode ser pra mim, pra você.. mas, a medida que vamos subindo na pirâmide e chegando aos super-ricos, essa teoria se mostra furada.

    Olha, cara, eu não quero ter que dar aulas de lógica para você, mas eu só vou passar aqui para dizer que "Lógica" e "Preferência Temporal" não são excludentes.
  • Felipe  08/12/2014 19:49
    Marconi, você só passa vergonha nesse site.

    Primeiro, sua interpretação sobre preferência temporal está equivocada.

    Um indivíduo não decide escolher entre mil laranjas agora ou comer 1 por dia, ele decide entre comer 1 laranja agora ou depois. É por isso que é necessário entender a lei da utilidade marginal. Pode-se que depois da segunda laranja o indivíduo já não tenha nenhuma satisfação em comer laranja, e portanto não sendo aplicado ao conceito de preferência temporal.

    Vejamos a interpretação correta:

    A preferência temporal, que incide no juros, explica que damos mais valor a atender a uma necessidade hoje do que atender amanha. É só responder a questão, o que vale mais para você, ter 100 reais agora ou 100 reais daqui uma semana?

    Assim, podemos entender a existência do juros, se valorizamos 100 reais agora mais do que 100 reais daqui uma semana, precisamos então inserir o juros para igualar os valores. 100 hoje vale 101 reais daqui uma semana.
  • Felipe  08/12/2014 20:43
    corrigindo: Pode ser* que
  • Marconi  09/12/2014 14:02
    A questão é que Mises quis dar uma roupagem humana nos juros. Cobrar juros devido a preferência temporal é moralmente correto. Só que, infelizmente, o juros é isso só até um ponto. Depois, a medida que a fortuna atinge níveis sobre-humanos, o juros mostra sua verdadeira natureza exploratória.

    Juros moralmente válidos requerem um determinado nível - não gigantesco - de diferença de renda entre a base e o topo da pirâmide social. Os juros moralmente corretos tem também alguma relação com o rendimento médio do capital.

    Creio que, se vivêssemos num livre-mercado, os juros tenderiam a ser os juros moralmente corretos, daí a explicação austríaca.
  • Rod  09/12/2014 19:48
    Caros,

    Leio sempre o site e os comentários. Em geral as respostas são bem agressivas. Não acham que isso pode afastar simpatizantes e futuros libertários?

    My two cents,
  • Taylor  09/12/2014 20:28
    Pois eu frequento esse espaço há cinco anos, e jamais vi ser maltratada uma pessoa que tenha entrado aqui com educação, humildade e compostura, fazendo perguntas em vez de afirmações caluniosas, grosseiras, sarcásticas ou arrogantes.

    Não é muito difícil entender, é?

    Eu, por exemplo, jamais invado a área de comentário de sites de medicina para agredir ou fazer afirmações arrogantes e grosseiras sobre um assunto do qual eu não entendo. Eu tenho essa humildade de reconhecer minha ignorância naquele assunto.

    Por que então os pára-quedistas que entram neste site -- e que sem nem sequer se dão ao trabalho de ler ao menos uns três artigos para entender conceitos básicos de economia -- não podem ter essa mesma postura?


    P.S.: esse Marconi é figurinha carimbada aqui. Já faz uns 4 anos que ele faz questão de vir aqui apanhar semanalmente. Por isso que todos o zoam com gosto.
  • anônimo  29/03/2012 10:25
    Leandro,

    Sou iniciante no IMB e acopanho a pouco menos de um mês os artigos. Estou gostando muito de tudo. Quero muito mostrar o IMB para este professor e gostaria de saber se tem algum artigo em especial que você recomenda para que eu mostre à um professor Keynesiano que fizesse uma primeira visita ao site do IMB.

    Algo que seja um choque nas teorias Keynesianas capaz de converte-lo ao Austrianismo.

    Obrigado novamente e sucesso!
  • Leandro  29/03/2012 11:22
    Prezado, temos inúmeros artigos sobre keynesianismo, como você pode comprovar em nossa seção especial sobre o tema.

    Dentre os quais, destaco:

    Quatro imagens mentais para imunizar pessoas sensatas contra o keynesianismo
    Keynes e a economia keynesiana
    As pedras viram pães: o milagre keynesiano
    Paul Krugman, a atual crise, sushis e a importância da teoria do capital
    O keynesianismo é uma constante
    A perigosa e destrutiva economia defendida por Keynes
    1920 - a última depressão na qual um governo não se intrometeu foi também a mais rápida
    Poupança, entesouramento e os erros keynesianos

    Mas não pense que você vai obter qualquer sucesso com seu professor. Você está prestes a lidar com um dos piores espécimes da raça humana: os intelectuais pagos para serem arrogantes e se acharem os donos da verdade.

    Mas é perfeitamente possível entender essa fé cega que essa gente tem no keynesianismo. Afinal, se você investiu toda a sua vida e toda a sua carreira acadêmica ou profissional defendendo teorias keynesianas, ou se a sua fé no estado é aquilo que dá sentido à sua vida, divorciar-se da economia keynesiana seria um choque e tanto. Dependendo da idade do sujeito, o estrago pode ser irreparável.

    Se você realmente estiver decidido a confrontá-los, saiba que sua vida acadêmica irá se transformar em um genuíno inferno, com perseguições, ameaças e até mesmo a não aprovação sistemática em algumas matérias. A academia simplesmente não suporta um nível excessivo de verdades. Muito menos suporta qualquer tipo de questionamento.

    Desejo-lhe muito boa sorte.

    Grande abraço e aproveite nosso site. Há quatro anos de material lhe aguardando.
  • André Ramos  29/03/2012 15:54
    Caro anônimo,\r
    todos os artigos que o Leandro citou são muito bons, mas nenhum texto sobre Keynes é melhor do que este: www.olavodecarvalho.org/convidados/0138.htm\r
    É um texto longo, mas simplesmente brilhante, fenomenal, genial!\r
    Boa leitura!\r
    Abs.
  • Fabio MS  30/03/2012 14:58
    André, esse artigo é muito bom mesmo - www.olavodecarvalho.org/convidados/0138 . Também recomendo a leitura.
  • anônimo  08/12/2014 22:14
    Esse artigo é uma b
    Comunismo é uma coisa, socialismo fabiano é outra e keynesianismo é outra diferente.
  • Daniel Herkenhoff  08/12/2014 14:27
    Tentar mudar a forma de pensar desta "elite intelectual" que comanda os cursos de economia é realmente um ato hercúleo. Suas convicções são em geral tão arraigadas que flertam com um fanatismo religioso, assim como os Marxistas e afins.

    Porém, cabe a nós enfrentá-los com educação, tolerância e inteligência, TODO O TEMPO. Para mim o mais complicado é a tolerância... Aguentar burrice é difícil, muito difícil.

    Abraço a todos!
  • Bernardo Santoro  10/07/2013 15:08
    Excelente artigo. Em qualquer discussão eu sempre tento dar um jeito de destacar o que foi escrito nesse artigo.
  • Renato Souza  10/07/2013 15:40
    O artigo é bastante interessante. Embora eu seja miniarquista, neste assunto eu penso virtualmente a mesma coisa que o autor.

    Noto que, quanto menor a unidade política, menor a tendência à secessão. É extremamente fácil imaginar um movimento separatista num pais grande, e isso foi sempre muito comum. Mas ninguém imagina um movimento separatista dentro de Andorra, por exemplo. Quanto menores as unidades políticas, menor o custo econômico, social e emocional da emigração. Principalmente com a facilidade de transporte de hoje. Então, é muito mais prático para os descontentes a saída.
  • Pedro Neto  10/07/2013 17:11
    Nesse caso, não comprar títulos do governo seria uma forma de secar a fonte, ou pelo menos parte dela? Deixar de pagar impostos é mais difícil, por conta da fiscalização. Acho meio impossível convencer os investidores a não comprar títulos do governo... infelizmente.
  • Roger  10/07/2013 18:25
    Estas coisas só vão mudar quando o sistema colapsar de vez. O que não parece estar muito longe (historicamente falando). Creio que precisamos espalhar os ideais liberais para que, quando o colapso acontecer, as pessoas não coloquem tudo na conta do capitalismo e vejam o comunismo como única alternativa viável.
  • Cauê  10/07/2013 20:36
    Tenho a mesma opinião ... espero o dia em que essa p**** vai virar a URSS

    Por enquanto, só analisando para escolher um país que irá para frente e não pra trás... mais tá difícil hauha...

    Acho que vai terminar em guerra.

    Acho que vou começar a projetar um foguete pra lua. Quem topa ? UAHUAH
  • João  11/07/2013 01:23
    100 bilhões gastos em uma festa de arromba criam milhares de negócios, empregos e consumo. Bilhões circulando geram outros bilhões. Se ficarem guardados debaixo do colchão só geram alimento para fungos e ácaros.
  • Leandro  11/07/2013 01:40
    "100 bilhões gastos em uma festa de arromba criam milhares de negócios, empregos e consumo."

    Durante quanto tempo? Quanto tempo irá durar essa festa de arromba? Os empregos criados são duradouros?

    "Bilhões circulando geram outros bilhões."

    Por meio de qual mágica? O que gera riqueza é divisão do trabalho, poupança, acumulação de capital, capacidade intelectual da população (se a população for burra, a mão-de-obra terá de ser importada), respeito à propriedade privada (o que implica baixa tributação), segurança institucional, desregulamentação econômica, moeda forte, ausência de inflação, empreendedorismo da população, leis confiáveis e estáveis, arcabouço jurídico sensato e independente etc.

    A quantidade de dinheiro circulando ou a sua "velocidade de circulação" não fazem nada para gerar riqueza.

    "Se ficarem guardados debaixo do colchão só geram alimento para fungos e ácaros."

    No atual sistema financeiro e monetário, não existe isso de "dinheiro embaixo do colchão". Quem faz isso perde seu poder de compra por causa da inflação. A esmagadora fatia do dinheiro está em depósitos bancários, os quais rendem juros. Adicionalmente, este dinheiro é emprestado em uma quantidade várias vezes maior do que a quantidade inicialmente depositada (por causa das reservas fracionárias). Portanto, essa sua preocupação é totalmente infundada.
  • Italiano  09/12/2014 03:45
    É uma satisfação ler os Artigos do Site Mises; conheci ha pouco e já está favoritado. Trago aqui um trecho do Artigo de Francisco Pompeu de nome O SISTEMA FINANCEIRO É CAPITALISTA?


    5. Um aspecto fundamental do sistema de livre mercado, o respeito ao direito de propriedade, não vigora no sistema financeiro. As regras vigentes hoje permitem o regime de coeficiente de caixa fracionário, ou seja, dos depósitos recebidos apenas uma fração permanece no caixa à disposição dos depositantes. A adoção do coeficiente de caixa fracionário implica alavancagem dos recursos realmente existentes nos cofres das instituições financeiras. Os bancos, ao receberem o depósito de um cliente com o compromisso implícito de guardá-lo em segurança, em função dos mecanismos de alavancagem, emprestam o dinheiro recebido para dezenas de outros clientes sem autorização expressa do depositante inicial. No caso dos bancos americanos o grau de alavancagem chegou a 32, ou seja, para cada dólar depositado o banco emprestava 32. Nos bancos brasileiros, mesmo escaldados pela recente crise que motivou o PROER, o grau de alavancagem passa de 12. O depositante tem seu direito de propriedade desrespeitado e o banco cria moeda do nada mediante expedientes meramente escriturais, atividade que, a rigor, não se distingue da simples falsificação de moeda. Note-se que os modernos instrumentos financeiros sobre os quais a mentalidade estatista e antilibertária joga a responsabilidade da crise atual não passam de novas e criativas maneiras de se cometer o velho pecado do multiplicador bancário.

    www.puggina.org/artigo/convidados/o-sistema-financeiro-e-capitalista/1874
  • Sérgio  11/07/2013 08:02
    Na verdade, é um equívoco dizer que o dinheiro "circula". Como todas as metáforas inspiradas nas ciências físicas, dizer que o dinheiro "circula" sugere algum tipo de processo mecânico independente da vontade humana, cujo fluxo se move a uma dada rapidez ou "velocidade". Na realidade, o dinheiro não "circula"; ele simplesmente é, a cada momento, transferido do encaixe de uma pessoa para o encaixe de outra pessoa. A existência do dinheiro, repetindo, depende da disposição das pessoas em manter encaixes.

    Por favor, leia estes textos:

    O avarento que acumula e guarda dinheiro em sua gaveta pode prejudicar uma economia?

    Não é o consumo que cria a prosperidade
  • Felipe de Lima  11/07/2013 04:44
    Prezado Leandro,

    Gostaria que, se possível, confirmasse uma informação:

    É verídico que Milton Friedman era Chicagista? O.O

    Pois pelos comentários e debates que eu assisti no youtube, ele não parecia ter este perfil, e tampouco demonstrava ser alguém que gostasse de uma "pequena e sadia inflação".

    Grato pela atenção!
  • Leandro  11/07/2013 05:44
    Friedman era sensacional em quase tudo o que falava. Mas derrapava quando falava sobre teoria monetária. Como bem explicou Jesús Huerta de Soto neste artigo, Friedman não entendia a teoria da estrutura do capital, o que o tornava incapaz de prever os ciclos econômicos e de entender a sua mecânica. Pouco antes de sua morte em novembro de 2006, ele havia se derretido em elogios a Greenspan, reputando-o como um maestro que havia acabado com os ciclos econômicos. (Para um chicaguista, a única variável que deve ser analisada é o "nível de preços". Se este estiver bem comportado, então a economia está ótima. Esse foi o seu grande erro).

    Além de sua defesa intransigente do monopólio estatal da moeda, também não ajudou em nada o fato de Friedman ter sido o criador do imposto de renda retido na fonte.

    Mas foi um excelente economista e um estupendo debatedor. Merece muito respeito.
  • Jorge Castro  12/07/2013 13:20
    Boa tarde Senhores,

    Sei que deve haver algum material aqui sobre isso, porém não consegui achar..
    Pelo o que tenho estudado vejo que a taxa de juros normal é refletida através da disponibilidade dos meios que podem ser emprestados e que a tendência é sempre ela voltar ao "normal" mesmo quando tentam reduzir artificialmente a mesma, Porém por que por exemplo os EUA conseguem praticar taxas próximas de 0 e aqui no Brasil são praticadas taxas tão altas mesmo com a redução artificial? Seria o risco do nosso país e teria algo a ver com a remuneração dos títulos da dívida?
  • Leandro  12/07/2013 13:34
    A explicação não é das mais simples, mas vou tentar resumi-la.

    1) As taxas de juros vigentes no Brasil são anormalmente altas por causa de uma opção errada de política monetária e cambial que foi adotada em julho de 1994.

    Para entender qual foi esse erro e entender por que os juros seriam menores caso uma outra opção tivesse sido implementada, leia este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1601

    Após ter lido e entendido o artigo acima, que explica as origens dos nossos altos juros, sugiro este outro, que explica por que eles se perpetuam:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1094

    2) As taxas de juros dos EUA estão baixas porque os bancos estão lotados de reservas bancárias. E bancos lotados de reservas não recorrem ao mercado interbancário, o que faz com que a taxa de juros vigente neste mercado -- que é justamente a taxa básica de juros da economia -- seja quase nula.

    Explicando melhor: a taxa de juros interbancária -- que é equivalente à nossa SELIC -- é formada pela taxa que os bancos cobram entre si no mercado interbancário; é a taxa que o banco A cobra para emprestar dinheiro ao banco B no final do dia, quando as reservas do banco B ficam abaixo daquele nível mínimo determinado pelo Banco Central (o chamado compulsório).

    Atualmente, nos EUA, tal taxa está próxima de zero porque o Fed criou muito dinheiro e esse dinheiro ficou represado no sistema bancário, criando reservas em excesso (reservas em um nível muito acima daquele exigido como compulsório pelo Fed). E exatamente por causa das reservas em excesso, os bancos americanos não têm a menor necessidade de recorrer ao mercado interbancário para recompor suas reservas, simplesmente porque o sistema bancário americano está nesse momento com US$1,3 trilhão de reservas em excesso, em decorrência justamente das impressões monetárias feitas pelo Fed.

    Para entender melhor essa questão do interbancário, sugiro este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1574
  • Jorge Castro  12/07/2013 14:37
    Show de bola! Muito obrigado Leandro...

    Só abusando mais um pouco de você, se as reservas estão altas em relação ao compulsório e os juros baixíssimos, na sua opinião, eles estão caminhando para uma nova fase de alta do ciclo econômico aumentando cada vez mais o impacto no futuro ou eles aprenderam a lição e os próprios bancos estão mais cautelosos na hora de conceder os empréstimos e a taxa de juros seguindo assim, um movimento "normal"?
  • Leandro  12/07/2013 14:56
    Difícil dizer, pois a situação atual é totalmente atípica. O Fed está pagando juros de 0,25% ao ano (o valor da SELIC deles) sobre estas reservas em excesso.

    Os bancos preferem manter este dinheiro depositado junto ao Fed e rendendo 0,25% ao ano (o que dá um rendimento total anual de uns US$ 7,5 bilhões para todo o sistema bancário) a emprestá-lo para empresas e indivíduos, algo arriscado no atual cenário de incerteza.

    No entanto, no momento em que quiser, o Fed pode forçar os bancos a emprestar este dinheiro: basta aplicar uma multa sobre estas reservas em excesso.

    Isso foi explicado neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1182

    E há também o fato de que os bancos foram severamente afetados pela bolha imobiliária, cujo estouro depreciou severamente seus ativos e os deixou com sérios problemas contábeis. Este dinheiro depositado junto ao Fed é contabilizado como um ativo, o qual ajuda a melhor o índice de Basileia destes bancos.

    Isso foi explicado neste artigo com enfoque na Europa, que passou exatamente pelo mesmo problema:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1514

    Não tenho a mínima ideia de como os bancos americanos agirão daqui pra frente e nem do quê o novo presidente do Fed (que assumirá em fevereiro do ano que vem) irá fazer.
  • Henrique  17/06/2014 14:28
    Numa recente discussão sobre o assunto, trouxe à tona essa questão de que o endividamento do governo via inflação monetária só traz mais obrigações para aqueles que não nasceram. Afinal, quem pagará essa dívida?

    O cara em questão foi sucinto: ninguém vai pagar essa dívida. Ela vai continuar por aí pra sempre.

    Então comecei a me perguntar o que impede que a dívida seja rolada indefinidamente. Seria possível que o governo fosse capaz de ludibriar as pessoas ad aeternum?
  • Cassim  08/12/2014 22:19
    Você já o paga: na forma de amortizações, inflação e uma eterna tendência de esses dois piorarem: quanto mais rolada (imagine o processo como análogo ao refinanciamento) uma dívida é, maiores serão seus juros e amortizações e maior será o título de dívida necessário emitido para rolar essa dívida de novo e por aí vai, até que a moeda case com os dólares zimbabuanos (algo que o cartel bancário não quer).

    E digo mais: se tomarmos a Selic como referência, a consequência desta contínua rolagem será uma taxa de juros que será historicamente mais alta, pois ela que determina o juro pago pelo governo federal com cada título emitido: ou seja, menos margem para uma expansão creditícia artificial - horror de qualquer amigo keynesiano ou economista estatista (exemplo: Brasil)

    Poderia ficar até amanhã listando possibilidades e consequências, mas temo que já digitei muito sem pensar antes. Espero ter ajudado, porém.

    Alguém poderia julgar rapidamente meu dois primeiros parágrafos?
  • Joaob  08/12/2014 20:07
    Nao coloque a foto dela NUNCA

    NAO LI O ARTIGO
  • Wesley  08/12/2014 20:50
    Olá, queria saber como países que têm uma dívida pública imensa como os EUA e o Japão conseguem manter uma inflação baixa. Vejo que o Brasil nunca conseguiu ter uma inflação de 1 ou 2%. A inflação brasileira é relativamente alta (geralmente acima de 5 ou 6% desde os governos do FHC, Lula e Dilma). Isso é incompetência ou malandragem? Além do mais a dívida pública contraída pelos governos parece ser algo insustentável e absurdo. Falo não só do brasileiro mas também do americano e dos países europeus. No caso vejo apenas duas saídas: ou isso irá no futuro gerar uma crise econômica imensa ou essa dívida irá ficar rolando eternamente. Além do mais, qual a melhor estratégia para se proteger da inflação? Comprando dólares? Investindo em BitCoins? Um abraço!
  • Leandro  08/12/2014 22:36
    A do Japão é fácil.

    O mercado de crédito do Japão segue estagnado desde que o estouro da bolha imobiliária no início da década de 1990 descapitalizou seus bancos e os transformou em zumbis. Bancos descapitalizados não fazem empréstimos para pessoas e empresas. Por isso, a expansão do crédito no Japão é muito baixa, o que ajuda a não pressionar a inflação de preços.

    Aliás, em relação ao início da década de 1990, houve uma deflação no crédito. Pode conferir aqui.

    Por outro lado, a dívida pública é decorrente dos variados programas de estímulos do governo, principalmente de obras públicas. Isso realmente pressiona a inflação de preços. Porém, dado que o crédito encolheu, e muito, isso pressionou os preços para baixo.

    No que mais, a população japonesa tem um comportamento exatamente oposto ao do seu governo: ela é poupadora. Sendo assim, ela compensa o comportamento perdulário do governo.


    Já a dívida pública dos EUA aumentou enormemente quando o governo americano resolveu socorrer seus bancos, que ficaram descapitalizados em decorrência do estouro da bolha imobiliária em 2008.

    Ou seja, o governo emitiu títulos, pessoas, empresas e fundos de investimento (nacionais e estrangeiros) compraram esses títulos, e o dinheiro foi parar no caixa dos bancos.

    Veja a evolução da dívida pública dos EUA. Ela dispara justamente em 2008.

    Mas há outros detalhes. O mercado de capitais nos EUA é extremamente desenvolvido. Lá, ao contrário daqui, pessoas e empresas são tão ativas quanto os bancos na hora de comprar títulos. E pessoas e empresas que compram títulos não criam dinheiro.

    E há também o fato de que a economia dos EUA é muito aberta, com baixíssimas tarifas de importação. Essa liberdade de importar ajuda a pressionar os preços para baixo.
  • Wesley  12/12/2014 22:47
    Agradeço a resposta. Em relação as demais perguntas, caso você possa responder - sobre a inflação elevada no Brasil, isso é incompetência ou malandragem? Além do mais, qual a melhor estratégia para se proteger da inflação? Comprando dólares? Investindo em BitCoins? Um abraço!
  • Snipes  12/12/2014 23:55
  • Henrique  09/12/2014 11:33
    As gerações futuras da Somália, então, estão livres da dívida pública?
  • Felipe  09/12/2014 14:33
    Estão, e também de qualquer progresso econômico por conta da sua historia marcada por ditaduras socialistas e conflitos entre grupos nacionalistas.
  • Adriano  09/12/2014 16:04
    Só até o momento em que os políticos de lá começarem a farra do endividamento de novo.
  • Fernando Chiocca  09/12/2014 18:25
    "e dado que essa dívida pública terá de ser arcada pelas gerações futuras"

    Por que?
    Ninguém é obrigado a pagar uma dívida que não contraiu.
    Essa inferência é absurda.

    Dívida pública não tem que ser paga nunca. Quem contraiu dívida com um grupo de criminosos que se propõe a pagar suas dívidas assaltando os outros, tem mais é que tomar um calote mesmo.
  • Pobre Paulista  09/12/2014 20:35
    Todos tem o direito de se endividar. Inclusive os criminosos.

    O risco está embutido na taxa de retorno. Quem acha que o risco está bem precificado pelos juros, financia a dívida, pouco se importando se o endividado é o governo, se é um empresário abrindo um negócio ou se é um traficante de crianças escravas.

    Defender calotes dolosos é defender quebras unilaterais de contratos. Não acho que esta seja uma atitude honesta de um libertário.
  • gabriel  09/12/2014 21:13
    Seria uma quebra unilateral de contrato se quem de fato realiza o pagamento fosse o contratante. Como o pagador de impostos não necessariamente defende tal arranjo seria desumano cobrar deste alguma coisa.
    Defender isso é o mesmo que defender que eu possa fazer um contrato envolvendo um dinheiro que tem que ser pago por você, e que você deveria sim pagar o estipulado nesse contrato para ter uma 'atitude honesta de um libertário' já que
    Defender calotes dolosos é defender quebras unilaterais de contratos. Não acho que esta seja uma atitude honesta de um libertário.

    Ninguém defende isso imagino. Talvez você veja alguma legitimidade na dívida pública seria mais eficaz atacar nesse ponto se quer defender a dívida. Não se está defendendo a quebra de contratos em geral, e sim a legitimidade deste em específico.
  • Pobre Paulista  09/12/2014 22:44
    Não estou falando sobre a legitimidade da dívida pública e sim da soberania do contrato envolvendo duas e apenas duas partes. Estou afirmando que quando "A" empresta para "B", não é problema de "A" saber como "B" vai fazer para pagar no futuro. "A" precifica o risco de "B" pagar ou não através das taxas de juros e fim.

    Se vc me emprestar R$100,00 para eu te pagar R$110,00 daqui a um ano, e daqui a um ano eu roubo R$ 110,00 de uma velhinha indefesa para te pagar, você por acaso cometeu alguma imoralidade? É justo que você fique sem os seus R$ 110,00 só porquê eu fiz algo errado? Se eu roubei a velhinha indefesa, é um problema meu com ela.

    Além disso, se as pessoas pagam seus impostos sem reclamar então elas são coniventes com o sistema. Qualquer um pode sonegar impostos e aceitar o risco. Mas se pagam, então aceitam tacitamente a soberania estatal, e portanto não há nada de errado em o governo usar o dinheiro como ele bem entender, seja para pagar juros de dívida, seja para pagar bolsa família ou desviar para os bolsos dos políticos.

    Mas se eu emprestei dinheiro para "X", seja "X" um empresário, uma dona de casa, um gângster ou o governo, eu espero que "X" pague exatamente o combinado.
  • gabriel  10/12/2014 09:58
    Sim, acredito que concordamos em partes (talvez ate totalmente apenas não nos comunicamos direito).

    Quanto aos que concordam com o arranjo e pagam por isso e não pela força ou ameaça de força, concordo o governo que pague. Não defendo que os governos por si caloteiem sua propria dívida, caso arrecadem dinheiro dessa maneira e não por meio da força. Porém se defende que se cumpra contratos como prioridade, acima da prioridade do PNA, espero que por coerencia aceite ser roubado por qualquer ladrão que lhe mostrar um contrato dizendo que vc deve dar seu dinheiro a ele.

    O ponto que discordamos talvez, seja no seu exemplo que uma pessoa indefesa é roubada para pagar sua dívida. Pois a mim importa sim como foi conseguido o dinheiro, e o não pagamento da dívida esta computado nos juros cobrados, pode ser que tal pessoa não consiga lhe pagar. Por isso não se empresta a qualquer um, vá pedir um emprestimo em uma instituição séria no minimo te questionam sua renda, alienam bens, e isso para terem alguma garantia que voce estara apto a pagar o que deve.

    O problema em quem empresta a governos via compra de titulos publicos, é que a garantia do governo de pagar a divida é o uso da força. Seria como eu emprestar a um ladrão confiando na sua habilidade de roubar pra me pagar, não é uma atitude desesperada e eu ja sei de antemao que o pagamento é por essa via, a menos que eu não conheça o funcionamemto dos governos, mas aí seria um problema de avaliação, você enprestou a alguem que não tinha meios de pagar essa dívida, pode admitir isso ou apoiar que se espolie outros pra pagar suas dividas. Num mundo assim qualquer um com dívidas teria o direito de roubar já que 'os contratos tem de ser respeitados a qualquer custo'.

    Nao sei se realmente é sua visão, imagino que estejamos num mal entendido aqui mas se puder colaborar com mais alguma contribuição ou me mostrando algum ponto que deixei de considerar fico grato
  • Fernando Chiocca  10/12/2014 17:33
    Pobre Paulista

    "O risco está embutido na taxa de retorno. Quem acha que o risco está bem precificado pelos juros, financia a dívida, pouco se importando se o endividado é o governo, se é um empresário abrindo um negócio ou se é um traficante de crianças escravas.

    "Defender calotes dolosos é defender quebras unilaterais de contratos. Não acho que esta seja uma atitude honesta de um libertário."


    Atitude honesta de um libertário seria o que; defender que uma velhinha seja roubada pra pagar uma dívida que um emprestador contraiu voluntariamente??

    Quem empresta para um bandido conhecido, que é o estado, merece sim tomar calote.

    Como diz Rothbard em
    O que fazer com a dívida do governo federal brasileiro?


    "Proponho, portanto, uma maneira aparentemente drástica, porém na realidade muito menos destrutiva de se quitar a dívida pública de uma vez só: um total e imediato repúdio"
  • Pobre Paulista  10/12/2014 20:42
    Fernando, admiro suas posições e convicções, mas vc está evitando dolosamente entender o meu ponto.

    Quando "A" faz algum negócio, por qualquer que seja, com "B", não interessa a nenhuma das partes como que a outra faz para obter o produto negociado. Ex: Quando eu compro coca-cola, não ligo se lá tem folha de coca ou não, não ligo se a fábrica emprega 10 máquinas ou 1000 funcionários, não quero saber se ela sonegou impostos nem nada. Só quero matar minha sede.

    Você está sugerindo que, antes de "A" fechar um negócio com "B", "A" deva bisbilhotar todo o histórico e a vida da "B", e submetê-lo a um filtro moral supostamente universal, que aparentemente é melhor do que o próprio filtro de "A". Existe portanto algo mais importante que o individualismo e o livre-arbítrio de "A".

    Simplesmente não é viável, nem conceitualmente e nem na prática, uma sociedade onde todos estejam eternamente policiando o que os outros fazem de suas vidas. Me perdoe, mas isso parece mais um comunismo stanilista do que uma defesa da liberdade.

    Então volto a meu ponto. "A" fez um negócio, qualquer. Este negócio consiste em emprestar dinheiro para "B", com o acordo de "B" pagar a "A" de volta depois de um tempo com uma taxa de juros embutida. O contrato FOI firmado, de livre e espontânea vontade de ambas as partes, e portanto deve ser cumprido. Não tem nada de PNA para ser aplicado aqui. Nada, nadinha. Agora, se existe um "C" que é vítima de "B", então que "C" se acerte com "B". O "A" não tem nada com isso.

    Uma sociedade que não cumpre contratos não tem confiança para negócios e portanto não tem base para progredir.

  • Fernando Chiocca  11/12/2014 18:00


    Você que está evitando ridiculamente entender o óbvio.

    E ninguém precisa bisbilhotar nada pra saber que o estado é um ladrão monumental. Quem emprestar pra um ladrão desses tem mais que se ferrar mesmo.

    "A" fez um negócio, qualquer. Este negócio consiste em emprestar dinheiro para "B", com o acordo de "B" pagar a "A" de volta depois de um tempo com uma taxa de juros embutida. O contrato FOI firmado, de livre e espontânea vontade de ambas as partes, e portanto deve ser cumprido. Não tem nada de PNA para ser aplicado aqui. Nada, nadinha. Agora, se existe um "C" que é vítima de "B", então que "C" se acerte com "B". O "A" não tem nada com isso.

    Exato! O contrato foi firmado de livre e espontânea vontade de ambas as partes! "A" emprestou porque quis, se arriscou. Já "C" não firmou contrato algum e não deve ser forçado a pagar nada. Obriga-lo a pagar o empréstimo que "A" concedeu espontaneamente é violar o PNA. O "A" tem tudo a ver com isso pois ele que concedeu o empréstimo. "C" que não tem nada a ver com isso.
    "A" que se vire para tentar fazer cumprir seu contrato de outra maneira, que não envolva o roubo de terceiros.


    Você está sugerindo que, antes de "A" fechar um negócio com "B", "A" deva bisbilhotar todo o histórico e a vida da "B", e submetê-lo a um filtro moral supostamente universal, que aparentemente é melhor do que o próprio filtro de "A". Existe portanto algo mais importante que o individualismo e o livre-arbítrio de "A".

    Sim, tem mesmo que bisbilhotar a vida da outra parte, e isso já é prática comum, principalmente quanto a empréstimos, para saber se a outra parte tem condições de pagar, e qual seria a origem do dinheiro, para diminuir os riscos de empréstimos.

    Acho melhor você ler o artigo do Rothbard que eu linkei no comentário acima onde ele diferencia dívida pública de privada e diz o mesmo, que a pública deve ser caloteada.

  • Pobre Paulista  12/12/2014 01:59
    Fernando, a discussão aqui não é ficar repetindo o que já foi dito por fulano ou ciclano. Claro que já li Rothbard muitas vezes e eu aposto que você já leu Huerta de Soto, que sugere que o governo imprima dinheiro para quitar algumas dívidas públicas também. Não estou evocando conhecimentos alheios e sim alguns princípios fundamentais.

    Eu concordo com o que você disse: "A" se arriscou a emprestar para "B". OK, calote faz parte do risco do negócio.

    Mas uma coisa é dar o calote por uma falha honesta, operacional, um fracasso na utilização dos recursos por conta de previsões inacuradas ou imprevistos aleatórios. Outra coisa, completamente diferente, é você dolosamente trapacear o seu financiador, já tendo firmado um contrato sem a menor intenção de cumpri-lo.

    Trapaça é errado. "B" trapaceou "A" e isto é errado. Não é moralmente correto apoiar uma trapaça. Trata-se de um roubo puro e simples. Isso sim é uma iniciação de agressão. Este é meu ponto. É claro que não estou defendendo nem justificando o roubo que "B" fez de "C". Estou defendendo o cumprimento do contrato entre "B" e "A".

    E novamente, pouco importa se "B" é o governo da Coréia do Norte ou se é a Dona Neuza manicure da esquina. Não há nenhum fator de escala nesta análise. Calote doloso é roubo, e roubo é uma agressão. Portanto não se deve apoiar isso.

  • Fernando Chiocca  12/12/2014 17:04
    Repeti o que foi dito por fulano ou ciclano por que você questionou a credencial libertária de quem defendesse um calote. Mostrei só que apenas o Rothbard defende...

    Claro que calote é roubo, mas entre um emprestador voluntário que fez negócio com bandidos ser roubado, e um terceiro que nada tem a ver com isso ser roubado, quem tem que se ferrar é quem se envolveu voluntariamente com bandidos e investiu no roubo futuro alheio.
  • Grant  09/12/2014 20:46
    Paulista, o Fernando está utilizando o argumento jusnaturalista -- com o qual eu concordo na teoria -- de que o governo, ao se endividar, prometeu quitar sua dívida não com dinheiro próprio (que o governo não tem), mas sim com o dinheiro de terceiros que não foram consultados, e isso representa um atentado à propriedade destes.

    Logo, a dívida é imoral, injusta e a atitude correta seria o calote, até porque quem dá dinheiro para governo merece ser caloteado mesmo.

    Só que o escopo deste artigo é puramente técnico e realista, e não jusnaturalista
    -- afinal, queiramos ou não, e por mais que o Fernando proteste, o governo irá nos tributar para pagar essa dívida; e se resistirmos à tributação, seremos presos; e se resisitirmos à prisão, seremos fuzilados.
  • Fernando Chiocca  10/12/2014 17:42
    Grant

    "Só que o escopo deste artigo é puramente técnico e realista, e não jusnaturalista.."

    O jusnaturalismo é técnico e realista.

    "afinal, queiramos ou não, e por mais que o Fernando proteste, o governo irá nos tributar para pagar essa dívida; e se resistirmos à tributação, seremos presos; e se resisitirmos à prisão, seremos fuzilados."

    Isso é ter a mente submissa de uma servil ovelhinha. O governo não é uma realidade imutável. Não é uma certeza de que irá existir para sempre.
    A escravidão existiu por milhares de anos e hoje desapareceu. Se ao invés de se preocupar com o fim da escravidão os abolicionistas estivesses preocupados com a situação financeira dos donos dos escravos, pois se eles contraíssem dívidas iriam obrigar os escravos a trabalhar mais para paga-las, ainda não estaríamos nem perto a abolição.


  • Primo  09/12/2014 20:50
    Essa dívida publica que fica para as gerações futuras é o preço que se paga do desenvolvimento tecnológico criado pela geração passada. Ela poderia vir de graça, mas tem sempre um espertinho ( ou um bando deles ) ávido por capitalizar a coisa pública. Não existe nada mais capitalista que o governo, fez da esperança um negócio e cobra duas vezes.
  • Tio  09/12/2014 21:05
    "Essa dívida publica [...] é o preço que se paga do desenvolvimento tecnológico criado pela geração passada."

    Hein? Títulos emitidos pelo Tesouro para que o governo desse aumentos salariais para funças e financiasse seus empresários favoritos é algo decorrente do 'desenvolvimento tecnológico'? Não entendi esse pulo.

    "Ela poderia vir de graça, mas tem sempre um espertinho ( ou um bando deles ) ávido por capitalizar a coisa pública."

    A dívida "poderia vir de graça"? "Capitalizar a coisa pública"? Rapaz, você é roteirista de algum filme de Buñuel? É auxiliar de Salvador Dali?

    "Não existe nada mais capitalista que o governo, fez da esperança um negócio e cobra duas vezes."

    Esperança? Que esperança?
  • Senhor A  10/12/2014 12:38
    Eita, calma, calma aí, rapaz. Que misturada é essa?

    Quer dizer que a dívida pública é fruto do desenvolvimento tecnológico? Explique!

    Como assim viria de graça, aliás, o que viria de graça? Seu comentário não está escrito corretamente, é confuso.

    Sinceramente, teu post é tão estranho que quase nada entendi.
  • Primo  13/12/2014 15:27
    Prezados familiares, senhores e senhoritas é com muita alegria que venho nesse espaço que considero impar em toda a internet para dar melhores explicações do meu comentário. Desta vez tentarei ser o mais claro e sucinto de acordo com minas limitações literárias. Vivemos uma grande ficção pois toda teoria parte de axiomas e sem fé toda a realidade em que acreditamos pode ser distorcida. O homem pré-histórico vivia em bandos e desde então vem roubando para sobreviver. Ao retirar a maça da arvore o homem rouba o fruto dela, que é de propriedade da arvore, e utilizada pra sí como bem entende. A única opção da arvore é fornecer mais maças ou suicidar-se. O homem observador e astuto percebeu que poderia escravizar as macieiras estuprando a semente na terra virgem, aumentando a oferta e garantindo a exploração de macieiras. Entretanto o homem observador e astuto não estava só, tinha o homem que sabia que sabe e o homem nenhuma coisa e tal e vários outros homens. Para simplificar vamos enomear o primeiro de "homem", o segundo de "homem sapiens" e o terceiro de "homem neanderthal" os outros não importam nessa analise, por isso ficarão enomeados como outros mesmo. Com o passar do tempo as maças deixaram de ser das macieiras e passaram a pertencer ao homem de acordo com os ensinamentos passado de homem para homem. Entretanto o homem de neanderthal estava por fora das novidades e roubava as maças do homem plantador sem peso na consciência. Com o passar do tempo o homem plantador estava se sentindo explorado pelo homem de neanderthal e passaram e ter conflitos e altas discussões a respeito da posse das maças. O homem sapiens estava se sentindo incomodado com situação pois alguma coisa estava acontecendo e ele não participava do jogo. O homem observador, astuto e plantador vendo a ociosidade do homem sapiens lhe propôs um negócio:
    -Não deixe o homem de neanderthal roubar minhas macieiras que te dou um pouco das maças.
    O homem sapiens então passou a defender as macieiras com muito vigor que fez o homem de neanderthal ir embora das redondezas. As macieiras estavam estupendas e fartas de maças. Depois de algum tempo de paz e tranquilidade comendo maças, o homem de neanderthal ressurge junto com outros homens e invade a macieira. O homem observador, astuto, plantador e agora desesperado propõe ao homem sapiens:
    -Expulse os invasores das minhas terras e de darei por longos tempos muito das maças.
    Surge então a divida pública, que no desespero de defender e ampliar seu modo de vida o homem dá garantias futuras.
    O homem observador, astuto, plantador e desesperado que se apossou da coisa pública e se endividou para defendê-la e amplia-la desde então vende a esperança que no futuro a paz retornará. Seus descendentes pagam a dívida pois honram os contratos de seus ancestrais e acreditam que sem honra a sociedade se desmorona.
  • Eufrásia  10/12/2014 11:31
    Há quase dois dias que eu estou tentando fazer um comentário educado, e livre de expressões irascíveis. Mas isso é bem difícil, pois quanto mais se pensa no quão imoral é o endividamento do governo, mais se descobre o quão indecoroso ele é.

    Por exemplo: some-se a essa pequena amostra explicitada no artigo - de como a dívida do governo feita hoje afeta as gerações futuras - ao fato de que esse endividamento está inerentemente ligado (pelo menos atualmente) a políticas monetárias inflacionistas. Aí sim que esse argumento falacioso de que "nós devemos a nós mesmos" se revela ainda mais danoso e revoltante. Poderíamos até dizer que a inflação seria favorável ao devedor. Mas isso está a anos-luz de distância de ser verdade quando se fala em dívida pública. Não é preciso nem dizer que, em um caso assim, em 100 anos esses $ 10 trilhões com certeza custaria muito para a população; mas em compensação, não valeria nada para nenhuma das partes.

    Mas eu gostei muito dessa demonstração feita no artigo. Ela praticamente colocou o endividamento do de uma maneira que os seus efeitos no futuro, e em um longo prazo, pudessem ser analisados isoladamente. Eu achei bem satisfatório, porque como a dívida é muito embolada - já que os juros pagos em um determinado ano são advindos da emissão de diferentes títulos emitidos em diferentes anos - dificilmente se consegue ter alguma noção de como as quantias se arrolam e se acumulam nesse arranjo. Ou mesmo, em um ambiente de inflação, se há alguma parte que se beneficia com ele. E a conclusão inevitável a que se chegou é de que ambas as partes saem prejudicadas. Excelente essa demonstração.

    Abraços!
  • Fe  10/12/2014 16:35
    O que a escola austríaca diz sobre uma moratória da dívida pública?
  • Emerson Luis, um Psicologo  13/12/2014 10:25

    Não existe prosperidade sustentável baseada em endividamento.

    É necessário pós-doutorado em Economia para NÃO compreender isso.

    * * *
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  01/04/2015 22:38
    Pobre Brasil: endividado, envergonhado e sempre goleado.
  • RAFFS  02/09/2015 12:53
    Amigos, bom dia.
    Uma nova bandeira das esquerdas tem sido a auditoria da dívida pública brasileira. Partidos como o PSOL vendem isso como a nova solução para os problemas do Brasil, dizem que no Equador depois da auditoria a dívida foi reduzida em 70%, etc.

    Há muitas menções sobre isso na internet, movimento encabeçado principalmente por Maria Lucia Fatorelli e a mídia esquerda obviamente embarca nessa onda.

    www.cartacapital.com.br/economia/201ca-divida-publica-e-um-mega-esquema-de-corrupcao-institucionalizado201d-9552.html

    lucianagenro.com.br/2014/08/verdades-e-mentiras-sobre-a-divida-publica/

    www.auditoriacidada.org.br/wp-content/uploads/2014/11/Verdades-e-mentiras-sobre-a-divida.pdf

    Como aqui é um dos locais que mais aprendo a ter argumentos para debater, o que os amigos veem de verdade ou mentira do impacto de uma possível auditoria da dívida? É pertinente? Pode melhorar algo? É essa coca-cola toda ou é conversa sem sentido dos esquerdistas (para variar)?

    Obrigado.
  • Taumaturgo  02/09/2015 13:42
    Toda e qualquer auditoria é sempre bem-vinda. Nada contra.


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