Adeus à Dama de Ferro
por , segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

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Artigo publicado em fevereiro de 1991

 

MAGGIE copy-2.jpgA saída de madame Thatcher do governo britânico se deu de maneira bastante condizente com todo o seu reinado: barulhento em termos de retórica ("a Dama de Ferro jamais renunciará"), mas ínfimo em termos de ações genuinamente concretas (a Dama de Ferro rapidamente saiu de cena).

Margaret Thatcher ascendeu estrondosamente ao posto de primeira-ministra da Grã-Bretanha em 1979 com a promessa de desestatizar a economia, implementar um livre mercado, acabar com os déficits e com a inflação monetária.  Suas realizações, no entanto, são outra história, e possuem pontos positivos e negativos.

Do lado positivo, é fato que sua retórica realmente devolveu respeitabilidade às ideias pró-livre mercado na Grã-Bretanha após meio século de crescente estatismo, e é certamente gratificante ver os estimados indivíduos do Institute of Economic Affairs em Londres se tornarem o mais reputado instituto econômico britânico.  Também deve ser creditado à era Thatcher o fato de o Partido Trabalhista ter se movido mais para a direita e ter majoritariamente abandonado suas ideias esquerdistas malucas, além do fato de a Grã-Bretanha ter decisivamente abandonado sua psicose pós-Depressão de que o desemprego jamais deve ficar acima de 1%.

Houve também um considerável volume de desestatizações e privatizações, inclusive a venda de moradias públicas para seus respectivos inquilinos, o que fez com que eleitores que tradicionalmente votavam no Partido Trabalhista se convertessem em ferrenhos proprietários eleitores do Partido Conservador.  Outro sucesso da ministra foi o de ter quebrado o até então inquebrantável poder dos poderosos sindicatos britânicos.

Infelizmente, estes pontos positivos do histórico econômico de Thatcher são mais do que contrabalançados pelo desolador fato de que o estado britânico chega ao fim da era Thatcher sendo um fardo parasítico ainda maior sobre a economia britânica e a sociedade do que era quando ela assumiu o poder.  Por exemplo, ela jamais ousou tocar na vaca-sagrada da medicina socializada, o National Health Service.  Os déficits continuaram altos, e a inflação monetária e a inflação de preços estão atualmente em dois dígitos.  Apesar de toda retórica thatcherista em prol do monetarismo, seu sucesso no combate à inflação foi moderado e efêmero, e acabou sendo totalmente revertido já no final de seu governo: a expansão monetária, a inflação, os déficits e todo o desemprego por eles gerados estão em níveis alarmantes.  Madame Thatcher deixou o poder, após onze anos, em meio a uma infame recessão inflacionária: inflação de preços em 11% e desemprego em 9%.  Em suma, o histórico macroeconômico de Thatcher foi abismal.

Como explicar resultados tão desastrosos para um regime supostamente pró-livre mercado?  Não é difícil.  Os thatcheristas são "burkeanos" e não "leninistas de direita".  Sendo assim, em vez de uma abordagem obstinada, radical e abolicionista para se chegar à liberdade econômica, eles preferiram se entregar às glórias do gradualismo e da moderação.  Isso pôde ser comprovado logo nos primeiros anos do governo.  Em vez de uma política monetária rígida, em vez da total interrupção da expansão monetária para acabar de vez com a inflação crescente, optou-se por uma contenção monetária bem mais gradual.  E qual foi o resultado deste gradualismo na política monetária?  O gradualismo gerou uma crônica recessão, o que era inevitável, mas não foi restritivo o suficiente para acabar com a inflação ou para revigorar a economia.  Logo, teve-se o pior dos mundos: recessão, desemprego e inflação de preços.  E tal cenário perdurou até aproximadamente 1985, quando estes indicadores melhoraram.  Mas o bom momento, obviamente, gerou novos afrouxamentos na política monetária, de modo que, já em 1990, todos eles estavam novamente tão ruins quanto no início do governo.

Houve realmente uma redução nas alíquotas mais altas do imposto de renda, mas isto foi imediatamente mais do que compensado por um aumento ainda maior no VAT (imposto sobre o valor agregado, essencialmente um imposto sobre vendas).  Desta maneira, os pequenos ganhos obtidos pelos grupos de mais alta renda foram mais do que contrabalançados por um aumento do fardo sobre os pobres e a classe média.  Se os esquerdistas quisessem inventar um bicho-papão de direita, eles dificilmente fariam um trabalho mais exitoso e com resultados mais desastrosos para a causa da liberdade econômica.

Para coroar tudo, não nos esqueçamos de sua monumental e decisiva gafe: substituir os impostos municipais sobre propriedade por um imposto único e de igual valor por pessoa (o chamado "poll tax").  Na Inglaterra, o governo central possui autoridade sobre os governos municipais, muitos dos quais são administrados por trabalhistas esquerdistas fanáticos por gastanças.  Este imposto único por pessoa, que substituiria os impostos municipais sobre propriedade, foi criado com a intenção de reprimir a gastança descontrolada dos governos locais.

Porém, em vez de reduzir drasticamente o volume de tributação imposta pelos municípios, algo sobre o qual Thatcher tinha total autoridade, ela simplesmente não impôs limite algum, e deixou que os gastos e demais impostos municipais ficassem a cargo das assembléias municipais.  Logo, aconteceu exatamente aquilo que poderia ter sido previsto de antemão: estas assembléias, Trabalhistas e Conservadoras, agora sem as receitas do imposto sobre propriedade, elevaram seus outros impostos substancialmente, de modo que o cidadão britânico comum se viu obrigado a pagar aproximadamente um terço a mais em impostos.  Enquanto os governos locais aumentavam seus gastos e seus impostos, o imposto único seguiu mordendo furiosamente a renda dos pobres e da classe média.  Ato contínuo, e como era de se esperar, os governos locais simplesmente, e de maneira muito efetiva, jogaram a culpa pelos altos impostos sobre o governo Thatcher.  Não é de se surpreender que tenham ocorrido violentos protestos nas ruas de Londres em março de 1990.  O que é realmente intrigante é que as manifestações não tenham sido muito severas.

Ademais, em meio a todas estas manobras, os thatcheristas se esqueceram de um ponto essencial a respeito do imposto único por cabeça: para ele ser implantado, todos os outros impostos têm de ser drasticamente reduzidos, de modo que até o mais pobre dos mais pobres possa pagá-los.  Suponha, por exemplo, que nossos atuais impostos federais fossem repentinamente unificados sob a forma de um imposto único por cabeça, mas de modo a manter a mesma receita de antes.  Isso significaria que o cidadão médio, e particularmente o cidadão de baixa renda, repentinamente teria de pagar uma quantia enormemente maior de impostos por ano — aproximadamente $5.000.  Logo, o grande charme da tributação única por cabeça é que ela necessariamente forçaria o governo a reduzir drasticamente seus níveis de tributação e de gastos.  Assim, se o governo instituísse, por exemplo, um imposto universal e igual de $10 por ano, confinando suas receitas totais à magnífica soma de $2 bilhões anuais, todos nós viveríamos perfeitamente bem com este novo imposto.

Agora, implantar o imposto único por cabeça no lugar do antigo imposto sobre propriedade, e permitir que ele seja elevado, é uma insanidade política e econômica, e Madame Thatcher recebeu a punição adequada por este erro egrégio.

Por que então o governo Thatcher, ao implantar seu imposto único, não decretou que os governos municipais reduzissem drasticamente suas alíquotas de impostos para cada cidadão?  Se fizesse isso, as massas certamente teriam recebido com prazer o imposto único em vez de tê-lo combatido vigorosamente.  A resposta thatcherista é que, se fizesse isso, o governo central teria então de se responsabilizar pelo financiamento de determinadas atividades fornecidas pelos governos locais, como educação, o que, por sua vez, faria com que o governo central tivesse de elevar seus impostos — ou incorresse em maiores déficits.

Mas esta resposta simplesmente empurra a análise um passo adiante: por que então o governo Thatcher não estava preparado para cortar seus próprios gastos, já substancialmente inchados?  Claramente, a resposta é que os thatcheristas jamais acreditaram genuinamente em sua própria retórica.  Ou isso, ou eles não tiveram a coragem de levantar a questão.  Por esta e por várias outras razões, os gastos e as receitas do governo britânico chegaram ao fim do governo Thatcher sendo mais fartos do que nunca.

Infelizmente, o thatcherismo é muito similar ao reaganismo: retórica livre-mercadista mascarando um conteúdo estatizante.  Exceto pelas privatizações, o fardo estatal aumentou sob Thatcher.  Os gastos absolutos e a porcentagem das receitas tributárias em relação ao PIB aumentaram durante seu regime, e a inflação monetária nunca foi contida.  Compreensivelmente, o descontentamento básico com o governo aumentou, e o aumento dos impostos locais permitidos pelo "poll tax" foi apenas a gota d'água. 

Parece-me claro que um critério mínimo para que um regime receba a alcunha de "pró-livre mercado" seja o fato de ele cortar seus gastos totais, cortar impostos em geral e, consequentemente, reduzir suas receitas.  Além disso, é imprescindível que ele interrompa decisivamente sua própria criação inflacionária de dinheiro.  Mesmo por este certamente muito modesto padrão de medida, a administração Thatcher passou longe de ser digna de tal alcunha.  Por isso, Madame Thatcher mereceu seu destino final.

No entanto, há uma área da macroeconomia da qual certamente temos de lamentar a saída de Thatcher: ela era a única voz contra a criação de um Banco Central Europeu emitindo uma nova e única moeda europeia. [Veja sua reação à jocosa proposta de ela ser a presidente do BCE].  Infelizmente, e especialmente desde a demissão de seu conselheiro econômico, o monetarista Sir Alan Walters, Madame Thatcher não conseguiu apresentar um argumento convincente contra esta vindoura nova ordem mundial, limitando-se apenas a fazer sua oposição utilizando termos esquisitos, raivosos e fanfarrões, como 'a glória nacional britânica contra a subordinação à "Europa"'.  Ela, portanto, passou a ser vista apenas como uma tacanha obstrucionista antieuropeia contrária a uma aparentemente iluminada e beneficente "Europa unida".

O problema presente em praticamente todas as análises da Comunidade Europeia é a típica fusão que fazem entre estado e sociedade.  Socialmente e economicamente, à medida que, em teoria, a nova Europa será uma vasta área de livre comércio e livre investimento de capitais, esta nova ordem será benéfica: irá expandir a divisão do trabalho, a produtividade, e o padrão de vida de todas as nações participantes.  Mas, infelizmente, a essência da nova Europa não será sua área de livre comércio, mas sim uma monstruosa nova burocracia estatal, sediada em Estrasburgo e Bruxelas, a qual irá controlar, regular e "igualar" as alíquotas de impostos em todos os países, coercivamente impondo a elevação dos impostos naqueles países que possuem uma carga tributária mais baixa.

E o pior aspecto desta Europa unificada é exatamente aquela área na qual Madame Thatcher centrou sua artilharia: a moeda e o sistema bancário.  Embora os monetaristas estejam completamente errados em preferir uma Europa (ou um mundo) guiada por diferentes tipos de dinheiro de papel fragmentados em nível nacional em vez de um padrão-ouro internacional, eles estão corretos em alertar sobre os perigos deste novo esquema.  Pois o problema é que a nova moeda, obviamente, não será o ouro — que é uma moeda produzida no mercado e pelo mercado —, mas sim uma única moeda de papel, fiduciária e de curso forçado.  De modo que o resultado deste esquema neokeynesiano será um dinheiro fiduciário inerentemente inflacionista, cuja emissão será controlada monopolisticamente pelo Banco Central Europeu — isto é, por um novo governo regional.

Este arranjo, por sua vez, irá facilitar ainda mais para que os Bancos Centrais dos EUA, da Grã-Bretanha e do Japão colaborem e atuem coordenadamente com o novo Banco Central Europeu, e assim conduzam o mundo rapidamente para aquele velho sonho de Keynes: um Banco Central Mundial emitindo uma única moeda de papel, de aceitação obrigatória para todos os países.  E assim estaremos definitivamente sem ter para onde fugir, com o dinheiro e a macroeconomia mundial estando totalmente à mercê de uma inflação em escala mundial, controlada centralmente por iluminados e autoproclamados mestres keynesianos.

É de se lamentar que Margaret Thatcher não tenha sabido articular sua oposição à nova ordem monetária europeia em tais termos.  É de se lamentar também que sua retórica pró-livre mercado não tenha sido efetivamente colocada em prática.  No final, a história julgará corretamente seu governo e seus feitos.

 

Murray N. Rothbard (1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.



43 comentários
Cristiano 27/02/2012 08:33:18

Uma coisa é fato, o modelo do parlamento inglês propicia debates excelentes!

Responder
Alexandre M. R. Filho 27/02/2012 08:46:54

Que bela previsão nos últimos 4 parágrafos...\r
\r
E tem gente que menospreza os austríacos...

Responder
Andre Cavalcante 27/02/2012 09:06:26



Depois falam dos austríacos.

O Rothbart praticamente previu como o Euro iria evoluir e a crise que vive hoje, 10 anos depois. Até a questão da unificação fiscal, que é a cogitação mais comum para "salvar" o euro tá no texto. Incrível!

Abraços

Responder
Celio Beserra 27/02/2012 10:13:41

Depois da leitura deste artigo fiquei bastante desapontado com o desempenho da Dama de Ferro. De fato, dispunha de poucas informações sobre o governo de Margaret Thatcher, além das fornecidas por Roberto Campos em suas memórias "A Lanterna na Popa". No fim das contas, ela ficou muito parecida com Ronald Reagan, que elegeu-se com um discurso furibundamente livre-mercadista e terminou praticando uma espécie de keynesianismo militar (orçamentos militares crescentes, justificados pelo combate ao "Império do Mal", a ex-URSS). Quanto à herança que deixou, fica a questão: é positiva, por mostrar a necessidade de diminuir o tamanho do Estado, ou é negativa, porque seus muitos erros foram usados como munição pelos esquerdistas detratores do liberalismo?

Responder
Leandro 27/02/2012 10:30:07

Em minha opinião, sua herança é positiva, principalmente no quesito privatizações, as quais foram muito bem feitas. Mas não acho que seja uma boa estratégia utilizar Maggie como um ícone liberal. É um tiro no pé. Não dá para ter como ícone liberal alguém que elevou impostos, não cortou gastos e foi leniente na questão monetária (lembrando que o BC inglês não era independente; ou seja, obedecia ao governo), o que prolongou desnecessariamente a recessão. Neste quesito específico, a dupla Reagan/Volcker foi muito melhor.

E sobre as privatizações... bom, Collor também fez privatizações. E foram as mais bem feitas do país até hoje. Aliás, Collor apresentou deficit nominal zero em 1991, o último da história do país. Seria correto utilizá-lo como ícone liberal? Acho que não.

Portanto, elogiemos Maggie no que ela fez de bom (sindicatos e privatizações), sem jamais nos esquecermos das coisas ruins.

Responder
Pipe 27/02/2012 10:40:35

O Rothbard tampouco escrevia coisas agradáveis a respeito do Reagan:
Ronald Reagan: An Autopsy

Responder
Celio Beserra 27/02/2012 11:55:54

Pipe, obrigado pela indicação de leitura.

Responder
Celio Beserra 27/02/2012 11:53:29

Leandro, obrigado pela resposta rápida e esclarecedora. Sou um entusiasta do libertarianismo e frequentador diário do site. Aliás, neste momento estou iniciando a leitura de "A Ética da Liberdade", de Murray Rothbard. Confesso que me senti envaidecido por fazer um comentário digno da atenção de um dos maiores divulgadores da obra de Ludwig von Mises no Brasil.

Responder
Angelo Viacava 27/02/2012 11:44:58

Um governo libertário teria o trator necessário para fazer o que fosse necessário para consertar a economia brasileira, por exemplo?

Responder
Andre Cavalcante 27/02/2012 17:16:38


Como assim, "governo" libertário?

Abraços

Responder
Angelo Viacava 27/02/2012 18:04:33

Desculpe. Esqueci que era utopia.

Responder
Catarinense 27/02/2012 18:36:03

"Governo libertário" é um oxímoro.

Responder
Angelo Viacava 28/02/2012 03:46:37

Então esperemos cair do céu? Já que nenhum homem seria capaz de conduzir uma sociedade libertária, pois trata-se de paradoxo. Mas o socialismo não se trata de um paradoxo, já que impede o cálculo econômico, e está aí, em franca expansão sob nomes pomposos bem disfarçados? Quando se revelou um fracasso, o comunismo defendeu-se com o argumento de que a prática não era a ideal, que as pessoas ainda não estavam preparadas para o verdadeiro comunismo, que seria um estágio superior de convivência pacífica entre seres humanos, blablabla. Não é o mesmo caso dos pregadores libertários, é?

Responder
Pipe 28/02/2012 05:07:39

Um "governo libertário" não é um oxímoro. Acho que todos concordamos que não haverá extinção do estado em um futuro próximo ou mesmo em um futuro distante.
Um governo libertário poderia passar um trator por cima de tudo o que está no caminho dos indivíduos: regulamentações obsessivas, controle sobre vários setores da economia, controle sobre saúde, educação, etc.
Resumindo: um governo libertário não resolveria nenhum problema, na verdade, um governo libertário faria de tudo para evitar criar os problemas que os governos sempre criam.

Responder
Rhyan 28/02/2012 05:18:22

Sobre um governo liberário, vejam um dos melhor artigos do site: www.mises.org.br/Article.aspx?id=285

Responder
Catarinense 28/02/2012 05:35:18

Nesse caso teria-se uma minarquia, no máximo, caso o governo fosse bem sucedido em aplicar os ideais liberais/capitalistas no país, mas mantivesse parte da estrutura governamental. O libertarianismo também é chamado anarco-capitalismo. Pode-se ter um governo anárquico?

Responder
mcmoraes 28/02/2012 06:26:49

@Pipe: "Um "governo libertário" não é um oxímoro. Acho que todos concordamos que não haverá extinção do estado em um futuro próximo ou mesmo em um futuro distante..."

Me inclui fora dessa.

Responder
Pipe 28/02/2012 06:53:59

Você realmente consegue enxergar a extinção do estado no horizonte? Se consegue, parabéns, você é uma das pessoas mais otimistas deste universo.

Responder
mcmoraes 28/02/2012 07:07:09

Não, Pipe, eu não consigo enxergar isso. Como eu não também não consigo prever o futuro, eu realmente não tenho condições de concordar ou discordar da sua assertiva: "não haverá extinção do estado em um futuro próximo ou mesmo em um futuro distante". Para concordar ou discordar de você, eu precisaria de uma bola de cristal.

Responder
Pipe 28/02/2012 07:23:11

A afirmação "não haverá extinção do estado em um futuro próximo ou mesmo em um futuro distante" não é uma previsão do futuro.
É claro que, teoricamente, isso pode acontecer, mas as chances são remotíssimas. Portanto, na prática, eu posso afirmar com um elevadíssimo grau de certeza que "não haverá extinção do estado em um futuro próximo ou mesmo em um futuro distante". Espero, porém, que algum evento histórico inesperado mude o cenário, tornando a extinção do estado algo mais provável de acontecer.

Responder
mcmoraes 28/02/2012 07:44:13

Enquanto você não falar em meu nome, você pode afirmar o que você quiser.

ps: esse seu último comentário me fez lembrar de dois artigos:
Por que não podíamos abolir a escravidão ontem e não podemos abolir o governo hoje; e
Dez argumentos para não abolir a escravidão.

Responder
Paulo Sergio 28/02/2012 08:42:44

O seasteading do Patri Friedman é muito mais realista que o fim do estado

Responder
Pipe 28/02/2012 08:55:54

Um abolicionista do século 15 ou 16 dificilmente imaginaria que a escravidão seria abandonada em poucas décadas. Era um trabalho árduo fazer com que os indivíduos deixassem de ver na escravidão algo aceitável, afinal, era algo perfeitamente natural para as pessoas.

O libertário deve manter seu ideário, sem deixar de acreditar na abolição do estado, mas tampouco se deixando envaidecer, imaginando que vai conseguir mudar o mundo em pouco tempo. A abolição do estado depende de uma nova organização da sociedade, de uma mudança geral na forma como as pessoas enxergam o esatado, assim como a abolição da escravidão dependia de mudanças na estrutura social e na mentalidade dos indivíduos na época.

Responder
Angelo Viacava 28/02/2012 10:07:33

Como debate é ótimo, mas às vezes parece o cara que sonha em ter uma Ferrari, sei lá, poderia ser qualquer bem muito acima de suas posses, porém não conseguindo, abre mão de qualquer outro carro, usado ou novo, durante toda a vida, andando a pé só por rebeldia. Espero não estarmos à espera do super-homem do Nietzsche. Qual a ação humana derrubará o que está aí hoje?

Responder
Marc... 28/02/2012 12:29:08

O que se deve observar é que esse homem pode ter decidido não utilizar qualquer carro não por rebeldia, mas por saber que isso é mal em sua essência, prejudica todos a quem ele ama e a si mesmo, então mesmo que alguém dê valor a andar de carro, ele por suas convicções, conhecimento, moral e ética, dá mais valor em fazer o bem do que um prazer ou conforto efêmero (em sua própria análise).\r
\r
Qual a ação humana derrubará o que está aí hoje?\r
A sua própria.\r
\r
Acredito que podemos ter o anarco-capitalismo aqui, só depende do quanto nossa indiferença o torne tardio, é sabido que um cidadão só não resolverá TUDO, mas se cada um fizer sua parte os resultados acontecem.\r
\r
Não é necessário uma mudança nas "estruturas" da sociedade antes para que isso ocorra, a mudança ocorre em você antes, pensamentos (conhecimento) e atos, depois você que alterará essas "estruturas" de acordo com suas capacidades.\r
\r
Eu tenho um sonho e luto por ele.\r
Prometo manter a linha na batalha, o elo da corrente, e você?

Responder
Angelo Viacava 29/02/2012 03:36:44

Ah, sim, o otimismo, esse grande manto sob o qual se escondem uma minoria de verdadeiros otimistas e um sem número de melindrados. Tanto quanto o pessimismo. KKKKKKKKKKK! Otimistas autênticos já foram para o céu, nirvana, xangri-lá ou qualquer outro paraíso, e os pessimistas autênticos mataram-se todos. Sobramos nós, pessoas normais.
Mas se governo libertário é oxímoro, então um partido libertário também o seria. Teria que assumir as rédeas para que ninguém mais assumisse, mas aí já teria assumido, e só o suicídio lhe restaria. Tá, exagerei, sou assim mesmo, fazer o quê? Sigamos com o debate, mas não levem minhas palavras como ofensa, pois não é essa a intenção. Grande abraço a todos.

Responder
Rhyan 27/02/2012 12:43:56

Muito bom!

Gostaria de um artigo assim sobre Reagan!

Responder
Thyago 27/02/2012 14:02:55

Ao que aparenta, o grande problema dela, assim como o do Reagan, foi no campo fiscal...

Responder
Carlos 27/02/2012 15:23:37

O governo de Margaret Thatcher foi um desastre para o povo e bom para as elites. Mais impostos para o povo, menos para as elites, mais concentração de renda, mais desemprego, etc. Fez jus a má fama que os governos conservadors tem, de f** o povo e beneficiar as elites. Não é à toa que é normal em livros didáticos incluir a elevação de impostos como uma das caracteristicas do neoliberalismo.

Responder
Leandro 27/02/2012 15:49:46

Disse bem, Carlos. Governos neoliberais, com sua economia mista, sua social-democracia disfarçada sob uma retórica pró-mercado e seu intervencionismo em todos os setores da economia, mais violentamente no aspecto monetário, de fato têm de elevar impostos para pagar seus crescentes gastos -- e, sendo assim, não têm realmente como ser bom para ninguém exceto para aqueles com fortes conexões políticas.

É por isso que nós aqui do IMB defendemos o liberalismo puro, sem intervencionismos, sem privilégios, sem impostos seletivos e com gastos declinantes. E, principalmente, sem nenhum prefixo à palavra 'liberalismo'. Da mesma forma, defendemos uma economia de mercado sem qualquer adjetivo complicado e confuso adicionado à palavra mercado. Defendemos uma economia de mercado completa, ilimitada, irrestrita e intacta -- sem concessões. Nada de 'neo' nem de 'paleo'.

Neoliberalismo é coisa para tucanos e petistas -- cada grupo se esforçando para comprovar quem é mais anencéfalo que o outro.

Responder
Carlos 27/02/2012 17:41:35

Esse liberalismo é utópico. O liberalismo possível é o neoliberalismo, o liberalismo dos grupos de lobby, do aumento de impostos para o povo e redução para as elites, das privatizações para os amigos, dos pacotes de socorro para salvar os bancos e o sistema financeiro, mesmo que às custas de elevado endividamento, enquanto pessoas comuns são despejadas, da privatização dos lucros e socialização dos prejuízos, etc.

Responder
Leandro 27/02/2012 17:50:20

E como é que você pode associar todas estas intervenções estatais ao rótulo de liberalismo, Carlos? Se isso é liberalismo, o que seria então intervencionismo?

Acho que você, assim como o Mantega, vive em uma dimensão paralela, na qual palavras e conceitos têm sentidos totalmente opostos aos deste mundo.

Responder
Artur Fernando 28/02/2012 05:55:35

Por acaso sabes o que é Utopia? Conceitue

Responder
Guilherme Shibata 27/02/2012 17:26:42

Notícia preocupante : Querem criar um Banco Central para os BRICS !

Fonte e um trecho : www.cartacapital.com.br/economia/emergentes-buscam-maior-representividade-com-banco-dos-bric/

Há tempos os emergentes pressionam por mais influência nas agências e entidades financeiras, sem grande sucesso. Por isso, a revista econômica norteamericana Bloomberg aponta que, em paralelo ao evento no México, os representantes do BRIC discutiriam um novo caminho: a criação de um banco multilateral a ser mantido apenas por países em desenvolvimento para financiar projetos nestas regiões.

A medida, apresentada pela Índia, ainda está em fase de inicial de discussão, mas circula entre o grupo e vai ser debatida de forma mais específica na reunião dos BRIC em março, diz a publicação.

Responder
JC 27/02/2012 23:30:03

Aparentemente idéias liberais só aparecem na agenda política de grandes unidades políticas quando o naufrágio econômico já é claro. E só são aplicadas na dose suficiente para rearrumar a casa, e recolocar logo o mastodonte de novo na rota do aumento de impostos e de endividamento.

Rothbard descreve que o governo central britânico teve um mal-implementado experimento fiscal com os municípios, mas a princípio não me parece uma má idéia municipalizar tudo o que for possível.

Se ao invés de instituir um novo imposto tivessem deixado aos municípios decidirem suas alíquotas, municípios administrados por populistas aumentariam os impostos ou se endividariam para se manter no poder no curto prazo. Pagariam um preço político por isso.

Em poucos anos cidades vizinhas mais prósperas se encarregariam de reverter este processo, com os municípios mais prósperos mostrando o caminho ou mesmo absorvendo em sua esfera política os municípios mais gastadores, que por sua vez expulsariam moradores e empresas, e se aproximariam da falência.

Ou seja, a competição fiscal pode ser efetiva para manter um estado em cheque por sua própria dinâmica. O temor oficial é tanto que aqui no Brasil isso é traduzido como 'guerra fiscal'.

Responder
Marc... 28/02/2012 06:33:11

Sejamos nós mesmos os ícones liberais/libertários que tanto procuramos, não temos que esperar o surgimento/implementação do partido verdadeiramente libertário, decidirmos não ser mais submissos e manipulados e tomemos as atitudes ao nosso alcance em prol de nossa liberdade.

Procuremos ao máximo não sustentar o sistema, corrompendo-o e minando seus objetivos/metas:

*Cortemos todo e qualquer uso de crédito (abolir o cartão de crédito por exemplo);

*Transformemos toda nossa poupança/investimentos em ouro (com preferência na forma física e não títulos manipulados), cancelando qualquer plano de previdência e fazendo a mesmo em ouro;

*Nunca nos calemos diante manifestações contrárias ao liberalismo (internet, em público, conversas informais etc), ou qualquer outros sistemas/meios estatizantes/nazistas escravizadores (democracia, reservas fracionárias, imposto, crédito, direitos não naturais, sistema monetário fiduciário, reserva de mercado, ensino guiado ou executado pelo estado, mídia com qualquer ligação estatal, desarmamento, registros/bancos de dados estatais dos atos dos cidadãos etc);

*Unirmos para cada vez mais trocarmos conhecimento, ajuda, apoio, e prepararmos ações mais efetivas juntos (uma idéia: formar um grupo grande o suficiente e utilizar o máximo de crédito/empréstimos possível nopara comprar ouro inflacionando-o em comparação ao meio fiduciário e não pagar, abalando todo o sistema atual).

Uma vida melhor é possível para todos que amamos, nós temos a capacidade de mudar tudo, acreditemos nas grandes obras dos nossos sonhos e esqueçamos a mentira de que somos insignificantes e somente mais 1 do voto democrático.

Decidi não mais servir e sereis livres; não pretendo que o empurreis ou sacudais, somente não mais o sustentai, e o vereis como um grande colosso, de quem se subtraiu a base, desmanchar-se com seu próprio peso e rebentar-se.
Étienne de La Boétie

Responder
Angelo Viacava 28/02/2012 18:17:34

Conheces alguém que já o faça?

Responder
Eduardo R., Rio 13/01/2013 21:29:29

Documentos do governo de Margaret Thatcher foram abertos após 30 anos e revelam que a primeira-ministra britânica encomendou um plano para desmantelar o Estado social no Reino Unido.

Responder
Leandro 13/01/2013 21:42:33

Pois é, ficou só na intenção. E o resultado desta inação é que o SUS britânico virou um verdadeiro açougue: bebês doentes estão sofrendo eutanásia compulsória.

Sem recursos (que inesperado!), os hospitais do NHS (National Health Service) estão simplesmente cortando a alimentação deles, que são deixados à míngua até morrerem.

Estatistas -- que são obcecados com controle populacional -- até salivam quando lêem coisas assim.

www.dailymail.co.uk/news/article-2240075/Now-sick-babies-death-pathway-Doctors-haunting-testimony-reveals-children-end-life-plan.html

Responder
Rhyan 08/04/2013 14:51:02

Segue a informação que eu recebi, o que acham?:

"Gasto público do Reino Unido: 1979: 42,7%; 1990: 39,2%. Carga tributária do Reino Unido: 1979: 39,6%; 1990: 37,6%. Dívida bruta do Reino Unido: 1979: 46,1%; 1990: 32,4%. Fonte: International Monetary Fund, World Economic Outlook Database, October 2012."

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Leandro 08/04/2013 15:21:17

A dívida bruta não é comentada no artigo. A dívida em relação ao PIB irá cair sempre que o PIB crescer mais do que a dívida. E dado que o PIB é uma estatística pra lá de duvidosa, não há por que tomar esse indicador como definitivo.

Quanto aos gastos, o artigo fala em gastos absolutos. E aqui há um gráfico da evolução deles.

www.tradingeconomics.com/charts/united-kingdom-government-spending.png?s=unitedkingovspe&d1=19700101&d2=19911231

Observe que a redução no crescimento começou em 1976, ainda sob um governo trabalhista. Pior ainda: não se nota absolutamente nenhuma alteração no ritmo dos gastos sob o governo Thatcher. A impressão que se tem é que ela simplesmente deu continuidade ao ritmo dos gastos herdado do governo trabalhista. Isso (gastos do governo), e apenas isso, já mostra que seu governo não tinha tanto compromisso assim em realmente reduzir o tamanho do estado.

Sobre as receitas em termos do PIB, já vi relatos distintos. O principal problema está em utilizar o PIB ou o PNB (Produto Nacional Bruto) como base de comparação. Mas sou agnóstico neste assunto, exatamente pelo fato de usar essas duas estatísticas dúbias como base de comparação.

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Leonardo Couto 08/04/2013 20:15:02


Hoje ( 08/04/2013 ) sua morte me entristeceu. Admirava Thatcher pela sua firme convicção em seus princípios. Só é uma pena que eles não fossem tão pró-liberdade quanto o ideal. De qualquer jeito, ela não movia-se um centímetro de seu posicionamento.

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Marcio L 04/09/2013 20:55:15

"Os thatcheristas são "burkeanos" e não "leninistas de direita". Sendo assim, em vez de uma abordagem obstinada, radical e abolicionista para se chegar à liberdade econômica, eles preferiram se entregar às glórias do gradualismo e da moderação."

Disse tudo.

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