Adeus à Dama de Ferro

Artigo publicado em fevereiro de 1991

 

A saída de madame Thatcher do governo britânico se deu de maneira bastante condizente com todo o seu reinado: barulhento em termos de retórica ("a Dama de Ferro jamais renunciará"), mas ínfimo em termos de ações genuinamente concretas (a Dama de Ferro rapidamente saiu de cena).

Margaret Thatcher ascendeu estrondosamente ao posto de primeira-ministra da Grã-Bretanha em 1979 com a promessa de desestatizar a economia, implementar um livre mercado, acabar com os déficits e com a inflação monetária.  Suas realizações, no entanto, são outra história, e possuem pontos positivos e negativos.

Do lado positivo, é fato que sua retórica realmente devolveu respeitabilidade às ideias pró-livre mercado na Grã-Bretanha após meio século de crescente estatismo, e é certamente gratificante ver os estimados indivíduos do Institute of Economic Affairs em Londres se tornarem o mais reputado instituto econômico britânico.  Também deve ser creditado à era Thatcher o fato de o Partido Trabalhista ter se movido mais para a direita e ter majoritariamente abandonado suas ideias esquerdistas malucas, além do fato de a Grã-Bretanha ter decisivamente abandonado sua psicose pós-Depressão de que o desemprego jamais deve ficar acima de 1%.

Houve também um considerável volume de desestatizações e privatizações, inclusive a venda de moradias públicas para seus respectivos inquilinos, o que fez com que eleitores que tradicionalmente votavam no Partido Trabalhista se convertessem em ferrenhos proprietários eleitores do Partido Conservador.  Outro sucesso da ministra foi o de ter quebrado o até então inquebrantável poder dos poderosos sindicatos britânicos.

Infelizmente, estes pontos positivos do histórico econômico de Thatcher são mais do que contrabalançados pelo desolador fato de que o estado britânico chega ao fim da era Thatcher sendo um fardo parasítico ainda maior sobre a economia britânica e a sociedade do que era quando ela assumiu o poder.  Por exemplo, ela jamais ousou tocar na vaca-sagrada da medicina socializada, o National Health Service.  Os déficits continuaram altos, e a inflação monetária e a inflação de preços estão atualmente em dois dígitos.  Apesar de toda retórica thatcherista em prol do monetarismo, seu sucesso no combate à inflação foi moderado e efêmero, e acabou sendo totalmente revertido já no final de seu governo: a expansão monetária, a inflação, os déficits e todo o desemprego por eles gerados estão em níveis alarmantes.  Madame Thatcher deixou o poder, após onze anos, em meio a uma infame recessão inflacionária: inflação de preços em 11% e desemprego em 9%.  Em suma, o histórico macroeconômico de Thatcher foi abismal.

Como explicar resultados tão desastrosos para um regime supostamente pró-livre mercado?  Não é difícil.  Os thatcheristas são "burkeanos" e não "leninistas de direita".  Sendo assim, em vez de uma abordagem obstinada, radical e abolicionista para se chegar à liberdade econômica, eles preferiram se entregar às glórias do gradualismo e da moderação.  Isso pôde ser comprovado logo nos primeiros anos do governo.  Em vez de uma política monetária rígida, em vez da total interrupção da expansão monetária para acabar de vez com a inflação crescente, optou-se por uma contenção monetária bem mais gradual.  E qual foi o resultado deste gradualismo na política monetária?  O gradualismo gerou uma crônica recessão, o que era inevitável, mas não foi restritivo o suficiente para acabar com a inflação ou para revigorar a economia.  Logo, teve-se o pior dos mundos: recessão, desemprego e inflação de preços.  E tal cenário perdurou até aproximadamente 1985, quando estes indicadores melhoraram.  Mas o bom momento, obviamente, gerou novos afrouxamentos na política monetária, de modo que, já em 1990, todos eles estavam novamente tão ruins quanto no início do governo.

Houve realmente uma redução nas alíquotas mais altas do imposto de renda, mas isto foi imediatamente mais do que compensado por um aumento ainda maior no VAT (imposto sobre o valor agregado, essencialmente um imposto sobre vendas).  Desta maneira, os pequenos ganhos obtidos pelos grupos de mais alta renda foram mais do que contrabalançados por um aumento do fardo sobre os pobres e a classe média.  Se os esquerdistas quisessem inventar um bicho-papão de direita, eles dificilmente fariam um trabalho mais exitoso e com resultados mais desastrosos para a causa da liberdade econômica.

Para coroar tudo, não nos esqueçamos de sua monumental e decisiva gafe: substituir os impostos municipais sobre propriedade por um imposto único e de igual valor por pessoa (o chamado "poll tax").  Na Inglaterra, o governo central possui autoridade sobre os governos municipais, muitos dos quais são administrados por trabalhistas esquerdistas fanáticos por gastanças.  Este imposto único por pessoa, que substituiria os impostos municipais sobre propriedade, foi criado com a intenção de reprimir a gastança descontrolada dos governos locais.

Porém, em vez de reduzir drasticamente o volume de tributação imposta pelos municípios, algo sobre o qual Thatcher tinha total autoridade, ela simplesmente não impôs limite algum, e deixou que os gastos e demais impostos municipais ficassem a cargo das assembléias municipais.  Logo, aconteceu exatamente aquilo que poderia ter sido previsto de antemão: estas assembléias, Trabalhistas e Conservadoras, agora sem as receitas do imposto sobre propriedade, elevaram seus outros impostos substancialmente, de modo que o cidadão britânico comum se viu obrigado a pagar aproximadamente um terço a mais em impostos.  Enquanto os governos locais aumentavam seus gastos e seus impostos, o imposto único seguiu mordendo furiosamente a renda dos pobres e da classe média.  Ato contínuo, e como era de se esperar, os governos locais simplesmente, e de maneira muito efetiva, jogaram a culpa pelos altos impostos sobre o governo Thatcher.  Não é de se surpreender que tenham ocorrido violentos protestos nas ruas de Londres em março de 1990.  O que é realmente intrigante é que as manifestações não tenham sido muito severas.

Ademais, em meio a todas estas manobras, os thatcheristas se esqueceram de um ponto essencial a respeito do imposto único por cabeça: para ele ser implantado, todos os outros impostos têm de ser drasticamente reduzidos, de modo que até o mais pobre dos mais pobres possa pagá-los.  Suponha, por exemplo, que nossos atuais impostos federais fossem repentinamente unificados sob a forma de um imposto único por cabeça, mas de modo a manter a mesma receita de antes.  Isso significaria que o cidadão médio, e particularmente o cidadão de baixa renda, repentinamente teria de pagar uma quantia enormemente maior de impostos por ano — aproximadamente $5.000.  Logo, o grande charme da tributação única por cabeça é que ela necessariamente forçaria o governo a reduzir drasticamente seus níveis de tributação e de gastos.  Assim, se o governo instituísse, por exemplo, um imposto universal e igual de $10 por ano, confinando suas receitas totais à magnífica soma de $2 bilhões anuais, todos nós viveríamos perfeitamente bem com este novo imposto.

Agora, implantar o imposto único por cabeça no lugar do antigo imposto sobre propriedade, e permitir que ele seja elevado, é uma insanidade política e econômica, e Madame Thatcher recebeu a punição adequada por este erro egrégio.

Por que então o governo Thatcher, ao implantar seu imposto único, não decretou que os governos municipais reduzissem drasticamente suas alíquotas de impostos para cada cidadão?  Se fizesse isso, as massas certamente teriam recebido com prazer o imposto único em vez de tê-lo combatido vigorosamente.  A resposta thatcherista é que, se fizesse isso, o governo central teria então de se responsabilizar pelo financiamento de determinadas atividades fornecidas pelos governos locais, como educação, o que, por sua vez, faria com que o governo central tivesse de elevar seus impostos — ou incorresse em maiores déficits.

Mas esta resposta simplesmente empurra a análise um passo adiante: por que então o governo Thatcher não estava preparado para cortar seus próprios gastos, já substancialmente inchados?  Claramente, a resposta é que os thatcheristas jamais acreditaram genuinamente em sua própria retórica.  Ou isso, ou eles não tiveram a coragem de levantar a questão.  Por esta e por várias outras razões, os gastos e as receitas do governo britânico chegaram ao fim do governo Thatcher sendo mais fartos do que nunca.

Infelizmente, o thatcherismo é muito similar ao reaganismo: retórica livre-mercadista mascarando um conteúdo estatizante.  Exceto pelas privatizações, o fardo estatal aumentou sob Thatcher.  Os gastos absolutos e a porcentagem das receitas tributárias em relação ao PIB aumentaram durante seu regime, e a inflação monetária nunca foi contida.  Compreensivelmente, o descontentamento básico com o governo aumentou, e o aumento dos impostos locais permitidos pelo "poll tax" foi apenas a gota d'água. 

Parece-me claro que um critério mínimo para que um regime receba a alcunha de "pró-livre mercado" seja o fato de ele cortar seus gastos totais, cortar impostos em geral e, consequentemente, reduzir suas receitas.  Além disso, é imprescindível que ele interrompa decisivamente sua própria criação inflacionária de dinheiro.  Mesmo por este certamente muito modesto padrão de medida, a administração Thatcher passou longe de ser digna de tal alcunha.  Por isso, Madame Thatcher mereceu seu destino final.

No entanto, há uma área da macroeconomia da qual certamente temos de lamentar a saída de Thatcher: ela era a única voz contra a criação de um Banco Central Europeu emitindo uma nova e única moeda europeia. [Veja sua reação à jocosa proposta de ela ser a presidente do BCE].  Infelizmente, e especialmente desde a demissão de seu conselheiro econômico, o monetarista Sir Alan Walters, Madame Thatcher não conseguiu apresentar um argumento convincente contra esta vindoura nova ordem mundial, limitando-se apenas a fazer sua oposição utilizando termos esquisitos, raivosos e fanfarrões, como 'a glória nacional britânica contra a subordinação à "Europa"'.  Ela, portanto, passou a ser vista apenas como uma tacanha obstrucionista antieuropeia contrária a uma aparentemente iluminada e beneficente "Europa unida".

O problema presente em praticamente todas as análises da Comunidade Europeia é a típica fusão que fazem entre estado e sociedade.  Socialmente e economicamente, à medida que, em teoria, a nova Europa será uma vasta área de livre comércio e livre investimento de capitais, esta nova ordem será benéfica: irá expandir a divisão do trabalho, a produtividade, e o padrão de vida de todas as nações participantes.  Mas, infelizmente, a essência da nova Europa não será sua área de livre comércio, mas sim uma monstruosa nova burocracia estatal, sediada em Estrasburgo e Bruxelas, a qual irá controlar, regular e "igualar" as alíquotas de impostos em todos os países, coercivamente impondo a elevação dos impostos naqueles países que possuem uma carga tributária mais baixa.

E o pior aspecto desta Europa unificada é exatamente aquela área na qual Madame Thatcher centrou sua artilharia: a moeda e o sistema bancário.  Embora os monetaristas estejam completamente errados em preferir uma Europa (ou um mundo) guiada por diferentes tipos de dinheiro de papel fragmentados em nível nacional em vez de um padrão-ouro internacional, eles estão corretos em alertar sobre os perigos deste novo esquema.  Pois o problema é que a nova moeda, obviamente, não será o ouro — que é uma moeda produzida no mercado e pelo mercado —, mas sim uma única moeda de papel, fiduciária e de curso forçado.  De modo que o resultado deste esquema neokeynesiano será um dinheiro fiduciário inerentemente inflacionista, cuja emissão será controlada monopolisticamente pelo Banco Central Europeu — isto é, por um novo governo regional.

Este arranjo, por sua vez, irá facilitar ainda mais para que os Bancos Centrais dos EUA, da Grã-Bretanha e do Japão colaborem e atuem coordenadamente com o novo Banco Central Europeu, e assim conduzam o mundo rapidamente para aquele velho sonho de Keynes: um Banco Central Mundial emitindo uma única moeda de papel, de aceitação obrigatória para todos os países.  E assim estaremos definitivamente sem ter para onde fugir, com o dinheiro e a macroeconomia mundial estando totalmente à mercê de uma inflação em escala mundial, controlada centralmente por iluminados e autoproclamados mestres keynesianos.

É de se lamentar que Margaret Thatcher não tenha sabido articular sua oposição à nova ordem monetária europeia em tais termos.  É de se lamentar também que sua retórica pró-livre mercado não tenha sido efetivamente colocada em prática.  No final, a história julgará corretamente seu governo e seus feitos.

 

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SOBRE O AUTOR

Murray N. Rothbard
(1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.



"uma proposta legislativa que congele os gastos públicos por 20 anos."

Esse aí é de uma ignorância ímpar.

Querido Henrique, os gastos não serão congelados. Os gastos crescerão à mesma taxa da inflação do ano anterior. A menos que a inflação passe a ser zero, não haverá nenhum congelamento de gastos.

Outra coisa: os gastos com educação, saúde e assistência social poderão continuar aumentando aceleradamente, sem nenhum teto, desde que os gastos em outras áreas sejam contidos ou reduzidos.

Isso será um ótimo teste para ver o quanto os progressistas realmente amam os pobres. Se quiserem que mais dinheiro seja direcionado à educação, à saúde e à assistência social, então menos dinheiro terá de ser direcionado ao cinema, ao teatro, aos sindicatos, a grupos invasores de terra e, principalmente, aos salários dos políticos (descobriremos a verdadeira consciência social dos políticos de esquerda).

Se quiserem mais dinheiro para educação, saúde e assistência social, então terão de pressionar o governo a reduzir os concursos públicos e os salários nababescos na burocracia estatal. Terão de pressionar o governo a fechar emissoras estatais de televisão. Terão de pedir para o governo parar de injetar dinheiro em blogs progressistas.

Terão de pedir por um amplo enxugamento da máquina pública. Terão de ser extremamente vigilantes em relação à corrupção, impedindo superfaturamentos em obras contratadas por empresas estatais.

Terão de exigir a redução do número de políticos. Terão de exigir a abolição de várias agências reguladoras custosas. Terão de exigir menores gastos com a Justiça do Trabalho, que é o mais esbanjador dos órgãos do Judiciário.

Acima de tudo, terão de pedir para que o estado pare de administrar correios, petróleo, eletricidade, aeroportos, portos e estradas, deixando tais áreas a cargo da livre iniciativa e da livre concorrência.

De bônus, para que tenham um pouco de diversão, terão também de pedir para que o estado pare de gastar dinheiro com anúncios publicitários na grande mídia (impressa e televisiva) e em times de futebol. E que pare de conceder subsídios a grandes empresários e pecuaristas.

Se os progressistas não se engajarem nestas atividades, então é porque seu amor aos pobres era de mentirinha, e eles sempre estiveram, desde o início, preocupados apenas em manter seus próprios benefícios.

Com a PEC, o dinheiro que vai para a Lei Rouanet, para a CUT, para o MST e para o alto escalão do funcionalismo público passará a concorrer com o dinheiro do Bolsa-Família, do Minha Casa Minha Vida, da Previdência Social e do SUS.

Vamos ver quão sérios são os progressistas em seu amor aos desvalidos. Veremos o real valor de sua consciência social.

Pela primeira vez, incrivelmente, os burocratas do governo perceberam que o dinheiro extraído pelo governo da sociedade não é infinito.

A tímida PEC 241 possui falhas, mas é um passo no rumo certo - e suas virtudes apavoram a esquerda

"Gostaria de abordar aqui, como causa da crise e do desajuste das contas do governo, o vertiginoso aumentos dos juros ocorrido nos últimos anos"

Ignorância econômica atroz.

Ao contrário do que muitos acreditam, o governo gasta menos com juros quando estes estão subindo.

Sim, é isso mesmo: quando os juros estão subindo, há menos despesas com juros.

E a explicação é simples: quando os juros estão subindo, os preços dos títulos públicos estão caindo. Com os preços caindo, há menos resgates de títulos. Consequentemente, há menos gastos do Tesouro com a dívida.

Não precisa confiar em mim, não. Pode ir direto à fonte. Esta planilha do Tesouro mostra os gastos com amortização da dívida. Eles caem em anos de juros em ascensão e diminuem em anos de juros em queda.

Eis os gastos do Tesouro com amortização da dívida a partir de 2011:

2011 (ano em que os juros foram de 10,75% para 12,50%): R$ 97.6 bilhões

2012 (ano em que os juros caíram para 7,25%, o menor valor da história): R$ 319.9 bilhões (sim, o valor é esse mesmo)

2013 (ano em que subiram de 7,25% para 10%): R$ 117.7 bilhões

2014 (ano em que subiram para 11,75%): R$ 190.7 bilhões

2015 (ano em que os juros subiram para 14,25%): R$ 181.9 bilhões

Conclusão: o ano em que o governo mais gastou -- e muito! -- com a amortização da dívida foi 2012, justamente o ano em que a SELIC chegou ao menor nível da história.

Vá se educar em vez de ficar falando besteiras em público.

Quanto ao nível dos juros em si, durante todo o primeiro mandato do governo Lula eles foram muito maiores do que os atuais. E, ainda assim, houve crescimento e investimentos.

Quando o cenário é estável, confiável e propício, juros não impedem investimentos. Quando o cenário é instável e turbulento, juros não estimulam investimentos.

No mais, a subida dos juros foi uma mera conseqüência inevitável das políticas econômicas heterodoxas de dona Dilma.

"Nada disso precisava ocorrer caso o governo continuasse com sua política de contenção de preços, como o da gasolina e da energia elétrica"

Putz, e eu perdendo meu tempo escrevendo isso tudo achando que o sujeito era sério...

Por fim, quer saber por que os juros são altos no Brasil? Você só precisa ler esses dados aqui.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Cristiano  27/02/2012 08:33
    Uma coisa é fato, o modelo do parlamento inglês propicia debates excelentes!
  • Alexandre M. R. Filho  27/02/2012 08:46
    Que bela previsão nos últimos 4 parágrafos...\r
    \r
    E tem gente que menospreza os austríacos...
  • Andre Cavalcante  27/02/2012 09:06


    Depois falam dos austríacos.

    O Rothbart praticamente previu como o Euro iria evoluir e a crise que vive hoje, 10 anos depois. Até a questão da unificação fiscal, que é a cogitação mais comum para "salvar" o euro tá no texto. Incrível!

    Abraços
  • Celio Beserra  27/02/2012 10:13
    Depois da leitura deste artigo fiquei bastante desapontado com o desempenho da Dama de Ferro. De fato, dispunha de poucas informações sobre o governo de Margaret Thatcher, além das fornecidas por Roberto Campos em suas memórias "A Lanterna na Popa". No fim das contas, ela ficou muito parecida com Ronald Reagan, que elegeu-se com um discurso furibundamente livre-mercadista e terminou praticando uma espécie de keynesianismo militar (orçamentos militares crescentes, justificados pelo combate ao "Império do Mal", a ex-URSS). Quanto à herança que deixou, fica a questão: é positiva, por mostrar a necessidade de diminuir o tamanho do Estado, ou é negativa, porque seus muitos erros foram usados como munição pelos esquerdistas detratores do liberalismo?
  • Leandro  27/02/2012 10:30
    Em minha opinião, sua herança é positiva, principalmente no quesito privatizações, as quais foram muito bem feitas. Mas não acho que seja uma boa estratégia utilizar Maggie como um ícone liberal. É um tiro no pé. Não dá para ter como ícone liberal alguém que elevou impostos, não cortou gastos e foi leniente na questão monetária (lembrando que o BC inglês não era independente; ou seja, obedecia ao governo), o que prolongou desnecessariamente a recessão. Neste quesito específico, a dupla Reagan/Volcker foi muito melhor.

    E sobre as privatizações... bom, Collor também fez privatizações. E foram as mais bem feitas do país até hoje. Aliás, Collor apresentou deficit nominal zero em 1991, o último da história do país. Seria correto utilizá-lo como ícone liberal? Acho que não.

    Portanto, elogiemos Maggie no que ela fez de bom (sindicatos e privatizações), sem jamais nos esquecermos das coisas ruins.
  • Pipe  27/02/2012 10:40
    O Rothbard tampouco escrevia coisas agradáveis a respeito do Reagan:
    Ronald Reagan: An Autopsy
  • Celio Beserra  27/02/2012 11:55
    Pipe, obrigado pela indicação de leitura.
  • Celio Beserra  27/02/2012 11:53
    Leandro, obrigado pela resposta rápida e esclarecedora. Sou um entusiasta do libertarianismo e frequentador diário do site. Aliás, neste momento estou iniciando a leitura de "A Ética da Liberdade", de Murray Rothbard. Confesso que me senti envaidecido por fazer um comentário digno da atenção de um dos maiores divulgadores da obra de Ludwig von Mises no Brasil.
  • Igor  06/11/2016 00:05
    Prezado, Leandro, entenda meu comentário abaixo como de aluno para professor (sem ironia).

    Quanto a esta parte do teu comentário "Aliás, Collor apresentou deficit nominal zero em 1991", vale lembrar que até a implantação do Real as contas do governo eram uma bagunça e com várias "torneiras" sem contabilização oficial.

    Fora isso, foi descoberto, também durante a formulação do Real, de que as receitas eram indexados e as despesas não. Uma bela maneira de gerar resultados bons (ou menos piores).

    Enfim, o Collor teve alguns méritos... Porém, acredito que se formos "tentar aproximar" estes governos social-democratas (ou neoliberais) dos aspectos liberais, o governo FHC é muito mais próximo (mais ainda a trilhões anos-luz de distância), na minha opinião.

    Um abraço e obrigado pelo ensinamentos!

  • Lenonid  19/04/2015 22:09
    sério mesmo? um artigo no Mises.org.br de um anarcocapitalista de universidade e você, joga 11 anos de Margaret Thatcher fora? contra greves, contra o IRA, contra o socialismo fervente da guerra fria...

    é necessário ter bom senso e não acreditar cegamente em tudo que sai aqui no IMB.
  • Angelo Viacava  27/02/2012 11:44
    Um governo libertário teria o trator necessário para fazer o que fosse necessário para consertar a economia brasileira, por exemplo?
  • Andre Cavalcante  27/02/2012 17:16

    Como assim, "governo" libertário?

    Abraços
  • Angelo Viacava  27/02/2012 18:04
    Desculpe. Esqueci que era utopia.
  • Catarinense  27/02/2012 18:36
    "Governo libertário" é um oxímoro.
  • Angelo Viacava  28/02/2012 03:46
    Então esperemos cair do céu? Já que nenhum homem seria capaz de conduzir uma sociedade libertária, pois trata-se de paradoxo. Mas o socialismo não se trata de um paradoxo, já que impede o cálculo econômico, e está aí, em franca expansão sob nomes pomposos bem disfarçados? Quando se revelou um fracasso, o comunismo defendeu-se com o argumento de que a prática não era a ideal, que as pessoas ainda não estavam preparadas para o verdadeiro comunismo, que seria um estágio superior de convivência pacífica entre seres humanos, blablabla. Não é o mesmo caso dos pregadores libertários, é?
  • Pipe  28/02/2012 05:07
    Um "governo libertário" não é um oxímoro. Acho que todos concordamos que não haverá extinção do estado em um futuro próximo ou mesmo em um futuro distante.
    Um governo libertário poderia passar um trator por cima de tudo o que está no caminho dos indivíduos: regulamentações obsessivas, controle sobre vários setores da economia, controle sobre saúde, educação, etc.
    Resumindo: um governo libertário não resolveria nenhum problema, na verdade, um governo libertário faria de tudo para evitar criar os problemas que os governos sempre criam.
  • Rhyan  28/02/2012 05:18
    Sobre um governo liberário, vejam um dos melhor artigos do site: www.mises.org.br/Article.aspx?id=285
  • Catarinense  28/02/2012 05:35
    Nesse caso teria-se uma minarquia, no máximo, caso o governo fosse bem sucedido em aplicar os ideais liberais/capitalistas no país, mas mantivesse parte da estrutura governamental. O libertarianismo também é chamado anarco-capitalismo. Pode-se ter um governo anárquico?
  • mcmoraes  28/02/2012 06:26
    @Pipe: "Um "governo libertário" não é um oxímoro. Acho que todos concordamos que não haverá extinção do estado em um futuro próximo ou mesmo em um futuro distante..."

    Me inclui fora dessa.
  • Pipe  28/02/2012 06:53
    Você realmente consegue enxergar a extinção do estado no horizonte? Se consegue, parabéns, você é uma das pessoas mais otimistas deste universo.
  • mcmoraes  28/02/2012 07:07
    Não, Pipe, eu não consigo enxergar isso. Como eu não também não consigo prever o futuro, eu realmente não tenho condições de concordar ou discordar da sua assertiva: "não haverá extinção do estado em um futuro próximo ou mesmo em um futuro distante". Para concordar ou discordar de você, eu precisaria de uma bola de cristal.
  • Pipe  28/02/2012 07:23
    A afirmação "não haverá extinção do estado em um futuro próximo ou mesmo em um futuro distante" não é uma previsão do futuro.
    É claro que, teoricamente, isso pode acontecer, mas as chances são remotíssimas. Portanto, na prática, eu posso afirmar com um elevadíssimo grau de certeza que "não haverá extinção do estado em um futuro próximo ou mesmo em um futuro distante". Espero, porém, que algum evento histórico inesperado mude o cenário, tornando a extinção do estado algo mais provável de acontecer.
  • mcmoraes  28/02/2012 07:44
    Enquanto você não falar em meu nome, você pode afirmar o que você quiser.

    ps: esse seu último comentário me fez lembrar de dois artigos:
    Por que não podíamos abolir a escravidão ontem e não podemos abolir o governo hoje; e
    Dez argumentos para não abolir a escravidão.
  • Paulo Sergio  28/02/2012 08:42
    O seasteading do Patri Friedman é muito mais realista que o fim do estado
  • Pipe  28/02/2012 08:55
    Um abolicionista do século 15 ou 16 dificilmente imaginaria que a escravidão seria abandonada em poucas décadas. Era um trabalho árduo fazer com que os indivíduos deixassem de ver na escravidão algo aceitável, afinal, era algo perfeitamente natural para as pessoas.

    O libertário deve manter seu ideário, sem deixar de acreditar na abolição do estado, mas tampouco se deixando envaidecer, imaginando que vai conseguir mudar o mundo em pouco tempo. A abolição do estado depende de uma nova organização da sociedade, de uma mudança geral na forma como as pessoas enxergam o esatado, assim como a abolição da escravidão dependia de mudanças na estrutura social e na mentalidade dos indivíduos na época.
  • Angelo Viacava  28/02/2012 10:07
    Como debate é ótimo, mas às vezes parece o cara que sonha em ter uma Ferrari, sei lá, poderia ser qualquer bem muito acima de suas posses, porém não conseguindo, abre mão de qualquer outro carro, usado ou novo, durante toda a vida, andando a pé só por rebeldia. Espero não estarmos à espera do super-homem do Nietzsche. Qual a ação humana derrubará o que está aí hoje?
  • Marc...  28/02/2012 12:29
    O que se deve observar é que esse homem pode ter decidido não utilizar qualquer carro não por rebeldia, mas por saber que isso é mal em sua essência, prejudica todos a quem ele ama e a si mesmo, então mesmo que alguém dê valor a andar de carro, ele por suas convicções, conhecimento, moral e ética, dá mais valor em fazer o bem do que um prazer ou conforto efêmero (em sua própria análise).\r
    \r
    Qual a ação humana derrubará o que está aí hoje?\r
    A sua própria.\r
    \r
    Acredito que podemos ter o anarco-capitalismo aqui, só depende do quanto nossa indiferença o torne tardio, é sabido que um cidadão só não resolverá TUDO, mas se cada um fizer sua parte os resultados acontecem.\r
    \r
    Não é necessário uma mudança nas "estruturas" da sociedade antes para que isso ocorra, a mudança ocorre em você antes, pensamentos (conhecimento) e atos, depois você que alterará essas "estruturas" de acordo com suas capacidades.\r
    \r
    Eu tenho um sonho e luto por ele.\r
    Prometo manter a linha na batalha, o elo da corrente, e você?
  • Angelo Viacava  29/02/2012 03:36
    Ah, sim, o otimismo, esse grande manto sob o qual se escondem uma minoria de verdadeiros otimistas e um sem número de melindrados. Tanto quanto o pessimismo. KKKKKKKKKKK! Otimistas autênticos já foram para o céu, nirvana, xangri-lá ou qualquer outro paraíso, e os pessimistas autênticos mataram-se todos. Sobramos nós, pessoas normais.
    Mas se governo libertário é oxímoro, então um partido libertário também o seria. Teria que assumir as rédeas para que ninguém mais assumisse, mas aí já teria assumido, e só o suicídio lhe restaria. Tá, exagerei, sou assim mesmo, fazer o quê? Sigamos com o debate, mas não levem minhas palavras como ofensa, pois não é essa a intenção. Grande abraço a todos.
  • Rhyan  27/02/2012 12:43
    Muito bom!

    Gostaria de um artigo assim sobre Reagan!
  • Thyago  27/02/2012 14:02
    Ao que aparenta, o grande problema dela, assim como o do Reagan, foi no campo fiscal...
  • Carlos  27/02/2012 15:23
    O governo de Margaret Thatcher foi um desastre para o povo e bom para as elites. Mais impostos para o povo, menos para as elites, mais concentração de renda, mais desemprego, etc. Fez jus a má fama que os governos conservadors tem, de f** o povo e beneficiar as elites. Não é à toa que é normal em livros didáticos incluir a elevação de impostos como uma das caracteristicas do neoliberalismo.
  • Leandro  27/02/2012 15:49
    Disse bem, Carlos. Governos neoliberais, com sua economia mista, sua social-democracia disfarçada sob uma retórica pró-mercado e seu intervencionismo em todos os setores da economia, mais violentamente no aspecto monetário, de fato têm de elevar impostos para pagar seus crescentes gastos -- e, sendo assim, não têm realmente como ser bom para ninguém exceto para aqueles com fortes conexões políticas.

    É por isso que nós aqui do IMB defendemos o liberalismo puro, sem intervencionismos, sem privilégios, sem impostos seletivos e com gastos declinantes. E, principalmente, sem nenhum prefixo à palavra 'liberalismo'. Da mesma forma, defendemos uma economia de mercado sem qualquer adjetivo complicado e confuso adicionado à palavra mercado. Defendemos uma economia de mercado completa, ilimitada, irrestrita e intacta -- sem concessões. Nada de 'neo' nem de 'paleo'.

    Neoliberalismo é coisa para tucanos e petistas -- cada grupo se esforçando para comprovar quem é mais anencéfalo que o outro.
  • Carlos  27/02/2012 17:41
    Esse liberalismo é utópico. O liberalismo possível é o neoliberalismo, o liberalismo dos grupos de lobby, do aumento de impostos para o povo e redução para as elites, das privatizações para os amigos, dos pacotes de socorro para salvar os bancos e o sistema financeiro, mesmo que às custas de elevado endividamento, enquanto pessoas comuns são despejadas, da privatização dos lucros e socialização dos prejuízos, etc.
  • Leandro  27/02/2012 17:50
    E como é que você pode associar todas estas intervenções estatais ao rótulo de liberalismo, Carlos? Se isso é liberalismo, o que seria então intervencionismo?

    Acho que você, assim como o Mantega, vive em uma dimensão paralela, na qual palavras e conceitos têm sentidos totalmente opostos aos deste mundo.
  • Artur Fernando  28/02/2012 05:55
    Por acaso sabes o que é Utopia? Conceitue
  • Guilherme Shibata  27/02/2012 17:26
    Notícia preocupante : Querem criar um Banco Central para os BRICS !

    Fonte e um trecho : www.cartacapital.com.br/economia/emergentes-buscam-maior-representividade-com-banco-dos-bric/

    Há tempos os emergentes pressionam por mais influência nas agências e entidades financeiras, sem grande sucesso. Por isso, a revista econômica norteamericana Bloomberg aponta que, em paralelo ao evento no México, os representantes do BRIC discutiriam um novo caminho: a criação de um banco multilateral a ser mantido apenas por países em desenvolvimento para financiar projetos nestas regiões.

    A medida, apresentada pela Índia, ainda está em fase de inicial de discussão, mas circula entre o grupo e vai ser debatida de forma mais específica na reunião dos BRIC em março, diz a publicação.

  • JC  27/02/2012 23:30
    Aparentemente idéias liberais só aparecem na agenda política de grandes unidades políticas quando o naufrágio econômico já é claro. E só são aplicadas na dose suficiente para rearrumar a casa, e recolocar logo o mastodonte de novo na rota do aumento de impostos e de endividamento.

    Rothbard descreve que o governo central britânico teve um mal-implementado experimento fiscal com os municípios, mas a princípio não me parece uma má idéia municipalizar tudo o que for possível.

    Se ao invés de instituir um novo imposto tivessem deixado aos municípios decidirem suas alíquotas, municípios administrados por populistas aumentariam os impostos ou se endividariam para se manter no poder no curto prazo. Pagariam um preço político por isso.

    Em poucos anos cidades vizinhas mais prósperas se encarregariam de reverter este processo, com os municípios mais prósperos mostrando o caminho ou mesmo absorvendo em sua esfera política os municípios mais gastadores, que por sua vez expulsariam moradores e empresas, e se aproximariam da falência.

    Ou seja, a competição fiscal pode ser efetiva para manter um estado em cheque por sua própria dinâmica. O temor oficial é tanto que aqui no Brasil isso é traduzido como 'guerra fiscal'.
  • Marc...  28/02/2012 06:33
    Sejamos nós mesmos os ícones liberais/libertários que tanto procuramos, não temos que esperar o surgimento/implementação do partido verdadeiramente libertário, decidirmos não ser mais submissos e manipulados e tomemos as atitudes ao nosso alcance em prol de nossa liberdade.

    Procuremos ao máximo não sustentar o sistema, corrompendo-o e minando seus objetivos/metas:

    *Cortemos todo e qualquer uso de crédito (abolir o cartão de crédito por exemplo);

    *Transformemos toda nossa poupança/investimentos em ouro (com preferência na forma física e não títulos manipulados), cancelando qualquer plano de previdência e fazendo a mesmo em ouro;

    *Nunca nos calemos diante manifestações contrárias ao liberalismo (internet, em público, conversas informais etc), ou qualquer outros sistemas/meios estatizantes/nazistas escravizadores (democracia, reservas fracionárias, imposto, crédito, direitos não naturais, sistema monetário fiduciário, reserva de mercado, ensino guiado ou executado pelo estado, mídia com qualquer ligação estatal, desarmamento, registros/bancos de dados estatais dos atos dos cidadãos etc);

    *Unirmos para cada vez mais trocarmos conhecimento, ajuda, apoio, e prepararmos ações mais efetivas juntos (uma idéia: formar um grupo grande o suficiente e utilizar o máximo de crédito/empréstimos possível nopara comprar ouro inflacionando-o em comparação ao meio fiduciário e não pagar, abalando todo o sistema atual).

    Uma vida melhor é possível para todos que amamos, nós temos a capacidade de mudar tudo, acreditemos nas grandes obras dos nossos sonhos e esqueçamos a mentira de que somos insignificantes e somente mais 1 do voto democrático.

    Decidi não mais servir e sereis livres; não pretendo que o empurreis ou sacudais, somente não mais o sustentai, e o vereis como um grande colosso, de quem se subtraiu a base, desmanchar-se com seu próprio peso e rebentar-se.
    Étienne de La Boétie
  • Angelo Viacava  28/02/2012 18:17
    Conheces alguém que já o faça?
  • Eduardo R., Rio  13/01/2013 21:29
    Documentos do governo de Margaret Thatcher foram abertos após 30 anos e revelam que a primeira-ministra britânica encomendou um plano para desmantelar o Estado social no Reino Unido.
  • Leandro  13/01/2013 21:42
    Pois é, ficou só na intenção. E o resultado desta inação é que o SUS britânico virou um verdadeiro açougue: bebês doentes estão sofrendo eutanásia compulsória.

    Sem recursos (que inesperado!), os hospitais do NHS (National Health Service) estão simplesmente cortando a alimentação deles, que são deixados à míngua até morrerem.

    Estatistas -- que são obcecados com controle populacional -- até salivam quando lêem coisas assim.

    www.dailymail.co.uk/news/article-2240075/Now-sick-babies-death-pathway-Doctors-haunting-testimony-reveals-children-end-life-plan.html
  • Rhyan  08/04/2013 14:51
    Segue a informação que eu recebi, o que acham?:

    "Gasto público do Reino Unido: 1979: 42,7%; 1990: 39,2%. Carga tributária do Reino Unido: 1979: 39,6%; 1990: 37,6%. Dívida bruta do Reino Unido: 1979: 46,1%; 1990: 32,4%. Fonte: International Monetary Fund, World Economic Outlook Database, October 2012."
  • Leandro  08/04/2013 15:21
    A dívida bruta não é comentada no artigo. A dívida em relação ao PIB irá cair sempre que o PIB crescer mais do que a dívida. E dado que o PIB é uma estatística pra lá de duvidosa, não há por que tomar esse indicador como definitivo.

    Quanto aos gastos, o artigo fala em gastos absolutos. E aqui há um gráfico da evolução deles.

    www.tradingeconomics.com/charts/united-kingdom-government-spending.png?s=unitedkingovspe&d1=19700101&d2=19911231

    Observe que a redução no crescimento começou em 1976, ainda sob um governo trabalhista. Pior ainda: não se nota absolutamente nenhuma alteração no ritmo dos gastos sob o governo Thatcher. A impressão que se tem é que ela simplesmente deu continuidade ao ritmo dos gastos herdado do governo trabalhista. Isso (gastos do governo), e apenas isso, já mostra que seu governo não tinha tanto compromisso assim em realmente reduzir o tamanho do estado.

    Sobre as receitas em termos do PIB, já vi relatos distintos. O principal problema está em utilizar o PIB ou o PNB (Produto Nacional Bruto) como base de comparação. Mas sou agnóstico neste assunto, exatamente pelo fato de usar essas duas estatísticas dúbias como base de comparação.
  • Leonardo Couto  08/04/2013 20:15

    Hoje ( 08/04/2013 ) sua morte me entristeceu. Admirava Thatcher pela sua firme convicção em seus princípios. Só é uma pena que eles não fossem tão pró-liberdade quanto o ideal. De qualquer jeito, ela não movia-se um centímetro de seu posicionamento.
  • Marcio L  04/09/2013 20:55
    "Os thatcheristas são "burkeanos" e não "leninistas de direita". Sendo assim, em vez de uma abordagem obstinada, radical e abolicionista para se chegar à liberdade econômica, eles preferiram se entregar às glórias do gradualismo e da moderação."

    Disse tudo.
  • Eduardo R., Rio  02/10/2014 03:57
    "Dez mitos sobre Margaret Thatcher", por Madsen Pirie.


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