Churchill, Hitler e a guerra desnecessária
por , quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

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N. do T.: Todas as informações e citações deste artigo podem ser encontradas em detalhes no livro do autor: Churchill, Hitler e a "Guerra Desnecessária": Como a Grã-Bretanha perdeu seu império e o Ocidente perdeu o mundo, o qual também é pleno de notas e documentos.  Pedimos que o leitor tenha isto em mente antes de nos enviar qualquer ofensa ou simplesmente postar comentários dizendo coisas vazias e sem substância como "não concordo com o autor".

 

churchill-hitler.jpgA Europa, o continente-mãe do Ocidente, está hoje em decadência e morrendo, incapaz de sustentar as taxas de fecundidade necessárias para manter o continente vivo, ou para resistir à conquista estrangeira de uma invasão de imigrantes oriundos do Terceiro Mundo.

O que houve com as nações que, há apenas um século, controlavam o mundo?

Em meu livro Churchill, Hitler and 'The Unnecessary War': How Britain Lost Its Empire and the West Lost the World (Churchill, Hitler e a "Guerra Desnecessária": como a Grã-Bretanha perdeu seu império e o Ocidente perdeu o mundo), argumento que foram os colossais erros de estadistas britânicos, sendo Winston Churchill o principal deles, que transformaram duas guerras europeias em guerras mundiais que ainda se comprovarão as responsáveis pelas feridas mortais do Ocidente.

Como tudo começou

O primeiro erro grotesco começou com uma decisão secreta do Gabinete Nacional britânico, em 1906, de que mandaria o exército britânico cruzar o Canal da Mancha para lutar em qualquer guerra franco-germânica que porventura viesse a ocorrer.  Tivesse o Kaiser sabido de antemão que o Império Britânico lutaria ao lado da França, ele teria tomado ações mais decisivas do que as que de fato tomou para evitar que o continente mergulhasse na guerra em julho de 1914.

Caso a Grã-Bretanha não tivesse declarado guerra à Alemanha em 1914, Canadá, Austrália, África do Sul, Nova Zelândia e Índia não teriam seguido a metrópole.  Tampouco o Japão, aliado da Grã-Bretanha.  Tampouco a Itália, a quem Londres seduziu com propinas secretas, prometendo territórios dos impérios Otomano e de Habsburg. Tampouco teriam os Estados Unidos ido para a guerra caso a Grã-Bretanha tivesse se mantido fora.  A Alemanha teria vencido a guerra, talvez em poucos meses.  Como consequência, não haveria Lênin, nem Stalin, nem Tratado de Versalhes, nem Hitler e nem Holocausto.  O leninismo e o stalinismo jamais teriam triunfado na Rússia e Hitler jamais teria chegado ao poder na Alemanha.

Churchill foi o mais belicoso defensor da entrada da Grã-Bretanha na guerra europeia de 1914.  Mas o fato é que o Kaiser Wilhelm II, neto da Rainha Vitória e sobrinho do Rei Eduardo VII, nunca quis uma guerra com a Grã-Bretanha (em 1910, ele marchou no funeral do Rei Eduardo — utilizando um uniforme de marechal britânico).

A argumentação tradicional em prol da intervenção da Grã-Bretanha é que ela tinha de interromper o militarismo prussiano, "pois as políticas do Kaiser demonstravam que ele queria fazer guerra ao redor de todo o globo", escreveu Christopher Hitchens, criticando meu livro.

Mas isso é tolice.  Se o Kaiser estivesse procurando alguma guerra, ele certamente já a teria achado.  O fato é que, em 1914, ele já estava no poder havia 25 anos, já estava na meia-idade e jamais havia lutado uma só guerra ou criado uma só batalha.

De Waterloo até a Primeira Guerra Mundial, a Prússia lutou três guerras, todas elas em um período de sete anos, de 1864 a 1871.  Como resultado destas guerras, ela adquiriu dois ducados, Schleswig e Holstein, e duas províncias, Alsácia e Lorena.  Em 1914, a Alemanha não entrava em uma guerra fazia já duas gerações.

Isso parece uma postura de quem quer conquistar o mundo?

Quanto ao belicoso apoio do Kaiser aos Bôeres, sua incitação da Crise de Agadir em 1905, sua construção de uma grande frota, e sua busca por colônias na África, ele estava apenas macaqueando os britânicos, cuja aprovação e amizade ele desesperadamente procurou durante toda a sua vida e a qual sempre lhe foi negada.

Em todas as crises em que o Kaiser se meteu, incluindo seu insensato "cheque em branco" dado à Áustria após assassinos sérvios matarem o herdeiro do trono austríaco, ele ou recuou ou tentou recuar quando a guerra finalmente eclodiu.

Mesmo Churchill, que antes de 1914 acusava o Kaiser de querer "dominar o mundo", admitiu que "a história deverá ... absolver Wilhelm II da acusação de ter tramado e planejado a Primeira Guerra Mundial".

O Tratado de Versalhes e novas trapalhadas 

Em 1918, após a derrota, a Alemanha aceitou um armistício obedecendo aos Quatorze Pontos de Woodrow Wilson, renunciou às armas e se desfez de sua Frota de Alto-Mar.

Entretanto, uma vez desarmada, a Alemanha não só foi submetida a sanções e bloqueios que geraram fome entre seus cidadãos, como também lhe foi negado o direito de pescar no Mar Báltico.  Além disso, ela viu todas as suas colônias e propriedade privada serem confiscadas por imperialistas britânicos, franceses e japoneses, em explícita violação dos 14 Pontos de Wilson.

O que nos leva ao segundo erro grotesco: o Tratado de Versalhes, o qual adicionou um milhão de milhas quadradas ao Império Britânico ao mesmo tempo em que consignou milhões de alemães, austríacos e húngaros à Bélgica, à França, à Itália, à Servia, à Tchecoslováquia, à Romênia, à Polônia e à Lituânia, violando totalmente o princípio da autodeterminação, os termos do armistício e os 14 Pontos. 

A Alemanha foi fatiada pela metade, desmembrada, desarmada, onerada com uma dívida impagável e forçada, sob a ameaça de novas invasões e bloqueios, a confessar que ela, sozinha, havia sido moralmente responsável pela guerra e por toda a sua devastação — o que é uma mentira, como bem sabem os Aliados.

Onde Hitler nasceu?  Em Versalhes, é claro.

Já em 1920, o próprio Churchill estava exortando a Grã-Bretanha a revisar Versalhes, a trazer a Alemanha para o campo aliado e a intervir na guerra civil russa — contra Lênin e Trotsky.

O terceiro erro grotesco foi a decisão britânica de capitular às exigências americanas em 1921 e dispensar os japoneses, que haviam sido seus fieis aliados por 20 anos.  Tókio se vingou, 20 anos depois, infligindo a maior derrota da história britânica: a entrega de Cingapura e a rendição de um exército de 80.000 soldados britânicos perante um exército japonês que tinha a metade do tamanho.  Churchill corretamente se referiu ao episódio como "o pior desastre e a maior capitulação da história britânica."

O quarto erro grotesco, o qual Neville Chamberlain rotulou de "o pleno verão da loucura", foi a decisão, em 1935, de punir a Itália por causa de sua guerra colonial na Etiópia.  Londres rasgou as resoluções da Conferência de Stresa, declaração firmada entre Grã-Bretanha, França e Itália, e que Mussolini havia criado para conter a intenção de rearmamento da Alemanha.  Tal atitude empurrou Mussolini diretamente para os braços de um ditador nazista que ele desprezava.

Em 1936, a França sondou os britânicos para saber se eles apoiariam uma investida para empurrar as tropas alemãs para fora da Renânia, a qual havia sido ocupada por Hitler em violação ao Tratado de Versalhes.  Os britânicos se recusaram.  E Churchill congratulou a França por levar a questão à Liga das Nações, e disse que a solução ideal seria que os nazistas se retirassem voluntariamente da Renânia, mostrando assim para o mundo que Hitler respeitava a santidade dos tratados.

O Acordo de Munique, 1938

Munique, setembro de 1938, foi um desastre.  Mas foi uma consequência direta, se não inevitável, de um Tratado de Versalhes que havia consignado 3,5 milhões de alemães dos Sudetos (alemães da região no norte da Tchecoslováquia que queriam estar sob domínio alemão) ao domínio dos tchecos, contra sua vontade e em violação do princípio da autodeterminação.  

No dia 30 de setembro de 1938, Chamberlain transferiu por assinatura a região dos Sudetos para a Alemanha em vez de lutar para manter 3,5 milhões de alemães sob o domínio tcheco, algo que havia sido imposto a eles pela Conferência de Paz de Paris em clara violação ao princípio da autodeterminação estabelecido por Wilson.

Por que a Grã-Bretanha não protestou e cedeu alegremente todo o território tcheco para Hitler?

Porque a Grã-Bretanha não tinha nenhuma aliança com Praga, e Chamberlain "não dava a mínima" para quem controlaria os Sudetos.  Adicionalmente, a Grã-Bretanha não tinha um exército para mandar para a região, não tinha divisões para mandar para a França, não tinha Spitfires, não tinha o apoio dos EUA ou de suas colônias, e não tinha aliados, exceto a França, a qual havia sido alertada que, caso houvesse guerra, os EUA não entregariam os aviões que a França havia comprado.

A neutralidade dos EUA proibia tal ato.

Em seus encontros com Chamberlain, Hitler havia alertado que a Polônia e a Hungria também reivindicariam terras antigas que haviam sido entregues aos tchecos pela Conferência de Paz de Paris em 1919.

Ato contínuo, após o Acordo de Munique, Varsóvia anexou uma área da cidade de Teschen (Cieszyn, em polonês), rica em carvão, na qual viviam dezenas de milhares de poloneses.  A Hungria, após a Arbitragem de Viena de 2 de novembro de 1938, recuperou terras na Eslováquia e na Rutênia, onde os húngaros eram a maioria e que havia estado sob o controle de Budapeste até 1919.

Nem a Grã-Bretanha e nem a França ofereceram resistência a estas revisões de fronteiras.

Em março de 1939, a Tchecoslováquia começou a se esfacelar.

No dia 10 de março, para esmagar uma revolta eslovaca que buscava sua independência, o presidente tcheco Emil Hacha removeu o primeiro-ministro eslovaco Monsenhor Josef Tiso, ocupou Bratislava e estabeleceu um regime pró-Praga.

No dia 11 de março, Tiso foi a Viena e pediu ajuda a Berlim.

No dia 13 de março, Tiso se encontrou com Hitler.  O Führer exortou Tiso a declarar independência imediatamente, pois, caso não o fizesse, a Alemanha não iria interferir no processo de reanexação da Eslováquia pela Hungria.  Budapeste estava movendo suas tropas para a fronteira.

No dia 14 de março, a Eslováquia declarou sua independência.  A Rutênia fez o mesmo logo em seguida, dissolvendo o que restava da Tchecoslováquia.

Miklós Horthy, regente da Hungria, foi informado por Hitler que ele poderia reanexar a Rutênia, mas tinha de se manter longe da Eslováquia.  Ato contínuo, Horthy ocupou a Rutênia.

Emil Hacha pediu uma reunião com Hitler para tentar conseguir a mesma garantia de independência que a Eslováquia havia conseguido.  Mas Hitler ameaçou Hacha, obrigando-o a transformar o que restou da Tchecoslováquia em um protetorado da Alemanha.

Assim, seis meses após Munique, os alemães da Tchecoslováquia estavam onde queriam estar, sob domínio alemão.  Os poloneses estavam sob domínio polonês.  Os húngaros estavam sob domínio húngaro.  E os eslovacos, sob domínio eslovaco em sua nova nação.

Porém, 500.000 rutenos estavam novamente sob o domínio de Budapeste, e 7 milhões de tchecos estavam de novo sob domínio alemão — desta vez sob Berlim, e não Viena.

O nacionalismo étnico havia destruído a Tchecoslováquia, assim como havia feito com o Império Habsburgo.  No entanto, nenhum interesse britânico vital estava em perigo.

E embora Hitler, em vez da força, houvesse utilizado apenas de uma brutal diplomacia bismarckiana, Chamberlain havia sido humilhado.  O troféu de sua carreira, o acordo de Munique, era agora motivo de escárnio.

Mas Munique ainda não havia sido o pior dos erros.

Danzig e a garantia à Polônia

Feito de bobo por Hitler, aviltado por seus colegas de Parlamento, incitado por Lord Halifax (Líder da Casa dos Lordes), e enfrentando uma moção de censura, em 31 de março de 1939, Chamberlein cometeu o maior erro da história diplomática da Grã-Bretanha: ele concedeu uma não solicitada garantia de guerra aos coronéis poloneses, membros de um regime neofascista, que haviam acabado de anexar uma parte da Tchecoslováquia — no que contaram com a ajuda de Hitler.

Tendo agora o apoio explícito do Império Britânico — o qual havia garantido que socorreria a Polônia caso a Alemanha atacasse —, e sentindo-se encorajada, Varsóvia passou a se recusar a sequer discutir a devolução de Danzig para a Alemanha.  Danzig (hoje Gdansk) era uma cidade portuária no mar Báltico, sendo que 95% de sua população era formada por alemães.  Até mesmo Chamberlain e vários líderes britânicos achavam que ela deveria ser devolvida à Alemanha.

Hitler não queria uma guerra com a Polônia.  Quisesse ele de fato uma guerra, ele teria exigido a devolução de todo o Corredor Polonês retirado da Alemanha em 1919.  Ele queria Danzig de volta, e queria também ter a Polônia como aliada em seu Pacto Anti-Comintern.  Ele chegou até a aludir à cessão de um território eslovaco para a Polônia, como forma de compensação.  Hitler também não queria guerra com uma Grã-Bretanha que ele admirava e que sempre havia visto como uma aliada natural.

Ele também não queria guerra com a França, caso contrário ele teria exigido a devolução da Alsácia.

Mas Hitler estava em uma posição vulnerável por causa de Danzig e não podia recuar.

Repetidamente, Hitler tentou negociar Danzig.  E repetidamente, os poloneses o repeliram.  Vendo que os Aliados estavam cortejando Josef Stalin, Hitler decidiu fazer um acordo com os abominados bolcheviques e resolver a questão da Polônia à força.

Embora a Grã-Bretanha houvesse prometido ajuda à Polônia, ela nunca de fato teve planos de ajudá-la, nunca teve a intenção de ajudá-la e não faria nada para ajudá-la.  Prometeram aos poloneses uma ajuda militar que não poderiam cumprir — Churchill mais tarde viria a entregar metade da nação para Stalin e a outra metade para os fantoches de Stalin —, e essa promessa solapou a determinação dos poloneses em resistir a Hitler, garantindo assim sua aniquilação. 

No dia 1º de setembro de 1939, o exército alemão cruzou a fronteira polonesa, com seus panzers.  No dia 3 de setembro, mesmo sem nenhuma condição, a Grã-Bretanha e um aflito Neville Chamberlain declararam guerra à Alemanha em defesa da Polônia.

Começou assim a mais horrenda guerra da história, a qual iria levar a Grã-Bretanha à falência e acabar com seu império.  Seis anos depois, 50 milhões de cristãos e judeus haviam sucumbido.  A Grã-Bretanha estava quebrada e falida, e a Alemanha, só ruínas e fumaça.  A Europa havia servido de cenário para o mais aniquilador combate já vivenciado pelo homem, e os civis sofreram horrores ainda piores do que os soldados. 

E em maio de 1945, o Exército Vermelho ocupou todas as grandes capitais da Europa Central: Praga, Berlim, Viena, Budapeste.  Cem milhões de cristãos ficaram sob o domínio da mais bárbara tirania da história: o regime bolchevique comandado pelo maior terrorista de todos, Josef Stalin.

Consequências para a Polônia

Quais foram as consequências para a Polônia de ter confiado na Grã-Bretanha?

Crucificação em cruz nazi-soviética, o massacre de Katyn (22 mil prisioneiros poloneses assassinados em uma floresta), Treblinka e Auschwitz, aniquilação do Exército Nacional, milhões de bravos poloneses mortos, e meio século de terror bolchevique.

E como Churchill honrou o compromisso da Grã-Bretanha com a Polônia?

Em suas viagens a Moscou, Churchill intimidou o primeiro-ministro polonês a ceder para Stalin aquela metade do seu país que Stalin havia conseguido por meio de seu pacto satânico com Hitler (Pacto Molotov-Ribbentrop), e aquiesceu às demandas de Stalin pela anexação das repúblicas bálticas e o subsequente domínio bolchevique de uma dúzia de nações do Leste Europeu e da Europa Central.

Cinquenta milhões de mortos depois, qual foi o resultado?  Stalin — cujo número de vítimas em 1º de setembro de 1939 já era 1.000 vezes maior que as de Hitler — não apenas ocupou a Polônia, pela qual a Grã-Bretanha foi à guerra, mas também toda a Europa cristã que ia até o rio Elba.

Um pacto Hitler-Stalin, seis anos de guerra com milhões de mortos, a Europa em ruínas, o Império Britânico esfacelado, 10 nações europeias sob o jugo bárbaro de Stalin e meio século de Guerra Fria.  Caso não tivesse havido a garantia britânica à Polônia, poderia não ter havido uma guerra, uma invasão nazista da Europa Ocidental e um Holocausto.

Churchill estava certo quando disse a Franklin Delano Roosevelt, em dezembro de 1941, que tudo havia sido uma "Guerra Desnecessária"; e estava certo de novo, em 1948, quando escreveu que, com Stalin, o mundo agora enfrentava "perigos ainda piores" do que com Hitler.

Por que a Grã-Bretanha fez isso?

Afinal, por que a Grã-Bretanha concederia uma não solicitada garantia de guerra para uma junta de coronéis poloneses, dando a eles o poder de arrastar os britânicos para uma segunda guerra contra a nação mais poderosa da Europa?

Havia sido uma atitude sábia declarar uma guerra mundial contra a nação mais forte da Europa apenas por causa de uma cidade, Danzig, cuja reivindicação pela Alemanha era, segundo o próprio primeiro-ministro britânico, justa?  Danzig valia uma guerra?  Ao contrário dos 7 milhões de cidadãos de Hong Kong que foram entregues pelos britânicos a Pequim contra sua vontade, os cidadãos de Danzig estavam clamando para voltar para a Alemanha.

A resposta comumente dada a essa pergunta é: a garantia de guerra não tinha nada a ver com Danzig, e tampouco com a Polônia.  Tudo fazia parte do imperativo moral e estratégico de "parar Hitler" após ele ter demonstrado, ao rasgar o pacto de Munique (junto com toda a Tchecoslováquia), que estava determinado a conquistar o mundo.  E esta besta nazista não poderia ter essa liberdade.

Se isso for verdade, é um ponto justo.  Afinal, os americanos estavam preparados para usar bombas atômicas para manter o Exército Vermelho longe do Canal da Mancha.  Porém, onde está a evidência de que Adolf Hitler, cujas vítimas em março de 1939 eram apenas uma fração das do general Pinochet, ou das de Fidel Castro, estava determinado a conquistar o mundo? 

Após o Acordo de Munique em 1938, a Tchecoslováquia de fato se esfacelou e se desintegrou, como relatado no início deste texto.  Por mais repugnante que tenha sido tal acontecimento, a pergunta persiste: como é que esta dissolução da Tchecoslováquia manifesta um ímpeto hitlerista de conquistar o mundo?

A típica resposta é: se a Grã-Bretanha não tivesse dado a garantia de guerra, e se ela não tivesse de fato ido à guerra, após a desintegração da Tchecoslováquia seria a vez da Polônia, e depois da Rússia, depois da França, depois da Grã-Bretanha, e então dos Estados Unidos.

E todos nós estaríamos falando alemão hoje.

Mas será mesmo?

Hitler realmente queria uma Guerra?

Se Hitler estava determinado a conquistar o mundo — Grã-Bretanha, África, Oriente Médio, Estados Unidos, América do Sul, Índia, Ásia, Austrália —, então por que ele gastou três anos construindo aquela enormemente cara Linha Siegfried para isolar a Alemanha e protegê-la contra um ataque França?  Por que ele começou a guerra sem ter embarcações de superfície, sem ter transportes para as tropas e tendo apenas 29 submarinos?  Como você conquista o mundo tendo apenas uma marinha incapaz de sair do Mar Báltico?

Se Hitler queria o mundo, por que ele não construiu bombardeiros estratégicos?  Por que ele se contentou apenas com Dorniers e Heinkels de dois motores que não tinham autonomia nem para chegar à Grã-Bretanha partindo da Alemanha?

Por que ele deixou o exército britânico chegar até Dunquerque [porto no norte da França]?

Por que ele ofereceu um acordo de paz aos britânicos duas vezes: a primeira, após a Polônia ter sido dominada; a segunda, após a invasão da França e a Batalha de Dunquerque?

Por que, quando invadiu Paris, Hitler não exigiu que lhe entregassem a frota francesa, dado que os Aliados haviam exigido e confiscado a frota do Kaiser em 1918?  Por que ele não exigiu as bases controladas pelos franceses na Síria, de onde ele poderia atacar Suez?  Por que ele implorou a Benito Mussolini para que este não atacasse a Grécia?

Porque Hitler queria acabar com a guerra em 1940, quase dois anos após os pelotões terem começado a se movimentar.

Hitler nunca quis uma guerra contra a Polônia, mas sim uma aliança com ela, como a que ele tinha com a Espanha de Francisco Franco, a Itália de Mussolini, a Hungria de Miklos Horthy e a Eslováquia de Monsenhor Josef Tiso.

Antes de a Grã-Bretanha declarar guerra contra ele, Hitler jamais havia exigido a devolução de nenhum terreno alemão perdido para o Ocidente em decorrência de Versalhes.  Schleswig havia sido dado para a Dinamarca em 1919, Eupen e Malmedy para a Bélgica, e Alsácia e Lorena para a França.  Por que ele não exigiu estes terrenos de volta?  Porque ele estava em busca de uma aliança, ou ao menos de uma amizade com a Grã-Bretanha, e sabia que qualquer medida contra a França significaria guerra contra a Grã-Bretanha.

Com efeito, por que ele iria querer guerra se, em 1939, ele estava cercado de vizinhos aliados, amigáveis ou neutros, exceto a França?  E ele já havia descartado a Alsácia, pois reconquistar a Alsácia significaria guerra com a França, e isso, por sua vez, significaria guerra com a Grã-Bretanha, cujo império ele admirava e a quem ele sempre buscou como aliada.

Em março de 1939, Hitler nem sequer fazia fronteira com a Rússia.  Como poderia ele, portanto, invadir a Rússia?

Holocausto e invasão da Rússia

Que Hitler era um furioso antissemita é algo inegável.  "Mein Kampf" está impregnado de antissemitismo.  As Leis de Nuremberg confirmam isso.  Porém, durante os seis anos anteriores à Grã-Bretanha ter declarado guerra, não houve nenhum Holocausto, e nos dois anos após o início da guerra, também não houve Holocausto.

Foi só no início de 1942, quando ocorreu a Conferência de Wannsee, que a Solução Final foi discutida.

Tal conferência só foi convocada após o avanço de Hitler na Rússia ter sido interrompido, ele ter declarado guerra aos EUA e ter percebido que o seu fim era inevitável.  Foi só então que começou o Holocausto.

E por que Hitler invadiu a Rússia?  Em meu livro, repito pelo menos dez vezes a citação de Hitler na qual ele afirma que apenas derrotando a Rússia é que ele poderia convencer a Grã-Bretanha de que ela não seria capaz de vencê-lo e que, com isso, a guerra deveria ser finalizada.

Christopher Hitchens ridicularizou esta ideia, invocando a surrada teoria da loucura de Hitler:

Poderia haver melhor definição de desequilíbrio mental e megalomania do que o exemplo de um ditador que rejeita os conselhos de seus próprios generais e decide invadir a Rússia no inverno?

Meu caro Christopher, Hitler invadiu a Rússia no dia 22 de junho.

O Holocausto não foi uma das causas da guerra, mas sim uma de suas consequências.  Não houvesse guerra, não haveria holocausto.

A Grã-Bretanha foi à guerra contra a Alemanha para salvar a Polônia.  Mas ela não salvou a Polônia.  Ela apenas perdeu seu império.  E Josef Stalin, cujo número de vítimas excedia as de Hitler em mais de mil vezes ainda em setembro de 1939, e que havia se juntado a Hitler no estupro da Polônia, terminou tiranizando não apenas toda a Polônia, como também todas as nações cristãs que iam dos Urais até o Elba.

Conclusão

Churchill foi o indispensável líder de guerra que conseguiu se segurar até o momento em que Hitler cometeu seus dois erros fatais: invadir a Rússia e declarar guerra aos EUA.  Ele foi também o principal responsável pela derrocada da Grã-Bretanha, de maior império desde Roma até uma ilha dependente dos EUA. 

A respeito do caráter do regime bolchevista em 1919 e do regime nazista em 1933, ele estava certo.  A respeito do rearmamento britânico, ele também estava certo.  Mas Churchill também se mostrou, com muita frequência, desastrosamente errado.

Ele conduziu o Ocidente a uma descida à sua própria barbárie ao impor sanções e bloqueios à Alemanha em 1914, o que gerou inúmeras mortes por inanição, e lançou ataques aéreos contra cidades abertas em 1940.  Ambas as políticas dizimaram centenas de milhares de mulheres e crianças.

Ele foi também o responsável pelas maiores trapalhadas militares britânicas em duas guerras: o desastre de Dardanelos, em 1915, e o fiasco norueguês de 1940, o qual derrubou Chamberlain e elevou o próprio Churchill ao poder.

Embora tenha criticado duramente Chamberlain por este ter adotado uma posição conciliadora em relação a Hitler, o próprio apaziguamento de Churchill em relação a Stalin durou muito mais tempo e se revelou muito mais grave e custoso, fazendo com que as causas pelas quais a Grã-Bretanha havia sacrificado seu império — a liberdade da Polônia e o impedimento de que uma força hostil dominasse a Europa — tenham sido totalmente em vão.

Não deixa de ser curioso, portanto, observar que ele siga sendo venerado como uma das mais admiradas personalidades do século XX — um feito e tanto, principalmente quando se constata que a carreira de Churchill coincide com o colapso do Império Britânico e a subsequente redução de seu status de preeminência mundial ao de potência de terceira categoria.

A guerra era inevitável?  Não.  Nenhuma guerra é inevitável até o momento em que ela de fato começa.  A guerra foi necessária?  Com a palavra, o próprio Churchill, relatando uma conversa com Roosevelt após Pearl Harbor:

Certo dia, o presidente Roosevelt me disse que ele estava publicamente pedindo sugestões sobre como a guerra deveria ser rotulada.  Eu disse imediatamente: "A Guerra Desnecessária".  Nunca houve uma guerra mais fácil de ser interrompida do que aquela que simplesmente destruiu o que restava do mundo.

O Império Britânico lutou, sangrou e morreu, e de quebra tornou o Leste Europeu e a Europa Central um ambiente seguro para a expansão do stalinismo.  Não é de se surpreender que Winston Churchill aparentasse tamanha melancolia quando estava mais velho.  Como T.S. Eliot observou, "A humanidade simplesmente não consegue suportar um excesso de realidade."

Churchill foi um grande homem — à custa da grandeza do seu país.


Patrick Buchanan  é co-fundador e editor da revista The American Conservative. É também autor de sete livros, dentre eles Where the Right Went Wrong, e A Republic Not An Empire. Seu último livro, o polêmico Churchill, Hitler, and the Unnecessary War. Veja seu website.




127 comentários
bjordan 01/02/2012 05:49:33

obrigado por republicarem o artigo

é muito bom ver uma visão um pouco diferente do padrão e com muita cara de propaganda de guerra

Responder
mcmoraes 01/02/2012 06:17:56

obrigado por republicarem o artigo [2]

Responder
01/02/2012 06:28:58

obrigado por republicarem o artigo [3]

Tenho o costume de copiar os artigos para o Word e ler por lá. Quando terminei de ler esse, eu entrei no site e vi que já não estava mais disponível. "Negativo! Esse ficará salvo!". Salvei o arquivo do Word e fiquei com esse artigo comigo.

Achei interessante esse artigo. Claro que a Alemanha desempenha o principal papel na Guerra, mas é interessante ver o inicio da guerra por outro ângulo.

Responder
Nyappy! 01/02/2012 06:59:13

Antes de atacarem e dizer que o Libertarianismo é irreal e tem uma política externa utópica, levem em conta que Pat Buchanan não é Libertário, ele é um conservador da "Old Right", que hoje é conhecido pelo nome "Paleoconservatism" e se opõem ao crescimento do estado e políticas militaristas, ambas advogadas pelo Neoconservadorismo.

Responder
Tiago RC 01/02/2012 07:52:15

Talvez isso explique então o nojento parágrafo inicial do texto ("conquista estrangeira de uma invasão de imigrantes oriundos do Terceiro Mundo").

Mas de fato é interessante ver uma outra versão para "quem começou a segunda guerra". Eu não sabia, por exemplo, que Hitler tentou negociar a paz com o reino unido.

Responder
Leandro Rousselet 29/04/2012 21:21:59

Legal essa interpretação do autor sobre as causas da guerra. Mas teve um ponto que ele não comentou - pelomenos não nesse artigo. Hitler não escreveu bem antes da guerra sobre o Espaço Vital Alemão? E esse não englobada parte do território soviético? Pergunto isso pois isso meio que vai contra as afirmações do autor de que Danzig era tudo o que Hitler queria.

Responder
José Ricardo das Chagas Monteiro 01/02/2012 07:15:01

Saudações, novas informações que precisam ser devidamente confrotadas, interessante que não há historiadores interessados na montagem do quadro antes da guerra, as vezes é possível sentir a necessidade de ratificar o holocausto, a guerra.
Uma coisa está clara, o livro é imperdível.
Bom artigo.

Responder
Patrick 01/02/2012 07:30:06

obrigado por republicarem o artigo [3]


Tenho esse livro em casa!

Responder
Gutemberg Campos 01/02/2012 09:37:16

Já li inúmeros artigos ou livros que falam sobre conflitos entre nações e suas consequências, mas o que eu percebo que eles, os autores, omitem a palavra COMUNISMO quando assim o cabe. Será que querem esconder alguma coisa? Diferente quando se refere ao grande "mal" da humanidade, o CAPITALISMO, esse nós podemos achar livros e artigos falando abertamente. No referido artigo a meu ver caberia muito bem falar abertamente sobre o sistema que matou milhões de pessoas, o COMUNISMO, liderados por Stalin e Lênin. Por que falar abertamente? Infelizmente ainda temos pessoas que acham que o sistema COMUNISTA é uma maravilha. Prova disso são sindicalistas, universitários entre outros que empinam bandeiras COMUNISTAS. Fora isso é um ótimo artigo.

Responder
Roberto Rachewsky 01/02/2012 09:38:35

Já havia me pronunciado ser contra a retirada deste artigo.

Mesmo tendo feito o questinamento  "o que este nazista está fazendo no Mises Brasil?", que imagino ter sido o motivo pela censura inicial, acho que deveria ter sido mantido após ter sido publicado.

Da mesma maneira, acho que voltando o artigo, com ele deveriam voltar os comentários feitos na oportunidade.

Não tendo sido o caso, tento reproduzir o que comentei à época, com alguns complementos.

Disse que o Pat Buchanan desconsiderou o mal implícito naquelas mentes, que o Império Germânico (o III Reich) era um objetivo claro e, finalmente, que ele, Pat, fazia um olhar blasé ao tratar do Holocausto.

Da mesma forma que ele culpa Lincoln pela guerra civil americana, comparando-o inclusive ao Kadafi, e não à escravatura reinante no Sul dos EUA, ele culpa os aliados e as vítimas da segregação, pelo militarismo e expancionismo alemão, numa total inversão de valores.

Agora, porque o Mises traz este artigo até nós? 

Acredito que a necessidade de defender o não-intervencionismo e o pacifismo motivou esta publicação.

Acredito que o Instituto se equivocou quando, ao invés de defender que em caso de guerra contra a tirania, mesmo uma das mais cruéis de todas, a nazista, os exércitos devem ser compostos por voluntários e o seu financiamento deve ser feito por doações ou títulos privados que não possam se comunicar com o tesouro público.

Tratar este assunto por este ângulo me parece muito mais honesto e efetivo do que simplesmente distorcer os fatos ou propor uma visão díspar da realidade.

Se não foi este o propósito da publicação, peço que expliquem.

Responder
Leandro 01/02/2012 10:52:15

Delirou duplamente agora, prezado Roberto.

Em primeiro lugar, este artigo foi retirado do ar na semana passada por questões meramente técnicas, e está sendo republicado hoje, exatamente uma semana após sua publicação original, para não "encavalar" outros artigos que estavam na fila. Não quero afetar o ego de ninguém, mas é realmente muita prepotência achar que um artigo foi retirado do ar simplesmente porque um leitor (no caso, você) "criticou". Fossemos seguir tal prática sempre, não haveria sequer um artigo publicado. Não, fugir de polêmica não é a nossa natureza.

Quanto à intenção do artigo, é dupla: primeiro, desmistificar um pouco toda a idolatria que fazem a Churchill -- o homem que entregou a Polônia a Stalin e a Hitler, e, a que tudo indica, é vivamente aplaudido por isso. E segundo, mostrar que guerras não apenas são desnecessárias, como sempre culminam em destruição de pessoas inocentes, em empobrecimento e atraso.

(Se você discorda quanto à guerra ter sido desnecessária, você discorda do seu próprio ídolo Churchill, pois foi ele próprio quem classificou a guerra desta maneira, como mostra o artigo.)

Por fim, como alertamos logo no início do artigo, de nada adianta sair dizendo que "o Império Germânico (o III Reich) era um objetivo claro" ou que o objetivo do artigo é "simplesmente distorcer os fatos ou propor uma visão díspar da realidade". Isso é choradeira de gente que não quer ser confrontado com outra realidade. O livro no qual se baseia o artigo (e o qual você não leu) contém fartas provas e documentos substanciando todas as afirmações do autor -- ao contrário de você, que só apelou a emoções.

Por que não começa respondendo às perguntas feitas sobre Hitler lá no meio deste artigo?

Grande abraço!

Responder
mcmoraes 01/02/2012 11:35:55

Bem o Mr. Garone podia dar uma resposta bem educada para o Roberto Rachewsky. Mr Garone, cadê você!? :)

Responder
Pedro Griese 01/02/2012 11:43:31

Leandro,\r
o artigo é sem duvida polemico.\r
\r
depois de ler, so pude concluir o seguinte... NADA AINDA :-)\r
\r
0)O IMB manda diariamente artigos sobre economia, politica etc... Foi meio "inovador" pra mim ver hoje um artigo sobre Historia.\r
\r
1) de todo material de historia e geopolitica que vi e li especificamente da WWII, esse é no minimo "diferente" na interpretação generalizada\r
\r
2) o autor força a barra em alguns raciocinios, a logica de ligação de fatos de maneira direta é, pra dizer pouco, forçosa. Ainda mais quando ele tenta correlacionar fatos com 20 anos de distancia. \r
\r
3) julgar fatos historicos na linha do tipo: "aqui fulano errou", "ali siclano foi burro" ou "acolá foi outro erro" é um exercicio extremamente complicado. \r
Ainda mais, como nesse caso, colocando as nações como personagens. Do tipo, a Inlgaterra errou, a Alemanha errou, a Russia ia fazer assim, ou por que a Grã-Bretanha fez isso ou aquilo? etc... SE na na Historia é sempple complexo. \r
\r
De qualquer forma, temerário para emitir opiniões ser ler toda a obra do autor. Vou fazer a unica coisa responsavel e possivel por ora. Seguir a recomendação da N.T, encomendar o livro e compartilhar o artigo com conhecidos estudiosos do tema :-)\r
\r
Sds\r
\r

Responder
Leandro 01/02/2012 13:18:23

Prezado Pedro, você disse: "o autor força a barra em alguns raciocinios, a logica de ligação de fatos de maneira direta é, pra dizer pouco, forçosa. Ainda mais quando ele tenta correlacionar fatos com 20 anos de distancia.

Seria forçoso eu dizer que as políticas econômicas da segunda metade de década de 1970 no Brasil, quando Geisel estatizou 70% da economia, geraram estagnação da década de 1980 (a qual o governo tentou contornar imprimindo dinheiro e gerando hiperinflação)? Ou seria forçoso eu dizer que toda a hiperinflação da década de 1980 repercute até hoje na enorme desigualdade de renda do Brasil (sem fazer qualquer juízo de valor a respeito deste fato)?

Se a sua resposta é 'não' para estas duas perguntas, então também não faz nenhum sentido dizer ser forçoso que determinados fatos podem gerar repercussões vários anos depois. Principalmente em geopolítica.

Abraços!

Responder
Marcio Vinhaes 01/03/2013 01:40:30

Leandro, você poderia me mostrar onde encontrar esses dados sobre a estatização de Geisel? Eu não duvido de sua informação, mas é que gostaria de guardar as fontes aqui para quando alguém vir com o velho argumento de que a ditadura no brasil era a favor do livre-mercado.

Obrigado.

Responder
Leandro 01/03/2013 10:45:51

Não me lembro exatamente onde foi. Leio muita coisa por dia e tento absorver o máximo possível de informações, mas dificilmente lembro onde li o quê (principalmente em se tratando de internet).

No caso do governo Geisel, quem viveu a época sabe o quão próxima à realidade é tal afirmação. Além de ter sido o maior criador de estatais da história brasileira, o governo do general, dentre outras genialidades, criou um depósito compulsório para pessoas que viajassem ao exterior. Se você quisesse ir para os EUA ou para a Europa, teria de pagar ao governo uma determinada quantia em dólares (restituível no prazo de dois anos, sem juros e correção monetária). A intenção era evitar a fuga de reservas internacionais. Ou seja, na prática, você era praticamente proibido de sair do país.

Responder
Victor Oliveira 13/06/2012 12:26:43

Muito bom! Parabéns.

Mas quero colocar algo:

Churchill falou que essa foi a "guerra desnecessária" pois, em sua opinião, Hitler deveria ter sido destronado ANOS ANTES. Ele nunca achou que a intervenção foi ruim, mas que tudo poderia ter sido bem menos doloroso se eles tivessem detonado Hitler antes da guerra.

Abraços

Responder
Dyego 17/02/2013 16:41:02

Bom, Viktor Suvorov em sua obra intitulada "O Grande Culpado" alega que Stalin planejava atacar a Alemanha em 1941 com o objetivo de expandir a revolução socialista.
Ai vai uma sinopse do livro.

SINOPSE:
Stálin planejava atacar a Alemanha e provocar a Segunda Guerra Mundial em agosto de 1941. Nessa data, imaginava ele, todo o esforço soviético a fim de formar o exército mais moderno da História estaria concluído. O serviço de espionagem da Alemanha informou Hitler sobre esses planos. Stálin fez todo o possível para conseguir seu intento antes que governo nazista pudesse reagir, inclusive fingiu aliar-se ao inimigo. Os esforços foram em vão. Em 22 de junho de 1941 o exército alemão invadiu a União Soviética.
Solucionar enigmas é uma das paixões de Viktor Suvorov. Essa paixão, aliada ao conhecimento e prática inerentes à sua formação militar, o levaram a questionar o modo como a União Soviética agiu antes e durante a Segunda Guerra Mundial e o papel de Joseph Stálin em toda a trama. Levaram-no também a estudar e descobrir todas as facetas do ditador com perfil de um gênio maquiavélico, um líder obcecado pela revolução comunista internacional a qualquer preço. Viktor Suvorov baseia-se em documentos até então secretos dos arquivos da ex-URSS para trazer à tona os bastidores do conflito, apontando contradições nas narrativas históricas mais célebres sobre o período da Segunda Guerra Mundial.

Responder
Marco 01/02/2012 12:05:05

Parabéns por republicarem este artigo.

Responder
Israel Lamb 01/02/2012 14:53:45

Para saber quem é o real responsável por tudo isso, recomendo a leitura do livro "O Grande Culpado", de Viktor Suvorov.

Responder
Jonas 01/02/2012 14:53:56

"Quanto à intenção do artigo, é dupla: primeiro, desmistificar um pouco toda a idolatria que fazem a Churchill -- o homem que entregou a Polônia a Stalin e a Hitler, e, a que tudo indica, é vivamente aplaudido por isso".

Acho que você está confundindo com Chamberlain...Churchill desde o início não quis nenhum acordo com Hitler. Foi claro: "Hitler tem que ser contido". É interessante também citar a posição do "santo" Ludwig von Mises durante esse período, quase sempre "esquecida" por seus asseclas: apoiou vivamente a fascista Frente Patriótica de Engelbert Dolfuss na Áustria.

Responder
Leandro 01/02/2012 15:12:02

Ativamente é pura invenção sua. Na época, a Europa tinha duas opções: Comunismo ou fascismo. E só. Ademais, Engelbert Dollfuss era antinazista e a Áustria, da mesma maneira, era o país mais antinazista da Europa até meados da década de 1930. Tanto é que Dollfuss foi assassinado pelos nazistas.

E não, quem entregou a Polônia a Stalin não foi Chamberlain, mas sim Chruchill. Não leu este parágrafo?

"Em suas viagens a Moscou, Churchill intimidou o primeiro-ministro polonês a ceder para Stalin aquela metade do seu país que Stalin havia conseguido por meio de seu pacto satânico com Hitler (Pacto Molotov-Ribbentrop), e aquiesceu às demandas de Stalin pela anexação das repúblicas bálticas e o subsequente domínio bolchevique de uma dúzia de nações do Leste Europeu e da Europa Central."

Vai ter de se esforçar mais pra sacar pra cima da gente, prezado Jonas.

Abraços!

Responder
helena marques 11/04/2012 08:24:00

Quem entregou a Polónia foram os Alemães, no Pacto Germânico Soviético. Foram eles que fizeram as divisões. E sempre a Rússia quis ocupar a Polónia.

Responder
Luis Almeida 11/04/2012 08:53:00

Impossível entregar aquilo que não se tem, prezada Helena. A Polônia estava sob os auspícios do governo britânico, que a abandonou. O Pacto Molotov-Ribbentrop foi um tratado de não-agressão. Ele não foi um tratado de partilha.

Responder
helena marques 16/04/2012 20:56:46

Não vou discutir terminologia. Os resultados foram partilhas, e do lado dos russos: Katyn. Para não falar de outros horrores pós-guerra.

Responder
Heber 16/06/2012 10:22:35

Vc já leu um pouco deste tratado? a questão polonesa já tava acertada ali,

Responder
Roberto Rachewsky 01/02/2012 15:01:42

Leandro, quem postou, e me disse pessoalmente, que o artigo feria os princípios que norteavam a editoria deste instituto foi o Hélio Beltrão. Depois, justificou a retirada por problemas técnicos, sem detalhá-los.

Não disse que Churchill é meu ídolo, sequer o mencionei no post.

Disse que Hitler tinha intenção de expandir seu território e instaurar um regime tirânico e assassino.

Penso que o Holocausto aconteceria de qualquer maneira, dado o forte antissemitismo de Hitler e a implícita maldade de sua índole.

Disse que há guerras que são necessárias como retaliação contra as tiranias.

E disse ser contra o recrutamento obrigatório e o uso de verbas públicas.

Passados 60 anos ainda há gente que diz não ter ocorrido o Holocausto.

Cada um pode pintar o alvo em torno da flexa para dizer que acertou na mosca.

Neste caso, acho que o instituto errou no meio para chegar a nobres fins.

Leia melhor o que eu escrevi e verás que reagiste agressivamente à toa.

Fizeste uma guerra de palavras desnecessária.





Responder
Leandro 01/02/2012 15:11:05

Ele não disse isso. Eis o que ele disse: "Estou verificando se o artigo foi publicado conforme as regras editoriais do IMB, pois tenho evidência de que pode ter havido um procedimento irregular por parte da editoria. Se ocorreu isso mesmo, o artigo será retirado."

Isso não tem nada a ver com o conteúdo do artigo -- tanto é que ele foi republicano agora, sem sofrer absolutamente nenhuma alteração. Tal procedimento irregular diz respeito à verificação do artigo por todos os membros do Instituto, o que não havia acontecido. Não é elegante deturpar o significado do que alguém disse claramente.

Quanto ao resto de sua escrita, você simplesmente voltou a repetir achismos, sem dar nenhuma substância às suas afirmações.

Abraços!

Responder
Andre 02/02/2012 04:13:12

"flecha"

Responder
helena marques 16/04/2012 20:58:22

Parece que ninguém leu Mein Kampf.

Responder
Carlos 01/02/2012 17:03:34

O nazismo não foi a direita ideal, mas a direita possível diante da agitação revolucionária em meio a qual a Alemanha estava mergulhada. Foi a saída que o grande capital encontrou frente a ameaça de perda do status quo. A grande burguesia apoiou moral e financeiramente o nazismo.

Responder
Catarinense 01/02/2012 17:50:37

Direita??? Ih rapaz...

Responder
Carlos 01/02/2012 18:22:36

Ultra direita pra ser mais preciso.

Responder
Catarinense 01/02/2012 19:39:23

É, uma ideologia socialista de extrema direita. Seu raciocínio é incrível, Carlos.

Responder
Carlos 01/02/2012 23:01:25

Ideologia socialista? Essa é boa. rs

Responder
Catarinense 02/02/2012 05:18:55

De fato. O nacional socialismo, vulgo nazismo, não tem absolutamente nada de socialista. É só impressão de um leitor desatento. Perspicaz, meu caro.

Responder
Carlos 02/02/2012 13:24:53

Em 1919 Anton Drexler fundou o Partido Trabalhista Alemão, que Hitler transformou em Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. O socialista era só fachada para cooptar trabalhadores, já que entre os trabalhadores o socialismo era muito popular. Mas os nazistas odiavam o socialismo. O partido nazista criou a SA que era o braço armado do partido. Ela cometia atentados contra a extrema esquerda. Em 1933 os nazistas incendiaram o parlamento, Reichstag, e culparam os comunistas. Usaram o episódio para centralizar o poder e implantar o regime totalitário de extrema direita, alegando a ameaça iminente de uma revolução comunista. Uma vez com poderes plenos, a caça aos comunistas foi muito mais ampla. Perseguiam, torturavam e matavam comunistas. Nas escolas e na propaganda ensinava-se que os comunistas eram ladrões e baderneiros.

Responder
Catarinense 02/02/2012 14:09:47

Carlos, leia o comentário do Hay. Se ainda não caiu a sua ficha, leia o seguinte artigo: \r
www.mises.org.br/Article.aspx?id=98\r
\r
(Perdoem a duplicidade, o comentário anterior não saiu no lugar correto.)

Responder
Carlos 02/02/2012 14:36:36

Li rapidamente o artigo pulando algumas partes. O artigo diz: Mas o que especificamente estabeleceu o socialismo "de fato" na Alemanha Nazista foi a introdução do controle de preços e salários em 1936.. Isso não é socialismo. Controle de preços e salários foi muito praticado aqui no Brasil durante a ditadura militar para controlar a inflação. Só falta vc dizer que a ditadura militar era socialista. rs

Responder
Leandro 02/02/2012 14:45:03

Eu digo sem problema algum: a ditadura militar brasileira, mais especificamente durante os governos dos generais Geisel e Figueiredo, era um regime abertamente socialista. Como afinal classificar um governo que estatizou 70% da economia?

Quanto a controle de preços, Mises explicitou muito bem a diferença: há o socialismo de estilo soviético (bolchevista) e o socialismo de estilo alemão (nazista). Fixar preços é uma forma de ataque à propriedade privada, pois retira dos produtores as opções que eles teriam no livre mercado para aplicar seus recursos. Fixação de preços é um decreto estatal que, na prática, proíbe os proprietários de investirem seus recursos onde bem quiserem.

E não é com risadinhas afetando superioridade que você vai refutar isso, Carlos,

Responder
Carlos 02/02/2012 14:16:17

A situação na Alemanha era tão critica que chegou a ser criada uma república socialista no sul do país, na Baviera. Temendo a ascensão dos socialistas, o capital se aliou a extrema direita. Essa aliança se enfraqueceu temporariamente em parte dos anos 20 devido a melhora econômica que arrefeceu os ânimos revolucionários, mas após a crise de 1929, que pegou a Alemanha em cheio, a aliança se solidificou e resultou no totalitarismo nazista. Foi a cartada final da alta burguesia para preservar-se.

Responder
Catarinense 02/02/2012 14:39:22

Imagino, Carlos, que você não se deu ao trabalho de abrir o link que lhe indiquei. Que pena. Bom, pelo seu uso da palavra burguesia, eu não poderia esperar outra coisa mesmo.

Responder
Hay 02/02/2012 05:28:04

Foi a saída que o grande capital encontrou frente a ameaça de perda do status quo. A grande burguesia apoiou moral e financeiramente o nazismo.

Ai meu Jesus Cristinho... Realmente, o "grande capital", essa entidade do capeta, se reuniu, juntamente com os elfos e o Gargamel, porque poderiam perder o status quo. É por isso que o regime nazista era, na prática, dono dos meios de produção, controlando o que seria produzido, onde, como, por qual preço, etc. Realmente, um regime no qual o estado controla os meios de produção tem tudo a ver com extrema-direita. Genial...

Responder
anônimo 02/02/2012 13:58:09

Hay,

Não se esqueça que o "socialismo" no nome do partido era de mentirinha. Assim como o "comunista" do Partidão da URSS, da China, de Cuba etc é/era de mentirinha. Afinal, nunca existiu socialismo de verdade, né?

Responder
Fabio Bittencourt 02/02/2012 15:13:40

Se o simples fato de constar a palavra SOCIALISMO no partido de Hitler implica que sua ideologia nazista seja realmente socialista, então o fato de constar a palavra DEMOCRACIA no nome oficial da maioria dos países comunistas implica que seus regimes sejam realmente democráticos.\r
\r
Matematicamente:\r
\r
1. "Nacional Socialismo" tem "Socialismo" no nome => conclui-se que nazismo é regime socialista\r
\r
2. "República Democrática Popular da Coreia" tem "Democrática" no nome => conclui-se que a Coreia do Norte é uma democracia

Responder
Leandro 02/02/2012 15:23:43

Não, Fábio, o que interessa são as atitudes. Os nazistas praticaram controle de preços, controle de salários e arregimentaram toda a produção. A propriedade dos meios de produção continuou em mãos privadas, mas era o governo quem decidia o que deveria ser produzido, em qual quantidade, por quais métodos, e a quem tais produtos seriam distribuídos, bem como quais preços seriam cobrados, quais salários seriam pagos, e quais dividendos ou outras rendas seria permitido ao proprietário privado nominal receber.

Responder
Carlos 02/02/2012 14:52:03

É incrivel o desconhecimento histórico de certas pessoas que pretendem discutir política e economia, que são coisas inseparáveis da história. Intervenção econômica, controle de produção, etc. não significa regime socialista. Se for assim, todos os países são socialistas e sempre foram. O próprio governo Reagan seria também. A burguesia se serve ora de mais intervenção do estado, ora de menos. Um bom exemplo de grande controle da economia pelo estado para servir a burguesia é o mercantilismo. O estado estabelecia pacto colonial, monopólios, controle de preços e produção numa época na qual a forma principal de acumulação do capital era através do comércio, daí capitalismo comercial, com destaque para o comércio de especiarias e escravos.

Responder
Leandro 02/02/2012 15:04:51

Intervenção econômica, controle de produção, etc. não significa regime socialista.

Sim, significa. É claro que significa, pois determina a maneira como a propriedade deve ser utilizada. Mas é uma escala diferente de socialismo. Socialismo não é algo 8 ou 80, assim como capitalismo. Aliás, você diria que o Brasil é um país capitalista?

"Se for assim, todos os países são socialistas e sempre foram."

Todos os países sempre tiveram graus de socialismo. Alguns mais, outros menos. De novo, socialismo não é algo 8 ou 80.

"O próprio governo Reagan seria também."

Sim, mas em grau muito menor do que a economia brasileira durante os militares, por exemplo.

"A burguesia se serve ora de mais intervenção do estado, ora de menos."

Serve-se sempre de mais. Quanto mais conluio com o estado, melhor para ela. Nenhum grande capitalista gosta de livre mercado. Pergunte ao senhor Batista se ele quer livre concorrência na área dele.

"Um bom exemplo de grande controle da economia pelo estado para servir a burguesia é o mercantilismo. O estado estabelecia pacto colonial, monopólios, controle de preços e produção numa época na qual a forma principal de acumulação do capital era através do comércio, daí capitalismo comercial, com destaque para o comércio de especiarias e escravos."

Como é que é? O estado estabelece esse monte de benefícios e você chama isso de capitalismo comercial? Quem desconhece as coisas aqui?

Responder
Fabio Bittencourt 02/02/2012 15:27:14

Leandro, você poderia citar algum país que na prática seja ou já foi verdadeiramente capitalista?\r
\r
Se todos os países sempre tiveram graus de socialismo, ser contra o socialismo não seria seria ser contra a própria natureza humana da organização da sociedade? Como acreditar que é possível viver num mundo sem a existência o socialismo?\r
\r
Nenhum grande capitalista gosta de livre mercado. Pergunte ao senhor Batista se ele quer livre concorrência na área dele.\r
\r
Ou citar algum país que se enquiadre no conceito de "capitalismo comercial", onde não exista qualquer tipo de benefício do estado a ninguém?

Responder
Leandro 02/02/2012 15:49:27

"Ser contra o socialismo não seria ser contra a própria natureza humana da organização da sociedade? Como acreditar que é possível viver num mundo sem a existência o socialismo?"

Ser contra o socialismo é ser a favor da natureza humana, a qual precisa justamente de liberdade para buscar seu interesse próprio e, assim, aprimorar sua própria condição. Ser contra o socialismo é ser a favor de que haja liberdade para o indivíduo buscar seu interesse próprio em termos materiais (em um ambiente livre da iniciação de força física). Ser contra o socialismo é ser a favor da liberdade de se acumular poupança e capital, ser a favor das trocas voluntárias intermediadas pelo dinheiro, defender o interesse próprio financeiro e a busca do lucro, ser a favor da livre concorrência, do sistema de preços livres, do progresso econômico, e da harmonia da busca pelo interesse próprio material de todos os indivíduos que participam deste.

Ser a favor do socialismo é ser contra tudo isso. Você pode defender o que quiser, mas não pode dizer que ser a favor do socialismo é ser a favor da natureza humana, pois, como demonstrei acima, o socialismo vai exatamente contra a natureza humana.

Quem é socialista é contra todas estas liberdades básicas e, logo, não pode logicamente se dizer a favor da natureza humana. Não é da natureza humana trabalhar unicamente para beneficiar terceiros, sob o chicote. Toda a ação humana visa ao próprio interesse individual -- inclusive a caridade. Quem faz caridade, por exemplo, o faz porque se sente bem ao fazê-lo. Ou seja, fazer caridade (voluntariamente) é apenas mais um ato de egoísmo, algo que o próprio socialismo nega.


"Ou citar algum país que se enquiadre no conceito de "capitalismo comercial", onde não exista qualquer tipo de benefício do estado a ninguém?"

Desconheço algum país cujo governo não beneficie absolutamente ninguém, seja por meio de proteções, ou de subsídios ou de transferência de renda. Aliás, o simples fato de alguém estar no governo já significa, por definição, que este alguém está se beneficiando do esforço alheio.

Responder
Fabio Bittencourt 03/02/2012 06:14:27

"Desconheço algum país cujo governo não beneficie absolutamente ninguém, seja por meio de proteções, ou de subsídios ou de transferência de renda. Aliás, o simples fato de alguém estar no governo já significa, por definição, que este alguém está se beneficiando do esforço alheio."\r
\r
Então responda: como você acredita que é possível substituir um modelo sempre existiu em todas as sociedades por um modelo que só existe na teoria? Como você pode demonstrar que o seu modelo teórico é possível de ser colocado em prática? Se os governos sempre existiram em qualquer sociedade, como imaginar uma sociedade sem governo? Como convencer alguém de que existe diferença entre a factibilidade de sua proposta e a sociedade ideal proposta pelos comunistas, que segundo eles nunca foi verdadeiramente atingida nas tentativas práticas do socialismo?\r
\r
Sinceramente, acho que irreal desconsiderar que a busca pelo poder e de privilégios é tão inerente à natureza humana quanto a busca pela liberdade.

Responder
Leandro 03/02/2012 06:33:54

"Como você acredita que é possível substituir um modelo sempre existiu em todas as sociedades por um modelo que só existe na teoria?"

Essa pergunta era feita recorrentemente pelos defensores da escravidão aos proponentes da abolição da escravidão, a qual era uma instituição que sempre havia existido em todas as sociedades desde que o mundo era mundo. Pela lógica, vivesse você naquela época, você seria um ardoroso defensor da escravidão. Se disser que não, você estará contradizendo sua própria pergunta.


"Como você pode demonstrar que o seu modelo teórico é possível de ser colocado em prática?"

Como assim modelo teórico? Acabei de dar o exemplo prático dos EUA do século XIX. Ademais, como sou pouco exigente, contento-me bem com o modelo federativo da Suíça.

"Se os governos sempre existiram em qualquer sociedade, como imaginar uma sociedade sem governo?"

Em momento algum em minhas respostas acima advoguei ser indispensável a abolição do governo para o enriquecimento e a prosperidade de uma sociedade. Aliás, jamais fiz tal afirmação em nenhuma discussão e em nenhum artigo. Logo, isso é um espantalho que você criou. A questão premente, acima de qualquer discussão sobre anarcocapitalismo, é saber qual pode ser o papel do governo em uma sociedade livre. Mises foi claro: garantir a segurança nacional. E só.

"Como convencer alguém de que existe diferença entre a factibilidade de sua proposta e a sociedade ideal proposta pelos comunistas, que segundo eles nunca foi verdadeiramente atingida nas tentativas práticas do socialismo?"

Ué, mas esta é uma pergunta que cabe a você responder! Explico.

Como nós aqui já explicamos seguidas vezes, o comunismo é um sistema inerentemente impossível. É impossível haver uma economia genuinamente comunista simplesmente porque a estatização dos meios de produção impede o cálculo econômico. Se os meios de produção pertencem exclusivamente ao estado, não há um genuíno mercado entre eles. Se não há um mercado entre eles, é impossível haver a formação de preços legítimos. Se não há preços, é impossível fazer qualquer cálculo de preços. E sem esse cálculo de preços, é impossível haver qualquer racionalidade econômica -- o que significa que uma economia planejada é, paradoxalmente, impossível de ser planejada. Logo, o comunismo não se sustenta.

Portanto, quando os comunistas dizem que sua sociedade ideal nunca foi verdadeiramente alcançada, eles estão involuntariamente falando uma verdade. Os otários apenas não possuem o conhecimento econômico necessário para entender que necessariamente sempre será assim -- isto é, o comunismo pleno de fato nunca será atingido simplesmente porque é impossível.

Por outro lado, estou no aguardo de sua explicação sobre por que um livre mercado seria tão insustentável quanto o comunismo. Não conheço nenhuma teoria a respeito. Esclareça-me, por favor, por que um livre mercado seria uma proposta tão infactível quanto o comunismo.

Responder
Fábio Bittencourt 03/02/2012 17:57:28

..."escravidão, a qual era uma instituição que sempre havia existido em todas as sociedades desde que o mundo era mundo."

Não sei se entendi. Você está dizendo que até o século XIX a escravidão era a única forma de organização do trabalho? Pensei que existiam sociedades mais antigas com outras formas de trabalho: servidão, trabalho assalariado, profissionais liberais, funcionários públicos, cooperativas, comerciantes, etc.

"Pela lógica, vivesse você naquela época, você seria um ardoroso defensor da escravidão. Se disser que não, você estará contradizendo sua própria pergunta."

Estarei me contradizendo se você demonstrar que a única forma de trabalho que sempre existiu foi a escravidão, até que ela fosse abolida. Deve provar, por exemplo, que nunca existiu trabalho assalariado na antiguidade.

"Acabei de dar o exemplo prático dos EUA do século XIX. Ademais, como sou pouco exigente, contento-me bem com o modelo federativo da Suíça."

OK, então vamos considerar que os EUA do sec. XIX e a Suíça são os exemplos a serem seguidos.

1. O livro "Cartas da Economia Nacional Contra O Livre Comércio", da Editora Capax Dei, reúne textos de Alexander Hamilton, Friedrich List e Henry Carey. O livro demonstra que a orientação do governo americano durante décadas foi de manter um forte protecionismo e barreiras comerciais para beneficiar os empresários do país e posssibilitar que desenvolvessem um indústria que pudesse concorrer com os produtos britânicos, que, ao contrário, defendiam o livre mercado.

2. Foi no sec. XIX que o governo dos EUA impôs aos Estados separatistas, de cima para baixo, que a União era indissolúvel e, para forçar essa decisão, Lincoln fez a maior guerra civil do país até hoje.

3. Foi no sec. XIX que entrou em vigor o Sherman Act, primeira lei antitruste dos EUA.

4. O art. I da Constituição dos EUA prevê que o governo tem poder para cobrar impostos para promover o bem-estar geral (general Welfare).

5. Foi durante o sec. XIX que os EUA expandiram seu território por meio de guerras em que tomaram terras do México, Espanha, etc. e expulsando indígenas de suas terras.

6. O FED foi criado no sec. XX, mas desde a independência dos EUA, sempre houve uma instituição financeira pela qual o governo regulava ou interferia na ordem monetária: First Bank, Second bank, Treasury System, etc.

Esses são apenas alguns exemplos que mostram um país protecionista, que interfere na organização da economia e do mercado, que promove guerras expansionistas, que cobra taxas e impostos dos indivíduos com justificativa de promover o bem da coletividade. É esse o exemplo a ser seguido?

Agora a Suíça: educação básica e saúde providas pelo governo, todas as universidades são do governo, política protecionista para a agricultura, 30% do PIB em arrecadação de impostos, 1/3 do PIB em gastos governamentais, governo com parlamento, poder executivo, judiciário, suprema corte, banco central, agências reguladoras, empresas estatais e a maioria das demais instituições integrantes da estrutura administrativa de qualquer estado moderno. É esse o modelo ideal?

Responder
Leandro 03/02/2012 18:53:43

Prezado Fábio, fui reler minha resposta anterior a você e percebi que ela saiu truncada. A parte que especifiquei sobre EUA e Suíça simplesmente nem foi postada (daí este seu compreensível espanto). Erro meu. Mas vou repeti-la aqui.

Você havia me perguntado quais países seriam modelos de capitalismo. Eis a minha resposta:

Nenhum país possui um capitalismo puro, mas há aqueles que mais chegaram perto. Exemplos: EUA do final do século XIX (mais especificamente no período 1870--1900), Hong Kong, Cingapura, Liechtenstein e alguns cantões da Suíça.


Atente que estou dizendo que são países que chegaram perto. Em momento algum havia dito que eles são exemplos perfeitos (de novo, essa minha parte da resposta, por um erro meu, não foi colada, pelo que me desculpo).

Sobre seus pontos sobre os EUA do século XIX:

1. Alexander Hamilton, um protecionista, morreu em 1804. O período que cito começa em 1870. Esse seu primeiro item simplesmente não se aplica.

2. Verdade, e isso é lamentável. Não fosse Lincoln, os EUA seriam um país bem mais rico. A Guerra Civil americana, um confronto que ceifou a vida de mais 620.000 americanos, foi apenas para evitar a secessão dos estados do sul -- leia-se, para manter o poder do governo federal. A desculpa de que tal guerra era necessária para abolir a escravidão é uma lorota já amplamente refutada pelos trabalhos especialmente de Thomas DiLorenzo, os quais mostram, por meio de vários documentos e discursos, o quão racista e escravagista era Abraham Lincoln, e o quanto ele desdenhava dos negros escravos.

Ademais, é também sabido que o sul estava sendo espoliado pelo norte para pagar a política industrial deste. No caso, por meio de uma tarifa adotada pelos estados do norte contra os do sul, para proteger as indústrias do norte. Em 1858, por exemplo, o sul já era responsável por 87% das receitas que o governo federal auferia com tarifas. Não apenas essa tarifa solapou a economia do sul, como dificultou suas relações comerciais com o resto do mundo.

Ou seja, havia se tornado impossível que ambas as regiões (norte e sul) convivessem sob um mesmo regime. O sul estava sendo reduzido a uma região de escravos, com o governo federal sendo seu amo. A secessão era inevitável.

E Lincoln era o fiel defensor dessa política tributária, sendo que sua reeleição apenas impeliu o movimento secessionista.

Portanto, sim, essa antifederalismo lincolniano é uma mácula para os EUA.

3. Em 1890, embora seus efeitos só começassem a ser sentidos no século XX. Foi outra mácula, mas pequena em comparação ao que temos hoje.

4. Isso é um truque sujo. Você está dizendo uma verdade por linhas tortas.

Eis o que é dito: The Congress shall have power to lay and collect Taxes, Duties, Imposts and Excises, to pay the Debts and provide for the common defence and general Welfare of the United States; but all Duties, Imposts and Excises shall be uniform throughout the United States.

Resumindo: a Constituição ordena uma espécie de Poll Tax, um imposto uniforme per capita. Isso, aliás, é um consenso entre os libertários: se for para haver alguma forma de imposto, que seja um imposto per capita, de valor idêntico para todos.

5. Isso foi antes de 1870, fora do meu período indicado.

6. O First e o Second Bank foram abolido. De 1841 a 1913, não havia uma autoridade monetária nos EUA. Ouro e prata eram a moeda corrente.



Sobre o sistema de saúde da Suíça:

As redes hospitalares são privadas, mas o governo obriga os cidadãos a comprarem um plano de saúde. Existe uma variedade de seguradoras, a concorrência entre elas é boa e você pode escolher coberturas mínimas. Mas ainda assim você é obrigado a comprar um plano.

Por mais ultrajante que isso pareça, a situação ainda é melhor que no Brasil: aqui, além do plano de saúde que você paga para si próprio, você ainda é obrigado a pagar toda a superestrutura da saúde pública, que é aquela maravilha. Lá na Suíça, pelo menos você recebe aquilo que você paga.

Porém, esse sistema está obviamente longe da perfeição. Como mostra o link a seguir, os custos da saúde estão crescendo constantemente desde a década de 1990, que é a consequência inevitável sempre que o governo se intromete em alguma área. Resta saber quanto tempo o atual arranjo ainda dura.

www.oecd.org/document/47/0,2340,en_2649_201185_37562223_1_1_1_1,00.html

Quanto à educação, esta é gerenciada em nível cantonal. Quanto às universidades, há duas federais e dez cantonais.

Tudo o mais que você disse eu jamais neguei. Apenas, repito, que se trata de um federalismo e há cantões que são praticamente um paraíso fiscal (coisa impensável em quase todos os países do mundo).

Ou seja, a Suíça está longe da perfeição; porém, dentre o que restou, é uma das melhores (mas Hong Kong e Cingapura ainda a superam). Eu troco o modelo brasileiro pelo suíço alegremente.


Sobre a escravidão, você apenas rebolou e tentou desvirtuar o assunto. O que eu disse foi claro: a escravidão sempre existiu desde o início do mundo. É óbvio que também havia trabalho assalariado. E daí? A questão é que sempre houve escravidão. Logo, se você vivesse naquela época e alguém propusesse a abolição da escravidão, você, pela sua própria lógica, diria: "Isso é loucura! Sempre houve escravidão! Quem fará o trabalho pesado caso não haja mais escravos?"

Não me culpe por simplesmente ter demonstrado as implicações práticas de seu raciocínio.

Grande abraço!

Responder
Sérgio 02/09/2012 19:46:41

Mas não foi por volta de 1870 que iniciou a chamada "Era Progressiva" (proibicionismo) nos EUA? Não foi por desta época que iniciou o Welfare State americano? Segundo o Rothbard, o "proibicionismo organizado" começou por volta de 1873-74:

mises.org/daily/2225

Sendo assim, acho que o período mais que mais se aproxima do libertarianismo nos EUA, é o período do governo Thomas Jefferson até antes de começar a Guerra Civil Americana (ou seja, 1801-1860).

Na verdade, a era mais libertária da história americana foi na era colonial, no século XVII. Veja por exemplo este dois casos:

mises.org/daily/5966/The-Libertarian-Origins-of-Rhode-Island

mises.org/daily/1865/Pennsylvanias-Anarchist-Experiment-16811690

Responder
Fabio Bittencourt 03/02/2012 18:58:01

Analisando algumas afirmações do Leandro:

1. "Todos os países sempre tiveram graus de socialismo"
2. "o simples fato de alguém estar no governo já significa, por definição, que este alguém está se beneficiando do esforço alheio"
3. "Em momento algum em minhas respostas acima advoguei ser indispensável a abolição do governo para o enriquecimento e a prosperidade de uma sociedade"

Se, por um lado, todos os países sempre foram socialistas em algum grau e o simples fato de existir um governo cria benefícios escusos, mas por outro lado não se propõe extinguir o estado/governo, então parece que temos um problema impossível de ser resolvido.

Mas então eis que surge essa brilhante proposta para solucionar o problema: "A questão premente, acima de qualquer discussão sobre anarcocapitalismo, é saber qual pode ser o papel do governo em uma sociedade livre. Mises foi claro: garantir a segurança nacional. E só."

O único papel do governo deve ser segurança nacional? Será que isso acabaria com o toma-lá-da-cá, o quem-quer-rir-tem-que-fazer-rir, e os privilégios que o governo proporciona a alguns grupos de "falsos capitalistas"? Acho que os EUA são um bom exemplo para verificar se essa solução é eficaz, vejamos...

O governo dos EUA investe US$ 700 bi por ano em defesa. Isso é quase metade do gasto total mundial em defesa e equivale a 5% do PIB americano, o dobro da média mundial. As maiores licitações e contratos do governo americano são para projetos na área de defesa e as empresas ganhadoras são quase sempre as mesmas: Lockheed, Boeing, Northrop Grumman, General Dynamics. O departamento com mais gasto com contratações de empresas privadas é o Dep. de Defesa, seguido do Dep. de Energia, que mantém o arsenal de armas nucleares do país. Não é difícil encontrar denúncias de privilégios, tráfico de influência, lobby no governo, desvios de verbas, etc. Basta colocar no google termos como: corruption contractors defense... E ainda há a corrupção e os escândalos envolvendo CIA, FBI, imigração e outros órgãos de segurança. Um exemplo clássico é o Irã-Contras. Essa lista também ajuda: en.wikipedia.org/wiki/List_of_federal_political_scandals_in_the_United_States

Digamos então que o governo americano adote a "solução Mises" e acabe com toda a estrutura governamental que não seja relacionada a segurança nacional. Será que a corrupção, privilégios, lobbies de grupos e todos os problemas gerados pelo simples fato de alguém estar no governo desapareceriam de uma hora para outra?

Responder
Leandro 03/02/2012 19:10:40

Bingo, Fábio! Você descobriu o empuxo. Agora só falta espalhar a notícia. Essa sua frase foi perfeita:

"Digamos então que o governo americano adote a "solução Mises" e acabe com toda a estrutura governamental que não seja relacionada a segurança nacional. Será que a corrupção, privilégios, lobbies de grupos e todos os problemas gerados pelo simples fato de alguém estar no governo desapareceriam de uma hora para outra?"

Sim, é isso mesmo. A partir do momento que existe um estado com monopólio da violência e da tomada suprema de decisões judiciais, a tendência inexorável é que ele se agigante. E não há exemplo melhor disso do que os EUA, como explicado neste artigo.

Infelizmente, o genial Mises parece não ter se dado conta disso, mas seus seguidores -- que estavam apoiados em ombros de gigante -- perceberam essa lacuna no pensamento do mestre e prontamente corrigiram.

Abraços!


P.S.: fosse eu mais estatista, até sairia em defesa do argumento minarquista dizendo que os EUA não fazem necessariamente gastos em defesa, mas sim gastos em ataques militares. Todos os contratos que você citou (Lockheed, Boeing, Northrop Grumman, General Dynamics) não têm a ver com segurança nacional, mas sim com políticas de expansão belicista, algo bem diferente.

Responder
Fabio Bittencourt 03/02/2012 06:28:14

"Não é da natureza humana trabalhar unicamente para beneficiar terceiros, sob o chicote."\r
\r
Mas é da natureza humana que uma pessoa tente obter força e poder para impor, sob o chicote, com que os outros trabalhem para beneficiá-la, ou não?\r
\r
E também não faz parte da natureza humana que uma pessoa tente obter benefícios do modo mais fácil, sem a necessidade de trabalho, levando essa pessoa a buscar atalhos para obter esses benefícios, seja por meio do roubo da propriedade alheia, de privilégios junto a quem possui o poder de impor a força (ex: o governo) ou da exploração do trabalho de terceiros?\r
\r
A visão do liberalismo / libertarianismo não estaria negando a existência dessas outras faces da natureza humana ao considerar apenas a busca pela liberdade individual?

Responder
Leandro 03/02/2012 06:40:40

"Mas é da natureza humana que uma pessoa tente obter força e poder para impor, sob o chicote, com que os outros trabalhem para beneficiá-la, ou não?"

Não sei. Pode ser que sim. Certamente depende da cada indivíduo. Não vou fazer uma generalização a ponto de dizer um "sim" ou um "não" resolutos. Mas uma coisa é certa: havendo um estado -- isto é, a instituição que detém o monopólio da violência e da tomada suprema de decisões judiciais --, é bastante plausível imaginar que serão justamente estes indivíduos sedentos por poder e dominação que irão querer se apossar dele. Ou, no mínimo, exercer influência sobre ele.


"E também não faz parte da natureza humana que uma pessoa tente obter benefícios do modo mais fácil, sem a necessidade de trabalho, levando essa pessoa a buscar atalhos para obter esses benefícios, seja por meio do roubo da propriedade alheia, de privilégios junto a quem possui o poder de impor a força (ex: o governo) ou da exploração do trabalho de terceiros?"

Exatamente o que eu disse acima.

Logo, defensores do estado é que devem se explicar.

[i]"A visão do liberalismo / libertarianismo não estaria negando a existência dessas outras faces da natureza humana ao considerar apenas a busca pela liberdade individual?
"

Ao contrário. Defensores do estado é que negam a existência destas outras faces da natureza humana, pois implicitamente juram ser possível o estado ser gerido exclusivamente por anjos, quando na verdade se trata de uma instituição concebida justamente para abrigar homens maléficos.


Abraços!

Responder
Sérgio 22/11/2012 11:51:37

"Toda a ação humana visa ao próprio interesse individual -- inclusive a caridade. Quem faz caridade, por exemplo, o faz porque se sente bem ao fazê-lo. Ou seja, fazer caridade (voluntariamente) é apenas mais um ato de egoísmo, algo que o próprio socialismo nega."


Isso é que você vê, você reduziu o ser humano à isso porque se enxerga assim. E reflete isso de maneira geral para justificar suas teorias de ações individuais ludwiguianas (coitado do Mises, deve se revirar no túmulo).

Só um subversivo mesmo para inverter e transformar a caridade num ato egoísta. Visar um bem maior jamais será egoísmo. O egoísmo é sempre destrutivo. Se alguém faz uma "caridade" por egoísmo (que não é caridade) ela faz para ficar alardeando por aí e mesmo assim nunca faz grandes esforços, sempre usa o que tem de sobra, então caímos no simples comércio e propaganda. O egoísta não consegue se satisfazer com o bem do próximo. Ele precisa ver os outros na merda, puxar o tapete, e se vingar dos outros para se sentir bem. A superioridade dele baseia-se na necessidade alheia e tendo a disponibilidade de ajudar mas negando conscientemente. O cume da escala moral do egoísta é sempre ele mesmo, enquanto que no indivíduo caridoso o cume está acima dele, muitas vezes você precisa se esforçar para fazer caridade. Exige uma obediência interior. Ou vai me dizer que você nunca fez uma gentileza na vida, por sentir dentro de si a agonia alheia e uma auto-cobrança, mesmo não sofrendo-a? (e muitas vezes perdendo com isso ainda). Chega à ser algo paradoxal....

A característica elementar da caridade e do altruísmo é exatamente um exercício de anulação de si, uma morte do seu EU. O seu ego é justamente surrado na hora de pôr o ato em prática. Esta ação visa o seu bem mas não é o que você sente na hora de agir. A primeira sensação é exatamente à de incômodo, de que não precisava fazer isso pois você é mais importante do que os outros. É um bem "azedo", portanto, muito pouco egoísta. Ele serve é justamente para treinar seu desapego, curar o seu egoísmo.

Você está confundindo egoísmo com consciência individual necessária e com sacrifício, inclusive. Parece o argumento dos esquerdistas que atacam a caridade dos santos, alegando que eles abriam mão de muitas coisas, e até se colocavam à morte por puro interesse - prisão moral mudou de nome (claro, os santos medievais representam a prova cabal de que uma caridade não precisa ser imposta à força por um sistema. É a refutação certeira da teoria marxistas que diz que "a natureza do homem é determinada pelas condições econômicas"... É nada! Você pode ser altruísta mesmo numa realidade bastante severa).

Para vocês, socialistas e libertários, não existe mais nada além de economia e indivíduo, o ser humano não tem mais nada dentro de si. São iguaizinhos, só mudam as propostas políticas. É de dar nojo. Na verdade são grandes inimigos dos indivíduos, pois enxergam em tais apenas detalhes técnicos de uma grande estrutura (para os socialistas, o Estado; para os liberais: o mercado livre). Não tem capacidade de ver na economia a consequência natural de toda uma estrutura da realidade montada em cima de valores e civilidade, mas vêem nisto uma espécie de tábua da salvação aonde a solução dos problemas é a própria consequência e não a causa.. O que dá origem à regimes totalitários visto que o ser humano é colocado em último plano em nome dessa rigidez doutrinária abaixo do próprio ser humano, que inclusive à concebeu como prioridade.

Não adianta.... quando cai da consciência coletiva, a cosmovisão de uma perspectiva infinitamente superior ao homem, só dá merda. E nós estamos acompanhando isso hoje, inclusive. E vai se preparando... porque quando cai a moral religiosa do seio da sociedade, aumenta a moral absolutizada do Estado laicizado. É um mecanismo compensador. E vocês liberais (ao levar suas teorias para o campo moral) trabalhando pra isso, sem saber...

Responder
Roberto 23/11/2012 05:56:35

Caro Sérgio,

A emoção não te permitiu ver tua própria concordância com o que aparentemente contestas.

"por sentir dentro de si a agonia alheia e uma auto-cobrança, mesmo não sofrendo-a?"

Agonia alheia dentro da gente passa a ser a nossa agonia. Faça a caridade e alivie-se.

Há algo mais egoísta do que isto?

Auto-sacrifício é tão imoral quanto o é sacrificar os outros.



Responder
Roberto 02/02/2012 15:43:41

1º Socialismo não é comunismo.
2º Socializar é estatizar, mas nem toda estatização é socializar.
3º Socializar é estatizar para um bem comum, logo nacionalizar tbm é socializar.
4º Estatizar pode ter o simples motivo de salvar o trabalho de determinada classe ou comunidade a custa de outras. É um caso onde a estatização não é socialização, não busca o bem comum.
5º Comunismo é uma sociedade utópica onde os produtores produziriam para necessidades de outros produtores que por sua vez produziriam aos primeiros. Porem produziriam a cegas, sem nenhum calculo economia, por exemplo: saber qual é a necessidade dos demais; nessa historia alguém produz menos que a necessidade, alguém passa fome, vide holodomor.
6º União Soviética era socialista mas com grandes grupos tentando chegar ao comunismo. O regime marx-lenista é a declaração que o comunismo é um fracasso, que ele só conseguiria produzir regionalmente e primitivamente. Surge o capitalismo-de-estado, segundo o próprio Lênin: superior; sua função era substituir as comunidades utópicas por empresas estatais, que alocaria produtos por toda Russia; sem o calculo econômico resultou na fome ucraniana(holodomor).

Responder
Catarinense 02/02/2012 15:56:22

Então, Roberto, a diferença entre comunismo e socialismo seria a aplicação ou não do cálculo econômico?

Responder
Roberto 02/02/2012 17:13:01

Socialismo é o meio proposto por Marx para se chegar no comunismo, potencializar o estado com todo meio de produção(faze socialista) até todos os produtores passariam a ser membros do democracia operária(faze comunista). Nenhum dos dois tem calculo econômico. Marxismo nunca vai conseguir chegar ao comunismo por causa da falência do socialismo antes desse. Comunismo é imaginário. Comunismo só é real se for feito por hippies, em comunidades agrícolas fechadas de nudistas. Elas nunca vão conseguir produzir além das necessidade da própria comunidade. Numa comunidade só se tem perspectiva de quanto produzir para aquilo que é visto com os próprios olhos.

E essa foi a grande pedra no sapato dos Soviéticos, as kolkhozes(coletivos agrícolas) não conseguia produzir o suficiente para fora de suas próprias comunidades, logo surgiu as sovkhozes(fazendas estatais) para trabalhar sobre uma meta ditada pelo governo. As estatais poderiam produzir até os camponeses revirar os olhos de tanto trabalhar, mas bem pior que escravidão, produziram até os camponeses revirarem os olho de fome, isso mesmo, não chegou na meta ficará sem comida(feita por eles próprios). Isso me lembrou do filme Matrix onde as pessoas são alimento das maquinas. No socialismo são alimento dos burocratas. XD

Responder
Catarinense 02/02/2012 17:51:21

É vero. Gostei da comparação entre matrix e o socialismo :)

Responder
Marco Aurelio Agarie 01/02/2012 17:34:43

Prezado Leandro\r
\r
Há uma interessante e nada desprezível versão para esta II Guerra e escrita em um artigo escrito pelo jornalista Olavo de Carvalho na Folha de São Paulo e intitulado "A grandeza de Josef Stálin": www.olavodecarvalho.org/semana/031218fsp.htm.\r
\r
Talvez a II Guerra seja uma matéria muito mais complexa do que aparenta, para se aceitar uma assertiva de forma peremptória para as verdadeiras motivações, dos verdadeiros culpados e, como no caso deste texto, da necessidade ou não de sua ocorrência.\r
\r
Cada autor, ao sabor de suas preferências ideológicas, pessoais, educacionais e culturais pode mostrar e até demonstrar sua versão dos fatos. É bem possível que tenhamos dificuldades incontornáveis para se chegar a uma versão conclusiva, definitiva e incontestável logicamente do que aconteceu na II Guerra. Portanto as discussões podem se arrastar ad infinitum e contraproducentemente.

Responder
Leandro 01/02/2012 17:45:54

Este texto a que você remete não apenas não contradiz em nada este artigo, como na verdade fortalece o seu ponto principal: eram os comunistas, e não os nazistas, a principal ameaça. E foi justamente aos comunistas que Churchill se aliou. Seus defensores devem explicações.

No mais, enfatizo tudo o que foi escrito no parágrafo imediatamente anterior ao início deste artigo.

Abraços!

Responder
Marco Aurelio Agarie 02/02/2012 05:43:00

Prezado Leandro,\r
\r
Obrigado por ter lido o texto e respondido!\r
\r
De fato, não quis dizer que há contradição entre os textos mas que há variados enfoques desta guerra e entre tantas discussões sobre a razões para este conflito bárbaro pode ou deve estar o dedo de Josef Stálin. É preciso enfatizar a participação dele pelos evidentes interesse hegemonistas e imperialistas do comunismo soviético.\r
\r
Um forte abraço!

Responder
Fernando U. 01/02/2012 17:46:16

"Foi só no início de 1942, quando ocorreu a Conferência de Wannsee, que a Solução Final foi discutida"

Os Einsatzgruppen - Mobile Killing Units (en.wikipedia.org/wiki/Einsatzgruppen), um grupo paramilitar que operava atrás das linha de invasão, desde cedo não fez outra coisa senão fuzilar na sua grande maioria judeus.

Estes pelotões de fuzilamento cobraram a vida a 1.000.000 de judeus antes da Solução Final. Aliás um famoso vídeo deste grupo em operação pode ser visto aqui ( www.youtube.com/watch?v=ParxL_mmi-Y ). Trata-se de execuções em massa levadas acabo em Liepaja, Letónia em agosto de 1941. Também são tristemente famosas as fotos do massacre na praia de Skedes, também perto da mesma cidade Liepaja, onde se fuzilaram crianças e mulheres tendo sido fotografadas no antes e após o fuzilamento. Estas execuções são uma pequena amostra do que sucedeu nos territórios ocupados entre 1939 e 1941.

Sobre a Solução Final, é aliás, devido a este processo de limpeza étnica por fuzilamento ser considerado moroso e desmoralizador para as tropas que Himmler e Heydrich decidiram enveredar por métodos mais industriais para limpeza étnica.

Responder
Leandro 01/02/2012 18:01:38

Há divergências quanto às suas datas, prezado Fernando. Segundo a Wikipédia,

"According to their own records, the Einsatzgruppen murdered more than one million people, almost all civilians, beginning with the Polish intelligentsia, and then quickly progressing (by 1941) to killing Jews, Gypsies and others throughout Eastern Europe.[/i] Historian Raul Hilberg estimates that [b]between 1941 and 1945 the Einsatzgruppen and the SS killed more than 1.3 million Jews, Gypsies, and Soviet political commissars in open-air shootings."

Isso não contradiz o que foi dito no artigo.

Responder
Fernando Chiocca 01/02/2012 18:56:21

Exatamente. Os campos de concentração existiam desde o começo do governo Nazista em 1934, mas eram campos de trabalhos forçados focados na reintegração de elementos anti-sociais na sociedade. Quem era mandado para os campos de concentração no começo do III Reich eram comunistas e criminosos. Já havia perseguições aos judeus, mas o objetivo era expulsá-los da Alemanha.
Só depois de 1941 mesmo é que além dos campos de concentração, foram criados campos de extermínio.

Responder
Thales 01/02/2012 17:57:15

Estará na minha próxima remessa da Amazon, sem dúvida.
Porém...
1- o autor, pelo menos neste resumo, parece ignorar a ideologia e o conceito do Lebensraum, que é o faz parte dos objetivos do nazismo. O Grande Reich Alemão é bem descrito no Mein Kampf, e iria da Renânia aos Montes Urais. Hitler queria guerra.
2- Hitler oferecia paz aos britânicos porque quanto menos inimigos, melhor! Não era seu objetivo conquistar uma ilhota lotada de ingleses, mas sim as planícies da Ucrânia e os vizinhos de cultura e biotipo alemães.
3- o conceito de que Churchill "entrega" a Polônia a Stálin deve ser visto com ressalvas. Os soviéticos implantaram o comunismo em todos (ou quase todos) os territórios que ocupavam no final da guerra. Em Yalta, em 1945, a causa polonesa já estava perdida. Ou alguém acha que o monstrengo bolchevique iria entregar para o ocidente a Polônia caso fosse solicitado?
4- em relação aos comentários, não há, sinceramente, "outro ângulo" ou "nova versão" no resumo. O ineditismo, talvez, fique por conta de se atribuir como causas principais do fim do Império Britânico às ações do governo Churchill. Talvez.
Abraços

Responder
Leandro 01/02/2012 18:08:13

Thales, eis uma passagem do livro:

On August 11, 1939, Hitler had railed to the Danzig League of Nations commissioner: "Everything I undertake is directed against Russia. If the West is too stupid and too blind to comprehend that, I will be forced to come to an understanding with the Russians, to smash the West, and then after its defeat, to turn against the Soviet Union…"

Sim, Hitler queria Lebensraum (espaço para expansão territorial e política). Mas só da URSS. O próprio Kissinger confessa isso:

This, writes Henry A. Kissinger, "was certainly an accurate statement of Hitler's priorities: from Great Britain, he wanted non-interference in Continental affairs, and from the Soviet Union, he wanted Lebensraum, or living space. It was a measure of Stalin's achievement that he was about to reverse Hitler's priorities…"

Abraços!

Responder
Roberto 01/02/2012 18:51:44

Não vejo nenhuma diferença entre os soviéticos e nazis, são ideologias ditas como extremas, uma a esquerda outra a direita, mas com o mesmo resultado. Mas uma pessoa que invade um pais para provar a outro que não pode ser derrotado por esse, é evidente que ele busca guerra. E a inglaterra só se aliou aos Soviéticos quando a Alemanha quebrou o tratado de não agressão com a própria Russia.

Responder
Leandro 01/02/2012 18:56:55

Ora, mas essa é exatamente a questão: por que a Alemanha invadiu a Rússia? Para mandar um recado à Inglaterra. E por que queria mandar este recado? Porque a Inglaterra havia declarado guerra à Alemanha. E assim voltamos ao início do ciclo de erros relatado no meio do artigo. Não houvesse aquela pendenga com Danzig e o consequente apoio britânico à Polônia, os resultados seriam outros.

Responder
Thales 01/02/2012 19:21:40

Se você pesquisar "Operação Barbarossa" no Google e der uma lida rápida de uns três minutos (pode, inclusive, ser na Wikipedia) vai ficar envergonhado do que escreveu.

Responder
Leandro 01/02/2012 19:42:31

Li e me fez reforçar ainda mais o que escrevi. Poderia por gentileza me iluminar e mostrar o que há de contraditório ali com o que disse acima?

pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Barbarossa

Responder
Thales 01/02/2012 19:54:21

A maior operação militar já realizada foi um só recado?!
Só a Batalha de Stalingrado teve 2 milhões de baixas...
A invasão da URSS era o objetivo no. 1 de Hitler. Não viu o que foi escrito sobre o Lebensraum?
Se continua discordando busque no Google "Exercícios de interpretação de texto" para sua iluminação.

Responder
Leandro 01/02/2012 20:06:58

Você realmente leu o artigo, Thales? Se leu, esqueceu. Permita-me:

"E por que Hitler invadiu a Rússia? Em meu livro, repito pelo menos dez vezes a citação de Hitler na qual ele afirma que apenas derrotando a Rússia é que ele poderia convencer a Grã-Bretanha de que ela não seria capaz de vencê-lo e que, com isso, a guerra deveria ser finalizada."

Agora diga-me: onde isso está em contradição com Barbarossa? É claro que Hitler utilizou força máxima contra a Rússia. Ele queria derrotá-la e assim mandar um recado para a Inglaterra, cazzo! Você não manda recados para seu principal inimigo apenas dançando valsa com outro inimigo. Você tem de trucidar este outro inimigo para intimidar o principal inimigo. E foi exatamente isso que aconteceu em Barbarossa.

Mais atenção ao que os outros escrevem, por favor.

Abraços!

Responder
Thales 01/02/2012 21:23:19

"Ora, mas essa é exatamente a questão: por que a Alemanha invadiu a Rússia? Para mandar um recado à Inglaterra."
Esta frase está errada. O principal inimigo era a URSS. Empreste-me suas citações:

"Everything I undertake is directed against Russia"

"from Great Britain, he wanted non-interference in Continental affairs, and from the Soviet Union, he wanted Lebensraum, or living space."

Hitler não queria cometer os mesmos erros da primeira guerra, entre eles o combate em dois fronts. Fez o acordo Molotov-Ribbentropp para ganhar tempo e render a França e Reino Unido. Tentou invadir a Inglaterra, achando que cairia fácil como a França. Não teve sucesso. É difícil atravessar um canal. Ninguém invade a Inglaterra desde Guilherme da Normandia.
Com resultados parciais no oeste (ninguém lutando em terra na Europa continental), avançou para o leste, para seu Lebensraum.

Agora, observe que nesta frase "apenas derrotando a Rússia é que ele poderia convencer a Grã-Bretanha de que ela não seria capaz de vencê-lo e que, com isso, a guerra deveria ser finalizada" apesar de estabelecer uma clara relação de causa e efeito, não há a afirmação, sequer implicita, que a invasão da URSS tem como meta a rendição britânica. O autor, se afirma que o objetivo principal de todo o front oriental é render a Inglaterra, além de extrapolar, cai em evidente contradição.

Abraços

Responder
Luis Almeida 01/02/2012 21:40:29

O interessante é que você delineia uma série se achismos sem fundamentos, mas jura que eles procedem. Já o autor, cujo livro é repleto de citações e documentos, é quem está errado, segundo você. De fato, adotando-se esta tática, nunca se perderá um debate... Genial.

Por último, veja sua dificuldade em entender textos básicos. Você diz que "não há a afirmação, sequer implicita, que a invasão da URSS tem como meta a rendição britânica. O autor, se afirma que o objetivo principal de todo o front oriental é render a Inglaterra, além de extrapolar, cai em evidente contradição." Ora, o autor em momento algum disse que queriam "render a Inglaterra". Voce simplesmente inventou isso para ver se assim conseguia justificar seus achismos. Esse é um truque manjado, mas aqui não vai funcionar. Seu silogismo foi tão bom que o erro já começou nas premissas. Tente outro.

Responder
Thales 01/02/2012 22:20:48

Luís Almeida,
não citei achismos sem fundamentos, citei fatos. Se não acredita, aproveite para pesquisar enquanto a internet é livre.
Não falei que o autor estava errado. Eu até estou ansioso para ler o livro. Citei alguns pontos mal-explicados. Leandro até citou um trecho da obra que mencionava a importância do "espaço vital" e que foi completamente neglicenciado no resumo.

"Ora, o autor em momento algum disse que queriam "render a Inglaterra".
Eu inventei que Hitler queria que a Inglaterra se rendesse? É isso mesmo que você acha?

Por favor, releia seu comentário com atenção.
Responda para si quem aqui utilizou táticas falaciosas de debate.

Abraços




Responder
Leandro 02/02/2012 04:41:24

Prezado Thales, creio que você fez uma confusão entre os termos "rendição" e "armistício" ou "trégua". Um país desistir de atacar outro ou decidir não fazer guerra contra outro não é uma "rendição", mas sim um armistício ou uma trégua. Logo, não faz sentido dizer que Hitler queria que a Inglaterra se rendesse. Rendição significa um país se entregar e aceitar ser dominado pelo invasor (como ocorreu com Japão e Alemanha ao final da guerra).

Daí a resposta do Luis Almeida -- correta, em minha opinião. As suas conclusões não batem com suas premissas. Este seu trecho não faz sentido algum:

Agora, observe que nesta frase "apenas derrotando a Rússia é que ele poderia convencer a Grã-Bretanha de que ela não seria capaz de vencê-lo e que, com isso, a guerra deveria ser finalizada" apesar de estabelecer uma clara relação de causa e efeito, não há a afirmação, sequer implicita, que a invasão da URSS tem como meta a rendição britânica. O autor, se afirma que o objetivo principal de todo o front oriental é render a Inglaterra, além de extrapolar, cai em evidente contradição.

Abraços!

Responder
Thales 02/02/2012 05:38:42

en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_britain

Terceiro parágrafo: "The failure of Germany to achieve its objectives of destroying Britain's air defences, or forcing Britain to negotiate an armistice or an outright surrender, is considered its first major defeat and a crucial turning point in World War II. If Germany had gained air superiority over England, Adolf Hitler might have launched Operation Sea Lion, an amphibious and airborne invasion of Britain."

Abraços

Responder
Luis Almeida 02/02/2012 05:50:15

Exato! Ao concluir que não haveria a menor chance de derrotar a Inglaterra (que, afinal, havia declarado guerra contra a Alemanha), restou a Hitler invadir a Rússia para, ao destruí-la, mandar seu recado à Inglaterra: "Não se meta conosco!"

De novo, qual o seu ponto? Ou melhor, onde está a contradição em relação ao artigo?

Suplico: leia o livro em vez de ficar tentando procurar informações na Wikipédia (informações estas, aliás, que não são novidade nenhuma). Pare com essa arrogância de achar que pode desmontar todo um livro sem nem ao menos lê-lo.

Responder
Thales 01/02/2012 22:32:47

Antes de dormir, fiquei curioso sobre o que nos levou a tanta animosidade neste debate. Fui surpreendido pela resposta que eu mesmo dei a um comentário do Leandro:

"Se você pesquisar "Operação Barbarossa" no Google e der uma lida rápida de uns três minutos (pode, inclusive, ser na Wikipedia) vai ficar envergonhado do que escreveu."

Quando escrevemos não conseguimos transmitir subjetividade tão facilmente como quando conversamos. Foi o caso dessa frase, que denota com uma agressividade que não foi intencional.

Abraços

Responder
Renato 02/11/2012 16:18:40

Leandro

Isso continua não fazendo sentido para mim. A URSS era um objetivo grande demeis para ser secundário. Certamente é posivel crer que Hitler realmente achava que, derrotando a Russia, convenceria a Inglaterra a assinar um acorde de paz. Mas esse não pode ser o objetivo final, afinal ao conquistar a URSS, a Alemanha se tornaria o maior império que jamais existiu, então esse deve ser o grande objetivo. A recusa de Hitler em tomar de volta alguns pequenos territórios de outros países parece até adequada a esse objetivo. Porque criar atritos desnecessários por ninharias no ocidente, se o objetivo é uma parte considerável da superfície da Terra? Então, esse é o objetivo principal, e um acordo com a Inglaterra seria um ganho importante, mas adicional. Mesmo porque, durante muito tempo Hitler vinha falando de "espaço vital", "recursos vitais" e de como os povos eslavos deveriam ser submetidos. Ora, não havia espeço maior que a URSS, que era plena de recursos naturais (inclusive petróleo e gás) e não há um pais eslavo maior que a Russia.

Outro ponto é que, não havendo fronteira com a URSS, a Alemanha, para chegar a esse objetivo, teria de ter necessariamente livre passagem por tudo o que está entre elas. Se isso não significa necessariamente "anexação", então tem de significar que os governos dos países intermediários (ou no mínimo, o da Polônia) teriam de ser submissos à Alemanha.

Em terceiro lugar, a "solução final", não era nova no objetivo, mas sim na forma e rítmo. O objetivo declarado de Hitler foi sempre "livrar a pátria Alemã de todo elemento judeu" (Note bem, a "patria alemã" expandida pela doutrina do espaço vital, quer por domínio direto, quer por estados satélites). Ora, mas em nenhum momento houve uma política de expulsão de judeus, pelo contrário, cedo se tornou quase impossivel para os judeus saírem da Alemanha, bem como dos países invadidos (desde o momento em que foram invadidos). Ora, se objetivo era "livrar a nação expandida alemã do elemento judeu" mas os judeus não eram expulsos e na verdade, nem podiam sair (exceções não mudam a regra), então eles teriam de ser extintos, pelo menos dentro da "pátria alemã"! É inescapável. Note que estamos falando necessariamente de milhões de judeus. A "solução final" não altera esse objetivo, altera apenas o meio de chegar a ele e sua rapidez. Ora, mas extinguir um povo (ou parte dele) se encaixa na própria definição de genocídio! Não se deve levar a sério apenas as declarações de Hitler que parecem apoiar as teses do autor. Se essas devem ser levadas a sério, as que são contrárias às teses do autor também devem ser levadas a sério.

Em quarto lugar, o acordo nazi-soviético era apenas oficialmente um pacto de não agressão. Documentos revelados posteriormente mostram que era muito mais profundo que isso. Era realmente um acordo de cooperação e para dividir a Europa Oriental entre a URSS e Alemanha. Se a Alemanha preferia inicialmente tomar a sua parte através de governos títeres e ameaças e não por invasão direta, isso não muda a natureza do acordo.

O artigo começou muito bem, falando da absurda e desnecessária belicosidade ocidental contra a Alemanha do Kaiser, e da vergonha que foram as imposições depois da II Guerra, o que de resto é opinião compartilhada por muitíssima gente. Mas quando fala de Hitler e da II Guerra, em que pese as informações relevantes, faz interpretações com as quais tenho dificuldades em concordar.

Numa caixa de comentários, creio que não devo exceder esses breves comentários. Sei que não posso convence-lo com tão pouco, mas pretendi apenas pincelar por alto algumas questões. Não tenho a pretenção de concorrer, em um texto escrito em alguns minutos, com o livro citado.

Abraços

Responder
Fernando Chiocca 01/02/2012 19:02:20

Meu Deus! Quem que ainda repete essa histórinha sem pé nem cabeça de professor de história da 6a série de que Nazismo é direita e comunismo de esquerda??
São dua ideologias irmãs gêmeas. Será que você nem sequer sabe que Nazismo quer dizer Nacional Socialismo dos Trabalhadores Alemães???
Nazismo = Comunismo

Dizer que duas coisas iguais são extremos opostos é não ter noção de nada mesmo.

Só com uma sútil diferença de algumas milhões d emortes a mais para os comunistas.

Responder
Fabio Bittencourt 02/02/2012 15:31:58

E o liberalismo também é irmão gêmeo do socialismo.

Responder
Antony Mueller 01/02/2012 20:09:21

Para todos que tem um interesse mais profundo na história recomenda os podcasts de Ralph Raico sobre a história da liberdade. Tem acesso no Instituto Mises USA (www.mises.org) e no iTunes. São dez lições se me lembro corretamente, cada um um "eye-opener" ou talvez mais adequado para serem podcasts "ear-opener" ou, talvez ainde mais certa, as palastres de Ralph são um "mind-opener". Na serie de Ralph Raico tem também uma lição dedicada à Churchill - que começou a sua obra destrutiva bem antes que onde Buchanan começa, já na primeiro guerra mundial e durante os anos 20 Churchill fez uma importante contribuição para a depressão mundial. Não posso imaginar um outro cara onde a imagem pública é tão falsa comparada com a realidade (documentada) histórica.

Responder
Catarinense 02/02/2012 13:52:05

Carlos, leia o comentário do Hay. Se ainda não caiu a sua ficha, leia o seguinte artigo:\r
www.mises.org.br/Article.aspx?id=98\r
\r

Responder
1berto 02/02/2012 14:36:14

Vamos ver se entendi direito o que se comentou... O partido era o mesmo partido socialista, mas deixou de ser socialista por que Hitler mudou o nome (?) e por que matou comunistas (?).
Se matar comunistas indica que alguém é de direita então teremos que chamar Stalin de ultra direita, já que ele foi especialista em matar (entre muitos milhões) os seus adversários comunistas.

Responder
Getulio Malveira 03/02/2012 06:56:54

Muito bom terem republicado o artigo. Depois de tanto filme americano e as bobagens que se ensina nas aulas de história, não é surpresa que não se possa debater objetivamente a IIGM. É uma pena. Há muito para se aprender ali, principalmente sobre os atuais regimes social-democratas.

Responder
Zeca 03/02/2012 09:37:32


Pessoalmente li o artigo e não vi nenhum absurdo escrito ali. Realmente houve uma sucessão de erros dos dirigentes britânicos antes e durante a guerra. Porém deve ser muito difícil acertar sempre quanto a decisões tão relevantes.
Mas ainda assim, acho que a ideologia nazista era demente e cruel - eugenia etc etc

Responder
Carlos 03/02/2012 09:43:48

O Kaiser Wilhelm II foi um dos que mais fez para tentar evitar a grande guerra, inclusive dizendo para o seu primo, o Czar Nicolau, que uma guerra entre Alemanha e Rússia seria o fim de seus impérios. O matemático britânico Bertrand Russel criticou publicamente a Grã-Bretanha de manter tratados obscuros e secretos com a França e a Bélgica e de se precipitar à guerra apenas porque a Alemanha já era a potência dominante da Europa

Responder
Eduardo Rodrigues, Rio 03/02/2012 19:43:55

Sinopse e comentários a respeito do livro (em inglês).

Responder
Igor 05/02/2012 00:53:21

Absurdo!

Hitler, de fato, demonstrando seu desinteresse em uma futura guerra entre a Alemanha e a Inglaterra, propôs um tratado de paz entre os dois países. Porém, tal proposta incluía a exigência de que todas as leis de segregação aplicadas na Alemanha contra os judeus fossem adotadas em territorio britânico. Estariam os ingleses realmente iniciando uma guerra desnecessaria ao negar esse acordo?

Poderia a Inglaterra ter insistido em um outro acordo?
Sem duvida, loucos devem ser respondidos conforme sua loucura.

Todo o revanchismo pela derrota da Alemanha na primeira guerra e pela imposição do tratado de Versalhes pelos países vitoriosos é claramente expressado por Hitler em seu Mien Kampf.




Responder
void 05/02/2012 14:32:17

Olá, Igor.

"Porém, tal proposta incluía a exigência de que todas as leis de segregação aplicadas na Alemanha contra os judeus fossem adotadas em territorio britânico."


Onde posso encontrar mais sobre isso?

Responder
Igor 06/02/2012 11:34:46

Lí numa coletânea de discursos. Não me lembro se tal recusa por parte do Império Britânico foi comentada no discurso de abertura da campanha de auxílio no inverno ou em algum outro. No discurso, segundo Hitler, o acordo exigia apenas que o império britânico "protegesse seu povo dos Judeus".

Responder
helena marques 16/04/2012 21:03:23

Aconselho-vos a todos, depois de ler a ignorância que possuem sobre o O Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (em alemão: Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei - NSDAP)conhecido como partido nazi a biografia de Hitler que Ian Kershaw escreveu.

terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3757061-EI6782,00.html

Responder
jose carlos zanforlin 29/05/2012 14:41:43

Prezado Leandro:\r
\r
(A lâmina de sua espada está particularmente afiada hoje)\r
\r
Aquele artigo de que lhe falei, já o terminei e o estou revendo. Trata do poder do Banco Central de emitir moeda e que expressa a contradição entre o § 1º e o § 2º do art. 164 da Constituição, e da delegação legislativa(a meu ver indevida) do poder concedido pelo constituinte ao Congresso Nacional ao Poder Executivo (Banco Central).\r
A quase totalidade das citações provêm deste IMB, e especificamente de artigos de sua autoria.\r
\r
Nota: a análise é principalmente jurídica, mas o direito não pode ficar cego à matéria que pretende regular, por isso, minha incursão na seara da economia (com apoio na equipe IMB).\r
Como fazer para chegar o artigo ao seu conhecimento?\r
Saudações.\r
jcz

Responder
Emilio 16/06/2012 08:32:32

Ponto pacífico: Churchill foi um criminoso de guerra, não muito diferente de Hitler e Stalin.\r
\r
Hitler nunca quis uma guerra com a Inglaterra ou a França. Mas recebeu um ultimato, atacou primeiro e com competência, venceu seus adversários e ocupou parte da França. \r
\r
Mas seu objetivo principal era a URSS. Em "Main Kempf" já preconizava que a Alemanha precisava de mais espaço (Lebensraum), que seria buscado no leste.\r
\r
Para tanto precisava da Inglaterra neutra, e procurou fazer sua parte:\r
\r
1) Deixou o derrotado exército inglês sair de Dunquerque em 1040 e retornar para a ilha;\r
\r
2) Mandou seu ministro Rudolf Hess para a Inglaterra, em um vôo solitário, um mês antes do ataque à URSS, com um pedido especial de neutralidade inglesa, para seu projeto de invasão no leste.\r
\r
Mas nada disso funcionou. Churchill teve a guerra que queria, e no final acabou "vencedor", às custas da perda do Império e do declínio irreversível da Inglaterra.\r
\r
Uma certeza: Tanto Churchill, quanto Hitler e Stalin, eram muito fracos na arte de dialogar.

Responder
Roberto Rachewsky 16/06/2012 11:48:28

Ter que ler este último comentário (Emilio 16/6/2012 8:32:32) em meu email numa manhã de sábado é dose.

Bom isto é resultado de vivermos em terras mais livres do que aquelas que Hitler dominou.

Obrigado Winston Churchill e todos os que pereceram para conter o mal e permitir que os meninos ai possam dizer o que bem entendem.

Responder
Alex Tavares 19/06/2012 07:10:37

Tentativa chanhestra de revisionismo, cheia de erros factuais e má-intencionada ao tentar aliviar a barra de Hitler. Nada surpreendente vindo de Pat Buchanan - um notório anti-semita que já tentou negar o Holocausto e quando desafiado por George Will a provar suas alegações na TV fracassou em responder. A Liga Anti-Difamação americana (que luta contra o anti-semitismo)já o classificou como um "fanático impenitente".

A verdade é que Hitler criou um exército de 5 milhões de homens, 5 mil tanques, 10 mil aviões, centenas de submarinos e encouraçados (desrespeitando o Tratado de Versalhes) porque queria guerra a todo custo. Ora, porque iria criar um colossal exército, depois de uma vitória acachapante contra a Polônia, para de repente dizer: "Não quero mais guerra"? É uma ingenuidade atroz!!! E o pretexto da invasão da Polônia foi o falso incidente de fronteira em Gleiwitz, quando nazistas vestidos com uniformes poloneses atacaram um posto de fronteira, dando a desculpa ideal para a invasão. Em seu livro "Mein Kampf" Hitler já delineava seu férreo desejo de liquidar com a União Soviética e massacrar os eslavos, a quem considerava "seres inferiores", isso sem falar nos judeus e ciganos, que eram milhões na Europa oriental. O objetivo principal e inalienável de Hitler desde o começo sempre foi a guerra, como uma forma de se vingar das humilhações de 1918, e isso está contido em todo o seu livro desde o começo!

Quando ocorreu a Conferência de Munique em que parecia que o problema dos Sudetos estaria resolvido, Hitler em seu refúgio nos Alpes, gritava histérico: "Eles tiraram a minha guerra"! conforme relato de A. Rhiess, um dos ajudantes de Hitler.

Todos os que conviveram com Hitler (Rudolph Hess, Seys-Inquart, Albert Speer) são unânimes: o nazismo foi concebido desde o início para a guerra e pela guerra.

Pat Buchanan não é historiador e era uma criança na época. Que subsídios possui para seu revisonismo canhestro? Nenhum! É apenas a tentativa de diminuição de danos de um fanático!!!

E lembrem-se de que Mises (que era judeu) fugiu da Áustria por causa dos nazistas!

Responder
Fernando Stivql 04/09/2012 17:54:42

Perfeito. Não precisa se esforçar muito pra se lembrar dos guetos (como o de Varsóvia, inclusive) e perceber isso...

Responder
Luis Almeida 19/06/2012 07:14:58

E apenas o seu primeiro parágrafo já é a mais explícita tentativa canhestra de "revisionismo", cheio de acusações vazias e mal-intencionadas, sem nenhuma prova de nada. Vai ter de se esforçar mais.

Responder
Lauro 21/06/2012 15:23:23

Já estudei bastante sobre o tema e tenho que concordar com o autor do artigo de que inexistem provas de que Hitler desejava iniciar uma guerra. Os dois argumentos que sustentam tal tese são óbvios: a inexistência de um poder bélico na Alemanha antes do início da guerra e as várias tentativas diplomáticas de Hitler de evitá-la.
Este fato é tão reconhecido por historiadores que eles têm que recorrer aos escritos de Hitler para sustentar tal tese. Os escritos usados são o Mein Kempf e Hitler Me Disse (por HERMANN RAUSCHNING, 1933-1934).

Responder
Roberto Rachewsky 29/10/2012 12:42:39

Pat Buchanan pintou o alvo em torno da flecha. Usou, como tinta, o sangue dos que defenderam a liberdade contra a tirania extrema e dos que foram dizimados por ela.

Tem tantos "Se" no texto dele, que parece mais com um fluxograma de análise administrativa, do que um sério ensaio sobre a história.

Em realidade, parece mais uma pura provocação do que um ensaio sério.

A defesa do pacifismo e da liberdade dispensa estratagemas deste tipo.

Responder
Fernando Chiocca 29/10/2012 13:07:44

Claro. claro.. onde já se viu a defesa da liberdade questionar a necessidade de uma guerra que matou milhões. Trata-se de um estratagema absurdo e dispensável mesmo.. (SIC)

Buchanan's Necessary Book

O espetacular John Denson também não deve ser alguém sério...

Alias, o Mises Institute acabou de comemorar neste final de semana seus 30 anos e o tema foi exatamente este de acabar com estes mitos sobre as guerras.
Supporters Summit 2012 "The Truth About War: A Revisionist Approach"
October 26-27 2012
Callaway Gardens, Georgia


O Mises Institute também não deve ser um sério defensor da liberdade por conta disso (SIC)
Olha só, por exemplo, o tema da palestra do Yuri Maltsev: "The Gang of Four: Hitler, Stalin, Roosevelt and Churchill and the Destruction of Europe"

Responder
Roberto Rachewsky 29/10/2012 20:02:21

www.lewrockwell.com/rockwell/paleoism.html

Fernando, renovo o alerta contido neste texto do Lew Rockwell, escrito há10 anos.

Faça bom proveito.

Entenda que não sou a favor da guerra, mas qual seria a outra maneira de conter o mal?

Entenda também, que sou a favor do voluntariado, luta e financia quem quer.

Acho o Mises tão sério que considero apenas um equívoco vê-lo endossando a tese improvável do Pat Buchanan.

Esperando apenas ter contribuido para a causa...saudações libertárias.








Responder
Rhyan 29/10/2012 16:42:30

Querem bater recordes de comentários? Traduzam esse artigo: El fraude de Reagan… y lo que vino después

Responder
anônimo 22/11/2012 23:46:41

"Toda a ação humana visa ao próprio interesse individual -- inclusive a caridade. Quem faz caridade, por exemplo, o faz porque se sente bem ao fazê-lo."

Isso é o que você vê, você reduziu o ser humano à isso porque se enxerga assim. E reflete isso de maneira geral para justificar suas teorias de ações individuais. Somente um subversivo mesmo para inverter e transformar a caridade num ato egoísta. Visar um bem maior jamais será egoísmo.

O egoísmo é sempre destrutivo. Se alguém faz uma "caridade" por egoísmo (que não é caridade), ele faz para ficar alardeando por aí e mesmo assim nunca faz grandes esforços, sempre usa o que tem de sobra, então caímos no simples comércio e propaganda. O egoísta não consegue se satisfazer com o bem do próximo. Ele precisa ver os outros na merda, puxar o tapete, e se vingar dos outros para se sentir bem. A superioridade dele baseia-se na necessidade alheia e tendo a disponibilidade de ajudar mas negando conscientemente. O cume da escala moral do egoísta é sempre ele mesmo, enquanto que no indivíduo caridoso o cume está acima dele, muitas vezes você precisa se esforçar para fazer caridade. Exige uma obediência interior. Ou vai me dizer que você nunca fez uma gentileza na vida, por sentir dentro de si a agonia alheia e uma auto-cobrança, mesmo não sofrendo-a? (e muitas vezes perdendo com isso ainda). Chega à ser algo paradoxal....

A característica elementar da caridade e do altruísmo é exatamente um exercício de anulação de si, uma morte do seu Eu. O seu ego é justamente surrado na hora de pôr o ato em prática. Esta ação visa o seu bem mas não é o que você sente na hora de agir. A primeira sensação é exatamente à de incômodo, de que não precisava fazer isso pois você é mais importante do que os outros. É um bem "azedo", portanto, muito pouco egoísta. Ele serve é justamente para treinar seu desapego, curar o seu egoísmo.

Você está confundindo egoísmo com consciência individual necessária e com sacrifício, inclusive. Parece o argumento dos esquerdistas que atacam a caridade dos santos, alegando que eles abriam mão de muitas coisas, e até se colocavam à morte por puro interesse - prisão moral mudou de nome (claro, estes sábios medievais são a prova cabal de que uma caridade não precisa ser imposta à força por um sistema. É a refutação certeira da teoria de Marx que dizia que "a natureza do homem é determinada pelas condições econômicas"... É nada! Você pode ser altruísta mesmo numa realidade bastante severa).

Responder
anônimo 23/11/2012 09:35:38

"Auto-sacrifício é tão imoral quanto o é sacrificar os outros."

Por que o auto-sacrifício é imoral? O que você me diz de santos medievais como o Giovanni di Pietro di Bernardone (conhecido como São Francisco de Assis), filho de uma família de comeciantes ricos, que renunciou tudo o que tinha para dar aos pobres. É imoral? Pelo contrário. Este caso mostra que uma pessoa caridosa não é egoísta, pois como eu disse, a escala moral do egoísta é sempre si mesmo, é sempre o seu Ego (o próprio nome já diz: EGOismo), enquanto que o altruísmo é exatamente um exercício de anulação de si, é praticar a Morte do Ego. O seu ego é justamente surrado na hora de pôr a ação caritativa em prática. Foi o que São Fracisco de Assis fez.

Responder
anônimo 26/11/2012 23:03:26

Mas por que o auto-sacrifício é imoral? Se não está prejudicando ninguém, não vejo problema. Pelo contrário. Eu não concordo com essa teoria da Ayn Rand.

Responder
Roberto 04/12/2012 20:16:48

Tua resposta contradiz a tua própria pergunta.

Responder
anônimo 04/12/2012 23:51:43

E onde que minha resposta contradiz a minha própria pergunta? Vai lá, responda: por que o auto-sacrifício é imoral? São Francisco de Assis era filho de um comerciante rico, renunciou a tudo o que tinha para ajudar os mais pobres e pela fé. Ou seja, praticou o auto-sacrificio. O que há de imoral nisso?

Responder
Roberto 06/12/2012 14:25:01

Porque Assis teria praticado o auto-sacrifício? Não lhe era mais importante ajudar os pobres do que manter-se rico? Na realidade, ele se regojizava com isso. Fez caridade por egoísmo, por satisfação pessoal. Ademais, quem era rico era seu pai, ele nada deu que tivesse adquirido com seu próprio esforço, deu? Caridade não é auto-sacrifício. Se Assis é um virtuoso, o é porque buscou seu objetivo mais importante. Quem tem outros objetivos e os busca egoisticamente, como Assis o fez, é tão virtuoso quanto ele. Auto-sacrifício, algoz e vítima num mesmo ser, duplamente imoral.

Responder
Gustavo BNG 06/12/2012 16:09:05

Fez caridade por egoísmo, por satisfação pessoal.

Problema de semântica. Jamais, nas hagiografias (ou no Catecismo), fazer a própria vontade é, de si só, sinônimo de egoísmo.

Ademais, quem era rico era seu pai, ele nada deu que tivesse adquirido com seu próprio esforço, deu?

Não deu, mas poderia ter desfrutado daquelas riquezas, pelo direito à herança.

Responder
Roberto 20/12/2012 02:58:00

Não vejo problemas nem com a semântica, nem com a lógica e nem com hagiografias.

Há quem pense, que as riquezas do Céu compensam as riquezas dispensadas na Terra.

Isso me parece uma transação transcendente.

Para quem acredita em Céu e Inferno, esta barganha eleva o cálculo do custo do tempo projetando-o para um futuro hipotético, dimensional.

Tem a sua lógica e acho coerente.

Para Giovanni di Pietro di Bernardone, esse era o caminho da felicidade.

Não era diferente de ninguém. Dava aos outros para receber em troca o que fazia a sua alegria.

Descobriu o seu valor. Subjetivo valor, que cabe a cada indivíduo apreciar.

Egoisticamente trocou, por acreditar possível, uma herança finita pela felicidade eterna.

Como ele, incontáveis seres humanos oferecem alegrias para garantir a sua própria felicidade. Porque não?

Responder
Roberto 29/12/2012 21:25:45

www.npr.org/2011/05/09/135922322/william-dodd-the-u-s-ambassador-in-hitlers-berlin

Responder
Renato Souza 24/01/2013 20:56:29

Creio que o autor errou a mão, gravemente.

Ele parte de algo reconhecido por todos (A Alemanha foi tratada muito injustamente após a Primeira Guerra) e associa o então jovem Churchil a esse erro, como se ele sozinho fosse o culpado. Os graves erros de três nações, EUA, Inglaterra, e França, são quase que inteiramente debitados na conta de um único parlamentar britânico. Logo, ele é o culpado por todo o rancor alemão, pela desgraça econômica daquele país e pela ascenção de Hitler.

O autor continua descrevendo a Segunda Guerra como algo perfeitamente evitável. A tomada da Holanda, Bélgica e França não teriam acontecido se Churchil fosse mais amistoso? Os poderes divinatórios do autor são espantosos...

Finalmente, a "solução final", o genocídio dos judeus, é retirado dos ombros dos alemães, e depositado nos ombros de Churchil. Hovesse ele sido mais razoável, e nada disso aconteceria...

Escolha o homem contra o qual dirigirá os ataques, e depois escolha fatos convenientes à tese. Esqueça todo o resto. Assim, qualquer um poderia ser atacado.

PS: Meu desejo não é impugnar toda e qualquer crítica a Churchil. Mas o autor perdeu a mão, e isso é evidente.

Responder
Renato Souza 24/01/2013 21:25:05

Devo esclarecer meu pensamento a respeito de alguns pontos.

O autor conclui, do fato do holocausto ter oficialmente começado 2 anos após o início da guerra, que ele não teria acontecido se a Inlgaterra em particular não tivesse declarado guerra à Alemanha.

Vejamos se isso é verdade. Hitler já havia deixado bem claro que a sua intenção era "livrar" a Alemanha, e a própria Europa da presença judaica. Sobre essa intenção, não resta dúvida alguma. E tão logo a Polonia foi invadida, a matança de judeus começou, embora de forma ainda canhestra. Note, que os Alemães nunca expulsavam os judeus, sempre os impediam de ir embora.

O que foi decidido em Wannsee, não foi SE os judeus deveriam ser eliminados como povo, de toda a face da Europa. O que foi decidido foi o método. Chegaram à conclusão de que teriam de agir com pressa, e a única solução rápida seria a matança industrial. Dizem que durante algum tempo os alemães pesquisaram a possibilidade de forçar pelo menos um grande número de judeus a se estabelecer na Terra Santa. Seus aliados árabes, influenciados pelo ódio do Mufti de Jerusalém, recusaram.

Note que os judeus já eram tratados como gado, sofriam privações incríveis, eram assassinados por qualquer motivo (ou apenas por estarem fracos), estavam em condições que levariam inevitavelmente à morte uma grande parcela deles. Apenas isso não seria rápido o suficiente. Eu chamaria isso de "solução turca". Não de tiros, apenas piore as condições até o ponto em que quase todos morram "naturalmente". Foi assim que os turcos mataram a maior parte dos armênios. Hitler chegou a expressar como essa façanha turca lhe mostrava que poderia agir da mesma forma, sem medo de condenações (porque os turcos nunca forma condenados por isso).

Assim, a solução final é a industrialização do que já estava em curso.

Responder
Renato Souza 24/01/2013 21:39:35

O autor também conclui, das afirmações de Hitler, que este não invadiria a URSS se a Inglaterra não houvesse declarado guerra.

Em primeiro lugar, a guerra começou com um acordo secreto entre Alemanha e URSS, que dividia toda a Europa Oriental enre esses dois países. Então, a escravidão da Europa Oriental já era assunto decidido.

Não houvesse a Inglaterra declarado guerra, não haveria guerra entre URSS e Alemanha? Vejamos as opiniões expressas tanto por Stalin como por Hitler. Stalin dizia que a Alemanha seria o navio quebra-gelo que abriria o caminho para que a URSS dominasse a Europa. Hitler dizia que os eslavos nasceram para serem escravos de gente superior a eles (quem seriam?) e que a Alemanha precisava de "espaço vital" proporcionado pelas vastas estensões do leste...

Como dois bandidos que dividem o butim, cada um já havia decidido destruir o outro, e ficar com tudo para sí. A entrada da Inglaterra apenas apressou o que já era plano, tando de um quanto de outro. Se Hitler se sentia tão seguro a ponto de invadir a URSS apenas para se mostrar para os ingleses, não o faria simplesmente para aumentar seu império?

Responder
Emerson Luis 10/07/2013 19:11:08

"Ambas as políticas dizimaram centenas de milhares de mulheres e crianças."

A morte de mulheres é uma tragédia, a morte de homens é apenas uma estatística.

Misandria.

* * *

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AMNONDAVI 05/11/2013 22:49:47

Esqueceram de algo que levou a Inglaterra a guerra: a influência dos judeus sionistas, que queriam o fim da Alemanha nazista e declararam guerra a ela em 1936. O Nazismo foi um mal, mas seguido por outro mal: Stalin.

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Wilson 09/01/2014 17:53:40

Os crimes dos militares do Eixo, é fartamente divulgado pela Mídia, através de filmes, documentários, revistas, livros de historia, gostaria de saber, por que, os crimes de guerra, praticados, pelos Aliados ficam sempre MINIMIZADOS na Mídia, se fala muito pouco, vamos concluir pelo raciocínio que a Mídia ou parte da imprensa está sobre forte influencia de americanos e judeus sionistas, devemos ser justos, honestos e corretos. Os aliados praticaram Crimes de guerras diabólicos, um pequeno exemplo, o exercito vermelho quando invadiu a Alemanha, muitas mulheres alemãs foram violentadas, estrupadas na rua e depois foram degoladas, por soldados sovieticos, até MENINAS alemãs foram estrupadas covardemente e mortas, e ninguem fala nada, a Midia se cala, soldados americanos e ingleses também praticaram crimes terriveis, violentaram, estruparam muitas mulheres alemãs e italianas, e tudo fica na escuridão e no silencio, existe relatos que Meninas alemãs de 8 anos foram estrupadas, isso é simplesmente diabolico, e não vemos nenhum filme para aborda tais crimes, isso mostra que a midia esta sobre controle oculto. A historia é sempre contada pelos Vencedores, eles vão sempre diabolizar os vencidos e santificar os vencedores. O estrupo de mulheres alemãs era tão grande, que se praticava estrupos COLETIVOS, isso é nojento. Fora os casos de tortura e fuzilamentos.
Veja um resumo dos crimes de guerra dos Aliados.
Os principais crimes de guerra praticados pelos Aliados, teriam sido os seguintes:
• De acordo com Mitcham e von Stauffenberg,2 a unidade do exército canadense, "The Loyal Edmonton Regiment", teria assassinado prisioneiros de guerra alemães.
• Tropas franco-marroquinas, conhecidas como "Goumiers", teriam cometido estupros e outros crimes de guerra, às proximidades de Monte Cassino.
• Massacre de Treuenbritzen: execução em massa, pelos soviéticos, de mais de 1000 civis alemães na cidade de Treuenbritzen, em abril de 1945.
• Massacre de Katyn: execução, pelos soviéticos, de prisioneiros poloneses (oficiais e soldados), em 1940, no ano seguinte à Invasão Soviética da Polónia.
• Estupros em massa de mulheres alemãs pelo Exército Vermelho.
• Bombardeamento de Dresden: Segundo o historiador e revisionista alemão, Jörg Friedrich, a decisão de Winston Churchill de bombardear Dresden e outras cidades alemãs, entre janeiro e maio de 1945 (quando a guerra já estava definida), foi um crime de guerra.
• Sob as ordens do general George Kenney, da Força Aérea dos Estados Unidos, os norte-americanos teriam assassinado sobreviventes japoneses dos navios afundados: Nachi, Kumano, Yamato e Yahagi.
• Massacre de Canicattí: assassinato de civis italianos por oficiais americanos.
• Massacre de Biscari: assassinato de prisioneiros do eixo na Guerra da Sicília.
• Massacre de Dachau: assassinato de guardas do Campo de concentração de Dachau, capturados pelos soldados norte-americanos. Cerca de 35 alemães da divisão SS-Totenkopfverbände foram mortos enquanto se rendiam. Além disso, os americanos teriam entregue armas aos prisioneiros do campo que, segundo testemunhas, torturaram e mataram outros 40 soldados alemães.
• Segundo um estudo publicado pelo pesquisador britânico, Bob Lilly, cerca de 14 mil mulheres foram estupradas por soldados ingleses e norte-americanos.
• Prisioneiros alemães na Noruega teriam sido obrigados a limpar campos minados. Quando a "limpeza" terminou, 392 estavam feridos e 275 morreram.
• Tratamento desumano de prisioneiros alemães em campos de concentração nos Estados Unidos. Segundo estatísticas governamentais, 3.000 morreram de fome e desidratação.
• Massacre e genocídio das populações civis de Hiroshima e Nagasaki, atingidas por bombas atômicas lançadas pelos EUA.
A polêmica em torno dos crimes de guerra aliados reacendeu-se, em 2007, com a publicação do livro "After the Reich", de Giles MacDonough.1
E tudo fica na escuridão ou a escuridão controla tudo???

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Rafael Proença 03/09/2014 19:10:07

Não sei quanto tempo tem esse artigo mas acabei de ler o livro e achei sensacional. Uma visão totalmente diferenter do senso comum a respeito de Churchill. Desde que li Memórias da Segunda Guerra via ele como um herói, um salvador da Europa e do mundo contra o fascismo. Lendo o livro de Buchanan me deparei com um estadista completamente diferente, altamente belicoso, que realemente entregou o Leste Europeu para um fascínora maior que Hitler. Em todo caso, não podemos tomar opiniões como verdade. Não podemos criticar somente Churchill quando Chamberlain assinou o Tratado de Munique. Não podemos colocar toda a culpa em Winston quando Versailles foi assinado e criou todo o cenário para a Segunda Guerra. Concordo que Hirler não queria uma guerra contra a Inglaterra. Concordo que a garantia à Polônia trouxe a Inglattera a uma encruzilhada que a levou à gueerra. Mas pior que tudo isso foi ter que se aliar ao maior de todos os carrascos da humanidade para poder ter o exército vermelho a seu lado, e todas as consequências que até hoje vemos da ascensão da URSS.

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