A "armadilha da liquidez" e seus problemas fictícios
por , sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

versão para impressão


PiggyBank.jpgEm seu artigo de 11 de janeiro no The New York Times, o Nobel Paul Krugman escreveu,

No mínimo, aprendemos que a armadilha da liquidez não é simplesmente um produto da nossa imaginação e nem algo que só acontece no Japão; trata-se de uma ameaça bastante real.  E se e quando ela acabar, temos de nos precaver para que ela não ocorra novamente — o que significa que há um ótimo argumento a favor tanto de uma maior meta para a inflação quanto para uma política agressiva quando o desemprego estiver alto a uma baixa inflação.

A conclusão final é que o Banco Central americano quase que certamente não irá, e certamente não deverá, começar a elevar as taxas de juros em um futuro próximo.

Mas faz sentido dizer que, com mais inflação monetária, a economia americana poderia ser retirada da armadilha da liquidez?

A origem do conceito de armadilha da liquidez

Na abordagem popular, a qual foi originada pelos escritos de John Maynard Keynes, a atividade econômica é apresentada em termos de um fluxo circular de dinheiro.  Sendo assim, os gastos feitos por um indivíduo se tornam parte dos ganhos de outro indivíduo, e os gastos de um terceiro indivíduo se tornam parte dos ganhos do primeiro indivíduo.

figure1.jpg

As recessões, de acordo com Keynes, são uma consequência do fato de que os consumidores — por algum motivo psicológico — decidiram reduzir seus gastos e aumentar sua poupança.

Por exemplo, se por algum motivo as pessoas se tornarem menos confiantes no futuro, elas irão reduzir seus gastos e entesourar mais dinheiro.  Assim, uma vez que um indivíduo decide gastar menos, isso irá piorar a situação de algum outro indivíduo, que por sua vez irá também reduzir seus gastos.

Como consequência, cria-se um círculo vicioso: uma diminuição na confiança das pessoas faz com que elas gastem menos e entesourem mais dinheiro, o que irá reduzir a atividade econômica, o que por sua vez irá fazer com que as pessoas guardem mais dinheiro, o que irá reduzir ainda mais a atividade econômica e assim por diante.

Seguindo esta lógica, com o intuito de impedir que uma recessão fique fora de controle, o banco central deve aumentar a oferta monetária, reduzindo agressivamente as taxas de juros.

Tão logo os consumidores tenham mais dinheiro em seus bolsos, sua confiança irá aumentar e eles voltarão a gastar, desta forma restabelecendo o fluxo circular de dinheiro.  Ao menos, é o que dizem.

No entanto, em seus escritos, Keynes sugeriu que poderia ocorrer uma situação na qual uma agressiva redução dos juros implementada pelo banco central levaria a taxa de juros para um nível tão baixo que seria impossível elas caírem ainda mais.

Isto, de acordo com Keynes, seria possível de ocorrer porque as pessoas poderiam adquirir a noção de que, como as taxas de juros chegaram ao seu limite mínimo, elas consequentemente só poderiam voltar a subir, o que levaria a perdas para quem possui investimento em títulos.  Como resultado, as demanda das pessoas por dinheiro irá se tornar extremamente alta, o que significa que as pessoas irão entesourar dinheiro e se recusar a gastar, não importa o quão agressivamente o banco central tente expandir a oferta monetária.

Keynes escreveu,

Existe a possibilidade, pelos motivos discutidos acima, que, após a taxa de juros ter caído para um certo nível, a preferência pela liquidez pode se tornar praticamente absoluta, no sentido que quase todo mundo irá preferir portar dinheiro a ter em mãos um título que gere uma taxa de juros muito baixa.  Neste caso, a autoridade monetária terá perdido o controle efetivo da taxa de juros.[1]

Keynes sugeriu que, tão logo a política monetária de juros baixos se torne ineficaz, as autoridades deveriam intervir e aumentar o gasto.  E o aumento de gastos poderia ocorrer em todas as áreas e em todos os tipos de projetos — o que importa é que muito dinheiro deve ser jogado na economia, pois espera-se que isso irá estimular a confiança dos consumidores.  Com um nível de confiança mais elevado, os consumidores irão reduzir sua poupança e elevar seus gastos, desta forma restabelecendo o fluxo circular de dinheiro.

Os indivíduos poupam dinheiro?

No arcabouço keynesiano, um fluxo monetário sempre crescente é o segredo da prosperidade econômica.  O que gera crescimento econômico é o gasto.  Quando as pessoas gastam mais dinheiro, isso é visto como elas estarem poupando menos.

Inversamente, ainda na abordagem keynesiana, quando as pessoas reduzem seus gastos, isso é visto como elas estarem poupando mais.  Observe que, de acordo com a maneira popular de pensar — ou seja, keynesiana —, a poupança é algo ruim para a economia.  Quanto mais as pessoas poupam, piores as coisas ficam.  (A armadilha da liquidez advém de um excesso de poupança e do baixo nível de gastos.  Ou é o que dizem.)

Porém, contrariamente ao pensamento popular, indivíduos não poupam dinheiro desta forma.  A função principal é ser um meio de troca.  Adicionalmente, observe que as pessoas não pagam pelas coisas com dinheiro, mas sim com bens e serviços que elas próprias produziram.

Por exemplo, um padeiro na realidade paga pelos seus sapatos com o pão que produziu, ao passo que o sapateiro, por sua vez, paga pelo pão com o sapato que ele fez.  Após o padeiro ter produzido seu pão, ele irá trocá-lo por dinheiro.  Ato contínuo, ele irá utilizar este dinheiro para adquirir sapatos.  Ou seja, quando o padeiro troca seu dinheiro por sapatos, ele já pagou pelos sapatos, de certa forma, com o pão que havia produzido antes desta troca ocorrer.  O dinheiro é utilizado apenas para facilitar a troca de bens e serviços.

Portanto, sugerir que as pessoas podem ter uma demanda infinita por dinheiro (isto é, entesourar dinheiro, sem gastar), o que supostamente leva à armadilha da liquidez, como diz o pensamento popular, significa dizer que ninguém mais iria transacionar bens e serviços.

Obviamente, esta não é uma proposição realista, dado o fato de que as pessoas necessitam de bens e serviços para manter suas vidas e bem-estar.  (Observação: as pessoas demandam dinheiro não para acumulá-lo indefinidamente, mas sim para, em algum momento futuro relativamente definido, trocá-lo por bens e serviços).

Sendo o meio de troca, a função do dinheiro é somente a de auxiliar a troca dos bens produzidos por um indivíduo pelos bens produzidos por outro indivíduo.  A demanda por dinheiro, independentemente de quão alta ela seja, não pode alterar a quantidade de bens produzidos, isto é, não pode alterar o chamado crescimento econômico real.  Da mesma maneira, uma alteração na quantidade de dinheiro não tem nenhum poder de aumentar definidamente o crescimento da economia real. 

Um aumento na quantidade de dinheiro, por si só, não faz com que haja a produção de mais bens.  Bens só podem ser criados com acúmulo de capital e produção, e não com aumentos na quantidade de dinheiro.  E acúmulo de capital só ocorre quando há um aumento da poupança real de uma economia — isto é, quando as pessoas reduzem seu consumo e, com isso, liberam recursos para serem utilizados na cadeia produtiva.

Contrariamente ao pensamento popular, uma armadilha da liquidez não surge em resposta a um aumento maciço na demanda por dinheiro da parte dos consumidores, mas sim como resultado de políticas monetárias frouxas, as quais infligem danos severos ao conjunto da poupança real de uma economia.

Armadilha da liquidez e redução do conjunto da poupança real

Enquanto a poupança real de uma economia — isto é, os bens liberados pela redução do consumo — estiver crescendo, tal processo será capaz de sustentar tanto as atividades produtivas quanto as não produtivas (aquelas atividades classificadas como 'bolhas').  O problema surge quando, em decorrência de políticas fiscais e monetárias expansivas, a estrutura de produção da economia é alterada: mais bens serão consumidos (e utilizados em processos de produção) do que produzidos.  Este excesso de consumo em relação à produção leva a um declínio no conjunto real da poupança.

Isto, por sua vez, enfraquece o sustento de todas as atividades econômicas, levando a economia a uma recessão.  (O encolhimento do conjunto da poupança real expõe aquela falácia comumente aceita de que uma política monetária expansiva do banco central pode fazer a economia crescer).

Desnecessário dizer que, uma vez que a economia entra em recessão em decorrência da uma redução no conjunto da poupança real, quaisquer tentativas do governo ou de seu banco central para reativar a economia irão necessariamente fracassar.

Não apenas tais tentativas não irão restaurar a economia, como na verdade irão exaurir ainda mais o conjunto da poupança real, desta forma prolongando o declínio econômico.

Da mesma maneira, qualquer política que force os bancos a expandir os empréstimos, criando crédito do nada por meio das reservas fracionárias, também irá afetar progressivamente o conjunto da poupança real e reduzir ainda mais a capacidade dos bancos de fazer novos empréstimos no futuro.  Afinal, a essência de um empréstimo é que haja poupança real, e não apenas dinheiro.  É a poupança real que impõe restrições à capacidade de empréstimo dos bancos.  (O dinheiro é apenas o meio de troca, o qual facilita a poupança real).

Observe que, sem que haja um crescimento do conjunto da poupança real, qualquer expansão creditícia feita pelos bancos irá apenas prejudicar seus balancetes, pois os empréstimos dificilmente serão quitados, o que levará a uma redução dos seus ativos e a uma consequente redução do seu patrimônio líquido (capital).

Ao contrário do que diz Krugman, a economia americana está de fato em uma armadilha, mas não por causa de um acentuado aumento na demanda por dinheiro, mas sim porque políticas monetárias frouxas exauriram o conjunto da poupança real.  O que é necessário para recuperar a economia não é a geração de mais inflação, mas sim o exato oposto.  Estipular uma meta de inflação mais alta, como sugerido por Krugman, irá apenas enfraquecer ainda mais o conjunto da poupança real e garantir que a economia prolongue sua depressão indefinidamente.

 



[1] John Maynard Keynes, The General Theory of Employment, Interest, and Money, MacMillan & Co. Ltd. (1964), p. 207.


Frank Shostak é um scholar adjunto do Mises Institute e um colaborador frequente do Mises.org.  Sua empresa de consultoria, a Applied Austrian School Economics, fornece análises e relatórios detalhados sobre mercados financeiros e as economias globais.

Tradução de Leandro Roque


36 comentários
36 comentários
27/01/2012 05:38:21

Mais um ótimo artigo! Fui ver quais outros artigos o IMB tinha traduzidos desse Frank Shostak e percebi que vários artigos que eu havia lido e gostado eram dele sem eu nem saber(acho que não tinha lido o nome do autor).

Responder
Carlos 27/01/2012 12:50:19

Criação de dinheiro pode gerar crescimento, a Argentina que o diga.

Responder
void 27/01/2012 18:07:45

Crescimento do estado não conta, po.

Responder
Carlos 27/01/2012 21:42:40

O crescimento não é só do estado argentino. Investimento e consumo privados também crescem muito. Mas não vejo pq excluir os gastos do governo.

Responder
Leandro 28/01/2012 10:28:44

De fato, o investimento cresceu tanto que o governo argentino decretou que é crime divulgar a inflação real do país (estimada, por entidades privadas, em 30%). Muito investimento...

g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2012/01/governo-argentino-decreta-que-e-crime-divulgar-inflacao-real-do-pais.html

Responder
Carlos 28/01/2012 10:33:36

Não são coisas mutuamente excludentes.

Responder
Leandro 28/01/2012 12:21:10

Vai precisar se aprofundar um pouquinho mais pra tentar demonstrar seu ponto, Carlos.

Responder
Daniel 28/01/2012 12:30:43

"Criação de dinheiro pode gerar crescimento". Genial! Vocês sabem se as Organizações Tabajara abriram algum curso de economia?

Responder
Carlos 28/01/2012 13:00:12

É sabido na ciência econômica que a inflação pode produz crescimento econômico. A Argentina é uma prova disso. Já vai para 10 anos de crescimento inflacionário e elevado. Mas até quando vai conseguir manter esse modelo, eu não sei.

Responder
Leandro 28/01/2012 13:47:23

É sabido por quem? De acordo com esta lógica, Alemanha e Suíça deveriam ser países extremamente pobres, pois durante cinco décadas (1960-2008) sua inflação monetária foi extremamente contida, das menores do mundo.

Da mesma forma, por essa lógica, o Brasil deveria ter se tornado uma potência na década de 1980 e início da década de 1990, pois sua inflação monetária não era lá muito contida...

O que a inflação monetária faz é alterar a estrutura de produção da economia; não tem como a inflação fazer uma economia crescer.
Variações na oferta monetária não produzam impacto no crescimento agregado da economia, mas elas certamente afetam a maneira como os recursos da economia são alocados e distribuídos.  Ou seja, as variações da oferta monetária determinam como será a estrutura produtiva da economia, mas não o nível da produção.  Variações na oferta monetária sempre serão benéficas apenas para o governo e para suas empresas favoritas -- como o setor bancário e os grandes industriais amigos do rei --, que são os primeiros a receber o novo dinheiro criado.

Por fim, sobre a Argentina, não me parece lógico dizer que a população -- principalmente os de baixa renda -- esteja bem com seu poder de compra sendo dizimado em 30% ao ano. Isso é um contrassenso.

Responder
Carlos 28/01/2012 14:38:28

Não é sempre que inflação gera crescimento. Vc pegou a época na qual já não funcionava mais o inflacionismo, muito por causa do cenário externo. O modelo já estava esgotado e acho que uma hora vai acontecer isso com a Argentina. Vamos pegar a partir do governo JK, ele produziu um alto crescimento, mas a inflação foi alta também e continou subindo até que os militares nos primeiros anos deram uma baixada na taxa, que depois voltou a subir. O milagre econômico, por exemplo, foi um período de alta inflação. Mas no final da década de 70 ela começou a atingir taxas que caminhavam para a hiperinflação. Na década de 80 até o plano real foi hiperinflação.

Responder
Leandro 28/01/2012 21:26:26

Se imprimir dinheiro gerasse crescimento econômico, então os serviços deste sujeito seriam inestimáveis para a saúde da economia.

A cena começa em 0:50, e é uma das melhores da história do cinema. Recomendo fortemente.

Responder
Paulo Sergio 29/01/2012 03:06:34

Ah, mas esse é filme dos anos oitenta! Do tempo que se fazia cinema de verdade! Muito massa!! Eu fico pensando o que esse cara faria se naquele tempo já existisse nanotecnologia hehe

Responder
Rogerio Saraiva 29/01/2012 03:22:57

Sensacional mesmo esta cena (e a trilha sonora!). Obrigado por compartilhar. E pensar que tem realmente gente que jura que é assim que se cria riqueza...

Responder
void 29/01/2012 09:43:05

Segundo o Carlos, este homem é milionário: 3.bp.blogspot.com/__1xEz1ZvyWc/SZBkJry6upI/AAAAAAAAAGM/tTkKxQHhsGg/s400/zimbabue.jpg

Responder
void 29/01/2012 09:54:51

Aliás, aqui está um grande investimento para todos que quiserem se tornar trilionários. Por apenas R$12: produto.mercadolivre.com.br/MLB-216779908-av-996-cedula-100-trilhes-de-dolar-zimbabue-_JM

Responder
Paulo Sergio 29/01/2012 03:03:27

Se imprimir dinheiro é tão bom, porque é que só o governo pode fazer isso?

Responder
mcmoraes 29/01/2012 04:30:08

E se os caras do filme são claramente os bandidos da história (vejam o que o Willem Dafoe diz aos 7:50), por que os impressores de dinheiro dos BCs ao redor do mundo não podem ser considerados bandidos também? Só por que eles carregam um distintivo de oficial do governo?

Responder
mcmoraes 29/01/2012 05:28:02

Outro momento muito bom, aos 5:45 da parte 5. O contratado diz: "Posso fazer uma pergunta? Já que você imprime o dinheiro, que diferença faz pra vc se eu cobro 25, 50, 100 mil? Pra vc isso é nada".

Responder
Hay 29/01/2012 05:24:32

Não é sempre que inflação gera crescimento. Vc pegou a época na qual já não funcionava mais o inflacionismo, muito por causa do cenário externo. O modelo já estava esgotado e acho que uma hora vai acontecer isso com a Argentina.

Vamos pegar a partir do governo JK, ele produziu um alto crescimento, mas a inflação foi alta também e continou subindo até que os militares nos primeiros anos deram uma baixada na taxa, que depois voltou a subir. O milagre econômico, por exemplo, foi um período de alta inflação. Mas no final da década de 70 ela começou a atingir taxas que caminhavam para a hiperinflação. Na década de 80 até o plano real foi hiperinflação.


E aqui você, sem querer, mostra que o inflacionismo, na prática, gera ciclos de crescimento para, no futuro, cobrar seu preço com a destruição do valor da moeda, dívidas assombrosas, e o fato de ninguém ter lá muita vontade de investir em um cenário de tantas incertezas.

Responder
Carlos 29/01/2012 12:01:48

Foi o que eu disse. O inflacionismo pode funcionar por um bom tempo, décadas até, mas uma hora cobra seu preço, e ele é alto.

Responder
Hay 30/01/2012 03:03:02

Foi o que eu disse. O inflacionismo pode funcionar por um bom tempo, décadas até, mas uma hora cobra seu preço, e ele é alto.

Resumindo: o inflacionismo não é nada além de fumaça e espelhos. Não gera riquezas, só ilusão de riqueza. É como se eu ficasse décadas ficando "rico" com dezenas de cartões de crédito e deixasse a dívida para meu filho. Meu filho certamente não me elogiaria por gerar grandes riquezas. Ele me consideraria um grande enganador, pois ele viveu uma boa vida e agora ele é quem vai pagar a conta.

Responder
Hay 30/01/2012 04:46:22

Ops, troque o "ele viveu" por "eu vivi"!

Responder
Roberto 28/01/2012 13:36:15

1 peso vale 40 centavos

Responder
Felipe Rosa 27/01/2012 14:06:32

Excelente artigo...mais claro que isso é impossível!!!

Responder
Diego Cardoso 27/01/2012 19:18:27

Mr. Keynes, o mestre das conjecturas nonsense.

Responder
Célio Beserra 28/01/2012 07:36:11

Mr. Shostak não possui o humour de Gary North, mas seus artigos possuem o encadeamento lógico necessário para demolir as falácias keynesianas, predominantes no pensamento econômico desde o pós-guerra. É um trabalho de formiguinha, mas a seu tempo dará frutos!

Responder
Andre Poffo 28/01/2012 07:41:38

Estranho que aparecem marxistas e socialistas para comentarem em alguns artigos. Mas não aparecem keynesianos para comentar nestes..

Responder
vanderlei 28/01/2012 18:16:44

Keynes (safado) sugeriu que a economia poderia estabilizar-se num ponto aquém do nível de pleno emprego.

Como? especulando Ora!

Na teoria keynesiana, a moeda torna-se muito mais que um simples meio de trocas, moedas para fins especulativos.

Demanda da moeda: Demanda para transações (gastos), demanda para precaução (poupança), demanda para especulação (juros) desempenham um papel na teoria de Keynes para explicar a taxa de juros.


O nível de renda, varia inversamente com a taxa de juros...

Então,quando o governo em parceria com o empresário emitia mais dinheiro, a política internacional pressionava o empresário a aumentar os preços, absorvendo todo o excendente que deveria ir ao encontro dos deficitários e não superavitários, mas ninguém percebeu a tempo e o povo, bobinho...

Responder
Andre Poffo 28/01/2012 21:56:47

Veja só uma nota que li no facebook de um colega meu:

Na economia não existe almoço grátis. Ou existe?
by Júlio Cesar Maliszeski on Friday, January 20, 2012 at 12:35am

Em certas condições, existe. A condição se chama Armadilha de liquidez. Essa condição pode ter acontecido algumas vezes na história, entretanto os momentos reconhecidos são a crise de 1929 (Recuperada pelos gastos da 2º guerra), a crise do Japão dos anos 90 (pode-se dizer que teve um custo distribuido em 16 anos), e agora, nos EUA e com alguns sintomas fortes na Europa.

Japão? krugman.blogs.nytimes.com/2012/01/10/more-on-japan-wonkish/

1º) "The Zero Bound Problem"

a1.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash4/s720x720/407432_2497183670026_1265902503_32017688_1872068645_n.jpg

A imagem explica que sempre que a Oferta de Dinheiro forneçida pelo Banco Central aumenta, a taxa de juros da economia diminui. Essa taxa é um referencial para toda a economia, e afeta os gastos dos agentes econômicos. Um exemplo claro para os consumidores é do financiamento de um carro ou de uma casa, o ato de comprar esse bens fica mais barato quando o Banco Central imite dinheiro. A explicação básica se resume no fato das pessoas terem gradualmente um maior poder aquisitivo (ou ao menos, pensam que tem, dependendo de outras circusntâncias), diminuindo a necessidade de aplicar o dinheiro em algum investimento financeiro pelo juro que ela irá ganhar no futuro.

Esse estimulo monetario tem um limite, que como o nome diz, se refere a taxa de juro zero.

A partir de MS-2 (1º reta vertical na taxa de juro zero) qualquer expansão monetária não irá afetar o consumo, o investimento, a poupança, etc.

2º) "Quantitative Easing"

Conhecido popularmente na mídia como "QE" ou flexibilização quantitativa. Simplismente é o aumento da Oferda de Moeda para além de MS-2, simbolizando por MS-3. Deve ser realizado junto com operações de mercado aberto (lançamento de títulos públicos) para amenizar/eliminar impactos na dívida pública.

Por que governos fazem isso? (Em crises econômicas)

1º) Porque por alguma razão não querem ou não podem usar política fiscal.
2º) Porque muda as expectativas dos agentes econômicos.

Uma vez que empresários só fazem negócios tendo em mente um retorno esperado, é comum numa crise econômica a perda generalizada de confiança em diversos setores. Existe um grande aumento na propensão marginal a poupar dos agentes econômicos. Apesar do juros estiver o mais baixo possível.
O aumento da Oferta Monetária pode, de certa forma, fazer com que as pessoas voltem a gastar o dinheiro, fazendo girar a economia. Entretanto, é necessário um aumento realmente grande da Oferta Monetária para que esses efeitos aconteçam. É de se esperar que os políticos não sejam a favor de uma coisa dessas...

Os liberais temem que isso possa gerar um surto inflacionário (quando a economia caminha para a deflação). Não é algo plausivel, tendo em vista os níveis de poupança, desemprego e capacidade ociosa das empresas.

Na verdade gerar um pouco de inflação seria algo bom. Fazer as pessoas esperarem inflação futura também, pois isso incentiva o consumo, já que se as pessoas esperam que o preço futuro seja maior que o de hoje. Mas essas coisas podem sair do controle se não forem bem administradas em todo o processo.

O almoço grátis nas crises econômicas:

No processo de desalavancagem, a curva de Demanda Agregada da economia pode inverter:

a8.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc7/s720x720/404619_2495942118988_1265902503_32017430_1942595984_n.jpg

Quando todos pensam em poupar seu dinheiro e não consumir, as empresas lucram menos. Com o passar do tempo despedem os funcionários, agravando novamente a renda da economia, fazendo-os poupar ainda mais, gerando menos lucros. A coisa flui em um ciclo. Efetivamente, a Demanda Agregada diminui com o preço.

Evidentemente, quando se realiza QE, as pessoas podem ganhar um almoço grátis, sem pressões inflacionárias, sem problemas na dívida pública (pois evita que pessoas sejam despedidas, se fossem as empresas gerariam menos lucros e forneceriam menos pagamento de impostos ao governo, agravando a dívida pública, etc.)

Fonte:
voxeu.org/index.php?q=node/5823
www.youtube.com/user/markthoma?ob=video-mustangbase

Responder
Hay 29/01/2012 05:57:48

Uma vez que empresários só fazem negócios tendo em mente um retorno esperado, é comum numa crise econômica a perda generalizada de confiança em diversos setores. Existe um grande aumento na propensão marginal a poupar dos agentes econômicos. Apesar do juros estiver o mais baixo possível.

Realmente, é uma tragédia que as pessoas deixem de investir em negócios mais arriscados. O melhor mesmo é deixar que os economistas criem seus mundos mágicos de agregados com concorrência perfeita e números-gororoba.

O aumento da Oferta Monetária pode, de certa forma, fazer com que as pessoas voltem a gastar o dinheiro, fazendo girar a economia. Entretanto, é necessário um aumento realmente grande da Oferta Monetária para que esses efeitos aconteçam. É de se esperar que os políticos não sejam a favor de uma coisa dessas...

Realmente, o dinheiro tem efeitos mágicos. Basta imprimir quantias obscenas de dinheiro, sempre obedecendo aos números mágicos dos economistas, para que a prosperidade volte. É por isso que tenho sérias dificuldades em levar economistas a sério hoje em dia. É cada baboseira disfarçada de pensamento sério...

Os liberais temem que isso possa gerar um surto inflacionário (quando a economia caminha para a deflação). Não é algo plausivel, tendo em vista os níveis de poupança, desemprego e capacidade ociosa das empresas.

Eu adoro ler a respeito da "capacidade ociosa das empresas", como se "as empresas" fossem uma massa amorfa que eles pudessem resumir em um punhado de estatísticas. Como é que o estudo da economia chegou a esse ponto ridículo, onde um punhado de gente imagina que consegue decifrar uma absurdamente complexa estrutura de capital?

Na verdade gerar um pouco de inflação seria algo bom. Fazer as pessoas esperarem inflação futura também, pois isso incentiva o consumo, já que se as pessoas esperam que o preço futuro seja maior que o de hoje. Mas essas coisas podem sair do controle se não forem bem administradas em todo o processo.

É claro que os economistas mágicos sabem como administrar a inflação para que tudo fique maravilhoso! Devemos confiar em burocratas que estudaram modelos irreais que nunca levam em conta a complexidade de uma economia de verdade.

Quando todos pensam em poupar seu dinheiro e não consumir, as empresas lucram menos. Com o passar do tempo despedem os funcionários, agravando novamente a renda da economia, fazendo-os poupar ainda mais, gerando menos lucros. A coisa flui em um ciclo. Efetivamente, a Demanda Agregada diminui com o preço.

Sim, porque uma hora todos deixarão de satisfazer suas necessidades. No mundo mágico dos economistas, as pessoas provavelmente morrem de fome ou comem as unhas dos pés no almoço, pois estão poupando. Todo mundo hoje em dia guarda dinheiro em casa, não deposita nada em bancos, como, "obviamente", todos nós sabemos.

Evidentemente, quando se realiza QE, as pessoas podem ganhar um almoço grátis, sem pressões inflacionárias, sem problemas na dívida pública (pois evita que pessoas sejam despedidas, se fossem as empresas gerariam menos lucros e forneceriam menos pagamento de impostos ao governo, agravando a dívida pública, etc.)

Entenderam? QUando o governo imprime dinheiro do nada, está gerando riquezas. Quer dizer, isso não está funcionando, mas quem se importa? O que importa é que os economistas sabem exatamente como fazer o mundo funcionar!

Responder
Jeffy 07/02/2012 09:00:04

Não sei se é impressão minha, mas mesmo com a estrutura atual (governo social-democrata com banco central) se despedaçando ao redor do mundo, ainda tem gente que acha que Keynes é o cara?

Acordem, leiam mais, observem o que está acontecendo e por favor, pensem, só um pouco não faz mal não...

Responder
Eduardo 31/05/2013 15:42:56

"Na verdade gerar um pouco de inflação seria algo bom. Fazer as pessoas esperarem inflação futura também, pois isso incentiva o consumo, já que se as pessoas esperam que o preço futuro seja maior que o de hoje. Mas essas coisas podem sair do controle se não forem bem administradas em todo o processo "

Veja a deflação brutal no mercado de informática nas últimas décadas!
As pessoas NUNCA vão comprar notebooks hoje se elas sabem que no ano que vem vai ter um notebook melhor, mais leve e MAIS BARATO.
Comprar mais caro hoje quando vai estar mais barato daqui uns meses? Absurdo! As pessoas só consomem no presente quando elas esperam que o preço futuro seja maior.

O mais assustador é a premissa de que o desejo de indivíduos pouparem ou consumirem devem ser "administrados" por algum zé ruela com um doutorado.

Responder
Pobre Paulista 17/02/2014 12:12:18

Tem mais exemplos legais para ilustrar esse nonsense:

- Não vou ver filme nenhum no cinema hoje pois semana que vem estará mais barato.

- Hoje também não vou almoçar, daqui a uns meses vou pagar metade do que pagaria hoje.

- Também não vou comprar roupa nenhuma, dado que elas irão cair de preço, vou andar somente com roupas velhas.

- Andar de táxi? Esquece. Mês que vem farei o mesmo trajeto gastando bem menos.

- Levar minha namorada ao Motel? Só daqui a 3 meses, quando o preço do Motel baixar.

Enfim, dá para discorrer por muito tempo hehe...

Responder
Lopes 17/02/2014 13:18:46

Tecnicamente falando, não usufruir de recursos hoje na expectativa de um menor gasto futuro é simplesmente abrir mão para que outros o façam com maior facilidade. Vide o exemplo do almoço apresentado pelo Paulista. Quanto ao preço do crédito, é mister reconhecer que quando ocorre uma abundância de poupança, não é por razões mecanizadas mas sim propositadas: os cidadãos estão a economizar para um projeto futuro ou fazendo encaixes para uma esperada situação de estresse futura. A função do conhecimento advinda disto é uma baixa no preço do crédito principalmente no longo prazo, o que barateia a aquisição de recursos para o investimento em projetos que tomam tempo para terminarem; vide o setor imobiliário, o que faz com que a demanda à longo prazo dos poupadores (afinal, como dito anteriormente, ninguém poupa sem motivos) coincida com o deslocamento de recursos aos empreendedores.

Basicamente, há o que se vê e o que não se vê; cabe ao economista enxergar que se hoje eu dou ao banco para investir uns 40 reais que gastaria para ir ao cinema (aplicação esta que reduzirá o preço dos juros, deslocando capital aos investidores de longo prazo), é porque no longo prazo tenho a expectativa/planejamento de gastá-los. Trata-se da forma natural com que o capital e recursos são deslocados em função dos desejos dos consumidores, se deseja um processo que não é dinâmico mas que não vise a criação de riqueza, recomendo um belo de um imposto de renda que dê ao estado ao menos metade do que é detido pelos cidadãos para que ele gaste cavando buracos, aeroportos que ninguém precisa e outras engrenagens que não possuem motivo para girar. Vide o 'Cálculo Econômico Sob o Socialismo'.

Responder
Hugo 17/02/2014 01:27:53

Eu ri d+ na parte de causar inflação pra população esperar uma inflação futura,o cara acha q indexar a economia é algo bom...kkkkkkkkkkk

Responder

Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
  Nome
  Email   (também utilizado para o Avatar, crie o seu em www.gravatar.com)
  Website
Digite o código:

Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.







Blog  rss Assine o RSS de Blog da Mises.org.br
  Comedimento e sobriedade
        por Helio Beltrão - 10/06/2014
  Comunicado
        por Equipe IMB - 10/06/2014
  O que fazer com a Petrobras?
        por Leandro Roque - 07/04/2014

Multimídia   
  Podcast Mises Brasil
        por Bruno Garschagen - 06/01/2015
  Conferência de Escola Austríaca 2014
        por Diversos - 23/10/2014
  Fraude - Explicando a grande recessão
        por Equipe IMB - 31/10/2012
veja mais...



Instituto Ludwig von Mises Brasil



contato@mises.org.br      formulário de contato           Google+
Desenvolvido por Ativata Software