O igualitarismo é uma revolta contra a natureza
Introdução à primeira edição

Provavelmente, a pergunta que mais me fizeram — com alguma exasperação — ao longo dos anos é: "Por que você não se atém à economia?" 

Por razões distintas, essa pergunta tem sido endereçada a mim por colegas economistas e por pensadores e ativistas políticos de variadas filiações: conservadores, esquerdistas e libertários que discordam de mim em questões de doutrina política e se incomodam com um economista que se aventure "fora de sua disciplina." 

Entre os economistas, tal pergunta é um triste reflexo da hiperespecialização dos intelectuais de nossos tempos.  Creio ser evidente que pouquíssimos especialistas em economia — mesmo entre aqueles mais dedicados — passaram a se interessar por economia por terem se fascinado por curvas de custo, classes de indiferença e o resto da parafernália da teoria econômica moderna.  Quase a unanimidade deles se interessou por economia após ter se interessado por problemas sociais e políticos e por ter percebido que os problemas políticos realmente complicados não podem ser resolvidos sem o conhecimento de economia.  Afinal, se eles estivessem de fato interessados sobretudo em equações e tangentes em gráficos, teriam se tornado matemáticos profissionais e não gastado suas energias em teorias econômicas que são, no máximo, uma aplicação de terceira categoria da matemática. 

Infelizmente, o que em geral acontece com essas pessoas é que, ao aprenderem a estrutura e o aparato imponentes da teoria econômica, elas ficam tão fascinadas pelas minúcias da técnica que perdem de vista os problemas políticos e sociais que originalmente despertaram seu interesse.  Esse fascínio também é reforçado pela estrutura econômica da própria profissão de economista (e de todas as outras profissões acadêmicas): a saber, que prestígio, recompensas e gratificações são colhidos não por reflexões acerca dos problemas mais significativos, mas, sim, por agarrar-se a um horizonte estreito e tornar-se um dos principais especialistas em um problema técnico insignificante. 

Entre alguns economistas, essa síndrome foi levada tão longe que eles desprezam qualquer atenção conferida a problemas político-econômicos como uma impureza degradante e vil, ainda que tal atenção seja dada por economistas que tenham deixado sua marca no mundo da técnica especializada.  E mesmo entre aqueles economistas que de fato lidam com problemas políticos, qualquer consideração dedicada a temas extra-econômicos mais amplos como os de direitos de propriedade, da natureza do estado ou da importância da justiça é desprezada como incuravelmente "metafísica" e inadmissível.

Não é por acaso, no entanto, que os economistas de visão mais ampla e de espírito mais penetrante do século XX — homens como Ludwig von Mises, Frank H. Knight e F.A. Hayek — chegaram cedo à conclusão que o domínio da teoria econômica pura não era o bastante, e que explorar problemas relacionados e fundamentais da filosofia, da teoria política e da história era vital.  Em especial, eles notaram que era possível e de crucial importância elaborar uma teoria sistemática mais ampla, que abarcasse a ação humana como um todo e em que a economia ocupasse um lugar consistente mas subsidiário. 

Em meu próprio caso, o principal foco do meu interesse e dos meus trabalhos ao longo das três últimas décadas tem sido uma parte dessa abordagem mais ampla — o libertarianismo, que é a disciplina da liberdade.  Pois vim a crer que o libertarianismo é de fato uma disciplina, uma "ciência", se preferirem, independente, embora tenha sido pouco desenvolvida ao longo do tempo.  O libertarianismo é uma disciplina nova e em crescimento intimamente ligada a outras áreas de estudo da ação humana: à economia, à filosofia, à teoria política, à história, e até — mas de modo não menos importante — à biologia.  Todas essas áreas proporcionam de variadas maneiras a base, o corpo e a aplicação do libertarianismo.  Algum dia, talvez, a liberdade e os "estudos libertários" serão reconhecidos como uma parte independente, mas afim, do currículo acadêmico. 

Esse ensaio foi apresentado em uma conferência sobre a diferenciação humana organizada pelo Institute for Humane Studies, em Gstaad, na Suíça, no verão de 1972.  Uma razão e alicerce fundamental da liberdade são os fatos inelutáveis da biologia humana; em especial, o fato de que cada indivíduo é uma pessoa única, diferente de todas as outras em muitos aspectos.  Se a diversidade individual não fosse a regra universal, então a defesa da liberdade seria realmente frágil.  Afinal, se os indivíduos fossem intercambiáveis como insetos, por que alguém se preocuparia em maximizar a oportunidade de todos desenvolverem sua mente e suas capacidades e sua personalidade o mais completamente possível?  O ensaio identifica o horror primordial do socialismo na tentativa igualitarista de eliminar a diversidade entre indivíduos e grupos. Em suma, ele reflete a fundamentação do libertarianismo no individualismo e na diversidade individual. 

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Murray N. Rothbard 1974


O igualitarismo é uma revolta contra a natureza

Já faz bem mais de um século que se tem considerado que a esquerda tem a moralidade, a justiça e o "idealismo" do seu lado; a oposição conservadora tem se limitado a apontar a "falta de praticidade" dos ideais da esquerda.  Uma visão corrente, por exemplo, é que o socialismo é fantástico "na teoria", mas que não pode "funcionar" na vida prática.  O que os conservadores não perceberam é que, embora ganhos de curto prazo possam de fato ser obtidos ao se recorrer a falta de praticidade de desvios radicais do status quo, reconhecer que a ética e os "ideais" pertenciam à esquerda destinava-os à derrota a longo prazo.  Afinal, se se concede a ética e os "ideais" desde o início a um dos lados, então este conseguirá realizar mudanças graduais mas seguras em sua própria direção; e, à medida que essas mudanças se acumulam, o estigma da "falta de praticidade" torna-se cada menos relevante.  A oposição conservadora, tendo apostado todas as fichas na base aparentemente firme da "prática" (isto é, do status quo) está fadada à derrota à medida que o status quo aproxima-se da direção da esquerda.  O fato de que os stalinistas ultrapassados são universalmente tidos como os "conservadores" na União Soviética é uma feliz piada lógica sobre o conservadorismo; porque, na Rússia, os estatistas impenitentes são de fato os repositórios de uma "praticidade" ao menos superficial e de um apego ao status quo existente.

Em nenhum lugar o vírus da "praticidade" se alastrou mais do que nos Estados Unidos, porque os americanos consideram-se um povo "prático", e, assim, a oposição à esquerda, embora originalmente mais forte do que em outros países, talvez nunca tenha se mantido sobre bases menos firmes.  Agora, são os defensores do livre mercado e da sociedade livre que têm de confrontar a acusação comum de "falta de praticidade."

Em nenhuma área reconheceu-se tão profundamente e quase universalmente que a justiça e a moralidade estavam do lado da esquerda quanto em seu apoio à igualdade máxima.  Na verdade, é raro encontrar alguém nos Estados Unidos, principalmente um intelectual, que conteste a beleza e a virtude do ideal igualitarista.  Todos estão tão comprometidos com esse ideal que a "falta de praticidade" — isto é, o enfraquecimento dos incentivos econômicos — tem sido quase a única crítica até aos mais bizarros programas igualitaristas.  A marcha inexorável do igualitarismo é indicação suficiente da impossibilidade de evitar-se compromissos éticos; os americanos estritamente "práticos", ao tentarem evitar doutrinas éticas, não deixam de incorrer nelas, mas agora só o fazem de maneira inconsciente, ad hoc e assistemática.  A famosa observação de Keynes de que "homens práticos, que se consideram virtualmente livres de qualquer influência intelectual, são em geral escravos de algum economista já falecido" — é verdadeira sobretudo quanto a juízos éticos e à teoria ética.[1]

A incontestada condição ética da "igualdade" pode ser vista na prática corrente dos economistas.  Os economistas se veem com frequência diante de um problema de juízos de valor — ansiosos para fazer declarações políticas.  Como eles podem fazê-las sem deixarem de ser "científicos" e livres de juízos de valor?  No campo do igualitarismo, eles têm conseguido sustentar categoricamente, com notável impunidade, um juízo de valor em defesa da igualdade.  Às vezes, esse juízo é abertamente pessoal; outras vezes, o economista tem a pretensão de ser o representante da "sociedade" emitindo o juízo de valor desta.  O resultado, no entanto, é o mesmo.  Considere, por exemplo, Henry C. Simons.  Após criticar com razão vários argumentos "científicos" a favor do imposto progressivo, ele apoia categoricamente a progressão, da seguinte maneira:

A defesa da progressão drástica na taxação tem de basear-se na crítica à desigualdade — no juízo ético ou estético de que a distribuição prevalecente de riqueza e de renda revela um grau de desigualdade que é nitidamente mau ou desagradável.[2]

Outra tática típica pode ser colhida de um texto-padrão sobre finanças públicas. De acordo com o professor John F. Due,

O argumento mais forte para a progressão é o fato de que a opinião consensual na sociedade hoje considera a progressão necessária para a igualdade.  Isso, por sua vez, baseia-se no princípio de que o padrão de distribuição de renda, antes dos impostos, envolve desigualdade excessiva.

Esta "pode ser censurada com base em injustiça inerente em termos dos padrões aceitos pela sociedade."[3]

Independentemente de o economista defender com coragem seus próprios juízos de valor ou ter a pretensão de refletir os valores da "sociedade", sua imunidade a críticas tem sido extraordinária.  Embora a franqueza na proclamação de valores pessoais possa ser admirável, ela certamente não é suficiente; na busca da verdade, não basta proclamar os próprios juízos de valor como se tivessem de ser aceitos como tábuas vindas do céu que não estão sujeitas a críticas e avaliações intelectuais.  Não há nenhuma exigência de que esses juízos de valor sejam em algum sentido válidos, significativos, cogentes, verdadeiros?

Suscitar essas considerações, é claro, significa escarnecer os cânones modernos de wertfreiheit pura nas ciências sociais à partir de Max Weber, assim como a tradição filosófica ainda mais antiga da separação rígida entre "fato e valor", mas talvez já tenha chegado a hora de levantar essas questões fundamentais.  Suponha, por exemplo, que o juízo ético ou estético do professor Simons não tenha sido em defesa da igualdade, mas de um ideal social muito diferente.

Suponha, por exemplo, que ele fosse favorável ao assassinato de todas as pessoas baixas, de todos os adultos com menos de 1,80m.  E suponha que ele tivesse escrito que "a defesa do extermínio de todas as pessoas baixas tem de basear-se na oposição à existência de pessoas baixas — no juízo ético ou estético de que o número prevalecente de adultos baixos é nitidamente mau ou desagradável."  Alguém acha que a acolhida dada às observações do professor Simon por seus colegas economistas ou cientistas sociais teria sido a mesma?

Ou podemos imaginar o professor Due escrevendo, de modo semelhante, em defesa da "opinião na sociedade hoje" na Alemanha dos anos de 1930 a respeito do tratamento social conferido aos judeus.  O ponto é que, em todos esses casos, a condição lógica das observações de Simons ou de Due teria sido exatamente a mesma, embora sua acolhida pela comunidade intelectual americana fosse completamente diferente.

Meu ponto, até agora, tem dois lados:

1. não é suficiente que um intelectual ou um cientista social proclame seus juízos de valor — esses juízos têm de ser racionalmente defensáveis e têm de ser demonstravelmente válidos, cogentes e corretos: em suma, eles não podem mais ser tratados como imunes a críticas intelectuais; e

2. o objetivo da igualdade tem sido tratado acrítica e axiomaticamente há tempo demais como o ideal ético.

Assim, os economistas favoráveis a programas igualitaristas tipicamente pesam seu "ideal" incontestado contra possíveis efeitos desincentivadores sobre a produtividade econômica; mas o ideal em si raramente é questionado.[4]

Passemos, então, a uma crítica do ideal igualitarista em si — deveríamos conferir à igualdade sua condição atual de ideal ético incontestado?  Em primeiro lugar, temos de confrontar a própria ideia de uma separação radical entre algo que é "verdadeiro na teoria" mas "inválido na prática."  Se a teoria estiver correta, então ela funciona na prática; se ela não funcionar na prática, então é uma teoria ruim.  A separação tradicional entre teoria e prática é artificial e falaciosa.  Mas isso é tão verdadeiro na ética quanto em qualquer outro campo.  Se um ideal ético é inerentemente "não prático", isto é, se ele não pode funcionar na prática, então é um ideal insatisfatório e deve ser rejeitado de imediato.  Em termos mais precisos, se um objetivo ético viola a natureza humana e/ou o universo e, portanto, não pode funcionar na prática, então é um ideal ruim e deve ser rejeitado como um objetivo.  Se o objetivo em si viola a natureza do homem, então também é uma má ideia trabalhar na direção daquele objetivo.

Suponha, por exemplo, que todos os homens serem capazes de voar batendo os braços tenha sido adotado como um objetivo ético universal.  Presumamos que se tenha reconhecido a beleza e a virtude do objetivo dos "defensores do voo", mas que estes tenham sido criticados por serem "não práticos."  Mas o resultado é a desgraça social sem fim, na medida em que a sociedade não deixa de tentar se aproximar do voo braçal, e os defensores do voo desgraçam a vida de todos por serem frouxos ou pecadores o bastante para não se manterem fiéis ao ideal comum.  A crítica apropriada aqui é contestar o objetivo "ideal" em si; salientar que o objetivo em si é impossível, dados a natureza física do homem e o universo; e, assim, libertar a humanidade da escravidão a um objetivo inerentemente impossível e, portanto, mau.

Mas esta libertação nunca poderia ocorrer enquanto os contrários ao voo braçal se mantivessem apenas no âmbito da "prática" e concedessem a ética e o "idealismo" aos apologistas do voo braçal.  A confrontação tem de se dar na essência — na suposta superioridade ética de um objetivo disparatado.  O mesmo vale, eu sustento, para o ideal igualitarista, exceto que suas consequências sociais são muito mais nocivas do que as de uma busca incansável do voo humano autônomo.  Porque a condição de igualdade provocaria danos muito mais graves sobre a humanidade. 

O que, de fato, é a "igualdade"?  O termo tem sido muito invocado mas pouco analisado.  A e B são "iguais" se são idênticos um ao outro quanto a uma característica dada.  Assim, se Smith e Jones têm exatamente 1,80m de altura, então pode-se dizer que são "iguais" em altura.  Se duas estacas são idênticas em comprimento, então seus comprimentos são "iguais" etc.  Existe uma e apenas uma maneira, portanto, pela qual duas pessoas podem ser "iguais" no sentido mais puro: elas têm de ser idênticas em todas as suas características.  Isso significa, é claro, que a igualdade de todas as pessoas — o ideal igualitarista — só pode ser alcançada se todas as pessoas forem exatamente uniformes, exatamente idênticas quanto a todas as suas características.  O mundo igualitário seria necessariamente um filme de terror — um mundo de criaturas sem rosto e idênticas, desprovidas de toda individualidade, variedade ou criatividade particular. 

Na verdade, é exatamente nas obras de ficção de terror que as implicações lógicas de um mundo igualitário são apresentadas sem retoques.  O professor Schoeck ressuscitou para nós o retrato daquele mundo no romance britânico distópico Facial Justice, de L.P. Hartley, em que a inveja é institucionalizada pelo estado, que garante que os rostos de todas as meninas sejam lindos na mesma medida por meio de cirurgias plásticas realizadas tanto nas meninas bonitas quanto nas feias, para nivelar a beleza de seus rostos segundo um denominador comum universal.[5]

Um conto de Kurt Vonnegut oferece uma descrição ainda mais completa de uma sociedade inteiramente igualitária.  Vonnegut começa o conto "Harrison Bergeron" da seguinte maneira:

Era o ano de 2081 e todos finalmente eram iguais.  Não eram iguais apenas perante Deus e a lei.  Eram iguais de todas as maneiras.  Ninguém era mais inteligente do que ninguém.  Ninguém era mais bonito do que ninguém.  Ninguém era mais forte ou mais rápido do que ninguém.  Toda essa igualdade era produto das emendas 211, 212 e 213 à Constituição e da vigilância incansável dos agentes do Ministério de Incapacitação dos Estados Unidos.

A "incapacitação" se dava em parte do seguinte modo:

Hazel tinha uma inteligência exatamente mediana, o que significava que ela não conseguia pensar sobre nada exceto em breves repentes.  E George, embora sua inteligência estivesse bem acima do normal, tinha um pequeno rádio de incapacitação mental em seu ouvido.  A lei obrigava-o a usá-lo sempre.  Ele sintonizava um transmissor do governo.  A cada vinte segundos, em média, o transmissor emitia algum barulho estridente para impedir que pessoas como George tirassem injusto proveito de seus cérebros.[6]

O horror que todos instintivamente sentimos ao ler essas histórias é o reconhecimento intuitivo de que as pessoas não são uniformes, de que a espécie, a humanidade, é excepcionalmente caracterizada por um alto grau de variedade, de diversidade e de diferenciação — em suma, de desigualdade.  Uma sociedade igualitária só pode aspirar a alcançar seus objetivos por meio de métodos totalitários de coerção; e, nesse caso, todos acreditamos e esperamos que o espírito humano do indivíduo se revoltará e frustrará qualquer tentativa de se implantar um mundo de insetos.  Em suma, o retrato de uma sociedade igualitária é uma história de terror porque, quando as implicações daquele mundo são apresentadas por inteiro, reconhecemos que tal mundo e as tentativas de alcançá-lo são gravemente desumanos; sendo desumano no sentido mais profundo, o objetivo igualitarista é, assim, mau, e qualquer tentativa em sua direção deve ser igualmente considerada má.

O fato extraordinário da diferença e da variabilidade (isto é, da desigualdade) humanas é evidente, dado o longo histórico de experiência humana; decorre daí o reconhecimento geral da natureza desumana de um mundo de uniformidade forçada.  Social e economicamente, essa variabilidade se manifesta na divisão universal do trabalho e na "Lei de Ferro da Oligarquia" — a percepção de que, em toda organização ou atividade, alguns poucos (geralmente, os mais capazes e/ou mais interessados) se tornarão líderes, com a massa dos membros ocupando as fileiras dos seguidores.  Em ambos os casos, o mesmo fenômeno está em operação — sucesso fora do comum ou liderança em qualquer atividade são obtidos pelo que Jefferson chamava de uma "aristocracia natural" — aqueles que estão em sintonia mais fina com a atividade. 

O antiquíssimo histórico de desigualdade parece indicar que estas variabilidade e diversidade estão baseadas na natureza biológica do homem.  Mas é exatamente essa conclusão sobre a biologia e a natureza humana que é o incômodo que mais atormenta nossos igualitaristas.  Nem os igualitaristas seria capazes de negar o registro histórico, mas sua resposta é que a culpa é da "cultura"; e uma vez que eles obviamente consideram que a cultura é um puro ato da vontade, o objetivo de mudar a cultura e de inculcar o valor da igualdade na sociedade parece ser alcançável.  Nesse campo, os igualitaristas abandonam qualquer pretensão de cautela científica; eles não ficam contentes ao reconhecerem que a biologia e a cultura são influências de interação mútua.  A biologia deve ser expulsa do tribunal imediata e completamente.

Reflitamos sobre um exemplo que é deliberadamente um tanto frívolo.  Suponha que observamos nossa cultura e descobrimos que um ditado comum é o de que "os ruivos são irritadiços."  Aqui está um juízo que contém desigualdade, uma conclusão de que os ruivos como um grupo tendem a diferir da população não-ruiva.  Suponha, então, que os sociólogos igualitaristas investigam o problema e descobrem que os ruivos de fato tendem a ser mais irritadiços que os não-ruivos a um nível estatisticamente relevante.  Ao invés de admitirem a possibilidade de algum tipo de diferença biológica, os igualitaristas rapidamente acrescentarão que a "cultura" é responsável pelo fenômeno: o "estereótipo" aceito de modo generalizado de que os ruivos são irritadiços havia sido incutido em cada criança ruiva desde a mais tenra idade, de modo que ela havia simplesmente internalizado tais juízos e agia da maneira pela qual a sociedade esperava que ela agisse.  Os ruivos, em resumo, haviam sofrido uma "lavagem cerebral" pela cultura não-ruiva predominante.

Embora não neguemos a possibilidade de um processo assim ocorrer, essa alegação habitual parece decididamente improvável, sob uma análise racional. Afinal, os igualitaristas implicitamente supõem que o bicho-papão da "cultura" aparece e cresce ao acaso, sem referência alguma a fatos sociais.  A ideia de que "os ruivos são irritadiços" não surgiu do nada ou como um mandamento divino; como, então, a ideia tomou corpo e se alastrou?

Um dos truques prediletos dos igualitaristas é atribuir todas essas declarações que identificam grupos a impulsos psicológicos obscuros.  O povo tinha uma necessidade psicológica de acusar algum grupo social de irritabilidade, e os ruivos foram assacados como bodes expiatórios.  Mas por que os ruivos foram os escolhidos?  Por que não os louros ou os morenos?  A suspeita horrível começa a ganhar forma de que talvez os ruivos tenham sido os escolhidos porque eles de fato eram e são mais irritadiços e de que, portanto, o "estereótipo" social é simplesmente uma observação comum dos fatos da realidade.  Certamente, os dados e os processos em operação se amoldam muito melhor a essa explicação, que é de resto muito mais simples.

Considerada objetivamente, essa explicação parece ser muito mais razoável do que a concepção da cultura como um espantalho arbitrário e ad hoc.  Sendo assim, podemos concluir que os ruivos são biologicamente mais irritadiços e que a pregação dirigida aos ruivos pelos igualitaristas, exortando-os a serem menos irritadiços, é uma tentativa de induzir os ruivos a violarem sua natureza; portanto, é essa última propaganda que pode mais precisamente ser chamada de "lavagem cerebral."

Isso não quer dizer, é claro, que a sociedade nunca possa cometer um erro e que seus juízos de identidade de grupo estejam sempre baseados em fatos.  Mas me parece que o ônus da prova repousa muito mais nos ombros dos igualitaristas do que dos seus oponentes supostamente "não esclarecidos."

Uma vez que os igualitaristas começam com o axioma a priori de que todas as pessoas, e portanto todos os grupos de pessoas, são uniformes e iguais, segue-se que, para eles, toda e qualquer diferença entre grupos quanto a status, prestígio ou autoridade na sociedade tem de ser o produto de "opressão" injusta e "discriminação" irracional.  Provas estatísticas da "opressão" sobre os ruivos seriam apresentadas de uma maneira muito familiar na vida política norte-americana; poderia ser demonstrado, por exemplo, que a renda média dos ruivos é inferior à renda de não-ruivos, e, adicionalmente, que a proporção de executivos, professores universitários ou parlamentares ruivos é menor do que seu percentual de representação na população.

A manifestação mais recente e proeminente desse tipo de pensamento aritmético se deu no movimento McGovern, na convenção democrata de 1972.  Alguns grupos são apontados como vítimas de "opressão" devido ao número de delegados presentes em convenções anteriores ter ficado aquém de seu percentual de participação na população como um todo.  Em especial, mulheres, jovens, negros, chicanos (aqueles vindos do terceiro mundo) foram intitulados vítimas de opressão; em consequência, o Partido Democrata, sob a orientação do pensamento aritmético dos igualitaristas, passou por cima da escolha dos eleitores a fim de impor a devida cota de representação daqueles grupos.

Em alguns casos, o rótulo de "opressão" foi uma construção quase grotesca.  O fato de os jovens de 18 a 25 anos de idade terem sido "subrepresentados" poderia ter sido colocado em uma perspectiva apropriada por um reductio ad absurdum: certamente, algum exaltado reformista seguidor de McGovern poderia ter se levantado para lamentar a grave "subrepresentação" das crianças de cinco anos na convenção e para exigir que o bloco das crianças de cinco anos recebesse imediatamente o que lhe era devido.  É uma consideração biológica e social marcada pelo bom senso perceber que os jovens abrem seu caminho pela sociedade por meio de um processo de aprendizagem; os jovens sabem menos e têm menos experiência do que os adultos maduros e, assim, deveria ser claro por que eles tendem a ter menos status e autoridade do que os mais velhos.  Mas aceitar isso implicaria lançar dúvidas substanciais sobre o credo igualitarista; além disso, contrariaria o culto à juventude que é há muito tempo um problema grave da cultura norte-americana.  E assim os jovens foram devidamente intitulados uma "classe oprimida", e a imposição de sua proporção na população é concebida apenas como justa reparação por sua anterior condição de explorados.[7]

As mulheres formam outra "classe oprimida" recém-descoberta, e o fato de que representantes políticos têm tradicionalmente sido em muito mais de 50% homens é agora considerado um sinal evidente da opressão sobre as mulheres.  O sdelegados das convenções políticas vêm das fileiras de ativistas partidários, e dado que as mulheres nunca foram nem de perto tão ativas politicamente quanto os homens, sua participação tem sido compreensivelmente baixa.  Mas, confrontados com esse argumento, as forças em crescimento da "libertação das mulheres" nos Estados Unidos recaem no argumento talismânico a respeito da "lavagem cerebral" por nossa "cultura."  Mas as liberacionistas feministas dificilmente podem negar o fato de que toda cultura e civilização na história, da mais simples à mais complexa, foram dominadas pelos homens.  (Desesperadas, as liberacionistas têm ultimamente respondido com fantasias sobre o poderoso império amazônico.)  Sua resposta, mais uma vez, é que desde tempos imemoriais uma cultura dominada pelo homem produz lavagens cerebrais sobre mulheres oprimidas para prendê-las aos cuidados com os filhos, à casa e ao lar doméstico.  A tarefa das liberacionistas é levar a cabo uma revolução na condição feminina pela pura força da vontade, por um "despertar da consciência." Se a maioria das mulheres continuar a se ater às preocupações domésticas, isso apenas revelará a "consciência falsa" que tem de ser extirpada.

É claro, uma resposta negligenciada é que, se de fato os homens conseguiram dominar todas as culturas, então isso é em si uma demonstração da "superioridade" masculina; afinal, se ambos os gêneros são iguais, como pôde o domínio masculino surgir em todos os casos?  Mas, afora essa questão, a própria biologia está sendo raivosamente negada e posta de lado.  A palavra de ordem é que não há, não deve haver, não pode haver nenhuma diferença biológica entre os sexos; todas as diferenças históricas ou atuais têm de ser produto de lavagens cerebrais culturais.

Irving Howe, em sua brilhante refutação da liberacionista feminista Kate Millet, esboça várias diferenças biológicas importantes entre os sexos — diferenças importantes o bastante para ter efeitos sociais duradouros.  São elas:

1. "a singular experiência feminina da maternidade", incluindo o que o antropólogo Malinowski chama de "um vínculo íntimo e completo com a criança (...) associado a efeitos psicológicos e a emoções fortes";

2. "os componentes hormonais de nossos corpos, os quais variam não apenas entre os sexos, mas também entre idades diferentes no mesmo sexo";

3. "as possibilidades distintas para o trabalho criadas por níveis distintos de musculatura e de controles físicos"; e

4. "as consequências psicológicas de posturas e possibilidades sexuais diferentes," em especial a "distinção fundamental entre papéis sexuais ativos e passivos" determinados biologicamente no homem e na mulher, respectivamente.[8]

Howe segue citando o reconhecimento, pela Dra. Eleanor Maccoby, em seu estudo da inteligência feminina, de que

é bem possível que existam fatores genéticos diferenciando os dois sexos e guiando seu desempenho intelectual (...)  Por exemplo, há boas razões para acreditarmos que os meninos são inatamente mais agressivos do que as meninas — e digo "agressivo" em um sentido amplo, que implica não apenas brigas, mas também domínio e iniciativa — e se esse atributo está na base do desenvolvimento posterior do pensamento analítico, então os meninos têm uma vantagem que as meninas (...) dificilmente poderão superar.

A Dra. Maccoby acrescenta que "se tentarmos separar a educação de crianças entre meninos e meninas, poderemos descobrir o que as mulheres têm de fazer e os homens, não."[9]

O sociólogo Arnold W. Green destaca o surgimento recorrente do que os igualitaristas denunciam como "papéis sexuais estereotipados" mesmo em comunidades originalmente dedicadas à igualdade absoluta.  Assim, ele cita o relato dos kibbutz de Israel:

O fenômeno é mundial: as mulheres se concentram em atividades que exigem, isoladamente ou em combinação, habilidades de dona de casa, paciência e rotina, destreza manual, apelo sexual, contato com crianças.  A generalização mantém-se de pé nos kibbutz de Israel, com seu firme ideal de igualdade sexual.  Uma "regressão" a uma separação entre "trabalho para mulheres" e "trabalho para homens" ocorreu na divisão do trabalho, chegando-se a um estado de coisas que espelha o de outros lugares.  O kibbutz é dominado por homens e por atitudes masculinas tradicionais, em equilíbrio ao conteúdo de ambos os sexos.[10]

Irving Howe nota certeiramente que, na raiz do movimento pela libertação feminina, está o ressentimento contra a própria existência da mulher como uma entidade distinta:

Porque o que parece incomodar a Senhora Millett não são meramente as injustiças que as mulheres sofreram ou as discriminações às quais elas continuam sujeitas.  O que a incomoda acima de tudo (...) é a própria existência da mulher.  A distinção psicobiológica das mulheres desagrada a Senhora Millett, e o máximo que ela faz é reconhecer — infelizmente, que escolha havia? — as diferenças inevitáveis da anatomia.  Ela não suporta a perversa recusa da maioria das mulheres em reconhecer a magnitude de sua humilhação, a dependência vergonhosa que demonstram em relação aos homens (não muito independentes), os prazeres enlouquecedores que chegam a sentir preparando jantares para o "grupo dominante" e limpando o nariz de seus pirralhos catarrentos.  Lutando contra a noção de que tais papéis e atitudes são determinados biologicamente, uma vez que até ideias biológicas lhe parecem uma maneira de reduzir para sempre as mulheres a uma condição subordinada, ela no entanto atribui à cultura um leque tão amplo de costumes, ultrajes e males que tal cultura chega a parecer uma força mais inflexível e ameaçadora do que a própria biologia.[11]

Em uma crítica aguda ao movimento de libertação feminista, Joan Didion distingue sua raiz em uma rebelião não apenas contra a biologia, mas também contra a própria "organização da natureza em si":

Se a necessidade de reprodução convencional da espécie parece injusta às mulheres, então transcendamos, por meio da tecnologia, "a própria organização da natureza", a opressão, como Shulamith Firestone a via, "que percorre a história conhecida até o próprio reino animal." Eu aceito o Universo, Margaret Fuller finalmente declarou: Shulamith Firestone não o aceitou.[12]

Diante disso, ficamos tentados a parafrasear a advertência de Carlyle: "Por Deus, a senhora deveria."

Outra rebelião em crescimento contra normas sexuais biológicas, assim como contra a diversidade natural, é representada pelos apelos cada vez mais fortes à bissexualidade, provenientes dos intelectuais de esquerda.  Os atos de evitar a heterossexualidade "rígida, estereotipada" e de adotar a bissexualidade indiscriminada deveriam alargar a consciência, eliminar distinções "artificiais" entre os sexos e tornar todas as pessoas simples e unissexualmente "humanas."

Mais uma vez, a lavagem cerebral produzida por uma cultura dominante (nesse caso, heterossexual) supostamente oprimiu uma minoria homossexual e estorvou a uniformidade e a igualdade inerentes à bissexualidade.  Porque, se não, todo indivíduo poderia desenvolver ao máximo sua "humanidade" na "perversidade polimórfica" tão cara aos corações de importantes filósofos sociais da nova esquerda, como Norman O. Brown e Herbert Marcuse.

Nos últimos anos, ficou cada vez mais claro que a biologia representa uma barreira às fantasias igualitaristas.  As pesquisas do bioquímico Roger J. Williams enfatizaram repetidamente a incrível amplitude da diversidade individual por todo o organismo humano.  Nesse sentido,

os indivíduos diferem um do outro até nos detalhes mais minuciosos da anatomia e da química e física corporais; nas digitais dos dedos das mãos e dos pés; na textura microscópica do cabelo; no padrão de pelos do corpo, nos sulcos das mãos; na espessura da pele, sua cor, sua tendência a ficar com bolhas; na distribuição de terminações nervosas pela superfície do corpo; no tamanho e formato das orelhas, dos canais auditivos ou dos canais semicirculares; no comprimento dos dedos; no caráter das ondas cerebrais (pequenos impulsos elétricos emitidos pelo cérebro); no número exato de músculos no corpo; na atividade cardíaca; na força dos vasos sanguíneos; nos grupos sanguíneos; na taxa de coagulação do sangue — e assim por diante, quase ad infinitum.

Já sabemos bastante sobre como a hereditariedade funciona e sobre como é não apenas possível mas certo que cada ser humano possua, por hereditariedade, um mosaico extraordinariamente complexo, composto por milhares de itens, que é característico apenas dele.[13]

A base genética da desigualdade de inteligência também ficou cada vez mais evidente, apesar das ofensas emotivas lançadas sobre esses estudos tanto por cientistas quanto pelo público leigo.  Estudos de gêmeos idênticos criados em meios contrastantes estão entre as maneiras pelas quais se chegou a tal conclusão; e o professor Richard Herrstein estimou recentemente que 80%da variabilidade na inteligência humana têm origem genética.  Herrstein conclui que qualquer tentativa política de proporcionar ambientes iguais para todos os cidadãos apenas intensificará o grau de diferenças socioeconômicas provocadas pela variabilidade genética.[14]

A revolta igualitarista contra a realidade biológica, por mais significativa que seja, é apenas um subconjunto de uma revolta mais ampla: contra a estrutura ontológica da própria realidade, contra a "própria organização da natureza"; contra o universo como ele é.  No cerne da esquerda igualitarista, está a crença patológica de que não existe nenhuma estrutura da realidade; de que todo o mundo é uma tabula rasa que pode ser modificada a qualquer momento e em qualquer direção desejada pelo mero exercício da razão humana — em suma, de que a realidade pode ser instantaneamente transformada pelo mero desejo ou capricho dos seres humanos.  Certamente, esse tipo de pensamento infantil está no cerne do apelo apaixonado de Herbert Marcuse à negação por completo da estrutura existente da realidade e à sua transformação no que ele reputa ser seu potencial verdadeiro.

Em nenhum lugar o ataque esquerdista à realidade ontológica se mostra mais nítido do que nos sonhos utópicos de como a futura sociedade socialista será.  No futuro socialista de Charles Fourier, de acordo com Ludwig von Mises,

todas as feras perigosas terão desaparecido, e, em seu lugar, estarão animais que ajudarão o homem em suas atividades — ou mesmo farão seu trabalho por ele.  Um anticastor cuidará da pesca; uma antibaleia empurrará os barcos em uma calmaria; um anti-hipopótomo rebocará os barcos fluviais. Ao invés do leão, haverá um antileão, um corcel de agilidade fabulosa, sobre cujo dorso o homem sentará tão confortavelmente quanto em uma carruagem bem arqueada.  "Será um prazer viver em um mundo com servos assim."[15]

Adicionalmente, de acordo com Fourier, os próprios oceanos conteriam limonada, em vez de água salgada.[16]

Fantasias igualmente absurdas estão na raiz da utopia marxista do comunismo.   Libertadas das supostas amarras da especialização e da divisão do trabalho (o cerne de qualquer produção superior ao nível mais primitivo e, portanto, de qualquer sociedade civilizada), todas as pessoas na utopia comunista desenvolveriam ao máximo seus potenciais em qualquer direção.[17]  Como Engels escreveu em seu Anti-Dühring, o comunismo daria a "cada pessoa a oportunidade de desenvolver e exercitar todas as suas faculdades, físicas e mentais, em todas as direções."[18]  E Lenin ansiava, em 1920, pela "abolição da divisão do trabalho entre as pessoas (...) a educação, o ensino e o treinamento das pessoas com um desenvolvimento completo e um treinamento completo, pessoas capazes de fazer tudo.  O comunismo está marchando e tem de marchar rumo a esse objetivo, e vai alcançá-lo."[19]

Em sua crítica mordaz da visão comunista, Alexander Gray ataca:

Que todas as pessoas possam ter a oportunidade de desenvolver todas as suas faculdades, físicas e mentais, em todas as direções, é um sonho que animará a visão apenas dos simples de espírito, alheios às restrições impostas pelos limites estreitos da vida humana.  Porque a vida é uma série de atos voluntários, e cada escolha é ao mesmo tempo uma renúncia.

Até os habitantes do futuro reino encantado de Engels terão de decidir, mais cedo ou mais tarde, se querem ser o Arcebispo de Canterbury ou o Lorde de First Sea [almirantado], se devem tentar se destacar como violinista ou pugilista, se devem optar por saber tudo sobre literatura chinesa ou sobre as páginas ocultas da vida de uma cavalinha.[20]

É claro que uma maneira de tentar resolver esse dilema é fantasiar que o Novo Homem Comunista do futuro será um super-homem, um super-humano em suas capacidades para transcender a natureza.  William Godwin acreditava que, assim que a propriedade privada fosse abolida, o homem se tornaria imortal.  O teórico marxista Karl Kautsky afirmava que, na futura sociedade comunista, "um novo tipo de homem surgirá (...) um super-homem (...) um homem exaltado."  E Leon Trotsky profetizava que, sob o comunismo,

o homem se tornará incomparavelmente mais forte, mais inteligente, superior.  Seu corpo, mais harmonioso, seus movimentos, mais rítmicos, sua voz, mais musical (...) A média humana se elevará ao nível de um Aristóteles, de um Goethe, de um Marx.  Acima dessas alturas, novos picos surgirão.[21]

Começamos considerando a visão habitual de que os igualitaristas, apesar de um quê de falta de praticidade, têm a ética e o idealismo moral do seu lado.  Encerramos com a conclusão de que os igualitaristas, embora inteligentes como indivíduos, negam o próprio fundamento da inteligência humana e da razão humana: a identificação da estrutura ontológica da realidade, das leis da natureza humana e do universo.  Ao fazerem isso, os igualitaristas estão agindo como crianças terrivelmente mimadas, negando a estrutura da realidade em prol da materialização rápida de suas próprias fantasias absurdas.  Não apenas mimadas, mas também altamente perigosas; porque o poder das ideias é tal que os igualitaristas têm uma boa chance de destruir o próprio universo que desejam negar e transcender, destruindo estrepitosamente tal universo perante nossos ouvidos.  Uma vez que sua metodologia e seus objetivos negam a própria estrutura da humanidade e do universo, os igualitaristas são profundamente anti-humanos; e, portanto, sua ideologia e suas atividades também podem ser tachadas de profundamente más.  Os igualitaristas não têm a ética do seu lado, a não ser que se sustente que a destruição da civilização, e até da própria raça humana, possa ser engalanada com a coroa de louros de uma moralidade elevada e louvável.


Tradução: Ricardo Bernhard


[1] John Maynard Keynes, The General Theory of Employment, Interest, and Money (New York: Harcourt, Brace, 1936), p. 383.

[2] Henry C. Simons, Personal Income Taxation (1938), pp. 18?19, citado em Walter J. Blum and Harry Kalven, Jr., The Uneasy Case for Progressive Taxation (Chicago: University of Chicago Press, 1953), p. 72.

[3] John F. Due, Government Finance (Homewood, Ill.: Richard D. Irwin, 1954), pp. 128?29.

[4] Assim:

Uma terceira linha de objeção à progressão, e infelizmente aquela que recebe mais atenção, é que ela diminui a produtividade econômica da sociedade.  Praticamente todos os que defendem a progressão no imposto sobre a renda reconheceram isso como uma consideração que faz pender a balança para o outro lado. (Blum e Kalven, The Uneasy Case for Progressive Taxation, p. 21)

O "ideal" contra o "prático" mais uma vez!

[5] Helmut Schoeck, Envy (New York: Harcourt, Brace, and World, 1970), pp. 149?55.

[6] Kurt Vonnegut, Jr., "Harrison Bergeron," em Welcome to the Monkey House (New York: Dell, 1970), p. 7.

[7] Os igualitaristas, em meio a suas outras atividades, têm tido muito trabalho "corrigindo" a língua inglesa.  Considera-se agora, por exemplo, que o uso da palavra "menina" humilha e degrada gravemente as mulheres jovens e implica sua subserviência natural aos adultos.  Como resultado, os igualitaristas de esquerda agora se referem a meninas de praticamente todas as idades como "mulheres", e podemos esperar com confiança passar a ler sobre as atividades de "uma mulher de cinco anos de idade."

[8] Irving Howe, "The Middle-Class Mind of Kate Millett," Harper's (December, 1970): 125?26.

[9] Ibid., p. 126.

[10] Arnold W. Green, Sociology (6th ed., New York: McGraw-Hill, 1972), p. 305. Green cita o estudo de A.I. Rabin, "The Sexes: Ideology and Reality in the Israeli Kibbutz," em G.H. Seward and R.G. Williamson, eds., Sex Roles in Changing Society (New York: Random House, 1970), pp. 285?307.

[11] Howe, "The Middle-Class Mind of Kate Millett," p. 124.

[12] Joan Didion, "The Women's Movement," New York Times Review of Books (July 30, 1972), p. 1.

[13] Roger J. Williams, Free and Unequal (Austin: University of Texas Press, 1953), pp. 17, 23. Confira também: Williams Biochemical Individuality (New York: John Wiley, 1963) e You are Extraordinary (New York: Random House, 1967).

[14] Richard Herrnstein, "IQ," Atlantic Monthly (September, 1971).

[15] Ludwig von Mises, Socialism: An Economic and Sociological Analysis (New Haven, Conn.: Yale University Press, 1951), pp. 163?64.

[16] Ludwig von Mises, Human Action (New Haven, Conn.: Yale University Press, 1949), p. 71. Mises cita o primeiro e o quarto volumes das Oeuvres Complètes de Fourier.

[17] Para mais a respeito da utopia comunista e da divisão do trabalho, confira: Murray N. Rothbard, Freedom, Inequality, Primitivism, and the Division of Labor (cap. 16 do presente livro).

[18] Citado em Alexander Gray, The Socialist Tradition (London: Long-mans, Green, 1947), p. 328.

[19] O itálico é de Lenin. V.I. Lenin, Left-Wing Communism: An Infantile Disorder (New York: International Publishers, 1940), p. 34.

[20] Gray, The Socialist Tradition, p. 328.

[21] Citado em Mises, Socialism: An Economic and Sociological Analysis, p. 164.


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SOBRE O AUTOR

Murray N. Rothbard
(1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.



Ué, se a Vale era essa barbada toda, então por que esse cara não está rico? As ações foram vendidas livremente na bolsa, o que significa que ele poderia comprá-las livremente. No mínimo, poderia formar uma sociedade com vários amigos, comprar as ações, e então ficar rico com sua valorização.

Por que não fez isso?

Dizer que a empresa se valorizou após a privatização e daí afirmar que ela foi vendida a preço de banana é impostura intelectual. Quem afirma isso não sabe como funciona mercado e nem conhece a diferença entre gerência estatal e privada. E tem também de explicar por que não enriqueceu, já que sabia perfeitamente que a empresa estava subvalorizada.

Aliás, o grupo liderado pelo Votorantim perdeu o leilão de privatização da Vale. Antônio Ermírio de Moraes perdeu a oportunidade do século de ficar podre de rico. Se era tão óbvio que a mineradora estava desvalorizada, por que cargas d'água o então homem mais rico do país não ofereceu mais pelas bananas?

Detalhes:

1) O governo detinha apenas 42% do capital votante. Ou seja, o que foi a leilão não foi a empresa inteira, mas apenas 42% do capital votante. A empresa inteira estava avaliada em aproximadamente US$ 8 bilhões, sendo que a fatia vendida valia US$3,34 bilhões.

2) O leilão se deu na bolsa de valores, a preço de mercado. Qualquer um poderia ter participado. Logo, o Armando está correto. Quem hoje esperneia que a venda foi barata tem a obrigação de explicar por que não participou da venda. Se a empresa estava "a preço de banana", então o sujeito tinha a certeza de que a empresa iria se valorizar enormemente no futuro. Por que não montaram um consórcio e compraram ações? Era dinheiro certo. Não fizeram isso por quê? Odeiam dinheiro?

3) À época, ninguém imaginava que haveria um súbito e intenso boom no preço global das commodities, o que elevou o preço do minério de ferro para a estratosfera e impulsionou fortemente o valor da Vale.

Portanto, quem diz que a Vale foi vendida a "preço de banana" revela, com toda a sinceridade, profunda ignorância econômica.
Economista da UNICAMP(com letras garrafais, por favor),

Se a Petrobrás, a IMBEL, Eletrobrás(Furnas), Copel... são empresas eficientes, por que o governo usa o protecionismo para coibir concorrentes(até mesmo internacionais)? E mais, por que subsidiam essas empresas se elas são tão eficientes?

Em uma economia liberal, nunca vamos saber se aquela empresa é realmente de fato eficiente como você afirma. Para sabermos se ela realmente é eficaz deveríamos defender o mercado livre. Você está se baseando apenas em lucros que a empresa teve ao longo dos anos, mas lucros as custas do povo que paga impostos, porque o BNDES injetou dinheiro ao longo da era petista, e lucro em cima do entrave de novos concorrentes que o nosso governo pratica ao longo desses anos.

"Dê uma passeada pelos nossos corredores e veja se tu não vais te arrepiar. Conceição Tavares, Belluzzo, Aloísio Mercadante, Márcio Pochmann, duvido achar uma outra faculdade que ostente colossos tão imponentes no mundo acadêmico. Isso sem falar dos nossos ''filhos adotados'' como o Bresser, Celso Furtado, João Sayad, entre outros. Ah, aqui foi a casa do Plano Real, só para lembrar."

Sem comentários. Parece uma piada.

"Paliativo é ficar brincando de elevar as taxas de juros ou de sobrevalorizar o câmbio."

Nós nunca brincamos de elevar as taxas de juros, pelo contrário, acreditamos que os juros é redigido pelo mercado, e não em uma canetada como os economistas da UNICAMP(letras garrafais, por favor) defendem.
Sobrevaloriza o câmbio? De novo. Parece uma piada.
Pesquisa sobre Currency Board e depois conversamos.

"No setor agrícola para amenizar a inflação de alimentos, no setor energético(que é o principal culpado por essa inflação tão alta), isso sim são medidas concretas."

Inflação de alimentos é aumento de preço localizado, como foi o caso do feijão e do tomate. A melhor medida para combater a carestia gerada essencialmente pelo governo, é reduzir os impostos e LIBERAR O MERCADO PARA A ENTRADA DE CONCORRENTES. Com a burocracia estatal que é formada para obter uma reserva de mercado, garante que os empresários que estão sob proteção do governo, possa praticar qualquer preço sem qualquer tipo de concorrência que faria com que ele perdesse fatia do mercado por uma outra empresa que com medidas eficientes pudesse reduzir o preço dos alimentos.
Por mais que abaixasse o imposto, ele poderia praticar qualquer tipo de preço sem ser incomodado. E essa redução do imposto, esse mesmo empresário teria lucros maiores que poderia ter sob a reserva de mercado.

Setor energético culpado pela inflação? É isso que estão ensinando na UNICAMP(com letras garrafais, por favor)?

Bem que o Roberto Campos avisou: "O Brasil acaba com os economistas da Unicamp, ou eles acabam com o Brasil.
Bastaram cinco anos de assessoria direta de economistas da Unicamp à Presidente Dilma Rousseff, para a previsão de Roberto Campos se tornar realidade: expansão monetária, corporocracia, expansão das obras públicas, expansão dos cargos e salários públicos, intervenção estatal em toda a economia, corrupção e protecionismo comercial.
Provavelmente nenhuma economista fez tão mal ao Brasil quanto Maria da Conceição Tavares, mas além dela podemos destacar, em tempos recentes, o mais nocivo professor do país: Luiz Gonzaga Belluzzo.
Belluzzo nunca acerta qualquer previsão econômica, e é obcecado por gastos públicos. Como principal conselheiro econômico de Dilma Rousseff, convenceu-a a enterrar a bem sucedida matriz econômica "meta de inflação/câmbio flutuante/responsabilidade fiscal" por uma matriz heterodoxa "juros baixos, câmbio desvalorizado e aumento de gastos públicos". Foi, sem dúvida, um responsável direto pelo caos econômico que vivemos.
Agora, repetindo o que Lula falou há dois meses, Belluzzo tem a desfaçatez de dizer que a crise econômica é culpa de um suposto ajuste fiscal que Joaquim Levy estaria fazendo. Segundo Belluzzo, precisamos gastar mais ainda para sair da crise."
https://www.institutoliberal.org.br/blog/previsao-de-roberto-campos-e-o-ajuste-que-nunca-aconteceu/

"Quer dizer que a empresa desde 1953 é referência nacional, mas por causa de um governo ruim ela vira ''um grande cabide de empregos''? Aliás, esse tipo de problema acontece na esfera privada também."

Cabide de emprego na esfera privada? Você desconhece qualquer atividade empresarial para falar tal bobagem, nunca um empresário faria da sua empresa um cabide de emprego, ele opera com sistema de lucro e prejuízo, ele não pode se dar ao luxo de encher a empresa de empregados ineficientes.
Palavras de um empresário.

"Não, apenas defendo que as nossas empresas não fiquem vulneráveis à imperialistas que jogam sujo contra nós. "

Eles jogam tão sujo, que em países no ranking de abertura comercial, a população paga pelo melhores produtos pelo menor preço. Parece que a UNICAMP(com letras garrafais, por favor), está doutrinando os seus alunos a ter sentimentos nacionalistas que acaba prejudicando justamente quem eles querem proteger: a população.

Obrigado por vir até aqui e comprovar que Roberto Campos sempre esteve certo tanto da UNICAMP(com letras garrafais, por favor) quanto na petrossauro.

Abraço Economista da UNICAMP(com letras garrafais, por favor)
Olá amigos, sou um estudante do ensino fundamental e eu tenho interesse em economia, tenho um irmão mais velho que acompanha o site e sempre me disse que esse era o melhor site para aprender sobre meu interesse. Portanto, gostaria de aprender mais sobre as questões abaixo:
Obs: Gostaria de respostas curtas para maximizar meu aprendizado de forma que eu não acumule muito conteúdo de primeira. Eu tenho um conhecimento prático e limitado sobre a economia, justamente pelos ensinamentos do meu irmão.
Vamos começar.

Questão 1) O que é inflação de demanda?

Questão 2) O que é demanda agregada?

Questão 3) Inflação é sempre decorrente de expansão de crédito?

Questão 4) O que é base monetária?

Questão 5) O que define a taxa de juros em um livre mercado?

Questão 6) Como é definido a taxa de juros atualmente no Brasil?

Questão 7) Aumento na taxa de juros é pelo "risco país"?

Questão 8) Como é determinado o câmbio?

Questão 9) Qual o melhor sistema de câmbio?

Questão 10) Li recentemente em um site que temos 19 montadoras no Brasil, não seria livre mercado(pelo menos no setor automotivo)? (Sei que temos monopólio de fabricante de peças)
Cade acusa Fiat, Ford e VW de monopólio em fabricação de peças

Questão 11) Temos candidatos a presidente que tem como um slogan sob a sua campanha "Abaixar os juros" por um decreto? Isso seria uma decisão ruim ou boa? Não há uma contradição pela questão 7? Dilma dizia que abaixaria os juros e acabou não ocorrendo, pelo contrário, ela aumentou? Por que seria diferente com esse candidato?

Questão 12) Por que abolir o CVM? Qualquer empresa poderia entrar na bolsa sem burocracia estatal, de modo que impulsionaremos nossa economia com as empresas estrangeiras que abririam capital na nossa bolsa? Seria uma medida que o micro-empresário poderia rivalizar com os mega-empresários?

Questão 13) Por que abolir a infraero?

Questão 14) Por que abolir ANVISA?

Questão 15) Qual o potencial do Brasil?

Questão 16) Nióbio ajudaria no nosso desenvolvimento?

Questão 17) Exportação x Importação? Qual o melhor? Por que balança comercial é importante para economistas?
Importação é produtos do estrangeiro que vieram ao Brasil para serem vendidos, mas até onde sei até chegar a loja esses produtos ainda não foram vendidos? Por que os ataques histéricos com essa balança se nem ao menos sabem se o produto foi vendido(até mesmo pelo preço pela taxa de importação)?

Questão 18) Na China existe o trabalho escravo? Encontrei essa matéria de chineses apanhando por mau desempenho no trabalho

Questão 19) Por que a China vai explodir economicamente? Todos dizem que vai ser a maior economia do mundo até 2050, vocês acreditam?

Questão 20) Pelo que obtive do meu irmão, a Índia está fazendo algumas reformas liberais, apesar de tímidas estão ajudando a economia a crescer? Índia não poderia passar a China com essas reformas?

Questão 21) Acumulação de capital x consumismo(explique seus conceitos e qual o mais importante em uma economia)?

Questão 22) O que gera recessão?

Questão 23) O que torna um país rico?

Questão 24) Existe algum limite de crescimento que um país possa se ter? Exemplo do Japão que é do território do MS(Mato Grosso do Sul) pudesse dobrar a sua economia?

Questão 25) Por que a Irlanda cresceu 26% em um ano? Milagre econômico ou livre mercado?

Questão 26) Por que os países de livre mercado são taxados de paraísos fiscais? Hong Kong, Cingapura, Panamá, Ilhas Cayman, Suíça, Luxemburgo e outros? Austrália e Nova Zelândia entrariam nesse conceito?

Questão 27) Por que o Brasil cresceu apenas 4% na média na década passada?

Questão 28) O renminbi poderá passar o dólar como a moeda de troca internacional?

Questão 29) Existe zona de livre comércio em Xangai?

Questão 30) Por que a China tem esse "poderoso" PIB? Como ela conseguiu o tal "milagre"?

Questão 31) Por que o estado mínimo não é necessário?

Questão 32) Forças Armadas estatal x Forças Armadas privada(Qual o melhor e por que)?

Questão 33) Por que a Africa é pobre?

Questão 34) Somália é anarcocapitalista?

Questão 35) Milton Friedman é importante nas matérias econômicas(o que podemos aprender com ele?)?

Questão 36) Mises foi o mais importante economista do século 20?

Questão 37) Keynes x Mises e Keynes x Milton Friedman(maiores diferenças entre eles)?

Questão 38) Keynes é comunista, socialista ou capitalista interventor?

Questão 39) O que causou a Grande Depressão?

Questão 40) Explique o conceito de ciclos econômicos?

Questão 41) Qual a contribuição da Escola Austríaca(EA) nas ciências econômicas?

Questão 42) Qual a posição da EA na colonização de planetas? Ouvi dizer que podemos praticar atividades econômicas nesses planetas com agricultura e mineração(depois da terraformação)?

Questão 43) Meio ambiente x livre mercado(Qual o papel do livre mercado na conservação do meio ambiente)?

Questão 44) Amazônia poderia se internacionalizada por não protegemos nosso patrimônio? Não é agressão internacional para com o nosso país? Estão atrás da preservação ou das riquezas que nós temos no território?

Questão 45) Zona franca de Manaus funciona(qual o papel dela na economia brasileira)?

Questão 46) Empregos se tornam obsoletos enquanto outros surgem, qual a visão dos leitores e dos autores sobre a mineração espacial, internet das coisas e viagem espacial?

Questão 47) Pobreza diminuindo com a expansão do capitalismo, até quando a pobreza absoluta poderá ser erradicada?

Questão 48) De acordo com a revista Veja, se toda a água do planeta fosse representada por 200 litros, 195 litros seria de água salgada. 5 litros seria de água doce, mas a maior parte da água doce está nas geleiras ou em depósitos subterrâneos de difícil acesso, a humanidade tem a sua disposição para consumo apenas o equivalente a 20 mililitros de água. Qual o papel da iniciativa privada nessa questão abordada? Existe o processo de dessalinização em alguns países, mas em mãos do estado. Pelo que eu pude estudar tem inventores que poderiam mudar radicalmente a forma dessa dessalinização tornando a água abundante. Por que o estado não deixa os empresários disponibilizarem essa água para a população?

Questão 49) Os que defendem o controle populacional tem como uma das formas de culparem o capitalismo por tal descontrole. Ma em um país capitalista essa questão é exatamente ao contrário. Por que esses mesmo defensores não defendem o capitalismo, já que se provou um "controle" populacional?

Questão 50) Culpam o capitalismo pela fome do mundo, mas em países capitalistas uma das doenças que mais matam é a obesidade. Não é uma contradição? São hipócritas ou aparentemente sem limites de burrice para denegrir o sistema capitalista?

Questão 51) Já leram o Livro Negro do Capitalismo? É realmente culpa do capitalismo ou ações governamentais que são os verdadeiros culpados? Se é culpa do capitalismo, como um dono de um restaurante em Ohio possa ser culpado pelas mortes no Iraque?

Abraços e em breve farei mais algumas perguntas.
"Concordo que a desigualdade econômica possa ser benéfica socialmente. Porém ainda há pessoas que nem 0,50 centavos tem para sobreviver"

Então a sua preocupação é com a pobreza absoluta e não com a pobreza relativa.

"e mesmo com as políticas assistencialistas do governo não os permitem colocar em condições de consumidores para que possam consumir os serviços ofertados e muitas vezes trabalha não da forma que gosta e sim porque precisa sobreviver."

Essa frase contradiz a primeira. Primeiro você disse que a pessoa não tem nem 1 centavo (0,50 centavo é menos que 1 centavo), e agora diz que ela trabalha naquilo que não gosta.

A pessoa trabalha e não tem nem 1 centavo? Caramba....

Qualquer catador de papel e malabarista de semáforo consegue tranquilamente uns 10 reais por dia.

"Levando em conta que as máquinas tomaram boa parte do trabalho humano"

Desde o século XVIII isso acontece. E novas e mais agradáveis formas de trabalho foram descobertas. E é isso o que continuará acontecendo.

Ou você tem a arrogância da achar que não há mais empregos a serem descobertos e que tudo o que poderia ser inventado já o foi?

"um meio de adaptação seria o "trabalho intelectual""

Não necessariamente. Há hoje vários trabalhos que não podem ser substituídos por máquinas e nem dependem de "trabalho intelectual". Esportes, por exemplo. Professor de ioga. Chef de cozinha. Operador de máquina.

"No entanto contamos com um governo que não oferece ensino público gratuito e outras estratégias para que possam lançar os menos favorecidos ao mercado de trabalho."

Ué, não sei de onde você está teclando, mas, aqui no Brasil, o que não falta é ensino público "gratuito". Do maternal à pós-graduação. E toda a grade curricular é controlada pelo governo. É uma bosta? É. Assim como tudo que o governo faz.

E as pessoas ainda querem mais governo?

"Como então poderia ser resolvida essa questão, preservando a desigualdade econômica mas que possam colocar todos em condições de consumo?"

Explicado no próprio artigo. Quanto maior a oferta de bens e serviços, menores serão os preços deles. Isso está acontecendo desde a década de 1970 nos países ricos. Os preços das coisas só caem. No Brasil isso também poderia acontecer,
mas o nosso governo não deixa.

Se a sua preocupação é com a pobreza absoluta, então você tem de defender medidas que aumentem a quantidade de bens e serviços oferecidos, de modo que os preços deles caiam a ponto de permitir que qualquer um tenha acesso a eles.
"será que o verdadeiro motivo de se combater a acumulação de riqueza (tirando a mera inveja) não seria pelo fato de conhecermos a velha cobiça e ganância que degenera o homem com excesso de poder?"

Deixe-me ver se entendi. Você está dizendo que para combater "a velha cobiça e ganância" temos de dar poderes a políticos e burocratas (que são os seres mais gananciosos e cobiçosos do planeta), os quais irão tomar o dinheiro dos outros e redistribuir este dinheiro entre si? É isso mesmo?

Faz muito sentido.

"O Estado Democrático não mínimo, para fazer frente ao poderio econômico, não seria o mal mínimo preventivo desta desconfiança da "singularidade" da acumulação dos recursos financeiro-econômicos?"

A empiria lhe refuta.

Quem cria cartéis, oligopólios, monopólios e reservas de mercado, garantindo grandes concentrações financeiras, é e sempre foi exatamente o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, TV a cabo, internet, postos de gasolina etc.).

Artigos para você sair desse auto-engano:

Brasil versus Romênia - até quando nosso mercado de internet continuará fechado pelo governo?

A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa - ou: você é pró-mercado ou pró-empresa?

Grandes empresas odeiam o livre mercado

Romaria de grandes empresários a Brasília - capitalismo de estado explicitado

E você ainda diz que é o estado quem vai impedir a concentração do mercado, aquela concentração que ele próprio cria e protege?

Por outro lado, não há e nem nunca houve monopólios no livre mercado. Empiria pura. Pode conferir aqui:

Monopólio e livre mercado - uma antítese

O mito do monopólio natural

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Paulo Sergio  20/01/2012 06:25
    ' um ditado comum é o de que "os ruivos são irritadiços." Aqui está um juízo que contém desigualdade, uma conclusão de que os ruivos como um grupo tendem a diferir da população não-ruiva. Suponha, então, que os sociólogos igualitaristas investigam o problema e descobrem que os ruivos de fato tendem a ser mais irritadiços que os não-ruivos a um nível estatisticamente relevante. Ao invés de admitirem a possibilidade de algum tipo de diferença biológica, os igualitaristas rapidamente acrescentarão que a "cultura" é responsável pelo fenômeno: o "estereótipo" aceito de modo generalizado de que os ruivos são irritadiços havia sido incutido em cada criança ruiva desde a mais tenra idade, de modo que ela havia simplesmente internalizado tais juízos e agia da maneira pela qual a sociedade esperava que ela agisse.'

    Parece que ele está querendo de uma forma sutil falar de raças.
  • Luis Almeida  20/01/2012 06:31
    Parece que ele está querendo, de uma forma sutil, fazer propaganda de marcas de tintura de cabelo.
  • Tássio  20/01/2012 07:45
    RISOS
  • Paulo Sergio  20/01/2012 08:38
    Tu leu o artigo todo?
    '... e o professor Richard Herrstein estimou recentemente que 80% da variabilidade na inteligência humana têm origem genética.'
  • Luis Almeida  20/01/2012 09:09
    Não há coisa mais politicamente correta e intelectualmente broxante do que gente ficar dizendo que fulano é racista, que sicrano é machista e que beltrano é homofóbico. Atualmente, todo o debate nacional se resume a utilizar um destes três epítetos contra seu oponente.

    Sempre que vejo alguém fazendo tais "acusações", imediatamente já me ponho em defesa do "acusado", já sabendo de antemão que o acusador não tem a mínima capacidade intelectual para nada.

    Aliás, justamente devido a esta miséria intelectual brasileira, ser rotulado com um desses três epítetos acima deve ser motivo de orgulho para qualquer cidadão decente.


    P.S.: Paulo, qual o seu problema com essa frase que você selecionou?
  • Paulo Sergio  20/01/2012 10:51
    Ela deixa claro que o problema de certas diferenças não é só 'cultural' ou de falta de educação, como a esquerda vive falando.
  • Rovison  20/01/2012 07:02
    O melhor texto que eu já li em toda minha vida sobre a questão da desigualdade entre os seres humanos. Eu já havia chegado às mesmas conclusões do autor anos atrás e até escrito um texto sobre esse tema, claro, com um nível de profundidade e erudição muito inferior ao de Murray N. Rothbard. Parabéns ao IMB pela excelente qualidade dos textos publicados. Apesar de raramente postar comentários, leio todo dia os textos aqui disponibilizados e isso já faz 7 meses. Estou "viciado" neste site.
  • Rovison  20/01/2012 07:06
    Leiam isto: veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/petista-agora-quer-criar-cotas-raciais-na-camara-e-nas-assembleias-em-nome-da-igualdade-racial-ele-propoe-o-fim-da-democracia/
  • Anônimo  20/01/2012 07:33
    JAMES WATSON SOBRE INTELIGÊNCIA E RAÇAS

    O conceituado cientista norte-americano James Watson, um dos pais da genética moderna, afirmou que as pessoas de raça branca são mais inteligentes que as de raça negra. Segundo Watson, detentor do Nobel da Medicina em 1962 pela descoberta da estrutura molecular do ADN, as políticas sociais na África fracassam porque não levam em conta que "os negros são menos inteligentes que os brancos".

    James pôs em evidência a insciência dos negros em relação às suas habilidades intelectuais limitadas em comparação aos brancos.

    Meditem na frase de James: "Todas nossas políticas sociais estão baseadas no fato de que sua inteligência é a mesma que a nossa, enquanto todas as provas mostram que não é realmente assim".

    O cientista disse que as políticas ocidentais para os países africanos estão baseadas na presunção errônea de que as pessoas negras estão tão prontas como as brancas, apesar de que as provas sugerem o contrário.

    Leiam isto: www.charlesdarwinresearch.org/portuguese.pdf
  • Gustavo Sauer  20/01/2012 09:22
    Eu não tenho a pretensão de entrar nessa área biológica, mas dizer que as políticas sociais fracassam na áfrica porque os africanos são mais burros é uma mentira que só é capaz de ser dita por quem não tem conhecimento nenhum de economia. A áfrica é o continente com menor liberdade no mundo: www.heritage.org/index/heatmap

    A liberdade é pré-requisito para o desenvolvimento. Inteligência e educação não são suficientes pra garantir desenvolvimento. Não é a diferença de inteligência que fez com que os chineses de Hong Kong ficassem mais ricos que os da china comunista; ou que os coreanos do sul ficassem mais ricos que os coreanos do norte.

  • Anonimo  20/01/2012 10:34
    Leia isto: www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u342554.shtml
  • Anonimo  20/01/2012 10:37
    Leia isto:
    www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/3365_MISCIGENACAO+DIMINUI+O+QI+DOS+BRASILEIROS
  • Anonimo  20/01/2012 10:47
    Leia isto: www.colorofcrime.com/colorofcrime2005.html
  • Paulo Sergio  20/01/2012 11:07
    Anônimo, já tinha lido isso tudo, também já tinha lido a opinião dos que são contra
    Uma das coisas que eles (os contra) falam é que teste de QI não significa nada e não tem muita relação com o mundo real.Eu não sei até que ponto isso é verdade.
  • Paulo Sergio  23/01/2012 09:35
    'A áfrica é o continente com menor liberdade no mundo: www.heritage.org/index/heatmap'

    E a Somália?
  • Luis Almeida  23/01/2012 09:44
    Sobre a Somália, pela enésima vez (e contando):

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1031
  • Paulo Sergio  23/01/2012 18:43
    Luis, vc sabe o que é uma pergunta retórica?
    No final vc só confirmou o meu ponto.
    De que não dá pra falar que na Africa não existe liberdade em canto nenhum quando tem a Somália como exeção.
  • Matheus Kiskissian  23/01/2012 17:35
    Sinto muito, mas achar que uma suposta raça é menos inteligente que outra suposta raça é um coletivismo tosco.
  • mcmoraes  23/01/2012 18:11
    Medição de QI só tem valor em uma situação comparativa hipotética do tipo ceteris paribus. Julgar as pessoas pelo seu desempenho em um teste de QI é tão absurdo quanto, por exemplo, medir a qualidade de um jogador de futebol levando em conta apenas a força de seu chute, ou medir a qualidade de uma futura esposa levando em conta apenas seus dotes culinários, ou dizer que um escritor é bom só porque ele comete pouquíssimos erros de português, etc.

    Além do teste de QI deveria haver testes de Quantidade de Bravura, de Carisma, de Perseverança, de Audácia, de Criatividade, de Empatia, enfim, de tantas outras facetas dos indivíduos que são tão ou mais importantes (dependendo da situação) do que o tal Quociente Mental.

    ps: Essa discussão me fez lembrar de um antigo professor meu, quando dizia com um sorriso de deboche: "nunca subestimem a teimosia de um burro; ela pode alcançar resultados surpreendentes" :)
  • Paulo Sergio  20/01/2012 08:13
    Então, mais um problema sem solução
    O capitalismo vai ser racista se a natureza for racista, vai ser machista se a natureza for machista.Agora parece que eu to vendo meu professor de história falando:'não é dever dos seres humanos lutar pra corrigir o mundo natural imperfeito ?'
    Eu não sei o que responder numa hora dessas.
  • Fernando Chiocca  20/01/2012 08:38
    O que há para ser corrigido?

    A natureza deu mais força física aos homens? Você quer corrigir obrigando pessoas a contratarem mulheres para carregar pedras no lugar de homens?
    Sim, empregadores de força física vão ser machistas". Qual o problema nisso?
    Sinceramente não entendi sua preocupação.
  • Vinicius Aguilar  20/01/2012 09:28
    Acredito que o seu problema surge com fator coletivo, "Machista","Racista", implica basicamente em um grupo que então é discriminado por algum fator semelhante entre eles.\r
    \r
    Essa mesma capacidade de rótulo não existe quando se parte da premissa básica do individualismo metodológico, para se entender basta colocar em contraste uma análise individual em relação a um agregado de certa forma exagerado, por exemplo: da visão coletivista existe um elo que une todos os serves vivos existentes, tanto na terra como possivelmente em outros planetas, todos eles partem de uma semelhança básica, o fato de serem vivos ou de serem considerados vivos, assim como a perspectiva machista vai dizer que a mulher é discriminada em relação aos seus direitos sociais, os macacos também são discriminados do ponto de vista intelectual, social, motor...\r
    \r
    Se pode separar todos os seres vivos em vários grupos semelhante em um aspecto e dizer de certa forma que em todos os outros aspectos eles são discriminados.\r
    \r
    Porem partindo da premissa básica individual se vê que não há discriminação, mas somente as mais variadas semelhanças e diferenças entre indivíduos e que farão com que INDIVIDUOS tomem caminhos diferentes, podendo haver um aglomerado natural de pessoas que possuam uma condição básica ou preferencial em certas atividades, como no caso de profissões que se utilizam do esforço físico.\r
    \r
    Como o próprio texto fala a lógica por trás da igualdade esta tão equivocada que não há maneira de evitar, ou deixa todo mundo igual, ou extermina os diferentes, e acredito que o segundo é mais fácil.\r
  • anônimo  20/01/2012 12:01
    'não é dever dos seres humanos lutar pra corrigir o mundo natural imperfeito ?'

    O problema nesta frase é que ela necessariamente pressupõe que o ser humano, este que deve trabalhar para corrigir o "mundo natural imperfeito"(sic), está fora do mundo natural, e é o ser perfeito que existe para corrigir. Isso não é apenas arrogante, prepotente e presunçoso, é imbecil.
  • Anarcho  20/01/2012 10:45
    não creio que fatores físicos tornem o homem mas forte, reconheço uma certa vantagem mas o forma cultural que mais destaca.
    Homens jogam bolas, mulheres brincam de boneca. Quem tem força atlética?

    fugindo do sexismo.

    O ditos nerds estudam mais que os sarado. Quem se encaixa mas no serviço burocrático que precisa de mais inteligência? Quem se encaixa no serviço braçal que preciso de mais força?

    Uma mulher que dedica longos tempos a estudos será fisicamente inferior a um homem que dedica longos tempos a seu corpo será intelectualmente inferior a mulher, existe cota para mulheres trabalharem na construção civil mas não existe cota para homens na burocracia(existe para mulheres).

    Para mim não há diferença nenhuma entre homem e mulher só o estilo de vida que levam. É o individuo que faz o seu valor.

    Acredito em direitos iguais, mas tbm em liberdade de dizer que tal não leva jeito para aquilo.
  • Luis Almeida  20/01/2012 11:01
    Anarcho, você por acaso é transformista? Se você acha que a única diferença entre homem e mulher é de "estilo de vida", então por favor nem se aproxime de mim.

    Isso me lembra aquela piada:

    A: "Você sabe a diferença entre uma cozinha e um banheiro?"

    B: "Não"

    A: "Então jamais vá à minha casa"


    É impressionante as piruetas que as pessoas fazem hoje em dia para se conformarem às regras impostas pelo politicamente correto.
  • Anarcho  20/01/2012 12:15
    LUIZ

    É impressionante as piruetas que as pessoas fazem hoje em dia para se conformarem às regras impostas pelo politicamente correto.

    o que é correto você não correto para mim. Não creio que exista diferença entre uma advogada e um advogado que não seja o intelecto. Ou tem diferença se for homem ou mulher? Isso pode mudar o julgamento do juiz? kkkkkkkkkkkkk

  • anônimo  20/01/2012 12:27
    Esse cara vai parar no circo, ainda. Se como acrobata ou palhaço, tanto faz, serve pra ambos.
  • Hay  20/01/2012 12:35
    É impressionante as piruetas que as pessoas fazem hoje em dia para se conformarem às regras impostas pelo politicamente correto.

    o que é correto você não correto para mim. Não creio que exista diferença entre uma advogada e um advogado que não seja o intelecto. Ou tem diferença se for homem ou mulher? Isso pode mudar o julgamento do juiz? kkkkkkkkkkkkk


    ????? Quem está falando sobre diferenças entre advogada e advogado? Só se fala sobre diferenças na força física. E você consegue dizer que a diferença está só no treinamento. Há diferenças óbvias na produção de hormônios que interferem na estrutura física.
  • Hay  20/01/2012 11:04
    não creio que fatores físicos tornem o homem mas forte, reconheço uma certa vantagem mas o forma cultural que mais destaca.

    Se fatores físicos não tornam o homem mais forte, por que atletas homens correm mais rápido do que atletas mulheres? É óbvio que eu não sou mais forte do que uma boxeadora só por ser homem, mas os homens têm características físicas diferentes das mulheres.
  • Giancarlo  20/01/2012 11:47


    frasesilustradas.wordpress.com/2009/06/18/o-estado-e-o-elefante/

    Muito Bom
  • Rovison  20/01/2012 11:52
    Olha o que um estado dirigido por sociopatas é capaz de fazer: veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/no-pais-em-que-bolsa-bandido-e-maior-do-que-o-salario-minimo-filho-de-infrator-tera-vaga-garantida-em-creche-%E2%80%94-privilegio-de-que-nao-dispoe-o-filho-do-homem-honesto/
  • Gutemberg Campos  20/01/2012 11:53
    Nós seres humanos somos mais inteligente do que qualquer computador, sempre pensei e penso que independente de sexo e raça com esforço, força de vontade e inteligência é possível sim conseguir o que se almeja. Agora o opressor da sociedade, o Estado, já deu provas suficientes sobre o que ele pensa a respeito da inteligência do negro. Prova disso são as cotas nas Universidades. Eu, Estado, sei que você não tem condições de passar por mérito próprio em uma Universidade, pois bem, então lhe darei uma ajudazinha. Colocarei cotas para negros, quem sabe assim você consiga alguma coisa.
  • anônimo  20/01/2012 12:08
    Poxa, Gutemberg, e a dívida histórica que nós italianos... digo, brancos, temos com os negros?

    (Minha família quando chegou aqui ainda no século XX foi direto pro campo, carpir, colher café, cortar cana... a dívida deles não é maior que a dos japoneses que chegaram juntos. E eu devo algo que SEQUER meus antepassados fizeram, ok)
  • Anarcho  20/01/2012 12:07
    Um atleta masculino e atleta feminino do mesmo peso e capacidade física tem diferença além do que está no meio da perna, o que vai definir a vitória além do caso é o treino e não o gênero. Mas reconheço a capacidade do homens de está a frente da mulher fisicamente, no sentido de ganhar corpo mais rápido. Mas a questão é que no mercado de trabalho não importa quem corre mais e sim quem esta disponível para correr mais.
  • Hay  20/01/2012 12:31
    Um atleta masculino e atleta feminino do mesmo peso e capacidade física tem diferença além do que está no meio da perna, o que vai definir a vitória além do caso é o treino e não o gênero. Mas reconheço a capacidade do homens de está a frente da mulher fisicamente, no sentido de ganhar corpo mais rápido. Mas a questão é que no mercado de trabalho não importa quem corre mais e sim quem esta disponível para correr mais.

    Veja os recordes do atletismo. Os tempos dos homens são menores que os tempos das mulheres. Se você acha que a diferença está somente no treinamento, então você está fumando alguma coisa estragada.
  • Paulo Sergio  21/01/2012 03:33
    Se tu já começa falando que eles tem a mesma capacidade física isso é uma lógica circular.É como falar que no nível do mar duas pessoas que tem a mesma massa vão ter o mesmo peso.
    E as diferenças entre h e m não são só físicas não.Pro horror das feminazi existem várias evidências científicas de que os cérebros não funcionam da mesma forma.
    www.webmd.com/balance/features/how-male-female-brains-differ
  • Lucas  20/01/2012 13:00
    Como diz Peter Schiff "tudo que o estado diz que vai fazer sairá o contrário!" Cotas=alunos mais burricos.
    Agora a crítica: ali onde diz "Se a teoria estiver correta, então ela funciona na prática; se ela não funcionar na prática, então é uma teoria ruim." isto sempre me lembra da discussão sobre a liberdade. Nunca houve uma sociedade realmente livre. Então aquilo que nós aqui defendemos (eu incluso) na verdade é uma teoria ruim, pois jamais foi posta em prática. Na prática sempre o ser humano, bicho social que é, se organizou de forma que uma minoria usufluisse de poder que lhe permitisse viver as custas da maioria. E, por vezes, de forma coerciva (governo se encaixa nisso, assim como um pajé).
  • Fernando Chiocca  20/01/2012 13:44
    FAIL

    Lucas, você misturou "funcionar na prática" com "ser colocada em prática".

  • Raphael  20/01/2012 13:45
    Teoria ruim nao eh aquela que jamais foi posta em pratica, eh aquela que eh impossivel de ser posta em pratica. Leia o texto direito.
  • Andre Cavalcante  20/01/2012 13:53
    Olá,

    De fato o surgimento do Estado não se deve a uma maracutaia, como se pode pensar a princípio, mas foi um desenvolvimento natural das relações humanas.

    No entanto, a tendência é o seu esgotamento, no futuro (talvez presente?).

    Se não, vejamos:

    escravidão -> servidão -> exploração -> livre iniciativa

    despotismo -> monarquia -> república -> anarquia

    teocracia -> absolutismo -> democracia -> minarquia

    (Vejo que o papel dos EUA era ser o 1o país libertário do mundo, mas vejo que falhou na missão.)

    Abraços
  • Fernando Chiocca  20/01/2012 17:39
    Desenvolvimento natural das relações humanas?! Brincou né Andre Cavalcante.

    O surgimento do estado é sim uma maracutaia. Alias, maracutaia é elogio. O estado surgiu da dominação violenta de um povo sobre outro, quando o povo belicoso descobriu que era melhor dominar o outro povo e extrair a riqueza deste em menor grau mas constante do que retirar tudo dele de uma vez e destruí-lo para sempre, matando assim a galinha dos ovos. Assim foi estabelecida a relação parasitária do estado.

    E os quadros "evolutivos" que você desenhou tb estão totalmente fora da realidade.
    Principalmente esta parte: "democracia -> minarquia".
    Depois do advento das democracias o estado cresceu em patamares jamais imaginados por reis absolutistas.
  • Andre Cavalcante  21/01/2012 11:10
    "Desenvolvimento natural das relações humanas?! Brincou né Andre Cavalcante."

    Não, não brinquei. É histórico. Não vê quem não quer.

    "O surgimento do estado é sim uma maracutaia. Alias, maracutaia é elogio. O estado surgiu da dominação violenta de um povo sobre outro, quando o povo belicoso descobriu que era melhor dominar o outro povo e extrair a riqueza deste em menor grau mas constante do que retirar tudo dele de uma vez e destruí-lo para sempre, matando assim a galinha dos ovos. Assim foi estabelecida a relação parasitária do estado."

    Como disse, é um processo histórico das relações humanas, do passado e até do presente.

    "E os quadros "evolutivos" que você desenhou tb estão totalmente fora da realidade.
    Principalmente esta parte: "democracia -> minarquia".
    Depois do advento das democracias o estado cresceu em patamares jamais imaginados por reis absolutistas."

    Se não deu para perceber, explico: o poder de decisão saiu da mão de um, que se considerava um deus, para a mão de uns poucos, depois para a mão da maioria e, se continuar o processo, para mão de cada um. Nada que coloquei é absoluto, e coloquei o quadro expresso em vários termos, justamente para tentar esclarecer o pensamento. Mas é impressionante que você costuma sempre ver o "mal" por trás do pensamento alheio.

    Abraços

  • Paulo Sergio  23/01/2012 09:14
    'o poder de decisão saiu da mão de um, que se considerava um deus, para a mão de uns poucos, depois para a mão da maioria e, se continuar o processo, para mão de cada um. '

    Quando chegar na minha me avise.
  • anônimo  21/01/2012 12:09
    Oi Chiocca, essa história de Estado me interessou, onde encontro mais informações sobre a origem dos Estados?

    Aliás, Adorei esse artigo aqui , Obrigado!
  • Fernando Chiocca  23/01/2012 08:54
    Aqui:The State

    André, eu apenas possuo um conhecimento que você não tem. Leia e vai saber como os estados surgiram. Ele é o mal, ele surgiu do mal.
  • Andre Poffo  20/01/2012 13:59
    EUA do século XIX eu considero bem perto do libertarianismo. Principalmente o final, após a abolição da escravatura.
  • José Ricardo das C.Monteiro  20/01/2012 13:11
    Saudações,pelos comentários que li, oscilamos entre o céu e inferno; entre o cume e o sopé. Estamos caminhando, a passos de formiga e sem vontade.
    Peço aos amigos que releiam o artigo, debulhem-no, cheguem ao irredutível.
    O artigo é escandalosamente perfeito.
  • Rafael Hotz  20/01/2012 16:22
    Eu já havia traduzido esse texto a alguns anos, tomara que não tenha havido retrabalho.
  • Arion Dias  23/01/2012 07:04
    Sobre a origem dos estados sugiro ler O príncipe, O espírito das leis, Leviatã e os primeiro e segundo tratado do contrato social.\r
    \r
    \r
    Para quem quer ler algo mais sobre o estado:\r
    \r
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=625\r
    \r
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1053\r
    \r
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=685\r
    \r
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1043\r
    \r
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=899
  • Frederico  23/01/2012 08:44
    "O problema nesta frase é que ela necessariamente pressupõe que o ser humano, este que deve trabalhar para corrigir o "mundo natural imperfeito"(sic), está fora do mundo natural, e é o ser perfeito que existe para corrigir. Isso não é apenas arrogante, prepotente e presunçoso, é imbecil."
    Errado. Alguém que vive dentro do sistema (mundo natural) pode trabalhar para modificá-lo. Para mudar algo não preciso estar do "lado de fora"; eu posso me inserir no meio ou já estar ali desde o começo. Portanto não é o ser perfeito que existe para corrigir, e sim os próprio seres imperfeitos, que ,apesar dessa característica, estão cientes das falhas que os cercam.
  • Fábio Bittencourt  25/01/2012 06:22
    Mas a defesa da liberdade individual também não seria tão irrealista quanto a defesa da igualdade? Durante toda a História humana, sempre houve um líder (rei, imperador, senhor feudal, presidente, etc.) que usou seu poder para regulamentar, cercear ou limitar as liberdades individuais dos demais componentes da sociedade. Isso também não é uma realidade incontestável e irreversível que os libertários se recusam a admitir?
  • Fernando Chiocca  25/01/2012 07:52
    Tudo a ver Fabio. Escravidão existiu por uns 5 mil anos, logo é uma realidade incontestável e irreversível que os libertários se recusam a admitir....

  • Fabio Bittencourt  25/01/2012 10:03
    Fernando, a escravidão deixou de existir, mas a restrição de liberdade por quem detém o poder nunca deixou de existir, deixou?
  • Johnny Jonathan  04/06/2012 16:07
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=899
  • ANDRE LUIS  25/01/2012 14:29
    Gostei do artigo. Pensar se é lícito ao homem lutar para tornar todos iguais é algo bem interessante, e os argumentos do lado do autor são bem fundamentados. Penso porém que a discussão não para por ai.

    Citando o autor

    "Suponha, por exemplo, que todos os homens serem capazes de voar batendo os braços tenha sido adotado como um objetivo ético universal. Presumamos que se tenha reconhecido a beleza e a virtude do objetivo dos "defensores do voo", mas que estes tenham sido criticados por serem "não práticos." Mas o resultado é a desgraça social sem fim, na medida em que a sociedade não deixa de tentar se aproximar do voo braçal, e os defensores do voo desgraçam a vida de todos por serem frouxos ou pecadores o bastante para não se manterem fiéis ao ideal comum. A crítica apropriada aqui é contestar o objetivo "ideal" em si; salientar que o objetivo em si é impossível, dados a natureza física do homem e o universo; e, assim, libertar a humanidade da escravidão a um objetivo inerentemente impossível e, portanto, mau"

    Para o autor, os igualitaristas partem de uma premissa errada, e todas as ações que dela derivam são desastrosas. A falsa visão de mundo destes estaria levando a humanidade ao abismo. O autor coloca a questão da diferença entre as pessoas como prova de que o igualitarismo é uma falsa doutrina, demonstrando que, mesmo contra a nossa vontade,temos características que nos tornam seres únicos.

    Tomando como certo o fato de que somos sim diferentes, e que a tentativa do igualitarismo é uma negação da realidade e com consequências nefastas, isto leva a crer que não é lícito ao homem tentar mudar a natureza e o estado das coisas.

    Se há uma natureza que está acima da capacidade do homem, e dela não há como fugir, é certo que a principal missão do homem é descobrir uma ordem inerente a esta força sobrenatural. Daí a submissão do homem a Deus.

    E se a única, repito UNICA maneira de vencer as diferenças entre as pessoas seja a submissão ao Deus verdadeiro, não deveria ser este o único objetivo a ser buscado pelo homem? Não deveria esta busca ser intelectualmente respeitada por todos os que reconhecem a força da realidade? Em outras palavras, não seria esta uma alternativa intelectualmente válida, ou deveria ser tratada como supersticiosa ou irracional?



  • Daniel   02/11/2012 08:31
    Me impressiono cada vez mais com as pessoas. Elas adoram opinar sobre tudo, e mais ainda, opinar sobre assuntos que não dominam nem o básico. O pior disso tudo é quando essas opiniões passam a ser compartilhadas por milhões, até bilhões de outras pessoas, até que o que era apenas uma idéia incorreta torna-se subitamente a mais pura verdade. Há muitas pessoas - ditos intelectuais até - que baseiam suas idéias política em um erro grotesco do que seria o socialismo marxista. Defendem o capitalismo porque supostamente o socialismo busca a homogeneidade, o igualitarismo em sua forma mais simples e "pura". Ou seja, para eles, o marxismo seria uma espécie de ditadura que impõe uma roupa igual a todos, casas iguais, produtos iguais, enfim, tudo igual mesmo, inclusive os salários. Daí ocorre uma supressão do individual em prol de uma coletividade homogênea. Surge então uma sociedade estagnada, nada criativa e bastante opressiva.

    Agora eu me pergunto, de onde foi que tiraram isso? Dos escritos de Marx e Engels que não foi, já que nem na obra mais básica de todas, "O Manifesto do Partido Comunista", não há nada disso. Inclusive, eles dizem que no socialismo as pessoas devem ser remuneradas de acordo com sua habilidade e produtividade. Bom, nas experiências históricas também não. Já que os bolcheviques jamais igualaram salários de ninguém, um cientista de grande importância ganhava bem mais que um jardineiro mediano, assim como um operário como Stakhanov ganhava muito mais do que um diretor de fábrica mediano. É importante agora frisar uma idéia básica do marxismo: a igualdade, é a igualdade de classe. Ou seja, deve-se abolir a diferenciação entre donos dos meios de produção e trabalhadores que vendem sua força de trabalho. Em outras palavras, deve-se abolir as classes sociais pra que todos REALMENTE possam ter direitos iguais.

    Não é hipócrisia socialista o fato de uma pessoa extremamente produtiva ser herói da nação e viver em um apartamento maior e mais bem localizado que um trabalhador que apenas cumpre suas metas. Não é crime uma pessoa querer buscar algo mais que as outras, querer inovar, querer revolucionar, querer crescer profissionalmente. Não é crime ganhar um salário maior que o outro, ter notas maiores que os outros, não é crime destacar-se na sociedade - senão Lênin seria o primeiro a ser condenado na URSS. A diferença básica entre os sistemas reside em alguns pontos listados a seguir:

    *É crime ter direito a uma escola muito melhor que a dos outros;
    *É crime ter acesso a um sistema de saúde mais eficiente que o dos outros;
    *É crime ter privilégios sobre os outros por uma simples questão de nascimento - questão de classe;
    *É crime explorar a força de trabalho alheia para seu próprio enriquecimento;
    *É crime enriquecer sem prestar a devida conta à sociedade - ou seja, sem ser produtivo;

    Isto é uma simplificação, obviamente há tantas outras diferenças, mas o ponto é demolir este mito do igualiarismo marxista. O marxismo reconhece a importância do indivíduo, sempre reconheceu, porém este indivíduo não deve esquecer que pertence a uma sociedade e que há outros indíviduos que merecem seu respeito. Somos um ser social. E dependemos da coletividade para sobreviver. É inadimissível a exploração do homem pelo homem, é inadimissível o privilégio que os meios de produção oferecem aos capitalistas, é inadimíssivel que se considere iguais em direitos e deveres, pessoas que não nasceram e não usufruem das mesmas condições. Como um favelado pode ser igualado em direitos com um magnata da imprensa? Ele não tem acesso a nada, passa fome, freqüenta escolas caindo aos pedaços, isto quando não leva tiro da polícia e morre aos 20 anos. É muito fácil falar, plim! Vocês são iguais. Mas há realmente base para a igualdade de direitos dentro do regime capitalista? Ele não mantém os mesmos privilégios de classe que, por exemplo, a sociedade feudal? É apenas um pouco mais maquiado e um pouco mais aberto para a ascensão de classes, mas isto não o torna democrático.

    Quando se abole as classes, quando se provide educação de qualidade e de graça, além de um ambiente saudável e pouco violento a toda uma população, você elimina a problemática dos privilégios quase que por inteira. Aí sim é possível ter igualdade de direitos e democracia. A burguesia revolucionou o mundo com sua lógica, deu os primeiros passos de uma sociedade democrática, mas esta revolução já tornou-se obsoleta, reacionária. É necessário a superação do capitalismo para que a igualdade, a fraternidade e a libedade venham realmente entrar em cena à toda a população humana, e não a uma minoria privilegiada.

    É completamente errado apelar a este espírito igualitarista do marxismo para atacá-lo, demonizá-lo. É preciso analisar melhor o que se passou na União Soviética marxista-leninista (já que na revisionista foi bem diferente e, neste sentido devo dizer que talvez a base de toda essa déia resida no revisionismo soviético, já que aí sim, havia uma busca pela igualdade indistinta de salários) antes de sair esboçando críticas pouco concretas e por demais idealistas, ou melhor, ideológicas. A própria idéia leninista, que coloca um Partido como vanguarda classe operária rejeita esta homogeneidade social. É uma idéia simples de que os mais capazes, que os dotados de mais recursos, devem guiar os desamparados à vitória contra seus opressores, caso contrário, dificilmente sairiam da situação de explorados e alienados. Isto supõe uma diferenciação entre os indivíduos, mas esta diferenciação não justifica a dominação, pois ela é, em muitos sentidos, fruto desta dominação. Porque um operário não teria a mesma capacidade de Lênin? Pois Lênin teve acesso a tudo que havia de mais evoluído na sociedade da época, enquanto o operário mal fora alfabetizado, além de viver na penúria, na fome, na violência.

    Ao contrário do que aquele e-mail direitista que rola na internet, a sociedade não dá as mesmas condições às pessoas do mesmo jeito que uma universidade em particular dá aos seus alunos (de uma maneira ideal, excluindo qualquer diferença de classe, qualquer manifestação de preconceito, qualquer problema individual). O aluno A e o aluno B receberam a mesma bibliografia do professor, têm o mesmo professor, ficam na mesma sala de aula, têm a mesma biblioteca para poder estudar, entre outras coisas. Mas o A tirou 5 e o B tirou 10 na prova. E aí? Isto prova que indivíduos são diferentes. Mas e se, nessa universidade, o estudante B tivesse acesso a um professor melhor, a livros melhores, a ambientes melhores, que o estudante A? Será que a nota do B não seria inluenciada por seus privilégios? Será que o estudante A não está sendo injustiçado?

    Enfim, esta idéia das notas é bem tosca e cheia de furos, além de bastante simplista. Tentei usá-la apenas para fins didáticos. O fato é que um comunista marxista jamais pensou em igualar todo mundo e transformar a sociedade em algo homogêneo. A idéia é igualar as oportunidades, é igualar em direitos, é abolir este privilégio ambulante chamado de classe social, é a justiça social plena. Em que cada um seja remunerado por sua contribuição social, sua produtividade, sua habilidade. E que as pessoas sejam vistas como pessoas mesmo, e não como mercadorias e simples objetos que devem ser usados para se enriquecer, para se buscar a fama e para satisfazer a ganância e o ego.

    O mito do igualitarismo marxista não passa disto, de um mito. A igualdade é a igualdade de classes. Sem classes, sem privilégios. Sem privilégios, surge a verdadeira democracia.

    *Nota de complemento: Com este post, não quero dizer que havia ricos e pobres na URSS bolchevique - como pode ser interpretado quando eu falei que trabalhadores destacados receberiam mais do que os que apenas cumpriam as metas. A diferença nunca chegava a ser avassaladora como nos regimes capitalistas. Um revolucionário da produção industrial como Stakhanov - sempre uso seu exemplo, pois ele se tornou o "trabalhador modelo" de sua época - receberia aumentos salariais, incentivos materiais, mas ele não ganharia milhões de rublos. Talvez poderia alcançar uma diferença de 3, 4 vezes o salário mediano, jamais 100 vez - e acima até - como ocorre no desigual capitalismo. Até porque o maior incentivo aos trabalhadores vinha da Emulação Socialista, e não de incentivos puramente materiais - o que muda bastante com a vitória do revisionismo kruschovista.

    Vale ressaltar que a Emulação Socialista não é puramente bobeira ideológica do regime, ela teve papel fundamental no crescimento gigantesco da URSS dos anos 30, 40 e 50. Inclusive, o Museu da Emulação Socialista de Moscou passou a receber cada vez mais visitas de empresários capitalistas em busca de alternativas para o aumento da produção de suas empresas, alternativas que não apelassem ao puro e simples aumento do estímulo material. Os maiores freqüentadores do Museu foram japoneses, que logo conheceriam seu "boom" econômico.

    Recomendo a todos a entrevista com o ex-Comissário do Povo para a Agricultura, Ivan Aleksandrovich Benediktov - disponível em português no site "Para a História do Socialismo" hist-socialismo.blogs.sapo.pt/ - a qual ele explica um pouco da diferença das políticas trabalhistas bolcheviques para as políticas trabalhistas do revisionismo kruschovista. Além de salientar a forte presença japonesa nos salões do Museu da Emulação Socialista de Moscou.
  • Leandro  02/11/2012 10:49
    "Ou seja, deve-se abolir a diferenciação entre donos dos meios de produção e trabalhadores que vendem sua força de trabalho. Em outras palavras, deve-se abolir as classes sociais pra que todos REALMENTE possam ter direitos iguais."

    Isso foi feito no Camboja de Pol-Pot (onde até o dinheiro foi o proibido). O resultado: 1/3 da população foi dizimada, o maior massacre do comunismo em termos per capita. Atualmente, existe também, embora em escala um pouco menor, na Coréia do Norte, cuja população desnutrida conseguiu a involuntariamente engraçada façanha de ser 10 cm menor que os seus vizinhos do sul.

    Sobre por que seu desejo de abolição de classes é impossível, leia os artigos a seguir:

    O cálculo econômico sob o socialismo

    O que é realmente o socialismo e qual o seu maior problema

    "*É crime ter direito a uma escola muito melhor que a dos outros;"

    O crime está justamente em alguém "ter direito a escola". Se ela é boa ou ruim, isso é um detalhe totalmente secundário. O crime está justamente em tomar dinheiro de uns para pagar pelo estudo de outros. Comunistas nunca entenderão isso porque desconhecem a ética e a moralidade. Se você tem direito a escola, de quem então é o dever de pagar por seus estudos? Você tem alguma obrigação de pagar por meus estudos? Não. E eu também não tenho nenhuma obrigação de pagar pelos seus estudos. Quer estudar? Se vire. A internet está aí para todos. Sendo disciplinado, você estuda de graça nela.

    "*É crime ter acesso a um sistema de saúde mais eficiente que o dos outros;"

    Então os suíços são criminosos em relação aos ingleses (que têm um sistema de saúde totalmente estatal, e que é uma porcaria).

    "*É crime ter privilégios sobre os outros por uma simples questão de nascimento - questão de classe;"

    Dependendo da sua definição de "privilégios", concordo totalmente.


    "*É crime explorar a força de trabalho alheia para seu próprio enriquecimento;"

    Então um pipoqueiro que contrata um auxiliar é um criminoso, ao passo que um altamente bem pago gerente de banco (um assalariado que não é o patrão de ninguém, e que portanto não está no comando direto da força de trabalho de ninguém) deve, por definição, ser o seu herói.

    "*É crime enriquecer sem prestar a devida conta à sociedade - ou seja, sem ser produtivo;"

    Então todos os agentes do estado, políticos e todos os funcionários públicos (inclusive bombeiros, policiais e médicos de pronto-socorro) são criminosos, pois, por definição, enriquecem sem fazer "trabalho produtivo".

    "O marxismo reconhece a importância do indivíduo, sempre reconheceu, porém este indivíduo não deve esquecer que pertence a uma sociedade e que há outros indíviduos que merecem seu respeito. Somos um ser social. E dependemos da coletividade para sobreviver."

    As duas últimas frases contradizem totalmente a primeira. Ou o sujeito é um indivíduo ou ele é um coletivo. Quanto a depender da coletividade para sobreviver, ora, isso é claro. Mas apenas o capitalismo faz com que cada indivíduo desta coletividade, ao procurar seus próprios interesses, acabe beneficiando outros indivíduos. Se eu quero enriquecer e decido abrir um restaurante de comida a quilo, só irei enriquecer se servir uma comida boa que agrade à minha clientela. Ao agir visando aos meus próprios interesses, estou beneficiando o coletivo. Se eu não agradar, irei à falência. Já no socialismo, posso servir até mesmo estrume, que nada irá acontecer comigo. Continuarei sendo sustentado por terceiros.


    "É inadimissível a exploração do homem pelo homem"

    Correto, por isso o socialismo -- no qual poucos fazem tudo, e muitos não fazem nada, e vivem à custa destes poucos -- é inadmissível e imoral, e todos os seus defensores estão abaixo da categoria de lixo humano. Já no capitalismo, as associações são voluntárias e as pessoas são remuneradas por isso. Se a remuneração é baixa e a moeda não tem poder de compra, culpe o estado, que tributa os trabalhadores para pagar os membros da burocracia estatal (tributos estes que impedem salários maiores) e que inflaciona a moeda por meio de seu Banco Central. Observe também que a tributação de trabalhadores para se pagar os salários de membros da classe estatal é uma forma explícita de exploração. Seja coerente e seja contra isso também.

    "é inadimissível o privilégio que os meios de produção oferecem aos capitalistas"

    Capitalistas usam meios de produção para satisfazer às demandas de consumidores. Se os consumidores deixarem de ter desejos, capitalistas vão à falência. Seja coerente e leve um capitalista à falência: nunca mais saia de casa e nunca mais realize qualquer tipo de transação comercial, nem mesmo para comer.

    Em um genuíno livre mercado -- e não nessa economia estatizante em que vivemos --, os donos dos meios de produção apenas obedecem às ordens dos consumidores. São os consumidores que determinam como os meios de produção serão utilizados. E só enriquecerá aquele capitalista que for bem-sucedido em satisfazer os desejos dos consumidores. Aqueles que fracassarem, quebrarão.

    Quer falir capitalistas? Defenda o livre mercado e a retirada de todas as intervenções e regulamentações estatais sobre a economia. Capitalistas incompetentes irão falir rapidinho, e sobrarão apenas aqueles cujos bens e serviços são genuinamente demandados pelos consumidores.


    Todo o resto de sua postagem foi uma verdadeira algaravia rocambolesca, tortuosa e indecifrável. Não se deve tentar argumentar recorrendo à logorréia, e muito menos fazendo apelos emocionais. Ainda estamos no aguardo de um marxista intelectualmente honesto e coerente.
  • Matheus Polli  04/11/2012 03:08
    "no aguardo de um marxista intelectualmente honesto e coerente".

    Poxa São Leandro, essa é uma esperança que eu já abandonei aqui no IMB. E mais uma vez, parabéns pela coerência e paciência.
  • anônimo  02/11/2012 12:13
    Gostaria de entender como é que existe igualdade de classes com desigualdade de indivíduos
  • Andre Cavalcante  03/11/2012 11:40
    Leandro,

    Vou criar uma campanha para lhe canonizar... (rihrihrih...)

    Tu ainda consegues tempo pra responder um cara que consegue mostrar o que é o verdadeiro duplipensar que o George Orwell sabiamente previu que iria existir no seu futuro (nosso presente)? E ainda mais, usas de lógica e a calma de um professor!

    Olha o duplipensar: ele disse "...eles dizem que no socialismo as pessoas devem ser remuneradas de acordo com sua habilidade e produtividade."

    E mais embaixo: "É importante agora frisar uma idéia básica do marxismo: a igualdade, é a igualdade de classe. Ou seja, deve-se abolir a diferenciação entre donos dos meios de produção e trabalhadores que vendem sua força de trabalho. Em outras palavras, deve-se abolir as classes sociais pra que todos REALMENTE possam ter direitos iguais."

    Ora, se as pessoas são remuneradas de acordo com suas habilidades e produtividades, como é que se vai abolir as classes sociais? Bastaria um ganhar R$1,00 a mais (p.ex. R$101,00) que todos os outros (p.ex. R$100,00) para se criar duas classes, aqueles que ganham R$100,00 e aquele que ganha R$101,00. O que impediria este último de guardar este R$1,00 a mais, juntar e ter um salário inteiro a mais depois de 100 meses, comprar um equipamento que o torne mais produtivo e assim ganhar mais, aumentando ainda mais a "diferença de classe" na sociedade?

    E ainda assim ele jura que o "verdadeiro" socialismo, que deve abolir classes sociais, ao mesmo tempo, consegue remunerar as pessoas conforme a produtividade.

    É cada um que aparece...

    Abraços
  • Leandro  04/11/2012 01:41
    Obrigado, André. A Santa Sé já entrou em contato para me dizer que a Congregação para a Causa dos Santos já está em investigações avançadas, e dentro em breve irá concluir o processo de minha beatificação, o qual será imediatamente seguido pelo processo de canonização.

    Abraços e obrigado pelo reconhecimento.
  • Henrique  23/06/2014 13:40
    Problema com essa crítica aos igualitaristas é que a minoria deles é tão radical. A maioria se conforma somente em "reduzir as desigualdades" (seja lá o que isso signifique).

    E é realmente MUITO difícil convencer qualquer pessoa de que a falta de mulheres na política é fruto da natural falta de interesse das mesmas no assunto. É muito difícil ir contra o discurso do "mulheres não têm interesse na política porque sempre foram reprimidas pelos homens nesse sentido, porque os homens nunca deixaram mulheres exercerem poder político".

    Infelizmente, o senso comum joga contra nós nesse aspecto e não há como ir contra ele sem ser tachado de machista, fascista, racista, homofóbico, etc., etc., etc.
  • Ciente  27/02/2016 20:31
    Rothbard: gênio.


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