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Paul Krugman ataca a Escola Austríaca - e, como de praxe, deturpa suas ideias

Paul Krugman está nitidamente desesperado.  Um claro sintoma de desespero intelectual ocorre quando um indivíduo, ao ver toda a sua ideologia sendo implacavelmente refutada tanto pela teoria quanto pela prática, sai estabanadamente atacando os responsáveis pela munição teórica ao mesmo tempo em que adultera os fatos da realidade prática.

Recentemente, Krugman publicou uma coluna no The New York Times atacando Ron Paul e sua crença na Escola Austríaca de pensamento econômico (um ótimo sinal).  Krugman alega que Ron Paul só conseguiu sua fama de consistente porque ele ignora a realidade.  O problema é que, se há uma coisa que a "realidade" demonstrou, foi justamente o quão corretas eram as ideias propagadas por Ron Paul e pela Escola Austríaca. 

A seguir, o trecho relevante da coluna de Krugman (a mídia brasileira, com sua tradicional competência em assuntos externos, inexplicavelmente creditou a coluna a Thomas Friedman):

[Ron] Paul tem se mostrado altamente consistente. Eu aposto que ninguém encontrará vídeos de alguns anos atrás nos quais ele tenha dito o oposto do que está dizendo no momento.

Infelizmente, a forma que ele escolheu para manter a sua consistência foi ignorar a realidade, agarrando-se à sua ideologia, ainda que os fatos demonstrem que tal ideologia é equivocada. E, ainda mais infeliz é o fato de a ideologia de Paul atualmente dominar um Partido Republicano que costumava ser mais sábio.

[...]

Ron Paul se apresenta como um adepto da economia "austríaca" — uma doutrina que rejeita John Maynard Keynes mas que repele com veemência quase igual as ideias de Milton Friedman.  Isso porque os seguidores da escola austríaca acreditam que o "papel-moeda fiduciário de curso forçado", o dinheiro que é simplesmente impresso sem ser lastreado por ouro, é a raiz de todos os males.  Isso significa que eles se opõem veementemente àquele tipo de expansão monetária que Friedman afirmou que poderia ter prevenido a "Grande Depressão" — e que foi na verdade implementada desta vez por Ben Bernanke.

Bem, uma breve digressão: na verdade o Federal Reserve não imprime dinheiro (quem faz isso é o Tesouro). Mas o Fed controla a "base monetária", a soma das reservas bancárias e da moeda em circulação.  Assim, quando as pessoas falam que Bernanke está imprimindo dinheiro, o que elas querem dizer de fato é que o Fed expandiu a base monetária.

E houve, realmente, uma enorme expansão da base monetária.  Após a queda do Lehman Brothers, o Fed passou a emprestar somas enormes aos bancos e também a adquirir uma ampla gama de outros ativos, em uma tentativa (bem sucedida) de estabilizar os mercados financeiros.  E, durante o processo, ele acrescentou vastas quantias às reservas bancárias.  No outono norte-americano de 2010, o Fed deu início a uma nova série de aquisições, em uma tentativa menos exitosa de estimular o crescimento econômico.  O efeito combinado dessas ações foi que a base monetária mais do que triplicou de volume.

Os "austríacos", e na verdade muitos economistas de direita, tinham certeza do que aconteceria como resultado dessas medidas: haveria uma inflação devastadora. Peter Schiff, um analista famoso, que pertence à escola austríaca e que já foi assessor da campanha de Ron Paul em 2008, chegou a advertir (no programa de televisão de Glenn Beck) para a possibilidade de uma hiperinflação de estilo zimbabuano no futuro próximo.

Assim, aqui estamos nós, três anos depois. E como andam as coisas? A inflação flutuou mas, no fim das contas, os preços para o consumidor subiram apenas 4,5%, o que significa uma taxa de inflação média anual de apenas 1,5%.  Quem poderia ter previsto que a emissão de tanto dinheiro provocaria tão pouca inflação?  Bem, eu poderia.  E de fato previ.  E também outros economistas que entendem os ataques de Paul à economia keynesiana.  Mas os apoiadores de Paul continuam a alegar que, de alguma forma, ele ainda tem razão quanto a tudo.

Mesmo assim, embora os proponentes originais da doutrina sequer admitam que estavam errados — segundo a minha experiência, nenhum integrante do mundo político jamais admite ter cometido um erro em relação a algo —, você poderia achar que o fato de eles terem errado tanto em relação a algo tão fundamental para o seu sistema de crenças teria feito com que os "austríacos" perdessem popularidade, mesmo dentro do Partido Republicano. Afinal, ainda nos anos Bush, muitos republicanos defendiam ferrenhamente a impressão de dinheiro quando a economia sofresse desaquecimento. "Uma política monetária agressiva pode reduzir a gravidade de uma recessão", declarou o Relatório Econômico do Presidente de 2004.

Vamos então por partes.

O primeiro ataque de Krugman é direcionado à ideia austríaca de que o papel-moeda é a raiz de todas as políticas econômicas perversas.  Para Krugman, como todos sabem, um dinheiro de papel manipulado pelo governo é simplesmente o sistema monetário ideal, e apenas pessoas descoladas da realidade podem ser contra ele.  No entanto, é justamente a realidade histórica o que derruba essa crença krugmaniana.  Basta perguntar aos romanos, aos franceses, aos britânicos, aos alemães, aos zimbabuanos, aos húngaros e aos sul-americanos quais foram as experiências maravilhosas que eles já vivenciaram sob um sistema de papel-moeda controlado pelos seus respectivos governos.  O grande economista Joseph Schumpeter certa feita escreveu que, mesmo que uma pessoa não acreditasse nos méritos do padrão-ouro e fosse um defensor de um estado inchado, ela ainda assim iria querer viver sob um padrão-ouro, pois só assim poderia se proteger contra exatamente o tipo de bagunça econômica em que o mundo se encontra atualmente.

Em seguida, Krugman parte para uma nova linha de ataque, supostamente sua evidência contra um dos pilares da Escola Austríaca: a base monetária americana aumentou substancialmente, mas o Índice de Preços ao Consumidor aumentou muito pouco.  Esse é realmente aquele tipo de "evidência" que poderíamos esperar apenas do nosso barbeiro e de um economista ganhador do Prêmio Nobel de economista.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que Krugman deturpa por completo a posição austríaca a respeito do dinheiro, escrevendo que todos os austríacos acreditam que a base monetária é exatamente a mesma coisa que dinheiro circulando na economia.  Não é, e isso sempre foi explicitado pelos austríacos.

Segundo, o Índice de Preços ao Consumidor representa uma mensuração bastante inexata do impacto de uma inflação monetária sobre o poder de compra dos consumidores.  A maioria dos economistas questiona a validade e a precisão do IPC.  O IPC nunca teve a intenção de mensurar todo o impacto de uma inflação monetária sobre a economia, exceto para os "ingênuos" economistas seguidores da teoria quantitativa.

Terceiro, como mostra o gráfico abaixo, embora a base monetária tenha explodido desde setembro de 2008 — indo de pouco mais de $800 bilhões para US$2,7 trilhões —, o M1 teve crescimento bem mais discreto.  Isso ocorreu porque a quase totalidade do aumento da base monetária transformou-se em "reservas em excesso".  "Reservas em excesso" são as reservas que os bancos mantêm voluntariamente depositadas junto ao Fed (o Banco Central americano), além do volume determinado pelo compulsório.  Como a base monetária é igual ao papel-moeda criado pelo Fed mais as reservas bancárias depositadas junto ao Fed (o compulsório), conclui-se que uma substancial fatia do aumento da base monetária foi convertida em reservas em excesso.  Os bancos optaram por manter a quase totalidade de suas reservas (as quais eles podiam utilizar para fazer empréstimos e, com isso, aumentar o M1) voluntariamente depositadas junto ao Fed, que está pagando juros sobre elas.  Ao fazer isso, o Fed impediu que as reservas bancárias se transformassem em depósitos em conta-corrente, o que elevaria o M1 — esse é um dos motivos de a inflação de preços ainda estar contida nos EUA.

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O gráfico acima mostra três variáveis: a base monetária (azul), o M1 (verde) e as "reservas em excesso" (vermelho).

Quarto, alguns austríacos disseram que, cedo ou tarde, quando esse dinheiro que está represado no sistema bancário "vazar" para a economia — isto é, se esse aumento na base monetária se transformar em empréstimos em larga escala —, haverá inflação de preços.  Isso é algo óbvio.  No entanto, como alguns austríacos disseram que tal inflação de preços pode vir a ocorrer mais cedo do que mais tarde, então, de acordo com Krugman, isso significa que toda a teoria monetária austríaca está errada.  (Tal raciocínio representa aquilo que gregos e romanos chamaram de non sequitur; porém, sem o apelo ao non sequitur, Krugman simplesmente não teria como escrever colunas).

Quinto, a inflação monetária pode impactar vários setores da economia, e o faz com intensidades totalmente distintas.  Basta nos lembrarmos de que, no caso americano, durante a bolha imobiliária, os preços dos imóveis dispararam para níveis recordes e insustentáveis, ao mesmo tempo em que os níveis do IPC permaneceram "sob controle".  Há vários tipos de bens cujos preços são impactados pela inflação e que não estão incluídos no IPC, desde obras de arte até bens comercializados no mercado negro, passando por salários de atletas profissionais e terrenos agrícolas.

Sexto, o impacto da inflação monetária sobre a economia como um todo é algo que leva tempo.  O dinheiro que entra na economia vai se movendo de um setor para o outro aos poucos, até finalmente perpassar quase toda a economia.  E é durante esse processo que os preços vão aumentando, sempre de maneira desigual.  Qualquer pessoa minimamente familiarizada com noções básicas de teoria monetária e sistema bancário sabe disso.  Adicionalmente, seria de se esperar que um economista como Krugman estivesse informado do fato de que, do aumento de quase US$2 trilhões ocorrido na base monetária americana, os bancos estão atualmente "sentados" sobre quase US$1,6 trilhão (valor das reservas em excesso), o que significa que esse foi o total de dinheiro criado que ainda não entrou na economia.

A "evidência" de Krugman nada mais é do que a evidência de sua própria ignorância sobre questões básicas de economia.  Ainda assim, vale ressaltar um importante ponto adicional: a ideia de que aumentos na oferta de dinheiro (isto é, inflação monetária) levam a aumentos nos preços (isto é, inflação de preços) é uma afirmação teórica, e economistas de todas as estirpes expressam tal declaração em termos de ceteris paribus, ou, tudo o mais constante.  Bem, as coisas não têm estado exatamente muito constantes ultimamente, certo, Paul? 

Mas o fato é que os austríacos não estão nem um pouco surpresos com o que vem acontecendo com a economia americana.  Graças aos pacotes de socorro e aos pacotes de estímulo, à explosão no número de regulamentações e à retórica incendiária que emana da Casa Branca, a economia americana está atolada em uma depressão — exatamente como os austríacos previram que estaria caso as políticas dos últimos quatros anos continuassem sendo seguidas.  Enquanto a base monetária continuar sendo apenas isso — uma base — e o dinheiro não circular, a taxa oficial de inflação de preços continuará baixa. 

Por outro lado, se os austríacos estiverem errados em sua crença de que uma expansão na quantidade de dinheiro em circulação irá estimular um aumento de preços (e é isso que Krugman está insinuando), então toda a teoria monetária está de cabeça para baixo.  A insistência krugmaniana de que os austríacos são ignorantes em termos monetários é em si um exemplo de ignorância.  Os austríacos enfatizam que o dinheiro é um bem secundário cuja principal utilidade é facilitar as trocas; e sua produtividade jaz no fato de que ele permite que ocorram trocas que não ocorreriam em uma economia de escambo.  Adicionalmente, os austríacos afirmam que o dinheiro, assim como quaisquer outros bens, também está sujeito a todas as leis da ciência econômica, inclusive a Lei da Utilidade Marginal (não, nós não cremos que ele seja apenas uma quantia variável).

No entanto, um dos mais importantes aspectos do pensamento austríaco a respeito da moeda é a ênfase dada a como se dá o mecanismo de transmissão do dinheiro recém-criado que adentra a economia.  Essa transmissão não é neutra, de modo que aqueles que recebem esse dinheiro antes do restante da população são beneficiados por um repentino aumento em seu poder de compra, tornando-se capazes de adquirir bens a preços ainda inalterados — os preços ainda estão inalterados, só que a renda desse grupo agora aumentou.  Essa visão é diametralmente oposta ao ponto de vista keynesiano, que afirma que a transmissão monetária é neutra, e que a única coisa que importa é que o dinheiro seja injetado na economia de modo que alguém possa gastá-lo.

capaAcao-Humana.jpgAdemais, os austríacos também afirmam que a injeção de dinheiro recém-criado na economia irá alterar os preços relativos dos bens da economia, e que essas relações continuarão sendo alteradas à medida que o dinheiro continue sendo injetado.  Isso também contrasta com a visão krugmaniana de que o dinheiro recém-criado não gera tal efeito, e que todas as pessoas se beneficiam igualmente de qualquer injeção monetária.  (No mundo de Krugman, embora a inflação beneficie os devedores à custa dos credores, isso é ótimo, pois ele falsamente pressupõe que todos os credores pertencem ao "um por cento" da população mais rica, ao passo que todos os devedores estão na categoria oposta.)

Portanto, dado que a hiperinflação ainda não apareceu, os austríacos são totalmente ignorantes sobre teoria monetária, e isso inclui Ron Paul.  O problema é que estamos lidando aqui com cronometragem, e não com teoria monetária; e Krugman, ao confundir uma com a outra, apenas demonstra sua falta de conhecimento em questões monetárias.

Tivessem os EUA não seguido os conselhos de Krugman, Bernanke, Geithner, Summers, Paulson, Goldman Sachs etc., mas sim os conselhos de Ron Paul, essa crise já teria acabado há muito tempo.  Em vez disso, todos os americanos estão sendo forçados a lidar com as insanidades defendidas por Paul Krugman e Ben Bernanke.

___________________________________________

P.S.: Peter Schiff jamais afirmou que haveria inflação ao estilo Zimbábue nos EUA e desafiou Krugman para um debate a qualquer momento, em qualquer local, sob quaisquer termos.

P.S.2: A prova mais cabal da ignorância da teoria econômica de Krugman pode ser vista nesta compilação de artigos seus, nos quais ele diz que a cura sustentável para a recessão de 2001 era, adivinhe só!, a criação de uma bolha imobiliária.

P.S.3: Tenham a bondade de ler nossos artigos sobre Krugman:

Krugman concorda com os austríacos - mas por motivos completamente opostos

Minha resposta a Paul Krugman sobre a teoria austríaca dos ciclos econômicos

Paul Krugman e a terceira depressão - uma mente confusa

Paul Krugman, como sempre, não entendeu nada

Paul Krugman, a atual crise, sushis e a importância da teoria do capital


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autor

Mark Thornton e William Anderson


Veja informações e artigos de Mark Thornton e William Anderson.



  • Vinicius  19/12/2011 03:58
    é um canalha, esquerdeopata
  • anônimo  19/12/2011 04:11
    Krugman que se cuide, a inflação americana é como aquela experiência com o Sapo na água escaldante. No momento ele está dentro da panela, a temperatura da água está subindo aos poucos, e ele nem notou.
  • Paulo Sergio  19/12/2011 04:39
    Eu me lembro de um vídeo do Peter Schiff falando do zimbabue mas ele falava como exemplo do que acontece quando se inflaciona a moeda.

    Pergunta: qual a vantagem pros bancos de não botar esse dinheiro na economia?
  • Leandro  19/12/2011 04:59
    O Fed está pagando 0,25% de juros mensais sobre essas reservas em excesso (leia-se "o Fed está criando dinheiro para remunerar essas reservas").

    0,25% parece pouco? Não quando se compara esse rendimento líquido e certo à atual situação da economia americana. Além de as perspectivas econômicas futuras estarem bastante sombrias, há toda uma incerteza gerada pelo regime.

    Por exemplo, ninguém sabe ao certo qual será a política de impostos a ser adotada. O Obamacare segue na pauta. Se for aprovado na íntegra, haverá um maciço aumento no payroll tax (tributos sobre a folha de pagamento), o que encarecerá absurdamente a mão-de-obra. Como investir se você não sabe nem como serão os tributos sobre sua mão-de-obra? O empreendedor nem sabe quantas pessoas poderá contratar em seus investimentos, pois tornou-se impossível fazer previsão de custos.

    E há também a promessa de que os cortes de impostos feitos por Bush, cujo prazo expirará em 2012, não serão prorrogados -- o que significa mais impostos.

    Aí, por outro lado, vêm os republicanos e prometem inúmeras mudanças no código tributário. Uns falam em flat tax de 9%, outros em 15%, e outros querem criar um National Sales Tax de 9% -- enfim, uma doideira.

    E tem também os gastos do governo. Ninguém sabe se aumentarão, ficarão na mesma ou diminuirão.

    E há a questão da previdência, cuja reforma cada hora vai prum lado.

    Eu realmente não ia querer ser empreendedor americano numa hora dessas. Tampouco iria querer emprestar dinheiro para empreendedores em um cenário assim. Comparado a tudo isso, ganhar 0,25% de juros anuais líquidos e certos é uma bênção -- fora que 0,25% de 1,6 trilhão são 4 bilhões de faturamento garantido. Nada mau.
  • Leandro  19/12/2011 05:41
    Uma correção na minha primeira frase: O Fed está pagando 0,25% de juros anuais sobre essas reservas em excesso (leia-se "o Fed está criando dinheiro para remunerar essas reservas").
  • Erick Skrabe  19/12/2011 06:56
    Só complementando o Leandro,

    No meio de tanta incerteza, as vezes até perder "só" 0,25% ao ano já está bom demais.

    É como uma escada rolante, se ela esta descendo e conseguimos ficar parados no mesmo lugar, já está bom demais.

    A situacao americana é terrível e os maiores inimigos dos EUA estao lá dentro, com uma concentracao em Washington d.C. Mas há algumas notícias boas vindo de Iowa...
  • Carlos  19/12/2011 07:34
    0,25% parece pouco? Não quando se compara esse rendimento líquido e certo à atual situação da economia americana. Além de as perspectivas econômicas futuras estarem bastante sombrias, há toda uma incerteza gerada pelo regime.

    E se o Fed baixasse a taxa para 0%, o que aconteceria, os bancos começariam a emprestar o dinheiro?
  • Leandro  19/12/2011 10:11
    Não necessariamente. Há outras maneiras de se obter receita. Por exemplo, no mês passado os bancos começaram a cobrar um tarifa sobre todas as pessoas que utilizam cartão de débito.

    Quando a situação fica feia e os balancetes não tendem a voltar para o azul -- como é o caso do sistema bancário americano, repleto de ativos de valores fictícios --, medidas desesperadas sempre são implementadas.
  • Paulo Sergio  19/12/2011 08:24
    Então o governo dá dinheiro pros bancos e ainda paga pros bancos deixarem esse dinheiro guardado?
    Que coisa de louco, isso é muito pior do que eu jamais podia imaginar, parece que o Glen Beck não tava exagerando quando falava: guardem comida, guardem água, tudo vai ficar ainda muito pior...

    Outra pergunta: o que é que o governo ganha com os bancos segurando esse dinheiro? Além de não ter inflação?
  • Carlos  19/12/2011 08:42
    Me ocorreu que o governo deveria criar uma taxa variável sobre uma parcela também variável das reservas em excesso. Algo como uma taxa entre 0% e 5% a.a. sobre uma parcela de até 50% das reservas em excesso. Tudo manejado pelo Fed que decidiria sobre a taxa e sobre a parcela a ser taxada das reservas em excesso. Queria ver se assim a economia dos EUA não ia ser reativada.
  • Leandro  19/12/2011 10:13
    Apenas isso: impedir a hiperinflação. O que, aliás, já é um feito e tanto. O Fed, com suas políticas, se encurralou a si próprio em um beco sem saída.
  • Rhyan  19/12/2011 08:48
    Esses pseudo-economistas daqui a pouco podem falar que os EUA estão sofrendo uma armadilha de liquidez?
  • Leandro  19/12/2011 10:14
    Mas o Krugman já fala isso desde 2009... Por isso sua insistência em mais déficits, mais endividamento, e mais gastos governamentais. Afinal, a única maneira de se sair de um "armadilha da liquidez" é por meio de políticas fiscais.
  • Rhyan  19/12/2011 10:16
    Humm bom saber! valeu!
  • Carlos  19/12/2011 14:39
    No Japão ocorre a mesma coisa, os bancos tem grande quantidade de reservas em excesso?
  • Leandro  19/12/2011 15:04
    Não. O caso do Japão -- que nunca vivenciou essa fictícia armadilha da liquidez -- é bem diferente. Lá, a política monetária foi correta. O problema todo está na política fiscal, bem como nos bancos zumbis que o governo não deixou quebrar.

    Mais sobre esse tema japonês:

    Por que não houve inflação de preços no Japão?

    Notícias deflacionárias (e interessantíssimas) sobre o Japão

    Explicando a recessão japonesa

    Abraços!
  • Carlos Santos  19/12/2011 05:26
    "krugmaniana" (derivativa de "krugmania") soa horrível. Se tivesse contato com essa palavra antes de ler o artigo, pensaria tratar-se de uma recém-descoberta psicopatologia.
  • anônimo  19/12/2011 06:24
    Mas veja, só pode ser algum problema de tal natureza.
  • mcmoraes  19/12/2011 06:09
    PK chamando o Ron Paul de altamente consistente e o Peter Schiff de famoso??? O mundo realmente dá voltas :)
  • Rodrigo Santos  19/12/2011 06:51
    Eu queria tanto ver uma nação realmente Liberal. Os EUA cantam uma música e dançam outro ritmo. Lamentável!
  • Erick Skrabe  19/12/2011 12:49
    Todos nós queremos.
  • Catarinense  19/12/2011 13:35
    Erick, boa noite. Vi que você publica artigos sobre o Instituto Mises Chileno. Sempre me interessei por este país, inclusive já cogitei mudar para lá. Você poderia, de repente, fazer um breve comentário sobre a situação econômica, fiscal e o ambiente para investidores? Ficaria muito grato!
  • Erick Skrabe  19/12/2011 06:52
    Nunca tinha visto tantas críticas ao Krugman em sua própria coluna.

    A EA já nao precisa mais desmistificar ele. Ele já está fazendo isso sozinho.
  • Fernando Z  19/12/2011 08:10
    Gostei do artigo. Quem lê o artigo de Krugman realmente pensa que o dinheiro entrou todo na economia. Ou ele é vigarista ou realmente não sabia disso.
  • Getulio Malveira  19/12/2011 10:43
    Parece-me que o desespero desse sujeito tentanto desqualificar o Ron Paul pode ser lido como um bom sinal do avanço das idéias autríacas nos E.U.A.
  • Allan Impedoclis  19/12/2011 11:19
    Existe interesse por parte dos bancos em manter os indices de preços baixos?\r
    digo, mesmo que o governo não pagasse esse juros, os banqueiros americanos iriam querer um cenário de inflação alta? por que 4 bilhões anuais pra todo o sistema bancário americano realmente não me parece grande coisa... Isso pode ser um motivo pra manutenção das reservas em excesso ou estou equivocado?
  • Leandro  19/12/2011 11:24
    Hiperinflação não é vantajoso para o sistema bancário, nem para o governo e nem para o status quo. Hiperinflação pode gerar inquietação social, o que apenas traria distúrbios desnecessários para esse pessoal. É do interesse tanto dos governos quanto do sistema bancário em evitar ao máximo uma hiperinflação.

    Afinal, se é possível ganhar muito dinheiro em um clima sossegado, com todo mundo satisfeito, pra que inventar tumulto e colocar todo esse sossego em risco?

    Portanto, sim: os bancos têm interesse em inflação de preços baixa. É muito melhor para eles.

    Abraço!
  • Fernando Z  19/12/2011 15:17
    Mas Leandro, uma clima de crises e tumulto é muito bom para um aumento de regulamentações e criação de blocos econômicos. Portanto é desejoso que haja crises e insatisfação para os governos e seus verdadeiros agentes.
  • Leandro  19/12/2011 15:26
    É um jogo muito arriscado, Fernando. É verdade que crises tendem a ser utilizadas pelos governos para que estes aumentem seus poderes; no entanto, um surto inflacionário tende a gerar insatisfação popular contra os governos, algo que o status quo (governos e bancos) não têm o mínimo interesse.

    Como você acha que o governo petista e os bancos brasileiros se sentem mais confortáveis: com as coisas do jeito que estão, aparentemente sossegadas e com os bancos pra lá de satisfeitos (e com o governo continuamente aumentando seu poder, sem nenhum protesto firme da população), ou com um surto inflacionário que pode por tudo a perder? Eu não apostaria no segundo.

    Existem crises e crises. Um surto inflacionário não é uma crise propícia ao governo.
  • EUDES  19/12/2011 15:32
    Leandro, poderia me explicar este trecho: "... na verdade o Federal Reserve não imprime dinheiro (quem faz isso é o Tesouro)." ?
  • Leandro  19/12/2011 15:42
    É o equivalente a eu dizer: "Quem imprime dinheiro no Brasil (no sentido físico mesmo, cédulas e moedas metálicas) não é o Banco Central, mas sim a Casa da Moeda".

    É isso que ele quis dizer. Nos EUA, a Casa da Moeda deles chama-se Bureau of Engraving and Printing, e é uma agência ligada ao Departamento do Tesouro.

    No entanto, quem cria moeda eletrônica e quem dá as ordens para que as respectivas moedas físicas sejam criadas é exclusivamente o Banco Central. A Casa da Moeda (ou, nos EUA, o Bureau of Engraving and Printing) apenas obedece.

    Essa frase do Krugman foi um artifício semântico utilizado unicamente para confundir as pessoas e tentar fazer os mais incautos acreditarem que o Fed não é exatamente o responsável pela criação de dinheiro. Pura vigarice.

    Abração!
  • EUDES  19/12/2011 15:47
    Obrigado pela resposta.

    Abração Também!
  • Tiago RC  20/12/2011 03:17
    Eu tinha interpretado como se ele se estivesse se referindo ao fato de que, pelas "regras do jogo", o Fed só pode aumentar a base monetária para comprar títulos do governo. E ele só pode comprar tais títulos se o Tesouro os emitir. Então, no final das contas, a fonte primária da inflação é o endividamento do governo: um BC como o Fed debaixo de um governo que não emite dívida não teria como inflar a base monetária.
    Não é isso?
  • EUDES  20/12/2011 16:26
    Um BC pode emitir moeda para comprar qualquer ativo. Logo, um BC pode inflacionar sem ter de recorrer aos títulos públicos. Mas, geralmente, este ativo é um título de dívida do governo.

    Como o endividamento governamental, por si só, não causa inflação de preços, é claro que Krugman está tentando levar as pessoas a crer que o Fed não é o responsável pela impressão de dinheiro, impressão essa que é responsável pela inflação de preços. O Leandro explicou muito bem essa atitude condenável de Krugman.
  • Joao Paulo  22/01/2012 13:38
    Ficou bem claro que ele tentou confundir mesmo.
    E parabéns por seus artigos no site!
  • EUDES  19/12/2011 16:38
    Leandro, quando a inflação de preços começar a dar sinais de que está saindo da hibernação, o Federal Reserve poderá elevar bastante compulsório? Tecnicamente, é possível barrar uma elevada inflação de preços nos E.U.A elevando o compulsório para próximo de 100 % ?
  • Leandro  19/12/2011 17:00
    Possível é, e ele pode fazer isso. Mas duvido muito que o fará, pois isso implicaria uma abolição das reservas fracionárias. Consequentemente, isso liquidaria os lucros dos bancos e afetaria fortemente seus balancetes dali pra frente -- os bancos não mais poderiam sair criando ativos do nada, como fazem hoje por meio das criação de empréstimos via reservas fracionárias.

    Portanto, é uma solução sim, mas bastante improvável.

    Grande abraço!
  • EUDES  20/12/2011 16:20
    Obrigado pela resposta.

    Abração!
  • Gabriel  25/04/2013 13:52
    Essa suloção faz parte do que a Escola Austríaca considera como uma das condições necesárias para a fluidez da economia não é?
  • Leandro  25/04/2013 19:12
    Depende do que você quer dizer com "fluidez". Uma súbita elevação do compulsório jogaria toda a economia em uma brutal recessão.

    Há uma maneira mais sutil e mais harmoniosa de se fazer isso, e foi detalhada neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1553
  • Arion  20/12/2011 11:31
    Os bancos não querem hiperinflação mas querem inflação já que se beneficiam da inflação monetária.

    Deflação então, eles têm pesadelos...
  • Thyago  20/12/2011 13:40
    Interessante esse cara...

    Cada dia se revela mais estúpido e ignorante...

    Dó ou raiva? Sinto uma boa dose de ambos por ele...
  • Robson Cota  24/12/2011 22:28
    Leandro, já ouvi muito o que o Peter Schiff diz sobre isso, e ele diz que a hiperinflação será detonada quando a China começar a cobrar a conta dos EUA. Só que eu não entendo como isso acontece. Se a China cobrar o dinheiro emprestado, os bancos vão ter que diminuir suas reservas em excesso, estourando de vez a hiperinflação? Por que?

    Com as notícias da bolha imobiliária estourando na China, e sinais de crise por lá, isso quer dizer que ela vai cobrar isso logo?
  • Leandro  26/12/2011 02:44
    Caríssimo Robson, o raciocínio do Schiff é um pouco mais tortuoso do que isso. Basicamente, ele trabalha com três cenários:

    1) A China libera o câmbio. Nesse caso, haveria uma apreciação do iene em relação ao dólar. As importações americanas de produtos chineses ficariam imediatamente mais caras, o que provocaria uma sensível elevação dos preços para os americanos, prejudicando seu padrão de vida (mas isso, obviamente, não gera hiperinflação).

    2) A China começa a desovar todos os títulos americanos que possui (as suas famosas reservas de mais de 1 trilhão de dólares -- obviamente, o governo chinês não tem 1 trilhão de dólares parados dentro de seus cofres; todo esse dinheiro está aplicado em títulos do Tesouro). Se isso acontecer, o súbito aumento na oferta de títulos americanos no mercado faria com que os preços deles despencassem. E quanto menor o preço de um título, maiores os juros que ele paga. Ato contínuo, para evitar essa súbita elevação nos juros, o que certamente jogaria a economia americana em uma profunda, porém necessária recessão, o Fed teria de imprimir uma grande quantidade de dinheiro apenas para comprar todos esses títulos que agora estariam no mercado, apenas para tentar evitar esse aumento dos juros. E isso, de fato, possui enorme potencial hiperinflacionário.

    3) O Fed simplesmente resolve imprimir dinheiro para pagar pelos títulos vincendos em posse do governo chinês. Mas esse cenário é bastante improvável. Muito mais negócio para os americanos seria simplesmente dar o calote. Para que destruir sua economia apenas para agradar aos chineses?

    Com o estouro da bolha imobiliária chinesa, tudo fica imprevisto. Eu não quero nem ver...

    Grande abraço!
  • Augusto  24/12/2011 22:45
    "Isso significa que eles se opõem veementemente àquele tipo de expansão monetária que Friedman afirmou que poderia ter prevenido a "Grande Depressão" — e que foi na verdade implementada desta vez por Ben Bernanke."

    Eu não me recordo do Friedman ter dito que uma expansão monetária teria prevenido a "Grande Depressão." O que eu sempre entendi dos escritos dele é que a Depressão fora severamente acentuada porque o FED adotou uma política que *retirou* uma quantidade significativa de moeda de circulação. Tanto assim que a característica marcante da Grande Depressão foi uma deflação dos preços, e não uma inflação, como se verifica na crise atual.

    Alguém poderia esclarecer?
  • Leandro  26/12/2011 02:30
    Prezado Augusto, o Fed em momento algum adotou medidas para contrair a base monetária durante a Grande Depressão. Muito pelo contrário: ele fez de tudo para expandi-la.

    Não precisa confiar em mim, não. Veja você próprio o gráfico da base monetária. Veja como ela permanece estável durante todo o período. (Curiosamente, a última vez que ela caiu foi durante a recessão de 1920, a qual durou apenas um ano, como nossos leitores já bem sabem).

    O que ocorreu é que, devido às inúmeras quebras bancárias (causadas pelas reservas fracionárias), o M1 despencou acentuadamente.

    Tivesse o governo Hoover permitido a total liberdade de preços e salários (em vez de ter elevado os salários, estimulado cartéis, imposto cotas de importação e impedido ao máximo que os preços se reajustassem para baixo), a depressão não teria durado tanto tempo.

    E foi por isso que Friedman disse que o Fed deveria ter sido mais agressivo em sua política monetária. Para Friedman, o Fed deveria ter feito de tudo para impedir que houvesse essa deflação do M1, de modo que a quantidade de dinheiro fosse proporcional aos preços e salários vigentes.

    Recomendo este pequeno artigo sobre essa posição de Friedman:

    mises.org/daily/2442/Friedman-for-Government-Intervention-The-Case-of-the-Great-Depression

    Abraços!
  • espaldito  27/12/2011 16:59
    Tentei comentar no site do Uol a respeito da ignorância sobre a Escola Austríaca e eles barram meu comentário quando eu coloco o link para esse artigo aqui. O motivo que me dão é que "O comentário foi bloqueado por conter palavres de abuso".
  • void  27/12/2011 17:53
    Engraçado, há algum tempo, por várias vezes, tentei comentar na coluna do Krugman no site do jornal Estadão, e meus comentários não foram aceitos. Qual era meu comentário? Eu pedia, ao jornal ou aos próprios leitores do espaço, informações sobre as fontes que o Krugman usou em alguns dos seus gráficos. Nunca consegui tais informações.
  • Paulo Sergio  07/05/2012 09:51
    O uol é um dos sites mais descaradamente esquerdistas que vc pode imaginar
  • espaldito  27/12/2011 21:50
    Sim, existe algum bom julgamento nas ações do governo Hoover. O calcanhar de aquiles da economia Austríaca sempre foi o curto prazo. É muito difícil politicamente implantar as idéias Austríacas porque é necessário que todos conheçam o livro de Henry Hazlitt, Economics in one Lesson, 1946 — ou o ensaio de Frédéric Bastiat "Ce qu'on voit et ce qu'on ne voit pas", de 1850). Além do que, é difícil consertar os erros do passado. É necessário sempre analisar as consequências econômicas no curto, médio e longo prazo, em todos os grupos envolvidos, pra cada ação regulatória ou administrativa (ou idéia econômica).

    Mas até ai, barrar os comentários liberais é pura ignorância ou problema técnico. Acho que todos nós estamos fartos da referência à direita política e às ditaduras "capitalistas" de todo modo. A Escola Austríaca gerou conhecimento, e conhecimento não é pra ser julgado; é pra ser debatido e usado, ou descartado. Censurar qualquer tipo de conhecimento é simples arrogância ou medo. Ainda mais nesse caso, em que a teoria, em suas formas mais elaboradas, surge em contraponto ao levante histórico mais claro e documentado do fascismo e do controle.
  • Andre  29/04/2012 11:30
    De que universo paralelo este cidadão saiu?
    blogs.estadao.com.br/paul-krugman/
  • william  07/05/2012 09:12
    No dia 01/05 ocorreu um debate entre Ron Paul e Paul Krugman no Bloomberg TV. Se alguém quiser assistir:
    www.ronpaul2012.com/2012/05/01/ron-paul-on-bloomberg-tv/
  • Hay  07/05/2012 10:03
    Reservas de 100% não acabariam gerando um aumento nos juros para o consumidor, fazendo com que quase todas as pessoas que têm algum tipo de empréstimo simplesmente não pudessem mais pagar suas contas? Não acho que algum governo vá querer fazer isso. Seria um suicídio político.
  • Jose Roberto  07/05/2012 10:20
    Não tem como haver juros altos com 100% de reservas.

    Os juros podem ficar altos se estiver havendo impressão de dinheiro, pois aí existe a perspectiva de que haverá mais dinheiro na economia no futuro, e esse dinheiro pagará os juros. Porém se a o sistema for de 100% de reservas não haverá nenhuma maneira de se quitar altos juros, isso força as taxas a serem baixas. O spread tenderia a ser pequeno, já que o sistema bancário precisaria conseguir mais dinheiro através de poupança.
    Se o sistema for de 100% de reservas mas os bancos cobrarem juros muito altos, eles simplesmente vão à falência.
  • Leandro  07/05/2012 10:21
    Ao contrário, quanto maior a expansão monetária, maiores os juros nominais. Quanto menor a expansão monetária, menores os juros nominais. Um sistema bancário com 100% de reserva alcançaria este segundo cenário, com todos os empréstimos originados de uma poupança genuína e não da mera criação de dinheiro.

    No padrão-papel, os juros são altos porque embutem uma alta expectativa inflacionária. No Brasil, por exemplo, ao se levar em conta o deflator do PIB do IBGE, que é um indicador bem mais acurado que o IPCA, a taxa de juros nominal não pode estar abaixo dos 8%. E isso só para se manter em dia com a inflação de preços. Acrescentando-se aí o risco de calote e a preferência temporal, os juros sempre estarão nos dois dígitos.

    Já em um padrão-ouro, justamente pelo fato de a oferta monetária ser muito pouco elástica, os juros nominais seriam baixos. Algo que muita gente confunde -- especialmente economistas -- é que, no longo prazo, quanto menor o crescimento da quantidade de dinheiro, menores serão as taxas de juros. Pense nos juros como a diferença entre a quantidade de dinheiro que você pega emprestado e a quantidade de dinheiro com o qual você paga o empréstimo. Quanto menor estiver sendo a taxa de crescimento da quantidade de dinheiro, menores terão de ser os juros. Afinal, em uma economia com quantidade de dinheiro (quase) fixa, seria irrealista você exigir, por exemplo, juros de 50% ao ano. Sem que tenha havido crescimento na quantidade de dinheiro, o devedor simplesmente não terá como pagar essa quantia. Por outro lado, se a quantidade de dinheiro crescer, por exemplo, 200% em um ano, pagar uma taxa de juros de 50% acaba sendo moleza.

    Vide os juros nominais astronômicos da década de 1980 e primeira metade da década 1990 no Brasil, quando a inflação anual frequentemente ultrapassava os 1.000%.

    A estabilização da quantidade de dinheiro na economia leva inevitavelmente a juros menores. No curto prazo, quando você interrompe repentinamente a expansão monetária, os juros aumentam. Com o tempo, eles têm de cair, e caem a um nível menor do que estavam antes da expansão.
  • Jose Roberto  07/05/2012 10:27
    Você é muito sem graça Leandro... Sua explicação foi extremamente mais completa que a minha.
  • EUDES  07/05/2012 13:09
    E quanto aos juros reais, que são a coisa que verdadeiramente importa ? Durante a década de 1980 e primeira metade da década de 1990, os juros nominais eram astronômicos. Porém, os juros reais eram baixíssimos, chegavam a ser negativos.
  • Leandro  07/05/2012 14:09
    Os juros reais tenderiam a ficar na casa dos 2% ao ano, mas obviamente não se trata de uma ciência exata.

    Note que é metodologicamente fácil reduzir os juros reais. E você pode fazê-lo de duas maneiras:

    1) Reduzindo a SELIC por meio da impressão de dinheiro e estimulando a inflação de preços. Como o juro real = SELIC/Inflação de preços projetado para os 12 meses seguintes, qualquer aumento na expectativa inflacionária irá reduzir o juro real. Esta, obviamente, é a maneira ruim e insustentável. (No futuro, a SELIC inevitavelmente voltará a subir);

    2) Reduzir ao máximo a expansão monetária, o que irá reduzir a SELIC sustentavelmente, pelos motivos explicados acima (o atual BACEN está fazendo isso). Isso irá conter as bases para aumentos contínuos nos preços. Adicionalmente, deixar o dólar se desvalorizar em relação ao real e abrir o país às importações (isso irá conter duplamente qualquer resquício que porventura haja de propensão ao aumento dos preços). Por fim, equilibrar o orçamento do governo, de modo que ele para de pedir empréstimos, liberando assim mais recursos para o setor privado.

    Esta última é a maneira sustentável de se reduzir os juros reais, mas politicamente inviável no Brasil.

    Abraços!
  • EUDES  08/05/2012 05:43
    Obrigado pela resposta, Leandro. É por isso que o real já nasceu condenado : a irresponsabilidade fiscal corre solta.
  • Andre Cavalcante  07/05/2012 16:02
    Por nada não Leandro, mas essa resposta não foi copy e paste de uma outra de alguns dias atrás? Tu já deves ter por aí um arquivo de FAQ bem interessante, não? hehehe :) ;)
  • Leandro  07/05/2012 16:47
    Exatamente, Andre. Esta mesma pergunta já foi feita com tamanha frequência -- e num espaço de tempo tão espantosamente curto --, que eu simplesmente comecei a copiar as minhas respostas (afinal, se a pergunta é a mesma, então a resposta também será a mesma), na esperança de que finalmente alguém percebesse e se compadecesse. Prêmio para você.

    Grande abraço!
  • Henrique Barcelos  14/10/2016 13:10
    Ressuscitando este artigo...

    Já faz quase 5 anos desde a sua publicação, o panorama hoje é outro.

    Seria interessantíssimo um novo artigo resumindo o caminho percorrido pela economia dos EUA desde então...
  • Gabriel  13/11/2016 10:15
    Leandro, o M1 americano quase triplicou desde 2008 até os dias atuais. Qual a explicação para que a inflação americana não tenha dado um pulo?
  • Leandro  13/11/2016 14:23
    Bom, em primeiro lugar, ele não triplicou de 2008 até hoje.

    Em 2008, o estoque do M1 estava em 1,4 trilhão e hoje está em 3,3 trilhões. Em 8 anos, isso dá um aumento de 11,3% ao ano.

    É muito? Aparentemente, sim. Mas, por si só, não significa nada se você ignorar o que ocorreu com os outros agregados monetários, especialmente M2 e expansão do crédito.

    Por exemplo, dinheiro que estava em depósitos a prazo (M2) pode ter sido transferido para depósitos à vista (M1), pois os juros pagos nos depósitos a prazo passaram a ser irrisórios. Nesse caso, o M1 teria aumentado sem que tivesse havido expansão monetária.

    Vejamos o que ocorreu com o M2: em 2008, o estoque era de 800 bilhões. Hoje, está em 1,3 trilhão. Aumento de 1,63 em 8 anos.

    Isso dá um aumento de 6,25% ao ano. Muito menor que o M1.

    Dado que o M2 engloba todo o M1, e dado que o M1 cresceu bem mais que o M2, então a suspeita inicial estava correta: dinheiro que estava no M2 simplesmente foi transferido para o M1.

    Por fim, vejamos quanto dinheiro realmente foi injetado na economia por meio da expansão do crédito ao setor privado.

    Em 2008, o saldo de crédito ao setor privado estava em 1,6 trilhão. Hoje, está em 2,076 trilhão. Aumento de 30% em 8 anos. Isso dá a incrivelmente baixa média de 3,3% ao ano.

    Isso não é absolutamente nada.

    No Brasil, na época da bonança artificial, o crédito chegava a crescer mais de 20% ao ano.

    Portanto, com o crédito ao setor privado crescendo à exígua taxa de 3,3% ao ano, de fato não há espaço nenhum para inflação de preços. E é exatamente isso o que se passa na economia americana.

    O alto crescimento do M1 foi apenas remanejamento de dinheiro de uma conta bancária (a prazo) para outra (a vista).
  • Gabriel  13/11/2016 14:43
    Grato mais uma vez.
  • Andre Cavalcante  13/11/2016 16:56
    Isso explica muita coisa. E ainda tem o fato de que os americanos podem exportar muito dessa inflação pros demais países....




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