Belo Monte e o movimento ambientalista

O problema de falar sobre Belo Monte — pior ainda, falar contra Belo Monte — é que você será imediatamente visto como aliado de gente esquisita, como artistas globais que mal sabem do que falam (mas falam assim mesmo, pois pertencem à casta dos bem pensantes e por isso gozam de plena imunidade intelectual) e ambientalistas lunáticos que não hesitariam em dizimar a humanidade para proteger minhocuçus, aranhas, tatus e macacos-prego.

É claro que eu não acharia nada ruim em ser visto ao lado de Juliana Paes, Letícia Sabatella e Maitê Proença (senti falta da Christiane Torloni). Porém, uma coisa é estar acompanhado delas; outra, bem distinta, é ser confundido com alguém que pensa da mesma maneira que elas.  E é esta tragédia que quero evitar aqui.

O leitor provavelmente já deve ter assistido ao vídeo abaixo.  Caso ainda não o tenha feito, reserve 5 minutos do seu tempo para a tarefa.  O vídeo é tecnicamente muito bem feito e possui um roteiro bem elaborado.  Para os incautos, ele é bastante persuasivo.  O primeiro um minuto e meio é muito bom.  Depois é que a coisa degringola.  Veja:



Para resumir, a ideia do movimento contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte se apóia em três pilares:

1) A hidrelétrica será construída majoritariamente com o dinheiro de impostos.

2) A hidrelétrica vai desalojar índios e populações ribeirinhas. 

3) A hidrelétrica vai matar peixes e inundar uma área de 640 km2 de floresta, algo que certamente vai alterar o eixo de rotação da terra.  Ademais, hidrelétrica em floresta é energia suja (só seria boa no deserto, segundo Letícia Sabatella).  Bom mesmo é moinho de vento e energia solar.

Primeiro item

O primeiro item é irretocável.  Aliás, foi uma grata surpresa ver a classe artística tão preocupada com a imoralidade que é a espoliação do dinheiro alheio.  No entanto, é óbvio que se trata de um mero truque emocional para atrair mais gente para o movimento; afinal, na hora de correr para o governo e pedir que ele confisque mais dinheiro do setor produtivo para repassar para o cinema nacional e inúmeros projetos culturais, os artistas são os primeiros a entrar na fila.  Portanto, essa repentina guinada libertária é meramente um estratagema para ludibriar e atrair para o seu movimento ambientalista alguns indignados a mais.  (Mesmo porque, até onde se sabe, nenhuma destas estrelas — inquestionáveis fontes de sabedoria e autoridade moral — parece estar se queixando da farra com o dinheiro público que está sendo feito em nome da Copa do Mundo, cuja importância é muito menor que a de uma hidrelétrica.)

No entanto, vamos ignorar essa manobra esperta e nos concentrar exclusivamente na mensagem anti-tributária, a qual, vinda de quem veio, já é um grande avanço.  De fato, é o BNDES (sempre essa praga) quem irá financiar 80% da obra — de início, os R$ 24 bilhões de que fala o vídeo; porém é fácil prever que, como de praxe, tal valor acabará sendo muito maior que o planejado. 

Há uma regra que nunca falha: sempre que o governo, à revelia de todos, se empenha laboriosamente em aprovar projetos de lei ou em empreender obras impopulares, pode ter certeza de que tem alguém ganhando muito dinheiro com isso.  O seu dinheiro, obviamente.  Políticos são sensíveis ao voto, é claro, mas são ainda mais sensíveis às necessidades de empreiteiras e bancos cujas contribuições de campanha serão proporcionais às benesses que ganharam do governo.  Entre o eleitor comum e os grandes financiadores de campanha, não é nenhuma ciência complexa imaginar quem será o privilegiado. 

No caso de Belo Monte, o dinheiro irá para as empreiteiras que formaram os consórcios e para os bancos que irão financiá-los.  (Além do BNDES, há também o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Banco da Amazônia (Basa), o Bradesco, o Itaú Unibanco, o HSBC, o Santander, o Banco Votorantim, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e o BES Investimento do Brasil.  Quanto às empreiteiras, os nomes de todas elas estão disponíveis aqui.

Os mais crédulos e otimistas diriam que o governo está apenas preocupado com o bem comum de uma massa ingrata e ignara.  Desnecessário dizer que governo benevolente é um oximoro; governos se preocupam exclusivamente com os interesses de seus membros e com os interesses de grupos de interesse que fazem lobby.  Na democracia, gentileza sempre vai gerar novas gentilezas — afinal, a conta sempre pode ser repassada para terceiros.

Portanto, quanto ao primeiro item, a concordância é de 100% com o vídeo.  O apelo para a não construção de Belo Monte com dinheiro de impostos é totalmente louvável.  Por coerência, esperemos que estes artistas venham mais a público denunciar todos os tipos de obras públicas e demais empreitadas governamentais.  Aliás, que venham a público protestar contra todos os tipos de gastos do governo.  Afinal, se todos concordamos que construir hidrelétrica com dinheiro público é errado, imagine então tomar dinheiro da população para financiar coisas totalmente sem importância, como teatros, cinema e outros "projetos culturais"?  Tenho certeza de que os artistas brevemente estarão protestando contra isso também.  Um novo YouTube já deve sair na semana que vem.

E considerando que o gasto total do governo federal já está na casa de R$ 1 trilhão, e dado que "meros" R$ 24 bilhões provocaram toda essa azáfama entre os artistas, então é certo que eles se engajarão com ainda mais vigor para combater todo e qualquer tipo de gasto público, desde obras para a Copa até gastos com educação.  O que é mais importante, ter hidrelétrica ou pagar professores de ciências sociais em universidades federais?

Mas é claro que nada disso vai acontecer.  E por um motivo muito simples: como explicado, essa crítica ao fato de Belo Monte estar sendo construída com dinheiro público é mera espuma.  É apenas um truque para agregar mais gente à causa.  A real intenção desse movimento é uma só: avançar a agenda ambientalista, a qual será abordada no terceiro item.

Segundo item

O segundo item também traz uma revelação surpreendente: os artistas, uma classe progressista por natureza, se mostram inflexíveis defensores da propriedade privada.  A população ribeirinha e os índios que habitam o local teriam de ser removidos para a construção de Belo Monte, desapropriação essa que no jargão técnico se chama 'domínio eminente'.  Mas a classe artística, destemida, veio a público denunciar este totalitarismo estatal, revelando-se resoluta em sua defesa da inviolabilidade do sacrossanto direito de propriedade privada.

O que chama atenção nessa abordagem é que apenas genuínos conservadores e libertários são favoráveis à total inviolabilidade dos direitos de propriedade.  Se um grupo de pessoas se estabeleceu em uma região, se eles adquiriram aquela terra por meios honestos (sem roubo ou invasão) e se eles 'misturaram seu trabalho àquela terra', então tal local passa a ser sua propriedade privada.  E de maneira inquestionável e sacra.  Alguém removê-los de lá contra a vontade deles seria um violento atentado aos seus direitos de propriedade privada.  Tanto os índios quanto a população ribeirinha teriam de ter o direito de recusar qualquer tipo de proposta que lhes fosse feita.

Mesmo liberais moderados e todos os social-democratas em geral defendem uma relativização dos direitos de propriedade.  Segundo eles, a propriedade não pode se sobrepor ao 'bem comum'.  Se o governo decidir que uma casa deve ser derrubada para a construção de uma rodovia, está decidido.  O proprietário não tem o direito de reclamar.  Ele que se contente com sua indenização (sempre menor que o valor da propriedade) e se retire.  É preciso abrir mão de confortos e se sacrificar pelo bem comum. 

Já os artistas são muito mais reacionários.  Com eles não tem negócio, não. A violação da propriedade privada não é negociável.  Se os índios e os ribeirinhos não querem sair dali — e tudo indica que realmente não querem —, então tudo deve ser cancelado.  É por isso que tenho certeza de que brevemente os artistas também estarão protestando contra todos os governos estaduais e municipais que estão praticando domínio eminente a rodo em todo o país para agradar à FIFA.  O YouTube deve sair daqui a duas semanas, com Marcos Palmeira e Eriberto Leão recitando trechos de Hans-Hermann Hoppe.

Creio não ser realmente necessário explicar que esta postura é apenas mais uma velhacaria concebida ardilosamente para atrair mais pessoas à causa ambientalista, desta vez recorrendo ao apelo emocional da compaixão pelos destituídos.  Respeito à propriedade privada?  Só se for a deles.   Esse povo nunca esteve interessado nisso.  A real intenção desse movimento, repetindo, é uma só: avançar a causa ambientalista.  E para isso é necessário conquistar as mentes e os corações (principalmente os corações) dos mais incautos.

Terceiro item

E é no terceiro item que o movimento explicita suas genuínas cores e intenções.  A preocupação nunca foi o dinheiro público ou a propriedade privada.  A preocupação sempre foi a de salvar girinos, bagres, minhocas e piranhas.  Além de árvores e cipós, é claro.  Um momento bastante impactante ocorre quando Eriberto Leão, com voz incisiva e sílabas pronunciadas sombriamente, anunciou que "a usina de Belo Monte vai alagar, inundar, destruir 640 km2 de floresta amazônica".  Apavorante?  Parece muita coisa?  Acha que isso causará o fim do sistema solar?  Não se você considerar que a Amazônia tem uma área de 5.500.000 km2, detalhe que fizeram questão de nem mencionar.  Logo, essa "tragédia" inundaria 0,01% da Amazônia.  E qual é a área da floresta que é desmatada anualmente? 19.000 km2Anualmente.  Logo, o 'estrago' que Belo Monte fará é ínfimo se comparado ao tamanho do desmatamento anual da região.  E todo esse desmatamento, ao que tudo indica, não alterou o equilíbrio mundial.  Não obstante, o vídeo quase nos faz crer que justamente estes 640 km2 alterarão completamente o ecossistema da região, gerando chuva ácida, aquecimento global, tornados, furacões, tsunamis etc.

Ato contínuo, os sábios apresentam a solução para o impasse: esqueçam essa bobagem de usinas hidrelétricas.  São nocivas para o mundo.  O must do momento é energia eólica e energia solar.  Ou seja, a energia hidrelétrica pode ser perfeitamente substituída por vento e por raios de sol.  É possível?  Claro que é!  E como seria isso?  Ah, isso é um problema pequeno, que pode ser perfeitamente deixado para depois.  O que importa é que Eriberto Leão garantiu que é possível.  E Eriberto é a voz da ciência.  Se ele diz que é possível, então não pode haver discordância. 

Ora, energia eólica e a energia solar de fato podem gerar eletricidade, mas não o suficiente e em nível nacional.  Ambas podem funcionar bem como complementos muito localizados, mas não em grande escala.  O vídeo deixa claro que os artistas irão se opor veementemente à construção de novas hidrelétricas na Amazônia (as quais já estão programadas), e exigirão a substituição de todas essas hidrelétricas por vento e sol.  

Como perfeitamente ironizou George Reisman,

Mas há um problema sério, e que aparentemente tem sido amplamente ignorado por aqueles mais impacientes pela construção dos moinhos e painéis solares: o incômodo fato de que nem sempre está ventando e nem sempre o sol aparece.  E, até o presente momento, não há notícia de um método econômico e em larga escala capaz de armazenar eletricidade para uso posterior.  Tal fato implica a necessidade de se manter o atual sistema de produção operando conjuntamente com o novo sistema baseado inteiramente no vento e no sol.  Porém, caso tal sugestão seja demasiado reacionária, então que nos acostumemos a prolongados períodos de blecaute.

Uma curiosidade adicional é que a energia eólica, pelo visto, também gera problemas para os ambientalistas, pois está promovendo uma chacina de pássaros e águias.

A mentalidade ambientalista

Essa doentia insistência dos ambientalistas em querer impor 'energia limpa' e em exigir 'energia mais eficiente' é uma postura que, caso seja implementada como eles querem, irá solapar toda a produtividade da economia, bem como todo o nosso bem-estar.  Por quê?  Porque 'energia mais eficiente', no linguajar verde, significa simplesmente uma menor produção de energia por habitante.  E é aí que surge a nossa miséria.  Para que haja um aumento na produtividade da mão-de-obra, algo indispensável para o enriquecimento de economia, é necessário que haja um constante aumento na quantidade de energia disponível per capita.  Caso contrário, para compensar este não aumento da energia disponível, cada trabalhador terá de aumentar sua carga de trabalho muscular caso queira continuar produzindo mais e melhores bens e serviços.  E isso seria um ataque direto ao nosso padrão de vida.  Afinal, nossa qualidade de vida depende primordialmente de um fato: nossa força muscular, que é bastante modesta, tem de ser continuamente auxiliada por quantidades cada vez maiores de energia mecânica, na forma de máquinas, motores e geradores, alimentados por gasolina, diesel, gás, eletricidade e energia nuclear.  Quanto maior a variedade de opções, melhor.  E é isso que os ambientalistas querem abolir.

O movimento ambientalista, portanto, é um movimento profundamente anti-mercado, anti-bem-estar e anti-desenvolvimento, pois suas propostas solapam por completo a produtividade do trabalho.  Consequentemente, elas destroem todas as possibilidades de progresso econômico e de aumentos salariais — os quais estão diretamente ligados à produtividade.  Somente um constante aumento na produtividade da mão-de-obra, auxiliado pela utilização de uma maior quantidade de energia per capita, pode gerar um aumento na oferta de bens e serviços em relação à oferta de mão-de-obra disponível (um marceneiro é mais produtivo utilizando uma serra elétrica em vez de um serrote).  E é esse arranjo que gera uma redução nos preços em relação aos salários.  Ou, falando de outra forma, é esse arranjo que torna possível os salários aumentarem sem que os preços tenham de subir, ou sem que tenham de subir na mesma proporção dos salários.

Outro problema do movimento ambientalista, e aqui o efeito é meramente cômico, é sua total incoerência e a total ignorância.  Explico: os ambientalistas afirmam que não se pode confiar cegamente na ciência e na tecnologia para a construção de usinas nucleares, nem para a produção de pesticidas, conservantes químicos, agrotóxicos, transgênicos etc.  No entanto, quando o assunto é aquecimento global (que é o bicho-papão que realmente move essas campanhas ambientalistas), imediatamente surge uma área cujos métodos científicos e tecnológicos despertam nos ambientalistas a mais excitante e irreversível confiança, uma área em que, até bem recentemente, ninguém — nem mesmo o mais fervoroso defensor da ciência e da tecnologia — jamais havia demonstrado ter muita confiança.  Se há uma coisa, afirmam os ambientalistas, que a ciência e a tecnologia podem fazer perfeitamente, sem nenhuma margem de erro significativa, e na qual podemos ter confiança ilimitada, é prever o tempo — para os próximos cem anos! 

Afinal, é exatamente com base na previsão do tempo que os ambientalistas praticamente exigem que abandonemos todas as benesses trazidas pela Revolução Industrial.  Ou, como eles eufemisticamente costumam dizer, que 'mudemos profundamente o nosso estilo de vida' — em total prejuízo do nosso bem-estar material, é claro.  Temos de reduzir continuamente nossas emissões de dióxido de carbono e, óbvio, reduzir nosso consumo de petróleo, gás natural, carvão e qualquer coisa que libere CO2.  E, pelo visto, a seguir a nova tendência, também teremos de reduzir nosso consumo de eletricidade gerada por meios hídricos. Daqui a pouco seremos proibidos de respirar.

Outro fator hilariamente contraditório diz respeito à energia nuclear.  Por mais que cientistas e engenheiros nos assegurem, baseando-se nos mais mínimos detalhes das mais reputadas leis da física, que a energia nuclear é perfeitamente segura (no Brasil não há terremotos como no Japão), os ambientalistas se retraem em espasmos quando ouvem o termo — mais ou menos como fez Bruno Mazzeo, que teve de fazer uma concessão e dizer que a energia hidrelétrica é mais limpa que a energia nuclear.  E por que reagem assim?  Porque, segundo eles próprios, não devemos arriscar de maneira irresponsável a vida das próximas cinquenta gerações, que correm o risco de ser expostas a radiações nocivas.  Porém, paradoxalmente, baseando-se exclusivamente na previsão do tempo, eles estão dispostos a destruir todo o sistema econômico da atualidade e abolir toda a civilização industrial — o que impediria que avançássemos sequer mais umas duas gerações.

Em resumo: a nossa civilização industrial deve ser abolida unicamente para evitar que, no futuro, o clima fique ruim.  Lunáticos estão exortando a destruição do nosso padrão de vida com o intuito de manipular a temperatura média do mundo e o nível dos oceanos nos séculos futuros.  E, de quebra, também para evitar a morte de insetos, sapos, micos, árvores e mato.

Qual a semelhança e qual a diferença entre o "socialismo científico" marxista e o atual movimento ambientalista?  O marxismo representa o coletivismo em sua fase jovem, arrogante e impetuosa.  Já o ambientalismo representa o coletivismo em sua fase senil e esclerosada.  O marxismo, falsa e desonestamente, ao menos prometia grandes bonanças: o potencial humano seria finalmente libertado dos grilhões da opressão capitalista e a prosperidade material seria o inevitável resultado dessa nova ordem.  Já o ambientalismo se limita a aterrorizar pessoas cuja mentalidade é menos desenvolvida que a de uma criança, e oferecer a elas uma lista de coisas que elas devem fazer caso queiram evitar vento e chuva.  De certa forma, o ambientalismo é o estágio final do coletivismo.

Conclusão

Não foi o objetivo deste artigo falar como funcionaria um livre mercado de energia elétrica, como ele seria mais eficiente, mais barato e mais abrangente.  Isto já foi dissecado nestes dois artigos.  O objetivo aqui foi analisar um pouco das nuanças do movimento ambientalista e mostrar como eles estão aprendendo a se adaptar e a remodelar seu discurso para atrair gente desavisada para a sua causa.

No mais, o Brasil possui 851 milhões de hectares. Apenas 0,2% são ocupados por cidades e suas obras de infra-estrutura.  Dizer que os ocupantes de meros 0,2% de um imenso território estão causando a destruição irreversível de todo o ecossistema seria vigarice ou imbecilidade?

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Quem quiser ser contra a construção de Belo Monte, ótimo.  Eu também sou.  Mas sou unicamente porque se trata de uma obra corporativista — na qual o dinheiro público é dividido entre os amigos do rei — e anti-mercado.  Também sou contra porque ela representa um ataque indefensável à propriedade privada.  E é só.  Pouco me importa o que ocorrerá com as minhocas e as piranhas de uma ínfima região da Amazônia.  A natureza sempre se adapta.  É assim há pelo menos 2,5 milhões de anos.

 

Leia também: A Amazônia é nossa?


1 voto

SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


"ajustar as atividades produtivas de acordo com as mais urgentes demandas dos consumidores não pode ser redução de salário?"

Não. Ajustar as atividades produtivas de acordo com as mais urgentes demandas dos consumidores significa produzir e vender exatamente aquilo que o consumidor quer. Se o empreendedor vai pagar salário astronômico ou mínimo para a mão-de-obra, isso é totalmente irrelevante para o consumidor.

"o trabalho não é fator de produção (um dos)"

Sim.

"o trabalho é um recurso escasso?"

Mão-de-obra é, por definição, algo escasso. Por isso mesmo, sempre haverá mais demanda por mão-de-obra do que mão-de-obra efetivamente disponível.

Falta mão-de-obra para tanto emprego disponível.

Sendo assim, a taxa de desemprego sempre deveria ser zero e os salários dos empregados sempre tende ao aumento. E por que o desemprego não é zero?
Por causa disso.

"demanda pode ser "criada" pelo marketing?"

Desejo pode ser criado pelo marketing, não demanda. Demanda significa aquisição. Eu tenho desejo por uma mansão, por um helicóptero e por uma Ferrari, mas não tenho como demandá-los porque não tenho o poder aquisitivo para os três. E não há marketing que me faça demandar esses três itens. Resta-me apenas desejar.

"sobre o trabalho escravo, nem entrei no mérito e na discussão sobre quando havia mais lucro e riqueza. Mas, o trabalho escravo é um fato que ainda existe. Existe por interferência governamental ou porque tem muitos empresários gananciosos e que buscam o lucro a qualquer custo (humano inclusive)?"

Ué, ainda existe trabalho escravo? Não sabia. Ainda existem pessoas trabalhando sem salário, sob chicotadas, proibidas de pararem de trabalhar e proibidas de pedirem demissão? Não sabia. Manda aí um link, por favor.

Até onde sei, nenhum indivíduo sai escravizado de sua casa e é levado a contragosto para trabalhos compulsórios. Um indivíduo, por definição, encontra trabalho porque saiu à procura de trabalho. Sua intenção sempre é melhorar de vida. Ele faz isso porque quer; porque a situação atual (sem trabalho) não lhe é atraente. Se ele está disposto a "trabalhar muito" é porque ele acha que assim ficará em situação melhor do que aquela em que se encontrava até então.

A menos que você comprove que o indivíduo está sendo [u]obrigado[u] a trabalhar sob a ameaça de um chicote, sem a opção de sair do emprego quando quiser, tal escolha sempre será benéfica para ele.

E se ele se sujeita a condições que para nós parecem degradantes é porque, para ele, aquilo ainda é melhor do que a situação econômica em que ele se encontrava antes. Cabe a você provar que esse indivíduo foi seqüestrado, levado a um emprego e ali mantido em cativeiro, contra sua vontade, sendo proibido de parar de trabalhar. Caso isso não tenha acontecido, então a única conclusão empírica é que esse indivíduo ainda prefere seu atual trabalho (assalariado) ao desemprego.
Errado.

Na economia, conhecemos a causa de tudo, pois a ação humana, ao contrário do movimento das pedras, é motivada. Sendo assim, é possível construir a ciência econômica partindo de axiomas básicos -- como a existência incontestável da ação humana e as implicações lógicas da ação --, axiomas estes que são originalmente reconhecidos como verdadeiros.

Destes axiomas, podemos deduzir passo a passo várias leis que também são reconhecidas como incontestavelmente verdadeiras. E este conhecimento é absoluto, e não relativo, exatamente porque os axiomas originais já são conhecidos. Eis alguns exemplos:

• Sempre que duas pessoas, A e B, se envolvem em uma troca voluntária, ambas esperam se beneficiar desta troca. E elas devem ter ordens de preferência inversas para os bens e serviços trocados, de modo que A valoriza mais aquilo que ele recebe de B do que aquilo ele dá para B, e B avalia as mesmas coisas do modo contrário.

• Sempre que uma troca não é voluntária e ocorre em decorrência de uma coerção, uma parte se beneficia à custa da outra.

• Sempre que a oferta de um bem aumenta em uma unidade, contanto que cada unidade seja considerada idêntica em utilidade por uma pessoa, o valor imputado a esta unidade deve ser menor que o da unidade imediatamente anterior.

• Entre dois produtores, se A é mais eficiente do que B na produção de dois tipos de bens, eles ainda assim podem participar de uma divisão de trabalho mutuamente benéfica. Isto porque a produtividade física geral será maior se "A" se especializar na produção de um bem que ele possa produzir mais eficientemente, em vez de "A" e "B" produzirem ambos os bens autônoma e separadamente.

• Sempre que leis de salário mínimo forem impostas obrigando os salários a serem maiores do que os salários que vigorariam em um livre mercado, um desemprego involuntário será o resultado.

• Sempre que a quantidade de dinheiro na economia aumentar sem que a demanda por dinheiro também seja elevada, o poder de compra da moeda irá diminuir.

Por outro lado, não existem elementos simples ou "fatos da natureza" na ação humana; os eventos da história são fenômenos complexos, os quais não podem "testar" nada. Eles, por si sós, somente podem ser explicados se forem aplicadas várias teorias relevantes aos diferentes aspectos de um determinado "fato" complexo que está sendo analisado.

Por que a matemática é tão útil na física? Exatamente porque os próprios axiomas utilizados, bem como as leis deles deduzidas, são desconhecidos e, com efeito, sem significado. Seu significado é exclusivamente "operacional", uma vez que eles são significantes somente na medida em que podem explicar determinados fatos.

Por exemplo, a equação da lei da gravidade, por si só, não tem sentido nenhum; ela só adquire sentido quando nós humanos observamos determinados fatos que a lei pode explicar. Consequentemente, a matemática, que efetua operações dedutivas sobre símbolos por si só inexpressivos (sem significado), é perfeitamente apropriada para os métodos da física.

A ciência econômica, por outro lado, parte de um axioma que é conhecido e possui significado para todos nós: a ação humana. Dado que a ação humana, em si própria, possui significado (o que não quer dizer que ela sempre será avaliada como racional e correta), todas as leis deduzidas passo a passo da ação humana são significativas.

Esta é a resposta para aqueles críticos que exigiram que Mises utilizasse métodos da lógica matemática em vez da lógica verbal. Ora, se a lógica matemática tem de lidar com símbolos inexpressivos, então seu uso iria destituir a economia de todo o seu significado.

Por outro lado, a lógica verbal permite que toda e qualquer lei tenha sentido quando deduzida. As leis da economia já são conhecidas aprioristicamente como significativamente verdadeiras; elas não têm de recorrer a testes "operacionais" para adquirir significância. O máximo que a matemática pode fazer, portanto, é converter laboriosamente símbolos verbais em símbolos formais inexpressivos e, então, passo a passo, reconvertê-los em palavras.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1690
O melhor a fazer, no caso de dúvida, é perguntar a quem conseguiu sobreviver à Cuba, ou imigrou de certa forma. Conheci uma cubana que imigrou há alguns anos, formada em Teologia por lá. Ela contou, e parecia ter medo de falar ou vergonha, que muitos do que vivem em Cuba, necessitam dois empregos para conseguirem viver pelo menos dignamente. Como ela fazia. E quanto aos médicos tão bem falados na boca dos brasileiros, têm de ir de bicicleta para o trabalho e chegam com as mãos tremendo para realizar cirurgias.
O que me faz questionar como seria se o mundo todo fosse socialista e Cuba não tivesse sido isolada tantos anos pelo embargo econômico americano. E por esta mesma linha de pensamento me perguntou porque não olhamos para países como Zimbabwe. A solução não está na mudança drástica para o socialismo, mas em uma evolução gradual do capitalismo que minimize as diferenças tão abruptas que temos em nosso mundo. Será possível um hemisfério sul e norte com os mesmo índices de desenvolvimento humano ? Fico nessa dúvida.

Alguns fatos sobre Zimbabwe.
Desde 2000 encontra-se em uma profunda crise, além da hiperinflação, há um alto índice de desemprego, pobreza e uma crônica escassez de combustíveis, alimentos e moedas estrangeiras.

A hiperinflação vem destruindo a economia do país, arrasando com o sector produtivo. Uma medida governamental congelou os preços, causando desabastecimento, fortalecimento do mercado negro e prisão de comerciantes contrários à medida.[3]

Em Julho de 2007, foi lançada a cédula de 200 mil dólares zimbabweanos, que apesar do elevado valor de face, é capaz de comprar pouco mais do que um quilo de açúcar. No mercado paralelo, a moeda era cotada a 1 dólar americano.[2] Em maio de 2008, foi lançada a cédula de 500 milhões[4] e em julho do mesmo ano foram lançadas cédulas com valores a partir de 100 biliões de dólares zimbabweanos.

Houve uma reforma monetária que entrou em vigor em agosto deste mesmo ano, no entanto, a taxa inflacionária parece não ceder, havendo projeções de que haja a necessidade de nova reforma em breve.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Alexandre M G Moreira  18/11/2011 09:27
    Grande artigo, Leandro!... Pelos motivos que o faz ser contra... Eu subscrevo!
  • Filipe F.  18/11/2011 09:44
    Como sempre, brilhante artigo!
  • Margarida Molan  28/11/2011 18:48
    Muito bem escrito. Em tempo: não sou artista, nem escritora. Sou pedagoga. Ou seja, também não sei nada. Entre alguns ótimos, escolhi esse: a entrevista do Phd: patriciaguarnieri.blogspot.com/2011/11/analise-do-estudo-dos-impactos.html


    Vou dando meus pitacos nesse projeto absurdo, pelos animais e pela floresta, mas sinto um certo acanhamento. Definitivamente não sou do ramo!
  •   18/11/2011 10:07
    Eu tenho vergonha de falar "Sou contra Belo Monte" justamente por causa disso. Não estou dando a mínima pra floresta, mas vai explicar isso pras pessoas...
  • Domingos  18/11/2011 10:17
    Excelente artigo, Leandro. Parabéns.
  • Fernando Z  18/11/2011 10:19
    Atores são atores.
  • Saindo um pouco do tema...  18/11/2011 10:41
    Gostei da tabela de ocupação do território brasileiro, ela me fez lembrar da outra faceta do coletivismo senil e esclerosado: o neomalthusianismo.

    Muitas pessoas adoram criar aqueles mapas populacionais e de densidade demográfica para "alertar sobre o perigo da superpopulação", e depois debater sobre "como vamos alimentar tantas bocas?". É ridículo como tais mapas são apresentados dramaticamente ao mesmo tempo em que representam tão mal a realidade.

    Como está fervilhando de gente no leste, quase não se pode sair do lugar. É só olhar pro trânsito, né. Que problemão...
    static.infoescola.com/wp-content/uploads/2010/04/densidade-demografica-brasil.gif

    O Amazonas numa situação quase tão "crítica" como São Paulo, Minas e Rio. Muita gente... muita.
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    Incrível como imprimir mais um "dólar", para essa gente, significa mais riqueza, ao passo que um "cérebro humano" a mais no mundo significa pobreza. É a velha sanha anti-humana.
  • JOSUELITO BRITTO  18/11/2011 10:45
    Parabenizo Leandro pelo brilhante artigo. Aproveito para dar uma sugestão: enviar o artigo para o endereço eletrônico dos "sábios" artistas engajados. Quem sabe, talvez resolvam Lê-lo, se é que lêem alguma coisa que presta.
  • Marcelo Cerri  18/11/2011 10:49
    Excelente artigo Leandro!

    Gostaria de somente de fazer um comentário sobre a questão indígena. Diferente do que é alardeado por aí, boa parte dos índios e ribeirinhos não será deslocada, pois a área inundada é relativamente pequena. O problema maior para os índios é que uma enorme extensão do rio Xingu, que antes era de corredeiras, terá suas águas paradas. Isso causa três problemas fundamentais aos índios, segundo o que me disse uma antropóloga que trabalha com os índios do Xingu (pelo menos é isso que eu me lembro):

    1 - Provavelmente haverá um grande surto de malária, doença que mata índios a rodo na Amazônia. Tanto é que a construção se dá hoje de modo ilegal, já que a Secretaria de Saúde Indígena do Min. da Saúde não aprovou o plano apresentado pela empreiteira, o que é exigido por lei.
    2 - A principal fonte de alimentação dos índios daquela região são os peixes de corredeira (caranha, se não me engano). Ao "parar" a água do rio, os índios teriam que se readaptar a outros tipos de pesca.
    3 - Aquelas corredeiras e aqueles peixes são de um valor religioso importantíssimo para aqueles índios. A construção da usina "mataria" seus deuses e faria com que suas vidas perdesse sentido. Isso é tão importante para eles, que hoje muitos deles dizem que entrarão em guerra, que preferem morrer a ver o rio "morto".

    Esses três itens só são problemas porque os índios não possuem a propriedade das terras (são reservas do estado) e, obviamente, porque o estado tem o poder de desapropriar qualquer terra que seja de interesse público. Argumentei isso a antropóloga citada acima e ela me respondeu que "caso déssemos a propriedade das reservas aos índios, eles acabariam vendendo as terras e isso acabaria com aqueles povos, com sua cultura etc". Ora, se eles livremente decidirem que querem acabar com sua cultura, que direito nós temos de impedir?

    Sds!
  • anônimo  18/11/2011 12:56
    Antropologicamente essas argumentações são uma piada.

    A maior parte dos grupos indígenas da amazônia atual é
    oriunda de OUTRAS regiões do Brasil, notadamente do litoral
    do NE, e, expulsos em épocas passadas, se adaptaram ao
    hostil ambiente amazônico.

    Não sei particularmente o caso dos do Xingu, mas esses "protesteiros"
    de 5ª categoria normalmente nem sabem o porque dos seus protestos,
    quanto mais pesquisar em profundidade.

    Se viver no NEOLÍTICO (que é o estágio que querem obrigar os índios
    a ficarem) fosse tão bom e saudável ao ambiente, a Ilha da Páscoa, por
    exemplo, não teria chegado ao esgotamento ecológico.

    Nem tampouco praticamente TODA a megafauna de Madagascar teria
    sido EXTINTA pelos seus primitivos habitantes (antes dos Europeus).

    Nem os primeiros humanos teria contribuído para ACELERAR a extinção
    final da fauna das últimas glaciações....
  • anônimo  19/11/2011 16:58
    A tua justificativa é totalmente inválida! Não cabe a você julgar se um povo merece ou nao ter sua cultura erradicada somente porque seus habitos levam ao esgotamento de uma ilha diminuta. Qual seu ponto? Que os indios estao acabando com a amazonia??
  • Carlos Eduardo G. Araujo  04/12/2011 16:36
    Meu caro, os índios estão se acabando por sí só. Tanga e tinta no rosto só quando tem câmera por perto. O negócio deles é ray-ban, celular e ganhar propina de madeireiro ilegal, quando não são eles mesmos os desmatadores e traficantes de araras. Não existe mais índio inocente, mas existe muito homem branco romântico impressionado com o documentá?io do Al Gore.
  • Luciana  20/11/2011 17:49
    Olá Leandro. Achei o texto muito articulado, assim como o vídeo dos artistas, mas para ganhar adeptos ao pensamento desenvolvimentista a todo custo. Te achei preconceituoso, insensível sobre as relações humanas com o meio e não conhece nada do atual movimento ambientalista.
    Tomara que você, e pessoas que pensem como você, pensem duas vezes em colocar um filho no mundo.
    Ao menos você se preocupa com a tirania do governo com relação à desapropriações indevidas e percebe que o mundo é mundo desde sempre, mas parece esquecer que quem está em risco é a raça humana com tudo o que temos feito com a natureza, da qual fazemos parte e que não estamos aqui apenas para usufruí-la numa velocidade tamanha que não haja tempo para sua resiliência. Ser contra Belo Monte não significa ser contra as UHE e nem ao desenvolvimento de forma sustentada.
  • Leandro  20/11/2011 19:15
    Observem que o padrão de comportamento de todo ambientalista que discorda de você é sempre o mesmo: ou ele diz que espera que você morra ou ele pede para que você não tenha filhos. A intenção final é a mesma: extirpar da terra toda a raça humana, essa lamentável cicatriz na face da deusa Gaia.

    E dizem que eu exagerei no artigo...
  • Tielli Magnus  23/11/2011 23:41
    Só tenho um pequeno comentário sobre esse texto: Pesquise, pesquise mais. Você mesmo vai encontrar erros grotescos nesse texto. E, sim, eu sou bióloga (não ambientalista, embora obviamente entenda a preocupação com o meio ambiente). Não espero agradecimentos de pessoas que pensam como vc pelo trabalho que todos os biólogos, conservacionistas, ambientalistas e afins fazem em prol das gerações futuras, pq vc, e seus afins (que são muitos pelos comentários parabenizando-o) possuem opiniões centradas em seus próprios umbigos. Pra mim isso se chama imaturidade.
  • Leandro  23/11/2011 23:58
    Prezada Tielli, por favor, seja mais caridosa comigo, vai? Aponte-me um (só um, não precisa ser todos) erro técnico em minha análise, por obséquio. Não deve ser nada difícil, já que você dá a entender que "existem vários".

    Até agora, todos os que tentaram "contestar" o texto se limitaram apenas a ficar naquela efusão de lágrimas, demonstrando estupefação por eu não morrer de amores por esse simpático bichinho. Talvez você tenha mais sorte.

    Todas as vezes que me propus ao debate, ou o contestador desconversava e recaía nas afetações sentimentais ou ele simplesmente ia embora, fingindo que não falei com ele. Argumentos técnicos até agora, nenhum.

    Não seja mais uma. Faça a diferença. Por favor, aponte-me onde estou errado.

    Abraço!
  • EUDES  24/11/2011 12:43
    Esse povo é assim mesmo. Primeiro, eles querem que nenhum ser vivo seja incomodado, ainda que seja somente uma doce e amável jararaca. Então, exaustivos estudos são realizados; milhares de páginas, milhares de horas! Depois dos estudos prontos, e não tendo argumentos para condenar a obra, aí eles falam: os estudos são insuficientes, pesquisem mais, pesquisem mais! O ecossistema é muito complexo! A estratégia é : matar pelo cansaço ! Enquanto isso, o tempo passa e nada é feito !


  • Tielli Magnus  24/11/2011 14:28
    Bom, podemos começar falando sobre sua interpretação da tabela com as porcentagens de território nacional ocupado por florestas. Esse me chamou bastante atenção. Deixa eu explicar como interpretar: 95,4% de florestas naturais cobrem, juntamente com lavouras, pastagens e outros, 38,8% do território nacional. Adicionando a essa conta os 14,4% de Unidades de conservação mais 12,6% de terras indígenas (supondo que sejam em sua maioria florestas) temos 65,8% do território nacional ocupado por "florestas" (entre aspas pq não são áreas intocadas, alguma porcentagem dessa conta ainda são áreas utilizadas para consumo indígena, por exemplo). Essa estimativa é bem parecida com a fornecida pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, que em 2000, estimou que 64% do território nacional era composto por florestas. Vc pode dizer que essa porcentagem ainda é alta, mas quem estuda processos naturais, meio ambiente, evolução e possíveis consequências dessa grande degradação ambiental sabe que essa não é uma porcentagem muito alta e ainda que, uma vez perdida, desmatada, devastada, uma área florestal (ou de qualquer outro bioma como cerrado, caatinga, etc) demora muito tempo para se recompor e pode trazer perdas à biodiversidade irreversíveis. Eu consegui entender que vc não liga muito pra essas coisas, e acho esse outro erro bastante grave do seu texto pq isso mostra a falta de conhecimento que vc tem à repeito dessa área (e eu ainda diria que conhecimento é importantíssimo para quem pensa em criticar). Não acho que todo mundo tem que gostar de meio embiente, mas se importar é uma atitude minimamente inteligente, visto que pesquisas sérias PROVAM (assim como alguns desastres naturais) que as consequências da degradação ambiental será devastadora daqui há algum tempo. Portanto não é só a preocupação com o "as minhocas e as piranhas de uma ínfima região da Amazônia" como vc mesmo disse, mas, como vc tb faz parte do meio ambiente, depende dele para sua sobrevivência (caso vc não concorde com isso, não vou me dar ao trabalho de explicar, peço que vc tenha o mínimo de respeito e vá pesquisar antes de criticar) tb é uma preocupação com a sua sobrevivência, com o seu bem-estar e com o seu atual padrão de vida, que segundo vc mesmo nós, biólogos aparentemente queremos destruir.
    E sem hipocrisia né. Nenhum abraço pra vc
  • EUDES  24/11/2011 19:51
    Tielli, você ainda não respondeu ao desafio do Leandro !

  • Leandro  25/11/2011 00:02
    Quod erat demonstrandum.
  • Rhyan  25/11/2011 14:42
    Tielli, poderia me dizer quais os graves males que os humanos sofreriam se os ambientalistas e cia forem ignorados?

    Creio eu que os males econômicos afetam muito mais as pessoas que as previsões mais cabeludas dos ambientalistas.
  • Leandro  25/11/2011 15:19
    Não acho que todo mundo tem que gostar de meio embiente (sic), mas se importar é uma atitude minimamente inteligente, visto que pesquisas sérias PROVAM (assim como alguns desastres naturais) que as consequências da degradação ambiental será (sic) devastadora daqui há (sic) algum tempo.

    Pelo raciocínio da Tielli, o mundo deve ter se mantido exatamente o mesmo desde seu surgimento até pelo menos uns 30 anos atrás, que foi quando -- pelo que se depreende do raciocínio dela -- começaram a desrespeitar a natureza.

    Ela aparentemente não sabe que o local onde ela mora hoje já foi uma densa floresta alguns séculos atrás. E foi só a completa destruição dessa floresta (junto com suas milhares de minhocas) o que permitiu que o prédio (ou casa) dela fosse ali construído e que ela desfrutasse todo o conforte que desfruta hoje -- destruição essa muito mais avassaladora do que qualquer eventual destruição que ocorra hoje em dia. E nem por isso o sol caiu na terra.

    Além de todo o material utilizado na construção do seu imóvel, o seu computador é também formado inteiramente de partes que foram retiradas da natureza. Suas roupas, sua comida, sua cama, seu lençol, seu perfume, seu veículo, sua bebida etc., tudo, absolutamente tudo, só existe neste formato aí, prontinho para ela usar e desfrutar, unicamente porque o homem aprendeu a domesticar a natureza e a extrair dela recursos que ele aprendeu a retrabalhar para o seu próprio conforto.

    É fácil ser ambientalista estando rodeado de luxos e confortos que não existem na floresta. Agora, ir morar na floresta e renunciar à utilização desses bens que foram criados justamente pela exploração da natureza esse pessoal não quer.
  • EUDES  24/11/2011 18:26
    Na Amazônia, muitos acham que a FUNAI é um órgão totalmente indigno crédito. Quem não se lembra do laudo antropológico acerca da reserva indígena Raposa Serra do Sol?

    A sudoeste da cidade de Altamira ( PA ) está havendo algo parecido. Há duas reservas indígenas, Arara e Cachoeira Seca, reservas essas que a FUNAI pretende unir. Caso isso aconteça, cerca de 2000 famílias ficarão sem terras.

    Segundo as pessoas que estão envolvidas nessa questão, os burocratas daquele órgão vão até a região e então elaboram laudos falsos para que o desejo da FUNAI seja realizado. Então há um descontentamento e mobilização geral e a coisa volta à normalidade. Depois de um certo tempo, tudo se repete. Há mais de 20 anos essa história vem se repetindo. Segundo ainda os agricultores que podem ficar prejudicados, os próprios índios não querem que as reservas sejam unidas, pois são tribos inimigas. Mas quem se importa com os índios ?

    Uma parte desses agricultores foi assentada pelo INCRA, a outra parte ocupou pacífica e ordeiramente a terra, terra essa totalmente fora das tais áreas indígenas. Mas quem se importa com os agricultores?

    No norte do Brasil, há pessoas instruídas que acham que seria bom se o país perdesse parte considerável da Amazônia, pois assim, boa parte dessa região poderia estar nas mãos de um país mais sério. Além disso, muitas idiotices acerca da Amazônia sumiriam por completo do cenário político brasileiro.

    As coisas na Amazônia são horríveis para quem nela habita !


  • Bernardo Santoro  18/11/2011 11:09
    Fiquei com inveja. Queria ter escrito um texto sobre esse tema nessa semana, basicamente com os mesmos argumentos, mas me faltou tempo para escrever sobre isso. O problema é que, mesmo se eu tivesse tempo, não conseguiria escrever com tamanha maestria.

    Texto irretocável.

    Parabéns!

  • Cristiano Mendes  18/11/2011 11:20
    É uma pena que o autor do texto ache que 0,01% da amazÕnia é insignificante. É uma pena o desprezo do autor pela natureza e pelo planeta em que vivemos. Ele justifica isso com o argumento " estão destruindo muito mais por aí perto do que vamos destruir agora". É o mesmo argumento de quem despeja lixo num local indevido porque lá já está cheio de lixo.\r
    \r
    Por que não defender outros meios de enrgia mais limpas. Eles já existem. E mesmo se não existissem , com 24 bilhões seria possível desenvolver muitos deles. \r
    \r
    Sobre os artistas, concordo, eles não tem moral nenhuma, mas a causa que está sendo defendida , na minha opinião é uma causa nobre.
  • Leandro  18/11/2011 11:44
    Prezado Cristiano, a natureza existe para servir a mim e não eu a ela. De fato, não sou nenhum venerador de árvores como o senhor, e isso por dois motivos:

    1) Ambientalistas são tipos de classe alta, gente chique que mora em regiões como Morumbi, Jardins, Leblon, Ipanema, rodeada de todos os confortos que apenas o capitalismo pode dar. Nenhum ambientalista mora no meio de árvores e madeiras. Quem mora, não tem nenhuma ilusão quanto à bondade da deusa Gaia.

    2) Como todas as pessoas que vivem em florestas sabem perfeitamente, a natureza não é sua amiga. Ela é algo que deve ser temido e respeitado, mas não venerado.

    Quem melhor descreveu a situação foi Aldous Huxley:

    Para nós que vivemos sob um céu temperado e na era de Henry Ford, a adoração da Natureza vem de maneira absolutamente natural. Porém, a natureza é um inimigo contra quem sempre se está em guerra, um inimigo invencível, indomado, indomável, inconquistável e incessantemente ativo. Há que se respeitá-lo, talvez; deve-se ter um temor salutar em relação a ele; e deve-se sempre dar continuidade à luta interminável.

    Albert J. Nock acrescentou: "Vejo a natureza apenas como um inimigo: um inimigo altamente respeitável, mas um inimigo".

    Durante a maior parte da história, a atitude normal dos humanos em relação à natureza foi bem expressa pelos peregrinos, que temiam a "horrenda, desoladora e imensa vastidão da natureza, repleta de bestas e homens selvagens". Apenas uma sociedade livre, que conseguiu domar a natureza ao longo de várias gerações, nos permite ter uma visão diferente da dos peregrinos.

    A própria existência da humanidade depende da subjugação da natureza, a qual deve ser constantemente domesticada e adaptada aos nossos conformes. Se algum dia pararmos de fazer isso, as selvas irão reivindicar e retomar nossas cidades.

    Quanto a você dizer que meu argumento é "estão destruindo muito mais por aí perto do que vamos destruir agora", ora, isso não é argumento nenhum. Apenas apontei uma falha na argumentação dos artistas. Anualmente perde-se 19.000 km2 e nada acontece. Logo, não serão meros 640 km2 que trarão o fim do mundo.

    E isso não é o mesmo argumento de "vou despejar lixo num local indevido porque lá já está cheio de lixo" por um simples motivo: alterar o uso que se dá às florestas está longe de ser equivalente a despejar lixo onde já há lixo. Não tente vir com sofismas pra cima de mim.

    Por fim, você pode defender a energia limpa que quiser. Apenas não obrigue os outros a aceitar estes seus métodos que reduzem a produção de energia per capita -- além de serem bem mais caros, outro fato sobre o qual os iluminados não falam.

    Grande abraço!
  • Cristiano Mendes  18/11/2011 12:55
    Caro Leandro,\r
    \r
    Vamos por partes:\r
    \r
    1) Existem ambientalistas que moram no meio do mato , sim, e que são pobres.Chico Mendes era um deles. E as classes mais altas e artistas apoioam o ambientalismo porque são classes com mais acesso a informação e educação, com mais senso crítico. \r
    \r
    \r
    2) SObre energia mais limpas, eu não sou um expert em geração de enrgias, mas todos sabem que é possível sim energia barata e limpa, mas falta vontade política, que como você mesmo disse , estão envolvidas empreiteras, bancos, e políticos. O que vale para essas pessoas é o dinheiro nol bolso, seja qual for o custo, seja quantas vidas ou florestas serão destruídas.\r
    \r
    3) Acho que a grande discondância entre nossas idéias é o fato de você achar a natureza nossa inimiga, e eu já vejo o oposto. É dela que você tira o seu alimento , o ar que você respira ,a água que você bebe, e um solo para construir sua casa. Sem a natureza você não vive.\r
    \r
    O preço para essa destruição virá num futuro breve, mas hoje já temos exemplos reais de problemas causados por essa destruição.\r
    \r
    - aquecimento global\r
    - extinção de espécies animais\r
    - derretimento de geleiras eaumento do npivel dos oceanos\r
    - buracos na camada de ozônio causando maiores riscos de câncer de pele\r
    - Erosão\r
    - Empobrecimento dos solos\r
    - desertificação\r
    - proliferação de pragas\r
    - diminuição das chuvas\r
    \r
    \r
    -------------------------------------------------------------\r
    \r
    (Para os que não ligam para "miquinhos" e "passarinhos" mortos, não percam tempo lendo esta parte)\r
    \r
    E já falando na esfera espiritual ( creio que esta você não leva em consideração) , não consigo entender como pessoas podem desprezar e destruir irresponsávelmente e sem respeito algum, algo tão grandioso, belo e divino, que tem vida própria assim como nós. Algo que já existia muito antes de nós. Algo que nos permite viver.O habitat de seres vivos como nós. Não são apenas minhocas e girinos. São milhões de árvores, pássaros, onças, macacos, lagartos, cobras, etc. É fácil dizer no conforto do lar que não vê problema nessa destruição. Mas garanto que se cada pessoa assitisse de perto esse show de horror que são animais se afogando e árvores sendo submersas, algum sentimento seria adespertado. \r
    \r
    ---------------------------------------------------\r
    \r
    RESUMO:\r
    \r
    - É possivel energia limpa, só não há interesse político e por parte de bancos e empresário\r
    \r
    - Alguns enxergam a naturaza e toda a vida no planeta como algo a ser respeitado. Outros desprezam totalmente e não possuem nenhum sentimento pela vida no planeta, a não ser pela sua própria vida. Por isso não hávera um conscenso\r
    \r
  • Leandro  18/11/2011 13:17
    Prezado Cristiano, a natureza é nossa inimiga no sentido de que não podemos nos dar ao luxo de ser indiferentes a ela. Ou nós a domesticamos ou ela nos subjuga. Observe que isso não significa que devemos destruí-la, como você falsamente me acusa de querer. Assim como você não pode colocar uma surucucu dentro da sua casa, você também não pode achar que a natureza vai lhe tratar bem caso você nada faça a ela.

    Ademais, é totalmente errado você dizer que não há energia limpa porque "falta interesse político, de bancos e de empresário". A frase correta é: "Não há aquele tipo de energia que eu quero que os outros utilizem simplesmente porque todas as outras pessoas não querem utilizá-las -- ou porque elas não são tão esclarecidas quanto eu, ou porque são realmente espertas e sabem que não compensa abrir mão de conforto e padrão de vida em troca de algo caro e insuficiente"

    Porém, se você realmente gosta da natureza, faça isso aqui.

    E se você acredita em aquecimento global, temos muito material para você aqui.

    Aliás, o aquecimento global realmente existiu. Há 120.000 anos. Naquela época, hipopótamos viviam nos rios Reno e Tâmisa, e a Europa tinha uma espécie de "aparência africana".

    Dali em diante, quando as temperaturas começaram a cair, as geleiras se moveram continuamente na direção sul, e o nível do mar na Europa diminuiu em mais de 100 metros. Os rios Tâmisa e Elba se tornaram afluentes do Reno, antes de este passar a correr até o Mar do Norte e dali para o Atlântico. Quando este período terminou, muito abruptamente, há aproximadamente 12.000 anos, as geleiras rapidamente retornaram e o nível do mar subiu, não apenas milímetros por ano, mas sim muito rapidamente, quase que como um dilúvio. Em um curto espaço de tempo, a Inglaterra e a Irlanda, que até então eram ligadas ao continente europeu, se tornaram ilhas. Foi assim que o Mar Báltico e grande parte do atual Mar do Norte surgiram.

    Do mesmo modo, grande parte do que hoje é o Golfo Pérsico passou a existir apenas naquela época.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1037#Parte1


    Ou seja, quando a Europa voltar a ter uma aparência africana, aí sim a gente pode pensar em aquecimento global.
  • Natália  18/11/2011 17:05
    Eu acho que vc está muito enganado sobre ambientalistas, ou conheceu os errados. Aqui por onde eu moro (Manaus - Amazonas, que diga-se de passagem NÃO moro no meio do mato) sou e conheço muitos cientistas ambientais e posso lhe dizer que quando vc fala a respeito da gente com trechos absurdos como ""O movimento ambientalista, portanto, é um movimento profundamente anti-mercado, anti-bem-estar e anti-desenvolvimento, pois suas propostas solapam por completo a produtividade do trabalho"". Acho que vc tem que estudar mais a respeito dos ambientalistas mesmo e não ongs que tem apoio da mídia.
  • Leandro  18/11/2011 17:19
    Prezada Natália, exatamente! Você não mora no meio do mato. Se morasse, não teria ilusões quanto à bondade da natureza e talvez passasse a entender que, se você não domar a natureza, ela certamente lhe subjugará.

    Ademais, acho que talvez fosse você quem deveria estudar mais economia e entender que sem uma crescente produção de energia, não há aumento da produtividade e, consequentemente, não há desenvolvimento, nem enriquecimento e nem fim da pobreza absoluta.

    Não estou dizendo que você defenda subdesenvolvimento e perpetuação da pobreza; estou dizendo que as ideias que você julga correto defender levam a isso, embora não seja essa a sua intenção.

    Grande abraço!
  • Natalia  18/11/2011 17:49
    Eu acho que vc não entendeu meu ponto, mas tudo bem. Não tenho nenhuma ilusão quanto à natureza e acho que ela é fonte de matéria-prima para muitas coisas na nossa vida coisas que nem preciso citar que de certo vc sabe e entende bem como energia, moradia, alimentação e muitas outras, mas isso não exclui o fato de que se a devastarmos totalmente ficaremos exatamente sem moradia, energia, alimentação etc etc etc...

    E quanto ao estudo da economia eu sei muito bem que é de fundamental importância a produção de energia no nosso país, afinal eu lhe escrevo de um notebook ligado na tomada, com internet do modem também ligado na tomada, dentro de uma sala com iluminação e diversos aparelhos eletrônicos, todos utilizando e dependendo da energia produzida . Pelo menos os meus colegas de trabalho e eu (não posso falar por todos os ambientalistas pois não os conheço e não caio no erro de generalizar tanto) não falamos de maneira nenhuma que a produtividade e desenvolvimento do país não dependa da energia, pois isto é extremamente óbvio; Apenas defendemos uma matriz energética mais mista, ao contrário do que vc disse não queremos abolir a energia proveniente de hidrelétricas(até porque as que foram bem planejadas e implementadas em locais certos renderam um ótimo desenvolvimento e uma geração de energia boa ao longo de todo o ano, vide Itaipu), e sim que cada país e no nosso caso do Brasil, cada estado desenvolva uma matriz energética mista e que leve em consideração a realidade local, assim como você citou o exemplo da energia eólica que não é possível em todos os estados do nosso país.
    Acho que o meu ponto não ficou claro no comentário anterior e espero ter esclarecido um pouco, de certo todos que são a favor ou contra Belo Monte tem seus argumentos válidos e devemos respeitar, mas daí falar uma série de inverdades sobre ambientalistas já é um pouco demais, mas tudo bem, respeito sua posição e seu direto de falar.

    PS: Não encontrei o link para o pdf de um arquivo escrito por cientistas daqui encaminhado para o Ibama que tem estudos econômicos, biológicos e sociológicos com dados que vc deveria e, de certo, gostaria de saber, com indicadores e números que expõe que o custo x benefício de Belo Monte é péssimo, o que é uma pena, mas se encontrar no futuro lhe enviarei por aqui.
    Abraço.
  • Alexandre Zapruder  18/11/2011 20:38
    Esse Cristiano só pode estar de brincadeira. Troll.
  • Dw  17/09/2013 19:11
    Este ano, nevou aqui na minha região, algo que não acontece a mais de 30 anos. Aonde está o seu aquecimento global?
  • Cristiano Mendes  18/11/2011 17:39
    Leandro,\r
    \r
    Sim, minha casa está em local onde haviam plantas e animais, e tenho algumas considerações sobre isso:\r
    \r
    - Eu disse anteriormente que sou a favor de usufruir da natureza causando o mínimo de destruição porssível. Não sou hipócrita para defender a idéia de que vivamos como índios\r
    \r
    - Uma ocupação gradual onde~vão construindo casas e as espécies tem chance de migrar lantamente é totalmente diferente da inundação repentina de 650km2 de floresta fazendo a água passar como um rolo compressor por cima de tudo que está vivo\r
    \r
    \r
    Sobre ficar rico, sim , eu quero, mas não a qualquer custo e sem nenhum respeito à vida, sem nenhm escrúpulo\r
    \r
    \r
    E sobre pagar caro pela energia solar, você acha que a ciência não é capaz de desenvolver formas de baratear essa energia, ou até outras formas novas? E a energia eólica? Alguém disse aqui que teria que devastar grandes áreas. Eu discordo. As hélices de captação do vento (não sei se é essa a descrição correta) podem se colocadas espalhadas em diversos locais. \r
    \r
    Não quero impor a minha vontade aos consumidores, quem impõe são os que não oferecem alternativas mais baratas e limpas que poderia beneficiar o consumidor e a natureza, simplesmente porque não vai encher mais os bolsos de políticos e empresas. Pergunte aos consumidores se eles preferem uma energia limpa com um custo viável. Hoje eles não tem opção.\r
    \r
    E sobre ser um avatar, com certeza não sou, mas eu questiono o que acontece hoje no planeta e sei que podemos melhorar o mundo e sair da inércia que vivemos . Não aceito tudo passivamente. \r
  • Matheus  18/11/2011 17:58
    Você falou de Chico Mendes alguns comentários acima como se o único interesse dele não fosse proteger o mercado no qual ele mesmo atuava.
  • Eduardo Ameruso  18/11/2011 21:36
    Que é um mercado totalmente sustentável. Estive recentemente no Acre e pude constatar uma classe média vivendo, na e da floresta. Os seringueiros além da borracha recolhem castanha da pará, entre outros frutos, e com a ajuda do estado, também exploram o eco-turismo, que como sabemos esta na última moda. Isso tem aumentado o nível de vida desses cidadãos e preservado a floresta.
  • Heber  20/11/2011 01:56
    Seringueiros sustentáveis com "auxílio do governo"??? Seringais sustentáveis são os daqui de Minas Gerais, que são plantados em propriedades privadas, produzindo de verdade.
  • void  20/11/2011 02:31
    "Que é um mercado totalmente sustentável. Estive recentemente no Acre e pude constatar uma classe média vivendo, na e da floresta. Os seringueiros além da borracha recolhem castanha da pará, entre outros frutos, e com a ajuda do estado, também exploram o eco-turismo, que como sabemos esta na última moda. Isso tem aumentado o nível de vida desses cidadãos e preservado a floresta."

    Ainda bem que temos a Malásia pra suprir a demanda mundial por borracha. Já imaginaram como seria depender da gigantesca produtividade desses "seringais sustentáveis" do Acre?
    E o negócio dessa "classe média" é tão próspero que precisam complementar com COLETA de castanhas e frutinhas, e receber subsídios estatais. Sustentabilidade é isso: nós pagamos, eles se sustentam. Espero que um dia adicionem a palavra "auto" à essa brincadeira aí.
  • void  20/11/2011 02:42
    Heber,

    fui procurar agora na wikipedia e descobri que São Paulo é o estado que mais produz borracha natural no país(embora não tenha encontrado a fonte da afirmação). Eu vivo em SP e nem sabia disso, não se vê muitas seringueiras por aqui(ao menos pelas cidades que conheço, entre o centro e o oeste do estado). Minha conclusão: que grande piada a produção brasileira. E ainda vem um maluco se vangloriar por algo que não serve pra nada, senão pra colocar um político (e alguns milhares de eleitores beneficiados) agarrado ao nosso bolso.


    www.iac.sp.gov.br/UniPesquisa/Seringueira/Imagens/Seringueira1.JPG
  • Heber  20/11/2011 03:25
    Na verdade a produção brasileira em seringais plantados está aumentando, assim como toda a produção agrícola, porque opera em sistema de livre mercado ao contrário de concorrentes na Europa e nos EUA, que se utilizam de protecionismo.
  • Hay  18/11/2011 12:14
    Por que não defender outros meios de enrgia mais limpas. Eles já existem. E mesmo se não existissem , com 24 bilhões seria possível desenvolver muitos deles.

    Nos EUA, o governo gastou muito mais do que 24 bilhões em empresas de "energia limpa". Resultado: algumas pessoas ganharam rios de dinheiro, e os resultados foram pífios. Por que? Ora, porque a demanda simplesmente não é significativa, ela existe muito mais na cabeça dos ambientalistas do que no mundo real. Quando a demanda for realmente significativa, garanto que aparecerão métodos realmente inovadores - desde que o governo não decida que o mercado precisa ser controlado e dê mais uns trilhões para empresas amigas do governo "protegerem a natureza". Provavelmente esses métodos serão inicialmente muito caros, e somente pessoas com bastante dinheiro terão acesso a eles. Com o tempo, porém, o custo diminuirá, pois é do interesse de quem produz conseguir vender para mais pessoas. Nosso bisnetos ficarão pensando em como era a vida antes da tecnologia X, e em como eram arcaico o uso do petróleo como combustível (Aliás, pare para pensar: quais são os maiores protetores das indústrias ligadas ao petróleo? Ora, os governos! ). Foi assim com os carros. Foi assim com os computadores. Foi assim com os smartphones.
  • Leandro  18/11/2011 11:43
    Prezados, agradeço enormemente aos elogios. Grande abraço a todos!

    P.S.: Marcelo Cerri, obrigado por esta importante informação adicional.
  • Matheus de Moura Sena  18/11/2011 11:54
    Parabéns Leandro,\r
    \r
    Brilhante texto. Estou recomendando para todos a leitura do que você escreveu.\r
    \r
    Abraço!
  • Robert  18/11/2011 11:55
    Muito boa abordagem do assunto, Leandro, mas quando se trata de energia eólica ou solar a abordagem costuma ser incompleta, como foi neste caso. Devido a presença massiça e sufocante do estado em tudo o que se refere a energia elétrica (e não só nisso), nós ficamos acostumados a tratá-la como sendo sempre uma coisa grandiosa, só tendo utilidade se abranger a imensidão do território brasileiro. Ora, gerar energia elétrica é coisa banal e pode ser muito simples, e cito como exemplo o pequeno gerador que se usa nas bicicletas para acender o farol dela. Basta encostar o rotor do geradorzinho na roda, e o farol acende, iluminando o caminho do ciclista. Este pequeno gerador não vai atender ao Brasil inteiro, mas o ciclista fica satisfeito. O mesmo acontece com as energias de baixa concentração, às vezes nem tão baixas, como a eólica. Não vejo motivo algum para desprezá-la, principalmente considerando que um gerador pode ser instalado num pequeno espaço, em qualquer local que disponha de um pouco de vento embora não seja contínuo. A energia é uma coisa que se soma, e tudo o que for somado é vantagem. Se for gerada mais energia do que se consome no local, a sobra poderá facilmente ser adicionada à rede elétrica nacional. O nosso país abriga riquezas naturais de todo tipo, e cabe a nós aproveitá-las.
  • Leandro  18/11/2011 12:06
    Exatamente, Robert, não há motivos para desprezar a energia eólica, a qual, como escrevi, pode gerar eletricidade, mas não o suficiente e em nível nacional. Ela pode funcionar bem como complemento local, e não para o país inteiro. Se o sujeito quiser colocar um moinhi no terraço do prédio dele ou em frente à sua casa de campo, serei o primeiro a defender seu total e irrestrito direito de fazer isso.

    Só que há dois contras: a energia é mais cara e tem de estar ventando continuamente.

    Abraços!
  • Catarinense  18/11/2011 19:27
    E o governo vai querer largar o osso deste monopólio Leandro? Hehehehe... Já imaginou nas possibilidades de geração energética caso as pessoas fossem livres para investir e empreender? Bom, chega de sonhar. Excelente artigo, como de costume! Abraços!
  • Pscheidt  18/11/2011 13:42
    De fato, o Estado brasileiro tem pesadas regulações quanto a produção de energia, que invariavelmente tendem a centralização energética nestes grandes projetos. Não fosse a intervenção estatal, nós veríamos a popularização da produção mais local de energia. Eu vejo que a energia eólica e solar é especialmente atraente quando aplicada em pequenos empreendimentos independentes. A ideia de fazer grandes projetos centralizados para abastecer grandes cidades só pode existir hoje sob pressões ambientalistas.

    A centralização energética é, inclusive, ferramenta de controle sobre a população, que se torna dependente da energia que vem de grandes instalações controladas pelo Estado.
  • Marco Aurelio Agarie  18/11/2011 12:12
    De fato, é preciso concordar com os comentaristas anteriores e parabenizar o autor. Leandro Roque demonstrou muito brilhantismo ao frisar que a mente ecológica que ora permeia o meio artístico, delira demais e, ao meu modo de ver, revela certa anencefalia quando propõe agendas sérias ao usar a mesma mentalidade de defesa de borboletas, micos e ratos do mato para a defesa do impedimento de construção de uma hidrelétrica. Outrossim, o Ibama ao fazer coro a esta esquizofrênica turma, multa, prende e ameaça qualquer um que ponha em risco uma espécie vegetal ou animal. Na Natureza o surgimento e a extinção de milhares de espécies ocorre desde que o mundo existe, independentemente da ação do homo sapiens. Não se trata de premiar matanças e atitudes predatórias mas nunca chegar ao nível absurdo que o Ibama pretende. Curiosamente este órgão parece pensar que recebeu a incubência de Deus para a preservação da natureza brasileira e que para tanto a dignidade humana deve ser considerada desnecessária, descartável e insignificante! Oportunamente, recordo que há um site, o Mídia Sem Máscara, onde se encontram interessantes artigos que falam de ambientalismo e que convergem, em conteúdo e diretriz, com este tema de Leandro Roque. Recomendo, principalmente os escritos de Luís Dufaur. Ele consegue, com invulgar habilidade e inteligência, agregar argumentos pesados para a descontrução deste mito de "Aquecimento Global". Até Al Gore se fosse honesto e sincero se sentiria na obrigação de se desmentir se lesse este autor.
  • Carlos Santos  18/11/2011 12:21
    Excelente artigo.

    Eu não estou bem certo se sou a favor ou contra a construção dessa usina. Apesar de todas as agressões a direito que já foram empreendidas e que ainda serão para a construção de Belo Monte, nós precisamos de energia. As alternativas apresentadas pelos ambientalistas são insuficientes e a energia nuclear, não tenho certeza mas me parece que sim, é mais cara e ainda trás os mesmos problemas morais de uma hidroelétrica (sem falar nas dificuldades políticas para se tocar um projeto nuclear tão pouco após o grave acidente em Fukushima Daiichi), aliás, de qualquer "empreendimento governamental".

    Só resta então uma certeza: precisamos de energia ou não conseguiremos desenvolver este país e aumentar nosso bem-estar.
  • Leonardo  18/11/2011 13:00
    Excelente artigo!

    Para os ambientalistas não basta apenas abandonarmos todas as atividades que emitam CO². Temos que inclusive mudar nossos hábitos alimentares, deixando de comer carne, pois bois e ovelhas peidam demais! Peido é metano, um gás estufa! Sem contar que é uma maldade sem tamanho matarmos vaquinhas por puro 'prazer' degustativo... Cadê os direitos das vaquinhas?

    Daqui a pouco estarão advogando para segurarmos nossos peidos e respirarmos menos.
  • Catarinense  18/11/2011 19:29
    Esqueceu dos direitos humanos dos animais! Seu sem coração! Comer outro ser que pensa e tem sentimentos? Ahahahaha chega de tanto absurdo se nao passo mal, abraços!
  • Ale Straub  18/11/2011 13:35

    A natureza sempre se adapta, é verdade. Mas as espécies nem sempre. O problema é que a adaptação da natureza normalmente implica em eliminar algumas espécies. Pode ser a espécie humana.

    Se estamos aqui até hoje é porque nossa espécie foi moldada através da evolução que selecionou os indivíduos mais adaptados. Ou seja, a natureza não está aqui para nos servir. Nem para nos destruir. Ela é simplesmente indiferente.

    Por isso é importante entendermos todas as relações entre nós e o meio ambiente. Isso se chama ambientalismo e é isso que vai manter nossa espécie viva. Ambientalismo baseado na ciência.

    Devemos combater o ambientalismo baseado em crenças. Que na verdade é um pseudo ambientalismo. Crenças são inimigas da ciência e consequentemente inimigas do ambientalismo também.


    E pra terminar.

    Uma coisa é defender que o governo não deva investir em cultura. Na maioria dos casos eu concordo. Outra é dizer que projetos culturais são totalmente sem importância. No meu entender a arte é a única coisa que dá algum sentido para a vida.

  • Capitale  18/11/2011 14:51
    Na verdade, aquela passagem dizendo que projetos culturais são sem importância é uma ironia. Talvez não tenha sido muito claro (eu reli o trecho pra ter certeza).
  • Vitor Hoher Nunes  18/11/2011 15:28
    Acredito que não foi ironia não. Creio que o Leandro (e se for isso mesmo, compartilho com sua opinião) quis mostrar que se os artistas protestam contra o roubo do dinheiro público para um obra que seria útil pra população, que é uma hidrelétrica, os mesmos artistas deveriam ficar mais revoltados ainda se o fim fosse o patrocínio de seus filmes e afins, que causam um benefício praticamente nulo e que poderiam ser ofertados sem o dinheiro público.
  • Ze  18/11/2011 13:38
    Vou copiar aqui um comentário que fiz à varios sobre energia elétrica quando o assunto eram os "monopólios naturais" no artigo "Sobre as privatizações (Parte 1)":

    "Eu imagino que essa história de "monopolio natural" surgiu pelo tipo de empresas desses setores que foram feitas.
    Por exemplo o setor energético. É absurdo dizer que é um setor que precisa ser gigante, por isso caro e de retorno lento.
    Hoje, como no Brasil, existem aí gigantes energéticas que produzem em um lugar e enviam a energia a milhares de quilometros... Isso é uma forma grotesca de "centralizar" a produção e destribuição energética. É ridiculo.
    Em um ambiente de livre mercado energético, eu vejo essas gigantes indo a bancarrota facil por conta de pequenas e enxutas empresas regionais, produzindo energia de diversas maneiras diferentes e enviando elas nas redondezas a custos muito baixos, e crescendo assim, com concorrencia e descentralização geral da produção. Qualquer um com um geradorzinho a diesel poderia vender tranquilamente energia pro bairro pra concorrer com qualquer outro dono de um gerador movido por uma pequena hidrelétrica.
    Claro que isso seria um começo, e esses pequenos empresários poderiam crescem muito e oferecer ótimos serviços.
    Agora... contruir uma hidrelétrica gigante no Sul do Brasil, monopolizar totalmente o setor, tentar usar ela pra distribuir energia pro Brasil quase inteiro? Isso do meu ponto de vista é pura burrice.
    Isso ficou claro naquele apagão recente de Itaipú. Embora ainda estatais, oferencendo enormes falhas, as empresas menores, regionais, como no interior de São Paulo onde eu vivo, e de outras localidades, deram conta da falta de energia de Itaipu, mostrando que centralizar tudo como o governo faz é caro e ineficiente.
    É claro que o setor de energia é considerado um "monopólio natural", o pessoal constroe esses dinossauros..."
  • Ze  18/11/2011 13:45
    Tem um detalhe adicional sobre energia eólica ou solar.

    Para se produzir energia solar em uma quantidade relativamente grande, as áreas que precisam ser abertas são muito grandes. Então para produzir muita energia com paineis solares seriam necessarias muitas areas devastadas. Isso fora o fato que armazenar essa energia é complicado.
    Para produzir energia por turbinas eólicas é necessario estar em regiões litoraneas, isso afeta uma grande diversidade de espécies animais, mata muitos pássaros, faz muito barulho e acaba com a paisagem(o que prejudica turismo).

    Ambientalistas são cegos nas proprias ideias, não sabem o que querem.
  • anônimo  21/11/2011 01:51
    Não se preocupe, quando energia eólia e solar forem viáveis, os ambientalistas vão passar a enxergar esses problemas também, até chegarem ao ponto de julgar aceitável apenas a tração humana em qualquer maquinário.
  • Paulo Sergio  21/11/2011 08:47
    ' Isso fora o fato que armazenar essa energia é complicado.'

    Armazenar QUALQUER energia é complicado, porisso que usina nenhuma armazena nada, ela gera e solta tudo direto na rede elétrica.
    E não existe 'essa energia', toda energia é energia, a diferença entre energia química, energia solar, etc, é só a fonte que gera ela
  • anônimo  22/11/2011 08:38
    Com certeza Paulo. Foi falha minha ao escolher as palavras.
  • buginga  23/11/2011 15:41
    Errado,\r
    A grande vantagem das usinas hidrelétricas é a possibilidade de armazenar energia na forma de água estocada em barragens. No Brasil há reservatórios de usinas com período de regularização de até 5 anos! \r
    Não é o caso de Belo Monte, que teve o projeto alterado para minimizar a área alagada e, portanto, será a fio d´água. Mas a água da barragem tem que ser interpretada como uma gigante bateria, armazenando milhares de MWh.
  • Francisco  18/11/2011 15:32
    Isso me lembra o grande George Carlin

    www.youtube.com/watch?v=X_Di4Hh7rK0
  • Cristiano Mendes  18/11/2011 15:37
    Leandro,\r
    VOy ver se arrumo tempo para ler seus links mais tarde, agora impossível.\r
    \r
    Enquanto isso vou apenas comentar algumas frases suas:\r
    \r
    "Observe que isso não significa que devemos destruí-la, como você falsamente me acusa de querer."\r
    \r
    Resp: Ora, então inundar 640 km2 de florestas não é destruir?\r
    \r
    ---------------\r
    \r
    "A frase correta é: "Não há aquele tipo de energia que eu quero que os outros utilizem simplesmente porque todas as outras pessoas não querem utilizá-las -- ou porque elas não são tão esclarecidas quanto eu, ou porque são realmente espertas e sabem que não compensa abrir mão de conforto e padrão de vida em troca de algo caro e insuficiente"\r
    \r
    Resp: As pessoas não utilizam outros meios de energia porque é caro e inviável. E é caro e inviaável porque falta interesse político e econômico em desenvolve-los. Garanto que se o homem foi à lua, inventou o computador, transplanta orgãos, e faz cirurgias à distânca , tenho certeza que é capaz de desenvolver um meio de energia limpa e barata sem cometer uma atrocidade como esta de Belo Monte
  • Leandro  18/11/2011 16:14
    Prezado Cristiano, sobre a sua primeira pergunta, vai depender de qual o propósito da "destruição".

    Por exemplo, se você desmata 1 km2 de floresta pelo puro prazer de desmatar, sem construir nada no local, então sim, houve destruição. Houve um desperdício completo de capital, algo totalmente desnecessário.

    Agora, se você desmata 1 km2 de floresta para construir alguma coisa em seu lugar, algo que foi voluntariamente demandado por pessoas, então obviamente está havendo uma construção e não uma destruição. Você está gerando valor. Você está produzindo algo que está sendo demandado.

    E é justamente aí que entra a importância da propriedade privada dos recursos naturais: se você for o dono desse 1 km2, você terá todo o interesse em mantê-lo cuidadosamente preservado, pois ele gera valor para você. Se você for um madeireiro -- ou se você alugar o seu espaço para madeireiras --, será do seu total interesse manter aquele espaço plenamente fértil e utilizável, pois é dali que virá a sua renda. Você terá vários incentivos para cuidar muito bem daquela terra, pois sua preocupação é com a produtividade de longo prazo. Você, por exemplo, vai ceifar apenas um número limitado de árvores, pois não apenas terá de replantar todas as que ceifou, como também terá de deixar um número suficiente para a colheita do próximo ano.

    Exatamente por isso a defesa da propriedade privada dos recursos naturais deveria ser a principal bandeira dos ambientalistas, pois é a única maneira de a natureza ser genuinamente preservada. Não entendo como vocês querem entregar ao governo essa função e achar que ele fará um bom serviço. A propriedade estatal dos recursos naturais é a maneira mais garantida para a destruição dos recursos naturais.


    Quanto aos meios alternativos de energia, você disse que são caros e inviáveis "porque falta interesse político e econômico em desenvolvê-los". Ora, interesse político é justamente o que não falta. Nos EUA e na Europa, os políticos só faltam andarem nus, tão fanáticos que são com essa questão ambientalista.

    Porém, de fato, não existe interesse econômico. E não existe simplesmente porque a população não quer saber disso. E é exatamente isso que vocês não aceitam, pois querem impor seu modo de vida a todos.

    Aliás, um perfeito exemplo dessas duas situações ocorrendo ao mesmo tempo (total interesse político e nenhum interesse econômico) é o recente escândalo da empresa Solyndra, nos EUA. Tá sabendo? (Acho que foi a isso que o leitor Hay ali em cima estava se referindo). Leia. A empresa recebeu gordos subsídios do governo Obama e, logo em seguida, quebrou.... Quebrou porque os consumidores não queriam seus produtos. E o contribuinte americano ficou com a conta na mão.

    Grande abraço!
  • Luis Almeida  18/11/2011 16:30

    Leandro

    se você desmata 1 km2 de floresta pelo puro prazer de desmatar, sem construir nada no local, então sim, houve destruição. Houve um desperdício completo de capital, algo totalmente desnecessário.

    Aí você não considerou o lucro pisíquico, que é o objetivo de toda ação humana.

    Se você assumiu que houve prazer, então não houve desperdício, houve ganho; e de forma nenhuma foi um ato desnecessário.

    E depois de retirado o mato de uma área, se não continuar os esforços em manter a área limpa, o mato vai tomar conta de tudo novamente.


  • Ninah  18/11/2011 16:15
    O que mais me desagrada nesse vídeo na verdade, não é o fato de ter sido protagonizado por atores bem conhecidos. Se eu tivesse dinheiro ou pelo menos acesso à eles para vender uma ideia, não pensaria duas vezes em utilizar do mesmo artifício. Mas a questão é que o vídeo é totalmente apelativo e deixa um vão na parte prática. Sim existem alternativas à hidrelétrica, eles afirmam. Mas quais são as alternativas? Qual o plano B que pode ser usado e que resolva no mesmo limite de tempo, com menos impacto e menos recursos financeiros? Não há uma resposta concreta, apenas a afirmação contínua e excessiva de que existe a energia eólica, existe a energia solar. Sim existe, mas é viável para um país como o Brasil? É tão mais limpa ou menos dispendiosa do que a hidrelétrica? Necessitamos de urgência na elaboração desse meio de gerar energia. Essas alternativas sairiam do papel com essa tamanha rapidez? Sou uma dona de casa, formada em artes plásticas que poderia dizer: "Nada tenho a ver com toda esse blá blá blá. Tenho pena da Amazônia, vão alagar tudo, (isso é o que o vídeo dá a entender a leigos como eu) e vou assinar porque são pessoas famosas e idôneas, ponto." Mas não gosto de ir por tendências e acho que o vídeo é bem feito sim, mas muito raso pra simplesmente empurrarem as pessoas para assinar algo que eles mesmos não abordam com profundidade. É como assinar sem ler. Acho isso perigoso. Não quero ser responsável pela destruição de ninguém, nem animais, nem desapropriação das casas das pessoas, mas acho que não é apenas afirmar que o mundo será destruído pela construção dessa usina. Infelizmente a discussão disso é feita tardiamente e agora existe a iminência de dificuldades com abastecimento de energia no país. Meu lado racional não acredita que exista alternativas infalíveis e que respondam a todo esse desejo de preservação em tão pouco tempo e com tanta eficiência. Se alguém puder me indicar alguns links em que eu possa me aprofundar no assunto, me informar e ponderar corretamente e por fim ter minha opinião formada, se é que ela vale de alguma coisa, eu agradeço.
  • Cristiano Mendes  18/11/2011 16:36
    Lenadro,\r
    \r
    ANtes de tudo não sou ambientalista e nem socialista ou comunista ou seja lá o que for ( pelo contrário tenho aversão a esses últimos). Eu apenas não consigo ver tamanha destruição sem respeito nenhum à natureza.\r
    \r
    Continuando os argumentos, eu entendi seu raciocínio: " os fins justificamn os meios" . Se for útil para nós detruir uma floresta porque teremos uma hidrelétrica, então não se considera isso destruição. Ok, é uma forma de se pensar, porém eu prefiro outras formas que haja respeito à natureza, animais,e aos que já moram no local muito antes de nós. \r
    \r
    E tenho certeza que há falta de vontade político e econômica. Nos EUA eu concordo que há vontade política por alguns grupos, e isso é recente, por isso ainda não temos uma solução viável para produção de energia em grande escala, mas creio que logo teremos. No Brasil não vejo vontade política nenhuma. A aqui há apenas a vontade dos políticos de encher os bolsos a qualquer custo. \r
    \r
    Quanto à privatização dos recursos naturais, não creio que isso faça alguma diferença no sentido de preservá-los. Eles podem estar nas mãos do Estado ou privatizados, mas o que fará a difernça é a consciência coletiva da humanidade de reconhecer que nós dependemos desses recursos, e como devemos respeitá-los evitando ao máximo sua destruição.\r
    \r
  • Luis Almeida  18/11/2011 17:06
    porém eu prefiro outras formas que haja respeito à natureza, animais,e aos que já moram no local muito antes de nós.

    Você sabia que onde está sua casa agora, estava cheio de bichos e plantas? E o mesmo serve para o local de onde está vindo a energia que você está confortavelmente usando para teclar o que está teclando, sabia?
    Então ou você destroi sua casa e devolve pra "natureza", e pare agora mesmo de usar energia, ou continue sendo hipócrita.
    Ou será que o que já foi "destruido" de natureza tudo bem, mas se outras pessoas quiserem casas e energia.. ai não.. elas não tem o mesmo direito que vc...

    E tenho certeza que há falta de vontade político e econômica.

    Falta vontade economica??
    Vontade economica é vontade de lucrar. E no livre mercado o lucro é obtido ao oferecer as pessoas o que elas desejam, melhor e mais barato que os outros.
    Essa vontade com certeza não falta.. ou por acaso você não quer ficar rico?
    Se as pessoas quiserem energia solar e estiverem dispostas a pagar mais caro para isso, só vai ter esse tipo de energia, pode ficar tranquilo.
    Ou por acaso vc está querendo impor SUA vontade aos outros consumidores?

    mas o que fará a difernça é a consciência coletiva da humanidade de reconhecer que nós dependemos desses recursos, e como devemos respeitá-los evitando ao máximo sua destruição.

    Putz.. será que esse cara tá achando que é um avatar e que a Terra é Pandora?
  • Vitor Hoher Nunes  18/11/2011 17:12
    Cristiano,\r
    \r
    O problema é a falta de coerência. Sabia que a cidade que tu mora hoje em dia provavelmente era coberta por muita mata, vegetação, cheinha de animais selvagens e que tudo isso foi pro buraco pra tu possa hoje morar no conforto da tua casa, ter shopping, escolas, hospitais, lojas e tudo o mais a tua disposição? E tu sabia que toda essa vegetação e animais estavam lá muito antes da região ser urbanizada? Ser contra isso, é ser contra o ser humano. Ou esperar que o ser humano não use a sua inteligência e tente competir com os animais pela sobrevivência na base da força bruta.\r
    \r
    Se o homem não dominar a natureza com sua inteligência, vai ser dominado pela força da natureza. Sobre os interesses políticos eu não posso falar, não estou na alta cúpula de nenhum governo. Só sei que o ambientalismo é um movimento que vem crescendo de maneira impressionante, visto as últimas eleições que uma candidata que não propunha nada de concreto ganhou grande parte de votos só por erguer a "bandeira verde".\r
    \r
    Interesse econômico só vai existir a partir do momento que for lucrativo. Se é menos eficiente e mais caro, vai ser deixado de lado até que passe a ser uma solução atrativa, ora bolas.\r
    \r
    E quanto ser privado ou público, faz diferença sim. As pessoas cuidam de verdade do que está em sua posse e no que é decisivo pro seu conforto. Se eu for dono de terras, vou querer mantê-las férteis; se eu tiver uma criação de animais lucrativa, vou preservar a existência dos mesmos; se eu pago minhas contas, eu vou ter cuidado pra não disperdiçar água e energia pois pago pra obtê-las; e assim vai... Disperdício é sinônimo de quem não precisa arcar com o prejuízo, ou seja, coisas públicas.
  • Vitor Hoher Nunes  18/11/2011 17:14
    *desperdício
  • Eve  21/11/2011 02:04
    Ai, queria saber o nível de uso dos recursos naturais que esse Cristiano considera "destrutivos". Até hoje muito já foi dito sobre o fim iminente de vários recursos, mas a própria relação de oferta e demanda naturalmente deu conta disso, encarecendo os bens mais escassos e, assim, levando a humanidade a encontrar meios para substituir os recursos em questão. Ou seja, se há uma alternativa energética às hidrelétricas, ela reside no livre mercado. Fine.
  • Cristiano Mendes  18/11/2011 17:05
    Vamos simplificar?\r
    \r
    Isso é uma questão de valores: uns se sentem incomodados com a destruição da vida vegetal e animal . Outros não.\r
    \r
  • Luis Almeida  18/11/2011 17:14
    Como explicado, isso é uma questão imposição dos seus valores sobre outras pessoas e, acima de tudo, como demonstrado acima, de hipocrisia.
  • void  18/11/2011 18:29
    Vamos simplificar?

    Isso é uma questão de valores: uns se sentem incomodados com a violação da vida humana. Outros não, como o Cristiano Mendes.
  • rafael  18/11/2011 21:09
    > Vamos simplificar?
    > Isso é uma questão de valores: uns se sentem incomodados com a destruição da vida vegetal e animal . Outros não.

    Se sentir incomodado não é o problema, pode se incomodar a vontade, só não impeça os outros de fazerem uso de um pedaço terra pq vc não quer derrubar uma árvore, qm é vc para impedir os outros? vc é dono do planeta?

    eu estou incomodado que vc esta respirando o ar puro do nosso planeta, retirando dele O2 e jogando de volta CO2, por favor, pare de respirar, obrigado.
  • Lucas  18/11/2011 17:16
    Ótimo texto, Leandro!

    Porém, acredito ser um equivoco confiar na capacidade de regeneração da natureza em um caso desses. Espécies serão perdidas para sempre com a construção desta usina. Deve-se lembrar que a natureza obedece regras sistêmicas e não cartesianas. Deve-se também levar em conta a importância que o Rio Xingu tem para toda a floresta amazônica.
    Esta usina é uma intervenção violenta no ecossistema da região, que vai gerar danos irreparáveis em efeito dominó para toda a floresta amazônica e para toda uma população que depende destes ecossistemas.
    Não é neurose dos ambientalistas não... A coisa é séria mesmo.
  • Luis Almeida  18/11/2011 17:31
    Realmente Lucas, coisa muito séria. Seríssima.
    Neste vídeo tem dicas de como podemos salvar Gaia:
    Save the planet

    É sério. Não deixe de ver. Muito sério.
  • Daniel  18/11/2011 17:37
    Excelente texto!

    Ainda estou recolhendo informações para poder falar com seriedade sobre o assunto.

    Só acho que o texto foi um pouco "seco", quando se tratou da natureza, não que seja a vir a opinião do autor, mas suou como uma falta de preocupação para com o ambiente, o mundo não funciona como os ambientalistas falam, mas é necessario certa preocupação sim...


    A Dilma já aprovou a construção ou está em projeto de licitação?

    Resumidamente, os atores se prestam o trabalho por um ideal ambientalista deles?
  • Adriano  18/11/2011 18:07
    E ainda há um agravante.

    Devido a pressão ambientalista, a usina será construída com o menor lago possível - o que é ruim do ponto de vista de reserva hidrelétrica.

    Quando ocorrem longos períodos de estiagem, são os grandes lagos que mantêm o oferta energética. Com um lago artificial pequeno, Belo Monte não será capaz de suprir energia em períodos de seca.
  • Arlei  18/11/2011 18:10
    Considerei o texto interessante por mostrar um ponto de vista diferente do defendido no vídeo, mas discordo totalmente. Acreditar no vídeo por ele ter sido produzido por artistas é tão idiota quanto duvidar dele pelo mesmo motivo. Alguém estava esperando que atores da globo fossem especialistas em energia? Você é especialista em energia? Faça um vídeo de 5 minutos resumindo as idéias do seu post pra eu poder criticar. Aliás, sua análise do ambientalismo e do produção de energia limpa foi digna de um ator da globo. Por enquanto, prefiro acreditar nos especialistas que estão investindo tempo e dinheiro na busca de fontes alternativas de energia, vou ficar aguardando sua análise de algum artigo da Nature ou da Science a respeito.
  • Leandro  18/11/2011 18:29
    Não entendi muito bem o seu ponto, prezado Arlei. O que você quer que eu prove? Que hidrelétrica funciona? Que é necessário que haja um aumento contínuo na produção de energia se quisermos ter enriquecimento econômico? Que energia nuclear funciona? Que é impossível substituir toda a matriz energética brasileira por energia eólica e energia solar?

    No mais, você não precisa esperar eu fazer um vídeo de 5 minutos para você criticar. Você tem todo esse artigo para você criticar. Basta dizer onde eu falei algo errado e me provar por que estou errado, principalmente em minha análise do ambientalismo e da produção de energia limpa, a qual foi "digna de um ator da Globo" (qual, Lima Duarte ou Francisco Cuoco?)

    Ou seja, sua tarefa não é nada muito exigente.
  • Evandro  18/11/2011 18:41
    Leandro,

    gosto muito dos seus artigos e, antes de fazer algumas ressalvas, quero deixar claro que não tenho tendência alguma de "melancia". Mas, gostaria de colocar alguns pontos:

    "No mais, o Brasil possui 851 milhões de hectares. Apenas 0,2% são ocupados por cidades e suas obras de infra-estrutura. Dizer que os ocupantes de meros 0,2% de um imenso território estão causando a destruição irreversível de todo o ecossistema seria vigarice ou imbecilidade?"

    A "destruição do ecossistema" não se dá apenas nos centros urbanos. A agricultura contribui e muito com a emissão de CO2, desmatamento, empobrecimento dos solos e etc.

    Agora, duas críticas gerais aos artigos do mises que tratam sobre meio ambiente:

    - Ignorar o fato da Amazônia ser uma grande reserva de carbono;
    - Ignorar qualquer conceito de ecologia, tratando como marxismo ou algo do gênero.

    Primeiramente, ser uma grande reserva de carbono significa conter muito carbono "sequestrado" na forma orgânica, isto é, na constituição das plantas em geral. A partir do momento em que você queima esse carbono, ele passa para atmosfera e necessita ser "sequestrado" novamente. Mas como os organismos que faziam aquela função não existem mais, o carbono fica acumulado na forma de dióxido de carbono, na atmosfera. Então a maior questão não é se a taxa líquida de CO2 na fotossíntese é alta, mas sim o sequestro de carbono. Outra questão sobre esse ciclo é que o carbono armazenado na forma mineral não possui o "sequestrador", pois esse agente está em equilíbrio em relação ao ciclo e o carbono na forma mineral (combustíveis fósseis) não faz parte do ciclo. Não existe nada de marxismo aí, só ciência.

    Segundo, o conceito de cadeia alimentar, principalmente, é ignorado por completo. "A natureza é minha inimiga", como se fosse humanos x resto e não existisse um equilíbrio na chamada teia alimentar. Tudo é ignorado como se fosse "falácia esquerdista". Não, é ciência. Se alguém acredita que é mentira, que se prove pelo método científico.

    Não dá pra ignorar a ciência porque ela às vezes é usada de forma incorreta. Não defendo, de maneira alguma, o Estado ter a Amazônia para si. Acredito que deve partir de cada indivíduo a decisão de preservar o que deve ser preservado. E não é nada utópico, é real, acontece.

    Espero e já agradeço a compreensão.
  • Leandro  18/11/2011 19:16
    Prezado Evandro, você diz: A "destruição do ecossistema" não se dá apenas nos centros urbanos. A agricultura contribui e muito com a emissão de CO2, desmatamento, empobrecimento dos solos e etc.

    Além de ser uma generalização, você já dá como fato consumado exatamente aquilo que ainda precisa ser comprovado: essa afirmação de que a emissão de CO2 é péssima para o ecossistema. Ou seja: para haver um debate, antes é preciso especificar que o CO2 é ruim. Uma vez isso estar comprovado, aí sim parte-se para o debate.

    Não dá pra começar já tomando como base um princípio totalmente dúbio. Não se começa uma discussão sobre um assunto que se refere à comprovação de algo partindo do princípio de que esse algo já foi comprovado.

    CO2 é ruim? Fale isso para as árvores, que se alimentam justamente desse gás. (As árvores não estão entre as principais protegidas dos ambientalistas?) A flatulência das vacas possui metano que causa aquecimento global? Bom, então temos de trucidar as vacas. Mas não pode, pois matar animais é ecologicamente incorreto. Aí fica aquela situação: você tem de proteger a vaca, só que manter a vaca viva gera aquecimento global...

    Quanto ao sequestro do carbono, não há nada de que eu discorde ali. Tampouco sobre a cadeia alimentar. Muito pelo contrário, aliás. É justamente por termos aprendido a domar a natureza, que podemos nos "beneficiar" de sua cadeia alimentar, por assim dizer.

    Apenas percebo, pela sua argumentação, que você está tentando maliciosamente me empurrar o rótulo de defensor do desmatamento da Amazônia. Só que taí algo que eu nunca fiz. Defendo que quem quiser preservar as árvores intocadas que o façam. Organizem um grupo e privatizem aquelas árvores específicas para vocês. E como explicado neste artigo, quem realmente quer preservar a natureza, não pode confiar no governo. Tem de fazer por conta própria. Isso, aliás, aí sim, realmente geraria benefícios para todos.

    Abraços!
  • Evandro  18/11/2011 19:39
    "CO2 é ruim? Fale isso para as árvores, que se alimentam justamente desse gás. (As árvores não estão entre as principais protegidas dos ambientalistas?) A flatulência das vacas possui metano que causa aquecimento global? Bom, então temos de trucidar as vacas. Mas não pode, pois matar animais é ecologicamente incorreto. Aí fica aquela situação: você tem de proteger a vaca, só que manter a vaca viva gera aquecimento global..."

    O excesso de CO2 na atmosfera é ruim porque causa um desequilíbrio no ciclo, não há o sequestrador.

    E existe um equívoco: a alta taxa de CO2 é prejudicial para os fotossintetizantes, por dois motivos, o "envenenamento" e os outros fatores limitantes do processo. Se você possui muito CO2 e pouca água ou luz, não adiantará de nada a alta taxa do gás.

    Ambientalistas são idiotas, é claro. Tenho tanto asco deles quanto você.

    "Apenas percebo, pela sua argumentação, que você está tentando maliciosamente me empurrar o rótulo de defensor do desmatamento da Amazônia. Só que taí algo que eu nunca fiz. Defendo que quem quiser preservar as árvores intocadas que o façam. Organizem um grupo e privatizem aquelas árvores específicas para vocês. E como explicado neste artigo, quem realmente quer preservar a natureza, não pode confiar no governo. Tem de fazer por conta própria. Isso, aliás, aí sim, realmente geraria benefícios para todos."

    De forma alguma, estou tentando trazer a tona a necessidade de um discurso mais científico. Partilhamos da mesma opinião, o último trecho do meu comentário comprova isso.

    Luis Almeida

    Eu disse que o desequilíbrio no ciclo do carbono é ciência, não que o CO2 é o grande vilão e o responsável pelo "aquecimento global". Nem disse que existe isso de aquecimento global.
  • Luis Almeida  18/11/2011 19:32
    Evandro, antes de vir com esse papo furado de CO2 e dizer, "isso é ciência", faça o favor de ao menos ir aprender o que é ciência: Why I Deny Global Warming
  • Leandro  18/11/2011 18:54
    Abusou da ironia em chará
  • Otávio Marshall  18/11/2011 19:07
    Leandro, concordo com os teus motivos para relativizar Belo Monte. Existe uma casta supostamente capitalista, especialmente na esfera dos bancos e das empreiteiras, que está intimamente ligada à uma das grandes causas do nosso atraso - a corrupção. Motivo suficiente para desconfiar dessa obra, pelo menos desconfiar...

    Quero criticar a generalização (sempre perigosa) aos movimentos ambientalistas. Nesse meio tem muita gente séria. Em "O movimento ambientalista, portanto, é um movimento profundamente anti-mercado, anti-bem-estar e anti-desenvolvimento, pois suas propostas solapam por completo a produtividade do trabalho.", acho que não é bem assim. Tem muitas pessoas e empresas trabalhando intelectualmente e "braçalmente" para aperfeiçoar hábitos da vida moderna com produtos menos ineficientes. Exemplo? Olha esse: www.comfortlux.ind.br. Outro maior ainda, e plenamente alinhado com o nosso ideário libertário: www.rmi.org. Imagino que não seja esse movimento ambientalista que combates, mas eles fazem parte de um movimento que objetiva melhorar nossos hábitos, e seus produtos adquirem mais mercado porque o movimento ambientalista, mesmo o ruim, bem ou mal, aumenta o apelo da sociedade por produtos e serviços melhores.

    Veja que, ainda hoje, século XXI, um carro "moderno" com motor a explosão, usa + - 5% do combustível para mover a pessoa (1, e dependendo do peso). O restante é para mover ferro, aço, produzir calor inútil ou se perder em atrito improdutivo. Exemplo de campo fértil para uma mudança de hábito para melhor aproveitar esse recurso chamado petróleo.

    Sds.,
    Otávio Marshall
  • Leandro  18/11/2011 19:24
    Prezado Otávio, é óbvio que existem ambientalistas bem intencionados. Mas isso não anula em nada o fato de que todos eles, involuntariamente, defendem ideias que, caso de fato fossem implementadas, trariam um imenso retrocesso ao nosso padrão de vida, com aumento do subdesenvolvimento e perpetuação da pobreza. (Existem também comunistas bem intencionados, que realmente não sabem que as teorias que defendem geraria sofrimento e miséria generalizada para todos).

    Isso não é opinião minha. Isso ciência econômica. Se alguém me provar que é possível produzir energia limpa e barata a custos decrescente e a ofertas crescentes, e já no curto prazo, sem que nós tenhamos que abdicar do nosso padrão de vida, viro ambientalista na hora.

    Logo, mantenho minha opinião. Há ambientalistas bem intencionados e há os mal intencionados. Mas as ideias que todos eles defendem (afinal, as ideias são as mesmas!), sem exceção, são sim profundamente anti-mercado, anti-bem-estar e anti-desenvolvimento. Isso é ciência econômica.

    Grande abraço!
  • alexandre tavares  18/11/2011 19:12
    Gostaria de perguntar se "artistas globais", pseudo-ambientalistas e outros mais sabem quanta energia é necessária para produzir os seus mimos como note book, celular, automóvel, casa com ar condicionado, maquiagens, perucas, sapatos finos etc?
    Vamos parar de peidar?
  • Jeniffer  18/11/2011 19:21
    Só uma pergunta: por que se importar com o dinheiro é válido e com a floresta e os índios não?
  • Golimar  18/11/2011 20:07
    Excelente pergunta!
    A resposta é porque os libertários são movidos única e exclusivamente por dinheiro. O resto é apenas um obstáculo para consegui-lo.
  • Luis Almeida  18/11/2011 20:11
    Não leu o artigo? Não viu a preocupação primordial e verdadeira com os índios e com qualquer pessoa que possa vir a ter seus direitos violados?

    E se quer se importar com um monte de mato a kilômetros de distância da sua confortável cidade, pode se preocupar a vontade. Ninguém está te impedidno.
    E se não se preocupa com seu dinheiro, gaste tudo que você possui para ir lá e ficar preservando o mato lá. Ou será que você vai preferir ficar na sua casa, na frente do seu computador, usando energia e estudando pra ganhar dinheiro e comprar mais coisas produzidas com energia?
  • Absolut  18/11/2011 20:47
    Só uma pergunta: por que se importar com o dinheiro é válido e com a floresta e os índios não?

    Você realmente concluiu isso??
  • rafael  18/11/2011 21:12
    > Só uma pergunta: por que se importar com o dinheiro é válido e com a floresta e os índios não?

    quem esta falando de dinheiro aqui? estamos falando de vc ser livre para fazer uso de um pedaço de terra, só isso, e vc quer impedir os outros de derrubarem árvores em uma área que não diz nenhum respeito a voce, ou vc tem propriedade sobre o planeta?
  • Mariana  18/11/2011 19:24
    Desculpa por não conseguir ler todo os comentarios, apenas li alguns e fiquei impressionada com seu comentario Leandro. Como é possível domesticar a natureza? vc realmente conhece a teoria de Gaia? Não somos parte da natureza? porque lutar cotra ela, tentar domesticá-la?\r
    \r
    Desculpe, também não entendi muito bem a intenção do seu artigo. Vc concordo com os pontos 1 e 2, certo? os quais vc também encontrou no vídeo, certo? então, escreveu um artigo pra criticar os artistas?\r
    \r
    Vc também é contra belo monte, certo? então gaste todo o seu belo vocabulario e seu conhecimento para fazer um bom vídeo, com argumentos que vc julga relevantes e defenda sua causa também.\r
    Criticar é fácil e saudável. Mas pessoas com atitudes e ações concretas é dificil, aproveite que vc esta no caminho certo(teve atitude e ação ao escrever esse texto) e ajude a defender essa causa e não criticar os artistas. Isso é outra historia.\r
    \r
    Também gostaria de acrescentar que vivo com 2 salarios minimos e tento fazer o meu melhor no dia-a-dia. Com atitudes que eu considero ambientalmente amigas...enfim...gostaria de dizer que não moro no morumbi ou qualquer um dos outros lugares que vc citou. Existe algo maior que a classe social, é a consciência, a vontade de melhora e mudança, a observação do que acontece ao redor...enfim... abra sua mente, tem certos discursos que já não servem mais, não há mais desculpa para ignorar os assuntos ambientais, eles estão por toda parte.
  • Leandro  18/11/2011 19:34
    Mariana, você está teclando da floresta, em cima de um galho de árvore, ou você está confortavelmente instalada dentro de alguma construção dotada de todos os confortos da humanidade?

    Se for a segunda opção, saiba que esse local em que você está já foi, no passado, uma floresta densa e de acesso remoto. E só a domesticação dessa natureza permitiu que esse prédio fosse aí construído e você desfrutasse todo esse conforte que desfruta hoje. Além de todo o material utilizado na construção do seu prédio, o seu computador é também formado inteiramente de partes que foram retiradas da natureza. Suas roupas, sua comida, sua cama, seu lençol, seu perfume, seu veículo, sua bebida etc., tudo, absolutamente tudo, só existe neste formato aí, prontinho para você usar e desfrutar, unicamente porque o homem aprendeu a domesticar a natureza e a extrair dela recursos que ele aprendeu a retrabalhar para o seu próprio conforto. Não seja ingrata.

    Quanto a fazer um vídeo em vez de escrever, isso é argumento de quem não gostou do texto, não consegue refutá-lo e, justamente por isso, se sente mal e pede para o autor ir fazer outras coisas. Mas sua sugestão está anotada.

    Abraços!
  • Luciano  19/11/2011 09:10
    Outro texto de opinião, baseado em noções gerais e sem dados, sob medida para um público igualmente inculto que facilmente se denuncia. Reparem que opiniões assim nunca saem da boca de algum professor ou pesquisador ligado a grande centros de pesquisa e ensino, como a USP, UNICAMP, FGV. Tem uma tabela no fim do texto que não se sabe de onde saiu e nem a metodologia utilizada em sua construção. Certamente o autor não saberá explicar isso, pois caso contrário já teria feito.
    Sorte que este tipo de texto tem alcance limitado e circunscrito a instituições desconhecidas e de caráter duvidoso.
  • Leandro  19/11/2011 11:20
    Prezado Luciano, o senhor está coberto de razão. Aqui não se ouve 'opinião' de "cientistas sociais" da USP e da Unicamp (eles estão em greve ainda ou não?); aqui se ouve opiniões independentes e baseadas na razão. E não opiniões baseadas na ideologia e na cartilha do politicamente correto.

    Quanto à tabela, soubesse o senhor ler, veria que, imediatamente abaixo dela está escrito: Fontes: IBGE, IBAMA, INCRA, FUNAI, CNA

    Se o senhor não gostou ou sentiu-se mal, vá reclamar com tais entidades (as quais, sinceramente, o senhor teria de tudo para gostar).

    Sobre a sua preocupação quanto ao alcance do texto, esta é a preocupação típica dos inseguros, que se desesperam ao se sentirem impotentes para conter o alastramento de ideias que eles se sabem completamente incapazes de refutar. O senhor deve possuir algum interesse especial em manter parte da população na ignorância.

    Abraços!
  • Isaias Barbosa  19/11/2011 11:32
    C-C-C-C-C-C-C-C-C-C-C-COMBO BREAKER!!!!!!!
  • Carlos Araujo  19/11/2011 16:50
    "Reparem que opiniões assim nunca saem da boca de algum professor ou pesquisador ligado a grande centros de pesquisa e ensino, como a USP, UNICAMP, FGV.

    uhahuauhuha

    com certeza não, estão com rabo preso.
  • Absolut  18/11/2011 19:40
    tem certos discursos que já não servem mais

    Tá falando sozinha?
  • Jeniffer  18/11/2011 19:24
    Quem são esses ambientalistas? O Greenpeace? Greenpeace não é parâmetro, é totalmente radical. Existem ambientalistas a favor da energia nuclear sim e até do sequestro de carbono (também negado pelo Greenpeace, mas aprovado pela WWF). Generalizar assim nunca é bom. Ainda mais com tal "propriedade"... Mas concordo que a discussão é sempre válida e empolgante.
  • Diego Cardoso  18/11/2011 19:26
    Parabéns pelo texto, Leandro! Sua sutil ironia é genial!

    Sobre essa repentina crença na ciência, é interessante observar como a argumentação desse pessoal considera um modelo incrivelmente linear e simplificado de ciência!

    "Ora, se hoje ainda não temos energias limpas e baratas, é porque falta dinheiro!"

    De repente, basta jogar 1 trilhão de dólares na ciência brasileira e ela vai nos devolver um modelo energético de custo zero e eficiência infinita! Nosso desenvolvimento científico é visto como uma caixa preta na qual as respostas são meros frutos da entrada de recursos: defina um objetivo, pague o suficiente e voilà!

  • Daniella  18/11/2011 19:29
    Leandro,

    Me desculpe mas seu artigo me soou um tanto quanto egoísta colocando seus interesses em relação a comodidade acima dos interesses coletivos e isso é tão contraditório pois você diz que o ambientalismo é o oposto do coletivismo. Não adianta ficar escrevendo linhas e linhas, sendo que se continuarmos como estamos é inevitável que vamos perder o nosso planeta. Sem ele, o que nos adianta "progredir" nossa economia? Coloquei o "progredir" entre aspas, pois você acredita mesmo que estamos progredindo? O capitalismo entrará em colapso, outro fato inegável, então se estamos progredindo é para um desastre iminente. Você esqueceu de citar no seu artigo que a Belo Monte não vai poder produzir toda a sua capacidade, além disso está muito claro que essa hidrelétrica só vai ser construída por interesses políticos, portanto só por este fato ela não deveria ser construída. Concordo contigo que energia solar e eólica são complementares, mas e os investimentos nessa área onde ficam? Certamente não estão no alvo de interesses políticos. Agora, qual o problema de abrirmos mão do nosso conforto em prol de vivermos em um mundo melhor? Quer ficar igual aqueles gordinhos daquele filme Wally? Vamos todos tirar a bunda do sofá e vamos reciclar nossos lixos, economizar energia, água, etc. Com pequenos gestos podemos amenizar as coisas. Os índios que vivem naquele lugar é o pouco que restou da nossa história. Vamos destruir nossa história agora em prol do capitalismo?

  • Leandro  18/11/2011 19:44
    Minha cara Daniella, eu jamais disse -- e jamais poderia dizer -- que "o ambientalismo é o oposto do coletivismo". Por acaso você não leu este trecho?

    O marxismo representa o coletivismo em sua fase jovem, arrogante e impetuosa. Já o ambientalismo representa o coletivismo em sua fase senil e esclerosada

    Aliás, passei o terço final do texto inteiro falando que o ambientalismo é coletivismo. Como você consegue interpretar justamente o contrário?

    O resto do seu comentário está praticamente no mesmo nível dessa sua deficiência literal.

    Abraços!
  • Paulo Sergio  19/11/2011 07:20
    'você acredita mesmo que estamos progredindo? O capitalismo entrará em colapso, outro fato inegável, então se estamos progredindo é para um desastre iminente.'

    Se você está falando das crises, elas foram criadas pelos governos.Esse site tem muitos artigos sobre isso.
  • Kleberson Costa Amaral  18/11/2011 19:58
    Caro Leandro, gostaria de começar meu comentário me apresentando. Sou Kleberson Costa Amaral, técnico em eletrônica, atualmente trocando meu curso de engenharia elétrica no CEFET-MG pelo de produção civil. Defendo até certo ponto a propriedade privada e não sou marxista.
    Agora que sabe superficialmente quem sou, gostaria de falar que:
    1 - O Estado se responsabilizar pela geração de energia elétrica e financiar obras não é absurdo, pelo contrário, é correto. Mas concordo que é errado sim o dinheiro público ser divido entre os amigos do rei (que é uma realidade monstruosa).
    2 - "O movimento ambientalista, portanto, é um movimento profundamente anti-mercado, anti-bem-estar e anti-desenvolvimento, pois suas propostas solapam por completo a produtividade do trabalho. Consequentemente, elas destroem todas as possibilidades de progresso econômico e de aumentos salariais - os quais estão diretamente ligados à produtividade. Somente um constante aumento na produtividade da mão-de-obra, auxiliado pela utilização de uma maior quantidade de energia per capita, pode gerar um aumento na oferta de bens e serviços em relação à oferta de mão-de-obra disponível."
    Não sou um ambientalista fanático, nem comunista e tão pouco burro. Por isso sei que o trecho acima citado é incoerente assim como nosso sistema de mercado e desenvolvimento. Em um plante finito, de recursos finitos é impossível um constante aumento de na produtividade e um constante aumento de energia per capta. Acho que os ambientalistas são radicais, mas pedem muito para conseguir ao menos um pouco.
    "Porque 'energia mais eficiente', no linguajar verde, significa simplesmente uma menor produção de energia por habitante. E é aí que surge a nossa miséria. Para que haja um aumento na produtividade da mão-de-obra, algo indispensável para o enriquecimento de economia, é necessário que haja um constante aumento na quantidade de energia disponível per capita."
    E novamente aqui cito um mundo de recursos finitos, onde recentemente atingimos oficialmente os 7 bilhões de habitantes e não podemos crescer para sempre.
    Gostaria também de comentar que a produção de placas fotovoltaicas é também uma super agressão ao meio ambiente e como você citou a energia eólica acaba com a vida de pássaros (sendo porém extremamente ecologicamente correta em alto mar).
    Aqui no Brasil, se por lei conseguíssemos acabar com chuveiros elétricos e substituí-los por aquecimento solar, não precisaríamos construir tantas hidroelétricas, e isso é economicamente viável. Pequenos cata-ventos como compensação ambiental de imóveis acima de um valor X também é viável e como um todo, em uma nação de 190 milhões, faria sim uma enorme diferença.
    Acho que devemos repensar sim o nosso sistema e que embora não concorde totalmente com os ambientalistas e marxistas, ao menos eles estão apresentando opções e tentando tanto quanto possível barrar algumas obras.

    Obrigado pelo texto, foi uma leitura agradável e que abre espaço para discussão, diferentemente dos atores globais.
  • Leandro  18/11/2011 20:20
    Exato, Kleberson, vivemos na escassez e em um planeta finito, de recursos finitos. Mas, sinceramente, na atual configuração de distribuição de terras, com vastas áreas devolutas e de vasto e inexplorado potencial energético -- os quais não podem ser explorados justamente por causa das legislações ambientalistas (como a reserva de ANWR, no Alasca) -- dizer que é impossível um constante aumento na produtividade e um constante aumento de energia per capta não é realista.

    Os ambientalistas, por sua vez, fazem de tudo para garantir que o fornecimento de energia não apenas permaneça estável, como na verdade entre em decréscimo. Uns defendem isso intencionalmente, outros defendem indiretamente, e outros o fazem completamente sem saber, pois sequer sabem onde estão. Apenas acreditam que são o máximo por defender jabutis e orangotangos.

    Convido-o, por gentileza, a ler este artigo sobre recursos naturais e o meio ambiente:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=833

    Abraços!
  • Fábio  19/11/2011 06:19
    O artigo foi muito bem escrito, infelizmente (sim, eu disse "infelizmente"). Isso já entrega a minha posição quanto a ele, entretanto, não é isso que quero discutir aqui. Creio que o mais interessante, e isso é algo que vejo quase sempre quando leio comentários de uma maneira geral, é perceber que o que está acontecendo aqui não é um diálogo, nem sequer uma discussão... mas simplesmente o que ocorre são dois monólogos concomitantes, duas retas paralelas. Duas opiniões distintas, com algumas áreas cinzas aqui e ali. É a velha questão do terceiro excluído aristotélico, ou A ou não-A, o terceiro é excluído. Isso é algo que nos falta, acho que sempre faltou. O ser humano é movido mais pela não-razão do que pela razão... mesmo que isso seja difícil de admitir. A ciência, a economia, etc... não passam de mais uma das facetas de uma espécie de "fé", são de certa forma um credo, ao fim e ao cabo. Mas, enfim, cada um vive como pode. O ser humano necessita disso - não se pode viver sem, e cada um descobre o seu "modo de ser no mundo", como diria Heidegger. Não somos perfeitos, nem nunca seremos. Fiz questão de ler praticamente todos os comentários e percebo que, certas pessoas simplesmente não suportam críticas. Mas, hey! Não é fácil mesmo... ninguém consegue lidar bem com essas danadas. Seria muito filosófico dizer que todos estão errados e todos estão certos... mas é isso mesmo que eu gostaria de falar. As questões só serão realmente resolvidas quando as pessoas começarem a escutar de verdade umas às outras, e não simplesmente trocar acusações e ofensas. É uma pena que muita gente aqui perca seu tempo tentando desmerecer os outros... e isso vale também para o autor do artigo (pelo menos em algumas respostas). Você demonstrou uma incrível capacidade de arguição e síntese teórica, mas ainda falta um pouco mais de raciocínio holístico (não gosto muito dessa palavra, mas enfim... é o que temos de "menos pior" no momento) e talvez um pouco mais de ideias próprias, e não apenas repetição da teoria econômica. Espero que você desenvolva essa capacidade, pois creio que, se isso acontecer, você será ainda melhor do que já é. Isso é apenas uma humilde sugestão. Ler Capra poderia ser um começo, ou talvez a Land Ethic de Aldo Leopold. Enfim, algumas dicas de um outro tipo de visão. A sua não está errada, porém, não está certa também. Sou contra a construção de Belo Monte, e isso pra mim já basta. Argumentos, nesse espaço, acabam se perdendo no vento. Mas seja como for, o artigo foi muito bem escrito, infelizmente...
  • Catarinense  19/11/2011 17:29
    Fábio, pelo jeito você deve achar que 2+2=4 é uma questão de fé, e de opinião também. Sabe, seu comentário não está certo, mas, bem, não dá pra dizer que não esta errado, infelizmente. Não me leve a mal. É questão de opinião. E também de fé. Se bem que também é meio que questão de lógica. Mas, vai saber.
  • mcmoraes  19/11/2011 18:11
    @Fabio: "...Ler Capra poderia ser um começo..."

    Esse aqui leu Capra. Tomando-o como exemplo, não parece que sua sugestão seja de muita valia para os objetivos de seu comentário.
  • Jônatas Alves  25/11/2011 10:01
    Pô! Ler Fritjof Capra! O pessoal aqui começou a baixar o nível mesmo. hehehe
  • Kleberson Costa Amaral  20/11/2011 17:11
    Olá Leandro,
    Como você sugeriu li o artigo e confesso-lhe que, como engenheiro, não posso ver as coisas de forma tão simples. Do ponto da física e química, realmente, mas na hora de se aplicar os conhecimentos e manipular as estruturas quem entra em ação é a engenharia.

    E digo-lhe aqui que infelizmente estamos sim no caminho errado. Não sou defensor da natureza, mas da raça humana, da nossa espécie. A natureza não vai morrer.... ela pode sofrer mas no final sempre vai se recuperar. Em compensação nós, humanos, podemos sofrer e muito com as consequências.

    Agora deixando de lado esse papo, vou para a parte lógica.
    Extrair e limpar ouro, por exemplo, é um processo árduo, sujo, que demanda dinheiro, trabalho, esforço nosso. Cada eletrônico tem seus componentes de ouro e se muito vagabundo, de outros materiais de difícil processamento.
    O que aqui questiono no nosso mundo finito, é o incrível desperdício de força, de dinheiro, de tempo para se jogar coisas fora... Para se fazer bens de consumo que duram apenas um ano.

    Vivemos em um sistema anti-econômico e totalmente ineficiente e isso deve sim ser questionado, inclusive nosso padrão de vida. Pois se hoje temos 7 bilhões de habitantes dos quais 1 bilhão está na pobreza, realmente não temos mundo suficiente para todos viverem como americanos.
    A gente pode achar um meio termo entre consumo desenfreado para "crescimento econômico" e viver no meio do mato em harmonia com a natureza.

    Pode parecer utopia e um sonho (e parece) mas temos que começar um debate.
  • EUDES  25/11/2011 12:56
    Energia barata não é questão de consumismo, mas sim de sobrevivência. Energia cara é sinônimo de alimentos mais caros e menor quantidade e variedade de comida. Ter isso em mente é muito importante, principalmente em um país como o Brasil, pois não somos uma sociedade de consumo e sim de subconsumo.





  • Felix  18/11/2011 20:14
    Não creio que estes artistas estão mal intecionados,
    apenas não sabem do que estão falando e acham que estão fazendo a coisa certa...
    e infelizmente a maioria da população vai na onda, o poder de convencimento deles é muito forte. Quem aqui não defendeu uma causa achando que era o certo e hoje se envergonha disso?


  • Fernando Z  19/11/2011 06:53
    Felix, se alguém te pagasse pra você falar na TV que Marx é a solução do mundo. Você diria? Atores são atores, são insuportáveis.
  • Catarinense  18/11/2011 20:18
    Ih a divisão de paraquedistas resolveu praticar salto livre aqui no IMB..
  • Mauro Ricardo  18/11/2011 20:27
    É verdade, várias divisões de paraquedistas saltaram e cada uma ataca por um flanco.

    O mais divertido é que absolutamente cada linha escrita por eles ou é composta de apelos emocionais vazios ou é formada por argumentos que já foram exaustivamente refutados em inúmeros artigos deste site.

    Se cada pessoa se dedicasse a estudar antes de fazer comentários que acham que vão mudar o mundo, certamente nosso bem-estar mundial seria infinitamente mais elevado.
  • Catarinense  18/11/2011 20:36
    Sábias palavras, meu caro..
  • Alexandre Zapruder  18/11/2011 21:03
    Realmente. Muito bem dito.
  • Absolut  18/11/2011 20:48
    Agora eles estão com a conversa de "Leandro, concordo em tudo com você, apenas discordo de tudo o que você disse".
    Hahaha!!!
  • Isaias Barbosa  18/11/2011 23:57
    HAHAHAHAHAHAHAHAHA
    É por ai mesmo!
  • Ronei  19/11/2011 09:52
    Acho que o pessoal do IMB deveria colocar no começo do texto o seguinte aviso: Para compreensão desse artigo é recomendada a leitura dos artigos 1, 2 e 3. A quantidade de comentários refutados por outros artigos é gigantesca.

    Aproveito a oportunidade para solicitar que vocês disponibilizem os feed (rss) completos ao invés dos resumos, pois assim posso ler os artigos enquanto vou para o trabalho.
  • Bruno  05/12/2011 06:05
    A maioria nem ao menos terminou de ler este texto!
  • Raphael  18/11/2011 20:18
    Primeiramente, ótimo texto.
    Foi muito bem escrito e demonstrou claramente seu ponto de vista e, claramente, é o ponto de vista de muitas pessoas.
    Sou um engenheiro de uma consultora de projetos de engenharia e faço parte da equipe de impactos ambientais e gostaria de mostrar um argumento de alguem que convive com isso a mais de 15 anos.

    É obvio que a minha opinião é apenas minha e por isso mesmo nunca vou defende-las como verdade como não gostaria que ninguem fizesse isso.
    O fato é de que qualquer projeto sempre tem um interesse maior que está acima de quem os realiza. Nem sempre é só o dinheiro, nesse caso o dinheiro publico, mas sempre é um interesse de alguem superior aquele que realmente realizara o projeto.

    O projeto de algo simples é extremamente demorado e se leva em conta coisas que ninguem nem poderia imaginar. As vezes para se projetar um telefone novo se levam meses e em alguns casos anos e, de fato, ainda surgem problemas. Mas, ai é a questão. Nem sempre é o engenheiro que faz algo errado e sim a propria exigencia do "cara de cima". Quem quer que um celular dure 1 ou 2 anos? Não é o engenheiro responsavel, mas sim a empresa que se quer o lucro.
    Bom, voltando para o assunto, o fato é que para um projeto de uma hidroelétrica se fazem vistorias tecnicas interminaveis e observam tudo, desde o mais "inutil" detalhe. Seja o que um passarinho come e não vai comer mais, até qual vai ser a vida útil de uma valvula. O projeto, geralmente, é muito bem realizado e se preve todos os impactos possiveis na natureza. Sejam impactos diretos, indiretos ou um possivel erro de projeto.

    E porque toda essa preocupação de alguns especialistas? O fato que se defende quando se fala em natureza não é o fato de se defender uma minhoca, um peixe ou uma ave. O fato é de que atualmente existe uma percepção de que a nossa capacidade de desenvolvimento pode ser limitada se a natureza não puder mais nos dar a materia prima necessaria. E como se faz isso? Não é diminuindo o desenvolvimento como o Sr. falou. Temos muitos bons exemplos como o de Cubatão que conseguiu reduzir 98% da poluição e aumentar sua produçao que, alias, fiz parte da organização de controle no começo de carreira.

    O fato é de que hoje temos uma carencia enorme em energia e que muita gente não sabe. E temos a oportunidade hoje de não lutar por um progresso cego como antigamente. O progesso pode sim ser algo ainda maior se aumentarmos a eficiencia energetica e não simplesmente parar a produção. Isso sim é ambientalismo.
    O desenvolvimento sustentavel se baseia no principio de tirar da natureza o que ela pode repor, porque não é de nosso direito retirar a possibilidade do nosso futuro ter menos "bens comuns" do que temos hoje. Assim como foi dito em assimbleia na ONU em um relatorio final "Nosso Futuro Comum": "Atender às necessidades da geração presente sem omprometer a habilidade das gerações futuras de atender às suas proprias necessidades".

    Então concordo com muita coisa que disse, Leandro, mas, acho melhor que deveria repensar o fato de que todos que defendem uma inserção de ambientalismo sejam tão vazios como o Sr. pensa. Quem inventou a tal da "Economia do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais"(Marques & Comune, 1997) foram justamente neoliberais que defendiam o livre mercado acima de tudo e o proprio desenvolvimento a partir disto.

    Sou contra extremismos de qualquer lado e, portanto, acredito que possa haver uma mudança de postura em relação aos objetivos. Já que um ambiente menos poluido significa tanto um bem estar a população, como uma melhor saúde. E uma produção limpa não significa eliminar processos e diminuir capacidade, mas sim otimizar processos e usos de materias primas e impactos gerados.
    O fato é de que, como muitos falaram, o assunto vem mais de cima. O governo não é o vilão principal para criação disso, mas sim o "mercado". Quem quer sair de algo comodo e gastar dinheiro com algo que só vai trazer beneficio em longo prazo? Ninguem ganha dinheiro estantaneamente com isso e ninguem tambem ve de cara o beneficio, mas temos grandes provas de que um investimento desse sempre traz beneficios economicamente falando.

    Sei que foi um texto longo, mas gostaria deixar minha opinião. É claro que não me importo com criticas e nem quero que as pessoas me apoiem. Cabe a cada um se informar sobre os assuntos e ter sua propria opinião e não seguir a de alguem que se julga certo.

    Não quis, em momento nenhum, ser desrespeitoso com o Sr. Leandro e me perdoe se em algum momento pareci ser.

    Mais uma vez, um ótimo texto, espero ter passado o que gostaria.

    Abraços
  • Absolut  18/11/2011 20:44
    Quem inventou a tal da "Economia do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais"(Marques & Comune, 1997) foram justamente neoliberais que defendiam o livre mercado acima de tudo e o proprio desenvolvimento a partir disto

    Neoliberais que defendiam o livre mercado acima de tudo?!?
  • Eduardo Ameruso  18/11/2011 20:54
    O vídeo pode ser ruim, tendencioso ou lunático, mas é inegável que ele causou toda essa discussão, que era exatamente o que estava faltando nesse assunto.
    Só tenho uma ressalva a fazer sobre o seu texto: Não se trata de "mato" que vai ser destruído, trata-se de floresta e floresta é um organismo vivo que mantém vivos todos os seres dela dependentes, inclusive o homem.
  • Luis Almeida  18/11/2011 23:59
    O vídeo pode ser ruim, tendencioso ou lunático, mas é inegável que ele causou toda essa discussão, que era exatamente o que estava faltando nesse assunto.
    Só tenho uma ressalva a fazer sobre o seu texto: Não se trata de "mato" que vai ser destruído, trata-se de floresta e floresta é um organismo vivo que mantém vivos todos os seres dela dependentes, inclusive o homem.

    Eduardo, você é o exemplo de como a propaganda eco-fascista destruiu a capacidade racional sobre o assunto de praticamente toda uma geração, capacidade que teve sua destruição completada com o filme Avatar. (que alias, James Cameron pode estar por traz desse vídeo: Diretor quer transformar oposição à construção da Belo Monte em filme 3D

    Não meu caro, não é nenhuma floresta que te mantém vivo. São as plantações de alimentos e o trabalho de fazendeiros que colocam comida na sua mesa. Alias, se você for deixado no meio da floresta, você morre em menos de 2 dias. Se as florestas de todo mundo desaparecerem, todos continuaremos vivos, sem nenhum problema. (e com a vantagem de não termos que ouvir esse tipo de absurdidade)

  • Golimar  18/11/2011 20:59
    "Ora, energia eólica e a energia solar de fato podem gerar eletricidade, mas não o suficiente e em nível nacional. Ambas podem funcionar bem como complementos muito localizados, mas não em grande escala."

    De onde você tirou isso?
  • Isaias Barbosa  19/11/2011 00:03
    Ora meu caro, nunca ouviu falar em produção de energia em larga escala?

    Tanto a energia solar quanto a eólica precisam de área, ocupar espaço, para a produção e seu potencial energético é muito menor comparado a mesma área ocupada por uma hidrelétrica. Nuclear nem se fala.
  • Golimar  19/11/2011 12:39
    Não respondeu minha pergunta. Quero saber de dados, fontes.
  • Golimar  19/11/2011 17:10
    Como você não respondeu minha pergunta, ou seja, não me mostrou dados que compravem isso, aí vai alguns dados:

    Nos EUA a capacidade instalada ultrapassou os 40.000 MW o que equivale a mais de 20% da energia elétrica produzida no país.
    No mundo a energia eólica cresce a taxas de 30% ao ano.
    O custo de produção de energia eólica é mais baixo que a energia gerada em usinas a carvão e usinas e a gás. E esse custo vem caindo ano a ano. Se essa tendência continuar, em alguns anos ela será mais barata até que as usinas hidroelétricas.


    E você vem querer me falar que não é viável em larga escala?
  • Leandro  19/11/2011 17:27
    Prezado Golimar, você me pergunta de onde tirei a afirmação de que é impossível substituir toda a matriz energética brasileira por vento e luz solar? É sério isso?

    Ora, se for, então cabe a você explicar o que fazer para gerar energia quando não estiver ventando e quando o sol não estiver brilhando. Afinal, "até o presente momento, não há notícia de um método econômico e em larga escala capaz de armazenar eletricidade para uso posterior. Tal fato implica a necessidade de se manter o atual sistema de produção operando conjuntamente com o novo sistema baseado inteiramente no vento e no sol."

    Caso isso ainda não lhe satisfaça, posso lhe afirmar que sim, já li a opinião de vários cientistas que corroboram tal raciocínio, inclusive de ambientalistas -- embora eu deva confessar que tal conclusão é tão lógica, tanto em nível científico quanto econômico, que chega a ser apavorante ver alguém se assustando com tal afirmação. A menos que você realmente queira, como ficou explícito acima, que passemos a viver com apenas 20% da nossa (ei, por que estou surpreso? É exatamente isso o que querem os ambientalistas!)
  • Golimar  19/11/2011 17:59
    O que você quer? Trocar toda a matriz energética do dia pra noite?
    Em menos de uma década a participação foi de quase zero a mais de 20%!!
    Se você prefere ignorar esse fato....
    Em vários lugares do planeta o vento é constante em boa parte de tempo. E mesmo que não seja, a rede elétrica é interligada, um lugar que não está ventando compensa um lugar em que esteja ventando.
  • Maurício  19/11/2011 18:10
    De acordo com este gênio incompreendido chamado Golimar, se estiver ventando em uma região do Mongólia, toda a população de São Paulo terá energia farta e sem nenhum risco de apagão, afinal, "a rede elétrica é interligada, um lugar que não está ventando compensa um lugar em que esteja ventando."

    Qual parte ele ainda não entendeu sobre "até o presente momento, não há notícia de um método econômico e em larga escala capaz de armazenar eletricidade para uso posterior"?

    É a isso aí que se resume o movimento ambientalista. Gente praticamente acreditando em tele-transporte. Ventou na Malásia? Energia farta em Quixeramobim!

    Eu já sabia que os ambientalistas eram contra a energia nuclear. Mas confesso que não sabia que eles também tinham aversão total a hidrelétricas, as quais, até há pouco tempo, eram consideradas fontes limpas. E, pelo visto, considerando-se que a energia eólica mata pássaros, tudo indica que, no futuro, a energia terá de vir do sopro. Ih, mas o sopro contém CO2! Tá difícil... Ah, vamos todos promover um suicídio coletivo para o bem de Gaia. O ritual será bem religioso, com toda a humanidade se sacrificando perante esta deusa.

    E ainda tem gente que acha que a racionalidade vai aumentando nas pessoas com o decorrer do tempo...
  • Golimar  19/11/2011 18:40
    Já ouviu falar em linhas de transmissão?
    Ou você acha que no Brasil chove linearmente e as usinas hidroelétricas estão em pleno vapor o tempo todo?
  • Leandro  19/11/2011 22:39
    Prezado Golimar, não faça isso consigo próprio. As usinas hidrelétricas possuem algo chamado reservatórios, que é onde fica a acumulada a água a ser utilizada quando não está "chovendo linearmente".

    Como funciona isso para a energia eólica? Cada moinho tem um "reservatório de vento"?

    E há outros detalhes também, os quais você parece não levar em conta: a energia eólica, além de todos os seus defeitos, produz também uma forte poluição sonora oriunda das hélices dos moinhos. Quanto à energia solar, os painéis solares precisam utilizar baterias com ácido sulfúrico e chumbo para armazenar a energia a ser utilizada à noite e nos dias em que não faz sol. Já pensou nisso? Chumbo? E dado que essas baterias não duram infinitamente, onde você sugere descartá-las?

    Como diria o vídeo dos artistas, "são tantas perguntas sem resposta"...

    Grande abraço!
  • Golimar  19/11/2011 22:59
    E gás hidrogênio? Já ouviu falar?
  • Leandro  19/11/2011 23:14
    Já sim. E muito. É bastante instável e costuma gerar umas explosões de vez em quando... Não troco uma usina nuclear por nenhum hidrogênio. E confesso também não crer -- mas agora estou apenas especulando -- que os ambientalistas vão aprovar essa sua ideia.

    Mas estou achando interessante a sua evolução: começou peitando todo mundo, dizendo que sol e vento eram a solução. Depois, após as respostas, começou a ficar mais manso. Agora, ao que tudo indica, encontrou o último suspiro no hidrogênio (este, aliás, nunca foi aventado em nível mainstream). Vamos ver qual será a próxima sugestão.
  • Henry  04/04/2012 18:34
    Se falta vento também pode faltar água. Qualquer pequeno período de seca já tem que desligar as hidroelétricas.

    diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/economia/noticia/2012/04/tres-hidreletricas-param-por-falta-de-agua-3716986.html

    O que salva mesmo é o sistema interligado (linhas de transmissão unindo todo o país).
  • Golimar  19/11/2011 18:48
    www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=energia-eolica-sozinha-suprir-necessidades-china&id=010115090917
  • Catarinense  19/11/2011 17:37
    Golimar, a geração de energia elétrica a partir do vento, nos EUA, foi de 56TWh, em 2008, de acordo com a wikipedia. O somatório, de todas as matrizes energéticas, nos EUA, novamente de acordo com a wikipedia, foi de 4.369TWh. Me diz agora, onde você viu 20%? Desculpe, ou você é mal informado, ou mal intencionado. Espero que seja o primeiro.
  • Isaias Barbosa  19/11/2011 21:07
    Se as novas tecnologias aumentam a produtividade de energias em fontes alternativas, não vejo o porquê de não substitui-las (se realmente for comprovado que a produção das energias alternativas superassem as em escala). Mas isso não é apenas eu ou você quem tem que decidir, quem decidirá será o mercado(apesar de integrarmos o mercado), que busca sempre fontes mais baratas e mais produtivas além de tentar agradar potencias consumidores. Abolir, com caneta e papel, o atual sistema energético por simples capricho de poucas pessoas em detrimento de todas(leia-se governo) seria catastrófico!
  • Rafael  18/11/2011 21:03
    Meu caro... meu caro. Em algum momento li as seguintes palavras suas "...entender que sem uma crescente produção de energia, não há aumento da produtividade e, consequentemente, não há desenvolvimento, nem enriquecimento e nem fim da pobreza absoluta". Primeiramente, ao contrário do que você porpôs à leitora no seu comentário, você é quem deveria estudar melhor economia, pois produtividade é justamente a capacidade de produzir mais gastando menos energia. Pode perguntar isso a qualquer diretor ou gerente de fábrica? Você certamente quis dizer aumento de produção... Bem, neste caso, fico surpreso ao notar que uma pessoa com a capacidade que você demonstra para escrever um artigo bem argumentado (apesar de falacioso em muitos pontos) ainda não tenha percebido que essa crescente produção de energia, esse incessante aumento da produção, que exige que o consumo aumente na mesma proporção, deixando as pessoas cada vez mais estúpidas e suscetíveis a estratégias de marketing descompromissadas com a verdade e o bem estar... enfim esse enriquecimento nunca vai contribuir com o fim da pobreza. Isso porque esse modelo que você prega está baseado em príncipios e valores que não visam eliminar a pobreza. Isso pelo simples fato de que combater a pobreza não gera lucros e não promove esse crescimento econômico que você tanto admira. Do contrário, os Estados Unidos já teriam declarado guerra à probreza. Você sabe que eles adoram uma guerrinha, mas só as que são revertidas em benefícios financeiros para os que detém o poder.\r
    \r
    Belo Monte é basicamente um produto desse pensamento, meu caro. Há muito tempo que o mundo já dispõe de tecnologia suficiente para alimentar e gerar o conforto necessário para todas as pessoas, portanto, o problema está na péssima distribuição da riqueza. Não precisamos aumentar a riqueza e, sim, distribuir.... distribuir!!! \r
    \r
    Outro ponto em que você radicaliza a sua retórica e deixa de raciocinar é quando diz que a natureza é nossa inimiga. Não o culpo, pois a vida urbana faz muita gente pensar que o dinheiro é o que nos dá a oportunidade de viver confortavelmente. O que você desconsidera é que são os recursos naturais que nos dão todo esse bem estar que você adora. Se alguns países investissem o dinheiro que gastam com guerras em desenvolvimento científico de energias renováveis, poderiamos, sim, viver tranquilamente com fontes de energia solar, eólica e outras que você não cita, como a energia das ondas oceânicas. Sim, as mesmas ondas que dão caldo nos surfistas podem abastecer nossas casas. Sabe por que todas essas fontes são pouquíssimo utilizadas? Porque ainda há muito petróleo pra queimar e muitas hidréletricas que podem ser contruídas. Assim os membros do Grande Clube, entre eles donos de empreiteras gigantes, que determina os rumos que a humanidade deve tomar concentram a maior parte da riqueza entre eles, enquanto a gente se conforma com migalhas e ilude com números de crescimento do PIB. A gente sonha em fazer parte, algum dia, desse Grande Clube e que se fodam os índios, os ribeirinhos e as pessoas que serão obrigadas a viver em uma cidade superpopulada devido à chegada de pessoas que irão atrás da usina como se fosse ouro.\r
    \r
    Acho que você até está certo quanto a preocupação exagerada dos ambientalistas com espécies raras de animais do ecossistema. O ser humano precisa, primeiro, aprender a se relacionar com sua própria espécie antes de sonhar em viver harmoniosamente com minhocas e peixes. Entendendo a natureza humana, também sou cético quanto às teorias coletivistas como a dos marxistas e a dos ambientalistas e me rendo a uma conclusão inévitável: o planeta não corre perigo nenhum; a raça humana, assim como outras anteriores, será extinguida em algum momento e o planeta continuará existindo, criando novas formas de vida e interação entre os elementos que nele habitam.
  • Leandro  19/11/2011 00:10
    Não, Rafael, essa não é a definição de produtividade. Produtividade é a quantidade de bens produzidos por fatores de produção utilizados. Fatores de produção são pessoas, equipamentos, materiais etc. A produtividade aumenta quando uma mesma quantidade de fatores de produção passa a produzir mais bens. Não há nenhuma definição de energia aí. Muito menos utilizar menos energia. Agora, quanto mais energia você utilizar para os mesmos fatores de produção, maior tenderá a ser a produtividade.

    Após esse início triunfal, você não imagina as reservas de caridade que precisei mover para continuar lendo seu texto até o fim. Talvez seja por isso que eu não tenha me espantado com mais nada do que você teve a capacidade de escrever logo depois. Quanto tempo falta para se formar no ensino fundamental?
  • Golimar  19/11/2011 15:26
    E a energia não é um fator de produção?
  • Leandro  19/11/2011 17:58

    A energia elétrica alimenta alguns fatores de produção (como máquinas e motores elétricos, por exemplo). Quanto maior o uso de energia por fatores de produção, maior tende a ser a produtividade. A utilização de menos de energia nos fatores de produção fará com que a produtividade seja reduzida -- como você corta uma madeira mais rapidamente, com uma serra elétrica ou com um serrote?

    Se o seu consumo de energia diminuir ou aumentar, mas a sua produção se mantiver constante, então, em via de regra, sua produtividade é a mesma -- você estará alterando seus custos de produção, mas não sua produtividade.

    De acordo com o Rafael, "produtividade é a capacidade de produzir mais gastando menos energia". Não, produtividade é a capacidade de produzir mais utilizando a mesma quantidade de fatores de produção. Ou utilizando menos fatores de produção. Se o indivíduo vai gastar mais ou menos energia nessa empreitada, isso é algo que vai influir em seus custos de produção e não na produtividade. Mesmo a adoção de um "combustível ultraeficiente e ultrabarato" para as máquinas não irá per se aumentar a produtividade delas; fará apenas com que elas gerem menos custos de produção. (A afirmação do Rafael equivale a dizer que os trabalhadores de uma fábrica vão aumentar seu desempenho caso a conta de luz fique mais barata...)

    Isso tudo, aliás, foi explicado na seção final do texto, a qual muita gente deveria ler antes de vir comentar.
  • Eduardo Ameruso  18/11/2011 21:14
    Ha! Esqueci. Recomendo a todo mundo um dia conhecer a floresta Amazônica. Eu também a chamava de 'mato', depois que conheci uma floresta por dentro, minha opinião mudou sobre o ambientalismo.
  • anônimo  18/11/2011 23:51
    Ahh é Eduardo. Você conheceu os 5.500.000 km2 da Amazônia?
    E são esses 5.500.000 km2 de mato que você concluiu que não é mato e que nada deve ser alterado?
  • EUDES  23/11/2011 18:43
    Floresta não é mato ? Diga isso para um agricultor da Amazônia e ele irá rir da sua cara. Também será muito bom você consultar um dicionário da língua portuguesa.
  • Mr.Garone  18/11/2011 21:15
    A pergunta e simples: Vão tirar o povo de suas moradias precárias para plantar lixo de arvore e onde vão colocar o povo que vive em comunidades carentes do RJ a mais de 30 anos?

    Na minha casa que não ira ser, e se aumentarem os impostos e melhor não pagar! Se quiserem coloquem dentro das casas dos ecologistas, ambientalistas e dos aloprados dos políticos.
  • THEO   18/11/2011 21:33
    Fico espantado com tamanha ignorância por parte de nos humanos que tratam o meio ambiente apenas como um combustível para sobreviver , "NOS SOMOS PARTE DA NATUREZA E SEM ELA JAMAIS VIVEREMOS " portanto o RESPEITO com a natureza é respeitar a nos mesmos e nossas próximas gerações .Fiquei triste de ler alguns comentários por aqui e perceber que existem pessoas que não dão a minima importância para meio ambiente , um ato de extrema ignorância .
    Tenho certeza que pessoas com este tipo de pensamento nunca saíram das cidades , soltaram pipa no ventilador quando crianças e acham até hoje que o leite vem da caixinha tetrapac .!! Meu deus quanta ignorância talvez se o ser humano fosse menos ignorante e olhasse menos para o seu próprio umbigo o mundo estaria bem melhor .Mas é complicado , pessoas ignorantes como alguns aqui olham um mendigo na rua com desprezo e sequer param pra pensar ou imaginar que historia de vida levou um ser humano a viver na rua , Se nos não respeitamos nem nos mesmo como iremos respeitar os peixes as minhocas e as plantas ?? TAMO TUDO FUDIDO MESMO !! racinha humana sem vergonha !!MERECEMOS TUDOS MORRER MESMO .. QUE VENHA O FIM DO MUNDO !!! RRSRSR
    Eu como estudante de engenharia ambiental sou contra a construção de belo monte pelo motivo que que o estudo de impacto ambiental foi feito porcamente e se não fosse por algumas mexidinhas de pauzinhos jamais seria aprovado . Concordo com a construção da usina desde que as normas ambientais sejam respeitadas .
    (desculpe a ironia e as piadinhas ) mas é minha opinião , só no bom humor pra ler algumas coisas por aqui )
  • Guilherme   18/11/2011 21:53
    Andei lendo muitos artigos e críticas sobre o tal vídeo produzido pelos globais e este é o primeiro que irei de fato deixar um comentário.

    Analiso alguns pontos:

    - Concordo na maioria dos pontos colocados nos item 1, de fato este empreendimento se trata meramente de uma questão de interesses pessoais, onde a população local/regional/nacional é a que menos "ganha" com isso. Na verdade, perde!

    - No item 2, em que é tratado a questão da propriedade particular, penso que quando algo, que após pesquisas e embasamento científico, prova que é realmente necessário a execução deste ou daquele empreendimento, o benefício de muitos deve vir à frente. Entretanto, quando pesquisadores e mais pesquisadores - os que compõem a camada intelectual de nossa sociedade, formada com dinheiro investido pelo próprio governo - vem a público com um documento, comprovando que tal empreendimento não deve ser feito da forma como é proposta, me desculpe governo, me desculpe microondas e me desculpe geladeira, mas prefiro acreditar neles. (documento disponível em: www.socioambiental.org/banco_imagens/pdfs/Belo_Monte_Painel_especialistas_EIA.pdf)

    Vamos ao terceiro item e o que mais me incomoda, serei breve!
    Eu, biólogo e professor, ativista da "causa ambiental", eco-chato para alguns, discordo completamente do que foi colocado. Dizer que 0,0X% do total da floresta vai ser devastado, blá blá blá, não me convence!!!! Por que quando um babaca entra em uma escola e mata 10... 20... 300 alunos que seja, isso ganha proporções estratosféricas da mídia, das conversas de bar, das salas de aula, de todo lugar. Mas espere um pouco, qual a porcentagem de pessoas que foram mortas em relação à população total daquela cidade, daquele estado, daquele país? 0,00....0X%? O que se espera do poder público para com o assassino?! Somos todos seres vivos de um único planeta e devemos conviver de forma pacífica! Homem x Homem, Homem x Cachorro, Árvore x Macaco, Árvore x Homem, e por aí vai...
    Acredito sim, ser necessário o aumento da matriz energética brasileira, não discordo disso. Mas colocar essa necessidade acima de tudo e de todos é burrice! Burrice de uma população que não se preocupa, enquanto a água não bate no seu bumbum, burrice maior de um governo que quer simplesmente faturar.

    Quanto ao vídeo acho interessante a forma como foi abordada, certa ou errada, faz o povo pensar, ou pelo menos propõe a isso.

    O debate DEVE acontecer sim, por bem ou por mal! Mas para que isso ocorra, vou deixar um trecho que fala do posicionamento das pessoas diante de qualquer debate (retirado de um artigo comentando a ocupação da USP dias atrás (www.cartacapital.com.br/sociedade/ocupacao-patetica-reacao-tenebrosa/)

    "[...]O episódio foi, em todos os seus atos, uma demonstração do que o filósofo e professor da USP Vladimir Safatle chama de pensamento binário do debate nacional - segundo o qual a mente humana, como computadores pré-programados, só suporta a composição "zero" ou "um". Ou seja: estamos condicionados a um debate que só serve para dividir os argumentos em "a favor" ou "contra", "aliado" ou "inimigo".[...]"

    Saudações, até!

    Guilherme
  • Leandro  18/11/2011 23:48
    Parabéns pela honestidade, Guilherme! Para você, um homem = uma árvore.

    Obrigado por fornecer um exemplo prático daquilo que só expliquei na teoria. E ainda vem gente aqui dizer que estou delirando...
  • Carlos Araujo  18/11/2011 23:56
    "devemos conviver de forma pacífica! Homem x Homem, Homem x Cachorro, Árvore x Macaco, Árvore x Homem, e por aí vai... "

    Porque homem é homem, menino é menino, macadco é macaco, e viado é viado....
  • Luis Almeida  19/11/2011 00:06
    Mais honesto que o Guilherme somente os ambientalistas que deixaram suas máscaras cair e defenderam o assassinato de crianças em prol da preservação ambiental:
    Dropping the Mask of Ecofascism

  • Rene  19/11/2011 00:39
    Quando a Usina Hidrelétrica de Itaipu foi construída, houve um debate parecido com o que está acontecendo por causa de Belo Monte. Povoados, fazendas e florestas foram imundadas para a formação do lago. Entretanto, na última vez que tive a oportunidade de visitar a hidrelétrica de Itaipu, me chamou muita atenção o cuidado com o meio ambiente que os administradores da Usina possuem, por uma razão econômica. Basicamente, o desmatamento causa assoreamento no Rio Paraná e afluentes, fazendo com que a terra vá parar no lago, o que diminui o tempo de vida útil da Usina. Por causa disso, existem projetos voltados à preservação das matas que ficam à margem do Paraná e dos rios afluentes. Sem esses projetos de preservação ambiental, não sei se a floresta estaria tão bem preservada como está hoje. O fato da terra da Amazônia ser uma terra arenosa é conhecido de todo mundo. Sem um projeto de preservação ambiental ainda mais rigoroso, o lago de Belo Monte iria ser assoreado em pouco tempo se a floresta em torno dos rios não for bem cuidada.
  • Marcelo  18/11/2011 21:54
    Excelente desconstrução. Parabéns, Leandro!
  • Advogado  18/11/2011 22:05
    Quanto a desapropriação:

    Maria Syvia Zanella Di Pietro, Direito Administrativo, 22ª edição, editora Atlas, página 168/169: A Constituição do Brasil indica como pressupostos da desapropriação, a necessidade pública, a utilidade pública e o interesse social (arts. 5°, inciso XXIV e 184). Doutrinariamente, costuma-se distinguir essas três hipóteses da seguinte maneira:
    1."existe necessidade pública quando a Administração está diante de um problema inadiável e premente, isto é, que não se pode ser removido, nem procrastinado, e para cuja solução é indispensável incorporar, no domínio do Estado, o bem particular;
    2. há utilidade pública quando a utilização da propriedade é conveniente e vantajosa ao interesse coletivo, mas não constitui um imperativo irremovível;
    3. ocorre interesse social quando o Estado esteja diante dos chamados interesse sociais, isto é, daqueles diretamente atinentes às camadas mais pobres da população e à massa do povo em geral, concernentes à melhoria nas condições de vida, à mais equitativa distribuição da riqueza, à atenuação das desigualdades em sociedade" (cf. M. Seabra Fagundes, 1984:287-288)
  • Adriano  19/11/2011 04:05
    Esse é um aspecto que me incomoda bastante. A lei se baseia uma argumentação essencialmente utilitarista (2. há utilidade pública quando a utilização da propriedade...; 3. ocorre interesse social ... diretamente atinentes às camadas mais pobres da população e à massa do povo em geral), o que pode ser eticamente questionável. Será que uma maioria, só por ser maioria, tem direito de impor sofrimento a uma minoria não criminosa?

    Não sou hostil ao utilitarismo, mas, quando esse tipo de argumentação é usado desconsiderando valores morais, pode se defender quase qualquer tipo de arbitrariedade.

    O primeiro questionamento que surge é: será aceitável impor a um pessoa ou grupo de pessoas um sofrimento, sendo que não cometeram nenhuma transgressão ou crime? Segundo: qual é o montante de sofrimento imposto aos poucos proprietários considerado aceitável?
  • M E N A U  18/11/2011 22:23
    A história da humanidade (e da minhocoçu) pode ser resumida em:
    Farinha pouca, meu angu primeiro.

    Ou um pouco mais sofisticadamente:
    O Homem - Um Ser Egoísta
    O motor principal e fundamental no homem, bem como nos animais, é o egoísmo, ou seja, o impulso à existência e ao bem-estar. [...] Na verdade, tanto nos animais quanto nos seres humanos, o egoísmo chega a ser idêntico, pois em ambos une-se perfeitamente ao seu âmago e à sua essência.
    Desse modo, todas as ações dos homens e dos animais surgem, em regra, do egoísmo, e a ele também se atribui sempre a tentativa de explicar uma determinada ação.
    Nas suas acções baseia-se também, em geral, o cálculo de todos os meios pelos quais procura-se dirigir os seres humanos a um objetivo.
    Por natureza, o egoísmo é ilimitado: o homem quer conservar a sua existência utilizando qualquer meio ao seu alcance, quer ficar totalmente livre das dores que também incluem a falta e a privação, quer a maior quantidade possível de bem-estar e todo o prazer de que for capaz, e chega até mesmo a tentar desenvolver em si mesmo, quando possível, novas capacidades de deleite.
    Tudo o que se opõe ao ímpeto do seu egoísmo provoca o seu mau humor, a sua ira e o seu ódio: ele tentará aniquilá-lo como a um inimigo.
    Quer possivelmente desfrutar de tudo e possuir tudo; mas, como isso é impossível, quer, pelo menos, dominar tudo: "Tudo para mim e nada para os outros" é o seu lema. O egoísmo é gigantesco: ele rege o mundo.

    Arthur Schopenhauer, in "A Arte de Insultar". 1788//1860. Alemanha.

    Boa noite.
  • anônimo  18/11/2011 23:02
    Já que vc não liga pra morte das piranhas, micos e sapos (uma vez que será apenas uma pequenas parcela desses animais que vai morrer, quando comparamos com o seu número total existente no mundo), acho que vc não ficaria chateado emm saber que os ambientalistas também não se importam nem um pouquinho se vc, sua mãe e toda a sua família, responsável pela tragédia do seu nascimento, morrerem também! Afinal, o que são meia dúzia de pessoas ignorantes, que nada estão fazendo para melhorar o mundo, quando analisamos o número total de seres humanos no mundo???
    Então, que morram vc, sua mãe (caso já esteja morta, melhor ainda!) e todos os que têm a infelicidade de viver perto de vc.
    Ainda acho que as piranhas, sapos, micos etc são MUITO mais importantes.
  • Leandro  18/11/2011 23:41
    Esses ambientalistas são seres tão amorosos e dadivosos... Ainda bem que ao menos são honestos em revelarem seus reais sentimentos. Os bichos acima de tudo!
  • Carlos Araujo  19/11/2011 00:10
    Meu pai costuma dizer que quanto mais conheçe os homens, mais gosta dos seus animais.
    É ele tem razão.
  • Breno Almeida   18/11/2011 23:21
    O inimigo do meu inimigo é meu amigo. Não conhecia a campanha (pq não tenho mais paciência para ouvir ambientalista) mas se tiverem sucesso em impedir a construção de mais um elefante fico feliz.

    Mas dessa vez o Leandro se superou deve ser o artigo de maior sucesso do IMB especialmente se analisado nas 24hs da publicação.
  • Carlos Araujo  18/11/2011 23:49
    Parabéns Leandro, belo texto.

    Quanto aos paraquedistas, me lembrei disto:

    "é o paraquedista irmão do condor sua missão é destruir a tropa inimiga e o terreno invadir boina grená boot e brevê és deus é o capeta. és tu pqd ! ! !"
  • Kleber Rogério Duda  19/11/2011 01:26
    Leandro,

    O artigo foi excelente, também acho excessiva a causa ambientalista, mas a vejo como um grupo de pressão que influi na busca de tecnologias limpas que de outra forma nunca seriam pesquisadas, poluição é caso de saúde pública, afeta a vida de todos nós, como também é uma questão econômica, não penso como um ambientalista fanático que a causa deles deva ser perseguida sem considerar o aspecto econômico, mas consigo enxergar a importância dessas pessoas, apesar da ingenuidade e displicência das mesmas, e no final das contas, como estamos cansados de constatar, o que sempre irá prevalecer é o interesse do governo e seus comparsas, e paradoxalmente, esse é o bem invisível que nos faz esses brutamontes, são mediadores da ingenuidade destrutiva dos ambientalistas, e da igualmente destrutiva e ingênua obsessão econômica dos libertários, que fazem do aspecto econômico o que os ambientalistas fazem da preservação do meio ambiente, a panacéia da humanidade, quando na verdade os dois temas são relevantes, e os dois fazem parte da solução dos problemas da mesma, é evidente que o aspecto econômico sempre deve ter mais peso, pois sem isso deixaremos de evoluir em todas as outras ordens (cultural, social, espiritual), e nunca chegaremos a desenvolver tecnologias que nos livre dos problemas causados pela poluição, problemas que só tendem a aumentar na mesma escala do desenvolvimento econômico e que não podem ser ignorados, só faço mais uma ressalva ao seu texto, entre várias usinas hidrelétricas na Amazônia e a construção de usinas nucleares, prefiro aquela opção em relação a esta, pois a simples possibilidade dos estragos e danos à saúde a que estaríamos sujeitos em caso de vazamento de uma usina nuclear acaba por evidenciar que é possível usar o discernimento de forma inteligente nessa questão. Parabéns pelo seu trabalho, sou muito grato por sua visão, este artigo como outros de sua autoria estão entre os meus preferidos.
  • Yuri  19/11/2011 02:28
    Oi, Leandro!\r
    \r
    Escreves muito bem, tua inteligência gerou um texto bastante persuasivo, por um momento pensei em virar economista, ou algo parecido :)\r
    Contudo, não és inédito. Ecologicamente falando, não és uma espécie rara, mas creio que em extinção hehe. Destes que veneram o desenvolvimento a qualquer custo, para alcançar o chamado bem-estar humano. Algo tão ultrapassado quanto pensar em meio ambiente hoje em dia sem levar em consideração a questão social. \r
    Eu também não sou inédito, não tenho ideias singulares, etc. Faço parte do outro grupo, aqueles que acreditam no clichê "desenvolvimento econômico real, aliado à preservação dos recursos naturais". E o mundo é assim mesmo, não dá para todos ter a mesma opinião, tendências e afinidades para o mesmo lado. Nunca foi e - talvez - nunca será assim.\r
    Não consigo desvencilhar a natureza do Homem, já que considero uma ideia errônea discutir meio ambiente colocando o Homem como um elemento à parte, como se fosse um inimigo. Está tudo integrado e, mesmo às vezes o ser humano fazendo sim esse papel de inimigo, há exemplos naturais externos onde a natureza se mostra sua própria inimiga também. O Homem, com toda a sua singularidade neste mundo de tamanha biodiversidade têm muito a acrescentar, principalmente para atender aos seus próprios interesses e, claro, se defender daquilo que não pode controlar.\r
    \r
    Só não dá para esquecer dos ensinamentos básicos. Pensar em florestas/rios/animais/ é garantir água, ar, alimentos, cura de doenças e todas essas coisinhas manjadas (e abastecedoras do progresso) que parecem mais terem saído de uma aula do maternal, mas que ainda são tão difíceis de ser processadas na cabeça dos seres mais inteligentes e complexos do planeta. Talvez justamente porque são simples, e a simplicidade parece causar receio a alguns humanos que, diante de conclusões tão singelas, sentem-se impedidos de colocar em prática a guerra de egos. \r
    Mas, quem sabe com todo esse desenvolvimento onde a geração de energia vale mais do que tudo e é a base do ápice da sociedade, o Homem não consiga ser capaz de descobrir formas de sobreviver sem precisar respirar, sem beber água, sem comer... Sobreviveremos à base de energia elétrica talvez? Com tanta tecnologia que está por vir e que já foi capaz de concretizar invenções que ninguém imaginava ser possível, não dá para duvidar... Só não dá para tornar as energias alternativas economicamente viáveis. \r
    Engraçado...\r
  • Leandro  19/11/2011 02:55
    Prezado Yuri, se você realmente acha que ser contra o rebaixamento coercivo do padrão de vida é o mesmo que defender o "desenvolvimento a qualquer custo" (coisa típica de keynesiano), então aí, realmente, o debate teria de ser rebaixado para outra dimensão. E eu não teria talento pra tamanha e inglória faina.

    Mas agradeço aos seus elogios da primeira parte.

    Grande abraço!
  • Bruno  19/11/2011 03:23
    Muito bom o texto, parabéns. De modo geral, sua crítica à hipocrisia dos artistas é bastante pertinente e adequada. No entanto, ali no tópico "segundo item" tem um detalhe técnico: as terras indígenas não são particulares, são da União (art. 20, XI da Constituição Federal). Então a premissa de que os artistas defenderam a propriedade privada ao apontar a questão das terras indígenas é falsa, posto que terras indígenas são públicas (federais).
    Já quanto aos ribeirinhos a sua crítica é pertinente, embora o vídeo me pareça mais preocupado com a lenga-lenga de "preservação cultural das populações tradicionais" do que propriamente com a propriedade privada.

    Fora isso, bom texto.

    Abraço,

    Bruno.
  • Stella  19/11/2011 04:37
    Leandro, vou lhe presentear com um livro chamado "Inteligência e Conhecimento,É um Bem! Arrogância e Sentir-se Superior é Burrice"
    Creio que lhe ajudará muito!
  • Leandro  19/11/2011 11:18
    Querida Stella, jamais recuso livros. Estou no aguardo. E por se tratar de um livro de auto-ajuda, é certo que aqueles que o lêem buscam entender exatamente aqueles fenômenos que desconhecem por completo. Por isso, estou interessado na parte final do título. Você certamente se interessou pela primeira.

    Abraços e obrigado!
  • Paulo Sergio  19/11/2011 07:05
    Alguém aqui já ouviu falar de especismo?
    Tive o desprazer de conhecer isso teclando com uma bióloga recentemente
    Quando eu falei que a casa dela pra ser construída teve que matar um monte de insetos, plantas, sei lá, ela n conseguiu entender que estava se contradizendo.

    Mas eu até achei legal.Pra esse pessoal eu sou fascista(pq acredito no capitalismo) machista(pq acredito na ciência quando ela fala que h e m tem cérebros diferentes) e racista(pq sou contra cotas), agora ganhei um ista a mais pra minha coleção.
  • anonimo  19/11/2011 09:01
    AMIGOS!!!
    ARTISTAS SÓ FAZEM ESSAS PROPAGANDAS AÍ PORQUE RECEBEM DINHEIRO.
    HAHAHA
    QUE VENHA BELO MONTE! QUE VENHA O PROGRESSO!
  • Ronei  19/11/2011 09:48
    Leandro,

    artigo fantástico, perfeito e irretocável.

  • kennya  19/11/2011 10:20
    Aiai, da pra entender pq nosso país está assim, vc achar normal esse gasto exorbitante para construir essa usina, cheia de contradições, não sou nem de perto uma "defensora da floresta", nem tão pouco simpatizo com ambientalistas...mas eu acho essa país uma graça. Quando demarcaram a Raposa e Serra do Sol, todos só falavam em: os índios chegaram primeiro...entao vamos sair de todo o território nacional. A usina é uma vergonha sim, por todo esse dinheiro escoando, apenas por isso e já é o suficiente. Aqui vcs são da turma do "rouba mas faz". Que tristeza, então vamos aplaudir tudo!!!!


  • Layssa Ramos  19/11/2011 13:37
    Kennya, antes de criticar aprenda a ler e interpretar textos para não correr o risco de passar vergonha. O texto fala justamente da imoralidade de se utilizar dinheiro público para essa construção (e para qualquer outra também) e de forçar os moradores a sairem de suas propriedades. Ele só não acredita que os artistas utilizaram esses argumentos porque realmente acreditam neles, se fosse assim, eles não defenderiam o investimento do dinheiro extorquido do contribuinte para construir teatros.
  • anônimo  19/11/2011 10:37
    Parabéns Leandro!
  • Klauber Cristofen Pires  19/11/2011 10:56
    Extrema canalhice!

    O vídeo acusa a hidrelétrica de funcionar apenas 1/3 do seu tempo, porque nos oito meses restantes o clima fica seco. A verdade: a produção de energia não será permanente porque a área de alagamento foi reduzida para atender justamente às pressões dos ambientalistas! Ambientalistas-marxistas são assim: te jogam um copo de vinho e depois dizem que tua roupa tá manchada!

    Ôôo Marcos Palmeira e tutti quantti: se vocês acham inadmissível que um índio viva na cidade, então peçam para a Sra Indira Paes, a colega de vocês, tirar a sua roupa e ir socar mandioca.



  • Raphael Auto  19/11/2011 11:08
    O Klauber está certo. O plano inicial era que a hidrelétrica fosse construída usando um sistema de vasos comunicantes, nesse caso a hidrelétrica não perderia eficiência por que o nível de água sempre estaria estável, só que ambientalistas barraram o projeto inicial.

    Não concordo com a construção por respeitar a propriedade alheia, só estou comentando.
  • M E N A U  19/11/2011 11:39
    Considere apenas um embate no campo das ideias... presunção maior alguma.

    Ponto 1. A causa Unânime.
    Apelar para a obviedade, de que somos esdruxulamente tributados, para que só assim possamos continuar a financiar políticos sanguessugas (que me perdoem os animaizinhos) em conluio com a iniciativa privada, velado ou descarado (não faz a menor diferença), e com toda a sorte de promiscuidade em todas as esferas (inclusive internacional se preciso for), é argumento que convence de imediato até uma ameba, ainda que estrangeira, não nativa, mas sabedora que na ''Terra Brasilis'' a corrupção é endêmica, e por isso mesmo, perpetuam impostos, taxas, burocratas e obras superfaturadas.

    Ponto 2. O pudor convenientemente engavetado.
    Defender o direito indígena é louvável não fosse hipócrita. Tão demagogo e falso quanto um ateu defendendo com unhas e dentes toda espécie de culto, indo o cético na defesa do panteísmo à magia negra e ciências ocultas, passando pelo catolicismo ''não praticante'' até o fundamentalismo islâmico.
    Por que, ainda mais, além, demagogo e dissimulado?
    Basta lembrar que toda essa indignação evaporaria caso a empreita fosse tocada inteiramente, sem dinheiro público algum, nem subsídio oficial de qualquer espécie, digamos, p.ex., por Eike Batista.
    Jamais, abriria mão, a iniciativa privada, de um promissor empreendimento deste porte, ''legitimando'' por intermédio de acordos voluntários e em nome de uma verdadeira economia libertária.
    O direito à propriedade indígena seria subjugado pelo poder esmagador dos grandes consórcios particulares. Índios, povos ribeirinhos, fauna e flora nativa, não passariam de pequenos empecilhos ao desenvolvimento e bem estar humano. Afinal, ninguém aqui confessa, mais o humano libertário é mais humano que seus semelhantes, afinal são intelectuais acima de qualquer suspeita, sabedores do que é bom para todos, todos os demais.
    Na dúvida, resolve-se na bala, pois também se prega aqui o direito de andar armado e municiado. Resta saber do poder de fogo do silvícola, do ribeirinho, do caiçara, do Neon Verdadeiro (Paracheirodon innesi) .
    Só faltou dizer que, no mundo encantado, libertário, livre da opressão do Estado, o ser humano e sua essência egoísta, seria transmutado, poética e magicamente, num ser digno de habitante de ''Pandora'', lembrando que houve aqui até a preocupação com o culto religioso dos pobres nativos da Amazônia. Quase chorei neste ponto...
    Lembrar que também no conto de fadas de Carlos Máximo e seu socialismo utópico, tudo era previsível, ajustável, justificável, simples até, e para o bem maior. Na prática deu no que deu...
    Ignorar a propriedade conseguida na base da grilagem, ou nas indenizações milionárias fraudulentas, é conveniente ao anarco-capitalismo, no direito absoluto de defesa da propriedade, até as últimas consequências.
    Afinal, como convencer mega latifundiários que, o ''conselho libertário'', por meio de acordo voluntário e e em nome da verdadeira economia de mercado, concluiu que tais propriedades não são legítimas, a despeito de gerações e gerações beneficiadas por processos sucessórios.
    Simplificar tudo é cômodo, quando na verdade nem dentro de casa, no conforto do lar, se consegue tamanha obviedade nas relações interpessoais, tampouco entre duas pessoas sequer.
    Aqui esta a má fé, pois até uma criança perceberia isso, enquanto um adulto prega ''o mundo mágico da ''anarco-idolatria''''.

    Ponto 3. Radicalismo condenável, mas só quando inconveniente?
    Qualquer radicalismo é insano, egoísta, inconsequente, delirante.
    Para resumir: de nada me vale o conforto de meu lar do século XXI se água que beberei estará contaminada, por minha omissão ou tanto ruim, minha cumplicidade.
    Mas nem todos conseguem enxergar o encadeamento de um longo processo, muitos só enxergam, pela visão limitada, o resultado, o qual sendo de seu grado, justifica qualquer meio adotado.
    A visão limitada pode levar a falsas conclusões, e a arrogância cobra seu preço, nem que a conta fique para o descendente pagar. Se temos água potável a baixo custo, no Brasil, talvez seja, por que alguém no passado se preocupou com a geração futura, ou talvez foi apenas pura sorte nossa.
    Mas usufruir deste planeta não se resumiria a aqui e agora, ou sorte.
    Achar natural, em nome do progresso da humanidade, beber dejetos industriais ou hospitalares reprocessados é tão radical quanto, em nome do efeito estufa, se preocupar com flatulência bovina. Se rios ainda não esgotos a céu aberto, talvez tenha dedo de ambientalista.
    Na cultura hindu a vaca é sagrada, talvez seja pela liberdade do pensamento humano, livre até para idolatrar um ruminante, sem coerção. Pois é, observe o perigo da mistificação, religiosa ou sócio econômico filosófica.

    Conclusão... que audácia, a minha...
    Não concluo, apenas vislumbro caminhos, nada amigáveis, simples ou abundantes.
    Um deles, o caminho da não radicalização:
    Já Confúcio pregava, a melhor doutrina é a do caminho do meio.

    Outro, o caminho da evolução pessoal:
    Palavras atribuídas a Sócrates por Platão, ao final do seu julgamento.
    "Se imaginais que, matando homens, evitareis que alguém vos repreenda a má vida, estais enganados; essa não é uma forma de libertação, nem é inteiramente eficaz, nem honrosa; esta outra, sim, é mais honrosa e mais fácil: em vez de tampar a boca dos outros, preparar-se para ser o melhor possível."

    Mais outro, caminho da persistência, por Espinosa, em Ética.
    Ainda que o caminho assinalado pareça muito difícil, pode, contudo, ser encontrado.
    Certamente não há de ser fácil encontrarmos aquilo que não procuramos com freqüência.
    Se a solução estivesse em nossas mãos, nós a desprezaríamos com tanta facilidade?
    Tudo o que é grande é também raro e difícil de ser alcançado.
    É livre quem se mostra capaz de raciocinar, pensar e concluir, opondo-se às paixões desabridas, reconhecendo o caráter errôneo ou falso das emoções, enfrentando ativamente a negação ou a afirmação, na ação ou na obstinação, dos que lutam pela verdade.

    Complemento.
    Sobre Monte Belo e seus ''empecilhos'':
    Entre as irregularidades apontadas pelo MPF, a principal é a seca de 100 quilômetros da Volta Grande do Xingu, por onde o rio não mais passará em virtude de um desvio. Trata-se de uma região onde habitam pelo menos 12 mil famílias e 273 espécies de peixes. Conclui-se ainda