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“Falhas de mercado”, abacaxis e informações assimétricas. E a solução que já existe
A difusão da tecnologia praticamente já resolveu este problema - quem atrapalha é o governo

Quando estava no meu primeiro ano da pós-graduação, foi-me concedida a tarefa de ler a famosa monografia de George Akerlof, "O Mercado dos Limões", a qual havia sido publicada no The Quarterly Journal of Economics em 1970, e desde então é tida como um trabalho clássico.

O trabalho é bastante interessante e até mesmo intelectualmente instigante. "Limões" é altamente lido, ao contrário da maioria das coisas que são publicadas hoje nos "principais" periódicos acadêmicos sobre economia. Ademais, o trabalho representou uma bem-vinda ruptura com a tese da "informação perfeita", a qual dominou a economia neoclássica desde a época de Alfred Marshall.

O tema da "informação imperfeita" defendida por economistas é o seguinte: os indivíduos que interagem no mercado não dispõem de toda a "informação perfeita" que é necessária para fazer com que os mercados funcionem de maneira adequada, como indicado pelo ponto de equilíbrio demonstrado na famosa Interseção Marshalliana, em que oferta e demanda sempre se igualam. Considerando-se, portanto, que há essa "falha de mercado", o que os indivíduos devem fazer para que os mercados funcionem?

Ademais, os mercados também são flagelados pela assimetria de informação, que é o que ocorre quando a informação necessária para que compradores e vendedores cheguem ao "equilíbrio" não está igualmente distribuída entre todos os participantes de mercado. Akerlof fornece o exemplo do mercado de carros usados — daí o "limões" do título de sua monografia; "limões" são uma gíria para carros usados em mau estado, mas que apenas os donos sabem dessa condição.

[Para o Brasil, o termo mais correto seria "abacaxi", e este será o termo usado no restante deste artigo].

De acordo com um ditado popular sobre o mercado de carros usados, quando alguém compra um carro usado, ele "está comprando os problemas de outra pessoa". Os compradores de carros usados possuem muito menos informação do que os vendedores sobre quais carros são "abacaxis". O que parece ser um bom carro no estacionamento da revendedora pode perfeitamente acabar se revelando uma tremenda barca furada tão logo o novo proprietário o estiver dirigindo no centro da cidade.  

A perspectiva de um carro usado acabar se revelando um abacaxi pode gerar uma espiral catastrófica no mercado de carros usados. Por causa dessa incerteza, compradores serão mais relutantes a pagar bem por um determinado carro usado, sendo que, caso eles de fato soubessem com certeza que o carro que estão comprando não é um abacaxi, estariam dispostos a pagar mais.

Em consequência dessa relutância em se pagar mais, os vendedores retirarão seus melhores carros do mercado, dado que consideram que os preços oferecidos são inadequados. Isso, por sua vez, induz os compradores a oferecer preços ainda menores, já que, com os melhores carros fora do mercado, as chances de se adquirir um abacaxi aumentam substancialmente.  

Essa espiral descendente ameaça destruir esse mercado por completo.

Note que todo o problema se originou de um fato: os compradores desconfiados decidem que não há como saber se o carro é bom ou ruim, e os vendedores são incapazes de persuadi-los do contrário. Daí a teoria da "informação assimétrica": uma situação em que o vendedor ou o comprador possui alguma informação importante que o outro lado não possui.

A solução apresentada pelos economistas seguidores dessa teoria é que o governo imponha novas regulamentações ao mercado. A regulamentação, argumentam eles, obriga todos os lados a fornecerem todas as suas informações. Ademais, "leis anti-abacaxis" que obriguem os vendedores a restituir os compradores caso o carro não corresponda ao esperado irá impedir que o mercado entre em colapso.

O consumidor e o empreendedor

Essa análise econômica da informação imperfeita foi criada com a intenção de abolir da ciência econômica os modelos irrealistas de "concorrência perfeita", modelos estes nos quais não há "falhas de mercado" e todos os lados obtêm todas as informações necessárias. 

Akerlof nem de longe foi a primeira pessoa a explorar esta área. Ludwig von Mises, F.A. Hayek,  Murray N. Rothbard e Israel Kirzner já escreviam sobre isso antes de Akerlof publicar seu ensaio. (O artigo de Israel Kirzner de 1976, Knowing about Knowledge: A Subjectivist View of the Role of Information, é um ensaio bastante superior ao dos limões. Foi publicado no livro Perception, Opportunity, and Profit: Studies in the Theory of Entrepreneurship. Kirzner e os outros austríacos sabem que a informação imperfeita é parte inerente ao processo de mercado, e não um obstáculo ao funcionamento do mercado.)

Não apenas isso, como também a análise austríaca é muito superior a tudo o que foi escrito pelo trio Nobel, pois os seguidores da Escola Austríaca reconhecem o papel do empreendedor em lidar com as realidades da informação imperfeita.

De acordo com Akerlof e outros, os participantes do mercado, ao lidarem com as realidades da informação imperfeita, têm pouco ou nenhum incentivo para adquirir mais informações para si próprios. Eles estão "empacados" em um desequilíbrio que não pode ser corrigido — isto é, não pode ser corrigido a menos que o governo venha ao socorro.  

Porém, tanto a teoria quanto uma simples observação prática mostram que Akerlof está errado.

Em primeiro lugar, o livre mercado possui meios para fornecer informações para aqueles que delas precisam. Por exemplo, empresas frequentemente oferecem todos os tipos de suporte aos seus produtos para mostrar que elas creem que seus produtos são dignos de serem adquiridos. Elas oferecem garantias e concedem reembolso para proteger os consumidores contra eventuais defeitos e para garantir que eles fiquem satisfeitos.

Se os compradores de carros querem ter mais informações sobre carros usados, por que eles não conseguiriam obtê-la? Há várias maneiras de isso ser feito.

Tenho um conhecido que é especialista em assuntos automotivos. Frequentemente ele é chamado por seus amigos, e por amigos de seus amigos, para acompanhá-los até uma revendedora para analisar os carros lá vendidos. Ele leva consigo algumas ferramentas para testar a qualidade do carro e constatar a veracidade das informações fornecidas pelo vendedor. Dentre outras coisas, ele leva um ímã, o qual ele desliza ao longo do carro para descobrir se a lataria já foi danificada e se o vendedor utilizou alguma substância à base de fibra de vidro para cobrir os amassados.  

Especialistas como esse meu amigo podem ser livremente contratados para ir às revendedoras e "equalizar" um pouco a assimetria de informações.

Ademais, vale notar que o mercado de carros usados nunca entrou em colapso em nenhum lugar do mundo (ao menos, não nas economias razoavelmente desenvolvidas). Em vários locais, inclusive, ele é ainda mais dinâmico do que o mercado de carros novos [como aconteceu no Brasil na década de 1980, durante o Plano Cruzado]. Outra pergunta que vale ser feita é: por que se pressupõe que os vendedores dos melhores carros, ao estabelecerem seus preços, não irão levar em conta a falta da informação dos compradores?

É quase impossível encontrar uma transação na qual os indivíduos possuam exatamente as mesmas informações. Assimetrias de informações estão presentes em todos os lugares, e nenhum critério aceitável já foi proposto para separar as assimetrias "aceitáveis" das "inaceitáveis".  

Ademais, suponhamos que um determinado mercado realmente entre em colapso, exatamente da maneira como Akerlof descreveu. Tal colapso teria ocorrido em consequência das ações voluntárias dos consumidores, que se recusaram a continuar comprando aqueles produtos. Qual o problema disso? Tal atitude não viola direitos de ninguém. Logo, não haveria nenhuma justificativa para pedir a intervenção governamental em um processo cuja ocorrência se deu justamente de acordo com os desejos do público consumidor — isto é, do mercado.

A internet reduziu acentuadamente o problema

No mais, a própria internet já praticamente solucionou o problema da falta de informação.

Empreendedores já criaram vários websites em que consumidores fornecem suas opiniões sobre vários produtos e serviços, atribuindo notas aos vendedores destes produtos e serviços. Os mais bem conceituados prosperam e enriquecem. Os piores são expulsos, pois ninguém se arrisca a fazer negócio com eles.

Há também vários websites em que vendedores e potenciais compradores se "encontram" e fazem ofertas, expandindo desta forma a concorrência e abrindo novos mercados para todos que quiserem participar.

Com a difusão da tecnologia e dos smartphones, as pessoas estão tendo acesso a inúmeras informações a custos cada vez menores.

As liberdades do consumidor são fundamentalmente definidas pelo número de escolhas que ele tem disponíveis para si e pela qualidade das informações sobre os produtos. Em ambos os quesitos, o oferta só faz aumentar. Consequentemente, não só a facilidade de se conseguir serviços bons é cada vez maior, como também as informações sobre cada um deles são cada vez mais completas e acuradas.

Hoje, pela internet, podemos comparar preços e produtos sem sair de casa.

Acesse o site da Amazon, do E-Bay [ou do Mercado Livre] e de qualquer revendedora de carros usados e você poderá ler, gratuitamente, milhares de opiniões sobre milhões de produtos e vendedores. Dificilmente você fará um negócio às escuras. Você saberá exatamente com quem está lidando. O custo da informação está caindo, e a informação é o bem mais crucial de uma sociedade livre.

Se há algo que está aumentando em quantidade, e que também está diminuindo de preço, esse algo é a informação correta. Essa é a característica precípua de uma sociedade livre. E está sendo permitida pela tecnologia. Simplesmente não há como burocratas do governo fazerem um serviço melhor do que este.

O fato é que está ficando cada vez mais barato para pessoas espertas e inteligentes terem acesso a informações confiáveis e gratuitas. A internet e seus serviços que permitem classificar a qualidade dos serviços reduziram acentuadamente o problema da assimetria de informação.

Em outras palavras, as pessoas sabem criar maneiras de lidar com a questão da imperfeição das informações, as quais são, por si sós, uma mercadoria escassa e valiosa.  Negar tal fato é se negar a examinar as transações que ocorrem no mundo real.

A crença na infalibilidade de burocratas

A crença de que regulamentações governamentais podem "solucionar" o "problema da informação" é risível, para não dizer completamente fora da realidade do mundo. 

No mínimo, o governo cria problemas de informação, pois várias regulamentações proíbem as pessoas envolvidas em transações de descobrir — ou agir de acordo com — fatos relevantes. 

Um bom exemplo aconteceu há alguns anos, em Washington, D.C. A câmara municipal promulgou uma lei que proibia os planos de saúde de discriminar potenciais clientes com base em doenças já adquiridas. Isto é, se um indivíduo já doente quisesse fazer um seguro-saúde para ter menos gastos, ele não poderia ser rejeitado (que é exatamente a mesma coisa de um indivíduo querer fazer um seguro anti-incêndio enquanto sua casa está sendo destruída pelo fogo). Com efeito, pela lei, as seguradoras nem sequer poderiam fazer perguntas às pessoas sobre questões relativas à saúde. Algum tempo depois, os vereadores disseram estar "estupefatos e furiosos" com o fato de os planos de saúde terem ameaçado não mais emitir apólices para absolutamente nenhum habitante da cidade.

Em um recente artigo escrito por Robert Shiller — que escreveu, junto com Akerlof o livro pró-regulação estatal Phishing for Phools — escreve que:

Embora confirmemos a importância dos mercados livres, chegamos à conclusão de que a regulamentação do mercado tem sido crucial, e acreditamos que isso continuará sendo verdade no futuro.

[A teoria econômica convencional] frequentemente ignora o fato de que, dada a natural debilidade do ser humano, uma economia competitiva e desregulada irá inevitavelmente gerar uma imensa quantidade de manipulação e engano.

É inevitável constatar a contradição central dessa análise. De um lado, supõe-se que os mercados falham por causa da "natural debilidade do ser humano". De outro lado, assume-se que a regulamentação, a qual tem necessariamente de ser implantada por seres humanos com igual ou maior debilidade, irá de alguma maneira resolver o problema.                    

Akerlof e Shiller simultaneamente demonizam os seres humanos que operam no setor privado e idealizam os seres humanos que operam no setor público.

Conclusão

O governo não tem como trazer mais certeza às transações; na verdade, ele apenas piora tudo (como bem mostra o episódio da Carne Fraca). 

A noção de que autoridades centrais podem corrigir imperfeições de mercado pressupõe que essas autoridades sabem exatamente quais medidas funcionarão melhor mesmo elas estando fora da experiência do mundo real.  É só a experiência de mercado, com o sistema de lucros e prejuízos, que pode revelar dados sobre condições econômicas obscuras. E é só assim que podemos saber como melhor lidar com estes problemas.

Em vez de indicar a necessidade de intervenções governamentais, assimetrias de informação fazem com que o livre funcionamento do mercado seja algo ainda mais importante. Tendo como guia a busca por lucros e a aversão a prejuízos, empreendedores irão determinar os métodos menos custosos para lidar com os problemas de informação. 

Decretos governamentais podem até fazer com que alguns se sintam melhores, na crença de que os problemas foram resolvidos. Mas a ausência de cálculos de lucro e prejuízo nas decisões governamentais — para não falar também da pressão de lobistas e grupos de interesse que pedem por regulamentações (pois estas prejudicam seus concorrentes) — faz com que a possibilidade de haver resultados economicamente mais eficientes em decorrência das regulamentações esteja apenas no campo das superstições.

Quando os indivíduos que atuam no mercado — consumidores e vendedores — têm incentivos para transacionar, eles também têm incentivos para criar mecanismos institucionais para facilitar essas transações e torná-las mais confiáveis e seguras. A incapacidade de reconhecer e apreciar estes mecanismos privados capazes de superar as assimetrias de informação é exatamente o que leva a infundados clamores por mais regulações governamentais.

A vida é incerta, não importa como ela seja vivida. A ideia de que o processo político, que é uma das coisas mais volúveis da face da terra, pode fornecer as bases para a certeza e para a estabilidade é uma ideia que só pode ser defendida por quem vive em alguma espécie de dimensão paralela.


19 votos

autor

William L. Anderson
é um scholar adjunto do Mises Institute, e leciona economia na Frostburg State University. 

  • Alan  09/11/2011 11:02
    Esse artigo é excelente. Não apenas o tema e seu consequente desenvolvimento sob uma perspectiva laissez-faire estão muito bem feitas, mas a linguagem e a metodologia estão muito boas.
  • Cristiano  09/11/2011 11:49
    Excelente artigo.
    Todo estudante de economia deve andar com ele a tira-colo pois enfrentará essa falácia nas salas de aula em algum monento.
  • Leninmarquisson da Silva  15/08/2013 15:53
    Precisei dele um ano atrás :\
  • Anny  25/06/2014 15:03
    sou estudante de marketing e este documento
    deu-me uma boa base para o meu estudo **

    gostei muito
  • Flavio  09/11/2011 12:41

    Gostei do artigo.

    Pode-se aplicar essa história do limão a quase tudo.

    Quando duas pessoas se casam pode-se dizer que as duas partes não sabem tudo sobre o outro, quando passam a morar juntos vão descobrindo os "defeitos" em alguns casos isso invibializa a negócio (relação).
  • Rhyan  09/11/2011 13:21
    Muito bom, parabéns!
  • Thyago  09/11/2011 21:47
    A morte e o pagamento dos impostos hehe...

    Artigo fenomenal. Esse merece maior relevância. É importantíssimo para todo aquele que estuda a economia na universidade. Desmorona toda a argumentação desses caras...
  • Alex  09/11/2011 21:48
    Poxa... Já estou pensando no tema de minha monografia e gostei deste tema, meu problema é que certamente não terei um orientador a altura :(
  • vincibode@gmail.com  10/11/2011 12:56
    Recentemente, a B2W, que comanda os site de vendas 'Lojas Americanas', 'Submarino' e Shoptime teve suas atividades suspensas no prazo de 72h, por não cumprir com os prazos de entrega dos produtos ou não ter nem ao menos entregue, podendo também sofrer multa de mais de 1 milhão. O fato é que esses casos aumentaram em quase 250% desde o ano passado.

    A pergunta é: como o livre mercado resolveria esse impasse? Obviamente os consumidores que solicitaram os produtos no prazo não sabiam sobre esse elevado descumprimento dos prazos de entrega. Como os consumidores prejudicados resolveriam essa situação, sem o auxílio do estado?
  • Leandro  10/11/2011 13:00
    Alguma palavra sobre a culpa dos Correios nisso tudo? E como, exatamente, o estado fechar as operações destas empresas vai ajudar a acelerar o processo de entregas?

    No mais, se há desrespeito a contratos, não há nada de errado em se utilizar meios judiciais. O problema é que o judiciário é monopólio do estado, e por isso oferta serviços de maravilhosa eficiência e rapidez (exatamente a eficiência e rapidez que o estado agora cobra das empresas).
  • Thiago  10/11/2011 13:23
    Simples. As pessoas param de comprar nas lojas que nao cumprem prazo. E elas vao a falencia se continuarem assim.
  • Alexandre M. R. Filho  10/11/2011 14:26
    Vinci,\r
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    é muito difícil prever como se dariam as coisas em ambientes livres que hoje são estatizados.\r
    \r
    Mas dá pra fazer um exercício.\r
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    Então, devemos presumir que não há justiça estatal.\r
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    Dessa forma, seria muito temerário contratar sem a garantia de ter "pra onde correr" caso desse zebra.\r
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    Provavelmente, então, as pessoas tenderiam a contratar com empresas que aceitassem se submeter a uma instituição privada de resolução de conflitos. Um árbitro, uma câmara de conciliação, qualquer coisa.\r
    \r
    Num ambiente assim, teríamos empresas de resolução de conflitos mais e menos confiáveis. O mercado faria a seleção delas.\r
    \r
    Logicamente, algumas empresas preferirão não aderir a nenhum serviço desses. Provavelmente, estas seriam menos procuradas e teriam qeu ofertas produtos e serviços mais baratos. Muito certamente, o serviço seria de pior qualidade.\r
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    Bom, feito o contrato, com a inadimplência vc acionaria a empresa "judicial". Esta emitiria uma decisão qeu deverá ser cumprida. Com o não cumprimento, empresas de execução de decisões - que podem também ser a empresa de resolução de conflitos - entrariam em cena confiscando bens da parte que não cumpriu a decisão.\r
    \r
    Mesmo assim, alguém pode dizer: e se a empresa não cumprir o acordado, não cumprir a decisão e, finalmente, não aceitar a execução, quem poderá nos ajudar?\r
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    Ora, uma empresa que descumpre todos esses passos - COM OS QUAIS VOLUNTARIAMENTE DISSE QUE CONCORDARIA EM OBEDECER - vai ficar muito tempo no mercado ainda?\r
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    Muitas pessoas será que vão "cair" no conto dessa empresa?\r
    \r
    O que eu imagino é que, pelo contrário, elas procurariam o mais rapidamente se adequar a essas questões.\r
    \r
    Mesmo porque, num ambiente livre, vc não seria obrigado a contratar com ela e, certamente, empresas concorrentes estariam à espreita só esperando pra pegar o filão no mercado.\r
    \r
    Nâo é difícil imaginar que aparecia uma outra empresa se dispondo a adimplir a obrigação de outra empresa apenas para angariar clientes. Quase tivemos isso no nosso super regulamentado setor de telefonia móvel.\r
    \r
    Mas, como eu disse, é difícil prever como será o arranjo voluntário.
  • Daniel  10/11/2011 15:03
    Tu já compraste alguma coisa no Ebay?\r
    \r
    Não é o melhor sistema do mundo, mas tem um sistema de arbitragem privado que garante teus direitos de comprador de maneira MUITO mais eficiente que qualquer justiça estatal, e com ótimos prazos (geralmente um "dispute" é resolvido em poucas semanas).\r
    \r
    No caso de um atraso significativo, produto diferente do descrito e etc tu pode usar esse sistema. E vendedores que sistematicamente caem nisso e que tem resultados ruins nas notas que os clientes dão são eliminados do mercado.\r
    \r
    Um sistema voluntário de certificação, confiança e arbitragem é sempre melhor que justiça estatal. Tu quer saber como EU me protegi disso? Tive problemas em 2010 com a Americanas e simplesmente não comprei mais lá. Tem dezenas de outras lojas online confiáveis com os mesmos produtos e inclusive preços menores. E se eu quiser comprar novamente na Americanas irei verificar os feedbacks recentes no Buscapé, Ebit, Reclame Aqui e outros, onde tu pode notar, com qualquer consulta rápida, que a loja não vem satisfazendo seus consumidores.
  • Leigo  20/07/2017 11:45
    Já comprei no ebay com vendedores do exterior (EUA, por exemplo), e tive problemas, devolveram meu dinheiro. Quando tenho problemas com compras em sites brasileiros, na melhor das hipóteses, me dão um cupom de desconto no valor do produto. Por que acontece isso? Acho que o mercado responde.
  • Rodrigo  20/07/2017 12:23
    O que diz no contrato daqui? Tem de ler.

    O que eu sei é que em nenhum país minimamente capitalista funciona assim como você descreveu. Em qualquer país do hemisfério norte, se você adquire um produto defeituoso e reclama, a loja imediatamente lhe restitui outro, no questions asked. Nos EUA é assim. E não só para compras online; em qualquer supermercado o procedimento é o mesmo.

    Óbvio: o empreendedor sabe que, se ele não lhe der um produto novo e sem defeito, você não só não mais comprará ali, como também irá fazer um grande burburinho nas redes sociais, podendo afetar enormemente as receitas futuras desta loja.

    Aliás, eu já fui restituído por compras feitas na Amazon de um cara que eu nem conhecia. Foi nos EUA. Ele me mandou um CD (videogame) que não rodou no meu laptop. Mandei um email, devolvi o CD e ele prontamente me enviou outro, que funcionou.

    Óbvio também: se ele não fizesse isso, eu acabaria com a reputação dele no sistema de classificação do site (as estrelinhas). E aí as receitas futuras dele estariam comprometidas.

    Ou seja, se o cara for um genuíno capitalista, preocupado com receitas e lucros futuros, ele irá lhe restituir um novo produto. Agora, se ele não for capitalista -- ou se ele operar em um mercado protegido pelo governo, como é o caso do Brasil -- então ele realmente não lhe dará outro produto. Aí o defeito é exatamente da ausência de capitalismo.

    Aposto que a sua compra no Brasil foi em alguma grande loja, daquele tipo que é protegida pelo governo.
  • vinci  10/11/2011 13:30
    O atraso via monopólio e incompetência dos correios realmente deve ser levado em conta.


    "E como, exatamente, o estado fechar as operações destas empresas vai ajudar a acelerar o processo de entregas?"

    R: Nesse caso, imagino que como os sites não terão pedidos no prazo de 72h, utilizarão esse período para efetuar as entregar em atraso, tentanto resolver o mais rápido possivel a situação penosa, buscando também não repetir esse problemas, por conhecer as penas.

  • Carlos Araujo  15/11/2011 00:43
    Sem contar que dentro dos Correios está cheio de ladrão.
    Eles levam o seu produto e colocam um tijolo ou qualquer coisa dentro.
    As vezes a encomenda simplesmente "some".

    E tem também o fato de que muitos carteiros são extremamente descuidados.
    Outro dia cheguei em casa e tinha duas caixas no chão. O carteiro filho da .... simplesmente jogou as caixas por cima do muro.

    Eram dos produtos de informática, e felizmente não estragaram. Pois se tivesse estragado, eu ia pedir ajuda pra quem?
  • Kike  22/07/2017 05:37
    Incompetência é o segundo nome dos Correios.
  • João Paulo  10/11/2011 15:40
    Pode até parecer bem intencionada a pretensa ideia de que os governos podem controlar e melhorar as chamadas falhas de mercado, mas não é isso que o bom senso e a realidade tem nos mostrado. O artigo é muito bom e como diria o historiador David S.Landes "prefiro a verdade ao pensamento bem intencionado".
  • vinci  10/11/2011 16:55
    Prezados Alexandre e Daniel, vocês sanaram minha dúvida! Valeu! A explicação teórica de Alexrandre e o exemplo prático do Daniel foram esclarecedores.
  • Angelo T.  14/11/2011 09:03
    Bom texto!
  • cris correa  15/08/2013 12:48
    Excelente artigo, lembrou-me que é na dimensao paralela que vivem nossos políticos e economistas.
  • Vitor Sousa  15/08/2013 14:40
    Eu tenho uma dúvida sobre essa questão do livre mercado.

    É natural que as pessoas deixem de comprar na B2W à medida que seus itens passarem a não ser entregues.

    Porém, o mau atendimento de um hospital não geraria entregas atrasadas... geraria cadáveres. Ou seja, antes mesmo do mercado ter tempo para avaliar os serviços do hospital, pessoas teriam morrido. Poderiam ser 10, 100 ou 1000 pessoas. Quem sabe?

    Sendo um governante, como lidar com isso?
  • Leandro  15/08/2013 14:59
    O que um governante faria? O SUS produz cadáveres todos os dias, e os governantes, que são os gestores do SUS, não apenas nada fazem, como continuam se gabando do sistema.

    A resposta à sua pergunta é óbvia: se um hospital -- assim como qualquer outro serviço -- promete uma coisa e entrega outra, então isso configura uma clara quebra de contrato. E quebras de contrato são resolvidas na justiça. Se o estado existe, se ele se arroga o monopólio da justiça, e se ele torra nossa paciência diariamente com seus impostos e burocracias, então sua obrigação precípua é zelar pelo cumprimento dos contratos, punindo severamente quem não os cumpre.

    Mas isso não ocorre. Por quê?

    Porque a nossa justiça estatal é lenta e corrupta, o que faz com que as chances de um malfeitor sair impune sejam enormes, o que gera ainda mais relapso nos serviços. E o povo, em vez de pedir a total desestatização do judiciário -- note que nem é necessário privatizar nada; basta apenas legalizar a concorrência de cortes privadas --, continua com seus devaneios de que "o estado deve tornar a justiça mais célere".

    Sem desestatização, não há solução.
  • Andre Cavalcante  15/08/2013 15:29
    "Sem desestatização, não há solução."
    E agora com palavras de ordem? hihihi :)
  • Lopes  15/08/2013 15:47
    Perdoe-me interromper uma magistral réplica sua, Leandro, porém em uma recente discussão com um professor de economia sobre o impacto do gasto governamental na sociedade, eu utilizei o termo "o BACEN cria dinheiro para comprar títulos de dívida em posse de bancos privados" e fui interrompido ansiosamente pelo mestre que negou a criação de dinheiro do nada pelo banco central, afirmando que o que ocorre é, na realidade, o uso de dinheiro que existirá no futuro para realizar tal operação(O que não faz sentido algum, sob minha perspectiva).

    Haveria algum novo estratagema de refutação do mainstream à essa denúncia ou os mestres brasileiros estão abraçando o esoterismo? Devo eu comprar o horóscopo para prever o comportamento do BACEN?
  • Leandro  15/08/2013 15:58
    Isso de modo algum chega a ser esoterismo. Esoterismo era uma doutrina secreta que alguns filósofos antigos comunicavam apenas a alguns discípulos. Ou seja, era algo que exigia um tanto de intelecto. Já esse professor seria recusado até mesmo em um terreiro de macumba -- pois macumbeiros que se prezam exigem um nível mínimo de intelecto em seus terreiros.

    Com efeito, o único habitat propenso a acolher este espécime realmente é o meio universitário, que é um ambiente totalmente fecal.
  • Julio Heitor  15/08/2013 19:32
    HAHAHA!

    O Leandro, intencionalmente ou não, consegue ser hilário. Primeiro chama o professor de "espécime", e depois chama o ambiente universitário de "fecal".

    Mas as duas colocações são adequadas.
  • Pobre Paulista  15/08/2013 17:35
    Mas no fundo não deixa de ser verdade. Estamos roubando o futuro dos nossos sucessores em troca de sabe-se lá o que hoje. Já teve um artigo a respeito por aqui uns meses atrás...
  • Vitor Sousa  15/08/2013 18:14
    Ok.

    Concordo. Mas veja bem:

    Mas eu me referia mais (sem ter sido muito claro, admito) que não seria papel do estado/governante ser o "regulador" dos requisitos minimos do hospital para atendimento mínimo da qualidade dos seus serviços antes mesmo do empreendimento ofertar seus serviços a sociedade?

    Eu digo isso, por que depois que ele começa a oferta os seus serviços ruins, ele geraria óbitos antes mesmo de mercado ter uma avaliação precisa sobre os seus serviços.

    Por que uma coisa é um restaurante ruim abrir e expulsar clientes. No caso de um hospital as consequências seriam piores.
  • Leandro  15/08/2013 19:01
    Todo e qualquer empreendimento tem de entregar aquilo que ele se propõe a fazer. Caso contrário, isso implica quebra de contrato, sendo então cabíveis punições.

    No entanto, é preciso tomar cuidado com algumas exigências. Pelo que entendi, você está perguntando o que o governo deve fazer para que um hospital ruim não mate ninguém. Ao fazer esta simples pergunta, você já está conferindo a burocratas o dom da onisciência. Como o governo irá saber antecipadamente que determinado serviço é ruim? Isso não é tão simples quanto certificar uma infraestrutura. Saber que uma ponte é instável e está prestes a ceder é fácil; mas saber antecipadamente que toda a equipe médica de um hospital é ruim é algo impossível. Infelizmente, há empreendimentos que só podem ser impedidos após uma vida ter sido ceifada. Isso decorre do fato de que seres humanos não são oniscientes, e não têm o dom de impedir que estragos ocorram em ambientes insuspeitos. Governo nenhum, por mais competente que seja, tem essa capacidade. Trata-se de uma realidade que infelizmente tem de ser aceita.

    Por exemplo, no caso específico de hospitais, é necessário entender que até mesmo o melhor hospital com a melhor equipe técnica está sujeito a apresentar falhas humanas que resultem em morte. Isso é um fato da vida, uma inevitabilidade inerente ao fato de sermos humanos.

    Todos nós desejamos do bom e do melhor, mas isso é impossível de se ter o tempo todo. Querer que os hospitais nunca matem ninguém por erro médico -- uma falha humana como qualquer outra, presente em todas as áreas da economia -- é o mesmo que querer que nunca mais haja acidentes aéreos. Quando você compra uma passagem aérea, você quer chegar inteiro ao seu destino. Mas se houver um acidente, não é sensato exigir que o governo feche tal empresa.

    O mesmo vale para hospitais. E, considerando-se o fato de que o governo segue promovendo os hospitais públicos mesmo já sabendo que eles são um açougue, você estaria fazendo bem em confiar em qualquer outra entidade que não o governo para distribuir atestados sobre a qualidade de hospitais.
  • Marcio L  16/08/2013 02:10
    Acho que é por isso que existem as certificações, conjunto de normas técnicas e outros, a exemplo do 5S e ISO, etc etc
  • Bob brasileiro  15/08/2013 19:41
    Sinceramente não dá para tirar uma conclusão satisfatória das ações de um governo tirando por base o nosso caso aqui do Brasil em relação a saúde. É como já foi dito por outros ai, o governo tem sido incapaz não só de ofertar um serviço de saúde de qualidade, como também de fiscalizar os demais que não está sob a sua responsabilidade direta. A prova está escancarada para quem quiser ver país a fora.

    Ainda agora estamos assistindo o protesto da classe medica diante do governo que quer impor e colocar sob as costas deles a culpa das mazelas da saúde no país, dizendo que os médicos não querem ir para o interior, que não são humanistas e coisas que tais. Mas qualquer um de nós minimamente que conhece o lugar onde mora sabe que que não existe infraestrutura e logística digna para um atendimento satisfatório na prestação de saúde as pessoas. Qual medico quer ir para uma região ou localidade em que ele tem apenas uma mesa e uma cadeira para atender um paciente e nada mais? Falta tudo.

    Então está mais do que claro que o poder estatal não é a garantia de nada, isso está provado para nós que tem um pouquinho de cérebro e sabe observar as coisas em volta de si.
  • Marcio L  16/08/2013 02:16
    Poxa, mas essa é uma reação corporativista dos médicos que querem manter a sua reserva de mercado, impedindo que outros venham para trabalhar. É uma luta de interesses para manter as regulações que os beneficiam, nada diferente de como costuma agir qualquer setor corporativista.
  • anônimo  16/08/2013 11:54
    Tem muito mais nessa história.Os petralhas queriam trazer médicos de cuba.Justamente de cuba, não é suspeito?
  • Emerson Luis, um Psicologo  16/08/2013 17:22
    Sim.

    Alguém disse que, em vez de médicos de Cuba, deviam importar militares do Egito...

    * * *
  • Bob brasileiro  16/08/2013 12:14
    Certo Marcio L, no entanto não podemos perder de vista alguns aspectos reais e que são relevantes nestas questões quando estamos discutindo o livre mercado e suas variantes de comportamento dos agentes econômicos verso o contexto de realidade estatal que temos hoje.

    Digamos que os médicos estejam sendo corporativistas nas suas reivindicações e alegações com o governo, mas eles deveria agir diferente dentro do contexto econômico no qual eles estão inseridos? Dentro das regras que eles participam não é justo o que eles estão alegando, inclusive para desmascarar as alegações do governo que são falaciosas e demagógicas?

    Veja bem, se de um lado, dos médicos por exemplo, eles tem que cumprir um conjunto de regras x, e derrepente o governo por questões "n" resolve mudar essas regras para outros profissionais de fora só para atender interesses y do governo, mas que estão claramente contra as regras vigentes e aceitas pelos que estão jogando internamente, então é mais que logico e humano de que os que estão no jogo interno irão reagir, isso também faz parte do mercado, por mais que ele seja estatal.
  • Marcio L  16/08/2013 12:44
    É o mesmo que os mesmos médicos fez com relação ao Ato médico, uma tentativa de, através de regulamentações, ter exclusividade sobre procedimentos terapeuticos que até então podem ser usados por outros profissionais, na tentativa de manter sua reserva de mercado. Que os psicologos, fisioterapeutas e acupunturistas que o digam.

    Interessante notar que a maioria dos médicos estrangeiros que se inscreveram são, em mais de 50% da Argentina, 140 médicos, e da Espanha, 100 médicos, sendo 75 médicos cubanos.
  • Leonardo Couto  15/08/2013 23:32

    Só para (tentar) complementar a resposta do mestre Leandro, Vitor Sousa. Saiba que um ambiente livre fornece meios muito mais eficazes de se atestar, previamente, a qualidade de serviços médicos.

    Um hospital certamente estaria interessado em adquirir boa reputação e confiança perante o público, e existiria um competente ramo econômico atuando para satisfazer tal demanda: As empresas de certificação. Leia, por favor, este artigo:

    A bem-sucedida regulação privada

    Você verá que este receio com a qualidade de serviços e produtos pode ser minimizado, na medida do possível, pela certificação privada; bem como pela própria preocupação com a própria imagem do fornecedor.

    É o melhor dos cenários, Vitor Sousa. A alternativa estatal fracassa miseravelmente não só no Brasil, mas em todo lugar do planeta.

    Diga-se de passagem, impedir absolutamente qualquer morte por erro médico, como o Leandro disse, é impossível para nós seres humanos.

    Um abraço.
  • Eliel  15/08/2013 19:15
    Meses atrás fui "assediado" por duas operadoras de TV a cabo. Como já era e ainda sou cliente de uma delas ficava repassando informações custo-benefício até decidir pela melhor oferta. Uma informava as falhas da oferta da outra, por exemplo.
    Estive num intercambio de informações assimétricas?
    Seria a informação assimétrica mais uma lei universal a somar com as já estabelecidas leis de oferta e procura e da utilidade marginal decrescente além de outras?

    Valeu Mises.

  • Antônio Galdiano  15/08/2013 22:58
    Gostaria de expor uma teoria que acabei de criar aqui (o uso da palavra criar pode ser indevido, mas considerem que foi pelo menos um desenvolvimento autônomo, ie, se eu não criei, pelo menos não copiei de ninguém) e gostaria de um feedback de meus amigos da escola austríaca.

    Considerem a instituição cristã do Casamento. O período imediatamente anterior ao casamento é uma das formas mais antigas que a humanidade tem de lidar com a assimetria de informações antes de uma grande decisão na vida de um casal. O casamento em si é a consagração da união, mas o período anterior ao casamento é o período em que as partes se conhecem mais, em que avaliam se possuem projetos de vida compatíveis, formas de compreensão da visão que comunguem, etc. É essencialmente um período de compreensão do outro e a análise da viabilidade da vida conjugal. No catolicismo, por exemplo, defende-se a ausência de sexo antes do casamento. Do ponto de vista econômico, isso certamente foi (ao menos antes dos métodos anticoncepcionais) uma medida acertada para os casais, uma vez que o processo de conhecimento do outro poderia revelar uma união que não vingaria por presenças de incompatibilidades irresolúveis (imediatamente me vem a cabeça a imagem de um austríaco e uma comunista, a chance de não virar boa coisa é explosivamente grande), e essa fase de aprendizado mútuo evitaria uma união entre incompatíveis como seria o caso de uma criança nascida dessa união posterior entendida como indesejada.

    A teoria em si então é: não só 1)a abstenção de consumo é salutar por possibilitar consumo futuro como também 2)a abstenção de fruição de coisas boas não monetizáveis pode possibilitar a fruição de coisas ainda melhores (ou a desistência de fruição de vivências piores) em decorrência de um ganho, no primeiro caso de poder aquisitivo futuro, e no segundo caso de informação relevante para decisões futuras. Evidentemente isso não derroga risco nem nada que já conheçamos.

    Essa teoria parece ser, além de banal, um corolário quase que imediato da cataláxia. O que vocês acham?
  • IRCR  16/08/2013 05:03
    Se o SUS fosse privado o "mercado" já teria fechado suas portas. Imagine um hospital privado "matando" tantas pessoas quanto o SUS, o que vc acha que aconteceria com ele ? muito provavelmente ninguem compraria seus serviços e passaria a usar do concorrente. Mas como o SUS é do estado e dinheiro publico não é de ninguem, ele pode continuar matando pq o pobre não tem escolha mesmo e para piorar mais ainda os burocratas brasileiros idealizam o SUS como um NHS.
  • Marcio L  16/08/2013 14:48
    Estive conversando com algumas pessoas, sobre esta questão das regulações em um contexto em que precisava comprar um medicamento oftalmológico a base de antibióticos.

    Surgiu a questão das superbactérias, que a venda livre de antibióticos fez com que proliferassem. Sabemos que as doenças são muito democráticas, elas não respeitam o Direito Natural e infelizmente, por mais que um indivíduo seja sábio no uso de tais medicamentos, ele será afetado pelo comportamento da maioria que vem fazendo históricamente um uso abusivo.

    O que vocês pensam a respeito desse assunto? Confesso que para mim é um caso bastante desafiador.
  • Leonardo Couto  17/08/2013 00:32

    Aprioristicamente, um defensor da liberdade sabe que não se terá uma melhor situação mediante agressão, Marcio L.

    Essa resistência à determinado antibiótico é superada simplesmente alterando-se a composição do medicamento utilizado. Descarta-se a substância contra qual a bactéria adquiriu resistência, e adota-se outra mais eficaz.

    Vale dizer que não existem evidências suficientes de que a restrição do uso de antibióticos melhoraria o quadro de combate à agentes infecciosos.

    O que ocorre é que determinada população de bactérias, por exemplo, naturalmente tem indivíduos resistentes e indivíduos não-resistentes a dado antibiótico. Após a ação desse antibiótico, logicamente se constatará uma maior presença de bactérias resistentes à ele, já que as não-resistentes morreram. Se esses "sobreviventes" não lograrem em continuar com o quadro de infecção, pode-se recorrer ao uso de medicamentos novos. Hoje se investiga o uso de novas práticas, como o uso de ozônio, por exemplo, no combate a bactérias resistentes.

    Enfim, como você pode perceber, Marcio L, não há sustentação científica suficiente para sua alegação.

    Lembre-se que, independente disto, não há legitimidade em se usar da força para determinar o que uma pessoa pode ingerir ou não.

    Torço para que você escolha, finalmente, o lado da liberdade. Um traço característico nos genuínos adeptos da liberdade é a noção apriorística de que a agressão é deletéria.

    Prossiga com seus estudos sobre a EA e o PNA, Marcio L, e conte conosco nesse processo. O tempo faz o seu trabalho, em breve você estará totalmente conosco!

    Um abraço.
  • Andre Cavalcante  17/08/2013 13:45
    "Confesso que para mim é um caso bastante desafiador."

    Não é não. Na verdade muito simples. Para o bem da discussão, vamos supor que você esteja certo e que o uso indiscriminado de antibióticos leva a produção de bactérias mais resistentes (na verdade discutível, mas plausível). Vamos supor inclusive que isso gera a morte do paciente que abusar dos antibióticos (mais discutível ainda), uma vez que, resistente a bactéria, não haverá antibiótico no mundo que possa curá-la (como se o ser humano não pudesse criar ou descobrir coisas novas...).

    Como o mercado lida com a situação? Simples: pelo preço cada vez mais "extorsivo" que as empresas farmacêuticas cobrariam de antibióticos cada vez mais potentes, o que limitaria imediatamente o alcance do uso - devido ao preço, as pessoas não poderiam abusar de antibióticos, principalmente os mais fortes.

    Logo, se ocorresse algum aumento das mortes por superbactérias, em relação ao número que temos hoje, seria um aumento marginal, nada a ver com essa ideia de epidemia de superbactérias que o Marcio L. se mostra tão preocupado.

  • Marcio L  17/08/2013 16:47
    André Cavalcante e Leonardo Couto, muito obrigado pelas respostas. Não tive a pretensão em nenhum momento de fazer uma provocação, foi uma questão sincera que para mim era desafiadora e que surgiu em uma conversa coloquial.

    Realmente fiquei pensando muito nisso, mas analisando mais de perto e com o instrumental da EA (foi o que fizeram afinal) a questão realmente é de simples resposta. Sigo aprendendo.
  • Andre Cavalcante  18/08/2013 20:40
    "Sigo aprendendo."

    Bem-vindo ao clube :-;

  • Emerson Luis, um Psicologo  16/08/2013 17:06
    Superproteção ou Paternalismo: proteger alguém de tal forma que o impeça de desenvolver sua capacidade de proteger a si mesmo, neutralizando sua autonomia.

    * * *
  • Caio Silva  18/08/2013 14:18
    O tremendo sucesso de sites como o Mercado Livre já confirma que é besteira pedir regulação estatal no caso de informações imperfeitas.
  • Pedro Henrique de Oliveira Saes  29/06/2017 18:08
    A sua análise só é verdadeira em um mundo em que os jogos de poder são disputados por indivíduos com mesmas condições de força e influência. No mundo real, em que os jogos de poder são disputados por indivíduos com condições diferentes de força e influência, os indivíduos com maior poder o utilizam para manejar as "instituições" a seu bel-prazer (hoje, mais do que nunca, para concentrar informação). O fato de as informações serem concentradas dá tanto poder de barganha a uma das partes das relações econômicas que as soluções alcançadas nunca são eficientes. Diante desse contexto, há duas visões: os mercados são ineficientes, mas a atuação do governo os torna ainda mais ineficientes; os mercados são ineficientes e o governo deve atuar para restabelecer o equilíbrio informacional entre as partes. Todas as sociedades que deram certo estabeleceram parcerias duradouras entre o setor privado e o setor público: o setor privado era financiado pelo governo e levava as fronteiras de conhecimento a novos patamares; o governo "clusterizava" o conhecimento gerado pelo setor privado, o que possibilitava sua difusão a outros agentes econômicos, que poderiam levar, por conta própria ou com o apoio do governo, a nova fronteira de conhecimento a novos patamares. A soluções, na minha visão, não é difundir conhecimento à força, mediante pesadas regulações relativizadoras do direito de propriedade, mas criar meios (arranjos institucionais) pelos quais a difusão de conhecimento se integre à lógica de mercado. Só o governo consegue fazer isso.
  • Paulo  29/06/2017 18:41
    "Todas as sociedades que deram certo estabeleceram parcerias duradouras entre o setor privado e o setor público: o setor privado era financiado pelo governo e levava as fronteiras de conhecimento a novos patamares;"

    Ah, sim, isso também aconteceu no Brasil. E muito. Só que aqui, essa parceria entre governo e grandes empresas levou a propina e a corrupção a patamares inauditos na história humana.

    Na prática, você está defendendo exatamente o modelo que gerou Odebrechts, Joesleys, Eikes, JBSs etc. Estado e iniciativa privada em conluio. É impressionante a incapacidade do brasileiro médio de fazer uma simples ligação de causa e consequência.

    Um arranjo que envolve um conluio entre governo e grandes empresas, no qual ambos operam com ganhos mútuos e totalmente blindados das demandas dos consumidores, sempre descamba para a corrupção, o clientelismo e o protecionismo. Sempre. E isso é o exato oposto de capitalismo e de livre mercado, e sim a total consolidação do corporativismo e do mercantilismo.

    Precisamos falar sobre o "capitalismo de quadrilhas"

    O estado agigantado gerou o estado oculto, que é quem realmente governa o país

    Por que o livre mercado é o arranjo mais temido pelos grandes empresários

    Explicando todo o problema com o nosso sistema político - em 2 minutos

    Por que o BNDES deve ser abolido

    Odebrechts, Eikes e Joesleys: como surgem os bilionários no Brasil?

    A "Carne Fraca" pergunta: quem regula os reguladores?

    Quem regula os reguladores?

    É impossível existir um mercado desregulamentado
  • Ulysses  29/06/2017 18:43
    Eis a perfeita definição de cegueira ideológica (ou de burrice): nêgo defender parcerias entre estado e grandes empresas no auge da Lava-Jato, dizendo que este é o caminho para a prosperidade.

    Só se for para a prosperidade dos envolvidos.

    E eu achava que Ciro Gomes era o único imbecil a continuar defendendo isso em público.
  • Pedro Henrique de Oliveira Saes  29/06/2017 20:20
    Antes de ofender alguém, coloque o seu nome inteiro no "site".

    A falta de uma informação ("nome completo do usuário") leva à dificuldade de responsabilizá-lo pelo cometimento de um crime (injúria).

    A dificuldade de responsabilização incentiva o usuário, inominado, a virar "machão" na frente de seus coleguinhas de "seita".

    Para que ele se responsabilizasse pelas suas palavras, o ideal seria haver uma norma, no "site", que desincentivasse ou penalizasse os usuários que cometessem crimes.

    O fato de não existir norma como a que descrevi leva a uma solução absolutamente ineficiente: "pitbulls" de "internet" impunes, por impossibilidade de responsabilização.

    O dono do "site" deveria intervir: é democrático eu ser escorraçado por ter uma opinião divergente da maioria das pessoas que aqui postam?

    A metáfora é linda: no seio de uma sociedade livre, a democracia morre, virando "ditaduras de maiorias" (no montante de "seitas ideológicas" que existirem no mundo)? Na pura liberdade, sem a intervenção ética de um poder maior, as soluções encontradas são as melhores possíveis? Se o moderador intervier, apagando a sua mensagem criminosa (ou o obrigando a se identificar), isso não significa que até mesmo nas pequeníssimas coisas da vida a existência de uma força ética, a corrigir a atuação antiética (fraudulenta) dos indivíduos, é imprescindível ao equilíbrio da sociedade?

    Uma sociedade não é antiética pois o governo a estimula a ser. O governo é antiético pois a sociedade é antiética (Ulysses é uma linda demonstração disso). Uma sociedade antiética, não normatizada, é uma sociedade em que eu sou prejudicado, por ter uma opinião antimajoritária sobre alguns assuntos, e em que o Ulysses se sai vencedor, por não ter senso ético / democrático algum.

    O Estado Brasileiro funciona exatamente como um moderador de "website" complacente: em vez de penalizar / desincentivar os desvios, os estimula, por não penalizá-los como deveria (isso em todos os mercados, que não são mais eficientes pois a corrupção é institucionalizada).

    Adotamos, aqui, o livre-mercado do Gordon Gekko ("Ora, você é ingênuo o bastante para pensar que estamos vivendo numa democracia, companheiro? É o livre mercado.")

    Att.
    Pedro Henrique de Oliveira Saes.
  • Ex-microempresario  29/06/2017 20:21
    Evidentemente, a definição de "sociedades que deram certo" varia de pessoa para pessoa.

    Posso citar três momentos de grande evolução tecnológica:
    - EUA no final do século 19 (pouco governo, pouca regulamentação econômica e cultural): redes elétricas, telefone, ferrovias, indústria em geral
    - EUA na década de 1920 (idem): popularização do automóvel e produção em massa de diversos bens industriais.
    - EUA na década de 1960/1970: indústria eletrônica e computadores. Neste caso, um fator importante foram os grandes gastos militares que viabilizaram a produção em grande escala de circuitos integrados. A guerra (mesmo que fria) sempre "movimenta" o mercado, pois grandes somas de dinheiro são gastas sem muito controle.

    Em nenhum destes casos, a participação do governo como difusor de tecnologia foi importante.

    Em geral, a participação do governo em pesquisa tecnológica é supervalorizada porque tende a ser monopolista. Afinal, quem vai investir dinheiro para concorrer com o governo e seus recursos quase ilimitados? Então, quando se afirma que "sem o governo não haveria a tecnologia X!", a resposta é: não se sabe, porque não há como saber o que teria acontecido se a participação do governo não houvesse existido.

    Em resumo, discordo do Pedro Henrique.
  • Pedro Henrique de Oliveira Saes  29/06/2017 21:04
    O governo pode financiar mercados direta ou indiretamente: diretamente, via transferência de recursos. Indiretamente, via políticas econômicas protecionistas, que dificultam a entrada de produtos de competidores estrangeiros (criando, dessa maneira, um imposto social: há outros países que são mais eficientes na fabricação de determinado bem, mas as externalidades positivas geradas pelo processo de fabricação deste bem são tão grandes que vale a pena a sociedade sacrificar o seu consumo atual - afinal de contas, no D0, comprar de fora é mais barato que produzir aqui dentro - pelo investimento em conhecimento e potencial de inovação futuro que o "investimento" me trará).

    As externalidades positivas geradas por esses investimentos são tão grandes que não há métrica que consiga quantificá-las: um exemplo disso é conseguir reter um gênio da eletrônica em solo brasileiro, por ser capaz de dar, a ele, um emprego digno aqui (o que não é o caso atualmente, já que ele não tem campo de trabalho no Brasil).
  • Leonardo Monteiro de Almeida Bastos  29/06/2017 22:18
    "O governo pode financiar mercados direta ou indiretamente: diretamente, via transferência de recursos. Indiretamente, via políticas econômicas protecionistas, que dificultam a entrada de produtos de competidores estrangeiros (criando, dessa maneira, um imposto social: há outros países que são mais eficientes na fabricação de determinado bem, mas as externalidades positivas geradas pelo processo de fabricação deste bem são tão grandes que vale a pena a sociedade sacrificar o seu consumo atual - afinal de contas, no D0, comprar de fora é mais barato que produzir aqui dentro - pelo investimento em conhecimento e potencial de inovação futuro que o "investimento" me trará)."

    Em toda essa sua glossolalia acima, sabe o que ficou completamente de fora? O consumidor.

    Impressionante. Você pensou no governo e em maneiras de este garantir privilégios a determinados produtores. Mas em momento algum trouxe o consumidor para a equação.

    O arranjo que você defende não é capitalismo, mas sim mercantilismo e clientelismo.

    Tal arranjo é, sem dúvidas, ótimo para o bem-estar de políticos e destes produtores por eles protegidos e privilegiados (com dinheiro de impostos e tarifas protecionistas). Mas completamente péssimos para os consumidores, que não apenas terão de bancar a mamata desses produtores com seu dinheiro de impostos, como ainda ficarão privados de melhorar seu padrão de vida via aquisição de produtos de qualidade e baratos do exterior.

    Tal arranjo não é apenas ineficiente; ele é completamente imoral. Aliás, ele é o ápice da arrogância: iluminados querem fechar o mercado (com o dinheiro alheio), impedir a população de comprar bens baratos do estrangeiro, e tudo isso em nome do suposto bem comum desta população (tratada como gado preso em um curral).

    "As externalidades positivas geradas por esses investimentos são tão grandes que não há métrica que consiga quantificá-las: um exemplo disso é conseguir reter um gênio da eletrônica em solo brasileiro, por ser capaz de dar, a ele, um emprego digno aqui (o que não é o caso atualmente, já que ele não tem campo de trabalho no Brasil)."

    De novo!

    Cadê o consumidor na sua equação? O que você realmente está dizendo é que se houver um cara ganhando altos salários (com o dinheiro de impostos) em decorrência de um mercado fechado, isso será ótimo para toda a população.

    Você realmente está falando sério?

    Aliás, o Brasil era exatamente assim na década de 1980. Economia fechada e o povo (gado) obrigado a comprar produtos caríssimos da fabricantes 100% nacionais (os quais eram muito bem remunerados). O padrão de vida era uma merda para o povão, mas essa elite protegida realmente vivia nababescamente.

    Agora cabe a você dizer que todo aquele arranjo gerou "externalidades positivas [...] tão grandes que não há métrica que consiga quantificá-las".

    Ah, em tempo: enquanto você ainda nutre esses delírios protecionistas que geram "externalidades positivas", Nova Zelândia e Chile nem sequer têm montadoras e não exportam nada de alto valor agregado. No entanto, sua população tem mais carros que a brasileira e vive muito melhor.

    Como a Nova Zelândia e o Chile transformam vacas, ovelhas, uvas e cobre em automóveis de qualidade
  • Pedro Henrique de Oliveira Saes  29/06/2017 22:45
    Equacao básica. Produto = Renda.
  • Guilherme Menezes  19/07/2017 17:47
    Tenha apenas a coragem de utilizar a correta Lei dos Mercados para argumentar. Produção genuinamente demandada pelos consumidores = renda para adquirir mais produtos no futuro. Produzir um monte de bugigangas que ninguém deseja é só desperdiçar recursos escassos. Esse aí faltou a aula de custo de oportunidade.
  • Ex-microempresario  30/06/2017 00:08
    Pedro Henrique de Oliveira Saes:

    - Acha que um comentário de internet é crime se tiver uma opinião depreciativa sobre ele.
    - Quer o nome dos comentaristas para processar por injúria.
    - Quer que o "dono do site" o proteja de comentários "não-democráticos"
    - Acha que uma sociedade necessita de um governo que "penalize" os "desvios" (entenda-se desvio = não concordar com ele)
    - Acha que é "prejudicado" numa discussão porquê discordaram dele.

    Em resumo: caso perdido de autoritarismo arrogante mesclado com estatismo idólatra.
  • Virgulino Ferreira da Silva  19/07/2017 19:15
    Triste que esse Pedro vota, legitima os burocratas e fode a vida de todo mundo baseado na sua visão torpe de "como as coisas deveriam ser".
  • Roger Cruz  19/07/2017 16:25
    Gostei muito do artigo mas achei que após a segunda parte ele é muito carregado de opinião.
    Dizendo que um artigo é superior a outro sem dizer o motivo, por exemplo.

    Acredito que poderíamos ser mais receptivos a novos leitores apenas mostrando o caminho mas deixando o leitor chegar a conclusões por conta própria. Evitando conflitos ideológicos com afirmações subjetivas.

    Em suma: aumentar a objetividade e deixar que a subjetividade do leitor preencha as lacunas.

    É sempre bom ser consumidor da informação de vocês, espero que minha demanda não seja absurda. :P
    Abraço!
  • Kaio  19/07/2017 16:43
    Ela não é absurda, mas sim descabida. Há apenas uma frase -- uma mísera frase! -- em que o autor fornece uma opinião pessoal "dizendo que um artigo é superior a outro". E tal frase ainda está dentro de um parênteses. E ela, em si, não tem qualquer importância para o resto do artigo.

    Igualmente, dizer que "após a segunda parte [o artigo] é muito carregado de opinião" é daquele tipo de frase que, de tão absurda, nem errada consegue ser.

    Para começar, e por definição, qualquer escrita possui opinião própria. Escrita genuinamente isenta não existe (não nas ciências sociais). Ou você acha que quando George Akerlof defende regulação estatal para corrigir "informação assimétrica" ele não estaria também dando uma opinião? Só ele que pode? Por favor.

    Dado que o próprio objetivo do artigo é contestar a ideia de que "informações assimétricas" necessitam de regulação estatal (e tal ideia, por definição, é uma opinião de Akerlof), então inevitavelmente tudo o que for dito em contrário a esta ideia também poderá ser interpretado como uma "opinião contrária" à opinião pró-regulação estatal.

    Sinceramente, acho que seu comentário foi sem sentido.
  • Guilherme  19/07/2017 16:44
    Não vi nada de opinião pessoal na segunda metade do artigo. Ao contrário: vi apenas descrições de fatos empíricos plenamente observáveis ao nosso redor.
  • Luiz Novi  19/07/2017 20:25
    Não apenas Akerlof e Shiller endeusaram o estado e demonizaram o mercado. Jessé Souza em sua obra "A TOLICE DA INTELIGÊNCIA BRASILEIRA Ou como o país se deixa manipular pela elite" expõe a mesma linha de raciocínio. Um Mercado que corrompe, que cria monopólios e um governo que é vital para impulsionar os investimentos na economia.
    Para ele é totalmente equivocada a ideia de endeusar o mercado e demonizar o governo.
    Alguém que conhece a obra gostaria de acrescentar alguma coisa?

    Abraço a todos

    Luiz Novi
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  19/07/2017 22:19
    A solução: comprem carros novos da Ford, Chevrolet e outras marcas americanas.
  • Churchill  20/07/2017 00:30
    Olhem que tragicômico: politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/oab-repudia-a-mao-pesada-do-estado/. Uma reserva de mercado garantida pelo estado e inserida bizarramente na própria constituição reclamando da mão pesada. haha
  • André Ferris - advogado - oabrj  20/07/2017 18:12
    Acabo de ler no portal msn noticias, de fonte da exame.com, que uma advogada capixaba com passagem pelo governo e atualmente em um escritório paulista foi eleita a melhor advogada do mundo por uma organizaçãozinha das zoropa...

    ah, pelo simples fato dela ter feito um cursinho em HARVARD...oque será que ela aprendeu lá? direito constitucional brasileiro? ou direito canônico?...gagaga

    é inacreditável o mimimi...sem falar no nosso deliciosos complexo de vira-lata brasileiro

    Conheço diversos juristas brasileiros que não precisaram sair do brasil pra serem brilhantes, já tendo escrito ótimos livros, com um nível de clareza e reflexão absurda, muito melhor que esse poveco aí que acha que só é bom se fizer cursinho de extensão nos EUA ou na zoropa...

  • André Ferris - advogado - oabrj  20/07/2017 18:17
    Eu como operador do direito, cada dia mais me sinto convencido que o melhor modelo de governo é a Monarquia, com um pequeno e enxuto parlamento, e sem CADES, MPFS, TCU´S pra sugarem o dinheiro do pobre coitado brasileirinho que tem que acordar as 5 da manhã pra levar esses bando de come-e-dorme burocratas que não servem pra nada e ficam o dia inteiro dentro de prédios espelhando discutindo o sexo dos anjos...
  • André Ferris - advogado - oabrj  20/07/2017 18:21
    Vivemos hoje no brasil e mais asquerosa e nojenta forma de Cleocracia...e ter que aturar as malas sem alças dos funcionários da globo, na globo News, falando o dia todo oque vai ou não acontecer é um saco...

    Como diria o grande jurista gaúcho Lenio Streck, aturar o Gerson Camarroti e a Renata Loprete com seu ar de donos da verdade é de doer.
  • Zangado  20/07/2017 22:13
    Ainda bem que a Internet ainda não está sob controle do governo.
  • fernando  21/07/2017 20:16
    Muito bom o texto, só senti falta da explicação da falha de mercado quanto às externalidades, principalmente externalidades negativas. Como o livre mercado agiria em casos assim? Como uma empresa teria autoridade para punir outra que polui o meio ambiente por exemplo? Como existiria concorrência entre essas empresas punitivas? Existindo concorrência, o que garantiria autoridade para todas? Existem outras soluções? Essas perguntas não são críticas, apenas dúvidas. Obrigado
  • fernando  21/07/2017 22:57
    obrigado Antônio
  • patricio  24/07/2017 14:41
    Quero ver como entra no modelo de 'informação perfeita' e 'concorrência perfeita' a seguinte situação: comprador compra um carro; o carro se apresenta imprestável; vendedor não conserta de maneira satisfatória; comprador ameaça processar vendedor; vendedor diz que vai encher comprador de aço. E ai, onde entra isto na teoria austríaca?
  • Huerta  24/07/2017 15:30
    "Informação perfeita" e "concorrência perfeita" são invenções esdrúxulas de economistas neoclássicos, e são seguidamente ridicularizados pelos seguidores da Escola Austríaca.

    Logo na primeira googlada já encontrei esses dois artigos:

    Por que o conhecimento nunca é perfeito no livre mercado

    As definições corretas de monopólio e concorrência - e por que a concorrência perfeita é ilógica

    "E ai, onde entra isto na teoria austríaca?"

    O fato de você sequer saber disso -- pior ainda: achar que austríacos defendem tais idéias -- mostra o seu total despreparo para o debate. Deveria ter pesquisado um pouquinho antes de falar besteira em público.

    Aliás, isso é rotina: nunca houve uma real e honesta contestação aqui. Retire os espantalhos, e sobra apenas desespero para os críticos.
  • Ex-microempresario  24/07/2017 18:20
    E onde "entra nisso" o Brasil atual ?

    Será na nossa ágil justiça, nossa eficiente polícia civil e nossa eficaz PM ?


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