Os anticapitalistas: os bárbaros chegam aos portões
por , quarta-feira, 17 de outubro de 2012

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[Esse discurso foi apresentado na Austrian Scholars Conference (Conferência dos Acadêmicos Austríacos), ocorrida no Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, em memória de Ludwig von Mises. O discurso original está disponível no arquivo de áudio e no YouTube. Publicado originalmente em 23 de junho de 2008]

 

barbaros_anticapitalistas.jpgUma coisa é absolutamente clara: tanto o espírito como a genialidade de Ludwig von Mises estão vivos e passam bem aqui no Mises Institute. A amplitude e a profundidade da erudição encontrada nessas conferências anuais são realmente singulares. De fato, a natureza transdisciplinária de grande parte de seu trabalho talvez seja coisa única no mundo acadêmico. Mises estaria, creio eu, extremamente orgulhoso de todo o trabalho sendo feito em seu nome — mesmo, e talvez até principalmente, daqueles cujas conclusões divergem da sua em alguns pontos.

A magistral biografia de Mises, Mises: The Last Knight of Liberalism, escrita por Guido Hülsmann, cuidadosamente documentou o fato de que este era verdadeiramente um homem de consciência e intelecto, um homem absolutamente dedicado a buscar a verdade. Ayn Rand certa vez fez uma observação que penso ser bem adequada para Mises, não obstante tenha sido feita em um contexto de discussão sobre teorias educacionais. Ela incitou seus leitores a "observar a intensidade, a austeridade, a seriedade sisuda com que uma criança observa o mundo à sua volta. (Se você chegar a encontrar, em um adulto, esse grau de seriedade quanto à realidade, você terá encontrado um grande homem)" (The New Left, p. 156).  No seu processo de busca pela verdade, esse grande homem infalivelmente exibiu o que eu gosto de rotular de "crueldade nobre". Entender fenômenos complexos era o que importava. Compreender a realidade era o objetivo que compeliu toda a vida de Mises, e não a popularidade, o desejo de vencer debates, ou o desejo de barganhar aprovação política. Ademais, essa busca era para ser empreendida dentro de um contexto social de civilidade e até mesmo de elegância.

Ou seja: tudo que é tão estranho ao nosso mundo atual. Hoje, o tipo de integridade inexpugnável que Mises possuía é menosprezada como sendo "dogmatismo", porque crêem que a verdade é algo ilimitadamente maleável. Seu decoro um tanto aristocrático é difamado como "elitista" e "reacionário", porque todos os coletivistas são fascinados apenas por coisas proletárias. Sua preocupação profunda com os fundamentos epistemológicos da economia é aviltada como sendo tagarelice pedante, porque vivemos em um mundo "humeano" (alusão a David Hume) no qual a profundidade da lei da causalidade é rotineiramente deixada de lado em favor do glamour da correlação estatística. E sua defesa heróica do capitalismo laissez-faire é rejeitada como estando "fora de sintonia com a realidade", sob o argumento de que tal sistema econômico é impassível, grosseiro, esbanjador, injusto e explorador, para não mencionar as alegações de insensibilidade às "reais necessidades humanas".

Capitalismo e Inveja

É essa última questão — o capitalismo e sua poderosa defesa feita por Mises, bem como as graves implicações dos ataques usuais ao capitalismo e as características desses atacantes — que pretendo examinar hoje. Permitam-me primeiro declarar abertamente o que entendo por "capitalismo". É verdade que eu encolheria o estado bem mais do que Mises encolheria, mas nós dois temos o mesmo objetivo amplo: um sistema econômico laissez-faire totalmente desregulamentado, um no qual os direitos de propriedade são sagrados, a busca por lucros é vista como uma iniciativa nobre, e o dinheiro é um símbolo de uma conquista honorável — ao invés de ser censurado como sendo uma ferramenta sórdida usada apenas por aqueles que são lamentavelmente destituídos de qualidades humanas. Trata-se simplesmente do liberalismo — no sentido clássico do termo — aplicado às questões diárias da nossa vida. Lembrem-se que Mises insistia que "a liberdade é indivisível. Aquele que não tem a faculdade de escolher uma dentre várias marcas de sopa ou comida enlatada, também está destituído do poder de escolher um dentre vários partidos e programas políticos.... Ele já não é mais um homem; ele se torna um fantoche nas mãos dos supremos engenheiros sociais" ("Liberty and Property," Two Essays, p. 27).

Alhures, Mises declarou que, se condensado em uma única palavra, liberalismo significa propriedade — mantida privadamente e protegida severamente pela lei (Liberalismo, p. 19).

Em termos concretos, por capitalismo eu entendo uma economia sem impostos progressivos, sem banco central, sem um papel-moeda não lastreado, sem proibições às drogas, sem proibições às armas, sem "ações afirmativas" que obrigam a garantir o emprego de algum determinado grupo étnico, sem um sistema de saúde gerido pelo governo, sem ministérios da educação, da energia, do trabalho, da segurança, da saúde, sem DEA (agência antidrogas), BATFE (agência que regulamenta álcool, tabaco, armas de fogo e explosivos), SEC (agência que regulamenta a bolsa de valores — equivalente à nossa CVM), EPA (agência que regulamenta o meio ambiente), FTC (agência que regulamenta o mercado, para "proteger o consumidor"), FDA (agência de vigilância sanitária, equivalente à nossa Anvisa), sem um salário mínimo determinado, sem controles de preços, sem tarifas, sem assistencialismo — doméstico ou externo, rural ou urbano, para os ricos ou para os pobres. Vocês sabem, uma economia livre!

Abrindo um parênteses, eu fico estupefaciado com a quantidade de vezes que as pessoas hoje em dia falam em "livre mercado" e, ao mesmo tempo, incluem nesse termo a presença do Banco Central, da Previdência Social, da Receita Federal, ad nauseum. Que parte da expressão "livre" elas não entenderam? Eu, de minha parte, quando falo "livre mercado" obviamente não me refiro a essa gárgula desfigurada, atormentada, torturada e distorcida que costumeiramente se faz passar por capitalismo hoje em dia. Quem estaria disposto a arriscar sua "vida, liberdade e honra sagrada" para proteger e manter essa monstruosidade? Não eu, garanto-lhes.

Se isso é capitalismo, então o que faz com que muitos se oponham a ele tão energicamente?

De fato, como pode alguém fazer qualquer objeção ao capitalismo quando se reconhece que foi ele — até mesmo em sua forma atenuada — o responsável por um aumento tão vigoroso do padrão de vida, de forma que uma pessoa comum de hoje desfruta de "luxos" que nem mesmo os monarcas hereditários puderam ostentar 200 anos atrás? Mises fornece duas respostas básicas a essa pergunta: inveja e ignorância.

Primeiro, em relação à inveja, ele declara:

O que faz com que muitos se sintam infelizes no capitalismo é o fato de que este dá a cada um a oportunidade de chegar às posições mais cobiçadas que, é claro, só serão alcançadas por alguns. Tudo o que o homem consegue ganhar será sempre uma mera fração do que a sua ambição o impeliu a ganhar. Existem sempre diante de seus olhos pessoas que tiveram êxito onde ele falhou... O sistema de preços e de mercado do capitalismo é um tipo de sociedade na qual o mérito e os empreendimentos determinam o sucesso ou a derrota do homem. (A Mentalidade Anticapitalista, pp. 12, 14).

Mises observa que, para muitos, o feudalismo oferecia confortos psicológicos não disponíveis em uma sociedade capitalista. "Em uma sociedade baseada em casta e status, o indivíduo pode atribuir o destino adverso a condições que estão além de seu controle... não há motivos para que ele se envergonhe de sua pobreza... No regime capitalista a coisa é diferente. Aqui, a situação de vida de cada um depende de seus próprios feitos." (A Mentalidade Anticapitalista, pp. 11).

Inveja e ressentimento, conquanto sejam condenados por praticamente todos os sistemas de ética conhecidos, secular ou religioso, parecem estar sempre sorrateiramente escondidos em alguma parte primitiva de um grande número de psiques humanas. O fato de tais emoções serem realmente primitivas é explorado em detalhes por Helmut Schoeck em seu livro Envy: A Theory of Social Behaviour (Inveja: Uma Teoria do Comportamento Social), de 1966. Nesse livro ele explica, em termos memoráveis, o funcionamento do mecanismo:

O que é conclusivo.... é a convicção que o invejoso tem de que a prosperidade do invejado, seu sucesso e sua renda são de alguma forma os culpados pela sua privação, pela carência que sente.... Uma tendência autocompassiva de se contemplar a superioridade ou vantagem alheia, combinada a uma vaga crença de que o outro é a causa de sua privação, também é encontrada entre os membros instruídos da nossa sociedade moderna, que definitivamente precisam se aprimorar. A crença dos povos primitivos em magia negra se difere muito pouco das idéias modernas. Da mesma forma que o socialista acredita que ele é roubado pelo empregador, assim como o político de um país em desenvolvimento acredita que está sendo roubado pelos países industrializados, o homem primitivo acredita que está sendo roubado pelo seu vizinho, de modo que este último conseguiu, através da magia negra, transportar para seus campos a colheita do primeiro. (págs. 23, 51)

Considerem o que acontecerá se, ao repugnante ímpeto para a inveja, fosse anexada uma percepção errônea da realidade. Ou seja, o que aconteceria se as pessoas não conseguissem entender que todo o progresso econômico e tecnológico foi trazido por indivíduos laboriosos que se esforçaram para aplicar razão aos problemas da vida? É provável, nesse caso, que tal progresso passaria a ser considerado uma dádiva "automática" da Natureza ou de Deus, e que, portanto, todos os humanos mereceriam dividir igualmente essas bênçãos naturais. Mas e se um vizinho, ou um empregador, ou algum afamado industrialista possuísse uma cesta maior desses bens materiais? A conclusão seria óbvia: ele deve ter se apropriado injustamente daquele excesso; portanto, ele deve ser um explorador. Ademais, o sistema social que permitiu, ou, mais ainda, encorajou tal resultado, deve ser um sistema corrupto.

Mises descreveu como pensam os fomentadores desse tipo de atitude:

[O capitalismo] coroa o salafrário desonesto e inescrupuloso, o trapaceiro, o explorador, o "individualista grosseiro".... Nas condições do capitalismo, o homem é obrigado a escolher uma das duas opções:virtude e pobreza ou imoralidade e riqueza.(A Mentalidade Anticapitalista, pp. 14).

Em outras palavras, o capitalismo não evoca somente comentários sóbrios e relutantes sobre sua deplorável incapacidade; ele provoca condenações rancorosas e hipócritas. Não é algo do tipo: "Bem, é uma pena que o capitalismo não funcionou, pareceu uma boa idéia". Não, os comentários são de tipo: "Nenhum ser humano decente pode ser a favo do capitalismo laissez-faire; esse sistema é sinônimo de racismo, sexismo e estupro da Mãe Terra; ele é aditivado pela avareza, é guiado pela malícia, é a institucionalização genuína da exploração!"

Como réplica, pode-se obviamente descrever o socialismo como a institucionalização da inveja. Por exemplo, Karl Marx apresentou de maneira bem explícita o processo do progresso econômico, e seu concomitante aumento dos salários reais, em termos relativos ao invés de absolutos:

Se o capital está aumentando rapidamente, os salários podem subir: mas o lucro do capital aumenta incomparavelmente mais rápido. A posição material do trabalhador melhorou, mas em detrimento de sua posição social. O abismo social que o separa do capitalista se alargou. ("Trabalho Assalariado e Capital," Trabalhos Selecionados, Vol. I, p. 94)

É através desses truques de prestidigitação que Marx conseguiu lidar com o fato de que os trabalhadores agrícolas britânicos experimentaram um aumento real de 40% em seus salários entre 1849 e 1859, e ainda assim rejeitar tal fato como insignificante. (Sowell, Marxism, p. 138).

Na realidade, não é apenas o comunismo marxista que consagra a inveja em suas doutrinas e práticas. O moderno estado assistencialista também é culpado. Schoeck, ainda nos anos 1960, fornece vários exemplos de nações nas quais seus cidadãos, movidos pela inveja e pelo ressentimento, exigiram saber as rendas de seus compatriotas:

O procedimento de se tornarem públicas as declarações de renda é encontrado, casualmente, em comunidades suíças, onde é possível descobrir, sem qualquer motivo válido, o valor da renda e dos ativos declarado por um vizinho ou concorrente.... Existe... [na Suécia] uma empresa privada que produz anualmente uma lista muito consultada que fornece as rendas de todas as famílias que ganham mais de $3600 por ano.... [E até mesmo nos Estados Unidos], entre 1923 e 1953, no estado de Wisconsin havia uma lei que permitia a qualquer um examinar as declarações de renda de qualquer cidadão, em todos os detalhes e particularidades.(Envy, pp. 35, 386)

É claro, a taxação progressiva é em si uma profunda manifestação de inveja. De fato, todos os impostos — sejam eles sobre venda, consumo, renda ou qualquer outro — são irrevogavelmente artifícios de redistribuição, como eu e outros já argumentamos através de publicações. Entretanto, um imposto de renda progressivo é o caso mais ostensivo. Por um lado, se impostos fossem de fato um substituto para alguma tarifa justificável que fosse coletada como pagamento para serviços governamentais, comprovadamente exigidos pelos cidadãos de uma nação, então tais impostos deveriam ter uma base per capita; não deveriam ser determinados como uma porcentagem crescente da renda. Ou, se o valor do serviço estivesse relacionado à magnitude monetária envolvida — como no caso de se proteger a propriedade contra roubo —, o imposto deveria ser, no máximo, um porcentagem fixa do valor protegido. Adotar um imposto de renda progressivo significa declarar abertamente que o objetivo é a punição.

De acordo com Schoeck, a inveja está no âmago da questão: "a sensação subjetiva de bem-estar de cada grupo de renda é prejudicada pelos grupos de renda que estão acima. Com o objetivo de se livrar desse 'sentimento de privação', recorre-se ao imposto de renda progressivo" (Envy, pp. 365).

Alem de identificar a inveja como a principal razão de ódio ao capitalismo, Mises também oferece um interessante comentário sociológico sobre as várias subcategorias de anti-capitalistas. Existem, é claro, os intelectuais: "Advogados e professores, artistas e atores, escritores e jornalistas, arquitetos e cientistas, engenheiros e químicos" (p. 17). Sua antipatia pelo capitalismo é basicamente uma projeção em nível macro de uma mesquinharia em nível micro. Para o intelectual típico, sua "veemente aversão ao capitalismo não passa de simples subterfúgio do ódio que sente pelo sucesso de alguns 'colegas'" (p. 18).

Os trabalhadores de "colarinho branco" tendem a sofrer uma aflição adicional: "Sentado atrás de uma escrivaninha, anotando palavras e números num papel, ele tende a supervalorizar o significado do seu trabalho.... Muito vaidoso, ele se imagina parte da elite gerencial da empresa e compara suas tarefas com as do chefe" (p. 21).

Em outras palavras, por que se deveria ter alguma estima pelo capitalismo sabendo-se que se trata de um sistema no qual os presidentes das grandes corporações recebem salários multimilionários para executar tarefas que poderiam ser igualmente bem feitas pelo funcionário típico da empresa? Esse tipo de comportamento arrogante por parte dos colarinhos brancos é estimulado e reforçado pelas confusas declarações de muitos esquerdistas. Se gerenciar um negócio lucrativo não exigisse mais do que uma habilidade para manusear o registro de informações, então qualquer escriturário substituto que tenha alguma competência poderia realmente ser um empreendedor de sucesso. Entretanto, como Mises nos lembra, a tarefa do empreendedor é bem mais desafiadora do que isso. A sua tarefa depende de uma mente ativa e ágil. Infinitas alternativas abstratas ou concretas abundam. Uma cadeia complicada de causalidade deve ser distinguida e, então, classificada. O empreendedor deve lidar com

a inevitável escassez dos fatores de produção, a incerteza das condições futuras — as quais a produção tem de suprir —, e a necessidade de selecionar, a partir de uma desconcertante gama de métodos tecnológicos apropriados à consecução dos objetivos já determinados, aqueles que prejudiquem o menos possível a obtenção de outros fins — isto é, aqueles com os quais o custo da produção é mais baixo. Nenhuma alusão a estes assuntos pode ser encontrada nas obras de Marx e Engels. Tudo o que Lenin pôde aprender sobre negócios — a partir das histórias de seus camaradas que eventualmente trabalharam em escritórios comerciais — era que eles exigiam uma porção de rabiscos, anotações e cifras. (p. 24)

Há também um fenômeno intrafamiliar que "desempenha um papel importante nas modernas maquinações e propagandas anticapitalistas" (p. 27). Nesse ponto, Mises faz uma distinção entre os "patrões" e os "primos" dentre as famílias que possuem grande riqueza. Os primeiros consistem naqueles poucos cujos talentos empresariais os tornam capazes de gerir os negócios da família. Em cada geração, haverá nessa categoria provavelmente não mais do que um ou dois filhos ou netos do patriarca. Completamente dependentes dos "patrões" são os "primos", dentre os quais incluem-se "irmãos, primos, sobrinhos dos patrões, ou quase sempre irmãs, cunhadas viúvas, primas, sobrinhas etc." (p. 27). Os membros desse último grupo "foram educados em modernas escolas e faculdades, cujo ambiente é marcado por um desprezo arrogante referente ao mecânico enriquecimento. Alguns deles passam o tempo em clubes, boates, apostam e jogam, divertem-se e farreiam, chegando à devassidão. Outros, amadoristicamente, ocupam-se com pinturas, literatura ou outras artes. Por isso, grande parte delas são pessoas desocupadas e inúteis" (p.28).

Na realidade, elas são mais do que inúteis. Dado que eles são calamitosamente ignorantes tanto dos princípios da economia como da natureza prática dos negócios, eles logo concluem que (1) o capital criado por seus predecessores deve ser uma fonte infinita e autosustentável de renda para todos os seus descendentes, (2) a maior fatia dessa renda desfrutada por seus parentes, os "patrões", que são quem de fato gerenciam os negócios, trata-se de um excesso imerecido, e que, (3) portanto, eles estão certos em injuriar e se rebelar contra os "patrões" e o sistema que eles representam — o capitalismo. "Os 'primos' se dispõem a apoiar greves até mesmo de onde provêm seus próprios rendimentos.... [Eles] sustentam universidades progressistas, colégios e institutos destinados à 'pesquisa social' e patrocinam todo tipo de atividades do partido comunista. Na condição de 'socialistas de salão' e de 'bolchevistas de cobertura', desempenham papel importante no 'exército proletário' em luta contra o 'funesto sistema de capitalismo'" (p.30)

Mises parecia ter uma opinião bem negativa sobre atores, porque ele os menciona como uma espécie de pretensos intelectuais e, logo depois, retorna a eles com carga máxima, quando detona a Broadway e Hollywood por serem "incubadoras do comunismo" e lar de muitos que estão "entre os mais fanáticos defensores do regime soviético" (p. 31). Sua explicação para esse fato se apóia em sua percepção dos artistas como seres atormentados por um poço sem fundo de insegurança:

A essência da indústria do entretenimento é a variedade. As pessoas aplaudem mais o que é novo e, por isso mesmo, inesperado e surpreendente. São extravagantes e volúveis.... Um magnata do palco ou da tela deve sempre temer os caprichos do público.... Ele está sempre agitado pela ansiedade. (p. 32)

Essa parece ser uma observação trivial. Tudo bem, artistas de todas as variedades provavelmente são pessoas muito inseguras. Mas, então, o que os empurra tão violentamente para a esquerda? A resposta dupla de Mises é que eles se atiram para o comunismo porque (a) por serem tão deficientemente instruídos como muitos outros, eles acreditam na propaganda que declara ser o comunismo a panacéia para toda a infelicidade e (b) eles se concebem a si próprios como "pessoas trabalhadoras, companheiras de todos os outros trabalhadores" (p. 32).

Francamente, essa não é uma explicação muito satisfatória. Alguém poderia imediatamente perguntar por que essa mesma observação não poderia ser usada com igual força para explicar a propensão à esquerda encontrada em muitas camadas da sociedade. Por que isso é típico dos artistas?

O fenômeno dos "comunistas de Hollywood" é de fato notável. E, é claro, ele continua até hoje. Não se trata de um mero artefato da Década Vermelha de 1930. Isso foi fácil de notar, nas últimas semanas, com os murmúrios adoradores que emanaram por ocasião da aposentadoria daquele ditadorzinho barato, Fidel Castro. Steven Spielberg, produtor e diretor afamado, classifica uma audiência que teve com Fidel Castro como "as oito horas mais importantes da minha vida". O ator Jack Nicholson classificou Fidel como "um gênio". A cultura popular está profundamente infectada de visões deformadas como essas. Assim, seria conveniente tentar entender seriamente as razões por trás disso. Com essa finalidade, permitam-me fazer uma modificação e uma ampliação da hipótese de Mises.

Mas antes, deixem-me fazer uma ressalva. Eu não possuo qualquer experiência direta com o mundo dos atores, diretores e dramaturgos. Contudo, meu filho é um ator profissional, com um interesse agudo nas obras de Shakespeare. Devo acrescentar, de passagem, que ele também é um libertário radical que foi exposto prematuramente às obras de Rothbard, Rand, Spooner e Heinlein — o que faz dele, no mundo teatral, um espécime muito raro. E o que é mais importante para o propósito atual: isso significa que ele não enxerga seu ofício através das lentes distorcidas dos "comunas da Broadway".

As conversas com meu filho iluminaram vários dos ângulos mais escuros dessa questão. Primeiramente, os atores foram por séculos rejeitados por pertencerem às mais baixas classes sociais. Pessoas envolvidas com teatro eram mantidas separadas do resto culto da sociedade. Por exemplo, alega-se que até há alguns anos, já no século XX, em muitas cidades americanas atores falecidos não podiam ser sepultados em cemitérios de igrejas. O escritor H.L. Mencken expressou um pouco desse menosprezo quando, escrevendo em 1926, declarou:

Os homens não são iguais, e muito pouco pode ser aprendido sobre os processos mentais de um congressista, de um sorveteiro, ou de um ator de cinema ao se estudar os processos mentais de um homem genuinamente superior. (Notes on Democracy, pp. 15-16)

Por causa dessa imagem universalmente negativa, há muito tornou-se tradicional entre os atores se verem a si próprios como párias. E isso faz com que muitos deles se identifiquem vigorosamente com os mais pobres da classe trabalhadora. Dado também sua crença errônea de que o socialismo de fato serve aos interesses do proletariado, eles automaticamente abraçam a esquerda. Ademais, atores vêem a si próprios como "intelectuais da vanguarda", não obstante o fato de que eles raramente podem ostentar muito em termos de treinamento erudito. Mas dado que a esquerda, especialmente nos EUA, foi muito bem sucedida ao se retratar como a oposição progressiva e iluminada aos membros intolerantes, pedantes e ignorantes da direita, os atores se precipitaram rapidamente em direção a ela.

Atores e dramaturgos são, acima de tudo, contadores de estórias, intérpretes da condição humana, cujas palavras e gestos despertam emoções poderosas em suas platéias. Estórias que cativam e comovem a platéia são geralmente contos sobre conflito, esforço e triunfo. Podem ser estórias sobre um despertar pessoal, ou podem ser contos sobre a resistência contra forças externas — injustiça, ignorância, corrupção. Dessas últimas, é bem mais fácil emocionar uma platéia com um drama contundente sobre um pobre trabalhador que se esforça para sobreviver, do que com uma estória que glorifique o sucesso de um brilhante industrialista. Essas correntes de sentimentos altruístas e igualitários, tão comuns em nossa sociedade, servem para aguçar a simpatia pelo primeiro e para tirar o brilho do último. De Charles Dickens a John Steinbeck, esse tem sido o artifício escolhido por muitos escritores, e muitos atores se deleitaram em levar tais estórias para o palco e para o cinema.

Além disso, aparentemente a visão de mundo da maioria dos atores é fortemente influenciada pelo ambiente em que eles trabalham. Como meu filho salientou, um grupo de atores combinando seus esforços em algum projeto cooperativo desenvolve poderosos laços comunais uns com os outros. Seu trabalho é altamente interdependente; o sucesso de cada um depende do sucesso de todos. Ademais, para criar o produto final, eles podem gastar juntos a maior parte do tempo em que estão acordados, e por grandes períodos de tempo. Tudo isso é particularmente verdade para o teatro, onde as coisas ocorrem ao vivo, mas também é uma característica que vale para os atores de cinema. O resultado não deveria ser muito surpreendente: intensamente familiarizados com iniciativas comunais, os atores acabam adquirindo estima por aquele que acreditam ser um sistema socioeconômico que santifica o impulso comunal: o socialismo.

Finalmente, gostaria de chamar a atenção para um fator adicional — um que não foi sugerido pelo meu filho — que pode ser de considerável significância. Trata-se da noção marxista da "alienação". Creio que muitas pessoas, não somente os atores, sucumbem aos apelos dessa idéia, mesmo aquelas que de outra forma poderiam rejeitar as declarações de Marx. Lembrem-se que Marx e Engels insistiam na idéia de que o capitalismo "aliena" tanto os proletários como os próprios capitalistas. Ou seja, ambos perdem a noção dos aspectos cruciais da essência humana. Os trabalhadores são reduzidos à insignificância, peças facilmente substituíveis do processo industrial, um pouco melhores do que os componentes da maquinaria. Seu único conforto está nas drogas e na devassidão. Já os capitalistas estão cruamente focados em acumular cada vez mais riqueza em detrimento de uma vida mais equilibrada, que seja agraciada pelos encantos suaves da literatura, da família e dos amigos. Em ambos os casos, os produtos do homem presumivelmente se consolidam e, de certa maneira, acabam por dominá-lo e corrompê-lo. (Marxism, pp. 25-28)

Esse ponto é prolífico em implicações para várias outras disciplinas, principalmente a psicologia e a sociologia. Qualquer um que porventura venha a achar que sua atual ocupação (ou vida) é monótona ou insatisfatória, provavelmente irá buscar na alienação — a menos que essa pessoa seja amparada por sólidos princípios filosóficos e econômicos — um estratagema explicativo, um que conforta ao mesmo tempo em que educa erroneamente. E o próximo passo pode muito bem ser uma adoção irrestrita da máxima socialista, que já havia sido planejada justamente para alienar. Se formos considerar a avidez com a qual os atores procuram explorar o funcionamento mais íntimo da alma humana, torna-se compreensível por que filmes e peças teatrais tão frequentemente fazem uso dessa ferramenta embalada previamente. A alienação marxista é sedutora. Assim como a psicanálise freudiana, que só veio surgir mais tarde, ela oferece uma explicação instantânea para uma enorme variedade de fenômenos humanos. E, desde que ninguém resolva ver muito de perto as premissas sobre as quais ela se sustenta, a explicação parecerá muito rica em discernimento.

Eu gostaria de enfatizar que nada do que foi dito tem a intenção de isentar aqueles atores e artistas que repetem incessantemente as banalidades daquela besteira que é o socialismo. Meu propósito é meramente oferecer um apanhado mais completo dos motivos por trás dessa tão citada conexão.

Capitalismo e Ignorância

Permitam-me agora concentrar na segunda ponta da explicação de Mises para o predomínio de sentimentos anticapitalistas: ignorância. Como ele coloca:

[As pessoas] são socialistas [não apenas] porque estão cegadas pela inveja.... [mas também porque] se recusam obstinadamente a estudar economia e desprezam a devastadora crítica que os economistas fazem ao planejamento socialista porque, a seus olhos, por ser uma teoria abstrata, a economia é simplesmente absurda. Eles fingem acreditar apenas na experiência. (A Mentalidade Anticapitalista, pp. 14).

Mas por que haveria essa "recusa obstinada" em se estudar economia? Certamente não são todos os inimigos do capitalismo que são néscios incultos que mal sabem ler ou escrever. De acordo com Mises, a omissão do estudo econômico ocorre por dois fatores: (a) objeção a todas as "teorias abstratas" e (b) dependência de uma experiência pessoal. Em outras palavras, os princípios universais da ação humana, verdades atemporais que são válidas em todos os lugares e para todas as pessoas, devem ser rejeitados. Em seu lugar deve ser implementada, de acordo com as necessidades, uma corrente infindável de instrumentos estatísticos. A corrente é infindável porque não se pode jamais esgotar todos os possíveis cenários. Um novo banco de dados sempre estará pronto para ser usado, logo em seguida. Além disso, novos e "melhores" métodos de análise de regressão, ou técnicas de simulação, poderão sempre ser aplicados de modo a refinar e melhorar estudos passados.

E não se trata de um empiricismo amplo e baseado na realidade, típico de Carl Menger, mas, sim, da extração de dados feita pelos modernos econometricistas. Ela não acrescenta nada de significativo ao nosso entendimento da economia, mas aumenta significativamente o número de potencias artigos em periódicos. Ela cria a ilusão de uma ciência em constante avanço, quando tudo que ela na realidade faz é inundar o campo da economia com uma imensa quantidade de matemáticos aplicados — e não necessariamente bons nessa área — que possuem uma compreensão bem superficial dos princípios econômicos, e nenhum domínio da história da ciência econômica. Pior ainda, eles obviamente produzem "réplicas" de si próprios, por assim dizer. Isto é, eles esperam e exigem de seus estudantes uma abordagem econômica semelhante às suas. Atualmente, temos tido várias gerações de graduandos em economia que, a cada formatura, parecem saber cada vez menos sobre a economia real.

Essa versão ortodoxa da economia descrita acima também joga a favor dos inimigos pós-modernos da razão. Se a economia não mais é vista como um corpo de princípios universais que são deduzidos através da aplicação da lógica dedutiva a certas proposições axiomáticas, então uma variedade de conclusões concretas se torna viável. A porta fica completamente aberta para aquilo que Keith Windschuttle descreveu como o "argumento de que as ciências ocidentais não têm uma validade universal, mas são meras expressões daqueles que têm autoridade dentro da cultura Ocidental" (The Killing of History, p. 270). Agora, é fato que a preocupação principal de Windschuttle está voltada para alguns modismos entre historiadores e antropólogos, mas a questão principal transcende todas as disciplinas acadêmicas. "O relativismo cultural começou como uma crítica intelectual ao pensamento ocidental, mas agora se tornou uma justificativa influente para uma das mais potentes forças políticas da era contemporânea. Trata-se do renascimento do tribalismo no pensamento e na política" (p. 277).

Eis aqui o âmago do assunto em questão. O pensamento primitivo e tribal é contraposto ao raciocínio abstrato. Ele está focado no particular, no pessoal, no concreto. Ele reorienta o "conhecimento" para que este abandone os poderosos processos de integração e diferenciação em favor da perspectiva limitada da casta, clã ou tribo. Ele inevitavelmente leva ao relativismo epistemológico, bem como ao relativismo cultural. Além disso, devemos notar também, como Mises o fez vigorosamente em Ação Humana, que a moderna rejeição da razão começou de fato como um ataque à economia:

A revolta contra a razão foi dirigida para um outro alvo. Não tinha em mira as ciências naturais, e sim a economia. O ataque às ciências naturais foi uma consequência lógica e natural do ataque à economia. Seria inconcebível impugnar o uso da razão em um determinado campo do conhecimento, sem impugná-lo também nos demais. (p. 73)

Aqui ele está, obviamente, se referindo à besta que ele chama de polilogismo e ao seu progenitor, Karl Marx:

O polilogismo marxista assegura que a estrutura lógica da mente é diferente nas várias classes sociais. O polilogismo racial difere do polilogismo marxista apenas na medida em que atribui uma estrutura lógica peculiar a cada raça, e não a cada classe. Assim, todos os membros de uma determinada raça, independentemente da classe a que pertencem, são dotados da mesma estrutura lógica. (p. 75)

Questionar o poder da razão significa questionar o valor da mente humana. Uma vez que tais dúvidas são suscitadas, a abstração é jogada pela janela. Qualquer análise se torna impotente. A educação se torna um sótão atravancado, no qual itens excêntricos e não correlacionados são amontoados aleatoriamente. Ademais, como Mises bem notou, a razão humana tem o mesmo escopo da ação humana. Praticamente não se pode conceber uma sem a outra. A razão, quando divorciada da ação, torna-se estéril. A ação, quando não disciplinada pela razão, torna-se despropositada. Algemar a mente significa restringir a ação, tornar a ação teleologicamente incompetente. Para poder sobreviver e se desenvolver, o homem precisa fazer uso daquela maravilhosa ferramenta que ele possui — sua faculdade racional.

Acontecimentos políticos podem de fato limitar a ação do homem até um grau considerável, mas nenhuma restrição externa é tão efetiva em estorvar um homem como a proposição filosófica que diz que não se deve confiar em sua mente. As correntes mais profundas do ceticismo, que ganharam proeminência nos dois últimos séculos, acabaram por danificar gravemente os fundamentos que formam toda a base da economia, da ciência, da tecnologia e da educação.

Como exemplos dessas influências insidiosas, Mises cita, em Ação Humana, David Hume, os utilitaristas e os pragmáticos americanos. Estando preocupada com essas mesmas questões, Ayn Rand certa vez escreveu que a educação era teórica por natureza, ou seja, conceitual. O estudante "tem de ser ensinado a pensar, a compreender, a integrar, a provar," mas isso é justamente "o que as faculdades extinguiram, omitiram e renegaram há muito tempo. O que elas ensinam hoje não tem qualquer relevância para nada — nem para a teoria, nem para a prática, nem para a realidade, nem para a vida humana" (The New Left, p. 197). Não consigo imaginar Mises discordando disso. Não consigo mesmo.

Quase todos aqueles que são acadêmicos como eu já foram testemunhas melancólicas de uma proeminente manifestação da omissão mencionada por Rand: a proliferação de acréscimos especiais aos currículos das faculdades — cursos obrigatórios sobre multiculturalismo, além de toda uma gama de novos programas sobre Estudos Femininos, Estudos Afro, Estudos Gays e Lésbicos, Estudos México-Americanos, e por aí vai. Seis décadas atrás Mises já alertava para os efeitos perniciosos do polilogismo; hoje, estamos vendo exatamente essa coisa, esteja ela incrustada nas declarações dos objetivos de uma faculdade ou nos planos de graduação.

Para seu crédito perpétuo, Mises entendeu por completo aquilo que alguns defensores do livre mercado ainda não conseguiram: o debate sobre o capitalismo não se trata meramente de discutir qual sistema socioeconômico vai produzir bens e serviços da maneira mais eficiente, ou sobre qual está mais de acordo com as preferências individuais dos consumidores. Ele compreendeu que o debate envolvia isso e muito mais. Ele compreendeu que atacar o capitalismo significava atacar a civilização em si, atacar o papel da razão na vida humana — e, com isso, solapar o valor da própria vida. Como ele coloca em sua franqueza característica, os coletivistas atuais "defendem medidas que certamente resultarão no empobrecimento geral, na desintegração da cooperação social sob o princípio da divisão do trabalho e em um retorno à barbárie". (A Mentalidade Anticapitalista, p. 5).

Como se isso ainda não fosse suficiente para encerrar o caso, Mises acrescenta o seguinte crescendo, com o qual ele conclui Ação Humana:

Cabe aos homens decidirem se preferem usar adequadamente esse rico acervo de conhecimento que lhes foi legado ou se preferem deixá-lo de lado. Mas, se não conseguirem usá-lo da melhor maneira possível ou se menosprezarem os seus ensinamentos e as suas advertências, não estarão apenas invalidando a ciência econômica; estarão aniquilando a sociedade e a raça humana. (p. 885)

Um chamado às armas

Onde, então, nós nos situamos? Como sabemos, o socialismo nada mais é do que um puro caos calculacional. Avaliações e alocações racionais serão, nesse sistema, coisas eternamente ilusórias. Trata-se de um gigantesco jogo de soma negativa, no qual cada jogador se preocupa apenas em pegar rapidamente um pedaço do bolo, enquanto este vai diminuindo rapidamente frente aos olhos de todos. Já o estado assistencialista, intervencionista e belicista não representa nenhuma melhoria. Cada intervenção sempre gerará uma outra. A burocracia torna-se a única "indústria" que garantidamente sempre vai crescer. Cada nova regulamentação taxa o setor privado, impiedosamente desviando recursos das mãos dos produtivos para as mãos dos improdutivos. Assim, um verdadeiro capitalismo é o único jogo de soma positiva disponível.

Em resumo, qualquer argumentação contra o capitalismo é indefensável. Trata-se de algo puramente ilusório e enganoso. Está arraigada na inveja e na malícia. É estimulada por uma assombrosa ignorância em relação a conceitos econômicos verdadeiros, o que consequentemente se traduz em uma ampla rejeição da razão em si. Esses anticapitalistas, esses Novos Bárbaros irão — caso tenham a chance — acabar por destruir não apenas o capitalismo, mas também a educação, a ciência, a tecnologia, a literatura, as artes, os direitos individuais, a prosperidade e, inevitavelmente, a própria civilização.

Não, a coisa não virá como uma avalanche de neve, descendo em cascata montanha abaixo. Será, e tem sido, mais parecido com uma corrente de água erodindo lenta, porém inexoravelmente a superfície da rocha até que, eventualmente, o rocha simplesmente deixará de existir. Alguém poderá dizer que a humanidade está muito relaxada, molenga, deixando-se ser arrastada em direção ao coletivismo. O que devemos fazer?

Podemos e devemos continuar o magnífico legado de Ludwig von Mises. Devemos expandir a economia austríaca em cada direção e maneira possíveis. Devemos estimular a aplicação de critérios austro-libertários em todas as áreas e em cada tópico imaginável. Devemos engajar outros estudiosos, estrategistas econômicos e formadores de opinião, tanto pessoalmente quanto por via impressa. Devemos instruir o público sempre que houver uma oportunidade. Sabemos que a tarefa não é fácil. Ora, vamos encarar a verdade. Os coletivistas têm seus tentáculos firmemente inseridos em cada orifício obscuro do corpo político. Podemos — devemos! — extirpá-los de lá, expondo-os impiedosamente à luz da razão, da liberdade e da ciência econômica de Menger, Böhm-Bawerk, Mises e Rothbard. Nesse grande esforço, talvez possamos alimentar nossa esperança com uma observação oferecida muito tempo atrás pelo grande patriota americano Samuel Adams:

"Não se requer uma maioria para se ser predominante, mas, sim, uma minoria irada e incansável, ávida por acender a chama da liberdade na mente das pessoas."

Até que o dia da liberação finalmente chegue, dediquemo-nos a ser essa minoria irada e incansável.

 

Larry J. Sechrest era professor de economia na Sul Ross State University, em Alpine, Texas. Foi membro adjunto do Mises Institute, pesquisador do The Independent Institute, e o diretor do Free Enterprise Institute. Faleceu a 30 de outubro de 2008.

Tradução de Leandro Augusto Gomes Roque


40 comentários
40 comentários
Angelo T. 21/01/2011 10:28:01

Fiquei interessado no livro Envy: A Theory of Social Behaviour. Tentarei lê-lo.

Leandro, muito obrigado pela tradução desse texto gigante.

Responder
Pedro Ivo 01/04/2013 12:44:38

Uma hipótese sociológica razoável para a ojeriza dos intelectolóides ao capitalismo: Por que os intelectuais se opõem ao capitalismo?

Responder
Neto 17/10/2012 02:57:31

Fique interessado nesse
https://mises.org/store/Product2.aspx?ProductId=472&CategoryId=0
Depois da introdução, mais ainda! Se teve tão poucas impressões...deve incomodar muito!

Mises era o cara! Mutio mais inteligente que eu imaginava! O polilogismo que ele denunciava já naquele tempo...é o marxismo cultural de hoje!

E ator/cantor/artista são uma raça desgraçada mesmo...todo mundo vai jogar pedra mas eu falo: eu acho que eles são tão vermelhinhos assim porque ser ator/cantor/artista é um troço FÁCIL.Qualquer imbecil consegue.

Responder
Matheus Polli 18/10/2012 20:42:29

Não só porque é fácil, mas também porque artistas têm muita proteção do estado. Veja pela Ancine ou pela garantia de direitos autorais, contratos para fazer propaganda para estatais, programas políticos.

Responder
Daniel J. 17/10/2012 06:33:37

Neto,\r
\r
O problemas desses artistas que vc cita é que eles tem uma visao romantica do mundo.\r
Nem se dão conta de suas proprias contradiçoes - 1)defendem Cuba, mas nunca morarariam lá, pelo contrário, adoram os luxos que o capitalismo porporciona (mansoes, carroes, jatinhos, yates...). 2) defendem os pobres e marginalizados, mas do alto de suas coberturas no Leblon, bebendo whiskey, adquirida porque algum capitalista na família acumulou riquezas antes.\r
\r
O grande propblema do capitalismo é que ele ofende demais aqueles que não conseguiram muito, porque a culpa é só deles, como o texto explica.\r
\r
E, nos dias atuais ( e como sempre foi), cada grupo defende um sistema ou realidade onde seu proprio grupo seja uma casta elevada e com mais poder sobre as outras - tecnocratas, socialistas, ambientalistas, etc...E o capitalismo liberal ainda é o único meritocrático! Como Mises defende em varias passagens, ganha mais no capitalismo quem melhor atente as necessidades dos outros. \r
\r
Emocionante o texto! E magnífica a frase de Ayn Rand!

Responder
Patrick de Lima Lopes 17/10/2012 09:53:12

O que mais vejo na esquerda atual é o ódio à divisão do trabalho, essa simples instituição que diz que se queremos algo de alguém, precisamos oferecer algo que lhe agrade.

Sou um artista medíocre mas ainda acredito que tenho talento. Ninguém quer comprar minha arte e logo não poderei sobreviver do meu "tá lento"; terei de arrumar um emprego com o que sei fazer. O racional seria buscar uma forma honesta com que eu possa contribuir à sociedade, mas a reação que mais vejo é a condenação dos gostos de quem eu é que preciso agradar, meus consumidores.

É triste folhear a obra de algum importante obra da história brasileira como Carlos Drummond de Andrade e Mario de Andrade ou de Portugal com o Eça de Queirós e ter de descobrir o quão eles destroem sua própria imagem como artistas ao apoiar sua posição como pessoas que sabem o que é melhor aos outros do que eles próprios.

Responder
Neto 26/10/2012 05:55:55

'O problemas desses artistas que vc cita é que eles tem uma visao romantica do mundo. '

Romantico nada, é um imbecil mesmo.

Olavão botou eles no lugar deles (em 23:24):
www.youtube.com/watch?v=aMvhA5n9gAY

Responder
PESCADOR 17/10/2012 10:38:35

Caramba! Adorei esse artigo, principalmente a última linha. Pena que o cara já faleceu.

Responder
Pedro 18/10/2012 07:28:02

Neto. Deve ser fácil escrever um livro como "Guerra e Paz". Deve ser fácil fazer expressões cênicas e trabalhar o corpo de forma autêntica. Deve ser extremamente fácil compor uma sinfonia. Realmente. Acho que o polilogismo da sua argumentação está no fato de que a "mentalidade do Artista" (ou da classe artística) é preguiçosa.

No entanto, concordo com o fato de que a esquerda acaba atraindo os artistas por eles serem menosprezados. O que eu não entendo, é porque considerar o trabalho do capitalista, do empresário como "único" trabalho responsável pelo crescimento da riqueza. Então qualquer conhecimento que não seja econômico é desprezível? Isso parece muito presunçoso. Até a divisão do trabalho só é possível porque os indivíduos se interessam por assuntos diferentes ou trabalhos diferentes.

Responder
Patrick de Lima Lopes 18/10/2012 08:20:27

Ninguém disse que o artista é incompetente por natureza.
O artista que passa a "pregar a morte" é que torna-se um inimigo da sociedade.
Valeria também para um engenheiro que não teve seu plano aceito por algum motivo e foi mal-sucedido e por tal motivo passou a odiar a sociedade.
Eu pessoalmente sou fã do Eça de Queirós, mas infelizmente ele extrapolou em suas propostas econômicas. Isso não o torna menos talentoso, mas invalida boa parte de sua obra.

Responder
Neto 19/10/2012 06:52:11

Pedro, no contexto do artigo eu falo dos artistas de hoje

Responder
Neto 19/10/2012 06:54:38

E continaundo...arte moderna é fácil mesmo, você bota um macaco jogando tinta numa tela e isso é arte, bota uns idiotas se tacando no chão e é arte...tudo é arte!
Se isso não é fácil...

Responder
Fellipe 18/10/2012 11:23:25

Pessoal do IMB, o link para o arquivo de audio está quebrado. Há outra fonte?

Responder
Fernando Chiocca 18/10/2012 11:35:34

Arrumei

Responder
Fellipe 18/10/2012 12:38:17

Valeu

Responder
Ismael 19/10/2012 08:37:57

Somos propensos a desconfiar de 'puxasaquismos' e os artigos deste site (que apesar de interessantes) fazem uma alusão muito exacerbada da figura de Mises, o que acaba desvirtuando o propósito de esclarecimento dos artigos.
Ser importante (ou ter sido) no mundo da economia e até mesmo transdisciplinariamente é uma coisa, agora elucidar isso insistivamente não ém uma representação aproveitável.
Nenhum sistema social neste planeta está isento de erros, ja que são promovidos por humanos e humanos estão propensos a errar e como tal este é o fio da meada que nos faz desconfiar de propagandismos.
Sugiro aos colunistas que tão brilhantemente nos trazem estes artigos sobre ecomomia, que procurem vigiar as armadilhas do exagero. Lembrem-se que propagandismo destes ja estão virando piada neste país quando por exemplo, estudantes ao se prepararem para o Enem, se deparam com respostas de questões suspeitas de equívoco, mas que são obrigados a aceitarem porque existe (neste momento histórico) um viés petisto-govenarmental em campos inadmissíveis como cálculos matemáticos ou físicos.
Se objetivam trazer aos leitores (e futuros leitores) do site maiores esclarecimento sobre economia e suas abrangências procurem abrilhantar os textos com mais seriedade imparcial.

Responder
Vinicius Costa 19/10/2012 12:37:32

Concordo com o Ismael. Frases como "Em resumo, qualquer argumentação contra o capitalismo é indefensável." não enfatizam ideia nenhuma, apenas demonstram uma noção de superioridade responsável por afastar grande parte dos leitores.
Imagine que você entre em um site de ideais socialistas e veja uma frase como essa, defendendo o regime. Logicamente você nem perderia tempo lendo o que mais é falado, porque essa afirmação demonstra que ninguem está aberto a debates.
A economia liberal e o capitalismo podem não ser perfeitos. Isso nunca pode ser esquecido. Tomara que essa expansão não aconteça da mesma forma que do ateismo, onde militantes também afastam novas pessoas e ideias devido ao carater autoritário de suas palavras.

Responder
Neto 20/10/2012 02:45:41

'Frases como "Em resumo, qualquer argumentação contra o capitalismo é indefensável." não enfatizam ideia nenhuma, apenas demonstram uma noção de superioridade '

E é mesmo.É uma questão de lógica, não de se achar superior.

Responder
Vinicius 20/10/2012 14:04:42

Mas para um socialista a lógica dele também é perfeita. Na verdade, lógica não se distingue tanto de opinião.

Responder
Neto 20/10/2012 17:22:43

'Na verdade, lógica não se distingue tanto de opinião.'

Não acredito que li isso

Responder
Fernando Chiocca 20/10/2012 18:04:02

HAHAHAHAAAHHA

Esse Vinícius é um fanfarrão!

Tá explicado porque conseguiu concordar com a estupidez dita pelo Ismael acima dele....

Sim, qualquer argumentação contra o capitalismo é indefensável.
Esta afirmação não implica dizer que não se está aberto ao debate, e sim que, se você tentar defender uma posição contrária ao capitalismo, não ira conseguir.
Só existem dois motivos para que uma pessoa possa ser anticapitalista: 1) ignorância, 2) inveja.

Responder
Gustavo BNG 20/10/2012 20:18:02

Lógica não se distingue de opinião?! Nossa, que relativismo barato...

Responder
Vinicius 21/10/2012 08:53:28

Se estivessemos falando de uma ciência exata, a lógica seria o melhor argumento. Mas a economia é feita por pessoas e, infelizmente, nossa visão não pode ser centrada apenas na razão. Nós não podemos esquecer que muitos mitos são criados justamente porque fazem sentido.
Tratando-se de economia e de relações entre pessoas, basear argumentos na lógica nem sempre é a melhor opção. A melhor maneira é mostrar exemplos concretos do que estamos falando. Felizmente, para nós liberais, não faltam exemplos de que nossa filosofia traz resultados melhores na economia e no estilo de vida de qualquer um, o que facilita bastante a defesa da nossa opinião.

Responder
Neto 22/10/2012 03:08:01

Quando se lida com pessoas nem tudo é inexato.
Não dá pra fazer o cálculo econômico sem um sistema de preços.Isso é lógico, tanto é que vários esquerdistas entendem isso.

Responder
Douglas 19/10/2012 16:01:04

Poxa, por que demoraram tanto tempo pra transcrever um discurso brilhante como esse?
hahaha É realmente brilhante, já tinha visto o vídeo mas não tinha entendido tudo muito bem, só com a tradução eu pude compreendê-lo em sua totalidade. Muito bom mesmo.
E aproveito para fazer a seguinte pergunta ao pessoal do site e a leitores que já tenham lido o livro, ou ao menos saibam algo sobre ele ou sobre o seu autor: Vale a pena ler o livro "A ascenção do dinheiro" do Niall Ferguson?Ele é um autor confiável?

Responder
reginaldo targino dias 20/10/2012 11:48:32

De todos os lados, sempre a utopia (esmagadora soberana).
Apregoar que não se possa aceitar nenhum tipo de regulamentação quanto às práticas econômicas é no mínimo acreditar também que o "capitalista" (esse termo talvez usado muito não especificamente) ou seu grupo sempre estarão agindo de boa fé, com justiça, e dentro daquilo que concordadamente, creio eu, o autor do texto compartilha como ético e esperado de uma sociedade avançada. Esse é um ponto que retomarei logo. Outro ponto, o de a tal sociedade "capitalista" (aceito que não possa se falar de sociedades capitalistas sem os mesmos pré-requisitos mencionados no texto acima) sempre se basear na propriedade e na igualdade de condições das quais possam tirar partido todos, todos os cidadãos, como participantes de um contrato geral, do qual todos, tão naturalmente, estejam cientes e versados em todas as cláusulas. Não havendo necessidades de reparação portanto.
Utopias, sobretudo de que todos tenham tal contrato lido claramente, e tanto indivíduos quanto clãs, em linhas também de antepassados, tenham todos tido condições iguais, portanto o que houve posteriormente foram resultados de terem sido competentes ou incompetentes! Então o próprio sistema fornece seus próprios contra-argumentos, pois historicamente a propriedade (digo não a instituição somente), maior parte na América, muito resultou da expansão em territórios alheios, que em si já se assinala em detrimento da ideia da igualdade de condições tanto quanto a de direito inquestionável sobre propriedades. Primeiramente haveria que se perguntar quem condicionou? Quem deu o direito? (até estão lá as bulas papais dando direitos ao Infante D. Henrique a usar terras e pessoas como lhe conviesse, porque tudo lhe seria de direito).
Os Estados Unidos, nesse quesito fez bem seu dever de casa (matança de índios, expropriação de terras), por isso, sim (e sem invejas desse tipo de êxito), usufrui de uma economia sim fortíssima. Mas ainda hoje se depara com as necessidades de revisionismos, que também não é a justiça, mas ainda assim uma maneira de quebrar certas cadeias impostas historicamente.

O capitalismo, tanto quanto o socialismo não podem ser tomados como instituições absolutas, prontas, próprias pura e simplesmente para uso. A isso se dá um nome, Utopia. Todo o sistema necessita ser discutido sempre. Tanto o pretensamente capitalista quanto o socialista.

Responder
Neto 20/10/2012 12:46:50

O que o meu tatataravô fez, quem tem que pagar é ele, não eu.

Responder
Tory 20/10/2012 18:25:38

Então, reginaldo: o Mises "discutiu" o socialismo e o demoliu inteiramente. Estamos esperando uma demolição semelhante do livre mercado que vá alem de chamá-lo de utopia. Não que acreditemos que consiga.

Responder
Gustavo BNG 20/10/2012 20:20:34

Reginaldo, demonstre a impossibilidade de Cálculo Econômico numa economia não-marxista.

Responder
reginaldo targino dias 22/10/2012 11:00:56

O Socialismo jamais chegou a ser implantado, tanto quanto, como acima foi dito, o capitalismo não existe (conforme as premissas do autor, vide o texto).
Então por que estamos discutindo? O que em essência discutimos? Discutimos sentimentos, a saber complexos de inferioridade ou superioridade, invejas?

Não entendo isso como discussão de economia, mas como gancho para um bom exercício de melhora da comunicação (com devida abnegação de ideologias). Ideologias da superioridade, incutindo em contrabalanço os complexos de inferioridade e inveja. Como em sã consciência se pode entrar num terreno desses sem seriedade? São temas para divã.

O que se questionam são as premissas deterministas, tanto se pode fazer isso discutindo o socialismo (que nem existe ou jamais fora implantado conforme premissas dadas pelos que defendem o socialismo) quanto discutindo o capitalismo.

As crises recentes não são crises do capitalismo e sim crises de seu crescimento. Ou seja, não se deveria mais estar nessa de "capitalismo x socialismo". Isso apenas serve para se fugir às questões novas.

Os eixos da economia global se deslocaram, e isso mexe com os brios conservadores sim.

Só de se estar em uso aqui o "Os bárbaros chegam aos portões", algo está pegando errado. A ordem mundial hoje é outra, nem mais é a mesma do começo do século XX. As questões novas a que me refiro, e que se impõem, se centram no modo como nos vemos e aos outros (acho que não estou perdendo nenhuma oportunidade financeira quando me debruço em tempo de ócio sobre esse tema).

Será mesmo que essas condições de castas foram quebradas? Hoje vivemos mesmo o tempo de iguais oportunidades para todos. E onde há invejosos ou ignorantes, será que assim o são sem que o próprio sistema os produza convenientemente? O próprio "Mises observa que, para muitos, o feudalismo oferecia confortos psicológicos não disponíveis em uma sociedade capitalista. 'Em uma sociedade baseada em casta e status, o indivíduo pode atribuir o destino adverso a condições que estão além de seu controle... não há motivos para que ele se envergonhe de sua pobreza... No regime capitalista a coisa é diferente. Aqui, a situação de vida de cada um depende de seus próprios feitos'".

Será que não estamos vivendo ainda uma era de castas com uma única diferencial, a de que pelo sistema é inerente sentir-se envergonhado por ser de castas inferiores? Aliás, a inveja como força para o marketing...

Responder
Neto 22/10/2012 11:31:57

'As crises recentes não são crises do capitalismo e sim crises de seu crescimento.'

Amado mestre, como é que pode a crise ser fruto do crescimento de um capitalismo que não existia antes?

Responder
Gustavo BNG 22/10/2012 12:20:16

As crises recentes não são crises do capitalismo e sim crises de seu crescimento.

Errado. São crises do intervencionismo.

Ou seja, não se deveria mais estar nessa de "capitalismo x socialismo".

Se 99,99% da população desconhecem que Cálculo Econômico inexiste numa economia marxista, devemos - sim! - gastar muito tempo nessa discussão "capitalismo x socialismo".

Pra finalizar: você ainda não respondeu a meu desafio de provar que Cálculo Econômico inexiste numa economia de Livre Mercado.

Responder
Antônio Galdiano 24/10/2012 16:07:31

reginaldo targino dias disse:

"O Socialismo jamais chegou a ser implantado, tanto quanto, como acima foi dito, o capitalismo não existe (conforme as premissas do autor, vide o texto).
Então por que estamos discutindo? O que em essência discutimos? Discutimos sentimentos, a saber complexos de inferioridade ou superioridade, invejas?"

O socialismo, transição para o comunismo, foi implementado sim. E aconteceu o previsível: mortes em massa por fome; mortes de dissidentes rebeldes; estado totalitário; controle social; educação de ódio; saúde e agricultura lastimáveis; "estados presídios" (como ainda há Cuba, Coréia do Norte), tudo que o discurso emocional pode produzir.

"Não entendo isso como discussão de economia, mas como gancho para um bom exercício de melhora da comunicação (com devida abnegação de ideologias). Ideologias da superioridade, incutindo em contrabalanço os complexos de inferioridade e inveja. Como em sã consciência se pode entrar num terreno desses sem seriedade? São temas para divã."

O capitalismo é resultado da ação humana analisada sob a perspectiva de valoração subjetiva. Dizer que complexos e emoções não repercutem economicamente e são especialidade de outras áreas é aleixar a compreensão total do problema.

"O que se questionam são as premissas deterministas, tanto se pode fazer isso discutindo o socialismo (que nem existe ou jamais fora implantado conforme premissas dadas pelos que defendem o socialismo) quanto discutindo o capitalismo."

As premissas do capitalismo são: 1)não iniciação de agressão e 2)defesa da propriedade privada honestamente constituída. Onde está determinismo alegado?

"As crises recentes não são crises do capitalismo e sim crises de seu crescimento."

Se por capitalismo o Sr. entender o "capitalismo intervencionista" ou o "socialismo fabiano" vigente, o Sr está correto.

"Ou seja, não se deveria mais estar nessa de "capitalismo x socialismo". Isso apenas serve para se fugir às questões novas."

Isso, só existe branco e preto. Gradações da realidade só "serve para se fugir às questões novas". Meu deus do céu, você tirou isso de onde? Então o estado crescente é sinônimo de que acabou a discussão capitalismo x socialismo?

"Os eixos da economia global se deslocaram, e isso mexe com os brios conservadores sim."

Provavelmente isso seja verdade para boa parte dos conservadores. Eles também são defensores do estado no formato que eles querem.

"Só de se estar em uso aqui o "Os bárbaros chegam aos portões", algo está pegando errado."

Sim, afinal, uma "alma sensível" que não está disposta a ceder a argumentos racionais não aceitam as reais consequências de suas idéias. A analogia é válida sim.

"A ordem mundial hoje é outra, nem mais é a mesma do começo do século XX. As questões novas a que me refiro, e que se impõem, se centram no modo como nos vemos e aos outros"

De fato, a questão deixou de ser branco x preto. Passou a ser a como que o cinza levará inevitavelmente ao negro. Polilogismo, justiça social e todo o rol de defesas socialistas sempre levaram a um grande esquema de cooptação social feito por governos do mundo todo. Existe até uma receitinha desse pessoal: Aos pobres - Bolsa-Migalha e Educação Doutrinária; à classe média - serviço público, capitaneação da educação doutrinária e formação de guildas profissionais que barrarão a concorrência ; aos ricos - protecionismo, subsídios e licitações oligopolísticas.
Essa é a questão hoje: o estado é o grande cooptador social, e faz isso tomando via impostos o dinheiro de todos. Essa é uma condição inegavelmente crescente.

"(acho que não estou perdendo nenhuma oportunidade financeira quando me debruço em tempo de ócio sobre esse tema)."

Pois saiba que alguém o contrataria para fazer serviços domésticos por R$ 0,10 com certeza. Acontece que subjetivamente você valora mais seu tempo livre que ofertar esse serviço. "Achar" coisas não muda a estrutura da realidade.

"Será mesmo que essas condições de castas foram quebradas? Hoje vivemos mesmo o tempo de iguais oportunidades para todos."

Iguais oportunidades para todos? Aí cidadão, você consegue desagradar todos os espectros do pensamento político atual. Sugiro que Sr. olhe ao seu redor antes de falar isso.

" E onde há invejosos ou ignorantes, será que assim o são sem que o próprio sistema os produza convenientemente?"

Ninguém produz a consciência alheia, agora o determinista é o SR.

"O próprio "Mises observa que, para muitos, o feudalismo oferecia confortos psicológicos não disponíveis em uma sociedade capitalista. 'Em uma sociedade baseada em casta e status, o indivíduo pode atribuir o destino adverso a condições que estão além de seu controle... não há motivos para que ele se envergonhe de sua pobreza... No regime capitalista a coisa é diferente. Aqui, a situação de vida de cada um depende de seus próprios feitos'".

Sim, isso é o individualismo metodológico. É o contrário do polilogismo defendido pelo esquerdismo.

"Será que não estamos vivendo ainda uma era de castas com uma única diferencial, a de que pelo sistema é inerente sentir-se envergonhado por ser de castas inferiores?"

Se existe algum setor crescentemente mais poderoso são os governos dos países. Estou envergonhado com algo? Sim, com a opção sistemática de quase todos em viver as custas dos outros.

"Aliás, a inveja como força para o marketing..."

Sim, o desejo de consumo não pressupõe moral.

Responder
reginaldo targino dias 22/10/2012 11:22:44

Neto, concordo contigo. Aliás, eu disse que revisionismos convêm a ninguém nem aos "interessados", mas há que se esperar que possam melhorar sim o modo como nos vemos uns frente aos outros, incluindo aí os grupos de elite que se beneficiariam também.
Não sei Tory se vc leu mesmo Mises para discutir contigo. Eu tenho lido pra saber e me informar.
Quanto ao livre mercado também não sei porque vc acha que eu quereria demoli-lo. E desculpa se chamei-o de utopia, não foi meu interesse. Acho que me centrei nas questões pontualíssimas do texto acima sobre igualdades e propriedade, sem contudo também aludir a que tais instituições sejam desmanteladas (aliás mencionei bem o caso típico de propriedade no Brasil e nas Américas em geral, com vistas a questionamentos profundos sim).
Gustavo BNG, estou aqui para entender, juro. No entanto não creio que haja a tal demonstração de impossibilidade de Cálculo Econômico numa economia não-marxista, porque creio que não há o Cálculo Econômico. Aliás a base não é toda no Laissez-faire? Como pode haver algum Cálculo? Pelo menos, não numa economia não-marxista e não necessariamente também capitalista...

Responder
Tory 22/10/2012 13:22:26

Para você não há cálculo econômico no capitalismo e EU é que preciso ler mais?

Responder
Gustavo BNG 22/10/2012 14:03:28

Como assim você crê em que não há Cálculo Econômico?! (Aliás, você sabe o que é isso?)

Responder
Blah 22/10/2012 14:13:49

Acho que entendo por que você tem dificuldades para entender o problema do cálculo econômico. O problema em si, por incrível que pareça, é mais simples do que parece.
O problema do cálculo econômico é o seguinte: "O que fazer com os recursos? Como, onde, como e por quanto tempo alocá-los e utilizá-los? Como adaptar o uso dos recursos?"
Perceba que isso não é um problema isolado. É, na verdade, algo com que você mesmo se depara todos os dias sem perceber. Afinal, você precisa saber como alocar os recursos que você possui. Até mesmo se você tivesse uma montanha de recursos você ainda teria que lidar com esse problema - afinal, erros simples podem destruir todos os recursos que você tem. Por exemplo, você pode ter um estoque quase infinito de alimentos e suprimentos. Se você não souber lidar com eles, pode estragar tudo ou até mesmo deixar que a falta de manutenção elétrica cause um incêndio que destrua tudo. Tudo porque você não alocou recursos para tratar da correta manutenção do que você tem.

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Tory 22/10/2012 11:23:13

Bullshit, reginaldo. Sem essa de transcender o capitalismo x socialismo. Isso é papo de eleitor do PSOL.

Não temos capitalismo hoje porque todos os governos do mundo descobriram a delícia de prometer o impossível para quem quer ouvir que o impossível está logo ali ao alcance de quem surrupiar dinheiro, terras e impostos dos malvadões que ousaram ter sucesso. E o impossível é imaginar que roubando a propriedade de alguém todos serão mais ricos. Não. Todos serão igualmente (e injustamente) pobres.

Então leva esses "será" todos lá para a esgotosfera que vive disso, pras Marilena Chauí e Emir Sader do mundo. Nós, sim, já superamos esse papo e toda essa discussão. Tudo que queremos é não estar subordinados aos governos que vocês elegem. Se vocês querem, o problema é de vocês.

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reginaldo targino dias 23/10/2012 11:31:12

Estive sim presente a um curso superior de Atuárias, efetuando os primeiros semestres, na FEA. Recentemente, me lancei ao estudo puro de Matemática, porque minha base matemática precisava melhorar, e tive que parar o de Atuárias (bem pesado, admito, mas não desisti totalmente).

O que eu disse acima sobre vc, o Tory, é dúvida mesmo. Não sei se leu Mises, posto que eu não tenho encontrado nas linhas dele estudos técnicos puros, e sim opiniões sobre temas ideológicos, algumas considerações sobre "natureza" humana, "complexos". O central nele parece que são estudos sobre o Socialismo, mas sempre com foco num elitismo, conservadorismo e certa forma um preconceito de classes. Pensa-se mesmo que vivemos em outras eras ou na própria queda do Império Romano (nosso berço, cuja ideia sobre a divisão de trabalho era de um lado estarem os praticantes do ócio criativo e do outro, com a maioria esmagadora, o povo sobretaxado, alienado por panis et circenses, e sobretudo escravos na base de tudo). Qual é a ideia?

Quando digo que o "capitalismo" (entre aspas, pelo contexto) não tem passado por uma crise nele (no "capitalismo") em si, mas em seu crescimento, refiro-me à mudança do eixo econômico para países periféricos, não necessariamente "economias" (conforme o contexto) marxistas. Lá o capital tem encontrado seu lugar cômodo.

Nisso faz-se bem observar que Índia e China, que não são exemplares modelos de justiça capitalista nem social, têm o afluxo desse capital para lá (porque?)... Pode-se colocar a culpa toda no Barack Obama e pedir para que eu leia qualquer coisa rasa sobre populismo, assistencialismo no Brasil, e a inveja de classes.

A tudo que se possa escrever aqui (no espaço destinado às discussões), não há como verdadeiramente explanar tanto. As questões de cálculo jamais poderiam ser respondidas assim, e correndo por todo o site não consigo ter verificação de melhores aproveitamentos do espaço para isso, mas ainda assim com tempo venho lendo tudo que posso.

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Tory 26/10/2012 06:15:32

reginaldo, o cálculo é realizado pelos próprios agentes num mercado livre, não por um interventor. Não tem como encontrar fórmulas nem modelos entre os austríacos mesmo. Como formular ou modelar o que nunca teremos como controlar ou prever: a ação humana?

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