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Por que Mises (e não Hayek)?

Permitam-me começar citando um trecho de um artigo que meu velho amigo Ralph Raico escreveu há uns 15 anos:

Ludwig von Mises e F.A. Hayek são amplamente considerados os mais eminentes pensadores do liberalismo clássico deste século.  Eles são também os dois mais conhecidos economistas austríacos.  Ambos foram grandes intelectuais e grandes homens.  Tive a sorte de ter ambos como meus professores.... No entanto, é bastante claro que o mundo trata os dois de maneira muito distinta.  Mises foi rejeitado para o Prêmio Nobel de economia, o qual Hayek ganhou no ano seguinte à morte de Mises.  A obra de Hayek é ocasionalmente compilada em uma antologia e lida em cursos universitários, principalmente naquelas ocasiões em que um há um debate e um orador em favor da livre iniciativa não tem como ser evitado.  Já Mises é praticamente desconhecido na academia.  Mesmo entre as organizações que defendem o livre mercado de modo geral, é Hayek quem é sempre invocado e homenageado, enquanto Mises é ignorado ou deixado totalmente em segundo plano.

Quero aqui especular — e apresentar uma tese sobre — o motivo desta postura, e também explicar por que eu tenho uma visão bastante diferente.  Por que eu sou um misesiano e não um hayekiano.

Minha tese é que a maior proeminência obtida por Hayek tem pouco ou nada a ver com suas ideias econômicas.  Afinal, a diferença entre as ideias puramente econômicas de Mises e Hayel é mínima.  Com efeito, a maioria das ideias econômicas associadas a Hayek foram originadas por Mises, e apenas este fato já faria com que Mises estivesse em um patamar superior ao de Hayek como economista.  Porém, grande parte dos autodeclarados hayekianos de hoje não são economistas formados.  Poucos realmente leram os livros responsáveis pela fama inicial de Hayek como economista — ou seja, poucos leram seu Monetary Theory and the Trade Cycle e seu Prices and Production.  E arrisco-me a especular que não existem mais do que 10 pessoas vivas hoje que estudaram profundamente, do início ao fim, seu (confuso) livro The Pure Theory of Capital.

Logo, o que realmente explica a maior proeminência de Hayek é a sua obra publicada principalmente na segunda metade de sua vida profissional, no campo da filosofia política — e é nesse campo que a diferença entre Hayek e Mises torna-se realmente notável, para não dizer impressionante.

Minha tese é essencialmente a mesma que também foi desenvolvida pelo meu amigo Ralph Raico: Hayek não é de forma alguma um liberal clássico, ou um "Radikalliberaler", como o jornal suíço NZZ, ignorante como de costume, recentemente se referiu a ele.  Hayek é na realidade um social-democrata moderado; e, dado que vivemos na era da social-democracia, isso faz dele um intelectual "respeitado" e "responsável".  Hayek, como todos sabem, dedicou seu O Caminho da Servidão para "os socialistas de todos os partidos".  E os socialistas de todos os partidos hoje retribuem a dedicatória utilizando Hayek para se apresentarem como "progressistas".

Agora vamos às provas.  E aqui irei recorrer principalmente aos seus livros de The Constitution of Liberty e à sua obra de três volumes Law, Legislation, and Liberty, ambos os quais são amplamente tidos como a mais importante contribuição de Hayek ao campo da teoria política. 

De acordo com Hayek, o governo é "necessário" para executar as seguintes tarefas: além de "impor a lei" e "defender o país contra inimigos externos", "em uma sociedade avançada o governo deve utilizar seu poder de arrecadar fundos por meio da tributação para fornecer uma variedade de serviços, os quais, por várias razões, não podem ser fornecidos — ou não podem ser fornecidos adequadamente — pelo mercado." (Dado que a todo o momento existe um número infinito de bens e serviços não fornecidos pelo mercado, Hayek está simplesmente concedendo ao governo um cheque em branco).

Dentre estes bens e serviços temos:

proteção contra violência, epidemias ou desastres naturais como enchentes e avalanches, mas também várias das amenidades que tornam a vida nas cidades modernas tolerável, principalmente ruas e estradas . . . a provisão de padrões de mensuração e de vários tipos de informação que vão desde registros de terrenos, mapas e estatísticas até a certificação da qualidade de alguns bens e serviços ofertados no mercado.

Funções adicionais do governo incluem "a garantia de uma determinada renda mínima para todos"; o governo deve "distribuir seus gastos ao longo do tempo de tal maneira que ele intervenha quando os investimentos privados se tornarem fracos"; ele deve financiar escolas e pesquisas assim como impor "regulamentações para a construção civil, leis e códigos alimentares, certificados para determinadas profissões, restrições sobre a venda de bens perigosos (como armas, explosivos, venenos e drogas), assim como algumas regulamentações de saúde e segurança para os processos de produção; e ofertar instituições públicas como teatros, centros esportivos etc."; e deve fazer uso do seu poder de "desapropriação" para aprimorar o "bem público".

Ademais, ele afirma que "há motivos para crer que, com o aumento da riqueza geral e da densidade da população, a parcela de todas as necessidades que podem ser satisfeitas somente pela ação coletiva irá continuar a crescer".

Hayek_Reagan2.jpgAdicionalmente, o governo deve implementar um amplo sistema de seguridade compulsória ("uma coerção com a intenção de evitar maiores coerções"); fornecer moradias públicas e subsidiadas é uma possível tarefa governamental.  E, da mesma forma, "planejamento urbano" e "leis de zoneamento" são consideradas funções adequadas para o governo — desde que "a soma dos ganhos exceda a soma das perdas".  E, finalmente, "a provisão de comodidades ou oportunidades de recreação, ou a preservação da beleza natural ou de lugares históricos ou de interesse científico . . .  Parques naturais, reservas naturais etc." são tarefas legítimas do governo.

Além disso, Hayek insiste que reconheçamos ser irrelevante o quão grande é o governo ou o quão rapidamente ele esteja crescendo.  O único fator importante é que as ações do governo cumpram determinados requerimentos formais.  "É o cunho da atividade governamental o que importa, e não o seu volume".  Impostos e o nível absoluto da carga tributária não são um problema para Hayek.  Impostos — bem como o serviço militar compulsório — perdem seu caráter de medidas coercivas,

se eles ao menos forem previsíveis e forem impingidos independentemente de como o indivíduo iria de outra forma empregar suas energias; isso retira dos impostos a maléfica natureza da coerção.  Se é sabido que terei de pagar uma determinada quantia de impostos ao longo da vida, se um período de serviços militares torna-se uma prevista parte da minha carreira, então isso se torna a base de todos os meus planos; eu posso criar e seguir um plano geral de vida antecipadamente, o que me torna independente dos desejos de outra pessoa, exatamente como os homens aprenderam a se comportar na sociedade.

Mas, por favor, os impostos devem ser proporcionais e os serviços militares, universais!

Eu poderia ir mais a fundo, citando as confusas e contraditórias definições de Hayek sobre liberdade e coerção, mas o que foi dito até aqui já é o suficiente para reforçar meu argumento.  Faço simplesmente uma pergunta: qual socialista e qual ambientalista teria dificuldades em apoiar estas ideias?  Seguindo Hayek, todos eles podem orgulhosamente se considerar liberais progressistas.

Em nítido contraste, Mises é vigorosamente claro — e totalmente diferente!  Para ele, a definição de liberalismo pode ser condensada em um só termo: propriedade privada.  O estado, para Mises, é uma força legalizada, um "aparato de coerção e compulsão"; e sua única função é defender a vida e a propriedade fazendo com que elementos antissociais sejam retirados de circulação e mantidos em total submissão.  Quanto ao resto, o governo é "o emprego de homens armados, de policiais, guardas, soldados e carrascos.  A característica essencial do governo é a de impingir os seus decretos por meio do espancamento, do encarceramento e do assassinato.  Quem pede maior intervenção estatal está, em última análise, pedindo mais coerção e menos liberdade."

Por fim (e isto é para aqueles que não leram suficientemente Mises, mas que invariavelmente gritam "Mises não era anarquista!"): o Mises mais jovem sempre defendeu, e de maneira explícita, que, caso o governo não esteja efetuando satisfatoriamente suas únicas supostas funções — proteger a vida e a propriedade —, o indivíduo tem o direito da secessão total em relação ao governo.  E o Mises mais velho jamais repudiou essa posição.  Mises, portanto, como meu próprio mentor intelectual Murray Rothbard observou, é um laissez-faire radical: um extremista.


[As refrências para todas as citações de Hayek podem ser encontradas aqui: F. A. Hayek on  Government and Social Evolution: A Critique]

1 voto

autor

Hans-Hermann Hoppe
é um membro sênior do Ludwig von Mises Institute, fundador e presidente da Property and Freedom Society e co-editor do periódico Review of Austrian Economics. Ele recebeu seu Ph.D e fez seu pós-doutorado na Goethe University em Frankfurt, Alemanha. Ele é o autor, entre outros trabalhos, de Uma Teoria sobre Socialismo e Capitalismo e The Economics and Ethics of Private Property.



  • Angelo Noel  11/10/2011 08:02
    Apesar do Hayek ter dado uma aloprada em sua idade avançada, confesso q sem "Caminho da Servidão" e "Free to Choose" do Friedman (versão "Governator"), minha curiosidade não teria se estendido até "A Ética da Liberdade".

    Acho provavel q o Hayek seja um chamariz instigante pra EA.
  • Tiago RC  11/10/2011 08:43
    Não sabia que o Hayek tinha escrito todas essas coisas. Que decepcionante.
  • André Ramos  13/10/2011 14:21
    "Não sabia que o Hayek tinha escrito todas essas coisas. Que decepcionante." (2)
  • anônimo  11/10/2011 10:15
    "I'm in Love with Friedrich Hayek" e "Fear the Boom and Bust" perderam completamente o significado pra mim. Que triste.
  • RADUAN  11/10/2011 10:23
    Não acho que o caminho correta seja esse.. Hayek não é um social democrata, isso é fato. Ele pode, como fez principalmente no inicio, defendido a ideia de que o estado deveria ter algumas funçoes que não são "liberais", mas daí par dizer que o homem que propos a privatização da moeda é um social-democrata, é demais. Além do mais, essa técnica de tira partes dos livros e comentar sem fazer tanta referencia ao contexto é sempre dificil, já vi várias vezes utilizarem isso contra o Mises também, quando ele fala da "importância" do Facismo para combater o Comunismo na Europa.
    Acho que o Hoppe exagerou ai..
  • Fernando Chiocca  11/10/2011 12:36
    Raduan, você está querendo dizer que alguém que defenda que o estado desempenhe todas estas funções não pode ser considerado um social-democrata?

    E não se tratam de frases isoladas do contexto. São posicionamentos claros de Hayek presentes em suas mais importantes obras. Gostaria que você tentasse contextualizar alguma para mostrar o que você acha que ele realmente queria dizer quando ele disse o que ele disse.
  • Guilherme Marinho  11/10/2011 16:38
    Por alguns comentários que leio aqui, negam totalmente a contribuição que o Hayek deixou para o liberalismo...
  • Helio  11/10/2011 19:45
    Seria um erro crasso desconsiderar a monumental contribuição de Hayek para a ciência econômica. Também é um erro tomar as frases de Hayek fora de contexto, como o Raduan alerta. E eu não classificaria o Hayek de social-democrata. Classificações são sempre simplistas e complicadas. Considero que ele, em geral, no que diz respeito à filosofia política, foi mais neoliberal do que laissez faire ou social-democrata.
  • Fernando Chiocca  12/10/2011 00:13
    Hayek é um cabeça de pudim e eu gosto de extremistas, não de cabeças de pudim.
  • mcmoraes  12/10/2011 07:45
    Essa me fez lembrar de Rothbard: "...for Hayek is not exactly known as an intellectual
    gut-fighter..." (A Strategy for the Right)
  • Julio  11/10/2011 10:26
    É uma agradável surpresa saber que o Hayek defendia essas coisas. Não é possível nem tolerável um estado que não faça a defesa social ampla que inclui a segurança tanto em sentido negativo quanto positivo, vai da segurança pública a saúde, educação e garantia de renda.
  • Leandro  11/10/2011 10:36
    Prezados, em suas críticas, apenas não confundam o economista Hayek com o cientista político Hayek. Ambos eram bastante distintos em seu brilhantismo. Não julguem um lado baseando-se no outro lado.
  • Rafael Moreira  11/10/2011 11:30
    Concordo com o colega Raduan, além disso náo houve citações das fontes. E concordo com Ângelo, se não me falhe a memória, cheguei a Mises, através de Hayek, logo, devo muito a ele!!!!!
  • Fernando Chiocca  11/10/2011 12:11
    E eu chegeui até Mises através de Friedman, e à Friedman através de Roberto Campos, e à Roberto Campos através de Maluf.. e daí???

    Sobre a citação de fontes, todas elas podem ser encontradas aqui:F. A. Hayek on Government and Social Evolution: A Critique

    Se encontrar alguma que não esteja correta, por favor nos avise.

    Vou incluir este link no corpo do artigo.
  • Rafael Moreira  14/10/2011 17:22
    Revendo o texto, e os comentário, cheguei a seguinte conclusão: concordo com o Getúlio: "em todo o caso, o texto responde à seguinte questão - Por que Mises (e não Hayek)?" Também me sinto melhor com aquele.
    Além disso, acho que qualquer contribuição é válida para a reflexão e posterior absorção ou descarte, logo que deixem o Hayek em sua social-democracia.
  • Rodrigo  11/10/2011 12:43
    Bom, isso é o posicionamento de um austríaco anarquista. Mas o que pensam os austríacos minarquistas? Ou até msm os outros anarquistas? Será que eles tb compartilham de tal idéia? Quero ver é debate de idéias, pq de informação unilateral já estou cheio no Brasil (não, não é uma indireta ao IMB, rsrs).

    Como sou um neófito, prefiro ficar de boa e continuar meus estudos e qm sabe ter minha opinião futuramente. Mas véi, na boa, que soa estranho um social-democrata dentro da tradição austríaca, ah isso soa. E não soa pouco, não.
  • Fernando Chiocca  11/10/2011 12:59
    Rodrigo, acho que você mesmo já respondeu sua pergunta, pois se um austríaco é minarquista, ele rejeita todas essas posições defendidas por Hayek, já que minarquista é aquele que defende que o estado deva se limitar as funções de segurança e justiça.
  • Marco Costa  11/10/2011 16:27
    Imagino que um austríaco minarquista diria a mesma coisa, visto que o que Hayek escreveu não é condicional aos olhos de quem lê e a estrutura lógica da mente dos austríacos minarquistas ou anarquistas é a mesma...
  • Filosofo  11/10/2011 18:50
    Um austríaco minarquista, como eu, considera Hayek um social-democrata moderado. Simples. As funções do estado devem ser rigidamente limitadas, e não o cheque em branco que os estatistas fazem. Se existe algum tipo de serviço que não é lucrativo oferecer, então simplesmente não se deve tributar a população para oferecê-lo.

    Por fim, o Mises deixou claro que se o estado não está cumprindo bem sua função, limitadíssima, o indivíduo tem todo direito de romper, por exemplo através da desobediência civil. Isso não é uma revolução anarquista.

    AHhhh, e outra bobagem que escutei: a de que a revolução americana foi uma reforma liberalizante. Reforma porra nenhuma, pessoas pegaram em armas e romperam com o estado. Um novo estado nasceu. Isso não é reforma, é revolução. Exitem boas revoluções.
  • Mauricio Mendes Correa  11/10/2011 13:27
    Tese bombástica.....Hayek estaria a serviço da esquerda...mas muito interessante...parabéns ao articulista!!!
  • Luiz Otávio Fontana Baldin  11/10/2011 14:39
    "Prezados, em suas críticas, apenas não confundam o economista Hayek com o cientista político Hayek. Ambos eram bastante distintos em seu brilhantismo. Não julguem um lado baseando-se no outro lado." ´[2]

  • André Ramos  13/10/2011 14:33
    "Prezados, em suas críticas, apenas não confundam o economista Hayek com o cientista político Hayek. Ambos eram bastante distintos em seu brilhantismo. Não julguem um lado baseando-se no outro lado." [3]\r
  • anônimo  11/10/2011 15:01
    Só falta considerar Hayek um comunista, tem gente que não consegue formalizar sua opinião própria e segue a corrente comum dos ídolos. Talvés este tenha sido um diferencial em Hayek, ele segui sua própria intuição.
  • espectador feliz  11/10/2011 16:25
    constantino tem 24 horas pra escrever alguma merda sobre o radicalismo de ler o mises nestes termos... rs
  • Getulio Malveira  11/10/2011 19:39
    É... não tem como defender essas posições de Hayek. Mas também não vejo motivo para escândalo nisso: o cara defendeu teses socialistas, fazer o que? Não dá pra fingir que ele não disse o que disse, mas também não é preciso excomungá-lo da escola austríaca.

    Em todo caso o artigo responde muito bem a pergunta: Por que Mises (e não Hayek)!
  • Arion  11/10/2011 20:31
    Eu sei que é um assunto off-topic mas a o que comentar da eslováquia ter rejeitado aumentar a ampliação do fundo de resgate do BCE e os poderes deste?
  • mcmoraes  11/10/2011 23:16
    Foi só impressão minha ou houve muito mais polêmica nos textos que criticavam o Miltão?
  • Tiago Moraes  12/10/2011 07:17
    Apesar de ser misesiano, eu tenho dificuldades em digerir as coisas que o Hoppe escreve. Eu inclusive tive acesso a tese de Doutorado do Fábio Barbieri, 290 páginas versando sobre o debate do cálculo econômico, há inclusve um capítulo onde ele faz menção a um provável erro de interpretação que alguns misesianos tem dos escritos do Hayek.
  • Helio Beltrao  12/10/2011 16:07
    A tese do Professor Barbieri está aqui www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=47 e a questão em discussão está na página 207.
  • Fernando Thomazi  12/10/2011 18:50
    O extremismo de Hans-Hermann Hoppe (e de seus entusiastas brasileiros) foi o grande responsável pela aniquilação de toda a simpatia que eu tive um dia pelo anarco-capitalismo. Infelizmente, os anarco-capitalistas e libertários em geral fizeram a opção de existir apenas no campo das idéias; de ser apenas mais uma tola utopia.

    Enquanto continuarem optando por esse caminho servirão apenas aos interesses do pior tipo de estatista que existe: os socialistas de todos os matizes. Basta olhar para os tolos libertários que estão sendo usados como massa de manobra pelo movimento Occupy Wall Street.

    É uma pena!
  • Leandro  12/10/2011 19:41
    Prezado Fernando, estado mínimo, social-democracia, socialismo ou comunismo são utopias ainda mais tolas, pois todas elas desembocam em algo mais totalitário do que o que foi inicialmente concebido. Não sei muito bem qual a sua defesa atual, mas parece-me que você defende uma espécie de concessão, condescendência ou acomodação ao status quo ou a ideologias um tanto quanto contrárias à liberdade. Direito seu, é claro, mas o que não dá é achar que tal postura não tem nada de utópica. Pior ainda é achar realmente que ela não "serve apenas aos interesses do pior tipo de estatista que existe: os socialistas de todos os matizes."

    Apenas cite um único exemplo de contemporização a ideologias antiliberdade que acabou gerando mais liberdade. Não há.

    Grande abraço!
  • João  13/10/2011 10:33
    Fernando, se há algum libertário no Occupy Wall Street, só pode ser alguém muito tonto, pois o que se vê por lá é um bando de jovens vadios, aparentemente com alguma alergia a banhos, que culpam Wall Street por tudo porque eles são física e mentalmente preguiçosos, preferindo acreditar que Wall Street tem culpa em tudo e o governo dos EUA só precisa criar ainda mais leis e regulamentos.
  • Fernando Chiocca  13/10/2011 11:50
    Quando o socialista Paul Krugman faz o que ele fez outro dia, usando O Caminho da Servidão de Hayek para atacar Ron Paul e os que opõe a saúde socializada, por que os socialistas estão usando o extremismo de Mises e Hoppe como massa de manobra!

    Quando os comunistas Eduardo Suplicy e Cristovam Buarque citam Hayek e Friedman para mostrar que até "liberais mais radicais" defendem o programa petista Renda Mínima, eles não estão servindo aos interesses do pior tipo de estatista que existe... não... quem na verdade os socialistas de todos os matizes estão usando são os extremistas... (SIC)

    Fernando Thomazi, sua coerência é ímpar!

  • Helio Beltrao  13/10/2011 12:06
    "Um princípio é a expressão da perfeição, mas como a perfeição não pode ser praticada por seres imperfeitos como nós, criamos a cada instante limites às nossas concessões na prática." ~ Mahatma Gandhi

    Ou seja, um princípio é por definição "utópico", e serve apenas como guia-mestre, bem como o meio mais apropriado para se alcançar os benefícios que todos nós desejamos. A prática, por outro lado, é um âmbito no qual é essencial fazermos concessões para que haja avanços. Tão logo o princípio que se julgar mais eficiente esteja claro, a questão de como agir na prática se torna simples - toda vez que uma ação ou proposição fluir da direção do princípio, por menor que sejam os efeitos de tal ação, esta deve ser celebrada. Por outro lado, caso seja indiferente, ou ainda caso se distancie do princípio, deve ser rejeitada.
  • Gustavo Sauer  13/10/2011 15:01
    Muito bem colocado. Assim que todas as pessoas razoáveis deveriam agir. Um avanço para o princípio que se defende, por menor que seja, ainda é um avanço. Friedman, por exemplo, defendeu programas que reconhecia que iam contra os princípios liberais, mas o fez por acreditar que, no determinado momento, representaria um avanço para a sociedade que ele acreditava ser desejável. Vários libertários, como Walter Block, conseguem entender isso; outros mais radicais, não.
  • Fernando Chiocca  13/10/2011 15:22
    Gustavo Sauer, como uma proposta de mais estado pode ser um avanço para menos estado?? Isso parece o marxismo, dizem que para se abolir o estado deveriamos aumentar o estado ao mãximo primeiro... É isso?

    Todo libertário é a favor de uma diminuição da agressão, por menor que seja. E isso não implica em abrir mão de princípios. Só não dá pra entender como defender efetivamente medidas socialistas podem ajudar para avançar a liberdade... vc consegue explicar? Nunca é necessário relativizar os princípios, e apoiar uma medida menos pior como uma diminuição de apenas 1% de impostos (ao invés de diminuir 100%) ou mesmo fazer alianças com quem defende muitas medidas estatias, nao significa relativaz princípios, como Rothbard explica aqui: A estratégia da liberdade
    (Ghandi era socialista e ele, obviamente, teria que relativizar bastante seus princípios pacifistas, pois o socialismo é agressão.)


    E acho que você precisaria se informar melhor sobre a opinião de Block sobre Friedman e vice-versa: FANATICAL, NOT REASONABLE: A SHORT CORRESPONDENCE BETWEEN WALTER BLOCK AND MILTON FRIEDMAN
  • Fernando Chiocca  13/10/2011 15:56
  • Gustavo Sauer  14/10/2011 13:49
    Fernando, acredito que você não entendeu a mensagem. Eu já conheço muito bem a opinião dos libertários sobre Friedman. Já conhecia os textos que mencionou também. Na troca de correspondência entre Walter Block e Friedman, fica evidente como Block entendia o que eu quis dizer. Não estou defendendo as posições de Ghandi, Socialismo ou mais Estado. Um dos argumentos que Friedman usou na correspondência foi dizer que Block não entendeu que o objetivo de Hayek era partir de uma situação com menos liberdade para uma situação com mais liberdade; e que Hayek não defendia realmente aquelas posições como princípios. Mas Walter Block mostrou, e corretamente, que Hayek não defendeu aquelas ações como estratégia de transição, mas as defendeu como princípios. Ou seja, o que Walter Block achou errado da parte de Friedman não era o argumento de transição, mas apenas a tentativa de mostrar as opiniões de Hayek como uma estratégia de transição.


  • João Neto  12/10/2011 19:28
    Bem, vou dar minha breve contribuição a esse debate com uma coisa que meu professor da disciplina de comunicação do 1º semestre do meu curso de administração disse.

    "Não há como homogenizar o pensamento de algum filósofo ou pensador que fosse porque ao longo de sua vida seu pensamento vai mudando, é por isso que muitos acadêmicos falam 'o velho Nietzsche' ou 'o novo Nietzsche' da mesma forma como falam 'o velho Weber' ou 'o novo Weber', isso porque ao longo de sua vida acadêmica, as opiniões e teorias de um pensador vão mudando."

    Ele quer dizer com isso que não dá para tratar as conclusões de um pensador - da área que fosse - de uma mesma forma homogenizada, isso porque ele pode ter conclusões diferentes das de antes, foi assim com Nietzsche, Weber, Schopenhauer, Say Batiast; e por que não pode ser assim também com Hayek? Até porque nesse artigo de Hope os livros onde ele tira as citações de Hayek são os livros mais antigos da sua carreira acadêmica. Talvez possa ter demorado para Hayek ter alcançado "maturidade" o bastante e ter alcançado uma opinião melhor acerca dos papeis do governo(Estado).

    Bem, essa é minha opinião, espero ter ajudado.

  • Fernando Chiocca  13/10/2011 11:28
    Sua opinião é que Hayek era imaturo quando escreveu seus mais importantes tratados (nunca refutados por ele depois) e que devemos descosiderar as partes socialistas destes?

    hummm, interessante.
  • Mauricio Mendes Correa  13/10/2011 12:42
    Esse relativismo intelectual do próprio pensador é difícil de engolir....essa tese foi muito defendida em Marx(jovem Marx-velho Marx)....a esquerda trabalhou muito bem isso, aliás é a aplicação da dialética hegeliana!
  • Joao Neto  13/10/2011 19:54
    Eu sei que é duro de engolir, mas se observarmos bem veremos que é bem válido.
    Pegue os livros de Nietzsche na sua juventude e os da sua vida adulta e verá que são quase antagônicos; se o jovem-Nietzsche se encontrasse com o velho-Nietzsche cairiam no tapa de tão diferentes.

    Não sou de esquerda, longe de mim, mas vejo um pouco de lógica nessa argumentação.

    Agora, eu olhei um pouco dos textos escritos por Hope no site, e um deles era o "Mises contra Hayek - o socialismo é um problema de propriedade ou de conhecimento?"; me parece que Hope tem uma certa aversão intelectual a Hayek. Eu sei que ele não é intelectualmente imaturo para isso, mas me parece que ele criou um certo desgosto com Hayek.
  • Fernando Chiocca  13/10/2011 20:22
    João Neto, e qual é o seu argumento? Você tem algum ponto ou está apenas divagando?

    O que você vê nos primeiros livros de Hayek que são antagônicos com os últimos??

    E quanto ao problema do cálculo econômico socialista, qual é o seu ponto? Já está indo atrás do autor do artigo para achar algo que refute o artigo??? Ad hominem? Não tem nada mesmo pra dizer quanto aos argumentos expostos?

    No aguardo.
  • anônimo  14/10/2011 00:41
    Quem dera 10% dos políticos do Brasil fossem "social-democratas" como Hayek.
  • Rodriguez  16/10/2011 20:07
    É graças a Hayek que a Escola Austríaca é, pelo menos, "conhecida" por parte dos economistas. A epistemologia de Hayek é, de longe, mais aceita (e com maior fundamento científico) que o apriorismo misesiano.
    O supracitado é conhecido por ser quem elaborou a "teoria dos ciclos de negócios" austríaco. O mesmo, também, fora o responsável por vencer o debate do "problema do calculo econômico nas sociedades de economia planejada", indo além do argumento circular de Mises e introduzindo o famigerado "problema do conhecimento".

    Enfim, só estou dizendo que os membros da Escola Austríaca deveriam lembrar quem são e o quanto estão devendo para Friedrich August. Creio que o que Hoppe almeja fazer com Hayek é o mesmo que Mises fez com Wieser, que é substituir a totalidade da Escola Austríaca por uma ala que corresponde ao gosto do mesmo.
  • Fernando Chiocca  16/10/2011 22:34
    Argumento circular? O debate do cálculo economico socialista foi encerrado por Mises logo de cara em 1912. Hayek não contribuiu em nada para isso. Ele só introduziu elementos que de nada serviram, a não ser desviar o foco da propriedade privada como elemento fundamental do problema do cálculo economico.
    The End of Socialism and the Calculation Debate Revisited

    Mises contra Hayek - o socialismo é um problema de propriedade ou de conhecimento?


    Uma epistemologia "ser, de longe, a mais aceita" é um ad hominem sem tamanho que prefiro descartar como argumento. O afastamento de Hayek da epistemologia misesiana e sua aproximação da popperiana é outro grande problema deste economista.

  • Andre Poffo  17/10/2011 00:04
    Mas tem algo interessante ali, Hayek é de fato mais conhecido que Mises na academia, por quê?
  • Leandro  17/10/2011 00:35
    Porque ele fez, como mostra o artigo, inúmeras concessões ao establishment (político e acadêmico), o que sempre é rentável profissionalmente.
  • Fernando Chiocca  18/10/2011 12:08
    Não sei por que tem gente tentando esconder um elefante atrás de um vaso..

    Alguém é viúva do Friedrich?
  • Marcos  18/10/2011 14:13
    É típico dos radicais classificar os moderados como os piores adversários da "causa". Sabemos muito bem aonde isto vai dar...

    De resto, faço coro a alguns comentários. Muitas frases soltas e sem indicar a fonte, o que dificulta imensamente o trabalho de verificar a veracidade e conformidade das informações.

    Por exemplo:

    Funções adicionais do governo incluem "a garantia de uma determinada renda mínima para todos"; o governo deve "distribuir seus gastos ao longo do tempo de tal maneira que ele intervenha quando os investimentos privados se tornarem fracos"; ele deve financiar escolas e pesquisas assim como impor "regulamentações para a construção civil, leis e códigos alimentares, certificados para determinadas profissões, restrições sobre a venda de bens perigosos (como armas, explosivos, venenos e drogas), assim como algumas regulamentações de saúde e segurança para os processos de produção; e ofertar instituições públicas como teatros, centros esportivos etc."; e deve fazer uso do seu poder de "desapropriação" para aprimorar o "bem público".

    Se isso não é um parágrafo cheio de frases fora do contexto (não duvido que sejam tiradas de trechos ou até de livros totalmente distintos) e conduzidas pelo expositor (o método de misturar palvaras do citado numa frase do autor) então eu não sei mais o que é.
  • Fernando Chiocca  18/10/2011 14:46
    Ou seja, você admite que não conhece o trabalho de Hayek e está criticando o autor do artigo que conhce.

    Sobre as fontes, você faz coro com pessoas que já foram respondidas e a fonte foi até adicionada ao corpo do artigo. Então volte e veja a última linha, e passe a conhcer as ideias de Hayek.

    Quanto ao tal "radicalismo".. eu não consigo ver nada mais radical do que fechar os olhos para tobeladas de evidências e continuar defendendo alguém e atacar quem mostrou as evidências... Este típico comportamento fanático que nós sabemos bem onde vai dar...

  • Marcos  18/10/2011 15:55
    Sua generalização não procede. Uma coisa é conhecer o trabalho de um autor. Mas daí a lembrar uma palavra numa linha em um livro do autor é algo completamente diferente. Você por acaso decorou palavra por palavra todos os livros de Mises ou Hayek?

    Quer dizer que quem mostra as "evidências" é inatacável? Errado. Não há pessoa alguma que não seja passível de críticas. A meu ver as "evidências" são insuficientes. Por que não falar isso? Quem critica não pode ser criticado?
    Hayek não é perfeito, muito pelo contrário. Eu mesmo tenho ressalvas a ele. Mas chama-lo de social democrata, tendo em vista a sua obra, é uma crítica exagerada. Enxergo a diferença entre alguém que ainda enxerga uma função para o estado e alguém que busca seu fim. No entanto, ambos estão longe da esquerda. O simples fato de alguém não defender o fim do estado ou da tributação nunca fez de alguém esquerdista.

  • Fernando Chiocca  18/10/2011 17:13

    Marcos, ninguém está falando de palavras corriqueiras em meras passagens de textos sem importância. Estamos falando de defesas claras de funções que um estado deveria ter na visão de um autor, expostas em suas principais obras.


    Mas chama-lo de social democrata, tendo em vista a sua obra, é uma crítica exagerada.

    Onde está um exagero?! A definição de social-democrata é exatamente a de alguém que defende que o estado deva ter todas essas funções presentes na obra dele. E olhe que tem social-democrata que não vai tão longe....

    Seria uma total perversão dos termos (e isso é algo que Hayek sempre criticou, chamando de palavras doninhas, que perdem seu significado) chamar alguém que defende todas essas funções do estado de outra coisa senão social-democrata.
    Você acha que alguém que considera ser função do estado todas essas funções deveria ser chamado de que???

    Enxergo a diferença entre alguém que ainda enxerga uma função para o estado e alguém que busca seu fim. No entanto, ambos estão longe da esquerda. O simples fato de alguém não defender o fim do estado ou da tributação nunca fez de alguém esquerdista.

    Exato... e oque faria alguém se aproximar da esquerda? Defender que o estado faça isso, que forneça aquilo, que agaranta aquilo outro...
    c.q.d.
  • Renato  10/10/2012 18:24
    Fernando

    Encontrei aqui mesmo o seguinte texto de por Jesús Huerta de Soto que cita Hayek "Em seu livro A Arrogância Fatal, Hayek diz que, na realidade, o socialismo é a manifestação social, política e econômica do pecado original do ser humano, que é a arrogância. O ser humano sempre teve o devaneio de querer ser Deus — isto é, onisciente. Por isso, sempre, geração após geração, temos de estar em guarda contra o socialismo, continuamente vigilantes, e entender o fato de que nossa natureza é criativa, do tipo empresarial". Com é evidente a contradição entre essa opinião de Hayek e aquelas expostas neste texto, devemos nos perguntar se ele era uma pessoa incoerente, ou se sua opinão mudou, ou se foi mal interpretado. Como não conheço sua obra, não estou em condições de opinar sobre isso.
  • milton larentis  25/07/2012 17:56
    Acho que o artigo é bom e instigante mas não deve ser encarado como uma tese determinante para desqualificar ou mesmo criar uma separação nas idéias anti-socialistas
    Hayek é um gênio e cada vez que o leio aprendo mais
    abraços a todos
  • Artur Fernando  26/07/2012 05:43
    Enquanto isso, a marcha Gramsciana segue a passos largos no Brasil. Vamos morrer abraçados nos livros de nossos ídolos e com o sentimento de ter provado que o seu era menor que o meu...
    Vários comentários de surpresos com as citações, ou seja, uma penca que também não leu Hayek... e daí? Vamos aos expurgos no nanico movimento libertário no Brasil?
  • Lenner Pereira  25/06/2014 07:02
    Libertário é libertário... O resto é balela...
    Nunca fui grande fã de Mises por ser muito radical, menos ainda de Hayek por ser muito estatista...

    Será que existe um meio termo onde o estado é apenas um regulador e vive apenas para sua própria subsistência??

    Como uma autarquia.. ou melhor, um tribunal de arbitragem... onde os participantes podem escolher antecipadamente quais normas seguir e de quem seguir?
  • João  27/06/2014 19:37
    O último parágrafo me chamou muita atenção. Gostaria de saber onde Mises escreveu aquelas coisas em relação ao anarquismo. Se alguém puder me dizer, fico grato.
  • Caroline  07/11/2014 05:58
    É preciso tomar um pouco de cuidado ao analisar artigos de opinião. O liberalismo possui diversas correntes de pensamento, algumas mais libertárias, outras mais moderadas. Por isso, é importante discernir antes de sair gritando aos ventos que qualquer um que não deseje o fim do Estado é um socialista.
  • Eu  06/08/2015 01:21
    Quem não deseja o fim do estado é socialista. Isso não é extremismo. Isso não é retórico. Isso é fato.
  • Felipe  06/08/2015 03:14
    Ah claro, não existe diferença entre Suíça e Coreia do norte, entre Mises e Marx, entre Tarcher e Dilma. São tudo socialistas. Estou é para ver alguma região que prosperou sem uma instituição que monopoliza a jurisdição.


    Anarcocapitalismo é só passatempo intelectual, agora quer algo sério é liberalismo clássico.
  • Eu  06/08/2015 19:08
    Ah claro, não existe diferença entre Suíça e Coreia do norte, entre Mises e Marx, entre Tarcher e Dilma. São tudo socialistas.

    Ah claro, não existe diferença entre o socialismo de Pol Pot e o socialismo de Pinochet. Apesar de serem todos socialistas, há socialismos e socialismos. Não que algum socialismo seja bom. Todos são muito ruins. Mas não são igualmente ruins evidentemene.

    Estou é para ver alguma região que prosperou sem uma instituição que monopoliza a jurisdição.

    E qual a relação necessária entre monopólio de jurisdição e prosperidade? Por toda a história, regiões prosperaram e prosperam não por causa de um bocado de bandidos que monopolizaram um serviço, mas sim por causa da maior liberdade usufruída pelas pessoas para realizarem trocas voluntárias. Aliás, achar que monopólio traz prosperidade é... é... Nem tenho palavras para descrever isso.

    [i]Anarcocapitalismo é só passatempo intelectual, agora quer algo sério é liberalismo clássico.[i/]

    Sim, o mesmo liberalismo clássico que não conseguiu se segurar e foi substituído pelas sociais-democracias que causam crises e mais crises mundo afora. Sim, querer liberalismo clássico é querer algo seriíssimo.
  • anônimo  06/08/2015 19:47
    'Ah claro, não existe diferença entre Suíça e Coreia do norte, entre Mises e Marx, entre Tarcher e Dilma. São tudo socialistas.'

    A diferença é apenas de alguns anos.Todo estado mínimo um dia vai ser máximo.

    Anarcocapitalismo é só passatempo intelectual, agora quer algo sério é liberalismo clássico.
    Tão sério que não funcionou em canto nenhum.
  • Felipe  06/08/2015 20:33
    "A diferença é apenas de alguns anos.Todo estado mínimo um dia vai ser máximo."

    Não acho que seja verdade. Não há uma lei que dita que o estado deva sempre crescer. É uma luta de ideias. Perdemos no passado, mas podemos voltar a ganhar.

    Agora se de fato o estado mínimo for impossível, então estamos todos ferrados, porque anarcocapitalismo não só está mais distante que o liberalismo, como também não provou ser possível. Além de não existir exemplos reais, não achei nenhuma teoria convincente de como uma região pode se desenvolver sem uma instituição que monopoliza a jurisdição. Sem essa instituição não há certeza de nada, e portanto, não haverá poupança e investimento.
  • Felipe  06/08/2015 20:25
    "Ah claro, não existe diferença entre o socialismo de Pol Pot e o socialismo de Pinochet. Apesar de serem todos socialistas, há socialismos e socialismos. Não que algum socialismo seja bom. Todos são muito ruins. Mas não são igualmente ruins evidentemene."

    Você não sabe o que é socialismo ou está distorcendo seu conceito. Governo do Pinochet nunca foi socialista. Se há propriedade privada dos meios de produção então não é socialismo, é capitalismo.


    "E qual a relação necessária entre monopólio de jurisdição e prosperidade?"


    Se não há monopólio de jurisdição não existe certeza de nada. Sua propriedade não tem garantia de nada, logo não haverá investimento e poupança. Sem monopólio de jurisdição não existe prosperidade.

    Toda região que começou a desenvolver a propriedade privada desenvolveu a instituição chamada estado. Ainda que o estado esteja sujeito ao erro, e ainda que o estado possa se transformar numa anomalia, ele continua sendo necessário para o desenvolvimento econômico.

    "Sim, o mesmo liberalismo clássico que não conseguiu se segurar e foi substituído pelas sociais-democracias que causam crises e mais crises mundo afora."

    Não é culpa do liberalismo que ideias fundamentadas na inveja e avanço dos grupos de interesses tenham ganhado força. Liberalismo já provou ser possível. Houve momentos da história em que suas ideias predominavam e existe ainda países com regimes próximos ao seu modelo, como Hong Kong. Então é possível.

    Agora anarcocapitalismo, isso não só nunca existiu, como vocês ainda tem que provar como uma região pode se desenvolver sem uma instituição que monopoliza a jurisdição. Na minha opinião, anarquia é caos, e no caos não existe progresso.
  • Anonimo.  07/01/2016 13:28
    'Se não há monopólio de jurisdição não existe certeza de nada. Sua propriedade não tem garantia de nada, logo não haverá investimento e poupança. '

    Não existe monopólio de jurisdição entre os países do mundo, isso significa que eles não fazem poupança?
  • Ton Castilhos  05/08/2015 23:09
    "A geração de hoje cresceu num mundo em que, na escola e na imprensa, o espírito da livre iniciativa é apresentado como indigno e o lucro como imoral, onde se considera uma exploração dar emprego a cem pessoas, ao passo que chefiar o mesmo número de funcionários públicos é uma ocupação honrosa." ?Friedrich Hayek



    como essa afirmação seria socialista ?
  • Mr. Magoo  06/08/2015 11:04
    ..."Sem receitas fiscais o socialismo é impossível; com elas o socialismo é inevitável."... - Frank Chodorov.

    https://mises.org/library/how-capitalists-help-build-socialism
  • Giancarlo  06/08/2015 20:09
    O cara ganhou um Nobel, o que já é um bom indicativo de desconfiança.
  • Vitor  06/01/2016 17:03
    Quanto mais leio Hoppe e depois de ler os comentários (mesmo que antigos), chego a conclusão que o radicalismo é o monopólio da razão. Como se um punhado de indivíduos pudessem impor uma visão única de mundo a outros. Beira o fanatismo isso. A razão não possui estágio final nem nas ciências ditas exatas, quanto mais em ciências sociais e econômicas. Inclusive esse radicalismo opera contra quem simpatiza com algumas ideias, que vê posturas intransigentes de quem as defende e sente certa repulsa, visto que intransigência é uma violência no trato dos argumentos.

    Provavelmente a essência da ideia radical pode ser interessante, mas o tombo e a decepção de quem a defende dessa maneira tende a ser descomunal.
  • Assis Utsch  27/02/2016 14:55
    Em seu livro O Caminho da Servidão (p.92), Hayek diz : "A dicotomia entre a intervenção ou a não intervenção do estado é inteiramente falsa, e o termo laissez-faire é uma definição bastante ambígua e ilusória dos princípios em que se baseia uma política liberal. Está claro que todo estado tem de agir, e toda ação do estado implica intervir nisto ou naquilo. [...] O importante é saber se o indivíduo pode prever a ação do estado e utilizar esse conhecimento como um dado na elaboração de seus planos particulares - [...] - ou se o estado está em condições de frustrar os esforços individuais". (p.92)
  • Assis Utsch  27/02/2016 15:13
    Infelizmente os liberais nem os neoliberais - têm clareza sobre as funções do Estado. Um parâmetro seria por exemplo que o Estado só exerça as chamadas funções indelegáveis. Mas mesmo isto varia conforme o nível de intervenção que cada um admita. Por exemplo, justiça é indelegável, mas a Prefeitura de Belo Horizonte nos anos 1960 credenciava escritórios privados de advogados para cobrar sua Dívida Ativa, uma função de natureza judicial. As Juntas Arbitrais também são privadas e substituem a Justiça em muitas questões judiciais. Pergunta-se ainda : por que os museus, casas de cultura, muitos parques, praças desportivas municipais, etc, não poderiam ser objeto de concessões a empresas particulares, evitando-se que o escasso dinheiro público fosse gasto com essas coisas?
  • Anonimo  14/03/2016 17:51
    Mises não tinha tanta diferença em relação a Hayek quanto ao que defendia e quanto ao método com o qual defendia seus modelos político-econômicos.

    Mises não era tão radical quanto ao laissez-faire como muitos imaginam. Esse trecho de Ação Humana dispensa comentários:

    "A economia não aprova e nem desaprova as medidas restritivas do governo. Cabe-lhe apenas esclarecer as consequências dessas medidas. A escolha das políticas a serem adotadas é de incumbência do povo. Mas, ao escolher, os cidadãos, se pretendem atingir os seus objetivos, deviam considerar os ensinamentos da economia. Existem certamente casos para os quais as pessoas podem considerar justificáveis certas medidas restritivas. Os regulamentos de prevenção de incêndios são restritivos e aumentam o custo de produção. Mas a diminuição da produção daí decorrente é o preço a ser pago para evitar um grande desastre. A decisão sobre cada medida restritiva deve ser tomada com base em meticulosa ponderação dos custos e dos benefícios. Nenhuma pessoa razoável se oporia a isso."

    Ludwig von Mises, Ação Humana, p. 848

    Além disso, ele rejeitava totalmente a doutrina do direito natural, o que, somado ao trecho anterior, o faz ser bem mais próximo de Hayek do que de Rothbard ou Hoppe. Se Mises fosse convencido de que as concessões que Hayek defendiam eram boas do ponto de vista social, ele as abraçaria, e não, como Hoppe ou Rothbard, as rejeitaria a priori:

    [...] os ensinamentos da filosofia utilitarista e da economia clássica não têm nada a ver com a doutrina do direito natural. Para elas, o que realmente importa é a utilidade social. Recomendam governo popular, propriedade privada, tolerância e liberdade. Não por serem naturais e justos, mas por serem benéficos. A essência da filosofia de Ricardo é a demonstração de que a cooperação social e a divisão do trabalho são benéficas tanto aos grupos de homens que sob todos os aspectos, são mais eficientes e superiores, como aos grupos de homens menos eficientes e inferiores. Bentham, o radical, clamava: "Direitos naturais é puro nonsense; direitos naturais e imprescritíveis, nonsense retórico". Para ele, "o único objetivo do governo devia ser a maior felicidade do maior número possível de membros da comunidade"."

    Ludwig von Mises, Ação Humana, p. 217
  • Assis Utsch  15/03/2016 15:51
    A economia, como todas as ciências sociais, está sujeita ao espírito da época (zeitgeist). Nesse sentido, ela estará sujeita ao imaginário da população do país. Por outro lado, os liberais ou os neoliberais nunca fizeram o que os socialistas fizeram : a difusão ou doutrinação de seu pensamento. Qual é o nível de intervenção do Estado? Nunca há consenso entre os liberais. Um dos parâmetros seria por exemplo que o Estado fizesse apenas o indelegável, aquilo que fosse incompativel com o exercício privado - a legislação ou regulamentação, a administração da justiça, as relações diplomáticas, a segurankça que não pudesse ser exercida por particulares, além do fato de que o Estado deve ter também uma função indutora, emancipadora, incentivadora.
  • Josué Maia  11/07/2016 23:53
    Creio que este texto tem sérias limitações, o que já se era de esperar quando se tem algo tão curto para discutir uma questão tão imensa.FOra os "ad hominens" do tipo "ninguém leu isso, poucos leram aquilo". Peguemos o texto em que Hayek se concentra na definição de sociedade livre - The principles of a Liberal Social Order. O que se vê aí é uma execração de noções como justiça distributiva e, para não precisar me estender ainda mais, a como a infiltração do direito público no direito privado levaria (como no caso da Alemanha Nazista) ao totalitarismo. Deixo ainda uma citação direta:

    "O ideal de utilizar os poderes coercitivos do governo para realizar a justiça "positiva" (isto é, social ou distributiva) leva, no entanto, não apenas necessariamente à destruição da liberdade individual, que alguns podem acreditar não ser um preço demasiado alto, mas também se revela, quando examinado, uma miragem ou ilusão que não pode ser atingido sob quaisquer circunstâncias, porque pressupõe um acordo sobre a importância relativa dos diferentes objetivos concretos, o qual não pode existir numa grande sociedade cujos membros não se conhecem uns aos outros nem conhecem os mesmos fatos específicos."
  • Luigi Carlo Favaro  01/08/2016 19:49
    É que Hayek estava de olho em um problema histórico de origem mais prática: no curso das civilização, com o aumento da liberdade individual o gênio floresce e as sociedades nestes estágios tendem a dispersão. Tal dispersão de uma perspectiva globalista e portanto utópica não se apresenta como problema em um primeiro momento, todavia, no mundo da vida as coisas não funcionam assim, explico: Uma sociedade dispersa tende a vulnerabilidade social e pode ser alvo de sociedades mais coesas. Isto tem sido assim durante todo o curso da história humana. Sempre será necessário um núcleo coeso para defesa de interesses nacionais, ainda que difusos. Isso por si só já justifica a existência de um exército nacional mas, Hayek acerta em cheio ao prever um exercito com força militar apenas para defesa nacional. Se seu vizinho compra uma pistola ou espingarda e alega a auto-defesa como direito para poder adquirir tal arma não há problema nenhum entretanto, se em nome dessa auto defesa ele compra três bazucas, 5 metralhadoras, centenas de granadas e até um tanque no jardim! Não é de auto-defesa que ele esta falando meu irmão! Um exército não pode ter mais poder de fogo do que o necessário para defender seu território, caso contrário, estará praticando domínio psicológico aos que não tem acesso a tal defesa.
    Sobre estado e imposto, bom, o Hayek se empenhava, e talvez tenha sido mal entendido, é que existe uma grande diferença entre um estado dominador e uma estado em "condomínio". Tal diferença é mensurada através da "rastreabilidade tributária", quando o cidadão sabe exatamente para onde, quanto e como o imposto pago é aplicado, ele sabe exatamente o que cobrar, quanto cobrar e quando cobrar e têm força, como eleitor, para fazer recall dos políticos que não correspondem as suas expectativas. Não a toa, os países com maior liberdade econômica são parlamentaristas...
  • Rafael  24/02/2017 01:06
    Hayek era neoliberal?


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